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Universidade do Minho Escola de Letras, Artes e Ciências Humanas Madalena de Amorim Barros Comunicação digital de ciência: criação de conteúdos com Inteligência Artificial no ITQB NOVA janeiro de 2024 Comunicação digital de ciência: criação de conteúdos com Inteligência Artificial no ITQB NVA Madalena Barros UMinho | 2024
Universidade do Minho Escola de Letras, Artes e Ciências Humanas Madalena de Amorim Barros Comunicação digital de ciência: criação de conteúdos com Inteligência Artificial no ITQB NOVA Relatório de estágio Mestrado em Humanidades Digitais Trabalho efetuado sob a orientação de Professora Doutora Sílvia Lima Gonçalves Araújo e Professora Doutora Maria Elsa Sousa Costa e Silva de Morais janeiro de 2024
i DIREITOS DE AUTOR E CONDIÇÕES DE UTILIZAÇÃO DO TRABALHO POR TERCEIROS Este é um trabalho académico que pode ser utilizado por terceiros desde que respeitadas as regras e boas práticas internacionalmente aceites, no que concerne aos direitos de autor e direitos conexos. Assim, o presente trabalho pode ser utilizado nos termos previstos na licença abaixo indicada. Caso o utilizador necessite de permissão para poder fazer um uso do trabalho em condições não previstas no licenciamento indicado, deverá contactar o autor, através do RepositóriUM da Universidade do Minho. Licença concedida aos utilizadores deste trabalho Atribuição-NãoComercial-SemDerivações CC BY-NC-ND https://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0/
ii Agradecimentos A conclusão deste trabalho de mestrado foi uma jornada transformadora, que eu não poderia ter empreendido sem o apoio inabalável de pessoas incríveis que me acompanharam ao longo do caminho. Em primeiro lugar, estendo a minha profunda gratidão à minha orientadora, Sílvia Araújo. Não me recordo de um momento em que não teve certeza e segurança das minhas capacidades como profissional e como indivíduo. Fez-me ultrapassar limites, mesmo quando a dúvida se instalava e mesmo assim não estremecia. Não foi apenas uma professora, mas uma fonte de motivação sem fim. Esta confiança em mim foi uma luz orientadora ao longo de todo este esforço e, por isso, estou eternamente grata. Sem si, não teria esta oportunidade. Agradeço igualmente à minha co-orientadora, Elsa Silva, que se juntou a esta viagem sem aviso prévio, mas que mesmo assim não hesitou. A sua disponibilidade e apoio inabalável no complexo do domínio da comunicação foram fundamentais para o meu sucesso. A abertura para me guiar em águas desconhecidas não passou despercebida e estou-lhe verdadeiramente grata. Para a minha mãe, que acreditou em mim constantemente e me apoiou ao longo do percurso académico e da minha vida, que tem sido a pedra angular das minhas conquistas. O teu amor e o teu encorajamento têm sido os meus pilares de força. Aos meus lindos avós Linos, que sempre depositaram o seu orgulho em mim e o seu apoio incondicional, mesmo quando as minhas práticas académicas estavam para além da vossa compreensão, significaram mares e mundos para mim. Para quem só me quer ver feliz, foram uma força motriz. Devo-vos tudo o que me deram e mais. Aos meus amigos, que sabem bem quem são, não precisando mencionar nomes. O vosso apoio nos momentos de maior dúvida e nos dias mais escuros, a vossa insistência em que eu me mantenha fiel a mim própria e o vosso encorajamento para atingir todo o meu potencial tem sido inestimável. Que a nossa amizade seja para sempre este tesouro que eu tenho um orgulho enorme de manter.
iii Ao meu orientador, Luís Morgado, que me ajudou a mergulhar (com braçadeiras) no mundo do design visual, produção de vídeo e todos os elementos criativos, que enriqueceram a minha vida profissional. O teu coração puro e as ações atenciosas deixaram uma marca indelével e estou grata pelas oportunidades que proporcionaste e os ensinamentos que adquiri. Agradeço à Rita, ao Afonso, à Ana, à Ivana, à Renata, à Andreia e à Maria João, que foram uma equipa excecional durante os quatro meses de estágio e que não trocaria por outra. A vossa compreensão do meu percurso, a vossa disponibilidade para ouvirem opiniões de alguém de outra área e o vosso apoio e força para me fazerem crescer foram verdadeiramente apreciados e que nunca vou esquecer. Obrigada pela camaradagem, pelas gargalhadas e por me esclarecerem sobre assuntos científicos que para vocês eram uma segunda natureza (vou fazer a fotossíntese e já volto). À Universidade do Minho que foi a minha segunda casa, proporcionando-me aprendizagens que alimentaram o meu crescimento para me tornar na pessoa que sou hoje. A Braga, que me ofereceu os melhores anos da minha vida e que guardarei para sempre as memórias. Por último, dedico todo este relatório e projeto à minha avó, Maria do Rosário. Uma estrela-guia e um modelo a seguir, que me impulsionou a alcançar tudo aquilo a que sempre aspirei. Sempre acreditaste em mim e muitas vezes viste um futuro que eu própria não imaginava. Nunca desististe de mim e, graças a ti, posso entregar e apresentar ao mundo este projeto com orgulho. Moldaste-me na pessoa que sou e estou profundamente orgulhosa de te levar comigo a vida toda. Deixa-me retribuir o impacto que tiveste em mim, partilhando esta vitória contigo, e honrar-te. Conseguimos, avó. Amo-te mil. Esta viagem foi um esforço coletivo e estou grata a cada um de vós por terem desempenhado um papel importante no meu sucesso e na entrega deste projeto. Juntos, atingimos novos patamares e estou ansiosa por partilhar os conhecimentos e experiências adquiridos com o mundo, devido a toda à força que me deram e por nunca terem duvidado de mim. Muito obrigada!
iv DECLARAÇÃO DE INTEGRIDADE Declaro ter atuado com integridade na elaboração do presente trabalho académico e confirmo que não recorri à prática de plágio nem a qualquer forma de utilização indevida ou falsificação de informações ou resultados em nenhuma das etapas conducentes à sua elaboração. Mais declaro que conheço e respeitei o Código de Conduta Ética da Universidade do Minho.
v Comunicação digital de ciência: criação de conteúdos com Inteligência Artificial no ITQB NOVA Resumo Neste relatório de estágio, destaco a importância da minha experiência no Gabinete de Imagem e Comunicação do ITQB NOVA e no projeto "Simplesmente Ciência", onde foi explorada a utilização da Inteligência Artificial (IA) na simplificação de artigos científicos em guiões adequados à criação de conteúdos para um público-alvo leigo. O estudo não só aprofunda os fundamentos teóricos deste processo transformador, como também relata as experiências desenvolvidas durante os quatro meses de estágio no ITQB NOVA, onde foram aperfeiçoadas inúmeras competências de comunicação. Este relatório conclui com uma descrição pormenorizada do desenvolvimento e implementação do programa “Simplesmente Ciência”, evidenciando a aplicação prática da IA neste contexto único. Assim, é possível observar a possibilidade de criar conteúdos digitais a partir da IA para a comunicação de ciência, embora ainda com a necessidade de interação e otimização humana, permitindo analisar em que áreas é necessário este melhoramento. O projeto "Simplesmente Ciência" é destacado como uma contribuição relevante e inovadora, mostrando como as Humanidades Digitais podem criar projetos interdisciplinares e multimodais que integram a comunicação de ciência, o mundo digital e a IA. Palavras-chave: Comunicação digital; comunicação de ciência; simplificação de texto; criação de conteúdos; inteligência artificial.
vi Digital communication of science: content creation with Artificial Intelligence at ITQB NOVA Abstract In this report, I emphasize the significance of my experience during my internship at the Communication and Image Office of ITQB NOVA and the "Simplesmente Ciência" (“Simply Science”) project, where the use of Artificial Intelligence (AI) in simplifying scientific articles into scripts suitable for creating content for a lay audience was explored. The study not only delves into the theoretical foundations of this transformative process but also recounts the experiences developed during the four-month internship at ITQB NOVA, where numerous communication skills were honed. This report concludes with a detailed description of the development and implementation of the "Simplesmente Ciência" show, highlighting the practical application of AI in this unique context. Therefore, it is possible to observe the potential for creating digital content using AI for science communication, albeit with the need for human interaction and optimization, allowing for an analysis of areas where improvement is required. The "Simplesmente Ciência" project is highlighted as a relevant and innovative contribution, demonstrating how Digital Humanities can create interdisciplinary and multimodal projects that integrate science communication, the digital world and AI. Keywords: Digital communication; science communication; text simplification; content creation; artificial intelligence.
xiii Figura 28 - Screenshot do copy para a cerimónia do Dia do ITQB 2023 ............................................. 56 Figura 29 - Screenshot da transcrição do vídeo em Adobe Premiere Pro ............................................ 58 Figura 30 - Protótipo das senhas do workshop de "Visita ao Centro de Ressonância Magnética Nuclear António Xavier" para impressão ........................................................................................................ 59 Figura 31 - Bolo do Dia Aberto 2023 do ITQB NOVA .......................................................................... 59 Figura 32 - Conjunto de fotos desenvolvidas para o Dia da Mãe, promovendo o Dia Aberto ITQB NOVA 2023 ................................................................................................................................................ 60 Figura 33 - Investimento (em dias) em cada atividade durante o estágio ............................................ 62 Figura 34 - Estrutura do projeto ........................................................................................................ 65 Figura 35 - Estrutura do protocolo ..................................................................................................... 66 Figura 36 - Procedimentos para o desenvolvimento do programa “Simplesmente Ciência” ................ 68 Figura 37 - Estrutura geral de todos os guiões criados pelo ChatGPT ................................................. 72 Figura 38 - Imagem do primeiro questionário .................................................................................... 73 Figura 39 - Primeira imagem do segundo questionário ...................................................................... 74 Figura 40 - Segunda imagem do segundo questionário ...................................................................... 75 Figura 41 - Terceira imagem do segundo questionário ....................................................................... 75 Figura 42 - Estrutura da aplicação prática do "Simplesmente Ciência"" ............................................. 78 Figura 43 - Gráfico de circular da distribuição das correções no total ................................................. 80 Figura 44 - Gráfico de barras empilhadas da distribuição de correções por tipo ................................. 81 Figura 45 - Escolha dos cientistas entre os dois guiões ...................................................................... 82 Figura 46 - Análise referente à pergunta 1......................................................................................... 85 Figura 47 - Análise referente à pergunta 2......................................................................................... 86 Figura 48 - Análise referente à pergunta 3......................................................................................... 87 Figura 49 - Análise referente à pergunta 4......................................................................................... 88 Figura 50 - Análise referente à pergunta 5......................................................................................... 89 Figura 51 - Análise referente à pergunta 6......................................................................................... 90 Figura 52 - Análise referente à pergunta 7......................................................................................... 91 Figura 53 - Tipos de livros lidos em diferentes níveis e os valores que indicam legibilidade "básica", "média" e "avançada" de acordo com o Flesch Kincaid Grade Level ................................................. 94 Figura 54 - Valores do índice do Gunning Fog Grade Level relacionado ao nível de leitura .................. 94 Figura 55 - Código para selecionar o documento “text_data” ............................................................ 95 Figura 56 - Código da variável "Palavras Únicas" .............................................................................. 95
xiv Figura 57 - Código dos três índices de legibilidade ............................................................................ 95 Figura 58 - Código para análise de sentimento da biblioteca VADER .................................................. 96 Figura 59 - Código para análise de sentimento da biblioteca TextBlob ................................................ 96 Figura 60 - Boxplots de todas as variáveis, exceto da análise de sentimento ...................................... 99 Figura 61 - Relação entre Termos Científicos Únicos e Flesch Reading Ease .................................... 101 Figura 62 - Gráfico circular de distribuição de erros por tipo ............................................................ 103 Figura 63 - Gráfico de barras empilhadas para a visão geral dos erros por tipo e investigador .......... 104 Figura 64 - Screenshot da pasta criada na plataforma Pinterest utilizada para inspiração ................. 107 Figura 65 - Imagem base para o logótipo do "Simplesmente Ciência" ............................................. 108 Figura 66 - Ideias concebidas para logótipo do Simplesmente Ciência inspiradas na analogia do novelo de lã............................................................................................................................................... 108 Figura 67 - Ideias concebidas para logótipo do Simplesmente Ciência inspiradas nos elementos científicos ...................................................................................................................................................... 109 Figura 68 - Palete de cores com código HEX (Hexademical) ............................................................ 109 Figura 69 - Logótipo final do programa “Simplesmente Ciência” ...................................................... 110 Figura 70 - Pespetiva 1 da sala de gravação .................................................................................... 111 Figura 71 - Perspetiva 2 da sala de gravação .................................................................................. 112 Figura 72 - Screenshot do teaser do “Simplesmente Ciência” que demonstra um dos elementos visuais ...................................................................................................................................................... 113 Figura 73 - Calendário do mês 1 do "Simplesmente Ciência" .......................................................... 114 Figura 74 - Calendário do mês 2 do "Simplesmente Ciência" .......................................................... 114 Figura 75 - Tempo investido (em dias) em cada atividade na produção do “Simplesmente Ciência” . 116 Figura 76 - Resumo de todos os tópicos referidos durante o estágio no ITQB NOVA ......................... 118 Figura 77 - Resumo de todos os tópicos referidos durante o desenvolvimento do "Simplesmente Ciência" ...................................................................................................................................................... 119
xv Lista de tabelas Tabela 1 - Informação dos investigadores, a sua área, o seu artigo e o resumo do mesmo................. 69 Tabela 2 - Opções de escolha dos investigadores .............................................................................. 79 Tabela 3 - Guiões escolhidos pelos investigadores ............................................................................. 84 Tabela 4 - Nível de dificuldade com os valores dados pelo Flesch Reading Ease Formula ................... 93 Tabela 5 - Valores de análise dos guiões ........................................................................................... 97
1 Introdução Num mundo inundado de informação, a comunicação eficaz torna-se o farol que guia a sociedade através do mar do conhecimento. No nexo desta junção crítica, encontra-se a necessidade de simplificar ideias complexas e torná-las acessíveis a todos, independentemente da sua formação ou conhecimentos prévios, de forma a resistir ao desejo inato de complicar. Esta aspiração catalisou uma viagem imersiva e transformadora, em que as fronteiras da comunicação científica tradicional seriam desafiadas e redefinidas. Esta é a narrativa de uma odisseia iniciada nos corredores do ITQB NOVA. Em primeiro lugar, procura-se desvendar a questão profunda do propósito: qual é o objetivo global de um envolvimento com o departamento de Comunicação do ITQB NOVA? Mergulhando nos remoinhos desta questão, embarca-se numa busca de compreender as motivações e ambições intrínsecas que estão na base do envolvimento de alguém com esta estimada instituição. Através da introspeção e da análise, procura-se desvendar as aspirações fundamentais que levam a contribuir para o campo da comunicação de ciência. Simultaneamente, concentra-se na segunda questão, uma que ressoa profundamente com o potencial transformador da tecnologia contemporânea: será viável aproveitar o poder da Inteligência Artificial (IA) como meio de comunicar eficazmente o conhecimento científico à sociedade em geral? Mais especificamente, podem os mecanismos de IA servir como canais para disseminar descobertas inovadoras do ITQB NOVA para um público global através das plataformas online? Na prossecução deste relatório (e investigação exploratória), procura-se avaliar a fiabilidade e eficácia da IA na produção e entrega de conteúdos cientificamente orientados ao público. Esta questão central exige uma exploração da interface crescente entre a IA e a comunicação de ciência, sondando o potencial e as limitações desta interseção. Ancorado num estágio de quatro meses no Gabinete de Comunicação e Imagem do ITQB NOVA, este estudo procura simultaneamente imergir e aumentar a capacidade do departamento. Tratava-se de um esforço não só para dominar os meandros do departamento, dentro da área da comunicação e todos os domínios a si relacionados, mas também para criar um legado profundo – um projeto que iria aproximar a ciência e a comunidade leiga, um programa batizado como “Simplesmente Ciência”. A principal intenção por detrás desta iniciativa foi libertar todo o potencial do estágio. Para além das funções e responsabilidades normais que uma oportunidade destas implica, existia a determinação no desejo de criar, inovar e revolucionar. O culminar desta aspiração levou à conceção e desenvolvimento do “Simplesmente Ciência”, uma iniciativa pioneira destinada a desmitificar a ciência feita nos
2 laboratórios do ITQB NOVA para aqueles com pouca ou nenhuma literacia científica. O que torna este projeto distintivo é a infusão da IA, uma ferramenta potente que colaboraria na simplificação de conteúdos científicos complexos – criando a possibilidade de análise do seu desempenho. Esta investigação abrangente desenrola-se nas páginas deste documento, meticulosamente estruturado para se aprofundar em três domínios distintos, mas interligados. Em primeiro lugar, o enquadramento teórico navegará pelos domínios da Comunicação de Ciência, da Comunicação Digital, da simplificação de texto e da IA. Em segundo lugar, o enquadramento prático revela os frutos de quatro meses de trabalho intensivo no seio do Gabinete de Comunicação e Imagem do ITQB NOVA, apresentando um relato em primeira mão do desenvolvimento de competências e da aquisição de conhecimentos, especialmente focados na organização do Dia Aberto 2023 do instituto. Por último, será contada a jornada do “Simplesmente Ciência”, desde a sua conceção e design até à sua iteração final, abrangendo todas as facetas da sua criação e desenvolvimento. Com o concluir desta narrativa, o documento culminará num crescendo de considerações finais, uma sinfonia de pensamentos e conhecimentos adquiridos ao longo desta aventura. Para além disso, servirá como bússola que aponta para horizontes futuros, sugerindo potenciais vias para uma maior exploração e inovação inspiradas pelos conhecimentos recolhidos nesta viagem académica e profissional. Este relatório não é só um diário de bordo; é um testemunho do compromisso inabalável de ultrapassar os limites da Comunicação de Ciência e da Comunicação Digital. É uma viagem ao coração da IA, onde o poder da tecnologia converge com a arte de criação de conteúdos para transmitir conhecimento. É um testemunho da ideia de que, na fusão da inovação, da paixão e do conhecimento, encontramos a alquimia que pode transformar até os assuntos mais complexos em algo “simplesmente” acessível a todos. Figura 1 - Estrutura apresentada no relatório Fonte: elaboração própria
3 1. Enquadramento teórico Numa era definida por avanços sem precedentes nos domínios da ciência e a tecnologia, a comunicação, enquanto disciplina, sofreu uma profunda metamorfose. Deste modo, encontramo-nos no ponto de convergência de várias forças fulcrais: a Comunicação, a simplificação de texto e a IA. Cada um destes elementos, individualmente influentes, reformulam coletivamente os nossos paradigmas no que diz respeito à disseminação e à compreensão da informação e ao seu papel fundamental na nossa sociedade centrada na informação. A interação dinâmica entre estes domínios oferece uma perspetiva esclarecedora sobre as transformações a que se assistiram nos últimos anos. Assim, somos convidados a explorar as possibilidades intrigantes que prometem para o futuro. Este relatório explora a Comunicação como um todo, aprofundando e focando-se na Comunicação Organizacional, Comunicação Estratégica e Relações Públicas (RP). Estas disciplinas são vitais para a navegação nas complexidades do panorama comunicativo. Outro tópico a examinar é o da Comunicação de Ciência, discernindo o seu significado como ponte vital entre o mundo da descoberta científica e a compreensão do público. Além disso, a omnipresença da Comunicação Digital em todos os domínios da Comunicação é notável, sendo indiscutível o seu desenvolvimento. Assim, o presente relatório tem por objetivo fornecer uma compreensão concisa e abrangente do papel da comunicação na nossa sociedade contemporânea e da importância da comunicação de ciência neste ambiente dinâmico. Figura 2 - Correlação do primeiro ponto do enquadramento teórico Fonte: elaboração própria
4 Além disso, aprofundar-se-á o tema da simplificação de texto, uma ferramenta indispensável para tornar informações complexas compreensíveis para um espetro mais alargado de indivíduos, alheios ao tópico que por si esteja a ser abordado. Nesta, comparar-se-á ao resumo de texto, como é que se avalia a sua legibilidade e compreensão textual e, ainda, à sua automatização – simplificação automática de texto. Correlacionado a este último, referir-se-á como a integração da IA generativa (apêndice 1) surge como um catalisador transformador. Esta, dotada de capacidades computacionais notáveis, inaugurou uma nova era na comunicação, permitindo processar, analisar e produzir conteúdos textuais com uma velocidade e precisão sem paralelo (Hortmann, 2019). Figura 3 - Correlação do segundo e terceiro ponto do enquadramento teórico Fonte: elaboração própria Em conjunto, estes domínios constituem uma rica tapeçaria de conhecimentos que não só reconfigura os métodos de transmissão de conhecimentos científicos, como também desafia a adotar estratégias de comunicação mais inclusivas, transparentes e eficazes, em especial quando se trata de interagir com públicos diversificados. Assim, aprofunda-se a análise destes domínios, a forma como estas se interligam e as perspetivas aliciantes que apresentam.
5 Figura 4 - Estrutura do enquadramento teórico Fonte: elaboração própria 1.1 Comunicação A Comunicação é algo intrínseco ao ser humano, que o acompanha desde o momento do seu nascimento e é a partir dela que se forma um ser com cultura. Esta cultura será “orientadora das suas relações sociais, transformadora do ambiente natural, reguladora das suas atividades e conduta” (Beltrão, 1975, p. 4). Assim, o Homem torna-se um ser culturalmente social, em que a partir da Comunicação aprende cultura e sente a importância de comunicar entre si. Na sua essência, a Comunicação é a base sobre a qual as sociedades são construídas. Permite a partilha de conhecimentos, a promoção de relações e a troca de informações culturais, sociais e científicas. Ao longo dos anos de história, a evolução da Comunicação tem sido nada menos do que notável. Os mecanismos através dos quais comunicamos têm assistido a uma marcha incessante de progresso, desde a palavra falada e a escrita até ao advento da imprensa, do telégrafo e do telefone. Cada salto tecnológico impulsionou a humanidade ao longo do contínuo de interconexão e compreensão.
6 Estes meios de comunicação levaram à origem da Ciência da Comunicação. Dentro desta, encontramos diversas áreas tais como a Comunicação Organizacional, a Comunicação Estratégica, as RP, a Comunicação de Ciência e, por fim, a Comunicação Digital. 1.1.1 Comunicação Organizacional, Comunicação Estratégica e Relações Públicas A Comunicação Organizacional é o sangue vital que corre nas veias de qualquer empresa, servindo de base para o trabalho de uma equipa eficaz, a colaboração e a tomada de decisões informadas. Ainda que a dedicação de recursos a esta função seja relativamente recente na história das organizações, estas começaram a dedicar cada vez mais a devida atenção às suas atividades de comunicação, que hoje em dia são amplamente incorporadas por uma prática essencial no seu funcionamento diário (Silva et al., 2016). No cenário complexo e interligado das empresas e instituições modernas, é a troca sistemática e intencional de informações, ideias e mensagens que permite uma coordenação perfeita, fomenta um sentido partilhado de objetivos e facilita a concretização de objetivos organizacionais (e, por sua vez, estratégicos). Profundamente influenciado pelos avanços tecnológicos, pela diversidade cultural e pela evolução dos canais de comunicação, o campo da comunicação organizacional representa um domínio dinâmico e indispensável, no qual os profissionais aproveitam o poder da comunicação para garantir que a mensagem de uma organização é clara, que os seus processos internos são eficientes e que as suas relações externas são cultivadas com requinte. A necessidade de supervisionar ativamente as redes sociais está em constante crescimento, evoluindo para um elemento distintivo de vantagem competitiva. Adquirir entendimento sobre os tópicos de discussão relacionados à marca ou à organização, administrar essas informações e responder com celeridade tornam-se prerrogativas fundamentais (Mesquita et al., 2020). Esta disciplina não só conhece o significado do que é dito, mas também enfatiza a forma como é transmitido, recebido e interpretado, tornando-o um elemento essencial na tapeçaria das operações empresariais modernas e na obtenção de um sucesso sustentado. Dentro da Comunicação Organizacional, a Comunicação Estratégica envolve o planeamento e a execução deliberados de mensagens para atingir os objetivos específicos. Esta pode ser conceituada como aquela que confere uma dimensão de valor tanto à entidade organizacional quanto à sociedade em geral. Isso deve-se à relevância peculiar de todas as esferas que compõem as interações mantidas pelas empresas e instituições, visto que desempenham um papel singular na preservação, consolidação e salvaguarda da imagem corporativa, bem como na promoção da criação de valor em âmbito
7 organizacional (Nassar, 2005). A Comunicação Estratégica engloba a identificação de públicos-alvo, a elaboração de mensagens personalizadas (a partir do copywriting ) e a seleção de canais de divulgação adequados. Uma comunicação estratégica eficaz garante que as mensagens chave de uma organização estejam alinhadas com a sua missão e valores, promovendo a clareza e a coerência nas suas interações com as partes interessadas. Além disso, permite às organizações gerir crises de forma proativa, resolver problemas e aproveitar oportunidades, salvaguardando assim a sua reputação e credibilidade. É possível resumir, de acordo com Balsa (2018) que “a Comunicação Estratégica segue eminentemente uma lógica estratégica, posto que visa estabelecer uma metodologia (conjunto de ações e decisões a serem implantadas) que visa alcançar objetivos específicos de partida” (p. 12). Por outro lado, no universo da Comunicação Estratégica, as Relações Públicas (RP) centram-se em particular na construção e no desenvolvimento de relações com várias partes interessadas, incluindo clientes, empregados, investidores e a comunidade em geral. Envolve esforços estratégicos para gerar confiança através da transparência, da capacidade de resposta e de práticas éticas. Os profissionais de RP são um elemento-chave da Comunicação Organizacional, desempenhando um papel fundamental na divulgação de informações, na gestão de perceções e na redução de potenciais riscos para a reputação. Servem de ponte entre uma organização e os seus públicos, assegurando que os esforços de comunicação se alinham com os objetivos estratégicos mais amplos. Para complementar a definição de RP, adiciona-se que As Relações Públicas trabalham, então, no sentido de conseguir a aceitação da organização, demonstrando o seu carácter de intencionalidade, junto dos vários públicos, conseguindo-o através da criação de estratégias comunicacionais para públicos distintos, sempre numa perspetiva de enquadramento na atividade e valores organizacionais. As Relações Públicas mostram a sua utilidade na aproximação da organização aos seus públicos e vice-versa. Todas as ações comunicativas buscam esta proximidade, que pode ser mais potenciada pelas ferramentas e tecnologias de comunicação digital e em rede, que facilitam as trocas de informação entre os seus utilizadores. (Magalhães, 2015, p. 57)
14 Figura 5 - Homo Scientificus ou a evolução das relações ciência/sociedade Fonte: Lemos et al. (2007) Mesmo assim é necessário referir os equívocos comuns, que são os seguintes: A comunicação científica nem sempre provoca um aumento imediato da literacia científica. Mas muitos participantes poderão sentir um interesse acrescido pela ciência ou uma mudança de atitude em relação a ela que, mais tarde, poderá conduzir a uma maior literacia científica. Parte-se muitas vezes do princípio incorreto de que a comunicação científica se destina exclusivamente ao público leigo, mas não é esse o caso. Os profissionais e mediadores da ciência, bem como outros grupos relacionados com a ciência, incluindo empresas científicas, políticos, decisores e membros dos meios de comunicação social, podem beneficiar da utilização dos instrumentos da comunicação científica para partilhar mensagens científicas. Além disso, a necessidade de explicar questões complexas em termos leigos pode conduzir a novas perspetivas sobre um tema e a uma compreensão mais profunda do domínio por parte do profissional. A ciência é, na realidade, uma extensa cadeia de montanhas (ou seja, múltiplas literacias) e não um único pico. Há muitas áreas diferentes de S&T ( science and technology , em português, ciência e tecnologia), bem como outras literacias culturais, espalhadas pelo plano horizontal dos domínios, e cada uma delas pode ser considerada uma montanha por direito próprio. Por
15 exemplo, Paisley identificou pelo menos 44 grandes literacias temáticas em jornais e meios de comunicação social populares nos EUA, abrangendo áreas como negócios, computadores, saúde, informação, meios de comunicação social, política, religião e tecnologia. O perfil de cada pessoa (a extensão da literacia, numa variedade de domínios) é único, mas mudará ao longo do tempo à medida que o indivíduo “...aprende, ou esquece, competências e conhecimentos científicos, ou passa a valorizar diferentes domínios de novas formas”. Os cientistas não estão no topo da montanha e o público leigo na base. Embora alguns cientistas possam estar no topo de uma ou duas montanhas, estarão no sopé de muitas mais. “De facto, dado o estado atual da especialização científica, a ignorância sobre um determinado domínio da ciência é quase tão grande entre os cientistas que trabalham noutro domínio como entre os leigos”. Todas as pessoas estão algures entre uma planície e um pico. (Burns et al., 2003, pp. 192-193) Assim, a comunicação de ciência desempenha um papel crucial na promoção do interesse e na mudança de atitudes. Não se destina exclusivamente ao público em geral, mas é relevante para todos os profissionais da ciência (dentro do mesmo domínio científico e de outros) e de outras áreas referidas anteriormente. O perfil da literacia de cada indivíduo é único e evolui com o tempo. Além disso, a ideia de que os cientistas ocupam a mais alta hierarquia de conhecimento é posta em causa, uma vez que a especialização pode criar lacunas de conhecimento mesmo entre os cientistas, posicionando todos num contínuo entre a compreensão básica e a especialização de vários domínios. Esta ideia corrobora que a comunicação de ciência é uma ferramenta multifacetada que, embora não constitua uma solução imediata para a literacia científica, desempenha um papel vital no cultivo do interesse e na reformulação de atitudes. Tem uma relevância mais vasta para além do público leigo, envolvendo várias partes interessadas. A literacia científica abrange diversas áreas, evoluindo individualmente e desafiando a noção de um único pico de conhecimento. Questiona igualmente a ideia de que os cientistas são os detentores finais do conhecimento, realçando a continuidade da compreensão em diferentes domínios. A seguinte imagem é utilizada por Burns et al. (2003) de forma a representar a analogia da montanha. Esta apresenta “a estrutura unificadora que reúne a sensibilização do público para a ciência,
16 a cultura científica, a literacia científica e a comunicação de ciência num grande geral da ciência e sociedade” (Burns et al., 2003, p. 193). Figura 6 - A analogia da montanha Fonte: Burns et al. (2003, p. 193) As ferramentas de Comunicação Digital, como as redes sociais, os podcasts, os webinars e os websites interativos, surgiram como aliados inestimáveis para colmatar a lacuna entre os cientistas e o público em geral. De acordo com Besley & Tanner (2011) o público tem contacto com a Ciência “através das notícias e dos media, mas também pela interação com aqueles que comunicam a Ciência. Geralmente, a Ciência é transmitida ao público leigo através de jornais, revistas, TV e internet” (p. 239). Ao falar da Comunicação de Ciência, aprofunda-se a intrincada arte de “traduzir” o jargão científico em informação digerível à sociedade, tal como se explora os desafios e oportunidades oferecidas pelo domínio digital. Na constante evolução da era digital, torna-se bastante claro que a fusão da Ciência e da Comunicação Digital é indispensável na tentativa de promover estes conteúdos, criando (ou até desenvolvendo) uma sociedade cientificamente instruída e informada. Bucchi & Trench (2010) reforçam esta ideia, afirmando que “a negligência da tecnologia na “comunicação pública da ciência e da tecnologia” é ainda mais surpreendente quando se considera a relevância e o impacto da tecnologia
17 na definição do contexto das práticas de comunicação contemporâneas - incluindo as práticas de comunicação na ciência e sobre a ciência” (p. 2). 1.1.3 Comunicação Digital Na era contemporânea, o panorama da comunicação sofreu uma profunda transformação, impulsionada principalmente pelo advento das tecnologias digitais. “A Internet transformou a sociedade no seu todo, todavia, é ela própria um produto resultante das evoluções históricas, científicas, culturais e sociais tendo surgido como um meio para suprir determinadas necessidades no seio da humanidade” (Silva et al., 2016, p. 113). A Internet surgiu como um catalisador indispensável para a evolução da comunicação digital, moldando profundamente a forma como interagimos e nos relacionamos no mundo moderno. A sua importância neste domínio não pode ser sobrestimada. A Internet democratizou a comunicação ao fornecer uma plataforma global para a troca de informações, permitindo que indivíduos e organizações alcancem um público vasto e diversificado com uma facilidade e rapidez sem precedentes. Durante muito tempo, as organizações dependeram dos meios de comunicação de massa como intermediários para conseguir alcançar um grande número de pessoas em diferentes locais, agora elas podem criar e administrar seus próprios canais de comunicação, como sites, blogues e páginas em redes sociais. (Mesquita et al., 2020) Incontestavelmente, a Internet desempenhou um papel preponderante na evolução da sociedade em direção a um cenário de uma sociedade da informação. Tal evolução impôs uma necessidade imperativa de reconfiguração nos padrões comportamentais, a fim de viabilizar a plena exploração dos avanços decorrentes da transição do paradigma informacional, que transitou de um modelo analógico para um modelo digital (Silva et al., 2016), em que Dias (2011) complementa, afirmando que, hoje em dia, “é impossível falar de comunicação online sem fazer referência à Internet” (p. 8). Esta transformação foi particularmente ilustrada pelo surgimento das redes sociais, ou social media , que se tornaram uma componente integral da nossa vida quotidiana, redefinindo a forma como nos envolvemos no discurso online e como as pessoas se relacionam entre si.
18 Na verdade, a importância dos social media vai mais além da partilha de informações e de criação de relações sociais: trata-se da possibilidade gerada para as organizações de contactar com quem pretendem, reduzindo significativamente o investimento nesse contacto. Por todas estas razões, a Comunicação Digital assume, cada vez mais, um papel central na comunicação das organizações. (Magalhães, 2015, pp. 57-58) A Comunicação Digital é uma faceta omnipresente da sociedade moderna, que surgiu como a pedra angular do discurso contemporâneo. Engloba a troca ininterrupta de informações, ideias e mensagens através de canais eletrónicos, alterando fundamentalmente a forma como os indivíduos, as organizações e as sociedades interagem num mundo cada vez mais interligado. Esta mudança de paradigma, facilitada pelos rápidos avanços tecnológicos, transformou o panorama da comunicação interpessoal e organizacional. Tirando partido das tecnologias digitais, os indivíduos podem agora transmitir dados instantaneamente, partilhar ideias e estabelecer ligações com os seus homólogos para além das fronteiras geográficas. Na atualidade, é uma ocorrência incomum identificar uma empresa ou uma instituição desprovida de presença online, caracterizada por um website próprio e a participação em, no mínimo, uma rede social. Em grande parte, a preferência recai na disseminação das suas atividades em diversas redes, englobando, mas não se limitando a, veículos como o Facebook, o Twitter (atual X), LinkedIn e outras plataformas emergentes que continuam a surgir de forma incessante, ainda por cima quando as organizações se apercebem que os seus públicos também estão na Internet. (Silva et al., 2016). Na sua essência, a Comunicação Digital engloba as interações desenvolvidas através de uma série de tecnologias e plataformas, incluindo o correio eletrónico, as redes sociais, as mensagens instantâneas, as videoconferências, entre outras. Estes meios não só revolucionaram o ritmo e a eficiência da disseminação de informação, como também introduziram novos modos de interação, influenciando o comportamento humano, as relações e até as normas culturais. As redes sociais passaram assim a integrar novas ferramentas de informação e comunicação, como forma de interligar e divulgar o produto, serviço ou marca de uma dada empresa. Os clientes estão mais informados, o que torna mais fácil determinar a promessa do posicionamento
19 da marca de qualquer empresa. Com toda a transparência provocada pelo crescimento das redes sociais, as marcas não podem fazer falsas promessas (Ferreirinha, 2021, p. 20). A Comunicação Digital ainda precisa de ter em atenção que não é só por usar as plataformas digitais, sem fazer a sua devida adaptação de acordo com a sua estratégia organizacional, já que é esclarecido que o simples facto de fazer uso de uma plataforma não configura, por si só, uma mais-valia para a organização. Deve, o uso destas plataformas, estar enquadrado numa estratégia de comunicação sólida, consciente e produtiva, já que não basta as organizações utilizarem simplesmente as “poderosas armas das novas tecnologias da informação e da comunicação, por modismos” (Kunsch, 2007, p. 40), sem antes terem consciência das bases que irão justificar a escolha dos meios digitais a utilizar. (Magalhães, 2015, p. 57) Com o avanço das tecnologias de comunicação digital e a acessibilidade económica para compartilhar informações, muitas estratégias de comunicação digital agora concentram-se principalmente nas plataformas de mídias sociais (Mesquita et al., 2020). Mesmo assim, "a comunicação organizacional digital não está a desenvolver um mundo virtual, mas uma virtualidade real integrada com outras formas de interação num aumento de uma vida organizacional híbrida” (Andrade, J. & Ruão, T., 2022, p. xvii). Isto é, a Comunicação Digital não é um pilar fundamental da comunicação, não resolvendo todos os seus problemas – é sim um canal que se deve tomar em consideração. Assim, a área da Comunicação Digital permitiu que as empresas e instituições refletissem no instrumento privilegiado para comunicar com os seus públicos, já que a Internet trouxe múltiplas possibilidades de contacto (Silva et al., 2016). Neste domínio, a Comunicação Estratégica, as RP e a Comunicação Organizacional evoluíram como disciplinas críticas que aproveitam o potencial da Comunicação Digital para gerir estrategicamente a reputação e a imagem de uma organização, melhorar as relações com os intervenientes e facilitar o envolvimento num mundo cada vez mais interligado. Estas áreas, embora distintas, estão profundamente articuladas e formam coletivamente uma força que pode moldar a perceção pública, fomentar a confiança e impulsionar o sucesso organizacional.
20 Com o constante desenvolvimento do mundo digital, a Comunicação de Ciência sofreu uma grande transformação, e um dos principais meios que está a moldar esta evolução é a disseminação de informação em vídeo. A informação visual desempenha um papel fundamental no domínio da comunicação humana. Desde o início das expressões artísticas dos nossos antepassados, que capturavam as suas interpretações do mundo nas paredes das cavernas num passado longínquo, temos confiado constantemente na nossa capacidade de perceção visual para transmitir eficazmente estes conceitos, emoções e imagens (Pasquali, 2007). Ao longo dos milénios, a evolução de vários meios, incluindo desenhos, pinturas, fotografias, filmes, televisão, vídeo analógico e digital, imagens geradas por computadores (IA) e a Internet, expandiu e enriqueceu significativamente a utilização de representações visuais como meio de divulgação de informação. Esta expansão estende-se para além da comunicação geral, abrangendo o domínio do discurso científico, em que os elementos visuais são cada vez mais instrumentais na articulação de ideias, na apresentação de resultados de investigação e na facilitação de transmissão de conhecimentos (Pasquali, 2007). A ligação entre a Comunicação de Ciência e Digital permitiu uma divulgação mais acessível e cativante de conceitos científicos complexos junto do grande público. Com o advento de plataformas como o YouTube, o Vimeo 1 e as redes sociais, os divulgadores de ciência aproveitaram o poder da comunicação em vídeo para criar narrativas visualmente atraentes, transformando ideias científicas abstratas em histórias tangíveis. Esta fusão da ciência e do digital aproveita a natureza multimédia do vídeo para transmitir informações de forma eficaz, promovendo uma maior compreensão e apreciação do conhecimento científico a diversos públicos. Assim, os vídeos são ferramentas versáteis que proporcionam uma via para os cientistas mostrarem o seu trabalho, explicarem as suas descobertas e partilharem a sua investigação e as suas vantagens de uma forma acessível. Nomeadamente, comunicadores científicos tais como Neil deGrasse Tyson, Bill Nye e canais educativos como o Vsauce 2 , Scishow 3 e Kurzgesagt 4 aproveitaram as dimensões visuais e auditivas do conteúdo em vídeo para decompor ideias complexas em segmentos digeríveis e divertidos. Através destas plataformas visuais, as pessoas podem explorar uma vasta diversidade de temas científicos, desde a astrofísica à microbiologia, obtendo uma visão do mundo científico que, de outra forma, poderia permanecer inacessível. 1 https://vimeo.com/ 2 https://www.youtube.com/@Vsauce 3 https://www.youtube.com/@SciShow 4 https://www.youtube.com/@kurzgesagt
21 1.2 Simplificação de texto O primeiro artigo de simplificação de texto está datado a 1975 e escrito para a área das ciências sociais (Monteiro et al., 2022). A simplificação de texto encontra as suas aplicações em vários domínios, como a educação, a disseminação de ciência, a documentação jurídica e a divulgação de informações, em que a clareza e a facilidade de compreensão dos materiais escritos desempenham um papel fundamental. As áreas de ensino de línguas estrangeiras e secundárias têm mostrado interesse na simplificação de texto, sendo que os professores precisavam de textos adaptados para o nível linguístico dos seus estudantes, onde precisam frequentemente de criar os seus materiais simplificados (Monteiro et al., 2022). As aplicações de simplificação de texto abrangem diversos domínios. Isso inclui a análise sintática, extração de informações, resumo de textos e tradução automática (Blinova et al., 2023). 1.2.1 Simplificação de texto vs resumo de texto A simplificação e o resumo de texto são duas técnicas distintas de processamento de linguagem natural (PLN – apêndice 1) que servem objetivos distintos no domínio do processamento e compreensão de informação (Sun et al., 2023). A simplificação de texto é um esforço linguístico fundamental que visa melhorar a acessibilidade e a compreensibilidade do conteúdo escrito, especialmente para indivíduos com capacidades cognitivas diversas e níveis variados de proficiência linguística. Este processo multifacetado envolve a transformação de estruturas textuais complexas, incluindo vocabulário, sintaxe e discurso, em formas mais simples, preservando o significado e a intenção do texto original (Ermakova et al., 2022). Esta está associada ao processo de modificação de texto – seja essa alteração na sua sintaxe, léxico ou ambos -, com o objetivo de produzir uma versão mais simples do texto, retendo o contexto e significado original, sendo que ao mesmo tempo melhora a sua legibilidade e compreensão textual (Monteiro et al., 2022). A simplificação léxica refere-se, por exemplo, à utilização de vocabulário mais simples e inclui definições que proporcionam explicações em termos mais simples, enquanto a simplificação sintática se refere, por exemplo, à redução da utilização de estruturas frásicas e gramaticais complicadas (Blinova et al., 2023). Os principais objetivos da simplificação de texto incluem não só a redução da complexidade linguística, mas também a satisfação das necessidades de um público vasto e heterogéneo. Neste contexto, o desenvolvimento de sistemas automatizados de simplificação de texto,
22 muitas vezes recorrendo a técnicas de PLN, tem vindo a ganhar destaque. Estes sistemas utilizam recursos linguísticos, análise sintática e análise semântica para gerar versões simplificadas do texto que conseguem um equilíbrio entre simplificação e fidelidade. Além disso, à medida que a tecnologia avança, a simplificação de texto continua a evoluir, exigindo investigação e inovação contínuas para enfrentar os diversos desafios linguísticos e cognitivos colocados pelos meios de comunicação contemporâneos e pela natureza dinâmica da própria linguagem. Assim, a simplificação de texto é um processo que tem por objetivo tornar o conteúdo textual mais acessível e compreensível, em particular para indivíduos com proficiência linguística limitada, deficiências cognitivas ou que procuram uma versão mais direta de um texto complexo. Isto implica reduzir a complexidade do texto, não alterando o seu significado (Sun et al., 2023). A simplificação de texto desempenha um papel fundamental no auxílio à compreensão de textos avançados, sendo valiosa tanto para crianças, bem como para falantes não nativos, facilitando a compreensão desses conteúdos de forma mais acessível. Além disso, ela oferece benefícios significativos a indivíduos que enfrentam desafios de comunicação, como afásicos, autistas ou pessoas com dislexia (Blinova et al., 2023). A simplificação de texto desempenha um papel crucial no reforço da inclusão e da acessibilidade, uma vez que permite que um público mais vasto se envolva em conteúdos textuais, incluindo materiais educativos, documentos jurídicos e informações disponibilizadas em formato online. Além do seu impacto direto na compreensão textual nos diversos domínios, a simplificação de texto desempenha um papel crucial como uma etapa de pré-processamento em várias tarefas de PLN subsequentes (Blinova et al., 2023). Por outro lado, o resumo de texto centra-se na condensação de textos longos em resumos concisos e coerentes, mantendo as informações essenciais e as ideias principais. Sucintamente, o objetivo principal do resumo de texto é sintetizar a ideia principal do documento, ocupando menos espaço (El-Kassas et al., 2020). É uma ferramenta valiosa para a recuperação e gestão de informações, permitindo que os utilizadores compreendam rapidamente os pontos-chave de um documento sem terem de o ler na íntegra. Este conceito é largamente utilizado em várias aplicações, incluindo na agregação de notícias, na indexação de documentos e em sistemas de recomendação de conteúdo, ajudando os utilizadores a analisar eficientemente grandes quantidades de informação no atual ambiente rico e cheio de dados e informação. A figura seguinte é um exemplo da diferença de tratamento de texto quando à sua simplificação e quando ao seu resumo.
23 Figura 7 - Simplificação de texto versus resumo de texto Fonte: Niklaus, 2016, p.54 Durante muito tempo, os estudos sobre a simplificação e o resumo de textos têm sido tradicionalmente prosseguidos como atividades distintas. No entanto, é de salientar que podem surgir certas situações durante o processo de resumo de documentos em que os elementos textuais complexos, não relacionados com o tema principal, são omitidos e várias frases são consolidadas e reformuladas numa única frase. Este tipo de resumo também pode ser visto como uma forma de simplificação (Sun et al., 2023). Figura 8 - Exemplo de resumo de texto Fonte: informação de Sun et al. (2023, p. 41), imagem traduzida e desenvolvida por elaboração própria
30 2023). Estes, como vários outros, têm um grande impacto societal, já que oferecem um nível elevado de coerência e de compreensão contextual. Os modelos de GPT contribuem para uma automatização do jornalismo, serviço de cliente, criação de conteúdo, simplificação de texto e até de desenvolvimento de software , propulsando eficiência transversal em vários setores. Sendo o ChatGPT ferramenta crucial no desenvolvimento do projeto de estágio, é necessário apresentar a série de modelos que o GPT criou, entre eles, o GPT-2, GPT-3, GPT-3.5 (atual gratuito e acessível ao público) e GPT-4 (versão premium no ChatGPT, isto é, versão com acesso pago). O GPT-2, introduzido em 2019, chamou à atenção pelas suas capacidades de produção de texto. Apresentava-se em quatro variantes, com tamanhos que variavam entre os 125 milhões e 1,5 mil milhões de parâmetros (Radford, 2019). No entanto, surgiram preocupações sobre a sua potencial utilização indevida, dada a sua capacidade de gerar conteúdos coerentes, mas, potencialmente, enganadores (Lowe, 2019). A junho de 2020, a OpenAI lançou o GPT-3, que foi considerado um salto substancial. Tinha 175 mil milhões de parâmetros (10x mais do que outro modelo de linguagem), o que o tornava um dos maiores modelos linguísticos da época (Brown et al., 2020). Assim, o GPT-3 demonstrou proezas consideradas excecionais em várias tarefas linguísticas, incluindo a tradução e a produção de código. A março de 2022 11 , foi lançado o GPT-3.5, uma versão avançada da arquitetura do GPT-3 (Koshti, 2023), que foi treinada com uma grande quantidade de dados, tendo a capacidade de executar uma quantidade alargada de tarefas, incluindo a tradução, completamento de texto e responder a questões. Um dos seus pontos importantes é a capacidade de reter informação de uma grande quantidade de base de dados, o que o levou a aprender padrões complexos na linguagem e a desenvolver uma compreensão profunda das nuances da comunicação humana (Koshti, 2023). O GPT-4 é um modelo multimodal, já que processa inputs de ambos de texto e de imagem, produzindo outputs (apêndice 1) de texto muito próximo à escrita humana (Ortiz, 2023). É possível, com o GPT-4, de carregar uma planilha e deste realizar um scan e produzir um output com as respostas das questões que se coloquem no input . Para além disso, as suas capacidades intelectuais estão melhoradas neste modelo, ultrapassando o GPT-3.5 numa vasta quantidade de testes de referência simulados, como apresentados na seguinte tabela. O acesso ao GPT-4 é dado a partir de uma lista de espera ou comprando a versão premium pelo website da OpenAI, utilizando o ChatGPT 12 . 11 Informação retirada de https://en.wikipedia.org/wiki/GPT-3#GPT-3.5 12 https://chat.openai.com/
31 Figura 10 - Exames simulados pelas diferentes versões do GPT Fonte: Ortiz (2023) No contexto do desenvolvimento do projeto "Simplesmente Ciência", destaco, neste relatório, a decisão estratégica de empregar a ferramenta de Inteligência Artificial conhecida como ChatGPT. Essa escolha foi fundamentada, primariamente, pelo impacto substancial que esta tecnologia tem demonstrado nos últimos meses, aliado à sua constante atualização na versão gratuita. Além disso, a decisão foi motivada pela oportunidade de realizar uma análise inicial de suas capacidades, no âmbito de uma investigação voltada para as Humanidades Digitais. A relevância da adoção do ChatGPT para este projeto reside na sua aplicabilidade prática, evidenciando-se como uma ferramenta que se alinha de maneira significativa com os objetivos propostos. Esta escolha representa um passo estratégico para atender às exigências específicas do projeto, destacando-se como uma contribuição para a otimização da sua execução. BERT da Google Lançado em novembro de 2018, o BERT da Google “é um algoritmo que aumenta a compreensão da linguagem humana pelo buscador” (Lacerda, 2020). Este é um acrónimo para Bidirectional Encoder Representations from Transformers , que pode ser traduzido para representações de codificador bidirecional de transformadores.
32 Este é uma rede neural que, no caso do BERT, é capaz de aprender as formas de expressão da linguagem humana – tal como GPT, esta é baseada no modelo de PLN denominado por Transformer, como indica o nome. O BERT é um modelo de pré-treinamento de PLN, o que significa que o conjunto de dados do modelo é treinado num corpus de texto e que pode ser utilizado com o objetivo de desenvolver uma diversidade de sistemas (Lacerda, 2020). Assim, pode-se dizer que o BERT foi desenhado e criado para a compreensão de texto e foi adaptado para tarefas relacionadas à criação de texto, particularmente na produção de respostas para busca e para completar frases. O que distingue o BERT de modelos tradicionais é que este processa o texto da esquerda para a direita e da direita para a esquerda, isto é, faz uma compreensão bidirecional – que permite a produção e criação de texto mais precisa. Figura 11 - Exemplificação da compreensão bidirecional do BERT Fonte: Lacerda (2020) Assim, pode-se dizer que o BERT tem sido fundamental para melhorar a eficiência e a relevância dos motores de busca, acelerando a recuperação de informação e auxiliando a tomada de decisões em vários setores.
33 BART do Facebook O BART, desenvolvido pelo Facebook em 2019, é um modelo encoder-decoder que apresenta o encoder (em português, codificador) bidirecional (tal como o BERT) e um decoder (em português, decodificador) autoregressivo (como o GPT) 13 . O pré-treinamento bidirecional permite que seja captado informação contextual de forma eficiente; por outro lado, a sua propriedade autorregressiva permite criar texto significativo com coerência e contexto. Esta combinação faz com que o BART seja particularmente feito para tarefas tais como resumo de texto, tradução e finalização de documentos, em que a compreensão de texto e a produção de texto fluente são essenciais. ELMo do AllenNLP O ELMo (Embeddings from Language Models) do AllenNLP, desenvolvido em 2018, é um modelo de representação de palavras contextualizadas que fez avanços significativos na compreensão e no PLN. Desenvolvido por pesquisadores do Allen Institute for AI, o ELMo aproveita o poder das redes neurais recorrentes bidirecionais (RNNs - apêndice 1) para gerar embeddings (apêndice 1) contextuais para palavras numa frase. O que distingue o ELMo dos tradicionais word embeddings (em português, embedding de palavras), como o Word2Vec 14 ou o GloVe 15 , é a sua capacidade de captar as nuances contextuais da linguagem. Isto significa que os embeddings do ELMo levam em conta todo o contexto da frase, resultando em representações de palavras mais precisas e informativas. O impacto da ELMo em várias tarefas de PLN é profundo. Tem sido amplamente adotada em tarefas como a análise de sentimentos, a classificação de textos, o reconhecimento de entidades nomeadas e a tradução automática, entre outras 16 . Tanto os investigadores como os profissionais têm beneficiado da versatilidade da ELMo, uma vez que esta fornece embeddings pré-treinados que podem ser ajustados para tarefas específicas, permitindo um melhor desempenho com menos dados. Além disso, o ELMo abriu caminho para modelos subsequentes, como o BERT e o GPT, que fizeram avançar mais o estado da arte no PLN. 13 Informação retirada de https://huggingface.co/facebook/bart-large. 14 https://www.tensorflow.org/text/tutorials/word2vec 15 https://github.com/stanfordnlp/GloVe 16 Informação retirada de https://allenai.org/allennlp/software/elmo.
34 XLNet da Google/CMU O XLNet, um modelo de PLN, desenvolvido em conjunto pela Google Research 17 e pela Carnegie Mellon University (CMU) 18 , representa um avanço no campo da aprendizagem para a compreensão da linguagem. Introduzido em 2019, o XLNet baseia-se na arquitetura do BERT, ao mesmo tempo que aborda uma das suas principais limitações (Yang et al., 2020). Ao contrário do BERT, que lê o texto bidirecionalmente, mas de forma independente, a XLNet emprega um objetivo de formação baseado em permutações, permitindo-lhe captar dependências entre todas as palavras de uma frase. Esta abordagem conduz a uma melhor compreensão do contexto e, consequentemente, a um melhor desempenho numa série de tarefas de PLN (Yang et al., 2020). Um dos principais pontos fortes da XLNet é a sua capacidade de se destacar tanto em tarefas de frase única como de várias frases, o que a torna altamente versátil. O seu modelo pré-treinado, que pode ser ajustado para aplicações específicas, alcançou resultados de ponta em vários benchmarks da PLN, incluindo a análise de sentimentos, a capacidade de responder a perguntas e a tradução automática (Yang et al., 2020). Os investigadores e programadores têm aproveitado a XLNet para criar modelos linguísticos mais precisos e sensíveis ao contexto, contribuindo para a rápida evolução da tecnologia de PLN. A XLNet poderá ter grandes aplicações na investigação académica, na análise empresarial e na criação automática de conteúdos, influenciando assim uma vasta gama de setores ao oferecer uma produção de texto coerente. 1.3.2 Inteligência Artificial e simplificação automática de texto A IA assumiu um papel fundamental na remodelação de vários setores, e uma das suas aplicações de destaque é a simplificação automática de texto. Esta tecnologia aproveita o poder dos algoritmos avançados do PLN para melhorar significativamente a acessibilidade e a compreensão do conteúdo textual, satisfazendo um vasto espetro de leitores. O seu impacto é evidente na garantia de que a informação é compreensível e prontamente 17 https://research.google/ 18 https://www.cmu.edu/
35 acessível a indivíduos com deficiências cognitivas, falantes não nativos ou competências de literacia limitadas. A simplificação automática de textos baseia-se em técnicas baseadas na IA para desconstruir frases complexas, substituir vocabulário considerado mais complicado por equivalentes mais simples e reestruturar a composição geral de um texto. Este processo resulta em textos que são mais digeríveis e interessantes para um público interessado a aprender mais, mas leigo ao tópico, reduzindo assim a lacuna de compreensão que muitas vezes constitui um obstáculo a uma comunicação eficaz. No setor da saúde, por exemplo, a simplificação automatizada de textos facilita a divulgação de informações médicas complexas aos pacientes, ajudando-os a compreender os diagnósticos e as opções de tratamento. Também se pode referir a disseminação da ciência e de investigações científicas que, muitas vezes alheias à sociedade, a simplificação automatizada de textos ajuda na simplificação do jargão científico, para educar os membros societais ao que é desenvolvido dentro dos laboratórios. Ainda se adiciona que, na educação, esta simplificação automática promove ambientes de aprendizagem inclusivos, tornando os materiais didáticos mais acessíveis a estudantes com diferentes graus de proficiência linguística. Uma das ferramentas que se pode utilizar para a simplificação automática de textos é o ChatGPT. Dentro desta ferramenta, é possível colocar um input com uma indicação de tratamento desse input que depois apresenta um output . Aplicando esta ferramenta de IA com a simplificação de texto, pode-se colocar um texto original como input , determinar uma prompt (apêndice 1) que peça à IA para simplificar o texto (e outros tipos de tratamentos que se ache necessário realizar), à qual vai dar um output de um texto com um léxico, construção sintática e outros elementos mais simplificados. A evolução das ferramentas de simplificação de texto baseadas na IA continua a melhorar as suas capacidades, permitindo adaptações de conteúdo cada vez mais personalizadas. Estes sistemas têm agora a capacidade de analisar o contexto, as preferências do utilizador e a proficiência linguística, adaptando assim os níveis de simplificação às necessidades individuais. À medida que as tecnologias da IA continuam a avançar, a sinergia entre a IA e a simplificação automática de texto promete revolucionar a forma como a informação é comunicada. Esta parceria dinâmica destina-se a promover a inclusão e a acessibilidade, colmatando ainda mais as lacunas de compreensão na nossa sociedade cada vez mais digital e rica em informação.
36 2. Estágio curricular: Dia Aberto e outras atividades O estágio curricular foi realizado no ITQB NOVA - Instituto de Tecnologia Química e Biológica António Xavier 19 -, entre 6 de março a 7 de julho de 2023, assumindo um formato híbrido. Este teve uma carga horária de 30 horas semanais, ou seja, 6 horas diárias nos dias úteis. No decorrer do estágio, para além do desenvolvimento de conteúdo e colaboração em eventos para o Gabinete de Comunicação e Imagem 20 , nomeadamente o Dia Aberto do ITQB NOVA, também desenvolvi para o instituto um novo programa de ciência simplificada. Da primeira função resultou uma quantidade variada de aprendizagem que foram organizadas em sete categorias, enquanto da segunda função resultou um novo projeto, onde foram aplicadas as aquisições profissionais. O Dia Aberto do Instituto é um evento realizado a cada dois anos pelos investigadores do instituto, com o objetivo de dar a conhecer a ciência que lá é feita - oferecendo a oportunidade de conhecer a instituição por dentro e dar abertura aos que querem conhecer a carreira científica. Este acontece durante o mês de maio, do início até ao final do dia com atividades para todas as idades. Foi dada a possibilidade de vocalizar o interesse nas áreas do Dia Aberto em que pretendia trabalhar, tendo um maior foco no desenvolvimento de um website, na criação de conteúdo para as redes sociais ( copywriting ) e na organização do evento em si. As atividades abrangeram vários formatos: presencial e digital. Todas as atividades desenvolvidas serão vistas em detalhe posteriormente. Com isto, é apresentada a seguinte estrutura para representar o estágio curricular. 19 https://www.itqb.unl.pt/ 20 https://www.itqb.unl.pt/about-us/organization/communication-office
37 Figura 12 - Estrutura do estágio curricular Fonte: elaboração própria No que diz respeito ao projeto, o qual foi denominado por “Simplesmente Ciência”, vai ser apresentado o seu protocolo de organização e desenvolvimento, até à sua análise e produção final, no tópico 3. Projeto curricular: “Simplesmente Ciência”. 2.1 Objetivos do estágio Com este estágio, tinha-se em mente dois macro objetivos: adquirir e desenvolver competências na área da comunicação, a partir da organização do Dia Aberto ITQB NOVA 2023 e outras atividades desenvolvidas pelo instituto; e a produção de um programa de ciência simplificada. No primeiro objetivo, procura-se desenvolver capacidades em áreas específicas tais como: produção de conteúdo escrito e visual para plataformas digitais, gestão de redes sociais, organização de eventos e desenvolvimento de competências web, tais como websites. Relativamente ao segundo objetivo, procura-se produzir, de raiz, um programa de ciência simplificada de forma a disseminar as descobertas do instituto a uma comunidade leiga à ciência e/ou com reduzida literacia científica, utilizando ferramentas da IA e descobrir se é possível basear-se nessa
38 ferramenta para desenvolver um produto final de criação de conteúdo para a disseminação de ciência em plataformas online. Igualmente, procura-se contribuir para o constante avanço do conhecimento nas áreas em constante evolução da comunicação digital e da IA, que desempenham um papel central na era contemporânea, marcada pela digitalização. 2.2 A entidade de acolhimento O ITQB NOVA 21 - Instituto de Tecnologia Química e Biológica António Xavier, fundado em 1986, é um instituto de investigação científica e académica, que está integrado na Universidade NOVA de Lisboa em 1993. Trata-se de um instituto que oferece mestrados, pós-graduações e doutoramentos. Desde 1996, este instituto encontra-se sediado no campus da Estação Agricultural Nacional, na cidade de Oeiras. As instituições das Ciências Vivas ligadas ao ITQB NOVA são a iBet 22 , a NOVA School of Science & Technology (FCT NOVA) 23 , a NOVA School of Business & Economics (NOVA SBE) 24 , a NOVA Information Management School (NOVA IMS) 25 , o Instituto de Higiene e Medicina Tropical da Universidade NOVA de Lisboa (IHMT) 26 , a NOVA Medical School (NMS) 27 e a Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade NOVA de Lisboa (NOVA FSCH) 28 . 21 https://www.itqb.unl.pt/ 22 https://www.ibet.pt/ 23 https://www.fct.unl.pt/en 24 https://www.novasbe.unl.pt/en/ 25 https://www.novaims.unl.pt/ 26 https://www.ihmt.unl.pt/ 27 https://www.nms.unl.pt/pt-pt/nms 28 https://www.fcsh.unl.pt/
39 Figura 13 - Conexões entre o ITQB NOVA com todas as outras instituições académicas Fonte: informação fornecida pelo ITQB NOVA No que se refere à investigação, esta tem cinco divisões: química, química biológica, biologia, ciência das plantas e tecnologia. A adicionar, em termos industriais, o Instituto também possui parceria com inúmeras empresas, entre as quais: a Pfizer 29 , NOVARTIS 30 , Sensetest 31 , Sumol+Compal 32 , Schülke 33 , Amorim 34 , Museu do Pão 35 , Astellas 36 , Zymvol 37 , ThermoFisher Scientific 38 , Simões e Ramos, LDA 39 , 29 https://www.pfizer.pt/ 30 https://www.novartis.com/pt-pt/ 31 https://www.sensetest.pt/ 32 https://sumolcompal.pt/ 33 https://www.schuelke.com/intl-en/index.php 34 https://www.amorim.com/pt/ 35 https://www.museudopao.pt/ 36 https://www.astellas.com/pt/ 37 https://zymvol.com/ 38 https://www.thermofisher.com/pt/en/home.html 39 https://www.cm-alvaiazere.pt/pages/754?poi_id=48
46 seu nome e uma breve descrição introdutória, permitindo aos utilizadores clicar nestes elementos para serem redirecionados para a página individual do respetivo orador (apêndice 4). A seção "Ensino" da página "+ ITQB" também foi desenvolvida (apêndice 5). Por último, foi incorporada o local de contactos da instituição, em que incluiria o endereço eletrónico e as redes sociais (apêndice 6). Devido à limitação de tempo e do programa, existiram muitos dos conceitos que não conseguiram ser desenvolvidos, por exemplo, na página do Programa, não foi possível realizar uma tabela com o programa tão elaborada, devido aos plugins reduzidos que o WordPress oferecia. Igualmente, muita informação e conceitos foram retirados devido à forma de informação e à possibilidade de existirem páginas “vazias” ou, por outras palavras, com pouca informação e/ou conteúdo que levasse a encher o olho com informação, em vez de espaço com descrições com poucas linhas ou poucas imagens. Os conceitos e ideias que não foram implementadas no website final foram as seguintes: a página só para os Dias Abertos anteriores, a página dos Oradores e a página “Mais ITQB”. Muitos dos conceitos foram reaproveitados, de forma a encher com conteúdo e informação a página inicial 57 do Dia Aberto, como a apresentação dos Dias Abertos passados e a localização do ITQB NOVA com uma imagem interativa do Google Maps (apêndice 7). Além a isto, existiram outros conceitos que foram adicionados dependendo das necessidades da equipa e do feedback que era recebido por utilizadores dentro do ITQB NOVA, tais como: uma lista com as atividades resumidas (sem horário) e com acesso ao botão de reserva de bilhetes na página inicial (apêndice 8 e apêndice 9); no footer (apêndice 1) do website foram colocados os contactos do ITQB NOVA (apêndice 10); adaptou-se na página do “Mapa 58 ” um mapa interior em como circular dentro do ITQB NOVA para orientação dos visitantes (apêndice 11), tal como o mesmo mapa, apresentado na página inicial, com indicações do Google Maps (apêndice 12). De seguida, foram adicionadas as soluções da “Ciência do Tabuleiro 59 ” (apêndice 13), quatro imagens com jogos para serem impressos e colocados nos tabuleiros da cantina do ITQB NOVA para os visitantes e voluntários terem entretenimento até na hora de almoço – estes jogos foram divididos em dois, um para os adultos (de nível mais avançado) e outro para as crianças (com um nível de dificuldade reduzida). Ainda foi adicionado o media kit com as fotografias, redes sociais (apêndice 14), press release e atividade para crianças (apêndice 15). Por fim, e após a realização do evento, foi adicionada uma “Galeria 60 ” (apêndice 16), com o total de 100 fotos, 57 https://diaaberto.itqb.unl.pt/ 58 https://diaaberto.itqb.unl.pt/mapa/ 59 https://diaaberto.itqb.unl.pt/ciencia-no-tabuleiro/ 60 https://diaaberto.itqb.unl.pt/galeria/
47 de forma a recordar o Dia Aberto 2023. Os utilizadores que tenham intenções de partilhar as imagens que pertencem a esta galeria, podem fazê-lo ao colocar o cursor (ou rato) por cima da imagem (em inglês, hover ) aparecendo os três logótipos das redes sociais Twitter (atualmente o X), o Facebook e o WhatsApp, respetivamente. A única página que se manteve em termos de conteúdo foi a do “Programa 61 ” (apêndice 8 e apêndice 9) que, como mencionado anteriormente, devido a problemas de plugins , foi alterada do conceito original. Com o programa procurava-se mostrar a localização do evento, as sessões e o seu devido horário, o título do evento e a idade mínima para participar. Uma semana antes do evento, metade dos bilhetes foram distribuídos em formato online, a partir da plataforma Eventbrite 62 , as pessoas eram responsáveis por disponibilizarem o seu nome para reserva do bilhete. No dia do evento, os indivíduos que realizaram a reserva teriam de trocar o bilhete online para o físico, de forma a confirmar a sua presença, uma hora antes do início da atividade. Se o bilhete não fosse reclamado, este era redistribuído, perdendo a pessoa o seu lugar, que era dado a outro participante que não tivesse conseguido reservar o bilhete a tempo. Os restantes bilhetes disponíveis só podiam ser reivindicados fisicamente, no local da bilheteira. Também se manteve na página o conceito inicial da contagem regressiva até ao início do evento e a imagem promocional em cima do mesmo, que acabou por ser reaproveitada em todas as páginas do website (apêndice 17). Em termos de design e imagem visual, devido ao tema do Dia Aberto ser “De volta ao futuro”, procurou-se manter o design gráfico dos anos 80, com formas geométricas, cores fortes e contrastantes, que eventualmente se implementou no tipo de letra utilizado na imagem final do evento e, consequentemente, nos elementos gráficos do website. Assim, procurou-se um tema no WordPress que tivesse, como requisito, estes elementos de forma a que fosse possível manipulá-los em termos de cor e localização. O conceito “tema” (ou theme , em inglês), no WordPress, é a coleção de ficheiros e templates (modelos) que determinam o design, layout e aparência visual geral do website – os temas são um dos componentes fundamentais do CMS do WordPress e desempenha um papel crucial da maneira em como o website se comporta e se apresenta. O primeiro tema escolhido foi o DAIVA 63 que, devido à forma como o template foi desenvolvido, tornava o seu trabalho de edição muito mais complicado (que implicava maior domínio na área do código), levando à necessidade de escolher outro 61 https://diaaberto.itqb.unl.pt/programa/ 62 https://www.eventbrite.pt/ 63 Tema disponível em https://wpkoi.com/daiva-wpkoi-wordpress-theme/
48 – Booth - Event and Conference Theme 64 . Embora a edição do template fosse mais facilitada, ainda houve uma grande necessidade de melhorar elementos visuais e gráficos do website por código HTML, CSS e instalação de plugins tal como o WP File Manager 65 , que permitiram a reprodutibilidade do caminho até ao produto final, tal como o entendimento das dificuldades enfrentadas no estágio. Figura 20 - Imagem amadora utilizada para a discussão de problemas relacionados ao código Fonte: elaboração própria Figura 21 - Imagem amadora utilizada para a discussão de problemas relacionados ao código Fonte: elaboração própria 64 Tema disponível em https://qodeinteractive.com/wordpress-theme/booth-event-and-conference-theme/ 65 https://wordpress.org/plugins/wp-file-manager/
49 Em termos de problemas e dificuldades, e como já apresentado acima, muitos destes foram resolvidos à base de alteração de código HTML e CSS, maioritariamente este último. A modificação de código ajudou em situações tais como no espaçamento entre o título e os textos, o tamanho do mapa do Google Maps, a organização da lista das atividades, a formatação do programa e na organização das redes sociais no footer – este último encontra-se demonstrado nas imagens abaixo. Figura 22 - Comparação do antes e depois de solucionar o problema com as redes sociais no footer do website Fonte: elaboração própria Como referido anteriormente, existiam elementos atualizados no website devido ao feedback dos utilizadores dentro do instituto. Muitos dos investigadores e trabalhadores do mesmo, para além de se voluntariarem no evento, queriam participar nele, sozinhos ou com os membros familiares e precisavam de utilizar o website para a reserva de bilhetes. O tema escolhido também apresentava um tipo de menu lateral em páginas, que não a principal, que teve de ser retirada, deixando apenas o menu superior. A fonte de letra foi igualmente debatida, deixando a original, tal como a alteração de cores. O maior problema foi a apresentação do programa com as informações necessárias (horário, título da atividade, local, reserva) e consolidadas (de forma a não criar demasiada informação dentro de uma tabela). Inicialmente, esta informação estava omitida, deixando o utilizador com grandes questões, porque no olhar do programador, como a informação da atividade estava explicado no Eventbrite (local obrigatório para reserva de bilhetes), não havia necessidade de a repetir. Aos olhos de quem não desenvolveu o website, era uma informação que era crucial de ser adicionada para a escolha da atividade.
50 O website final do Dia Aberto 2023 do ITQB NOVA já se encontra disponível para consulta 66 . Figura 23 - Imagem inicial do website Fonte: website do Dia Aberto 2023 ITQB NOVA 67 2.3.2 Organização de eventos Relativamente à organização de eventos, houve dois principais momentos no qual tive a oportunidade de colaborar na sua organização, sendo uma delas o Dia Aberto, previamente apresentado, tal como o Dia do ITQB (30 de maio). No Dia Aberto, a 13 de maio, foi dada a oportunidade de organizar a imagem dos protocolos para os laboratórios científicos; criar, cortar e distribuir tanto os bilhetes de cada workshop para o Dia Aberto, tal como as suas senhas de refeição; contactar empresas de transportes públicos, especificamente o Grupo FCF 68 , de forma a pedir o orçamento para a divulgação publicitária para este dia na zona de Cascais (que, infelizmente, devido a problemas dentro da própria empresa, não foi possível realizar); tal como a montagem das bancas, colocação de sinalização e distribuição de material no dia anterior e no próprio dia do evento. Durante o Dia Aberto também ajudei na organização do evento, por exemplo, na divulgação por voz (com o auxílio de um megafone) do início de cada workshop , como no esclarecimento de dúvidas aos visitantes que tinham dúvidas no decorrer do evento. 66 https://diaaberto.itqb.unl.pt/ 67 https://diaaberto.itqb.unl.pt/ 68 https://www.publitaxispubliroda.com/
51 No final do Dia Aberto, ajudei na desmontagem das bancas e sinalização. Como o evento se realizou num sábado, o Gabinete de Comunicação não trabalhou na segunda feira seguinte, adicionando que o primeiro dia de trabalho após a realização do Dia Aberto resumiu-se na arrumação de armazém e do Gabinete. Figura 24 - Foto retirada antes da abertura de portas do Dia Aberto 2023 do ITQB NOVA Fonte: galeria do ITQB NOVA 69 Já no Dia do ITQB, celebrado a 30 de maio, ao qual foram organizados uma cerimónia e um arraial (perto das celebrações e festas de Santo António). Nestas cerimónias, foi necessária a contribuição para os ensaios do discurso enquanto o locutor não se encontrava presente. Para além dos ensaios, a maior parte da colaboração encontrou-se na arrumação da parte exterior do ITQB NOVA para a realização do arraial, desde a montagem de mesas, decoração dos manjericos e distribuição de cadeiras. 69 https://diaaberto.itqb.unl.pt/galeria/
52 A complementar outros eventos realizados no ITQB NOVA, pode mencionar-se os eventos de visitas das escolas e os job shadowings (alunos experienciam a “sombra” de um investigador da sua área de interesse, de forma a educarem-se do que é trabalhar em determinada área de investigação). 2.3.3 Gestão de redes sociais Embora área de maior interesse, o setor da gestão de redes sociais não foi a mais abrangente devido à reestruturação do Gabinete de Comunicação do ITQB NOVA, no qual existiu uma grande pausa na sua gestão e organização estratégia de publicação de conteúdo nas redes sociais, o qual pude acompanhar, minimamente, a sua renovação. Assim, foi possível observar a recriação da agenda de publicação estratégica para cada rede social, ao qual estava associado a componente visual (imagem/vídeo) e o seu copy . Além disto, também houve a possibilidade de estar presente na reunião de redes sociais, na qual foi discutido o que melhorar e o que modificar nas redes sociais da instituição e onde também existiu uma análise de benchmarking (análise das métricas estatísticas de instituições/organizações/empresas consideradas “competição”, devido a um público-alvo semelhante, de forma a descobrir qual é a melhor estratégia a ser utilizada nas redes sociais). A maior colaboração no âmbito das redes sociais foi no Dia Aberto, no qual foi passada a responsabilidade de takeover (apêndice 1). A constante criação de workshops , existência de bancas e, especialmente, a visita da Ministra da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Elvira Fortunato, do Presidente do Município de Oeiras, Isaltino Morais, e do Vereador da Educação, Pedro Patacho, durante o Dia Aberto suscitou a necessidade de ter alguém responsável apenas pelas redes sociais. Enquanto que na aplicação X 70 (antigo Twitter), se colocavam até quatro fotos com as devidas hashtags e menções, no Instagram 71 faziam-se as stories (ou histórias) com pouco texto e só com as menções necessárias, que seriam simultaneamente partilhadas para as stories do Facebook 72 . Todas as publicações feitas, em qual rede social fosse, teriam de ser identificadas com a hashtag #Takeover e a menção @emis4ki (nome de utilizador da estagiária). Para além disso, estaria igualmente encarregada de toda a interação com o público no decorrer do evento nas redes sociais, isto é, se uma outra pessoa partilhasse o evento e identificasse a instituição na sua publicação, era possível tomar a decisão de partilhar, colocar um gosto ou até responder – a maior parte da interação foi feita a partir de partilhas. 70 https://twitter.com/ 71 https://www.instagram.com/ 72 https://www.facebook.com/
53 Devido às stories do Facebook e Instagram terem a duração máxima de 24 horas, só é possível encontrar parte do takeover no X. Figura 25 - Alguns exemplos de publicações do takeover durante o Dia Aberto ITQB NOVA 2023 Fonte: Twitter do ITQB NOVA 73 Figura 26 - Alguns exemplos de publicações do takeover durante o Dia Aberto ITQB NOVA 2023 Fonte: Twitter do ITQB NOVA 74 73 Estas publicações estão disponíveis em https://twitter.com/itqbnova/status/1657314585165144066 e https://twitter.com/itqbnova/status/1657395962434793472 74 Estas publicações estão disponíveis em https://twitter.com/itqbnova/status/1657351600501923841 e https://twitter.com/itqbnova/status/1657408032144257024
54 Para além do takeover do Dia Aberto ITQB NOVA 2023, também foi dada a oportunidade de tratar das publicações na plataforma X, no Dia do ITQB no decorrer da cerimónia. Neste caso, foram realizados os copies de acordo com o plano da cerimónia, ao qual tinham de ser tiradas fotos e colocar citações dos discursos de alguns dos oradores, para passar à sua publicação. Aqui, foi realizada uma thread 75 (um conjunto de publicações interligadas) com o seguimento da cerimónia. 2.3.4 Copywriting O termo copywriting , no contexto das redes sociais, refere-se ao processo criativo e estratégico de criação de conteúdos persuasivos escritos para várias plataformas de redes sociais. Este conteúdo, muitas vezes designado por “ copy ”, tem como principal objetivo envolver o público, conduzir a ações específicas e transmitir a mensagem de uma marca de forma eficaz. Os redatores das redes sociais devem adaptar o seu estilo de escrita à plataforma, ao públicoalvo e aos objetivos de comunicação. Estes empregam uma linguagem concisa e apelativa, utilizando hashtags , emojis e elementos visuais (fotografias e/ou vídeos), enquanto respeitam os limites de caracteres e a estética visual da plataforma para maximizar o impacto das suas mensagens. A redação bem-sucedida de textos para as redes sociais envolve um conhecimento profundo dos algoritmos da plataforma, do comportamento do público e das tendências atuais, permitindo a criação de conteúdos que não só ressoam com os utilizadores, mas também apoiam os objetivos da marca e de marketing de uma marca ou organização. No ITQB NOVA, as diversas plataformas das redes sociais são utilizadas de forma distinta, considerando as nuances específicas de cada uma. O perfil do ITQB NOVA no X (anteriormente conhecido como Twitter) é restrito a um limite máximo de 280 caracteres, e os conteúdos veiculados são em língua inglesa. Em contrapartida, o Instagram não possui um limite estrito de caracteres, mas a instituição opta por compartilhar descrições curtas, também em língua inglesa. Esta abordagem visa a promover a comunicação eficaz e concisa por meio da plataforma. Quanto ao LinkedIn, a estratégia de comunicação assume um caráter mais formal e descritivo, alinhado com o perfil profissional da plataforma. A língua de uso continua a ser o inglês, visando uma interação apropriada e profissional com a comunidade presente nesse espaço. 75 Esta thread pode ser consultada em https://twitter.com/itqbnova/status/1674800908709007361.
55 Por último, o ITQB NOVA adota o português como idioma predominante para as publicações no Facebook. O conteúdo publicado na plataforma é caracterizado por textos que não são excessivamente curtos nem excessivamente longos, visando uma comunicação eficaz e informativa para o público de língua portuguesa que a utiliza. Vários foram os momentos em que foi necessário realizar copies para o ITQB NOVA, de forma a ajudar na sua gestão de redes sociais. Entre os quais eram criados documentos no Google Docs , partilhados entre todos os elementos do gabinete, para a sua revisão. Figura 27 - Screenshot de duas páginas de um copy feito para a divulgação do Dia Aberto ITQB NOVA 2023 Fonte: elaboração própria
62 2.4 Reflexão do estágio Durante o estágio, tive a oportunidade de iniciar uma jornada que não só aprofundou o meu conhecimento, mas que permitiu aplicar a aprendizagem académica em situações reais. Desde a área mais linguista, tal como no domínio da tradução, da transcrição, da legendagem e da revisão de texto, também tive a oportunidade de aplicar e desenvolver competências na área da comunicação estratégica, digital e de ciência, da criação de conteúdo, na edição de vídeo, na programação e no design (UI e UX - apêndice 1). Esta experiência serviu como uma ponte entre os conceitos teóricos adquiridos nas salas de aula e aplicá-los no mundo profissional. Figura 33 - Investimento (em dias) em cada atividade durante o estágio Fonte: elaboração própria A legenda à direita do gráfico apresentado refere-se à quantidade de dias em que se realizaram as atividades descritas. É importante realçar que mais do que uma atividade podia ser realizada num só dia. Uma das lições mais significativas do meu estágio foi a importância da adaptabilidade. Apercebime rapidamente de que a natureza dinâmica do local de trabalho exigia uma mentalidade flexível – quer
63 se tratasse de ajustar a novas tarefas, de colaborar com diversas pessoas ou de aceitar desafios imprevistos, descobri que a minha capacidade de adaptação era crucial para o meu sucesso. Para além disso, o meu estágio proporcionou-me conhecimentos inestimáveis sobre a área que pretendo construir uma carreira, a área da comunicação. Trabalhar em colaboração com profissionais experientes permitiu-me obter uma compreensão abrangente das tendências deste setor, das tecnologias emergentes e das melhores práticas de aplicação. Igualmente, tive a sorte de ter um supervisor que partilhou generosamente os seus conhecimentos, sempre se disponibilizou e me guiou pelos meandros da área. Igualmente, o gabinete em que estagiei sempre foi aberto ao meu feedback , às minhas ideias e incluíram-me na equipa como um verdadeiro membro do instituto, o que melhorou a minha experiência a níveis astronómicos. O estágio não só melhorou as minhas competências técnicas, como também me ajudou a desenvolver uma forte rede profissional. Estas ligações serão, sem dúvida, uma mais-valia para as minhas aspirações profissionais. Mesmo assim, este estágio ensinou-me que a área da comunicação não é uma área fácil. É uma área que exige bastantes sacrifícios e necessidade organizacional, dentro e fora do mesmo, com o objetivo de atingir o seu máximo potencial. Adquiri, também, que é necessário fazer jus à palavra “comunicação” e ter um discurso ativo, em equipa e individual, entre os membros, de forma a refletir o que é necessário melhorar. Esta é uma área que, facilmente, pode levar à sobrecarga de trabalho e à necessidade de fazer horas extraordinárias, de forma a acompanhar a rapidez em que esta área trabalha. Além disso, fez-me refletir sobre a importância da proximidade de casa – local de trabalho e sobre os limites que um indivíduo consegue lidar pessoalmente e interiormente, ao trabalhar e desenvolver a sua carreira no mercado profissional. Em conclusão, o meu estágio foi uma experiência rica e gratificante que contribuiu significativamente para o meu crescimento pessoal e profissional. Proporcionou-me uma base sólida sobre a qual eu desejo construir a minha carreira e estou grata pelas oportunidades que me viabilizou. A adaptabilidade que cultivei, os conhecimentos da área que adquiri e as relações que formei durante este estágio desempenharão, sem dúvida, um papel fundamental na formação dos meus futuros empreendimentos. Estou ansiosa por aplicar estes ensinamentos e experiências para me destacar na minha área de eleição e contribuir de forma significativa para o mundo do trabalho, com o meu trabalho.
64 3. Projeto curricular: “Simplesmente Ciência” O conhecimento científico não pertence exclusivamente aos cientistas e, como tal, não deve permanecer circunscrito à esfera exclusiva da comunidade científica. Em vez disso, deve ser acessível e aberto à interação com a sociedade em geral, permitindo um enriquecimento recíproco tanto da sociedade como um todo quanto o próprio avanço científico. Isso promove a divulgação e democratização do conhecimento científico, favorecendo uma maior compreensão e colaboração entre a comunidade científica e a sociedade em geral (Magalhães, 2015). Com isto em mente, e considerando as vantagens da comunicação digital para a disseminação da ciência e para a transformação da forma como esta é comunicada, criou-se projeto “Simplesmente Ciência”. Tendo em conta os conceitos apresentados sobre a IA, a simplificação de texto automatizada e a comunicação digital, procurou criar um programa, em formato online , que expusesse as descobertas dos cientistas do ITQB NOVA à sociedade. O projeto “Simplesmente Ciência” visa promover a comunicação científica de forma acessível e também didática, contribuindo para a disseminação do conhecimento científico entre o público em geral e a aproximação deste ao mundo da investigação. O principal objetivo do projeto é simplificar textos científicos complexos por meio da utilização da IA, mais especificamente o ChatGPT, para torná-los mais compreensíveis para um público não especializado - testando e analisando quanta influência e adaptação humana é necessária no texto automatizado para se produzir o produto final desejado. Para alcançar este objetivo, o projeto emprega uma estrutura que envolve diversas etapas. Primeiramente, será apresentado o objetivo do projeto. Para o concretizar, foi desenvolvido um protocolo estruturado para orientar o fluxo de trabalho e a organização do desenvolvimento do programa. O protocolo funciona como a pedra angular do projeto. Os membros envolvidos no projeto, as ferramentas de software utilizadas e um procedimento passo a passo para a criação dos conteúdos, quer escritos, como visuais, de todo o programa. Ao aderir a este protocolo, o projeto pretende manter a consistência e a qualidade ao longo da sua execução. Seguindo o protocolo, o fluxo de trabalho do projeto envolve a aplicação sistemática e prática de cada passo. Isto englobará a criação de questionários para avaliar a qualidade dos guiões criados, a criação e utilização de códigos e análise de dados para observar o conteúdo desenvolvido, a tradução e revisão de textos, tal como o desenvolvimento dos aspetos multimodais (nomeadamente visuais e de legendagem). Por último, será ainda desenvolvida e apresentada a promoção e divulgação dos episódios
65 do “Simplesmente Ciência”, planeados em colaboração com os elementos do Gabinete de Comunicação e Imagem do ITQB NOVA. No tópico final do projeto curricular, será apresentado um processo de reflexão do programa, em que será abordado o tempo investido para a concretização do mesmo. Figura 34 - Estrutura do projeto Fonte: elaboração própria Todos os episódios do “Simplesmente Ciência” podem ser visualizados no YouTube 81 . 3.1 Objetivos do projeto O projeto “Simplesmente Ciência” tem como principal objetivo aprofundar a análise do desempenho da IA na compreensão e processamento de textos científicos extensos, publicados em plataformas online. O escopo do projeto abrange uma série de objetivos interrelacionados, todos com a finalidade de investigar as capacidades da IA na transformação e divulgação de conteúdo científico complexo para um público amplo e diversificado. Primeiramente, o projeto visa analisar como a IA reconhece e interpreta textos científicos extensos disponíveis em fontes online. Isso envolve a avaliação da capacidade da IA em identificar informações relevantes, extrair conceitos científicos essenciais e discernir a estrutura lógica do texto. Outro objetivo crucial é investigar se e como a IA é capaz de resumir informações contidas nos textos científicos. Isso inclui a análise da capacidade da IA em sintetizar o conteúdo de forma concisa, mantendo a precisão das informações científicas. 81 A playlist do “Simplesmente Ciência” com os episódios pode ser consultada em https://www.youtube.com/playlist?list=PLlGQ36SFjxrUTPPX94bbKe1lpARP_95T.
66 Além disso, o projeto busca analisar o potencial da IA em simplificar informações científicas complexas, tornando-as mais acessíveis ao público em geral. Isso envolve a avaliação da clareza e da linguagem utilizada pela IA na apresentação das informações científicas. Outro ponto de investigação é a capacidade da IA em desenvolver estruturas textuais adequadas para a divulgação online. Isso inclui a análise da organização e da apresentação do conteúdo de maneira atrativa para envolver o público-alvo. Adicionalmente, o projeto tem como objetivo analisar se a IA consegue desenvolver corretamente os conceitos científicos presentes nos textos originais, garantindo a precisão das informações transmitidas. Ademais, será avaliado se a IA é capaz de manter um tom de comunicação adequado para o públicoalvo, ajustando o estilo e o nível de detalhe conforme necessário. Por fim, pretende-se pesquisar o grau de intervenção humana necessário para aprimorar o produto final gerado pela IA, visando alcançar um equilíbrio entre automação e supervisão humana. Em resumo, o projeto “Simplesmente Ciência” visa investigar e explorar a capacidade da IA na transformação e divulgação de conteúdo científico complexo, abrangendo desde o reconhecimento e processamento de textos científicos até à criação de programas de vídeo e estratégias de comunicação eficazes. 3.2 Protocolo De forma a apresentar a informação aos cientistas que colaboraram no projeto, tal como aprofundar o desenvolvimento do mesmo no relatório, foi proposta a realização de um protocolo em que apresentará o objetivo do projeto, quem participará neste, as ferramentas utilizadas para a realização do projeto, os procedimentos e a sua explicação. A realização prática destes procedimentos encontrar-se-ão realizados nos subtópicos seguintes. Figura 35 - Estrutura do protocolo Fonte: elaboração própria
67 3.2.1 Objetivo O objetivo deste protocolo é desenvolver e criar guiões com a assistência da IA através da ferramenta ChatGPT (modelo PPO - apêndice 1), para um programa no YouTube da página do ITQB NOVA sobre ciência simplificada, com o objetivo de fornecer conteúdo acessível e compreensível para uma comunidade adulta leiga à ciência e promover algumas investigações que foram realizadas no Instituto. 3.2.2 Participantes Apresentadora: responsável pela apresentação do programa e pela comunicação da informação e dos contextos científicos. Investigadores científicos: contribuem com conhecimento especializado, onde será fornecida informação e revisão do conteúdo científico para a criação e finalização dos guiões. Equipa de produção: responsável pela produção audiovisual do programa, incluindo o conteúdo, a gravação, a edição e a publicação dos vídeos. Designer: responsável pelo desenvolvimento de elementos gráficos e visuais de identificação do programa (por exemplo, branding, thumbnails ). Comunicadores: responsável por todo o processo estratégico de comunicação de forma a promover e partilhar a informação do programa (gestão de redes sociais, comunicados de imprensa, entre outros elementos). 3.2.3 Ferramentas a utilizar ChatGPT: ferramenta de IA utilizada para resumir e simplificar os artigos científicos dos investigadores em inglês. DeepL: ferramenta utilizada para tradução dos textos de inglês por português. Adobe Photoshop: ferramenta utilizada para a criação de elementos multimodais (para o vídeo, para a publicidade, para imagens). Adobe Illustrator: ferramenta utilizada para a criação de elementos multimodais (para o vídeo, para a publicidade, para imagens). Adobe Premiere Pro: ferramenta utilizada para a criação dos vídeos YouTube: plataforma em que serão publicados os vídeos, que também será utilizada para fazer as legendas dos vídeos a partir das Closed Captions (CC).
68 3.2.4 Procedimentos Os procedimentos apresentados de seguida serão aprofundados e, prontamente, serão aplicados para a análise do projeto. Com isto, é possível analisar o workflow do projeto. Figura 36 - Procedimentos para o desenvolvimento do programa “Simplesmente Ciência” Fonte: elaboração própria Procedimento 1: Definição de tópicos e temas A equipa de produção colabora com os investigadores para reunir informação científica de artigos realizados por eles, que sejam autorizados a partilhar online. Estes tópicos devem ser suficientemente interessantes e adequados para o público-alvo. Os tópicos de cada artigo devem ser analisados e simplificados, garantindo que sejam compreensíveis para pessoas com diferentes níveis de conhecimento científico, tendo especial foco aqueles com menos literacia científica. Assim, é apresentada a seguinte tabela com a informação dos investigadores 82 , o artigo deles escolhido, a área científica que será abordada e um pequeno resumo do seu artigo. 82 Toda a informação disponibilizada foi aprovada por parte dos investigadores, assinando uma declaração de consentimento, de forma a seguir as normas de ética da Universidade do Minho.
69 Tabela 1 - Informação dos investigadores, a sua área, o seu artigo e o resumo do mesmo Nome do investigador Acesso online Área científica Título do artigo (e acesso) Resumo Abel Oliva Acesso Tecnologia Biomimetic FullThickness Skin-on-aChip Based on a Fibroblast-Derived Matrix Os investigadores desenvolveram uma tecnologia revolucionária denominada "Pele biomimética completa num chip," um dispositivo microscópico capaz de reproduzir a estrutura e função da pele humana. Inês Pereira Acesso Química biológica Enhanced LightDriven Hydrogen Production by SelfPhotosensitized Biohybrid Systems Os investigadores desenvolveram uma solução para enfrentar os desafios ambientais causados pela queima de combustíveis fósseis, propondo a utilização de um sistema biohíbrido fotossensibilizado que permite a produção de hidrogénio a partir da luz solar. María Flores Acesso Ciência das plantas Cell-type-specific alternative splicing in the Arabidopsis germline Os investigadores exploraram o processo de splicing alternativo na planta modelo Arabidopsis, demonstrando como este mecanismo permite a produção de múltiplas proteínas a partir de um único gene. Nelson Saibo Acesso Ciência das plantas The evening complex integrates photoperiod signals to control flowering in rice Os investigadores identificaram o "Complexo Noturno" no arroz, um componente essencial que regula a floração das plantas com base no fotoperíodo, fornecendo informações cruciais para otimizar o rendimento das culturas de arroz. Oscar Rojas Acesso Química RuII(p-cymene) Compounds as Effective and Selective Anticancer Candidates with No Toxicity in Vivo Os cientistas investigaram compostos organometálicos de ruténio como potenciais agentes anticancerígenos, revelando uma notável capacidade seletiva de destruir células cancerígenas sem prejudicar as células saudáveis.
70 Pedro Barros Acesso Ciência das plantas Spatiotemporal development of suberized barriers in cork oak taproots Os investigadores revelaram que as barreiras suberizadas nas raízes dos sobreiros se formam gradualmente da base para a ponta das raízes durante o primeiro ano de vida da árvore, fornecendo informações valiosas sobre o desenvolvimento destas estruturas de proteção. Pedro Domingos Acesso Biologia Genipin prevents alpha-synuclein aggregation and toxicity by affecting endocytosis, metabolism and lipid storage Os investigadores descobriram que o composto Genipin pode inibir a agregação e toxicidade da proteína alfa-sinucleína, que está associada a doenças neurodegenerativas como o Parkinson e o Alzheimer. Gonçalo Poças Acesso Biologia Igual a Pedro Domingos Igual a Pedro Domingos Fonte: elaboração própria Importa salientar que os investigadores Gonçalo Poças e Pedro Domingos colaboraram conjuntamente no desenvolvimento do guião no contexto do projeto, embora, ao longo do relatório, seja feita menção ao artigo como elaborado por Gonçalo, sendo quem tomou as rédeas na colaboração da versão final do guião. Da mesma forma, ao longo do relatório, os investigadores serão mencionados pelo primeiro nome, com o intuito de simplificar a descrição e análise do desempenho da IA e da evolução do guião até à sua versão final. Procedimento 2: Estruturação e criação dos guiões Com base nos artigos científicos recebidos, a equipa de produção estrutura o guião com a assistência da IA, criando um conjunto de inputs que fará a IA criar um output do guião o mais otimizado possível. Estes guiões devem seguir uma sequência lógica, apresentando conceitos de forma clara, utilizando uma linguagem simples, um tom de comunicação familiar e exemplos práticos. Sendo assim, o input apresentará as seguintes regras, de forma a ter o output mais completo possível: ● Título do artigo; ● Nome de todos os autores do artigo;
71 ● Ano de publicação; ● Link do artigo; ● Realizar as 3 perguntas: o “Why should I watch this video with this content?” (Porque é que deveria ver este vídeo sobre este conteúdo?) o “How will this video help with the improvement of society?” (Como é que este vídeo vai ajudar com o desenvolvimento social?) o “What involvements, implications and applications will this video have for the future?” (Que envolvimentos, implicações e aplicações é que este vídeo terá para o futuro?) ● Referir que só o host estará presente (evitar a criação de outras personagens no vídeo); ● Apoio visual de imagens (para complementar a leitura e interpretação visual); ● Linguagem simplificada; ● Texto em formato oral; ● Vídeo com a duração de 4 minutos; ● Vídeo para a plataforma do Youtube; ● Inclusão de analogias, comparações ou metáforas, se possível; ● Público-alvo leigo à ciência. Para além destes pontos obrigatórios no input , é preciso ter em atenção que os inputs iniciais serão feitos em inglês (já que os artigos científicos são originalmente em inglês e porque alguns dos investigadores não são portugueses), em formato imperativo, e que esta prompt será utilizada quatro vezes, de forma a obter resultados diferentes para escolher a melhor produção criada pela IA. Na análise dos quatro textos, considera-se não apenas a qualidade narrativa e linguística, mas também uma reflexão pós-leitura para determinar qual destes transmite efetivamente a essência da investigação e permite ao leitor compreender o âmago do estudo em questão. Aqui procurou-se adotar uma perspetiva externa, dada à ausência de conhecimento científico nas diversas áreas abordadas nos artigos, procurando assim a abordagem que melhor facilitasse a sua compreensão dos temas tratados. Adicionalmente, será sempre utilizado o artigo científico completo e não só os seus resumos e highlights (elementos criados e já simplificados para apresentação do artigo científico no website do ITQB NOVA) e para cada situação será sempre realizado em conversas novas com a IA, de forma a não existir influência de respostas anteriores com o output final e, reforçando, levar a originar sempre respostas
78 promocionais, bem como a inclusão de legendas em inglês para acompanhar o conteúdo em língua portuguesa. Por último, será apresentada uma estratégia de comunicação abrangente, que engloba o planeamento da cronologia de publicação dos episódios do programa “Simplesmente Ciência”. Figura 42 - Estrutura da aplicação prática do "Simplesmente Ciência"" Fonte: elaboração própria
79 3.3.1 Revisão linguística e escolha dos investigadores Neste momento, pretende-se realizar um teste para avaliar o impacto das intervenções humanas na criação do guião para o “Simplesmente Ciência”. Para isso, foi proporcionado aos investigadores científicos duas opções de escolha: o texto original gerado pela IA e o texto gerado pela IA com alterações manuais. As opções de escolha dos investigadores apresentam-se na seguinte tabela: Tabela 2 - Opções de escolha dos investigadores Investigador Original IA Alterações manuais Abel Apêndice 35 Apêndice 36 Inês Apêndice 37 Apêndice 38 María Apêndice 39 Apêndice 40 Nelson Apêndice 41 Apêndice 42 Oscar Apêndice 43 Apêndice 44 Pedro Apêndice 45 Apêndice 46 Gonçalo Apêndice 47 Apêndice 48 Fonte: elaboração própria Estas alterações incluem correções em elementos linguísticos, estruturas frásicas e a remoção ou adição de elementos que podem afetar positiva ou negativamente o aspeto oral do texto final. Para acompanhar este processo, foi elaborado uma tabela de observação (apêndice 22) que levou à realização do seguinte gráfico circular.
80 Figura 43 - Gráfico de circular da distribuição das correções no total Fonte: elaboração própria Este gráfico circular (ou gráfico de pizza) mostra a distribuição de correções na sua totalidade. As diferentes fatias representam os diferentes tipos de correções. Antes de iniciar a análise, é necessário proceder à caracterização de cada correção identificada, com os seus devidos exemplos, as quais foram categorizadas da seguinte forma: Estrutura é a recolocação de parágrafos inteiros para alterar a estrutura do texto; Simplificação frásica são os momentos em que foi necessário alterar frases para tornar a introdução de conceitos mais fáceis de se introduzirem e compreenderem, exemplo tal como, do original “Lastly, let's talk about lipid storage”, para “Lastly, it’s lipid storage.” (apêndice 47 e apêndice 48); Redução frásica foram as situações em que foi necessário dividir as frases em dois e/ou retirar palavras, levando a criação de frases mais curtas, nomeadamente momentos tais como o elemento de ligação “Well” em frases como “Well, in this video, we'll be diving into” (apêndice 35, apêndice 37, apêndice 39, apêndice 41, apêndice 43, apêndice 45 e apêndice 47); Remoção é a eliminação de palavras/frases inteiras. Estas remoções aconteceram devido a situações de redundância, elementos profundamente explicativos ou necessidade de aprofundamento que não se ponderou necessário, por exemplo, nomes de todos os cientistas envolvidos nos artigos, de
81 parágrafos inteiros ou de passagens tais como “on earth” na frase “what on earth is a ‘skin-on-a-chip’?” (apêndice 35); Alteração são os momentos de mudança e/ou troca de palavras e/ou de expressões lexicais, de forma a alterar a semântica frásica, por exemplo, a troca de conceitos por pronomes, por exemplo, do original “You can think of alternative splicing” por “Think of it” (apêndice 39 e apêndice 40); Adição foram as situações em que foi necessário adicionar palavras e/ou frases inteiras, nomeadamente situações em que se teve de introduzir “from ITQB NOVA” para apresentar a instituição (apêndice 34, apêndice 36, apêndice 38, apêndice 40, apêndice 42, apêndice 44, apêndice 46, apêndice 48). Para além desta análise, é necessário ter em atenção que cada elemento está relacionado ao seu “type” e não ao “token”, isto é, por cada elemento analisado, poderão ter ocorrido várias instâncias mas cada correção analisou-se como uma só. Assim, é possível analisar que o tipo “Remoção” é o mais frequente, enquanto correções de “Estrutura” e “Simplificação léxica” são as menos frequentes. Além do gráfico circular, é possível produzir um gráfico de barras empilhadas. Figura 44 - Gráfico de barras empilhadas da distribuição de correções por tipo Fonte: elaboração própria Neste gráfico, cada barra representa um tipo de correção e os segmentos coloridos dentro de cada barra representam as correções realizadas por cada investigador.
82 Com ambos os gráficos, é possível concluir que existiu uma ocorrência de quase de metade (35 ocorrências) de processos de remoção, isto é, existiu informação que teve de ser apagada ou removida. Também é possível concluir que existiram momentos quase nulos em que foram aplicadas modificações de estrutura e de simplificação léxica de correção do ChatGPT. Mesmo assim, é possível concluir que a alteração em termos de conteúdo entre o texto original criado pelo ChatGPT comparado ao texto alterado pela mão humana, não é de grande significância. Com estes dois textos enviados aos investigadores, foi-lhes apresentado um questionário, no qual se pediu para analisarem os dois guiões, não identificados, na sua totalidade – termos de estrutura, construções frásicas, tom de voz, jargão científico, entre outros – de forma a não haver distinções e preferências devido a contexto científico, já que nenhum conceito foi aprofundado, como se concluiu no ponto anterior. Figura 45 - Escolha dos cientistas entre os dois guiões Fonte: elaboração própria Tendo em consideração que o Guião 1 corresponde ao texto original gerado pelo ChatGPT e o Guião 2 é o texto do ChatGPT com alterações manuais, podemos observar que, dos 7 investigadores, 5 deles (71,4%) preferiram o Guião 2.
83 Alguns dos investigadores forneceram justificações para as suas escolhas: “O guião 2 está mais simples e com menos detalhes, não deixando de dizer o essencial. O guião 1 tem alguns momentos que não fazem sentido como a meio perguntar "why should you watch this video?" (parece um bocado redundante) e voltar a mencionar "this video offers a glimpse..." momentos mais tarde (um bocado "on the nose")”; “It is not only for kids but also for adults.” “Escolhi o guião 2 porque tem a introdução e conclusão simplificadas.” “It is because the option 2 is more easy to read for non scientific people.” Dos dois investigadores que escolheram o Guião 1, isto é, o texto criado pela IA, encontram-se algumas das seguintes justificações: “O texto aparece mais consistente, incluindo alguns detalhes relevantes que permitem melhor perceber a estrutura descrita no paper original.” “Texto mais "engaging", interativo e num tom mais informal para o público-alvo. No entanto, gostaria de referir que a minha preferência pelo Guião 1 decorre do facto de o objetivo ser a criação de um vídeo com narração.” Entretanto, no decorrer das justificações, tornou-se evidente que a seleção não se revelou uma tarefa simples. Surgiram casos nos quais os investigadores ponderaram que o guião não escolhido poderia conter informações passíveis de aproveitamento, ou mesmo consideraram explorar as potenciais aplicações do guião não selecionado para outros propósitos. Adicionalmente, em algumas circunstâncias, as distinções entre os dois guiões foram quase imperceptíveis, exigindo que o cientista fizesse uma escolha criteriosa. “Se o objetivo fosse passar a informação num formato escrito, escolheria o Guião 2, pois a sua escrita está mais "limpa" e precisa.” “No entanto, acho que há algumas coisas/frases eliminadas do guião 1 que poderiam ser aproveitadas.” “[O guião 2] Pareceu-me ter menos repetição. Mas ambos são muito semelhantes.”
84 Com base na análise gráfica e nos comentários correlatos, é possível inferir que os proponentes do guião 2, que consiste num texto do ChatGPT sujeito a modificações humanas, parecem conceder maior importância ao seu público-alvo e à qualidade da informação transmitida, bem como à retenção desta última. Em contrapartida, os adeptos do guião 1, que é representativo do texto original do ChatGPT, parecem dar mais ênfase à integralidade do conteúdo transmitido. Nesse sentido, é factível afirmar que os cientistas adotaram perspetivas distintas à sua escolha, ambas fundamentadas em méritos intrínsecos, refletindo, desse modo, a natureza multifacetada da pesquisa. O que difere entre as duas escolhas é que o primeiro enfoca no público que consumirá o conteúdo, enquanto o segundo se concentra na quantidade e na integralidade da informação transmitida para o exterior. Adicionalmente, é possível inferir que muitas das decisões por parte dos comentários dos investigadores não se baseiam unicamente nas suas preferências pessoais, mas na importância atribuída aos detalhes. Algumas escolhas foram influenciadas por nuances de tal magnitude que, em alguns casos, os cientistas com predisposições relativamente neutras acabaram por optar por um dos guiões em detrimento do outro. Isto ocorreu porque, aos olhos de alguns dos investigadores, a maior parte do conteúdo comunicado ao público-alvo através de dois guiões era considerado notavelmente semelhante. É possível encontrar as versões escolhidas pelos investigadores, em inglês, na seguinte tabela: Tabela 3 - Guiões escolhidos pelos investigadores Investigador Guião escolhido em inglês Abel Apêndice 35 Inês Apêndice 38 María Apêndice 40 Nelson Apêndice 42 Oscar Apêndice 44 Pedro Apêndice 46 Gonçalo Apêndice 47 Fonte: elaboração própria
85 3.3.2 Revisão e análise técnico-científica Depois de analisados os guiões em termos linguísticos, iniciou-se a produção dos guiões que serão usados no projeto “Simplesmente Ciência”. Os guiões selecionados para trabalho são os mesmos que os investigadores escolheram no questionário anterior. Ou seja, se os dois investigadores optaram para trabalhar com o guião gerado pelo ChatGPT, esse guião será utilizado; o mesmo se aplica aos sete investigadores que escolheram o guião com alterações manuais. Pergunta 1 A primeira questão, focada na qualidade narrativa do guião escolhido pelos cientistas, procurava avaliar como estes consideravam a qualidade da introdução, desenvolvimento e conclusão. Assim, foram apresentadas cinco opções de resposta, de 1 a 5, em que o valor menor correspondia a “Muito má”, enquanto o maior correspondia a “Muito boa”. Figura 46 - Análise referente à pergunta 1 Fonte: elaboração própria Tendo os valores em consideração, é possível concluir que a qualidade da narrativa em termos de apresentação de introdução, desenvolvimento e conclusão está positiva, tendo apenas 14,3% (1 voto) neutro, dos textos escolhidos pelos investigadores.
86 Pergunta 2 A questão seguinte, centrada na qualidade do conteúdo presente no guião selecionado pelos cientistas, tinha como objetivo avaliar como estes percebiam a qualidade da narrativa em termos de apresentação de um problema (um tópico que precisa de ser resolvido), uma explicação (a razão pela qual esse problema existe) e a solução (como resolver o problema). Foram fornecidas cinco opções de resposta, variando de 1 a 5, em que o valor mais baixo correspondia a "Muito má" e o valor mais alto correspondia a "Muito boa". Figura 47 - Análise referente à pergunta 2 Fonte: elaboração própria Portanto, é evidente que a ênfase recai mais na qualidade dos textos, com mais da metade deles sendo classificados como "Boa", seguidos por avaliações neutras. Apenas um dos textos, de acordo com a avaliação do investigador, abordou os três pontos cruciais: a apresentação do problema, a explicação da sua existência e a sugestão de solução.
87 Pergunta 3 Esta pergunta teve como objetivo avaliar, considerando que a intenção é comunicar informações para um público não familiarizado com a ciência, se a informação essencial da pesquisa era apresentada de forma que o investigador acreditasse que poderia ser compreendida pelo público-alvo em mente. Foram fornecidas cinco opções de resposta, variando de 1 a 5, em que o valor mais baixo correspondia a "Muito má" e o valor mais alto correspondia a "Muito boa". Figura 48 - Análise referente à pergunta 3 Fonte: elaboração própria Com base nos resultados, podemos concluir que mais da metade dos investigadores acreditam que a quantidade de informação apresentada no guião é de qualidade ótima para o público-alvo, enquanto dois dos investigadores avaliam a sua qualidade como neutra.
94 Figura 53 - Tipos de livros lidos em diferentes níveis e os valores que indicam legibilidade "básica", "média" e "avançada" de acordo com o Flesch Kincaid Grade Level Fonte: https://originality.ai/blog/all-about-the-flesch-kincaid-grade-level Por último, o Gunning Fog Grade Level , no campo da linguística, é um teste de legibilidade aplicado à língua inglesa. Este índice, semelhante ao mencionado anteriormente, estima quantos anos de educação um indivíduo precisa para compreender o texto na primeira leitura. Assim como no exemplo anterior, um índice de Fog de 12 indica que é necessário ter a capacidade de leitura de alguém no 12º ano de escolaridade (geralmente com 18 anos de idade) para entender o texto. Figura 54 - Valores do índice do Gunning Fog Grade Level relacionado ao nível de leitura Fonte: Eleyan et al. (2020)
95 3.3.3.2 Criação de código com Python Com base nessas informações, foi criado um ficheiro no Google Colaboratory 90 para programar as variáveis mencionadas anteriormente, incluindo o número de palavras únicas e a análise de sentimento. Resumidamente, o código permitia ler o texto selecionado (denominado de "text_data") e analisar os seus resultados, realizado com a função da seguinte figura: Figura 55 - Código para selecionar o documento “text_data” Fonte: elaboração própria Para calcular o número de palavras, foi utilizado o código fornecido pelo Textstat: Figura 56 - Código da variável "Palavras Únicas" Fonte: elaboração própria Para o Flesch Reading Ease Formula , Flesch-Kincaid Grade Level e Gunning Fog Grade Level , respetivamente: Figura 57 - Código dos três índices de legibilidade Fonte: elaboração própria A última variável a ser apresentada está relacionada com o sentimento transmitido pelo texto, que pode ser negativo, neutro ou positivo. Para esta análise, foram comparadas duas bibliotecas: VADER e TextBlob, utilizando o seguinte código para cada uma delas, respetivamente: 90 https://colab.research.google.com/?utm_source=scs-index
96 Figura 58 - Código para análise de sentimento da biblioteca VADER Fonte: elaboração própria Figura 59 - Código para análise de sentimento da biblioteca TextBlob Fonte: elaboração própria
97 3.3.3.3 Análise de dados Após a implementação dos procedimentos de codificação e da análise contabilística dos termos científicos específicos, foi gerada a seguinte tabela. Tabela 5 - Valores de análise dos guiões Nome Palavras únicas Termos científicos únicos Flesch Reading Ease FleschKincaid Grade Level Gunning Fog Grade Level VADER TextBlob Teaser 369 0 45.15 11.3 12.89 positivo positivo Abel 469 16 53.81 10.1 12.08 positivo positivo Gonçalo 560 17 54.73 9.7 10.1 positivo positivo Inês 503 11 62.88 8.7 9.74 positivo positivo María 503 13 62.88 8.7 9.42 positivo positivo Nelson 596 8 55.54 9.4 10.11 positivo positivo Oscar 400 16 63.7 8.4 9.7 negativo positivo Pedro 520 14 53.31 10.3 11.54 positivo positivo Fonte: elaboração própria O presente compêndio de dados compreende os guiões concebidos pelos investigadores em associação com o sistema ChatGPT, abrangendo ainda o episódio introdutório, conhecido como "teaser" (apêndice 34), que foram previamente revistos e atribuídos às respetivas autorias dos cientistas envolvidos. Portanto, este conjunto de dados disponibiliza as seguintes variáveis para análise: Nome: nome do investigador a que se refere o guião (incluindo o episódio “teaser”). Palavras únicas: número de palavras únicas no guião. Termos científicos únicos: número de termos científicos únicos no guião.
98 Flesch Reading Ease: pontuação de legibilidade, em que indica o quão fácil o texto pode ser entendido - quanto mais alto o valor, mais fácil a leitura. Flesch-Kincaid Grade Level: pontuação de legibilidade, que indica o nível de educação necessário para compreender cada texto. Gunning Fog Grade Level: outra pontuação de legibilidade, que indica o nível de educação necessário para compreender cada texto. Sentiment analysis (VADER): o resultado da análise de sentimentos utilizando a ferramenta de análise de sentimentos VADER. Sentiment analysis (TextBlob): o resultado da análise de sentimentos utilizando a ferramenta de análise de sentimentos TextBlob. É relevante destacar que a variável “Termos científicos únicos” não foi objeto de desenvolvimento de código específico para a sua análise, sendo aferida exclusivamente por meio da contagem de termos singulares. A contabilização desta variável foi executada através de uma seleção inicial realizada pela Inteligência Artificial, sendo posteriormente sujeita a uma revisão por intervenção humana. Todos os termos classificados como científicos incluíam aqueles que estavam diretamente ou indiretamente associados ao conhecimento científico, sem distinção quanto à sua notoriedade social. É imperativo ressaltar que o episódio denominado “Teaser” carece de relevância no que concerne a esta variável, uma vez que o contexto apresentado neste guião é de natureza instrutiva e introdutória ao programa “Simplesmente Ciência”, desprovido de quaisquer conceitos científicos passíveis de análise.
99 Ao observar a tabela anterior, é possível não só identificar padrões interessantes nos guiões dos investigadores, mas ainda criar diagramas de extremos e quartis para uma outra perspetiva de análise, representada da seguinte forma. Figura 60 - Boxplots de todas as variáveis, exceto da análise de sentimento Fonte: elaboração própria O boxplot com o título “Palavras Únicas” mostra a distribuição da quantidade de palavras únicas em cada guião. A maioria dos guiões tem entre aproximadamente 400 e 600 palavras únicas, com alguns guiões possuindo uma quantidade consideravelmente menor ou maior. De acordo com a tabela, a variável "Palavras únicas" varia entre os investigadores, sugerindo diferenças na utilização de vocabulário e complexidade do texto. Por exemplo, o investigador Nelson apresenta a contagem lexical mais alta (596), indicando um vocabulário mais diversificado. Por outro lado, o guião do Oscar tem a contagem lexical mais baixa (400), sugerindo uma utilização de vocabulário mais simples. Também se poderá observar o boxplot intitulado “Termos Científicos Únicos”, em que se confirma que a maioria dos guiões possui entre 8 e 17 termos científicos.
100 Em relação à legibilidade, os valores da variável "Flesch Reading Ease" geralmente variam entre 45.15 e 63.7, indicando que a maioria dos textos é razoavelmente legível. De acordo com o boxplot desta fórmula, a distribuição destes valores sugere que a legibilidade varia entre os guiões. A mediana está por volta de 55, o que indica uma legibilidade moderada para a maioria dos guiões. Alguns guiões, no entanto, têm valores consideravelmente mais altos ou mais baixos. O guião do Oscar destaca-se com o valor mais alto (63.7), sugerindo que o guião tem um estilo de escrita relativamente mais fácil de compreender, enquanto o episódio Teaser tem o valor mais baixo (45.15), indicando que é um texto mais complexo. As métricas "Flesch-Kincaid Grade Level" e "Gunning Fog Grade Level" validam as observações supracitadas. A variável “Flesch-Kincaid Grade Level” afirma que a maioria dos guiões requer um nível de escolaridade entre o 8º e o 10º ano para ser compreendida; de forma semelhante, a variável “Gunning Fog Grade Level” sugere que a maioria dos guiões requer um nível de escolaridade entre o 9º e o 11º ano para ser compreendida. Mais detalhadamente, o guião do Oscar possui os valores mais baixos para ambas as variáveis, o que significa que o texto pode ser compreendido por pessoas com menor nível de educação. Em contrapartida, o Teaser ostenta os patamares mais elevados em ambos os indicadores, concretamente 11.3 e 12.89, o que sugere que a compreensão do texto exige um nível de educação mais aprofundado. Para a análise comparativa com legibilidade, vai ser utilizada a variável "Flesch Reading Ease" (por ser uma das métricas de legibilidade mais conhecidas e utilizadas) e verificar se há alguma correlação entre esta e a quantidade de termos científicos únicos. Para visualizar esta relação, vai ser realizado um gráfico de dispersão (ou scatterplot). Colocar-se-á a variável “Termos científicos únicos” no eixo X e o "Flesch Reading Ease" no eixo Y, sendo ainda possível saber a que cada investigador corresponde o guião.
101 Figura 61 - Relação entre Termos Científicos Únicos e Flesch Reading Ease Fonte: elaboração própria A partir deste gráfico, os guiões do Oscar e do Abel demonstram um notável acúmulo de termos científicos únicos, no entanto, exibem valores distintos na métrica "Flesch Reading Ease", o que insinua que a presença de termos científicos não representa o único elemento influenciador da legibilidade. Em contrapartida, os guiões da Inês e da María apresentam valores superiores na escala "Flesch Reading Ease", indicando uma maior facilidade de leitura, mesmo quando contendo uma quantidade moderada de termos científicos. Esta observação aponta para a ausência de uma correlação direta e manifesta entre a quantidade de termos científicos e a legibilidade, sugerindo que outros componentes textuais, como a estrutura das frases, o uso de palavras comuns, e outros fatores, exercem influência significativa sobre a perceção da facilidade de leitura. No contexto da análise de sentimento, é notória uma homogeneidade entre os textos, consistentemente avaliados como "positivos" tanto pelo VADER como pelo TextBlob, com a exceção do guião do Oscar, o qual foi categorizado como "negativo" pelo VADER. Esta classificação pode ser consequência do enfoque do guião, que incide mais frequentemente sobre as consequências adversas da quimioterapia e da doença oncológica na existência do indivíduo (apêndice 44). Tal enfoque pode ter originado construções frásicas que, aos olhos do VADER, são percecionadas como negativas.
102 3.3.4 Revisão da tradução O DeepL 91 é uma ferramenta de tradução automática desenvolvida pela empresa alemã DeepL, fundada por Jaroslaw Kutylowski e operada pela DeepL SE em Colónia, Alemanha 92 . Foi lançado em agosto de 2017 e rapidamente se destacou pela sua precisão nas traduções, competindo com outras ferramentas de tradução automática, como o Google Tradutor 93 e o Microsoft Tradutor 94 . A sua eficiência provém de uma grande rede neural, especificamente de modelos de neural machine translation (tradução automática neural) ou NMT, que têm sido o padrão dos sistemas de tradução automática modernos 95 . No entanto, o DeepL tem algumas limitações. A sua cobertura linguística varia entre os pares de línguas, o que significa que algumas traduções podem ser menos precisas do que outras. Além disso, a tradução de terminologia especializada ou termos técnicos pode resultar em traduções imprecisas, uma vez que o DeepL depende de dados gerais. A sua sensibilidade ao contexto também pode ser limitada, levando a traduções mal interpretadas que podem exigir correção humana. Finalmente, na versão gratuita do programa, os utilizadores estão limitados a uma utilização de 1000 caracteres por tradução. Para a tradução dos guiões do "Simplesmente Ciência" do inglês para o português, foi utilizada a ferramenta DeepL. Tal como com o ChatGPT, procurou-se avaliar a fidelidade da tradução e a necessidade de correção por parte de um humano. Assim, explorou-se a fidelidade do DeepL ao contexto geral do texto apresentado. Com isto, foi criada uma tabela (apêndice 23) com os resultados analisados, que permitiu a criação do seguinte gráfico circular para analisar os 8 guiões do programa. 91 https://www.deepl.com/pt-PT/translator 92 Informação retirada de https://www.deepl.com/pt-PT/publisher/. 93 https://translate.google.com/ 94 https://www.microsoft.com/pt-br/translator/ 95 Informação retirada de https://phrase.com/blog/posts/deepl/.
103 Figura 62 - Gráfico circular de distribuição de erros por tipo Fonte: elaboração própria Antes de se proceder à análise do gráfico, é necessário descrever cada tipo de erro: A Alteração/erro lexical é quando uma palavra precisa de ser alterada ou corrigida, como "induced skin diseases" (original) traduzido como "indução de doenças nos chips de pele artificial" (para português) e corrigido para "indução de doenças nas peles integradas" (apêndice 27). A Repetição/redundância envolve a eliminação de palavras ou expressões repetidas, como "these researchers investigated" (original) traduzido como "estes investigadores investigaram" (para português) e corrigido para "estes cientistas investigaram" (apêndice 45 e apêndice 32). Com Erro ortográfico pretende-se referir a palavras mal escritas, como "adopt" (original) traduzido como "adoptaram" (para português) e corrigido para "adotaram." A Remoção/apagamento é quando palavras ou frases são totalmente eliminadas, como "more normal" (original) traduzido como "mais normal" (para português) e corrigido para "normal" (apêndice 31). A Adição é quando novas palavras ou frases são adicionadas, como "a compound called Rull(p cimeno)" (original, no apêndice 43) traduzido como "um composto chamado Rull(p cimeno)" (para português) e corrigido para "um conjunto de compostos de organometálicos de ruténio derivado de paracimeno, também chamado de ruténio" (apêndice 31).
110 e a explicação das investigações nos episódios, e também faz uma pequena aproximação ao texto, imitando o efeito real das lupas. Figura 69 - Logótipo final do programa “Simplesmente Ciência” Fonte: elaboração própria Com base na última figura, foram criados os elementos de abertura e encerramento do vídeo. A sequência de abertura começa com uma animação do logótipo "Simplesmente Ciência", onde a lupa se move da esquerda para a direita, revelando as cores do título. Em seguida, são apresentados os logótipos das instituições parceiras, o ITQB NOVA e a Universidade do Minho, juntamente com a identificação da estagiária, Madalena Barros. A cena final retoma o logótipo, revertendo o movimento inicialmente observado, e destaca as redes sociais do ITQB NOVA, a página do YouTube da mesma instituição e uma lista de todos os episódios do programa como meio de promoção adicional. 3.3.6.2 Gravação e edição A gravação do projeto "Simplesmente Ciência" ocorreu numa sala dentro do ITQB NOVA, reservada durante três dias. Durante as gravações, foram utilizadas várias ferramentas, incluindo um ecrã verde
111 ( greenscreen ), uma cadeira, uma mesa, um portátil usado como teleponto 97 , um conjunto de livros de suporte ao portátil, um tripé, uma câmara Sony 6400 com uma lente Sigma 56mm, um microfone BOYA BY-WM4 Pro e um holofote. Para manter a naturalidade e criar a ilusão de que cada episódio não foi gravado no mesmo período de tempo, foi trocada a peça de roupa superior, maquilhagem e cabelo entre cada gravação. Foi importante manter a câmara na mesma localização, posicionar o portátil ao nível dos olhos para evitar que parecesse que o guião estava a ser lido e ajustar a velocidade do teleponto para garantir uma leitura fluente, mas não apressada. Além dos episódios com os guiões criados pela IA, também foram gravados pequenos vídeos introdutórios para publicidade nas redes sociais. Figura 70 - Pespetiva 1 da sala de gravação Fonte: elaboração própria 97 O teleponto espontâneo foi utilizado com a ferramenta online disponibilizada em https://www.teleprompter-online.com/
112 Figura 71 - Perspetiva 2 da sala de gravação Fonte: elaboração própria Para editar o projeto "Simplesmente Ciência", foi utilizado o programa Adobe Premiere Pro 98 . No processo de edição, foram realizados cortes nos vários vídeos para selecionar as passagens ideais e criar a produção final. Para remover o fundo verde, utilizou-se a ferramenta "Ultra Key", ajustando os valores para obter uma imagem uniforme. As imagens de fundo foram retiradas de vídeos no YouTube com temas semelhantes e foram configuradas para repetir em loop (apêndice 1). Os elementos visuais, como texto, foram projetados para serem dinâmicos e fluídos, com um tipo de letra e composição de imagem que facilitam a leitura e a visualização. As palavras e as frases no 98 https://www.adobe.com/pt/products/premiere.html
113 vídeo foram mantidas curtas para destacar e reforçar a mensagem transmitida em cada momento. As imagens complementam a explicação e fornecem contexto visual, ajudando aqueles que dependem de elementos visuais para uma melhor compreensão do tópico abordado. Figura 72 - Screenshot do teaser do “Simplesmente Ciência” que demonstra um dos elementos visuais Fonte: elaboração própria 3.3.6.3 Legendagem A legendagem dos vídeos foi realizada na própria ferramenta do YouTube, utilizando as Closed Captions (CC). Os textos originais gerados pelo ChatGPT em inglês foram reaproveitados e ajustados para corresponder ao áudio em português. Os tempos da legendagem foram ajustados manualmente na plataforma para garantir a sincronização adequada com o vídeo. Igualmente, todas as regras de legendagem foram de acordo com as “Convenções” da Doutora M. Dolores Lerma Sanchis.
114 3.3.7 Promoção e divulgação Para a promoção e divulgação do “Simplesmente Ciência”, será apresentada a calendarização para a publicação dos episódios, tal como da publicidade do programa: Figura 73 - Calendário do mês 1 do "Simplesmente Ciência" Fonte: elaboração própria Figura 74 - Calendário do mês 2 do "Simplesmente Ciência" Fonte: elaboração própria
115 É crucial considerar que, apesar de a calendarização proposta ser ideal e expectável, ela encontra-se igualmente vulnerável a alterações face à adaptabilidade constante do Gabinete de Comunicação e Imagem do ITQB NOVA aos eventos e ocorrências quotidianas. Da mesma forma, a configuração das publicações do “Simplesmente Ciência” pode ser objeto de modificação, atendendo ao retorno proporcionado pelo público e subsequentemente debatido com os membros do Gabinete. Assim, verifica-se que os sete episódios subsequentes do programa estão agendados para lançamento periódico, idealmente numa cadência semanal. Seguindo a estreia de um novo episódio, proceder-se-á, no dia subsequente, à divulgação de vídeos sintetizados nas redes sociais do ITQB NOVA, com o propósito de promover o recente lançamento. Embora não refletido explicitamente na calendarização, está prevista uma diligência específica no que concerne ao envio de um comunicado de imprensa relativo ao lançamento do “Simplesmente Ciência”. Este, acompanhado de uma imagem correlacionada, está planeado para partilha com entidades parceiras do ITQB NOVA, como o Município de Oeiras, e incorporado em listas de distribuição de correio eletrónico (exemplos incluem a NOVA Lisboa 99 , NOVA SBE 100 , LS4FUTURE 101 , COLife 102 , Casa das Ciências 103 , entre outras). A descrição do processo de elaboração da comunicado de imprensa não será incluída no presente relatório, em virtude da necessidade de manter a confidencialidade por parte do Gabinete de Comunicação e Imagem do ITQB NOVA até ao momento de lançamento do programa. 3.4 Reflexão do projeto Em retrospetiva, a jornada da criação e produção do “Simplesmente Ciência” foi uma aventura transformativa, marcada por um conjunto de obstáculos, momentos de incerteza e, finalmente, triunfos emocionantes. Com os procedimentos desenvolvidos anteriormente, é possível observar o seguinte gráfico circular. Este empreendimento não só aprofundou a minha compreensão da ciência, da comunicação e da criação de conteúdos, como também proporcionou uma oportunidade única de colaborar com cientistas de renome, expandindo os meus horizontes e aperfeiçoando as minhas competências nesse processo. O privilégio de abordar temas de grande importância para a sociedade e de os traduzir num meio que me é muito querido, a criação de conteúdos, é uma das minhas realizações mais significativas. 99 https://www.unl.pt/ 100 https://www.novasbe.unl.pt/pt/ 101 https://www.ls4future.pt/ 102 https://colife.eu/ 103 https://www.casadasciencias.org/
116 Nos meandros da sua produção, mostrou-se um maior tempo investido nas fases iniciais, sendo estas a utilização do ChatGPT, reuniões entre cientistas e outros colaboradores e nas correções dos próprios guiões. Logo de seguida, o tempo mais investido foi na edição do programa. Figura 75 - Tempo investido (em dias) em cada atividade na produção do “Simplesmente Ciência” Fonte: elaboração própria A autonomia que me foi concedida na elaboração deste projeto desde o início foi uma fonte de criatividade. Desde a conceção dos guiões até à conceção da estética visual e à edição meticulosa dos vídeos, não senti limitações na busca da originalidade. Esta liberdade proporcionou infundir em cada episódio uma perspetiva única, contribuindo para identidade do programa. Além disso, a aventura no mundo da IA, um campo que regista atualmente um crescimento exponencial, provou-se um desafio imenso e um prazer extraordinário. O facto desta área continuar a evoluir e a adaptar-se ao panorama científico e tecnológico em constante mudança reforça a ideia de que o “Simplesmente Ciência” não é apenas uma produção, mas um testemunho da simbiose entre criatividade e inovação.
117 4. Considerações finais Para esta conclusão, é necessário fazer referência ao meu estágio de forma distinta: a experiência adquirida no ITQB NOVA, no Gabinete de Comunicação e Imagem, bem como no meu projeto intitulado "Simplesmente Ciência". O meu estágio no ITQB proporcionou-me conhecimentos e competências de inestimável valor no campo da comunicação. Durante o período de estágio, desenvolvi e aprimorei diversas competências interpessoais, incluindo a capacidade de trabalhar eficazmente sob pressão. Aprendi a importância do trabalho em equipa e a colaboração entre os colegas do instituto, reconhecendo esta imprescindibilidade para alcançar objetivos comuns. Uma das lições mais impactantes deste estágio foi a aquisição de um amplo conjunto de competências no departamento de comunicação. Refinei minha habilidade em copywriting , criação de conteúdo, gestão de redes sociais, organização de eventos, edição de vídeo e imagem, além do desenvolvimento de websites em WordPress. Estas capacidades permitiram destacar-me num ambiente digital em constante evolução. Surpreendentemente, este estágio ajudou-me a descobrir a minha paixão pela comunicação e um grande interesse na área da comunicação de ciência - um domínio que inicialmente não havia considerado. Foi revelador perceber que posso prosperar em várias áreas da comunicação, desde que tenha a oportunidade de me dedicar à criação de conteúdo na esfera digital. A noção de que "fazer o que se gosta não parece trabalho" ressoou em mim, especialmente quando tive a oportunidade de iniciar e desenvolver um projeto pioneiro a partir do zero. No entanto, identifico aspetos que desejava ter aprimorado e desenvolvido. Teria gostado de iniciar o aprofundamento das minhas competências de copywriting desde o início, o que me permitiria explorar mais a escrita e suas nuances estratégicas. Além disso, esperava focar mais na edição de imagens para redes sociais e na gestão estratégica das plataformas, em vez da edição de vídeos, uma vez que considero as áreas mencionadas fundamentais no domínio no qual pretendo especializar-me.
118 Figura 76 - Resumo de todos os tópicos referidos durante o estágio no ITQB NOVA Fonte: elaboração própria Desejo também mencionar o meu projeto "Simplesmente Ciência", o qual desenvolvi e considero inovador e pioneiro no campo da Comunicação de Ciência em associação com a IA. Através deste projeto, foi possível analisar o potencial da IA neste domínio e como se pode utilizá-la para otimizar a criação de conteúdo futuro no campo da ciência e da comunicação. O "Simplesmente Ciência" permitiu-me integrar, na fase inicial da minha carreira profissional, a área da comunicação e a criação de conteúdo, que já faziam parte dos meus interesses. Além disso, desafiei-me a explorar até onde meus limites podiam chegar. Valorizo este trabalho não apenas por tê-lo criado e desenvolvido, mas também por ter tido a oportunidade de dar voz e forma a este projeto, inclusive aparecendo diante das câmaras. Além de gerir o projeto e comunicar com cientistas de várias línguas para a realização do programa, também adquiri novos conhecimentos, como a programação em Python e o trabalho com a IA, durante o desenvolvimento do projeto. Foi possível aplicar os meus conhecimentos na área de edição, incluindo a gravação e a revisão dos vídeos, para adquirir uma compreensão mais aprofundada da área. Adicionalmente, consegui voltar às raízes da minha formação em línguas ao aplicar os meus conhecimentos de inglês e português
119 para desenvolver o programa e torná-lo acessível a públicos mais amplos por meio da tradução e legendagem. Tal como no estágio do ITQB NOVA, ainda foi possível aprofundar outras componentes da área da comunicação, tal como o tom de comunicação e criação de narrativa, revisão de textos e saber como trabalhar na área da comunicação de ciência, na digital e ainda na estratégica. O “Simplesmente Ciência” permitiu confirmar que, embora seja possível criar conteúdos para plataformas online a partir da IA, ainda é necessária a revisão humana, quer narrativa e científica, para uma melhor otimização do conteúdo disseminado. Este projeto é o ponto de partida para reconhecer em que áreas é que se pode apostar para este melhoramento da IA para ajudar na comunicação de ciência. Mesmo assim, reconheço os desafios enfrentados com a IA e a necessidade de uma abordagem mais estruturada para analisar a simplificação de texto. Em retrospetiva, teria delineado e esboçado o meu projeto desde início de forma mais abrangente para facilitar uma avaliação mais aprofundada do impacto da simplificação de texto, especialmente quando se utilizam métodos de simplificação de texto automáticos. Figura 77 - Resumo de todos os tópicos referidos durante o desenvolvimento do "Simplesmente Ciência" Fonte: elaboração própria
126 Lewis, M., Liu, Y., Goyal, N., Ghazvininejad, M., Mohamed, A., Levy, O., Stoyanov, V., & Zettlemoyer, L. (2019). BART: Denoising Sequence-to-Sequence Pre-training for Natural Language Generation, Translation, and Comprehension. https://doi.org/10.48550/arXiv.1910.13461 Liu, J., Wang, C., & Liu, S. (2023). Utility of ChatGPT in Clinical Practice. J Med Internet Res, 25 , e48568. https://doi.org/10.2196/48568 Lowe, R. (2019, February 18). OpenAI’s GPT-2: The model, the hype, and the controversy. Medium. https://towardsdatascience.com/openais-gpt-2-the-model-the-hype-and-the-controversy1109f4bfd5e8 Magalhães, R. (2015). A Comunicação Estratégica aplicada à divulgação da Ciência. O caso do Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade. Observatorio (OBS*), 9(4) , 51-84. https://doi.org/10.15847/obsOBS942015850 Margarido, P. R. A., Pardo, T. A. S., Antonio, G. M., Fuentes, V. B., Aires, R., Aluísio, S. M., & Fortes, R. P. de M. (2008). Automatic summarization for text simplification: Evaluating text understanding by poor readers. Simpósio Brasileiro de Sistemas Multimídia e Web - WebMedia . https://repositorio.usp.br/item/001699557 Martins, M., Toste, C., Pereira, I. A. C. (2021). Enhanced Light-Driven Hydrogen Production by SelfPhotosensitized Biohybrid Systems. Angewandte Chemie International Edition, 60 (16), 9055– 9062. https://doi.org/10.1002/anie.202016960 Master D. (n.d.). UX e UI: O que são e como evoluir no design. https://www.masterd.pt/blog/ux-ui Mazumdar, S. (2023, April 4). Exploring the Extractive Method of Text Summarization. Analytics Vidhya. Mesquita, K., Ruão, T., & Andrade, J. G. (2020). Transformações da comunicação organizacional: novas práticas e desafios nas mídias sociais. In Z. Pinto-Coelho; T. Ruão & S. Marinho (Eds.), Dinâmicas comunicativas e transformações sociais. Atas das VII Jornadas Doutorais em Comunicação &
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130 6. Apêndices 6.1 Glossário Chatbot – é um software baseado numa IA capaz de manter uma conversa em tempo real por texto ou por voz (Iberdrola, n.d.a). Embedding (de palavras) – é uma técnica usada no PLN que representa palavras como números para que um computador possa trabalhar com elas (Elastic, n.d.). Footer – tradução em inglês de “rodapé”. IA generativa – é um tipo de IA que é responsável pela criação de um conteúdo novo e original. Utiliza algoritmos para gerar conteúdos, tais como imagens, vídeos, música, e mais, sem a necessidade de intervenção humana (Sonix, n.d.). Input – conjunto de informações que chegam a um sistema (organismo, mecanismo) e que este vai transformar em informações de saída (Priberam, n.d.a). Layout – modo de distribuição e arranjo dos elementos gráficos num determinado espaço ou superfície (Priberam, n.d.b). Loop – conjunto de instruções percorrido e repetido por um programa até que se alcance determinada situação (Priberam, n.d.c). Modelo PPO – sigla inglesa correspondente a Proximal Policy Optimization (em português, Otimização de Política Proximal), é uma classe de algoritmos de “aprendizagem por reforço” (reinforcement learning), desenvolvida pela OpenAI em 2017 (Schulman et al., 2017). Media kit – também conhecido como Press Kit, é um documento usado para demonstrares todo o teu potencial a possíveis patrocinadores ou parceiros de negócios (Influenza, n.d.). Output – conjunto de informações que saem a um sistema (organismo, mecanismo), depois de este transformar as informações de entrada (Priberam, n.d.e). Plugin – tradução em inglês de “extensão”. Programa informático destinado a acrescentar funcionalidades a outro programa. (Priberam n.d.d). Processamento de linguagem natural – tambem conhecido como PLN, é o campo da computação (mais concretamente, da inteligência artificial) que tem a função de fornecer aos computadores a capacidade de entender a linguagem falada e escrita da mesma forma que os seres humanos (Iberdrola, n.d.b)
131 Prompt – comandos específicos que ajudam o modelo de linguagem do ChatGPT a produzir respostas mais precisas e completas (AP|Portugal, n.d.). Responsive mode – inglês de modo responsivo, é uma técnica de web design que permite aos websites adaptarem-se automaticamente às características dos diferentes dispositivos (por exemplo, de um computador para o telemóvel) (Ascensão, C. P., n.d.). Takeover – (do inglês posse ou controlo) é quando um elemento tem total controlo das redes sociais da instituição, empresa ou marca, sem qualquer revisão por parte dos seus superiores, com o objetivo de tornar a página mais ativa em situações que seja partilhar uma maior quantidade de conteúdo User Experience (UX) – foca-se no processo de design do produto e marca e na usabilidade – foca- -se na sensação que o produto causa e em tornar a interação do utilizador o mais eficiente e simples (Master D, n.d.). User Interface (UI) – são as páginas com as quais o utilizador irá interagir, com um estilo próprio e uma linguagem visual consistente que vai de encontro ao branding da marca (Master D, n.d.). Wireframe – um esqueleto, um protótipo ou uma versão bastante primitiva do visual de um projeto. Consiste na representação da diagramação e das estruturas macro do site, ou seja, apresenta-se por meio de formas geométricas e linhas como pensamos a divisão da interface em seções (Becker, 2022).
132 6.2 Wireframe: página inicial com os patrocínios 6.3 Wireframe: página inicial com informação “Mais ITQB”
133 6.4 Wiframe: página oradores 6.5 Wireframe: seção “Ensino” da página “+ ITQB”
134 6.6 Wireframe: zona de contactos da página “+ ITQB” 6.7 Website Dia Aberto: “Outros Dias Abertos” e “Localização”
135 6.8 Website Dia Aberto: início da página “Programa” 6.9 Website Dia Aberto: final da página “Programa”