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Desenvolvimento de uma rota de enoturismo do Vinho Loureiro em Ponte de Lima

Costa, Beatriz Alves da

Abstract

O enoturismo tem-se revelado um fator importantíssimo para o desenvolvimento de várias regiões. Construindo sinergias entre diferentes stakeholders, é possível implementar Rotas de Enoturismo que melhorem as posições competitivas, não só dos produtores de vinho, mas também de todo o território, protegendo e valorizando património tangível e intangível, promovendo a gastronomia local, criando mais postos de trabalho e gerando riqueza económica. Tudo isto é possível a partir do desenvolvimento de estratégias de marketing que, construindo uma imagem, publicidade e reputação singulares associadas à rota, beneficiam todos os aderentes da marca coletiva. Neste seguimento, através deste relatório redigido no contexto de um estágio de três meses realizado no Serviço de Turismo do Município de Ponte de Lima, propõe-se, como principal objetivo, o desenvolvimento de uma rota de enoturismo em Ponte de Lima, associada ao Vinho Verde Loureiro. Este tema surgiu a partir da necessidade de desenvolvimento e promoção do enoturismo no concelho. Para tal, foram realizadas análises internas e externas ao turismo, enoturismo e a rotas de vinhos. Para além disso foi aplicado um inquérito a turistas e potenciais enoturistas em Ponte de Lima. Através de 250 respostas obtidas, conclui-se que existe interesse na implementação deste projeto, incluindo também atividades diversificadas, principalmente no que diz respeito à gastronomia, cultura, história e eventos. No entanto, verificaram-se também alguns pontos negativos, nomeadamente o facto de a intenção de regresso diminuir conforme o aumento dos rendimentos do agregado familiar. Também é visível a pouca proporção de turistas que recorrem a alojamentos comerciais no concelho durante as suas visitas. Este último ponto reforça a ideia de que as estratégias da rota devem ser direcionadas para o aumento da duração da estadia. O projeto foi apresentado através de um Plano de Marketing estruturado pelos 7 P’s do Marketing de Serviços, incluindo a demonstração da rota como produto e do “Jogo da Rota”, a explicitação de estratégias de comunicação e distribuição, os elementos de evidência física, as técnicas utilizadas para a qualificação de pessoas, o orçamento, o processo de experiência turística, touchpoints, métricas de monitorização e, por fim, sugestões para o futuro.

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Universidade do Minho Escola de Economia, Gestão e Ciência Política Beatriz Alves da Costa Desenvolvimento de uma Rota de Enoturismo do Vinho Loureiro em Ponte de Lima abril de 2025 Desenvolvimento de uma Rota de Enoturismo do Vinho Loureiro em Ponte de Lima UMinho | 2025 Beatriz Alves da Costa Universidade do Minho Escola de Economia, Gestão e Ciência Política Beatriz Alves da Costa Desenvolvimento de uma Rota de Enoturismo do Vinho Loureiro em Ponte de Lima Relatório de Estágio Mestrado em Marketing e Estratégia Trabalho efetuado sob a orientação do Professor Doutor António Joaquim Araújo Azevedo Abril de 2025 i DIREITOS DE AUTOR E CONDIÇÕES DE UTILIZAÇÃO DO TRABALHO POR TERCEIROS Este é um trabalho académico que pode ser utilizado por terceiros desde que respeitadas as regras e boas práticas internacionalmente aceites, no que concerne aos direitos de autor e direitos conexos. Assim, o presente trabalho pode ser utilizado nos termos previstos na licença abaixo indicada. Caso o utilizador necessite de permissão para poder fazer um uso do trabalho em condições não previstas no licenciamento indicado, deverá contactar o autor, através do RepositóriUM da Universidade do Minho. Licença concedida aos utilizadores deste trabalho Atribuição-NãoComercial-SemDerivações CC BY-NC-ND https://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0/ ii Agradecimentos À minha familia por todos os reconfortos. Aos meus pais por me apoiarem em todos os passos da minha caminhada. Obrigada por estarem sempre presentes e disponíveis para me ouvir. À minha mãe por tentar sempre que eu esteja no meu melhor. Ao meu pai por tentar enriquecer todos os meus trabalhos com a sua experiência de vida. À minha irmã Eva por compreender todas as minhas ausências, suportando ser “filha única” muitas das vezes. Obrigada pela paciência e por alimentares a criança que há em mim. À minha prima mais velha Margarida, por estar sempre disponível para ajudar, durante todo o meu percurso académico. Ao meu namorado Duarte, a minha luz ao fundo do túnel, por ser o maior fã de Ponte de Lima e o meu maior apoiante em cada momento deste processo. Obrigada por todos os incentivos e por toda a força que me transmites para fazer sempre o meu melhor. A todos os meus amigos que me prepararam para o pior. Obrigada por todos os momentos em que me fizeram pensar em tudo menos no importante. Um especial agradecimento à Maria por ser sempre o meu chão, quando preciso de suporte e de ter os pés bem assentes na terra. Ao Escutismo e a todos os escuteiros que me acompanham, por serem sempre lar, por me proporcionarem “refúgio” e por me obrigarem a sair de casa, mesmo nas fases de maior trabalho. À Ana por ser a minha companhia de desabafos ao longo destes dois anos de mestrado, mas principalmente na execução deste relatório de estágio. Obrigada por tornares tudo isto mais leve. Ao meu supervisor de estágio no Serviço de Turismo do Município de Ponte de Lima, Doutor Nuno Abreu, pelo apoio incansável no decorrer e no após deste estágio, por todo o rico conhecimento e experiência partilhados e por me fazer sentir “em casa”. Um agradecimento também a todos os que foram colegas durante estes 3 meses, especialmente à Tânia, pelo acolhimento e por todas as dicas e conhecimentos partilhados. Um enorme agradecimento ao Professor Doutor António Joaquim Araújo Azevedo pela orientação e apoio. Toda a sabedoria partilhada foi fundamental para a estruturação e execução deste relatório, desde as bases até aos pequenos detalhes. Por fim, um indispensável obrigado à vila que me viu crescer, a Vila Mais Antiga de Portugal, Ponte de Lima, que, com mais de 900 anos de história recheados de cultura e vida, me tem dado tanto de inspiração e felicidade. iii Declaração de integridade Declaro ter atuado com integridade na elaboração do presente trabalho académico e confirmo que não recorri à prática de plágio nem a qualquer forma de utilização indevida ou falsificação de informações ou resultados em nenhuma das etapas conducente à sua elaboração. Mais declaro que conheço e que respeitei o Código de Conduta Ética da Universidade do Minho. iv If you see the wonder of a fairy tale, you can take the future even if you fail. ABBA v Resumo Desenvolvimento de uma Rota de Enoturismo do Vinho Loureiro em Ponte de Lima O enoturismo tem-se revelado um fator importantíssimo para o desenvolvimento de várias regiões. Construindo sinergias entre diferentes stakeholders, é possível implementar Rotas de Enoturismo que melhorem as posições competitivas, não só dos produtores de vinho, mas também de todo o território, protegendo e valorizando património tangível e intangível, promovendo a gastronomia local, criando mais postos de trabalho e gerando riqueza económica. Tudo isto é possível a partir do desenvolvimento de estratégias de marketing que, construindo uma imagem, publicidade e reputação singulares associadas à rota, beneficiam todos os aderentes da marca coletiva. Neste seguimento, através deste relatório redigido no contexto de um estágio de três meses realizado no Serviço de Turismo do Município de Ponte de Lima, propõe-se, como principal objetivo, o desenvolvimento de uma rota de enoturismo em Ponte de Lima, associada ao Vinho Verde Loureiro. Este tema surgiu a partir da necessidade de desenvolvimento e promoção do enoturismo no concelho. Para tal, foram realizadas análises internas e externas ao turismo, enoturismo e a rotas de vinhos. Para além disso foi aplicado um inquérito a turistas e potenciais enoturistas em Ponte de Lima. Através de 250 respostas obtidas, conclui-se que existe interesse na implementação deste projeto, incluindo também atividades diversificadas, principalmente no que diz respeito à gastronomia, cultura, história e eventos. No entanto, verificaram-se também alguns pontos negativos, nomeadamente o facto de a intenção de regresso diminuir conforme o aumento dos rendimentos do agregado familiar. Também é visível a pouca proporção de turistas que recorrem a alojamentos comerciais no concelho durante as suas visitas. Este último ponto reforça a ideia de que as estratégias da rota devem ser direcionadas para o aumento da duração da estadia. O projeto foi apresentado através de um Plano de Marketing estruturado pelos 7 P’s do Marketing de Serviços, incluindo a demonstração da rota como produto e do “Jogo da Rota”, a explicitação de estratégias de comunicação e distribuição, os elementos de evidência física, as técnicas utilizadas para a qualificação de pessoas, o orçamento, o processo de experiência turística, touchpoints , métricas de monitorização e, por fim, sugestões para o futuro. Palavras-chave: Plano de Marketing; Marketing de Turismo; Enoturismo; Rotas de Vinhos. vi Abstract Development of a Vinho Loureiro Wine Route in Ponte de Lima Wine Tourism has proven to be a very important factor for the development of several regions. By building synergies between different stakeholders, it is possible to implement wine tourism routes that improve the competitiveness, not only of wine producers, but also of the entire territory, protecting and valuing tangible and intangible heritage, promoting local gastronomy, creating more jobs and generating economic wealth. All of this is possible through the development of marketing strategies that, by building a unique image, advertising and reputation associated to the route, benefit all adherents of the collective brand. In this regard, through this report written in the context of a three-month internship held at the Tourism Service of the Municipality of Ponte de Lima, the main objective is to develop a wine route in Ponte de Lima, associated to the Vinho Verde Loureiro. This theme arose from the need to develop and promote wine tourism in the municipality. To this end, internal and external analyses were conducted on tourism, wine tourism and wine routes. In addition, a survey was carried out among tourists and potential wine tourists in Ponte de Lima. Through 250 responses obtained, it was concluded that there is interest in implementing this project, also including diverse activities, mainly regarding gastronomy, culture, history and events. However, there were also some negative points, namely the fact that the intention to revisit decreases in line with the increase of family income. It’s also visible the small proportion of tourists who use commercial accommodation in the municipality during their visits. This last point reinforces the idea that route strategies should be aimed at increasing the length of stay. This project was presented through a Marketing Plan structure by the 7P’s of Service Marketing, including the demonstration of the route as a product and the “Route Game”, the explanation of the communication and distribution strategies, the elements of physical evidence, the techniques used to qualify people, the budget, the tourist experience process, touchpoints, monitoring metrics and, finally, suggestions for the future. Keywords: Marketing Plan; Tourism Marketing; Wine Tourism; Wine Routes. 13 1. Introdução Através da introdução serão enquadrados e justificados o tema e os principais objetivos de pesquisa. Para além disso será descrito o contexto do estágio, incluindo tarefas no âmbito deste realizadas. Por fim, será explicada a estrutura deste Relatório de Estágio. 1.1. Enquadramento e justificação do tema e principais objetivos de pesquisa Cada vez mais, a combinação dos vinhos com o turismo tem demonstrado poder na constituição de vantagens competitivas para as regiões que as aplicam e para os respetivos produtos desenvolvidos pelos produtores locais (Scorrano et al., 2018). O enoturismo é definido por Hall & Mitchell (2001) como uma tipologia de turismo de especial interesse, visto que combina atividades gastronómicas, culturais e rurais. Neste sentido, é importante desenvolver estratégias de promoção colaborativa entre os diferentes stakeholders do setor dos vinhos e do turismo, recorrendo a meios de comunicação eficazes, com o objetivo de contribuir para a promoção, não só dos negócios particulares, como adegas e hotéis, mas de toda a região de vinhos como um todo (Bhat & Milne, 2008; Camprubi & Gonçalves, 2025; Ramos et al., 2018). O Município de Ponte de Lima tem-se destacado na promoção do setor dos vinhos no concelho, não só através do investimento em projetos a este dedicados, como a Festa do Vinho Verde ou o Loureiro de Ponte de Lima ConVida e o Lourear a Pevide, especialmente aplicados à casta Loureiro, mas também através da implementação de um espaço museológico para a viticultura da respetiva Região Demarcada, o Centro de Interpretação e Promoção dos Vinhos Verdes. Para além disso, foi desenvolvido o Loureiro do Vale do Lima, um projeto realizado em colaboração com os restantes três municípios deste vale (Arcos de Valdevez, Ponte da Barca e Viana do Castelo), que assenta na promoção conjunta, não só dos vinhos desta casta, mas também de todo o território. Em adição a estes projetos, o Vale do Lima foi nomeado Região Europeia da Gastronomia e Vinhos 2025, trazendo maior visibilidade para o enoturismo destas localidades. No entanto, apesar de todas estas iniciativas, o enoturismo no concelho, encontra-se, ainda, pouco desenvolvido, sendo poucas as quintas a realizá-lo ativamente e a promover experiências neste sentido. Estando a maioria destes projetos mais direcionados para a promoção da viticultura e do vinho como produto, e alguns destes associados à promoção de outros concelhos da região, 14 encontra-se aqui uma lacuna para a aplicação de um projeto especialmente direcionado para o enoturismo em Ponte de Lima. Uma das estratégias mais utilizadas é o desenvolvimento de Rotas de Vinhos, que Ramos et al. (2020) definem como itinerários designados e publicitados com campanhas de marketing especializadas que promovem valores naturais, culturais e ambientais, bem como um conjunto de vinhas e adegas abertas ao público. Ademais, estas realçam que, tanto os territórios como os seus produtos podem ser, também, produtos turísticos. Geralmente, as rotas contêm um ou mais itinerários definidos, por uma região de vinhos especifica. Para além disso, são habitualmente acompanhados por brochuras ou mapas que identificam os diferentes pontos, nomeadamente, vinhas e produtores de vinho, bem como a disponibilização de informação acerca de espaços culturais e históricos (Hall et al., 2000). Por este motivo, justifica-se o desenvolvimento de uma Rota de Vinhos em Ponte de Lima. Apesar de decorrer no concelho de Ponte de Lima a produção de diversas castas de Vinho Verde, destacando-se, pelo seu volume de produção, a variedade tinta de Vinhão e a variedade branca de Loureiro, optou-se pelo destaque estratégico do Vinho Verde Loureiro. Sendo o principal objetivo desta rota, a promoção do enoturismo no concelho de Ponte de Lima, considerou-se mais vantajosa a escolha de apenas uma casta, que “dê a cara”, destacando a identidade do território. O lançamento de uma Rota de Vinho Verde Loureiro em detrimento de uma Rota de Vinho Verde, incentiva a sua diferenciação, tendo em conta que a casta Loureiro possui um maior reconhecimento além-portas como produto local de Ponte de Lima. Para além disso, o facto de já existir uma Rota dos Vinhos Verdes, de maior dimensão geográfica, ao nível da região demarcada, poderia torná-la mais facilmente confundível. Ainda neste sentido, a Rota do Vinho Loureiro de Ponte de Lima encontra-se, consequentemente, melhor alinhada com outros projetos dedicados à casta Loureiro, em vigor no município, enquadrando-se, assim, na estratégia já existente de promoção turística e económica do concelho, o que gera um maior aproveitamento de recursos. Portanto, foi definido como principal objetivo deste estágio o desenvolvimento de um Plano Estratégico para a criação de uma Rota de Enoturismo do Vinho Loureiro em Ponte de Lima. Para tal, foram também estabelecidos objetivos específicos, sendo estes os seguintes: • Revisão de estudos já existentes relacionados com o tema de pesquisa; • Consulta de literatura acerca da história vitivinícola no concelho de Ponte de Lima; 15 • Aplicação de um inquérito a turistas e a potenciais enoturistas; • Análise interna do turismo e enoturismo; • Análise externa do enoturismo, com especial enfoque para as rotas de vinhos; • Desenvolvimento de um Plano de Marketing, incluindo estratégias, objetivos, orçamento e processos. 1.2. Enquadramento do Estágio O Estágio foi realizado entre os dias 21 de setembro e 21 de dezembro de 2024, no Serviço de Turismo da Câmara Municipal de Ponte de Lima. Para além da realização de tarefas associadas ao desenvolvimento do presente Relatório de Estágio, foram também efetuados outros tipos de atividades, sendo alguns destes os seguintes: • Colaboração na execução de documentos necessários para a candidatura à certificação da “Green Destinations” - Revisão e composição de documentos de submissão e inquéritos de satisfação; Produção de um flyer de Guia de Boas Práticas para Ponte de Lima; Levantamento de fontes acerca de projetos de sustentabilidade realizados no concelho; • Colaboração em preparativos das Comemorações dos 900 anos de Foral de Ponte de Lima – Desenvolvimento de 9 listagens de 9 elementos para diferentes categorias relativas à história, cultura limianos, Escolha de Pontos e composição de textos para 9 rotas comemorativas em Ponte de Lima; • Colaboração na comunicação do Lourear a Pevide - Agendamento de conteúdos promocionais nas redes sociais; • Revisão e colaboração na produção da nova brochura promocional para o Turismo em Ponte de Lima; • Produção de relatórios estatísticos para o Posto de Turismo de Ponte de Lima; • Desenvolvimento de ideias, realização de maquetes e procura de orçamentos para novo merchandising a vender no Posto de Turismo de Ponte de Lima; • Levantamento de dados acerca das tradições vivas no concelho; • Composição de artigos sobre os Solares de Ponte de Lima e os Caminhos de Santiago para a revista “Desde Mil Cento e Vinte e Cinco”; 16 • Realização de uma proposta de atividades para o Dia do Peregrino; • Assistência ocasional no Posto de Turismo de Ponte de Lima. 1.3. Estrutura do Relatório Este Relatório de Estágio inicia com uma introdução onde é enquadrado o tema e os principais objetivos de pesquisa. Ainda neste primeiro ponto, é ainda contextualizado o decorrer do estágio. De seguida, é apresentado o respetivo enquadramento teórico acerca do tema em questão, através da Revisão da Literatura, baseada na descrição de conceitos, efeitos do enoturismo e diferentes estratégias. Em terceiro lugar, é apresentada a metodologia utilizada para esta pesquisa, bem como analisados os resultados da aplicação desta. Posteriormente, é evidenciado o Plano Estratégico. Este está estruturado através de um diagnóstico interno e externo, da definição de objetivos, e do Plano de Marketing da Rota. Por fim são demonstradas sugestões para o futuro e conclusões e limitações resultantes da produção deste relatório. 17 2. Revisão de Literatura 2.1. Conceito de Enoturismo A definição de enoturismo tem variado ao longo dos tempos. Inicialmente, o foco situavase, unicamente, nas atividades de visitas a adegas, vinhas e quintas vitivinícolas, através de provas, ensino do contexto do vinho e da possibilidade de comprar vinho no local (Kastenholz et al., 2023). Da mesma forma, Getz et al. (1999) definiram este conceito como uma forma de comportamento do consumidor, baseada na atratividade do vinho e das regiões vitivinícolas cujas principais atividades seriam as experiências relacionadas com o vinho (Ramos et al., 2020). Mais tarde, Hall et al. (2000) delimitaram o conceito ao turismo realizado a vinhas, cujo principal motivo de visita são as próprias quintas vitivinícolas, eventos e provas de vinho. Desta forma, a definição de enoturismo passa a abranger, não só o turismo realizado no contexto específico do ambiente das vinhas e adegas, mas também todo o tipo de participação em experiências no âmbito do envolvimento na cultura regional e na gastronomia e vinhos locais (Bruwer & Lesschaeve, 2012; Ramos et al., 2020). A partir de uma diferente perspetiva, Bruwer & Alant (2009) descrevem que o enoturismo envolve, principalmente, o prazer que o vinho como produto oferece, bem como todo o respetivo ambiente estético, através da utilização dos sentidos (Ramos et al., 2020). Estabelecendo o conceito de uma forma mais objetiva, Asero & Patti (2011) concluem que a procura pelo vinho no turismo está relacionada ao próprio vinho e às regiões vitivinícolas, sendo que o comportamento dos enoturístas pode variar conforme a região, a cultura ou até mesmo conforme a própria adega (Ramos et al., 2020). Para além disso, Grybovych et al. (2013) defende que os enoturistas procuram experiências dentro das adegas e das regiões vitivinícolas, visando, através destas, conectar-se às vivências do respetivo estilo de vida praticado (Ramos et al., 2020). Por fim, Holland et al. (2014) referem que a amplitude do interesse dos enoturístas tem expandido, incluindo, assim, as várias experiências que o destino enoturístico oferece ao nível de todo o território rural e vitivinícola, tais como as que envolvem paisagens, pessoas, história e tradições (Kastenholz et al., 2023). 18 2.2. Enoturismo no Espaço Rural 2.2.1. O Papel do Enoturismo na Economia e no Desenvolvimento Local O enoturismo é considerado um setor de atividade de grande importância para a atividade económica e social, sendo reconhecido como bastante lucrativo e capaz de promover o desenvolvimento da economia local (Hojman & Hunter-Jones, 2012; Kastenholz et al., 2023). Este decorre, geralmente, em territórios rurais, com falta de recursos económicos e sociais, tendo em conta o decréscimo, em termos demográficos e de dinâmica socioeconómica. Por outro lado, este tipo de turismo assente na produção vitivinícola, baseia-se em recursos naturais locais e no knowhow e cultura das populações locais (Eusébio et al., 2023). Este é um setor resultante da combinação da produção de vinho e do turismo, o que cria oportunidades de vendas nas próprias adegas, gerando, assim, aumentos no património da empresa, promove o branding e a lealdade à marca, não só do próprio vinho, mas também do território e, consequentemente, melhora a experiência turística (Alonso & Liu, 2012; Byrd et al., 2016; Getz & Brown, 2006; Kastenholz et al., 2023; Marzo-Navarro & Pedraja-Iglesias, 2021). Para além dos benefícios financeiros, a implementação de atividades de enoturismo pelos produtores vitivinícolas pode aumentar a sua diferenciação (Frost et al., 2020; Fuentes-Fernández et al., 2022; Marco-Lajara et al., 2023), o que lhes permite desenvolver o seu negócio, oferecendolhes benefícios a longo prazo (Camprubi & Gonçalves, 2025; O’Neill & Palmer, 2004; Rasch & Gretzel, 2008). Portanto, para além de toda a envolvente turística, o enoturismo é, também, considerado uma forma de promoção do próprio vinho (Tavares & Azevedo, 2011; Treloar et al., 2004; Thach et al, 2006). Desta forma, esta tipologia de turismo constitui um fator fundamental para a sustentabilidade financeira de pequenos produtores de vinho, que dependem das visitas dos turistas para a venda dos seus produtos (Ramos et al., 2020). Ademais, tendo em conta que grande parte das tradições associadas ao vinho e à sua produção são sustentadas por famílias, ou seja, compreendendo uma pequena escala, e que, por vezes, estas atividades não possuem objetivo comercial, o desenvolvimento destas atividades relacionadas com a produção vitivinícola torna-se um fator importante para a conservação da paisagem cultural e dos seus costumes, através da ligação entre os residentes e os turistas (Kastenholz et al., 2023). Um estudo de Halim et al. (2016) na Carolina do Norte (EUA), concluiu que os residentes da localidade analisada reconheceram o papel das adegas, no contexto turístico, não só para o desenvolvimento 19 sociocultural, ambiental, mas principalmente económico. Ainda neste contexto, a população local realçou também o aumento da variedade de atividades culturais e o embelezamento da paisagem, nestas localidades. No entanto, apesar dos benefícios de criação de emprego e desenvolvimento económico, especialmente em época alta, existem, também, aspetos negativos percecionados pelos residentes de locais de enoturismo (Andereck & Nyaupane, 2011; Greffe, 1994), tais como a sazonalidade (Bestard & Nadal, 2007; Eusébio et al., 2023). Consequentemente, tal como referido por (Kastenholz et al., 2018), a comunidade local detém o papel central, no que diz respeito à cocriação da experiência dos turistas no espaço rural, sendo que as suas perceções dos impactos do turismo possuem uma grande importância nos seus comportamentos (Andereck et al., 2005; Eusébio et al., 2023; Figueiredo et al., 2014). Poitras & Donald, (2006) justificam que, para que a economia local seja equilibrada e diversificada, a comunidade local deve ser reconhecida, como um stakeholder chave, pelos órgãos responsáveis pela tomada de decisão, em estratégias de desenvolvimento enoturístico. Também (Figueiredo et al., 2014) considera que as próprias interações sociais com turistas de diferentes origens podem ser benéficas para residentes de localidades rurais, visto que lhes oferecem diversidade e qualidade de vida (Kastenholz et al., 2023). À semelhança de outros territórios, em Portugal, o enoturismo possui, progressivamente, um grande poder de desenvolvimento, atração e distinção entre toda a rede turística nas suas várias regiões, o que faz com que este potencial seja assinalado na Estratégia Nacional para o Turismo. Neste caso, este fenómeno de crescimento está associado à qualidade e à crescente reputação dos vinhos portugueses em todo o mundo, bem como ao facto de este tipo de turismo possuir uma forte ligação com toda a região, incluindo com as suas características naturais e culturais (Kastenholz et al., 2023). Portanto, se bem estabelecido e organizado, o enoturismo em espaço rural é capaz de contribuir para o desenvolvimento sustentável, garantindo, simultaneamente, a preservação de recursos sociais, culturais e naturais, bem como a satisfação de toda a rede de stakeholders . (Kastenholz et al., 2023). 20 2.2.2. O Enoturismo como forma de Slow Tourism O turismo no meio rural é, ainda, considerado para muitos, uma alternativa sazonal à vida na cidade (Columba et al., 2015). Os turistas procuram, cada vez mais, locais para férias, ao ar livre, rodeados de natureza e longe de multidões, onde é possível relaxar, praticar desporto e provar gastronomia diferente da comum (Bellia, Scavone et al., 2021). Neste sentido, o conceito de Slow Tourism surgiu como o oposto ao turismo de massas, sendo referido por Dickinson et al. (2010) como uma forma de turismo para o qual as viagens são realizadas através de transportes alternativos ao carro ou aos meios aéreos, as estadias são maiores e, portanto, as viagens são menores (Conway & Timms, 2010; Losada & Mota, 2019; Oh et al., 2016). No entanto, apesar de inicialmente focado nos meios de transportes utilizados para viajar, o conceito de Slow Tourism expandiu, sendo, entretanto, abordada a integridade da experiência turística (Dickinson, 2015). Neste sentido, este é visto, atualmente, como um modelo mais sustentável, do ponto de vista social, económico e ambiental (Conway & Timms, 2010; Losada & Mota, 2019; Oh et al., 2016). Portanto, esta forma de turismo promove a redução da frequência de viagens, o aumento da duração da estadia, a visita de menos atrações, no entanto, com maior duração, o favorecimento de recursos locais e o foco em viagens de curta distância e que recorram a meios de transporte mais sustentáveis (Caffyn, 2012; Dickinson & Robbins, 2010; Dickinson et al., 2010). Consequentemente, por todas as suas características, este conceito tem-se revelado tendência em vários países europeus (Euromonitor Internacional, 2007; Fullagar et al., 2012; Losada & Mota, 2019). Apesar de autores como Boley (2015) considerarem que o facto de este modelo promover a realização de menos viagens, traduz-se num menor impacto económico para o destino, outros como Caffyn (2012) afirmam que por o Slow Tourism incentivar a escolha de produtos e atrações locais, os pequenos negócios são mais favorecidos em detrimento das grandes empresas. Desta forma, verificam-se impactos económicos positivos no destino, através da criação de mais emprego e da consequente promoção de melhores salários (Losada & Mota, 2019). No decorrer de um estudo de Bellia, Scavone, et al. (2021), onde é comparado o turismo religioso ao turismo associado à enogastronomia, os autores assumem que ambos têm o poder 21 de atrair turistas a localidades que, apesar de serem de dificil acesso, são cada vez mais atrativas, face aos destinos de turismo de massas. Também Kuus (2024) considera que o enoturismo tem potencial para pertencer ao conjunto de experiências de Slow Tourism , podendo até, representar uma forma de promoção do regresso dos turistas, não só às regiões, mas também às próprias quintas de enoturismo e restaurantes. Kastenholz et al. (2014) à semelhança da DMO responsável no Norte de Portugal, Turismo do Porto e Norte de Portugal (TPNP, 2015) referem que, no caso da região do Douro, a aplicação de práticas de turismo mais sustentável, como de Slow Tourism , podem ser benéficas para a região, relativamente ao modelo de turismo convencional. De acordo com a TPNP, a implementação destes princípios pode contribuir para a preservação e para o realce das características naturais, económicas e sociais da região. Similarmente, Madureira & Marques (2006) afirmam que as estratégias de promoção na região do Douro devem ser baseadas nos impactos positivos dos respetivos atributos naturais e culturais, face aos impactos de um estilo de vida urbano acelerado (Losada & Mota, 2019). Concluindo, o Slow Tourism promove a qualidade em detrimento da quantidade, tornandose uma alternativa ao turismo de massas, aumentando a duração das estadias (Guiver & McGrath, 2016) e gerando benefícios económicos, sociais e ambientais (Barros & Machado, 2010), o que traz às localidades, turistas que procuram autenticidade nas suas experiências turísticas (Conway & Timms, 2010; Losada & Mota, 2019; Meng & Choi, 2016). 2.3. A Experiência da Visita Enoturística A experiência turística não é limitada a uma só atração. Sendo o enoturismo uma experiência completa, é importante criar um trabalhar na construção de um bom impacto em todos os momentos da visita a uma região de vinhos (Hall, 1996; Ramos et al., 2020). De acordo com Mitchell & Hall (2004), a experiência turística é composta por cinco fases, sendo estas a pré-visita, que envolve, em primeiro lugar, conhecimentos obtidos anteriormente, como experiências passadas e o respetivo grau de satisfação, o que pode influenciar a escolha de destinos, em segundo lugar, a viagem até ao local, em terceiro lugar, a própria experiência no local, como por exemplo uma visita a uma quinta de enoturismo, em quarto lugar, a viagem desde o destino turístico ao local de residência e, por fim, o pós-visita, que, por sua vez, pode incluir uma 22 recompra, um regresso e, até, uma recomendação (WOM) (Mitchell et al., 2000; Pearce, 1982; Ramos et al., 2020; Yuan et al., 2008). Numa primeira fase, Byrd et al. (2017) defendem que conhecimentos acerca do produto ou destino prévios à viagem possuem uma influência significativa nos comportamentos de consumo. Estas informações podem ser obtidas, não só de experiências passadas, mas também de WOM ou até mesmo publicidade (Sparks, 2007). Adicionalmente, quando um turista compra vinho ou outras lembranças, tanto para consumo próprio, como para oferecer, estes objetos podem transmitir memórias, que impulsionem a satisfação e a fidelidade do enoturista, podendo, desta forma, influenciar o seu regresso (Houghton, 2002; Quadri-Felitt & Fiore, 2013). Para além disso, Alebaki et al. (2015) refere que experiências anteriores noutras regiões de vinho interferem na escolha de destino futura (Ramos et al., 2020). Já na viagem entre o local de destino e a residência, e vice-versa, alguns dos fatores que podem influenciar a experiência são a acessibilidade até nas áreas correspondentes à rota de vinhos, a conectividade entre localidades próximas e a sinalização clara (Bonn et al., 2016; Bruwer et al., 2016). Estes aspetos são comprovados num estudo de Vo Thanh & Kirova (2018), em que os inquiridos consideraram que a qualidade das estradas, a sinalização e as informações acerca de atrações são bastante importantes na avaliação das suas experiências. Poitras & Donald (2006) consideram, também, que o aumento do trânsito e o desenvolvimento de serviços e outras instalações nos locais podem comprometer, nesta segunda fase, o crescimento do enoturismo numa região (Ramos et al., 2020). No que diz respeito à experiência no próprio destino ( in situ ), existem diversos fatores que afetam a satisfação dos enoturistas. O facto de se poder provar vinhos raros e de qualidade por preços mais acessíveis (Batista de Freitas et al., 2017), consumir produtos tradicionais e artesanais (Bruwer et al., 2016), estar em quintas de enoturismo de caráter qualificado (Back et al., 2018) e apreciar as características autênticas de uma região (Bonn et al., 2016), são alguns dos fatores que mais influenciam a satisfação do enoturista com o destino. Para além disso, a vertente educacional da visita é bastante apreciada pelos enoturistas, sendo que a realização de visitas guiadas pelas vinhas, provas de vinho e participação em oficinas de produção vínica, foram consideradas num inquérito de Vo Thanh & Kirova (2018), como as mais importantes para a avaliação positiva da satisfação. Por sinal, quando as atividades em que o enoturista participa são pagas e é observada alguma conquista com estas, a perceção de valor desta experiência aumenta, 29 Também através de um estudo de Bellia, Scavone et al. (2021), tornou-se evidente que o conceito de Turismo Relacional Integrado tem evoluído para uma nova abordagem, apresentando uma tendência relativa a territórios de pequena dimensão, cuja promoção do destino envolve, também, a integração e a cocriação entre todo o conjunto de elementos pertencentes à envolvente turística. Esta variedade de componentes pode incluir, assim, a colaboração com localidades próximas, arqueologia da paisagem, aldeias rurais, agricultura e alimentos de qualidade, turismo sustentável, valores de identidade social e relações físicas e não físicas entre zonas costeiras e de interior (Chironi et al., 2020; Columba et al., 2015). Através desta nova forma de Turismo Relacional Integrado, cada elemento contribui, tanto para o desenvolvimento económico local, como para o aprimoramento contínuo do destino turístico. Tendo em conta este alargamento do interesse no enoturismo, resultante da evolução das perspetivas do consumo, surge o conceito de terroir tourism (Kastenholz et al., 2023; Malerba et al., 2024). No terroir tourism o vinho é considerado um recurso endógeno específico que complementa e se destaca entre uma variedade de atrações turísticas, cujo público-alvo são, não só os amantes de vinho, mas também outros turistas interessados em experiências diferentes (Carvalho et al, 2021b). Já Holland et al. (2014) definem este termo como uma estratégia de turismo regional que combina o próprio vinho como produto, a viticultura e a respetiva produção com o desenvolvimento regional, o que resulta na expansão da identidade local. No mesmo sentido, este é também aplicado no marketing, com o objetivo de criar uma imagem diferenciada para uma região de vinhos (Capitello et al., 2021; Charters et al., 2017; Turner & Creasy, 2003). Consequentemente, esta aliança vertical entre diferentes agentes de turismo, como DMOs, alojamentos, restaurantes, entre outros, contribui para o sucesso das estratégias de marketing de enoturismo (Camprubi & Gonçalves, 2025; Jaffe & Pasternak, 2004; Rasch & Gretzel, 2008; Wargenau & Che, 2006). Da mesma forma, Brandano et al. (2018), considera que, com o objetivo de impulsionar o destino, a promoção não se deve basear apenas nos estabelecimentos de enoturismo, mas também no que se encontra nas áreas próximas, como restaurantes, atividades culturais e recreativas e, até mesmo, outros destinos de enoturismo. Atout France (2017) revela que, no contexto de desenvolvimento de novas estratégias, o facto de o enoturismo ser promovido em regiões de significante prática de turismo cultural e gastronómico, pode tornar-se uma ferramenta relevante para a promoção de adegas e quintas de enoturismo (Camprubi & Gonçalves, 2025). No caso do Valle de Guadalupe, o crescimento da respetiva Rota de Vinhos tem promovido a 30 criação de novos produtos, que conjugando a oferta vinícola à gastronomia local, revelaram sucesso (Quiñones et al., 2011; Ramos et al., 2020). Para além disso, Bellia, Scavone et al. (2021), concluem que a gastronomia de qualidade, o turismo e a natureza são pontos importantes para a sustentabilidade do desenvolvimento turístico no território rural. Neste seguimento, diversos autores constatam que é conhecido o contributo da gastronomia típica local, na satisfação geral da experiência turística (Björk & Kauppinen-Räisänen, 2019; Sthapit et al., 2017; Chironi & Ingrassia, 2015), sendo que o turismo de enogastronomia é, cada vez mais, uma motivação para a visita de um destino turístico (Rachão et al., 2021a; Rachão et al., 2023; Su et al., 2020). Camprubí & Galí (2015) consideram que a construção de uma rota de enoturismo deve ter em conta os seus recursos e características geográficas. Neste sentido, o vinho e a gastronomia são, frequentemente, conectados (Camprubi & Gonçalves, 2025; Getz, 2019). No caso do turismo em Itália, é estimado que um em cada quatro turistas possuam como motivação para a visita a gastronomia e vinhos (Bellia, Scavone, et al., 2021). O consumo de gastronomia típica de um local promove uma ligação forte entre turistas e residentes e desenvolve os conhecimentos dos visitantes acerca do território (Björk & Kauppinen-Räisänen, 2019; Sthapit et al., 2017). O facto de a gastronomia ser estrangeira, de possuir diferentes métodos de conceção, de prova e produtos locais, constrói uma identidade atrativa e reconhecível para os turistas (Dalkey, 1969; Safonte et al., 2021). Para além disso, a alimentação é um elemento essencial na atividade turística, integrando a rotina de quem viaja, o que, consequentemente, a torna parte do orçamento garantido para a viagem (Bellia, Pilato, et al., 2021). Em conclusão, é fundamental trabalhar na cooperação entre DMOs, produtores de vinho, negócios envolventes e residentes, no sentido de consolidar a cocriação, a diversificação da oferta turística e a lealdade dos turistas (Park & Widyanta, 2022; Rachão et al., 2023; Ramos et al., 2020). 2.6. Análise do perfil e motivações do Enoturista Apesar de o enoturismo ser considerado uma estratégia de promoção do consumo de vinho em novos mercados, o marketing deste é, maioritariamente, aplicado às gerações mais velhas (Treloar, 2004; Thach et al, 2006). Neste sentido, é fundamental entender as características psicodemográficas dos diferentes segmentos, para que seja possível aplicar 31 estratégias mais eficientes e efetivas de marketing e vendas, melhorar as relações com os consumidores, através da escolha dos melhores meios de comunicação e definir as mensagens corretas a serem transmitidas (Tavares & Azevedo, 2011). Os Baby Boomers , geração que compreende os indivíduos nascidos entre 1943 e 1960, devido à sua posição financeira, atualmente, já mais estabilizada e, geralmente, abastada, são mais propícios a viajar e a despender mais nas suas viagens, acomodando-se em locais mais caros e luxuosos (Hysa et al., 2021). Para além disso, tendo em conta a sua personalidade mais conservadora e o facto de serem, usualmente, experientes apreciadores de vinho, focam-se mais no próprio vinho como produto (Charters & Fountain, 2006) e no valor da experiência (Kruger & Viljoen, 2022; Rachão et al., 2023). Já a Geração X, cujos indivíduos nasceram de 1961 a 1981, possuem uma maior orientação para a segurança, realizando mais viagens de grupo, com familia ou amigos, e, geralmente, são mais informados e experientes, procurando experiências genuínas e personalizadas (Cooper et al., 2019; Hysa et al., 2021; Rachão et al., 2023). A Geração Y, nascida entre 1982 e 1996, foi a primeira a ligar-se ao mundo da internet e das redes sociais, possuindo, assim, na sua generalidade, gostos mais complexos e exigentes (Leask et al., 2014). São, também, mais independentes, não recorrendo a agências de viagens convencionais. Nesta perspetiva, estão, constantemente, à procura de novas experiências, lugares para viajar e aprendizagens (Ketter, 2020), bem como socialização e diversão (Bachman et al., 2021; Rachão et al., 2023). Através de um estudo de Tavares & Azevedo (2011), cuja origem da amostra se situa na região dos vinhos de Nappa Valley (EUA), foi verificado que a Geração X não é muito mais exigente do que a Geração Y. Ambas as faixas etárias possuem expectativas similares no que diz respeito aos atributos dos espaços exteriores, como a possibilidade de observar as redondezas, e aos atributos dos espaços interiores, como o facto de serem visualmente apelativos. A Geração X demonstrou possuir maiores expectativas relativamente à qualidade dos vinhos, à hospitalidade e à competência do staff, às condições de limpeza, conforto e ao facto de o ambiente ser agradável no interior das adegas e salas de provas. No entanto, aspetos como aderir à lista de emails foram considerados pouco apreciados por esta geração. Relativamente aos turistas da região do Nappa Valley da Geração Y, foi verificado que, também estes, consideraram o staff, as condições de 32 conforto e o ambiente agradável dos espaços, alguns dos principais fatores para a avaliação da experiência. No mesmo estudo, mas tendo como amostra turistas da região do Douro, Tavares & Azevedo (2011), observaram, novamente, que a Geração X não é, significativamente, mais exigente do que a Geração Y. Neste caso, similarmente à região anteriormente mencionada, ambas as gerações demonstraram apreciar a qualidade do staff, no que respeita ao profissionalismo e conhecimento, e as condições dos espaços interiores das adegas, relativamente às limpezas. Adicionalmente, ambos os grupos esperavam vinho de qualidade. Por outro lado, à semelhança dos turistas da geração X do Nappa Valley , a possibilidade de aderir a uma lista de emails, foi o ponto menos prezado, para as duas faixas etárias. Treloar et al., afirmavam em 2004, que a maioria dos jovens, na época Geração Y, consome, principalmente, cerveja e bebidas brancas, portanto, a educação e a comunicação tornam-se fatores essenciais no enoturismo, para estas faixas etárias (Tavares & Azevedo, 2011). Também Katz et al. (2019, como citado por Tach et al., 2021) revelou, através de um estudo, que, a Geração Z é menos propensa ao consumo de álcool. No entanto, não dão tanta importância ao fator da educação, neste caso, aprender sobre os vinhos e conhecer os produtores (Stergiou et al., 2018). O mesmo foi comprovado num estudo de Rachão et al. (2023), em que a Geração Z demonstrou menor interesse, tanto em interagir com os produtores locais, como em participar em atividades relacionadas com a enogastronomia. Neste sentido, possuindo menos conhecimentos e menos experiência no mundo dos vinhos, estão menos dispostos a pagar pelo consumo destes (Ferreira et al., 2020; Silva & Rebelo, 2019). Esta mais nova geração, atribuída com a letra Z e nascida a partir de 1997 até 2012, possui, ainda, recursos financeiros limitados, o que os faz avaliar, mais atentamente, a rentabilidade da experiência turística (Hysa et al., 2021; Robinson & Schänzel, 2019). Apesar dos ainda poucos estudos, (Rachão et al., 2023) verificaram que é apresentada uma tendência, por este grupo etário, a estarem mais dispostos a pagar por experiências de turismo que sejam compostas por elementos de gamificação e digitalização. Do mesmo modo, são, cada vez mais procuradas opções de mobilidade individuais (Skinner et al., 2018) e é dada maior atenção à segurança alimentar, tendo em conta a maior preocupação com a saúde e bem-estar físico (Thach et al., 2021). Adicionalmente, são menos interessados em construir relações durante as viagens (Katz et al., 2019, como citado por Tach et al., 2021). 33 Relativamente ao género, os apreciadores masculinos apresentam uma maior frequência de consumo de vinho, face ao género feminino (Rodríguez-Donate et al., 2020), bebendo mais em contextos sociais (MacDonald et al., 2013) e estando mais envolvidos com o enoturismo (Cunha et al., 2023). Semelhantemente, Rachão et al. (2023) verificaram que os homens são mãos propensos a pagar mais pela participação em experiências de enogastronomia. Por fim, no que diz respeito às habilitações literárias, o facto de possuir um curso universitário, tanto licenciatura, como mestrado ou doutoramento, influencia positivamente a disposição para pagar mais por atividades de enogastronomia (Rachão et al., 2023). Em conclusão, existem diversas perceções e aspetos das experiências que são influenciados pelas características demográficas e psicográficas dos diferentes indivíduos, portanto, é importante conhecê-los, no sentido de aplicar estratégias de marketing segmentadas aos diferentes mercados (Tavares & Azevedo, 2011). 2.7. Estratégias de Promoção no Enoturismo O foco no marketing e na promoção da marca do destino são fundamentais para a definição de estratégias de gestão, garantia das marcas territoriais e qualificação de itinerários em meio rural (Bellia, Scavone, et al., 2021; Masot & Rodríguez, 2021). Neste sentido, as administrações locais devem articular as suas estratégias com as autoridades locais e indivíduos privados, com o objetivo de minimizar a divisão entre todos, definir uma organização metódica, e, consequentemente, promover um crescimento o mais coordenado possível. De facto, algumas empresas do setor dos vinhos têm apostado na diversificação, criando diferentes produtos turísticos e aproveitando políticas e estratégias locais para promover o enoturismo, constituindo assim um papel híbrido de geradores de produtos e serviços e de agentes de promoção de desenvolvimento regional em áreas rurais (Bruwer, 2003; Camprubí & Galí, 2015; Camprubi & Gonçalves, 2025; Carlsen, 2004; Hall, 1998). A estética e a imagem de um destino são partes fundamentais para o crescimento do setor do turismo (Korstanje, 2013). A imagem transmitida por um destino é constituída por elementos únicos e holísticos que permanecem nas mentes dos consumidores, sendo que, tendo em conta que o turismo envolve, maioritariamente, experiências, estas imagens são, geralmente, memorizadas em formato de história ou narrativa (Govers & Go, 2001; Zins & Adamu, 2024). Para 34 além disso, Russell et al. (2005) afirmam que a imagem de um destino deve ser apresentada através do ponto de vista do mercado desejado (Losada & Mota, 2019). Não só o que é comunicado, mas também a forma como o é apresentado são pontos extramente importantes na promoção de destinos. Neste sentido, as imagens, textos e produtos audiovisuais criados devem ser baseados em estratégias de comunicação clara, evitando iludir os potenciais turistas (Huertas et al., 2017; Losada & Mota, 2019). Durante as últimas décadas, novas tecnologias como a internet têm vindo a revolucionar o setor do turismo. Cada vez mais, esta área recorre a meios de suporte digital (Garima & Dharmendra, 2023), online, tais como websites, email marketing, redes sociais, blogs, estratégias SEO, publicidade na internet, entre outros, e offline, como por exemplo, televisão, rádio, outdoors digitais e mensagens (Veleva & Tsvetanova, 2019). Através destes, é possível criar conteúdos digitais, o que permite a implementação de ações de marketing e, consequentemente, chegar ao público-alvo (Fontes et al., 2024; Sokolova & Titova, 2019). Ingrassia et al. (2022) refere que, com o desenvolvimento dos telemóveis, nos dias de hoje, é possível encontrar toda a informação e notícias necessárias para escolher, não só um destino turístico, mas também, outros aspetos como restaurantes e até mesmo, pesquisar sobre a gastronomia local e costumes culturais e éticos (Fontes et al., 2024). Neste sentido, Dellarocas (2003) revela que a E-WOM, ou seja, a informação boca a boca transmitida através de meios eletrónicos, sobrepõe-se atualmente à WOM tradicional, ou seja à informação boca a boca transmitida pessoalmente. Esta mudança permite às empresas do mundo dos vinhos, controlar, cada vez mais, o que o público diz sobre elas e sobre a experiência vivida com elas, com o objetivo de orientar as escolhas e comportamentos dos consumidores. Da mesma forma, Velázquez et al. (2019) revela que os principais indicadores associados à escolha de quintas produtoras de vinho e de enoturismo são os websites das empresas, os gostos e sentimentos expressados em publicações nas redes sociais, opiniões publicadas e avaliações deixadas por outros utilizadores em páginas oficiais das redes sociais das corporações (Fontes et al., 2024). As estratégias de marketing online têm como objetivo, desenvolver as informações chave, no sentido de informar os consumidores (Taylor et al., 2010), promover ofertas relacionadas com os vinhos ou enoturismo (Notta & Vlachvei, 2013), reforçar a identidade da marca, através do 35 branding e storytelling (Rasch & Gretzel, 2008) e incentivar a interação com os consumidores (Berthon et al., 1996; Camprubi & Gonçalves, 2025). Num contexto competitivo, estratégias de marketing online são cruciais para o desenvolvimento estratégico no setor dos vinhos, sendo os websites ferramentas fundamentais, para tal (Camprubi & Gonçalves, 2025; Gură u & Duquesnois, 2011). Em muitos casos, o website é o primeiro contacto que o cliente constitui com uma produtora e os seus vinhos, portanto tornase fundamental a utilização deste por parte das organizações da área dos vinhos (Cho & Sung, 2012). Tendo em conta que os indivíduos chegam a um website, com o objetivo de procurar informação, este deve incluir ligações às redes sociais da marca, onde lhes sejam apresentados conteúdos audiovisuais e permitido participar nestas plataformas, interagindo mais diretamente com a empresa (Aramendia et al., 2021; Fontes et al., 2024). Neste sentido, em termos de conteúdos audiovisuais, Losada & Mota (2019) consideram os vídeos promocionais uma das ferramentas de promoção mais utilizadas no marketing de destinos, pelo seu poder persuasivo. As representações multimédia, neste caso, em formato de vídeos promocionais, possuem alguma influência nas experiências dos turistas, por lhes oferecerem abertura para poderem ser reproduzidas por estes. Para além disso, incluem, geralmente, informações sobre o destino e transmitem imagens positivas e apelativas, sendo, portanto fundamentais no branding e na comunicação da identidade de um destino (Huertas et al., 2017). Não só websites, mas também redes sociais de empresas do mundo do vinho, são utilizados para oferecer informações sobre a própria organização, produtos e serviços, partilhar fotos, promover atividades turísticas, contar histórias de familia, facilitar e incentivar a comunicação interativa e vender produtos e serviços online, possibilitando, neste caso a reserva de experiências (Canovi & Pucciarelli, 2019; Alebaki et al., 2022). Portanto, no que diz respeito a redes sociais, estas têm o poder de mudar comportamentos das pessoas (Ingrassia et al., 2022), tornando-se, para o caso das empresas de enoturismo, bastante importantes, para a comunicação em estratégias de marketing, distribuição e obtenção de feedback (Canovi & Pucciarelli, 2019; Duarte Alonso et al., 2013; Fontes et al., 2024; Kotur, 2023; Leung et al., 2013; Munar & Jacobsen, 2014). 36 Tal como apresentado na Figura 3, Camprubi & Gonçalves (2025) desenvolveram uma estrutura conceptual para os websites, tendo em conta os conteúdos chave para a sua construção, sugeridos por Lemoine (2019), Notta & Vlachvei (2013), Rasch & Gretzel (2008) e Taylor et al. (2010). Visto que o conceito de um website influencia a perceção e o comportamento dos seus utilizadores (Notta & Vlachvei, 2013; Zeithaml et al., 2002), as marcas produtoras de vinho apostam em diferentes práticas de marketing online (Begalli et al., 2009; Chaffey et al., 2000; Ditto & Pille, 1998). Fonte: Lemoine (2019), Notta & Vlachvei (2013), Rasch & Gretzel (2008) e Taylor et al. (2010); Elaborado por Camprubi & Gonçalves (2025). É, para além disso, fundamental utilizar estratégias de SEO, para que o website atinja posições estratégicas nos motores de pesquisa (Setiawan et al., 2020), visto que, atualmente, a maioria do movimento em sites é gerado através de motores de busca (Fontes et al., 2024; Ullah et al., 2018). Ademais, tem sido verificado o efeito de UGC, ou seja, conteúdos gerados por utilizadores, no comportamento e satisfação dos turistas (Kaosiri et al., 2019). Alguns destes são, por exemplo, as opiniões online de outros clientes, que os consumidores, frequentemente, procuram e leem antes de visitar um destino, por considerarem fontes credíveis para o efeito (Anand et al., 2017; Ayeh et al., 2013; Black & Kelley, 2009; Kladou & Mavragani, 2015), dando-lhes, assim, mais confiança nas suas escolhas (Mendes-Filho et al., 2018). Outro exemplo de UGC no turismo são publicações realizadas por turistas com avaliações e fotos de experiências (Kaosiri et al., 2019; Figura 3 - Conceptual framework for wineries websites 37 Oliveira & Casais, 2019). Estes comentários são publicados pelos consumidores, com a intenção de ajudar outros a evitar más experiências, exprimir sentimentos negativos, promover negócios locais, entre outros (Banerjee & Chua, 2016; Garner & Kim, 2022; Ghazi, 2017; Kladou & Mavragani, 2015; Melián-González et al., 2013). Em síntese, a promoção da imagem e da marca de um destino é fundamental para que a respetiva identidade se destaque e capte os interesses dos turistas (Pratt & Sparks, 2014; Ramos et al., 2020). 2.8. Inovação no Enoturismo: Gamificação e Storytelling 2.8.1. Gamificação A Gamificação é definida por (Deterding et al., 2011) como a prática de utilizar elementos de jogos em contextos que não sejam considerados jogos, com o objetivo de atrair, envolver e influenciar as decisões dos utilizadores (Abou-Shouk & Soliman, 2021; Xi & Hamari, 2019). Existem diversas estruturas compostas no sentido de melhor compreender as características da composição de um jogo. Neste sentido, Hunicke et al. propuseram, em 2001, a MDA Framework, uma estrutura que descreve a dinâmica de um jogo, tanto a partir do ponto de vista do designer, como do utilizador. Portanto, tal como o próprio nome indica, um jogo é dividido em três componentes: as Mecânicas, as Dinâmicas e a Estética. As Mecânicas são compostas por toda a ação, algoritmo, elementos e motores necessários para o funcionamento do jogo, suportando assim as Dinâmicas, que, por sua vez, envolvem o contexto, os obstáculos, as escolhas, as oportunidades, as consequências, a continuação, a conclusão, a competição e a cooperação do jogo (Ruhi, 2015). Todos estes aspetos ajudam a formar a Estética do jogo, que é considerada o sentimento transmitido aos jogadores durante o jogo. A “diversão” na Gamificação envolve mais do que o transposto pela própria palavra. O autor desta estrutura, defende que esta é composta por outros oito aspetos, tais como, as sensações de exprimentar algo novo, o desafio de terminar determinadas tarefas, a descoberta de novos assuntos, através da exploração e da experiência com estratégias inovadoras, o companheirismo que uma rede social traz, a liberdade de expressão, a fantasia do mundo virtual, a submissão ao jogo e a narrativa, que visa captar o interesse do jogador (Kusuma et al., 2018). Tal como ilustrado na Figura 4, enquanto a 38 perspetiva dos designers parte das Mecânicas, para as Dinâmicas até à Estética, os utilizadores possuem o ponto de vista inverso. Fonte: Hunicke et al., 2001 (Elaboração Própria). Por outro lado, Fullerton et al. (2006) compôs o modelo FDD que assenta em três diferentes aspetos: Formal, Dramático e Dinâmico. O atributo Formal de um jogo traduz-se nas regras que limitam as ações de um jogador, enquanto o fator Dramático retrata os elementos que captam a atenção prolongada do jogador, tais como premissas, personagens e a própria história. A combinação destes dois elementos introduz as Dinâmicas do mundo do jogo, o que favorece a experiência do jogador (Kusuma et al., 2018). Já Schell (2015) considera, através do modelo Elemental Tetrad, que um jogo é composto por Mecânicas, História, Estética e Tecnologia. Para este autor, as Mecânicas representam as regras e procedimentos. Já a História consiste em toda a rede de eventos que o jogador segue durante a partida. Similarmente à estrutura MDA, a Estética é constituída pela aparência e pela perceção. Por fim, a Tecnologia simboliza todos os materiais que tornam o jogo disponível, sendo estes elementos físicos, tais como cartões ou papel, ou elementos digitais, como por exemplo, computadores (Kusuma et al., 2018). Kusuma et al. (2018) concluíram, através do seu estudo que, de forma a intensificar os efeitos da gamificação, é necessário testar diferentes combinações de mecânicas, visto que estas podem transmitir diferentes efeitos aos seus jogadores. No caso do turismo, a Gamificação tem o poder de envolver e oferecer experiências agradáveis e memoráveis aos turistas, e, simultaneamente, promover e informar sobre os destinos turísticos (Bartoli et al., 2018; Buhalis et al., 2019; Bulencea & Egger, 2015; Xu et al., 2017). Um dos motivos para a utilização de gamificação no marketing de turismo é a abertura que esta oferece para explorar os destinos (Xu et al., 2016; Buhalis, 2019). Buhalis et al. (2019) consideram que Figura 4 - MDA Framework 45 De seguida, foi elaborado e aplicado um inquérito com o objetivo de recolher dados acerca de potenciais enoturistas para poder preparar o projeto, sendo utilizado o Qualtrics XM como plataforma de submissão das respostas. No entanto, também foram utilizados inquéritos em suporte físico. Tendo em conta o objetivo de obter respostas de turistas estrangeiros, o inquérito foi partilhado, tanto na língua portuguesa como na língua inglesa. Para tal, foi utilizada a plataforma Linktree , no sentido de unir ambas as versões numa só ligação. A sua aplicação foi realizada, entre os dias 25 de outubro de 2024 e 23 de janeiro de 2025, através de entrevistas presenciais e entrega de QR Codes e inquéritos em suporte físico no Centro Histórico, no Posto de Turismo de Ponte de Lima e a responsáveis de alojamento local. Para além disso, foi partilhado com estabelecimentos de enoturismo em Ponte de Lima e em grupos da rede social Facebook relacionados com os temas do Vinho, Turismo e Enoturismo. Com exceção das respostas obtidas através de um formato de entrevista, todas as restantes foram submetidas de forma anónima, tendo em conta que nenhum dos dados sociodemográficos pedidos é suscetível de identificação do individuo. No total, foram recebidas 311 respostas, apesar de 61 destas não terem sido concluídas, o que perfaz um total de 250 respostas contabilizadas para efeitos de análise. 3.4. Estrutura do Questionário Não existindo ainda uma presença vincada de enoturismo em Ponte de Lima, sendo a amostra pequena, e visto que este projeto tem como objetivo promover o setor no concelho, o inquérito foi formulado de forma a questionar todos os seguintes perfis: A. Enoturista em Ponte de Lima; B. Potencial enoturista em Ponte de Lima que já realizou enoturismo noutra localidade; C. Potencial enoturista em Ponte de Lima que nunca realizou enoturismo. Como potencial enoturista, considera-se todos aqueles que possuem algum interesse na realização de atividades de enoturismo em Ponte de Lima, ou seja, respondendo “Sim” ou “Talvez” à Q1. Com o objetivo de formular questões foram considerados questionários aplicados por Lameiras (2015) e Tavares (2016). No sentido de contextualizar o inquirido no tema abordado, foi colocada a definição de Enoturismo apresentada por Hall & Mitchell (2007) no espaço de introdução deste. Ademais as questões acerca de características sociodemográficas foram 46 colocadas no final do questionário (Secção 7), de forma a evitar a desistência por este conter o pedido de dados que poderão ser considerados sensíveis. Neste sentido, o inquérito foi estruturado através de secções destinadas a segmentos diferentes. A primeira questão da primeira secção foi colocada a todos os inquiridos, no entanto, para os que responderam “Não” a essa questão, o inquerito não avançou. Na secção 2 foram questionados todos os indivíduos que já teriam visitado Ponte de Lima, enquanto na Secção 4 os destinatários foram os que já teriam realizado enoturismo, ou seja, os perfis A e B. Já na Secção 6 apenas foram inquiridos consumidores de vinho. Para a restantes secções, com exceção da primeira, foram inquiridos todos os potenciais enoturistas. Na Tabela 1 é apresentada a estrutura do questionário, incluindo os objetivos das várias questões e fontes utilizadas da revisão da literatura que referenciam os temas em análise nestas. Tabela 1 – Estrutura do Questionário Secção Questão Objetivo Fontes Secção 1 Q1 – Estaria interessado na realização, em Ponte de Lima de atividades/experiências turísticas relacionadas com enoturismo? Selecionar para respostas apenas interessados em enoturismo em Ponte de Lima - Q2 – Já visitou Ponte de Lima? Segmentar indivíduos que já visitaram Ponte de Lima (Byrd et al., 2017; Sparks, 2007) Secção 2 Q3 – Qual o principal motivo da sua visita a Ponte de Lima? Determinar quais as principais atividades que motivam a visita a Ponte de Lima (Bellia, Lameiras, 2015; Scavone et al., 2021; Rachão et al., 2023) Q4 – Em que tipo de alojamento ficou? Determinar a necessidade e os principais tipos de alojamentos utilizados em Ponte de Lima (Hysa et al., 2021; Lameiras, 2015) Q5 – Que fonte de informação/ publicidade motivou a sua visita? Determinar as principais fontes de informação/ publicidade que motivam as visitas a Ponte de Lima (Camprubi & Gonçalves, 2025; Fontes et al., 2024; Garner & Kim, 2023; Lameiras, 2015; Losada & Mota, 2019; 47 Ramos et al., 2020; Tavares, 2016) Q6 – Numa escala de 1 a 10, qual o seu grau de satisfação relativamente à visita a Ponte de Lima, sendo 1 – Nada Satisfeito e 10 – Muito Satisfeito? Determinar o grau de satisfação com a visita a Ponte de Lima (Back et al., 2018; Bonn et al., 2016; Bruwer et al., 2016; Lameiras, 2015; Ramos et al., 2020; Tavares, 2016) Q7 – Numa escala de 1 a 10, qual a probabilidade de regressar a Ponte de Lima, sendo 1 – Nada Provável e 10 – Muito Provável? Determinar a probabilidade de regresso a Ponte de Lima (Houghton, 2002; Kuus, 2024 Quadri-Felitt & Fiore, 2013; Ramos et al., 2020) Q8 – Numa escala de 1 a 10, qual a probabilidade de recomendar uma visita a Ponte de Lima, sendo 1 – Nada Provável e 10 – Muito Provável? Determinar a probabilidade de recomendação de uma visita a Ponte de Lima (Ramos et al., 2020; Sparks, 2007; Tavares, 2016; Yuan et al., 2008) Secção 3 Q9 – Já realizou algum tipo de atividade enoturística? Segmentar indivíduos que já experienciaram enoturismo (Alebaki et al., 2015; Tavares, 2016) Q10 – Conhece a casta de Vinho Verde Loureiro? Determinar se o individuo conhece a casta Loureiro (Byrd et al., 2017; Mitchell & Hall, 2004; Ramos et al., 2020) Secção 4 Q11 – Com quem viajou? Determinar os principais tipos de grupos que realizam visitas de enoturismo (Cooper et al., 2019; Lameiras, 2015; Rachão et al., 2023; Skinner et al., 2018) Q12 – Como planeou a viagem? Determinar com que frequência os enoturistas recorrem a agências de viagens (Ketter, 2020; Lameiras, 2015) Secção 5 Q13 – Que outro tipo de atividades complementares gostaria de acrescentar ao enoturismo, durante uma visita a Ponte de Lima? Determinar as principais categorias de atividades com potencial de serem inseridas em visitas de enoturismo (Bellia, Scavone et al., 2021; Bruwer & Lesschaeve, 2012; Camprubi & Gonçalves, 2025; Festa et al., 2020; Holland et al., 2014; Lameiras, 2015) 48 Q14 – Qual o preço máximo (em euros) que estaria disposto a pagar por uma experiência turística relacionada com a temática do vinho verde loureiro, considerando uma prova de vinhos + visita a quinta durante 2 horas? Determinar os valores que os enoturistas estão dispostos a pagar pelas experiências de enoturismo (Ferreira et al., 2020; Hysa et al., 2021; Rachão et al., 2023; Silva & Rebelo, 2019; Robinson & Schnzel, 2019; Tavares, 2016; Yeh & Jeng, 2015) Q15 – É consumidor de vinho? Segmentar consumidores de Vinho (Charters & Fountain, 2006; Katz et al., 2019; Lameiras, 2015; Rachão et al., 2023; Tach et al., 2021) Secção 6 Q16 – Numa escala de 1 a 4, como classifica o seu conhecimento em vinhos? Determinar o nível de conhecimento em vinhos dos potenciais enoturistas consumidores de vinho (Charters & Fountain, 2006; Lameiras, 2015; Rachão et al., 2023; Stergiou et al., 2018; Tavares, 2016) Q17 – Em que momentos é mais apreciador de vinhos? Determinar a frequência de consumo de vinho dos potenciais enoturistas consumidores de vinho (Lameiras, 2015; MacDonald et al., 2013; Tavares, 2016) Secção 7 D1 – Género Compreender diferenças entre géneros (Lameiras, 2015; Rachão et al., 2023; Tavares, 2016) D2 – Faixa Etária Compreender diferenças entre diferentes gerações (Lameiras, 2015; Rachão et al., 2023; Tavares & Azevedo, 2011) D3.1. – Nacionalidade Compreender diferenças entre indivíduos de diferentes origens (Lameiras, 2015) D3.3. – Se for de nacionalidade portuguesa, qual o seu concelho de Residência? (Lameiras, 2015) D4 – Situação Profissional Compreender a influencia que a situação profissional possui nas escolhas dos indivíduos (Lameiras, 2015; Tavares, 2016) 49 D5 – Habilitações Literárias Compreender a influencia que as habilitações literárias possuem nas escolhas dos indivíduos (Lameiras, 2015; Rachão et al., 2023; Tavares, 2016) D6 – Estado Civil Compreender a influencia que o estado civil possui nas escolhas dos indivíduos (Lameiras, 2015; Tavares, 2016) D7 – Qual é o nível de rendimento mensal habitual no seu agregado familiar (em euros)? Compreender a influencia que o nível de rendimentos possui nas escolhas dos indivíduos (Lameiras, 2015; Tavares, 2016) (Elaboração Própria) 3.5. Caracterização da Amostra Numa primeira análise das características sociodemográficas da amostra recolhida, tal como se verifica na Tabela 2, a grande maioria das respostas relativas ao género (D1) foram obtidas de elementos (nD1=223) do género masculino, com 144 (57,6%) das respostas submetidas, face a 75 respostas (30,0%) do género feminino e 4 respostas (1,6%) de outro género. Tabela 2 - Caracterização da Amostra – D1 Género N % Feminino 75 30,0% Masculino 144 57,6% Outro 4 1,6% Sem Resposta 27 10,8% (Elaboração Própria) Relativamente à Faixa Etária (D2) (nD2=223), a Tabela 3 demonstra que, tanto a Geração Z (18 – 27 anos) como a Geração Y (28 – 43 anos) contam com 52 respostas (20,8%) cada uma. A Geração X (44 - 59 anos) foi de todas a que acumulou mais respostas, representando estas 81 submissões, ou seja 32,4% do total. Por fim, os Baby Boomers (maiores de 60 anos) foram a geração menos significante com 38 respostas (15,2%). 50 Tabela 3 - Caracterização da Amostra – D2 Faixa Etária N % 18 - 27 anos 52 20,8% 28 – 43 anos 52 20,8% 44 – 59 anos 81 32,4% Mais de 60 anos 38 15,2% Sem Resposta 27 10,8% (Elaboração Própria) Quanto à origem (D3) da amostra (nD3.1=222), relativamente à nacionalidade (D3.1), 145 respostas (65,3%) foram obtidas de indivíduos de nacionalidade portuguesa, face a 77 respostas de estrangeiros. No total, de acordo com os dados registados na Tabela 4, foram verificadas respostas de 31 diferentes nacionalidades, sendo as principais estrangeiras, a brasileira (12 respostas – 4,8%), a britânica (8 respostas – 3,2%), a americana (6 respostas – 2,4%) e a alemã (6 respostas – 2,4%). Tabela 4 - Caracterização da Amostra – D3.1 Nacionalidade N % África do Sul 1 0,4% Alemanha 6 2,4% Angola 1 0,4% Argentina 2 0,8% Austrália 1 0,4% Bélgica 4 1,6% Brasil 12 4,8% Bulgária 1 0,4% Canadá 5 2,0% Chipre 2 0,8% Colômbia 1 0,4% Croácia 1 0,4% Dinamarca 2 0,8% Espanha 4 1,6% Estados Unidos da América 6 2,4% França 2 0,8% Geórgia 1 0,4% Grécia 3 1,2% Guatemala 1 0,4% Honduras 2 0,8% Irlanda 1 0,4% 51 Itália 3 1,2% Luxemburgo 1 0,4% Macau 1 0,4% Malta 1 0,4% Nova Zelândia 2 0,8% Portugal 145 58,0% Reino Unido 8 3,2% Roménia 1 0,4% Suíça 1 0,4% Sem Resposta 28 11,2% (Elaboração Própria) Através destes dados foi também criada uma variável (D3.4) com o objetivo de simplificar e destacar se os inquiridos seriam de nacionalidade portuguesa e estrangeira. No que diz respeito a residentes em território nacional, sendo estes de nacionalidade portuguesa ou estrangeira, os distritos (D3.2) com maior registo de respostas (nD3.2=151), foram, por ordem decrescente, o Porto (30 respostas – 12,0%), Viana do Castelo (27 respostas – 10,8%), Lisboa (25 respostas – 10,0%), e Braga (24 respostas – 9,6%), ou seja, maioritariamente, distritos da Região Norte (Tabela 5). Esta variável foi criada a partir da variável D3.3. Tabela 5 - Caracterização da Amostra – D3.2 Distrito de Residência N % Viana do Castelo 27 10,8% Braga 24 9,6% Porto 30 12,0% Vila Real 4 1,6% Aveiro 6 2,4% Viseu 1 0,4% Coimbra 6 2,4% Leiria 7 2,8% Lisboa 25 10,0% Setúbal 11 4,4% Évora 3 1,2% Beja 3 1,2% Madeira 2 0,8% Açores 2 0,8% Sem Resposta 99 39,6% (Elaboração Própria) 52 Ademais, tal como consta na Tabela 6, os concelhos (D3.3) com maior significância de respostas (nD3.3=151) foram Ponte de Lima (16 respostas – 6,4%), Lisboa (13 respostas – 5,2%) e Santo Tirso (11 respostas – 4,4%). Tabela 6 - Caracterização da Amostra – D3.3 Concelho de Residência N % Açores 2 0,8% Alenquer 1 0,4% Almodôvar 2 0,8% Amadora 1 0,4% Anadia 1 0,4% Arcos de Valdevez 2 0,8% Azeitão 1 0,4% Barcelos 2 0,8% Bombarral 1 0,4% Braga 8 3,2% Caldas da Rainha 2 0,8% Cantanhede 3 1,2% Cascais 3 1,2% Coimbra 3 1,2% Espinho 1 0,4% Estremoz 1 0,4% Fafe 2 0,8% Funchal 2 0,8% Gondomar 1 0,4% Guimarães 4 1,6% Leiria 3 1,2% Lisboa 13 5,2% Loures 2 0,8% Mafra 1 0,4% Maia 1 0,4% Mealhada 2 0,8% Moita 2 0,8% Monção 1 0,4% Odivelas 1 0,4% Oeiras 2 0,8% Oliveira do Bairro 1 0,4% Paredes de Coura 1 0,4% Pedrogão Grande 1 0,4% Peso da Régua 1 0,4% 53 Ponte de Lima 16 6,4% Porto 6 2,4% Póvoa de Varzim 2 0,8% Redondo 2 0,8% Sabrosa 1 0,4% Santo Tirso 11 4,4% Seixal 2 0,8% Sesimbra 2 0,8% Setúbal 4 1,6% Torres Vedras 1 0,4% Trofa 2 0,8% Vale de Cambra 1 0,4% Valpaços 1 0,4% Viana do Castelo 7 2,8% Vidigueira 1 0,4% Vila do Conde 3 1,2% Vila Nova de Famalicão 6 2,4% Vila Nova de Gaia 4 1,6% Vila Real 1 0,4% Vila Verde 1 0,4% Viseu 1 0,4% Vizela 1 0,4% Respostas Perdidas 99 39,6% (Elaboração Própria) Em conformidade com a Tabela 7 (D4), a maioria dos inquiridos (nD4=223) indicaram ser trabalhadores por conta de outrem (126 respostas – 50,4%). Adicionalmente, foram obtidas respostas, semelhantemente significativas, de indivíduos trabalhadores em nome individual (31 respostas – 12,4%), estudantes (31 respostas – 12,4%) e reformados (30 respostas – 12,0%). Apenas 5 respostas (2,0%) foram registadas por desempregados. Tabela 7 - Caracterização da Amostra – D4 Situação Profissional N % Trabalhador(a) por conta de outrem 126 50,4% Trabalhador(a) em nome individual 31 12,4% Desempregado(a) 5 2,0% Estudante 31 12,4% Reformado(a) 30 12,0% Sem Resposta 27 10,8% (Elaboração Própria) 54 A respeito de Habilitações Literárias (D5), tal como apresentado na Tabela 8, a maior parte dos respondentes (nD5=223) possuem qualificações ao nível do Ensino Superior, com 82 respostas (32,8%) de licenciados, 68 respostas (27,2%) de mestres e 13 respostas (5,2%) de doutorados. Em contrapartida, foram submetidas 11 respostas (4,4%) de qualificados com o Ensino Básico e 49 (19,6%) com o Ensino Secundário. Tabela 8 - Caracterização da Amostra – D5 Habilitações Literárias N % Ensino Básico 11 4,4% Ensino Secundário 49 19,6% Licenciatura ou Bacharelato 82 32,8% Mestrado 68 27,2% Doutoramento 13 5,2% Sem Resposta 27 10,8% (Elaboração Própria) No que se refere ao Estado Civil (D6) (nD6=223), 90 inquiridos (36,0%) indicaram ser solteiros, 99 (39,6%) revelaram ser casados, 80 (32,0%) destes com filhos e 19 (7,6%) sem filhos, enquanto 34 indivíduos (13,6%) compreendem outro tipo de situação civil (Tabela 9). Tabela 9 - Caracterização da Amostra – D6 Estado Civil N % Solteiro 90 36,0% Casado(a) sem filhos 19 7,6% Casado(a) com filhos 80 32,0% Outro 34 13,6% Sem Resposta 27 10,8% (Elaboração Própria) Por fim, no que diz respeito ao rendimento mensal no agregado familiar (D7), assinalado na Tabela 10 (nD7=215), apenas 13 inquiridos (5,2%) revelaram obter rendimentos inferiores a 819 euros, 55 (22,0%) indicaram auferir entre 820 e 1599 euros, 78 (31,2%) assinalaram o nível entre 3000 e 5000 euros e somente 15 (6,0%) alcançam mais de 5000 euros mensais no seu agregado familiar. Neste caso, o número de respostas perdidas foi maior, possivelmente pela sensibilidade da questão. 61 Todas as três questões apresentam desvios-padrões baixos (σQ6=1,31; σQ7=1,83; σQ8=1,47), o que representa a consistência das respostas, que, globalmente, se traduziram em resultados saudáveis e promissores para o turismo no concelho de Ponte de Lima. 3.6.1.3. Análise dos Resultados da Secção 3 A primeira questão da Secção 3 (Q9), demonstrada na Tabela 19, pretende determinar a participação anterior em experiências enoturísticas pelo individuo (nQ9=223) em três categorias: já realizou enoturismo em Ponte de Lima; já realizou enoturismo, porém numa outra localidade; nunca realizou enoturismo. Apenas 29 respondentes (11,6%) revelaram ter participado em experiências de enoturismo no concelho de Ponte de Lima. Porém, metade dos inquiridos (125 respostas – 50,0%) afirmou já o ter experienciado, no entanto num outro local. Não obstante, 69 (27,6%) responderam nunca o ter realizado. Tabela 19 - Q9 Experiência de participação em atividades de enoturismo pelos inquiridos N % Sim, em Ponte de Lima 29 11,6% Sim, mas noutra localidade 125 50,0% Não 69 27,6% Sem Resposta 27 10,8% (Elaboração Própria) Ainda na Secção 3, os inquiridos foram questionados (Q10) se conheciam a casta Loureiro de Vinho Verde (nQ10=223). A maioria (149 respostas – 59,6%) revelou até já ter provado esta variedade. Também 17 (6,8%) indivíduos afirmaram conhecer a casta, no entanto, nunca a tinham provado à data da aplicação do inquérito. Por outro lado, 57 (22,8%) demonstraram não ter, até então, conhecimento da existência da casta Loureiro (Tabela 20). Tabela 20 - Q10 Conhecimento da Casta Loureiro N % Sim e já provei 149 59,6% Sim, mas nunca provei 17 6,8% Não 57 22,8% Sem Resposta 27 10,8% (Elaboração Própria) 62 3.6.1.4. Análise dos Resultados da Secção 4 Na Secção 4, foram apenas questionados aquelas cuja resposta à questão “Já realizou algum tipo de atividade enoturística?” foi “Sim, em Ponte de Lima” ou “Sim, mas noutra localidade”. As questões aqui apresentadas, tiveram como objetivo determinar padrões na realização de viagens de enoturismo. A pergunta descrita na Tabela 21 (Q11) pedia aos inquiridos (nQ11=154) que revelassem com quem realizaram a viagem de enoturismo. A maioria indicou estar acompanhado, sendo com o(a) companheiro(a) (49 respostas – 19,6%), em família (45 respostas – 18,0%), com amigos (30 respostas – 12,0%) ou em grupo de excursão organizada (7 respostas – 2,8%). Somente 23 (9,2%) referiram ter viajado sozinhos. Tabela 21 - Q11 Companhia na viagem de enoturismo N % Sozinho 23 9,2% Com o(a) companheiro(a) 49 19,6% Em familia 45 18,0% Com amigos 30 12,0% Em grupo de excursão organizada 7 2,8% Sem Resposta 96 38,4% (Elaboração Própria) Em termos de planeamento da viagem de enoturismo (Q12) (nQ12=153), apenas 9 (3,6%) o realizaram com a ajuda de um agente turístico, ao contrário dos restantes 144 respondentes (57,6%) (Tabela 22). Tabela 22 - Q12 Ajuda no planeamento da viagem de enoturismo N % Sozinho 144 57,6% Com a ajuda de um agente turístico 9 3,6% Sem Resposta 97 38,8% (Elaboração Própria) 3.6.1.5. Análise dos Resultados da Secção 5 Na Secção 5, tal como apresentado na Tabela 23 e na Figura 8, os inquiridos (nQ13=223) foram questionados (Q13) acerca do tipo de atividades que gostariam de complementar à 63 experiência de enoturismo em Ponte de Lima. A maioria destes (164 respostas – 73,5%) assegurou que gostaria de incluir a Gastronomia Local nestas experiências. De seguida, as categorias mais relevantes foram a Visita ao centro histórico da vila (118 respostas – 52,9%), as Festas e Romarias (97 respostas – 43,5%) e a Visita a feiras e eventos (86 respostas – 38,6%). Tabela 23 - Q13 Atividades preferidas para complementar ao Enoturismo N % Gastronomia Local 164 65,6% Visita ao centro histórico da vila 118 47,2% Visita a jardins e espaços verdes 65 26,0% Visita a museus 47 18,8% Ida ao Teatro 18 7,2% Visita a feiras e eventos 86 34,4% Festas e Romarias 97 38,8% Experiências de desporto, aventura e natureza 46 18,4% Outra 26 10,4% Sem Resposta 27 10,8% (Elaboração Própria) (Elaboração Própria) Ademais, assim como demonstrado na Tabela 24, 26 indivíduos (11,7%) referiram que acrescentariam também outro tipo de atividades complementares, tais como a Peregrinação pelo Caminho de Santiago (2 respostas – 0,8%) e a passagem por espaços de comércio local que vendam produtos artesanais ou típicos da região (1 resposta – 0,4%). 164 118 65 47 18 86 97 46 26 0 50 100 150 200 Nª de índividuos Gastronomia Local Visita ao centro histórico da vila Visita a jardins e espaços verdes Visita a museus Ida ao Teatro Visita a feiras e eventos Festas e Romarias Experiências de desporto, aventura e natureza Outra Figura 8 - Q13 Atividades preferidas para complementar ao Enoturismo 64 Tabela 24 - Q13 Atividades preferidas para complementar ao Enoturismo – Outras atividades N % Adegas 1 0,4% Feiras, exposições e atividades desportivas e lazer 1 0,4% Já fiz as visitas previstas no inquérito 1 0,4% Markets or stores that offer typical local products (whatever it is typical there and also cheese, oil, veggies, honey, charcuterie, etc) and handcrafted products (like teas, herbal blends, natural cosmetics, etc) 1 0,4% Ponte de Lima é excecional, suas gentes e a beleza natural. 1 0,4% Santiago 2 0,8% Tour turístico com visita a monumentos, de seguida uma ida a produtor de vinho e terminado num restaurante em que a refeição contemple o pairing com os vinhos/casa locais 1 0,4% Respostas a “Outra” sem descrição 18 7,2% (Elaboração Própria) À semelhança de outros, estes resultados demonstram a importância de incluir experiências de contexto gastronómico, histórico e cultural numa rota de enoturismo em Ponte de Lima, tendo em conta o seu peso no turismo do concelho. Para além disso, foi determinado que, considerando uma experiência de enoturismo relacionada com o Vinho Verde Loureiro, incluindo uma prova de vinhos e uma visita a uma quinta durante duas horas (Q14), em média (μQ14), os inquiridos (nQ14=222) estariam dispostos a pagar, no máximo, uma quantia de 35,03€. No entanto, a resposta mais frequente (MoQ14) foi a quantia de 20,00€ (59 respostas – 23,6%). As quantias mínimas (min.Q14) e máximas (max.Q14) assinaladas foram 0,00€ (1 resposta – 0,4%) e 150,00€ (1 resposta – 0,4%), respetivamente (Tabela 25 e Figura 9). Tabela 25 - Estatísticas da Q14 Respostas Válidas (N) 222 Sem resposta 28 Média 35,0315 Mediana 30,00 Moda 20 Desvio Padrão 20,04077 Mínimo 0 Máximo 150 (Elaboração Própria) 65 (Elaboração Própria) Por fim, verificou-se na Tabela 26 (Q15) que 75,2% (188 respostas) dos inquiridos (nQ15=223), eram, à data da aplicação do estudo, consumidores de vinho, face a 14,0% (35 respostas) de não consumidores. Portanto, constata-se que não é critério obrigatório o facto de ser consumidor de vinhos, para se ter interesse numa rota de enoturismo. Tabela 26 – Q15 Inquiridos que são consumidores de Vinho N % Sim 188 75,2% Não 35 14,0% Sem Resposta 27 10,8% (Elaboração Própria) 3.6.1.6. Análise dos Resultados da Secção 6 Na secção 6, os consumidores de vinho foram questionados acerca dos seus conhecimentos e hábitos de consumo. Relativamente ao nível de conhecimento em vinhos (Q16) dos inquiridos (nQ16=183), apresentado na Tabela 27 e na Figura 10, numa escala de 1 (Poucos ou nenhuns conhecimentos) a 4 (Sou especialista em vinhos), a média (μQ16) foi de 2,72 valores, sendo o nível 3 a resposta mais frequente (MoQ16). 0 10 20 30 40 50 60 70 0 € 5 € 10 € 15 € 20 € 25 € 30 € 35 € 40 € 45 € 50 € 55 € 60 € 65 € 70 € 75 € 80 € 85 € 90 € 95 € 100 € 105 € 110 € 115 € 120 € 125 € 130 € 135 € 140 € 145 € 150 € Preço Máximo (em euros) Figura 9 - Q14 Preço Máximo que os turistas estão dispostos a pagar por uma experiência de enoturismo relacionada com o Vinho Verde Loureiro 66 Tabela 27 – Estatísticas da Q16 Respostas Válidas 183 Sem Resposta 67 Media 2,72 Mediana 3,00 Moda 3 Desvio Padrão 0,893 Mínimo 1 Máximo 4 (Elaboração Própria) (Elaboração Própria) Enquanto apreciadores de vinhos (Q17) (nQ17=187), 79 respondentes (31,6%) afirmaram consumir esta bebida na maioria das refeições. Numa medida similar, 76 (30,4%) revelaram consumir apenas em refeições esporádicas. Somente 32 referiram que bebiam vinho apenas em contexto social (Tabela 28). Tabela 28 - Q17 Momentos em que os inquiridos mais consomem vinho N % Na maioria das refeições 79 31,6% Em refeições esporádicas 76 30,4% Apenas socialmente 32 12,8% Sem resposta 63 25,2% (Elaboração Própria) 17 55 74 37 0 10 20 30 40 50 60 70 80 1 2 3 4 Frequência de Respostas 1 - Poucos ou nenhuns conhecimentos; 4 - Sou especialista em vinhos Figura 10 - Q16 Conhecimentos dos inquiridos acerca de vinhos 67 3.6.2. Análise Cruzada das Questões No sentido de medir a relação entre diferentes variáveis e o interesse na realização de experiências de enoturismo em Ponte de Lima (Q1), foi utilizado o teste do Qui-Quadrado. Na Tabela 29 são apresentados os níveis de significância relevantes (α<0,05), para cada uma destas variáveis. Tal como é possível verificar, verificou-se alguma significância no que diz respeito às variáveis D2, D3.4, D4 e Q9. Tabela 29 - Nível de Significância da relação entre a Q1 e várias variáveis – Teste Qui-Quadrado Sig. (α) (D1) Género 0,262 (D2) Faixa Etária 0,009 (D3.4) Nacionalidade (Portuguesa vs. Estrangeira) <0,001 (D4) Situação Profissional 0,009 (D5) Habilitações Literárias 0,099 (D6) Estado Civil 0,224 (D7) Rendimento Mensal do Agregado Familiar 0,399 (Q9) “Já realizou algum tipo de atividade enoturística?” 0,003 (Elaboração Própria) Para efeitos de análise, no caso da Q1, considera-se que as respostas “Sim” representam um maior interesse na realização de atividades/experiências turísticas relacionadas com enoturismo, em Ponte de Lima, face às respostas “Talvez”. Relativamente à relação do interesse na realização de atividades de enoturismo em Ponte de Lima (Q1) com a faixa etária (D2) (nQ1-D2=223), tal como apresentado na Tabela 30, verifica-se que até à faixa etária dos 44-59 anos, à medida que a idade aumenta, aumenta também o interesse (% “Sim” > % “Talvez”). No entanto, os indivíduos com 60 anos ou mais foram os que revelaram menor interesse, com uma percentagem maior de respostas “Talvez”. Tabela 30 - Tabela Cruzada de Dados entre D2 e Q1 Q1 Total Sim Talvez 18 - 27 anos Contagem 28 24 52 % dentro de D2 53,8% 46,2% 100,0% 68 D2 (Faixa Etária) 28 - 43 anos Contagem 35 17 52 % dentro de D2 67,3% 32,7% 100,0% 44 - 59 anos Contagem 61 20 81 % dentro de D2 75,3% 24,7% 100,0% Mais de 60 anos Contagem 18 20 38 % dentro de D2 47,4% 52,6% 100,0% Total Contagem 142 81 223 % dentro de D2 63,7% 36,3% 100,0% (Elaboração Própria) No que diz respeito à relação da Q1 com o facto de a nacionalidade ser portuguesa ou estrangeira (D3.4) (nQ1-D3.4=224), verifica-se que os portugueses possuem um maior interesse no enoturismo em Ponte de Lima, relativamente aos inquiridos estrangeiros (Tabela 31). Tabela 31 - Tabela Cruzada de Dados entre D3.4 e Q1 Q1 Total Sim Talvez D3.4 (Origem) Português Contagem 104 42 146 % dentro de D3.4 71,2% 28,8% 100,0% Estrangeiro Contagem 38 40 78 % dentro de D3.4 48,7% 51,3% 100,0% Total Contagem 142 82 224 % dentro de D3.4 63,4% 36,6% 100,0% (Elaboração Própria) Relativamente à relação de Q1 com a Situação Profissional (D4) (nQ1-D4=223), apesar da pequena amostra, foram os desempregados que apresentaram mais interesse relativo. Também os trabalhadores, tanto por conta de outrem, como em nome individual, demonstraram mais respostas “Sim” do que “Talvez”. Já os estudantes e reformados demonstraram-se mais reticentes do que os restantes indivíduos (Tabela 32). Tabela 32 - Tabela Cruzada de Dados entre D4 e Q1 Q1 Total Sim Talvez D4 (Situação Profissional) Trabalhador(a) por conta de outrem Contagem 88 38 126 % dentro de D4 69,8% 30,2% 100,0% Trabalhador(a) em nome individual Contagem 21 10 31 % dentro de D4 67,7% 32,3% 100,0% Desempregado(a) Contagem 5 0 5 69 % dentro de D4 100,0% 0,0% 100,0% Estudante Contagem 15 16 31 % dentro de D4 48,4% 51,6% 100,0% Reformado(a) Contagem 13 17 30 % dentro de D4 43,3% 56,7% 100,0% Total Contagem 142 81 223 % dentro de D4 63,7% 36,3% 100,0% (Elaboração Própria) Tal como exposto na Tabela 33 (nQ1-Q9=223), o interesse em realizar atividades de enoturismo em Ponte de Lima (Q1) aumenta caso os indivíduos já tenham realizado algum tipo de atividade enoturística (Q9) e cresce, ainda mais, se já o tiverem concretizado no próprio concelho de Ponte de Lima. Tabela 33 - Tabela Cruzada de Dados entre Q9 e Q1 Q1 Total Sim Talvez Q9 (Experiência de participação em atividades de enoturismo pelos inquiridos) Sim, em Ponte de Lima Contagem 25 4 29 % dentro de Q9 86,2% 13,8% 100,0% Sim, mas noutra localidade Contagem 81 44 125 % dentro de Q9 64,8% 35,2% 100,0% Não Contagem 35 34 69 % dentro de Q9 50,7% 49,3% 100,0% Total Contagem 141 82 223 % dentro de Q9 63,2% 36,8% 100,0% (Elaboração Própria) Relativamente às questões Q6 (Satisfação com a visita a Ponte de Lima), Q7 (Probabilidade de Regresso a Ponte de Lima) e Q8 (Probabilidade de Recomendação da visita a Ponte de Lima), cujas respostas variam de 1 a 10 pontos, foi utilizado o teste ANOVA para avaliar as relações entre estas e os dados sociodemográficos apresentados, tal como consta na Tabela 34. Tabela 34 - Nível de Significância da relação entre a Q6, Q7 e Q8 e várias variáveis – Teste ANOVA Sig. (α) Q6 Q7 Q8 (D1) Género 0,361 0,599 0,281 (D2) Faixa Etária 0,329 0,776 0,654 (D3.4) Nacionalidade (Portuguesa vs. Estrangeira) 0,367 <0,001 0,299 (D4) Situação Profissional 0,456 0,817 0,611 70 (D5) Habilitações Literárias 0,461 0,032 0,007 (D6) Estado Civil 0,662 0,710 0,473 (D7) Rendimento Mensal do Agregado Familiar 0,282 <0,001 0,057 (Elaboração Própria) As associações significativas (α<0,05) detetadas na Tabela 34, foram as seguintes: • (D3.4) Nacionalidade (Portuguesa vs. Estrangeira) – (Q7) Probabilidade de regressar a Ponte de Lima; • (D5) Habilitações Literárias – (Q7) Probabilidade de regressar a Ponte de Lima; • (D5) Habilitações Literárias – (Q8) Probabilidade de recomendar uma visita a Ponte de Lima; • (D7) Rendimento Mensal do Agregado Familiar – (Q7) Probabilidade de regressar a Ponte de Lima. Assim como exposto na Tabela 35 (nQ7-D3.4=156), o facto de ser português (D3.4) aumenta a probabilidade de regressar a Ponte de Lima (Q7), sendo em média (μ) de 9,03 valores, face à média (μ) de 7,46 dos respondentes estrangeiros. Tabela 35 - Estatísticas cruzadas entre a D3.4 e Q7 Média N Desvio Padrão Português 9,03 117 1,537 Estrangeiro 7,46 39 2,150 Total 8,64 156 1,835 (Elaboração Própria) Já no caso das Habilitações Literárias (D5), estas afetam a probabilidade de regressar a Ponte de Lima (Q7) (nQ7-D5=156), no sentido em que, à medida que a formação aumenta, diminui a probabilidade de regressar, com exceção dos inquiridos com Mestrado (μ=8,79), cujos valores são, em média, superiores aos dos licenciados (μ=8,27) (Tabela 36). Tabela 36 - Estatísticas Cruzadas entre a D5 e a Q7 Media N Desvio Padrão Ensino Básico 9,44 9 1,014 Ensino Secundário 9,08 40 1,623 Licenciatura ou Bacharelato 8,27 56 1,635 Mestrado 8,79 43 1,846 Doutoramento 7,38 8 3,503 Total 8,64 156 1,835 (Elaboração Própria) 77 equipamento cultural de incentivo à investigação do património de todo o terroir do Vinho Verde, bem como a divulgação de toda a região e dos seus vinhos (Centro de Interpretação e Promoção do Vinho Verde, n.d.). Ainda no âmbito da promoção do enoturismo e dos produtos vínicos do concelho, são desenvolvidos eventos específicos a esta área, tais como a “Festa do Vinho Verde”, o “Loureiro de Ponte de Lima ConVida” e o “Lourear a Pevide”. A Festa do Vinho Verde, que já se realiza há mais de 3 décadas, no mês de junho, conjuga o reconhecimento do Vinho Verde como produto endógeno de excelência com a oferta de produtos regionais. Por sua vez, o Loureiro de Ponte de Lima ConVida, que se realiza, anualmente, em maio, está mais voltado para a casta Loureiro e para a exposição de vinhos de produtores, não só do concelho de Ponte de Lima, mas de todo o Vale do Lima. Por fim, o Lourear a Pevide, que se prolonga durante 1 a 2 meses de outono, sugere a visita aos diferentes estabelecimentos aderentes para a prova de um copo de Vinho Loureiro de Ponte de Lima acompanhado por um petisco específico de cada local, desde salgados a tábuas de queijos e enchidos limianos, tudo isto por um preço definido igualmente para todos. No final, os participantes são convidados a votar no seu petisco preferido e, se completarem um certo número de carimbos colocados por cada estabelecimento visitado, poderão habilitar-se a três diferentes prémios (Visite Ponte de Lima, n.d.). Relativamente a estabelecimentos de enoturismo e de produção vitivinícola para venda no concelho de Ponte de Lima, foram registados no total 23, 3 destes apenas oferecendo serviços de enoturismo, 9 apenas com produção e 11 com enoturismo e produção para venda. A listagem apresentada na Tabela 42 foi obtida a partir de pesquisa nos websites do Visite Ponte de Lima, Centro de Interpretação e Promoção do Vinho Verde, Loureiro Vale do Lima e, a partir daí, os restantes dados foram encontrados através dos websites e redes sociais dos estabelecimentos. Tabela 42 - Estabelecimentos de Enoturismo e de Produção Vitivinícola do concelho de Ponte de Lima Tipologia Nome Freguesia Serviços de Enoturismo Enoturismo Carmo's Boutique Hotel Gemieira Alojamento, Restaurante, Prova de Vinhos Quinta da Agra Correlhã Visita Guiada pelas Vinhas, Alojamento, Prova de Vinhos Enoturismo e Produção Adega Cooperativa de Ponte de Lima Arca e Ponte de Lima Adega Cooperativa, Prova de Vinhos, Visita às Adegas, Petiscos Locais, Visita Guiada pelas Vinhas 78 Aphros Wine Refóios do Lima Produtor Próprio, Visita Guiada pelas Vinhas, Explicação do processo de produção, Visita às Adegas, Prova de Vinhos, Petiscos Locais Capim Limão Country House Labruja Produtor Próprio, Alojamento, Restaurante, Petiscos Locais Casa da Cuca Moreira do Lima Produtor Próprio, Alojamento Convento de Val Pereiras Arcozelo Produtor Próprio, Alojamento, Prova de Vinhos, Visita Guiada pelas Vinhas, Petiscos Locais Paço de Calheiros Calheiros Produtor Próprio, Alojamento Paço do Curutelo (Xvinus) Freixo Produtor Próprio, Visita às Adegas, Prova de Vinhos Pura da Moura Refóios do Lima Produtor Próprio, Participação em Vindimas, Prova de Vinhos, Visita às Adegas, Visita Guiada pelas Vinhas, Explicação do processo de produção Quinta das Fontes Rebordões Souto Produtor Próprio, Visita Guiada pelas Vinhas, Petiscos Locais, Explicação do processo de produção, Visita às Adegas, Prova de Vinhos, Alojamento Quinta de Luou Gandra Produtor Próprio, Visita Guiada pelas Vinhas, Prova de Vinhos, Petiscos Locais, Alojamento, Visita às Adegas Quinta do Ameal Refóios do Lima Produtor Próprio, Visita Guiada pelas Vinhas, Visita às Adegas, Prova de Vinhos, Alojamento Terra Rosa Country House and Vineyards Calvelo Produtor para a Adega Cooperativa, Visita Guiada pelas Vinhas, Prova de Vinhos, Petiscos Locais, Alojamento, Restaurante, Participação em Vindimas Produção Casa das Buganvílias Calvelo Produtor Próprio Casa de Penelas Cabaços Produtor Próprio Casa do Barreiro Gemieira Produtor Próprio Casa dos Macieis (Solar de Borgonha) Facha Produtor Próprio Joao Portugal Ramos Brandara Produtor Próprio Lethes Arcozelo Produtor Próprio Quinta da Freiria Arcozelo Produtor Próprio 79 Vil'Antiga Correlhã Produtor Próprio Vinhas da Igreja Feitosa Produtor Próprio Vinhas do Cruzeiro (EPPL) Arca e Ponte de Lima Produtor Próprio Fontes: (Visite Ponte de Lima, n.d.; Centro de Interpretação e Promoção do Vinho Verde, n.d.; Loureiro Vale do Lima, n.d.) (Elaboração Própria). Concluindo, o concelho de Ponte de Lima possui um conjunto de versatilidades no que diz respeito ao turismo, incluindo também um grande investimento na promoção do enoturismo e dos produtos vitivinícolas locais. 4.1.1.2. Definição do portfólio de produtos complementares ao enoturismo Tal como demonstrado na revisão da literatura e através do inquérito aplicado, existe um grande potencial na conjugação do vinho e do enoturismo a outros tipos de turismo e produtos endógenos. Ademais, foi também credibilizado que a combinação da enogastronomia pode impulsionar ambos a gastronomia e o enoturismo. No caso de Ponte de Lima, a gastronomia, principalmente através do Arroz de Sarrabulho possui grande impacto no desenvolvimento turístico do concelho. Para além disso, tendo em conta a diversidade na oferta turística do município, direcionada para vários públicos, podem ser impulsionadas sinergias que beneficiem todos (Elías Pastor, 2006). Neste sentido, através desta Rota pretende-se promover, não só o enoturismo associado à casta Loureiro de Vinho Verde, mas também vários outros tipos de turismo, especialmente a gastronomia, alavancando-se, assim, coletivamente. Destaca-se então o seguinte conjunto de produtos complementares ao enoturismo: • Gastronomia (Arroz de Sarrabulho à Moda de Ponte de Lima, Lampreia, Bacalhau de Cebolada); • Turismo Náutico (Passeios de Barco Água-arriba); • Turismo Histórico e Cultural (Alojamento em Casas Históricas, visita a Pontos de Interesse e a Espaços Museológicos); • Turismo de Natureza (Visita a Espaços Verdes e Jardins); • Turismo de Eventos (Eventos relacionados com o Vinho); • Turismo em Espaço Rural (Alojamento em espaço rural). 80 4.1.1.3. Análise do perfil atual do turista Tendo em conta dados dos visitantes registados no Posto de Turismo de Ponte de Lima, que podem representar uma amostra do público de turistas neste território, em 2024, para além de Portugal (49,1%), as principais origens dos turistas são Espanha (18,3%) e França (11,5%), país que diminuiu bastante a sua percentagem no total de visitas, visto que em 2023 representavam 14,0%. No entanto, os Estados Unidos da América (5,4%) apresentam-se como uma origem em ascensão, crescendo, exponencialmente, o seu número de visitantes, sendo que em 2023 representaram 3,9% e em 2022 representaram 2,9% do total de visitas. Em termos de sazonalidade, como é demonstrado na Figura 11, existe um grande pico de visitantes no mês de agosto e uma grande diminuição nos meses de inverno, o que vai de acordo com as tendências globais de turismo, ou seja, com o que é denominado de épocas alta, média e baixa. (Elaboração Própria) 4.1.1.4. Tendências relativas ao enoturismo em Ponte de Lima Tendo em conta as recentes certificações ao nível da enogastronomia, nomeadamente do Arroz de Sarrabulho à Moda de Ponte de Lima como Especialidade Tradicional Garantida (ETG), 0 2000 4000 6000 8000 10000 12000 Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez Número de Visitantes 2022 2023 2024 Figura 11 - Visitantes mensais do Posto de Turismo – Comparação entre 2022, 2023 e 2024 81 da Gold Green Destinations Award premiada ao concelho em 2025, do Vale do Lima como Região Europeia da Gastronomia e Vinhos 2025 e da candidatura a Cidade Criativa da Gastronomia da UNESCO , conjuntamente com a “crescente procura por vinhos brancos” e mais leves, pode significar um aumento da procura por vinhos da casta Loureiro em Ponte de Lima, e consequentemente do enoturismo a esta associado (CVRVV, 2024; Boa Cama Boa Mesa, 2025; Visite Ponte de Lima, 2025a; Visite Ponte de Lima, 2025b). A Comissão de Viticultura da Região dos Vinhos Verdes – CVRVV relatou, em 2022, que 87,9% do Vinho Verde comercializado era de castas brancas e deste cerca de 47,3% era exportado, principalmente para países como os Estados Unidos da América e a Alemanha, valor que tem aumentado, consistentemente, ao longo dos últimos anos (CVRVV, 2023). Para além disso, durante a campanha 2023/2024, Ponte de Lima era o concelho do distrito de Viana do Castelo com maior produção de Vinho e o maior produtor de Vinhos Brancos do Vale do Lima, factos que se têm mantido consistentes durante os últimos anos (Instituto da Vinha e do Vinho, 2024). Adicionalmente, dentro da Região Demarcada dos Vinhos Verdes, Ponte de Lima é o concelho com maior área plantada da casta Loureiro, sendo, portanto, frequentemente, denominado de “Capital do Loureiro” (CVRVV, 2021; Visite Ponte de Lima, n.d.). Neste sentido, conclui-se que o concelho de Ponte de Lima possui um conjunto de tendências que o beneficiam em termos de crescente desenvolvimento do enoturismo, com especial enfoque para o Vinho Loureiro. 4.1.1.5. Análise VRIO O modelo VRIO baseia-se na vantagem competitiva da organização e assenta em quatro dimensões: Valor, Raridade, Imitabilidade e Organização (Barney, 2010). Para que exista competitividade, os recursos devem ser, em primeiro lugar, valiosos. No caso de Ponte de Lima, considera-se a existência de valor na criação de uma rota de enoturismo do Vinho Loureiro, tendo em conta todos os recursos culturais, gastronómicos e ambientais que este concelho possui. No entanto, numa primeira fase, não se pode considerar rara a implementação de uma rota de enoturismo, visto que, apesar de existirem castas e regiões diferentes, os modelos de aplicação são semelhantes. Por outro lado, podem ser aplicadas estratégias de diferenciação que a tornem mais singular. Portanto, tendo em conta que serão aplicadas estratégias não comuns, considera- 82 se que a RVLPL é rara. Ainda assim, estes planos são suscetíveis de imitação, o que lhe concede uma Vantagem Competitiva Temporária, tal como ilustrado na Tabela 43 (Astawa, 2022). Tabela 43 - Análise VRIO da RVLPL É Valioso? É Raro? É dificil de Imitar? A Organização é bem executada? Resultado Sim Sim Não - Vantagem Competitiva Temporária (Elaboração Própria) 4.1.2. Externo Tendo em conta a quantidade de parcerias necessárias para a concretização de uma rota, torna-se bastante importante a realização de uma análise externa, neste caso à entidade do Município de Ponte de Lima. Para além disso, é fundamental avaliar outras rotas. Neste sentido, através desta secção será adaptada à realidade da RVLPL uma análise PESTAL, bem como caracterizadas as rotas existentes, tanto a nível nacional como internacional. 4.1.2.1. Análise PESTAL O modelo PESTAL permite uma análise dos ambientes externos, a partir de fatores macro ambientais, neste caso, políticos, económicos, sociais, tecnológicos, ambientais e legais, que podem influenciar o desenvolvimento de uma atividade (Freitas et al., 2022). Na Tabela 44 é apresentada a caracterização da RVLPL, através deste modelo. Tabela 44 - Análise PESTAL da RVLPL Fatores Políticos − Apoios e fundos públicos para o Turismo (ex: Apoios do Turismo de Portugal); − Políticas no âmbito do Turismo, da Sustentabilidade e da Viticultura. Fatores Económicos − Alterações no poder de compra dos enoturistas; − Alterações nos valores de custo e venda de vinho e turismo, influenciados pela inflação; − Dependência da economia local ao turismo; − Sazonalidade. 83 Fatores Sociais − Interesse dos empresários locais em integrar a RVLPL; − Alterações dos interesses de consumo de vinho – Aumento do consumo de Vinhos Brancos; − Alteração do perfil do enoturista que visita Ponte de Lima. Fatores Tecnológicos − Digitalização e Gamificação dos processos e do Turismo; − Digitalização da Viticultura – alteração dos processos; − Crescimento do Marketing Digital e das Redes Sociais. Fatores Ambientais − Alterações Climáticas; − Crescimento de modelos de turismo mais sustentáveis como o Slow Tourism . Fatores Legais − Legislação associada ao consumo e venda de álcool; − Aplicação dos Regulamentos necessários e das Licenças obrigatórias; − Legislação do direito do trabalho; − Políticas do Turismo e Viticultura (ex: Regulamentos da CVRVV para os vinhos registados); − Políticas de Proteção do Património ou de Sustentabilidade (ex: Restrições à implementação de negócios de enoturismo em determinados locais). (Elaboração Própria) 4.1.2.2. Caracterização de rotas existentes O Instituto da Vinha e do Vinho identifica como rotas em funcionamento em Portugal, as seguintes (IVV, n.d.): Rota dos Vinhos Verdes; Rota do Vinho do Porto; Rota do Vinho do Dão; Rota da Vinha e do Vinho do Oeste; Rota dos Vinhos do Alentejo; Rota da Vinha e do Vinho do Ribatejo; Rota do Vinho da Bairrada; Rota das Vinhas de Císter; Rota dos Vinhos da Beira Interior; Rota dos Vinhos de Bucelas, Colares e Carcavelos; Rota dos Vinhos da Península de Setúbal - Costa Azul. No entanto, são também identificadas outras rotas em áreas mais próximas ao concelho de Ponte de Lima, tais como a Rota do Alvarinho de Monção e Melgaço ou a Rota do Enoturismo do Loureiro de Amares. Já em termos de rotas a nível internacional, foram identificadas também a Rota dos Vinhos da Rioja Alta, em Espanha, a Rota do Vinho na Toscana, em Itália, e a Rota dos Vinhos da Alsácia, em França. No sentido de analisar rotas já existentes tanto a nível nacional como internacional, é apresentado, na Tabela 45, uma listagem de estratégias de marketing utilizadas por algumas destas rotas. 84 Tabela 45 - Atributos das Rotas de Vinhos existentes Rota Atributos Website Redes Sociais Diferentes Roteiros Eventos Regulares no âmbito da Rota Outros atributos relevantes Rota dos Vinhos Verdes Website da Região Demarcada Redes Sociais da Região Demarcada Sim Sim Podcasts, passatempos e storytelling nas redes sociais Rota do Vinho do Dão Website da Região Demarcada Redes Sociais da Região Demarcada Sim Sim Passatempos, storytelling nas redes sociais, mapa interativo dos roteiros no website Rota dos Vinhos do Alentejo Website da Região Demarcada Redes Sociais da Região Demarcada Não Sim Guia de enoturismo e mapa interativo dos pontos da rota no website, storytelling e celebração de datas comemorativas nas redes sociais Rota da Bairrada Sim Sim Sim, através de contacto com a equipa da rota Sim Possibilidade de préreservar experiências e de criar roteiros personalizados através de contacto com a equipa da rota no website, loja online, newsletter, oferta de diversos tipos de experiências e celebração de datas comemorativas nas redes sociais Rota dos Vinhos da Península de Setúbal Sim Sim Sim Sim Casa-mãe, eventos e publicações nas redes sociais relacionados com datas comemorativas e Loja Online 85 Rota do Alvarinho de Monção e Melgaço Sim Sim Sim, através de escolha de pontos no website Sim Casa-mãe, possibilidade de auto planeamento da rota e de de transferir mapa da rota no website, storytelling e publicações de datas comemorativas nas redes sociais Rota do Enoturismo do Loureiro de Amares Sim Não Sim (roteiros para 1 dia e 2 dias) Não Inclusão da promoção de experiências relacionadas com outros potenciais do concelho Rota dos Vinhos da Rioja Alta (Espanha) Sim Sim Sim (itinerários temáticos) Sim Para além de itinerários temáticos, existem roteiros associados às vertentes cultural, sustentável, vínica e do Caminho de Santiago e vídeos promocionais com storytelling. nas redes sociais Rota dos Vinhos da Alsácia (França) Sim Redes Sociais do Turismo da Região Sim Sim Inclui uma rota de Vinhos para Ciclismo, variedade de atividades integradas no enoturismo nas quintas produtoras (Elaboração Própria) 4.1.3. Análise SWOT da Rota do Vinho Loureiro de Ponte de Lima No sentido de sintetizar todos os fatores internos e externos já avaliados, e, simultaneamente, distinguir os positivos dos negativos, é realizada uma análise SWOT para a RVLPL. A SWOT, também denominada em português como FOFA, permite determinar as Forças, as Fraquezas, as Oportunidades e as Ameaças de um novo projeto, tendo em conta a situação 86 atual e os objetivos deste, através de uma análise do ambiente interno e externo e da identificação de elementos de gestão fundamentais (Freitas et al., 2022). Portanto, na Tabela 46, são descritos quais os fatores que podem influenciar a RVLPL. Tabela 46 - Análise SWOT da RVLPL POSITIVO NEGATIVO I N T E R N O S (Forças) W (Fraquezas) − Forte componente histórica e cultural do concelho de Ponte de Lima; − Grande variedade na oferta turística; − Redes Sociais e website do município atualizados; − Avultada existência de quintas, paços e solares históricos e de forte componente cultural associados ao enoturismo no concelho; − Grande aposta do município em projetos no âmbito do Vinho Verde e do Vinho Loureiro; − Existência do Centro de Interpretação e Promoção do Vinho Verde; − Existência do Projeto colaborativo de promoção enoturística “Loureiro do Vale do Lima”; − Distinção do Vale do Lima como Região Europeia da Gastronomia e Vinhos 2025; − Grande poder de atratividade da gastronomia no concelho, através do Arroz de Sarrabulho à Moda de Ponte de Lima, certificado como ETG; − Comemorações do projeto “Ponte de Lima 900 anos” entre 2025 e 2026, com grande investimento na promoção do concelho; − Setor do enoturismo ainda pouco desenvolvido no concelho, com prática ativa limitada; − Poucos transportes públicos para além das zonas centrais do concelho; − Poucos recursos financeiros para a promoção turística. E X T E R N O O (Oportunidades) T (Ameaças) − Grande quantidade de potenciais aderentes; − Grande variedade de acessibilidades e proximidade a Galiza e a outras cidades de grande movimento como Viana do Castelo, Braga, Barcelos, Porto; − Eliminação de portagens na A28, o que promove a visita por turistas provenientes de cidades do litoral; − Iniciativa debilitada na adesão dos negócios locais a projetos do município; − Dependência ao turismo de outras localidades próximas; − Sazonalidade; − Curta duração de estadia dos turistas; 93 D. Experiências (1 carimbo por cada visita a espaços museológicos, bilhete de espetáculo ou bilhete de experiências); E. Eventos (1 carimbo por cada edição em que esteve presente de cada evento). Estes carimbos serão colocados numa caderneta que deverá ser validada no Posto de Turismo de Ponte de Lima, para que possam ser trocadas por prémios ou vouchers. No caso dos carimbos de enoturismo, alojamento, restauração e experiências, o carimbo deverá ser marcado pela própria entidade responsável pelo ponto da rota. Já no caso dos eventos, as regras serão adaptadas às condições específicas de cada um destes: • Lourear a Pevide - Tendo em conta que este evento possui a sua própria brochura com carimbos de participação, esta deverá ser apresentada no Posto de Turismo, para que seja validada e colocado o carimbo E; • Restantes Eventos - Relativamente aos restantes eventos, será determinado um posto no local para a marcação do carimbo, sendo este divulgado nas redes sociais e website da Rota, aquando da realização deste. No sentido de incentivar a duração prolongada de visita ao concelho, para além de um único dia, bem como a diversificação das experiências, a coleção dos carimbos pressupõe a combinação de diferentes tipologias de carimbos. Cada combinação de carimbos dará direito a uma gama de ofertas, proporcionando a escolha do prémio ao participante. Em todas as combinações, o carimbo A - Enoturismo estará incluído, com o propósito de garantir a vertente enoturística do jogo, bem como o carimbo B – Alojamento, incentivando assim a estadia dentro do concelho e de maior duração. Todos os prémios em oferta têm como objetivo a promoção de produtos locais e o regresso ou prolongamento da visita do turista. De forma a ajustar o valor dos prémios, as combinações estão distribuídas por três diferentes níveis, conforme a estimativa de valor despendido com as transações associadas aos carimbos. Neste caso, foi estimado que o prémio deveria valer aproximadamente 7% do valor transacionado através das combinações, ou seja, cerca de 6,00€ para o nível 1, 8,00€ para o nível 2 e 15,00€ para o nível 3, sendo estes apenas valores de referência. Na Tabela 47 é possível visualizar as diferentes combinações de carimbos e os respetivos prémios. 94 Tabela 47 - Prémios associados às Combinações de Carimbos Combinação Carimbos Nível Prémios (por nível) Combinação 1 A+B+D 1 • Oferta de um bilhete de entrada em Espaço Museológico do Município; • Oferta de uma sobremesa individual num restaurante aderente à rota (valor máximo de 6,00€); • Oferta de lembrança do Posto de Turismo de Ponte de Lima (com um valor máximo de 6,00€); • Oferta de lanche (bebida + bolo/snack/petisco) numa pastelaria, café ou taberna aderente (valor máximo de 6,00€). Combinação 2 A+B+E Combinação 3 A+B+C 2 • Oferta de uma unidade de bilhete de espetáculo no Teatro Diogo Bernardes. • Desconto de 10% até 2 noites nos alojamentos aderentes. • Oferta de um bilhete de Passaporte Cultural de Ponte de Lima (acesso aos 7 espaços museológicos); • Oferta de uma garrafa de Vinho Verde Loureiro de Ponte de Lima; • Oferta de Petisco ou entrada num estabelecimento de restauração aderente (valor máximo de 8,00€). Combinação 4 A+B+C+D+E Combinação 5 A+B+B+C+C+D 3 • Oferta de uma unidade de bilhete de Viagem de Barco Histórico “Água-Arriba”; • Oferta de uma unidade de bilhete para experiências de enoturismo, nos produtores vitivinícolas e adegas aderentes; • Desconto de 20% até 2 noites nos alojamentos aderentes; • Oferta de cabaz de produtos regionais do Mercado Agrolimiano (valor aproximado de 15,00€); • Oferta de cabaz de 2 ou 3 garrafas de Vinho Verde Loureiro de produtores aderentes da RVLPL (valor aproximado de 15,00€). (Elaboração Própria) 95 Tendo, também, em conta que fazem parte do público-alvo da rota, indivíduos, que auferindo valores de remuneração elevados, podem não ter interesse na obtenção de prémios, a RVLPL conta, inclusive, com programas de roteiros para diferentes tempos de estadia. Para além disso, estes programas funcionam como sugestões ou guias de visita para qualquer enoturista, independentemente se são ou não participantes no Jogo da Rota. Os roteiros deverão ser ajustados para divulgar, equitativamente, todos os pontos aderentes. Para além disso, estes deverão refletir a realidade geográfica, tentando reduzir as distâncias desnecessárias. Cada Roteiro terá um nome representativo dos respetivos pontos de passagem, bem como correspondência da sua duração, em dias, que poderá ser de 1, 2 ou 3 dias. Para além disso, será atribuído, a cada um uma combinação que seja possível completar. Na Tabela 48 consta um exemplo de comunicação para uma opção de roteiro de 2 dias, representativo da Combinação 4. No entanto, existirão, no total, 5 roteiros, com as seguintes nomenclaturas: • Combinação 1 – Roteiro Cultural; • Combinação 2 – Roteiro de Festa; • Combinação 3 – Roteiro Gastronómico; • Combinação 4 – Roteiro de Mestre; • Combinação 5 – Roteiro Limiano Lover. Neste caso, os pontos aderentes são utilizados apenas com o objetivo de exemplificar a constituição destes roteiros. Tabela 48 - Estrutura do Roteiro de Mestre Dia 1 Manhã Comece o dia no centro de Ponte de Lima e venha conhecer a origem e a história do Vinho Verde no Centro de Interpretação e Promoção do Vinho Verde ! Entre no Centro Histórico e prove o Pastel Limiano na Pastelaria D’Pepita , junto ao Largo de Camões ! Aproveite o resto da manhã para conhecer a beleza do nosso Centro Histórico ! Almoço Usufrua da vista para o rio no Restaurante Açude e junte-lhe a frescura da combinação perfeita de um bom prato de bacalhau com um copo de Vinho Loureiro de Ponte de Lima! 96 Tarde Visite o Convento de Val’Pereiras e encontre o coração do Loureiro! Fique a conhecer desde as vinhas às adegas e finalize com uma prova de vinhos. Se ainda for a tempo, aproveite este momento ao por do sol! Jantar Usufrua de um programa de Jantar Vínico com degustação de sabores e vinho e à luz das velas e do fogo no Carmo’s Boutique Hotel . Aproveite e reserve também aqui a sua estadia! Estadia Dia 2 Manhã Sabia que antigamente os Vinhos Verdes eram principalmente transportados pelo mar ou rio, através de embarcações como o Barco Histórico Água-Arriba ? Sinta este momento da história, através de um passeio de barco com a harmonização de petiscos regionais e o mais importante, um copo de Vinho Loureiro de Ponte de Lima! Almoço Visitar Ponte de Lima e não comer Arroz de Sarrabulho é como ir a Roma e não ver o papa! Portanto, não se vá embora sem provar o nosso típico “Arroz de Sarrabulho À Moda de Ponte de Lima”! Não o perca no restaurante Guia Michelin A Carvalheira. Tarde Caso esteja de visita durante o decorrer de algum evento, como o Lourear a Pevide , o Loureiro de Ponte de Lima ConVida ou a Festa do Vinho Verde , não perca esta oportunidade de conhecer vários vinhos e produtores de Loureiro de Ponte de Lima! (Elaboração Própria) Numa perspetiva de oferecer opção ao enoturista de criar o seu próprio roteiro, os pontos serão igualmente apresentados em listagens. No caso da caderneta da Rota, os pontos são apresentados através de listagens e mapas por categoria de cada ponto. São também inseridas as respetivas características, como contactos, morada e horários de abertura, fundamentais para que os turistas possam efetuar reservas. Para além disso, serão desenvolvidos dois mapas gerais para divulgação, com duas escalas diferentes: um à escala do concelho para todos os pontos aderentes fora do centro e outro à escala do centro de Ponte de Lima, para que sejam de mais fácil visualização e destaque todos estes pontos, sem que se sobreponham, por estarem mais concentrados. Já no caso do site, será destacada uma página ou secção, onde as categorias são apresentadas em diferentes subseções, bem como apresentadas em mapa, sendo também possível utilizar filtros por categoria e por dias de abertura. 97 4.3.2. Plano de Comunicação e Distribuição No sentido de construir uma identidade reconhecível para a RVLPL, deverá ser aplicada uma estratégia de branding , incluindo a criação de um slogan e identidade gráfica. Relativamente ao nome da rota, este representa uma parte fundamental do branding desta, visto que se traduz na sua forma de identificação. Portanto, através do nome estruturado para a marca da rota, deverá ser possível identificar os vários elementos que a caracterizam, sendo estes a tipologia do projeto (Rota de Vinhos), a casta em promoção (Vinho Verde Loureiro) e o concelho de operacionalização da rota (Ponte de Lima), traduzindo-se, portanto, no nome: Rota do Vinho Loureiro de Ponte de Lima. Por sua vez, através do slogan, também se pretende transmitir a identidade da rota, neste caso, remetendo para o cariz histórico e gastronómico da vila de Ponte de Lima, através de um tom convidativo. Foi então escolhido como slogan: No caminho de histórias e sabores . De forma a criar uma estratégia consistente, deverá ser criada a Identidade Gráfica para a marca da Rota do Vinho Loureiro de Ponte de Lima. A produção destes elementos deverá estar a cargo de um designer gráfico especializado. Deverão fazer parte os seguintes elementos: Logótipo da marca, tal como exemplificado na Figura 12; Paleta de cores; Tipografia de letra; Ícones associados (incluindo representativos de cada uma das diferentes categorias); Padrão. Figura 12 - Exemplo de Logótipo para a Rota do Vinho Loureiro de Ponte de Lima (Elaboração Própria) 98 Considerando a variedade de alvos desta rota, os instrumentos de comunicação a serem utilizados deverão também refletir as diversas frentes de contacto, com especial foco para os meios digitais. No entanto, a estratégia deverá ser única e uniforme entre todos estes, transmitindo ao público, através dos diferentes canais, a mesma conceptualização e branding . Neste sentido, a Rota do Vinho Loureiro de Ponte de Lima contará com os seguintes instrumentos de comunicação: a. Materiais Promocionais i. Brochuras: Para além da Caderneta da Rota, existirão diferentes flyers promocionais para cada um dos Roteiros. Estes flyers estarão disponíveis, não só em versão digital, no site, mas também em formato físico. A Caderneta da Rota funcionará não só como material de apoio ao Jogo da Rota, mas também como meio de promoção desta. O canal de distribuição predominante das brochuras será a Loja de Turismo de Ponte de Lima. Este local designa-se, também, pelas suas funções de validação das cadernetas, entrega dos vouchers e ofertas, bem como atendimento e apoio ao enoturista. Foram, também, selecionados os seguintes canais de distribuição da Caderneta da Rota: • Todos os pontos aderentes de Alojamento, Produtores vitivinícolas e/ou Adegas; • Todos os Espaços Museológicos do Município; • Website da Rota, através de versões adaptadas ao digital (no caso da caderneta, apenas funcionaria como meio de consulta); • Feiras de Promoção Turística. ii. Vídeos Promocionais: Os vídeos promocionais são um dos meios mais utilizados na promoção de um destino, visto que influenciam as experiências e escolhas dos turistas através da criação de uma narrativa, em formato audiovisual, que os turistas podem reproduzir (Losada & Mota, 2019). Tal como Winiwarter (2008) indica, as representações são fundamentais na prática do turismo e o marketing de destinos é especializado na criação de conteúdos que impactam, positivamente, o imaginário dos consumidores. 99 Tendo em conta estes efeitos, a Rota contará com a realização de dois vídeos promocionais: • O primeiro video será integrado no estilo cinematográfico, “emocionante” e “entusiasta”, onde seja caracterizado todo o processo de participação de um enoturista na rota, desde o momento de descoberta desta à redenção dos prémios do Jogo da Rota, ou seja, numa vertente de storytelling ; • O segundo vídeo, integrado num formato mais simples e informativo, contendo a explicação de funcionamento do Jogo da Rota; Ambos estes vídeos serão partilhados no Website, Redes Sociais, feiras, eventos, no Posto de Turismo e através de meios de comunicação social, sendo também, fundamentais para a campanha de lançamento. iii. Merchandising: O Merchandising representa a promoção de produtos de merchandise onde são incluídos conteúdos associados a uma marca. Consequentemente, é importante combinar o merchandising com a indústria cultural para criar produtos representativos de figuras, locais, enredos, comida, entre outros (Zhang et al., 2021). Para além disso, Doyle (2012) considera que o merchandise envolve, não só o consumo no local, mas também a função de lembranças das experiências que estes compõem, representando uma forma de memória tangível destas. Neste sentido, faz sentido criar um conjunto de elementos de merchandising que se complementam e representam perfeitamente a mensagem da Rota, para que estes desempenhem, simultaneamente, as funções de lembrança e canal de divulgação. À semelhança das brochuras, o merchandising estará presente para venda no Posto de Turismo, Centro de Interpretação e Promoção do Vinho Verde e nos estabelecimentos de enoturismo aderentes. Portanto, com o intuito de não exceder na oferta e serem repetitivos, tendo em conta os produtos já existentes para a promoção de outros projetos do município, foram selecionados como artigos de merchandising os seguintes: • Saca-rolhas com íman ou porta-chaves, representativo, em formato, de uma garrafa de Loureiro (Figura 13); • T-shirt com o logo e Slogan da Rota (Figura 14); • Manga Térmica para garrafas, com o logo da Rota (Figura 15). 100 iv. Placas de Identificação dos Pontos da Rota: No século XVIII, o vinho de casta Loureiro é conhecido como vinho de “ramo”, visto que era obrigatório colocar um ramo de Loureiro, como forma de identificação, nas portas dos locais de venda (Araújo, 2015). Neste sentido, com o objetivo de incluir ativamente esta parte da história na vertente de storytelling da RVLPL, a placa de identificação dos postos aderentes desta, deverá incluir a ilustração de um ramo de Loureiro, tal como demonstrado na Figura 16. (Elaboração Própria) (Elaboração Própria) (Elaboração Própria) Figura 13 - Exemplo de Merchandising | Saca-rolhas Figura 14 - Exemplo de Merchandising | T-shirt Figura 15 - Exemplo de Merchandising | Manga Térmica 101 (Elaboração Própria) b. Publicidade I. Outdoors e Mupis: A utilização de Mupis e Outdoors em locais estratégicos de grande afluência pretende atrair turistas internacionais, bem como a população de regiões vizinhas, incluindo o público espanhol. Na Tabela 49 constam as recomendações de locais de colocação de outdoors e mupis. Tabela 49 - Planeamento de Utilização de Outdoors e Mupis Meio Tamanho Local Duração Público-alvo Outdoor 1 8m * 3m (horizontal) A3, no sentido Valença - Ponte de Lima, perto da saída de Ponte de Lima 1 mês Turistas provenientes da Galiza e concelhos próximos a norte (Valença, Vila Nova de Cerveira, Monção, entre outros) Outdoor 2 8m * 3m (horizontal) A3, no sentido Ponte de Lima - Porto, entre as entradas de Braga e Cruz 2 meses Turistas provenientes de concelhos a sul (Braga, Barcelos, Vila Nova de Famalicão, Guimarães, entre outros) Outdoor 3* 8m * 3m (horizontal) A3, no sentido Ponte de Lima - Porto, à chegada 6 meses Turistas provenientes de concelhos a sul (Braga, Figura 16 - Exemplo de Placa de Identificação dos Estabelecimentos Aderentes da RVLPL 102 da saída de Ponte de Lima Barcelos, Vila Nova de Famalicão, entre outros) Outdoor 4* 4m * 3m (horizontal) Rotunda da Feitosa - Rotunda localizada na área urbana de Ponte de Lima de grande afluência e em cruzamento de várias estradas nacionais 4 meses População local e turistas provenientes de concelhos próximos (Braga, Vila Verde, Viana do Castelo, Barcelos, entre outros) Mupi 1 1,20m * 1,75m (vertical) Área das Chegadas do Aeroporto Francisco Sá Carneiro (Porto) 28 dias Turistas internacionais Mupi 2* 1,20m * 1,75m (vertical) Avenida António Feijó junto ao Centro Histórico, em Zona Central de Ponte de Lima Todo o ano População local e turistas que visitam o centro histórico *Meios cujo Município de Ponte de Lima é proprietário (Elaboração Própria) De seguida estão representados exemplos de designs de outdoors e mupis a colocar nos locais descritos. Os designs da Figura 17 e da Figura 18, apresentam uma representação de uma visita a uma quinta de enoturismo, focando mais no vinho como produto, na componente de produção, e transmitindo uma imagem de história e qualidade, através da paisagem onde podem ser observadas vinhas e um edifício característico da arquitetura local. No caso da Figura 19, onde é representado um passeio de barco histórico Água Arriba no Rio Lima, com integração de uma prova de vinho Loureiro, o foco é maior na experiência. Figura 17 - Exemplo de Design de Outdoor 8m*3m (Elaboração Própria) 109 Para além disso, recomenda-se a utilização de anúncios nestas plataformas, através do Meta Ads e Tiktok Ads. Numa primeira fase, os conteúdos a serem utilizados nestes anúncios, deverão ser os vídeos promocionais da RVLPL e conteúdos criados em parceria com os influenciadores digitais. Através destas plataformas de redes sociais e do Google Analytics, especificamente para o Website, é também possível monitorizar características demográficas dos seguidores (origem, género, faixa etária, etc), o que permite traçar perfis, bem como o tipo de conteúdos e horários com maior alcance, o que deve ser utilizado para o respetivo ajuste, bem como para a escolha dos melhores momentos para publicar. A Tabela 53 apresenta a calendarização anual, por meses, da promoção realizada através dos diferentes canais apresentados. Para efeitos de planeamento desta, foi considerada como data para a inauguração da RVLPL o mês de janeiro. Tabela 53 - Calendarização dos Meios de Comunicação da RVLPL Canal J F M A M J J A S O N D Materiais Promocionais Brochuras x x x x x x x x x x x x Vídeos Promocionais x x x x x x x x x x x x Merchandising x x x x x x x x x x x x Publicidade Outdoor 1 (A3 Valença) x Outdoor 2 (A3 Braga) x x Outdoor 3 (A3 Ponte de Lima) x x x x x x x Outdoor 4 (Ponte de Lima) x x x x Mupi 1 (Aeroporto do Porto) x Mupi 2 (Ponte de Lima) x x x x x x x x x x x x Imprensa Alto Minho TV X Portugal em Direto (RTP) X Jornal AltoMinho X Revista de Vinhos X Revista Evasões x Boa Cama Boa Mesa (SIC/Expresso) X Mesa Nacional (TVI) x 110 Eventos e Campanhas Promocionais Próprios da RVLPL Campanha do Dia dos Namorados x Campanha do Dia do Pai x Passatempo “A Grande Prova” x Decoração no NaTal Vila x Oferta Especial do Mês de Dezembro x Oferta Especial do Dia Mundial do Vinho x Oferta Especial do Dia Internacional do Vinho Branco x Campanha do Mês do Meio Ambiente x Oferta Especial do Fim de Semana do Dia do Enoturismo x Jogo da Caça aos Carimbos (Páscoa) x x Passatempo “Retratos do Loureiro de Ponte de Lima” x Caminhada na Ecovia do Loureiro x Prova Cega no CIPVV exclusivamente com Vinho Loureiro de Ponte de Lima x Outros Eventos Lourear a Pevide x x Festa do Vinho Verde x Feiras de Turismo Loureiro de Ponte de Lima ConVida x WTW (Essência do Vinho) X BTL X FINE X FITUR X Marketing Digital FAM Trip (Parceria com influenciadores digitais) x Redes Sociais x x x x x x x x x x x x Meta Ads e Tiktok Ads x x x (Elaboração Própria) 111 4.3.3. Evidência Física A Evidência Física é definida como o ambiente em que um serviço é entregue, bem como todos os elementos tangíveis neste utilizados, refletindo e comunicando a sua qualidade e desempenho (Booms & Bitner, 1981). Ou seja, constitui para um cliente tudo o que, no decorrer de um serviço, lhe possa transmitir a perceção de qualidade e do nível que pode esperar deste (Rafiq & Ahmed, 1995). Neste sentido, é importante transmitir qualidade e confiança na rota através de diversos elementos evidenciados, não só pela organização da rota, mas também pelos próprios pontos. Um dos principais elementos físicos evidenciados nesta rota é a brochura denominada de “Caderneta da Rota”. Esta é composta pelos seguintes aspetos: • Capa com título da RVLPL e logótipo da entidade gestora; • Introdução à rota; • Contextualização histórica; • Listagem e mapa dos diferentes pontos por categorias; • Roteiros específicos; • Explicação do Jogo da Rota e espaço para carimbos; • Listagem das marcas de vinhos de Ponte de Lima à prova no CIPVV; • Contracapa com slogan da RVLPL e logótipo da entidade gestora. Por sua vez, os flyers de cada um dos roteiros são compostos por: • Capa com título da RVLPL e do roteiro e logótipo da entidade gestora; • Plano do Roteiro, incluindo mapa com numeração de acordo com a ordem dos pontos; • Explicação do Jogo da Rota e espaço para os carimbos daquela combinação; • Contracapa com slogan da RVLPL e logótipo da entidade gestora. A qualidade, não só ao nível do material, mas também da composição destas brochuras, pode representar um fator determinante para o aumento ou a diminuição da perceção do desempenho da rota pelos seus utilizadores. Para além disso, relativamente aos pontos da rota, é importante o cumprimento de normas de higiene e segurança, bem como a utilização de instrumentos e decoração adequados, tanto nas quintas de enoturismo como nos estabelecimentos de restauração e alojamento. Para tal, 112 foram evidenciados nos critérios de adesão à RVLPL, que se deverão encontrar no Regulamento da Rota, recomendações e obrigações, respetivas a este tema, como por exemplo: • “Dispor de estacionamento com capacidade adequada, com preferência de espaço para autocarros ou facilitar informação sobre estacionamento nos arredores.”; • “Disponibilizar, para programas de prova ou venda, unicamente vinhos certificados pela CVRVV – Comissão de Viticultura da Região dos Vinhos Verdes.”; • “Oferecer uma prova … envolvendo uma logística adequada (copos de vidro adequados à prova, temperaturas dos vinhos, fichas técnicas traduzidas, tabelas de preços, realização de provas sentados, blocos para notas, entre outros).”; • “Preferência pela arquitetura/materiais/decoração tradicional autóctone.”; • “Colocar à disposição do cliente e expor, num lugar facilmente visível, o suporte comunicacional da Rota.”. Da mesma forma, a qualidade dos prémios físicos do Jogo da Rota deverá seguir os mesmos passos, como através da escolha de produtos de qualidade para colocar nos cabazes de oferta. Em suma, deverá ser desenvolvida a atenção ao detalhe, no que diz respeito aos elementos físicos que fazem parte da rota, visto que estes podem influenciar a perceção dos enoturistas, não só sobre a RVLPL, mas também sobre os próprios estabelecimentos. 4.3.4. Pessoas Num setor que envolve tanto contacto humano, o investimento nas pessoas é fundamental. Para os enoturistas, o contacto com proprietários, gestores, enólogos ou colaboradores é muito valorizado numa visita a uma adega (Charters & Ali-Knight, 2000). Pessoas como colaboradores de um serviço são fundamentais para explicar e promover características de um produto, portanto, aspetos como a formação de trabalhadores são cruciais para o sucesso (Rafiq & Ahmed, 1995). Para além disso, a estipulação de certos critérios poderá trazer benefícios. Neste caso, algumas das regras e recomendações colocadas nos critérios de adesão à rota, neste âmbito, são as seguintes: i. “Os colaboradores devem possuir conhecimentos mínimos e atualizados em vinho, turismo e o seu território.”; 113 ii. “O atendimento a turistas estrangeiros deverá fazer-se no seu idioma ou, alternativamente, num idioma que estes entendam facilmente.”; iii. “No mínimo ¾ dos intervenientes no serviço, ou seja, colaboradores, proprietários, enólogos, entre outros, deverão participar na formação inicial para a RVLPL. No entanto, recomenda-se a participação de todos.”. Tal como apresentado no terceiro ponto, em termos de formação, para além da recomendação de participação nas formações ocasionais oferecidas por entidades como a TPNP, deverá ser realizada uma formação inicial com todos os intervenientes nos serviços prestados no âmbito da rota (proprietários, colaboradores, enólogos, entre outros), acerca das regras e recomendações para a mesma. No final deverá ser aplicado um simples teste, no sentido de garantir o aproveitamento desta. Esta formação deverá ser realizada, obrigatoriamente, antes de qualquer adesão. No entanto, não deverá ser única, portanto, conforme as necessidades avaliadas durante o funcionamento da RVLPL, deverão ser realizadas formações de continuidade, com uma frequência de dois em dois anos. Não só a colaboração do staff das empresas de serviços, mas também dos próprios residentes é importantíssima para que a rota seja bem comunicada ao público. Por vezes, projetos de turismo desenvolvidos num território são desconhecidos para os próprios residentes. No entanto, tendo em conta a participação ativa da população local no ambiente turístico, como por exemplo, através do esclarecimento de questões aos turistas, partilhando possíveis atividades na localidade, é fundamental para o sucesso interno e externo, que estes projetos, neste caso, a RVLPL, sejam de conhecimento geral dos habitantes, fomentando, assim uma WOM de qualidade (Festa et al., 2020; Galati, Crescimanno, et al.,2017; Galati, Tinervia, et al., 2017). Neste sentido, tal como evidenciado no ponto do Plano de Comunicação e Distribuição, as estratégias de promoção vão, não só de encontro com os turistas de outras localidades ou países, mas também, com a população local de Ponte de Lima e de territórios próximos, para que se tornem, de alguma forma, possíveis embaixadores da RVLPL. 4.3.5. Preço e Orçamento Em termos de Preço, não existe qualquer custo de subscrição para os estabelecimentos aderentes da RVLPL. No entanto, estes estabelecimentos deverão acarretar os custos relativos a 114 eventos, campanhas e prémios do Jogo da Rota nestes redimidos. Também, relativamente aos turistas participantes, não existem custos de participação no Jogo da Rota. No entanto, existem despesas na execução do Plano de Marketing que será suportado pelo Município de Ponte de Lima. Na Tabela 54 é apresentado o Orçamento para as despesas do primeiro ano da RVLPL, ou seja, contabilizando gastos associados à implementação e inauguração da rota. Neste sentido, estima-se que o orçamento para anos seguintes deverá estabilizar, totalizando valores inferiores. Tabela 54 - Orçamento do Plano de Marketing - Despesas Categoria Fornecedor (para orçamento) Características Valor Estimado (c/ IVA) Caderneta da Rota 360imprimir Impressão de 2000 unidades – de 17 a 24 páginas A6 em papel Couché brilho 250g agrafado 1221,51 € Flyers de Roteiros Pixart Printing Impressão de 2500 unidades – A4 em papel Couché brilho 130g 128,78€ Video Promocional - Produção do Município 0,00€ Merchandising OutletBrindes 200 porta-chaves em forma de garrafa 115,62€ Gift Campaign 100 T-shirts personalizadas 424,35€ Brindouro 100 Mangas Térmicas personalizadas 726,31€ Placas dos Aderentes da Rota 360imprimir 25 Placas em PVC de 3mm de 30cm*43cm 199,26€ Mupis JCDecaux Mupi na zona de Chegadas do Aeroporto do Porto durante 28 dias 3972,00€ Outdoors 360imprimir Impressão de 3 lonas para outdoors de 3m*8m 1063,52€ 360imprimir Impressão de 1 lona para outdoor de 3m*4m 192,88€ Resulta Aluguer de 1 outdoor A3 Valença durante 1 mês 922,50€ DreamMedia Aluguer de 1 outdoor A3 Braga durante 2 meses 1800,00€ Campanha do Dia do Pai 360imprimir Impressão de 500 gargantilhas personalizadas 52,50€ 115 Decoração no NaTal Vila Brindestex 50 ornamentos gravados a serigrafia 68,14€ Oferta Especial do Mês de Dezembro Campanha do Mês do Ambiente Mercado Agrolimiano Cabaz de Vinho Loureiro de Ponte de Lima 20,00€ Jogo da Caça aos Carimbos (Páscoa) 360imprimir Impressão de 500 autocolantes redondos de 5cm de diâmetro em papel com brilho 9,34€ Passatempo “Retratos do Loureiro de Ponte de Lima” A definir Prémio para o Vencedor 100,00€ Feiras de Turismo WTW Stand na Feira e reuniões B2B 3198,00€ BTL Stand na Feira 3000,00€ FINE Stand na Feira 3000,00€ FITUR Stand na Feira 3000,00€ Fam Trip Vários Pagamento de Estadia, Alimentação e Experiências a 5 influenciadores digitais, durante 2 dias / 1 noite 1500,00€ Anúncios digitais Meta Ads Orçamento de 3€ por dia durante 60 dias divididos por 3 meses 180,00€ Tiktok Ads Orçamento de 2€ por dia durante 60 dias divididos por 3 meses 120,00€ TOTAL 25 014,71 € (Elaboração Própria) 4.3.6. Processo Na Tabela 55, na Tabela 56 e na Tabela 57 é apresentada a jornada do enoturista e os principais touchpoints da visita a Ponte de Lima, com participação no Jogo da Rota, nas suas diferentes fases: antes, durante e após a visita, respetivamente. Em cada uma destas fases, existem diferentes touchpoints , que devem ser utilizados como canal de contacto para a ativação de ações de comunicação. Para além disso, são descritos os fatores que possuem influência no sucesso de utilização destes. 116 Tabela 55 - Fases da Jornada e Principais Touchpoints – Antes da visita Fase da Jornada Ações Touchpoints Fatores de Influência 1 Conhecimento do Destino e da RVLPL Tomada de Conhecimento do Destino e da Rota através de diversos meios: Recomendações de amigos, familiares, entre outros (WOM) Reputação Ambiente de segmentação da informação Influencers e fam trips (E-WOM) Redes Sociais (promoção orgânica e publicidade) Imprensa local e nacional – jornais, revistas e TV (promoção orgânica e publicidade) Outdoors e Mupis, Motores de pesquisa da web (SEO) Feiras de turismo Literatura Eventos Agências de viagens 2 Deliberação e Procura de Informação Procura de Informações e recomendações Internet (Website da RVLPL e do Visit Ponte de Lima, E-WOM, redes sociais, influencers, websites de informações e opiniões turísticas) Avaliações Gostos do individuo Transparência e facilidade em encontrar informações Reportagens, documentários e videos Guias, livros e brochuras Informações e recomendações de amigos, familiares, entre outros (WOM) Storytelling Agências de Viagens Pacotes de viagens e promoções Avaliações 3 Planeamento da Viagem Planeamento e Reservas de transportes, alojamento, restauração, experiências, entre outros Agências de Viagens ou: Preços Avaliações Perceção de qualidade Facilidade nos acessos Websites de meios de transporte (ex: TAP, EasyJet, Ryanair, Rede Expressos) Websites de aluguer de veículos (ex: Europcar, Rentalcars.com) Websites de plataformas ou dos próprios alojamentos (ex: Booking, Trivago, Airbnb) Websites e motores de busca de meteorologia (ex: Google, IPMA) 117 Websites de restaurantes e motores de busca para contactos de reservas (ex: Google, TheFork) Websites dos estabelecimentos de enoturismo para reservar atividades (Elaboração Própria) Tabela 56 - Fases da Jornada e Principais Touchpoints – Durante a visita Fase da Jornada Ações Touchpoints Fatores de Influência 1 Viagem até ao Destino Processo de saída da residência e transporte até ao destino Empresas de transportes (aviação, transfers, autocarros, aluguer de viaturas) Sentimento de segurança Pressão do tempo Condições dos locais Mupis e outdoors no aeroporto e nas estradas Sinalização na chegada Plataformas de GPS Agências de Viagens e Guias Acessibilidades, estacionamento 2 Chegada (check-in) Processo de chegada ao alojamento Check-in no alojamento Qualidade do Atendimento dos Staff e Conforto dos Espaços Acesso à caderneta da rota e outras brochuras no alojamento Disponibilização de Vinho Loureiro de Ponte de Lima na chegada 2.1. (ponto facultativo à chegada) Ida ao Posto de Turismo para recolher a caderneta ou os flyers da Rota Staff Qualidade e informações dadas pelo Staff Perceção de bem-estar Decoração e elementos expostos: videos, garrafeira, revistas, banners, decoração interativa Brochuras Merchandising 3 Experiências Participação em experiências no âmbito da RVLPL Experiências nos estabelecimentos de enoturismo: visitas às vinhas, visitas às adegas Interesse das experiências Qualidade dos produtos utilizados Utilização de instrumentos adequados Meteorologia Outras experiências: passeio de barco histórico Água Arriba Participação em eventos: Lourear a Pevide, Loureiro de Ponte de Lima ConVida, Festa do Vinho Verde Visita a Locais de Interesse 118 Contacto com a Gastronomia Local: restaurantes, tabernas e pastelarias/cafés Envolvimento da história, na cultura e no storytelling Assistir a espetáculo no Teatro Diogo Bernardes Visita a Espaços Museológicos 4 Redenção dos prémios do Jogo da Rota Ida ao Posto de Turismo para redimir prémios do Jogo da Rota, após completar uma combinação Staff Qualidade e informações dadas pelo Staff Perceção de bem-estar Momento de término da viagem Prémios selecionados (prémio físico ou prémio a utilizar noutra experiência) Decoração e elementos expostos: videos, garrafeira, revistas, banners, decoração interativa Brochuras Merchandising 5 Compras Compra de lembranças Feira de Artesanato Staff Qualidade dos produtos Outras feiras Lojas dos Espaços Museológicos e Posto de Turismo Lojas de lembranças e produtos regionais (Elaboração Própria) Tabela 57 - Fases da Jornada e Principais Touchpoints – Após a visita Fase da Jornada Ações Touchpoints Fatores de Influência 1 Viagem até à Residência Processo de saída do destino e transporte até à residência Empresas de transportes (aviação, transfers, autocarros, aluguer de viaturas) Sentimento de segurança Pressão do tempo Condições dos locais Mupis e outdoors no aeroporto e nas estradas Sinalização Plataformas de GPS Agências de Viagens e Guias 2 Partilha da Experiência Partilha da Experiência através de fotos, vídeos, avaliações e opiniões (WOM e E-WOM) Recomendações a amigos, familiares, entre outros Perceção da avaliação da Viagem Gostos Pessoais Fatores Externos Avaliações em websites de informações e opiniões turísticas (TripAdvisor, Google etc) Avaliações nas plataformas de reservas dos estabelecimentos (Booking, TheFork, etc) Avaliações nas Redes Sociais 125 Referências Bibliográficas Abou-Shouk, M., & Soliman, M. 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As respostas recolhidas serão utilizadas exclusivamente para fins académicos e a participação é voluntária e confidencial. Ao submeter este inquérito, confirma que concorda com a recolha e processamento dos dados inseridos para os fins descritos. Caso possua alguma dúvida poderá contactar-me através do seguinte email: [email protected] Agradeço desde já a colaboração! Beatriz Costa Secção 1 O Enoturismo é definido como as visitas a vinhas, adegas, festivais e exposições relacionadas com o vinho, em que os principais fatores de visita são a degustação do vinho de uva e/ou a experiência dos atributos de uma região vinícola (Hall & Mitchell, 2007). Q1. Tem algum interesse na realização de enoturismo em Ponte de Lima? ⭘ Sim (continuar o inquérito) ⭘ Talvez (continuar o inquérito) ⭘ Não (não prosseguir com o inquérito) Q2. Já visitou Ponte de Lima? ⭘ Sim (continuar o inquérito na Secção 2) ⭘ Não (avançar para a Secção 3) 148 Secção 2 Q3. Qual foi o principal motivo da sua visita a Ponte de Lima? ⭘ Gastronomia ⭘ Enoturismo (Atividades relacionadas com prova de vinhos da região, visita a quintas, etc.) ⭘ Natureza (paisagem) ⭘ Peregrino no Caminho de Santiago ⭘ Desportos náuticos ⭘ Cultura e história ⭘ Eventos, Festas e Romarias ⭘ Negócios ⭘ Apenas está de passagem ⭘ Outro: __________________ Q4. Em que tipo de alojamento ficou? ⭘ Hotel ⭘ Albergue ou hostel ⭘ Caravana ⭘ Turismo em Espaço Rural ou de Habitação ⭘ Apartamento alugado em Alojamento Local (Airbnb, etc) ⭘ Alojamento inserido num local de produção vitivinícola ⭘ Casa de amigos ou familiares ⭘ Nenhum Q5. Que fonte de informação/publicidade motivou a sua visita? ⭘ Recomendação de amigos ⭘ Publicidade na internet e redes sociais ⭘ Publicidade/Reportagens na TV ⭘ Publicidade em Outdoors ⭘ Vídeos e documentários ⭘ Outra: __________________ Q6. Numa escala de 1 a 10, qual o seu grau de satisfação relativamente à visita a Ponte de Lima? 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 Nada Satisfeito ⭘ ⭘ ⭘ ⭘ ⭘ ⭘ ⭘ ⭘ ⭘ ⭘ Muito Satisfeito 149 Q7. Numa escala de 1 a 10, qual a probabilidade de regressar a Ponte de Lima? 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 Nada Provável ⭘ ⭘ ⭘ ⭘ ⭘ ⭘ ⭘ ⭘ ⭘ ⭘ Muito Provável Q8. Numa escala de 1 a 10, qual a probabilidade de recomendar a visita a Ponte de Lima? 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 Nada Provável ⭘ ⭘ ⭘ ⭘ ⭘ ⭘ ⭘ ⭘ ⭘ ⭘ Muito Provável Secção 3 Q9. Já realizou algum tipo de atividade enoturística? ⭘ Sim, em Ponte de Lima (prosseguir para a secção 3) ⭘ Sim, mas noutra localidade (prosseguir para a secção 3) ⭘ Não (prosseguir para a secção 4) Q10. Conhece a Casta de Vinho Verde Loureiro? ⭘ Sim e já provei ⭘ Sim mas nunca provei ⭘ Não Secção 4 Responda às seguintes questões, tendo em conta a generalidade das suas experiências enoturísticas passadas. Q11. Com quem viajou? ⭘ Sozinho ⭘ Com o(a) companheiro(a) ⭘ Em família ⭘ Com amigos ⭘ Em grupo de excursão organizada Q12. Como planeou a viagem? ⭘ Sozinho ⭘ Com a ajuda de um agente turístico 150 Secção 5 Q13. Que outro tipo de atividades complementares gostaria de acrescentar ao enoturismo, durante uma visita a Ponte de Lima? ▢ Gastronomia Local ▢ Visita ao centro histórico da vila ▢ Visita a jardins e espaços verdes ▢ Visita a museus ▢ Ida ao Teatro ▢ Visita a feiras e eventos ▢ Festas e Romarias ▢ Experiências de desporto, aventura e natureza ▢ Outra: ______________________________________________ Q14. Qual o preço máximo que estaria disposto a pagar por essa experiência? ________________________________________________ (escala de 0€ a 150€) Q15. É consumidor de vinho? ⭘ Sim (prosseguir para a secção 6) ⭘ Não (prosseguir para a secção 7) Secção 6 Q16. Numa escala de 1 a 4, como classificaria o seu conhecimento em vinhos? 1 2 3 4 Poucos ou nenhuns conhecimentos ⭘ ⭘ ⭘ ⭘ Sou especialista em vinhos Q17. Em que momentos é mais apreciador de vinhos? ⭘ Na maioria das refeições ⭘ Em refeições esporádicas ⭘ Apenas socialmente