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Estágio no Posto de Turismo de Guimarães: a tradução e atendimento ao público no contexto turístico

Martins, Ana Rosalina Lopes Andrade

Abstract

O presente relatório de estágio, realizado no âmbito do Mestrado de Tradução e Comunicação Multilingue da Universidade do Minho, reflete sobre o estágio curricular no Posto de Turismo de Guimarães, que teve uma duração de três meses. Este estágio teve como principais atividades a tradução de documentos turísticos de português para inglês e espanhol, e o atendimento ao público no Posto de Turismo em português, espanhol, inglês e francês. Pretende-se apresentar a instituição acolhedora, de forma a contextualizar as atividades que foram realizadas e, de seguida, fundamentar teoricamente temas abordados como o turismo e a tradução, e demonstrar em que aspetos estas áreas convergem, assim como descrever e analisar as dificuldades e os problemas encontrados e apresentar as soluções adotadas. Expor-se-á, de forma detalhada, todo o trabalho desenvolvido, relacionando-o com os conteúdos anteriormente mencionados. O principal foco deste relatório é a comunicação multilingue e a tradução na área do turismo. O nosso objetivo é mostrar como funciona o atendimento ao público no Posto de Turismo e explicitar os vários aspetos a ter em conta quando se traduzem textos turísticos, de forma a conseguir passar a mesma mensagem para outras culturas e nacionalidades sem perder informação. O presente relatório apresenta uma experiência positiva de estágio curricular no Posto de Turismo de Guimarães, nomeadamente o atendimento ao público de diversas nacionalidades e uma primeira experiência profissional relacionada com a tradução.

Full text

Universidade do Minho Instituto de Letras e Ciências Humanas Ana Rosalina Lopes Andrade Martins Estágio no Posto de Turismo de Guimarães: A tradução e atendimento ao público no contexto turístico outubro de 2019 UMinho | 2019 Ana Martins Estágio no Posto de Turismo de Guimarães: A tradução e atendimento ao público no contexto turístico Universidade do Minho Instituto de Letras e Ciências Humanas Ana Rosalina Lopes Andrade Martins Estágio no Posto de Turismo de Guimarães: A tradução e atendimento ao público no contexto turístico Relatório de Estágio Mestrado em Tradução e Comunicação Multilingue Trabalho efetuado sob a orientação da Professora Doutora Marie-Manuelle Silva e sob orientação do Professor Doutor Pedro Dono López outubro de 2019 ii DIREITOS DE AUTOR E CONDIÇÕES DE UTILIZAÇÃO DO TRABALHO POR TERCEIROS Este é um trabalho académico que pode ser utilizado por terceiros desde que respeitadas as regras e boas práticas internacionalmente aceites, no que concerne aos direitos de autor e direitos conexos. Assim, o presente trabalho pode ser utilizado nos termos previstos na licença abaixo indicada. Caso o utilizador necessite de permissão para poder fazer um uso do trabalho em condições não previstas no licenciamento indicado, deverá contactar o autor, através do RepositóriUM da Universidade do Minho. Licença concedida aos utilizadores deste trabalho Atribuição-NãoComercial-SemDerivações CC BY-NC-ND h tt p s :/ / crea t ive c o mm o n s .or g / lic en s es / by - nc - n d/ 4.0/ AGRADECIMENTOS A entrega do presente relatório marca o fim desta etapa que começou em 2013 com a Licenciatura em Línguas e Literaturas Europeias e que teve sempre como objetivo a conclusão do Mestrado em Tradução e Comunicação Multilingue. É impossível acabar sem agradecer não só a todas as pessoas que estiveram presentes na minha vida durante todo este período como também às que apareceram no meio da caminhada, todas elas desempenharam um papel fundamental. Aos meus pais, às pessoas mais importantes da minha vida, pelo apoio incondicional, por aceitarem as minhas escolhas e por lutarem pelos meus sonhos como se dos deles se tratasse. Ao meu irmão, por todos os conselhos que me deu direta e indiretamente e por, mesmo sem saber, ser uma das pessoas que mais admiro. Ao Fábio, à Joana, à Rita, ao Ricardo e à Adriana por serem o meu sistema de apoio, por partilharem comigo o quotidiano e por não me deixarem desistir. A todas as pessoas que fazem parte da Divisão de Turismo da Câmara Municipal de Guimarães por me receberem e me terem dado esta oportunidade. Um obrigado muito especial à Lígia Azevedo, técnica superior de turismo da Câmara Municipal de Guimarães, por ter sido a minha companhia durante o estágio, por me fazer aguentar mesmo nos momentos mais difíceis. Mais do que uma colega, tornou-se uma amiga e uma mentora. Por fim, gostaria de agradecer aos meus orientadores Doutora Marie-Mannuelle Silva e Doutor Pedro Dono López, pela orientação, por toda a ajuda e disponibilidade que ofereceram quando tudo se mostrou um pouco mais difícil. Sou eternamente grata. iv Resumo O presente relatório de estágio, realizado no âmbito do Mestrado de Tradução e Comunicação Multilingue da Universidade do Minho, reflete sobre o estágio curricular no Posto de Turismo de Guimarães, que teve uma duração de três meses. Este estágio teve como principais atividades a tradução de documentos turísticos de português para inglês e espanhol, e o atendimento ao público no Posto de Turismo em português, espanhol, inglês e francês. Pretende-se apresentar a instituição acolhedora, de forma a contextualizar as atividades que foram realizadas e, de seguida, fundamentar teoricamente temas abordados como o turismo e a tradução, e demonstrar em que aspetos estas áreas convergem, assim como descrever e analisar as dificuldades e os problemas encontrados e apresentar as soluções adotadas. Expor-seá, de forma detalhada, todo o trabalho desenvolvido, relacionando-o com os conteúdos anteriormente mencionados. O principal foco deste relatório é a comunicação multilingue e a tradução na área do turismo. O nosso objetivo é mostrar como funciona o atendimento ao público no Posto de Turismo e explicitar os vários aspetos a ter em conta quando se traduzem textos turísticos, de forma a conseguir passar a mesma mensagem para outras culturas e nacionalidades sem perder informação. O presente relatório apresenta uma experiência positiva de estágio curricular no Posto de Turismo de Guimarães, nomeadamente o atendimento ao público de diversas nacionalidades e uma primeira experiência profissional relacionada com a tradução. Palavras chave: Atendimento ao público; Guimarães; Posto de Turismo; Tradução; Turismo. v Resumen Este informe de prácticas, realizado en el Máster de Traducción y Comunicación Multilingüe de la Universidad de Minho, informa y reflexiona sobre la práctica curricular en la Oficina de Turismo de Guimarães, con una duración de tres meses. Estas prácticas tenían como objetivos principales la traducción de documentos turísticos, del portugués al inglés y español, y la atención al público en la Oficina de Turismo, en portugués, español, inglés y francés. El objetivo de este informe de prácticas es presentar la institución receptora para contextualizar el medio en el que se llevaron a cabo las actividades para después contextualizar teóricamente todos los temas tratados, como el turismo y la traducción, y mostrar en qué aspectos se unen estas áreas y cuáles son las dificultades y problemas encontrados y cómo deben ser abordados. Finalmente, todo el trabajo desarrollado se presenta en detalle, relacionándolo con los aspectos anteriores. El objetivo principal de este informe es la comunicación multilingüe y la traducción turística. Cómo funciona el servicio al cliente en la Oficina de Turismo y los diversos aspectos a tener en cuenta al traducir textos turísticos para transmitir el mismo mensaje a otras culturas y nacionalidades sin perder información. Concluyendo es una presentación de una experiencia positiva de prácticas en la Oficina de Turismo de Guimarães, del atención al público de diversas nacionalidades y una primera experiencia profesional relacionada con la traducción. Palabras clave: Atención al Público; Guimarães; Oficina de Turismo; Traducción; Turismo. vi Índice Relatório de Estágio ................................................................................................................................... 3 DIREITOS DE AUTOR E CONDIÇÕES DE UTILIZAÇÃO DO TRABALHO POR TERCEIROS .................................................. 2 AGRADECIMENTOS ................................................................................................................................ iii Resumo…………. ..................................................................................................................................... iv Resumen……… ........................................................................................................................................ v Índice de tabelas .................................................................................................................................. viii Índice de gráficos ................................................................................................................................... ix Índice de figuras ...................................................................................................................................... x Lista de Abreviaturas e Siglas .................................................................................................................. xi Introdução……. ....................................................................................................................................... 1 Capítulo 1: Apresentação da instituição acolhedora ................................................................................. 2 Capítulo 2. Contextualização Teórica ....................................................................................................... 6 2.1. O Turismo ....................................................................................................................... 7 2.1.1. Aproximação a uma definição de Turismo ................................................................. 7 2.1.2. Outras noções básicas da área de turismo ................................................................ 8 2.1.3. Tipos de Turismo ...................................................................................................... 8 2.1.4. O turismo no mundo atual ...................................................................................... 10 2.1.5. O Turismo em Portugal ........................................................................................... 11 2.1.6. O Turismo em Guimarães ....................................................................................... 14 2.2. Comunicação Multilingue - A linguagem do turismo ........................................................ 15 2.3. O turismo e a tradução .................................................................................................. 16 2.3.1 Dificuldades e problemas ......................................................................................... 17 2.3.2. Estratégias de tradução .......................................................................................... 18 Capítulo 3: Comunicação Multilingue e Tradução Turística no Posto de Turismo de Guimarães .............. 21 3.1. Atendimento ao público no Posto de Turismo de Guimarães .......................................... 22 3.1.1. Dados estatísticos do Posto de Turismo .................................................................. 22 3.2. Importância da tradução no turismo .............................................................................. 26 3.3. As traduções ................................................................................................................. 26 3.3.1 Caracterização dos textos traduzidos ....................................................................... 26 3.3.2. Dificuldades encontradas e resolução de problemas ............................................... 28 3.3.3. Agenda de Eventos ................................................................................................. 28 vii 3.3.4 Apresentação de Guimarães .................................................................................... 31 3.3.5. Lojas de Fábrica ..................................................................................................... 33 3.3.6. Ferramentas e Recursos Utilizados ......................................................................... 34 Considerações Finais ............................................................................................................................ 35 Bibliografia…….. ................................................................................................................................... 36 Anexos……………. ................................................................................................................................. 39 3 1.1 Contextualização geográfica O Posto de Turismo de Guimarães está situado no concelho de Guimarães, no distrito de Braga. A cidade pertence à região do Norte e sub-região do Ave e também à antiga província do Minho e faz fronteira a norte com Póvoa de Lanhoso, a leste com Fafe, a Sul com Felgueiras, Vizela e Santo Tirso, a oeste por Vila Nova de Famalicão e a noroeste por Braga. Guimarães tem 48 freguesias e é composta por uma área de 240,955km2, dos quais 2,6km2 são área verde, com cerca de 158.124 habitantes (2011). Guimarães é uma cidade de origem medieval que surgiu no século X. A sua fundação deve-se, em grande parte, à condessa Mumadona Dias que mandou construir, na sua propriedade de Vimaranes, um mosteiro e depois um castelo à volta dos quais se desenvolveu o burgo. Em 1111, em Guimarães, nasceu D. Afonso Henriques, aquele viria a ser o primeiro rei de Portugal. A 24 de junho de 1128 travou-se a Batalha de S. Mamede entre D. Afonso Henriques e as tropas dos barões portucalenses contra as tropas do Conde Galego Fernão Peres. A vitória alcançada por D. Afonso Henriques marcou assim o nascimento da Nação Portuguesa, sendo essa a razão pela qual Guimarães é conhecida como o “O Berço da Nação” ou “Cidade Berço”. Em 1853, a vila é elevada a cidade e começou a se expandir para fora da muralha. O papel histórico de Guimarães relativamente à formação de Portugal confere-lhe um estatuto simbólico que mantém há seculos. Este facto aliado à classificação da U.N.E.S.C.O. do Centro Histórico de Guimarães como Património Cultural da Humanidade em 2001 desempenha um papel fundamental no contexto turístico tornando a cidade em um dos maiores centros turísticos da região. Em 2012, Guimarães, foi nomeada como Capital Europeia da Cultura que resultou da união entre a história e a preservação social e cultural da cidade com o dinamismo e empreendedorismo que caracterizam as cidades modernas. A cidade soube cuidar da qualidade de vida da sua população e das suas tradições populares: como as festas Nicolinas 1 e as festas Gualterianas 2 . Guimarães mantém, até aos dias de hoje, a preocupação em não perder a sua história e as suas tradições, fazendo da preservação da cidade uns dos principais objetivos. 1.2 . Apresentação dos Postos de Turismo de Guimarães A instituição acolhedora do estágio curricular foi a Câmara Municipal de Guimarães, mais 1 São as festas dos estudantes de Guimarães, celebradas em honra de São Nicolau (patrono dos estudantes). Têm início a 29 de novembro e terminam a 7 de dezembro. 2 São as festas populares, celebradas em honra de São Gualter, e realizam-se em Guimarães desde 1906, sempre no primeiro fim-de-semana de agosto. 4 precisamente o departamento de Turismo, composto pelos seus dois Postos de Turismo. O mais antigo é designado desde 2003 por Loja Interativa de Turismo e está localizado dentro do Centro Histórico, na Praça de Santiago. O mais recente, inaugurado em 2016, é designado por Welcome Centre e situase na Rua Paio Galvão, fora do Centro Histórico. O departamento de Turismo de Guimarães está atualmente associado à Entidade Regional de Turismo Porto e Norte de Portugal, responsável pela valorização, desenvolvimento e gestão das potencialidades turísticas da respetiva área regional de turismo do Norte. Os Postos de Turismo têm vários objetivos entre os quais: 1) orientar, informar e apoiar os turistas na sua visita à cidade de Guimarães; 2) promover a cidade e todo seu património em eventos nacionais e/ou internacionais; 3) criar conteúdos promocionais e informativos sobre a cidade (mapas, roteiros, agendas). A Loja Interativa de Turismo distingue-se do Welcome Centre porque tem o objetivo único de permitir ao turista a autonomia de descobrir a cidade dentro do Posto de Turismo utilizando as mesas interativas que reúnem informações como eventos culturais, hotéis, restaurantes, etc. 1.3 . Organização e Funcionamento A Loja Interativa de Turismo e o Welcome Centre estão sob a responsabilidade da chefe de divisão, a Doutora Mafalda Pizarro e tem à sua disposição 6 assistentes técnicos. O horário de atendimento da Loja Interativa de Turismo é das 9h30 às 18h00 de segunda a sexta-feira, aos sábados funciona das 10h00 às 18h00 e aos domingos e feriados das 10h00 às 17h00. No verão alarga o horário de fecho até às 19h00 de segunda a sábado, o horário de domingo mantém-se, sem encerramento para hora de almoço. O Welcome Centre está aberto de segunda a sexta-feira das 9h30 às 12h30 e das 14h00 às 18h00, encerra ao fim de semana e nos feriados. Os Postos de Turismo são parte da divisão de Turismo, divisão essa que integra o Departamento de Cultura e Turismo que, por sua vez, depende da Câmara Municipal de Guimarães. A função principal da Loja Interativa de Turismo e do Welcome Centre de Guimarães é acolher os turistas e visitantes e apresentar a cidade, fornecendo todas as informações atualizadas e respondendo às dúvidas mais frequentes. Esse acolhimento para além de presencial pode ser, também, realizado por via telefónica. Figura 1 - Organograma da Divisão de Turismo de Guimarães 5 Para além do atendimento ao público, o Posto de Turismo é responsável por outras tarefas como: a criação de conteúdos turísticos e/ou atualização dos conteúdos existentes; a gestão e resposta a emails (cujo o remetente pode ser um operador turístico, um turista, um habitante local ou um responsável de um alojamento local); a elaboração de estatísticas mensais (nacionalidade, estadia, idade, razão pela qual visitam a cidade) para que a divisão de turismo possa criar o perfil do turista; as visitas guiadas; a gestão de stock , etc. Todas estas tarefas fazem parte do funcionamento regular dos dois Postos de Turismo de Guimarães, mas que podem ser interrompidas em dias de grande afluência turística. 1.4. Atividades desenvolvidas durante o estágio O estágio curricular na divisão de Turismo de Guimarães decorreu entre 26 de fevereiro a 31 de maio de 2019. O estágio foi dividido em duas atividades principais: a tradução de conteúdos turísticos fornecidos pela divisão de Turismo; e o atendimento ao público em português e línguas estrangeiras (inglês, espanhol e francês). O estágio realizou-se sob a coordenação da Doutora Mafalda Pizarro, que definiu os conteúdos a traduzir e as tarefas a serem concretizadas. Contei com a ajuda dos assistentes técnicos relativamente ao atendimento ao público, atividade realizada durante todo o período de estágio, que me forneceram as informações necessárias relativas ao mapa e ao guia da cidade de Guimarães. Completaram os meus conhecimentos, sempre que necessário, e responderam a todas as minhas questões e dúvidas de forma a eu poder esclarecer e ajudar todos os turistas. Em termos quantitativos foram traduzidos 2 documentos para inglês e 3 documentos para espanhol. Segue-se a lista pormenorizada de todos os materiais desenvolvidos por ordem de receção: Agenda de Eventos PT-ES Apresentação sobre Guimarães PT-ES Apresentação sobre os museus PT-EN Lojas de Fábrica em Guimarães PT-ES Lojas de Fábrica em Guimarães PT-EN 6 Capítulo 2. Contextualização Teórica 7 2.1. O Turismo 2.1.1. Aproximação a uma definição de Turismo Ao longo do século XX, os organismos internacionais reconhecem a necessidade de definir os conceitos básicos de turismo com a finalidade de obter dados estatísticos comparáveis. Ao mesmo tempo, autores e investigadores tentaram criar uma definição de turismo, não com o objetivo de obter estatísticas, mas com a intenção de tentar caracterizar uma atividade económica complexa de forma a ajudar à sua compreensão e caracterização (Cunha, 2001). A multidisciplinaridade presente no turismo torna difícil encontrar um consenso relativamente à sua definição pois existem definições que associam o turismo maioritariamente aos aspetos económicos, outras definições associam-no aos aspetos socioculturais e também aos geográficos. Historicamente a primeira definição oficial relacionada com o turismo foi a do termo “turista”. Em 1937, a Sociedade das Nações laborou uma tentativa de definição para o termo segundo a qual “turista” se aplicaria a todas as pessoas que viajam por uma duração de 24 horas ou mais num país diferente daquele onde têm a sua residência habitual. Em 1954, a Convenção das Nações Unidas sobre facilidades alfandegárias em favor do turismo elaborou uma definição de turista diferente da anterior, considerando como “turista”: Toda pessoa, sem distinção de raça, sexo língua e religião, que ingresse no território de uma localidade diversa daquela que tem residência habitual e nele permaneça pelo prazo mínimo de 24 horas e máximo de seis meses, no transcorrer de um período de 12 meses, com finalidade de turismo, recreio, esporte, saúde, motivos familiares, estudos, peregrinações religiosas ou negócios, mas sem propósito de imigração. (Nações Unidas, 1954) Segundo Beni (2001, p.34), a primeira definição de turismo foi elaborada em 1910 por Herman Von Schullern sob uma visão económica, segundo a qual o turismo é “o conjunto de todos os fenómenos, em primeiro lugar de ordem económica, que se produzem pela chegada, estada e partida de viajantes numa comuna, província ou um estado determinado e, por consequência estão diretamente ligadas entre eles”. Anos mais tarde, em 1942, Huziker e Krapf definiram turismo como o “conjunto das relações e fenómenos originados pela deslocação e permanência das pessoas fora do seu local habitual de residência, desde que tais deslocações e experiências não sejam utilizadas para o exercício de uma atividade lucrativa principal, permanente ou temporária” (Huziker e Krapf, 1942). Entre muitas outras definições de vários autores, em 1994, a Organização Mundial de Turismo (OMT) lançou a definição oficial de turismo: “o turismo compreende as atividades das pessoas que viajam e permanecem em locais fora do seu ambiente habitual, por não mais do que um ano consecutivo, por motivos de lazer, negócios ou outros fins” (United Nations, 1994). Segundo Cunha, a definição que se 8 revela mais frágil é a da OMT que não permite identificar as características essenciais do turismo, nem distingui-lo “de outros fenómenos similares” (Burkart et al ., 1974). Em 2008, a OMT afirma que “tourism is a phenomenon for which statistical representation has its particular challenges because of its special nature. Most tourism indicators have traditionally been physical (non-monetary) and have focused on the description and measurement of flows of visitors associated with inbound tourism. “ (Nações Unidas, 2008) 2.1.2. Outras noções básicas da área de turismo Para além da definição de turismo existem outras noções pertencentes à área de turismo que são importantes para uma melhor compreensão dos conteúdos apresentados neste capítulo e necessárias para compreender o âmbito em que se insere o estágio. Anteriormente foi referida a definição de turista como sendo a primeira oficial na área do turismo, mas dentro dessa definição existem diferentes tipos de turistas. Segundo Gonçalo Lopes (2010) os elementos comuns entre as diferentes definições são o facto de existir sempre uma deslocação que não implica necessariamente um alojamento no destino, a estadia no destino nunca é permanente e compreende tanto as viagens como todas as atividades antes e durante a estadia, assim como todos os produtos e serviços criados para satisfazer as necessidades do turista. Após a primeira definição de turista já referida, em 1937 pela Comissão Económica da Sociedade das Nações (SDN), em 1950 a OMT incluiu nessa definição os excursionistas que são os visitantes temporários que permanecem menos de vinte e quatro horas no país visitado. Em 1963, a Conferência das Nações Unidas sobre o Turismo e as Viagens Internacionais adotou, para fins estatísticos, o conceito de visitantes que atualmente é definido como toda a pessoa que se desloca temporariamente para um país, quer seja o seu próprio país ou no estrangeiro, desde que não exerça uma profissão renumerada no local. Após todas essas definições gerais sobre o turismo, em 1983, a OMT elaborou o conceito de turismo nacional , que se refere aos movimentos dos residentes de um determinado país, incluindo o turismo doméstico. Esse conceito compreende ainda a diferença entre turista nacional, definindo-o como um visitante com uma permanência no local visitado, pelo menos de 24 horas, mas não superior a um ano e cujos motivos podem ser lazer, férias, negócios, etc. O excursionista nacional é um visitante que permanece no local visitado menos de 24 horas. 2.1.3. Tipos de Turismo Segundo Castro (2010, p.95), a classificação que se efetua a partir das motivações que as pessoas têm para realizar as suas viagens denomina-se de tipos de turismo. Esta maneira de classificar 9 os turistas tem como finalidade conhecer as suas peculiaridades e expectativas de consumo, com base nessa informação é possível saber com uma maior exatidão o que oferecer a cada um dos grupos que formam os chamados segmentos de mercado. Os tipos de turismo determinam-se em virtude das motivações que as suas características conferem a cada segmento. Cada tipo de turismo pode ramificar-se em diversidade de modalidades, dependendo das particularidades dos consumidores e das atividades turísticas em que participam. A tabela seguinte contém a classificação dos tipos de turismo sugerida por Castro (2010). Tabela 1 - Tipos de Turismo Turismo Cultural “Se le llama turismo cultural a los viajes que se realizan con el fin de disfrutar y conocer aquellos lugares donde el arte y la cultura se manifiestan notoriamente y por encima de otros recursos turísticos.” Turismo Deportivo “Quienes viajan dentro de esta modalidad lo hacen motivados por tres circunstancias principales: participar como espectadores de eventos deportivos; disfrutar, aprender o practicar alguna actividad deportiva; participar en competiciones deportivas.” Turismo de placer Esta modalidad es muy heterogénea, pues incluye multitud de intereses que generan los desplazamientos turísticos con el fin de recrearse. (…) Su motivación principal es el deseo de divertirse y disfrutar a plenitud lo que se hace.” Turismo de salud “Este tipo de turismo lo pratican las personas que viajan a un destino caracterizado por sus especiales condiciones y ventajas para el descanso y la recuperación, o para recibir un tratamiento o intervención quirúrgica que mejore las deficiencias físicas, estéticas o de salud en general que les aquejan.” Turismo de negocios “Son los viajes emprendidos para realizar gestiones o labores propias se la empresa en otro lugar diferente al de residencia.” Turismo naturalista “Este tipo de turismo es el realizado por las personas que se sienten atraídas o motivadas para conocer, disfrutar o estudiar un recurso natural singular o característico de un destino. Turismo Sustenible “El turismo sostenible abarca, en principio y de manera principal, el turismo de naturaleza (suave y fuerte), el ecoturismo, el agroecoturismo y el turismo rural.” Fonte: Castro (2010, pp.95-111) 10 Entre todos os tipos de turismo o que mais se destaca em Guimarães é o turismo cultural. A cidade é rica em história, é parte da identidade nacional, continua bem preservada com o seu Centro Histórico e os seus principais monumentos (Castelo de Guimarães, Paço dos Duques de Bragança e Capela de S. Miguel) e também possui uma vasta rede de museus. Dois tipos de turismo que também merecem menção são o turismo de natureza e o turismo desportivo. Guimarães tem uma série de espaços verdes ideais para quem procura estar em contacto com a Natureza, destacando a Montanha da Penha, que depois do Centro Histórico e dos principais monumentos, é o local mais visitado e que desperta maior interesse. Na área desportiva, Guimarães tem ao longo do ano vários eventos desportivos, relacionados com o desporto universitário ou com o clube da cidade, que muitas das vezes são a razão para visitar a cidade. 2.1.4. O turismo no mundo atual O turismo é a atividade económica que apresenta o maior crescimento quando comparado com outras atividades 3 . Atualmente, o volume de negócio do turismo é igual ou maior que o da exportação de petróleo, produtos alimentares ou automóveis no mundo. O turismo tornou-se num dos maiores fatores no comércio internacional e, ao mesmo tempo, representa uma das principais fontes de rendimento para muitos países em desenvolvimento. A indústria do turismo está em constante crescimento e a economia de alguns países é maioritariamente dependente do setor turístico. Apesar de não desempenhar sempre um papel positivo, o turismo contribui para o crescimento e desenvolvimento de um país, em primeiro lugar pelos inúmeros valores e benefícios económicos e também porque ajuda na construção de uma imagem e identidade. O turismo é muito mais que um destino atraente, passando também a contribuir para o crescimento económico mundial. 3 Dados retirados do World Travel & Tourism Council: https://www.wttc.org/-/media/files/reports/economic-impact-research/regions2019/world2019.pdf 11 Na seguinte figura pode-se observar as regiões mundiais mais visitadas em 2018, o fluxo turístico atual, assim como as receitas do setor de turismo de cada região. Como se pode verificar na figura, 2018 teve como total de chegada de turistas 1,4 biliões, que consolidou os fortes resultados de 2017 e se tornou o segundo ano mais forte desde 2010. Consolidando também a importância económica do turismo que resultou em mais de 1 trilião de dólares (aproximadamente 908 biliões de euros). Fonte: World Tourism Organization (UNWTO, 2018) 2.1.5. O Turismo em Portugal Atualmente o turismo é uma das atividades mais rentáveis para Portugal, que contribui para o desenvolvimento económico e social do país 4 . A criação de empregos e a contribuição para o crescimento das exportações são dois dos fatores que fazem do turismo uma atividade importante para a economia nacional. Segundo dados da plataforma travelBI do Turismo de Portugal 5 , em 2018 o turismo reforçou o seu importante valor na economia, mantendo a posição de principal setor exportador. Esse reforço deveu-se ao peso das receitas turísticas que foram 8,2% do PIB, 18,6% das exportações globais, 51,5% das exportações de serviços e 29,2% das exportações de bens. Em 2018, o número de turistas não residentes alcançou os 22,8 milhões. As chegadas de turistas internacionais continuaram a crescer à semelhança dos últimos anos. Apesar disso, como se pode observar no gráfico, o crescimento não se mostrou tão acentuado face ao ano anterior de 2017, 4 Informação retirada a Plataforma travelIBI: https://travelbi.turismodeportugal.pt/pt-pt/Documents/Turismo%20em%20Portugal/turismo-em-portugal2018.pdf 5 Informação retirada no seguinte endereço: https://travelbi.turismodeportugal.pt/pt-pt/Paginas/PowerBI/Sustentabilidade/taxa-de-sazonalidade.aspx Figura 2Chegada de turista e receitas do turismo 2018 - UNWTO 12 segundo os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) o que demonstra que o turismo em Portugal tem, de facto, um papel importante e que a sua tendência tem sido crescente, mas nem sempre com valores tão salientes como o esperado. Fonte: INE/Turismo de Portugal (Inclui Hotelaria, Alojamento Local e TER) Um dos aspetos negativos do turismo em Portugal é a sazonalidade. A concentração de um fluxo turístico em determinadas épocas do ano pode causar um grande impacto na sustentabilidade nacional e a capacidade em oferecer e/ou manter postos de trabalhos nas épocas com um fluxo turístico menor. Um dos objetivos da Estratégia de Turismo 2027 (ET27) é a redução do índice de sazonalidade em Portugal, em 2018 a taxa foi de 36,4%, um valor que tem vindo a diminuir desde 2015, segundo dados do Turismo de Portugal. Fonte: Estatísticas do Turismo 2017 (INE) No gráfico 2 pode-se observar que os meses de maior procura são julho, agosto e setembro. O facto da taxa de sazonalidade ser maior nesses meses deve-se também à presença dos emigrantes portugueses e aos residentes nacionais que aproveitam o período de férias para viajar dentro do país. A região portuguesa com maior taxa de sazonalidade é o Algarve, que se alia ao fator de Portugal ser um país muito procurado pelo sol e pela praia. Gráfico 1 - Taxa de Variação anual das chegadas de turistas internacionais 2014-2018 Gráfico 2 - Taxa de Sazonalidade 2018 19 Fonte: Lorscher (1996) Venuti (2001) afirma, apoiando-se em Vinay and Darbelnet (1958), que os tradutores podem selecionar dois métodos principais de tradução: a tradução literal e a tradução oblíqua. Num estudo comparativo entre o inglês e o francês, os dois autores apresentaram sete processos de tradução, processos esses que foram os utilizados para as atividades realizadas durante o estágio. Tabela 4 - Processo de Tradução Processo 1: Empréstimo Utilização da mesma palavra no texto de chegada de elementos lexicais da língua de partida (ou outra língua estrangeira) Processo 2: Decalque É um tipo de empréstimo em que existe uma adaptação aos sistemas fonéticos e ortográficos da língua de chegada. Processo 3: Tradução literal Realizada de forma literal, ou palavra por palavra, a tradução é uma transferência direta do texto de partida, gramatical e idiomaticamente adequada para o texto de chegada. Processo 4: Transposição Envolve a substituição de uma classe de palavras por outra sem alterar o significado da mensagem. Processo 5: Modulação É uma variação da forma da mensagem, obtida pela mudança do ponto de vista semântico. Processo 6: Equivalência Recodificação de uma mesma realidade por processos estilísticos e/ou culturais diferentes do da língua de partida, tendo em conta a totalidade da mensagem. Normalmente as equivalências são fixas pois pertencem a um grupo fraseológico como expressões, frases nominais ou adjetivais, provérbios. Processo 7: Adaptação Substituição de referências culturais da língua departida por referências culturais da língua de chegada, para que a mensagem possa ser percebida pelos leitores da tradução. Fonte: Jean-Paul Vinay e Jean Darbelnet (1958) 20 Por último, existiu a necessidade de recorrer a outro processo de tradução chamado de Explicitação , este processo é definido por Blum-Kulka (1988) e Mona Baker (1993;2000) 6 como o comportamento inerente ao processo de tradução, em que elementos implícitos em um texto de partida são explicitados no texto de chegada. 6 Citado por Edna Regina Hornes de Lima, Marcelo de Abreu Almeida, Maria Jose Bocorny Finatto em: https://www.lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/58139/Resumo_200701876.pdf?sequence=1 e http://www.ufrgs.br/termisul/files/file343800.pdf 21 Capítulo 3: Comunicação Multilingue e Tradução Turística no Posto de Turismo de Guimarães 22 O estágio curricular no Posto de Turismo de Guimarães, como já mencionado, decorreu entre 26 de fevereiro e 31 de maio. As tarefas realizadas ao longo do estágio foram o atendimento ao público no Posto de Turismo de Guimarães e no Welcome Centre , e a tradução de documentos turísticos de português para inglês e espanhol. 3.1. Atendimento ao público no Posto de Turismo de Guimarães Uma das principais funções por mim realizadas, durante o estágio curricular, foi o atendimento ao público. Esta função tinha como objetivo um atendimento presencial e telefónico aos visitantes do Posto de Turismo que consistia em responder às suas questões, fornecer um mapa da cidade com os principais pontos de visita em Guimarães com uma breve explicação da história da cidade. O atendimento ao público foi a tarefa que mais me surpreendeu no decorrer do estágio, pois não me sentia completamente confiante nas minhas capacidades de comunicação multilingue. Como já mencionado, os técnicos de turismo do Posto de Turismo de Guimarães desempenharam um papel fundamental na minha aprendizagem. Foram eles que me ensinaram, explicaram e exemplificaram como fazer o atendimento, como ler o mapa de Guimarães e como o apresentar ao visitante. Numa fase inicial foi também necessário fazer pesquisas, fora do horário laboral, de forma a poder prepararme para o dia seguinte tendo como base a comunicação com o turista até à altura. Pouco a pouco fui aprendendo as informações sobre a cidade de Guimarães e consegui comunicar sem problemas com os visitantes estrangeiros (espanhol e inglês), tendo em conta que todas as nacionalidades sabiam o suficiente da língua inglesa, à exceção dos visitantes de origem francesa e espanhola. As conversas fluíam e adquiri a capacidade de poder ajudar os turistas com os pedidos e/ou dúvidas que pudessem ter. Apesar de toda a confiança que consegui demonstrar no atendimento, os visitantes que comunicavam em francês foram a minha maior dificuldade. A minha formação em francês é muito básica pelo que conseguia percebê-los, mas não conseguia responder, essa dificuldade obrigou-me a avisar os turistas da minha incapacidade de falar fluidamente e treinar uma conversa básica em francês para os poder ajudar ou então pedir a algum dos técnicos de turismo que fizessem o atendimento por mim. 3.1.1. Dados estatísticos do Posto de Turismo No ato do atendimento eram feitos inquéritos aos turistas de forma a recolher elementos estatísticos relativos a atividade turística para integração em estudos setoriais. Apesar de não serem feitos a todos os visitantes, os inquéritos ajudam a divisão de Turismo da cidade de Guimarães a criar um perfil do turista, a descobrir as principais motivações para a visita e a sazonalidade, pois são feitos 23 todos os dias de cada mês. Os elementos que fazem parte desses inquéritos estão representados na tabela seguinte. País de origem Meio de transporte utilizado para chegar a Guimarães O que mais o atraiu a visitar Guimarães? Onde vai dormir esta noite Como tomou conhecimento de Guimarães Género Idade Aspetos a melhorar O elemento principal é a nacionalidade: é importante para o Posto de Turismo ter a noção de quais as nacionalidades que mais procuram Guimarães para, deste modo, poder responder da melhor forma às suas necessidades e encontrar novas formas de tornar apelativa a visita das restantes nacionalidades que se encontram em minoria. De seguida, questiona-se qual o meio de transporte para chegar a Guimarães para assim tentar entender se os turistas têm alguma rota especifica para a visita, se Guimarães foi a única cidade visitada ou não. Esta pergunta é complementada com a questão da estadia, de forma a ter conhecimento da quantidade da procura dos alojamentos locais e dos hotéis e se as visitas à cidade têm longa ou curta duração. As questões relacionadas com a razão da visita e de como se ganhou conhecimento de Guimarães também se completam no sentido em que os interesses dos turistas são explorados em ambos os elementos. E interessa perceber se os roteiros turísticos que falam sobre a cidade ou a indicação de guias locais de outras cidades influencia o turista a dirigir-se a Guimarães. O género e a idade têm como objetivo ajudar a perfilar o turista e conhecer quem visita de forma a estarem preparados da melhor forma para o receber, apesar de não serem elementos suficientes para a criação do perfil. Por último, os aspetos a melhorar são apenas um extra no questionário que nem sempre é respondido da melhor forma porque a visita ao Posto de Turismo é feita antes de visitar a cidade. 3.1.2. Interpretação dos dados Na cidade de Guimarães existem dois Postos de Turismo, as estatísticas são feitas em separado para perceber qual dos dois postos tem mais afluência e tentar entender porquê, apenas se somam quando são lançadas as estatísticas do Posto de Turismo. O estágio decorreu nos meses de fevereiro a maio, pelo que os dados a serem interpretados são os dos meses de janeiro a agosto, de modo a poder analisar os meses de maior sazonalidade. 24 Fonte: Câmara Municipal de Guimarães - Divisão de Turismo Este gráfico representa a evolução da afluência aos Postos de Turismo de Guimarães entre os anos de 2011 e 2018, na sua totalidade. Como os dados relativamente a 2019 são apenas dos primeiros oito meses do ano não é possível compará-los aos anos anteriores, mas continua a ser importante apresenta-los de forma a compreender se tendem a aumentar, como nos restantes anos, à exceção do ano de 2013. janeiro - março abril - maio junho - agosto 10.398 20.477 49.359 Fonte: Câmara Municipal de Guimarães - Divisão de Turismo Os dados estatísticos relativos aos oito meses foram divididos em três partes: de janeiro a fevereiro para assim ser possível analisar o primeiro trimestre do ano, de abril a maio, que foram os meses em que em Guimarães se realizavam várias festividades da Páscoa, e de junho a agosto, que são caracterizados como os meses de verão e de maior afluência. Como é possível verificar nas estatísticas os meses de maior afluência são junho, julho e agosto, correspondendo assim aos meses de maior taxa de sazonalidade nacional. Seguidos pelos meses de abril e maio, em que a afluência também foi positiva devido ao facto da Páscoa se festejar no dia 21 de abril e de Guimarães ter muitas celebrações relacionadas com a semana santa. No período de 19 de abril a 22 de abril os Postos de Turismo receberam 3.433 visitantes. Gráfico 5 - Afluência aos Postos de Informação Turística de Guimarães 58.798 121.435 46.462 46.457 66.802 66.988 75.198 80393 0 20.000 40.000 60.000 80.000 100.000 120.000 140.000 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 2018 25 A nacionalidade e a idade dos turistas será interpretada com uma amostra de 749 turistas, em função de dados estatísticos do Welcome Centre de Guimarães que, sendo o local onde maioritariamente desempenhei a função atendimento ao público, servirá para analisar quais as nacionalidades e faixas etárias com que me deparei. Gráfico 6 - Países dos visitantes do Welcome Centre, entre janeiro e abril Nos gráficos representados é possível confirmar que a nacionalidade mais encontrada foi a nacionalidade espanhola. Segundo os dados estatísticos de Guimarães do ano de 2018, o mercado espanhol é o que mais visita e tem interesse na cidade, o que foi possível confirmar nesta amostra e no decorrer do estágio curricular. Os restantes países, por ordem, são França, Brasil, Portugal, Alemanha, Itália, Canadá, Holanda, Inglaterra, Estados Unidos da América, Bélgica e outros países. Como a amostra é apenas uma pequena parte do total de visitantes e apenas se foca num dos Postos de Turismo, não é possível tirar conclusões sem a totalidade dos dados ou sem comparação com outras estatísticas. Segundo a Estatística de 2018 da divisão de Turismo da Câmara Municipal de Guimarães, os principais mercados emissores são Espanha, França, Portugal e o Brasil que, segundo a amostra do período de estágio, também é possível confirmar que são os quatro mercados com os quais mais comuniquei. A posição de Portugal, em 2018, como terceiro mercado emissor não se manteve nos dados estatísticos da amostra de janeiro a abril, mudando a sua posição para o quarto lugar, mas como já mencionado no Capítulo 2, os residentes nacionais aproveitam os meses de verão para viajar dentro do país o que poderá explicar esta descida. 68 222 125 17 27 27 19 15 95 21 11 99 0 50 100 150 200 250 Gráfico 7 - Faixa etária dos visitantes do Welcome Centre, entre janeiro e abril 32 273 408 42 0 50 100 150 200 250 300 350 400 450 0 - 25 26 - 45 46 - 65 mais 65 26 Em suma, os questionários e os dados recolhidos pelos Postos de Guimarães são uma das formas que a divisão de turismo tem de conhecer melhor quem visita e qual a razão pela qual escolhem Guimarães de forma a poder inovar e dinamizar ainda mais a cidade e o que nela acontece. Um exemplo de uma estratégia é o mapa da cidade de Guimarães dedicado aos visitantes mais jovens (a faixa etária que menos visita a cidade, segundo os dados) e a aplicação para telemóvel USE-IT , o aspeto do mapa é mais chamativo, as indicações de sítios a visitar não se focam apenas nos monumentos e museus mas também na vida noturna (cafés, bares) e a escrita é mais informal e amigável de forma a chamar a atenção dos jovens. 3.2. Importância da tradução no turismo Como já mencionado no capítulo 2, o turismo é uma atividade económica que cresce cada vez mais. Sendo um setor que cria uma ligação entre diferentes nacionalidades e culturas, a tradução tornase uma ponte que ajuda nessa mesma ligação. Para além do atendimento, onde nos temos de adaptar à língua do turista e assim obter a melhor comunicação possível, os Postos de Turismo de Guimarães têm à sua disposição alguns materiais informativos direcionados aos visitantes. Os materiais como o mapa da cidade, o guia e os percursos pedestres estão sempre disponíveis no local ou online , em português, espanhol, inglês, francês, italiano, alemão e holandês. No decorrer do estágio, e aquando do atendimento, o facto de existir uma língua em comum entre o turista e quem o recebe é algo positivo para ambos, pois é um dos fatores que mais agrada ao turista e que torna o atendimento o mais competente possível. O facto de existirem materiais traduzidos na língua de quem visita também surgiu como um aspeto muito positivo, fazendo com que estes se sintam bem recebidos e se conectem mais facilmente à cidade. A tradução tem um papel muito importante. É necessário ter em conta as diferenças culturais, a falta de conhecimento que pode existir da parte do leitor em relação ao local e tentar preencher da melhor maneira eventuais lacunas. A imagem criada pelo turista sobre a cidade também será influenciada pelo que lê ou por quem o recebe. 3.3. As traduções 3.3.1 Caracterização dos textos traduzidos A tradução deveria ter sido a tarefa principal do estágio curricular, mas, devido a alguns contratempos, as traduções realizadas, apesar de terem uma função importante, não foram pedidas em grande quantidade. 27 Os documentos traduzidos foram a Agenda Cultural de Guimarães, uma apresentação sobre a cidade de Guimarães para uma feira de turismo e um documento informativo sobre as lojas de fábrica. Como já mencionado, as línguas de trabalho foram o inglês e o espanhol e as traduções foram feitas em regime presencial durante o horário do estágio. A tabela seguinte apresenta informações adicionais sobre os documentos (presentes como anexo no CD). Traduções Línguas de trabalho Número de palavras Agenda de Eventos Português 5336 palavras Espanhol 5750 palavras Apresentação de Guimarães Português 2782 palavras Espanhol 3016 palavras Lojas de Fábrica Português 2678 palavras Inglês 2512 palavras Espanhol 2804 palavras Apresentação dos museus Português 201 palavras Inglês 202 palavras Em primeiro lugar, a “Agenda de Eventos” é um texto informativo em relação aos eventos mais importantes e característicos que decorrem na cidade de Guimarães, de janeiro a fevereiro, e que está disponível para todos os visitantes em formato papel e online . O documento “Apresentação de Guimarães” e “Apresentação dos museus” tiveram como objetivo a sua apresentação em feiras de turismo, os textos presentes são narrativos pois apresentam a história de Guimarães e de outros locais, mas são também descritivos porque também descrevem características sobre esses mesmos locais. Por fim, “Lojas de Fábrica” é um texto informativo onde se podem encontrar os detalhes sobre cada uma das lojas de fábrica presentes em Guimarães e é um texto injuntivo porque no documento são dadas as indicações de como se chegar ao local. 28 3.3.2. Dificuldades encontradas e resolução de problemas No processo de tradução foi necessário focar-me na cultura de chegada e traduzir os documentos para que o leitor da língua de chegada conseguisse perceber todos os elementos e que nenhuma informação se perdesse na tradução. A língua de partida de todos os textos foi o português, a minha língua nativa, sendo obviamente onde me encontro mais confortável. As línguas de chegada foram o inglês e o espanhol, que por serem línguas estrangeiras torna um pouco maior a carga de responsabilidade na tradução assim como torna necessário uma maior e intensiva pesquisa, se a língua de partida fosse o inglês ou o espanhol e a língua de chegada o português seria um pouco mais fácil. Como mencionado no capítulo 2, existem problemas no decorrer da tradução e coube-me solucionálos, uma das formas foi procurar ajuda nas estratégias, também mencionadas no capítulo 2. O trabalho com o par de línguas PT-ES foi o par mais frequente nas traduções. Tendo em conta que o maior mercado emissor é Espanha é natural que exista uma necessidade de fornecer informações nessa língua. O pensamento, antes de começar a tradução, era de que este par seria o mais fácil. Dada a proximidade das línguas considera-se por vezes erradamente que basta uma tradução literal. Apesar do par PT-EN não ter sido necessário tão frequente, não quer dizer que a tradução se tenha tornado mais fácil. Mesmo com a minha familiaridade com a língua inglesa existiram algumas dificuldades. Todos estes aspetos exigiram uma maior atenção aos detalhes e à revisão, assim como exige a todos os profissionais, especialmente no contexto turístico, pois é importante nunca esquecer a cultura e nacionalidade do leitor da língua de chegada. 3.3.3. Agenda de Eventos A Agenda de Eventos (anexo 1 do CD) foi traduzida de português para espanhol. Sendo um texto informativo sobre os eventos a decorrer na cidade, a estratégia mais usada em termos quantitativos foi a tradução literal. Apesar do espanhol e da tradução ser mais exigente em certos casos, neste texto, tendo em conta o seu conteúdo, não senti muita necessidade de fazer mudanças da língua de partida para a língua de chegada pois a tradução palavra por palavra era o suficiente para manter o sentido do texto e a compreensão do leitor. Original Tradução ES Estratégia 35 Considerações Finais A escolha de um estágio curricular na área do turismo não foi uma escolha aleatória, foi uma opção que sempre considerei que poderia ser uma experiência valiosa e assim o foi. Existiram contratempos que tornaram impossível um maior foco do estágio na tradução, o principal foi a ausência da orientadora do Posto de Turismo nas primeiras semanas e isso direcionou-me um pouco mais para o atendimento ao público, deixando a tradução para segundo plano. Apesar desses contratempos, considerei o estágio uma mais-valia tanto a nível pessoal como a nível profissional. Foi possível conhecer mais sobre a área do turismo e relacioná-la com a tradução e adquirir novos conhecimentos que apliquei a todas as atividades realizadas. O turismo é a atividade que apresenta maior crescimento económico e vai ganhando uma maior importância no contexto nacional. Deste modo podemos afirmar que o seu elo de ligação com a tradução e com a comunicação multilingue se torna muito importante, devido aos visitantes de outras nacionalidades que procuram Portugal. Relativamente ao atendimento ao público é de salientar a necessidade de assimilar todos os conhecimentos sobre a cidade. Quem se dirige ao Posto de Turismo está à espera de encontrar toda a informação sobre a cidade de modo a facilitar a sua visita, pelo que é necessário, para os técnicos de turismo, saber essas informações ou pelo menos ter acesso às mesmas. O atendimento e as informações divulgadas devem ser adaptados a cada visitante e devem ser o mais esclarecedores possível. Como maioritariamente as visitas ao Posto de Turismo são realizadas por estrangeiros, é um requisito estar preparado para a comunicação em outra língua que não a língua materna, para que dessa forma o turista sinta liberdade de procurar e questionar sobre todas as informações e ser compreendido. Tendo em conta todos estes fatores foi necessário um estudo de todas as informações sobre a cidade de Guimarães, primeiro em português e de seguida estudá-las nas línguas de chegada para poder criar uma comunicação fluída com os visitantes. É importante voltar a mencionar os técnicos de turismo pelo papel que desempenharam no desenrolar do estágio foi de uma enorme importância pois ensinaram-me a melhor forma de comunicar com os visitantes e de como responder às suas necessidades. 36 A tradução dos textos turísticos contem uma grande carga de responsabilidade para o tradutor pois este fica encarregue de manter a mensagem do texto na língua de partida para a língua de chegada. Não só exige um conhecimento cultural e linguístico como também a capacidade de ser versátil e multifuncional. Cabe ao tradutor manter-se fiel ao contexto dos textos e procurar as melhores soluções e estratégias para chegar à tradução final. Mantendo sempre presentes estas noções durante o processo nas tarefas de tradução, foram necessárias várias pesquisas sobre o conteúdo do texto, criar corpus paralelos de forma a encontrar os mesmos termos em diferentes documentos, tanto na língua de partida como na língua de chegada. Todas as atividades realizadas foram bastante desafiantes para mim, por ser a primeira vez que me confrontei a uma situação profissional como tradutora, assim como por ser a primeira vez em que apliquei a tradução à área do turismo. No entanto, por serem desafiantes exigem mais rigor ajudando-me a desenvolver novas competências. Por último, este estágio foi muito benéfico para mim e considero importante existirem colaborações entre a divisão de Turismo da Câmara de Guimarães e o Mestrado em Tradução e Comunicação da Universidade do Minho. Apesar de, mais uma vez, não ter corrido tudo como esperado posso afirmar que foi uma experiência muito positiva a nível pessoal e profissional. A nível pessoal consolidei os meus conhecimentos e a nível profissional ajudou-me a criar um maior sentido de responsabilidade que levarei para experiências futuras. Bibliografia Argoni, M. (2012). Tourism communication: the translator’s responsibility in the translation of cultural difference, Revista de Turismo y Patrimonio Cultural , Vol 10 (n°4), 5-11. Consultado a 15 de setembro de 2019 em: http://www.pasosonline.org/Publicados/10412special/PS0412_02.pdf 37 Beni, M.C (2001). Análise Estrutural do Turismo . São Paulo: SENAC. Calvi, M. V. (2001). El Léxico Del Turismo. Cultura e Intercultura En La Enseñanza Del Español a Extranjeros . Consultado a 15 de setembro de 2019 em: https://www.academia.edu/460042/El_L%C3%A9xico_Del_Turismo Castro, R.Q., (2010) Elementos de Turismo: Teoría, Clasificación Y Actividad . 2ª Edição. San José, C.R.: EUNED. Consultado a 17 de julho de 2019 em: https://books.google.pt/books?id=RdrDv_52LmYC&lpg=PP1&hl=ptPT&pg=PP1#v=onepage&q&f=false Chesterman, A. 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