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Colaboração dos stakeholders públicos e privados na descarbonização de Guimarães – a adesão ao Pacto Climático como iniciativa para a neutralidade climática até 2030

Oliveira, Ana Cláudia Silva

Abstract

O presente relatório surge na sequência do estágio realizado no Laboratório da Paisagem, entre os meses de outubro de 2024 e janeiro de 2025. A temática pretende focar a importância e relevância das ações de stakeholders públicos e privados na descarbonização de Guimarães. A investigação debruça-se, em particular, sobre o Pacto Climático de Guimarães, e a participação das empresas e organizações signatários e não signatárias do mesmo. Pretende-se perceber qual o ponto de situação destas organizações e empresas no que toca ao estado da sua assinatura, ao compromisso assumido, às dificuldades encontradas e às expectativas futuras. Para isto, realizou-se um questionário que foi enviado para empresas e organizações do concelho de Guimarães, ao qual se obteve um total de 28 respostas. O inquérito teve como objetivo aprofundar o conhecimento sobre o que as empresas de Guimarães pensam sobre o Pacto Climático, bem como sobre a adoção de medidas para o desenvolvimento sustentável. Pretendia-se com esta abordagem compreender o nível de compromisso e envolvimento das empresas vimaranenses nesta iniciativa, tendo em conta que se trata de uma iniciativa de adesão voluntária, criada pelo Município de Guimarães com o objetivo de tornar Guimarães mais sustentável através da colaboração de empresas publicas e privadas. Dos resultados destaca-se a vontade da maioria das empresas e organizações inquiridas em adotar metas ambientais mais ambiciosas, alinhadas com os objetivos da União Europeia. No entanto, muitas enfrentam barreiras como a falta de recursos humanos especializados e falta de incentivos financeiros e tecnológicos, o que compromete o compromisso aliado aos ideais do Pacto Climático.

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Ana Cláudia Silva Oliveira Colaboração dos stakeholders públicos e privados na descarbonização de Guimarães – a adesão ao Pacto Climático como iniciativa para a neutralidade climática até 2030 Abril de 2025 ii 3 Ana Cláudia Silva Oliveira Colaboração dos stakeholders públicos e privados na descarbonização de Guimarães – a adesão ao Pacto Climático como iniciativa para a neutralidade climática até 2030 Dissertação de Mestrado em Economia Social Trabalho efetuado sob a orientação de Professora Doutora Lígia Maria Costa Pinto Braga, abril de 2025 i DIREITOS DE AUTOR E CONDIÇÕES DE UTILIZAÇÃO DO TRABALHO POR TERCEIROS Este é um trabalho académico que pode ser utilizado por terceiros desde que respeitadas as regras e boas práticas internacionalmente aceites, no que concerne aos direitos de autor e direitos conexos. Assim, o presente trabalho pode ser utilizado nos termos previstos na licença abaixo indicada. Caso o utilizador necessite de permissão para poder fazer um uso do trabalho em condições não previstas no licenciamento indicado, deverá contactar o autor, através do RepositóriUM da Universidade do Minho. Licença concedida aos utilizadores deste trabalho Atribuição-NãoComercial CC BY-NC https://creativecommons.org/licenses/by-nc/4.0/ ii Agradecimentos: À professora Lígia Pinto, por ter embarcado comigo neste projeto. Ao Dr. Carlos Ribeiro, por todo o incansável acompanhamento durante o estágio no Laboratório da Paisagem. Aos professores e colegas da Escola de Economia e Gestão da Universidade do Minho com quem tive o gosto de partilhar ideias e experiências ao longo do Mestrado em Economia Social. A toda a equipa do Laboratório da Paisagem pelo acolhimento, envolvimento e partilha de conhecimentos que levarei para a vida. Aos meus pais pelo amor, compreensão e apoio incondicional ao longo de todo este percurso. À minha irmã, Anabela, por ser a razão de eu querer ser sempre a minha melhor versão. “What you do makes a difference, and you have to decide what kind of difference you want to make.” (Jane Goodall) iii DECLARAÇÃO DE INTEGRIDADE Declaro ter atuado com integridade na elaboração do presente trabalho académico e confirmo que não recorri à prática de plágio nem a qualquer forma de utilização indevida ou falsificação de informações ou resultados em nenhuma das etapas conducente à sua elaboração. Mais declaro que conheço e que respeitei o Código de Conduta Ética da Universidade do Minho. iv Resumo Título: Colaboração dos stakeholders públicos e privados na descarbonização de Guimarães – a adesão ao Pacto Climático como iniciativa para a neutralidade climática até 2030 O presente relatório surge na sequência do estágio realizado no Laboratório da Paisagem, entre os meses de outubro de 2024 e janeiro de 2025. A temática pretende focar a importância e relevância das ações de stakeholders públicos e privados na descarbonização de Guimarães. A investigação debruça-se, em particular, sobre o Pacto Climático de Guimarães, e a participação das empresas e organizações signatários e não signatárias do mesmo. Pretende-se perceber qual o ponto de situação destas organizações e empresas no que toca ao estado da sua assinatura, ao compromisso assumido, às dificuldades encontradas e às expectativas futuras. Para isto, realizou-se um questionário que foi enviado para empresas e organizações do concelho de Guimarães, ao qual se obteve um total de 28 respostas. O inquérito teve como objetivo aprofundar o conhecimento sobre o que as empresas de Guimarães pensam sobre o Pacto Climático, bem como sobre a adoção de medidas para o desenvolvimento sustentável. Pretendia-se com esta abordagem compreender o nível de compromisso e envolvimento das empresas vimaranenses nesta iniciativa, tendo em conta que se trata de uma iniciativa de adesão voluntária, criada pelo Município de Guimarães com o objetivo de tornar Guimarães mais sustentável através da colaboração de empresas publicas e privadas. Dos resultados destaca-se a vontade da maioria das empresas e organizações inquiridas em adotar metas ambientais mais ambiciosas, alinhadas com os objetivos da União Europeia. No entanto, muitas enfrentam barreiras como a falta de recursos humanos especializados e falta de incentivos financeiros e tecnológicos, o que compromete o compromisso aliado aos ideais do Pacto Climático. Palavras-chave: Stakeholders; Descarbonização; Sustentabilidade; Guimarães v Abstract Title: Collaboration of public and private stakeholders in the decarbonization of Guimarães - joining the Climate Pact as an initiative for climate neutrality by 2030 This report follows the internship carried out at the Landscape Laboratory between October 2024 and January 2025. The theme aims to focus on the importance and relevance of the actions of public and private stakeholders in the decarbonization of Guimarães. The research focuses in particular on the Guimarães Climate Pact, and the participation of signatory and non-signatory companies and organizations. The aim is to understand the state of play of these organizations and companies with regard to the status of their signature, the commitment made, the difficulties encountered and future expectations. To this end, a questionnaire was sent to companies and organizations in the municipality of Guimarães, to which a total of 28 responses were received. The aim of the survey was to gain a deeper understanding of what companies in Guimarães think about the Climate Pact, as well as the adoption of measures for sustainable development. The aim was to understand the level of commitment and involvement of Guimarães companies in this initiative, bearing in mind that it is a voluntary initiative created by the Municipality of Guimarães with the aim of making Guimarães more sustainable through the collaboration of public and private companies. The results show that most of the companies and organizations surveyed are willing to adopt more ambitious environmental targets, in line with the European Union's objectives. However, many face barriers such as a lack of specialized human resources and a lack of financial and technological incentives, which compromise their commitment to the ideals of the Climate Pact. Keywords: Stakeholders; Decarbonization; Sustainability; Guimarães vi Índice 1. Introdução .............................................................................................................. 8 2. Revisão de Literatura ............................................................................................ 11 2.1. Teoria dos stakeholders, teoria do empreendedorismo sustentável e economia dos comuns ........................................................................................................................................................ 11 2.2. Alterações climáticas e bens comuns ........................................................................... 14 2.3. Economia social como forma de responder aos desafios da gestão de bens comuns ..... 17 2.4. Cidades sustentáveis .................................................................................................... 20 2.5. Alterações climáticas no contexto das cidades .............................................................. 21 2.6. Empresas e sustentabilidade ........................................................................................ 27 3. Estudos de caso: Guimarães, Vitoria-Gasteiz e Birmingham .................................. 29 3.1. Guimarães ................................................................................................................... 29 3.1.1. O Pacto Climático de Guimarães .................................................................... 33 3.1.2. O Laboratório da Paisagem ............................................................................ 33 3.2 Outros casos de estudo .................................................................................................. 35 4. O estágio no Laboratório da Paisagem ................................................................. 40 4.1. Problemática e Desenvolvimento do Questionário .......................................................... 41 4.2. Análise de resultados do questionário ............................................................................ 43 4.2.1 Análise dos signatários do Pacto ..................................................................... 45 4.2.2. Análise dos não signatários do Pacto .............................................................. 51 5. Discussão de resultados .................................................................................................. 56 6. Considerações Finais ....................................................................................................... 58 Bibliografia .................................................................................................................................... 60 Anexos ........................................................................................................................................... 63 1. Mensagem enviada junto ao inquérito ............................................................................... 63 13 posição em questões sociais, evidenciando o impacto estratégico desse ativismo no mercado (Bhagwat et al; 2020). A crescente pressão das partes interessadas tem levado as empresas a expandirem o seu papel para além da geração de riqueza para os acionistas, exigindo que também proporcionem benefícios sociais e ambientais. Tradicionalmente, essa responsabilidade era abordada por meio da “Responsabilidade Social Empresarial (RSE)”, que incluía práticas filantrópicas, ações ambientais e compromissos éticos. No entanto, espera-se cada vez mais que as empresas adotem posturas ativas em debates sociopolíticos, um fenómeno conhecido como “Ativismo Sociopolítico Empresarial” (Bhagwat et al; 2020); (Buysse e Verbeke; 2003). O Ativismo Sociopolítico Empresarial pode fortalecer as relações com determinados stakeholders que compartilham dos mesmos valores da empresa, aumentando a lealdade do consumidor e diferenciando a marca no mercado. Entretanto, essa postura também apresenta riscos, pois pode alienar clientes, investidores e parceiros que discordam do posicionamento adotado. Além disso, as questões sociopolíticas são dinâmicas e evoluem ao longo do tempo. Temas que anteriormente geravam controvérsia, como o sufrágio universal feminino, hoje são amplamente aceites, enquanto novas normas emergem constantemente no debate público (Bhagwat et al; 2020). A pressão das partes interessadas para que as empresas assumam responsabilidades sociais e políticas reflete uma transformação no papel corporativo na sociedade contemporânea. O ativismo sociopolítico empresarial não é apenas uma tendência, mas uma estratégia que pode impactar significativamente a perceção da marca e a sua relação com consumidores e investidores. No entanto, para que essa abordagem seja eficaz, é fundamental que as empresas alinhem as suas ações aos seus valores institucionais e avaliem cuidadosamente os impactos dos seus posicionamentos no mercado. Ao contrário da atividade política empresarial tradicional, que procura influenciar políticas públicas para obter benefícios financeiros diretos, o ativismo sociopolítico empresarial frequentemente visa apoiar causas sociais sem retornos económicos imediatos. No entanto, empresas que demonstram coerência e autenticidade nos seus posicionamentos podem construir uma reputação sólida e obter vantagens competitivas a longo prazo (Bhagwat et al; 2020). Além das teorias dos Stakeholders e do Empreendedorismo Sustentável (Sustainable Entrepreneurship), outra hipótese teórica relevante para analisar a relação entre cidades sustentáveis e economia social é a Economia dos Comuns (Commons Theory). Soares (2020) explora como uma 14 economia fundamentada em desejos partilhados pode originar práticas que beneficiam as comunidades em vez dos acionistas. A economia dos comuns define-se como um sistema no qual múltiplos contribuintes cocriam valor por meio de recursos partilhados, mantidos e governados por uma comunidade de utilizadores. Este modelo enfatiza a colaboração e a gestão coletiva de bens e serviços, promovendo uma economia mais regenerativa e orientada para o bem-estar comunitário. Soares (2020) descreve o caso da Enspiral, uma rede de profissionais e empresas cujo propósito é capacitar e apoiar o empreendedorismo social. As equipas da Enspiral fornecem uma gama de serviços, incluindo o desenvolvimento personalizado de sítios eletrónicos e aplicações, a gestão de projetos e outros serviços especializados em iniciativas que visam criar valor social. A autora argumenta que as atividades da Enspiral não são extrativas nem orientadas para o lucro, mas sim focadas em práticas de valor que transcendem as pressões do mercado capitalista. Este exemplo demonstra como a economia dos comuns pode ser aplicada na prática, promovendo a cocriação de valor e fortalecendo comunidades através de modelos de negócio colaborativos e sustentáveis (Soares; 2020). 2.2. Alterações climáticas e bens comuns A transição climática exige uma abordagem “multidimensional”, que integre aspetos governativos, económicos, sociais e ambientais (Environmental Social Governance). Nesse sentido, políticas públicas sustentáveis devem ser concebidas de forma transversal, influenciando todas as áreas estratégicas, incluindo a energia, indústria, mobilidade, produção e consumo sustentáveis, biodiversidade e cidades inteligentes. A eficiência energética assume um papel crucial, particularmente no setor residencial e industrial, onde os níveis de intensidade carbónica ainda são elevados. O reforço da mobilidade sustentável, por meio de investimentos em infraestruturas de transportes públicos, veículos limpos e soluções de mobilidade ativa, é igualmente essencial para a redução da pegada ecológica dos centros urbanos (Câmara Municipal de Guimarães; n.d.). A transição para um modelo de desenvolvimento sustentável e a mitigação das alterações climáticas constituem prioridades fundamentais no quadro europeu e global. Em alinhamento com os objetivos estratégicos da União Europeia (UE), o programa “Portugal 2030” estrutura-se em torno da promoção de uma economia mais verde e sustentável, em conformidade com o “Acordo de Paris” e os “Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS)” da “Agenda 2030 das Nações Unidas”. Portugal compromete-se, assim, a atingir a “neutralidade carbónica até 2050”, promovendo a “descarbonização”, a “economia circular” e a “preservação da biodiversidade e dos ecossistemas” (Portugal 2030; 2022). 15 A transição energética representa um dos maiores desafios para a descarbonização da economia. A substituição de combustíveis fósseis por fontes renováveis – como energia solar, eólica, geotérmica, biomassa e hidroelétrica – é essencial para reduzir a dependência energética e mitigar as emissões de GEE. A eficiência na utilização dos recursos deve ser complementada por uma estratégia de produção e consumo sustentáveis, promovendo a economia circular e minimizando a extração de matérias-primas (Velonaki, A.; 2021). A economia circular propõe um modelo de produção sustentável, onde resíduos de um setor se tornam inputs para outro. Essa abordagem depende do envolvimento ativo de stakeholders para a sua implementação bem-sucedida. Os quatro pilares da economia circular incluem: (European Network of Living Labs; 2017). 1. Produção mais limpa e economicamente viável. 2. Conscientização de produtores e consumidores. 3. Uso de tecnologias renováveis. 4. Políticas claras para garantir a transição sustentável. A participação dos stakeholders é fundamental para a adoção deste modelo, promovendo inovação e eficiência nos processos produtivos e logísticos. A concretização de um modelo de desenvolvimento sustentável depende da implementação de políticas transversais, sustentadas por uma abordagem integrada que envolva governos, setor privado e sociedade civil. A transição climática exige um esforço coordenado para reduzir as emissões de GEE, promover a eficiência energética, investir em mobilidade sustentável e assegurar a conservação dos ecossistemas. No contexto europeu, a agenda climática e ambiental tem vindo a ganhar força, refletindose em compromissos vinculativos como o “Pacto Ecológico Europeu” e o “Portugal 2030”. O sucesso destas estratégias dependerá da capacidade de conciliar crescimento económico, inclusão social e preservação ambiental, garantindo um futuro sustentável para as próximas gerações. A UE estabeleceu metas ambiciosas, nomeadamente a redução de 55% das emissões até 2030, com vista a alcançar a neutralidade climática até 2050. O comércio europeu de licenças de emissão (CELE), criado pela Diretiva 2003/87, tem sido um instrumento-chave na precificação do carbono e na promoção da descarbonização dos setores industriais e energéticos. A reforma legislativa climática em curso inclui a revisão da Diretiva sobre a Tributação da Energia, de forma a refletir o impacto ambiental dos combustíveis (Conselho Europeu; 2020). 16 A cooperação internacional e a governança climática são fatores críticos para a concretização de uma transição eficaz. O envolvimento da sociedade civil, nomeadamente através de iniciativas como a “Iniciativa de Cidadania Europeia” (Tosun, J. et al; 2023) e o “Pacto Europeu para o Clima”, tem permitido o reforço da participação cidadã e a promoção de políticas climáticas mais ambiciosas. Os embaixadores do Pacto, enquanto intermediários entre comunidades e decisores políticos, desempenham um papel relevante na mobilização social e na disseminação de boas práticas ambientais (Tosun, J. et al; 2023). No âmbito das políticas ambientais internacionais, a Organização das Nações Unidas (ONU) lançou, em 2016, a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável, estruturada em 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). Estes incluem medidas para garantir o acesso a energia limpa e acessível, promover o crescimento económico sustentável, fomentar a inovação, melhorar a gestão de resíduos e adotar políticas eficazes para combater as alterações climáticas. A implementação dessas metas requer o envolvimento de diversos atores, incluindo governos, setor privado e sociedade civil, garantindo uma abordagem integrada e inclusiva (BCSD Portugal; 2022). A nível setorial, a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) definiu uma Estratégia para as Alterações Climáticas no seu Quadro Estratégico 2022-2031, visando transformar os sistemas agroalimentares em estruturas mais eficientes, resilientes e sustentáveis. Para tal, destaca-se a necessidade de envolver agricultores, pescadores, criadores de gado e comunidades locais na adoção de boas práticas sustentáveis, baseadas em evidências científicas e inovação tecnológica. Esta abordagem inclusiva pressupõe a colaboração entre entidades públicas e privadas, promovendo soluções partilhadas para os desafios climáticos (FAO; 2022). O setor industrial desempenha um papel fundamental neste processo, sendo necessário investir em infraestruturas resilientes e inovação tecnológica para garantir uma industrialização sustentável e inclusiva. O desenvolvimento de cadeias de abastecimento sustentáveis, aliando conformidade com padrões ambientais, eficiência no uso de recursos e investimentos sustentáveis, é um elemento-chave para a construção de uma economia global mais equitativa e ambientalmente responsável (UNIDO; 2023). Em Portugal, a perceção da importância da sustentabilidade ambiental tem evoluído ao longo das últimas décadas. No entanto, de acordo com Rabaça (2015), a sociedade portuguesa tem demonstrado uma postura mais reativa do que proativa na implementação de políticas ambientais. Esta tendência reflete-se na participação cívica marginal na definição de estratégias ecológicas, apesar do reconhecimento do valor económico dos serviços ecossistémicos, como a regulação climática, a 17 purificação da água e a polinização agrícola. A delapidação do coberto florestal, a erosão dos solos e a destruição de zonas húmidas são exemplos dos impactos ambientais que comprometem a sustentabilidade a longo prazo (Rabaça; 2015). A crescente exigência da sociedade por respostas eficazes às preocupações ambientais tem levado as organizações a adotar medidas que minimizem o impacto ambiental das suas atividades. A sustentabilidade global, conforme definida pelo relatório Brundtland (WCED, 1987), refere-se à capacidade de satisfazer as necessidades do presente sem comprometer as das gerações futuras, promovendo um desenvolvimento humano inclusivo, equitativo e responsável. Assim, uma organização sustentável não apenas contribui para o desenvolvimento sustentável, mas também equilibra os seus resultados económicos, sociais e ambientais (Viaro, T. et al 2011). 2.3. Economia social como forma de responder aos desafios da gestão de bens comuns A ciência económica aponta que falhas de mercado dificultam a resolução de problemas ambientais e, muitas vezes, incentivam comportamentos empresariais prejudiciais ao meio ambiente. No entanto, o empreendedorismo sustentável diferencia-se do empreendedorismo social ao procurar oportunidades lucrativas que também atendam à dimensão ambiental. Historicamente, economistas identificaram cinco categorias de falhas de mercado que podem representar oportunidades para empreendedores ambientais: bens públicos, externalidades, poder de monopólio, intervenção governamental inadequada e informação imperfeita (Dean, T.J.; McMullen, T.J. 2007). Os bens públicos, pela sua natureza de não exclusividade e não rivalidade, são particularmente vulneráveis à degradação ambiental. Soluções empreendedoras podem atender a essa procura social não suprida de maneira economicamente viável. As externalidades, tanto positivas quanto negativas, também geram oportunidades. Enquanto externalidades negativas, como a poluição industrial, requerem soluções regulatórias e empresariais, externalidades positivas, como os benefícios ambientais de tecnologias sustentáveis, podem ser exploradas por empreendedores para criar valor económico e ecológico (Dean, T.J.; McMullen, T.J. 2007). O poder monopolista representa outra falha de mercado, pois limita a oferta e encarece bens e serviços. Empreendedores ambientais podem desafiar monopólios por meio da introdução de inovações, como tecnologias de energia renovável e geração distribuída, promovendo tanto a competitividade 18 económica quanto a redução de impactos ambientais. Da mesma forma, a intervenção governamental inadequada, ao criar distorções nos incentivos económicos, pode abrir espaço para estratégias empreendedoras que modifiquem subsídios e políticas públicas para favorecer práticas sustentáveis. A informação imperfeita, por fim, gera barreiras tanto no lado da produção quanto do consumo. No primeiro caso, a falta de conhecimento sobre alternativas sustentáveis pode levar à degradação ambiental. No segundo, consumidores mal informados podem continuar a adquirir produtos prejudiciais ao meio ambiente. Empreendedores podem atuar informando os consumidores e criando mercados para produtos ambientalmente superiores, favorecendo a transição para uma economia mais sustentável (Dean e McMullen; 2007). A Economia Social constitui uma forma de organização de atividades potencialmente adequada à resolução de problemas associados às falhas de mercado identificadas, em particular as relacionadas com a gestão de bens comuns de natureza ambiental ou social. O conceito de economia social tem sido alvo de um intenso debate nos últimos anos, procurandose estabelecer um fio condutor que permita compreender de forma consistente o seu significado. A distinção entre economia social e outros conceitos correlacionados, como terceiro setor, organizações sem fins lucrativos e economia solidária, apresenta desafios, sendo feita frequentemente com base em critérios subjetivos ou pouco concretos do ponto de vista científico (Caeiro, 2008). A origem do conceito remonta à terminologia francesa e às práticas de solidariedade interclassistas desenvolvidas como resposta às transformações económicas e sociais da Revolução Industrial, influenciadas pelo pensamento dos socialistas utópicos do século XIX. Esta perspetiva deu origem a formas organizacionais como as associações, cooperativas e mutualidades, impulsionando movimentos associativos operários. A partir da década de 1970, devido à crise do Estado-providência, a economia social voltou a ganhar relevância, especialmente em França, onde a proximidade entre os movimentos cooperativos e mutualistas contribuiu para a sua consolidação. Em Portugal, a economia social tem raízes nas misericórdias, que desde o século XVIII assumiram um papel central na assistência social, e nas mutualidades, que desempenharam um papel socioeconómico relevante nos séculos XIX e XX (Caeiro, 2008). A economia social pode ser entendida como um conjunto de atividades de dimensão económica, realizadas por entidades privadas sem fins lucrativos com objetivos sociais. Essas entidades caracterizam-se por uma ética comum assente na solidariedade e na prestação de serviços aos seus membros e ao interesse geral, sendo as cooperativas uma das suas representações mais genuínas. A 19 economia solidária, por sua vez, insere-se no contexto da economia social, com ênfase na intervenção ecológica, no desenvolvimento local e na autogestão. Algumas abordagens consideram-na como a expressão externa da economia social, baseada num sistema de valores que orienta a gestão das suas instituições (Caeiro, 2008). As entidades da economia social regem-se por princípios jurídicos, económicos e sociológicos que delimitam o seu campo de intervenção. Entre os critérios fundamentais encontram-se: identificação recíproca entre os membros e a atividade empresarial; igualdade entre os associados, independentemente da sua contribuição financeira; gestão autónoma e democrática; primado do trabalho e das pessoas sobre o capital; e prossecução do bem-estar social e da coesão comunitária. As organizações de economia social situam-se entre o setor público e o privado, promovendo a participação dos trabalhadores na propriedade, gestão e resultados das empresas. O seu papel revela-se essencial na formulação de políticas de emprego e na mitigação do desemprego, preenchendo lacunas deixadas pelo mercado e pelo Estado (Caeiro, 2008). No contexto português, as principais entidades da economia social incluem cooperativas, associações mutualistas, misericórdias, fundações, instituições particulares de solidariedade social (IPSS) e outras organizações com fins altruísticos. As cooperativas são associações de pessoas que se organizam voluntariamente para satisfazer um interesse comum, através de uma estrutura democrática e participativa. As mutualidades têm como principal objetivo a concessão de benefícios de segurança social e saúde, promovendo simultaneamente a qualidade de vida dos seus associados. As misericórdias são as instituições sociais mais antigas em Portugal, desempenhando um papel fundamental na assistência à população desde o século XV. As IPSS, reguladas pelo Decreto-Lei n.º 119/83, de 25 de fevereiro, incluem diversas formas organizacionais, como associações de solidariedade social, voluntariado e fundações de solidariedade social, atuando em áreas como apoio à infância, família, integração social, saúde e educação (Carneiro, 2006). A economia social desempenha um papel determinante na promoção da justiça social e da equidade, destacando-se num contexto de crise económica e financeira. Face à incapacidade do mercado em garantir a inclusão social e ao enfraquecimento do Estado-providência, a economia social emerge como uma terceira via, promovendo o desenvolvimento económico e social. O seu impacto estende-se à criação de empresas e instituições que combinam eficiência económica com inclusão social e coesão comunitária (Diário da república, 2013). 20 O quadro jurídico português define os princípios orientadores da economia social, destacandose o primado das pessoas e dos objetivos sociais, a adesão e participação livre, a gestão democrática, a conciliação entre interesses individuais e coletivos, e a transparência e responsabilidade social. O Estado desempenha um papel fundamental na promoção destes princípios, estimulando a criação e desenvolvimento das entidades da economia social, removendo obstáculos à sua atividade e incentivando a inovação e a formação profissional no setor (Diário da república, 2013). Em suma, a economia social assume uma relevância crescente na sociedade contemporânea, apresentando-se como uma alternativa viável aos modelos tradicionais de organização económica. A sua atuação, baseada em valores de solidariedade e participação democrática, permite responder a desafios sociais e económicos, promovendo um desenvolvimento mais equitativo e sustentável. 2.4. Cidades sustentáveis O ordenamento do território e a gestão dos recursos naturais são igualmente determinantes para garantir o equilíbrio ecológico e a segurança climática. A ocupação inadequada de solos urbanos pode potenciar problemas ambientais como deslizamentos, inundações e ilhas de calor, que exigem políticas integradas de conservação da biodiversidade, gestão hídrica e proteção dos ecossistemas urbanos. A implementação de infraestruturas verdes nas cidades, incluindo parques urbanos e corredores ecológicos, contribui para a regulação climática e a melhoria da qualidade de vida (Câmara Municipal de Guimarães; n.d.). No contexto da logística urbana sustentável, os laboratórios vivos desempenham um papel crucial ao promover relações de cooperação de longo prazo entre stakeholders. Esses espaços, físicos ou virtuais, reúnem empresas, órgãos públicos, universidades e usuários para testar e implementar soluções inovadoras em um ambiente real (European Network of Living Labs; 2017). Elementos fundamentais dos laboratórios vivos incluem: (European Network of Living Labs; 2017) • Apoio político e legislativo. • Comunicação eficaz entre stakeholders. • Monitoramento contínuo das soluções implementadas. • Transferência de conhecimento para aprimoramento contínuo. 21 A gestão eficiente dos stakeholders dentro dos laboratórios vivos permite que políticas de logística urbana sejam desenvolvidas de forma sustentável e colaborativa, garantindo benefícios tanto para empresas quanto para a sociedade (European Network of Living Labs; 2017). O empreendedorismo sustentável, a inovação social e o conceito de cidades inteligentes convergem para a construção de um futuro mais sustentável. A identificação e exploração de falhas de mercado permitem que empreendedores desenvolvam soluções lucrativas que também beneficiem o meio ambiente. A inovação social, por sua vez, complementa esse processo ao atender desafios não resolvidos pelo mercado tradicional. Por fim, as cidades inteligentes demonstram como a tecnologia pode ser aplicada para otimizar o uso dos recursos urbanos e ambientais, promovendo um equilíbrio entre crescimento económico e sustentabilidade ecológica. Dessa forma, ao integrar essas abordagens, é possível avançar para um modelo de desenvolvimento mais resiliente, sustentável e inclusivo, onde inovação, empreendedorismo e políticas públicas atuam de maneira sinérgica para enfrentar os desafios do século XXI. A inovação, especialmente a Inovação Social (IS), desempenha um papel crucial na resolução de desafios que nem o mercado nem o Estado conseguem atender. A inovação social concentra-se em problemas como demografia, pobreza, desemprego e capacitação comunitária, sendo reconhecida, em Portugal, na Visão Estratégica para a Região Centro 2030 como uma abordagem essencial para o desenvolvimento regional sustentável. Um exemplo prático dessa abordagem pode ser encontrado na Região de Aveiro, Portugal, composta por onze municípios que implementam iniciativas voltadas à inovação social e ao empreendedorismo sustentável (Pereira e Bittencourt; 2022). O desafio central da sustentabilidade não se resume a "o que fazer", mas requer a reflexão sobre o "como fazer". A implementação de políticas ambientais eficazes exige a colaboração de todos os agentes sociais, incluindo governos, empresas, instituições de ensino e cidadãos. Somente através de uma abordagem holística e participativa será possível garantir que as estratégias ambientais se traduzam em resultados concretos, promovendo um equilíbrio entre progresso económico e preservação ambiental (Rabaça; 2015). 2.5. Alterações climáticas no contexto das cidades As cidades são os principais motores das mudanças climáticas, consumindo 75% da energia mundial e sendo responsáveis por 80% das emissões globais de GEE. Além disso, enfrentam desafios como escassez de água, eventos climáticos extremos e impactos na biodiversidade (Niemelä, 1999). Empresas, como agentes urbanos essenciais, influenciam diretamente a emissão de CO₂, fornecendo 22 bens e serviços às populações urbanas e podendo atuar na mitigação dos impactos ambientais (Whiteman et al; 2011). O crescimento populacional e a urbanização acelerada têm gerado desafios significativos para o desenvolvimento urbano, exigindo soluções inovadoras que promovam a qualidade de vida, equidade social e preservação ambiental. Nesse contexto, os conceitos de “cidades sustentáveis” e “cidades inteligentes” têm ganho destaque, embora possuam abordagens distintas. Enquanto as cidades sustentáveis priorizam a harmonia entre desenvolvimento económico, social e ambiental, as cidades inteligentes utilizam tecnologias avançadas para otimizar a gestão urbana e os serviços públicos (Ahvenniemi, H. et al; 2017). A transformação das cidades em cidades inteligentes tem sido discutida há décadas, mas a falta de um conceito claro ainda dificulta a implementação de soluções eficazes. A “gamificação” e o uso de tecnologias digitais podem desempenhar um papel fundamental na criação de cenários urbanos sustentáveis, permitindo que engenheiros, urbanistas e formuladores de políticas desenvolvam soluções inteligentes para os desafios urbanos (Cavada e Rogers; 2023). Uma cidade sustentável, por seu turno, fundamenta-se na preservação dos recursos naturais, na redução das desigualdades sociais e no desenvolvimento económico equilibrado. O foco está na minimização dos impactos ambientais e sociais e na garantia de um ambiente urbano saudável para as gerações presentes e futuras. Para isso, políticas voltadas à mobilidade sustentável, à eficiência energética, ao tratamento adequado de resíduos e à inclusão social são fundamentais (Orsiolli e Nobre; 2016). Por outro lado, o conceito de cidade inteligente está relacionado ao uso estratégico de tecnologia e inovação para aprimorar a infraestrutura urbana e a eficiência dos serviços públicos. O uso de big data, sensores inteligentes, inteligência artificial e Internet das Coisas (IoT) permite a automação e otimização de processos, como gestão do tráfego, monitoramento ambiental e segurança pública. Dessa forma, a cidade inteligente procura melhorar a conectividade e a eficiência da governança urbana (Ahvenniemi, H. et al; 2017). Embora apresentem abordagens distintas, cidades sustentáveis e cidades inteligentes não são conceitos excludentes. A tecnologia pode ser um meio para impulsionar a sustentabilidade, tornando as cidades mais resilientes, eficientes e equitativas. No entanto, nem toda cidade inteligente é 29 se às novas exigências do mercado, reduzindo impactos ambientais e fortalecendo a sua posição competitiva. A gestão ambiental tornou-se uma questão central para as empresas, especialmente no setor industrial, onde os gestores enfrentam o desafio de equilibrar competitividade e responsabilidade ecológica. Clientes, fornecedores e a sociedade civil exigem que as empresas minimizem os impactos negativos dos seus produtos e operações no meio ambiente. Neste contexto, duas abordagens dominam a gestão ambiental: a prevenção proativa da poluição, baseada em recursos estratégicos que podem proporcionar vantagem competitiva sustentável, e o controlo reativo da poluição, que se limita a mitigar danos sem gerar benefícios competitivos duradouros (Hart, 1995). As tecnologias ambientais são geralmente classificadas em três categorias: prevenção da poluição (Cairncross, 1992), sistemas de gestão ambiental (Dillon & Fischer, 1992) e controlo da poluição (Russo & Fouts, 1997). As estratégias empresariais devem, assim, evoluir de um modelo reativo para uma abordagem preventiva e sustentável (Klassen e Whybark; 1999). 3. Estudos de caso: Guimarães, Vitoria-Gasteiz e Birmingham 3.1 Guimarães Na região do Minho, onde se encontram ecossistemas com elevada importância ecológica e económica, a caracterização das ameaças e a implementação de boas práticas de gestão são essenciais para a adaptação às alterações climáticas. Os ecossistemas de água doce, particularmente vulneráveis às pressões humanas e às mudanças climáticas, enfrentam desafios como a degradação da qualidade da água e a sobre-exploração dos recursos hídricos. A gestão eficaz destes ecossistemas requer a ampliação de estações de tratamento de águas residuais, a adoção de um quadro legislativo robusto que promova a remoção de microplásticos e contaminantes emergentes, o fortalecimento da fiscalização dos cursos de água e a implementação de incentivos financeiros para práticas agrícolas sustentáveis (Valente et al; 2024). Guimarães, uma cidade histórica de importância fundamental para a formação de Portugal, tem demonstrado um compromisso crescente com a sustentabilidade e o desenvolvimento sustentável. O município, que abriga cerca de 156 mil habitantes (INE; 2023) e uma economia baseada na indústria e nos serviços, tem enfrentado desafios ambientais e urbanísticos, ao mesmo tempo em que implementa estratégias inovadoras para mitigar impactos e promover a resiliência ecológica. Esta análise procura 30 compreender as ações e impactos das políticas sustentáveis em Guimarães, com ênfase nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), na descarbonização, na biodiversidade e na integração de práticas empresariais alinhadas ao “Triple Bottom Line”. A sustentabilidade em Guimarães está intrinsecamente ligada ao seu histórico de crescimento industrial e às transformações urbanísticas que ocorreram ao longo dos séculos. A cidade, outrora um polo de curtumes e têxteis, tem avançado para um modelo de desenvolvimento mais sustentável, integrando políticas públicas e iniciativas privadas em prol da preservação ambiental e da inclusão social (Silva et al; 2020). O conceito de sustentabilidade em Guimarães apoia-se no “Tripé da Sustentabilidade”, que engloba três dimensões fundamentais: 1. “Económica (Profit)” – A cidade possui um saldo comercial positivo (624 mil euros), com exportações significativas (1,7 milhões de euros) e um setor empresarial robusto, empregando cerca de 69 mil pessoas (INE; 2023). 2. “Social (People)” – O planeamento urbano tem procurado garantir qualidade de vida aos habitantes, promovendo a eco cidadania e a inclusão social (Câmara Municipal Guimarães; n.d.) 3. “Ambiental (Planet)” – Medidas como a criação de espaços verdes, a gestão eficiente de recursos naturais e o combate às alterações climáticas fazem parte da estratégia ambiental do município (Câmara Municipal Guimarães; n.d.). No caso de Guimarães, este emerge como um exemplo notável de integração entre inovação social e sustentabilidade urbana alinhando-se com os ODS através de iniciativas como o Guimarães 2030, o Pacto Climático de Guimarães e outros projetos como o Bairro C que reúne cidadãos, universidades e organizações culturais para desenvolver soluções sustentáveis e promover a neutralidade carbónica. Adicionalmente, o Plano Municipal de Ação Climática reafirma o compromisso de Guimarães em reforçar a resiliência do território face às alterações climáticas, posicionando a cidade na vanguarda do desenvolvimento ambientalmente sustentável. Estes esforços locais refletem-se nas estatísticas nacionais. Segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE), Portugal tem vindo a registar progressos significativos nos indicadores dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), com destaque para as áreas da energia limpa e acessível, ação climática e cidades e comunidades sustentáveis. A integração de políticas locais com metas nacionais evidencia a importância de iniciativas municipais no cumprimento dos compromissos globais de sustentabilidade (Câmara Municipal de Guimarães; n.d.). 31 A conservação ambiental em Guimarães tem sido impulsionada pela implementação de estratégias focadas na proteção da biodiversidade e na criação de infraestruturas verdes. A cidade enfrenta desafios significativos, como o crescimento desordenado de eucaliptos, que impacta a biodiversidade local, e a recorrência de incêndios florestais, que devastaram 5.281 hectares nos últimos anos (Câmara Municipal Guimarães; n.d.). A “Agenda 2030” tem sido uma referência para Guimarães, com políticas locais alinhadas aos ODS e ao desenvolvimento sustentável. O município tem implementado estratégias que incentivam a participação de múltiplos agentes, incluindo empresas, Organizações da Sociedade Civil e escolas, para garantir o cumprimento dos compromissos globais (Silva et al; 2020). O setor empresarial em Guimarães tem sido incentivado a adotar práticas sustentáveis, alinhadas às diretrizes da OCDE para Empresas Multinacionais e ao conceito de sustentabilidade estratégica. Empresas locais têm integrado os ODS à sua gestão, promovendo ações que minimizam impactos ambientais e maximizam oportunidades de negócio sustentáveis (Silva et al; 2020). As empresas são desafiadas a contribuir para a neutralidade carbónica, reduzindo emissões de GEE; promover a eficiência energética, especialmente na renovação de edifícios e no setor de transportes; adotar modelos circulares de produção e consumo, reduzindo desperdícios (economia circular); implementar sistemas de gestão ambiental, garantindo o monitoramento contínuo de impactos ecológicos (Guimarães 2030; 2023). A sustentabilidade empresarial tem sido também impulsionada por incentivos governamentais e pela crescente valorização do mercado por práticas sustentáveis, criando vantagens competitivas e inovação no setor industrial e comercial da cidade (Silva et al; 2020). A descarbonização é um dos pilares da estratégia ambiental de Guimarães, com políticas alinhadas às metas europeias de transição energética. O município tem implementado o “Plano de Ação para a Energia Sustentável (PAES)”, com medidas que visam a redução da pegada de carbono da cidade, tais como: promoção de energias renováveis e eficiência energética em edifícios públicos e privados; transporte sustentável, com a modernização da frota municipal e incentivo à mobilidade elétrica e adoção de infraestruturas verdes para mitigar o efeito das ilhas de calor urbanas (Silva et al; 2020). Além disso, a “Estratégia Municipal de Adaptação às Alterações Climáticas”, desenvolvida no âmbito do projeto “ClimAdaPT.Local”, tem orientado a gestão do território, prevenindo impactos ambientais e promovendo a resiliência climática (Silva et al; 2020). 32 O município tem adotado medidas para mitigar esses impactos, incluindo uma gestão florestal sustentável onde se incentiva a substituição do eucalipto por espécies nativas, como o carvalho. Criação de infraestruturas verdes e cinturão verde: a criação de espaços verdes urbanos tem sido uma prioridade, garantindo que 74% da população tenha acesso a áreas verdes a menos de 200 metros de suas residências (Câmara Municipal Guimarães; n.d.). O “Green Belt de Guimarães”, inspirado em modelos internacionais como o de São Paulo (Rodrigues e Vitor; 2014), tem desempenhado um papel crucial na mitigação das mudanças climáticas e na melhoria da qualidade do ar. No que diz respeito ao combate a incêndios, o município dispõe de 23 locais públicos de abastecimento de água para o combate a incêndios, além de monitoramento contínuo das áreas de risco (Câmara Municipal Guimarães; n.d.). Guimarães tem-se destacado na gestão urbana sustentável, integrando conceitos de planeamento ecológico e uso eficiente do espaço urbano. O município apresenta um índice elevado de áreas verdes por habitante, superior ao mínimo recomendado pela ONU (20 m² por habitante), reforçando o seu compromisso com a qualidade de vida da população. Este planeamento urbano segue princípios como: “continuum naturale", garantindo a integração dos espaços verdes à malha urbana; promoção da mobilidade sustentável, reduzindo a dependência de veículos motorizados e requalificação urbana, com investimentos em regeneração de áreas degradadas (Câmara Municipal Guimarães; n.d.). Guimarães tem se consolidado como uma referência em sustentabilidade urbana em Portugal, combinando crescimento económico com responsabilidade ambiental e inclusão social. A implementação de estratégias alinhadas aos ODS, a descarbonização e a criação de infraestruturas verdes demonstram um compromisso efetivo com o futuro sustentável da cidade. No entanto, desafios ainda persistem, incluindo a necessidade de maior controlo sobre a expansão do eucalipto, a mitigação dos incêndios florestais e o reforço das políticas de mobilidade sustentável. A continuidade da estrutura de missão para o desenvolvimento sustentável – Guimarães 2030 será essencial para consolidar avanços e fortalecer o papel do município como líder em sustentabilidade em Portugal (Silva et al; 2020). Com um planeamento estratégico bem estruturado e o envolvimento de múltiplos setores da sociedade, Guimarães tem potencial para se tornar um modelo de cidade sustentável, equilibrando crescimento económico, preservação ambiental e qualidade de vida para os seus cidadãos. 33 3.1.1. O Pacto Climático de Guimarães O “Pacto Climático de Guimarães” (Guimarães 2030; 2023) representa um compromisso estratégico do município na transição para a neutralidade carbónica até 2030. Esta iniciativa não se limita a uma abordagem institucional, mas procura envolver ativamente cidadãos, empresas e instituições locais na descarbonização do território, alinhando-se às metas europeias de sustentabilidade. Insere-se numa estratégia abrangente de combate às alterações climáticas e promoção de um modelo de desenvolvimento urbano sustentável. Desde 2008, o município tem trabalhado para reduzir as suas emissões de gases de efeito estufa (GEE), atingindo uma redução de 20% até 2020, conforme previsto no “Plano de Ação para Energia Sustentável e Clima (PAESC)”, elaborado em 2014 (Guimarães 2030; 2023). Apesar desse progresso, o município reconhece a necessidade de aprofundar as suas estratégias de descarbonização, garantindo alinhamento com diretrizes nacionais e europeias. As principais áreas de intervenção incluem: transição energética e incentivo à produção e consumo de energia renovável; mobilidade sustentável e redução da dependência de combustíveis fósseis no setor dos transportes; economia circular e promoção da gestão eficiente de recursos e redução do desperdício e o combate à pobreza energética com garantia de acesso equitativo à energia limpa (Guimarães 2030; 2023). 3.1.2. O Laboratório da Paisagem O Laboratório da Paisagem constitui um pilar fundamental da estratégia climática de Guimarães. Criado a partir da colaboração entre o município e instituições de ensino superior, como a Universidade do Minho e a Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, o Laboratório da Paisagem é um centro de investigação, sensibilização ambiental e desenvolvimento de soluções inovadoras para o território. Opera em duas grandes frentes: educação e sensibilização ambiental, atuando na mudança de hábitos e comportamentos e promovendo iniciativas educativas voltadas para a sustentabilidade. Investigação, desenvolvimento e inovação (I&D+i), foca-se em quatro áreas fundamentais do conhecimento: ecologia, geografia, hidráulica e ambiente urbano (Laboratório da Paisagem; 2025) (Silva et al; 2020). A sua atuação é orientada pela integração entre conhecimento científico e gestão territorial, ao desenvolver metodologias aplicáveis à administração pública e ao setor privado. O Laboratório da Paisagem tem sido essencial na elaboração de estratégias de adaptação climática, ajudando a formular políticas urbanas mais sustentáveis e resilientes (Silva et al; 2020). 34 O Laboratório da Paisagem desempenha um papel central na implementação do Pacto Climático ao fornecer dados científicos e ferramentas de monitorização ambiental, soluções inovadoras para a eficiência energética e gestão sustentável dos recursos naturais, apoio na definição de políticas locais para mitigação e adaptação climática e promoção de programas de sensibilização e educação ambiental para a comunidade. Desta forma, o Laboratório fortalece a interface entre ciência e políticas públicas, garantindo que as decisões municipais sejam embasadas em evidências científicas e alinhadas com as diretrizes internacionais de sustentabilidade (Silva et al; 2020). O “Bairro C” representa um avanço significativo na estratégia de descarbonização de Guimarães, promovendo um modelo inovador de produção e consumo de energia renovável. Com um forte compromisso com a neutralidade carbónica, esta iniciativa integra tecnologia, inovação e participação comunitária para criar um ecossistema urbano mais sustentável. O projeto “Bairro C – Carbon Zero Commitment” visa a criação de uma comunidade de energia renovável (CER), baseada nos princípios da eficiência energética e da economia circular (Guimarães 2030; 2024). Entre as suas principais características, destacam-se a autossuficiência energética com uma produção anual estimada de 833.513 kWh, superior ao consumo total de 821.089 kWh; a redução de emissões de CO₂ com a adoção de fontes de energia limpa que reduz significativamente a pegada carbónica; infraestruturas sustentáveis instaladas em coberturas de edifícios, otimizando o aproveitamento energético e integração social e comunitária com o envolvimento de 13 edifícios como consumidores e produtores de energia, incentivando a participação ativa da população (Guimarães 2030; 2024). Este modelo não reforça apenas a resiliência energética do município, como também promove o desenvolvimento de um setor de produção energética local, reduzindo a dependência de combustíveis fósseis e estimulando a economia verde. O Bairro C alinha-se diretamente com os objetivos do Pacto Climático de Guimarães, contribuindo para a aceleração da transição energética e descentralização da produção de energia; redução das emissões de GEE, impulsionando a neutralidade carbónica, promoção de inovação e participação comunitária, fortalecendo a eco cidadania, o incentivo à economia circular e otimizando o uso de recursos energéticos. A iniciativa posiciona Guimarães como um exemplo de cidade inteligente e sustentável, integrando tecnologia e inovação na busca por um território neutro em carbono (Guimarães 2030; 2024). O Pacto Climático de Guimarães reflete um compromisso sólido com a neutralidade carbónica e a transição para um modelo urbano sustentável. A interseção entre o Laboratório da Paisagem e o Bairro C demonstra como a inovação científica, tecnologia e participação comunitária podem convergir para 35 transformar os territórios urbanos. Neste sentido, Guimarães está a consolidar-se como uma cidademodelo no contexto da sustentabilidade, não apenas no cenário nacional, mas também a nível internacional. A continuidade dessas iniciativas será essencial para garantir que o município atinja as suas metas climáticas e se posicione como uma referência na luta contra as alterações climáticas. A iniciativa Guimarães 2030 é um exemplo desse modelo, reunindo setores público e privado, universidades, associações e cidadãos para promover o desenvolvimento sustentável da cidade. Esta abordagem inclui a internalização da sustentabilidade nas práticas da administração pública e a avaliação de indicadores em áreas como mitigação climática, mobilidade sustentável, qualidade do ar, biodiversidade e eficiência energética. O envolvimento dos cidadãos é fundamental neste processo, promovendo a participação ativa na transformação do espaço urbano e reforçando a ligação entre sociedade e natureza (Loureiro et al; 2022). 3.2 Outros casos de estudo A crescente preocupação com as mudanças climáticas tem impulsionado cidades ao redor do mundo a estabelecerem metas ambiciosas para a redução das emissões de gases de efeito estufa. A Carbon Neutral Cities Alliance (CNCA) define essa ambição como o compromisso de reduzir as emissões entre 80% e 100% até 2050 ou antes, tendo 1990 como ano de referência. Nesse contexto, os governos nacionais necessitam do apoio de órgãos públicos em diversos níveis jurisdicionais, além da colaboração de atores não estatais e demais segmentos da sociedade (Csete et al; 2021). O envolvimento das cidades em redes climáticas transnacionais tem sido um fator determinante para a definição de metas e estratégias ambientais. Estudos indicam que cidades maiores apresentam objetivos mais ambiciosos em relação à mitigação climática, sendo que 78% das cidades analisadas possuem um plano de mitigação e 25% almejam a neutralidade de carbono. No entanto, observa-se uma disparidade geográfica na definição dessas metas. Cidades localizadas no Norte e Oeste da Europa apresentam compromissos mais elevados, como Dinamarca (100%) e Reino Unido (43%), enquanto regiões do Sul e Leste da Europa demonstram menor engajamento. Além disso, o tamanho da cidade é um fator preponderante: apenas 7,1% das cidades com população entre 50.000 e 100.000 habitantes possuem uma meta de neutralidade de carbono, em comparação com 32% na média geral (Csete et al; 2021). 36 O setor energético desempenha um papel essencial na mitigação climática, através do desenvolvimento de novas tecnologias, da eficiência energética e da adoção de práticas de gestão sustentáveis. Paralelamente, a mobilidade urbana sustentável também se destaca como um elemento crucial para reduzir as emissões de carbono. Um exemplo emblemático é a cidade de Vitoria-Gasteiz, que realizou uma reestruturação completa da sua rede de transporte público em menos de 24 horas, promovendo um modelo de mobilidade mais eficiente e sustentável. A implementação dos chamados “superblocos” reorganizou o espaço urbano, restringindo o tráfego de automóveis e priorizando pedestres e transportes públicos (Civitas; n.d.). Os impactos dessa reformulação foram significativos, incluindo um aumento de 18,2% na velocidade comercial dos autocarros, redução do tempo de espera e diminuição do consumo médio de combustível em 6,24%, o que resultou na economia de 421 toneladas de CO₂ por ano. Além disso, houve uma queda de 36,9% no número de acidentes envolvendo autocarros e um aumento expressivo na utilização do transporte público. O sucesso dessa transformação foi atribuído a um planeamento estratégico bem estruturado, sustentado pelo engajamento da população e pelo apoio de todas as forças políticas locais (Civitas; n.d.). A experiência de Vitoria-Gasteiz demonstra que a transição para modelos urbanos mais sustentáveis exige ações coordenadas entre governos, setor privado e sociedade civil. A adoção de políticas integradas de mitigação e adaptação climática, associada a estratégias inovadoras de mobilidade e eficiência energética, pode acelerar o caminho das cidades em direção à neutralidade de carbono. A análise desses casos revela que, embora o tamanho da cidade seja um fator relevante para a ambição climática, a governança e o comprometimento político são elementos fundamentais para a implementação de mudanças estruturais eficazes (Civitas; n.d.) Outras iniciativas como o Smart City Roadmap de Birmingham e o Birmingham Development Plan demonstram como políticas urbanas podem integrar sustentabilidade e qualidade de vida. Em Londres, projetos como o London’s Smart Park Sustainable Districts e o Living Lab utilizam sensores para avaliar a qualidade do ar, do solo e da água, promovendo uma gestão ambiental mais eficiente. Além do seu impacto tecnológico, cidades inteligentes devem priorizar a justiça social e a equidade, garantindo que os seus benefícios alcancem todas as camadas da sociedade. A interseção entre empreendedorismo sustentável, inovação social e cidades inteligentes revela caminhos promissores para um desenvolvimento urbano e ambiental verdadeiramente inteligente (Cavada e Rogers; 2023). 37 O problema das emissões de gases com efeito de estufa e do consumo de energia nos edifícios e nas cidades tem sido abordado em diversos acordos, convenções e diretivas emitidos a nível europeu, nomeadamente através do Pacote Clima e Energia UE 2020, lançado em 2008 (Cipriano et al; 2017). Um dos principais indicadores para monitorizar o desempenho urbano são as emissões de CO₂, tanto em termos absolutos como per capita. As emissões diretas são originadas no território urbano, resultantes dos setores dos edifícios, equipamentos e transportes, enquanto as emissões indiretas advêm do consumo de eletricidade, cuja produção pode ocorrer fora da área urbana. Além disso, fatores como a taxa de desemprego podem influenciar o consumo energético, dado que períodos prolongados em casa resultam num aumento do consumo per capita (Cipriano et al; 2017). A Agência Internacional da Energia propõe a conservação de energia como uma estratégia para limitar o consumo através de mudanças comportamentais, como desligar luzes em salas desocupadas, enquanto a eficiência energética visa reduzir o consumo por meio da adoção de produtos mais eficientes. A implementação de indicadores nos Planos de Ação para a Energia Sustentável tem sido fundamental para avaliar o impacto das políticas públicas, destacando-se os indicadores de emissões de CO₂, de consumo per capita, por unidade de território e de eficiência energética (Cipriano et al; 2017). As cidades desempenham um papel central na mitigação das alterações climáticas e na promoção da sustentabilidade, exigindo uma abordagem holística e sistêmica. Com o crescimento urbano acelerado, as cidades enfrentam desafios relacionados com o abastecimento de água, a produtividade agrícola e a proteção dos ecossistemas. O Acordo de Paris reforça a necessidade de políticas eficazes para combater as alterações climáticas, levando à reflexão sobre a forma como as cidades podem impulsionar o desenvolvimento sustentável, integrar a sustentabilidade na tomada de decisões políticas e fomentar a participação cidadã. A sustentabilidade, assente nos pilares económico, social e ambiental, depende da capacidade de inovação e adaptação, sendo a sociedade civil um ator essencial no processo de transformação (Loureiro et al; 2022). A valorização dos ecossistemas é um aspeto crucial para garantir a sustentabilidade ambiental. Os ecossistemas prestam diversos serviços, incluindo produção de bens essenciais como alimentos e água doce, regulação do clima e das cheias, e benefícios culturais e recreativos. No entanto, a subvalorização dos serviços ecossistémicos representa um entrave significativo à consecução dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável, sendo essencial integrar a sua valoração na tomada de decisões políticas e económicas. A valorização ambiental implica reconhecer a importância dos recursos 38 naturais e incorporá-los nas políticas públicas e nos mecanismos financeiros, garantindo a sua preservação e utilização sustentável. A transição para a neutralidade carbónica até 2050 requer a adoção de medidas concretas e progressivas, especialmente no setor da construção, responsável por uma parcela significativa do consumo energético. Em Portugal, a grande maioria dos edifícios foi construída antes das primeiras regulamentações térmicas, apresentando um fraco desempenho energético e condições de conforto insatisfatórias. Atualmente, apenas 15,3% dos edifícios residenciais possuem certificação energética A+ ou A, enquanto quase metade se enquadra nas categorias C e D. Para alcançar a neutralidade carbónica, Portugal pretende atingir 49% de energia renovável no consumo total até 2030, aumentando a produção de energia eólica, hidrelétrica e solar (Reis et al; 2023). A modernização do parque edificado deve incluir a incorporação de soluções ativas e fontes de energia renovável, garantindo maior eficiência energética e menor impacto ambiental. A viabilidade económica dessas soluções, particularmente as que visam a neutralidade carbónica, reforça a importância do apoio financeiro e da criação de um ambiente regulatório adequado. O estabelecimento de códigos de construção que incentivem a renovação energética e a promoção de incentivos financeiros para tecnologias inovadoras, como armazenamento de energia e baterias térmicas, são fundamentais para impulsionar essa transição (Reis et al; 2023). A implementação de políticas eficazes para a renovação energética e a sustentabilidade urbana é essencial para garantir a resiliência climática e o bem-estar das gerações futuras. Apesar de alguns investimentos iniciais não serem financeiramente compensadores a curto prazo, o seu impacto ambiental e social a longo prazo justifica a sua adoção (Reis et al; 2023). Portugal, alinhado com as metas europeias e globais de descarbonização, deve continuar a promover práticas sustentáveis, garantindo que o desenvolvimento urbano, a eficiência energética e a valorização dos ecossistemas estejam no centro das suas estratégias de política pública. As cidades, como epicentros dos desafios ambientais e sociais, devem adotar estratégias de planeamento urbano sustentável, nomeadamente através da criação e manutenção de espaços verdes. Estes espaços oferecem benefícios significativos para a saúde mental, física e social da população, além de contribuírem para a mitigação dos impactos das alterações climáticas. Com a crescente urbanização e projeções que indicam que até 2050 mais de dois terços da população mundial viverão em cidades, torna-se essencial implementar políticas que garantam ambientes urbanos saudáveis e sustentáveis. A perceção dos cidadãos sobre os espaços verdes e os serviços ecossistémicos que oferecem deve ser 45 4.2.1 Análise às questões dos signatários do Pacto Climático A questão número 2 diz respeito ao meio como as empresas tiveram conhecimento do Pacto Climático. Conforme verificado na figura 5, a maioria dos respondentes respondeu que foi através das redes sociais do Laboratório da Paisagem e das redes sociais do Município de Guimarães, bem como reuniões realizadas pelo município. Algumas empresas também responderam que foram pioneiras na implementação do plano de sustentabilidade de Guimarães. Em relação à motivação que levou as empresas a assinarem o pacto, destaca-se o compromisso de contribuírem para a sustentabilidade ambiental (52%) e em seguida o sentimento de apoiar Guimarães na descarbonização (28%), como visto na figura 6. Figure 5 – “De que forma teve conhecimento do Pacto Climático de Guimarães?” Figure 6 – Qual foi a principal motivação pela qual assinou o pacto? 46 Foi feita uma questão de modo a perceber se os signatários sabiam que medidas integram o Pacto Climático. Nesta questão, presente como figura 7, foram incluídas algumas alternativas de medidas que não integram o pacto com o objetivo de aferir o grau de conhecimento dos inquiridos, nomeadamente “Divulgação do plano de ação para reduzir a utilização de pesticidas químicos, fertilizantes e antibióticos na produção agrícola”. Esta medida está mais relacionada com políticas de agricultura sustentável e não aparece como foco principal no Pacto Climático de Guimarães, que está centrado sobretudo na descarbonização, eficiência energética, envolvimento da comunidade, monitorização de emissões e neutralidade carbónica até 2030. A medida que sobressai é a de adoção de estratégias de curto, médio e longo prazo na descarbonização (88%), que demonstra também que as empresas têm noção das medidas propostas pelo pacto. Na figura 8 é possível verificar que a medida já imposta pelas empresas mais votada é a adoção da economia circular. Figure 7 – Das seguintes medidas, quais as que julga fazerem parte do Pacto Climático de Guimarães? * Opções de resposta disponíveis: tendo em conta que se podia escolher mais do que uma opção: ▪ Adotar estratégias de curto, médio e longo prazo no sentido da descarbonização ▪ Gerar uma dinâmica de cocriação e estímulo à participação ativa da comunidade ▪ Combate à pobreza energética ▪ Reduzir emissões de carbono em 55% até 2030, relativamente a 2020 ▪ Promover a digitalização como ferramenta auxiliar fundamental na descarbonização e transição climática sustentável ▪ Redução de emissões de gases de efeito de estufa ▪ Recolher dados, monitorizar e reportar os avanços alcançados para as metas de redução de emissões de gases de efeito de estufa e de susbilidade ▪ Comunicar as metas alcançadas ao município e entidades ambientais, garantindo a transparência dos processos ▪ Divulgação do plano de ação para reduzir a utilização de pesticidas químicos, fertilizantes e antibióticos na produção agrícola e pecuária 47 A responsabilidade pelo cumprimento dos ODS não recai apenas sobre os governos, mas também sobre as empresas, organizações da sociedade civil, academia e indivíduos. Desta forma, a governação multinível torna-se essencial para garantir a implementação eficiente das metas globais a nível local (Silva; 2021). Assim sendo, as empresas são também responsáveis por sensibilizar os colaboradores sobre os objetivos do pacto, e, tal como se verifica na figura 9, maior parte fá-lo através de reuniões de equipa (60%), sendo que sessões de formação e consciencialização também se destacam (24%). Esta sensibilização pretende ajudar a empresa a alcançar a neutralidade climática, porém 32% dos inquiridos não possuem metas para alcançar a neutralidade climática até 2030. Em contraste, 24% implementa uma economia circular; 28% inclui metas de redução de emissões de carbono e 32% utiliza energias renováveis. Para reduzir o impacto ambiental das empresas/organizações, 40% faz o aproveitamento de resíduos como matérias-primas e 32% tem implementado a descarbonização da mobilidade. No que diz respeito às certificações ambientais, a realidade é que a maioria não possui nenhuma (60%), no entanto, 4 empresas/organizações possuem uma certificação ambiental ISO 14001. Figure 8 – Das seguintes medidas, quais são as que a sua empresa/organização integra no seu plano estratégico 48 A comunicação das empresas com os stakeholders para o compromisso com a neutralidade carbónica tem sido feito maioritariamente através de divulgações nas redes socias das medidas implementadas e dos resultados obtidos (64%). Apesar de as empresas enfrentarem desafios na implementação das ações de descarbonização, nomeadamente desafios económicos e financeiros (64%) e desafios tecnológicos (44%), conforme demonstra a figura 10, elas acreditam que as suas ações terão impactos positivos na comunidade como a promoção do desenvolvimento sustentável (92%) (figura 11). Figure 9 – De que forma os colaboradores da empresa/organização têm sido sensibilizados para os objetivos do pacto? Figure 10 - Quais têm sido os principais desafios enfrentados pela empresa/organização na implementação das ações de descarbonização? 49 Os resultados mostram que as empresas/organizações têm desenvolvido estratégias para se alinharem com os princípios de sustentabilidade (84%), como é visível na figura 12, investindo em tecnologias verdes e práticas ecológicas nomeadamente na redução da pegada carbónica (64%). No entanto, sentem necessidade de apoios e incentivos financeiros, nomeadamente apoios no desenvolvimento de projetos (60%). Figure 11 - Que impactos positivos na comunidade, a empresa/organização acredita que as suas ações terão? Figure 12 - A empresa/organização está a desenvolver estratégias para garantir que os seus produtos ou serviços se alinhem com os princípios de sustentabilidade? 50 No que diz respeito ao Pacto Climático, tal como apresenta a figura 13, 60% dos inquiridos sentem que os objetivos são totalmente claros, e que esperam reduzir a pegada ambiental de curto, médio e longo prazo no sentido da descarbonização (56%) (figura 14). No que diz respeito a apoios para cumprir as metas, 48% revela a necessidade de ter apoios em candidaturas e financiamentos. Ainda assim incentivam outras empresas/organizações a aderirem ao pacto realçando a importância de preservar o nosso planeta através de práticas sustentáveis (72%) (figura 15). Figure 13 - Considera que os objetivos do pacto foram claramente definidos no momento da assinatura? Figure 14 - Quais eram as expetativas da empresa/organização ao aderir ao Pacto Climático de Guimarães? 51 Para finalizar, 92% tem interesse em participar em ações de sensibilização para a descarbonização do território em conjunto com outros stakeholders, como é visível na figura 16, 52% dizse disponível para apoiar de forma pontual em projetos de descarbonização de Guimarães e 64% sente que os resultados desde a adesão ao pacto foram cumpridos (figura 17). Figure 15 - Qual o argumento mais convincente, na sua opinião, para outras empresas/organizações considerarem aderir ao Pacto Climático? Figure 16 - Tem interesse em participar em ações de sensibilização para a descarbonização do território em conjunto com outros parceiros públicos e/ou privados? 52 4.2.2 Análise às questões dos não signatários do Pacto Climático A primeira questão permitiu perceber que apesar de não serem signatários do pacto, 66,7% conhecia-o e está familiarizada com os objetivos de neutralidade climática até 2030, como é possível verificar na figura 18. Figure 17 - Os resultados até ao momento correspondem às expetativas definidas? Figure 18 - A empresa/organização está familiarizada com o Pacto Climático de Guimarães e os objetivos de neutralidade climática até 2030? 53 Em seguida, quis-se perceber mais sobre as empresas, nomeadamente o setor de atividade, onde todas são do setor terciário e a principal atividade desenvolvida pelas empresas é uma retalhista de distribuição alimentar, uma agência de viagens e uma de comércio e serviços soluções ambientais. Estas empresas localizam-se nas freguesias de Fermentões, Caldelas e UF Oliveira, S. Paio e S. Sebastião. Em relação à avaliação que as empresas fazem do seu impacto ambiental, elas consideram-se de 0-10 num 7, como se verifica na figura 19, e consideram a sustentabilidade como uma prioridade (010 avaliam em 8 e até mesmo 10) porém não consideram urgente implementar medidas de sustentabilidade na sua empresa/organização. No que diz respeito às emissões de carbono, as respostas das empresas sobre em que medida as suas atividades contribuem para tal variam entre o zero, o 4 e um 10, e por isso as respostas são similares quando questionadas se são dos maiores contribuidores para as emissões de Guimarães. Na mesma escala de 0-10 a maioria considera um 8 no nível de sustentabilidade do consumo de energia da empresa. 66,7% das empresas já utiliza energias renováveis e práticas sustentáveis no seu dia-a-dia (figura 20) e a mesma percentagem tem interesse em participar em ações de sensibilização para a descarbonização do território em conjunto com outros stakeholders públicos e/ou privados. Figure 19 - Como avalia o impacto ambiental das atividades que a sua empresa/organização desenvolve? 54 Figure 20 - A empresa/organização já utiliza energias renováveis ou outras práticas sustentáveis no seu dia-a-dia? No que diz respeito à possível adesão ao Pacto Climático e como se pode confirmar na figura 21 as empresas acreditam que iniciativas como a economia circular (100%) podem beneficiar a economia e o ambiente de Guimarães e o incentivo mais solicitado diz respeito à capacitação de colaboradores sobre praticas sustentáveis e inovação tecnológica no setor (66,7%)(figura 22). Por outro lado, algumas barreiras à adesão ao pacto dividem-se entre a falta de competências especializadas para implementar soluções sustentáveis, a dependência de fontes de energia não renováveis, as baixas taxas de reciclagem e reutilização de materiais e resíduos e a reduzida valorização económica dos investimentos em tecnologias verdes. Figure 21 - Que benefícios a empresa/organização acredita que iniciativas como o Pacto podem trazer para o ambiente e economia de Guimarães? 61 Divergências Tema Revisão de literatura Resultados do questionário Integração de inovação tecnológica Enfatiza a importância da “Green Dynamic Capability” e inovação digital Embora mencionada, há pouca referência direta à transformação digital concreta nas respostas Participação cidadã e inclusão social Economia social deve promover inclusão e coesão Pouco explorado no inquérito; foco está mais em práticas empresariais internas. Mobilidade sustentável e eficiência energética Consideradas áreas críticas da transição ecológica Mencionada, mas secundária — apenas 32% implementam descarbonização da mobilidade Cooperação público-privada estruturada A literatura realça a importância de estruturas colaborativas permanentes. A colaboração ocorre, mas falta evidência de estruturas formais ou contínuas 62 6. Considerações finais O presente relatório de estágio teve como objetivo principal compreender o grau de envolvimento dos intervenientes empresariais com os objetivos do Pacto Climático de Guimarães. Para tal, foi necessário analisar tanto as motivações e práticas das empresas signatárias como as barreiras identificadas pelas não signatárias. A aplicação de 28 inquéritos permitiu obter uma visão abrangente sobre o panorama atual da colaboração empresarial no processo de descarbonização local. Os resultados obtidos demonstram um cenário encorajador por parte das empresas signatárias, as quais evidenciam um compromisso efetivo com a sustentabilidade ambiental, através da adoção de estratégias alinhadas com os princípios da sustentabilidade e da integração de tecnologias verdes. Contudo, a ausência de certificações ambientais e de metas claras para 2030, bem como os obstáculos financeiros e tecnológicos, evidenciam que ainda há um longo caminho a percorrer para consolidar esse compromisso. As empresas não signatárias, por sua vez, já adotam práticas sustentáveis e demonstram abertura ao conhecimento sobre o pacto, o que representa uma oportunidade significativa para a expansão da rede de signatários. A existência de obstáculos semelhantes entre signatários e não signatários reforça a necessidade de políticas públicas estruturadas e de medidas de apoio técnico e financeiro. A investigação permitiu também identificar a economia circular como uma área estratégica comum, com potencial de alavancar o envolvimento empresarial. Além disso, o elevado interesse manifestado pelas empresas signatárias em participar em ações de sensibilização conjuntas corrobora a necessidade de fortalecer os mecanismos de governação colaborativa, conforme indicado pelo modelo Guimarães 2030. Contudo, é importante reconhecer as limitações do estudo atual. A amostra, embora útil, é relativamente pequena e não permite a extração de conclusões estatísticas robustas. Foi igualmente observada uma maior participação de empresas já envolvidas no pacto, o que pode ter influenciado a representação global dos dados. Para investigações futuras, recomenda-se o alargamento da amostra, a aplicação de métodos mistos (quantitativos e qualitativos) e a análise longitudinal da evolução dos compromissos e ações das empresas ao longo do tempo. Este estudo não só contribui diretamente para o trabalho de entidades como o Laboratório da Paisagem e a Câmara Municipal de Guimarães, como também pode ser útil para futuras investigações que pretendam comparar este caso com outros ou identificar novas formas de envolver mais empresas na luta contra as alterações climáticas. Defende-se a hipótese de que os dados e as ideias apresentados 63 neste estudo possam servir de inspiração para a conceção de novas estratégias e a implementação de políticas mais eficientes, de modo a permitir que os municípios assumam um papel cada vez mais relevante na resposta à crise climática. 64 Bibliografia: Ahvenniemi, H., Huovila, A., Pinto-Seppä, I., & Airaksinen, M. (2017). What are the differences between sustainable and smart cities?. Cities , 60, 234-245. Andrade, D. C., e Romeiro, A. R. (2009). Serviços ecossistêmicos e sua importância para o sistema econômico e o bem-estar humano. Texto para discussão. IE/UNICAMP , 155, 1-43. Babbie, E. (2017). 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Mensagem enviada junto ao inquérito “Inquérito colaboração Laboratório da Paisagem e Universidade do Minho Excelentíssimo senhor(a), O meu nome é Cláudia Oliveira e sou aluna da Escola de Economia e Gestão da Universidade do Minho. Encontro-me a realizar um estágio curricular com o Laboratório da Paisagem, no âmbito da conclusão do meu mestrado em Economia Social, que se foca na colaboração dos stakeholders públicos e privados na descarbonização do concelho de Guimarães. Nesse sentido, elaborei um inquérito que se dirige a empresas/organizações do município de Guimarães com o objetivo de analisar o panorama da participação desses stakeholders na adesão ao Pacto Climático como iniciativa para a neutralidade climática até 2030 (a identidade da sua empresa permanecerá anónima). Agradecia a participação da sua empresa/organização. A resposta às perguntas deverá demorar cerca de 15 minutos. Solicito que a resposta seja enviada o mais breve possível. O link para responder ao inquérito é o seguinte: https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSeJkk5Dqe1p4EW_1Aiw5Z6ontrisAAb8_OlNJiCJ FnEZCR7_A/viewform?usp=header “ 2. Inquérito Colaboração dos stakeholders públicos e privados na descarbonização de Guimarães – a adesão ao Pacto Climático como iniciativa para a neutralidade climática até 2030. O presente inquérito é composto por questões de resposta curta e escolha múltipla. Pretende compreender qual é a posição dos stakeholders em relação ao Pacto Climático de Guimarães e os valores por estes defendidos. A sua participação é anónima e confidencial 1. É subscritor do Pacto Climático de Guimarães? * Marcar apenas uma oval. Sim (avança para a pergunta 2) Não (avança para a pergunta 25) É subscritor do Pacto Climático de Guimarães Em seguida, seguem-se algumas questões relacionadas com o motivo de subscrição do pacto, impactos sentidos, desafios e metas a atingir. 2. De que forma teve conhecimento do Pacto Climático de Guimarães? Através de contactos pessoais Imprensa Sessões de divulgação Redes sociais do Município de Guimarães Redes sociais do Laboratório da Paisagem Outra: 1. Qual foi a principal motivação/razão pela qual assinou o Pacto? É responsabilidade das empresas fazê-lo Antevisão de vantagens económicas 68 Familiares/amigos também assinaram Aumentar a competitividade no mercado Contribuir para a sustentabilidade ambiental Apoiar Guimarães na descarbonização do concelho Melhorar a reputação da empresa face à comunidade vimaranense Outra: 2. Das seguintes medidas, quais as que julga fazerem parte do Pacto Climático de Guimarães? Adotar estratégias de curto, médio e longo prazo no sentido da descarbonização Gerar uma dinâmica de cocriação e estímulo à participação ativa da comunidade Combate à pobreza energética Reduzir emissões de carbono em 55% até 2030, relativamente a 2020 Promover a digitalização como ferramenta auxiliar fundamental na descarbonização e transição climática sustentável Redução de emissões de gases de efeito de estufa Recolher dados, monitorizar e reportar os avanços alcançados para as metas de redução de emissões de gases de efeito de estufa e de sustentabilidade Comunicar as metas alcançadas ao município e entidades ambientais, garantindo a transparência dos processos Divulgação do plano de ação para reduzir a utilização de pesticidas químicos, fertilizantes e antibióticos na produção agrícola e pecuária 3. Das seguintes medidas, quais são as que a sua empresa/organização integra no seu plano estratégico? Promove a digitalização como ferramenta auxiliar fundamental na descarbonização e transição climática sustentável Reduz as emissões de gases com efeito de estufa e a pegada ambiental a curto, médio e longo prazo no sentido da descarbonização Recolhe dados, monitoriza e reporta os avanços alcançados para as metas de redução de emissões de gases com efeitos de estufa e de sustentabilidade Comunica as metas alcançadas, garantindo a transparência dos processos Gera uma dinâmica de cocriação e estímulo à participação ativa da comunidade Adota práticas de economia circular e faz uma gestão sustentável de recursos Adota soluções de mobilidade sustentável Combate a pobreza energética promovendo o acesso a energia acessível e limpa Não integra nenhuma medida no plano estratégico 4. Quais foram os compromissos principais adotados pela empresa/organização no âmbito do Pacto Climático de Guimarães? Promover a digitalização como ferramenta auxiliar fundamental na descarbonização e transição climática sustentável Reduzir as emissões de gases com efeito de estufa e a pegada ambiental a curto, médio e longo prazo no sentido da descarbonização Recolher dados, monitorizar e reportar os avanços alcançados para as metas de redução de emissões de gases com efeitos de estufa e de sustentabilidade Comunicar as metas alcançadas, garantindo a transparência nos processos Gerar uma dinâmica de cocriação e estimular a participação ativa da comunidade Adotar práticas de economia circular e fazer uma gestão sustentável de recursos Adotar soluções de mobilidade sustentável Combater a pobreza energética promovendo o acesso a energia acessível e limpa Ainda não foram assumidos compromissos pela empresa/organização no âmbito do Pacto Climático. Outra: 5. De que forma os colaboradores da empresa/organização têm sido sensibilizados para os objetivos do Pacto? Sessões de formação e consciencialização Reuniões de equipa Atividades de team-building da empresa Não foram desenvolvidas iniciativas neste sentido Outra: 69 6. Foram definidas metas pela empresa/organização para ajudar a alcançar a neutralidade climática até 2030? Sim, foram definidas metas para alcançar a neutralidade climática até 2030 como por exemplo, o uso de energias renováveis Sim, foram definidas metas para alcançar a neutralidade climática até 2030 como por exemplo, implementação da economia circular Sim, foram definidas metas para alcançar a neutralidade climática até 2030 como por exemplo, implementação de metas de redução de emissões de carbono Não foram definidas metas para alcançar a neutralidade climática até 2030 Não tenho conhecimento sobre isso Outra: 7. Que ações já foram implementadas ou estão em fase de planeamento para reduzir o impacto ambiental da sua empresa/organização tendo por base o seu setor de atividade? Ações de reflorestação Otimização da gestão dos recursos hídricos Sensibilização para as novas leis e regulamentos da proteção ambiental Aproveitamento de resíduos como matérias-primas Descarbonização da mobilidade Não foram implementadas nem estão em fase de planeamento ações para reduzir o impacto ambiental Não tenho conhecimento sobre isso Outra: 8. De que forma a empresa/organização adota princípios de economia circular? Faz a reciclagem dos materiais utilizados Reutiliza/valoriza as sobras e excessos para novos materiais Reduz os resíduos e o desperdício Promove iniciativas de consciencialização sobre a sustentabilidade ambiental Outra: 9. De que forma a empresa/organização tem comunicado aos stakeholders (comunidade, clientes, fornecedores) o seu compromisso com a neutralidade carbónica? Divulgação nas redes sociais das medidas implementadas e resultados obtidos/esperados Organização de reuniões e conferências com todas as partes envolvidas para reforçar o compromisso com a neutralidade climática Publicação de relatórios anuais de sustentabilidade que sejam transparentes para todas as partes terem acesso ao envolvimento da empresa/organização no compromisso com a neutralidade climática Outra: 10. A sua empresa possui alguma certificação ambiental, de trabalho, qualidade, ou outras? Sim, possui uma certificação "Cradle to Cradle" Sim, possui uma certificação "Forest Stewardship Council (FSC)" Sim, possui uma certificação "Rainforest Alliance" Sim, possui uma certificação "Certificação ambiental ISO 14001" Sim, possui uma certificação "Sistema Comunitário de Ecogestão e Auditoria (EMAS)" Sim, possui uma certificação "Rótulo Ecológico (REUE)" Não possui nenhuma certificação ambiental Outra: 11. Que impactos positivos na comunidade, a empresa/organização acredita que as suas ações terão? Promoção do desenvolvimento sustentável Colaboração com diferentes stakeholders para promover objetivos comuns Apoio a ONG's, programas de voluntariado e outras causas sociais Outra: 12. Quais têm sido os principais desafios enfrentados pela empresa/organização na implementação das ações de descarbonização? Desvalorização das metas de neutralidade carbónica por parte dos fornecedores e/ou clientes Desafios regulatórios (novas obrigações, licenças, etc) 70 Desafios económicos e financeiros (eficiência do negócio, novas cadeias de produção, alteração do padrão de consumo, falta de financiamento) Desafios tecnológicos (inovação tecnológica, novas competências, consciencialização das pessoas) Outra: 13. A empresa/organização está a investir em tecnologias verdes, práticas ecológicas ou de eficiência energética? Sim, a empresa/organização está a investir em energias renováveis Sim, a empresa/organização está a investir na redução da pegada carbónica Sim, a empresa/organização está a investir na adoção de soluções baseadas na natureza (telhados verdes, jardins verticais, entre outros) Não, a empresa não está a investir e tecnologias verdes, nem em práticas de eficiência energética Não tenho conhecimento sobre isso. Outra: 14. A empresa/organização está a desenvolver estratégias para garantir que os seus produtos ou serviços se alinhem com os princípios de sustentabilidade? Sim, a empresa/organização está a desenvolver estratégias para se alinhar com os princípios da sustentabilidade Não, a empresa/organização não está a desenvolver estratégias para se alinhar com os princípios da sustentabilidade Não tenho conhecimento sobre isso Outra: 15. Considera que os objetivos do pacto foram claramente definidos no momento da assinatura? Sim, totalmente claros Parcialmente claros Não muito claros Nada definidos 16. Quais eram as expetativas da empresa/organização ao aderir ao Pacto Climático de Guimarães? Reduzir emissões de gases com efeito de estufa Reduzir a pegada ambiental de curto, médio e longo prazo no sentido da descarbonização Melhorar a colaboração entre diferentes stakeholders públicos e privados Obter financiamento para projetos climáticos Obter suporte/apoio para desenvolvimento de projetos. Outra: 17. Que tipo de apoio sente que necessita para cumprir com as metas do Pacto Climático? Sinto necessidade de saber qual a Pegada Carbónica da empresa Sinto necessidade de ter um Roteiro de Descarbonização Sinto necessidade de Ações de Capacitação para dirigentes e colaboradores Sinto necessidade de ter um Relatório de Sustentabilidade que monitorize as nossas ações Sinto necessidade de ter apoio em candidaturas a financiamento Sinto necessidade de conhecer boas práticas ambientais em empresas Não sinto necessidade de ter qualquer outro apoio suplementar Outra: 18. Tem interesse em participar em ações de sensibilização para a descarbonização do território em conjunto com outros parceiros públicos e/ou privados? Sim Não 19. Qual o argumento mais convincente, na sua opinião, para outras empresas/organizações considerarem aderir ao Pacto Climático? Realça a importância de preservar o nosso planeta através de práticas sustentáveis Apela ao desenvolvimento sustentável, uma vez que o futuro assim o dita Promove a criação de empregos verdes e fortalece a economia sustentável e justa Contribui para os objetivos de descarbonização de Guimarães 77 Figura 8 Figura 9 Figura 10 Figura 11 78 Figura 12 Figura 13 Figura 14 79 Figura 15 Figura 16 Figura 17 80 Figura 18 Figura 19 Figura 20 81 Figura 21 Figura 22 Figura 23 82 Figura 24