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Universidade do Minho Escola de Psicologia Ricardo António Araújo Soares da Silva Frutuoso Envolvimento do Pai nos Cuidados Parentais e Saúde Mental da Criança junho de 2024 Envolvimento do Pai nos Cuidados Parentais e Saúde Mental da Criança Ricardo Frutuoso UMinho | 2024
Universidade do Minho Escola de Psicologia junho de 2024 Ricardo António Araújo Soares da Silva Frutuoso Envolvimento do Pai nos Cuidados Parentais e Saúde Mental da Criança Dissertação de Mestrado Mestrado em Psicologia Clínica na Infância e na Adolescência Trabalho efetuado sob a orientação da Professora Doutora Bárbara Fernandes Carvalho Figueiredo
ii DIREITOS DE AUTOR E CONDIÇÕES DE UTILIZAÇÃO DO TRABALHO POR TERCEIROS Este é um trabalho académico que pode ser utilizado por terceiros desde que respeitadas as regras e boas práticas internacionalmente aceites, no que concerne aos direitos de autor e direitos conexos. Assim, o presente trabalho pode ser utilizado nos termos previstos na licença abaixo indicada. Caso o utilizador necessite de permissão para poder fazer um uso do trabalho em condições não previstas no licenciamento indicado, deverá contactar o autor, através do RepositóriUM da Universidade do Minho. Atribuição-NãoComercial-SemDerivações CC BY-NC-ND https://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0/ [Esta é a mais restritiva das nossas seis licenças principais, só permitindo que outros façam download dos seus trabalhos e os compartilhem desde que lhe sejam atribuídos a si os devidos créditos, mas sem que possam alterá-los de nenhuma forma ou utilizá-los para fins comerciais.]
iii Agradecimentos (185pp) Primeiro que tudo, gostaria de agradecer à minha família, mais concretamente aos meus pais e aos meus avós maternos, por tudo o que fizeram por mim e por terem conseguido dar-me uma ótima educação. Também gostaria de agradecer à minha cuidadora de infância, a senhora Ana Paula, por todo o seu trabalho, dedicação e paciência, para comigo, quando eu era mais novo. De seguida, tenho também de agradecer à minha namorada e ao meu filho, por estarem sempre presentes e darem-me o seu amor e carinho, todos os dias. Gostaria também de agradecer aos meus irmãos e a todos os meus amigos, que sempre confiaram em mim e foram sempre um enorme suporte, tanto nos bons como nos maus momentos. Também tenho de agradecer a todos os meus educadores durante o meu percurso académico, por terem sido ótimos professores, capazes de me fazer aprender diversos conteúdos novos e interessantes. Finalmente, gostaria de dar um obrigado especial à minha Orientadora e ao meu bom amigo Nuno, pela disponibilidade, paciência e ajuda prestadas, durante a realização desta Tese. Sem vocês, nada disto teria sido possível. Muito obrigado!
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v Resumo (339pp) “Envolvimento do Pai nos Cuidados Parentais e Saúde Mental das Crianças” Podemos dizer que o que mais mudou e impactou as famílias, a partir do século XX, e segundo os autores e investigações sobre este tema, foi o envolvimento do pai, não só na família em geral, mas também nos cuidados parentais das crianças. Estudos recentes demonstram que o foco pediátrico continua a ser, predominantemente, na díade mãe-filho, em vez de se focarem na tríade mãe-pai-filho. Como tal, os objetivos deste estudo foram (1) verificar se a aceitação inicial da gravidez, por parte do pai, influencia a saúde mental da criança, (2) verificar se a proximidade física e emocional do pai influencia a saúde mental da criança, (3) verificar se o estatuto socioeconómico da família influencia a saúde mental da criança, e (4) verificar se a frequência de contatos físicos e de cuidados do pai, após a gravidez, influencia a saúde mental da criança. Neste estudo longitudinal participaram 114 pais (sexo masculino), ao longo de três momentos de avaliação: (1) primeiro trimestre de gravidez (8-14 semanas de gestação, M = 12,97, DP = 1,49), (2) segundo trimestre de gravidez (10-14 semanas pós-parto, M = 13,64, DP = 0,81) e (3) terceiro trimestre de gravidez (21-46 meses pós-parto, M = 32,22, DP = 6,47). Ambos os pais preencheram, de forma independente, um questionário sociodemográfico, medidas de sintomas de ansiedade e depressão em cada momento de avaliação e a Children Behavior Checklist (CBCL 1,5-5), quando o seu filho tinha 30 meses. . Após os resultados, observou-se que os objetivos (1), (2) e (4) não foram alcançados, visto que não foram encontrados resultados estatisticamente significativos nas análises efetuadas. Contudo, no objetivo (1) o valor da significância no comportamento Externalizante foi de 0.029, sendo este um valor estatisticamente significativo. Relativamente ao objetivo (3), observou-se que o estatuto socioeconómico pode influenciar o bem-estar psicológico da criança, visto que foram encontrados resultados estatisticamente significativos. Mais estudos devem ser efetuados neste tema, de modo a aumentar a consciencialização da sociedade, para a importância da tríade mãe-pai-filho. Palavras-chave: Criança; Cuidados Parentais; Envolvimento do Pai; Família; Saúde Mental
vi Abstract (314pp) “Father Involvement in the Paternal Care and Well-Being of the Children” We can say that what has changed and impacted families the most, since the 20th century, and according to the authors and research on this topic, was the father's involvement, not only in the family in general, but also in their children’s clinical care. Recent studies show that the pediatric focus is still, predominantly, on the mother-child dyad, rather than the mother-father-child triad. As such, this study aims to (1) verify whether the father's initial acceptance of the pregnancy, influences the child's mental health, (2) verify whether the father's physical and emotional closeness, influences the child's mental health, (3) check whether the family's socio-economic status, influences the child's mental health, and (4) verify whether the frequency of physical contact and care, provided by the father after pregnancy, influences the child's mental health. 114 fathers (male) participated in this longitudinal study, over three assessment periods: (1) first trimester of pregnancy (8-14 weeks gestation, M = 12.97, SD = 1.49), (2) second trimester of pregnancy (1014 weeks postpartum, M = 13.64, SD = 0.81) and (3) third trimester of pregnancy (21-46 months postpartum, M = 32.22, SD = 6.47). Both parents independently completed a sociodemographic questionnaire, measures of anxiety and depression symptoms at each assessment point and the Children Behavior Checklist (CBCL 1.5-5), when their child was 30 months old. After the results, it was observed that objectives (1), (2) and (4) were not achieved, since no statistically significant results were found in the analyses carried out. However, in objective (1) the significance value for the Externalizing behavior was 0.029, which is statistically significant. Regarding objective (3), it was observed that socio-economic status can influence a child's psychological well-being, as statistically significant results were found. More studies should be carried out on this subject, to increase society's awareness of the importance of the mother-father-child triad. Keywords: Children; Father Involvement; Family; Mental Health; Paternal Care
vii Índice Agradecimentos………………………………………………………………………..3 Resumo……………………………………………………………………………….....5 Abstract……………………………………………………………………………….….6 Introdução…………………………………………………………………………..…..8 Alterações nas Estruturas Familiares……………………………………….8 Importância do Envolvimento da Pai na Família……........................9 Envolvimento do Pai nos Cuidados Parentais das Crianças…………10 Importância do Pai Durante a Gravidez……………………………………10 Modelos e Abordagens Existentes sobre o Envolvimento Parental…11 Objetivos……………………………………………………………………….....12 Metodologia…………………………………………………………………………….12 Participantes………………………………………………………………….….12 Procedimentos……………………………………………………………….….14 Instrumentos…………………………………………………...……………….15 Resultados………………………………………………………………………….....18 Responsabilidade Processual………………………………………..……..18 Calor/Responsividade ……………………………………………………….19 Cuidado Social e Material Indireto……………………………….………..21 Atividades de Envolvimento Positivo……………………………….……..21 Discussão dos Resultados………………………………………………………..22 Limitações do Estudo…………………………………………………………26 Conclusões……………………………………………………………………………26 Referências bibliográficas…………………………………………………………27 Índice de Tabelas Tabela 1: Caracterização da amostra (N = 114)……………………………….....13 Tabela 2: Dimensões e Variáveis (SPSS)………………………………………...….17 Tabela 3: Diferenças na Dimensão Responsabilidade Processual…………...19 Tabela 4: Diferenças na Dimensão Calor/Responsividade (4 variáveis)……20 Tabela 5: Diferenças na Dimensão Cuidado Social e Material Indireto……..21 Tabela 6: Diferenças na Dimensão Atividades de Envolvimento Positivo…..22
xiv Idade do pai (16-29) (30-39) (40-46) Média Desvio-padrão Mínimo Máximo Mediana Moda Estatuto socioeconómico Alto 22 23,2 Médio 54 56,8 Baixo 19 20,0 Anos de escolaridade (0-8) (9-13) (14-19) Média Desvio-padrão Mínimo Máximo Mediana Moda Procedimentos A presente investigação foi realizada de acordo com a Declaração de Helsínquia, tendo recebido aprovação prévia da Comissão de Ética de todas as instituições envolvidas. Os participantes foram recrutados num Hospital Público do Norte de Portugal, durante o primeiro trimestre de gravidez. Os critérios de exclusão deste estudo foram: não ler ou escrever português, ter menos de 18 anos e gestações múltiplas. Foram explicados os objetivos e os procedimentos do estudo, sendo que as mães e os pais que se dispuseram a participar (n = 520, 86,7%), assinaram um formulário de consentimento escrito. Este estudo longitudinal teve três momentos de avaliação: (1) primeiro trimestre de 16 46 0,9 0,9 32 11,3 32 11,3 0 4,4 19 2,6 12 25,4 12 25,4 31,75 6,1 40 34,8 64 11 9,7 55,5 1 1 13 13 29 29 3,86 11,2 3 5 21 18,4 65 28 24,5 57,1 14
xv gravidez (8-14 semanas de gestação, M = 12,97, DP = 1,49), (2) 3 meses pós-parto (10-14 semanas pós-parto, M = 13,64, DP = 0,81) e (3) 30 meses pós-parto (21-46 meses pós-parto, M = 32,22, DP = 6,47). Ambos os pais preencheram, de forma independente, um questionário sociodemográfico e medidas de sintomas de ansiedade e depressão, em cada momento de avaliação. Além disso, também preencheram a Children Behavior Checklist (CBCL 1½-5), quando a sua criança tinha 30 meses de idade. Das 260 mães e 260 pais (N = 520) que completaram o primeiro momento de avaliação, 115 mães e 115 pais (N = 244; 44,2%) completaram a CBCL. Para este estudo, apenas foram incluídos os pais (N = 230; N = 115 mães; N = 115 pais) que completaram as medidas de sintomas de ansiedade e depressão, durante o primeiro trimestre de gravidez, aos 3 e 30 meses pós-parto, e a CBCL. O programa estatístico utilizado para efetuar as análises estatísticas deste estudo, foi o IBM Statistical Package for the Social Sciences, versão 28.0.0.0., tendo sido utilizados os testes estatísticos da ANOVA Univariada (1 variável dependente) e da MANOVA Multivariada (2 ou mais variáveis dependentes). Além disso, também se utilizou o programa estatístico G*Power 3.1.9.7., para calcular o tamanho da amostra necessária para este estudo. Este programa consegue determinar o tamanho da amostra necessária para um estudo científico, sendo também recomendado para efetuar cálculos de tamanho de amostra e potência, para vários métodos estatísticos (F, t, χ2, Z, e testes exatos), por ser gratuito e fácil de usar (Kang, 2021). Para este estudo, o programa determinou que iria ser necessário, no mínimo, uma amostra entre 110-120 participantes. Instrumentos Os participantes responderam a um questionário, de modo a recolher informações sociodemográficas e biométricas das mães, dos pais e das crianças. As mães e os pais que completaram a CBCL não diferiram dos pais que não completaram os dados da CBCL, no que diz respeito às características sociodemográficas maternas e paternas, aos sintomas de ansiedade e depressão durante o primeiro trimestre de gravidez e aos 3 e 30 meses pós-parto. Além disso, não foram encontradas diferenças nos dados sociodemográficos e biométricos das crianças. Segundo Achenbach (2001), o CBCL é um dos instrumentos mais utilizados internacionalmente para identificar problemas de saúde mental, em crianças e adolescentes, tendo sido traduzido para 55 idiomas. Este modelo ASEBA ( Achenbach System of Empirically 15
xvi Based Assessment ; Achenbach, 1991; Achenbach & Rescorla, 2001) pode ajudar os técnicos de saúde mental a conseguir distinguir melhor entre o comportamento adaptativo e o comportamento patológico, visto que surge como um modelo de avaliação sistemática e empiricamente validada, onde o conhecimento sobre os comportamentos da criança é obtido através da agregação destes em subescalas (síndromes). No presente estudo, utilizou-se o formato pré-escolar CBCL, para crianças de 1 ano e meio a 5 anos (CBCL 1½-5), pelo que irei focar-me nesta versão, em concreto. Como tal, esta é composta por 99 itens e avalia as seguintes síndromes: Reatividade Emocional, Ansiedade/Depressão, Queixas Somáticas, Problemas de Atenção, Comportamento Agressivo e Problemas de Sono (Achenbach, 2001; Moura et al., 2010). Os profissionais de saúde que recorrem ao modelo ASEBA poderão ter acesso a diferentes métodos e instrumentos, obtendo o relato dos pais (através da CBCL), dos professores (através da TRF) e do próprio jovem (através da YSR). Neste estudo foram considerados os cinco domínios apresentados por Joseph Pleck (2010), sendo estes as Atividades de Envolvimento Positivo, o Calor/Responsividade, o Controlo, o Cuidado Social e Material Indireto da Criança e a Responsabilidade sobre os Processos da Criança (Responsabilidade Processual) (Pleck, 2010). Relativamente à dimensão Atividades de Envolvimento Positivo, escolhi colocar nesta dimensão as variáveis (RC_Rotina_Cuidados) e (Frequência de contatos com a figura parental principal). Na dimensão Calor/Responsividade, decidi colocar nesta dimensão as variáveis (Sentimento de Realização do pai, ao Nascimento), (Sentimento de Realização do pai, Atualmente), (Sentimentos de proximidade emocional atual) e (Proximidade após o Nascimento). Na dimensão Cuidado Social e Material Indireto, decidi colocar nesta dimensão as variáveis (Estatuto socioeconómico) e (Duração do casamento/coabitação). Finalmente, relativamente à dimensão Responsabilidade Processual, decidi colocar as variáveis (Conhecimento da gravidez, por parte do pai) e (Aceitação inicial da gravidez, por parte do pai). Para uma melhor compreensão, na Tabela 2 estão presentes os cinco domínios apresentados por Pleck (2010), assim como as variáveis escolhidas da base de dados SPSS, e o seu significado. Como a dimensão Controlo não estava abrangida por nenhum dos objetivos pretendidos, esta não foi incluída na tabela apresentada abaixo. 16
xvii Dimensões (Pleck, 2010) Variáveis Significado (Dimensões) Responsabilidade Processual (Conhecimento do sexo da criança) (Aceitação inicial da gravidez, por parte do pai) Acompanhamento do pai, de modo a assegurar as necessidades da criança e apoiar, encorajar e cooperar com a mãe Calor/Responsividade (Sentimento de Realização do pai, ao Nascimento) (Sentimento de Realização do pai, Atualmente) (Sentimentos de proximidade emocional atual) (Proximidade ao Nascimento) Atenção providenciada à criança, atividades de prestação de cuidados (alimentação, mudança de fraldas, etc) e Sentimentos e/ou expressões de afeto Cuidado Social e Material Indireto (Estatuto socioeconómico) (Duração do casamento/coabitação) Providenciar as necessidades básicas (alimentação, abrigo, cuidados de saúde) e Aceitar a responsabilidade do suporte financeiro Atividades de Envolvimento Positivo (RC_Rotina_Cuidados) (Frequência de contatos com a figura parental principal) Brincar, ler ou cantar em conjunto com o filho, Comunicação ativa e frequente, entre ambos, Apoio nos trabalhos de casa e Desenvolvimento de aptidões/capacidades Tabela 2 – Dimensões e Variáveis (SPSS) 17
xviii Resultados Efetuaram-se estatísticas descritivas dos valores obtidos nas dimensões do Questionário de Comportamentos da Criança (CBCL), estando presentes os valores mínimos e máximos, média e respetivos desvios padrão. Relativamente ao comportamento Externalizante, este variou entre um mínimo de 0 e um máximo de 38, com uma média de 11.57 e um desvio-padrão de 7.77. No comportamento Internalizante, este variou entre um mínimo de 0 e um máximo de 61, apresentando uma média de 8.49 e um desvio-padrão de 8.57. Finalmente, relativamente ao score total da CBCL do pai, este variou entre um mínimo de 1 e um máximo de 158, apresentando uma média de 31.91 e um valor de desvio-padrão de 23.68. A consistência interna, analisada com o coeficiente Alpha de Cronbach, foi de .90 para os problemas de internalização, .90 para os problemas de externalização e de .94 para o score total (Pinto, Míguez & Figueiredo, 2023). Responsabilidade Processual Objetivo 1 - Verificar se a aceitação inicial da gravidez, por parte do pai, influencia a saúde mental da criança. O teste multivariado da Manova, Wilks' Lambda = .932, F(4, 204) = 1.820, p = .126, indica que as diferenças nas dimensões da saúde mental da criança, em função da aceitação inicial da gravidez por parte do pai, não são estatisticamente significativas. Contudo, no comportamento Externalizante do pai, este apresentou um valor de significância de p = .029, sendo este um valor estatisticamente significativo (Tabela 3). No teste univariado da ANOVA, as diferenças no valor total, em função da aceitação inicial da gravidez, por parte do pai, não são estatisticamente significativas, F(2, 103) = 2.682, p = .073 (Tabela 3). 18
xix Tabela 3 – Diferenças na Dimensão Responsabilidade Processual Nem boa nem má Boa Muito boa M DP M DP M DP Sig. Externalizing behavior - Pai 7,86 7,14 12,03 7,40 15,85 9,69 .029 Internalizing behavior - Pai 5,00 4,26 8,96 9,10 12,08 8,56 .102 Total problem scale - Pai 21,79 16,95 33,39 23,98 42,77 27,84 .073 M – Média DP – Desvio padrão Calor/Responsividade Objetivo 2 - Verificar se a proximidade física e emocional do pai, influencia a saúde mental da criança (CBCL). Sentimentos de Proximidade Emocional, ao Nascimento O teste multivariado da Manova, Wilks' Lambda = .960, F(2, 93) = 1.946, p = .149, indica que as diferenças nas dimensões da saúde mental da criança, em função dos Sentimentos de Proximidade Emocional, ao nascimento , não são estatisticamente significativas. As diferenças no valor total, em função dos Sentimentos de Proximidade Emocional, ao nascimento , também não são estatisticamente significativas, F(1, 94) = 2.347, p = .129 (Tabela 4). Sentimentos de Proximidade Emocional, Atualmente O teste multivariado da Manova, Wilks' Lambda = .982, F(2, 93) = 0.841, p = .434, indica que as diferenças nas dimensões da saúde mental da criança, em função dos Sentimentos de proximidade emocional atual , não são estatisticamente significativas. As diferenças no valor total, em função dos Sentimentos de proximidade emocional atual , também não são estatisticamente significativas, F(1, 95) = 0.587, p = .446 (Tabela 4). Sentimentos de Realização do Pai, ao Nascimento O teste multivariado da Manova, Wilks' Lambda = .977, F(3, 93) = 0.735, p = .534, indica que as diferenças nas dimensões da saúde mental da criança, em função dos Sentimentos de realização do Pai, ao Nascimento , não são estatisticamente significativas. 19
xx As diferenças no valor total, em função dos Sentimentos de realização do Pai, ao Nascimento , também não são estatisticamente significativas, F(1, 95) = 0.498, p = .482 (Tabela 4). Sentimentos de Realização do Pai, Atualmente O teste multivariado da Manova, Wilks' Lambda = .980, F(2, 94) = 0.945, p = .392, indica que as diferenças nas dimensões da saúde mental da criança, em função dos Sentimentos de realização do Pai, atualmente , não são estatisticamente significativas. As diferenças no valor total, em função dos Sentimentos de realização do Pai, atualmente , também não são estatisticamente significativas, F(1, 95) = 0.587, p = .446 (Tabela 4). Tabela 4 – Diferenças na Dimensão Calor/Responsividade (4 variáveis) Moderada/ Pouco Acentuada M DP M DP Sig. Externalizing behavior - Pai 13,50 10,00 12,13 7,63 .578 Internalizing behavior - Pai 13,00 17,37 8,32 7,22 .096 Total problem scale – Pai Externalizing behaviour – Pai Internalizing behaviour – Pai Total problem scale – Pai Externalizing behaviour – Pai Internalizing behaviour – Pai Total problem scale – Pai Externalizing behaviour – Pai Internalizing behaviour – Pai Total problem scale – Pai 43,83 42,66 32,14 21,25 .129 M – Média DP – Desvio padrão 14,00 8,22 28,80 8,73 5,67 16,80 12,13 8,98 34,17 7,86 9,41 26,12 ,502 ,814 ,446 11,88 29,31 7,38 7,73 14,00 5,32 17,59 12,27 9,14 34,14 8,01 9,64 26,12 ,856 ,481 ,482 12,20 6,87 28,80 7,56 4,94 16,80 12,21 9,21 34,17 8,04 9,62 26,12 ,997 ,361 ,446 11,88 28,80 14,00 20
xxi Cuidado Social e Material Indireto Objetivo 3 - Verificar se o estatuto socioeconómico da família, influencia a saúde mental da criança. O teste multivariado da Manova, Wilks' Lambda = .899, F(4, 182) = 2.475, p = .046, indica que as diferenças na saúde mental da criança, em função do estatuto socioeconómico da família, são estatisticamente significativas. O teste de comparação múltipla a posteriori de Tukey, indica que as crianças de estatuto socioeconómico alto, obtêm valores de Externalizing behavior significativamente mais baixos, do que as crianças de baixo estatuto socioeconómico (9 vs 14.8). As diferenças no valor total, em função do estatuto socioeconómico da família, não são estatisticamente significativas, F(2, 92) = 2.152, p = .122 (Tabela 5). Tabela 5 – Diferenças na Dimensão Cuidado Social e Material Indireto Alto Médio Baixo M DP M DP M DP Sig. Externalizing behavior - Pai 9,00 8,86 11,89 7,43 14,84 8,63 .072 Internalizing behavior - Pai 8,05 12,54 7,57 6,87 12,26 9,71 .148 Total problem scale - Pai 28,14 32,05 30,57 20,68 42,89 26,76 .122 M – Média DP – Desvio padrão Atividades de Envolvimento Positivo Objetivo 4 - Verificar se a frequência de contatos físicos e de cuidados do pai, influencia a saúde mental da criança. O teste multivariado da Manova, Wilks' Lambda = .949, F(2, 92) = 2.465, p = .091 indica que as diferenças nas dimensões da saúde mental da criança, em função da frequência de contatos físicos e de cuidados do pai, não são estatisticamente significativas. As diferenças no valor total, em função da frequência de contatos físicos e de cuidados do pai, também não são estatisticamente significativas, F(1, 93) = 0.517, p = .474 (Tabela 6). 21
xxii Tabela 6 – Diferença na Dimensão Atividades de Envolvimento Positivo Menos frequentes Mais frequentes M DP M DP Sig. Externalizing behavior - Pai 11,44 7,58 14,18 8,70 .154 Internalizing behavior - Pai 9,01 9,66 8,82 6,33 .929 Total problem scale - Pai 32,42 25,52 36,73 21,17 .474 M – Média DP – Desvio padrão Discussão dos Resultados O propósito deste estudo foi de tentar estudar e analisar o envolvimento do pai, nos cuidados parentais e saúde mental das crianças, através da realização do teste univariado da ANOVA e do teste multivariado da MANOVA. Relativamente ao objetivo (1), verificar se a aceitação inicial da gravidez, por parte do pai, influencia a saúde mental da criança (CBCL), rejeitou-se a H1 e aceitou-se a H0, já que não foram encontrados resultados estatisticamente significativos, na dimensão Responsabilidade Processual (Tabela 3), ao utilizar a variável CBCL (saúde mental das crianças), em função da variável Aceitação inicial da gravidez, por parte do pai. O valor da significância, no teste da MANOVA, foi de 0.126, e no teste da ANOVA, foi de 0.073 (Tabela 3). Contudo, apesar do valor do teste da MANOVA não ter sido estatisticamente significativo, o valor da significância no comportamento Externalizante do pai, foi de 0.029, sendo este um valor estatisticamente significativo. Além disso, o valor da significância no teste da ANOVA foi de 0.073, sendo que ficou muito perto de ser estatisticamente significativo (Tabela 3). É importante salientar que o envolvimento paterno na vida das crianças, está associado a um conjunto de resultados da criança, incluindo uma melhor cognição e principalmente uma melhor saúde mental. A este aspeto, o estudo de Aqil et al. (2019) teve como objetivo analisar se existe um consenso sobre quais orientações partilhar com os futuros pais, desde o pré-natal até a primeira infância, entre um grupo multidisciplinar de profissionais com o conhecimento sobre o envolvimento do pai. Para o suporte de parceiros, os domínios de conteúdo que os participantes consideram importantes partilhar com os pais são a comunicação com os parceiros sobre estilos de paternidade e responsabilidades partilhadas, sinais e sintomas de depressão materna e esperanças para o bebé. É também importante mencionar que a díade pai-filho, em vez da tríade mãe-pai-filho, continua a ser o foco frequente dos cuidados pediátricos. Estes são, muitas vezes, aproveitados 22
xxiii para melhorar a saúde materna, como o rastreio da depressão materna. Contudo, a saúde paterna é raramente abordada, mesmo quando os homens tendem a apresentar comportamentos de maior risco, uma menor utilização dos cuidados primários e uma menor esperança média de vida. Portanto, aumentar os esforços pelos próprios médicos pediátricos para envolver os pais, pode afetar a saúde, tanto do pai quanto do filho. A este aspeto, o estudo de Allport et al. (2018) teve como objetivo analisar se devemos promover o envolvimento do pai, tanto para a criança como para a Saúde Familiar. Existem várias maneiras inovadoras de alcançar os pais, tanto na clínica quanto nas outras configurações. Estas estão, atualmente, sob investigação, incluindo o uso de modelos de mudança de comportamento, entrevistas motivacionais, tecnologias móveis, grupos de apoio de pares e esforços de defesa de políticas. Além disso, também importa referir que, embora o envolvimento do pai nos cuidados pediátricos esteja associado a resultados positivos para a saúde infantil, os profissionais centram-se mais frequentemente na díade mãe-filho. O estudo de Allport et al. (2019), teve como objetivo caracterizar os cuidados primários pediátricos e o envolvimento dos pais. O resultado determinou que as práticas implementadas foram o apoio às competências parentais e o rastreio da depressão perinatal. Além disso, são necessárias estratégias eficazes para reduzir as barreiras e melhorar o envolvimento do pai, entre os prestadores de serviços pediátricos. No objetivo (2), verificar se a proximidade física e emocional do pai influencia a saúde mental da criança, rejeitou-se a H1 e aceitou-se a H0, visto que não foram encontrados resultados estatisticamente significativos ao utilizar a variável CBCL (saúde mental das crianças), em função das variáveis escolhidas, na dimensão Calor/Responsividade (Tabela 4). As variáveis escolhidas foram os Sentimentos de Proximidade Emocional, ao Nascimento, os Sentimentos de Proximidade Emocional, Atualmente, os Sentimentos de Realização do Pai, ao Nascimento, e os Sentimentos de Realização do Pai, Atualmente. O valor da significância, no teste da MANOVA, foi de 0.149, e no teste da ANOVA, foi de 0.129 (Tabela 4 – S. Proximidade Emocional, ao Nascimento). O valor da significância, no teste da MANOVA, foi de 0.434, e no teste da ANOVA, foi de 0.446 (Tabela 4 – S. Proximidade Emocional, Atualmente). O valor da significância, no teste da MANOVA, foi de 0.534, e no teste da ANOVA, foi de 0.482 (Tabela 4 – S. Realização do Pai, ao Nascimento). O valor da significância, no teste da MANOVA, foi de 0.392, e no teste da ANOVA, foi de 0.446 (Tabela 4 – S. Realização do Pai, Atualmente). Neste aspeto, a revisão sistemática da literatura de Rollé et al. (2019) teve como objetivo analisar a literatura sobre a associação entre o envolvimento do pai e o desenvolvimento das habilidades cognitivas das crianças, durante a primeira e meia 23
xxx Wolfgang, S., et al. (2023). Predictors of Fathers’ Participation in a Longitudinal Psychological Research Study on Child and Adolescent Psychopathology. Journal of Child and Family Studies 32 , 1666–1680. 30