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Universidade do Minho Escola de Economia , Gestão e Ciência Política Madalena Meireles da Silva Martins A Economia da dádiva como motor de uma resposta social? O caso da Porta Solidária maio de 2025 A Economia da dádiva como motor de uma resposta social? O caso da Porta Solidária Madalena Meireles da Silva Martins UMinho | 2025
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Universidade do Minho Escola de Economia, Gestão e Ciência Política Madalena Meireles da Silva Martins A Economia da dádiva como motor de uma resposta social? O caso da Porta Solidária Dissertação de Mestrado Mestrado em Economia Social Trabalho realizado sob a orientação dos Professores Professora Doutora Maria Cristina Guimarães Almeida Moreira Professor Doutor Paulo Jorge Reis Mourão maio de 2025
ii DIREITOS DE AUTOR E CONDIÇÕES DE UTILIZAÇÃO DO TRABALHO POR TERCEIROS Este é um trabalho académico que pode ser utilizado por terceiros desde que respeitadas as regras e boas práticas internacionalmente aceites, no que concerne aos direitos de autor e direitos conexos. Assim, o presente trabalho pode ser utilizado nos termos previstos na licença abaixo indicada. Caso o utilizador necessite de permissão para poder fazer um uso do trabalho em condições não previstas no licenciamento indicado, deverá contactar o autor, através do RepositóriUM da Universidade do Minho. Licença concedida aos utilizadores deste trabalho Atribuição CC BY https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/
iii AGRADECIMENTOS Esta dissertação não seria possível sem o apoio de algumas pessoas que foram essenciais durante todo o processo. Agradeço aos meus professores pela orientação durante todo o trabalho, pelo apoio constante e motivação. À professora Doutora Maria Cristina Moreira, por me dar a conhecer o mestrado, por toda a força que me deu, mesmo quando eu não sabia que caminho seguir. Ao professor Doutor Paulo Mourão por me apresentar, durante as aulas de Economia da Insituições e do Terceiro Setor, o conceito da Economia da dávida que me permitiu perceber por onde queria ir e por todo o apoio dado durante estes dois anos de trabalho. Ao Padre Rubens Marques e à direção do Centro Social da Paróquia Senhora da Conceição, por me permitirem investigar e explorar o projeto Porta Solidária e por me ajudarem durante o tempo de aulas, frequências, etc. Aos voluntários e doadores que foram essenciais, através das entrevistas, no meu processo de investigação, pois sem eles este trabalho não seria possível. Deixo, ainda, um especial agradecimento à minha família, em especial aos meus pais e ao meu namorado por me apoiarem sempre, por me motivarem a não desistir e a conseguir o melhor trabalho possível. Por fim, às minhas amigas, pelas horas que “perderam” a ajudar-me e por estarem sempre lá.
iv DECLARAÇÃO DE INTEGRIDADE Declaro ter atuado com integridade na elaboração do presente trabalho académico e confirmo que não recorri à prática de plágio nem a qualquer forma de utilização indevida ou falsificação de informações ou resultados em nenhuma das etapas conducente à sua elaboração. Mais declaro que conheço e que respeitei o Código de Conduta Ética da Universidade do Minho.
v “A Economia da dádiva como motor de uma resposta social? O caso da Porta Solidária” RESUMO A presente dissertação analisa o papel da dádiva enquanto motor de uma resposta social, através do estudo de caso da Porta Solidária, um projeto de apoio alimentar da cidade do Porto. Enquadrado no Mestrado em Economia Social, o trabalho fundamenta-se teoricamente nos conceitos da economia da dádiva, voluntariado e de responsabilidade social, explorando as motivações que sustentam os atos de doar e de servir em contextos de vulnerabilidade. A investigação recorre a uma metodologia qualitativa, com base na análise de conteúdo de entrevistas realizadas a voluntários, doadores e responsáveis pelo projeto. Complementou-se com a recolha e tratamento de dados concretos sobre o volume, frequência e origem das doações feitas por empresas e particulares. Estes dados permitiram caracterizar o perfil dos doadores e a sua relevância na sustentabilidade da Porta Solidária. O objetivo central foi compreender de que forma a prática da dádiva contribui para o sucesso e a sustentabilidade da iniciativa, bem como identificar as motivações dos voluntários e doadores. Os resultados evidenciam que a Porta Solidária é um exemplo de uma resposta de elevada importância para a comunidade e é sustentada por redes de solidariedade, voluntariado e doações. Os voluntários demonstram grande dedicação e sentido de missão, por sua vez, os doadores valorizam a credibilidade e o impacto direto do projeto. Conclui-se que a dádiva, nas suas múltiplas expressões, é fundamental para a manutenção e crescimento da Porta Solidária. Revelando-se um instrumento poderoso de coesão social, inclusão e dignificação da vida humana, constitui um modelo para possível replicação. Palavras chave: Doadores, economia da dádiva, organizações sociais, responsabilidade social, voluntariado
vi “ Gift economy as the driving force behind a social response? The case of Porta Solidária” ABSTRACT This dissertation analyzes the role of giving as the driving force behind a social response, through the case study of Porta Solidária, a food support project in the city of Porto. As part of the Master's Degree in Social Economy, the work is theoretically based on the concepts of the gift economy, volunteering and social responsibility, exploring the motivations behind acts of giving and serving in contexts of vulnerability. The research uses a qualitative methodology, based on content analysis of interviews with volunteers, donors and project managers. It was complemented by the collection and processing of specific data on the volume, frequency and origin of donations made by companies and individuals. This data made it possible to characterize the profile of donors and their relevance to Porta Solidária's sustainability. The main objective was to understand how the practice of donating contributes to the success and sustainability of the initiative, as well as to identify the motivations of volunteers and donors. The results show that Porta Solidária is an example of a response of great importance to the community and is sustained by networks of solidarity, volunteering and donations. Volunteers show great dedication and a sense of mission, while donors value the credibility and direct impact of the project. The conclusion is that giving, in its many forms, is fundamental to the maintenance and growth of Porta Solidária. It proves to be a powerful instrument for social cohesion, inclusion and dignifying human life, and is a model for possible replication. Keywords: Donors, gift economy, social organizations, social responsibility, volunteering.
vii ÍNDICE Introdução .......................................................................................................................... 1 Capítulo I – Revisão da literatura ........................................................................................ 2 1.1O voluntariado ............................................................................................................... 2 1.1.1Conceito: .............................................................................................................. 2 1.1.2Breve história: ........................................................................................................ 3 1.1.3Tipos de voluntariado: .............................................................................................. 5 1.1.4O voluntariado e a satisfação pessoal ........................................................................... 6 1.2 - O voluntariado nas Organizações sem Fins Lucrativos: .................................................... 7 1.2.1 - O papel dos voluntários ............................................................................................ 7 1.2.3 - A importância da valorização do trabalho voluntário ......................................................... 9 1.2.4Gestão e retenção dos voluntários nas organizações ...................................................... 10 1.2.5Relação entre voluntários e trabalhadores remunerados ................................................. 11 1.3 - Economia da dádiva .................................................................................................... 12 1.4O voluntariado como forma de dádiva ........................................................................... 15 1.5Responsabilidade social ............................................................................................... 17 1.5.1 – Conceito ............................................................................................................. 17 1.5.2 - Importância da responsabilidade social nas Organizações sem Fins Lucrativos .................... 18 1.6 - Os benefícios fiscais nas doações ................................................................................ 19 Capitulo II – Estudo de caso: Porta Solidária .................................................................... 22 2.1Estudo de caso ....................................................................................................... 22 2.2A Porta Solidária .................................................................................................... 23 2.3Os voluntários ........................................................................................................ 34 2.4Os doadores ........................................................................................................... 37 Capitulo IIIMetodologia de Investigação ......................................................................... 47 3.1Questões de partida e objetivos .................................................................................... 47 3.2Entrevista .................................................................................................................... 47 3.3Análise de Conteúdo .................................................................................................... 49 3.3.1Hipóteses ............................................................................................................ 50 3.4Recolha de dados ........................................................................................................ 51 3.5Análise qualitativa: ...................................................................................................... 52 3.5.1Conteúdo das entrevistas; ....................................................................................... 52 3.5.2Entrevistas com os voluntários ................................................................................. 53
3 culturais e ao vasto leque de tipos de intervenção que existem. Ainda assim, todas convergem no mesmo sentido, quando se referem ao voluntariado como um serviço sem remuneração nem obrigatoriedade, onde o voluntário oferece o seu tempo durante um determinado período. 1.1.2Breve história: A origem da palavra “voluntário” remete-nos ao adjetivo latino voluntarius , derivado da palavra voluntas, que significa: capacidade de escolha e de decisão. Atualmente, o voluntariado é visto como uma prática social que deve ser seguida por toda a comunidade e corresponde a um importante exemplo da cidadania ativa, estando presente em vários contextos, tanto sociais, como profissionais e académicos. Alexis de Tocqueville foi um dos primeiros investigadores do voluntariado, mais concretamente do associativismo voluntário, presente no seu livro “A Democracia na América” lançado em 1832. O autor francês viveu nos Estados Unidos da América durante 9 meses e, ao longo desse tempo, procurou perceber a realidade cultural e política do país e, também, o funcionamento do sistema prisional. No seu estudo, Tocqueville observa a importância da participação voluntária na sociedade americana, associando-a ao fortalecimento da democracia e da vida comunitária, e destacando o modo como as associações voluntárias promovem a coesão social e a participação cívica. Através do associativismo voluntário, o autor mostra como os cidadãos são capazes de se reunirem em torno de um interesse comum e geral a todos. Na perspetiva de Hudson (1999), o início do trabalho voluntário remonta ao crescimento das organizações ligadas à Igreja que promoviam um conjunto de ações de cariz caritativo e assente em motivações cristãs de apoio ao próximo e aos mais desfavorecidos. Em 1498, por iniciativa da Rainha D. Leonor, foram criadas as Santas Casas da Misericórdia com iniciativas de fundo caritativo, sendo essas das primeiras formas de instituições em voluntariado laico em Portugal. Gradualmente, o Estado também assumiu a sua responsabilidade social, compartilhando-a com a Igreja através da criação das Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS), estimulando o senso de solidariedade entre os indivíduos. Durante muitos anos, a sociedade portuguesa foi moldada pela estrutura política marcada por um regime ditatorial que limitava o desenvolvimento de organizações sem fins lucrativos. Porém, após a Revolução de 25 de abril de 1974, houve um aumento significativo
4 da participação cívica dos cidadãos na promoção de diversas áreas sociais, resultando num aumento de iniciativas humanitárias (Esteves et al, 2015). Segundo Lima e Oliveira (2015), nos últimos anos, Portugal sofreu um crescimento exponencial nos processos de participação cívica e voluntária, que estão diretamente relacionados com o contexto de crise que o país enfrentou em 2008/2009. Durante esse período, as práticas voluntárias de ajuda ao próximo tornaram-se fundamentais para garantir o bem-estar e o quotidiano de muitas pessoas. Essas práticas de voluntariado baseiam-se em dinâmicas de dádiva, que envolvem a satisfação das necessidades humanas, tanto materiais quanto imateriais e, também, a oferta de bens essenciais, como alimentos, bem como a disponibilização de tempo e solidariedade para auxiliar aqueles que não conseguem resolver as suas próprias necessidades. Portugal, assim como outros países europeus, enfrentou uma crise económica e social que abalou profundamente o modelo social, afetando não apenas os mercados, mas também as instituições e os modos de vida. Nesta perspetiva, a aplicação de medidas de austeridade em resposta à crise levou ao aumento do desemprego, diminuição dos mecanismos de apoio estatais e deterioração dos fatores gerais de bem-estar, o que resultou num crescimento acentuado da privação, afetando tanto os empobrecidos quanto a classe média. Com a escalada da crise, aumentou também a incapacidade das famílias lidarem com os seus compromissos financeiros e garantirem o seu sustento diário. Por conseguinte, a solidariedade familiar, a ajuda institucional e a partilha de recursos tornaram-se estratégias fundamentais para garantir a sobrevivência. À medida que as redes interpessoais se tornam insuficientes, as pessoas começam a recorrer cada vez mais a estratégias alternativas, como o apoio de organizações não governamentais de solidariedade social e redes de voluntariado. Os resultados das NUTS II (Nomenclatura das Unidades Territoriais para Fins Estatísticos), em 2018, mostraram que cerca de 7,6% dos homens com 15 ou mais anos faziam voluntariado e, em média, cerca de 35h por ano. Por sua vez, 8,1% das mulheres faziam voluntariado contudo, no que toca ao número de horas de voluntariado, é possível verificar que apesar de existirem mais mulheres voluntárias, estas fazem-no num menor número de horas, comparativamente com os homens, como se pode verificar na seguinte tabela:
5 Tabela n.º 1: Características sociodemográficas: Trabalho voluntário População com 15 anos ou mais Nº de voluntários Taxa de voluntariado Nº de horas de voluntariado em 12 meses Homens 4.130.399 312.200 7.6% 133.665.471 Mulheres 4.721.269 382.253 8.1% 130.034.469 Total 8.851.668 694.454 7.8% 263.699.940 Este padrão pode refletir uma série de fatores socioculturais e económicos. Como exemplo temos o facto de, em muitos contextos, as mulheres, mesmo quando motivadas a contribuir para causas sociais, podem ter mais restrições de tempo devido a responsabilidades familiares e domésticas que ainda recaem maioritariamente sobre elas. Ou seja, o voluntariado pode abranger um maior número de mulheres, mas os seus papéis na família podem limitar o tempo da ação, resultando, assim, numa menor carga horária face aos homens. (Taniguchi, H; 2006). A autora refere que a sociedade espera que seja a mulher a tratar das tarefas domésticas e a cuidar dos filhos, o que pode levar a uma diminuição do número de horas de voluntariado, no entanto, como as mulheres são cuidadoras familiares, leva a que sejam mais ativas no voluntariado. 1.1.3Tipos de voluntariado: O voluntariado pode ser classificado em dois principais tipos: formal e informal. Ambos são formas de contribuição com a comunidade, mas diferem nas suas estruturas, motivações e modos de atuação. O voluntariado formal caracteriza-se por todo o voluntariado que é feito no âmbito de uma organização e o informal realiza-se fora do contexto organizacional e pode ser designado como apoio social ou comportamento de ajuda. (Fernandes, S; 2016). Segundo a autora, o voluntariado informal é mais espontâneo , é realizado autonomamente e pode até ser feito de forma anónima. Por sua vez, o voluntariado formal é feito em grupos ou organizações. Resumindo, os dois apresentam as suas semelhanças, uma vez que incluem comportamentos como, por exemplo, o de ajudar um vizinho ou um idoso, e implicam sempre uma dádiva do tempo, mas diferem na medida em que se enquadram ou não, numa organização. Fonte: Adaptado do INE (2018)
6 Segundo os dados obtidos pelas NUTS II presentes no INE, em 2018, a percentagem de voluntários em contexto formal era 6.4% e informal 1.5%. Também é possível verificar que existem mais mulheres a realizar voluntariado informal (1.7% mulheres e 1.3% homens), sendo que este tipo de voluntariado se encontra, muitas vezes, associado a relações de vizinhança e numa vertente mais relacional entre os indivíduos. Rotolo (2003) apresenta outros tipos de voluntariado: regular, ocasional e pontual. O regular significa que o voluntário desempenha a sua função pelo menos uma vez por mês, durante um período de pelo menos um ano; o ocasional significa que o voluntário apresenta-se na sua atividade menos de uma vez por mês; e o pontual é muito pouco recorrente, ocorrendo esporadicamente. Os dois tipos de voluntariado apresentados oferecem à população diferentes maneiras de se envolverem com a comunidade e fazerem a diferença na sociedade, possibilitando que encontrem a forma de contribuição que melhor se adequa às suas habilidades, disponibilidades e interesses pessoais. A sinergia entre o formal e o informal é o que contribui para uma participação e cidadania ativa da comunidade, permite a criação de laços e fortalece o apoio social no quotidiano, melhorando a qualidade de vida de todos os envolvidos. 1.1.4O voluntariado e a satisfação pessoal Vários autores, nos seus estudos, mostram que o voluntariado está positivamente associado à felicidade, ao bem-estar subjetivo e à satisfação com a vida (Binder, 2015; Borgonovi, 2008; Han, 2014). Ser voluntário pode contribuir para aumentar a felicidade, principalmente quando relacionamos com o sentimento de utilidade e um sentido para a vida (Koenig, 2007; Piliavin & Siegl, 2007), onde os voluntários se sentem socialmente integrados através de uma participação social ativa. Quando o voluntário realiza atividades altruístas, desenvolve um sentido de propósito e significado na vida que resulta num aumento da autoconfiança e satisfação pessoal (Koenig, 2007). O ser voluntário resulta num aumento das relações socais e redes que são essenciais para o desenvolvimento de recursos sociopsicológicos, como o sentimento de pertença e a confiança entre as pessoas, bem como um sentimento de segurança e integração social (Musick & Wilson, 2003; Theurer & Wister, 2010). Ao exercer trabalho voluntário, as pessoas realizam ações sem esperar receber uma recompensa monetária, sendo motivados por fatores intrínsecos, extrínsecos ou atitudes espontâneas. (Fiorillo, 2011)
7 Na verdade, o mais importante é o bom sentimento que resulta da atividade de voluntariado e é essa a única compensação quando se ajuda os outros de uma forma altruísta, o que, para Falcone (2008), significa aquele que sacrifica temporariamente os próprios interesses para beneficiar ou ajudar alguém. Em sintese, oferecer ajuda pode resultar em elogios, recompensas/prémios e admiração daqueles que testemunham, proporcionando uma recompensa externa e, ao ajudar alguém, o individuo altruísta pode evitar sentimentos de culpa que poderiam surgir se tivesse recusado dar a ajuda, resultando em benefícios intrínsecos para si mesmo. 1.2 - O voluntariado nas Organizações sem Fins Lucrativos: 1.2.1 - O papel dos voluntários Em várias organizações do Terceiro Setor, só é possível dar resposta a uma necessidade inerente de uma determinada população se existirem voluntários para ajudarem a desenvolver a resposta social. Caso contrário, em diversas situações, o financiamento adquirido não é suficiente para a elaboração e implementação do projeto. É, assim, uma forma de cidadania ativa que contribui para o desenvolvimento pessoal e humano de quem o pratica. Do ponto de vista dos voluntários, o voluntariado é uma oportunidade de desenvolverem capacidades e conhecimentos, além de proporcionar uma sensação de contributo para algo maior. Por sua vez, para pessoas ou organizações que usufruem do trabalho feito por voluntários, é uma forma de suprir necessidades e melhorar a qualidade de vida de uma sociedade. Em Portugal, o voluntariado está mais presente nas organizações do Terceiro Setor e é uma forma de prática da dádiva que leva a que se crie um vínculo entre o voluntário, como doador, e o beneficiário, sendo um vínculo forte e permanente. A atividade de voluntariado aumentou na última década e tornou-se um recurso valioso para os vários setores do trabalho e no setor não lucrativo, onde os voluntários substituem ou complementam os trabalhadores pagos e são cruciais para a existência das organizações (Haivas, 2009). Na verdade, a presença nas economias de mercado de organizações sem fins lucrativos tem atraído muita atenção na investigação económica. Segundo o manual das Nações Unidas sobre as instituições sem fins lucrativos, em 2009, o valor monetário imputado às organizações foi cerca de 5% do PIB (Haivas, 2009). De acordo com Marcos e Amador (2014), as organizações optam pelo voluntariado como uma forma de potenciar o funcionamento sustentado da organização no seu todo, procurando a
8 profissionalização do voluntariado. Deste modo, as organizações sem fins lucrativos têm procurado estratégias de gestão capazes de envolver mais pessoas, com o objetivo de aumentar o vínculo à organização e a permanência do voluntário para, assim, assegurar a sustentabilidade da organização. Para Marcos e Amador (2014), uma boa gestão de voluntários pressupõe algumas características: estrutura hierárquica reduzida que prioriza o trabalho em equipa; comunicação formal e informal bem desenvolvida; liderança: ser capaz de agir com transparência e capacidade de gestão de conflitos. Defendem, ainda, que a gestão do voluntariado corresponde a um ciclo composto por seis fases: (1) Preparação; (2) Definição; (3) Desenvolvimento; (5) Reconhecimento; e (6) Desvinculação. Tabela n.º 2: Fases da gestão do voluntariado 1-Preparação 2-Definição 3-Acolhimento 4-Desenvolvimento 5-Reconhecimento 6-Desvinculação Fase Objetivo Procedimento 1 Preparação para a entrada do voluntário na organização - Elaboração do plano de voluntariado; - Gestão do voluntariado; - Estruturação da gestão do voluntariado permitindo a sua replicação. 2 Identificação das funções dos voluntários - Identificação dos perfis dos voluntários; - Escolha dos voluntários através dos perfis e critérios de recrutamento. 3 Integrar e acolher o voluntário na organização - Compromisso de colaboração: o voluntário irá cumprir sempre com as funções definidas; - Receção: apresentação do voluntário aos membros da organização. 4 Evolução do voluntário - Formação contínua; - Comunicação com os responsáveis; - Acompanhamento através de reuniões, avaliações e gestão de expectativas. 5 Valorização do trabalho realizado - Reconhecimento formal: através da entrega de prémios, medalhas, etc.; - Reconhecimento informal: momentos de reconhecimento diários e participação/integração na organização. 6 Consolidação das fases anteriores e relação posterior - Gestão da saída: avaliação global, carta de agradecimento, etc.; - Relação posterior: manutenção de contacto e convocação para atividades pontuais. Fonte: Adaptado de Marcos e Amador (2014)
9 Segundo este modelo e as atividades que Marcos e Amador (2014) definem como boas práticas, o voluntário é capaz de conhecer, confrontar e melhorar o papel que desempenha e, também, articular e obter competências que vão de acordo com as necessidades e expectativas da organização, potenciando o bom trabalho dos voluntários, o seu reconhecimento, a capacidade de integração e o sucesso da organização. 1.2.3 - A importância da valorização do trabalho voluntário São as organizações sem fins lucrativos que fornecem à população alimentos, abrigo, projetos de intervenção, apoio à comunidade, etc., e dependem dos voluntários para prestarem os seus serviços e para atingirem os seus objetivos. Segundo Simmonds (2014), muitas organizações discutem a forma de gerir esta “força de trabalho de caridade” a longo prazo para promover a autossuficiência e a sustentabilidade da organização. Assim, as organizações devem ter nas suas equipas um número apropriado de voluntários que lhes permita realizar o trabalho de uma forma contínua. Quando se aborda o trabalho voluntário e a sua diferença com o trabalho remunerado há um desafio que surge, uma vez que, no trabalho remunerado, o funcionário tem obrigatoriamente um horário a cumprir, de acordo com o contrato feito com o empregador. Por conseguinte, no trabalho voluntário, existe menos controlo sobre os horários e o esforço dos voluntários, uma vez que os voluntários escolhem o seu horário consoante a sua disponibilidade e vontade. Embora as organizações não possam contratar e pagar, podem desenvolver mecanismos de gestão para reduzir a incerteza e inconsistência que existe na oferta da força de trabalho (Berenguer e Shen, 2020). As equipas de gestão devem mostrar aos voluntários a importância do seu trabalho, da sua regularidade, quantificando o seu impacto. Wisner et al. (2005) concluem que a retenção dos voluntários está associada à flexibilidade de horários, à orientação e formação, ao empoderamento, à interação social, ao reconhecimento, a recompensas simbólicas e à reflexão, ou seja, a compreensão que cada voluntário tem sobre a missão da organização e, principalmente, sobre o papel que desempenha no cumprimento dessa missão. Segundo Haivas (2009), a eficiência no reconhecimento do trabalho e mérito dos voluntários reflete-se através da taxa de retenção, na produtividade do trabalho e na capacidade que as organizações têm em responder a necessidades que não podem ser satisfeitas através do dinheiro. A autora acrescenta, ainda, que as organizações devem desenvolver um sistema de recompensa para os
10 voluntários considerando que a recompensa deve ser publicitada e aberta, garantindo o seu impacto, no entanto, as organizações devem ter sempre em conta a importância acrescida do reconhecimento privado e quotidiano, à medida que a contribuição ocorre. 1.2.4Gestão e retenção dos voluntários nas organizações Piatak e Carman (2023), no seu artigo sobre a influência da gestão dos voluntários na sua retenção e promoção da organização, mostram que os voluntários têm um papel crucial nas organizações e contribuem significativamente para a concretização da sua missão, no entanto, é fundamental compreender como lidar com os voluntários de forma a incentivá-los a permanecerem ativos e empenhados nas organizações. Os autores desenvolveram um estudo que procura examinar a forma como as experiências dos voluntários influenciam a retenção e promoção da organização, e descobriram que é crucial investir na formação, assim como garantir que todos se sintam bem-vindos e incluídos. Para além da formação, o apoio organizacional também desempenha um papel importante, através de interações positivas com o pessoal remunerado, sendo impulsores positivos de retenção e promoção. Na prática, os voluntários podem ser considerados como um recurso vital e limitado, e é essencial renovar a sua energia e envolvê-los na organização para que tenham uma experiência positiva. São várias as razões pelas quais as pessoas escolhem voluntariar-se, desde criar amizades, aprender novas competências, até servir uma causa pessoalmente importante. Todavia é essencial entender as experiências de voluntariado para garantir que as organizações possam envolver e reter voluntários de forma eficaz, indo além do recrutamento e centrando-se mais na procura pela retenção e satisfação dos voluntários. (Piatak, 2016; Piatak et al., 2019). Por sua vez, o reconhecimento da produtividade, juntamente com a inclusão e oportunidade de interação social, contribui para a satisfação dos voluntários. É igualmente importante dar voz e uma identidade a cada voluntário, de modo a que possam estar envolvidos no planeamento do trabalho e na melhoria das práticas. (Einolf & Yung, 2018; Hager & Brudney, 2004; Smith & Grove, 2017; Walk et al., 2019). O voluntário considera-se como parte importante na organização quando recebe apoio organizacional e é permitido o seu envolvimento nas tarefas, aumentando, assim, o seu compromisso organizacional, diminuindo as hipóteses de deixar a organização (Alfes et al., 2016).
11 Para Einolf e Yung (2018) os super-voluntários são aqueles que sentem apoio e orientação para cada tarefa, mas principalmente flexibilidade nas suas responsabilidades e papéis claros e personalizados dentro da organização. Deste modo, ser voz ativa na organização aumenta a motivação e, por sua vez, a retenção (Garner & Garner, 2011; Grube & Piliavin, 2000). Hidalgo e Moreno (2009) destacam que fatores como a mediatização das redes sociais, apoio organizacional, tarefas positivas e formação são pontos significativos da intenção de permanência como voluntário. Do mesmo modo, Englert et al (2020) observam que o apoio organizacional contribui para a adaptação dos voluntários à organização, em especial através do acesso a recursos relacionados com o serviço, a formação e a oportunidade de desenvolvimento. Em suma, a integração na organização, a boa relação com os membros e a clareza de papéis, reduzem o esgotamento dos voluntários. 1.2.5Relação entre voluntários e trabalhadores remunerados Os voluntários dentro das organizações podem ser vistos como uma forma de capital, isto é, podem diminuir o orçamento dos funcionários a tempo inteiro (Pauline, 2011; Wu et al., 2016). Os investigadores observaram que os voluntários nas organizações permitem alargar as respostas e o envolvimento social, no entanto, apesar de os voluntários poderem, em teoria, realizar as mesmas tarefas que os trabalhadores remunerados, a realidade é diferente, uma vez que a relação que existe entre os trabalhadores remunerados é mais hierárquica e supervisionada (Brudney & Meijs, 2014). Não obstante, a obtenção de um bom resultado é vista de forma diferente, pois a motivação para os voluntários é apenas a interação social e a participação, enquanto, para os trabalhadores remunerados, há sempre em vista a compensação salarial como motivação. (Alfes et al., 2017) Alfes (2017) mostra, também, que a gestão de voluntários difere, significativamente, da gestão de trabalhadores remunerados devido, essencialmente, à ausência de salário para os voluntários, como referido anteriormente. Por isso, os gestores de voluntários dependem mais das experiências positivas dos voluntários para motivá-los. Em contraste, os trabalhadores remunerados geralmente têm menos autonomia e independência devido à necessidade de aderir às políticas e procedimentos da estrutura organizacional. Na verdade, os voluntários desfrutam de níveis mais altos de independência e flexibilidade nas suas funções, que são menos estruturadas em comparação com as funções remuneradas, o que resulta numa variação no comportamento.
12 A seleção de voluntários e trabalhadores remunerados também difere, uma vez que enquanto os trabalhadores remunerados são selecionados com base em critérios específicos para uma tarefa, os voluntários são escolhidos com base na sua adequação para a tarefa (Wilson & Pimm, 1996). Além disso, a recompensa e o apoio aos voluntários desempenham um papel importante na sua satisfação profissional e influencia a intenção de continuar o voluntariado (Fallon & Rice, 2015). Na perspetiva de Ellis (2010), a gestão de voluntários e trabalhadores remunerados é bastante desafiante e destaca-se como um dos principais aspetos diferenciadores o número de horas que é prédeterminado ao trabalhador, bem como um cronograma de trabalho e a continuidade nos cargos respetivos. Por sua vez, as organizações têm um menor controlo sobre os horários dos voluntários, pois são eles que decidem quando gostariam de ajudar, consoante a sua disponibilidade. Assim, um voluntário destacado para um determinado turno, pode cancelar a qualquer momento, sem grandes consequências, apesar das organizações precisarem de um trabalho consistente e focado para cumprir com os compromissos. Para Berenguer e Shen (2020), esta possibilidade de incerteza relativamente ao trabalho voluntário é algo que tem de ser mitigado pelas organizações, pois, embora não possam contratar, é importante que encontrem estratégias e métodos de gestão para garantir sempre o envolvimento dos voluntários. 1.3 - Economia da dádiva O conceito da Economia da dádiva corresponde a uma forma de organização na qual as pessoas fazem doações de bens e serviços que são valiosos uns aos outros sem que exista uma expectativa de reciprocidade imediata ou futura. Todavia, essa reciprocidade existe, não necessariamente envolvendo as mesmas pessoas, mas como uma corrente contínua de doações. O fenómeno da dádiva tem suscitado a atenção da comunidade científica no último século e mostra que o doador pretende obter uma situação melhor após a dádiva do que aquela que se verificaria sem a doação, incluindo a sua própria satisfação, o bem-estar do conjunto de agentes beneficiários e a utilidade social. A principal referência dentro dos trabalhos pioneiros sobre a dádiva é Marcel Mauss (1924) e a sua obra Ensaio sobre a Dádiva. Mauss analisa a dádiva através de observações recolhidas junto de comunidades indígenas e de como a dádiva é encarada enquanto fenómeno endógeno da vida comunitária. Segundo este autor, a valorização da doação foi uma das primeiras formas de economia social e de solidariedade social que une os grupos humanos. A troca de bens entre os grupos constrói relacionamentos entre eles. E, ao doar ou dar um
19 Essa participação ocorre através de doações, ações de apoio ou pelo trabalho voluntário dos funcionários da empresa. Zaperlon (2006) considera que as ações de voluntariado feitas pelos colaboradores das empresas são uma mais valia para o desempenho do funcionário e da empresa, uma vez que aumenta o sentimento de comunidade e entreajuda, o que resulta numa maior realização pessoal e profissional, que, possivelmente, nunca iria alcançar apenas através da profissão, uma vez que a remuneração não é a única forma de satisfação e realização pessoal. Na verdade, o voluntariado melhora as relações entre as empresas e a comunidade, pois corresponde a uma forma muito próxima de ação e preocupação com a situação dos grupos locais e a procura pelo bem-estar comum. Isabel Nicolau e Ana Simaens, no seu artigo sobre o Impacto da responsabilidade social das empresas na Economia Social (2007), consideram quatro formas de concretização da responsabilidade social: • Desenvolvimento de projetos sociais no âmbito interno da empresa; • Donativos às organizações da Economia Social; • Patrocínio de projetos concretos desenvolvidos por organizações da Economia Social, marketing de causas e contratação de serviços; • Alianças com organizações da Economia Social para desenvolvimento de projetos comuns.” As autoras mostram que as parcerias com organizações da Economia Social são acordos voltados para a criação de bens ou serviços com um propósito social. Essas ligações envolvem um compromisso mais profundo e duradouro para alcançar objetivos que não poderiam ser atingidos isoladamente e, deste modo, as partes envolvidas devem contribuir com recursos e conhecimentos e as relações precisam de ser cuidadosamente organizadas e preservadas. 1.6 - Os benefícios fiscais nas doações O beneficio fiscal corresponde a uma vantagem dada pelo Estado a pessoas ou empresas para incentivar a colaboração com causas sociais. Pressupõe um alivio na carga tributária das empresas e particulares através de deduções à coleta, isenções ou reduções de taxas. (Estatuto dos Beneficios Fiscais, 1989).
20 O Estatuto dos benefícios fiscais presente no Decreto-lei nº 215/89 regula as situações de benefício fiscal em Portugal e contém os princípios gerais a que deve obedecer a criação das situações de benefício, as regras da sua atribuição e reconhecimento administrativo e o elenco desses mesmos benefícios, com o duplo objetivo de, por um lado, garantir maior estabilidade aos diplomas reguladores das novas espécies tributárias e, por outro, conferir um carácter mais sistemático ao conjunto dos benefícios fiscais. (Decreto-Lei n.º 215/89). O capítulo X do mesmo prevê os “benefícios fiscais relativos ao mecenato”, ou seja, configura um conjunto de incentivos concedido pelo Estado para estimular empresas e particulares a efetuarem donativos a entidades privadas e públicas. Deste modo, de que forma é que as empresas e particular têm regalias com as suas doações? Artigo 61.º Noção de donativo Para efeitos fiscais, os donativos constituem entregas em dinheiro ou em espécie, concedidos, sem contrapartidas que configurem obrigações de carácter pecuniário ou comercial, às entidades públicas ou privadas, previstas nos artigos seguintes, cuja atividade consista predominantemente na realização de iniciativas nas áreas social, cultural, ambiental, desportiva ou educacional. Artigo 62.º Dedução para efeitos da determinação do lucro tributável das empresas 1 - São considerados custos ou perdas do exercício, na sua totalidade, os donativos concedidos às seguintes entidades: a) Estado, Regiões Autónomas e autarquias locais e qualquer dos seus serviços, estabelecimentos e organismos, ainda que personalizados; b) Associações de municípios e de freguesias; c) Fundações em que o Estado, as Regiões Autónomas ou as autarquias locais participem no património inicial; d) Fundações de iniciativa exclusivamente privada que prossigam fins de natureza predominantemente social, relativamente à sua dotação inicial, nas condições previstas no n.º 9.
21 2 - Os donativos referidos no número anterior são considerados custos em valor correspondente a 140 % do respetivo total, quando se destinarem exclusivamente à prossecução de fins de caráter social, a 120 %, se destinados exclusivamente a fins de caráter ambiental, desportivo e educacional, ou a 130 % do respetivo total, quando forem atribuídos ao abrigo de contratos plurianuais celebrados para fins específicos, que fixem os objetivos a prosseguir pelas entidades beneficiárias, e os montantes a atribuir pelos sujeitos passivos. 3 - São considerados custos ou perdas do exercício, até ao limite de 8/1000 do volume de vendas ou dos serviços prestados, os donativos atribuídos às seguintes entidades: a) Instituições particulares de solidariedade social, bem como pessoas colectivas legalmente equiparadas; b) Pessoas colectivas de utilidade pública administrativa e de mera utilidade pública que prossigam fins de caridade, assistência, beneficência e solidariedade social e cooperativas de solidariedade social; c) Centros de desporto organizados nos termos dos Estatutos do Instituto Nacional de Aproveitamento dos Tempos Livres dos Trabalhadores (INATEL), desde que destinados ao desenvolvimento de atividades de natureza social no âmbito daquelas entidades; d) Organizações não governamentais cujo objecto estatutário se destine essencialmente à promoção dos valores da cidadania, da defesa dos direitos humanos, dos direitos das mulheres e da igualdade de género, nos termos legais aplicáveis; e) Organizações não governamentais para o desenvolvimento; f) Outras entidades promotoras de iniciativas de auxílio a populações carecidas de ajuda humanitária, em consequência de catástrofes naturais ou de outras situações de calamidade internacional, reconhecidas pelo Estado Português, mediante despacho conjunto do Ministro das Finanças e do Ministro dos Negócios Estrangeiros. g) Entidades hospitalares EPE. (…) O Estatuto visa fortalecer o apoio financeiro às instituições do terceiro setor, sem fins lucrativos, e permite que estas ampliem a sua atividade e ofereçam mais serviços à comunidade, serviços esses que o Estado não oferece. As deduções de 140% significam que o valor doado pela empresa é
22 multiplicado por uma percentagem específica quando é considerado para dedução no lucro tributável, incentivando, assim, as empresas a aumentarem o montante das doações. Assim, os incentivos fiscais para doações de empresas a instituições sociais, têm ligação direta com a responsabilidade social, pois permite que as empresas possam estar sempre ligadas a ações de apoio e bem-estar com a comunidade e, não beneficiam apenas de uma redução na carga tributária, mas também contribuem para o desenvolvimento social. A presente dissertação, centra-se na importância do voluntariado e das doações para o sucesso de uma resposta social, a Porta Solidária, que possui várias entidades parceiras e particulares que usufruem de benefícios fiscais com as suas doações, através de recibos donativos, passados pela instituição. Esses recibos são dedutíveis no IRS dos particulares e nos lucros tributáveis das empresas. O beneficio permite uma consistência nas doações e um ganho tanto para quem doa, como para quem recebe. Este estudo procura perceber, através das questões de investigação, em que medida o voluntariado é um contributo para a eficácia da resposta social da Porta Solidária e qual a motivação do doador para contribuir para o projeto e, para isso, serão testadas as seguintes hipóteses: o voluntariado é crucial para o sucesso da Porta Solidária; os voluntários são motivados pelo desejo de contribuir para o bem-estar da comunidade; escolheram a Porta Solidária para doar pela credibilidade do projeto; a rede existente de doações e parcerias é o que assegura a sustentabilidade do projeto; a Porta Solidária combate a emergência alimentar. Capitulo II – Estudo de caso: Porta Solidária 2.1Estudo de caso Um estudo de caso é uma forma de pesquisa qualitativa que tem como foco uma única pessoa, um grupo ou uma organização para uma análise aprofundada em que o objetivo é explorar as particularidades do caso. Yin (1989, p. 23) afirma que o estudo de caso é uma inquirição empírica que investiga um fenómeno contemporâneo dentro de um contexto da vida real, quando a fronteira entre o fenómeno e o contexto não é claramente evidente e onde múltiplas fontes de evidência são utilizadas.
23 Na perspetiva de Tull (1976, p 323) um estudo de caso refere-se a uma análise intensiva de uma situação particular. Deste modo, um estudo de caso permite responder às questões “como” e “porquê” sobre determinado fenómeno social e permite, também, compreender de uma forma detalhada e rica alguns fenómenos sociais que são mais complexos. Yin (1989) sintetiza quatro principais aplicações para o Método do Estudo de Caso: 1. Para compreender relações complexas entre variáveis em intervenções da vida real que são difíceis de investigar; 2. Para retratar o ambiente real em que uma intervenção ocorreu, fornecendo uma compreensão detalhada do contexto; 3. Para avaliar intervenções, de forma descritiva; 4. Para analisar situações onde as intervenções apresentam resultados indefinidos ou não claramente mensuráveis. Na verdade, num estudo de caso o investigador não pretende intervir na situação ou no fenómeno, mas procura dar a conhecer tal e qual como ele é, ou seja, a investigação não é experimental e o investigador não tem controlo sobre os acontecimentos, logo, não consegue manipular causas ou comportamentos, nem se pretende tal situação. Em síntese, um estudo de caso baseia-se no trabalho de campo e estuda uma pessoa, grupo ou organização no contexto real, aproveitando, assim, várias formas de evidências como as entrevistas, observações, documentos, etc.. (Yin, 1984) Neste trabalho, o estudo de caso centra-se na Porta Solidária, como referido anteriormente e procura dar a conhecer a realidade do projeto, dar resposta a “como” é feito e “porquê”, através de recolha de vários dados: de doações, inquéritos aos beneficiários e entrevistas aos voluntários, doadores e responsáveis que permite chegar à resposta às questões de partida e objetivos. Foram realizadas entrevistas a 15 doadores, a 30 voluntários e aos 2 responsáveis do projeto. 2.2A Porta Solidária A “Porta Solidária”, implementada em 2009, pertence ao Centro Social da Paróquia Senhora da Conceição, Instituição Particular de Solidariedade Social, fundado em 1982 e situado na Praça Marquês
24 de Pombal, 111, 4000-391 Porto. Foi criada com o objetivo de dar resposta às necessidades emergentes dos cidadãos mais carenciados e em situação de vulnerabilidade e consiste numa ajuda alimentar diária a pessoas sem meios próprios de subsistência. É um projeto sem financiamento, que opera graças a parcerias com empresas, nomeadamente confeitarias, supermercados, restaurantes e doações de particulares. No princípio, em 2009, aquando da grande crise económica, foi sentida a necessidade premente de criar um apoio alimentar para toda a população, em situação de grande, alarmante e repentina carência económica e sem capacidade para suportar as despesas básicas. Deste modo, procurou-se garantir que os habitantes do Porto e arredores tivessem sempre um local para receber uma refeição quente. No primeiro ano foram servidas 21mil refeições, que resulta numa média diária de 58 refeições, no entanto, esse número rapidamente ascendeu a 52mil em 2012, ou seja, 142 refeições diárias, números que se mantiveram sem grandes alterações até ao início da pandemia, tal como se verifica no gráfico seguinte: Gráfico n.º1: Número de refeições servidas entre 2009 e 2019 pela Porta Solidária As pessoas que procuram a Porta Solidária são pessoas em situação de sem abrigo, beneficiários de RSI (rendimento social de inserção), desempregados, trabalhadores cujo salário não é suficiente, reformados e crianças. Inicialmente era servida uma sopa, pão, sandes e bolo. Contudo, em 2020 surgiu Fonte: Porta Solidária 0 10000 20000 30000 40000 50000 60000 70000 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 2018 2019 Nº de refeições Homens Mulheres Crianças Totais
25 a oportunidade de começar a disponibilizar, também, um prato quente graças a parcerias conseguidas com algumas empresas que começaram a doar arroz, carne, legumes, etc.. No contexto inicial da pandemia, a partir de 2020, as refeições servidas quadruplicaram, uma vez que em janeiro foram servidas 3471 refeições, em abril 11534 e em agosto 14872. Isto só foi possível graças às ofertas de bens e serviços, nomeadamente doações alimentares, financeiras e através do voluntariado, onde o lema é “dar sem receber”. Serviram-se 134301 refeições durante esse ano, o que perfaz uma média mensal de 11191 e diária de 447: Gráfico n.º 2: Número de refeições servidas em 2020 pela Porta Solidária Fonte: Elaboração própria com base nos dados obtidos sobre o número de refeições Gráfico n.º 3: Número de refeições servidas em 2020 pela Porta Solidária (homem, mulher e criança) 95551 30444 8306 134301 HOMENS MULHERES CRIANÇAS TOTAL Fonte: Elaboração própria com base nos dados obtidos sobre o número de refeições 0 2000 4000 6000 8000 10000 12000 14000 16000 Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez
26 É importante salientar que a população do sexo masculino, tanto idosos, como jovens correspondem a cerca de 70% dos utentes. O gráfico n.º4 mostra a diferença considerável de utentes do sexo masculino, feminino e, também, crianças, ao longo dos anos: Gráfico n.º 4: Número de refeições servidas pela Porta Solidária (2020-2023) Fonte: Elaboração própria com base nos dados obtidos sobre o número de refeições Segundo o INE, a taxa de risco da pobreza em 2023 era de 15,4% para o sexo masculino e 17,6% para o sexo feminino. (INE, 2023). Consequentemente, como as mulheres estão em maior risco de viver em situação de pobreza, o número de mulheres que procuram a Porta Solidária para receber uma refeição quente deveria ser superior. No entanto, a Estratégia Nacional para a Integração de Pessoas em Situação de Sem-abrigo, através de um inquérito de caracterização de pessoas em situação de semabrigo, realizado em 2021, mostra que 68% das pessoas em situação de sem-abrigo são do sexo masculino. (Estratégia Nacional para a Integração de Pessoas em Situação de Sem-abrigo, 2021). Muitos homens que procuram a Porta Solidária têm histórias de longos períodos de desemprego, ruturas familiares ou problemas de saúde mental e dependências, fatores que aumentam o risco de exclusão. Sendo a Porta Solidária uma iniciativa composta maioritariamente por voluntários, a dádiva é absolutamente essencial para tornar este projeto viável e sustentável. No início do confinamento, várias pessoas e empresas ficaram sensibilizadas com a quantidade de pessoas em necessidade que 0 20000 40000 60000 80000 100000 120000 2020 2021 2022 2023 Homens Mulheres Crianças
27 procuraram o projeto e o qual com perseverança e resiliência nunca desistiu de ajudar os outros. Independentemente das restrições em vigor, conseguiram sempre arranjar uma alternativa para garantir refeição a todas as pessoas. Em 2021, entre janeiro e maio foram servidas 63673 refeições, números que diminuíram nos restantes meses do ano com exceção do mês de novembro. No total, forneceram 130932 refeições. Gráfico n.º5: Número de refeições servidas em 2021 pela Porta Solidária Fonte: Elaboração própria com base nos dados obtidos sobre o número de refeições Estes números de 2020 e 2021 foram resultado do fecho temporário de muitas instituições e projetos de apoio alimentar devido às restrições e confinamentos. Porém, para garantir o funcionamento, a Porta Solidária passou a servir a refeição em formato takeaway, em que as pessoas permanecendo em fila, com máscara e com o devido distanciamento, aguardavam a sua vez para receber o kit. Esse kit era composto por sandes, pão simples, bolo, iogurte, fruta, prato quente e sopa. Deste modo, garantiu-se que as pessoas para além de levarem a refeição, também tinham alimento para o pequeno almoço ou almoço do dia seguinte. Para além do fecho temporário de algumas instituições, também se verificou entre janeiro e março de 2021 um novo confinamento geral que levou ao encerramento de escolas, estabelecimentos comercias não essenciais e no conjunto das pessoas que trabalham e recorrem à Porta Solidária, muitas têm empregos precários, sazonais, ou até sem contrato de trabalho, o que fez com que não conseguissem trabalhar durante os meses de confinamento, nem recebessem apoios do Estado (como o lay-off) levando, assim, ao aumento da procura. 0 2000 4000 6000 8000 10000 12000 14000 16000 jan fev mar abr mai jun jul ago set out nov dez
28 É de salientar que aquilo que diferencia a Porta Solidária das restantes instituições é a sua grande capacidade criativa de adaptação e resposta a todas as situações. De facto, face ao aumento de pedidos de apoio registados, a instituição envidou esforços no sentido de procurar empresas a quem deu a conhecer o projeto com o objetivo de obter apoios. Apesar de se ter enfrentado muitos “nãos”, nunca desistiu e continuou sempre a angariar mais parcerias, nomeadamente com a “Acembex”, que possui várias marcas conhecidas como a “Nova arroz”, “Vita Cress” e “Lusiaves”. A Porta Solidária também recebe, ainda, doações de padarias e confeitarias locais, hipermercados, Lactogal e Banco Alimentar, entre outras que já apoiaram uma vez ou que apoiam esporadicamente. De destacar também o Hospital Santa Maria no Porto, que todos os dias confeciona sopa e assegura uma recolha anual de alimentos em alguns supermercados. Além disso, também através do Facebook são realizados peditórios de alimentos que vão sendo mais precisos ao longo do tempo com apoio de doadores particulares, pessoas que com a sua espontaneidade e boa-vontade dão aquilo que têm/podem. Desde junho 2022 que os beneficiários passaram a jantar dentro das instalações do centro social, continuando a receber o mesmo kit para levar para casa para o dia seguinte. Porém, as famílias que têm crianças ou idosos com dificuldade de locomoção/problemas de saúde podem levar a refeição em embalagens descartáveis. As pessoas aguardam em fila, ordenadamente, no exterior do refeitório e vão entrando 40 pessoas de cada vez. Em média cada um demora cerca de 15 minutos a jantar. Imagem n.º1: Pessoas em espera na fila de acesso ao jantar Fonte: Elaboração própria com base em imagem cedida por um voluntário
35 • Equipa de motoristas que vão recolher as sopas (Equipa 5); • Equipa das recolhas nas padarias e confeitarias (Equipa 6). O cronograma de um dia de trabalho na Porta Solidária consiste em: 9h-11h: A equipa que prepara as sandes e os bolos: • Cortar pão (cerca de 800 pães todos os dias); • Colocar o recheio; • Colocar as sandes dentro dos sacos; • Colocar os bolos dentro de sacos; • Colocar os bolos dentro do saco com as sandes. 15h-16h30: A equipa que prepara os iogurtes/sumo e a fruta; • Contar o número exato de iogurtes/sumo consoante o número de kits; • Colocar uma peça de fruta e os iogurtes/sumo dentro de um saco; • Juntar o saco com as sandes + bolo ao saco iogurte/sumo + fruta 15h-17h: Equipa da cozinhapreparação e confeção das refeições. 16h-17h: Equipa de motoristasrecolha das sopas no Hospital Santa Maria. 17h30-20h: Equipa que serve as refeições: • Servir a sopa e o prato quente; • Lavar a loiça; • Arrumar e limpar a cozinha e o refeitório. 20h-21h30: Equipa das recolhas dos excedentes nas padarias e confeitarias. Para que tudo funcione sem qualquer dificuldade são precisos, em média, entre 25 a 30 voluntários por dia. Assim, os voluntários representam a força humana que torna possível todo este funcionamento diário e ser voluntário da Porta Solidária não beneficia, apenas, os voluntários, mas também enriquece as suas próprias vidas e mostra que a solidariedade e a boa vontade são capazes de mudar as comunidades.
36 Atualmente, a Porta Solidária possui: um responsável geral, que é o Pároco; um coordenador externo que trata de todas as angariações de voluntários, parceiros e doações e é responsável pelo telefone do projeto; coordenadores internos de cada uma das equipas e os voluntários. Assim, a estrutura de governança traduz-se em: Figura n.º2: Estrutura de Governança da Porta Solidária PÁROCO (responsável geral) Coordenador externo Coordenadores internos Coordenador 2 Voluntários Coordenador 1 Coordenador 4 Coordenador 3 - Equipa 1 e 2 - Equipa 4 - Equipa 4 - Equipa 4 - Equipa 5 e 6 Fonte: Elaboração própria com base na estrutura de governança da Porta Solidária Fonte: Imagem cedida por um voluntário da equipa 3 Fonte: Imagem cedida por um voluntário da equipa 3 Imagem n.º4: Preparação do serviço das refeições Imagem n.º5: Inicio do serviço das refeições
37 2.4Os doadores As instituições têm recursos escassos e para garantirem o sucesso e a estabilidade, precisam de adotar medidas eficientes. Uma das formas de assegurar essa eficiência é através da angariação de fundosfundraising. Cada instituição deve procurar criar uma imagem simples e credível, de modo a que se perceba facilmente o trabalho que é feito e quais as necessidades permentes. (Abreu, 2009) A criação de uma boa imagem pode levar à obtenção de mais financiamento, essencial para as organizações sem fins lucrativos que não visam o lucro, mas também não podem ter prejuízo. (Andreasen & Kotler, 2008). As organizações sem fins lucrativos podem obter algum rendimento através das quotas ou da prestação de serviços, no entanto, essas receitas não sendo suficientes devem ser complementadas por donativos e parcerias, que podem ser obtidos através de apelos à responsabilidade social das empresas. (Herzer, 2012) Os doadores escolhem, para apoiar regularmente, uma organização transparente, uma organização onde se veja, de uma forma clara, o trabalho que desempenham e procuram, Fonte: Imagem cedida por uma voluntária da equipa 4 Imagem n.º6: Beneficiários da Porta Solidária a jantar
38 essencialmente, organizações com algum tempo de existência e com objetivos bem definidos. É, igualmente importante, mostrar aos doadores de que forma é que a sua doação pode contribuir para a transformação social da comunidade. (Mendonça & Schommer, 2000) Os doadores desempenham um papel absolutamente crucial em projetos como a Porta Solidária, que não recebem financiamento do Estado e dependem exclusivamente da boa vontade das pessoas, que através de doações, voluntários e parcerias, mostram a sua confiança no projeto, acreditam na missão e garantem a sustentabilidade. A Porta Solidária recebe doações: 1) em espécie que permitem confecionar as refeições e os kits que são entregues aos utentes e 2) em dinheiro que é destinado a pagar as contas da água, luz e outras despesas. São muitas as pessoas que estão envolvidas com o projeto, como empresas e particulares que nunca baixam os braços quando é preciso algum apoio. Assim, para além do apoio regular de empresas e outras organizações, também existem grupos de pessoas (particulares) que se uniram e criaram grupos na rede social Whatsapp com a finalidade de ajudar e colmatar qualquer necessidade que possa surgir. De sublinhar a importância crucial dos doadores dado que: • Garantem a sustentabilidade do projeto; • Permitem alcançar mais pessoas e aumentar as refeições servidas; • Permitem criar redes de apoio e fortalecer o sentido de solidariedade da comunidade. As principais empresas doadoras da Porta Solidária são: o Banco Alimentar, a Lactogal, o Hospital Santa Maria e a Acembex. Cada uma destas empresas permitiu, através do volume de doações, a continuidade do projeto ao longo dos anos. São vários os doadores do projeto, no entanto, o foco será nas principais empresas pela continuidade e quantidade de doações. Para a realização deste estudo foram obtidas autorizações das principais empresas. Banco Alimentar: O Banco Alimentar Contra a Fome é uma organização sem fins lucrativos, criada em 1991 e desempenha um papel crucial no combate à fome e ao desperdício alimentar em Portugal. Faz parte da Federação Europeia dos Bancos Alimentares e a sua principal missão é recolher excedentes alimentares e encaminha-los para serem distribuídos gratuitamente pelas pessoas mais carenciadas.
39 Uma resposta necessária mas ambígua, porque "toda a pessoa tem direito a um nível de vida suficiente que lhe assegure e à sua família, a saúde e o bem-estar, principalmente quanto à alimentação, ao vestuário, ao alojamento, à assistência médica e ainda aos serviços sociais necessários" (Excerto do artigo 25º da Declaração Universal dos Direitos do Homem). A 23 de fevereiro de 1999, foi criada a Federação Portuguesa dos Bancos Alimentares Contra a Fome, que“ representa os Bancos Alimentares Contra a Fome junto dos poderes públicos, das empresas de âmbito nacional e de organizações internacionais e efectua, a nível nacional, a repartição de algumas dádivas, criando uma vasta cadeia de solidariedade”. Atualmente, a Federação reúne 21 Bancos Alimentares ativos distribuídos por todo o território nacional, incluindo o continente e as ilhas: • Abrantes; • Algarve; • Aveiro; • Beja; • Braga; • Castelo Branco; • Coimbra; • Cova da Beira; • Évora; • Leiria-Fátima; • Lisboa; • Madeira; • Oeste; • Portalegre; • Porto; • Santarém; • São Miguel; • Setúbal; • Terceira; • Viana do Castelo; • Viseu
40 Fonte: Elaboração própria com base nos dados obtidos sobre as doações do Banco Alimentar à Porta Solidária Esta rede está organizada de forma a combater o desperdício alimentar e a proporcionar apoio aos mais necessitados, com uma estrutura eficiente e abrangente. O Banco Alimentar recolhe e distribui dezenas de milhares de toneladas de alimentos e entrega os produtos a milhares de organizações espalhadas pelo país que, por sua vez, confecionam refeições ou entregam cabazes de alimentos a pessoas/famílias carenciadas. O Banco Alimentar tem como valores, a Dádiva e a Partilha : a D ádiva e a Partilha definem o espírito que norteia todas as relações que se vão estabelecer entre os diferentes intervenientes e parceiros dos Bancos Alimentares. É com este propósito que conseguem recolher e aproveitar aquilo que sobra de grandes empresas da indústria alimentar, que ia ser desperdiçado, e distribuem onde existe falta de alimento. (Banco Alimentar, 2025) Recebem doações de empresas, principalmente excedentes de produção e, também, de particulares, uma vez que organizam recolhas de alimentos duas vezes por ano em várias superfícies comerciais onde, com a ajuda de voluntários, recolhem toneladas de alimentos, essencialmente não perecíveis (como massa, arroz, enlatados, cereais, leite,etc.) que são doados a instituições. O Banco Alimentar que apoia a Porta Solidária é o do Porto e atualmente apoia 300 instituições da cidade. Entre 2019 e 2023 a Porta Solidária recebeu desta instituição doações de alimentos que perfizeram mais de 83 toneladas ( 83.386,47kg) cuja evolução é apresentada no gráfico n.º 9. Gráfico n.º9: Evolução da quantidade das doações do Banco Alimentar à Porta Solidária (u.m. kg) 0 5000 10000 15000 20000 25000 2019 2020 2021 2022 2023 Banco Alimentar (Kg)
41 A Porta Solidária recolhe no Banco Alimentar as doações, no mínimo, duas vezes por mês e os produtos mais doados são legumes, iogurtes, fruta, pão e queijos. Para além dos alimentos perecíveis recolhidos , de duas a três vezes por ano é levantado um cabaz com alimentos não perecíveis provenientes, essencialmente, das recolhas nas grandes superfícies. Lactogal A Lactogal é uma das maiores empresas do setor agroalimentar em Portugal, especializada na produção e comercialização de produtos lácteos e derivados, como leite, queijos, iogurtes, manteigas, bebidas vegetais, entre outros. Fundada em 1996 possui, atualmente, várias marcas conhecidas como Agros, Castelões, Gresso, Matinal, Pleno e Vigor. (Lactogal, 2025) Em maio de 2020, a Lactogal doou mais de 148 toneladas a 71 instituições espalhadas pelo país, entre as quais 12 hospitais, como o Hospital de São João, Curry Cabral, etc. com o objetivo de suprir necessidades e apoiar hospitais de referência no combate à covid-19. (Lactogal, 2025) É uma empresa preocupada com a sua comunidade e, por isso, foi criado um programa Donativos que apoia cerca de 100 instituições localizadas em Portugal Continental e ilhas. À semelhança do Banco Alimentar, a Lactogal doa os produtos às instituições locais que, por sua vez, doam a pessoas/famílias carenciadas. Entre 2019 e 2023, a Lactogal doou à Porta Solidária produtos que em termos quantitativos totaliza 81.880,1 Kg (gráfico nº 10). Gráfico n.º 10: Evolução da quantidade das doações da Lactogal à Porta Solidária (u.m. kg) Fonte: Elaboração própria com base nos dados obtidos sobre as doações da Lactogal à Porta Solidária 0 5000 10000 15000 20000 25000 30000 35000 2019 2020 2021 2022 2023 Lactogal (Kg)
42 Através da análise dos gráficos, é possível verificar que em 2020 houve um aumento considerável nas doações (30 toneladas), dada a situação pandémica que o país atravessava que gerou uma grande onda de solidariedade das empresas e dado o aumento considerável do número de refeições servidas, como verificado anteriormente. Hospital Santa Maria O Hospital Santa Maria, no Porto, é uma unidade de saúde privada de referência em Portugal, sendo um dos hospitais mais antigos do país, fundado em 1888 pelas Irmãs Franciscanas e Missionárias de Nossa Senhora. O Hospital Santa Maria está comprometido com o apoio à comunidade e com a responsabilidade social. As irmãs apoiam os doentes e, também, a comunidade através de várias ações de voluntariado local. Em 2008, a irmã Conceição Carvalho criou a equipa da Pastoral da Saúde do Hospital e O objetivo principal da sua atividade é a humanização dos cuidados de saúde, no respeito pela vida humana, defesa dos valores ético-morais e promoção dos valores evangélicos. A Pastoral da Saúde reúne um conjunto de voluntários que, em colaboração com as Irmãs Franciscanas Missionárias de Nossa Senhora, participam nas várias atividades. Entre estas contam-se as visitas diárias e individuais aos utentes internados, o acompanhamento dos utentes ao serviço pretendido. As atividades da Equipa da Pastoral da saúde visam acompanhar e auxiliar os utentes que necessitam de cuidados de saúde, principalmente os utentes que se encontram internados, sendo mais suscetíveis de desenvolver sentimentos de solidão e tristeza. Desta forma o despender do seu tempo para escutar, respeitando a dor e as necessidades individuais de cada paciente é a função primordial deste serviço de voluntariado. (Hospital Santa Maria, 2024) Em 2009 o Padre Rubens Marques, responsável pela Porta Solidária, pediu apoio ao Hospital Santa Maria, pois estava a iniciar o projeto e queria prestar o melhor serviço possível às pessoas. Assim, algumas irmãs passaram a ser voluntárias no projeto e a ajudar a servir os utentes. Para além disso, o Hospital Santa Maria também ficou responsável por fazer a sopa necessária para dar aos utentes, sendo que, no início do projeto eram servidas 40 pessoas e posteriormente 100/150, mas, atualmente, são mais de 400, por isso confecionam, de domingo a sexta, 100 litros de sopa. O apoio que o Hospital Santa Maria presta com a doação de sopas é crucial para o projeto e, para além da sopa, também são doados, desde 2021, 50kg de carne todas as semanas, 25kg de carne
43 de porco e 25kg de carne de vaca, ou seja, 200kg por mês. Tendo em conta que quando são confecionadas refeições de carne, utilizam cerca de 25kg, o apoio do Hospital Santa Maria garante duas refeições por semana (cerca de 800 utentes). A tabela seguinte mostra as doações dadas pelo Hospital Santa Maria, desde 2021, em quilogramas (kg): Tabela n.º 7: Evolução da quantidade das doações do Hospital Santa Maria à Porta Solidária Quantidade/Ano 2021 2022 2023 Total Quantidade (u.m. kg) 2300 2400 2400 7100 Fonte: Elaboração própria com base nos dados obtidos sobre as doações do Hospital Santa Maria à Porta Solidária É muito interessante ver o apoio que o Hospital Santa Maria presta à paróquia local, através das doações de carne e de sopa, e do trabalho de proximidade que realizam, que tem um grande valor para a cidade e para as pessoas que mais necessitam. Acembex A Acembex é uma empresa de comércio internacional que fornece matérias primas para a Indústria alimentar. Produz por ano, mais de um milhão de toneladas de cereais e oleaginosas, sendo o maior operador português nesta área. Por ser uma empresa muito preocupada com a comunidade e com um grande sentido de ajuda e responsabilidade social, decidiu criar, em 2009, o projeto MIMO. O projeto MIMO começou por apoiar a associação CrescerSer (Associação Portuguesa para ao Direito da criança e da família) porque, segundo o antigo CEO da Acembex, a Santa Casa da Misericórdia do Porto fornecia refeições para uma das casas da associação, a Casa de Cedofeita e, com a crise de 2009, deixaram de conseguir fornecer. Por esta razão, como o antigo CEO já conhecia a Casa de Cefofeita, decidiu utilizar a sua empresa para ajudar a associação a continuar a fornecer as refeições. Com o passar do tempo, a empresa alargou o apoio às restantes casas da Associação, presentes em todo o país. O apoio à Porta Solidária surgiu em 2020, quando o antigo CEO soube que o projeto estava a precisar de muita ajuda para dar resposta a tantas necessidades e decidiu fazer uma chamada para
44 PORTA SOLIDÁRIA perceber de que forma é que a sua empresa conseguia ajudar. Falou com um dos responsáveis do projeto e percebeu que as necessidades eram imensas e que a sua empresa poderia ter capacidade para as colmatar. Mas como é que uma empresa que “apenas” produz cereais e oleaginosas consegue ter tanta influência em iniciativas sociais? Figura n.º3: Explicação das doações da Acembex à Porta Solidária Fonte: Elaboração própria com base nas doações da Acembex à Porta Solidária Através deste esquema, é possível perceber que a Acembex fornece cereais a várias empresas em quantidades superiores às encomendas recebidas, para produzirem uma maior quantidade de produtos que são doados à Porta Solidária. As batatas e os legumes são entregues diretamente ao Hospital Santa Maria e são utilizados para a confeção dos 100 litros de sopa diários. Assim, a doação da Acembex consiste, desde 2020, em: Tabela n.º 8: Doações da Acembex à Porta Solidária Empresa Produto Quantidade Periodicidade Total por ano Ceres (Padaria Celeste) Pão 500 uni diário 130.000 pães Nova Arroz Arroz 750kg trimestral 3000 kg arroz Lusiaves Frango 96uni semanal 4608 frangos Fornecedores de Cereais Acembex (Trigo) CERES Nova Arroz Lusiaves VitaCress Cerealis • Pão • Bolachas • Massas • Arroz • Frango • Batatas • Legumes (Arroz) (Milho e Trigo) Fonte: Elaboração própria com base nas doações da Acembex à Porta Solidária
51 Para os doadores, pretende-se estudar duas hipóteses: Hipótese 3: “Escolheram a Porta Solidária para doar pela credibilidade do projeto.” Os doadores escolhem, para apoiar regularmente, uma organização transparente, uma organização onde se veja, de uma forma clara, o trabalho que desempenham e procuram, essencialmente, organizações com algum tempo de existência e com objetivos bem definidos. É igualmente importante, mostrar aos doadores de que forma é que a sua doação pode contribuir para a tranasformação social da comunidade. Hipótese 4: “A rede existente de doações e parcerias é o que assegura a sustentabilidade do projeto.” As autoras mostram que as parcerias com organizações da Economia Social são acordos voltados para a criação de bens ou serviços com um propósito social. Essas ligações envolvem um compromisso mais profundo e duradouro para alcançar objetivos que não poderiam ser atingidos isoladamente e, deste modo, as partes envolvidas devem contribuir com recursos e conhecimentos e as relações precisam de ser cuidadosamente organizadas e preservadas. Relativamente aos responsáveis: Hipótese 5: “A Porta Solidária combate a emergência alimentar.” São as organizações sem fins lucrativos que fornecem à população alimentos, abrigo, projetos de intervenção, apoio à comunidade, etc., e dependem dos voluntários para prestarem os seus serviços e para atingirem os seus objetivos. Segundo Simmonds (2014), muitas organizações discutem a forma de gerir esta “força de trabalho de caridade” a longo prazo para promover a autossuficiência e a sustentabilidade da organização. 3.4Recolha de dados Procedeu-se, inicialmente, à seleção de voluntários para a realização de entrevistas, com o objetivo de incluir representantes das várias equipas que integram o projeto. Relativamente aos doadores, optou-se por entrevistar as principais empresas parceiras, bem como outros doadores particulares que contribuem regularmente. A autora do estudo trabalha no Centro Social há seis anos como assistente social e diretora técnica e, desde a crise pandémica, tem prestado apoio à Porta Solidária. Este envolvimento direto com o projeto e com as pessoas que dele fazem parte permitiu um conhecimento profundo do seu funcionamento, facilitando, assim, todo o processo de recolha de informação.
52 Para além das entrevistas aos voluntários e aos doadores, considerou-se essencial entrevistar o Pároco, responsável pelo projeto, e o coordenador externo, responsável pelas doações, parcerias e pelo recrutamento de alguns voluntários. Relativamente aos dados dos beneficiários, recorreu-se a um levantamento realizado em dezembro de 2023 com o apoio da Cáritas Diocesana do Porto, que procurou desenvolver uma caracterização pormenorizada dos beneficiários através de um inquérito aplicado a 343 pessoas. Foram igualmente utilizados os registos mensais do número de refeições servidas desde 2009. Quanto aos dados das doações, foram recolhidas todas as faturas e comprovativos de doações desde 2019, com o objetivo de elaborar um documento que permitisse compreender o impacto e a dimensão das contribuições recebidas pela Porta Solidária. Como mencionado anteriormente, foram entrevistados 30 voluntários, 15 doadores e 2 responsáveis do projeto. 3.5Análise qualitativa: 3.5.1Conteúdo das entrevistas; Conforme mencionado anteriormente, foram realizadas 30 entrevistas a voluntários, 15 a doadores e 2 aos responsáveis. Para tal, foi necessário a elaboração de três diferentes guiões de entrevista, em que o guião dos voluntários é composto por 14 perguntas, o dos doadores por 9 e o dos responsáveis por 16. Os guiões das entrevistas encontram-se no anexo 1. As transcrições das entrevistas encontram-se disponíveis nos anexos 2, 3 e 4. O método de investigação qualitativa utilizado permite captar perceções, sentimentos e reflexões dos voluntários, doadores e responsáveis que dificilmente seriam compreendidas através de métodos quantitativos. Todos somos pessoas diferentes e a melhor forma de dar a conhecer um projeto em profundidade é “ouvir” como ele é vivido na realidade, perceber como é que os voluntários dão importância ao seu papel, quais as reais motivações, como se relacionam com os beneficiários e dar voz aos voluntários permitiu perceber não só os desafios enfrentados, mas também os laços emocionais e transformações pessoais que são resultado do envolvimento no projeto.
53 No que toca aos doadores, as razões para ser doador podem ser inúmeras e entender o que os motiva requer mais do que uma simples quantificação das suas doações. As entrevistas realizadas contribuíram para uma compreensão mais detalhada das histórias e razões subjacentes dos doadores para apoiar projetos como a Porta Solidária. Desta forma, permitiram compreender não apenas os motivos para doar, mas também a perceção que os doadores têm sobre o impacto das suas contribuições para o sucesso e sustentabilidade da Porta Solidária. Por fim, também foi considerado de extrema importância a realização da entrevista aos principais responsáveis e criadores do projeto, uma vez que têm uma visão privilegiada sobre toda a logística, gestão e organização diária. Estes forneceram insights sobre o modo: como tudo funciona; como identifica e recrutam voluntários; como estabelecem parcerias, conseguem doadores; quais as estratégias de comunicação; como enfrentam os desafios e como asseguram a continuidade do projeto. Cada pessoa entrevistada ofereceu uma perspetiva única e contribuiu para entender, de uma forma global, o dia a dia do projeto e os seus desafios, bem como o impacto na comunidade em que todos partilham o mesmo objetivo, que é dar respostas a quem mais precisa, por meio da dádiva e da união entre todos. 3.5.2Entrevistas com os voluntários As entrevistas feitas com os voluntários da Porta Solidária foram fundamentais para perceber as suas experiências, motivações, desafios, impacto pessoal e as respostas mostraram a diversidade de sentimentos e perspetivas que moldam a experiência e o crescimento de cada um. Nesta análise, destacam-se os principais temas que permitiram ter uma compreensão mais profunda do papel dos voluntários e da importância do projeto. A questão nº 4 sobre as motivações para fazer voluntariado veio mostrar a teoria, anteriormente apresentada, de Clotfelter (2002), De Vem e Kolm (2020), que explicam as principais motivações inerentes ao trabalho voluntário. Estas podem ser motivações altruístas, egoístas, de justiça, entre outras. Para o voluntário 9, a sua motivação é puramente altruísta: é a vontade de ajudar, sempre, de fazer bem, sem esperar nada em troca. É o que me move; já para o voluntário 2 é melhorar a vida de alguém um bocadinho, melhorar o mundo de alguma pessoa; motivações de justiça: para o voluntário 20 é tornar o mundo um bocadinho mais justo para todos e, na mesma perspetiva, segundo o voluntário 14 é querer combater as desigualdades.
54 Para além das motivações altruístas e de justiça, também existem as motivações egoístas, como mostra o voluntário 1 as nossas motivações são sempre egoístas (…) eu faço para me sentir bem (…) há sempre um fundo de egoísmo e o egoísmo não é errado (…) faço porque me sinto útil, porque acho que estou a retribuir o muito que me é dado. Por outro lado, também se verificam várias situações em que o altruísmo e o egoísmo se juntam, por exemplo: ajudar os outros, a maior motivação é essa e é este sentido de utilidade na vida (voluntário12); aquilo que começou como altruísmo, de tentar ajudar os outros, eu saio daqui sempre mais realizado (…) tem um lado egoísta e eu tiro benefícios de vir ajudar, para mim. Mentalmente é importante (voluntário 10); sinto que, muitas vezes, posso ser a única pessoa com quem os utentes têm a oportunidade de conversar, seja sobre futebol, meteorologia, ou outros assuntos banais ou não. Isso traz-me uma sensação de propósito e importância, pois percebo que, além de contribuir de uma maneira prática, também ofereço companhia e escuta, algo que pode ser muito significativo para eles (voluntário 8). Por outro lado, também se verificam motivações religiosas, por exemplo: eu não consigo dissociar essa opção da minha fé. A minha motivação começa por ser uma opção de fé, ou seja, aquilo em que acredito é que servir a Deus não pode ser de costas voltadas aos irmãos (voluntário 13); é o mandamento do amor ao próximo, poder contribuir com aquilo que sou e com aquilo que tenho (…) verem também o serviço dos cristãos e da igreja posto em prática. (voluntário 19). Relativamente à questão 7 sobre a relação entre os voluntários e os utentes, a equipa que tem mais contacto com os utentes é a equipa 4, que serve as refeições. A equipa 1 e 2 não tem qualquer contacto, tal como a equipa 6. Já as equipas 3 e 5 têm algum contacto pontual. Neste sentido, foi possível perceber que às vezes é difícil, estas pessoas têm uma certa necessidade de “despejar” as suas mágoas e preocupações em nós (…) mas no geral a relação é muito boa e acho que vê-se mesmo que há muita gente muito grata, a sorrir e a dizer obrigado (voluntário 5); Já têm acontecido situações desagradáveis tanto entre os utentes como para com os voluntários, às vezes têm dificuldades em respeitarem as regras, isto também pelo número elevado que diariamente frequenta a instituição e que pode originar confusão, mas no geral há uma boa relação e até por vezes de entre ajuda (voluntário 15); É uma relação boa. Os voluntários que andam cá são pessoas que gostam de ajudar o próximo, que não fazem discriminação de espécie alguma e eu acho que os utentes sentem isso e que ficam agradados com isso e percebem o esforço que muitos fazem após um dia de trabalho ou voluntários que já são idosos e que dedicam muito o seu dia aqui (voluntário 16).
55 Quanto à questão sobre o número de horas que estão a dar ao projeto e se seria importante existirem mais voluntários para que a carga horária pudesse ser reduzida, a média de horas semanais entre os voluntários entrevistados é de, aproximadamente, 5h e alguns estão confortáveis com a sua carga horária e não sentem necessidade de existirem mais: a importância dos voluntários para reduzir a minha carga horária não é nenhuma, sou sincera, porque estas duas horas para mim são fundamentais por semana (voluntário 2); eu estou bem assim, é o horário que eu gosto (voluntário 9); não sinto necessidade de reduzir a carga horária, muito pelo contrário, acho que o que dou é pouco (voluntário 7); estou confortável com o horário, não preciso de mais voluntários para reduzir o meu horário (voluntário 3); Faço aquilo que posso e não sinto necessidade de reduzir, porque já é muito pouco, mas é o que consigo (voluntário 18). Por outro lado, alguns voluntários consideram importante a existência de mais apoio para conseguirem reduzir a sua carga horária: se existissem mais voluntários, em vez de vir todas as semanas, vinha semana sim, semana não (voluntário 4); se existissem mais voluntários era muito bom, uma vez que estou com vários hobbies e muitas vezes sinto-me na obrigação de vir, com receio de virem poucos e eu falhar (voluntário 19); eu arriscava de vez em quando ficar em casa. Acho que o haver mais voluntários, sobretudo, tornava mais leve para todos, um bocadinho (voluntário 13). O início de uma experiência de voluntariado traz, para muitos, uma transformação a nível pessoal, sensação de empatia, gratidão, orgulho e um sentido renovado de propósito. O sentir que deixamos de ser espectadores passivos das injustiças sociais e da vida de quem luta diariamente contra as dificuldades, para sermos agentes ativos de mudança. Essa consciência traz um sentimento de pertença e realização pessoal, principalmente quando percebemos que o que fazemos é realmente importante e faz a diferença na vida de várias pessoas. Este sentimento é partilhado pelos voluntários da Porta Solidária: eu acho que é realização pessoal mesmo, também posso chamar de felicidade por fazer algo para a sociedade (voluntário 12); motivou a nível pessoal, que me senti útil, numa altura de reforma (…) senti que me levantou um bocadinho (voluntário 11); teve um impacto bastante significativo para mim, a nível de crescimento pessoal (…) ao contactar com a pobreza que às vezes é um tema abstrato, nós sabemos que existe, mas só sentimos verdadeiramente quando contactamos com as pessoas e percebemos a importância de iniciativas como esta (voluntário 19); sinto que desenvolvi mais empatia e uma maior sensibilidade em relação às necessidades dos outros (…) percebo que o voluntariado me exige crescer mais rápido, tanto
56 emocionalmente, como na forma de lidar com diferentes situações e desafios (voluntário 8); sinto-me mais orgulhosa de mim, com uma mente mais aberta e atenta à nossa realidade social (voluntário 14). Relativamente à questão nº 6: em que medida é que sente que o seu trabalho é valorizado? (numa escala de 1 a 5 em que 1 é nada valorizado e 5 é muito valorizado), obtiveram-se os seguintes resultados: • 15 voluntários avaliaram em 5; • 14 voluntários avaliaram em 4; • 1 voluntário avaliou em 3. A questão nº 8: numa escala de 1 a 5, em que 1 é muito má e 5 é muito boa, como avalia a sua relação com os trabalhadores da instituição: • 22 voluntários avaliaram em 5; • 7 voluntários avaliaram em 4; • 1 voluntário não respondeu, pois não tem contacto com os trabalhadores É visível que os voluntários da Porta Solidária gostam de fazer parte do projeto, sentem-se muito valorizados e têm boa relação com os trabalhadores da instituição, o que é muito importante, pois na ausência de remuneração, os voluntários devem sentir-se motivados e valorizados para continuar a ajudar, regularmente. A questão nº 12: se o trabalho fosse pago, quanto acha que seria o preço justo à hora? (até 10€; 10-20€ ou +20€) foi difícil de responder pela maior parte dos entrevistados, uma vez que consideram que o trabalho, sendo voluntário, não deve ser pago, por isso nem consideram a hipótese de receber algum salário e nunca tinham refletido sobre esse assunto. Porém, os resultados obtidos foram os seguintes: • Até 10€: 16 voluntários; • Entre 10 e 20€: 10 voluntários; • + de 20€: 4 voluntários. Com base nos testemunhos recolhidos, foram formuladas duas hipóteses, acima mencionadas, que procuram perceber a importância do voluntariado para um projeto como a Porta Solidária e quais as motivações inerentes ao trabalho voluntário:
57 Tabela n.º10: Resultados da hipótese 1 Entrevistados Hipótese 1: O voluntariado é crucial para o sucesso da Porta Solidária. Voluntário1 É uma importância máxima, se não forem os voluntários, não há kits, não há comida. Portanto, é uma cadeia aqui dentro e também precisamos dos voluntários que nos deem comida, que nos deem um produto. Voluntário 3 Se não houver voluntários, isto não trabalha. Todos nós temos o nosso lugar e todos nós fazemos falta. É para lavar a louça, é para pôr a louça, é para lavar os copos, é para levantar copos da mesa, é para pôr pão, é para encher garrafas d'água, é para ver quem deixa comida debaixo da mesa, quem esconde e quem deita fora. Todos nós temos um trabalho a fazer. Voluntário 19 Porque 98% do trabalho é trabalho voluntário. Algumas funcionárias do Centro Social dão uma ajuda, mas se não fossem os voluntários, das duas, uma tinha que se contratar gente para trabalhar e então os custos aumentavam muito, ou então tinha que se deixar de haver Porta Solidária porque não havia recursos para contratar gente para trabalhar na Porta Solidária. Voluntário 13 Eu acho que são fundamentais e que o projeto não existia se não existissem voluntários Voluntário 10 A Porta Solidária sem os voluntários não tinha capacidade para alimentar 400, 500 pessoas, por isso os voluntários são fundamentais. Sem os voluntários era impossível fazer-se um décimo do que se faz agora Tabela n.º 11: Resultados da hipótese 2 Entrevistados Hipótese 2: Os voluntários são motivados pelo desejo de contribuir para o bem-estar da comunidade. Voluntário 11 A minha motivação é ajudar quem precisa, acho que faz parte de mim, hoje são eles, quase amanhã poderemos ser nós, mas faz parte da minha maneira de ser, acho que é mais por aí, gosto de ajudar. Voluntário 8 Sinto uma forte motivação em ajudar pessoas e contribuir para a vertente social. Acredito que, ao dar mais de mim, posso ser útil na sociedade e fazer a diferença na vida de quem precisa Voluntário 22 Gosto de estar mais envolvida na comunidade local e ajudar quem mais precisa. Voluntário 7 Acho que há sempre pessoas que precisam mais do que nós e que devemos ceder um bocadinho do nosso tempo também a tentar ajudá-los. Pode ser pouco, gostava que fosse mais, mas gota a gota, se todos fizermos um bocadinho chegamos lá. Voluntário 17 A minha motivação é sem dúvida ajudar o próximo, tentar ajudar por mais pouca que seja a minha ajuda, é querer um mundo melhor, com mais igualdade entre todos. Os dados obtidos validaram as hipóteses e confirmaram que o voluntariado é, de facto, uma peça fundamental para o sucesso e sustentabilidade do projeto. O envolvimento ativo dos voluntários Fonte: Elaboração própria com base nas entrevistas aos voluntários Fonte: Elaboração própria com base nas entrevistas aos voluntários
58 assegura, não só, a execução das atividades diárias, como também contribui para a criação de um ambiente de empatia e acolhimento. Os testemunhos evidenciaram que, sem o compromisso e a dedicação dos voluntários, o projeto dificilmente continuaria em funcionamento, principalmente com as mesmas capacidades e a abranger tantas pessoas. A hipótese 2 confirmou que o desejo de contribuir para o bem-estar da comunidade é uma motivação principal para os voluntários. Muitos entrevistados destacaram sentimentos de empatia, justiça social e a necessidade de “fazer a diferença” e “ajudar quem mais precisa” como fatores que os levaram a integrar o projeto. Para concluir, um sentimento que está muito presente nos voluntários é que se todos fizermos alguma coisa por alguém, o Mundo será certamente um lugar melhor. Há sempre alguém com mais necessidade e, juntando a força de todos, é possível melhorar a comunidade e contribuir para o bemestar de cada um. 3.5.3Entrevistas com os doadores Os doadores desempenham um papel decisivo na sustentabilidade de projetos como a Porta Solidária e permitem que as organizações continuem a apoiar pessoas em situação de fragilidade económica e social. Compreender as suas motivações e o impacto das suas contribuições é fundamental para avaliar a sustentabilidade e a eficiência deste tipo de iniciativas. Para além das parcerias com algumas empresas, como referido anteriormente, existem grupos de doadores que se disponibilizam a ir comprar alimentos, sempre que existe essa necessidade. Esses grupos foram criados durante a pandemia e até hoje se mantém ativos e sempre prontos a ajudar. Doam de uma forma altruísta, sem esperar nada em troca, e valorizam mais o propósito social do que qualquer retorno, seja financeiro ou outro. Deste modo, no que toca à questão Qual seria a probabilidade de continuar a ajudar a Porta Solidária se não recebesse benefícios fiscais com a sua doação? Numa escala de 1 a 5, em que 1 é muito improvável e 5 é muito provável, 13 responderam 5, ou seja, é muito provável que continuem a ser doadores, mesmo que não recebam benefícios fiscais e apenas 2 responderam 2, ou seja, é improvável que continuem a doar sem benefícios fiscais. Este dados demonstram que a relação de proximidade com a instituição gera um compromisso que transcende incentivos fiscais e que a ausência de benefícios não comprometeria a continuidade das
59 doações. No entanto, é importante ter em conta que todas as doações são necessárias, por isso deve-se garantir algum incentivo para os doadores que valorizam as questões financeiras. No que toca à questão Considera que a doação poderá gerar um excedente na instituição em determinados momentos é possível referir que as doações estão muito bem organizadas, ou seja, tanto as empresas como os doadores particulares dão, na maior parte das vezes, alimentos nas quantidades certas e todos os meses os mesmos alimentos, para garantir que nada de estraga, como mostra o doador 10 eu acredito nas pessoas da instituição e acredito que se houver excedente elas tratarão de canalizar para outras pessoas ou instituições que também saibam que necessitam e o doador 11 pode haver um excedente muito pontual, mas não acredito (…) porque eu estou aqui diariamente e portanto não dou por dar, dou porque precisam e porque me dizem o que é preciso e, segundo, o volume de utentes é tão grande que eu acho que é difícil haver excedentes. Com base nas entrevistas realizadas, foram formuladas e testadas hipóteses com o objetivo de perceber o perfil e envolvimento dos doadores. Assim, as hipóteses analisadas permitem entender o envolvimento e o compromisso dos doadores para com o projeto e, também, permitem identificar os fatores que asseguram a manutenção das doações. Os resultados das hipóteses testadas são os seguintes: Tabela n.º 12: Resultados da hipótese 3 Entrevistados Hipótese 3: Escolheram a Porta Solidária para doar pela credibilidade do projeto. Doador 11 (…) gosto do projeto, acredito no projeto e vejo sinceridade nas pessoas que estão envolvidas. E pessoalmente, e no meu grupo, somos pessoas solidárias, gostamos de ser solidários para com o próximo, sem estar a olhar quem ajudamos. E acho que a Porta Solidária cumpre estes requisitos. Doador 5 Na época da pandemia, era comum surgirem na televisão reportagens da ação solidária da Porta Solidária junto de quem precisa para obter uma refeição quente. Pessoas ligadas ao mundo do turismo, que de um momento para o outro ficaram sem trabalho, também estavam a pedir ajuda. Com esta memória recente e tendo o nosso CEO, já conhecimento do projeto, fez sentido a Porta Solidária ser uma das instituições escolhidas para ser apoiada Doador 13 Há muitas paróquias que não fazem metade do que esta faz e nem se preocupam com essa parte social. A preocupação do pároco, que é um bocado a nossa, é dar melhor qualidade de vida às pessoas. Isto está a substituir o estado e quando explodem as necessidades, em 2020, eu tive mesmo de fazer alguma coisa e nós é que temos de estar agradecidos à porta solidária de servir de solução nestas coisas todas. Doador 2 (…)E é mesmo de uma importância gigante o trabalho que fazem e por isso para nós faz todo o sentido poder apoiar. Acabam, também, por ser um parceiro, quando falamos mesmo na luta contra o desperdício (…) Doador 1 (…) uma amiga , na pandemia . Relatou que estavam com muitas pessoas para ajudar e precisavam de bens alimentares (…) , é mais uma migalha a juntar a tantas outras e assim podemos ajudar muitas pessoas Fonte: Elaboração própria com base nas entrevistas aos doadores
60 Tabela n.º13: Resultados da hipótese 4 Entrevistados Hipótese 4: A rede existente de doações e parcerias assegura a sustentabilidade do projeto. Doador 11 eu sou a coordenadora de um grupo de doadores (…) ajudamos a Porta semanalmente e neste momento como estamos focados em dar géneros frescos, alimentos frescos (…) Doador 4 Somos uma Empresa comprometida com a nossa comunidade e, dentro do que nos é possível, fazemos doação de produtos nossos com o objetivo de suprir necessidades alimentares das instituições que estão incluídas no nosso Programa de Donativos. Doador 10 É para juntar ao bolo, não é? Eu fico contente por fazer parte da gota d'água. Como dizia a Madre Teresa de Calcutá, no mar, aquela gota d'água, faz falta em todo o universo, nós temos o nosso papel e aqui quanto mais pessoas doarem e ajudarem mais conseguem abrir o leque de pessoas que ajudam. (…) Doador 3 (…)a Porta Solidária é aquela que apoiamos com maior regularidade, pela proximidade, mas também pela importância do trabalho que desenvolvem e por sabermos que realmente ajudam as pessoas. É um projeto que é uma mais-valia grande para a cidade e para as pessoas que lá recorrem. Doador 17 Ao contribuir com alimentos , dinheiro , recolhas pão , e juntamente com muitas mais pessoas doadoras , conseguimos que a Porta Solidária possa continuar a ajudar quem precisa . Fonte: Elaboração própria com base nas entrevistas aos doadores A hipótese 3 é validada, uma vez que as entrevistas indicam que a credibilidade do projeto é um fator determinante para os doadores, bem como a confiança na sua gestão, a transparência das ações e a perceção do impacto positivo na comunidade. A presença da Porta Solidária na comunicação social durante a pandemia, associada a ações concretas de resposta às necessidades emergentes, contribuiu para consolidar a sua credibilidade. Esse reconhecimento público influenciou, principalmente, os doadores. Os testemunhos demonstrados na hipótese 4 validam a hipótese e validam que as doações asseguram a sustentabilidade e, também, demonstram que o projeto depende diretamente da sua rede de doações e parcerias para a sua sobrevivência. Os depoimentos refletem uma forte consciência de que cada doação, mesmo que pareça pequena, é essencial para manter o projeto em funcionamento. A referência à gota d'água de Madre Teresa de Calcutá simboliza essa mentalidade coletiva, em que se cada um der a sua gota d’água é possível criar um lago ou um rio de doações e dar ainda mais respostas às necessidades sentidas pela comunidade. Deste modo, o compromisso coletivo e a regularidade das doações demonstram que a solidariedade em rede é um modelo eficaz para sustentar projetos sociais e os doadores mostram estar comprometidos, uma vez que acreditam na seriedade e relevância do projeto.
67 É notório que o voluntariado desempenha um papel crucial na eficácia da resposta social da Porta Solidária e através do trabalho dedicado dos voluntários, é possível garantir a operacionalidade e o funcionamento do projeto, centrado na organização e distribuição dos alimentos. Deste modo, o voluntariado é uma força motriz que impulsiona o impacto positivo da Porta Solidária na comunidade, fortalecendo os laços sociais e promovendo a solidariedade. No que diz respeito à motivação dos doadores, presente na revisão de literatura e nos resultados obtidos nas entrevistas e na análise do perfil, identificou-se que enquanto algumas pessoas são motivadas por um senso de responsabilidade social e empatia em relação aos mais carenciados, outras são movidas pela satisfação pessoal e pela busca de um propósito maior na vida. Além disso, fatores como experiências pessoais, valores culturais e influências sociais desempenham um papel importante na decisão de contribuir com a Porta Solidária. Compreender essas motivações é essencial para direcionar estratégias de captação de doações e envolvimento da comunidade. Através das entrevistas feitas aos responsáveis, foi possível perceber que a forma como se abordam possíveis doadores é crucial para a sua captação e formalização de parcerias. Explicar a importância da doação de cada um, a diferença de uma doação regular e uma doação pontual, bem como utilizar a transparência do projeto para cativar mais doadores são fatores cruciais para a sustentabilidade. Apesar da importância das doações em dinheiro para suportar custos como àgua, luz, entre outras despesas, o facto de serem feitos pedidos de alimentos em espécie e nunca, no caso das redes sociais, pedidos de dinheiro, faz com que a comunidade entenda que a única preocupação é alimentar quem precisa, quem não consegue alimento de outra forma e este princípio traz mais doadores para o projeto. No que toca às limitações do estudo, apesar de ter sido escolhida uma amostra significativa, algumas entrevistas foram difíceis de combinar dada a pouca disponibilidade das pessoas. Acresce que algumas podiam ter desenvolvido mais as questões, mas não tinham tanto à vontade para tal. Outra limitação identificada é a dificuldade em medir o impacto a longo prazo, bem como a falta de dados sobre a sustentabilidade. Apesar de o projeto funcionar bastante bem e apresentar um grande crescimento ao longo dos anos, a dependência dos voluntários e doadores será sempre vital. No futuro, seria pertinente completar este estudo com uma investigação centrada na gestão dos excedentes de doações em géneros, não só na Porta Solidária, mas também nas restantes organizações sociais da cidade do Porto. O facto da Porta Solidária servir, em média, 400 pessoas por dia, constitui um meio ágil de escoamento de muitos géneros alimentares doados. No entanto, levantam-
68 se questões de organização, de acomodação dos alimentos e da existência de espaço que assegure a sua conservação. Relativamente a sugestões para melhorar o projeto, através das respostas dos voluntários, é muito importante proporcionar-lhes uma formação contínua, em áreas como gestão e mediação de conflitos, primeiros socorros, higiene e segurança alimentar entre outros. Replicar uma iniciativa social como a Porta Solidária é, em teoria, possível, desde que se tenham em consideração os fatores essenciais, como a valorização das pessoas envolvidas, a adaptação ao contexto local e a transparência na gestão. No entanto, trata-se de um processo exigente, que requer tempo, dedicação e muito trabalho colaborativo. Com a chegada da pandemia, o funcionamento do projeto sofreu alterações significativas, principalmente devido ao aumento acentuado da procura de apoio social. Foi necessário encontrar soluções rápidas e eficazes para responder às novas necessidades. Este período coincidiu com uma onda de maior solidariedade por parte da população em geral, incluindo empresas e instituições, o que facilitou a mobilização de recursos e apoios. A resposta positiva da comunidade permitiu não só manter como reforçar o apoio prestado pelo projeto. Os doadores, ao observarem o impacto direto das suas contribuições no dia-a-dia, reconhecem a importância do seu envolvimento, o que é fundamental para garantir a continuidade da ajuda, aumentando assim, o número de doadores regulares e comprometidos nesta iniciativa social. Por fim, é visível a importância da Porta Solidária e de projetos similares no combate à emergência alimentar, iniciativas que desempenham um papel fundamental na garantia do acesso a alimentos para aqueles que mais necessitam, aliviando o impacto da insegurança alimentar, promovendo a dignidade e o bem-estar das pessoas em situação de vulnerabilidade. Através da economia da dádiva e do voluntariado, a Porta Solidária é uma iniciativa social demonstrativa do poder da solidariedade e da cooperação na construção de uma sociedade mais justa, mais equitativa e mais inclusiva.
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76 Anexos Anexo n.º 1: Guiões das entrevistas aos voluntários, doadores e responsáveis da Porta Solidária Guião da entrevista aos voluntários: Questões Objetivos 1Por que decidiu fazer voluntariado? Analisar as razões para alguém tornar-se voluntário 2Qual é o seu papel como voluntário na Porta Solidária? Identificar a importância de cada voluntário ter o seu papel na organização 3O que é que o leva a continuar a ser voluntário? Qual a sua motivação para fazer voluntariado? Identificar as motivações inerentes ao trabalho voluntário 4Como é que o apoio dos voluntários influencia a missão da Porta Solidária? Analisar a importância do trabalho voluntário nas organizações 5Sente que o seu trabalho é valorizado? E que a instituição o acompanha e apoia? Analisar a importância da valorização do trabalho voluntário e do respetivo acompanhamento por parte dos órgãos de gestão 6Se pudesse alterar alguma coisa no funcionamento do projeto, o que seria? Observar a eficácia do projeto e identificar possíveis alterações para melhoramento 7Como vê a relação entre os voluntários e beneficiários? Analisar a relação entre o voluntário e o beneficiário 8Como é a sua relação com os colaboradores da instituição? Analisar a relação entre o voluntário e os trabalhadores da organização 9Por que é que acha que este projeto é importante? Observar o modo como o voluntário valoriza o trabalho da organização 10Quantas horas está a dar ao projeto semanalmente? Quão importante seria se existissem mais voluntários e a sua carga horária pudesse ser reduzida? Analisar a importância de adquirir uma equipa grande de voluntários que permita a sua rotatividade e redução de horário 11Sentiu alguma alteração a nível pessoal, depois de começar a fazer voluntariado? (ex.: aumento da felicidade/realização pessoal)? Investigar o efeito do voluntariado no aumento da autoestima e realização pessoal 12Se o trabalho fosse pago, quanto acha que seria o preço justo à hora? Estudar o montante justo a receber pelos voluntários pelo trabalho desempenhado 13Por que é que acha que este projeto é importante? Observar o modo como o voluntário valoriza o trabalho da organização 14Indique sugestões para melhorar o funcionamento do projeto Observar a eficácia do projeto e identificar possíveis alterações para melhoramento
83 Vol 2: Eu neste momento estou a fazer duas horas e meia, no máximo três horas por semana, à segundafeira. A importância dos voluntários para reduzir a minha carga horária não é nenhuma, sou sincera, porque estas duas horas para mim são fundamentais por semana, portanto, eu não preciso de reduzir a minha carga horária no voluntariado. Q11: Como se sentiu a nível pessoal depois de ter iniciado a sua atividade voluntariada? Por exemplo, aumento da felicidade, da realização pessoal. Vol 2: Muito mais, cada dia que venho aqui, vou para casa com o sentimento de missão cumprida, com a alma lavada e com o coração cheio. Às vezes um bocadinho triste, pela situação das pessoas em si, mas uma tristeza que me leva a valorizar aquilo que eu tenho em casa e o que tenho na minha vida. Portanto, acho que sobretudo é isso É a gente olhar primeiro para o lado positivo e eu tenho uma responsabilidade, sim e levo isto muito a sério. Q12: Se o trabalho fosse pago, quanto é que acha que seria o preço justo à hora? Até 10 euros? 10 ou 20 euros? Ou mais de 20 euros? Vol 2: entre 10 e 20 euros. Q13: Por que é que acha que este projeto é importante? Vol 2: É importante para a comunidade que temos, para o país que temos, para o mundo em que estamos. É importante porque dá comida, porque as pessoas têm fome, há muita fome escondida, portanto, acho que quem vem precisa. É importante para a saúde das pessoas, a todos os níveis, é importante para os voluntários e não voluntários, para os utentes, para as pessoas que cá trabalham, acho que é um projeto que é muito importante. Q14: Indique sugestões para melhorar o funcionamento do projeto. Vol 2: Fazer, se calhar, um bocadinho mais de marketing, sensibilizar, fazer testemunhos, vídeos de testemunhos de voluntários, por exemplo, porque quando a televisão vem cá fazer uma reportagem, há um boom de doações e as pessoas ficam sensíveis. Porque veem, porque aquilo lhes toca e, portanto, eu cada vez que peço às pessoas, dos meus contactos, o que necessitamos mais ou que é urgente, as pessoas sensibilizam-se, agora, somos milhões..
84 Entrevista: Voluntário 3 Q1: Por que decidiu fazer voluntariado? Vol 3:Porque vim pagar uma multa e depois convenceram-me a ficar. Comecei por fazer serviço comunitário, por causa de uma multa, mas depois gostei tanto e fiquei. Isto acaba por ser um vício muito grande. Q2: Qual é o seu papel como voluntário na Porta Solidária? Vol 3:Fico na porta a orientar a fila e as pessoas que entram. Q3: Antes de estar na Porta Solidária, já tinha feito voluntariado? Vol 3:Não Q4: Quais são as suas motivações para fazer voluntariado? Vol 3:Primeiro porque eu gosto disto. Gosto mesmo a sério. Segundo, acho que fazer bem não faz mal a ninguém. Ajudar quem precisa não faz mal a ninguém. Sinto que precisam de mim e que faço falta. Q5: Como é que o apoio dos voluntários influencia a missão da Porta Solidária? Vol 3:Se não houver voluntários, isto não trabalha. Todos nós temos o nosso lugar e todos nós fazemos falta. É para lavar a louça, é para pôr a louça, é para lavar os copos, é para levantar copos da mesa, é para pôr pão, é para encher garrafas d'água, é para ver quem deixa comida debaixo da mesa, quem esconde e quem deita fora. Todos nós temos um trabalho a fazer. Q6: Em que medida é que sente que o seu trabalho é valorizado? Numa escala de 1 a 5, em que 1 é nada valorizado e 5 é muito valorizado? Vol 3:Para mim é 5. Q7: Como é que vê a relação entre os voluntários e os utentes? Vol 3:Acho que depende de nós e da maneira como os aceitamos. Eu tenho amigos e tenho inimigos. Porquê? Porque alguns não gostam da comida, ou não querem comer a sopa e querem deitar Género Idade Hab. Literárias Profissão Estado civil Voluntário há quantos anos F 81 5º ano Reformada Viúva 6 anos
85 fora algo que foi preparado para eles e eu não deixo. Por isso choco com muitos estar fora, querem estragar e eu não deixo. Q8: Como avalia a relação com os trabalhadores da instituição? Numa escala de 1 a 5. Em que 1 é muito má e 5 é muito boa. Vol 3:5 Q9: Desde que está no projeto, já recebeu alguma formação? Vol 3:Recebi no inicio, quando me explicaram como é que funciona o projeto e todo o trabalho, mas tirando isso não recebi formação Q10: Quantas horas é que está a dar ao projeto semanalmente? Quão importante seria, se existissem mais voluntários e a sua carga horária pudesse ser reduzida? Vol 3:Então cerca de 3 horas por dia, 4x por semana o que dá 12h por semana e estou confortável com o horário, não preciso de mais voluntários para reduzir o meu horário Q11: como é que se sentiu a nível pessoal, depois de ter iniciado a sua atividade de voluntariado? (ex: aumento da felicidade, realização pessoal) Vol 3: Autoestima. Tenho 81 anos e isto mostra-me que ainda sou capaz, ainda posso ajudar. Enquanto estiver viva, quero conseguir ajudar sempre e ser útil às outras pessoas. Q12: Se o trabalho fosse pago, quanto acha que seria o valor justo à hora? Até 10 euros? Entre 10 e 20 euros? Ou mais de 20 euros? Vol 3: Mais de 20 euros Q13: Por que acha que este projeto é importante? Vol 3: Porque há muita gente a precisar e há muita que não precisa, mas precisa mentalmente. Meio com fome e necessidade e meio com falta de cabeça. Q14: Indique sugestões para melhorar o funcionamento do projeto. Vol 3: Eu acho que para isto melhorar, tinha que ser feito um apanhado sobre a vida da pessoa. Conhecer a pessoa e saber se vêm por necessidade, ou porque é que vêm. E também era importante fazê-los ver que não recebemos dinheiro do Estado como eles pensam.
86 Entrevista – Voluntário 4 Q1: Por que que decidiu fazer voluntariado? Vol 4: Houve uma coisa que mexeu muito comigo e com a minha vida, que foi a pandemia. Vi no Porto Canal que estavam aqui de voluntários e decidi vir aqui e propor-me a ser voluntária. Q2: E qual é o seu papel como voluntário na Porta Solidária? Vol 4: Eu estou na cozinha, cozinho e ajudo a preparar as refeições. Q3: Antes de estar na Porta Solidária, já tinha feito voluntariado? Vol 4: Não, nunca tinha. Q4: E quais são as suas motivações para fazer voluntariado? Vol 4: As minhas motivações é mesmo ajudar os outros, é dar um bocadinho de mim, porque felizmente tenho uma vida bastante cómoda e vivi sempre um bocado numa bolha e isto abriu-me os horizontes para os outros, basicamente. Vou olhar para os outros e tentar ajudar, dar um bocadinho do meu tempo e basicamente isso. Q5: Como é que acha que o apoio dos voluntários influencia a missão da Porta Solidária? Vol 4: Eu acho que é fundamental, se não fosse dos voluntários, teria sido pessoas funcionárias daqui e ia ter outros custos completamente diferentes, não sei se tinham essa capacidade. Acho que é fundamental para estas instituições de solidariedade haver pessoas voluntárias. Q6: E em que medida é que sente que o seu trabalho é valorizado? Numa escala de 1 a 5, em que 1 é nada valorizado e 5 é muito valorizado? Vol 4: 4. Q7: Como ver a relação entre os voluntários e os utentes? Vol 4: Eu não tenho grande contacto com os utentes. Mas acho que no geral é uma boa relação que têm. Mas também há pessoas que têm mesmo problemas mentais, são bastante violentas, pessoas que não estão habituadas a respeitar grandes normas, nem as pessoas. Algumas colegas já foram agredidas Género Idade Hab. Literárias Profissão Estado civil Voluntário há quantos anos F 54 12º Doméstica Casada 4 anos
87 e insultadas. Eu também já tive um problema aqui com uma senhora do trabalho comunitário. São pessoas que estão mesmo muito, muito maltratadas pela vida. E é difícil, às vezes, escapar disso. Q8: Como é que avalia a sua relação com os trabalhadores da instituição? Numa escala de 1 a 5, em que 1 é muito má e 5 é muito boa? Vol 4: 5 Q9: Desde que está no projeto já recebeu alguma formação? Se sim, quando e onde? Vol 4: Recebi no início, de outros voluntários mais experientes, para aprender a cozinhar para 400 pessoas Q10: Quantas horas é que está a dar o projeto semanalmente? E quão importante seria se existissem mais voluntários e a sua carga horária pudesse ser reduzida? Vol 4: Eu venho às quartas-feiras e fico 3 horas e meia, mais ou menos. 4 horas. Se existissem mais voluntários, se calhar, em vez de vir todas as semanas, vinha semana sim, semana não. Q11: Como se sentiu a nível pessoal depois de ter iniciado a sua atividade de voluntariado? Por exemplo, o aumento da felicidade, a realização pessoal? Vol 4: Para mim aumentou muito a minha felicidade. Sinto-me mais útil. E sei que, apesar das pessoas ali nem saberem quem eu sou, nem o que é que eu faço, eu sei que estou a contribuir para o bem-estar delas e isso é muito gratificante. Q12: Se o trabalho fosse pago, quanto é que acha que seria o preço justo à hora? (até 10 euros, entre 10 e 20 euros ou mais de 20 euros?) Vol 4: Entre 10 e 20. Q13: Por que é que acha que este projeto é importante? Vol 4: É importante porque pega numa franja da sociedade que é completamente ostracizada, que quase é invisível para a maioria das pessoas, e dá-lhes, pelo menos, uma oportunidade. Uma oportunidade de comerem, se calhar também podem pedir apoio jurídico, apoio social. Sei que há pessoas que levam cabazes, levam roupa. Isso faz toda a diferença na vida de uma pessoa que não tem nada, nem tem ninguém.
88 Q14: Indique sugestões para melhorar o funcionamento do projeto. Vol 4: Deviam tentar, seriamente, arranjar mais voluntários. Entrevista: Voluntário 5 Q1: Por que decidiu fazer voluntariado? Vol 5: Nós não vivemos num mundo ideal, então, acho que aquilo que pudermos fazer para contribuir para o mundo ser um bocadinho melhor, acho que temos esse dever. Sempre gostei de fazer voluntariado e do contato com as pessoas. Q2: Qual é o seu papel como voluntário na Porta Solidária? Vol 5: Costumo estar entre a copa e a cozinha, a servir os pratos e a distribuir, ou então a limpar/lavar louça. Faço parte da equipa que serve as refeições, das 17h30 às 20h. Q3: Antes de estar na Porta Solidária, já tinha feito voluntariado? Vol 5: Sim, já tinha feito no Banco Alimentar e na Casa da Criança de Tires, uma espécie de infantário que faz parte do estabelecimento prisional, onde ficam as crianças das reclusas. Q4: Quais são as suas motivações para fazer voluntariado? Vol 5: A entrega.. acho que no fundo quando vens para dar também recebes muito e acaba por ser um processo espontâneo e, para mim, receber a gratidão das pessoas é muito bonito e é muito bonito também receber a gratidão dos outros voluntários. É o estar sempre contacto com outras pessoas, ver outras caras e ver que ninguém está sozinho. Eu sei que se precisar tenho pessoas aqui que estão disponíveis para me ajudar de alguma forma. Q5: Como é que o apoio dos voluntários influencia a missão da Porta Solidária? Vol 5: Os voluntários têm um papel essencial, porque sem voluntários não há porta solidária. Os voluntários são a ponte, o intermediário entre a missão e aquilo que é possível. O voluntariado fomenta um espírito de ajuda de nós para com eles e deles para connosco também. Género Idade Hab. Literárias Profissão Estado civil Voluntário há quantos anos F 24 Licenciatura Enfermeira Solteira 1 ano
89 Q6: E em que medida é que sente que o seu trabalho é valorizado? Numa escala de 1 a 5 em que 1 é nada valorizado e 5 é muito valorizado Vol 5: 4, porque às vezes com alguns utentes é difícil. Q7: Como vê a relação entre os voluntários e destinatários/utentes? Vol 5: Às vezes é difícil. Estas pessoas têm uma certa necessidade de “despejar”, se calhar, as suas mágoas e as suas preocupações em nós. Não é que eles façam por mal mas temos que saber o nosso limite para não dar aso a possíveis abusos. Mas, no geral, a relação é muito boa e acho que vê-se mesmo que há muita gente muito grata, a sorrir e a dizer obrigado. Existe sempre as pessoas mais agressivas ou mais chateadas com a sua vida, mas é importante fazer um esforço para não condenar os outros que não têm culpa. Q8: Como é que avalia a sua relação com os trabalhadores da instituição? Numa escala de 1 a 5 em que 1 é muito má e 5 é muito boa Vol 5: 5 Q9: Desde que está no projeto, já recebeu alguma formação? Se sim, quando e onde? Vol 5: Não, nunca houve formações Q10: Quantas horas é que está a dar ao projeto semanalmente? Quão importante seria se existissem mais voluntários e a sua carga horária pudesse ser reduzida? Vol 5: Para mim não seria importante haver mais voluntários, por enquanto não sinto essa necessidade. Estou a vir 3x por semana e são 3h por dia, por isso dá um total de 9h por semana. Por enquanto está bem assim, consigo conciliar com o meu trabalho. O importante, se calhar, era manter mais gente fixa, porque muitas vezes temos muitos grupos de escolas e empresas que são incertos. Q11: Como é que se sentiu a nível pessoal, depois de teres iniciado a sua atividade de voluntariado? (ex: aumento da felicidade/realização pessoal)? Vol 5: Realização pessoal, acho que sim. Na verdade, às vezes, quando temos tempo livre não sabemos o que fazer com ele e a vida pode parecer um bocadinho aborrecida.. Já acabei de trabalhar, mas agora estou cansada, não apetece fazer nada, o que é que eu vou fazer? Então acho que essa também foi uma alternativa que eu arranjei, esse tédio que eu se calhar sentia quando saia dos turnos e, “ah, não vou
90 fazer nada, estou cansada”. Mas às vezes não era cansaço, é a pessoa não sabe muito bem o que fazer. E também foi uma forma para arranjar algum propósito além do trabalho e sim, fico muito realizada. Q12: Se o trabalho fosse pago, quanto é que achas que seria o preço justo à hora? Até 10 euros, entre 10 e 20 euros ou mais de 20 euros? Vol 5: 10 e 20. Q13: Por que é que acha que este projeto é importante? Vol 5: Acho que não é só a questão da fome, embora a questão da fome seja importante, mas é essa questão de, ok, eu estou a passar por isto, mas eu não estou sozinha, porque tenho gente disponível para me ajudar e tenho outras pessoas que passam por isto, eu não sou a única. Não tenho que ter vergonha de estar a passar por isto, não é? Acho que é muito nesse sentido e depois, aquilo que também é muito importante, documentar aquelas pessoas que também ganham a sua autonomia, a sua independência. Q14: Indique sugestões para melhorar o funcionamento do projeto. Vol 5: A coordenação entre os feriados, a comunicação entre equipas e também gerir melhor a comida, porque às vezes não deixamos repetir, porque não sabemos quantos vêm mais, mas no final acaba por sobrar EntrevistaVoluntário 6 Q1: Por que decidiu fazer voluntariado? Vol 6: Durante toda a minha vida, sempre tentei ter um contato com as pessoas que servisse de ajuda aos outros, e faz-me bem sentir que sou útil. Q2: Qual é que é o seu papel como voluntária na Porta Solidária? Vol 6: Cozinha, faço parte de uma das equipas que confeciona as refeições Q3: Antes de estar na Porta Solidária, já tinha feito voluntariado? Vol 6: Sim, no Hospital de Valbom Género Idade Hab. Literárias Profissão Estado civil Voluntário há quantos anos F 72 Licenciatura Reformada Casada 3 anos
91 Q4: Quais é que são as suas motivações para fazer voluntariado? Vol 6: Tenho que me dar a conhecer, porque preocupo-me muito, muito mesmo, com quem passa dificuldades e sensibilizo-me muito com este assuntos, principalmente quando falamos daqueles que não se podem defender e enche-me o coração porque sei que a comida é feita com cuidado e estamos, realmente, a acabar com a fome na cidade Q5: Como é que acha que o apoio dos voluntários influencia a missão da Porta Solidária? Vol 6: Os voluntários podem ter muita influência na Porta Solidária. Cada um traz a sua gota, uma gotinha muito pequenina. Podem ter géneros, pode ter dinheiro para os comprar, mas se não houver pessoas de boa vontade e de espírito leve que venham para aqui ajudar, acho que a Porta Solidária não funcionará. Q6: Em que medida é que se sente que o seu trabalho é valorizado? Numa escala de 1 a 5, em que 1 é nada valorizado e 5 é muito valorizado. Vol 6: 4 Q7: Como é que vê a relação entre os voluntários e os utentes? Vol 6: Eu não tenho muito essa experiência, porque eu termino de cozinhar e saio antes de começarem a servir, por isso não tenho grande contacto. Assisti a uma ou outra atitude menos conveniente, de uma pessoa um bocadinho mais impaciente, mas vejo e todos os voluntários são pessoas que são carinhosas e são afáveis com os utentes. Q8: Como é que avalia a sua relação com os trabalhadores da instituição? Numa escala de 1 a 5, em que 1 é muito má e 5 é muito boa? Vol 6: 4 Q9: Desde que está no projeto, já recebeu alguma formação? Se sim, quando e onde? Vol 6: Não. Q10: Quantas horas é que está a dar ao projeto, semanalmente e quão importante seria se existissem mais voluntários e a sua carga horária pudesse ser reduzida? Vol 6: Estou a dar aquelas 3 horitas por semana e não acho que tenha necessidade neste momento, de mais voluntários para reduzir o meu horário.
92 Q11: Como é que se sentiu a nível pessoal depois de ter iniciado a sua atividade de voluntariado? Por exemplo, o aumento da felicidade, realização pessoal? Vol 6: Eu aprendi. E não tento com os utentes, como disse, não tenho muito contato com eles. Mas a viver num grupo diferente que era o meu e da vida que tive de trabalho. Mas tive que aprender a lidar com pessoas diferentes, muito diferentes de mim, até na maneira como veem o voluntariado e como veem os utentes. E não... E tive que aprender, que não era tudo à minha maneira, mas a pôr as coisas em que a liberdade de cada um fosse total, porque eu sou completamente pela liberdade. Q12: Se o trabalho fosse pago, quanto acha que seria o preço justo à hora? Até 10 euros, entre 10 e 20 euros, ou mais de 20 euros Vol 6: Entre 10 e 20€ Q13: Por que acha que este projeto é importante? Vol 6: Porque dá conforto, traz um conforto às pessoas e elas sabem que têm aqui um porto de abrigo. Uma sopa e uma comida quente, muitas pessoas vêm como “caridadezinha”, mas é essa caridade que faz a diferença na vida das pessoas Q14: Indique sugestões para melhorar o funcionamento do projeto? Vol 6: Devia haver um contacto de alguém que esteja disponível ou mais disponível ou mais próximo que possa vir numa emergência, ajudar a cobrir uma pessoa que se sinta mal num momento ou uma pessoa que não está bem e não vem à ultima da hora. Entrevista – Voluntário 7 Q1: Por que decidiu fazer voluntariado? Vol 7: Foi por convite de outro voluntário que me disse para me juntar ao projeto, na altura estavam precisar de pessoas para ir buscar as sopas e como tenho uma certa flexibilidade de horário, aceitei. Género Idade Hab. Literárias Profissão Estado civil Voluntário há quantos anos M 62 Licenciatura Empresário Divorciado 2 anos e meio
99 Q7: Como é que vê a relação entre os voluntários e os utentes? Vol 9: É uma boa relação, há sempre exceções, mas no meu ponto de vista se tratarmos os utentes como pessoas normais que são, e com todo o respeito, eles também nos respeitam. Se tivermos um sorriso ou uma palavra amiga, um boa tarde ou um bom dia, eles retribuem também da mesma forma, normalmente. Q8: Como é que avalia a sua relação com os trabalhadores da instituição? Numa escala de 1 a 5 em que 1 é muito má e 5 é muito boa? Vol 9: 5 Q9: Desde que está no projeto, já recebeu alguma formação? Se sim, quando e logo? Vol 9: Não. Q10: Quantas horas é que está a dar ao projeto, semanalmente e quão importante seria se existissem mais voluntários e a sua carga horária pudesse ser reduzida? Vol 9: São 3 dias por semana, cerca de 3 horas por dia, por isso 9 horas por semana e estou bem assim, é este é o horário que eu gosto. Mesmo que venham mais voluntários, acho que nunca são demais, desde que não se atrapalhem, há sempre o que fazer, porque também depende muito dos dias, às vezes temos imensos voluntários, outras vezes são muito poucos e não temos mãos a medir. Q11: Como se sentiu a nível pessoal depois de ter iniciado a sua atividade de voluntariado? Vol 9: Sinto uma satisfação pessoal muito grande, mais significado na sociedade, foi numa altura complicada da minha vida, e portanto foi uma boa exaltação, foi muito importante, foi mesmo muito importante. Q12: Se o trabalho fosse pago, quanto é que acha que seria o preço à hora? Até 10 euros, entre 10 a 20 euros, ou mais de 20 euros? Vol 9: Até 10€. Q13: Por que que acha que este projeto é importante? Vol 9: É importante a nível social, porque há muita gente com necessidades, cada vez mais. Temos muitos imigrantes também. Temos muita gente a passar fome escondido, acho que há muita gente que tem vergonha até se calhar de pedir ajuda. E aqui, como há a possibilidade de vir comer sem terem
100 que se identificar, toda a gente pode vir comer, à exceção das famílias que levam para casa. E sei de muitas pessoas que têm que optar por comer ou pagar a renda. Q14: Indique sugestões para melhorar o funcionamento do projeto. Vol 9: Uma coisa que é difícil é saber quantos voluntários vêm em cada dia, nós temos os grupos no WhatsApp, mas nem sempre respondem e nunca sabemos se vêm 5, 10 ou 20. Entrevista – Voluntário 10 Q1: Por que decidiu fazer voluntariado? Vol 10: Porque acho que tenho obrigação de contribuir para o bem comum. Eu não concebo uma sociedade em que vivemos fechados sobre nós próprios e que o que nos rodeia não é relevante. No meu caso, é relevante e eu preocupo-me com o bem-estar comum, principalmente com quem tem menos possibilidades. Q2: Qual é o seu papel como voluntário na Porta Solidária? Vol 10: Comecei a ir buscar as sopas, duas vezes por semana, ao Hospital Santa Maria. Mas depois vi que isto era muito mais do que recolher sopas. E depois, quer dizer, interessei-me em ajudar. E sempre que posso, ainda hoje, por exemplo, penso em ficar a ajudar. Q3: Antes de estar na Porta Solidária, já tinha feito voluntariado? Vol 10: Não Q4: Quais são as suas motivações para fazer voluntariado? Vol 10: Aquilo que começou como um altruísmo, de tentar ajudar os outros, para mim, eu saio daqui sempre mais realizado. Quer dizer, por um lado saio às vezes triste com as situações, com a sociedade, mas por outro lado, saber que pude fazer alguma coisa para ajudar deixa-me sempre satisfeito comigo Género Idade Hab. Literárias Profissão Estado civil Voluntário há quantos anos M 47 Licenciatura Consultor de enoturismo União de facto 4 anos
101 próprio. Portanto, tem um lado egoísta. E eu tiro benefícios de vir ajudar, para mim. Mentalmente e psicologicamente, para mim, é importante. E, portanto, eu venho com muito gosto. Sempre que posso. E procuro... Quer dizer, é uma coisa que eu procuro envolver-me. Aliás, quando é preciso para campanhas de recolha e tal, eu gosto sempre de ajudar. Por acaso, entretanto, também já me ofereci para o Banco Alimentar. Q5: Como é que o apoio dos voluntários influencia a missão da Porta Solidária? Vol 10: A Porta Solidária sem os voluntários não tinha capacidade para alimentar 400, 500 pessoas, por isso os voluntários são fundamentais. Sem os voluntários era impossível fazer-se um décimo do que se faz agora. Q6: Em que medida que sente que o seu trabalho é valorizado? Numa escala de 1 a 5, em que 1 é nada valorizado e 5 é muito valorizado? Vol 10: 4 Q7: Como é que vê a relação entre os voluntários e os utentes? Vol 10: Há dois tipos de utentes e há dois tipos também de voluntários. Temos o voluntário que não tem a mínima flexibilidade e, portanto, qualquer contratempo da parte de um utente é logo exacerbado a um ponto que às vezes não faz muito sentido, há uma inflexibilidade de alguns voluntários que claramente não têm capacidade de perceber que são pessoas diminuídas e com vidas muito complicadas. A maior parte dos voluntários têm uma boa relação com os utentes, acho que alguns até têm um bocadinho de mais. Eu procuro ajudar sempre naquilo que posso, embora hoje percebo manhas e habilidades que não percebia quando comecei. É muito importante ser justo com quem vem e valorizar as situações que têm de ser valorizadas e há muitos voluntários, nomeadamente os que têm já há anos disto que têm essa preocupação e depois há os voluntários enfim, talvez por virem menos vezes ou por não têm vocação, não conseguem criar uma relação. Q8: Como avalia a sua relação com os trabalhadores da instituição? Numa escala de 1 a 5 em que 1 é muito má e 5 é muito boa. Vol 10: 5
102 Q9: Desde que está no projeto já recebeu alguma formação? Se sim, quando e onde? Vol 10: Não Q10: Quantas horas está a dar ao projeto semanalmente? Quão importante seria se existissem mais voluntários e a sua carga horária pudesse ser reduzida? Vol 10: Quando venho só as sopas, como venho duas vezes, são cerca de duas horas por semana. Quando também fico na equipa da distribuição são 6 horas por semana, por isso depende muito da minha disponibilidade, mas no mínimo 2h. Não me preocupa a carga horária, mas sim o esforço que se faz a carregar as termos. Quando chego à Porta para descarregar tenho sempre ajuda, mas o mais difícil é carregar no Hospital. Q11: Como se sentiu a nível pessoal depois de ter iniciado a sua atividade de voluntariado? Por exemplo, o aumento da felicidade, a realização pessoal? Vol 10: É uma coisa que me realiza, que eu me orgulho e que me deixa mais confortável comigo próprio e com a minha vida. Saber que há umas horas da semana que eu tiro para isto, satisfaz-me muito pessoalmente e sinto-me mais realizado por saber que contribuo na medida do que me é possível para ajudar. Q12: Se o trabalho fosse pago, quanto é que acha que seria o preço justo à hora? Até 10 euros, entre 10 e 20 euros, ou mais de 20 euros? Vol 10: Entre 10 e 20€ Q13: Por que acha que este projeto é importante? Vol 10: Infelizmente, os números dos utentes provam bem que é importante. Há, infelizmente, uma camada da população extremamente instável e com imensas dificuldades. Temos alguns utentes que não têm a vida minimamente estruturada sequer, é uma desgraça completa e também temos, desde a pandemia, uma camada nova de utentes que trabalham, mas não ganham o suficiente para as despesas que têm e para mim é muito dramático. Basta olhar para a fila e consegue-se diferenciar bem. Muitas pessoas criticam a Porta ser aberta a todos, mas para mim ter que estar numa fila para pedir para comer, 99% têm mesmo que precisar. Não há outra hipótese.. Não é possível.
103 Q14: Indique sugestões para melhorar o funcionamento do projeto. Vol 10: A questão da segurança era fundamental, muitas vezes os voluntários não estão seguros, vê-se pelos problemas que já tivemos, era fundamental melhorar a segurança. Muitas das pessoas que vêm cá jantar estão armados com facas. A questão dos muçulmanos, acho que a igreja muçulmana deveria contribuir com algum tipo de apoio, porque é um encargo muito grande para nós, já que cozinhamos alimentos diferentes para eles, porque não comem carne que não seja morta pelo método deles. E deviam vir cá, fazer um levantamento e ajudar-nos. EntrevistaVoluntário 11 Q1: Por que que decidiu fazer voluntariado? Vol 11: Para ajudar o outro, por uma questão de querer ajudar, fazer algo pela sociedade e gosto de ajudar, tenho este sentido de ajuda, e tinha pensado em fazer qualquer coisa e surgiu-me esta oportunidade. Q2: Qual é que é o seu papel aqui como voluntária na Porta Solidária? Vol 11: O meu papel neste momento é cozinhar, mas se for preciso outro, noutro setor, claro que ajudo, mas neste momento sinto que faço mais falta na cozinha, venho duas vezes por semana. Q3: Antes de estar na Porta Solidária já tinha feito voluntariado? Vol 11: Fazia no Hospital Santo António, das oito da manhã às dez, porque as lojas abriam às dez, e eu estava na zona do pé diabético. Fiz durante uns anos. Q4: Quais é que são as suas motivações para fazer voluntariado? Vol 11: A minha motivação é ajudar quem precisa, acho que faz parte de mim, hoje são eles, quase amanhã poderemos ser nós, mas faz parte da minha maneira de ser, acho que é mais por aí, gosto de ajudar. Q5: Como é que o apoio dos voluntários influencia a missão da Porta Solidária? Género Idade Hab. Literárias Profissão Estado civil Voluntário há quantos anos F 65 6º ano Comerciante Divorciada 1 ano e meio
104 Vol 11: É muito, muito. Acho que sem voluntários ia ser muito difícil, se não houvesse... Primeiro, tem que haver quem dê as coisas, mas depois, se não houver quem as confecione e quem as sirva, era impossível. Q6: Em que medida que sente que o seu trabalho é valorizado? Numa escala de 1 a 5, em que 1 é nada valorizado e 5 é muito valorizado? Vol 11: 5 Q7: Como é que vê a relação entre os voluntários e os utentes? Vol 11: Eu acho que eles têm-nos muito respeito. Só o olhar deles para nós, que é um olhar de agradecimento, de gratidão. Sabem que nós estivemos a trabalhar para eles e a fazer com carinho. Eu sinto isso. Q8: Como é que avalia a sua relação com os trabalhadores da instituição? Numa escala de 1 a 5, em que 1 é muito má e 5 é muito boa? Vol 11: 5 Q9: Desde que está num projeto, já recebeu alguma formação? Se sim, quando e onde? Vol 11: Não. A formação foi feita por outras colegas. Pessoal daqui. Q10: Quantas horas é que está a dar ao projeto, semanalmente? E quão importante seria se existissem mais voluntários e a sua carga horária pudesse ser reduzida? Vol 11: Três... É a terça e a sexta. Para mim, o único dia que não me dava jeito era a sexta, porque tenho a família a jantar lá em casa. Mas tento cumprir sempre. Q11: Como se sentiu a nível pessoal, depois de ter iniciado a sua atividade de notariado? Por exemplo, o aumento da felicidade, a realização pessoal? Vol 11: Sim, senti que me motivou, motivou a nível pessoal, que me senti útil, numa altura da reforma, em que a pessoa tem muito mais tempo do que aquele que tinha. Senti que me levantou um bocadinho, saio da rotina com uma coisa que gosto de fazer e que sinto que estou a ajudar, a ajudar quem precisa. Q12: Se o trabalho fosse pago, quanto acha que seria o preço justo à hora? Até 10 euros? Entre 10 e 20 euros? Ou mais de 20 euros? Vol 11: Entre 10 e 20€
105 Q13: Por que acha que este projeto é importante? Vol 11: Para a sociedade, acho que é muito importante. Porque há muitas pessoas, sempre houve, a pobreza sempre existiu, eu lembro-me desde pequena que não era rica, mas havia pessoas mais pobres, mesmo com mais dificuldades que eu, na escola e à volta, e sempre existiu. E acho que devia haver mais deste género, porque isto contribui para que as pessoas passem menos mal. Pelo menos aqui têm onde se agarrar, sabem que têm um mimo, têm uma comida quente, têm umas sandes, têm um sorriso da nossa parte e de quem cá está. Acho que um sorriso é muito bom e não custa, não se paga. Q14: Indique sugestões para melhorar o funcionamento do projeto. Vol 11: Assim, de momento, eu acho que ele está tão bem preparado, está bem pensado, que não me ocorra assim nenhuma sugestão. A sugestão é realmente continuar, porque há sempre boas vontades aqui e há pessoas com muito boa vontade. Eu acho que isto é para continuar e vai cada vez ser melhor, de certeza. Tenho essa ideia que sim, que é um projeto muito bonito. Entrevista: Voluntário 12 Q1: Por que decidiu fazer voluntariado? Vol 12: Eu decidi que quando me reformei, queria ser útil à sociedade.E a razão é essa, que acho que é uma das formas de aproveitarmos bem o tempo. Quando ficamos reformados, é claro que é passar também tempo de qualidade até com a família e tudo, mas depois há uma questão de consciência, quer dizer, de utilidade para a sociedade. Tem a ver com isso, essencialmente. Portanto, parece que vivo melhor podendo dar alguma coisa àquilo que preciso. Podendo ser útil. Portanto, é uma forma de estar na vida, acho que é. É isso. Q2: Qual é o seu papel como voluntário na Porta Solidária? Vol 12: O meu papel, neste momento, é fazer as recolhas dos excedentes na padaria Ribeiro. Q3: Antes de estar na Porta Solidária, já tinha feito voluntariado? Género Idade Hab. Literárias Profissão Estado civil Voluntário há quantos anos F 69 Licenciatura Economista Casada 2
106 Vol 12: Fiz voluntariado num projeto que é o Trajetórias da Foz, que na altura era embrionário e juntava pessoas que nem sequer sabiam ler, com pessoas formadas para ensinarem. Depois estive em Perafita, mesmo no armazém do Banco Alimentar. Q4: Quais são as suas motivações para fazer voluntariado? Vol 12: Ajudar os outros. A maior motivação é essa. E é este sentido de utilidade da vida, não é? Também para o outro. E é essencialmente essa a grande motivação. Q5: Como é que o apoio dos voluntários influencia a missão da Porta Solidária? Vol 12: A Porta Solidária, como qualquer outra instituição, julgo que não conseguiria sobreviver sem esta capacidade humana, não é? Acho que é absolutamente fundamental, não é? E é fundamental que, realmente, os voluntários também estejam de coração. Porque na realidade são o braço direito de qualquer instituição. Q6: Em que medida é que sente que o seu trabalho é valorizado? (numa escala de 1 a 5 em que 1 é nada valorizado e 5 é muito valorizado) Vol 12: 5. Q7: Como vê a relação entre os voluntários e destinatários/utentes? Vol 12: Nunca acompanhei aqui diretamente. Como só faço as recolhas e quando venho trazer a Porta já está fechada, acabo por não ter qualquer contacto, nem com voluntários, nem com utentes. Q8: Numa escala de 1 a 5, em que 1 é muito má e 5 é muito boa, como avalia a sua relação com os trabalhadores da instituição? Vol 12: 5. Q9: Desde que está no projeto já recebeu alguma formação? Se sim, quando e onde? Vol 12: Não. Q10: Quantas horas está a dar ao projeto semanalmente? Quão importante seria se existissem mais voluntários e a sua carga horária pudesse ser reduzida? Vol 12: Eu estou lá muito pouquinho. No fundo, eu vou... Eu vou à Padaria Ribeiro e demoro uma hora e meia. Não é nada.
107 Q11: Como se sentiu a nível pessoal, depois de ter iniciado a sua atividade de voluntariado? (ex: aumento da felicidade/realização pessoal)? Vol 12: Eu acho que é de realização pessoal mesmo. Também posso chamar de felicidade por fazer algo para a sociedade. Q12: Se o trabalho fosse pago, quanto acha que seria o preço justo à hora? (até 10€; 10-20€ ou +20€) Vol 12: Até 10€. Q13: Por que é que acha que este projeto é importante? Vol 12: É absolutamente fantástico, porque este projeto acaba por ser uma forma de pessoas que estão na rua, e não só, e precisam, poderem ter acesso a alimentação. Isso acho absolutamente fundamental. No fundo, este projeto substitui até uma função do Estado. Q14: Indique sugestões para melhorar o funcionamento do projeto. Vol 12: No meu caso, tendo em conta o trabalho que eu faço aqui no projeto, acho que está organizado e está bem gerido. Se calhar, às vezes seria útil que os voluntários se conhecessem. Quem faz as recolhas acaba por estar mais isolado e não tem grande contacto, é como se fosse um trabalho de bastidores. Entrevista: Voluntário 13 Q1: Por que decidiu fazer voluntariado? Vol 13: Na altura foi preciso porque, com a pandemia, muita gente foi embora e estava em causa a manutenção do serviço. Eu, nessa altura, não tinha razões para não ser voluntária, porque muita gente que deixou de vir, deixou de vir por causa de ter medo da pandemia, e eu raciocinei que, sendo o meu marido médico, o mais certo era eu apanhar em casa com ele. Portanto, não tinha nada a perder, não tinha razões para não me ocupar de outra coisa que fosse útil a alguém. Q2: Qual é o seu papel como voluntária na Porta Solidária? Género Idade Hab. Literárias Profissão Estado civil Voluntário há quantos anos F 64 Licenciatura Professora Casada 4 anos e meio
108 Vol 13: Faço o turno de servir das refeições e também coordenar um bocadinho os voluntários, sobretudo aqueles que contactam a paróquia e que é preciso alocar aos diversos turnos. Q3: Antes de estar na Porta Solidária, já tinha feito voluntariado? Vol 13: Sim, ao longo da minha vida fiz outros tipos de voluntariado com pessoas pobres, desde o meu tempo de universidade. Q4: Quais são as suas motivações para ser voluntária? Vol 13: Eu não consigo dissociar essa opção da minha fé. A minha motivação começa por ser uma opção de fé, ou seja, aquilo em que eu acredito é que servir a Deus não pode ser de costas voltadas aos irmãos. Tentar fazer aos outros aquilo que eles precisam e acreditando sempre que Deus não põe ninguém no nosso caminho por acaso. É sempre uma coisa que me tem inspirado. Q5: Como é que o apoio dos voluntários influencia a missão da Porta Solidária? Vol 13: Eu acho que são fundamentais e que o projeto não existia se não existissem voluntários. Claro que quem iniciou o projeto, quem o tem mantido e está muito relacionado com a sua personalidade é o nosso pároco, o Padre Rubens, e ele tem uma grande capacidade de dinamização, de desassossegar as pessoas e de insistir. Mas todos os outros voluntários são importantes e acho que nos dão perspetivas diferentes. Porque, tanto pessoas reformadas que já têm uma experiência grande de vida, como voluntários mais novos, estudantes, universitários, famílias, todos eles têm uma contribuição, uma maneira de ver a sociedade. E eu acho que é isso que é a riqueza da fraternidade. É sermos todos diferentes, mas todos estarmos a servir no mesmo projeto. Eu acho isso que é bastante enriquecedor. Q6: Em que medida é que sente que o seu trabalho é valorizado? Numa escala de 1 a 5, em que 1 é nada valorizado e 5 é muito valorizado? Vol 13: 4 Q7: Como vê a relação entre os voluntários e os utentes? Vol 13: Eu acho que todos os voluntários têm um coração grande e que estão aqui, de facto, para servir. Alguns deixam-se tocar muito pelas situações pessoais, outros revoltam-se com algumas atitudes de alguns utentes. Agora, acho que, de uma maneira geral, há uma boa relação entre os voluntários. Quando não há, as pessoas vão-se embora e, portanto, o problema acaba por se resolver também.
115 Q6: Em que medida é que sente que o seu trabalho é valorizado? (numa escala de 1 a 5 em que 1 é nada valorizado e 5 é muito valorizado) Vol 16: 5 Q7: Como vê a relação entre os voluntários e destinatários/utentes? Vol 16: É uma relação boa. Os voluntários que andam cá são pessoas que gostam de ajudar o próximo, que não fazem discriminação de espécie alguma. E eu acho que os utentes vêm isso e que ficam agradados com isso. Eles percebem o esforço que muitos fazem após um dia de trabalho ou voluntários que já são idosos e que dedicam muito o seu dia aqui. Q8: Numa escala de 1 a 5, em que 1 é muito má e 5 é muito boa, como avalia a sua relação com os trabalhadores da instituição? Vol 16: 5 Q9: Desde que está no projeto já recebeu alguma formação? Se sim, quando e onde? Vol 16: Quando nós chegamos, há pequenas formações, como mostrar as instalações, dizer como é que as coisas funcionam. Essas formações, é óbvio que sim. Se me está a perguntar, formações em entidades creditadas, que eu me esteja a recordar, não. Q10: Quantas horas está a dar ao projeto semanalmente? Quão importante seria se existissem mais voluntários e a sua carga horária pudesse ser reduzida? Vol 16: Muitas, eu aqui na Paróquia faço também outro tipo de trabalhos, estou cá todos os dias, na Porta e não só. Claro que era bom se tivesse mais duas ou três pessoas como eu que tivessem muito tempo livre o podíamos fazer aqui outro tipo de coisas Q11: Como se sentiu a nível pessoal, depois de ter iniciado a sua atividade de voluntariado? (ex: aumento da felicidade/realização pessoal)? Vol 16: A realização pessoal é sempre grande. Quando a gente está a ajudar outras pessoas isso é muito gratificante a nível pessoal. Sinto algum cansaço, porque realmente a pouco e pouco comecei cada vez mais a despender muitas horas por aqui. É inerente que depois vamos tendo conhecimento de algumas situações de vida, algumas histórias de vida muito complicadas, de algumas pessoas que nos pedem ajuda. E invariavelmente isso leva-se para casa, não é? Muitas vezes tira sono. Mas sinto-me muito satisfeita porque vamos conseguindo ajudar muitas pessoas, com os nossos conhecimentos, com os nossos amigos com as ajudas que a própria paróquia dos meios que a paróquia tem, dos recursos que a paróquia pode despender e isso é muito gratificante, não é? Q12: Se o trabalho fosse pago, quanto acha que seria o preço justo à hora? (até 10€; 10-20€ ou +20€)
116 Vol 16: Entre 10 e 20€ Q13: Por que é que acha que este projeto é importante? Vol 16: É um projeto social, é um projeto fundamental na região, no país, para a sobrevivência das pessoas, porque, apesar de estarmos na Europa, haver muitos recursos, e haver muitas instituições, a verdade é que as ajudas, os recursos que o país tem, as estruturas que o país tem, muitas vezes não chegam às pessoas e nós somos a forma mais fácil das pessoas, muitas vezes, começarem a se erguer. Portanto, é fundamental estas instituições da sociedade civil que conseguem dialogar, que não criam barreiras, porque, acima de tudo isso, nós não criamos aqui barreiras. Quando toda a gente fechou a porta, eles recorrem a nós. Porque a gente abre a porta a todos. Q14: Indique sugestões para melhorar o funcionamento do projeto. Vol 16: Precisávamos de uma instalação maior. Precisávamos de formação aos voluntários, até porque a formação motiva também as pessoas. As entidades públicas deveriam, não é poderiam, é deveriam investir um bocadinho em nós. Porque é muito giro quando darmos um número. Entrevista: Voluntário 17 Q1: Por que decidiu fazer voluntariado? Vol 17: Desde pequeno vi a minha mãe a fazer voluntariado e foi algo que ela sempre foi incutindo a mim e aos meus irmãos. Q2: Qual é o seu papel como voluntário na Porta Solidária? Vol 17: O meu papel na porta solidária é fazer o que seja preciso no próprio dia, desde lavar loiça, servir comida como a limpeza do espaço. Q3: Antes de estar na Porta Solidária, já tinha feito voluntariado? Vol 17: Não Género Idade Hab. Literárias Profissão Estado civil Voluntário há quantos anos M 37 9º ano Cuidador de idosos Solteiro 8 anos
117 Q4: Quais são as suas motivações para fazer voluntariado? Vol 17: A minha motivação é sem dúvida ajudar o próximo, tentar por mais pouco que seja a minha ajuda, quer um mundo melhor, com mais igualdade entre todos. Q5: Como é que o apoio dos voluntários influencia a missão da Porta Solidária? Vol 17: Se não fossem os voluntários a Porta Solidária não teria o sucesso que tem há vários anos. Q6: Em que medida é que sente que o seu trabalho é valorizado? (numa escala de 1 a 5 em que 1 é nada valorizado e 5 é muito valorizado) Vol 17: 3 Q7: Como vê a relação entre os voluntários e destinatários/utentes? Vol 17: Vejo dedicação, apoio, palavras de conforto dos voluntários para com os utentes. Q8: Numa escala de 1 a 5, em que 1 é muito má e 5 é muito boa, como avalia a sua relação com os trabalhadores da instituição? Vol 17: 4 Q9: Desde que está no projeto já recebeu alguma formação? Se sim, quando e onde? Vol 17: Não Q10: Quantas horas está a dar ao projeto semanalmente? Quão importante seria se existissem mais voluntários e a sua carga horária pudesse ser reduzida? Vol 17: Neste momento 4h por causa da minha atividade profissional, mas já dei mais, por isso sempre que consigo venho Q11: Como se sentiu a nível pessoal, depois de ter iniciado a sua atividade de voluntariado? (ex: aumento da felicidade/realização pessoal)? Vol 17: Realização pessoal, sentir me útil perante a sociedade ajudando quem mais precisa. Q12: Se o trabalho fosse pago, quanto acha que seria o preço justo à hora? (até 10€; 10-20€ ou +20€) Vol 17: Até 10€. Q13: Por que é que acha que este projeto é importante?
118 Vol 17: É muito importante, pois sem este projeto muitas pessoas não teriam nada para se alimentar dia a dia. Q14: Indique sugestões para melhorar o funcionamento do projeto. Vol 17: Mais diálogo entre o coordenador e os voluntários, e mais organização. Entrevista – Voluntário 18 Q1: Por que decidiu fazer voluntariado? Vol 18: Porque acho que é importante ajudar quem mais precisa e fazer alguma coisa pelos outros e tendo essa oportunidade, que acho que vale a pena fazer. Q2: Qual é o seu papel como voluntária aqui na Porta Solidária? Vol 18: Faço as recolhas nas padarias Ribeiro das sobras de cada dia. Q3: Antes de estar na Porta Solidária, já tinha feito voluntariado? Vol 18: Coordenava a área de voluntariado, na Universidade, juntamente com um grupo de alunos. Q4: Quais é que são as suas motivações para fazer voluntariado? Vol 18: Por um lado, ajudar, dar algo útil do que tenho para ajudar as pessoas que precisam, e , por outro lado, sentir-me útil também. Tenho a felicidade de poder ter uma vida boa e gosto de fazer paz aos outros e de ver a felicidade dos outros quando são ajudados também. Q5: Como é que acha que o apoio dos voluntários influencia a missão da Porta Solidária? Vol 18: Sem os voluntários seria muito difícil continuar a missão e se não fossem pessoas a ajudar, eu acho que era impossível. Com tanta gente que pede ajuda, eu acho que era impossível. Q6: Em que medida que sente que o seu trabalho é valorizado? Numa escala de 1 a 5, em que 1 é nada valorizado e 5 é muito valorizado? Vol 18: 4 Género Idade Hab. Literárias Profissão Estado civil Voluntário há quantos anos F 62 Doutoramento Prof. Universitária Casada 5 anos
119 Q7: Como é que vê a relação entre os voluntários e os utentes? Vol 18: Nunca estive diretamente com os utentes. Q8: Como é que avalia a sua relação com os trabalhadores da instituição? Numa escala de 1 a 5, em que 1 é muito má e 5 é muito boa? Vol 18: 4. Q9: Desde que está no projeto, já recebeu alguma informação? Vol 18: Não. Q10: Quantas horas é que está lá o projeto semanalmente e quão importante seria se existissem mais voluntários e a sua carga horária pudesse ser reduzida? Vol 18: Cerca de uma/duas horas por semana. Faço aquilo que posso e não sinto necessidade de reduzir, porque já é muito pouco, mas é o que consigo. Q11: Como é que se sentiu a nível pessoal depois de ter iniciado a sua atividade de voluntariado? Por exemplo, o aumento da felicidade, a realização pessoal? Vol 18: Sinto-me feliz por poder ajudar um bocadinho, pouquinho, ao êxito da porta. Mesmo sendo um trabalho que às vezes é a hora de jantar o que não é sempre fácil, mas acho que compensa. Q12: Se o trabalho fosse pago, quanto acha que seria o preço justo à hora? Até 10 euros, entre 10 e 20 euros, ou mais de 20 euros? Vol 18: Entre 10 e 20€ Q13: Por que que acha que este projeto é importante? Vol 18: Acho que este projeto é importante porque, infelizmente, e cada vez mais há pessoas que estão em situações mesmo difíceis da vida e não só há pessoas que se calhar sempre estiveram, mas há algumas que entram em grandes dificuldades e há poucos apoios destes na cidade. Por isso, acho que o apoio que é feito aqui, é muito importante para ajudar essas pessoas que de outra maneira se calhar não teriam apoio. Q14: Indique sugestões para melhorar o funcionamento do projeto.
120 Vol 18: Recrutar mais voluntários e fazer parcerias com as universidades, não sei se já o fazem ou não, mas as universidades estão a dar cada vez mais valor ao voluntariado. Também podiam pôr os utentes a ajudar e a tornarem-se voluntários. Entrevista – Voluntário 19 Q1: Por que decidiu fazer voluntariado? Vol 19: Para poder dar um pouco de mim para a sociedade. Retribuir também aquilo que vou recebendo e que recebi. Tentar deixar uma marca positiva, segundo as minhas capacidades, os meus recursos. E porque sou cristão também. Cumprindo o mandamento do amor ao próximo. Q2: Qual é que é o seu papel como voluntário na Porta Solidária? Vol 19: O que tenho feito com mais regularidade agora é lavar louça e também costumo preparar os kits que entregamos aos utentes. Por isso, eu faço parte de dois turnos. Durante a semana, na equipa da distribuição e no domingo no turno da preparação. Q3: Antes de estar na Porta Solidária, já tinha feito voluntariado? Vol 19: De forma regular, não. Q4: Quais são as suas motivações para fazer voluntariado? Vol 19: É o mandamento do amor ao próximo. Poder contribuir com aquilo que sou e com aquilo que tenho, para que os outros possam ser um bocadinho melhores. Estarem um bocadinho melhores, capacitarem-se um bocadinho mais. E, também, verem também o serviço dos cristãos e da Igreja posto em prática. Q5: Como é que o apoio dos voluntários influencia a missão da Porta Solidária? Vol 19: É o mais importante. Porque se os voluntários, de facto, estiverem interessados em servir, pronto, as coisas vão fluindo e se e estiverem interessados em bloquear as coisas, deixa de haver Porta Solidária. Porque 98% do trabalho é trabalho voluntário. Algumas funcionárias do Centro Social dão uma ajuda, mas se não fossem os voluntários, das duas, uma tinha que se contratar gente para trabalhar e Género Idade Hab. Literárias Profissão Estado civil Voluntário há quantos anos M 24 12º Administrativo Solteiro 4 anos
121 então os custos aumentavam muito, ou então tinha que se deixar de haver Porta Solidária porque não havia recursos para contratar gente para trabalhar na Porta Solidária. Q6: Em que medida é que sente que o seu trabalho é valorizado? Numa escala de 1 a 5, em que 1 é nada valorizado e 5 é muito valorizado. Vol 19: 5 Q7: Como é que vê a relação entre os voluntários e os utentes? Vol 19: De uma forma geral, muito positiva. Com interação, com simpatia também, mas já foi melhor, noto isso também, não sei se é pelo cansaço. Uma coisa até que reparo é que, quando vem um voluntário novo e começa a interagir com as pessoas, consigo notar, por exemplo, o tipo de interação que nós tínhamos nos inícios, quando começámos a fazer isto. Ou seja, o que é que acontece agora? As caras são as mesmas. Se calhar já conhecemos algumas das manhas deles, digamos assim. Eu acho que esse fator também influencia para não haver tanto motivo de conversa, tanta empatia. Q8: Como é que avalia a sua relação com os trabalhadores da instituição? Numa escala de 1 a 5, em que 1 é muito má e 5 é muito boa? Vol 19: 5 Q9: Desde que está no projeto, já recebeu alguma formação? Vol 19: Não. Q10: Quantas horas é que está a dar ao projeto semanalmente e quão importante seria se existissem mais voluntários e a sua carga horária pudesse ser reduzida? Vol 19: Entre 5 a 8 horas por semana. Já vim todos os dias, agora já não tenho essa disponibilidade. Se existissem mais voluntários era muito bom, uma vez que estou com vários hobbies e muitas vezes sintome na obrigação de vir, com receio de virem poucos voluntários e eu falhar. Q11: Como é que se sentiu a nível pessoal, depois de ter iniciado a sua atividade de voluntariado? Exemplo, o aumento da felicidade, a realização pessoal Vol 19: Teve um impacto bastante significativo para mim, a nível de crescimento pessoal, a minha relação com a fé, serviço e a relação entre serviço e fé. A nível de crescimento pessoal, ao contactar com a pobreza que às vezes é um tema abstrato. Nós sabemos que existe, mas só sentimos verdadeiramente quando contactamos com as pessoas e percebemos a importância de iniciativas como esta. Confesso
122 que antes de fazer voluntariado, quando chegava a hora de jantar e eu não gostava da comida, dizia à minha mãe que não queria comer e não valorizava o trabalho dela e o prato que tinha à minha frente. Agora penso de forma diferente. Q12: Se o trabalho fosse pago, quanto acha que seria o preço justo à hora? Até 10€, entre 10 e 20€ ou mais de 20€? Vol 19: Mais de 20€. Q13: Por que é que acha que este projeto é importante? Vol 19: Daquilo que eu conheço, é o maior projeto que alimenta as pessoas aqui na Zona Norte e no país não vejo paralelo, sinceramente. Isto a nível de refeição pronta diariamente, nos moldes em que é, tendo em conta também, por exemplo, algumas especificidades religiosas de alguns utentes, que são muçulmanos, e nós fazemos alguma diferenciação. Ou seja, quando cozinhamos carne de porco, nós temos cerca de 200 muçulmanos a vir comer, temos de garantir que essas pessoas possam ter uma alternativa também disponível. E eu não vejo paralelo no nosso país. Para já, servir o número de pessoas que nós servimos todos os dias, e para além disso, ter esta responsabilidade e esta diferenciação positiva, tendo em conta as especificidades da pessoa. Estou a falar dos muçulmanos, mas também temos pessoas vegetarianas e arranjamos sempre uma alternativa. Q14: Indique sugestões para melhorar o funcionamento do projeto. Vol 19: Arranjar voluntários. Fazer mesas mais pequeninas, mais mesas e mais pequeninas, num espaço mais amplo, onde as pessoas pudessem até estar, se calhar, mais tempo no convívio, porque havia, pronto, havia mais margem para. Formação para os voluntários, era importantíssimo, a nível de várias valências, como resolução de conflitos, primeiros socorros, primeiros socorros psicológicos. Entrevista: Voluntário 20 Género Idade Hab. Literárias Profissão Estado civil Voluntário há quantos anos F 25 Licenciatura Estudante de Enfermagem Solteira 2 anos
123 Q1: Por que decidiu fazer voluntariado? Vol 20: Compreender que nascendo com sorte e o privilégio de não passar dificuldades ou fragilidades, tenho o dever de ajudar o outro que não pôde nascer da mesma forma que eu Q2: Qual é o seu papel como voluntário na Porta Solidária? Vol 20: Estou na porta a receber as pessoas e a tornar o dia delas um bocadinho menos sombrio Q3: Antes de estar na Porta Solidária, já tinha feito voluntariado? Vol 20: Sim Q4: Quais são as suas motivações para fazer voluntariado? Vol 20: Tornar o Mundo um bocadinho mais justo para todos Q5: Como é que o apoio dos voluntários influencia a missão da Porta Solidária? Vol 20: Influencia muito, o bem-estar e apoio dos voluntários são o espelho do bem-estar e apoio dos utentes. Q6: Em que medida é que sente que o seu trabalho é valorizado? (numa escala de 1 a 5 em que 1 é nada valorizado e 5 é muito valorizado) Vol 20: 3 Q7: Como vê a relação entre os voluntários e destinatários/utentes? Vol 20: Por norma, com os utentes é boa, vai depender sempre de cada pessoa Q8: Numa escala de 1 a 5, em que 1 é muito má e 5 é muito boa, como avalia a sua relação com os trabalhadores da instituição? Vol 20: 4 Q9: Desde que está no projeto já recebeu alguma formação? Se sim, quando e onde? Vol 20: Não Q10: Quantas horas está a dar ao projeto semanalmente? Quão importante seria se existissem mais voluntários e a sua carga horária pudesse ser reduzida? Vol 20: Tento dar sempre 3h por semana.
124 Q11: Como se sentiu a nível pessoal, depois de ter iniciado a sua atividade de voluntariado? (ex: aumento da felicidade/realização pessoal)? Vol 20: Com sensação de dever cumprido Q12: Se o trabalho fosse pago, quanto acha que seria o preço justo à hora? (até 10€; 10-20€ ou +20€) Vol 20: Até 10€ Q13: Por que é que acha que este projeto é importante? Vol 20: É fundamental para a saúde dos utentes Q14: Indique sugestões para melhorar o funcionamento do projeto. Vol 20: Formação de voluntários frequente (melhorias na comunicação, tratamento e disponibilidade aos utentes), acompanhamento aos utentes (parcerias de saúde), maior divulgação nas redes sociais (melhoria da imagem) EntrevistaVoluntário 21 Q1: Por que decidiu fazer voluntariado? Vol 21: É algo que já faço há bastante tempo de forma a devolver a comunidade o que ela me dá .O falecimento da minha mulher acelerou o processo em termos de maior envolvimento e dedicação essa causa do voluntariado Q2: Qual é o seu papel como voluntário na Porta Solidária? Vol 21: Dou apoio no turno da cozinha no Domingo de tarde Q3: Antes de estar na Porta Solidária, já tinha feito voluntariado? Vol 21: Sim , em diversas organizações, sendo que sou igualmente responsável de uma associação de arte com fins solidários Q4: Quais são as suas motivações para fazer voluntariado? Género Idade Hab. Literárias Profissão Estado civil Voluntário há quantos anos M 55 Mestrado Gestor Viúvo 4 anos
131 Vol 24: 4 Q7: Como vê a relação entre os voluntários e destinatários/utentes? Vol 24: Na grande maioria, positivamente. Infelizmente ocorrem muitas vezes uns desacatos. Q8: Numa escala de 1 a 5, em que 1 é muito má e 5 é muito boa, como avalia a sua relação com os trabalhadores da instituição? Vol 24: 4 Q9: Desde que está no projeto já recebeu alguma formação? Se sim, quando e onde? Vol 24: Não. Q10: Quantas horas está a dar ao projeto semanalmente? Quão importante seria se existissem mais voluntários e a sua carga horária pudesse ser reduzida? Vol 24: Entre 6 a 9 horas. Na maioria dos dias mesmo com voluntários suficientes para tal, não reduziria as minhas horas, mas será sempre útil em alguma eventualidade. Q11: Como se sentiu a nível pessoal, depois de ter iniciado a sua atividade de voluntariado? (ex: aumento da felicidade/realização pessoal)? Vol 24: Maior sensação de realização e comunidade. Q12: Se o trabalho fosse pago, quanto acha que seria o preço justo à hora? (até 10€; 10-20€ ou +20€) Vol 24: 10€ Q13: Por que é que acha que este projeto é importante? Vol 24: Com os contínuos acréscimos de dificuldades socioeconómicas, a existência de projetos comunitários como este tornam-se cada vez mais necessários, para o modesto apoio que possam oferecer, e como exemplo de que é possível ainda uma comunidade se entreajudar, fora de motivos de lucro ou obstáculos políticos. Q14: Indique sugestões para melhorar o funcionamento do projeto. Vol 24: Alguma forma de melhor organizar e comunicar a necessidade de voluntários para determinado dia e equipa. Claro que nunca seria perfeito, mas algum acesso partilhado online ou até em papel que permita ter noção de quem se espera nos próximos dias/semanas, de forma a saber quando teremos
132 algum apoio de um grupo maior tipo uma turma ou escuteiros, saber que voluntários contam mais vir em dias certos por rotina e ter melhor noção de quando muita gente pode vir a faltar. EntrevistaVoluntário 25 Q1: Por que decidiu fazer voluntariado? Vol 25: Sempre senti que a minha profissão estava ligada à missão de ajudar o próximo, por isso o voluntariado funciona como uma extensão natural do meu trabalho e dos meus valores pessoaos Q2: Qual é o seu papel como voluntário na Porta Solidária? Vol 25: Ajudo na preparação dos kits durante a tarde e, às vezes, ajudo a servir as refeições Q3: Antes de estar na Porta Solidária, já tinha feito voluntariado? Vol 25: Sim, em alguns lares, pontualmente. Q4: Quais são as suas motivações para fazer voluntariado? Vol 25: Saber que estou a contribuir para a redução na fome do Porto, que infelizmente ainda é um problema Q5: Como é que o apoio dos voluntários influencia a missão da Porta Solidária? Vol 25: Sem voluntários, o projeto não conseguiria manter a resposta diária. Somos essenciais para garantir o funcionamento. Q6: Em que medida é que sente que o seu trabalho é valorizado? (numa escala de 1 a 5 em que 1 é nada valorizado e 5 é muito valorizado) Vol 25: 5 Q7: Como vê a relação entre os voluntários e destinatários/utentes? Vol 25: De grande respeito e empatia. Procuramos sempre trata-los com muita dignidade Género Idade Hab. Literárias Profissão Estado civil Voluntário há quantos anos F 30 Licenciatura Assistente Social Solteira 2
133 Q8: Numa escala de 1 a 5, em que 1 é muito má e 5 é muito boa, como avalia a sua relação com os trabalhadores da instituição? Vol 25: 5 Q9: Desde que está no projeto já recebeu alguma formação? Se sim, quando e onde? Vol 25: Não. Q10: Quantas horas está a dar ao projeto semanalmente? Quão importante seria se existissem mais voluntários e a sua carga horária pudesse ser reduzida? Vol 25: Estou a dar 2 horas, em média. Até gostaria de dar mais, mas não consigo Q11: Como se sentiu a nível pessoal, depois de ter iniciado a sua atividade de voluntariado? (ex: aumento da felicidade/realização pessoal)? Vol 25: Senti um aumento da minha realização pessoal e propósito Q12: Se o trabalho fosse pago, quanto acha que seria o preço justo à hora? (até 10€; 10-20€ ou +20€) Vol 25: Até 10€ Q13: Por que é que acha que este projeto é importante? Vol 25: Porque responde de uma forma concreta a necessidades básicas que, infelizmente, ainda existem Q14: Indique sugestões para melhorar o funcionamento do projeto. Vol 25: Apostar na formação dos voluntários EntrevistaVoluntário 26 Q1: Por que decidiu fazer voluntariado? Vol 26: Senti vontade de retribuir à comunidade e dar sentido ao meu tempo livre Género Idade Hab. Literárias Profissão Estado civil Voluntário há quantos anos F 37 Licenciatura Gestora Casada 5 anos
134 Q2: Qual é o seu papel como voluntário na Porta Solidária? Vol 26: Ajudo a servir as refeições Q3: Antes de estar na Porta Solidária, já tinha feito voluntariado? Vol 26: Não Q4: Quais são as suas motivações para fazer voluntariado? Vol 26: Fazer a diferença e sentir-me útil Q5: Como é que o apoio dos voluntários influencia a missão da Porta Solidária? Vol 26: Sem a nossa ajuda seria impossível preparar e servir tantas refeições Q6: Em que medida é que sente que o seu trabalho é valorizado? (numa escala de 1 a 5 em que 1 é nada valorizado e 5 é muito valorizado) Vol 26: 5 Q7: Como vê a relação entre os voluntários e destinatários/utentes? Vol 26: Acho que a relação é muito boa, eles percebem que estamos aqui para eles Q8: Numa escala de 1 a 5, em que 1 é muito má e 5 é muito boa, como avalia a sua relação com os trabalhadores da instituição? Vol 26: 5 Q9: Desde que está no projeto já recebeu alguma formação? Se sim, quando e onde? Vol 26: Não, mas era importate Q10: Quantas horas está a dar ao projeto semanalmente? Quão importante seria se existissem mais voluntários e a sua carga horária pudesse ser reduzida? Vol 26: Dou cerca de 7 horas por semana e não preciso de reduzir a carga horária, dou mesmo por vontade Q11: Como se sentiu a nível pessoal, depois de ter iniciado a sua atividade de voluntariado? (ex: aumento da felicidade/realização pessoal)? Vol 26: Senti-me mais feliz e com mais consciência social
135 Q12: Se o trabalho fosse pago, quanto acha que seria o preço justo à hora? (até 10€; 10-20€ ou +20€) Vol 26: Até 10€ Q13: Por que é que acha que este projeto é importante? Vol 26: Porque faz a diferença na vida de centenas de pessoas que, sem este projeto, teriam ainda mais dificuldades Q14: Indique sugestões para melhorar o funcionamento do projeto. Vol 26: Se calhar melhorar a comunicação interna, entre alguns voluntários e investir na formação EntrevistaVoluntário 27 Q1: Por que decidiu fazer voluntariado? Vol 27: Estava muito tempo sozinha em casa, precisava de uma ocupação, mas não queria ir para um centro de dia, queria sentir-me útil. Então a minha filha procurou um projeto de voluntariado que eu pudesse ir e vim aqui parar Q2: Qual é o seu papel como voluntário na Porta Solidária? Vol 27: Venho cá todas as manhãs e ajudo nos kits, a cortar batatas, legumes, etc Q3: Antes de estar na Porta Solidária, já tinha feito voluntariado? Vol 27: Não Q4: Quais são as suas motivações para fazer voluntariado? Vol 27: Sentir-me útil, o que na minha idade já não é muito fácil Q5: Como é que o apoio dos voluntários influencia a missão da Porta Solidária? Vol 27: Acho que somos muito importantes e ajudamos muito Género Idade Hab. Literárias Profissão Estado civil Voluntário há quantos anos F 72 4º ano Reformada Viúva 2 anos
136 Q6: Em que medida é que sente que o seu trabalho é valorizado? (numa escala de 1 a 5 em que 1 é nada valorizado e 5 é muito valorizado) Vol 27: 4 Q7: Como vê a relação entre os voluntários e destinatários/utentes? Vol 27: Não estou com os utentes, mas imagino que seja boa, afinal, este trabalho é para eles Q8: Numa escala de 1 a 5, em que 1 é muito má e 5 é muito boa, como avalia a sua relação com os trabalhadores da instituição? Vol 27: 5 Q9: Desde que está no projeto já recebeu alguma formação? Se sim, quando e onde? Vol 27: Não. Q10: Quantas horas está a dar ao projeto semanalmente? Quão importante seria se existissem mais voluntários e a sua carga horária pudesse ser reduzida? Vol 27: Entre 5 a 7 horas por semana Q11: Como se sentiu a nível pessoal, depois de ter iniciado a sua atividade de voluntariado? (ex: aumento da felicidade/realização pessoal)? Vol 27: Senti-me muito bem, gosto muito de vir Q12: Se o trabalho fosse pago, quanto acha que seria o preço justo à hora? (até 10€; 10-20€ ou +20€) Vol 27: Até 10€ Q13: Por que é que acha que este projeto é importante? Vol 27: Porque ajuda muitas pessoas com dificuldades Q14: Indique sugestões para melhorar o funcionamento do projeto. Vol 27: Não tenho sugestões
137 EntrevistaVoluntário 28 Q1: Por que decidiu fazer voluntariado? Vol 28: Para ocupar o meu tempo e ajudar quem mais precisa Q2: Qual é o seu papel como voluntário na Porta Solidária? Vol 28: Ajudo a servir as refeições, lavar louça, o que for preciso Q3: Antes de estar na Porta Solidária, já tinha feito voluntariado? Vol 28: Já, nos peditórios da Liga Portuguesa contra o Cancro Q4: Quais são as suas motivações para fazer voluntariado? Vol 28: Contribuir para a construção de uma sociedade mais justa Q5: Como é que o apoio dos voluntários influencia a missão da Porta Solidária? Vol 28: Influencia muito, sem os voluntários a Porta Solidária não existia Q6: Em que medida é que sente que o seu trabalho é valorizado? (numa escala de 1 a 5 em que 1 é nada valorizado e 5 é muito valorizado) Vol 28: 4 Q7: Como vê a relação entre os voluntários e destinatários/utentes? Vol 28: Às vezes há confusões, mas no geral a relação é boa Q8: Numa escala de 1 a 5, em que 1 é muito má e 5 é muito boa, como avalia a sua relação com os trabalhadores da instituição? Vol 28: 5 Q9: Desde que está no projeto já recebeu alguma formação? Se sim, quando e onde? Vol 28: Quando vim pela primeira vez explicaram o que eu tinha de fazer Género Idade Hab. Literárias Profissão Estado civil Voluntário há quantos anos M 50 12º ano Desempregado Solteiro 1 ano
138 Q10: Quantas horas está a dar ao projeto semanalmente? Quão importante seria se existissem mais voluntários e a sua carga horária pudesse ser reduzida? Vol 28: Estou a dar 3 horas por semana, não é muito, gostava de dar mais, por isso não sinto que deva reduzir ainda mais se existissem mais voluntários Q11: Como se sentiu a nível pessoal, depois de ter iniciado a sua atividade de voluntariado? (ex: aumento da felicidade/realização pessoal)? Vol 28: É muito bom saber que contribuo para que as outras pessoas se sintam bem e consigam alimentar-se devidamente todos os dias Q12: Se o trabalho fosse pago, quanto acha que seria o preço justo à hora? (até 10€; 10-20€ ou +20€) Vol 28: 10€ Q13: Por que é que acha que este projeto é importante? Vol 28: Porque apoia pessoas reais, em situações de dificuldade e emergência Q14: Indique sugestões para melhorar o funcionamento do projeto. Vol 28: Se calhar apostar mais na formação e preparação para lidar com um grupo tão vulnerável EntrevistaVoluntário 29 Q1: Por que decidiu fazer voluntariado? Vol 29: Quis ajudar a sociedade de alguma forma e tenho uma amiga que também é voluntária aqui e decidi ajudar também Q2: Qual é o seu papel como voluntário na Porta Solidária? Vol 29: Faço recolhas nas Padarias Ribeiro uma vez por semana Q3: Antes de estar na Porta Solidária, já tinha feito voluntariado? Género Idade Hab. Literárias Profissão Estado civil Voluntário há quantos anos F 63 Licenciatura Enfermeira Casada 3 anos
139 Vol 29: Sim, sempre estive ligada a vários projetos, principalmente quando era jovem Q4: Quais são as suas motivações para fazer voluntariado? Vol 29: Solidariedade e empatia para com os mais vulneráveis Q5: Como é que o apoio dos voluntários influencia a missão da Porta Solidária? Vol 29: Do que conheço, acho que sem os voluntários o projeto não existia Q6: Em que medida é que sente que o seu trabalho é valorizado? (numa escala de 1 a 5 em que 1 é nada valorizado e 5 é muito valorizado) Vol 29: 5 Q7: Como vê a relação entre os voluntários e destinatários/utentes? Vol 29: Não tenho contacto com os utentes, não sei Q8: Numa escala de 1 a 5, em que 1 é muito má e 5 é muito boa, como avalia a sua relação com os trabalhadores da instituição? Vol 29: 5 Q9: Desde que está no projeto já recebeu alguma formação? Se sim, quando e onde? Vol 29: Não Q10: Quantas horas está a dar ao projeto semanalmente? Quão importante seria se existissem mais voluntários e a sua carga horária pudesse ser reduzida? Vol 29: 2 horas apenas Q11: Como se sentiu a nível pessoal, depois de ter iniciado a sua atividade de voluntariado? (ex: aumento da felicidade/realização pessoal)? Vol 29: Fico contente por ajudar e conseguir fazer a diferença, por mais pequena que seja Q12: Se o trabalho fosse pago, quanto acha que seria o preço justo à hora? (até 10€; 10-20€ ou +20€) Vol 29: + de 20€ Q13: Por que é que acha que este projeto é importante? Vol 29: Reduz a fome e isso é o mais importante
140 Q14: Indique sugestões para melhorar o funcionamento do projeto. Vol 29: Não tenho sugestões EntrevistaVoluntário 30 Q1: Por que decidiu fazer voluntariado? Vol 30: Por sentir que todos devemos contribuir para uma sociedade mais justa, sair da nossa zona de conforto e ajudar aqueles que não tiveram a mesma sorte que nós na vida Q2: Qual é o seu papel como voluntário na Porta Solidária? Vol 30: Ajudo nas recolhas de alimentos, sopas e a servir as refeições Q3: Antes de estar na Porta Solidária, já tinha feito voluntariado? Vol 30: Antes não, já cá estou há algum tempo Q4: Quais são as suas motivações para fazer voluntariado? Vol 30: Sentido de responsabilidade social, essencialmente Q5: Como é que o apoio dos voluntários influencia a missão da Porta Solidária? Vol 30: Influencia muito mesmo, sem os voluntários acho que os funcionários sozinhos não iam conseguir Q6: Em que medida é que sente que o seu trabalho é valorizado? (numa escala de 1 a 5 em que 1 é nada valorizado e 5 é muito valorizado) Vol 30: 5 Q7: Como vê a relação entre os voluntários e destinatários/utentes? Vol 30: A minha relação é ótima, alguns já conheço há algum tempo e gosto muito de conversar com eles Género Idade Hab. Literárias Profissão Estado civil Voluntário há quantos anos M 21 12º ano Tec. De informática Solteiro 6 anos