scieee AI-readable full text Open interactive document viewer

Perceções sobre o conceito de lazer: um estudo com adolescentes portugueses

Alves, Ana Beatriz Bezerra

Abstract

O lazer é conceptualizado como uma experiência subjetiva resultado da interação entre o indivíduo e o seu ambiente. Este é um contexto que proporciona aos adolescentes liberdade e oportunidades de exploração de diversos aspetos individuais. Assim, estudar as suas perceções de lazer, permitirá compreendê-los, promovendo práticas que contribuam para o seu desenvolvimento e bem-estar. O presente estudo tem como principal objetivo conhecer as perceções de adolescentes sobre o conceito de lazer. Para tal realizamos quatro focus group. Para além disso, caracterizamos a amostra quanto à sua motivação, satisfação, atitudes face ao lazer e desenvolvimento positivo. A amostra é constituída por 23 adolescentes (12 do sexo feminino e 11 do sexo masculino), com idades compreendidas entre os 12 e 15 anos. A partir de uma análise temática indutiva foi possível identificar “felicidade”, “diversão”, “amigos”, “socialização”, “desporto”, “relaxamento”, “bem-estar”, “casa” e “família”, como os principais temas associados ao lazer, por parte destes adolescentes. Para além disso, foi possível concluir que estes consideraram a prática de lazer, nomeadamente atividades desportivas, crucial no desenvolvimento da sua identidade e no aumento dos níveis de felicidade e socialização.

Full text

Universidade do Minho Escola de Psicologia Ana Beatriz Bezerra Alves Perceções sobre o conceito de lazer: um estudo com adolescentes portugueses outubro de 2024 Perceções sobre o conceito de lazer: um estudo com adolescentes portugueses Ana Alves UMinho | 2024 Universidade do Minho Escola de Psicologia Ana Beatriz Bezerra Alves Perceções sobre o conceito de lazer: um estudo com adolescentes portugueses Dissertação de Mestrado Mestrado em Psicologia Clínica na Infância e Adolescência Trabalho efetuado sob a orientação da Professora Doutora Teresa Freire e da Professora Doutora Dionísia Tavares outubro de 2024 ii DIREITOS DE AUTOR E CONDIÇÕES DE UTILIZAÇÃO DO TRABALHO POR TERCEIROS Este é um trabalho académico que pode ser utilizado por terceiros desde que respeitadas as regras e boas práticas internacionalmente aceites, no que concerne aos direitos de autor e direitos conexos. Assim, o presente trabalho pode ser utilizado nos termos previstos na licença abaixo indicada. Caso o utilizador necessite de permissão para poder fazer um uso do trabalho em condições não previstas no licenciamento indicado, deverá contactar o autor, através do RepositóriUM da Universidade do Minho. Licença concedida aos utilizadores deste trabalho Atribuição-NãoComercial-SemDerivações CC BY-NC-ND https://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0/ Universidade do Minho, 21 de outubro de 2024 Ana Beatriz Bezerra Alves iii Agradecimentos Cinco anos depois, finalizo este percurso repleto de histórias, sorrisos, lágrimas, desafios e obstáculos. No meu coração levo as memórias mais belas e gratificantes, e uma bagagem recheada de conhecimento. Agradeço à minha orientadora, Professora Doutora Teresa Freire pela orientação prestada, profissionalismo, disponibilidade e por toda a partilha de experiências e conhecimentos. Um obrigada à minha coorientadora Professora Doutora Dionísia Tavares pela sua orientação, dedicação e disponibilidade. Um obrigada, de coração cheio, a toda a Equipa de Investigação, particularmente à Margarida, ao Tiago, à Beatriz, à Matilde e à Nuna pela força, companheirismo, ajuda e conselhos nos momentos de maior dúvida e incerteza. Aos meus eternos, sim, vocês que sabem o quanto significam e me marcam, uma vénia. Obrigada por todos os Zooms, chamadas e cafés para poder partilhar vitórias, mas também suspiros de desespero. Obrigada por terem colorido estes cinco anos e transformarem esta história num belo conto. Aos que me guiaram e aos que pude guiar, agradeço cada memória e experiência que me proporcionaram, sem elas não seria a pessoa que sou hoje. Madrinha e afilhada deixo-vos a frase mais sincera, é um prazer conhecervos todos os dias e ser personagem da vossa história. Minhas amigas, Eli, Ju, Sara, Lili, Mari, Carla, Ni e Carol, com vocês aprendi o significado da palavra amizade. Obrigada por serem passado, presente e certamente futuro de todas as minhas etapas. À minha enorme família, que me completa todos os dias, obrigada por brindarem comigo as minhas conquistas, especialmente a minha tia Gorete e as minhas primas Diana, Matilde, Lúcia e Luísa. Às duas estrelas lá do céu (Rosa e José) obrigada por iluminarem sempre o meu caminho. Um especial obrigada aos meus pais, os financiadores para poder ser tudo o que sou hoje, a todos os níveis. Vocês são muito adorados e admirados aqui pela vossa Tis. Tu, para sempre a minha Gordinha, obrigada por me deixares ser o que quiser contigo e aprender com o teu crescimento. Obrigada a todos aqueles que me acompanharam ao longo deste percurso, em cada um de vocês encontro razões que tornaram esta jornada completa. Encerro este capítulo, mas muitos mais virão para continuar a escrever esta minha história…. “confia na vida ela irá sempre surpreender-te”! iv DECLARAÇÃO DE INTEGRIDADE Declaro ter atuado com integridade na elaboração do presente trabalho académico e confirmo que não recorri à prática de plágio nem a qualquer forma de utilização indevida ou falsificação de informações ou resultados em nenhuma das etapas conducente à sua elaboração. Mais declaro que conheço e que respeitei o Código de Conduta Ética da Universidade do Minho. Universidade do Minho, 21 de outubro de 2024 Ana Beatriz Bezerra Alves v Perceções sobre o conceito de lazer: um estudo com adolescentes portugueses Resumo O lazer é conceptualizado como uma experiência subjetiva resultado da interação entre o indivíduo e o seu ambiente. Este é um contexto que proporciona aos adolescentes liberdade e oportunidades de exploração de diversos aspetos individuais. Assim, estudar as suas perceções de lazer, permitirá compreendê-los, promovendo práticas que contribuam para o seu desenvolvimento e bemestar. O presente estudo tem como principal objetivo conhecer as perceções de adolescentes sobre o conceito de lazer. Para tal realizamos quatro focus group . Para além disso, caracterizamos a amostra quanto à sua motivação, satisfação, atitudes face ao lazer e desenvolvimento positivo. A amostra é constituída por 23 adolescentes (12 do sexo feminino e 11 do sexo masculino), com idades compreendidas entre os 12 e 15 anos. A partir de uma análise temática indutiva foi possível identificar “felicidade”, “diversão”, “amigos”, “socialização”, “desporto”, “relaxamento”, “bem-estar”, “casa” e “família”, como os principais temas associados ao lazer, por parte destes adolescentes. Para além disso, foi possível concluir que estes consideraram a prática de lazer, nomeadamente atividades desportivas, crucial no desenvolvimento da sua identidade e no aumento dos níveis de felicidade e socialização. Palavras-chave : adolescentes, focus group , lazer e perceções vi Perceptions of the concept of leisure: a study with portuguese adolescents Abstract Leisure is conceptualised as a subjective experience resulting from the interaction between the individual and their environment. This is a context that gives adolescents freedom and opportunities to explore various individual aspects. Thus, studying their perceptions of leisure will make possible to understand them and promote practices that contribute to their development and well-being. The main aim of this study was to find out about adolescents' perceptions of the concept of leisure. To this end, we conducted four focus groups. We also characterised the sample in terms of their motivation, satisfaction, attitudes towards leisure and positive development. The sample consisted of 23 adolescents (12 females and 11 males) aged between 12 and 15. Based on an inductive thematic analysis, it was possible to identify ‘happiness’, ‘fun’, ‘friends’, ‘socialization’, ‘sport’, ‘relaxation’, ‘well-being’, ‘home’ and ‘family’ as the main themes associated with leisure by these teenagers. It was also possible to conclude that they considered leisure activities, particularly sports, to be crucial in developing their identity and increasing their levels of happiness and socialization. Keywords : adolescents, focus group, leisure and perceptions vii Índice 1. Introdução ...................................................................................................................................... 9 1.1. Adolescência ........................................................................................................................... 9 1.2. Perceções ............................................................................................................................... 9 1.3. Lazer ..................................................................................................................................... 10 1.3.1. Modelo Leisure-Activity-Context-Experience (LACE) ........................................................... 10 1.3.2. Positive Youth Development (PYD) ................................................................................... 11 1.3.3. Leisure Subjective Experience (LSE) ................................................................................ 12 1.3.4. Identidade ...................................................................................................................... 12 1.3.5. Motivação, Satisfação e Atitudes face ao lazer ................................................................. 13 1.4. Intervenções Psicológicas Positivas ........................................................................................ 14 1.5. Objetivo do Estudo ................................................................................................................. 14 2. Método......................................................................................................................................... 14 2.1. Participantes ......................................................................................................................... 14 2.2. Instrumentos ......................................................................................................................... 15 2.3. Focus Group .......................................................................................................................... 16 2.4. Procedimento ........................................................................................................................ 18 3. Análise de Dados .......................................................................................................................... 19 4. Resultados ................................................................................................................................... 20 5. Discussão .................................................................................................................................... 26 5.1. Limitações e Estudos Futuros ................................................................................................ 29 6. Conclusão .................................................................................................................................... 29 7. Referências .................................................................................................................................. 31 Lista de Siglas APA: Associação Americana de Psicologia AT: Análise Temática 14 1.4. Intervenções Psicológicas Positivas A literatura enfatiza a necessidade de conhecer as perceções dos jovens sobre o conceito de lazer, com o intuito de adequar as intervenções psicológicas focadas no desenvolvimento do adolescente (Belošević & Feric, 2022; Fredrikson et al., 2018; Persson et al., 2024). A importância de desenvolver intervenções psicológicas positivas, isto é, focadas na promoção do desenvolvimento positivo, tem sido amplamente reconhecida na adolescência (Freire, 2006; Howell et al., 2013; Ribeiro, 2018). Estudos empíricos demonstraram que programas de intervenção baseados numa abordagem de desenvolvimento positivo criam oportunidades para a otimização de interesses e potencialidades, e para a prática e o desenvolvimento de novas competências. Além disso, mantêm os benefícios que produzem nos adolescentes a longo prazo (Belošević & Feric, 2022; Freire et al., 2018; Ribeiro, 2018; Roth & BrooksGunn, 2003). Segundo Freire e Fonte (2007), atitudes positivas face ao lazer podem ser promovidas através de programas de intervenção psicológica que ajudem a desenvolver estratégias de envolvimento em atividades, a promover crenças positivas em relação ao lazer e a reduzir os obstáculos à sua participação (Freire & Fonte, 2007). Posto isto, as perceções de lazer dos adolescentes são fundamentais e devem ser consideradas ao desenvolver intervenções psicológicas. Reconhecer o que os adolescentes valorizam no seu tempo de lazer pode enriquecer a abordagem de intervenção, promovendo resultados mais eficazes. Desta forma, destaca-se a importância de estudar o lazer na adolescência, particularmente a sua perceção por parte dos jovens, isto é, a conscientização que estes têm sobre este tema (Kim et al., 2024). 1.5. Objetivo do Estudo O principal objetivo deste estudo é conhecer as perceções de adolescentes, na faixa etária dos 12-15, sobre o conceito de lazer. Pretende-se ainda caraterizar a amostra de adolescentes em variáveis relacionadas com o lazer e desenvolvimento positivo, no sentido de compreender as perceções obtidas. 2. Método 2.1. Participantes No presente estudo participaram 23 adolescentes, sendo que 12 eram do sexo feminino (52,2%) e 11 do sexo masculino (47,8%), com idades compreendidas entre os 12 e os 15 anos ( M =13.35; DP =1.07). Vinte e dois participantes eram de nacionalidade portuguesa, um de nacionalidade francesa, e todos sabiam falar a língua portuguesa. A seleção de participantes foi realizada junto de dois Agrupamentos de Escuteiros, sendo esta uma amostra de conveniência. Todos os participantes eram escuteiros, pertencendo a esses dois Agrupamentos de Escuteiros do norte de Portugal. Três 15 participantes tinham finalizado o 6º ano, cinco o 7º ano, oito o 8º ano e sete o 9º ano, no momento de recolha de dados. 2.2. Instrumentos 2.2.1. Questionário Sociodemográfico No estudo foi utilizado um questionário sociodemográfico para recolher informação sobre os participantes relativamente ao sexo, idade, data de nascimento, escola, ano de escolaridade, nacionalidade e se sabem falar a língua portuguesa. 2.2.2. EAFL - Escala de Atitudes Face ao Lazer - Versão Reduzida (A. Teixeira & T. Freire, 2013) Esta é uma versão reduzida, desenvolvida a partir da escala original completa Leisure Attitude Scale (Ragheb & Beard, 1982) e da versão completa validada para a população portuguesa (Freire & Fonte, 2007). É uma medida de autorrelato que avalia as atitudes dos adolescentes portugueses face ao lazer, composta por 18 itens divididos em três subescalas, com seis itens cada, correspondendo cada uma delas a uma dimensão de atitude face ao lazer: cognitiva (itens 1 a 6), afetiva (7 a 12) e comportamental (13 a 18). As respostas são classificadas numa escala do tipo Likert de cinco pontos (1 = “Discordo totalmente” a 5 = “Concordo totalmente”). O valor da escala total é calculado a partir da soma de todos os itens de cada subescala. Os valores da escala total podem variar entre 18 e 90 e os de cada subescala entre 6 e 30. Valores mais elevados correspondem a atitudes positivas e valores mais baixos a atitudes negativas em relação ao lazer. Na sua versão original, os coeficientes de alpha de Cronbach para as subescalas variam entre .89 e .93 e na escala total é relatado um alpha de .94; na versão validada para a população portuguesa, os coeficientes de alpha da escala total e subescalas representam uma boa consistência interna, sendo o alpha na escala total de .91; a versão reduzida revelou uma boa consistência interna (α =.88) para a escala total e alphas a variar entre .77 e .87 para as subescalas (Teixeira & Freire, 2013). 2.2.3. EML - Escala de Motivação para o Lazer (H.Teixeira, 2013) Esta é uma versão reduzida desenvolvida originalmente por Ragheb e Beard (1983). É composta por 32 itens que avaliam a motivação dos adolescentes portugueses para o lazer em cinco dimensões: intelectual (itens 1 a 8), social (9-16), competência (17-24), evitamento de estímulo (25-32) e procura de estímulo (1-24). Esta última corresponde à soma das três primeiras subescalas, que estão relacionadas com a procura de estímulo. As respostas são classificadas numa escala do tipo Likert de cinco pontos (1 = “Nunca verdadeira” a 5 = “Sempre verdadeira”). O valor da escala total e subescalas é calculado a partir da soma dos itens que lhe correspondem. Os valores da escala total podem variar entre 32 e 160, entre 8 e 40 nas primeiras quatro subescalas e entre 24 e 120 na última subescala. Os 16 valores mais elevados representam uma maior motivação para o lazer. O coeficiente de alpha de Cronbach para a escala total é de .93 e das subescalas varia entre .90 e .92. (Freire & Teixeira, 2013). 2.2.4. ESL - Escala de Satisfação no Lazer (H.Teixeira, 2013) Esta foi desenvolvida por Ragheb e Beard (1980), avalia a perceção de satisfação no lazer dos adolescentes portugueses e é composta por 24 itens, divididos em seis dimensões: psicológica (itens 1 a 4), educacional (5 a 8), social (9 a 12), relaxamento (13 a 16), fisiológica (17 a 20) e centrada no ambiente (21 a 24). As respostas são classificadas numa escala do tipo Likert de cinco pontos (1 = “Nunca verdadeira” a 5 = “Sempre verdadeira”). O valor da escala total e subescalas é calculado a partir da soma dos itens que lhe correspondem. Os valores da escala total podem variar entre 24 e 120 e os de cada subescala entre 4 e 20. Os valores mais elevados correspondem a um nível mais elevado de satisfação no lazer. Na sua versão original, os coeficientes de alpha de Cronbach para as subescalas variam entre .80 e .93, no total é relatado um alpha de .93; na versão validada para a população adolescente portuguesa o coeficiente da escala total (α = .93) e das subescalas apresentam uma boa consistência interna (Freire & Teixeira, 2013). 2.2.5. PYD-SF - Positive Youth Development Short Form (Matos, M. et al., 2019) Esta foi desenvolvida por Geldhof e colaboradores (2014) e validada para a população adolescente portuguesa (com idades entre os 10 e os 20 anos) por Matos e colaboradores (2019). É composta por 34 itens e avalia o desenvolvimento positivo dos jovens a partir dos cinco C’s (competência, confiança, caráter, conexão e cuidado). Este instrumento está dividido em cinco subescalas, correspondendo cada uma delas a uma dimensão dos 5C’s: competência (itens 23, 25 a 27, 29 e 34), confiança (1, 2, 24, 28, 30 e 33), caráter (17 a 22, 31 e 32), conexão (3 a 10) e cuidado (11 a 16). As respostas são classificadas numa escala do tipo Likert de cinco pontos (1 = “Discordo totalmente” a 5 = “Concordo totalmente”). O valor da escala total é calculado a partir da soma de todos os itens de cada subescala. Os valores da escala total podem variar entre 34 e 170, entre 6 e 30 nas subescalas de competência, confiança e cuidado e entre 8 e 40 nas subescalas de caráter e conexão. Os valores mais elevados correspondem a um desenvolvimento positivo em determinada dimensão. Na sua versão original os coeficientes de alpha de Cronbach para as subescalas variam entre .80 e .96 e na versão reduzida variam entre .73 e .87 (Tomé et al., 2019). 2.3. Focus Group O focus group é uma técnica de investigação de recolha de dados qualitativos junto de pessoas com algum tipo de semelhança, através da interação do grupo sobre um tema apresentado pelo investigador (Morgan, 1996; 1997; Silva et al., 2014). Neste estudo foi utlizada esta metodologia com o 17 objetivo de obter opiniões e insights dos adolescentes sobre o conceito de lazer. Antecipadamente, foi elaborado, pela investigadora, um “Plano da Sessão”, que descrevia os passos a serem realizados durante o focus group , assim como as 12 questões de resposta aberta realizadas na sessão (Tabela 1), tendo por base os modelos teóricos (LACE e LSE). Tabela 1 Guião de perguntas e atividades da sessão de focus group Número da questão Perguntas Atividade 1 O que é para vocês o lazer? Quando ouvem a palavra lazer o que pensam? Escrever no cartão: O lazer para mim?; partilhar oralmente 2 Já ouviram falar sobre atividades de lazer? Que atividades de lazer conhecem e têm? Exemplos de atividades de lazer? Partilhar oralmente 3 Já ouviram falar sobre contextos de lazer? Que contextos de lazer conhecem e têm? Exemplos de contextos de lazer? Partilhar oralmente 4 Já ouviram falar sobre experiências de lazer? O que sentem ou pensam quando têm uma atividade de lazer? Exemplos de experiências de lazer? Partilhar oralmente 5 Qual a vossa experiência de lazer mais memorável? Escrever no cartão qual a experiência, quando, como, onde e porquê; partilhar oralmente 6 Que competências pessoais, qualidades, defeitos, preferências e coisas que não Preencher o cartão respondendo à pergunta; partilhar oralmente 18 Número da questão Perguntas Atividade gostam, veem nas vossas experiências de lazer? 7 Como veem as outras pessoas nas vossas atividades, contextos e experiências de lazer? Quem são as pessoas que praticam atividades de lazer com vocês? Preencher o cartão respondendo à pergunta; partilhar oralmente 8 Associam lugares ao vosso lazer? Quais são esses lugares? Preencher o cartão respondendo à pergunta; partilhar oralmente 9 O que vos faz querer realizar uma atividade de lazer ou ter momentos de lazer? Partilhar oralmente 10 Concordam ou discordam que devemos ter lazer nas nossas vidas? Porquê? Partilhar oralmente 11 Como se sentem quando praticam lazer? Exemplos? Partilhar oralmente 12 Acham que o lazer vos ajuda a conhecerem-se melhor? Escrever no cartão "Quem sou eu?"; partilhar oralmente 2.4. Procedimento Numa primeira fase, a investigação foi aprovada pela Comissão de Ética para as Ciências Sociais e Humanas da Universidade do Minho (CEICSH 046/2024). Inicialmente foram contactados, via email , três Agrupamentos de Escuteiros, do norte de Portugal, aderindo ao estudo dois destes. A investigadora teve um contacto presencial com os adolescentes e os Encarregados de Educação, de forma a explicar o estudo, sendo entregues flyers com um QRcode no qual os adolescentes interessados podiam 19 inscrever-se. Para além disso, foram entregues os consentimentos informados de forma que os Encarregados de Educação pudessem autorizar a participação dos seus educandos. Todos os adolescentes inscritos e com o consentimento assinado foram selecionados e alocados a um grupo, de acordo com o ano de escolaridade. As sessões foram realizadas nas Sedes dos Agrupamentos de Escuteiros, com a presença do moderador da sessão (investigadora principal) e um observador (elemento da Equipa de Investigação), seguindo a metodologia pré-estabelecida de focus group . Inicialmente, foi realizada uma dinâmica “quebra-gelo” para que os adolescentes se apresentassem e ficassem a conhecer o grupo. Posteriormente, foram realizadas as perguntas relativamente ao conceito de lazer e no final da sessão foi pedido aos participantes a resposta a um conjunto de cinco questionários, através de um link , nesse momento fornecido. Todas as sessões foram gravadas (vídeo e áudio) e foi dado um certificado de participação. A recolha foi realizada entre 01 de julho de 2024 e 08 de julho de 2024. No total, foram realizadas quatro sessões de focus group , uma por cada ano de escolaridade (7º, 8º, 9º) e uma com um grupo misto, isto é, com adolescentes do 7º, 8º e 9º. Os participantes do 6ºano foram alocados ao grupo do 7º ano, devido à sua idade. Todos os grupos foram compostos por seis adolescentes, exceto o grupo misto que incluiu cinco adolescentes porque um deles não compareceu à sessão. 3. Análise de Dados A partir do programa informático Statistical Package for the Social Sciences (SPSS), versão 28, foi realizada uma análise descritiva da amostra relativamente às dimensões psicológicas, medidas pelas respetivas escalas. Para além disso, foram realizados testes não paramétricos ( Kruskal-wallis ) para perceber se existem diferenças nas dimensões psicológicas por grupo. A análise de resultados envolveu uma Análise Temática indutiva (AT - Braun & Clarke, 2006), um método de investigação qualitativo, que implicou a leitura de um conjunto de dados obtidos nos focus groups . O principal objetivo da análise temática foi a procura de padrões no significado dos dados de forma a encontrar temas por pergunta. Os resultados foram analisados por etapas: (i) familiarização com os dados, (ii) geração inicial do código, (iii) procura de temas, (iv) revisão dos temas, (v) nomeação dos temas e (vi) produção de relatório (Braun & Clarke, 2006). Neste estudo, utilizou-se o índice estatístico Kappa de Cohen de forma a avaliar o grau de concordância nos temas escolhidos, entre dois avaliadores independentes (Cohen, 1960). O Kappa de Cohen obtido foi de 0.765, o que indicou uma concordância substancial entre os avaliadores, sugerindo uma variabilidade baixa e que a maior parte das discordâncias ocorreram em níveis aceitáveis. 20 4. Resultados 4.1. Descritivas Apresentam-se, de seguida, a média, desvio-padrão, escala de resposta e alpha de Cronbach para as várias dimensões psicológicas e respetivas subescalas avaliadas (Tabela 2). Tabela 2 Média, desvio-padrão, escala de resposta e alpha de Cronbach das dimensões psicológicas e respetivas subescalas Dimensões psicológicas M ( DP ) Escala de resposta α Atitudes face ao lazer (n=23) Cognitiva 4.29 (0.50) 1-5 .80 Afetiva 4.24 (0.54) 1-5 .76 Comportamental 3.86 (0.57) 1-5 .73 EAFL (total) 4.13 (0.42) 1-5 .84 Motivação para o lazer (n=23) Intelectual 4.22 (0.48) 1-5 .80 Social 3.95 (0.66) 1-5 .85 Competência 4.20 (0.53) 1-5 .85 Evitamento de estímulo 3.83 (0.51) 1-5 .62 Procura de estímulo 4.12 (0.47) 1-5 .91 EML (total) 4.05 (0.44) 1-5 .91 Satisfação no lazer (n=23) Psicológica 4.25 (0.50) 1-5 .59 Educacional 4.21 (0.57) 1-5 .73 Social 4.10 (0.57) 1-5 .62 Relaxamento 4.39 (0.49) 1-5 .51 Fisiológica 3.95 (0.59) 1-5 .79 21 Dimensões psicológicas M ( DP ) Escala de resposta α Centrada no ambiente 4.14 (0.54) 1-5 .51 ESL (total) 4.17 (0.39) 1-5 .87 PYD-SF (n=23) Competência 3.73 (0.60) 1-5 .71 Confiança 3.76 (0.61) 1-5 .73 Caráter 4.04 (0.43) 1-5 .61 Conexão 3.83 (0.59) 1-5 .75 Cuidado 4.05 (0.77) 1-5 .84 PYD-SF (total) 3.89 (0.44) 1-5 .89 Nota . EAFL: Escala de Atitudes Face ao Lazer, EML: Escala de Motivação para o Lazer, ESL: Escala de Satisfação no Lazer, PYD-SF: Positive Youth Development Short Form , α: alpha de Cronbach, M : média, DP : desvio-padrão Os resultados mostram que estes participantes apresentam médias elevadas em todas as dimensões psicológicas avaliadas, assim como nas respetivas subescalas. As subescalas da PYD-SF apresentam valores médios ligeiramente mais baixos, quando comparadas com as restantes subescalas, sendo a média da escala PYD-SF (total) a única abaixo de 4 ( M =3.89). É também possível observar uma boa consistência interna para as escalas: atitudes face ao lazer, satisfação no lazer e PYD-SF, e uma consistência interna elevada para a escala de motivação para o lazer. A Tabela 3 apresenta a média, desvio-padrão e escala de resposta para as várias dimensões psicológicas avaliadas, por grupo (Grupo 1 – grupo 7ºano; Grupo 2 – grupo 8º ano; Grupo 3 – grupo 9º ano; e Grupo 4 – grupo misto). Tabela 3 Média, desvio-padrão e escala de resposta das dimensões psicológicas em estudo por grupo Dimensões psicológicas M ( DP ) Escala de resposta Atitudes face ao lazer (n total=23) Grupo 1 (n=6) 3.96 (0.30) 1-5 22 Dimensões psicológicas M ( DP ) Escala de resposta Grupo 2 (n=6) 4.15 (0.38) 1-5 Grupo 3 (n=6) 4.23 (0.48) 1-5 Grupo 4 (n=5) 4.19 (0.57) 1-5 Motivação para o lazer (n total=23) Grupo 1 (n=6) 3.90 (0.36) 1-5 Grupo 2 (n=6) 4.29 (0.44) 1-5 Grupo 3 (n=6) 4.03 (0.48) 1-5 Grupo 4 (n=5) 3.96 (0.48) 1-5 Satisfação no lazer (n total=23) Grupo 1 (n=6) 4.10 (0.36) 1-5 Grupo 2 (n=6) 4.31 (0.44) 1-5 Grupo 3 (n=6) 4.12 (0.52) 1-5 Grupo 4 (n=5) 4.16 (0.27) 1-5 PYD-SF (n total=23) Grupo 1 (n=6) 3.74 (0.47) 1-5 Grupo 2 (n=6) 3.84 (0.62) 1-5 Grupo 3 (n=6) 3.99 (0.41) 1-5 Grupo 4 (n=5) 4.00 (0.11) 1-5 Nota. PYD-SF: Positive Youth Development Short Form ; M : média; DP : desvio-padrão Na Tabela 3 é possível observar médias elevadas em todas as dimensões psicológicas estudadas. A escala PYD-SF apresenta médias mais baixas quando comparadas às restantes escalas. O grupo 1 apresenta a média relativamente mais baixa em todas as escalas quando comparado aos restantes grupos. 4.2. Comparação entre Grupos Os testes de Kruskal-wallis indicaram p > .050 para as dimensões EAFL (H(3)= 1,935, p = .586), EML (H(3)= 2,294, p = .514), ESL (H(3)= 1,256, p = .740) e PYD-SF (H(3)= 1,533, p = .675), evidenciando a ausência de diferenças estatisticamente significativas entre os grupos. 4.3. Análise Temática Nesta análise, as respostas de todos os participantes do presente estudo foram analisadas de acordo com a pergunta que foi colocada (Tabela 4). 23 Na primeira questão, pretendia-se perceber se os adolescentes conheciam o conceito de lazer e como o definiam. A maior parte dos jovens disseram conhecer o conceito. Na segunda pergunta, o objetivo foi perceber quais as atividades de lazer destes adolescentes. Primeiramente, foi explicado o conceito de atividade de lazer e, posteriormente, os participantes enumeraram exemplos de atividades de lazer que conhecem e/ou frequentam. A terceira questão pretendeu conhecer os contextos de lazer dos adolescentes, iniciando-se com uma breve explicação do conceito, ao qual os participantes revelaram não estar familiarizados. A quarta questão teve como propósito compreender as experiências de lazer dos jovens, os quais revelaram não conhecer o conceito de experiência de lazer, pelo que foi dada uma explicação. A pergunta cinco teve como objetivo uma reflexão por parte dos adolescentes sobre as suas experiências de lazer. Na sexta pergunta foi pedido aos participantes para refletirem e enunciarem caraterísticas pessoais que veem evidenciadas nas suas experiências de lazer. A sétima questão procurou compreender quais e de que forma os participantes veem os outros nas suas experiências de lazer. Na oitava pergunta o objetivo foi identificar os lugares que os adolescentes desta amostra associam ao lazer. A nona questão pretendeu compreender as motivações destes adolescentes para a prática de lazer. Na décima pergunta todos os participantes concordaram com a importância de se ter momentos de lazer nas nossas vidas, e, posteriormente, explanaram o porquê. A pergunta 11 pretendeu compreender a satisfação dos adolescentes quando praticam lazer. E na última pergunta procurou-se compreender como os adolescentes veem o lazer na formação da sua identidade. Um dos participantes não concordou que a forma como se identifica é influenciada pelo lazer. A maioria dos adolescentes concordaram que a prática de lazer contribui para a forma como se caraterizam. A totalidade da amostra respondeu a todas as questões, excetuando a terceira pergunta à qual respondeu a maioria dos participantes, a décima, em que apenas 12 se sentiram confortáveis para dar a sua opinião e a última questão em que responderam 16 adolescentes. 29 sugerem que a maioria dos participantes têm uma perceção positiva do lazer, o que pode refletir a sua valorização e, consequentemente, um aumento do seu bem-estar (Tomé et al., 2023). Com base na literatura existente, destaca-se a importância de intervenções psicológicas positivas (Freire, 2006; Howell et al., 2013). A par disso, estudos enfatizam a necessidade de conhecer as perceções de lazer dos adolescentes com o intuito de adequar essas mesmas intervenções (Belošević & Feric, 2022; Fredrikson et al., 2018; Persson et al., 2024). Desta forma, reconhece-se que os temas mais valorizados por esta amostra, tornam-se relevantes no enriquecimento das intervenções e, por sua vez, tornam essas intervenções mais eficazes. Posto isto, o presente estudo reporta, assim, “felicidade”, “diversão”, “amigos”, “socialização”, “desporto”, “relaxamento”, “bem-estar”, “casa” e “família” como as principais temáticas das perceções dos adolescentes desta amostra sobre o conceito de lazer. 5.1. Limitações e Estudos Futuros Após esta investigação, destacam-se algumas limitações. A amostra foi composta apenas por escuteiros, isto é, estes resultados refletem as perceções de lazer desse grupo em particular. Nesse sentido, seria interessante um estudo com uma amostra aleatória, na qual a prática de uma atividade comum não seja de antemão uma variável. Outra limitação é que a totalidade dos participantes são da mesma região, nesse caso, ampliar a amostra para incluir maior diversidade poderia proporcionar resultados mais representativos das perceções dos adolescentes. Estudos futuros deveriam considerar estas perceções em programas de intervenção psicológica positiva, a fim de impulsionar uma maior adesão dos adolescentes e, por sua vez, melhores resultados no seu desenvolvimento positivo e bem-estar. Outros estudos, voltados para o desenvolvimento adolescente, devem considerar as suas perspetivas atuais, destacando a importância de obter insights dos jovens. Esta abordagem promove o envolvimento ativo dos adolescentes, oferecendo-lhes a oportunidade de se sentirem ouvidos, o que é particularmente relevante, dado que essa necessidade de reconhecimento é frequentemente subestimada nesta faixa etária. 6. Conclusão O presente estudo contribui para uma compreensão das atuais perceções de adolescentes, na faixa etária dos 12-15 anos, sobre o conceito de lazer. A prática de lazer durante a adolescência promove o desenvolvimento positivo dos jovens, o seu bem-estar e satisfação com a vida. Os resultados da presente investigação realçam nove temas principais que estes adolescentes associaram ao conceito de lazer: “felicidade”, “diversão”, “amigos”, “socialização”, 30 “desporto”, “relaxamento”, “bem-estar”, “casa” e “família”. Ademais, conclui-se que estes adolescentes consideram a prática de lazer, nomeadamente, atividades desportivas, crucial no desenvolvimento da sua identidade e no aumento dos níveis de felicidade e socialização. Os resultados deste estudo corroboram outras investigações, reportando a socialização enquanto prática de lazer e a felicidade como experiência de lazer. Nesta linha, torna-se pertinente a promoção de atividades desportivas enquanto tempo de lazer (e.g., escolas), assim como a educação para o lazer durante a adolescência. Para além disso, reconhecer como estes adolescentes valorizam o seu tempo de lazer na prática de intervenções psicológicas, poderá enriquecê-las e promover melhores resultados. Em síntese, o lazer é um construto que deve ser conscientizado e trabalhado, particularmente na adolescência, pois estes resultados demonstram a importância que estes jovens atribuem ao lazer nas suas vidas. Conhecer as perceções de lazer destes adolescentes torna-se relevante para preencher a lacuna existente e, posteriormente, ajudar a construir estruturas que promovam a prática de lazer e, em consequência, o desenvolvimento positivo e bem-estar dos adolescentes. 31 7. Referências Álvarez Muñoz, J. S., & Hernández Prados, M. Á. (2024). Types of family leisure activities in families with adolescents. Journal of Family Issues , 45 (2), 1-18. https://doi.org/10.1177/0192513X221150995 Associação Americana de Psicologia. (nd). Percepção . Em APA https ://dicionário.apa .ou/pe Belošević, M., & Ferić, M. (2022). Contribution of leisure context, motivation and experience to the frequency of participation in structured leisure activities among adolescents. International Journal of Environmental Research and Public Health , 19 (2), 1-16. https://doi.org/10.3390/ijerph19020877 Beard, J. G., & Ragheb, M. G. (1980). Measuring leisure satisfaction. Journal of Leisure Research , 12 (1), 20-33. https://doi.org/10.1080/00222216.1980.11969416 Beard, J. G., & Ragheb, M. G. (1983). Measuring leisure motivation. Journal of Leisure Research , 15 (3), 219–228. https://doi.org/10.1080/00222216.1983.11969557 Bizarro, L. (2001). A avaliação do bem-estar psicológico na adolescência. Revista Portuguesa de Psicologia , 35 , 81-116. Braun, V., & Clarke, V. (2006). Using thematic analysis in psychology. Qualitative Research in Psychology , 3 (2), 77-101. https://doi.org/10.1191/1478088706qp063oa Caldwell, L. L. (2005). Recreation and youth development. In P. Witt & L. Caldwell (Eds.), Recreation and youth development (pp. 169-189). State College, PA: Venture. Caldwell, L. L. & Faulk, M. (2013). Adolescent leisure from a development and prevention perspective. In T. Freire (Eds.), From subjective experience to social contexts (pp. 41-60). Springer Link. https://doi.org/10.1007/978-94-007-5058-6_4 Caldwell, L., & Freire, T. (2023). Understanding the role of leisure in portuguese adolescent wellbeing experience. Youth , 3 (2), 623–639. https://doi.org/10.3390/youth3020041 Caldwell, L. L., & Witt, P. A. (2018). The importance of leisure and recreation as contexts for youth development. In L. L. Caldwell & P. A. Witt (Eds.), Youth development: Principles and practices in out-of-school time settings (2 ed., pp. 193-213). Sagamore-Venture, Champaign Illinois. Carbonneau, H., & Freire, T. (2017). Leisure experience, health, and positive development. Loisir et Société / Society and Leisure , 40 (3), 307-309. https://doi.org/10.1080/07053436.2017.1378507 32 Choi, S., & Yoo, Y. (2017). Leisure attitude and satisfaction with leisure and life: proposing leisure prioritization and justification. World Leisure Journal , 59 (2), 140–155. https://doi.org/10.1080/16078055.2016.1216886 Cohen, J. (1960). A coefficient of agreement for nominal scales. Educational and Psychological Measurement, 20 (1), 37-46. https://doi.org/10.1177/001316446002000104 Conceição, V., M., (2015). O lazer na visão do adolescente [Dissertação de mestrado, Universidade Federal de Minas Gerais]. https://www.researchgate.net/publication/332948244 Cruz, C., M., S. (2019). “Crescer com Lazer - R”: Estudo piloto de adaptação de um programa de desenvolvimento positivo para adolescentes em risco psicossocial [Dissertação de mestrado, Universidade do Minho]. Repositório da Universidade do Minho. https://hdl.handle.net/1822/61447 Đuranović, M. (2024). Leisure activities of young people as a predictor of life satisfaction. International Journal of Instruction , 17 (3), 475-490. https://doi.org/10.29333/iji.2024.17326a Fredriksson, I., Geidne, S., & Eriksson, C. (2018). “Leisure-time youth centres as health-promoting settings: Experiences from multicultural neighbourhoods in sweden”. Scandinavian Journal of Public Health , 46 (20), 72–79. https://doi.org/10.1177/1403494817743900 Freire, T. (2006). Experiência de lazer e desenvolvimento positivo de adolescentes: de teoria à intervenção. In A. Delle Fave (Eds.), Dimensões do bem-estar: Pesquisa e intervenção (pp. 366–381). Milão: Franco Angeli. Freire, T. (2013). Leisure experience and positive identity development in adolescents. In T. Freire (Eds.), From subjective experience to social contexts (pp. 61-79). Springer Link. https://doi.org/10.1007/978-94-007-5058-6_4 Freire, T. (2018). Leisure and positive psychology: Contributions to optimal human functioning. The Journal of Positive Psychology , 13 (1), 4-7. https://doi.org/10.1080/17439760.2017.1374445 Freire, T., & Fonte, C. (2007). Escala de atitudes face ao lazer em adolescentes e jovens adultos. Paidéia (Ribeirão Preto) , 17 (36), 79–87. https://doi.org/10.1590/S0103863X2007000100008 Freire, T., Lima, I., Teixeira, A., Araújo, M. R., & Machado, A. (2018). Challenge: To Be+. A group intervention program to promote the positive development of adolescents. Children and Youth Services Review , 87 , 173-185. https://doi.org/10.1016/j.childyouth.2018.02.035 33 Freire, T., & Teixeira, A. (2018). The influence of leisure attitudes and leisure satisfaction on adolescents positive functioning: The role of emotion regulation. Frontiers in Psychology , 9 , 1-12. https://doi.org/10.3389/fpsyg.2018.01349 Geldhof, G. J., Bowers, E. P., Boyd, M. J., Mueller, M. K., Napolitano, C. M., Schmid, K. L., . . . Lerner, R. M. (2014). Creation of short and very short measures of the five Cs of positive youth development. Journal of Research on Adolescence , 24 (1), 163-176. https://doi.org/10.1111/jora.12039 Gestsdottir, S., & Lerner, R. M. (2008). Positive development in adolescence: The development and role of intentional self-regulation. Human Development , 51 (3), 202-224. https://doi.org/10.1159/000135757 Gomez-Baya, D., Gaspar, T., Corrêa, R., Nicoletti, J. A., & Garcia-Moro, F. J. (2023). Leisure time activities and subjective happiness in early adolescents from three ibero-american countries: The cases of Brazil, Chile and Spain. Children , 10 (6), 1-11. https://doi.org/10.3390/children10061058 Hartman, C. L., Anderson, D. M., & Barcelona, R. J. (2021). College-attending emerging adults’ free time perception profiles: Relationships with well-being and identity development. Journal of Leisure Research , 53 (4), 512–531. https://doi.org/10.1080/00222216.2021.1999780 Howell, A. J., Keyes, C. L. M., & Passmore, H.-A. (2013). Flourishing among children and adolescents: Structure and correlates of positive mental health, and interventions for its enhancement. In C. Proctor & P. A. Linley (Eds.), Research, applications, and interventions for children and adolescents: A positive psychology perspective (pp. 59–79). Springer Science + Business Media. https://doi.org/10.1007/978-94-007-6398-2_5 Kim, E-J., Kang, H-W., & Park, S-M. (2024). Determinants of the happiness of adolescents: A leisure perspective. Plos One , 19 (4), 1-21. https://doi.org/10.1371/journal.pone.0301843 Layland, E. K., Hill, B. J., & Nelson, L. J. (2018). Freedom to explore the self: How emerging adults use leisure to develop identity. The Journal of Positive Psychology , 13 (1), 78-91. https://doi.org/10.1080/17439760.2017.1374440 Lerner, R. M., Almerigi, J. B., Theokas, C., & Lerner, J. V. (2005). Positive Youth Development A View of the Issues. The Journal of Early Adolescence, 25 (1), 10-16. https://doi.org/10.1177/0272431604273211 34 Lerner, R. M., Brentano, C., Dowling, E. M., & Anderson, P. M. (2002). Positive youth development: Thriving as the basis of personhood and civil society. New directions for youth development , 2002 (95), 11-34. https://doi.org/10.1002/yd.14 Liu, H., & Da, S. (2019). The relationships between leisure and happiness - A graphic elicitation method. Leisure Studies , 39 (1), 111–130. https://doi.org/10.1080/02614367.2019.1575459 Mahoney, J. L., Harris, A. L., & Eccles, J. S. (2006). Organized activity participation, positive youth development, and the over-scheduling hypothesis. Society for Research in Child Development , 20 (4), 3-32. https://doi.org/10.1002/j.2379-3988.2006.tb00049.x Malafaia, C., Menezes, I., & Neves, T., (2018). Living, doing, and learning from politics in a youth wing of a political party. The Qualitative Report , 23 (1), 49-79. https://doi.org/10.46743/2160-3715/2018.3058 Matos, M. G., Santos, T., Reis, M., Marques, A., Tomé, G., Simões, C., & Wiium, N. (2014). Portuguese validation of the positive youth development short form (PYD-SF): A shorten version. Sociedade Portuguesa de Psicologia da Saúde , 19 (3), 477-489. http://dx.doi.org/10.15309/18psd190301 Morgan, D. L. (1996). Focus group. Annual Review Sociology , 22 , 129-152. https://doi.org/10.1146/annurev.soc.22.1.129 Morgan, D. L. (1997). Focus group as qualitative research (2 ed.). Thousand Oaks, California: Sage. https://doi.org/10.4135/9781412984287 Murphy, J., McGrane, B., White, R. L., & Sweeney, M. R. (2022). Self-esteem, meaningful experiences and the rocky road—Contexts of physical activity that impact mental health in adolescents. International Journal of Environmental Research and Public Health , 19 (23), 1-16. https://doi.org/10.3390/ijerph192315846 Novak, M., Parr, N. J., Ferić, M., Mihić, J., & Kranželić, V. (2021). Positive youth development in Croatia: School and family factors associated with mental health of Croatian adolescents. Frontiers in Psychology , 11 , 1-14. https://doi.org/10.3389/fpsyg.2020.611169 Padhy, M., Valli, S. K., Pienyu, R., Padiri, R. A., & Chelli, K. (2015). Leisure motivation and wellbeing among adolescents and young adults. Psychological Studies , 60 (3), 314-320. https://doi.org/10.1007/s12646-015-0327-5 35 Persson Osowski, C., Eriksson, C., Karvonen, S., & Bälter, K. (2024). “A circle of positivity”: adolescents' perspectives on meaningful leisure time and good health in relation to school performance. International Journal of Consumer Studies , 48 (5), 1-12. https://doi.org/10.1111/ijcs.13095 Prados, M., Á., H., & Muñoz, J., S., Á. (2024). Los valores desde el ócio familiar. Percepción de los adolescentes. Contextos Educativos: Revista de Educação , 33 , 219-238. https://doi.org/10.18172/con.5519 Ragheb, M. G., & Beard, J. G. (1982). Measuring leisure attitude. Journal of Leisure Research , 14 (2), 155–167. https://doi.org/10.1080/00222216.1982.11969512 Ribeiro, M. R. V. B. (2018). Desenvolvimento e implementação do programa de intervenção “Desafio:+de Ti!” [Dissertação de mestrado, Universidade do Minho]. Repositório da Universidade do Minho. https://hdl.handle.net/1822/55677 Rodríguez-Bravo, A. E., De-Juanas, Á., & García-Castilla, F. J. (2020). Effect of physical-sports leisure activities on young people’s psychological wellbeing. Frontiers in Psychology , 11 , 1-9. https://doi.org/10.3389/fpsyg.2020.543951 Roth, J., & Brooks-Gunn, J. (2003). Youth development programs: risk, prevention and policy. Journal of Adolescent Health , 32 (3), 170–182. https://doi.org/10.1016/S1054139X(02)00421-4 Shin, K., & You, S. (2013). Leisure type, leisure satisfaction and adolescents psychological wellbeing. Journal of Pacific Rim Psychology , 7 (2), 53-62. https://doi.org/10.1017/prp.2013.6 Soares Silva, I., Veloso, A. L., & Keating, J. B. (2014). Focus group: Considerações teóricas e metodológicas. Revista Lusófona de Educação , 26 , 175-189. https://hdl.handle.net/1822/32357 Song, W.-I., & Ahn, B.-W. (2023). Effect of outdoor leisure activity participation on leisure attitude, serious leisure, recreational specialization, and leisure satisfaction. Societies , 13 , 1-12. https://doi.org/10.3390/soc13070155 Teixeira, A., & Freire, T. (2013). The leisure attitude scale: Psychometrics properties of a short version for adolescents and young adults. Leisure/Loisir , 37(1), 57–67. https://doi.org/10.1080/14927713.2013.776748 36 Teixeira, H. D. A. (2013). Medidas de satisfação e motivação para o lazer em adolescentes: Um estudo de validação [Dissertação de mestrado, Universidade do Minho]. Repositório da Universidade do Minho. https://hdl.handle.net/1822/26926 Tomé, G., Guedes, F. B., Cerqueira, A., Noronha, C., de Freitas, J. C., Freire, T., de Matos, M. G. (2023). How is leisure related to wellbeing and to substance use? The probable key role of autonomy and supervision. Children , 10 (5), 1-12. https://doi.org/10.3390/children10050773 Veal, A. J. (2019). Joffre Dumazedier and the definition of leisure. Loisir et Société / Society and Leisure , 42 (2), 187–200. https://doi.org/10.1080/07053436.2019.1625533 Zarrett, N., & Lerner, R. M. (2008). Ways to promote the positive development of children and youth. Child Trends , 11 (2), 1-5.