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O impacto da certificação ambiental na internacionalização – um estudo no mercado português

Pinto, Inês Isabel de Sousa

Abstract

As empresas nacionais, particularmente as industriais, têm denotado uma necessidade de adaptação das suas operações na tentativa de corresponderem às exigências dos mercados atuais. Atualmente, com o crescimento das trocas comerciais ao nível internacional decorrentes da globalização, têm-se intensificado as consequências causadas pelas alterações ambientais e climáticas, gerando uma necessidade de transformação de comportamentos individuais e sobretudo os empresariais/industriais. Neste sentido, torna-se essencial a adaptação das práticas de gestão para promover uma atuação mais sustentável, pelo que a certificação ambiental surge como um meio para responder a esta necessidade. A certificação ambiental surge não só como uma forma de melhorar as práticas e impactos ambientais da empresa, mas também como uma forma de sinalizar estas formas de atuar pró-ambientais junto de todas as suas partes interessadas. Assim, a presente dissertação pretende explorar o nível de impacto desta certificação na performance das empresas, com um especial enfoque no comportamento internacional, respondendo a duas questões centrais: (1) No contexto atual, o que motiva as organizações a procurarem a certificação ambiental?” (2) “No acesso a mercados internacionais ou na presença nos mesmos, como é que a certificação ambiental poderá ser uma fonte de vantagem competitiva e de diferenciação?” A revisão da literatura explorou principalmente os impactos operacionais da certificação ambiental, e apresenta conclusões de certo modo contraditórias no impacto internacional. Assim, com este estudo pretendeu-se contribuir para uma melhor compreensão desta realidade, identificando as motivações, o decorrer do processo de implementação e os impactos verificados ao nível operacional e internacional (considerando as indústrias onde pertencem) desta adoção da ISO 14001. Para isto, é desenvolvido um estudo qualitativo e exploratório a oito empresas e cinco entidades de apoio à certificação que tenham obtido a certificação ISO 14001 (no caso das empresas) e que auxiliem os processos de adoção (no caso das entidades) de forma a compreender as suas visões sobre o tema comparativamente. Os resultados demonstram que a certificação ISO 14001 efetivamente surge como um modo de potenciar o comportamento pró-ambiental das empresas, contribuindo para uma melhor gestão dos seus processos em termos de prevenção de poluição e geração de desperdícios, com uma otimização dos recursos, gozando ao nível internacional de fortes benefícios ao nível de imagem, diferenciação e reconhecimento devido ao reconhecimento internacional desta norma ambiental.

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Universidade do Minho Escola de Economia e Gestão Inês Isabel de Sousa Pinto O Impacto da Certificação Ambiental na Internacionalização - Um Estudo no Mercado Português agosto 2023 O Impacto da Certificação Ambiental na Internacionalização – Um Estudo no Mercado Português UMinho | 2023 Inês Isabel de Sousa Pinto julho de 2023 Universidade do Minho Escola de Economia e Gestão Inês Isabel de Sousa Pinto O Impacto da Certificação Ambiental na Internacionalização – Um Estudo no Mercado Português Dissertação de Mestrado Mestrado em Negócios Internacionais Trabalho efetuado sob a orientação da Professora Doutora Ana Maria Soares agosto 2023 Página|ii DIREITOS DE AUTOR E CONDIÇÕES DE UTILIZAÇÃO DO TRABALHO POR TERCEIROS Este é um trabalho académico que pode ser utilizado por terceiros desde que respeitadas as regras e boas práticas internacionalmente aceites, no que concerne aos direitos de autor e direitos conexos. Assim, o presente trabalho pode ser utilizado nos termos previstos na licença abaixo indicada. Caso o utilizador necessite de permissão para poder fazer um uso do trabalho em condições não previstas no licenciamento indicado, deverá contactar o autor, através do RepositóriUM da Universidade do Minho. Licença concedida aos utilizadores deste trabalho Atribuição Não Comercial Sem Derivações CC BY-NC-ND https://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0/ Página|iii AGRADECIMENTOS Após cinco anos de percurso académico, com a conclusão deste estudo chega o momento de realizar uma retrospeção sobre todas as decisões e ações que me levaram até à conclusão desta dissertação. Reconheço que sem o apoio de pessoas extraordinárias a quem me falta palavras que sejam o suficientes para agradecer o apoio e confiança depositadas em mim que me permitiram chegar até aqui. Primeiramente, gostaria de agradecer à Professora Doutora Ana Maria Soares, pelo constante acompanhamento, disponibilidade, preocupação contínua e confiança com que partilhou o seu conhecimento e sugestões tão valiosas para o enriquecimento deste trabalho. A todas as empresas e entidades de apoio entrevistadas gostaria de deixar o meu agradecimento pela disponibilidade e disposição demonstradas na partilha das suas experiências e perspetivas que se demonstraram essenciais para a exequibilidade deste estudo. Aos meus pais, Sara e Luís, e à minha irmã Ana Sofia que foram os meus maiores pilares e os responsáveis pela minha determinação na conclusão deste projeto, depositando o maior apoio, fé e confiança nas minhas capacidades mesmo nos momentos de maior dúvida. À Sofia, à Beatriz, à Melysse, à Cátia e à Mariana que sempre me dão a maior dose de motivação e confiança extra e sugestões essenciais nas alturas de maior necessidade. Por fim, gostaria de agradecer a todas as pessoas que direta ou indiretamente contribuíram de algum modo para a realização e finalização deste projeto, como um dos meus principais objetivos. A Todos, O Meu Grande Obrigada. Página|iv DECLARAÇÃO DE INTEGRIDADE Declaro ter realizado este trabalho académico com integridade. Confirmo que não recorri a plágio ou a qualquer forma de uso indevido de informação ou falsificação de resultados ao longo do processo que conduziu à sua elaboração. Declaro ainda que tomei conhecimento do Código de Conduta Ética da Universidade do Minho. O Impacto da Certificação Ambiental na Internacionalização – Um Estudo no Mercado Português Capítulo 1 Página|5 RESUMO As empresas nacionais, particularmente as industriais, têm denotado uma necessidade de adaptação das suas operações na tentativa de corresponderem às exigências dos mercados atuais. Atualmente, com o crescimento das trocas comerciais ao nível internacional decorrentes da globalização, têm-se intensificado as consequências causadas pelas alterações ambientais e climáticas, gerando uma necessidade de transformação de comportamentos individuais e sobretudo os empresariais/industriais. Neste sentido, torna-se essencial a adaptação das práticas de gestão para promover uma atuação mais sustentável, pelo que a certificação ambiental surge como um meio para responder a esta necessidade. A certificação ambiental surge não só como uma forma de melhorar as práticas e impactos ambientais da empresa, mas também como uma forma de sinalizar estas formas de atuar pró-ambientais junto de todas as suas partes interessadas. Assim, a presente dissertação pretende explorar o nível de impacto desta certificação na performance das empresas, com um especial enfoque no comportamento internacional, respondendo a duas questões centrais: (1) No contexto atual, o que motiva as organizações a procurarem a certificação ambiental?” (2) “No acesso a mercados internacionais ou na presença nos mesmos, como é que a certificação ambiental poderá ser uma fonte de vantagem competitiva e de diferenciação?” A revisão da literatura explorou principalmente os impactos operacionais da certificação ambiental, e apresenta conclusões de certo modo contraditórias no impacto internacional. Assim, com este estudo pretendeu-se contribuir para uma melhor compreensão desta realidade, identificando as motivações, o decorrer do processo de implementação e os impactos verificados ao nível operacional e internacional (considerando as indústrias onde pertencem) desta adoção da ISO 14001. Para isto, é desenvolvido um estudo qualitativo e exploratório a oito empresas e cinco entidades de apoio à certificação que tenham obtido a certificação ISO 14001 (no caso das empresas) e que auxiliem os processos de adoção (no caso das entidades) de forma a compreender as suas visões sobre o tema comparativamente. Os resultados demonstram que a certificação ISO 14001 efetivamente surge como um modo de potenciar o comportamento pró-ambiental das empresas, contribuindo para uma melhor gestão dos seus processos em termos de prevenção de poluição e geração de desperdícios, com uma otimização dos recursos, gozando ao nível internacional de fortes benefícios ao nível de imagem, diferenciação e reconhecimento devido ao reconhecimento internacional desta norma ambiental. Palavras-Chave: Certificação Ambiental, Empresas, Internacionalização, ISO 14001, Responsabilidade Ambiental O Impacto da Certificação Ambiental na Internacionalização – Um Estudo no Mercado Português Capítulo 1 Página|6 ABSTRACT National companies, particularly industrial ones, have shown a need to adapt their operations to meet the demands of today's markets. Currently, with the growth of international trade resulting from globalization, the consequences caused by environmental and climate change have intensified, generating a need to transform individual and especially business/industrial behaviors. In this sense, it is essential to adapt management practices to promote a more sustainable performance, so environmental certification emerges to respond to this need. Environmental certification emerges not only to improve the company's environmental practices and impacts, but also to signal these proenvironmental ways of acting to all its stakeholders. Thus, this dissertation aims to explore the level of impact of this certification on the performance of companies, with a special focus on international behavior, answering two central questions: (1) In the current context, what motivates organizations to seek environmental certification?" (2) "In accessing or being present in international markets, how can environmental certification be a source of competitive advantage and differentiation?". The literature review mainly explored the operational impacts of environmental certification and presents somewhat contradictory conclusions on the international impact. Thus, this study aimed to contribute to a better understanding of this reality, identifying the motivations, the course of the implementation process and the impacts verified at the operational and international level (considering the industries where they belong) of this adoption of ISO 14001. To this end, a qualitative and exploratory study was carried out with nine companies and five certification support organizations that have obtained ISO 14001 certification (in the case of companies) and that assist in the adoption processes (in the case of organizations) to understand their views on the subject comparatively. The results show that ISO 14001 certification effectively emerges to enhance the pro-environmental behavior of companies, contributing to a better management of their processes in terms of pollution prevention and waste generation, with an optimization of resources, enjoying at the international level strong benefits in terms of image, differentiation, and recognition due to the international recognition of this environmental standard. Keywords: Companies, Environmental Certification, Environmental Responsibility, Internationalization, ISO 14001, O Impacto da Certificação Ambiental na Internacionalização – Um Estudo no Mercado Português Capítulo 1 Página|7 ÍNDICE Capítulo 1. Introdução ...................................................................................................................... 11 1.1. Delimitação do Tema ............................................................................................................ 11 1.2. Problema de Investigação e Objetivos .................................................................................... 12 Capítulo 2. Revisão de Literatura ...................................................................................................... 16 2.1. A Exigência por uma Responsabilidade Corporativa ................................................................ 16 2.1.1. Antecedentes para a Mudança ....................................................................................... 18 2.1.2. Pressões dos Stakeholders ............................................................................................. 19 2.3. A Certificação Ambiental Voluntária: ISO 14001 ..................................................................... 35 2.3.1. Motivações para a Implementação ................................................................................. 37 2.3.2. Barreiras à Implementação ............................................................................................ 37 2.3.3. Ativos de Sucesso para a Implementação ....................................................................... 38 2.3.4. Críticas à Implementação ............................................................................................... 38 2.3.5. Impacto da Implementação: ........................................................................................... 43 2.4. Determinantes da Internacionalização das Organizações ........................................................ 47 2.5. A Implementação da Certificação Ambiental e a Internacionalização ...................................... 49 Capítulo 3. Contextualização do Tecido Empresarial Português .......................................................... 52 3.1. Caracterização do Tecido Empresarial ................................................................................... 52 3.2. Internacionalização das Empresas Portuguesas ..................................................................... 55 3.3. Certificação Ambiental ........................................................................................................... 57 Capítulo 4. Metodologia de Investigação ............................................................................................ 59 4.1. Paradigma de Investigação ................................................................................................... 59 4.2. Formulação das Questões e Objetivos de Investigação ........................................................... 60 4.3. Design de Pesquisa ............................................................................................................... 62 4.4. Método de Recolha de Dados - A Entrevista ........................................................................... 63 4.5. Guião de Entrevista ............................................................................................................... 64 4.6. Seleção da Amostra .............................................................................................................. 73 4.7. Realização das Entrevistas..................................................................................................... 76 4.8. Análise de Dados .................................................................................................................. 77 4.9. Fiabilidade e Ética da Investigação ......................................................................................... 78 Capítulo 5. Apresentação de Resultados ........................................................................................... 80 O Impacto da Certificação Ambiental na Internacionalização – Um Estudo no Mercado Português Capítulo 1 Página|14 aplicação ao mercado português serve ainda como uma forma de explorar um mercado fundamentalmente composto por pequenas e médias empresas sendo, portanto, uma região de interesse para analisar esta matéria. Para dar resposta a estas considerações, o estudo pretende responder às seguintes questões de investigação: “No contexto atual, o que motiva as organizações a procurarem a certificação ambiental?” e “No acesso a mercados internacionais ou na presença nos mesmos, como é que a certificação ambiental poderá ser uma fonte de vantagem competitiva e de diferenciação?”. Portanto, neste sentido, surgem os seguintes objetivos: Objetivos Gerais: 1. Contribuir para a compreensão da relação entre a adoção da certificação ambiental e a internacionalização da empresa; 2. Facilitar a compreensão dos benefícios da implementação da certificação, clarificando os seus efeitos na vantagem competitiva e no desempenho internacional da empresa; Objetivos Específicos: 1. Conhecer os fatores motivadores para as empresas portuguesas procurarem a certificação ambiental. 2. Compreender o impacto da certificação ambiental no acesso a mercados internacionais; 3. Compreender de que forma a certificação ambiental é uma vantagem competitiva da empresa ao nível internacional. 1.3. Estrutura da Dissertação A presente dissertação encontra-se estruturada em seis partes. Após esta introdução, apresenta-se a revisão da literatura onde se trata de analisar a investigação científica sobre a exigência atual por práticas sustentáveis, que é representada pelas pressões e exigências que se refletem na atuação das organizações, em termos de impacto, posturas adotadas e ações realizadas pelas mesmas. A partir desta temática, parte-se para caracterização da certificação ISO 14001, assinalando a sua génese, objetivos, adoção e impacto na atuação das organizações, refletindo-se em termos de estratégia, operações e imagem. Ainda nesta fase, aborda-se a internacionalização, caracterizando as suas determinantes nas empresas, dificuldades enfrentadas e impacto no desempenho, procurando incidir sobre a relação entre O Impacto da Certificação Ambiental na Internacionalização – Um Estudo no Mercado Português Capítulo 1 Página|15 o efeito das práticas sustentáveis versus as atividades internacionalizadoras. No segundo capítulo, apresenta-se o tecido empresarial em Portugal com base numa breve coletânea de dados estatísticos, de modo a compreender mais aprofundadamente as características das organizações, a par da internacionalização e, claro, o nível de certificação, que será útil para a posterior definição da amostra. Já na terceira parte, explora-se a metodologia selecionada para esta investigação, descrevendo os métodos de recolha de dados utilizados, bem como os próprios processos de recolha e metodologia de análise a ser adotada. De seguida no quarto capítulo, expõem-se os resultados obtidos organizados de um modo semelhante à estrutura adotada na revisão de literatura, iniciando pela responsabilidade corporativa (impulsionadores, ações e impactos), partindo para a certificação ISO 14001, com as motivações, processo de implementação e impactos, culminando com a internacionalização e relação entre este processo e a certificação ambiental. No quinto capítulo, discutem-se os resultados obtidos a partir da recolha dos dados tendo em conta a revisão de literatura, culminando no sexto capítulo que apresenta as conclusões retiradas da investigação, as suas implicações para a gestão e para o próprio estudo desta temática, abordando as limitações enfrentadas bem como orientações para investigações futuras. O Impacto da Certificação Ambiental na Internacionalização – Um Estudo no Mercado Português Capítulo 2 Página|16 Capítulo 2. Revisão de Literatura Neste capítulo de revisão da literatura apresentam-se algumas considerações e perspetivas sobre a relação entre a sustentabilidade e a postura das empresas neste âmbito. Neste sentido, inicia-se o capítulo abordando-se os fatores de mercado e outros antecedentes de mudança que exigem uma maior responsabilidade corporativa. De seguida, explicita-se alguns dos principais atores que são motores desta mudança, passando-se, posteriormente, para a análise do impacto destes fatores na postura ambiental das empresas. A análise conduz esta revisão de literatura para a abordagem à proatividade ambiental das organizações, incluindo seguidamente a ISO 14001 e todas as suas variáveis de implementação, culminando, por fim, com a internacionalização e a relação entre a certificação ambiental e as atividades internacionalizadoras. 2.1. A Exigência por uma Responsabilidade Corporativa A sustentabilidade é, atualmente, uma problemática de extrema relevância para as organizações e todos os seus stakeholders , sendo cada vez mais reforçada pela globalização, que veio promover o Investimento Direto Estrangeiro (IDE) e a redução de barreiras tarifárias (Christmann & Taylor, 2001), provocando uma crescente integração das redes de abastecimento (Rajesh, 2020). Esta integração gera uma forte interdependência entre regiões e, consequentemente, uma série de efeitos negativos sofridos de forma quase simultânea em diversos locais ao nível global (Panayotou, 2000). Panayotou (2000) argumenta ainda que os benefícios ou adversidades decorrentes deste fenómeno manifestam-se no ambiente dependendo das características das regiões em termos de tecnologia e capital existentes, colocando as áreas em desenvolvimento numa posição precária no sofrimento de consequências nefastas (Phan & Baird, 2015). A agravar esta situação, Christmann & Taylor (2001) defendem que a variação internacional de regulamentações ambientais tem criado os chamados “pollution heavens” , onde as multinacionais tiram partido das legislações menos restritas (especialmente nos países em vias de desenvolvimento) para implementarem as suas atividades mais poluentes sem grandes represálias. Portanto, a ausência de uma estrutura global que assegure um comprometimento das empresas por uma atuação mais responsável, transparente e sustentável, tem promovido o surgimento de movimentos voluntários que colocam uma pressão externa nestas organizações para uma responsabilização das suas ações e, como consequência, um redesenhar das suas práticas (Waddock, 2008). Esta pressão advém essencialmente de autoridades reguladoras, cobertura dos media , da consciencialização das populações, O Impacto da Certificação Ambiental na Internacionalização – Um Estudo no Mercado Português Capítulo 2 Página|17 e da necessidade de melhoria da eficiência das empresas em termos energéticos e ambientais, com vista a reduzir custos (Phan & Baird, 2015; Stern et al., 1999). Para além disto, esta exigência, que tem vindo a ser aprofundada com o passar das décadas e com o aumento da pressão pública (Stern et al., 1999), gera uma série de acusações das quais as organizações têm sido os principais alvos. Estas acusações têm origem nas ações levadas a cabo pelas empresas ao nível social e ambiental, sendo as influências políticas, a erosão de direitos laborais, a incapacidade de responsabilização de ações, o fomento da dependência económica de nações em desenvolvimento, e ainda a destruição de habitats naturais proveniente da poluição desmedida as principais imputações, refletindo-se em todas as cadeias de abastecimento (Waddock, 2008). Assim, na vertente ambiental, as pressões para uma mudança de práticas, e até uma potencial adoção de um sistema de gestão ambiental, podem dividir-se em três categorias: pressões coercivas; pressões miméticas e pressões normativas (Phan & Baird, 2015). As pressões coercivas podem ser definidas como “pressões de natureza formal ou informal exercidas por outras organizações da qual a organização se encontra dependente, ou por expectativas culturais da sociedade onde se insere” (DiMaggio & Powell, 1983 citado por Phan & Baird, 2015, p.47). Estas podem ser refletidas nas exigências por parte de organismos reguladores e governamentais (Phan & Baird, 2015) que, muitas vezes, ao serem obrigatórias, potenciam o seu efeito no processo de implementação (Henriques & Sadorsky, 1996). Já as pressões miméticas, têm que ver com a imitação de práticas de outras organizações, vistas como bem-sucedidas em situações de maior incerteza (Phan & Baird, 2015). Isto pode manifestar-se na imitação de políticas ambientalmente responsáveis de modo a ganhar legitimidade no mercado (Phan & Baird, 2015). Por último, as pressões normativas, refletem-se como uma obrigação social ou do setor de atividade, manifestando-se em regras de conduta com origem, ao nível interno, da pressão para a implementação de condutas responsáveis, e ao nível externo por parte do setor, stakeholders ou clientes (Phan & Baird, 2015). Portanto, perante estas pressões mencionadas, as organizações podem adotar diferentes abordagens em termos de proatividade para ir de encontro a uma maior responsabilidade social corporativa (Henriques & Sadorsky, 1999): a) Não Conformidade: as organizações regulam-se por uma perspetiva de contenção de custos, caracterizando-se por uma falta de iniciativa no cumprimento de standards ambientais (Henriques & Sadorsky, 1999); O Impacto da Certificação Ambiental na Internacionalização – Um Estudo no Mercado Português Capítulo 2 Página|18 b) Conformidade: uma posição reativa, onde a empresa é forçada a implementar mudanças por exigência de organismos reguladores e implicações governamentais. Assume-se que a sua posição ambiental não é uma fonte de vantagem competitiva ou de diferenciação, não se apresentando como uma prioridade nos seus objetivos estratégicos (Henriques & Sadorsky, 1999); c) Conformidade “ Plus ”: a organização já adota uma posição proativa, demonstrando vontade de enveredar e transformar os seus sistemas de gestão numa ótica de mudança ambiental (Henriques & Sadorsky, 1999); d) Excelência Comercial e Ambiental e Liderança de Ponta: também numa perspetiva proativa, enquadram-se as organizações que vêm os sistemas de gestão ambiental como fontes de diferenciação, vantagem competitiva e liderança de mercado (Henriques & Sadorsky, 1999) Neste sentido, perante estas posições face à responsabilidade ambiental, desenvolver-se-á de seguida os fatores que servem como antecedentes para a mudança da responsabilidade corporativa identificados na revisão de literatura: 2.1.1. Antecedentes para a Mudança As organizações, como elementos integrantes de uma sociedade atual complexa, são alvo de forte atenção no que à sustentabilidade diz respeito, devido à sua capacidade de conseguirem combinar a tecnologia, recursos e motivações necessários para equilibrarem os benefícios decorrentes das dimensões económicas, sociais e ambientais das suas ações (Orji, 2019). Este reconhecimento das relações entre estas dimensões a curto e longo prazo com as operações das empresas representa fortes desafios às suas estratégias, que enfatizam a necessidade de compreensão dos fatores de mudança de práticas das organizações (Lozano, 2013). Embora as conclusões científicas não sejam unânimes e claras, argumenta-se que os principais antecedentes de mudança partem, essencialmente, das exigências e pressões dos stakeholders , da própria procura de vantagens competitivas e maior reputação no mercado, e até mesmo, ao nível interno, dominando as perspetivas dos gestores sobre esta questão (Gabzdylova et al., 2009; Lozano, 2013; Orji, 2019). Desta forma, muitas organizações optam por divulgar as suas atividades ambientais, sociais e de governação (ESG) que surgem como uma resposta às lacunas de informação relativas aos impactos sociais e ambientais das organizações que os relatórios financeiros falham em esclarecer (Bernardi & O Impacto da Certificação Ambiental na Internacionalização – Um Estudo no Mercado Português Capítulo 2 Página|19 Stark, 2018). Esta divulgação surge como uma forma de satisfazer as críticas dos vários stakeholders das organizações, dada a sua elevada influência sobre o seu desempenho (Bernardi & Stark, 2018). Com base nisto, as organizações optam por divulgar um relatório integrado onde combinam as suas informações financeiras com as não financeiras (incluindo, portanto, as ESG), permitindo uma maior preparação interna através de uma capacidade mais assertiva na correta alocação dos recursos e uma melhor relação com stakeholders (Landau et al., 2020). Para além disso, ao nível externo, esta prática permite atender aos requisitos dos investidores com dados mais fidedignos em variáveis não financeiras, originando informação mais completa para responder aos reguladores (Landau et al., 2020). 2.1.2. Pressões dos Stakeholders Os stakeholders incluem todos os grupos que serão afetados pelas ações da organização tendo o poder de influenciar a opinião pública, sejam por se localizarem nas áreas próximas, ou pelo interesse nas consequências das operações da organização (Darnall et al., 2010; Henriques & Sadorsky, 1999; Kassinis & Vafeas, 2006; Turcotte, 1995). Tendo em conta que a gestão das relações com os stakeholders primários permite não só uma maximização do lucro, mas também uma potencialização da criação de valor para a organização a longo prazo, a extensão da gestão das relações além do cumprimento dos objetivos financeiros, para o nível da responsabilidade social, pode ser um fator de vantagem competitiva (Hillman & Keim, 2001). Ronalter et. al (2022) argumentam que à medida que as pressões externas se intensificam, determinados stakeholders consideram cada vez mais a posição das organizações relativamente à sua responsabilidade social e ambiental nas suas relações com a organização. Assim, a Teoria dos Stakeholders de Freeman assume uma importância acrescida ao apontar que, para obterem sucesso e atingirem os objetivos a que se propõem, as organizações devem equilibrar os interesses dos seus atores externos com a sua performance social e financeira (Donaldson & Preston, 1995). Neste seguimento, Ronalter et al. (2022) baseados no trabalho de Friedman & Miles (2002), destacam o caráter dinâmico e evolutivo das relações, as influências diferenciadas dos stakeholders nas organizações e a legitimidade e importância atribuída pelas empresas, pelo que que o grau de importância que os gestores dão aos fatores poder, legitimidade e urgência dos stakeholders define a gestão da relação com os mesmos Kassinis & Vafeas (2006). Portanto, de acordo com Friedman & Miles (2002), esta evolução e dinamismo das relações devese a vários fatores que vão desde mudanças de interesses de cada lado, modificação de ideias defendidas O Impacto da Certificação Ambiental na Internacionalização – Um Estudo no Mercado Português Capítulo 2 Página|20 pelas organizações e seus stakeholders , e apoios institucionais. Assim, a mudança de paradigma face à perceção das atitudes ambientais pode significar um ajuste das visões dos stakeholders nas relações já existentes, bem como no estabelecimento de novas (Ronalter et al., 2022). Esta transformação, especialmente no que aos stakeholders diz respeito, advém essencialmente da intensificação das restrições legais, sanções, coimas e custos que se estendem ao longo de toda a cadeia de abastecimento (Rueda-Manzanares et al., 2008). Assim, as empresas que pretendam potenciar a integração com todos os tipos de stakeholders têm de implementar adaptações que encontrem as suas expectativas (RuedaManzanares et al., 2008). Nestas relações das organizações com os seus stakeholders , é seguro afirmar que as áreas de maior impacto serão os seus sistemas de gestão (Poltronieri et al., 2018; Ronalter et al., 2022). Tendo em conta que estes sistemas, mesmo que muitas vezes aplicados de forma informal (Poltronieri et al., 2018), são essenciais para as organizações se guiarem para atingirem os seus objetivos, o seu grau de efetividade de implementação afeta diretamente a relação e o equilíbrio dos interesses da mesma versus os dos seus stakeholders (Ronalter et al., 2022). Assim, atualmente, tendo em conta a necessidade de equilíbrio de expectativas entre todas as partes e a intensificação da competição, as boas relações com stakeholders podem ser fatores de diferenciação (Kassinis & Vafeas, 2006). No entanto, segundo Kassinis e Vafeas (2006), o nível de dependência das organizações é um dos maiores fatores influenciadores das mesmas, pelo que quanto maior a dependência da organização de um stakeholder específico, maior será o seu poder e a sua capacidade de controlar os resultados (Kassinis & Vafeas, 2006). Os stakeholders incluem os externos (onde se incluem consumidores, fornecedores, reguladores, entre outros) e os internos, que incluem os funcionários da organização e os acionistas (Ferrón-Vilchez et al., 2017; Kassinis & Vafeas, 2006). 1. Consumidores: Os consumidores são uma das partes interessadas mais preponderantes para a estratégia de uma organização dado o seu poder através das suas decisões de compra (Collins et al., 2007). Este grupo, através das suas decisões de compra de determinados produtos/serviços, tem a capacidade de influenciar fortemente a direção das ações das organizações ou a mudança de práticas mediante a sua resposta aos esforços das mesmas (Collins et al., 2007). Perante isto, o seu comportamento ambiental é alvo de estudos para tentar compreender a origem das suas decisões de compra. O Impacto da Certificação Ambiental na Internacionalização – Um Estudo no Mercado Português Capítulo 2 Página|21 Gadenne et al. (2011) argumentam que existe uma relação entre as crenças pró-ambientais dos consumidores e a sua reflexão no comportamento de compra. Esta não é, no entanto, uma garantia de que todos os comportamentos pró-ambiente advenham de crenças a seu favor, pois, a visão geral sobre este problema pode não ser suficientemente abrangente para desencadear uma ação proativa. Contudo, à medida que as preocupações ambientais ganham importância, gera um sentido de responsabilidade nos consumidores, na medida em que veem o combate às alterações climáticas como uma problemática comum (Kumar & Ghodeswar, 2015; Ozaki, 2011). Esta responsabilização pode ser analisada da perspetiva do modelo da norma crença-valor, proposto por Stern et al. (1999), baseado no novo paradigma ambiental de Dunlap & van Liere (1978). Este paradigma defende que as atividades humanas, como espécies pertencentes ao planeta Terra, são determinadas não só por fatores sociais e culturais, mas também pela dimensão ambiental, pelo que se encontram fortemente dependentes das condições do ambiente e dos seus recursos. Logo, esta interdependência gera simultaneamente consequências no meio ambiente originadas por estas mesmas atividades (Dunlap & van Liere, 1978; Stern et al., 1999). Nesta premissa, Stern et al. (1999) defendem que a aceitação do novo paradigma ambiental permite um conhecimento das consequências das ações, resultando numa consciencialização das responsabilidades, moldando uma crença pessoal próambiental que traduzir-se-á nas próprias atitudes, sejam estas ativismo e cidadania ambiental, apoio à implementação de políticas e/ou comportamentos da esfera privada. Neste sentido, esta problematização é desenvolvida no modelo atitude-comportamento-contexto, segundo o qual qualquer atitude do consumidor, seja esta ativista (através da integração em grupos próambiente, petições, apoio a mudanças de políticas…), ou de comportamento individual, como por exemplo mudanças de estilo de vida, compra de equipamentos sustentáveis, entre outros, é diretamente impactada por variáveis causais: atitudes, forças contextuais, capacidades pessoais, hábitos e rotinas, informação disponível e sacrifícios (Stern, 2000, 2011). Iniciando pelas atitudes, vários autores consideram que a predisposição geral pró-ambiente, pode influenciar todos os comportamentos que um indivíduo considera serem importantes na área (Bleidorn et al., 2021; Stern, 2000). Consumidores com atitudes pró-ambientais são mais propensos a expressarem preocupações nessa vertente (Bleidorn et al., 2021), afirmarem-se como ambientalistas e suportarem políticas nesse sentido, o que naturalmente se traduz em comportamentos de compra alinhados com esses valores (Thøgersen et al., 2012), e uma maior facilidade para as organizações de dirigirem os seus esforços para esta audiência. O Impacto da Certificação Ambiental na Internacionalização – Um Estudo no Mercado Português Capítulo 2 Página|22 Nesta sequência, Stern (2000) propõe que o comportamento ambiental dos consumidores poderá afetar-se pela perceção do custo-benefício da ação tomada, a par das próprias atitudes não ambientais, essencialmente aquelas ligadas aos atributos do produto (como por exemplo a potência, o luxo, a velocidade) que assumirão um certo grau de prioridade nas decisões. No que respeita às forças contextuais, Stern (2000) aponta: ▪ as influências interpessoais dos consumidores que servem como forças persuasoras ou modeladoras de comportamentos; ▪ as expectativas da comunidade onde o consumidor se insere (Kumar & Ghodeswar, 2015; Stern et al., 1999); ▪ os esforços publicitários, principalmente numa ótica de convencerem os consumidores a evitar perdas em vez de obter ganhos, são relativamente eficazes na adoção de comportamentos verdes (Stern, 2011); ▪ as regulamentações governamentais e legais que potenciam a disseminação de comportamentos sustentáveis por um número maior de regiões e utilizadores (Maki et al., 2016); ▪ incentivos monetários e prevenção de custos que promovem novos comportamentos e reforçam a prática de outros como a reciclagem, a conservação de energia entre outros, muitas vezes vistos como dispendiosos (Maki et al., 2016); ▪ a disponibilidade e capacidade de acesso a infraestruturas e tecnologias ambientalmente sustentáveis (Khansari et al., 2013; Vicente-Molina et al., 2013); ▪ as políticas públicas de apoio (por exemplo, a promoção de medidas para a utilização de transportes públicos) (Khansari et al., 2013) bem como o contexto socioeconómico e político vivido. Estas variáveis de custos e do contexto socioeconómico são desenvolvidas num estudo, dedicado ao investimento em ativos de zero-emissões no período pós-pandémico, onde Stern & Valero (2021) concluem que os preços mais elevados de opções sustentáveis colocam uma barreira aos consumidores com menor poder de compra para a mudança de comportamento, enquanto estas mesmas opções carecem muitas vezes de infraestruturas complementares, pelo que esta limitação é ainda mais forte para as classes mais desfavorecidas. Para além disto, propõe-se ainda o conceito “finite pool of worry” , O Impacto da Certificação Ambiental na Internacionalização – Um Estudo no Mercado Português Capítulo 2 Página|23 segundo o qual a preocupação e priorização dos efeitos das mudanças climáticas são preteridas quando surge uma problemática mais importante, onde Wang (2017) acrescenta que a manutenção dos comportamentos sustentáveis é a fase de maior dificuldade no seu cumprimento, dado que o contexto situacional e os problemas diários são possíveis variáveis que se sobrepõem às preocupações ambientais. Portanto, aplicando à atualidade, um acontecimento como a Guerra na Ucrânia e a subida galopante da inflação colocam estas mesmas preocupações para segundo plano. Vicente-Molina et al. (2013) apontam ainda o nível percebido de eficácia do consumidor – i.e., a medida em que cada um acredita que os seus esforços individuais podem fazer a diferença no ambiente – de forma que um maior nível de perceção de eficácia se traduz em mais comportamentos sustentáveis e vice-versa. Seguidamente, em termos das capacidades pessoais, Stern (2000) argumenta a literacia, status social, recursos financeiros e conhecimento/ skills específicas requeridas para determinadas ações como fatores determinantes de comportamento. Tendo este modelo como base, Mobley et al., (2010) e Meyer (2015) concluem que indivíduos com orientações políticas mais liberais, rendimentos mais estáveis e maiores níveis de educação têm uma maior disponibilidade em sacrificar algum conforto financeiro no sentido de contribuir para um ambiente melhor, devido a uma maior sensibilidade e exposição à problemática, para além de mais meios para a tomada de ações. Esta maior exposição a informação (proveniente dos media ) tem vindo a promover comportamentos proativos através da transmissão e promoção de mensagens pró-ambiente em contextos sociais (Huang, 2016; Stern, 2000). Por último, os hábitos e rotinas apresentam-se como os fatores causais que requerem maior consistência na mudança efetiva de comportamento (Dahlstkand & Biel, 1997). Visto que a criação de um hábito implica uma simplificação e interiorização das ações, tornando-as rápidas, intuitivas e sem a consideração de alternativas, a sua mudança é mais complicada do que apenas uma simples modificação de valores (Dahlstkand & Biel, 1997; Stern, 2000; Wang, 2017). Aliás, no que respeita aos comportamentos ambientais, Dahlstkand & Biel (1997) afirmam que muitos dos comportamentos dos consumidores são influenciados pela praticidade e eficiência, não considerando as consequências ecológicas, pelo que a quebra destes hábitos envolve um reconhecimento das suas consequências e, principalmente, um comprometimento contínuo para uma mudança efetiva. Vários autores consideram que esta consciencialização ambiental exige às empresas uma nova conceção dos seus negócios, com uma maior importância para a dimensão ambiental (Medeiros et al., 2014). Neste sentido, a maior exigência do mercado para que as organizações enveredem por processos de impacto ambiental minimizado, faz com que as empresas compreendam que isto tende a trazer O Impacto da Certificação Ambiental na Internacionalização – Um Estudo no Mercado Português Capítulo 2 Página|30 5. Moldar o futuro: esta última rota implica influenciar a ação dos reguladores e governos. No entanto para ter sucesso, não é tão importante a dimensão propriamente dita da organização, mas a sua capacidade de liderança entre setores, sendo capaz de gerar parcerias entre diversos atores de forma a gerar elevada influência no mercado e na sociedade. Esta estratégia apresenta também um elevado risco devido à grande probabilidade de falha junto dos reguladores, impedindo a conceção de um plano alternativo. Relativamente aos fatores externos, Aragon-Correa et al. (2020) apontam como principais: flexibilidade regulatória; contexto de operação e incerteza. Se uma regulação for flexível e bem desenvolvida, esta melhora a produtividade e o desempenho das organizações numa aplicação efetiva, devido ao facto de serem capazes de aplicar estas exigências ao seu contexto, numa janela de tempo adequada, favorecendo uma implementação real nos processos da organização que vai além do que está definido por obrigação (Majumdar & Marcus, 2001). Na variável de contexto de operação, Aragon-Correa et al. (2020) argumentam a necessidade de uma pesquisa mais aprofundada visto que as conclusões retiradas incidem maioritariamente em indústrias altamente reguladas, como por exemplo a energética, podendo não ser aplicadas a indústrias mais liberalizadas. A existência de bens complementares afirma-se também como um propulsor na implementação das normas devido à maior disponibilidade para usufruto da organização (Aragon-Correa et al., 2020). Já o fator incerteza, não reúne um consenso científico na medida em que existe uma certa dificuldade em compreender se esta incerteza regulamentar se revela ou não como uma barreira à melhoria da performance ambiental (Aragon-Correa et al., 2020; Marcus et al., 2011). Este fenómeno, segundo Marcus et al. (2011) impede os gestores de calcularem os efeitos das implementações das mesmas nas organizações, inibindo a sua capacidade de aliviar a sua pegada ecológica. Esta incerteza regulatória, é amplificada ao nível de questões ambientais devido à complexidade da problemática, os diversos pontos de vista de muitas entidades, e a morosidade de mudança de comportamentos (Marcus et al., 2011). Apesar de anteriormente ter sido explorado o fator das regulamentações, nas quais os governos apresentam uma elevada influência, é também relevante analisar mais aprofundadamente a ação dos Governos noutros campos. A ação governamental pode implicar uma pressão para a transformação de atitudes pró-ambientais através do financiamento para a implementação de novas políticas e processos, bem como em I&D de energias limpas (Herzer, 2022). Além disto, os subsídios governamentais ajudam O Impacto da Certificação Ambiental na Internacionalização – Um Estudo no Mercado Português Capítulo 2 Página|31 na redução dos custos de investimento ambiental, atenuando os seus efeitos financeiros e ajudando na identificação de estratégias ambientais de investimento relevantes (W. Wang & Wang, 2023). Ora esta identificação deve-se essencialmente ao caráter extremamente rigoroso dos Governos na escolha dos beneficiários dos subsídios, pelo que as empresas contempladas com estes apoios beneficiarão de uma maior reputação e garantia de qualidade (W. Wang & Wang, 2023). 6. Internos Nos stakeholders internos das empresas serão considerados os funcionários, gestores e acionistas. 6.1. Funcionários: Todos os funcionários da empresa, sejam parte da administração ou não, assumem uma importância relevante na transformação de práticas para uma maior sustentabilidade (Darnall et al., 2010). Darnall et al. (2010) e Renwick et al. (2013) argumentam que o alinhamento das visões ambientais dos funcionários com os da organização promove a busca por ofertas de emprego nestes locais, além de uma maior probabilidade de manutenção no seu posto de trabalho, levando a uma transferência desta preocupação ambiental das organizações (especialmente das multinacionais) para a fase do recrutamento e seleção de novos talentos, através de um “employer branding” onde demonstram os seus esforços no caminho da sustentabilidade, de modo a tentar alinhar os valores destes com os da organização, captando assim o melhor talento possível. Ademais, na falta de informação mais detalhada sobre a organização, os candidatos olham para a performance ambiental como uma maneira de preverem a posição da empresa e possíveis ações futuras (Renwick et al., 2013). Numa outra ótica, a pressão para uma maior conformidade com práticas ambientalmente conscientes advém do risco a que os funcionários estão expostos no cumprimento da sua função, que são intensificados quando existe uma clara falta de formação ou sensibilização para os perigos - especialmente em indústrias sensíveis a acidentes, levando a que a falta de comprometimento da gestão com esta preocupação ambiental seja um impulsionador de denúncias de não conformidades por parte dos funcionários (Henriques & Sadorsky, 1996, Paillé et al. 2014). Ora, para uma implementação mais efetiva de práticas sustentáveis torna-se assim essencial funcionários com conhecimentos e motivações pró-ambientais e um alinhamento dos valores da organização nessa vertente (Renwick et al., 2013). Nesta perspetiva, a formação, avaliação da performance e recompensas pelo cumprimento de práticas sustentáveis podem ser motores determinantes para a competitividade da organização e o seu cumprimento de standards ambientais Paillé et al. (2014). O Impacto da Certificação Ambiental na Internacionalização – Um Estudo no Mercado Português Capítulo 2 Página|32 A formação desempenha um papel fundamental na estratégia ambiental dado que a consciencialização dos funcionários (a iniciar pelo topo da gestão) (Paillé et al., 2014) para uma atitude sustentável, e o aumento da sua literacia neste campo contribui para uma maior capacidade de identificação de desperdício e pontos de melhoria da estratégia, verificando-se uma gradual diminuição das ações de maior impacto (Russo & Fotus, 1997; Zutshi & Sohal, 2004). No entanto, nesta abordagem à formação, deve considerar-se o modo de transmissão da informação, visto que muitas vezes estes programas de treino são vistos de uma forma cética pelos funcionários devido ao seu excesso de formalidade e pouca praticabilidade (Renwick et al., 2013). A avaliação de performance incide essencialmente sobre incidentes, a atribuição de responsabilidades ambientais e a comunicação das políticas e preocupações nesse aspeto (Renwick et al., 2013). Esta abordagem avalia o nível de implementação das políticas por parte dos gestores bem como os pontos de melhoria, colocando uma pressão para a transformação de práticas, no entanto falha muitas vezes em alargar a sua abrangência a todos os funcionários da organização de forma que as práticas corretas sejam amplificadas e encorajadas (Renwick et al., 2013). Por último, a recompensa e reconhecimento dos funcionários (principalmente a gestores seniores) pela implementação de novas políticas ambientais pode afirmar-se como um propulsor da performance ambiental, visto que além de alinhar a ação dos funcionários com os valores da empresa, motiva-os para reforçar a performance ambiental (Renwick et al., 2013). 6.2. Acionistas Sendo os acionistas um dos principais atores que orientam a ação da organização, é natural que a sua visão seja considerada na tomada de decisão relativa à performance ambiental da empresa (Henriques & Sadorsky, 1996). Villiers et al. (2011) baseados nas conclusões de Dowell, Hart, & Yeung (2000), Hart (1995), Klassen and McLaughlin (1996) e Russo & Fotus (1997), afirmam uma relação positiva entre uma melhor performance ambiental e resultados financeiros positivos, originados por mais vantagens competitivas e melhor valorização no mercado, o que fortalece ainda mais o interesse dos acionistas na performance ambiental. Portanto, as pressões provenientes destes atores advém essencialmente de três grandes fatores: descontentamento com coimas que sancionam a performance ambiental e diminuem lucros; insatisfação com o progresso relativo ao cumprimento das metas ambientais definidas, e dificuldades em angariar novos investidores e capitais para prosseguir com as políticas determinadas (Henriques & Sadorsky, 1996). O Impacto da Certificação Ambiental na Internacionalização – Um Estudo no Mercado Português Capítulo 2 Página|33 Para além disto, devem ser consideradas as visões dos shareholders sobre a priorização da performance ambiental, dado que shareholders socialmente responsáveis veem esta problemática como uma forma de evitarem riscos a longo prazo e de irem ao encontro das expectativas de vários stakeholders , de modo que possam impulsionar a reputação da organização, orientar os gestores no sentido de cumprirem esta estratégia e aumentar o seu lucro (Kordsachia et al., 2022). 2.2. Postura Ambiental das Organizações: Nesta temática aborda-se o impacto que a pressão dos stakeholders exerce na estratégia ambiental das organizações, remetendo para a postura proativa das empresas que culmina com a implementação da norma de certificação ambiental. Após as considerações sobre as pressões exercidas pelos stakeholders , é importante clarificar o impacto que as mesmas exercem na postura e na criação de políticas ambientais das empresas. Para o desenho da performance ambiental, são considerados dois fatores: a sua abrangência e visibilidade (Ferrón-Vilchez et al., 2017). Em termos de “abrangência”, ao considerarem a sua política ambiental, as organizações devem compreender claramente o impacto das suas ações no ambiente onde se inserem, de modo que possam decidir onde incidir os seus maiores esforços. Logo, empresas que considerem uma menor abrangência de variáveis na sua performance ambiental, limitam o grau de impacto que a sua política ambiental terá (Ferrón-Vilchez et al., 2017). Ao nível de “visibilidade”, os autores apontam-na como o grau de exposição da performance ambiental aos stakeholders , que aumentará conforme o maior envolvimento dos mesmos no desenho da performance ambiental, sejam estes stakeholders internos ou externos (Ferrón-Vilchez et al., 2017). Muitas vezes as organizações optam por uma menor visibilidade externa da sua performance ambiental para evitar represálias se o seu programa falhar, enquanto evitam o elevado escrutínio - muitas vezes decorrente de acusações de greenwashing (Lyon & Maxwell, 2011) -, e custos originados da comunicação (Ferrón-Vilchez et al., 2017). Assim, a partir destas considerações, os autores apresentam um modelo que clarifica a abordagem tomada pelas organizações no desenho das suas práticas ambientais. O Impacto da Certificação Ambiental na Internacionalização – Um Estudo no Mercado Português Capítulo 2 Página|34 Portanto, definem-se as quatro categorias abaixo (Tabela 2): “Passivos” ( Passivists ): optam por criar práticas ambientais de menor abrangência, evitando a visibilidade para os stakeholders externos e prescindindo de programas de certificação externos. “Aspirantes” ( Wannabes ): mesmo tendo a capacidade de aumentar a abrangência da sua atuação em termos ambientais, preferem limitar-se a poucas variáveis de impacto. Diferem dos “passivos” pelo facto de comunicarem ao máximo os poucos esforços que tomam. “Operadores de Bastidores” ( Backroom Operators ): aplicam práticas abrangentes aos seus vários impactos ambientais, mas preferem evitar a comunicação externa dos seus esforços, limitando assim a visibilidade dos seus dados relativos a esta performance. “Promotores e Agitadores” ( Movers and Shakers ): além de adotarem uma performance ambiental abrangente, não hesitam em transmitir estas práticas aos seus stakeholders externos. Tabela 2 Classificação do desenho das práticas ambientais das organizações Ferron-Vilchez et al. (2017) concluem que a atitude “Aspirantes” é principalmente seguida por empresas que enfrentam grandes pressões sociais, o que leva os gestores a procurar tornar visível a tomada de alguma ação transformadora. No entanto, esta é uma decisão arriscada, visto que a falta de uma tomada de decisão substancial, pode levar a acusações de greenwashing , gerando um efeito nefasto na credibilidade da organização. Já a atitude “operadores de bastidores”, é mais utilizada por organizações que enfrentam não só pressões sociais, mas também regulatórias e internas, pelo que perante estas exigências, obrigam-nas a tomar atitudes em conformidade com a legislação não sendo, portanto, preponderante a comunicação e visibilidade de uma conformidade obrigatória. Na atitude “Promotores e Agitadores”, para além das pressões já mencionadas, as organizações sofrem também de pressões dos stakeholders da cadeia de valor, tornando necessário não só a elaboração de uma política abrangente, mas também de uma clara comunicação da mesma para a credibilizar. Abrangência de Práticas Baixa Alta Visibilidade de Práticas Baixa Passivos Operadores de Bastidores Alta Aspirantes Promotores e Agitadores Fonte : Ferron-Vilchez et al. (2017, p.3373) O Impacto da Certificação Ambiental na Internacionalização – Um Estudo no Mercado Português Capítulo 2 Página|35 2.3. A Certificação Ambiental Voluntária: ISO 14001 Os sistemas de gestão ambiental permitem às organizações aprimorarem os seus processos no sentido de reduzirem o seu impacto ambiental, através de indicadores de performance, programas de formação, entre outros (Darnall & Kim, 2012). Estes sistemas facilitam o cumprimento com o que é regulamentarmente exigido, além de atuarem preventivamente, tornando a operação das empresas mais eficiente e reduzindo o impacto percebido (Darnall & Kim, 2012). No entanto, apesar dos sistemas de gestão ambiental promoverem melhorias de performance, por si só não as garantem efetivamente, nem o cumprimento dos objetivos definidos (Steger, 2000), dado que simplesmente servem como uma base orientadora para implementar melhorias (Christmann & Taylor, 2001). Portanto, na procura por uma maior credibilização no mercado, a tentativa de obtenção da certificação ambiental, é talvez uma das formas mais comuns de atingir estes mesmos objetivos (Boiral et al., 2018) ao mesmo tempo que sinalizam aos seus stakeholders a sua preocupação com a responsabilidade ambiental (Aravind & Christmann, 2011). Assim, as normas internacionais de certificação, como a ISO 14001, apresentam-se como mecanismos de gestão que orientam a conduta ambiental das empresas à luz das preocupações dos governos em regular o seu desempenho no seio de uma realidade globalizada e interdependente (Aravind & Christmann, 2011), de forma a reduzir os efeitos negativos das suas ações no meio ambiental circundante (Bansal & Bogner, 2002). Ou seja, estes standards devem ser ferramentas para promover a participação das empresas numa melhoria da performance ambiental, fornecendo meios para monitorizar e mecanismos sancionatórios que garantam o cumprimento destas mesmas regras (Aravind & Christmann, 2011). Esta norma foi desenvolvida no sentido de encorajar uma abordagem internacional ao desempenho ambiental mais unificada, reforçando a capacidade das empresas de melhorarem a performance com auditorias e verificações contínuas, bem como melhorando o comércio internacional, ajudando a eliminar as barreiras comerciais (Babakri et al., 2004; Mutingi, 2013). Normalmente, a mesma é associada a iniciativas de melhoria de qualidade, internacionalização e responsabilidade social corporativa, promovendo o seguimento de um sistema de gestão ambiental (Bansal & Hunter, 2003). Neste sentido, a ISO 14001 é descrita como um conjunto de práticas e processos aplicados à realidade das organizações, de modo a auxiliá-las na procura pelo equilíbrio sustentável entre as suas O Impacto da Certificação Ambiental na Internacionalização – Um Estudo no Mercado Português Capítulo 2 Página|36 decisões de gestão, saúde financeira e o impacto ambiental das suas operações (Rino & Salvador, 2017). Ademais, o seu caráter internacional simplifica a avaliação de performance ambiental para todos os stakeholders diminuindo a sua perceção de risco (Morrow & Rondinelli, 2002). O facto de esta ser cimentada numa ótica de melhoria de processos, permite à organização, voluntariamente e adaptada ao seu contexto, implementar procedimentos melhorados de forma gradual sem a ameaça de imposições legais (Bansal & Hunter, 2003; Melynk et al., 2003). Logo, neste processo de certificação, a organização deve, primeiramente, comprometer a sua gestão na adoção de políticas ambientais como um instrumento para atingir objetivos (Bansal & Bogner, 2002; Bansal & Hunter, 2003; Cañón-de-Francia & Garcés-Ayerbe, 2009; Orcos & Palomas, 2019). De seguida, compreender os recursos que deve alocar, identificando todas as atividades, produtos e/ou processos que possam interferir com o ambiente, bem como todas as fontes deficitárias da organização no que respeita ao cumprimento das normas legais e outros requerimentos para, assim, definir os objetivos e alvos de melhoria (Bansal & Bogner, 2002; Bansal & Hunter, 2003; Jiang & Bansal, 2003; Link & Naveh, 2006), implementando responsabilidades na programação de ações que cumpram os objetivos definidos, informando e capacitando todos os funcionários dos novos processos ambientalmente conscientes (Bansal & Hunter, 2003; Ye et al., 2020). Em seguida, a empresa deve ajustar a sua estrutura no sentido de atingir estas metas através da divisão de responsabilidades, formação, documentação e processos de comunicação (Bansal & Hunter, 2003). Por último, a implementação de um sistema de avaliação e melhoria contínua de potenciais erros na aplicação e operação das novas condutas é desejável para uma correta aplicação da norma (Bansal & Hunter, 2003; Jiang & Bansal, 2003). No que respeita à implementação da norma, Boiral (2007) e Heras-Saizarbitoria et al. (2016) acreditam que esta vem fortalecer, para além da maximização da eficiência das operações de gestão, a boa imagem, qualidade e legitimidade da organização junto de todos os seus stakeholders , orientando-a na procura contínua por processos e operações ambientalmente mais conscientes (Jiang & Bansal, 2003). Para além disto, a certificação funciona como um fator decisivo no processo de compra dos consumidores e na própria decisão de negócio de fornecedores, na medida em que os mais sensíveis à dimensão ambiental olham para organizações certificadas como firmas mais responsáveis, transparentes e credíveis (Aravind & Christmann, 2011; Waddock, 2008), podendo estes stakeholders criar expectativas a longo prazo no que respeita aos padrões de performance e lucratividade (Cañón-de-Francia & Ayerbe, 2009). O Impacto da Certificação Ambiental na Internacionalização – Um Estudo no Mercado Português Capítulo 2 Página|37 2.3.1. Motivações para a Implementação Tal como as motivações para a responsabilidade corporativa, também as motivações para a adoção da ISO 14001 podem ser classificadas em motivações internas e externas (Johnstone & Hallberg, 2022). Ao nível interno destaca-se a as visões pró-ambientais da gestão, a procura de uma maior eficiência operacional e um maior comprometimento ambiental da organização (Johnstone & Hallberg, 2022). Já em termos externos, destaca-se as expectativas dos clientes, as exigências do comércio internacional e a legislação ambiental e dos setores industriais como as principais (Johnstone & Hallberg, 2022). As expectativas dos clientes materializam-se fundamentalmente na tomada de consciência ambiental e na preferência por consumir de empresas ambientalmente responsáveis, contribuindo a ISO 14001 para este fomento de reputação e credibilidade (Prajogo et al, 2013; Quazia et al., 2001). Já as exigências do comércio internacional têm que ver com o próprio reconhecimento internacional e ambivalência da norma, sendo as empresas mais capazes de responder às exigências dos mercados externos, facilitando o seu processo internacionalizador (Babakri et al., 2004; Bansal & Hunter, 2003; Mutingi, 2013). Por último, as exigências regulamentares assumem-se como uma motivação preponderante devido ao seu caráter coercivo que influencia de forma clara as estratégias da empresa (Aguilera-Caracuel et al., 2013). 2.3.2. Barreiras à Implementação A norma ISO 14001, como uma parte complexa da transformação dos sistemas de gestão ambiental, apresenta barreiras à sua implementação (Granly & Welo, 2014; Heras & Arana, 2010; Simpson et al., 2004). Arocena et al. (2021) defendem que organizações de larga dimensão são mais capazes de implementar efetivamente as mudanças requeridas pela ISO 14001 dada a posse de mais recursos, maior capacidade financeira e disponibilidade para tal comparativamente às PME. Ao nível de PME, vários autores concluem que a complexidade e falta de conhecimento das regulamentações comprometem a adesão plena a sistemas de gestão ambiental dada a relativização dos impactos que muitas PME atribuem, não vendo ações ambientais como prioritárias (Simpson et al. 2004, Pimenova & van der Vost, 2004), levando a uma posição reativa. Para além disso, a exigência destes standards colocam estas organizações em elevadas dificuldades no acompanhamento dos requisitos destes sistemas, que requerem um esforço além das suas atividades diárias, acabando por não compreender as vantagens que os mesmos podem oferecer (Granly & Welo, 2014, Simpson et al., 2004). Heras & Arana (2010) argumentam que as PME pela sua dimensão e recursos acarretam um maior risco e uma clara deseconomia de escala na implementação de sistemas de gestão ambiental, o que as O Impacto da Certificação Ambiental na Internacionalização – Um Estudo no Mercado Português Capítulo 2 Página|38 leva a acreditar que esta responsabilidade ambiental é um grande esforço financeiro que impacta a sua performance financeira de forma evidente, o que associado às suas estruturas informais levam a que a própria implementação de sistemas de gestão ambiental seja pouco planeada, mesmo que o plano estratégico exista (Loucks et al., 2010). 2.3.3. Ativos de Sucesso para a Implementação A implementação efetiva da ISO 14001 depende de fatores relacionados com o contexto da empresa, como o envolvimento dos funcionários, coordenação e interpretação das estratégias e o próprio estilo e visão da gestão (López-Gamero et al. 2008). López-Gamero et al. (2008), referem que a visão da gestão se materializa fundamentalmente na forma como os gestores visualizam e priorizam o desenvolvimento de estratégias ambientais como um ativo que garantirá um retorno a longo prazo, pelo que esta mesma priorização definirá o esforço colocado na implementação deste tipo de estratégias e o próprio envolvimento de toda a organização nesta adoção. Já os recursos e capacidades pré-existentes, mostram-se relevantes para o sucesso da implementação de sistemas de gestão, mesmo não se assumindo como determinantes para a sua eficácia de adoção, colocando-se as capacidades de liderança, metodologias adotadas, metas da empresa e os próprios recursos humanos como fatores de maior importância (Jabbour & Santos, 2006; López-Gamero et al., 2018). A importância destes recursos humanos aplica-se essencialmente à seleção de funcionários com orientações ambientais, na própria formação dos mesmos para a compreensão e implementação das novas práticas de modo a também identificarem pontos de correção e melhoria, no reconhecimento dos esforços aplicados no cumprimento destes objetivos e na comunicação/trabalho de equipa (Jabbour & Santos, 2006). Este trabalho de equipa será fundamental não só para a comunicação, bem como para a aplicação das novas práticas a todas as áreas da empresa, de modo que o sistema de gestão ambiental esteja difundido a todos os setores (Jabbour & Santos, 2006). Por último, a própria cultura organizacional ajudará a definir o âmbito das mudanças nos projetos de gestão ambiental, o grau de priorização, as recompensas praticadas na empresa e as próprias iniciativas de aprendizagem na aplicação destes sistemas (Jabbour & Santos, 2006). 2.3.4. Críticas à Implementação Apesar do objetivo da ISO 14001 ser melhorar as atividades e performance ambiental das empresas, a implementação de todas as etapas, a par da manutenção do pressuposto de melhoria contínua, gera O Impacto da Certificação Ambiental na Internacionalização – Um Estudo no Mercado Português Capítulo 2 Página|39 conclusões contraditórias na efetiva melhoria da performance ambiental, levando alguns investigadores a questionar a sua relação custo-benefício, devido à falta de estudos conclusivos em grande escala que reconheçam os efeitos positivos da certificação na performance ambiental e financeira (HerasSaizarbitoria et al., 2011). As principais críticas à implementação têm de ver, essencialmente, com o facto de apenas se focar na melhoria de processos, dando uma grande autonomia às organizações de estabelecerem as suas próprias metas, o que pode levar a que mesmo as organizações certificadas continuem a sofrer de pontos de ineficiência que podem comprometer esta sustentabilidade (Curkovic & Sroufe, 2011; Jong et al., 2014). Ademais, esta norma é muitas vezes utilizada para benefícios de reputação, não gerando reais melhorias, pelo que as críticas à relação custo-benefício não são infundadas (Jong et al., 2014). Associado a isto, vários autores apontam a incapacidade de definição de forma concreta das metas em que a performance ambiental é melhorada (Boiral & Henri, 2012; Curkovic & Sroufe, 2011) e os custos elevados para as organizações implementadoras (Barney, 1991, Boiral et al., 2018; Ye et al., 2020), levando a que este processo se torne mais acessível a organizações de maior dimensão e recursos que, devido à sua visibilidade, são alvo de maior pressão dos seus clientes e restantes stakeholders para atingirem standards ambientais mais elevados (Barney, 1991; Castka & Prajogo, 2013; Christmann & Taylor, 2002; Curkovic & Sroufe, 2011; Russo & Fotus, 1997). Assim, nesta decisão de implementação devem ser considerados não só os custos diretos, mas também todos os custos indiretos que rodeiam esta adoção, o que dificulta uma avaliação clara das condições de adesão face à capacidade da organização (Bansal & Bogner, 2002). Portanto, apesar de um bom sistema de gestão ambiental revelar redução de custos e aumento de produtividade/eficiência, muitos investigadores consideram que, em determinados contextos, medidas individuais dentro do sistema de gestão ambiental podem ser bem-sucedidas sem, no entanto, garantirem o sucesso da implementação como um todo (Bansal & Bogner, 2002). Além disto, as fontes de maiores custos resultam da manutenção das melhorias ao longo do tempo e da própria identificação da extensão completa dos impactos ambientais provocados pela organização tanto direta como indiretamente (Bansal & Bogner, 2002). Denota-se ainda o facto de as empresas terem de compreender que a adoção do sistema de gestão ambiental poderá expor riscos ambientais provocados por si o que, inevitavelmente, irá acrescer os custos para a sua resolução considerando o retorno a longo prazo dos investimentos (Bansal & Bogner, 2002). O Impacto da Certificação Ambiental na Internacionalização – Um Estudo no Mercado Português Capítulo 2 Página|46 garante uma melhoria clara de desempenho financeiro e de produtivo, pelo que apenas uma adoção efetiva e contínua com vista a colmatar ineficiências em termos ambientais é que efetivamente garantirá melhores processos produtivos e, consequentemente, melhor desempenho (Nishitani et al., 2012). Perante estas considerações, Boiral (2011), propõe cinco fatores fundamentais para o sucesso efetivo da implementação da ISO 14001: 1. Demonstração de Convicção e Apoio por Parte dos Gestores: Dado a ISO 14001 pressupõe uma abordagem top-down dentro da organização, o comprometimento dos gestores através da priorização deste processo garantirá uma estratégia eficaz que assegure que a implementação da norma não é superficial (Boiral, 2011). 2. Esclarecimento do Propósito da Certificação: O desconhecimento ou falta de clarificação do propósito da certificação junto dos funcionários impacta a sua internalização, visto que a incapacidade de compreensão da sua génese e a incidência nos processos acaba por minar a própria divulgação deste standard internamente, comprometendo a sua eficácia, pelo que esta clarificação é necessária para a definição das funções no processo, e para a compreensão dos benefícios que esta adoção pode ter para o desempenho e condições de trabalho (Boiral, 2011). 3. Mobilização dos Funcionários e do seu Conhecimento: No seguimento do fator acima, a mobilização dos funcionários e a utilização do seu conhecimento tácito na implementação da norma pode ser uma forma de fortalecer o orgulho, a motivação e até uma priorização de determinadas atividades, além de garantir (através do seu conhecimento e experiência) uma adoção adaptada aos processos da empresa (Boiral, 2011). 4. Adaptar o Standard às Condições da Organização e Não o Contrário: A compreensão da realidade dos processos da empresa e suas limitações abre terreno para perceber as formas mais simples de incluir os princípios da norma nestes procedimentos, mantendo a sua praticidade, mas de forma melhorada, de modo que o standard não se torne demasiado burocrático e desconectado da organização (Boiral, 2011). 5. Integrar a certificação nos objetivos fundamentais da organização: A integração da certificação ambiental nos objetivos da organização é um modo de visualizar este O Impacto da Certificação Ambiental na Internacionalização – Um Estudo no Mercado Português Capítulo 2 Página|47 standard não como uma ferramenta externa implementada, mas como uma parte fundamental da organização, conectando a ISO 14001 ao contexto da firma e sua missão/metas, definindo os focos de ação, diminuindo a sua burocratização e expandindo a sua eficácia (Boiral, 2011). 2.4. Determinantes da Internacionalização das Organizações Atualmente, o crescimento da globalização leva a que a internacionalização das organizações (especialmente PME) seja mais do que uma opção estratégica, afirmando-se como um imperativo para a manutenção da competitividade, dominando a exportação como o padrão mais rápido e simples no acesso a novos mercados (Olmos, 2011). A internacionalização, sobretudo em empresas mais jovens e com menores recursos, pode ser uma forma de potenciar a sua legitimidade nos próprios mercados domésticos, possibilitando um maior acesso e mobilização de recursos para o seu crescimento (Sui & Baum, 2014), além de se assumir como uma forma de explorar capacidades tecnológicas, de marketing e até cooperativas (Li et al., 2018). Este processo é uma forma das organizações alavancarem as suas competências dos mercados domésticos para uma escala mais abrangente potenciando a sua quota de mercado e construindo uma rede de operações e contactos diversificada (George et al., 2005). No entanto, na tomada de decisão neste processo, as empresas consideram o nível de investimento e alocação de recursos que estão dispostas a assumir, tendo em conta a minimização do risco e maximização de benefícios aplicados à realidade da organização (Beugelsdijk et al., 2018). Dado o desafio que esta estratégia exige pela necessidade de criação de novas competências, introdução de novos sistemas de controlo e novas tecnologias, destaca-se algumas variáveis que serão fundamentais para o sucesso da internacionalização (George et al., 2005). O conhecimento é visto como fundamental para o sucesso internacional, influenciando todos os custos diretos de expansão e potenciais extras incorridos no mercado de destino, seja por falta de informação da caracterização do mercado, fortes distâncias culturais e sociais e diferenças regulatórias, por exemplo (Sui & Baum, 2014). Assim, a potencialização da internacionalização é fulcral para a aquisição deste conhecimento do mercado de destino e mitigação do risco, exigindo cada vez menos recursos e custos à medida que o conhecimento e experiência são adquiridos, pelo que a expansão para países culturalmente próximos é uma forma de desenvolver capacidades e aproveitar oportunidades, desenvolvendo capacidades intrínsecas à empresa, potenciando o sucesso (Li et al., 2018; Sui & Baum, 2014). O Impacto da Certificação Ambiental na Internacionalização – Um Estudo no Mercado Português Capítulo 2 Página|48 Ao nível de capacidades tecnológicas, são vistas como recursos estratégicos críticos que sustentam a posição competitiva das organizações, tornando-as mais capazes de corresponder às exigências dos ambientes dinâmicos internacionais essencialmente no desempenho em termos de marketing, desenvolvimento de produto e distribuição (Adomako et al., 2022). As próprias capacidades de networking das organizações (particularmente para as PME) assumem uma importância acrescida ao auxiliarem o estabelecimento de estratégias mais eficientes e acederem a um maior volume e diversidade de recursos que, sem estas relações não seria possível (Adomako et al., 2022). Ao nível de recursos, servem como uma base para combater as limitações enfrentadas internacionalmente (Sui & Baum, 2014). Esta disponibilidade auxilia a definição da estratégia de internacionalização a seguir visto que a sua seleção irá definir a alocação destes e a capacidade de resposta a situações inesperadas, pelo que as organizações de maior dimensão acabam por estar em vantagem (Sui & Baum, 2014). A visão dos gestores, embora alvo de vários estudos com conclusões contraditórias, é vista pela maior parte da comunidade científica como um fator relevante na expansão, dado que uma orientação global da sua parte potencia uma propensão e consequente definição de estratégias mais orientadas para o comprometimento com os mercados e suas características e para os consumidores, através de ações proativas e ferramentas de comunicação mais efetivas que, em conclusão, afetarão a definição das estratégias de internacionalização e consequente performance (Nummela et al., 2004). Apesar das vantagens associadas à internacionalização é, no entanto, de destacar as dificuldades que este processo acarreta, nomeadamente ao nível de barreiras regulatórias e aduaneiras impostas pelos governos externos, sejam estas explícitas, como regulamentações alfandegárias, ou implícitas como políticas ambientais que definirão a abrangência e facilidade de entrada no mercado (OECD, 2008, 2009). Além das barreiras regulatórias, é de notar as barreiras processuais associadas ao modo de negócio dos clientes externos, os custos inevitáveis que estão associados ao próprio processo em si que devem ser considerados na tomada de decisão, a par da própria informação disponível sobre o mercado de destino e potenciais concorrentes a enfrentar, além da própria necessidade da empresa de se adaptar ao mercado externo considerando o ambiente onde se insere e as pressões de que poderá ser alvo (OECD, 2008, 2009). Em suma, para o sucesso das atividades internacionalizadoras, a visão baseada nos recursos argumenta que a existência de recursos e processos que sejam inimitáveis, raros e valiosos permitem que a vantagem competitiva seja atingida e, acima de tudo, mantida perante condições inesperadas O Impacto da Certificação Ambiental na Internacionalização – Um Estudo no Mercado Português Capítulo 2 Página|49 (Barney, 1991), pelo que a aposta em novos processos ambientais é uma das formas de atingir esta vantagem (Hart, 1995). 2.5. A Implementação da Certificação Ambiental e a Internacionalização Num ambiente competitivo cada vez mais complexo, não só ao nível de mercado interno como internacional, torna-se extremamente complexo (especialmente para as PME) fazerem face às exigências do comércio internacional (Pacheco et al., 2022). A acrescentar a isto, tem-se questionado os impactos reais ambientais deste próprio comércio, pelo que as certificações internacionais ambientais, poderão afirmar-se como uma forma de colmatar estas críticas através das exigências de cumprimento de determinados requisitos ambientais por vários agentes das cadeias de valor entre os fluxos de exportação e importação (Prakash & Potoski, 2006). Tendo em conta que a ISO 14001 é uma norma internacional, a sua adesão acaba por servir um fim político (Prakash & Potoski, 2006). Os autores argumentam que a conformidade com as exigências regulamentares diferenciadas nos diferentes países, além de serem barreiras não tarifárias, geram custos extra para as organizações pelo que a conformidade com uma norma internacionalmente aceite pode ser uma maneira de combater estas elevadas exigências (Prakash & Potoski, 2006). A associar a este facto, a grande credibilidade destas certificações internacionais é vista como uma forma de sinalizar a fiabilidade e a garantia de qualidade dos sistemas de gestão ambiental a stakeholders externos que não estão familiarizados com os valores e desempenho da organização nestes mercados internacionais (Pacheco et al., 2022; Potoski & Parkash, 2004). Apesar da ISO 14001 providenciar uma nova orientação para os processos, o seu grau de adesão varia entre países devido a fatores domésticos e regulatórios que atuam como forças contextuais modeladoras desta adoção (Potoski & Parkash, 2004). A teoria “California Effect” , segundo a qual, economias onde o volume exportador é altamente dependente das importações de determinado país parceiro, as estratégias de negócio são influenciadas pela visão do importador (Vogel, 1995 citado em Potoski & Parkash,2004), podendo explicar alguns fatores impulsionadores da implementação da ISO 14001 em contexto internacional. Ou seja, se o importador da qual o país exportador é extremamente dependente exigir uma conformidade elevada com a ISO 14001 origina uma forte necessidade de conformidade com esta mesma exigência de modo a manter as relações negociais entre parceiros. Esta ligação é estendida aos próprios cidadãos, dado que em países que apresentam uma maior ligação a organizações ambientais não governamentais verificase um maior grau de certificação (Potoski & Parkash,2004). O Impacto da Certificação Ambiental na Internacionalização – Um Estudo no Mercado Português Capítulo 2 Página|50 Pacheco et al. (2002) acrescentam que organizações (particularmente PME) com certificações ambientais possuem maiores níveis de exportações, destacando o mercado europeu como o maior valorizador destes standards devido às suas elevadas exigências. Para além disto, esta relação ao nível de tecnologia das indústrias, ou seja, em indústrias com baixa ou média tecnologia (e de produtos menos diferenciados) a ISO 14001 apresenta uma maior valorização devido ao caráter diferenciador que confere em mercados altamente competitivos (Pacheco et al., 2022). Em indústrias de alta tecnologia, o facto de já serem extremamente especializadas e exigentes ao nível regulatório e processual, diminui o valor acrescentado da existência destas certificações (Pacheco et al., 2022). Para além do nível de tecnologia, é expectável que em indústrias altamente reguladas, os standards ambientais garantam mais fiabilidade nas operações (Pacheco et al., 2022). Ademais, Potoski & Parkash (2004) apontam a ISO 14001 como um fator importante na imagem corporativa da organização como líder ambiental. Ou seja, a norma pela incisão nos processos, garante uma melhor imagem ao nível corporativo ao invés de ao nível de produto (Potoski & Parkash, 2004). Portanto, em países onde os consumidores valorizam mais a imagem dos produtos comercializados, ao invés da imagem corporativa das organizações, há uma menor tendência à certificação pela ISO 14001, dado que esta incide sobre a reputação da organização. Neste sentido, a ISO 14001 para organizações com limitações no branding e diferenciação dos seus produtos, poderá funcionar como um propulsor da marca (Potoski & Parkash, 2004). Ademais, em países com uma elevada consciência ambiental têm uma maior tendência a promoverem legislações mais abrangentes e ambiciosas, pelo que empresas certificadas pela ISO que atuem nesses mercados conseguem obter mais ganhos, não só pela sua conformidade com as expectativas sociais, mas também através da abertura existente para a cobrança de preços mais elevados junto dos consumidores, bem como uma maior probabilidade de usufruírem de recompensas ou subsídios ambientais dos governos (Arocena et al., 2021). Um outro fator de nota nesta relação tem que ver com a redução das assimetrias de informação (King et al., 2005). Portanto, quando uma organização se internacionaliza para mercados distantes, tanto física como cultural e institucionalmente, há uma transferência de informação menor, menos direta e frequente, dificultando a comprovação da sua credibilidade junto dos seus parceiros (King et al., 2005). Em termos de performance ambiental, a ISO 14001 acaba por servir como um comprovativo de que os sistemas de gestão ambiental são melhorados e apresentam-se em verificação contínua, transmitindo a estes novos parceiros uma maior credibilidade e segurança no estabelecimento e manutenção de parcerias de negócio. O Impacto da Certificação Ambiental na Internacionalização – Um Estudo no Mercado Português Capítulo 2 Página|51 Para além desta questão, a adoção da ISO 14001 em termos internacionais fornecerá vantagens competitivas, maiores retornos, e reforçará a diferenciação quando implementada pelas empresas como early-movers antes de uma homogeneização do mercado, obtendo benefícios através do seu comprometimento com ações sustentáveis previamente aos seus concorrentes, gerando maiores oportunidades de acesso a mercados especialmente sensíveis às problemáticas ambientais (Sua et al., 2015). O Impacto da Certificação Ambiental na Internacionalização – Um Estudo no Mercado Português Capítulo 3 Página|52 Fonte: Banco de Portugal (2022) Capítulo 3. Contextualização do Tecido Empresarial Português Em Portugal, as PME representam a larga fatia do tecido empresarial (Ramos et al., 2013). Segundo a Comissão Europeia (2003), enquadram-se em pequenas e médias empresas, as organizações que possuam menos de duzentos e cinquenta funcionários, a par de um volume de negócios abaixo dos cinquenta milhões de euros (Comissão Europeia, 2003). Portanto, no que respeita às pequenas empresas, a entidade especifica esta génese reduzindo os critérios para menos de cinquenta funcionários e um volume de negócios menor que dez milhões de euros. Por fim, as microempresas, de acordo com esta classificação, possuem menos que dez funcionários e um volume de negócios menor a dois milhões de euros (Comissão Europeia, 2003). 3.1. Caracterização do Tecido Empresarial De acordo com os dados disponibilizados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) e pelo Banco de Portugal, em 2020 em Portugal, estavam registadas 1 301 000 empresas, das quais 493 068 são organizações em nome coletivo (Banco de Portugal, 2022; INE, 2022a), perfazendo um total de 99,7% das organizações classificadas como PME (Gráfico 1). Em termos de volume de negócios, segundo o INE, em 2020, as empresas portuguesas auferiram um total de 371 475 656 337 milhares de milhões de euros (INE, 2022a). Destes valores destacam-se os setores do comércio a retalho/reparação de automóveis, as indústrias transformadoras, a construção, NºEmpresas por dimensão jurídica Microempresas Pequenas Empresas Médias Empresas Grandes Empresas Gráfico 1 Nº de Empresas por dimensão jurídica em Portugal no ano 2020 O Impacto da Certificação Ambiental na Internacionalização – Um Estudo no Mercado Português Capítulo 3 Página|53 Fonte: Adaptado de INE (2022) o setor dos transportes e armazenagem e da eletricidade, gás, vapor, água quente/fria e ar frio como os principais contribuidores. Os volumes de negócios combinados destas cinco indústrias representam cerca de 77% da totalidade auferida pelas empresas portuguesas, reforçando assim o impacto das suas operações na economia nacional (Gráfico 2). Para além desta caracterização, é relevante realizar uma breve configuração em termos geográficos e ao nível de idade das organizações para que se possa auferir não só as regiões com presença mais forte destas empresas, mas também compreender a relação entre a idade e volume de negócios. Segundo os dados fornecidos pelo Banco de Portugal referentes ao ano de 2021, as empresas em formato de sociedade coletiva localizavam-se maioritariamente nas áreas metropolitanas de Lisboa e Porto (Gráfico 3). €0 €50 000 000 000 €100 000 000 000 €150 000 000 000 Construção Comércio por grosso e retalho/Reparação de automóveis Indústrias Transformadoras Eletricidade, gás, vapor, água quente/fria e ar frio Transportes e Armazenagem Volume de Negócios por Indústria Gráfico 2 Cinco Indústrias com os maiores volumes de negócio (milhares de milhões de €) em Portugal no ano de 2020 O Impacto da Certificação Ambiental na Internacionalização – Um Estudo no Mercado Português Capítulo 3 Página|54 Fonte: Banco de Portugal (2022) Fonte: Banco de Portugal (2022) Em termos de idade, as empresas portuguesas, apresentam uma distribuição relativamente equilibrada nos quatro quartis considerados (Até 5 anos; 6-10 anos, 11-20 anos, Mais de 20 anos) com uma ligeira dominância do quartil “Até 5 anos” com cerca de 185 975 empresas. No entanto, visto que os restantes quartis com anos mais elevados apresentam percentagens próximas, é seguro aferir que o tecido empresarial português é constituído por empresas com alguma experiência de mercado. Esta análise poderá ser de certa forma limitadora, dado que os dados excluem as empresas unipessoais que representam também uma fração significativa do tecido empresarial português (Gráfico 4). 0,00% 5,00% 10,00% 15,00% 20,00% 25,00% 30,00% 35,00% Área Metropolitana Lisboa Área Metropolitana Porto Algarve Cávado Ave Regiões com o maior número de empresas Gráfico 3 Regiões em Portugal com o maior número de empresas (%) em 2021 (NUT III) Número de Empresas por Idade Até 5 anos De 6 a 10 anos De 11 a 20 anos Mais de 20 anos Gráfico 4 Nº de Empresas por Idade em Portugal no ano 2021 O Impacto da Certificação Ambiental na Internacionalização – Um Estudo no Mercado Português Capítulo 3 Página|55 Fonte: Banco de Portugal (2022) Já em volume de negócios, verifica-se uma relação proporcional entre idade e volume de negócios, representado por uma tendência de crescimento direta entre idades mais elevadas e volumes de negócios mais altos (Gráfico 5). Numa primeira análise, os Gráficos 4 e 5 apresentados aparentam revelar dados contraditórios, pelo facto de dominarem em número as empresas de faixas etárias mais jovens, nomeadamente o quartil “até 5 anos”, mas em termos de volume de negócios, destacar-se o quartil “Mais de 20 anos”. Isto devese essencialmente à experiência e presença estabelecida no mercado que, por conseguinte, justifica os elevados valores auferidos que compensam o número menor de organizações existentes. 3.2. Internacionalização das Empresas Portuguesas Na área da Internacionalização, segundo os mais recentes dados disponibilizados pelo INE, em 2022, nos meses de janeiro a agosto registam-se os seguintes fluxos monetários de bens (INE, 2022b) com as importações em valores de cerca de 73 000 000 000€ e as exportações com cerca de 52 000 000 000€, verificando-se um certo desequilíbrio da balança comercial com um claro domínio das importações de bens, acerbando a dependência externa nacional (Gráfico 6). Volume de Negócios por Idade das Empresas Até 5 anos De 6 a 10 anos De 11 a 20 anos Mais de 20 anos Gráfico 5 Volume de Negócios por Idade das Organizações em 2021 (%) O Impacto da Certificação Ambiental na Internacionalização – Um Estudo no Mercado Português Capítulo 4 Página|62 3) Determinar de que forma os stakeholders das organizações impactam as decisões ecológicas tomadas; 4) Compreender os efeitos das estratégias sustentáveis na performance e operacionalização das organizações; 5) Determinar os principais impulsionadores da adoção da certificação ambiental; 6) Compreender a extensão do impacto que a certificação ambiental apresenta na performance internacional das organizações. 4.3. Design de Pesquisa Na realização de um estudo empírico, é fundamental estabelecer o desenho da investigação de modo a orientar e facilitar a sua realização (Creswell, 2007). Yin (2003) argumenta que o desenho da investigação pode ser definido como a “elaboração de um plano lógico e sequencial que permita ao investigador conectar os dados recolhidos com as questões iniciais propostas” (p.20-21). Perante a ausência de unanimidade de conclusões científicas e a própria falta de informação sobre o contexto nacional, Creswell (2009) defende que nestas situações é relevante realizar um estudo de caráter exploratório, devido à necessidade de compreensão mais aprofundada deste fenómeno, e pelo facto de não existir pesquisa aplicada à amostra em específico, nomeadamente às empresas portuguesas. Este tipo de estudos caracteriza-se pelo foco na exploração inicial de dados de modo a identificar padrões, compreender profundamente as questões em estudo e retirar conclusões quando o tópico é, de certa forma, desconhecido (Malhotra et al., 2017). Devido ao caráter exploratório da pesquisa, e tendo este estudo como objetivos principais a compreensão da motivação das empresas portuguesas para a procura da certificação, bem como a análise do seu impacto na presença nos mercados internacionais, orienta esta investigação para um método de pesquisa qualitativo, com um método de recolha de dados através de entrevistas. Esta orientação qualitativa aplica-se pelo facto de se procurar compreender profundamente o fenómeno em questão com a obtenção de informação através dos pontos de vista dos participantes (neste caso os gestores das organizações), permitindo conclusões mais ricas do que seria expectável em métodos quantitativos (Snape & Spencer, 2003). O Impacto da Certificação Ambiental na Internacionalização – Um Estudo no Mercado Português Capítulo 4 Página|63 4.4. Método de Recolha de Dados - A Entrevista A entrevista é vista por Lune & Berg (2017) como “uma conversa com um propósito” (p.65). Este formato de recolha de dados permite um aprofundamento do conhecimento junto da comunidade em estudo (Bray, 2008) através do acesso às perspetivas, opiniões, valores e atitudes dos intervenientes sobre o objeto de investigação (Lune & Berg, 2017; Saldana, 2011). Embora a extrapolação dos dados obtidos neste estudo para uma generalização (Adams et al., 2007) seja complexa devido à longa duração e impossibilidade de realização de entrevistas em grande escala, a qualidade e riqueza da informação obtida (Saldana, 2011) através deste método poderá ser essencial para a compreensão aprofundada do problema de investigação em questão, especialmente tendo em conta o seu caráter exploratório (Haenssgen, 2020). Este estudo, numa fase inicial, tinha em vista a realização de entrevistas semiestruturadas através de videoconferências onde pudesse ser explorada a temática mais aprofundadamente. A abordagem semiestruturada permite manter o caráter conversacional da recolha dos dados através de uma maior liberdade concedida aos inquiridos para responderem de forma livre e idiossincrática com o entrevistador detendo, mesmo assim, um controlo subtil sobre a direção da entrevista (Walle, 2015). Esta flexibilidade e dinamismo é conseguida através de um número de questões e tópicos prédeterminados podendo, se necessário, alterar a ordem das questões e ir até além do que está prédefinido mediante a informação fornecida pelo entrevistado (Lune & Berg, 2017). Isto permite um maior foco em tópicos que possam surgir no decurso da entrevista e que possam representar um caráter fundamental para o alvo do estudo (Haenssgen, 2020). As entrevistas estruturadas são muito utilizadas quando as mesmas são realizadas em diferentes contextos (Lune & Berg, 2017), pelo que neste caso em específico, a adaptação dos tópicos utilizados na abordagem semiestruturada foi necessária de modo a obter a informação mais aprofundada possível, considerando as condições em que a recolha de dados foi efetuada. Esta abordagem estruturada é capaz de fornecer dados mais concretos e precisos para a chegada de conclusões (Walle, 2015) pelo que a adaptação teve em conta uma maior clarificação e simplificação dos tópicos de modo a possibilitar uma compreensão semelhante a todos os entrevistados (Lune & Berg, 2017). No entanto, apesar da necessidade de uniformização do guião de entrevista, o mesmo foi concebido num modo de resposta aberta de forma a garantir uma maior expansão dos dados obtidos (Haenssgen, 2020). Neste seguimento apresenta-se na Tabela 4, a estruturação do desenvolvimento das entrevistas O Impacto da Certificação Ambiental na Internacionalização – Um Estudo no Mercado Português Capítulo 4 Página|64 dividida em seis momentos. O primeiro momento é uma fase de apresentação dos intervenientes e dos objetivos pretendidos para a realização da entrevista, solicitando autorização de gravação. De seguida aborda-se a adoção de uma postura sustentável onde se procura compreender as motivações, impulsionadores e efeitos da tomada de práticas sustentáveis nas empresas. No terceiro momento, apresentam-se uma série de questões relacionadas à ISO 14001 que passam pelas motivações de adoção, análise do processo de certificação e seu impacto. Neste seguimento, na quarta fase parte-se para o processo de internacionalização e sua relação com a própria certificação ambiental, culminando com a quinta e sexta fases onde se conclui a entrevista, questionando ao inquirido se pretende acrescentar mais informações aos dados já fornecidos, agradecendo-se a colaboração e confirmando-se a autorização de transcrição e envio das conclusões (Tabela 4). Tabela 4 Estruturação do Processo de Entrevista FASE META 1ªFASE Apresentação da Entrevista e dos Intervenientes Clarificação do Propósito e Questões Éticas - Explicitar o objetivo da entrevista - Conhecer o entrevistado - Enquadrar o entrevistado na temática da investigação - Solicitar autorização para transcrição 2ª FASE Abordar a Adoção de uma Postura Sustentável - Compreender as motivações para a adoção de medidas sustentáveis - Identificar os propulsores para a tomada dessas ações - Compreender os efeitos das decisões na organização 3ªFASE Abordar a Certificação ISO 14001 - Identificar as motivações para a adoção da ISO 14001 - Analisar o processo de certificação e as suas idiossincrasias - Compreender o impacto da norma na performance 4ªFASE Compreender o Processo de Internacionalização e a sua Relação com a ISO 14001 - Analisar o processo de internacionalização tomado pela empresa e as suas vantagens - Compreender o impacto da ISO 14001 na performance internacional 5ªFASE Considerações Finais - Finalizar a entrevista - Questionar se deseja acrescentar algumas informações aos dados fornecidos bem como se apresenta alguma dúvida 6ª FASE Agradecimentos e Confirmação de Transcrição de Entrevista - Agradecer a colaboração na entrevista - Confirmar autorização de transcrição e posterior envio de conclusões da investigação 4.5. Guião de Entrevista Foi preparado um guião de entrevista partindo, numa fase inicial, do mapeamento de temáticas fundamentais para o tópico em investigação (Lune & Berg, 2017). Seguidamente, detalhou-se as O Impacto da Certificação Ambiental na Internacionalização – Um Estudo no Mercado Português Capítulo 4 Página|65 temáticas gerais em subtemáticas para elaborar de questões relevantes que agrupassem as variáveis necessárias capazes de responder às questões de pesquisa (Lune & Berg, 2017). De forma a garantir uma correta adequação do guião utilizado, efetuaram-se testes através da análise da ordenação das perguntas e temas do guião, bem como através da avaliação da recetividade de inquéritos enviados, de modo a perceber onde a clarificação das questões poderia ser melhorada. A partir das respostas fornecidas por um dos possíveis participantes e, devido à simplicidade dos dados obtidos, possibilitou o desenvolvimento das questões de maneira a exigir respostas mais extensas, seja através de videoconferência ou de inquérito escrito. Na Tabela 5 apresentam-se, portanto, as direções tomadas para a conceptualização das entrevistas considerando os objetivos específicos a atingir e as temáticas a abordar. Tabela 5 Conceptualização da estruturação do guião da entrevista equilibrando objetivos a atingir e tópicos a serem abordados OBJETIVOS TÓPICOS DE ENTREVISTA - Compreender as motivações que originaram a necessidade da tomada de ações; - Identificar as exigências de mercado que influenciam as estratégias ambientais - Determinar de que forma os stakeholders das organizações influenciam as decisões ecológicas; - Exigências de mercado - Pressões de stakeholders - Impacto de pressões externas na postura ambiental - Compreender as motivações que originaram a necessidade da tomada de ações; - Compreender os efeitos das estratégias sustentáveis na performance e operacionalização das organizações: - Motivações - Resultados - Determinar os principais impulsionadores da adoção da certificação ambiental - Estimar os custos, obstáculos e impactos da adoção da certificação nas organizações; - Impulsionadores de implementação - Promotores - Barreiras de Implementação - Custos de Implementação - Impacto da Implementação - Avaliar a presença das organizações nos mercados internacionais em termos de antecedentes, vantagens, dificuldades sentidas no processo; - Antecedentes - Impulsionadores - Dificuldades - Presença Internacional - Compreender a extensão do impacto que a certificação ambiental apresenta na performance internacional das organizações. - Exigência - Impacto - Vantagem Competitiva O Impacto da Certificação Ambiental na Internacionalização – Um Estudo no Mercado Português Capítulo 4 Página|66 Ao nível de sequenciação das questões, em todas as entrevistas optou-se por iniciar a conversa com questões demográficas relativas ao entrevistado e à organização onde trabalha, de modo a estabelecer uma ligação entre os intervenientes, eliminando desconfortos e inserindo o entrevistado no contexto da conversação (Lune & Berg, 2017). Neste seguimento, demonstra-se na Tabela 6, o guião-base utilizado nas empresas inquiridas neste estudo. Tabela 6 Guião de Entrevista para as Empresas Inquiridas FASE QUESTÕES Introdução Boa tarde/Bom dia, Desde já gostaria de agradecer a sua participação neste estudo. Antes de começarmos, gostaria de contextualizar um pouco o âmbito desta investigação. Esta pesquisa tem como objetivos: ▪ Compreender as motivações das organizações na adoção e uma postura sustentável e na certificação ISO 14001 ▪ Analisar o impacto da ISO 14001 na performance das organizações ▪ Avaliar as consequências da ISO 14001 na presença internacional das organizações Tomei a liberdade de lhe enviar, previamente à realização desta entrevista, um guião com alguns tópicos que pretendo abordar ao longo desta nossa conversa, que espero que possam ter sido úteis para a sua preparação e mesmo para nos guiarmos. Isto serve apenas como base, pelo que podemos ajustar à medida que a nossa conversa vai fluindo. Sendo assim, antes de iniciar a entrevista gostaria de lhe questionar se poderia efetuar a gravação desta chamada de modo a proceder à sua posterior transcrição. Toda esta informação será utilizada para fins académicos, pelo que a sua confidencialidade está garantida. 1: Apresentação do entrevistado e da empresa 1. Poderia especificar algumas informações demográficas sobre si e a empresa onde trabalha? 2. Conseguiria abordar um pouco sobre o seu percurso na empresa e as funções que ocupa atualmente? 2: Abordar a adoção de postura sustentável 3. Quais foram algumas das ações sustentáveis implementadas pela vossa organização nestes últimos anos? 4. Consegue especificar quais foram as principais motivações para a adoção desta postura sustentável? 5. Considera que os stakeholders da vossa empresa apresentaram algum papel na tomada desta vossa posição? 6. As regulamentações e legislações assumiram alguma influência na necessidade de tomada de medidas viradas para a sustentabilidade, para uma maior conformidade? 3: ISO 14001 e o seu papel na organização 7. Há quanto tempo a (nome da empresa) possui esta certificação? 8. Quais foram as motivações para a escolha desta certificação face a outros certificados existentes? 9. A perspetiva de diminuição de custos, funcionou como motivação principal à adesão a esta norma? Ou por outro lado acha que a potenciais vantagens competitivas que a norma poderá fornecer representam um peso maior nesta motivação? 10. Ao nível externo considera-se que a procura de imitação de práticas sustentáveis de outros concorrentes e a melhoria da reputação da empresa são fatores fundamentais na O Impacto da Certificação Ambiental na Internacionalização – Um Estudo no Mercado Português Capítulo 4 Página|67 procura da adesão à ISO 14001. Considera que no caso desta empresa estas foram fortes motivações? 11. Qual pensa ter sido o papel da ISO 9001 na facilitação da implementação das mudanças necessárias para a adesão à ISO 14001? 12. Qual considera a importância do papel dos gestores na implementação real desta norma para o seu sucesso? 13. Consegue especificar os principais obstáculos enfrentados no processo de adesão? 14. Na sua perspetiva, qual a fase de maior impacto ao nível financeiro, neste processo de implementação? 15. Consegue identificar alguma desvantagem da adesão da ISO 14001 para a empresa? 16. Qual considera o papel dos apoios governamentais e comunitários na adesão à ISO 14001 e até mesmo na própria procura da sustentabilidade das empresas? 17.Consegue identificar alguma diferença de performance da empresa pós-certificação ISO 14001? 18. Na sua perspetiva quais os principais ativos desta empresa que garantem o sucesso da implementação da ISO 14001? 4: Internacionalização e relação entre a certificação ISO 14001 neste processo 19. A (nome da empresa) encontra-se em quais mercados externos e de que forma? 20. Quais considera serem as principais vantagens verificadas na internacionalização? 21. Por outro lado, na sua perspetiva quais são os principais obstáculos sentidos neste processo? 22. Na sua opinião, quais são as principais vantagens que a certificação ambiental garantiu na presença internacional? 23. Esta foi uma exigência dos clientes externos? 24. Na sua opinião qual o caráter diferenciador que esta norma fornece face a concorrentes externos? Para as entidades de apoio às empresas utilizou-se a mesma estrutura-base, com uma apresentação semelhante. Diferencia-se do guião acima apresentando por adotar uma orientação mais virada para uma perceção externa não só da evolução dos pedidos de certificação ao longo dos anos, mas também para uma visão sobre motivações e impactos verificados junto das empresas da adoção de posturas sustentáveis e da certificação ambiental (Tabela 7). Tabela 7 Guião de Entrevista para as Entidades de Apoio FASE QUESTÕES 1: Apresentação do entrevistado e da organização 1. Poderia especificar algumas informações demográficas sobre si e a organização onde trabalha? 2. Conseguiria abordar um pouco sobre o seu percurso na empresa e as funções que ocupa atualmente? 2: Avaliação da evolução da certificação ISO 14001 em Portugal 3. Como entidade de apoio à certificação, como caracteriza a evolução dos pedidos de certificação pela ISO 14001 nos últimos anos por parte das organizações? 4. Geralmente, a maior parte das empresas certificadas pela ISO 14001 são de grande dimensão. Denota algum crescimento nos pedidos de adesão por parte das PME? O Impacto da Certificação Ambiental na Internacionalização – Um Estudo no Mercado Português Capítulo 4 Página|68 3: Avaliar a adoção de uma postura sustentável 5. Quais verifica que têm sido as principais motivações por parte das organizações para a adoção de uma postura sustentável? 6. Sente alguma pressão externa junto das organizações que as levem a implementarem a ISO 14001? 7. Acredita que as regulamentações mais restritas assumem um papel persuasor para as empresas na tomada de medidas sustentáveis para atuarem em maior conformidade? 4: ISO 14001 e o seu papel na organização 8. Considera que organizações previamente certificadas com a ISO 9001, mostram maior facilidade na implementação das mudanças necessárias para a adesão à ISO 14001? 9. Poderia especificar quais os principais obstáculos (ou etapas) que denotaram nas organizações nos seus processos de adesão? 10. O processo de implementação da ISO 14001, é considerado uma forte fonte de custos. Acredita que este poderá ser um forte entrave a mais pedidos de adesão por parte das PME? 11. Verifica mais entraves na adesão por parte das PME? 12. Qual considera a fase de maior impacto ao nível financeiro (ou a fase que representa maior dificuldade), neste processo de implementação? 13. Acredita que os apoios governamentais/comunitários representam uma grande força promotora para a adesão à ISO 14001, e outras medidas ambientais nas empresas? 14. Considera que a proatividade dos gestores no processo de implementação influencia a real adesão às mudanças inerentes? 15. Quais pensa que são os principais ativos necessários nas organizações que garantam o sucesso da implementação da ISO 14001? 16. Na sua perspetiva quais são as principais desvantagens que a adesão à ISO 14001 acarreta para as empresas? 17. Após a certificação pela ISO 14001 sente diferenças na performance das organizações face ao período pré-certificação? 18. Denota dificuldades na manutenção dos certificados por parte das organizações ao longo dos anos? Se sim, quais considera que são os fatores que impedem a renovação da certificação? 5: Internacionalização e relação entre a certificação ISO 14001 neste processo 19. Grande parte das organizações que procuram o apoio apresentam presença internacional (EU ou extracomunitário)? 20. Poderia especificar as principais vantagens identificadas que a ISO 14001 garantiu na presença internacional? 21. Sente que a exigência dos mercados externos poderá ser um propulsor para esta procura? 22. Muitas organizações procuram a ISO 14001 para melhorarem a sua imagem internacional, imitando práticas de concorrentes. Já verificaram estas situações nas organizações que procuram a adesão? A conceção do guião das entrevistas teve em conta toda a revisão bibliográfica consultada e abordada ao longo deste estudo. A partir dos dados nela referenciados, considerou-se as direções de investigação tomadas para que as questões de elaboração própria se enquadrassem de um modo mais claro ao propósito desta investigação. Para além disto, as questões foram elaboradas de modo que possibilitassem a confirmação e possível expansão das conclusões retiradas da literatura científica. O Impacto da Certificação Ambiental na Internacionalização – Um Estudo no Mercado Português Capítulo 4 Página|69 Portanto, na Tabela 8, apresenta-se a estruturação da entrevista seguindo a mesma organização demonstrada no guião, onde se delimita as questões que abordam estas mesmas temáticas, os autores consultados e as suas conclusões, de modo que as questões pudessem facilitar a comprovação, refutação ou a adição de novos elementos a cada tema. O Impacto da Certificação Ambiental na Internacionalização – Um Estudo no Mercado Português Capítulo 4 Página|70 Tabela 8 Estruturação do Guião a partir da Revisão de Literatura TEMÁTICA TÓPICO QUESTÕES DE ENTREVISTA AUTOR ARGUMENTAÇÃO RESPONSABILIDADE CORPORATIVA Exigências de Mercado Questão [4] Gabzdylova et al. (2009) [AUT_1], Lozano (2013) [AUT_2], Orji (2019) [AUT_3], Phan & Baird (2015) [AUT_4], Stern et al. (1999) [AUT_5], Waddock (2008) [AUT_6] - Falta de uma estrutura global que obrigue a uma responsabilização ambiental das empresas gera movimentos voluntários que pressionam mudanças de práticas [AUT_6] - Regulamentações mais restritas, consciencialização das populações, cobertura mediática [AUT_4 e 5] - Mercados mais exigentes que levam a uma procura de mais vantagens competitivas e melhor reputação [AUT_1,2 e 3] Pressões de Stakeholders Questões [5,6] Hillman & Klein (2001) [AUT_7], Kassinis & Vafeas (2006) [AUT_8], Manzanares et al. (2008) [AUT_9], Ronalter et al. (2022) [AUT_10], - Stakeholders influenciam a opinião pública e o decurso das ações da organização permitindo uma potencialização da criação de valor e maximização do lucro favorecendo a formação de vantagens competitivas [AUT_7] - Mais pressões regulamentares ao longo das cadeias de valor levam a uma maior consideração da responsabilidade social das organizações com que se relacionam [AUT_9 e 10] - Forte influência dos stakeholders nos sistemas de gestão das empresas [AUT_10] - Intensificação da competição reforça a necessidade de boas relações para promover a diferenciação [AUT_8] Impacto De Pressões Externas Na Postura Ambiental Questão [10] Ferrón-Vilchez (2017) [AUT_11] - Considera-se a abrangência e visibilidade das políticas ambientais [AUT_11] - em termos de abrangência procura-se compreender o impacto das ações no ambiente externo para que possa ser identificado os pontos de maior esforço limitando a extensão da política ambiental [AUT_11] - em termos de visibilidade aponta-se o grau de exposição da performance ambiental aos stakeholders que determinará o nível de envolvimento destes e o grau do escrutínio de que as empresas serão alvo [AUT_11]. PROATIVIDADE Motivações Questão [4] Aragon-Correa et. al (2020) [AUT_12], Delmas & Terlaak (2001) [AUT_13] e York et. Al (2018) [AUT_14] -Maior simplificação de processos de licenciamento, maior flexibilidade de cumprimento de padrões [AUT_12] - Mais reconhecimento externo, capacidade de diferenciação e vantagem competitiva [AUT_12] -Recompensas financeiras pela adesão e a envolvente externa onde se insere a organização [AUT_12 e 14] O Impacto da Certificação Ambiental na Internacionalização – Um Estudo no Mercado Português Capítulo 4 Página|71 CERTIFICAÇÃO AMBIENTAL Promotores Questões [8,9,10,11,12,16,18] Granly & Welo (2014) [AUT_15], Neugebauer, (2012) [AUT_16], Steger (2000) [AUT_17], N. Johnstone & Labonne (2009) [AUT_18] - Capacidade dos gestores de ver a gestão ambiental como criadora de valor [AUT_15] - Experiência prévia com sistemas de gestão de qualidade [AUT_15,16 e 17] - Financiamento público [AUT_16 e 18] - Cooperação com parceiros [AUT_15] Barreiras de Implementação Questão [13] Granly & Welo (2014) [AUT_15], Heras & Arana (2010) [AUT_19], Loucks et al. (2010) [AUT_20], Pimenova & Van Der Vost (2004) [AUT_21] Simpson et al. (2004) [AUT_22] - Complexidade e falta de reconhecimento de regulamentações [AUT_22] - Falta de priorização das ações ambientais [AUT_21] - Dificuldade de acompanhamento dos requisitos exigidos [AUT_22] - Esforço financeiro e falta de recursos operacionais [AUT_15,19,21] - Fraco planeamento de implementação [AUT_20] Custos e Críticas de Implementação Questões [14,15] Bansal & Bogner (2002), [AUT_23], Boiral & Henri (2012) [AUT_24], Curkovic & Sroufe (2011) [AUT_25], Darnall & Edwards (2006) [AUT_26], Jong et al. (2014) [AUT_27] - Fornece forte autonomia na implementação das metas podendo levar à manutenção de pontos de ineficiência [AUT_25 e 27] - Incapacidade de definir as metas concretas de melhoria de performance ambiental [AUT_24 e 25] - Medidas individuais dentro do sistema de gestão ambiental podem ter sucesso sem, no entanto, garantirem a efetividade da implementação do sistema como um todo [AUT_23] - Fortes fontes de custos provenientes da identificação da extensão dos impactos ambientais da organização, bem como na necessidade de implementação de novos equipamentos e processos a par das auditorias [AUT_23 e 26] Impacto da Implementação Questões [15,16,17] Boiral (2011) [AUT_28], Darnall et al. (2008) [AUT_29], Ferrón-Vilchez (2016) [AUT_30], Ferrón-Vilchez (2017) [AUT_11], Jiang & Bansal (2003) [AUT_31], King et al. (2005) [AUT_32], Melnyk et al. (2003) [AUT_33], Potoski & Parkash (2005) [AUT_34], - A especificidade e exclusividade da informação da ISO 14001 potencia a implementação de estratégias mais eficazes [AUT_33] -O processo de implementação facilita a identificação de áreas problemáticas na performance ambiental [AUT_33] - Melhoria da performance ambiental através do controlo fornecido pela avaliação das auditorias [AUT_33] - Desenvolvimento de skills distintas na produção, distribuição e comercialização [AUT_28,30 e 11] - Consumos de recursos mais eficientes e geração de menos desperdício [AUT_11] - Maior capacidade de resposta a exigências e pressões externas bem como aumento da legitimidade [AUT_29,31 e 32] - Diferenciação dos produtos no mercado e geração de competências inimitáveis [AUT_29] - Melhoria da performance ambiental muito explicada pela necessidade de auditorias [AUT_34] - Criação de um sistema de gestão ambiental próprio como gerador de melhorias de performance mais substanciais [AUT_31] O Impacto da Certificação Ambiental na Internacionalização – Um Estudo no Mercado Português Capítulo 4 Página|78 compreender os de maior relevância e os que poderão ser consolidados noutras categorias; após esta refinação e tematização dos conteúdos, procede-se à sua análise avaliando a sua relevância individual, relação com os outros temas definidos e enquadramento para o panorama geral da pesquisa; na sexta e última fase procede-se à elaboração do relatório das análises efetuadas de modo a ser claro para todos os leitores que não o autor da investigação (Clarke & Braun, 2006). Ao longo deste estudo foi explicitada a obtenção de dados de natureza qualitativa, através de entrevistas individuais, recorrendo a um guião semiestruturado que permite uma análise consistente, dando abertura e liberdade para a inserção de mais informação de relevância fornecida pelos participantes (Brinkmann, 2018). Na análise, primeiramente, procedeu-se à transcrição das entrevistas tendo todos os diálogos, expressões verbais e restantes comportamentos não verbais como relevantes para o decurso desta investigação. Considerou-se ainda todas as limitações e idiossincrasias que implicam a transformação de um discurso oral para um discurso escrito, de modo que seja compreensível e fidedigno ao significado atribuído pelos participantes às informações fornecidas (DiCicco-Bloom & Crabtree, 2006). De forma a auxiliar o tratamento e sintetização dos dados, procedeu-se à sua organização e codificação no software de análise qualitativa NVIVO 13, permitindo um melhor registo dos termos mais utilizados, das perspetivas mais comuns, bem como uma maior centralização dos dados fornecidos (Lumivero, 2023). 4.9. Fiabilidade e Ética da Investigação A fiabilidade e confiabilidade dos dados recolhidos nesta investigação assumiu-se sempre como uma prioridade de maneira a garantir a maior assertividade possível dos seus resultados. Para garantir o cumprimento desta meta, todo este projeto foi desenvolvido tendo em conta práticas éticas. Neste sentido, foi partilhada com todos os participantes uma declaração de consentimento informado 4 , onde se explicita a sua autorização para utilização dos dados recolhidos no estudo, bem como se garante a confidencialidade das suas identidades e das firmas inquiridas. Por esta razão, para efeitos de análise de dados são utilizados nomes fictícios tanto para as empresas como para os entrevistados. Ademais, foi oferecida a partilha dos resultados desta investigação para que estes possam ter acesso 4 Consultar Apêndice C para aceder à declaração de consentimento informado O Impacto da Certificação Ambiental na Internacionalização – Um Estudo no Mercado Português Capítulo 4 Página|79 às conclusões retiradas, facto não só solicitado por alguns participantes deste estudo, mas que também despontou o interesse dos restantes inquiridos. De resto, também se comunicou a possibilidade de abandonarem o estudo a qualquer momento, se os entrevistados não se sentissem à vontade ou na posse de informações suficientes para fazerem parte do mesmo. Considerando a manutenção do rigor da investigação, de modo a amplificar as informações passíveis de ser recolhidas, e na tentativa de colocar os entrevistados numa posição de conforto na partilha das suas experiências e opiniões honestas, as entrevistas adotaram um formato mais conversacional que vem permitir uma maior participação nas partilhas dos entrevistados além de uma melhor resposta e envolvimento às reações obtidas dos inquiridos (Bray, 2008; Brinkmann, 2018). O Impacto da Certificação Ambiental na Internacionalização - Um Estudo no Mercado Português Capítulo 5 Página|80 Capítulo 5. Apresentação de Resultados Neste quinto capítulo, apresentam-se os resultados obtidos a partir dos dados recolhidos, considerando os objetivos definidos e relacionados a cada tópico central das entrevistas, tal como apresentado na Tabela 5. Numa primeira fase, caracterizam-se os participantes do estudo considerando a sua função e descrição da empresa. Seguidamente, analisa-se os resultados empíricos obtidos da parte das empresas e das entidades de apoio à certificação. Ao longo dessa apresentação efetua-se uma análise comparativa sobre as considerações obtidas de ambas as géneses das organizações, de forma a validar as perspetivas de ambas as partes. Ainda neste capítulo, são apresentadas algumas considerações levantadas ao longo da realização das entrevistas realizadas que poderão servir como orientação para a elaboração de estudos futuros. 5.1. Caracterização dos Participantes e das Organizações: Nesta pesquisa, todas as empresas participantes enquadram-se nos critérios de amostragem acima enunciados. Já as organizações de apoio às empresas estão ligadas à implementação da norma ISO 14001 e/ou aos processos de internacionalização das organizações que apoiam. No que respeita aos inquiridos em específico, por questões de confidencialidade, revela-se apenas a sua função nas organizações. A mesma questão se estende para a própria identidade das empresas, sendo apenas revelado o setor, a sua localização geral e tipologia. Oportunamente, ao longo deste capítulo, serão demonstrados dados mais específicos conforme a temática a ser analisada, que passam pelos seus processos de internacionalização e implementação de medidas relacionadas com a sustentabilidade. Todas as empresas inquiridas neste estudo são inteiramente de origem portuguesa. Dentro destas oito organizações, cinco das mesmas são de origem familiar diferenciando-se apenas a grande empresa de cerâmica de Aveiro, a empresa da indústria de tintas e vernizes da Maia e a empresa farmacêutica. Regista-se uma predominância do setor industrial, dado que pertencem à grande parcela de tipologias de organizações maiores beneficiárias da certificação ISO 14001, como analisado previamente nas estatísticas apresentadas neste estudo (Tabela 10). Ao nível das entidades de apoio às empresas, foi utilizada a mesma abordagem, revelando a sua área de atuação, localização, funções e formação dos entrevistados (Tabela 11). O Impacto da Certificação Ambiental na Internacionalização - Um Estudo no Mercado Português Capítulo 5 Página|81 Assim, abaixo apresentam-se duas tabelas que resumem as principais características tanto das empresas como das entidades de apoio: Tabela 10 Caracterização das Empresas e Entrevistados Participantes no Estudo Tabela 11 Caracterização das Entidades de Apoio e Entrevistados Participantes 5 Higiene e Segurança no Trabalho [EMP] SETOR LOCALIZAÇÃO TIPO CERTIFCAÇÕES ISO PRESENÇA COREBUSINESS ENTREVISTADO FUNÇÃO 1 Cerâmica Aveiro PME 9001 e 14001 Nacional e Internacional B2B e B2C Carolina P. Gestora de Qualidade, Ambiente e HST5 2 Mobiliário Porto Grande Empresa 9001 e 14001 Nacional e Internacional B2B Luísa C. People and Culture Manager 3 Cerâmica Aveiro Grande Empresa 9001 e 14001 Nacional e Internacional B2B e B2C Marco L. Gestor Ambiental e Técnico Superior de HST 4 Têxtil Guimarães Grande Empresa 9001, 14001 e 45001 Nacional e Internacional B2B e B2C Manuela S. Técnica de Ambiente, Qualidade e Segurança 5 Cutelaria Guimarães PME 9001 e 14001 Nacional e Internacional B2B e B2C Hugo M. Gestor Ambiental 6 Extração de Pedra Natural Alcobaça PME 9001 e 14001 Nacional e Internacional B2B e B2C Carla B. Sócia-Gerente 7 Tintas e Vernizes Maia Grande Empresa 9001, 14001 e 45001 Nacional e Internacional B2B e B2C Manuel C. Diretor de Qualidade, Ambiente, Saúde e Segurança 8 Farmacêutic a Trofa Grande Empresa 14001 Nacional e Internacional B2B e B2C Ana L. Especialista de Qualidade [ENT_] ÁREA DE ATUAÇÃO LOCALIZAÇÃO ENTREVISTADO ÁREA DE FORMAÇÃO FUNÇÃO 1. APCER Certificação, Auditoria e Formação Porto Alice S. Engenharia Biomédica e Marketing Management Market Research Manager 1. APCER Certificação, Auditoria e Formação Porto Rui F. Engenharia do Ambiente Técnico Superior de HST e Business Developer 2.IAPMEI Inovação e Internacionalização Porto Raquel M. Técnica Superior Direção de Proximidade Regional e Licenciamento O Impacto da Certificação Ambiental na Internacionalização - Um Estudo no Mercado Português Capítulo 5 Página|82 Os resultados são organizados de acordo com as temáticas e subtemáticas desenvolvidas na revisão de literatura e na própria conceção do guião de entrevista. Portanto, inicia-se com a responsabilidade corporativa e todos os seus impulsionadores e impactos, passando-se para a implementação da ISO 14001 e todas as suas motivações e consequências, culminando na relação entre certificação ambiental e a internacionalização. Nesta análise são apresentadas as perspetivas das empresas e entidades de apoio nos temas de entrevista em comum, procedendo-se ainda (nos casos aplicáveis) a uma análise individual nos temas inerentes a cada uma das tipologias de organizações entrevistadas. Para sintetizar esta apresentação de resultados é realizado um paralelismo das conclusões obtidas em ambas as tipologias de organizações. 5.2. Responsabilidade Corporativa No âmbito da Responsabilidade Corporativa, serão analisadas a implementação de ações sustentáveis tomadas pelas empresas, as motivações internas e exigências de mercado e pressões de stakeholders (Clientes, Fornecedores, Colaboradores e Acionistas, Comunidades e Reguladores) que envolvem a tomada dessas ações, e seus impactos na postura ambiental das empresas. 5.2.1. Implementação de medidas sustentáveis: A certificação ISO 14001, apesar de não exigir qualquer tipo de ação concreta a ser tomada pelas empresas para a sua obtenção, indicando apenas requisitos e orientações genéricas aplicáveis a vários setores de atividade (APCER, 2016) implica, em última análise, uma adaptação por parte das organizações dos seus processos para atingir a conformidade legal e níveis de desempenho ambientais por ela exigidos. Portanto, considerando esta necessidade, verificou-se que as ações sustentáveis implementadas são relativamente semelhantes nas várias indústrias e setores de atividade, incidindo essencialmente sobre medidas de tratamento e reutilização das águas, monitorização dos consumos de energia, implementação de painéis fotovoltaicos, seleção de parceiros com orientações sustentáveis, e sistemas de gestão de resíduos que envolvam o reaproveitamento e redução do desperdício (Tabela 12): 6 No caso da AIMMAPS dado que apenas supervisionou a entrevista do CATIM não revelou a sua função. 3.AIMMAP Engenharia Mecânica ou Industrial Porto Ana P. Engenharia -6 4.CATIM Engenharia Mecânica ou Industrial Porto Susana M. Engenharia Diretora de Sustentabilidade, Ambiente e Segurança 5.CTCP Calçado São João da Madeira Ricardo T. - Líder do Departamento de Organização e Gestão de Empresas O Impacto da Certificação Ambiental na Internacionalização - Um Estudo no Mercado Português Capítulo 5 Página|83 Tabela 12 Ações sustentáveis implementadas pelas empresas inquiridas AÇÕES IMPLEMENTADAS ANÁLISE EMPÍRICA Reutilização das Águas e Criação de ETAR “Reutilizamos a água da ETAR para, no interior fabril, ser utilizada em operações de lavagem, descargas da sanita…” (EMP_1) “Apostamos (…) na circularidade, e temos o reaproveitamento da água em processos de recirculação…” (EMP_3) “(…) toda a água que nós captamos vamos utilizando no processo (…) Temos uma estação de pré-tratamento de efluente e depois estamos ligados a uma estação de tratamento onde nos faz o tratamento final.” (EMP_4) “(…) temos instalada uma ETAR na fábrica e toda a água utilizada na fábrica é tratada antes de ser reencaminhada…” (EMP_5) Monitorização dos Consumos de Energia e Implementação de Painéis Fotovoltaicos “A última grande ação (…) foi a monitorização da energia, tendo nós definido um acordo de racionalização dos consumos de energia…”. (EMP_1) “(…) a aquisição dos painéis solares que significam que 33% da energia consumida provém de fontes renováveis; (…) monitorização ao segundo dos consumos de energia; (…) (EMP_2) “(…) temos a maior parte dos nossos telhados cobertos com painéis fotovoltaicos, seja para produção de energia para venda, como para utilização própria. (…) Adquirimos uma caldeira de biomassa que vai produzir a energia para nós utilizarmos nas máquinas. (…)” (EMP_4) (…) temos dois parques de painéis fotovoltaicos no telhado (…). Há mais de 10 anos criámos um com 1200 painéis. (…) tinha de ser vendido à rede, e há 1 ano implementamos outro que (…) é totalmente absorvido pela empresa que é reencaminhado para a produção. (…) toda a energia utilizada (…) provém 100% de energias renováveis. (EMP_5) “Implementação de painéis solares…” (EMP_6) “Práticas operacionais de prevenção e redução de energia…” (EMP_7) “Nós temos uma unidade de produção de autoconsumo, em que as coberturas dos nossos edifícios estão repletas de painéis fotovoltaicos…” (EMP_8) Gestão e Reaproveitamento dos Resíduos “O plástico residual está a ser aproveitado para incorporação no plástico que adquirimos. Aproveitamos os desperdícios crus do processo, incorporando-os no fabrico”. (EMP_3) “(…) desde a gestão de resíduos…” (EMP_4) “Temos um processo que é a molagem das facas onde (…) utilizamos águas das chuvas e reutilizamos a água nesse processo. Acumulamos essa água da chuva e sempre que necessário utilizamos…” (EMP_5) “(…), introdução de reciclagem…” (EMP_6) “(…) e valorização de resíduos perigosos…” (EMP_7) Melhorias de Embalagem e de Produto “(…) uma melhoria gradual da embalagem (…) que seja flexível (…) não possa comprometer o transporte do produto (…) facilmente reciclada…” (EMP_1) “(…) eliminação de substâncias tóxicas e perigosas nos produtos; criação de produtos que favoreçam a redução de consumo energético e ajuste de temperatura” (EMP_7) “(…) com os nossos fornecedores tentamos ter soluções que envolvam devolver as embalagens (…) deixamos de ter o resíduo e eles podem voltar a utilizar as embalagens.” (EMP_8) Seleção de Fornecedores “(…) partilhamos o nosso código de conduta, exigimos que eles cumpram o nosso código (…) e são fatores que nos leva a selecionar fornecedores (…)” (EMP_4) “(…) existem parâmetros de seleção de fornecedores” (EMP_2) Outras Medidas “(…) o arquivo é digital, já há uma gestão documental; (…) incentivo de quem não tem viatura de serviço, optar por viaturas elétricas em vez do diesel ou gasolina…” (EMP_2) “(…) utilização de veículos elétricos” (EMP_6) O Impacto da Certificação Ambiental na Internacionalização - Um Estudo no Mercado Português Capítulo 5 Página|84 5.2.2. Motivações Internas e Exigências de Mercado A adoção de uma postura sustentável é influenciada por fatores que servirão como propulsores para estas tomadas de posição, considerando também a orientação ambiental da empresa, seja esta reativa ou proativa (Bansal & Roth, 2000; Henriques & Sadorsky, 1999). Os fatores motivadores para adoção de uma postura sustentável indicados pelos inquiridos equilibram os objetivos internos de eficiência e redução de consumos, com as exigências e pressões sentidas provenientes dos seus clientes e outros stakeholders . Motivações Internas Nas motivações internas, destaca-se a procura de maior eficiência de processos, que vem promover uma otimização dos recursos disponíveis favorecendo uma redução de desperdício e melhoria da operacionalização diária, implicando, uma consequente progressão das condições de trabalho, como indicado por vários inquiridos: “O primeiro grande objetivo é ser uma empresa rentável. Quanto menos desperdício, quanto mais eficiente forem os meus processos, mais rentável eu sou” (EMP_1) “A principal motivação, (…) foi em consequência da otimização de recursos. Nós estamos sempre a (…) ver dentro do processo da organização onde é que podíamos evitar os desperdícios. Isso pode significar mais postos de trabalho ou melhores condições para os trabalhadores que já cá estão (…) E obviamente a redução de desperdício nas indústrias é crucial, ponto. É onde se pode ganhar o dinheiro, podendo investir noutras coisas. (EMP_2) “A nível organizacional é uma mais-valia para a parte da gestão e da organização ambiental. Ou seja, foi a nossa maior motivação, ter um sistema mais bem definido para podermos estar organizados.” (EMP_4) Apesar das empresas considerarem os ganhos de eficiência como uma das motivações principais para esta postura sustentável, denotaram o seu próprio papel na sociedade como entidades com responsabilidades e obrigações sociais: “A sustentabilidade para o futuro …” (EMP_3) “As principais motivações que levaram a adotar desta postura é o pensar nas próximas gerações, e pensar na responsabilidade social da empresa.” (EMP_6) Exigências de Mercado Nas exigências de mercado, são consideradas pelos participantes, para além das exigências ao nível de clientes/consumidores, a necessidade de conformidade legal com as regulamentações em vigor: O Impacto da Certificação Ambiental na Internacionalização - Um Estudo no Mercado Português Capítulo 5 Página|85 “A motivação claramente é à partida uma: a conformidade legal mínima. Hoje em dia, a conformidade legal já não é propriamente um objetivo, é o mínimo para estar no mercado. E (…) nas áreas de ambientais, é bastante difícil de obter. (…) Hoje em dia o cumprimento estrito legal é um standard mínimo e nós queremos ir mais além…” (EMP_7) Esta necessidade de cumprimento legal é uma visão também partilhada pelas entidades de apoio à certificação, confirmando esta exigência como um forte propulsor para as empresas, sendo um fator de destaque por parte da APCER e CTCP: “…cumprimento legal e melhoria do desempenho ambiental.” (APCER) “E não só, e depois as questões legais, não é? É preciso ver que também há, ao nível das diretivas europeias e da própria legislação nacional, cada vez mais requisitos legais que apontam para a intervenção por parte das empresas na área ambiental (…) é outro vetor que leva a que as empresas que se queiram diferenciar das outras…” (CTCP) Apesar das empresas notarem motivações e objetivos internos como impulsionadores de ações e estratégias que visem a sustentabilidade, destacam de forma evidente as exigências do consumidor (consumidor final ou cliente business ) como aceleradores, seja ao nível de procura de compreensão das suas práticas sustentáveis ou mesmo demanda de determinados parâmetros ambientais, com um particular destaque para o cliente internacional da parte da EMP_5: “Exigências do mercado e cliente final. (EMP_3) “A nível de clientes, (…) nós somos bombardeados com inquéritos dos nossos clientes a nível ambiental. Ultimamente a sustentabilidade está em alta. Os clientes procuram muito saber quais são as nossas estratégias, as melhores técnicas disponíveis que adotamos para sermos sustentáveis e acabam por solicitar inquéritos, realizam auditorias por responsabilidade social…” (EMP_4) “(…) 90% do nosso negócio é exportação e, portanto, todo esse conhecimento do cliente externo e do mercado internacional foi potenciando novas ideias (…) costumo dizer que o que lá fora é prática comum, daqui a uns anos vai passar a ser aqui, portanto vamos nos adiantar, fazer o trabalho difícil que neste momento é pegar no que nos dizem de fora como mais-valia, trabalhá-lo e inovar. (…) o input do cliente leva-nos a aplicar à prática.” (EMP_5) No entanto, esta exigência de mercado (ao nível nacional), na perspetiva da EMP_1 (indústria cerâmica) é mais circunscrita à tipologia de setor onde a empresa opera. A Gestora de Qualidade destaca a falta de valorização do produto por parte dos clientes nacionais como um inibidor de pressão externa, sendo esta valorizada pelo papel dos clientes internacionais: “(…) este é um setor muito tradicional. E os clientes, numa primeira fase, são pouco sensíveis a este assunto. Com a internacionalização e com este mercado global, os nossos clientes já começam a ter esta preocupação com a sustentabilidade, responsabilidade social (…)”. (EMP_1) Estas exigências dos clientes, são um propulsor também verificado por todas as entidades de apoio O Impacto da Certificação Ambiental na Internacionalização - Um Estudo no Mercado Português Capítulo 5 Página|86 às empresas entrevistadas independentemente do setor onde operam. É principalmente destacado o papel das empresas no contexto da cadeia de valor, reforçando a necessidade de conformidade e uma maior congruência entre os diversos elos da mesma. “(…) Eu acho até que esse será o principal, que é a exigência dos clientes. Ou seja, nós na metalomecânica, as empresas funcionam numa cadeia de valor. (…) Agora quando nos contactam para a 14001, a primeira motivação é “está a ser exigido pelo nosso cliente””. (CATIM/AIMMAP) “Há um contexto de mercado que mudou significativamente nos últimos anos que (…) levou a que os consumidores ganhassem consciência da importância das questões ambientais, e isso foi transferido para as marcas, e das marcas transferiu-se para as empresas industriais (…) Os diferentes elos da cadeia estão aqui a funcionar.” (CTCP) Para além desta necessidade de cumprir com as expectativas dos vários atores da cadeia de valor destacam também a procura de diferenciação e melhoria da imagem, especialmente em mercados com uma forte valorização ambiental, estando em linha com o reforçado pelas EMP_1 e EMP_4. “Depois existem também algumas empresas que por sua livre iniciativa procuram, até porque estão num nicho de mercado mais ligado à sustentabilidade (…) por um caráter diferenciador.” (CATIM/AIMMAP) “… imagem da organização…” (APCER) “leva a que as empresas que se querem diferenciar das outras, e, portanto, procuram fatores de diferenciação, são por si proativas.” (CTCP) 5.2.3. Pressões de Stakeholders A transformação conjuntural dos mercados ao nível das preocupações ambientais e suas consequentes alterações em termos de exigências às empresas, estão diretamente associadas às pressões que os stakeholders exercem sobre as mesmas, pelo que o seu papel se tem assumido como preponderante para esta mudança de paradigma (Darnall et al., 2010). Embora brevemente mencionado anteriormente nas motivações para as estratégias sustentáveis, durante o decorrer das entrevistas realizadas, foram abordadas pelas várias empresas e entidades de apoio a influência de várias tipologias de stakeholders com destaque para clientes, fornecedores, colaboradores, acionistas e reguladores. 1. Clientes Todos os inquiridos, apontaram os clientes como indutores fundamentais de novas ações e estratégias sustentáveis, devido à afirmação das suas preocupações ambientais que se traduz nas suas intenções de compra. O Impacto da Certificação Ambiental na Internacionalização - Um Estudo no Mercado Português Capítulo 5 Página|87 “Com a internacionalização e com este mercado global, os nossos clientes já começam a ter esta preocupação com a sustentabilidade, responsabilidade social, das condições de higiene e segurança no trabalho, do cumprimento legal…” (EMP_1) “pois o cliente final está cada vez mais sensibilizado e exigente para questões ambientais” (EMP_3) “Por parte dos clientes notamos que neste momento a nível de sustentabilidade ambiental estão muito preocupados…” (EMP_4) “Nós vendemos produto (…) também com marca do cliente pelo que temos nos adaptar aos requisitos desses clientes. É um trabalho em conjunto porque muitas vezes esses clientes para controlar esse processo (temos bastantes auditorias ao longo do ano) (…), vão nos dando uma ideia do que vão pedindo a seguir, do que podemos melhorar para satisfazer o cliente” (EMP_5) Essencialmente, estas preocupações são demonstradas através da procura por produtos não tóxicos, no cuidado com as emissões de carbono e em embalagens mais conscientes, por exemplo. “(…) se realmente consideramos a embalagem do produto sustentável, as emissões de CO2 na produção, estão muito preocupados com a utilização de produtos químicos muito nocivos para a saúde…” (EMP_4) Visto que todas as empresas inquiridas são industriais, uma parte importante do seu negócio está orientado para o mercado business to business , levando a outro tipo de exigências. Dado que grande parte dos seus clientes são grandes marcas ou empresas que incorporarão estes componentes no seu produto final, também estes são alvos de fortes pressões por parte dos seus consumidores finais, levando a uma procura de uma conformidade ambiental em toda a cadeia de valor de modo a também corresponderem aos compromissos assumidos: “(…) os nossos clientes, alguns de grande dimensão, sabem como vender o seu produto, esses clientes tentam utilizar estratégias para se diferenciar e como tal, também estes vão-nos dando indicação como trabalhar, questionando-nos sobre os nossos processos e procedimentos…” (EMP_5) “aí eles (clientes) estão também sujeitos ao controle ambiental das atividades que desenvolvem” (EMP_7) “A generalidade das empresas de grandes marcas europeias criaram (…) departamentos de sustentabilidade e introduziram nos seus cadernos de encargos, aspetos relacionados com a sustentabilidade. (…) assumiram compromissos para o exterior através dos relatórios de sustentabilidade ou por outras vias, compromissos fortes em relação à sua cadeia de fornecedores e, portanto, (…) as empresas industriais também procuram estar informadas sobre o que se está a passar nos seus clientes e sabem qual é a estratégia e o que é que esses clientes estão a fazer…” (CTCP) “Sim, o mercado global e as cadeias de valor estão cada vez mais sensibilizadas para o tema da proteção do ambiente e pressionam as organizações a tomarem medidas nesse sentido.” (APCER) O Impacto da Certificação Ambiental na Internacionalização - Um Estudo no Mercado Português Capítulo 5 Página|94 EMP_5 “Eu acho que principalmente esta é a mais conhecida, a mais divulgada, é mais simples de pedir aconselhamento nesta adoção com outros parceiros por exemplo.” EMP_7 “A ISO 14001, talvez seja a que é mais difundida (…) para comprovar a boa gestão ambiental. (…) é um referencial muito mais exigente (…) tem uma grande componente normativa, de legislação (…) obriga a fazerem levantamentos de todos os aspetos ambientais legais e do seu cumprimento” EMP_8 “(…) o facto de ela ser internacional e reconhecida em todo o mundo, porque (…) temos presença em vários mercados, onde a norma é reconhecida e validada, e isso é uma vantagem.” 5.3.3. Papel da ISO 9001 na Implementação da ISO 14001: No seguimento da implementação da norma com vista à extensão dos sistemas de gestão ao nível de atividades ambientais, foi questionado o papel que a prévia certificação pela ISO 9001 (norma adotada por todas as empresas inquiridas exceto a EMP_8) apresentou neste processo de certificação. Nas empresas que detinham previamente a norma da qualidade, as conclusões obtidas foram bastante claras. Reforçou-se o papel facilitador da ISO 9001 nas adaptações de processos de gestão necessárias para a ISO 14001 ao nível da gestão documental e de informação, bem como de definição de funções. Destacou-se ainda o papel estruturante da ISO 9001 na criação de um sistema de gestão na empresa capaz de responder a uma extensão às áreas ambientais e de segurança, especialmente em áreas como a profissionalização da gestão, capacidade de identificação e aplicação de ações corretivas em não conformidades verificadas, e a própria preparação para fazer face a auditorias. Por último sinalizou-se ainda o papel fundamental da ISO 9001 em incutir os princípios de gestão da qualidade junto dos colaboradores, o que vem garantir uma maior capacidade destes de implementar as exigências ambientais requeridas pela norma (Tabela 16): Tabela 16 Papel da ISO 9001 na Implementação da ISO 14001 EMPRESA ANÁLISE EMPÍRICA EMP_1 “Ajuda! (…) o facto de existir procedimento de gestão de documentos, gestão da informação, ter uma hierarquia de responsabilidades, (…) facilitou a implementação dos procedimentos para a norma do ambiente. (…) os colaboradores já tinham sentido a implementação das normas da qualidade, logo quando se veio falar das normas de ambiente, já foi natural que eles se vissem envolvidos em todo este processo.” EMP_2 “Ajudou! A 9001 foi o grande desafio da mudança (…) para profissionalizar a gestão. Quando a 14001 chega (…) posso lhe dizer que hoje quando temos auditorias externas ninguém fica a trabalhar nos dias anteriores para a auditoria porque isto já é algo que está incutido…” EMP_3 “Esta certificação veio facilitar, pois a sua estrutura são similares em normas ISO. Assim já se conhecia a metodologia”. O Impacto da Certificação Ambiental na Internacionalização - Um Estudo no Mercado Português Capítulo 5 Página|95 EMP_4 “(…) para poder ter um sistema de gestão que consiga gerir a organização da forma mais organizada. (…) Como “a mãe” seja a 9001 e depois as outras acabam por partir dessa e conseguirmos ter ali o sistema já mais orientado.” EMP_7 “(…) foi um bom ponto de partida para 14001 em termos da gestão documental.” APCER “Sim, a estrutura atual das normas é semelhante e está idealizada precisamente para facilitar a integração das várias normas da ISO, não apenas a nível da estrutura da norma e documental, mas também na definição das estratégias e procedimentos de gestão.” CTCP “Digamos, é um pilar. (…) porque uma empresa que está certificada com ISO 9001 está articulada com a 14001, ou seja, tem requisitos e cláusulas comuns. (…) significa que, para implementar um sistema de gestão ambiental, tenho de pegar nessas cláusulas (da qualidade) e integrar a componente ambiental e isso é facilitador, porque a estrutura já está criada”. CATIM “Facilita muito. (…) existem uma série de requisitos comuns a estas normas. Portanto já ter uma norma implementada, haver já as práticas de controlo de não conformidades, melhorias contínuas, ações preventivas, análises de indicadores, melhorias nos processos de auditorias, definição de autoridades e funções, já está feito. Há um trabalho de base…” Este papel facilitador não foi corroborado nas EMP_5 e EMP_6 que implementaram ambas as normas em simultâneo, o que apesar de ser uma prática menos comum, é também possível devido ao forte papel integrador de ambas as normas nos sistemas de gestão. A EMP_5, mesmo assim, aponta o papel estrutural da ISO 9001, para a facilitação da extensão ao sistema de gestão ambiental: “A espinha dorsal será a 9001 e a parte do ambiente surge para complementar. Eu acredito que quem tenha uma das duas, depois incluir a outra será só melhorar, complementar esse processo.” (EMP_5) A única empresa que se desviou das visões das restantes analisadas foi a EMP_8. Esta empresa, apesar de já ter sido certificada pela norma da qualidade, decidiu, por opção estratégica, não renovar esta certificação, guiando-se pelo seu próprio sistema de gestão. Esta decisão deve-se ao facto de pertencer ao setor farmacêutico que exige um outro tipo de parâmetros que, na perspetiva da Gestora Ambiental desta empresa, requerem o desenho de um sistema mais idiossincrático. No entanto, apesar disto, o princípio de alargar esta visão ao campo ambiental mantém-se, defendendo também uma gestão integrada em todas as áreas: “Nós tivemos a ISO 9001, mas por opção estratégica (…) não renovamos a certificação no ano passado. No entanto, (…) temos um sistema de gestão da qualidade que é direcionado para a indústria farmacêutica e que é muito mais exigente que a 9001. (…) havia uma lacuna, porque (…) não tínhamos para o âmbito ambiental foi daí que decorreu a implementação do sistema ambiental e tornar o mais integrado possível.” (EMP_8) O Impacto da Certificação Ambiental na Internacionalização - Um Estudo no Mercado Português Capítulo 5 Página|96 5.3.4. Imitação das práticas concorrenciais e melhoria da reputação como propulsores de implementação Após a abordagem da diminuição de custos como motivação para a implementação da norma, inquiriu-se as empresas sobre o papel da concorrência nas suas decisões, de forma a avaliar se a imitação das práticas sustentáveis da competição assumiram alguma importância para as empresas inquiridas se manterem em paridade ao nível ambiental no mercado onde se inserem. Nesta variável em específico, os resultados não foram consensuais. Grande parte da amostra não respondeu diretamente a esta questão e, nas respostas possíveis de obter, a maioria das empresas refere que esta imitação não foi uma motivação, pelo facto de muitas vezes terem sido pioneiras nesta certificação: “Não. Nós fomos a primeira empresa do setor das porcelanas a ser certificada em Portugal, e a nível da qualidade fomos a primeira empresa da Península Ibérica, por isso não é aquilo que os outros fazem que nos vai condicionar.” (EMP_1) “Pelas empresas concorrentes acho que não. Acho que nós sempre fomos muito preocupados ao nível sustentável…” (EMP_4) “Eu acho que a EMP_8 foi a 1º farmacêutica portuguesa a ter esta certificação. Ou seja, não houve a questão da imitação porque éramos pioneiros nesta área. Eu acho que vai mais um pouco na ótica de melhorar o nosso comportamento.” (EMP_8) A única empresa que corroborou esta motivação é a EMP_3 que, por pertencer ao setor das cerâmicas (particularmente na área dos revestimentos e pavimentação), refere que esta imitação assumiu um papel motivador. Poderá argumentar-se que, apesar de não ser desenvolvido pelo Gestor Ambiental, terá que ver com uma necessidade de diferenciação de produto, especialmente em resposta ao mercado business to business, dado que a empresa pertence a um setor de produtos menos diferenciados (Pacheco et al., 2022). “Todas as motivações descritas se assemelham às nossas opções.” (EMP_3) 5.3.5. Papel dos Apoios Governamentais e Comunitários na Implementação Ao longo deste estudo analisou-se o papel impulsionador que os apoios governamentais e comunitários (seja ao nível financeiro como de consultoria) poderiam assumir no momento de implementação da ISO 14001 pelo que, junto das empresas e entidades de apoio inquiridas, pretendeuse avaliar o nível de importância atribuído a esta variável. Nesta temática, as respostas das empresas estão associadas a fatores como dimensão, antiguidade de implementação da norma e contexto de mercado atual. De um modo geral, em grandes empresas e O Impacto da Certificação Ambiental na Internacionalização - Um Estudo no Mercado Português Capítulo 5 Página|97 com sistemas já implementados há vários anos, os apoios governamentais não ajudam a realizar melhorias nesse âmbito. Apesar disto, as empresas continuam a procurar os incentivos que possam existir na tentativa de tentar acelerar futuros projetos ambientais que pretendam implementar, mesmo que a sua concessão não seja determinante para a concretização: “ Não, com as atuais condições de financiamento. São escassos e por exemplo, se for uma empresa que não esteja certificada, (…) as vantagens são imensas, se for uma empresa como a nossa que tem um histórico de 20 anos, (…) foi fazendo as suas melhorias (…), é muito difícil de obter um financiamento. (…) para uma empresa que já tem um sistema consolidado (…) já não há assim tantos financiamentos e que sejam apelativos.” (EMP_1) “(…) aos apoios (…) eu diria que são cruciais. No entanto, (…) não se decide se vamos realizar algo ou não mediante a existência de um apoio. Até porque atualmente, como grande empresa, nós não temos grandes apoios. É muito difícil e quando temos a percentagem é muito pouca. (…) Atualmente (IAPMEI e AICEP), dão um apoio às empresas mesmo em termos de legislação, apoio e orientação. Por isso, são cruciais sim. (…) não é só apoio monetário, mas de orientação.” (EMP_2) “Para a ISO 14001 os apoios não são força motora. Para a sustentabilidade são importantes, pois é sempre pertinente a energia verde e novos processos/maquinaria mais sustentáveis.” (EMP_3) “Na ISO não, já está um sistema muito maduro. Mas noutros termos, nós candidatámo-nos.” (EMP_4) No caso da EMP_5 com um sistema de gestão ambiental jovem, os apoios governamentais também não se revelaram como relevantes, preferindo o gestor ambiental destacar a implementação ao nível operacional como um desafio muito maior, mesmo na presença de financiamento: “Eu penso que aqui não existiu apoio financeiro, mas também (…) por muito que se diga que há financiamento tem de haver muito “querer” e (…) porque é tão difícil esse processo que não sei se é haver um apoio financeiro que na prática se vai refletir…” (EMP_5) Do lado das entidades de apoio à certificação, a visão converge com a das empresas no que respeita ao papel acelerador que estes apoios podem representar nos investimentos. No entanto, o CTCP reforça o papel do apoio de consultoria na compreensão dos requisitos da norma indo de encontro à importância do apoio referida pela EMP_2: “Sim, todos os apoios são bem-vindos às organizações na altura de investir, e servem muitas vezes de catalisadores de medidas já planeadas, mas ainda a aguardar disponibilidade financeira para avançar.” (APCER) “É mais como um acelerador. O obter a norma não vai por apoios, porque não há nada na norma que obrigue a investimento. Agora, se quisermos reduzir desperdícios por exemplo, aí vai obrigar a investir, e esses apoios podem ser importantes na tomada de decisão para acelerar esse processo.” (CATIM) “(…) acho que, sinceramente faz diferença, porque (…) embora as normas tenham sido feitas para as empresas por si próprias implementarem os processos (…) é complexo para as PME e, portanto, eu diria que a parte de apoio de consultoria é relevante. Em termos do apoio ao investimento, (…) não é o O Impacto da Certificação Ambiental na Internacionalização - Um Estudo no Mercado Português Capítulo 5 Página|98 financiamento que vai fazer a diferença entre fazer ou não fazer. (…) se existirem, as empresas acedem a eles. Ou seja, não tanto em definir se vai ou não, mas acelerar este processo.” CTCP 5.3.5. Papel da Proatividade dos Gestores no Processo de Implementação Ao longo deste estudo foi analisada a importância da predisposição dos gestores para o processo de implementação, pelo que junto dos participantes procurou-se compreender em que campos o papel dos gestores se evidenciou no sucesso de adoção da ISO 14001. De uma maneira geral, as visões foram relativamente unânimes, com exceção da EMP_2 e EMP_8. Tanto as empresas como as entidades de apoio destacaram, sobretudo, o papel unificador e orientador na potencialização das comunicações entre as restantes hierarquias da empresa na implementação das mudanças. Para além disso, reforçam o seu papel valorizador do sistema e motivador na transformação de comportamentos, tendo a capacidade de alterar as orientações dos funcionários da organização. Ademais, os gestores de topo são capazes de disponibilizar os bens e ativos necessários para se fazer cumprir os objetivos definidos, numa ótica de se adaptarem à realidade e contexto da empresa onde se inserem: “É fundamental e é aquilo que quase diria que é meio caminho andado para que uma certificação de um sistema de gestão ambiental tenha sucesso” (EMP_1) “(…) se a gestão de topo, (…) estiver envolvida, creio que as coisas funcionam de uma forma muito mais organizada e conseguimos desenvolver as coisas, não ficam paradas ou a meio do processo. (…) diria fazer força mesmo para que as coisas aconteçam” (EMP_4) “(…) é fundamental porque se a gestão de topo não estiver consciencializada (…), na prática vai haver muitas questões que irão atrasar o processo. (…) posso sugerir que se faça muita coisa, mas se a gestão não identificar como mais-valia mesmo que seja a longo prazo, é impossível avançar. (…) as ideias (…) não vão ser materializadas. (…) a gestão de topo vai pressionar o trabalhador (…) a melhorar e a mudar mentalidades” (EMP_5) “(…) além de disponibilizar os bens, também têm de dar alguma cobertura, demonstrando vontade que isto seja um objetivo da empresa.” (EMP_7) “A gestão de topo, que garante os recursos necessários para a implementação do SGA 7 , incluindo o fator técnico, e motiva e orienta a cultura organizacional no sentido desejado.” (APCER) “(…) se o gestor numa reunião, por exemplo, de análise, desvalorizar o sistema está a reduzir a sua capacidade de intervenção junto de todos os trabalhadores…” (CTCP) As empresas destacam ainda a atualização da norma na variável da responsabilidade pela gestão, que aumenta a importância dos gestores no apoio à adoção: 7 Sistemas de Gestão Ambiental O Impacto da Certificação Ambiental na Internacionalização - Um Estudo no Mercado Português Capítulo 5 Página|99 “Principalmente porque há um requisito que é a responsabilidade pela gestão em que se for um projeto da gestão é natural e normal que eles estejam presentes, que verifiquem, participem, deem a sua opinião.” (EMP_1) “(…) a atualização da nova norma, (…), o envolvimento da gestão de topo é um dos fatores de mudança principal principais…” (EMP_4) “As atualizações mais recentes da norma veem reforçar esse envolvimento.” (CATIM/AIMMAP) Já as EMP_2 e EMP_8, ao invés de destacarem os gestores, preferem referir o trabalho em equipa e a correta comunicação e definição de responsabilidades como variáveis mais relevantes para a efetividade de implementação: “Eu acho que uma organização hoje em dia só consegue sobreviver se todos tivermos virados para o mesmo lado.” (EMP_2) “Eu acho que num sistema de gestão ambiental todos nós temos um papel importante e acho que tem a mesma importância sejamos nós colaboradores de chão de fábrica ou de gestão de topo. (…) Acho que não conseguimos definir quem tem o papel mais importante, mas acho que devem ser bem definidas as funções de cada um para garantir o bom desempenho da empresa. É um papel de trabalho de equipa.” (EMP_8) 5.3.6. Ativos da Organização de Sucesso na Implementação Analisou-se também outras potenciais características das empresas que poderiam ser facilitadoras desta adoção efetiva da norma. De um modo geral, os fatores de maior destaque das empresas e entidades de apoio foram sem dúvida a comunicação entre as pessoas e a sua própria formação e competências, bem como o envolvimento e comprometimento da gestão de topo neste processo. Além destes dois fatores reforçaram-se a cultura e metodologias adotadas pelas empresas nestes processos. a) Comunicação entre Pessoas, Formação e Envolvimento da Gestão de Topo: “Eu diria as pessoas e o envolvimento da gestão.” (EMP_1) “(…) formação da massa humana que aqui trabalha, e a interligação com a envolvente.” (EMP_3) “Temos a administração ao nosso lado sempre, que é como um nosso parceiro…” (EMP_4) “A gestão de topo, se todas essas pessoas não esmorecerem e descerem ao chão de fábrica, falarem com os trabalhadores, vai fazer com que eles queiram seguir aquela ideia, não fique só no papel. (…) Se (…) tiver esse espírito de missão, só é assim é que vai ser levado à prática e vão ser disponibilizados recursos para melhorar.” (EMP_5) “(…) os principais fatores de sucesso são mesmo os gestores e a própria comunicação entre gestores e funcionários. (…) É importante que a empresa tenha pessoas com competências ao nível ambiental e que vão adquirindo ao longo do tempo, porque os requisitos ambientais também vão mudando.” (CTCP) O Impacto da Certificação Ambiental na Internacionalização - Um Estudo no Mercado Português Capítulo 5 Página|100 “(…) conhecimento técnico, permite ter o conhecimento para a implementação do SG 8 (…) os ativos principais serão as pessoas. Estando garantido (…) os restantes irão permitir a implementação.” (APCER) b) Cultura e Metodologias Adotadas: “(…) a cultura organizacional, permite o alinhamento de toda organização com a política do SG.” (APCER) “(…) e a cultura que a empresa já tem…” (CTCP) “As metodologias adotadas…” (EMP_3) “Está em foco (…) os relatórios de sustentabilidade, (…) nós também estamos a produzir o nosso.” (EMP_4) “Nós temos indicadores que medem o desempenho do nosso sistema e isso acaba por ser uma forma de leitura mais rápida e facilitada para a gestão de topo de compreender a eficácia.” (EMP_8) 5.3.7. Obstáculos de Implementação É importante compreender os principais desafios no processo de adoção da ISO 14001, com a sua focalização nas mudanças processuais e adaptação das práticas a uma realidade ambientalmente consciente, considerando todos os ativos humanos, materiais e financeiros necessários para o seu sucesso. Os resultados apontam para diversos obstáculos, considerando a dimensão da organização, setor e maturidade do sistema. Neste sentido, abaixo, destacam-se as principais dificuldades enfrentadas: a) Falta de informação, estruturas, capacidade de acompanhamento e burocracia: Reforça-se essencialmente a falta de informação clara que auxilie a implementação das mudanças necessárias para uma efetividade de adoção, a par de uma dificuldade de monitorizar todos os processos devido à falta de tecnologias ou muitas burocracias, por exemplo. Esta burocracia exagerada na fase inicial, na perspetiva da EMP_5 retira naturalidade ao processo de certificação, devido ao desajuste à realidade da empresa. A inexistência de estruturas que suportem os processos implementados com a certificação ISO 14001 em determinados mercados internacionais afirmou-se também como um obstáculo de nota: “(…) quando (…) implementamos havia uma falta de informação e consistência nos recursos, e havia muita falta de organização e do cumprimento dos requisitos legais a um nível geral. (…) era tudo feito manualmente (…) Era mais difícil e demorado acompanhar.” (EMP_1 - Certificada desde 2001) 8 Sistema de Gestão O Impacto da Certificação Ambiental na Internacionalização - Um Estudo no Mercado Português Capítulo 5 Página|101 “O nosso principal problema teve que ver com o auxílio a uma empresa externa para implementar e fizeram dessa norma uma “bíblia”. Foi um exagero de burocracia, um exagero de processos para cumprir com a norma de maneira cega e na realidade não era necessário ser tão estrito, tão documentado. Tudo demasiado estruturado, retirando a naturalidade dos processos. Neste momento (…) tentamos interpretar a norma à nossa realidade.” (EMP_5 - Certificada desde 2020) “Acho que as barreiras já foram maiores no passado em termos de estrutura. A estrutura externa, como redes de gestão adequada (…) de resíduos não existiam em mercados, como África, em que nós não avançamos com certificações ambientais (…) porque não existem infraestruturas adequadas para fazer uma gestão ambiental correta.” (EMP_7 - Atualização da ISO 14001 de 2015) b) Ausência de cultura ambiental junto dos trabalhadores e falta de recursos humanos: O facto dos trabalhadores das organizações, numa fase inicial, não possuírem uma predisposição pró-ambiental, dificultou a implementação do processo, tornando-se necessária a sua consciencialização para a importância destas ações de forma a garantir a eficácia de implementação de novos processos. A própria falta de trabalhadores destacados para as tarefas ambientais, dificulta também a implementação e monitorização das ações tomadas. “Alguns entraves na sua adoção por parte dos colaboradores, pois ainda não tinham esta cultura ambiental.” (EMP_3 - Certificada desde 2008) “O incutir o pensamento ambiental nos colaboradores também foi complicado porque as respostas são “sempre se fez assim” e acaba por ser uma dificuldade acrescida.” (EMP_5 - Certificada desde 2020) “Burocracia e manutenção de boas práticas junto dos trabalhadores” (EMP_6 - Certificada desde 2020) “Falta de recursos humanos dedicados à implementação das novas tarefas ambientais” (AIMMAP/CATIM) c) Necessidade de Avaliação e Acompanhamento da Conformidade legal: O sucesso de implementação da certificação ISO 14001 implica que a empresa se apresente em completa conformidade com o regime legal ambiental em vigor, não só em termos da legislação geral, bem como nas regulamentações inerentes a cada setor de atividade. A identificação dos requerimentos a cumprir, as não conformidades e implementação das mudanças representa uma forte atividade consumidora de recursos que pode implicar um atraso da certificação. “Necessidade de avaliação de conformidade legal que obriga a um forte controlo e monotorização e, portanto, de recursos”. (APCER) “Cumprimento da legislação. Na fase de identificação da conformidade legal podem detetar inconformidades que poderão atrasar o processo de implementação embora seja uma situação rara”. (CTCP) O Impacto da Certificação Ambiental na Internacionalização - Um Estudo no Mercado Português Capítulo 5 Página|102 5.3.8. Custos e Impacto Financeiro da Implementação No seguimento das dificuldades acima analisadas, é importante destacar o impacto financeiro associado à implementação, de modo a avaliar se os recursos disponíveis das empresas seriam suficientes para uma adoção efetiva da norma. O fator mais referido pelos entrevistados foi sem dúvida as auditorias externas de renovação da norma. “As auditorias são a principal fonte de custo. Porque o resto, (…) é requisito legal, tem de se cumprir (…). Agora as auditorias da certificação é um peso muito grande. Nós por exemplo, em 2022, (…) chegamos a ter 7 dias e meio de auditorias. Quer dizer nós pagamos essas auditorias…” (EMP_1) “(…) Embora os custos da auditoria externa sejam elevados…” (EMP_3) “A nível de custos, temos os custos da auditoria anual, de renovação da norma, em que é um custo inevitável…” (EMP_4) “Em termos de auditorias, claro que estas têm um custo externo de termos um auditor cá.” (EMP_8) “E os (…) custos dos organismos de certificação, (…) estão definidos com base no número de trabalhadores, ou seja, número de dias de auditoria tem a ver com o número de trabalhadores e, portanto, isso penaliza as empresas de (…) mão-de-obra intensiva”. (CTCP) A EMP_4, apesar de apontar como um custo, visualiza as auditorias não como um momento de deteção de erros, mas como “um contributo para ajudar a melhorar e a conseguir implementar novas medidas e conseguir ter um sistema de gestão mais maduro”. A par das auditorias, destacou-se também os custos de investimentos em novos equipamentos: “Houve muitas máquinas que foram renovadas para ter em conta a nova norma” (EMP_2) “Podemos ter em investimentos, como falei com as questões dos painéis fotovoltaicos…” (EMP_8) “(…) a fase de operacionalização é a mais dispendiosa uma vez que implica alguns investimentos em equipamentos e em melhorias dos existentes.” (APCER) No entanto, tanto a EMP_7, como a APCER e o CATIM/AIMMAP referem o nível de maturidade e impacto ambiental da empresa como variáveis determinantes do grau e exigência de investimentos necessários. Ou seja, uma maior maturidade ambiental representa uma menor necessidade de investimento: (…) vai depender dos impactos ambientais que a empresa tem. (…) Este tipo de certificação não é tão generalista (…), depende muito da atividade onde está, da dimensão da sua empresa.” (EMP_7) “Vai depender do grau de maturidade ambiental da organização. Há empresas sem sistema de gestão ISO 14001 com desempenho ambiental muito bom e que não teriam de avançar com grande investimento para a certificação.” (APCER) O Impacto da Certificação Ambiental na Internacionalização - Um Estudo no Mercado Português Capítulo 5 Página|103 “Depende muito do nível de organização da empresa. Se a empresa já tiver um nível de organização elevado, já cumprir os requisitos legais, se calhar a maior parte dos custos terá a ver com a questão da mudança, das melhorias…” (CATIM/AIMMAP) No entanto, os entrevistados também descrevem estes custos como investimentos de retorno a médio e longo prazo, devido à diluição dos custos de investimento à medida que vão sendo obtidos benefícios decorrentes dos mesmos, seja ao nível de poupanças de energia, ganhos de eficiência, entre outros: “(…) quando decidimos implementar a 14001 nós não vimos isso como um custo ou como algo que tínhamos de passar, víamos isso como uma vantagem. Só profissionalizando é que conseguimos crescer, alargar mercados e angariar mais clientes…” (EMP_2) “Os custos foram há muito, diluídos nos dividendos”. (EMP_3) “Eu vejo isto como um investimento, (…) inicialmente há uma fase em que a empresa tem de ter um esforço, mas que depois acaba por ser amortizado com as ações, as medidas a serem implementadas.” (EMP_8) “(…) as organizações começam a perceber que este investimento tem retorno, por exemplo, na redução dos custos com consumos energéticos ou de água”. (APCER) 5.3.10. Impacto Pós-Certificação Na tentativa de compreender os impactos da certificação ISO 14001 para a performance das empresas procurou-se entender de que forma a norma ambiental melhorou o desempenho. De um modo geral, os inquiridos apresentaram alguma dificuldade em clarificar as áreas específicas que sofreram uma melhoria clara de desempenho devido à incidência da ISO 14001 na constante melhoria contínua da operação ao longo dos anos, e da própria dispersão de realidades desde o período pré e pós-certificação: “(...) nós vamos é fazendo melhorias, a chamada melhoria contínua, onde procuramos fazer melhorias nos indicadores. (…) Não se vê num ano, mas sim ao longo de vários anos.” (EMP_1) “Então isso é difícil de medir. Estamos a falar de coisas muito intangíveis, não é propriamente uma coisa fácil de medir em termos económicos…” (EMP_7) “Essa pergunta é bastante difícil de responder porque (…) a empresa cresceu muito, por isso acho que não consigo realizar uma comparação justa como com uma empresa que implementou há 5 anos em que a realidade não é assim tão diferente…” (EMP_8) Nas empresas e entidades de apoio que conseguiram caracterizar as variáveis de melhoria destacaram o maior cumprimento da lei, a melhor gestão de resíduos associada com menores desperdícios, maior inovação nessa gestão, bem como uma maior monitorização da performance e capacidade prevenção/antevisão de situações de não conformidades, com uma exemplificação por parte O Impacto da Certificação Ambiental na Internacionalização - Um Estudo no Mercado Português Capítulo 5 Página|110 IAPMEI “(…) é um fator dinâmico de competitividade que, embora não seja fundamental para a operacionalização diária, é sim crucial numa perspetiva de diferenciação e competitividade em mercados externos (…) reforçando a sua fiabilidade e boa imagem.” CTCP “(…) uma parte significativa das empresas é B2B, portanto, trabalha com marcas e basicamente, é a sua diferenciação…” 5.5.2. Garantia de Qualidade e Segurança A qualidade e segurança do produto, bem como dos próprios processos da empresa, é um dos fatores mais referenciados pelos inquiridos. Nas suas perspetivas, o facto de possuírem a ISO 14001, devido ao seu reconhecimento internacional, transmite aos clientes internacionais uma garantia de que a empresa opta por processos conscientes e procura ativamente diminuir a sua pegada ambiental, que se traduz em produtos menos tóxicos e mais sustentáveis. Além disto, a própria melhoria dos processos auxilia o cumprimento das expectativas dos clientes e exigências ao nível da qualidade dos produtos. Ora, esta demonstração de qualidade, contribui para o estabelecimento de uma confiança inicial em novos negócios e reforça as relações comerciais já estabelecidas, fortalecendo a credibilidade da empresa ao nível internacional (Tabela 19): Tabela 19 Perceção de Garantia de Qualidade e Segurança Internacional com a ISO 14001 EMPRESA ANÁLISE EMPÍRICA EMP_1 “Dá um bocadinho a garantia de sucesso. (…) para uma empresa que não tenha qualquer certificação ou informação a nível de ambiente, a EMP_1 é selecionada.” EMP_2 “O que nos veio ajudar foi melhorar os processos para conseguirmos melhorar os prazos de entrega e cumprir com as expectativas dos clientes. (…) tudo no processo produtivo, (...) que venha melhorar traduz-se numa melhoria de satisfação aos nossos clientes e esse é o nosso foco.” EMP_4 “Dá mais segurança. Se somos certificados a nível ambiental, temos de cumprir determinados requisitos, e isso acaba por nos tornar mais seguros e eles ficam mais seguros.” EMP_5 “(…) ao nível de uma maior perceção de qualidade, por parte dos clientes. Sendo uma empresa que é da Europa e ser certificada, há outro selo de qualidade, outra credibilidade, outra diferenciação.” EMP_6 “Promoção de boas práticas junto de mercados mais exigentes.” EMP_8 “O facto da norma ser internacional acaba por ter a mesma importância em diferentes mercados, porque essas empresas também têm essas certificações e garante à partida que estão a ser feitas parcerias com as mesmas preocupações, e isso em termos ambientais é muito positivo.” APCER “Cada vez mais a ISO 14001 permite às organizações assegurarem aos seus clientes que o seu impacte na cadeia de valor e no ciclo de vida dos produtos está controlado.” IAPMEI “(…) ao nível internacional é garantia de uma qualidade nos produtos comercializados pelas empresas…” CATIM “A norma ISO, por ser internacional é válida em qualquer país (…) segue o mesmo referencial. (…) O facto de seguirem um referencial verificado e auditado por uma entidade O Impacto da Certificação Ambiental na Internacionalização - Um Estudo no Mercado Português Capítulo 5 Página|111 externa acreditada e aceite, (…) demonstra que há um respeito, um cumprimento integral dos requisitos da norma é válido em todo o lado. É uma garantia de confiança, qualidade e credibilidade.” CTCP “(…) cada vez mais as marcas internacionais querem mostrar (…), que a sua cadeia de fornecedores é integrada por empresas que são boas cidadãs. (…) nesse caso, (…) é preciso evidenciar e (…) mostrar que trabalham com fornecedores certificados. Portanto, (…) do ponto de vista da internacionalização, a certificação tem um valor acrescido para as empresas, porque (…) é uma forma de evidenciar essas práticas. Acaba por garantir confiança, credibilidade, qualidade. Confiança inicial até, porque para quem está de fora, ter a ISO 14001 significa que a empresa já tem uma estrutura montada, tem preocupações ambientais…” Neste âmbito a EMP_7 (pertencente à indústria química de tintas e vernizes), prefere destacar o foco da norma ISO 14001 no processo e não no produto, pelo que o diretor de qualidade reforça a importância da norma como um requisito do negócio e de manutenção no mercado: “a questão ambiental é crucial para estar na atividade. Não é um fator de sucesso, mas é um fator de continuidade para estar no negócio em qualquer uma das geografias onde nós estamos. (…) Quando se vai para mercados externos como o alemão, por exemplo, a adaptação maior é ao nível do produto, não é muito ao nível do processo, mas mercados mais exigentes não lhe permitem que não cumpram as normativas exigíveis na própria origem. (…) se é valorizado de uma maneira palpável para ser um fator de sucesso em negócios de exportação tenho de responder que não…” (EMP_7) 5.5.3. Maiores Acessos a Apoios para Empresas A possibilidade acrescida de aceder apoios externos de auxílio à internacionalização e ao desenvolvimento de estratégias ambientais foi, surpreendentemente, uma temática referida. A visão dos inquiridos converge na medida em que a implementação e demonstração de boas práticas ao nível ambiental em mercados internacionais, reforça a credibilidade da organização como uma concorrente viável para usufruir dos apoios limitados concedidos, assumindo-se como um fator de desempate entre empresas de características semelhantes: “Abriu portas a concursos que exigiam boas práticas e certificações” (EMP_3) “A certificação ambiental é uma variável de valorização das candidaturas que poderá servir como um fator de desempate entre várias organizações de características semelhantes. (…) Além de servir como um impulsionador na seleção para o acesso a mais financiamentos e apoios na atuação ambiental, ao nível internacional é garantia de uma qualidade…” (IAPMEI) 5.5.4. Reforço da Competitividade e Papel da Concorrência Internacional A exigência dos clientes internacionais, tal como analisado anteriormente, assumiu um papel de importância na perspetiva dos inquiridos para a adoção da ISO 14001, portanto, procurou-se compreender, não só se as empresas com esta adoção reforçaram esta competitividade, mas também O Impacto da Certificação Ambiental na Internacionalização - Um Estudo no Mercado Português Capítulo 5 Página|112 o papel que a concorrência assumiu na imitação de práticas ambientalmente conscientes. Embora não tenham respondido diretamente ao papel que as estratégias dos concorrentes assumiram nas suas ações, as empresas consideram que a implementação da ISO 14001 efetivamente reforçou o seu papel competitivo. A EMP_4 acrescenta a exigência de outro tipo de certificações específicas à ISO 14001, de modo a corresponder aos requerimentos dos clientes de forma diferenciadora: “Sim sem sombra de dúvidas” (EMP_1) A concorrência…. Tirando Portugal, como estamos aqui a trabalhar com players internacionais, a discrepância é muita… (…) eu não vejo a ISO como um meio para, mas sim como uma forma de acrescentar valor. (EMP_2) “Sim, pois as exigências começam a ser constantes. Quem tem esta certificação está em vantagem.” (EMP_3) “A 14001 para eles, (…), são certificados, sim, mas requerem sempre outro tipo, uma que seja reconhecida internacionalmente e, por exemplo, a SMET é uma delas (…) ou seja, a presença destes fatores é que poderá nos diferenciar face a concorrentes…” (EMP_4) Eu acho que se os concorrentes externos tiverem a ISO, coloca-nos no mesmo patamar e se não tiverem é diferenciador.” (EMP_5) “Sim, cada vez mais, os clientes e prescritores tem essa referência.” (EMP_6) No que respeita à imitação de práticas de concorrentes internacionais, as entidades de apoio (com exceção da CTCP) consideram que esta é uma variável de relevância e de influência, dado que a paridade das empresas nacionais com os players internacionais resulta não só numa melhoria de imagem, mas como uma própria necessidade para a manutenção no mercado: “Sim, mas mais interessante é depois perceberem que acabam por ganhar mais do que a melhoria da sua imagem.” (APCER) “Sim. Faz parte do meio de mercado. Repare, se eu estou a concorrer com outra empresa, até posso ter melhor preço, mas começa a ser um parâmetro diferenciador (até com as novas políticas europeias ambientais) nestas circunstâncias. E acresce que algumas empresas estão a exigir isso à partida. (…) Não tenho dúvida nenhuma.” (CATIM/AIMMAP) Na visão da CTCP, embora o gestor não descarte a imitação de práticas concorrentes como uma situação recorrente em certificações de caráter altamente específico, considera que no caso da ISO 14001, pela sua ambivalência e notoriedade, os indutores são essencialmente os requisitos dos clientes. É destacado ainda a criteriosa seleção das empresas no que respeita à alocação dos recursos e de investimentos, pelo que a própria adoção da norma é vista de um modo que se estende além da paridade O Impacto da Certificação Ambiental na Internacionalização - Um Estudo no Mercado Português Capítulo 5 Página|113 concorrencial: “Não. (…) A maior parte das situações é: “Tenho um cliente que já me fez uma auditoria uma vez e faloume nisto” e isto é um tipo de motivação que ocorre sistematicamente (…) Pode acontecer de outras certificações que não a ISO 14001, porque há cada vez mais certificações específicas e (…) aí sim aí, poderá haver alguma indução de olhar para um concorrente numa feira que tem determinada certificação e gerar uma procura. Agora a ISO 14001 é uma norma (…) conhecida. (…). Mas as empresas, até por uma questão de relação de custo-benefício, são muito criteriosas (…) procuram tentar focar-se antes de avançar, do que é que isso pode trazer para a empresa. (CTCP) O Impacto da Certificação Ambiental na Internacionalização – Um Estudo no Mercado Português Capítulo 6 Página|114 Capítulo 6: Discussão de Resultados Neste capítulo interpreta-se os dados obtidos considerando a revisão e literatura científica analisada. Começa-se por analisar os resultados na temática da responsabilidade corporativa, prosseguindo com os temas relacionados com a ISO 14001 e a relação entre internacionalização e certificação. 6.1. Responsabilidade Corporativa Dada a relevância da responsabilidade corporativa devido às consequências interdependentes e simultâneas sofridas mundialmente (Panayotou, 2000), as ações sustentáveis tomadas e motivações verificadas junto dos inquiridos para a tomada de decisões nesse sentido apresentam-se em concordância com revisão literária apresentada considerando as motivações internas e externas para a mudança. 6.1.1. Ações Sustentáveis Implementadas As empresas participantes, na exemplificação das ações sustentáveis por si implementadas, enquadraram-nas em categorias como reaproveitamento de águas e resíduos, melhorias de embalagens e de produtos, a par de uma monitorização de consumos de energia e utilização de fontes alternativas, além da seleção de fornecedores, corroborando a literatura científica revista até ao momento. As estratégias de reutilização das águas em processos de circularidade e a reutilização de resíduos materializadas pela reincorporação no processo produtivo, como é o caso da EMP_3 com o plástico residual, ou na própria gestão de resíduos e reciclagem das EMP_4 e EMP_6, e na valorização dos resíduos perigosos da EMP_7, enquadram-se nas conclusões apresentadas por Porter & Van der Linde (1995) e Berry & Rindinelli (1998) que defendem a implementação desta tipologia de ações numa ótica de melhoria da qualidade do processo produtivo com vista a reduzir o desperdício e reorganizar o processo de um modo mais eficiente. A mesma concordância, defendida por Potricha et al. (2019) pode ser aplicada nas melhorias de embalagem, através da sua capacidade de reciclagem ou de reutilização aplicadas pelas EMP_1 e EMP_8, do produto com a eliminação de componentes tóxicos da EMP_7 e da própria utilização e monitorização da energia referenciadas por todas as empresas à exceção da EMP_3. As EMP_4 e EMP_2 referiram a seleção de fornecedores como medida de melhoria de performance ambiental que, embora não tenha sido uma das principais medidas com impacto direto na sustentabilidade das organizações, está em linha com S.-Y. Lee (2016), que assinala a conformidade O Impacto da Certificação Ambiental na Internacionalização – Um Estudo no Mercado Português Capítulo 6 Página|115 ambiental ao longo de toda a cadeia de valor da organização, podendo esta medida ser justificada no âmbito da melhoria da responsabilidade corporativa. 6.1.2. Motivações Internas e Externas As motivações internas referenciadas como impulsionadores de práticas responsáveis, são a procura de processos mais eficientes e otimizadores dos recursos disponíveis, procurando a diminuição de desperdício, a progressão das condições de trabalho e a melhoria do papel da organização em termos de responsabilidade social. A procura de processos mais eficientes, diminuição de desperdício e otimização de recursos disponíveis, gera na visão dos gestores inquiridos, a maximização da rentabilidade decorrente desta gestão otimizada. Estes resultados corroboram Porter & Van Der Linde (1995), no que respeita às atividades realizadas na ótica da melhoria do processo, e Bansal & Roth (2000) que referenciam este retorno a longo prazo decorrente do investimento realizado nestas mudanças. Nas melhorias das condições laborais destacadas pela EMP_2, que são materializadas na geração de novas posições e na melhoria dos postos de trabalho já existentes, exemplificam a visão de Darnall et.al (2010) defendendo o alinhamento das visões ambientais dos funcionários e da organização como uma forma de geração de emprego para estas empresas e de uma maior capacidade de manutenção do local de trabalho. Por último, na preocupação com o papel da empresa na sociedade, as empresas destacaram a preocupação com a sustentabilidade das gerações futuras como um mote para melhorar a postura ambiental da organização. Esta não foi uma motivação de destaque na comunidade científica, com breves menções de Wolf (2014) que considera do impacto ambiental da empresa tendo em conta todas as suas partes interessadas e por Aragon-Correa et al. (2020) que mencionam a envolvente cultural e social da organização como um possíveis motores de alterações do seu comportamento. O papel dos acionistas é visto por Villiers et al. (2021) e Kordsachia et al. (2022), como um impulsionador de mudanças de estratégias ambientais, devido à sua forte ligação na exigência de uma melhoria de performance ambiental relacionada com a melhoria dos resultados financeiros, pelo que esta combinação é geradora de mais valorização no mercado, maior vantagem competitiva e maior potencial de captação de investimento, associado a uma mitigação de riscos a longo prazo. No entanto, apesar deste forte destaque por parte dos vários autores mencionados, junto das empresas inquiridas, não se verificou o papel dos acionistas como uma forte motivação interna. O Impacto da Certificação Ambiental na Internacionalização – Um Estudo no Mercado Português Capítulo 6 Página|116 Poderá argumentar-se que a relativização deste papel poderá ter que ver com a própria dimensão e tipologia das organizações (muitas delas PME, ou Grandes Empresas com algumas características de PME), porém, essa é uma questão que carece de maior aprofundamento. 6.1.3. Exigências de Mercado As exigências de mercado enquanto ativadores de uma maior responsabilidade corporativa foram classificadas por Phan & Baird (2015) em pressões coercivas, miméticas e normativas. Apesar dos inquiridos não utilizarem esta terminologia, exemplificam e comprovam claramente as conclusões retiradas. Os entrevistados sentiram que as maiores exigências foram a necessidade de conformidade legal com as regulamentações vigentes e a mudança de visão dos clientes como as principais exigências. Assim, é seguro afirmar que a necessidade de conformidade legal é uma exemplificação clara de pressões coercivas (no caso de serem exigências de organismos governamentais ou reguladores) e normativas, se se afirmarem como regras de conduta exigidas pelo setor de atividade. Estas pressões normativas são ainda exemplificadas pelas exigências dos clientes (ao nível externo) por uma implementação de condutas responsáveis. Dos dados obtidos, a única pressão não comprovada foi a pressão mimética. A imitação de práticas de concorrentes em situações de incerteza numa tentativa de manutenção da vantagem competitiva, apenas foi referenciada no tema do ambiente competitivo que tem que ver com a questão da procura de diferenciação e melhoria de imagem. Logo, dada esta procura de diferenciação ao invés de imitação não pode ser enquadrada no mimetismo. Esta imitação dos concorrentes poderá potencialmente ser uma variável de exigência de mercado, no entanto necessitaria não só de uma abordagem mais explícita a esta questão, bem como de uma amostra mais alargada para ser comprovada. 6.1.4. Pressões de Stakeholders Os dados recolhidos reforçam a importância das pressões ao nível dos stakeholders referenciada por Kassinis & Vafeas (2006) e Friedman & Miles (2002), que expõem que o grau de importância dado pelos gestores aos stakeholders como definidor da dinâmica das relações e mudança de estratégias, se assim se verificar necessário. Poltroneri et al. (2018) consideram que as influências das relações dos stakeholders com as empresas incidem sobre os sistemas de gestão das organizações, pelo que o impacto no sistema ambiental referido é um exemplo factual do poder destes atores junto das empresas. O Impacto da Certificação Ambiental na Internacionalização – Um Estudo no Mercado Português Capítulo 6 Página|117 1. Clientes No papel dos clientes como indutores de novas abordagens ambientais, os dados destacaram o papel da globalização, da comunicação e sensibilização da problemática ambiental, que tem gerado nos clientes (fundamentalmente industriais), uma forte exigência e sensibilização para produtos menos tóxicos e menores emissões de carbono, comprovando conclusões de Stern (2000), Bleidorn et al. (2021) e de Thørgersen et al. (2012), onde argumentam que a sensibilização e predisposição pró-ambiental traduzem-se em comportamentos de compra e exigências concordantes com esses valores. Dado que a forte maioria dos clientes dos participantes encontram-se no mercado Business to Business, foi reforçado pelos entrevistados, a necessidade de conformidade ambiental em toda a cadeia de valor, originada da parte dos consumidores finais e tomando uma abordagem inversa desde o fim da cadeia de valor até à origem, sendo exigido às empresas inquiridas como fornecedoras dos seus clientes industriais, decorrente dos próprios requerimentos dos seus clientes finais, pelo que comprova a visão de S-Y. Lee (2016), que acrescenta que a adoção de certificações internacionais poderá ser uma das respostas a estas mudanças. 2. Fornecedores: A conformidade ambiental na cadeia de valor foi estendida aos fornecedores como o fator de maior importância no que à influência destes diz respeito na mudança de práticas. Os entrevistados referiram a importância que a orientação ambiental dos seus fornecedores assume na seleção e na própria sustentabilidade dos processos de produção, no entanto, esta preocupação ambiental, não assume um caráter eliminatório na sua seleção, devido à sobreposição de fatores económicos, de flexibilidade de resposta e de proximidade. Embora estes critérios de seleção não tenham sido uma variável particularmente referida na revisão científica, sendo principalmente destacados por Mani & Gunasekaran (2018) o aumento de poder de negociação dos fornecedores de práticas sustentáveis junto dos compradores, e por Cheng-Wen (2008) a necessidade de uma relação cooperativa entre ambos os parceiros para uma cadeia de valor em conformidade, é possível relacionar as conclusões de Stern & Valero (2021) com os critérios de seleção de fornecedores dos inquiridos. Estes autores argumentam que as variáveis de custos e socioeconómicas são, muitas vezes, um entrave à mudança de comportamentos. Apesar desse estudo ser direcionado para consumidores finais, é possível realizar um paralelismo com os consumidores industriais dado que O Impacto da Certificação Ambiental na Internacionalização – Um Estudo no Mercado Português Capítulo 6 Página|118 também estes são afetados pelas limitações socioeconómicas que poderão limitar ou inibir a escolha por fornecedores mais sustentáveis. 3. Colaboradores e Acionistas: Os colaboradores e acionistas, apesar de serem um stakeholder relevante, não foram referidos por todas as organizações como particulares indutores de mudança. Nas que referiram os colaboradores (EMP_7 e EMP_8), destacaram, não o papel impulsionador, mas o de satisfação dos colaboradores no seu local de trabalho após a implementação das estratégias sustentáveis, suportando a posição de Darnall et al. (2010), na defesa de uma maior probabilidade de manutenção no local de trabalho quando os funcionários apresentam os mesmos alinhamentos ambientais que os da empresa. Já a posição de Renwick et al. (2013) que referem a transferência da preocupação ambiental das firmas para a fase de recrutamento, com a seleção de funcionários de valores sustentáveis alinhados, não foram comprovadas neste estudo. Na importância dos acionistas para a mudança de comportamentos, a EMP_7 refere o seu forte papel indutor devido à sua necessidade de colocarem a empresa em conformidade ambiental, evitando a exposição ao risco e ao comprometimento da rentabilidade do negócio, alinhando-se com as visões de Henriques & Sadorsky (1996) e Kordsachia et al. (2022) que reforçam estas mesmas preocupações dos acionistas de diminuição da exposição ao risco, a diminuição do lucro e acrescentam ainda a dificuldade de atingir metas, captar novos investidores e impacto da reputação da empresa no caso de não conformidades. 4. Comunidades A influência das comunidades é apenas referida pela EMP_7 como um promotor da atuação responsável da empresa como um ativo na sociedade. O gestor de qualidade não caracterizou de modo aprofundado as características das comunidades a que se se refere, pelo que é complexo comprovar totalmente a teoria de Kassinis & Vafeas (2006) em termos da variação da influência das comunidades no decurso dos comportamentos das empresas considerando as suas características. Comprova-se assim, apenas parcialmente esta visão, na medida em que efetivamente as mesmas representam algum grau de impacto na definição das políticas ambientais. O Impacto da Certificação Ambiental na Internacionalização – Um Estudo no Mercado Português Capítulo 6 Página|119 5. Regulamentações Na visão de Aragon-Correa et al. (2020), Aguilera-Caracuel et al. (2013), de Marcus et al. (2011) e Christmann (2004), as regulamentações e, organismos regulatórios, assumem uma pressão externa nas organizações pela capacidade que possuem em influenciar toda a conduta da organização. Neste estudo, com exceção da EMP_1 e EMP_2, todas as empresas e entidades de apoio à certificação reconheceram o impacto das regulamentações na indução da mudança para estratégias sustentáveis, com particular foco por parte da CTCP no forte crescimento deste tipo de diretivas, e no destaque da APCER e do CATIM para a necessidade deste cumprimento como um fator de manutenção no mercado. Esta visão exemplifica a perspetiva de Aguilera-Caracuel et al. (2013) e de Aragon-Correa et al. (2020) que referem que estas regulamentações controlam as externalidades negativas provocadas pelos comportamentos de mercado, sancionando os incumpridores, corroborando a necessidade de fiscalização de comportamentos destacada pela EMP_7 que espera, a partir deste controlo, uma maior equidade de práticas entre organizações. Majumdar & Marcus (2001) afirmam que o cumprimento das regulamentações ambientais, após atingir um ponto de otimização de práticas adotadas, afirmam-se como um propulsor de inovação, de aumento de qualidade e de diminuição de perdas e desperdícios. Este propulsor de inovação, embora não esteja diretamente relacionado, poderá associar-se à aceleração de investimentos no âmbito ambiental exigidos referidos pela EMP_3, de modo que possam manter-se em conformidade com o enquadramento legal vigente. Para as empresas inquiridas que revelaram uma orientação mais proativa face ao papel da legislação, Majumdar & Marcus (2011) apontam que o cumprimento das normas poderá combater ineficiências produtivas, o que se alinha com a visão da EMP_1 quando refere o cumprimento da legislação numa ótica de “melhoria interna”. Já a postura preventiva da EMP_2 face à regulamentação enquadra-se nas conclusões de Marcus et al. (2011) particularmente nos tipos de empresas que implementam uma estratégia robusta na tentativa de fazer face às possíveis orientações que os regimes normativos poderão tomar. Em termos internacionais, Wright & Nyberg (2017) referem que a procura de cumprimento das regulamentações no país de destino incide na tentativa de evitar dados de reputação, onde AguileraCaracuel et al. (2013) acrescentam que este grau de cumprimento varia conforme a distância institucional entre países, e nas próprias orientações ambientais do mercado que irão influenciar o grau O Impacto da Certificação Ambiental na Internacionalização – Um Estudo no Mercado Português Capítulo 6 Página|126 empresas uma criação de capacidades e competências únicas, o que embora não tenha sido referenciado diretamente por todas as empresas, foi exemplificado pela EMP_4, a promoção da inovação na produção. Darnall et al. (2008) expõem a diferenciação das empresas com a implementação contínua do standard , um fator que nesta questão específica não foi particularmente referido pelos entrevistados. Ao nível da capacidade de manutenção da norma ao longo do tempo, Bansal & Bogner (2002) concluem que esta é uma das fases mais complexas devido aos custos necessários para a manutenção das melhorias, relacionando-se com Wang (2017) que, apesar de se referir aos consumidores, poderá aplicar-se ao próprio comportamento dos funcionários das empresas, onde o autor conclui que a continuidade dos comportamentos sustentáveis é a fase de maior dificuldade de cumprimento devido aos contextos situacionais e problemas diários que se sobrepõem a estas preocupações. Na visão dos inquiridos, tal não se verifica, visto que a ISO 14001 possui a definição das próprias metas e indicadores ambientais aplicados à génese das empresas, possibilitando a implementação das melhorias ao próprio ritmo, alinhando-se com Bansal & Hunter (2003), no destaque da implementação de processos de forma gradual aplicados às características e objetivos das organizações. Em conclusão, apesar de todas as empresas referirem um impacto positivo da norma ISO 14001 na gestão ambiental das organizações, não poderão ser desvalorizadas as conclusões de Jiang & Bansal (2003) e de King et al (2005) que apesar de poderem verificar uma potencial melhoria de performance ambiental, preferem reforçar o reconhecimento internacional beneficiado pela norma, podendo ser complexo isolar a mera ação de certificação a essa melhoria. Neste seguimento, Potoski & Prakash (2005) expõem a necessidade de constantes auditorias como um dos fatores que garantem esta melhoria associando-se a Jiang & Bansal (2003), que questionam o caráter uniformizador e universal da norma e a possibilidade de um sistema ambiental aplicado especificamente a cada empresa poder potencialmente gerar melhorias mais substanciais na performance. Este argumento é de certa forma ilustrado pela EMP_8, com a troca da certificação ISO 9001 por um sistema de gestão de qualidade desenhado especificamente para a empresa como uma organização pertencente ao setor farmacêutico. Ora esta troca apesar de não ter sido verificada em nenhuma outra empresa aplicada ao sistema de gestão ambiental, poderá ser uma variável de análise e aprofundamento futuro, de modo a compreender se poderá efetivamente ser um fenómeno aplicado à gestão ambiental ou simplesmente aplicado a indústrias altamente específicas e regulamentadas como a farmacêutica. O Impacto da Certificação Ambiental na Internacionalização – Um Estudo no Mercado Português Capítulo 6 Página|127 Ainda neste impacto da certificação, e considerando o modelo proposto por Ferrón-Vilchez (2016) que exemplifica a relação entre a certificação ambiental e o próprio impacto no desempenho, conclui-se que todos os participantes se enquadram no “ Perfil Factual ”, onde mediante as ações sustentáveis implementadas, são empresas que efetivamente implementam as orientações da norma, criando estratégias de desenvolvimento e beneficiando das vantagens internas de performance e externas ao nível comercial que poderão obter. 6.3. Internacionalização e Certificação Ambiental Na internacionalização, Olmos (2011) aponta a exportação como o padrão dominante devido à rapidez e simplicidade de acesso a mercados externos. A partir dos dados obtidos, comprova-se este padrão, dado que a maior parte das empresas (com exceção da EMP_8 que apresenta Investimento Direto) possui presença internacional através de exportações. 6.3.1. Vantagens e Dificuldades Nas vantagens deste processo as visões científicas analisadas neste estudo destacaram o aumento da quota de mercado, a potenciação de legitimidade e a possibilidade de explorar as suas capacidades e competências como algumas das principais vantagens. Os resultados suportam a literatura, com destaque para a divulgação da marca e da própria legitimidade das práticas da empresa, exigência de novas competências devido ao contacto com diferentes culturas, e acrescentam ainda a diversificação e diminuição de risco de negócio. Já nas dificuldades de internacionalização, a OECD (2008, 2009) destaca as barreiras regulatórias, aduaneiras e processuais como fortes obstáculos associados aos custos necessários para levar a cabo este processo. O mesmo organismo refere ainda a necessidade de informação e adaptação ao mercado de destino como questões limitadoras no processo de internacionalização. Estas barreiras alfandegárias e regulamentares foram também o obstáculo mais referido pelos inquiridos. Além disto, os entrevistados referem os custos dos transportes decorrentes da Guerra Ucraniana e da própria inflação que veem exacerbar o impacto financeiro já elevado apontado como limitador da internacionalização. 6.3.2. Impacto da Certificação Ambiental na Internacionalização Quanto à relação entre a certificação ambiental e a internacionalização, os resultados estão alinhados com a investigação científica. Segundo os inquiridos, ao nível internacional, a diferenciação, a garantia de qualidade e segurança, melhoria de reputação e reconhecimento de boas práticas são os maiores benefícios recolhidos. O Impacto da Certificação Ambiental na Internacionalização – Um Estudo no Mercado Português Capítulo 6 Página|128 Iniciando pela diferenciação e melhoria de reputação, este foi um fator fortemente destacado pelas empresas e entidades de apoio, visto que grande parte dos clientes das empresas devido à exigência de procedimentos ambientais dos seus clientes business , acabam por se diferenciar quando conseguem fazer face a estas exigências através da ISO 14001. Do lado científico, Prakash & Potoski (2006) destacam estas mesmas exigências que a certificação ambiental pode colmatar, com Pacheco et al. (2022) referindo que em empresas de setores menos tecnológicos ou diferenciados, a certificação vem acrescentar valor na atuação internacional. Se considerar-se a tipologia de setor às empresas inquiridas, efetivamente poderá comprovar-se esta perspetiva dado que todas pertencem à indústria, em setores tradicionalmente pouco tecnológicos ou diferenciados (excetuando a EMP_8), produzindo em muitos casos componentes para a produção de outros produtos finais, como é o caso do setor cerâmico ou têxtil, por exemplo. Ao nível da melhoria de reputação Potoski & Prakash (2004) destacam a melhoria da imagem corporativa da firma devido ao foco do standard na melhoria dos processos, pelo que esta melhoria da imagem referida pelos inquiridos é verificada essencialmente ao nível da marca. A teoria de Vogel aplicada à ISO 14001 proposta por Potoski & Prakashi (2004) sobre a influência do seguimento das estratégias ambientais de acordo com a visão do importador, não é totalmente comprovada neste estudo, devido à pequena amostra e à ausência de informação dos inquiridos sobre a internacionalização das suas empresas. No entanto, poderá argumentar-se que o facto de grande parte dos clientes dos participantes serem grandes marcas internacionais com um forte poder negocial, influenciam também a conformidade ambiental e a procura da certificação ambiental podendo, portanto, afetar o decurso destas estratégias das empresas participantes de acordo com os seus alinhamentos ambientais de modo a manter estas relações negociais. A garantia de qualidade e segurança fornecida pela ISO 14001 devido ao seu reconhecimento internacional, é referida pelos inquiridos (à exceção da EMP_7) como um sinal transmitido aos clientes não só de um cumprimento com os standards exigidos, mas também de uma procura constante de diminuição de pegada ambiental. Uma questão ainda referida pelos entrevistados é o estabelecimento de uma confiança inicial com novos parceiros que a ISO 14001 oferece através da credibilidade garantida com o standard . Estes fatores comprovam as conclusões de King et al. (2005) ao argumentarem que a redução das assimetrias de informação é conseguida através de uma comunicação de um sistema ambiental melhorado, com o comprovativo da certificação ISO 14001 que garante uma gestão em constante melhoria, transmitindo uma forte confiança e segurança inicial aos novos parceiros e nas próprias relações comerciais já existentes. O Impacto da Certificação Ambiental na Internacionalização – Um Estudo no Mercado Português Capítulo 6 Página|129 O terceiro fator referido pelas empresas tem que ver com o maior acesso a apoios no auxílio à internacionalização, devido à demonstração de boas práticas ao exterior o que, na visão dos entrevistados, destaca a credibilidade das empresas e reforça a sua viabilidade como beneficiário de potenciais apoios, sendo até classificado como um fator de desempate neste acesso pelo IAPMEI. Tal como analisado anteriormente, existe um forte escrutínio na definição dos critérios para aceder a apoios governamentais e comunitários. Assim, é suportada a visão de W. Wang & Wang (2023) e Arocena et al. (2021) que referem que esta conformidade com as expectativas sociais e a demonstração de sustentabilidade como uma condição para as empresas usufruírem de subsídios governamentais, dando abertura para a cobrança de preços premium , no entanto tal não foi comprovada neste estudo, com a EMP_4 destacando até a dificuldade de definição de preços competitivos em mercados internacionais considerando as características do seu negócio e do mercado de destino. Nesta relação certificação ambiental-internacionalização, procurou-se ainda compreender o papel da concorrência internacional na procura da ISO 14001. Na visão das empresas inquiridas não houve grande destaque para a influência dos concorrentes nesta decisão, preferindo referir o papel das exigências dos clientes já mencionado como fatores que afetaram a adoção da ISO 14001 no contexto internacional. No entanto, as entidades de apoio à certificação, com exceção da CTCP, referiram as práticas ambientais dos concorrentes internacionais como um indutor de mudança de estratégias de forma a manterem-se em paridade e até para se diferenciarem dos players internacionais. Do lado da CTCP, embora não descarte a imitação concorrencial como um fator de indução, aponta-se a ISO 14001 como uma norma de grande ambivalência e notoriedade, pelo que os principais motivadores são as exigências dos clientes internacionais. Este gestor prefere apontar a imitação de práticas concorrenciais como um fator de motivação em certificações mais específicas e de caráter menos generalista, como por exemplo certificações de produtos, que eventualmente poderão assumir-se como um motivador de atuação internacional. Embora esta imitação de práticas possa ser enquadrada nas pressões miméticas previamente analisadas, a visão da CTCP alinha-se com as conclusões de Sua et al. (2015), na medida em que efetivamente a imitação da certificação ISO 14001 meramente para se encontrar em paridade concorrencial, limitará os potenciais benefícios internos que a empresa poderá obter e a própria diferenciação visto que gerará uma homogeneização das características das empresas presentes no mercado, pelo que as motivações a partir das exigências dos clientes são mais comuns. O Impacto da Certificação Ambiental na Internacionalização – Um Estudo no Mercado Português Capítulo 7 Página|130 Capítulo 7: Conclusão Neste capítulo apresentam-se as conclusões desta investigação respondendo à questão inicial proposta. Primeiramente expõem-se as conclusões finais, conectando os impulsionadores para a responsabilidade corporativa com a implementação da ISO 14001 e seu impacto na performance internacional. De seguida, efetua-se uma reflexão crítica considerando os contributos teórico-práticos que esta investigação proporcionou, partindo-se para uma análise das limitações enfrentadas neste estudo, estabelecendo-se por fim, sugestões para a elaboração de investigações futuras. 7.1. Conclusões Finais Os resultados desta investigação comprovam que a responsabilidade ambiental tem assumido um papel de extrema relevância na definição das estratégias de gestão das empresas nacionais. Este crescimento de relevância deve-se a dois tipos de impulsionadores: exigências de mercado e motivações de caráter interno. Em termos de exigências de mercado, as empresas na tentativa de melhoria de reputação e diferenciação face à concorrência, têm apostado em práticas ambientais conscientes e responsáveis. Além disto, poderá argumentar-se que as pressões dos stakeholders contribuem em grande medida para esta necessidade de responsabilização por parte das empresas. Verificou-se um crescimento da responsabilidade ambiental dos consumidores finais, devido a uma maior exposição e consciencialização das consequências das alterações climáticas, gerando uma pressão de origem inversa na cadeia de valor, com exigências para mudanças de comportamentos das organizações, e partindo destes até chegar ao início da cadeia nos produtores e fornecedores. Isto pode ser estendido às comunidades onde muitos destes consumidores se inserem, que acabam por exercer uma exigência para uma responsabilidade da empresa no contexto de sociedade onde se insere. De modo a corresponder a esta conformidade em toda a cadeia de valor, as organizações procuram selecionar os seus fornecedores segundo critérios pró-ambientais, assumindo um caráter preferencial de seleção nas parcerias comerciais. A consciência crescente dos efeitos das alterações climáticas tem levado a uma maior restrição regulamentar obrigando as organizações a alterar os seus comportamentos de modo a manterem-se em conformidade com as normas vigentes. Já nas motivações internas, comprovou-se que a procura de redução de desperdícios e de uma maior eficiência, assumiram-se como propulsores principais para a implementação de estratégias sustentáveis, O Impacto da Certificação Ambiental na Internacionalização – Um Estudo no Mercado Português Capítulo 7 Página|131 resultando numa progressão das condições de trabalho e de responsabilidade social da empresa como consequência. Considerando estas motivações, e dado que as empresas participantes neste estudo pertencem à indústria, verificou-se que as principais práticas adotadas incidem sobre o reaproveitamento e tratamento das águas utilizadas nos processos de produção, numa monitorização dos consumos de energia, apostando na utilização de fontes renováveis. Os resultados indicam que a reciclagem, reaproveitamento de resíduos e de desperdícios, são das principais ações de impacto, acompanhadas de melhorias de embalagem e produto que potenciem o caráter sustentável em todas as vertentes da empresa. Visto que a certificação ISO 14001 comprovou-se ser uma forma eficaz de responder às exigências analisadas, conclui-se que as empresas optaram por implementar este standard com vista a uma reorganização dos processos de modo a otimizar os recursos disponíveis, reduzindo a criação de desperdício e uma consequente diminuição de custos a médio-longo prazo. Dada a necessidade de identificação de áreas problemáticas na organização, que serviu como uma forma das empresas se manterem em conformidade regulamentar, tendo em vista um reforço da reputação e imagem a nível internacional. Devido às transformações profundas necessárias nos sistemas de gestão das empresas, verificou-se que a norma ISO 9001 serviu como um fator-chave para o sucesso da adoção devido ao seu papel estruturante na preparação prévia das empresas para a implementação das mudanças. A par da ISO 9001, verificou-se que diversas variáveis como a proatividade dos gestores e o seu papel motivador na comunicação e facilitador dos recursos necessários para a implementação da norma, revelaram-se, a par da formação e colaboração dos funcionários, como ativos de sucesso na adoção efetiva. Este processo de implementação, em grande parte dos casos, não foi particularmente suportado por apoios governamentais devido à escassez e exigência de seleção, pelo que a implementação é frequentemente marcada por dificuldades ao nível de falta de informação na implementação do processo e na interpretação das regulamentações, pela carência de capacidade de monitorização das tarefas e de recursos humanos disponíveis para a área ambiental e por fortes custos associados às auditorias de certificação, conjuntamente com os custos de investimento em novos equipamentos/processos. No entanto, apesar destes obstáculos verificados, os resultados sugerem que os impactos ao nível de performance da empresa são notórios refletindo-se num maior cumprimento da lei e melhor gestão dos recursos, desperdícios e processos, dando aso a maior inovação e prevenção de áreas de melhoria. O Impacto da Certificação Ambiental na Internacionalização – Um Estudo no Mercado Português Capítulo 7 Página|132 Ao nível internacional, o mercado comunitário é o maior foco de interesse dos participantes denotando-se como principais benefícios obtidos, uma maior diversificação do negócio e diminuição do risco, bem como um maior reconhecimento da organização. Em termos de dificuldades, tal como na implementação da norma ISO 14001, a interpretação e adaptação aos regimes regulamentares e alfandegários, revelou-se possivelmente como o obstáculo de maior relevância. Por último, na internacionalização, a ISO 14001 assume um caráter reforçador da qualidade, imagem e reputação da organização e suas boas práticas, resultando numa maior capacidade de corresponder aos requerimentos exigidos pelos clientes internacionais, reforçando a competitividade da organização. Esta credibilidade e divulgação de qualidade, reforço das relações comerciais existentes, abre portas para o acesso a maiores apoios à internacionalização e ao estabelecimento de uma maior confiança inicial na criação de novas parcerias, destacando-se a viabilidade da empresa no contexto global. Na tabela abaixo (elaboração própria), apresenta-se assim, uma sintetização dos resultados obtidos no decurso desta investigação. Considerou-se uma estruturação temática semelhante à utilizada ao longo deste estudo (Tabela 20). O Impacto da Certificação Ambiental na Internacionalização - Um Estudo no Mercado Português Capítulo 7 Página|133 Tabela 20 Análise-Síntese dos Resultados Obtidos SÍNTESE DOS RESULTADOS TEMÁTICA SUBTEMÁTICA RESULTADOS RESPONSABILIDADE CORPORATIVA Ações Sustentáveis Implementadas - Reaproveitam a água utilizada noutros processos de produção e realizam o tratamento das águas residuais; monitorizam consumos de energia e optam por fontes renováveis; gerem e reaproveitam os resíduos reciclando ou incorporando noutros processos produtivos; melhoram a embalagem reduzindo materiais extra ou reutilizando-as; selecionam fornecedores com orientações pró-ambientais. Motivações Internas - Procura de maior eficiência de processos; Otimização de recursos disponíveis e redução de desperdício; Progressão das Condições de Trabalho; Denotação do papel de responsabilidade social. Exigências de Mercado - Conformidade com a regulamentação vigente; Exigências do consumidor através de uma maior consciencialização ambiental e procura de uma congruência ambiental em todos os elos da cadeia de valor; procura de diferenciação e valorização de imagem face à concorrência. Pressões de Stakeholders 1. Clientes: - Consumidores internacionais, essencialmente, demonstram cada vez mais preocupações e orientações ambientais; Exigências demonstradas ao nível de produtos com componentes não tóxicos e embalagens conscientes; Na indústria, os clientes procuram que os membros da sua cadeia de valor sejam sustentáveis de modo a responder às pressões que os seus próprios consumidores finais exigem. 2. Fornecedores: - Seleção de fornecedores de orientação pró-ambiental para cumprir com a conformidade ambiental na cadeia de valor apresenta um caráter preferencial, mas não discriminatório devido a fatores como rapidez, flexibilidade e questões económicas que se sobrepõem. 3. Colaboradores e Acionistas - Melhoria da Satisfação e progressão das condições de trabalho. 4. Comunidades - Promotores para a consciencialização social e ambiental da empresa. 5. Reguladores - Dominância do reconhecimento da influência das regulamentações como um propulsor de mudança na perspetiva de manutenção de mercado, destacando-se o seu papel como acelerador de investimentos. Existem, no entanto, uma fação das empresas que prefere destacar a orientação proativa ao invés dos reguladores como indutores de mudança. CERTIFICAÇÃO AMBIENTAL Delimitação Temporal - Maior parte das empresas possui sistemas maduros com adoções datadas entre os dez anos e vinte e dois anos de certificação; Pedidos de certificação mantém uma tendência estável e moderada de crescimento; Maior perceção de crescimento em setores mais poluentes; Maioria dos requerentes são PME. Motivações - Reorganização dos processos da empresa para a diminuição de desperdício e otimização de recursos; Redução dos custos vista como um impulsionador numa visão a médio-longo prazo; Ligação do sistema ambiental com outros sistemas de gestão implementados na empresa; Reconhecimento internacional da norma e exigência do cumprimento das obrigações legais; Imitação das práticas dos concorrentes não se mostrou como uma motivação principal dado que muitas das inquiridas foram pioneiras. O Impacto da Certificação Ambiental na Internacionalização - Um Estudo no Mercado Português Capítulo 7 Página|134 Papel da ISO 9001 - A norma ISO 9001 assume-se como uma base estruturante para a extensão à ISO 14001 devido às adaptações que foram implementadas na gestão documental, definição de processos e visão de melhoria contínua com maior capacidade de identificação de erros. Fundamental para incutir os princípios de gestão de qualidade nos trabalhadores facilitando a aplicação das medidas ambientais. Apoios Governamentais - Para empresas com sistemas maduros implementados há vários anos existem poucos apoios significativos para a realização dessas melhorias. O apoio governamental não é fundamental, mas vem acelerar investimentos no âmbito ambiental. Refere-se o apoio de consultoria na compreensão da norma. Proatividade dos Gestores - Os gestores são ativos fundamentais para a implementação da ISO 14001 devido ao seu papel unificador e orientador na promoção das mudanças de práticas na empresa. Importantes para reforçar e valorizar o papel da norma na transformação de comportamentos. Destaca-se a sua capacidade de disponibilizar os recursos necessários para a implementação. Ativos de Sucesso - A comunicação entre as pessoas, a sua formação e competências, o envolvimento da gestão de topo, a par da própria cultura da organização são fatores fundamentais para a efetividade de adoção. Obstáculos A falta de informação clara que auxilie o processo de implementação, a falta de capacidade de monitorização dos processos devido à falta de tecnologias ou mesmo de recursos humanos que estejam focados nas tarefas humanas, a falta de predisposição pró-ambiental dos trabalhadores e a necessidade de avaliação e acompanhamento da conformidade legal são os principais obstáculos apontados na adoção. Impacto Financeiro As auditorias externas, apesar de serem vistas como algo necessário, são apontadas como variáveis de forte impacto financeiro. Os custos de investimento em novos equipamentos é outro fator apontado, no entanto refere-se que o nível de maturidade ambiental da empresa determinará o investimento necessário. Destaca-se o retorno do investimento a médio e longo prazo devido aos ganhos de eficiência e poupança de recursos atingidos. Período PósCertificação Maior cumprimento da lei, melhor gestão dos desperdícios, menor desperdício, impulsionamento da inovação e uma maior monitorização da performance e capacidade prevenção/antevisão de situações de não conformidades. As empresas não revelam dificuldade em manter o certificado devido ao seu caráter de melhoria contínua definido pelos seus próprios parâmetros. INTERNACIONALIZAÇÃO E CERTIFICAÇÃO AMBIENTAL Presença Internacional O padrão de internacionalização mais comum é a exportação com destaque para o mercado comunitário, seguido do americano e asiático, alinhando-se com a estatísticas recolhidas. Vantagens e Dificuldades Em termos de vantagens, aponta-se a diversificação do negócio e diminuição do risco, a par de uma maior exigência que requer uma maior adaptação e inovação. Melhoria da reputação e imagem, a par de um reconhecimento da qualidade são também benefícios apontados. Ao nível de dificuldades, destacam-se barreiras alfandegárias e regulamentares, seguidas da adaptação às culturas e ambiente volátil em termos de transportes e a guerra ucraniana. Impacto da Certificação Ambiental Destaca-se a diferenciação da organização, a garantia de qualidade e segurança aos parceiros, melhoria da reputação e reconhecimento internacional das boas práticas, reforçando a capacidade competitiva e auxiliando o estabelecimento de uma maior confiança entre parceiros comerciais. Destaca-se ainda a possibilidade acrescida de aceder a mais apoios de auxílio à internacionalização devido à demonstração de boas práticas, reforçando a viabilidade da organização. O Impacto da Certificação Ambiental na Internacionalização - Um Estudo no Mercado Português Capítulo 7 Página|135 7.2. Implicações para a Gestão Os resultados desta investigação são relevantes para a elaboração das estratégias das empresas numa ótica a médio-longo prazo. Nesta secção salientam-se as implicações dos resultados deste estudo para a gestão ambiental e operacional e para os processos de internacionalização das empresas. Utilizase a mesma estrutura-base que orientou toda a organização deste estudo e particularmente reforçada nas conclusões apresentadas em capítulos anteriores. No que diz respeito à responsabilidade corporativa, as empresas devem apostar em estratégias e numa adaptação de processos que favoreçam uma orientação pró-ambiental, não só pela maior capacidade de corresponder às exigências externas que lhes são impostas, mas também numa ótica de melhoramento da própria organização ao nível interno, não só termos de condições de trabalho, mas também de organização de processos. A ISO 14001 surge como um meio de resposta para atingir esta responsabilidade corporativa, sendo uma estratégia de elevado interesse para uma aposta de investimento a médio e longo prazo, não só pelos benefícios operacionais que proporciona, seja na otimização de recursos, prevenção da poluição e redução de desperdício que potencia a redução de custos de produção ao longo do tempo, potenciando a constante melhoria das atividades realizadas. A aposta numa integração das várias normas de gestão (particularmente da qualidade associada à norma ambiental) é uma forma da organização amplificar a adaptação e aprofundamento das mudanças necessárias nos processos, garantindo uma implementação mais profunda e abrangente da norma ambiental em toda a empresa. Esta importância da ISO 14001 estende-se ao processo de internacionalização, devido à sua crescente relevância para a manutenção da competitividade de mercado das empresas. De facto, a capacidade de diferenciação no exigente ambiente competitivo internacional, a garantia de confiança, qualidade e reconhecimento de boas práticas e consequente boa imagem dos processos da organização, potenciam uma gestão mais capaz de corresponder aos desafios dos mercados externos e a angariação de novos negócios. Estes fatores são fundamentais para a afirmação das empresas portuguesas e em última análise do mercado nacional, como uma região altamente pró-ambiental e em linha com as exigências de mercado atuais e futuras. O Impacto da Certificação Ambiental na Internacionalização – Um Estudo no Mercado Português Capítulo 8 Página|142 Huang, H. (2016). Media use, environmental beliefs, self-efficacy, and pro-environmental behavior. Journal of Business Research , 69 (6), 2206–2212. IAPMEI. (2023, April 14). IAPMEI - Missão, Visão e Valores . https://www.iapmei.pt/SOBRE-O-IAPMEI/MissaoVisao-Valores.aspx INE. (2022a, October 25). 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A study of the environmental management system (EMS) adoption process within Australasian organisations - Role of stakeholders. Techonovation , 24 (5), 371–386. O Impacto da Certificação Ambiental na Internacionalização - Um Estudo no Mercado Português Apêndices Página|148 Apêndices Apêndice A: Caracterização das Organizações Contactadas A1. Empresas Empresa Indústria Tipologia Origem Presença Internacional Localização Confirmação de Certificação ISO 14001 Meios de Contacto Feedback Confirmação de Participação 1 Mobiliária Grande Empresa Portugal Sim Porto Sim E-mail Sim Sim 2 Louça Metálica Grande Empresa Portugal Sim Oliveira de Azeméis Sim E-mail e Telefone Sim Não 3 Calçado PME Portugal Sim Porto Sim E-mail Sim Não 4 Extração Pedra Natural PME Portugal Sim Alcobaça Sim E-mail e Telefone Sim Sim 5 Têxtil PME Portugal Sim Guimarães Sim E-mail e Telefone Não Não 6 Cutelaria PME Portugal Sim Santa Catarina Sim E-mail e Telefone Sim Não 7 Mobiliária PME Portugal Sim Nelas Sim E-mail e Telefone Não Não 8 Alumínio PME Portugal Sim Celorico de Basto Sim E-mail e Telefone Não Não 9 Têxtil Grande Empresa Inglaterra Sim Vouzela Sim E-mail Não Não 10 Aço PME Portugal Sim Maia Sim E-mail e Telefone Não Não 11 Cutelaria PME Portugal Sim Guimarães Sim E-mail e Telefone Sim Sim 12 Têxtil PME Portugal Sim Guimarães Sim E-mail e Telefone Não Não 13 Calçado PME Portugal Sim Felgueiras Não E-mail e Telefone Sim Não 14 Têxtil Grande Empresa Portugal Sim Guimarães Sim E-mail e Telefone Sim Sim 15 Têxtil PME Portugal Sim Barcelos Sim E-mail e Telefone Não Não 16 Tintas e Vernizes Grande Empresa Portugal Sim Maia Sim E-mail e Telefone Sim Sim 17 Têxtil PME Portugal Sim Guimarães Não E-mail e Telefone Sim Não 18 Calçado PME Portugal Sim Felgueiras Sim E-mail e Telefone Não Não 19 Cutelaria PME Portugal Sim Vila Nova de Gaia Sim E-mail e Telefone Sim Não 20 Cerâmica PME Portugal Sim Aveiro Sim E-mail Sim Sim 21 Tinturaria PME Portugal Sim Guimarães Sim E-mail e Telefone Não Não 22 Transportes Grande Empresa Portugal Sim Ourém Sim E-mail e Telefone Não Não 23 Têxtil Grande Empresa Portugal Sim Vila Nova de Famalicão Sim E-mail e Telefone Não Não 24 Cerâmica Grande Empresa Portugal Sim Águeda Sim E-mail e Telefone Sim Sim 25 Alimentar Grande Empresa Portugal Sim Vila Nova de Famalicão Sim E-mail e Telefone Não Não 26 Cerâmica Grande Empresa Portugal Sim Vagos Sim E-mail e Telefone Não Não 27 Farmacêutica Grande Empresa Portugal Sim Trofa Sim E-mail e Telefone Não Não 28 Cimenteira Grande Empresa Portugal Sim Lisboa Sim E-mail e Telefone Não Não O Impacto da Certificação Ambiental na Internacionalização - Um Estudo no Mercado Português Apêndices Página|149 29 Cerâmica Grande Empresa Portugal Sim Anadia Sim E-mail e Telefone Não Não 30 Cerâmica Grande Empresa Portugal Sim Aveiro Sim E-mail e Telefone Não Não 31 Calcado PME Portugal Sim Benedita Sim E-mail e Telefone Não Não 32 Cerâmica PME Portugal Sim Santa Maria da Feira Sim E-mail e Telefone Não Não 33 Cerâmica Grande Empresa Portugal Sim Aveiro Sim E-mail e Telefone Não Não A2. Entidades de Apoio ENTIDADE [ENT] ÁREA DE ATUAÇÃO SETOR DE ATIVIDADE LOCALIZAÇÃO MEIO DE CONTACTO FEEDBACK CONFIRMAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO IAPMEI [ENT 1] Internacionalização, competitividade e inovação X Porto Telefone e E-mail Sim Sim AEP [ENT 2] Consultoria X Porto Telefone e E-mail Não Não AICEP [ENT 3] Investimento, Internacionalização X Lisboa E-mail Sim Não APCER [ENT 4] Consultoria, Formação, Certificação, Auditoria X Porto E-mail Sim Sim IPAC [ENT 5] Certificação, Formação, Auditoria X Porto E-mail Sim Não SGS [ENT 7] Consultoria, Formação, Certificação, Auditoria X Lisboa E-mail e Telefone Não Não CITEVE [ENT 8] Consultoria, I&D, Certificação Têxtil Vila Nova de Famalicão E-mail e Telefone Não Não ATP [ENT 9] Consultoria, Formação, Internacionalização Têxtil Vila Nova de Famalicão E-mail e Telefone Não Não APICAPS [ENT 10] Consultoria, Formação, I&D, Internacionalização Calçado Porto E-mail Sim Não AIMMAP [ENT 11] Consultoria, I&D, Internacionalização Metalurgia Porto E-mail e Telefone Sim Sim CATIM [ENT 12] Consultoria, Inovação, Apoio à Certificação Metalurgia Porto E-mail Sim Sim CTCP [ENT 13] Consultoria, Gestão, Formação, I&D, Qualidade Calçado São João da Madeira E-mail Sim Sim O Impacto da Certificação Ambiental na Internacionalização - Um Estudo no Mercado Português Apêndices Página|150 Apêndice B: Contactos Efetuados B1. E-mail tipo enviado às empresas contactadas Cara Equipa (Nome da Empresa), Desde já espero que este e-mail os encontre bem. O meu nome é Inês Pinto, sou aluna de segundo ano do mestrado em Negócios Internacionais da Escola de Economia e Gestão da Universidade do Minho e, neste sentido, sob a orientação da Profª Doutora Ana Maria Soares encontro-me a realizar a minha dissertação no âmbito do “Impacto da Certificação Ambiental na Internacionalização das Organizações Portuguesas Este projeto abrange uma seleção de organizações que possam ou não pertencer à classificação de PME, tenham presença em mercados internacionais e sejam detentoras de certificação na ordem da ISO 14001. Portanto, através desta seleção, a investigação procura compreender de que forma é que esta certificação impacta a performance destas organizações em termos internacionais, seja ao nível de legitimidade ou melhoria de relações com parceiros, por exemplo. A vossa colaboração permitirá elucidar a situação do tecido empresarial português relativamente a esta temática, contribuindo para alargar o conhecimento sobre os benefícios da promoção de medidas ambientais, promovendo até futuras novas investigações sobre a problemática. Tenho consciência, pelo elevado volume de trabalho que apresentam, que poderá ser complicado o agendamento de uma hora para a realização da mesma, no entanto esta entrevista é fundamental para o sucesso deste estudo. Por este facto, ficarei ainda mais grata e reconhecida. Por isso, a realização desta entrevista teria a duração de aproximadamente 45min, sendo possível a realização da mesma num formato online, via Teams, se assim for mais conveniente. Desde já agradeço imenso a colaboração e a atenção dispensadas e na expectativa das melhores notícias de V. Exas., despeço-me, apresentando cordiais cumprimentos.” B2. E-mail tipo enviado às entidade de apoio às empresas contactadas “Cara Equipa (nome da organização), Desde já espero que esta mensagem os encontre bem. O meu nome é Inês Pinto, sou aluna de 2º ano do MSC em Negócios Internacionais da Escola de Economia e Gestão da Universidade do Minho e, neste sentido, sob a orientação da Profª Doutora Ana Maria Soares encontro-me a realizar a minha dissertação no âmbito do “Impacto da Certificação Ambiental na Internacionalização das Organizações Portuguesas”. O projeto abrange organizações que possam ou não se classificar como PME, tenham presença em mercados internacionais e sejam detentoras de certificação na ordem da ISO 14001. Procura-se compreender de que forma é que esta certificação impacta a performance destas organizações em termos internacionais, seja ao nível de legitimidade ou melhoria de relações com parceiros, por exemplo. O Impacto da Certificação Ambiental na Internacionalização - Um Estudo no Mercado Português Apêndices Página|151 No entanto, a (nome da organização) como uma entidade ligada a esta área apresenta um amplo conhecimento sobre estes processos pelo que seria interessante obter algumas considerações sobre as dificuldades e impactos desta norma nas entidades que apoiam. A vossa colaboração permitirá elucidar a situação do tecido empresarial português relativamente a esta temática, contribuindo para alargar o conhecimento sobre os benefícios da promoção de medidas ambientais, promovendo até futuras novas investigações. Tenho consciência, pelo elevado volume de trabalho que apresentam, que poderá ser complicado o agendamento de uma hora para a realização da mesma, no entanto esta entrevista é fundamental para o sucesso deste estudo. Por este facto, ficarei ainda mais grata e reconhecida. Por isso, a realização desta entrevista teria a duração de aproximadamente 40min, num formato online. Na impossibilidade de realização desta entrevista, seria também possível efetuá-la por escrito se assim for mais conveniente. Desde já agradeço imenso a colaboração e a atenção dispensadas e na expectativa das melhores notícias de V. Exas., despeço-me, apresentando cordiais cumprimentos. Atenciosamente,”