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Guimarães enquanto destino cultural: o papel dos postos de turismo

Fernandes, Sara Catarina Ribeiro

Abstract

Este relatório decorre do estágio curricular realizado no âmbito do Mestrado em Tradução e Comunicação Multilingue, realizado no Posto de Turismo de Guimarães. Tem como objetivo principal contextualizar e analisar dinâmicas de promoção do turismo cultural, na cidade de Guimarães, do ponto de vista do papel e tarefas dos seus Postos de Turismo. Neste contexto, pretendo examinar a função desempenhada pelos Postos de Turismo ou Postos de Informação Turística, essencial na organização e desenvolvimento de iniciativas e na divulgação de informação junto dos visitantes, assim como descrever e analisar as tarefas que me foram atribuídas, desde o atendimento direto ao visitante, recolha de dados estatísticos, e visitas guiadas, até à tradução de textos desenvolvidos para a entidade. Este trabalho também dará conta da criação e desenvolvimento do desenho de produto turístico, “Ver Guimarães Sentado”, maioritariamente realizado em regime de teletrabalho, devido às condições impostas pela COVID-19. Este projeto mobilizou as áreas de conhecimento ligadas tanto às línguas como ao turismo e permitiu-me operacionalizar competências aplicadas e/ou adquiridas ao longo do estágio.

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Sara Fernandes Guimarães enquanto destino cultural: o papel dos postos de turismo UM i n h o | 2021 U n i v e r si d a d e d o Mi n h o I n s tit u t o de Le t r as e C i ênc i as H um a n as Sara Catarina Ribeiro Fernandes Guimarães enquanto destino cultural: o papel dos postos de turismo dezembro 2021 UM i n h o | 2021 Sara Fernandes neiro 202 Sara Catarina Ribeiro Fernandes Guimarães enquanto destino cultural: o papel dos postos de turismo Relatório de Estágio Mestrado em Tradução e Comunicação Multilingue Trabalho efetuado sob a orientação da Professora Doutora Maria Silva Doutora Mafalda Pizarro dezembro 2021 ii DIREITOS DE AUTOR E CONDIÇÕES DE UTILIZAÇÃO DO TRABALHO POR TERCEIROS Este é um trabalho académico que pode ser utilizado por terceiros desde que respeitadas as regras e boas práticas internacionalmente aceites, no que concerne aos direitos de autor e direitos conexos. Assim, o presente trabalho pode ser utilizado nos termos previstos na licença abaixo indicada. Caso o utilizador necessite de permissão para poder fazer um uso do trabalho em condições não previstas no licenciamento indicado, deverá contactar o autor, através do RepositóriUM da Universidade do Minho. Atribuição-NãoComercial CC BY-NC https://creativecommons.org/licenses/by-nc/4.0/ iii Agradecimentos À Divisão de Turismo do Município de Guimarães e a todos os trabalhadores do Posto de Turismo que me acolheram calorosamente e partilharam comigo todo o seu conhecimento. A todos os professores do ILCH que me orientarem durante o meu percurso e permitiram terminar com sucesso esta jornada. Às minhas orientadoras, essenciais neste processo, de quem guardo os ensinamentos e palavras de coragem e apoio: À Doutora Mafalda, que me acolheu na sua casa e me ofereceu apoio e orientação constantes nos meus dias de estágio; À Professora Marie, sempre presente, atenta e disponível para ajudar em todas as ocasiões e responder às questões e dúvidas (que foram muitas). Ao Professor Jorge que aceitou o desafio de ler as minhas palavras e, sempre com disponibilidade e atenção, me orientou também nesta jornada. A todos os colegas que caminharam ao meu lado e a todos os amigos que fiz neste caminho e de quem levo memórias inesquecíveis. iv DECLARAÇÃO DE INTEGRIDADE Declaro ter atuado com integridade na elaboração do presente trabalho académico e confirmo que não recorri à prática de plágio nem a qualquer forma de utilização indevida ou falsificação de informações ou resultados em nenhuma das etapas conducente à sua elaboração. Mais declaro que conheço e que respeitei o Código de Conduta Ética da Universidade do Minho. v Resumo Este relatório decorre do estágio curricular realizado no âmbito do Mestrado em Tradução e Comunicação Multilingue, realizado no Posto de Turismo de Guimarães. Tem como objetivo principal contextualizar e analisar dinâmicas de promoção do turismo cultural, na cidade de Guimarães, do ponto de vista do papel e tarefas dos seus Postos de Turismo. Neste contexto, pretendo examinar a função desempenhada pelos Postos de Turismo ou Postos de Informação Turística, essencial na organização e desenvolvimento de iniciativas e na divulgação de informação junto dos visitantes, assim como descrever e analisar as tarefas que me foram atribuídas, desde o atendimento direto ao visitante, recolha de dados estatísticos, e visitas guiadas, até à tradução de textos desenvolvidos para a entidade. Este trabalho também dará conta da criação e desenvolvimento do desenho de produto turístico, “Ver Guimarães Sentado”, maioritariamente realizado em regime de teletrabalho, devido às condições impostas pela COVID-19. Este projeto mobilizou as áreas de conhecimento ligadas tanto às línguas como ao turismo e permitiu-me operacionalizar competências aplicadas e/ou adquiridas ao longo do estágio. Palavras-chave: Guimarães, Posto de Turismo, Projeto Turístico, Turismo Cultural vi Abstract This report follows the curricular internship in Guimarães’ Tourist Information Office in the scope of the Masters in Tradução e Comunicação Multilingue. Its main goal is to contextualize and analyse the dynamics of promotion of cultural tourism in the city of Guimarães from the point of view of the Tourism Oficce’s role and tasks. In this context, I will examine the job done by the Touristic Information Offices or Tourism Offices, vital in the organisation and development of initiatives and in the diffusion of information to the visitors, as well as describe and analyse the tasks attributed to me, from customer services, gathering of statistic data, and guided tours, to the translation of texts developed for the entity. This report will also cover the creation and development of the structure of a touristic product, the project “Ver Guimarães Sentado”, accomplished mainly over telework, due to the conditions imposed by COVID-19. This project touched the areas of knowledge connected to languages as well as tourism and allowed me to practice skills applied and/or acquired during the internship. Key words: Cultural Tourism, Guimarães, Tourist Information Office, Touristic Project vii Índice Agradecimentos .................................................................................................................................. iii Resumo............................................................................................................................................... v Abstract.............................................................................................................................................. vi Índice de figuras ............................................................................................................................... viii Índice de tabelas ................................................................................................................................ ix Índice de anexos................................................................................................................................. ix Introdução ........................................................................................................................................ 10 Parte I – Enquadramento Teórico...................................................................................................... 12 1. Turismo e Cultura ..................................................................................................................... 12 1.1. Definições de Cultura e Turismo ........................................................................................ 12 1.2. Turismo Cultural ................................................................................................................ 14 2. Turismo em Guimarães ............................................................................................................ 17 2.1. Contextualização e Evolução .............................................................................................. 17 2.2. Caracterização do turismo (dados estatísticos) ................................................................... 19 3. O papel dos Postos de Turismo ................................................................................................. 23 Parte II – O estágio curricular ........................................................................................................... 25 1. A escolha do estágio ................................................................................................................. 25 2. A instituição acolhedora ............................................................................................................ 25 3. Estágio – Organização e Funcionamento ................................................................................... 28 3.1. Plano de Estágio, Cronograma e Objetivos ......................................................................... 28 3.2. Interrupção devido à COVID-19 .......................................................................................... 30 Parte III – As tarefas realizadas ......................................................................................................... 31 1. Breve Enquadramento .............................................................................................................. 31 2. Funções e Tarefas .................................................................................................................... 32 2.1. Atendimento ao turista ....................................................................................................... 32 14 concluir que o turista é um visitante. Mas, nem todo o visitante é turista, uma vez nem sempre o visitante pernoita no local que visita, e nesse caso, denomina-se “excursionista”. Durante o relatório, será privilegiado o uso de “visitante” em vez de “turista”, uma vez que é mais global e incorpora os diferentes tipos de viajantes. No entanto, o termo “turista” será também usado na Parte III onde se referem as traduções realizadas, por exemplo, e onde os dois conceitos não foram distinguidos. A relação que existe entre “cultura” e “turismo” prende-se com a relação do turista com o local de visita, ou seja, a cultura que o local oferece. A cultura, neste contexto, pode ser de cariz tradicional (“folclore”) ou de cariz global (massas), e é parte integrante daquilo que o visitante encontra durante a sua estada. Assim, a cultura diz respeito tanto à sociedade como à arte, e o visitante, envolvido no ambiente novo, experiencia, de uma ou outra forma, a cultura como parte da sua visita turística. No entanto, há diferentes tipos de turismo e os turistas podem viajar por diferentes razões, como vimos anteriormente, dando assim origem a diferentes tipologias para descrever o turista conforme as atividades que este realiza. Com efeito, os turistas estão expostos a diferentes oportunidades de envolvência com a cultura em todos os seus aspetos. No subponto seguinte do relatório fala-se dos tipos de turismo e especificamente do turismo cultural, no sentido de contextualizar o turismo em Guimarães. 1.2. Turismo Cultural Antes de entender a realidade do turismo em Guimarães, o tipo de turismo que a cidade oferece e o tipo de turismo mais procurado pelo visitante, no âmbito deste relatório, foi feita uma pesquisa no sentido de analisar os tipos de turismo existentes e as suas características. O livro digital, Tipos de turismo: nueva clasificación (2018) propõe um quadro (ver infra), que resume os tipos de turismo segundo o objetivo do turista. O autor explica que pretende, com este quadro, dar conta da realidade turística, acrescentando que não se trata de uma classificação definitiva (Ledhesma, 2018, p.6). 15 Figura 1 - Tipos de turismo segundo o objetivo do turista (Ledhesma, 2018) Neste quadro, os tipos de turismo dividem-se em quatro grandes categorias e dentro delas, subcategorias. Podemos com esta tabela entender que as motivações do turista variam conforme o seu gosto pessoal e os objetivos que os levam a viajar, podendo ser por lazer ou por razões de trabalho. A fusão entre turismo e cultura, ou seja, o turismo cultural, pode-se caracterizar neste contexto como um movimento para um lugar que não o de residência com o objetivo de interagir e aprender com outra cultura. Segundo Ioan Petroman et al., o turismo cultural foi definido por alguns investigadores como um mercado turístico “ for those who chose to travel according to their lifestyle (…), a form of tourism linked to the increasing desire of tourists to learn something new when travelling” 1 (Ioan Petroman et al., 2013, 1 “para aqueles que escolhem viajar de acordo com o seu estilo de vida (…), uma forma de turismo ligada ao desejo crescente dos turistas por aprender algo novo quando viajam.” (minha tradução) 16 p.385) e é essa vertente da aprendizagem durante a viagem que transforma o turismo numa atividade cultural ou educacional. No mesmo artigo, turismo cultural está definido como “ a movement of people to cultural attractions far from their normal place of residence aiming at assimilating information and cultural experiences. ” 2 (Petroman, et al., 2013, p.385). Ligando esta definição com a classificação de Ledhesma, o turismo cultural, enquanto mercado, pertence à segunda grande categoria – o turismo intelectual. No entanto, tal como existem diferentes tipos de turismo, dentro do turismo cultural existem diferentes tipos de turista cultural, com diferentes motivações. Como Petroman et al. explicam no seu artigo, há quatro formas de turismo cultural, representadas por cinco tipos de turista cultural, explicadas no gráfico seguinte. Figura 2 - Tipos de Turista Cultural (Petroman et al., 2013) O que este gráfico permite ver é que apenas 15% dos turistas culturais ( highly motivated ) viajam para determinado local por causa do que este oferece do ponto de vista cultural. Os outros turistas acabam por praticar turismo cultural, mesmo sem ser o principal motivo da viagem. É o caso dos 30% bastante motivados, que escolhem os destinos baseados noutras razões que não a cultura, mas que têm como objetivo participar em atividades culturais, dos 30% parcialmente motivados que participam em atividades culturais por encorajamento de outros e dos 20% que veem a parte cultural da visita como acessória. Os restantes turistas culturais representados neste gráfico não têm em conta os fatores culturais do destino para o qual viajam. Com isto, pode-se concluir que a maior parte dos turistas não tem como objetivo principal a cultura, ou o turismo cultural, quando viaja, mas acaba de uma forma ou de outra por praticar turismo 2 “o movimento de pessoas para atrações culturais longe do seu local normal de residência com o objetivo de assimilar informação e experiências culturais.” (minha tradução) 17 cultural, visitando o património arquitetónico ou histórico. Do ponto de vista dos promotores e organizadores de turismo cultural, Petroman et al. defendem que a oferta se deve organizar de acordo com os 85% dos turistas culturais – aqueles que não têm a cultura como principal objetivo da visita. Tendo tudo isto em conta, a seguir será analisado o turismo na cidade de Guimarães no contexto do turismo cultural, pondo em perspetiva a sua evolução e as principais motivações dos visitantes, no sentido de apreender Guimarães como um destino de turismo cultural. 2. Turismo em Guimarães 2.1. Contextualização e Evolução Como afirma Vítor Marques (2011), Guimarães é, e sempre foi uma cidade ligada à indústria, principalmente têxtil e de calçado, que fornece, aliás, uma parte importante do emprego localmente. Esta ligação à indústria permitiu colocar Guimarães no mercado de exportações, possibilitando investimentos e gerando novas instalações no setor hoteleiro. Esta ligação permitiu criar um mercado de turismo de negócios e deixar para segundo plano o turismo de lazer. No entanto, com o declínio desta indústria, fizeram-se sentir impactos negativos no setor do turismo, principalmente nos finais do século XX; mas é também nesse momento que foi, por parte da autarquia, pensada uma estratégia de desenvolvimento turístico “apoiado na requalificação e regeneração urbana, que teve o seu principal reconhecimento na classificação do seu Centro Histórico como Património Cultural da Humanidade em 2001.” (Marques, 2011, p.27). Para além da restruturação urbana, foram feitos esforços para melhorar ou criar infraestruturas no sentido do acolhimento de atividades culturais ou desportivas. Pode-se dar o exemplo do acolhimento da Capital Europeia da Cultura em 2012 que proporcionou a abertura de espaços importantes no desenvolvimento do turismo cultural, é o caso da Plataforma das Artes e da Casa da Memória. Para acompanhar este crescente esforço no âmbito de atividades culturais, a comunidade hoteleira precisou de moldar as suas estratégias e adaptar-se ao novo tipo de turista que procura a sua atividade. O quadro seguinte (Marques, Remoaldo, Vareiro e Ribeiro, 2015, p.9), demonstra o aumento do número de estabelecimentos e capacidade de alojamento disponíveis após o acolhimento da Capital Europeia da Cultura em 2012. 18 Figura 3 - Evolução dos estabelecimentos e alojamento em Guimarães em 2008 e 2013 (Marques et al., 2015) Nota-se que, usando o exemplo da Capital Europeia da Cultura, o crescimento dos estabelecimentos hoteleiros foi considerável. No entanto, o aspeto da restruturação da cidade e criação de infraestruturas de apoio ao turismo não são os únicos pontos que ajudaram Guimarães a afirmar-se a nível do turismo cultural. No quadro seguinte, vê-se que também as motivações dos visitantes vão nesse sentido, pois após o acolhimento da Capital Europeia da Cultura 2012, as “atividades culturais” como motivação do visitante que escolheu Guimarães, sofreram um crescimento considerável de 2011 para 2015 (Marques et al., 2015, p.12). Figura 4 - Motivações dos visitantes antes e depois da Capital Europeia da Cultura 2012 (Marques et al., 2015) Pode-se então concluir, com base nos dados anteriores, com o exemplo do acolhimento da Capital Europeia da Cultura, que cada vez mais a cidade de Guimarães aposta no desenvolvimento quer de infraestruturas quer de atividades que promovem a cultura permitindo que o turismo cultural ganhe mais espaço para crescer. Pode-se ainda dizer que para além do crescimento de infraestruturas e de todas as atividades de desenvolvimento culturais, também o visitante contribui para um turismo cultural cada vez mais pronunciado em Guimarães, escolhendo este destino motivado pela cultura. 19 2.2. Caracterização do turismo (dados estatísticos) Nesta parte do relatório pretende-se analisar dados estatísticos relativos ao turismo em Guimarães. Por um lado, a análise tenciona caracterizar o turismo no âmbito da procura, ou seja, o tipo de turista que visita a cidade e as suas motivações; e por outro, no âmbito da oferta turística e cultural apresentada por Guimarães. O principal intuito é perceber de que forma a procura se relaciona com a oferta, ou como as motivações dos visitantes se relacionam com a oferta de que Guimarães dispõe. Os dados aqui expostos e analisados provêm dos relatórios estatísticos mais recentes, realizados pela equipa da Divisão de Turismo, consultados na página online oficial do Turismo de Guimarães. No sentido de contextualizar a atividade turística normal na cidade de Guimarães, é importante, antes de analisar o primeiro semestre de 2020, ter em conta o ano de 2019 como forma de comparação, uma vez que 2020 trouxe restrições e mudanças tanto na prática, como nas estratégias no que ao turismo diz respeito. Isto deve-se à situação da pandemia mundial da COVID-19, que obrigou a restrições nas viagens, nas deslocações e livre circulação, fundamentais na prática do turismo. Vendo a análise anual de afluência turística entre 2013 e 2019 (ver gráfico abaixo), do relatório Síntese de Resultados Estatísticos 2019 (Divisão de Turismo, 2020b), é claro o crescimento de visitantes que procuram a cidade de Guimarães como destino, principalmente se compararmos com os anos de 2013 e 2019, sendo que o aumento mais significativo se verifica de 2018 para 2019 (p.2). Este aumento progressivo, e mais pronunciado nos últimos anos, pode querer dizer que Guimarães tem vindo a ganhar mais reconhecimento pela sua oferta de atividades turísticas e património, por parte dos visitantes, que cada vez mais escolhem Guimarães como destino. Figura 5 - Afluência turística de Guimarães entre 2013 e 2019 (Divisão de Turismo, 2020b) 20 No que diz respeito à sazonalidade do turismo em Guimarães, o gráfico abaixo (Divisão de Turismo, 2020b, p.5), do mesmo relatório acima referido, permite concluir que os meses de verão registam a maior afluência de turismo em Guimarães. No entanto, é possível verificar uma afluência turística crescente entre março e maio a partir de 2015, e principalmente em 2019, que se pode atribuir às festividades da Páscoa. Figura 6 - Sazonalidade turística anual entre 2013 e 2019 (Divisão de Turismo, 2020b) No que diz respeito à procura, com estes dois gráficos é possível perceber um aumento significativo na escolha de Guimarães como destino nos últimos anos, assim como uma crescente afluência de turistas na época da Páscoa. Também é necessário perceber qual o perfil do turista que procura Guimarães, a sua nacionalidade e faixa etária, assim como as suas motivações, de modo a mais facilmente compreender de que forma as infraestruturas e atividades turísticas correspondem ao tipo de visitante. Seguem-se os dados referentes às nacionalidades, idades e motivações do visitante. No que às nacionalidades diz respeito, é facilmente observável no gráfico abaixo apresentado, realizado através de questionários feitos junto de visitantes do Posto de Turismo, que a maioria dos turistas que procura Guimarães vem de Espanha. A França e o Brasil ocupam o segundo e terceiro lugares. A faixa etária mais registada representa 49,6% e corresponde a adultos entre os 46 e 65 anos (Divisão de Turismo, 2020b, p.3-7). 21 Figura 7 - Visitantes de Guimarães por nacionalidade em 2019 (Divisão de Turismo, 2020b) É importante analisar, igualmente, as motivações dos visitantes, uma vez que permitem compreender as razões da escolha de Guimarães como destino. Admitindo, desta forma, saber de que maneira os promotores de turismo podem utilizar este conhecimento como uma oportunidade de diversificar a oferta. Ao mesmo tempo, entender as motivações dos visitantes, permite criar ou restruturar novas infraestruturas que desenvolvam outros espaços menos procurados ou emergentes, podendo assim dinamizar outras áreas do turismo. Segue-se o gráfico das principais motivações do turista, onde é possível perceber que a principal razão de visita a Guimarães se prende com “touring”, uma visita às cidades históricas da região. No entanto, a segunda principal razão diz respeito à atribuição do título de Património Mundial ao Centro Histórico. Também com uma percentagem considerável, fazem parte das principais razões de visita o património histórico e arquitetónico de Guimarães, assim como o título de “Berço da Nação”. Analisando este gráfico, é fácil entender que as principais motivações se prendem com a história e o património histórico de Guimarães, justificando assim o turismo cultural como principal tipo de turismo praticado e procurado em Guimarães. Isto põe em perspetiva que os principais pontos de referência turística de Guimarães são, ao mesmo tempo, os pontos que o visitante mais facilmente reconhece e as principais razões de visita. 22 Figura 8 - Principais motivações dos visitantes de Guimarães (Divisão de Turismo, 2020b) Numa tentativa de perceber a evolução do ano de 2019 para 2020, foi consultado o Relatório de atividade turística 1º semestre 2020 (2020a) elaborado pela Divisão de Turismo. Neste relatório, para além de uma visão geral daquilo que foram os decréscimos da atividade do turismo por conta das restrições da pandemia da COVID-19, tanto a nível das viagens propriamente ditas, como a nível de alojamento, também se veem dados relativos àquilo que foi o turismo na cidade de Guimarães no primeiro semestre do ano. Em termos de afluência turística anual aos Postos de Turismo, no primeiro semestre do ano, contabilizada para fins estatísticos, tendo em consideração que os Postos de Informação estiveram encerrados de 16 de março até ao fim de maio de 2020, o número de visitantes que passou pelos Postos de Turismo em Guimarães baixou em 32 180 pessoas (Divisão de Turismo, 2020a, p.12). No próximo gráfico sobre a afluência aos Postos de Turismo de Guimarães no mês de junho, é possível verificar que a grande maioria dos visitantes são portugueses, representando mais de metade da afluência desse mês. Comparando este resultado com os resultados globais do ano anterior, em que a maior afluência registada correspondia a visitantes espanhóis, é possível verificar um decréscimo total do mercado espanhol, uma vez que nem constam nos registos do mês de junho (Divisão de Turismo, 2020a, p.14). Tendo em conta as já descritas restrições causadas pela COVID-19 que inibiram voos e viagens, e sendo Espanha um país especialmente afetado pela pandemia, este resultado era o expectável. 23 Figura 9 - Afluência aos Postos de Turismo de Guimarães em junho de 2020 (Divisão de Turismo, 2020a) Conforme explica o mesmo relatório, é notável um decréscimo drástico no setor hoteleiro que em nada contribui para o desenvolvimento turístico, até porque grande parte destas estruturas tiveram de cessar atividade durante um período de tempo considerável. Também nas visitas aos principais monumentos e museus se sentiram os efeitos das restrições, com uma descida abrupta dos números de visitantes entre fevereiro e abril. Antes do mês de março, no entanto, os resultados nestes dois setores foram, em 2020, superiores aos mesmos meses do ano anterior, o que fazia prever um ano promissor para o setor do turismo em Guimarães (Divisão de Turismo, 2020a, p.15-18). 3. O papel dos Postos de Turismo Na altura de escolher um destino há fatores turísticos a ter em conta no planeamento da viagem, como as atividades e a estada, por exemplo. É nesse momento que o turista pretende recolher informação sobre o seu destino, saber o que pode visitar e de que forma, assim como analisar a oferta de infraestruturas tanto no setor hoteleiro, como no setor lúdico. Com cada vez mais tecnologias de difusão de informação por diversos meios de comunicação, procurar e encontrar informação acerca do destino para onde se pretende viajar simples e imediatamente, é cada vez mais fácil e acessível a todas as pessoas. Os Postos de Turismo são um meio de difusão de informação sobre o local onde se inserem e, com o crescimento e a aceleração de outros meios de divulgação, estes locais que recorrem 30 3.2. Interrupção devido à COVID-19 O Protocolo de Estágio acordado, em conjunto com o Projeto de Estágio realizado, acima explicados, previam um estágio com duração total de 840 horas presenciais, num período de 5 ou 6 meses, com início no dia 03 de fevereiro. No entanto, no dia 11 de março, a Organização Mundial de Saúde (OMS) declarou a COVID-19 como pandemia, obrigando à tomada de medidas preventivas da propagação da doença. A suspensão de todas as atividades curriculares foi decretada, e consequentemente, também o estágio presencial foi interrompido. À altura da suspensão, foi elaborada uma lista de todas as tarefas realizadas até ao momento, que se encontra na parte seguinte deste relatório. Para além disso, como forma de seguir o protocolo acordado e tentar realizar as 840 horas tidas como presenciais, foi acordado um plano em regime de teletrabalho com tarefas, como a conceção do projeto turístico previsto no Plano de Estágio inicial, assim como trabalhos de tradução que pudessem ser feitos em casa, com a intenção de retomar o trabalho presencial logo que possível. Os dados estatísticos da pandemia foram significativos, desde então, em termos de casos positivos e as medidas de contingência não foram levantadas no sentido de permitirem o regresso às atividades curriculares e, assim sendo, o término do estágio ocorreu no dia 17 de junho, antes de ser possível regressar ao local de estágio. 31 Parte III – As tarefas realizadas 1. Breve Enquadramento Os Postos de Informação Turística, para além das tarefas administrativas e de organização acima descritas, têm como função comunicar e distribuir informação turística no sentido de acolher e tornar mais fácil a estada ou visita do turista, recorrendo a material informativo. Além disto, os Postos de Turismo são responsáveis por promover o destino onde se inserem, e neste sentido, faz parte das funções do Posto de Informação Turística organizar, difundir e apoiar atividades culturais, assim como recolher e organizar dados tanto sobre os serviços de apoio ao turismo, como sobre o turista. Pode também ser parte do trabalho a realização e gestão de atividades, como o acompanhamento de visitas guiadas ou o desenvolvimento de conteúdos de informação. Em Guimarães, o Posto de Turismo desenvolve estas tarefas de gestão, promoção e divulgação da informação, atividades e material turístico. Além disto, tal como muitos outros Postos de Informação, possui um espaço para a divulgação de serviços de apoio ao turismo, onde expõe panfletos promocionais de hotelaria ou de visitas guiadas organizadas por outras entidades ou mesmo aluguer de meios de transporte, como bicicletas. Informação adicional, como horários de autocarros ou eventos culturais pode ser consultada nas mesas interativas. O meu trabalho, como estagiária, consistia, resumidamente, na participação nas tarefas quotidianas e habituais de um Posto de Informação e conjugá-las com as competências desenvolvidas em contexto académico. As minhas tarefas diárias passavam pelo atendimento ao visitante, recorrendo ao uso de línguas e dos materiais disponíveis, e a tradução de documentos. Diariamente, também prestava apoio aos colegas noutras tarefas, como o preenchimento de estatísticas sobre os visitantes ou organização do material informativo, por exemplo. Para além das tarefas regulares do Posto de Informação, enquanto estagiária, realizei tarefas específicas do meu plano de estágio e outras atividades pontuais desenvolvidas pelo posto de informação; é o caso da conceção do projeto turístico e do acompanhamento de visitas guiadas e da realização de um Peddy Paper . Todas as funções desempenhadas e tarefas desenvolvidas serão descritas e explicadas na parte seguinte. 32 2. Funções e Tarefas 2.1. Atendimento ao turista A principal função de um posto de informação turística é fornecer informação turística e orientar o visitante de forma ativa e positiva. O atendimento ao turista é a tarefa que permite guiar o visitante, fornecendo-lhe a informação e material necessários para que ele se oriente e otimize a visita, de acordo com os seus gostos e expectativas. O objetivo principal é acolher o visitante no local, fornecendo-lhe os principais esclarecimentos para uma estada confortável e informada. O objetivo do Posto de Turismo é providenciar um atendimento personalizado que responda às necessidades do visitante, assim sendo o atendimento ao turista implica uma comunicação objetiva e clara. Tendo em conta as diferentes nacionalidades e idiomas falados pelos visitantes, o conhecimento de diferentes línguas é ponto essencial para um atendimento eficaz. Nesse sentido, sempre que possível, os trabalhadores do Posto de Turismo comunicam na língua com que o visitante os aborda. Para além disso, também os materiais de informação turística para distribuição, disponíveis em sete línguas (português, inglês, francês, espanhol, alemão, italiano e holandês) têm um papel essencial no bom acolhimento do visitante. Os principais materiais que facilitam o atendimento são tratados mais pormenorizadamente no ponto seguinte. A tarefa do atendimento ou acolhimento do visitante propriamente dita, pode-se resumir em alguns passos gerais: - O primeiro contacto com o visitante, que permite identificar a sua nacionalidade, assim como oferecer disponibilidade para o ajudar/orientar; - A distribuição e contextualização do mapa, explicando o formato e conteúdos. O mapa exibe duas faces, onde se encontram expostos o centro histórico e, numa escala mais alargada, o concelho; - A identificação e localização dos principais pontos de interesse a visitar, podendo estes ser parte do Património Cultural ou Arquitetónico, assim como horários de funcionamento e valores de entrada, se aplicável. Como parte dos elementos a visitar, o mapa destaca o Castelo de Guimarães, o Paço dos Duques de Bragança e a Igreja de São Miguel, algumas praças – Largo da Oliveira, Praça de Santiago e Largo do Toural, algumas igrejas – Igreja da Nossa Senhora da Oliveira, Igreja de São Gualter e Basílica de São Pedro, e também museus – Museu de Alberto Sampaio e Centro Internacional das Artes José de Guimarães. Encontra-se, a seguir, a legenda do mapa do Centro Histórico com todos os pontos destacados. 33 Figura 11 - Legenda do mapa de Guimarães, distribuído aos visitantes (digitalização do documento em papel) - A distribuição do Guia da Cidade, na língua correspondente à nacionalidade do visitante se possível, e explicação do formato e conteúdo do mesmo; - A resposta a eventuais questões gerais ou específicas, apresentadas pelo visitante, acerca da explicação do mapa ou outros assuntos. Perguntas frequentes prendem-se com os valores de entrada e horários de funcionamento, assim como o contexto histórico do património, o teor dos museus, os locais para fazer refeições ou para estacionar, como chegar ao seu alojamento, e também sugestões de um itinerário que permita uma visita otimizada e abrangente; - O preenchimento das informações estatísticas a contabilizar diariamente, que compreendem o número de visitantes (se viajarem em grupo) e a sua nacionalidade, e se o visitante permitir, o preenchimento de mais dados estatísticos acerca das suas motivações e estada. 2.1.1. Materiais Para o trabalho de atendimento ao turista, o Posto de Informação possui um conjunto de materiais que facilitam a divulgação da informação ou o esclarecimento de dúvidas, assim como facilitam 34 a proposta de atividades que o visitante pode realizar. Todos os folhetos apresentados são distribuídos ou apresentados ao visitante de forma gratuita. Como elementos essenciais e complementares do atendimento ao turista, acima já identificados, pode-se contabilizar o Mapa da Cidade e o Guia da Cidade. Os dois documentos são, durante o atendimento, distribuídos ao visitante e complementam-se. O mapa é um folheto desdobrável que contém duas faces – de um lado clarifica o mapa do concelho de Guimarães e do outro apresenta uma visão do centro da cidade e um close-up do centro histórico com os pontos de interesse assinalados e a devida legenda. Parte da função do atendimento ao turista passava por explicar o mapa do centro histórico e inteirar o visitante dos locais de interesse assinalados. O Guia da Cidade é um pequeno livro que complementa a informação do mapa. Contém igualmente o mapa do centro histórico e adiciona pontos de interesse fora do centro, e por cada ponto de interesse inclui ao longo das páginas um pequeno texto e figuras ilustrativas da parte do património retratado. Este Guia está traduzido de português para seis línguas – inglês, espanhol, francês, italiano, alemão e holandês, disponíveis para entregar aos visitantes, se possível na sua língua materna, como suplemento do mapa para a visita. Outros panfletos e desdobráveis disponíveis no Posto de Informação são de cariz cultural e/ou publicitário. Os primeiros são distribuídos caso o visitante interrogue ou demonstre interesse por alguma atividade específica ou evento cultural; os segundos são elementos meramente publicitários entregues por outras entidades de apoio ao turismo de que o Posto de Turismo dispõe e dos quais o turista pode usufruir livremente. Os panfletos expositivos de atividades propõe visitas ou percursos a realizar durante a visita, como é o caso dos percursos pedestres existentes. O “Guia dos Percursos Pedestres” explica, delimita e localiza os três percursos existentes – Penha, São Torcato e os seus Moinhos, Citânia de Briteiros. Outra atividade, disposta no folheto informativo “Teleférico de Guimarães” propõe a viagem de teleférico até à Montanha da Penha e exploração tanto do monte como do Parque Natural e das suas grutas. No aspeto cultural, destacam-se os panfletos do “Enoturismo”, o “GuimarãesPass” e a Agenda Cultural. A brochura informativa do Enoturismo propõe ao visitante todas as adegas e vinhas produtoras de vinho regional visitáveis em Guimarães, através de um mapa do concelho, onde todas as informações e localização se encontram explicadas. 35 O GuimarãesPass é a oportunidade de usufruir de onze espaços ou experiências por um valor de desconto, ou seja, adquirindo o Pass o turista pode visitar e entrar nos onze locais aderentes com apenas um bilhete. O folheto informa sobre o valor e os espaços a visitar. A Agenda Cultural é exatamente o que o nome indica. Trata-se de um livro bimensal, exposto para consulta ou distribuição onde o visitante se pode informar sobre todos os espetáculos e atividades culturais a realizar nesses dois meses. As capas do Guia da Cidade em português e do mapa, principais documentos informativos distribuídos aos visitantes, encontram-se nos anexos (anexo 3). 2.2. Tradução A tarefa da tradução como parte do estágio presencial, presente no plano anteriormente exibido, permitiu a aplicação prática no estágio curricular dos conhecimentos e aptidões desenvolvidos na formação curricular. Nesse sentido, foram-me propostos trabalhos de tradução no seguimento de conteúdos desenvolvidos no Posto de Informação Turística necessários em mais que uma língua. É desses trabalhos que trata esta parte, onde se contextualizam e apresentam os quatro textos traduzidos – três inquéritos e uma brochura – nos pares de línguas português–inglês e português– francês. A seguir, apresento a metodologia de trabalho e as ferramentas e recursos utilizados. Após isso, segue-se uma análise das traduções, onde constam as dificuldades de tradução e as soluções encontradas. 2.2.1. Metodologia e Ferramentas Os textos a traduzir foram produzidos pela equipa do Posto de Turismo. Eram recebidos em formato papel e transcritos para o computador. Após a leitura inicial dos documentos e preparação do trabalho, era iniciado o processo de tradução. Foram traduzidos três inquéritos e uma brochura. O processo começou com a pesquisa de textos comparáveis nas línguas de chegada para recolha de vocabulário e terminologia úteis. Esta recolha é uma parte essencial do processo de tradução, permitindo a familiarização com o tipo de texto, a fraseologia e linguagem específica. A tradução propriamente dita, iniciava-se após a recolha de textos comparáveis e envolvia a pesquisa de conceitos específicos que causassem dúvida, por existir a possibilidade de utilização de mais do que um termo ou da certeza da utilização do termo correto. Quando completado o processo de tradução, era feita a verificação de ortografia, correção de erros, escolha final da tradução dos termos que pudessem causar dúvida e, logo depois, a leitura final. 36 A revisão é parte importante da tradução e o tradutor não deve ser o revisor do próprio texto. No caso dos textos traduzidos no estágio, particulares por constituírem retroversões (da primeira língua para a segunda), esta parte ainda se torna mais imprescindível. Todas as traduções realizadas para francês e inglês foram revistas e corrigidas pelos Professores Maria Silva e Jorge Pereira, respetivamente. A área do turismo, do ponto de vista da linguagem especializada constitui uma dificuldade, uma vez que não é possível separar o vocabulário específico da área do turismo do vocabulário da linguagem comum. O texto turístico é essencialmente informativo, mas ao mesmo tempo procura ser apelativo, utilizando linguagem comum, maioritariamente informal. Os tipos de texto trabalhados não variariam muito em termos de caracterização, uma vez que os inquéritos ou questionários mantêm uma forma regular: formulação de questão e opções de resposta; a brochura é um texto expositivo, redigido com o objetivo de comunicar informações sem nenhum tipo de formulação estrutural restrita. Os inquéritos foram elaborados com linguagem simples e objetiva, de forma a chegarem a todo o tipo de público. O texto da brochura é informal, mas cuidado, e tem como objetivo expor e divulgar informação de forma clara e apelativa. A tradução dos inquéritos envolveu uma pesquisa mais intensiva de formulações das perguntas e respostas e terminologia utilizada neste tipo de texto, enquanto a tradução da brochura envolveu mais pesquisa de definições e vocabulário. Em ambos os textos, a principal linha orientadora do meu trabalho foi passar a mensagem focando-me no objetivo principal dos textos – obter informação, por um lado, e por outro, divulgar informação. A redação e linguagem dos textos não obrigaram a seguir uma linha teórica específica ou restritiva, por isso, o foco manteve-se no texto de chegada e seu recetor final que, neste caso, se pode considerar, de certa forma, como parte do objetivo, uma vez que é ele quem vai fornecer os dados dos inquéritos e usar a informação divulgada pela brochura. Atribuo a minha abordagem, principalmente à teoria do Skopos. Esta teoria, segundo Xiaoyan Du (2012) não está limitada à tradução orientada ao texto de partida. “ Skopos theory focuses above all on the purpose of the translation, which determines the translation methods and strategies that are to be employed in order to produce a functionally adequate result. 4 ” (Du, 2012, p.2190). O resultado de que aqui se fala é o texto de chegada, e assim sendo, a teoria diz que o texto deve ser traduzido conforme o objetivo que serve. 4 “A teoria do Skopos foca-se, principalmente, no propósito da tradução, que determina os métodos e estratégias que serão empregues no sentido de produzir um resultado funcionalmente adequado.” (minha tradução) 37 É uma teoria que vai ao encontro das necessidades comunicativas de cada texto, permitindo adaptar a tradução de ao propósito do texto. Foca-se na tradução como uma ação comunicativa. O objetivo primordial dos textos que traduzi é a comunicação de informação turística que pretende ser apreendida, tanto no sentido da angariação de dados (inquéritos), como no sentido da divulgação de informação (brochura). No sentido de tornar o texto simples e facilmente apreendido pelo leitor abraçando a técnica já descrita, foram usados alguns processos de tradução que ajudam na leitura clara do texto. Processos de tradução são estratégias de que o tradutor dispõe no sentido de transpor a mensagem do texto de partida para o texto de chegada ultrapassando as dificuldades impostas pelas diferenças linguísticas ou culturais (Ordudari, 2007, n.p.). Os processos utilizados enquanto estratégia de tradução surgiram de forma intuitiva e natural durante o trabalho de tradução. Apenas durante a análise das traduções foi possível perceber alguns deles. Foram usados processos como a transposição, principalmente na tradução dos inquéritos, transformando algumas das frases afirmativas do texto de partida em interrogações no texto de chegada (exemplo: “Meio de transporte utilizado na deslocação para Guimarães” transforma-se em “What means of transportation did you use to arrive at Guimarães?”). A utilização desta estratégia, meramente estética, permitiu construir no texto de chegada, na minha opinião, frases mais naturais. A explicitação foi usada em algumas ocasiões, nomeadamente na tradução de nomes de instituições, para uma melhor compreensão dos elementos no texto de chegada (exemplo: utilização de parêntesis para acrescentar a localização do Aeroporto Francisco Sá Carneiro – “Franciso Sá Carneiro Airport (in Porto)”). A adaptação e a tradução literal também foram utilizados ao longo dos textos; a adaptação foi usada, por exemplo na tradução da instituição “Câmara Municipal”, adaptada para instituições de valor equivalente nas línguas de chegada ( “Mairie” e “Town Hall” ); já a tradução literal, é mais notória em segmentos pequenos e precisos, como os segmentos “género, idade, estado civil”, por exemplo. No que diz respeito às ferramentas utilizadas, não me servi de nenhuma CATtool ( Computer Assisted Transalation Tool ), como por exemplo, o software memoQ. Estas ferramentas são mais relevantes quando existem glossários e/ou terminologias pré-prontas ou quando os documentos a traduzir são muito extensos. Neste caso, tratam-se de textos não muito extensos, que me foram entregues sem nenhum glossário ou terminologia, e por isso, não recorri à ajuda deste tipo de ferramenta. A Internet e os recursos linguísticos disponíveis online foram essenciais na tradução. Permitiram a pesquisa de corpus comparáveis, assim como a consulta de dicionários e outros sites com informação 38 relevante para a realização das traduções. Nos casos em que as traduções foram realizadas da primeira para a segunda língua, a consulta de sites e dicionários online disponíveis nas línguas de chegada foi crucial para que todos os conceitos ficassem traduzidos corretamente. 2.2.2. Os textos Foram recebidos e traduzidos quatro textos, três inquéritos e uma brochura de cariz turísticoinformativo. Os textos de partida encontram-se redigidos em português e a tradução foi desenvolvida para inglês e/ou francês. Três dos textos a traduzir constituem inquéritos a aplicar no Posto de Turismo, destinados aos visitantes, no sentido de entender de forma mais eficaz o tipo de turista que Guimarães recebe e as suas motivações, assim como o nível de satisfação quanto aos serviços prestados pelo Posto de Informação, com o objetivo de dinamizar as iniciativas que mais interessam aos turistas e melhorar o serviço prestado. O quarto texto, de cariz turístico, é uma brochura cujo objetivo se prende com a dinamização do turismo de negócios, uma vez que enumera e dá a conhecer todos os espaços de que a cidade de Guimarães dispõe para a realização de congressos ou outros eventos. Segue-se uma lista com os títulos dos textos trabalhados, por ordem cronológica da sua receção e as línguas para as quais foram traduzidos: - Inquérito – O Perfil do Turista que visita Guimarães (traduzido para inglês e francês) - Questionário – As perceções dos visitantes (traduzido para inglês e francês) - Guimarães, Cidade de Congressos e Eventos (traduzido para inglês) - Inquérito de satisfação Turismo (traduzido para inglês e francês) Estes quatro textos acabam por se desdobrar num total de sete traduções, uma vez que a maior parte das traduções foi realizada para duas línguas – inglês e francês – à exceção de uma delas, a brochura “Guimarães, cidade de congressos e eventos” apenas traduzida para inglês, conforme solicitado pela entidade. Todos os textos e as suas traduções encontram-se abaixo expostos e estão apresentados e numerados pela ordem cronológica da receção, tal como na lista anterior. 39 1. Inquérito – O Perfil do Turista que visita Guimarães Inquérito – O perfil do turista que visita Guimarães Survey – Profile of tourists who visit Guimarães Questionnaire – Le profil du touriste qui visite Guimarães O presente inquérito foi desenvolvido pela Divisão de Turismo da Câmara Municipal de Guimarães com o objetivo de conhecer o perfil do turista que visita Guimarães. This survey was developed by the Tourism Department of Guimarães’ Town Hall aiming to create a profile of the tourists who visit Guimarães. Ce questionnaire a été réalisé par le Département de Tourisme de la mairie de Guimarães et il a comme objectif de connaître le profil du touriste qui visite Guimarães. Os dados recolhidos são confidenciais. The gathered data is confidential. Les informations recueillies sont confidentielles. Género Gender Genre Masculino Male Masculin Feminino Female Féminin Idade Age Âge Menos de 25 anos Less than 25 years old Moins de 25 ans 26 – 45 anos 26 – 45 years old 26 – 45 ans 46 – 65 anos 46 – 65 years old 46 – 65 ans Mais de 65 anos More than 65 years old Plus de 65 ans Estado civil Marital Status État civil Solteiro Single Célibataire Casado/união de facto Married/Registered partnership Marié/Pacsé Divorciado Divorced Divorcé Viúvo Widowed Veuf Habilitações académicas Academic qualifications Niveau de scolarité Ensino básico 9th grade Collège Ensino secundário 12th grade Lycée Ensino superior College education Enseignement supérieur 46 Satisfeito Satisfied Satisfait Muito satisfeito Very satisfied Très satisfait N/S No opinion Sans opinion Atendimento Service Accueil Informação turística genérica Generic touristic information Information touristique générale Material informativo disponibilizado (mapa e brochuras turísticas) Available informative material (maps and brochures) Matériel informatif disponible (carte et brochures touristiques) No que respeita aos estabelecimentos de restauração, como avalia os espaços frequentados? In terms of restaurants, how would you evaluate the places you visited? Concernant les établissements de restauration, comment évaluez-vous les lieux que vous avez fréquentés ? Muito má Very bad Très mauvais Má Bad Mauvais Razoável Adequate Moyen Boa Good Bon Muito boa Very good Très bon N/S No opinion Sans opinion Atendimento/simpatia Service/amiability Service/sympathie Comunicação (domínio de línguas estrangeiras) Communication (foreign languages knowledge) Communication (maitrise des langues étrangères) Qualidade das instalações Quality of the facilities Qualité des installations Limpeza e higiene do espaço Cleanliness and hygiene of the facility Propreté et hygiène des lieux Gastronomia Gastronomy Gastronomie Tempo de espera Waiting time Temps d’attente Relação qualidade/preço Value for money Rapport qualité-prix Recomendaria a visita a Guimarães? Would you recommend a trip to Guimarães? Recommanderiez-vous la visite de Guimarães ? Sim Yes Oui 47 Não No Non Se respondeu não, qual a razão? If you answered no, please state why. Si la réponse est négative, pour quelle raison ? Qual a probabilidade de voltar a Guimarães? How likely are you to visit Guimarães again? Quelle est la probabilité que vous reveniez à Guimarães ? Improvável Very unlikely Improbable Pouco provável Unlikely Peu probable Provável Likely Probable Muito provável Very likely Très probable Não sabe Don’t know Sans opinion Se tivesse de descrever Guimarães numa palavra ou pequena frase, qual seria? If you had to describe Guimarães in just one word or a small sentence, what would that be? Pouvez-vous décrire la ville de Guimarães en seulement un mot ou une phrase ? R: A: R : Obrigado pela sua colaboração! Thank you for your collaboration! Merci pour votre collaboration! Tabela 2 - Questionário - As perceções dos visitantes, tradução para inglês e francês 48 3. Brochura – Guimarães, Cidade de Congressos e Eventos Guimarães – cidade de congressos e eventos Guimarães – city of congresses and events São muitos os motivos para escolher Guimarães para a realização do seu congresso. There are multiple reasons to choose Guimarães to hold your congress. Guimarães está situada no norte de Portugal e possui excelentes vias de comunicação, que a tornam facilmente acessível dos mais diversos pontos do país. Guimarães is located in the north of Portugal and benefits from excellent means of communication making the city easily accessible from the most diverse points of the country. Utilizando a atual rede de autoestradas, chegamos do Porto a Guimarães em aproximadamente 40 min. (A7 e A3), a Braga em 15 min. (A11), a Lisboa em 180 min. (A3, A7 e A1) e a Vigo em 90 min. (A7 e A3). Using the current Portuguese highway system, we can go from Guimarães to Porto in approximately 40 minutes (A7 and A3), to Braga in 15 minutes (A11), to Lisbon in 180 minutes (A3, A7 and A1) and to Vigo in 90 minutes (A7 and A3). O aeroporto Francisco Sá Carneiro fica localizado a apenas 40 minutos. Francisco Sá Carneiro Airport (in Porto) is only 40 minutes away. O comboio liga Guimarães diariamente a vários destinos, permitindo que a deslocação entre Porto e Guimarães demore aproximadamente 60 minutos e a ligação a Lisboa demore cerca de 4 horas. Daily trains connect Guimarães to various destinations, with the trip between Porto and Guimarães taking approximately 60 minutes and the connection to Lisbon taking about 4 hours. A localização privilegiada de Guimarães permite aceder às praias mais próximas em 30 minutos e às montanhas do Parque Nacional da Peneda-Gerês em apenas 1 hora. O Douro, Património Mundial, conhecido pelo Vinho do Porto e pela paisagem única em socalcos, fica localizado a cerca de 1 hora de distância. The privileged location of Guimarães allows access to the closest beaches in 30 minutes and to the mountains of the Peneda-Gerês National Park in just 1 hour. The Douro region, World Heritage, known for the Porto Wine and for its unique terraced landscape ( socalcos ), is about 1 hour away. (mapa) CIDADE HISTÓRICA E PATRIMÓNIO MUNDIAL WORLD HERITAGE AND HISTORIC CITY Guimarães é uma cidade com um glorioso passado histórico, cuja história está associada à fundação da identidade nacional portuguesa e à língua portuguesa no séc. XII. Guimarães is a city with a glorious historical past; its history is associated with the foundation of the Portuguese identity and Portuguese language in the 12th century. O Centro Histórico de Guimarães, que a UNESCO classificou em 13 de dezembro de 2001 como Património Mundial, é hoje um local aprazível e visitado por milhares de turistas ao longo do ano. The Historical Centre of Guimarães, classified by UNESCO as World Heritage in December 13th of 2001, is a pleasant site visited by thousands of tourists all year long. 49 Alguns pontos de interesse turístico: Some points of touristic interest: Castelo de Guimarães Guimarães Castle Palácio dos Duques de Bragança Ducal Palace Largo da Oliveira e Praça de S. Tiago Largo da Oliveira and Praça de São Tiago Centro Internacional de Artes José de Guimarães Centro Internacional de Artes José de Guimarães Montanha da Penha Penha Mountain CIDADE DE EVENTOS CITY OF EVENTS Guimarães foi Capital Europeia da Cultura em 2012 e Cidade Europeia do Desporto em 2013, reforçando a notoriedade da cidade como palco de realização de eventos de projeção nacional e internacional. Guimarães was European Capital of Culture in 2012 and European Capital of Sports in 2013, reinforcing the city’s renown as a stage for events of national and international projection. CIDADE SEGURA SAFE CITY Guimarães goza do estatuto de ser um dos territórios com maior segurança em Portugal, com uma distância para os competidores diretos e maiores cidades do país. Guimarães is proud to be one of the safest locations in Portugal, distinguishing itself from its direct competitors and the bigger cities of the country. CAPACIDADE HOTELEIRA EM GUIMARÃES GUIMARÃES’ HOTEL CAPACITY Hotéis 4**** 1091 camas 4**** hotels 1091 beds Hotéis 3*** 354 camas 3*** hotels 354 beds Alojamento local 811 camas Local lodging establishments 811 beds num raio de 25 km within a 25km radius +2427 camas (hotéis 3*** a 5*****) + 2427 beds (3*** to 5***** hotels) Pretende saber mais sobre Guimarães? Would you like to know more about Guimarães? Consulte o nosso site Check out our website www.guimaraesturismo.com www.guimaraesturismo.com GRANDES ESPAÇOS PARA GRANDES CONGRESSOS GREAT SPACES FOR GREAT CONGRESSES 50 MULTIUSOS DE GUIMARÃES MULTIUSOS DE GUIMARÃES Com uma localização privilegiada numa das entradas principais da cidade, junto à variante urbana, o Multiusos de Guimarães foi construído com uma polivalência que lhe permite acolher grandes competições desportivas, congressos, feiras, exposições, concertos musicais e outros espetáculos. With its privileged location in one of the main entrances of the city, next to the urban motorway, the Multiusos de Guimarães is a multipurpose structure capable of holding big sports competitions, congresses, fairs, exhibitions, concerts and other shows. Distinguindo-se pelo conforto e qualidade, o espaço multifuncional propicia inúmeras formas de utilização em todo o tipo de eventos, sejam eles pequenos, médios ou grandes. Distinguished for its comfort and quality, the multifaceted space allows numerous uses for all types of events, either small, medium or big. Na nave central os layouts de utilização são configuráveis às necessidades dos promotores graças à existência de bancadas do tipo telescópico (amovíveis e parte delas transportáveis), de vários pavimentos e de cortinas opacas de elevação vertical. In the central nave, the layouts of use are customisable according to the needs of the promoters thanks to the existence of telescopic bench seats (retractable and some of them transportable), of various pavements and of opaque vertical lift curtains. As áreas circundantes à nave central podem ser utilizadas em conjunto ou isoladamente, evidenciando-se o pavilhão de aquecimento (para atividades desportivas ou como sala de reuniões ou congressos), duas salas de conferências, hall de entrada e galerias. The surrounding areas of the central nave can be used together or separately, namely the sports hall (for sports activities or as a meeting or congress room), two conference rooms, the lobby and the galleries. O Multiusos de Guimarães está também dotado de camarins/balneários, salas de apoio, gabinete de treinadores, árbitros, salas de produção, salas de imprensa, Tribuna VIP e restaurante com decoração moderna e atraente. The Multiusos de Guimarães is also equipped with dressing rooms/locker rooms, support rooms, offices for coaches and referees, production control rooms, press rooms, a VIP lounge and a restaurant with a modern and attractive decoration. NAVE CENTRAL CENTRAL NAVE Dimensões: Dimensions: Sem bancadas 63,20m x 61,50m Floor space (without bench seats) 63,20m x 61,50m área expositiva útil: 3.887 m2 full exhibition area 3.887 m2 Com bancadas 50,70m x 36,50m Floor space (with bench seats) 50,70m x 36,50m área expositiva útil: 1.850m2 full exhibition area 1.850m2 Capacidade máxima Full capacity 51 Plateia cadeiras: máx. 2.000 lugares Ground floor seating: maximum 2.000 people Plateia em pé: 8.500 lugares Ground floor standing: 8.500 people Bancada e plateia em pé: 7.150 lugares Bench seats plus ground floor standing: 7.150 people Bancada e cadeiras: 5.000 lugares Bench seats plus ground floor seating: 5.000 people PAVILHÃO DE AQUECIMENTO SPORTS HALL Utilização desportiva reconvertível em sala de reuniões ou congressos Used for sports activities, convertible into meeting or congress rooms Pavimento fixo de madeira flutuante Floating hardwood pavement Dimensões: 34m x 19m – 646 m2 Dimensions: 34m x 19m – 646 m2 Capacidade: até 650 lugares sentados Capacity: up to 650 seats SALA DE CONFERÊNCIAS 1 CONFERENCE ROOM 1 Dimensões: 45m2 (6,73m x 6,73m) Dimensions: 45m2 (6,73m x 6,73m) Capacidade total: 48 lugares sentados (48-plateia, 24-reunião e 18-U) Full capacity: 48 seated (48 - theatre, 24 – hollow square, 18 - U shape) Sistema de som e de projeção Sound and projection system SALA DE CONFERÊNCIAS 2 CONFERENCE ROOM 2 Dimensões: 240 m2 (20m x 12m) Dimensions: 240 m2 (20m x 12m) Capacidade até 150 lugares sentados Capacity: up to 150 seated Sistema de som e de projeção Sound and projection system HALL DE ENTRADA LOBBY 600m2 (15m x 40m) 600m2 (15m x 40m) SALAS DE IMPRENSA PRESS ROOMS Dois gabinetes para a imprensa (total de 36 postos de trabalho) Two rooms for the press (total of 36 work stations) Dois gabinetes para Televisão (4 postos de trabalho) Two rooms for television (4 work stations) GALERIAS GALLERIES 52 1.900m2 ao nível do primeiro piso circundante e com visibilidade para a nave central Area of 1.900m2 surrounding the first level with a view to the central nave RESTAURANTE RESTAURANT Capacidade: 90 pessoas em simultâneo Capacity: 90 people simultaneously TRIBUNA VIP VIP SUITE Acesso independente pelo exterior, enquadrada com a nave central e equipada com 30 cadeiras de luxo Independent access from the outside, framed with the central nave and equipped with 30 luxury chairs OUTROS ESPAÇOS OTHER SPACES Camarins/balneários Dressing rooms/locker rooms Gabinetes e salas de apoio à produção Offices and production control rooms SERVIÇOS SERVICES O Multiusos de Guimarães disponibiliza um conjunto alargado de serviços, entre os quais de bilhética, catering e serviços de apoio à produção e realização de todos os tipos de evento The Multiusos de Guimarães offers a wide range of services, including ticket line, catering, production support services and organisation of all types of events WI-FI GRÁTIS FREE WI-FI PARQUE DE ESTACIONAMENTO PARKING LOT Estacionamento exterior: 1.100 lugares Exterior parking: 1.100 spaces Estacionamento privativo: 20 lugares Private parking: 20 spaces Lugares marcados para autocarros e táxis Specific parking for buses and taxis (morada e contactos) (morada e contactos) CENTRO CULTURAL VILA FLOR CENTRO CULTURAL VILA FLOR 53 O Centro Cultural Vila Flor é um espaço de referência no panorama cultural nacional, localizado em pleno coração histórico de Guimarães. The Centro Cultural Vila Flor is a space of reference in the context of national culture, located at the very heart of historical Guimarães. Instalado no Palácio Vila Flor, edifício do século XVIII, prima pela conjugação da história da Quinta, dos seus magníficos jardins e admirável arquitetura que se desdobra em memórias ancestrais e traços de modernidade. Inserted in the Vila Flor Palace, an 18th century building, it stands out for the history of the Quinta , the magnificent gardens and admirable architecture that unfolds along ancestral memories and modern lines. O edifício, projetado de raiz para a apresentação de espetáculos de índole cultural, foi também concebido de forma a otimizar todos os recursos e a criar estruturas da mais alta qualidade capazes de permitir a sua múltipla utilização enquanto espaço aberto à realização dos mais diversos eventos. The building, primarily projected to hold cultural shows, was also built to optimise all the resources and to create the highest quality structures capable of being used in various situations as a space to hold and host all types of events. O Centro Cultural Vila Flor oferece condições ímpares para a realização de eventos de natureza variada. The Centro Cultural Vila Flor offers unique conditions to hold events of different kinds. O edifício contempla 2 auditórios e 4 salas de reuniões vocacionadas para responder às mais variadas solicitações, desde congressos, seminários, palestras, colóquios ou reuniões. The building has 2 auditoriums and 4 meeting rooms dedicated to answering all requests, from the holding of congresses to seminars, presentations, conferences or meetings. GRANDE AUDITÓRIO GREAT AUDITORIUM Auditório com capacidade para 794 lugares em plateia + 5 lugares destinados a pessoas com mobilidade reduzida Auditorium with capacity for 794 seats + 5 places destined for people with reduced mobility Quatro cabines de tradução para 4 línguas Four translation booths for 4 languages Dois amplos foyers com um bar de apoio aos serviços de coffee break, espaço para secretariado, balcões de receção e atendimento de bengaleiro, com possibilidade para exposições técnicas, cocktails, coffee-breaks, etc. Two wide foyers with a support bar for coffee break services, space for secretariat, reception desks and cloakroom; it can be used for technical exhibitions, cocktails, coffee-breaks, etc. PEQUENO AUDITÓRIO SMALL AUDITORIUM Auditório com capacidade para 188 lugares em plateia + 2 lugares destinados a pessoas com mobilidade reduzida Auditorium with capacity for 188 seats + 2 places destined for people with reduced mobility Duas cabines de tradução simultânea para 2 línguas Two simultaneous translation booths for 2 languages 54 Um foyer com espaço para secretariado, bengaleiro e bar de apoio aos serviços de coffee break, possibilitando a sua utilização para exposições técnicas, cocktails, coffee-breaks, etc. A foyer with space for secretariat, with cloakroom and support bar for coffeebreak services, and the possibility of being used for technical exhibitions, cocktails, coffee-breaks, etc. PALÁCIO VILA FLOR VILA FLOR PALACE / PALÁCIO VILA FLOR 4 salas de reuniões de 60m2, com iluminação natural e artificial e com capacidade para 55 lugares em plateia, 29 em mesa “u”, 34 em mesa “o” e 24 lugares em escola (cada sala poderá ser mobilada e estruturada de acordo com as necessidades específicas de cada evento) 4 meeting rooms with 60m2 with natural and artificial lighting and capacity for 55 seats, 29 u-shaped, 34 o-shaped and 24 in classroom (each room can be furnished and structured according to the specific needs of each event) O Hall da sala S1 possibilita a realização de reuniões de trabalho, ações de formação, lançamento de produtos e coffee-breaks para 50 pessoas The lobby of Room S1 can be used for work meetings, training activities, product launches and coffee-breaks for 50 people Três destas salas estão preparadas para tradução simultânea em duas línguas Three of these rooms are prepared for simultaneous translation in 2 languages RESTAURANTE RESTAURANT Capacidade/pax: 75 em banquete e 120 em receção Capacity/pax: 75 in banquet and 120 in cocktail Possibilidade de utilização: almoços, jantares, cocktails, receções, etc. Possible uses: lunches, dinners, cocktails, receptions, etc. CAFÉ CONCERTO CAFÉ CONCERTO Capacidade/pax: 200 em receção Capacity/pax: 200 in cocktail PARQUE DE ESTACIONAMENTO COBERTO COVERED PARKING LOT Capacidade/pax: 150 lugares Capacity/pax: 150 spots SERVIÇOS SERVICES O Centro Cultural Vila Flor disponibiliza um vasto leque de serviços de apoio à produção e realização de todos os tipos de eventos, equipamentos técnicos, catering, entre outros. The Centro Cultural Vila Flor offers a wide range of services that support the production and organisation of all kinds of events, providing technical equipment, catering and others. WI-FI GRATUITO FREE WI-FI 55 (morada e contactos) (morada e contactos) Postos de informação turística Tourist information offices (moradas+contactos) (moradas+contactos) Email+site Email+site EDIÇÃO MARÇO 2020 EDITED MARCH 2020 Tabela 3 - Brochura - Guimarães, cidade de congressos e eventos, tradução para inglês 62 A brochura faz referência a locais, como cidades ou ruas, por exemplo. Na tradução, a transformação de nomes, habitualmente, não se faz. Isto é porque os nomes atribuídos a pessoas, a ruas ou a praças não mudam de uma língua para a outra. No entanto, há casos em que já existe uma tradução estabelecida e isso obriga a uma tomada de decisão que coloca em perspetiva esta ideia, pois a tradução dos nomes próprios tem de ser feita de forma a garantir a coerência do texto. Para que o texto de chegada não perca coerência, as soluções ou opções de tradução deviam manter-se as mesmas quando se trata da tradução do mesmo tipo de informação, como são, neste caso, as designações (substantivos) nominais de lugares. No entanto, existem traduções oficiais dos nomes em algumas destas ocasiões, e por isso, o texto de chegada pode conter nomes traduzidos e nomes originais. Pode-se citar o caso da cidade de Lisboa presente neste texto, que tem uma tradução oficial por ser a capital do país, tanto para a língua inglesa, como para outras. Tendo isto em conta, no caso deste texto, as secções que correspondem a nomes ou que contêm nomes próprios foram traduzidas de acordo com a informação disponibilizada nos sites oficiais dos locais: se no sítio online o nome do local se encontrar traduzido completa ou parcialmente, na minha tradução, é essa designação que consta. No caso do Parque Nacional da Peneda-Gerês, mencionado no texto, presente no excerto seguinte, aquando da pesquisa de sites oficiais traduzidos para inglês, não foram encontradas muitas alternativas. Utilizei a opção encontrada na página do Turismo Porto e Norte 10 , onde é possível ler sobre o Parque em inglês. Aqui, traduzem o nome parcialmente para “ Peneda-Gerês National Park ”, e foi esta a designação que utilizei na minha tradução. No caso do Aeroporto Francisco Sá Carneiro, o sítio oficial do aeroporto em inglês 11 utiliza a designação de “Porto Airport” ou “Aeroporto do Porto”, na opção da página em português. Este aeroporto é conhecido tanto pela designação de “Aeroporto do Porto” como pela de “Aeroporto Francisco Sá Carneiro” e ambas as opções estão corretas. Posto isto, e tendo em conta que “Aeroporto Francisco Sá Carneiro” foi a designação usada no texto de partida, a solução passou por traduzir parcialmente esta designação tal como no exemplo anterior, em que apenas a parte que não corresponde ao nome da localidade/montanha foi traduzido e “Peneda-Gerês” se manteve. Neste caso, a parte que corresponde ao nome da figura Francisco Sá Carneiro manteve-se também na língua de origem, traduzindo “aeroporto” para “ airport ” – “ Francisco Sá Carneiro Airport ”. No entanto, não esquecendo a possibilidade da outra designação (Aeroporto do 10 In http://www.visitportoandnorth.travel/Porto-and-the-North/Visit/Artigos/Discovering-the-Peneda-Geres-National-Park [consultado entre 4 e 11 de março de 2020]. 11 In https://www.aeroportoporto.pt/en/opo/home [consultado entre 4 e 11 de março de 2020]. 63 Porto) que localiza o aeroporto no espaço, na minha tradução optei por adicionar essa informação, entre parêntesis, para clarificar o leitor. O aeroporto Francisco Sá Carneiro fica localizado a apenas 40 minutos. Francisco Sá Carneiro Airport (in Porto) is only 40 minutes away. (…) Parque Nacional da Peneda-Gerês(…). O Douro, Património Mundial, conhecido pelo Vinho do Porto (…). (…) Peneda-Gerês National Park (…). The Douro region, World Heritage, known for the Porto Wine (…). Tabela 7 - Tradução de nomes próprios (exemplo), excerto do texto Guimarães, cidade de congressos e eventos Há também o caso das paisagens arquitetónicas listadas no texto de partida, presentes no excerto seguinte, neste caso, a estratégia manteve-se – verificar nos sítios oficiais como os locais são referidos e utilizar essa designação. Alguns pontos de interesse turístico: Some points of touristic interest: Castelo de Guimarães Guimarães Castle Palácio dos Duques de Bragança Ducal Palace Largo da Oliveira e Praça de S. Tiago Largo da Oliveira and Praça de São Tiago Centro Internacional de Artes José de Guimarães Centro Internacional de Artes José de Guimarães Montanha da Penha Penha Mountain Tabela 8 - Tradução de nomes próprios (exemplo2), excerto do texto Guimarães, cidade de congressos e eventos O site oficial do Paço dos Duques de Bragança 12 contém informação sobre o Paço, o Castelo e a Igreja de São Miguel, os três monumentos presentes na mesma colina, e utiliza a tradução dos locais escolhida no texto de chegada, conforme o excerto acima. O Largo da Oliveira e a Praça de São Tiago mantêm a sua designação na língua de chegada, uma vez que não foi encontrada informação relevante que os identifique de outra forma. No sítio online do Turismo de Portugal 13 é possível verificar que no texto fornecido em inglês no nome do Largo da Oliveira, por exemplo, se encontra na sua forma original, completamente em português. 2. Designação de tipos de salas e espaços O texto de partida menciona dois espaços com condições para albergar diferentes tipos de eventos e, por conseguinte, enumera cada uma das salas disponíveis, assim como as salas de apoio e características. 12 In https://pacodosduques.gov.pt/monumentos/paco-dos-duques/?lang=en [consultado entre 4 e 11 de março de 2020] 13 In https://www.visitportugal.com/en/NR/exeres/9FD0C908-905C-4119-8821-A155EC3C4CEB [consultado entre 4 e 11 de março de 2020] 64 Algumas destas salas têm nomes técnicos, específicos da área da construção ou arquitetura. Para a sua tradução precisei de angariar informação no sentido de depreender qual seria o método de tradução mais indicado: se poderia usar uma tradução literal ou livre, ou se existiam referências quanto à denominação destes elementos na línguas de chegada em textos comparáveis ou técnicos destas áreas. NAVE CENTRAL CENTRAL NAVE PAVILHÃO DE AQUECIMENTO SPORTS HALL SALA DE CONFERÊNCIAS 1 CONFERENCE ROOM 1 SALA DE CONFERÊNCIAS 2 CONFERENCE ROOM 2 HALL DE ENTRADA LOBBY SALAS DE IMPRENSA PRESS ROOMS GALERIAS GALLERIES RESTAURANTE RESTAURANT TRIBUNA VIP VIP SUITE OUTROS ESPAÇOS OTHER SPACES Tabela 9 - Tradução de designações de espaços/salas, excerto do texto Guimarães, cidade de congressos e eventos Este excerto expõe os espaços ou salas disponíveis para a realização de eventos diversos no Multiusos de Guimarães. A maior parte das traduções destes espaços foram feitas recorrendo maioritariamente à tradução livre, transpondo a informação de português para inglês mais ou menos literalmente. A informação encontrada nos textos comparáveis consultados sugeria designações diversas destes tipos de espaços, e não apenas uma denominação concreta ou inflexível do tipo de espaços presentes no texto de partida. A “Nave Central” constituiu a maior dificuldade, mas uma vez encontrada a origem da designação de “nave” 14 , termo do latim usado primordialmente na arquitetura de igrejas, entretanto adotado para designações de construções modernas. Tomei a decisão de manter o termo inalterado no texto de chegada. Outros sítios consultados na recolha de vocabulário relativo às designações dos espaços e salas incluem a documentação da O2 Arena 15 , importante para obter informação, principalmente a nível de terminologia, não só na designação das salas, como no que a organização de eventos diz respeito. 14 In https://www.britannica.com/topic/nave [consultado entre 4 e 11 de março de 2020] 15 In https://www.theo2.co.uk/assets/doc/The-O2-Deck-2019-91215e4112.pdf e https://www.theo2.co.uk/assets/doc/AEG-Europe-Corporate-andSpecial-Events-Brochure-ce463c56a2.pdf [consultados entre 4 e 11 de março de 2020] 65 3. Disposição das salas Para além da referência às salas e respetivos nomes, também a sua disposição é tida em conta no texto de partida. As salas disponibilizadas para receber eventos descritas no documento são, na maioria das vezes, ecléticas e podem assumir disposições diferentes conforme o tipo de evento a decorrer, como reuniões ou congressos. Assim sendo, todas as disposições possíveis são enumeradas e denominadas ao longo do texto de partida. PALÁCIO VILA FLOR VILA FLOR PALACE / PALÁCIO VILA FLOR 4 salas de reuniões de 60m2, com iluminação natural e artificial e com capacidade para 55 lugares em plateia, 29 em mesa “u”, 34 em mesa “o” e 24 lugares em escola (cada sala poderá ser mobilada e estruturada de acordo com as necessidades específicas de cada evento) 4 meeting rooms with 60m2 with natural and artificial lighting and capacity for 55 seats, 29 ushaped, 34 o-shaped and 24 in classroom (each room can be furnished and structured according to the specific needs of each event) Tabela 10 - Tradução de disposição da sala, excerto do texto Guimarães, cidade de congressos e eventos Neste exemplo, verificam-se as designações de “lugares em plateia”, “mesa “u””, “mesa “o”” e “lugares em escola”. No sítio online anteriormente exposto, referente à O2 Arena, já acima referido, é possível verificar alguma desta terminologia. No entanto, no blog “ Event Connect ” 16 , esta informação encontra-se resumida e, por isso, mais facilmente consultável. As duas fontes foram utilizadas para encontrar as soluções de tradução destes elementos presentes no texto de chegada. 2.3. Projeto turístico A última das tarefas individuais e específicas do plano de estágio prendeu-se com a realização de um projeto turístico que valorizasse a cidade e o turismo em Guimarães. Nesta parte do relatório segue-se o processo de criação e fundamentação da ideia, seguido da caracterização dos passos tomados para a realização do projeto, assim como a sua contextualização, a descrição e os objetivos. O projeto completo encontra-se nos anexos. O nome dado ao projeto é “Ver Guimarães Sentado”. Trata-se de um percurso turístico no âmbito do turismo cultural e local que pretende criar uma forma inovadora de visitar a cidade, valorizando a sua cultura e história, enquanto pontos fulcrais do turismo em Guimarães. “Ver Guimarães Sentado” propõe um percurso que permite a visita de Guimarães e dos seus pontos de interesse, cujo foco principal é um lugar sentado, seja este um banco ou escadas, de onde o 16 https://www.eventconnect.com/pressreleases.aspx?pr=1703 [consultado entre 4 e 11 de março] 66 participante possa desfrutar de uma vista especial. Mostrar a cidade a partir de outra perspetiva é o principal objetivo. O público-alvo do percurso são os jovens-adultos, tanto estrangeiros, como vimaranenses ou portugueses de outros lugares. Enquanto estagiária do Posto de Turismo em Guimarães, foi possível perceber que a maioria dos visitantes da cidade pertencem a uma faixa etária mais velha. A criação do projeto teve em vista a necessidade de dinamizar o turismo cultural vimaranense junto de um público mais jovem. A principal ideia surgiu da combinação de um passeio pela cidade com a descoberta de uma aplicação francesa intitulada “ Sur Les Bancs ”. Durante o meu passeio, um banco especialmente bem localizado na Alameda de São Dâmaso, com vista para a icónica muralha vimaranense, onde se pode ler “Aqui Nasceu Portugal”, fez-me pesquisar sobre “turismo com bancos”. Num site francês sugeriu a aplicação “ Sur Les Bancs ” 17 . Esta aplicação foi criada na festa da Noite Branca em Paris e baseia-se na geolocalização. O participante usa o telemóvel para encontrar um banco nos parques e jardins de Paris, e aí senta-se e “desbloqueia” na aplicação o áudio de uma história da qual pode desfrutar com os seus auriculares. O banco que desencadeou esta pesquisa fez-me pensar que Guimarães tem vários locais de interesse que os visitantes podem apreciar sentados. O projeto adapta esta forma relaxada de turismo às características da cidade de Guimarães, usando bancos ou outros “assentos” mais insólitos de que a cidade dispõe. “Ver Guimarães Sentado” pretende, deste modo, facultar aos participantes uma experiência de imersão na vida quotidiana de Guimarães, com o simples gesto de “sentar e relaxar”. Enquanto conceito aplicado ao turismo, “experiência”, implica a utilização de “todos os sentidos, e não apenas o visual” durante uma visita (Marujo, 2016, p.2). No projeto Ver Guimarães Sentado, este conceito de “experiência turística” é implementado, pois para além do percurso dos bancos que permite uma visita aos principais pontos de interesse, quando o participante chega ao “assento”, tem um áudio disponível. Nesse áudio pode ouvir informação sobre o ambiente que o rodeia, a história do monumento que tem à sua frente, se for o caso, ou apenas curiosidades sobre o espaço onde se sentou. Seria simultaneamente uma visita virtual e presencial, onde o participante recorre ao uso do telemóvel para o acompanhar e apoiar a visita que faz presencialmente. A partir de um ficheiro a descarregar no telemóvel, o participante teria acesso a todos os documentos necessários para a sua experiência: o mapa, os áudios, a localização do “assento” e todas as informações necessárias para uma 17 In http://www.club-innovation-culture.fr/sur-les-bancs-lapplication-geolocalisee-qui-veut-vous-raconter-des-histoires/ [consultado em março de 2020] 67 visita relaxada. Para tornar a visita mais acessível a participantes menos confortáveis com as tecnologias, todos estes documentos (sugestões de apresentação no anexo 5) estariam disponíveis em formato papel, organizados num pequeno livro, por exemplo. No sentido de tirar o maior partido de Guimarães como destino cultural, dos seus atributos arquitetónicos, da sua história e tradições, o projeto engloba duas partes: turismo cultural/local e tradição vimaranense. Na primeira parte insere-se o percurso que permite visitar os pontos de interesse da cidade. Os participantes seguem um mapa, fazendo a visita dos pontos de interesse, com o objetivo de encontrar o “assento”. Depois, com a ajuda de conteúdos áudio, obtêm informação e curiosidades sobre o espaço envolvente. O mapa sugere um itinerário, mas o participante pode começar pelo ponto que quiser ou mesmo saltar pontos, e os áudios podem ser ouvidos em qualquer ordem. O participante tem pleno controlo da sua visita. O percurso principal desenrola-se pelo centro histórico e centro urbano de Guimarães, mas de forma a inserir o maior número de locais a visitar, o projeto propõe um percurso alargado que insere a Montanha da Penha. Para lá chegar, o participante usaria o teleférico como meio de transporte, proporcionado assim uma experiência diferente que promove o turismo vimaranense e as suas estruturas. Na segunda parte, o projeto adiciona os doces regionais e o artesanato, inserindo pontos de paragem no percurso que permitem a prova de Tortas de Guimarães e/ou Toucinho-do-céu (doces regionais) e outra paragem para um workshop de olaria ou bordados e visita à Loja Oficina. Com isto, o objetivo é promover o comércio local ao mesmo tempo que se divulgam as tradições de Guimarães. O projeto pretende ser o mais sustentável, menos dispendioso e amigo do ambiente possível. Tendo isso em conta, o percurso privilegia as deslocações feitas a pé ou de bicicleta, e os custos associados ao percurso são poucos e facultativos, uma vez que advêm das experiências além-percurso principal, ou seja, a viagem de teleférico e a prova de doces e workshop . A duração do percurso está estimada para um dia de visita, mas depende do ritmo de cada um e se o visitante participa nas experiências ou não. A duração do percurso, por si só, estima-se em cerca de 5 horas, incluindo a Montanha da Penha. 68 Figura 13 – Mapa do percurso - projeto Ver Guimarães Sentado Este mapa delineia o percurso geral do projeto. Os pontos marcados a verde (1, 2, 3, 5, 7, 8 e 9) correspondem ao percurso principal. Os pontos marcados a azul escuro assinalam as experiências facultativas. Os pontos 4 e 6 indicam os locais da prova de doces e workshop e o ponto 10 sinaliza a localização do teleférico para a visita à Penha. 69 Cada um dos pontos propõe fotografias do assento e da vista para orientar o participante, uma vez chegado ao local (ver imagens abaixo). No caso do ponto 2, por exemplo, relativo ao Paço dos Duques de Bragança, o assento é um banco tradicional, mas chegados ao ponto 5, no Largo da Oliveira, o participante já tem como assento o “canteiro” da árvore. Figura 14 - Fotografias dos "assentos" - projeto Ver Guimarães Sentado Até uma ideia se transformar no projeto final, houve uma série de outras ideias descartadas por uma ou outra razão. A primeira ideia consistia em criar um percurso do artesanato em Guimarães, que passasse pelas lojas e ateliers locais, apoiando o comércio. Este tinha como público-alvo a faixa etária dos adultos com mais de 45 anos, por normalmente terem mais interesse na cultura regional. Tendo em conta que uma considerável parte dos visitantes habituais da cidade pertence a essa faixa etária, segundo o relatório mais recente à altura Motivações e Perfil do visitante de Guimarães (2016) um percurso dinamizador do público numa faixa etária média-alta seria, em princípio, bem recebido (Marques, 2016, p. 12). Figura 15 - O visitante de Guimarães por faixa etária (Marques, 2016) 70 No entanto, e depois de perceber que o percurso seria muito linear e pouco interessante, uma vez que os pontos de paragem e as atividades desse percurso em Guimarães passariam pelas lojas tradicionais de venda ao público e em workshops de olaria, optei por não prosseguir com essa ideia na sua totalidade e tentei tornar o percurso mais interessante. A ideia seria juntar um percurso alternativo relacionado com o património da cidade, não incluído desde logo na ideia inicial, por já ser o que os visitantes normalmente procuram. Esta ideia também não se firmou por tornar os percursos muito longos e, por isso, menos apelativos. Como explicado anteriormente, foi após um passeio pela cidade, aliado à descoberta da aplicação “ Sur Les Bancs ” que surgiu a ideia que deu lugar ao projeto desenvolvido. Apoiando-se na existência de bancos em localizações estratégicas, a ideia foi criar um percurso que, recorrendo às características da cidade e ao uso das tecnologias, permitisse ao participante a imersão numa experiência de turismo inovadora. “Ver Guimarães Sentado” é um projeto que procura essencialmente promover a cidade a partir de um ponto de vista diferente. Encontrar o banco e relaxar, absorvendo o ambiente envolvente é a premissa do projeto, assim sendo foi preciso pensar na viabilidade do projeto em termos sazonais. Tendo em conta os resultados estatísticos de 2018 (Divisão de Turismo, 2019, p.5), os mais recentes disponibilizados à data da conceção do projeto, o período que regista maior afluência turística compreende os meses de Verão (ver imagem abaixo). Para a realização do projeto, que propõe um passeio a pé, o Verão é a estação ideal, por registar temperaturas mais quentes e secas e, por isso, mais propícias ao passeio. Esta estatística prevê-se, então favorável para um bom desempenho do projeto junto dos visitantes. No sentido contrário ao da ideia inicial – dinamizar o turismo para o tipo de visitante da faixa etária mais habitual – este percurso pretende apelar a um público mais jovem (até aos 25 anos) e estimular o seu interesse para o turismo cultural em Guimarães, propondo um percurso ativo, com custos reduzidos e recurso a elementos tecnológicos. Os primeiros passos para a realização do projeto foram a recolha da informação estatística. Esta informação, por exemplo, sobre as razões pelas quais os turistas visitam Guimarães, serviu tanto para fundamentar a importância da implementação do projeto, como para fundamentar a escolha dos pontos de paragem. Segundo a estatística analisada, dispensada pelo relatório Motivações e Perfil do visitante de Guimarães (Divisão de Turismo, 2019) acima já referido, a principal razão de visita a Guimarães prendese com o facto de a cidade ser Património Mundial. Assim, a escolha dos locais a visitar inclui os principais elementos do património histórico e arquitetónico da cidade. Mas, no sentido de dar a conhecer 71 e dinamizar outros aspetos, o percurso também inclui locais menos conhecidos ou visitados habitualmente. Os pontos do percurso foram escolhidos tendo em vista o foco principal do projeto – os bancos – e ao mesmo tempo, a criação de um percurso coerente. O projeto concilia as vertentes convergentes da formação académica e do estágio, as línguas, a tradução e o turismo. A visita conta com o apoio de conteúdos áudio, a serem desenvolvidos especialmente para o projeto. Os textos desses áudios, onde consta a informação dos pontos de paragem do percurso, foram escritos em português e traduzidos para inglês por mim. Estes textos foram desenvolvidos com a ajuda de informação recolhida na internet e podem ver-se na sua totalidade no anexo 5, onde o projeto está explicitado. O conteúdo dos textos reduz-se ao essencial, exprime curiosidades e História, de uma forma clara, simples e informal. Os textos foram traduzidos apenas para inglês na fase inicial, por ser a língua mais universal, mas com a perspetiva, uma vez implementado e bem-sucedido entre os visitantes, de se fazer a tradução e a locução para mais línguas. Tendo em vista o público-alvo jovem e o formato informal do percurso, os áudios dirigem-se diretamente ao visitante, como se o locutor o acompanhasse na viagem. Têm uma duração curta, de cerca de 3 minutos, para que o visitante os possa ouvir e depois aproveitar o espaço durante quanto tempo desejar, antes de seguir para o ponto seguinte. Segue-se o exemplo do texto para o ponto 3 do percurso, o Largo Cónego Maria Gomes. 3 – Largo Cónego Maria Gomes A Rua de Santa Maria é das mais conhecidas e mais emblemáticas de Guimarães. Todos os Vimaranenses a conhecem e todos os turistas a procuram. Há documentos do século XII que se referem a esta rua já pelo seu atual nome. É famosa por ter sido uma das primeiras ruas a ser abertas na cidade. O caminho que se faz ao percorrer a Rua de Santa Maria relembra o percurso antigo que constituía o elo de ligação entre a parte alta e a parte baixa da vila, ligando o Castelo ao convento fundados pela Condessa Mumadona Dias. Vários testemunhos arquitetónicos do passado permanecem nesta rua e a Casa do Arco é um dos elementos mais conhecidos e que lhe dá mais personalidade. É um ótimo local para tirar uma fotografia para o Instagram, por isso aproveita que vais passar por baixo dela! Deste largo, a rua é para onde fogem os olhos, mas o edifício que hoje funciona como Câmara Municipal de Guimarães é também um ponto a destacar – os vimaranenses até se referem a este largo como o largo da Câmara, mesmo não sendo o seu nome oficial. 78 Marques, V., Remoaldo, P., Vareiro, L. & Ribeiro, J. C. (2015, dezembro 3-4) Perfil dos visitantes e perceções do destino de Guimarães antes e após a CEC 2012 [Sessão de conferência]. IV Congresso Internacional de Turismo da ESG/IPCA Tourism for the 21st Century, Guimarães, Portugal. Retirado de https://www.guimaraesturismo.com/uploads/document/file/2036/Perfil_dos_visitantes_e_perce__e s_do_destino_Guimar_es_antes_e_ap_s_a_CEC_2012.pdf Marques, V. (2016). Motivações e perfil do visitante de Guimarães 2016. Retirado de https://www.guimaraesturismo.com/uploads/document/file/2042/PerfilTurista.2016_2.pdf Marques, V. (2011). Turismo cultural em Guimarães: o perfil e as motivações do visitante. (Dissertação de Mestrado, Universidade do Minho). RepositoriUM. http://hdl.handle.net/1822/18041 Marujo, N. (2016). Turismo, turistas e experiências: abordagens teóricas. Revista Turydes: Turismo e Desarrollo, 9(20), 1-13. Retirado de http://www.eumed.net/rev/turydes/20/turistas.html Netto, A. P. (2013). O que é o turismo. Retirado de https://books.google.pt/books?hl=ptPT&lr=&id=7mgvDwAAQBAJ&oi=fnd&pg=PT5&dq=defini%C3%A7%C3%A3o+de+turismo&ots=drR1Ce2A RL&sig=xnzGfyddA_WZbXj_txzr8_k565c&redir_esc=y#v=onepage&q=defini%C3%A7%C3%A3o%20de%2 0turismo&f=false Ordudari, M. (2007). Translation procedures, stratagies and methods. Translation Journal 11(3). Retirado de http://www.bokorlang.com/journal/41culture.htm Petroman, I., Petroman, C., Marin, D., Ciolac, R., Vaduva, L. & Pandur, I. (2013). Types of Cultural Tourism. Scientific Papers : Animal Science and Biotechnologies, 46(1), pp.385-388. Retirado de http://www.spasb.ro/index.php/spasb/article/viewFile/72/112 Sarmento, C. (2015). Estudos Interculturais Aplicados: Textos, Turismos e Tipologias. Porto: Vida Económica – Editorial SA. 79 Anexos Anexo 1 - Declaração comprovativa de estágio curricular 80 Anexo 2 - Plano de estágio (pré alteração devido à COVID-19) 81 Anexo 3 - Principais materiais distribuídos aos visitantes (Guia da Cidade e Mapa de Guimarães) 82 Anexo 4 - Capa e recortes do Peddy Paper "À descoberta do Centro Histórico" 83 Anexo 5 - Projeto turístico VER GUIMARÃES SENTADO Ver Guimarães Sentado Sara Fernandes Mestrado em Tradução e Comunicação Multilingue Estágio Curricular 2020 84 1. INTRODUÇÃO Este projeto, VER GUIMARÃES SENTADO faz parte do plano de estágio curricular na Loja Interativa de Turismo em Guimarães, integrado no Mestrado em Tradução e Comunicação Multilingue pela Universidade do Minho. O plano de estudos do Mestrado engloba as vertentes de tradução e turismo e o projeto pretende incluir as duas vertentes. VER GUIMARÃES SENTADO é um projeto de cariz turístico que envolve conhecimento na área da tradução. VER GUIMARÃES SENTADO é um projeto no âmbito do turismo cultural de Guimarães que coloca os pontos de interesse da cidade num ponto de vista diferente e inovador. O participante terá a possibilidade de se sentar e usufruir do espaço envolvente de forma autónoma com a ajuda de conteúdo áudio que fará uma contextualização da vista. Desta forma, o projeto pretende a criação de uma atividade turística que dinamize o turismo em Guimarães de forma inovadora, de forma a fornecer uma alternativa ao turismo tradicional, promovendo o território da cidade de Guimarães, assim como o seu (re)conhecimento e divulgação, principalmente por parte do público jovem. 85 2. APRESENTAÇÃO DO PROJETO Esta apresentação pretende descrever o projeto e os seus objetivos, assim como o diagnóstico estratégico em que se fundamenta e os recursos necessários à sua realização. O projeto VER GUIMARÃES SENTADO é um projeto turístico no âmbito do turismo cultural e local e pretende criar uma forma inovadora de visitar a cidade, valorizando a sua cultura e história, enquanto pontos focais do turismo em Guimarães. O projeto surgiu da minha experiência enquanto estagiária do Posto de Turismo em Guimarães que permitiu perceber que a maioria dos visitantes pertencem a uma faixa etária mais velha e, tendo isso em conta, surgiu a ideia de um projeto dinamizador do turismo cultural vimaranense destinado a um público mais jovem. Posto isto, o público-alvo do percurso VER GUIMARÃES SENTADO são os jovensadultos, tanto estrangeiros como vimaranenses ou portugueses de outros lugares. O espírito da atividade é jovem e dinâmico e numa sociedade moderna em que os jovens cada vez mais se importam com o meio ambiente e a pegada ambiental, um projeto sustentável é uma necessidade. VER GUIMARÃES SENTADO usa a tecnologia e o smartphone como principal fonte da visita e os transportes dispendiosos de dióxido de carbono não são necessários, uma vez que a visita pode ser feita a pé ou mesmo de bicicleta. VER GUIMARÃES SENTADO prende-se com a criação de um percurso que permita a visita de Guimarães e dos seus pontos de interesse, cujo foco principal é um lugar sentado, seja este um banco ou escadas, de onde o participante possa desfrutar de uma vista especial. Mostrar a cidade e vê-la doutra perspetiva são os principais objetivos, assim como inserir os participantes numa experiência imersora da vida quotidiana de Guimarães. O projeto engloba duas partes: turismo cultural/local e tradição vimaranense: Na primeira parte insere-se o percurso que permite visitar os pontos de interesse da cidade e com a ajuda de conteúdos áudio dar a conhecer ao visitante a história do espaço envolvente; Na segunda parte, o projeto adiciona os doces regionais e o artesanato, inserindo pontos de paragem no percurso que permitem a prova de Tortas de Guimarães e/ou Toucinho do Céu (doces regionais) e outra paragem para um workshop de olaria ou bordados e visita à Loja Oficina. O percurso principal desenrola-se pelo centro histórico e centro urbano de Guimarães. De forma a inserir o maior número de locais a visitar, o projeto tem um percurso alargado que insere a Montanha da Penha e faz uso do teleférico como transporte, proporcionado assim uma experiência diferente que promove o turismo vimaranense e as suas estruturas. O projeto pretende ser o mais sustentável, menos dispendioso e amigável do ambiente possível, e por isso, as soluções de deslocação propostas, assim como o próprio percurso, o público-alvo e o custo total da visita serão pontos tidos em conta. O percurso está projetado para fazer a pé ou de bicicleta e os únicos custos envolvidos serão os da prova dos doces regionais e workshop de olaria, a acrescer o valor da viagem de teleférico. A duração do percurso está estimada para um dia de visita, mas depende do ritmo de cada um e se o visitante participa nas experiências ou não. A duração do percurso, por si só, estima-se em cerca de 5 horas, incluindo a Montanha da Penha. 2.1. Diagnóstico estratégico Portugal, por ser um país costeiro deve muito do seu turismo à praia; no entanto, “(…) outros setores têm apresentado uma tendência geral de crescimento, como o turismo cultural que, quer como produto em si ou como complemento de outros, nos últimos anos começou a desenvolver-se, ganhando uma cada vez maior relevância económica.” (Marques, 2011) No caso de Guimarães que é uma cidade histórica com muito para oferecer a nível de património, a principal razão de visita é a cidade ser Património Mundial da Humanidade, segundo os dados do 86 relatório da Divisão de Turismo que explicita as motivações do visitante (Guimarães Turismo, 2016), presentes no seguinte gráfico. Posto isto, podemos dizer que o tipo de turismo mais procurado em Guimarães é o cultural, influenciado pelo património de que dispõe e pelas atividades culturais desenvolvidas que constam como a terceira principal razão para visita a Guimarães, como é demonstrado pelo gráfico do relatório anteriormente nomeado. Tendo em conta a principal motivação do visitante, o projeto põe em evidência os principais pontos históricos e o património vimaranense num percurso que percorre todo o centro urbano da cidade. Quanto ao período de maior afluência turística, o relatório “Síntese de Resultados Estatísticos Guimarães 2018” refere o período entre abril e outubro, com especial incidência em agosto, “Estes 7 meses representaram no ano de 2018, 79% do total de visitantes aos postos de informação turística.” (Divisão de Turismo, 2019) Os meses de maior afluência correspondem, em termos meteorológicos, aos meses mais quentes, e por isso, mais propícios para o passeio – ponto positivo, do ponto de vista em que a visita proposta implica caminhar, sentar num banco e relaxar, permitindo assim perspetivar uma maior participação. O plano de estratégia turística proposto pela Divisão de Turismo para os anos de 2019-2029, referido na bibliografia, tem como premissa um programa identitário que pretende valorizar o território e dar a conhecer Guimarães, pondo o povo vimaranense num lugar de destaque em termos da identidade da cidade. O projeto vai ao encontro dessa premissa, uma vez que insere o participante no ambiente quotidiano da cidade, fazendo-o sentar e observar tanto os lugares como as pessoas, permitindo-lhe ligarse a essa identidade tão própria “de dentro”. Por ser imersivo e inovador, o projeto vai ao encontro de um público mais jovem. Também por fazer uso das novas tecnologias, como o smartphone e de ser monetariamente barato, se pode atribuir a razão de dinamização desta faixa etária. O facto de propor uma prova de doces e um workshop ou mesmo uma viagem de teleférico tornam o VER GUIMARÃES SENTADO numa visita diferente e dinâmica – interessante para os jovens. Para além disto, o projeto é estratégico porque é facilmente adaptável a outros locais e pode ser repensado e adaptado para visitas a museus, por exemplo. 87 Não é um projeto que desempenhe um papel numa área ou setor económico específicos, mas promove o comércio local em diferentes áreas do centro urbano, uma vez que o percurso facilita a passagem pelas lojas de comércio local. 2.2. Análise SWOT* A avaliação SWOT do projeto VER GUIMARÃES SENTADO tem como propósito antecipar os principais problemas que possam por em causa o bom funcionamento do projeto e, dessa forma gerar, desde logo, ideias ou criar soluções que previnam a inviabilização do projeto. * A análise S.W.O.T. é uma técnica de planeamento estratégico, utilizada para auxiliar pessoas ou empresas a identificar os pontos fortes (S. - strengths), os pontos fracos (W. – weaknesses), as oportunidades (O. – opportunities) e as ameaças (T. – threats) de um projeto, no sentido de identificar os fatores internos e/ou externos que podem afetar o projeto e torná-lo viável ou não. •falta de interesse pelo turismo cultural parte dos jovens •dinamiza o turismo jovem em Guimarães •permite conhecimento da cidade aos jovens vimaranenses •não inclui a visita a partes menos centrais da cidade •não inclui a entrada nos principais monumentos •não se adequa às estações mais frias •é inovador, sustentável e barato •dinamiza o turismo jovem •inclui experiências diferentes do habitual PONTOS FORTES PONTOS FRACOS AMEAÇAS OPORTUNIDADES 94 Vários testemunhos arquitetónicos do passado permanecem nesta rua e a Casa do Arco é um dos elementos mais conhecidos e que lhe dá mais personalidade. É um ótimo local para tirar uma fotografia para o Instagram, por isso aproveita que vais passar por baixo dela! Deste largo, a rua é para onde fogem os olhos, mas o edifício que hoje funciona como Câmara Municipal de Guimarães é também um ponto a destacar – os vimaranenses até se referem a este largo como o largo da Câmara, mesmo não sendo o seu nome oficial. Fundado no século XVI, este edifício foi um dos conventos mais ricos de Guimarães - o Convento de Santa Clara. É um edifício barroco de dois pisos com um claustro visitável gratuitamente – pede ao segurança para entrar se o quiseres ver! 5 – Largo da Oliveira O Largo da Oliveira e a Igreja de Nossa Senhora da Oliveira devem o seu nome à árvore que te serve de banco – na verdade à primeira oliveira que aqui se plantou, que não é esta, mas que tem um história que merece ser ouvida. Antes de se falar em Nossa Senhora da Oliveira, nesta praça, os elementos eram em nome da Nossa Senhora da Vitória – depois do milagre da oliveira, que já te vou contar, passou a dedicar-se à Senhora da Oliveira. A lenda diz que no século XIV existia uma oliveira trazida do Monte das Oliveiras de Jerusalém mais ou menos nesta localização. Essa árvore secou e assim continuou até que colocaram perto dela uma cruz, ainda hoje presente debaixo do padrão aqui presente. É aí que o milagre acontece, pois três dias depois da colocação da cruz, a oliveira rejuvenesceu, voltando a ter folhas verdes e saudáveis. Esta história passou a ser conhecida como o milagre da oliveira, dando o nome à praça e à Igreja. A árvore do milagre permaneceu na praça até 1870 antes de ser retirada, a mando da Câmara Municipal, muito contra a vontade do povo vimaranense, orgulhoso das suas tradições e história. No entanto, quando o largo foi renovado em 1985, foi plantada outra árvore de oliveira que faz alusão e homenagem à lenda e à primeira árvore. A pedra que funciona como vaso - ou banco, neste caso - contém à volta as datas dos três acontecimentos que marcam esta história: 1342 – a plantação da primeira árvore, 1870 – a remoção dessa árvore e 1985 – a plantação da nova árvore que desde então nunca murchou. A igreja da Nossa Senhora da Oliveira tem em frente um monumento histórico único no país – o Padrão do Salado. Os quatro arcos trabalhados remontam à participação e sucesso, pelo rei D. Afonso IV na Batalha do Salado contra o exército espanhol e muçulmano. As origens da Colegiada de Nossa Senhora da Oliveira remontam ao mosteiro fundado aqui por Mumadona Dias no ano de 949. Da construção original pouco resta e no edifício atual é fácil perceber as remodelações e acrescentos que integram elementos de diversas épocas. Esta Igreja é monumento nacional desde 1910. 7 – Zona de Couros A tradição de trabalho com couros é em Guimarães muito antiga. Desde a Idade Média que as peles, principalmente de gado bovino, eram trabalhadas aqui. Estes tanques, em conjunto com alguns dos edifícios das ruas desta zona, que constituem antigas fábricas de curtumes, são vestígios de ligação à manufatura e transformação das peles dos animais que aqui se faziam. O desenvolvimento deste tipo de indústria contribuiu muito para a projeção económica de Guimarães ao longo do tempo e levou à evolução de outras atividades, como a indústria do calçado, pela qual ainda hoje a cidade é conhecida. 95 Os processos de transformação dos couros eram demorados e complexos e as condições de trabalho muito precárias. Eram precisos homens robustos e fortes que preparavam as peles para aquilo que era o trabalho de curtir, o qual também faziam descalços e ao ar livre, debaixo de chuva ou sol em permanente contacto com a água mal cheirosa que o trabalho causava. As fases do processo, para além de força bruta, precisavam de ferramentas e mestria. Numa primeira fase, os curtidores retiravam os pelos e gordura das peles e depois as estas repousavam na água. A fase seguinte era o enxugo, feito muitas vezes ao ar livre e a ocupar espaços da via pública. O processo de acabamento envolvia a secagem em barracões de madeira construídos como anexos em casas operárias ou fábricas. Se quiseres saber detalhes sobre o decorrer do processo e fases transformação de curtumes, visita o site guimaraesturismo.com. Neste lugar, vêm-se vestígios do conjunto de tanques de uma fábrica que deixou de funcionar no século XX. O balcão que serve de banco nesta visita deixa-nos fazer a ligação que existe entre os tanques e o rio. A água que corria por entre os tanques e para dentro dos tanques, rasos ao chão, era aproveitada ao máximo entre as diferentes fases – daí também o mau cheiro que dela vinha. Recentemente, esta zona da cidade foi remodelada e algumas das antigas fábricas transformadas. A instalação do Instituto de Arquitetura e Design da Universidade do Minho é um exemplo da reabilitação desta zona, assim como o Museu Curtir Ciência. 8 – Jardins e Palácio Vila Flor Este espaço, para além de lindo, tem muita história e importância cultural – um ponto para cada um dos dois edifícios aqui presentes e, para além disso, ainda um jardim, mas já falamos nele. Daqui vê-se o Palácio Vila Flor, um edifício do século XVIII mandado construir por um fidalgo vimaranense com 10 nomes - Tadeu Luís António Lopes de Carvalho de Fonseca e Camões. Os Condes de Arrochela, posteriormente compraram-no e receberam D. Maria II na visita que fez à cidade aquando da elevação de Guimarães de vila para cidade. Depois passou para a posse da família Jordão que completou as obras – a sequência de estátuas de reis presentes em duas das fachadas ficou, no entanto, inacabada. Em 1976 foi adquirido pela Câmara Municipal e foi sofrendo inúmeras intervenções, tendo várias finalidades em mente, mas o estado do interior nunca permitiu restaurar o palácio como um todo. Depois de remodelado e equipado, alguns anos mais tarde, integra agora o Centro Cultural Vila Flor. O edifício mais moderno deste espaço foi inaugurado em 2005 com o objetivo de dar à cultura um espaço que permitisse descentralizá-la e pôr Guimarães no roteiro cultural do país. A construção junta a modernidade com os traços do Palácio, criando harmonia com todo o espaço envolvente. Foi criado de raiz para receber espetáculos culturais e está por isso, equipado com salas de espetáculos e outras para os mais diversos eventos. Uma das coisas que permanece intacta neste espaço são os jardins que se desdobram de par em par. São considerados dos mais bonitos do país e funcionam para os vimaranenses – sobretudo os mais jovens - como ponto de encontro para tardes de sol e convívio ao ar livre. É pacífico para uma tarde de estudo, convívio entre amigos, leitura ou sessão de fotos para as redes sociais. 9 – Alameda Deste banco vê-se uma frase. A frase é simples em palavras mas nunca em significado. À noite, ilumina-se para que ninguém se esqueça e todos a possam ver quando escurece. “Aqui Nasceu Portugal” transporta-nos ao tempo do nosso primeiro Rei, das suas conquistas e à história de descobrimentos e batalhas ganhas com as quais Portugal transborda. Mas em Guimarães, 96 aqui, vive-se essa história, sente-se essa história, vê-se essa história: no castelo, nas ruas e um pouco por toda a cidade. Todo e qualquer vimaranense já usou esta frase, uma ou mais vezes na vida. Aqui nasceu Portugal, o berço da nação é aqui. O povo de Guimarães é a sua maior publicidade, pois ninguém ama, defende e protege tanto a sua cidade como um vimaranense. Podes perguntar e vais perceber. Essa garra, essa força e esse orgulho incondicional recorda-nos D. Afonso Henriques – o Conquistador do país e criador de uma nação, imagem de marca e ídolo de Guimarães. Foi aqui que Portugal nasceu, foi daqui que este guerreiro saiu a desbravar o terreno na criação de um país e Guimarães viu primeiro. O orgulho que se sente neste povo é o bastante para aqui querer voltar e dizer que Portugal nasceu em Guimarães e “eu estive lá”. 97 5. OS DOCUMENTOS QUE ACOMPANHAM A VISITA Estes documentos são o produto final, aquilo que será apresentado ao participante. São exemplos ilustrativos da documentação a que o visitante teria acesso no pacote da visita disponível online para descarregar para o telemóvel; mas também existiriam na versão papel. Fazem parte deste pacote:  contextualização da vista;  divulgação e explicação do percurso;  explicitação dos locais/pontos de interesse e respetivos bancos;  contextualização das experiências extra-percurso;  conteúdos áudio;  textos escritos. Estes exemplos ou uma versão deles serão documentos essenciais para o participante, uma vez que explicam o teor da visita – o que é VER GUIMARÃES SENTADO – de que forma participar e as instruções para fazê-lo. 5.1. A visita Numa primeira fase, o participante precisa do contexto e de uma breve explicação da visita. Estes dois folhetos poderão servir nesse sentido. 98 5.2. O percurso O participante precisa de se orientar na cidade. Uma vez que a visita será acompanhada com recurso ao telemóvel, o mapa online, será facilmente encontrado, não só devido à hiperligação proposta, mas à facilidade de manuseio de tecnologias por parte do público-alvo. Para o percurso e visita propriamente ditos, as brochuras abaixo contêm o percurso (anteriormente exposto), delineado e numerado e brochuras com fotografias do local onde o participante se sentará e daquilo que vê após sentar-se. Um percurso delineado num mapa é o fundamental, mas as paragens do percurso implicam sentar e, de modo a orientar o participante nesse sentido, os próximos folhetos contêm fotografias do banco e da vista que o mesmo proporciona para que o visitante saiba onde se sentar em cada localização para relaxar e ouvir os áudios. 99 5.2.1. As experiências Os participantes precisam igualmente de contextualização e informações sobre as experiências extra percurso. Estes informam brevemente o teor da experiência para gerar interesse e o seu valor, uma vez que constituem a única parte paga do percurso proposto. 100 5.3. Áudios 18 Os áudios são igualmente parte essencial da visita; funcionam como um guia turístico pessoal. São simples em informação e vocabulário, dispensando apenas o necessário para se conhecer os factos mais importantes. Os áudios descarregados para o telemóvel estarão numerados de acordo com os números apresentados no percurso. O participante, chegado ao local, tem simplesmente que pressionar play. LargoCondessaMumadona_Audio.mp3 18 Um exemplo de transformação em áudio destes textos encontra-se neste documento, mas para a realização de todos seriam necessárias pessoas experientes neste ramo, assim como equipamentos adequados. O ficheiro de som segue anexado na pasta com o presente documento. 101 5.3.1. Conteúdo áudio em formato papel De seguida, encontra-se um exemplo da versão papel dos áudios que estarão disponíveis. Neste caso, e como os textos já estão neste documento escritos, não é necessário fazer um exemplar para todas as paragens. 102 5. PROMOÇÃO E DIVULGAÇÃO Tendo em conta o público-alvo, as formas de promoção e divulgação do projeto têm de ser pensadas para captar a atenção do mesmo, e para além dos métodos mais tradicionais, como flyers ou textos promocionais no site, o recurso às plataformas online seria indispensável e a forma mais eficaz de cativar a atenção do público jovem e provocar maior interesse. Seguem-se dois exemplos de promoção em redes sociais e sugestões para cada uma delas. - Publicação no Instagram - Publicação no Facebook 103 6.BIBLIOGRAFIA Divisão de Turismo. (2019). Guimarães Estratégia Turística 2019 | 2029. Retrieved from https://www.guimaraesturismo.com/uploads/document/file/2212/Guimaraes_Estrategia_Turistica_2 019-2029.pdf Divisão de Turismo. (2019). Síntese de dados estatísticos Turismo de Guimarães 2018 (p. 9). Guimarães: Divisão de Turismo. Retrieved from https://www.cmguimaraes.pt/cmguimaraes/uploads/writer_file/document/7010/sintese_resultados_estatisticos_gui maraes_2018.pdf Guimarães Turismo. (2016). Motivações e Perfil do Visitante de Guimarães 2016 (p. 4). Guimarães: Guimarães Turismo. Retrieved from https://www.guimaraesturismo.com/uploads/document/file/2042/PerfilTurista.2016_2.pdf Marques, V. (2011). Turismo Cultural em Guimarães – O perfil e as motivações do visitante (Master’s thesis, Universidade do Minho). Retrieved from http://hdl.handle.net/1822/18041 Escrita dos textos https://www.cm-guimaraes.pt/pages/248 https://www.infopedia.pt/$mumadona-dias http://www.guesthousevimaranes.pt/casa-mumadona-dias.html https://asteriscoseparenteses.blogs.sapo.pt/guimaraes-lenda-de-mumadona-dias-50051 https://pacodosduques.gov.pt/monumentos/paco-dos-duques/ https://pacodosduques.gov.pt/monumentos/igreja-sao-miguel/ https://pacodosduques.gov.pt/monumentos/castelo-de-guimaraes/ https://www.guimaraesturismo.com/pages/153?geo_article_id=71 https://www.cm-guimaraes.pt/conhecer/monumentos/poi/convento-de-santa-clara https://tradicoesemitosdeguimaraes.webnode.pt/ https://www.visitportugal.com/pt-pt/content/igreja-de-nossa-senhora-da-oliveira-guimaraes https://www.minube.pt/sitio-preferido/lenda-de-nossa-senhora-da-oliveira-a3691599 https://ensina.rtp.pt/artigo/a-batalha-do-salado/ https://www.guimaraesturismo.com/pages/804?geo_article_id=1436 https://www.guimaraesturismo.com/pages/804?geo_article_id=1439 https://www.guimaraesturismo.com/pages/153?geo_article_id=115 https://www.guimaraesturismo.com/pages/203?geo_article_id=223 Fotografias/Imagens autoria própria à exceção de Artesanato: A loja Oficina em https://loja.aoficina.pt/ Doçaria: Facebook de Divina Gula em https://www.facebook.com/divinagula44/photos/?ref=page_internal Ferramentas de edição de flyers e edição de áudio Canva em https://www.canva.com/ e Audacity