Full text
Stéphanie Silva Magalhães julho de 2021 A influência das redes sociais na comunicação das organizações militares: caso Recrutamento da Marinha Portuguesa Stéphanie Silva Magalhães A influência das redes sociais na comunicação das organizações militares: caso Recrutamento da Marinha Portuguesa UMinho|2021 Universidade do Minho Instituto de Ciências Sociais
Stéphanie Silva Magalhães julho de 2021 A influência das redes sociais na comunicação das organizações militares: caso Recrutamento da Marinha Portuguesa Trabalho efetuado sob a orientação da Professora Doutora Ana Guilhermina Seixas Duarte Melo Relatório de Estágio Mestrado em Ciências da Comunicação Área de especialização em Publicidade e Relações Públicas Universidade do Minho Instituto de Ciências Sociais
ii DIREITOS DE AUTOR E CONDIÇÕES DE UTILIZAÇÃO DO TRABALHO POR TERCEIROS Este é um trabalho académico que pode ser utilizado por terceiros desde que respeitadas as regras e boas práticas internacionalmente aceites, no que concerne aos direitos de autor e direitos conexos. Assim, o presente trabalho pode ser utilizado nos termos previstos na licença abaixo indicada. Caso o utilizador necessite de permissão para poder fazer um uso do trabalho em condições não previstas no licenciamento indicado, deverá contactar o autor, através do RepositóriUM da Universidade do Minho. Licença concedida aos utilizadores deste trabalho Atribuição CC BY https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/
iii Agradecimentos “Eu acredito demasiado na sorte. E tenho constatado que, quanto mais duro eu trabalho, mais sorte eu tenho.” Coleman Cox Tendo em conta esta última etapa do mestrado, o meu maior agradecimento vai para a equipa que me acolheu de braços abertos desde o primeiro dia, a equipa responsável pelo recrutamento da Marinha Portuguesa. Um especial obrigada a toda a equipa que fez parte do meu dia-a-dia durante o estágio, em especial, à Comandante Maria Martins, à Tenente Rita Casimiro ao Comandante Alves Martins, ao Comandante Guardado Neto, ao Tenente André Amaral, ao Tenente Neves, e ao Tenente Edgar Simões, que sempre se mostraram prontos para ajudar nas minhas dúvidas, ideias e projetos, sempre com boa disposição e com muita paciência para me ensinarem e darem a conhecer mais da Marinha Portuguesa. À Comandante Maria Martins, agradeço a oportunidade que me deu ao aceitar-me como estagiária e todo o apoio que me prestou como minha coordenadora de estágio, obrigada por todos os conselhos, ensinamentos e correções que foi fazendo e a preocupação que sempre teve e demonstrou para que eu conseguisse executar com sucesso todas as tarefas propostas ao longo do estágio. À tenente Rita Casimiro agradeço por se ter mostrado sempre disponível em ajudar e por se ter tornado na amiga fantástica que é. Um enorme agradecimento aos meus pais, Madalena e Rodrigo, por sempre me apoiarem nas minhas decisões e por me saberem aconselhar a seguir o melhor caminho. À minha tia Emília agradeço por me ter acolhido durante o estágio e me proporcionar a coragem necessária para este desafio. Aos meus amigos e ao meu namorado Dimitar estou grata pela força e coragem que me transmitiram para que eu continuasse os estudos. À minha orientadora de estágio, Professora Doutora Ana Duarte Melo um enorme obrigada não chega para agradecer tudo o que fez e foi para mim ao longo deste percurso. Desde que foi minha professora que é uma inspiração. Obrigada por me ajudar sempre em tudo o que precisei. Esteve presente desde a escolha do estágio até a realização deste relatório, sempre disponível para esclarecimento de dúvidas, sempre preocupada com o meu percurso e sempre com um conselho pronto a dar. A motivação e determinação para concluir mais esta etapa da minha vida com sucesso é a todos eles que a devo e agradeço tudo o que fizeram por mim. Sem eles talvez nunca tivesse conseguido concluir este relatório.
iv DECLARAÇÃO DE INTEGRIDADE Declaro ter atuado com integridade na elaboração do presente trabalho académico e confirmo que não recorri à prática de plágio nem a qualquer forma de utilização indevida ou falsificação de informações ou resultados em nenhuma das etapas conducente à sua elaboração. Mais declaro que conheço e que respeitei o Código de Conduta Ética da Universidade do Minho.
v Título: A influência das redes sociais na comunicação das organizações militares: caso Recrutamento da Marinha Portuguesa Resumo Neste relatório de estágio examinaremos o trabalho que é desenvolvido pelo Centro de Recrutamento da Armada da Marinha Portuguesa, uma organização pública que tem como objetivo motivar os jovens para se alistarem e onde, durante três meses, tivemos a oportunidade de estagiar e realizar diversas tarefas na área da comunicação. Refletiremos criticamente sobre como a comunicação e todas as estratégias que lhe estão associadas são fundamentais para as organizações públicas e de que forma contribuem para a valorização das organizações e para o alcance dos seus objetivos. Esta investigação, tem a intenção de contribuir para que a Marinha Portuguesa possa tomar uma decisão informada sobre a utilização das redes sociais onde os jovens estão mais presentes, para promover os concursos e incentivá-los a uma carreira militar. A comunicação é fundamental para todas as organizações. É desta forma que se afirmam, posicionam e se tornam reconhecidas. A crescente utilização das redes sociais por parte das pessoas em geral e a utilização ainda mais expressiva nas gerações mais novas, faz com que este seja um meio privilegiado para estabelecer, desenvolver e manter a dinâmica da relação das organizações com este tipo de públicos. Posto isto, neste relatório são abordadas temáticas como o conceito de comunicação, redes sociais e comunicação organizacional no âmbito da Marinha Portuguesa e de outras organizações similares. Para poder responder à questão de partida “Qual o impacto das redes sociais na comunicação das organizações militares?”, procedemos à realização de um questionário e de duas entrevistas. Com os resultados obtidos constatamos que as organizações militares possuem uma crescente preocupação em conseguir usar, de forma correta e rigorosa, as ferramentas que a área da comunicação disponibiliza. As organizações militares começam a considerar a comunicação como uma área que não pode ficar esquecida, não pode ser descuidada, pois é a partir dessa comunicação que formam uma imagem junto dos jovens, valorizando particularmente a interação no âmbito das redes sociais. Palavras-chave: comunicação organizacional, comunicação, Marinha Portuguesa, recrutamento, redes sociais.
vi Title: The influence of social networks on the communication of military organizations: Portuguese Navy Recruitment case Abstract In this report, we will examine the work that is developed by the Recruitment Center of the Portuguese Navy, a public organization that motivates young people to enlist, and where, for three months, we had the opportunity to intern and carry out various tasks in the area of communication. We will critically reflect about how communication and all the strategies associated with it are fundamental for public organizations and how they contribute to the valorization of organizations and the achievement of their goals. This investigation intends to contribute for more informed decisions in the Portuguese Navy on the use of social media platforms, where young people are most present, to promote competition and encourage them towards a military career. Communication is fundamental for all organizations. This is how they assert and position themselves and become notorious. The growing use of social media platforms by people in general and the even more significant use by younger generations, makes this a privileged mean to establish, develop and maintain the dynamics of the relationship of organizations with this type of audience. Therefore this report addresses issues such as the concept of communication, social media platforms and organizational communication within the scope of the Portuguese Navy and other similar organizations. In order to answer the initial question “What is the impact of social media platforms on the communication of military organizations?”, we carried out a questionnaire and two interviews. Findings indicate that military organizations have a growing concern about being able to correctly and rigorously use the tools available in the area of communication and are beginning to consider communication as an area that cannot be forgotten and cannot be neglected since This is how the organization image is formed in within this public particularly through social media platforms. Keywords: communication, organizational communication, Portuguese Navy, recruitment, social networks.
vii Lista de abreviaturas, siglas e acrónimos CCM - Comissão Cultural da Marinha CEMA – Chefe do Estado Maior da Armada CEMGFA - Chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas CIRP - Comunicação Informação e Relações Públicas CN – Comando Naval COMAR – Centro de Operações Marítimas CRA – Centro de Recrutamento da Armada DP – Direção de Pessoal EMA – Estado Maior da Armada EMGFA - Estado-Maior-General das Forças Armadas EUA - Estados Unidos da América FA – Forças Armadas OCAD - Órgãos Centrais de Administração e Direção PAP - Plano de Aquisição de Pessoal RRS – Repartição de Recrutamento e Seleção RS – Redes Sociais RP – Relações Públicas TS – Técnico de Saúde TSN - Técnico Superior Naval TN – Técnico Naval UEO - Unidade, Estabelecimento, Órgão
5 1. Marinha Portuguesa A Marinha é um ramo das Forças Armadas (FA) que possui autonomia administrativa e que está integrada na administração do Estado, através do Ministério da Defesa Nacional. Tem como missão: funções de dissuasão, defesa militar, apoio à política externa, segurança, estado no mar e desenvolvimento económico, científico e cultural, com o intuito de o mar ser um fator de desenvolvimento e de bem-estar para os Portugueses. A missão da Marinha Portuguesa é contribuir para que Portugal use o Mar. As FA formam uma Instituição Nacional de Portugal, “são um pilar essencial da defesa nacional e constituem a estrutura do Estado que tem como missão fundamental garantir a defesa militar da República.” 1 As FA acatam aos órgãos de soberania competentes, nos termos da Constituição e da Lei, e são parte integrante na administração do Estado, através do Ministério da Defesa Nacional. O Comandante Supremo das FA de Portugal é o Presidente da República, atualmente Sua Excelência Marcelo Rebelo de Sousa (anexo 1). O Ministério da Defesa Nacional tem por missão formular, conduzir, executar e avaliar a política de defesa nacional no âmbito das competências que lhe são conferidas pela Lei de Defesa Nacional, bem como assegurar e fiscalizar a administração das FA e dos demais serviços, organismos, entidades e estruturas nele integrados. 2 Cada ramo é chefiado por um Oficial General com o posto de General ou Almirante, que é responsável pela manutenção do seu respetivo ramo. 1.1. Organização geral da Marinha Portuguesa A Marinha Portuguesa é comandada pelo Chefe do Estado Maior da Armada (CEMA), este por sua vez é nomeado pelo Presidente da República, sob proposta do governo, e é o principal colaborador do Ministro da Defesa Nacional e do Chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas (CEMGFA) em todos os assuntos da organização. 3 Para fazer cumprir a sua missão a Marinha Portuguesa compreende a seguinte estrutura: (anexo 2). 1 Citação retirada da Lei Orgânica n.º 1-A/2009, disponível em: https://dre.pt/ 2 Informação disponível em: https://www.defesa.gov.pt/pt/defesa/Paginas/mdn.aspx 3 Informação retirada do Decreto lei 185 2014 disponível em: https://dre.pt/
6 a) O Estado-Maior da Armada (EMA) é chefiado por um Vice-Almirante, é o 2.º comandante da Marinha e é auxiliado pelo Subchefe do Estado Maior da Armada. O EMA constitui o órgão de estudo, conceção e planeamento das atividades da Marinha, para apoio à decisão de CEMA. b) Os órgãos centrais de administração e direção (OCAD) têm carácter funcional e asseguram que as atividades sejam executadas conforme os superiores decidem, nomeadamente na gestão de recursos humanos, materiais, financeiros, de informação e de infraestruturas. Os OCAD possuem os seguintes órgãos: 4 A Superintendência dos Serviços do Pessoal do qual dependem; • Direção de Pessoal; • Direção de Formação; • Direção de Saúde; • Direção de Apoio Social; • Chefia do Serviço de Justiça; • Chefia do Serviço de Assistência Religiosa. A Superintendência dos Serviços do Material do qual dependem: • Direção de Navios; • Direção de Abastecimento; • Direção de Infraestruturas; • Direção de Transportes; • Arsenal do Alfeite; • Direção de Tecnologias de Informação e Comunicação. A Superintendência dos Serviços das Finanças do qual dependem: • Direção de Administração Financeira; • Direção de Auditoria e Controlo Financeiro; • Direção de Contabilidade e Operações Financeiras. O Instituto Hidrográfico: é um laboratório do Estado dedicado à investigação dos oceanos que tem por missão assegurar atividades de investigação relacionadas com as ciências e as técnicas do mar contribuindo para o desenvolvimento do país e para a defesa do ambiente marinho. 4 Informação retirada do Decreto Lei 185 2014, disponível em: https://dre.pt/
7 A Direção de Análise e Gestão da Informação à qual compete: 5 1. Assegurar a direção da área da análise e gestão da informação da Marinha; 2. Assegurar o exercício da autoridade técnica no domínio da gestão de informação e de análise, irradiando normas especializadas; 3. Disponibilizar produtos e serviços de gestão de informação no âmbito do ciclo de vida da informação, designadamente - Internet e Intranet da Marinha; 4. Gestão de dados e proceder à otimização de processos organizacionais; 5. Disponibilizar os produtos e serviços de análise da informação para apoio à decisão, levando à implementação de modelos de otimização, gestão do risco e de avaliação do desempenho organizacional; 6. Coordenar a definição, edificação, disponibilização e manutenção da arquitetura de referência da Marinha, em articulação com as restantes áreas funcionais; 7. Inspecionar as Unidade, Estabelecimento, Órgão (UEO), no âmbito das suas competências; 8. Apoiar os serviços técnicos das UEO, no âmbito das respetivas competências; 9. Colaborar no planeamento estratégico dos Sistemas de Informação e Comunicação Automatizados e participar nos respetivos grupos de projeto e de controlo de configuração; 10. Colaborar com os serviços de segurança e defesa do ciberespaço e da informação na Marinha; 11. Assegurar a coordenação executiva da Comissão Estatística da Marinha e elaborar e publicar os documentos e estudos estatísticos da Marinha. c) O Comando Naval (CN) tem como função apoiar o CEMA no exercício do comando. d) Os órgãos de conselho destinam-se a apoiar as decisões do CEMA em assuntos especializados. e) O órgão de inspeção, designado por Inspeção Geral da Marinha tem a função de apoiar o CEMA no controlo, na avaliação e na inspeção sem prejudicar competências de outros órgãos. f) Os órgãos de base são constituídos pelas bases, escola naval, escolas e centros de formação, que têm por missão a formação. g) Os elementos da componente operacional do sistema de forças são as forças e os meios da Marinha que estão destinados ao cumprimento das missões de natureza operacional. h) Os órgãos e serviços regulados por legislação própria tal como o nome indica têm a sua própria legislação como é o caso da Autoridade Marítima Nacional. 6 5 Informação retirada do Decreto Regulamentar n.º 10/2015, disponível em: https://dre.pt/ 6 Informação retirada do Decreto Lei n.º 49/93, disponível em: https://dre.pt/
8 1.2. Direção de Pessoal A Direção de Pessoal (DP) está sob domínio da Superintendência dos Serviços do Pessoal da OCAD. À DP compete assegurar as atividades relativas ao recrutamento, nomeações, colocações, efetivos e recolocações dos militares, militarizados e civis da Marinha. Tem como principal tarefa assegurar a gestão de pessoal da Marinha. A DP é constituída por 5 repartições: • Repartição de Nomeações e Colocações; • Repartição de Situações e Efetivos; • Repartição de Recrutamento e Seleção; • Repartição de Militarizados e Civis; • Departamento Administrativo de Normalização e de Comunicação. 1.2.1. Repartição de Recrutamento e Seleção A RRS possui uma Secção de Concursos, uma Secção de Seleção e o CRA. A secção de concursos é responsável por gerir todos os processos relacionados com o recrutamento através de concursos internos e externos. Os concursos internos realizam-se para militares em regime de contrato para ingresso nos quadros permanentes, assim como para progressão de carreira e os concursos externos realizam-se para admissão e formação de pessoal civil para o serviço militar. O CRA tem como função colaborar com o Gabinete do Almirante CEMA na divulgação da Marinha apelando as carreiras militares, esclarecendo as formas de prestação de serviço, as condições de admissão e os estatutos. A secção de seleção, é responsável por fazer a avaliação psicológica dos candidatos e militares para assim posteriormente fazer a sua seleção e classificação para as admissões, especializações e progressões na carreira. 1.2.1.1. Centro de Recrutamento da Armada O CRA – centro onde realizei o meu estágio curricular - tem como principais funções, gerir o recrutamento externo e tratar do recrutamento interno. O recrutamento externo consiste em conseguir captar jovens para uma carreira militar na Marinha e o recrutamento interno consiste em gerir os concursos para ingresso nos quadros permanentes e da progressão de carreira.
9 A finalidade deste centro é melhorar a capacidade de recrutamento e de retenção de pessoal. Para isso, o CRA elabora estratégias visando o aumento da eficácia da comunicação e divulgação, junto do seu público-alvo, os jovens. Neste sentido, o CRA elabora todos os anos um plano de divulgação com o objetivo de colmatar as necessidades quantitativas e qualitativas alusivas à obtenção de pessoal para a Marinha. A missão do CRA é desenvolver ações de comunicação e de divulgação de forma a conseguir chegar ao público-alvo adequado, tendo em conta os recursos humanos e materiais necessários, e que está diretamente ligado ao planeamento de abertura dos concursos. Durante o estágio partilhei gabinete com a Comandante Maria Martins e com a Tenente Rita Casimiro. Ambas responsáveis por criar e publicar conteúdos sobre o recrutamento e as ações de divulgação na única rede social oficial da Marinha Portuguesa, o Facebook.
10 Capítulo II – Experiência de Estágio na Marinha Portuguesa
11 2. Experiência de Estágio na Marinha Portuguesa Depois de realizar uma breve caracterização da organização onde decorreu o meu estágio, importa agora descrever as tarefas que tive oportunidade de efetuar ao longo dos três meses de estágio, ligadas à comunicação e divulgação da Marinha Portuguesa e à gestão da comunicação nas plataformas digitais em que a Marinha Portuguesa se encontra presente. O primeiro dia de estágio é sempre o mais marcante, visto que nos apresentam o meio envolvente, bem como os orientadores e a equipa que nos irá acompanhar durante todo o processo de integração. A compreensão do funcionamento e a assimilação dos princípios que estão na base da organização é fundamental para a conclusão desta etapa com sucesso. É também neste momento que estabelecemos empatia com as pessoas que nos vão acompanhar neste percurso. É importante que se crie logo um bom ambiente de trabalho com toda a equipa. No meu caso correu muito bem, senti-me logo agradavelmente recebida e acolhida, apresentaramme todos os elementos da equipa e explicaram-me o funcionamento da organização, as atividades que ia desenvolver e as hierarquias. Depois destas explicações iniciais, facultaram-me alguns documentos para ler e poder compreender melhor a organização, tais como o Decreto de Lei 185 e a Lei Orgânica da Marinha Portuguesa, que visam explicar os cargos de comando e direção, a missão da Marinha Portuguesa, os princípios gerais da organização, entre outras. O período de estágio coincidiu com a abertura dos concursos para o ingresso na Marinha Portuguesa, o que foi favorável para poder acompanhar e entender todo o processo. O modo de funcionamento de uma organização pública é diferente de uma instituição privada. A principal diferença está na sua finalidade, isto é, a organização pública tem como foco o bem comum e a instituição privada tem como foco o lucro e o consumo. 7 7 Informação disponível em: https://www.unicesumar.edu.br/blog/gestao-publica-e-administracaoprivada/#:~:text=A%20diferen%C3%A7a%20principal%20entre%20a,lucro%20ou%20para%20o%20consumo.
12 2.1. O papel da comunicação na Marinha Portuguesa - Ações de Divulgação Segundo o dicionário de português, divulgar significa “tornar público, dar a saber a muitos, chegar ao conhecimento de muitos, difundir, espalhar, promover”. 8 A RRS da Marinha Portuguesa tem a missão de divulgar junto do seu público-alvo o que é a Marinha Portuguesa, quais são as áreas de formação que dispõe, os benefícios de concorrer e poder construir uma carreira ao fazer parte dela. Para isso, são realizadas ações de divulgação durante todo o ano, pelo país inteiro. Em 2018 foram efetuadas 96 ações de divulgação e alcançados 14 603 jovens e em 2019 foram feitas 80 ações de divulgação e alcançados 16 004 jovens. 9 As divulgações são feitas em Escolas Secundárias, Escolas Profissionais, Universidades, Feiras de Emprego, QUALIFICA, FENGE, FUTURÁLIA, OVIBEJA, FATACIL, Dia das Forças Armadas, Dia da Marinha, Dia de Portugal, onde são feitas palestras, apresentações e/ou através de stand . A divulgação começa nas escolas secundárias porque é necessário começar desde cedo a sensibilizar os jovens para a possível carreira na Marinha Portuguesa. A RRS da Marinha Portuguesa está presente nas RS, nomeadamente no Facebook e mais recentemente no Linkedin , e possui também um site institucional. Uma vez por ano, abrem os concursos de admissão de pessoal. Nesta época de concursos são elaborados conteúdos para publicações diárias nas RS. O objetivo é dar a conhecer os prazos de candidatura, as condições de acesso, quais as áreas que estão abertas a concurso e são publicados vídeos e fotografias com o intuito de exemplificar cada uma das áreas às quais é possível concorrer. Quando a equipa de divulgação está presente em escolas, universidades e feiras de emprego, são elaboradas publicações convidativas, para que as pessoas possam ir ao encontro da equipa e assim esclarecerem possíveis dúvidas. Na sequência da realização do estágio, foi-me proposto participar em algumas ações de divulgação com a equipa, para perceber como funciona o processo de divulgação utilizado pela Marinha Portuguesa. A comunicação externa que é produzida pela RRS, passa essencialmente pelas ações de divulgação e pelos posts na página oficial do Recrutamento, no Facebook . É desta forma que passam a 8 Citação retirada do dicionário em português, disponível em: https://dicionario.priberam.org/divulgar 9 Dados fornecidos pelo CRA da Marinha Portuguesa, a 12/11/22019
13 imagem desejada ao público-alvo. Não se trata apenas de fazer publicidade, mas também de difundir a identidade da organização. Existe um protocolo para a preparação das ações de divulgação. Antes de cada ação de divulgação, a equipa tem que preencher um formulário para as ajudas de custo, como alimentação e alojamento. Quando regressa, tem de preencher um “Relatório de Missão”, onde explica tudo o que aconteceu, nomeadamente: o que poderá vir a ser melhorado (tanto a nível do recrutamento como da organização do evento); número de recursos humanos envolvidos; a modalidade de ação (stand ou palestra); o número de pessoas que abordaram e as perguntas mais frequentes. Uma das soluções que o CRA encontrou para poder esclarecer as pessoas que por algum motivo não conseguem ir de encontro às divulgações, foi através do Facebook do recrutamento, e através do site institucional. Este serve de apoio para tirar possíveis dúvidas, explica quais são as opções de ingresso, as condições de admissão, as áreas que estão abertas a concurso e as possíveis carreiras a seguir. O site institucional possibilita o acesso a uma plataforma, onde é possível fazer um pré-registo para os concursos caso não haja concursos a decorrer, para posteriormente, ao abrirem os concursos, serem contactados e poderem formalizar a candidatura online. 2.2. Atividades realizadas Durante o estágio tive a oportunidade de realizar várias atividades ligadas à comunicação e divulgação do CRA da Marinha Portuguesa. Gerir as RS do recrutamento foi uma delas, tendo em conta que possuem uma página oficial de recrutamento no Facebook. Foi-me também delegada a gestão da comunicação nas plataformas digitais. 2.2.1. Participação em ações de divulgação A primeira ação de divulgação em que tive a oportunidade de participar foi a START POINT’19 , na Universidade do Minho, em Braga, no dia 22 de outubro de 2019. Fomos abordados por cerca de 70 alunos, dos quais 40 seriam possíveis candidatos. As perguntas mais frequentes foram relativas às ofertas de emprego que a Marinha Portuguesa disponibiliza, como concorrer para estagiar, que duração têm os contratos, qual é a possibilidade de ficar nos quadros permanentes, quais são os critérios para concorrer, qual é a idade mínima e máxima para poder concorrer e quais são as provas de admissão.
14 Muitos dos interessados nos concursos eram brasileiros, sem nacionalidade portuguesa aos quais tivemos de explicar que um dos requisitos obrigatórios para concorrer é ter nacionalidade portuguesa. A equipa de divulgação que esteve presente na START POINT'19, considera o material de merchandising utilizado pouco aliciante, tendo em conta outras instituições e empresas que também estavam presentes, e considera também que o edifício onde estava a decorrer a Feira de Emprego estava bastante deslocado do centro do Campus Gualtar, na Universidade do Minho, onde possivelmente haveria mais alunos. A segunda ação de divulgação foi a FINDE.U 2019 , na EXPONOR, no Porto, de 29 a 30 de outubro de 2019. Fomos abordados por cerca de 50 alunos, dos quais 30 seriam possíveis candidatos, e foi efetuado um registo no portal do recrutamento. As questões mais frequentes foram ao encontro das que foram colocadas pelos alunos de Braga. Na FINDE.U questionaram também os vencimentos e as funções dos técnicos superiores navais (TSN), perguntaram a possibilidade de frequentar um mestrado na Marinha Portuguesa, se já estava prevista a abertura de outro concurso e voltou-se a verificar a presença de alunos estrangeiros com interesse em concorrer. Os possíveis candidatos desconheciam que tinha estado aberto o concurso e o facto de não haver muitos transportes públicos até ao local, refletiu-se no reduzido número de visitantes, onde as condições meteorológicas adversas prejudicaram também a participação dos alunos. A terceira ação de divulgação foi na Feira de Emprego, no ISTEC – Instituto Superior de Tecnologias Avançadas, em Lisboa, no dia 26 de novembro de 2019. Fomos abordados por cerca de 60 alunos, dos quais 45 seriam possíveis candidatos. As questões mais frequentes foram ao encontro das referidas anteriormente, mas também mostraram bastante interesse em saber se podiam frequentar um curso superior na carreira militar, e se há possibilidade de tirar uma licenciatura e/ou mestrado na Marinha Portuguesa. A organização do evento teve a iniciativa de distribuir junto dos alunos uma folha com os logótipos de todas as empresas presentes e às empresas forneceu autocolantes. O objetivo era incentivar os alunos a colocar questões em todas as empresas/organizações e assim receberem um autocolante por questão. No final os alunos que recolhessem todos os autocolantes ficavam habilitados a um prémio.
21 Capítulo III – Problemática e Enquadramento Teórico
22 3. Problemática e Enquadramento teórico Ao longo do estágio e com o desenvolvimento das experiências que fui adquirindo, surgiu o interesse em perceber a relação que existe entre as organizações militares e a comunicação que é feita nas RS. Desta forma, procurei aprofundar a questão sobre a qual irei refletir neste capítulo do relatório: "Qual a influência das redes sociais na comunicação das organizações militares?" Para compreender melhor esta questão, e assim conseguir dar-lhe uma resposta, é importante abordar alguns temas como: a importância da comunicação; as RS como forma de comunicação das organizações; as RS nas instituições públicas; os benefícios para o recrutamento em divulgar nas RS e a evolução do recrutamento. 3.1. A importância da comunicação nas redes sociais A comunicação desempenha um papel fundamental no nosso quotidiano, e em todas as atividades que exercemos. Para uma organização, fazer uma boa comunicação ajuda a aumentar o seu valor, e fortalecer a sua imagem junto do público-alvo. Esses são os objetivos principais das ações de comunicação de uma organização atualmente. Assim, iremos abordar as RS como forma de comunicação das organizações, e as RS nas instituições públicas. A comunicação que é feita nas RS por uma organização, tem o intuito de criar uma relação com os stakeholders . Para um maior envolvimento, a organização dá especial atenção às preocupações, aos interesses e às opiniões que os indivíduos expressam nas RS, o que permite às instituições ter acesso a certas informações que de outra forma não seria possível. A análise da comunicação, no contexto das RS, exige estudar os laços que se criam entre as pessoas e a organização, que estão em constante mudança. A comunicação existe a partir de uma rede, que se altera consoante a dinâmica das relações, e pela qual as pessoas e a organização, que fazem parte de uma determinada rede, partilham informações, perceções e valores. As RS funcionam como um meio que permite aperfeiçoar a comunicação. A qualidade das relações é mais importante do que a quantidade. Quanto mais a organização diversificar o seu perfil, e o campo de atuação na própria rede, mais possibilita a sua visibilidade.
23 As RS são uma forma das organizações comunicarem, a sua utilização é importante, pois ajuda a diversificar o perfil, conseguindo assim chegar ao público-alvo, mantendo uma relação com ele (Sant`Ana, 2012). As RS formam uma estrutura social. Esta estrutura é constituída por pessoas, organizações, e grupos que partilham valores e objetivos semelhantes, e que mantêm uma relação entre si. Consideram que uma das características das RS é a sua abertura, que possibilita a criação de um ambiente digital, em que as pessoas podem comunicar e partilhar conteúdos, e acreditam que a utilização das RS por parte das instituições públicas, potencia a relação destas com os cidadãos, o que proporciona um melhor relacionamento e faz transparecer uma imagem mais positiva das instituições. O uso das RS por parte das instituições públicas é uma tendência recente e crescente, que funciona como um meio de envolvimento social entre as instituições e as pessoas, para partilhar informações, e ao mesmo tempo uma interação bilateral entre a instituição e o público. Estas interações contribuem para que a instituição, tenha acesso a informações dos cidadãos, que de outra forma seria difícil ter conhecimento, pois as pessoas utilizam as RS para dar o seu feedback, partilhar as suas preocupações e até fazer reclamações. Nos últimos anos, tem-se verificado uma crescente utilização das RS de um modo geral, e as organizações / instituições públicas não são exceção. Verifica-se que cada vez mais, usam os seus perfis para fazer publicações, no sentido de dar a conhecer as suas atividades e promover a colaboração de todos. Vieram mostrar que as publicações nas RS conseguem criar interação com o público-alvo, e tornar a instituição ou organização mais transparente e acessível (Khan, Swar, & Lee, 2014, p.606-627). O ambiente digital possibilita a realização de ações mais focadas e segmentadas para um determinado público (Armano, 2009). A tendência da Comunicação Organizacional é expressar-se nas redes digitais, para assim se posicionar e desenvolver um relacionamento com o público-alvo. Para acompanhar este desenvolvimento e a tendência crescente da utilização das RS, é essencial que os profissionais envolvidos nos processos de comunicação digital, adquiram competências e assim consigam alcançar o público-alvo (Corrêa, 2009). A NATO, através da Allied Command Operations (ACO) 95-3, emitida pelo Quartel-General Supremo das Potências Aliadas na Europa, considera as RS, um meio para ampliar e difundir a comunicação interna e externa das FA, que acrescenta valor relativamente à comunicação que é concebida via tradicional.
24 Relativamente à comunicação interna, considera que a utilização das RS nas FA, facilita a transmissão dos interesses do comandante à sua equipa, possibilita a transmissão atempada de informações da liderança para a equipa, e a divulgação rápida de informações, ajuda a equipa a compreender e a aperfeiçoar o seu papel dentro da organização, promove a inovação interna e ajuda a melhorar a interação entre a equipa. No que diz respeito à comunicação externa, a utilização das RS promove o envolvimento do público-alvo, ajuda a explicar a missão da organização, a gerar apoio adicional, e é uma forma de solicitar ideias junto do público, que podem auxiliar no desenvolvimento de questões específicas. A NATO considera a produção de conteúdos para as RS, rápida, menos complexa a nível técnico e mais barata (Santos, 2015). De um modo geral, todos estes autores consideram que a comunicação que é feita nas RS ajuda na aproximação e no desenvolvimento de um relacionamento com o público-alvo. Consideram o uso das RS uma tendência crescente, em que as organizações difundem informação, o que permite o aperfeiçoamento da comunicação. E acham que as RS possuem um ambiente digital e uma diversificação de perfis que as aproxima do público-alvo, melhorando assim o seu relacionamento.
25 3.2. Benefícios para o Recrutamento da Marinha Portuguesa em divulgar nas RS Com a evolução da tecnologia, tornou-se cada vez mais fácil aceder à internet em qualquer lugar, tornou-se comum aceder às RS a qualquer altura do dia e utilizá-las como forma de comunicação. Vivemos num mundo cada vez mais social, as RS têm cada vez mais um papel ativo na vida das pessoas, e principalmente dos jovens. Tendo em conta o supramencionado, torna-se então pertinente fazer uma comparação entre as várias RS que temos ao dispor, e perceber qual é a RS que teve um maior crescimento, qual a mais utilizada, qual a que tem mais utilizadores e quem são os utilizadores de cada uma delas. Ao avaliarmos quem são a maioria dos utilizadores de cada uma das RS, a interação de uma empresa, instituição, produto ou serviço, torna-se mais eficaz, pois é direcionada para o público específico presente em cada RS e não para um público geral. No ranking das RS, o Facebook está em primeiro lugar, seguido pelo Instagram, e posteriormente encontra-se o Linkedin . Em Portugal existem cerca de 5 910 000 utilizadores do Facebook , 3 487 000 utilizadores do Instagram e 3 243 000 utilizadores do Linkedin (anexo 9) 14 . A partir da observação do anexo 9, verifica-se que as RS são muito utilizadas pelos jovens. O Facebook tem mais utilizadores que o Instagram , mas a RS mais utilizada pelos jovens com idade entre os 13 e os 34 é o Instagram, sendo que o Facebook possui mais utilizadores do que o Instagram nas idades compreendidas entre os 35 e os 65, e relativamente ao Linkedin as percentagens são mais elevadas na faixa etária a partir dos 25 anos. Se considerarmos essencial a proximidade com os seguidores e a divulgação, as marcas destacam-se ao fazerem essa interação com o público-alvo, através do Instagram (Spadin, 2015). Através do anexo 9, verifica-se também que o Linkedin está a crescer a grande velocidade, tendo mais de três milhões de utilizadores em Portugal. Isto sucede provavelmente, por ter cerca de 123 mil empresas representadas, e mais de 240 mil vagas de emprego disponíveis, o que alicia novas pessoas a criar conta, e ter assim acesso a vagas de emprego das áreas que pretendem. 14 Informação retirada do site Statistics , disponível em: https://www.statista.com/statistics/1029855/facebook-users-portugal/ https://www.statista.com/statistics/1021923/instagram-users-portugal/ https://napoleoncat.com/stats/linkedin-users-in-portugal/2019/10 https://insider.dn.pt/em-rede/linkedin-tres-milhoes-utilizadores-portugal/13018/
26 No âmbito do recrutamento, para poder concorrer à Marinha Portuguesa, os jovens têm de cumprir os seguintes requisitos: ter nacionalidade portuguesa, ter no mínimo 18 anos de idade, ter a situação militar regularizada, realizar provas de capacidade psicotécnica e de destreza física, possuir aptidão psicofísica adequada, e não possuir qualquer forma de arte corporal em zona visível quando uniformizado. Tendo em conta o requisito das idades, considero que seria importante a utilização do Instagram para divulgar o recrutamento, por ser a RS onde os jovens estão mais presentes tal como mostra o anexo 9. O Instagram é uma RS que chama a atenção dos seus utilizadores, pois usa um discurso multilinguístico e um recurso multimídia, com foco na mensagem que as fotografias lá disponibilizadas transmitem. Por exemplo, uma marca quando quer divulgar um produto novo, recorre a fotografias do produto, do processo de fabricação, e até mesmo dos funcionários que estão a trabalhar no produto. Divulga essas imagens no Instagram , e é assim que consegue aproximar-se do público. Desta forma, a marca atrai as pessoas, consegue fazer com que elas queiram conhecer melhor a empresa, e ainda incentiva os seguidores a colocar like e a comentar as fotos. O Instagram funciona como uma forma de fazer divulgação a um determinado produto, marca, empresa ou organização. Spadin afirma que esta RS permite que os seguidores, possam conhecer melhor determinada marca, ou produto, faz com que o público-alvo sinta que há uma proximidade e abertura da empresa para o grande público, e é assim que se reforça a marca (Spadin, 2015). Relativamente à escolaridade: com o 9.º ano, pode concorrer à categoria de praças (até aos 24 anos). Se possuir o 12.º ano, pode concorrer às categorias de oficiais fuzileiros ou praças (até aos 24 anos), e a praças músicos (até aos 23 anos). E se tiver uma licenciatura/mestrado pode concorrer a oficiais fuzileiros, ou a oficiais TSN/TN e TS (até aos 27 anos), bem como a Oficiais médicos navais sem especialidade (até aos 30 anos), ou com especialidade (até aos 36 anos), (anexo 10). As ações de divulgação do CRA, têm em consideração as idades limite de recrutamento, e por esse motivo começam as suas ações de divulgação em escolas básicas, secundárias e profissionais, não só para abranger os jovens do 9.º ao 12.º ano em idade de recrutamento, como também para incentivar os estudantes mais novos a pensar num futuro na Marinha Portuguesa. As divulgações que são realizadas no Ensino Superior, têm a intenção de incluir jovens das mais de 30 áreas disponibilizadas pela Marinha Portuguesa, nas quais existe o intuito de contratar, e estão também presentes em Feiras de Emprego direcionadas para todas as idades.
27 3.3. Evolução do recrutamento Importa agora perceber a evolução do recrutamento nos últimos anos. Todos os anos, a Marinha Portuguesa abre concursos para Oficiais e Praças. No entanto, tendo em conta o contexto económico do país, nos anos 2011, 2012, e 2014, em que estávamos inseridos num panorama de crise, nenhum ramo das Forças Armadas abriu concursos, numa tentativa de redução de custos, por decisão governamental. A abertura de concursos na Marinha Portuguesa depende de uma análise que é feita anualmente, que dá origem à proposta de Plano de Aquisição de Pessoal (PAP), de acordo com as necessidades da organização. Os anexos 11, 12 e 13 15 , têm em consideração os dados dos concursos desde o ano 2000 até ao ano de 2018, tendo a análise recaído sobre o número de vagas que abriram a concurso, os candidatos que foram admitidos e os recrutas que foram incorporados. Os dados relativos às vagas (anexo 11), expõem quantas vagas a Marinha Portuguesa disponibilizou para Oficiais e Praças ao longo dos anos. Verifica-se que a partir de 2010 o número de vagas reduziu drasticamente. Depois do período de crise, o Estado elaborou uma reestruturação do orçamento e determinou que o número de vagas devia reduzir, o que se pode verificar pela comparação dos anos de 2010 e 2018, onde as vagas para a categoria de Praças diminuíram cerca de 70% e para a categoria de Oficiais cerca de 32%. Quando se observa o número de candidatos admitidos a concurso entre os anos 2000 e 2018 (anexo 12), ou seja, que se inscreveram, cumpriram com todos os requisitos, submeteram os documentos necessários, e foram admitidos a provas, verifica-se que a partir de 2015 é bastante mais reduzido em comparação a anos anteriores. Por sua vez, quando se observa o número de candidatos incorporados (anexo 13), ou seja, aqueles que realizam com distinção as provas, passam a ser recrutas, e a frequentar a instrução militar básica e complementar, verifica-se que no caso da categoria de Praças, caiu para menos de metade se compararmos os anos de 2010 e 2018, e na categoria de Oficiais também se nota uma redução. No ano 2000 entraram para a Marinha Portuguesa 579 recrutas Praças, enquanto em 2018 o número caiu para quase metade, com apenas 327 recrutas. 15 Dados sobre a evolução do recrutamento desde 2000 até 2018 fornecido pelo CRA da Marinha Portuguesa, a 12/11/2019
28 Com a análise das tabelas anteriores, verifica-se que a partir de 2010 o número de recrutas é cerca de metade relativamente aos anos anteriores à crise. Para além de, atualmente as vagas serem mais escassas, a Marinha Portuguesa também constata que agora é mais difícil conseguir preencher as vagas disponibilizadas. Verifica-se que há menos interesse por parte dos jovens em construir carreira neste ramo das Forças Armadas. Durante os concursos de 2019 verificou-se um elevado défice de candidatos em algumas áreas abertas a concurso. As áreas com maior falta de candidatos eram: design, arquitetura, engenharia informática, recursos humanos e psicologia.
29 3.4. Boas práticas de benchmarking das FA nos Estados Unidos da América e em Portugal O benchmarking é um instrumento de gestão que tem como função melhorar o desempenho de uma empresa ou instituição. Para isso faz comparações, investiga modelos de sucesso e implementa essas medidas para assim conseguir melhorias. Com o intuito de perceber o modelo de sucesso a nível mundial nas FA, e o que fazem para serem os melhores em termos de comunicação, neste tópico do relatório o objetivo é comparar as práticas das FA dos Estados Unidos da América (EUA), que detém o 1.º lugar no ranking das "maiores potências militares do planeta em 2018" 16 , com as práticas das FA em Portugal e perceber o fazem para conseguir atrair os jovens para a vida militar. O Exército Americano, lançou a 4 de julho de 2002 um vídeo jogo, o America´s Army, com o intuito de aumentar as taxas de recrutamento. Este jogo foi criado pelo coronel Casey Wardynski, secretário adjunto responsável pela supervisão da mão de obra, do pessoal, e de assuntos da Componente da Reserva para o Departamento do Exército. Wardynski (2002) desenvolveu este jogo com o objetivo de simular o ambiente de guerra, para o qual devem estar preparados os soldados, e assim conseguir usar os videojogos para oferecer ao públicoalvo, os jovens, uma experiência virtual que conseguisse presentear o jogador com uma experiência, que em simultâneo envolvesse, informasse e divertisse. O jogo foi todo pensado de forma que, quem o jogasse tivesse uma experiência parecida com o que é o ingresso no exército. No início, o jogador faz um treino básico para conseguir ser aprovado, a partir daí pode jogar contra outros jogadores. Com a evolução do jogo o soldado vai angariando pontos de honra, que dependem da quantidade de inimigos mortos, objetivos alcançados e a sua posição, mas o jogador também pode perder pontos, se for um mau líder ou se atingir um aliado. Após o treino básico, o jogador pode fazer vários cursos, entre eles o de médico ou sniper . O jogo só permite desbloquear novos mapas se o jogador frequentar cursos e formações. Os treinos consistem principalmente no manuseamento de armas, condução de carros e saltos de paraquedas, tudo o que um militar faz na realidade. 16 Informação retirada da verista on-line Exame, disponível em: https://exame.com/mundo/estas-sao-as-maiores-potencias-militares-do-planeta-em-2018/
30 Este jogo é extremamente diferenciador, pois o jogador precisa de desenvolver habilidades e técnicas de invasão e de fuga, e consegue levar o jogador a um nível maior de realismo e cooperação entre os jogadores, tornando-o um jogo de equipa. 17 Desde o lançamento do jogo, a área do recrutamento observou uma maior taxa de inscrições. E é a pensar no futuro dos soldados que o Exército Americano irá investir 57 milhões de dólares no jogo de realidade virtual, que serve para treinar, simular o ambiente de guerra e assim preparar os recrutas para a realidade. 18 Em Portugal a experiência mais parecida que existe com este jogo são os óculos de realidade virtual, que a Marinha Portuguesa desenvolveu e que conta com três possíveis cenários, tal como foi abordado anteriormente neste relatório. 17 Informação retirada do site Wikipedia, disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/America%27s_Army 18 Informação retirada do site Techtudo, disponível em: https://www.techtudo.com.br/noticias/noticia/2011/05/exercito-americano-usara-base-de-gamepara-recrutar-e-treinar-soldados.html
37 5. Análise de dados A realização destas entrevistas, teve como principal objetivo, entender como as RS são importantes no processo de comunicação para recrutar jovens para as FA, perceber até que ponto as FA dão importância à comunicação que é feita nas RS, e compreender quais são as principais dificuldades apontadas na aplicação das técnicas de comunicação. Os depoimentos mencionados nas entrevistas realizadas por email são de extrema importância, mas é de salientar que os entrevistados, bem como todo o pessoal da área do recrutamento da Marinha Portuguesa, valoriza a comunicação como uma ferramenta fundamental para o bom funcionamento da organização, pois trabalham diretamente com os jovens, e consideram relevante mantê-los informados sobre os concursos. As organizações militares possuem um departamento de comunicação, com profissionais formados na área. No entanto a Marinha Portuguesa e o Exército Português olham para a comunicação nas RS de forma diferente. Considerando os resultados das entrevistas, o Exército Português considera vantajoso apostar num perfil no Instagram, direcionado ao recrutamento. Pelo contrário, a Marinha Portuguesa afirma que, um perfil direcionado ao recrutamento iria confundir os utilizadores. Assim, vamos agora proceder à análise dos dados recolhidos na entrevista realizada à RRS do Exército Português (anexo 15). “De forma a contextualizar, as páginas das redes socias no Exército surgiram, em primeiro lugar, no âmbito do recrutamento, tendo sido criadas, mais tarde, as páginas institucionais pelo órgão responsável pela Comunicação e Relações Públicas do Exército. Assim, a página “Exército Recrutamento” surgiu com a necessidade de acompanhar a tendência de utilização desta rede social por parte do nosso público alvo (jovens com idade entre os 17-28 anos). Desta forma, tornou-se importante a presença nesta rede social, com o principal foco na divulgação do serviço militar no Exército, transmitindo a proposta de valor que o Exército garante aos jovens candidatos. Apostando sempre na qualidade dos conteúdos e nas mensagens direcionadas para o públicoalvo, neste momento, é o canal onde existe maior interação por parte dos nossos seguidores.” (RRS do Exército Português, 03/07/2020)
38 Em termos gerais, o Exército Português sentiu a necessidade de se aproximar do público-alvo, jovens com idade entre os 17-28 anos, e então criou o Instagram “Exército Recrutamento”. Já a Marinha Portuguesa, considera que ter um perfil no Instagram direcionado apenas para o recrutamento, pode levar a que as pessoas fiquem confusas, e por isso não considera útil que seja criado, sem que haja uma investigação que apure a existência de um maior retorno, no que diz respeito à utilização de um perfil de Instagram exclusivo para o recrutamento. “A página “Exército Recrutamento”, no Instagram , foi lançada a 9 de maio de 2017, e, neste momento, já conta com mais de 32 mil seguidores, 16 mil redireccionamentos para a candidatura online, e 15 mil questões respondidas, através da Linha de Apoio - Direct Messenger". (RRS do Exército Português, 03/07/2020) Em termos das ferramentas que são utilizadas para comunicar, recorrem praticamente todos às mesmas plataformas, e com os mesmos objetivos. O uso das RS é benéfico para a comunicação, tal como o Exército Português relatou. O perfil “Exército Recrutamento”, no Instagram, ajuda os jovens a manterem-se informados e a conseguirem tirar as suas dúvidas mais facilmente, visto que Recrutamento do Exército está presente na RS que os jovens mais utilizam no seu dia a dia. “A presença do Recrutamento do Exército no Instagram teve como principais vantagens a possibilidade de utilização de um tipo de comunicação mais informal, sendo possível verificar uma maior taxa de Engagement nesta plataforma. O aumento de questões respondidas por parte da Linha de Apoio do recrutamento do Exército Português também é um dos pontos positivos a realçar na utilização deste canal de comunicação. Relativamente a pontos menos positivos, é de realçar que, até ao momento, não foram identificados nenhuns.” (RRS do Exército Português, 03/07/2020) O Exército Português, com a criação deste perfil no Instagram , notou um aumento considerável do interesse dos jovens. Houve uma perceção de que com esta RS existia um maior envolvimento com os jovens, visto que estes se interessam mais, colocam mais questões, e ficam mais esclarecidos. Criar uma página direcionada ao recrutamento não trouxe nada de negativo até ao momento, o que mostra que investir nesta RS é uma forma de chegar mais facilmente ao público-alvo.
39 “Relativamente a este assunto, é possível afirmar que os jovens interagem mais no Instagram , embora nos sigam em igual proporção em ambas as redes, realçando o facto do Instagram proporcionar maior interação por parte do nosso público-alvo.” (RRS do Exército Português, 03/07/2020) Com esta resposta, é percetível que tanto a RS Facebook , como o Instagram abrangem o públicoalvo pretendido, os jovens. No entanto, o Instagram é onde estes interagem mais, provavelmente por ser uma plataforma mais dinâmica e descontraída, onde o público juvenil se concentra em grande escala, o que favorece a área do recrutamento. “As " Story 24h" possuem em média uma taxa de visualização de cerca de 30% e uma taxa de interação entre 2% a 8%, o que espelha um resultado bastante positivo relativamente ao conteúdo que é publicado. No entanto, a plataforma não permite obter dados demográficos relativos ao público que visualiza e interage com as " Story 24h". Partindo do pressuposto que, os cerca de 60% dos nossos seguidores no Instagram estão dentro do nosso público-alvo, é possível afirmar que a maioria dessas visualizações e interações é proveniente desse mesmo público.” (RRS do Exército Português, 03/07/2020) As " Story 24h" foram criadas com o intuito de criar vídeos curtos, fotografias ou simplesmente frases que desaparecem depois de 24 horas da sua publicação, o que permite a partilha de posts informativos, sobre as atividades diárias do recrutamento do Exército Português. Na resposta, o Exército Português afirma, que 30% do público do Instagram vê e interage com as publicações, e sabendo que a maioria dos seguidores da página são jovens com idade de poder concorrer, acredita-se que a mensagem é recebida de forma concisa, pelo público pretendido. Desta forma, pode-se dizer que é importante publicar informações relevantes sobre os concursos que estão a decorrer. “Após a implementação das Redes Sociais no Recrutamento do Exército, no geral, e do Instagram, em particular, temos verificado um aumento da submissão do número de candidaturas online, em detrimento do número de candidaturas presenciais. De facto, estas plataformas, devido às suas características, permitem o aprofundamento de relações com o público-alvo nas diferentes fases
40 da sua jornada (desde o fornecimento de informação relativamente ao serviço militar no Exército até ao redireccionamento de tráfego para a página da candidatura online, no site do Exército). Neste sentido, o Instagram é, sem dúvida, uma ferramenta excecional que, atualmente, nos garante, aproximadamente, 700 visitas, por mês, para a página da candidatura online, no site do Exército, de uma forma orgânica (não paga).” (RRS do Exército Português, 03/07/2020) A implementação do perfil no Instagram provocou um aumento das candidaturas online, o que está ligado com o aprofundamento das relações com o público-alvo. Os jovens mostram-se mais recetíveis e participativos no Instagram , e isso leva-os a candidatarem-se. Verifica-se assim que o uso do Instagram ajudou todo o processo de recrutamento e levou ao aumento do número de recrutas. Vamos agora proceder a análise dos dados recolhidos na entrevista realizada à RRS da Marinha Portuguesa (anexo 16). “O planeamento estratégico da comunicação do Centro de Recrutamento da Armada (CRA), elaborado em estreita cooperação com o serviço de Comunicação, Informação e Relações Públicas (CIRP) da Marinha, passa tanto pela gestão das nossas redes sociais como dos nossos recursos humanos, nomeadamente os sargentos divulgadores, que representam a organização nas ações de divulgação externas em todos o país, assim como, em todos os meios de atendimento ao público existentes como as redes sociais, o atendimento por telefone, por e-mail, através portal do recrutamento e atendimento presencial. No que concerne à gestão das redes sociais, é elaborado para cada concurso, um planeamento de conteúdos adaptados a cada rede social, e consequentemente, ao público-alvo de cada uma delas, nomeadamente: Facebook, Linkedin e Portal da Internet. Um ponto crucial, na estratégia de comunicação do CRA, prende-se com a recolha e análise constante de dados referentes ao feedback e necessidades de comunicação do nosso público-alvo, de forma a colmatarmos estas necessidades e estarmos cada vez mais presentes e próximos destes. Neste sentido, umas das necessidades que foram identificadas foi a criação de um Whatsapp do Recrutamento, que brevemente terá lugar como o novo meio de comunicação do CRA.” (RRS da Marinha Portuguesa, 15/01/2021)
41 As estratégias de comunicação do recrutamento da Marinha Portuguesa, a nível das RS passam maioritariamente pelo Facebook e Linkedin , elaborando, para cada concurso, um planeamento de conteúdos adaptados a cada uma destas RS. Não referem o Instagram como uma RS onde poderiam divulgar os concursos, mas tendo em conta que o seu público-alvo são os jovens entre os 18 e os 27 anos de idade, e estes definem o Instagram como uma das ferramentas de comunicação mais direta e que permite uma maior proximidade, não faz sentido não incluir aqui um perfil no Instagram , direcionado para o recrutamento, como alternativa. “O responsável pela elaboração da estratégia de comunicação do Centro de Recrutamento da Armada, é o Chefe da Seção de Divulgação sob a alçada do Chefe da Repartição de Recrutamento e Seleção juntamente com o Chefe do Centro de Recrutamento da Armada, apoiados pelos inputs de toda a equipa do Centro de Recrutamento da Armada, responsáveis pela coordenação dos concursos e divulgação dos mesmos.” (RRS da Marinha Portuguesa, 15/01/2021) Os responsáveis por elaborar as estratégias de comunicação são os vários chefes e toda a equipa do CRA, que trabalham para fazer a divulgação dos concursos nas várias frentes, como as RS e as divulgações em escolas e universidades. Sendo que a equipa de divulgação atua nos estabelecimentos de ensino, deveria ter conhecimento do peso que a RS Instagram apresenta no quotidiano dos jovens. “A visão do CRA é a cativação do público-alvo através dos valores da Marinha.” (RRS da Marinha Portuguesa, 15/01/2021) O CRA da Marinha pretende cativar os jovens para a vida militar através dos seus valores: disciplina, lealdade, honra, integridade e coragem, sendo que os mesmos são passados através de campanhas de promoção de concursos, bem como através do incentivo e motivação que é concebida durante as ações de divulgação. “Tendo em conta o público-alvo do recrutamento da Marinha, jovens entre os 18 e os 27 anos de idade, considera-se o Instagram uma das ferramentas de comunicação mais direta e que permite
42 uma maior proximidade com esta faixa etária. Contudo, tendo em conta que os concursos de acesso à Marinha Portuguesa não se encontram permanentemente abertos, consequentemente, existem períodos temporais com mais e/ou menos oportunidades de criação de conteúdos diretamente relacionados ao recrutamento. Neste sentido, a resposta a esta questão carece de maior investigação, no sentido de apurar se existe um maior retorno na utilização de um único Instagram para a Marinha, onde são também publicados conteúdos referentes ao recrutamento, ou em apostar e num Instagram em separado, exclusivamente dedicado ao recrutamento.” (RRS da Marinha Portuguesa, 15/01/2021) Quando questionados sobre a possível necessidade em investir num Instagram direcionado exclusivamente ao recrutamento, a Marinha Portuguesa considera que é uma questão que precisa de ser estudada, justificando que nem sempre os concursos estão abertos e isso iria quebrar o ritmo de publicações nessa RS. A meu ver, é essencial o funcionamento atualizado de um perfil de Instagram do recrutamento, direcionado ao público pretendido (jovem), seja com conteúdos de recrutamento, bem como conteúdos gerais, no sentido de criar interação e dinamizar as publicações, gerar tráfego, atrair novos seguidores, preservá-los e motivá-los para um possível futuro na vida militar, e desta forma permitir que a mensagem seja transmitida, criando um elo de proximidade com os jovens. Este é um sistema simples, com baixo custo, do qual se podem extrair apenas vantagens. Tal como o Exército Português afirmou anteriormente, a incrementação desta plataforma apenas acarreta benefícios.
43 Capítulo VI – Discussão dos resultados
44 6. Discussão dos resultados O objetivo deste capítulo é apresentar um resumo dos dados expostos no capítulo anterior, discutilos, e assim chegar a conclusões. É importante referir os condicionalismos que estão na base das dificuldades, que as áreas do recrutamento das organizações militares enfrentam, nomeadamente na área da comunicação. O Exército Português atribui bastante importância à comunicação nas RS. Este determinou que, se realmente queria estar mais próximo do seu público-alvo, os jovens entre os 17-28 anos, então tinha de acompanhar a crescente tendência de utilização desta RS por parte dos jovens. Para as Organizações Públicas como o Exército Português, as principais vantagens da comunicação no Instagram do Recrutamento são: conseguir manter um relacionamento mais próximo com o seu público-alvo, divulgar as atividades diárias para que os jovens entendam como é o dia a dia de um militar, e divulgar eventos e cerimónias. As vantagens da comunicação nas RS são reconhecidas por parte do Exército Português, e é em favor dessas vantagens e com esse reconhecimento que a comunicação é realizada e melhorada todos os dias. Desde maio de 2017 o Exército Português decidiu apostar num perfil direcionado ao recrutamento, e desde então estão mais próximos dos jovens. Atualmente, faz publicações diárias de desafios, recomendações, treinos, incentivos, atividades e alertas para as candidaturas. Contam com mais de 32 mil seguidores e já responderam a 15 mil questões nesta RS. Assim sendo, a comunicação não pode ser deixada ao acaso, nem pode ser feita por qualquer pessoa. Os profissionais na área existem e trabalham no departamento com o enfoque exclusivo na comunicação. Desta forma ficam reunidas as condições, para que a área da comunicação seja tratada e executada de forma a poder usufruir de todas as vantagens que a comunicação oferece. O Exército Português considera que a utilização do Instagram do recrutamento é imprescindível, apresentando apenas vantagens. Começaram a fazer uma comunicação mais informal, que vai ao encontro dos jovens, notaram uma maior taxa de Engagement, e um vínculo maior entre os jovens e o Exército Português através deste perfil. Não basta só comunicar, é importante seguir um plano de comunicação, definir estratégias e esse trabalho é corretamente elaborado por técnicos com formação, e que têm uma estrutura de apoio no trabalho que os deixa pôr em prática os seus conhecimentos, e assim alcançar este bom relacionamento com o público-alvo.
45 O facto de o Exército Português saber que o Instagram é a RS mais utilizada pelos jovens, ou que pelo menos, desperta mais interesse do que o Facebook , ajudou-os na tomada de decisão em apostar num perfil direcionado para o recrutamento, e assim conseguir acompanhar a tendência crescente de utilização desta RS por parte dos jovens. Esta decisão demonstra que a equipa de comunicação do Exército Português sabe como atuar perante o público-alvo que pretende cativar, e que as decisões são bem tomadas. O facto de 60% dos seguidores serem jovens com idade para concorrer ao Exército Português é bastante positivo, demonstra que apresentam uma estratégia de comunicação organizada e eficaz, que faz com que cheguem ao público-alvo. O perfil no Instagram permitiu aprofundar as relações com os jovens nas diferentes fases do percurso, até chegar a recruta. Permitiu aos jovens que se sentissem mais à vontade para tirar dúvidas, colocar questões, perceber o que é o serviço militar e assim decidir fazer a candidatura. Por fim, a decisão do Exército Português em criar um perfil no Instagram , direcionado ao recrutamento, trouxe imensas vantagens, conseguiu posicionar-se de forma a captar a atenção do público-alvo e assim aumentar a taxa de candidaturas, que é o maior objetivo da área do recrutamento, garantir o preenchimento das vagas que disponibiliza todos os anos. Por outro lado, é apresentado o testemunho da RRS da Marinha Portuguesa. Esta apresenta duas estratégias: a gestão das publicações nas RS, e assim sempre que começa um concurso faz um planeamento dos conteúdos adaptados a cada uma das RS que utiliza ( Facebook , Linkedin e Portal da Internet), adaptados ao público-alvo; e a gestão de recursos humanos para interagir nas divulgações externas, em escolas e universidades, por todo o país. Analisam também o feedback e as necessidades de comunicação do público-alvo, de forma a estarem mais presentes e próximos destes. O facto de a RRS da Marinha Portuguesa não utilizar o Instagram, não os aproxima do público-alvo tanto como seria desejável. Neste aspeto, o Exército Português, desde que detetou a necessidade e implementou a utilização desta RS, conseguiu aproximar-se mais dos jovens, o que aumentou as taxas de recrutamento. A equipa da RRS da Marinha Portuguesa que se mobiliza até às escolas e universidades para as divulgações, sabe que os jovens estão cada vez mais digitais, utilizam RS todos os dias e que possivelmente um perfil no Instagram direcionado ao recrutamento, favoreceria a captação dos jovens e a sua possível candidatura. No entanto, consideram que um perfil direcionado exclusivamente ao Instagram, exigiria um estudo aprofundado para garantir que seria justificável à sua utilização. Estas afirmações parecem
46 contraditórias, no sentido em que, ao executar campanhas de divulgação em estabelecimentos de ensino, a RRS da Marinha Portuguesa deveria estar consciente de que a RS Instagram é a mais utilizada pelos jovens, não devendo por isso, ser descartada.
53 Anexos
54 Anexo 1 – Organograma das FA Anexo 2 – Organograma da Marinha Portuguesa Presidente da Républica Assembleia da Républica Primeiro Ministro Ministro da Defesa Nacional Estado Maior General das Forças Armadas Marinha Exercito Força Aerea Estado-Maior da Armada Orgãos centrais de administração e direção Comando Naval Órgãos de conselho Inspeção Geral da Marinha Órgãos de base Elementos da componente operacional do sistema de forças Órgãos e serviços reguldos por legislação própria Imagem 1 - Organograma das FA Imagem 2 - Organograma da Marinha Portuguesa
55 Anexo 3 – Fotografia da Camarinha Real da Rainha D. Amélia Imagem 3 - Camarinha Real da Rainha D. Amélia Anexo 4 – Fotografia Pavilhão das Galeotas Imagem 4 - Pavilhão das Galeotas Anexo 5 – Fotografia do simulador de navegação Imagem 5 - Simulador de navegação
56 Anexo 6 – Zona marítima controlada pelo COMAR Imagem 6 - Zona controlada pelo COMAR Anexo 7 - Centros de Coordenação de Busca e Salvamento Marítimo de Lisboa Anexo 8 – Fotografia da Fragata D. Francisco de Almeida Imagem 8 - Fragata D. Francisco de Almeida Imagem 7 - MRCC
57 Anexo 9 – Tabela com as percentagens de utilizadores de RS em Portugal Tabela 1 - Percentagem de utilizadores Idade Percentagem de utilizadores em Portugal Facebook Instagram Linkedin N.º de utilizadores em Portugal 5 910 000 3 487 000 3 243 000 13 – 17 1,4% 4,5% - 18 – 24 15,6% 26,7% 17,3% 25 – 34 22% 28,7% 61,7% 35 – 44 23,4% 20,6% 19,1% 45 – 54 18,3% 12% 55 – 64 11,7% 4,9% 1,9% + 65 7,8% 2,6% Anexo 10 – Tabela com os requisitos de admissão Tabela 2 - Requisitos de admissão Escolaridade Categoria / Idade limite Requisitos de admissão Mestrado / Licenciatura Oficiais Médicos Navais: - Sem especialidade (30 anos) - Com especialidade (36 anos) Oficiais TSN/TN e TS (27 anos) Oficiais Fuzileiros (27 anos) Ter nacionalidade portuguesa; Ter no mínimo 18 anos de idade; Ter a situação militar regularizada; Realizar provas de capacidade psicotécnica; Realizar provas de destreza física; Possuir aptidão psicofísica adequada; Não possuir qualquer forma de arte corporal em zona visível quando uniformizado. 12.º ano Oficiais Fuzileiros (24 anos) Praças (24 anos) Praças Músicos (23 anos) 9.º ano Praças (24 anos) Anexo 11 – Tabela com o número de vagas disponíveis nos concursos de 2000 a 2018 Tabela 3 - Vagas dos concursos entre o ano 2000 e o ano 2018 Ano 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 Praças 805 1340 1224 949 829 769 852 729 Oficiais 197 125 85 27 58 65 97 103 Ano 2008 2009 2010 - 2013 - 2015 2016 2017 2018 Praças 808 904 1099 - 366 - 350 827 312 327 Oficiais 81 70 82 - 66 - 42 65 59 56
58 Anexo 12 – Tabela com o número de candidatos admitidos a concurso entre 2000 e 2018 Tabela 4 - Candidatos admitidos a concurso entre o ano 2000 e o ano 2018 Ano 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 Praças 1705 2102 2023 2498 2195 2903 2291 2420 Oficiais 155 165 73 93 415 281 276 452 Anexo 13 – Tabela com o número de recrutas incorporados nos concursos entre 2000 e 2018 Tabela 5 - Recrutas incorporados entre o ano 2000 e 2018 Ano 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 Praças 579 764 814 745 797 764 739 602 Oficiais 60 58 32 27 54 45 65 95 Anexo 14 – Questionário aos candidatos MINISTÉRIO DA DEFESA NACIONAL MARINHA Direção de Pessoal Repartição de Recrutamento e Seleção Bem-vindo ao questionário. No âmbito do mestrado em Ciências da Comunicação, o presente inquérito foi realizado com a colaboração da Direção de Pessoal da Repartição de Recrutamento e Seleção da Marinha Portuguesa com o objetivo de estudar o impacto das redes sociais nos jovens. Pedimos a sua colaboração para responder a este inquérito, o seu contributo é de grande importância. Agradecemos antecipadamente a sua colaboração (demora apenas uns minutos). As respostas às questões são anónimas e unicamente para tratamento estatístico. 1. Género __ Masculino __ Feminino Ano 2008 2009 2010 - 2013 - 2015 2016 2017 2018 Praças 1841 1906 2107 - 1148 - 876 1325 681 798 Oficiais 173 232 260 - 1079 - 247 382 278 231 Ano 2008 2009 2010 - 2013 - 2015 2016 2017 2018 Praças 695 637 760 - 350 - 187 348 233 327 Oficiais 62 49 70 - 66 - 35 56 55 53 S. R.
59 2. Que idade tem? 3. Quais são as suas habilitações literárias? __ Ensino Secundário 9.º ano __ Ensino Secundário 12.º ano __ Curso Tecnológico/Profissional __ Licenciatura __ Pós-graduação __ Mestrado __ Doutoramento 4. Como é que teve conhecimento do concurso a que está a concorrer? __ Familiares / Amigos __ Televisão / Rádio / Jornal __ Redes Sociais __ Dia da Defesa Nacional __Recrutamento da Marinha __ Sites emprego __ Diário da República __ Página da Marinha __ Portal do recrutamento __Outro. Qual? 5. Que meios usou para consultar o concurso? __ Smartphone __ Tablet __ Computador 6. Já esteve presente em alguma ação de divulgação em que a Marinha estivesse presente? __ Sim, em Escola/Politécnicos/Universidades __ Sim, em Feiras de Emprego __ Sim, outro. Qual? __ Não estive presente em nenhuma ação de divulgação em que a Marinha estivesse presente
60 7. Em que rede(s) social(sociais) possui conta de utilizador? __ Facebook __ Instagram __ Youtube __ Twitter __ Linkedin __ Outro. Qual? __Não utilizo redes sociais 8. Qual a rede social que mais utiliza no seu dia a dia? __ Facebook __ Instagram __ Youtube __ Twitter __ Linkedin __ Outro. Qual? __ Não utilizo redes sociais 9. Em média, quanto tempo passa nas redes sociais, por dia? __ Menos de 30 min __ entre 30 min e 1h __ entre 1h – 2h __ Mais de 2h 10. Das redes sociais que utiliza, viu alguma publicação sobre os Concursos abertos para a Marinha? __Sim __ Não __ Não utilizo redes sociais 11. Se respondeu Sim à questão anterior, refira em qual(quais) Rede(s) Social(ais) ? __ Facebook __ Instagram __ Youtube __ Twitter
61 __ Linkedin 12. Considera que os conteúdos que foram publicados nas Redes Sociais da Marinha, durante o período do Concurso contribuíram para que tomasse a decisão de concorrer? __ Sim __ Não __ Não soube do concurso pelas redes sociais 13. Quais as dificuldades sentidas no preenchimento da candidatura? 14. Houve algum documento que teve dificuldade em obter? __ Sim __ Não __ Se sim, qual? 15. Que alterações sugere para tornar o processo de candidatura mais acessível? 16. Qual o motivo que o fez concorrer ao concurso? __ Influência de familiares/amigos __ Influência das redes sociais __ Influência dos órgãos de comunicação social __ Era algo que eu já queria à algum tempo e agora decidi concorrer 17. Considera-se esclarecido sobre as funções a desempenhar, inerentes à(s) classe(s) /áreas a concurso? __ Sim __ Não 18. Estagiou na Marinha? __ Sim __ Não
62 Anexo 15 – Guião da entrevista realizada à RRS do Exército Português. Guião da entrevista P1: Como é que identificaram a necessidade de ter uma página de Instagram direcionada para o recrutamento? P2: Há quanto tempo possuem página no Instagram? P3: Quais são os pontos positivos e negativos da criação do perfil no Instagram? P4: Notaram maior interesse por parte dos jovens em seguir o Instagram do recrutamento em detrimento do Facebook? P5: Registaram interatividade entre as "Story 24h" e o público mais jovem? P6: Notaram aumento do número de recrutas com a utilização do Instagram? Anexo 16 - Guião da entrevista realizada à RRS da Marinha Portuguesa Guião da entrevista P1: Quais as estratégias de comunicação do recrutamento? P2: Quem são os responsáveis por elaborar essas estratégias? P3: Qual a visão que têm? P4: Seria útil investir no Instagram para o recrutamento?