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Perfis de envolvimento parental no futebol juvenil: um estudo com jovens atletas

Branco, Catarina Isabel Martins; Gomes, A. Rui; Morais, Catarina; Fontes, Liliana Magalhães Campos; Sousa, Jacinta Marlene Rebelo

Abstract

Este estudo analisou as diferenças na perceção dos atletas acerca dos comportamentos parentais, considerando também a importância do escalão desportivo dos atletas. Além disso, foi analisado se diferentes perfis de envolvimento parental, segundo a avaliação dos atletas aos seus pais, correspondiam a diferenças na orientação motivacional e na perceção de rendimento dos jovens atletas. Participaram no estudo 292 atletas do sexo masculino com idades compreendidas entre os 12 e 19 anos (M = 15.0; DP = 1.5), praticantes de futebol no campeonato nacional. Foram aplicados três instrumentos, (1) Questionário de Comportamentos Parentais no Desporto; (2) Escala de Objetivos de Realização no Desporto Juvenil; (3) Questionário de Perceção de Rendimento Desportivo. Os resultados indicaram (a) diferenças na perceção de comportamentos do pai e da mãe separadamente, sendo que, a perceção dos atletas variou em função do seu escalão desportivo; e (b) a orientação motivacional e a perceção de rendimento variaram em função do perfil de envolvimento parental percebido. Em suma, os resultados demonstram a importância do envolvimento parental no desporto juvenil, devendo este fator ser considerado pelos profissionais que intervêm junto dos jovens atletas.

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Correspondencia: A. Ruiz, Gomes. Email: [email protected] Cuadernos de Psicología del Deporte, 24, 1 (enero) Cuadernos de Psicología del Deporte, vol. 24, 1, 182-199 © Copyright 2018: Servicio de Publicaciones de la Universidad de Murcia Recibido: 09/08/2022 Murcia (España) ISSN edición impresa:1578-8423 Aceptado: 07/09/2023 ISSNediciónweb (http://revistas.um.es/cpd): 1989-5879 Perfis de envolvimento parental no futebol juvenil: Um estudo com jovens atletas Perfiles de participación de los padres en el fútbol juvenil: Un estudio con atletas jóvenes Parental involvement profiles in football: A study with young players Branco, Catarina1, Gomes, A. Rui2, Morais, Catarina3, Fontes, Liliana1 3, Sousa, Jacinta1 3 1Universidade do Minho, Escola de Psicologia. Portugal; 2Centro de Investigação de Psicologia. Escola de Psicologia. Universidade do Minho. Portugal; 3Centro de Investigação para o Desenvolvimento Humano. Faculdade de Educação e Psicologia. Universidade Católica Portuguesa. Portugal. RESUMO Este estudo analisou as diferenças na perceção dos atletas acerca dos comportamentos parentais, considerando também a importância do escalão desportivo dos atletas. Além disso, foi analisado se diferentes perfis de envolvimento parental, segundo a avaliação dos atletas aos seus pais, correspondiam a diferenças na orientação motivacional e na perceção de rendimento dos jovens atletas. Participaram no estudo 292 atletas do sexo masculino com idades compreendidas entre os 12 e 19 anos (M = 15.0; DP = 1.5), praticantes de futebol no campeonato nacional. Foram aplicados três instrumentos, (1) Questionário de Comportamentos Parentais no Desporto; (2) Escala de Objetivos de Realização no Desporto Juvenil; (3) Questionário de Perceção de Rendimento Desportivo. Os resultados indicaram (a) diferenças na perceção de comportamentos do pai e da mãe separadamente, sendo que, a perceção dos atletas variou em função do seu escalão desportivo; e (b) a orientação motivacional e a perceção de rendimento variaram em função do perfil de envolvimento parental percebido. Em suma, os resultados demonstram a importância do envolvimento parental no desporto juvenil, devendo este fator ser considerado pelos profissionais que intervêm junto dos jovens atletas. Palavras chave: Envolvimento parental; orientação motivacional; rendimento desportivo; desporto juvenil; futebol. RESUMEN Este estudio analizó las diferencias en la percepción de los atletas sobre los comportamientos de sus padres, considerando también la importancia del nivel deportivo de los atletas. Además, se analizó si los diferentes perfiles de participación de los padres, según la evaluación de los deportistas sobre sus padres, se correspondían con diferencias en la orientación motivacional y en la percepción del rendimiento de los jóvenes deportistas. Participaron del estudio 292 atletas masculinos con edades entre 12 y 19 años (M = 15,0; SD = 1,5), futbolistas del campeonato nacional. Se aplicaron tres instrumentos, (1) Cuestionario de Conductas Parentales en el Deporte; (2) Escala de Metas de Logro en Deportes Juveniles; (3) Cuestionario de Percepción del Rendimiento Deportivo. Los resultados indicaron: (a) diferencias en la percepción de los comportamientos del padre y de la madre por separado, y la percepción de los deportistas varió según su nivel deportivo; e (b) la orientación motivacional y la percepción Cita: Branco, Catarina; Gomes, A. Rui; Morais, Catarina; Fontes, Liliana; y Sousa, Jacinta; (2023). Perfis de envolvimento parental no futebol juvenil: Um estudo com jovens atletas. Cuadernos de Psicología del Deporte, 24(1), 182-199 Cuadernos de Psicología del Deporte, 24, 1 (enero) Branco et al. de rendimiento varió según el perfil de participación parental percibida. En resumen, los resultados demuestran la importancia de la participación de los padres en el deporte juvenil, y este factor debe ser considerado por los profesionales que trabajan con jóvenes deportistas. Palabras clave: Participación de los padres; orientación motivacional; rendimiento deportivo; Deporte juvenil; Fútbol. ABSTRACT This study analysed the differences in athletes’ perception of parental behaviours, considering the importance of athletes’ age category. It was also verified if different parental involvement profiles, according to athletes’ evaluation of their parents’ behaviours, corresponded to differences in motivational orientation and in performance perception of the young athletes. The study included 292 male athletes, aged between 12 and 19 years old (M = 15.0; DP = 1.5), playing football in the national championship. Three instruments were used: (1) Parental Behaviours in Sports Questionnaire; (2) Achievement goal scale for youth sport; (3) Sport Performance Perception Questionnaire. The results indicated: (a) differences in the perception of father’s and mother’s behaviours, separately, and these differences changed according to athletes’ age category; and (b) motivational orientation and performance perception varied according to the perceived parental involvement profile. In sum, the results demonstrate the importance of parental behaviours in youth sports and this aspect should be considered by professionals who work with young athletes. Keywords: Parental involvement; goal orientation; sports performance; youth sports; football. INTRODUÇÃO Na última década, o interesse pela psicologia do desporto e pelo envolvimento parental na prática desportiva teve um aumento significativo (Harwood & Knight, 2016). O desporto é considerado um fenómeno social privilegiado com impacto nas relações interpessoais que, por sua vez, podem determinar o tipo de experiência vivenciada pelos atletas na atividade desportiva (Coutinho et al., 2018). Se os atletas possuírem uma visão positiva da atividade desportiva, esta pode proporcionar vantagens ao nível físico e pessoal (por exemplo desenvolvimento de competências motoras, benefícios na saúde e bem-estar, desportivismo) e vantagens ao nível psicossocial (por exemplo cooperação e construção de novas amizades) (Bonavolontà et al., 2021; Malm et al., 2019; Neely & Holt; 2014; Vasconcelos & Gomes, 2015) sendo que, muitas vezes, a maneira como os jovens avaliam a atividade desportiva está associada a fatores externos como o comportamento dos progenitores. Geralmente, os pais são os primeiros influenciadores dos filhos para a prática desportiva e são eles que facilitam a continuação da prática desportiva através do apoio material e financeiro (Coutinho et al., 2021; Gomes, 2010), desempenhando um papel central no desenvolvimento desportivo dos jovens atletas (Côté & Hay, 2002; Coutinho et al., 2018; Sánchez et al., 2012). Como referido, a maneira como estes se envolvem na prática desportiva pode ser responsável por uma visão positiva ou negativa do desporto tendo consequências na motivação e perceção de rendimento dos atletas. Segundo Hellstedt (1987), podemos distinguir três tipos de envolvimento parental, (1) baixo envolvimento, caracterizado por falta de interesse pela atividade desportiva do filho ao nível financeiro, emocional e funcional bem como pelo seu progresso desportivo; (2) envolvimento moderado, caracterizado por um comportamento firme mas flexível por parte dos pais para com os filhos, permitindo que estes tomem decisões na sua prática desportiva, estando presentes nos momentos desportivos importantes, dando apoio e feedback, estimulando-se assim a motivação do atleta e, por último, (3) envolvimento excessivo, caracterizado por uma sobreposição entre as necessidades e expectativas pessoais dos pais e a atividade desportiva dos filhos, manifestando-se por uma presença assídua nos treinos e nas competições e pela tendência de estabelecer objetivos irrealistas e, consequentemente, aumentando a pressão para estes serem alcançados, acabando assim por diminuir a motivação dos filhos para a prática desportiva (Bonavolontà et al., 2021; Coutinho et al., 2021). Cuadernos de Psicología del Deporte, 24, 1 (enero) Envolvimento Parental no Desporto Assim, os pais podem assumir um papel duplo (Chu, 2018), ou seja, podem desempenhar um papel positivo ou negativo nas experiências desportivas dos filhos (Bettega et al., 2023; Bonavolontà et al., 2021). Se os pais exercerem um papel positivo na atividade desportiva dos filhos, podem ser promotores de efeitos benéficos no modo como estes praticam desporto como, por exemplo, maior perceção de competência, prazer e motivação, sendo que estes efeitos tendem a ocorrer quando os pais utilizam comportamentos de apoio e elogio (Bettega et al., 2023; Bonavolontà et al., 2021; Côté & Hay, 2002; Knight et al., 2016; Teques et al., 2019). Por outro lado, se os pais exercerem um papel negativo na atividade desportiva dos filhos, podem ser promotores de efeitos prejudiciais, como, por exemplo, aumento de ansiedade e tensão face ao desporto, sendo que estes efeitos tendem a ocorrer quando os pais utilizam comportamentos de pressão e crítica face ao modo como os filhos atuam durante as competições (Bettega et al., 2023; Bonavolontà, 2021; Gould et al., 2008; Knight et al., 2011; Sagar & Lavallee, 2010). Assim, o modo como os pais se envolvem na atividade desportiva dos filhos é um fator determinante para o sucesso ou insucesso dos atletas no desporto (Côté, 1999). Neste sentido, torna-se relevante compreender o tipo de envolvimento parental no desporto e a relação deste envolvimento com o modo como os jovens se sentem face ao desporto. Apesar de já existir evidência sobre os efeitos do envolvimento parental no desporto, existem poucos estudos que analisam o papel do pai e da mãe face à atividade desportiva dos filhos (Vasconcelos & Gomes, 2015). Assim, o estudo que agora apresentamos teve como primeiro objetivo avaliar de que forma os atletas percecionam o envolvimento da mãe e do pai em relação à prática desportiva. Segundo a literatura que apresentamos de seguida, ainda se verificam diferenças de género no apoio parental no desporto. Culturalmente, homens e mulheres ainda desempenham papeis diferentes na sociedade e, no que toca à atividade desportiva, ainda é frequente a divisão de atividades “masculinas” e “femininas” (Do Prado et al., 2016). Alguns estudos revelam que as mães procuram envolver os seus filhos na prática desportiva para ajudar no desenvolvimento motor e bem-estar físico, estando mais ligadas ao apoio emocional, ao incentivo e ao elogio, enquanto a figura do pai tende a aparecer mais associada à competição e superação do rendimento desportivo dos filhos (Clarke et al., 2016; Kozak & Gasparatto, 2018). Além disso, também é importante considerar o contexto desportivo. Por exemplo, no que diz respeito ao futebol, os clubes ainda são maioritariamente controlados e organizados pelo sexo masculino (Roderick, 2006) e, portanto, é interessante perceber se os atletas percecionam de maneira diferente o envolvimento do pai e da mãe. Outro aspeto relevante da literatura, prende-se com o modo como atletas de diferentes escalões desportivos (i.e, de idades distintas) percecionam o envolvimento parental dos progenitores. A investigação tem vindo a demonstrar alterações do envolvimento parental em função das etapas da formação desportiva (Gould et al., 2002; Teques & Serpa, 2013). Segundo Vasconcelos e Gomes (2015), atletas mais novos demonstram uma visão mais favorável do envolvimento parental, podendo tal dever-se à inexperiência dos jovens atletas, levando-os a procurar apoio parental no início das carreiras desportivas. Dito de outro modo, à medida que os atletas adquirem experiência desportiva o envolvimento parental tende a diminuir, sendo o envolvimento particularmente importante nos escalões iniciais da formação desportiva (Lisinskiene & Lochbaum, 2022). Sabe-se ainda que a relação entre pais e filhos começa a diminuir na idade da adolescência, uma vez que neste período os atletas tornam-se mais independentes dos pais e dão maior poder a outras figuras desportivas, como o treinador (Lisinskiene & Lochbaum, 2022; Vukadinović & Radević 2019). No entanto, há ainda uma escassez de estudos que avaliem este fenómeno, sendo crescente o reconhecimento da importância de considerar o escalão desportivo dos atletas no modo como ocorrem as transições do desenvolvimento desportivo e o papel dos pais neste processo (Harwood & Knight, 2016; Wuerth et al., 2002). Deste modo, o estudo que agora apresentamos teve como segundo objetivo analisar de que forma a perceção dos atletas acerca do envolvimento parental varia em função do escalão desportivo, sendo esperado que escalões desportivos mais iniciais percecionem níveis de apoio superiores de acompanhamento quando comparados com os escalões desportivos mais velhos (Gomes, 2010; Gomes & Zão, 2007). Considerando os dados da literatura, pode-se afirmar que o envolvimento parental se relaciona com o Cuadernos de Psicología del Deporte, 24, 1 (enero) Branco et al. modo como os jovens se sentem face à atividade desportiva (Bonavolontà et al., 2021). Neste sentido, torna-se importante verificar de que modo o envolvimento parental se relaciona com outras dimensões psicológicas dos atletas, como é o caso da motivação e da própria perceção de rendimento desportivo. Assim, este estudo também procurou perceber de que modo o envolvimento parental percebido pelos atletas corresponde a diferenças na motivação e na perceção de rendimento desportivo, sendo este o terceiro objetivo deste trabalho. No caso da motivação, esta é considerada um construto multidimensional complexo (Deci & Ryan, 1985), sendo condicionada não só pelos objetivos formulados pelos atletas, mas também pelo clima motivacional que identifica a atividade desportiva (Ames, 1992; Gomes, 2010; Nicholls, 1984). Segundo a teoria de Nicholls (1984), fundador da teoria de realização dos objetivos, pode fazer-se distinção entre indivíduos mais centrados no rendimento (ego) e indivíduos mais centrados na tarefa (mestria). No primeiro caso, e aplicando ao contexto desportivo, os atletas valorizam as comparações sociais, os resultados finais alcançados, assumindo como critério de sucesso a maior demonstração de capacidade relativamente aos outros. Os atletas com esta orientação motivacional apresentam maior preocupação com os erros cometidos e com as críticas parentais (Hall et al., 1998). No segundo caso, os atletas têm como critério de sucesso a melhoria constante e a progressão na execução das tarefas, estando motivados para dar o seu máximo nos treinos e nas competições. A orientação motivacional para a mestria está mais associada a maiores níveis de prazer, satisfação e interesse intrínseco pelo desporto (Gomes, 2010; Monteiro et al., 2014; Senko et al., 2011; Vasconcelos & Gomes, 2015). Assim sendo, este estudo procurou perceber se diferentes perfis de envolvimento parental correspondiam a diferenças na orientação motivacional dos atletas. Além disso, este estudo também procurou verificar se os diferentes perfis de envolvimento parental correspondiam a diferenças na perceção de rendimento desportivo. Neste caso, a literatura é mais escassa, pois o tema do rendimento desportivo tem sido objeto de análise no desporto de alta competição (Cruz, 1996) e não tanto na formação desportiva dos jovens. No entanto, há evidências que o rendimento desportivo também é uma dimensão importante do desporto juvenil (Gomes, 1997), merecendo, por isso, ser analisada na possível relação estabelecida com o envolvimento parental. Assim, tendo por base as lacunas da literatura e os conceitos acima mencionados foram formulados três objetivos finais. (a) Analisar as diferenças na perceção dos comportamentos do pai e da mãe em relação à atividade desportiva dos atletas. (b) Analisar de que forma a perceção dos atletas acerca do envolvimento parental varia em função do escalão desportivo, ou seja, se existem alterações em função da idade dos atletas. (c) Analisar de que modo diferentes perfis de envolvimento parental percebido pelos atletas correspondem a diferenças na motivação e perceção de rendimento desportivo. Tendo em consideração os objetivos deste estudo, foram formuladas as seguintes hipóteses: H1. Determina-se a existência de diferenças significativas no modo como os atletas percebem os comportamentos parentais da mãe e do pai face ao desporto. Mais concretamente, é de esperar que os atletas percebam maiores níveis de apoio desportivo por parte da mãe comparativamente ao pai bem como percebam menores níveis de acompanhamento competitivo, influência técnica, pressão para o rendimento e expectativas desportivas por parte da mãe comparativamente ao pai. H2. Determina-se a existência de diferenças significativas no modo como os atletas de diferentes escalões desportivos percebem os comportamentos parentais no desporto. Mais concretamente, é de esperar que o apoio parental percebido pelos atletas seja superior no escalão de sub-15 comparativamente aos escalões de sub-17 e sub-19. H3. Determina-se a existência de diferenças significativas no modo como os atletas percebem os comportamentos parentais em função dos níveis de orientação motivacional (maior ou menor mestria e ego) e da perceção de rendimento desportivo (maior ou menor perceção de rendimento individual e coletivo) dos atletas. Mais concretamente, é de esperar que o apoio parental percebido pelos atletas seja superior nos atletas com maiores níveis de motivação e perceção de rendimento, por comparação Cuadernos de Psicología del Deporte, 24, 1 (enero) Envolvimento Parental no Desporto aos atletas com menores níveis de motivação e perceção de rendimento. MATERIAL E MÉTODOS Este estudo assume uma natureza descritiva (analisando a ocorrência de variáveis relacionadas com o envolvimento parental no desporto) e associativa (analisando comparativamente diferenças entre as variáveis de envolvimento parental em função de varáveis desportivas dos atletas bem como diferenças na motivação e rendimento dos atletas em função do envolvimento parental) (Ato et al., 2013). Participantes Os atletas deste estudo foram avaliados num só momento, ou seja, foi efetuado um estudo transversal onde se recorreu a uma metodologia quantitativa, com recurso a uma amostra de conveniência. A amostra deste estudo foi constituída por atletas de futebol federados do sexo masculino, pertencentes a equipas de sub-15 (n = 145), sub-17 (n = 106) e sub19 (n = 40), a competirem nas séries do campeonato nacional, com idades compreendidas entre os 12 e os 19 anos (M = 15.0; DP = 1.5). Relativamente ao número de anos de prática federada, os atletas apresentaram uma média de 7.5 (DP = 2.5) e um número médio de internacionalizações de 0.2 (DP = 1.1). Instrumentos Questionário Demográfico. Este instrumento foi aplicado de modo a obter informações pessoais (sexo, idade) e informações desportivas (clube, escalão desportivo, títulos desportivos). Questionário de Comportamentos Parentais no Desporto – versão para atletas (QCPD; Gomes, Gonçalves et al., 2019). Este instrumento é constituído por duas versões, uma para avaliar as perceções dos atletas relativamente aos comportamentos do pai e outra relativa aos comportamentos da mãe sendo que o termo “pai” ou “mãe” pode ser substituído por outra figura parental em caso de ausência destas figuras parentais. A versão para atletas é constituída por 18 itens, sendo avaliadas cinco dimensões (1) apoio desportivo (α = .911 na versão de avaliação do pai e α = .828 na versão de avaliação da mãe), (2) acompanhamento competitivo (α = .963 na versão de avaliação do pai e α = .958 na versão de avaliação da mãe), (3) influência técnica (α = .934 na versão de avaliação do pai e α = .906 na versão de avaliação da mãe), (4) pressão para o rendimento (α = .937 na versão de avaliação do pai e α = .931 na versão de avaliação da mãe) e (5) expectativas desportivas (α = .741 na versão de avaliação do pai e α = .727 na versão de avaliação da mãe). Os itens são respondidos numa escala “Likert” 5 pontos (1 = Nunca; 5 = Sempre) sendo a pontuação de cada subescala obtida através do valor médio. A análise fatorial confirmatória neste estudo apontou boas propriedades psicométricas, na versão de avaliação dos comportamentos da mãe (χ2(125) = 289.959, p < .001; χ2/df = 2.320; RMSEA = .067, 90% C.I. [.057; .078]; SRMR = (.0578); TLI = .947; CFI = .957) e na versão de avaliação dos comportamentos do pai (χ2(125) = 308.250, p < .001; χ2/df = 2.466; RMSEA = .071, 90% C.I. [.061; .081]; SRMR = (.0527); TLI = .953; CFI = .961). Escala de Objetivos de Realização para o Desporto Juvenil (EORDJ; Cruz, 2008). Este instrumento avalia a orientação dos objetivos dos atletas tendo em conta duas dimensões: (1) orientação para a mestria (“querer ser cada vez melhor atleta”) (α = .736), e (2) orientação para o “ego” (“ganhar e ser melhor que os outros”) (α = .879). Cada dimensão é constituída por seis itens sendo estes respondidos numa escala “Likert” 5 pontos (1 = Nada verdadeiro; 5 = Muito Verdadeiro). A análise fatorial confirmatória neste estudo apontou boas propriedades psicométricas (χ2(53) = 134.733, p < .001; χ2/df = 2.542; RMSEA = .071, 90% C.I. [.056; .086]; SRMR = (.0592); TLI = .923; CFI = .938). Questionário de Perceção de Rendimento Desportivo (QPRD; Gomes, Almeida et al., 2019). Este instrumento é composto por 10 itens, cinco itens para avaliar a perceção de rendimento desportivo individual (α = .875) e cinco itens para avaliar a perceção de rendimento desportivo coletivo (α = .853). Neste estudo foi utilizada a versão retrospetiva de modo a avaliar a perceção dos atletas relativamente ao rendimento desportivo em situações passadas (ex: última prova/jogo). Os itens são respondidos numa escala “Likert” 5 pontos (1 = Não concordo; 5 = Concordo totalmente) sendo a pontuação final calculada a partir do cálculo da Cuadernos de Psicología del Deporte, 24, 1 (enero) Branco et al. média. Valores mais elevados estão associados a uma maior perceção de sucesso ou satisfação com o rendimento desportivo. A análise fatorial confirmatória neste estudo apontou boas propriedades psicométricas (χ2(31) = 89.296, p < .001; χ2/df = 2.881; RMSEA = .079, 90% C.I. [.060; .098]; SRMR = (.0445); TLI = .953; CFI = .968). Procedimento Este estudo foi efetuado de acordo com as normas da Declaração de Helsínquia bem como princípios éticos da investigação em ciências do desporto (Harriss et al., 2019). Para tal, a investigação foi inicialmente subtida e aprovada pela Comissão de Ética da Universidade do Minho (CEICSH 030/2020). De seguida, contactaram-se os responsáveis das equipas, solicitando-se a autorização de participação dos atletas e efetuando-se uma breve explicação do estudo, garantindo-se a confidencialidade da recolha e tratamento dos dados e o caráter voluntário da participação no estudo. Após esta autorização, enviou-se o consentimento informado aos encarregados de educação dos atletas menores de idade, de modo a obter a devida autorização para a participação dos seus educandos neste estudo. Por último, foi efetuada a recolha dos dados, tendo sido apresentados os objetivos e a natureza confidencial desta recolha aos atletas. A recolha dos dados foi efetuada em dois formatos, consoante a disponibilidade dos atletas: eletronicamente através da plataforma Qualtrics ou em versão papel nos casos onde o acesso à internet não foi possível por parte dos atletas. Em ambos os casos, a recolha foi efetuada nas instalações dos clubes, garantindo-se o distanciamento dos atletas durante o preenchimento do protocolo de avaliação de modo a não permitir trocas de informações. Análise estatística Para efetuar a análise de dados recorreu-se ao programa IBM® SPSS® (versão 28.0), ao programa IBM® SPSS® AMOS (versão 28.0) para a realização da análise fatorial confirmatória dos instrumentos e ao programa G*Power para calcular o poder estatístico. Começando pelo primeiro objetivo deste estudo, efetuou-se uma análise descritiva das variáveis em termos de valores médios, desvio padrão, assimetria e curtose. Importa referir que o cálculo do poder estatístico com recurso ao software G*Power revelou que era necessária uma amostra mínima de 81 participantes, dado um tamanho de efeito médio de 0.30, um alfa de 0.05 e um poder de 0.80, tendo este estudo uma amostra de 292 participantes. Posteriormente, tendo em consideração o primeiro e segundo objetivos, efetuou-se uma ANOVA mista onde a avaliação dos comportamentos parentais do pai e da mãe foi a variável dependente “intrasujeitos” e o escalão desportivo a variável independente “inter-sujeitos”. Após esta análise, considerando o terceiro objetivo, efetuou-se uma análise de "clusters" no sentido de criar perfis de envolvimento parental. Esta análise permitiu a criação de três perfis finais de envolvimento parental (maior envolvimento de ambas as figuras parentais, maior envolvimento de uma figura parental e menor envolvimento de ambas as figuras parentais), procedendo-se uma análise MANCOVA fatorial, onde a orientação motivacional e a perceção de rendimento corresponderam às variáveis dependentes, a avaliação dos comportamentos parentais correspondeu à variável independente e por fim, o escalão desportivo correspondeu à variável controlo. Esta análise teve como objetivo perceber se os diferentes perfis de envolvimento implicavam distintos níveis de motivação e perceção de rendimento por parte dos atletas, controlando-se o escalão desportivo se modo a não condicionar os resultados finais. RESULTADOS Variáveis Psicológicas em Análise A Tabela 1 apresenta os valores médios, desvio padrão, assimetria e curtose das variáveis do estudo. Tendo por base as indicações de Kline (2016), os resultados de assimetria e curtose sugerem a normalidade dos dados, dada a inexistência de desvios significativos em relação à normalidade (assimetria varia entre -3.4 e 0.9 e curtose entre -1.2 e 12.3), com a exceção da dimensão apoio desportivo no pai (instrumento QCPD), cujos valores foram superiores aos pontos de corte aconselhados (valores de assimetria entre -3 e 3 e valores de curtose entre -7 e 7). Relativamente à frequência das variáveis em análise, verificou-se: (a) a perceção de comportamentos parentais no desporto por parte do pai foi superior à Cuadernos de Psicología del Deporte, 24, 1 (enero) Envolvimento Parental no Desporto perceção de comportamentos parentais no desporto por parte da mãe, em todas as dimensões avaliadas no QCPD; (b) os atletas percecionaram uma maior orientação motivacional para a mestria comparativamente com a orientação motivacional para o ego na EORDJ; e (c) os atletas têm uma perceção moderadamente elevada de rendimento desportivo no QPRD, sendo os valores de rendimento coletivo superiores ao do rendimento individual. Tabela 1 Descrição das Variáveis Psicológicas em Análise Dimensões / Itens n M (SD) Min - Máx Assimetria Curtose QCPD - Pai Apoio desportivo 292 4.7 (0.7) 1.0 - 5.0 -3.4 12.3 Acompanhamento competitivo 292 4.3 (1.2) 1.0 - 5.0 -1.7 1.7 Influência técnica 292 4.0 (1.2) 1.0 - 5.0 -1.2 0.5 Pressão para o rendimento 292 2.6 (1.4) 1.0 - 5.0 0.4 -1.2 Expectativas desportivas 292 3.7 (1.1) 1.0 - 5.0 -0.8 -0.1 QCPD - Mãe Apoio desportivo 292 4.4 (0.8) 1.0 - 5.0 -1.9 4.0 Acompanhamento competitivo 292 3.8 (1.3) 1.0 - 5.0 -0.9 -0.4 Influência técnica 292 2.9 (1.3) 1.0 - 5.0 0.1 -1.1 Pressão para o rendimento 292 2.1 (1.3) 1.0 - 5.0 0.9 -0.4 Expectativas desportivas 292 3.5 (1.1) 1.0 - 5.0 -0.5 -0.5 EORDJ Orientação para a mestria 290 4.6 (0.5) 1.7 - 5.0 -2.3 7.5 Orientação para o ego 290 3.5 (1.0) 1.0 - 5.0 -0.5 -0.6 QPRD Individual 288 3.3 (0.9) 1.0 - 5.0 -0.3 -0.3 Coletivo 287 3.7 (0.8) 1.0 - 5.0 -0.5 0.0 Relações entre as Variáveis Psicológicas A Tabela 2 apresenta as correlações entre as variáveis em estudo: (1) QCPD (Pai), (2) QCPD (Mãe), (3) EORDJ, e (4) QPRD. De um modo geral, verificouse: (a) os comportamentos parentais (QCPD) percebidos pelos atletas se correlacionam positivamente entre si, tanto para a versão de avaliação dos comportamentos do pai, como na versão de avaliação de comportamentos da mãe, embora nem todos os valores sejam significativos no caso da mãe; (b) os comportamentos parentais também se correlacionaram positivamente com a orientação motivacional, quer para a mestria quer para o ego (EORDJ), embora em menor número de comportamentos na orientação para o ego (influência técnica, pressão para o rendimento e expectativas desportivas, sendo estes aspetos mais focados no resultado); (c) os comportamentos parentais também estão positivamente correlacionados com a perceção de rendimento desportivo (QPRD), principalmente na perceção de rendimento individual, onde se verificou uma maior associação destes comportamentos; e (d) a variável comportamentos parentais no desporto (QCPD), quer na versão de avaliação do pai quer na versão de avaliação da mãe, revelou correlações significativas fortes, com a exceção da dimensão pressão para o rendimento e expectativas desportivas que, embora tenham revelado correlações significativas, são consideradas baixas (Heiman, 2014). No que diz respeito à orientação motivacional (EORDJ), verificou-se: (a) existência de correlações significativas baixas na orientação para a mestria; e (b) correlações significativas baixas na orientação para o ego nas dimensões mais voltadas para os resultados (influência técnica, pressão para o rendimento e expectativas desportivas). Relativamente à perceção de rendimento desportivo (QPRD), verificou-se: (a) existência de correlações significativas baixas na perceção de rendimento individual; e (b) a inexistência de correlações significativas na perceção de rendimento coletivo, com a exceção da orientação motivacional que apresentou correlações significativas baixas. Branco et al. Tabela 2 Correlações entre as Variáveis em Estudo 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 QCPD: Pai 1.Apoio desportivo - 2.Acompanhamento competitivo .60*** - 3.Influência técnica .60*** .48*** - 4.Pressão para o rendimento .17** .18** .37*** - 5.Expectativas desportivas .57*** .30*** .56*** .38*** - QCPD: Mãe 6.Apoio desportivo .38*** .22*** .15** -.05 .26*** - 7.Acompanhamento competitivo .16** .36*** .09 .02 .08 .52*** - 8.Influência técnica .06 .10 .40*** .20*** .28*** .45*** .37*** - 9.Pressão para o rendimento -.05 .04 .23*** .80*** .24*** .12* .17** .46*** - 10.Expectativas desportivas .22*** .09 .31*** .23*** .73*** .53*** .28*** .50*** .37*** - EORDJ 11.Orientação para a mestria .30*** .19** .29*** .13* .28*** .25*** .12* .17** .06 .21*** - 12.Orientação para o ego .08 .09 .23*** .34*** .27*** -.06 .00 .10 .25*** .16** .30*** - QPRD 13.Perceção rendimento desportivo individual .20*** .26*** .21*** .09 .23*** .27*** .26*** .21*** .10 .20*** .25*** .18** - 14.Perceção rendimento desportivo coletivo .03 .10 .11 -.02 .09 .10 .12* .08 .02 .16** .13* .17** .49*** - *p < .05; ** p < .01; ***p < .001 Tabela 3 Diferenças entre Escalões Desportivos na Perceção dos Comportamentos Parentais Comportamentos Parentais (QCPD) Pai Mãe QCPD Interação (QCPD X escalão) Iniciados M (SD) (n =145) Juvenis M (SD) (n = 106) Juniores M (SD) (n = 40) Iniciados M (SD) (n = 145) Juvenis M (SD) (n = 106) Juniores M (SD) (n = 40) F (1.288) p ηp2 F (2.288) p ηp2 Apoio desportivo 4.7 (0.6) 4.6 (0.9) 4.7 (0.8) 4.4 (0.8) 4.3 (1.0) 4.5 (0.6) 17.98 <.001 .059 0.80 .449 .006 Acompan. competitivo 4.4 (1.0) 4.1 (1.3) 4.0 (1.4) 4.0 (1.2) 3.7 (1.4) 3.7 (1.4) 16.16 <.001 .053 0.22 .803 .002 Influência técnica 4.2 (1.0) 3.8 (1.2) 3.5 (1.2) 3.0 (1.2) 2.8 (1.3) 2.7 (1.2) 123.17 <.001 .300 2.19 .114 .015 Pressão rendimento 2.7 (1.3) 2.4 (1.4) 2.5 (1.4) 2.2 (1.3) 1.9 (1.2) 2.3 (1.3) 47.13 <.001 .141 0.81 .446 .006 Expectativ. desportivas 3.8 (1.0) 3.5 (1.2) 3.8 (1.1) 3.6 (1.0) 3.3 (1.2) 3.6 (1.0) 14.28 <.001 .047 0.33 .720 .002 Cuadernos de Psicología del Deporte, 24, 1 (enero) Envolvimento Parental no Desporto Comportamentos Parentais em Função do Escalão Desportivo Esta análise relaciona-se com o segundo objetivo deste trabalho, onde se analisaram as diferenças na perceção de comportamentos parentais (QCPD), quer do pai quer da mãe, de acordo com o escalão desportivo dos atletas. Além disso, esta análise comtempla o primeiro objetivo deste trabalho quando se analisam os efeitos principais das diferenças entre os comportamentos parentais do pai e da mãe. Analisando as diferenças em função da interação entre o escalão desportivo e a avaliação dos comportamentos parentais do pai e da mãe no QCPD, não foram encontradas diferenças significativas nas dimensões avaliadas pelo QCPD (Wilks’ λ = .99, F(2, 288) = .802, p = .449, η2 =.006; ver Tabela 3). Uma vez que não foram encontradas diferenças significativas nestas interações, passou-se à análise dos efeitos principais (comportamentos parentais do pai, da mãe e escalão desportivo). Começando pela análise dos efeitos principais da variável comportamentos parentais do pai e da mãe, verificou-se que o pai apresentou uma média superior em todos os comportamentos parentais (apoio desportivo M = 4.7; DP = 0.7; acompanhamento competitivo M = 4.3; DP = 1.2; influência técnica M = 4.0; DP = 1.2; pressão para o rendimento M = 2.6; DP = 1.4 e expectativas desportivas M = 3.7; DP = 1.1) comparativamente à mãe (apoio desportivo M = 4.4; DP = 0.8; acompanhamento competitivo M = 3.8; DP = 1.3; influência técnica M = 2.9; DP = 1.3; pressão para o rendimento M = 2.1; DP = 1.3 e expectativas desportivas M = 3.5; DP = 1.1). Relativamente ao efeito principal do escalão desportivo, verificaram-se diferenças significativas em três dimensões (Figura 1): (1) acompanhamento competitivo (F(2,288) = 3.03, p = .050, sendo marginalmente significativo, ηp2 = .021), (2) influencia técnica (F(2,88) = 5.44, p = .005, ηp2 = .036), e (3) expectativas desportivas (F(2,288) = 3.25, p = .040, ηp2 = .022). Mais concretamente, verificou-se que os iniciados (sub15) percecionam maior acompanhamento competitivo e maior influência técnica, quer do pai quer da mãe, comparativamente aos restantes escalões (juvenis e juniores) e que, os iniciados (sub-15) e os juniores (sub-19) percecionam maiores expectativas desportivas de ambas as figuras parentais comparativamente aos juvenis (sub-17). Motivação e Rendimento Desportivo em Função do Envolvimento Parental Esta análise relaciona-se com o terceiro objetivo deste trabalho, onde se analisaram as diferenças na orientação motivacional (EORDJ) e na perceção de rendimento dos atletas (QPRD), em função dos perfis de envolvimento parental (QCPD) percebidos por estes. Num primeiro momento, efetuou-se uma análise de clusters (Tabela 4), de modo a criar distintos perfis de envolvimento parental, quer para o pai quer para a mãe, tendo por base os cinco comportamentos parentais do QCPD. Os resultados indicaram quatro perfis de envolvimento, mas um cluster era negligenciável, correspondente ao maior envolvimento da mãe e menor envolvimento do pai (n = 8), permanecendo como relevantes três perfis: (a) maior envolvimento de ambas as figuras parentais, (b) maior envolvimento de uma figura parental, e (3) menor envolvimento de ambas as figuras parentais. Cuadernos de Psicología del Deporte, 24, 1 (enero) Branco et al. 19. Gomes, A. 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