See discussions, stats, and author profiles for this publication at: https://www.researchgate.net/publication/305780506 Centro Histórico como Território Turístico Criativo: um estudo em um destino turístico internacional no Brasil Article · August 2016 DOI: 10.2436/20.8070.01.25 CITATIONS 4 READS 1,671 7 authors, including: Some of the authors of this publication are also working on these related projects: Carnival around the World View project As Redes Públicas Municipais para a prestação de serviços de Saneamento no Ceará e no Brasil: Instituições e Custos de Transação View project Magnus Emmendoerfer Universidade Federal de Viçosa (UFV) 167 PUBLICATIONS450 CITATIONS SEE PROFILE Joaquim Filipe Araujo University of Minho, Braga 87 PUBLICATIONS1,032 CITATIONS SEE PROFILE All content following this page was uploaded by Joaquim Filipe Araujo on 03 August 2016. The user has requested enhancement of the downloaded file.
Revista Iberoamericana de TurismoRITUR, Penedo, Volume 6, Número 1, Jan./Jun. 2016 p. 73-93 http://www.seer.ufal.br/index.php/ritur 73 DOI: 10.2436/20.8070.01.25 Centro Histórico como Território Turístico Criativo: um estudo em um destino turístico internacional no Brasil Magnus Luiz Emmendoerfer Pós-Doutor em Ciências da Administração,Universidade do Minho,Portugal Pós Doutor em Turismo,Universidade do Algarve, Portugal Professor do Programa de Pós Graduação em Administração, Universidade Federal de Viçosa, Brasil Líder do Grupo de Pesquisa em Gestão e Desenvolvimento de Territórios Criativos, Brasil. E-mail: [email protected] Júlio da Costa Mendes Doutor em Administração, Universidade do Algarve, Portugal. Professor da Faculdade de Economia e do Programa de Doutorado em Turismo Universidade do Algarve, Faro, Portugal E-mail:
[email protected] Joaquim Filipe Ferraz Esteves de Araújo Doutor em Administração Pública, Universidade de Exeter, Reino Unido. Professor do Departamento de Relações Internacionais e Administração Pública Escola de Economia e Gestão, Universidade do Minho, Braga, Portugal E-mail: [email protected] Gilberto Maurício Frade da Mata Bacharel e Mestrando em Administração pela Universidade Federal de Viçosa, Brasil Pesquisador no Grupo de Pesquisa em Gestão e Desenvolvimento de Territórios Criativos E-mail: gilbertoa[email protected] Resumo O objetivo é analisar os elementos que possibilitam qualificar um centro histórico como um Território Turístico Criativo (TTC). Para realizar esta investigação, a cidade de Ouro Preto, Minas Gerais, Brasil, foi escolhida por ser um destino turístico internacional e por ser reconhecida mundialmente pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura - UNESCO como patrimônio cultural. Em termos metodológicos, esta análise foi realizada com base em dados documentais e bibliográficos. Como resultados, foram apresentadas características para qualificar um centro histórico como um território turístico e criativo. Também observou-se níveis distintos de territórios criativos no contexto do turismo que podem (co)existirem na cidade investigada. Ao mesmo tempo, observou-se limitadas conexões justamente onde há expressões de criatividade e cultura. Portanto, esta investigação demonstrou que o processo de qualificação de territórios turísticos criativos é algo importante
Revista Iberoamericana de TurismoRITUR, Penedo, Volume 6, Número 1, Jan./Jun. 2016 p. 73-93 http://www.seer.ufal.br/index.php/ritur 74 na contemporaneidade para a gestão do turismo e de destinos de forma sustentável. Palavras-chave: Gestão Pública do Turismo; Economia Criativa; Desenvolvimento Sustentável; Turismo Criativo; Patrimônio Cultural. 1. Introdução A designação e o desenvolvimento de cidades criativas tem sido um fenômeno mundial contemporâneo que tem ganhado maior expressão desde o ano de 2004, quando a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO, 2015a) criou a Rede de Cidades Criativas, no intuito de requalificar os espaços urbanos para o reconhecimento e difusão de novas práticas culturais e novos investimentos econômicos, que possam gerar riquezas socioeconômicas e culturais (VALVERDE, 2012). Diante desse fenômeno, gestores públicos de diversas cidades começam a se interessar pela criatividade como forma de fomentar o desenvolvimento local e regional, de tornar mais visível a cidade para além do seu ordenamento territorial, bem como promover a administração pública municipal. Neste artigo, parte-se do argumento de que designar uma cidade como criativa seja algo demasiado, que pode gerar imprecisões e expectativas que podem não ser factíveis no contexto da economia criativa. Assim, será utilizado o termo território criativo, por contemplar diferentes níveis de escala territorial (EMMENDOERFER; ASHTON, 2014), e ser uma etapa preliminar para ser compor uma cidade criativa de forma mais consistente e coerente com suas premissas (LANDRY; BIANCHINI, 1995; LANDRY, 2004; 2013), as quais serão discutidas na seção subsequente, após o esclarecimento a respeito dos procedimentos metodológicos adotados neste artigo. Para fins de análise desta pesquisa parte-se da hipótese de que o centro histórico é um território turístico criativo. Assim, o objetivo deste artigo é analisar os elementos que possibilitam qualificar um Centro Histórico como um Território Turístico Criativo a partir do caso da cidade de Ouro Preto, Brasil. Após a análise, pretende-se apresentar evidências e argumentos que possibilitem sustentar ou refutar tal hipótese. Em muitas cidades do mundo, do Brasil e de Portugal, nos centros-históricos há tradicionalmente alta circulação de pessoas (principalmente viajantes e turistas), bens e serviços que movimentam expressivamente a economia local e regional (SEBASTIÃO, 2010). Somado a isso, a economia criativa vem se mostrando extremamente estratégica para o desenvolvimento territorial sustentável, pois atua simultaneamente nas dimensões econômicas, sociais, culturais e ambientais. Ainda, é um setor onde os recursos se renovam e multiplicam com o uso, sendo, portanto, uma atividade de forte desempenho econômico, mas também de interação social, ambientalmente correto e que fortalece os valores, diferenciais e a credibilidade de comunidades e de empresas. 2. Procedimentos metodológicos Em termos metodológicos, utilizou-se uma abordagem qualitativa com inspiração na Teoria Fundamentada em Dados ou Grounded Theory (GRAY, 2012) em virtude da contemporaneidade do objeto em estudo escolhido, somado a incipiência teórica na comunidade científica sobre a articulação do constructo “centro histórico como território turístico criativo”.
Revista Iberoamericana de TurismoRITUR, Penedo, Volume 6, Número 1, Jan./Jun. 2016 p. 73-93 http://www.seer.ufal.br/index.php/ritur 75 Neste sentido, para a coleta dos dados empregou-se os métodos bibliográfico e documental. Os dados bibliográficos foram obtidos essencialmente em livros e periódicos científicos que tratam de leituras contemporâneas sobre turismo, turismo criativo, economia criativa, cidades criativas, cultura, patrimônio e desenvolvimento sustentável. Os dados documentais foram extraídos de portais da internet, projetos e relatórios técnicos disponíveis na internet de organizações públicas como a prefeitura municipal de Ouro Preto e a Secretaria de Economia Criativa do Ministério da Cultura e não governamentais de âmbito nacional como a UNESCO e a Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD). O período de coleta e de análise de dados compreendeu os anos de 2012 a 2014. As fontes de todos os dados coletados foram referenciadas ao final deste trabalho, sendo o material coletado, cotejado por meio de Análise de Conteúdo (GIBBS, 2012), especificamente pela técnica de análise temática, que permitiu compor os títulos e os conteúdos dos tópicos subsequentes, em termos de descrição, discussão e reflexão a respeito do objeto em estudo. 3. Territórios Criativos no contexto do Turismo O turismo possui múltiplas abordagens, resultando em tantas definições quanto o número de autores que estudam esta área de conhecimento. Existem estudiosos que preferem observar os aspectos parciais da atividade ou algumas de suas realidades considerando que é extremamente difícil obter uma definição precisa e abrangente do turismo em razão da complexidade do fenômeno. Isso tem sido uma justificativa para a “inexistência de uma descrição universalmente aceita sobre o que é turismo” (MARTÍNEZ, 2005, p. 110). Porém, o turismo nos últimos 15 anos tem se tornado algo ainda mais complexo com a sua articulação com indivíduos e organizações que atuam na criação, produção e comercialização de bens e serviços da economia criativa. Segundo Emmendoerfer e Ashton (2014), a economia é tratada como criativa porque em suas atividades produtivas, os indivíduos em suas ocupações utilizam a criatividade como base e diferencial do processo de produção, que são imbricados de dimensão simbólica. Tal dimensão é captada pelos consumidores que passam a participar ou a coproduzirem neste processo, agregando para si novas percepções e sentimentos a partir desta vivência (EMMENDOERFER; ASHTON, 2014, p.462). Com base em Schmitt (1999), por essas experiências diferenciadas, os turistas pagariam (inclusive a mais) para ter acesso as possíveis e múltiplas sensações que essas atividades podem gerar em termos de fruição e de aprendizagem. Existem vários modelos ou esquemas categóricos internacionais, que buscam indicar as atividades produtivas que estão contempladas no contexto da economia criativa, que congrega diversos setores ou indústrias criativas. Contudo, é importante destacar que cada modelo relacionado a economia criativa empregado tem demonstrado articulações com o contexto da política e do desenvolvimento cultural existente em cada país. Mesmo assim, um modelo de referência usualmente empregados tem sido o da United Nations Conference on Trade and Development (UNCTAD, 2012). Este modelo é composto por quatro setores: patrimônio, artes, mídias (mídia impressa e audiovisual) e criações funcionais (design, moda, novas mídias, arquitetura, consultoria e propaganda). Para Madeira (2014, p.58, grifo nosso), os setores criativos integram: [...] um contínuo que vai de uma especificidade essencialmente cultural e muitas vezes local, para outra global e genericamente criativa, que corresponde, in extremis, à conexão entre pesquisa e desenvolvimento e identidades culturais e artísticas. Em que pese sua pouca coerência –
Revista Iberoamericana de TurismoRITUR, Penedo, Volume 6, Número 1, Jan./Jun. 2016 p. 73-93 http://www.seer.ufal.br/index.php/ritur 76 principal crítica que se faz ao conceito – as indústrias criativas apresentam a capacidade de juntar elementos considerados chave no atual cenário econômico global, o que explica sua rápida e ampla aceitação por vários níveis governamentais, além da geração de políticas públicas para o seu fomento. Diante do interesse de políticos, gestores públicos, bem como de empresários em buscarem desenvolver novos negócios ou requalificar os bens e os serviços público e/ou privados já existentes, surgem ações para desenvolver cidades como criativas. Segundo Florida (2011) e Vivant (2012), as cidades criativas são espaços urbanos que podem ser vistos por distintas óticas a partir de sua vocação ou do interesse em desenvolver determinados setores criativos: da atração de talentos e investimentos; do combate às desigualdades e violência; da revitalização de áreas degradadas; da promoção de clusters criativos; da transformação das cidades em polos criativos mundiais; de reestruturação do tecido socioeconômico urbano baseado nas especificidades locais. Além disso, as cidades criativas se beneficiam da importância histórica, geográfica e econômica, unindo grupos, afetado economias, provocando a troca de ideias, concentrando capital e gerando trabalho e renda. Observa-se que Landry & Bianchini (1995), Florida (2002) e Vivant (2012) concebem a cultura como base geradora de benefícios e impactos sociais e econômicos, que agrega valor e aumenta a competitividade num ambiente mais criativo, e demanda a construção de uma governança clara e facilitadora com estratégia de longo prazo. Assim, a cultura tem sido reconhecida como a principal base para se desenvolver cidades criativas, que a partir do (re)conhecimento de seus patrimônios culturais tem demandado necessidades especificas, que requerem criatividade das pessoas e organizações interessadas na geração e desenvolvimento de indústrias criativas, tais como: políticas integradas de desenvolvimento local/regional; planejamento e gestão urbana integradas; urbanismo funcional e arquitetura inovadora; conexões horizontais; políticas culturais e oferta diversificada de atividades; economia da cultura do conhecimento; gestão criativa das empresas e organizações; turismo cultural e criativo; marketing territorial e branding; inovação tecnológica, criatividade artística e boa gestão empresarial dos produtos culturais; estímulo à criatividade e seu reconhecimento; a construção de governança por meio de uma visão partilhada (setor público, privado e sociedade civil); a presença de uma classe criativa. As cidades criativas utilizam o capital cultural criativo da população, promovendo novos arranjos, criando novos produtos e gerando novos consumos, transformando as preferências pessoais (MIRANDA, 2009). Assim, observa-se que se tornam alvo dos turistas do século XXI, pois a ambiência composta pela diversidade cultural das cidades criativas atrai grandes fluxos turísticos, em razão da geração de produtos e de serviços diferenciados (ANDERSSON, 2005). Essas características que envolvem as cidades criativas estimulam e permitem trabalhar novas formas de turismo, como o criativo. O turismo criativo surge como proposta do turista consumir a experiência de uma vivência com base no patrimônio cultural local, envolvendo uma mudança de valores na produção e no consumo turístico (RICHARDS, 2013). Para a UNESCO (1982), o patrimônio cultural é tanto produto quanto processo que oferece uma riqueza de recursos que são herdadas das sociedades do passado, se criam no presente e se transmite às gerações futuras gerando benefícios, que exigem políticas e modelos de desenvolvimento de preservação e respeito à sua diversidade e singularidade. Desta forma, as cidades criativas se apresentam como uma alternativa para a promoção da valorização do patrimônio cultural local como mecanismo de geração de
Revista Iberoamericana de TurismoRITUR, Penedo, Volume 6, Número 1, Jan./Jun. 2016 p. 73-93 http://www.seer.ufal.br/index.php/ritur 77 desenvolvimento endógeno e de requalificação dos espaços urbanos (UNESCO, 2006) como forma de compor atrativos turísticos que possam proporcionar experiências singulares e estimular a criatividade. Para Reis e Kageyama (2011), a presença de turistas gera aumento nas oportunidades de emprego e renda, portanto, de benefícios para a comunidade receptora. Florida (2011) enfatiza a importância do turismo entre os fatores geradores de desenvolvimento, porque os turistas buscam experiências por meio do consumo de produtos no local da produção, gerando ambiente determinante para o desenvolvimento local e regional. O turismo criativo como um possível direcionador para a designação de uma cidade como criativa tem sido realizada pela rede internacional de turismo criativo, criada em 2010 e com sede em Barcelona, na Espanha. Fazem parte desta rede, cidades que possuam práticas estruturadas de turismo criativo. Esta rede tem buscado praticar o turismo criativo fundamentada essencialmente nas obras de Richards (2003; 2011; 2012; 2014). O autor destas obras é professor e pesquisador da Universidade de Tilburg, na Holanda, que coproduziu este termo e buscou introduzi-lo por meio de suas publicações, para além do meio acadêmico. Segundo Richards e Wilson (2006), há três tipos específicos que possibilitam o desenvolvimento turismo com criatividade, no que concerne às cidades, sendo estas: Creative places, Creative events e Creative Tourism. Embora os termos sejam diferentes, existe um conjunto de elementos comuns, nomeadamente: 1) as experiências participativas e autênticas que permite aos visitantes desenvolver o seu potencial criativo e habilidades, através do contato com a cultura e a comunidade local; e 2) a criatividade proporciona atividade, conteúdo e atmosfera para o desenvolvimento do turismo no destino, que por sua vez apoia atividades criativas desenvolvidas pelos habitantes do destino. E para que as cidades possam ter sua imagem projetadas e identificadas como criativas em algum setor econômico-cultural, é também necessário que os agentes interessados na economia criativa compreendam as peculiaridades dos territórios existentes dentro de uma cidade. Essas peculiaridades podem estar materializadas no imaginário das pessoas em vários locais de uma cidade, vinculadas às atividades e setores da economia criativa. E elas se tornam mais visíveis e articuláveis a partir de sua organização para o turismo por meio do governo local. Isso implica conceber que podem (co)existir diversos territórios criativos, interligados ou não, em uma cidade criativa. Vale ressaltar que o primeiro estudo sobre o conceito de cidade criativa foi realizado por Landry (1990) em Glasgow, na Escócia, Reino Unido. Neste estudo e nos outros subsequentes, este autor buscou mostrar como os gestores públicos poderiam repensar os planejamentos urbanos e de desenvolvimento local de suas cidades com base na criatividade. Assim, a cidade criativa é um local mais dinâmico, interligado, tolerante, interativo e atraente, que busca valorizar a criatividade e a inovação, por meio da história e da cultura da população, como gerador de economia e de qualidade de vida nos centros urbanos (LANDRY, 2013). Assim, a cidade criativa possuiria tanto uma ambiência criativa quanto pessoas e organizações de setores produtivos de base cultural (indústrias criativas) que “movimentariam” essa nova economia que se tornou conhecida a partir dos anos 2000 como economia criativa (HOWKINS, 2001), apesar dos primeiros estudos internacionais sobre os setores produtivos criativos terem sido iniciados a mais de 20 anos pela UNESCO (1982). Todavia, observa-se nos estudos de Landry (1990; 2013) e da UNESCO (2015a) que a noção de território não é um termo abordado na discussão das cidades criativas, mas para fins deste artigo há um entendimento de que o mesmo seja relevante para compreender o processo de designação, classificação ou institucionalização de uma cidade criativa. Assim, neste artigo coaduna-se com a noção de territórios criativos tratada por Emmendoerfer (2015, p.20) que os
Revista Iberoamericana de TurismoRITUR, Penedo, Volume 6, Número 1, Jan./Jun. 2016 p. 73-93 http://www.seer.ufal.br/index.php/ritur 78 considera como: [...] espaços multi-escalares, construídos a partir de um processo formativo adotado por um grupo de pessoas em um período de tempo, que buscam ofertar produtos culturais autênticos e singulares, resultantes de ações criativas e dinamizadoras, que são atrativos e valorizados principalmente pela interpretação subjetiva de um significado (co)criado pelos habitantes e por viajantes que experienciam esses produtos nesses espaços. Segundo Emmendoerfer e Ashton (2014), os territórios criativos possuem várias escalas territoriais estando num continuum que vai desde um microterritório como uma rua até um macroterritório como uma unidade federativa. Entre essas duas extremidades territoriais poderiam existir outros tipos de territórios criativos como: avenida, bairro, vila, distrito, conjunto de bairros, zoneamentos, cidade, município, conjunto de cidades, concelhos, regiões e províncias. Assim, empregar a noção de territórios criativos como um elemento constitutivo das cidades criativas, permite que uma determinada atividade ou setor criativo não gere sombreamento das demais, em virtude da publicidade e propaganda que será realizada para diferenciar uma determinada cidade como criativa. E isso pode ser intensificado ou harmonizado por meio do planejamento e promoção turística. O turismo tem no território, na paisagem, no patrimônio natural e cultural suas principais matérias-primas (COOPER; FLETCHER; FYALL; GILBERT; WANHILL, 2007), o que por si só, já remete a mais de um atrativo para o turismo, ou seja, em mais de um território para o turismo que podem ser encontrados nas cidades. Assim, corrobora-se com a noção de territórios criativos tratado por Emmendoerfer e Ashton (2014), em que toda cidade pode ser um território criativo, mas nem todo território criativo é necessariamente uma cidade criativa. E isso auxilia na compreensão do porquê de uma cidade não ser designada como criativa, mas possuir territórios criativos. Isso será analisado a partir do caso do município de Ouro Preto, Brasil. 4. O Centro Histórico da cidade de Ouro Preto, Brasil O município de Ouro Preto é um dos 5570 que o Brasil possui. Conforme a Figura 1, este município está na região central da unidade federativa de Minas Gerais, uma das 27 existentes que compõe a República Federativa do Brasil.
Revista Iberoamericana de TurismoRITUR, Penedo, Volume 6, Número 1, Jan./Jun. 2016 p. 73-93 http://www.seer.ufal.br/index.php/ritur 79 Figura 1 - Localização de Ouro Preto no mapa de Minas Gerais, Brasil. Fonte: Wikipédia (2015). Ouro Preto é tanto o nome do município quanto do distrito-sede, que além desse também possui mais 12 distritos, conforme Figura 2. A saber: Amarantina, Antônio Pereira, Cachoeira do Campo, Engenheiro Correia, Glaura, Lavras Novas, Miguel Burnier, Santa Rita de Ouro Preto, Santo Antônio do Leite, Santo Antônio do Salto, São Bartolomeu e Rodrigo Silva. Ressalta-se que este estudo focalizou-se no distrito-sede, aqui tratado como a cidade de Ouro Preto.
Revista Iberoamericana de TurismoRITUR, Penedo, Volume 6, Número 1, Jan./Jun. 2016 p. 73-93 http://www.seer.ufal.br/index.php/ritur 80 Figura 2 - Localização dos distritos do município de Ouro Preto, Brasil. Fonte: Ouro Preto (2015). O turismo cultural foi introduzido como uma realidade para a população de Ouro Preto a partir de 1960, onde os turistas eram pelo valor histórico do conjunto arquitetônico barroco (BRUSADIN; SILVA, 2012, p.14), e pela realização do festival cultural de inverno, que congrega diversas atividades artístico-culturais em parceria com a Universidade Federal de Ouro Preto. O município de Ouro Preto é considerado pelo Ministério do Turismo do Brasil um dos 65 destinos nacionais que “possuem infraestrutura básica e turística e atrativos qualificados, que se caracterizam como núcleo receptor e/ou distribuidor de fluxos turísticos” (BRASIL, 2008), inclusive internacionais, que tem induzido o desenvolvimento turístico regional. Tal distinção está associada a cidade de Ouro Preto ser historicamente a principal cidade, não capital do estado, indutora do turismo em Minas Gerais (MINAS GERAIS, 2015b), ao contribuir com outros destinos com um fluxo de turistas de 24,4 milhões em 2014 aumentando em 114% em relação ao ano de 2008, ficando atrás apenas do estado de São Paulo (MINAS GERAIS, 2015a). A receita turística também sofreu variação positiva, indicando a contribuição dos turistas na economia mineira em aproximadamente 17,1 bilhões, o que permite constatar que além do aumento do fluxo os turistas gastaram mais (MINAS GERAIS, 2015a). De acordo com Tomazzoni (2009), o desenvolvimento de um território para o turismo pode ser gerado e coordenado por elementos que compõem três dimensões: econômica, cultural e organizacional. Essas dimensões e seus respectivos elementos se relacionam e
Revista Iberoamericana de TurismoRITUR, Penedo, Volume 6, Número 1, Jan./Jun. 2016 p. 73-93 http://www.seer.ufal.br/index.php/ritur 87 Elementos Indicadores Tecnologia e inovação Quantidade de propriedades intelectuais per capita Acesso amplo, facilitado e rápido à internet em locais públicos Quantidade de áreas degradadas revitalizadas Presença de clusters criativos por sua produção artística e cultural Existência de políticas de Investimento em inovação tecnológica Talento Número de pessoas com formação em cursos de nível superior residentes Número de imigrantes e migrantes residentes Quantidade de artistas residentes Existência de políticas públicas de cultura e lazer Tolerância Existência de Políticas de combate às desigualdades e a violência Respeito à diversidade e as diferenças das pessoas (etnia, raça, gênero, idade, habilidades físicas, classes sociais e orientação sexual) Atividades de formação para a cidadania Atendimento aos objetivos de desenvolvimento do milênio da ONU Conexões Quantidade de arranjos produtivos locais Existência de conselhos gestores atuantes Atuação de agências de desenvolvimento local Quantidade de organizações culturais e artísticas na cidade Quadro 1 - Elementos e indicadores para o desenvolvimento da criatividade nos territórios. Fonte: Adaptado de Ashton, Tomazzoni e Emmendoerfer (2014). c) Criar uma estrutura de governança do território a ser trabalhado para o turismo e a criatividade: é uma forma efetiva de congregar o capital social interessado (setores criativos) no desenvolvimento territorial. Esta estrutura é importante que aproxime e crie articulações entre as organizações dos diversos setores criativos existentes na cidade ou que se pretende investir. Neste sentido, a governança, poderia ser tripartite com representantes do Estado, Comunidade e Mercado, e possibilitaria, corroborando com Woolcock (1998), fortalecer a identidade social no território turístico criativo, agindo como inibidor de comportamentos oportunistas e transgressões às normas sociais e de sustentabilidade estabelecidas para o bem comum. Outro aspecto a ser considerado na estrutura de governança é a definição da escala territorial a ser desenvolvida para o turismo com criatividade no âmbito da cidade, que segundo Emmendoerfer e Ashton (2014) pode ser desde uma rua até um aglomerado de bairros ou zonas. d) Sensibilizar a comunidade, o mercado e o Estado para o desenvolvimento territorial sustentável: ter fluxo de turistas na cidade é insuficiente para o desenvolvimento turístico de forma sustentada. Neste sentido, é necessário agir coletivamente em prol da valorização do turismo e da cultura, bem como de seus agentes envolvidos por meio da oferta de campanhas de sensibilização e programas de formação para cidadania, gestão cultural e do patrimônio, planejamento turístico, economia criativa e sustentabilidade. Tais campanhas e programas educativos visam minimizar o problema da descontinuidade de planos e ações governamentais ou de inovações institucionais do tipo top-down promovidas pelo Estado. e) Elaborar e validar a identidade visual criada para a cidade e/ou para os seus territórios: uma forma de fortalecer um território é a criação de mecanismo que geram a identidade coletiva. Isso é possível pela criação de logotipos e slogans que remetem a essência do valor público existente ou que se deseja priorizar no
Revista Iberoamericana de TurismoRITUR, Penedo, Volume 6, Número 1, Jan./Jun. 2016 p. 73-93 http://www.seer.ufal.br/index.php/ritur 88 território. O setor do design e das artes visuais exercem um papel importante nesta ação. Ouro Preto possui uma nova identidade visual, conforme Figura 4. Entretanto, a identidade visual criada precisa ser alvo de ações de comunicação e relações públicas, inclusive ser incorporada nos bens culturais e pelos setores criativos, a fim de ser validada e legitimada pela comunidade, mercado e Estado. Figura 4 - Identidade visual da cidade de Ouro Preto, Brasil. Fonte: Ouro Preto (2014a). Um caminho para as pessoas trabalharem um destino turístico em prol de um desenvolvimento turístico pela criatividade, de acordo com Richards e Wilson (2006), seria por meio de eventos criativos como forma de sensibilizar e fomentar esta forma de turismo para se avançar em investimentos que requerem infraestrutura adequada para configurar lugares criativos (creative places) que vão possibilitar a criação e o desenvolvimento de territórios criativos, onde o turismo criativo seria a principal atividade articuladora. No caso de Ouro Preto, esta pode ser uma ação norteadora para que o status quo da cidade, em se tornar de fato uma creative city não seja apenas um potencial. Para tanto, inicialmente se faz necessário criar espaços de diálogos com os stakeholders (governo, mercado e comunidade) neste desenvolvimento turístico pela criatividade para equilibrar interesses dos envolvidos num plano estratégico para manter e desenvolver esta orientação de desenvolvimento, tem como base um de suas principais riquezas culturais: o seu centro histórico. Vale ressaltar que esse planejamento não pode ser desacompanhado de marcos legais municipais para prezar pela exequibilidade do plano de desenvolvimento turístico idealizado com base em recursos reais da cidade. Um marco legal poderia ser um regulamento para uso do espaço público com medidas de preservação do patrimônio existente no centro histórico, atrelado a monitoramento e fiscalização dos stakeholders. Desta forma, o entendimento dos elementos apresentados e a operacionalização coletiva das ações supramencionadas, possibilitaria a geração e o desenvolvimento de Territórios Turísticos Criativos (TTC´s), os quais seriam a base para focalização de um projeto de cidade criativa. 4. Conclusões Este estudo contribui com a discussão sobre o processo de (re)qualificação de territórios por meio do turismo e da criatividade, que tem demonstrado ser um fenômeno contemporâneo importante para a gestão do turismo e de destinos de forma mais sustentável. Os elementos e características apresentados podem permitir a criação, a designação e o desenvolvimento de territórios turísticos criativos que podem ser diferentes espaços numa cidade, como um centro histórico. Tais elementos permitem gerar e observar níveis distintos de territórios criativos no contexto do turismo que podem (co)existir em uma cidade. O caso de Ouro Preto no Brasil, demonstra que apesar de possuir tradição no turismo
Revista Iberoamericana de TurismoRITUR, Penedo, Volume 6, Número 1, Jan./Jun. 2016 p. 73-93 http://www.seer.ufal.br/index.php/ritur 89 com fluxo de turistas internacionais por causa de seus atrativos históricos, assim como uma distinção internacional por meio da designação de patrimônio cultural da UNESCO, revela que esses aspectos não são suficientes para elevar esta cidade a um status de criativa. Desta forma, a noção de Territórios Turísticos Criativos (TTC´s) tornar-se uma forma significativa de se iniciar um projeto coletivo para esta finalidade, de forma mais efetiva, a partir da associação de discussões e práticas relacionadas a centro histórico, turismo e economia criativa. Além de ser uma possível estratégia para especialização territorial, diferenciação econômica regional e para o próprio marketing da cidade. 5. Referências ANDERSSON, Ake. Criatividade e desenvolvimento regional. Regional Science, v. 56, p.520, 2005. ASHTON, Mary. S. G.; TOMAZZONI, Edegar L.; EMMENDOERFER, Magnus L. Elementos para a validação de cidades criativas como destinos turísticos competitivos. TURyDES, v.7, n.17, 2014. Disponível em <http://www.eumed.net/rev/turydes/17/cidadescriativas.html>. Acesso em: 15 maio 2015. ASSOCIAÇÃO DO CIRCUITO DO OURO. Mapa Turístico de Ouro Preto. Disponível em <http://circuitodoouro.tur.br/wp-content/uploads/2015/02/mapa_ouropreto.jpg>. Acesso em: 29 fev. 2016. BRASIL. Plano da Secretaria da Economia Criativa: políticas, diretrizes e ações 2011 – 2014. Brasília: Ministério da Cultura, 2012. Edição revisada. Disponível em: <http://cultura.gov.br/documents/10913/636523/PLANO+DA+SECRETARIA+DA +ECONOMIA+CRIATIVA/81dd57b6-e43b-43ec-93cf-2a29be1dd071>. Acesso em: 13 ago.2015. BRUSADIN, Leandro B.; DA SILVA, Rafael H. T. O uso turístico do patrimônio cultural em Ouro Preto. CULTUR-Revista de Cultura e Turismo, v. 6, n. 1, p. 69-89, 2015. Disponível em: <http://periodicos.uesc.br/index.php/cultur/article/view/277>. Acesso em: 02 fev.2016. COOPER, Chris; FLETCHER, John; FYALL, Alan; GILBERT, David; WANHILL, Stephen. Turismo, Princípios e Prática. 3.ed. São Paulo: Bookman, 2007. EMMENDOERFER, Magnus L.; SOARES, Erica B.S. Análise do desenvolvimento turístico e da denominação designada pelo governo para qualificar cidades como destinos indutores do turismo em Minas Gerais, Brasil. Revista Turismo & Desenvolvimento, Aveiro, v.3, n.21/22, p.139-151, 2014. Disponível em <https://www.ua.pt/ReadObject.aspx? obj=34847>. Acesso em: 7 abr.2015. EMMENDOERFER, Magnus L.; ASHTON, Mary S. Territórios Criativos e suas Relações com o Turismo. Revista Turismo & Desenvolvimento, Aveiro, v.4, n.21/22, p.459-468, 2014. Disponível em <https://www.ua.pt/ReadObject.aspx?obj=34915>. Acesso em: 7 abr. 2015. EMMENDOERFER, Magnus L. Centros históricos como territórios criativos em cidades luso-brasileiras: critérios para denominação, análise e inovação como subsídios para políticas públicas. Relatório de estágio pós-doutoral apresentado a Escola de Economia e Gestão (EGG) da Universidade do Minho, 2015. 294f. FIORAVANTE, Alexandre S. A.; EMMENDOERFER, Magnus L.; CAPOBIANGO, Ronan P. Ouro Preto (MG) - Brasil, cidade criativa?. In: CONGRESO INTERNACIONAL DE
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Revista Iberoamericana de TurismoRITUR, Penedo, Volume 6, Número 1, Jan./Jun. 2016 p. 73-93 http://www.seer.ufal.br/index.php/ritur 91 Município o Dia do Seresteiro e Institui o Mês de maio como "Maio Seresteiro". Câmara de Vereadores de Ouro Preto, 2013d. Disponível em < http://www.sistemasigla.org/arquivos/ sismat/00000020934.pdf>. Acesso em: 1 jun. 2016. OURO PRETO. Projeto de lei 65, de 26 de setembro de 2013. Define o Hip-Hop como movimento Cultural Musical de Caráter Popular no Município de Ouro Preto. Câmara de Vereadores de Ouro Preto, 2013e. Disponível em < http://www.sistemasigla.org/ arquivos/sismat/00000021801.pdf>. Acesso em: 1 jun. 2016. OURO PRETO. Portal do turismo. Prefeitura Municipal de Ouro Preto, 2014a. Disponível em <http://www.ouropreto.mg.gov.br/uploads/raiz/mapa_frente.jpg>. Acesso em: 7 abr. 2015. OURO PRETO. Projeto de lei 49, de 14 de outubro de 2014. Aprova o Estatuto Municipal de Museus que normatiza as atividades dos Museus existentes no município de Ouro Preto e dá outras providências. Câmara de Vereadores de Ouro Preto, 2014b. Disponível em < http://www.sistemasigla.org/ arquivos/sismat/00000023463.pdf>. Acesso em: 1 jun. 2016. OURO PRETO. Portal do patrimônio. Prefeitura Municipal de Ouro Preto, 2015. Disponível em <http://www.ouropreto. mg.gov.br/patrimonio/index/bensinventariados.php> Acesso em: 7 abr. 2015. REIS, Ana C. F.; KAGEYAMA, Peter. Cidades criativas: perspectivas. São Paulo: Garimpo de Soluções, 2011. Disponível em <http://www.santander.com.br/portal/wps/gcm/ package/cultura/livro_70516/Livro_ Cidades_Criativas_Perspectivas_v1.pdf> Acesso em: 7 abril 2015. RICHARDS, Greg. Turismo creativo: una nueva dirección estratégica? In: ORTEGA, E. (Coord.). Investigación y Estratégias Turísticas. Madrid: Thomson, 2003. p.107-121. RICHARDS, Greg; WILSON, Julie. Developing creativity in tourists experiences: A solution to the serial reproduction of culture?, Tourism Management, v.27, n.6, p.1209-1223, 2006. RICHARDS, Greg. Creativity and tourism: The state of the art. Annals of Tourism Research, v.38, n.4, p.1225–1253, 2011. RICHARDS, Greg. Tourism Development Trajectories – From Culture to Creativity?. In: SMITH, Melanie; RICHARDS, Greg. (Ed.), Routledge Handbook of Cultural Tourism. London: Routledge, 2012. v. 20, p.297-303. RICHARDS, Greg. Creativity and tourism in the city. Current Issues in Tourism, v.17, n.2, p.119-144, 2014. SCHMITT, Bernd H. Experiential marketing: How to get customers to sense, feel, think, act and relate to your company and brand. New York: Free Press, 1999. SEBASTIÃO, Ana S. C. Planeamento estratégico para o centro histórico de Torres Vedras, 2010. Dissertação (Mestrado) - Instituto de Geografia e Ordenamento do Território (IGOT) da Universidade de Lisboa, 2010. Disponível em <http://repositorio.ul.pt/handle/10451/3862>. Acesso em: 17 set. 2015. SOARES, Erica B. S. Planejamento público estadual e desenvolvimento turístico de destinos indutores em Minas Gerais (2007-2010). 2012. Dissertação (Mestrado em Administração) - Universidade de Federal de Viçosa, Viçosa, 2012. Disponível em: http://repositorio.ul.pt/handle/10451/3862 Acesso em: 17 set. 2015. UNCTAD – United Nation Conference on Trade and Development. Creative Economy Report
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Revista Iberoamericana de TurismoRITUR, Penedo, Volume 6, Número 1, Jan./Jun. 2016 p. 73-93 http://www.seer.ufal.br/index.php/ritur 93 Agradecimentos Trabalho resultante de parceria interinstitucional de pesquisa científica com fomento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), processos 474053/2013-0 e 471136/2014-0, da Fundação de Amparo à Pesquisa do estado de Minas Gerais (FAPEMIG), processo APQ-01870-15, da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), processo BEX-1254/14-6. Agradecimentos pessoais a Brendow Fraga pelas valiosas contribuições para a melhoria deste artigo. Artigo recebido em 03/03/2016.Aceito para publicação em 06/06//2016 View publication stats