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Diogo António Peixoto da Silva Uma Lei Bosman no futebol amador? O impacto da livre circulação de jogadores no Campeonato Popular de Futebol de Barcelos. abril de 2025 Uma Lei Bosman no futebol amador? O impacto da livre circulação de jogadores no Campeonato Popular de Futebol de Barcelos. Diogo Silva UMinho |2025
Diogo António Peixoto da Silva Uma Lei Bosman no futebol amador? O impacto da livre circulação de jogadores no Campeonato Popular de Futebol de Barcelos. Dissertação de Mestrado Mestrado em Economia Social Trabalho efetuado sob a orientação do Professor Doutor Anthony Macedo e do Professor Doutor Paulo Jorge Reis Mourão abril de 2025
ii DIREITOS DE AUTOR E CONDIÇÕES DE UTILIZAÇÃO DO TRABALHO POR TERCEIROS Este é um trabalho académico que pode ser utilizado por terceiros desde que respeitadas as regras e boas práticas internacionalmente aceites, no que concerne aos direitos de autor e direitos conexos. Assim, o presente trabalho pode ser utilizado nos termos previstos na licença abaixo indicada. Caso o utilizador necessite de permissão para poder fazer um uso do trabalho em condições não previstas no licenciamento indicado, deverá contactar o autor, através do RepositóriUM da Universidade do Minho. Licença concedida aos utilizadores deste trabalho Atribuição CC BY https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/
iii Agradecimentos Em primeiro lugar, quero agradecer aos meus pais, por todo o apoio que me deram, pelos sacrifícios que fizeram por mim e que me tornaram na pessoa que sou hoje. Aos meus amigos, que estiveram comigo nos bons e maus momentos, na diversão e no caos, que me encaminharam quando era preciso e que permitiram desanuviar, um obrigado muito especial. Agradeço também à pessoa que esteve sempre ao meu lado ao longo deste percurso. Uma página não chega para descrever o quão importante foste para tudo isto e o quanto significas para mim. Agradeço-te, do fundo do coração, por toda a tua disponibilidade, pelo teu afeto, pela ajuda incansável e pela paciência nos momentos mais difíceis. Obrigado, Carina! Por fim, quero agradecer aos meus orientadores, o professor doutor Anthony Macedo e o professor doutor Paulo Mourão, por toda a disponibilidade, paciência, por me guiarem durante toda esta etapa da minha vida académica e por partilharem todo o conhecimento que contribui para a realização deste trabalho e para o meu enriquecimento pessoal.
iv DECLARAÇÃO DE INTEGRIDADE Declaro ter atuado com integridade na elaboração do presente trabalho académico e confirmo que não recorri à prática de plágio nem a qualquer forma de utilização indevida ou falsificação de informações ou resultados em nenhuma das etapas conducente à sua elaboração. Mais declaro que conheço e que respeitei o Código de Conduta Ética da Universidade do Minho. Universidade do Minho, 30 de abril de 2025
v Uma Lei Bosman no futebol amador? O impacto da livre circulação de jogadores no Campeonato Popular de Futebol de Barcelos Resumo O objetivo deste estudo é avaliar o equilíbrio competitivo no Campeonato Popular de Futebol de Barcelos, analisando o impacto de uma alteração nas regras, que aboliu a restrição que impedia os clubes de inscreverem mais de seis jogadores não naturais da freguesia por equipa. Para avaliar a evolução do equilíbrio competitivo, analisamos os dados de desempenho das equipas entre as épocas de 1999/2000 e 2018/2019, utilizando indicadores de concentração como o Índice Normalizado de Herfindahl-Hirschman (nHHI) e o Índice de Herfindahl de Equilíbrio Competitivo (HICB), bem como indicadores de domínio, como o número de títulos conquistados, número de títulos conquistados por período, número de períodos com títulos consecutivos e percentagem de títulos conquistados. De modo a complementar a análise, com base nos dados dos Censos Nacionais de 2011 e 2021, estudamos as características demográficas e socioeconómicas das comunidades representadas na liga, com o intuito de compreender como essas condições evoluíram após a alteração da regra e de que forma podem estar relacionadas com o desempenho desportivo. Por fim, as conclusões deste estudo indicam que o Campeonato Popular de Futebol de Barcelos se tornou mais equilibrado após a eliminação da regra que limitava a inscrição de jogadores estrangeiros, refletido nos valores mais baixos dos indicadores de concentração (nHHI e HICB). No entanto, apesar deste equilíbrio geral, registou-se uma maior concentração de títulos numa única equipa no período pósmudança. Verificou-se ainda que, antes da alteração regulamentar, o fator populacional era mais importante para o sucesso das equipas, favorecendo freguesias mais populosas, enquanto, após a eliminação da regra, o fator financeiro passou a ter maior peso, beneficiando freguesias com maior poder económico na formação de equipas mais competitivas. Discute-se ainda as implicações sociais mais amplas do futebol amador e destaca-se a relevância desta análise no contexto da Economia Social, nomeadamente na compreensão de como o desporto comunitário se relaciona com o desenvolvimento local e a coesão social. Palavras-chave: Comunidades; Economia Social; Equilíbrio Competitivo; Futebol; Sociedade.
vi A Bosman Ruling in Amateur Football? The Impact of Free Player Movement in the Campeonato Popular de Futebol de Barcelos Abstract The objective of this study is to assess the competitive balance in the Campeonato Popular de Futebol de Barcelos by examining the impact of a major rule change that, in 2010, abolished the restriction preventing clubs from registering more than six non-local players per team. To evaluate the evolution of competitive balance, we analyze team performance data from the 1999/2000 to 2018/2019 seasons using concentration indicators such as the Normalized Herfindahl-Hirschman Index (nHHI) and the Herfindahl Index of Competitive Balance (HICB), as well as dominance indicators, such as the number of titles won, number of titles won per period, number of periods with consecutive titles, and percentage of titles won. Furthermore, drawing on national census data from 2011 and 2021, we explore the demographic and socio-economic characteristics of the communities represented in the league, in order to understand how these conditions evolved after the rule change and how they may relate to sporting performance. The conclusions of this study indicate that the Campeonato Popular de Futebol de Barcelos became more competitively balanced after the elimination of the rule limiting the registration of foreign players, as evidenced by the lower values of the concentration indicators (nHHI and HICB). However, despite this greater overall balance, there was a higher concentration of titles won by a single team during the post-rule change period. Furthermore, it was found that, prior to the regulatory change, population size played an important role in determining team success, favoring communities with larger populations, whereas after the elimination of the rule, financial strength became more decisive, with wealthier communities able to recruit better players and assemble more competitive teams.It also discusses the broader social implications of amateur football and highlights the relevance of this analysis within the context of the Social Economy, particularly in understanding how community sports relate to local development and social cohesion. Keywords: Competitive Balance; Communities; Social Economy; Football; Society.
vii Índice 1-Introdução ........................................................................................................................................ 9 2-Revisão de Literatura ...................................................................................................................... 10 2.1Regulação e Equilíbrio Competitivo no Futebol: Impactos da Lei Bosman e Outras Medidas ..... 10 2.1.1-Equilíbrio Competitivo .................................................................................................. 10 2.1.2-Lei Bosman ................................................................................................................. 15 2.1.3-Medidas Regulatórias no Futebol e o seu Impacto ......................................................... 18 2.2O Futebol como Fenómeno Social: Relevância Sociocultural e Métodos de Avaliação ................ 24 2.2.1-Impacto do Desporto na Sociedade .............................................................................. 24 2.2.2-Impacto do Futebol na Sociedade ................................................................................. 26 2.2.3-Avaliação do Impacto Social do Futebol ........................................................................ 31 2.2.4-Síntese e Fundamentação para o Problema .................................................................. 32 3-Metodologia .................................................................................................................................... 35 3.1-Problema e Hipóteses de Investigação ..................................................................................... 35 3.2-Sistema de Pontuação e Regulamentos de Competição ............................................................ 36 3.3-Indicadores da Investigação ..................................................................................................... 37 3.4-Recolha de Dados ................................................................................................................... 40 4-Resultados e Discussão .................................................................................................................. 40 4.1-Resultados da Investigação ..................................................................................................... 40 4.2-O Contexto Demográfico e Socioeconómico das Freguesias de Barcelos .................................. 46 4.3-Implicações dos Resultados para a Economia Social ................................................................ 54 5-Conclusões ..................................................................................................................................... 55 Referências ....................................................................................................................................... 58 Anexo 1Pontuações das Épocas do Campeonato Popular de Futebol de Barcelos. ............................ 64 Anexo 2HHImax calculados por Ávila-Cano e Triguero-Ruiz .............................................................. 72 Índice de tabelas Tabela 1. Valores do nHHI para as épocas anteriores à abolição da regra ......................................... 41 Tabela 2. Valores do nHHI para as épocas posteriores à abolição da regra ......................................... 41 Tabela 3. Valores do HICB para as épocas anteriores à abolição da regra ........................................... 42 Tabela 4. Valores do HICB para as épocas posteriores à abolição da regra ......................................... 43
14 A literatura também atribui a incerteza de resultados a diversos fatores. Gilch (2022) atribui essa incerteza a dinâmicas do jogo, explicando que muitas destas partidas podem ser influenciadas por momentos chave como performances individuais ou coletivas acima do esperado, erros individuais, lesões, erros de arbitragem ou até momentos de “pura sorte”, e como estes são difíceis de prever, a maior parte dos resultados é um reflexo das qualidades (ofensivas e defensivas) das equipas em questão. Do lado oposto, Anderson e Sally (2013) argumentam que a sorte representa um papel crucial no futebol. Por exemplo, uma equipa pode dominar em estatísticas como remates e posse de bola, mas acabar por perder. Eles destacam como eventos aleatórios como golos desviados ou decisões controversas da equipa de arbitragem influenciam o desenrolar da partida, em certos casos até mais que superioridade tática ou habilidade. Num desporto em que não se marca/pontua frequentemente, como o futebol, estes eventos aleatórios tendem a decidir os jogos mais equilibrados (Anderson & Sally, 2013). Existem exemplos em outros desportos que corroboram as ideias de Anderson e Sally (2013). Sobkowicz e colegas (2020), de forma a estimar o papel do acaso na conquista do sucesso, compararam dados empíricos de competições de corrida de 100 metros, considerando que esta é uma das modalidades desportivas com maior controlo sobre fatores externos, em termos de aleatoriedade, através de um modelo computacional baseado em agentes como o talento dos atletas e a sorte. Os resultados obtidos indicaram uma contribuição pequena do fator aleatório no desempenho dos melhores velocistas. Os resultados afirmam que a sorte aleatória representa aproximadamente 4% do desempenho nos homens e 6% nas mulheres, o que pode ser considerado um limite inferior na estimativa do papel do acaso em outras situações menos controladas, nomeadamente desportos coletivos como o futebol. Também são considerados os fatores psicológicos nesta incerteza. Fatores como a ansiedade e o stress aumentam a tendência de o jogador se concentrar em estímulos irrelevantes, prejudicando a sua capacidade de marcar golos e a sua tomada de decisão (Eysenck & Wilson, 2016). Jordet (2005) refere que processos cognitivos como a atenção, perceção, antecipação, intenção e tomada de decisão têm um papel fulcral na performance de alto rendimento, particularmente numa dinâmica de um desporto de equipa complexo. Ele dá o exemplo dos médios no futebol, sendo esta uma posição rodeada de outros jogadores pela posição no centro do terreno, cujas posições e movimentos têm de ser percebidos e, consequentemente, seguidos de uma reação apropriada para o contexto do jogo. Este tipo de jogadores precisa de processos de reunião de informação efetivos, corrigir informação no momento e de forma rápida e decisiva compreender quando atuar e que ações tomar com a bola (Jordet, 2005). Devido a esta complexidade, fatores psicológicos como a ansiedade podem afetar a capacidade de executar essas ações de forma eficaz. Atletas com “maiores” níveis de ansiedade são
15 mais predispostos a variações de performance no futebol, pois experienciam respostas de stress mais pronunciadas durante os jogos (Woodman & Hardy, 2003). Existem também vários determinantes que influenciam o equilíbrio competitivo, nomeadamente medidas de distribuição das receitas, regulamentações e políticas de transferências, mecanismos de controlo salarial como os tetos salariais, fenómenos como a globalização e o acesso a talentos internacionais, o número de equipas e o formato da competição entre outros. Todos estes determinantes serão desenvolvidos em maior detalhe nas secções seguintes. 2.1.2Lei Bosman A Lei Bosman, cujo nome deriva do jogador belga que levou o seu caso a tribunal, teve um enorme impacto no futebol global. O caso remonta ao ano de 1990, no qual Jean-Marc Bosman argumentava que tinha o direito de se transferir para outro clube sem qualquer taxa de transferência, já que o seu contrato havia expirado, contrariando assim a prática comum até então no futebol europeu. Após 5 anos de processos, em 1995, o Tribunal de Justiça da União Europeia (TJUE) atribuiu a razão a Bosman, não só abolindo uma das principais regras do sistema de transferências da época como considerou que qualquer limitação ao número de jogadores com passaportes da União Europeia (UE) era ilegal, citando as regulamentações da própria UE do Artigo 58 do Tratado de Roma de 1957, que garantia que a força de trabalho com passaportes da UE tinha liberdade absoluta de movimento dentro dos países pertencentes a esta organização (Douvis & Billonis, 2005). A partir deste momento deixaram de existir duas das regulamentações mais intrínsecas do sistema de transferências da época, sendo abolidas quaisquer taxas a pagar a clubes por jogadores fora de contrato e qualquer limite de contratação de jogadores de nacionalidades pertencentes à UE. Apesar disso a União das Associações Europeias de Futebol (UEFA) tentou convencer o TJUE de que os efeitos de tal decisão causariam sérios danos ao futebol, sendo esse apelo ignorado pelo TJUE que baseou a sua decisão em factos económicos e na liberdade de concorrência, considerando que o desporto era uma indústria como qualquer outra e não uma atividade cultural, intimamente ligada às tradições de cada país. Esta lei trouxe assim diversas consequências tanto para clubes como jogadores em diferentes aspetos, tais como abolições de certas taxas de transferências, salários mais altos, contratos mais longos e a abolição de quotas para jogadores estrangeiros alterando o equilíbrio competitivo, as práticas de contratação e o próprio relacionamento entre jogadores, clubes e adeptos (Douvis & Billonis, 2005). Uma dessas mudanças resultantes foi a possibilidade de os clubes exigirem uma taxa de transferência para jogadores que saem durante a vigência de um contrato. Esta condição incentivou os
16 clubes a assinarem contratos de longo prazo com os jogadores mais valiosos, através dos quais os transformava em ativos financeiros que poderiam ser vendidos se necessário. Estes contratos de longo prazo passaram a ser vistos como uma espécie de "bilhete de lotaria" para os clubes, uma vez que alguns jogadores, ao demonstrar talento e consistência, poderiam gerar receitas substanciais para os clubes em futuras transferências. Ao mesmo tempo, era do interesse dos jogadores aceitar contratos mais longos devido à segurança e estabilidade que eles oferecem numa carreira marcada por incertezas como lesões, beneficiando assim ambos os lados: os clubes garantem o jogador como um ativo valioso, enquanto os jogadores obtêm uma maior segurança financeira para o futuro (Szymanski & Kuypers, 1999). Outra grande consequência da Lei Bosman foi a maior liberdade de mobilidade concedida aos atletas, mobilidade essa que teve um impacto direto nos salários e na estrutura dos contratos. Com a possibilidade de mudar de clube sem taxas de transferência no final dos contratos, os jogadores ganharam maior poder de negociação, exigindo salários mais altos e melhores condições para permanecerem num clube. Em simultâneo, os clubes começaram a oferecer contratos mais longos para reter os seus melhores talentos, o que tornou estes jogadores um investimento financeiro mais seguro, aumentando assim tanto o valor das suas transferências como os seus salários. No entanto, esta prática também gerou um aumento considerável na carga financeira dos clubes, criando uma maior pressão económica sobre as equipas “menores”, que frequentemente não conseguem competir com os salários oferecidos pelas equipas de maior poderio financeiro (Douvis & Billonis, 2005; Szymanski & Kuypers, 1999). A pesquisa de Dobson e Goddard (2001) confirma esse aspeto que, de forma algo não intencional, a Lei Bosman causou impactos nas verbas de transferências pagas. Apesar do seu objetivo ser evitar que os clubes fossem feitos “prisioneiros”, acabou por inflacionar as verbas de transferências por jogadores ainda sobre contrato. Como os clubes ficaram atentos à possibilidade de perder um jogador a custo zero no final do seu contrato, estes procuravam vender o jogador antes do seu contrato expirar ou oferecer contratos de longa duração de modo a mantê-lo, aumentando significativamente o valor das transferências. Bourg e Gouguet (2023) acreditam que a Lei Bosman, simultaneamente com o desenvolvimento do futebol e a sua respetiva monetarização, através de canais pagos de televisão que seguiram as desregulações de outros meios audiovisuais, aumentaram a procura dos adeptos e as receitas dos clubes. Estes fatores legais e económicos contribuíram para a inflação das verbas de transferências, principalmente em avançados, considerados mais “importantes” e “vistosos” que defesas e guarda-redes
17 (Anderson & Sally, 2013). A Lei Bosman também eliminou certas taxas de transferência e quotas para jogadores estrangeiros, o que trouxe implicações adicionais. A abolição das taxas de transferência significou que os jogadores passaram a desfrutar de maior liberdade de mobilidade, mas também resultou numa menor motivação para que os clubes investissem em jovens jogadores, além de uma perda de receita para clubes pequenos, que antes dependiam dessas transferências para equilibrar suas finanças. A ausência de quotas para estrangeiros aumentou o número de oportunidades de emprego em diferentes mercados, mas causou uma certa perda de identidade dos clubes, afetando a relação entre adeptos e clubes devido à crescente presença de jogadores estrangeiros, o que, em alguns casos, diluiu os laços locais e culturais. Mais ainda, a prática de contratos mais longos também trouxe desafios. Embora garantam segurança de emprego aos atletas, esses contratos podem desmotivar alguns jogadores, que se "acomodam" sabendo que têm um contrato duradouro. Em algumas situações, esses contratos transformaram-se em armadilhas para os clubes, que acabam "prisioneiros" dos jogadores — os atletas, em posição de força, podem exigir melhores condições ou até forçar uma saída (Douvis & Billonis, 2005). Szymanski (2010) afirma que a Lei Bosman levou a uma concentração de talento nos clubes mais ricos, aumentando a diferença entre os clubes de topo e os clubes menores. De facto, em ligas com alguns clubes que possuem um poder financeiro significativo, os clubes mais ricos atraíram os melhores jogadores, incluindo jogadores de equipas “inferiores”, fortalecendo-se cada vez mais à medida que enfraqueceram a competição, levando assim a uma diminuição do equilíbrio competitivo. Essa diminuição do equilíbrio competitivo não ocorreu só nos campeonatos domésticos, mas também nas competições europeias. A UEFA Champions League, a principal competição de clubes de futebol na Europa, passou a ser cada vez mais dominada pelos mesmos clubes “de elite”, reduzindo a imprevisibilidade da competição (Kuper & Szymanski, 2014; Macedo, 2023). No passado, equipas como o Ajax, Estrela Vermelha de Belgrado e o Steaua de Bucareste, equipas de ligas consideradas de menor dimensão, conseguiam competir e até ganhar a competição, existindo um “exodus” de talentos destas equipas no período pós-Bosman para equipas com maior poderio financeiro (Lanfranchi & Taylor, 2001). Lanfranchi e Taylor (2001) também referem que a Lei Bosman não enfraqueceu os clubes menores puramente na perda de talento. As equipas de menor dimensão passaram a referidas, em alguns casos, como “feeder clubs”, pois os seus melhores talentos acabam por sair, em muitos casos no final do seu contrato a custo zero, para os seus rivais mais ricos. Esta situação levou a uma maior instabilidade financeira, pois os clubes perdem assim os seus maiores talentos e não têm capacidade de competir com os meios financeiros dos seus rivais, seja em salários ou verbas de transferência (Lanfranchi &
18 Taylor, 2001). Marcén (2014), no seu estudo sobre o impacto da Lei Bosman no mercado de jogadores de futebol espanhol, conclui que esta lei teve um efeito negativo na percentagem do número de jogadores espanhóis a participar na 1ª Liga. Tanto a participação como o número de minutos jogados diminuíram, o impacto no número de golos também é negativo e sugere que o papel do jogador de nacionalidade espanhol é, em média, menos preponderante após a Lei Bosman. 2.1.3Medidas Regulatórias no Futebol e o seu Impacto Outro conceito importante na compreensão deste projeto é o de medidas regulatórias no futebol e o seu impacto, dada a relevância dessas medidas para a continuidade de qualquer competição, de como muitas organizações tentam promover o equilíbrio competitivo através de processos regulatórios e, apesar de ser mais importante no futebol de escalões superiores, ajudar a tirar conclusões de como o equilíbrio competitivo pode afetar as equipas, incentivando-as a apostar em talentos locais (Peeters & Szymanski, 2014; Ramchandani et al., 2023). A UEFA introduziu o seu principal processo regulatório, o ‘Financial Fair Play’ (FFP) em 2011 que, inicialmente, tinha dois grandes objetivos. O primeiro era introduzir disciplina e racionalidade nas finanças dos clubes, afirmando que “os clubes que se qualificam para as competições da UEFA têm de provar que não tem dívidas em atraso em relação a outros clubes, jogadores, segurança social e autoridades fiscais”, de modo a garantir a sustentabilidade financeira dos clubes a longo prazo. O segundo era aumentar o equilíbrio competitivo, tanto em competições domésticas de cada país como em competições internacionais (como por exemplo a UEFA Champions League) (Ramchandani et al., 2023; UEFA, 2015). Antes da introdução destas medidas regulatórias, entre 2007 e 2011, os prejuízos dos clubes quase triplicaram, passando de €0,6 bilhões para €1,7 bilhões. Este desequilíbrio financeiro ocorreu porque os clubes gastaram mais do que podiam suportar em jogadores. Embora as receitas tivessem aumentado a uma taxa média de 5,6% ao ano, os salários cresceram ainda mais, cerca de 9,1% ao ano desde 2007. Como reação a este desenvolvimento, certas partes interessadas na indústria do futebol passaram a partilhar cada vez mais a perceção de que a viabilidade e sustentabilidade a longo prazo de todo o sistema financeiro estava ameaçada pela crise financeira cada vez mais profunda dos clubes (Franck, 2018). A partir de 2013 os clubes passaram a ter de respeitar uma gestão equilibrada de “break-even” (não podiam gastar mais do que ganhavam, restringindo, em teoria, a acumulação de dívidas) (UEFA
19 2020), sendo o controlo feito pelo Comité de Controlo Financeiro dos Clubes (CFCB) da UEFA que analisa em todas as épocas as contas consolidadas de todos os clubes participantes nas provas da UEFA nos últimos 3 anos. Apesar da ideia central ser uma de “break-even” por parte dos clubes, na prática a própria UEFA afirma que “em termos rigorosos, os clubes podem gastar até mais 5 milhões de euros do que ganham por período de avaliação (três anos)”. No entanto, ao longo da última década, a eficácia do FFP foi amplamente criticada seja por questões em torno da legalidade dos regulamentos, argumentando-se que o FFP limita as injeções de financiamento externo através da regulamentação, como pelo próprio impacto do FFP na qualidade das equipas e nos salários dos jogadores (Ramchandani et al., 2023). Franck (2013), quando discute os objetivos e efeitos do FFP, refere como o FFP limita os gastos dos clubes em salários e transferências, restringindo assim as opções de jogadores disponíveis para contratação e consequentemente uma maior utilização de jogadores dos escalões de formação ou de talentos locais. Os argumentos de Peeters e Szymanski (2014) vão ao encontro das ideias de Franck (2013), que o desenvolvimento de talentos locais é permitido por regras regulatórias como o FFP, que ao limitar os gastos superiores às receitas, incentiva os clubes a desenvolverem os seus jovens talentos contribuindo tanto para o desenvolvimento dos jogadores, como dos clubes. Franck (2018), num dos seus trabalhos posteriores afirma que os dados mais recentes mostram que o futebol de clubes europeu é caracterizado principalmente por uma rápida recuperação financeira e por uma maior polarização, indicando também que essa recuperação financeira está intimamente relacionada com o aumento da polarização. Por outro lado, o crescimento absoluto das receitas foi muito mais forte no topo da pirâmide do futebol, consolidando ainda mais o domínio desportivo dos clubes de maior dimensão. Apesar disso, o estudo de Franck (2018) aponta para a conclusão de que a indústria do futebol se tornou financeiramente muito mais estável desde a introdução do FFP. A pertinência deste conceito é relevante mesmo para um campeonato de futebol popular, pois alguns impactos do FFP, podem ter consequências semelhantes tanto a nível amador como a nível profissional. O mesmo princípio poderá ser aplicado em campeonatos inferiores, com regras de inscrição de jogadores considerados “estrangeiros” (que no caso do Campeonato Popular de Futebol de Barcelos, consiste em jogadores de outras freguesias) em que, em teoria, pode reduzir a qualidade global do plantel, mas aumentar a sustentabilidade financeira e limitar os custos (por exemplo custos de deslocação). Por estas razões, existem vários pros e contras da regra de limitação de estrangeiros. Por um lado, pode-se afirmar que a limitação de jogadores estrangeiros permite criar um maior
20 sentimento de orgulho local, dada a ligação com a equipa. Magee e Sugden (2002) afirmam que em situações em que os clubes são compostos por jogadores locais, como acontecia “antigamente” no futebol europeu, a ligação com os jogadores locais fortalecia o sentimento de pertença dos adeptos. Com a globalização, as equipas passaram a ser mais diversificadas, reduzindo essa ligação com a comunidade. Brown e colegas (2006) desenvolveram o tema no contexto inglês, nomeadamente no futebol profissional de Inglaterra, no qual afirmam que o futebol “tem sido historicamente um foco para a expressão de identidades comunitárias”, argumentando que muitos dos clubes mais bem-sucedidos da atualidade atribuem as suas origens a organizações comunitárias, sendo que a maioria dos clubes surgiu com nomes compartilhados com vilas, cidades ou áreas de cidades (algo extremamente comum mesmo nos dias de hoje). Por essa razão, os clubes ganham legitimidade através dessas reivindicações históricas de “representar” as populações dessas áreas geográficas, o que para alguns também significa atribuir aos clubes uma obrigação moral de retribuir (além de entretenimento futebolístico claro) às pessoas que afirmam representar. Essa obrigação moral de retribuição para com a comunidade circundante não se cinge apenas a essas reivindicações históricas. Tal como Kuper e Szymanski (2009) referem, a rivalidade entre equipas europeias baseadas na mesma cidade muitas vezes surgiu ao longo de linhas de classe ou religiosas, o que “moralmente” impede os fãs de “mudar” de clube. Significa também que com menos jogadores estrangeiros, as oportunidades para jogadores locais aumentam como refere Franck (2013), em que restrições do género limitam as opções de jogadores disponíveis para contratação e consequentemente uma maior utilização de jogadores dos escalões de formação ou de talentos locais. Permite também uma maior coesão social. Como refere Maia (2016) clubes como o Athletic Bilbao adotam uma política de recrutamento que privilegia jogadores locais, aceitando apenas atletas nascidos ou formados na região do País Basco. Este tipo de abordagem fortalece assim a identidade cultural local, promovendo a coesão social e a preservação das tradições locais. Por outro lado, existem também algumas desvantagens desta limitação de jogadores estrangeiros. Em primeiro lugar, promove uma menor diversidade cultural dentro das equipas e limita a interação com outras culturas futebolísticas (Maia, 2016), o que no caso do Campeonato Popular de Futebol de Barcelos pode ser interpretado como uma redução na troca cultural e na interação entre as diferentes freguesias, limitando o desenvolvimento de laços sociais mais amplos dentro da região. Pode também significar algum desnível competitivo e, consequentemente, uma menor
21 atratividade da competição. Freguesias com menores populações “partem em desvantagem” relativamente aos seus competidores de freguesias mais populosas, podendo ter dificuldade em montar equipas fortes devido à limitação de jogadores disponíveis, enquanto freguesias maiores poderiam ter mais talento local. Ao impedir a participação de jogadores de outras freguesias, o nível técnico e a competitividade do campeonato podem ser inferiores aos experienciados sem a existência dessa regra. De forma algo previsível, as desvantagens da regra que limita a inscrição de jogadores estrangeiros são as vantagens da extinção dessa regra. Um campeonato “aberto” nesse sentido pode desenvolver, potencialmente, um sentido de identidade mais regional em vez de apenas local e uma maior integração regional. Com a extinção da regra, jogadores de diferentes freguesias passam a competir juntos, o que poderá aumentar o número de interações entre comunidades vizinhas e, embora esta abertura da competição possa ter enfraquecido a ligação exclusiva com cada freguesia, também pode incentivar esse sentido de identidade mais próprio da região como um todo e não como freguesia. Da mesma maneira, a competitividade também pode ser afetada, como as equipas passaram a ter mais opções de jogadores, o nível técnico da competição pode ser superior ao experienciado anteriormente. Existem ainda outras medidas regulatórias a abordar, nomeadamente os tetos salariais. Um teto salarial é um limite para o montante de dinheiro que é permitido a um clube gastar em salários dos atletas, normalmente definido como uma percentagem das receitas médias anuais do determinado clube e são calculadas pela organização reguladora, normalmente a liga, com base nas receitas que o clube obteve na temporada anterior. Os tetos salariais impedem assim os clubes de investir de forma excessiva em jogadores. Por essa razão os defensores desta medida citam a proteção do futuro financeiro das instituições e do desporto em si como a principal razão para a introdução de um teto salarial, de modo a evitar situações como a de muitos clubes que enfrentam uma ruína financeira depois de apostarem em atletas com salários crescentes e insustentáveis. Tal acontece, devido ao facto do mercado nos desportos coletivos profissionais, principalmente no caso de atletas “estrelas”, estar sujeito a uma competição destrutiva o que leva alguns clubes à falência. Existem inúmeras situações em que gestores dos clubes gastam excessivamente em talento na tentativa de transformar as suas equipas em candidatas a títulos, ou seja, acabando por investir para além das suas capacidades em jogadores “estrela”, como comprova o desenvolvimento das finanças dos clubes no futebol europeu (Dietl et al., 2009). Este tipo de medida também afeta o bem-estar social. Como os tetos salariais são elaborados para limitar os pagamentos salariais, podem facilmente ser interpretados como um esforço por parte dos proprietários dos clubes para controlar os custos laborais. Seguindo nessa suposição, seria de prever
22 que os tetos salariais diminuíssem o bem-estar social. Na verdade, tetos salariais podem ter efeitos distintos no bem-estar social, dependendo da preferência dos adeptos em relação a talento agregado e ao equilíbrio competitivo, apesar desse efeito resultante sobre o bem-estar social ser algo contraintuitivo. Dietl e colegas (2009) referem, na sua análise que, se a liga já for muito equilibrada (no caso em que os adeptos preferem um equilíbrio competitivo), um teto salarial reduzirá o bem-estar social, pois diminuirá a qualidade da liga ao baixar o nível da competição. Neste cenário, os “ganhos adicionais” de uma medida destas, tentando equilibrar ainda mais a competição são baixos. Em contrapartida, se a liga sofre de uma distribuição desigual de talento (no caso de os adeptos preferirem o talento mais concentrado em algumas equipas), o bem-estar social (e os lucros dos clubes) podem aumentar com a implementação de um teto salarial (afirmando que a pesquisa empírica sobre o impacto do equilíbrio competitivo sugere que este segundo caso é mais realista). Outra medida importante a desenvolver é da redistribuição das receitas pelos clubes. Szymanski e Késenne (2004) destacam que os mecanismos de partilha de receitas, embora tenham sido concebidos para promover equidade entre as equipas, nem sempre levam a um maior equilíbrio competitivo. Alguns proprietários de equipas desportivas têm usado consistentemente o equilíbrio competitivo para justificar esquemas de redistribuição e partilha de receitas, com o objetivo de equalizar os recursos para que equipas com menor capacidade de atrair público possam competir com equipas mais fortes nesse aspeto. No entanto, Szymanski e Késenne (2004) apontam que a partilha de receitas pode reduzir o incentivo para os proprietários das equipas maximizarem o lucro investindo em talento ou desempenho. Isso ocorre porque, para cada equipa, o retorno financeiro associado às vitórias é diminuído, o que pode resultar numa menor competição para atrair os melhores jogadores e melhorar a performance geral, o que potencialmente pode também resultar em competições menos equilibradas. De um modo geral, todas estas medidas têm como objetivo a estabilidade financeira dos clubes, estabelecendo assim a importância dessa estabilidade. De facto, é essencial pois os clubes de futebol estão fortemente interligados, produzindo em conjunto a competição do campeonato. Se alguns clubes deixassem de operar a meio da temporada, a credibilidade de todo o campeonato seria gravemente comprometida, devido aos calendários incompletos, desencadeando efeitos financeiros em dominó, já que clubes falidos deixam de cumprir suas obrigações em negócios de transferências, colocando outros clubes em risco. De modo inverso, clubes que conseguem equilibrar as contas e viver dentro da renda gerada pelo mercado do futebol são sustentáveis e não geram esse tipo de externalidade negativa, respeitando o requisito de equilíbrio financeiro e a regra de não ter pagamentos atrasados, comportando-
23 se, nas palavras de Franck (2018), de uma forma “justa” financeiramente falando. Também fatores como o formato da competição e o número de equipas promovidas e despromovidas podem influenciar o equilíbrio competitivo. A forma como as equipas competem entre si e os próprios mecanismos de promoção e despromoção podem afetar diretamente não só a incerteza dos resultados, mas simultaneamente os incentivos para investimento em talento e a distribuição das receitas entre os clubes, tendo assim implicações económicas e desportivas significativas, afetando a sustentabilidade dos clubes. Segundo Kim e Lee (2025), a introdução de um sistema de play-offs numa competição melhora significativamente o equilíbrio competitivo, pois não só cria incerteza nas receitas como incentiva o investimento das equipas de mercados pequenos em talento. Ao contrário do sistema tradicional, onde a regularidade ao longo da época tradicionalmente favorece os clubes financeiramente mais fortes, os play-offs oferecem às equipas designadas “inferiores” uma oportunidade mais justa de alcançar o sucesso, tanto desportivo como financeiro. Embora grande parte da investigação de Kim e Lee (2025) sobre o impacto dos play-offs tenha sido conduzida no contexto do basebol, estes autores sugerem que, com algumas adaptações ao seu modelo, as suas conclusões podem ser aplicadas ao futebol. Ao adotar modelos de competição que introduzam maior imprevisibilidade e ajustem as disparidades de receitas entre clubes, as ligas podem tornar-se mais equilibradas, garantindo uma competição mais justa e atrativa para os adeptos. Em relação ao número de equipas afetadas pela promoção e despromoção de uma liga, Noll (2002) afirma que os efeitos no equilíbrio competitivo são ambíguos. Embora o sistema aumente a incerteza dos resultados e possa incentivar o envolvimento dos adeptos, também pode gerar desigualdades financeiras entre os clubes. Nesse sentido, este autor afirma que equipas que lutam pela subida de divisão tendem a investir fortemente na aquisição de talento, contrariamente a equipas recémpromovidas que, muitas vezes, não conseguem competir financeiramente com os adversários da liga em que se encontram no momento, levando-as a investir menos em jogadores do que quando estavam numa divisão inferior, quase resignando-se ao destino da despromoção. Nesse sentido pode-se afirmar que o impacto económico deste sistema depende da forma como a mudança de uma liga/divisão para a outra afeta as receitas e custos dos clubes. A promoção pode ser uma vantagem para as equipas mais fortes, pois, em teoria, representa um incentivo adicional para vencer e pode aumentar o interesse dos adeptos enquanto para os clubes mais fracos, a despromoção pode igualmente gerar envolvimento dos adeptos, uma vez que aumenta a importância dos jogos no final da época e porque se espera que, na temporada seguinte, os adversários sejam menos competitivos.
30 estudantes da faculdade e da Escola Secundária de Sogndal. Sendo uma plataforma para o desenvolvimento das instalações e na promoção de processos que fortaleceram os laços entre desporto, educação e desenvolvimento rural, o clube também aproveitou os seus recursos financeiros para profissionalizar, formar e expandir a sua administração, influenciando também as práticas das empresas circundantes e de empresas associadas ao clube (Fløysand & Jakobsen, 2007). Este aumento do emprego reflete uma mudança de amador para profissional, com uma administração cada vez mais profissional do clube e o aumento das exigências administrativas à medida que o clube se foi envolvendo em novas atividades, afirmando que “o ator industrial mais dinâmico na área é o futebol... não o futebol em si, mas a comercialização ligada ao desporto, o futebol como nicho”. Embora Fløysand e Jakobsen (2007) afirmem que o clube se tornou mais voltado para os negócios, o seu principal objetivo é desenvolver uma equipa/organização que seja o orgulho da comunidade. A atividade do clube não é direcionada pela busca de rendas de aluguer de espaços ou por uma taxa de retorno para os seus membros ou acionistas, mas sim pelo sucesso do clube e pela autoestima positiva da comunidade, tendo o clube liderado o desenvolvimento de instalações desportivas e estabelecendoas como corporações, levando à criação de mais empregos, mais receita e mais atenção para a região e para os seus cidadãos, tornando o clube num catalisador para o progresso comunitário e o desenvolvimento regional. Wicker e Breuer (2015), também tem uma perspetiva interessante, considerando os clubes desportivos comunitários locais como “importantes fornecedores de atividades de lazer, desporto e programas sociais, e, graças à sua forma jurídica, como organizações sem fins lucrativos”. Nesse sentido afirmam que para muitas organizações sem fins lucrativos que operam a um nível local, a situação económica e financeira é de extrema importância. Em particular, a situação do próprio mercado de trabalho e a consequente distribuição de rendimentos da população dessa comunidade podem ser determinantes para organizações sem fins lucrativos baseadas em membros. Estes autores argumentam que comunidades que apresentam taxas de desemprego elevadas e rendimentos baixos, podem prevenir a adesão de residentes que não têm recursos financeiros para se tornarem membros. Mais ainda, acrescentam que “quando a comunidade enfrenta dificuldades financeiras, o seu apoio às organizações locais sem fins lucrativos, em termos de financiamento ou disponibilização de infraestruturas, pode ser limitado.” Em relação a resultados desportivos, os clubes podem tirar vantagens de estarem inseridos em comunidades maiores, simplesmente porque existe um maior número de potenciais intervenientes. No entanto, também se pode argumentar que existe mais concorrência por recursos em comunidades
31 maiores, pois há também mais clubes e outras organizações financiáveis, havendo assim várias opções para possíveis investimentos e, consequentemente, uma menor probabilidade de investimento numa só organização, levando a uma competição entre organizações por recursos escassos (Wicker & Breuer, 2015). 2.2.3Avaliação do Impacto Social do Futebol A avaliação do impacto social do futebol é feita por métodos como o SROI, devido á sua complexidade. O SROI ou Retorno Social sobre o Investimento, é uma metodologia utilizada para entender, medir e avaliar os impactos sociais de uma determinada atividade ou organização. O seu uso é cada vez mais frequente, principalmente por entidades e organizações ligadas ao terceiro setor, para medir e avaliar impactos sociais, de modo a justificar o investimento público, perceber onde é que certas atividades criam valor social e como se pode usar esta ferramenta estratégica para planear e maximizar o valor social futuro (Davies et al., 2019). Como ferramenta de medição, o SROI tem a vantagem da versatilidade, de poder ser aplicado a uma ampla gama de organizações e contextos, incluindo políticas públicas. De facto, Davies e colegas (2019) referem que o SROI pode ser aplicado com diferentes níveis de rigor dependendo do tipo de decisão que ele está destinado a informar, ou seja, este método pode usar níveis de rigor semelhantes a uma análise custo-benefício ou empregar níveis mais baixos de rigor para informar sobre decisões operacionais dentro de uma organização, permitindo uma medição mais ampla do valor social (Davies et al., 2019). De forma a adaptar este conceito ao futebol, recorro ao exemplo do modelo GROW SROI da UEFA. O modelo GROW SROI (ou Crescimento e Retorno Social do Investimento no futebol) é um modelo criado pela UEFA na tentativa de responder quão benéfico o futebol pode ser para um indivíduo, comunidade ou até país (UEFA, 2019). É uma análise de custo-benefício que permite aos governos e associações/federações nacionais perceber os benefícios sociais que o futebol traz e onde são aplicados (UEFA, 2020). O objetivo é de avaliar o impacto deste desporto, em qualquer país, em quatro áreas distintas: económica, social, saúde e alto desempenho. A esse impacto da participação em massa no futebol nessas áreas é, após análise, atribuído um valor monetário aos benefícios comprovados nas três primeiras áreas (UEFA, 2019). Em Portugal, o futebol teve um retorno social de investimento de 1,67 mil milhões de euros, devendo ser considerado um setor essencial para a economia portuguesa. De acordo com o presidente da Federação Portuguesa de Futebol, Fernando Gomes, o futebol dá um contributo preciosos a várias
32 áreas distintas ajudando no seu progresso e sustentabilidade. Afirma também que várias posições associadas ao futebol tais como jogadores, treinadores, árbitros, clubes, voluntários, entre outros, são elementos que dinamizam as comunidades e a sociedade em geral pois este desporto é “um instrumento poderoso de desenvolvimento económico, coesão e responsabilidades sociais” (maisfutebol, 2021) Mais ainda, o impacto social positivo da população portuguesa ativa que está ligada ao futebol corresponde ao valor representativo de 366,481 milhões de euros, sendo 299,06 milhões de euros para o voluntariado, 66,78 milhões de euros para educação e emprego, 200 mil euros na redução da taxa de criminalidade e 460 mil euros em projetos e programas. Também na saúde ocorre um impacto positivo, nomeadamente cerca 361,745 milhões de euros são poupados pelos serviços de saúde graças à participação em futebol no solo português. O modelo indica que, na prevenção de doenças, existe um benefício de 64,54 milhões de euros na diabetes e em problemas cardiovasculares, 14,98 milhões de euros no envelhecimento, 7 milhões de euros em doenças mentais e 726 mil euros no cancro (maisfutebol, 2021). De facto, este modelo não é apenas útil para calcular o retorno social do investimento total de um determinado país, mas pode também ser usado para calcular esse retorno em regiões especificas. Tal como afirma a UEFA (2020), ao usar o modelo de retorno social sobre o investimento num clube específico, podemos medir os benefícios económicos, sociais e de saúde do futebol amador nas comunidades locais (através de gastos em lojas locais como por exemplo equipamentos, investimento em instalações de futebol como equipamentos de treino, campos e a contribuição social presente nos treinadores voluntários para a educação física) (UEFA, 2020) Por todas estas razões, a UEFA considera que este modelo e a sua respetiva análise traz muitos benefícios. Desta maneira, o diálogo com as associações governamentais sobre os benefícios do desporto pode ser suportado com valores testados e concretos, sendo estas evidências científicas reconhecidas pelo mundo académico, pela Organização Mundial da Saúde e pelo Conselho Europeu. Estes benefícios mais amplos assim comprovados permitem que o futebol e os seus responsáveis dialoguem com diversos ministérios, como os da saúde, educação, justiça e desenvolvimento regional (UEFA, 2019). Mais ainda, permite que os parceiros comerciais do futebol destaquem os benefícios que este traz à sociedade e, consequentemente que estes próprios parceiros subscrevem, ao apoiar o futebol de formação ou amador (UEFA, 2019). 2.2.4 - Síntese e Fundamentação para o Problema Existe um número significativo de índices, fórmulas e até mesmo variações adaptadas a diversos
33 contextos competitivos que podem medir o equilíbrio competitivo. De um modo geral a literatura empírica sobre equilíbrio competitivo é caracterizada em duas linhas distintas: a primeira é foca-se no que aconteceu com o equilíbrio competitivo ao longo do tempo ou como resultado de mudanças nas práticas comerciais do desporto profissional, já a segunda aborda o efeito do equilíbrio competitivo sobre os fãs e testa a incerteza da hipótese de resultado, esta sendo a hipótese de que uma pequena diferença de qualidade entre dois competidores num evento desportivo maximiza o bem-estar dos espetadores (Evans, 2014; Fort & Maxcy, 2003; Rottenberg, 1956; Zimbalist, 2002). Como sugerem Pawlowski e Anders (2012), podemos obter uma medida subjetiva da incerteza de resultado e do equilíbrio competitivo percecionado pelos adeptos através de inquéritos e entrevistas, contudo o presente estudo opta por medidas matematicamente calculadas, pois assim evita o viés subjetivo que pode ocorrer em inquéritos ou entrevistas e permite que o estudo seja replicado em outros contextos semelhantes. Este equilíbrio é afetado por fatores como medidas regulatórias e conjuntura externa, como por exemplo a Lei Bosman. Esta Lei, estabelecida pelo Tribunal de Justiça da União Europeia em 1995, aboliu taxas de transferência para jogadores fora de contrato e proibiu limites na contratação de jogadores da União Europeia, garantindo-lhes liberdade de movimento entre clubes dentro da UE, em conformidade com o Tratado de Roma. Para além disso, influenciou fatores como os salários dos atletas e a duração média dos contratos praticados até então (Douvis & Billonis, 2005; Szymanski & Kuypers, 1999). A Lei Bosman levou, contudo, a uma concentração de talento nos clubes mais ricos, aumentando a diferença entre os clubes de topo e os clubes menores, levando assim a uma diminuição do equilíbrio competitivo, não só nos campeonatos domésticos, mas também nas competições europeias (Kuper & Szymanski, 2014; Macedo, 2023). Também é importante perceber como muitas organizações tentam promover o equilíbrio competitivo através de medidas regulatórias. Por exemplo, a UEFA introduziu o seu principal processo regulatório, o FFP, de modo a garantir a sustentabilidade financeira dos clubes a longo prazo e a aumentar o equilíbrio competitivo. Neste os clubes podem gastar até mais 5 milhões de euros do que ganham por período de avaliação, limitando os gastos em salários e transferências, e levando consequentemente uma maior utilização de jogadores dos escalões de formação ou de talentos locais (Franck, 2013; Peeters & Szymanski, 2014; Ramchandani et al., 2023). Outra medida importante neste contexto é a dos tetos salariais. Um teto salarial é um limite para o montante de dinheiro que é permitido a um clube gastar em salários dos atletas. Esta medida impede assim os clubes de investir de forma excessiva em jogadores, evitando situações de ruína financeira
34 consequentes de apostar em atletas com salários crescentes e insustentáveis. Para além disso, tetos salariais têm efeitos distintos no bem-estar social, dependendo da preferência dos adeptos em relação a talento agregado e ao equilíbrio competitivo, nomeadamente se a liga já for muito equilibrada, um teto salarial reduzirá o bem-estar social e vice-versa (Dietl et al., 2009). Também é importante referir o papel que o desporto tem na sociedade, dando destaque especial ao futebol. O desporto, de um modo global, contribui para a formação de crianças e jovens, pode tornar a sociedade mais justa, mais coesa e é uma ferramenta de desenvolvimento. De facto, o desporto consegue unir pessoas de diferentes culturas e crenças, promovendo a diversidade e permitindo a inclusão de pessoas com deficiência, promovendo igualdade de oportunidades, contribuindo assim para alcançar objetivos como a redução da pobreza, o acesso universal à educação e a igualdade de género (Pereira, 2007; SDGF, 2018). O futebol, além dos aspetos referidos anteriormente, apresenta algumas especificidades que podem não ser encontradas em outros desportos. A ligação comunitária é fundamental, trazendo benefícios mútuos significativos, como a disponibilização de transportes nos dias de jogos, preços acessíveis para comunidades desfavorecidas, políticas de bilheteira inclusivas ajudam a fortalecer a ligação entre os clubes e as suas comunidades, enquanto reduzem impactos negativos como trânsito e exclusão social (Brown et al., 2006). A influência dos clubes nas comunidades não se limita à representação da cultura, mas também a diversos fatores como o aumento do valor dos terrenos e potenciais melhorias no desenvolvimento urbano, intervenções sociais, etc (Ahlfeldt & Maennig, 2010; Brown et al., 2006; Kuper & Szymanski, 2009). O impacto que o futebol tem nas comunidades rurais pode ser predominante, como acontece no Campeonato Popular de Futebol de Barcelos. Nesse sentido, existem exemplos de como os clubes podem influenciar uma região, seja em emprego, inovações tecnológicas ou desenvolvimento de infraestruturas (Fløysand & Jakobsen, 2007). Wicker e Breuer (2015) consideram os clubes desportivos comunitários locais como “importantes fornecedores de atividades de lazer, desporto e programas sociais, e, graças à sua forma jurídica, como organizações sem fins lucrativos” Existem, também nesse sentido, métricas que permitem perceber em valores concretos o retorno social do investimento no futebol. O modelo GROW SROI é uma análise de custo-benefício que permite aos governos e associações/federações nacionais perceber os benefícios sociais que o futebol traz e onde são aplicados, sendo que em Portugal, o futebol teve um retorno social de investimento de 1,67 mil milhões de euros (maisfutebol, 2021; UEFA, 2020).
35 A partir das informações anteriores, conseguimos estabelecer uma base para a compreensão do problema, hipóteses e metodologia que será explicada no próximo capítulo. 3Metodologia Nesta parte do trabalho irei explicar o processo pelo qual a investigação se guiou, sendo esta metodologia dividida em várias secções: problema e as hipóteses de investigação (3.1), o sistema de pontuação e regulamentos da competição (3.2), indicadores da investigação (3.3) e a recolha dos dados (3.4). 3.1Problema e Hipóteses de Investigação O Campeonato de Futebol Popular de Barcelos é uma competição com mais de três décadas de existência, marcada por diferentes fases, formatos e inclusão ou extinção de determinadas regras. Este estudo foca-se na extinção de uma regra específica e as suas consequências, sendo ela a restrição da inscrição de jogadores de fora da freguesia por parte de equipas participantes, que tinha como objetivo manter a competição local e equilibrada, privilegiando os jogadores locais e a ligação à comunidade local. Até à temporada de 2010/2011, os clubes estavam limitados a inscrever na competição um total de 6 jogadores “estrangeiros” (atletas que não residem nem são naturais da freguesia). A partir dessa temporada, com o seu fim, as equipas passaram a ter a liberdade de recrutar talentos de outras freguesias de Barcelos, potencialmente alterando a dinâmica competitiva do campeonato, e até mesmo social. De certo modo, existe aqui um paralelo (em escala muito mais reduzida) com o caso Bosman, uma vez que os dois casos tratam de uma mudança de paradigma ao permitir uma circulação mais livre de atletas. Os objetivos desta investigação são, primeiramente, calcular o equilíbrio competitivo do Campeonato de Futebol Popular de Barcelos, ao longo das épocas. Após isso, efetuar uma comparação dos valores de competitividade do campeonato nas diversas épocas, nomeadamente entre dois períodos distintos, um anterior à abolição da regra que limitava o uso de jogadores estrangeiros e um posterior a essa abolição, de modo a perceber se a abolição dessa regra influenciou (ou não) a competitividade. Em seguida, procura-se estabelecer ligações entre os resultados obtidos e as características demográficas e socioeconómicas das freguesias do concelho de Barcelos, bem como identificar possíveis impactos dessas características nas equipas. Essa análise será feita através dos registos de pontuações de épocas entre 1999 e 2019. O ano inicial é limitado pela disponibilidade de dados e o ano final pela pandemia Covid-19, que levou ao
36 cancelamento da competição em 20/21 e gerou modificações na organização nas duas épocas seguintes. As épocas são dívidas em dois períodos de estudo distintos: um período que vai da época 99/00 à época de 09/10, data da última época em que a regra que limitava o uso de jogadores estrangeiros ainda se encontrava em vigor e um período posterior à abolição de regra, que começa em 10/11 e se estende até ao fim da amostra recolhida. O Índice Normalizado de Herfindahl-Hirschman (nHHI) é usado como o principal indicador para estudar a concentração no campeonato e utilizado em trabalhos semelhantes como de Ávila-Cano e Triguero-Ruiz (2018), para além de outros indicadores como o Índice de Herfindahl de Equilíbrio Competitivo (HICB) desenvolvido por Michie e Oughton (2004) (os indicadores serão explicados em maior detalhe em secção posterior dedicada). A análise também utiliza diversos indicadores de domínio (como número de títulos ganhos por cada equipa, número de títulos ganhos por cada equipa no período anterior à mudança, número de títulos ganhos por cada equipa no período posterior à mudança e número de períodos em que a mesma equipa conquistou o título consecutivamente) para averiguar se esta mudança levou a uma maior disparidade entre os intervenientes deste campeonato e como isto poderá influenciar o futuro desta competição e de outras semelhantes. Após isso, procura-se aferir quais são as condições socioeconómicas das comunidades locais e como estas influenciam a prestação das equipas no campeonato e, consequentemente, o equilíbrio da competição. Após isso e mediante os resultados, determina-se que potenciais impactos poderão ter a competitividade e abolição da regra em estudo nas comunidades locais e que ilações que podem aplicar-se a outras competições desportivas. As hipóteses de investigação que serão abordadas neste projeto, de forma simplificada, são as seguintes: - “Como tem evoluído o equilíbrio competitivo no Campeonato de futebol Popular de Barcelos?” - “A livre circulação de jogadores impactou o equilíbrio da competição?” - “Quais são as condições demográficas e socioeconómicas das comunidades locais e como estas influenciam a prestação das equipas?” A secção seguinte elabora então em detalhe o sistema de pontuação e os regulamentos da competição usado pelo Campeonato Popular de Futebol de Barcelos. 3.2Sistema de Pontuação e Regulamentos da Competição O Campeonato Popular de Futebol de Barcelos é uma liga de futebol aberta com despromoção, sem play-offs (durante o período deste estudo), de duas voltas, em que os participantes disputam entre si os jogos, na condição de visitado e visitante, atribuindo 3 pontos por vitória, 1 ponto por empate e 0
37 pontos por derrota. O vencedor do campeonato é determinado pelo melhor total de pontos. Em caso de empate pontual, são utilizados os seguintes critérios de desempate, por ordem: ”a) Número de pontos alcançados pelos clubes nos jogos disputados entre si; b) Maior diferença entre o número de golos marcados e sofridos nos jogos disputados entre os clubes empatados; c) Maior diferença entre os golos marcados e sofridos, durante toda a competição; d) Maior número de vitórias na competição; e) Maior número de golos marcados na competição; f) Menor número de golos sofridos na competição; g) Jogo entre as equipas empatadas em campo neutro” (Associação de Futebol Popular de Barcelos, 2024) . Os jogos têm a duração de 90 minutos, compostos por duas partes de 45 minutos cada, sendo que ocorre um intervalo de 15 minutos entre as duas partes e serão disputados em conformidade com as leis em vigor a nível do futebol profissional, são permitidas cinco substituições distribuídas por três períodos do jogo (não contabilizando o intervalo), não podendo os jogadores substituídos voltar a jogar no mesmo jogo (Associação de Futebol Popular de Barcelos, 2024). Relativamente à utilização de jogadores, na iteração atual da competição não existe qualquer limitação de utilização de jogadores não residentes e/ou não naturais da freguesia (jogadores que iremos daqui em diante chamar de “estrangeiros”), contudo, tendo em conta o objetivo do estudo, é importante sublinhar que essa mudança só ocorreu a partir da temporada 2010/2011. Em todas as épocas que antecedem essa temporada, as equipas não podiam inscrever na competição mais que 6 jogadores estrangeiros. Convém ainda salientar que apesar de não haver limitações relativamente à freguesia, os jogadores devem ter naturalidade ou residência em Barcelos para participar, reforçando a ligação da competição à comunidade local. 3.3Indicadores da Investigação Tal como foi referido anteriormente, o principal indicador de concentração utilizado neste estudo é o nHHI, uma variação do Índice de Herfindahl-Hirschman (HHI). O HHI mede a concentração de mercado numa determinada indústria, usando a seguinte expressão: 𝐻𝐻𝐼=∑𝑆𝑖2 𝑛 𝑖=1 onde 𝑆𝑖 é quota de mercado da empresa i e n é o número de empresas na indústria. O mesmo pode ser aplicado na medição do equilíbrio competitivo das ligas desportivas, utilizando a mesma expressão, mas substituindo o termo “empresa” por “equipa” ou “organização” e “quota de mercado de uma empresa” por “percentagem de pontos obtidos na liga”. Contudo, existe um problema
38 inerente a esta medida. Este índice está correlacionado com o número de empresas numa indústria (ou de equipas num campeonato), ou seja, é sensível ao número de equipas de um campeonato, especialmente quando em comparações de campeonatos (ou épocas) com números diferentes de equipas (Evans, 2014), como é o caso do Campeonato de Futebol Popular de Barcelos. De modo a corrigir essa sensibilidade ao número de equipas, um indicador robusto que permite a comparação entre ligas que apresentam diferentes números de equipas, Owen e colegas (2007) introduzem então uma medida normalizada para avaliar o equilíbrio competitivo, o nHHI, oferecendo um indicador ajustado que facilita a comparação entre contextos distintos, que, no entanto, exige conhecer os valores teóricos máximos e mínimos do índice para ser calculado. O indicador proposto por estes autores varia entre zero e um, onde o valor zero representa uma situação de equilíbrio perfeito, em que todas as equipas possuem igual probabilidade de sucesso, enquanto o valor um reflete o cenário de maior desequilíbrio possível, no qual uma única equipa domina amplamente a competição, permitindo assim uma leitura muito mais simples dos resultados obtidos, senda essa uma vantagem habitualmente atribuída a este indicador (Owen et al., 2007). Contudo, o cálculo do nível máximo de HHI, o HHImax, um dos componentes necessários para calcular o nHHI, e o valor que representa o maior desequilíbrio possível, é complexo, pois varia com o sistema de pontuação e a existência ou não de empates. Para um sistema de pontuação como o do Campeonato de futebol Popular de Barcelos (3,1,0) e do futebol atual,Ávila-Cano e Triguero-Ruiz (2018) definiram valores mínimos e máximos que incluem a possibilidade de empates. Esta abordagem tornase particularmente relevante para estudos como o presente, permitindo assim uma análise mais rigorosa. O nHHI é calculado da seguinte forma: 𝑛𝐻𝐻𝐼= 𝐻𝐻𝐼−𝐻𝐻𝐼𝑚𝑖𝑛 𝐻𝐻𝐼𝑚𝑎𝑥−𝐻𝐻𝐼𝑚𝑖𝑛 Em que n é o número de equipas presentes no campeonato e HHImin é o maior equilíbrio possível na competição, forçosamente 𝐻𝐻𝐼𝑚𝑖𝑛=1 𝑛 , pois o maior equilíbrio possível seria as equipas terem todas o mesmo número de pontos. Como já referido, o cálculo do HHI máximo é, no entanto, mais complexo. O HHImax representa a classificação mais desequilibrada possível em termos teóricos. Em competições onde não há empates, este cenário é simples de descrever: a equipa em 1º lugar vence todos os jogos, a equipa em 2º lugar vence todos os jogos exceto contra o 1º, a equipa em 3º lugar vence todos os jogos exceto contra o 1º e o 2º, e assim sucessivamente. No entanto, em campeonatos de futebol, onde a distribuição de pontos inclui vitórias, empates
39 e derrotas, os cálculos tornam-se diferentes. Nesse sentido, esta investigação utiliza os valores de HHImax já calculados por Ávila-Cano e Triguero-Ruiz (2018), (presentes na tabela do anexo 2), de modo a calcular o nHHI, já que o seu trabalho apresenta valores tendo em conta o número de equipas presentes no campeonato em determinada época. Por exemplo, num campeonato com 20 equipas, o HHImax é 0,075402, enquanto num campeonato com 18 equipas, o HHImax é 0,083938. Nestes dois casos, a equipa em 1º lugar venceu todos os jogos, a equipa em 2º lugar venceu todos os jogos exceto contra o 1º, e a equipa em 3º lugar venceu todos os jogos exceto contra o 1º e o 2º, e assim sucessivamente até ao 7º lugar. As restantes equipas, classificadas entre o 8º lugar e o último, empataram todas as suas partidas, com exceção das derrotas contra as equipas dos 7 primeiros lugares. Este é o cenário que define o campeonato de futebol teoricamente mais desequilibrado possível, tanto para 18 como para 20 equipas. De modo a dar outra robustez à investigação, também foram utilizados outros indicadores de concentração para perceber a diferença entre os dois períodos. O HICB, uma variação do HHI criada por Michie e Oughton (2004), é dada pela seguinte expressão: 𝐻𝐼𝐶𝐵=(∑𝑆𝑖2 𝑛 𝑖=1 1 𝑁)×100 𝑆𝑖 representa a percentagem de pontos da equipa i e n representa o número de equipas do campeonato. Esta medida permite uma interpretação fácil dos resultados, pois uma liga perfeitamente equilibrada obtém um valor de 100, aumentando o valor deste indicador com o aumento do desequilíbrio competitivo (Michie & Oughton, 2004). Contudo, é relevante realçar que este indicador é sensível ao número de equipas presentes no campeonato, não tendo assim tanta robustez na comparação de épocas/campeonatos com números diferentes de equipas como indicadores como o nHHI. Relativamente aos indicadores de domínio, este estudo utiliza estatísticas descritivas, como número/percentagem de títulos da liga por equipa e o número de vezes em que uma equipa conquistou títulos consecutivos. Rottenberg (1956), num dos primeiros artigos na literatura sobre economia do desporto, afirma que o número de vezes que cada equipa venceu o título da sua liga permite perceber quão dominadora é uma equipa (ou várias) no seu campeonato. Michie e Oughton (2004), no seu estudo em que analisaram a Premier League inglesa de futebol, destacam que podemos perceber um certo domínio de um clube relativamente aos restantes, que nos 12 anos desde a criação da liga, um único clube (Manchester United) ter conquistado o título em 8 dessas temporadas, enquanto apenas dois clubes (Arsenal e Manchester United) venceram o campeonato em 11 das 12 épocas.
46 épocas de 99/00 e 00/01 e outra entre as épocas de 05/06 e 06/07, ou seja, durante o período em que existia limitação aos jogadores estrangeiros. De notar também que ambas as equipas (Águas Santas e Carreira) conquistaram a totalidade dos seus títulos durante esses períodos de títulos consecutivos, não replicando esse sucesso mais nenhuma vez. Esta raridade de título consecutivos parece reforçar a narrativa anterior de que o Campeonato Popular de Futebol de Barcelos foi ficando mais equilibrado ao longo do tempo ou que existe alguma inconsistência na prestação dos clubes mais bem-sucedidos. No entanto, e como já foi referido na revisão de literatura, o equilíbrio competitivo pode ter vários determinantes, não sendo influenciado apenas por regras como a da limitação da inscrição de jogadores estrangeiros. Nesse sentido, de modo a dar alguma robustez a esta análise, a secção seguinte irá focarse no contexto demográfico e socioeconómico da região, nomeadamente as freguesias ou uniões de freguesias que contêm equipas no campeonato nas épocas estudadas, analisando variáveis como população residente, população masculina residente entre os 15 e os 44 anos (segmento onde são encontrados os potenciais jogadores), taxa de atividade e taxa de desemprego (proxies do poder de compra ou do poderio financeiro). Será analisada a evolução entre 2011 (primeira época da mudança da regra) e 2021. 4.2O Contexto Demográfico e Socioeconómico das Freguesias de Barcelos Esta secção propõe uma extensão da análise empírica através da incorporação de variáveis demográficas e socioeconómicas das freguesias de origem dos clubes participantes no campeonato, de modo a analisar as disparidades estruturais entre clubes, por exemplo, no que toca aos recursos disponíveis. A hipótese subjacente é que, a priori, freguesias com maior dinamismo económico oferecem condições mais favoráveis ao desenvolvimento desportivo dos clubes locais e que variáveis demográficas, como a dimensão da população, principalmente masculina entre os 15 e os 44 anos, podem refletir o potencial talento que as freguesias teriam à sua disposição no período anterior à mudança da regra. Ao incluir estes indicadores, procura-se obter uma visão mais abrangente sobre os determinantes do equilíbrio competitivo, especialmente no contexto das transformações introduzidas pela “Lei Bosman do futebol amador”. A tabela 9 mostra todas as freguesias/uniões de freguesias presentes no campeonato nas épocas estudadas anteriormente:
47 Tabela 9 Freguesias presentes no Campeonato e respetivas equipas Freguesia Equipa Aborim UCR Aborim Alheira e Igreja nova Alheira FC Chorente, Góios, Courel, Pedra Furada e Gueral GD Pedra Furada Vila Cova e Feitos GD Feitos Silveiros e Rio Covo GD Águas Santas, ADCR Silveiros Campo e Tamel GDR Campo Carreira e Fonte Coberta ADRC Fonte Coberta, AD Carreira Balugães A Baluganense CD Creixomil e Mariz GD Creixomil Sequeade e Bastuço ARC Sequeade Cambeses ACDR Cambeses Carapeços ACD Carapeços Carvalhal AD Carvalhal Carvalhas Carvalhas FC Cossourado ARC Cossourado Cristelo GDC Cristelo Airó Leões da Serra FC Fragoso GD Fragoso Tamel (Santa Leocádia) e Vilar do Monte GDR Leocadenses Durrães e Tregosa FC Lirio do Neiva Lijó Lijó FC Macieira de Rates GD Macieira Milhazes, Vilar de Figo e Faria AD Milhazes Negreiros e Chavão FC de Negreiros Barcelos, Vila Boa e Vila Frescainha ADCR Vila Boa, ADRJ S.Martinho Oliveira FC Oliveira Palme Palme FC Arcozelo GDC Cristina Paradela GDRM Paradela
48 Pereira ACD Pereira Perelhal JRC Perelhal Remelhe ADC Remelhe Silva ND da Silva Várzea ARC Várzea A análise foca-se em dois potenciais determinantes do equilíbrio competitivo, sendo estes a população das comunidades onde os clubes estão inseridos e onde, até à mudança da regra, obtinham os jogadores com que disputavam o campeonato e os recursos financeiros das comunidades onde os clubes estão inseridos. A literatura mostra alguns exemplos sobre como essas variáveis influenciam os clubes. Em relação à população, Balish e colegas (2015) afirmam que residentes de comunidades com populações maiores tinham maior probabilidade de participar em desportos coletivos do que aqueles em comunidades menores sugerindo que comunidades ligeiramente maiores oferecem melhores oportunidades para o desenvolvimento de equipas desportivas. Para Wicker e Breuer (2015), a dimensão da comunidade está associada aos recursos dos clubes desportivos, nomeadamente aos recursos humanos e financeiros. Em relação a resultados desportivos, os clubes podem tirar vantagens de estarem inseridos em comunidades maiores, simplesmente porque existe um maior número de potenciais intervenientes. Em relação aos recursos financeiros, (Franck, 2010) afirma que a posição competitiva de um clube não é determinada pela sua rentabilidade, mas sim pelo seu poder de investimento. Um clube que consiga aceder a fontes de financiamento que os seus concorrentes não conseguem, aumentará a sua posição competitiva nessa corrida, ceteris paribus. Transpondo isso para o contexto desta investigação, freguesias com mais empresas, taxa de emprego mais elevada ou casas mais valiosas podem simbolizar freguesias mais ricas o que pode significar mais recursos para os clubes e, consequentemente, uma vantagem perante outros competidores com menos recursos. Para isso foram recolhidos dados de todas as freguesias/uniões de freguesias, através dos Censos Nacionais realizados em 2011 e 2021, agrupando-se em cinco variáveis distintas: população residente, número de homens residentes entre os 15 e os 44 anos, taxa de atividade, taxa de desemprego e taxa da variação populacional entre os dois períodos. Usando os dados de 2011 (tabela 10), pode-se aferir como seriam as condições para os clubes durante o período pré-abolição da regra (que terminou em 2010) e, usando os dados de 2021 (tabela 11), pode-se aferir como evoluíram essas variáveis ao longo do tempo e que condições tem os clubes na atualidade para competir.
49 Tabela 10 Variáveis demográficas e socioeconómicas de cada freguesia em 2011 Freguesias População residente em 2011 Homens dos 15 aos 44 anos em 2011 Taxa de atividade em 2011 (%) Taxa de desemprego em 2011 (%) Aborim 891 184 48,15 12,59 Alheira e Igreja Nova 1456 273 43,41 8,86 Chorente, Góios, Courel, Pedra Furada e Gueral 2568 432 46,81 7,82 Vila Cova e Feitos 2564 516 48,36 9,03 Silveiros e Rio Covo 2151 460 49,79 9,99 Campo e Tamel 1521 328 50,03 14,85 Carreira e Fonte Coberta 2033 439 52,19 12,06 Balugães 841 168 48,51 10,05 Creixomil e Mariz 1208 250 50,25 9,88 Sequeade e Bastuço 1916 424 49,48 12,66 Cambeses 1300 287 46,85 12,15 Carapeços 2277 488 49,85 10,84 Carvalhal 1391 283 46,8 7,83 Carvalhas 691 154 49,78 13,37 Cossourado 825 185 45,7 11,14 Cristelo 1875 410 48,37 6,5 Airó 913 206 49,73 9,03 Fragoso 2193 488 44,82 12
50 Tamel (Santa Leocádia) e Vilar do Monte 1420 339 52,18 8,23 Durrães e Tregosa 1409 271 46,42 10,24 Lijó 2306 500 49,78 11,32 Macieira de Rates 2083 506 48,44 10,11 Milhazes, Vilar de Figo e Faria 2066 419 48,84 8,92 Negreiros e Chavão 2364 491 45,05 9,67 Barcelos, Vila Boa e Vila Frescainha 11108 2298 48,8 13,43 Oliveira 1004 221 47,61 12,13 Palme 1073 243 48,09 10,85 Arcozelo 12840 2887 52,83 15,67 Paradela 850 192 47,65 9,63 Pereira 1318 304 53,79 11,42 Perelhal 1749 378 51 11,32 Remelhe 1309 285 53,4 10,3 Silva 913 188 50,38 8,26 Várzea 1904 429 52,57 13,59 Ao analisar as épocas anteriores à mudança, certos aspetos são notórios quase imediatamente. A vertente demográfica confirma a sua importância em cenários “pré-Bosman” pois, de facto, os quatro primeiros lugares de cada época são, na sua maioria, ocupados por equipas de freguesias com maiores populações e maiores números de homens residentes entre os 15 e os 44 anos. Contudo, é importante referir que não há um envolvimento geral nesta competição, ou seja, é uma competição com interesse predominantemente rural e por essa razão certas freguesias com ambiente citadino e um grande nível de concentração de população (por exemplo, Barcelos e Arcozelo), que em teoria teriam uma vantagem
51 enorme em relação aos seus competidores no sistema pré-mudança, não apresentam grandes resultados a nível de sucesso. Estas freguesias em ambiente mais citadino tendem a apresentar equipas que competem em campeonatos distritais ou nacionais (por exemplo, o Gil Vicente). Mais ainda, é importante referir que a organização das freguesias em uniões de freguesias foi só realizada em 2013, não sendo possível a certos clubes usar toda a população respetiva na tabela. Em termos de taxa de atividade e taxa de desemprego, os dados indicam que os clubes com mais presenças nos quatro primeiros possuem, neste período pelo menos, uma taxa de atividade, em média, inferior aos clubes que orbitam as últimas posições da liga. Ao analisarmos as freguesias das equipas com mais presenças nos primeiros lugares da tabela (neste caso, Silveiros e Rio Covo; Campo e Tamel; Carreira e Fonte Coberta; Creixomil e Mariz; Carapeços; Carvalhal; Várzea e Tamel (Santa Leocádia) e Vilar do Monte) constatamos que a sua taxa média de atividade ronda os 50,46%, que curiosamente, é ligeiramente inferior à registada nas freguesias cujas equipas surgem mais frequentemente nos últimos lugares (que são neste caso Pereira; Oliveira; Barcelos, Vila Boa e Vila Frescainha; Lijó; Perelhal; Carreira e Fonte Coberta; Silveiros e Rio Covo e Várzea) cuja taxa de atividade média se situa nos 50,69%. Importa salientar que, para integrar qualquer um dos dois grupos analisados, foi adotado como critério a presença das respetivas freguesias em duas ou mais ocasiões nas posições consideradas. Já para a taxa de desemprego a tendência mantém-se, com a média das freguesias do “grupo dos primeiros” a ser ligeiramente inferior à média das freguesias do “grupo dos últimos”, sendo estas respetivamente 10,91% e 11,91%. Isso reforça a ideia de que o fator financeiro está relativamente equilibrado entre ambos os grupos e que o fator populacional é mais importante de que o aspeto financeiro na explicação do equilíbrio competitivo. Surgem também nesta análise dois casos curiosos, que são duas uniões de freguesia que contêm regularmente equipas diferentes tanto nos primeiros lugares como nos últimos, nomeadamente a união de freguesias de Silveiros e Rio Covo e a união de freguesias de Carreira e Fonte Coberta. O caso de Carreira e Fonte Coberta pode ser explicado com relativa facilidade, existe uma diferença de população muito grande entre estas freguesias (segundo os censos de 2011 Carreira tinha uma população residente de 1451 pessoas, comparando com as 582 de Fonte Coberta) e, consequentemente, um maior número de jogadores disponíveis para utilizar, o que tende a aumentar a qualidade do plantel. Já o caso de Silveiros e Rio Covo não se encontra uma explicação tão óbvia para o caso, a diferença populacional não é tão acentuada como no caso anterior (1181 e 970, respetivamente), nem o número de homens em Silveiros é inferior aos números de Rio Covo. Mais ainda, não foram encontrados dados que
52 diferenciassem estas freguesias em relação às variáveis de taxa de atividade e de taxa de desemprego, levando a ausência de conclusões sobre este caso específico. A tabela 11 mostra os dados socioeconómicos para o ano 2021, incluindo também a taxa de variação da população residente de 2011 a 2021, de modo a aferir as atuais condições dos clubes e como estas evoluíram ao longo do período pós-mudança: Tabela 11 Variáveis demográficas e socioeconómicas de cada freguesia em 2021 Freguesias População residente em 2021 Homens dos 15 aos 44 anos em 2021 Taxa de atividade em 2021 Taxa de desemprego em 2021 Taxa de variação de população residente de 2011 a 2021 (%) Aborim 827 132 48,37 7,25 -7,18 Alheira e Igreja nova 1347 220 42,98 6,74 -7,49 Chorente, Góios, Courel, Pedra Furada e Gueral 2454 453 49,51 5,35 -4,44 Vila Cova e Feitos 2449 421 49,2 3,57 -4,49 Silveiros e Rio Covo 2098 393 49,81 4,98 -2,46 Campo e Tamel 1509 280 50,43 4,2 -0,79 Carreira e Fonte Coberta 2022 379 50,49 5,58 -0,54 Balugães 787 134 51,46 4,69 -6,42 Creixomil e Mariz 1112 212 51,08 2,99 -7,95 Sequeade e Bastuço 1808 351 50 5,31 -5,64 Cambeses 1236 218 47,9 6,93 -4,92 Carapeços 2168 408 52,17 5,22 -4,79 Carvalhal 1233 196 47,61 4,6 -11,36 Carvalhas 692 131 44,51 8,44 0,14 Cossourado 758 137 47,1 3,36 -8,12
53 Cristelo 1657 323 49,67 3,16 -11,63 Airó 883 179 51,42 4,63 -3,29 Fragoso 2069 369 46,88 4,74 -5,65 Tamel (Santa Leocádia) e Vilar do Monte 1269 252 54,61 3,46 -10,63 Durrães e Tregosa 1379 255 46,48 5,77 -2,13 Lijó 2425 474 51,42 5,53 5,16 Macieira de Rates 1907 379 50,81 4,23 -8,45 Milhazes, Vilar de Figo e Faria 1993 350 50,23 5,19 -3,53 Negreiros e Chavão 2203 403 48,39 4,22 -6,81 Barcelos, Vila Boa e Vila Frescainha 11344 2014 49,11 5,62 2,17 Oliveira 986 184 48,17 3,58 -1,79 Palme 1045 207 51,77 2,96 -2,61 Arcozelo 12824 2528 53,59 7,42 -0,12 Paradela 789 154 50,95 1,99 -7,18 Pereira 1241 224 53,99 2,84 -5,84 Perelhal 1700 307 47,94 3,07 -2,8 Remelhe 1451 243 51,25 4,57 -2,22 Silva 900 153 50 5,11 -1,42 Várzea 1933 379 51,14 6,27 1,58 O período pós-mudança de regra apresenta desde logo algumas diferenças. Em termos populacionais, observa-se claramente um declínio, ilustrado pela taxa de variação da população residente que é negativa na maior parte das freguesias. Contudo, relativamente à taxa de atividade e à taxa de desemprego, regista-se um resultado mais positivo, enquanto a taxa de atividade média aumentou ligeiramente, dos 48,99% registados em 2011 para os 49,72% em 2021, e a taxa de desemprego média
54 desceu drasticamente, de um valor médio de 10,76% em 2011 para um valor médio de 4,81% em 2021. Relativamente aos primeiros quatro (cujas freguesias neste caso são: Creixomil e Mariz; Carapeços; Carvalhal; Airó; Tamel (Santa Leocádia) e Vilar do Monte; Macieira de Rates; Remelhe; Pereira e Silva) e últimos quatro (cujas freguesias neste caso são: Chorente, Góios, Courel, Pedra Furada e Gueral; Silveiros e Rio Covo; Carreira e Fonte Coberta; Balugães; Cossourado; Lijó; Oliveira e Palme) este período apresenta-se de forma contrária ao anterior. Começando pelo fator populacional, este parece ter perdido preponderância, constatando-se que várias equipas de freguesias com números de populações menores conseguiram alcançar os primeiros quatro lugares regularmente e várias equipas de freguesias com maiores números de populações acabaram regularmente nos últimos quatro, apesar de ainda existirem algumas equipas de freguesias maiores de forma habitual no top quatro e algumas equipas de freguesias “menores” de forma habitual nos últimos quatro, sendo utilizado o mesmo critério de anteriormente de duas ou mais presenças. Em relação às taxas de atividade e desemprego, a sua importância parece ter aumentado. As freguesias com equipas a competir regularmente pelos lugares do topo da tabela apresentam uma taxa de atividade média de 51,44%, sendo esta superior à apresentada pelas freguesias com equipas que regularmente acabam nos últimos lugares, que ronda os 49,97%. Na taxa de desemprego média, os dados indicam que, apesar da diferença ser ligeira, a vantagem financeira continua do lado das freguesias com equipas nos primeiros quatro, com uma taxa média de 4,18% contrastando com a taxa média de 4,59% apresentada pelas freguesias com equipas nos últimos quatro. Isto vai de encontro da literatura relacionada com a Lei Bosman, nomeadamente que variáveis como a população e o número de jogadores disponíveis têm mais importância num sistema que limita a inscrição de jogadores estrangeiros e num período subsequente de adaptação, mas que ao longo do tempo essa importância vai-se perdendo para o aspeto financeiro, em que, sem qualquer limitação, os clubes com mais recursos passam a ir buscar os atletas mais talentosos do mercado, tendo assim maiores probabilidades de sucesso desportivo. 4.3Implicações dos Resultados para a Economia Social Um estudo de equilíbrio competitivo num campeonato de futebol pode trazer lições valiosas para um ramo como a Economia Social. Neste caso, podemos considerar o futebol amador como um fator de dinamização social e económica, visto que a presença de equipas da AFPB pode aumentar o movimento no comércio local (cafés, restaurantes, pequenos negócios), em dias de jogo. Refiro, por exemplo, as pesquisas de Ahlfeldt e Maennig (2010) e de Brown e colegas (2006), cujos casos de literatura abordam ideias que infraestruturas ligadas ao futebol podem trazer benefícios para as comunidades. Pode também
55 servir como uma plataforma de promoção de inclusão e bem-estar dos membros das comunidades, como a pesquisa de Mousa (2020) mostra, através do futebol, um meio que não precisa de muitos recursos para ser funcional (Hoffmann et al., 2002). O equilíbrio competitivo, enquanto conceito, adquire uma nova dimensão quando inserido no campo da Economia Social. Num campeonato amador, onde os clubes são, na sua maioria, geridos por associações locais, possuindo um envolvimento comunitário direto e uma base voluntária, a análise do equilíbrio competitivo assume contornos sociais e económicos relevantes. Como Wicker e Breuer (2015) afirmam, os clubes desportivos comunitários locais são importantes fornecedores de atividades de lazer, desporto e programas sociais, e podem ser considerados, graças à sua forma jurídica, organizações sem fins lucrativos. Nesse sentido um estudo de equilíbrio competitivo na competição enquadra-se na temática pois um campeonato equilibrado pode gerar um impacto positivo na economia local, visto que há mais oportunidades para diferentes equipas (e comunidades) poderem alcançar o sucesso, incentivando assim um maior envolvimento social e uma maior participação no desporto (enquanto praticante ou espetador), o que pode promover uma maior inclusão social, visto que proporciona oportunidades para que pessoas de meios desfavorecidos se poderem integrar socialmente através do desporto e evita a concentração de talento em apenas algumas equipas, promovendo também uma maior distribuição dessas oportunidades. Mais ainda, ao cruzar os dados do desempenho desportivo com os indicadores demográficos e socioeconómicos, verificam-se indícios que existe uma relação entre o contexto social e a performance competitiva, o que pode reforçar a ideia de que a competição atua como um instrumento de desenvolvimento comunitário, de integração e coesão social. 5Conclusões Este estudo analisou o impacto da eliminação da regra que limitava a inscrição de jogadores extra-freguesia no Campeonato Popular de Futebol de Barcelos, avaliando o seu efeito sobre o equilíbrio competitivo e a dinâmica entre as equipas participantes. Através da aplicação de indicadores de concentração (nHHI e HICB), de indicadores de domínio e da análise de dados demográficos e socioeconómicos provenientes dos Censos Nacionais de 2011 e 2021, foi possível aferir mudanças significativas na competição. A relevância deste estudo reside no facto de contribuir para a compreensão dos efeitos de alterações regulamentares em contextos desportivos amadores, de como o contexto comunitário pode influenciar as equipas duma competição e a equidade do desporto em geral. Após a análise dos dados, é possível retirar várias ilações. Primeiramente, que o Campeonato Popular de Futebol de Barcelos ficou mais equilibrado competitivamente após a eliminação da regra que
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64 Anexo 1Pontuações das Épocas do Campeonato Popular de Futebol de Barcelos Época 18/19 Jogos Vitórias Empates Derrotas Pontos ACD Carapeços 34 29 2 3 89 ADC Remelhe 34 25 3 6 78 GDR Leocadenses 34 20 6 8 66 AD Carvalhal 34 19 5 10 62 FC Oliveira 34 17 7 10 58 ARC Sequeade 34 15 7 12 52 ACD Pereira 34 13 10 11 49 JRC Perelhal 34 13 7 14 46 GD Fragoso 34 12 10 12 46 GD Macieira 34 13 6 15 45 Leões da Serra FC 34 9 14 11 41 Palme FC 34 10 9 15 39 FC de Negreiros 34 10 7 17 37 ADRC Fonte Coberta 34 8 11 15 35 Lijó FC 34 8 8 18 32 ND da Silva 34 7 5 22 26 GDR Campo 34 4 13 17 25 A Baluganense CD 34 6 6 22 24 Época 17/18 Jogos Vitórias Empates Derrotas Pontos AD Carvalhal 34 23 5 6 74 Leões da Serra FC 34 21 10 3 73 ADC Remelhe 34 19 10 5 67 ACD Carapeços 34 20 5 9 65 GD Macieira 34 18 8 8 62 GDR Leocadenses 34 18 7 9 61 ACD Pereira 34 12 14 8 50 FC de Negreiros 34 13 7 14 46 JRC Perelhal 34 10 14 10 44 GD Fragoso 34 12 7 15 43 Palme FC 34 11 9 14 42 GDR Campo 34 9 14 11 41 ND da Silva 34 10 7 17 37 FC Oliveira 34 8 11 15 35 A Baluganense CD 34 8 10 16 34 GD Feitos 34 8 5 21 29 ARC Cossourado 34 5 12 17 27 GD Pedra Furada 34 1 5 28 8
65 Época 16/17 Jogos Vitórias Empates Derrotas Pontos ACD Pereira 34 19 11 4 68 Leões da Serra FC 34 19 9 6 66 FC de Negreiros 34 18 9 7 63 ACD Carapeços 34 16 5 13 53 FC Oliveira 34 14 11 9 53 ARC Cossourado 34 13 7 14 46 GDR Leocadenses 34 11 12 11 45 ND da Silva 34 11 12 11 45 GDR Campo 34 11 11 12 44 AD Carvalhal 34 11 10 13 43 GD Pedra Furada 34 11 10 13 43 GD Macieira 34 9 16 9 43 A Baluganense CD 34 11 9 14 42 ADC Remelhe 34 10 12 12 42 Palme FC 34 11 6 17 39 ARC Sequeade 34 9 10 15 37 ADCR Silveiros 34 7 9 18 30 ADRC Fonte Coberta 34 5 11 18 26 Época 14/15 Jogos Vitórias Empates Derrotas Pontos ACD Carapeços 30 17 10 3 61 GDR Leocadenses 30 13 11 6 50 ADC Remelhe 30 15 4 11 49 GDR Campo 30 13 9 8 48 FC de Negreiros 30 14 5 11 47 ARC Sequeade 30 12 9 9 45 Leões da Serra FC 30 11 12 7 45 GD Macieira 30 12 8 10 44 ND da Silva 30 10 14 6 44 AD Carvalhal 30 0 8 12 38 GDC Cristelo 30 8 14 8 38 ARC Cossourado 30 8 13 9 37 ACD Pereira 30 11 4 15 37 JRC Perelhal 30 8 7 15 31 GD Creixomil 30 6 10 14 28 AD Milhazes 30 0 6 24 6 Época 13/14 Jogos Vitórias Empates Derrotas Pontos ND da Silva 30 24 3 3 75 ACD Carapeços 30 17 5 8 56 GD Macieira 30 13 11 6 50
66 GDR Leocadenses 30 13 9 8 48 GDR Campo 30 12 9 9 45 GDC Cristelo 30 13 3 14 42 GD Creixomil 30 11 8 11 41 ARC Cossourado 30 11 8 11 41 AD Carvalhal 30 11 7 12 40 AD Milhazes 30 11 7 12 40 Leões da Serra FC 30 11 6 13 39 ACD Pereira 30 10 9 11 39 ARC Sequeade 30 9 10 11 37 Carvalhas FC 30 9 9 12 36 ADRC Fonte Coberta 30 5 6 19 21 FC Oliveira 30 3 4 23 13 Época 12/13 Jogos Vitórias Empates Derrotas Pontos ACD Carapeços 30 19 6 5 63 GDR Leocadenses 30 18 7 5 61 ACD Pereira 30 18 4 8 58 GD Macieira 30 14 8 8 50 Leões da Serra FC 30 14 8 8 50 AD Carvalhal 30 14 8 8 50 GDC Cristelo 30 14 5 11 47 GD Creixomil 30 10 11 9 41 ADRC Fonte Coberta 30 12 4 14 40 GDR Campo 30 11 5 14 38 ND da Silva 30 11 5 14 38 ARC Sequeade 30 9 7 14 34 FC Oliveira 30 8 7 15 31 Palme FC 30 8 6 16 30 ADCR Silveiros 30 7 3 20 24 GD Pedra Furada 30 4 4 22 16 Época 11/12 Jogos Vitórias Empates Derrotas Pontos GDR Leocadenses 30 23 3 4 72 ACD Carapeços 30 22 6 2 72 Palme FC 30 17 3 10 54 GD Creixomil 30 15 7 8 52 ND da Silva 30 14 9 7 51 GD Macieira 30 14 5 11 47 ACD Pereira 30 12 8 10 44 GDR Campo 30 11 10 9 43 Leões da Serra FC 30 11 10 9 43
67 ADRC Fonte Coberta 30 11 9 10 42 AD Carvalhal 30 8 7 15 31 ARC Sequeade 30 7 9 14 30 GD Pedra Furada 30 5 11 14 26 ARC Cossourado 30 4 9 17 21 Lijó FC 30 3 8 19 17 GDC Cristina 30 4 4 22 16 Época 10/11 Jogos Vitórias Empates Derrotas Pontos ACD Carapeços 26 20 3 3 63 GD Creixomil 26 18 3 5 57 GDR Leocadenses 26 14 7 5 49 ND da Silva 26 15 3 8 48 Palme FC 26 14 4 8 46 AD Carvalhal 26 11 10 5 43 GD Macieira 26 12 2 12 38 GDC Cristina 26 9 5 12 32 GDR Campo 26 8 6 12 30 ACD Pereira 26 7 8 11 29 ARC Sequeade 26 6 6 14 24 ADRJ S.Martinho 26 7 2 17 23 GD Águas Santas 26 5 2 19 17 GDRM Paradela 26 4 3 19 15 Época 09/10 Jogos Vitórias Empates Derrotas Pontos GDR Leocadenses 26 19 5 2 62 ACD Carapeços 26 18 5 3 59 ND da Silva 26 16 5 5 53 ARC Sequeade 26 12 6 8 42 Palme FC 26 11 8 7 41 GDR Campo 26 12 1 12 37 ACD Pereira 26 10 7 9 37 GD Creixomil 26 10 4 12 34 AD Carvalhal 26 8 9 8 33 GDRM Paradela 26 6 7 13 25 GD Águas Santas 26 5 9 12 24 ADCR Silveiros 26 5 7 14 22 FC Oliveira 26 4 8 14 20 ADRC Fonte Coberta 26 2 5 19 11 Época 07/08 Jogos Vitórias Empates Derrotas Pontos AD Carvalhal 24 15 8 1 53
68 AD Carreira 24 15 7 2 52 ACD Carapeços 24 14 9 1 51 GDR Leocadenses 24 10 7 7 37 ACDR Cambeses 24 9 7 8 34 ADRC Fonte Coberta 24 8 8 8 32 GDRM Paradela 24 6 11 7 29 ARC Sequeade 24 8 3 13 27 GD Creixomil 24 6 7 11 25 GDR Campo 24 7 4 13 25 GD Águas Santas 24 6 6 12 24 GDC Cristina 24 3 10 11 19 ACD Pereira 24 2 7 15 13 Época 06/07 Jogos Vitórias Empates Derrotas Pontos AD Carreira 26 18 6 2 60 AD Carvalhal 26 15 9 2 54 ARC Várzea 26 13 9 4 48 ACD Carapeços 26 12 10 4 46 GD Creixomil 26 12 5 9 41 GDR Leocadenses 26 11 7 8 40 GD Águas Santas 26 9 9 8 36 GDRM Paradela 26 11 2 13 35 ADRC Fonte Coberta 26 10 4 12 34 GDR Campo 26 9 3 14 30 ACD Pereira 26 5 6 15 21 JRC Perelhal 26 5 6 15 21 Lijó FC 26 4 8 14 20 ADRJ S.Martinho 26 3 6 17 15 Época 05/06 Jogos Vitórias Empates Derrotas Pontos AD Carreira 26 19 6 1 63 ACD Carapeços 26 17 3 6 54 AD Carvalhal 26 14 6 6 48 GD Águas Santas 26 13 8 5 47 ARC Várzea 26 10 13 3 43 GDR Campo 26 11 7 8 40 JRC Perelhal 26 11 7 8 40 GDR Leocadenses 26 11 6 9 39 GD Creixomil 26 9 3 14 30 ADRC Fonte Coberta 26 8 4 14 28 Lijó FC 26 6 5 15 23 AD Milhazes 26 4 6 16 18
69 ADCR Vila Boa 26 3 7 16 16 ARC Cossourado 26 2 7 17 13 Época 04/05 Jogos Vitórias Empates Derrotas Pontos GDR Campo 22 15 5 2 50 ACD Carapeços 22 15 4 3 49 ADRC Fonte Coberta 22 11 2 9 35 ARC Várzea 22 10 5 7 35 AD Carreira 22 9 7 6 34 JRC Perelhal 22 10 2 10 32 GD Creixomil 22 8 5 9 29 UCR Aborim 22 6 7 9 25 AD Carvalhal 22 6 6 10 24 Lijó FC 22 4 8 10 20 ARC Sequeade 22 3 8 11 17 Leões da Serra FC 22 3 5 14 14 Época 03/04 Jogos Vitórias Empates Derrotas Pontos ACD Carapeços 20 12 5 3 41 GD Creixomil 20 11 4 5 37 UCR Aborim 20 11 2 7 35 GDR Campo 20 9 7 4 34 ADRC Fonte Coberta 20 10 3 7 33 ARC Várzea 20 9 4 7 31 AD Carvalhal 20 9 3 8 30 JRC Perelhal 20 6 5 9 23 AD Carreira 20 5 6 9 21 ADCR Vila Boa 20 3 3 14 12 GD Águas Santas 20 3 2 15 11 Época 02/03 Jogos Vitórias Empates Derrotas Pontos JRC Perelhal 22 14 6 2 48 AD Carvalhal 22 14 5 3 47 ADRC Fonte Coberta 22 11 4 7 37 AD Carreira 22 10 6 6 36 GD Creixomil 22 11 2 9 35 GD Águas Santas 22 9 4 9 31 GDR Campo 22 8 5 9 29 ACD Carapeços 22 6 10 6 28 ARC Várzea 22 7 6 9 27 ACD Pereira 22 5 9 8 24 AD Milhazes 22 2 5 15 11
70 Alheira FC 22 2 4 16 10 Época 01/02 Jogos Vitórias Empates Derrotas Pontos AD Carvalhal 22 11 6 5 39 GD Creixomil 22 11 5 6 38 GD Águas Santas 22 9 8 5 35 GDR Campo 22 10 5 7 35 ARC Várzea 22 9 7 6 34 ACD Pereira 22 10 2 10 32 AD Milhazes 22 8 5 9 29 Alheira FC 22 8 3 11 27 ACD Carapeços 22 5 11 6 26 ADRC Fonte Coberta 22 7 5 10 26 ADCR Vila Boa 22 7 4 11 25 Lijó FC 22 4 5 13 17 Época 00/01 Jogos Vitórias Empates Derrotas Pontos GD Águas Santas 22 14 7 1 49 GD Creixomil 22 14 2 6 44 ADCR Vila Boa 22 12 8 2 44 ACD Carapeços 22 11 6 5 39 GDR Campo 22 11 4 7 37 ADRC Fonte Coberta 22 10 3 9 33 AD Milhazes 22 9 5 8 32 AD Carvalhal 22 7 7 8 28 ARC Várzea 22 8 2 12 26 Lijó FC 22 6 3 13 21 Palme FC 22 4 3 15 15 UCR Aborim 22 0 2 20 2 Época 99/00 Jogos Vitórias Empates Derrotas Pontos GD Águas Santas 30 24 3 1 75 GD Creixomil 30 22 1 7 67 GDR Campo 30 20 6 4 66 AD Milhazes 30 18 3 9 57 ADCR Vila Boa 30 17 6 7 57 ACD Carapeços 30 18 3 9 57 ARC Várzea 30 17 4 9 55 Palme FC 30 13 8 9 47 AD Carvalhal 30 13 5 12 44 ADRC F. Coberta 30 13 4 13 43 Lijó FC 30 9 8 13 35
71 UCR Aborim 30 7 8 15 29 FC Oliveira 30 4 6 20 18 GDR M. Paradela 30 3 4 23 13 FC Lírio do Neiva 30 3 2 25 11 GD Pedra Furada 30 1 3 26 6