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A expressão artística: uma janela aberta para a mediação

Silva, Letícia Isabel Cabeceiro

Abstract

O presente relatório de estágio apresenta o resultado do projeto realizado no segundo ano do Mestrado em Educação, área de especialização em Mediação Educacional. O estágio desenvolveu-se entre outubro e junho do ano letivo 2022/2023, num Atelier de Artes Plásticas para crianças. Ao encorajarmos a criatividade, estamos a promover a capacidade que a criança possui de explorar e compreender o seu mundo, e de reagir e representar as suas perceções. Estamos a aumentar as oportunidades que têm de estabelecer novas relações, alcançar novos entendimentos e criar novos significados. Assim, o presente trabalho intitula-se “A expressão artística: uma janela aberta para a mediação” e tem como finalidade trabalhar as competências socioemocionais das crianças, a partir das atividades artísticas. Para a realização deste projeto foram selecionados dois grupos de trabalho: o segundo e o quarto grupos do atelier. O 2º grupo era composto por 12 crianças, sendo 4 rapazes e 6 raparigas e o 4º era composto por 8 crianças, sendo 2 rapazes e 6 raparigas. A metodologia utilizada para o desenvolvimento do projeto foi de natureza qualitatativa sustentada a partir da investigação-intervenção. Os objetivos de investigação centraram-se em compreender as potencialidades da expressão artística na mediação e identificar estratégias transformativas para a promoção de competências socioemocionais das crianças. Os objetivos de intervenção focaram-se em facilitar o diálogo entre todos; valorizar a cooperação para a criação artística e desenvolver a criatividade, a (auto)confiança, a comunicação e criar espaços de (auto)reflexão crítica. Evidencia-se alguns aspectos principais como, a evolução de comportamentos, a motivação, o envolvimento demonstrado pelas crianças e a expressão de sentimentos e de emoções. A variedade de respostas em diferentes atividades permitiu concluir que as crianças são criativas e pensam de modo diferente e por isso, tomam decisões e fazem escolhas diversificadas.

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Letícia Isabel Cabeceiro Silva A expressão artística: uma janela aberta para a mediação outubro de 2023 A expressão artística: uma janela aberta para a mediação Letícia Isabel Cabeceiro Silva UMinho|2023 Universidade do Minho Instituto de Educação Letícia Isabel Cabeceiro Silva A expressão artística: uma janela aberta para a mediação outubro de 2023 Relatório de Estágio Mestrado em Educação Área de Especialização em Mediação Educacional Trabalho efetuado sob a orientação da Doutora Maria Teresa Machado Vilaça Universidade do Minho Instituto de Educação ii DIREITOS DE AUTOR ECONDIÇÕES DE UTILIZAÇÃO DO TRABALHO POR TERCEIROS Este é um trabalho académico que pode ser utilizado por terceiros desde que respeitadas as regras e boas práticas internacionalmente aceites, no que concerne aos direitos de autor e direitos conexos. Assim, o presente trabalho pode ser utilizado nos termos previstos na licença abaixo indicada. Caso o utilizador necessite de permissão para poder fazer um uso do trabalho em condições não previstas no licenciamento indicado, deverá contactar o autor, através do RepositóriUM da Universidade do Minho. Liderança concebida aos utilizadores deste trabalho Atribuição-SemDerivações CC BY-ND https://creativecommons.org/licenses/by-nd/4.0/ iii AGRADECIMENTOS A elaboração do presente Relatório Final de Estágio não seria possível sem o apoio de alguns intervenientes. Assim sendo, pretendo agradecer a todos os que sempre me apoiaram e contribuíram para a realização e concretização desta etapa final. Neste sentido é fundamental agradecer aos meus pais que sempre fizeram tudo por mim, sempre me encorajaram nos meus sonhos e celebraram as minhas conquistas. Devo-lhes tudo o que sou! Muito obrigada Pai e Mãe! Vocês foram sempre o meu apoio e o meu porto seguro. Um enorme obrigada por todas as ajudas durante esta fase académica. Agradecer a toda a minha família que foram tão importantes ao longo de toda a minha vida, apoiaram-me e fizeram com que eu não desistisse de todos os meus sonhos. Um grande obrigada a todos! Para além disso, quero deixar aqui o meu agradecimento a todos os Professores que se cuzaram comigo no meu percurso académico, que fizeram com que chegasse até aqui! Quero agradecer à Professora Doutora Maria Teresa Machado Vilaça que foi fulcral nesta etapa final. Muito obrigada pelo seu apoio contínuo, pela sua disponibilidade, pelo seu saber que me ajudou a subir mais um degrau e me fez querer dar sempre mais de mim. Obrigada de coração, por todos os diálogos, por toda a motivação e encorajamento, por todo o conhecimento que fomos construíndo em conjunto. O meu sincero obrigada por me ouvir e fazer crescer! Também queria agradecer à excelente profissional com quem tive a oportunidade de realizar o meu estagio, à Catarina Claro. Obrigada por todo o conhecimento transmitido e por me ter dado a liberdade e apoio para pôr em prática todas as ideias. Agradecer às crianças, sem elas nada do que fiz seria possível, guardo no meu coração cada uma e espero que um dia se lembrem de mim com estima, como eu recordo os meus professores! Por fim, agradecer aos meus amigos, a todos que fizeram parte desta fase académica. Quero deixar um agradecimento especial às minhas amigas do coração, estas marcaram o meu precurso académico: à Joana, à Sara, à Iva e à Lisianne. Já está amigas! Obrigada! Um enorme obrigada a todos vós! iv DECLARAÇÃO DE INTEGRIDADE Declaro ter atuado com integridade na elaboração do presente trabalho académico e confirmo que não recorri à prática de plágio nem a qualquer forma de utilização indevida ou falsificação de informações ou resultados em nenhuma das etapas conducente à sua elaboração. Mais declaro que conheço e que respeitei o Código de Conduta Ética da Universidade do Minho. v A EXPRESSÃO ARTÍSTICA: UMA JANELA ABERTA PARA A MEDIAÇÃO RESUMO O presente relatório de estágio apresenta o resultado do projeto realizado no segundo ano do Mestrado em Educação, área de especialização em Mediação Educacional. O estágio desenvolveu-se entre outubro e junho do ano letivo 2022/2023, num Atelier de Artes Plásticas para crianças. Ao encorajarmos a criatividade, estamos a promover a capacidade que a criança possui de explorar e compreender o seu mundo, e de reagir e representar as suas perceções. Estamos a aumentar as oportunidades que têm de estabelecer novas relações, alcançar novos entendimentos e criar novos significados. Assim, o presente trabalho intitula-se “A expressão artística: uma janela aberta para a mediação” e tem como finalidade trabalhar as competências socioemocionais das crianças, a partir das atividades artísticas. Para a realização deste projeto foram selecionados dois grupos de trabalho: o segundo e o quarto grupos do atelier. O 2º grupo era composto por 12 crianças, sendo 4 rapazes e 6 raparigas e o 4º era composto por 8 crianças, sendo 2 rapazes e 6 raparigas. A metodologia utilizada para o desenvolvimento do projeto foi de natureza qualitatativa sustentada a partir da investigação-intervenção. Os objetivos de investigação centraram-se em compreender as potencialidades da expressão artística na mediação e identificar estratégias transformativas para a promoção de competências socioemocionais das crianças. Os objetivos de intervenção focaram-se em facilitar o diálogo entre todos; valorizar a cooperação para a criação artística e desenvolver a criatividade, a (auto)confiança, a comunicação e criar espaços de (auto)reflexão crítica. Evidencia-se alguns aspectos principais como, a evolução de comportamentos, a motivação, o envolvimento demonstrado pelas crianças e a expressão de sentimentos e de emoções. A variedade de respostas em diferentes atividades permitiu concluir que as crianças são criativas e pensam de modo diferente e por isso, tomam decisões e fazem escolhas diversificadas. Palavras-chave: (auto)reflexão; competências socioemocionais; crianças; expressão artística; mediação socioeducativa. vi ARTISTIC EXPRESSION: AN WINDOW FOR MEDIATON ABSTRACT This internship report presents the result of the project carried out in the second year of the Master's Degree in Education, specializing in Educational Mediation. The internship took place between October and June of the 2022/2023 school year, in a Plastic Arts Workshop for children. By encouraging creativity, we are promoting the child's ability to explore and understand their world, and to react to and represent their perceptions. We are increasing the opportunities they have to establish new relationships, reach new understandings and create new meanings. This work is entitled "Artistic expression: an open window to mediation" and its aim is to work on children's socio-emotional skills through artistic activities. Two working groups were selected for this project: the second and fourth groups in the workshop. The 2nd group consisted of 12 children, 4 boys and 6 girls, and the 4th group consisted of 8 children, 2 boys and 6 girls. The methodology used to develop the project was qualitative, based on intervention research. The research objectives focused on understanding the potential of artistic expression in mediation and identifying transformative strategies for promoting children's socio-emotional skills. The intervention objectives focused on facilitating dialogue between everyone; valuing cooperation for artistic creation and developing creativity, (self)confidence, communication and creating spaces for critical (self)reflection. Some of the main aspects are evident, such as the evolution of behavior, motivation, the involvement shown by the children and the expression of feelings and emotions. The variety of responses in different activities has led us to conclude that the children are creative and think differently, so they make different decisions and choices. Keywords: (self)reflection; artistic expression; children; socio-educational mediation; socio-emotional skills; vii ÍNDICE GERAL DIREITOS DE AUTOR E CONDIÇÕES DE UTILIZAÇÃO DO TRABALHO POR TERCEIROS ........................ ii AGRADECIMENTOS ............................................................................................................................ iii DECLARAÇÃO DE INTEGRIDADE ......................................................................................................... iv RESUMO ............................................................................................................................................. v ABSTRACT ......................................................................................................................................... vi ÍNDICE DE QUADROS .......................................................................................................................... x ÍNDICE DE FIGURAS ........................................................................................................................... xi ÍNDICE DE GRÁFICOS ........................................................................................................................ xi LISTA DE ABREVIATURAS ................................................................................................................... xi INTRODUÇÃO ................................................................................................................... 1 CAPÍTULO 1 – ENQUADRAMENTO CONCEPTUAL DO ESTÁGIO ......................................... 4 1. Apresentação e caracterização do contexto de estágio .................................................................. 5 1.1 Integração no contexto de estágio: motivações e expectativas ............................................... 5 1.2 Caracterização do contexto de estágio .................................................................................. 6 1.3 Caracterização do público-alvo .............................................................................................. 7 1.4 Diagnóstico de necessidades ................................................................................................ 9 CAPÍTULO 2 – ENQUADRAMENTO METODOLÓGICO DO ESTÁGIO .................................. 15 2.1. Problema de investigação e objetivos de intervenção-investigação .......................................16 2.2. Metodologia de investigação-intervenção .............................................................................17 2.2.1. Método .......................................................................................................................17 2.2.2. Médodos e técnicas de recolha de dados ....................................................................18 2.3. Tratamento e análise de dados ...........................................................................................22 CAPÍTULO 3 – ENQUADRAMENTO TEÓRICO DA PROBLEMÁTICA DO ESTÁGIO .............. 23 3.1. A educação e a arte ...........................................................................................................24 3.2. A arte infantil e o desenvolvimento da criança .....................................................................25 3.3. A educação artística como um lugar de aprendizagem ........................................................26 3.4. Desenvolvimento emocional ...............................................................................................28 3 Por fim, no quinto capítulo, apresentam-se as considerações finais, a partir da análise dos resultados, bem como o impacto que teve o estágio a nível pessoal e a nível institucional. 4 CAPÍTULO 1 – ENQUADRAMENTO CONCEPTUAL DO ESTÁGIO 5 Neste capítulo, apresentam-se as minhas motivações e expectativas, o enquadramento do estágio na instituição onde foi desenvolvido, assim como, a sua caracterização e a do público-alvo. Seguidamente, descreve-se o diagnóstico de necessidades realizado, bem como, os objetivos que sucederam este trabalho. 1. Apresentação e caracterização do contexto de estágio 1.1 Integração no contexto de estágio: motivações e expectativas Eu não tenho ídolos. Tenho admiração por trabalho, dedicação e competência. Ayrton Senna, 1984, p. 1338 Fiz uma breve regressão no tempo para poder falar sobre a minha tomada de decisão do contexto onde realizei o meu estágio curricular. Foi há precisamente dois anos, na licenciatura. Nestes anos, tive o privilégio de contactar e dinamizar diferentes atividades com vários públicos-alvo e, a partir daí, surgiu a minha enorme vontade e paixão de trabalhar com crianças e com o mundo das artes. Sempre tive um carinho muito especial por este público. Sinto que as crianças transmitem inspiração e são seres cheios de magia. Há dois anos, findava a licenciatura em Artes Visuais, e foi aí, que as abracei na minha vida para sempre. Fizeram-me crescer enquanto ser humano, tornaram-me numa pessoa criativa e cheia de cor. Não podia escolher outro contexto, sem ser ligado aquilo que me move. Assim, escolhi um Atelier de Artes Plásticas para realizar o meu estágio. O atelier é feito de experiências, onde podemos fazer e refazer as vezes que forem necessárias, crescendo assim, pessoalmente e profissionalmente. O meu primeiro passo foi contactar a instituição. Nos finais de julho, escrevi um email para o atelier, apresentei-me, de seguida expliquei brevemente o que era a mediação e o que queria desenvolver no meu estágio. Após a resposta positiva da responsável, agendei com ela uma reunião presencial. No início de setembro, dirigiu-me à instituição e entreguei todos os documentos necessários para formalizar o estágio. Iniciei o meu percurso, em outubro, com alguns receios e muitas expectativas. Estava motivada e com força de vontade para abraçar este desafio. Sabia que ultrapassaria qualquer obstáculo que aparecesse. 6 A integração no atelier foi muito positiva. A área da mediação era ainda muito desconhecida por parte das crianças e dos familiares, por vezes questionavam-me se era educadora ou até mesmo professora. Para além disso, fui sempre muito bem acolhida e integrada, nunca desvalorizam o meu trabalho, pelo contrário sempre o valorizaram. Para explicar o que era esta área, fui tendo algumas conversas informais com os familiares das crianças (pais, mães, avós, avôs) para falar sobre o tema e as dinâmicas que viria a desenvolver com os seus educandos. Finalizando, é de salvaguardar que estas motivações tiveram altos e baixos, nomeadamente, quando fazia uma reflexão sobre o meu futuro enquanto futura profissional. Concluía sempre que é de extrema importância existirem mediadores socioeducativos nos contextos escolares, sejam formais ou não formais. Há certamente, muito trabalho a ser desenvolvido. 1.2 Caracterização do contexto de estágio A instituição onde realizei o meu estágio foi num Atelier de Artes Plásticas para crianças, situado numa cidade do norte de Portugal. Este é de caracter educativo e atua numa área de ensino não formal. O atelier foi fundado pela artista plástica CC, em setembro de 2017. A infraestrutura da instituição tem uma peculiaridade, ser inserida na habitação da própria fundadora. O atelier surgiu com um propósito de proporcionar um espaço de exploração livre dos materiais plásticos. Um espaço sem tempo e sem pressas. Um espaço onde se convida à expressão e onde não há estereótipos, nem uma forma correta de fazer. Um espaço para encontros e também, alguns desencontros inevitáveis. Um espaço para respirar e não ter pressa para criar, sonhar e transformar. Um espaço para a criança poder ser criança. Toda a dinâmica do atelier é organizada pela artista, desde a programação, divulgação, comunicação, contabilidade e dinamização das atividades. O projeto nasceu para ser otimista e familiar, um espaço destinado a poucas crianças, onde se conseguisse desenvolver trabalho expressivo e criar vínculos com as crianças e as famílias. No entanto, no último ano, tem crescido muito acima das expectativas da fundadora. O atelier á um espaço destinado a crianças e jovens dos 18 meses aos 15 anos de idade. As atividades regulares são divididas em grupos de faixa etárias diferentes. Os cursos regulares decorrem 7 às terças-feiras, quartas-feiras e quintas-feiras, destinando-se a crianças que vão semanalmente ao atelier. Além dos cursos regulares, também há oficinas que decorrem nos finais de semana, programas de férias e oficinas em instituições de ensino, como por exemplo em escolas e em colégios privados. A duração das atividades no atelier é de um ano letivo, como nas escolas, iniciando-se em setembro e terminando em junho. Esta instituição não possui programas educativos rigorosos nem fixos. A metodologia acaba por se adaptar às crianças e ao grupo de trabalho, visando novos métodos e técnicas para conhecerem e experimentarem materiais que estimulem a sua capacidade expressiva. O edifício do atelier está organizado por três salas e uma instalação sanitária para crianças. O espaço exterior possui um jardim e um pátio. Este pode ser utilizado para dinamizar atividades quando o tempo está propício. As crianças utilizam-no para brincar antes e depois das oficinas. A sala onde decorrem as atividades encontra-se equipada com mesas e bancos adaptados para as crianças. Além destes espaços e recursos, existem variadíssimos materiais, tais como, guaches, barro, pincéis de diferentes tamanhos e formas, pasteis secos e de óleo, marcadores, canetas, poscas, entre outros. 1.3 Caracterização do público-alvo Trabalhei com um total de quarenta crianças, sendo que os grupos que irei referir foram os escolhidos para dinamizar as atividades do estágio. Assisti ainda, a algumas oficinas que decorreram nos finais de semana e nas férias escolares. Estas oficinas necessitavam de uma inscrição prévia, e os seus participantes eram maioritariamente grupos constituídos por 14 crianças. Foram selecionados para a realização do projeto de investigação-intervenção dois grupos de trabalho. O segundo e o quarto grupos do atelier. O segundo é composto por 12 crianças, sendo 8 raparigas e 4 rapazes e as idades variam entre os seis e onze anos de idade. O quarto grupo é constituído por 8 crianças/jovens, sendo 6 raparigas e 2 rapazes, com idades compreendidas entre os dez e quinze anos de idade (Gráfico 1). 8 Gráfico 1 - Idades das crianças que participaram no projeto No segundo grupo de trabalho, uma das crianças é portadora de daltonismo. Esta criança realiza as mesmas atividades que os restantes colegas e tem relação direta com eles. A caraterização deste grupo encontra-se na Quadro 1. Quadro 1 - Caracterização das crianças do segundo grupo de trabalho, do atelier Nomes Idades Anos de escolaridade Irmãos Menina A 7 1º ano Não tem Menina B 6 1º ano Tem 1 irmão (mais velho) Menina C 7 1º ano Tem 2 irmãos (mais novos) Menina D 5 Pré-escolar Tem 2 irmãos (1 mais velho e 1 mais novo) Menina E 10 5º ano Tem 1 irmão gémeo Menina F 6 1º ano Tem 1 irmão mais velho (com paralisia) Menino G 8 3º ano Tem 1 irmã (mais velha) Menina H 8 3º ano Não tem Menino I 7 2º ano Tem 1 irmão (mais novo) Menina J 11 6º ano Tem 2 irmãs gémeas (mais novas) Menino K 6 1º ano Tem 1 irmão (mais velho) Menino L 8 2º ano Não tem 0 1 2 3 4 5 Segundo grupo Quarto grupo 5 anos 6 anos 7 anos 8 anos 10anos 11 anos 14anos 9 Já no quarto grupo de trabalho, uma das crianças é portadora de autismo. Esta criança nem sempre realiza as mesmas atividades que os colegas, visto que não tem foco nas mesmas, mas tem uma relação direta com eles. O Quadro 2 expõem uma breve apresentação das crianças desse grupo. Quadro 2 - Caracterização das crianças do quarto grupo de trabalho, do atelier Nomes Idades Anos de escolaridade Irmãos Menina M 10 5º ano Tem 1 irmão (mais velho) Menino N 11 6º ano Tem um irmão (mais novo) Menina O 11 5º ano Tem 1 irmã (mais velha) Menina P 10 5º ano Tem 1 irmão (mais velho) Menina Q 14 9º ano Tem 1 irmã (mais nova) Menina R 11 5º ano Tem 1 irmã (mais nova) Menina S 11 6º ano Tem 1 irmã (mais velha) Menina T 10 5º ano Tem 1 irmão mais novo) As diferenças entre os meninos são muito evidentes. Sendo grupos bastante diversificados, onde estão inseridas crianças de várias turmas, há alguns meninos da mesma turma em ambos os grupos de trabalho: no segundo grupo, o Menino G e a Menina H, e no quarto grupo o Menino N e a Menina S. Estes grupos de crianças são caraterizadas pelas variadas personalidades, comportamentos, opiniões, sentimentos e emoções. Estes termos vão ser bastante realçados na elaboração deste projeto ao trabalharmos o respeito mútuo e, principalmente, a literacia emocional de cada criança, quer individualmente, quer em grupo. Algumas delas têm dificuldades em controlar o seu estado emocional e, desse modo, sentem mais complicações em expressar a sua arte e criatividade, pois nem todas as crianças são iguais. Contudo, todas serão tratadas da mesma forma, não havendo exclusão de partes. Acredito assim, que a mediação será uma estratégia intensa e terá um papel fulcral para combater estes dilemas e entraves. 1.4 Diagnóstico de necessidades Para a construção de um projeto de intervenção é necessário diagnosticar, quer as necessidades, quer os interesses da população a que se destina, para que posteriormente se possam construir atividades que vão de encontro a essas necessidades. Segundo Guerra (2000), “um projeto é, sobretudo, a resposta ao desejo de mobilizar as energias disponíveis com o objetivo de maximizar as 10 potencialidades endógenas de um sistema da ação garantindo o máximo de bem-estar para o máximo de pessoas” (p.126). Para este efeito, deve ser feita uma investigação e posterior análise. Esta última deve corresponder à etapa do diagnóstico de necessidades dos dados adquiridos. Tal como refere o mesmo autor, a identificação do diagnóstico de necessidades é uma etapa importante no diagnóstico, assim como as potencialidades e os recursos existentes do contexto. Para realizar o diagnóstico de necessidades utilizei os diários de bordo, as notas de campo e o guião da entrevista como instrumentos, e a observação e as conversas informais como técnicas de recolha de informação. Os registos redigidos nos diários de bordo e as notas de campo foram realizadas em todas as sessões que tive com os diferentes grupos de crianças e a responsável do atelier, onde pude observar os seus comportamentos (Quadro 3). 11 Quadro 3 - Gostos, emoções e reflexões das crianças, percebidas pela responsável Questões Respostas Sente que as crianças gostam do atelier? - “Acho que as crianças gostam do atelier, porque se sentem “ouvidas” e respeitadas nas suas individualidades.” Sente que elas expressam as suas emoções? Se sim, como? - “No atelier aprendem a respeitar as diferentes formas que temos de nos expressar e conviver com essas diferenças sem rótulos e/ou preconceitos… Expressam emoções sim e na maioria das vezes até de forma não racional, ao desenhar e pintar lidam muitas vezes com frustrações e com o erro e o meu papel é acolher e ajudar a que se sintam capazes tanto de expressar o que vão sentindo no processo como aceitar que não existe arte sem arriscar e que podem experimentar novos caminhos e formas de fazer. Às vezes vai correr bem e outras não e está tudo bem mesmo assim. Há liberdade para aprender. Sem fórmulas nem objetivos concretos de “chegada”. E desta forma vão aprendendo a lidar com as próprias emoções e a entender que todas podem ser acolhidas e até transformadas…” Que tipo de dinâmicas elas gostam mais? Quais são os materiais com que elas gostam mais de trabalhar? - “Acho que as dinâmicas que mais gostam são as mais abertas e livres, os trabalhos em grande escala e com materiais mais sensoriais (barro, tintas em quantidade, espuma de barbear).” E aqueles que não gostam de trabalhar tanto? - “Suportes mais pequenos e materiais mais precisos como marcadores ou lápis de cor são normalmente preferidos pelas crianças mais velhas, os mais pequenos não apreciam tanto.” Durante as sessões tem oportunidade de dialogar com todas as crianças? Individualmente ou em grupo? - “As sessões são orgânicas, não há um plano fechado e totalmente definido, há um ponto de partida que é um “convite” a algum tema ou exploração, mas há sempre espaço para o imprevisível e para o que a(s) criança(s) trazem para as sessões. Por vezes surgem diálogos de grupo, outras vezes trabalha-se em silêncio. Há conversas e pedidos de ajuda individuais e há sempre espaço para esses diálogos espontâneos.” No final de cada atividade faz alguma reflexão conjunta sobre a mesma? - “Nem sempre nem nunca, quando faz sentido haver uma reflexão ou surge alguma questão da parte do grupo ou de alguma criança pode haver reflexão do trabalho desenvolvido, mas muitas vezes não há essa necessidade, porque o próprio processo de exploração já foi suficiente para a(s) criança(s).” O que entende por mediação? Acredita que esta área se relaciona com as artes? Se sim de que forma? - “A mediação está presente sempre em todos os contextos, acho que é uma forma de estar na vida com questionamento e abertura a novas ideias. Ser artista ou/e educador é ser também mediador, porque estamos sempre há procura de estratégias de comunicação eficazes e não temos fórmulas fechadas e estereotipadas para lidar com as situações.” Sente que a expressão artística transforma as crianças? - “Eu diria que a expressão transforma todo o ser humano. Sem expressão não há individualidade nem subjetividade. Ter um espaço para a livre expressão (das nossas ideias, dos nossos sonhos, das nossas vontades…) é viver de forma saudável, é sentir que temos espaço para sermos quem somos e não o que a sociedade ou os pais/mães/educadores definiram para nós...” 12 As conversas informais contribuíram para reunir informações sobre os participantes relativamente, aos seus gostos, inseguranças, comportamentos e estados emocionais. A entrevista respondida pela responsável do atelier, ajudou a complementar o diagnóstico de necessidades e a determinar como é que a mediação pode promover a estimulação da aprendizagem destes intervenientes, através da expressão artística (Quadro 4). Quadro 4 - Comportamentos dos diferentes grupos, percebidos pela responsável Questões: Respostas: Relativamente ao Segundo grupo de trabalho (6-11 anos): Se tivesse de definir o grupo quanto aos seus comportamentos e personalidades, o que diria? - “É um grupo com crianças muito diversas. Há alguns bastante inseguros ainda e outros com muita autoconfiança e sentido de pertença.” Sente que há algum sentimento de receio/insegurança ao expressarem-se? - “Há sempre alguma insegurança na expressão que quanto a mim vem da expectativa dos adultos e do estereotipo de “feio” e “bonito” que a sociedade impõe. Durante as sessões vou tentando desconstruir estes estereótipos insistindo que há diversas formas de expressão e que todas são válidas se forem verdadeiras.” Sente que estimulam as suas emoções/sentimentos durante a sessão? - “As emoções estão sempre presentes, não há separação entre razãoemoção como é normal existir nos adultos. Tento sempre que consigam verbalizar o que sentem e muitas vezes isso acontece a um nível de inconsciente, podemos perceber através da forma como os corpos se expressam mais do que o que é verbalizado. Costumo dizer que mais importante do que o que a criança faz é o COMO o faz. O que me diz a sua postura corporal? É aí, normalmente, que encontro respostas.” Relativamente ao Quarto grupo de trabalho (10-15 anos): Se tivesse de definir o grupo quanto aos seus comportamentos e personalidades, o que diria? - “É um grupo de personalidades muito diversas. Nestas idades normalmente é importante sentirem segurança e aceitação por parte dos outros elementos do grupo. Neste momento é este o meu principal foco de trabalho neste grupo, que se respeitem e aos outros nas suas diferenças. É difícil porque estão numa fase em que sentem que têm de ser iguais para pertencer ao grupo… A entrada da menina R, uma criança com autismo também veio ainda mais por esta questão em evidencia no grupo. São normalmente muito auto exigentes e críticos consigo mesmo e o meu papel é de que aprendam a transformar os erros em oportunidades. Gostam de que o resultado seja controlado e ficam frustrados quando lhes digo que não podem usar borracha. Já estão mais formatados e custa-lhes às vezes entregarem-se à exploração sem expectativas de um resultado. O objetivo para este grupo é reforçar a importância de serem autênticos e que aprendam a aceitar que existem múltiplas perspetivas e maneiras de ver e interpretar o mundo.” Sente que há algum sentimento de receio/insegurança ao expressarem-se? - “Existe algum receio pelo autojulgamento e porque já vêm com noções muito definidas de “bonito e feio”. Por isso insisto tanto na ideia de que os gostos são subjetivos e há pinturas que ressoam connosco, que nos fazem sentir (bem, ou desconfortáveis, ou surpreendidos…) e isso é diferente para cada um.” 19 Esta técnica foi fundamental para compreender o contexto e os comportamentos dos intervenientes, através das respostas dadas pela responsável do atelier. Diários de bordo De acordo com Maximino-Esteves (2008), os diários de bordo mostram o lado mais pessoal da investigação, uma vez que descrevem as emoções, os sentimentos e as reações do próprio investigador. Este instrumento permite-nos pensar, refletir, melhorar, uma vez que é onde podemos escrever as ações, as experiências, as deceções, as experimentações, as dúvidas, os receios e até, os desabafos. Ajuda nos momentos de reflexão sobre as práticas desenvolvidas. Segundo Bertoni (2004), os diários de bordo possibilitam reconhecer os entraves encontrados, através do olhar do formador e como se encaram os procedimentos. Desta forma, os diários de bordo foram fundamentais no decorrer das sessões, visto que registei neles “bons e maus momentos (...) e impressões e de sentimentos apareceram (...)” (Bertoni, cit. por Dias et al, 2013, p.4). No final de cada sessão redigi os diários de bordo onde descrevi toda a minha prática (ver Apêndice 12). Estes foram cruciais para analisar o processo de investigação-intervenção. É de salvaguardar que a utilização deste instrumento não tinha como objetivo somente a descrição das dinâmicas desenvolvidas, mas, também as observações, angústias, expressões, comentários, ações positivas e negativas das crianças, relativamente às atividades e aos comportamentos. Notas de campo Utilizei as notas de campo para ajudar na elaboração dos diários de bordo escritos em todas as sessões. Através deste instrumento podemos efetuar vários registos para mais tarde podermos recordar momentos, sentimentos e emoções. As notas de campo também podem ser denominadas de “etnografia”. Estas não possuem apenas uma função de descrever aquilo que estávamos a visualizar num determinado momento, mas, também nos ajudam a escrever, posteriormente o diário de bordo. Segundo Vasconcelos (2006), a etnografia é uma “descrição pormenorizada e ricamente facetada da vida de um grupo que nos permite entendê-lo nos seus próprios termos, isto é, a partir de significados vividos no interior desse grupo” (Vasconcelos, 2006, p. 87). 20 Inquérito por questionário O inquérito por questionário é um instrumento de investigação que, de acordo com Quivy e Campenhoudt (2005) “consiste em colocar a um conjunto de inquiridos, geralmente representativo de uma população, uma série de perguntas (...)” (p. 188). Segundo estes autores, através de um conjunto de questões, o questionário visa suscitar diversos discursos individuais, interpretá-los e, depois, generalizá-los a conjuntos mais vastos. Este instrumento é simples e acessível. O objetivo é ficar a conhecer os pontos de vista, as preferências e os comportamentos. O questionário pode ser organizado por questões abertas ou fechadas. Este deve ser previamente planificado, tendo em vista quem se quer questionar, o que pretendemos entender, as questões que serão feitas, como se realizará a recolha de dados e posteriormente, como tratámos os mesmos. Um dos inquéritos por questionário foi realizado no momento de (auto)reflexão no final de algumas sessões. Teve como objetivo verificar os comportamentos, interesses, atitudes das crianças (Quadro 5). Quadro 5 - Matriz do inquérito por questionário do momento de (auto)reflexão Objetivos Questões 1 Identificar momentos de autorreflexão. Hoje estive calmo? Hoje interrompi? Cuidei do material? 2 Saber escutar o outro. Escutei e senti-me escutado? 3 Saber respeitar e não provocar confusão. Respeitei os meus colegas? Briguei com os meus colegas? Respeitei quem estava dentro do atelier? 4 Ser capaz de ajudar o outro. Ajudei os meus colegas? 5 Exprimir emoções e sentimentos. Expressei as minhas emoções? Expressei os meus sentimentos? 6 Gerir momentos de insegurança. Senti-me inseguro? 21 O outro inquérito por questionário foi efetuado no final do estágio e teve como objetivo as crianças avaliarem as atividades que realizaram. Este questionário permitiu saber as opiniões, melhoramentos e o que gostaram mais e o que não gostaram tanto (Quadro 6). Quadro 6 - Matriz do inquérito por questionário da avaliação final Objetivos Questões 1 Identificar o ano de escolaridade, idade e sexo dos inquiridos. Ano de escolaridade Idade Sexo 2 Conhecer as atividades que as crianças gostaram mais e as que gostaram menos de participar. Gostaste de participar nas atividades desenvolvidas no projeto? Das atividades seguintes, seleciona as que gostaste mais. Das atividades seguintes, seleciona as que gostaste menos. 3 Compreender o que aprenderam com o projeto. As atividades desenvolvidas no projeto fizeram-te aprender mais? Quais foram as três coisas mais importantes que aprendeste? Compreendeste os temas abordados nas sessões? 4 Compreender como é que as crianças refletem sobre o que gostaram mais, ou menos, no projeto Explica por que gostaste mais dessas atividades. Explica por que gostaste menos dessas atividades. 5 Verificar as competências desenvolvidas com as atividades do projeto. As atividades permitiram-te adquirir novas competências para lidares com os outros (relacionamento com os outros, comunicação, respeito, etc.)? Como? Quais foram as três competências mais importantes que desenvolveste? As dinâmicas fizeram com que te aproximasses mais dos teus colegas? Porquê? As atividades fizeram-te ganhar mais responsabilidade e confiança? Porquê? As atividades realizadas no projeto mudaram algo em ti? Podes explicar como? (Ex: compreendeste melhor o lugar do outro; tens mais confiança em ti e/ou nos outros; ...) 6 Saber gerir emoções e sentimentos. As atividades desenvolvidas ajudaram-te a gerir melhor os teus sentimentos e as tuas emoções? Podes explicar como? 7 Conhecer a opinião das crianças. Como avalias o desempenho da estagiária? Gostavas de participar, novamente, em projetos como este? Gostavas que o projeto tivesse continuidade nos próximos anos? O que significou para ti este projeto? Deixa uma mensagem à estagiária. 22 2.3. Tratamento e análise de dados O modelo de análise dos dados utilizado foi a análise de contéudo que corresponde a uma técnica “através da qual se viabiliza, de modo sistemático o quatidiano, a descrição do conteúdo da comunicação” (Pardal & Lopes, 2011, p. 101). A análise de conteúdo é também definida como uma expressão genérica utilizada para denominar um conjunto de técnicas possíveis para tratamento de informação recolhida previamente e “é uma técnica sistemática e replicável para comprimir muitas palavras de texto em poucas categorias de conteúdo, baseada em regras explicítas de codificação (Esteves, 2006, p.107). Bradin (2006) menciona três fases da análise de conteúdo: a pré-análise, a exploração do material e o tratamento dos resultados obtidos e interpretação dos mesmos. A primeira fase, a préanálise, corresponde à organização do processo, que “tem por objetivo tornar operacionais e sistematizar as ideias iniciais, de maneira a conduzir a um esquema preciso do desenvolvimento das operações sucessivas (...)” (Bardin, 2006, p. 89). É nesta fase, que é feita a transcrição e leitura de todos os documentos analisados. Na segunda fase, a exploração do material, o investigador define quais as palavras ou até temas que se repetem e que são pertinentes, procedendo à codificação dos vários documentos. Sucede-se a categorização dos temas. Esta deve ser feita a partir da construção de tabelas para que facilitem a sua leitura (Bardin, 2006). Por fim, na terceira fase, faz-se o tratamento dos dados obtidos e a sua interpretação. Através das questões feitas foram obtidas respostas por parte dos entrevistados e inquiridos. Estas respostas devem descrever-se conforme os resultados. Além disso, o investigador deve ter o cuidado de interpretar os mesmos, facilitando a compreensão da mensagem transmitida. Esta técnica foi fulcral para a compreensão e interpretação, quer na análise de respostas da entrevista da responsável do atelier, quer na análise das respostas das crianças aos inquéritos por questionário, nos diários de bordo e nas observações. Assim, foi possível ler, refletir e analisar as respostas e mensagens transmitidas, interpretando desta forma os resultados para atingir os objetivos do projeto. 23 CAPÍTULO 3 – ENQUADRAMENTO TEÓRICO DA PROBLEMÁTICA DO ESTÁGIO 24 Este capítulo visa fundamentar teoricamente o presente projeto. Assim, para que perceba todas as ações do projeto e a sua problemática, foi feita uma revisão de literatuta sobre os seguintes tópicos: a educação e a arte; a arte infantil e o desenvolvimento da criança; a expressão artística como um lugar de aprendizagem; iv) emoção: o que é e para que serve; v) contribuições da arte no desenvolvimento de competências socioemocionais; a mediação e a sua evolução; a mediação socioeducativa. 3.1. A educação e a arte Em face da difícil definição de “educação”, é frequente a relação que se estabelece entre a educação e a escola e, simultaneamente, com o professor e com o aluno. Contudo, tal como afirma Isambert-Jamati (1965), a educação apresenta-se em todas as sociedades, nas suas múltiplas vertentes, ao que acrescentamos múltiplos “autores”. Segundo o autor, através da educação é possível reconhecer os valores de uma determinada sociedade, o seu passado e os seus objetivos para o futuro. Brandão (2007) declara que a “(...) educação pode existir livre (...)” (p.10), uma vez que pode ser utilizada para uniformizar saberes e ideias que são valorizados e tidos como certos. Assim, o autor, assumindo uma visão social, aborda a educação como reflexão dos “grupos sociais” onde a educação é praticada em conformidade com a sua cultura. Concebe assim, que a educação é um conjunto de processos sociais e cognitivos que ocorrem em todas as sociedades, refletindo os múltiplos valores de cada uma. Na sua perspetiva, estes processos envolvem emissores e recetores, cujos meios em que ocorrem e se inserem podem ser diversos. Assim, na sua opinião, a educação tanto pode ocorrer na rua, no seio familiar, na escola, entre outros, ou através de atos conscientes do processo educativo, principalmente, através de vivências e partilhas sociais. Ao longo dos séculos foram várias as definições oriundas de inúmeros filósofos sobre o conceito de arte e o seu valor. Platão, referência filosófica anterior a Cristo, considerava a arte como algo de carácter transcendente e espiritual, pelo que o Homem se aproxima através da observação das obras de arte, emergindo neste, o sentimento íntimo associado ao belo (Sousa, 2023). Enquanto Platão declarava a arte como uma necessidade de natureza espiritual do homem, Aristóteles designava-a enquanto natureza psicológica do próprio ser humano e associava-a à natureza emocional (Sousa, 2023). Reis (2003), citando o pensamento de Read (1942), menciona a arte como algo que está em todo o lado e que apesar da definição adotada, “está presente em tudo o que 25 fazemos para agradar aos nossos sentidos” (Reis, 2003, p.28). Em contrapartida, Warbuton (2007) afirma que “o termo “arte” não é possível de definir objetivamente, uma vez que não se encontra uma sustentação que permita tirar conclusões” (p.137). A arte não é reconhecida da mesma maneira por todas as sociedades, dado que estas divergem relativamente a padrões e características que a arte deve assumir para ser considerada como tal. Apesar das variadas teorias e face à divergência de opiniões, a arte caminhou juntamente com a evolução do ser humano, auxiliando para o seu desenvolvimento enquanto ser racional, emocional, comunicativo e com capacidade crítica e reflexiva. Deste modo, podemos dizer que a arte é um meio interdisciplinar de relações múltiplas, dos quais o conteúdo nos transmite mais do que informações, como sentimentos, sensações e estados de espírito. 3.2. A arte infantil e o desenvolvimento da criança Assumindo as teorias relativas ao conceito de arte, e não esquecendo o seu carácter mais incerto, é possível desvendar a influência da arte na evolução do quotidiano humano, e a sua importância na comunicação e transmissão de ideias e sentimentos. Assim, é claro que o ser humano se desenvolve a partir destas manifestações, desde muito cedo, em ideias precoces, nomeadamente através dos grafismos básicos que se vão aprimorando ao longo do desenvolvimento físico e cognitivo da criança. Desta forma, é imprescindível refletir sobre a arte infantil e sobre a sua influência no desenvolvimento da criança. A arte infantil é notória de diferentes modos e registos, não obstante, é fulcral compreender onde é que esta se insere na infância. De acordo com Read (2007), a criança, desde o seu nascimento, exprime sentimentos, desejos e vontade de comunicar com o mundo que a rodeia. As maneiras de expressão utilizadas pela criança entendem-se a partir de “atividades corporais e processos mentais” (Read, 2007, p.136), que sucedem no desenvolvimento natural do ser humano. Cardoso e Valsassima (1998) afirmam que a arte é uma expressão criadora, porque apesar de apresentar características diferentes perante a individualidade de cada criador, esta não deixa de ser uma “tradução espontânea e original dum mundo pessoal, projetado livremente sem constrangimentos” (p.66). Posto isto, as vivências e as experiências pessoais convergem para algo novo, assumindo uma forma de demonstração. Segundo Gonçalves (1991) a criança revela-se através do que faz, pelo que os seus desenhos, pinturas, objetos devem ser observados com seriedade e não com falsas apreciações ou exageradas 26 manifestações de êxtase, deceção ou indiferença. Desde muito cedo que a criança revela as suas expressões artísticas, segundo este autor, a criança aos 18 meses inicia a sua atividade gráfica, rabisca com o que encontra à mão, sobre qualquer superfície lisa ou áspera, como parede, chão, papel, tampo da mesa. Até aos 2 anos e meio, traça rabiscos movida por impulsos e segundo as suas possibilidades psicomotoras. Entre os 3 e 4 anos, imita a escrita do adulto, faz traços horizontais e paralelos, oscilantes e em ziguezague. No primeiro contacto com a pintura, pinta com os dedos molhados na tinta e em qualquer superfície. Aos 5 anos, a criança representa a figura humana de forma de girino ou cabeçudo, com um círculo e quatro segmentos. O círculo não representa apenas a cabeça, mas a cabeça e o tronco não diferenciados, dentro do qual são desenhados os olhos, a boca e o nariz. Os quatro segmentos representam os membros. Aos 6 anos, representa a figura humana, traçando distintamente a cabeça, o tronco e os membros, além de certos pormenores característicos como, os cabelos e os dedos das mãos e dos pés, utilizando ainda a linha simples. Entre os 7 e 8 anos, já é capaz de representar a figura humana mais completa, com a indicação de pormenores, como as orelhas, as sobrancelhas, as pestanas, o pescoço e o vestuário, utilizando a linha simples e a linha dupla. Com esta última sugere, por exemplo, a espessura dos membros. 3.3. A educação artística como um lugar de aprendizagem A educação artística é uma educação pela arte. (Stern, 1974, p.17) Segundo a afirmação de Platão, “A Arte deve ser a base da educação”, esta serve para contextualizar a relação entre a arte e a educação, o que é pertinente quando proferida no século IV, a.c., demonstrando que este conteúdo já era aprendido (Reis, 2003, p. 33). Stern (1974), reconhece que o intuito da educação artística é a expressão por parte da criança, possibilitando “o desenvolvimento das faculdades latentes na criança” (p. 11). De acordo com Sousa (2003), as artes foram reconhecidas com maior ênfase após os anos 70, que até ao momento, se reduzia ao canto coral e ao desenho. Segundo o autor, depois da Revolução do 25 de abril de 1974 foram inscritas no currículo escolar áreas ligadas ao movimento, à música e ao drama. A educação artística, na sua perspetiva, não tem como finalidade a prática artística, mas sim a educação, correspondendo a “(...) cultura geral, com vivências culturais no âmbito das letras, das ciências e das artes (...)” e encaminhado para o desenvolvimento integral da pessoa 27 (Sousa, 2003, p. 61). Este autor argumenta ainda, que as vivências experienciadas são muito importantes para as aprendizagens adquiridas, em detrimento do saber do currículo formal. No que diz respeito às Competências Essenciais patentes no Currículo Nacional do Ensino Básico, no que toca às artes, estas são “(...) elementos indispensáveis (..)” na evolução do aluno, já que conectam a “(...) imaginação, razão e emoção” (ME-DEB, 2001, P.149). Deste modo, as artes desempenham grande influência nos processos de aprendizagem e de comunicação. Assim, é pertinente evidenciar a importância da educação artística nas experiências educacionais da criança, por causa do impacto que esta tem no desenvolvimento das competências físicas, pessoais e sociais do ser humano. Porém, não podemos dissociar a componente artística das outras áreas disciplinares, uma vez que é baseada numa visão transversal da educação, esta que se torna impulsionadora e fomentadora de novas aprendizagens. Sendo uma das fases mais importantes do ser humano, a infância, deve ser tida com mais atenção, pois tudo “que a criança sente, experimenta e exprime (...) tem um valor definitivo” (Stern,1974, p. 27). Todas as crianças têm disposição natural para descobrir, para experimentar, para mexer e sentir. Quando esta liberdade lhes é oferecida, são mobilizadas inúmeras competências, potenciando o seu desenvolvimento. Holm (2004) afirma que “(..) se dermos às crianças a mesma liberdade para o processo artístico que lhes damos para as suas brincadeiras, as crianças chegarão à excelência no aprimoramento do processo criativo” (p.38). A perceção da descoberta da criança pode ser condicionada pela segurança em relação a si mesma, ou em relação ao ambiente onde esta se insere. Havendo um ambiente seguro, a criança cria confiança, o que lhe concede experienciar coisas novas, explorar os meios que tem ao seu dispor e, principalmente, a desenvolver a sua criatividade. Segundo Casarin (2018), competências como a criatividade, autoconhecimento, confiança, capacidade de expressão, sentido crítico, respeito, cooperação, capacidades de motricidade fina e global, entre outras, podem ser desenvolvidas a partir das expressões artísticas, relacionando o quotidiano da criança, nas suas ações, na relação com os outros e com o mundo e na sua maneira de pensar e na gestão de emoções e de sentimentos. Estes autores argumentos que admitindo a arte como um indutor do desenvolvimento infantil, temos de reconhecer o valor deste processo, não sendo uma ação isolada, imediata e diretiva. Tal como há um crescimento pessoal do ser humano ao longo da sua infância, assim como da sua formação, também o processo estimulante de relação com o campo artístico, desenvolve-se ao longo das fases de evolução da criança, com efeito no seu futuro enquanto cidadão. 28 3.4. Desenvolvimento emocional 3.4.1. Emoções: o que são e para que servem O termo emoção, assim como a sua manifestação no comportamento humano, encontra-se intimamente presente no quotidiano de qualquer ser humano e constitui-se como uma palavra utilizada reiteradamente, sem qualquer impedimento, por todos aqueles que a fazem sentir. De acordo com Bisquerra (2000), as tentativas para explicar o comportamento humano e, consequentemente, a vida emocional, passam além da sua conceptualização, pela descoberta do propósito e pelo poder das emoções ou, por outras palavras, pela procura de uma resposta concreta para a questão “para que servem as emoções?”. Segundo esta autora, talvez seja apropriado afirmar que, perante as revelações de Darwin, a principal finalidade das emoções é representar sinais que comunicam interações, contudo é impensável referir-se a esta como única. Relativamente a esta questão, esta autora defende, unindo várias conceções investigadas no passado, que as funções correspondentes ao acontecimento emocional, consistiam, principalmente, a um nível adaptativo, informativo, motivador e social. Sucintamente, descreve que e nível adaptativo, tal como o nome indica, as emoções são fulcrais para a adaptação do ser humano ao meio envolvente; a nível informativo, o funcionamento emocional atua com o propósito de informar o próprio sujeito dos estímulos internos e externos; a nível motivador, as emoções manifestam uma predisposição para a ação; e, por fim a nível social, as emoções são utilizadas como ferramenta de comunicação, no sentido de facultar aos demais informações no que diz respeito ao estado emocional do sujeito. O desenvolvimento de competências emocionais é um dos aspetos mais importantes para a aquisição de saúde e bem-estar, bem como para a adaptação social. Salovey e Mayer (1990) foram os primeiros a incluir o termo inteligência emocional, embora tenha sido Goleman (1995) a divulgar diversas publicações sobre o tema. Este último autor explica a inteligência emocional como a capacidade do sujeito se motivar a si mesmo e resistir às frustrações, de controlar impulsos, regular o seu próprio estado de espírito, sentir empatia e ter esperança (Goleman, 2001, citado por Vale, 2012). Por sua vez Gardner (1993 citado por Vale, 2012) associa o termo inteligência emocional ao conceito de inteligência inter e intrapessoal. Este autor caracteriza a inteligência interpessoal como a capacidade de distinguir e sentir diferentes estados de espírito, motivações e intenções nos outros e permite que o sujeito se relacione com eles de forma socialmente adaptada. O termo inteligência intrapessoal é definido por Gardner como a capacidade para os aspetos internos do próprio indivíduo, 35 4.1. Programa EXPRESSARTE O programa EXPRESSARTE surge como resposta à necessidade de desenvolver competências socioemocionais, fulcrais nas crianças, com o intuito de estimular a aprendizagem, proporcionando, desta forma, momentos de fantasia através da construção e da manipulação dos materiais plásticos tendo como base os valores basilares o respeito pelo outro, a comunicação, a empatia, a autoconfiança, entre outros. Para além disto, o programa pretende também, valorizar e destacar o diálogo, o trabalho em grupo, a reflexão construtiva, a comuniação e a constante participação de todos os elementos. Deste modo, colocamos em prática toda a teoria abordada no decorrer das sessões. Assim sendo, o programa EXPRESSARTE rege-se por uma lógica de aprendizagem cooperativa e colaborativa, baseada nas atividades e dinâmicas artísticas. 4.1.1. Público-alvo Inicialmente, o programa destinava-se somente ao grupo quatro do atelier de artes plásticas, crianças/adolescentes com idades compreendidas entre os 10 e 15 anos de idade, que frequentam maioritariamente, o 5.º e o 6.º anos de escolaridade. Contudo, com a insuficiência de crianças/adolescentes no grupo, o público foi alargado para mais um grupo de trabalho, o grupo dois do atelier de artes plásticas, com crianças com idades compreendidas entre os 6 e 11 anos de idade, que frequentam maioritariamente o 1.º e o 2.º anos de escolaridade. Como as idades não são homegéneas e há uma criança com educação especial, as ações sofreram alterações ao longo do processo. 4.1.2. Finalidades e objetivos O programa EXPRESSARTE tem como finalidade gerir e controlar o estado emocional e, desse modo, sentirem-se mais livres para expressar a sua arte e estimular as suas emoções e sentidos, desenvolvendo e trabalhando as competências socioemocionais dos elementos para se tornarem cidadãos cívicos, assertivos, participativos, criativos e responsáveis em todos os contextos onde estão inseridos, no Atelier, na Escola, na sociedade, etc. Desta forma, os objetivos do programa foram: 36 - Desenvolver a autoestima, o autoconheceimento e a autoconfiança dos elementos; - Desenvolver a capacidade de empatia, cooperação e respeito dos membros; - Desenvolver as competências socioemocionais; - Valorizar a cooperação para a criação artística e desenolvolver a criatividade, a (auto)confiança e a comuniação; - Criar espaços de (auto) reflexão crítica. 4.1.3. Cronograma Relativamente à descrição do programa EXPRESSARTE, este está dividido em sessões de 60 minutos. O programa teve início em meados de janeiro e terminou nos finais de junho. Porém, no seu decorrer, contactei com uma criança autista e tive de conciliar horários com outras atividades e projetos, nomeadamente com oficinas organizadas por outros artistas. Por conseguinte, verificaram-se novas dinâmicas e um reajuste no cronograma do programa. O quadro 7 seguinte descreve pormenorizadamente o Programa EXPRESSARTE. 37 Quadro 7 - Cronograma do programa EXPRESSARTE Objetivos da sessão Dinâmicas desenvolvidas na sessão Sessão 1: Análise SWOT Grupo 2: 7/02/2023 Grupo 4: 9/02/2023 - Apresentação dos participantes; - Compreender o que é que as crianças/adolescentes gostam no Atelier; - Identificar as potencialidades e as fraquezas do atelier; - Refletir sobre a mediação no atelier. - Apresentação: Solta-te! - Sobre mim... Sessão 2 : Quem sou eu? Grupo 2: 14/02/2023 Grupo 4: 16/02/2023 - Promover a autoestima; - Desenvolver o autoconhecimento e a autoconfiança; - Proporcionar momentos de criação espontânea das crianças; - Construir confiança entre todos os elementos. - (Auto) Retrato: espelho - Quem sou eu? Sessão 3/4: A criança e as suas emoções Grupo 2: 28/02/2023 – 7/03/2023 Grupo 3: 2/03/2023 – 9/03/2023 - Identificar as emoções básicas do ser humano; - Desenvolver sentimentos e emoções; - Promover a Inteligência Emocional. - Expressão corporal: emoções - Representação das emoções a partir da linha - Narrativa: O meu estado emocional! Sessão 5: Comunicar! Grupo 2: 14/03/2023 Grupo 4: 16/03/2023 - Identificar várias formas de comunicar; - Compreender o que é a escuta ativa. - Expressão corporal: Guia-me! - Desenho cego: Emoção Sessão 6: Seja empático! Grupo 2: 21/03/2023 Grupo 4: 23/03/2023 - Compreender o que é a empatia; - Estimular e desenvolver a empatia. - Coloca-te no lugar do outro - Segue-me! - Representa-me! Sessão 7/8: Os meus receios Grupo 2: 28/03/2023 – 11/04/2023 Grupo 4: 23/03/2023 – 13/04/2023 - Entender que cada ser humano se expressa de diferentes maneiras; - Compreender que há diferentes ritmos de trabalhar. - Descodifica: “Bonito” e “feio” 38 Sessão 9/10/11: Trabalha em grupo! Grupo 2: 18/04/2023 – 2/05/2023 – 9/05/2023 Grupo 4: 20/04/2023 – 4/05/2023 – 11/05/2023 - Entender o que é a cooperação; - Perceber o que é o trabalho em grupo e a sua funcionalidade. - Livro artítico: O poder da emoções I e II Sessão 12: Avaliação do programa Grupo 2: 20/06/2023 Grupo 4: 22/06/2023 39 4.1.4. Apresentação e análise dos eixos de ação e da estratégia de ação de cada atividade Neste tópico é feita uma apresentação e descrição do trabalho que desenvolvi no decorrer da minha prática no estágio. Faço uma descrição permonorizada dos eixos da ação e das atividades realizadas para melhor descrever o projeto. A organização destas, resultou da análise de necessidades das crianças e dos objetivos, previamente definidos. 1ª Ação – Análise SWOT Nesta ação o objetivo foi conhecer os participantes, compreender as suas necessidades e verificar as potencialidades e as fraquezes do local de estágio. Aqui, estão inseridas duas atividades: “Apresentação: sobre mim...” e “Solta-te!” Atividade 1 – Solta-te! Objetivos: Apresentação dos participantes. Recursos materiais: Novelo de lã. Recursos humanos: Acompanhante do estágio; Estagiária; Público-alvo: crianças. Estratégia da ação: Esta atividade realizou-se dentro da sala do atelier. Os participantes colocaram-se num círculo e iniciou-se a atividade. A acompanhante do estágio também participou. Foi ela a primeira a começar atividade. Enrolou o novelo à volta da ponta do dedo e apresentou-se durante um minuto. O tempo foi cronometrado. Na apresentação sugeri que dissessem o nome, a idade, a cor preferida, entre outras partilhas. Depois, atirou o novelo de lá para outro elemento que se apresentou durante um minuto e assim sucessivamente, até que todos se apresentaram. Quando observava que os elementos não sabiam o que dizer, colocava-lhes questões para que falassem durante esse minuto, como, por exemplo: cor preferida, animal de estimação, o que gostas mais de fazer, o que não gostas de fazer, entre outros. Promovia, destes modo, a participação e o diálogo de todos os participantes. No final da atividade, dentro do círculo originou-se uma teia feita com o novelo de lã, esta simbolizava a união e a ligação de cada elemento do grupo. No final da dinâmica, entreguei a cada criança um quadradinho informativo sobre os valores/técnicas da mediação que íamos trabalhar. 40 Atividade 2 – Sobre mim... Objetivos: Compreender o que as crianças gostam de fazer no atelier e quais são os seus receios. Recursos materiais: folhas A3; marcadores; lápis de cor e guaches sólidos. Recursos Humanos: Acompanhante de estágio; Estagiária; Público-alvo: crianças. Estratégia da ação: A dinâmica realizou-se dentro da sala do atelier. Em primeiro lugar, mandei sentar todos os participantes. Depois, pedi a duas crianças que distribiussem as folhas A3. Estas já estavam preparadas, divididas em quatro retângulos. O primeiro retângulo perguntava: o que gostas mais de fazer no atelier?; o segundo: o que não gostas tanto de fazer?; o terceiro: o que é para ti o atelier; e o quarto: quais são os teus receios/inseguranças? Li e expliquei cada retângulo. Dei a possibilidade de escreverem ou desenharem, mas todos preferiram desenhar. O objetivo era conhecer um bocadinho mais as crianças, fazer com que elas se soltassem e libertassem. Resultados obtidos das atividades da 1ª acção Apresento as análises da primeira ação, referentes aos dois grupos de trabalho com quem trabalhei o projeto de estágio. 1.ª Atividade - Solta-te! Grupo dois – 6 aos 11 anos de idade Na primeira atividade, as crianças estavam muito curiosas sobre o que se ia fazer. O objetivo foi cumprido, ficaram-se todos a conhecer e mostraram-se empenhados. No final, questionei-os se tinham gostado, ou não, para fazer a avaliação da atividade. Todos gostaram da atividade. No quadro 8 estão reunidas as respostas dadas pelas crianças. 41 Quadro 8 - Respostas das crianças do segundo grupo sobre a primeira atividade Nomes Respostas 1. Menina A Gostei muito. 2. Menina B Adorei a atividade. 3. Menina c (faltou) 4. Menina D (faltou) 5. Menina E Adorei. 6. Menina F Gostei da atividade. 7. Menina G Gostei. 8. Menina H Gostei muito. 9. Menino I Gostei da atividade. 10. Menina J Adorei. 11. Menino K Eu gostei da atividade. 12. Menino L Gostei muito da atividade. Grupo quatro – 10 aos 15 anos de idade Na primeira atividade as crianças/adolescentes estavam entusiasmados. Cumpriu-se o objetivo, os elementos do grupo ficaram a conhecer-se melhor. No decorrer da dinâmica fiquei espantada, pois as crianças mais tímidas e reservadas falaram sem receios/medos. No fim, perguntei se tinham gostado, ou não. As respostas foram todas positivas (Quadro 9). A tabela seguinte mostra as respostas dadas pelas crianças. Quadro 9 - Respostas das crianças do quarto grupo sobre a primeira atividade Nomes Respostas 1. Menina M Gostei bastante da atividade. 2. Menino N Gostei muito desta atividade. 3. Menina O Adorei. 4. Menina P Gostei da atividade. 5. Menina Q Gostei. 6. Menina R (Não respondeu) 7. Menina S Gostei da tarefa proposta. 8. Menino T Gostei da atividade 42 A menina R, a menina autista, não respondeu à questão, mas pareceu ter gostado, pois participou na atividade. Disse o nome; quantas irmãs tinha; o nome delas; e que gostava de pintar. Fiquei bastante contente por ela se ter apresentado e interagido com os colegas do grupo. 2.ª Atividade - Sobre mim... Na segunda atividade, o objetivo era compreender o que as crianças gostam de fazer no atelier e quais são os seus receios. Exemplo das questões: O que gostas mais de fazer no atelier?; O que não gostas tanto de fazer?; O que é para ti o atelier?; Quais são os teus receios/inseguranças? Todos responderam de forma sincera. Grupo dois – 6 aos 11 anos de idade As crianças, ansiosas e muito colaborativas, responderam através do desenho às questões colocadas. Senti que foram sinceras e honestas. Ao realizarem a atividade estavam a ser demasiado perfecionistas nas suas representações. Disse-lhes que não ia avaliar as respostas, era apenas para ficar a conhecer melhor cada um deles. Notei que todas as crianças gostam do atelier (Quadro 10). 43 Quadro 10 - Avaliação das crianças do segundo grupo acerca da segunda atividade Nomes Respostas 1. Menina A “Gosto de unicórnios e fiquei muito feliz por ter tirado a máscara; não gosto de usar máscara; o atelier para mim é pintar; tenho medo de ficar sozinha”. 2. Menina B “Gosto de desenhar; não gosto de andar sozinha; o atelier para mim é pintar; tenho medo de aranhas”. 3. Menina E “Gosto de cozinhar; não gosto de andar com o meu vizinho; o atelier para mim é arte; tenho medo de andar de barco”. 4. Menina F “Gosto de pintar; não gosto de correr; para mim o atelier é giro e gosto de trabalhar com barro; tenho medo de tubarões”. 5. Menino G “Gosto de jogar jogos de terror; não gosto do meu vizinho; o atelier para mim é desenhar; tenho medo de saltar de um prédio”. 6. Menina H “Gosto de desenhar; não gosto de pessoas que me sigam; para mim o atelier é um túnel de arte; tenho medo de aranhas.” 7. Menino I “Gosto de desenhar; não gosto de estar parado; o atelier para mim é pintar; tenho medo de bichos feios”. 8. Menina j “Gosto de cozinhar; não gosto de esperar pelos outros; o atelier para mim é cor e alegria; tenho medo de um tsunami”. 9. Menino K “Gosto de jogar à bola; não gosto de chuva; o atelier para mim é desenhar; não gosto de escorpiões”. 10. Menino L “Gosto de jogar; não gosto de minhocas; para mim o atelier é desenhar e brincar; tenho medo da guerra”. Grupo quatro – 10 aos 15 anos de idade Na segunda atividade as crianças continuavam muito colaborativas comigo. O objetivo de conhecer os gostos deles no atelier foi cumprido. Cada um desenhou o que era pretendido nas questões. Notei que eram demasiado rigorosos naquilo que faziam. Responderam com sinceridade e honestidade (Quadro 11). 44 Quadro 11 - Avaliação das crianças do quarto grupo acerca da segunda atividade Nomes Respostas 1. Menina M “Gosto de ler; não gosto de aturar pessoas maçadoras como o meu irmão; para mim o atelier é cor e alegria; tenho receio que me dêem cotoveladas enquanto desenho com a caneta diretamente na folha”. 2. Menino N “Gosto de estar feliz; não gosto de comer bróculos; o atelier é um sítio onde não há borrachas; tenho receio de estar triste”. 3. Menina O “Gosto de ler e de desenhar; não gosto de estar calada; o atelier para mim é desenhar, aprender e ser criativa; tenho receio de tirar más notas nos testes”. 4. Menina P “Gosto de ver televisão, desenhar, pintar e de brincar; não gosto de ler, de apresentações orais e de decorar certas coisas; sinto-me insegura em algumas amizades e tenho medo de cemitérios e de ficar sozinha; o atelier para mim é brincar, aprender e inventar”. 5. Menina R (Não realizou a atividade). 6. Menina S “Gosto de comer; não gosto de chocolates; o atelier é liberdade, criatividade, amizade, pensamentos, magia, pintura, atividades; sinto-me insegura em conhecer pessoas novas.” 7. Menino T “Gosto de jogar leggo; não gosto de sair da escola tarde; o atelier para mim é liberdade; tenho medo de ser gozado.” Durante a realização das atividades nem sempre foi fácil ter a máxima atenção das crianças. Houve momentos de inquietação, de conversa, de insegurança, mas os objetivos foram cumpridos. No decorrer das sessões os comportamentos foram melhorando, no entanto, os meninos mais faladores e perturbadores eram os habituais. No grupo dois, o menino G e L e a menina H; no grupo quatro, o menino N e T e a menina S. Na observação feita, constatei que o menino G e a menina L estavam constantemente a conversar, pois frequentavam a mesma turma, são os melhores amigos e estavam sentados juntos nas sessões, havia desconcentração nas dinâmicas e o diálogo era constante. O menino N e T e a menina S estavam constantemente distraídos, inseguros e conversavam imenso. O menino T (grupo quatro) já sofreu bullying na escola daí, o que poderá explicar a sua muita insegurança e ter medo de arriscar. Para combater esses problemas, utilizei várias estratégias. Durante as atividades trabalhei a autoconfiança de cada um para que se sentissem mais libertos e com vontade de conversar comigo e não com os colegas. Nas sessões tentei separá-los e incentiva-los a realizarem as atividades sem medos e inseguranças, trabalhei nesse sentido o estado emocional de cada um. É muito recorrente estes comportamentos devido às idades das crianças, mas tento que melhorem esse aspecto. Nas atividades da primeira ação fiquei a conhecer melhor as crianças e permitiram-me compreender em que sentido tinha de intervir. A partir dos resultados obtidos fiquei a conhecer algumas características das crianças que eram fundamentais trabalhar através das técnicas de mediação. Um dos aspetos que retirei desta ação foi a colaboração e empenho de todos os elementos 51 Atividade 5 – Expressão corporal: Emoções Objetivos: Desenvolver sentimentos e emoções. Recursos materiais: corpo humano. Recursos Humanos: Acompanhante de estágio; Estagiária; Público-alvo: crianças. Estratégia da ação A atividade realizou-se dentro da sala do atelier. As crianças andaram livremente pela sala. Pedi-lhes que representassem com o corpo humano, as emoções que eu mandasse. A título de exemplo: assustado, apaixonado, sonolento, triste, alegre, entre outras. Atividade 6 – Representação das emoções a partir da linha Objetivos: Identificar as emoções básicas do ser humano. Recursos materiais: Papel cenário (pintado de preto) e giz. Recursos Humanos: Acompanhante de estágio; Estagiária; Público-alvo: crianças. Estratégia da ação A atividade desenvolveu-se dentro da sala do atelier. A parede estava forrada com papel cenário, este estava pintado de preto. Pedi às crianças que representassem a partir da linha as emoções, com por exemplo, calma, assustada, entre outras. Para a realização da proposta sugeri que utilizassem giz para desenhar no papel cenário. Atividade 7 – Narrativa: o meu estado emocional! Objetivos: Promover a inteligência emocional. Recursos materiais: Folhas de aguarela A5; aguarelas; lápis de cor; cartolinas pretas; godés; pincéis; água; panos. Recursos Humanos: Acompanhante de estágio; Estagiária; Público-alvo: crianças. Estratégias da ação A atividade realizou-se dentro da sala do atelier com as crianças sentadas nos seus lugares. Em primeiro lugar, distribui duas folhas de aguarela A5 a cada um. Depois, pedi que representassem numa das folhas a emoção que estavam a sentir no momento, e na outra a emoção contrária. Por exemplo: alegria-tristeza. No final, fizeram uma moldura com cartolina preta. 52 Resultados obtidos nas atividades da 3ª ação Faço as análises da terceira ação, referentes aos dois grupos de trabalho com quem trabalhei o projeto de estágio. Grupo dois - 6 aos 11 anos de idade Na atividade 5, as crianças estavam muito entusiasmadas e colaborativas por realizarem mais atividades comigo. O objetivo era desenvolver sentimentos e emoções. Este objetivo foi cumprido, uma vez que todas as crianças participaram ativamente, empenharam-se e compreenderam o intuito da atividade. Cada um representou à sua maneira a emoção que a estagiária dizia para fazer. No início as crianças estavam mais envergonhadas, receosas e tímidas. Disse-lhes para não terem receio para se libertarem. No decorrer da dinâmica foram ficando mais confortáveis e sentiram-se mais à vontade comigo. As crianças queriam continuar esta atividade. Aqui, verifiquei que estavam a gostar de realizar esta atividade. No quadro 16 inclui a resposta de todos os participantes na atividade 5. Quadro 16 - Avaliação das crianças do segundo grupo em relação à atividade 5 Nomes Respostas 1. Menina A “Adorei a atividade gostava de repetir:” 2. Menina B “Gostei muito.” 3. Menina C “Atividade foi muito divertida.” 4. Menina D “Foi engraçada, gostei.” 5. Menina E “A atividade foi libertadora e trabalhamos as emoções.” 6. Menina F “Gostei muito.” 7. Menino G “Foi engraçada e divertida.” 8. Menino H “Gosto das atividades da estagiária.” 9. Menino I “Gostei de representar as emoções.” 10. Menina J “Foi divertida.” 11. Menino K “Gostei da atividade.” 12. Menino L “Eu gostei e queria voltar a fazer.” 53 Grupo quatro – 10 aos 15 anos de idade A atividade 5 realizou-se dentro da sala do atelier. As crianças estavam muito colaborativas comigo e contentes por voltarmos a realizar mais atividades. O objetivo de desenvolver sentimentos e emoções foi alcançado. No início as crianças estavam muito tímidas e sem foco. Disse-lhes que se concentrassem e usassem o corpo e as expressões faciais para representarem as emoções. Ao longo da atividade sentioos mais soltos, e ficou um ambiente mais calmo e pacífico. No final, questionei-os se tinham gostado da atividade. O quadro 17 expõe as respostas dadas pelas crianças. Quadro 17 - Avaliação das crianças do quarto grupo em relação à atividade 5 Nomes Respostas 1. Menina M “Gostei, foi uma atividade estimulante.” 2. Menino N “Gostei da atividade de expressão corporal.” 3. Menina O “Gostei bastante da atividade.” 4. Menina P “Gostei, foi divertida.” 5. Menina Q “Foi uma atividade muito enriquecedora e estimulante.” 6. Menina R (Não realizou a atividade) 7. Menina S “Gostei, foi libertadora.” 8. Menino T “Gostei.” Na sexta atividade, as crianças continuaram muito entusiasmadas comigo. O objetivo de identificar as emoções básicas do ser humano foi superado, pois cada um representou a emoção da maneira que a sentia. Grupo dois - 6 aos 11 anos de idade A menina B para representar a calma desenhou uma linha reta; a emoção sonolenta representou-a com uma linha ondulada. Já o menino K representou a calma com uma linha ondulada e a emoção sonolenta com uma linha irregular (para cima e para baixo). Nem todos representaram a emoção de igual forma. 54 Pedi-lhes que se afastassem da parede e visualizassem as diferentes maneiras de representar a mesma emoção. Eles ficaram espantados e admirados. No final da atividade disse-lhes que não somos todos iguais, cada um de nós vê e sente as coisas de maneiras diferentes. Foi um exercício muito estimulante. Perguntei a cada um deles o que tinham achado e retirado da atividade. No quadro 18 encontram-se as respostas das crianças. Quadro 18 - Respostas das crianças do segundo gupo acerca da atividade 6 Nomes Respostas 1. Menina A “Gostei da atividade. Eu desenhei à minha maneira e os outros à sua.” 2. Menina B “Gostei da atividade. Há várias formas de ver as coisas.” 3. Menina C “Sim gostei. Desenhamos de maneiras diferentes.” 4. Menina D “A atividade foi engraçada. Deu para ver que temos maneiras diferentes de sentir.” 5. Menina E “Gostei. Cada pessoa sente e desenha à sua maneira.” 6. Menina F “Gostei da atividade. Somos todos diferentes e sentimos de diferentes formas.” 7. Menino G “A atividade foi interessante. Aprendi que não somos todos iguais e há várias emoções e sentimentos.” 8. Menino H “Sim gostei. Aprendi as emoções e que há muitas formas de as desenhar.” 9. Menino I “Gostei muito. Aprendi muito com esta atividade sobre as emoções e os sentimentos.” 10. Menina J “Gostei. Não somos todos iguais.” 11. Menino K “Gostei bastante da atividade. Há muitas emoções e nós sentimos de diferentes formas.” 12. Menino L “Gostei. Aprendi muita coisa. Somos todos diferentes e sentimos de formas diferentes também.” Quarto grupo – 10 aos 15 anos de idade Na atividade 6, coloquei as crianças em frente à parede e distribui um giz a cada elemento. Disse-lhes que a partir da linha tinham de representar a emoção que eu mandasse. Cada um respresento-a à sua maneira. O objetivo de identificar emoções básicas do ser humano, foi cumprido. Quando reproduziram a emoção “confusão” houve meninos que fizeram uma linha ao zigzag na vertical e, outros dois meninos desenharam um ponto de interrogação. Posto isto, pedi que se afastassem da parede e vissem as representações de cada um. A menina M disse “cada um sente a emoção de diferentes formas, daí desenharmos de formas diferentes”. No decorrer da atividade as crianças estavam muito entusiasmadas e focadas. No final, questionei-os sobre o que tinham retirado da atividade e se tinham gostado. O quadro 19 evidência as respostas das crianças. 55 Quadro 19 - Respostas das crianças do quarto gupo acerca da atividade 6 Nomes Respostas 1. Menina M “Cada um sente a emoção de diferentes formas, daí desenharmos de formas diferentes.” 2. Menino N “Aprendi que não somos todos iguais.” 3. Menina O “Temos formas de sentir diferentes uns dos outros.” 4. Menina P “Aprendi que nos expressamos de diferentes maneiras.” 5. Menina Q “Somos todos diferentes, e a maneira como nos expressamos também é diferente.” 6. Menina R (Não realizou a atividade) 7. Menina S “Não somos todos iguais.” 8. Menino T “Nesta atividade senti-me livre e reparei que temos maneiras diferentes de sentir.” Na atividade 7, o objetivo era promover a Inteligência Emocional, e foi cumprido. Cada um tinha de respresentar como se sentia naquele momento, numa folha A5 de aguarela e na outra a emoção/sentimento contrário. Grupo dois – 6 aos 11 anos de idade As crianças estavam muito entusiasmadas e felizes por voltarmos a fazer mais uma atividade. O material que sugeri também ajudou a que gostassem mais da dinâmica – aguarelas. Só o facto de terem de colocar água e a cor já é uma maneira de estarem concentrados e focados para conseguirem realizar a atividade. No decorrer desta atividade reparei que maior parte das crianças representaram emoções “boas” como por exemplo, alegre, contente, feliz. No final, entreguei-lhes um quadradinho informativo com uma questão “como te sentes hoje?”. Este quadradinho tinha várias opções de emoções. Pedi que respondessem com sinceridade. No quadro 20 verificam-se as respostas dadas pelos participantes. 56 Quadro 20 - Respostas das crianças do segundo grupo acerca da atividade 7 Nomes Respostas 1. Menina A “Sinto-me feliz.” 2. Menina B “Sinto-me feliz. Estou a gostar muito das atividades.” 3. Menina C “Sinto-me envergonhada.” 4. Menina D “Sinto-me feliz.” 5. Menina E “Sinto-me feliz.” 6. Menina F “sinto-me feliz.” 7. Menino G “ Sinto-me sonolento.” 8. Menino H “Sinto-me feliz.” 9. Menino I “Sinto-me feliz.” 10. Menina J “Sinto-me feliz.” 11. Menino K “Sinto-me feliz.” 12. Menino L “Sinto-me feliz.” Grupo quatro – 10 aos 15 anos de idade Na sétima atividade as crianças/adolescentes continuaram empenhados e colaboraram comigo. O objetivo era promover a Inteligência Emocional, e foi alcançado. Cada um representou a partir do desenho como se sentia naquele momento, na outra folha esboçaram a emoção/sentimento contrário. O menino T disse “representei a liberdade, pois quando venho para o atelier e faço atividades sinto-me livre.” O resto das crianças representaram: alegria, contente, feliz. Com isto, notei que se sentem bem no atelier. No final, entreguei-lhes um quadradinho informativo com uma questão “como te sentes hoje?”, este tinha várias opções de emoções, pedi que respondessem com sinceridade. Questionei a menina autista “como te sentes hoje?”. Ela respondeu: “feliz por vir para o atelier”. Fiquei muito contente por ouvir e sentir que se sente bem connosco (com os amigos, comigo e com a responsável do atelier). O quadro 21, expõem as respostas das crianças referentes à atividade. 57 Quadro 21 - Respostas das crianças do quarto grupo acerca da atividade 7 Nomes Respostas 1. Menina M “Sinto-me feliz.” 2. Menino N “Sinto-me sonolento.” 3. Menina O “Sinto-me feliz.” 4. Menina P “Sinto-me feliz.” 5. Menina Q “Sinto-me feliz.” 6. Menina R “Sinto-me feliz por vir para o atelier:” 7. Menina S “Sinto-me feliz.” 8. Menino T “Sinto-me feliz e livre.” Utilizei as mesmas estratégias para realizar as atividades, ganhar confiança das crianças para que se sintam mais à vontade em colaborar e conversar comigo sobre o que sentem. Também fiz com que ganhassem interesse em realizar as atividades, que fossem participativos e empenhados. Nestas três atividades (5, 6 e 7), compreendi os sentimentos de cada um. Todos gostam de frequentar o atelier, este transmite liberdade. Também permitiram mostrar que não somos todos iguais, expressamo-nos de maneiras diferentes e sentimos de diferentes modos. Consciencializei-os para o respeito pelo outro e para a compreensão das diferentes maneiras de ver as coisas. Na realização das atividades, em ambos os grupos de trabalho todos estiveram dedicados e entenderam a mensagem/objetivo que queria transmitir. O desempenho e o comportamento das crianças foi melhorando. Importa salientar que estas atividades foram realizadas individualmente, houve foco e concentração. O comportamento das crianças é notório, visto que tive de usar a estratégia de separar as crianças mais faladoras em ambos os grupos de trabalho. Coloquei os mais faladores ao lado daqueles mais reservados e, assim, funciona muito melhor o grupo de trabalho. Os mais faladores já têm outra atitude, já não estão constantemente a perturbar o funcionamento do grupo e já não tenho de estar constantemente a chamá-los atenção. O ambiente é mais calmo e pacífico. Resulta muito melhor. De uma maneira geral, há mais trabalho, mais participação, mais desenvolvimento e mais interesse demonstrado pelos dois grupos. Em relação à minha postura, sinto que evolui também, já se nota que criei confiança com as crianças, confiam mais em mim e sentem-se mais à vontade em falar. Eu não estou só apenas a existir nas atividades, mas também converso, ouço-os e aconselho-os, nomeadamente a menina autista. Tenho um carinho muito especial por esta menina. Ela requer muita atenção da minha parte e muito respeito de todos os que contactam com ela. 58 Enquanto mediadora estou mais confortável com os grupos de trabalho. O objetivo é facilitar a comunicação entre todos, promover o respeito pelo outro e incentivar para a participação de todos. Isto têm sido muito notório, pois a relação estabelecida entre a menina autista e o grupo tem sido fantástica. Todas as crianças são bastantes compreensíveis e ajudam-na em qualquer circunstância. 4ª Ação – Comunicar! Esta ação tem como objetivos identificar várias formas de comunicar e compreender o que é a escuta ativa. Estão inseridas duas atividades: “Expressão corporal: Guia-me”; e “Desenho cego: emoção”. Atividade 8 – Expressão corporal: Guia-me! Objetivo: Compreender o que é a escuta ativa. Recursos materiais: Bancos e vendas. Recursos Humanos: Acompanhante de estágio; Estagiária; Público-alvo: crianças. Estratégias da ação A atividade realizou-se dentro da sala do atelier. Nesta estava feito um labirinto com bancos. As crianças estavam em fila. Duas autovoluntariaram-se para iniciar a atividade. Vendei-lhe os olhos. Escolhi outras duas (sem elas saberem) para as guiar. Estas auxiliaram-as a percorrer o circuito sem ir contra nada. Foram duas crianças a guiar e outras duas a serem guiadas. No final, fiz várias questões aos meninos que foram guiados, nomeadamente características, para advinharem quem os tinha orientado/guiado. Nesta dinâmica trabalhou-se a comunicação não verbal e a confiança do outro. Atividade 9 – Desenho cego: Emoção Objetivos: Identificar várias formas de comunicar. Recursos materiais: Vendas, mesas, barro, borrifadores com água e panos. Recursos Humanos: Acompanhante de estágio; Estagiária; Público-alvo: crianças. Estratégias da ação: 59 Esta atividade realizou-se dentro da sala do atelier. Dividi as crianças em dois grupos, metade ficaram sentados e a outra metade em pé, detrás daqueles que estavam sentados. Estes últimos estavam com os olhos vendados. Era prentendido que desenhassem alguma coisa, nas costas dos colegas, a partir de gestos com a mão/dedo, e estes reproduzissem com o barro, na mesa, o que sentiam. Para desenharem melhor e a representação ficar mais nítida, as mesas estavam borrifadas com água. À minha ordem, trocavam de lugares, os que estavam de pé sentavam-se e vise-versa, até todos passarem pelas duas funções (1. Gestos/orientar e 2. Desenhar/reproduzir). Resultados obtidos nas atividades da 4ª ação Apresento as análises da quarta ação, referentes aos dois grupos de trabalho com quem trabalhei o projeto de estágio. Grupo dois - 6 aos 11 anos de idade Na oitava atividade, as crianças estavam muito entusiasmadas por realizarmos mais uma atividade. O objetivo era compreender o que é a escuta ativa, e foi superado. Questionei as crianças, no final da atividade, se era mais fácil ser guido ou guiar. As respostas foram muito dispersas, alguns acharam mais fácil guiar e outros serem guiados. Também reparei que se conhecem bem, pois quando questionei quem era que estava a guiar, maior parte das crianças acertou. Algumas questões que fiz para advinharem quem os tinha guiado foram: como têm o cabelo (pequeno, grande, encaracolado, liso)?; é alto/a ou baixo/a?, entre outras. No final, disse-lhes que não é necessário falar para alguém nos orientar, a escuta ativa também pode ser feita a partir de gestos e de orientações, basta estarmos concentrados. No quadro 22 encontra-se a avaliação da atividade 8. 60 Quadro 22 - Respostas das crianças do segundo grupo sobre a atividade 8 Nomes Respostas 1. Menina A “Para mim foi mais fácil guiar.” 2. Menina B “Foi mais fácil guiar, mas gostei de ser guiada” 3. Menina C “Foi mais fácil ser guiada” 4. Menina D “Foi mais fácil guiar.” 5. Menina E “Gostei de guiar.” 6. Menina F “Foi mais fácil ser guiada.” 7. Menino G “Foi mais fácil ser guiado, torna-se difícil dar orientações.” 8. Menino H “Gostei de ser guiado.” 9. Menino I “Achei mais fácil guiar.” 10. Menina J “Foi mais fácil guiar.” 11. Menino K “Gostei de ser guiado, não é fácil guiar.” 12. Menino L “Eu gostei de guiar.” Grupo quatro – 10 aos 15 anos de idade Na atividade 8, as crianças/adolescentes estavam entusiasmados e empenhados. O objetivo era compreender o que é a escuta ativa, e foi cumprido. Com esta dinâmica as crianças ficaram a perceber que se estivermos concentrados conseguimos ser orientados por alguém. A escuta ativa também se pode fazer a partir de gestos e de orientações, não é necessariamente através da fala ou da escrita. No final da atividade, questionei se tinham achado mais fácil guiar ou ser guiado. Muitas crianças responderam que era mais fácil guiar. Como a menina O disse: “Para mim, foi mais fácil guiar, pois nem sempre nos sentimos confiantes com a pessoa que nos está a orientar”. No quadro 23 encontram-se as respostas das crianças/adolescentes. 67 A atividade onze, tinha como objetivo estimular a empatia, e foi cumprido. As crianças estavam muito entusiasmadas por voltarmos a estar todos juntos e realizarmos mais uma atividade. Esta foi de encontro à dinâmica mencionada anteriormente. Grupo dois – 6 aos 11 anos de idade As crianças adoraram esta atividade. Foi realizada na janela do atelier. Uma estava fora e a outra dentro. Havia uma pessoa que estava a desenhar e a outra a emitar o que ela desenhava, por exemplo, se ela fazia uma linha para a direita e outra também tinha de a fazer. Estiveram bastante concentrados e focados. No final, questionei se tinham gostado da atividade e o que tinham retirado dela. No quadro 28 estão expressas as respostas das crianças referentes à dinâmica. Quadro 28 - Respostas das crianças do segundo grupo referentes à atividade 11 Nomes Respostas 1. Menina A “Gostei da atividade, a empatia é sabermos compreender o lugar do outro.” 2. Menina B “A atividade foi muito engraçada, aprendemos o que é a empatia.” 3. Menina C “Gostei bastante da atividade.” 4. Menina D “Adorei a atividade, devemos compreender o lugar do outro.” 5. Menina E “Aprendi a colocar-me no lugar do outro.” 6. Menina F “Devemos ser empáticos.” 7. Menino G “Não devemos julgar ninguém.” 8. Menino H “Gostei bastante da atividade, entendi o lugar do outro.” 9. Menino I “Ficamos a entender o que é a empatia.” 10. Menina J “Gostei muito da atividade.” 11. Menino K “Com a atividade aprendi que devemos colocar-nos no lugar dos outros.” 12. Menino L “Gostei da atividade, trabalhamos a empatia.” Grupo quatro - 10 aos 15 anos de idade As crianças/adolescentes estavam muito curiosos sobre o que íamos fazer. O objetivo da atividade era estimular a empatia, e foi superado. As crianças gostaram imenso da atividade. A menina S disse “no início não foi fácil emitar o desenho, mas se estivermos concentrados torna-se mais fácil”. No final disse-lhes, tal como é preciso estarmos concentrados para emitarmos o desenho da outra pessoa, com a empatia é a mesma coisa, precisamos de estar concentrados para entender o posicionamento da outra pessoa sem julgarmos. 68 Quadro 29 ilustra as respostas das crianças referentes à atividade. Quadro 29 - Respostas das crianças do quarto grupo referentes à atividade 11 Nomes Respostas 1. Menina M “Gostei muito da atividade, nós devemos ser empáticos para com os outos.” 2. Menino N “Com a atividade ficamos a entender o que é a empatia.” 3. Menina O “Devemos entender o lugar do outro.” 4. Menina P “Com a atividade aprendi que devmos ser empáticos.” 5. Menina Q “Gostei muito da atividade, entendi que devemos colocar-nos no lugar dos outros.” 6. Menina R (Faltou) 7. Menina S “Gostei, esta atividade deu para comprender o que é a empatia.” 8. Menino T “Eu gostei da atividade, saber colocar no lugar do outro é muito importante.” Na atividade doze, as crianças colaboraram comigo e estavam muito entusiasmadas por continuarmos a realizar atividades. O objetivo era desenvolver a empatia, e foi cumprido, pois as crianças que participaram empenharam-se a desenhar o outro. Grupo dois – 6 aos 11 anos de idade Cada um representou o colega à sua maneira, como o vi-a. No final, tivemos uma conversa sobre o que queria demonstrar, a empatia. Disse-lhes que nem sempre é fácil colocarmo-nos no lugar do outro, mas temos de fazer o esforço para perceber cada pessoa. Não somos todos iguais, nem temos os mesmos gostos, pois se assim fosse não havia quase nada no mundo, por exemplo, havia um desporto que gostamos, uma música, entre outras. Com várias opiniões conseguimos ganhar mais conhecimento e experiências. As crianças corcordaram todas comigo. Referiram que gostaram muito desta atividade, foi divertida e desafiadora. No Quadro 30 mostro as respostas das crianças referentes à avaliação da dinâmica. 69 Quadro 30 - Respostas das crianças do segundo grupo acerca da atividade 12 Nomes Respostas 1. Menina A “Eu gostei, aprendi muito com a atividade.” 2. Menina B “Gostei, não gosto de gozar com ninguém.” 3. Menina C “Gostei da atividade, não mudava nada. Acho que devemos respeitar as opiniões dos outros, mesmo sendo diferentes das nossas.” 4. Menina D “Eu gostei muito, porque devemos aceitar os outros como eles são.” 5. Menina E “Gostei, lembrei-me de colegas meus que já foram gozados na minha turma, não gosto nada disso.” 6. Menina F “Eu gostei da atividade. Não mudava nada, deu para entender tudo.” 7. Menino G “O respeito é fundamental.” 8. Menino H “Gostei da atividade. Acho que é muito importante compreendermos o lugar do outro.” 9. Menino I “Eu não gosto que gozem comigo. Não faço isso com ninguém.” 10. Menina J “Gosto de pessoas que entendam o meu lado. Não somos todos iguais, mas aprendemos uns com os outros.” 11. Menino K “Gostei da atividade sobre a empatia e o respeito.” 12. Menino L “Gostei da atividade, tenho aprendido muito.” Grupo quatro - 10 aos 15 anos de idade Na atividade 12, as crianças/adolescentes estavam entusiasmados por voltarmos a estar todos juntos e fazermos mais uma atividade. O objetivo de desenvolver a empatia foi alcançado, todos participaram ativamente, representaram à sua maneira o outro. No final da atividade, originou-se um pequeno debate sobre a mensagem transmitida, relativamente à empatia e ao respeito pelo outro. Por exemplo, a menina M referiu “Eu gostei da atividade, devemos respeitar os gostos, os sentimentos, as emoções, o estilo, etc, das outras pessoas”; o menino T revelou que já foi gozado pelos colegas da turma “Eu já fui gozado pelos meus colegas da escola e não gostei nada, não posso fazer aos outros o que eu não gosto que me façam a mim”; a menina Q disse “Eu aceito as opiniões e as diferenças das outras pessoas, sem criticar. Somos todos diferentes, mas ao mesmo tempo iguais, pois temos os mesmos direitos.” O quadro 31 expõem as respostas dadas pelas crianças. 70 Quadro 31 - Respostas das crianças do grupo quarto acerca da atividade 12 Nomes Respostas 1. Menina M “Eu gostei da atividade, devemos respeitar os gostos, os sentimentos, as emoções, o estilo, etc, das outras pessoas.” 2. Menino N “Eu gostei da atividade, pois não queria que ninguém gozasse comigo, então também respeito os outros.” 3. Menina O “A atividade foi muito enriquecedora, não mudava nada. A estagiária passou muito bem a mensagem – colocar no lugar do outro.” 4. Menina P “Eu gostei da atividade, saber ouvir o outro e respeite-lo é muito importante.” 5. Menina Q “Eu aceito as opiniões e as diferenças das outras pessoas, sem criticar. Somos todos diferentes, mas ao mesmo tempo iguais, pois temos os mesmos direitos.” 6. Menina R (Faltou) 7. Menina S “Devemos colocar-nos no lugar do outro, repeitá-lo e não criticar.” 8. Menino T “Eu já fui gozado pelos meus colegas da escola e não gostei nada, não posso fazer aos outros o que eu não gosto que me façam a mim.” No decorrer das atividades da 5ª ação, verifiquei que todas as crianças entenderam a mensagem que quis transmitir. Ficaram sensibilizados com o tema, originou-se um debate e foi ótimo ouvi-los a todos, motivei-os assim, para a participação e comunicação. Estas três dinâmicas relacionaram-se entre si, o objetivo era desenvolver um tema que no meu ver é fundamental trabalhar. Atualmente é muito notório as crianças gozarem umas com as outras, por causa de diferentes opiniões, por se vestirem de diferentes maneiras, por uma ter isto e a outra aquilo, entre outras coisas. Relativamente à minha postura, tenho a perceção que tenho feito com que as crianças se empenhem e colaborem comigo. Faço com que todas participem, ajudo-as no que é necessário e aconselho-as a mudarem as atitudes quando vejo que não são as melhores. Os comportamentos e as respostas das crianças relativamente às atividades têm evoluído, dizem que têm apreendido muito com as tarefas da estagiária. Em todas as sessões tenho conseguido passar a mensagem/tema. Enquanto mediadora, penso que o meu trabalho está a mostrar resultados, principalmente no que toca ao respeito pelo outro, à participação e à reflexão individual de cada um, referente às atividades. De salientar que a menina autista faltou durante algumas sessões, pois tinha partido um pé. 6ª Ação – Os meus receios A sexta ação teve como objetivos entender que cada ser humano se expressa de diferentes maneiras e compreender que há vários ritmos de trabalho. Está inserida uma dinâmica, a atividade 71 treze – Descodifica:“Bonito” e “feio”. Atividade 13 – Descodifica: “Bonito” e “feio” Objetivos: Entender que cada ser humano se expressa de diferentes maneiras. Recursos materiais: Bola, folhas A3 com metade da obra de arte, marcadores, guaches sólidos e lápis de cor. Recursos Humanos: Acompanhante de estágio; Estagiária; Público-alvo: crianças. Estratégias da ação A atividade realizou-se dentro da sala do atelier. As crianças estavam sentadas em frente à mesa. Antes de começar a atividade propriamente dita, fiz um pequeno jogo, questionei-os “O que acham bonito e feio”, cada um respondeu individualmente. A criança que estava a falar tinha uma bola na mão e depois, passava-a para outro colega, e assim sucessivamente, até todos responderem. Posto isto, para a realização da tarefa escolhi dois artistas de arte conhecidos e duas obras de arte de cada um: Pablo Picasso – “A Guérnica” e a “mulher chora”; e o Van Gogh – “Girassóis” e a “Noite Estrelada”. Preparei previamente as folhas A3, coloquei metade da obra na folha e o intuito era as crianças darem-lhe continuidade da maneira que elas quisessem. Resultados obtidos nas atividades da 6ª ação Apresento as análises da sexta ação, referentes aos dois grupos de trabalho com quem trabalhei o projeto de estágio. Grupo dois - 6 aos 11 anos de idade Na atividade 13, as crianças estavam muito entusiasmadas e colaborativas por realizarem mais uma atividade. O objetivo era entender que cada ser humano se expressa de diferentes maneiras. Este objetivo foi cumprido, pois cada criança realizou o trabalho ao seu ritmo e da maneira como entendeu. Disse-lhes para serem criativos, não era preciso saberem como era a obra original, aquele trabalho seria o deles. 72 Durante este trabalho detetei uma falha minha. Devia ter escolhido apenas uma obra de arte e não quatro, porque houve crianças que queriam ter escolhido e eu não deixei, distribui aquele que saisse. Realizaram a atividade muito bem, mas penso que se tivesse sido só um trabalho tinham dado mais de si. Disse-lhes ainda, o que é feio para mim, pode ser bonito para outra pessoa. Há coisas que gostamos mais e outras que não gostamos tanto. No final, questionei sobre o que tinham retidado da atividade. O quadro 32 mostra a avaliação feita pelas crianças. Quadro 32 - Avaliação das crianças do segundo grupo acerca da atividade 13 Nomes Respostas 1. Menina A “Bonito: animais; feio: pobreza; Obra: Mulher chora, não gostei muito da obra que me calhou, mas entendi que cada um tem diferentes maneiras e ritmos de trabalhar.” 2. Menina B “Bonito: natureza; feio: casas a arder; Obra: Mulher chora, eu gostei da atividade e do resultado final.” 3. Menina C “Bonita: família; feio: dizer palavrões; Obra: Girassóis, adorei a obra que me calhou, gosto muito de flores.” 4. Menina D “Bonita: arco irís; feia: poluição; Obra: Girassóis, eu gostei da atividade foi criativa.” 5. Menina E “Bonita: mar; feia: baratas; Obra: Noite estrelada, gostei muito da obra que recebi, já tinha visto a obra completa é muito bonita.” 6. Menina F “Bonita: flores; feia: lixo; Obra: Mulher chora, gostei da atividade, usei a criatividade para desenhar.” 7. Menino G “Bonita: gatos; feia: diabos; Obra: Noite estrelada, gostei da obra que me calhou.” 8. Menino H “Bonita: a minha mãe; feia: fumar; Obra: Guérnica, não gostei da obra que me calhou. A obra fala da guerra, mas eu ao lado representei a paz.” 9. Menino I “Bonita: leão; feia: diabos; Obra: Girassóis, gostei muito da obra que recebi. Fiz um vaso com muitas flores.” 10. Menina J “Bonita: música; feia: gatos sem pêlo; Obra: Mulher chora, não gostei muito da obra que me calhou, mas até gostei do trabalho final. Usei a criatividade.” 11. Menino K “Bonita: arco irís; feia: baratas; Obra: Guérnica, não desgostei da obra que me calhou, a guerra é um tema feio, mas eu fiz um desenho bonito – paz.” 12. Menino L “Bonita: cães bébé; feia: mentir; Obra: Mulher chora, não gostei muito da obra, mas fiz a atividade foi criativa.” Grupo quatro – 10 aos 15 anos de idade As crianças/adolescentes questionaram o que íamos fazer, qual era a atividade, estavam curiosos. O objetivo era entender que cada ser humano se expressa de diferentes maneiras, e foi alcançado. Participaram todos no jogo, cada um disse, individualmente, o que achava bonito e feio. Relativamente, à atividade constatei o mesmo que o grupo anterior, devia ter escolhido apenas uma obra de arte. As crianças realizaram a tarefa muito bem, houve quem tivesse gostado mais da obra que lhe calhou e quem não tivesse gostado tanto. Foi um desafio e eles ultrapassaram-no. 73 Disse-lhes ainda, que o que é feio para mim, pode ser bonito para outra pessoa. Há coisas que gostamos mais e outras que não gostamos tanto. No final, questionei o que tinham retirado da atividade. O quadro 33 mostra as respostas dadas pelas crianças. Quadro 33 - Avaliação das crianças do quarto grupo em relação à atividade 13 Nomes Respostas 1. Menina M “Bonita: os passarinhos a voarem; feia: mentir; Obra: Girassóis, gostei da obra e da atividade. Foi criativa.” 2. Menino N “Bonita: o arco irís; feia: falsidade; Obra: Mulher chora, gostei da atividade e da obra.” 3. Menina O “Bonita: o pôr do sol; feia: dizer asneiras; Obra: Mulher chora, gostei de como ficou o meu trabalho.” 4. Menina P “Bonita: o amor; feia: guerra; Obra: Girassóis, gostei da atividade. Cada uma realizoua à sua maneira.” 5. Menina Q “Bonita: a amizade; feia: falsidade; Obra: Noite estrelada, não foi uma atividade que gostasse muito de ter feito, mas gostei do resultado.” 6. Menina R (Não realizou a atividade). 7. Menina S “Bonita: a natureza; feia: poluir; Obra: Girassóis, gostei da atividade e do resultado final.” 8. Menino T “Bonita: a liberdade; feia: prisão; Obra: Girassóis, gostei da atividade, fiz um vaso de flores à minha maneira.” Durante a atividade verifiquei que o comportamento das crianças, em ambos os grupos, evoluiu. As crianças entendem e debatem sobre o assunto que é transmitido nas atividades. Relativamente à menina autista, ela não realizou a mesma atividade que os colegas. Gosta de atividades de pintura e colagem em grandes escalas. Desenhou com tintas guaches e depois colou autocolantes. É uma menina que não realiza a atividade por muito tempo, não consegue estar focada/concentrada. Eu enquanto mediadora, ajudo-a, converso muito com ela, questiono-a muitas vezes “estás a gostar da sessão?”, “gostas do atelier?” e ela responde sempre que sim. E sinto isso, ela está sempre com um sorriso no rosto, há dias em que está mais cansada, mas ela gosta de frequentar o atelier e de estar com os colegas, e a mãe também gosta que ela participe, que se relacione com novos colegas. Estes são fantásticos para ela, motivam-na imenso, às vezes ela fala muito alto e eles não reclamam. É um grupo com o qual gosto mesmo de trabalhar, a cada dia que passa aprendo um bocadinho mais com eles. Em ambos os grupos de trabalho, sinto que participam, já não há aquelas conversas uns com os outros (desnecessárias), a postura evoluiu muito e o respeito pelos outros também. Sentem-se à vontade comigo, e eu já os conheço a cada um. 74 7ª Ação – Trabalha em grupo! Esta ação tem com objetivos entender o que é a cooperação e perceber o que é o trabalho em grupo e a sua funcionalidade. Está incluída uma dinâmica, a atividade quatorze – “Livro artístico: O poder das emoções”. Atividade 14 – Livro artístico: O poder das emoções I e II Objetivos: Entender o que é a cooperação; Perceber o que é o trabalho em grupo e a sua funcionalidade. Recursos materiais: Saco, papéis com as emoções, folhas de aguarela A4, aguarelas, godés, água, pincéis e panos. Recursos Humanos: Acompanhante de estágio; Estagiária; Público-alvo: crianças. Estratégias da ação Esta atividade desenvolveu-se dentro da sala do atelier. Cada criança estava sentada em frente à sua mesa de trabalho. Dentro de um saco estavam alguns papéis com as emoções. Passei por cada criança e, à vez, cada uma tirou um papel à sorte (sem ver). A emoção/sentimento que saísse era aquele que tinham de representar. Disse-lhes que podiam fazer um momento que já tivesse sentido essa emoção, por exemplo, alegria – fazer várias manchas com imensas cores alegres. Da emoção representada, pedi à vez que me fossem dizer qual era o momento que tinham vivido e eu escrevi-o na ilustração de cada um. A frase começava “Sinto-me (emoção) quando... No final, juntei os trabalhos todos, digitalizei-os e elaborei um livro artístico de cada grupo. É um instrumento que ficará para sempre na memória de todos. Resultados obtidos nas atividades da 7ª ação Exponho as análises da sétima ação, referentes aos dois grupos de trabalho com quem trabalhei o projeto de estágio. 75 Grupo dois - 6 aos 11 anos de idade As crianças estavam muito entusiasmadas e contentes por voltarmos a estar todos reunidos. Questionaram o que íamos fazer. O objetivo era perceber o que é o trabalho em grupo e a sua funcionalidade, e foi cumprido. Apesar do processo do trabalho não ser diretamente em grupo, o resultado final foi. As crianças estavam muito focadas e dedicadas na realização da tarefa, notei que gostaram bastante de a executar. Ficaram trabalhos muito pessoais e expressivos. No final, disse-lhes que ia juntar os trabalhos todos e fazer um livro artístico para mais tarde recordar. Ficaram muito contentes e ansiosos por ver como ia ficar. A menina J realizou a capa e a contracapa do livro, denominado de “O poder das emoções e dos sentimentos I." No quadro 34 encontam-se as respostas dadas pelas crianças sobre a atividade. Quadro 34 - Respostas das crianças do segundo grupo sobre da atividade 14 Nomes Respostas 1. Menina A Carinhosa – Senti-me carinhosa quando ofereci um ramo de flores à minha mãe.” 2. Menina B “Alegria – Senti-me alegre quando fiz amizade com a minha colega, desde os 2 anos de idade.” 3. Menina C “Confusão – Senti-me confusa quando não percebi o trabalho.” 4. Menina D “Desilusão – Senti-me desiludida quando o meu amigo me mordeu.” 5. Menina E “Solidão – Senti solidão quando os meus amigos não me chamaram para brincar.” 6. Menina F “Envergonhada – Senti-me envergonhada quando derrubei água num trabalho da escola.” 7. Menino G “Raiva – Senti raiva porque pensava que ia à piscina e não fui.” 8. Menino H “Coragem – Eu tive coragem quando me atrevi a andar de slide, no parque.” 9. Menino I “Surpreendido – Senti-me surpreendido quando estive em Nova Yorque.” 10. Menina J “Inveja – Senti inveja quando as minhas irmãs ficaram em casa e eu tive de ir à escola.” 11. Menino K “Tranquilo – Sinto-me tranquilo quando estou nas aulas.” 12. Menino L “Confiante – Sinto-me confiante quando jogo à bola.” Quarto grupo – 10 aos 15 anos de idade As crianças/adolescentes estavam bastante entusiasmados para realizarem mais uma atividade. O objetivo era perceber o que é o trabalho em grupo e a sua funcionalidade, e foi cumprido, todos participaram ativamente. Notei que gostaram das emoções/sentimentos que lhe tinham saído. A menina S realizou a capa e a contracapa do livro, intitulado de “O poder das emoções e dos sentimentos II.” Fiquei muito contente, pois a menina autista realizou esta tarefa. 76 No final, disse-lhes que ia juntar os trabalhos todos e fazer um livro artístico para mais tarde recordar. Ficaram ansiosos por ver o resultado final – o livro. O quadro 35 apresenta as respostas dadas pelas crianças sobre a atividade. Quadro 35 - Respostas das crianças do quarto grupo sobre a atividade 14 Nomes Respostas 1. Menina M “Raiva – Sinto-me com raiva quando a vida é injusta comigo.” 2. Menino N “Calmo – Sinto-me calmo quando estou a dormir.” 3. Menina O “ Carinhosa – Sinto-me carinhosa quando as pessoas são honestas comigo.” 4. Menina P “Felicidade – Sinto-me feliz quando estou com pessoas positivas.” 5. Menina Q “Pressionada – Sinto-me pressionada quando não correspondo às minhas expectativas.” 6. Menina R “Alegria – Sinto-me alegre quando venho para o atelier.” 7. Menina S “Solidão – Sinto solidão quando estou de férias.” 8. Menino T “Surpreendido – Senti-me surpreendido quando tive uma nota que não estava à espera.” A atividade da ação sete, permitiu-me ficar a conhecer a opinião das crianças sobre momentos que já passaram, tantos bons como menos bons. Os principais aspectos que retirei foram a confiança que as crianças têm comigo, falam abertamente e partilham os seus sentimentos e as suas emoções sem timidez. No final da sessão, tirei fotografias aos trabalhos, salvaguardando a proteção de identificação de cada criança, para juntar os trabalhos e realizar o livro de cada grupo. Este será para mais tarde recordar. As crianças gostaram muito desta atividade e ficaram trabalhos muito pessoais e criativos, levaram-os para casa para mostrarem aos seus familiares o que realizaram na sessão sobre as promoção das competências socioemocionais. Enquanto mediadora, senti que o meu trabalho evoluiu sessão após sessão, estive sempre confiante e motivada, facilitei a comunicação entre todos os intervenientes, a partir do respeito, da participação ativa e promovi as competências socioemocionais das crianças, em ambos os grupos de trabalho. Fiquei muito contente, porque a menina autista realizou este trabalho com a minha ajuda, saiu-lhe a emoção “alegria”, eu questionei “quando te sentes alegre”, ela respondeu “quando venho para o atelier”, depois numa folha de aguarela fez várias manchas com cores alegres. 83 Bardin, L. (2006). Análise de Contéudo. (70ªEd). Edições 70. Brandão, C. (2007). O que é a Educação. Editora Brasiliense-Coleção Primeiros Passos. Bell, J. (2004). Como realizar um projecto de investigação . (3ªEd). Gradiva. Bisquerra, R. (2000). Educacio  n Emocional y Bienestar. Wolters Kluwer Education. Bonafé-Schmitt, J. P. (2009). Mediação conciliação, arbitragem: técnicas ou um novo modelo de: regulação social? Em A. 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O Desenvolvimento Socioemocional em Idade Préescolar e o Programa Anos Incríveis para Educadores de Infância. Universidade de Coimbra. Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação. Vasconcelos, T. (2006) Etnografia: investigar a experiência vivida. In J. Lima & J. Pacheco (orgs.) Fazer Investigação . Contributos para a elaboração de dissertações e teses. Coleção Panorama. Porto Editora. Warburton, N. (2007). O que é a arte?. Editorial Bizâncio. 86 APÊNDICES 87 Apêndice 1 – Termo de consentimento Termo de consentimento Caros Encarregados de Educação, Eu, Letícia Silva, aluna da Universidade do Minho, frequento o Mestrado de Educação, especialização em Mediação Educacional. Estou a realizar o meu estágio no Atelier de expressão artística para criancas que os/as vossos/as educandos/as frequentam, sob orientação da Professora Maria Teresa Machado Vilaça, da Universidade do Minho e com o acompanhamento da responsável do Atelier. O meu trabalho surge como resposta à necessidade de desenvolver competências socio emocionais fulcrais nas criancas, com o intuito de estimular as aprendizagens, proporcionando desta forma, momentos de fantasia através da construção e da manipulação dos materiais plásticos/artísticos. Para aém disto, o projeto pretende também, valorizar e destacar a comunicação positiva, a cooperação, a reflexão construtiva, a confianca, a capacidade de gerir emoções e sentimentos sem julgamentos através da expressão artística. Nesse sentido, para além de os informar sobre o trabalho que me encontro a realizar, venho solicitar o consentimento para desenvolver algumas dinamicas com os/as vossos/as educandos/as. Com os melhores cumprimentos, Letícia Silva – a estagiária Porto, 30 de novembro de 2022 88 Termo de consentimento Eu, _________________________________________ encarregado/a de educação do/a educando/a ________________________________________, a frequentar o Atelier de expressão artística, autorizo a participação nas dinâmicas do projeto, desenvolver competencias socio emocionais a partir das atividades artísticas. Porto, ____ de ________________ 20___ ______________________________________________ (assinatura do Encarregado de Educação) 89 Apêndice 2 – Logótipos 90 Apêndice 3 – Estrutura dos diários de bordo Diário de Bordo Sessão nº____ Data: ___________ Grupo de Trabalho: ____ 1. Introdução 2. Desenvolvimento 3. Discursão do desenvolvimento 4. Reflexão 5. Aprendizagem 91 Apêndice 4 – Estrutura das notas de campo Notas de campo Sessão nº____ Data: ___________ Grupo de Trabalho: ____ 1. Observações: 2. Recursos Utilizados: 3. Comentários: 92 Apêndice 5 – Guião da entrevista 99  Fotografias (quarto grupo) 100 Apêndice 10 – Atividade 13 – Descodifica: “Bonito” e “Feio”  Planificação  Trabalhos – segundo grupo 101 Apêndice 11 – Atividade 14 - Livro artístico: O poder das emoções I e II  Ilustrações do livro I – segundo grupo de trabalho 102  Ilustrações do livro II – quarto grupo de trabalho 103 Apêndice 12 – Diário de bordo: sessão 15 Diário de Bordo Sessão nº 15 Data: 7 de fevreiro de 2023 Grupo de trabalho: Grupo 2 (6 aos 11 anos) No dia 7 de fevereiro, ocorreu a décima quinta sessão com o segundo grupo de trabalho. Depois de terminada a sessão com o primeiro grupo, fez-se um intervalo de meia hora. A estagiária e a acompanhante organizaram e prepararam o espaço e o material. A sessão foi orientada pela estagiária. Iniciou as propostas do projeto de estágio, intitulado de “EXPRESSARTE”. Este surge com o Intuito de estimular a aprendizagem, proporcionando desta forma, momentos de fantasia através da construção e da manipulação dos materiais plásticos, tendo como base os valores basilares – o respeito pelo outro, a comunicação, a empatia, a autoconfiança, entre outros. A sessão iniciou-se às 17h30min. A responsável explicou às crianças que era a estagiária a orientar as próximas sessões, onde iria realizar um projeto para o término da faculdade. A estagiária ficou contentíssima, pois quando a responsável do atelier terminou de lhes dizer, as expressões faciais das crianças transmitiram felicidade. Eles já se sentem confiantes e à vontade com a estagiária. Os meninos estavam sentados de volta das mesas e a estagiária explicou brevemente o seu projeto. Usou uma linguagem simples e clara. Posto isto, iniciou-se a primeira atividade, esta consistia na apresentação de todos os elementos do grupo. Foi intitulada de “Solta-te”, de salientar que a acompanhante também participou nesta. Realizou-se dentro da sala do atelier. A acompanhante começou, ela tinha o novelo (enrolou-o ao dedo). Apresentou-se durante um minuto. (O tempo foi cronometrado). Disse o seu nome, idade, cor preferida, passatempo favorito, animal de estimação, o que não gosta de fazer, o que mais gosta de fazer, entre outros. Disto feito, passou o novelo a outro menino e assim sucessivamente. Durante a realização da atividade, a estagiária ficou muito surpreendida, porque aqueles meninos mais tímidos, soltaram-se e falaram sem receio. O objetivo desta dinâmica era perceber os gostos, os receios, as potencialidades de cada criança. Até os colegas ficaram a conhecer melhor os amigos. No fim da atividade, originou-se com o novelo, uma teia, esta simbolizava a união/ligação de cada personalidade. Esta teve a duração de 15 minutos. Desta feita, questionei-os se tinham gostado ou não para fazer a avaliação da atividade: - Menina A: Gostei muito; - Menina B: Adorei a atividade; - Menina C: faltou; - Menina D: faltou; - Menina E: Adorei; - Menina F: Gostei da atividade; - Menina G: Gostei; - Menina H: Gostei muito; - Menino I: Gostei da atividade; 104 - Menina J: Adorei; - Menino K: Eu gostei da atividade; - Menino L: Gostei muito da atividade. Passou-se para a segunda atividade, intitulada de “Sobre mim...” O objetivo era compreender o que as crianças gostam de fazer no atelier e quais são os seus receios, foi alcançado. A dinâmica realizou-se dentro da sala do atelier. Em primeiro lugar, mandei sentar as crianças. Depois, pedi a duas crianças que distribuíssem as folhas A3, estas já estavam preparadas, divididas em quatro retângulo. O primeiro: o que gostas mais de fazer; o segundo: o que não gostas tanto de fazer; o terceiro: o que é para ti o atelier; o quarto: quais são os teus receios/inseguranças? A estagiária leu e explicou cada quadrado. Deu as duas possibilidades de escrever ou desenhar, todos desenharam, houve quem escrevesse por baixo da representação. Para a realização da tarefa utilizaram marcadores, lápis de cor, guaches sólidos (foram os materiais propostos pela estagiária). Maior parte dos meninos fizeram o contorno do desenho com o marcador preto fino. Verificou-se que estavam a fazer o desenho muito perfeito, a estagiária disse-lhes que não seria para avaliar, era para os conhecer melhor – soltarem-se e libertarem-se. No final da atividade, a estagiária questionou as crianças se tinham gostado da atividade para fazer a avaliação desta. 1. Menina B – “Gosto de desenhar; não gosto de andar sozinha; o atelier para mim é pintar; tenho medo de aranhas”; 2. Menino G – “Gosto de jogar jogos de terror; não gosto do meu vizinho; o atelier para mim é desenhar; tenho medo de saltar de um prédio”; 3. Menino I – “Gosto de desenhar; não gosto de estar parado; o atelier para mim é pintar; tenho medo de bichos feios;” 4. Menina E – “Gosto de cozinhar; não gosto de andar com o meu vizinho; o atelier para mim é arte; tenho medo de andar de barco;” 5. Menina H – “Gosto de desenhar; não gosto de pessoas que me sigam; para mim o atelier é um túnel de arte; tenho medo de aranhas;” 6. Menino K – “Gosto de jogar à bola; não gosto de chuva; o atelier para mim é desenhar; tenho medo de escorpiões;” 7. Menino L – “Gosto de jogar; não gosto de minhocas; para mim o atelier é desenhar e brincar; tenho medo da guerra;” 8. Menina J – “Gosto de cozinhar; não gosto de esperar pelos outros; o atelier para mim é cor e alegria; tenho medo de um tsunami;” 9. Menina F – “Gosto de pintar; não gosto de correr; para mim o atelier é giro e gosto de trabalhar com barro; tenho medo de tubarões”; 10. Menina A – “Gosto de unicórnios e fiquei muito feliz por ter tirado a máscara; não gosto de usar máscara; o atelier para mim é pintar; tenho medo de estar sozinha;” 11. Menina C – faltou; 12. Menina D – faltou. A atividade teve a duração de 30 minutos. A estagiária entregou a cada criança um quadradinho informativo com os temas que ia abordar durante as sessões, por exemplo, Autoconfiança, Autoconhecimento, entre outros. Ela terminou a sessão muito realizada, pois as crianças gostaram das dinâmicas e realizaramnas de bom agrado. As palavras-chave foram: autoconfiança; autoconhecimento; diálogo. 105 Durante a realização das atividades nem sempre foi fácil a máxima atenção das crianças. Houve momentos de conversa, de inquietação, de insegurança, mas os objetivos foram cumpridos. O comportamento foi melhorando, no entanto, os mais faladores eram o menino G e L e a menina H. O menino G e a menina L frequentavam a mesma turma, são os melhores amigos e estão sentados juntos na sessão. Havia desconcentração e o diálogo era constante. Para combater esse aspeto, separei-os incentivei-os a realizaram as atividades sem medos e inseguranças. Trabalhei também, a autoconfiança de cada um para se sentirem mais à vontade em falar comigo. Fiquei a conhecer cada criança, as atividades permitiram-me compreender em que sentido tinha de intervir. Aspeto importante desta sessão foi a colaboração e empenho de todos. A estratégia que usei foi a do comportamento, não devo estar sempre a chamar atenção, mas usar métodos que retenham o foco, a motivação e o interesse deles nas tarefas. Às 18h30min, a sessão terminou. As crianças saíram do atelier felizes. No final a estagiária analisou os trabalhos de cada criança e percebeu que todos gostam de frequentar o atelier. Este “é cor e alegria”, todos gostam de desenhar e de pintar. É um espaço onde se fazem muitas amizades. Nesta primeira ação, enquanto mediadora, a insegurança e o receio estiveram presentes. Consegui facilitar o diálogo e a escuta ativa entre todos, a partir do respeito pelo outro e coloquei a criatividade das crianças em funcionamento. Para a realização destas tarefas foram necessários vários materiais. Para a primeira: um novelo; para a segunda: folhas A3; marcadores; lápis de cor; guaches sólidos. 106 Apêndice 13 – Quadradinhos informativos 107 Apêndice 14– Questionário e questões do Momento Auto(reflete) 108 Apêndice 15 – Inquérito por questionário: Avaliação final O presente questionário tem como objetivo perceber aquilo que foi para ti o projeto que desenvolvemos durante o ano. Este questionário não é um teste e, por isso, não existem respostas certas ou erradas. O questionário é anónimo. Por favor, responde com sinceridade. Ano de escolaridade: ______ Idade: ____ Género: Feminino Masculino 1. Gostaste de participar nas atividades desenvolvidas no projeto? (Sim) (Mais ou menos) (Não) 2. As atividades desenvolvidas no projeto fizeram-te aprender mais? (Sim) (Mais ou menos) (Não) 2.1. Quais foram as três coisas mais importantes que aprendeste? _____________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________ 3. Das atividades seguintes, seleciona as que gostaste mais (+): (1) Sobre mim! (8) Expressão corporal: Guia-me! (2) Solta-te! (9) Desenho cego: Emoção (3) (Auto)Retrato (10) Descodifica: Bonito e Feio (4) Quem sou eu? (11) Segue-me! Lugar do outro (5) Expressão corporal: Emoções (12) Coloca-te no lugar do outro! (6) Representação das emoções a partir da linha (13) Livro: O poder das Emoções! (7) (Narrativa) O meu estado emocional! 3.1. Explica por que gostaste mais dessas atividades.