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Clara Santos Uncovering Space and Time: Onde se enquadra o Eu nos conceitos de espaço e tempo na arte? Trabalho de Projeto Mestrado em Media Arts Trabalho efetuado sob a orientação da Professora Doutora Susana Gaudêncio outubro de 2024
DIREITOS DE AUTOR E CONDIC"ÕES DE UTILIZAC"ÃO DO TRABALHO POR TERCEIROS Este é um trabalho académico que pode ser utilizado por terceiros desde que respeitadas as regras e boas práticas internacionalmente aceites, no que concerne aos direitos de autor e direitos conexos. Assim, o presente trabalho pode ser utilizado nos termos previstos na licenc"a abaixo indicada. Caso o utilizador necessite de permissão para poder fazer um uso do trabalho em condic"ões não previstas no licenciamento indicado, deverá contactar o autor, através do Repositório UM da Universidade do Minho. Atribuição CC BY https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/ [Esta licença permite que outros distribuam, remixem, adaptem e criem a partir do seu trabalho, mesmo para fins comerciais, desde que lhe atribuam o devido crédito pela criação original. É a licença mais flexível de todas as licenças disponíveis. É recomendada para maximizar a disseminação e uso dos materiais licenciados.]
AGRADECIMENTOS A conclusão desta dissertação representa o culminar de uma jornada de dedicação, desafios e aprendizagens que não teria sido possível sem o apoio e contributo de várias pessoas. Gostaria de expressar a minha sincera gratidão a todos aqueles que, de diferentes formas, tornaram este trabalho possível. Em primeiro lugar, agradeço à minha orientadora, Susana Gaudêncio, pelo seu apoio, orientação e paciência ao longo deste processo. O seu conhecimento, críticas construtivas e incentivo foram fundamentais para o desenvolvimento deste trabalho. Agradeço também aos meus professores e colegas da Universidade do Minho, que ao longo do meu percurso académico me proporcionaram um ambiente estimulante e desafiante, contribuindo para o meu crescimento intelectual e pessoal. O vosso companheirismo e partilha de conhecimentos foram essenciais para a concretização deste projeto. Um agradecimento especial aos meus amigos, especialmente à Vânia Alves, Teresa Braz e Tiago Marques, que estiveram sempre presentes, oferecendo palavras de incentivo e momentos de descontração, fundamentais para equilibrar os momentos de maior pressão. À minha família, especialmente aos meus pais, Ana Lopes e André Santos, e avós, Isabel Ramos, Delfim Conceição, Clara Santos e José Santos, devo o maior dos agradecimentos. O vosso amor, apoio incondicional e confiança nas minhas capacidades foram a base sobre a qual conclui esta etapa da minha vida. A vossa presença e compreensão foram imprescindíveis para que eu pudesse ultrapassar todos os desafios deste percurso. Por fim, agradeço a todas as pessoas que, de forma direta ou indireta, contribuíram para a realização desta dissertação. Este trabalho é também reflexo das vossas contribuições, apoio e confiança. A todos, o meu mais sincero obrigado.
DECLARACÃO DE INTEGRIDADE Declaro ter atuado com integridade na elaboração do presente trabalho académico e confirmo que não recorri à pratica de plágio nem a qualquer forma de utilização indevida ou falsificação de informações ou resultados em nenhuma das etapas conducentes à sua elaboração. Mais declaro que conheço e que respeitei o Código de Conduta Ética da Universidade do Minho.
TÍTULO: Uncovering space and time: Onde se enquadra o Eu nos conceitos de espaço e tempo na arte? RESUMO: Nada é tão simples e ao mesmo tempo tão complexo quanto a percepção que temos sobre o espaço e o tempo. Num mundo em constante transformação como aquele em que vivemos, as dinâmicas sociais moldam e são moldadas pelos espaços que habitamos e pelo suceder do tempo. Na arte, tanto os artistas como o público podem usufruir de diversos formatos de produção e fruição, desde a pintura, música, cinema, escultura ou fotografia, para explorar, refletir e moldar as nossas perspectivas destes conceitos. Neste trabalho de projeto, será feita uma revisão teórica sobre alguns estudos da temática, como a teoria da relatividade, neurociência, filosofia e fotografia. Albert Einstein, Michel Foucault, Roland Barthes e outros autores e artistas, como Hiroshi Sugimoto e Michael Wesely, serão abordados com o intuito de investigar estes conceitos e ideias e que serviram de mote para a elaboração da uma peça artística que reflete sobre eles e que é ancorada numa perspectiva pessoal. A abordagem técnica e artística explora a fotografia, a escultura e o som, apresentando-se como uma instalação. PALAVRAS-CHAVE: Espaço e tempo; espaços heterotópicos; fotografia.
TITLE: Uncovering space and time: Where the self fits into the concepts of space and time in art?! RESUME: Nothing is as simple and at the same time as complex as our perception of space and time. In a constantly transforming world like the one we live in, social dynamics shape and are shaped by the spaces we inhabit and the passage of time. In art, both artists and the public can engage with various forms of creation and appreciation—such as painting, music, cinema, sculpture, and photography— to explore, reflect on, and shape our perspectives on these concepts. In this project, a theoretical review will cover key studies on the topic, including theories from relativity, neuroscience, philosophy, and photography. Albert Einstein, Michel Foucault, Roland Barthes, and other authors and artists, such as Hiroshi Sugimoto and Michael Wesely, will be examined to investigate these concepts and ideas, serving as inspiration for the creation of an artistic piece reflecting on them from a personal perspective. The technical and artistic approach incorporates photography, sculpture, and sound, presenting itself as an installation. KEYWORDS: Space and time; heterotopic spaces; photography.
ÍNDICE: LISTA DE FIGURAS ................................................................................................................ 1 LISTA DE GRÁFICOS ............................................................................................................. 2 INTRODUÇÃO ...................................................................................................................... 3 ENQUADRAMENTO TEÓRICO ................................................................................................ 4 CAPÍTULO 1 ........................................................................................................................... 4 DIMENSÕES DO ESPAÇO E TEMPO NA ARTE: TEORIA, REPRESENTAÇÃO E A FOTOGRAFIA COMO INSTANTE SUSPENSO ............................................................................................................. 4 1.1. ESPAÇO E TEMPO ................................................................................................. 4 1.2. CONCEITOS TEÓRICOS ........................................................................................ 7 1.3. REPRESENTAÇÕES DO ESPAÇO E DO TEMPO NA ARTE .......................................... 8 1.4. FOTOGRAFIAMOMENTO CONGELADO ............................................................... 13 RELAÇÃO DO EU COM O ESPAÇO E O TEMPO ........................................................................ 16 2.1. O ESPECTADOR IMERSO NO ESPAÇO ......................................................................... 16 2.2. O TEMPO FRAGMENTADO E O ANACRONISMO ........................................................... 17 2.3. A EXPERIÊNCIA TEMPORAL E ESPACIAL NA INSTALAÇÃO ............................................ 18 CAPÍTULO 3 ......................................................................................................................... 19 O PAPEL DA ARTE NA RELAÇÃO COM O ESPAÇO E O TEMPO ................................................... 19 3.1. RELAÇÃO DO EU COM A ARTE .............................................................................. 19 3.2. A ARTE, O ESPAÇO E O TEMPO ............................................................................. 20 3.3. A FOTOGRAFIA ENQUANTO FERRAMENTA ARTÍSTICA DE REPRESENTAÇÃO DO ESPAÇO E TEMPO ............................................................................................................ 22 ENQUADRAMENTO PRÁTICO .............................................................................................. 27 1. CONCEITO INAUGURAL ............................................................................................... 27 2. METODOLOGIA E PLANEAMENTO ................................................................................. 48 3. PROCESSO DA CRIAÇÃO ARTÍSTICA ............................................................................. 49
6 correspondência total entre os valores espaciais e temporais porque, em certos casos, o mesmo marcador espacial pode corresponder a marcadores temporais opostos. Assim, apesar de estarem relacionados nos nossos mecanismos linguísticos, são percecionados de maneira distinta, o que justifica a existência de marcadores específicos para cada domínio. Embora muitos sejam ambivalentes entre as duas dimensões, alguns são predominantemente espaciais e outros temporais. A presença destes últimos e a sua não-redução aos marcadores espaciais demonstra que, linguisticamente, o tempo não é simplesmente um reflexo do espaço numa dimensão diferente. Em cerca de metade das línguas do mundo, não há representação de tempo na gramática que especifiquem o passado ou o futuro. Em Amondawa, na Amazónia e os Aborigines, na Austrália (interior), não consideram o tempo como algo independente, no entanto, estas culturas compreendem a ordem temporal e a sequência de eventos de igual forma. Contudo, não é óbvio que este conceito seja entendido universalmente do mesmo modo. Para este projeto, foi levantada a questão de como é que esta maleabilidade afeta a sociedade, o indivíduo e o projeto artístico. Com isto, é relevante compreender como estes temas foram evoluindo e como foram representados ao longo da história, desde estudos sobre a física e a filosofia até às variadas representações trabalhadas por artistas até aos dias de hoje. Gráfico 1. Diagrama de conceitos
7 1.2. CONCEITOS TEÓRICOS Desde o início da história humana, o espaço e o tempo são conceitos que desafiam a nossa compreensão e entendimento sobre o universo. Mas o que é o espaço e o tempo? Como podemos medir estas dimensões? No início do século XX, Albert Einstein apresentou uma nova teoria sobre estes conceitos, dando origem a uma era de revolução intelectual na física moderna. A essência da teoria da relatividade reside na ideia de que o espaço e o tempo são entidades maleáveis, cujas propriedades variam de acordo com a velocidade e o campo gravitacional em que nos encontramos no universo. Einstein propôs que o espaço-tempo é flexível e moldável, curvandose sob a influência de matéria e da energia. Figura 3. Representação do conceito espaço-tempo fléxivel (https://vimeo.com/1054285274) Todos nós já experienciámos momentos em que o tempo parece arrastar-se interminavelmente, enquanto, noutras ocasiões, parece passar rapidamente. Essa variabilidade subjetiva na perceção do tempo pode ser atribuída a uma série de fatores, incluindo estados emocionais, níveis de atenção, experiências passadas, bem como a influência do espaço onde se está. Por exemplo, em situações de perigo, o nosso cérebro pode entrar num estado de hiperfoco e provocar uma sensação de desaceleração do tempo, permitindo-nos processar informação e reagir mais rapidamente. Da mesma forma, quando estamos envolvidos em atividades agradáveis ou absorventes, o tempo parece passar mais rápido do que realmente passa, possivelmente por afetar os sinais de dopamina no cérebro, refletindo a fluidez da experiência subjetiva.
8 Figura 4. Representação do tempo como variabilidade subjetiva (https://vimeo.com/1054284837) O interesse pelo espaço e tempo tem sido também uma constante fonte de fascínio e investigação na literatura e na filosofia. Na filosofia clássica, pensadores como Platão e Aristóteles discutiram a natureza do tempo como uma dimensão fundamental da realidade, enquanto, na Idade Moderna, autores como Descartes e Kant exploraram o espaço e o tempo como categorias fundamentais da mente humana. Uma das abordagens teóricas e filosóficas sobre o conceito de espaço que se irá analisar e refletir é a encontrada na obra "Of Other Spaces - Heterotopias" de Michel Foucault. Neste ensaio, é introduzido o conceito de heterotopias como os espaços físicos ou mentais que desafiam e contrariam as normas e hierarquias convencionais. Foucault descreve a heterotopia como uma utopia real localizada no espaço social, isto é, um "outro" lugar que existe materializado como ressignificação de um lugar concreto num momento específico que pode ser redefinido e regido por regras próprias. Não se trata de uma noção que pertence, na sua totalidade, a uma ideia e não ajuda apenas a pensar, mas também a dar vida a um espaço real e entendê-lo, mesmo que a sua realidade seja utópica. Foucault afirma também que é habitual, todas as sociedades constituírem as suas próprias heterotopias. As heterotopias são então, espaços sociais alternativos e discursivos que atuam como anticonstitucionalidade social. São espaços de produção de novas subjetividades que contêm todas as possibilidades de servir como revolução, reflexão e critica. 1.3. REPRESENTAÇÕES DO ESPAÇO E DO TEMPO NA ARTE Como podemos observar, estes conceitos são dois grandes temas estudados em diversas áreas do conhecimento humano, atravessando fronteiras disciplinares, da física à arte. Entende-se que, desde as teorias de Einstein sobre a relatividade até aos avanços na física quântica e à neurociência que
9 investiga como os percepcionamos e organizamos, são fundamentais para compreender a natureza do universo e sobre nós mesmos. No entanto, é na arte que encontramos uma expressão visceral e sensível. Como exemplo, as pinturas impressionistas convidam o público a mergulhar numa atmosfera quase imersiva. Através de pinceladas rápidas, vibrantes e soltas, que sugerem uma sensação de movimento, os artistas impressionistas criaram uma experiência visual dinâmica e que parece capturar um momento fugaz no tempo, mas em constante fluxo. Encontra-se outro bom exemplo no trabalho de Yayoi Kusama, artista japonesa conhecida pelas suas instalações imersivas e obras de arte que exploram temas como a repetição, o infinito e a expansão do espaço, operando depois ao nível da percepção do tempo de quem as experiencia. Artistas contemporâneos como Anish Kapoor e James Turrell investigam a intercepção entre espaço, luz e percepção, projetam instalações que desafiam a nossa compreensão sobre a realidade física e sensorial. Também Bill Viola explora temas existenciais e espirituais, frequentemente em instalações audiovisuais, de forma a examinar a passagem do tempo e a relação entre o espaço físico exterior e o espaço interior, emocional. Figura 5. Kusama, Y. (2016) All the eternal love I have for the pumpkins [madeira, espelho, plástico, vidro preto, led] Seattle Art Museum (https://icamiami.org/exhibition/yayoi-kusama/)
10 Figura 6. Kapoor, A. (2003) My red homeland [vaselina, aço, motor] The Jewish Museum and tolerance center (https://anishkapoor.com/136/my-red-homeland) Figura 7. Turrel, J. (2011) Amrta, Ganzfeld [luz, espaço] Patina Maldives (https://www.pacegallery.com/artists/james-turrell/)
11 Figura 8. Viola, B. (2000) A scene from ascension [video] The museum of fine arts, Houston (https://www.billviola.com/bibliogr.htm) No campo da fotografia, artistas como Hiroshi Sugimoto e Hiroshi Yamazaki, capturam paisagens em longa exposição ou com aberturas muito reduzidas que resultam em imagens que parecem congelar o tempo e destacar a passagem do mesmo. Também, Michael Wesely, nas suas longas exposições (que chegam a durar meses), regista mudanças subtis no ambiente ao longo do tempo, revelando a efemeridade e a transformação do espaço ao nosso redor.
12 Figura 9. Sugimoto, F. (19871993) Seascapes series [fotografia] (https://fraenkelgallery.com/portfolios/hiroshi-sugimoto-seascapes) Figura 10. Yamazaki, H. (1978) Untitled, from the series the sun is longing for the sea [fotografia] (https://artmuseum.princeton.edu/collections/objects/16404)
13 Figura 11. Wesely, M. (1996-1997) Office of Helmut friedel [fotografia] (https://mkaz.com/bookreviews/open-shutter-by-michael-wesely/) 1.4. FOTOGRAFIAMOMENTO CONGELADO A fotografia — registos de imagens através da escrita da luz e da congelação do tempo — permite que o próprio artista e o público mergulhem em diferentes realidades, desde espaços reais, cénicos ou mentais que proporcionam uma maior introspeção sobre o tempo e a natureza efémera da existência. Dois livros que serviram como base para estudar sobre este subcapítulo foram On Photography (1977) de Susan Sontag e A Câmara Clara (1980) de Roland Barthes. Nestas obras, tanto Sontag quanto Barthes, refletem profundamente sobre a fotografia, explorando a sua natureza e impacto cultural. Embora partilhem interesses comuns, como o papel da imagem na experiência humana e as suas implicações, ambas as abordagens apresentam analogias distintas e, ao mesmo tempo, complementares. Por um lado, Sontag examina a fotografia como uma prática cultural e social, posicionando-a dentro de uma rede de relações de poder, consumo e controlo. Para Sontag, a fotografia desempenha um papel central na forma como a sociedade contemporânea se relaciona com o mundo. Uma das suas analogias mais fortes compara a fotografia à caça, como se o ato de fotografar fosse uma forma de apropriação e domínio da realidade referindo que o fotógrafo, ao capturar uma determinada imagem, está a submeter o objeto a uma forma de controlo, limitando-o a ser simplesmente um produto de
14 mercadoria visual numa sociedade capitalista. Para Sontag, “colecionar fotografias é colecionar o mundo.” (Sontag, 1977, p.3). Isto é, tal como um colecionador coleciona objetos, o fotógrafo coleciona imagens e fragmenta o mundo em pequenos pedaços que podem ser armazenados ou exibidos. Este processo transforma a realidade num conjunto de imagens descontextualizadas que podem ser consumidas e manipuladas, desumanizando os objetos fotografados. Além disso, também reflete sobre a banalização do sofrimento e da violência, argumentando que as imagens fotográficas, ao serem multiplicadas e reproduzidas, anestesiam o público, o que resulta num distanciamento emocional dos eventos representados. Por outro lado, para Barthes a fotografia apresenta uma abordagem mais íntima e subjetiva, e procura entender o seu impacto emocional e ontológico. Enquanto Sontag destaca o papel social e cultural da fotografia, Barthes concentra-se na experiência individual e no significado que certas fotografias podem proporcionar. Introduz assim as noções de studium e punctum como formas de interação com a imagem fotográfica. “O studium é o campo amplo do desejo negligente, do interesse diversificado, do gosto inconsciente: gosto/não gosto” (Barthes, 1980, p.36). Isto refere-se ao interesse cultural, político ou estético que uma fotografia pode causar, um envolvimento mais intelectual e objetivo com a imagem. Em contraste, “o punctum é um “pormenor”, ..., um objecto parcial” (Barthes, 1980, p.52). É aquele cujo detalhe inesperado e penetrante fere o observador, tocando-o a um nível mais íntimo, emocional e pessoal. Esta dicotomia permite que Barthes explore a fotografia não apenas como uma representação da realidade, mas também como uma experiência afetiva, na qual a imagem pode suscitar a memória, saudade e sensibilidade profundas. Uma das analogias mais marcantes de Barthes é a comparação da fotografia à morte. Para o autor, a imagem é uma certidão de presença que congela o tempo e fixa-a num um momento efémero que passa automaticamente para o passado. Este sentido de morte iminente é particularmente evidente quando Barthes reflete sobre a fotografia da sua mãe, onde o objeto fotográfico torna-se um meio de confronto com a perda e a memória. Embora os autores abordem a fotografia a partir de ângulos e abordagens diferentes, ambos reconhecem o seu poder em relação ao espaço, ao tempo e à memória. Tanto um como o outro, veem as imagens fotográficas como uma forma de representação que altera a nossa relação com a realidade. Sontag, com uma posição mais crítica e sociopolítica, explora a imagem como um instrumento de poder e argumenta que molda a nossa percepção do mundo, oferecendo uma forma de contemplação que, ao mesmo tempo, limita e define a realidade. Barthes, de uma perspetiva
15 mais pessoal e filosófica, por sua vez, embora enfatize o caráter afetivo da fotografia, também a considera um meio de captação do real, mesmo sendo uma realidade já perdida. Tendo em conta que o principal objetivo da instalação final deste trabalho de projeto era a fotografia, foram estudadas estas obras com intenção de perceber melhor alguns conceitos teóricos sobre a essência da imagem e como é que o ser humano se relaciona com este formato artístico. Neste sentido, as imagens que foram recolhidas são pequenos fragmentos do mundo, vistos de uma perspectiva íntima e pessoal com a intenção de aproximar o espectador ao caso de estudo principal da obra. Apesar de ser a representação de uma realidade subjetiva numa experiência individual, a ideia era eternizar uma série de momentos únicos, que apesar de, efetivamente, fazerem parte de um espaço temporal passado, se prolongassem e oferecessem, a quem as contemplaria, uma versão ou perspetiva diferente do mesmo mundo. Neste sentido, os registos fotográficos desta obra foram capturados em momentos específicos sem a presença humana incluída com a intenção de comentar sobre questões como a desertificação dos espaços ao nosso redor — campos, casas e parques abandonados, ao longo do tempo, e expor que tal como na fotografia, a nossa própria existência é efémera.
22 o movimento do espetador pelo espaço, como a arte interativa, que explora a imersão do público em ambientes virtuais, realçam a fusão destas dimensões. Neste contexto, o tempo não é apenas uma condição de receção, mas também de participação ativa, em que o público influencia ou altera a obra ao longo do tempo, transformando-se num coautor da obra artística. Em suma, a relação entre espaço e tempo na arte é complexa e multifacetada, variando conforme o meio e o contexto. Se em muitas obras artísticas o espaço predomina, mas o tempo permanece implícito, nas artes performativas e interativas o tempo emerge como uma força central que estrutura a experiência. Contudo, ambas as dimensões são inseparáveis, constituindo-se mutuamente na criação e na receção da obra de arte. Esta relação sublinha a riqueza e a profundidade da experiência estética, na medida em que a arte, independentemente da sua forma, é sempre uma articulação entre o que ocupa o espaço e o que se desenrola no tempo. 3.3. A FOTOGRAFIA ENQUANTO FERRAMENTA ARTÍSTICA DE REPRESENTAÇÃO DO ESPAÇO E TEMPO Desde a sua invenção no século XIX, a fotografia tem desafiado as fronteiras entre a documentação objetiva e a expressão subjetiva, oferecendo novas formas de captar e manipular a realidade. O ato de capturar um momento específico num espaço definido, proporciona um instante que congela o tempo, fixando-o num suporte tangível. Contudo, a fotografia vai além de uma simples reprodução mecânica da realidade; é um meio que permite a exploração profunda das relações entre espaço e tempo. Muitos fotógrafos têm utilizado a fotografia para questionar estas dimensões, manipulando a perceção de ambas para criar narrativas visuais. Do ponto de vista espacial, a fotografia tem a capacidade de enquadrar, recortar e reorganizar o espaço real. O fotógrafo escolhe um determinado ponto de vista e, através da composição, decide o que incluir e o que excluir do enquadramento. Esta decisão é já uma intervenção artística no espaço e através de técnicas como a profundidade de campo, a manipulação da luz e sombra, ou o uso de lentes específicas, o fotógrafo pode transformar a perceção do espaço, criando ilusão de profundidade, expandindo ou contraindo o campo visual. Um exemplo clássico de exploração do espaço na fotografia é o trabalho de Andreas Gursky. Conhecido pelas suas fotografias em grande escala, Gursky utiliza frequentemente uma perspetiva elevada e distanciada para retratar vastos
23 espaços contemporâneos – como paisagens urbanas, interiores de fábricas ou grandes eventos – de uma forma que sublinha a monumentalidade e a repetição. Este fotógrafo, trabalha com o espaço com a intenção de anular o detalhe individual em prol de uma visão quase abstrata da realidade, convidando o espectador a refletir sobre a escala e a globalização. Ao nível do tempo, a fotografia tem uma relação paradoxal. Por um lado, captura um instante específico e irrepetível, uma fração de segundo que é imortalizada. Este conceito de momento decisivo , popularizado por Henri Cartier-Bresson, revela o poder da fotografia em condensar uma narrativa num único frame. Cartier-Bresson, no seu trabalho de fotojornalismo e fotografia de rua, procurava o momento exato em que a composição e o conteúdo se conjugavam para transmitir uma emoção ou contar uma história. No entanto, embora uma fotografia fixe o tempo, ela pode também sugerir a passagem temporal, o antes e o depois do momento capturado. Figura 13. Gursky, A. (2016) Les mées [fotografia] (https://www.artbasel.com/catalog/artwork/54715/andreas-gursky-les-mées?Lang=fr)
24 Figura 14. Cartier-Bresson, H. (1932) Hyéres, France [fotografia] (https://www.centrepompidou.fr/fr/ressources/oeuvre/cl9rgbg) Alguns fotógrafos exploram a temporalidade de formas mais experimentais. Hiroshi Sugimoto, já referido, por exemplo, utiliza a longa exposição para dilatar o tempo das suas imagens. Na série Theaters (1978-), Sugimoto fotografou cinemas e teatros durante a projeção de filmes, deixando o obturador da câmara aberto durante a exibição. O resultado são imagens de ecrãs completamente brancos – devido à acumulação de luz – que contrastam com os detalhes nítidos das salas de espetáculos. Neste trabalho, Sugimoto expande o conceito de tempo fotográfico, não congelando um único instante, mas captando a totalidade de uma duração, transformando o tempo em algo visível e tangível. Esta abordagem desafia a ideia tradicional de que a fotografia captura um momento fixo e explora a possibilidade de ser também um meio de representação do tempo contínuo. Outro exemplo de exploração temporal na fotografia é o trabalho de Eadweard Muybridge, que, no final do século XIX, realizou experiências com a intenção de captar o movimento de humanos e animais através de sequências de imagens tiradas em intervalos rápidos. Muybridge revelou os momentos individuais que constituem o movimento, fragmentando o tempo em diferentes instantes e abrindo caminho para a futura invenção do cinema. Já afirmava Godard que a “Fotografia é a verdade. Cinema é a verdade 24 vezes por segundo.” (Godard, 1963). Esta decomposição é, de certo modo, o oposto do momento decisivo, pois em vez de condensar a narrativa num único instante, Muybridge revela como o tempo é composto por múltiplos fragmentos.
25 Figura 15. Sugimoto, H. (1992) Regency, San francisco [fotografia] (https://fraenkelgallery.com/portfolios/hiroshi-sugimoto-theaters) Figura 16. Muybridge, E. (1878) The horse in motion [fotografia] (https://smarthistory.org/eadweardmuybridge-the-horse-in-motion/) O trabalho de Michael Wesely, já mencionado, é, igualmente exemplar neste sentido. Wesely é conhecido pelas suas fotografias de longa exposição, algumas das quais captam períodos que se estendem por vários dias ou até meses. Na série sobre a reconstrução da Potsdamer Platz , em Berlim, Wesely deixou a câmara que ele desenvolveu com a tecnologia pinhole , que consiste em deixar o obturador da lente aberto por longos períodos de tempo, durante todo o processo de construção, criando imagens que mostram o espaço em constante transformação, com edifícios a surgir e desaparecer numa única fotografia. Aqui, o espaço e o tempo são fundidos de maneira
26 inseparável, permitindo ao espectador ver a passagem do tempo como uma camada sobreposta ao espaço físico. Concluindo, a fotografia, enquanto instrumento artístico, oferece uma exploração profunda e multifacetada da relação entre espaço e tempo. Seja através da manipulação espacial do enquadramento e da composição, ou através da exploração do tempo, sendo ele congelado num instante ou ampliado em longas exposições, a fotografia abre novas possibilidades para a representação visual. O trabalho dos fotógrafos enunciados demonstra a diversidade de abordagens que este meio permite, comprovando que a fotografia é um campo artístico fértil para a reflexão sobre estas dimensões fundamentais.
27 ENQUADRAMENTO PRÁTICO O desenvolvimento técnico, é uma etapa crucial no processo de pesquisa e implementação de soluções em qualquer estudo académico que envolva a criação ou aprimoramento de tecnologias, metodologias ou ferramentas. Neste capítulo, será abordada a concepção, implementação e otimização das tecnologias e métodos utilizados para atingir os objetivos principais. Esta fase é essencial para garantir que os resultados obtidos sejam consistentes e confiáveis, permitindo a validação das hipóteses levantadas e o desenvolvimento de soluções eficazes. 1. CONCEITO INAUGURAL O primeiro passo no desenvolvimento técnico envolveu a definição clara dos requisitos necessários para o sucesso do projeto. Esses requisitos foram obtidos a partir de uma análise detalhada do problema da investigação, dos objetivos estabelecidos no início da pesquisa e de revisões bibliográficas. Foi fundamental identificar as ferramentas e tecnologias adequadas para o desenvolvimento da solução, levando em consideração a viabilidade técnica, os recursos disponíveis e os critérios de desempenho desejados. Nesta fase surgiram as ideias base que envolviam o desenvolvimento de uma escultura, a fotografia e a captação de som. Todas as fotografias foram capturadas com telemóvel pessoal (iPhone 13) com o intuito de desenvolver e reinterpretar uma prática quotidiana, refletindo também sobre os avanços tecnológicos que democratizaram o acesso à criação de imagens. Esta acessibilidade acarretou uma vulgarização do ato de fotografar. O propósito da fotografia, outrora associado à preservação de memórias para revisitar no futuro, transformou-se com o advento das redes sociais. O ato de fotografar com o telemóvel, hoje, é frequentemente efémero e instrumental — capturamos para partilhar de imediato, com a intenção de obter validação social, e raramente revisitamos essas imagens. Os momentos registados servem apenas a um ciclo frenético de publicação e consumo online, sendo rapidamente esquecidos, o que aponta para uma transformação do papel da fotografia. No entanto, a facilidade e a ubiquidade deste dispositivo possibilitam uma exploração mais íntima e imediata de momentos quotidianos. Ao mesmo tempo oferecendo uma oportunidade única para repensar e revitalizar o ato
28 de fotografar, resgatando-o do ciclo de consumo rápido para reaproximá-lo da criação artística e da memória duradoura. Maior parte destas imagens foram fotografadas em formato vertical. Além de destacar a natureza gráfica das cenas compostas por linhas maioritariamente verticais, também procura equilibrar esta ideia de imagem fotográfica como um mero instante de redes sociais ou como um íntimo registo de um momento específico, num espaço específico. A intenção principal seria ignorar todas as regras e formatos convencionais da fotografia e cinema e focar apenas numa história, num espaço temporal e físico que resultasse num ou vários sentimentos. Posteriormente, foram editadas com inversão cromática para as futuras impressões em acetato. Imagens capturadas para o projeto final: Figura 17. Int. Cozinha industrial, Vila Nova de Gaia, Portugal
29 Figura 18. Int. Vilar do paraíso, Portugal Figura 19. Ext. Vilar do paraíso, Portugal
30 Figura 20. Ext. Vilar do paraíso, Portugal
31 Figura 21. Ext. Vilar do paraíso, Portugal
38 Figura 33. Ext. Aveiro, Portugal
39 Figura 34. Ext. Aveiro, Portugal
40 Figura 35. Ext. Aveiro, Portugal Figura 36. Ext. Pega, Guarda, Portugal
41 Figura 37. Ext. Pega, Guarda, Portugal Figura 38. Ext. Pega, Guarda, Portugal
42 Figura 39. Ext. Pega, Guarda, Portugal Figura 40. Int. Estufa fria, Lisboa, Portugal
43 Figura 41. Int. Estufa fria, Lisboa, Portugal Figura 42. Int. Estufa fria, Lisboa, Portugal
44 Figura 43. Int. Mercado, Braga, Portugal Figura 44. Ext. Mantes-La-Jolie, Paris, França
45 Figura 45. Ext. Square Louise Michel, Paris, França
46 Figura 46. Int. Estação Place De Clichy, Paris, França Figura 47. Int. Estação, Paris, França
47 Figura 48. Ext. Estação de Miramar, Portugal Figura 49. Ext. Olival, Portugal
54 Figura 59. Acabamento com massa e tinta spray Figura 60. Aplicação das imagens na estrutura
55 Figura 61. Experiências da projeção das imagens em tela branca Figura 62. Faixa sonora da peça em Reaper (https://soundcloud.com/user-523772429/uncoveringspace-and-time)
56 4. DESAFIOS Este projeto enfrentou uma série de desafios ao longo do processo de execução técnica e prática, especialmente no que diz respeito à escolha e manipulação dos materiais, à montagem da estrutura e à configuração da luz. Inicialmente, a escolha do material para a estrutura revelou-se problemática por ser um tipo de tubo cuja grossura, embora aparentasse ser robusta e adequada à visão geral do projeto, interferiu com a sua estética na projeção. Durante a fase de manipulação do material, o uso de uma máquina para conectar os tubos mostrou-se difícil e pouco eficiente, gerando complicações na sua montagem. Além disso, o custo elevado deste material acabou por exceder o orçamento previsto, o que levou à reconsideração das opções. O segundo material escolhido, apesar de ser mais acessível e esteticamente compatível com o conceito, mostrou-se demasiado frágil para suportar o processo de manuseamento necessário para obter a forma desejada. Além disso, as interseções entre os tubos não eram perfeitas, o que poderia prejudicar a estabilidade da peça. Esta falha foi resolvida posteriormente com a aplicação de massa nas junções, conferindo maior resistência ao produto final. Outro desafio foi a seleção de uma gráfica para a impressão das fotografias que iriam ser integradas na estrutura. Era necessário encontrar um serviço que oferecesse preços acessíveis, mas que mantivesse um alto nível de qualidade, especialmente para as impressões em tamanhos A3. Após uma pequena pesquisa, conseguiu-se uma gráfica que atendesse às exigências do projeto. Contudo, ao anexar as fotografias à estrutura, surgiram imperfeições no acabamento do interior da peça, sendo solucionado com o uso de fita-cola preta, para cobrir as imperfeições e reforçar a sua resistência, evitando deteriorações. A iluminação também foi um ponto crítico no processo. A curta distância disponível, cerca de 1m dentro da estrutura mais 1m até à tela de projeção, acabava por ser sempre demasiado intensa, e encontrar a potência ideal para o efeito foi um processo demorado e complexo. A solução final passou por utilizar uma luz LED com ligação USB, que, apesar de ser adequada em termos de iluminação,
57 acrescentou bastante dificuldade ao sistema de ligações, especialmente na integração com o sensor de movimento. Quanto à tela de projeção, foi necessário desenvolver uma estrutura autónoma, uma vez que o espaço expositivo não permitia furar as paredes, no entanto, esta foi montada garantindo a integridade do espaço e evitando danos, de forma suspensa nas calhas da sala com fio de pesca em 3 pontos à mesma distância e um tubo de PPR de 2m com alguma curvatura para acompanhar a projeção e um pano branco com 2m por 2m. Relativamente ao local da instalação, foi reservado um canto da sala, estrategicamente escondido por uma cortina preta. No entanto, houve alguma interferência de luz indesejada de outra peça exposta na mesma sala, que impactou negativamente o resultado pretendido. Esta proximidade impôs a utilização de auscultadores, de modo a não interferir com o som da instalação adjacente, acabando por condicionar a liberdade de exploração sonora que inicialmente se pretendia para a peça. Em suma, os desafios encontrados no desenvolvimento prático desta instalação foram superados através de soluções criativas e pragmáticas, embora tenham exigido adaptações significativas ao objetivo inicial. Cada obstáculo enfrentado contribuiu para a evolução do trabalho e enriqueceu o processo criativo, resultando numa instalação que reflete o esforço de adaptação e resolução de problemas inerente a projetos artísticos desta natureza. 5. MONTAGEM A montagem da instalação Uncovering Space and Time decorreu nos dias 16 e 17 de julho de 2024, sendo inaugurada no dia 18 de julho de 2024, em exibição até dia 27 de julho de 2024. Esta última fase do processo de contexto prático foi bastante simples, uma vez que na sua maioria, não sofreu alterações do que foi previamente desenvolvido em estúdio.
58 Inicialmente, foram estudadas as dimensões do espaço disponível da sala de formação do Gnration 1 para se pendurar a tela. Foi escolhido um canto, para que o tubo de suporte da tela se mantivesse curvo durante o tempo da exposição e posteriormente medidos os fios nylon que os suspendia. Devido ao material reduzido para a reprodução do som, foram usados um leitor MP3 e um par de auscultadores disponibilizados pelo Gnration. De seguida, foi pensada a disposição, mais discreta possível, dos fios que ligavam a luz, o sensor de movimento e o reprodutor de som à tomada. Foram também tapadas as janelas e a porta do espaço, para evitar qualquer tipo de iluminação exterior que pudesse prejudicar a peça, uma vez que a luz para a projeção era muito subtil e podia facilmente ser abafada por outras luzes que não a definida inicialmente. Por fim, programou-se o sensor de movimento para o tipo de iluminação do espaço e a sua duração útil e foram disponibilizados um suporte para pendurar os auscultadores e um pano preto para tapar os fios do interior da peça. Figura 63. Espaço definido para a exposição no gnration 1 Resultante da Braga 2012 – Capital Europeia da Juventude, o gnration é um espaço de criação, performance e exposição nos domínios da música e arte contemporâneas, e da relação entre arte e tecnologia. (https://www.gnration.pt/informacao/#gnration-o-que-e)
59 Figura 64. Processo de montagem (gnration) Figura 65. Estudo da luz no espaço Ggnration)
60 6. TABELA DE CUSTOS Apresentação de uma tabela referente aos custos dos materiais utilizados apenas para a exposição final: ITEM DESCRIÇÃO QUANTIDADE VALOR UNI TOTAL 1 Tubo PPR 20mm (2m) 1 2.89€ 2.89€ 2 Pano Branco (2mx3m) 1 10€ 10€ 3 Fio Nylon (10m) 1 3.59€ 3.59€ 4 Tubo PVC 20mm (3m) 1 2.45€ 2.45€ 5 Tubo PVC 15mm (3m) 1 1.90€ 1.90€ 6 Tubo PVC 10mm (3m) 2 1.40€ 2.80€ 7 Cola Loctite 1 18.06€ 18.06€ 8 Impressões A3 14 1.20€ 16.80€ 9 Impressões A4 16 0.90€ 14.40€ 10 Cola UHU 1 2.59€ 2.59€ 11 Fita de isolamento 1 3.79€ 3.79€ 12 Luz 1 12.89€ 12.89€ 13 Sensor 1 26.90€ 26.90€ 14 Conectores 1 7.50€ 7.50€ 15 Massa Aguaplast 1 5.19€ 5.19€ 16 Tinta Spray preto c/ textura 1 12.99€ 12.99€ TOTAL - - - 144.74€
61 7. REGISTO FOTOGRÁFICO DA EXPOSIÇÃO A inauguração da segunda edição de exposições finais do Mestrado em Media Arts do Instituto de Ciências Sociais da Universidade do Minho, que inseriu este projeto, teve início no dia 18 de julho de 2024 e esteve disponível ao público, de forma gratuita, até ao dia 27 de junho de 2024. Folha de Sala: Uncovering Space and Time, por Clara Santos Nada é tão simples e ao mesmo tempo tão complexo quanto a percepção que temos sobre o espaço e o tempo. Esta instalação é um projeto de investigação artística que explora o mundo que vivemos como um conjunto de características em constante evolução e como as dinâmicas sociais moldam e são moldadas pelos lugares que habitamos e pelo percorrer do tempo. Este estudo aborda algumas perspetivas sobre estes conceitos através da fotografia e de exploração sonora. Nesta instalação são expostas imagens de espaços mortos que em tempos foram vivos, acompanhadas de uma trilha sonora que contraria a ideia de desertificação destes lugares como o próprio afastamento que temos das pessoas que fomos em cada um destes espaços em tempos diferentes. Em seguida apresentam-se alguns registos fotográficos da instalação tal como foi apresentada ao espectador, incluindo a sua interação com a peça e alguns planos de detalhe e, posteriormente, registos à porta fechada com intenção de mostrar a peça inteira e o conceito geral.
62 Figura 66. Plano médio da interação do público com a peça final (fotografia de Manu) Figura 67. Plano médio da peça final (fotografia de Manu)
63 Figura 68. Plano de detalhe da estrutura (fotografia de Manu) Figura 69. Plano geral da peça final à porta fechada (fotografia de Lais Pereira)
70 Referências bibliográficas Andréka, H., Madarász, J. X., & Németi, I. (2007). Logic of space-time and relativity theory. In Handbook of spatial logics (pp. 607-711). Springer Netherlands. Augé, M. (2020). Non-places: An introduction to supermodernity . Verso Books. Bair, N. (2016). The Decisive Network: Producing Henri Cartier-Bresson at Mid-Century. History of Photography, 40 (2), 146–166. https://doi.org/10.1080/03087298.2016.1146445 Bishop, C. (2011). Installation Art . Tate Publishing. Didi-Huberman, G. (2017). Diante do tempo. História da arte e anacronismo das imagens . Orfeu Negro. Evans, V. (2005). The Structure of Time , John Benjamins Publishing Company. Fontcuberta, J., & Batchen, G. (2005). Landscapes without memory . Aperture. Foucault, M., & Miskowiec, J. (1984). Of Other Spaces . Utopias and Heterotopias. Architecture Mouvement Continuité. Harney, Y. B., & Wositzky, J. (1996). Born under the paperbark tree: a man's life: from the land of the Lightning Brothers . ABC Book. Lardinois, B. (Ed.). (2007). Magnum Magnum . Thames & Hudson. Maudlin, T. (2012). Philosophy of physics: Space and time (Vol. 5). Paillard, J. (1991). Motor and representational framing of space . Oxford University Press. Redstone, E. (2014). Shooting space: architecture in contemporary photography . Phaidon. Silva Sinha, V. da (2019). Event-Based Time in Three Indigenous Amazonian and Xinguan Cultures and Languages. Front. Psychol. 10 (454). https://doi.org/10.3389/fpsyg.2019.00454 Sontag, S. (2001). On Photography . Penguin Books. Sugimoto, H. (2023). Time Machine . Hatje Cantz. Szaniawski, J. (2014). The cinema of Alexander Sokurov: Figures of paradox . Columbia University Press. Tarkovsky, A. (1989). Sculpting in time: Reflections on the cinema . 1985. University Of Texas Press. Teixeira, J. (2006). Os processos diferenciados entre o português e outras línguas na conceptualização da linearidade gráfica, VII Congrés de Linguística General –Actes, Universidade de Barcelona, Barcelona (CD-Rom: ISBN 84-475-20868; Depósito Legal B. 11655-2006) Traugott, E. C. (1978). On the expression of spatio-temporal relations in language. In J. H. Greenberg (Ed.), Universals of human language , 3. Stanford University Press. Kusama Y., Tatehata A., Hoptman, L. J., Kultermann U., Taft, C., & Phaidon Verlag Gmbh. (2017). Yayoi Kusama . Ny Phaidon Press.