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A dieta e a perda de controlo na alimentação

Carvalho, Ana Beatriz Gomes

Abstract

As perturbações do comportamento alimentar são dificuldades psicopatológicas complexas e caraterizadas pela preocupação excessiva com o peso corporal e a forma corporal. O principal objetivo desta investigação é compreender a associação entre as dietas e a perda de controlo na alimentação e consequentemente, com as características associadas à psicopatologia alimentar. Para o corrente estudo transversal, foram avaliados 423 indivíduos, sendo que 229 realizaram dietas e 194 nunca realizaram, através de questionários de autorrelato: questionário sociodemográfico, Depression, Anxiety and Stress Scale (EADS-21), Eating Disorder – 15 (ED-15), Loss of Control over Eating Scale (LOCES), Forms of Self-Criticizing and Reassuring Scale (FSCRS) e Difficulties in Emotion Regulation Scale (EDRE). Sendo assim, podemos concluir que indivíduos que realizaram dieta apresentam mais sentimentos de autocriticismo (e.g., fracasso e raiva), mais dificuldades no controlo dos impulsos, mais perda de controlo na alimentação e ainda mais preocupação com o peso, forma corporal e alimentação, do que aqueles que não realizaram dieta. Também foi concluído que indivíduos que não praticam exercício físico, apresentam mais compulsão alimentar. A supressão de peso apresenta um efeito mediado na relação entre o número de dietas e a perda de controlo, no entanto, o seu efeito pode ser moderado pela prática de exercício físico, tendo assim, um efeito protetor nesta relação.

Full text

Universidade do Minho Escola de Psicologia Ana Beatriz Gomes Carvalho A dieta e a perda de controlo na alimentação junho de 2019 A dieta e a perda de controlo na alimentação Beatriz Carvalho UMinho | 2019 Universidade do Minho Escola de Psicologia Ana Beatriz Gomes Carvalho A dieta e a perda de controlo na alimentação Dissertação de Mestrado Mestrado em Psicologia Aplicada Trabalho realizado sob orientação da Doutora Ana Rita Vaz e da Doutora Eva Conceição junho 2019 ii Direitos de Autor e Condições de Utilização do Trabalho por Terceiros Este é um trabalho académico que pode ser utilizado por terceiros desde que respeitadas as regras e boas práticas internacionalmente aceites, no que concerne aos direitos de autor e direitos conexos. Assim, o presente trabalho pode ser utilizado nos termos previstos na licença abaixo indicada. Caso o utilizador necessite de permissão para poder fazer um uso do trabalho em condições não previstas no licenciamento indicado, deverá contactar o autor, através do RepositóriUM da Universidade do Minho. Atribuição-NãoComercial-CompartilhaIgual CC BY-NC-SA https://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/4.0/ iii Agradecimentos Em primeiro lugar, aos meus pais e aos meus irmãos, por estarem sempre presentes e apoiarem em todas as etapas da minha vida. E a toda a minha família! À Doutora Ana Rita Vaz, pela orientação e minuciosidade nas suas apreciações e aprendizagens, que me levaram a exigir a máxima competência para elaborar a minha Dissertação de Mestrado. Aos meus participantes, porque sem eles, este estudo seria impossível! Ao meu dinâmico e coeso Grupo de Investigação em Perturbações Alimentares pelas partilhas constantes e momentos de aprendizagem. Um enorme agradecimento a Doutora Ana Pinto Bastos e a Doutora Marta Lourdes pela partilha de conhecimento e o que me ensinaram foi crucial. Ao Tiago Sousa, pelo companheirismo, pela partilha científica, pelo amor, suporte, paciência e por ser um exemplo na minha vida. As minhas melhores amigas, Dalila Pereira, Juliana Lucas e Diana Silva, que apesar da distância, serem uma presença continua na minha vida e quero agradecer pela paciência e apoio que sempre me deram. Aos meus amigos de Braga, Bruna Simaens, Hugo Manso e Ana Mota, por todo o tempo disponibilizado em ouvir os meus desabafos e por conseguirem, mesmo nos momentos mais difíceis estar sempre por perto. As minhas amigas Cristina Bernardo e Débora Lucas pelo apoio, companheirismo e ideias compartilhadas. A todos os meus restantes amigos, pela amizade e sucessivas aprendizagens. A todas as pessoas aleatórias que surgiram no meu caminho e que, de uma forma ou de outra, foram bastante significativas. Obrigado a todas estas pessoas, de coração! iv DECLARAÇÃO DE INTEGRIDADE Declaro ter atuado com integridade na elaboração do presente trabalho académico e confirmo que não recorri à prática de plágio nem a qualquer forma de utilização indevida ou falsificação de informações ou resultados em nenhuma das etapas conducente à sua elaboração. Mais declaro que conheço e que respeitei o Código de Conduta Ética da Universidade do Minho. Universidade do Minho, 04 de Braga de 2019 Nome Completo: Ana Beatriz Gomes Carvalho Assinatura: v A Dieta e perda de controlo na alimentação Resumo As perturbações do comportamento alimentar são dificuldades psicopatológicas complexas e caraterizadas pela preocupação excessiva com o peso corporal e a forma corporal. O principal objetivo desta investigação é compreender a associação entre as dietas e a perda de controlo na alimentação e consequentemente, com as características associadas à psicopatologia alimentar. Para o corrente estudo transversal, foram avaliados 423 indivíduos, sendo que 229 realizaram dietas e 194 nunca realizaram, através de questionários de autorrelato: questionário sociodemográfico, Depression, Anxiety and Stress Scale (EADS-21), Eating Disorder – 15 (ED-15), Loss of Control over Eating Scale (LOCES), Forms of Self-Criticizing and Reassuring Scale (FSCRS) e Difficulties in Emotion Regulation Scale (EDRE). Sendo assim, podemos concluir que indivíduos que realizaram dieta apresentam mais sentimentos de autocriticismo (e.g., fracasso e raiva), mais dificuldades no controlo dos impulsos, mais perda de controlo na alimentação e ainda mais preocupação com o peso, forma corporal e alimentação, do que aqueles que não realizaram dieta. Também foi concluído que indivíduos que não praticam exercício físico, apresentam mais compulsão alimentar. A supressão de peso apresenta um efeito mediado na relação entre o número de dietas e a perda de controlo, no entanto, o seu efeito pode ser moderado pela prática de exercício físico, tendo assim, um efeito protetor nesta relação. Palavras-chave: alimentação, dieta, exercício físico, perda de controlo, supressão de peso vi Diet and the loss of control in eating Abstract Disorders of eating behavior are complex psychopathological difficulties and characterized by excessive preoccupation with body weight and body shape. The main objective of this research is to understand the association between diets and the loss of control in eating with the characteristics associated with food psychopathology. For the current cross-sectional study, 423 subjects were evaluated, of which 229 performed diets and 194 never performed, through self-report questionnaires: sociodemographic questionnaire, Depression, Anxiety and Stress Scale (EADS-21), Eating Disorder - 15 ), Loss of Control over Eating Scale (LOCES), Forms of Self-Criticizing and Reassuring Scale (FSCRS) and Difficulties in Emotion Regulation Scale (EDRE). Thus, research concludes that dietary individuals have more feelings of self-criticism (eg, failure and anger), more difficulties in controlling impulses, more loss of control in eating, and even more concern about weight, body appearance and nutrition than those who did not diet. Weight suppression has a mediated effect on the relationship between the number of diets and the loss of control; however, its effect can be moderated by the practice of physical exercise, thus having a protective effect in this relation. Keywords: diet, eating, exercise, loss of control, weight suppression vii Índice A dieta e a perda de controlo na alimentação ...................................................................................... 8 Metodologia ...................................................................................................................................... 14 Amostra ....................................................................................................................................... 14 Instrumentos ................................................................................................................................ 14 Procedimento ............................................................................................................................... 15 Análise Estatística ......................................................................................................................... 16 Resultados ....................................................................................................................................... 16 Discussão......................................................................................................................................... 23 Referências ...................................................................................................................................... 28 Índice das Tabelas Tabela 1. Caraterização dos Participantes relativamente ao historial clínico de dietas (n = 423)………. 17 Tabela 2. Caraterização dos Participantes relativamente à pratica de exercício físico e peso (n = 423)…. ………………………………………………………………………………………………………………………………………18 Tabela 3. Diferença entre os grupos que realizam dieta e os que não realizam dieta em relação às variáveis clínicas e demográficas… ……………………………………………………………………………………….19 Tabela 4. Diferença de Participantes nos grupos que realizam e não realizam dieta em relação às atitudes alimentares, comportamentos alimentares disfuncionais e sintomas associados……………… ..21 Tabela 5. Correlações entre variáveis……………………………………………………………………………….. …..22 Índice das Figuras Figura 1. Associação entre número de dietas, supressão de peso, pratica de exercício físico e LOCES…………………………………………………………………………………………………………………………….23 Índice de Anexos Anexo 1. Parecer da Comissão de Ética … …………………………………………………………………………..….36 A DIETA E A PERDA DE CONTROLO NA ALIMENTAÇÃO 14 Metodologia Amostra A amostra foi maioritariamente comunitária e universitária (423 indivíduos). Salienta-se o facto de esta ser uma amostra não probabilística por conveniência. Este estudo, de design transversal avalia indivíduos do sexo masculino e feminino, com idades superiores a 18 anos que tenham realizado qualquer dieta ou nenhum tipo de dieta ao longo da vida. A salvaguarda dos aspetos éticos inerentes aos questionários como a confidencialidade e a participação voluntária foi garantida através do consentimento informado. Note-se que não foi possível, em nenhuma das formas de divulgação utilizadas, email e redes sociais, precisar o número de indivíduos universitários e comunitários. Foram adotados como critério de exclusão participantes menores de 18 anos e em contrapartida, os critérios de inclusão foram os seguintes: indivíduos que já realizaram ou nunca realizaram dieta, nacionalidade Portuguesa e maiores de 18 anos. As informações sociodemográficas e clínicas da amostra são constituídas por 423 indivíduos, sendo 87 homens (20.6%) e 336 mulheres (79.4%) com idade média de 32.5 anos (DP =10.9, min-máx = 18-65) variando entre 18 a 65 anos e um índice médio de massa corporal (IMC) em linha de base de 24.1 (DP = 5.20, min-máx = 0-44.8). Na totalidade os participantes eram solteiros (65.5%) e relativamente às habilitações literárias, a maioria expressou ter a licenciatura (n=170; 40.2%), seguindo-se os indivíduos com mestrado (n= 104; 11.8%). Instrumentos Para a investigação, foram utilizadas as seguintes versões portuguesas: Questionário SocioDemográfico – Composto por algumas questões relacionadas com a idade, sexo, estado civil e ainda o questionário II que se refere a parte da saúde e exercício físico que consiste em perguntas como o peso, primeiras dietas, que género de dietas foram e estão a ser realizadas, há quanto tempo realizaram dieta, prática de exercício físico. Este instrumento, foi criado, para facilitar a recolha de informações indispensáveis ao estudo. Depression, Anxiety and Stress Scale (EADS-21, Lovibond & Lovibond, 1995; Versão portuguesa de Pais-Ribeiro, Horando & Leal, 2004). Constituído por 21 questões divididas em três subescalas para avaliar os estados efetivos: depressão, ansiedade e stress, respondidas tendo em ponderação à última semana. Utilizada uma escala Likert de quatro pontos (zero= não se aplicou nada a mim; a três= aplicou-se a mim a maior parte as vezes) assim, uma pontuação mais elevada destacase como estados negativos (Pais-Ribeiro, 2004). Eating Disorder – 15 (ED-15, Tatham, Turner, Mountford, Trit, Dyas e Waller, 2015; Versão A DIETA E A PERDA DE CONTROLO NA ALIMENTAÇÃO 15 Portuguesa de Machado, 2016). É utilizada para avaliar sintomas das perturbações alimentares e é caraterizada por 15 itens, sendo que dez correspondem a atitudes distribuídas por duas subescalas: preocupação alimentar e preocupação com o peso e forma corporal. Uso de uma escala Likert em sete pontos (zero= Nada a Seis=Sempre) e os outros cinco itens avaliam as experiências alimentares (Tatham et al., 2015). Loss of Control over Eating Scale (LOCES; Latner, Mond, Kelly, Haynes & Hay, 2014). Avalia a perda de controlo alimentar, constituído assim por 24 itens ou sete itens, classificados em três aspetos: comportamentais, cognitivos/dissociativos e positivos/eufóricos da ingestão de Loss of Control . A pontuação é realizada pelo número total de pontos, sendo que uma grande pontuação indica uma maior perda de controlo sobre a alimentação (Latner, Mond, Kelly, Haynes & Hay, 2014). Para esta investigação será utilizado a escala com 24 itens. Forms of Self-Criticizing and Reassuring Scale (FSCRS, Gilbert et al., 2004; Versão Portuguesa por Castilho & Pinto-Gouveia, 2011). Avalia como os indivíduos se autocriticam e autotranquilizam perante situações de fracasso e erro. É um instrumento de auto-resposta constituído por 22 itens dividido em três subescalas: Eu Inadequado, Eu Tranquilizador e Eu Detestado. Apresentado por uma escala Likert de cinco pontos (zero= não sou assim a quatro= sou extremamente assim).Os resultados mais elevados indicam uma maior utilização de autocriticismo. A consistência interna obtida na versão original foram de .90 para a subescala do Eu Inadequado e nas subescalas Eu Tranquilazador e Eu Detestado foi obtido.86 para ambas (Castilho & Pinto-Gouveia, 2011). Difficulties in Emotion Regulation Scale (EDRE, Gratz & Roemer, 2004; tradução e adaptação de Pinto Gouveia, Veloso & Dinis, 2007). É uma escala constituída por 36 itens repartido em seis fatores: não-aceitação da resposta emocional, dificuldades em iniciar comportamentos orientados para objectivos, dificuldades no controlo dos impulsos, falta de consciência das emoções, acesso limitado a estratégias de regulação emocional e falta de clareza emocional. É apresentado por uma escala Likert (1=quase nunca a 5= quase sempre) com consistência interna de.93. Esta escala avalia as dificuldades na regulação emocional vivenciada pelos adultos (Pinto Gouveia, Veloso & Dinis, 2007). Procedimento A presente investigação foi aprovada pela Comissão de Ética da Universidade do Minho. Considerou-se que a forma de recolha de amostra mais válida para esta pesquisa, seria o método por questionários de autopreenchimento online , através do software Google Forms , de modo a obter o maior número de participantes para o presente estudo, foi utilizado a divulgação do questionário através das redes sociais ( Facebook e Instagram ) e também foi obtido um contato com os serviços A DIETA E A PERDA DE CONTROLO NA ALIMENTAÇÃO 16 técnicos da Universidade do Minho de modo a enviar um email institucional para todos os docentes e não docentes da Universidade do Minho. Análise Estatística Os dados foram analisados no programa estatístico Statistical Package for the Social Sciences (SPSS: Versão 22). A análise de dados consistiu, sobretudo, em duas fases: a estatística descritiva e a estatística inferencial. Inicialmente, os dados foram sujeitos a uma análise descritiva, testados os pressupostos necessários para a utilização dos testes paramétricos. Não estando os pressupostos da normalidade dos dados nem da homogeneidade das variâncias cumpridos, foram utilizados testes nãoparamétricos. As primeiras corresponderam à média, à moda e à mediana das variáveis, e as medidas de dispersão corresponderam, às frequências e ao desvio-padrão. Seguidamente, a análise inferencial, foi realizada de maneira a diferenciar os grupos que realizaram dieta ou não realizaram dieta, onde foi utilizado o Teste T para Amostras Independentes para os scores totais dos questionários e as medidas. De outra forma, para perceber melhor essas diferenças nas suas subescalas foi realizado Multivariate Analysis of Variance (MANOVA) em que todas as análises foram realizadas, incluindo o IMC como covariável. De seguida foram realizadas correlações de modo a perceber quais seriam as variáveis que poderiam estar relacionadas para incluir no modelo de mediação moderada através do Software IBM SPSS Statistics 24.0 e do PROCESS macro de Andrew F. Hayes. Resultados As informações relativamente ao historial de dietas e peso mais relevantes são apresentadas na Tabelas 1 e 2. Grande parte dos participantes já realizaram pelo menos uma dieta ao longo da sua vida (n=229;54.1%), sendo 40 homens e 187 mulheres e na sua maioria realizaram dieta rica em proteína (45.9%) e o seu peso nos últimos seis meses manteve-se igual ou ganharam de peso. Cinco mulheres já realizaram uma cirurgia para perda de peso (9.2%). O peso médio da amostra é de 67.7 (DP=15,2, min-máx=41-150). A maioria dos indivíduos, pratica duas a três vezes por semana exercício físico (n=147), o que corresponde a 52.1% e praticam pelo menos uma hora de tempo (n=172). Os participantes relataram na maioria que nos últimos seis meses o peso manteve-se igual (n=191;45.2). A DIETA E A PERDA DE CONTROLO NA ALIMENTAÇÃO 17 Participantes M (DP) N (%)) Realizaram Dieta Não Realizam Dieta 229 (54.1) 194 (45.9) IMC 24.1 (5.20) Normal (18.5 < IMC < 24.9) Excesso de Peso (25 < IMC < 29.9) Grau I de Obesidade (30 < IMC < 34.9) Grau II de Obesidade (35 < IMC < 39.9) Grau III de Obesidade (IMC > 40) 253 (64.9) 92 (23.6) 32 (8.2) 10 (2.6) 3 (0.8) Têm alguma doença que influencie o peso Sim Não 34 (8.0) 389 (92.0) Problemas Psicológicos Comorbilidades médicas 5 (1.1) 29 (6.6) Realizaram cirurgia para perda de peso Não realizaram cirurgia para perda de peso 5 (1.2) 418 (98.8) Tipos de Dieta Nenhuma Rica em Proteína Rica em Hidratos de Carbono Pobre em Proteína Pobre em Hidratos de Carbono Não sei qual era o tipo de dieta Outras dietas 194 (45.9) 59 (13.9) 4 (0.9) 2 (0.5) 75 (17.7) 60 (14.2) 29 (6.8) Número de Dietas Realizadas Nenhuma 1 Dieta 2 Dietas 3 Dietas 4 Dietas 5 Dietas Mais de 5 Dietas 194 (45.9) 71 (16.8) 53 (12.5) 40 (9.5) 11 (2.6) 4 (0.9) 50 (11.8) Nota. IMC= Índice de Massa Corporal A DIETA E A PERDA DE CONTROLO NA ALIMENTAÇÃO 18 Nota. EF= Exercício Físico Participantes M (DP) N (%)) Realiza Exercício Físico Não realiza Exercício Físico 282 (66.7) 141 (33.3) Frequência do EF (dias) 1 vez por semana 2-3 vezes por semana 4-5 vezes por semana 6-7 vezes por semana 48 (17.0) 147 (52.1) 61 (21.6) 26 (9.2) Duração do EF (horas/minutos) 30 Minutos 1 Hora 1 Hora e 30 Minutos 2 Horas Mais de 2 Horas 37 (13.1) 172 (61.0) 45 (16.0) 16 (5.7) 12 (4.3) Peso nos últimos 6 meses Manteve-se igual Perdeu peso Ganhou peso O Peso tem variado imenso 191 (45.2) 71 (16.8) 113 (26.7) 48 (11.3) Atualmente esta a realizar dieta para perda de peso Sim Não 70 (17.0) 353 (84.0) Atualmente esta a realizar dieta para ganho de peso Sim Não 9 (2.1) 414 (98.0) Tabela 2 Caraterização dos Participantes relativamente à pratica de exercício físico e peso (n = 423) A DIETA E A PERDA DE CONTROLO NA ALIMENTAÇÃO 19 A tabela seguinte apresentada (tabela 3) mostra os resultados relativos às diferenças entre participantes que já realizaram dieta e os que nunca realizaram em relação a variáveis clínicas e demográficas. De referir, que quase todas as variáveis Idade, IMC, peso mais elevado, supressão de peso e peso atual são estatisticamente significativas (p=.000.) entre os que referem ter realizado dieta e os que não referem a realização de dieta ao longo da vida. Tabela 3 Diferença entre os grupos que realizam dieta e os que não realizam dieta em relação às variáveis clínicas e demográficas. Realizaram Dieta Não realizaram dieta (n=227) Média (DP) (n=196) Média (DP) Statistics p Idade IMC 34.35 (10.98) 25.16 (3.92) 30.49 (10.68) 22.78 (3.92) 68.52 (14.49) 57.76 (10.83) 10.76 (6.90) 64.52 (13.04) t(421) = -3.64 t(420)= - 4.10 t(421)= - 5.70 t(421)= - 1.65 t(421)= - 7.76 t(421)=- 4.10 . 000 . 000 . 000 . 100 . 000 . 000 Peso mais 78.62 (20.75) elevado Peso mais baixo Supressão de peso Peso atual 59.65 (12.53) 18.97 (13.29) 70.49 (16.31) Nota. IMC= índice de massa corporal Na tabela 4 estão presentes diferenças significativas entre os que realizaram dieta e não realizaram, o IMC foi introduzido como co-variável em todas as análises. O que indica que os que realizaram dieta (MP=5.60, DP=4.48) relatam maiores níveis de stress do que os que não realizaram dieta (p=.028). Também há diferenças estatisticamente significativas relativamente ao ―Eu Inadequado‖ (p=.001) e também no ―Eu Detestado‖ (p =. 015), o que indica que os indivíduos que realizaram dieta referem mais situações de autocriticismo do que os que não realizaram dieta. Quanto à escala de dificuldades de regulação emocional, a subescala que apresentou resultados significativos foi a ―dificuldades no controlo dos impulsos‖ (p =. 015). Relativamente as escalas LOCES e ED-15, todas as subescalas, menos os episódios de ingestão compulsiva foram estatisticamente significativas o que indica que indivíduos que realizaram A DIETA E A PERDA DE CONTROLO NA ALIMENTAÇÃO 20 dieta quando comparados a indivíduos que não realizaram dieta, apresentam maiores níveis de perda de controlo na alimentação e preocupação com o peso e alimentação. Na tabela 5, como forma de estudar a relação entre a dieta e a perda de controlo na alimentação e a sua relação com outras variáveis, nomeadamente IMC, supressão de peso, sexo, prática de exercício físico, número de dietas e LOCES e explorar de que forma deveriam ser incluídas em diferentes modelos de mediação e moderação que permitam explicar a relação das mesmas. A variável ―Pratica exercício físico?‖ está inversamente correlacionada com o LOCES, pelo que esta variável foi incluída num modelo, de modo a perceber o seu papel moderador. A DIETA E A PERDA DE CONTROLO NA ALIMENTAÇÃO 21 Tabela 4 Diferença de Participantes nos grupos que realizam e não realizam dieta em relação às atitudes alimentares, comportamentos alimentares disfuncionais e sintomas associados. Realizaram Dieta Não realizaram dieta (n=227) Média (DP) (n=196) Média (DP) p EADS total Escala da Depressão Escala da Ansiedade Escala do Stress 4.36 (4.36) 2.39 (3.26) 5.60 (4.48) 3.99 (3.52) 1.95 (2.69) 4.62 (4.13) . 533 . 128 . 028 FSCRS total Eu Inadequado Eu Tranquilizador Eu Detestado EDRE Total Estratégias de regulação emocional Não aceitação das respostas emocionais Falta de consciência emocional Dificuldades no controlo dos impulsos Dificuldade em agir de acordo com os objetivos Falta de clareza emocional LOCES total Comportamentais Cognitivos/dissociativos Positivos/eufóricos ED-15 total Preocupação com o peso Preocupação com a alimentação Episódios de Ingestão Alimentar Compulsiva 13.48 (7.78) 20.02 (6.65) 2.50 (3.59) 14.81 (6.05) 11.58 (5.04) 15.85 (4.76) 11.30 (4.78) 11.96 (4.79) 9.83 (3.61) 2.15 (0.89) 1.32 (0.61) 1.74 (0.95) 1.32 (1.43) 2.00 (1.28) 0.65 (1.39) 10.90 (6.75) 19.95 (7.32) 1.61 (2.28) 13.99 (5.59) 11.06 (4.90) 15.69 (4.81) 10.16 (3.93) 11.46 (4.31) 9.36 (3.43) 1.67 (0.64) 1.10 (0.29) 1.37 (0.63) 0.58 (0.83) 0.95 (0.94) 0.68 (1.44) . 001 . 604 . 015 . 236 . 269 . 725 . 015 . 285 . 234 . 000* . 000* . 000* . 000 . 000 . 952 22 Tabela 5. Correlações entre variáveis. Nota. **p <. 001; *p <. 05 ;a = Coeficiente de correlação Ponto-Bisserial; b = Coeficiente de Correlação de Pearson; c = Coeficiente de correlação de Spearman; d = Teste do Qui-Quadrado; 1. 2. 3. 4. 5. 6. 7. 1. Realizaram dieta? 1 2.IMC . 288**a 1 3. Sexo 2.94*d -. 190**a 1 4. Nº Dietas 423.0*d . 308**c 7.97d 1 5. Supressão de peso . 354**a . 615 **b -. 138**a . 447**c 1 6. Prática EF? 1.51d -. 080a 10.26*d 6.62d -. 054a 1 7. LOCES total . 312**a . 272**b . 110*a . 349**c . 295**b -. 140**b 1 A DIETA E A PERDA DE CONTROLO NA ALIMENTAÇÃO 23 Modelo de supressão de peso enquanto mediadora da relação entre o número de dietas e a perda de controlo, moderada pela prática de exercício físico. Figura1. Associação entre o número de dietas realizadas (NªDietas; variável preditora), ―pratica de exercício físico?‖ (variável moderadora), perda de controlo sobre a alimentação (LOCES; variável dependente) e a supressão de peso (variável mediadora). a: relação entre o Número de Dietas realizadas e a supressão de peso; b1: relação entre a Supressão de Peso e LOCES; b2: relação entre LOCES e ―Pratica exercício físico‖; b3: relação da interação do LOCES e da ―Pratica exercício físico?‖ com a supressão de peso; c‘: efeito direto da variável preditora na variável dependente. **p <.05; Foi realizada uma análise de mediação moderada entre o número de dietas realizadas (Nº dietas) e o ―LOCES‖ com a variável mediadora ―Supressão de Peso‖ e a variável moderadora ―Pratica exercicio físico?‖ a moderar a relação entre a supressão de peso e a perda de controlo (Figura 1). De acordo com os resultados obtidos, a Supressão de Peso encontra-se associada ao ―Nº Dietas‖ (t(421)=10,18; p < .0000)). A supressão de Peso também está associada ao LOCES (b1) (t(418)= 3.08, p= .002)e a ―Prática de Exercício Físico?‖ (b2) ) (t(418)= -2.89; p= .004), e é demonstrada a significância do papel moderador dos que não praticam exercício físico ((t418=5.33, p <.0000), sendo que os que praticam exercício físico o efeito de interação é negativo significativo (p = .734), sugerindo assim um efeito de moderação do exercício físico entre a supressão de peso e o LOCES. Este efeito acontece apenas para os que referem a prática de exercício (o que mostra um efeito protetor desta variável). O papel mediador da variável supressão de peso na relação entre o nº de dietas e LOCES b3: β= -. 022** c‘: β = .092** b1: β= .009** Supressão de Peso Nº Dietas Realizadas LOCES a: β = 2.57** Pratica exercício físico? b2: β= -.174** A DIETA E A PERDA DE CONTROLO NA ALIMENTAÇÃO 30 Fairburn, C. G., Cooper, Z., & Shafran, R. (2003). 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