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Universidade do Minho Escola de Psicologia Helena Isabel Moreira Arriscado Autoeficácia e estratégias parentais para controlo de peso em crianças com excesso de peso junho de 2019 UMinho | 2019 Helena Arriscado Autoeficácia e estratégias parentaispara controlo de peso em crianças com excesso de peso
Helena Isabel Moreira Arriscado Autoeficácia e estratégias parentais para controlo de peso em crianças com excesso de peso Dissertação de Mestrado Mestrado em Psicologia Aplicada Trabalho efetuado sob a orientação da Professora Doutora Sónia Ferreira Gonçalves Universidade do Minho Escola de Psicologia junho de 2019
ii DIREITOS DE AUTOR E CONDIÇÕES DE UTILIZAÇÃO DO TRABALHO POR TERCEIROS Este é um trabalho académico que pode ser utilizado por terceiros desde que respeitadas as regras e boas práticas internacionalmente aceites, no que concerne aos direitos de autor e direitos conexos. Assim, o presente trabalho pode ser utilizado nos termos previstos na licença abaixo indicada. Caso o utilizador necessite de permissão para poder fazer um uso do trabalho em condições não previstas no licenciamento indicado, deverá contactar o autor, através do RepositóriUM da Universidade do Minho. Licença concedida aos utilizadores deste trabalho Atribuição-NãoComercial-SemDerivações CC BY-NC-ND https://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0/
iii Agradecimentos O presente trabalho representa o parágrafo conclusivo de cinco anos que ficarão eternizados por muitas aprendizagens, muitos sorrisos, muitas lágrimas, mas acima de tudo, por pessoas muito especiais. Primeiramente, pela incrível orientação que deu ao longo deste processo, pela assertividade, pela disponibilidade, mas acima de tudo, pela capacidade de me potenciar e motivar, um especial agradecimento à Professora Sónia Gonçalves. Um grande agradecimento ao Professor Diretor Fausto, pelo carinho, dinâmica e simpatia que tornaram possível a recolha de dados. Às amizades que tive a sorte de construir nesta jornada, que foram pilares destes cinco anos. Aos Mesmos de Sempre − Adriana, Mabi, Magalhães, Fábio e Moreira – obrigada pela viagem incrível amigos! Sem vocês nada disto faria sentido. À Diana, Vânia e Teles por sempre terem acreditado e pelo apoio incansável. Por último, porque o que é mais importante fica para o fim, um obrigado do tamanho do mundo à minha família. Aos meus avós, por me ensinarem que a vida é feita de gestos de amor. Aos meus tios e primos por me mimarem e por estarem sempre lá: um especial agradecimento a ti, tia Márcia, por teres sempre a mão e o coração para me dar. À minha irmã, que representa uma parte do que sou e que me ensinou muito. E finalmente aos meus pais, que sempre me permitiram sonhar e me deram todos os meios para construir asas e voar. Obrigado por me fazerem tão feliz e por me esbanjarem do que realmente interessa: amor. Tudo o que sou e que conquistei foi graças a vocês. “ Aqueles que passam por nós, não vão sós, não nos deixam sós. Deixam um pouco de si, levam um pouco de nós .” Antoine de Saint-Exupéry
iv DECLARAÇÃO DE INTEGRIDADE Declaro ter atuado com integridade na elaboração do presente trabalho académico e confirmo que não recorri à prática de plágio nem a qualquer forma de utilização indevida ou falsificação de informações ou resultados em nenhuma das etapas conducente à sua elaboração. Mais declaro que conheço e que respeitei o Código de Conduta Ética da Universidade do Minho.
v Autoeficácia e estratégias parentais para controlo de peso em crianças com excesso de peso Resumo O excesso de peso é um problema que afeta crianças e adolescentes no mundo ocidental, contudo, pouco se sabe em relação às estratégias utilizadas pelos pais para ajudar as crianças a perder peso. O propósito deste estudo foi avaliar as estratégias levadas a cabo pelos pais e a perceção de sucesso e de autoeficácia destes relativamente à alimentação e à atividade física (AF) dos filhos. Participaram no estudo 664 pais de crianças entre os 6 e 12 anos (M = 8.37; DP = 1.70). Os participantes preencheram uma versão adaptada para pais do NoHow Weight Management Survey e o Parental SelfEfficacy for Healthy Dietary and Physical Activity Behaviors Scale . Sessenta e sete crianças (10.09%) foram identificadas pelos pais como apresentando problemas de peso. Porém, de acordo com o IMC avaliado, 212 (32.1%) apresentaram excesso de peso. As estratégias parentais utilizadas envolveram consumir mais frutas e vegetais, beber mais água e aumentar AF. Apenas 18.7% se sentiram bem-sucedidos em fazer os filhos perderem peso. Os resultados parecem indicar que seria benéfico para os pais apoio extra. Ajudar as crianças a perder peso pode ser uma tarefa complexa e a maioria dos pais sente que os seus esforços não são bemsucedidos. Palavras-chave: autoeficácia parental, crianças, estratégias parentais para perda de peso, excesso de peso, perceção de sucesso.
vi Self-efficacy and parental strategies for weight loss in overweight children Abstract Being overweight is a problem that affects children and adolescents in the western world, however, little is known about the strategies used by parents to help overweight children lose weight. The aim of this study was to assess parental strategies for their child weight loss and perceptions of success and self-efficacy. Cross-sectional study included 664 parents of children aged 6 to 12 years ( M = 8.37; SD = 1.701). Participants completed two self-report measures – the Portuguese adapted version of NoHow Weight Management Survey and Parental SelfEfficacy for Healthy Dietary and Physical Activity Behaviors in Preschoolers Scale. Sixty-seven children (10.09%) were identified by parents as presenting weight problems. However, according to the BMI evaluated, 212 (32.1%) were overweight. The parental strategies used involved consuming more fruits and vegetables, drinking more water and increasing AF. Only 18.7% felt successful in making their children lose weight. Results seem to indicate that parents could benefit from extra support. Helping one’s child to lose weight can be a complex task and most parents feel that their efforts are unsuccessful. Keywords: children, overweight, parental weight loss strategies, parental self-efficacy, perception of success.
vii Índice Autoeficácia e estratégias parentais para controlo de peso em crianças com excesso de peso…………………………………………………………………………………………………………………………9 Metodologia ............................................................................................................................ 11 Participantes .............................................................................................................. 12 Instrumentos .............................................................................................................. 12 Procedimentos ........................................................................................................... 13 Análise de Dados........................................................................................................ 14 Resultados ............................................................................................................................. 15 Classificação do estado nutricional das crianças e perceção parental .................................................................................................................................. 15 História familiar de excesso de peso e tentativas parentais para perda de peso da criança .................................................................................................................................. 16 Estratégias levadas a cabo pelos pais com vista ao controlo de peso nas crianças ....... 17 Estratégias alimentares .................................................................................. 19 Estratégias de atividade física ......................................................................... 20 Estratégias percebidas como eficazes pelos pais para controlo de peso dos filhos ....... 21 Situações determinantes para os pais terem decidido tentar fazer a criança perder peso .......................................................................................................................... 22 Fatores associados à perceção de sucesso parental na perda e manutenção de peso da criança ....................................................................................................................... 23 Diferenças de autoeficácia parental em função da classificação do estado nutricional da criança ....................................................................................................................... 24 Associações entre autoeficácia parental, varáveis sociodemográficas e antropométricas .................................................................................................................................. 24 Discussão ............................................................................................................................... 26 Referências………………………………………………………………………………………………………........31 Anexos……………………………………………………………………………………………………………………35 Anexo A: Autorização da Direção Geral de Educação………………………….…………………35
AUTOEFICÁCIA E ESTRATÉGIAS PARENTAIS 14 semana, o investigador procedeu à recolha dos questionários e realizou as pesagens e medições − aos alunos autorizados − no momento da recolha do questionário, assinalando esses dados no questionário anteriormente respondido pelos encarregados de educação. O peso foi obtido através de uma balança digital profissional (seca®). A estatura foi determinada com uma régua de parede, através do posicionamento da criança com a nuca e regiões gemelares apoiadas na parede, pés completamente apoiados no chão e braços estendidos ao longo do corpo. Foi efetuada a subtração de 1 quilograma para aproximação ao peso real uma vez que as crianças foram pesadas com a roupa e calçado. As pesagens e medições foram realizadas exclusivamente na presença da investigadora e ocorreram, em contexto escolar, numa sala previamente reservada, de modo a garantir as questões de confidencialidade. Análise de Dados O IMC foi o indicador antropométrico escolhido para a avaliação da prevalência de pré-obesidade e obesidade infantil. Para a classificação do estado nutricional foram considerados os percentis ou z-score’s do IMC para a idade de acordo com os critérios e pontos de corte definidos pela OMS (WHO Multicentre Growth Reference Study Group & de Onis, 2006). Para o cálculo do IMC da criança foi utilizado o Body Mass Index and Z-score Calculator for Children de forma a calcular o percentil das crianças. Nas análises estatísticas foi utilizado o Software Statistical Package for Social Sciences (IBM® SPSS®) versão 25.0. A análise descritiva de dados incidiu na média (M) , desvio-padrão (DP) , frequências (n) e percentagens (%) para as variáveis sociodemográficas, antropométricas, de comportamento alimentar e de atividade física. Foi realizada uma análise exploratória de dados que revelou não estarem cumpridos os pressupostos subjacentes à utilização dos testes paramétricos. Recorreu-se, então, aos testes estatísticos não paramétricos, nomeadamente ao teste de Kruskal-Wallis para analisar diferenças de AP entre três grupos de pais de crianças (pais de crianças com baixo peso/peso normal, pré-obesidade e obesidade) e o coeficiente de correlação de Spearman para estudar as associações entre as variáveis de AP, sociodemográficas e antropométricas. As análises descritivas de estratégias de comportamento alimentar e AF e perceção de sucesso incluíram apenas os pais que percecionaram problemas de peso nos seus filhos.
AUTOEFICÁCIA E ESTRATÉGIAS PARENTAIS 15 Resultados Classificação do estado nutricional das crianças e perceção parental O IMC das crianças variou entre 11.30 e 30.90, com uma média de 17.73 ( DP = 3.17). O percentil apresentou valores entre <1% e >99% e uma média de 61.44 ( DP = 29.72). Em relação ao z-score , os valores situaram-se entre os -4.91 e os 2.65, com uma média de .39 ( DP = 1.11). De acordo com o percentil, aproximadamente um terço das crianças apresentaram excesso de peso ( n = 213; 32.10%), que representa a soma das categorias de pré-obesidade ( n = 148; 22.30%) e obesidade ( n = 65; 9.80%). Foi também pedido aos pais que indicassem o peso e a altura das crianças, de forma a comparar a perceção dos mesmos com a realidade. Embora as percentagens de excesso de peso calculadas a partir da perceção parental de peso e altura das crianças se aproximem dos valores reais (cf. Tabela 1), apenas 67 pais (10.09%) reconheceram o seu filho como apresentando, naquele momento, ou já tendo apresentado antes, excesso de peso.
AUTOEFICÁCIA E ESTRATÉGIAS PARENTAIS 16 Tabela 1 Classificação do IMC de acordo com os critérios da OMS: diferenças entre a classificação do estado nutricional da criança e perceção parental por percentil Baixo Peso/Peso Normal Préobesidade Obesidade Excesso de Peso n (%) n (%) n (%) n (%) Valores de IMC calculados a partir de pesagens e medições das crianças registadas pela investigadora ( n = 664) 451 (67.90) 148 (22.30) 65 (9.80) 213 (32.10) Valores de IMC calculados a partir da perceção parental de peso e altura das crianças (n = 573) 401 (70.00) 129 (22.50) 43 (7.50) 172 (30.00) Nota. Baixo Peso/Peso Normal = IMC < P85; Pré-obesidade = P85 ≤ IMC < P97; Obesidade = IMC ≥ P97; Excesso de Peso = pré-obesidade + obesidade. História familiar de excesso de peso e tentativas parentais para perda de peso da criança Dos pais que referiram que os filhos apresentavam problemas de peso, cerca de 80% ( n = 52) relataram problemas de peso noutros membros da família, destacando-se a referência a problemas de peso na mãe ( n = 27; 51.80%) e no pai ( n = 22; 42.10%). Uma percentagem significativa (88.20%; n = 59) relatou vontade em fazer o filho perder peso. Cerca de 85% ( n = 57) referiram estar a tentar, naquele momento, fazer o filho perder peso e destes últimos, 63.20% ( n = 36) indicaram que não recorreram a ajuda profissional para esse fim. Metade dos pais ( n = 33) relataram sentir não ter controlo sobre o tipo e a quantidade de alimentos que as crianças ingeriam.
AUTOEFICÁCIA E ESTRATÉGIAS PARENTAIS 17 No que diz respeito ao número de tentativas de perda de peso passadas, 67.20% ( n = 45) referiram já ter tentado no passado, pelo menos uma vez, que o filho perdesse peso e 34.30% ( n = 23) referiram estar sempre a tentar que o filho perdesse peso. No entanto, cerca de 33% ( n = 22) dos pais relataram nunca ter tentado fazer o filho perder peso até à data. A média de idades das crianças referente à primeira tentativa parental de perda de peso foi 6.70 ( DP = 2.10). De todos os pais que realizaram tentativas de perda de peso passadas nas crianças, quase metade das mesmas ( n = 22; 48.90%) recuperaram peso perdido na tentativa anterior. Destes, cerca de 82% ( n = 18) não associaram a recuperação a uma razão emocional. Estratégias levadas a cabo pelos pais com vista ao controlo de peso nas crianças Como estratégias utilizadas pelos pais para perda de peso das crianças referentes à tentativa passada de perda de peso ( n = 45), 22.20% ( n = 10) limitaram certos tipos de alimentos às crianças, 15.50% ( n = 7) reduziram o consumo de refrigerantes, 13.60% ( n = 6) fizeram com que bebessem mais água e consumissem mais fruta e vegetais, passassem a consumir produtos de dieta ou light ( n = 4; 8.80%), contabilizaram as calorias ( n = 3; 6.60%) e 4.40% ( n = 2) fizeram o filho frequentar um programa de peso e seguir uma dieta específica. No que diz respeito às estratégias parentais para perda de peso das crianças referentes à tentativa atual de perda de peso, 37.80% ( n = 17) limitaram certos tipos de alimentos às crianças, 33.30% ( n = 15) reduziram o consumo de refrigerantes, 31.80% ( n = 14) fizeram com que bebessem mais água, consumissem mais fruta e vegetais ( n = 13; 28.80%), passassem a consumir produtos de dieta ou light ( n = 10; 22.20%), contabilizaram as calorias ( n = 4; 8.90%) e 4.40% ( n = 2) fizeram o filho frequentar um programa de peso e seguir uma dieta específica. Mesmo quando não estavam a tentar que o filho perdesse peso, 55.50% ( n = 25) dos pais utilizaram como estratégias fazer os filhos consumirem mais fruta e vegetais, 50.00% ( n = 24) beberem mais água, 37.80% ( n = 17) limitar certos tipos de alimentos às crianças, 35.50% ( n = 16) reduzir o consumo de refrigerantes, fazer os filhos consumirem produtos de dieta ou light ( n = 11; 24.40%), contabilizar as calorias ( n = 4; 8.90%), 4.40% ( n = 2) fazer o filho frequentar um programa de peso e 2.20% ( n = 1) seguir uma dieta específica. Uma percentagem significativa dos pais ( n = 41; 91.10%) nunca utilizou como estratégia para perda de peso do filho seguir uma dieta específica e/ou frequentar um programa de perda de peso e cerca de 80% ( n = 35) nunca contabilizaram as calorias das refeições (cf. Tabela 2). Nenhum dos pais referiu ter recorrido alguma vez a medicamentos para controlo de peso do seu filho.
AUTOEFICÁCIA E ESTRATÉGIAS PARENTAIS 18 Tabela 2 Estratégias parentais para controlo de peso das crianças Usaram na tentativa anterior Usaram na tentativa atual Usaram diariamente Nunca usaram n (%) n (%) n (%) n (%) Limitar certos tipos de alimentos 10 (22.20) 17 (37.80) 17 (37.80) 8 (17.80) Contabilizar as calorias 3 (6.60) 4 (8.90) 5 (11.10) 35 (77.80) Consumir mais fruta e vegetais 6 (13.30) 13 (28.80) 25 (55.50) 7 (15.60) Beber mais água 6 (13.60) 14 (31.80) 24 (50.00) 9 (20.50) Seguir uma dieta específica 2 (4.40) 2 (4.40) 1 (2.20) 41 (91.10) Frequentar um programa de perda de peso 2 (4.40) 2 (4.40) 2 (4.40) 41 (91.10) Reduzir o consumo de refrigerantes 7 (15.50) 15 (33.30) 16 (35.50) 13 (28.90) Passar a consumir produtos de dieta ou light 4 (8.80) 10 (22.20) 11 (24.40) 23 (51.10) Em tentativas passadas, 27.30% ( n = 12) dos pais fizeram o filho comer menos vezes fora de casa. No que diz respeito à tentativa atual, 46.50% ( n = 20) limitaram o tamanho das porções, 40.00% ( n = 18) cozinharam a maioria das refeições de raiz e fizeram com que o filho petiscasse menos entre as refeições. Relativamente às estratégias utilizadas diariamente, 51.10% ( n = 23) dos pais cozinharam a maioria das refeições de raiz, 45.40% ( n = 20) fizeram com que o filho comesse menos vezes fora e 42.20% ( n = 19) fizeram refeições mais pequenas, mas mais frequentes. Cerca de 53% ( n = 24) dos pais nunca utilizaram como estratégia fazer o filho comer só até uma certa hora do dia (Tabela 3).
AUTOEFICÁCIA E ESTRATÉGIAS PARENTAIS 19 Tabela 3 Estratégias parentais para controlo de peso - rotina alimentar Usaram na tentativa anterior Usaram para a tentativa atual Usaram diariamente Nunca usaram n (%) n (%) n (%) n (%) Comer menos vezes fora 12 (27.30) 16 (36.30) 20 (45.40) 9 (20.50) Cozinhar a maioria das refeições de raiz 8 (17.70) 18 (40.00) 23 (51.10) 7 (15.60) Petiscar menos entre as refeições 5 (11.10) 18 (40.00) 15 (33.30) 11 (24.40) Fazer refeições mais pequenas mas mais frequentes 4 (8.90) 17 (37.80) 19 (42.20) 12 (26.70) Só comer até uma certa hora do dia 4 (8.80) 13 (28.80) 9 (19.90) 24 (53.30) Limitar o tamanho das porções 7(16.30) 20 (46.50) 18 (41.80) 9 (20.90) Estratégias alimentares Na tentativa anterior de perda de peso das crianças, os pais limitaram predominantemente snacks ( n = 13; 27.30%), molhos ( n = 10; 22.20%), açúcares e bebidas açucaradas/energéticas ( n = 9; 20.0%). No que diz respeito à tentativa atual de perda de peso, 40.00% ( n = 18) dos pais limitaram alimentos fritos, 37.80% ( n = 17) bebidas açucaradas/energéticas, 35.50% ( n = 16) snacks, 33.30% ( n = 15) gorduras/óleos, 31.10% ( n = 14) molhos, 24.40% ( n = 11) hidratos de carbono e 22.20% ( n = 10) produtos lácteos. Mesmo quando não estavam a tentar que o filho perdesse peso, 55.50% ( n = 25) dos pais limitaram diariamente molhos, 46.70 % ( n = 21) snacks e bebidas açucaradas 44.50% ( n = 20) alimentos fritos, 41.10% ( n = 23) açúcares, 39.90% ( n = 18) gorduras/óleos/manteigas/margarina, 37.80% ( n = 17) bebidas
AUTOEFICÁCIA E ESTRATÉGIAS PARENTAIS 20 açucaradas/energéticas, 36.40% ( n = 16) snacks, 35.50% ( n = 16) produtos lácteos e 31.10% ( n = 14) hidratos de carbono. Cerca de 40% ( n = 18) dos pais relataram nunca ter limitado à criança produtos lácteos e 37.8% ( n = 17) hidratos de carbono (Tabela 4). Tabela 4 Alimentos limitados pelos pais Limitaram na tentativa anterior Limitaram para tentativa atual Limitaram diariamente Nunca limitaram n (%) n (%) n (%) n (%) Açúcares 9 (20.00) 17 (37.80) 23 (41.10) 6 (13.30) Gorduras/óleo/manteiga/margarina 6 (13.30) 15 (33.30) 18 (39.90) 11(24.40) Hidratos de carbono 5 (11.10) 11 (24.40) 14 (31.10) 17(37.80) Snacks 13 (27.30) 16 (35.50) 21 (46.70) 3 (6.60) Alimentos fritos 8 (17.80) 18 (40.00) 20 (44.50) 6 (13.30) Produtos lácteos 3 (6.60) 10 (22.20) 16 (35.50) 18(40.00) Molhos 10 (22.20) 14 (31.10) 25 (55.50) 5 (11.10) Bebidas açucaradas/energéticas 9 (20.00) 17 (37.80) 21 (46.70) 5 (11.10) Estratégias de atividade física Em relação às estratégias de AF referentes à tentativa de perda de peso passada ( n = 45), apenas 11.00% ( n = 5) aumentaram ou introduziram a AF na vida dos filhos. No que concerne à tentativa de perda de peso atual, 47.70% ( n = 21) dos pais tornaram o filho mais ativo diariamente e 42.20% ( n =19) aumentaram ou introduziram a AF na vida do filho. Cerca de 47% ( n = 21) dos pais utilizaram diariamente como estratégia reduzir a quantidade de tempo sedentário e/ou aumentar ou introduzir a AF na vida do filho. Uma percentagem significativa ( n = 24;
AUTOEFICÁCIA E ESTRATÉGIAS PARENTAIS 21 53.30%) dos pais nunca utilizaram como estratégia inscrever o filho no ginásio e/ou fazê-lo frequentar aulas de grupo (Tabela 5). Tabela 5 Estratégias para controlo de peso das crianças - atividade física Usaram na tentativa anterior Usaram na tentativa atual Usaram diariamente Nunca Usaram n (%) n (%) n (%) n (%) Tornar o filho mais ativo diariamente 4 (9.10) 21 (47.70) 14 (31.80) 11 (25.00) Aumentar ou introduzir AF na vida do filho 5 (11.00) 19 (42.20) 21 (46.60) 6 (13.30) Inscrever o filho no ginásio e/ou fazê-lo frequentar aulas de grupo 4 (8.80) 8 (17.70) 13 (28.80) 24 (53.30) Reduzir a quantidade de tempo sedentário 2 (4.40) 11 (24.40) 21 (46.60) 12 (26.70) Estratégias percebidas como eficazes pelos pais para controlo de peso dos filhos No que diz respeito às estratégias para controlo de peso da criança percebidas pelos pais como eficazes, 96.80% ( n = 61) dos pais percecionaram eficaz comer mais fruta e vegetais e beber mais água, 90.60% ( n = 58) ser fisicamente mais ativo, 79.70% ( n = 51) fazer refeições mais pequenas mas comer mais frequentemente, 70.30% ( n = 45) cozinhar mais refeições de raiz, 60.90% ( n = 39) petiscar menos, 48.50% ( n = 31) reduzir a frequência de refeições fora de casa, 46.10% ( n = 29) aderir e frequentar um ginásio e 46.00% ( n = 29) frequentar o programa de peso promovido pelo Sistema Nacional de Saúde (SNS). Por outro lado, uma elevada percentagem dos pais considera pouco ou nada eficaz o filho ter dias de jejum ( n = 62; 98.40%), saltar refeições ( n = 59; 93.70%), realizar dietas detox ( n = 58; 92.10%), tomar medicamentos para perda de peso ( n = 56; 90.30%), realizar acupuntura ( n = 55; 88.70%), frequentar um programa pago
AUTOEFICÁCIA E ESTRATÉGIAS PARENTAIS 22 de perda de peso ( n = 51; 81.00%), seguir uma dieta extremamente hipocalórica ( n = 47; 75.80%) e contabilizar as calorias nas refeições ( n = 32; 51.60%). Cerca de 89% ( n = 58) dos pais não consideraram ser apenas necessário alterar os hábitos alimentares do filho quando está a tentar que o mesmo perca peso, 87.70% ( n = 57) dos pais consideraram que tornar o filho fisicamente ativo é tão importante para a perda de peso como alterar os hábitos alimentares, 81.50% ( n = 53) dos pais consideraram que se o seu filho perder peso mais rapidamente existe uma maior probabilidade de aumentar novamente de peso do que se perder mais devagar. No entanto, 32.80% ( n = 21) dos pais não consideraram que se o seu filho perder peso com uma dieta hipocalórica existe uma maior probabilidade de aumentar novamente de peso, do que se perder peso a comer de uma forma saudável e realizar AF. Situações determinantes para os pais terem decidido tentar fazer a criança perder peso De acordo com a Tabela 6, entre as situações determinantes para os pais terem decidido tentar fazer o filho perder peso, uma percentagem significativa ( n = 32; 70.80%) dos pais referiu o aconselhamento médico como fator determinante para perda de peso das crianças. Tabela 6 Situações determinantes para os pais decidirem tentar fazer com que a criança perdesse peso ( n ) (%) Aconselhamento por parte de um médico 32 70.80 Aparência 12 26.60 Aconselhamento por parte de um(a) enfermeiro(a) 9 19.80 Emocional 7 15.40 Outro motivo – questão de saúde 7 15.40 Limitação física 6 13.20 Filho atingiu peso mais elevado de sempre 6 13.20 Situação clínica 3 6.60 Nada em específico 2 4.40 Evento social 1 2.20
AUTOEFICÁCIA E ESTRATÉGIAS PARENTAIS 23 Fatores associados à perceção de sucesso parental na perda e manutenção de peso da criança Em relação aos fatores associados à perceção de sucesso parental na tentativa de perda de peso passada da criança, 54.60% ( n = 16) dos pais referiram o filho sentir-se mais feliz com a sua aparência, 37.50% ( n = 11) o filho sentir-se mais confortável em situações sociais, 34.00% ( n = 10) outras pessoas terem reparado e/ou comentado a perda de peso da criança, 27.20% ( n = 8) o filho sentir-se fisicamente melhor e/ou com mais energia, 23.90% ( n = 7) ter perdido mais de 5% do seu peso original e ter atingido o peso pretendido, 17.00% ( n = 5) referiram o filho manter o peso perdido, 13.60% ( n = 4) dos pais referiram o IMC do filho estar no intervalo saudável, o risco do filho desenvolver algumas doenças ter diminuído e o bem estar psicológico do filho ter melhorado, 10.20% ( n = 3) referiram o filho ter atingido a meta de perda de peso. Apenas 6.80% ( n = 2) dos pais referiram como fator o filho sentir-se mais confortável com a roupa que vestia/comprava e 3.40% ( n = 1) referiram o filho conseguir fazer coisas que não conseguiria com um peso mais elevado, por exemplo, correr e brincar. Embora apenas uma percentagem reduzida dos pais se tenha sentido bem sucedida em fazer os filhos perderem peso ( n = 8; 18.70%) e manterem o peso perdido ( n = 8; 20.00%) (cf. Tabela 7), 67.40% ( n = 43) relataram sentir-se motivados para fazer algo aquando do aumento de peso do filho. Adicionalmente, cerca de 25% ( n =16) dos pais consideraram um fardo ajudar os filhos a perder peso, embora tenham reconhecido como algo necessário. Tabela 7 Perceção de sucesso parental na perda e manutenção de peso da criança Nada bemsucedido Pouco bemsucedido Neutro Bemsucedido Extremamente bem-sucedido n (%) n (%) n (%) n (%) n (%) Perceção de sucesso parental em fazer a criança perder peso 6 (14.00) 9 (20.90) 20 (46.50) 6 (14.00) 2 (4.7) Perceção de sucesso parental em manter o peso perdido da criança 10 (25.00) 8 (20.00) 15 (35.00) 6 (15.00) 2 (5.0)
AUTOEFICÁCIA E ESTRATÉGIAS PARENTAIS 30 Os dados recolhidos são relevantes no sentido de informar que estratégias estão a ser levadas a cabo por pais de crianças com excesso de peso e identificar possíveis erros e limitações que devem ser abordadas em intervenções clínicas futuras de forma a promover estratégias mais eficazes e de sucesso para perda de peso em crianças.
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AUTOEFICÁCIA E ESTRATÉGIAS PARENTAIS 35 Anexos Anexo A: Autorização da Direção Geral de Educação