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Universidade do Minho Instituto de Ciências Sociais Rui Filipe Maia Ferreira julho de 2020 Jornalismo Desportivo: A predominância do futebol em comparação com as restantes modalidades Rui Filipe Maia Ferreira Jornalismo Desportivo: A predominância do futebol em comparação com as restantes modalidades UMinho|2020
Rui Filipe Maia Ferreira julho de 2020 Jornalismo Desportivo: A predominância do futebol em comparação com as restantes modalidades Trabalho efetuado sob a orientação do Prof. Doutor Joaquim Fidalgo Relatório de Estágio Mestrado em Ciências da Comunicação Área de Especialização em Informação e Jornalismo Universidade do Minho Instituto de Ciências Sociais
ii DIREITOS DE AUTOR E CONDIÇÕES DE UTILIZAÇÃO DO TRABALHO POR TERCEIROS Este é um trabalho académico que pode ser utilizado por terceiros desde que respeitadas as regras e boas práticas internacionalmente aceites, no que concerne aos direitos de autor e direitos conexos. Assim, o presente trabalho pode ser utilizado nos termos previstos na licença abaixo indicada. Caso o utilizador necessite de permissão para poder fazer um uso do trabalho em condições não previstas no licenciamento indicado, deverá contactar o autor, através do RepositóriUM da Universidade do Minho. Atribuição-NãoComercial-CompartilhaIgual CC BY-NC-SA https://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/4.0/
iii Agradecimentos Aos meus pais, pelo apoio, sacrifício e dedicação; Ao meu irmão pelo companheirismo, pelas palavras de incentivo e pelo apoio; Aos meus avós e tios que estão sempre prontos para me ajudar; Aos meus amigos pelas palavras de incentivo e pela camaradagem; Ao orientador de estágio, o Professor Doutor Joaquim Fidalgo, agradeço a paciência e a disponibilidade para me ajudar ao longo de todo o processo, o meu muito obrigado por tudo que fez por mim; Ao Pedro Cunha, editor do Maisfutebol e meu orientador por parte da empresa, por tudo que fez por mim ao longo dos três meses de estágio e pela disponibilidade para participar na parte empírica do relatório/dissertação; A todos os colegas da redação do Maisfutebol , que me acolheram da melhor forma e me ajudaram a crescer; A Sara Marques, jornalista do Maisfutebol , e ao Jorge Fernandes, jornalista do Zerozero , pela disponibilidade para participar na parte empírica do relatório/dissertação;
iv DECLARAÇÃO DE INTEGRIDADE Declaro ter atuado com integridade na elaboração do presente trabalho académico e confirmo que não recorri à prática de plágio nem a qualquer forma de utilização indevida ou falsificação de informações ou resultados em nenhuma das etapas conducente à sua elaboração. Mais declaro que conheço e que respeitei o Código de Conduta Ética da Universidade do Minho.
v Jornalismo Desportivo: A predominância do futebol em comparação com as restantes modalidades Resumo O estágio curricular no jornal desportivo online Maisfutebol fez-me vivenciar um problema que atinge os jornais desportivos portugueses. Esse problema é a disparidade entre as notícias produzidas para o futebol e para as restantes modalidades. O presente relatório/dissertação de mestrado incide, numa primeira parte, no período de estágio e, posteriormente, numa pequena investigação sobre o jornalismo desportivo, subdividida numa abordagem teórica e numa componente empírica, com o objetivo de responder à seguinte questão: Quais os motivos por que o jornalismo desportivo dá grande preponderância ao futebol, em detrimento das restantes modalidades, e quais as consequências desse modo de proceder? A componente empírica, baseada na análise dos jornais O Jogo e A Bola , bem como num pequeno conjunto de entrevistas realizadas a jornalistas desportivos, permitiu recolher dados que sustentam a investigação e demonstram a predominância do futebol nos jornais desportivos, quando comparados com as modalidades. As eventuais causas desta situação são também analisadas neste trabalho. Palavras-Chave: Futebol; Jornalismo; Jornalismo Desportivo; Modalidades
vi Sports Journalism: The predominance of football compared to other sports Abstract The internship in the online sports newspaper Maisfutebol made me experience a problem that affects portuguese sports newspapers. This problem is the disparity between the news produced for football and for the other sports. The present report / master's thesis focuses, in a first part, on the internship period and, in a small investigation about sports journalism, subdivided in a theoretical approach and an empirical component, with the objective of answering the following question: What are the reasons why sports journalism gives great preponderance to football, to the detriment of other modalities, and what are the consequences of this way of proceeding? The empirical component, based on the analysis of the newspapers O Jogo and A Bola , as well as a small set of interviews conducted with sports journalists, allowed the collection of data that support the investigation and demonstrate the predominance of football in sports newspapers, when compared with the modalities. The possible causes of this situation are also analyzed in this work. Keywords: Football; Journalism; Modalities; Sports Journalism
vii Índice Geral Introdução .......................................................................................................................................... 1 1. O estágio: análise critica ............................................................................................................. 2 1.1. Fase de candidatura ............................................................................................................ 2 1.2. Os primeiros dias de estágio ................................................................................................ 3 1.3. Primeira peça assinada ....................................................................................................... 4 1.4. Primeira entrevista .............................................................................................................. 5 1.5. Reportagem para a rubrica “Caminhos de Portugal” ............................................................ 8 1.6. Cobertura dos jogos de futebol .......................................................................................... 14 1.7. Experiência ao serviço da TVI ............................................................................................ 17 1.8. Síntese do estágio ............................................................................................................. 21 2. Jornalismo especializado ........................................................................................................... 23 2.1. Jornalismo especializado – O caso do desporto ...................................................................... 25 2.2. Jornalismo desportivo em Portugal ........................................................................................ 27 2.3. Predominância do futebol sobre as restantes modalidades desportivas ................................... 29 2.4. Interrogações relativas ao jornalismo desportivo ..................................................................... 35 3. Investigação Empírica ............................................................................................................... 37 3.1. Questão de Investigação ........................................................................................................ 37 3.2. Objetivos ............................................................................................................................... 37 3.3. Metodologia ........................................................................................................................... 38 3.4. Resultados da Investigação .................................................................................................... 40 3.4.1. Futebol vs Modalidades – O caso do jornal A Bola ........................................................... 40 3.4.1.1. Mês de agosto ............................................................................................................. 41 3.4.1.2. Mês de setembro ......................................................................................................... 45 3.4.1.3. Mês de outubro ........................................................................................................... 49
viii 3.4.1.4. Análise global ao jornal A Bola ..................................................................................... 53 3.4.2. Futebol vs Modalidades – O caso do jornal O Jogo .......................................................... 56 3.4.2.1. Mês de agosto ............................................................................................................. 56 3.4.2.2. Mês de setembro ......................................................................................................... 60 3.4.2.3. Mês de outubro ........................................................................................................... 64 3.4.3.4. Análise global ao jornal O Jogo ..................................................................................... 68 3.5. Análise de Resultados ............................................................................................................ 71 3.6. Análise às entrevistas realizadas ............................................................................................ 73 Conclusão ........................................................................................................................................ 77 Anexos ............................................................................................................................................. 82 Anexo 1 - Entrevistas .................................................................................................................... 83 Anexo 2 – Trabalhos realizados durante o estágio ......................................................................... 89 Índice de elementos gráficos Tabelas Tabela 1 – Número de notícias de cada modalidade no mês ............................................................. 41 Tabela 2 - Número de jornais com referência às modalidades na capa .............................................. 42 Tabela 3 – Número de notícias de cada modalidade no mês ............................................................. 45 Tabela 4 - Número de jornais com referências as modalidades na capa ............................................ 46 Tabela 5 – Número de notícias de cada modalidade no mês ............................................................. 49 Tabela 6 - Número de jornais com referências as modalidades na capa ............................................ 50 Tabela 7 – Número de notícias de cada modalidade no mês ............................................................. 56 Tabela 8 - Número de jornais com referências às modalidades na capa ............................................ 57 Tabela 9 – Número de notícias de cada modalidade no mês ............................................................. 60 Tabela 10 - Número de jornais com referências às modalidades na capa .......................................... 61 Tabela 11 – Número de notícias de cada modalidade no mês ........................................................... 64
5 O último desafio era decidir com que nome podia assinar a peça. Desta forma, uma jornalista do Maisfutebol sugeriu-me consultar o site da Comissão da Carteira Profissional de Jornalista, para averiguar se podia assinar a peça como “Rui Maia” ou se já havia outro jornalista com idêntico nome profissional. A pesquisa permitiu-me retirar as dúvidas quanto à forma como devia começar a assinar as peças daqui em diante. Assinar uma peça com nome próprio é o reconhecimento do nosso trabalho, do empenho e da dedicação, das horas que estivemos a pesquisar para dar ao leitor uma informação verdadeira. 1.4. Primeira entrevista O dia 4 de setembro de 2018 vai ficar marcado para sempre na minha memória, pois é a data da minha primeira entrevista. O Maisfutebol é um órgão de comunicação social que dá liberdade de trabalho aos estagiários. Assim sendo, é muito usual aceitar sugestões para entrevistas, desde que previamente sejam discutidas com o editor, de modo a que perceba o interesse que pode ter para o leitor. No meu caso, esta entrevista foi sugerida por Pedro Cunha, editor e meu orientador de estágio na empresa. Na semana anterior à data de publicação da entrevista, ele perguntou-me se conhecia o jogador Tiago Cintra. Respondi que sim. Ele voltou a questionar-me: “O que conheces dele?”. Como sou um espetador atento ao mundo do futebol, recordava-me que o Tiago Cintra se estreara na Primeira Liga portuguesa com 20 anos, ao serviço do Leixões, e que se destacara nesse ano. Foi então que o editor me contou o porquê do interesse no Tiago Cintra. Na altura em que se afirmou nos grandes palcos do futebol português, o Maisfutebol (na pessoa de Pedro Cunha) entrevistou o Tiago, então um miúdo de 20 anos, deslumbrado com aquela janela de oportunidade, crescido e criado num dos bairros mais problemáticos do Porto, mas que, apesar disso, não caiu nos maus vícios da vida. Ele foi figura de proa do Leixões nos três anos que representou a equipa sénior do clube de Matosinhos. Desde que apareceu no futebol ao mais alto nível, a carreira do jogador foi caindo a pique e, neste momento, atua no Campeonato de Portugal, ao serviço do Pedras Rubras. O ponto de interesse da entrevista era perceber os motivos que fizeram com que a carreira dele não correspondesse ao esperado, mas principalmente, tocar num lado mais emotivo e pessoal da vida do jogador. Este é um aspeto de realce do trabalho do Maisfutebol , porque as entrevistas e reportagens realizadas procuram sempre contar uma história. Mais do que falar com alguém que seja famoso e conhecido pelas pessoas, interessa conhecer o lado pessoal e saber que aquela pessoa nos pode dar um ensinamento, uma história de vida, que permita ao leitor refletir sobre os valores da vida e a sua importância.
6 Voltando à entrevista, o editor Pedro Cunha pediu-me para realizar uma pesquisa sobre o Tiago Cintra, de forma a conhecer melhor o percurso dele, desde que deixou o Leixões e para descobrir o seu clube atual. “O seu clube atual é o Pedras Rubras”, informei o editor e expliquei que ia procurar contactar o jogador, através das redes sociais. Mas tal não foi possível. Primeiro, porque não encontrei o seu endereço no Facebook e no Instagram o meu pedido de amizade não foi aceite. Uma das alternativas era ligar para o clube atual dele e tentar obter o seu número de telemóvel. Antes de fazer isso, o editor disse-me que conhecia um amigo dele, Rúben Ribeiro, jogador que passou pelo Rio Ave e mais recentemente, pelo Sporting, e que lhe ia ligar para pedir o número de telefone. Assim foi, e nessa tarde tinha o contacto do Tiago Cintra. Não perdi tempo e liguei-lhe para explicar que estávamos interessados em realizar uma entrevista. Ele mostrou interesse imediato, agendamos a data e marcamos o local de encontro. O contacto foi feito no dia 27 de agosto e a entrevista agendada para o dia 29, numa das salas de reuniões do edifício da Media Capital, por sugestão dos colegas da redação. Agendada a entrevista, comecei a pensar nas perguntas que poderia fazer ao entrevistado. O facto de o Maisfutebol ter realizado uma entrevista ao jogador anos antes, permitiu-me ficar a conhecer a pessoa em questão e alguns aspetos que podiam ser de interesse recuperar passados nove anos. A preparação da entrevista passou também por analisar o plantel de cada equipa onde jogou, para perceber se havia uma relação de proximidade com jogadores que têm uma carreira estável e nos maiores palcos do futebol. Foram dois dias de preparação para que nada faltasse. Os jornalistas do Maisfutebol questionaram-me sobre os temas que ia abordar, davam as suas sugestões e, por fim, deram uma vista de olhos ao guião que preparei, mas avisaram-me logo de uma coisa: “Rui, não te baseies exclusivamente no guião. Durante a entrevista, com aquilo que o entrevistado vai dizer, vão surgir aspetos interessantes que podes e deves questionar”. Chegou o dia. Era a minha primeira entrevista e parecia que ia ter pela frente a maior estrela do desporto nacional e internacional. O horário da entrevista aproximava-se e eis que toca o telemóvel. Era o Tiago Cintra, a avisar que tinha chegado. Dei-lhe as boas-vindas e apresentei-me. Comecei a quebrar um bocado o gelo e, de seguida, indiquei-lhe o caminho para a sala onde ia decorrer a reunião. Antes de começar a entrevista, agradeci-lhe a disponibilidade, o facto de ter aceite o convite e conferi se o gravador estava operacional. Tudo verificado, era hora de começar. A conversa durou uma hora, mas senti que tinha passado a voar, muito por culpa do testemunho que ele deu. Abordei os tópicos que preparei e outros surgiram durante a conversa. Foi uma entrevista que deu para conhecer o lado mais pessoal do entrevistado e, ao mesmo tempo, entender o que o levou para outro caminho, que não a afirmação
7 enquanto jogador. Muito se deveu, segundo contou, à instabilidade em casa, à falta da figura paternal, mas também ao pensamento, errado, de que não era necessário trabalhar, que o talento chegava para conquistar o mundo. No final da entrevista, o futebolista agradeceu a oportunidade para falar sobre os erros que cometeu, de forma a que quem lesse a entrevista, não cometesse os mesmos erros, porque a vida é feita de trabalho. Feitas as despedidas, voltei para a redação. Já tínhamos casa cheia e todos me perguntaram como tinha corrido a entrevista. Eu, entusiasmado, agradeci a oportunidade que me tinham dado e estive a contar os pormenores mais interessantes da conversa. Logo nesse dia, comecei a transcrever a entrevista mas, como era extensa, prolongou-se para o dia seguinte. Concluído o processo de transcrição, aproveitei para ler tudo com atenção e começar a pensar naquilo que queria cortar, bem como começar a ordenar as perguntas num seguimento lógico. O início da semana seguinte marcou o momento da conclusão da entrevista. Conversei com o editor sobre a divisão do texto em duas partes, pois tínhamos material interessante para separar o lado mais profissional e o lado mais pessoal. Durante esse dia, o editor ficou encarregado de olhar para a entrevista com “olhos de ver” e perceber se não faltava nada. No final do dia, o texto estava pronto para colocar no site , mas, por questões de edição, decidiu-se que só ia ficar disponível para os leitores no dia seguinte. Terça-feira, dia 4 de setembro, era o dia. O momento alto do estágio, a entrevista ao jogador de futebol, Tiago Cintra, estava disponível para o leitor e, nesse dia, foi a peça mais lida do Maisfutebol . Ver uma entrevista feita por ti e disponível para os leitores desperta o sentimento de felicidade e de missão cumprida. A semana de trabalho, a preparação para a entrevista, os contactos, o momento da entrevista em que estás cara a cara com a pessoa, o trabalhar no produto final, tudo isso é uma sensação especial para um jornalista. Com este trabalho aprendi que mais importante que a pessoa que vai ser entrevistada é a história que nos tem para contar, os ensinamentos, a lição de vida que o leitor pode retirar quando lê aquela peça. Estava a finalizar o primeiro mês de estágio e sentir a confiança das pessoas no trabalho que desenvolvia era sinal de responsabilidade, mas também demonstrava que as coisas corriam bem. A entrevista realizada ao Tiago Cintra foi a primeira feita profissionalmente. Ao longo da licenciatura e do mestrado elaborei algumas entrevistas, mas esta teve outro significado. Os princípios básicos para a realização da entrevista são ensinados ao longo do percurso académico e permitem sentir uma maior segurança quando se elabora um trabalho deste tipo.
8 Este momento do estágio permitiu-me perceber as dinâmicas necessárias de uma entrevista, começando desde logo na escolha da pessoa que vamos entrevistar. Aprendi que a história interessante de uma pessoa cria maior impacto junto do leitor. O nível de popularidade não é tudo, porque alguém que é muito conhecido pode não ter uma história apelativa e que cative o leitor. Por este motivo, escolher um entrevistado que chegou ao topo do desporto nacional ou internacional, que teve destaque e de um momento para outro desapareceu, é uma forma de consciencializar os jovens atletas da importância de trabalhar todos os dias. Muitas vezes diz-se que o difícil não é chegar ao topo, mas sim permanecer no topo e conquistar cada vez mais coisas. Uma entrevista que permita ao leitor uma reflexão sobre aos pilares da vida pode marcar a diferença. Deve também permitir ao leitor uma compreensão das razões que dão um significado às opções que são tomadas. As lições da vida, os obstáculos que surgem no caminho daqueles que crescem em meios sociais problemáticos ou com menores possibilidades financeiras fazem o leitor e o próprio jornalista refletir sobre o significado da vida. 1.5. Reportagem para a rubrica “Caminhos de Portugal” O Caminhos de Portugal é uma rubrica do Maisfutebol que visita passado e presente de clubes dos escalões não profissionais. Tantas vezes na sombra, este futebol em estado puro merecerá cada vez mais a nossa atenção. Um dos principais objetivos da rubrica é dar a conhecer os clubes dos escalões não profissionais, que possuem histórias interessantes e capazes de despertar a curiosidade do leitor. Este espaço tem como finalidade proporcionar uma maior visibilidade aos clubes menos conhecidos, através da história do clube. A rubrica “Caminhos de Portugal” é realizada de duas em duas semanas e é publicada na revista online produzida pelo Maisfutebol , MF Total. Como é que surgiu a oportunidade de fazer uma edição do “Caminhos de Portugal”? O jornalista Sérgio Pires lançou-me o desafio, depois de falarmos sobre a possibilidade de realizar uma reportagem sobre um clube do concelho de Guimarães, em crescendo no patamar competitivo da Associação de Futebol de Braga e que estava na luta pela subida aos campeonatos nacionais. Quando conversei com o Sérgio Pires sobre a proposta, este disse-me que aquilo que lhe estava a sugerir enquadrava-se nesta rubrica. O primeiro passo foi contar, resumidamente, a história desse clube. O Berço SC é um clube jovem, fundado em 2016. O seu objetivo é funcionar como uma montra para jovens talentos do futebol nacional, uma vez que são vários os empresários com ligações ao clube. Outro aspeto de realce para a possível entrevista era a ascensão meteórica que o clube está a viver, pois subiu de
9 divisão em dois anos consecutivos e estava encaminhado para a terceira e, consequentemente, subida para o Campeonato de Portugal, primeira prova sob a alçada da Federação Portuguesa de Futebol, o que se confirmou no final da época. Depois de falar com o Sérgio sobre o assunto e de aguardar alguns dias para pensar no tema, recebi luz verde para avançar. Objetivo seguinte: entrar em contacto com alguém da estrutura do Berço. Procurei o contacto nas redes sociais do clube, mas o clube não disponibiliza um contacto geral. Tinha então, duas alternativas: entrar em contacto através do chat da página do clube ou pedir o número de alguém ligado à direção, nomeadamente, a um amigo que joga no clube. A segunda foi a solução lógica, pois tinha a certeza que arranjava o contacto num instante. O meu amigo, jogador no clube, forneceu-me dois números, o do presidente do clube e do diretor desportivo, e disse-me para tentar contactar os dois, pois qualquer um deles tinha competências para falar comigo sobre o tema. Primeiro problema resolvido, tinha os contactos. Era hora de entrar em contacto com as pessoas responsáveis e conseguir uma oportunidade para falarmos sobre a proposta e vermos o interesse do clube na participação na rubrica. O contacto telefónico foi em vão: depois de múltiplas tentativas, nenhum dos dois atendeu o telefone. Como não podia atrasar a preparação da reportagem, decidi entrar em contacto com o clube via Messenger. Finalmente, consegui uma resposta. Na mensagem expliquei-lhe o interesse do Maisfutebol em realizar a reportagem sobre o clube, o que agradou ao clube, mas, apesar disso, surgiram complicações. A realização da rubrica “Caminhos de Portugal” não implica a ida do jornalista ao clube que vai ser alvo de reportagem. Como não há meios e tempo necessário para essa visita, o jornalista regista a conversa com os intervenientes por telefone, através da gravação da conversa. Mas isto foi algo que não agradou aos responsáveis do Berço, que defendiam que a conversa deveria ser realizada presencialmente. Continuei a explicar que as indicações que tinha e a forma de trabalhar do Maisfutebol era daquela forma e que a reportagem só avançava, se fosse assim. Estava nas últimas duas semanas do estágio e o tempo estava em contagem decrescente. Na mesma semana voltei a tentar contactar as pessoas por telemóvel e, finalmente, consegui. Voltei a explicar a forma de trabalhar do Maisfutebol e um dos responsáveis do clube apenas me dizia que tínhamos de agendar uma data, mas que nessa semana não podiam porque tinham ido acompanhar uns atletas que foram representar a Seleção da Associação de Futebol de Braga num torneio na Irlanda do Norte. Ficamos de falar novamente no fim de semana e eis que surge nova complicação. Os responsáveis do clube chegaram da Irlanda do Norte e foram, imediatamente, para o Brasil tratar da observação de
10 jogadores para a equipa. Faltava uma semana para o fim do estágio e o tempo escasseava. Na redação, o Sérgio, responsável pela rubrica, estava a par de tudo que estava a acontecer, bem como o editor Pedro Cunha, o meu orientador de estágio. Foi então que tomaram uma posição. O Sérgio pegou no telefone, entrou em contacto com os responsáveis do clube e voltou a salientar tudo que eu lhes tinha dito durante a última semana e conseguiu que um deles falasse comigo ao final da tarde. Quando chegou esse momento, liguei para a pessoa e voltou a afirmar que não falava pelo telemóvel, uma informação contrária ao que tinha dito ao Sérgio. Foi a gota de água. O Sérgio mandoume riscar esta opção, o interesse do Maisfutebol na reportagem sobre o Berço tinha acabado. De imediato, lembrei-me de outro clube. O Ribeirão, clube de Vila Nova de Famalicão, que teve de ser refundado com um novo nome, depois de entrar em falência devido a uma gestão desastrosa por parte de um grupo brasileiro de agenciamento de futebolistas. Esta opção passava por entender o que levou à falência do clube e ao ressurgimento do clube com um novo nome, o percurso que vinha desenvolvendo e também relembrar casos de sucesso que passaram pelo clube, como o caso do ex-guarda redes do Benfica, Ederson Moraes, e do também guarda-redes, internacional sub-21, André Moreira, que pertence aos quadros do Atlético de Madrid. Fui para casa a pensar nesta possibilidade e comecei a procurar contactos. No dia seguinte entrei em contacto com a Associação de Futebol de Braga, para me disponibilizarem um contacto de alguém da direção do Ribeirão. Consegui, mas esperei pela chegada do meu colega Sérgio para lhe perguntar se avançava para a opção que tinha pensado. Ao final da manhã, o Sérgio ligou-me e disse-me para esquecer o Ribeirão, pois tinha surgido uma nova possibilidade e já tinha os contactos de pessoas ligadas ao clube em questão. Resumidamente, o clube escolhido também passou por um processo de falência e surgiu com outro nome, o Maia Lidador. Não conhecia muito sobre o clube, mas tratei de começar a pesquisar informações relevantes sobre ele, tanto na nomenclatura atual como na anterior. Era uma preparação diferente, porque não estava familiarizado com a história e por aquilo que o clube passou, mas outro jornalista do Maisfutebol , o Vítor Maia, fez questão de me falar sobre a história do clube. Depois de conversar com o Vítor e da pesquisa realizada, as coisas começaram a ficar claras na minha cabeça e comecei a delinear os pontos de foco sobre os quais ia incidir a reportagem. No dia seguinte comecei a realizar contactos, visto que faltavam três dias para acabar o estágio e o objetivo era deixar a reportagem finalizada. Chegar à fala com as pessoas escolhidas foi a parte mais fácil, pois arranjaram
11 logo um tempo para prestar o testemunho e responder às minhas questões. Falei com o presidente, António Fernando, muito prestável e que me disponibilizou algum do seu tempo para conversar comigo. Outra das pessoas contactas foi António Vasconcelos, chefe do Departamento Médico e que transitou dos tempos do extinto FC Maia. Por fim, falei com dois jogadores formados no clube, Vasco Nogueira e Rui Carvalho, sendo que o primeiro é o capitão de equipa. Os quatro depoimentos foram importantes para a elaboração da reportagem, mas também para ajudar na compreensão do antes e depois da falência do clube. Era o momento de colocar mãos à obra, aquilo que dependia mais dos outros do que de mim estava feito, as pessoas foram acessíveis e tornaram possível aquilo que os responsáveis do Berço complicaram. A reportagem estava prestes a ganhar forma. O ponto de partida foi o dia em que o Maia esteve na Primeira Liga Portuguesa durante dois minutos, mas que no final de contas foi o princípio da queda. Feita a retrospetiva, abordei o momento atual do clube. A reportagem refere o novo nome do clube, os três princípios fundamentais sobre os quais o Maia Lidador foi batizado e a importância da história da cidade da Maia como um alicerce para o clube, bem como a mudança de símbolo do clube. Mais a frente, optei por dividir a reportagem em quatro subtemas com os seguintes títulos: “Chamar adeptos é uma questão de resultados”, “Formar jogadores e…adeptos”, “Igor e Cafú: uma frente de ataque com 78 anos” e “Recordações da quase subida à I Liga”. A primeira parte aborda as diferenças a nível dos escalões de formação do clube e a diferente ligação das pessoas ao clube, em virtude da nova designação do clube, mas com um olhar otimista para o futuro por parte dos responsáveis do clube. A segunda parte incide sobre o olhar para os escalões de formação do clube, como uma aposta crescente e sustentada, pois é a forma mais simples de abastecer a equipa sénior, bem como, a ligação dos jogadores da equipa principal aos jovens. A terceira parte reflete sobre a construção do plantel, que apesar de ter uma média de idades jovem, inclui dois jogadores experientes, que juntos somam 78 anos: são eles Cafú, jogador com currículo na primeira liga portuguesa, e Igor, jogador que fazia parte do plantel na fatídica época da quase subida ao patamar mais elevado do futebol português. Por fim, foram relembradas as recordações guardadas por dois jogadores do atual plantel, que na altura eram crianças, mas que recordam esse momento, também pela presença de Igor no balneário. O “Caminhos” ficou encaminhado, mas não ficou concluído no último dia de estágio. Sugeri ao orientador de estágio, trabalhar durante o fim de semana em casa, mas este disse-me para ir na segunda-feira e, assim, podia acabar e tinha a supervisão do trabalho por parte do Sérgio. Assim, na segunda-feira viajei para o Porto para a redação do Maisfutebol para mais um dia de trabalho. Durante o dia estivemos a
12 trabalhar na revisão da reportagem e na sua correção. No final do dia, estava pronta. Ter tido a oportunidade de acompanhar a revisão da reportagem foi um momento importante, porque ao mesmo tempo que vi o que podia melhorar ou alterar para uma linguagem mais simples, tive a oportunidade de ouvir as dicas de um jornalista com vários anos de experiência, que se importou com o meu trabalho e que quis ajudar-me a progredir. Esta reportagem deu mais trabalho do que inicialmente previsto, mas funcionou como uma aprendizagem. Aprendi que devemos ter sempre duas ou três opções, se as coisas não correrem como esperado. Neste caso, surgiram complicações com os responsáveis do Berço, que adiaram constantemente o momento para me conceder uns minutos de conversa e a exigência para o fazermos pessoalmente. Outro ponto de aprendizagem é que devemos fazer as coisas com alguma margem de manobra em termos de tempo para a publicação de uma reportagem ou entrevista, porque os imprevistos acontecem e, assim, temos tempo para contornar a situação e realizar o trabalho dentro do prazo estabelecido. O contacto com as pessoas é extremamente importante. Devemos aprender a adaptar-nos às situações. No “Caminhos de Portugal” lidei com os dois tipos de pessoas, as acessíveis e as inacessíveis. Muitas vezes, devemos interpretar a forma como uma pessoa nos fala para saber se vamos avante com o trabalho que queremos realizar. O trabalho final foi gratificante, foi mais um momento de aprendizagem e agradeço à redação do Maisfutebol pela confiança depositada em mim. Esta experiência proporcionoume lidar com mais um estilo jornalístico. As dicas dadas pelos colegas da redação foram essenciais para uma melhor aprendizagem e a realização de uma reportagem com cabeça, tronco e membros. Como mencionado anteriormente, a realização da rubrica Caminhos de Portugal não implica a ida do jornalista ao clube que vai ser alvo de reportagem. Este facto levanta várias questões pertinentes e permite uma reflexão sobre uma situação que não deveria acontecer. Atualmente as redações têm cada vez menos jornalistas e não é fácil desdobrar os poucos trabalhadores nas múltiplas tarefas do dia a dia. Deste modo, é habitual os jornalistas realizarem entrevistas e reportagens sem sair da secretária. Ao longo do percurso académico sempre aprendi que uma reportagem deve levar o jornalista ao local que vai retratar. Quando me propuseram a elaboração de uma reportagem, pensei que iria ao local -- neste caso, ao campo de jogos do clube em questão. Mas desde logo me disseram que, por falta de meios e de tempo, as reportagens eram feitas pelo telefone com base nas informações que os entrevistados nos dessem, bem como nas informações disponibilizadas nas redes sociais do clube. Este é o momento em que se levanta uma questão: faz sentido realizar uma reportagem por telefone?
13 Na minha opinião, não. Apesar de toda a falta de meios e de tempo que impera nas redações, isso não deveria ser impeditivo para o jornalista. O estar em determinado local possibilita ao jornalista ser mais sensível a pequenos aspetos que podem ser captados através do olhar, mas também dos restantes sentidos. Neste caso, não é isso que acontece. Na minha perceção, os jornalistas da redação gostavam de ter a possibilidade de ir para o terreno, mas por um ou outro fator isso não é exequível em grande parte das vezes. A maioria dos clubes não se importam que o contato seja feito via telefone, mas no caso do Berço Sport Clube, fazer a reportagem no local foi uma das condições que impuseram para a sua elaboração. Pode parecer falta de vontade do clube, mas a verdade é que a deslocação do jornalista ao local faz com que veja e ouça coisas que não tem possibilidade de ver e ouvir, atrás de uma secretária. A facilidade em estabelecer contato com pessoas que frequentam locais pertencentes ao clube, que vivem o clube de forma apaixonada e guardam histórias para contar e que, consequentemente, valorizam a reportagem feita. Estes são aspetos que deveriam ser levados em conta pelos meios de comunicação na hora de realizar uma reportagem. Deveria ser “obrigatório” ir ao local. Aqui, os clubes também devem assumir um papel preponderante e impor condições aos meios de comunicação. Na maioria das vezes, o clube valoriza a sua oportunidade de divulgação nos meios de comunicação e esquece os restantes fatores, que deveriam ser levados em conta. Possivelmente, se os clubes colocassem algumas condições aos meios de comunicação, estes iriam criar formas de realizar as reportagens no terreno. Os motivos que levam os jornalistas e os meios de comunicação -- neste caso, o Maisfutebol , local onde estagiei -- a realizar este tipo de trabalho está, inteiramente, relacionado com o baixo número de jornalistas a trabalhar e os custos que as deslocações acarretam. Um dos motivos que podem estar por detrás desta decisão prende-se com o facto de o dinheiro investido não trazer retorno, porque os clubes não são atrativos aos olhos do leitor. Mas este fator é contornado com as histórias que prendem o leitor, pois os pequenos também merecem destaque e que sejam tratados de forma igual. Infelizmente, este é um problema que afeta cada vez mais os meios de comunicação nacionais.
14 1.6. Cobertura dos jogos de futebol A cobertura dos eventos desportivos, neste caso o futebol, é o momento mais esperado pelos jornalistas desportivos. A adrenalina, o entusiasmo e a felicidade de acompanhar um evento desportivo é inigualável. Desde o momento em que comecei o estágio, fiquei à espera da estreia na cobertura de um jogo de futebol. Na reunião que tive com o editor Pedro Cunha, antes de iniciar o estágio, recebi com agrado a notícia de que ia realizar a cobertura de alguns jogos. A minha estreia aconteceu um mês e meio após o início do estágio. Os jogos das seleções e o facto de o primeiro mês ser de adaptação adiaram a minha estreia. Ao longo desse mês de espera, os restantes jornalistas iam perguntando aos responsáveis quando é que realizava a minha estreia. O editor Pedro Cunha e a assistente Sílvia Carvalho, que trata da distribuição dos jornalistas para os jogos em conformidade com os respetivos horários, respondiam que estava para breve. Sentia uma certa ansiedade, porque era um momento que aguardava. Os jornalistas do Maisfutebol sabem qual o jogo que vão realizar, quando recebem o mapa de jogos no email . No meu caso, recebi a notícia pela voz da Sílvia Carvalho. O pisar dos palcos pela primeira vez estava marcado para o Estádio do Dragão. A 14 de setembro, uma sexta-feira, começou a minha aventura. O jogo era referente à primeira jornada da fase de grupos da Taça da Liga e opunha o FC Porto ao Desportivo de Chaves. Acompanhei o jornalista Ricardo Castro. As tarefas definidas para realizar eram os «Destaques», que englobam: a figura do jogo, o momento do jogo e outros destaques; e ainda a realização da reportagem de um dos treinadores na sala de conferência de imprensa, além do auxílio no acompanhamento do jogo ao minuto. O jogo estava marcado para as 20h30, mas, como é habitual, dirigimo-nos para o estádio mais cedo, para chegar com antecedência, levantar as credenciais de acesso ao estádio, bem como dirigir-nos para o camarote da imprensa e ficarmos operacionais para trabalhar, pois a partir do momento em que chegamos é necessário começar a trabalhar no “ao minuto do jogo” realizado pelo Maisfutebol . Como se tratava do primeiro jogo e apesar de ter recebido algumas indicações e conselhos na redação, o Ricardo forneceu-me mais algumas informações essenciais para o bom funcionamento das tarefas. Reforçou a importância de ir escrevendo algumas coisas e à medida que o jogo avançasse começar a pensar nos destaques do jogo, para logo que acabasse a partida colocar o trabalho online . A primeira tarefa que realizei foi o auxílio na colocação das equipas iniciais no “ao minuto”. É extremamente importante ficar atento às redes sociais dos clubes, pois é habitual os clubes divulgarem os «onzes» nas suas páginas, antes de entrar no site da Liga de Clubes.
21 Esta experiência fez-me ter uma perceção mais concreta de como o jornalista se prepara para este tipo de situações. Acompanhar pela televisão não permite uma total perceção do trabalho que antecede o momento no qual o jornalista entra em direto ou na expetativa que surja um interveniente que possa falar. Mas também o trabalho efetuado, anteriormente, na redação para preparar o tema que se vai acompanhar. O simples facto de contactar com os jornalistas e repórteres de imagem dos restantes meios de comunicação foi um momento de aprendizagem, pois a maior parte deles tem anos de experiência e falar com eles permite entender algumas técnicas utilizadas, mas também reter algumas palavras que nos ficam na memória, que nos ajudam a melhorar. No meio televisivo, o jornalista deve ser paciente, pois sabe que vai cobrir momentos em que ninguém falará à imprensa. Mas estar presente e acompanhar um evento também é trabalhar e possibilita uma evolução ao jornalista, pois existe uma proximidade com os principais intervenientes do mundo do desporto. 1.8. Síntese do estágio O estágio de três meses na redação do Porto do jornal desportivo online Maisfutebol superou as minhas expetativas e forneceu-me algumas das ferramentas essenciais de um jornalista. Quando falo em superar as minhas expetativas refiro-me as oportunidades que tive de mostrar o meu trabalho, fruto também do interesse e da vontade de aprender que demonstrei desde o primeiro dia. O Maisfutebol foi a minha primeira escolha e não me arrependo do passo que dei. No início fiquei com o pé atrás, porque era estagiário e tinha receio de não ter oportunidade de demonstrar o meu trabalho, mas por aquilo que acompanhava do Maisfutebol , pelas entrevistas e reportagens que lia e, depois, a partir da entrevista com o editor Pedro Cunha, percebi a importância que é dada pela empresa aos estagiários. Procurava oportunidades reais de trabalho e o jornal desportivo online proporcionou-me isso. O rótulo de “estagiário” com que chegamos a uma empresa é complicado, mas no Maisfutebol não senti isso. Nunca menosprezaram o meu trabalho e desde que entrei pela porta da redação fui tratado como um jornalista igual aos outros. Sentir que não te colocam de parte, que confiam no trabalho que desenvolves é muito bom, porque faz-nos aumentar a vontade de mostrar trabalho. A adaptação foi a parte mais fácil e num instante apelidei aquele lugar de “segunda casa”. No Maisfutebol gostam também de ouvir as nossas sugestões, as nossas ideias e, desde que sejam interessantes, podem ganhar asas para voar. Como é normal, nem todas as ideias podem ser tornadas
22 realidade, nem as dos jornalistas efetivos são todas concretizadas, quanto mais as dos estagiários. Mas sentimos a liberdade de sugerir um tema que nos chame a atenção. Um dos aspetos que mais que marcaram pela positiva foi o bom ambiente da redação. Há momentos de tensão e de negatividade, devido ao muito trabalho que se tem para realizar, e por vezes não está o número necessário de pessoas para suprir a necessidade de efetuar uma peça para colocar online , mas a versatilidade, a forma de rentabilizar o tempo nessas ocasiões é imprescindível. Mas até nesses momentos a redação não perde em demasia a compostura, mantém-se serena e focada no trabalho e uns ajudam-se aos outros, há trabalho de equipa no sentido literal da palavra. Um dos aspetos negativos que me marcaram no estágio está relacionado com o maior trabalho de secretária, em detrimento do trabalho de campo. Os jornais passam para as pessoas uma ideia e a realidade é outra, pois o jornalista muitas vezes efetua o trabalho a partir da sua secretária. Este é um aspeto geral no mundo do jornalismo. No caso específico, várias rubricas realizadas no Maisfutebol não nos levam ao local, são feitas através do contacto telefónico, sentados na secretária. Na maior parte das vezes, o jornalista gostava de ter a oportunidade de se descolocar ao local e viver de perto aquela história e adquirir uma maior sensibilidade para cada palavra que escreve, mas a disponibilidade é diminuta. Outro ponto está relacionado com os entraves colocados pelos clubes da Primeira Liga em permitir entrevistas dos seus jogadores. É raro o clube que possibilita a um jogador dar uma entrevista a um meio de comunicação. A falta de protagonismo dado às restantes modalidades desportivas para além do futebol é outro dado a salientar, embora saiba que não existem meios suficientes e necessários para realizar uma maior cobertura às restantes modalidades. O ponto mais marcante do estágio está, sem dúvida, relacionado com a cobertura dos jogos de futebol. Este momento faz-nos aumentar a capacidade de reação e a maior absorção de informação de um jogo, para realizar as tarefas com rapidez, em virtude da concorrência que se sente no online , pois as publicações têm de ser imediatas. Aqui, um segundo faz a diferença entre ser o primeiro ou o segundo a dar a informação. O balanço do estágio é extremamente positivo. A aprendizagem constante ao longo dos três meses é de ressaltar, pois o contacto com o dia a dia da redação, com a necessidade de estar sempre em cima do acontecimento e os trabalhos que realizei, bem como os que vi e li efetuados pelos jornalistas da casa, são fundamentais para o crescimento.
23 O estágio é um momento que permite ao aluno perceber a realidade que o espera e conhecer dinâmicas que tem de implementar no mundo do trabalho. Estar por dentro da “barricada” faz uma pessoa perceber pequenos detalhes, que de fora ninguém faz ideia que existem. O mundo jornalístico não é um mar de rosas e existem muitos constrangimentos que impedem um jornalista de realizar certos trabalhos. O jornalismo está em constante mutação e é imprescindível saber adaptar-nos à nova era da informação, pois os clubes apostam cada vez mais na própria divulgação de informação nas suas próprias redes sociais. O período de estágio foi o momento decisivo para decidir que problemática iria abordar na segunda parte deste relatório/dissertação. O trabalho na redação e o contacto diário com as notícias fizeram-me perceber melhor a enorme disparidade entre o noticiário do futebol comparado com o das modalidades, pois durante o estágio realizei, na grande maioria, notícias sobre futebol. A diferenciação no tratamento entre ambos fez-me querer entender quais os motivos que levam a esta situação. Deste modo, decidi realizar uma pequena investigação sobre a predominância do futebol comparado com as modalidades. 2. Jornalismo especializado O jornalismo especializado mostra a necessidade de abordar as diferentes áreas existentes no mundo atual. Existe um maior interesse por parte dos jornalistas em abordar temas com os quais se sentem mais familiarizados e preparados para escrever, pois possuem um conhecimento mais aprofundado sobre determinado tema. O jornalismo especializado é descrito por Leão como uma: “(…) etapa de evolução da história do jornalismo em que os profissionais se dedicam a temas específicos de cobertura noticiosa. Esta forma de jornalismo sucede ao modelo generalista em que o jornalista escrevia para as várias secções do seu órgão de comunicação social. Esta tendência de especialização é um fenómeno que ainda decorre e que se acentua à medida que os próprios meios de comunicação se tornam temáticos e as audiências se segmentam em nichos que elevam a fasquia de exigência relativamente aos conteúdos das mensagens recebidas”. (Leão, 2000, citado em Fernandes, 2011, p.17) O principal fator para o aparecimento do jornalismo especializado é a divisão dos meios de comunicação por secções temáticas, que coincidem com determinadas especialidades. Deste modo Abiahy defende que o desenvolvimento do jornalismo especializado se deve à necessidade de fornecer informações para um público específico.
24 “O desenvolvimento do jornalismo especializado está relacionado a essa lógica econômica que busca a segmentação do mercado como uma estratégia de atingir os grupos que se encontram tão dissociados entre si. Muito além de ser uma ferramenta mais eficaz de lucro para os conglomerados midiáticos, o jornalismo especializado é uma resposta a essa demanda por informações direcionadas que caracteriza a formação das audiências específicas”. (Abiahy, 2000, p. 5) Antigamente, os jornalistas escreviam para várias secções dos jornais generalistas, de acordo com as necessidades do jornal. Atualmente, os jornalistas que trabalham num jornal generalista são inseridos numa secção e abordam os temas relacionados com essa área de especialização. Por sua vez, se trabalharem num jornal especializado escrevem já sobre essa especialidade, ou até sobre subespecialidades. O jornalismo especializado pode funcionar como uma forma de satisfazer os interesses de um público específico, que procura saber mais sobre os seus temas preferenciais. No ponto de vista de Berganza Conde, “a especialização jornalística é fruto, em grande medida, das exigências da audiência, cada vez mais diversificada e que exige que os conteúdos específicos – dependendo dos seus interesses – sejam explorados de forma aprofundada e com rigor” (Conde, 2005, p.35). Esta autora defende que a diversificação e a exigência de conteúdos específicos pelos leitores fazem com que essas temáticas sejam exploradas de forma particular, pois os leitores ficam à espera de informação cuidada e com caraterísticas específicas sobre a temática em questão. Também Moral e Ramírez apresentam uma visão semelhante a Berganza Conde, na qual defendem um maior aprofundamento dos conteúdos específicos: “A especialização jornalística – sua formação e surgimento no interior do campo profissional – como advindo de uma dupla exigência: 1) do próprio público, cada vez mais setorizado e/ou, 2) como uma necessidade dos próprios meios para alcançar uma maior qualidade informativa e uma maior profundida dos conteúdos para os quais se volta”. (Moral e Ramirez, 1996, citado em Tavares, 2009, p. 122) A divisão do jornalismo em diferentes especialidades é, assim, o resultado das preferências do público. Ortiz defende que “não é tanto a produção em massa que conta, mas a fabricação de produtos especializados a serem consumidos por mercados exigentes e segmentados” (Ortiz, 1996, p.148 e 149 citado em Folgado, 2017, p.26).
25 2.1. Jornalismo especializado – O caso do desporto O jornalismo desportivo é a especialidade que se dedica e se centra nas diversas modalidades desportivas, como por exemplo, futebol, atletismo, basquetebol, andebol, hóquei em patins, entre muitas outras. O jornalismo desportivo ocupa um lugar de destaque no quotidiano, porque as pessoas gostam de estar sempre informadas sobre o que acontece no mundo do desporto. Segundo Moral e Ramírez, “a informação desportiva é, portanto, aquela que recolhe todas as notícias produzidas no mundo do desporto nos seus diferentes aspetos e categorias” (Moral e Ramírez, 1999, p.280, citado em Henriques, 2016, p.22). Por sua vez, Lopes e Pereira definem jornalismo desportivo como “um subcampo do jornalismo que se situa algures entre o entretenimento e uma poderosa indústria que rende milhões de euros” (Lopes & Pereira, 2006, p.8). O desporto é um tema com grande relevância social, muito por culpa de fatores como o interesse das audiências, maioritariamente comprovado pela ligação das pessoas ao futebol, a ligação do desporto ao turismo, dado que o desporto traz milhares de turistas às cidades, quando vêm assistir ao jogo do clube que apoiam, quando acontecem eventos desportivos com a presença de atletas internacionais e com repercussão mediática e também a dimensão económica que o desporto representa para um país. “O desporto só ganha existência social, porque passa por procedimentos técnicos, teóricos e por uma grande conversação empreendida no quotidiano, seja pela construção da agenda mediática ou pelas falas dos atores sociais, ou seja, da opinião pública” (Borelli, 2002, p.3). Sem informação pública sobre o desporto, “ele passa a ser apenas uma atividade regrada, praticada pelos seus atores, ficando limitada a experiência daqueles que o vivenciam” ( ibidem ). As notícias de desporto começaram a circular com maior regularidade a partir de meados do século XIX. Os média, como referido anteriormente, tiveram um papel relevante e preponderante no processo de socialização do futebol e do desporto. Segundo Neves e Domingos, “o desenvolvimento do desporto em Portugal relacionou-se propriamente com os meios de comunicação social” (Neves & Domingos, 2011, p.27), demonstrando a relação entre o desporto e os meios de comunicação para um crescimento mútuo. Os mesmos autores afirmam que “o modo como o desporto veio a ser representado pelos média revela o reforço progressivo de uma narrativa desportiva predominantemente futebolística e que se institui como presença permanente em inúmeros espaços de interação quotidiana” ( ibidem ). O desporto é uma temática que está em destaque, na atualidade, pelo mundo inteiro. Contudo, Lopes e Pereira questionam o facto de haver poucos estudos sobre o tema em questão:
26 “Não deixa de ser paradoxal que uma área que suscita tanto interesse, e que reúne um indiscutível interesse do público, como o jornalismo desportivo, seja tão pouco estudada e, até mesmo, tenha alguma dificuldade em entrar na academia, como se estivéssemos perante um jornalismo menor”. (Lopes & Pereira, 2006, p.8) As autoras demonstram uma preocupação com a quantidade de trabalhos que poderiam ser feitos sobre uma temática que merece ser mais estudada, pois está alicerçada no forte interesse do público. O desporto é uma temática que suscita elevado interesse na população, mas não é estudado de acordo com o seu nível de popularidade. O jornalismo desportivo apresenta especificidades muito próprias e vai ao encontro dos interesses particulares de cada pessoa. O fenómeno desportivo ajuda a entender o surgimento do jornalismo especializado, pois é uma temática procurada por muitos. Na obra “Introdução ao jornalismo desportivo” de Luís Sobral e Pedro Magalhães (1999), os autores reforçam “a ideia de que a área desportiva é específica, mas evidenciam a necessidade do jornalista desportivo estar ao corrente do que se passa no mundo em todas as áreas, já que a compreensão do fenómeno desportivo implica o acompanhamento e o interesse por tudo o que o rodeia e influencia” (Sobral & Magalhães, 1999, citado em Martins, 2016, p.18). Os mesmos autores (Sobral & Magalhães, 1999, citado em Martins, 2016) defendem a necessidade de se olhar para cada especialização com interesse, mas sem nunca esquecer as ligações que as diferentes temáticas apresentam entre si. Um jornalista deve estar preparado para compreender o que se passa no mundo e fazer uma transposição para um tema que é alvo de reflexão e tratamento. Existem várias palavras e expressões particulares que são utilizadas no jornalismo desportivo, principalmente do meio futebolístico. Também outros desportos apresentam expressões próprias, mas as do futebol são as mais utilizadas e reconhecidas pelos leitores. Os textos nos jornais desportivos costumam conter algumas expressões do mundo futebolístico, mas ao mesmo tempo é visível uma utilização de palavras ou expressões de outros temas, que se encaixem naquilo que o jornalista pretende demonstrar, nomeadamente, quando são realizadas crónicas ou artigos de opinião. Alexandrino descreve o estilo próprio do jornalismo desportivo como um aspeto marcante: “O jornalismo esportivo se caracteriza por não possuir estilo próprio ou manual que ensine como descrever fatos ou notícias ligadas aos esportes, mas existem expressões e chavões clássicos do meio desportivo que os jornalistas precisam de estar ambientados para utilizar em seus textos”. (Alexandrino, 2011, p.22)
27 A especialização do jornalismo desportivo em Portugal é visível na existência dos vários jornais especializados. São os casos dos três jornais impressos, A Bola , Record e O Jogo , e também dos jornais online dedicados ao desporto, como são os casos do Maisfutebol e do ZeroZero . Os jornais generalistas continuam igualmente a apresentar páginas dedicadas ao desporto, mas num número consideravelmente mais baixo. Relativamente ao destaque televisivo, são cada vez mais os espaços de debate e discussão da atualidade desportiva em Portugal e no Mundo. A existência de canais desportivos especializados, como são os casos da SportTV , da A Bola TV e mais recentemente, da Eleven Sports e do canal 11 – que pertence à Federação Portuguesa de Futebol - demonstram a importância dada ao desporto e justificam a utilização do conceito de jornalismo especializado, neste caso, desportivo. Em Portugal, o desporto com maior destaque nos canais televisivos, nos jornais impressos e online , bem como nas notícias radiofónicas é o futebol. Mas sem olhar ao espaço destinado a cada desporto e às comparações entre eles, as restantes modalidades desportivas também possuem alguma visibilidade. 2.2. Jornalismo desportivo em Portugal O jornalismo desportivo em Portugal foi, durante muito tempo, tratado de forma irrelevante e a profissão especializada em desporto nem existia. A mudança de paradigma que se verificou no século XIX foi um momento vital para a imprensa desportiva portuguesa. “O jornalismo desportivo enquanto profissão era ainda inexistente, e grande parte dos jornalistas pertencia à elite portuguesa podendo assim ter tempo para o desporto e para o jornalismo desportivo. Na sua maioria, os jornalistas desportivos enredavam pela criação de jornais como forma de promoverem as modalidades desportivas em que estavam envolvidos, contribuindo para a consolidação de uma ideia de desporto na sociedade portuguesa”. (Pinheiro, 2011, p.36) A segunda metade do século XIX é apontada como o momento do aparecimento do jornalismo desportivo e, consequentemente, verifica-se um crescimento no número de publicações desportivas. Os jornais desportivos não davam ao futebol a importância que lhe é dada hoje, pois naquela altura as modalidades com maior relevo eram outras. “O início da construção do edifício do jornalismo desportivo nacional remonta ao último quartel do século XIX; assentando numa imprensa generalizada, de cariz tradicional (tauromaquia, caça, tiro) e educativa (ginástica), alargando-se pouco depois às modalidades elitistas do ciclismo e automobilismo – a imprensa diária generalista, de teor liberal, daria também o seu contributo para as primeiras fundações deste edifício”. (Pinheiro, 2011, p.432)
28 Curto descreve o momento do aparecimento da especialização em desporto e refere o espaço que este ocupava na imprensa. “Na transição do século XIX para o século XX, os vestígios que indicavam a existência de uma narrativa desportiva na imprensa eram muito escassos” (Curto, 2006, p.580), e quando aparecia, “a notícia sobre desporto ocupava um espaço residual na generalidade da imprensa portuguesa ( ibidem ). Pinheiro reforça a sua ideia sobre o aparecimento do jornalismo desportivo, referindo que o “jornalismo desportivo foi implementado de forma algo irregular e tardia um pouco por todo o mundo, justificado pelo facto de o futebol só ter começado a ganhar verdadeira importância no final do século XIX” (Pinheiro, 2011 citado em Maia, 2016, p.44). Apesar do aparecimento tardio do jornalismo desportivo, o impacto que a informação desportiva provoca nas pessoas fez os jornais periódicos generalistas que existiam verem-se na obrigação de introduzir conteúdo desportivo nas suas publicações, mas surgiu um problema, pois “a longevidade das publicações desportivas generalistas acaba por ser curta, por falta de leitores e de publicidade” (Pinheiro, 2011, p.36). O jornalismo desportivo começou por possuir um espaço dedicado nas publicações periódicas, depois começaram a surgir alguns jornais dedicados ao desporto, mas o momento de consolidação chega só no século XX, e em particular, quando aparecem três jornais com periodicidade diária, que vão marcar para sempre o jornalismo desportivo em Portugal. “Um novo grande surto na imprensa especializada dáse no desporto, com a existência em Portugal, a partir de 1995, de três diários (caso invulgar na Europa): O Jogo, A Bola e o Record” (Correia, 1997, p. 37 citado em Pêgo, 2015, p.29). Três jornais que, nos dias de hoje, permanecem ativos em formato impresso, mas, em virtude do avanço tecnológico, também possuem edições online . O desporto ganhou ainda maior destaque através dos jornais desportivos online , mas também graças à televisão, tanto nos canais generalistas como nos canais especializados em informação (RTP 3, SIC Notícias, TVI 24) e, sobretudo, nos canais dedicados exclusivamente ao desporto. No ecrã televisivo existem canais de informação que se dedicam exclusivamente ao desporto, como são os casos do Eurosport , Sport TV , A Bola TV , Eleven Sports e mais recente, o canal 11 , como dissemos atrás. Os chamados “três grandes” do futebol português – Sporting, Benfica e Porto – também possuem canais desportivos próprios. Por sua vez, no jornalismo desportivo online, o Maisfutebol e o ZeroZero , criados em 2000 e 2003, respetivamente, são os meios de comunicação com maior destaque junto do público. O problema é que todos eles se dedicam muito mais ao acompanhamento do futebol, deixando para um plano secundário a cobertura de todas as outras modalidades desportivas. Como diz Pêgo (2015, p.30), a “importância do desporto estendeu-se progressivamente aos restantes jornais, que dedicam cada vez
29 mais páginas e até suplementos a este género jornalístico, sempre com o futebol à cabeça, em detrimento das restantes modalidades”. Atualmente, qualquer meio de comunicação, seja em televisão, rádio ou imprensa, apresenta um espaço dedicado a informação desportiva. À medida que o tempo avança é possível observar uma maior ligação entre jornalismo e desporto, pois a cobertura jornalística é indispensável para a divulgação do mundo do desporto. “Eles tornaram-se tão mutuamente indispensável que (…) um não se imagina literalmente sem o outro, literalmente, porque agora é quase impossível imaginar o desporto sem o olho humano, conjugado com a repetição: sem o slow motion e sem múltiplas perspetivas, acompanhadas da voz dos comentadores desportivos”. (Rowe, 2004, p.13, citado em Saraiva, 2013, p.26) As páginas dos jornais online têm um espaço, que permite ao leitor acompanhar as incidências do jogo ao minuto, através do relato em formato de texto. A rádio, através dos seus muitos programas desportivos, também demonstra a importância que é dada a este tipo de noticiário. As rádios apresentam regularmente os relatos dos jogos, que possibilitam o acompanhamento das partidas através da escuta, seja no carro ou em locais onde não se possua acesso a televisão. As televisões transmitem os jogos em direto e aquelas que não possuem os direitos televisivos apostam cada vez mais no relato do jogo por parte de um jornalista e contam com a presença de um ou dois convidados para comentar as incidências do jogo. É visível a forma como o desporto necessita dos meios de comunicação para a sua divulgação, mas também a forma como os meios de comunicação ganham audiências e leitores com a cobertura que fazem dos eventos desportivos. 2.3. Predominância do futebol sobre as restantes modalidades desportivas Os meios de comunicação em Portugal acompanham o futebol com maior destaque, pois é a modalidade com a qual as pessoas, aparentemente, mais se identificam. Verifica-se um envolvimento notório no desporto por parte dos órgãos de comunicação, mas a verdade é que as modalidades não são abordadas da mesma forma. “Hoje em dia não existem, na sociedade portuguesa, muitas atividades e campos sociais que ocupem lugar tão central nos media, nas sociabilidades ou nos gostos dominantes como o futebol. Desporto espetáculoinstituição social (torna-se cada vez mais difícil defini-lo de forma segura...), a que se pode aplicar o conceito “fator social total”, ou seja, um fenómeno que mobiliza a totalidade de uma sociedade e suas instituições, o futebol impõe a sua centralidade social e cultural pela força da popularidade e universalidade inegáveis,
30 às vezes mesmo assustadoras, porque aparentemente desmedidas”. (Coelho & Pinheiro, 2002, citado em Correia, 2016, p.32) O futebol move multidões e leva milhares de pessoas aos estádios, que vibram durante noventa, algumas vezes cento e vinte minutos e em alguns casos, sofrem com o desempate pela marcação de penáltis, quando o jogo assim o exige. A popularidade do futebol é incontestável e para Coelho e Pinheiro (2002), este desporto apresenta “um certo cunho de fanatismo”. Os autores utilizam mesmo uma comparação do futebol com o culto religioso. “É uma paixão de milhões, tanto de pessoas como de dinheiro, e apresenta-se com um certo cunho de fanatismo, pelas semelhanças que partilha com o culto e a fé religiosa” (Coelho & Pinheiro, 2002 citado em Correia, 2016, p.33). Os mesmos autores prosseguem e apontam para a ligação emocional dos adeptos ao futebol, de forma a explicar a predominância deste desporto nos jornais em comparação com as restantes modalidades. “O envolvimento profundo, quase obsessivo, que se encontra na relação dos adeptos com o futebol é menos comum noutros desportos e está na base dos comportamentos exaltados e apaixonados, que chegam a ser agressivos, e dos esforços financeiros e sacrifícios emocionais em prol da vivência do jogo”. (Coelho & Pinheiro, 2002, citado em Correia, 2016, p.33) O público é a fração que determina a maior predominância do futebol, pois é o desporto com maior número de atletas federados e que colhe a preferência das pessoas: “Muitos lhe chamam de ópio do povo. Para muitos milhões, o futebol é mais do que um jogo. É uma questão de vida; é o próprio significado da sua existência. É lá que encontram a razão de viver, as forças para continuar numa vida muitas vezes «madrasta» e ingrata. É no futebol que encontram refúgio e se abstraem dos seus problemas, das suas angústias, das suas frustrações”. (Serrado, 2011, p.18) O desporto é uma fonte de audiências e rendimento, mas deve-se realçar que as modalidades não se afirmaram como destaque nos jornais desportivos como aconteceu com o futebol. A disparidade no destaque dado ao futebol em comparação com as outras modalidades é defendida por determinados autores, que reforçam o domínio que o futebol exerce no jornalismo desportivo: “A sua importância social alarga-se a outras dimensões. Jogado e visto por milhões, pelo menos através da televisão, contribui mais para as sociabilidades quotidianas do que qualquer outro fenómeno – pelo menos entre os homens”. (Coelho, 2001, p.36) Este autor (Coelho, 2001) reafirma a predominância do futebol em relação às outras modalidades desportivas, devido àquilo que o futebol oferece aos meios de comunicação, nomeadamente o retorno financeiro e a visibilidade junto dos leitores, que estão sempre interessados em saber as últimas noticias do mundo futebolístico. Os média adquiriram um papel fundamental na globalização do desporto. Por sua vez, é possível observar que a
37 não estão legais, e neste caso, a questão da permanência legal no país é colocada em causa. As lesões desportivas também seria outra temática importante para reflexão, pois são vários os problemas físicos e lesões que os atletas sofrem, pelo que seria importante realizar trabalhos sobre este tema. O jornalismo desportivo como entretenimento começa a ganhar alguma expressão. Se, nos jornais impressos, os jornalistas escrevem a notícia e fica o trabalho concluído, nos meios de comunicação online começa a haver uma exploração cada vez mais acentuada dos recursos visuais e utilizam-se, por exemplo, vídeos de golos e de jogadas caricatas, como afirma Bezerra: “Hoje, o foco principal é buscar informações curiosas, imagens engraçadas e lances divertidos das competições. A linguagem aliada a muitos recursos visuais. O relato da notícia, a informação em si, é praticamente deixado em segundo plano”. (Bezerra, 2009, p.9) Esta interrogação sobre a questão da definição do jornalismo desportivo enquanto informação ou entretenimento é mais uma das questões que se levantam através do estudo desta área tão popular junto do público. É importante realizar uma reflexão sobre o jornalismo desportivo e tentar entender o rumo que este está a tomar nos dias de hoje. 3. Investigação Empírica 3.1. Questão de Investigação O tema da segunda parte deste relatório/dissertação, como dito atrás, é o Jornalismo Desportivo, e especificamente o problema da predominância excessiva do futebol em comparação com as restantes modalidades. Assim, esta investigação – que aqui se desenvolve numa componente empírica – procura dar resposta à seguinte questão: Quais os motivos por que o jornalismo desportivo dá grande preponderância ao futebol, em detrimento das restantes modalidades, e quais as consequências desse modo de proceder? 3.2. Objetivos A componente empírica deste relatório/dissertação baseia-se na análise de dois jornais desportivos impressos – O Jogo e A Bola –entre o dia 1 de agosto de 2018 e o dia 31 de outubro de 2018.
38 A elaboração do trabalho de investigação debruça-se sobre a diferença na quantidade de notícias elaboradas pelos jornais em relação ao futebol, quando comparada com as restantes modalidades desportivas. Através da análise dos resultados, pretendo chegar a algumas respostas às seguintes questões: Em que argumentos assenta a predominância dada pelo jornalismo desportivo ao futebol? De que modos podemos interpretar esta tendência? O estágio de três meses realizado no Maisfutebol é o ponto de partida para o trabalho, pois ao longo dele foram feitas notícias maioritariamente relacionadas com o futebol em detrimento das restantes modalidades desportivas. Analisar o número de notícias sobre futebol e sobre modalidades nos jornais desportivos impressos, compreender os motivos que levam à diferença entre a quantidade de umas e de outras, e concluir quais as modalidades desportivas com maior destaque são os principais objetivos da investigação. 3.3. Metodologia A metodologia deste relatório-dissertação vai passar por uma análise de conteúdo e por um conjunto de entrevistas. As metodologias escolhidas possibilitam uma recolha de informação completa para a investigação que irá ser levada a cabo. A análise de conteúdo é adequada para a investigação, pois viabiliza uma interpretação organizada dos dados recolhidos, uma vez que concilia variáveis para uma análise detalhada e permite comparar características agrupadas em categorias definidas previamente. Realizar entrevistas é outra metodologia utilizada e que nos parece adequada nesta investigação, porque permite interpretar o testemunho dos profissionais da área, que estão habituados a acompanhar o dia a dia do mundo desportivo. Quivy e Van Campenhoudt (2005, pág. 71) referem-se a estas pessoas como “testemunhas privilegiadas, que pela sua posição, ação ou responsabilidades têm bom conhecimento do problema”. A visão ampla e diferente de cada jornalista permite absorver os elementos necessários para fundamentar uma conclusão sobre os processos de seleção e edição nos jornais desportivos e, consequentemente, responder à pergunta de partida. A análise de conteúdo consistirá na investigação de um número de jornais durante um determinado período de tempo. O período escolhido situa-se entre o dia 1 de agosto de 2018 e o dia 31 de outubro de 2018, que coincide com o período durante o qual decorreu o meu estágio. Por sua vez, os jornais que servirão de base para a análise de conteúdo são os jornais impressos O Jogo e A Bola , através das notícias realizadas em cada dia do período que durou o estágio. O período escolhido engloba o início de temporada do futebol, bem como a altura do ano em que a generalidade das modalidades iniciam os
39 seus trabalhos. Apresentar um período de análise que se situasse num intervalo comum aos objetos de estudo que irão ser alvo de estudo foi considerado essencial. A amostra final compreendeu 92 edições do jornal A Bola e 91 edições do jornal O Jogo , ou seja, um total de 183 jornais analisados. Os jornais foram consultados através do arquivo da Biblioteca Raúl Brandão em Guimarães. Relativamente às metodologias utilizadas, a análise de conteúdo, como foi dito atrás, é um método de estudo e análise de comunicação de forma sistemática, objetiva e quantitativa, com a finalidade de medir e, posteriormente, interpretar determinadas variáveis. Quivy e Van Campenhoudt afirmam que a análise de conteúdo ocupa um lugar de destaque na investigação social. “Oferece a possibilidade de tratar de forma metódica informações e testemunhos que apresentam um certo grau de profundidade e de complexidade” (Quivy & Van Campenhoudt, 2005, p.227) Outro aspeto importante da análise de conteúdo prende-se com a forma como concilia várias exigências ao mesmo tempo: “Permite, quando incide sobre um material rico e penetrante, satisfazer harmoniosamente as exigências do rigor metodológica e da profundidade inventiva, que nem sempre são facilmente conciliáveis” (Quivy & Van Campenhoudt, 2005, p.227) O tipo de análise que irá ser feita é a análise temática, uma vez que ela tenta revelar representações sociais, a partir do exame de certos elementos do discurso. Existem dois tipos de análise temáticas, mas nesta investigação, a análise categorial é a que mais se adequa. Para Quivy e Van Campenhoudt (2005, p.228), esta análise consiste em “calcular e comparar frequências de certas características previamente agrupadas em categorias significativas”. O método assenta em duas bases essenciais: a delimitação correta das unidades de análise e a precisão na definição das categorias de análise, pois a grelha utilizada deve classificar as unidades quantificadas. Outro ponto a ter em conta prende-se com o facto de cada unidade de análise apenas poder enquadrarse numa categoria. Na análise aos jornais impressos, A Bola e O Jogo , são três as categorias de análise, sendo que uma delas inclui quatro subcategorias. Assim sendo foi analisada a percentagem de páginas dedicadas ao futebol e às modalidades; o número de notícias de cada modalidade por mês; e por fim, o número de jornais com referências às modalidades na capa. Dentro desta variável, apresentamos as quatro subcategorias que foram alvo de análise e permitem perceber de que forma as modalidades são destacadas. São elas: manchete ou “chamada”; tamanho do título; com foto ou sem foto; e por último, localização na página.
40 Realizei também entrevistas a jornalistas, com o objetivo de complementar a análise, ajudando a perceber os porquês desta situação. Os entrevistados foram dois jornalistas do Maisfutebol , local onde realizei o estágio, e um jornalista do ZeroZero . A entrevista assenta numa relação verbal entre o investigador e a pessoa interrogada, sendo uma conversa com objetivos de investigação. A conversa baseou-se num guião-base preparado previamente. A modalidade das entrevistas que realizei enquadrase na entrevista semidiretiva, a mais utilizada em investigação social. Esta modalidade é mista e permite ao investigador realizar uma análise com maior grau de profundidade, possibilita a recolha de testemunhos e interpretações e é complementada com a referida análise de conteúdo. Segundo Quivy e Van Campenhoudt (2005, p.194), as entrevistas semidiretivas apresentam inúmeras vantagens como, por exemplo, “o grau de profundidade dos elementos de análise recolhidos, a flexibilidade e a fraca diretividade do dispositivo que permite recolher os testemunhos e as interpretações dos interlocutores, respeitando os próprios quadros de referência, a sua linguagem e as suas categorias mentais” (Quivy & Van Campenhoudt, 2005 p.194) Mas apesar das vantagens referidas, o aspeto fundamental das entrevistas semidiretivas, de acordo com Quivy e Van Campenhoudt (2005, p.194) é o “facto de a flexibilidade do método poder levar a acreditar numa completa espontaneidade do entrevistado e numa total neutralidade do investigador”. (Quivy & Van Campenhoudt, 2005, p. 194) 3.4. Resultados da Investigação A análise dos jornais – O Jogo e A Bola – durante o período que corresponde aos três meses de estágio – entre o dia 1 de agosto e o dia 31 de outubro de 2018 – é o ponto de partida na pequena investigação que realizei, de forma a tentar entender a predominância do futebol nos jornais desportivos. 3.4.1. Futebol vs Modalidades – O caso do jornal A Bola O jornal A Bola foi um dos jornais impressos escolhidos para analisar. Foram alvo de análise 92 jornais entre o período de 1 de agosto e 31 de outubro de 2018. A análise está dividida em duas fases. Primeiramente apresentamos uma análise por mês, seguida de uma análise global referente aos três meses.
41 3.4.1.1. Mês de agosto Gráfico 1: Percentagem de páginas dedicadas ao futebol e as modalidades O gráfico 1 apresenta uma comparação entre a percentagem de páginas destinadas ao futebol e as modalidades. O total de páginas deste mês (excluindo a capa e as páginas ocupadas apenas com publicidade) foi de 1159. O futebol, que é descrito como “desporto rei” apresenta 980 páginas, o que equivale aos 85% visíveis no gráfico. Por sua vez, as restantes modalidades desportivas possuem 179 páginas, o que se traduz em 15%. Tabela 1 – Número de notícias de cada modalidade no mês Ciclismo 184 Atletismo 108 Ténis 82 Basquetebol 66 Natação 39 Andebol 38 Automobilismo 38 Canoagem 33 Voleibol 25 Motociclismo 20 Surf 15 85% 15% Futebol Modalidades
42 Vela 15 Golfe 12 Hóquei em patins 11 Judo 8 Râguebi 7 Ginástica 6 Remo 4 Patinagem 3 Boxe Hóquei em Campo Total 714 A tabela discrimina o número de notícias que cada modalidade apresentou no mês de agosto. O ciclismo destaca-se com 184 notícias, seguido do atletismo com 108 e o ténis com 82. O boxe e o hóquei em campo são as únicas modalidades que não apresentam notícias durante o mês. O total de notícias das modalidades foi 714. Tabela 2 - Número de jornais com referência às modalidades na capa Total de jornais 31 Com referência às modalidades 11 Em 31 jornais, 11 deles apresentam referência às modalidades na sua capa. As modalidades mencionadas são o ciclismo, o atletismo, a canoagem, o automobilismo e o motociclismo. A maior presença do ciclismo deve-se à Volta a Portugal em Bicicleta, que ocorre neste mês. O destaque do atletismo está relacionado com as conquistas europeias de Nélson Évora e Inês Henriques. As conquistas de Fernando Pimenta nos Mundiais de Canoagem em Montemor-o-Velho também são motivo de destaque. Por último, destaque para Miguel Oliveira em Moto2 e a presença do automobilismo na capa devido ao Mundial de Ralis. Dentro da categoria “número de jornais com referência às modalidades na capa” foram alvo de análise quatro subcategorias. A primeira está relacionada com o facto de as modalidades serem alvo de
43 manchete ou chamada. A segunda analisa o tamanho do título da referência as modalidades. A terceira assenta no facto de a referência às modalidades ser acompanhada de foto ou não. E a última subcategoria analisada prende-se com a localização na página das referências às modalidades. Gráfico 2: Referência as modalidades na capa: manchete ou “chamada”? Das 12 referências às modalidades na capa dos jornais do mês de agosto, apenas uma teve destaque como manchete e as outras 11 aparecem com uma mera “chamada”. Um dos dias apresentou duas menções a modalidades na capa, o que explica o maior número de referências em relação ao número de jornais que destacam as modalidades. Gráfico 3: Referência às modalidades na capa: Tamanho do título 1 11 MANCHETE CHAMADA MANCHETE OU CHAMADA 1 4 7 GRANDE MÉDIO PEQUENO TAMANHO DO TÍTULO
44 O tamanho do título quando as modalidades são abordadas na capa não é homogéneo. Um dos títulos aparece com letras grandes, com a particularidade de ser no dia em que as modalidades fazem manchete. Quatro deles aparecem com letra média no título e as restantes aparecem com letra pequena sete vezes. Gráfico 4: Referências as modalidades na capa: Com foto ou Sem foto Das 12 referências às modalidades na capa dos jornais, nove delas aparecem acompanhadas de foto, enquanto três não possuem foto a acompanhar. Gráfico 5: Referência às modalidades na capa: Localização na página 9 3 COM FOTO SEM FOTO COM FOTO OU SEM FOTO 3 2 7 TOPO CENTRO FUNDO LOCALIZAÇÃO NA PÁGINA
45 As referências às modalidades podem aparecer em três locais diferentes na capa. Neste caso, o mais habitual foi ao fundo da página, com sete referências, seguindo-se o topo, com três, e o centro da página, com duas. 3.4.1.2. Mês de setembro Gráfico 6: Percentagem de páginas dedicadas ao futebol e as modalidades O total de páginas dos jornais do mês de setembro foi 1091 (excluem-se do total a capa e as páginas de publicidade). O futebol ocupou um total de 947 páginas, que significam 87% do total, enquanto as modalidades possuem 144 páginas, correspondentes aos restantes 13%. Tabela 3 – Número de notícias de cada modalidade no mês Ciclismo 128 Ténis 102 Atletismo 60 Basquetebol 54 Andebol 50 Judo 46 Hóquei em patins 45 Automobilismo 33 Motociclismo 31 87% 13% Futebol Modalidades
46 Golfe 24 Surf 21 Râguebi 19 Voleibol 17 Canoagem 9 Vela 6 Ginástica 5 Natação 5 Boxe 3 Remo 3 Patinagem Hóquei em Campo Total 661 As três modalidades com maior número de notícias realizadas por mês são o ciclismo, com 128, o ténis, com 102 e o atletismo, com 60. O hóquei em campo e a patinagem não apresentam qualquer notícia, enquanto as restantes apresentam pelo menos uma. Tabela 4 - Número de jornais com referências as modalidades na capa Total de jornais 30 Com referência as modalidades 10 Dos 30 jornais analisados neste mês, 10 contém referência a modalidades. Na capa estão presentes as seguintes modalidades: atletismo, ténis, ciclismo, motociclismo, judo e automobilismo. O destaque dado ao atletismo deve-se à conquista de Liga Diamante para Portugal, por parte de Pablo Pichardo, e à renovação do contrato que o liga ao Benfica, clube que representa. Também Rosa Mota e a menção da quebra do record do mundo da maratona são mencionados. As menções ao ténis abordam o melhor tenista português, João Sousa. O ciclismo fala na morte de um antigo corredor e menciona a entrevista realizada à família Fernandes, particularmente, o pai Venceslau Fernandes e os filhos, Vanessa Fernandes e Venceslau Fernandes. O judo merece destaque porque Patrícia Sampaio tornou-se Campeã
53 3.4.1.4. Análise global ao jornal A Bola Gráfico 16: Percentagem de páginas de futebol e de modalidades O jornal A Bola publicou, em todo o período em análise, um total de 3373 páginas. O futebol destacouse com 86%, o que equivale a 2912 páginas. Por seu lado, as modalidades apresentaram um total de 14%, o que significa 461 páginas. Gráfico 17: Top 5 de modalidades com mais notícias 86% 14% Futebol Modalidades 375 273 208 203 137 C I C L I S M O T É N IS B A S Q U E TE B O L A T L E T IS M O A N D E B O L MODALIDADES - TOP 5
54 O ciclismo foi a modalidade que apresentou mais notícias nos três meses de análise ao jornal A Bola, com 375 notícias. O ténis e o basquetebol fecharam o pódio com 273 e 208 notícias, respetivamente. Para finalizar o top 5, o atletismo apresentou 203 notícias e o andebol 137. Gráfico 18: Total de Manchetes e de Chamadas O gráfico 18 compara as referências às modalidades que fizeram manchete ou apareceram apenas como “chamada”. No caso do jornal A Bola , de um total de 29 referências, apenas uma foi alvo de manchete. As restantes 28 foram destacadas através de “chamada” num dos cantos da página. Gráfico 19: Tamanho dos títulos das referências às modalidades 1 28 MANCHETE CHAMADA TOTAL DE MANCHETES E DE "CHAMADAS" 1 5 23 GRANDE MÉDIO PEQUENO
55 O gráfico permite-nos compreender o tamanho de letra utilizado com maior frequência nas referências às modalidades e, assim, o maior ou menor destaque que lhes é dado. O tamanho de letra pequeno predomina com 23 exemplos. O tamanho de título médio é utilizado por cinco vezes, enquanto o título grande é visível em apenas um dos casos. Gráfico 20: Total de referências com foto e sem foto O número total de referências às modalidades acompanhadas ou não de foto é também analisado. Neste caso, visualizamos uma supremacia das referências às modalidades com foto, com um total de 20. Por sua vez, as referências às modalidades sem foto são nove. Gráfico 21: Localização das referências na página 20 9 COM FOTO SEM FOTO 6 2 21 TOPO CENTRO FUNDO
56 O número total das diferentes localizações na página também é analisado. O fundo da página é o local mais comum, com 21 casos. Segue-se o topo da página, com seis, e o centro, com dois exemplos. 3.4.2. Futebol vs Modalidades – O caso do jornal O Jogo O jornal O Jogo foi outro dos jornais escolhidos para a investigação realizada. O período de análise incide sobre as mesmas datas do jornal A Bola . Como referido anteriormente, a análise divide-se em duas fases. O objetivo é, primeiro, ter uma perceção dos números mês a mês e, de seguida, uma visão geral dos dados, para podermos chegar a conclusões. 3.4.2.1. Mês de agosto Gráfico 22: Percentagem de páginas dedicadas ao futebol e as modalidades Quando comparados os números relativos às páginas destinadas ao futebol com as das modalidades, ficamos a perceber que a diferença é significativa. O futebol apresenta 984 páginas, o equivalente a 86% do total, e as modalidades ficam-se pelas 157 páginas, que significam 14%. Estas percentagens são referentes à análise de 1141 páginas (excluem-se daqui a capa e as páginas de publicidade). Tabela 7 – Número de notícias de cada modalidade no mês Ciclismo 179 Atletismo 86 Ténis 50 Canoagem 48 86% 14% Futebol Modalidades
57 Andebol 46 Basquetebol 39 Automobilismo 30 Voleibol 26 Motociclismo 25 Hóquei em patins 16 Golfe 15 Natação 11 Patinagem 9 Vela 6 Judo 5 Surf 5 Râguebi 5 Ginástica 3 Remo 3 Boxe 2 Hóquei em campo 1 Total 610 Relativamente às modalidades com mais notícias publicadas neste mês, as três que se destacam são o ciclismo, com 179, o atletismo, com 86, e o ténis, com 50. Das 21 modalidades que foram alvo de análise, todas apresentam pelo menos uma notícia nos 30 jornais analisados. O total de notícias referentes às modalidades foi de 610. Tabela 8 - Número de jornais com referências às modalidades na capa Total de jornais 30 Com referência as modalidades 11 Dos 30 jornais analisados no mês de agosto, 11 jornais apresentam referência às modalidades na sua capa. As modalidades referenciadas foram o ciclismo, o atletismo e a canoagem. A referência ao
58 atletismo deve-se às conquistas de Nélson Évora e Inês Henriques nos Europeus de Atletismo. A canoagem foi destaque devido às vitórias de Fernando Pimenta nos Mundiais de Canoagem realizados em Montemor-o-Velho, onde se sagrou campeão do mundo em duas especialidades. E a menção ao ciclismo deve-se ao acompanhamento da Volta a Portugal, que ocorreu durante o mês de agosto. Gráfico 23: Referência as modalidades na capa: manchete ou “chamada”? As referências as modalidades podem aparecer como manchete ou como “chamada”. Neste mês foram feitas 12 referências e todas aparecem na capa do jornal como “chamada”. Gráfico 24: Referência às modalidades na capa: Tamanho do título 0 12 MANCHETE CHAMADA MANCHETE OU CHAMADA 1 4 7 GRANDE MÉDIO PEQUENO TAMANHO DO TÍTULO
59 O título é outro dos aspetos analisados, pois o tamanho da letra pode demonstrar a importância dada à menção realizada. Sete das referências exibiram um título pequeno, quatro mostraram um título médio e uma apresentou o título com letra grande. Gráfico 25: Referências as modalidades na capa: Com foto ou Sem foto A variável analisada no gráfico 25 está relacionada com as fotos que podem acompanhar ou não a referência às modalidades. Oito delas estão acompanhadas de foto enquanto quatro não possuem foto a complementar o título. Gráfico 26: Referência às modalidades na capa: Localização na página 8 4 COM FOTO SEM FOTO COM FOTO OU SEM FOTO 2 10 TOPO FU NDO LOCALIZAÇÃO NA PÁGINA
60 As referências às modalidades, normalmente, aparecem no topo ou no fundo da página. No gráfico 26, referente ao mês de agosto, observamos que 10 estão localizadas no fundo da página e duas estão no topo da página. 3.4.2.2. Mês de setembro Gráfico 27: Percentagem de páginas dedicadas ao futebol e as modalidades O gráfico apresentado demonstra uma maior predominância das páginas dedicadas ao futebol, com 88% do total, comparado com os 12% que são destinadas às modalidades. As percentagens equivalem a 1035 páginas do futebol e a 136 referentes as modalidades. Os valores foram obtidos depois de analisar 1171 páginas (excluem-se daqui a capa e as páginas de publicidade). Tabela 9 – Número de notícias de cada modalidade no mês Ciclismo 91 Andebol 87 Ténis 71 Basquetebol 56 Hóquei em patins 51 Atletismo 49 Automobilismo 48 Motociclismo 41 88% 12% Futebol Modalidades
61 Golfe 30 Canoagem 18 Voleibol 15 Surf 13 Judo 10 Râguebi 10 Hóquei em campo 7 Natação 5 Ginástica 5 Vela 2 Boxe 1 Remo 1 Patinagem Total 611 Fazendo um levantamento das modalidades com mais notícia no mês, observamos que o ciclismo, com 91 notícias, o andebol, com 87, e o ténis, com 71, foram as três mais abordadas. Neste mês, não se verificou a presença de pelo menos uma notícia de cada modalidade alvo de análise, pois a patinagem não teve qualquer referência. O total de notícias foi 611. Tabela 10 - Número de jornais com referências às modalidades na capa Total de jornais 30 Com referência às modalidades 4 Em 30 jornais analisados, verificamos a existência de quatro capas com referência a modalidades, sendo que os temas retratados foram o atletismo, o automobilismo e o ténis. O atletismo foi fruto da condecoração atribuída por Marcelo Rebelo de Sousa, presidente da República, aos atletas portugueses Nélson Évora e Inês Henriques. O outro destaque deve-se à quebra do record mundial da maratona. O ténis está em destaque, porque Novak Djokovic, um dos melhores tenistas do mundo, elogiou João Sousa
62 e, por fim, o automobilismo aparece destacado, uma vez que o piloto português Bruno Magalhães desistiu do título por falta de verbas para competir. Gráfico 28: Referência as modalidades na capa: manchete ou “chamada”? As quatro referências das modalidades neste mês foram destacadas como mera “chamada”. Nenhuma delas apareceu como manchete. Gráfico 29: Referência às modalidades na capa: Tamanho do título Os títulos das referências apresentadas neste mês estão todos em tamanho pequeno. 0 4 MANCHETE CHAMADA MANCHETE OU CHAMADA 4 GRANDE MÉDIO PEQUENO TAMANHO DO TÍTULO
69 O ciclismo foi a modalidade que apresentou maior número de notícias nas 91edições do jornal O Jogo aqui analisadas, com um total de 321 notícias. O andebol e o basquetebol completam o pódio, com 217 e 174 páginas, respetivamente. O ténis e o atletismo também aparecem em destaque no top 5 das modalidades, com 172 e 165 cada uma. Gráfico 39: Total de Manchetes e de Chamadas O jornal O Jogo , ao contrário, do jornal A Bola , apenas apresenta referências as modalidades através de “chamadas”. As modalidades apresentaram 19 referências que foram feitas na primeira página como “chamada”. Gráfico 40: Tamanho dos títulos das referências às modalidades 0 19 MANCHETE CHAMADA TOTAL DE MANCHETES E DE CHAMADAS 1 4 14 GRANDE MÉDIO PEQUENO
70 O tamanho do título mais usual no jornal O Jogo durante os três meses de análise é de letra pequena, com 14 situações. O médio segue-se com quatro exemplos e por fim, o tamanho de letra grande aparece por uma vez. Gráfico 41: Total de referências com foto e sem foto O gráfico 41 demonstra que as referências sem foto aparecem em maior número, quando comparadas com as referências acompanhadas de foto, embora a diferença se situe em apenas um exemplo. Gráfico 42: Localização das referências na página 9 10 COM FOTO SEM FOTO 2 17 TOPO CENTRO FUNDO
71 O total de localizações das modalidades na página indica uma predominância para as referências aparecerem no fundo da página. São 17 exemplos. Por sua vez, surgem referenciadas duas vezes no topo e nenhuma no centro da página. 3.5. Análise de Resultados A análise realizada permite perceber a disparidade entre o tratamento das notícias relativas ao futebol e as relativas às modalidades. Os três meses analisados demonstraram que o jornal A Bola apresentou um maior número de páginas relativas ao futebol. O mesmo se verificou na análise realizada ao jornal O Jogo . Em ambos os casos, a percentagem de páginas dedicadas ao futebol supera os 80%, enquanto a percentagem das modalidades em nenhum dos jornais chega aos 15%. Quanto às modalidades que mais notícias apresentam ao longo do período de análise, podemos apurar um facto interessente. Tanto no jornal A Bola como no Jornal O Jogo , as modalidades presentes no top 5 são as mesmas. No entanto, aparecem por ordem diferente em cada uma das tabelas. Também é importante referir que nos cinco primeiros lugares estão duas modalidades coletivas (andebol e basquetebol) e três individuais (ciclismo, ténis e atletismo). O ciclismo é a modalidade mais representativa em ambos os jornais. Este motivo pode ser explicado pelo facto de nos meses em análise ter ocorrido a Volta a Portugal em Bicicleta, que é sempre alvo de uma cobertura considerável por parte dos média. O outro motivo é a realização da Volta a Espanha em Bicicleta, que ocorre semanas após o término da maior prova velocipédica em Portugal. A prova espanhola também suscita interesse nos meios de comunicação portugueses, pois é um evento que conta com a presença de atletas de nacionalidade lusa que representam equipas estrangeiras. O ténis assume também um lugar de destaque, muito por culpa da participação de vários tenistas portugueses nas diferentes provas mundiais. Mas o elevado número de notícias está muito ligado aos feitos de João Sousa, o tenista português que se encontra melhor classificado no ranking mundial. Os jornais acompanham diariamente a campanha dos tenistas lusos. Por sua vez, o basquetebol não é uma modalidade muito atrativa para o povo português, mas aparece como uma das que apresentaram mais notícias devido à Liga Norte-Americana de Basquetebol (NBA), uma competição sobejamente conhecida por todo o mundo. Além disso, os jornais também fazem uma cobertura detalhada da liga portuguesa. Outra das modalidades destacadas neste top 5 é o atletismo. Portugal sempre foi um país reconhecido pelas suas conquistas ao nível dos campeonatos do Mundo e da Europa de atletismo. No período
72 escolhido para a análise dos jornais, Nélson Évora e Inês Henriques conquistaram medalhas no Campeonato da Europa, um feito que mereceu um maior destaque por parte da imprensa. Os atletas foram, inclusive, condecorados pelo presidente da República. O andebol é uma modalidade que detém um número respeitável de praticantes e as equipas portuguesas demonstraram uma grande evolução a nível europeu. Mas o facto de os jornais acompanharem cada jornada faz com que apresente um número considerável de notícias. A análise global efetuada permitiu um olhar para o total de manchetes e de chamadas que os jornais realizaram nas suas capas ao longo dos três meses. Durante este tempo, apenas houve, no total dos dois jornais, uma manchete dedicada a uma modalidade. Foi no jornal A Bola e refere-se à conquista da medalha de ouro por Fernando Pimenta, no Campeonato do Mundo de Canoagem que se realizou em Montemor-o-Velho. As restantes menções destacadas na capa aparecem como “chamada” num dos cantos do jornal. Quando analisadas as capas, foi dedicada uma categoria à observação do tamanho de letra de cada referência. Era importante perceber a visibilidade que o tamanho de um título pode dar à respetiva referência, pois dependendo do tamanho de letra pode fazer a notícia passar mais ou menos despercebida. Deste modo, podemos verificar que a maioria dos títulos aparece num tamanho de letra pequeno. Apenas por duas vezes se verificou a utilização do tamanho de letra grande, uma em cada um dos dois jornais analisados. A escolha de referências a modalidades para a primeira página é de destacar, mas quando elas são acompanhadas por uma foto, fica demonstrada a maior importância que um jornal dá àquele momento. Assim sendo, foi realizado um levantamento do número de referências a modalidades acompanhadas por foto ou não. No caso específico do jornal A Bola , a maior parte apareceu com uma foto junto da “chamada” realizada. Por sua vez, o jornal O Jogo apresenta um maior número de referências que não estão acompanhadas de foto. Quando se olha para os números globais, podemos perceber que as 29 referências com foto superam as 19 referências sem foto. A última categoria a ser analisada na globalidade foi a localização da referência às modalidades na capa. O lugar central da capa é o de maior destaque, pois costuma ter o tema que cada jornal considera de maior importância. Mas nos jornais analisados, apenas em dois casos aparecem referências a modalidades no lugar de maior visibilidade. Os números obtidos demonstram uma tendência predominante para as referências aparecerem no fundo da página. De 48 referências, 38 aparecem na parte inferior da capa, o que equivale a mais de metade das referências. O topo da página apresenta oito referências.
73 3.6. Análise às entrevistas realizadas O ponto de partida para as entrevistas foi a elaboração de um guião com perguntas que permitisse chegar às conclusões pretendidas. A visão de um jornalista com anos de experiência e que contacta diariamente com a disparidade entre o número de notícias de futebol e o número das relativas a modalidades ajudar-nos-á, em princípio, a responder à questão: Quais os motivos por que o jornalismo desportivo dá grande preponderância ao futebol, em detrimento das restantes modalidades, e quais as consequências desse modo de proceder? Foram realizadas três entrevistas, duas das quais a jornalistas do Maisfutebol -- Pedro Cunha e Sara Marques -- e outra ao jornalista Jorge Fernandes, do jornal online Zerozero . Ter visões de dois meios diferentes permite-nos perceber o olhar particular de cada um, mas também a visão do meio onde estão inseridos. As questões colocadas aos três jornalistas apresentam pontos de contacto, apesar de os guiões não serem completamente iguais. O que motiva o maior destaque dado ao futebol em detrimento das restantes modalidades foi uma das primeiras questões que procurei ver respondida. Pedro Cunha, jornalista do Maisfutebol , apresenta como principal motivo, “a procura” pelas notícias sobre futebol e completa dizendo que “é incomparável a influência e relevância entre o futebol e as outras modalidades desportivas”. E explica: “É uma questão cultural, esbatida apenas nos períodos de grandes competições internacionais, como aconteceu recentemente com o Europeu de andebol”. Jorge Fernandes, jornalista do Zerozero , partilha da opinião de Pedro Cunha e descreve o futebol como “um desporto especial, de massas, extremamente popular”. E reforça a sua visão, dizendo: “Por reunir tantas pessoas à volta dele e por, historicamente, ocupar um lugar de destaque, é natural que tenha um tratamento especial e único por parte dos órgãos de comunicação social”. Por sua vez, Sara Marques, também jornalista do Maisfutebol , defende que o maior destaque dado ao futebol pelo jornal online onde trabalha deve-se “a essência do projeto, como se vê até pelo nome”, mas não esconde o “interesse do público” no futebol. Porém, refere também o esforço para que não sejam colocados entraves a dar o devido destaque as modalidades: “Tentamos que isso não nos limite e não temos qualquer objeção em fazer manchete ou dar destaque a uma notícia/reportagem/entrevista de qualquer outra modalidade”.
74 A visibilidade das modalidades em Portugal é um aspeto preocupante e está ligado ao maior destaque dado ao futebol em detrimento das restantes modalidades. Para Jorge Fernandes, “as modalidades nunca terão tanto acompanhamento e visibilidade como o futebol. É uma questão cultural, de identidade”. Mas acaba por confessar que as modalidades “nos momentos mais importantes, merecem o acompanhamento dos media e de uma parte importante do povo português”. Muitas vezes, certos clubes, atletas ou modalidades só são assunto quando conquistam alguma coisa, mas o Maisfutebol está a tentar contrariar essa ideia predefinida, pois apresenta uma rubrica permanente dedicada às modalidades. “Há muitas histórias interessantes e temos uma rubrica bimensal onde as contamos. Chama-se «Mais longe, mais alto»”. Esta rubrica do Maisfutebol é interessante, pois coloca os holofotes virados para as modalidades desportivas, mas não chega para diminuir o fosso entre elas e o futebol. Ainda assim, é uma forma de aproximar os leitores do Maisfutebol das modalidades. Sara Marques diz-nos que a “essência dessa rubrica é precisamente a forma de aproximar os leitores de outras modalidades. É contar a história do atleta, da pessoa que aquele atleta também é, mostrar os sucessos e as dificuldades”. A jornalista do Maisfutebol explica que não existe diferenciação entre um atleta medalhado ou um de bairro e afirma: “Tanto contamos a história de um atleta olímpico medalhado ou de um grande clube, como a de um atleta de um clube de bairro. O que nos move são as histórias e isso tem colhido interesse dos leitores”. A afluência dos leitores é muito importante para medir o impacto da entrevista. Quando a jornalista foi interpelada sobre se sente que os leitores leem as entrevistas das modalidades em menor número, comparadas com as de alguém do mundo do futebol, diz que “algumas sim, outras não”. Mas defende que “os leitores gostam de boas histórias, que sejam bem contadas, e isso tanto pode acontecer com um trabalho sobre futebol ou sobre qualquer outra modalidade”. E fundamenta o seu ponto de vista num dado sobre as entrevistas referentes às modalidades. “Muitas dessas entrevistas tiveram bastantes leitores, mais do que inúmeros trabalhos sobre futebol”, conta-nos Sara Marques. A vertente económica é um aspeto importante na vida dos meios de comunicação e tentei perceber até que ponto poderia influenciar no momento de publicar as notícias. Segundo Pedro Cunha, “a vertente económica não influencia” e explica que o “que influencia é a procura dos leitores”. “Temos ferramentas que nos permitem medir tudo isso e essa é a nossa bússola”, diz. Ainda sobre o ponto de vista
75 económico, esclarece-nos que o Maisfutebol depende apenas “dos anunciantes, do departamento comercial. Não existe qualquer ligação ao futebol, ‘per se’. Quando a temática “modalidades” é abordada, costuma aparecer associada aos chamados “grandes” – Benfica, Sporting, Porto – e os clubes “pequenos” aparecem em segundo plano, mas o editor do Maisfutebol, Pedro Cunha, explica como combatem essa tendência: “Naturalmente, se as editorias SLB e FCP são as mais procuradas, acabarão também por ser as mais alimentadas. Combatemos essas diferenças com propostas de entrevistas e reportagens junto dos emblemas menos mediáticos”. O jornalismo desportivo assenta em fatores sociais e económicos e na maior parte das vezes traduz-se na produção de conteúdo, pois não há jornalistas na redação para tudo e são tomadas decisões em prol de determinado tema. Na visão de Pedro Cunha isto pode ser explicado pelas “limitações evidentes, a começar pela escassez de jornalistas”, pois são precisos mais meios para acompanhar todos os clubes. “Precisávamos de outro orçamento para acompanhar diariamente todos os clubes”, sublinha. Sara é da opinião que os fatores sociais e económicos não devem ser tidos em conta no momento da produção de conteúdo e apresenta a sua visão: “O fator notícia e o interesse do público é que devem reger os jornalistas na produção de conteúdo noticioso”. Na visão de Jorge Fernandes, “o desporto tem esse caráter social e humano muito forte” e “quem o ousar ignorar na prática do jornalismo não está a fazer o mais profundo dos trabalhos”. A falta de jornalistas numa redação pode ser o principal motivo para a falta de aprofundamento da temática “modalidades” e, no caso do Maisfutebol , define as prioridades no momento de elaborar as notícias. “Sendo a nossa redação pequena, apenas com 13 jornalistas a trabalhar a tempo inteiro, a seleção natural acaba por levar-nos aos temas mais mediáticos”, diz-nos Pedro Cunha. A colega de redação olha para este problema da mesma forma e diz que afeta a “produção de notícias no geral” e não só para as modalidades. E quando é preciso fazer escolhas, afirma num sentido geral: “Tendo algo que cair, acabam muitas vezes, nos media em geral, por ficar por aprofundar algumas modalidades”. Quando questionado se as modalidades são atrativas para a produção de notícias, Pedro Cunha defende que sim e destaca a seguinte ideia: “O Maisfutebol valoriza a história que está por trás do profissional e essa história pode ser melhor num andebolista do que num futebolista”. Sara Marques partilha a visão da atratividade das modalidades em termos jornalísticos, referindo que o termo “modalidades” é “um chapéu tão grande, que abrange tanta coisa, muitas vezes também com menos cobertura mediática. É impossível não ter interesse em explorar jornalisticamente essa área”. Para finalizar este tópico, explica
76 que “algumas coisas terão mais interesse junto dos leitores, outras menos, mas não quer dizer que não tenham o seu espaço devido nos media”. Por sua vez, Jorge Fernandes defende que “o jornalismo tem a obrigação de noticiar o mais relevante de cada modalidade, porque esses desportos também fazem parte da nossa identidade”. E destaca a relevância das notícias sobre modalidades para algumas pessoas: “Essas notícias podem não ter a mesma visibilidade do futebol, mas são importantes para um número significativo de pessoas”. Para demonstrar a atratividade das modalidades, Pedro Cunha diz-nos ainda que “é muito mais relevante escrever uma boa entrevista ou reportagem sobre um atleta de uma modalidade que não o futebol do que fazer o acompanhamento de jogos e resultados”. Quando questionado sobre o tipo de inovação que as modalidades precisam para serem atrativas do ponto de vista do leitor, Jorge Fernandes, jornalista do Zerozero , fundamenta o seu ponto de vista na importância das redes sociais e nas “ferramentas de comunicação modernas que facilitam a transmissão da informação, numa linguagem mais informal, que chame, por exemplo, o público mais jovem (mas não só)”. A informação recolhida através das entrevistas realizadas aos três jornalistas demonstra um claro consenso quanto à preponderância do futebol em comparação com as restantes modalidades desportivas. O principal motivo para isso, na opinião dos entrevistados, deve-se sobretudo à questão cultural do nosso país, onde o futebol é um desporto de massas.
77 Conclusão A investigação empírica realizada permitiu validar a questão de partida, que está relacionada com a predominância do futebol em detrimento das modalidades. É possível afirmar que o futebol domina as páginas dos jornais desportivos em Portugal, facto que pode ser explicado pela questão cultural e a ligação do povo português ao futebol. As modalidades passam para segundo plano, pois não possuem a mesma capacidade de atração junto das pessoas. Elas acabam por ter maior destaque apenas aquando da presença em grandes competições de seleções e da presença de atletas portugueses nas diferentes provas internacionais. A análise de conteúdo englobou o estudo dos jornais O Jogo e A Bola referentes aos meses de agosto, setembro e outubro, e que no total corresponderam a 183 exemplares. Este foi o ponto de partida para corroborar a validade do tema defendido. As categorias de análise demonstram a realidade vivida no jornalismo desportivo e que é visível ao leitor depois de ler durante alguns dias os jornais. A diferença na percentagem de páginas dedicadas ao futebol e às modalidades é o primeiro fator que demonstra o tratamento diferenciado dos dois temas em análise, fruto da maior procura do leitor pelas notícias sobre futebol. Percebemos que os meios de comunicação dão primazia ao tema que permite vender mais jornais ou ganhar mais visitas nas respetivas páginas online . Outra categoria analisada foi o número de notícias de cada modalidade por mês, onde não está englobado o futebol, visto que a sua preponderância é demonstrada com o número total de páginas. Assim sendo, esta categoria permitiu perceber o número total de modalidades apresentadas nos jornais ao longo dos três meses e, mais importante, possibilitou ficar a conhecer quais as modalidades mais abordadas. A terceira e última categoria relacionada com o número de jornais com referências às modalidades na capa aprovou a ideia que as modalidades apenas aparecem na capa quando é alcançado algum marco importante para o país. Dentro desta variável apresentada estão quatro subcategorias, que permitiram ter uma maior perceção do real destaque dado às modalidades na capa, pois nem sempre ocupam um lugar central, nem são acompanhadas de foto. A análise demonstrou que a menção às modalidades na capa, na maior parte das vezes aparece como “chamada”, sendo raros os casos em que aparecem como manchete. Durante o período de análise verificou-se uma manchete referente à conquista da medalha de ouro por Fernando Pimenta, no Campeonato do Mundo de Canoagem. O tamanho do título, na maioria dos casos, é pequeno. As referências apareceram mais vezes sem acompanhamento de foto. Por fim, na última subcategoria percebemos que a localização das referências às modalidades aparecem no fundo da página. Estas
78 quatro subcategorias demonstram que apesar de serem poucas as vezes em que as modalidades são destacadas na capa, quando o são, é dado um pequeno destaque, pois o futebol ocupa grande parte da capa. Os números obtidos são fundamentados através da análise global aos dois jornais desportivos. As entrevistas foram outra metodologia que fez parte da investigação empírica. O objetivo das entrevistas era chegar a resposta às seguintes questões: Em que argumentos assenta a predominância dada pelo jornalismo desportivo ao futebol? De que modos podemos interpretar esta tendência? Relativamente à primeira questão, os entrevistados foram claros e defendem todos a mesma ideia. Os argumentos que sustentam a ideia da predominância dada pelo jornalismo desportivo ao futebol são a influência e relevância deste desporto comparado com as restantes modalidades desportivas. A questão cultural que é mencionada por dois dos entrevistados é outra das razões apresentadas, uma vez que o futebol é extremamente popular junto dos portugueses. O maior interesse do público no futebol e a minoria que se interessa pelas modalidades é outro dos argumentos que suportam a resposta a esta questão. Quanto à segunda questão, a tendência é interpretada e alicerçada na maior popularidade do futebol, que é descrito por muitos como o desporto-rei. E inclusive, um dos entrevistados assume o menor acompanhamento e visibilidade das modalidades e que, provavelmente, nunca terão o mesmo destaque do futebol. A vertente económica poderia ser outro fator que explicasse a tendência que se vive no jornalismo desportivo em Portugal, mas não está ligado às escolhas que são feitas. O que define a tendência da maior cobertura jornalística recair sobre o futebol deve-se, única e exclusivamente, ao interesse do público pela produção de conteúdo noticioso futebolístico. Isso também tem, naturalmente, algum significado económico, pois os jornais acabam por escolher as áreas que são mais procuradas pelos leitores – e, portanto, com isso aumentam as suas vendas. As modalidades acabam também por sofrer pelo baixo número de profissionais nas redações, o que faz com que sejam feitas escolhas, o que resulta numa menor cobertura das modalidades. A visibilidade das modalidades não é a mesma que a do futebol, mas não nos podemos esquecer que elas são importantes para determinadas pessoas e que são um tema que devia e podia ser mais explorado. Os dois fatores mencionados ajudam a explicar a preponderância do futebol em comparação com as restantes modalidades.
85 Entrevista a Sara Marques – jornalista do Maisfutebol Rui Maia - No caso do Maisfutebol , quais os motivos que levam ao maior destaque dado ao futebol em detrimento das restantes modalidades? Sara Marques - É uma questão de essência do projeto, como se vê até pelo nome, e também, claro, do interesse do nosso público. Mas tentamos que isso não nos limite e não temos qualquer objeção em fazer manchete ou dar destaque a uma notícia/reportagem/entrevista de qualquer outra modalidade. RM - Sei que tem dado bastante destaque a outras modalidades, como demonstram as entrevistas a Fifó, jogadora de futsal do Benfica, a Dulce Félix, atleta do Benfica, e Tamila Holub, nadadora do SC Braga. Muito se deve a rubrica com o nome “Mais Longe, mais alto”. De que forma consegue aproximar as diversas modalidades desportivas dos leitores do Maisfutebol ? SM - Penso que a essência dessa rubrica é precisamente a forma de aproximar os leitores de outras modalidades. É contar a história do atleta, da pessoa que aquele atleta também é, mostrar os sucessos e as dificuldades. É uma forma de gerar interesse por aquela pessoa e pelo desporto que pratica. Tanto contamos a história de um atleta olímpico medalhado ou de um grande clube, como de um atleta de um clube de bairro. O que nos move são as histórias e isso tem colhido interesse dos leitores. RM - Sente que os leitores vão ler essas entrevistas em menor número do que se fosse alguém do mundo do futebol? Porque é que acha que se verifica isso? SM - Algumas sim, outras não. Os leitores gostam de boas histórias, que sejam bem contadas, e isso tanto pode acontecer com um trabalho sobre futebol ou sobre qualquer outra modalidade. Há alguns conteúdos que sabemos, de imediato, que serão bastante lidos, mas, tirando esses - que são uma minoria -, o nosso desafio é sempre o mesmo: encontrar uma boa história e contá-la de forma interessante. Muitas dessas entrevistas tiveram bastantes leitores, mais do que inúmeros trabalhos sobre futebol. RM - Na sua opinião, em que medida pode ser importante os meios de comunicação olhar com especial atenção para as modalidades desportivas? SM - Há pessoas que trabalham arduamente, que conseguem coisas fantásticas, muitas vezes com poucos apoios. Há modalidades espetaculares de ver, de praticar, que poderão ter mais praticantes se as dermos a conhecer às crianças, aos jovens, aos pais. Se dermos a conhecer mais essas modalidades,
86 essas pessoas, se envolvermos os leitores nessas competições, certamente o desporto sai a ganhar. E nós todos também. RM - As modalidades são atrativas para a produção de notícias? Quais os fatores que o levam a ter essa opinião? SM - Para mim, são. Gosto muito de fazer entrevistas, de fazer reportagem. De contar histórias que ninguém contou ou que sinta que os meus leitores ainda não conhecem. Elas existem em todas as áreas. «Modalidades» é um chapéu tão grande, que abrange tanta coisa, muitas vezes também com menos cobertura mediática. É impossível não ter interesse em explorar jornalisticamente essa área. Algumas coisas terão mais interesse junto dos leitores, outras menos, mas não quer dizer que não tenham o seu espaço devido nos media. RM - O jornalismo desportivo está assente em fatores sociais e económicos. De que forma, podem ser tidos em conta no momento da produção de conteúdo? SM - Não devem. O fator notícia e o interesse do público é que devem reger os jornalistas na produção de conteúdo noticioso. RM - De que maneira, a falta de um maior número de jornalistas numa redação pode ser um dos problemas para a falta de aprofundamento da temática “modalidades”? SM - É um problema para a produção de notícias no geral. Tendo algo que cair, acabam muitas vezes, nos media em geral, por ficar por aprofundar algumas modalidades.
87 Entrevista a Jorge Fernandes – Jornalista do Zerozero Rui Maia - Na sua opinião, quais os motivos que levam ao maior destaque dado ao futebol, por parte dos jornais desportivos em detrimento das restantes modalidades? Jorge Fernandes - O futebol é um desporto especial, de massas, extremamente popular. É certo que algumas modalidades têm uma relevância significativa, como o basquetebol, o ténis, o atletismo de uma forma geral, mas o desporto-rei é, verdadeiramente, o futebol. Por reunir tantas pessoas à volta dele e por, historicamente, ocupar um lugar de destaque, é natural que tenha um tratamento especial e único por parte dos órgãos de comunicação social, não só aqueles que estão mais ligados ao desporto. RM - O caso específico do Zerozero no trabalho que faz relativo ao futebol e as modalidades? JF - O Zerozero , desde a sua fundação, praticamente só reuniu dados e informação sobre o futebol. A partir de 2017, percebendo também as expectativas e os desejos dos seus utilizadores, o projeto decidiuse pela criação de páginas relativas às cinco modalidades-premium (voleibol, andebol, basquetebol, hóquei em patins e futsal). A ideia é que estas vertentes do site tenham cada vez mais informação e dados, num processo igual ao do futebol nos primeiros anos do projeto. RM - O jornalismo desportivo foca-se, essencialmente, no futebol. O que é que as modalidades precisam fazer para ganhar maior visibilidade? JF - Acho que, em Portugal, as modalidades nunca terão tanto acompanhamento e visibilidade como o futebol. É uma questão já cultural, de identidade, mesmo. Agora, há modalidades, como o hóquei em patins, principalmente, mas também o futsal, o basket ou o futebol de praia, que, nos momentos mais importantes, merecem o acompanhamento dos media e de uma parte importante do povo português. Nos campeonatos da Europa e do Mundo ou até mesmo nos Jogos Olímpicos, esses desportos ganham uma outra dimensão, de forma natural. RM - Existem várias modalidades com história no nosso país, como é o caso do ciclismo, andebol, basquetebol e hóquei em patins. Em que medida, as conquistas por parte de um clube ou de um atleta fazem os meios de comunicação realizar mais notícias, reportagens e/ou entrevistas sobre as modalidades? JF - Como já respondi anteriormente, esses momentos são decisivos. Para bem do desporto português, era importante que esses momentos acontecessem mais vezes. Caso tivéssemos um Rui Costa ou um Joaquim Agostinho no ciclismo em todas as gerações ou um João Sousa, um jogador capaz de estar no
88 top 50 dos melhores tenistas do Mundo, essas modalidades ganhariam mais adeptos. Não é por acaso que o hóquei e o futsal têm tantos seguidores, estamos permanentemente presentes entre os melhores nesses desportos. RM - Na sua opinião, as modalidades são atrativas para a produção de notícias? Quais os fatores que o levam a ter essa opinião? JF - Acho que não passa por uma questão de atratividade. O jornalismo tem a obrigação de noticiar o mais relevante de cada modalidade, porque esses desportos também fazem parte da nossa identidade. Podem não ter a mesma visibilidade do futebol, mas são importantes para um número significativo de pessoas. Portanto, o jornalismo deve fazer o máximo para cobrir essas atividades, como são o ciclismo, o basket, o andebol, o voleibol, o hóquei. RM - Que tipo de inovação, as modalidades precisam para serem atrativas do ponto de vista do leitor? JF - As modalidades, para lá do contributo dos media, também devem fazer esforços para chegarem a mais pessoas. Nesse aspeto, as redes sociais acabam por ser importantes para a divulgação de desportos que não fazem tão parte do dia-a-dia do país. Ferramentas de comunicação modernas que facilitam a transmissão da informação, numa linguagem mais informal, que chame, por exemplo, o público mais jovem (mas não só). RM - A decisão tomada por uma linha editorial de um meio de comunicação sustenta-se em que fatores para justificar o pequeno número de notícias sobre as modalidades? JF - Creio que seria difícil qualquer meio de comunicação desportivo sobreviver se não desse a sua maior atenção ao futebol, a não ser os que especificamente se dedicam a um desporto só. Agora, quem tenta chegar a todos os desportos, tem também a obrigação de não deixar de noticiar nada relevante só porque não é futebol. Há relevância jornalística em todas as áreas. RM - O jornalismo desportivo está assente em fatores sociais e económicos. De que forma, podem ser tidos em conta no momento da produção de conteúdo? JF - O desporto tem esse caráter social e humano muito forte. Quem o ousar ignorar na prática do jornalismo não está a fazer o mais profundo dos trabalhos.
89 Anexo 2 – Trabalhos realizados durante o estágio
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