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Turismo académico: um estudo sobre estudantes chineses em mobilidade internacional na Universidade do Minho (Braga/Guimarães)

Chang Liu

Abstract

Este trabalho sobre turismo académico visa investigar o modo como decorreu a experiência de estudantes chineses na Universidade do Minho, os efeitos que estes tiveram no destino e, numa perspetiva mais ampla, noutras regiões próximas, ressalvando a importância de receber feedback dos indivíduos em contexto de mobilidade. Para tal, foi aplicado um inquérito por questionário, em chinês e português, a 66 estudantes chineses que realizaram mobilidade internacional na Universidade de Minho. O tratamento e aná lise dos dados quantitativos foi realizado através do programa Tencent Cloud. Com base nos resultados, a língua, o custo de vida e a recomendação de professores foram os fatores mais importantes conducentes à escolha de Portugal como destino de mobilidade, enquanto a cooperação interuniversitária foi o fator decisivo para a seleção final da Universidade do Minho. Durante o período da estadia, o afluxo destes estudantes chineses trouxe impactos económicos e outros benefícios para as localidades envolventes. As respostas revelam um alto nível de satisfação com a mobilidade na Universidade do Minho: a maioria das estudantes está disposta a recomendar Portugal como destino de mobilidade e turístico. Portanto, sugere-se que as instituições de ensino superior considerem oportunidades estratégicas para se promoverem, quer através da cooperação interuniversitária, quer através de recomendações de ex-alunos.

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Universidade do Minho Escola de Letras, Artes e Ciências Humanas Liu Chang Turismo Académico: Um Estudo Sobre Estudantes Chineses em Mobilidade Internacional na Universidade do Minho (Braga/Guimarães) junho de 2022 Turismo Académico: Um Estudo Sobre Estudantes Chineses em Mobilidade Internacional na Universidade do Minho (Braga/Guimarães) UMinho|2022 Liu Chang i Universidade do Minho Instituto de Letras e Ciê ncias Humanas Liu Chang Turismo Acadé mico: Um Estudo Sobre Estudantes Chineses em Mobilidade Internacional na Universidade do Minho (Braga/Guimarã es) Dissertaç ã o de Mestrado Mestrado em Estudos Interculturais Portuguê s/Chinê s: Traduç ã o, Formaç ã o e Comunicaç ã o Empresarial Trabalho efetuado sob a orientaç ã o do Professor Joã o Ribeiro Mendes junho de 2022 ii DIREITOS DE AUTOR E CONDIÇ Õ ES DE UTILIZAÇ Ã O DO TRABALHO POR TERCEIROS Este é um trabalho acadé mico que pode ser utilizado por terceiros desde que respeitadas as regras e boas prá ticas internacionalmente aceites, no que concerne aos direitos de autor e direitos conexos. Assim, o presente trabalho pode ser utilizado nos termos previstos na licenç a abaixo indicada. Caso o utilizador necessite de permissã o para poder fazer um uso do trabalho em condiç õ es nã o previstas no licenciamento indicado, deverá contactar o autor, atravé s do Repositó riUM da Universidade do Minho. Licenç a concedida aos utilizadores deste trabalho Atribuiç ã o-Nã oComercial CC BY-NC https://creativecommons.org/licenses/by-nc/4.0/ iii Agradecimentos Um agradecimento sincero e profundo ao meu orientador, Professor Joã o Ribeiro Mendes, pela sua paciê ncia e compreensã o, pelas suas sugestõ es e comentá rios valiosos e també m pelo seu rigor acadé mico. Nã o teria conseguido terminar o trabalho sem a sua ajuda. À Diretora Sun Lam, pela ajuda que me deu ao longo da vida quotidiana e acadé mica, por me ter dado oportunidade de apresentar a danç a tradicional chinesa, pela sua paciê ncia em responder à s minhas vá rias perguntas. A todos os meus docentes do curso de mestrado, pelos conhecimentos transmitidos: Manuel Rosa Gonç alves Gama, Maria Pilar Pereira Barbosa, Anabela Leal Barros, Pedro A. Vieira, Bruna Patrícia Cardoso Peixoto e Maria Micaela Dias Pereira Ramon Moreira. Aos meus pais, pelo amor e dedicaç ã o incondicional. À Carol, Shuang e Sheila da Vela Chinesa por me terem dado a oportunidade de trabalhar em Lisboa. Aos meus amigos Yao Weijia, José Luís Esteves de Macedo Peixoto e respetivos familiares, que me acolheram depois de, inesperadamente, nã o ter entrado no aviã o de regresso à China. À s minhas amigas Li Zhuofan e Susana, por estarem sempre presentes. À s minhas amigas Wang Ke, Pan Kailing e Ni Fuyuan, pela sua generosidade e humor, que me ajudaram a adaptar rapidamente à nova vida. Aos meus amigos Sara, Rita e Daniel, pela sua gentileza e sinceridade, por serem os “professores” da língua portuguesa da minha vida quotidiana. À minha amiga Li Nanxi, por me encorajar e ajudar sempre quando estava cansada. À s pessoas que encontrei em Braga, que me deram a conhecer o picadinho de Guimarã es, os caracó is e cheesecake de Lisboa, a cereja da Quinta das Rasas do Fundã o, o mar da Madeira, o vento no Cabo de Roca, o pô r-do-sol na Vila Velha de Rodã o, o nevoeiro na Serra da Estrela, o frango assado e pã o do Minipreço e os gatos da vizinha Milu. Sem eles, este trabalho poderia ter sido concluído seis meses antes, mas as minhas memó rias nã o seriam tã o coloridas. Queria lembrar-me de tudo neste momento. iv DECLARAÇ Ã O DE INTEGRIDADE Declaro ter atuado com integridade na elaboraç ã o do presente trabalho acadé mico e confirmo que nã o recorri à prá tica de plá gio nem a qualquer forma de utilizaç ã o indevida ou falsificaç ã o de informaç õ es ou resultados, em nenhuma das etapas conducente à sua elaboraç ã o. Mais declaro que conheç o e que respeitei o Có digo de Conduta É tica da Universidade do Minho. v Resumo Este trabalho sobre turismo acadé mico visa investigar o modo como decorreu a experiê ncia de estudantes chineses na Universidade do Minho, os efeitos que estes tiveram no destino e, numa perspetiva mais ampla, noutras regiõ es pró ximas, ressalvando a importâ ncia de receber feedback dos indivíduos em contexto de mobilidade. Para tal, foi aplicado um inqué rito por questioná rio, em chinê s e portuguê s, a 66 estudantes chineses que realizaram mobilidade internacional na Universidade de Minho. O tratamento e aná lise dos dados quantitativos foi realizado atravé s do programa Tencent Cloud . Com base nos resultados, a língua, o custo de vida e a recomendaç ã o de professores foram os fatores mais importantes conducentes à escolha de Portugal como destino de mobilidade, enquanto a cooperaç ã o interuniversitá ria foi o fator decisivo para a seleç ã o final da Universidade do Minho. Durante o período da estadia, o afluxo destes estudantes chineses trouxe impactos econó micos e outros benefícios para as localidades envolventes. As respostas revelam um alto nível de satisfaç ã o com a mobilidade na Universidade do Minho: a maioria das estudantes está disposta a recomendar Portugal como destino de mobilidade e turístico. Portanto, sugere-se que as instituiç õ es de ensino superior considerem oportunidades estraté gicas para se promoverem, quer atravé s da cooperaç ão interuniversitá ria, quer atravé s de recomendaç õ es de ex-alunos. Palavras-chave: Turismo Acadé mico, Mobilidade Internacional, Estudantes Chineses Universitá rios vi Abstract This dissertation about academic tourism aims to investigate how the experience of Chinese students at the University of Minho took place, the effects they had on the destination and, from a broader perspective, on other nearby regions, highlighting the importance of receiving feedback from individuals in a mobility context. To this end, a questionnaire survey was applied, in Chinese and Portuguese, to 66 Chinese students who undertook international mobility at the University of Minho. The quantitative data processing and analysis was carried out using the Tencent Cloud software. Based on the results, language, cost of living and teacher recommendation were the most important factors leading to the choice of Portugal as a mobility destination, while inter-university cooperation was the decisive factor for the final selection of the University of Minho. During the mobility period, the influx of these Chinese students brought economic impacts and other benefits to the surrounding localities. The responses reveal a high level of satisfaction with the mobility at University of Minho: most students are willing to recommend Portugal as a mobility and tourism destination. Therefore, it is suggested that higher education institutions consider strategic opportunities to promote themselves, either through interuniversity cooperation or through recommendations from former students. Keywords: Academic Tourism, International Mobility, Chinese University Students vii 摘要 本篇关于学术旅游的论文旨在调查中国学生在米尼奥大学的留学经历是如何发生的、 他们对目的地和附近其他地区有何影响,以及收集有流动经历的学生反馈的重要性。 为此,本研究对 66 名在米尼奥大学进行国际流动的中国学生进行了一次中葡双语的问 卷调查。该定量数据的处理和分析是通过腾讯问卷进行的。 结果表明,语言、生活成本和老师的推荐是影响中国学生选择葡萄牙作为流动目的 地的几个重要因素,而大学间合作项目是他们最终选择米尼奥大学的决定性因素。在 流动期间,中国学生的涌入给相关地区带来了经济影响等益处。数据显示,他们对米 尼奥大学的流动经历有很高的满意度:绝大多数学生愿意推荐葡萄牙作为留学和旅游 目的地。因此,建议高等教育机构可以考虑通过大学间的合作或前流动学生的推荐等 战略方法进行宣传。 关键词:学术旅游,国际流动,中国大学生 4 1 – O Turismo Acadé mico 5 1.1 Contexto Internacional e Nacional O turismo tornou-se num dos setores econó micos de mais rá pido desenvolvimento no mundo na ú ltima dé cada. O nú mero de chegadas internacionais aumentou quase 6%, representando 1,4 mil milhõ es de turistas em 2018 (OMT, 2019), dois anos antes do esperado nas previsõ es de longo prazo da Organizaç ã o Mundial de Turismo (OMT). Em diversos países em desenvolvimento, o turismo representa hoje a principal fonte de rendimento nacional. De acordo com o World Travel & Tourism Council (WTTC, 2021), o setor do turismo - incluindo impactos diretos, indiretos e induzidos - representa 1 em cada 4 de todos os novos postos de trabalho criados no mundo, 10,6% da totalidade de empregos e 10,4% do PIB global. Por outro lado, as despesas dos visitantes internacionais constituem 6,8% do total das exportaç õ es e 27,4% das exportaç õ es globais de serviç os. Resultados divulgados pelo Fundo Monetá rio Internacional (FMI, 2019) indicam, contudo, um ligeiro abrandamento do peso do turismo no PIB global em 2019, mantendo a tendê ncia do ano precedente. Embora tenha apresentado um crescimento de 3,8% no nú mero de turistas (1,5 mil milhõ es de visitantes), naquele ano, as receitas do turismo internacional demonstraram uma tendê ncia de abrandamento (OMT, 2020a). Tudo mudou com a pandemia. Um dos efeitos econó micos da Covid-19 foi o turismo global retornar a níveis de 1990, com uma queda de 72% nas novas chegadas nos primeiros dez meses de 2020. De acordo com os dados da OMT (2020b), as regiõ es que sofreram maior impacto deste contexto foram, por ordem decrescente: Á sia-Pacífico (-82%), Mé dio Oriente (-73%), Á frica (-69%), Amé ricas (-68%) e Europa (-68%). Prevê -se que o turismo mundial demore dois a quatro anos a recuperar desta crise. Relativamente a Portugal, o peso do turismo na economia nacional apresentava um crescimento estável até à chegada da pandemia de COVID-19 em març o de 2020. Segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE, 2020), entre 2010 e 2019, o país registou um aumento de 37 milhõ es para 70 milhõ es de dormidas, o que representa uma taxa de aumento mé dio anual de 7,2%. O relató rio do WTTC (2018) indica que Portugal está entre os países europeus onde o turismo tem uma contribuiç ã o mais forte para o PIB, tendo este sido a origem de 19,1% da riqueza nacional gerada em 2018. O turismo foi també m considerado a principal atividade econó mica exportadora, responsável por 52,3% das exportaç õ es de serviç os e 19,7% das exportaç õ es totais em 2019 (Turismo de Portugal, 2020). 6 De acordo com as estatísticas do turismo (INE, 2020), em 2019, chegaram 24,6 milhõ es de visitantes nã o residentes a Portugal, mais 7,9% do que no ano anterior, que se traduziram em 69,9 milhõ es de dormidas, representando um crescimento de 4,1%. De forma concomitante, os mercados emissores tê m vindo a diversificar-se, com o crescimento de 7,1% dos hó spedes estrangeiros. Por ordem, Espanha (25,5%), Reino Unido (15,4%), Franç a (12,6%) e Alemanha (7,9%) foram a principal fonte de turistas para Portugal, mas os mercados emissores que mais cresceram foram os Estados Unidos da Amé rica (20,2%) e a China (16%). O mercado interno també m se mostrou dinâ mico, com o crescimento de 7,5% do nú mero de hó spedes portugueses. Como seria de esperar, o país també m sentiu o embate da pandemia. Ainda segundo o INE (2021), Portugal registou um decré scimo de 63% no nú mero de dormidas em alojamentos turísticos em 2020 face a 2019. No que respeita a dormidas de pessoas nacionais, registou-se um decré scimo de 35,4% em relaçã o ao ano anterior. A quebra foi ainda mais acentuada no que respeita a turistas internacionais, registando-se um decré scimo de 74,9% nas dormidas, em resultado das restriç õ es impostas nas fronteiras. Por sua vez, o decré scimo de 57,6% nas receitas, em relaç ã o a 2019, traduziu-se numa perda de 10 mil milhõ es de euros para a economia. Antes da pandemia, o nú mero significativo dos pré mios e distinç õ es atribuídos em diversas á reas ao turismo de Portugal foi reflexo do reconhecimento internacional do país. Em 2017, Portugal foi eleito pela primeira vez como Melhor Destino Turístico do Mundo e Melhor Destino Turístico Europeu, nos World Travel Awards . Posteriormente, o país recebeu o pré mio de Melhor Destino do Mundo pelo terceiro ano consecutivo (em 2019) e de Melhor Destino Turístico Europeu pelo quarto ano consecutivo (2020), revelando que está no top das preferê ncias dos turistas internacionais. Portugal arrecadou 39 galardõ es em 2019 (mais trê s do que em 2018) e 26 galardõ es em 2020, em vá rias categorias. Estes resultados demonstram a capacidade de o turismo gerar mais receitas e empregos e alargar, cada vez mais, a atividade ao longo dos anos e do territó rio (Turismo de Portugal, 2017). Entretanto, Portugal mostrou ao mundo que tem um enorme potencial e diversas vantagens que o setor turístico pode aproveitar para prosperar em tempos turbulentos, nomeadamente territó rios de baixa densidade e destinos de natureza, que permitem manter o distanciamento social e dar ao turista uma sensaç ã o de seguranç a. Portugal valoriza o turismo a nível nacional. Na Estraté gia Turismo 2027 – Liderar o Turismo do 7 Futuro , apresentada em 2017 pelo governo portuguê s, sã o definidas metas e diretrizes para acompanhar o crescimento do turismo. O documento apresenta o turismo como “um hub para o desenvolvimento econó mico, social e ambiental em todo o territó rio, posicionando Portugal como um dos destinos turísticos mais competitivos e sustentáveis do mundo” (Estraté gia Turismo 2027, 2017, p. 5525). De acordo com a Comissã o de Coordenaç ã o e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDRN, 2018), o norte de Portugal é a regiã o mais populosa do país, com cerca de 3,6 milhõ es de habitantes (representando quase 35% do total da populaçã o residente em Portugal) e com uma populaç ã o empregada superior a 1,7 milhõ es de pessoas. Em resumo, a regiã o assume-se como a maior NUTS II - Nomenclatura das Unidades Territoriais para Fins Estatísticos portuguesa em termos de populaç ã o, emprego e atividade econó mica. Segundo dados do Banco BPI (2017) relativos ao PIB, a regiã o norte fica atrá s apenas da capital, que representa 30% do total nacional, apesar de incluir zonas menos desenvolvidas, considerando a definiç ã o adotada pela UE-27. Adicionalmente esta é també m a regiã o onde o setor secundá rio tem maior peso (31%) para o comé rcio internacional, onde a taxa de cobertura das importaç õ es pelas exportaç õ es representa 140%. O Norte regista o maior valor de intensidade exportadora, ou seja, a proporç ã o da produç ã o que é destinada à exportaç ã o é de 37%, por contraponto aos 28% de mé dia nacional. O turismo tem sido encarado como um setor relevante para a regiã o norte de Portugal (Costa et al. 2013). Segundo dados do INE (2020), o Norte recebeu o nú mero mais elevado de turistas em 2019, ano em que foi o segundo destino nacional mais procurado, com mais de 10,7 milhõ es de dormidas, apresentando um crescimento mais expressivo (9,7%) do que outras regiõ es. As dormidas de estrangeiros aumentaram 8,6% (INE, 2020), enquanto os proveitos totais nos estabelecimentos de alojamento local cresceram 38,1%. Os investimentos privados feitos na regiã o norte, no período de 2007 a 2013, ascenderam a 515,3 M€, sendo que 75,7% dos mesmos se destinavam a alojamentos turísticos (Turismo de Portugal, 2014). Braga é uma das cidades representativas da regiã o. Nã o só é uma das cidades mais antigas de Portugal, com mais de 2000 anos, como també m é um destino vibrante. A diocese de Braga, na província romana da Galé cia (atual Galiza), é ainda uma das localidades cristã s mais antigas do mundo e chegou a rivalizar com Santiago de Compostela em poder e importâ ncia durante a Idade Mé dia. Braga continua a ser considerado como o maior centro religioso do país, logo seguido de Fá tima. É també m a cidade 8 onde se encontra localizada a Universidade do Minho, que atrai jovens de todo o mundo (Visit Portugal, 2013). O reconhecimento internacional atravé s de diversos programas europeus e pré mios també m tem colocado Braga numa posiç ã o de destaque. Em 2012, a cidade foi escolhida como Capital Europeia da Juventude; em 2018, foi Cidade Europeia do Desporto e Cidade Criativa da UNESCO, no domínio das Media Arts. Em 2019, Braga ficou na segunda posiç ã o, atrá s de Budapeste, na eleiçã o para Melhor Destino Europeu, sendo a ú nica cidade portuguesa na lista de nomeados (ComUm, 2019). Durante a pandemia, foi distinguida como Melhor Destino Europeu para visitar em 2021 (Observador, 2021) e foi incluída pela segunda vez no ranking “ European Cities and Regions of the Future – The best and the brightest among Europe investments destination ”, ocupando agora o quinto lugar na categoria dedicada à estraté gia de captaçã o de investimento externo (Sapo, 2022). Dados compilados no relató rio de atividades de uma dé cada pela Divisã o de Economia e Turismo do município (Município de Braga, 2021a) revelam uma assinalável tendê ncia de crescimento, sempre com taxas mé dias acima dos 10%. Durante a pandemia, quase todos os setores foram encerrados, mas, ainda assim, Braga é um dos destinos turísticos em Portugal que tem recuperado mais rapidamente. No verã o de 2021, o setor do comé rcio e serviç os e o setor da restauraç ã o superou os valores pré -Covid-19, registando mais 5% e 4% do que no mê s homó logo de 2019. Nessa altura, os portugueses representaram 42% do nú mero total de atendimentos no Posto de Turismo de Braga, seguidos por turistas de origem espanhola e francesa, com 25% e 12% respetivamente (Município de Braga, 2021b). Segundo a Organizaç ã o para a Cooperaç ã o e Desenvolvimento Econó mico (OCDE, 2017), registouse um aumento significativo da mobilidade estudantil em todo o mundo, passando de 0,8 milhõ es no final da dé cada de 1970 para 4,6 milhõ es, 45 anos mais tarde. A OCDE prevê que o nú mero de estudantes internacionais possa atingir os 8 milhõ es até 2025. Este crescimento tem sido impulsionado por diversas causas, tais como fatores econó micos (por exemplo, os custos dos voos internacionais), tecnoló gicos (Internet e meios de comunicaç ã o social) e culturais (por exemplo, a utilizaç ã o do inglê s como língua de ensino comum). Por outro lado, existem cada vez mais iniciativas a nível nacional, regional e institucional com o objetivo de promover a mobilidade universitá ria, atravé s da concessã o de bolsas ou do estabelecimento de programas de intercâ mbio para estudar no estrangeiro (Rodríguez, Martínez-Roget & Pawlowska, 2012). 9 O programa de intercâ mbio de estudantes da Uniã o Europeia lanç ado em 1987 ( Erasmus ), é emblemá tico neste contexto, ao proporcionar aos jovens a oportunidade de estudarem num país diferente entre trê s a treze meses. 1.2 Conceito de Turismo Acadé mico As ú ltimas dé cadas testemunharam um importante aumento na mobilidade estudantil entre vá rios países, proporcionando um ambiente internacional aos alunos, fenó meno sentido com particular acuidade no contexto do ensino superior. Dado que este tipo de mobilidade estudantil tem características pró prias muito específicas, é possível considerá -lo como um novo tipo de turismo (Rodríguez, MartínezRoget & Pawlowska, 2012). Importa, como ponto de partida, determinar os termos em que a mobilidade estudantil pode ser entendida como uma atividade turística. Vá rios autores baseiam-se na definiç ã o da Organizaç ã o Mundial do Turismo, que considera como turistas os estudantes que ficam longe do seu local de residê ncia habitual por um período inferior a doze meses, uma vez que, de acordo com a definiç ã o oferecida por esta organizaç ã o, o turismo compreende atividades realizadas por indivíduos durante as suas viagens e estadias em locais que nã o o seu ambiente habitual durante um período consecutivo inferior a um ano para fins de lazer, negó cios e outros (Pawlowska, Martínez Roget, & Pereira Ló pez, 2009; Rodríguez et al., 2012; Roget et al., 2013; UNWTO, 2016), indicando posteriormente que o principal objetivo das viagens pode incluir, entre outros, o estudo remunerado, a educaç ã o e a investigaç ã o. Concomitantemente, a UNWTO especifica, na categoria de visitantes, os alunos que frequentem cursos de curta duraç ã o (menos de um ano), enquanto exclui desta categoria os indivíduos cujos estudos no destino sejam iguais ou superiores a um ano (Naçõ es Unidas e UNWTO, 2008). Assim, é correto utilizar o termo "turista" em relaç ã o aos visitantes que viajam para um local diferente da sua residê ncia habitual para estudarem em estabelecimentos de ensino pú blicos e privados e cuja duraç ã o seja inferior a um ano. Tê m sido utilizadas vá rias expressõ es para designar este tipo de estadia, relacionando-a com a indú stria do turismo, nomeadamente "turismo idiomá tico" (García Laborda, 2007), "turismo educacional" (Goeldner & Ritchie, 2005) ou, de uma forma mais abrangente, "turismo juvenil" (OMT, 2008; Carr, 1998). 10 Contudo, para Pawlowska e Roget (2009), embora as expressõ es mencionadas possam aproximarse do conceito em estudo na presente investigaç ã o, nenhuma delas o define com precisã o. O "turismo idiomá tico" está limitado ao grupo cujo objetivo principal da viagem é fazer um curso de línguas no país de acolhimento. O "turismo educacional" refere-se unicamente à educaç ã o, nã o abarcando as restantes vertentes da experiê ncia. Já a expressã o "turismo juvenil" é demasiado ampla, alé m da mobilidade estudantil, inclui viajantes cujo objetivo principal da visita nã o é o estudo, estando este conceito també m fortemente relacionado com a idade do turista. Portanto, o termo que mais se aproxima do objeto de estudo é "turismo acadé mico", podendo ser utilizado para referir todas as estadias de duraç ã o inferior a um ano em instituiç õ es de ensino superior fora do país de residê ncia habitual de uma pessoa, cujo objetivo principal seja a realizaç ã o de cursos relacionados com uma carreira acadé mica e/ou a participaç ã o em cursos específicos (por exemplo, cursos de línguas) organizados por estas instituiç õ es. Esta definiç ã o abrange a componente educacional, o tipo de instituiç õ es e os requisitos de formaç ã o, pelo que demonstra ser o termo mais apropriado para descrever as viagens analisadas no presente trabalho. Nos ú ltimos anos, o turismo relacionado com intercâ mbios universitá rios tem-se destacado enquanto nova tipologia de turismo. Infelizmente, existem ainda muitas á reas que tê m de ser examinadas empiricamente, no que diz respeito à s ligaç õ es entre educaç ã o e turismo, a avaliar pela escassez de bibliografia, falta de investigaç ã o e dados recolhidos sobre turismo acadé mico. 1.3 Fatores Influenciadores de Decisã o Segundo Lam, Ariffin e Ahmad (2011), os estudantes em mobilidade sã o principalmente motivados pela aprendizagem. Estes podem ser classificados como turistas mesmo que nã o sejam vistos como tal, ou que o turismo nã o seja a sua principal motivaç ã o para viajarem para o estrangeiro. Em suma, estes indivíduos deslocam-se para um país de acolhimento para fins educativos (objetivo principal) e, durante o tempo livre, viajam e procuram outras atividades de lazer. Mesmo que nã o se considerem turistas, contribuem para os impactos turísticos e para o desenvolvimento regional, apesar da sua motivaç ã o estar substancialmente relacionada com a educaç ã o. Outro estudo que sustenta que os estudantes internacionais sã o semelhantes aos turistas foi realizado por Hughes, Wang e Shu (2015). De acordo com esta investigaç ã o, os estudantes internacionais chineses na Austrá lia tinham as mesmas preferê ncias de 11 viagem que os turistas, a saber, ver paisagens naturais, atraç õ es locais famosas e animais australianos. É amplamente aceite na literatura o modelo push-pull para estudar as motivaç õ es turísticas (Uysal & Jurowski, 1994; Baloglu & Uysal, 1996). Segundo Mazzarol e Soutar (2002), os fatores push operam no país de origem e influenciam a decisã o de um estudante que procura uma experiê ncia internacional; já os fatores pull operam no país de acolhimento com o foco de o tornar relativamente atraente para os estrangeiros. Assim, os estudantes sã o inicialmente motivados a enveredarem por estudos no estrangeiro, e só depois escolhem o país e a universidade anfitriã . Na mesma linha, Llewellyn-Smith e McCabe (2008) descobriram que o desejo dos estudantes de viajarem, juntamente com a oportunidade de diversã o e interaç ã o social, sã o fatores de motivaç ã o mais importantes para a realizaçã o de um intercâ mbio educacional (fatores push ) do que fatores pull como o clima, o ambiente natural e as atraç õ es turísticas do país anfitriã o. Tomando como alvo o European Region Action Scheme for the Mobility of University Students ( Erasmus ), por ser o maior programa de intercâ mbio internacional do mundo, Lesjak, et al. (2015) identificaram os motivos por detrá s da mobilidade e escolha de destino dos estudantes de Erasmus de 26 países europeus, sendo estes: crescimento profissional e pessoal, por um lado, e grau de atraç ã o dos destinos, por outro. A OCDE també m se debruç ou sobre o assunto, identificando os seguintes fatores influenciadores da mobilidade internacional dos estudantes: políticas linguísticas (41% dos estudantes estuda em países de língua inglesa, pelo que ter programas de ensino de língua inglesa em países que nã o falam inglê s é també m uma influê ncia importante), qualidade do programa, propinas, políticas de imigraç ã o, entre outros (OCDE, 2014). O estudo de María Cubillo et al. (2006) identificou outros fatores que influenciaram o processo de tomada de decisã o de um grupo de estudantes internacionais: razõ es pessoais, imagem do país, imagem da instituiçã o, avaliaç ã o do programa. De acordo com os autores, a perceç ã o dos estudantes sobre a cidade de destino, bem como a imagem do país, tem um elevado impacto na sua tomada de decisã o. Por sua vez, Baharun, et al. (2011) identificaram sete crité rios de escolha dos estudantes internacionais: ambiente de aprendizagem de qualidade, influenciadores de decisã o, foco no cliente, custo da educaç ã o, instalaç õ es, localizaç ã o e socializaç ã o. Relativamente aos influenciadores de decisã o, o passa a palavra boca-a-boca tem um papel muito importante (por exemplo, amigos, pais, Internet, 12 agente educativo, professores, outros estudantes, ex-alunos). As recomendaç õ es pessoais ou referê ncias de ex-alunos sã o provavelmente os fatores que mais pesam na decisã o dos estudantes (Mazzarol & Soutar, 2002). O clima e estilo de vida do país de destino - igualmente considerados pelos turistas - sã o outro fator influenciador importante na escolha do destino de mobilidade (Lam et al., 2011). 1.4 Repercussõ es na Economia do Destino O aumento do fluxo de estudantes internacionais tem sido tã o grande nos ú ltimos anos que a mobilidade estudantil possui um certo impacto na economia local, isto é , este afluxo de visitantes beneficia as cidades universitá rias e destinos pró ximos. Como tal, há interesse em medir o impacto econó mico exato do turismo acadé mico nas cidades anfitriãs uma vez que, dada a sua natureza, podemos tratá -lo como um novo tipo de turismo e, consequentemente, medir os seus efeitos econó micos aplicando as formas utilizadas para calcular o impacto econó mico do turismo em geral (Pawlowska & Martínez Roget, 2009). Todavia, o turismo acadé mico tem uma sé rie de características que o diferenciam claramente do turismo convencional e que tê m de ser tidas em conta ao estimar o seu impacto econó mico (Martínez Roget et al., 2013). Em primeiro lugar, o turismo acadé mico destaca-se por uma estadia possivelmente mais longa. Pode afirmar-se que, em termos de estadia noturna, um turista acadé mico equivale, em mé dia, a oitenta turistas convencionais. É um tipo de turismo que contraria a sazonalidade da procura, uma vez que nã o se concentra nos meses de verã o, trazendo benefícios para as instituiçõ es de ensino superior e para as cidades de destino. Caso os turistas acadé micos visitem outros locais da regiã o e do país, tal traduz-se em impactos econó micos em destinos nã o principais. Vá rios estudos comprovam que os estudantes internacionais visitam ativamente outras cidades enquanto estudam no estrangeiro. Por exemplo, um estudo examinando os comportamentos de viagem de 4.633 estudantes internacionais na Austrá lia descobriu que 86% da amostra viajou enquanto estudou no país, comumente com outros estudantes internacionais (65%) e em particular com estudantes da sua pró pria nacionalidade (42%) (Gardiner et al., 2013). Quanto aos estudantes de Erasmus, Pawlowska e Martinez Roget (2009) relatam que quase 96% destes estudantes na Universidade de Santiago de Compostela visitaram outras cidades. As principais motivaç õ es dos estudantes internacionais para viajarem relacionam-se com uma melhor compreensã o 13 da cultura e das pessoas nacionais e tentar conhecer o má ximo possível do destino durante a sua estadia (Babin & Kim, 2001; Gardiner, King, & Wilkins, 2013). Em segundo lugar, o tipo de produtos e serviç os consumidos é mais pró ximo ao da populaç ã o residente, com uma maior tendê ncia para consumir bens e serviç os de origem local. Por fim, outra diferenç a registada neste tipo de turismo é o tipo de alojamento utilizado, destacando-se a procura de alojamento alugado (Pawlowska & Martínez, 2010; Pawlowska, 2011). Martínez Roget et al. (2013) analisaram o impacto econó mico do turismo acadé mico na Galiza e descobriram que este tem um impacto econó mico maior do que o turismo convencional. Enquanto um turista convencional gasta uma mé dia de 798 euros, um turista acadé mico gasta 3.608 euros. Os estudantes internacionais també m atraem visitas adicionais de curta duraç ã o de familiares e amigos que, por sua vez, despendem dinheiro em hoté is e comodidades locais (Kelly et al., 2015). Pawlowska e Martinez Roget (2009) enunciaram que quase 76% dos estudantes de Erasmus receberam visitas de familiares e amigos durante a sua estadia em Santiago de Compostela. Em mé dia, cada estudante de Erasmus recebeu a visita de 2,9 pessoas durante 4,3 dias. Michael et al. (2004) descobriram també m que 55% de uma amostra de estudantes internacionais na Austrá lia recebeu visitas de amigos e familiares que passaram pelo menos sete dias no país. Outro estudo revelou que mais de 70% dos alunos chineses na Austrá lia esperava receber a visita de familiares e amigos durante a sua estadia (Hughes et al., 2015). Alguns autores, como Carr (1998), indicam que o impacto econó mico dos jovens turistas é frequentemente subestimado devido à suposiçã o de que o seu poder de compra é limitado. Contra esta posiç ã o argumenta-se que a estadia dos jovens turistas no destino é mais longa do que no caso dos turistas tradicionais (Carr, 1998; Moisa, 2007), a que se soma uma maior disponibilidade de tempo livre e uma crescente independê ncia econó mica (graç as à popularidade dos trabalhos de part-time no meio acadé mico). Ou seja, o poder de compra destes estudantes nã o é tã o reduzido como inicialmente se supunha. O impacto econó mico da mobilidade estudantil, aspeto que tem sido pouco estudado até agora, assume assim interesse crescente para organizaç õ es europeias, centros de investigaçã o e instituiç õ es acadé micas. Por outro lado, para o aluno que tem intenç õ es de estudar no exterior, é necessá rio considerar a componente financeira. A maioria dos estudantes internacionais confia na sua capacidade de 20 descendentes no estrangeiro, em parte devido à distribuiç ã o desigual dos recursos educativos na China. Considerando ainda a expansã o dos rendimentos da classe mé dia chinesa, ou seja, cerca de 28,6% da populaç ã o em total (Bai, 2018), registou-se uma enorme procura no mercado educativo internacional (Lan, 2019a). De acordo com o recente Estudo do Painel Familiar da China (Soysal & Woodman, 2018), mais de 20% dos pais gostaria de enviar os seus filhos para o estrangeiro para uma educaç ã o avanç ada, independentemente dos seus pró prios rendimentos, da sua localizaç ã o geográ fica, ou do seu meio educacional. “Valores como ‘educaç ã o-primeiro’ e poupanç a, a somar a uma cultura de família alargada entre os pais chineses continuarã o a contribuir para a crescente mobilidade dos estudantes” (Liu, 2016, p. 41). De acordo com Lan (2019b), o Estado reduziu o seu controlo sobre os estudos autofinanciados no estrangeiro a partir de 2013. Em vez de se concentrar nas qualificaç õ es das agê ncias intermediá rias privadas, a ê nfase passou a ser colocada na concorrê ncia do mercado e na proteç ã o dos direitos dos consumidores. A desregulamentaç ã o governamental atingiu o seu auge em janeiro de 2017, quando os intermediá rios do ensino privado ficaram isentos do requisito de acreditaç ã o oficial introduzido em 1999. A desregulamentaç ã o encorajou a comercializaçã o do ensino no estrangeiro e o aumento do consumismo no ensino transnacional. Os chineses representam o maior grupo de estudantes internacionais da EU: há vá rios anos que a China vem representada na lista de países que enviam mais estudantes para territó rio comunitá rio. A UE é um dos destinos mais populares de mobilidade estudantil e as instituiçõ es europeias de ensino superior apresentam currículos atrativos e multifacetados. Uma das forç as motrizes é “a crescente proximidade entre a China e a EU” (Fu, 2019, p. 4). Por exemplo, vá rias universidades chinesas estabeleceram protocolos conjuntos com universidades europeias. O Conselho de Bolsas de Estudo da China, financiado principalmente pelo governo central, concedeu um apoio financeiro considerável a chineses para estudarem no estrangeiro e a estrangeiros para estudarem na China (CSC Scholarships, 2022). No programa Erasmus Mundus financiado pela UE, o orçamento para a China constitui a maior fatia do orçamento total da mobilidade internacional para a regiã o asiá tica (European Commission, 2020a), resultando em experiê ncias de mobilidade para 4103 estudantes e funcioná rios entre os anos 2015 e 2019 (European Commission, 2020b). Deve notar-se també m que a China foi o terceiro maior beneficiá rio 21 na Á sia (depois da Índia e Bangladesh) dos estudantes de Erasmus Mundus Joint Master Degrees no período 2014-2019 (European Commission, 2020a). Pode ver-se que a China, “um país nã o pertencente à UE, tem desempenhado nos ú ltimos anos um papel de lideranç a na internacionalizaç ã o da educaç ã o comunitá ria” (Fu, 2019, p. 5). Os investigadores descobriram que a mobilidade internacional dos estudantes nã o se resume a uma escolha pessoal, mas é mediada por mú ltiplos fatores sociais (Findlay et al., 2017; Moskal, 2017). Assim, a decisão dos jovens chineses de viajarem e estudarem no estrangeiro é també m fortemente influenciada pela intersecç ão de políticas estatais, pela mediaç ã o da educaç ã o comercializada, pelo desejo pessoal de mobilidade transnacional e de estilos de vida cosmopolitas (Lan, 2019b). Existe um ponto de atraç ã o específico que explica porque muitos estudantes chineses escolhem a Europa: o facto de estudar aqui ser mais acessível e algumas universidades europeias nã o cobrarem propinas, ou definirem propinas baixas, para os estudantes internacionais (Marcucci & Johnstone, 2007). Para alé m disso, algumas universidades europeias simplificaram o processo de pedido de visto, encurtando o período de prova, de modo a atrair mais estudantes chineses (Zhang, 2014). Segundo o relató rio Education at a Glance 2014 , publicado pela OCDE, o nú mero de estudantes internacionais nos países onde nã o sã o cobradas propinas aumentou rapidamente. É o caso da Finlâ ndia, Islâ ndia e Noruega, que nã o cobram quaisquer propinas aos estudantes internacionais (OCDE, 2014). Apesar que o propó sito principal dos estudantes seja a educaç ã o, durante o tempo livre é comum estes viajarem e praticarem atividades de lazer (Lam et al., 2011). Vá rios estudos apontam que os estudantes universitá rios, que beneficiam de cerca de 20 semanas de fé rias, tê m uma grande propensã o para viajarem, uma vez que tê m poucos compromissos extra-academia (Richards & Wilson, 2004; Ritchie, Carr, & Cooper, 2003). A investigaç ã o de Fordham (2006) mostrou que os estudantes de intercâ mbio eram viajantes integrados; o tempo que passavam no país de acolhimento e o grau de integraç ã o contribuíam para que a sua forma de viajar fosse mais autê ntica. As viagens independentes dos estudantes resultaram em experiê ncias de crescimento pessoal, desenvolvimento de competê ncias para a vida, conhecimentos gerais, consciê ncia social e cultural (Stone & Petrick, 2013). Especificamente em Portugal, segundo Lucas et al. (2017), a escolha da instituiçã o de ensino superior depende da sua avaliaçã o em vá rios aspetos, nomeadamente em termos de imagem, expectativas, desejos, necessidades pessoais, qualidade té cnica e funcional e valor percebido. Alguns 22 estudos referem os seguintes fatores de motivaç ã o na base da escolha de Portugal: reputaç ã o da universidade, recomendaç ã o por professores, recomendaç ã o por ex-alunos e custo de vida (Simõ es & Soares, 2010; Branco Oliveira & Soares, 2016). 2.2.1 Youxue Em chinê s, o termo mais pró ximo do Turismo Acadé mico seria Youxue (游学, yó uxué ): o cará cter chinê s xue (学) significa estudo e o cará cter you (游) tem mú ltiplos significados, nos quais se incluem viajar, turismo, vaguear, brincar e diversã o. Youxue é uma das formas mais comuns de educaç ã o em culturas tanto antigas como modernas. Segundo Lv (2012), a prá tica de Youxue na China remonta ao período das Primaveras e Outonos (entre 722 a.C. e 481 a.C.), quando Confú cio viajou com os seus estudantes para os países vizinhos, com o objetivo de alargar o seu conhecimento e cará cter. Youxue , no sentido da educaç ã o moderna, é um modelo internacional de educaç ã o, experimental e transcultural, que surgiu com o desenvolvimento da globalizaç ã o no sé culo XX e amadureceu gradualmente desde entã o. As diferenç as entre as culturas nacionais e o contexto temporal conduziram a significados, formas e propó sitos diferentes, que ainda hoje estã o a evoluir e a mudar. Youxue evoluiu para uma nova forma de consumo turístico, alargando as fronteiras geográ ficas para abarcar o resto do mundo, enriquecendo-lhe o conteú do e o valor nos tempos modernos, tendo em conta as mutáveis necessidades dos consumidores. O conceito tornou-se mais reconhecido pelos consumidores, à medida que as necessidades materiais e culturais foram crescendo. Nos primeiros tempos, as viagens de estudo ao estrangeiro eram principalmente feitas por estudantes de intercâ mbio de longo prazo, poré m, atualmente, é mais comum Youxue de curto prazo, com duraç ã o de uma semana a um mê s no estrangeiro. Existem trê s grandes tipos de atividades Youxue no contexto chinê s: uma visita de estudo de curto prazo ou campos de fé rias para crianç as ou adolescentes (por vezes acompanhados pelos pais ou professores); Youxue de elite em campi universitá rios no estrangeiro por jovens pré -universitá rios e os seus pais; e projetos de estudo de curto ou longo prazo no estrangeiro com o objetivo de obter certificados linguísticos, cré ditos de cursos, diplomas e experiê ncias interculturais (Zhang, 2017). O presente estudo centra-se nas prá ticas de Youxue dos estudantes universitá rios chineses. Para os estudantes que tê m o 23 objetivo de irem para o estrangeiro, Youxue é praticado como uma oportunidade de examinar antecipadamente o ambiente onde irã o estudar no futuro; para outros, proporciona-lhes uma oportunidade ú nica de experimentar a vida e cultura estrangeiras, enriquecendo as suas vivê ncias e conhecimentos. Os praticantes de Youxue podem ser alunos desde o ensino primá rio à universidade, entre os quais se destacam os universitá rios, por representarem a maior percentagem. Youxue ao estrangeiro para estudantes universitá rios desenvolveu-se durante muito tempo, pelo que todo o seu sistema é relativamente maduro. Com a liberalizaçã o da política chinesa relativa ao estudo autofinanciado no estrangeiro e a proliferaç ã o de intermediá rios de educaç ã o, Youxue tornou-se numa despesa educacional específica, que responde ao desejo das famílias chinesas de classe mé dia de mobilidade internacional e de um estilo de vida cosmopolita. O esbatimento da linha entre viagem e estudo demonstra a natureza aberta e complexa da mobilidade estudantil internacional (Lan, 2019b). O conceito de Youxue tem sido objeto de um grande nú mero de definiç õ es, esbatendo o â mbito deste termo e causando alguma confusã o na compreensã o tanto do consumidor em geral, como do investigador acadé mico. Nã o existe atualmente uma definiç ã o uniforme de Youxue nos círculos acadé micos, mas podemos enumerar algumas das diferenç as entre este e o termo “turismo académico”. Embora tanto Youxue como o turismo acadé mico visem a aprendizagem, cada um tem ê nfases diferentes. Por um lado, Youxue , que se situa algures entre viajar e aprender, é uma expressã o que, nos tempos modernos, atribui uma ê nfase crescente à espiritualidade e ao expandir horizontes, pelo que o estudante nã o fica sempre no mesmo lugar, procurando enriquecer as suas experiê ncias de estudo em locais para alé m da escola, como museus, paisagens naturais ou até mesmo instituiç õ es governamentais, aprendendo enquanto viaja. O turismo acadé mico, por outro lado, está mais orientado para a obtenç ã o de uma compreensã o profunda e autê ntica da cultura do destino, com duraç ã o, em mé dia, relativamente mais longa do que Youxue . No entanto, em geral, o conceito de Youxue nã o deixa o â mbito da definiç ã o de turismo acadé mico. 2.2.2 Cooperaç ã o Interuniversitá ria O desenvolvimento e reforç o das relaç õ es bilaterais facilitaram a mobilidade internacional entre a 24 China e Portugal. A 8 de fevereiro de 1979, a Repú blica Popular da China e a Repú blica Portuguesa fizeram acertos para o estabelecimento de relaçõ es diplomá ticas, dando oficialmente início à cooperaç ã o entre as duas entidades políticas envolvidas. Desde essa altura, os intercâ mbios tê m aumentado, de uma forma gradual, na á rea da cultura e educaç ã o. Em 1982, foi assinado o “Acordo de Cooperaç ã o Cultural, Científica e Tecnoló gica 1985-1987”; a 12 de janeiro de 2005 assinou-se em Pequim o acordo sobre o reconhecimento de graus acadé micos e de períodos de estudos no ensino superior. A parceria estraté gica entre os dois países levou ao aprofundamento da cooperaç ã o prá tica, tendo sido estabelecidas seis pares de cidades irmã s: Wuxi-Cascais (1993), Zhuhai-Castelo Branco (1994), Shanghai-Porto (1995), TonglingLeria (2000), Beijing-Lisboa (2007) e Shenzhen-Porto (2016). Em 2016 foi ainda assinado o acordo sobre a criaç ã o mú tua de centros culturais (Ministé rio das Relaç õ es Exteriores da China, 2022). O desenvolvimento das relaç õ es entre a China e Portugal em vá rios campos també m se refletiu na criaç ã o de Institutos Confú cio em Portugal: primeiro na Universidade do Minho, e posteriormente nas Universidades de Lisboa, de Aveiro, de Coimbra e do Porto. Este programa global foi iniciado em 2004 com o objetivo declarado de satisfazer a crescente procura mundial de aprendizagem da língua e cultura chinesas. Segundo Xiang e Huang (2015), quando os interesses educacionais, políticos e econó micos coexistem, a China atribui Institutos Confú cio. Ou seja, existe uma maior probabilidade de serem criados nos países com maior volume de negó cios e de relaç õ es políticas com a China. Para alé m das motivaç õ es educacionais, muitos estudiosos consideram os Institutos Confú cio como um meio de soft power na agenda política chinesa (Cho e Jeong, 2008; Blanchard & Lu, 2012). O interesse econó mico é outro determinante importante na atribuiç ã o de Institutos Confú cio: Kluver (2014) argumenta que estes organismos estã o mais provavelmente localizados em países onde a China tem um interesse econó mico significativo, tais como a Nigé ria e Estados Unidos. No seu ponto de vista, os institutos facilitarã o o comé rcio entre a China e os países anfitriõ es criando uma classe de indivíduos formados na língua chinesa, que poderão servir como intermediá rios no desenvolvimento de laç os comerciais (Kluver, 2014, p. 204). Em conclusã o, argumentamos, na mesma linha de vá rios outros autores já mencionados, que “uma vez que os Institutos Confú cio aumentam o comé rcio e o Investimento Estrangeiro Direto (IDE) entre a China e os países anfitriõ es, espera-se que mais Institutos sejam afetados a países nos quais a China tem um forte interesse econó mico” (Xiang, 2015, p. 6). 25 A Universidade do Minho (UMinho) oferece aos seus estudantes, dos vá rios ciclos de estudo, a possibilidade de realizarem períodos de mobilidade em diversas universidades. Por outro lado, recebe també m, todos os anos, um grande nú mero de alunos estrangeiros. Os Serviç os de Relaç õ es Internacionais (SRI) da UMinho é a entidade responsável pela gestã o geral dos citados programas. O programa com mais difusã o é o ERASMUS+, no entanto, també m existe a possibilidade de obter um ciclo de formaç ã o atravé s de protocolos bilaterais assinados entre a UMinho e universidades estrangeiras. Ocasionalmente, estas vias abertas para formaç ã o universitá ria també m contam com bolsas de estudo. A UMinho está na vanguarda do intercâ mbio com a China. Em 1991, a universidade inaugurou o primeiro curso aberto de língua e cultura chinesa em Portugal e, em 1997, criou o Centro de Línguas e Culturas Orientais. Seguiu-se a criaç ã o do primeiro programa de licenciatura em língua chinesa em Portugal (2004) e do Instituto Confú cio da UMinho (2006), sendo o primeiro do país (Xinhua, 2006). O Quadro 1 mostra os protocolos bilaterais assinados pela UMinho com diferentes universidades chinesas. Para responder à crescente necessidade de aprendizagem de línguas estrangeiras, tanto no seio da UMinho como na comunidade envolvente, o BabeliUM – Centro de Línguas da Escola de Letras, Artes e Ciê ncias Humanas da Universidade do Minho oferece um grande leque de cursos. Muitos estudantes chineses escolhem frequentar o curso de português no BabeliUM durante o período de mobilidade, a fim de obterem um melhor domínio da língua ou de se adaptarem melhor ao meio acadé mico portuguê s. Quadro 1 – Acordos de cooperaç ão da UM com universidades da China 26 27 Fonte: https://www.ilch.uminho.pt/pt/Internacionalizacao/Paginas/Cooperacao.aspx 28 3 – Metodologia de Formulaç ã o e Aná lise de Inqué ritos de Apoio à Investigaç ã o 29 3.1 Introduç ã o Mé todo é o conjunto de atividades sistemá ticas e racionais que, com maior seguranç a e gestã o, “permite alcanç ar o objetivo final – conhecimentos vá lidos e verdadeiros – traç ando o caminho a ser seguido, detetando erros e auxiliando as decisõ es do cientista” (Marconi & Lakatos, 2003, p. 83). De acordo com Freixo (2011), existem trê s fases principais no processo de investigaç ã o, sendo estas a fase concetual, a fase metodoló gica e a fase empírica. O procedimento metodoló gico da presente pesquisa englobou um conjunto de etapas e processos. A etapa teó rica incide sobre vá rios pontos; uma primeira parte que aborda o turismo em Portugal e em Braga, o turismo acadé mico e as suas especificidades, bem como as possíveis repercussõ es econó micas; já a segunda parte inclui a evoluç ã o dos turistas chineses no mundo, a mobilidade dos estudantes chineses no estrangeiro, o conceito de Youxue (sendo o conceito semelhante ao turismo acadé mico no contexto chinê s) e as suas especificidades e, por fim, a cooperaç ão interuniversitá ria entre a Universidade do Minho e vá rias academias chinesas. A etapa teó rica possibilita que a etapa empírica seja realizada com base no conhecimento adquirido atravé s do enquadramento teó rico. O presente capítulo tem como objetivo esclarecer a metodologia aplicada no decorrer do processo de investigaç ã o, apresentar os meios utilizados, descrever os objetivos e a natureza da pesquisa, a escolha do objeto de estudo, a té cnica de recolha e de aná lise de dados. Portanto, este capítulo está estruturado em quatro secç õ es. Apó s uma introduç ã o ao capítulo, numa segunda secç ã o formula-se as questõ es para os inqué ritos. Na terceira parte expõ e-se os objetivos dos inqué ritos a serem aplicados no presente estudo. Na quarta secç ã o descreve-se os instrumentos e té cnicas utilizadas na recolha de informação, bem como o método utilizado para o tratamento de dados. 3.2 Objetivo do Inqué rito Este trabalho visa investigar o modo como decorreu a mobilidade de estudantes chineses na Universidade do Minho, nomeadamente que fatores influenciaram e determinaram a decisã o de escolha de Portugal/UMinho, e a medida em que as experiê ncias turísticas afetam o feedback do destino, descobrindo, a partir disto, como as universidades podem atrair estudantes chineses. Para esse propó sito, foi formulado o problema de investigaç ã o: De que forma as experiê ncias 36 - Teoria Filipe et al. (2017) Richards. (2010) 16. Recomenda Portugal como destino de mobilidade? 17. Até que ponto está satisfeito com as sexperiê ncias turísticas em Portugal? (Escala de Likert) 18. Recomenda Portugal como destino turístico? 19. Regressaria a Portugal como turista? 20. Acha que a experiê ncia turística pode influenciar a avaliaçã o de Portugal como um destino de mobilidade estudantil? (Escala de Likert) Parte Ⅴ Impacto da Pandemia Mudanç a na estadia 21. Quando é que chegou para Portugal? 22. Se era estudante chinê s a estudar em Portugal quando a pandemia começ ou (març o de 2020), como é que a pandemia afetou o seu plano original de mobilidade? (vá rias opç õ es) 3.3.2 Tratamento de Dados O objetivo bá sico do processamento de dados é extrair e derivar dados valiosos e significativos para certas pessoas específicas a partir de uma grande quantidade de dados e, quando nã o organizada devidamente, incompreensível. 37 No presente estudo, os dados recolhidos atravé s do inqué rito online da Tencent Cloud foram analisados recorrendo à s funcionalidades da pró pria rede, tendo sido realizadas aná lises univariadas. 3.4 Pré -teste Goode e Hatt (1972) afirmam que, independentemente do quã o clara possa ser a compreensã o, nã o é possível que nenhuma quantidade de pensamento substitua a verificaç ã o empírica pormenorizada e cautelosa. Importa por isso conhecer devidamente o instrumento de recolha de dados e de que forma este se comporta em situaç õ es reais, atravé s da execuç ã o de um pré -teste. Ao elaborar este tipo de questioná rios existe um grande risco de nã o se conseguir prever todos as questõ es que possam surgir durante a aplicaçã o do mesmo. Caso nã o seja feito um pré -teste e posteriormente, na fase de aplicaç ã o, sejam detetados problemas graves no conteú do do questioná rio, a credibilidade deste pode vir a ser posta em causa, podendo originar grandes perdas de tempo e dinheiro. Quando se verifica este tipo de problemas, o questioná rio é por norma refeito e reenviado aos inquiridos, sendo que as informaç õ es inicialmente recolhidas sã o perdidas (Chagas, 2000). Deste modo, o pré -teste para o presente questioná rio foi realizado junto de cinco elementos pertencentes à populaçã o de pesquisa, permitindo assim que se assegurasse a relevâ ncia das questõ es levantadas para o contexto do estudo. Apó s a realizaç ã o do pré -teste, foram aplicadas algumas alteraç õ es ao questioná rio, de modo a torná -lo mais adequado e evitar as situaç õ es acima descritas. 38 4 – Apresentaç ã o e Discussã o dos Resultados 39 4.1 Apresentaç ã o de Resultados Recolheu-se um total de 66 respostas de estudantes chineses na Universidade do Minho, no decorrer de um mê s completo (maio de 2022). Este capítulo descreve os resultados estatísticos, analisando os mesmos atravé s do recurso a tabelas e grá ficos gerados automaticamente pelo Tencent Cloud apó s a recolha dos dados. 4.1.1 ParteⅠ: Caracterizaçã o Sociodemográ fica Neste segmento será analisada a primeira parte do questioná rio, que diz respeito ao perfil sociodemográ fico dos inquiridos e tem como principal objetivo delinear uma caracterizaçã o geral da amostra. De modo a permitir uma aná lise consistente dos dados recolhidos, serã o apresentadas a frequê ncia e a percentagem do total da amostra, recorrendo a tabelas e grá ficos de frequê ncia e percentagens. O Grá fico 1 apresenta a idade da amostra do estudo. Da sua aná lise se conclui que maioria dos inquiridos (93,9%, 62 inquiridos) tem entre 18 e 30 anos de idade, trê s inquiridos tê m mais de 30 anos e um inquirido tem menos de 18 anos. Grá fico 1 - Idade Relativamente ao gé nero, 66,7% (44 inquiridos) é do sexo feminino e 33,3% (22 inquiridos) do sexo 40 masculino. Grá fico 2 - Gé nero O Quadro 4 apresenta a distribuiç ã o geográ fica dos inquiridos, de acordo com a sua origem (província ou regiã o). Das 34 regiõ es administrativas de primeiro nível da China, 22 estã o aqui representadas, sendo que a diferenç a em quantidade nã o se demonstra significativa. Quadro 4 - Local de nascimento Província/região da China Frequência Percentagem Província/região da China Frequência Percentagem Fujian 4 6,1% Cantão 5 7,6% Jiangxi 3 4,5% Chongqing 1 1,5% Shandong 8 12,1% Sichuan 6 9,1% Henan 6 9,1% Guizhou 1 1,5% Hubei 2 3% Yunnan 3 4.5% Hunan 1 1,5% Shanxi 1 1,5% Tianjin 1 1,5% Taiwan 1 1,5% Hebei 10 15,2% Macau 1 1,5% Liaoning 1 1,5% Jiangsu 1 1,5% Heilongjiang 5 7,6% Zhejiang 2 3% Xangai 1 1,5% Pequim 2 3% No que diz respeito à residê ncia, pode observar no Grá fico 3 que 51,5% (34 inquiridos) ainda residia 41 em Portugal quando respondeu ao questioná rio, sendo que um dos principais motivos para tal é o facto de a China manter as fronteiras praticamente encerradas desde març o de 2020. O país autoriza apenas um voo por cidade e por companhia aé rea, o que levou à reduç ã o em 98% do nú mero de ligaç õ es aé reas internacionais para a China, face ao período pré -pandemia (Lusa, 2022). Tornou-se difícil para os estudantes regressarem ao seu país de origem, pelo que o governo e a universidade prestam apoio aos estudantes, para que nã o existam problemas em relaç ã o aos vistos. Por outro lado, 39,4% (26 inquiridos) residia na China quando respondeu ao questioná rio, sendo que nestes casos os cursos à distâ ncia revelaram ser um motivo importante. Adicionalmente verifica-se que 4,5% reside em países de CPLP que nã o Portugal e 4,5% nã o se encontra em nenhum dos países acima mencionados. Grá fico 3 - Onde vive atualmente? Relativamente ao tipo de mobilidade (Grá fico 4), existem 60,6% (40 inquiridos) de estudantes com grau completo, 25,8% (17 inquiridos) em intercâ mbios de estudo, 12,1% (8 inquiridos) em programas de mobilidade de curto prazo e apenas 1,5% (1 inquirido) com outro tipo de mobilidade. Grá fico 4 – Tipo de mobilidade 42 No que toca à duraç ã o da mobilidade, o Grá fico 5 revela que 65,2% (43 inquiridos) permaneceu em mobilidade mais de um ano, 18,2% (12 inquiridos) mais de quatro semanas, mas menos de um semestre e 16,7% (11 inquiridos) ficou mais de um semestre, mas menos de um ano. Ningué m ficou menos de quatro semanas. Grá fico 5 – Duraç ã o da mobilidade A formaç ã o acadé mica dos inquiridos pode ser observada no Quadro 5. Os estudantes chineses escolhem principalmente o curso de Língua Portuguesa (34,9%) e o mestrado em Estudos Interculturais (33,4%). Alé m disso, existem alunos a frequentar també m o curso do mestrado em Portuguê s Língua 43 Nã o Materna (19,7%), as licenciaturas em Economia (4,5%), Línguas Aplicadas (3%) ou Línguas Orientais (1,5%), o mestrado em Media Arts (1,5%), bem como o doutoramento em Engenharia Civil (1,5%). Quadro 5 - Formaç ã o Acadé mica Formaçã o Acadé mica Frequê ncia Percentagem Curso de Língua Portuguesa (Babelium) 23 34,9% Licenciatura em Língua Aplicada 2 3% Licenciatura em Línguas Orientais 1 1,5% Licenciatura em Economia 3 4,5% Mestrado em Estudos Interculturais 22 33.4% Mestrado em Portuguê s Língua Nã o Materna 13 19,7% Mestrado em Media Arts 1 1,5% Doutoramento em Engenharia Civil 1 1,5% 4.1.2 ParteⅡ: Antes da Mobilidade A segunda parte trata dos fatores que influenciaram a escolha do destino e o processo de tomada de decisõ es em maté ria de mobilidade. A primeira pergunta é de resposta mú ltipla, enumerando vá rios fatores que influenciaram a escolha do destino de mobilidade. Como se pode observar no Grá fico 6, os fatores que mais afetaram a escolha foram a língua (21,4%), o custo de vida (13,6%) e a recomendaç ã o de professores (12,1%), seguido pela qualidade da universidade (10,7%), a seguranç a (9,71%) e a recomendaç ã o de ex-alunos de mobilidade (9,2%). Os restantes fatores foram escolhidos com menor frequê ncia: a localizaç ã o geográ fica (7,3%), as atraç õ es culturais e turísticas (7,3%), o clima (6,3%) e comentá rios na internet (1%). Grá fico 6 - Ao planear a sua mobilidade, que fatores o levaram a escolher Portugal? 44 Sobre o fator decisivo que fez os inquiridos escolherem a Universidade do Minho, 36,4% (24 inquiridos) aponta os projetos colaborativos entre universidades, 33,3% (22 inquiridos) o curso e 21,2% (14 inquiridos) as recomendaç õ es de professores da universidade de origem ou ex-alunos em mobilidade. Apenas 1,5% (1 inquirido) selecionou como motivo os comentá rios na internet sobre a Universidade e 1,5% (1 inquirido) a bolsa de estudo (Grá fico 7). Contudo, a partir dos dados recolhidos, sabe-se que a maioria dos inquiridos que escolheram "curso" foram estudantes de grau completo, ou seja, aqueles que ficam mais de um ano. A cooperaç ã o interuniversitá ria e as recomendaç õ es de professores da universidade de origem ou exalunos em mobilidade sã o, portanto, os dois fatores mais influentes para os alunos que se enquadram no conceito de turismo acadé mico. Grá fico 7 - Que fator decisivo o levou a escolher a Universidade do Minho? 45 Como é possível observar nos Grá ficos abaixo, 43,9% (29) dos inquiridos já tinha estado em Portugal e, destes, 65,5% (19) considera que a experiê ncia influenciou as suas escolhas de mobilidade, contra 34,5% (10) que considera que nã o teve qualquer influê ncia. Por outro lado, 56,1% (37) inquiridos nunca tinha visitado Portugal antes da estadia. Grá fico 8 - Já tinha ido a Portugal antes do seu período de mobilidade? Grá fico 9 – (Se Sim) Esta experiê ncia influenciou a sua escolha? 52 4.1.5 ParteⅤ: Impacto da Pandemia A amostra inclui estudantes que chegaram a Portugal entre 2014 e 2021, pelo que se destaca um total de 45 alunos chineses (68,3%) que estavam em Portugal quando a pandemia começ ou (març o de 2020). Quadro 8 - Ano de chegada a Portugal Ano Frequência Percentagem 2014 2 3% 2015 2 3% 2016 1 1,5% 2017 5 7,5% 2018 11 16,7% 2019 22 33,4% 2020 8 12,2% 2021 15 22,7% Total 66 11% A pandemia influenciou a experiê ncia de mobilidade, 46% das respostas indica que alunos tiveram de cancelar viagens que tinham planeado e 45,9% que as suas aulas/percurso acadé mico foram interrompidos como consequê ncia da situaç ã o epidé mica mundial. Contudo, 8,11% escolheu outros 53 impactos, como o facto de nã o conseguido aproveitar a vida ou terem surgido problemas psicoló gicos. Grá fico 18 - Como é que a pandemia afetou o seu plano original de mobilidade 4.2 Discussã o dos Resultados De acordo com as estatísticas obtidas a partir dos resultados do questioná rio, a grande maioria dos inquiridos tinha entre 18 e 30 anos de idade, mais de metade era do sexo feminino, proveniente de 22 das 34 regiõ es administrativas de primeiro nível na China, sendo que metade ainda vive em Portugal. Mais de metade dos inquiridos da amostra é estudante de grau completo (Licenciatura/Mestrado/Doutoramento, mais de 1 ano), enquanto quase metade dos inquiridos veio para a Universidade do Minho em mobilidade atravé s de programas de intercâ mbio de cooperaç ã o interuniversitá ria (1 semestre a 1 ano) e de programas de mobilidade de curto prazo (curso de BabeliUM, 4 semanas a 1 semestre). Pode dizer-se que estas sã o as trê s principais formas pelas quais a Universidade do Minho recebe alunos chineses. Em relaç ã o aos fatores (Mazzarol & Soutar, 2002; Marcucci & Johnstone, 2007; Uysal & Jurowski, 1993; Llewellyn Smith & McCABE, 2008) que levam um estudante a deixar a China e a escolher Portugal como destino de mobilidade, a língua foi o fator mais escolhido. Pode deduzir-se que a principal razã o para tal será o facto de a maioria dos inquiridos ser estudante de segunda ou terceira língua (língua portuguesa). O custo de vida, a recomendaç ã o de professores, a qualidade das universidades, a 54 seguranç a e a recomendaçã o de ex-alunos de mobilidade també m foram seleç õ es representativas. A localizaç ã o geográ fica, as atraç õ es culturais e turísticas, o clima e os comentá rios na internet foram os fatores menos escolhidos pela amostra em estudo. Relativamente ao fator decisivo para a escolha final da instituiç ã o, os projetos de cooperaç ã o interuniversitá ria e o curso foram os fatores mais escolhidos, seguidos das recomendaç õ es de professores da universidade de origem ou ex-alunos em mobilidade. Estes resultados alinham-se com as conclusõ es do estudo de Findlay (2017) e Moskal (2017), onde se refere que a mobilidade internacional dos estudantes nã o se trata de uma escolha pessoal, mas é mediada por mú ltiplos fatores sociais. Entre os estudantes de intercâ mbio chineses que desejam estudar num país onde nã o se fala inglê s, o mais comum será que a escolha do destino seja feita atravé s de informaç õ es fornecidas pela universidade original, professores ou ex-alunos. É por esta razã o que a cooperaç ã o entre universidades se torna particularmente importante. Alé m disso, metade dos inquiridos já tinha estado em Portugal antes da sua mobilidade e 65,5% deles considera que esta experiê ncia teve impacto no processo de escolha. Segundo Borges (2014), os cerca de 7% de estudantes estrangeiros em instituiç õ es de ensino superior de Portugal geram 350 milhõ es de euros em receitas, incluída as taxas escolares, alojamento, transporte, alimentaç ã o, etc. A partir dos resultados do questioná rio, retira-se que a maior parte dos inquiridos gastou entre 500 a 700€ por mê s, ou seja, os estudantes internacionais contribuem ativamente para a economia local. Devido a estadias mais longas, o turismo acadé mico tem um impacto econó mico mais elevado do que o turismo convencional. Para os estudantes chineses, existe um grande interesse em conhecer o país e a cultura: o presente inqué rito demonstra que quase todos os inquiridos (98,5%) visitaram outras regiõ es de Portugal durante a estadia, 41,5% visitou até mais de cinco cidades. Uma parte considerável da amostra (69,7%) visitou ainda outros países. Estes resultados alinham-se com as conclusõ es do estudo de Martínez Roget et al. (2013), reiterando que os estudantes internacionais visitam ativamente outros locais dentro da regiã o e do país enquanto estudam no estrangeiro, o que se traduz em impactos econó micos nos destinos nã o principais. No total da amostra selecionada, verifica-se um nível de satisfaç ã o razoável relativamente à sua experiê ncia de mobilidade em Portugal (95,5% pelo menos satisfeitos), verificando-se també m um nível de satisfaç ã o geral para com as experiê ncias turísticas (97% pelo menos satisfeitos). Atravé s da observaç ã o dos dados apresentados no presente estudo, é possível concluir també m que praticamente 55 a totalidade dos inquiridos recomendaria Portugal enquanto destino de mobilidade (90,9%) e enquanto destino turístico (95,5%), demonstrando interesse em regressar no futuro como turista. Por ú ltimo, 91,9% dos inquiridos relatou que os seus planos de viagem e de estudo foram restringidos devido à atual pandemia de Covid-19. Neste estudo nã o se aprofundou o impacto da pandemia nas viagens acadé micas, mas é evidente que o contexto atingiu duramente a mobilidade estudantil internacional, em especial os estudantes nã o europeus que viajam para a Europa. 56 5 - Conclusã o 57 5.1. Consideraç õ es finais A mobilidade estudantil transfronteiriç a é uma componente central da internacionalizaçã o do ensino superior, com implicaç õ es de longo alcance tanto para a economia como para o meio acadé mico, e tem crescido rapidamente nos ú ltimos anos. A investigaç ã o sobre turismo acadé mico tornou-se assim mais valiosa em termos de procura do mercado. A China é hoje o maior exportador de estudantes internacionais e a percentagem continua a crescer. O presente estudo teve como ponto de partida uma revisã o de literatura acerca da evoluç ã o do turismo em Portugal e em Braga, explorando o conceito de turismo acadé mico, os fatores que influenciam a decisã o e a repercussã o no destino. Abordou també m a evoluç ã o do turismo chinê s, a mobilidade estudantil dos chineses, comparou o turismo acadé mico e Youxue , apresentando os acordos de cooperaç ão da Universidade do Minho (UMinho) com universidades da China. Na segunda parte do trabalho, mais empírica, apresentou-se o inqué rito partilhado junto dos estudantes chineses da Universidade do Minho, tendo como principal objetivo responder à s questõ es levantadas durante o estudo, questõ es essas originadas pela investigaç ão bibliográ fica e quantitativa. Este estudo visa assim, como objetivo final, contribuir para uma melhor perceç ã o do turismo acadé mico na cidade de Braga/Guimarã es, com especial foco nos estudantes chineses em mobilidade. Um dos pontos que podemos retirar do estudo apresentado é a elevada importâ ncia que a mobilidade estudantil e o turismo acadé mico apresentam para o país de destino, uma vez que nã o só sã o responsáveis por benefícios diretos para as localidades de acolhimento, como també m pela importâ ncia que a sua experiê ncia positiva, e por sua vez a sua recomendaç ã o, poderá causar na futura tomada de decisã o de outros estudantes. Impõ e-se tentar responder à s trê s questõ es colocadas no início. A primeira: Quais sã o os fatores de motivaç ã o que orientam a escolha de Portugal como destino de mobilidade? Com base nos resultados, conclui-se que os inquiridos escolheram a língua, seguido do custo de vida e da recomendaç ã o de professores como os fatores mais importantes na base da escolha de Portugal como destino de mobilidade. No que diz respeito ao fator chave para a tomada de decisã o final da instituiç ã o, destacamse as parcerias de cooperaç ã o interuniversitá ria como um canal vital para que os estudantes chineses recebam informaç õ es sobre o destino. Adicionalmente, é també m importante ter em consideraç ã o as opiniõ es dos estudantes em mobilidade, uma vez que as suas recomendaç õ es podem ser decisivas na 58 escolha de futuros estudantes. O passa a palavra entre alunos apresenta-se assim como uma das formas mais relevantes de comunicaç ã o, uma vez que é fá cil considerar como vá lidas as opiniõ es de pessoas pró ximas e de confianç a, pelo que as universidades deverã o considerar este aspeto, adequando os seus meios de promoç ã o e divulgaç ã o (Oliveira & Soares, 2016). A segunda questã o relacionava-se com o impacto do turismo acadé mico no destino. A mobilidade estudantil possui um certo impacto na economia das cidades universitá rias e dos destinos pró ximos (Pawlowska & Martínez Roget, 2009). O presente estudo descobriu que quase todos os estudantes chineses (98,5%) visitaram outras regiõ es portuguesas e 69,7% visitou outros países enquanto estudava em Portugal. Para alé m disso, a maior parte dos inquiridos gastou entre 500 a 700€ por mê s. Na maioria dos casos podemos tratar a mobilidade de estudantes internacionais como um tipo de turismo: o turismo acadé mico. Por fim, qual é o feedback dos estudantes chineses sobre o turismo acadé mico? Como é que esta experiê ncia afetou a imagem de Portugal? As respostas do inqué rito permitem concluir que a satisfaç ã o dos estudantes chineses com experiê ncias turísticas (97%) é mais forte do que a sua satisfaç ã o com a mobilidade (95,5%), e os estudantes recomendam Portugal como destino turístico (95,5%) mais do que o recomendam como destino de mobilidade (90,9%). Assim, Portugal poderá ser uma opç ã o competitiva no mercado chinê s de Youxue (viajar e estudar), que permite ganhar conhecimento durante a viagem. Tal afirmaç ã o é possível nã o só com base neste estudo, mas també m nas investigaç õ es de outros autores que encontraram um feedback muito positivo dos turistas relativamente a Portugal (Lucas et al., 2017; Amaro et al., 2019). Isto cria um ciclo virtuoso, quando estes estudantes regressam aos seus países de origem, espalham a sua atitude positiva a outros colegas, o que por sua vez influencia a escolha de Portugal como destino. Por conseguinte, o país deve prestar atenç ã o ao mercado do turismo dirigido a grupos acadé micos. É de grande relevo que as universidades e instituiçõ es de ensino superior portuguesas procurem adaptar-se constantemente a novas realidades, sendo flexíveis e recorrendo a estraté gias de internacionalizaç ã o que sejam chamativas para os alunos de mobilidade oriundos de diversos países. Especialmente na fase de recuperaç ã o da epidemia, o setor do turismo també m precisa de renascer atravé s de uma configuraç ã o renovada do mercado. 59 Durante o inqué rito verificou-se que nã o existe um canal oficial para contactar antigos estudantes de intercâ mbio chineses e de cursos de curta duraç ã o na Universidade do Minho, e que no futuro poderia ser explorada a oportunidade de desenvolver associaç õ es ou organizaç õ es que promovam e apoiem o intercâ mbio de estudantes (por exemplo sob a alç ada do Gabinete Chinê s - Divisã o de Relaç õ es Internacionais da Universidade de Coimbra, Erasmus Student Network , etc.). Ao mesmo tempo, a Universidade do Minho deve cooperar ativamente com as academias chinesas com cursos de língua portuguesa, para que mais estudantes tenham a oportunidade de conhecer e escolher esta academia portuguesa. 5.2. Limitaç õ es do Estudo No processo de recolha das respostas ao questioná rio, verificaram-se algumas dificuldades das quais se destacam as seguintes. Por um lado, o contacto com os estudantes chineses que cumpriam os requisitos para o presente estudo, a saber, estudantes em turismo acadé mico cujo o período de estudo equivale a menos de um ano, apresentou mais dificuldades do que o inicialmente esperado. Tal dificuldade resultou do facto de apenas metade da amostra se tratar de estudantes em intercâ mbio ou cursos de curta duraç ã o na Universidade do Minho, sendo que os restantes sã o estudantes a efetuar formaç ã o completa. Este fator pode ter levado a resultados mais tendenciosos em determinadas questõ es. Poré m, de acordo com o estudo de Hughes, Wang e Shu (2015), os estudantes em formaç ã o completa comportam-se de forma semelhante aos turistas, pelo que se justifica assim a escolha dessa amostra. Uma segunda dificuldade encontrada foi a de contactar os estudantes de acordo com as especificidades acima referidas, resultando numa amostra mais representativa de alunos de anos mais recentes. Tendo em consideraç ã o os efeitos da pandemia, e de que esta possa ter afetado as viagens a nível mundial, o inqué rito apresentado pode ser um reflexo desses efeitos negativos, por exemplo no que respeita ao comportamento, uma vez que a pandemia impediu os estudantes em mobilidade de viajarem em Portugal ou para outros países, mesmo que esse fosse o seu desejo original. Desta forma, tal fator pode ter també m afetado as respostas ao questioná rio. Por fim, no que diz respeito à s limitaç õ es da investigaç ã o quantitativa, ao ganhar-se em extensividade perde-se em intensidade, faltando algumas questõ es com características culturais. 60 Esperamos que, apesar destas limitaçõ es, o presente trabalho permita uma melhor compreensã o do fenó meno de mobilidade estudantil chinesa em Portugal e que lance pistas para investigaç ã o futura. 61 Bibliografia 68 Webgrafia 69 Bai, Y. (2018). China creates world’s largest middle-income class . People’s Daily. Disponível em http://en.people.cn/n3/2018/0314/c90000-9437028.html Borges, M. (2014). Universidades Portuguesas Recrutam Estrangeiros de Fora da Europa para Aumentar Receitas . Disponível em: https://operamundi.uol.com.br/politica-e-economia/33261/universidades-portuguesas-recrutamestrangeiros-de-fora-da-europa-para-aumentar-receitas CSC Scholarships. (2022). China Scholarship Council . Disponível em: https://www.cscscholarship.org/ China National Tourism Administration. 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Disponível em http://www.chinadaily.com.cn/china/2014-03/17/content_17350247.htm 71 Anexos 72 AnexoⅠ问卷调查:关于米尼奥大学中国学生国际流动的研究 您的参与是匿名和保密的,数据只用于分析处理,不会对答案进行单独报告。完成这项工作将需要 不到 3分钟。 ====== I. 社会人口学特征分析 1. 年龄 <18 18 - 30 >30 2. 性别 女性 男性 3. 出生于中国哪个省/地区?Em que província/região da China nasceu? 北京市 天津市 河北省 山西省 内蒙古自治区 辽宁省 吉林省 黑龙江省 上海市 江苏省 浙江省 73 安徽省 福建省 江西省 山东省 河南省 湖北省 湖南省 广东省 广西壮族自治区 海南省 重庆市 四川省 贵州省 云南省 西藏自治区 陕西省 甘肃省 青海省 宁夏回族自治区 新疆维吾尔自治区 台湾省 澳门特别行政区 香港特别行政区 钓鱼岛 海外 4. 你目前住在哪里? 中国 葡萄牙 74 葡萄牙以外的葡语国家 +其他____ 5. 交流计划的类型 交换生 短期学习项目(如语言课程等) 高等学历教育(本科/硕士/博士) +其他____ 6. 交流的时间 不到 1个月 1个月至 1个学期 1个学期至 1年 1年以上 7. 您的课程/专业的名称是什么? (例:语言班、经济学本科、跨文化研究硕士等) ====== II. 流动之前 8. 在计划交流时,哪些因素导致您选择葡萄牙作为目的地? 大学质量 老师推荐 曾在葡萄牙学习过的学生建议 地理位置 安全 气候 生活成本 语言 75 文化和旅游景点 互联网上关于葡萄牙的评论 +其他____ 9. 使你最终选择在米尼奥大学学习的决定性因素是什么? 与原大学之间的合作项目 课程 老师推荐或曾在葡萄牙学习过的学生推荐 网上关于大学的评论 奖学金 +其他____ 10. 在此次交流之前,你已经去过葡萄牙了? 去过 没有 10.1. (如果“去过”)你认为那次的经历影响了你选择本次流动的决定吗? 是 否 ====== Ⅲ. 流动过程中 11. 你是通过何种途径搜索葡萄牙旅游信息的?(多选) 网络 当地朋友 旅游机构/公司 当地媒体 旅行书籍或杂志 76 +其他____ 12. 在布拉加/吉马良斯逗留期间,你是否去过葡萄牙的其他地区? 是 否 12.1. (如果是)你去过多少个城市? 1 2~5 >5 13. 在布拉加/吉马良斯逗留期间,你是否去过其他国家? 是 否 13.1. (如果是)你去过多少个国家? 1 2~5 >5 14. 你在布拉加/吉马良斯每月的生活开销大概是多少? <500€ 500~700€ 700~900€ >900€ ====== Ⅳ. 流动之后 77 15. 您对在米尼奥大学的流动经历满意度如何? 1~6 16. 您会推荐葡萄牙作为一个交流学习目的地吗? 会 不会 17. 您对在葡萄牙的旅游经历满意度如何? 1~6 18. 您会推荐别人到葡萄牙旅游吗? 会 不会 19. 你愿意作为游客再次来葡萄牙旅游吗? 愿意 不愿意 20. 你认为旅游体验能在多大程度上影响葡萄牙作为学生流动目的地的评价? 1~6 ====== Ⅴ. 新冠疫情的影响 21. 到葡萄牙的时间: __/__ 月/年 22. 如果您是在新冠疫情开始后(2020 年3月)仍在葡萄牙学习的中国人,请问大流行对你原本的 流动计划有什么影响?(多选) 我取消了原定旅行计划 84 Nã o 17. Até que ponto está satisfeito com as suas experiê ncias turísticas em Portugal? (Escala de Likert) 1~6 18. Recomenda Portugal como destino turístico? Sim Nã o 19. Regressaria a Portugal como turista? Sim Nã o 20. Acha que a experiê ncia turística pode influenciar a avaliaçã o de Portugal como um destino de mobilidade estudantil? (Escala de Likert) 1~6 ====== Ⅴ. Impacto da Pandemia 21. Quando é que chegou para Portugal: __/__ MM/YYYY 22. Se era estudante chinê s em Portugal quando a pandemia começ ou (março de 2020), como é que a pandemia afetou o seu plano original de mobilidade? (vá rias opçõ es) Nã o pude viajar, como tinha planeado originalmente As minhas aulas/ percurso acadé mico foi interrompido + outro____