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Sermam da payxam

Carlos de San Francisco, (Jer.)

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$ERM AM da payxam 0 QVE t%eçov P ’ F l '- CARLOS DE S. FRANCISCO Religiofo de Sam Hyeronimo no Real Convento. B E T H E L E M DEDICADO Ao reverendíssimo padre >4 p E D R O DO ROSÁRIO, 4 ri ° S e ral Apoítoliço da Ordem de S.Hieronymo. EM COIMBRA. Q/r y o m todas as licenças neceífarias. Clna de J O A M ANTUNES An.no de M.DC.XCII, I Dedicatória Ste Sermão teve a fortuna de fer pregado na presença de V. ‘feyerendijfm ,& ■ p or iffo merecedor ctn de toda a boa fortuna: dedicoo a V. df úer ^ndifjtma porfer oprimeyro parto da mi- ) tl ^ f'd ac ‘^ a dc, com quefayo a luty porque cotr ^ e ^vo as primícias do meu credito, quero . ijf^^dbe as do meu estudo: efpero que V. Tf~ ^firna me naofalte, nem com as approvapf tr ,°fiu gojlo , nem com os favores dofeu pa^ Cln ° ’ P or( l ue nejte terà ofiemao confianças l H y- a jf ar ecer., &• cu naquelles motivos para fif ki J U ar dc Deos a pejfoa de F. Fcyerendif- I) e Vj) c v e readifíImao menor fubdito^Sc mais obrigado Frey Carlos de S.Francifco. Foi. r. h D E DOMINE JFFLICTIO NEM meam 5 qitoniam ereÜus ejl inimicns. Hverem. Thren.i. E em Bethlem ,fe viram huns olhos chorozos na morte dos innocentes meninos: Rachel pioransJilwsfiios : jufto fera , que em Math.c. 2 Bethlem fe vejam hoje os corações magoaw . i 8 . dos na morte cio innocente Iefu j porque fe , r ' huma tirania executada na innocencia oyor ° U os 0 ^°s , a que choraflem, outra crueldade na mat^ 0 z ^ocencia feyta aconfelha aos coraçoens que íindif cu f ell ° que naò he efte o dia [ Fieis ] em que os Os f.r° s ter u lugar , porque nefte dia só tem lugar, t 0s Ll P lr °s: namhedia nam de o juízo formar concei- <r r ^ uecorremsó P orcontado c ° ra ç am ° s fotaçosi sò he d' ' ^ na ^ m ónte de a lingua articular vozes •, porque V °Hos os °lh° s verterem lagrimas: comeííem pois ^Ue v «.° a chorar , que uos ham de fobrar lalHmas l 3v, v er> ç lfi Hoje fe ~ vos renouao as memórias do mais lamen- ^ e ^a l lC i Ce ^'° 3 ^ vos P ro P ocm 2 viíla o mais laítimozo ° 5 ^ líc 0 M undo jamais vio: ao bom Iefupre- ^osp r ° nta ^°3crucificado, & ■ morto* & quem terà o- ^ õ f ia t ra V i r ao noííb Deos cercado de tantas penas, que a e ftar o coraçaõ cm ancias, 6e romper os olhos A os \ To.tn. r, 19. »- 3 4 - wAí- /#.>• íí Sibi ; tor, : , 3 .}ag. 631. Zen.Serm . tífc- A br ah. JSfumx. 20 n. 11. ^/.r 4 ; exod. 2 SERMAM os olhos enrl^grimáS. TantoquehumSoldadocom oborte de hufltt ça ferio o péyto de Chrifto , logo fahio Sangue> Agoa: 'continuo expvit Sangms , eJ* :& com u 1 ) ' 1 ^ rio v 5 porque fe o fangue, como diz Santo Izicloro , * e eI y caminhava a dar vifta a Longuinhos : taBu Sãng lil L Q Qrrifii illiwiimtus efi extra : foy providencia 3 q Lie a e ]l0 fangue acompanhafle a Agoa 3 porque fe Longuinh 0 ?. ^ Sangue teve vifta para ver aleíli Crucificado, tivei ^ m Agoa lagrimas para o chorar fentido,que heobng 3 ^ banharemfe os olhos em lagrimas vendo ao noíío P coS cado de penas. — Oh permita o Ceo que immitemos todos a ^ Ui | íia nhos no arrependimento 5 ja que ategora o imnii^ 1110 ^ cegueira, Se que correfpondam nofibs olhos com inãl j c fu$ lagrimas a tantos dilúvios de Sangue 3 quantos 0 bom • por nofib amor hoje verte. ■ rivér** Diz S. Zeno3 queaquellas vozes/que de tlV£ . e e m braço de Abraham para naó defearregar 0 pdo a Izac foram como hunsfufpiros, que Deos der^.^ -j fe Izac naquelle eftado: folus ‘Deiis doluit : pois v cnào Deos de compadecido não pode deter os fufp ir ’ c 0 rcUs a Izac 3 creatura fua com as prizoens de h llllia trazer fobre feusMiombros a lenha, que creatuc ^ eJlC {o tam obftinada , que poífa deter hoje as lagrimj^ ^ ? fo- a feu Deos trazer , com as prizoens de outras coi ^ pabre feus delicados hombros o duro pezo de hun^ ^ jurera fer facrificado no Monte ? oh abrandefe ja a 11 l0 s ag° za 3 &: fe athegora fomos penhas pello duro f totü. ra fontes pello pranto. v JvM' Com huma vara diz a Efcritura 3 que _. 1 C gor zes huma Cruz cm huma pedra,porque aquelles pes figura foram deíla Cruz , como diz Santo 1 v ^ jogo k) ' DA PAYXAM. 3 ]°go continua o texto dizendo , que fahiram dcífa }^ r a c P p i o ^:ds fontes de Agòa : ejfufafmt àqua fargif- ^: (Scaüi m havia de fer, porq ue fendo aquella ped ra fi- | ^ de Chrifto., 6c os golpes da fua Cruz, claro efià que ^ v U la de Chrifto crucificado , haviam de verter Agoa í^efimas penhas : ejfufe fmt aqv.a largiffima : deixay n j l s [Catholicos] a dureza-,-& fe athegora foíles pe- y ç 5 s P e Uo duro , tornay vos hoje fontes pello pranto, p e y que também hoje as penhas vertem lagrimas , 6c 'que ^ r <“Cem bemeftas fontes de lagrimas neflas penhas. Cohr 1 a 1 P°* s vo ^ os pdios a chorar , que lhe naõ haó de fal- a uinias que ver , 6c qué fentir. Vç Hoje fahe o Galeam bom lefu a navegar pellc* mar de feu Sangue, levando por leme o amor, por Çj. 1 baa paciência , por vellas as penas , por maftrõs a &\h 3 P ° r enxarcea as cordas, por antena a cana , por tol rdete s a purpura , por bandeira o Sudário , por fafop^ re dempç am , 6c por ventos nofias iras , que por o r\? e tt V tanto nefie dia fizeram naufragar ao Galiani em fyis a onde fez agoa por hum cofiado : exivit San- ^ c l 9 ' * Senl a $ tta - Etnpolandofe as ondas de maneyra, que *^° ra CombatlcIa da tempefiade ficou arvore feca: ~ Am y x ^ X t lege: mas tam animoza,que nunca largou o p ipLí:c ^ ' ^coí? U P ltílnia: ft^at lufa Crucem lefu: Gefias fen- i ontuc . 19. ° s í e f t r io fe perdeo, 6c Dimas por a niizericordia dc Dck f e laí v°u: hodie meam cr is m paradifo : nefia tormen- Luc.c. 13,# ~ ~ 1:A ' .Agarraram os Apoftolos, cxcepto o Evangelifta, 24. rrio H a o conhecida: notus Pontifici: fe deixou fi- ^t 0r a P a: amftvs Jyndone : mas ao primeyro' fofibbro Mares. virou com as mais a poupa à tempefiade : w.52. * r 3$ eilm fagierunt : so Pedro como fifcal hia a- Muthj: 16 ao P^ an ia, mas defcuidandofe do leme por aco- Bam : calefaciebat fe : fe vio por tres vezes per- A 2 dido: foan. 13 . n. h Cyril.l. 12 . tn loan.c. 5 1 * Ofear ç, 12 «.14. 4. SERMAM áido t tw ;//è negabis : Iudas fendo Nao mercantil naO podendo ja -com a carga que levava alojoií.a fazenda ao mar: retuht triginta argente os 1 mas como a defcarga nao foy boa , não pôde nunqua tomar porto, 6 e aíli veyb a p e * tecer no cabo : fufpenfus crepuit medio. • x Pois [ fíeis j fe os naufrágios trazem pomílgo & ã ~ timas , quem fe não laílimarà fentido, à vifta de tani n° r ' rendo naufrágio ? delle íahio o bom Iefu tam maltratad^ que pcdio ao Pay puzeííe os olhos na fua aftficçam,p° r ^ era muy forte o feu contrario i.vide Domine affi& oner lç x _ arn > qüoniam erecíns efi mnnicus : cilas faõ as palavras f tolicos ] com que tenho hoje de vos contar a mais laíttp 1 ‘ za tragédia , o mais lamentável fucceífo 3 a mais fangn# ' lenta batalha 3 que o Mundo ja mais vio, pello qne d a )C minhas vozes ouvidos, ôc não negueis o coraçani aos . mentos. Vide Domine afjhtíionem meam , &c< j o Depois que o amor triunfou do bom Jefu p°^ n a qlJ i aospèsdos difcipulos, nao querendo que P aI ?^com o S os feus exccíTos, o obrigou a continuar atíie o pa {Tbu extremos: infinem dilexit eos, 1 6 c aílim do Cc^ cül ^ on de athe o Horto para dar principio ànoílã liberdad^’ comeílbu a noífa ruina : ntibimitinm efiet noftW 11 nbi noftra c<epit(optmtas : diz S. Cyriilo. • \ 0 %o ,» Chegado que foy a eíle lugar o Bom Icí " 11 V 1 OV ãS que a morte aceitando o dezafio, que por boca lhe fizera: o rqorsero mors tua : lhe aprezentava cita _ ^ batalha, valendofe do odio das creaturas para a P ^ aílim armadas todas contra o creador, comefiara niílrar á morte os tormentos, para a crueldade ^y o "fogo lhe oiferecia a ira para a furia, a Agoa ^ raa boca, o ar os fufpiros para a ancia> a feira ^ í0 $ L d DA PAYXAM. 5 j2 7* os, i P ara a Cruz > os Campos os efpartos para as cordas * -tab CS aS canas P ara ama q > as flores os efpinhos para a u^s.minas osmetaes para os cravos, os Montes o x r f r P a ra o Ciplicio, & fínalhiente as pedras as durezas pa* C Coraçoens dos homens , com que fendo o horto hum deputado para delicias, fe vio efta noyte fer para o deft.r L lhumlaí,er ynt° de penas, pois em cada bonina ^°r K ° r ta ^ ie °^ ere ^ i a a m o rte huma magoa,em cada Viv ^ Um tori ^ento, fendo o horto de fua Payxaò o mais ç}^°J e ^ at0 : dolorum omnium illi ohjeãa eft in horto mago : typriau» p- Cypriano. 1 e r ^ a ^ m armada a morte defle modo fe moflrou ao bom hõ re P rez e ntaçam taõ valente , que fendo feu amor Cant:c. 8 . V{ 0 a e ^ado como a morte: fortis eft , vt mors dileãio : fe ?J A - %icl a no Y te com temores: capit pavere , & tadere : fu aa ? fl tal a fua ancia, que pedio ao Pay puzefe os olhos na 4;/^, porque era muy forte o feu contrario : vide *$\x^ ne tffli&ioncm meam quoniam ereffufte inimicns : & ^aC tesde a morte brandir as lanças, fentia o bom Iefu taõ pr a ? s golpes; travandofe dentro nella huma p6leja tçj.j- ® | ue.'-ni,í»- (-i-pc irP7f>c r\ n.-i i que por tres vezes fe vio o Senhor poíto na m f acim f nam - %ef a L e ^ °y [Fieis ] o primeyro combate da peleja,de n ’ ^ ' ^ng Ue 10 ° Penhor tam ferido, que ficou todo banhado em c . U r re ntl ' eftfitdor ejus tanqnam. gutta Sangiiims de - ÍJMa 5 J l n * erra m' • com que receozo o bom Iefu da vic- ) ^^ha'fl ue quis dar as coftas aò inimigo fugindo da O ^ intM ãn fe at * me Cálix ifte : mas vendo que hum An- UTlava ° fer forçozo o dezafio, fe refolveo fahir a h? mad0 ^ eu am 9 r j q i lG em cada combate lhe fe- >o llc ‘ m t r i«mph 0 , & a i limqual outro Antheo fe le- ^ c õ 0 f m i n ovos brios da terra para efperar feu inimigo, eulo de paz o queria entregar nas mãos da morte. Ah Iu- Math.c.zG 12 Tticodoret . SERMAM . t No Templo de Bellona collocaraõ os Antigos hum* tina, 6c diz Theodorefo . mie no remoo da batal _ era d- 8 c ri¬ de còlumna , 6c diz Theodoreto , que no tempo cl para fe conhecer de quem havia de fer a victoria tillo tirar cada capitam com íha Setta à columna íim fe a Setta ficava pregada , era prefagio t oriic° , era evidente pronÇJ ~1 no Parjo'de ida viftoria , Sc fe cahia a Setta < de eílrago. Da mefma forte [ Fieis ] no Pátio 1 de plantou hoje o odio outra columna, & vendofe o ani . em campanha contra ò odio atirou com Chrifto aftw jai.c.49. roza g e t j - a ^ Columna : fofuit mefiçnt Sagitwn e ^^ ein Sc vendo nòs hoje nefta columna pregada eíla Setta > ^ podemos feguramente acclamar por parte do aniot a - dboria: armefe pois o odio quanto puder, que o am° l pre ha de triunfar. Acabado que foy eíte combate, ou para .niem° ^ ^ zer confeguido efte. triunfo fe vio obomjefu c0l ,? a c oílnal de vidforia j mas cuíloulhe gottas de Sangne ' r £( roa, 6c aílim pedio ao Pay os olhos na fua obílinadiífimo o feu contrario: vide Domine meam , &c. Sc aqui comeífa [Fieis] o quatt° c0 ^ q deita peleja j porque náo fatisfeito o odio com ^ e l _ o U teS Jefucom finco mil feridas,que tantos foraó * para Gen. c. 2. «.10. que lhe deram, tratou de lhe abrir o'utras de nóv > * o que teceo huma coroa de efpinhos tam agudos > 1 ^0 oppiniam que affirma fer do comprimento de ’ cada hum , 6c trcfpafíando aqüella r í açrofanta fe viram fahir delia fetenta 6c duas fontes de San? em fio corriam no cham. . m Joí^ - Quatro foram [ Fieis ] as fontes > que as q l]C raizo para regarem aterra,6c fetenta Sc duas - f on teS> fahem defia cabeça 5 6c nem por ferem ran d iffef eü< iV ç deixa de dar efpinhos a terra, mas com hum a a os p^f m que fe no principiodo Mundo naõ paliava a DAPAYXAM. 13 *2"^ j **dam hoje fe vem tam creçidas, que chegam à cabeça vhrifto ? com que parece vemos cumprido na realida- ^ e ° que efte Senhor diífe em Parabula, pois nella affirmou gf 0S efpinhos fufibcaram a femente, que he o verbo de fen?* ^ mn t ftvwbumDei: 6c aílim he [ meu Jefu] pois Luc.c.S mi ■ do vòs de Deos o verbo: verhtmi erat apiid Deum: vejo Joan.c, 1 m V 0 e OSe ipinhos vos íiiffocaõ, mas não importa naó, que t vejamos fuíFocado, para que deixemos de vos divizar ünfante* porque eíles efpinhos 3 que vos fercaõ teílemu- ^íamdevoflbtriunfo. ~* e Saíamaõ fe conta 5 que por timbre *de feii amor tm- ^ e iculp>idas em hum annel duas Coroas , huma de ouro, ^ rí fi ot - r em Co ^ utra de efpinhos 3 que cnlaííados neíTe ouro,fe uniam í ? Uíl<3ut ’ n., 5% letra: viElorm amoris : Pois pergunto: que tem nrm ' ' L e ?!' e f aze ^Zer os efpinhos enlafiados com o ouro para teftemurebus Hat. r n ^ do amor os triunfos ? muyto, porque como no ouuniboliza o foberano, 6c nos efpinhos o penozo, jul-' iaõ que sò então fe moftrava o feu amor triunefpinlio an d° un * a ° ^°^ erano d° ouro com 0 P enozo dos 4u as p b que triunfante vos vejo [ meu Jefu ] quando com ^be ° r ° as vos coníjdero, huma de ouro, que vos cinge a r o l°utras de agudas pontas, que enlaífadas neíTe ou- y os/a “ ~ ~ - 3s cie vln'° rnu damente publicando os triunfos , 6c yittoriamor: ‘viBoria amoris : mas náo importa naó e . Ve -Í anios triunfante, para que deixe de continuar o ^ete D a vez mais cruel, 6c aílim apurandofe no rigor, vos rde na mão. combate da peleja, que deu £a° r ^ e P tro huma cana verde na mão. Syto í°y [ pieis ] o quinto combate da ,- 1 — /^lle oslJ^tif ao bóm Iefu,porqnecomeííaraó a zombar ^do 0 m UcIeos dandolhe com a cana na Çabcça, 6c affronlíl do n 0 íT^ t0 P a ^ a vra J coni 0 que chegou a fer tal a anio b om lcíu q pedio ao Pay puzefle os olhos na Ç fua tf. 2. Gen.c. i. .w/tf a 6. Pfalm. 21 . ^ 7 * Otf. í\ 2. «* 7 > 14 SERMAM . : ^ fua affticçam, porque era muy forte o feu contrario. ^ EommeafjliÈíionem meam , d"C. veíliram huma p l,1 P ll s ra por efcarneo ao Senhor, & aíllm coroado de efpm* 1 como eílava com a cana na maõ 3 como Septro o mou Pilatos^ao Povo, dizendolhes^queja que ooffen^ 1 ^ _ fem refpeitar que era Deos , lhe perdoaífem advertindo e que era homem : Ecce Homo. m Não fe queixe ja o Paralítico dizendo que homem 3 que o cure , porque hoje fe lhe oíferece ? . hum homem Deos : Ecce Homo : naõ diga naõ nes que naõ acha hum homem no mundo, porque fe vee no Mundo hum Deos homem: Ecce • e ah [ meu Iefu ] que fe vos venero por Deos, parece 9 4 ^. vos defeonheço por homem : non eft fpecies, neqM r no principio do Mundo fe empenhou o amor etn 11 ^ mir no homem a femelhança de Deos : facM#*** v e ~ jd imaginem 3 d^ Jimihtudinem nojiram : mas n°-j 0 q -- jo eu, que em contrapoílçam do amor fe empeno dio em tirar de Deos a femelhança de homem : -j%fqíie vermis , d^ homo : mas não importa naõ [ meu Rm deipor mais desfigurado que vos vejamos ; nem P° r xamos de vos conhecer triunfante. ie lhe^ e> Antes de Adam pcccar diz a Efcriptuta q^ ti uit° ra Deos o titulo de homem: fatfus efi hor#o‘- 1 que peccou 5 logo diz, que lhe tirara Deosefte M . poi* dolhe somente o appellido de Adam: tf tf * a  c0$ pergunto 5 fe antes de Adam peccar 5 lhe deu v p € cr tulo de homem : fatfns efi homo : depois que/ ^ Jjjhe ' cou , porque lhe naõ dà eíle mefmo titulo, ecce homo : direi antes de Adam peccar eílava pom 1 * 1 do demonío 3 porque vivia no eflado da tanto que peccou , ficou cativo do denionio no eílado da culpa ? 6c julgou Deos 9 q uc Q w h ° rrJ ' r DA FAYXAM. i 5 ' X 7 $ j >>u l : na õ competiam a Adam, quando cativo, &: venciíenam quando triunfante, Sc vitoriozo, por ifib lhe dif- • *cce Adam : Sc naõ eccc homo. 0 j a cre dito de feu triunfo aceita hoje o íegundo Adaõ l hil° de Eccc Homo: oítentandofe yencedor do demonio ^ os a ^°nos deite titulo, Sc aílim [ meu Iefu ] hoje vos Pell a manios todos por vencedor, Sc triunfante, naõ só k s ^ . t itu lo que hoje lograis vidtoriozo, mas também pel- ^lademas, que hoje poíTuis benemerito. L)e hum Princepe de Aragam fe conta, que fahindo TenuMco i arn p anha levara tres Diademas por empreza na caron f' míh J-' eftaletra que dizia [agrado,y mas triunfo'] ao ^ * 1 (j• e * er vindo as Diademas de explicaçam vinha tudo a £p er 3 .dia de màs agrado , Sc triunfo. Da mefma forte Wp S ^ COn ^^ ero eLl h°j e ao kom j pois o vejo com HUc ^ o roas triunfante * a primeira he a Humanidade, com S° roou fna May: m Didàmate , quó coronavit cum cant.c. r :a % undahea Divindade, que lhe cinge a ca-uai. 5 par a Chrifti Deus : a terceira he de efpinhos, que Ca nip ^ ^nder lhe poz o Odio, & vendo nos hoje em Pode i a ao b° m ^ Ll com tres Diademas coroado, bem <le m a mos Paramente dizer, que eíte foy para elleodia fo. ls a ggrado , porque foy o dia de feu mayor triun- ^ a do^ aS corno temo, Senhor, que o que agora he ag- H e ; V0S ^ a ^pois afílicçam , porque o voflb inimiquoniam eretfus eflmmicus: Sc táo for- *V e nao dizeítindo da empreza, trata sò de vos dar ^ is 5 P arao ; i n e difpoz o Odio, que qual outro Izac ^Ont c 7? h. ei; - ja aos bpmbros. para fer facrificado no S.Ue í C j f °y i., ^ e i s j o fexto combate deita peleja, ;U " l ou ° Senhor ram debilitado de forças , & d iruidoda Cruz, que a napi lhe dar alentos o a- i — C 2 mor, A Aíath. r.p, n. 20, Tob.c.iy. ». 20 . Pftilm. 21. v,ig, Z ' R 'g'C. 6 . ».i6* 16 ^ SERMAM amor, na 5 tivera ja que executar o Odio , porque forao tantas as tiranias, que lhe fizeram , que naó perder a vida no camino foy por querer confeguir o ultimo triunfo n ° Calvario. - Chegado pois, que foy o bom Jefu a efte montei® em algum tempo deftinado para caftigos, agora cheo toa de mifterios, comefiaraõ logo aquelles infernaes mim* to a defpirlhe a Túnica, moítrandofe nefta acçam fe oP 1 nados na tirania , induftriozos na crueldade > ^iuqs defpindo ao Senhor , o moftravaõ innocente aQS 0 . de todos , que o viam defpido, mas houve aqui hum* cúnílancia muyto para magoar, & foy que eílando a ^ nica pegada, a finco mil, &: tantas feridas, que tantas e ^ as chagas, que em feu corpo tinha com tal violência * ^ raram, quo renovandofe os golges, ficou huma chaga .. feu corpo. " ie Ah meu Jefu, que diiferentes íaõ os efoeít° s > em voíTa Tumca vejo, para os que em algum temP p a- “ Ern outro tempo vos tocou huma molher na Tun jL n c^ rafe lha vedar o fangue, mas hoje vejo que vos os homens a runica para vos fazer verter h 111 ^ dem 0 ' langue. Quanto mais compaílivo [ Fieis] r ifto, a mocomlob, do que he hoje o homem còm C o 0* o slob deixou o demonio a pelle para lhe cobrir ob ho je peh me* confumptis carnibus adh*Jít os mtum : pC lÍe vejo que tira o homem aChrifto com o v& í á ° fofr* para lhe contar os ofibs: dmnmeravermt offa 0 %' cO rp° ja Michol de fe queixar dc David apparecer em ^ 0 diante da Arca do Senhor , que hoje o dezemP $doS mefmo Senhor, moftrandofe defpido diante dos ow üomens. . f e ^ Mas quem terá olhos f Fieis] para ver >gir culo? de Samuel diz aEfcriptura, que depois ^til aS DA PAYXAM. 17 ^ aul 5 ntmquamais o tornara a ver : & non viàit Samuel i.Rcg.c i$ wl ttjque inâicm moriisfu a : mas fe advirtirmos no texjacharemos que depois de Saul ungido eíteve diante m ^ amue ^ Profetizando : & prophetavit Satã coram Sapòis como fe compadece eíta implicância de ter- °s ? direi , eítava nefta occaliain diz o texto Saul def- ^ ni P ° fto, &: fem veílidos: expoliavit feSaul veftimentis pMphrtavit coram,Samitele : ah íi, pois ainda que eí- Jn^baul diante de Samuel: coram Samuele : naõ tenha Sale l olhos para o ver: &- non viàit Samuel Saul. ^ Mas ah meu Iefu, que ja naõ ha Samuéis , que vos c 0 ° Ve j am de compafivos, fec só Saus, que vos difpam ^ r 1T1 ° tiranos, & aílim tanto que aquelles infernaes mini- { 0 ° s ^ e fpiram ao Senhor, o comeílaram a pregar na Cruz* a ndo bem altamente as martelladas* com que lhe pregaf ç 0s Cravos * & 6 peyor he , que o Odio induftriozo ^ã(f^ ^ ra ° ma * 5 ^ ava P or err0 com os marte ^ os nas abri S 3 ^ P o r acerto Ilos Cravos 3 fahindo das feridas que fo ycSt ChllVeirosde ^ an B ue 5 e m P ina ^ de que fe o Mundo" Sn l S a d° com hum diluvio de agua , com hum diluvio a t}gue havia de fer hoje remido. q lle ^- lle c oraçam pois [ Fieis ] haverá tam de pedra , em ba ni aíll ^ a Çn ecco o repetido deftesgolpes , pois que can 0 jr C ' da c l ue f° :l 3 h e hüma voz, que nos adverte, que ^iielb % ac 9 oés nam forapi tam foltas , naõYe viraó ahaõ j? S °beranas mãos tam prezas ; Sc fe noffos paífos PéstamA* tam ma * dirigidos na ^ eítiveram aquelles %\ lQo diiramentc cravados. Pello que adverti [ oh Ca- ^ Ue ^ ada P anca da , que ouvis, he hum auxilio ^ f er v 0 s vos dà , Sc fendo tantos os auxilios , que difgra- Gen.fà.n xrc nd \ ^ es day rv ° Uviam os homens as martelladas , Sc nellas a Deos as infpiraçocns, mas porque os homens C 3 efqueci- i8 SERMAM . ■ efquecidos fe defciiidaraõ , por iíTo dcfgraçados perecerão- Figura foy [ Fieis] daquellaarcaefta Cruz, Sc pois nel la ouvimos os eccos, jufto fera, que fintamos nos corais os golpes. Tudo eftava vendo, & ouvindo a Senhora, &' c ° m ° o feu amor era fem medida, foy fem termo a fua mag° a - Exalava [ diz Bernardo ] o coraçam, porque lhe' t oca ^ na alma a dor: ita ui cor , & fpintum exalares P utare li h aílim ao tempo, que o Odio tiranizava o corpo do m feria o amor a alma da May, pello que fendo hum 0 Cl ^ cifieado, eram dous os padecentes , Chrifto na C 5 °l l lhe armou o Odio 5 & Maria na Cruz, que febric 011 ° L.iur.Tufli. mor: pende bat [diz S. Lourenço Iuftiniano J ante 3 P en ^ at ante fikum mater : & nem por as Cruzes ^ rem diverfas, deixou de fer o tormento o mefnio, P° r ^ a . fe igualavam tanto no fentimento eftes dous coraçoe 11 Bcrnar.de lamét. Hir Chrijl. fiQQfie. Ilieron.cimantes, que as penas de hum eram as mefmas penas íevelatcz tr ° 3 como f°Y re velado a fanta Brizida: dolor ej íls ef A ' c J t atc ^ lormeus , q uiacorejuseratcormeum\ , lirn , Tinha o amor feito daquelles dous coraç oenS ^ a fnaò por íizica identidade, mas por aífediva vn iatí1 ’ eX prifim fe uniam tanto para o fentir, que a dor :• mentava o filho no corpo , fentia a May n0 - ç off 0 " qr.od leCioncs [ meu grande Padre S. Hyeroninio J 1 . jifpnâ.Paol, re Chrifti tot vulnera in corde Matris : mas com.® a u o t-i-pag 136 f er ença y diz S. Boaventura, que a cabeça de Chrt } & padeceoosefpinhosj namfentio os cravos, as e fpíos pés que fentiram os cravos, nam padeceram % eC eO nhos, porem o coraçam da Virgem juntamente P. 0 pi- Bonav. in os cravos , Sc fentio os efpinhos , vendofe nel JhmuL. a lado o que no corpo de Chrifto dividido: J^A morís c. dc nera per ejus corpiis fparfa in tuo corde funt umta • pldíhiFirg aventura. A* 1 ‘ - DAPAYXAM. 19 ‘ 2 - 7 * Ah Virgem Sacratiííima: fe na>creaçam do Mundo P° r as aguas fe juntarem cm htfm lugar, lhe chamaraõ por n °me [ Maria j vendo' nós hoje a? aguas fimbolo do tor- ^ento em voíTo coraçam juntas , como vos poremos o noíenaõ chamandouos Maria. Maria vos nomeou o Anjo P° r chea de graça, Maria vos devemos chamar hoje por re- °pdaçam de penas. Creriam [ Fieis ] as dores na May ao paílb, que fe ^ltiplicayam as penas no filho, 6c fobio tanto de ponto ^agoâ j que diz S. Germano, que fe viram lagrimas de Gmhm.re an gue nos olhos da Virgem : fofilacrimanm rivulos fan - l atm ^ nc WMeas quoque lacrymas : Ah olhos divinos, fe de vos cho Al l ino ' ;f?^ e mpre a graça, como agora corre fangue? naõ tenha • CGatholicos que eílranhar o Mundo de ver no dia do ju- :^ c °m fangue a Lua, Sc com Ecclipfes o Sol, porque Í10- * e v ee Maria fermoza Lua banhada toda em langue por ° r dos Ecclypfes do Sol. ^ No Levitico mandava Deos,que lhe offereceífem 3 mas c I ue ficrificaílem so htima, deixando ba- Levtt-c.\\ 7^7 a em fangue a outra! ojferat duos pajferes tinumm- 7; o “- 6 * 7 * ity 1 'fJtibebit , alum aiitem vivrtm tinget infangu me pn ff, cr is íe al'rl * Mo [ Fieis ] que foy ceremonia na lei velha, he W t C no facrihcio da Ley nova. Quis Deos que lhe of- e no Cal vario duas aves 3 a ave Chriíio: C£- lerem, thrc padç me °l Ua fieivem : & a ave Maria, Sc aíllm vemos, que *v e ^morte Chriíio, Sc que fica banhada em fangue a c ^ he fYP°isalmasCatholicasaeíla ave Maria, hute Sa Co m ^grimas piedofas, outras com fufpiros ardení( >s as lagrimas levai crie fangue, Sc com osfufpieílas faces,& quando por impedirvos vos Imcni as dores da Mãy ponde os olhos na Cruz , 6c nivosas penas do filho. Ncíla vereis a Chnílo co- L.^.c.óo, 20 SERMAM ui o Agiiia levantado ao ar, 6c com acerto Águia, por<3 ue fe efta íe veç noar com huma Cruz de azas no ar vemos boje ao bom Jefu com'outra Cruz depenas, 6efedaA* guia affirma Plínio , que vendo que os filhos bçb ^ 1 langue , amante fe fere no peito, §ç íangrada lhe niinilp Plin.de Njt a bebida: m peftore fie ipfiam vidnwat >& fins fiorben0\ tur. AznH mfantibiisfiangumempropinat. Aguiahehòje Chnílo, P 0- is vendo que os filhos lhe dezejam beber ofangue> abre as yeyas, 6c fangrado em todo ò corpo, lhe oíFerece bebida , dizendolhes o que noutra occafiam JufW 0 \ e íe:• fanguinem Citifti , f anguinem bibe : oh homens fl °í ^ me dezejais beber o langue , aqui o tendes bebey 0 > n ^ Q leja como filhos de Aguiapara o remedio, 6c na° ííihos de fera para a crueldade , mas ah impiedade mana ! baila para cativar huma fera em o Norte , 4 ^.^ ecio, moílrarlhe hum braço enfanguentado, 6c naq , q para obrigar ao homem o ver a Chriílo no Calvari 0 ferido. Poisfabe o homem,que naõ fenteChriílo PjJ/yfc Cruz fuas penas, quanto o laílima a tua perdiça 111 > xa: íle como nos tormentos nunca abno a boca pa* 1 ? para te non appermt os fuum : 6c bem ves, que sò agoraL llla ^ ien cia alcançar o perdam : Pater ignofce illis : pode a hja <je calar em os tormentos, 6c não pode a fua piedade 0 falar, vendo o feu precipício, 0 Pello que adverte, oh homem, que poílo>q u golp es: jas na Cruz taó ferido, que tudo em feu corpo w? non eft m eofianitasinem por iíTo deixa de fc moftrat ^ en .. triunfante. Dizem os Mathematicos, que quando ^ eS , tra no figno de Libra, que fe vee huma Serpente a j> ^.14. ) figno de Libra, que fe vee huma Serpente â ^ 6c afiim havia de ícr, porque fendo Chriílp_pq - * e a f ctf$ bra a fua Cruz: ftater af afta corporis : claroefta v^s pès fe havia de ver a Serpente proílrada. ~ Mríí Graças P o, { e } a 0 * fe m , , DA PAYXAM. _ _ 21 ~ r «Mas meu Senhor, ja que do cativeiro 'da Serpente a..,- , lvra ftes , cuítandovos tanto noíTo refgate, que deites ^idaporelie. ni0r ";^ r o . u { Fieis ] o bom Ieíu, mas naò acabou o feu a- Dl l0s 3 u aí ^m depois de morto, permetio que Longuita n í 0 ? 1 a ponta de huma lança lhe abriíTe huma porjoan.c. ig] fe n : . Lancea latas ejus apeniit : para moítrar que 34. port í l llv i° f e íalvou o homem entrando por huma % e ^ í e T ta no lado da Arca: oftitm autem Arca fones ex cen.6.ni6 p 0r ' hoje fe pode também faívar o homem, entrando ftr %w^P° rta Feita no lado de Chriíto: ego fim oftmm , Toan. 10. g 0r 'H il * introierit falvaktw : aíhm que [ Fieis ] fe athemm.g. V er c ^8°s, como Longuinhos, naó tivemos olhos para giijj íena ni sò lanças para ferir , abramos como Lon- 3o^ a ° s os olhos, pondo de £arte as lanças, & trocanc Qr J m ai 'norozas Settas que fe vejam fahir hoje de noílbs g< ens os fufpiros, & de noílbs olhos as lagrimas, la- ^tas |P? ra chorar noífas culpas , fufpiros "para fentir Na Qj.^Pnxas , pois deílas foram cauza nofías culpas. to> ,-4 0 Ve remos ao Redemptor, que como Pay amol ncli n ? n i 0s braílbs abertos nos efpera, & com a cabeça ^dei a nos chama a que vejamos as fuas chagas , Sc em- De°j S as no ^ as vidas. J Vida r f G Ulnia Matrona romana fe conta, que perdendo n , , Gf J>°zo pella defença da Patria o mandara re- 0Uis l * ) o $d] le ^ ° feri ^o em hum quadro, & moftrandoo aos íire £/ a <r^’m a V ertlr 3 c l Ue pUzeírem os olhos no quadro, Sc coxorx.t.z.h ?iilh 0s ^ a c l ue ^ a s fendas fuas obras a ver fe degenerava de Chrift. \^ c ° n fidpr ■ ^ lcite F armtcm& RedemptôrmJdizh a May] pafi j 6c “ te °P era refira. Vede a voílb Pay, Sc Rcdemph a ^ 0r te r p QI ^ cm P or e ^ as feridas voífas obras. Da mef- .Mtr e jA ^ at h°licos ] a Igreja noíla May me manda vos ,c feu Efpozò, 6c noílb Pay eíle retrato para I ^ que