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II DIREITOS DE AUTOR E CONDIÇÕES DE UTILIZAÇÃO DO TRABALHO POR TERCEIROS Este é um trabalho académico que pode ser utilizado por terceiros desde que respeitadas as regras e boas práticas internacionalmente aceites, no que concerne aos direitos de autor e direitos conexos. Assim, o presente trabalho pode ser utilizado nos termos previstos na licença abaixo indicada. Caso o utilizador necessite de permissão para poder fazer um uso do trabalho em condições não previstas no licenciamento indicado, deverá contactar o autor, através do RepositóriUM da Universidade do Minho. Licença concedida aos utilizadores deste trabalho Atribuição CC BY https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/
III AGRADECIMENTOS O meu percurso ao longo destes cinco anos foi, sem dúvida, uma verdadeira jornada, repleta de alegrias, sonhos realizados e alguns obstáculos. No entanto, nada disso teria sido possível sem a presença e o apoio de algumas pessoas, que tornaram esta caminhada mais leve, carregada de carinho e amor. Agradeço, de coração, a todos que se cruzaram comigo nesta longa trajetória. Cada um, à sua maneira, contribuiu para que este sonho se tornasse realidade. Um agradecimento especial para os meus pais, a minha irmã e a minha namorada, que foram verdadeiros pilares ao longo de todo este percurso. Estiveram comigo nos momentos de maior alegria e desafiantes. Sem o apoio constante e o encorajamento deles, muitos dos obstáculos teriam sido mais difíceis de ultrapassar. Os meus pais, com o seu exemplo de força, resiliência e sabedoria, ensinaram-me o verdadeiro valor da dedicação e do trabalho árduo. A minha irmã, com a sua amizade e companheirismo, esteve sempre ao meu lado, oferecendo-me apoio inestimável. E a minha namorada, com o seu amor e compreensão, foi uma fonte constante de inspiração e motivação, sendo o meu porto seguro ao longo deste caminho. Quero também estender um agradecimento especial à minha família em geral — avós, tios, madrinha, padrinho e primos, que, foram peças fundamentais na concretização deste ciclo de estudos. À minha incansável orientadora, Professora Doutora Leonor Maria Lima Torres, deixo um profundo agradecimento. Em todos os momentos, demonstrou-se sempre disponível para ajudar, com uma palavra amiga e encorajadora, tornando o percurso mais simples e cheio de sabedoria. Às minhas colegas do CIEd, onde tive o privilégio de estagiar, um muito obrigado por todo o apoio e amizade. Guardarei para sempre os bons momentos que vivi convosco, e a vossa prestabilidade foi sem dúvida uma mais-valia. Este relatório é o reflexo de muitos anos de esforço, dedicação e crescimento pessoal. Sinto-me profundamente grato por tudo o que a vida me proporcionou e por todas as lições aprendidas ao longo do caminho. O amor e o apoio daqueles que mais amamos é, sem dúvida, a chave para o sucesso. A vocês, que estiveram ao meu lado em cada etapa, dedico este marco tão importante. De coração, o meu mais profundo e sincero agradecimento. OBRIGADO!
IV DECLARAÇÃO DE INTEGRIDADE Declaro ter atuado com integridade na elaboração do presente trabalho académico e confirmo que não recorri à prática de plágio nem a qualquer forma de utilização indevida ou falsificação de informações ou resultados em nenhuma das etapas conducente à sua elaboração. Mais declaro que conheço e que respeitei o Código de Conduta Ética da Universidade do Minho.
V Percursos e Transições dos diplomados enquadrados no CIEd: o caso dos doutorandos em Ciências da Educação RESUMO O conhecimento científico promove a transformação continua da sociedade, tornando-se a maior fonte de desenvolvimento económico, social e cultural. Neste sentido, a contínua disseminação e produção do saber são essenciais para promover inovações e enfrentar desafios globais, promovendo um desenvolvimento sustentável e o bem-estar da humanidade. O presente relatório tem como finalidade compreender e analisar o percurso e as expectativas dos doutorandos do Centro de Investigação em Educação (CIEd) e caracterizar o seu perfil. Para além destas dimensões, também procura aferir as motivações que levaram os estudantes a prosseguir estudos até ao doutoramento e o modo como se integraram no CIEd. Com o propósito de instigar a investigação, utilizou-se o paradigma qualitativo e o método do estudo de caso. As técnicas de recolha de dados utilizadas foram as entrevistas semiestruturadas, a análise documental e o inquérito por questionário administrado aos doutorandos em Ciências da Educação integrados no CIEd. No referente aos resultados, o doutoramento é visto pelos doutorandos como uma mais-valia para o mercado de trabalho, sendo responsável pelo desenvolvimento de habilidades úteis para a atividade laboral. Os resultados demonstram também que uma grande parte dos doutorandos encontra a progressão na carreira como a grande motivação para ingressar no doutoramento. Palavras-Chave: conhecimento científico; formação doutoral; mercado de trabalho; progressão na carreira
VI Career paths and transitions of CIEd graduates: the case of doctoral students in Education Sciences ABSTRACT Scientific knowledge promotes the continuous transformation of society, becoming the greatest source of economic, social and cultural development. In this sense, the continuous dissemination and production of knowledge is essential to promote innovation and tackle global challenges, promoting sustainable development and the well-being of humanity. The purpose of this report is to understand and analyse the path and expectations of doctoral students at the Centre for Research in Education (CIEd) and to characterise their profile. In addition to these dimensions, it also seeks to ascertain the motivations that led the students to continue their studies up to the doctorate and how they integrated into the CIEd. In order to instigate the research, the qualitative paradigm and the case study method were used. The data collection techniques used were semistructured interviews, document analysis and a questionnaire survey administered to the doctoral students in Education Sciences who were integrated into the CIEd. As far as the results are concerned, the doctorate is seen by the doctoral students as an asset for the labour market, being responsible for the development of useful skills for employment. The results also show that a large proportion of doctoral students see career progression as the main motivation for taking up a doctorate. Keywords: Scientific knowledge; doctoral training; labour market; career progression
VII ÍNDICE AGRADECIMENTOS ......................................................................................................... III RESUMO ........................................................................................................................... V ABSTRACT ....................................................................................................................... VI Índice de Gráficos ............................................................................................................ X Índice de Tabelas ............................................................................................................ XI Introdução ........................................................................................................................ 1 CAPÍTULO I CENTRO DE INVESTIGAÇÃO EM EDUCAÇÃO (CIEd): CARATERIZAÇÃO DA INSTITUIÇÃO DE ESTÁGIO ................................................................................................ 3 I - Enquadramento Contextual do Estágio ...................................................................... 4 1. Caracterização da instituição ....................................................................................................... 4 1.1. Eixos estratégicos do CIEd .................................................................................................... 6 1.2. Linhas temáticas estratégicas ............................................................................................... 7 1.3. Organização da Instituição.................................................................................................... 8 1.4. Constituição do CIEd ............................................................................................................. 9 1.5. Revista Portuguesa de Educação ........................................................................................ 10 2. Área de atuação no estágio ....................................................................................................... 11 CAPÍTULO II A FORMAÇÃO DOUTORAL: O SEU CRESCIMENTO E IMPORTÂNCIA PARA O DESENVOLVIMENTO DA SOCIEDADE DO CONHECIMENTO ............................................ 12 II - Enquadramento teórico .......................................................................................... 13 1. O Ensino Superior ...................................................................................................................... 13 1.1. Expansão do Ensino Superior ............................................................................................. 13 1.2. Educação e investigação como elementos transformadores ............................................. 16 2. Mercado de Trabalho ................................................................................................................. 18 2.1. Transição para o Mercado de Trabalho .............................................................................. 18 2.2. Percursos Escolares longos e labirínticos ........................................................................... 23 3.Os doutorandos como empreendedores de conhecimento ...................................................... 26 3.1. Doutorandos em Ciências da Educação: um ativo que urge conhecer e valorizar ............. 26 CAPÍTULO III REALIZAÇÃO DO ESTUDO DE CASO: O CASO DOS DOUTORANDOS INTEGRADOS NO CIEd .................................................................................................... 30 III - Enquadramento Metodológico .............................................................................. 31 1. O Problema de Investigação e os seus Objetivos ...................................................................... 31 1.1. Pergunta de Partida ............................................................................................................ 31
3 CAPÍTULO I CENTRO DE INVESTIGAÇÃO EM EDUCAÇÃO (CIED): CARATERIZAÇÃO DA INSTITUIÇÃO DE ESTÁGIO
4 I - Enquadramento Contextual do Estágio No capítulo Enquadramento Contextual do Estágio será exposta a caraterização da instituição de estágio bem como os seus objetivos, órgãos e funções, a investigação desenvolvida, bem como as tarefas desempenhadas ao longo do estágio curricular. 1. Caracterização da instituição O estágio curricular decorreu na Universidade do Minho, mais concretamente no CIEd – Centro de Investigação em Educação, sediado no Instituto de Educação (IE). Neste sentido, irei proceder à caracterização da Universidade do Minho, do Instituto de Educação e, posteriormente, do CIEd. A Universidade do Minho é uma instituição de ensino superior, fundada em 1973, que dispõe de dois campi, o de Guimarães e o de Braga. A excelência do ensino e dos processos de aprendizagem é um dos valores basilares desta instituição e que pautam a sua atuação, classificando-a como uma das melhores instituições de ensino superior de Portugal. Com aproximadamente 20 mil estudantes (licenciatura, mestrado, doutoramento), a Universidade do Minho oferece uma ampla e vasta oferta educativa para os estudantes, desde os cursos de licenciatura até aos de pós-graduação, em diversas áreas do conhecimento, como as ciências, a tecnologia, a engenharia, as artes, as ciências sociais, a saúde, a educação, a economia, entre outras. 1 Contando com todas estas áreas do conhecimento, a Universidade do Minho é, acima de tudo, uma instituição que procura destacar-se no desenvolvimento dos seus estudantes, através da adaptação constante às mudanças inerentes à sociedade e à comunidade em que se insere. Como palco de aprendizagem e de desenvolvimento, a Universidade do Minho foca-se na inovação e na pesquisa, revelando o seu espírito dinâmico, inovador e progressivo. Para além da inovação, a Universidade do Minho aposta nos programas de mobilidade dos estudantes, para fazer chegar o bom nome da instituição a todos os países, estabelecendo, por via disso, relações estratégicas com os mesmos, pelo que atrai estudantes internacionais, que estimulam um ambiente multicultural e diversificado, evidenciando mais uma característica desta instituição. O Instituto de Educação (IE) da Universidade do Minho carateriza-se por ser uma unidade orgânica, cuja missão é produzir e desenvolver projetos de ensino, investigação e interação com a sociedade na 1 Informação retirada do website institucional da Universidade do Minho, https://www.uminho.pt/PT/ensino/oferta-educativa)
5 área educativa. E, assim sendo, reconhece-se a contribuição significativa do Instituto de Educação para o desenvolvimento e o bem-estar dos indivíduos, dos grupos, das organizações educativas e da sociedade. A sua oferta formativa destaca-se por ser bastante ampla, abrangendo Licenciaturas em Educação e Educação Básica, Mestrados em Educação, Ensino, Ciências da Educação, Educação Especial, Estudos da Criança e Doutoramentos. No que toca ao Doutoramento, o Instituto de Educação conta com o Doutoramento em Ciências da Educação, foco principal deste projeto de investigação/intervenção, Doutoramento em Estudos da Criança e Doutoramento em Educação à Distância e E-Learning , este último em parceria com a Universidade Aberta. No Instituto de Educação estão presentes duas subunidades orgânicas de investigação - o Centro de Investigação em Educação (CIEd) e o Centro de Investigação em Estudos da Criança (CIEC) - que desenvolvem atividades de investigação de cariz cientifico-tecnológico e/ou científico. Considerando que o estágio decorreu no CIEd, será agora caracterizada a sua estrutura e atividade de investigação. O CIEd é parte integrante do Instituto de Educação e, bem assim, o mais antigo Centro de Investigação em Educação do país. Situa-se no Campus de Gualtar, e foi fundado em 1976. Carateriza-se por ser uma subunidade de investigação de natureza multidisciplinar, cujo propósito assenta no desenvolvimento de conhecimento na área da educação, como forma de produzir um “desenvolvimento informado e socialmente comprometido de profissionais de ensino e educação, bem como de outros atores educativo.” 2 . E, ainda, tem preocupação em preparar os cidadãos, mais concretamente os seus estudantes, para um futuro melhor. Como tal, centra a sua atividade em três pilares essenciais: a qualidade e projeção internacional da investigação que é desenvolvida; o impacto e outreach que os trabalhos de investigação podem ter; e por fim, o foco na formação de jovens investigadores, que certamente darão o seu contributo para as demais dimensões. Ora, o Centro tem como pretensão garantir que os cidadãos estejam igualmente aptos para se inserirem de forma ativa e crítica na sociedade. Apresenta como principais tópicos de investigação: a racionalidade, a política, os processos, os contextos e as práticas de educação e a formação (escolar e não escolar). Neste sentido, pretende-se promover uma aprendizagem equitativa e democrática com o intuito de desenvolver cidadãos mais bem preparados. 2 Informação retirada do website institucional do centro: https://cied.uminho.pt/
6 1.1. Eixos estratégicos do CIEd No sentido de almejar as aspirações anteriormente referidas, o CIEd estabeleceu objetivos em torno de 3 eixos estratégicos, plasmados no Regulamento do Centro (2021): a) “Promoção de investigação com altos padrões de qualidade: I. Desenvolver projetos, de âmbito disciplinar e multi e interdisciplinar, que contribuam para o desenvolvimento do campo de forma inovadora, significativa e responsável; II. Construir fortes relações de âmbito nacional e internacional com investigadores de educação; III. Editar regularmente a Revista Portuguesa de Educação (RPE). b) Participação na intervenção e transformação das políticas e práticas de educação e formação: I. Responder a questões educacionais que intersetam a vida dos indivíduos, da sociedade e da comunidade ao nível pessoal, social, cultural, económico e político; II. Cooperar com as instituições de educação formal, não-formal e informal, por meio de projetos nelas centrados e promovendo o seu envolvimento na produção de conhecimento; III. Promover ações de divulgação e disseminação de resultados de investigação. c) Participação na formação de novos investigadores: I. Estimular a participação ativa de alunos da pós-graduação nas atividades do Centro; II. Organizar ações de formação no âmbito das metodologias de investigação; III. Promover a integração e formação de bolseiros no âmbito das Linhas Temáticas do Centro; IV. Apoiar iniciativas nacionais e internacionais destinadas aos jovens investigadores em educação.” (Cf. regulamento do CIEd, 2021, p.1).
7 1.2. Linhas temáticas estratégicas No ano 2020/2021, o CIEd sofreu uma reestruturação, que assentou em quatro princípios orientadores: a coerência, a relevância, a abrangência e a flexibilidade. O novo modelo assenta, portanto, em linhas temáticas estratégicas articuladas com a missão do Centro. Na linha temática 1, denominada Diversidade, Democratização e Inclusão Social , estão compreendidas problemáticas como a democracia, participação e interculturalidade; temáticas desenvolvidas para um melhor e mais profundo conhecimento sobre a própria evolução da educação, que se quer democrática e inclusiva. A linha temática 2, denominada de Aprendizagem, Inovação e Desenvolvimento Educacional Sustentável , contempla a formação e respetiva supervisão que podem funcionar como instrumento de desenvolvimento profissional de educadores e professores. Esta linha temática preocupa-se igualmente com a transformação social e tecnológica, que é inerente aos dias que correm e, como tal, estabelece-a como um objetivo de conhecimento e de ação. A linha temática 3, chamada de Cidadania Global, Educação e Formação ao Longo da Vida, aborda conceitos como a formação, a aprendizagem ao longo da vida e os esforços que são feitos ao nível das políticas de educação. Nesta linha, os direitos humanos, a justiça e a cidadania global são a base dos processos de educação formal, não formal e informal. (Cf. Regulamento do CIEd, 2021, p.2) Por conseguinte, seguindo ainda a linha da organização interna do CIEd, prevê-se a constituição de Grupos de Reflexão Partilhada (GReP) que se caracterizam por serem ambientes de debate “entre investigadores integrados, estudantes de pós-graduação e investigadores convidados a desenvolver investigação no âmbito da linha temática”. (Artigo 8º do Regulamento do CIEd, 2021, p.3). Neste seguimento, os grupos desenvolvem e incitam a constante partilha de experiências e conhecimento proporcionando, também eles, uma produção científica que se garante na articulação com os Programas Doutorais do Instituto de Educação (IE). Atualmente, o CIEd tem em funcionamento um GReP, designado Formação de Professores e Pedagogia Escolar. Por fim, mas ainda no seguimento da reestruturação da organização interna do CIEd, surge o observatório interdisciplinar (Obl), que é uma “rede de saberes integradora de conhecimentos resultantes dos projetos de investigação desenvolvidos nas diferentes linhas temáticas e emergentes de parcerias com instituições diversas". (Cf. artigo 9º do regulamento do Centro de Investigação em Educação, 2021, p.3). O CIEd conta com o Observatório de Autoavaliação das Escolas, criado em 2015.
8 1.3. Organização da Instituição No que à organização do CIEd concerne, importa referir que se encontra estruturado em quatro órgãos – o Diretor, a Comissão Diretiva, a Comissão Científica e o Conselho de Acompanhamento. Em primeiro lugar, relativamente ao Diretor, importa referir que se trata do órgão máximo do Centro, pelo que desempenha funções de representação e de direção. O Diretor é um Professor Catedrático, Associado com Agregação ou Associado e com vínculo à Universidade do Minho eleito pelos investigadores integrados do Centro. Dentre as muitas funções que o cargo exige, enumeram-se, nomeadamente, a elaboração do plano de atividades e relatório científico, administração dos recursos do CIEd e é o suporte que procede à ligação com os distintos órgãos do Instituto de Educação e com a Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT). Em segundo lugar, a Comissão Diretiva tem como função coordenar e dirigir a política de investigação, assim como assegurar o planeamento das atividades do CIEd. Composta pelo Diretor, pelo(s) Diretor(es), Adjunto(s) e pelos coordenadores de linha, cabe a este órgão, entre outras funções, pronunciar-se sobre a criação, extinção ou reestruturação das linhas temáticas, supervisionar a gestão financeira e administrativa, exercer as demais competências que lhe forem atribuídas pelos órgãos de gestão da Universidade ou do IE. Em terceira instância, a Comissão Científica é composta por membros integrados cujas funções passam pelo pronunciamento sobre a política de investigação do CIEd, tendo em conta as linhas gerais de orientação da Universidade do Minho, pela apreciação do plano de atividades e do relatório científico anual do CIEd e, por último, pela criação, extinção ou reestruturação de Linhas Temáticas. Por fim, o Conselho de Acompanhamento exerce funções relacionadas com os processos de avaliação e de aconselhamento interno e é constituído por especialistas e individualidades exteriores ao Centro. No que toca às individualidades externas, a autoridade que lhes é atribuída está intimamente relacionada com a competência que lhes é reconhecida na área de atividade em que atuam, devendo, sempre que possível, exercer a sua atividade em instituições não nacionais. A par disto, o Conselho de Acompanhamento ramifica a sua atividade naquilo que é a análise regular do bom funcionamento do Centro e a emissão de pareceres que, no seu julgamento, são adequados, designadamente sobre o plano de atividades e o relatório científico anual. 3 3 informação retirada do Regulamento do Centro de Investigação em Educação file:///C:/Users/joaop/Downloads/2%20-%20Regulamento%20CIEd.pdf
9 1.4. Constituição do CIEd O CIEd é composto por membros integrados, membros colaboradores, estudantes de pósgraduação, membros temporários e corpo técnico. Um membro integrado tem de ser detentor de grau académico de doutoramento ou equivalente, ser vinculado ao Instituto de Educação, garantir uma produção científica regular a nível nacional e internacional e desenvolver projetos de investigação e de transferência de conhecimento no âmbito da(s) LT em que se enquadre. 4 Ainda assim, investigadores doutorados contratados ao abrigo dos Concursos de Estímulo ao Emprego Científico ou de outros concursos e programas promovidos pela FCT, bem como os bolseiros de pós-doutoramento orientados por membros do CIEd, que desenvolvam um programa de trabalhos com a duração mínima de um ano, também são considerados membros integrados. Evidenciase a possibilidade de investigadores de instituições que não pertencem à Universidade do Minho, poderem ser considerados membros integrados do CIEd, sendo que, para esse efeito, precisam da aprovação da Comissão Científica e de um parecer favorável da instituição que frequentam. Por outro lado, os membros colaboradores incluem os investigadores doutorados ou não doutorados que produzam trabalhos de pesquisa, mediante as linhas temáticas estabelecidas pelo CIEd, que, segundo o Regulamento, podem lá permanecer por um período mínimo de um ano. Nesta lógica, são, também, membros colaboradores os investigadores doutorados internos, pelo seu enquadramento institucional e situação profissional, os investigadores doutorados externos que colaborem de forma contínua nas atividades de investigação do Centro, os alunos bolseiros de doutoramento e os bolseiros de investigação e investigadores doutorados aposentados. Integram a categoria de membros do CIEd os estudantes de Pós-Graduação (sem bolsa) do Instituto de Educação que participam continuadamente nas atividades de investigação que se enquadrem nas Linhas Temáticas do Centro. Os alunos de Pós-Graduação pertencentes ao CIEd podem usufruir de serviços e apoios, em trabalho de articulação com membros integrados, sujeitos a cabimento orçamental, podendo também participar nos GReP, sob proposta dos respetivos coordenadores. 5 Os membros temporários são investigadores de pós-doutoramento não enquadráveis nos artigos 12.º e 13.º e que colaboram com o Centro por um período limitado. A sua admissão está sujeita à aprovação da Comissão Diretiva do CIEd. O Centro de Investigação em Educação pode também acolher investigadores visitantes para temporariamente desenvolverem projetos de investigação ou missões 4 informação retirada do Regulamento do Centro de Investigação em Educação file:///C:/Users/joaop/Downloads/2%20-%20Regulamento%20CIEd.pdf 5 informação retirada do Regulamento do Centro de Investigação em Educação file:///C:/Users/joaop/Downloads/2%20-%20Regulamento%20CIEd.pdf
10 especificas. Os elementos temporários podem usufruir de serviços e apoios, em trabalho de articulação com membros integrados, sujeitos a cabimento orçamental. 6 Por último, o corpo técnico é constituído pelos Gestores de Ciência e Tecnologia, que têm como principais funções desenvolver as atividades de apoio à investigação e ao funcionamento geral do Centro. Entre das muitas competências dos gestores de ciência e tecnologia enumera-se a assessoria aos órgãos do CIEd, o acompanhamento e apoio ao desenvolvimento de projetos de investigação e o apoio técnico e administrativo dos GReP e outras estruturas organizativas do CIEd e membros em geral. O CIEd conta com 43 membros integrados, 33 membros colaboradores, 320 de pós-graduação sem bolsa, 8 membros temporários e 4 membros técnicos Assim, tal como a maioria da investigação desenvolvida em Portugal, o CIEd é avaliado e financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT). A avaliação é crucial, pelo que, através dela é determinado o financiamento do centro e, consequentemente, é possível delinear o funcionamento do mesmo. 1.5. Revista Portuguesa de Educação Em forma de conclusão, no que à caracterização diz respeito, realça-se a atividade editorial presente no centro, pois a Revista Portuguesa de Educação é, orgulhosamente, uma das mais antigas publicações periódicas de carácter científico sobre Educação em Portugal, um espaço editorial aberto a quem quiser submeter estudos científicos originais realizados na área da Educação. Fundada em 1988 a Revista Portuguesa de Educação tem vindo a constituir-se, desde então, relevante no panorama educativo, sendo o seu cada vez maior prestígio internacional demonstrativo da sua evidente relevância. Em média são publicados 300 artigos, número que elucida a contribuição da Revista Portuguesa de Educação para o fortalecimento da comunidade científica em que se enquadra. 6 informação retirada do Regulamento do Centro de Investigação em Educação file:///C:/Users/joaop/Downloads/2%20-%20Regulamento%20CIEd.pdf
11 2. Área de atuação no estágio A área de atuação do estágio incide sobre os estudantes de doutoramento enquadrados no CIEd. O objetivo do projeto visa fundamentalmente caracterizar o perfil dos doutorandos do CIEd e, por outro lado, apoiar as diversas iniciativas de integração e formação avançada dos estudantes de doutoramento. No presente ano letivo encontram-se associados ao Centro de Investigação em Educação 93 doutorandos. Apresentam-se como principais atividades de intervenção no Centro o apoio a congressos, o acompanhamento e acolhimento dos doutorandos, o apoio na organização e participação em eventos científicos, a organização de bases de dados dos doutorandos, o apoio na elaboração de relatórios científicos, o apoio nas diversas atividades que visam a integração dos estudantes de doutoramento e a sua articulação com a Direção do Centro.
12 CAPÍTULO II A FORMAÇÃO DOUTORAL: O SEU CRESCIMENTO E IMPORTÂNCIA PARA O DESENVOLVIMENTO DA SOCIEDADE DO CONHECIMENTO
19 [...] dermos crédito às teses que vêm as novas formas de trabalho, mais flexíveis, mais precárias, mas também mais autónomas como o produto de aspirações “individualistas” das novas gerações, estas identidades seriam apanágio, sobretudo, das gerações de trabalhadores mais jovens e qualificados. É constante, pois, o sentimento de incerteza dos recém-formados, pelo facto de nos encontrarmos a viver numa crise económica das grandes economias mundiais, que, por si só eleva a competitividade no mercado de trabalho e das novas modalidades de emprego. Tal como Marques e Alves (2010) sustentam: Neste contexto, as dinâmicas dos processos de transição do ensino superior para o mercado de trabalho, em especial os problemas de acesso ao emprego e a crescente vulnerabilidade da relação de trabalho, tornam-se numa das questões-chave dos debates públicos e das investigações realizadas. (Marques, & Alves, 2010, p.17) Relativamente às novas modalidades de trabalho, denota-se que, havendo um crescimento significativo de situações contratuais instáveis, faz com que aumente a precaridade, junto dos mais jovens. De acordo com Lessa, As novas figuras do mercado de trabalho mostram-se como formas ocultas de trabalho assalariado, subordinado, precarizado, não garantido, de trabalho autônomo de última geração, que decorrem da eliminação do ciclo produtivo. (Lessa, 2016, p.207). Verifica-se assim, uma “utilização preponderante de modalidades de estágios profissionais ou de figuras jurídicas de contrato a termo, ou, ainda, de prestação de serviços (sob a forma de recibos verdes)” (Marques, 2010, p.7). Neste seguimento, parece conveniente proceder à alusão daquilo que é o trabalhador precário, consubstanciando-se na pessoa que vê afetada a sua condição laboral, por não se sentir estável, a remuneração garantida e periódica, o acesso a uma indemnização quando deixa de estar vinculado e o acesso a um sistema de saúde. Neste sentido, os trabalhos precários têm-se assumido como um problema crescente, com repercussões sociais significativas, o que significa que é uma constante substituição do conceito de
20 trabalho estável. Segundo dados da Pordata (2023), 6 em cada 10 jovens, com idades compreendidas entre os 16 e 24 anos, têm vínculos laborais precário. 11 A justificação para estes contratos precários prende-se com a pouca oferta no que toca a trabalhos a tempo inteiro, sendo que em Portugal, 50% dos jovens referem não ter encontrado trabalho permanente, valor que desce na União Europeia, para 17%. 12 Esta escassez de trabalho permanente faz com que os trabalhos precários ganhem preponderância junto dos mais jovens, na medida em que a oferta de trabalho é reduzida, não tendo esta outra opção senão esta modalidade de trabalho atípica. A este respeito, Carmo (2022, s/p) refere que “a incidência da precariedade é maior nos trabalhadores jovens, e o desemprego também.” A sobrequalificação “[...] é então definida como a situação em que um determinado trabalhador possui mais qualificações, normalmente relativas à sua educação, do que aquelas que ele necessita para desempenhar adequadamente a função que ocupa.” (Costa, 2018, p.2) Neste sentido, verificando-se a existência de um desajustamento entre as competências que os jovens qualificados possuem e as competências que os empregadores procuram, repercutir-se-á uma sobrequalificação em várias áreas, nomeadamente, na categoria profissional, na remuneração e na evolução na carreira profissional. A propósito a Fundação José Neves (2023) apresenta a ideia de que “apesar da maior qualificação dos jovens, o mercado de trabalho não os absorve em ocupações adequadas às suas qualificações.” De facto, o desfasamento entre o nível de qualificação e o trabalho a desempenhar é mais expressivo e tenderá, certamente, a aumentar no futuro. Efetivamente, é notória a quantidade de jovens qualificados que estão a desempenhar funções para as quais não são necessárias mais habilitações do que o limite máximo escolar obrigatório, comportando a implicação de não conseguirem maximizar a utilização das competências que os próprios adquiriram nos estudos que decidiram prosseguir. Pelo exposto, afigura-se de máxima relevância a criação de estratégias que permitam que estes jovens encontrem no mercado de trabalho condições atrativas e alinhadas com o seu grau de escolaridade. Não é indiferente o impacto da sobrevalorização da economia, pelo que é percetível a “fuga” de talento para áreas não condizentes com as habilitações adquiridas com o Ensino Superior, o que conduz, inevitavelmente, à diminuição da inovação e ao aumento do desinteresse dos jovens. De acordo com 11 Informação retirada do website da Pordata (2023), https://www.pordata.pt/sites/default/files/2024-07/f_2023_07_25_pr_jovens_vf.pdf 12 Informação retirada do website da Pordata (2023), https://www.pordata.pt/sites/default/files/2024-07/f_2023_07_25_pr_jovens_vf.pdf
21 Carmo (2022, s/p) “o nível de qualificação dos nossos empresários e dirigentes é, em muitos casos, inferior ao nível de qualificação dos empregados. Não explica tudo, mas é uma variável que, em grande medida, explica a desvalorização em relação ao trabalho qualificado”. McGuiness (2006) refere que a sobrequalificação tem um impacto negativo na economia de um país, na medida que as aptidões dos seus trabalhadores não estão otimizadas, isto é, não são empregadas no seu melhor. Outro problema significativo é o do desemprego, que comporta consigo questões do foro psicológico, como o medo e a ansiedade para aqueles que pretendem lançar-se para o mercado de trabalho. Possivelmente a existência da mão invisível de Adam Smith na economia mundial, levaria a que houvesse lugar para todos os que concorrem entre si para desempenhar determinada função, isto porque, o cerne da questão centra-se em torno do âmbito financeiro, que, consequentemente, se verifica no facto de não poderem ser garantidos, de modo equitativo, os referidos postos de trabalho. De certo que estão em causa questões alicerçais, como a gestão da própria economia e dos dinheiros públicos que, em princípio, sustentariam este tipo de projetos, ainda que se não verifique e, por isso, suscitam, por seu turno, a debilidade dos mais variados setores, mas, desde logo, o mercado de trabalho. Por outro lado, também é possível abordar outras questões que atrasam o processo de desenvolvimento económico, na vertente da empregabilidade, como é o caso da falta de competitividade que as empresas portuguesas revelam, comparativamente, com o resto do mundo. Vejamos, a rede empresarial portuguesa tem uma capacidade produtiva relativamente diminuta e, claro, pouco competitiva, e isto está estampado no descontentamento dos trabalhadores, porque, pese embora os míseros ordenados que lhes são retribuídos pelo trabalho e pelo conhecimento que têm, está, igualmente, em causa a inexistência de reconhecimento por parte das entidades empregadoras, que não procedem no sentido de aliciar os trabalhadores a manterem-se funcionais naquela empresa. Rebelo afirma que “é da valorização dos recursos humanos que depende a preservação do mercado de trabalho português" (2006, p.21) Por estes motivos, a globalização, entre outros fatores, pode ser uma das principais causas do crescimento do desemprego.
22 De acordo com o Instituto Nacional de Estatística, a taxa de desemprego em Portugal em 2023 fixou-se nos 6.5% em comparação com os 6% da EU, vivendo-se cada vez mais um contexto de aumento relativamente aos níveis de desemprego. 13 Entender-se-á que a vivência contínua e persistente num cenário de incerteza e vulnerabilidade económica dificilmente consegue combater o flagelo do desemprego. Parece nem sequer valer a pena “ter um canudo na mão”, porque, se em meados dos anos 80 ou 90, isso era um dado adquirido, nos dias que correm, ter estudos especializados em determinada área nem sempre é garantia para os indivíduos. Neste sentido, atendendo à análise dos dados recolhidos pelo Instituto Nacional de Estatística (2023), é percetível que a taxa de desemprego em Portugal é muito alta, levando em conta que 20,3 % da população ativa entre os 16 e os 24 anos é desempregado, face aos 14,9 % da União Europeia. Desde logo, percebe-se que a percentagem a nível nacional é bastante elevada se compararmos com os restantes países europeus. 14 Ora, trata-se de percentagens alarmantes e que, por esse motivo, deveriam ser alvo de uma profunda reflexão por parte das entidades governamentais, donde emerge a necessidade de tornar o mercado nacional mais competitivo, tanto ao nível remuneratório quanto ao nível da oferta de emprego. Compreende-se, pois, que se perpetua na sociedade atual um paradoxo. Isto porque, apesar de existirem indivíduos especializados, em matéria de instrução e educação, as condições de vida em que os jovens portugueses se encontram nos dias que correm, cada vez mais faz com que não percecionam a possibilidade de desenvolverem os projetos que ambicionavam propor-se executar no seu país natal. Assim sendo, não é surpreendente afirmar que, segundo o Observatório da Emigração, 30% dos jovens entre os 15 e os 39 anos, decidiram abandonar o seu país, em busca de algo, realmente, frutífero. 15 Nesta senda, Portugal não atribui o devido valor às brilhantes gerações que viu crescer, deixandoas voar para onde hão de encontrar o merecido reconhecimento económico, agravando a questão, na medida em que permite, ainda, o progresso desse país, pela utilidade do contributo intelectual daqueles indivíduos, que podia e devia ser seu. Por tudo o referido, compreende-se que a taxa de desemprego jovem se mantém superior à taxa da União Europeia, o que acaba por ser um entrave para qualquer jovem recém-formado. 13 Informação retirada do Website do Instituto Nacional de Estatística: https://www.ine.pt/xportal/xmain?xpid=INE&xpgid=ine_destaques&DESTAQUESdest_boui=593942664&DESTAQUESmodo=2&xlang=pt 14 Informação retirada do Website do Instituto Nacional de Estatística (2023): https://www.ine.pt/xportal/xmain?xpid=INE&xpgid=ine_destaques&DESTAQUESdest_boui=593942664&DESTAQUESmodo=2&xlang=pt 15 Informação retirada do Website do Observatório da Emigração (2024): https://observatorioemigracao.pt/np4/9739.html
23 Por isso, “os jovens são obrigados a saltar entre o desemprego, a formação profissional e o emprego precário, contrariamente, à conhecida tradicional trajetória linear do passado, na qual passavam diretamente da formação para o trabalho” (Guerreiro & Abrantes, 2007, p.7). No que concerne aos desempregados com nível de qualificação superior, os números não mentem, e certo é que continuam a ser negativos, sendo Portugal o sexto país da Europa com o nível de desemprego mais elevado. A taxa de desemprego por parte dos jovens com formação académica no ensino superior encontra-se nos 4,5%, em comparação com os 3,8% da União Europeia. 16 No entanto, no caso dos detentores de grau de Doutor, a taxa de desemprego é, felizmente, mais baixa, estando fixada nos 2%. Outro dado importante relativamente aos doutorados, que se prende com a modalidade de trabalho, é que 68% tem contrato permanente de trabalho e 32% possuem contrato a termo. 17 Ao analisar estes dados, repara-se que em Portugal o doutoramento é praticamente um passaporte para o emprego. Mediante os números apresentados, percebe-se a ambição de constituir um país direcionado, cada vez mais, para o conhecimento, inovação, criatividade e competitividade, características associadas à formação doutoral. Contudo, ainda existe uma fraca empregabilidade dos doutorados pelo tecido empresarial, sendo as instituições de Ensino Superior as grandes empregadoras deste público. Averigua-se, assim, que a precariedade, sobrequalificação e desemprego afetam toda a população, e, em específico, os mais jovens, entre eles os mais qualificados, pelo que se torna urgente a criação de políticas que promovam o crescimento do país, de modo a ser possível haver mais oportunidades para os jovens. 2.2. Percursos Escolares longos e labirínticos Afigura-se fundamental abordar a temática do percurso, sendo que este fator é claramente influenciado por todos os aspetos anteriormente referidos. O termo “percurso” é volátil, sendo instigado por diversos fatores, pois se for o suporte do exemplo da extensão da escolarização e do seu alongamento, verifica-se que, não obstante o período de transição 16 Informação retirada do Website da Pordata: https://www.pordata.pt/europa/taxa+de+desemprego++dos+15+aos+74+anos+total+e+por+nivel+de+escolaridade-1633-1358 17 Informação retirada do Website da FCT (2024): https://www.fct.pt/impacto-do-financiamento-fct-nas-carreiras-de-investigacao-em-portugal/
24 entre a saída do meio escolar e a estabilidade profissional ter aumentado, essa transição não é exponencial, na medida em que os tempos de formação são bem mais extensos. Por ser assim, durante o lapso de tempo do percurso, os diplomados exploram uma série de possibilidades ao nível académico. E é esta liberdade de exploração e de escolha que faz com que esta etapa se caracterize por ser mais longa e não tão linear, como há uns anos. Como referem Monteiro, Gonçalves e Jorge (2019), um “grupo cada vez maior de jovens que passaram a apostar em trajetórias escolares e académicas cada vez mais prolongadas.” (Monteiro, Gonçalves, & Jorge, 2019, p.50) Mediante o referido, “os percursos descontínuos, incertos, diferenciados e individualizados dos jovens contrastam-se com as transições dos pais marcadas pela linearidade, rapidez, continuidade, estabilidade e homogeneidade” (Kovács,2013, p.2) De acordo com Pasichnyk (2018) “[...] os estudantes optam cada vez mais por prosseguir com os seus estudos no final da Licenciatura, até porque os detentores de níveis de qualificação mais altos têm sido a escolha preferencial dos empregadores” (p.7). É nesta perspetiva que se verifica um crescente número de estudantes a prosseguir estudos para além da licenciatura. Pese embora o facto de a obtenção do grau de licenciado já ter representado uma vantagem competitiva, algo que nos dias de hoje não se verifica de forma tão acentuada, o número de diplomados que decidem prosseguir para mestrado e doutoramento está em contínuo crescimento, devido à exigência requerida no âmbito da competitividade do mercado de trabalho. Neste sentido, cada vez mais estudantes se propõem ingressar nos mestrados e doutoramentos, pelo facto de se antecipar que o mercado de trabalho procura indivíduos cada vez mais qualificados. Isto porque, as funções laborais requerem uma maior qualificação por parte dos jovens, o que exige que os percursos académicos sejam cada vez mais prolongados. Segundo Figueiredo et al. (2017), os percursos formativos mais longos são os mais eficazes a proporcionar vantagens competitivas no mercado de trabalho. Verifica-se, na nossa sociedade, a atual ideia enraizada de que é mais benéfico ter formação especializada em determinada área em que o mercado de trabalho tem foco, para que no futuro, os jovens não vejam os seus sonhos vedados, nem frustrados, por falta de arcaboiço económico. Bem sabem os jovens que a única maneira de ultrapassarem essa questão da debilidade financeira passa por estudar mais, para perspetivarem a segurança da sua empregabilidade e, consequentemente, do seu salário, que hão de ser os alicerces da sua vida. Além de outros, este é um dos motivos basilares para, nos dias que correm, serem cada vez mais os indivíduos que encaram a universidade como um “investimento” imprescindível para o seu futuro.
25 Nesta linha de raciocínio, os dados da Pordata apontam para um crescimento exponencial de jovens a prosseguir estudos no grau de Mestre e Doutor. Relativamente ao mestrado, e, recorrendo, como exemplo, ao intervalo de tempo entre 2008 e 2023, perceber-se-á o crescimento de mais de 200%, sendo que, em 2008, 27.204 mil alunos frequentavam o mestrado e ao ano de 2023, por comparação, frequentavam o mestrado 82.610 mil alunos. 18 Quanto ao doutoramento, alvo desta investigação, percebe-se o seu elevado crescimento: em 2008 frequentavam 11.344 alunos, número que disparou para mais de o dobro, 25.202 mil alunos em 2023. 19 Mediante estes dados, não passa despercebida a valorização e o investimento dos jovens na educação superior, nomeadamente, no grau de mestre e doutor. 18 Informação retirada do website da Pordata (2023): https://www.pordata.pt/portugal/alunos+matriculados+no+ensino+superior+total+e+por+nivel+de+formacao-1023 19 Informação retirada do website da Pordata (2023): https://www.pordata.pt/portugal/alunos+matriculados+no+ensino+superior+total+e+por+nivel+de+formacao-1023
26 3.Os doutorandos como empreendedores de conhecimento 3.1. Doutorandos em Ciências da Educação: um ativo que urge conhecer e valorizar Ao observar-se o caso dos doutorandos, público-alvo da investigação, constata-se que é um público que urge valorizar, pois desempenham um papel crucial na produção e disseminação do conhecimento e inovação. De acordo com Santos, o conhecimento profundo e especializado, bem como as capacidades de investigação e capacidades analíticas, são, idealmente, desenvolvidos como parte da experiência de formação doutoral. (2021, p.203). As exigências que advêm da formação doutoral podem ajudar as organizações na otimização, melhoria, gestão e desenvolvimento de novos processos, tecnologias e produtos, competências essas necessárias para o desenvolvimento de qualquer organização. Ora, só deste modo será possível que os doutorandos contribuam com medidas que tenham um impacto positivo no desenvolvimento e competitividade do nosso País: Quanto mais o conhecimento é considerado elemento imprescindível na sociedade e na economia, mais é esperado que o ensino doutoral se aproxime e contribua (visivelmente) para a sociedade e para a economia (Santos, 2021, p.201) Em ambientes de extrema incerteza e de constantes desafios deve haver lugar à valorização de alguns atributos, como a resiliência e a criatividade, pelo que as características dos doutorados se afiguram como um dos fatores determinantes para o sucesso da economia. No entanto, ao contrário do resto da Europa, as empresas portuguesas ainda se encontram muito abaixo do nível de absorção de alunos com doutoramento. De acordo com Silva & Sarrico (2023) “A capacidade de absorção de doutorados pelo mercado de trabalho fora da academia é baixa: 13% na administração pública, apenas 8% trabalham no sector privado empresarial e 2% no sector privado sem fins lucrativos” (p. 8). Assiste-se em Portugal a um paradoxo: num país rico ao nível do conhecimento científico e da sua produção não faz sentido que este não chegue às empresas. Ao observar países economicamente mais avançados, percebe-se que o tecido empresarial absorve mais doutorandos, pois considera que estes acarretam competências necessárias para a evolução progressiva de qualquer organização.
27 Por exemplo, nas palavras de Rocha (2018), as proficiências altamente acreditadas, diferenciadas e transversais que os doutorados, tipicamente, apresentam, podem ajudar as organizações na otimização, melhoria, gestão e desenvolvimento de novos processos, tecnologias e produto. Nesta medida, declarar-se-á a necessidade de criar mais políticas de auxílio na contratação de alunos com o grau doutoral. Um bom exemplo é o Norte2020, que tem como foco incentivar as PME a recrutar recursos humanos altamente qualificados. Por tudo o exposto, torna-se relevante promover o conhecimento científico no tecido empresarial português, tendo como ponto primordial a articulação entre os doutorandos e as organizações, criando condições de envolvimento e integração entre os mais qualificados. Na perspetiva de Silva e Sarrico (2023) Era importante, ainda, oferecer desenvolvimento profissional e de carreira, incluindo períodos fora da academia, no sector empresarial, sector público e sector social, de forma a facilitar a transição para o mercado de trabalho fora da academia, que não consegue absorver tantos doutorados. Desta forma limitar-se-ia a fuga de cérebros e potenciava-se a inovação no sector empresarial, público e social. (p.9) Quando se aborda a formação de doutorandos, torna-se indissociável pensar no trabalho que tem sido desenvolvido nas universidades portuguesas e o constante contributo das mesmas para a formação de pessoas cada vez mais qualificadas. No que toca à formação de doutorandos em Ciências da Educação, alvo desta investigação, destaca-se a relevância de falar do contributo expressivo do Instituto de Educação da Universidade do Minho. Segundo dados recolhidos pela RENATESRegisto Nacional de Teses e Dissertações, entre 1970 e 2020, foram realizados no Instituto de Educação da Universidade do Minho 496 doutoramentos em Ciências da Educação, o que corresponde a 27.68% da percentagem nacional. Mediante estes dados, percebemos a importância do Instituto de Educação no panorama nacional e do próprio CIEd, como instituição de acolhimento destes estudantes de doutoramento. Deste modo, não é indiferente a preponderância da instituição para a formação de doutorandos, ou seja, sabendo que os doutorandos são uma mais-valia para a prosperidade do país, o CIEd e o Instituto de Educação são uma alavanca para o avanço científico de Portugal.
28 Tabela 1: Dados absolutos e relativos (%) de doutorados em Ciências da Educação/ Educação a nível nacional Instituições do ES com Doutoramento em CE / Educação Nº total Doutoramentos Nº total Doutoramentos em CE % de doutoramentos em CE no total de doutoramentos da instituição % de doutoramentos CE da instituição no total nacional ISPA-Instituto Universitário de Ciências Psicológicas, Sociais e da Vida 254 18 7,09% 1,00% Universidade Aberta 533 62 11,63% 3,46% Universidade Católica Portuguesa 1150 119 10,35% 6,64% Universidade de Aveiro 3591 97 2,70% 5,41% Universidade de Coimbra 5807 146 2,51% 8,15% Universidade de Évora 1549 155 10,01% 8,65% Universidade de Lisboa 10346 93 0,90% 5,19% Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro 1398 101 7,22% 5,64% Universidade do Algarve 915 11 1,20% 0,61% Universidade do Minho 5443 496 9,11% 27,68% Universidade do Porto 10816 296 2,74% 16,52% Universidade Nova de Lisboa 6208 160 2,58% 8,93% Universidade Técnica de Lisboa 3970 35 0,88% 1,95% TOTAL 51980 1792 ------- 100% Fonte: Silva PL, Sarrico CS (2023). Doutoramentos em Portugal . Centro de Investigação de Políticas do Ensino Superior: Matosinhos. Disponível em https://wwwcdn.dges.gov.pt/sites/default/files/doutoramentos_em_portugal_20230611.pdf Consultado a 25 de março de 2024 A tabela 1 é bem elucidativa da preponderância a nível nacional da Universidade do Minho, destacando-se com 27,68% dos doutoramentos em ciências da educação. Os dados são o reconhecimento da importância atribuída pela instituição ao doutoramento em estudo, sendo que se destaca das restantes universidades/institutos.
35 3.2. Técnicas de Recolha de Dados Posto isto, importa enumerar as principais técnicas, nomeadamente: a Entrevista, o Inquérito por Questionário, as Observações e a Análise Documental. Como referi anteriormente, proponho três das técnicas, sendo as mais pertinentes a usar na temática que quero desenvolver - Entrevista, o Inquérito por Questionário e a Análise Documental. 3.2.1. Entrevista A entrevista ganha bastante preponderância no Estudo de Caso, levando em consideração que o investigador consegue compreender a forma como os indivíduos interpretam as suas vivências já que “é utilizada para recolher dados descritivos na linguagem do próprio sujeito, permitindo ao investigador desenvolver intuitivamente uma ideia sobre a maneira como os sujeitos interpretam aspetos do mundo” (Bogdan & Biklen,1994, p.134). Relativamente à sua principal característica, a oralidade, a entrevista permite obter diversas informações que de outro modo seriam impossíveis, possibilita a compreensão e justificação dos depoimentos dos intervenientes acerca do real e interpretar as reações, atitudes e comportamentos face às perguntas colocadas. (Ana Lúcia, 2019, p.68) Neste caso em específico, é preponderante aplicar uma Entrevista Semiestruturada, que tem como objetivo uma flexibilidade do guião, o que permite a implementação de uma ou mais questões ao longo da mesma, obtendo assim uma perceção mais aprofundada e aprimorada das respostas dadas pelos atores da instituição. No presente projeto de investigação, as entrevistas foram realizadas aos doutorandos integrados no CIEd, com o objetivo de analisar o percurso de carreira e caracterizar o perfil dos mesmos.
36 3.2.2. Inquérito por Questionário O Inquérito por Questionário é uma técnica de investigação que, por meio de um conjunto de questões, pretende obter respostas individuais, interpretá-las e depois estender para uma visão mais ampla. Segundo Dias (1994), o Inquérito é constituído por uma série de perguntas, mas também podendo integrar outros instrumentos, como por exemplo, testes e escalas de atitudes e opiniões que visam aferir um certo tipo de comportamentos reações, e avaliar a intensidade com que se dá determinada opinião ou atitude, as respostas assim obtidas vão constituir o material, sobre o qual o investigador vai produzir interpretações e chegar a generalizações. (p5) Deste modo, através desta técnica é possível ter acesso à informação atualizada, pelo que permite estudar um fenómeno de forma mais concreta, colocando as questões que fazem parte do Inquérito por Questionário, conferindo informações verosímeis e precisas sobre os indivíduos. Posto isto, conclui-se que o Inquérito por Questionário se revela uma técnica útil no estudo de diversas problemáticas, sendo que uma das vantagens para a escolha do mesmo é o facto de permitir identificar um perfil completo e profundo dos doutorandos, perceber as suas motivações/pretensões com o ingresso no Doutoramento e analisar os seus percursos. O Inquérito por Questionário administrado carateriza-se maioritariamente pelo seu caráter fechado visto que é "constituído por perguntas nas quais o respondente tem que escolher entre um conjunto de opções de resposta alternativas fornecidas pelo autor do questionário" (Santos & Henriques,2021, p.14). Não obstante, ao facto do seu caráter fechado e de ser uma técnica tradicionalmente vista como quantitativa, esta não foi a razão principal da escolha pois o objetivo geral é o de obter dados que ajudem a caracterizar os doutorandos integrados no Centro de Investigação em Educação. No que concerne á estrutura do Inquérito Questionário, ele foi dividido em 7 pontos distintos: 1º Identificação; 2º Formação doutoral; 3. Como é que chegou a este doutoramento e porque que o escolheu; 4º Processo de integração e socialização no Instituto de Educação e no CIEd; 5º As linhas temáticas estratégicas do CIEd ; 6ºComo se relaciona com a atividade profissional que exerce; 7º Expectativas face ao futuro.
37 O Inquérito Questionário destinou-se a um universo de 93 doutorandos integrados no CIEd, sendo que o público tão heterogéneo viabiliza a obtenção de resultados ricos e diversificados. Relativamente às maiores dificuldades, pode-se enumerar entre as quais: a elaboração do Inquérito por Questionário, sendo o seu planeamento algo ponderado e demoroso; persistir para que os inquiridos respondam ao questionário enviado, incentivar a participação foi sem dúvida o maior desafio; analisar todos os dados obtidos sendo que exige uma atenção redobrada na análise dos mesmos, interpretar os dados corretamente é essencial para obter resultados concisos e valorosos para a pesquisa. 3.2.3. Análise Documental. No tocante à Análise Documental, carateriza-se como “uma operação ou um conjunto de operações visando representar o conteúdo de um documento sob uma forma diferente da original a fim de facilitar num estado ulterior, a sua consulta e referenciação.” (Bardin,1977, p.45). Nesta perspetiva, e enquanto meio de tratamento de informação, a análise documental tem por objetivo dar forma conveniente e representar de outro modo essa informação por intermédio de procedimento de transformação. O propósito a atingir é o armazenamento sob forma de uma variável e a facilitação do acesso ao observador [...], com o máximo de pertinência (aspeto qualitativo). (Bardin., 1977, p.45) Assim sendo, a Análise Documental possibilita a passagem de informação de um documento primário para um documento secundário. Isto é, permite a elaboração de um documento secundário com o maior número de informações pertinentes. Conclui-se que, com o uso desta técnica, serão analisados documentos internos do Centro, artigos e livros relativos à temática. A análise documental, conjuntamente com as outras técnicas, vai permitir obter uma triangulação dos dados obtidos, com o objetivo de obter resultados mais concretos relativamente ao percurso dos doutorandos. Revela-se manifestamente importante distinguir a Análise Documental da Análise de Conteúdo sendo a primeira uma técnica de recolha de informação baseada na análise de documentos, por outro lado, a segunda é uma técnica de tratamento de dados.
38 A Análise de Conteúdo tem como ponto de partida “a mensagem, seja ela verbal (oral ou escrita), gestual, silenciosa, figurativa, documental ou diretamente provocada.” (Franco,2021, p.7) Assim, denotase fundamental referir que se torna numa técnica fulcral na medida em que “enriquece a tentativa exploratória e aumenta a propensão à descoberta.” (Bardin, 1977 p.30)
39 Tabela 2: Corpus de análise e de referências no Relatório de Estágio Documentos Designação Localização Nº Páginas Página institucional da Universidade do Minho Website https://www.uminho.pt/PT/ensino/oferta-educativa 1 Página Institucional do CIEd Website https://cied.uminho.pt/sobre-nos/ 1 Regulamento do CIEd Website https://cied.uminho.pt/wpcontent/uploads/2024/06/Regulamento-CIEd.pdf 10 Pordata Website https://www.pordata.pt/Portugal/Alunos+matricul ados+no+ensino+superior+total+e+por+sexo-1048 1 DGEEC Website https://www.dgeec.medu.pt/api/ficheiros/657ae8 f2c02216ed489b9a6e 11 Pordata Website https://www.pordata.pt/Portugal/Publicacoes+cie ntificas+numero++publicacoes+citadas+e+citacoes -1996 1 Pordata Website https://www.pordata.pt/sites/default/files/202407/f_2023_07_25_pr_jovens_vf.pdf 20 Portal do INE Website https://www.ine.pt/xportal/xmain?xpid=INE&xpgid=ine _destaques&DESTAQUESdest_boui=593942664&DEST AQUESmodo=2&xlang=pt 1 Pordata Website https://www.pordata.pt/europa/populacao+dese mpregada+por+grupo+etario+(percentagem)-1884 1 Observatório da Emigração Website https://observatorioemigracao.pt/np4/9739.html 1 Pordata Website https://www.pordata.pt/europa/taxa+de+desemp rego++dos+15+aos+74+anos+total+e+por+nivel+d e+escolaridade-1633-1358 FCT Website https://www.fct.pt/impacto-do-financiamento-fctnas-carreiras-de-investigacao-em-portugal/ 1 Pordata Website https://www.pordata.pt/portugal/alunos+matricul ados+no+ensino+superior+total+e+por+nivel+de+ formacao-1023 1 DGES Website https://wwwcdn.dges.gov.pt/sites/default/files/doutora mentos_em_portugal_20230611.pdf 47 Pordata Website https://www.pordata.pt/pt/estatisticas/educacao/ ensino-superior/alunos-inscritos-no-ensinosuperior-por-nacionalidade 1 Fonte: Elaboração Própria. Elaborado a 23 de julho de 2024
40 4. Análise e Tratamento de Dados O plano de tratamento e análise de dados é um ponto bastante significativo para a implementação de qualquer atividade de investigação. Neste sentido, o ponto de partida passa por analisar os dados das entrevistas e dos documentos, utilizando a técnica análise documental, muito utilizada para análise de pesquisas qualitativas. A análise documental é uma técnica complementar às entrevistas e inquéritos por questionário. No que concerne aos Inquéritos por questionário, os dados serão tratados no IBM SPSS, utilizando estatísticas descritivas. O SPSS facilita bastante a compreensão da informação recolhida nos inquéritos. De seguida após analisado os documentos, as entrevistas e os dados dos inquéritos é elaborada uma análise de dados com vista a responder aos objetivos do estudo. 5. Questões Éticas Qualquer investigação científica que envolva seres humanos gera desassossegos e preocupações éticas. Neste sentido, torna-se importante adotar um conjunto de princípios tais como: honestidade, fiabilidade e rigor, objetividade, integridade e responsabilidade. De acordo com Nunes (2018, s/p): “A investigação, seja qual for o caminho epistemológico, está regida por regras internacionais e nacionais, relativas à proteção das pessoas, primando o ser humano sobre o interesse da sociedade e da ciência.” O objetivo primordial é o de promover padrões éticos na investigação que protejam os indivíduos. No presente Relatório de Estágio, houve, desde logo, uma preocupação com as questões éticas. As técnicas usadas, entrevista e inquérito por questionário, são exemplo do cumprimento do código ético. Em ambas as técnicas foram explicados os objetivos e os objetos em estudo para que houvesse clareza no propósito da aplicação das mesmas, foi explicado o consentimento e assegurado o anonimato de todos os participantes. Por último e mais concretamente nas entrevistas foram informados todos os intervenientes da gravação da mesma, sendo explicado que os fins seriam única e exclusivamente para fins académicos.
41 CAPÍTULO IV DA INFORMAÇÃO À COMPREENSÃO: A INTERPRETAÇÃO DOS DADOS
42 IV - Apresentação e Análise de Resultados No presente capítulo, serão apresentados os dados recolhidos relativos aos doutorandos integrados no CIEd numa primeira secção, e os doutorandos inquiridos e entrevistados. Ao longo do texto, analisar-se-á os resultados de diversas variáveis, proporcionando uma visão abrangente e aprofundada dos dados obtidos. Esta análise procura esclarecer as principais tendências e padrões identificados, contribuindo para uma melhor compreensão do tema em estudo. 1. Perfil dos Doutorandos Integrados no CIEd Os doutorandos integrados no CIEd constituem-se como um grupo diverso e representativo da internacionalização e interculturalidade que marca o cenário académico contemporâneo. No total são 93 doutorandos, 43 do género Masculino (46,24%) e 50 do género Feminino (53,76%), provenientes das mais diversas partes do mundo, incluindo Portugal (37 doutorandos), Brasil (23 doutorandos), Moçambique (1 doutorando), Angola (28 doutorandos), Guiné-Bissau (1 doutorando), Alemanha (1 doutorando), Equador (1 doutorando) e China (1 doutorando). Note-se a abundância cultural presente, considerando o facto de ser uma fonte importante de enriquecimento, pois através dela, não só se valoriza o ambiente académico, como também se verifica a promoção de troca de conhecimento e novas perspetivas entre os pares, que é fundamental para o avanço da investigação e da ciência. Conclui-se, por essa razão, que estes estudantes, com as suas diferentes formações e contextos, contribuem para um diálogo académico multifacetado e proativo. No entanto, visionam-se alguns desafios à integração na cultura académica e no CIEd, na medida em que, naturalmente, os alunos trazem métodos de aprendizagem distintas, o que, por esse motivo, esboça as dificuldades da entidade CIEd, pois há a necessidade de ser transigente, com a finalidade de as superar da melhor forma possível. Nesta senda, esta dinâmica exige um esforço adicional para que todos os doutorandos se consigam adaptar e aproveitar ao máximo as oportunidades oferecidas, promovendo um ambiente mais inclusivo e colaborativo.
43 Em relação ao tipo de doutoramento, há também uma diversidade significativa sendo que 38 doutorandos (40,86%) estão na modalidade "com curso" e 55 doutorandos (59,14%) estão na modalidade "tutorial". 2. Perfil dos Doutorandos Inquiridos Na presente secção, serão apresentados os dados obtidos através dos inquéritos por questionário e das 4 entrevistas realizadas aos doutorandos do CIEd. Ora, dos 93 doutorandos convidados a preencher o inquérito por questionário, apenas 56 (60%) responderam, tendo sido consideradas 55 respostas válidas. Neste sentido, foi possível conferir que, desses 55 participantes, 96,4% estão inscritos no doutoramento em Ciências da Educação e apenas 3,6% no doutoramento em Estudos da Criança, o que conduz a uma multiplicidade de dados, pelo abrangimento de doutorandos inquiridos. (Cf. apêndice 7) Assim, mediante a análise do gráfico 1, reitera-se a informação presente na secção “Perfil dos Doutorandos Integrados no CIEd”, no qual se constata a predominância do sexo feminino, sendo representativo de 60% dos inquiridos e o sexo masculino de 40%. Gráfico 1: Género dos Inquiridos Fonte: Resultados do Inquérito por questionário administrado aos doutorandos do CIED (Junho, Julho de 2024) 40% 60% Género Masculino Feminino
44 Os inquiridos rondam a faixa etária entre 24 e 59 anos, o que perfaz uma média de 42 anos. (Cf. apêndice 8) Ora, estes dados sugerem que uma grande parte das pessoas optam por iniciar o doutoramento mais tardiamente, normalmente, após terem consolidado as suas carreiras profissionais ou adquirido experiências significativas nas suas áreas de atuação. Relativamente à modalidade de doutoramento, foi possível constatar que 50,9% dos participantes estão em regime tutorial, enquanto 49,1% estão matriculados em doutoramento com curso. (Cf. apêndice 9) Quanto à nacionalidade, 41,9% dos doutorandos são cidadãos portugueses seguidos dos angolanos, que representam 32,7%, os brasileiros com 23,6%, e, por fim, os guineenses que constituem uma pequena percentagem, com 1,8%. O papel do CIEd é crucial na projeção do doutoramento além-fronteiras, pois, tratando-se de uma entidade acolhedora, acaba por fortalecer os laços internacionais culturais, através da promoção do intercâmbio de ideias e experiências. Por tudo o exposto, tem efeito destacar o trabalho desempenhado pela Universidade do Minho em parceria com outras instituições de ensino superior, pelo que a colaboração académica é de excelência, propondo-se a abrir oportunidades para o avanço do conhecimento em diversas áreas, tal como, também permite a presença de doutorandos de diferentes nacionalidades, o que contribui para a criação de um ambiente académico plural e inclusivo, essencial para o crescimento intelectual e o progresso científico global. Gráfico 2: Nacionalidade dos Inquiridos Fonte: Resultados do Inquérito por questionário administrado aos doutorandos do CIED (Junho, Julho de 2024) 41,9% 23,6% 1,8% 32,7% 0 5 10 15 20 25 30 35 40 45 Portuguesa Brasileira Guineense Angolana Percentagem Nacionalidade Nacionalidade
51 4. Percurso dos doutorandos em Ciências da Educação Esta secção incide nos objetivos deste estudo, que se consubstanciam na caracterização do percurso dos doutorandos em Ciências da Educação. Por esta razão, opta-se por omitir os 2 casos /doutorandos em Estudos da Criança. Posto isto, os dados apresentados ao longo dos restantes pontos cingem-se única e exclusivamente aos alunos em Ciências da Educação integrados no CIEd. 4.1. Construindo Saberes: A Trajetória dos Doutorandos em Ciências da Educação O gráfico 8 explana que 94,3% do público-alvo, doutorandos em Ciências da Educação, concluiu o mestrado antes de ingressar no doutoramento. Em oposição, uma diminuta parcela, 5,7%, realizou a transição diretamente da licenciatura para o doutoramento. Os dados coletados encontram-se alinhados com os relatos dos doutorandos entrevistados, que afirmaram que o mestrado foi o último grau académico obtido. Como destacou o Entrevistado 1: "O doutoramento é algo que surge depois, portanto, nunca na minha vida imaginei que, ao fazer o mestrado, seguiria para o doutoramento". Gráfico 8: Último grau Académico Fonte: Resultados dos Inquéritos por questionário administrados aos doutorandos do CIED (Junho, Julho de 2024) O gráfico 9 contempla a variável especialidade de doutoramento, observando-se a predominância da especialidade Literacias e Ensino do Português, com 24,5% dos doutorandos. Em seguida, com uma significativa percentagem de escolha, encontra-se o Desenvolvimento Curricular, com 20,8%, e as especialidades de Supervisão Pedagógica e Tecnologia Educativa, ambas com 13,2% dos doutorandos. 5,7% 94,3% Último grau académico concluído antes do Doutoramento? Licenciatura Mestrado
52 Gráfico 9: Especialidade de Doutoramento Fonte: Resultados dos Inquéritos por questionário administrados aos doutorandos do CIED (Junho, Julho de 2024) No que toca ao início dos estudos doutorais, 32,1% dos alunos iniciaram o doutoramento em 2023, correspondendo à maior percentagem entre os inquiridos. Este resultado está em consonância com os dados explanados no website da Pordata, no qual se observa que há 25.202 mil alunos a frequentar o doutoramento em 2023, sendo um dos valores mais altos de sempre em Portugal. 20 20 Informação retirada do Website da Pordata (2023): https://www.pordata.pt/pt/estatisticas/educacao/ensino-superior/alunos-inscritos-no-ensinosuperior-por-nacionalidade 20,8% 5,7% 3,8% 24,5% 5,7% 1,8% 11,3% 13,2% 13,2% 0 5 10 15 20 25 30 PERCENTAGEM Qual a especialidade de doutoramento?
53 Gráfico 10 : Ano que iniciou o Doutoramento Fonte: Resultados dos Inquéritos por questionário administrados aos doutorandos do CIED (Junho, Julho de 2024) O crescimento significativo é resultado de uma tendência clara de valorização dos estudos doutorais, sendo a oportunidade de progressão na carreira a principal motivação (52,9%), seguida pelo interesse em avançar na vida académica (24,5%). Os dados indicam que o doutoramento é visto como fulcral na progressão de carreira. Esta visão também é amplamente defendida pelos entrevistados: “diria que um outro fator que influenciou a minha escolha foi a progressão na carreira, porque exerço a profissão de docente já desde a Licenciatura, e como bem se sabe, o Doutoramento é importante para atingir outros patamares.” (Entrevistado 3) Portanto, a progressão na carreira emerge como uma motivação central para a escolha de muitos doutorandos, refletindo a crescente importância da qualificação doutoral no cenário académico e profissional. 1,9% 7,5% 15,1% 3,8% 18,9% 15,1% 32,1% 3,8% 1,9% 0 5 10 15 20 25 30 35 2017 2018 2019 2020 2021 2022 2023 2024 2013 Porcentagem Ano que iniciou o Doutoramento Ano que iniciou o Doutoramento
54 Gráfico 11: Escolha do Doutoramento Fonte: Resultados dos Inquéritos por questionário administrados aos doutorandos do CIED (Junho, Julho de 2024) Pelo exposto, reitera-se a ideia de que o doutoramento é cada vez mais importante, tanto para o indivíduo, quanto para a sociedade, na medida em que é o mais alto nível de formação académica e um marco na carreira de qualquer profissional que deseja especializar-se numa área de conhecimento. Complementa-se o referido com as entrevistas, pois, ao longo das mesmas ficou bem claro que o doutoramento “do ponto de vista do conhecimento, coloca-nos na posição de autoridade científica de um determinado assunto. Esta, sem dúvida, é uma das maiores vantagens que advém da realização do Doutoramento.” (Entrevistado 3) Quando questionados sobre a forma como tiveram conhecimento sobre o doutoramento, 52,8% dos doutorandos refere que foi através do Site do IE ou Uminho, 20,8% respondeu que foi na Universidade que frequentavam e 9,4% no Local de Trabalho, sendo estas as respostas mais frequentes. A resposta “Outro” teve uma percentagem de 7,5%. Por sua vez, a parceria entre Universidades e o Interesse Pessoal tiveram ambas 3,8%. Curiosamente, a página eletrónica do CIEd teve uma percentagem diminuta de 1,9%. 52,9% 7,5% 24,5% 3,8% 3,8% 7,5% 0 10 20 30 40 50 60 Oportunidade de Progressão na Carreira Mudança de carreira Progressão na vida académica Mais possibilidades de Emprego Desenvolvimento e Realização Pessoal Outra Percentagem Assinale o(s) motivo(s) que o levaram a escolher o doutoramento
55 Gráfico 12: Conhecimento sobre o Doutoramento Fonte: Resultados dos Inquéritos por questionário administrados aos doutorandos do CIED (Junho, Julho de 2024) 4.2. Desenvolvimento de Competências e Superação de Desafios: A Jornada dos Doutorandos em Ciências da Educação Neste seguimento surge a variável competências que o doutoramento ajudou a desenvolver , a qual foi avaliada de 1 a 8. O 1 correspondia a “o doutoramento não está a contribuir em nada para o desenvolvimento desta competência” e o 8 “com o doutoramento estou a desenvolver bastante esta competência”. 1,9% 9,4% 20,8% 52,8% 3,8% 3,8% 7,5% 0 10 20 30 40 50 60 Site do CIEd Local de Trabalho Universidade Site do IE ou UMinho Parceria entre Universidades Interesse Pessoal Outro Porcentagem Assinale como teve conhecimento sobre o doutoramento
56 Gráfico 13: Competências que o Doutoramento ajudou a Desenvolver Fonte: Resultados dos Inquéritos por questionário administrados aos doutorandos do CIED (Junho, Julho de 2024) Assim sendo, o gráfico 13 revela que os doutorandos consideram que o doutoramento contribuiu significativamente para o desenvolvimento de competências como o acesso ao conhecimento, com uma média de 6,8, o uso de ferramentas e linguagem académica, com 6, e a revisão de leitura, com 6,2. A gestão do tempo também é percebida como uma competência aprimorada, embora com uma média mais modesta de 4,9. Em contraste, a conciliação entre família e doutoramento é a competência com a menor média, apenas 3 . O que significa que pese embora o doutoramento favoreça o desenvolvimento de habilidades académicas, a gestão do equilíbrio entre vida pessoal e estudos permanece um desafio significativo. Quando questionados sobre a Dificuldade a ultrapassar algum constrangimento ao longo Doutoramento , os doutorandos inquiridos tiveram de assinalar de 1 a 8 o grau de dificuldade, sendo que o 1 corresponde a “não sinto dificuldade nenhuma” e o 8 a “sinto extrema dificuldade”. 33,7 4,9 6,2 3,8 4 66,8 0 1 2 3 4 5 6 7 8 Média Competências que o Doutoramento ajudou a desenvolver
57 Gráfico 14: Dificuldade a ultrapassar constrangimentos Fonte: Resultados dos Inquéritos por questionário administrados aos doutorandos do CIED (Junho, Julho de 2024) O gráfico 14 demonstra uma incidência negativa do variável tempo entre família e doutoramento , que apresenta uma média de 5,2. O que indica que os doutorandos enfrentam uma dificuldade moderada para superar esse constrangimento. Este resultado está alinhado com os dados do gráfico 13, onde que se observa que esta problemática ainda é uma das questões que precisa de ser melhorada. Por sua vez, a gestão do tempo, apesar de ser uma competência reconhecida pelos doutorandos como desenvolvida ao longo do doutoramento (gráfico13), continua a ser uma das mais difíceis de superar. A par disso, os doutorandos apontam também a “deslocação” e a “gestão de stresse” como obstáculos significativos a serem enfrentados. A combinação destes fatores destaca a necessidade de intervenções que melhorem o equilíbrio entre vida pessoal e acadêmica, além de ser preciso um suporte adicional para ajudar os doutorandos a lidar com as dificuldades identificadas. Por outro lado, as competências que apresentam o menor grau de dificuldade a serem ultrapassadas (gráfico14) são aquelas em que, coincidentemente, o doutoramento mais contribuiu para o desenvolvimento: o acesso ao conhecimento e a utilização de ferramentas e linguagem académica, ambas classificadas como “sinto pouca dificuldade”. Os gráficos indicam que, embora existam obstáculos a serem superados, o doutoramento também proporciona um ambiente estável para o desenvolvimento de habilidades valiosas. 5,2 4,6 54,4 4,8 4,1 3,7 3,4 0 1 2 3 4 5 6 Valores Variáveis Grau de dificuldade a ultrapassar os seguintes constrangimentos ao longo do Doutoramento
58 5. Habilidades do Doutoramento: As Mais Relevantes para o Sucesso Profissional e Aumento da Empregabilidade Na presente secção, serão abordadas as competências e os recursos que mais contribuem para a empregabilidade, assim como as habilidades que os doutorandos consideram essenciais para a sua atividade laboral. 5.1. Competências-Chave: Preparação para o Mercado de Trabalho e Maximização da Empregabilidade Os dados obtidos à pergunta, considera que o doutoramento pode oferecer alguma vantagem no mercado de trabalho, tornando-o uma pessoa com um alto nível de empregabilidade? são elucidativos do grau de importância que os doutorandos conferem ao doutoramento e às competências adquiridas durante todo este processo. De todos os inquiridos, 84,9% responderam afirmativamente, contrariamente aos 15,1% que referiram que o doutoramento não oferece vantagem no mercado de trabalho. (Cf. apêndice 14) Os resultados explanados demonstram que grande parte dos doutorandos entende o doutoramento como uma oportunidade que oferece vantagens significativas no mundo laboral, ajudandoos a se destacar e a aumentar sua empregabilidade. Os doutorandos percecionam o doutoramento como elemento-chave no mercado de trabalho, identificando o impacto positivo que este acarreta sobre a empregabilidade e o desenvolvimento de competências relevantes para as suas carreiras. De destacar que a amostra seguinte exposta no gráfico 15 apenas diz respeito aos doutorandos em Ciências da Educação que estão empregados, ou seja, os que estudam ou que estudam e procuram emprego não entram nos resultados expostos. Neste sentido, torna-se fulcral perceber quais são para os doutorandos as capacidades que consideram mais úteis na sua atividade laboral. Nesta perspetiva, foram apresentadas 15 capacidades aos 46 doutorandos: autonomia, agilidade, adaptabilidade, flexibilidade, contacto com diferentes instituições, resiliência, competências cívicas e sociais, comunicação na língua materna, comunicação em línguas estrangeiras, competência matemática, competências básicas em ciências e tecnologia, competência digital, aprender a aprender,
59 espírito de iniciativa e de empreendedorismo, sensibilidade e expressão cultural. Cada doutorando podia escolher até 3 capacidades. Gráfico 15: Capacidades úteis na sua Atividade Laboral Fonte: Resultados dos Inquéritos por questionário administrados aos doutorandos do CIED (Junho, Julho de 2024) A análise do gráfico 15 evidencia a Autonomia (23 escolhas), Aprender a Aprender (16) e Flexibilidade (16) como as capacidades mais relevantes para os doutorandos. Em contraste, a Agilidade e a Competência Matemática foram as menos escolhidas, com apenas 3 escolhas cada. A interpretação dos dados obtidos através das escolhas dos doutorandos revela que a Autonomia, o Aprender a Aprender e a Flexibilidade são consideradas capacidades altamente relevantes para o desenvolvimento profissional, refletindo a importância da autogestão em ambientes de trabalho dinâmicos. Estes dados corroboram os resultados das entrevistas, sendo a Autonomia a capacidade mais referida pelos 4 entrevistados. Por exemplo, a entrevistada 4 refere que uma capacidade bastante importante é a “… autonomia. O doutorando está munido de um conjunto de capacidades que o fazem ser completamente autónomo na procura pelo saber, e, se o progresso é visto como algo essencial para o mercado de trabalho, o doutorando certamente é aquela pessoa que está disposta a alcançar grandes feitos.” Em contraste, encontram-se a Agilidade e a Competência Matemática, o que sugere que podem ser capacidades observadas pelos doutorandos como não prioritárias, o que indica uma possível necessidade de reavaliação da importância das mesmas no contexto académico e profissional. Esta perceção oferece insights valiosos sobre as prioridades dos doutorandos e as competências que eles valorizam para o sucesso no mercado de trabalho. 23 3 10 7 14 59 34 14 16 5 16 45 0 5 10 15 20 25 Valores Capacidades úteis na sua Atividade Laboral
60 Gráfico 16: Competências que facilitam a Empregabilidade Fonte: Resultados dos Inquéritos por questionário administrados aos doutorandos do CIED (Junho, Julho de 2024) No que concerne à variável competências/recursos que mais facilitam a empregabilidade , foram apresentados novamente 15 competências, iguais às da variável referida anteriormente, às quais responderam todos os doutorandos em Ciências da Educação (53). A análise do gráfico 16 revela que as competências mencionadas pelos doutorandos em Ciências da Educação como facilitadoras da empregabilidade são: Adaptabilidade (30 escolhas), Autonomia (18) e Competência Digital (16). Em contraste, as competências de Sensibilidade e Expressão Cultural não foram escolhidas (0) e a Competência Matemática recebeu apenas 1 escolha. Os valores indicados refletem a valorização por parte dos doutorandos de competências como a Adaptabilidade, a Autonomia e a Competência Digital, sendo estas habilidades vistas como essenciais para a sua empregabilidade. Por outro lado, a baixa valorização da Sensibilidade e Expressão Cultural, bem como da Competência Matemática, sugere que essas áreas podem ser vistas como menos relevantes no contexto atual do mercado de trabalho. A forma como se percecionam estes valores podem orientar futuras intervenções educativas, destacando a necessidade de promover um maior reconhecimento da importância destas competências em formações académicas e profissionais. 18 5 30 13 4 12 72 15 17 16 6 15 0 0 5 10 15 20 25 30 35 Valores Competências que facilitam a Empregabilidade
67 As respostas dos inquiridos estão em consonância com as entrevistas. Por exemplo, segundo a entrevistada 4 “… considero a implementação contínua de atividades uma excelente ideia. Como referi, eu fui convidada para apresentar o meu trabalho nas jornadas doutorais, e considero que esse momento me enriqueceu imenso.” Em síntese, a constante organização das iniciativas enunciadas permite obter um crescimento académico e profissional dos doutorandos. 7. As Linhas Temáticas do Centro de Investigação em Educação As linhas temáticas “são dispositivos de mobilização científica que potenciam a transversalidade, a proximidade dos investigadores e o cruzamento de saberes.” 22 O CIEd contempla 3 linhas temáticas - Linha temática 1 - Diversidade, democratização e inclusão social; Linha temática 2 - Aprendizagem, inovação e desenvolvimento educacional sustentável; Linha temática 3 - Cidadania global, educação e formação ao longo da vida. Os doutorandos foram questionados sobre o seu conhecimento em relação às 3 linhas temáticas, no qual, 64,2% diz ter conhecimento e 35,8% diz não conhecer. Os dados são elucidativos do trabalho que ainda é necessário fazer por parte do centro, havendo necessidade de melhorar a comunicação e divulgação das suas linhas temáticas. Neste sentido, é fulcral envolver os doutorandos, promovendo a sua participação. Gráfico 21 : Conhecimento das linhas temáticas estratégicas 22 Informação retirada do Website do CIEd: https://cied.uminho.pt/linhas-de-investigacao/ 64,2% 35,8% Tem conhecimento das linhas temáticas estratégicas do centro de investigação em educação? Sim Não
68 Fonte: Resultados dos Inquéritos por questionário administrados aos doutorandos do CIED (Junho, Julho de 2024) Numa última questão, os doutorandos foram questionados sobre qual é a linha temática com a qual mais se identificam. Neste sentido, foi apresentado aos inquiridos a explicação de cada linha temática, com o intuito de informar aqueles que não têm conhecimento. Ao analisar o gráfico seguinte entende-se a predominância da linha temática 2 (54,7%), seguida da linha temática 3 (30,2%) e da linha temática 1 (15,1%). A linha temática 2 demonstra ser a mais representativa dos interesses investigativos, o que sugere que os doutorandos estão mais focados nas questões contemporâneas de inovação e sustentabilidade educativa. As novas abordagens educacionais e metodologias diferenciadas são as que incentivam mais os doutorandos em Ciências da Educação. Gráfico 22: Com qual das linhas temáticas se identifica mais? Fonte: Resultados dos Inquéritos por questionário administrados aos doutorandos do CIED (Junho, Julho de 2024) 15,1% 54,7% 30,2% 0 10 20 30 40 50 60 Linha temática 1: Diversidade, Democratização e Inclusão Social Linha temática 2 : Aprendizagem, Inovação e Desenvolvimento. Educacional Sustentável Linha temática 3 : Cidadania Global, Educação e Formação ao Longo da Vida Valores Com qual das Linhas temáticas se identifica mais?
69 8. Análise geral dos dados A presente secção tem como função retratar o perfil dos doutorandos em Ciências da Educação, relevando, por essa circunstância, os dados e informações recolhidos nos inquéritos por questionário e nas entrevistas. Neste sentido, importa relembrar os objetivos do presente estudo, que se consubstanciam na identificação e análise das características dos doutorandos em ciências da educação, sob o ponto de vista social, geográfico e académico; na análise das trajetórias educativas, das opções e das estratégias de carreira dos estudantes de doutoramento e na identificação das motivações que levaram os estudantes a prosseguir estudos até ao doutoramento. 8.1. Os Doutorandos em Ciências da Educação - ponto de vista social, geográfico e académico Nesta senda, urge materializar os perfis dos doutorandos em Ciências da Educação, pois, partindo da recolha de informações prestadas pelos mesmos, em sede de inquéritos e entrevistas: doutorandos maioritariamente do género feminino, dentro da faixa etária dos 42 anos, de cidadania portuguesa, residentes em território português e com família constituída, a seu cargo. (Cf. apêndices 16;17;18;19; 20) Em 2023, grande parte dos doutorandos em Ciências da Educação ingressaram nos estudos doutorais, o que corrobora os dados apresentados no website da PorData, tendo em conta que ficou plasmado o facto de, nesse ano, se ter verificado um índice altíssimo de ingressos em Portugal, ascendendo, porquanto, 25.202 mil alunos 23 , o que demonstra o enorme crescimento e a crescente valorização pelos estudos doutorais. No que respeita à modalidade de doutoramento, verifica-se que os resultados foram muito equiparados, uma vez que, 26 doutorandos optaram pelo doutoramento tutorial e 27 pelo doutoramento com curso, que, por sua vez, são as duas modalidades mais representativas entre os doutorandos. (Cf. apêndice 21) Por outro lado, as Literacias e Ensino do Português (24,5%) e o Desenvolvimento Curricular 23 Informação retirada do Website da Pordata (2023) https://www.pordata.pt/pt/estatisticas/educacao/ensino-superior/alunos-inscritos-no-ensino-superiorpor-nacionalidade
70 (20,8%) traduzem-se em duas especialidades de doutoramento em Ciências da Educação com mais expressão. Por outro lado, o financiamento do doutoramento, é, indubitavelmente, uma das varáveis mais importantes a analisar, dado que, pode influenciar o ingresso de muitos interessados no doutoramento. A análise da variável enfatiza a predominância de dois meios de financiamento, sendo, mormente, aquele a que os doutorandos recorrem as poupanças pessoais, contando este com 47,2%, o que pressupõe a existência de um equilíbrio financeiro. Ou seja, existe uma possível correlação entre este dado e o da faixa etária, de tal modo que justifica a média de idades estar delineada na faixa dos 42 anos. Isto porque, os doutorandos procuram ingressar no mercado de trabalho, socorrendo-se dele, como fonte de maneio económico, tendo em conta as responsabilidades financeiras que o doutoramento acarreta, facto imprescindível para a consolidação da carreira profissional. Em seguida, destaca-se a bolsa de doutoramento, sendo a segunda tipologia mais presente, que conta com 41,5% de bolsas aprovadas, atendendo ao facto de que esta forma de financiamento é exequível através de duas entidades, a Fundação para a Ciência e Tecnologia e o Instituto Nacional de Gestão de Bolsas de Estudo. (Cf. apêndice 22) Por seu turno, o financiamento através das entidades anteriormente referidas são uma mais-valia para muitos doutorandos, de tal modo que reuniu unanimidade nas entrevistas realizadas. E, neste sentido, a título ilustrativo, o entrevistado três refere que: “a bolsa foi, e está a ser, sem dúvida, uma alavanca fulcral para a minha progressão até ao Doutoramento. Neste momento, vive-se em Angola um problema com a inflação, ou seja, não me via com capacidade financeira suficiente para fazer face às despesas.” 8.2. Percursos dos Doutorandos em Ciências da Educação Grande parte dos Doutorandos têm um percurso bastante similar, na medida em que, a sua trajetória académica se carateriza pela transição do mestrado para o doutoramento (94,3%), sendo que apenas 5,7% dos doutorandos prosseguiram para doutoramento apenas com a licenciatura. Aliás, confirmação deste facto, é a intervenção de um dos doutorandos entrevistados, que revelou que quando terminou o Mestrado, voltou para a Universidade do Minho e, aí sim, integrou o doutoramento. Ou seja, este é um dos testemunhos que, de facto, comprova que este é o trajeto adotado, em maior número, pelos estudantes inquiridos e entrevistados.
71 Os doutorandos encontram-se, na sua generalidade, a exercer funções profissionais a tempo completo, no âmbito das Atividades Intelectuais e Científicas (87%), o que, por sua vez, vem reafirmar que, o grosso dos doutorandos cumprem funções de docência, nomeadamente, do ensino primário e secundário. (Cf. apêndice 23) Ora, procedendo ao cruzamento das variáveis profissão e nível de satisfação em relação ao emprego , fica evidenciado o contentamento por parte dos doutorandos, quanto à atividade que exercem. Isto porque, ao analisar, cruzadamente, as atividades intelectuais e científicas percebe-se que, além de ser o enfoque da atividade laboral dos doutorandos, estes sentem-se satisfeitos. Ou seja, esta premissa conduz à conclusão de que, 52,9% dos doutorandos encontram motivação no doutoramento concretizada pela ambição de ascensão na carreira, em confronto, com a realidade de 24,5% de doutorandos que pretendem progressão na vida académica. Gráfico 23: Nível de satisfação em relação ao emprego Fonte: Resultados dos Inquéritos por questionário administrados aos doutorandos do CIED (Junho, Julho de 2024) Estes dados sugerem uma certa consciencialização por parte dos doutorandos em relação ao doutoramento e a sua ligação com o mercado de trabalho, por isso, o público-alvo visiona o doutoramento como sendo uma mais-valia para progredir na área de docente, pois é aquela em se observa uma maior absorção de doutorandos. Por outras palavras, os doutorandos não procuram o doutoramento como forma de mudar de carreira, pois o nível de absorção por parte das entidades empresariais é diminuto. 1 1 9 16 13 40 0 0 132 6 0 5 10 15 20 25 30 35 40 45 Muito Baixo Baixo Médio Elevado Muito Elevado Total Valores Indique numa escala de 1 a 5, o seu nível de satisfação em relação ao emprego Profissão Profissão Atividades Intlectuais e Científicas Profissão Técnico e P. Nível Intermédio
72 O referencial teórico, a par das entrevistas, assenta na ideia de que os doutorandos são na sua maioria absorvidos pela academia, na medida em que trabalham “13% na administração pública, 8% trabalham no sector privado empresarial e apenas 2% no sector privado sem fins lucrativos” (Silva & Sarrico, 2023,p. 8). Estes dados encontram-se de acordo com o referido ao longo deste estudo, pois os doutorandos estão, maioritariamente, inclinados a desenvolver-se profissionalmente no âmbito do ensino. E, neste seguimento, observa-se a entrevista número dois, em que o doutorando articulou o seguinte raciocínio: “Sinto que as empresas não estão preparadas para receber esses doutorandos. A meu ver, grande parte dos doutorandos acabam por ser absorvidos pela academia”. Outra razão plausível para este desinteresse das empresas foi apresentada no enquadramento teórico pelas palavras de Carmo (2022), que afirma considerar que o nível baixo de qualificações por parte dos empresários pode ser uma variável justificativa da não contratação de pessoas, altamente, qualificadas. Por tudo o exposto, importa referir que “o doutorado é uma mais-valia, desde que a empresa esteja preparada e disponibilize recursos para que este seja, de facto, uma mais-valia” (Entrevistado 3). Nas palavras do entrevistado 1 “aquilo que diferencia um doutorado de outro quadro da empresa é mesmo a competência que este acarreta para conceber, de forma autónoma, algum tipo de trabalho” Os doutorandos podem ajudar as organizações na otimização, melhoria, gestão e desenvolvimento de novos processos, tecnologias e produto. Importa, por isso, fazer alusão ao projeto Norte2020 que pode fazer face a esta falta de doutorandos/doutorados nas organizações, sendo que o principal foco destes se centra no de incentivar as pequenas e médias empresas a recrutar recursos humanos, inteiramente, instruídos e competentes. 8.3. O Doutoramento em Ciências da Educação como uma mais-valia A autonomia é vista, pelos doutorandos, como uma competência bastante importante. Neste sentido, nas variáveis das capacidades referidas assinale aquelas que considera que são mais úteis na sua atividade laboral e quais são as competências/recursos que mais facilitam a empregabilidade, os doutorandos escolheram a autonomia, visto ser uma das capacidades/recursos mais úteis no mercado de trabalho.
73 O doutoramento tem preponderância no que toca à empregabilidade, já que 84,9% dos doutorandos refere que os estudos doutorais a aumentam, o que se vem a comprovar pelo nível de desemprego a nível de doutorados, que é quase nulo; segundo a FCT é de apenas 2%. 24 Na verdade, entende-se o doutoramento como uma vantagem propícia, tanto para a empregabilidade, quanto para o aprimoramento de competências. E, neste sentido, questionados os doutorandos sobre as competências que o doutoramento ajudou a desenvolver, estes responderam que o acesso ao conhecimento reúne uma média de 6,8% e a revisão de literatura uma média de 6,2%. Ora, isto significa que o doutoramento contribui, significativamente, para o desenvolvimento desta competência. Assim sendo, perceciona-se o conhecimento como um recurso, de valor transacionável, na medida em que coadjuva nas valências dos indivíduos globais e informados, sendo que o desempenho e avanço de um país pressupõe o conhecimento da sua população, e, é, precisamente, nesse sentido que “A educação é uma “arma”, e uma pessoa com conhecimento consegue fazer face a qualquer adversidade” (entrevistada 4) Pese embora, os benefícios intrínsecos ao doutoramento, que ao longo deste estudo foram explanados, importa também referir algumas dificuldades a ele inerente. Porquanto que, na variável grau de dificuldade a ultrapassar os constrangimentos que pode encontrar ao longo do doutoramento, a escolha dos doutorandos recaiu sobre a variável tempo entre família e doutoramento , que apresenta uma média de 5,2%, o que significa que os doutorandos enfrentam uma dificuldade moderada para superar esse constrangimento. Apesar de ser uma dificuldade moderada, importa perceber que é um constrangimento e como tal necessita de atenção, na medida em que pode ser melhorado. Os doutorandos na sua maioria, como já referido, trabalham em tempo completo, o que por vezes dificulta a conciliação entre a vida familiar, o doutoramento e o trabalho. Traduzindo-se num exemplo da dificuldade, a entrevistada quatro, aponta que: “para alguém que trabalha, não é nada fácil. O trabalho é muito, e o tempo é reduzido.” O percurso doutoral é muito solitário, segundo os doutorandos entrevistados, pois, é, por eles apontada a falta de uma efetiva comunidade científica, o que indica uma falha do doutoramento em Ciências da Educação. Segundo o entrevistado 2 “o doutoramento é algo muito individual e, a certa altura, começa a ser um trabalho muito solitário. A oportunidade de discutir sobre o projeto, sobre a metodologia, torna-se fulcral para o melhoramento da tese”. 24 Informação retirada do website da Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT) - https://www.fct.pt/impacto-do-financiamento-fct-nas-carreiras-deinvestigacao-em-portugal/
74 Assim, o CIEd pode ser uma entidade preponderante para corrigir as lacunas que o doutoramento possui. Ao oferecer um ambiente colaborativo, o Centro de Investigação em Educação pode facilitar a interação entre doutorandos, promovendo redes de apoio e troca de ideias. Segundo os dados obtidos, as atividades organizadas pelo Centro têm um papel significativo e 52 doutorandos referem ser importante as iniciativas proporcionadas, interessando haver uma contínua disseminação e produção das mesmas. (Cf. Apêndice 24) Sendo o individuo um ser em constante mutação, importa proporcionar-lhe atividades que sejam uma mais-valia e que lhe acrescentem conhecimento efetivo. Com isto, percebe-se a importância da instituição CIEd para os doutorandos em Ciências da Educação. O doutoramento em Ciências da Educação é visto pelos doutorandos como sendo uma “área em crescimento e que, cada vez mais, vai tendo a sua importância na sociedade.” (entrevistado 2). A presente análise geral de dados procurou responder aos objetivos gerais e específicos deste estudo.
75 CONSIDERAÇÕES FINAIS BALANÇO FINAL SOBRE O RELATÓRIO E A CONTRIBUIÇÃO DO ESTÁGIO PARA O ENRIQUECIMENTO DO CONHECIMENTO PESSOAL
76 Considerações Finais A educação é compreendida como caminho para a evolução do sujeito, devido ao desenvolvimento da sua autonomia, da resiliência e do conhecimento. Os estudos doutorais refletem a ideia de procura incessante de conhecimento e de qualificação académica e profissional. Nesta senda, perspetiva-se os doutorandos como parte fundamental para o futuro de qualquer país, dependendo o seu progresso da produção de conhecimento científico e da constante criação de valor. Vivemos num mercado global onde o conhecimento é entendido como um valor inegável para atingir altos níveis de competitividade. O presente Relatório de estágio versa sobre os Percursos e Transições dos Doutorandos em Ciências da Educação. A investigação contemplou como objetivos de estudo a interpretação das motivações e expetativas dos doutorandos, assim como o seu perfil e trajetória. O aumento exponencial de estudantes de doutoramento em Portugal, aliado à necessidade de interpretar os seus percursos, elevam a importância deste estudo. Neste seguimento, após a definição dos objetivos e do público-alvo, importava definir o referencial teórico, o paradigma e o método a ser utilizados. As opções metodológicas tiveram como base de fundamento, não só os objetivos da investigação, mas também a leitura e interpretação das bases de dados fornecidas pelo CIEd, associado à constante troca ideias e informações com a orientadora e acompanhante de estágio. Posto isto, definiu-se utilizar o paradigma qualitativo/interpretativo e o método estudo de caso, com recurso ao inquérito por questionário, à entrevista semiestruturada e à análise documental. O inquérito por questionário, foi administrado aos doutorandos integrados no CIEd, sendo que importa referir que o centro contém estudantes de Ciências da Educação e de Estudos da Criança, pois o que define a integração dos mesmos no centro não é o doutoramento que frequenta, mas sim a filiação institucional do orientador. Assim sendo, obtiveram-se respostas dos dois doutoramentos, o que foi fundamental para traçar uma análise mais geral numa primeira fase. Posteriormente, como foi explanado, apenas se interpretaram os dados relativos aos doutorandos em Ciências da Educação. O inquérito passou por várias fases, dado que a adesão ao mesmo não correspondia ao inicialmente esperado. Dessa forma, estabeleceu-se como prioridade a sua divulgação, tanto pelo CIEd, quanto pelo mestrando, que aproveitou as Jornadas Doutorais em Ciências da Educação realizadas nos dias 11 e 12 de junho, para tornar essa divulgação efetiva e mais ampla. Ao longo deste esforço conjunto, foram obtidas 55 respostas válidas ao inquérito, o que corresponde a 60% do total de doutorandos. O decurso das entrevistas, por sua vez, foi mais linear. Os quatro entrevistados responderam prontamente ao pedido e ao agendamento das mesmas.
83 Pordata (2022). Taxa de desemprego, dos 15 aos 74 anos: total e por nível de escolaridade Pordata.https://www.pordata.pt/europa/taxa+de+desemprego++dos+15+aos+74+anos+t otal+e+por+nivel+de+escolaridade-1633-1358 Pordata (2023). 31 de julho: Retrato dos Jovens - Pordata faz retrato dos jovens entre os 15 e os 24 anos . Pordata. https://www.pordata.pt/sites/default/files/202407/f_2023_07_25_pr_jovens_vf.pdf Pordata (2023). Alunos inscritos no ensino superior por nacionalidade, subsistema de ensino e ciclo de estudos. Pordata https://www.pordata.pt/pt/estatisticas/educacao/ensinosuperior/alunos-inscritos-no-ensino-superior-por-nacionalidade Pordata (2023). Alunos matriculados no ensino superior: total e por sexo . Pordata. https://www.pordata.pt/Portugal/Alunos+matriculados+no+ensino+superior+total+e+por+ sexo-1048 Pordata (2023). Alunos matriculados no ensino superior: total e por nível de formação . Pordata. https://prod2.pordata.pt/portugal/alunos+matriculados+no+ensino+superior+total+e+por +nivel+de+formacao-1023 Rebelo, G (2006). Flexibilidade e Diversidade Laboral em Portugal . Repositório ISCTE. https://repositorio.iscte-iul.pt/bitstream/10071/508/4/DINAMIA_WP_2006-50.pdf Rodrigues, A.L. (2019). Ciclo da Formação do Município de Vila Verde: análise a partir da observação e das vozes de trabalhadores e chefias [Relatório de Estágio Curricular publicado, Universidade do Minho]. RepositóriUM da Universidade do Minho. file:///C:/Users/joaop/Downloads/Ana-L%C3%BAcia-Alves-Rodrigues.pdf
84 Santos, J & Henriques, S. (2021) Inquérito por questionário: contributos de conceção e utilização em contextos educativos . Universidade Aberta. https://repositorioaberto.uab.pt/bitstream/10400.2/10696/3/Inqu%C3%A9rito%20por%2 0Question%C3%A1rio.pdf Santos, P. (2021). O ensino doutoral em movimento. In L. Rodrigues (Eds.). 31 Desafios para o ensino superior: ensaios (pp.201-208). Imprensa Académica. http://hdl.handle.net/10071/26181 . Sarmento, M. (2011). O Estudo de Caso Etnográfico em Educação. Lamparina Editora Silva, P & Sarrico C (2023). Doutoramentos em Portugal . Centro de Investigação de Políticas do Ensino Superior: Matosinhos. https://repositorium.sdum.uminho.pt/bitstream/1822/85125/1/Silva%20e%20Sarrico%2 0%282023%29%20Doutoramentos%20em%20Portugal%20-%20CIPES.pdf Tinoco, P. (2022). Empregabilidade, Recursos de Carreira e Aprendizagens: Um estudo sobre o percurso dos doutorados do Centro de Investigação em Educação (CIEd) [Relatório de Estágio não publicado]. Universidade do Minho Veiga Simão, J., Reinhardt, E., de Melo Ribeiro, C., Durst, F., Bernecker, W. L., Prolosch, H. U., Lerch , R., Alarcão , D., Ribeiro , M. F., Machado dos Santos , S., Almeida Costa , A., & Carvalhal, J. J. (2005). Ensino SuperiorOpções Estratégicas: Reorganização do Ensino Superior Modelo Orgânico da Universidade de Viseu (J. Veiga Simão, A. Machado dos Santos, & A. Almeida Costa, Eds.; 1 ed.). Pedro Coelho Edições. Vieira, J (2013). Educação Superior – Cenários, impasses e propostas e propostas. Autores Associados Yin, R. (2010). Estudo de caso: Planejamento e Métodos . (4ª.Ed.). Bookman
85 Documentos Regulamento Interno do Centro de Investigação em Educação Bases de dados sobre os doutorados e doutorandos do Centro
86 APÊNDICES
87 Apêndice 1 – Guião da Entrevista Objetivos das Entrevistas aos Doutorandos em Ciências da Educação • Compreender o percurso académico e profissional; • Perceber as transições e os desafios enfrentados ao longo da carreira; • Identificar a relevância e o impacto do doutoramento em Ciências da Educação no desenvolvimento profissional; • Entender as perceções sobre o apoio e as oportunidades oferecidas pelo CIEd; Tema das Questões Questões Apresentação e Autorização − Apresentar o trabalho desenvolvido − Referir os objetivos gerais da entrevista − Abordar a importância que o contributo do entrevistado tem para o presente Relatório de Estágio − Pedir autorização de gravação da Entrevista Agradecer a colaboração Caracterização − Género − Idade − Nacionalidade − Local de Residência – − Qual é a área de doutoramento? Sobre o Doutoramento em Ciências da Educação − Pode falar um pouco sobre a sua trajetória acadêmica e profissional antes de ingressar no doutoramento em Ciências da Educação? − O que o(a) motivou a procurar o doutoramento em Ciências da Educação? − Qual é para si a maior vantagem na realização de um Doutoramento?
88 − Como está a ser a sua experiência no doutoramento? − Pode descrever os principais desafios e conquistas? − Que tipo de apoio (acadêmico, financeiro, emocional) recebeu durante o doutoramento? Como isso impactou a sua jornada? − Pode referir algumas das competências inerentes ao doutoramento que possam ajudar na transição do doutorando para o mercado de trabalho? − Há alguma melhoria que acha que pudesse transformar positivamente o doutoramento? − Como avalia as oportunidades de emprego para os doutorandos em Ciências da Educação? Acredita que o doutoramento seja uma mais-valia considerável para as organizações? − Quais são os seus objetivos após a conclusão do doutoramento? − Que conselhos daria para alguém que está a pensar ingressar no doutoramento em Ciências da Educação? − CIEd - Entidade Acolhedora − Acha pertinente a implementação continua de atividades por parte do CIEd? − O acolhimento feito por parte do IE e CIEd é uma mais-valia para vocês doutorandos? Porquê?
89 Apêndice 2 - Transcrição da entrevista com o doutorando 1 Entrevistador – O meu projeto de relatório de estágio aborda os Percursos e Transições dos diplomados enquadrados no CIEd: o caso dos Doutorandos em Ciências da Educação. Neste sentido, a primeira questão relaciona-se com a trajetória e o percurso que desempenhaste até chegares ao doutoramento em Ciências da Educação. Quando falo em percurso, refiro-me tanto ao nível académico como profissional. Entrevistado 1 – Muito bem! O meu percurso, atendendo à minha idade, é relativamente curto, portanto, a minha trajetória académica deu-se sobretudo com a entrada na Licenciatura em Educação, em 2017, aqui na Universidade do Minho. Realizei a Licenciatura, pelo meio fui tendo algumas experiências académicas, estudantis, associativas, do ponto de vista da gestão de núcleo, integrei também grupos de trabalho e também fui tentando apostar um bocadinho naquilo que era a investigação. Em 2020, terminei a Licenciatura e fui fazer o Mestrado. O Mestrado não o fiz na Universidade do Minho, portanto, procurei outra possibilidade e fiz no Politécnico do Porto. Quando terminei o Mestrado, voltei para a Universidade do Minho e, aí sim, integrei o doutoramento em 2022. Posso então responder que a minha trajetória académica se define por ser relativamente estável. A nível profissional, nunca tive assim grandes experiências relevantes porque foi um período de transição sempre muito sequencial e, então, não deu para intercalar. Entrevistador – Consegues explicar o porquê de procurares outra instituição para efetuares o Mestrado? Outro tipo de ensino? Entrevistado 1– É um bocadinho por aí! Na minha perspetiva, o que depois pode marcar o estudante ou um académico tem muito a ver com a experiência que faz fora, e eu tinha algumas ideias de que, se ficasse sempre na mesma instituição, podia correr o risco de perder essa visão de inovação, porque acabava por não conhecer novos métodos pedagógicos, novas abordagens, novos professores. A minha procura deveu-se sobretudo a procurar instituições que tivessem a oferta formativa que eu procurava realmente, que era a gestão das organizações no terceiro setor, e também por poder experienciar novos métodos pedagógicos. No fundo, levar para a instituição para onde fui aquilo que tinha aprendido na Universidade do Minho, mas também estar disponível para aprender. Acho que, se tivesse que repetir o percurso, certamente faria da mesma forma porque acho que foi, sem dúvida, uma mais-valia.
90 Entrevistador – A tua ida para o Politécnico do Porto é já com uma perspetiva de voltares para a Universidade do Minho para integrares o doutoramento, ou foi algo que apareceu depois com o desenrolar do Mestrado? Entrevistado 1 – O doutoramento é algo que surge depois, portanto nunca na minha vida imaginei que quando iria fazer o mestrado fosse depois fazer o doutoramento, embora tivesse essa pretensão fazê-lo em algum momento da vida nunca pensei que fosse neste timing. Na fase final do mestrado, surgiu essa possibilidade e, pronto agarrei a oportunidade juntamento com as minhas orientadoras, e foi por mãos a obra. EntrevistadorO que é que realmente te motivou a ingressar no doutoramento em Ciências da Educação ? Entrevistado 1– A Educação, sendo a minha formação de base, é uma área que eu admiro e gosto, e, desde aí, justifica-se a minha escolha, digamos, científica. De seguida, porque é uma área na qual eu realmente ambiciono trabalhar. O doutoramento surge quando há alguma perspetiva de seguir a carreira académica; portanto, não há outra forma de a fazer sem ser com o doutoramento. Gosto também de algumas questões de investigação, e a tese de mestrado também me entusiasmou. Portanto, essa questão de investigação e de problematizar as questões foram uma grande motivação para ingressar no doutoramento. Foi, sobretudo, isso que me entusiasmou. Por um lado, Ciências da Educação é uma área que gosto e onde quero trabalhar; por outro lado, há essa visão da carreira académica que logicamente tem que ter o doutoramento envolvido, até do ponto de vista da maturidade académica. Entrevistador – Muito bem! Na tua opinião, qual é a maior vantagem do doutoramento? Ou seja, enumera algumas vantagens pessoais e profissionais que o doutoramento te possa trazer. Entrevistado 1 – Responder a esta pergunta, neste momento, pode não ser fácil porque ainda não tenho o doutoramento; no entanto, acredito que possam surgir algumas vantagens que, neste momento, não são reconhecidas precisamente por ainda não ter terminado este processo. Entrevistador – Por exemplo, o doutoramento é um trabalho autónomo. Acreditas que te possa dar ferramentas para que consigas aprimorar pontos como a disciplina, a resiliência, e outras características? Ou seja, até este momento, que vantagens consegues enumerar? Entrevistado 1– O doutoramento, de facto, é um trabalho muito próprio, como tu sabes pela proximidade que tens com esses estudantes; é um trabalho muito autónomo, na medida da construção
91 da tese em si. Logicamente, vais tendo interações com os teus orientadores e com outros colegas que também estejam na mesma situação. Abre-te, aqui também, uma série de possibilidades, como a participação em eventos científicos, que também são eventos que, de certa forma, contribuem para o crescimento. Agora, eu diria que, como aspeto principal, é esse crescimento científico; é um passo que tu dás na tua carreira enquanto estudante e que tu amadureces e aprendes a fazer investigação de forma autónoma. Aliás, o fim de linha do doutoramento é precisamente esse: tu sais do doutoramento, e o expectável é que sejas capaz de realizar uma investigação autónoma. Estes pontos, obviamente, fazemte crescer. Claro que o trabalho autónomo tem os seus prós e contras: em alguns momentos, torna-se solitário, mas o trabalho de uma tese exige isso mesmo; noutras alturas, é bom, porque o trabalho doutoral é feito num momento próprio, no momento em que tu dedicas 3 ou 4 anos sobre a perspetiva de teres tempo para amadurecer os teus trabalhos e tu próprio cresceres pessoalmente. Também te posso mencionar outras competências que se vão ganhando, como aprender a trabalhar com programas de estatística e teres sensibilidade metodológica. Entrevistador - O melhoramento da própria escrita? Entrevistado 1– Exatamente! Esse é um ponto que vais melhorando substancialmente durante a escrita da tese, ou seja, tudo o que mencionei são aspetos que demonstram a importância do doutoramento. Entrevistador – Se tivesses de fazer um resumo do doutoramento até agora, como descreverias a experiência? As tuas expectativas foram correspondidas? Entrevistado 1– Estando exatamente a meio do período formal, eu diria que o balanço é positivo. É difícil quantificar e qualificar mais do que isto porque, enfim, isto é um processo complexo, cheio de oscilações. Mas sim, está a ir ao encontro das expectativas. Logicamente, há situações que não foram ao encontro das expectativas, mas, enfim, o doutoramento, como tudo na vida, tem essas irregularidades. Aliás, sempre que tenho oportunidade de falar com pessoas que querem enveredar por esta área, eu recomendo e digo sempre que venham, porque vale a pena. Resumindo, o balanço é bastante positivo. Entrevistador - Quais consideras ser os principais desafios? Entrevistado 1 – Os principais desafios são, sobretudo, manter o foco e a disciplina, porque, repescando o que já foi dito, é um trabalho autónomo, e essas competências são fundamentais porque há muitos estímulos, há muitas coisas para fazer. Eu tenho procurado, durante o meu processo, não me envolver só no doutoramento em si, ou seja, não me desligar das restantes atividades académicas, e, a
92 certa altura, é um desafio conseguir, digamos assim, um equilíbrio neste trapézio de corresponder àquilo que são as exigências normais do doutoramento: ter foco na leitura, na escrita, na análise. De outro ponto de vista, não perder de vista a dimensão social, de aparecer, de estar com as pessoas, de receber feedback. Resumindo, consigo perceber que, sem dúvida, o grande desafio é a disciplina. Entrevistador – Quais são, para ti, as principais conquistas ao longo do doutoramento? Entrevistado 1 – As conquistas relacionam-se muito com aquilo que nós definimos como metas. Ao longo dos anos, fui conquistando alguns objetivos. Acabas por perceber que as pequenas vitórias, aos olhos dos outros, são, para ti, grandes feitos. Posso referir como conquistas coisas como ser aceite um resumo para ir a um congresso, a resposta à publicação de um artigo, o cumprimento de uma data para entrega de alguma parte da tese. Portanto, isto são tudo conquistas que eu procuro que me alegrem e, de certa forma, sirvam de motivação para continuar. Entrevistador – Muito bem! Acreditas que estás na fase ideal para frequentar o doutoramento? Digo isto porque és jovem e conseguiste obter uma bolsa da FCT. Achas que estes dois aspetos influenciam a tua dedicação ao doutoramento? Entrevistado 1 – É difícil responder porque esta é a fase onde eu estou, e torna-se difícil obter outra perspetiva. No entanto, acredito que estar a fazer o doutoramento nesta idade tem os seus prós e contras. Logicamente, e esta questão é indiscutível, o facto de ter a bolsa permite-me dedicar exclusivamente ao doutoramento, e isso faz, com certeza, toda a diferença. Oferece-me mais tempo e desmarca-me de outros compromissos laborais. O trabalho de doutoramento é um trabalho que exige tempo, e eu, na partilha com alguns colegas, percebo a dificuldade que é, para alguns pares, conciliar este estudo intensivo com o trabalho laboral e com o trabalho doméstico. Resumindo, consigo perceber o privilégio que tenho em conseguir dedicar-me a full-time ao doutoramento, e é, logicamente, algo que agradeço e reconheço como uma oportunidade e uma mais-valia. A parte inicial da questão, eu percebo a premissa. Eu sou novo, e isto acarreta vantagens e desvantagens. Aquilo que eu reconheço como desvantagem é a falta de experiência acumulada no mercado de trabalho. Relativamente à vantagem, se tudo correr bem, vou doutorar-me muito cedo, o que acaba por ser positivo, porque esta fase da vida acaba por ficar já resolvida. Entrevistador – Na pergunta anterior, questionei sobre a importância do apoio financeiro. No entanto, a teu ver, achas que o apoio emocional é tão ou mais importante?
99 Entrevistado 2 – Sim! Eu sempre busquei conhecimento ao longo da minha vida. Como expliquei, o que realmente me fez interromper os estudos foi a falta de apoio financeiro. O doutoramento sempre foi um objetivo, tanto a nível pessoal, porque, para mim, foi a concretização de um sonho, quanto na questão profissional, pois seria uma grande ajuda. Entrevistador – Quando falas da questão profissional, a que te referes? Entrevistado 2 – À progressão na carreira e, consequentemente, à parte remuneratória. Contudo, como referi, a maior motivação sempre foi a concretização pessoal acima de qualquer outra. A busca pelo conhecimento sempre foi algo que me fascinou. Entrevistador – Na tua opinião, qual é a grande vantagem que o doutoramento pode trazer para a tua vida? Entrevistado 2 – Além do conhecimento, acredito que a rede de amizades seja uma das grandes vantagens. O trabalho de networking que o doutoramento te permite é uma mais-valia para o futuro. Já participei em três congressos, nos quais tive a oportunidade de trocar conhecimento com diferentes participantes, além de fortalecer a minha rede de contactos. Entrevistador – Relativamente ao ensino, houve algo que, a teu ver, fosse muito diferente entre o Brasil e Portugal? Entrevistado 2 – O nível de exigência é o mesmo, não notei grande diferença. Entrevistador – Como descreves a tua experiência até ao momento no doutoramento? Entrevistado 2 – A experiência está a ser boa, claro que tenho momentos bons, outros menos bons, mas faz parte. Eu sou uma pessoa que exige muito de mim; já tive depressão, transtorno de ansiedade, então esse trabalho das emoções é algo que preciso de aperfeiçoar. O facto de o meu doutoramento ser tutorial também não ajuda, pois torna-se solitário e acabo por ter um trabalho muito só. No entanto, como estou a fazer algo que gosto e sempre sonhei, o nível de superação está sempre ativado. Entrevistador – Entendo perfeitamente que o facto de estares em algo que sempre sonhaste te ajude a superar os desafios que advêm do doutoramento. Sentes que o facto de teres ganho a bolsa da FCT influencia o teu percurso no Doutoramento em Ciências da Educação? Entrevistado 2 – Claro que sim! Quando estava a trabalhar como secretário doutoral, eu não dispunha de tempo, ou seja, ia ser muito difícil conciliar o doutoramento com o trabalho. A minha dedicação neste momento é total com o doutoramento. Neste momento sinto que me dedico única e exclusivamente ao
100 processo de pesquisa. Eu tenho uma rotina de trabalho, venho todos os dias para a universidade porque é uma forma de me motivar, algo que sem a bolsa seria completamente impossível. Entrevistador – Relativamente às conquistas, falamos que o doutoramento era um objetivo. No entanto, que outra conquista consegues enumerar? Entrevistado 2 – A bolsa da FCT foi uma enorme conquista, porque desde que cheguei a Portugal sempre me disseram que era muito difícil, até quase impossível, e tê-la conquistado foi, para mim, uma enorme alegria e demonstração de que realmente sou capaz. Entrevistador – Quais são, para ti, as competências que o Doutoramento em Ciências da Educação te transmite e que sejam importantes para o mercado de trabalho? Entrevistado 2 – O facto de publicares trabalhos é algo que te dá disciplina e rigor, competências importantes no mercado de trabalho. A possibilidade de apresentares trabalhos em público faz com que acredites mais em ti e te transmite uma sensação de confiança extra, além da autonomia e da procura constante pelo conhecimento. Julgo que estas competências são extremamente valorizadas no mercado de trabalho. Entrevistador – Como avalias as oportunidades de trabalho para os doutorandos em Ciências da Educação? Entrevistado 2 – No mundo empresarial, sinto que as empresas não estão preparadas para receber esses doutorandos. A meu ver, grande parte dos doutorandos acaba por ser absorvida pela academia. Entrevistador – No entanto, acreditas que o doutorando seria uma mais-valia para o mundo empresarial? Entrevistado 2 – Claro que sim! Dependendo do ramo da organização, um doutorando em Ciências da Educação pode e tem competências suficientes para ser uma mais-valia. No meu caso, como o meu doutoramento está relacionado com políticas educativas, acredito que essa vertente seja fundamental nas empresas. Fala-se constantemente em assédio moral e discursos de ódio, maioritariamente nas grandes empresas, aspetos que um doutorando com esta especialização poderia trabalhar. Entrevistador – Na tua opinião, há alguma melhoria que pudesse ser implementada no Doutoramento em Ciências da Educação? Entrevistado 2 – Sinto falta dos grupos de pesquisa. Falo isto porque, no mestrado, participei em grupos de pesquisa e percebi a importância que eles acarretam para o desenvolvimento do projeto. Além
101 do próprio desenvolvimento, como referi, os grupos ajudam na questão da solidão anteriormente mencionada. O doutoramento é algo muito individual e, a certa altura, começa a ser um trabalho muito solitário. A oportunidade de discutir sobre o projeto, sobre a metodologia, torna-se fulcral para o melhoramento da tese. Entrevistador – As atividades implementadas pelo CIEd são importantes para o doutorando? Entrevistado 2 – A meu ver, é algo muito importante. As atividades implementadas são das poucas oportunidades que temos para colmatar a falta de grupos de pesquisa, pois, nesses momentos, podemos trocar ideias com os demais pares. Nas Jornadas Doutorais, tive a oportunidade de apresentar o meu projeto, algo magnífico, pois recebi feedback de outras pessoas sobre o mesmo. Entrevistador – E em relação ao acolhimento feito pelo Centro de Investigação em Educação? Entrevistado 2 – Na minha experiência, posso dizer que me senti acolhido, contudo, há a possibilidade de melhorar algumas coisas. Por exemplo, quando eu era secretário doutoral, a cada edição, nós fazíamos uma “welcome session” com todos os doutorandos. O diretor do curso recebia todas as pessoas e fazia uma apresentação tanto do curso quanto da universidade, ou seja, era criado um ambiente acolhedor. A meu ver, é algo que pode ser implementado, visto que há uma diversidade cultural entre os próprios alunos de doutoramento. Criar esses momentos de partilha é um passo importante para a integração dos mesmos. Entrevistador – Concordo plenamente e vejo a importância desse acolhimento. Quais são, para ti, os teus maiores objetivos após a conclusão do doutoramento? Entrevistado 2 – É complicado responder. A minha família faz uma pressão para eu voltar para o Brasil, e julgo que seja normal. No entanto, se surgir uma proposta aqui na Universidade do Minho ou em outra faculdade, eu fico. Ou seja, tudo depende das propostas. Entrevistador – Que conselho darias a alguém que queira ingressar no Doutoramento em Ciências da Educação? Entrevistado 2 – Que venham. No início, vão surtar, mas é algo a que, com o tempo, se vão adaptando. Acredito que seja uma área em crescimento e que, cada vez mais, vai tendo a sua importância na sociedade. Entrevistador – Como última pergunta, acreditas que seja benéfico seguir estudos até ao doutoramento?
102 Entrevistado 2 – Eu digo que vale a pena seguir estudos até ao doutoramento. O meu pai questiona o facto de eu ainda estar a estudar e diz que é muito tempo. No entanto, este é o meu sonho e sinto que seja o meu propósito de vida. Entrevistador – Muito obrigado pela oportunidade de te poder entrevistar. Foi muito útil.
103 Apêndice 4 - Transcrição da entrevista com o doutorando 3 Entrevistador - Quero, desde já, agradecer por teres aceitado a possibilidade de conhecer um pouco mais sobre o teu percurso até ao Doutoramento em Ciências da Educação. Contextualizando, a entrevista enquadra-se no meu relatório de estágio, denominado Percursos e Transições dos diplomados enquadrados no CIEd: o caso dos doutorados em Ciências da Educação , e tem como objetivo reunir um conjunto de dados que possa aprimorar a minha pesquisa sobre os doutorandos. Neste sentido, e como primeira pergunta, gostava que falasses sobre o teu percurso até ao Doutoramento. Entrevistado 3 – A minha trajetória académica começou em Angola, onde tirei a formação inicial de professores. A formação inicial de professores em Angola pode ser realizada tanto ao nível do ensino médio como superior, sendo a minha realizada no ensino médio. Após ter terminado o ensino médio, entrei na licenciatura em Ensino da Pedagogia no Instituto Superior de Ciências da Educação (ISCED). Posteriormente, ingressei no mestrado em metodologia de ensino primário, com especialização em metodologia de ensino da língua portuguesa. O mestrado foi uma parceria entre a Universidade de Benguela e a Universidade do Minho, mais concretamente o Instituto de Educação. Terminado o mestrado, surgiu a oportunidade de ingressar no Doutoramento na Universidade do Minho. Como já conhecia a universidade e alguns professores, foi uma decisão relativamente fácil de ser tomada. Entrevistador – Muito bem! O que te levou a ingressar no Doutoramento em Ciências da Educação? Foi o facto de já teres uma formação inicial ligada à Educação, ou algo ligado à progressão na carreira? Entrevistado 3Eu diria que são inúmeras as motivações, não consigo elencar o que me levou mais ou menos a ingressar. No entanto, posso referir algumas motivações. Quero desde já referir que a escolha da Universidade do Minho para ingressar no doutoramento prendeu-se com o facto de ser uma instituição que eu já conhecia do mestrado o que tornou a decisão mais fácil. Relativamente às motivações, a atribuição de uma bolsa por parte do governo de Angola, através do Instituto Nacional de Gestão de Bolsas de Estudo (INAGBE), foi fundamental para a minha escolha. No entanto, mais do que essa oportunidade, acredito que a grande motivação se prendeu com o facto de ter a oportunidade de crescer do ponto de vista académico e científico, aprofundar um pouco mais na minha área de especialização e melhorar-me enquanto investigador. Diria que um outro fator que influenciou a minha escolha foi a progressão na carreira, porque exerço a profissão de docente já desde a Licenciatura, e como bem se sabe, o Doutoramento é importante para atingir outros patamares. Entrevistador – Quão impactante é a Bolsa de Estudo na tua jornada Doutoral?
104 Entrevistado 3 - A bolsa foi, e está a ser, sem dúvida, uma alavanca fulcral para a minha progressão até ao Doutoramento. Neste momento, vive-se em Angola um problema com a inflação, ou seja, não me via com capacidade financeira suficiente para fazer face às despesas. Logo aí, a atribuição da bolsa impactou positivamente a minha vida. No entanto, acredito que, caso não tivesse essa oportunidade, pudesse na mesma ingressar no Doutoramento, mas não neste momento da vida. Entrevistador – Qual é, na tua opinião, a maior vantagem que está inerente ao Doutoramento? Entrevistado 3– A depender das ambições pessoais, a melhor coisa que o Doutoramento faz connosco é dar-nos a possibilidade de crescer. Do ponto de vista do conhecimento, coloca-nos na posição de autoridade científica de um determinado assunto. Esta, sem dúvida, é uma das maiores vantagens que advém da realização do Doutoramento. Entrevistador - Muito bem! Sentes que uma das desvantagens seja a falta de partilha entre os doutorandos? Pergunto isto porque foste uma das pessoas a tocar neste assunto nas Jornadas Doutorais. Entrevistado 3 - Numa altura em que falamos muito da democraticidade do ensino e da partilha do conhecimento, torna-se importante criar grupos de partilha, para não ser uma jornada de puro confinamento, onde nos focamos única e exclusivamente na nossa tese doutoral. O programa doutoral é ainda muito tradicional, não permitindo, por exemplo, a possibilidade de fazer um doutoramento em grupo, onde a partilha de conhecimento pode igualmente trazer benefícios, tanto ou mais do que algo muito individualizado. Posso também referir que esta “solidão” não favorece o lado emocional, pois não permite o estabelecimento de relações entre os pares. Entrevistador – Neste sentido, sentes que o CIEd pode ter um papel preponderante na criação de atividades que permitam a partilha de conhecimento? Entrevistado 3 – Sim, obviamente que sim. Sendo o CIEd o centro que recebe o doutorando, há a necessidade de criar essas redes de partilha. Falando um pouco da minha experiência enquanto doutorando, durante este período doutoral eu conheci muito poucos estudantes da minha especialidade, e os que conheci foi por mera casualidade. Neste sentido, sinto que o CIEd poderia ajudar a criar esses grupos de partilha, através do desenvolvimento de atividades conjuntas. Na medida em que o Centro de Investigação tem acesso à especialidade de cada doutorando, poderia perfeitamente juntá-los para que houvesse uma troca de bibliografia e conhecimento. Certamente, ficaríamos todos a ganhar. Entrevistador – E o acolhimento feito pelo CIEd? Sentes que realmente esse acolhimento acontece?
105 Entrevistado 3 - Sendo sincero, não. Para os estudantes de doutoramento, esse acolhimento, a meu ver, é inexistente. A meu ver, não é visível a presença de atividades voltadas para o acolhimento dos doutorandos, e se realmente é efetivo esse acolhimento, eu não tenho nem tive conhecimento de tal atividade. Quero referir, porque acho que é importante, que, quando falo em acolhimento, falo ao nível da instituição como da própria cidade que nos recebe. No entanto, gostaria de frisar que compreendo o facto de esse acolhimento não acontecer, porque, para o doutoramento, o público-alvo é um pouco mais adulto. Entrevistador – Efetivamente, esse acolhimento existe. Todos os anos, em outubro, maio e junho, acontece o acolhimento e integração dos doutorandos por parte do CIEd. No entanto, compreendo a questão de divulgação do próprio acolhimento, que deva ser melhorada. Outra questão: até ao momento, como tem sido a tua experiência no doutoramento em Ciências da Educação? Entrevistado 3 – Eu digo que a minha experiência até agora está a ser positiva. A nível académico, está a ser, sem dúvida, um período proveitoso. Consegui tirar bom proveito das atividades experienciadas, pois enriqueceram muito a minha formação. Sendo o meu doutoramento com curso, acredito que tenha sido uma mais-valia, pois ajudou-me a elevar o meu nível de conhecimento. No entanto, acredito que haja sempre algo a melhorar. Entrevistador – Pegando um pouco nesta tua última frase: a teu ver, há alguma melhoria que pudesse ser implementada no doutoramento? Entrevistado 3 – Como referi, há sempre coisas a melhorar. Na minha opinião, a área pedagógica poderia ser revista. Há disciplinas que são importantes, contudo, a forma como são lecionadas não permite construir conhecimento de forma significativa. Eu tinha uma disciplina, Temas Avançados em Metodologias de Investigação Científica , onde tínhamos apenas 1 semestre, com aulas uma vez por semana, no qual havia bastante informação para trabalharmos neste curto período. Quando não se tem conhecimento mínimo das matérias abordadas, torna-se difícil. Logo, a questão pedagógica é algo a ser revisto. A área social também é uma questão que merece atenção. Falo do acompanhamento dos doutorandos, a meu ver, é algo que precisa ser revisto e melhorado. Existe a necessidade de haver um maior monitoramento e apoio aos doutorandos. Sendo o doutoramento em Ciências da Educação frequentado por uma significativa comunidade de estudantes estrangeiros, a proximidade torna-se fulcral para a sua integração. Ou seja, torna-se importante ajudar a minimizar o impacto dessa mudança.
106 Entrevistador – Muito útil a tua observação. Consideras que o doutoramento te transmite competências importantes para o mercado de trabalho? Entrevistado 3 – Sem dúvida. Existem competências essenciais que são construídas para ajudar na transição do doutorando para o mercado de trabalho. Por exemplo, a questão do "saber fazer", que é valorizado no período doutoral, é algo fulcral para o mercado de trabalho. O doutoramento é um período não só para fazer crescer do ponto de vista académico, mas também do ponto de vista da capacidade de resolver problemas. Observamos que o mercado de trabalho é cada vez mais exigente e requer pessoas cada vez mais capacitadas. Logo, existe a necessidade de contratar um profissional com competências aprimoradas, algo que o doutorando certamente tem, visto que passa por um processo formativo exigente em todos os níveis intelectuais. Entrevistador – Na tua perspetiva, porque é que grande parte dos doutorandos trabalha na academia e apenas uma minoria nas empresas? Isso é algo que acontece também em Angola? Entrevistado 3 – As empresas precisam de trabalhadores qualificados? Sim. No entanto, as empresas querem um profissional pelo qual não vão ter de pagar muito dinheiro. Quando reflito neste assunto, percebo que é muito mais barato pagar a um técnico superior com licenciatura do que pagar a uma pessoa com doutoramento. Outra das questões prende-se com a organização das empresas. Julgo que estamos num período onde o tempo é precioso e as empresas não conseguem dar tempo aos doutorados para implementarem determinada ideia. Contudo, sinto que, por vezes, a resposta é mais simples do que parece, e simplesmente as empresas não entendem o benefício de ter pessoas com o grau de doutoramento. O doutorado é uma mais-valia, desde que a empresa esteja preparada e disponibilize recursos para que este seja, de fato, uma mais-valia. Entrevistador – A meu ver, tocaste nos pontos principais do porquê de as empresas não apostarem nos doutorados. Que conselho darias a alguém que quer ingressar no doutoramento em Ciências da Educação? Entrevistado 3 - Primeiro, ter consciência de que realmente é isso que quer. Depois, estar disposto a fazer algo que, aparentemente, não vale a pena. Ter, acima de tudo, força de vontade e acreditar que tudo vai correr bem. Entrevistador – Como é que observas o mercado de trabalho para os doutorandos em Ciências da Educação?
107 Entrevistado 3 - Acredito que haja oportunidades. No entanto, quase sempre as mesmas. A Educação é uma área tradicional e com grande importância, aliás, é a base de qualquer ser humano. Ora, sendo esta uma área preponderante para a formação da pessoa enquanto ser, haverá sempre oportunidades. Sinto que há a necessidade de reinventar as oportunidades de mercado de trabalho, e isso compete a nós, doutorandos e futuros doutorados. Entrevistador - Concordo plenamente! Relativamente à minha última questão, quais são os teus objetivos quando terminares o doutoramento? Entrevistado 3 - Boa pergunta! A minha prioridade é terminar o doutoramento e fazer uma tese com a qual me possa orgulhar e pensar que realmente valeu a pena. Quero tornar relevante a minha pesquisa a nível nacional e internacional. Julgo que, depois, irão surgir oportunidades que me realizem, mas, acima de tudo, neste momento, o término é o mais importante. Entrevistador – Muito bem! Quero agradecer pela oportunidade de conhecer melhor o teu percurso. Foi, sem dúvida, uma mais-valia para o meu relatório de estágio. Entrevistado 3 - Quero também agradecer pelo convite e pela oportunidade de ajudar no teu relatório de estágio. Espero ter sido útil para este teu trabalho. Obrigado.
108 Apêndice 5 - Transcrição da entrevista com a doutoranda 4 Entrevistador - Olá! Desde já, agradeço pela prontidão da tua resposta em relação à entrevista e pela oportunidade de saber um pouco mais sobre o teu percurso até chegares ao Doutoramento. O meu projeto tem como tema os "Percursos e Transições dos Diplomados Enquadrados no CIEd: o Caso dos Doutorados em Ciências da Educação." Nesse sentido, gostaria que falasses um pouco da tua trajetória até ao Doutoramento em Ciências da Educação. Entrevistada 4 – Muito bem! Tirei a minha licenciatura em geografia, no ramo da formação educacional, nos finais da década de 90. Entretanto, como naquela altura os mestrados ainda não estavam integrados no processo de Bolonha e era muito raro alguém ter um mestrado, decidi começar a trabalhar. No entanto, como gosto imenso de estudar, decidi voltar à universidade no ano de 2010 para frequentar o mestrado de património geológico e geoconservação. Terminei o mestrado e senti-me realizada, contudo, como o meu gosto pela universidade e pelo saber é tão grande, voltei a inscrever-me, o ano passado, noutro mestrado em organização escolar. Como referi, eu já tinha mestrado e, em termos de profissão, ter outro não era uma mais-valia. Neste sentido, acabei por fazer o primeiro ano e depois transitar para um doutoramento tutorial, visto que sou docente. Esta é, sem dúvida, a modalidade que me permite conciliar as duas coisas. Entrevistador - Vejo que tocou na pergunta que ia fazer a seguir, que se prende com as motivações de ir para o Doutoramento, mas já percebi que foi exclusivamente pelo conhecimento, correto? Entrevistada 4 - Sinceramente, na minha profissão como docente, o facto de ter doutoramento não é assim tão compensatório. Beneficia, por exemplo, a subida de escalão, que, em vez de estar 4 anos, estou apenas dois. Contudo, não é o ponto mais atrativo, porque o que nós gastamos no doutoramento é um valor imenso, que julgo que, até ao final da minha carreira, não sei se o vou conseguir recuperar. O que realmente me levou a ingressar no doutoramento foi o conhecimento. Eu gosto de saber mais, de estar sempre atualizada, e nada melhor que a universidade. Entrevistador – Se estivesse noutra fase da sua vida, e recuasse até à época da licenciatura, acredita que o doutoramento pudesse acarretar outro tipo de benefícios que não só o conhecimento? Entrevistada 4 – Quando fiz o mestrado, houve uma alteração nos escalões. Eu beneficiei 1 ano, enquanto outras colegas minhas beneficiaram 4 anos. Julgo que aí sim, compensava, porque quem
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131 Apêndice 11 – Cargos Universitários a Exercer Fonte: Resultados dos Inquéritos por questionário administrados aos doutorandos do CIED (Junho, Julho de 2024) Apêndice 12 – Regime de Trabalho Fonte: Resultados dos Inquéritos por questionário administrados aos doutorandos do CIED (Junho, Julho de 2024) Apêndice 13 – Situação de Emprego Atual Fonte: Resultados dos Inquéritos por questionário administrados aos doutorandos do CIED (Junho, Julho de 2024) 75% 25% Regime de Trabalho Tempo Completo Tempo Parcial 87,3% 1,8% 10,9 0 20 40 60 80 100 Empregado Desempregado Inativo Porcentagem Situação de emprego atual
132 Apêndice 14 – Vantagem no Mercado de Trabalho Fonte: Resultados dos Inquéritos por questionário administrados aos doutorandos do CIED (Junho, Julho de 2024) Apêndice 15 – Conhecimento PIFA Fonte: Resultados dos Inquéritos por questionário administrados aos doutorandos do CIED (Junho, Julho de 2024) Apêndice 16 – Género dos Doutorandos em Ciências da Educação Fonte: Resultados dos Inquéritos por questionário administrados aos doutorandos do CIED (Junho, Julho de 2024) Apêndice 17 – Idade dos Doutorandos em Ciências da Educação Fonte: Resultados dos Inquéritos por questionário administrados aos doutorandos do CIED (Junho, Julho de 2024) 52,8% 47,2% 40 45 50 55 Sim Não Porcentagem Tem conhecimento do Programa de Integração e Formação Avançada disponibilizado exclusivamente pelo CIEd para os Doutorandos e Investigadores?
133 Apêndice 18 – Nacionalidade dos Doutorandos em Ciências da Educação Fonte: Resultados dos Inquéritos por questionário administrados aos doutorandos do CIED (Junho, Julho de 2024) Apêndice 19 –Residência dos Doutorandos em Ciências da Educação Fonte: Resultados dos Inquéritos por questionário administrados aos doutorandos do CIED (Junho, Julho de 2024) Apêndice 20 – Dependentes a seu cargo (Ciências da Educação) Fonte: Resultados dos Inquéritos por questionário administrados aos doutorandos do CIED (Junho, Julho de 2024) Apêndice 21 – Modalidade de Doutoramento (Ciências da Educação) Fonte: Resultados dos Inquéritos por questionário administrados aos doutorandos do CIED (Junho, Julho de 2024)
134 Apêndice 22 – Tipologia de Financiamento (Ciências da Educação) Fonte: Resultados dos Inquéritos por questionário administrados aos doutorandos do CIED (Junho, Julho de 2024) Apêndice 23 – Profissão (Ciências da Educação) Fonte: Resultados dos Inquéritos por questionário administrados aos doutorandos do CIED (Junho, Julho de 2024) Apêndice 24 – Iniciativas CIEd Fonte: Resultados dos Inquéritos por questionário administrados aos doutorandos do CIED (Junho, Julho de 2024) 87% 13% 0 20 40 60 80 100 Atividades Intlectuais e Científicas Técnico e P. Nível Intermédio Porcentagem Profissão Profissão
135 Apêndice 25 – Situação de Emprego Atual (Ciências da Educação) Fonte: Resultados dos Inquéritos por questionário administrados aos doutorandos do CIED (Junho, Julho de 2024)
136 ANEXOS
137 Anexo 1 Declaração do Centro de Investigação em Educação