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Livro de resumos da Bienal de Educação 2025

Abstract

Esta publicação apresenta o programa completo, os resumos das conferências plenárias e os trabalhos submetidos à Bienal de Educação 2025, sob o tema principal “O Futuro é Educação: As Pessoas, a Vida e a Escola”. Reúne contribuições científicas de académicos, investigadores e membros da sociedade civil, partilhando saberes e diversas visões que abrangem as múltiplas áreas de investigação da Educação. Nesta sua primeira edição, destacam-se mais de 100 intervenções, com autores provenientes de mais de oito dezenas de instituições. Este conjunto expressivo de contributos reflete a vitalidade, o compromisso e a diversidade de olhares que contribuem para o debate contemporâneo em torno da Educação. Concebida como um tempo e um lugar para uma reflexão partilhada, fundamentada e transformadora, esta obra representa um marco no debate sobre questões cruciais da educação e o seu impacto transformador nas comunidades.

Full text

BRAGA, PORTUGAL 16-20 DE JUNHO 2025 LIVRO DE RESUMOS DA BIENAL DE EDUCAÇÃO 2025 O Futuro é Educação. As Pessoas, a Vida e a Escola. ORGANIZADORES FERNANDO AZEVEDO JOSÉ NUNO TEIXEIRA PEDRO PALHARES BEATRIZ PEREIRA LIVRO DE RESUMOS DA BIENAL DE EDUCAÇÃO 2025 ORGANIZADORES FERNANDO AZEVEDO JOSÉ NUNO TEIXEIRA PEDRO PALHARES BEATRIZ PEREIRA Instituto de Educação da Universidade do Minho - Campus de Gualtar 4710-057 Braga www.ie.uminho.pt DOI 10.5281/zenodo.15583078 JUNHO DE 2025 ESTA OBRA ESTÁ LICENCIADA SOB A LICENÇA CREATIVE COMMONS ATRIBUIÇÃO 4.0 INTERNACIONAL. TODOS OS RESUMOS REUNIDOS NESTA PUBLICAÇÃO FORAM DA RESPONSABILIDADE DOS RESPETIVOS AUTORES, SENDO APRESENTADOS CONFORME AS NORMAS ORTOGRÁFICAS DOS SEUS PAÍSES DE ORIGEM. A ORGANIZAÇÃO NÃO SE RESPONSABILIZA POR EVENTUAIS IMPRECISÕES, GRALHAS OU DIVERGÊNCIAS ESTILÍSTICAS QUE POSSAM DECORRER DESSA AUTORIA INDIVIDUAL. LIVRO DE RESUMOS DA BIENAL DE EDUCAÇÃO 2025 O Futuro é Educação. As Pessoas, a Vida e a Escola. ORGANIZADORES FERNANDO AZEVEDO JOSÉ NUNO TEIXEIRA PEDRO PALHARES BEATRIZ PEREIRA ÍNDICE 17 II. CONFERÊNCIAS PLENÁRIAS >INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL E EDUCAÇÃO ARLINDO OLIVEIRA >CURRÍCULO, PEDAGOGIA E PROFISSIONALISMO DOCENTE DOMINGOS FERNANDES >AVALIAÇÕES EM EDUCAÇÃO: PEDAGOGIA OU QUANTOFRENIA? LICÍNIO C. LIMA >TEMPO DE ECRÃ NAS CRIANÇAS E ADOLESCENTES, IMPLICAÇÕES PARA A SAÚDE E DESENVOLVIMENTO RUTE SANTOS >COMUNIDADES EDUCATIVAS COMO LUGARES DE RESISTÊNCIA NA ERA DO EU JOÃO TEIXEIRA LOPES I. PROGRAMA DO EVENTO COMISSÃO CIENTÍFICA NOTA DE ABERTURA III. COMUNICAÇÕES LIVRES, SIMPÓSIOS E POSTERS CIENTÍFICOS DESENVOLVIMENTO CURRICULAR >A PRESENÇA DE RELAÇÕES PEDAGÓGICAS DECOLONIAIS NOS CURRÍCULOS DE CURSOS DE LICENCIATURA RUTH PAVAN.......................................................................................................................... >A PRESENÇA DA DECOLONIALIDADE E INTERCULTURALIDADE NO CURSO DE PEDAGOGIA: O QUE DIZEM OS ESTUDANTES? HENRIQUE REZENDE UNTEM & RUTH PAVAN..................................................................... >AVALIAÇÃO FORMATIVA E EXAMES: UMA RELAÇÃO (IM)POSSÍVEL? CARLA MOURA, PALMIRA ALVES & EUSÉBIO MACHADO.................................................. >CURRÍCULO E JUSTIÇA SOCIAL: A DIMENSÃO COLETIVA DA EDUCAÇÃO LILIANA RODRIGUES............................................................................................................. 20 22 31 32 33 34 35 39 40 41 42 / PÁG. 04 APRESENTAÇÃO SUMÁRIA 38 >CURRÍCULO EM TRANSIÇÃO: A AUTONOMIA E FLEXIBILIDADE CURRICULAR COMO TERRITÓRIO DE REINVENÇÃO PEDAGÓGICA E DESENVOLVIMENTO DOCENTE CONCEIÇÃO LOURENÇO & CARLOS SILVA....................................................................... >AUTOAVALIAÇÃO DA ESCOLA - PORQUÊ? PARA QUÊ? MARIA CONCEIÇÃO LAMELA............................................................................................... >AUTOAVALIAÇÃO E AVALIAÇÃO EXTERNA DE ESCOLAS: 20 ANOS AO SERVIÇO DA MELHORIA? EDUARDA RODRIGUES.......................................................................................................... >(AUTO)AVALIAÇÃO NAS ESCOLAS: UM ESTUDO SOBRE AS FRAGILIDADES DO PLANEAMENTO ESTRATÉGICO SEGUNDO OS RELATÓRIOS DE AVALIAÇÃO EXTERNA DAS ESCOLAS ILA BEATRIZ MAIA & SOFIA RODRIGUES............................................................................. >(AUTO)AVALIAÇÃO DAS ESCOLAS: O PLANEAMENTO ESTRATÉGICO COMO PONTO DE PARTIDA SOFIA RODRIGUES & ILA BEATRIZ MAIA............................................................................. EDUCAÇÃO ARTÍSTICA >PRÁTICAS DE ENSINO DE/COM EXPRESSÕES ARTÍSTICAS OLHARES SOBRE PERCURSOS CURRICULARES DIFERENCIADOS NUMA ESCOLA DO 1.º CICLO SUSANA MARINA FREITAS OLIVEIRA AFONSO & ISABEL CABRITA CONDESSA............. >CONSTRANGIMENTOS E DESAFIOS AO ENSINO DAS EXPRESSÕES NA EDUCAÇÃO BÁSICA – ANÁLISE DE ALGUNS ESTUDOS REALIZADOS NOS AÇORES SUSANA MARINA FREITAS OLIVEIRA AFONSO & ISABEL CABRITA CONDESSA............. EDUCAÇÃO EM CIÊNCIAS >EDUCAÇÃO E SUSTENTABILIDADE DOS RECURSOS HÍDRICOS EM COMUNIDADES RURAIS: UM CASO DE ESTUDO EM ANGOLA DELFINA DUNN JOÃO & CÉSAR DE OSVALDO PAKISSI..................................................... >ANÁLISE DAS CONCEÇÕES AMBIENTAIS DE ESTUDANTES DO ENSINO MÉDIO E DA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS (EJA): UM ESTUDO QUALITATIVO EM TRÊS MUNICÍPIOS BRASILEIROS FERNANDO GUIMARÃES, RODRIGO DE SOUZA POLETTO, ROBERTA NEGRÃO DE ARAÚJO, RITA DE CÁSSIA ASSOLARI, ANA AMABILE BORDA & LUIS ROGÉRIO MARQUES DE ANDRADE....................................................................................................... >LIMITES E POSSIBILIDADES DA AÇÃO DOCENTE NO ENSINO MÉDIO INTEGRADO DE UMA ESCOLA DA REDE FAETEC RODRIGO DE PAULA SANTOS & BEATRIS CRISTINA POSSATO...................................... 43 44 45 46 47 48 49 50 52 53 >O TALENTO EDUCA-SE. SOBRE O ENSINO DE MÚSICA COM PROFESSORES ESPECIALISTAS NA EDUCAÇÃO PRÉ-ESCOLAR E NO 1º CICLO DO ENSINO BÁSICO HELENA ALMEIDA E SILVA, HUGO BRITO, ANA PAULA MALOTTI, ANTÓNIO PACHECO & MARIA HELENA VIEIRA....................................................................................................... 51 / PÁG. 05 >AS CONCEÇÕES DOS PROFESSORES SOBRE O ENSINO E APRENDIZAGEM DA HISTÓRIA NO ENSINO PRIMÁRIO NA PROVÍNCIA DO BENGO (ANGOLA) FRANCISCO SALOMÉ TOMÁS ANTÓNIO & GLÓRIA SOLÉ................................................. >EDUCAÇÃO HISTÓRICA EM TEMPOS DE (DES)INFORMAÇÃO RUI DAMACENO & MARÍLIA GAGO...................................................................................... >A UTILIDADE DA HISTÓRIA PARA A VIDA PRÁTICA: PISTAS PARA O ENSINO ALINHADO COM A EDUCAÇÃO HISTÓRICA SARA OLIVEIRA & MARÍLIA GAGO....................................................................................... >INOVAR (N)O ENSINO OU ENSINAR INOVAÇÃO? O EMPREENDEDORISMO E A INOVAÇÃO SOCIAL COMO PEDAGOGIAS E O CASO DE SUCESSO DO PEpE NARCISO MOREIRA, ANDREIA PEREIRA & HELENA COSTA.............................................. >PENSAR HISTORICAMENTE NUM MUNDO DIVERSO: CONSCIÊNCIA HISTÓRICA E INTERCULTURALIDADE(S) FILIPE OLIVEIRA & MARÍLIA GAGO...................................................................................... EDUCAÇÃO EM LÍNGUAS ESTRANGEIRAS >TEACHING ENGLISH IN ENGLISH: ACTION RESEARCH PROJECT FOR THE IMPLEMENTATION OF AN IN-SERVICE TEACHERS TRAINING COURSE TO REDUCE THE USE OF PORTUGUESE L1 AMONG ENGLISH LANGUAGE TEACHERS IN HUAMBO-ANGOLA MATEUS CANOMA NJELE..................................................................................................... >PEQUENOS FALANTES, GRANDES APRENDIZES: IMPACTOS DA EXPOSIÇÃO AO INGLÊS EM CONTEXTOS EDUCATIVOS PRECOCES ANA PAULA SOARES, NATÁLIA GUERRA, MARIA VEIGA DE ARAÚJO, DIANA R. PEREIRA & HELENA M. OLIVEIRA......................................................................................... >PROJETO DE PESQUISA-AÇÃO PARA A IMPLEMENTAÇÃO DE UM CURSO DE FORMAÇÃO CONTÍNUA PARA PROFESSORES COM VISTA À REDUÇÃO DO USO DO PORTUGUÊS L1 ENTRE OS PROFESSORES DE LÍNGUA INGLESA NO HUAMBOANGOLA MATEUS CANOMA NJELE..................................................................................................... EDUCAÇÃO EMPREENDEDORA >EFEITOS DA UTILIZAÇÃO DA SALA SNOEZELEN EM CRIANÇAS E JOVENS COM PERTURBAÇÃO DE ESPETRO DO AUTISMO: UM ESTUDO SOBRE AS PERCEÇÕES DE PROFISSIONAIS MARINA GUIMARÃES, CÁTIA SOUSA, ANDRESSA MIRANDA, GABRIELLE RIBEIRO E LAURINDA LEITE.................................................................................................................... EDUCAÇÃO ESPECIAL / PÁG. 06 >EMPATIA HISTÓRICA PARA O DESENVOLVIMENTO DO PENSAMENTO HISTÓRICO: UM ESTUDO COM PROFESSORES E ALUNOS DO 2.º CICLO DO ENSINO BÁSICO SOFIA MARQUES & MARIA GLÓRIA SOLÉ........................................................................... EDUCAÇÃO EM HISTÓRIA E CIÊNCIAS SOCIAIS 55 56 57 58 59 60 61 62 63 64 >ATIVIDADES PRÁTICAS NO ENSINO DAS CIÊNCIAS DA NATUREZA COM MATERIAIS DO DIA A DIA: UM ESTUDO COM PROFESSORES E ALUNOS DO ENSINO PRIMÁRIO EM ANGOLA MARGARETH JUSTINO & PAULO VARELA........................................................................... 54 >LINGUAGEM ORAL E LITERACIA EMERGENTE EM CRIANÇAS COM E SEM SURDEZ: AVALIAÇÃO E INTERVENÇÃO EM CONTEXTOS INCLUSIVOS JOÃO PAULO SANTOS, ANABELA CRUZ-SANTOS & PASCALE ENGEL DE ABREU.......... >INTERVENÇÃO PRECOCE NA INFÂNCIA ALÉM FRONTEIRAS – PERSPETIVAS DE UMA EXPERIÊNCIA DE ERASMUS NA SÉRVIA RITA LIMEDE & ANA MARIA SERRANO................................................................................. >STEAM NO DESENVOLVIMENTO DO CONHECIMENTO PROFISSIONAL DO PROFESSOR DE MATEMÁTICA SARA GONÇALVES & FLORIANO VISEU.............................................................................. >EDUCAÇÃO INCLUSIVA NO ENSINO PRIMÁRIO EM ANGOLA ISAURA MARÍLIA LEIA FERREIRA MONTEIRO, ANA PAULA LOUÇÃO MARTINS & CHRISTOPHER BOYLE........................................................................................................... >PRÁTICAS DE LETRAMENTOS E ESCRITA CIENTÍFICA NA ÁREA DE EDUCAÇÃO: QUESTÕES EM TORNO DO IMPACTO ADRIANA FISCHER & MARIANA A. VICENTINI .................................................................... >IMPACTO DA IMPLEMENTAÇÃO DE UM GABINETE DA QUALIDADE PARA AS INSTITUIÇÕES DO ENSINO SUPERIOR EM ANGOLA PAULO CORDEIRO LEITE...................................................................................................... EDUCAÇÃO MATEMÁTICA >FORMAÇÃO INICIAL DE PROFESSORES DE MATEMÁTICA EM ANGOLA: PROBLEMAS, DESAFIOS E PERSPETIVAS FUTURAS MANUEL CANGOMBE JAMBA & ALEXANDRA GOMES........................................................ >PERCEÇÃO DOS PROFESSORES DO 1.º CICLO DO ENSINO PRIMÁRIO SOBRE A UTILIZAÇÃO DE JOGOS NO ENSINO DA MATEMÁTICA MANUEL CANGOMBE JAMBA............................................................................................... ENSINO SUPERIOR >PENSAMENTO CRÍTICO NO ENSINO SUPERIOR: ESTUDO DE PERCEÇÕES E REPRESENTAÇÕES DE ESTUDANTES DE QUATRO INSTITUIÇÕES PORTUGUESAS JOSÉ LOPES, ÂNGELA MARTINS, DANIEL FERREIRA, HELENA SANTOS SILVA, JOSÉ LUÍS COELHO DA SILVA & LUÍSA ORVALHO....................................................................... >AVALIAÇÃO DAS INSTITUIÇÕES DE ENSINO SUPERIOR EM ANGOLA: AS PRÁTICAS EM CURSOS FRANCISCO LÁZARO............................................................................................................ >EXPECTATIVAS DE DOCENTES ACERCA DO USO DE FILMES COMO MATERIAL DIDÁTICO FELIPE QUEIROZ DIAS ROCHA............................................................................................. 67 68 69 70 71 72 73 74 75 77 78 >CARACTERIZAÇÃO DAS ATIVIDADES DE LAZER E RECREAÇÃO PARA ALUNOS COM NECESSIDADES EDUCATIVAS ESPECIAIS NA REGIÃO NORTE DE PORTUGAL MARIA CAROLINA SILVA & ANABELA CRUZ-SANTOS....................................................... 66 >INCLUSION AND HUMAN RIGHTS: CONTEMPORARY CHALLENGES OF AN INTERDISCIPLINARY DIALOGUE BETWEEN INCLUSION STUDIES AND THE SOCIOLOGY OF CHILDHOOD MARIA TORRES, ANA PAULA DA SILVA PEREIRA & MANUEL JACINTO SARMENTO........65 / PÁG. 07 >SUCESSO ACADÉMICO DE ESTUDANTES DO ENSINO SUPERIOR EM ACOLHIMENTO RESIDENCIAL: PROPOSTA DE INVESTIGAÇÃO RITA RODRIGUES, MARLENE MATOS & JOANA R. CASANOVA........................................ >DIÁRIOS DE LEITURA NO ENSINO SUPERIOR SHEILA OLIVEIRA LIMA......................................................................................................... >COMUNICAÇÃO E PENSAMENTO CRÍTICO: RELATO DE EXPERIÊNCIA DE UM PODCAST JACINTA MARTINS, VITOR MACHADO & ANDREIA FÉLIX.................................................. >ENSINO SUPERIOR EM TRANSFORMAÇÃO: INOVAÇÃO E DESAFIOS DA INCLUSÃO SÍLVIA CORREIA MONTEIRO................................................................................................ >EDUCAÇÃO E TRABALHO: A FORMAÇÃO DE CIDADÃOS CRÍTICOS NUM CONTEXTO SOCIAL DINÂMICO LEONOR TORRES, SÍLVIA MONTEIRO, FILIPA SEABRA & SANDRA SANTOS................... >QUAL O PAPEL DO CAPITAL SOCIAL E CULTURAL NA CONSTRUÇÃO DOS PERCURSOS DOS DIPLOMADOS DO ENSINO SUPERIOR? CATARINA SILVA & LEONOR TORRES................................................................................. >TRAJETÓRIAS, PERCURSOS E RECURSOS DE CARREIRA: OS DESAFIOS DA DEMOCRATIZAÇÃO DO ENSINO SUPERIOR JOSÉ NUNO TEIXEIRA, LEONOR TORRES & SÍLVIA MONTEIRO....................................... >READY TO WORK OR READY TO LEARN? DA INOVAÇÃO PEDAGÓGICA À APRENDIZAGEM AO LONGO DA VIDA DIANA SOARES..................................................................................................................... >EDUCAÇÃO DOUTORAL: DESAFIOS E POSSIBILIDADES FLÁVIA VIEIRA........................................................................................................................ >A INTERAÇÃO ENTRE A RELAÇÃO DE SUPERVISÃO, O CONTEXTO ACADÉMICO/CIENTÍFICO, A MOTIVAÇÃO E AS EMOÇÕES EM EDUCAÇÃO DOUTORAL ISABEL MENEZES, AMÉLIA LOPES, RICARDO CRUZ & PATRÍCIA ALVES.......................... >DESENVOLVIMENTO DE COMPETÊNCIAS DE INVESTIGAÇÃO DOS/AS ESTUDANTES DE DOUTORAMENTO: UMA ABORDAGEM FORMATIVA COM BASE NO VITAE RESEARCHER DEVELOPMENT FRAMEWORK FLÁVIA VIEIRA, SÍLVIA MONTEIRO & SANDRA SANTOS.................................................... >MAPEAMENTO DA FORMAÇÃO PEDAGÓGICA DE SUPERVISORES DE DOUTORAMENTO ISABEL HUET, PAULO CHALÓ & TERESA CARDOSO......................................................... / PÁG. 08 >DESENVOLVIMENTO DE COMPETÊNCIAS: UM CAMINHO PARA O SUCESSO COM A 3 AUM ÍRIS BIDARRA......................................................................................................................... 80 81 82 83 84 85 86 87 90 92 88 89 93 >A PROBLEMÁTICA DOS INDICADORES DELIBERADOS PARA AVALIAÇÃO DO DESEMPENHO DOCENTE FACE ÀS ATRIBUIÇÕES DOCENTES NO ENSINO SUPERIOR EM ANGOLA ANGÉLICA NACHIUNGUE MARTA VIDAL CELESTINO, JOSÉ AUGUSTO PACHECO & MARIA DA CONCEIÇÃO BARBOSA MENDES...................................................................... 79 >O PROGRAMA SAÚDE NA ESCOLA ESTÁ A PROMOVER A SAÚDE? UMA INVESTIGAÇÃO-AÇÃO EM ESCOLAS DA REGIÃO SUL DO BRASIL CÍNTIA DA COSTA, ZÉLIA FERREIRA CAÇADOR ANASTÁCIO & MARÍLIA COSTA MOROSINI.............................................................................................................................. >ANALISE DA ANQUILOGLOSSIA NA SAÚDE PÚBLICA ANDREA KERCKHOFF DOS SANTOS, ZELIA CAÇADOR ANASTÁCIO & ELIANE R. WEISHTG................................................................................................................................ >IMPROVEMENT IN BODY COMPOSITION AND REDUCTION IN BLOOD PRESSURE IN PORTUGUESE SCHOOLCHILDREN AFTER THE BEE-SCHOOL PROJECT NEIVA LEITE, MAIARA CRISTINA TADIOTTO, ANA DUARTE, CLAUDIA AUGUSTO, MARIA JOSÉ SILVA, CAROLINE BRAND, JORGE MOTA, BEATRIZ PEREIRA & RAFAELA ROSARIO................................................................................................................................ >CRIANÇAS E ADOLESCENTES EM ACOLHIMENTO INSTITUCIONAL NO BRASIL: A EDUCAÇÃO COMO DIREITO MONIQUE CRISTINA GELSLEUCHTER & SOLANGE APARECIDA DE OLIVEIRA HOELLER................................................................................................................................ >PARA ALÉM DA CONSCIÊNCIA FONOLÓGICA: UM OLHAR SOBRE OS PERFIS DE LEITURA NO 1.º CICLO ANA PAULA SOARES............................................................................................................. >ANÁLISE DAS PERCEÇÕES DE PROFESSORES SOBRE OS FATORES DE SUCESSO E DE INSUCESSO ACADÉMICO NO ENSINO SUPERIOR ANGOLANO ANA ALMEIDA, LEANDRO ALMEIDA & SÍLVIA MONTEIRO................................................. SAÚDE INFANTIL E EDUCAÇÃO FÍSICA >EDUCADORAS DE INFÂNCIA COMO PROMOTORES DO BRINCAR E DE ESTILOS DE VIDA ATIVOS: PERCEÇÕES E DESAFIOS À IMPLEMENTAÇÃO DAS RECOMENDAÇÕES 24H MOVIMENTO BRUNA DUTRA....................................................................................................................... SOCIOLOGIA DA EDUCAÇÃO E POLÍTICA EDUCATIVA >TRIPLA JORNADA: OBSTÁCULOS E ESTRATÉGIAS DE CONCILIAÇÃO DAS TRABALHADORAS-ESTUDANTES, NO ENSINO SUPERIOR JOANA AUXÍLIA COSTA........................................................................................................ SUPERVISÃO PEDAGÓGICA >O PAPEL DA SUPERVISÃO COLABORATIVA NA PROMOÇÃO DA AUTONOMIA EM SALA DE AULA ANA CASTRO......................................................................................................................... >PARLAMENTO DOS JOVENS: PROPOSTAS DOS ESTUDANTES DO ENSINO SECUNDÁRIO PARA A GESTÃO DOS DESAFIOS E OPORTUNIDADES DAS NOVAS TECNOLOGIAS SUSANA CAIRES, ANA DINIZ & ERIC ROCHA...................................................................... >PERCEÇÕES SOBRE AS PRÁTICAS DE PROMOÇÃO DE LITERACIA AMBIENTAL DE FORMADORES DE FUTUROS PROFESSORES DE CIÊNCIAS MOISÉS DOS SANTOS & TERESA VILAÇA........................................................................... 170 171 172 174 175 176 177 179 180 181 178 / PÁG. 15 >EXPECTATIONS OF PROFESSORS ABOUT THE USE OF FILMS AS DIDACTIC MATERIAL FELIPE QUEIROZ DIAS ROCHA............................................................................................. >POTENCIALIDADES DE UMA COMUNIDADE DE PRÁTICA NA RECONFIGURAÇÃO DE PRÁTICAS DE SUPERVISÃO DE ESTÁGIO NA FORMAÇÃO INICIAL DE PROFESSORES EM ANGOLA JEREMIAS CORREIA & TERESA VILAÇA............................................................................... TECNOLOGIA EDUCATIVA >AS NARRATIVAS DOS PROFESSORES COMO LENTES PARA COMPREENDER A SUA AGÊNCIA PROFISSIONAL - UMA ABORDAGEM SOCIOMATERIAL DOS ESPAÇOS DE APRENDIZAGEM RICARDO LEMOS RIBEIRO.................................................................................................... >A EDIÇÃO DE VÍDEO E A REALIDADE VIRTUAL NA REFLEXÃO E COMPREENSÃO DE THRESHOLD CONCEPTS: UM ESTUDO UTILIZANDO TECNOLOGIAS MÓVEIS CELESTINO MAGALHÃES...................................................................................................... >NARRACIÊNCIA: INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL GENERATIVA COMO FERRAMENTA DE NARRATIVIZAÇÃO E HUMANIZAÇÃO DO DISCURSO CIENTÍFICO BEATRIZ ANTUNES & SÍLVIA ARAÚJO.................................................................................. / PÁG. 16 182 183 MOSTRA BIBLIOGRÁFICA.................................................................................................... 184 185 186 187 Sob o lema “O Futuro é Educação. As Pessoas, a Vida e a Escola”, a Bienal de Educação, reúne, nesta sua primeira edição, mais de 100 intervenções, com autores provenientes de mais de oito dezenas de instituições. Este conjunto expressivo de contributos reflete a vitalidade, o compromisso e a diversidade de olhares que alimentam o debate contemporâneo em torno da educação. Concebida como um tempo e um lugar para uma reflexão partilhada, fundamentada e transformadora, esta iniciativa do Instituto de Educação estrutura-se em torno quatro eixos temáticos fundamentais: >Educação, Saúde e Sustentabilidade >Pedagogia e Currículo >Avaliações em Educação >Comunidades Educativas >Formação de Professores como eixo transversal aos anteriores. Educação, Saúde e Sustentabilidade convoca-nos a pensar a escola como espaço de bem-estar integral e responsabilidade coletiva. Num país onde as desigualdades sociais continuam a afetar profundamente os percursos escolares, este eixo propõe articular políticas públicas, práticas educativas e valores sociais que promovam a saúde mental, física e emocional dos estudantes e profissionais. A educação, neste contexto, deve ser um espaço seguro, sustentável e promotor de estilos de vida saudáveis, preparados para responder a crises ambientais e sociais com empatia, conhecimento e ação. Pedagogia e Currículo coloca no centro do debate a experiência de aprender e ensinar num mundo em constante mutação. Em Portugal, persistem tensões entre um currículo formal excessivamente normativo e as necessidades reais das comunidades escolares. Este eixo desafia-nos a pensar pedagogias mais inclusivas, contextuais e dialógicas, que valorizem os saberes dos alunos e dos territórios, e que sejam capazes de formar cidadãos críticos e conscientes. As pessoas são aqui convocadas como agentes ativos da transformação curricular, e a escola, como lugar de produção de conhecimento APRESENTAÇÃO Fernando Azevedo José Nuno Teixeira Pedro Palhares Beatriz Pereira O Futuro é Educação. As Pessoas, a Vida e a Escola. / PÁG. 17 significativo e emancipador. O eixo Avaliações em Educação levanta questões essenciais sobre como medimos a aprendizagem e o sucesso educativo. Num sistema ainda muito centrado em provas e exames padronizados, é urgente repensar modelos de avaliação que reconheçam a diversidade dos percursos e valorizem o desenvolvimento integral dos alunos. Este eixo propõe olhar para a avaliação como uma ferramenta de equidade e de melhoria contínua, mais centrada no processo do que apenas nos resultados. A vida escolar ganha, assim, um novo sentido, em que o erro, o feedback e a autonomia se tornam aliados da aprendizagem. Finalmente, o eixo Comunidades Educativas reconhece que a educação é uma responsabilidade partilhada. As escolas não existem isoladas: são parte de redes de afetos, saberes e práticas que envolvem famílias, territórios, instituições e políticas. A realidade portuguesa mostra-nos que os contextos mais resilientes e inovadores são aqueles em que há articulação e co-construção de soluções. Investir na formação de professores, nesse sentido, é investir na capacidade da escola se transformar em comunidade aprendente, viva e comprometida com o bem comum. A Formação de Professores, enquanto eixo transversal da Bienal de Educação 2025, assume um papel estruturante na construção de uma escola mais justa, inclusiva e preparada para os desafios do século XXI. A realidade educativa portuguesa revela, com crescente preocupação, a escassez de professores com uma prática pedagógica reflexiva, crítica e situada, capaz de dar resposta à diversidade de contextos escolares e de estimular, de forma significativa, a aprendizagem dos estudantes. Esta lacuna compromete não apenas a equidade no acesso ao conhecimento, mas também a capacidade de a escola em cumprir o seu papel como agente de transformação social. Num mundo em rápida mutação — onde a inteligência artificial, as alterações climáticas, os desafios demográficos e a reconfiguração das relações globais impõem novas exigências ao sistema educativo — a formação docente deve alinhar-se com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e com os princípios de uma cidadania global ativa e crítica. Exige-se, por isso, uma formação que transcenda os conteúdos disciplinares e que promova competências de antecipação, colaboração, pensamento complexo, ética e inovação pedagógica. Neste cenário, a literacia, em todas as suas dimensões — digital, científica, ecológica, emocional, cultural —, torna-se um campo prioritário de intervenção pedagógica, para o qual os professores devem estar preparados de forma aprofundada e contextualizada. A formação precisa, assim, de estar ancorada na prática e na investigação, articulada com as escolas e centrada na promoção de uma ação educativa capaz de dialogar com os territórios, as comunidades e os desafios do nosso tempo. Além disso, numa sociedade onde o conhecimento se produz em rede e as soluções educativas se constroem cada vez mais em articulação internacional, torna-se urgente reforçar modelos de formação que estimulem a cooperação entre instituições, países e culturas. A mobilidade académica, a partilha de boas práticas e a co-produção de conhecimento educativo são estratégias que enriquecem a formação e ampliam a visão dos futuros docentes sobre o mundo e o seu papel nele. Ao colocar a Formação de Professores no centro da reflexão da Bienal de Educação, reconhece-se que o futuro da escola depende, em grande medida, da qualidade / PÁG. 18 humana, científica e ética dos seus educadores. Investir na sua formação é investir numa sociedade capaz de aprender com o presente, enfrentar os seus desafios e projetar proativamente um futuro mais sustentável, solidário e educativo para todos. Estes quatro eixos não apenas estruturam a Bienal de Educação 2025 — eles apontam caminhos para o presente e o futuro educação em Portugal. Ao convocar pessoas, valorizar vidas e repensar a escola, a Bienal reafirma que a educação é o maior projeto coletivo que temos enquanto sociedade. É nela que se joga, todos os dias, a possibilidade de um futuro mais justo, mais consciente e mais humano. A diversidade dos temas abordados nesta obra dá, por conseguinte, testemunho da complexidade e da riqueza dos desafios que se colocam à educação no mundo atual — um mundo que exige soluções interdisciplinares, respostas socialmente comprometidas e práticas pedagogicamente inovadoras. Assim, a Bienal de Educação é concebida como um espaço plural de partilha, debate e criação de conhecimento em torno dos grandes desafios que marcam o presente e projetam o futuro da educação. A sua realização está profundamente enraizada na missão do Instituto de Educação da Universidade do Minho, que assume a educação como um direito fundamental e um bem público, promovendo a excelência na formação, investigação e intervenção educativa com base nos princípios da justiça social, da inclusão, da sustentabilidade e da inovação. Neste sentido, a Bienal de Educação materializa o compromisso do Instituto com a transformação social, com a valorização dos profissionais da educação e com a construção de sociedades mais equitativas e conscientes do papel estruturante da educação na vida das pessoas e das comunidades. Este Livro de Resumos é, por isso, mais do que um registo académico: é um espaço de encontro, reflexão e projeção de caminhos possíveis para uma educação mais humana, mais justa e mais transformadora. A todos os autores e autoras, instituições e comunidades educativas que se associaram a esta Bienal com as suas propostas, expressamos o nosso profundo reconhecimento. A pluralidade e a qualidade dos trabalhos aqui reunidos reafirmam o papel da Universidade do Minho como espaço de diálogo, inovação e compromisso com o bem comum. Que estas páginas inspirem novos projetos, fortaleçam redes de colaboração e contribuam para um futuro onde a educação seja, verdadeiramente, um direito, uma prioridade e uma esperança partilhada. / PÁG. 19 COMISSÃO CIENTÍFICA Almerindo J. Afonso, Instituto de Educação da Universidade do Minho Amélia Lopes, FPCEUP - Universidade do Porto Ana Amélia Carvalho, FPCEUC - Universidade de Coimbra Ana Isabel Andrade, Departamento de Educação e Psicologia da Universidade de Aveiro Ana Paula Loução, Instituto de Educação da Universidade do Minho Ana Paula Pereira, Instituto de Educação da Universidade do Minho Ângela Balça, Departamento de Pedagogia e Educação da Universidade de Évora Assunção Flores, Instituto de Educação da Universidade do Minho Beatriz Pereira, Instituto de Educação da Universidade do Minho Blanca Ana Roig Rechou, Universidade de Santiago de Compostela Carlos Neto, Faculdade de Motricidade Humana da Universidade de Lisboa Cecília Galvão, Instituto de Educação da Universidade do Minho César Sá, Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico de Viana do Castelo Fátima Antunes, Instituto de Educação da Universidade do Minho Fernanda Martins, Instituto de Educação da Universidade do Minho Fernando Azevedo, Instituto de Educação da Universidade do Minho Flávia Vieira, Instituto de Educação da Universidade do Minho Graça C. Carvalho, Instituto de Educação da Universidade do Minho Íris Pereira, Instituto de Educação da Universidade do Minho Isabel Condessa, Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade dos Açores Isabel Soares, Escola de Psicologia da Universidade do Minho João Pedro da Ponte, Instituto de Educação da Universidade do Minho Jorge Adelino Costa, Departamento de Educação e Psicologia da Universidade de Aveiro Jorge Mota, Faculdade de Desporto da Universidade do Porto José Alberto Lencastre, Instituto de Educação da Universidade do Minho José Alexandre da Silva Pinto, Escola Superior de Educação do Politécnico do Porto José Augusto Palhares, Instituto de Educação da Universidade do Minho José Carlos Morgado, Instituto de Educação da Universidade do Minho José Rosa, Universidade da Beira Interior Laurinda Leite, Instituto de Educação da Universidade do Minho Leandro S. Almeida, Escola de Psicologia da Universidade do Minho Leonor L. Torres, Instituto de Educação da Universidade do Minho Licínio C. Lima, Instituto de Educação da Universidade do Minho Manuel João Coelho e Silva, Universidade de Coimbra / PÁG. 20 Manuel Pinho, Conselho Consultivo do Instituto de Educação da Universidade do Minho Manuel Sarmento, Instituto de Educação da Universidade do Minho Maria Alfredo Moreira, Instituto de Educação da Universidade do Minho Maria Conceição Azevedo, Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro Maria Conceição Barbosa, Instituto Superior de Ciências de Educação de Benguela Maria de Lourdes Dionísio, Instituto de Educação da Universidade do Minho Maria Helena Vieira, Instituto de Educação da Universidade do Minho Natália Fernandes, Instituto de Educação da Universidade do Minho Nelson Lima, Instituto de Educação da Universidade do Minho Palmira Alves, Instituto de Educação da Universidade do Minho Pedro Palhares, Instituto de Educação da Universidade do Minho Rui Mendes, Instituto Politécnico de Coimbra Rute Santos, Instituto de Educação da Universidade do Minho Teresa Sarmento, Instituto de Educação da Universidade do Minho Teresa Vilaça, Instituto de Educação da Universidade do Minho / PÁG. 21 PRIMEIRA PARTE PROGRAMA DO EVENTO 1 16 DE JUNHO (segunda-feira) -ABERTURA MUSICAL CORO JOVENS CANTORES DE GUIMARÃES (DIR. MAESTRINA JANETE RUIZ) -BEATRIZ PEREIRA (PRESIDENTE DO INSTITUTO DE EDUCAÇÃO) -ÁLVARO LABORINHO LÚCIO (COORDENAÇÃO DA BIENAL) -RUI VIEIRA DE CASTRO (REITOR DA UNIVERSIDADE DO MINHO) -MINISTRO DA EDUCAÇÃO, CIÊNCIA E INOVAÇÃO (A CONFIRMAR) PROGRAMA DETALHADO 14H00-15H30 AVALIAÇÃO, DEMOCRATIZAÇÃO, MERITOCRACIA MESA REDONDA EIXO 3 -ANTÓNIO TEODORO (UNIVERSIDADE LUSÓFONA) -EUSÉBIO MACHADO (UNIVERSIDADE PORTUCALENSE) -PALMIRA ALVES (UNIVERSIDADE DO MINHO) MODERAÇÃO: JOANA SOUSA (UNIVERSIDADE DO MINHO) 08H30-09H30 ACOLHIMENTO DOS PARTICIPANTES >ENTRADA PRINCIPAL DO INSTITUTO DE EDUCAÇÃO 09H30-11H00 CERIMÓNIA DE ABERTURA >ANFITEATRO MULTIMÉDIA DO INSTITUTO DE EDUCAÇÃO 11H00-12H30 INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL E EDUCAÇÃO CONFERÊNCIA PLENÁRIA -ARLINDO OLIVEIRA (INSTITUTO SUPERIOR TÉCNICO DA UNIVERSIDADE DE LISBOA) MODERAÇÃO: FERNANDO AZEVEDO & JOSÉ LENCASTRE (UNIVERSIDADE DO MINHO) >ANFITEATRO MULTIMÉDIA DO INSTITUTO DE EDUCAÇÃO 12H30-14H00 ALMOÇO >ANFITEATRO MULTIMÉDIA DO INSTITUTO DE EDUCAÇÃO / PÁG. 23 15H30-16H30 AS ARTES NA EDUCAÇÃO MESA REDONDA -JOÃO SOEIRO DE CARVALHO (UNIVERSIDADE DE LISBOA) -PAULO PIRES DO VALE (COMISSÁRIO DO PLANO NACIONAL DAS ARTES) MODERAÇÃO: MARIA HELENA VIEIRA (UNIVERSIDADE DO MINHO) 09H30-10H20 CURRÍCULO, PEDAGOGIA E PROFISSIONALISMO DOCENTE CONFERÊNCIA PLENÁRIA EIXO 2 -DOMINGOS FERNANDES (PRESIDENTE DO CONSELHO NACIONAL DE EDUCAÇÃO) MODERAÇÃO: ASSUNÇÃO FLORES (UNIVERSIDADE DO MINHO) 16H30-18H30 COMUNICAÇÕES LIVRES, POSTERES E SIMPÓSIOS >SALA DE ATOS DO INSTITUTO DE EDUCAÇÃO 14H00-15H30 COMUNIDADES EDUCATIVAS, DEMOCRACIA E CONSTRUÇÃO DO BEM-COMUM MESA REDONDA EIXO 4 -MANUEL J. SARMENTO (UNIVERSIDADE DO MINHO) -ANTÓNIO FRAGOSO (FCHS, UNIVERSIDADE DO ALGARVE) -ESTELA COSTA (UNIVERSIDADE DE LISBOA) MODERAÇÃO: JOSÉ A. PALHARES (UNIVERSIDADE DO MINHO) >SALA DE ATOS DO INSTITUTO DE EDUCAÇÃO 17 DE JUNHO (terça-feira) >ANFITEATRO MULTIMÉDIA DO INSTITUTO DE EDUCAÇÃO / PÁG. 24 Os avanços recentes na área da inteligência artificial (IA) e da aprendizagem automática estão a começar a transformar o mundo da educação. Desde ambientes de aprendizagem personalizados a sistemas inteligentes de tutoria, as tecnologias baseadas em IA estão a redefinir a forma como os alunos aprendem, os professores ensinam e as instituições funcionam. Num futuro próximo, a IA poderá ter um papel central na adaptação de conteúdos educativos às necessidades individuais, na automatização da avaliação, no apoio à educação especial e até na identificação precoce de alunos em risco. A aprendizagem profunda e os modelos de linguagem de grande escala estão a permitir novas formas de interação, tornando possível criar assistentes virtuais de ensino e tutores personalizados com capacidade de operar à escala global. Estas transformações levantam questões importantes: como garantir que estes sistemas apoiam, em vez de substituírem, os educadores? Quais são os riscos em termos de enviesamento, privacidade e dependência? E como devem as instituições de ensino posicionar-se para tirar partido da IA, preservando a sua missão centrada nas pessoas? Nesta apresentação, explorarei as aplicações actuais, as linhas emergentes de investigação e as implicações sociais e éticas mais amplas do uso da IA na educação, com especial atenção para a construção de sistemas que sejam não apenas inteligentes, mas também equitativos, transparentes e promotores da aprendizagem ao longo da vida. INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL E EDUCAÇÃO RESUMO ARLINDO OLIVEIRA Licenciado em Engenharia Electrotécnica e de Computadores pelo IST e doutorado na Universidade da Califórnia (Berkeley), foi professor convidado do MIT e investigador em várias instituições, incluindo o INESC, CERN e a Universidade de Tóquio. Foi administrador de diversas empresas e presidente do Instituto Superior Técnico, do INESC-ID e da Associação Portuguesa para a Inteligência Artificial. É membro da Academia das Ciências de Lisboa, da Academia da Engenharia, do IEEE e da ACM. Atualmente, é presidente do INESC e professor distinto do IST. Publicou cinco livros e vários artigos científicos sobre inteligência artificial, bioinformática e arquitetura de computadores, recebendo prémios como o da Universidade Técnica de Lisboa/Santander e o Prémio Carreira da ACEPI. NOTA BIOGRÁFICA / PÁG. 31 CURRÍCULO, PEDAGOGIA E PROFISSIONALISMO DOCENTE: CONTRIBUTOS DO CNE A pedagogia, o currículo e a avaliação são domínios do conhecimento que se investigam há anos no âmbito da complexidade das suas relações e dimensões (e.g., sociais, políticas, teóricas) e da sua relevância educativa. São domínios que, em muito boa medida, determinam como se ensina, como se aprende e como se avalia e, naturalmente, como se desenvolve a educação do país. A identidade e o profissionalismo docente estão intrinsecamente associados e mesmo dependentes das conceções, conhecimentos e competências que os profissionais desenvolvem naqueles três domínios. Nestes termos, nesta conferência, apresenta-se e discute-se uma diversidade de ações que o Conselho Nacional de Educação (CNE) vem desenvolvendo há alguns anos tendo em vista a tomada de posições públicas e a produção de recomendações e pareceres que contribuam para melhorar as políticas e as práticas educativas no nosso país. RESUMO DOMINGOS FERNANDES Presidente do Conselho Nacional de Educação (2022-Presente). Professor Catedrático, jubilado, na Escola de Sociologia e Políticas Públicas do Iscte - Instituto Universitário de Lisboa e investigador associado no CIES-IUL - Centro de Investigação e Estudos de Sociologia. Os seus principais interesses nos domínios da investigação e do ensino são a Avaliação de Políticas Públicas de Educação, as Políticas e Práticas de Avaliação Pedagógica e as Relações entre Currículo, Pedagogia e Avaliação. NOTA BIOGRÁFICA / PÁG. 32 AVALIAÇÕES EM EDUCAÇÃO: PEDAGOGIA OU QUANTOFRENIA? As avaliações em educação têm assumido um protagonismo político inédito, a ponto dejá se ter falado da emergência de uma avaliocracia. O governo pelos números, a educação contábil, a garantia da qualidade, a mensuração para a competição e a emulação, constituem derivações conhecidas e estudadas. Porém, imanente a todos os fenómenos educativos, sobretudo no caso da educação formal, a avaliação não é apenas um complexo de teorias e de práticas que incidem sobre a educação. Mais do que isso, a avaliação não pode deixar de ser entendida como uma prática educativa ancorada numa determinada pedagogia. É assim que as relações entre avaliação e pedagogias (burocráticas, bancárias e cientificistas, ou problematizadoras, democráticas e emancipatórias) exigem debate, submetendo a crítica as derivas neopositivistas, hiperburocráticas e quantofrénicas que reduzem a educação à avaliação, e esta à avaliação externa estandardizada, à hierarquização e aos princípios desigualitários da meritocracia. RESUMO LICÍNIO C. LIMA É Professor Catedrático Emérito do Instituto de Educação da Universidade do Minho. Foi Professor Convidado em universidades da Europa, África, América Latina e Ásia. Atualmente é Professor Visitante nas Universidades de MilãoBicocca (Itália) e JuliusMaximilians Würzburg (Alemanha). Em 2022 foi eleito membro da Academia das Ciências de Lisboa e do International Adult and Continuing Education Hall of Fame (EUA). É autor de numerosas obras, incluindo mais de três dezenas de livros. NOTA BIOGRÁFICA / PÁG. 33 TEMPO DE ECRÃ NAS CRIANÇAS E ADOLESCENTES, IMPLICAÇÕES PARA A SAÚDE E DESENVOLVIMENTO Na conferência "Tempo de Ecrã nas Crianças e Adolescentes: Implicações para a Saúde e Desenvolvimento", apresentar-se-á a evidência científica sobre este tema, refletindo a partir do quadro da epidemiologia comportamental. Serão exploradas seis dimensões essenciais: (1) as implicações do tempo excessivo de ecrã na saúde física, mental e no desenvolvimento cognitivo e social de crianças e adolescentes; (2) as recomendações internacionais sobre limites saudáveis e os dados de prevalência do tempo de ecrã em diferentes contextos; (3) os métodos de avaliação, suas limitações e avanços recentes; (4) os determinantes individuais, familiares e sociais que influenciam estes comportamentos; (5) estratégias de intervenção baseadas em evidência para reduzir o tempo de ecrã e promover hábitos mais saudáveis; e (6) a importância da tradução do conhecimento científico para a prática clínica, educativa e políticas públicas. Esta abordagem visa apoiar profissionais e decisores na construção de ambientes mais favoráveis ao desenvolvimento equilibrado de crianças e adolescentes na era digital. RESUMO RUTE SANTOS Licenciou-se em Educação Física e Desporto em 1998, concluiu o Mestrado em Ciências do Desporto em 2004, o Doutoramento em Atividade Física e Saúde em 2009 e prestou Provas de Agregação em 2015. Rute Santos é professora Associada com Agregação no Instituto de Educação da Universidade do Minho e investigadora no Centro de Investigação em Estudos da Criança. É Diretora do programa doutoral em Estudos da Criança, e conta com mais de 210 artigos publicados e 26 000 citações. A sua investigação foca-se na epidemiologia da atividade física, saúde pública e promoção de estilos de vida saudáveis. NOTA BIOGRÁFICA / PÁG. 34 COMUNIDADES EDUCATIVAS COMO LUGARES DE RESISTÊNCIA NA ERA DO EU Vivemos tempos marcados por um profundo esvaziamento do mundo social e da experiência coletiva. A realidade que nos rodeia — o outro, o comum, o espaço público — tende a ser valorizada apenas na medida em que espelha os desejos e interesses do sujeito individual. A interiorização da vida, alimentada por uma cultura do narcisismo e da autoexpressão ilimitada, converte o mundo externo num mero prolongamento do Eu. Até mesmo a razão cede terreno a uma lógica instrumental centrada no cálculo de interesses individuais, legitimada como se fosse um mecanismo “natural” do funcionamento social. Esta racionalidade estratégica, por vezes disfarçada sob uma retórica emocional ou afetiva, contribui para uma profunda atomização das relações humanas e para a dissolução de vínculos comunitários significativos. Neste cenário, as comunidades educativas surgem como possíveis espaços de resistência à regressão anómica que caracteriza a contemporaneidade. Mais do que espaços de mera transmissão de saberes, estas comunidades podem desempenhar um papel fundamental na reconstrução de laços entre o pessoal e o coletivo, entre a diferença e o RESUMO JOÃO TEIXEIRA LOPES Licenciado em Sociologia pela Universidade do Porto, mestre e doutorado em Sociologia da Cultura e da Educação. Publicou 43 livros e trabalhou nas áreas de sociologia da cultura, desigualdades sociais, cidade, juventude e educação. Foi programador de Porto Capital Europeia da Cultura 2001 e deputado (2002-2006). Coordenou o Instituto de Sociologia da FLUP e a Revista Sociologia. Presidiu à Associação Portuguesa de Sociologia e ao Departamento de Sociologia da FLUP. Distinguido com o galardão 'Chevalier des Palmes Académiques' (2014), atualmente coordena o Instituto de Sociologia da Universidade do Porto. NOTA BIOGRÁFICA / PÁG. 35 comum. A grande questão que se coloca é: como pode a educação — e, em particular, as instituições educativas — rearticular estas dimensões num contexto marcado por dinâmicas de individualização extrema? É urgente repensar o papel da escola e da educação formal, explorando novas formas de mediação entre o conhecimento, a vida e a ação coletiva. Estarão as instituições dispostas a abandonar o seu monopólio educativo, nomeadamente a centralidade exclusiva da relação escola-família, para abraçar parcerias mais amplas? Que potencial existe na articulação com os territórios, com as organizações comunitárias, com os coletivos sociais e com os movimentos cidadãos? A construção de alianças entre escolas e comunidades locais pode abrir caminho a uma educação mais situada, relacional e comprometida com a transformação social. Contra a gramática psicologizante que reduz os problemas sociais a disfunções individuais, impõe-se pensar uma pedagogia do comum, capaz de cultivar novos sentidos de solidariedade, pertença e responsabilidade partilhada. Neste esforço, as comunidades educativas tornam-se não apenas lugares de aprendizagem, mas também de resistência cultural e política, incubadoras de novas formas de ser e viver juntos. / PÁG. 36 TERCEIRA PARTE COMUNICAÇÕES LIVRES, SIMPÓSIOS E POSTERS CIENTÍFICOS 3 Este livro reúne os resumos das comunicações apresentadas na Bienal de Educação 2025, que decorre de 16 a 20 de junho no Instituto de Educação da Universidade do Minho. As comunicações aqui incluídas representam uma diversidade de perspetivas, metodologias e enquadramentos disciplinares no campo da Educação. Organizado por áreas temáticas, este volume integra contributos de investigação empírica, estudos teóricos e experiências de prática fundamentada, que espelham os desafios contemporâneos da educação em diferentes contextos e níveis de ensino. APRESENTAÇÃO SUMÁRIA 130 INTERVENÇÕES 80 FILIAÇÕES INSTITUCIONAIS 3 CONTINENTES ENVOLVIDOS 20 ÁREAS TEMÁTICAS DISCIPLINARES COMUNICAÇÕES LIVRES, SIMPÓSIOS TEMÁTICOS & E-POSTERS / PÁG. 38 A pesquisa aqui apresentada tem como objetivo analisar a presença de relações pedagógicas decoloniais, com destaque para gênero, relações étnico-raciais e desigualdade social, em currículos de licenciaturas de uma universidade pública localizada no Centro-Oeste do Brasil, escolhida por ter sido uma das pioneiras na implantação das ações afirmativas para negros e indígenas no Brasil. A pesquisa inscreve-se no campo crítico do currículo, o qual, ao ser ressignificado, passou a salientar, além da questão de classe (desigualdade social), as relações étnicoraciais e de gênero, o que possibilita sua aproximação dos estudos da (de)colonialidade. O currículo está marcado pela colonialidade, isto é, pela imposição do modo de ser, viver e saber hegemônico, notadamente branco, heterossexual, masculino. Utilizou-se a abordagem de pesquisa qualitativa, realizada com docentes de três licenciaturas, tendo a entrevista semiestruturada como técnica de produção de dados. A análise das entrevistas mostrou que, na relação entre os professores e entre os professores e estudantes nos cursos, há uma postura política e pedagógica que busca romper com as diferentes formas de discriminação produzidas pelo sistema econômico, pelas questões étnico-raciais e pelas relações de gênero, entre outras. Com base na análise das entrevistas, podemos afirmar que essas rupturas se intensificam à medida que diferentes grupos culturais adentram a universidade. Nesse sentido, além da presença de povos negros e indígenas, os professores destacam a diversidade de gênero e de sujeitos com deficiências. Para os entrevistados, a pluralidade de grupos presentes na universidade impulsiona relações cada vez mais democráticas, que rompem com estereótipos produzidos historicamente. Assim, conclui-se que há relações pedagógicas decoloniais nos currículos de cursos de licenciatura da universidade onde os docentes entrevistados atuam. A PRESENÇA DE RELAÇÕES PEDAGÓGICAS DECOLONIAIS NOS CURRÍCULOS DE CURSOS DE LICENCIATURA Ruth Pavan¹ ¹Universidade Católica DOM BOSCO - UCDB >Palavras-chave: Currículo; Decolonialidade; Licenciaturas. COMUNICAÇÃO LIVRE DESENVOLVIMENTO CURRICULAR / PÁG. 39 Esta pesquisa é fruto da tese intitulada “A (não) presença das perspectivas da decolonialidade e interculturalidade nos cursos de Pedagogia: o que dizem os estudantes?”, vinculada ao Programa de Pós-Graduação Mestrado e Doutorado em Educação da Universidade Católica Dom Bosco – UCDB. Tem como objetivo analisar como os estudantes do curso de Pedagogia percebem a presença da interculturalidade e decolonialidade no currículo do seu respectivo curso. A discussão teórica baseia-se em autores decoloniais e do campo da interculturalidade crítica. A pesquisa empírica foi realizada em uma universidade da região Centro-Oeste do Brasil, uma das pioneiras na implantação de ações afirmativas no Brasil. Em consonância com o referencial teórico, nossa pesquisa teve uma abordagem qualitativa e para a construção dos dados recorreu-se a entrevistas semiestruturadas com os estudantes do curso de Pedagogia. A análise das entrevistas aponta que os estudantes tiveram em seu processo formativo discussões acerca das relações étnico-raciais, de gênero e outras discussões que se articulam com a decolonialidade e a interculturalidade crítica. Os estudantes enfatizam que estes conteúdos discutidos no âmbito do curso foram de suma importância no momento em que fizeram seus estágios curriculares na Educação Básica. Neste sentido, reitera-se a importância de um currículo decolonial e intercultural crítico na formação docente, sobretudo, nos cursos de Pedagogia porque opera desde a mais tenra idade. Pela pesquisa realizada conclui-se que mesmo que ainda haja um longo processo curricular a ser percorrido para romper com a colonialidade presente no curso de Pedagogia, há fissuras decoloniais presentes em seu currículo que possibilitam uma formação articulada com as diferenças culturais. A PRESENÇA DA DECOLONIALIDADE E INTERCULTURALIDADE NO CURSO DE PEDAGOGIA: O QUE DIZEM OS ESTUDANTES? Henrique Rezende Untem¹ & Ruth Pavan¹ ¹Universidade Católica Dom Bosco - UCDB >Palavras-chave: Decolonialidade; Interculturalidade; Formação de professores. COMUNICAÇÃO LIVRE DESENVOLVIMENTO CURRICULAR / PÁG. 40 Num contexto internacional de referenciais de avaliação institucional, em Portugal a avaliação das escolas assenta na Autoavaliação, realizada internamente por cada escola, e na Avaliação Externa das Escolas (AEE), da responsabilidade da InspeçãoGeral da Educação e Ciência, conforme estabelecido pela Lei n.º 31/2002. Desde 2018, decorre o 3.º ciclo de AEE, baseado num referencial composto por quatro domínios: Autoavaliação, Liderança e Gestão, Prestação do Serviço Educativo e Resultados. Cada domínio é classificado numa escala de cinco níveis, de Insuficiente a Excelente. Os resultados são divulgados em relatórios públicos organizados em três secções: Pontos Fortes, Áreas de Melhoria e Juízos Avaliativos, onde se fundamentam as classificações atribuídas. Destaca-se, neste ciclo, a introdução da Autoavaliação como domínio autónomo, reforçando a sua importância na melhoria contínua da qualidade educativa. Esta abordagem assenta na convicção de que o envolvimento das escolas no processo de autoavaliação promove um diagnóstico mais rigoroso, sustentando a definição e monitorização de estratégias de melhoria. Apesar da sua relevância, a análise dos relatórios do atual ciclo revela fragilidades no domínio da Autoavaliação. O presente estudo visa identificar as principais áreas de melhoria apontadas neste domínio, com base na análise documental de 380 relatórios do 3.º ciclo de AEE, focando-se nas escolas classificadas com Insuficiente (n=5) e Suficiente (n=57). A metodologia adotada é de base qualitativa e quantitativa, a análise dos dados foi conduzida através da análise de conteúdo e de procedimentos de estatísticos, com vista à identificação de padrões recorrentes e áreas críticas de melhoria. A análise evidencia a persistência de um planeamento estratégico dos processos de autoavaliação ainda pouco consolidado, o que compromete o desenvolvimento de uma ação intencional, articulada e orientada por objetivos claros. (AUTO)AVALIAÇÃO NAS ESCOLAS: UM ESTUDO SOBRE AS FRAGILIDADES DO PLANEAMENTO ESTRATÉGICO SEGUNDO OS RELATÓRIOS DE AVALIAÇÃO EXTERNA DAS ESCOLAS Ila Beatriz Maia¹ & Sofia Rodrigues¹ ¹Centro de Investigação em Educação da Universidade do Minho (CIEd) >Palavras-chave: Avaliação Institucional; Autoavaliação; Avaliação Externa das Escolas; Planeamento estratégico da Autoavaliação. COMUNICAÇÃO LIVRE DESENVOLVIMENTO CURRICULAR / PÁG. 47 Em Portugal, estudos recentes têm verificado que os processos de autoavaliação das escolas, obrigatórios desde 2002, ainda revelam algumas fragilidades no que respeita à sua implementação. Entre as principais dificuldades identificadas destacam-se a falta de conhecimento especializado nesta área, a resistência para a implementação e operacionalização destes processos, bem como dificuldades na mobilização e envolvimento efetivo da comunidade educativa. Estas fragilidades são ainda visíveis na análise dos resultados do atual 3.º ciclo de Avaliação Externa das Escolas (AEE), no qual a Autoavaliação surge, pela primeira vez, como domínio autónomo. A leitura das classificações atribuídas aos diferentes domínios evidencia que é na Autoavaliação que se registam as maiores fragilidades, sendo este o que apresenta classificações mais baixas até ao momento. Com efeito, 68,2%, das escolas já avaliadas (N=380) obtiveram classificações iguais ou inferiores a “Bom”. A dificuldade na elaboração de um planeamento estratégico da autoavaliação tem sido apontada, quer por estudos recentes quer pelos relatórios de AEE, como uma das principais fragilidades do processo de Autoavaliação. Um dos desafios centrais prende-se com a necessidade de estruturar e sistematizar do processo de autoavaliação, de modo que este seja capaz de conceber, organizar e orientar, de forma articulada e coerente, estas atividades ao nível das escolas. É neste enquadramento que se insere o presente estudo, no qual, face às fragilidades que têm sido enunciadas - demonstradas pelo levantamento bibliográfico, pela análise documental dos relatórios do 3.º ciclo de AEE e, ainda, na sequência das evidências recolhidas no âmbito das atividades de um observatório de autoavaliação de escolas - apresentamos uma proposta de pontos fundamentais a serem considerados aquando da planificação dos processos de autoavaliação. Estas recomendações visam alicerçar todo o processo da autoavaliação, colaborando com as escolas para ultrapassar os constrangimentos identificados, promovendo, assim, a melhoria das práticas avaliativas. (AUTO)AVALIAÇÃO DAS ESCOLAS: O PLANEAMENTO ESTRATÉGICO COMO PONTO DE PARTIDA Sofia Rodrigues¹ & Ila Beatriz Maia¹ ¹Centro de Investigação em Educação da Universidade do Minho (CIEd) >Palavras-chave: Autoavaliação; Avaliação Externa das Escolas; Planeamento estratégico; Qualidade educativa. COMUNICAÇÃO LIVRE DESENVOLVIMENTO CURRICULAR / PÁG. 48 É fulcral o Professor do 1.º ciclo do ensino básico pensar em práticas que através da educação expressiva promovam o sucesso educativo dos seus alunos. A literacia em arte, segundo o Currículo Nacional do Ensino Básico (2001), implica as competências consideradas comuns, a todas as disciplinas artísticas, sintetizadas em quatro eixos interdependentes: a compreensão das artes no contexto, a apropriação das linguagens elementares das artes, o desenvolvimento da criatividade e o desenvolvimento da capacidade de expressão e comunicação. Na Escola da Vila de Rabo de Peixe, onde nos deparamos com um baixo nível de escolaridade dos seus habitantes e uma elevada taxa infantojuvenil de abandono escolar, foi onde centrámos o foco do nosso estudo de caso, no ano letivo 2022/23. Foi nosso propósito realizar aí um pequeno estudo, de análise do impacto da intervenção educativa com recurso a metodologias expressivas. Com esta intervenção pedagógica inovadora, orientada pelo professor de uma turma da escola, trabalhou-se a partir das áreas das expressões, com um grupo de sete crianças do 1.º ciclo do ensino básico, com idades compreendidas entre os nove e os doze anos, todas apresentando problemáticas diferentes e específicas, beneficiando da medida “Percurso Curricular Diferenciado”. Para análise e reflexão dessas práticas, recorremos à observação participante - diário de bordo do professor, sobre as atividades práticas expressivas incluídas num projeto de intervenção sócio educativa. Após a análise da intervenção com metodologias expressivas concluímos que esta estratégia tem um elevado potencial para promover o sucesso educativo e a equidade em práticas de ensino-aprendizagem orientadas para a melhor integração destes alunos. PRÁTICAS DE ENSINO DE/COM EXPRESSÕES ARTÍSTICAS OLHARES SOBRE PERCURSOS CURRICULARES DIFERENCIADOS NUMA ESCOLA DO 1.º CICLO Susana Marina Freitas Oliveira Afonso¹ & Isabel Cabrita Condessa¹ ¹FCSH – Universidade dos Açores ² Centro de Investigação em Estudos da Criança da Universidade do Minho (CIEC) >Palavras-chave: Escola; Projeto Sócio Educativo; Percursos Curriculares Diferenciados Educação Expressiva; Equidade. COMUNICAÇÃO LIVRE EDUCAÇÃO ARTÍSTICA ,² / PÁG. 49 Pretendemos com esta comunicação apresentar a análise realizada a estudos efetuados, num período de 12 anos, na Região Autónoma dos Açores (RAA), através de pequenas pesquisas desenvolvidas de 2010 a 2022 na região, em trabalhos efetuados no âmbito de trabalhos finais de cursos de mestrado (teses de dissertação ou relatórios de estágio), que se preocuparam em estudar aspetos do ensino das expressões artísticas no contexto educativo, a maioria baseada em testemunhos de educadores/ professores. Em síntese, estes estudos revelam que os professores do ensino básico da RAA, especificamente os do 1.º CEB, enfrentam desafios relacionados à gestão do tempo e ao peso curricular de outras áreas. No entanto, estes docentes reconhecem o enorme potencial educativo desta área. Embora seja menos convocada, comparativamente com as restantes áreas curriculares, esta é valorizada como uma ferramenta para o desenvolvimento criativo, emocional e cognitivo das crianças. Nesse contexto, as crianças têm maior liberdade para explorar as expressões, sem as restrições impostas pelos programas curriculares formais. Por outro lado, podemos ver o impacto que estas áreas têm no envolvimento e motivação dos professores, pois para Araújo & Rebolo (2021) a escola, inovadora pode ser local onde os professores têm como desafio exercitar a verdadeira escuta de sensibilidade necessária para atuar com a arteeducação. (p.18). CONSTRANGIMENTOS E DESAFIOS AO ENSINO DAS EXPRESSÕES NA EDUCAÇÃO BÁSICA – ANÁLISE DE ALGUNS ESTUDOS REALIZADOS NOS AÇORES Susana Marina Freitas Oliveira Afonso¹ & Isabel Cabrita Condessa¹ ¹FCSH – Universidade dos Açores ²Centro de Investigação em Estudos da Criança da Universidade do Minho (CIEC) >Palavras-chave: Escola; Projeto Sócio Educativo; Percursos Curriculares Diferenciados Educação Expressiva; Equidade. ,² COMUNICAÇÃO LIVRE EDUCAÇÃO ARTÍSTICA / PÁG. 50 A rede de escolas especializadas de música em Portugal (continente e ilhas) integra hoje 147 escolas de diversas tipologias (12 públicas e 135 da rede particular e cooperativa, 8 das quais profissionais) e concentra-se no litoral. Há ainda 16 escolas gerais que oferecem cursos especializados e/ou cursos profissionais de música (em 11 agrupamentos e escolas não agrupadas do ensino geral e 5 escolas do ensino particular e cooperativo). As escolas especializadas de música têm selecionado alunos com base em conceitos como “talento” e “aptidão”. Não foi possível, porém, obter na literatura síntese do que denominamos “talento” ou “aptidão” musical, e concluiu-se que os testes de seleção não testam o que dizem testar, pelo que não existe um argumento sólido para continuarmos a selecionar as crianças. A literatura evidencia também que a formação musical dos docentes generalistas da educação pré-escolar e do 1º Ciclo é insuficiente e que a presença de professores especialistas de música (PEM) nessas etapas é uma tendência em países como Estónia, EUA, Finlândia, Porto Rico ou Israel. Identificou-se num mapeamento que pelo menos 4,8% das creches e jardins em todos os distritos e regiões de Portugal tenham PEM. Esta colaboração de especialistas, prevista por lei há décadas no país, tem tido um crescimento discreto, e sobretudo na rede particular e cooperativa. Há, porém, em Portugal, casos em que a oferta pública de ensino de música com professores especialistas na educação pré-escolar e no 1º ciclo está à frente do resto do país. Destaca-se o concelho de Lousada, com 60 de um total de 61 instituições de educação a oferecer PEM, em regime de coadjuvação, a todas as crianças (num total de 3.562) dos 3 aos 9 anos de idade, através de protocolo com o Conservatório do Vale do Sousa e apoio da Câmara Municipal. O TALENTO EDUCA-SE. SOBRE O ENSINO DE MÚSICA COM PROFESSORES ESPECIALISTAS NA EDUCAÇÃO PRÉ-ESCOLAR E NO 1º CICLO DO ENSINO BÁSICO Helena Almeida e Silva¹, Hugo Brito¹, Ana Paula Malotti¹, António Pacheco¹ & Maria Helena Vieira¹ ¹Centro de Investigação em Estudos da Criança da Universidade do Minho (CIEC) >Palavras-chave: Rede de escolas de ensino especializado de música; Selecção de alunos; Aptidões musicais; Professor especialista de música; Ensino público. SIMPÓSIO EDUCAÇÃO ARTÍSTICA / PÁG. 51 A educação é a base e elemento essencial para o desenvolvimento e sustentabilidade social, cuja estabilidade depende de inúmeros fatores tais como os recursos hídricos, que vêm sendo ameaçados pelos impactos das alterações climáticas sobretudo, em países em desenvolvimento, com investimento limitado em educação. Angola é parte desta realidade onde o uso insustentável de água, intensificado pela falta de conhecimento e pobreza multidimensional, tem contribuído para a redução tanto da qualidade quanto da disponibilidade hídrica, principalmente em comunidades rurais. O presente artigo analisa a relação entre o nível de escolaridade e as estratégias de gestão dos recursos hídricos em comunidades rurais, a partir de um estudo de caso assente no método de análise de cluster, aplicado a dados obtidos aleatoriamente através de um inquérito a 163 indivíduos adultos, representantes de uma população de 542 pessoas de quatro comunidades rurais do setor Chipipa, na província do Huambo-Angola. Os resultados indicam que o baixo nível de escolaridade dos habitantes das comunidades rurais de países em desenvolvimento influencia negativamente na adoção de estratégias para a gestão dos recursos hídricos, o que evidencia a necessidade de investimentos em processos de ensino-aprendizagem contextualizados para que se possam atingir níveis de sustentabilidade em relação aos recursos hídricos, que apesar da sua abundancia em algumas regiões a qualidade e acessibilidade são deficitárias por falta de estratégias de gestão eficazes. O estudo apresenta evidencias de que a educação é o fator fundamental na formulação e implementação de políticas públicas que concorram para minimizar problemas específicos das comunidades rurais de países em desenvolvimento. EDUCAÇÃO E SUSTENTABILIDADE DOS RECURSOS HÍDRICOS EM COMUNIDADES RURAIS: UM CASO DE ESTUDO EM ANGOLA Delfina Dunn João¹ & César de Osvaldo Pakissi² ¹Doutoranda em Alterações Climáticas e Políticas de Desenvolvimento Sustentável, pela Universidade de Lisboa. Assistente do Departamento de Ciências Exatas e da Natureza do Instituto Superior de Ciência de Educação do Huambo ²Instituto Superior de Ciências da Educação do Huambo >Palavras-chave: Educação; Sustentabilidade hídrica; Comunidades rurais; Angola. COMUNICAÇÃO LIVRE EDUCAÇÃO EM CIÊNCIAS / PÁG. 52 A crescente preocupação com as questões ambientais tem estimulado reflexões sobre a forma como diferentes grupos sociais percebem e relatam o ambiente ao seu redor. Assim, é nosso objetivo investigar conceções de alunos do Ensino Médio e da EJA, acerca da observação e análise crítica do ambiente. Para tanto, foi aplicado um questionário de observação crítica ao ambiente com 24 alunos de três escolas brasileiras, duas no Estado do Paraná (Cambé e Santa Amélia) e uma no Estado de São Paulo (Ipaussú). As cidades foram codificadas de acordo com o número de participantes, ficando P1 – Santa Amélia (11 participantes), P2 – Ipaussú (9 participantes), seguida de Cambé (4 participantes). Os alunos foram codificados em uma sequência contínua de A1 até A24 (usando a letra “A” para aluno seguida dos numerais ordinais). Já as questões foram codificadas em Q1 – A qual indicava todos os fatores do ambiente e Q2 – A qual era apresentada os acontecimentos, alterações existentes e soluções para o ambiente. As produções textuais das questões foram o corpus da pesquisa que foi avaliado pela análise de conteúdo. Os conteúdos das respostas foram classificados em quatro categorias: “Relato dos Fatores ambientais”, “Acontecimentos no ambiente”, “Alterações no ambiente” e “Soluções indicada pelos alunos”. Os resultados obtidos dos 24 alunos (15 do sexo feminino e nove do sexo masculino) foram de uma análise detalhada dos fatores bióticos e abióticos do ambiente e que permeou uma análise crítica dos acontecimentos e alterações do meio, acompanhadas de importantes soluções para esses problemas, buscando resolver ou amenizar a ação antrópica. Desta forma, concluímos que as reflexões dos participantes afirmam o alto nível de crítica que possuem e o potencial desses sujeitos em contribuir para o debate ambiental em suas comunidades. ANÁLISE DAS CONCEÇÕES AMBIENTAIS DE ESTUDANTES DO ENSINO MÉDIO E DA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS (EJA): UM ESTUDO QUALITATIVO EM TRÊS MUNICÍPIOS BRASILEIROS Fernando Guimarães ¹, Rodrigo de Souza Poletto², Roberta Negrão de Araújo³, Rita de Cássia Assolari⁴, Ana Amabile Borda⁵ & Luis Rogério Marques de Andrade⁴ ¹Centro de Investigação em Estudos da Criança da Universidade do Minho (CIEC) ²Programa Profissional de Pós-Graduação em Ensino (PPGEN) e do Programa de PósGraduação em Agropecuária Sustentável (PGPAS) - UENP-Paraná-Brasil ³Programa Profissional de Pós-Graduação em Ensino - UENP-Paraná-Brasil ⁴Rede Estadual de Educação do Estado do Paraná - Brasil ⁵Rede Estadual de Educação do Estado de São Paulo - Brasil >Palavras-chave: Intervenções ambientais, Ação antrópica, Análise de conteúdo. COMUNICAÇÃO LIVRE EDUCAÇÃO EM CIÊNCIAS / PÁG. 53 O ensino das Ciências da Natureza deve assumir um caráter prático, que permita aos alunos experimentar, investigar, partilhar e refletir sobre o meio envolvente. Este projeto de investigação irá assumir contornos de investigação ação e adotar uma abordagem mista. Ele visa promover o ensino das ciências da natureza nas 5.ª e 6.ª classes do Ensino Primário em Angola, utilizando atividades práticas com materiais do dia a dia. Será desenvolvida em quatro fases, começando com uma fase exploratória para identificar as dificuldades e atitudes dos professores face ao ensino das ciências. A segunda fase envolve a ação de formação de professores e construção de guias metodológicos, enquanto a terceira fase se concentra na implementação e validação desses guias em sala de aula. A quarta fase avaliará as perceções finais dos professores e alunos sobre as atividades propostas. Este projeto visa fortalecer a formação de professores com a construção de guias metodológicos inovadores para melhorar o ensino das ciências. O foco está em aumentar a autonomia dos professores, adaptando metodologias ao contexto local, sendo os alunos os protagonistas no processo de aprendizagem. Ao oferecer ferramentas práticas e estratégias dinâmicas, o projeto pretende aumentar o interesse dos alunos pelas ciências, promovendo uma aprendizagem mais significativa e eficaz. ATIVIDADES PRÁTICAS NO ENSINO DAS CIÊNCIAS DA NATUREZA COM MATERIAIS DO DIA A DIA: UM ESTUDO COM PROFESSORES E ALUNOS DO ENSINO PRIMÁRIO EM ANGOLA Margareth Justino¹ & Paulo Varela² ¹Centro de Investigação da Universidade do Minho ²Universidade do Minho >Palavras-chave: Atividades práticas; Ensino primário; Formação de professores; Materiais do dia-a-dia, Pesquisa mista. COMUNICAÇÃO LIVRE EDUCAÇÃO EM CIÊNCIAS / PÁG. 54 Apresentamos uma investigação que está a decorrer no âmbito de um Doutoramento em Educação, especialidade em História e Ciências Sociais. O estudo visa analisar o significado atribuído à empatia histórica por professores e alunos do 2.º Ciclo do Ensino Básico na promoção do pensamento histórico. A investigação está estruturada em três fases. Na primeira fase, foram recolhidos dados através de um inquérito por questionário aplicado a professores da região Centro de Portugal. A segunda fase consistiu num estudo de caso envolvendo duas turmas do 6.º ano de uma escola pública na Região de Leiria. A recolha de dados foi realizada por meio de quatro atividades de empatia histórica escrita, abrangendo temas como a escravatura, as primeiras leis sobre a escravatura, as invasões francesas e o trabalho infantil no século XIX. A terceira fase, atualmente em curso, envolve a realização de entrevistas com a professora responsável e focus group com os alunos participantes do estudo de caso. Os resultados da primeira fase revelam que os professores afirmam trabalhar frequentemente competências de pensamento histórico, consideram necessária a realização de tarefas específicas para desenvolver a empatia histórica e reconhecem a sua extrema relevância na promoção do pensamento histórico. No entanto, registam-se algumas inconsistências nas respostas e na tarefa de empatia histórica realizada, que requerem reflexão. No estudo de caso, observou-se que, à medida que os alunos se familiarizam com as atividades propostas, demonstram um envolvimento progressivamente mais crítico e uma compreensão histórica mais sofisticada. Além disso, os alunos relataram que estas atividades os ajudaram a compreender os acontecimentos históricos de forma mais significativa, promovendo interpretações mais profundas e contextualizadas do passado. EMPATIA HISTÓRICA PARA O DESENVOLVIMENTO DO PENSAMENTO HISTÓRICO: UM ESTUDO COM PROFESSORES E ALUNOS DO 2.º CICLO DO ENSINO BÁSICO Sofia Marques¹ & Maria Glória Solé¹ ¹Centro de Investigação em Educação da Universidade do Minho (CIEd) >Palavras-chave: Aprendizagem Situada; Compreensão Histórica; Educação Histórica; Empatia Histórica; Pensamento Histórico. COMUNICAÇÃO LIVRE EDUCAÇÃO EM HISTÓRIA E CIÊNCIAS SOCIAIS / PÁG. 55 Esta comunicação integra-se no projeto de investigação em curso que estamos a desenvolver no Instituto de Educação, na Universidade do Minho, no âmbito do Doutoramento em Educação em História e Ciências Sociais. Este estudo descritivo de natureza qualitativa, tem como um dos objetivos de investigação analisar as conceções dos professores primários angolanos sobre o ensino e aprendizagem da História no Ensino Primário, na província do Bengo (Angola). Os resultados preliminares deste estudo, recolhidos por intermédio da observação sistemática das aulas, entrevistas semiestruturadas e um inquérito por questionário aos professores, num total de 35, analisados de acordo com a metodologia da Grounded Theory (Teoria Fundamentada nos Dados), revelam que as conceções dos professores acerca de ensino e aprendizagem da História estão em contramão aos princípios norteadores da Educação Histórica. Constatou-se que as metodologias de ensino e aprendizagem, assim como as actividades desenvolvidas em contexto de sala de aulas, visam fundamentalmente o cumprimento do programa e alcançar objetivos específicos muito centrados nos conhecimentos e não na dinamização de atividades desafiadoras do ponto de vista cognitivo que elevam progressivamente os alunos a serem historicamente alfabetizados e a desenvolverem competências históricas. Estes resultados sugerem a necessidade de uma formação inicial e contínua, mais especializada dos professores de Ensino Primário em Angola, a ser desenvolvida nos Magistérios Primários, nas Escolas Superiores Pedagógicas e nos Institutos Superiores de Ciências da Educação (ISCED), a fim de promoverem práticas e um ensino alicerçado no socioconstrutivismo, valorizando o papel do aluno na construção do conhecimento e no desenvolvimento de competências específicas de História. AS CONCEÇÕES DOS PROFESSORES SOBRE O ENSINO E APRENDIZAGEM DA HISTÓRIA NO ENSINO PRIMÁRIO NA PROVÍNCIA DO BENGO (ANGOLA) Francisco Salomé Tomás António¹ & Glória Solé² ¹Universidade do Minho / Escola Superior Pedagógica do Bengo ²Universidade do Minho >Palavras-chave: Conceções de Professores; Competências Históricas; Ensinoaprendizagem de História; Ensino Primário; Angola. COMUNICAÇÃO LIVRE EDUCAÇÃO EM HISTÓRIA E CIÊNCIAS SOCIAIS / PÁG. 56 Nesta apresentação pretendemos discutir alguns dos impactos gerados pelo Projeto Educação para o Empreendedorismo (PEpE) que tem vindo a ser desenvolvido pelo município de Alenquer em três agrupamentos escolares distintos, e que tem como foco principal o desenvolvimento de um currículo escolar alternativo, centrado nos temas do empreendedorismo social, da inovação e da pedagogia crítica. Com efeito, com esta apresentação, pretendemos dar a conhecer aqueles que foram alguns dos impactos do PEpE junto dos jovens e crianças que nele participaram, mas também junto dos seus encarregados de educação. Para tal, apoiamo-nos na aplicação de uma metodologia quantitativa, que passou pela aplicação e análise de mais de 1000 inquéritos por questionário destinados a jovens e a crianças que participaram na disciplina do PEpE e cerca de 400 inquéritos a encarregados de educação cujos educandos participaram no referido projeto. Estes inquéritos foram categorizados e submetidos a uma análise baseada em procedimentos de inferência estatística, bem como foi feito um vaivém entre teoria e empiria, de modo a identificar padrões e contribuir para uma avaliação diacrónica e sincrónica dos impactos do PEpE. O principal objetivo é o de dar conhecer as principais mudanças, mais concretamente, mudanças comportamentais e atitudinais, mas também renovações estruturais - do ponto de vista do ensino formal -, destacando a potencialidade do empreendedorismo e da inovação social enquanto elementos de pedagogia crítica. INOVAR (N)O ENSINO OU ENSINAR INOVAÇÃO? O EMPREENDEDORISMO E A INOVAÇÃO SOCIAL COMO PEDAGOGIAS E O CASO DE SUCESSO DO PEpE Narciso Moreira¹, Andreia Pereira¹ & Helena Costa¹ ¹Betweien >Palavras-chave: Empreendedorismo e inovação social; Pedagogia crítica; Crianças e jovens. COMUNICAÇÃO LIVRE EDUCAÇÃO EMPREENDEDORA / PÁG. 63 A Perturbação do Espetro do Autismo (PEA) apresenta-se desde a infância e pode acarretar diversas dificuldades no dia a dia e no desenvolvimento ao longo da vida do indivíduo. Pessoas com autismo apresentam dificuldades na comunicação e interação social, além de comportamentos estereotipados e repetitivos e interesses restritos. Cerca de 65% das crianças diagnosticadas com PEA apresentam, também, alterações na reatividade sensorial. A sala Snoezelen oferece uma abordagem assente na estimulação sensorial múltipla que facilita a regulação do processamento sensorial atípico. As experiências multissensoriais que aquela sala possibilita geram experiências de regulação, relaxamento e bem-estar, proporcionando melhorias na qualidade de vida e no processo de aprendizagem e desenvolvimento de crianças e jovens. No entanto, encontram-se poucos estudos sobre os benefícios que a sala Snoezelen gera nos seus utilizadores. Assim, parece importante conhecer o que a experiência dos profissionais que utilizam aquela sala sugere, de modo a compreender melhor os efeitos do uso da mesma. O objetivo desta investigação, de cariz qualitativo, é compreender a perceção dos profissionais, que atuam na sala Snoezelen com crianças e jovens com PEA, sobre as potencialidades da mesma. Foram recolhidos dados, através da técnica de inquérito por entrevista, junto de sete profissionais de três instituições que dispõem da referida sala. Os resultados sugerem que os participantes no estudo percecionam vantagens na utilização da sala Snoezelen, considerando que apresenta efeitos positivos, nomeadamente, ao nível do relaxamento e da autorregulação. A reação, favorável, dos profissionais à sala Snoezelen, juntamente com as sugestões decorrentes da literatura, indicam que vale a pena investir na criação e utilização destas salas, para a promoção do desenvolvimento de crianças e jovens com autismo. EFEITOS DA UTILIZAÇÃO DA SALA SNOEZELEN EM CRIANÇAS E JOVENS COM PERTURBAÇÃO DE ESPETRO DO AUTISMO: UM ESTUDO SOBRE AS PERCEÇÕES DE PROFISSIONAIS. Marina Guimarães¹, Cátia Sousa¹, Andressa Miranda¹,Gabrielle Ribeiro¹ & Laurinda Leite² ¹Universidade do Minho ²Centro de Investigação em Educação da Universidade do Minho (CIEd) >Palavras-chave: Estimulação Sensorial; Autismo; Perceções dos Profissionais; Sala de Snoezelen, Crianças. POSTER CIENTÍFICO EDUCAÇÃO ESPECIAL / PÁG. 64 As part of a doctoral study focused on peer sociability between children with and without special needs in inclusive education settings, this paper proposes an interdisciplinary dialogue between Inclusion Studies and the Sociology of Childhood, exploring their mutual potential for rethinking inclusion from a human rights perspective. It argues that this articulation opens up innovative and critical perspectives at the epistemological, theoretical-methodological and ethical levels, promoting research that is more sensitive to the plurality of childhoods and the complexity of the differences that define them. Inclusion Studies challenge the homogenising norms that have historically shaped educational practices, recognising that each child has unique characteristics, abilities and needs that require an equitable pedagogical response. One of the basic assumptions of the Sociology of Childhood is that children are competent social agents and rights holders, and that childhood is a generational social category with its own status, producing cultures through intra - and intergenerational relationships. This research mobilises key concepts such as inclusion, normativity, generativity, horizontal socialisation, peer cultures, intersectionality and reflexive ethnography, to access children's rationalities and the meanings they attribute to their relational experiences. As a structuring fundamental right, children’s dignity guides this approach, playing a dual role: hermeneutic - illuminating the interpretation of other rights - and integrative – enabling the expansion of recognised rights or the discovery of emerging rights. In this context, the convergence between Inclusion Studies and the Sociology of Childhood is essential for building a research and policy agenda focused on truly inclusive education – one that recognises and amplifies the multiple voices and identities of children within their lifeworlds. INCLUSION AND HUMAN RIGHTS: CONTEMPORARY CHALLENGES OF AN INTERDISCIPLINARY DIALOGUE BETWEEN INCLUSION STUDIES AND THE SOCIOLOGY OF CHILDHOOD Maria Torres¹, Ana Paula da Silva Pereira¹ & Manuel Jacinto Sarmento¹ ¹Centro de Investigação em Estudos da Criança da Universidade do Minho (CIEC) >Palavras-chave: Human's rights; Inclusive education; Inclusion studies; Sociology of childhood; Special needs. COMUNICAÇÃO LIVRE EDUCAÇÃO ESPECIAL / PÁG. 65 O desenvolvimento cognitivo e comportamental, vinculado à aprendizagem escolar, por meio do lúdico, em momentos de lazer e recreação, estão sendo cada vez mais implementados e explorados nas escolas de ensino regular. Atendo-se a isto, reconhecer a inserção de alunos com Necessidades Educativas Especiais (NEE) nestas práticas é essencial para buscar estratégias de ensino alternativas e articuladas. Na busca de garantir suporte e apoio básico aos estudantes e suas famílias, o lazer e a recreação são vistos como mecanismos que repõem o que foi perdido ou privado, assim, por meio do descanso, convívio e autonomia, é possível desenvolver métodos de enriquecimento escolar. Desse modo, este estudo objetivou, caracterizar e compreender os tipos de atividades de lazer e recreação, oferecidos nos agrupamentos de escolas da região norte de Portugal, para alunos com NEE e seus reflexos. A metodologia adotada foi de cariz qualitativo com aplicação de uma entrevista semiestruturada a seis professores do Ensino Básico e de Educação Especial. Visou-se identificar os tipos de atividades de lazer e recreação oferecidas em contexto escolar para alunos com NEE e perceber e pontuar quais eram as aptidões, formações, experiências e prática dos professores participantes no que diz respeito a instituição em que lecionavam e a forma com que estas práticas eram vistas e ofertadas para estes alunos. Os principais resultados do estudo permitiram concluir que, as atividades de lazer em contexto escolar para alunos com NEE são de cariz curricular e todas as escolas cumpriam com a obrigatoriedade; já sobre a formação dos professores, notou-se que é comummente direcionada ao ensino regular e aprofundada conforme necessidades e demandas. Concluiu-se também as possíveis vantagens na oferta destas práticas com maior destaque na parte da socialização e desvantagens com destaque na falta de conhecimento aprofundado dos professores sobre os benefícios destas práticas no apoio aos alunos com NEE. CARACTERIZAÇÃO DAS ATIVIDADES DE LAZER E RECREAÇÃO PARA ALUNOS COM NECESSIDADES EDUCATIVAS ESPECIAIS NA REGIÃO NORTE DE PORTUGAL Maria Carolina Silva¹ & Anabela Cruz-Santos² ¹Universidade do Minho ²Centro de Investigação em Estudos da Criança da Universidade do Minho (CIEC) >Palavras-chave: Lazer; Recreação; Necessidades Educativas Especiais; Escola. COMUNICAÇÃO LIVRE EDUCAÇÃO ESPECIAL / PÁG. 66 A natureza das relações entre as linguagens oral e escrita faz com que a sensibilidade infantil à estrutura sonora das palavras desempenhe um papel preponderante na assimilação do código alfabético. Embora existam práticas pedagógicas eficazes para o desenvolvimento da linguagem em crianças com perda auditiva, a complexidade no desenvolvimento de ferramentas que avaliem o seu nível de literacia emergente torna desafiante para os educadores a identificação da língua ou línguas a incluir na avaliação, atendendo aos sistemas de comunicação utilizados em diferentes contextos. Em Portugal, constata-se uma carência de conhecimentos sobre práticas baseadas em evidências, assim como sobre instrumentos que permitam avaliar o impacto da variabilidade do input linguístico sobre o nível de literacia de crianças com perda auditiva. Assim, o presente projeto de investigação tem como objetivos (1) desenvolver e validar o Rastreio de Literacia Emergente para Crianças em idade Pré-escolar e 1.º CEB para crianças com perda auditiva (RaLEPEEB – Surdez); e (2) avaliar a eficácia do programa de intervenção em consciência fonológica LALA E AS LETRAS, adaptado às especificidades linguísticas de crianças com surdez, através da introdução do alfabeto datilológico, como facilitador da correspondência entre as representações fonológica e gráfica das letras e, por inerência, das palavras. Estudos anteriores, apesar de terem sido conduzidos em países que não falam português, apontam para uma predominância da língua oral sobre a gestual na aplicação de instrumentos que avaliam a literacia emergente, em crianças com perda auditiva, bem como para efeitos positivos de intervenções nas habilidades de processamento fonológico de crianças surdas, incluindo tarefas de rima, sílaba e fonema. Pretende-se, com este estudo, garantir que todas as crianças, independentemente da sua condição, tenham acesso a um ensino equitativo e de qualidade, que respeite as diferenças e as conduza ao desenvolvimento de competências promotoras da sua autonomia e plena inclusão na sociedade. LINGUAGEM ORAL E LITERACIA EMERGENTE EM CRIANÇAS COM E SEM SURDEZ: AVALIAÇÃO E INTERVENÇÃO EM CONTEXTOS INCLUSIVOS João Paulo Santos¹ & Anabela Cruz-Santos¹ & Pascale Engel de Abreu² ¹Centro de Investigação em Estudos da Criança da Universidade do Minho (CIEC) ²Universidade do Luxemburgo >Palavras-chave: Consciência fonológica; Intervenção; Literacia emergente, Avaliação; Surdez. COMUNICAÇÃO LIVRE EDUCAÇÃO ESPECIAL / PÁG. 67 Esta breve apresentação tem como finalidade partilhar uma visão geral do sistema de Intervenção Precoce na Infância (IPI) na Sérvia, resultante de uma experiência de estágio Erasmus de curta duração, realizada nos meses de março e abril. Durante este período, tive a oportunidade de contactar diretamente com a realidade da IPI no país, através de diversas atividades, como observação direta, job shadowing, entrevistas a profissionais, participação em reuniões de equipa e formação especializada. Esta vivência insere-se no âmbito do meu projeto de doutoramento – “Análise Comparativa de Políticas e Práticas de Intervenção Precoce na Infância em Países Europeus – A Utilização de Práticas Recomendadas”. Na Sérvia, o sistema de IPI encontra-se em processo de mudança significativa, procurando alinhar-se com os padrões internacionais baseados em práticas centradas na família e na comunidade. Historicamente, os serviços eram prestados sobretudo em contextos clínicos e institucionais, com foco na reabilitação da criança, pouca participação dos cuidadores e limitada promoção da inclusão social. Contudo, nos últimos anos, têm-se verificado avanços importantes, impulsionados pelo desenvolvimento de projetos pilotos, que contam com o envolvimento de organizações não governamentais e o apoio da cooperação internacional. Estes progressos têm promovido a adoção de modelos interdisciplinares que colocam a família no centro da intervenção, privilegiando o apoio nos contextos naturais de vida da criança. A oportunidade de poder contactar de perto com um sistema de IPI ainda em desenvolvimento e transformação, permitiu-me ter uma visão mais alargada de como se constrói um sistema baseado nas evidências cientificas e da importância da formação de profissionais. INTERVENÇÃO PRECOCE NA INFÂNCIA ALÉM FRONTEIRAS – PERSPETIVAS DE UMA EXPERIÊNCIA DE ERASMUS NA SÉRVIA Rita Limede¹ & Ana Maria Serrano¹ ¹Centro de Investigação em Estudos da Criança da Universidade do Minho (CIEC) >Palavras-chave: Erasmus; Formação de Profissionais; Intervenção Precoce na Infância; Políticas de Inclusão; Práticas Recomendadas. COMUNICAÇÃO LIVRE EDUCAÇÃO ESPECIAL / PÁG. 68 Em Angola estão a ser desenvolvidas estratégias para a inclusão de crianças Necessidades Educativas Especiais (NEE) em escolas regulares através de ações de promoção de oportunidades educativas em ambientes adaptáveis às necessidades académicas e de desenvolvimento. O país está a desenvolver as ações definidas nos instrumentos regulatórios, nomeadamente da Política e Plano Nacional de Desenvolvimento da Educação Especial na perspetiva de inclusão, para a transformação do sistema de ensino em um sistema de ensino inclusivo. Prove a criação de serviços e equipamentos sociopedagógicos visando a transversalidade da educação nas modalidades de salas de recursos multifuncionais, o atendimento educacional especializado e a transformação das escolas especiais em núcleo de apoio a inclusão. Tendo por base este contexto, nesta comunicação apresentamos resultados de um estudo que teve por finalidade caracterizar a educação inclusiva de crianças com NEE no ensino primário na província de Luanda. O estudo enquadrou-se na pesquisa quantitativa positivista e contou com a participação de um total de 807 professores primários. Os dados foram recolhidos através de dois questionários que averiguaram as perspetivas de professores relativamente à caraterização do ambiente educativo e do apoio especializado promovido pelas escolas públicas, e acerca da atitude perante a educação inclusiva. Conclusões preliminares mostram que metade dos participantes consideraram que o ambiente educativo e o apoio especializado existentes favoreciam a inclusão. Mostra ainda que embora a maioria dos participantes tenha apresentado atitudes positivas perante a inclusão, não concordaram que tivessem competência e formação para realizarem uma educação de qualidade. Terminamos com uma reflecção acerca do impacto nacional e internacional deste estudo, nomeadamente na melhoria da qualidade das práticas inclusivas, da investigação e da formação inicial e contínua de professores. EDUCAÇÃO INCLUSIVA NO ENSINO PRIMÁRIO EM ANGOLA Isaura Marília Leia Ferreira Monteiro¹, Ana Paula Loução Martins¹ & Christopher Boyle² ¹Centro de Investigação em Estudos da Criança da Universidade do Minho (CIEC) ²Universidade de Adelaide, Austrália >Palavras-chave: Necessidades Educativas Especiais; Educação inclusiva; Angola. POSTER CIENTÍFICO EDUCAÇÃO ESPECIAL / PÁG. 69 STEAM, focada na interligação de Ciências, Tecnologia, Engenharia, Artes e Matemática, surge nas orientações atuais para o ensino de Matemática, como um exemplo a seguir para a dinamização de atividades e práticas interdisciplinares na escola. A implementação desta metodologia apresenta desafios aos professores, o que realça a importância de experiências de formação que os ajudem a superar possíveis barreiras e a promover atividades para e com os seus alunos que potenciem o seu desenvolvimento profissional. Com base nestes pressupostos, este estudo tem como objetivo compreender o contributo da metodologia STEAM no desenvolvimento profissional de professores de Matemática. Procura-se compreender as perceções dos professores, a forma como mobilizam a Matemática em contextos interdisciplinares, os desafios que enfrentam e as dimensões do conhecimento profissional que desenvolvem com a experiência a realizar. A concretização do objetivo delineado segue uma abordagem qualitativa e interpretativa, na modalidade de uma investigação baseada em design. Serão realizadas duas experiências de formação para professores do 3.º Ciclo do Ensino Básico e do Ensino Secundário de diferentes áreas de conhecimento que pretendam começar ou melhorar uma implementação de STEAM na sala de aula. Estas experiências de formação permitem obter dados através de entrevistas, documentos desenvolvidos pelos professores, gravações áudio e vídeo das sessões de trabalho, observação de aulas e reflexões sobre as mesmas, assim como através de notas de campo. Espera-se que os resultados evidenciem o contributo de STEAM na transformação da prática pedagógica dos docentes, valorizando a articulação da Matemática com outras áreas, o trabalho colaborativo e a resolução de problemas de contexto real. As conclusões tendem a contribuir para a reflexão sobre a formação contínua de professores e para o desenho de experiências formativas que ajudem na implementação desejada da integração interdisciplinar no contexto da aula de Matemática. STEAM NO DESENVOLVIMENTO DO CONHECIMENTO PROFISSIONAL DO PROFESSOR DE MATEMÁTICA Sara Gonçalves¹ & Floriano Viseu¹ ¹Centro de Investigação em Educação da Universidade do Minho (CIEd) >Palavras-chave: Desenvolvimento do conhecimento profissional; Professores de Matemática; STEAM. COMUNICAÇÃO LIVRE EDUCAÇÃO MATEMÁTICA / PÁG. 70 A expansão do sistema escolar após o alcance da paz, aliada à escassez de instituições de formação, resultou na entrada de profissionais sem qualificações adequadas no sistema educativo. Apesar do aumento de instituições e programas de formação, persistem problemas de qualidade, em grande parte devido à falta ou insuficiência de iniciativas inovadoras na formação inicial de professores. As constantes transformações sociais, o pluralismo cultural e a globalização exigem dos sistemas educativos respostas adequadas e, dos professores, competências acrescidas para lidar com as novas dinâmicas. Neste contexto, a formação de professores, especialmente em Matemática, assume um papel central na melhoria da qualidade do ensino. Este estudo tem como objetivo identificar os principais problemas e desafios da formação inicial de professores de Matemática em Angola, contextualizando as dificuldades enfrentadas na prática escolar e os desafios colocados pela sociedade atual. A motivação surge da experiência pessoal do primeiro autor como professor do Ensino Primário, Secundário bem como docente universitário, o que permitiu observar diretamente lacunas significativas entre a formação inicial e as exigências da sala de aula. Adota-se uma abordagem qualitativa de natureza interpretativa, baseada num estudo de casos múltiplos, envolvendo quatro professores licenciados em Ensino de Matemática e estudantes do 4.º ano. Os dados serão recolhidos por meio de inquéritos por questionário, entrevistas semiestruturadas, observações diretas em sala de aula e análise documental. A análise dos dados combinará métodos estatísticos e análise de conteúdo. Espera-se obter uma compreensão aprofundada sobre como a formação inicial influencia as perceções e práticas pedagógicas dos professores, identificando fatores críticos da formação e propondo alternativas viáveis alinhadas com a realidade prática das escolas. Conclui-se antecipadamente que este estudo poderá contribuir para repensar programas de formação de professores, promovendo uma preparação mais contextualizada, eficaz e alinhada com os desafios contemporâneos da educação matemática em Angola. FORMAÇÃO INICIAL DE PROFESSORES DE MATEMÁTICA EM ANGOLA: PROBLEMAS, DESAFIOS E PERSPETIVAS FUTURAS Manuel Cangombe Jamba¹ & Alexandra Gomes² ¹Instituto de Educação da Universidade do Minho ²Centro de Investigação em Estudos da Criança da Universidade do Minho (CIEC) >Palavras-chave: Formação Inicial de Professores; Educação Matemática; Professores de Matemática. POSTER CIENTÍFICO EDUCAÇÃO MATEMÁTICA / PÁG. 71 Este estudo investiga a utilização de jogos como estratégia didática no ensino da Matemática no 1.º Ciclo do Ensino Primário, especificamente no Complexo Escolar Nossa Senhora de Fátima, em Moçâmedes. A pesquisa surge devido à constatação da escassa e inadequada utilização de jogos nas práticas pedagógicas observadas, apesar de reconhecida a sua importância teórica para tornar a Matemática mais acessível, significativa e motivadora. O objetivo principal consistiu em analisar como professores percebem o uso de jogos no ensino de Matemática, passando pela identificação dos tipos de jogos empregados e avaliação dos seus benefícios. Procurou-se também identificar os obstáculos enfrentados na implementação destas ferramentas e compreender, através dos relatos professores, em que medida os jogos são efetivamente abordados nas formações inicial e contínua de professores. Metodologicamente, o estudo segue uma abordagem qualitativa, de caráter descritivo e exploratório, usando como instrumentos de recolha de dados questionários e entrevistas semiestruturadas aplicadas a seis professores do Ensino Primário. Os resultados apontam que os professores reconhecem os jogos como ferramentas eficazes para o desenvolvimento de habilidades como raciocínio lógico, criatividade, motivação e participação ativa dos alunos. Contudo, observouse que sua utilização ainda é limitada e esporádica, principalmente devido à falta de tempo lectivo, materiais adequados e formação específica sobre o uso pedagógico de jogos. Concluiu-se que os jogos têm potencial significativo para melhorar a aprendizagem matemática nos anos iniciais, desde que utilizados com intencionalidade pedagógica. Para isso, é essencial o apoio institucional por meio de políticas claras de formação docente e provisão adequada de recursos materiais. Assim, o estudo contribui para uma reflexão crítica sobre práticas pedagógicas e sugere caminhos para otimizar a utilização de jogos no contexto escolar. PERCEÇÃO DOS PROFESSORES DO 1.º CICLO DO ENSINO PRIMÁRIO SOBRE A UTILIZAÇÃO DE JOGOS NO ENSINO DA MATEMÁTICA Manuel Cangombe Jamba¹ ¹IE (UMinho)/ Instituto de Educação e Faculdade de Ciências Sociais e Humanidades da Universidade do Namibe >Palavras-chave: Jogos; Ensino de Matemática; Professores do Ensino Primário. COMUNICAÇÃO LIVRE EDUCAÇÃO MATEMÁTICA / PÁG. 72 Por longos anos, a prática de Avaliação do Desempenho Docente (ADD) no Ensino Superior em Angola decorreu sem instrumentos legais orientadores, condicionando-a a padrões imprecisos o que inviabilizou a operacionalizaçao do referido processo. Nesta conformidade, o governo angolano está a impulsionar políticas educativas por meio de instrumentos legais que visam fomentar mudanças na qualidade dos serviços prestados pelas IES, no desempenho dos docentes e simultaneamente no seu desenvolvimento profissional com realce ao Estatuto da Carreira Docente (ECD) aprovado pelo Decreto Presidencial nº 191/18, de 8 de agosto que estabelece as principais funções docentes subjacentes as vertentes ensino, investigação científica, extensão universitária, gestão institucional consoante as categorias docentes, assim como o Regulamento da Avaliação do Desempenho Docente (RADD) decreto presidencial nº 121/20, de 27 de abril, que introduz mudanças relevantes, especifica dimensões, parâmetros, indicadores e padrões de desempenho vinculados a atividade docente que exige uma reconfiguração do perfil deste aos atuais pressupostos. O presente texto é parte de um estudo, realizado no âmbito do Doutoramento em Educação e procura evidenciar as desarticulações entre indicadores deliberados para ADD, face às atribuições docentes em determinado contexto de uma IES. Metodologicamente, assumiu-se uma investigação exclusivamente qualitativa, com predomínio da análise documental e entrevista como técnicas de recolha de dados e análise de conteúdo para tratamento de dados. Os resultados permitiram averiguar que os participantes se mostraram jubilosos á aprovação do regulamento porém, a sua implementação foi severamente contestada, por diversas razões com enfase para a imprecisão e desarticulação entre dimensões, indicadores de avaliação deliberados pelo conselho cientifico com as atribuições previstas no ECDES e respetivas categorias docentes; a desconsideração de atividades desenvolvidas pelos docentes em contexto institucional á margem das suas categorias, comprometendo deste modo a apresentação de documentos probatórios que sustentassem determinados indicadores, o que estimulou conflitos, tensões, incertezas, desmotivação, resignação dos intervenientes. A PROBLEMÁTICA DOS INDICADORES DELIBERADOS PARA AVALIAÇÃO DO DESEMPENHO DOCENTE FACE ÀS ATRIBUIÇÕES DOCENTES NO ENSINO SUPERIOR EM ANGOLA Angélica Nachiungue Marta Vidal Celestino¹, José Augusto Pacheco² & Maria da Conceição Barbosa Mendes¹ ¹Instituto Superior de Ciências da Educação de Benguela (Angola) ²Instituto de Educação da Universidade do Minho (Portugal) >Palavras-chave: Avaliação do Desempenho Docente (ADD); Ensino Superior; Dimensões de Avaliação, Indicadores de Avaliação; Atribuições docentes. COMUNICAÇÃO LIVRE ENSINO SUPERIOR / PÁG. 79 A transição no ensino superior traz consigo inúmeros desafios para os estudantes desde a adaptação a um novo ambiente educativo e dificuldades na gestão de tempo, aos relacionamentos interpessoais e académicos. As Instituições do Ensino Superior - IES - têm como premissa não só qualificar os estudantes nas áreas científicas como também desenvolver outras competências. O desenvolvimento de competências transversais é essencial para o sucesso académico e profissional dos estudantes, diferenciando-se das competências técnicas e científicas dos cursos. Este trabalho explora como as várias iniciativas implementadas da Área de Aperfeiçoamento Académico – 3AUM - tiveram impacto positivo no sucesso académico, através do que foi aprendido. Este estudo destaca a importância da 3AUM pelo desenvolvimento de competências transversais e apoio a disciplinas, através de iniciativas e workshops direcionados para o desenvolvimento de competências sociais, emocionais e de comunicação a nível intra e interpessoal, competências digitais e de utilização da informação académica e científica, tutorias por profissionais experientes, mentorias por pares, gestão de tempo, definição de objetivos, autorregulação da aprendizagem e preparação para as avaliações. Os resultados indicam que a participação nas iniciativas do 3AUM tem um impacto positivo nos estudantes, que, utilizando o que aprenderam, conseguiram melhorar o seu desempenho académico. Os resultados indicam também que as iniciativas do 3AUM têm um impacto positivo no desenvolvimento de competências essenciais, melhorando a adaptação dos estudantes e aumentando o envolvimento nas atividades académicas. Investir no desenvolvimento de competências não só promove o sucesso académico como contribui para o desenvolvimento pessoal e profissional dos estudantes, preparando-os para enfrentar desafios futuros. DESENVOLVIMENTO DE COMPETÊNCIAS: UM CAMINHO PARA O SUCESSO COM A 3 AUM Íris Bidarra¹ ¹Universidade do Minho >Palavras-chave: Atividades Extracurriculares; Competências Transversais; Sucesso Académico. POSTER CIENTÍFICO ENSINO SUPERIOR / PÁG. 80 O acolhimento residencial é uma medida de promoção e proteção dirigida à infância e juventude, garantindo os cuidados necessários ao desenvolvimento integral da criança e do jovem. Em 2017, Portugal alargou para os 25 anos a permanência no sistema de proteção, no caso de existirem processos educativos e de formação. Esta alteração legislativa, abriu oportunidade para que jovens em acolhimento residencial possam dar continuidade aos estudos após o ensino obrigatório. Em 2023, 220 jovens nesta situação ingressaram no Ensino Superior, somando a aproximadamente 850 que ingressaram desde 2018. Esta comunicação apresenta um projeto de doutoramento que pretende compreender os fatores que influenciam o sucesso académico de estudantes do Ensino Superior em acolhimento residencial, através da análise de indicadores objetivos/quantificáveis (desempenho académico) e indicadores subjetivos/experienciais (desafios, oportunidades, perceção de autoeficácia, resiliência e sentimento de pertença, medidas de apoio e imagem social). Será adotada uma abordagem metodológica mista, com componentes paralelas e sequenciais, integrando métodos qualitativos e quantitativos. É composto por quatro estudos complementares: 1) análise das experiências no Ensino Superior por estudantes em acolhimento residencial; 2) análise retrospetiva de diplomados que estiveram em acolhimento residencial; 3) perspetivas de profissionais de Casas de Acolhimento e Instituições de Ensino Superior sobre medidas de apoio ao sucesso académico; 4) análise da imagem social dos estudantes universitários acerca de pares em acolhimento. Para a recolha de dados, serão utilizadas entrevistas em profundidade, retrospetivas e semiestruturadas, grupos focais e inquéritos por questionário. Os dados qualitativos serão analisados através de análise temática e os quantitativos submetidos a tratamento estatístico, explorando as relações entre variáveis pessoais e contextuais e os indicadores de sucesso. Os resultados esperados evidenciam formas de diálogo acerca de políticas e práticas promotoras de contextos educativos mais inclusivos, igualitários e democráticos. Este doutoramento é financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT/SFRH/2024.00808.BD). SUCESSO ACADÉMICO DE ESTUDANTES DO ENSINO SUPERIOR EM ACOLHIMENTO RESIDENCIAL: PROPOSTA DE INVESTIGAÇÃO Rita Rodrigues¹, Marlene Matos² & Joana R. Casanova¹ ¹Centro de Investigação em Educação da Universidade do Minho (CIEd) ²Centro de Investigação em Psicologia da Universidade do Minho >Palavras-chave: Ensino superior; Sucesso académico; Acolhimento residencial; Estudantes. COMUNICAÇÃO LIVRE ENSINO SUPERIOR / PÁG. 81 O diário de leitura tem sido um instrumento muito profícuo e amplamente utilizado nas práticas de leitura da educação básica, notadamente nas aulas de língua portuguesa do ensino fundamental. No ensino superior, temos experimentado essa prática há mais de 5 anos como forma de engajar estudantes do curso de licenciatura em Letras da Universidade Estadual de Londrina e também como forma de resgate das formações discursivas implicadas no processo de constituição das identidades docentes. O objetivo da comunicação proposta é apresentar os pressupostos de apropriação do diário de leitura para o ensino superior como ferramenta para a construção da identidade docente a partir do resgate das subjetividades leitoras. Para tanto, pretende-se expor: (a) concepções mais comuns de diário de leitura presentes na educação básica; (b) modelos de diários utilizados ao longo dos 5 anos de sua utilização no curso de licenciatura em Letras - Português da UEL; (c) limitações dos modelos utilizados em face dos conteúdos que neles podem ser registrados. A metodologia utilizada foi a coleta e análise dos conteúdos de diários produzidos individualmente pelos estudantes de três turmas do curso, observando-se: (a) a seleção dos textos registrados, (b) os modos de apropriação dos textos, (c) a estética na produção dos diários; (d) as formas de compreensão da ferramenta. Os resultados obtidos a partir das análises evidenciam a recorrência da subjetividade nos registros em ao menos três aspectos: (a) atribuição de sentido ao diário; (b) exposição subjetiva a partir das leituras registradas; (c) recorrência ao devir professor. Como conclusão, expõe-se a relevância de formas de apropriação dos conhecimentos no curso superior, nas quais estejam previstos espaços para a ocorrência da intersubjetividade. DIÁRIOS DE LEITURA NO ENSINO SUPERIOR Sheila Oliveira Lima¹ ¹Universidade Estadual de Londrina >Palavras-chave: Subjetividade; Licenciatura em Letras; Leitura; Formação Docente. COMUNICAÇÃO LIVRE ENSINO SUPERIOR / PÁG. 82 É fundamental melhorar a prática pedagógica e ajudar os estudantes a desenvolver as suas capacidades e disposições de pensamento crítico de forma intencional, explícita e sistemática. Assim, foi proposto a estudantes do 2º ano do Curso de Licenciatura em Enfermagem, a frequentar a Unidade Curricular Enfermagem em Saúde do Idoso, de uma Escola Superior de Saúde do norte de Portugal, durante o mês de março de 2025, a planificação e elaboração de uma publicação digital em formato de áudio e/ou vídeo: podcast. Participaram 95 estudantes em grupos de 6 elementos. A grelha de avaliação do podcast foi constituída por duas dimensões: planificação e concretização. De forma a aferir a avaliação desta experiência enquanto estratégia pedagógica, optou-se, metodologicamente, pela recolha de dados através do preenchimento de um questionário online, preenchido por 34 estudantes. Os resultados foram globalmente positivos. As dificuldades centraramse na planificação do podcast, mais concretamente na adaptação da linguagem para a sociedade. Os estudantes destacam as competências de comunicação, trabalho em equipa, criatividade e capacidades tecnológicas como as competências mais desenvolvidas. Todos os estudantes referem igualmente a aquisição e consolidação de conhecimentos sobre o tema desenvolvido. As palavras que os estudantes mais escolheram para caracterizar todo o processo foram: inovação, criatividade, aprendizagem, interativo, enriquecedora e divertida. Os resultados sublinham as potencialidades da tecnologia digital para a exploração pedagógica das intervenções de enfermagem à pessoa idosa. Foi útil também para a construção de um processo de inovação educativa, motivadora e potenciadora de competências de aprendizagem cooperativa, que consequentemente, se refletem no desenvolvimento das competências pessoais e relacionais inerentes aos padrões de qualidade do exercício profissional de enfermagem. COMUNICAÇÃO E PENSAMENTO CRÍTICO: RELATO DE EXPERIÊNCIA DE UM PODCAST Jacinta Martins¹, Vitor Machado¹ & Andreia Félix² ¹Escola Superior de Saúde Cruz Vermelha Portuguesa Alto Tâmega (Chaves) ² Escola Superior de Enfermagem de Coimbra >Palavras-chave: Enfermagem; Podcast; Aprendizagem cooperativa; Inovação. POSTER CIENTÍFICO ENSINO SUPERIOR / PÁG. 83 As instituições de Ensino Superior enfrentam atualmente transformações profundas, impulsionadas por dinâmicas sociais, económicas e tecnológicas que colocam novos desafios ao seu papel na sociedade. Estas instituições são hoje chamadas a responder a exigências múltiplas e, por vezes, contraditórias, nomeadamente no que se refere à sua necessidade de preparar os estudantes para um futuro profissional incerto e em constante mutação, de desenvolver cidadãos críticos e reflexivos, ou ainda de promover o desenvolvimento social e científico. Um dos principais desafios prende-se com a crescente heterogeneidade do público estudantil. A expansão do acesso ao Ensino Superior reflete avanços significativos em termos de democratização do ensino, mas evidencia também desigualdades persistentes nas condições de permanência, sucesso académico e inserção profissional, particularmente entre estudantes de origens sociais diversas. Outro desafio central diz respeito à redefinição dos próprios modelos de ensino e aprendizagem. As instituições são chamadas a formar cidadãos e profissionais capazes de lidar com problemas complexos, tomar decisões informadas e atuar de forma ética e criativa num mundo em rápida transformação. A inovação pedagógica surge, neste contexto, como uma estratégia essencial para responder a estas exigências, promovendo abordagens mais participativas, interdisciplinares e centradas no estudante. Este simpósio propõe uma reflexão crítica sobre o papel do Ensino Superior num mundo em mudança, com especial enfoque nas questões da diversidade, inclusão e inovação pedagógica. Pretende-se promover o diálogo entre os intervenientes, explorando caminhos possíveis para uma transformação educativa mais justa, equitativa e alinhada com os desafios contemporâneos. Sílvia Correia Monteiro¹ ¹Centro de Investigação em Educação da Universidade do Minho (CIEd) >Palavras-chave: Ensino Superior; Transformação; Diversidade; Inovação Pedagógica; Inclusão. SIMPÓSIO ENSINO SUPERIOR ENSINO SUPERIOR EM TRANSFORMAÇÃO: INOVAÇÃO E DESAFIOS DA INCLUSÃO COORDENAÇÃO / PÁG. 84 As Instituições de Ensino Superior (IES) são cada vez mais escrutinadas pelo seu contributo para a sociedade, enfrentando dilemas na definição da sua missão. São pressionadas a alinhar-se com as exigências do mercado de trabalho, onde as competências se tornam rapidamente obsoletas, ao mesmo tempo que se espera que cultivem cidadãos críticos e promovam o avanço social e científico. Isto cria uma tensão entre a educação a longo prazo centrada em valores universais e a necessidade imediata do mercado de competências técnicas. As IES enfrentam, assim, um paradoxo temporal difícil de superar: a pressão imediatista para desenvolver “competências úteis” e instrumentais (curto prazo) colide com a sua missão fundamental de cultivar cidadãos críticos e reflexivos (longo prazo), preparados para enfrentar a crescente complexidade social. A implementação de práticas baseadas em evidências é crucial para preparar os estudantes para serem agentes de carreira ativos e críticos num mercado de trabalho dinâmico. O programa Boost for Career (B4C) exemplifica esta abordagem, com o objetivo de aumentar a empregabilidade dos estudantes do ensino superior de diversas origens socioculturais, capacitando-os não só para responder às necessidades imediatas do mercado, mas também para antecipar desafios futuros nos seus cenários individuais e contextuais. Esta discussão realça o papel vital das IES como catalisadores da transformação social, enfatizando a necessidade de equipar os indivíduos para navegarem eficazmente num panorama de mercado em constante evolução. Esta missão exige que as IES não se limitem a preparar indivíduos para a adaptação funcional, mas enfrentem o desafio de desenvolver capacidades de transformação crítica, essenciais para a construção de uma sociedade mais democrática. >Palavras-chave: Ensino superior; Empregabilidade; Mercado de trabalho; Cidadania crítica. COMUNICAÇÃO EM SIMPÓSIO ENSINO SUPERIOR EDUCAÇÃO E TRABALHO: A FORMAÇÃO DE CIDADÃOS CRÍTICOS NUM CONTEXTO SOCIAL DINÂMICO Leonor Torres¹, Sílvia Monteiro¹, Filipa Seabra¹ ¹Centro de Investigação em Educação da Universidade do Minho (CIEd) ²LE@D-Laboratório de Educação a Distância e eLearning, Universidade Aberta ,² & Sandra Santos¹ / PÁG. 85 Nas últimas décadas, o ensino superior sofreu uma expansão no que diz respeito ao número de estudantes que o frequentam. No entanto, a par desta massificação, tem-se registado um aumento do desemprego nesta mesma população. A formação e o percurso profissional resultam de uma série de fatores que vão para além da conclusão de um curso superior (Costa, Lopes & Caetano, 2014). Estes fatores incluem decisões individuais, condições sociais e económicas, ambiente familiar, expectativas e oportunidades, entre outros. Ao longo das suas carreiras e da conjugação destes fatores, os indivíduos vão construindo o seu capital - recursoschave que conferem benefícios e vantagens competitivas (Tomlinson, 2017). Mas como é adquirido este capital nas suas diferentes formas (social, cultural, identitária)? Que influência têm na empregabilidade e na transição para o mercado de trabalho? Esta é a questão de partida para a investigação científica realizada e aqui descrita. Para responder a estas questões, a investigação recorreu a uma metodologia qualitativa, baseada no dispositivo teórico-metodológico proposto por Lahire (2002, 2003) - a construção de retratos sociológicos com três estudantes do ensino superior. O objetivo primordial foi o de compreender em profundidade o impacto de determinados fatores contextuais nos percursos educativos e formativos dos diplomados, centrando o estudo no capital social - relações sociais e interpessoais criadas e mobilizadas pelos estudantes - e no capital cultural - formação de conhecimentos, disposições e comportamentos culturalmente valorizados (Bourdieu, 1986). Para o efeito, foram realizadas entrevistas em profundidade a três jovens em diferentes fases e áreas de estudo. Traçando os seus percursos desde tenra idade, o seu desenvolvimento enquanto profissionais foi, sem dúvida, marcado por motivações, contextos, atividades de lazer, pessoas e, até, situações de crise, que ditaram a forma como encaram as suas vidas e carreiras. É um facto que as instituições de ensino superior desempenham um papel significativo no desenvolvimento destes indivíduos, na sua empregabilidade e perspetivas no mercado de trabalho. No entanto, o capital social e cultural, sobretudo aquele adquirido na família e noutros contextos de socialização, determina as oportunidades e a capacidade dos jovens as aproveitarem plenamente, moldando e delineando de forma desigual os seus percursos de vida. COMUNICAÇÃO EM SIMPÓSIO ENSINO SUPERIOR QUAL O PAPEL DO CAPITAL SOCIAL E CULTURAL NA CONSTRUÇÃO DOS PERCURSOS DOS DIPLOMADOS DO ENSINO SUPERIOR? Catarina Silva¹ & Leonor Torres¹ ¹Centro de Investigação em Educação da Universidade do Minho (CIEd) >Palavras-chave: Percursos formativos; Capital social; Capital cultural; Mercado de trabalho. / PÁG. 86 A expansão do Ensino Superior em Portugal decorreu, nas últimas décadas, num contexto de profundas transformações económicas, políticas e sociais, tendo colocado novos desafios às instituições e aos estudantes. A massificação deste nível de ensino e a crescente diversidade dos públicos que o frequentam — em termos sociais, económicos e culturais — tornam particularmente relevante a análise dos percursos académicos e dos recursos de carreira, enquanto dimensões centrais para compreender a complexidade das transições para o mercado de trabalho e o próprio processo de democratização do Ensino Superior. Partindo de uma perspetiva sociológica, o presente estudo colocou os percursos dos estudantes no centro da análise, procurando compreender a relação entre a diversificação sociocultural dos estudantes, os percursos educativos e o desenvolvimento dos recursos de carreira, numa lógica de democratização do Ensino Superior. Esta é uma investigação de natureza extensiva, baseada num inquérito por questionário aplicado a uma amostra por conveniência de estudantes (n=2095), a frequentar uma universidade pública portuguesa, entre o 1.º e o 2.º ciclo de estudos. Os resultados obtidos demonstram como as origens sociais influenciam as trajetórias académicas dos estudantes, refletindo-se nas escolhas das áreas de estudo e na participação em atividades culturais e de lazer. Além disso, é possível verificar que as perceções dos estudantes relativamente aos recursos de carreira são influenciadas tanto pela sua posição de classe social como pelo exercício de uma atividade profissional durante o curso, sendo este último fator particularmente relevante, sobretudo ao nível da dimensão de conhecimentos e competências dos recursos de carreira. Este aspeto sublinha a importância de pensar o desenvolvimento dos recursos de carreira como um processo dinâmico e contínuo, atravessado por múltiplas temporalidades e contextos de socialização que antecedem e acompanham a frequência do Ensino Superior. COMUNICAÇÃO EM SIMPÓSIO ENSINO SUPERIOR TRAJETÓRIAS, PERCURSOS E RECURSOS DE CARREIRA: OS DESAFIOS DA DEMOCRATIZAÇÃO DO ENSINO SUPERIOR José Nuno Teixeira¹, Leonor Torres¹ & Sílvia Monteiro¹ ¹Centro de Investigação em Educação da Universidade do Minho (CIEd) >Palavras-chave: Democratização; Ensino Superior; Estudantes; Recursos de Carreira; Classe Social. / PÁG. 87 Até 2030, antecipa-se a criação de 170 milhões de novas funções e o desaparecimento de 92 milhões de empregos, com 63% dos empregadores a destacar a lacuna de habilidades enquanto barreira principal à transformação dos negócios de hoje (WEF, 2025). Este contexto de elevada volubilidade gera, nas Instituições de Ensino Superior, uma pressão acrescida: como preparar os seus estudantes, futuros profissionais, para profissões que ainda não existem? Como potenciar o desenvolvimento de competências essenciais para aprenderem ao longo da vida? Nas políticas educativas e nas práticas institucionais, a inovação pedagógica e curricular tem vindo a assumir preponderância crescente, por se constituir estratégia eficaz para potenciar a aprendizagem ativa de cada estudante e o desenvolvimento de competências transformadoras (Learning Compass 2030, OECD, 2019). Com este enquadramento, a presente comunicação visa problematizar o papel do Ensino Superior, no prisma da inovação pedagógica e curricular, salientando a relevância do desenvolvimento pedagógico e profissional docente e da agência do professor para a transformação dos modelos de ensino aprendizagem. Para tal, apresentaremos, como estudo de caso, as dinâmicas em curso de um laboratório interdisciplinar de Inovação pedagógica, o Católica Learning Innovation Lab (CLIL, Universidade Católica Portuguesa ). O modelo apresentado, baseado nos pressupostos de Scholarship of Teaching and Learning (SoTL), incorpora um conjunto diversificado de iniciativas de capacitação pedagógica, visando apoiar os docentes na transformação das suas práticas pedagógicas, potenciando ambientes de aprendizagem mais flexíveis e inovadores, que estimulem os estudantes ao desenvolvimento de competências para aprender ao longo da vida. COMUNICAÇÃO EM SIMPÓSIO ENSINO SUPERIOR READY TO WORK OR READY TO LEARN? DA INOVAÇÃO PEDAGÓGICA À APRENDIZAGEM AO LONGO DA VIDA Diana Soares¹ ¹Centro de Investigação para o Desenvolvimento Humano (CEDH) da Universidade Católica Portuguesa >Palavras-chave: Inovação Pedagógica; Ensino Superior; Desenvolvimento Profissional Docente; Aprendizagem ao Longo da Vida. / PÁG. 88 cluíram o seu doutoramento entre 2020 e 2025 em universidades portuguesas. A análise de dados foi efetuada através de análise temática indutiva e dedutiva. Os resultados preliminares permitiram identificar processos de transformação da identidade pós-doutoramento e experiências emocionais intensas positivas e negativas que por vezes se associam à vivência da conclusão do doutoramento simultaneamente como uma experiência gratificante e como um processo de luto e/ou se relacionam com a situação profissional dos/as doutorandos/as. O estudo poderá contribuir para o desenvolvimento do conhecimento acerca das transições pós-doutoramento, podendo ajudar doutorados/as, e outros atores envolvidos na educação doutoral a ultrapassar os desafios associados a esta fase e fomentar assim o valor multidimensional da educação doutoral. >Palavras-chave: Supervisão; Integração no contexto académico; Educação doutoral; Emoções; Performatividade. / PÁG. 95 No Brasil, a inserção do componente curricular denominado Projeto de Vida nas escolas tem se mostrado relevante na redução dos índices de evasão escolar no Ensino Médio, etapa final da educação básica destinada a estudantes de 15 a 17 anos. Esse contexto contribuiu para a formulação da Base Nacional Comum Curricular, documento normativo que orienta os currículos da educação básica no país, e para a promulgação da Lei nº 13.415/2017, que alterou a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, principal legislação educacional brasileira. O Projeto de Vida, nessa estrutura, é concebido como eixo formativo que apoia os estudantes na construção de seus projetos pessoais, acadêmicos e profissionais. Inserido nesse marco regulatório, este estudo apresenta parte dos resultados de uma investigação sobre a formação docente para atuação com esse componente curricular nas escolas públicas. O objetivo geral foi identificar o perfil formativo predominante dos professores que ministram o Projeto de Vida em escolas de Ensino Médio da rede estadual de São Paulo, o estado mais populoso do Brasil. A pesquisa foi realizada em duas etapas metodológicas: entrevistas e aplicação de questionário disponibilizado em rede social. Os resultados, analisados descritivamente visando análise qualitativa posterior, indicam que a maioria dos respondentes se declarou do gênero feminino, situando-se na faixa etária entre 41 e 50 anos, com vínculo efetivo de no mínimo dez anos com a rede pública, formação inicial majoritariamente em Letras e atuação em unidades escolares de tempo parcial. Conclui-se que o perfil formativo identificado evidencia a necessidade de investimentos em formação inicial e continuada, a fim de alinhar a prática pedagógica aos objetivos educativos do componente. O estudo contribui para o aprofundamento da compreensão dos desafios relacionados à implementação do Projeto de Vida, com ênfase na qualificação e no desenvolvimento profissional docente no contexto da rede pública paulista. >Palavras-chave: Ensino superior; Empregabilidade; Mercado de trabalho; Cidadania crítica. POSTER CIENTÍFICO FORMAÇÃO DE PROFESSORES PERFIL FORMATIVO DE PROFESSORES QUE MINISTRAM O COMPONENTE CURRICULAR PROJETO DE VIDA EM ESCOLAS DE ENSINO MÉDIO DA REDE ESTADUAL PAULISTA Itale Luciane Cericato¹ , ¹Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal de São Paulo, Brasil / PÁG. 96 A formação e as condições de trabalho dos professores nos países em desenvolvimento enfrentam desafios de ordem histórica, política, económica e educacional (World Bank, 2022). A Guiné-Bissau, marcada por instabilidade política e fragilidade institucional, enfrenta desafios estruturais profundos no sector educativo, enfrentado sérias fragilidades na formação e condições de trabalho docente. A escassez de estudos sobre esta temática na Guiné-Bissau motiva esta comunicação. Este trabalho analisa a formação dos docentes do ensino básico e as suas condições de vida e de trabalho. A investigação qualitativa desenvolvida baseou-se na análise documental de relatórios institucionais e em entrevistas semiestruturadas a 12 diretores de escolas públicas e privadas de duas regiões do país e para o tratamento dos dados recorreu-se a análise de conteúdo temática (Bardin, 2011). O estudo revela a existência de lacunas significativas na formação científica e pedagógica dos professores (Banco Mundial, 2024), agravadas pela reduzida oferta de formação contínua e pela instabilidade política que compromete a continuidade das políticas educativas (Imbernón, 2010). As condições de trabalho são marcadas por baixos salários, frequentes atrasos nos pagamentos, falta de infraestruturas, escassez de materiais didáticos e turmas sobrelotadas (UNICEF, 2018; Banco Mundial, 2023). A participação dos docentes na vida escolar é também limitada (Morgado, 2019), e a ausência de valorização da carreira contribui para o abandono da profissão e para sucessivas greves, sobretudo no setor público, acentuando as desigualdades sociais e comprometendo a qualidade do ensino (Barroso, 2013). Conclui-se ser urgente repensar as políticas públicas de educação, reforçando as instituições de formação docente, melhorando as condições de trabalho e valorizando a carreira docente. Investir na qualificação dos professores é essencial para assegurar uma educação inclusiva e de qualidade, promotora do desenvolvimento sustentável da GuinéBissau. Sugere-se, para investigações futuras, o aprofundamento de estudos empíricos com a participação ativa de professores e formadores. A FORMAÇÃO E AS CONDIÇÕES DE TRABALHO DOS PROFESSORES NOS PAÍSES EM DESENVOLVIMENTO: O CASO DA GUINÉ-BISSAU N'Cak Silva Morgado¹, Joana Raquel Faria Sousa¹ & José Augusto Brito Pacheco¹ ¹Centro de Investigação em Educação da Universidade do Minho (CIEd) >Palavras-chave: Guiné-Bissau; Formação docente; Condições de trabalho; Ensino básico; Políticas educativas. COMUNICAÇÃO LIVRE FORMAÇÃO DE PROFESSORES / PÁG. 97 O artigo apresenta os resultados de uma pesquisa que teve por objetivo a elaboração, implementação e avaliação de um programa de formação continuada que visava à prevenção do mal-estar e promoção do bem-estar docente. Os professores encontram-se em uma constante demanda de mudanças e adaptações provocadas pelas rápidas transformações que estão ocorrendo na sociedade e nas escolas, o que os tem levado ao estado de mal-estar e adoecimento. Além disso, existem muitos outros fatores, no âmbito das escolas e dos sistemas educacionais, que geram insatisfações e desencadeiam o mal-estar docente, tais como: falta de recursos didáticos, falta de apoio de colegas e diretores, sobrecarga de trabalho e de responsabilidades, multiplicidade de papéis, entre outros. Nesse contexto torna-se necessário e urgente que se compreenda e se criem programas que auxiliem os professores a enfrentarem as adversidades do trabalho e a construírem o bem-estar docente. O programa aqui apresentado foi elaborado com base no modelo para análise do bem-estar/mal-estar docente proposto por Rebolo (2012) e nas estratégias para realização e desenvolvimento profissional dos professores propostas por Jesus (2007). O programa foi estruturado em 12 encontros semanais, com duração de 1:30h cada, utilizando testes, inventários, dinâmicas de grupo e rodas de conversa, oferecendo aos professores subsídios para a criação de estratégias de enfrentamento (coping) frente as adversidades do dia-a-dia do trabalho. A implementação foi realizada com 16 professores de uma escola da Rede Estadual de Ensino de Campo Grande, MS, Brasil. No último encontro, após a reaplicação do Inventário de Sintomas de Estresse para Adultos (ISSL), de Lipp (2002), e da roda de conversa realizada com os 16 professores participantes, as avaliações apontaram a diminuição do nível de estresse desses professores e do mal-estar docente e, também, uma auto percepção de maior bem-estar no e com o trabalho. PROMOÇÃO DO BEM-ESTAR DOCENTE: ELABORAÇÃO E IMPLEMENTAÇÃO DE UM PROGRAMA DE FORMAÇÃO CONTINUADA Flavinês Rebolo¹ ¹Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Católica Dom Bosco. Campo Grande, MS, Brasil. >Palavras-chave: Bem-estar docente; Mal-estar docente; Estresse, Formação continuada de professores. COMUNICAÇÃO LIVRE FORMAÇÃO DE PROFESSORES / PÁG. 98 This presentation explores the teaching practice experiences and insights of newly trained teachers from a Teaching English as a Foreign Language (TEFL) programme in Angola. Through a qualitative lens, this research examines how alumni carry out their teaching responsibilities, their reflections on the practical approaches of the TEFL programme, and the impact of these approaches on their professional trajectories. Drawing on classroom observations of four teachers and in-depth interviews with six alumni of the four-year TEFL programme, this study focuses particularly on their experiences within the Teaching Practice (TP) component. Classroom observations revealed a range of abilities among teachers, with strengths in classroom management contrasting with inconsistencies in fostering students' English proficiency. Areas needing attention included the depth of explanation, opportunities for practice and production, and the facilitation of inclusive classroom interaction, especially for quieter and less proficient learners. Notably, a gap was observed between teachers' planned and actual use of English during lessons. Interview data consistently highlighted alumni dissatisfaction with the TEFL programme's TP component, citing concerns about the limited opportunities, allocated time, and practical settings. Participants strongly advocated for a critical review and enhancement of these elements. Furthermore, the crucial role of collaborative partnerships between educational stakeholders and practising teachers emerged as vital for improving teaching quality and student outcomes. This research emphasises the need for the Angolan TEFL programme to prioritise substantial and practical teaching experiences alongside theoretical foundations to effectively prepare future EFL educators and ultimately elevate student learning. Meaningful advancements in teacher education necessitate a collaborative effort involving higher education institutions, schools, government agencies, and policymakers. EXPLORING THE JOURNEY FROM TEFL PROGRAMME TO CLASSROOM: PERSPECTIVES OF NEWLY TRAINED TEACHERS IN ANGOLA Sara da Costa¹ ¹Centro de Investigação em Estudos da Criança da Universidade do Minho (CIEC) >Palavras-chave: TEFL programme; Teacher graduate perceptions; Novice teachers; Teacher education, TEFL in Angola. COMUNICAÇÃO LIVRE FORMAÇÃO DE PROFESSORES / PÁG. 99 Este trabalho pretende apresentar e discutir o processo formativo de professores do curso de especialização “Projeto Político Pedagógico da Escola com Ênfase em Educação, Mineração, Rompimento e Revitalização da Bacia do Rio Doce” ofertado pela Universidade Federal de Ouro Preto em parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais. A formação latu sensu integra o “Programa de Extensão Formação Continuada de Educadores da Rede Pública dos Municípios Atingidos pelo Rompimento da Barragem de Fundão em Minas Gerais” (PEBRID) e destina-se a docentes de escolas atingidas pelo rompimento da Barragem de Fundão, em 2015. Foram organizados dois espaços de formação, o primeiro, denominado Tempo Universidade, compreende as atividades teóricas, desenvolvidas no espaço da Universidade, e o segundo, denominado Tempo Escola/Comunidade, refere-se às atividades práticas, desenvolvidas pelos cursistas junto às escolas e/ou comunidades escolares. Pretendemos analisar a estrutura metodológica da formação organizada a partir de seis princípios: alternância de espaços e tempos formativos; formação que possa garantir o acesso aos aspectos vinculados aos sujeitos e seus contextos; temas integradores; gestão democrática; articulação entre pesquisa e prática; preocupação com a sistematização, registro e socialização dos saberes e práticas desenvolvidos no processo formativo. A análise desses princípios parte de duas questões orientadoras da formação: Em que o rompimento da Barragem do Fundão interroga a educação? Quais os limites e possibilidades para organizar o fazer pedagógico na perspectiva da revitalização dos modos de produzir e reproduzir a vida após o rompimento? Conclui-se que a formação vem provocando a comunidade escolar a refletir sobre as consequências da mineração e rompimento, bem como as ações de revitalização, produzindo fortes impactos no território. UMA ESTRUTURA METODOLÓGICA INOVADORA NO PROGRAMA DE FORMAÇÃO CONTINUADA DA ESCOLA DO RIO DOCE Paula Cristina de Almeida Rodrigues¹ & Rómina de Mello Laranjeira ¹ ¹Universidade Federal de Ouro Preto >Palavras-chave: Formação de professores; Estrutura metodológica; Projeto Político Pedagógico; Mineração, rompimento e revitalização. COMUNICAÇÃO LIVRE FORMAÇÃO DE PROFESSORES / PÁG. 100 Este trabalho irá apresentar e discutir as práticas de leitura e escrita que estruturam o curso “Projeto Político Pedagógico da Escola com Ênfase em Educação, Mineração, Rompimento e Revitalização da Bacia do Rio Doce” ofertado pela Universidade Federal de Ouro Preto em parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais. O curso de especialização do “Programa de Extensão Formação Continuada de Educadores da Rede Pública dos Municípios Atingidos pelo Rompimento da Barragem de Fundão em Minas Gerais” (PEBRID) destina-se a docentes das escolas atingidas pelo rompimento da barragem de Fundão, em 2015. A estrutura pedagógica do curso assenta na Pedagogia da Alternância e em diversas práticas de letramentos entre o Tempo Universidade e o Tempo Escola/Comunidade. Por meio de um trabalho em rede com cerca de 600 escolas públicas de Minas Gerais, desenvolvem-se diversas atividades que acontecem na escola e na universidade, ao longo de quase 2 anos, com o objetivo de inserir a temática da Mineração, Rompimento e Revitalização no Projeto PolíticoPedagógico das escolas parceiras. Nesta comunicação, o enfoque é analisar a interface entre práticas escolares e acadêmicas por meio de atividades de leitura e escrita articuladas e interdependentes. Tais práticas incluem diversos gêneros discursivos: aula, roda de conversa, seminário, projeto pedagógico experimental, relato de experiência, resumo, memória de reunião, entre outros. Seguindo contributos teóricos da formação de professores, dos letramentos acadêmicos e da pedagogia da alternância, a análise consistirá em (i) discutir em que medida a atuação da equipe multidisciplinar aproxima as escolas da universidade; (ii) destacar as funções dos vários mediadores de letramento e suas intervenções na leitura e escrita de textos; (iii) analisar as práticas de leitura e escrita que mobilizam a relação entre teoria e prática na formação desses professores em diálogo com as escolas. A proposta do curso é inovadora por ser de formação dupla: é extensionista já que o trabalho se estrutura a partir das necessidades da comunidade escolar, no que respeita à temática; e por outro lado, as práticas escolares e acadêmicas de leitura e escrita sustentam a formação em alternância em nível de pós-graduação, culminando na defesa pública do trabalho de conclusão de curso. LEITURA E ESCRITA NO PEBRID: ARTICULAÇÕES ENTRE LETRAMENTOS ACADÊMICOS E FORMAÇÃO CONTINUADA DE PROFESSORES Rómina de Mello Laranjeira ¹ & Paula Cristina de Almeida Rodrigues¹ ¹Universidade Federal de Ouro Preto >Palavras-chave: Formação de professores; Letramentos Acadêmicos; Mediadores; Gêneros discursivos. COMUNICAÇÃO LIVRE FORMAÇÃO DE PROFESSORES / PÁG. 101 Num quadro educativo que exige ambientes de aprendizagem mais equitativos e centrados na participação efetiva dos estudantes, a interação oral entre professores e estudantes assume um papel estratégico na construção de percursos de aprendizagem significativos. A presente comunicação propõe uma problematização dos modelos de interação em sala de aula, ancorada numa perspetiva sociointeracionista da aprendizagem e na conceção construtivista do conhecimento, com implicações diretas na redefinição do papel do docente. Partindo da análise crítica do modelo SETT (Self Evaluation of Teacher Talk), de Steve Walsh, discutem-se os diferentes modelos interacionais em sala de aula e o seu impacto nos processos de aprendizagem, com especial ênfase na articulação entre a intencionalidade pedagógica do discurso do professor e a expressão legítima da voz dos estudantes como elemento constitutivo do processo educativo. Defende-se, por conseguinte, a importância da competência interacional enquanto dimensão distinta da competência comunicativa, destacando-se a sua relevância para a criação de ambientes de aprendizagem, onde a co-construção de significados é primordial. São ainda apresentadas propostas operacionais que contemplam estratégias de diferenciação didática, regulação partilhada da aprendizagem e integração de ferramentas digitais em contextos híbridos, de forma a estimular a participação crítica e a autoria reflexiva dos estudantes na apropriação e no desenvolvimento do seu conhecimento. Conclui-se que transformar o espaço interacional da sala de aula requer o resgate do seu potencial dialógico, o que implica reconfigurar as práticas discursivas, investir de forma contínua na formação docente e consolidar uma cultura de monitorização reflexiva da linguagem em uso, enquanto dispositivo estruturante da ação pedagógica. MODELOS DE INTERAÇÃO EM SALA DE AULA: RECONFIGURAR PRÁTICAS PEDAGÓGICAS PARA LEGITIMAR A VOZ DOS ESTUDANTES Carla Fernandes Monteiro¹ ¹Escola Superior de Educação de Paula Frassinetti – CIPAF CIEC – Centro de Investigação em Estudos da Criança, Universidade do Minho >Palavras-chave: Modelos de interação oral; A voz dos estudantes; Prática pedagógica; Espaços dialógicos COMUNICAÇÃO LIVRE FORMAÇÃO DE PROFESSORES / PÁG. 102 A Inteligência Artificial (IA) tem gerado muitos debates e controvérsias sobre diversos temas, com destaque especial para os procedimentos de ensino e aprendizagem. No setor educacional, parece não haver, ainda, consenso entre os professores sobre o uso da IA (ou a sua não utilização) durante as aulas. Este trabalho traz relatos de experiências de um grupo de estudantes do Instituto Federal de São Roque (Estado de São Paulo, Brasil). Apenas um estudante não ministrou aulas nesse período; os outros vinte e sete eram professores em tempo integral em escolas públicas ou privadas. Objetivou-se abordar a evolução do conhecimento ao longo do tempo e como ocorre a construção de conhecimento atualmente. Além disso, também se objetivou: a) Verificar pensamentos anteriores sobre IA no processo de ensino; b) Avaliar o uso da IA durante as aulas e observar como os estudantes reagiriam; c) Analisar a importância da IA para a formação contínua e aprimoramento; d) Incentivar o uso de IA aberta durante as aulas. Os procedimentos metodológicos incluíram análises qualitativas (análise de conteúdo e discurso) sobre o uso do ChatGPT para atividades de sala de aula, falas dos estudantes, decisões tomadas em sala e dificuldades com a IA. Os resultados mostraram que: a) o uso de IA aberta com ChatGPT foi considerado inadequado pela maioria no começo; b) o uso progressivo, contínuo e sistemático da IA durante as aulas começou a ‘quebrar’ conceitos anteriores sobre como a IA pode ser uma parceira (e não uma inimiga) para os professores em suas atividades em sala; c) uma análise crítica da IA pode incentivar os professores a buscarem formação contínua e melhorias em suas aulas. Desta forma, podemos colocar, à guisa de considerações finais, a pergunta: a IA aberta é uma porta que não deve ser fechada, então por que não tentar usá-la? USANDO CHAT GPT COM UM GRUPO DE ESTUDANTES DURANTE AULAS DE PÓS-GRADUAÇÃO EM UM INSTITUTO FEDERAL BRASILEIRO: RELATOS E DESAFIOS Fernando Guimarães¹ & Fernando Santiago dos Santos² ¹Centro de Investigação em Estudos da Criança da Universidade do Minho (CIEC) ²Instituto Federal de São Paulo, campus São Roque - Brasil >Palavras-chave: Inteligência artificial; Aprendizagem contínua; Pensamento crítico; Educação; Mudança de paradigma. COMUNICAÇÃO LIVRE FORMAÇÃO DE PROFESSORES / PÁG. 103 Este artigo tem como objetivo apresentar uma formação continuada realizada com professores da rede pública de ensino (Brasil) cujo objetivo foi articular as atividades presentes no livro didático com os recursos tecnológicos educacionais. Este artigo faz um recorte de uma pesquisa-ação (Thiollent, 2011), uma vez que esta formação foi parte de uma pesquisa cujo foco era a resolução de um problema de uma situação real. A formação implementada teve como referência a concepção de linguagem a partir de Bakhtin (1999), a importância da transposição didática das tecnologias digitais. Neste caso, pensamos ser pertinente não só estudar as escolhas dos tipos de atividades que o livro didático traz ao apresentar seus conteúdos, mas como o professor irá se utilizar delas e propor transposições didáticas que utilizem as tecnologias digitais educacionais como um fator facilitador, inovador e motivador dentro das metodologias propostas. Desta forma, este artigo ressalta o trabalho e a formação de professores de língua portuguesa em serviço, pensando não só na formação em si, mas a atuação do professor como profissional de ensino, que desenvolve seu trabalho no momento em que está em sala de aula com seus alunos, mas, também, como planejador das ações que irá desenvolver. Como conclusão, foi possível identificar a potencialidade da tecnologia para a sala de aula e a importância da formação docente para lidar com as novas demandas: o fator humano é decisivo no caminhar de aprender e ensinar. TECNOLOGIAS DIGITAIS EDUCACIONAIS E LIVRO DIDÁTICO: EXPERIÊNCIA DE UMA FORMAÇÃO CONTINUADA COM PROFESSORES DE LÍNGUA PORTUGUESA Aline de Abreu Curunzi¹ & Andréia da Cunha Malheiros Santana¹ ¹Universidade Estadual de Londrina, Brasil >Palavras-chave: Livro Didático; Formação de professores; Tecnologia. COMUNICAÇÃO LIVRE FORMAÇÃO DE PROFESSORES / PÁG. 104 Este relatório de estágio apresenta os resultados do projeto de intervenção e investigação desenvolvido nos contextos de Educação Pré-Escolar e do 1.º ano do 1.º Ciclo do Ensino Básico, no âmbito da Prática de Ensino Supervisionada do Mestrado em Educação Pré-Escolar e Ensino do 1.º Ciclo do Ensino Básico. O estudo partiu das necessidades e interesses observados nos dois grupos, com destaque para dificuldades nas interações sociais e para o forte interesse demonstrado pelas crianças durante a “Hora do Conto”. Com base nessas evidências, definiu-se como objetivo investigar o contributo da literatura para a infância na promoção de valores como o respeito, a partilha, a cooperação, a integração e a empatia. Procurou-se, também, desenvolver competências sociais e reforçar o sentido de grupo. A investigação seguiu uma metodologia de Investigação-Ação, com recolha de dados através de observação participante, notas de campo, registos audiovisuais, fotografias e produções das crianças. Os momentos de leitura (préleitura, leitura e pós-leitura) revelaram-se fundamentais, ao promoverem o envolvimento emocional com as narrativas, o alargamento do vocabulário e o confronto de ideias entre pares. Verificou-se uma evolução clara nas atitudes das crianças, desde a dificuldade inicial em cooperar até à realização de tarefas em grupo de forma colaborativa, solidária e autónoma. No 1.º CEB, observou-se uma melhoria expressiva das relações entre os alunos, com diminuição dos conflitos e maior predisposição para o trabalho em equipa. Na EPE, reforçaram-se práticas já existentes, com resultados muito positivos na empatia e cooperação entre pares. Conclui-se que a literatura para a infância, integrada de forma intencional na prática pedagógica, constitui um recurso privilegiado na formação de valores e na construção de ambientes educativos mais cooperativos, respeitadores e conscientes. A LITERATURA PARA A INFÂNCIA COMO PONTO DE PARTIDA PARA A PROMOÇÃO DE VALORES Cristiana Rodrigues da Silva¹ & Carlos Manuel Ribeiro da Silva² ¹Universidade do Minho ²Centro de Investigação em Estudos da Criança da Universidade do Minho (CIEC) >Palavras-chave: Educação básica; Literatura para a infância; Valores; cidadania; Desenvolvimento social. COMUNICAÇÃO LIVRE FORMAÇÃO DE PROFESSORES / PÁG. 111 À semelhança de outras áreas de qualificação profissional, a formação inicial de professores tem sido um espaço onde se jogam interesses diversos, mas objeto de escasso debate público. Nela se jogam interesses económicos, sociais e culturais, patentes nos movimentos internacionais de crescente privatização e ataque a uma formação de nível superior. O Processo de Bolonha em Portugal trouxe a formação de 2º ciclo para todos cursos de formação inicial, com implicações no perfil e conceção de profissionalismo docentes, cada vez mais exigentes face às mudanças sociais e tecnológicas e à necessidade de preparar as gerações futuras para um futuro cada vez mais incerto. Contudo, e paradoxalmente, por força da legislação atual, é dado menos espaço às componentes de formação que são, tradicionalmente, de natureza sociocrítica, como é o caso das ciências fundamentais da educação. Por outro lado, há uma forte valorização das componentes didática e de prática profissional, o que pode vir a reforçar uma conceção empiricista e aplicacionista da formação profissional. O simpósio visa discutir as atuais políticas (inter)nacionais de formação inicial docente e as práticas de formação na UMinho, com quatro intervenções centradas em estudos de natureza teórica e empírica. A primeira intervenção incidirá na análise das políticas de formação (inter)nacionais, com destaque para os movimentos de privatização e deslocamento da formação do ensino superior; as restantes intervenções incidirão em estudos em curso no CIEd-UMinho, incidentes na investigação empírica produzida sobre a formação inicial no Instituto de Educação (análise de publicações), nas pedagogias escolares desenvolvidas em estágio (análise de relatórios) e no desenvolvimento de um instrumento de apoio ao desenvolvimento pessoal e profissional dos estagiários (estudos de caso). Os resultados preliminares evidenciam o potencial de abordagens formativas e pedagógicas de natureza indagatória, necessárias a uma conceção do trabalho docente enquanto atividade intelectual de natureza transformadora. FORMAÇÃO INICIAL DE PROFESSORES: POLÍTICAS (INTER)NACIONAIS E PRÁTICAS DE FORMAÇÃO NA UMINHO >Palavras-chave: Políticas de formação; Pedagogias da formação; Pedagogias escolares; Desenvolvimento pessoal e profissional; Trabalho docente. FORMAÇÃO DE PROFESSORES COMUNICAÇÃO EM SIMPÓSIO Maria Alfredo Moreira¹ ¹Centro de Investigação em Educação da Universidade do Minho (CIEd) COORDENAÇÃO / PÁG. 112 Desde a década de 1980, o neoliberalismo tem-se instalado como ideologia dominante, à escala global, mediante a colonização das subjetividades individuais pelo discurso da supremacia do privado sobre o público. Entre vários organismos e instituições internacionais, fundações filantrópicas e redes globais que confluem para essa agenda de privatização, que tem na mira a descredibilização da educação pública e o desmantelamento dos sistemas de formação inicial de professores de nível superior, inclui-se a Teach For All (TFAll), uma rede global atualmente instalada em cerca de 60 países, incluindo a denominada Teach For Portugal. Tal como as suas congéneres, a Teach For Portugal está a recrutar para o seu programa de formação acelerada – atualmente designado “Programa de Desenvolvimento da Liderança – jovens recém-licenciados de qualquer área de formação académica, que podem atualmente candidatar-se, não apenas para “mentor”, mas também para “professor” (Professor Teach for Portugal), com contrato e salário pago pelo Ministério da Educação. Este programa está hoje a expandir-se a pretexto da escassez de professores, tal como aconteceu na sua génese, nos EUA, nos anos 1980/90. Para tal, muito tem contribuído a sua estratégia de negação da natureza complexa da formação e da atividade docente e a crença de que o ensino é uma atividade intuitiva, associada à vocação, ao altruísmo e ao talento natural, bastando aos “líderes” formados pelo programa TFAll possuir esses atributos. A EXPANSÃO DO PROGRAMA DE FORMAÇÃO ACELERADA DA REDE TEACH FOR ALL A PRETEXTO DA ESCASSEZ DE PROFESSORES >Palavras-chave: Teach For All; Neoliberalismo, Privatização; Escassez de professores; Formação acelerada. FORMAÇÃO DE PROFESSORES COMUNICAÇÃO EM SIMPÓSIO Fernando Ilídio Ferreira¹ ¹Centro de Investigação em Estudos da Criança da Universidade do Minho (CIEC) / PÁG. 113 Os Mestrados em Ensino pós-Bolonha implicaram uma complexificação dos processos de qualificação profissional, nomeadamente ao pressupor um reforço da literacia investigativa dos formandos e a produção de um relatório de estágio a defender em provas públicas. No caso da UMinho, tal como noutras instituições, o estágio passou a integrar o desenvolvimento de projetos de investigação-ação, contrariando uma conceção empiricista da formação que predominava antes da reforma. Porém, a investigação sobre a formação inicial pós-Bolonha encontra-se dispersa, importando promover a sua sistematização. Esta preocupação esteve na base de um estudo desenvolvido no CIEd-UMinho, no qual foi realizada uma revisão de publicações (artigos e capítulos de livro) de investigadores do Instituto de Educação entre 2018 e 2023, incidentes na formação inicial de professores. Apresentam-se aqui resultados parciais, tomando como objeto de análise os textos que relatam estudos empíricos, descritivos ou interventivos, sobre a formação em contexto de estágio (n=36). Conclui-se que, na maioria dos textos, se defende uma formação reflexiva e emancipatória, assente na indagação crítica da experiência educativa, com destaque para o recurso à investigação-ação e o desenvolvimento de uma educação transformadora nas escolas. Contudo, a recente alteração do regime jurídico de habilitação profissional para a docência (Decreto-Lei n.º 9A/2025, de 14 de fevereiro), ao instituir um aumento drástico da prática letiva no ano de estágio (mínimo de 8h letivas semanais), pode colocar em causa modelos de formação consolidados e induzir práticas mais instrumentais e reprodutoras do que reflexivas e transformadoras, conduzindo a um retrocesso na qualidade e nos efeitos da formação em estágio. A sistematização da investigação produzida nas instituições de ensino superior em Portugal, de que este estudo é um exemplo, é fundamental para uma resposta proativa às mudanças legislativas e para um debate coletivo acerca do que se pretende com o estágio na formação inicial de professores. FORMAÇÃO EM ESTÁGIO – O QUE NOS DIZ A PRODUÇÃO CIENTÍFICA DO INSTITUTO DE EDUCAÇÃO DA UMINHO? >Palavras-chave: Formação inicial de professores; Formação em estágio; Produção científica; Estudos empíricos. FORMAÇÃO DE PROFESSORES COMUNICAÇÃO EM SIMPÓSIO Flávia Vieira¹, Maria João Gomes¹, Francisco C. Alfredo¹, Luciana Brito¹ & Sara Cruz¹ ¹Centro de Investigação em Educação da Universidade do Minho (CIEd) / PÁG. 114 Sendo entendido como um momento que marca indelevelmente a transição identitária de estudante a professor/a, o estágio pedagógico visa integrar as componentes formativas, adquiridas no percurso académico, e a componente da prática profissional. Na sequência do Processo de Bolonha, o ano de estágio passou a mobilizar modalidades de investigação sobre a prática, perspetivada de um modo amplo enquanto aprendizagem da profissão que envolve movimentos de experimentação, reflexão e indagação das práticas, culminando na produção de um relatório sujeito a provas públicas. Na Universidade do Minho (UM) o estágio segue um modelo formativo assente na metodologia da investigação-ação e princípios de qualidade dela decorrentes, em integração com uma visão transformadora para a formação docente e para a pedagogia escolar. O estudo incidiu na análise de 57 relatórios de relatórios de estágio de dez mestrados em ensino da UM, defendidos entre 2018 e 2023, disponíveis no repositório institucional e com classificações de muito bom. Visou caracterizar os projetos de intervenção pedagógica desenvolvidos no âmbito do estágio, procurando compreender efeitos da formação no desenvolvimento de uma visão transformadora da educação, na construção de pedagogias centradas nos educandos e na aprendizagem, na articulação investigação-ensino e na reflexividade e agência profissional. A comunicação incidirá nos resultados obtidos em três dimensões da análise: 1) problematização da ‘realidade’ no sentido na mudança; 2) orientação para uma educação transformadora e 3) papel do educador. Os resultados preliminares indiciam uma orientação global para o questionamento de práticas ou perspetivas convencionais, no sentido de uma aproximação a práticas ou perspetivas mais atuais, inovadoras e relevantes no contexto de intervenção. Concebe-se o educando como agente da aprendizagem e o educador como um profissional reflexivo, valorizando-se dimensões de uma educação humanista e democrática; contudo, estas dimensões não são valorizadas de um modo equivalente em todos os relatórios, identificando-se algumas áreas de melhoria futura. VISÕES DA QUALIDADE DA EDUCAÇÃO E DO PAPEL DOS AGENTES EDUCATIVOS NOS RELATÓRIOS DE ESTÁGIO: UM ESTUDO DE ANÁLISE DOCUMENTAL >Palavras-chave: Formação inicial de professores; Formação em estágio; Produção científica; Estudos empíricos. FORMAÇÃO DE PROFESSORES COMUNICAÇÃO EM SIMPÓSIO Maria Alfredo Moreira¹, Floriano Viseu¹, Glória Solé¹, Ana Sofia Afonso¹, António Osório¹, Cristina Parente², Íris Pereira¹, José Luís Silva¹, Luís Dourado¹ & Maria Helena Martinho¹ ¹Centro de Investigação em Educação da Universidade do Minho (CIEd) ²Centro de Investigação em Estudos da Criança da Universidade do Minho (CIEC) / PÁG. 115 As experiências de estágio representam momentos-chave na formação inicial de professores, ao permitirem o contacto direto com os desafios da prática docente, o desenvolvimento de competências profissionais e o início da construção da identidade profissional. A investigação evidencia que a qualidade destas experiências depende fortemente do modo como os supervisores e os orientadores cooperantes apoiam os estagiários no desenvolvimento de uma atitude reflexiva e investigativa sobre o ensino e sobre o seu próprio percurso profissional. Assim, a promoção da reflexão torna-se um elemento central na formação de futuros professores, ainda que estes revelem dificuldades na sua realização. Com o objetivo de apoiar a reflexão (oral e escrita) no estágio e enriquecer as práticas de supervisão, está em curso no CIEd (UMinho) um projeto de desenvolvimento de um questionário de autorreflexão intitulado “Instrumento de Desenvolvimento Pessoal e Profissional do Estagiário (IDPPE)”, organizado em quatro domínios de reflexão: competências especializadas de ação profissional, competências de criatividade, competências socioemocionais e competências de gestão da carreira docente. O projeto envolve a exploração do IDPPE através da realização de 8 estudos de caso ao longo do ano letivo de 2024/25, com a participação de supervisores, orientadores cooperantes e estagiários de diversos Mestrados em Ensino da UMinho. Foram indicadas possíveis formas de utilizar o IDPPE, cabendo aos grupos de estágio decidir como e quando o utilizar. Os dados são recolhidos através de entrevistas finais semiestruturadas aos participantes e da análise de registos reflexivos elaborados pelos estagiários por referência ao IDPPE e integrados nos seus portefólios de estágio. A presente comunicação apresenta resultados preliminares do projeto, relativos ao primeiro semestre de 2024/25, sendo discutidas as potencialidades do IDPPE para promover a ampliação e a criticidade da reflexão dos estagiários, bem como os principais desafios e implicações práticas da sua integração nos contextos de estágio. PROMOVER A REFLEXÃO EM CONTEXTO DE ESTÁGIO: DESENVOLVIMENTO DO “INSTRUMENTO DE DESENVOLVIMENTO PESSOAL E PROFISSIONAL DO ESTAGIÁRIO” >Palavras-chave: Formação inicial de professores; Estágio; Reflexão; Desenvolvimento pessoal e profissional. FORMAÇÃO DE PROFESSORES COMUNICAÇÃO EM SIMPÓSIO Sílvia Monteiro¹, Flávia Vieira¹, Sandra Santos¹, Íris Pereira¹, Fátima Morais¹ & Susana Caires¹ ¹Centro de Investigação em Educação da Universidade do Minho (CIEd) / PÁG. 116 A comunicação proposta enquadra-se numa da pesquisa de doutoramento em desenvolvimento que investiga a dinâmica de um projeto social de música que atua por meio de uma orquestra. Destinado a crianças e adolescentes matriculados em escolas públicas do município do Rio de Janeiro, está inserido numa região da zona norte da cidade, caracterizada por altos índices de violência e criminalidade. Estudos apontam que projetos sociais de educação musical são ferramentas poderosas para combater a exclusão e promover a inclusão social, além de contribuir para a conquista da cidadania. Através de práticas de educação libertadora, esses projetos valorizam a autonomia e a participação ativa dos alunos, com o objetivo de promover a transformação social. Entendemos que a exclusão social é um fenômeno multidimensional que vai além da falta de recursos materiais. Envolve questões de acesso a direitos, oportunidades, participação social e reconhecimento. O objetivo do trabalho é demonstrar como esse projeto social pode promover a inclusão e combater a exclusão, compreendendo seus resultados e efeitos nos participantes. A investigação segue um paradigma sócio-crítico, focando na transformação da sociedade para alcançar a verdadeira autonomia. A metodologia adotada será um estudo de caso, permitindo uma análise aprofundada do projeto social. Para coleta de dados, serão realizadas entrevistas, focus group e inquéritos por questionário direcionados à diversos participantes do projeto social. Esta abordagem permitirá uma compreensão abrangente dos impactos e resultados do projeto, bem como das percepções dos diferentes atores envolvidos. Os resultados esperados incluem uma melhor compreensão dos impactos sociais e educacionais do projeto, além de ampliar o entendimento sobre projetos sociais de música, que buscam iniciativas que promovam a inclusão, combatam a exclusão social. Este estudo contribuirá para futuras iniciativas que utilizem a educação musical como meio de intervenção, reforçando seu papel fundamental na construção de uma sociedade mais justa e igualitária. PROJETOS SOCIAIS DE MÚSICA: UM CAMINHO PARA A INCLUSÃO E TRANSFORMAÇÃO SOCIAL Rodrigo Loos¹ ¹Centro de Investigação em Didática e Tecnologia na Formação de Formadores - Universidade de Aveiro >Palavras-chave: Inclusão social; Projetos sociais; Educação musical. COMUNICAÇÃO LIVRE INCLUSÃO SOCIAL / PÁG. 117 Em Portugal, as escolas têm efetuado um longo percurso no que respeita à inclusão. O Decreto-Lei nº 54/2018 - Educação Inclusiva, constitui o documento que elenca as práticas a adotar. A promoção de ambientes inclusivos tem-se pautado pela valorização e integração de diversos profissionais nas escolas públicas, designadamente o terapeuta da fala, o segundo técnico com maior presença em contexto escolar. O objetivo de investigação focou-se na caracterização das perceções de terapeutas da fala, que exercem ou exerceram em escolas públicas, quanto à sua intervenção neste contexto. Este estudo exploratório teve por base uma abordagem qualitativa, com recurso a três discussões focalizadas em grupo com terapeutas da fala, totalizando dezassete participantes agrupadas de acordo com a sua modalidade de contratação. Apesar de existirem tópicos em que se verificou uma confluência de reflexões entre participantes, como a importância atribuída à sua atuação em contexto escolar, os seus possíveis papéis ou a constatação de que os textos políticos não permitem uma regulação e coesão das respostas no terreno, existem outros temas em que emergem diferenças, nomeadamente quanto à participação no processo do aluno ou na própria comunidade escolar. Estes resultados reforçam que a inexistência de uma regulação da sua ação potencia diferentes diligências por parte dos profissionais, o que poderá dificultar uma resposta enquadrada numa educação inclusiva, a par da definição de condições de trabalho diferentes entre trabalhadores com a mesma função. Este trabalho constitui um ponto de partida para a reflexão quanto às políticas públicas em contexto escolar e a ação do terapeuta da fala. Perspetiva-se que este estudo contribua para o reforço da necessidade de uma organização escolar que garanta a acessibilidade a ambientes inclusivos, e onde seja assegurada a igualdade de condições de trabalho de todos os profissionais. A INTERVENÇÃO DO TERAPEUTA DA FALA NA ESCOLA PÚBLICA: UM ESTUDO EXPLORATÓRIO SOBRE PERCEÇÕES DOS PROFISSIONAIS Rui Loureiro¹ ¹Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto ²Escola Superior de Saúde do Instituto Politécnico do Porto >Palavras-chave: Terapeuta da fala; Intervenção; Educação inclusiva; Políticas públicas; Escola pública. COMUNICAÇÃO LIVRE INCLUSÃO SOCIAL ² Henrique Vaz¹ & Elisabete Ferreira¹ , / PÁG. 118 Este trabalho apresenta a avaliação de um plano longitudinal de nível institucional, com avaliação transversal anual aplicada a alunos dos 4.º, 7.º e 9.º anos, desenvolvido ao longo de três anos letivos num agrupamento de escolas da zona centro de Portugal Continental. O Plano de Prevenção Anti-Bullying (PPAB) assentou em cinco eixos estruturais: monitorização contínua; integração curricular nas aulas de Cidadania e Desenvolvimento; capacitação de profissionais e pais; estabelecimento de parcerias estratégicas; e formação de Embaixadores AntiBullying. A intervenção visou consolidar uma cultura escolar de bem-estar, segurança relacional e corresponsabilidade comunitária, orientada para a prevenção sustentada do bullying. O objetivo central foi analisar o impacto da intervenção na redução de comportamentos agressivos e no reforço de competências socioemocionais. A investigação seguiu um desenho metodológico misto, com componentes quantitativa e qualitativa, ao longo de três ciclos anuais. Os dados foram recolhidos através de instrumentos validados para avaliar bemestar, agressividade e vitimação digital, aplicados antes e após cada ciclo de intervenção. A análise quantitativa integrou estatística descritiva, testes de associação e modelos de regressão. A componente qualitativa baseou-se em observação, registos de práticas e produção narrativa. O estudo obteve parecer favorável da Comissão de Ética para a Investigação em Ciências Sociais e Humanas (CEICSH 036/2023). Ao longo dos três anos, registaram-se efeitos cumulativos na redução sustentada da vitimação entre pares e na melhoria da perceção de segurança escolar. Observou-se o aumento de comportamentos pró-sociais e progressos na autorregulação dos alunos. A mobilização faseada de Embaixadores Anti-Bullying — alunos, professores, assistentes operacionais e pais — revelou-se estruturante. A abordagem demonstrou eficácia na prevenção do bullying. A evidência recolhida justifica a institucionalização do plano e a sua replicação noutros contextos escolares com ajustamentos mínimos. PREVENÇÃO DO BULLYING E PROMOÇÃO DE UMA CULTURA ESCOLAR POSITIVA: AVALIAÇÃO DE UM PROGRAMA CENTRADO NA ESCOLA, NAS FAMÍLIAS E NA COMUNIDADE Hugo Simões¹ & Beatriz Pereira¹ ¹Centro de Investigação em Estudos da Criança da Universidade do Minho (CIEC) >Palavras-chave: Prevenção do bullying; Cultura escolar; Educação socio emocional; Intervenção multinível; Embaixadores anti-bullying. COMUNICAÇÃO LIVRE INCLUSÃO SOCIAL / PÁG. 119 Este simpósio tem como objetivo dar a conhecer o Método Ubuntu, uma abordagem de educação não-formal implementada pelo Instituto Padre António Vieira (IPAV), e que alicerça a Academia de Líderes Ubuntu (ALU). Implementado sob vários formatos, o Método Ubuntu, tem como matriz a filosofia africana “Ubuntu” e como divisa "Eu sou porque tu és". Através de valores como a interdependência, a dignidade e o respeito pelos direitos humanos, o Método Ubuntu assenta em três eixos nucleares: a “Ética do Cuidado”, “Construção de Pontes” e “Liderança Servidora”. Desde o ano letivo 2021-2022, mais de 400 agrupamentos de escolas (AE) e Escolas Não Agrupadas (ENA) foram alvo do programa “Escolas Ubuntu”, resultante de uma parceria entre a Direção Geral da Educação e o IPAV. Abrangendo a Academia de Líderes Ubuntu – dirigida a alunos do 1º e 3º ciclo do Ensino Básico e do Ensino Secundário – e as Academias de Escola Colaborativa – destinada a diretores ou membros da direção de AE/ENA -, o programa visa o desenvolvimento de competências como a empatia, a resiliência e o sentido de serviço no seio da comunidade escolar. Susana Caires¹ ¹Centro de Investigação em Educação da Universidade do Minho (CIEd) >Palavras-chave: Ubuntu; Academia de Líderes Ubuntu; Novo Paradigma Educacional. SIMPÓSIO INCLUSÃO SOCIAL PROGRAMA UBUNTU ESCOLAS: CONTIBUTOS PARA UM NOVO PARADIGMA EDUCACIONAL COORDENAÇÃO / PÁG. 120 Este trabalho visa contribuir para a discussão sobre a oferta de Educação Infantil de qualidade, focando nas experiências de uma escola na zona rural do Brasil, que implementa o Projeto de Ações Pedagógicas baseado em Valores Humanos Universais. A escassez de pesquisas sobre educação infantil em zonas rurais, dificulta a compreensão de contextos específicos, limitando políticas e práticas educacionais inclusivas e eficazes. O objetivo deste estudo é utilizar as metodologias de matriz lógica e teoria da mudança, escolhidas por serem didáticas e realistas, amplamente usadas na avaliação de políticas, para esquematizar o projeto de intervenção na escola. Para corroborar a teoria apresentada, foram aplicados questionários aos funcionários e às famílias das crianças. Os resultados mostram que após um ano letivo, desenhar, pintar e recortar foram mais frequentes nos lares das crianças, e ler para as crianças e ensinar o alfabeto foram mais realizadas. Essas atividades contribuem para o aprendizado e formação de vínculos entre crianças e cuidadores, essenciais para um crescimento saudável (Anis et al., 2022). As professoras relataram uma evolução positiva na relação com as crianças, com altos escores de afinidade e afetos positivos, associados ao bemestar emocional, socioafetividade, aprendizado, autonomia e regulação emocional (Thompson, 1994; Denham; Bassett; Wyatt, 2010; Shonkoff, 2012). Os profissionais demonstraram alta satisfação com a vida e autoestima, resultados que podem estar relacionados à intervenção baseada em valores humanos. Esses resultados permitem análises sobre os fatores que influenciam a relação professora-criança, desenvolvimento infantil, perfis das famílias na zona rural e as oportunidades que essas crianças têm em seus lares, conforme discutido por Boyd et al. (2003). O instrumento de diagnóstico inicial de desenvolvimento infantil oferece informações sobre a zona rural, como altos índices de desenvolvimento motor das crianças que moram nesse contexto. CULTIVANDO VALORES HUMANOS NA PRIMEIRA INFÂNCIA: UM ESTUDO DE CASO EM UMA ESCOLA RURAL NO BRASIL Guilherme Irffi¹ ¹Universidade Federal do Ceará >Palavras-chave: Educação infantil; Valores humanos; Desenvolvimento infantil; Zona rural. POSTER CIENTÍFICO INFÂNCIA, CULTURA E SOCIEDADE / PÁG. 127 Este estudo analisa a experiência social e cultural de crianças que integram uma banda de música juvenil, procurando compreender os significados que atribuem a essa vivência e os seus impactos no quotidiano individual e coletivo. A partir de uma perspetiva sociológica, fundamentada na sociologia da infância, da experiência e das emoções, explora-se como as interações entre sujeitos e estruturas sociais influenciam e são simultaneamente moldadas pelas práticas das crianças. A investigação adota uma abordagem qualitativa de inspiração etnográfica, baseada numa presença prolongada do investigador no terreno, com recurso à observação participante, registo de notas de campo, conversas informais, fontes audiovisuais e interações mediadas por WhatsApp, de acordo com as preferências expressas pelos participantes. O grupo focal é utilizado como estratégia de proximidade, reforçando a motivação, a coesão e o envolvimento no processo investigativo. O estudo envolve 22 crianças, entre os 10 e os 18 anos, membros da banda juvenil, refletindo a sua composição real e diversidade. Os dados preliminares indicam que a participação na banda proporciona experiências culturalmente significativas, fomenta laços de amizade, solidariedade e confiança, estimula a expressão emocional, artística e cultural, e contribui para a construção de identidades, sentimentos de pertença e reconhecimento social. Esta investigação sublinha a relevância da participação cultural enquanto direito consagrado na Convenção sobre os Direitos da Criança, reafirmando o papel ativo das crianças na (re)produção cultural e nas dinâmicas sociais e simbólicas em que se inserem. A EXPERIÊNCIA DE PARTICIPAÇÃO CULTURAL DE CRIANÇAS NUMA BANDA DE MÚSICA Paulo Alexandre Fonseca Pinto de Vasconcelos¹ & Fernando Ilídio da Silva Ferreira² ¹Doutorando em Estudos da Criança, Infância, Cultura e Sociedade, Universidade do Minho ²Instituto de Educação da Universidade do Minho >Palavras-chave: Sociologia da Infância; Participação Cultural; Emoções; Banda de Música; Direitos da Criança. COMUNICAÇÃO LIVRE INFÂNCIA, CULTURA E SOCIEDADE / PÁG. 128 A abordagem pedagógica de Reggio Emilia emergiu na Itália pós-Segunda Guerra Mundial como resposta coletiva a um tempo de ruína e reinvenção. Mais do que reconstruir edifícios, tratava-se de reconstruir vínculos — e a escola ocupou, desde o início, o centro simbólico desse processo. A proposta reggiana nasce, assim, como projeto de educação comprometido com a democracia participativa, envolvendo crianças, professores e comunidade em uma rede de escuta, corresponsabilidade e transformação social. Este trabalho propõe uma reflexão teórico-histórica sobre Reggio Emilia enquanto manifestação político-pedagógica. Examina-se como os ideais de escola pública, participação e cidadania se articulam à imagem de infância e às práticas educativas concebidas na região da EmíliaRomanha. Ao analisar o contexto sociopolítico do pós-guerra, compreende-se a abordagem como ruptura com os modelos tradicionais e autoritários de ensino infantil — e como aposta radical na potência da criança como sujeito ativo, plural e capaz. A documentação pedagógica, o papel do ambiente e a formação docente com intencionalidade ética surgem, aqui, como pilares de um fazer educativo que prioriza o coletivo sem apagar a singularidade. Ao tratar a escola como espaço de diálogo e construção de sentido, a pesquisa sustenta que Reggio Emilia não é apenas uma metodologia: é um posicionamento. Um modo de entender a educação como prática social e política. O trabalho, de natureza teórica, pretende contribuir para os debates sobre pedagogias participativas, evocando a urgência de pensar projetos educativos que dialoguem, de forma concreta, com os princípios democráticos desde a infância. REGGIO EMILIA COMO PROJETO POLÍTICO-PEDAGÓGICO: DEMOCRACIA E INFÂNCIA NO CENTRO DA ESCOLA Giulia Varella¹ ¹Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade do Porto >Palavras-chave: Reggio Emilia; Democracia; Infância; Educação Pública; Pedagogias Participativas. COMUNICAÇÃO LIVRE INFÂNCIA, CULTURA E SOCIEDADE / PÁG. 129 O aumento dos fluxos migratórios tem vindo a intensificar a mobilidade global, trazendo mudanças significativas para o ambiente escolar em Portugal, especialmente nos contextos da educação de infância. O acolhimento de crianças migrantes, neste cenário, apresenta desafios significativos, exigindo uma análise cuidada das práticas pedagógicas que promovem a inclusão destas crianças. Propõe-se, nesta comunicação, a análise e reflexão dos desafios enfrentados por crianças, profissionais e famílias, neste contexto, a partir de uma revisão crítica das principais temáticas apresentadas pela literatura contemporânea, nas quais se foca, igualmente, o projeto de investigação Mundos da Infância: migrações e modos plurais de ser criança num contexto de educação de infância. A revisão foi realizada com base na análise de referências bibliográficas recentes (2020–2024), selecionadas por meio de uma busca sistemática nas bases SciELO, Google Académico e European Early Childhood Education Research Journal. Foram utilizados os seguintes termos-chave, em português e inglês: crianças, migração, acolhimento e educação de infância. Os critérios de inclusão priorizaram estudos focados em práticas educativas e estratégias de acolhimento/inclusão de crianças em situação de migração, com ênfase na educação de infância. A análise evidencia desafios significativos, como a existência de barreiras linguísticas, a invisibilização das identidades culturais das crianças e as dificuldades no envolvimento das famílias migrantes. Estes constrangimentos comprometem o direito à educação e a construção de relações de pertença, revelando a necessidade de práticas pedagógicas mais sensíveis, humanizadoras e culturalmente responsivas. Concluise que os contextos educativos devem ser repensados como espaços de acolhimento e diálogo intercultural, promovendo a inclusão desde os primeiros anos de vida. Esta reflexão pretende contribuir para o debate em torno das infâncias migrantes, enfatizando o papel da educação de infância na construção de uma sociedade mais justa e inclusiva. INFÂNCIAS MIGRANTES E OS DESAFIOS PARA OS CONTEXTOS DE EDUCAÇÃO DE INFÂNCIA Maria João Gomes Gonçalves¹ & Natália Fernandes¹ ¹Centro de Investigação em Estudos da Criança da Universidade do Minho (CIEC) >Palavras-chave: Crianças; Migração; Acolhimento; Educação de infância. POSTER CIENTÍFICO INFÂNCIA, CULTURA E SOCIEDADE / PÁG. 130 Reconhecida como sujeito de direitos, a criança deve crescer num ambiente familiar para o harmonioso desenvolvimento da sua personalidade, conforme estabelece a Convenção sobre os Direitos da Criança (CDC). Partindo deste desígnio, as Regras Mínimas das Nações Unidas para o Tratamento de Reclusos e as Regras Penitenciárias Europeias admitem que crianças possam viver em contexto prisional com os progenitores, desde que tal corresponda ao seu superior interesse. Em Portugal, esta possibilidade está prevista desde o Decreto-Lei n.º 265/79, contudo, apenas em 2023 foi aprovado um regulamento específico sobre o tratamento de crianças que permaneçam com os pais em estabelecimentos prisionais, comprovando a invisibilidade a que têm sido sujeitas. Este regulamento permite que crianças até aos três anos — ou excecionalmente até aos cinco — residam com os progenitores em situação de reclusão, embora, na prática, apenas duas prisões femininas disponham de condições adequadas para as acolher, o que restringe esta convivência às mães. O documento prevê medidas relativas ao alojamento, saúde, alimentação, atividades lúdicas na creche, manutenção de vínculos familiares e proteção contra violência e abuso. Para compreender em que medida estas disposições se alinham com os Direitos da Criança, realizou-se uma análise documental ao regulamento. Com efeito, destaca-se que a garantia de um ambiente que favoreça o desenvolvimento integral da criança se coaduna com os Artigos 3.º, 6.º, 9.º, 24.º e 28.º da CDC; porém, a ausência de disposições claras sobre a participação da criança nas decisões que a afetam diretamente ressalta enquanto limitação face ao Artigo 12.º. Sobre o processo de transição da criança para a vida extramuros, o regulamento carece de um planeamento mais detalhado para apoiar a sua (re)integração social. Assim, não obstante o regulamento adotar uma abordagem consentânea com os princípios da CDC, recomenda-se o fortalecimento de políticas públicas para suprir algumas lacunas identificadas. A PERMANÊNCIA DE CRIANÇAS EM ESTABELECIMENTOS PRISIONAIS JUNTO DOS PROGENITORES: ENTRE MUROS E DIREITOS? Vilma Silvestre¹, Natália Fernandes¹ & Ana Isabel Sani¹ ¹Centro de Investigação em Estudos da Criança da Universidade do Minho (CIEC) ²Universidade Fernando Pessoa >Palavras-chave: Criança; Direitos da Criança; Prisão; Reclusão; Regulamento. POSTER CIENTÍFICO INFÂNCIA, CULTURA E SOCIEDADE ,² / PÁG. 131 A migração infantil tem sido frequentemente negligenciada nas políticas públicas e nos estudos científicos (Vanconcelos e Botega, 2015). Por esta razão, a presente pesquisa tem como objetivo compreender as experiências migratórias de crianças e de que forma se relacionam com a cidade de acolhimento, ao propor dar visibilidade e audibilidade (Brito, 2024; 2025) às vozes e experiências das crianças migrantes, reconhecendo-as como sujeitos ativos, produtores de cultura e detentores de narrativas singulares (Sarmento, 2008; Corsaro, 2011; Fernandes, 2016, Pechtelidis, 2021). Com base numa abordagem qualitativa e fundamentada numa pesquisa com crianças (Corsaro, 2011; Kellett, 2010), este estudo é realizado em contexto escolar, com um grupo composto por 14 crianças, de diferentes nacionalidades, sendo quatro meninos e dez meninas, de idades entre os oito e dez anos. Como técnicas de produção de dados, este estudo realizou entrevistas, conversas informais, grupos focais e métodos visuais, ao tentar captar as experiências das crianças na investigação. As perceções das crianças apontam para distintos sentimentos, como saudade, insegurança na adaptação, resistência, aceitação e, até estranhamento e pertencimento. Os resultados preliminares da investigação analisam que as crianças atribuem grande valor às relações familiares e às novas amizades, principalmente quando expressam o desejo de trazer familiares e amigos dos seus países de origem para a cidade de acolhimento. Adicionalmente, as crianças revelaram que o mais importante na nova cidade são os novos laços afetivos e amizades que estabeleceram com a comunidade que os acolheu, sobretudo no contexto escolar. Ao valorizar e reconhecer as narrativas das crianças nesta investigação, pretendemos contribuir para a construção de novos olhares sobre a reflexão e problematização dos percursos, desdobramentos e das relações de afeto que as crianças estabelecem no curso de seus processos migratórios. CRIANÇAS MIGRANTES NA CIDADE DE ACOLHIMENTO: VOZES E AFETOS EM CONTEXTO ESCOLAR Suzana Gomes¹ & Dhemy Brito¹ ¹Centro de Investigação da Universidade do Minho >Palavras-chave: Acolhimento; (Des)afetos; Escola; Migração infantil, Sentimento de Pertença. COMUNICAÇÃO LIVRE INFÂNCIA, CULTURA E SOCIEDADE / PÁG. 132 Este estudo apresenta a investigação sobre o conceito de agência e protagonismo musical na educação musical na primeira infância, integrando perspectivas da sociologia da infância e analisando práticas pedagógicas no Brasil. O objetivo é compreender como as crianças podem ser reconhecidas como participantes ativas e criadoras em seus processos musicais, indo além do modelo tradicional centrado no adulto. Apesar do reconhecimento crescente das crianças como agentes de mudança em políticas e educação (Wheeler, 2023), persiste uma lacuna entre os discursos teóricos sobre agência (Young, 2006; Karlsen, 2011, 2019; Young & Wu, 2019) e as práticas pedagógicas que efetivamente valorizam sua participação. A agência é entendida aqui como a capacidade da criança de tomar decisões, expressar preferências e influenciar o ambiente ao seu redor. Como resultado, propõe-se um modelo conceitual que valoriza o protagonismo infantil na educação musical, promovendo experiências significativas, criativas e colaborativas. O estudo sugere que reconhecer as crianças como protagonistas de suas vivências musicais desloca o foco do ensino transmissivo para uma aprendizagem ativa, onde a escuta, a expressão e a coautoria musical são centrais. Conclui-se que a valorização da agência infantil contribui para ambientes educativos mais inclusivos, sensíveis às vozes e expressões das crianças, incentivando práticas que respeitam sua autonomia, criatividade e direito à participação cultural desde a primeira infância. AGÊNCIA E PROTAGONISMO MUSICAL INFANTIL: CONEXÕES ENTRE EDUCAÇÃO E MÚSICA Vivian Dell Agnolo Barbosa Madalozzo¹ & Natália Fernandes¹ ¹Centro de Investigação em Estudos da Criança da Universidade do Minho (CIEC) >Palavras-chave: Agência infantil; Educação musical; Protagonismo musical; Primeira infância; Participação. POSTER CIENTÍFICO INFÂNCIA, CULTURA E SOCIEDADE / PÁG. 133 Este simpósio tem como objetivo apresentar e discutir diferentes estratégias de avaliação e monitoramento da Educação Infantil a partir de cinco perspectivas complementares: Famílias, Profissionais, EAPI (Escala de Avaliação de Ambientes de Aprendizagem), INAPI (Instrumento de Avaliação das Aprendizagens na Primeira Infância) e Cognum (Instrumento de Avaliação da Cognição Numérica). Com base em instrumentos validados e utilizados em contextos educacionais brasileiros, as apresentações buscarão evidenciar como a articulação entre dados quantitativos e qualitativos pode contribuir para a produção de diagnósticos mais sensíveis e contextualizados sobre a qualidade da oferta educativa para crianças de 0 a 5 anos. A proposta contempla desde a escuta das famílias e o olhar dos profissionais da educação até a análise sistemática de ambientes e processos de aprendizagem. Serão abordados indicadores que permitem compreender as condições estruturais, as oportunidades de aprendizagem, os vínculos afetivos e os aspectos do desenvolvimento cognitivo e socioemocional das crianças. Ao considerar distintas fontes de informação e diferentes agentes envolvidos no cotidiano da Educação Infantil, o simpósio propõe uma abordagem integrada e intersetorial do processo avaliativo, contribuindo para o fortalecimento das práticas pedagógicas e das políticas públicas voltadas à primeira infância. A diversidade metodológica e temática das cinco propostas permite aprofundar o debate sobre avaliação como ferramenta de escuta, planejamento e transformação das práticas educacionais. Dessa forma, o simpósio busca oferecer subsídios teóricos e práticos para profissionais, gestores e pesquisadores comprometidos com a promoção de uma Educação Infantil de qualidade e centrada no desenvolvimento integral das crianças. Brysa dos Santos Fernandes¹ ¹Universidade Federal do Ceará >Palavras-chave: Educação Infantil; Avaliação; Monitoramento; Qualidade Educacional; Desenvolvimento. SIMPÓSIO CAMINHOS DA AVALIAÇÃO NA EDUCAÇÃO INFANTIL: PRÁTICAS, PERCEPÇÕES E INSTRUMENTOS COORDENAÇÃO INFÂNCIA, CULTURA E SOCIEDADE / PÁG. 134 Esta proposta visa analisar as práticas cotidianas das famílias e sua relação com a educação infantil, utilizando um questionário socioeconômico que explora aspectos da rotina familiar, atividades realizadas em casa, práticas de leitura e a interação com a escola. O objetivo é compreender como as condições socioeconômicas e as atitudes familiares impactam no desenvolvimento e no desempenho educacional das crianças. A coleta de dados é realizada por meio de um questionário que abrange questões sobre o ambiente familiar, os hábitos de leitura, o apoio escolar e a participação da família nas atividades pedagógicas. A análise do perfil socioeconômico das famílias permitire identificar possíveis desigualdades que influenciam o acesso à educação de qualidade e as oportunidades de aprendizagem fora do ambiente escolar. Além disso, é possível perceber como as práticas familiares, como a leitura em casa e o apoio à autonomia, contribuem para o desenvolvimento cognitivo e socioemocional das crianças. A proposta também busca investigar a relação entre a escola e as famílias, compreendendo a percepção dos pais sobre a qualidade do atendimento educacional e seu nível de engajamento nas atividades escolares. Assim, este estudo proporciona uma visão mais ampla das influências externas à sala de aula que afetam a educação infantil, e pode contribuir para a formulação de políticas públicas mais eficazes e programas de apoio voltados para o fortalecimento da parceria entre escola e família, fundamentais para o desenvolvimento integral das crianças. Brysa Fernandes¹, Letícia Lima¹, Thainara Alves¹ & Guilherme Irffi¹ ¹Universidade Federal do Ceará >Palavras-chave: Família e Educação; Desenvolvimento Infantil; Práticas Familiares; Parceria Escola-Família; Perfil Socioeconômico. COMUNICAÇÃO EM SIMPÓSIO RETRATO DAS FAMÍLIAS NA EDUCAÇÃO INFANTIL: PERCEPÇÕES, VIVÊNCIAS E INDICADORES PARA O MONITORAMENTO DA QUALIDADE INFÂNCIA, CULTURA E SOCIEDADE / PÁG. 135 A atuação dos profissionais da Educação Infantil é central para garantir o desenvolvimento integral das crianças, especialmente quando se considera o papel que esses agentes desempenham no processo de avaliação e monitoramento das aprendizagens. Esta apresentação discute como diferentes instrumentos podem apoiar os profissionais na observação qualificada do desenvolvimento infantil, bem como na compreensão de aspectos subjetivos que impactam sua prática cotidiana. Serão apresentados e discutidos os seguintes instrumentos: a Escala de Relação Professor-Aluno (ERPA), que avalia a qualidade das interações pedagógicas; o Formulário de Diagnóstico Inicial do Desenvolvimento Infantil, que permite o acompanhamento de indicadores de desenvolvimento por faixa etária; além das escalas de Autoestima, Apego, Afetos e Satisfação com a Vida, que abordam aspectos emocionais e de bem-estar dos educadores. A proposta pretende fomentar uma reflexão crítica sobre como esses instrumentos, para além de diagnósticos, podem ser compreendidos como ferramentas formativas, ampliando o olhar sobre a criança e também sobre quem educa. Acredita-se que o fortalecimento das condições emocionais e relacionais dos profissionais é indispensável para a promoção de contextos educativos mais responsivos e afetivos. Ao integrar avaliação e cuidado, essa abordagem contribui para o aprimoramento da qualidade na Educação Infantil. A apresentação dialoga com o tema do simpósio ao destacar o papel dos profissionais como sujeitos ativos no processo de monitoramento e como beneficiários de estratégias que valorizem sua saúde emocional e sua atuação pedagógica. Letícia Lima¹, Brysa Fernandes¹ & Guilherme Irffi¹ ¹Universidade Federal do Ceará >Palavras-chave: Educação Infantil; Desenvolvimento Infantil; Avaliação Formativa; Bem-estar dos Educadores; Relação Professor-Criança. COMUNICAÇÃO EM SIMPÓSIO INDICADORES PSICOSSOCIAIS E PEDAGÓGICOS NA EDUCAÇÃO INFANTIL: CONTRIBUIÇÕES DAS ESCALAS APLICADAS A PROFESSORES PARA O MONITORAMENTO DA QUALIDADE INFÂNCIA, CULTURA E SOCIEDADE / PÁG. 136 A mediação literária é considerada essencial para a formação integral das crianças. Vai além da decodificação de palavras e foca na compreensão e interpretação de textos e dos seus aspetos simbólicos. Este processo de comprensão e interpretacão é de grande importância para o desenvolvimento humano, pois ajuda as crianças a serem mais críticas e criativas. Além disso, aumenta sua competência linguística, desenvolve empatia e ajuda a perceber o mundo e a si mesmas. A infância é o período crucial para a consolidação da experiência leitora e atraves da mediação pode-se ajudar a prevenir os efeitos da pobreza e da exclusão social. Identifica-se as bibliotecas públicas como espaços de relevância para a promoção da leitura com crianças. Até porque as bibliotecas proporcionam um acesso indispensável à educação literária, pois permitem a interação livre com diversos acervos, como: clássicos, aventura, fantasia, etc. Para muitas crianças, as bibliotecas são o principal, e ás vezes unico, local de encontro efetivo com a literatura. Em Portugal, a promoção da leitura tem sido alvo de políticas públicas importantes, como a criação do Plano Nacional de Leitura (PNL), lançado em 2006. O PNL visa elevar os níveis de literacia no país, que estavam abaixo da média europeia, e integrou novas metodologias de mediação. Para o PNL é posta a necessidade de atualizar as competências dos mediadores e de experimentar novas abordagens.A investigaçao apresentará a análise inicial de práticas de mediação literária numa biblioteca pública do norte de Portugal com crianças de 6 a 12 anos, utiliza uma abordageam qualitativa baseada em observação e entrevistas. ENTRE O LIVRO E A ESCUTA: MEDIAÇÕES LITERÁRIAS COM CRIANÇAS DE 6 A 12 ANOS EM BIBLIOTECA PÚBLICA Luciane Dias Rodrigues¹ ¹Centro de Investigação em Estudos da Criança da Universidade do Minho (CIEC) >Palavras-chave: Desenvolvimento leitor; Plano Nacional de leitura; Educação Básica. POSTER CIENTÍFICO INFÂNCIA, DESENVOLVIMENTO E APRENDIZAGEM / PÁG. 143 A escrita do nome próprio tem significado pessoal e social para as crianças e representa uma das primeiras conexões entre linguagem oral e escrita, podendo servir como base para o desenvolvimento de habilidades iniciais de alfabetização. Este estudo analisa a aprendizagem do nome próprio por meio do Instrumento de Acompanhamento das Aprendizagens do Nome Próprio (NP), um registro sistemático utilizado em turmas da Educação Infantil, aplicado no cotidiano escolar e que avalia as dimensões de escrita, leitura e identificação. A escrita é categorizada em nove níveis, desde garatujas iniciais (nível 1) até a escrita convencional do nome completo (nível 9). A pesquisa foi realizada em uma unidade educacional da zona rural do Ceará. Para estimar as probabilidades acumuladas de progressão na escrita, utilizou-se modelo logit ordenado; as dimensões de leitura e identificação foram analisadas com logit padrão. Além do NP, foram coletados dados semestrais por meio da Escala de Relacionamento Professor-Criança (ERPA), Escala de Afetos Positivos e Negativos (PANAS) e da Escala de Parentalidade e Ajustamento Familiar (PAFAS), aplicada às famílias. Também foram reunidas, mensalmente, amostras da escrita espontânea do nome próprio das crianças. Os resultados apontam forte associação entre a capacidade de escrever o nome e o conhecimento do sistema alfabético. Observou-se uma progressão constante nos níveis de escrita ao longo dos meses, evidenciando um processo de aprendizagem gradual e espontâneo, coerente com a literatura da área. A análise revelou avanços consistentes entre as turmas e reforça a importância de práticas pedagógicas que valorizem a escrita do nome próprio como eixo estruturante da alfabetização na Educação Infantil. PROGRESSÃO NA ESCRITA DO NOME PRÓPRIO: EVIDÊNCIAS DE APRENDIZAGEM ESPONTÂNEA NA EDUCAÇÃO INFANTIL Mayana Souza de Andrade¹ & Guilherme Irffi¹ ¹Universidade Federal do Ceará >Palavras-chave: Educação Infantil; Alfabetização; Aprendizagem; Avaliação; Escrita do Nome Próprio. POSTER CIENTÍFICO INFÂNCIA, DESENVOLVIMENTO E APRENDIZAGEM / PÁG. 144 A Educação Infantil (EI) tem potencial para impactar positivamente o desenvolvimento cognitivo, motor, social e socioemocional das crianças. No entanto, esses efeitos dependem da qualidade da oferta, sendo positivos quando a EI é de alta qualidade e, por outro lado, podendo ser negativos em contextos de baixa qualidade. Diante disso, torna-se essencial avaliar a qualidade das experiências educativas vivenciadas pelas crianças. Este estudo tem como objetivo analisar a aplicação do Instrumento de Avaliação das Aprendizagens na Primeira Infância (INAPI), desenvolvido no Brasil e alinhado à Base Nacional Comum Curricular (BNCC), em uma unidade educacional da zona rural do Ceará. O INAPI permite identificar o desenvolvimento das aprendizagens essenciais e diagnosticar desigualdades educacionais, avaliando competências fundamentais para o desenvolvimento integral de crianças na pré-escola. O estudo foi conduzido ao longo de 2024, com aplicação do instrumento em dois momentos do ano letivo, com crianças do Infantil IV e V. A unidade investigada adota uma proposta pedagógica baseada nos Valores Humanos Universais. Os dados coletados permitiram analisar a evolução das aprendizagens e comparar os resultados com os de outras redes educacionais que também utilizaram o INAPI. Os principais avanços foram observados em aprendizagens relacionadas à expressão oral, reconto de histórias, motricidade ampla, classificação de objetos, cooperação e envolvimento. Por outro lado, aprendizagens como identificação de gêneros textuais, reconhecimento de si, autocuidado e autorregulação ainda requerem maior atenção. Os resultados reforçam a relevância de instrumentos externos de avaliação como o INAPI, tanto para orientar práticas pedagógicas quanto para promover maior equidade e qualidade na Educação Infantil. APRENDIZAGENS ESSENCIAIS PARA A EDUCAÇÃO INFANTIL: UMA ANÁLISE A PARTIR DO INSTRUMENTO DE AVALIAÇÃO DAS APRENDIZAGENS NA PRIMEIRA INFÂNCIA (INAPI) Mayana Souza de Andrade¹ & Guilherme Irffi¹ ¹Universidade Federal do Ceará >Palavras-chave: Educação Infantil; Avaliação das Aprendizagens; INAPI; Qualidade Educacional; Equidade. POSTER CIENTÍFICO INFÂNCIA, DESENVOLVIMENTO E APRENDIZAGEM / PÁG. 145 Na escola desde a Educação Pré-Escolar ao 1.º Ciclo, a interligação entre a dança e as restantes áreas curriculares permite uma abordagem mais holística e integrada da educação e do ensino, que estimula a criatividade, a imaginação e o pensamento crítico das crianças e alunos. Dessa forma, consideramos que a dança é uma verdadeira ferramenta pedagógica essencial para promover um ensino mais dinâmico, diversificado e significativo. Também o elo entre a dança e a promoção do bem-estar é possível, explorando-se diferentes abordagens e técnicas para potencializar os benefícios da dança na saúde e no bem-estar das pessoas. Com esta comunicação pretendemos divulgar e refletir algumas práticas dinamizadas por uma estagiária relacionadas com o seu tema de relatório de estágio, “aprender com a dança: uma abordagem interdisciplinar em prol do bem-estar da criança”. Para este estudo, predominantemente qualitativo, recorremos à análise da observação participante da estagiária e de registos vários (fotos, testemunho deixado por crianças/ alunos das turmas e educadores/ professores) sobre as propostas de planificação, as intervenções selecionadas e respetivas reflexões. Os nossos resultados permitem induzir que a dança, por si só, traz momentos de alívio e divertimento, criatividade e espontaneidade, sendo uma forte aliada nas restantes áreas/domínios explorados ao longo das orientações e currículo, pois através de pequenas sequências de ritmo, passos, músicas, entre outras estratégias as crianças conseguem interiorizar de forma mais natural os conteúdos e temas explorados. Depreendemos que o bem-estar, que se refere a um estado de satisfação e equilíbrio em diversas áreas da vida, no que diz respeito a aspetos físicos, cognitivos, emocionais e sociais, pode ser refletido junto das crianças nas práticas diárias escolares onde a dança faça parte. UMA ABORDAGEM DE EDUCAÇÃO E ENSINO INTERDISCIPLINAR REALIZADA A PARTIR DA DANÇA - PRÁTICAS E REFLEXÕES DE UMA ESTAGIÁRIA Maria Inês Sousa¹ & Isabel Condessa² ¹FCSH da Universidade dos Açores e Creche Kriabebés ²FCSH da Universidade dos Açores e Centro de Investigação em Estudos da Criança da Universidade do Minho (CIEC) >Palavras-chave: Escola Infantil; Interdisciplinaridade; Práticas com Dança; EnsinoAprendizagem; Bem-estar. COMUNICAÇÃO LIVRE INFÂNCIA, DESENVOLVIMENTO E APRENDIZAGEM / PÁG. 146 Esta comunicação faz parte de um projeto tese de investigação que estamos a desenvolver no Instituto de Educação, da Universidade do Minho, no âmbito do Doutoramento em Estudos da Criança, cujo objetivo é de propor modelos para trabalhar o Ensino Experimental das Ciências da Natureza no Ensino Primário em Angola. Pretende-se, que os estudantes conheçam outros modelos de ensino das Ciências, além daqueles que são propostos pelos manuais e guias metodológicos vigentes no sistema de ensino angolano. Para prosseguir a investigação recorrerse-á a uma metodologia qualitativa com uma abordagem próxima da InvestigaçãoAção, com recurso a entrevista, inquérito por questionário bem como fichas de análise das atividades experimentais. Vários estudos já realizados, revelaram que o ensino das ciências na escola, com recurso aos modelos como: as analogias, aprendizagem baseadas na resolução de problemas (ABRP), aprendizagem cooperativa e atividades laboratoriais ajudam na promoção da literacia científica dos alunos. Assim, esperamos que este estudo contribua para a melhoria da qualidade do Ensino Primário em Angola especialmente na área ensino das Ciências da Natureza. A implementação das abordagens experimentais baseadas no desenvolvimento da literacia científica no contexto angolano, garante que os futuros professores do Ensino Primário melhorarem suas práticas pedagógicas centrando-as nas atividades experimentais desafiadoras, tendo em conta a perspetiva socio-construtivista, segundo a qual privilegia o aluno como centro da acção educativa. Por tanto, é necessário apostar na formação inicial e contínua, mais especializada dos professores, sobretudo a nível das Instituições do Ensino Superior (Escolas Superiores pedagógicas e os Institutos Superiores de Ciências da Educação – ISCED) de modo que se possa garantir um ensino qualificado, voltado fundamentalmente na formação das competências do saber, saber ser e saber fazer. MODELOS PARA TRABALHAR O ENSINO EXPERIMENTAL DAS CIÊNCIAS DA NATUREZA NO ENSINO PRIMÁRIO EM ANGOLA Felisberto de Almeida César Jovete¹ & Fernando Guimarães¹ ¹Instituto de Educação da Universidade do Minho >Palavras-chave: Modelos; Ensino Experimental das Ciências; Ensino Primário. INFÂNCIA, DESENVOLVIMENTO E APRENDIZAGEM COMUNICAÇÃO LIVRE / PÁG. 147 Este projeto de tese, propõe promover o ensino das Ciências através de uma abordagem investigativa e interdisciplinar no âmbito do Projeto de Recuperação de Atraso Escolar no Ensino Regular (PRAEER), na província de Cabinda, Angola. A proposta surge da necessidade de apoiar os professores na superação das dificuldades na lecionação de conteúdos de Ciências da Natureza, através da construção colaborativa e validação de guias metodológicos. O estudo tem como objetivo identificar os contributos da abordagem integrada e investigativa das ciências para enfrentar os desafios didático-pedagógicos no contexto do PRAEER. A investigação desenvolve-se segundo uma metodologia híbrida de natureza descritiva, estruturada em seis fases. Inicialmente, será realizada uma análise documental da legislação educativa angolana e dos programas curriculares. Seguir-se-á a aplicação de questionários para diagnosticar a formação científica dos professores, bem como as suas perceções e dificuldades no ensino das ciências. Posteriormente, será promovida uma ação de formação docente, com enfoque em práticas pedagógicas contextuais, que culminará na elaboração conjunta de um guia de apoio à lecionação. Este guia será implementado e avaliado em contexto real de sala de aula, com acompanhamento direto da investigadora e recolha sistemática de dados através de diários de campo. A reformulação do guia ocorrerá com base na análise de conteúdo dessas observações. Adicionalmente, grupos focais de professores serão entrevistados para avaliar o impacto formativo e identificar constrangimentos. Por fim, será efetuada uma avaliação comparativa das aprendizagens dos alunos antes, durante e após a implementação das atividades, recorrendo-se a um desenho de caso único. O ENSINO DAS CIÊNCIAS POR INVESTIGAÇÃO: CONTRIBUTOS PARA O PROJETO DE RECUPERAÇÃO DO ATRASO ESCOLAR NO ENSINO REGULAR NA PROVÍNCIA DE CABINDA Zolina Massiala¹ & Paulo Varela² ¹Centro de Investigação da Universidade do Minho ²Universidade do Minho >Palavras-chave: Ciências; Ensino por investigação; Interdisciplinaridade; Praeer. COMUNICAÇÃO LIVRE INFÂNCIA, DESENVOLVIMENTO E APRENDIZAGEM / PÁG. 148 A educação em Ciências, particularmente no âmbito da Educação Ambiental (EA) para a preservação do património geológico, enfrenta o desafio de traduzir conceitos complexos em experiências significativas para crianças, mas também educadores de infância, articulando os recursos minerais e o património geológico com a exploração didática dos seus conceitos base, tal como Pedra Natural e Pedra Património Mundial da Humanidade (UNESCO), numa abordagem prática e lúdica, centrada na valorização das pedras naturais enquanto recursos, património cultural e elementos de sustentabilidade. Assim, esta investigação tem como objetivo analisar os efeitos de uma oficina de formação para educadores de infância no seu envolvimento na cocriação de um protótipo ecogeodidático, feito de desperdícios de pedra natural, para promover a EA para a sustentabilidade. Assim, foram envolvidos na Oficina de Formação “Cocriação de protótipos ecogeodidáticos na EA para a Sustentabilidade” 17 educadores de infância, com os seguintes objetivos: i)averiguar como evolui a sua literacia ambiental e em património geológico; ii)caraterizar como evolui a sua perceção sobre as práticas de EA com as crianças; iii) caraterizar as dinâmicas de criação do protótipo ecogeodidático na formação; iv)averiguar o contributo destas educadoras de infância para o estudo de mercado do protótipo ecogeodidático. Os dados foram recolhidos através de uma entrevista semiestruturada antes e após a formação, observação participante com elaboração de diários de aula e análise dos documentos produzidos durante a formação. Verificou-se que a maior parte das participantes aumentou a sua literacia ambiental e em património geológico, todas foram capazes de conceber e implementar recursos didáticos inovadores na EA, promovendo a valorização dos recursos e património natural, e de apoiar práticas de envolvimento ativo das crianças no processo de cocriação da melhoria do protótipo, respeitando as suas necessidades sensoriais e de aprendizagem, bem como fomentar atitudes pró-ambientais nas crianças, através de práticas colaborativas e reflexivas. COCRIAÇÃO DE PROTÓTIPOS ECOGEODIDÁTICOS NA EDUCAÇÃO AMBIENTAL PARA A SUSTENTABILIDADE: POTENCIALIDADES DE UMA OFICINA DE FORMAÇÃO CONTÍNUA DE EDUCADORES DE INFÂNCIA Madalena Torres¹, Teresa Vilaça¹, Raquel Alves² & Bruno Figueiredo³ ¹Centro de Investigação em Estudos da Criança da Universidade do Minho (CIEC) ²Empresa Mercado da Pedra ³Centro de Investigação Lab2PT da Universidade do Minho ⁴Escola de Arquitetura Arte e Design da Universidade do Minho >Palavras-chave: Formação contínua; Cocriação; Educação ambiental; Literacia ambiental; Recurso e Património geológico; Recurso ecogeodidático. COMUNICAÇÃO LIVRE INFÂNCIA, DESENVOLVIMENTO E APRENDIZAGEM ,³,⁴ / PÁG. 149 Num contexto educativo ainda amplamente marcado por referências culturais exógenas, esta comunicação propõe refletir sobre o papel dos textos literários angolanos para a infância como instrumento fundamental para o desenvolvimento da linguagem e da identidade cultural de crianças entre 3 e 5 anos. A partir da análise de três obras que integram um corpus literário representativo da tradição oral angolana, evidenciam-se as potencialidades desses materiais na promoção de aprendizagens significativas. Os elementos visuais e simbólicos dialogam com narrativas enraizadas na cosmovisão bantu e nas práticas comunitárias, suscitando a curiosidade, a escuta ativa, a oralidade e a consciência identitária. As capas dos livros de literatura infantil em análise — vibrantes em cor, textura e representação simbólica — sugerem muito mais do que a entrada num universo ficcional: elas prometem uma experiência cultural profunda, enraizada nas tradições orais e visuais de Angola. Por conseguinte, com este estudo, espera-se que as crianças possam refletir sobre o ambiente natural e cultural de Angola, com referências à fauna, à vida comunitária e as tradições locais. No entanto, ao agregar saberes locais, tradições e lendas, estas obras funcionam como dispositivos de mediação cultural que valorizam os modos de vida ancestrais, contrariando o domínio de conteúdos eurocêntricos nas práticas pedagógicas. A comunicação apresentará propostas metodológicas de desenvolvimento linguístico, com foco em atividades de pré-leitura, leitura e pós-leitura, pensadas para o contexto da educação infantil angolana. Tais propostas visam favorecer a educação literária, fomentar a construção de vínculos afetivos com a leitura e contribuir para a formação de sujeitos críticos e culturalmente conscientes. RAÍZES QUE CONTAM: ESTUDO EXPLORATÓRIO DE OBRAS DE LITERATURA INFANTIL ANGOLANA PARA A EDUCAÇÃO PRÉESCOLAR Nelício Fernando De Sousa¹, Fernando Azevedo¹ & Cristina Parente¹ ¹Centro de Investigação em Estudos da Criança da Universidade do Minho (CIEC) >Palavras-chave: Literatura infantil angolana; Identidade cultural; Educação infantil; Desenvolvimento da linguagem; Tradição oral. COMUNICAÇÃO LIVRE INFÂNCIA, DESENVOLVIMENTO E APRENDIZAGEM / PÁG. 150 O presente estudo tem como objetivo investigar as estratégias de narração empregadas durante a hora do conto no contexto da Educação Pré-escolar, tendo como cenário um Centro Infantil situado no município do Lubango, em Angola. A pesquisa parte do reconhecimento do papel central que a literatura infantil desempenha no desenvolvimento integral das crianças, contribuindo não apenas para o enriquecimento do vocabulário e das competências linguísticas, mas também para o fortalecimento das dimensões cognitivas, emocionais, sociais e culturais desde os primeiros anos de vida. Nesse sentido, a investigação busca compreender de que forma os educadores de infância mobilizam diferentes recursos e técnicas narrativas tais como variações vocais, expressões corporais, uso de objetos simbólicos, entre outros e como essas estratégias afetam o nível de atenção, o envolvimento emocional e a construção de significados por parte das crianças. Participarão do estudo oito educadores de infância, cujas práticas pedagógicas serão analisadas a partir de uma abordagem qualitativa, com base na metodologia do Estudo de Caso. As principais técnicas de recolha de dados incluirão entrevistas semiestruturadas, que possibilitarão a compreensão das perceções e intenções pedagógicas dos educadores, e observações diretas em contexto educativo, permitindo a análise das interações reais entre narradores e crianças durante a hora do conto. Este estudo está alinhado ao 4.º Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030 da ONU, que visa assegurar uma educação inclusiva, equitativa e de qualidade. Espera-se que os resultados contribuam para a valorização da hora do conto como uma prática educativa essencial, destacando seu potencial como instrumento de mediação cultural e de promoção de aprendizagens significativas e duradouras na infância, além de apoiar a formação contínua de educadores no campo da pedagogia narrativa. ESTRATÉGIAS DE NARRAÇÃO PARA A EXPLORAÇÃO DA HORA DO CONTO NO CONTEXTO PRÉ-ESCOLAR. ESTUDO DE CASO NO MUNICÍPIO DO LUBANGO, ANGOLA Analasia Elias Jaime¹ ¹Centro de Investigação em Estudos da Criança da Universidade do Minho (CIEC) >Palavras-chave: Estratégias pedagógicas; Narração; Hora do conto; Educação Préescolar. POSTER CIENTÍFICO INFÂNCIA, DESENVOLVIMENTO E APRENDIZAGEM / PÁG. 151 O estágio é uma componente central da formação inicial de educadores/as de infância, proporcionando o desenvolvimento de competências profissionais em contextos reais. O Estágio em contexto de creche, configura-se como uma etapa formativa fundamental, não apenas para a construção da profisionalidade específica, mas também para o desenvolvimento de conceções pedagógicas críticas e fundamentadas sobre a imagem da criança e sobre a especificidade da ação educativa, considerando as características particulares da educação e do cuidado de crianças até aos três anos de idade. Nesta comunicação analisa-se de que forma os relatórios de estágio em creche revelam as representações da criança, as conceções do papel profissional do/a educador/a de infância e os processos de construção da identidade profissional. Partindo de uma abordagem qualitativa e documental, foram selecionados cinco relatórios de estágio do Mestrado em Educação Pré-Escolar, públicos e disponíveis no REPOSITÓRIUM e de anos letivos diferentes. A análise foi realizada com recurso à análise temática, ancorada em referenciais teóricos da pedagogia da infância e estudos sobre a identidade profissional docente. Os resultados evidenciam uma progressiva clarificação da especificidade da intervenção educativa em creche, sublinhando a articulação entre educar e cuidar. Emergiramrepresentações da criança como curiosa, criativa, detentora de direitos e com capacidade de participação ativa na construção do quotidiano educativo. Relativamente ao papel do/a educador/a, destacam-se conceções que valorizam o brincar, a observação, a organização do espaço e do tempo, as interações educativas e as parcerias com as famílias, sempre com o reconhecimento do potencial e da competência participativa de bebés e crianças Ainda assim, os dados evidenciam algumas zonas de ambiguidade e tensões entre os referenciais teóricos e as práticas observadas, refletindo os desafios inerentes ao processo formativo. Esta análise permite refletir criticamente sobre a forma como os/as futuros/as educadores/as constroem as suas conceções sobre a criança e a prática pedagógica em creche, sublinhando a importância do estágio como espaço de desenvolvimento profissional e de transformação das representações da infância e da ação educativa. DE QUE CRIANÇA FALAM OS EDUCADORES EM FORMAÇÃO? TENSÕES E TRANSFORMAÇÕES NA FORMAÇÃO EM CRECHE Cristina Parente¹ ¹Centro de Investigação em Estudos da Criança da Universidade do Minho (CIEC) >Palavras-chave: Formação inicial de educadores/as de infância; Estágio em creche; Representações da Criança; Identidade Profissional. COMUNICAÇÃO LIVRE INFÂNCIA, DESENVOLVIMENTO E APRENDIZAGEM / PÁG. 152