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Universidade do Minho Instituto de Ciências Sociais Patrícia Ferreira Martins O espaço do podcast no jornalismo impresso português outubro de 2023 UMinho | 2023 Patrícia Martins O espaço do podcast no jornalismo impresso português
Patrícia Ferreira Martins O espaço do podcast no jornalismo impresso português Relatório de Estágio Mestrado em Ciências da Comunicação Informação e Jornalismo Trabalho efetuado sob a orientação do Professor Doutor Luís Miguel Loureiro Universidade do Minho Instituto de Ciências Sociais outubro de 2023
i DIREITOS DE AUTOR E CONDIÇÕES DE UTILIZAÇÃO DO TRABALHO POR TERCEIROS Este é um trabalho académico que pode ser utilizado por terceiros desde que respeitadas as regras e boas práticas internacionalmente aceites, no que concerne aos direitos de autor e direitos conexos. Assim, o presente trabalho pode ser utilizado nos termos previstos na licença abaixo indicada. Caso o utilizador necessite de permissão para poder fazer um uso do trabalho em condições não previstas no licenciamento indicado, deverá contactar o autor, através do RepositóriUM da Universidade do Minho. Licença concedida aos utilizadores deste trabalho Atribuição-NãoComercial-SemDerivações CC BY-NC-ND https://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0/
ii AGRADECIMENTOS Ao meu orientador de estágio no jornal Público, David Pontes, por me ter proporcionado grandes momentos de aprendizagem durante os três meses de estágio. Ao jornal Público por me ter dado a oportunidade de integrar uma equipa fantástica de jornalistas, que foram sempre prestáveis e deram os maiores conselhos. Ao meu orientador, Professor Luís Miguel Loureiro, pela enorme ajuda e por me ter guiado durante todo este processo de desenvolvimento deste trabalho. À minha família, Mãe e Pai, por serem fonte de compreensão, paciência e de apoio incondicional em todas as decisões que tomei ao longo da minha vida, deixando-me sempre seguir o meu sonho de um dia ser jornalista. À minha irmã por ter sido abrigo enquanto realizava esta experiência, mas sobretudo pela ajuda e pelo apoio infinito demonstrado durante todo o meu percurso académico.
iii DECLARAÇÃO DE INTEGRIDADE Declaro ter atuado com integridade na elaboração do presente trabalho académico e confirmo que não recorri à prática de plágio nem a qualquer forma de utilização indevida ou falsificação de informações ou resultados em nenhuma das etapas conducente à sua elaboração. Mais declaro que conheço e que respeitei o Código de Conduta Ética da Universidade do Minho.
iv O espaço do podcast no jornalismo impresso português Resumo Os meios de comunicação social sempre procuraram novas formas de comunicar com os seus leitores, ouvintes e espectadores. Com o surgimento da Internet, que originou o aparecimento de novas tecnologias, foi possível transmitir informação noticiosa de forma diferenciada chegando até novos públicos. Um exemplo disso é o podcast. Esta ferramenta começou a aparecer no meio radiofónico e televisivo, mas também chegou aos jornais e revistas de todo o mundo. Em Portugal, o semanário Expresso e o jornal Público foram dos primeiros meios impressos a criar conteúdo para este formato. O significativo número de podcasts desenvolvidos pelo diário Público , que foi observado durante a experiência de três meses de estágio na redação deste jornal, fez surgir a problemática dos podcasts na imprensa portuguesa. Nesse sentido, este estudo pretende analisar e compreender o espaço que esta tecnologia tem atualmente nos jornais e revistas de informação generalista portuguesas. O objetivo passa por perceber se este é um fenómeno que está muito ou pouco presente nos websites destas publicações jornalísticas. Palavras-chave: podcast; imprensa; jornalismo; áudio; Internet
v The space of podcast in Portuguese print journalism Abstrato The media have always sought new ways to communicate with their readers, listeners, and viewers. With the advent of the Internet, which gave rise to new technologies, it became possible to transmit news in a differentiated manner, reaching new audiences. An example of this is the podcast. This tool began to appear in the radio and television medium but also made its way to newspapers and magazines worldwide. In Portugal, the newspaper Expresso and the newspaper Público were among the first printed media to create content in this format. The significant number of podcasts developed by the newspaper Público, observed during a threemonth internship in the newspaper's newsroom, led to the issue of podcasts in the Portuguese press. In this sense, this study aims to analyze and understand the space that this technology currently has in Portuguese generalist newspapers and magazines. The purpose is to understand whether this is a phenomenon that is very or not very present on the websites of these journalistic publications. Keywords: podcast; press; journalism; áudio; Internet
vi Índice 1. Introdução .............................................................................................................. 8 2. Estagiar no Público .............................................................................................. 10 2.1. Breve História do Jornal Público ................................................................... 10 2.2. Porquê o Meio Online e Porquê o Público? .................................................. 13 2.3. Experiência de Estágio ................................................................................. 14 2.3.1. Primeiro Dia e Primeiras Aprendizagens ............................................... 14 2.3.2. Estagiar no P3 ....................................................................................... 16 2.3.2.1. Balanço de Estagiar no P3 ............................................................. 22 2.3.3. Estagiar em Local .................................................................................. 23 2.3.3.1. Balanço de Estagiar em Local ........................................................ 26 2.3.4. Estagiar na Fugas e na Ímpar ................................................................ 27 2.3.4.1. Balanço de Estagiar na Fugas e na Ímpar ...................................... 30 2.4. Porquê os Podcasts? .................................................................................... 31 3. Do Surgimento da Internet ao Aparecimento dos Podcasts nos Meios de Comunicação Social ................................................................................................... 33 3.1. Jornalismo e Internet .................................................................................... 33 3.1.1. Uso do Jornalismo na Internet ............................................................... 37 3.2. Podcasts ....................................................................................................... 40 3.2.1. Características dos Podcasts ................................................................ 42 3.2.2. Podcasts e os Meios de Comunicação .................................................. 48 3.2.2.1. Podcasts e a Rádio ........................................................................ 49 3.2.2.2. Podcasts e a Imprensa ................................................................... 53 3.2.2.3. Consumo de Podcasts em Portugal ................................................ 57 4. Metodologia ......................................................................................................... 60 5. Caso de Estudo: O Podcast na Imprensa Portuguesa ......................................... 66 5.1. Análise dos Podcasts ................................................................................... 66 5.1.1. Análise da variável editoria .................................................................... 67 5.1.2. Análise da variável género..................................................................... 68 5.1.3. Análise da variável duração ................................................................... 71 5.1.4. Análise da variável tipo .......................................................................... 72 5.1.5. Análise da variável periodicidade ........................................................... 73 5.1.6. Análise da variável localização .............................................................. 74 5.2. Análise dos Questionários ............................................................................ 77 6. Considerações Finais .......................................................................................... 81 Referências Bibliográficas .......................................................................................... 85 Anexos ....................................................................................................................... 92
13 O ano de 2022, para além de um crescimento nas assinaturas, trouxe igualmente uma gratificação em forma de prémio para vários trabalhos desenvolvidos pelos jornalistas do Público , durante os anos de 2021 e 2022. A pobreza, a economia, a sustentabilidade, os direitos humanos e integração, o ciberjornalismo, a sustentabilidade alimentar, a saúde, o design e a infografia foram algumas das áreas em que o jornal se destacou a nível nacional e/ou europeu. 2.2. Porquê o Meio Online e Porquê o Público ? A escolha pelo meio onde iria realizar o estágio curricular não revelou ser difícil. Produzir conteúdo, nomeadamente escrito, para o universo digital é um interesse que me acompanha desde a minha adolescência, quando o jornalismo começou a entrar na minha vida. Desde esse momento que a maioria da informação que consumia provinha da Internet e o que imaginava nessa altura era um dia conseguir realizar o mesmo que estava a ler nas diversas plataformas que este universo oferece. O ambiente digital sempre me conquistou enquanto plataforma para produzir conteúdo jornalístico, pois possui a capacidade de oferecer mais informação ao leitor para além de um só texto. O meio online é a forma mais completa para se fazer jornalismo. A publicação de uma história no website de um órgão de comunicação social vai muito além de publicar um texto e uma fotografia a ilustrar. As potencialidades que este meio oferece enriquecem estes dois conteúdos. As “fotogalerias”, vídeos e infografias, que podem ser alojados no mesmo espaço que o texto, e as hiperligações, que podem ser criadas ao longo do artigo, permitem que o leitor tenha acesso a mais informação sobre um determinado tema ou assunto, aprofundando ainda mais o conhecimento do leitor. Para além disso, o meio online é o único que se caracteriza por ser "permanente", isto é, o conteúdo jornalístico produzido para este universo está sempre disponível e pode ser consultado de acordo com a disponibilidade do leitor. Por estas características e devido à minha enorme vontade de continuar a aprender sobre o mundo do jornalismo online, para que, no futuro, possa seguir uma carreira neste universo, a minha decisão acabou por ser muito simples de tomar no momento em que tive de optar entre televisão, rádio, imprensa ou online. Depois de escolhido o meio, era o momento de eleger um local para realizar o estágio curricular. A escolha pelo jornal Público também não foi complicada de tomar. Desde que ingressei na
14 licenciatura em Ciências da Comunicação que tinha como objetivo conseguir estagiar neste jornal. Sempre vi o Público como uma boa escola para dar os primeiros passos na prática jornalística. Neste sentido, como não tive possibilidade de realizar o estágio neste meio de comunicação durante a licenciatura, tendo, com o ingresso no mestrado em Ciências da Comunicação na Universidade do Minho, a oportunidade de abraçar uma nova formação prática, a decisão apenas poderia ser uma. Esta escolha vai também ao encontro daquilo em que acredito no jornalismo. Para além de ser um dos jornais que sempre leio, o Público destaca-se do panorama mediático português por ter na base critérios como o rigor, a qualidade, a inovação e a ética. Também a aposta que faz em disponibilizar informação diversificada, que abrange os interesses de diferentes públicos-alvo, chegando desta maneira a todas as pessoas, é algo que valorizo num órgão de comunicação social. 2.3. Experiência de Estágio 2.3.1. Primeiro Dia e Primeiras Aprendizagens A experiência de estágio na redação do Porto do jornal Público começou a 16 de agosto de 2022. Os primeiros momentos foram de apresentação a todas as secções (Cultura, Desporto, Fugas, P3, Sociedade, Política, Economia, Local e Azul) e aos jornalistas que estavam, nesse dia, presentes neste novo espaço que iria ser a minha nova "casa" durante os três meses que se seguiam. A redação do Porto, devido ao facto de o mês de agosto ser mês de férias, não estava completa, encontrando-se apenas alguns jornalistas espalhados pelas várias secretárias. A subeditora do P3, Amanda Ribeiro, era a pessoa que estava encarregue de receber os estagiários. Nesse dia, juntamente comigo estava também uma outra pessoa para iniciar o estágio. Depois das apresentações entre a coordenadora do P3 e as estagiárias, seguiu-se o momento mais técnico, de instalar programas e atribuir credenciais de acesso ao backoffice , plataforma onde iriamos desempenhar a maior parte das nossas tarefas. O apoio técnico foi realizado pelo técnico de informática, José Vicente, e por uma outra estagiária, em estágio profissional, Ana Isabel Ribeiro, que se encontrava na mesma secretária que as recém-chegadas estagiárias. Posteriormente a termos tudo preparado para iniciar o percurso como jornalistas estagiárias, faltava apenas estabelecer a secção para a qual iriamos começar a trabalhar. Tanto a secção P3 como Local estavam abertas à receção de estagiários. Nesse sentido, as nossas funções iniciaram-
15 se na editoria do P3, tendo sempre a liberdade de trabalhar de igual forma para a secção de Local, propondo temas relacionados com a cidade do Porto. Para além destas editorias, foi ainda transmitida a mensagem de que poderíamos também trabalhar para outras secções através de propostas nossas ou dos editores. A primeira proposta de trabalho chegou-nos de Manuel Carvalho, diretor editorial do Público , depois de alguns momentos a ler a imprensa nacional e internacional, à procura de temas que fossem ao encontro das características do jornal. A sugestão do diretor editorial do jornal passava por acompanhar um jornalista e um fotojornalista para cobrir o reacendimento dos incêndios na Serra da Estrela. A ideia era apenas observar e aprender a trabalhar "em campo", em momentos críticos e de muito stress, de modo a perceber como se procede à recolha de informação num evento desta magnitude. Após conversa com a minha colega estagiária, para decidirmos quem iria acompanhar o jornalista, concluímos que, nesta primeira vez, seria eu e, numa próxima oportunidade, iria ela. Ao início da tarde seguimos os três em direção à Serra da Estrela. Ainda não sabíamos muito bem qual a localidade a que dirigir-nos. Por isso, no trajeto, acompanhámos as notícias que iam sendo transmitidas pelas rádios Renascença e TSF, de forma a obtermos mais indicações sobre os incêndios que iam deflagrando na região, para perceber que zona se encontrava mais crítica. As notícias levaram-nos até à aldeia de Orjais, no concelho da Covilhã. O fogo estava já na área residencial da aldeia. Esse foi o momento de recolher alguns testemunhos de habitantes que viam o fogo cada vez mais perto das suas casas. O jornalista, ao falar com as fontes, neste caso, os proprietários das habitações, teve o cuidado de não fazer a típica pergunta de "como é que se sente?", pois isso já era visível no estado da pessoa. Em vez disso, fez algumas perguntas de contextualização, como por exemplo, "há quanto tempo mora nesta casa?", "é a primeira vez que incêndios desta categoria atingem esta região?" ou "o que está a achar do trabalho das autoridades?". O incêndio nesta aldeia apresentava várias frentes ativas, o que nos levou a dirigir-nos a mais do que um local para perceber como é que as autoridades estavam a lidar com a situação. O jornalista tentou falar com alguns bombeiros, que estavam numa posição mais defensiva, não propriamente de combate às chamas, porém, devido às circunstâncias, pouco nos foi dito. Para além dos bombeiros, o jornalista pretendia também falar com algum representante da Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANEPC) que estivesse pelo local, mas não foi possível localizá-lo.
16 Depois de recolhidos vários testemunhos de habitantes da aldeia de Orjais e de termos acompanhado a situação, seguiu-se a escrita do artigo, que iria sair tanto na edição online como na edição impressa do jornal, no dia seguinte. Dado estarmos longe da redação, a solução foi encontrar um café com acesso à Internet para conseguir proceder à escrita do texto e à edição das fotos. Apesar de apenas ter ido para observar e para aprender a trabalhar nestas circunstâncias, ao longo da tarde fui também tirando notas e apontando o que era dito pelas fontes entrevistadas pelo jornalista, para que, caso faltasse alguma referência, pudesse desta maneira auxiliá-lo. Esta foi a primeira vez que estive enquanto "jornalista" num ambiente desta magnitude. Considero que esta experiência foi muito enriquecedora, por me ter proporcionado ferramentas essenciais para saber enfrentar cenários como este e conseguir encontrar fontes de informação, que são primordiais em momentos deste género. Além disso, esta ida para o “campo” em circunstâncias como as descritas, ajudou-me também a perceber como é o trabalho de um jornalista quando está a cobrir eventos deste tipo, isto é, quando tem um deadline muito limitado e o fator tempo não deixa explorar outros ângulos do acontecimento. 2.3.2. Estagiar no P3 O P3 é a secção do jornal Público que está destinada à população mais jovem. “Um site para millennials e geração Z” é o que se lê ao abrir a página de Internet deste projeto, que já conta com mais de 10 anos de existência. Lançado a 22 de setembro de 2011, o P3 tinha, e mantém, como objetivo aproximar os jovens “que se encontram afastados dos órgãos de informação por não se reverem nos temas tratados” 4 . Dado este propósito, este projeto pretende “explorar novas narrativas multimédia, pensadas em função da nova realidade dos media, e desenvolver a aplicação de novas ferramentas”4. Esta secção engloba várias áreas de atuação: Atualidade, Cultura, Vícios, Causas e PET. Na altura da criação do P3, a Atualidade era definida como o espaço onde “coexistem os temas clássicos do Desporto, Economia ou Educação, de acordo com o ângulo de abordagem mais apropriado ao público-alvo”5. Atualmente, esta área vai ainda mais longe e aborda temas relacionados com a atualidade nacional e internacional, como eleições, guerras, protestos, ou mudanças de leis, 4 Informação retirada do website do programa financiador do P3, COMPETE (Programa Operacional Fatores de Competitividade) - P3, uma experiência de jornalismo comunitário (qren.pt)
17 sempre com o enfoque nos jovens. A Cultura “vive de forma autónoma e nela há espaço para o MP3 [música], os palcos [concertos], os livros, o design ou a arquitetura”5. A fotografia é também um assunto que faz parte desta área. Exposições fotográficas ou concursos fotográficos são alguns dos temas retratados neste espaço. A subsecção de Vícios “é uma espécie de suplemento, na qual serão destacados temas como a tecnologia, a moda ou as séries” 5 . As redes sociais, os jogos ou até comportamentos dos jovens que se tornaram recorrentes são alguns dos assuntos abordados atualmente nesta área. O P3 foi crescendo, ao longo dos anos, e adicionou mais duas áreas de atuação: Causas e PET. Na subsecção de Causas são referidos temas como alterações climáticas, direitos humanos ou voluntariado. No caso da área PET, este é um espaço dedicado apenas a animais, que podem ser de estimação, como cães ou gatos, ou que vivem fora de um ambiente doméstico. A minha primeira experiência no P3 foi a realização da tradução de um artigo do jornal The Washington Post sobre a distribuição gratuita de tampões e pensos higiénicos em locais específicos, como farmácias, associações e centros comunitários da Escócia 6 . Como ainda me estava a ambientar a toda uma nova rotina, os primeiros trabalhos foram muito à base deste tipo de publicações, isto é, traduzir algum artigo de um jornal ou agência de notícias internacional ou adaptar textos oriundos da agência noticiosa Lusa, segundo os critérios de estilo do jornal Público . Este foi um bom exercício para adquirir prática na construção do aspeto visual e gráfico dos artigos, pois era necessário atribuir uma entrada, uma fotografia de destaque, hiperligações, tanto internas (de artigos já publicados no jornal) como externas (de outras páginas da Internet que se relacionassem com o assunto tratado no texto), notícias relacionadas com o tema, e hashtags, que ajudassem o leitor a encontrar mais informação sobre a temática dentro do site do Público . Este foi um trabalho que, nos primeiros dias, ainda levou algum tempo a concluir, por ainda não ter muito conhecimento de como operar dentro do backoffice do jornal. No P3, sempre fui incentivada a propor temas ou trabalhos que gostasse de realizar. Desta maneira, ainda na primeira semana do estágio, fiz a minha primeira sugestão. Tratava-se de algo que tinha lido na imprensa internacional, no jornal The Guardian , e apresentava traços que iam ao encontro das características desta secção. Um casal inglês desenhou a maior bicicleta do mundo num mapa, ao pedalar por sete países europeus para alertar as pessoas e os governos 5 Informação retirada de uma notícia publicada no website do jornal Público - PÚBLICO disponibiliza novo site para jovens leitores a partir do dia 22 | Projecto desenvolvido pelo PÚBLICO com a Universidade do Porto e INESC Porto | PÚBLICO (publico.pt) 6 https://www.publico.pt/2022/08/17/p3/noticia/escocia-pais-distribuir-tampoes-pensos-higienicos-gratuitamente-2017477
18 para a problemática das alterações climáticas 7 . A subeditora do P3 aprovou a proposta e sugeriu que realizasse uma entrevista ao casal para obter mais informações sobre esta iniciativa. Depois de alguma pesquisa, enviei e-mail para um endereço eletrónico que estava no blogue do casal. Devido à indisponibilidade do casal para se reunir através de uma plataforma de videoconferência, acabei por enviar as perguntas por escrito e, um dia depois, obtive as respostas de que necessitava. A partir desse momento, iniciei a escrita do texto com recurso às respostas da entrevista e mais algumas informações que encontrei no blogue. Durante o período de espera pelas respostas, procurei por outras sugestões que pudesse propor. Ao mesmo tempo foram-me também atribuídos novos temas para a realização de artigos. O primeiro assunto que me foi proposto era sobre a deteção do vírus da varíola-dos-macacos num animal de estimação. Porém, o artigo acabou por não ser publicado devido à existência de um outro artigo sobre o mesmo tema no jornal. No caso da segunda proposta, a ideia partiu de uma notícia do jornal The Guardian , em que uma foca entrou na casa de um casal neozelandês e andou por lá a passear. Todavia, devido a não ter acesso às fotografias que acompanhavam o artigo do jornal britânico, a editora Amanda Ribeiro sugeriu enviar um e-mail ao casal para disponibilizar as fotografias. Nesse contexto, aproveitei também a oportunidade e enviei algumas perguntas que me ajudassem a compreender como toda a situação ocorreu. Contudo, como não obtive nenhuma resposta por parte do casal, a construção do artigo não se desenvolveu. O trabalho no P3 tinha muito esta base de desenvolvimento, em que os estagiários podiam sugerir propostas de temas, assim como os editores propunham tarefas aos “aspirantes a jornalistas”. Dessa maneira, ao longo do estágio tive sempre a preocupação de estar atenta à imprensa nacional e internacional, bem como às redes sociais, na tentativa de encontrar temáticas que fossem ao encontro do conteúdo modelado para esta secção. O facto é que atualmente as redes sociais são importantes meios que funcionam como aliados do trabalho dos jornalistas, e foi nesse âmbito que encontrei algumas das propostas sugeridas para o P3. A título de exemplo, destaco duas dessas sugestões: após ter visualizado um vídeo, partilhado na rede social Instagram, de uma mãe que manifestava desagrado pelo facto de os cinemas no Brasil não disponibilizarem sessões legendadas em filmes de animação, para que pessoas com deficiência auditiva pudessem ter acesso a este tipo de filmes, decidi então apresentar à subeditora Amanda Ribeiro esta temática. A proposta foi aceite e em forma de conselho sugeriu entrar em contacto com algumas 7 https://www.publico.pt/2022/08/25/p3/noticia/casal-desenhou-maior-bicicleta-mundo-mapa-pedalar-europa-clima-2017954
19 associações de apoio a pessoas surdas portuguesas para perceber se a situação descrita no Brasil era também uma realidade em Portugal. A não obtenção de respostas por parte das associações portuguesas levou-me a realizar uma pesquisa pelas páginas de Internet das principais empresas distribuidoras de filmes em Portugal e apenas alguns filmes de animação é que apresentavam sessões legendadas. Nesse contexto, o passo seguinte foi entrar em contacto com a mãe que publicou o vídeo no Instagram para realizar uma entrevista, na medida de perceber as dificuldades de acesso a este tipo de cultura. Apesar da aprovação por parte da editora, o artigo acabou por não se realizar devido à falta de respostas por parte das fontes de informação contactadas. Uma outra sugestão que tinha também proposto era realizar uma entrevista ao tiktoker português, Lucas With Stangers, aquando do lançamento do seu novo livro. A sugestão não foi ao encontro dos interesses da jornalista Amanda Ribeiro que apresentou como contraproposta a elaboração de uma lista dos tiktokers mais influentes em Portugal. A ideia era fazer um pequeno perfil de cada um destes jovens. Porém, devido à falta de informação e de respostas para realizar entrevistas, o artigo acabou também por não passar das ideias. Não obstante, as propostas elaboradas pelas editoras acabaram por se tornar os trabalhos que mais gostei de realizar. Um desses casos foi o artigo acerca da exposição sobre a pintora mexicana Frida Kahlo, a acontecer num estabelecimento, em Lisboa, sobre o qual havia acusações de falta de acessibilidade para pessoas de mobilidade reduzida 8 . Este foi um dos artigos em que mais senti o papel de jornalista, no sentido em que, para apresentar todos os factos, teria de ouvir todas as partes envolvidas, sendo, neste caso, a jovem que se manifestou nas redes sociais pela falta de acessibilidade à exposição, e a organização do evento. O contacto facilitado pela jornalista Mariana Durães ajudou na marcação da entrevista com a jovem que se queixava pela alegada falta de acesso ao estabelecimento da exposição. Porém, após várias tentativas de agendamento de entrevista com a organização do evento, apenas foi possível obter respostas via e-mail. Um outro trabalho que saliento, também sugerido pelas jornalistas do P3, é um texto que expõe conselhos dados por estudantes que não conseguiram ingressar no ensino superior 9 . Quando a proposta me foi feita, considerei logo ser uma temática interessante dada a ajuda que poderia fornecer a estudantes que se encontravam nessa situação. Essa é uma das características que acredito que deve fazer parte do jornalismo, isto é, ajudar, de alguma maneira, pessoas que se 8 https://www.publico.pt/2022/09/21/p3/noticia/cadeiras-rodas-nao-entravam-exposicao-frida-apos-denuncia-havera-elevador-2020854 9 https://www.publico.pt/2022/10/12/p3/noticia/nao-entrei-universidade-tres-conselhos-seguir-frente-tentar-2023142
20 encontram perdidas. O artigo acabou por se concretizar, após a realização de entrevistas a duas estudantes e a uma psicóloga. A maneira de trabalhar no P3 não é sempre a mesma. Um dia podemos estar a escrever um texto sobre a atualidade, que se rege pelas normas aprendidas durante a formação académica em Jornalismo, como noutro dia já estamos a construir um artigo que é feito através de dicas ou conselhos, seguindo uma estrutura completamente diferente. Trabalhar no P3 significa que há uma maior liberdade na criação das histórias e as “fotogalerias” são um exemplo disso. A partilha de uma galeria de imagens com um pequeno texto a contextualizar as fotografias foi algo em que também pude trabalhar durante o estágio. A primeira “fotogaleria” que construí apresentava imagens de um projeto urbanístico desenvolvido na aldeia da Paradinha, em Arouca 10 . Foi a primeira vez que escrevi algo relacionado com o mundo da arquitetura, o que me levou a fazer uma pesquisa mais intensa sobre vários temas relacionados com a construção deste empreendimento. Para obter ainda mais informações, realizei uma entrevista com o arquiteto responsável pelo projeto e, dessa maneira, elaborei então a minha primeira “fotogaleria”. Este tipo de trabalhos era muito recorrente, algo que considerava interessante por ser uma outra maneira de mostrar a informação ao leitor. Além disso, as "fotogalerias" podem abordar diversos temas. Nas primeiras vezes que tive contacto com esta forma de contar histórias, era frequente utilizar imagens e textos produzidos por agências de notícias internacionais, como é o caso da Reuters. Fotografias de um hotel em Paris 11 destinado apenas para gatos ou imagens do Festival Vegetariano de Phuket 12 , na Tailândia, são alguns dos exemplos deste tipo de artigos que construí com a informação das agências noticiosas, em que apenas tinha de traduzir o texto, bem como as legendas que acompanhavam as fotografias. Todavia, para além de elaborar "fotogalerias" sobre temas como a arquitetura ou a partir de outros meios de comunicação, em muitos casos, os temas destes trabalhos surgiam por sugestões enviadas às editoras do P3. Esta secção, por ser muito direcionada para os jovens, também motivava este grupo etário a partilhar trabalhos ou opiniões com o jornal e foi dessa forma que nasceram alguns dos artigos que escrevi, como os casos de “Carolina junta fotografia e 10 https://www.publico.pt/2022/09/02/p3/fotogaleria/numa-floresta-arouca-cresceram-pequenas-casas-madeira-para-acordar-natureza-408705 11 https://www.publico.pt/2022/08/29/p3/noticia/neste-hotel-paris-so-entram-gatos-lotacao-esgotada-2018666 12 https://www.publico.pt/2022/09/29/p3/fotogaleria/piercings-religiao-vegetarianismo-ingredientes-deste-festival-tailandia-408938
21 bordado para mostrar o desgaste de ser trabalhadora-estudante” 13 ou “Uma tradição quase extinta é renovada pelas mãos de Marta: assim é a Barro Alto” 14 . A partilha do resultado de trabalhos desenvolvidos por jovens adultos é uma temática que tem bastante destaque na página de multimédia do P3. Neste âmbito, um dos artigos que mais gostei de escrever foi “De centrais elétricas a aviões abandonados: é um outro lado da China” 15 . Este trabalho abordou a viagem de vários meses, pela China, de um explorador urbano, a fotografar locais abandonados. Saliento esta peça por ser uma das primeiras que realizei em inglês. A entrevista foi desenvolvida através de uma plataforma de videoconferência, tendo a conversa ocorrido toda em inglês. Não se tratou de um problema para mim, por ter bons conhecimentos nesta língua, mas a realização da entrevista ajudou-me a ganhar mais confiança para o futuro, sabendo que tenho agora perceção de como é entrevistar alguém numa língua que não a materna. O trabalho de um estagiário no P3 também passa por escrever, em muitos casos, textos que não dão tanta liberdade criativa como as “fotogalerias” ou as reportagens. O género jornalístico breve fez muitas vezes parte das tarefas dos estagiários. No caso desta secção, este género estava mais relacionado com a abertura de concursos ou bolsas de estudo para estudantes ou jovens. A realização deste tipo de artigos ocorria muitas vezes quando estava numa altura de pouco trabalho. Por ser um género que, na maioria das vezes, não necessita de estabelecer um contacto com fontes de informação, a elaboração destes artigos acontecia, em alguns casos, quando estava à espera de respostas para outras peças. A escrita de breves apenas dependia da informação que era enviada pelas editoras ou jornalistas para o e-mail, completando com referências das páginas de Internet das instituições abordadas no texto. Ainda assim, apesar de as breves não serem tão cativantes no que toca à escrita, com a realização deste tipo de textos tive a oportunidade de trabalhar em todos os géneros que o P3 tem para oferecer aos leitores, o que traz vantagens para uma “aspirante a jornalista”, uma vez que assim obtive conhecimentos distintos na prática jornalística. 13 https://www.publico.pt/2022/09/25/p3/fotogaleria/carolina-junta-fotografia-bordado-mostra-desgaste-trabalhadora-estudante-408879 14 https://www.publico.pt/2022/11/06/p3/fotogaleria/uma-tradicao-quase-extinta-renovadas-maos-marta-assim-barro-alto-409124 15 https://www.publico.pt/2022/10/25/p3/fotogaleria/centrais-electricas-avioes-abandonados-e-um-outro-lado-da-china-408800
22 2.3.2.1. Balanço de Estagiar no P3 Durante os três meses de estágio, nesta secção, reconheço que experienciei e aprendi muito mais sobre a prática jornalística. Até este momento, a experiência que tinha no mundo do jornalismo, depois de realizados dois estágios curriculares, apenas transmitia o conhecimento adquirido no meio académico, isto é, todos os artigos elaborados seguiam os critérios aprendidos durante as aulas de jornalismo. O estágio no P3 permitiu-me encarar o jornalismo de uma outra forma, de uma maneira mais criativa. Tudo no P3 é criado no sentido de atrair o público-alvo, os jovens, para a leitura das suas peças. Nesse sentido, estagiar nesta secção possibilitou-me aperfeiçoar o meu lado mais criativo no que toca à produção de textos. No início, nem sempre foi fácil corresponder a esta demanda, principalmente no que toca à escrita de títulos e leads. Estes são os principais elementos que têm de induzir o leitor a ler o artigo, por isso, não devem ser simples e informativos, respondendo apenas às típicas perguntas jornalísticas (o quê, quem, quando, onde, como e porquê), mas antes criativos e originais. Foi um pouco complicado atingir o nível de criatividade que era esperado. Os títulos que propunha foram muitas vezes alterados por não corresponderem a estes critérios. Porém, com o passar do tempo e de muita leitura aos artigos publicados nesta secção, consegui aprender a ser mais imaginativa e, com isto, deixou de ser necessário fazer alterações a títulos ou a leads. A experiência de estágio no P3 vai além da aprendizagem de criatividade na produção de textos. Nesta secção, pude também explorar áreas com as quais nunca tinha tido oportunidade de trabalhar, como foi o caso da arquitetura ou das temáticas relacionadas com os animais. Os temas abordados no P3 são muito diversificados, o que considero ser interessante, pois desta maneira estou sempre a aprender novos conteúdos, a saber como retratar esses mesmos conteúdos e, com isso, aumento o meu nível de conhecimentos e de prática em mais áreas jornalísticas. O P3, nesta perspetiva, acaba por ser uma boa escola na formação de aspirantes a jornalistas. Ensina a ter outras noções do universo do jornalismo e a trabalhar outras áreas, que não as comuns, mas não se fica por aqui. A edição e/ou correção dos trabalhos desenvolvidos pelos estagiários por parte das editoras é também uma parte fundamental no processo de aprendizagem dos futuros jornalistas. Durante este estágio, tive a oportunidade de assistir à edição de alguns artigos que produzi. Esses momentos tinham o propósito não só de verificar coerências ou rigor na escrita, mas eram também ocasiões que possibilitavam aprender e questionar sobre as
29 o momento de pôr “mãos à obra” e começar a escrever o artigo. Este trabalho demorou um pouco a ser publicado, devido a algumas sugestões de melhoria feitas pela editora, como alterar a ordem como era apresentada a informação, bem como acrescentar mais conteúdo sobre o objetivo do evento. Para além destes trabalhos, estagiar na Fugas significou também poder elaborar reportagens. O jornalista Luís Octávio Costa sugeriu acompanhar um evento sobre viagens que iria decorrer durante o fim de semana em Matosinhos 23 . Devido à abrangência de convidados que iriam estar presentes nestes dois dias de festival, o jornalista propôs escrever uma reportagem a dar conta das mensagens transmitidas pelos viajantes. Durante esse fim de semana, fui gravando e tomando nota do que era transmitido pelos convidados para, assim, quando estivesse de volta à redação, organizar e escrever tudo aquilo que tinha acontecido no evento. Este também foi um dos trabalhos que não foi logo publicado depois de ser revisto. Um atraso no envio das fotografias tiradas durante o festival impossibilitou o artigo sair no dia em que estava previsto, saindo dois dias depois. Também o artigo “No Porto e Lisboa, a Gelatopia quer dar sabores portugueses ao Inverno. Vai um Queijo Serra da Estrela?” 24 é uma outra reportagem que desenvolvi para a Fugas. Foi uma sugestão do jornalista Luís J. Santos, que passava por ir até à própria gelataria conhecer os novos sabores de inverno. Acompanhada por um fotógrafo do Público , fui até este novo espaço para saber mais sobre os novos sabores como também da história desta pequena gelataria. A entrevista acabou por se transformar numa conversa animada sobre gelados e numa prova de sabores incomuns. A escrita do artigo demorou um pouco mais do que aquilo que desejava. Era necessário acertar algumas informações que estavam em dúvida entre a estagiária e o jornalista. Depois de conversar com a relações-públicas do espaço, esclareci essas dúvidas e consegui terminar a peça, porém a mesma ficou adiada na sua publicação devido a um atraso de inserir as fotografias no backoffice do Público , não sendo possível colocar logo as fotografias no artigo quando terminei. Estagiar na Ímpar não foi muito diferente do trabalho desenvolvido na Fugas. Estas secções têm uma dinâmica semelhante e faço esta observação devido a uma sugestão da editora Sandra Costa que, quando terminado o artigo, ficou na dúvida se iria ser publicado na Fugas ou na Ímpar. A proposta era referente a um programa de um hotel no Douro que foi criado especialmente para 23 https://www.publico.pt/2022/09/21/fugas/reportagem/travel-fest-viajantes-nao-viajam-viajar-viagens-sao-transformadoras-sao-vidas-2021110 24 https://www.publico.pt/2022/11/03/fugas/noticia/porto-lisboa-gelatopia-quer-dar-sabores-portugueses-inverno-vai-queijo-serra-estrela2025706
30 os participantes alcançarem o bem-estar físico e espiritual 25 . Este trabalho não trouxe muitas dificuldades. Reuni toda a informação que encontrei sobre o evento na Internet e, como não fiquei com dúvidas, passei logo à produção escrita. A peça foi revista pela editora da Ímpar, Bárbara Wong, e não necessitou de nenhuma alteração. Um outro trabalho que saliento dentro desta secção, foi algo que gostei particularmente de realizar. Por sugestão do diretor-adjunto do Público , David Pontes, a nova edição da revista Ímpar estava a precisar de alguém para escrever um texto sobre mudanças de emprego. A proposta centrava-se em realizar uma entrevista aos membros de um casal sensação da rede social Instagram, que deixaram os empregos para os quais se formaram, para partilharem conteúdo das suas viagens nas plataformas digitais 26 . Esta proposta levou algum tempo de preparação para conhecer melhor a história do casal. Uma vez que se tratava de pessoas que tinham como trabalho a produção de conteúdo, nomeadamente em vídeo, a sugestão passou também por incluir o vídeo, uma vertente na qual também tenho bastante interesse. O objetivo desta proposta era bastante simples: conhecer a história que levou à mudança de vida deste casal e que conselhos dariam às pessoas que quisessem fazer o mesmo. Este trabalho entusiasmou-me muito, não só por gostar desta área, mas também por ter tido a possibilidade de assistir à produção de vídeo. Sempre tive muita curiosidade pela produção de vídeo, porém nunca tive oportunidade de me envolver neste tipo de conteúdo, por isso, através desta experiência consegui fazer novas aprendizagens nesta forma de comunicar. 2.3.4.1. Balanço de Estagiar na Fugas e na Ímpar Os momentos em que pude trabalhar para a Fugas e para a Ímpar traduzem-se em oportunidades de obtenção de novos conhecimentos. Até ao momento deste estágio, temas como viagens, gastronomia ou lifestyle ainda não faziam parte da minha experiência enquanto jornalista. Ter tido a oportunidade de escrever sobre estas temáticas possibilitou-me crescer enquanto profissional dos media. Uma das vantagens que retiro de estagiar nestas secções é a possibilidade de maior criatividade. Tal como o P3, a Fugas e a Ímpar também assumem como critério de escrita, a originalidade. Tantos os textos como os títulos têm de ter a função de captar a atenção do leitor, e escrever sob 25 https://www.publico.pt/2022/10/13/impar/noticia/six-senses-douro-valley-promove-retiros-bemestar-especialistas-internacionais-2023798 26 https://www.publico.pt/2022/12/02/impar/noticia/explorerssaurus-casal-arriscou-conquistou-milhoes-2027408
31 esse mote revelou-se um desafio, devido à minha prática estar mais direcionada para conteúdos mais factuais. Mas, o objetivo principal de realizar um estágio é aprender e ganhar experiência na área e, com a ajuda dos editores e dos jornalistas destas editorias, consegui introduzir estas características nos meus trabalhos, o que significou aperfeiçoar a minha escrita. Além disso, produzir conteúdo para estas secções deu-me a possibilidade de sair da redação, contactar fontes de informação e realizar entrevistas e reportagens, algo que considero essencial quando se está a dar os primeiros passos nesta profissão. Apesar dos benefícios que as tecnologias trazem para a vida profissional dos jornalistas, como entrar em contacto mais diretamente com fontes de informação, através de chamadas telefónicas, videochamadas ou pelas redes sociais, realizar entrevistas pessoalmente permite captar uma outra essência da conversa entre o jornalista e a fonte e é também uma maneira de o estagiário ganhar mais prática e habilidade num contacto “cara-a-cara”, como foi o meu caso. 2.4. Porquê os Podcasts? Em agosto de 2022, quando iniciei o estágio tive sempre em consideração que tudo o que observava no ambiente da redação, para além do trabalho que desenvolvia, poderia ser um possível assunto para abordar como tema de investigação. Nesse sentido, partilhando a secretária de trabalho com mais jornalistas, especialmente com o diretor editorial Manuel Carvalho, o diretor adjunto David Pontes e a jornalista de multimédia Aline Flor, comecei desde cedo a perceber que a importância que davam à área dos podcasts era muito significativa. A procura de novos temas para os vários programas que o Público produz ou a possibilidade de elaborar novos programas foram questões muitas vezes discutidas naquela secretária, na qual tive oportunidade de assistir enquanto trabalhava para outras secções do jornal. Só no ano de 2022 foram desenvolvidos nove podcasts pelo Público ou com o apoio deste meio de comunicação através da Rede Público, um programa criado para dar a conhecer podcasts independentes. Através deste número percebe-se que o jornal Público dedica um espaço considerável à produção de podcasts. Uma rápida pesquisa pela página do jornal onde está alojado este tipo de programas de áudio dá conta da presença de 55 podcasts, lançados desde 2017. A partir desta pequena exploração, questionei pela primeira vez se outros jornais ou revistas generalistas portuguesas tratavam os podcasts com a mesma relevância que o Público . Até ao momento do estágio, apenas tinha conhecimento da existência de alguns podcasts do Público e do semanário Expresso . Nessa
32 perspetiva, questionei qual seria o espaço que este tipo de programas de áudio tem realmente na imprensa generalista portuguesa, isto é, para além destes dois jornais que outros meios de comunicação é que produzem podcasts. Desta maneira, cheguei até à pergunta que conduz a investigação que se segue: Qual é o espaço que os podcasts têm, atualmente, no seio da imprensa generalista portuguesa?
33 3. Do Surgimento da Internet ao Aparecimento dos Podcasts nos Meios de Comunicação Social 3.1. Jornalismo e Internet Desde os finais do século XX e inícios do século XXI, o mundo sofreu grandes alterações na área da comunicação, que provocaram o surgimento de novas técnicas de produção, distribuição e consumo da informação. A Internet seria a responsável por estas mudanças. Um “novo” meio aparecia no seio da sociedade e com ele vinham várias potencialidades na transmissão da informação. De facto, este “novo” meio apresentava-se como revolucionário para a humanidade, uma vez que “nada causou efeitos tão profundos na existência do Homem quanto a Internet (…), nada na história do Homem causou tanto impacto e mudou tanto o seu comportamento [como a Internet]” (Aleluia, citado em Jesus et al, 2018, p.2). Esta rede de computadores interligados permitiu “encurtar distâncias e facilitar o processo comunicacional, já que as pessoas começaram a ter acesso a uma grande variedade de informações e conteúdos sobre qualquer tipo de assunto em qualquer momento do dia e em qualquer lugar” (Ferreira, 2016, p.4). Desta maneira, “pela primeira vez, a comunicação [passou a ser] de muitos com muitos num momento escolhido e numa escala global” (Castells, 2003). A Internet acabaria assim por transformar o modo como se consumia e produzia a informação, algo que não ficou indiferente ao jornalismo. Também esta área ficou rendida às potencialidades e possibilidades que este meio oferecia aos cidadãos. A obtenção da informação passava a estar apenas à distância de um “clique” e podia agregar vários formatos, o que significou que, a partir desse momento, o jornalismo deixava de estar fechado e circunscrito a cada meio individual (imprensa, rádio e televisão) e passava a incluir todos estes modos de produção no mesmo espaço. Esta era uma das características que o jornalismo encontrou com a sua associação ao meio online. Marcos Palacios (2003) denominou-a de multimedialidade, pois representava a convergência dos formatos dos meios de comunicação tradicionais, nomeadamente, a imagem, o texto e o som, no que concerne à narração da informação noticiosa (Palacios, 2003, p.77). Para outros autores, como Ramón Salaverría, a multimedialidade é a ”combinação de pelo menos dois tipos de linguagem em apenas uma mensagem” (Salaverría, 2014, p.30), podendo ser texto, fotografia, gráficos, iconografia, ilustrações, vídeo, animações, som, música, efeitos sonoros ou vibração. Porém, Salaverría explica ainda que para a mensagem ser compreendida na sua plenitude pelo utilizador/leitor, é necessário que a união destes formatos ou linguagens cumpra
34 alguns critérios, que passam pela “combinação de elementos compatíveis entre si” (Salaverría, 2014, p.41), “todos os elementos multimédia devem versar, de um modo ou de outro, do mesmo assunto” (Salaverría, 2014, pp.41-42), não deve existir redundância entre os elementos, isto é, “um certo grau de repetição entre texto, som, imagens e vídeo é sempre desejável, [pois] tal similitude contribui para a coesão geral de uma peça que, de outro modo, correria o risco de ser incoerente e fragmentária” (Salaverría, 2014, p.42) e deve existir uma correta hierarquização dos elementos, ou seja, “determinar qual é a linguagem que melhor se adequa à transmissão desse conteúdo” (Salaverría, 2014, p.43). Para além da multimedialidade, Marcos Palacios (2003) apresentou uma outra potencialidade que este meio online oferecia ao utilizador da Internet. Intitulou-a de memória e é a capacidade de o utilizador ter acesso a conteúdos já difundidos de forma imediata, pois a acumulação de informação e produções noticiosas é muito maior na Web do que nos meios de comunicação tradicionais (Palacios, 2003, p.78). De facto, uma espécie de “memória” já era utilizada no jornalismo antes da Web. Segundo Barbie Zelizer, a “memória” assentava na construção de referências do passado, que podiam ser “um ponto de comparação” entre eventos do presente com eventos do passado, “uma oportunidade de analogia”, “um convite à nostalgia” ou então “uma reparação de acontecimentos anteriores” (Zelizer, 2008, p.82). Todavia, com o surgimento da Internet estas capacidades transformaram-se e o leitor passou a ter acesso a mais conteúdo noticioso, muito em parte devido à criação de bases de dados que permitiam guardar toda a informação produzida no ciberjornal, o que possibilitou ao utilizador não estar dependente das peças noticiosas que eram desenvolvidas apenas naquele momento. Também a possibilidade de o utilizador configurar os produtos jornalísticos de acordo com os seus interesses pessoais, é uma outra vantagem que Marcos Palacios enumera no seu artigo intitulado de “Jornalismo online, informação e memória: Apontamentos para debate”. O autor explica que a personalização acontece quando “há sites noticiosos que permitem a pré-seleção dos assuntos, bem como, a hierarquização e escolha do formato de apresentação visual, assim, quando o site é acedido, a página de abertura é aberta atendendo a padrões previamente estabelecidos pelas suas preferências” (Palacios, 2003, p.78). Mirko Lorenz acrescenta ainda que o objetivo fundamental desta característica é que o produto ou serviço noticioso deixe de ser uniforme e que vá mais ao encontro das diferentes necessidades dos utilizadores (Lorenz, 2014, p.139), daí existir uma demanda maior em “deixar o utilizador selecionar os temas mais relevantes para a criação de uma página com base em preferências pessoais” (Lorenz, 2014, p.140).
35 Uma outra potencialidade oferecida pela Internet, nomeada por Palacios, é a instantaneidade ou atualização constante, que está relacionada com a rapidez no acesso à informação disponibilizada neste meio. O autor constata que a facilidade de produção e de disponibilização dos conteúdos noticiosos permitem que o utilizador tenha um acompanhamento contínuo dos desenvolvimentos dos assuntos jornalísticos de maior interesse, além de que com a união a este meio online, os meios de comunicação passaram também a conseguir difundir notícias de todo o mundo com uma maior facilidade e brevidade (Palacios, 2003, p.78). Antes do surgimento desta tecnologia, o processo produtivo de conteúdo jornalístico era caracterizado, pelas palavras de Paul Bradshaw, como restrito por limitações físicas (Bradshaw, 2014, p.115). Os repórteres tinham de recolher informação para a estória, escrevê-la ou editá-la em algum tipo de unidade de produção e, então, passá-la para outros que a reeditavam, diagramavam, programavam, imprimiam e distribuíam. Cada estágio dependia do trabalho realizado na etapa anterior. Era como uma linha fabril, com planilhas e prazos de entrega visando entregar o produto na hora determinada (Bradshaw, 2014, p.115). A Internet foi assim capaz de acabar com estas limitações no papel do jornalista, o que significou que “a captação de notícias, a produção e distribuição podem, agora, ocorrer simultaneamente – e serem potencializadas” (Bradshaw, 2014, p.116). O jornalismo alterou-se com o desenvolvimento da instantaneidade, tendo passado a enfrentar “instantaneidade em publicar, mas também em consumir e, sobretudo, em distribuir” (Bradshaw, 2014, p.112). Marcos Palacios verificou ainda que este meio online possibilitava um novo nível de interação entre o utilizador/leitor, a informação produzida e entre o próprio jornalista. A interatividade é, de acordo com este autor, a capacidade que o leitor tem de conectar-se mais diretamente com a informação noticiosa, podendo desenvolver-se através da troca de emails entre leitores e jornalistas ou da disponibilização da opinião dos utilizadores (Palacios, 2003, p.77). Noutra perspetiva, Alejandro Rost analisou que esta característica está marcada por uma transferência de poder que engloba dois sentidos, um que está relacionado com os caminhos de navegação, recuperação e leitura que podem ser seguidos entre os conteúdos oferecidos e o outro que se refere às opções para se expressar e/ou comunicar com outros utilizadores (Rost, 2014, p.55) Neste sentido, Rost destacou dois tipos de interatividade: a interatividade seletiva e a interatividade comunicativa. Como deu para perceber anteriormente, a interatividade seletiva vai ao encontro das “possibilidades de controlo que tem o utilizador sobre o processo de receção dos conteúdos”
36 (Rost, 2014, p.56). O autor explica que esta potencialidade acontece na medida em que o utilizador pode eleger o ritmo e a sequência das mensagens, isto é, “quantas mais opções de acesso aos conteúdos ofereça o meio, e quantas mais se ajustem às necessidades do utilizador, maior será o grau de interatividade seletiva” (Rost, 2014, pp.56-57). No caso da interatividade comunicativa, esta representa “as possibilidades de comunicação e expressão que o utilizador tem entre os conteúdos do meio” (Rost, 2014, p.58), que podem ir desde o “dialogar, discutir, confrontar, apoiar” ou “expressar uma opinião individual, dar uma informação, mas sem procurar deliberadamente uma resposta” (Rost, 2014, p.58). Uma última característica enumerada por Palacios é a hipertextualidade. Segundo o autor, esta potencialidade permite que o leitor acompanhe outras informações, para além do texto jornalístico apresentado (Palacios, 2003, p.77), isto é, através da criação de hiperligações, o utilizador pode visualizar outros formatos que complementam a história, como imagens, sons, vídeos ou outros textos jornalísticos. Além disso, para Angèle Murad, “o hipertexto criou a possibilidade de leitura não linear”, ou seja, através desta particularidade “é possível saltar de um documento a outro e fazer tanto a leitura linear clássica quanto um percurso individual [sendo possível] navegar em fragmentos, compostos não necessariamente de textos, segundo os desejos, interesses e intuições do leitor” (Murad, 1999). A todas estas características apresentadas por Marcos Palacios, John V. Pavlik acrescentou uma outra potencialidade oferecida pela Internet aos utilizadores, a ubiquidade. Para o académico norte-americano, esta especificidade significa “ser encontrado em todo lugar” (Pavlik, 2014, p.160), o que no contexto jornalístico implica que “qualquer um, em qualquer lugar, tem acesso potencial a uma rede de comunicação interativa em tempo real”, o que quer dizer que “todos podem não apenas aceder a notícias e entretenimento, mas também participar e fornecer a sua própria contribuição com conteúdos para partilhar e distribuir globalmente” (Pavlik, 2014, p.160). Sucintamente, esta rede tornou-se “cada vez mais valiosa e poderosa”, o que também possibilitou “envolver os cidadãos de todo o mundo num debate sobre temas de importância pública” (Pavlik, 2014, p.163). Desta maneira, todo este conjunto de potencialidades acabou por se traduzir na definição do que é este jornalismo que emerge do meio online. Para muitos autores, como Elias Machado, o ciberjornalismo, um dos nomes adotados, a seguir ao webjornalismo ou jornalismo online, para
37 denominar este tipo de jornalismo, consiste na união de características como hipertextualidade, multimedialidade ou interatividade, que proporciona uma liberdade narrativa para os utilizadores. O ciberjornalismo é a modalidade jornalística no ciberespaço fundamentado pela utilização de sistemas automatizados de produção de conteúdos que possibilitam a composição de narrativas hipertextuais, multimídias e interativas. O seu processo de produção contempla a atualização contínua, o armazenamento e recuperação de conteúdos e a liberdade narrativa com a flexibilização dos limites de tempo e espaço, e com a possibilidade de incorporar o utilizador nas etapas de produção (citado em Schwingel, 2008, p.94). Por outro lado, este modelo de jornalismo é visto por Sandra Amaral e Gustavo Cardoso como uma nova forma de produzir informação noticiosa, que mantem na sua base os princípios que estão na origem do jornalismo, mas que foi adaptado à realidade do ciberespaço. Trata-se de um modelo de jornalismo que integra os valores do jornalismo tradicional (imparcialidade, rigor, veracidade e objetividade), mas que inova ao integrar todas as suas formas tradicionais (a escrita como na imprensa, o som como na rádio e o audiovisual como na televisão), e ao ser fortemente marcado pela interação entre jornalistas e utilizadores e pelo facto da notícia (atual, curta mas ramificada, de vocabulário simples e multimédia, ser construída como ponto de partida e não como um fim em si próprio (hipertexto), sendo a sua interpretação possível a partir de qualquer ponto (Amaral & Cardoso, 2005, p.1358). 3.1.1. Uso do Jornalismo na Internet Esta tecnologia foi ganhando espaço nos meios de comunicação ditos tradicionais, nomeadamente nos jornais impressos, que segundo Maria Cabrera González (2001), foram os primeiros a adotar este meio nas suas produções jornalísticas, seguindo-se da rádio e, posteriormente, da televisão (citado em Sousa, 2008, p.246). O ano de 1994 marcava por ser o ano da conquista do universo digital pela imprensa. Jornais como Los Angeles Times , The Washington Post , The New York Times ou os europeus como o The Daily Telegraph , The Guardian , Irish Times , Die Welt ou Frankfurter Allgemeine Zeitung foram alguns dos exemplos que começaram a produzir e disponibilizar conteúdo para a Internet (Sousa, 2008).
38 Em Portugal, a mesma tendência chegava um ano depois. Em julho era inaugurada a “edição online do Jornal de Notícias , que se tornou deste modo no primeiro diário de informação geral a atualizar, diariamente, a informação na sua edição na Web” (Bastos, 2009). Uns meses mais tarde, foi a vez do jornal Público , que se tornou no “segundo diário generalista a dar início à colocação das suas edições diárias na Web” (Bastos, 2009). O Diário de Notícias seguiu o movimento e no final de 1995 também começou a disponibilizar informação noticiosa neste meio. Em julho de 1997 chegou a vez do jornal semanário Expresso e em março de 1998 o Correio da Manhã lançava pela primeira vez aos portugueses uma edição online (Bastos, 2009). Contudo, assistiu-se a uma certa resistência à adoção das ferramentas oferecidas pela Internet. Helder Bastos (2015) verificou que inicialmente a publicação de conteúdos jornalísticos neste meio era ainda vista como um complemento a outros formatos existentes, principalmente o jornal. Em vez de encararem a Web como um novo meio para desenvolver novas formas narrativas, as empresas jornalísticas tradicionais viram [na Internet] uma nova ferramenta para distribuir conteúdos, produzidos originalmente para outros formatos. (…) A presença na rede foi encarada como uma extensão ou complemento do produto tradicional (Bastos, 2015, p.13). De facto, a Internet e as suas características não conseguiram logo conquistar a imprensa, a rádio ou a televisão. John V. Pavlik (citado em Canavilhas, 2005) analisou a evolução da utilização destas ferramentas no jornalismo online e constatou que este tipo de jornalismo apresentava três fases de desenvolvimento. A primeira fase consistia na disponibilização online dos conteúdos que já existiam nas versões tradicionais dos meios (Canavilhas, 2005, p.2). Maria Cabrera González (2001) denominou esta fase de “fac-simile” e caracterizou-a como sendo a mais primitiva, pois tratava-se de uma “reprodução do jornal impresso através da digitalização das páginas do jornal e da sua conversão em formato PDF” (González, 2001, p.75). Para esta autora, esta fase era representada como sendo “um modelo estático de pouca utilidade para o leitor, que de forma alguma tira partido das possibilidades de interatividade oferecidas pelo novo meio” (González, 2001, p.75). Também Rosental Alves (2006) constatou que esta primeira fase era ainda “precária e com predominância de texto” (Alves, 2006, p.93), acrescentando que a “página inicial (homepage) assemelhava-se à tradicional primeira página dos jornais e as camadas interiores de conteúdo reproduziam as mesmas secções da edição em papel” (Alves, 2006, p.93).
45 Desta maneira, consegue-se perceber que os podcasts apresentam um formato generalizado quanto à sua produção e distribuição, isto é, normalmente os produtores destes conteúdos áudio produzem os podcasts em formato de episódios, que variam depois de acordo com a duração, periodicidade, tipo e temáticas abordadas. Segundo, a obra Podcasts para Ensinar e Aprender em Contexto de Ana Carvalho e Cristina Aguiar (citado em Júnior, 2020), as autoras oferecem um conjunto de dimensões, como o tipo e a duração dos podcasts para classificar estes programas sonoros de acordo com as suas características. Os podcasts podem ser, relativamente à sua tipologia, expositivos/informativos, em que “fornecem informações de natureza variada”; com feedback ou comentários, que “corresponde a episódios contendo comentários críticos” ou com instruções/orientações, em que “disponibilizam indicações e/ou instruções para realizar tarefas, orientar o estudo ou fornecer recomendações, entre outras utilizações”. Quanto à duração, estes conteúdos de áudio podem ser classificados entre curtos, médios ou longos. “Os podcasts considerados curtos são aqueles que duram no máximo cinco minutos; os moderados têm duração superior a cinco minutos, mas inferiores a 15 minutos; os longos são aqueles que ultrapassam esse tempo” (Júnior, 2020, p.11). Iván Santos (2009) apresenta uma outra maneira de classificar esta tecnologia sonora. Segundo o autor, existem sete grupos distintos de tipos de podcasts, que são classificados de acordo com o conteúdo e a argumentação do programa. O primeiro grande grupo é o de notícias e nesta categoria estão presentes o tipo “síntese de notícias”, que são “resumos informativos, continuamente atualizados, nos quais se apresentam as manchetes e se comentam as diferentes notícias que são produzidas entre os períodos de atualização dos episódios do podcast em questão”; “news flash”, que se “baseia na apresentação de uma notícia em forma de manchete, de forma breve, e sem um comentário que a decomponha”; debate, em que são “apresentados vários tópicos, de forma monológica e sequencial, de modo a que, um a um, os comentadores comentam a notícia levantada”; “resumo informativo”, onde “as notícias mais importantes são selecionadas a partir dos períodos de atualização e a documentação sobre as mesmas é analisada, fornecendo opiniões de peso e/ou declarações diretas das pessoas afetadas” e a edição especial, que é “um espaço de podcast, centrado num único tópico, devido à sua relevância” (Santos, 2009). Outro grupo de classificação dos podcasts, de acordo com o autor, é o intitulado de “magazines”, que podem ser referentes à atualidade, em que se “combina a informação com a opinião e o
46 entretenimento com o espetáculo com a participação do ouvinte/utilizador da Internet” e relativo ao “lazer cultural”, onde se foca em “conteúdo mais leve, com notícias menos informativas e mais relacionadas com o mundo da cultura, lazer, natureza, fugas, animais de estimação e uma maior abertura à participação do ouvinte em geral”. A tipologia “musicais” é mais um grupo de classificação dos podcasts. Para o autor, este grupo dá ênfase a conteúdo mais temático relacionado com o mundo da música, seja “um determinado estilo musical, um grupo em questão ou os gostos de um DJ de rádio ou podcaster que, devido à sua relevância, seleciona temas musicais de diferentes estilos, mas que têm em comum o filtro seletivo do comunicador que apresenta o espaço” (Santos, 2009). Adicional a estes três grupos de podcasts, está o tipo de desporto, de cultura, de ficção e temáticos. Em relação ao tipo desportivo, Santos constata que este tipo de podcast conseguiu adquirir uma identidade própria, com uma narrativa e linguagem específica, onde o desporto e a informação desportiva são o “eixo central do conteúdo destes programas” (Santos, 2009). No que diz respeito ao tipo cultural, o autor salienta que estes programas têm uma “vocação educativa”, em que são apresentadas informações das diferentes áreas da cultura, podendo ainda, incluir uma “revisão de uma agenda de atividades de lazer e culturais” (Santos, 2009). Relativamente ao tipo de ficção ou drama, o escritor espanhol evidencia que estes programas eram muito produzidos nas décadas de 1930 e 1940 para as estações de rádio de todo o mundo, porém com o aparecimento da tecnologia de podcast foi possível transformar alguns destes programas em podcasts, que agora podem ser encontrados na Internet, mesmo depois de terem desaparecido das programações da rádio (Santos, 2009). Quanto ao último grupo de distinção de podcasts, este baseia-se em “programas monográficos sobre um tema ou área específica”, que foi surgindo com o desenvolvido de outras formas de comunicação, como é o caso dos podcasts (Santos, 2009). Não obstante, todas estas características salientam uma associação ao meio rádio, o que transmite um conjunto de dúvidas, por parte de muitos investigadores, em relação à caracterização desta tecnologia, isto é, será o podcast considerado como um produto radiofónico, como se fosse rádio, ou transcende a esse conceito, e entre rádio e podcast apenas existe a partilha de práticas de escuta e de distribuição? Para Richard Berry (2016), o formato podcast apresenta-se como “uma extensão da rádio”, ou seja, esta tecnologia vê o meio rádio como um “ponto de referência”, que evidencia tanto semelhanças como diferenças.
47 Um programa de rádio pode ser tanto um artefacto como um podcast, e embora a forma como um ouvinte pode consumi-los possa ser diferente, são essencialmente o mesmo texto. Os podcasts podem ser de rádio, feitos por estações de rádio ou por antigos profissionais da rádio. Outros podcasts podem ser criados por indivíduos sem qualquer experiência ou qualquer interesse em soar como rádio, e embora possam soar de forma diferente, partilham práticas de escuta e de distribuição (Berry, 2016, p.9). As semelhanças são mais do que evidentes. O facto de ambos os formatos utilizarem o conteúdo sonoro como forma de reprodução da informação é o que aproxima estes dois meios. Porém, para Berry, é no espaço e no público que são visíveis as diferenças. “Para que o ouvinte de rádio experimente a ‘rádio’, só precisa de se aproximar do seu aparelho de rádio e ligá-lo. Em seguida, é apresentado um qualquer programa que a estação para o qual estão sintonizados esteja a transmitir”, por outras palavras, é a “linearidade da rádio”, que significa que o “ouvinte só pode aderir ao programa no ponto em que sintoniza (Berry, 2016, p.11). No que diz respeito ao público de podcasts, como observado anteriormente, este ouvinte é quem procura o que quer consumir, de acordo com os seus gostos e interesses, o que demonstra um outro nível de autonomia por parte deste ouvinte, que revela ser mais participante e empenhado do que o ouvinte de rádio (Berry, 2016, p.12). Também Tiziano Bonini estudou a ligação entre a rádio e o podcast. No artigo “A ‘segunda era’ do podcasting: reenquadrando o podcasting como um novo meio digital massivo”, o académico italiano expõe algumas opiniões elaboradas por vários autores que se dedicaram ao estudo deste formato. Bonini, em 2006, observava que o podcast tinha sido “uma evolução na tecnologia de streaming (…) o que representou o próximo passo no processo de desinstitucionalização da rádio” (Bonini, 2020, p.16). Massarelli e Perrota, também em 2006, viram o podcasting como “uma tecnologia desafiante para os radiodifusores tradicionais (…) [porque representava] uma mudança nos hábitos de escuta dos ouvintes tradicionais de rádio”. Os autores, através da realização de um estudo, perceberam que a “escuta assíncrona era o principal estímulo para os ouvintes italianos de rádio baixarem podcasts” (Bonini, 2020, p.16). Menduni, em 2007, compreendeu o formato podcast como o “último passo da digitalização do som iniciado nos anos 1990”, mas também como o “elo perdido entre a rádio tradicional e a Internet, em que as estações de webrádio não tinham sido capazes de estabelecer, provendo aos utilizadores uma ferramenta mais democrática para a produção de conteúdo baseado em sons” (Bonini, 2015, p.17). Em conjunto com todas estas ideias, Bonini (2020) percebeu que o podcast “deve ser visto como um meio digital massivo
48 em si e não como uma alternativa à radiodifusão”, isto é, deve ser visto como uma forma renovada de fazer rádio, que conquistou “novos mercados emergentes (…) e um crescente número de ouvintes e produtores” (Bonini, 2020, p.19). David García-Marín (2019) foi igualmente um outro autor que analisou a relação entre os formatos rádio e podcast. Na investigação desenvolvida pelo autor, intitulada de “A rádio pijama. Origem, evolução e ecossistema do podcasting espanhol”, o podcast é uma espécie de “meio de comunicação autónomo e independente que mostra uma clara descontinuidade em relação ao meio que mais se assemelha: a rádio” (García-Marín, 2019, pp.194-195). Se o modelo de rádio tende a homogeneizar as audiências, o podcasting oferece um modelo de nicho que fragmenta as audiências. O conteúdo padronizado da rádio choca frontalmente com a diversificação temática oferecida pelo podcasting. Ao contrário da rádio, o podcasting permite uma escuta multilinear, flexibilidade no consumo e a possibilidade de escuta assíncrona, ao mesmo tempo que encoraja uma maior participação do ouvinte (García-Marín, 2019, pp.194-195). 3.2.2. Podcasts e os Meios de Comunicação A liberdade e a flexibilidade oferecida por esta tecnologia, que se foi desenvolvendo ao longo dos anos, tornou este produto sonoro muito atrativo para difundir novas informações ao público em geral, mas também aos consumidores dos meios de comunicação social tradicionais. Desde o seu surgimento em 2004, que os podcasts conseguiram conquistar um espaço significativo nas rádios, jornais e televisões de todo o mundo. O meio radiofónico, pela similaridade deste formato de áudio, tornou-se no primeiro grupo de meios de comunicação a desenvolver conteúdo em podcast. Em Portugal, a rádio TSF foi, em 2005, a primeira a apostar na produção e distribuição de podcasts, em que se destaca o programa Radio.com. Contudo, antes da chegada deste programa, Duarte Velez Grilo marcou por ser o primeiro a criar um podcast português, denominado de Blitzkrieg Bop (Martins & Vieira, 2021, p.102). Meses mais tarde, o fenómeno fazia as suas aparições por outros grupos de comunicação, como a televisão e os jornais. A SIC, no meio televisivo, começou a disponibilizar os seus programas neste “novo” formato e o jornal Expresso abriu caminho para a produção própria de conteúdos jornalísticos em formato podcast (de Sousa, 2022, pp.49-50).
49 3.2.2.1. Podcasts e a Rádio O meio radiofónico, assim como a imprensa, também encontrou na Internet um espaço para expandir o conteúdo sonoro produzido nas estações de rádio. Como observado por Alexandre Pereira e Jean Monteiro (2020), seguindo a linha de pensamento de Pollyana Ferrari, a rádio, com a chegada da Internet, ofereceu aos ouvintes um novo olhar sobre os formatos de distribuição e consumo de música em tempos de convergência mediática e conectividade, isto é, o meio rádio tradicional deixou de ser o principal veículo de transmissão de músicas e informação e passou a dividir a audiência com as webrádios, as rádios online e as aplicações de reprodução sonora para os smartphones (Pereira & Monteiro, 2020, p.118). O desenvolvimento de novos formatos de distribuição do conteúdo sonoro, como as webrádios ou rádios online, proporcionou a este meio encontrar-se enquanto um meio de comunicação de massas, conseguindo alcançar novos públicos. De acordo com Luís António Santos, o meio rádio no seu formato tradicional encontrava-se num declínio face ao seu consumo, devido ao aumento do tempo de antena da publicidade, ao decréscimo do espaço da informação e à redução dos custos com programação de autor (Santos, 2015, p.193). Nos Estados Unidos da América, o consumo de rádio no seu formato tradicional, em AM/FM, representava apenas 21% do tempo despendido pelos ouvintes, enquanto a escuta online registava um aumento significativo. Segundo dados de um estudo realizado pela consultora Edison Research, em 2014, 47% da população norte-americana consumia rádio via Internet e, um ano mais tarde, o mesmo estudo revelou que o valor tinha aumentado para 53% (Santos, 2015, p.195). Com a Internet, o meio rádio crescia e com ele não surgiram apenas novos formatos de distribuição do conteúdo. Era também visível uma aposta em novos formatos de produção do conteúdo, como foi o caso dos podcasts. Inicialmente, estes programas sonoros centravam-se na disponibilização do conteúdo que era transmitido via ondas hertzianas, como observado por Simone Murray (citada em Berry, 2016), “muitos podcasts foram originalmente criados como rádio e são distribuídos como podcasts para oferecer oportunidades adicionais para o público se envolver com o conteúdo nos seus próprios termos e horários” (Berry, 2016, p.11). Posteriormente, o meio radiofónico percebeu a atração que este novo formato estava a originar e começou a produzir conteúdos exclusivos para consumo na Internet, sem terem qualquer ligação com o conteúdo produzido para o formato hertziano. Para alguns autores, como Silvio Santos e Ana Peixinho (2019), o podcast enfrentava um período de prosperidade porque chegava onde a rádio tradicional não conseguia.
50 Não obstante, a rádio nunca ter deixado de ser ouvida, a sua escuta foi-se tornando mais rara. A rádio foi-se tornando “invisível” (Lewis & Booth, 1989) e “não intrusiva” (Winocur, 2005, p.321). No espaço doméstico, ouvir rádio tornou-se um ato distraído e simultâneo, [isto é], deixou de ser comum vermos alguém sentar-se para escutar a rádio (Winocur, 2005) (…). Com efeito, embora esteja longe de ser transversal, há um movimento de recuperação do velho hábito de parar para escutar. Como explica Berry (2016), os novos ouvintes do podcast dedicam-lhe atenção total e envolvem-se com o conteúdo e com as suas dinâmicas transmedia (Santos & Peixinho, 2019, pp.153-154). Desta maneira, os investigadores constatam que o podcast apareceu nos meios radiofónicos porque perceberam as fragilidades que os formatos tradicionais estavam a apresentar e, com isso, começaram a desenvolver conteúdo diferente, que fosse ao encontro das expectativas do público e assim conseguiram “entrar onde a rádio cada vez menos conseguia fazê-lo: no lugar da escuta atenta” (Santos & Peixinho, 2019, p.155). De facto, o formato podcast conseguiu conquistar um espaço significativo no seio deste meio, muito também devido às novas mensagens que eram transmitidas a partir desta tecnologia. Carolina de Sousa, apoiada na visão de Abraham Moles, indica quatro tipos de receção de conteúdo proveniente de meios radiofónicos: ouvir (apenas para perceber o som); escutar (a audição nesta fase já supõe uma atitude mais ativa); prestar atenção (neste ponto há a presença de uma dose de intencionalidade na audição) e compreender (uma combinação entre escutar e prestar atenção, com a finalidade de assimilar a mensagem). Para a autora, no que se refere à audição do meio rádio, este pode incluir as quatro funções, porém no caso dos podcasts, “a tendência é de que o ouvinte adote uma postura de compreender, ou seja, dá prioridade à mensagem radiofónica, já que foi o ouvinte que foi em busca dessa mensagem e há uma predisposição em digerir o conteúdo, objetivando a compreensão da informação” (de Sousa, 2017, p.26). Richard Berry no seu artigo “Podcasting: Considering the evalution of the medium and its association with the word ‘radio’” revela um conjunto de evidências que vão ao encontro de que os ouvintes de podcasts são um público mais atento e mais envolvido no conteúdo que é reproduzido neste formato. “Uma investigação da ABC na Austrália [uma estação de rádio pública], citada por Quirk (2015), revelou que os ouvintes [do formato podcast] estão altamente envolvidos com o conteúdo do princípio ao fim” (Berry, 2016, p.12). Também um inquérito realizado aos
51 ouvintes de um conceituado podcast norte-americano, “Serial”, indicou que “93% desses ouvintes deram sempre ao podcast a sua ‘atenção total’” (Berry, 2016, p.12). Os podcasts estavam, desta maneira, a começar a ter um lugar de destaque nas estações de rádio, nomeadamente as consideradas de renome, como a British Broadcasting Corporation (BBC), no Reino Unido, a Canadian Broadcast Corporation (CBC), no Canadá, ou a National Public Radio (NPR), nos Estados Unidos da América, que perceberam que esta seria uma alternativa a “a contrariar o declínio do meio radiofónico” e, por isso, decidiram “começar a produzir os seus próprios podcasts” (de Sousa, 2022, p.49). Como resultado, este formato foi adotado pelo meio rádio de várias formas diferentes. Como observado anteriormente por Simone Murray (citada em Berry, 2016), e também pelo estudo desenvolvido por Ruben Martins e Jorge Vieira (2021), as estações de rádio apresentam três composições diferentes no que se refere à produção de podcasts: “conteúdo já emitido na transmissão linear; produção de conteúdos especificamente para as plataformas digitais; e spin-offs dos conteúdos da grelha de programação, com o objetivo de expandir a abrangência dos seus conteúdos para além do público da emissão linear” (citado em Viana & Oliveira, 2022, p.33). É neste sentido que se destacam dois podcasts, produzidos por uma estação de rádio pública norte-americana – This American Life e Serial – que tiveram um papel importante no reconhecimento do que é a tecnologia e o formato podcast no mundo. No que diz respeito a This American Life , trata-se de um podcast, que começou como um programa radiofónico transmitido pela estação de rádio WBEZ, em Chicago, nos Estados Unidos da América, em 1995. Até aos dias de hoje, o podcast continua ainda a ser produzido, desta vez em dois formatos, como programa de rádio, que vai para o ar durante os fins de semana em mais de 500 estações de rádio dos Estados Unidos, e como podcast, que pode ser ouvido através do website do mesmo ou de um conjunto de aplicações de reprodução sonora, como a Apple Podcasts ou o Spotify, e a cada semana há um novo episódio que apresenta “um tema diferente, através do qual são contadas várias histórias narrativas na primeira pessoa” (Lubowski, 2023). “Através de uma mistura de humor, emoção e reportagem profunda, [este podcast/programa de rádio] tornou-se (e ainda continua a ser) um dos podcasts mais populares e influentes de todos os tempos” (Passell, 2023). O próprio website do podcast refere que o programa é ouvido por “mais de dois milhões de ouvintes” nos EUA e por “mais de 2,3 milhões de pessoas, que descarregam cada episódio”. Este podcast é um marco na história da produção deste formato de áudio, pois foi o “primeiro a
52 alcançar uma audiência verdadeiramente vasta, e ao fazê-lo, definiu um formato de narração de histórias” (Passell, 2023), que até então não tinham qualquer visibilidade (Glass, 2020). Relativamente a Serial, este trata-se efetivamente de um programa que nasceu em formato podcast, em 2014. Atualmente, apresenta três temporadas que contam a história de casos marcantes na justiça norte-americana, como é o exemplo da primeira temporada que descreve o homicídio de uma jovem estudante de 18 anos, em Baltimore, nos Estados Unidos da América. Richard Berry, através do artigo “Serial and ten years of podcasting: Has the medium finally grown up” analisou o sucesso que este podcast estava a ter e verificou que a aposta neste formato foi uma mais-valia para o programa. “Os produtores de Serial puderam utilizar o podcasting para criar uma história, para a qual não teriam conseguido encontrar um lugar na rádio tradicional [e, por isso, decidiram] distribuí-lo eles próprios” (Berry, 2015a, p.304). O autor acrescenta ainda que, aos produtores, direcionar a sua atenção para este formato, “deu-lhes a flexibilidade que uma rede estruturada de difusão programada não poderia dar” (Berry, 2015a, p.304). Berry cita ainda uma das produtoras do podcast, Dana Chivvis, que aponta que “o formato permite tantas liberdades que não se tem na rádio – sem restrições de tempo ou prazos difíceis por exemplo – e isso significa muito espaço para a ingenuidade” (Berry, 2015a, p.305). Para este investigador, citando Simone Murray, esta aposta significou uma oportunidade também para as emissoras públicas, como é o caso da estação de rádio que está por detrás da produção de Serial , pois oferece uma oportunidade de “as audiências se libertarem da ‘tirania da transmissão ao vivo’” (Berry, 2015b, p.172). De acordo com Eduardo Vicente (citado em da Silva & dos Santos, 2020), Serial foi o “podcast que mais rapidamente alcançou a marca de cinco milhões de downloads no iTunes [aplicação de reprodução sonora da empresa Apple] (…) [o que acabou por dar] uma inédita visibilidade ao mundo dos podcasts” (da Silva & dos Santos, 2020, p.63). Também Marcelo Kischinhevsky (2018), abordava o sucesso deste podcast que “em março de 2017 contabilizava nada menos do que 250 milhões de downloads das suas duas temporadas (175 milhões só da primeira)” (Kischinhevsky, 2018, p.78). Com todo este êxito, Richard Berry (2015b) verificou que com o lançamento deste podcast isso significou uma mudança na história deste formato de áudio. “’Serial’ representou um momento chave para o podcasting, passando-o de uma atividade de nicho para uma plataforma mainstream” (Berry, 2015b, p.171).
53 3.2.2.2. Podcasts e a Imprensa Da mesma forma que o meio rádio se cativou pelas características e oportunidades oferecidas pelo formato podcast, também a imprensa começou rapidamente a aperceber-se do significado que os podcasts estavam a ter no público. O jornal britânico, Daily Telegraph , marca por ser o primeiro meio impresso a lançar um podcast. Este surgiu em 2005 e tinha uma periodicidade diária, que consistia na leitura de três dos artigos publicados na versão impressa. Da mesma forma, outro jornal inglês, o The Guardian , seguiu os mesmos passos e iniciou o seu caminho na produção e distribuição de podcasts. Lançou um conjunto diversificado de programas sonoros, com diferentes formatos e temas. Notícias diárias, conversas com políticos, apresentação de assuntos ligados aos média, às ciências e tecnologias, às artes e performances e à música (Bonini, 2015, p.22), eram os temas abordados nos podcasts deste jornal generalista do Reino Unido. O êxito que esta “nova” tecnologia estava a produzir no continente europeu rapidamente se alastrou até aos Estados Unidos da América. O jornal New York Times destacou-se neste panorama, tendo lançado até 2011 dez novos podcasts (Bonini, 2015, p.22). O fenómeno chegou também aos jornais portugueses a partir do ano de 2006. Pioneiro nesta área foi o jornal Expresso , marcando por ser “o primeiro jornal português a apresentar os formatos áudio no seu site e com características inovadoras” (Reis, 2018, p.212), bem como, foi o primeiro jornal a divulgar uma entrevista política nesta tecnologia. “O Expresso publicou uma entrevista com José Sócrates e não a deixou apenas nas páginas do jornal. Pela primeira vez em Portugal uma entrevista de grande relevância deu origem a um podcast” (Martins & Vieira, 2021, p.102). Os meios de comunicação social portugueses continuaram a apostar nesta forma de produzir áudio. Em 2011, o portal agregador deste formato, o Sapo Podcasts, registou “169 podcasts ativos em Portugal sendo 87 (52%) produzidos por órgãos de comunicação social, a larga maioria rádios” (Martins & Vieira, 2021, p.103). Porém, o êxito deste formato começou a estagnar nos anos que se seguiram. O podcast entrou num período de relativa estagnação no que toca à produção de novos conteúdos, sem grandes lançamentos de novos programas com audiências assinaláveis. Depois de um impulso inicial, potenciado pela novidade associada ao formato, não houve uma clara aposta dos players de mercado de desenvolver conteúdos para esta tecnologia (Martins & Vieira, 2021, p.103).
54 Também Gallego Pérez (2012) evidencia uma certa descrença em relação ao podcast, depois de alguns anos após o seu surgimento. “Mesmo que durante os primeiros anos [deste formato] tenha recebido bastante atenção nos mídia, depois a sua importância esmaeceu no contexto da tecnologia contemporânea (Pérez, 2012, p.25). O autor Andrew J. Bottomley (2015) vai ao encontro deste ponto de vista e observa que o podcast teve dificuldades em crescer depois dos primeiros anos de existência. Entre 2005 e 2013, o podcast lutou para se impor como um meio verdadeiramente “de massa”. Os observadores da indústria atribuíram o crescimento relativamente limitado do podcast a tudo, desde dificuldades de monetização do meio, à competição do vídeo [que em 2006 ganhou cada vez mais popularidade], até ao próprio nome, sendo o termo “podcast” estreitamente associado a uma única empresa (Apple) e a um produto (iPod) que se tinha tornado praticamente obsoleto na era dos smartphones” (Bottomley, 2015, p.165). Contudo, esta tendência alterou-se e o formato podcast “entrou numa nova fase da sua evolução, em que começou a gerar um mercado não complementar ao da rádio, mas um mercado alternativo, que caminha para a profissionalização da produção e a normalização do consumo” (Bonini, 2015, p.13). Surgiu, assim, nos Estados Unidos da América, em 2012, uma nova era na história do podcast, que foi apelidada de “segunda era” por Tiziano Bonini, devido ao facto de este formato de áudio estar a transformar-se numa “prática produtiva comercial” e num “meio de consumo massivo” (Bonini, 2015, p.13). Assim, a partir desta altura o podcast começou a afirmar-se, não só como uma tecnologia que podia ser realizada por pessoas independentes, sem qualquer ligação à área radiofónica, como também foi crescendo, tornando-se cada vez mais “um fenómeno de produção e consumo nos variados meios, principalmente em órgãos de comunicação social que não têm o áudio como principal fonte” (Morais & Paiva, 2022, p.73), como é o caso do jornal Público que revela uma clara aposta neste formato de áudio a partir de 2017. “O podcast é incluído de forma regular em 2017 quando foram comemorados os 22 anos do Público online, data em que é apresentado o novo site com uma clara aposta no podcasting” (Reis, 2018, p.213). Desta maneira, torna-se importante analisar o espaço que esta “nova” tecnologia foi ganhando com o passar dos anos nos meios de comunicação impressos portugueses. De acordo com um estudo realizado por Ana Isabel Reis, em 2018, sobre o espaço que os podcasts ocupam no seio
61 e também para verificar se durante este período existiu novos programas criados para além dos que já foram difundidos ou que estão ainda a ser apresentados. A análise efetuada neste estudo pressupôs a criação de uma grelha temática onde foram tidos em conta alguns parâmetros importantes para atingir os resultados necessários. Nesse sentido, a primeira parte da análise consistiu na verificação dos jornais e revistas generalistas que apresentavam podcasts nas suas páginas de Internet. Depois de alcançada essa etapa, o próximo passo foi o da análise dos podcasts que eram efetivamente produzidos por estes meios de comunicação social. Durante esta fase foram examinados todos os programas, isto é, os atuais que ainda estão a ser produzidos, e os descontinuados, que terminaram a emissão antes do período de recolha de dados. A grelha de análise, que foi construída para analisar o fenómeno dos podcasts na imprensa portuguesa, contou com 11 parâmetros de análise. A primeira variável está relacionada com o meio de comunicação que produz o podcast, a segunda é o nome dado a este formato, a terceira é referente ao título dado a cada episódio, para perceber a dimensão deste conteúdo, isto é, se se trata de algo com muitos ou poucos episódios. Quanto à quarta variável, esta é relativa à editoria/secção a que determinado episódio ou a totalidade do podcast está associado. Neste caso as editorias a ter em conta são sociedade, economia, política, mundo, cultura, desporto, lifestyle , ciência, saúde ou tecnologia. Este parâmetro foi adicionado para perceber quais são as áreas que revelam mais interesse na produção de podcasts. Relativamente à quinta e sexta variável (data e periodicidade), estas estão relacionadas uma com a outra, pois perceber a periodicidade de um podcast também ajuda a compreender a importância que é dada a este formato de áudio. Meio de Comunicação Podcast Título Editoria Data Periodicidade Público P24 Começam os serviços mínimos. O que muda nas escolas a partir de hoje? Sociedade 01/02/2023 Todos os dias (exceto ao sábado) Desordem Mundial Israel e Palestina: tensão que convém a todos Mundo 01/02/2023 Todas as terças-feiras Rostos da Aldeia Mário Rocha, o pintor de Arga Sociedade 01/02/2023 Sem periodicidade 45 Graus Bruno Cardoso Reis – 1950, o Plano Schuman e a revolução diplomática que lançou as sementes da União Europeia Política 01/02/2023 Sem periodicidade Tabela 1: Grelha de análise com os parâmetros "meios de comunicação", "podcast", "título", "editoria", "data" e "periodicidade"
62 Num outro lado desta grelha de análise foi ainda adicionado o parâmetro de tema, no sentido de entender quais são as tematizações que ao longo destes cinco meses tiveram mais destaque para serem apresentadas em formato podcast. A variável do género também foi acrescentada nesta análise. Este parâmetro teve em conta o conteúdo que é apresentado em cada episódio do podcast, para perceber se se trata de uma exposição de um determinado tema ou de comentários tecidos por especialistas. Desta forma, criou-se as categorias de apresentação de uma temática quando se tratava da união de dois jornalistas para apresentarem um tema, debate entre jornalistas ou com especialistas sobre um determinado assunto, entrevista entre um jornalista e uma fonte de informação ou ainda crónica quando envolvia o comentário de um conhecido comentador. Esta variável está também relacionada com uma outra, que é o tipo de podcasts. A tipologia destes conteúdos áudio foi também observada nesta análise, e segundo a investigação realizada por Carvalho e Aguiar (citado em Júnior, 2020, p.11), este parâmetro foi dividido em três tipos: expositivo/informativo , feedback/comentário e instrução/orientação . Além disso, foi também verificada a duração de cada episódio dos podcasts. Esta variável foi analisada com base no mesmo estudo, que identificava três exemplos diferentes de podcasts quanto à sua duração. O curto é o que apresenta no máximo cinco minutos, o médio é o que varia entre mais do que cinco minutos e menos do que 15 minutos e ainda o longo que possui uma duração superior a 15 minutos. Por fim, foi ainda observada a localização que este recurso apresenta dentro das páginas de Internet destes meios de comunicação social. Foi verificado se o podcast tem página própria onde expõe todos os episódios disponíveis para consumo, se cada episódio também exibe uma página com informações sobre o conteúdo a ser tratado nesse mesmo episódio, se é possível encontrar esta tecnologia noutras plataformas, para além da página de Internet dos jornais e revistas generalistas, como é o caso do Spotify ou da Apple Podcasts, e também se tem algum destaque na página principal destes órgãos de comunicação social.
63 Tema Género Tipo Duração Localização Greve dos Professores Apresentação de uma temática por Ruben Martins e Daniela Carmo Informativo 13:22 Página Principal de Podcasts; Página do Podcast; Página do Episódio; Aplicações: Apple Podcasts, Spotify, Soundcloud Tensão entre Israel e Palestina Debate entre Alexandre Guerra, Cátia Moreira de Carvalho e Diogo Noivo Comentário 57:14 Página Principal de Podcasts; Página do Podcast; Página do Episódio; Aplicações: Apple Podcasts, Spotify, Soundcloud Histórias de quem deixou as cidades para morar em aldeias do interior do país Entrevista entre Luísa Pinto, Filipe Morato Gomes (Blogger) e Mário Rocha (Pintor) Informativo 08:25 Página Principal de Podcasts; Página do Podcast; Página do Episódio; Aplicações: Apple Podcasts, Spotify, Soundcloud A vida na Europa após a Segunda Guerra Mundial Entrevista entre José Maria Pimentel e Bruno Cardoso Reis (Professor no ISCTE-IUL) Informativo 1:27:55 Página Principal de Podcasts; Página do Podcast; Página do Episódio; Aplicações: Apple Podcasts, Spotify, Libsyn Tabela 2: Grelha de análise com os parâmetros "tema", "género", "tipo", "duração" e "localização" Mas além deste método de “pesquisa documental”, este estudo procura ainda perceber se o público português é adepto deste tipo de conteúdo áudio, numa tentativa de compreender se as escolhas desta população podem ou não levar à aposta da produção de podcasts pelos meios impressos de comunicação social. Nesse sentido, optou-se por realizar um outro método de recolha de informações, o “inquérito por questionário”. De acordo com Quivy e Campenhoudt (1998), esta técnica permite a “análise de um fenómeno social que se julga poder aprender melhor a partir de informações relativas aos indivíduos da população em questão” (Quivy & Campenhoudt, 1998, p.189). Consiste em colocar a um conjunto de inquiridos, geralmente representativo de uma população, uma série de perguntas relativas à sua situação social, profissional ou familiar, às suas opiniões, à sua atitude em relação a opções ou a questões humanas e sociais, às suas expectativas, ao seu nível de conhecimentos ou de consistência de um acontecimento ou de um problema, ou ainda sobre qualquer outro ponto que interesse os investigadores (Quivy & Campenhoudt, 1998, p.188). O inquérito por questionário, segundo outros autores, é observado como o instrumento que “permite auscultar um número significativo de sujeitos face a um determinado fenómeno social pela possibilidade de quantificar os dados obtidos e de se proceder a inferências e a generalizações” (Batista et al., 2021, p.14). É também visto que este método “é por norma
64 aplicado a um conjunto de indivíduos (inquiridos), sobre os quais se pretende recolher informações (dados) para analisar, interpretar e retirar conclusões, tendo em vista responder aos objetivos da investigação” (Santos & Henriques, 2021, p.10). Desta maneira foi então criado um questionário online, através da plataforma Google Forms, intitulado de “O espaço do podcast no jornalismo impresso português”. Este método foi publicado entre 5 de junho a 13 de setembro de 2023, sendo depois difundido através das redes sociais, como Facebook e Instagram, do email institucional, boca-a-boca, e ainda partilhado em dois grupos de Facebook, um relacionado com investigações na área do jornalismo e outro referente a investigações em todas as áreas de estudo. Este instrumento de recolha de dados foi construído numa primeira parte com informações referentes ao inquirido, como idade, sexo e nível de escolaridade concluído. Numa segunda parte as perguntas foram direcionadas para o conhecimento que o utilizador tem deste formato de áudio. No caso de uma resposta “não”, o inquirido é reencaminhado para uma pergunta final para apontar as razões que o levam a não ouvir um podcast. Se a resposta for “sim”, o utilizador é conduzido para uma nova parte do questionário que se foca no consumo de podcasts em geral. Na continuação do preenchimento desta ferramenta de investigação, segue-se uma nova parte relacionada com os podcasts e a imprensa, onde é colocada a pergunta se o inquirido já ouviu um podcast de um jornal ou revista generalista portuguesa. Mais uma vez, dependendo da resposta a esta questão, o utilizador é direcionado para diferentes partes do questionário. No caso de a resposta ser “não”, a pergunta que se segue é referente às razões que levam o inquirido a não ouvir um podcast dos meios de comunicação impressos portugueses. Se a resposta for “sim”, o utilizador é questionado de seguida com que frequência ouve este tipo de podcasts, quais são os temas que mais ouve e quais são as plataformas onde consome este formato de áudio. Na parte final do questionário, as perguntas estão mais focadas na opinião do inquirido para perceber a perceção que tem sobre os podcasts dos meios de comunicação impressos. Neste sentido, foram colocadas perguntas como “qual é a sua opinião acerca dos podcasts que são produzidos por jornais e revistas generalistas portuguesas”, “considera que a produção de podcasts por parte destes meios é uma boa forma de partilhar informações para além do conteúdo noticioso já produzido no jornal/revista” ou “considera que há abrangência nas temáticas abordadas pelos podcasts destes meios”.
65 No total, o questionário é composto por 16 perguntas, contudo nem todas são exibidas ao inquirido. Como visto anteriormente, algumas perguntas só aparecem dependendo da seleção dos utilizadores. A escolha por este tipo de recurso centrou-se na finalidade de mostrar apenas o que era realmente importante segundo a escolha do inquirido, não sendo assim confrontado com perguntas que provavelmente não iria saber responder, como é o caso da questão “sabe o que é um podcast”, se à partida um utilizador responder que não tem conhecimento do que é este formato, não faria sentido o inquirido continuar a responder a perguntas sobre o consumo e preferências deste formato. Desta maneira, e como também observado por Tiago Ramalho (2018), o inquérito por questionário é usado em muitos estudos para determinar o impacto de um determinado fenómeno social numa audiência ou público para conseguir apurar opiniões e perceções, uma vez que este método apresenta uma fácil aplicabilidade, podendo assim chegar a um leque alargado de pessoas, dado ao facto de não necessitar de deslocações tanto do inquirido como do investigador. Contudo, revela ainda uma desvantagem que é o facto de esta ferramenta poder apresentar um conjunto de respostas muito idênticas. Por esse motivo, e como apontado anteriormente, este questionário foi partilhado em dois grupos de Facebook que apresentam perfis diferentes para desta maneira conseguir ter um aglomerado de respostas que fosse o mais abrangente possível, não se concentrando apenas nas faixas etárias que são abrangidas pelas redes sociais e pelo email institucional (Ramalho, 2018, p.60).
66 5. Caso de Estudo: O Podcast na Imprensa Portuguesa 5.1. Análise dos Podcasts A análise aos jornais e revistas generalistas portuguesas, elaborada entre 1 de fevereiro e 30 junho de 2023, com a finalidade de perceber o espaço que é dado ao formato podcast nestes meios de comunicação, mostrou, em primeiro lugar, que das dez publicações de caráter generalista impressas em Portugal, seis apresentam este recurso ao áudio nas suas páginas de Internet, sendo estes os jornais Público , Expresso , Diário de Notícias , Correio da Manhã e as revistas Visão e Sábado . O Jornal de Notícias , i , Nascer do Sol e Novo Semanário não revelam a produção de podcasts, não apresentando desta maneira nenhum programa neste formato de áudio. Desta análise aos podcasts, o meio que mais se destaca é o semanário Expresso , que revela na sua totalidade 42 podcasts produzidos durante este período de pesquisa [Anexo 2]. O jornal Público é o segundo órgão de comunicação social que mais programas deste tipo apresenta na sua página de Internet, evidenciando um total de 18 podcasts desenvolvidos [Anexo 1]. O Diário de Notícias e a revista Visão registaram um total de quatro podcasts em cada meio [Anexos 3 e 5]. O jornal diário Correio da Manhã e a revista Sábado possuem na sua totalidade dois podcasts produzidos para cada uma destas publicações [Anexos 4 e 6]. A consulta às páginas de Internet de cada um destes meios de comunicação possibilitou também observar que estes jornais e revistas generalistas além de apresentarem os podcasts que estão atualmente em emissão, evidenciam igualmente os outros programas que, entretanto, terminaram a emissão, estando desta maneira descontinuados ou arquivados. O jornal Público revela 39 podcasts que já não emitem episódios. O semanário Expresso salienta 26 programas deste tipo que já foram concluídos. O Diário de Notícias lançou em anos anteriores outros cinco podcasts, que foram finalizados entre 2021 e 2022. O Correio da Manhã veicula ainda mais dois podcasts também terminados entre 2021 e 2022. A revista Visão exibe um outro programa com recurso a áudio que foi concluído em 2020 [Anexo 7]. Contudo, a análise com mais detalhe recaiu sobre os podcasts que estavam, na altura da pesquisa, em emissão. No total foram analisados 1 394 episódios. Deste número 349 pertencem ao jornal Público , 894 ao semanário Expresso , 44 à revista Visão , 43 a revista Sábado , 36 ao jornal Correio da Manhã e 28 ao Diário de Notícias . Estes números foram ainda examinados de acordo com diferentes categorias, nomeadamente editoria, género, duração e tipo de podcasts.
67 5.1.1. Análise da variável editoria No caso da variável de editoria foram tidas em conta 15, que foram as que se destacaram durante a análise a estes episódios (Política, Economia, Sociedade, Mundo, Cultura, Desporto, Justiça, Tecnologia, Saúde, Ambiente, Ciência, Lifestyle, História, Arquitetura e Local). O jornal Expresso , devido ao seu elevado número de episódios, conseguiu abranger oito destas secções, salientandose Política e Sociedade, em que foram aferidos 255 e 187 episódios respetivamente. Contudo, há que destacar a área de Justiça onde foram registados apenas 10 episódios por parte do semanário e, apesar de produzir um programa dedicado em exclusivo a esta editoria, Justiça Sem Códigos , onde semanalmente a jornalista Ana Peneda Moreira analisa com ajuda de advogados e outros especialistas temas ligados à justiça portuguesa, isso não foi o suficiente para ultrapassar o Correio da Manhã que apresenta 17 episódios nesta área, a maioria provenientes do podcast Crime e Castigo , que junta Paulo João Santos e Sérgio Vitorino num programa apresentado por Rita Fernandes Batista, onde comentam sobre casos da atualidade da justiça de Portugal, nem o Diário de Notícias que detém 16 episódios devido ao podcast Soberania , que em debate entre a jornalista Valentina Marcelino e o presidente do Observatório de Segurança, Criminalidade Organizada e Terrorismo (OSCOT), Jorge Bacelar Gouveia, juntamente com outros especialistas convidados analisam temáticas que fazem parte da segurança, defesa e justiça de Portugal [Anexo 8]. Também a editoria de Ambiente teve mais registos no jornal Público , onde foram contabilizados 16 episódios desta temática, a maioria com origem no programa Azul , que se assume como sendo um podcast de “conversas sobre ambiente, crise climática e sustentabilidade”. O Expresso e a revista Visão foram as outras publicações que também registaram episódios desta secção, tendo sido aferidos três episódios em cada um destes meios. A área de Ciência foi outra temática em que o diário Público também se destacou, nomeadamente com 25 episódios, provenientes do podcast 110 História, 110 Objetos . Este podcast pertence ao que a publicação lhe chama de Rede Público, que se trata de um conjunto de programas que são produzidos de forma independente, mas recebem o apoio do jornal ao serem partilhados nas suas páginas, por essa razão tanto este podcast como os outros cinco ( Rostos da Aldeia , 45 Graus , No País dos Arquitetos , Repórter 360 e Cruzamento ) foram tidos em conta para esta análise. Esta pesquisa também revelou que nenhum outro meio impresso apostou em podcasts desta editoria [Anexo 8]. A secção de Lifestyle também demonstrou alguma visibilidade especialmente no Público , que registou 24 episódios, que têm origem no podcast O Coração Ainda Bate , que é assinado por Inês Meneses e trata-se de um programa que semanalmente apresenta temáticas que fazem parte do
68 dia a dia desta jornalista e que a lembra que o coração ainda bate. Este número foi superior ao registado pelo Expresso , onde foram contabilizados 16 episódios, todos com proveniência do podcast Irresistível , um programa de conversas apresentado por Bárbara Guimarães e que a cada semana traz uma figura pública portuguesa para abordar questões da vida destas celebridades. Nenhuma outra publicação apresentou podcasts que fossem direcionados para esta editoria [Anexo 8]. Esta análise também evidenciou a existência de duas áreas que são exclusivas do jornal Público e do semanário Expresso . A categoria de História é apenas tratada por esta última publicação, onde foram contabilizados 18 episódios, que tiveram origem no podcast A História Repete-se , que se caracteriza como sendo um programa que junta o jornalista Henrique Monteiro e o historiador Lourenço Pereira Coutinho para exporem momentos que marcaram a história de Portugal e do mundo. No caso do Público , é na secção de Arquitetura que sobressai, com 14 episódios, devido ao podcast No País dos Arquitetos , que revela ser um programa conduzido pela arquiteta Sara Nunes onde entrevista outros colegas para saber as histórias por detrás de emblemáticos edifícios que compõem a arquitetura portuguesa [Anexo 8]. 5.1.2. Análise da variável género Quanto à variável de género, foram analisadas cinco categorias (Apresentação de uma temática, Debate, Entrevista, Crónica e Conversa). Mais uma vez, o Expresso foi o jornal que mais se destacou nesta variável, por causa do grande número de episódios que apresenta. Na primeira secção contabilizou-se 212 episódios onde dois jornalistas deste meio davam informações sobre uma determinada temática. Neste sentido, evidenciam-se os podcasts Expresso da Manhã , que é um programa diário onde são expostas as notícias que acompanham a atualidade seja nacional como internacional, Economia Dia-a-Dia , que pela voz da jornalista Teresa Amaro Ribeiro o ouvinte fica a par diariamente da atualidade do mundo da economia, PBX , um programa de cultura que tem a assinatura de Pedro Mexia e Inês Meneses e abordam os mais recentes álbuns ou filmes que o ouvinte deve ter em conta, e ainda o podcast A História Repete-se [Anexo 9]. O jornal Público foi a segunda publicação com um maior número de episódios da categoria de Apresentação de uma temática, tendo sido contabilizados 94 episódios, que foram na sua maioria do podcast P24 , um programa diário que conta com a apresentação de informações relevantes da atualidade portuguesa e internacional por parte de dois jornalistas deste meio. O terceiro meio
69 com mais episódios desta variável foi o Correio da Manhã , com 14 episódios, com origem no podcast Doa a Quem Doer , um programa assinado pela jornalista Tânia Laranjo, em que revela mais informações sobre casos de crimes portugueses. O Diário de Notícias apenas apresentou 2 episódios baseados neste género de podcast, contudo as revistas generalistas Visão e Sábado não evidenciaram qualquer episódio desta variável [Anexo 9]. No caso do Debate, o Expresso registou um total de 294 episódios, sendo a maioria de podcasts que tem origem em programas televisivos emitidos no canal SIC Notícias, como é o caso de Programa Cujo Nome Estamos Legalmente Impedidos de Dizer , que junta Ricardo Araújo Pereira, Pedro Mexia, João Miguel Tavares e Carlos Vaz Marques, de Eixo do Mal , que une Aurélio Gomes, Clara Ferreira Alves, Daniel Oliveira, Luís Pedro Nunes e Pedro Marques Lopes, de Sem Moderação , que junta Francisco Mendes da Silva, José Eduardo Martins, Daniel Oliveira e Pedro Delgado Alves ou ainda de Expresso da Meia-Noite , em que três jornalistas deste meio moderam um debate com a presença de convidados especialistas para, assim como os restantes programas, comentarem a atualidade política. Além destes programas, que não foram produzidos em exclusivo para formato de podcast, o semanário apresenta ainda outros dois podcasts de debate que são reservados a este meio impresso. Liberdade Para Pensar é um programa semanal em que três jornalistas exploram os acontecimentos de 50 anos de história com convidados que se caracterizam por ser políticos, economistas, artistas ou figuras que marcam a sociedade portuguesa. Comissão Política é um outro podcast que em cada semana David Dinis, Eunice Lourenço e Vítor Matos juntam-se com outros colegas jornalistas para analisarem os acontecimentos que acontecem nos espaços políticos portugueses [Anexo 9]. Neste género, o Público apresentou novamente ser o segundo jornal com mais episódios, mais concretamente 53, que foram observados nos podcasts Poder Público , um programa de debate semanal do universo da política que conta com a opinião de Helena Pereira, Leonete Botelho, São José Almeida e Sónia Sapage, e Debate Mundial , outro programa semanal onde Alexandre Guerra, Cátia Moreira de Carvalho e Diogo Noivo debatem a política internacional. O Correio da Manhã e a revista Sábado foram as outras duas publicações que também registaram um número considerável de episódios desta variável, tendo sido contabilizados 22 episódios nestes dois meios. Quanto ao jornal diário, este número provém do podcast Crime e Castigo e no caso da revista generalista é referente ao programa Conselho de Segurança , que une Vasco Rato, João Carlos Barradas e Nuno Tiago Pinto para debaterem sobre a política internacional. A revista Visão aplicou igualmente este género, em 19 episódios, que fazem parte do podcast Olho Vivo , que junta a
70 Mafalda Anjos, Filipe Luís e Nuno Aguiar para um debate sobre a política em Portugal. O Diário de Notícias foi outro meio onde também se contabilizou este género, num total de 15 episódios, que tem proveniência do programa Soberania [Anexo 9]. A entrevista também é uma categoria muito explorada pelo Expresso , tendo sido contabilizados 276 episódios. Neste formato, há um conjunto de podcasts que se evidenciam, sendo eles Blitz Posto Emissor, um programa de cultura onde artistas musicais são convidados por Lia Pereira ou Mário Rui Vieira para contarem como chegaram até ao mundo da música, A Beleza das Pequenas Coisas é um outro programa que une o jornalista Bernardo Mendonça a uma figura pública para abordarem temáticas que fazem parte do dia a dia, O CEO é o Limite assume-se como sendo um podcast de liderança e carreira, em que a jornalista Cátia Mateus entrevista vários chefes de empresas para mostrar quem são, como começaram e o que fizeram para chegar até ao topo, ou ainda Alta Definição , um outro programa televisivo do canal SIC, que foi transformado em podcast, onde Daniel Oliveira entrevista artistas ou outras figuras públicas sobre as suas memórias de vida e da carreira profissional [Anexo 9]. Este género está igualmente presente no jornal Público , onde foram registados 114 episódios, sendo a maioria dos podcasts Cuidado com o PET , um programa de entrevistas entre a jornalista Ana Isabel Ribeiro e especialistas no cuidado animal, e Rostos da Aldeia , um programa da Rede Público onde são entrevistadas pessoas que viram nas aldeias portuguesas um melhor local para viverem. A revista Visão também utilizou este género para os seus podcasts. No total, foram contabilizados 25 episódios que fazem parte do programa Irrevogável , em que os jornalistas Rita Rato Nunes e Nuno Miguel Ropio entrevistam importantes pessoas da sociedade portuguesa sobre temáticas da atualidade, e do Conversas com Saúde , onde um jornalista da Visão aborda vários temas relacionados com o universo da saúde, colocando questões a especialistas, como por exemplo médicos especialistas. O Diário de Notícias recorreu igualmente a esta variável e verificouse a existência de 12 episódios dedicados a entrevistas. O podcast Tech & Café , que junta os jornalistas Filipe Gil e Ricardo Simões Ferreira com convidados da área da tecnologia para apresentarem as últimas tendências deste mundo, foi o que mais contribuiu para este considerável número [Anexo 9]. A crónica foi também observada como sendo uma categoria notável no jornal Expresso , com um registo de 113 episódios, que marcaram por ter origem nos programas As Causas de José Miguel Júdice , Ana Gomes , Luís Marques Mendes ou Leste/Oeste de Nuno Rogeiro, em que todas as
77 programas estão disponíveis no Spotify, no Google Podcasts, na Apple Podcasts e ainda na Buzzsprout. Por fim, a revista Sábado devido a pertencer ao mesmo grupo de comunicação que o jornal Correio da Manhã , a localização referente aos podcasts é semelhante. Esta publicação apresenta uma hiperligação com a palavra Podcasts, abaixo do logótipo, na homepage [Anexo 44], assim como uma secção nesta página onde são exibidos os últimos episódios lançados dos dois podcasts da Sábado [Anexo 45]. Todavia, o menu escondido desta revista não revela nenhuma referência a hiperligação que remeta para a página central dos podcasts [Anexo 46]. A apresentação dessa página está desenhada da mesma maneira como o jornal diário. Nesta página central dos podcasts são mostrados os últimos episódios, que foram emitidos dos programas produzidos por esta publicação [Anexo 47], e cada um destes episódios apresenta uma página onde se pode ver um título, um pequeno texto e uma faixa de áudio [Anexo 48]. É também salientado no final desta página os outros episódios que compõem o podcast escolhido. Igualmente como o Correio da Manhã , os programas desta revista podem ser consumidos noutras plataformas digitais, como é o caso do Google Podcasts, Spotify e Apple Podcasts. 5.2. Análise dos Questionários O inquérito por questionário, intitulado de “O espaço do podcast no jornalismo impresso português”, gerou um total de 243 respostas, podendo observar-se que o sexo feminino é o que prevalece com 76,5% destas respostas comparando com os 22,6% referente ao sexo masculino [Anexo 49]. Esta amostra evidencia uma escala de idades que vai dos 17 anos até aos 56 anos, contudo é na geração mais nova (entre os 22 e os 24 anos) que se regista um maior número de respostas [Anexo 51]. O nível de habilitações académicas demonstra ainda que a maior percentagem está no grau de licenciado com 46,9%. O grau de mestre também salientou um número considerável de respostas, obtendo uma percentagem de 16%, e o ensino secundário que acabou por ser registar uma percentagem de 32,1%. Através destes resultados consegue-se perceber que há um nível elevado de escolaridade entre os respondentes, tendo apenas verificado 1,6% com o ensino básico, isto é, com o 4º, 6º e 9º anos completos [Anexo 50]. A segunda etapa do questionário passou por inquirir a amostra sobre o conhecimento de um podcast. A percentagem de 98,8% dos inquiridos revelou que esta amostra sabe o que é este recurso [Anexo 52], todavia a percentagem baixa um pouco quando se trata da sua audição, isto
78 é, 96,3% dos inquiridos apontou já ouviram um podcast, contudo 3,7% referiram que nunca tinham ouvido conteúdo deste formato [Anexo 53]. Mas no que diz respeito aos inquiridos que demonstraram ter consumido um programa deste género, o interesse por este formato é consideravelmente alto. 35,9% afirmaram que têm um grande interesse (“4”), 28,6% transmitem um interesse mediano (“3”) e 22,6% apontam que tem um elevado interesse (“5”) por este recurso [Anexo 54]. Contudo, nota-se uma diferença em relação ao seu consumo. A maior percentagem está centrada na categoria de não consumir podcasts atualmente (23,1%), mas logo de seguida pode-se verificar que 20,5% dos inquiridos revelam que ouvem podcasts dois dias por semana. No entanto, as outras duas percentagens com mais valores recaem sobre uma frequência quase inexistente. 17,9% referem que costumam ouvir podcasts mensalmente e 16,7% apontam que este consumo é feito quinzenalmente [Anexo 55]. Em relação ao consumo de podcasts de um jornal ou revista generalista portuguesa, o caso muda de figura. 62,4% dos inquiridos revelaram nunca ter ouvido um podcast destes meios, enquanto 37,6% afirmaram que em algum momento já ouviram um podcast destas publicações [Anexo 56]. O consumo propriamente dito destes programas evidencia uma tendência negativa. 28,4% responderam que não ouvem atualmente podcasts destes meios e no caso de consumirem é algo que ocorre com pouca regularidade, 25% ouve apenas mensalmente e 17% indica que a audição é feita quinzenalmente [Anexo 57]. Apesar do consumo pouco existente, os respondentes apontaram ainda os temas por que têm preferência quando escolhem ouvir um podcast de uma destas publicações jornalísticas. A cultura é que revela uma maior percentagem, com 52,3%, em seguida está a política com 46,6% e num terceiro lugar está lifestyle com 40,9%. O mundo e a sociedade são o quarto interesse dos inquiridos, evidenciando uma percentagem de 39,8% e a editoria economia marca por ser o quinto interesse demonstrado pelos respondentes, indicando uma percentagem de 34,1% [Anexo 58]. Esta amostra também foi questionada acerca das plataformas onde desempenham o consumo destes formatos de áudio. O Spotify é a primeira preferência desta amostra, alcançando uma percentagem de 76,1%. O website do jornal ou revista é a segunda opção apontada, com 29,5%. O Google Podcasts revela ser a terceira hipótese de escolha, registando um valor de 12,5%. A aplicação do jornal ou revista também é utilizada para consumo deste recurso, mais concretamente por 11,5% dos inquiridos. A plataforma Apple Podcasts é a última preferência dos respondentes, tendo apenas assegurado 9,1% das respostas [Anexo 59].
79 Além de contabilizar o interesse e a forma de consumo dos podcasts, também era necessário perceber as razões que levam ao público em não ouvirem este tipo de programas. A maior percentagem (21,9%) recai sobre a justificação “não há podcasts que cubram os temas que me interessam”. “Não tenho tempo” também foi outra explicação apontada (20,5%), assim como “os podcasts não me oferecem anda a que não tenha já acesso de outra forma” (19,2%). Foram ainda assinaladas, com um nível considerável, as respostas “os podcasts são demasiado longos” (18,5%) e “não gosto do formato” (14,4%). Para além destas justificações, há ainda outras que se destacam, como “não quero ter de escutar no smartphone com auriculares”, “não sei como ou onde encontrar podcasts”, “nunca tive interesse em ouvir” ou “não sabia da existência de podcasts dos meios impressos” [Anexo 60]. A parte final do questionário estava centrada em compreender as opiniões em concreto por parte dos inquiridos sobre os podcasts dos jornais e revistas generalistas portuguesas. Os comentários tecidos a este recurso foram divididos em positivos, negativos, não tenho opinião/nunca ouvi e ainda outros. Foi considerado nesta última categoria todas aquelas respostas que não representavam nenhum comentário e/ou opinião. Relativamente ao ponto de vista positivo, foram contabilizadas 88 respostas. A maioria fazia-se utilizar de adjetivos como “boa qualidade”, “razoáveis”, “bons” e “interessantes” para descrever estes programas. Todavia, observou-se ainda outras respostas significativas como “são uma excelente forma de complementarem o trabalho jornalístico utilizando um meio que está em alta”, “são uma excelente ferramenta de exposições de ideias/debates sobre temas importantes para a sociedade, “é uma boa forma de partilhar informações para além do que já há, normalmente também aborda variados conteúdos”, “uma boa opção para se falar de temas que muitas vezes não têm espaço nestes meios” ou “trazem temas oportunos e atuais e são também um meio diferente de aceder à informação e criar opinião” [Anexo 61]. No que refere à posição negativa, foram analisadas 38 respostas deste ponto de vista. Falta de diversidade nas temáticas abordadas ou demasiado longos foram a maior parte das opiniões deixadas pelos inquiridos. No entanto, estas respostas não foram as únicas. “Não acrescentam valor ao meio impresso”, “são monotemáticos e, sobretudo, com os mesmos protagonistas dos outros espaços informativos”, “tendem a ser muito tendenciosos e ideologicamente comprometidos, faltando-lhes muitas vezes um certo distanciamento epistemológico e ideológico face aos temas tratados” ou “a informação não é transmitida de forma cativante”. Apesar de todas estas respostas, o número de inquiridos que respondeu que nunca ouviu um podcast de um meio
80 impresso e, por esse motivo, não apresenta uma opinião concreta, chega até aos 87. Foram igualmente contabilizadas 21 respostas que encaixam na categoria de outros comentários, que não apresentam ser pertinentes para esta análise [Anexo 61]. Além destas respostas abertas, procurou-se ainda obter a opinião dos inquiridos sobre características explícitas. 92,3% dos inquiridos considera que a produção de podcasts destes meios é uma boa forma de partilhar informações para além do conteúdo noticioso já produzido no jornal ou revista. Apenas 7,7% dos respondentes considerou que não era um bom método para apresentar a informação [Anexo 62]. Relativamente à abrangência nas temáticas abordadas pelos podcasts destes meios, 71,4% afirmaram que existe uma grande amplitude de temas que são tratados nestes programas, contudo uma percentagem considerável (28,6%) mostra uma opinião contrária, indicando que os podcasts dos jornais e revistas generalistas portuguesas não apresentam uma grande variedade nos assuntos abordados nos vários episódios destes programas [Anexo 63].
81 6. Considerações Finais Os podcasts foram crescendo e melhorando a sua usabilidade. Atualmente podem ser consumidos em qualquer lado e a qualquer momento, e as plataformas de streaming vieram ajudar no aumento do consumo destes programas ao abrirem espaço para partilhar este tipo de conteúdo, chegando desta maneira a cada vez mais pessoas, inclusive aos meios de comunicação social, que viram nesta tecnologia uma boa forma de partilhar informação noticiosa com o seu público. Neste sentido, em 2018, a investigadora Ana Isabel Reis estudou o espaço que os podcasts ocupavam nos jornais portugueses, tendo constatado que se tratava de um fenómeno invisível. “A grande maioria não tem conteúdos sonoros produzidos para a edição online. Em apenas três publicações foram encontrados formatos áudio exclusivos e apresentados como podcast” (Reis, 2018, p.214). Nesse ano, o semanário Expresso , o jornal Público e o Observador revelaram ser os únicos meios que se dedicavam à produção de podcasts. Contudo, a perceção, passados cinco anos, desde esse estudo, é que este recurso áudio se expandiu a outros meios. A investigação levada a cabo para este relatório de estágio mostrou que há mais quatro meios impressos que atualmente produzem podcasts ( Diário de Notícias , Correio da Manhã , Visão e Sábado ). Também, em 2021, Ruben Martins e Jorge Vieira analisaram os podcasts no jornalismo português e constataram que esta tecnologia estava apenas a consolidar-se e a crescer dentro das publicações que já tinham criado espaço para isso, não demonstrando uma presença fora desses órgãos de comunicação social. De facto, os podcasts cresceram tanto no Público como no Expresso , tendo sido contabilizados 18 e 42 programas respetivamente, em comparação ao analisado no estudo de Martins e Vieira, que dava conta de 10 podcasts no semanário Expresso e 17 no jornal Público . Todavia, com esta investigação pôde observar-se que os podcasts chegaram a outros meios, como o Diário de Notícias , que apresentou três podcasts com vários episódios analisados durante estes últimos cinco meses, o Correio da Manhã , que desenvolveu dois programas, a Visão , que salienta quatro podcasts, dois com regularidade e outros dois sem qualquer periodicidade, e ainda a Sábado , também com existência de dois podcasts. Além de terem aumentado o número de podcasts nos meios impressos, o espaço deste recurso áudio também se revela bastante significativo. Em primeiro lugar, pode-se constar que esta tecnologia procura chegar a todas as áreas. As principais editorias do jornalismo (política, economia, sociedade e mundo) são as que apresentam mais conteúdo no formato de episódios
82 de podcasts. Contudo, pode-se igualmente observar que os jornais Público e Expresso trabalham para dar informação ou comentários sobre outras editorias consideradas importantes. As restantes publicações devido ao número reduzido de podcasts apenas se centram em áreas revelantes para o seu público, como é o caso do Correio da Manhã , que se foca maioritariamente na produção de conteúdo sobre crimes e justiça, ou do Diário de Notícias com o podcast Tech & Café , destinado a apresentar informação sobre tecnologia. Ademais, os podcasts também revelam diferentes géneros de apresentar a informação. No entanto, através desta pesquisa e análise consegue-se perceber que o debate é o género mais utilizado em todos os meios de comunicação considerados para este estudo. Isto pode significar que além de quererem dar informações sobre determinada temática, estes jornais e revistas procuram igualmente oferecer aos seus leitores outros pontos de vista da informação noticiada. Esta variável também está muito ligada com a tipologia dos podcasts. O tipo comentário está presente em todas as publicações, o que permite constatar que há um grande interesse por parte destes órgãos de comunicação em dar a conhecer a opinião de jornalistas, responsáveis pelo meio ou até de especialistas, para que os ouvintes tenham acesso a outras perspetivas acerca da informação. É possível também compreender que há uma clara aposta em apresentar conteúdo que ultrapasse os 15 minutos de duração. Todos os jornais e revistas demonstram ter podcasts com uma duração consideravelmente longa. A produção de podcasts por estes meios está centrada em conteúdos que apresentem todas as informações essenciais para os seus ouvintes. Há um destaque para os podcasts diários, como P24 , Expresso da Manhã ou Economia Dia-a-Dia , em que a maioria dos seus episódios são curtos ou médios, o restante número tem uma duração longa, o que demonstra que estes programas têm um espaço considerável no seio dos jornais e revistas, pois o conteúdo que apresentam não é rápido de consumir, isto é, denota-se um esforço por parte dos jornalistas em disponibilizar mais informações ao público, não fincando apenas por uma perceção superficial dos temas da atualidade. A periodicidade também é uma característica que indica a importância dos podcasts para um meio de comunicação. O jornal Público salienta um número considerável de podcasts, contudo a maioria não apresenta uma frequência constante, isto é, o público não sabe quando é que pode contar com um episódio de determinado programa. A mesma situação acontece com o Diário de Notícias e com a Visão . Apesar de apresentarem podcasts, o interesse que dedicam à maioria destes
83 programas quase que leva ao seu desaparecimento. O caso do semanário Expresso ou da revista Sábado apenas se encontra um número mínimo de podcasts sem frequência de lançamento. A grande maioria dos programas produzidos por estes dois meios tem um dia específico durante a semana para os episódios serem lançados, podendo concluir-se que há um interesse por parte destas publicações em que o seu leitor/ouvinte continue a acompanhar os seus conteúdos, demonstrando desta maneira uma certa importância a este recurso de áudio. A localização de referências à existência de podcasts nestes meios também acaba por ser outro aspeto para avaliar o espaço dado a esta tecnologia. Ana Isabel Reis detetava “uma presença discreta nas homepages dos jornais” (Reis, 2018, p.222). Para esta autora, “o áudio é um produto duplamente invisível: não se ouve nem se vê nos sites dos jornais” (Reis, 2018, p.222). Todavia, esse fenómeno já não acontece. Todos os meios de comunicação evidenciam uma hiperligação com a palavra “podcast” que se situa na página principal da publicação, acima ou abaixo do logótipo do jornal ou revista. Além disso, todos estes meios também exibem uma secção na página principal onde são apresentados os últimos episódios lançados. Esta tecnologia também revela uma página própria onde apresenta todos os podcasts lançados, assim como uma página para todos os episódios listados por ordem de lançamento e ainda uma página para cada um dos episódios. Desta maneira, pode-se concluir que o espaço dedicado aos podcasts é bastante visível, em comparação com o estudo de Ana Isabel Reis. O espaço dos podcasts é atualmente notável. Não só cresceram dentro de publicações onde já existiam como surgiram em outros meios. Contudo, não apresentam a mesma tendência em todos os órgãos de comunicação analisados. Há preferências e escolhas que levam os podcasts a não serem vistos com o mesmo grau de importância. Mas além deste crescimento do espaço que esta tecnologia ocupa, ainda não é o suficiente para chegar a um grande número de pessoas. De acordo com o questionário aplicado neste estudo, 62,2% dos inquiridos revelaram nunca ter ouvido um podcast dos jornais ou revistas generalistas portuguesas e deste número uma grande parte indicou não ouvir nenhum podcast atualmente ou o consumo que fazem é reduzido, ocorrendo apenas mensalmente. Apesar de o consumo não revelar a mesma tendência que os podcasts fora desta esfera dos grupos de comunicação, a maioria dos inquiridos considerou que estes programas são de “boa qualidade” e “uma excelente ferramenta”, e, nesse sentido, este pode ser um motivo que leva a imprensa portuguesa a continuar a apostar neste recurso de áudio.
84 No entanto, este aspeto trata-se de uma das limitações deste estudo. O ponto de vista de jornalistas ou editores sobre a produção de podcasts, isto é, perceber como decidem manter um programa ou criar um novo, se tem como base o consumo por parte dos portugueses, seria uma adição a esta investigação, pois desta maneira seria possível perceber os critérios editoriais que estão por detrás da produção deste tipo de programas sonoros. Além disso, entrevistas realizadas a estes profissionais ou até diretores destas publicações traria ainda mais benefícios para este estudo, uma vez que se poderia obter as perceções dos responsáveis da produção de podcasts, indicando se realmente o espaço que a imprensa portuguesa dedica a estes recursos é ainda insuficiente ou se já cresceu e não deverá alcançar mais nenhum patamar.
85 Referências Bibliográficas Alves, R. C. (2006). Jornalismo digital: Dez anos de web… e a revolução continua. Comunicação e Sociedade , 9 (10), 93-102. https://doi.org/10.17231/comsoc.9(2006).1157 Amaral, S. & Cardoso, G. (2005). O impacto da Internet no jornalismo televisivo e radiofónico português: o caso das representações e práticas dos jornalistas da SIC e da TSF. In A. Fidalgo, F. Ramos, J. P. de Oliveira & O. Mealha (Eds.), Repensar os Media: Novos contextos da Comunicação e da Informação – Livro de atas do IV Congresso da Associação Portuguesa de Ciências da Comunicação (pp. 1355-1368). Aveiro: Universidade de Aveiro. Bastos, H. (2009). Da implementação à estagnação: os primeiros doze anos de ciberjornalismo em Portugal. In C. Álvares & M. J. Damásio (Eds.), Livro de atas do VI Congresso da Associação Portuguesa de Ciência da Comunicação (pp.2513-2527). Lisboa: Universidade Lusófona. Bastos, H. (2012). A diluição do jornalismo no ciberjornalismo. Estudos em Jornalismo e Mídia , 9 (2), 284-298. Bastos, H. (2015). Das utopias à realidade: Um olhar sobre duas décadas de ciberjornalismo. Revista Estudos de Jornalismo , 4 , 9-18. https://hdl.handle.net/10216/151767 Batista, B. F., Rodrigues, D., Moreira, E. & Silva, F. (2021). Técnicas de recolha de dados em investigação: Inquirir por questionário e/ou inquirir por entrevista?. In P. Sá, A. P. Costa & A. Moreira (Eds.), Reflexões em torno de metodologias de investigação recolha de dados (pp. 13-36). Aveiro: Universidade de Aveiro. Berry, R. (2006). Will the iPod kill the radio star? Profiling podcasting as radio. Convergence: The International Journal of Research into New Media Technologies , 12 (2), 143-162. https://doi.org/10.1177/1354856506066522 Berry, R. (2015a). Serial and ten years of podcasting: Has the medium finally grown up. In M. Oliveira & F. Ribeiro (Eds.), Radio, Sound and Internet (pp. 299-309). Braga: LASICS. Berry, R. (2015b). A golden age of podcasting? Evaluating serial in the context of podcast histories. Journal of Radio & Audio Media , 22 (2), 170-178. https://doi.org/10.1080/19376529.2015.1083363
86 Berry, R. (2016). Podcasting: Considering the evolution of the medium and its association with the word ‘radio’. The Radio Journal International Studies in Broadcast & Audio Media , 14 (1), 7-22. https://doi.org/10.1386/rjao.14.1.7_1 Berry, R. (2019, 28 de dezembro). Mapping Podcasts [Post em blogue]. Retirado de https://richardberry.eu/mapping-podcasts/ Bonini, T. (2020). A “segunda era” do podcasting: reenquadrando o podcasting como um novo meio digital massivo. Radiofonias — Revista de Estudos em Mídia Sonora , 11 (1), 13-32. Bottomley, A. J. (2015). Podcasting: a decade in the life of a “new” audio medium. Journal of Radio & Audio Media , 22 (2), 164-169. https://doi.org/10.1080/19376529.2015.1082880 Bradshaw, P. (2014). Instantaneidade: Efeito da rede, jornalistas mobile, consumidores ligados e o impacto no consumo, produção e distribuição. In J. Canavilhas (Ed.), Webjornalismo: 7 características que marcam a diferença (pp. 111-136). Covilhã: LabCom. Canavilhas, J. M. M. (2005). Retrato dos jornalistas online em Portugal. In A. Fidalgo, F. Ramos, J. P. de Oliveira & O. Mealha (Eds.), Repensar os Media: Novos contextos da Comunicação e da Informação – Livro de atas do IV Congresso da Associação Portuguesa de Ciências da Comunicação (pp. 1393-1402). Aveiro: Universidade de Aveiro. Canavilhas, J. (2008). Cinco Ws e um H para o jornalismo na web. Prima , 7, 153-172. Castells, M. (2003). A galáxia da Internet: Reflexões sobre a Internet e os negócios e a sociedade . Rio de Janeiro: Zahar. Cechinel, A., Fontana, S. A. P., Della, K. G. P., Pereira, A. S. & Prado, S. S. (2016). Estudo/Análise Documental: Uma revisão teórica e metodológica. Criar Educação – Revista do Programa de PósGraduação em Educação , 5 (1). https://doi.org/10.18616/ce.v5i1.2446 da Silva, S. P. & dos Santos, R. S. (2020). O que faz sucesso em podcast? Um análise comparativa sobre os podcasts mais populares no Brasil e nos Estados Unidos em 2019. Radiofonias – Revista de Estudos em Mídia Sonora , 11 (1), 49-77. Retirado de https://periodicos.ufop.br/radiofonias/article/view/4317 de Jesus, G. O, de Araújo, W. S. & Carvalho, C. R. O. (2018, junho). Internet e redes sociais: Jornalismo no meio digital . Comunicação apresentada no XX Congresso de Ciências da Comunicação na Região Nordeste, Juazeiro.
93 Expresso da Meia-Noite Expresso da Meia-Noite Expresso da Meia-Noite Expresso da Meia-Noite Expresso da Meia-Noite Alta Definição Alta Definição Alta Definição Alta Definição Alta Definição Leste/Oeste Leste/Oeste Leste/Oeste Leste/Oeste Leste/Oeste Ana Gomes Ana Gomes Ana Gomes Ana Gomes Luís Marques Mendes Luís Marques Mendes Luís Marques Mendes Luís Marques Mendes Luís Marques Mendes O CEO é o Limite O CEO é o Limite O CEO é o Limite O CEO é o Limite O CEO é o Limite Perguntar Não Ofende Perguntar Não Ofende Perguntar Não Ofende Perguntar Não Ofende O Mundo a Seus Pés O Mundo a Seus Pés O Mundo a Seus Pés O Mundo a Seus Pés O Mundo a Seus Pés Isto é Gozar Com Quem Trabalha Isto é Gozar Com Quem Trabalha Isto é Gozar com Quem Trabalha Isto é Gozar com Quem Trabalha A Noite da Má-Língua A Noite da Má-Língua A Noite da Má-Língua A Noite da Má-Língua A Noite da Má-Língua Comissão Política Comissão Política Comissão Política Comissão Política Comissão Política Linhas Vermelhas Linhas Vermelhas Linhas Vermelhas Linhas Vermelhas Linhas Vermelhas Humor à Primeira Vista Humor à Primeira Vista Humor à Primeira Vista Humor à Primeira Vista Humor à Primeira Vista Ao Vivo na Redação Ao Vivo na Redação Tabu com Bruno Nogueira Tabu com Bruno Nogueira Tabu com Bruno Nogueira Irresistível Irresistível Irresistível Irresistível Economia Dia-a-Dia Economia Dia-a-Dia Economia Dia-a-Dia Economia Dia-a-Dia Mulheres Que Nos Inspiram Entre Deus e o Diabo Entre Deus e o Diabo Expresso Imobiliário Expresso Imobiliário Expresso Imobiliário Expresso Imobiliário Negócios da Semana Negócios da Semana Negócios da Semana Que Voz é Esta? Que Voz é Esta? Geração 70 O Futuro do Futuro Total: 33 Total: 38 Total: 35 Total: 33 Total: 34 Anexo 3 – Tabela de podcasts produzidos pelo jornal Diário de Notícias durante o período de análise Fevereiro Março Abril Maio Junho Tech & Café Tech & Café Tech & Café Tech & Café Tech & Café Os Números do Emprego Os Números do Emprego Os Números do Emprego Os Números do Emprego Os Números do Emprego Diálogos: A Saúde e o Futuro Soberania Soberania Soberania Soberania Total: 2 Total: 4 Total: 3 Total: 3 Total: 3 Anexo 4 – Tabela de podcasts produzidos pelo jornal Correio da Manhã durante o período de análise Fevereiro Março Abril Maio Junho Crime e Castigo Crime e Castigo Crime e Castigo Crime e Castigo Crime e Castigo Doa a Quem Doer Doa a Quem Doer Doa a Quem Doer Doa a Quem Doer Doa a Quem Doer Total: 2 Total: 2 Total: 2 Total: 2 Total: 2
94 Anexo 5 – Tabela de podcasts produzidos pela revista Visão durante o período de análise Fevereiro Março Abril Maio Junho Olho Vivo Olho Vivo Olho Vivo Olho Vivo Olho Vivo Irrevogável Irrevogável Irrevogável Irrevogável Irrevogável Conversas Com Saúde Conversas Com Saúde Conversas Com Saúde Conversas Com Saúde Conversas Verdes Conversas Verdes Conversas Verdes Total: 3 Total: 4 Total: 3 Total: 4 Total: 3 Anexo 6 – Tabela de podcasts produzidos pela revista Sábado durante o período de análise Fevereiro Março Abril Maio Junho Conselho de Segurança Conselho de Segurança Conselho de Segurança Conselho de Segurança Conselho de Segurança Cuidados Intensivos Cuidados Intensivos Cuidados Intensivos Cuidados Intensivos Cuidados Intensivos Total: 2 Total: 2 Total: 2 Total: 2 Total: 2 Anexo 7 – Tabela de podcasts produzidos antes do período de análise Público Expresso Diário de Notícias Correio da Manhã Visão Sábado Reservado ao Público 50 Anos Expresso Descomplicómetro A Minha Guerra Os Lugares Desta História Ouvido Deixar o Mundo Melhor Em Voz Alta Vozes da Pandemia Todo o Peixe é Nobre O Dia Em Que o Século Começou Nas Empresas Com Quem Decide Dentro. Entre Grades o Mundo Também Muda Magnífica Desolação: 50 Anos da Viagem do Homem à Lua Transformar o SNS Noite Sangrenta Zona de Impacto Entrevistas DN O Futebol, a História e a Política Entram num Bar Original é Cultura Agora, Agora e Mais Agora Querida Pediatra In Vitro África Agora Memórias de Lisboa Desastres Naturais Contos de Natal Brasileiros, Que Tal? Ready. Gap. Go! Ecosofia X Vitamina P As Crianças Importam Do Género A Caminho do Catar Terapia O Tabu de Francisco Louça Pratos Limpos Carta Elétrica Almirante Reis. Uma Avenida Por Cumprir Muito Mais Do Que Sexo 10.000 Horas A Revista do Expresso Antecâmara Palavra de Autor História de Portugal F5 Em Casa Sentido Único
95 P de Porquê As Testemunhas da Pandemia Conversas Urbanas Vai Ficar Tudo Bem Fala Poeiras Invasões Bárbaras Grandes Leitores Volante SIC Coligação Negativa Vamos a Jogo Podcast 4.0 Verdade Ou Consequência Assim Fala a Ciência Fogo e Fúria Estado da União Agenda Europa A Europa Que Conta Com Tempo e Alma Conversas de Última Página Por Falar Nisso Catinga Planisférico Jogo Limpo Mutante Sem Filtro Total: 39 Total: 26 Total: 5 Total: 2 Total: 1 Total: 0 Anexo 8 – Gráfico das editorias utilizadas nos podcasts produzidos durante o período de análise 0 50 100 150 200 250 300 Editorias dos Podcasts Público Expresso Diário de Notícias Correio da Manhã Visão Sábado
96 Anexo 9 – Gráfico dos géneros utilizados nos podcasts produzidos durante o período de análise Anexo 10 – Gráfico da duração dos episódios dos podcasts produzidos durante o período de análise 94 53 114 85 3 212 294 276 113 0 215 12 0 0 14 22 0 0 00 19 25 0 00 22 021 0 0 50 100 150 200 250 300 350 Apresentação de uma Temática Debate Entrevista Crónica Conversa Género dos Podcasts Público Expresso Diário de Notícias Correio da Manhã Visão Sábado 55 100 194 91 80 725 0 0 30 0432 0 0 42 10 11 22 0 100 200 300 400 500 600 700 800 Curto Médio Longo Duração dos Podcasts Público Expresso Diário de Notícias Correio da Manhã Visão Sábado
97 Anexo 11 – Gráfico do tipo de podcasts produzidos durante o período de análise Anexo 12 – Tabela de podcasts com periodicidade Periodicidade Jornal/Revista Podcast Com Público P24 Desordem Mundial Poder Público Cuidado com o PET O Coração Ainda Bate Fábrica de Criadas Expresso Expresso da Manhã A História Repete-se Money Money Money Sem Moderação As Causas de José Miguel Júdice PBX Blitz Posto Emissor A Culpa é do Árbitro Liberdade Para Pensar Miguel Sousa Tavares De Viva Voz A Beleza das Pequenas Coisas Eixo do Mal Irritações Programa Cujo Nome Estamos Legalmente Impedidos de Dizer Expresso da Meia-Noite Alta Definição Leste/Oeste Ana Gomes Luís Marques Mendes O CEO é o Limite O Mundo a Seus Pés 232 117 488 408 14 15 14 22 25 19 042 0 100 200 300 400 500 600 Informativo Comentário Tipo de Podcasts Público Expresso Diário de Notícias Correio da Manhã Visão Sábado
98 Isto é Gozar Com Quem Trabalha A Noite da Má-Língua Comissão Política Linhas Vermelhas Tabu com Bruno Nogueira Bloco de Leste As Mulheres Não Existem Irresistível Economia Dia-a-Dia Entre Deus e o Diabo Expresso Imobiliário Negócios da Semana Que Voz é Esta? Geração 70 O Futuro do Futuro Diário de Notícias Soberania Correio da Manhã Crime e Castigo Visão Olho Vivo Sábado Conselho de Segurança Cuidados Intensivos Anexo 13 – Tabela de podcasts sem periodicidade Periodicidade Jornal/Revista Podcast Sem Público Rostos da Aldeia 45 Graus O Respeitinho não é Bonito Azul 110 Histórias, 110 Objetos Repórter 360 Encontro de Leituras Sobre Carris Cruzamento Miniconcertos No País dos Arquitetos Interesse Público Expresso Guerra Fria Justiça Sem Códigos Perguntar Não Ofende Humor à Primeira Vista Mulheres Que Nos Inspiram Ao Vivo na Redação Diário de Notícias Tech & Café Os Números do Emprego Diálogos: A Saúde e o Futuro Correio da Manhã Doa a Quem Doer Visão Conversas com Saúde Irrevogável Conversas Verdes
99 Anexo 14 – Imagem da presença de hiperligação com a palavra “Podcasts” situada abaixo do logótipo na página principal do jornal Público Anexo 15 – Imagem da secção de “Podcasts” na página principal do jornal Público Anexo 16 – Imagem do menu do jornal Público com hiperligação para a página de podcasts da publicação
100 Anexo 17 – Imagem da página de podcasts do jornal Público Anexo 18 – Imagem da página do podcast “P24” do jornal Público Anexo 19 – Imagem da página de um episódio do podcast “P24” do jornal Público
101 Anexo 20 – Imagem da presença de hiperligação com a palavra “Podcasts” situada abaixo do logótipo na página principal do jornal Expresso Anexo 21 – Imagem da secção de “Podcasts” na página principal do jornal Expresso Anexo 22 - Imagem da referência a um episódio do podcast “Expresso da Manhã” na página principal do jornal Expresso
102 Anexo 23 - Imagem do menu do jornal Expresso com hiperligação para a página de podcasts da publicação Anexo 24 – Imagem da página de podcasts do jornal Expresso Anexo 25 - Imagem da página do podcast “Entre Deus e o Diabo” do jornal Expresso
109 Anexo 44 - Imagem da presença de hiperligação com a palavra “Podcasts” situada abaixo do logótipo na página principal da revista Sábado Anexo 45 – Imagem da secção de “Podcasts” na página principal da revista Sábado Anexo 46 – Imagem do menu da revista Sábado sem hiperligação para a página de podcasts da publicação
110 Anexo 47 – Imagem da página de podcasts da revista Sábado Anexo 48 – Imagem da página do podcast “Cuidados Intensivos” da revista Sábado
111 Análise dos Questionários Anexo 49 – Gráfico do sexo dos inquiridos Anexo 50 – Gráfico do nível de escolaridade concluído dos inquiridos 0,40% 0,40% 0,80% 32,10% 46,90% 16% 3,30% Nível de Escolaridade Concluído Ensino Básico - 1º Ciclo Ensino Básico - 2º Ciclo Ensino Básico - 3º Ciclo Ensino Secundário Ensino Superior - Licenciatura Ensino Superior - Mestrado Ensino Superior - Doutoramento 76,50% 22,60% 0,40% 0,40% Sexo Feminino Masculino Prefiro Não Dizer Outro
112 Anexo 51 – Tabela de idades dos inquiridos Idade Número Percentagem 17 9 3,7% 18 23 9,5% 19 14 5,8% 20 18 7,4% 21 14 5,8% 22 31 12,8% 23 32 13,2% 24 24 9,9% 25 7 2,9% 26 8 3,3% 27 3 1,2% 28 5 2,1% 29 5 2,1% 30 5 2,1% 31 5 2,1% 32 2 0,8% 33 5 2,1% 34 1 0,4% 35 6 2,5% 36 1 0,4% 37 1 0,4% 39 3 1,2% 40 5 2,1% 41 3 1,2% 43 2 0,8% 45 2 0,8% 46 3 1,2% 47 1 0,4% 49 1 0,4% 50 1 0,4% 52 1 0,4% 55 1 0,4% 56 1 0,4% Anexo 52 – Gráfico do conhecimento dos inquiridos sobre o que é um podcast 98,80% 1,20% Sabe o que é um podcast? Sim Não
113 Anexo 53 – Gráfico do consumo de podcast por parte dos inquiridos Anexo 54 – Gráfico do interesse dos inquiridos no formato podcast 4 (1,7%) 26 (11,1%) 67 (28,6%) 84 (35,9%) 53 (22,6%) 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 12345 Qual é o seu interesse neste formato? 96,30% 3,70% Alguma vez ouviu um podcast? Sim Não
114 Anexo 55 – Gráfico da frequência de consumo de podcasts por parte dos inquiridos Anexo 56 – Gráfico da audição de podcast de um jornal ou revista generalista portuguesa 10,70% 11,10% 20,50% 16,70% 17,90% 23,10% Com que frequência costuma ouvir podcasts? Todos os dias Três dias por semana Dois dias por semana Quinzenalmente Mensalmente Não ouço atualmente podcasts 37,60% 62,40% Alguma vez ouviu um podcast de um jornal ou revista generalista portuguesa? Sim Não
115 Anexo 57 – Gráfico da frequência de consumo de podcasts da imprensa portuguesa Anexo 58 – Gráfico de temas de interesse por parte dos inquiridos nos podcasts de um meio impresso 10,20% 10,20% 9,10% 17% 25% 28,40% Com que frequência costuma ouvir podcasts de meios impressos Todos os dias Três dias por semana Dois dias por semana Quinzenalmente Mensalmente Não ouço atualmente podcasts 7 (7,7%) 35 (39,8%) 19 (21,6%) 17 (19,3%) 35 (39,8%) 41 (46,6%) 30 (34,1%) 25 (28,4%) 16 (18,2%) 22 (25%) 46 (52,3%) 36 (40,95) 0 5 10 15 20 25 30 35 40 45 50 Outros Sociedade Justiça Desporto Mundo Política Economia Saúde Tecnologia Ciência e Ambiente Cultura Lifestyle (viagens, gastronomia, lazer) Quais são os temas que ouve ou mais gosta de ouvir num podcast de um meio impresso?
116 Anexo 59 – Gráfico das plataformas usadas pelos inquiridos para o consumo de podcasts dos meios impressos Anexo 60 – Gráfico das razões que levam os inquiridos a não ouvirem podcasts dos meios impressos 1 (1,1%) 3 (3,4%) 1 (1,1%) 11 (12,5%) 1 (1,1%) 67 (76,1%) 8 (9,1%) 10 (11,4%) 26 (29,5%) 010 20 30 40 50 60 70 80 Pocketcasts YouTube Mixcloud Google Podcasts Soundcloud Spotify Apple Podcasts Aplicação do jornal/revista Website do jornal/revista Em que plataformas costuma ouvir podcasts de um meio impresso? 36 (25,2%) 27 (18,5%) 28 (19,2%) 6 (4,1%) 32 (21,9%) 14 (9,6%) 30 (20,5%) 21 (14,4%) 0 5 10 15 20 25 30 35 40 Outros Os podcasts são demasiado longos Os podcasts não me oferecem nada a que não tenha já acesso de outra forma Não quero ter de escutar no smartphone com auriculares Não há podcasts que cubram os temas que me interessam Não sei como ou onde encontrar podcasts Não tenho tempo Não gosto do formato Por que razão nunca ouviu um podcast de um meio impresso?
117 Anexo 61 – Tabela das respostas da opinião dos inquiridos sobre os podcasts que são produzidos nos meios impressos Opinião Positiva Opinião Negativa Não tenho opinião Outra Boa qualidade A informação não é transmitida de forma cativante Não tenho opinião Razoáveis Não acrescentam valor ao meio impresso Nunca ouvi Têm carácter informativo Precisam de avançar, o jornalismo precisa de mais trabalhos narrativos Sem opinião Gosto bastante e deveria ser um formato mais generalizado a todos os conteúdos Não gosto do conteúdo atualmente apresentado nos media portugueses Não tenho opinião formada De elevada qualidade, diversificados e com a presença de notáveis Vejo as mesmas notícias na rádio ou televisão e não tendo tempo acabo por preferir esses meios Nunca ouvi nenhum Interessantes Tem um volume reduzido e são pouco divulgados Não consumo Boa qualidade Normalmente são podcasts em que os temas não são muito variados Sem opinião Bons podcasts Não são tão focados no ouvinte e nas suas necessidades Não tenho opinião formada No geral são bons e com alguma diversidade nas temáticas São monotemáticos e, sobretudo, com os mesmos protagonistas dos outros espaços informativos Nunca ouvi nenhum No geral costumam ser de qualidade Não são tão interessantes Nunca ouvi esse tipo de podcasts São uma excelente forma de complementarem o trabalho jornalístico utilizando um meio que está em alta Não são apelativos. Muitas das vezes parecem redundantes com toda a informação e opinião disponível Nunca assisti a nenhum Bons, porém, ainda falta relatar certos temas Os temas não me interessam Nunca escutei nenhum São uma excelente ferramenta de exposições de ideias/debates sobre temas importantes para a sociedade Acabam por ser demasiado longos Não tenho opinião Na generalidade são bem conseguidos São pouco interativos e muito longos Desconheço Informativo e suficientemente interessantes Tendem a ser muito tendenciosos e ideologicamente comprometidos, faltandolhes muitas vezes um certo distanciamento epistemológico e ideológico face aos temas tratados Não tenho opinião Bons Não são fontes de informação fiáveis e/ou não me interessa a opinião de jornalistas Sem opinião É uma boa forma de partilhar informações para além do que já há Pouco falados Não tenho opinião
118 Podem ser uma boa forma de chegar à população por meios atuais e acessíveis Não conseguem captar a atenção do público Nunca ouvi esse tipo de podcasts Forma inovadora de comunicar e de alcançar novos públicos Deviam abordar temas mais variados Não tenho opinião formada Qualidade e variedade Não cobrem temas genuinamente interessantes para a população em geral Não ouço esses podcasts Bons Pouca oferta de podcasts Ainda não ouvi nenhum São importantes e credíveis, visto serem de fontes fidedignas Deviam ser mais divulgados Não costumo ouvir Necessários para ver a sociedade de formas diferentes Os diários são OK, mas os narrativos não apresentam muita qualidade Não tenho opinião É positivo os jornais estarem a migrar para outros espaços e mídias populares Grande parte não tem assuntos que me interessam Não tenho opinião Muito interessantes, condensam informação mais relevante Repetem aquilo que apresentam na televisão Nunca ouvi Muito bons Não são adaptados o suficiente para o atual ouvinte de podcasts Não tenho opinião É uma boa opção para se falar de temas que muitas vezes não têm espaço nessas revistas Não despertam interesse Nunca ouvi Exploram os assuntos de forma mais específica, permitindo adquirir outros pontos de vista Requerem alguma diversidade de opiniões e posicionamentos sociais particularmente na área política Não tenho opinião São bons Apenas há 2 ou 3 podcasts que de destacam pela sua qualidade Não tenho opinião Médios Existe pouca variedade nas áreas a serem tratadas nos episódios dos podcasts Não ouço São bons São pouco factuais servindo mais de comentário a determinado assunto Não tenho propriamente opinião Boa qualidade Os temas são normalmente aborrecidos Nunca ouvi nenhum destes podcasts São bons, principalmente para quem não pode fazer a leitura São produzidos para se discutirem temas, o que os torna desinteressantes e pouco interativos Não tenho opinião São úteis, no entanto utilizam uma linguagem demasiado coloquial, sendo que o sentido do podcast é serem mais acessíveis Não passam de notícias Não conheço nenhum Bons Deviam ser em maior quantidade Não tenho opinião É conteúdo pertinente, sobretudo para uma população que cada vez mais utiliza as TIC no seu dia-a-dia em detrimento dos meios mais tradicionais Não tenho interesse Não tenho opinião São geralmente bons Não tenho interesse Não conheço muito bem