scieee AI-readable full text Open interactive document viewer

O papel dos social media na implementação de políticas culturais e de integração de imigrantes

Oliveira, Natália Denipoti de

Abstract

O fluxo migratório contínuo e a presença de diversas culturas no território de Braga trouxeram enriquecimento ao tecido sociocultural da cidade. Entretanto, este cenário faz-se acompanhar das dificuldades de integração dos imigrantes, assim como apresenta desafios para a gestão da interculturalidade na sociedade e, por esse motivo, o Município de Braga viu-se na necessidade de desenvolver políticas públicas voltadas para as comunidades imigrantes e multiculturais presentes na cidade. Nesse sentido, surge em julho de 2020 o Projeto DiverCidade, com o objetivo de promover a integração dos imigrantes e a valorização das múltiplas culturas existentes no território bracarense por meio do diálogo intercultural. Para auxiliar na implementação do projeto, a agência LKCOM foi a entidade escolhida para ser a responsável pelo plano de comunicação, no qual os social media desempenham um papel fundamental para a execução e a divulgação de todas as componentes, atividades e ações do plano de atuação. Assim, através da revisão de literatura junto a minha experiência de estágio curricular na LKCOM trabalhando com o projeto DiverCidade, o futuro relatório de estágio buscará compreender o papel dos social media na implementação de políticas culturais e de integração voltadas aos imigrantes.

Full text

Universidade do Minho Instituto de Ciências Sociais Natália Denipoti de Oliveira O papel dos social media na implementação de políticas culturais e de integração de imigrantes dezembro de 2022 UMinho | 2022 Natália Denipoti de Oliveira O papel dos social media na implementação de políticas culturais e de integração de imigrantes Natália Denipoti de Oliveira O papel dos social media na implementação de políticas culturais e de integração de imigrantes Relatório de Estágio Mestrado em Ciências da Comunicação Área de especialização em Publicidade e Relações Públicas Trabalho efetuado sob a orientação do Professor Doutor José Gabriel Oliveira Andrade Júnior Universidade do Minho Instituto de Ciências Sociais dezembro de 2022 ii DIREITOS DE AUTOR E CONDIÇÕES DE UTILIZAÇÃO DO TRABALHO POR TERCEIROS Este é um trabalho académico que pode ser utilizado por terceiros desde que respeitadas as regras e boas práticas internacionalmente aceites, no que concerne aos direitos de autor e direitos conexos. Assim, o presente trabalho pode ser utilizado nos termos previstos na licença abaixo indicada. Caso o utilizador necessite de permissão para poder fazer um uso do trabalho em condições não previstas no licenciamento indicado, deverá contactar o autor, através do RepositóriUM da Universidade do Minho. Licença concedida aos utilizadores deste trabalho Atribuição CC BY https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/ iii Agradecimentos Quero agradecer aos meu pais, familiares e amigos que me apoiaram em mais esta etapa da minha vida. iv DECLARAÇÃO DE INTEGRIDADE Declaro ter atuado com integridade na elaboração do presente trabalho académico e confirmo que não recorri à prática de plágio nem a qualquer forma de utilização indevida ou falsificação de informações ou resultados em nenhuma das etapas conducente à sua elaboração. Mais declaro que conheço e que respeitei o Código de Conduta Ética da Universidade do Minho. v O papel dos social media na implementação de políticas culturais e de integração de imigrantes Resumo O fluxo migratório contínuo e a presença de diversas culturas no território de Braga trouxeram enriquecimento ao tecido sociocultural da cidade. Entretanto, este cenário faz-se acompanhar das dificuldades de integração dos imigrantes, assim como apresenta desafios para a gestão da interculturalidade na sociedade e, por esse motivo, o Município de Braga viu-se na necessidade de desenvolver políticas públicas voltadas para as comunidades imigrantes e multiculturais presentes na cidade. Nesse sentido, surge em julho de 2020 o Projeto DiverCidade, com o objetivo de promover a integração dos imigrantes e a valorização das múltiplas culturas existentes no território bracarense por meio do diálogo intercultural. Para auxiliar na implementação do projeto, a agência LKCOM foi a entidade escolhida para ser a responsável pelo plano de comunicação, no qual os social media desempenham um papel fundamental para a execução e a divulgação de todas as componentes, atividades e ações do plano de atuação. Assim, através da revisão de literatura junto a minha experiência de estágio curricular na LKCOM trabalhando com o projeto DiverCidade, o futuro relatório de estágio buscará compreender o papel dos social media na implementação de políticas culturais e de integração voltadas aos imigrantes. Palavras-chave: Imigrações, globalização, comunicação intercultural, multiculturalidade, social media. vi The role of social media in the implementation of cultural and immigrant integration policies Abstract The continuous migratory flow and the presence of multiple cultures in the city of Braga enriched the sociocultural landscape of the city. However, this scenario is accompanied by difficulties in integrating immigrants, as well as presenting a challenge for the management of interculturality in society and, for this reason, the Municipality of Braga found itself in need of developing public policies aimed at the multicultural immigrant communities that are part of the city. Therefore, the DiverCidade Project surfaces in July 2020 with the objective of promoting the integration of immigrants and the appreciation of the multiple cultures existing in Braga’s territory through intercultural dialogue. To assist in the implementation of the project, the LKCOM agency was chosen to be responsible for the communication plan, in which social media played a fundamental role in the execution and promotion of all components, activities and actions of the action plan. Thus, through a literature review along with my curricular internship experience at LKCOM working with the DiverCidade project, this internship report will seek to understand the role of social media in the implementation of cultural and integration policies aimed at immigrants. Keywords: Immigration, globalism, intercultural communication, multiculturalism, social media. vii Índice Resumo.................................................................................................................................... v Índice de Figuras.................................................................................................................... viii Índice de Tabelas..................................................................................................................... ix Introdução................................................................................................................................ 1 Capítulo 1 – Experiência de Estágio: LKCOM............................................................................. 3 1.1. Descrição da agência........................................................................................................ 3 1.2. Experiência de estágio....................................................................................................... 5 1.3. Do estágio à questão......................................................................................................... 9 Capítulo 2 – Enquadramento teórico....................................................................................... 12 2.1. Identidades Culturais, Globalização e Movimentos Migratórios.......................................... 12 2.2. Hibridismo Cultural......................................................................................................... 14 2.3. Integração, inclusão e adaptação da comunidade imigrante............................................. 16 2.4. Políticas Culturais e Comunicação Intercultural................................................................ 19 2.5. A Web 2.0 e os Social Media ........................................................................................... 22 2.6. Estratégias de Social Media ............................................................................................. 25 Capítulo 3 – Análise............................................................................................................... 28 3.1. Metodologia.................................................................................................................... 28 3.2. O Projeto DiverCidade – Uma Viagem Intercultural.......................................................... 30 3.3. Estudo de caso............................................................................................................... 32 3.3.1. As plataformas de social media do projeto....................................................... 32 3.3.2. Facebook ........................................................................................................ 32 3.3.3. Youtube .......................................................................................................... 40 3.3.4. Entrevista semiestruturada.............................................................................. 41 3.3.5. O papel dos social media do projeto DiverCidade............................................. 42 Conclusão............................................................................................................................. 46 Bibliografia............................................................................................................................ 48 Anexos.................................................................................................................................. 53 A equipa heterogénea e multidisciplinar da agência traduz-se na carteira de clientes vasta e diversificada da LKCOM, que possui clientes de várias nacionalidades e que estão presentes em diversos setores do mercado e da sociedade, sendo alguns deles: I · I Alga by Paulo Antunes – marca portuguesa de design de móveis para o setor hospitaleiro e residências privadas; · I Bragaparques – parques de estacionamento presente em 7 cidades do país; · I Braga Heritage Lofts – edifício com lofts localizado no centro de Braga; · I Cachapuz – empresa portuguesa de produção de pesagem industrial; · I Câmara Municipal de Braga; · I Centi – Centro de nanotecnologia e materiais técnicos, funcionais e inteligentes; · I Chaves Termas & Spa; · I CEB – Centro de Engenharia Biológica da Universidade do Minho; · I Cotesi – companhia de têxteis sintéticos; · I F3M – empresa portuguesa especializada no desenvolvimento e implementação de softwares; · I G. Leal – fornecedor de metais para a indústria; · I Hospital de Braga; · JC Group – grupo empresarial português com interesse em várias áreas de atividade; · I Leite do Campo – cooperativa de produtores de leite; · Onirodrigues – empresa de construção, promoção e gestão imobiliária. 1.2 Experiência de estágio O estágio abrangeu o período compreendido entre 07 de setembro de 2020 e 05 de março de 2021, sendo que os primeiros quatros meses decorreram de forma presencial na sede da agência, e os últimos dois meses no formato de teletrabalho devido as restrições do governo que foram implementadas durante a pandemia da Covid-19. Apesar da mudança no formato de trabalho nos últimos meses do estágio, creio que a minha experiência, e o trabalho e o desempenho da equipa não foram prejudicados de modo geral, apenas algumas atividades que estavam programadas para serem realizadas de modo presencial tiveram de ser feitas de forma 5 online, como foi o caso do Café Intercultural, componente do projeto DiverCidade da Câmara Municipal de Braga. No geral, esses seis meses proporcionaram-me uma experiência repleta de aprendizados num ambiente que foi propício para desenvolver e aprimorar as minhas competências, e pôr em prática os conhecimentos que foram adquiridos durante as aulas do mestrado de Ciências da Comunicação. A experiência também foi importante pois foi a minha primeira inserção profissional e o meu primeiro contacto com o mercado da comunicação em Portugal.I I Na agência, a divisão do trabalho na área da comunicação era feita da seguinte forma: cada colaborador era responsável por dois ou mais clientes, ao mesmo tempo que cada cliente tinha no mínimo duas pessoas encarregadas. Durante o meu estágio fiquei encarregada, junto a outros colegas, de cinco clientes da LKCOM, sendo eles: Câmara Municipal de Braga, Alga by Paulo Antunes, CEB - Centro de Engenharia Biológica da UMinho, Onirodrigues e Bragaparques. Dentre os serviços e atividades que a agência oferta, tive a oportunidade de trabalhar com a criação de conteúdos, design, e a gestão de redes sociais, que me possibilitaram a desenvolver e aprimorar competências de copywriting , design gráfico e de comunicação estratégica para os meios digitais. Ainda realizei pontualmente alguns trabalhos de tradução de conteúdos para a língua inglesa, de fotografia e de edição de vídeos. A seguir irei pormenorizar cada uma dessas atividades.  Criação e Produção de Conteúdos Junto a gestão das redes sociais, a criação e a produção de conteúdos para as redes sociais dos clientes, foram as principais atividades que exerci durante o estágio. Fiquei responsável em criar três ou mais conteúdos por semana para cada cliente, no início esses conteúdos seguiam um conjunto de rúbricas já pré-estabelecidas, e com o decorrer do tempo, eu passei também a ficar encarregue de criar novas rubricas. O processo dava-se da seguinte maneira: primeiro eu pensava o tema do conteúdo, e após a aprovação da account manager , era realizado a produção desse conteúdo, e de seguida, esse conteúdo era inserido no planeamento para ser enviado ao 6 cliente para validação. Na etapa da produção, fui responsável pelo copywriting, em português e inglês, e – de forma ocasional - pela criação do design das imagens para as redes sociais. Nos últimos meses do estágio, também fiz parte da elaboração de um plano estratégico de comunicação digital para apresentar a um novo cliente na altura. O cliente em questão é a empresa ALGA by Paulo Antunes, uma marca portuguesa de design de móveis para o setor hospitaleiro e para residências privadas. Fui também responsável pela criação de um conjunto de rubricas para a estratégia de conteúdos digitais da marca, como por exemplo a rubrica "Moodboard", na qual os produtos da ALGA junto a outros elementos visuais são utilizados para criar painéis com referências visuais com o objetivo de servir como inspiração para a audiência. E ainda auxiliei a definir uma identidade visual e textual para todas redes sociais da empresa. Figura 2: publicação para a página do Facebook da Alga by Paulo Antunes Gestão das Redes Sociais Também fiquei encarregada da gestão das redes sociais e do planeamento para as redes sociais dos cincos clientes que fui atribuída. Todos eles possuíam um planeamento quinzenal, que consistia em três ou mais publicações por semana em cada página das suas mídias sociais, 7 dentre elas: Facebook, Instagram, Linkedin, Twitter e Tumblr. Primeiramente eu desenvolvia o conteúdo – incluindo o copywriting e o design gráfico - dos próximos quinze dias para as redes sociais destes clientes, depois da validação da account manager , o planeamento com os conteúdos era organizado no Excel ou Google Sheets e enviado ao cliente para validação. Após a validação, eu ficava responsável por agendar e/ou publicar os conteúdos em dias e horários específicos para cada cliente, de acordo com os dados de tráfego de cada página. Figura3:planeamentoOnirodriguesnoExcel Design Gráfico, Fotografia e Vídeo Outro trabalho que realizei - com menor frequência – durante o meu período de estágio foi o de design gráfico, fotografia e edição de vídeo. Fiz pontualmente algumas peças destinadas às redes sociais do CEB e do Projeto DiverCidade, já para os clientes Onirodrigues, Bragaparques e ALGA, eu fui quase totalmente responsável pela produção das imagens, gifs e vídeos para as redes sociais desses clientes nos últimos meses do estágio. As peças eram concebidas após a validação do copywriting, e quando prontas, passavam pela aprovação das account managers, e de seguida, eram incluídas no planeamento a ser enviado ao cliente. Para a produção dessas peças eu trabalhei com os programas da Adobe Creative Suite que eu já possuía familiaridade, dentre eles: Photoshop, Illustrator, Premiere e InDesign. 8 Figura 4: design para o Facebook da Onirodrigues 1.3 Do estágio à questão  Ao trabalhar ao longo desses seis meses na LKCOM, para além de ter conseguido desenvolver as minhas competências como profissional da área da comunicação, o estágio também foi de suma importância para o meu processo de integração e adaptação em Portugal, não somente pela experiência de trabalho - que foi essencial para eu aprender e pôr em prática a minha escrita e o meu vocabulário no português de Portugal - mas também pelo aspeto cultural, a convivência diária com os meus colegas de trabalhos, bem como trabalhar com clientes portugueses, permitiu-me aprender mais sobre a cultura do país e os costumes locais.I I No entanto, o trabalho que realizei para a Câmara Municipal de Braga, no âmbito do projeto “Divercidade Braga – Uma Viagem Intercultural”, foi fundamental para uma melhor compreensão do panorama migratório na cidade minhota. Em função do projeto, tive a oportunidade de entrar em contacto e ouvir o testemunho de imigrantes de diversas nacionalidades, etnias e religiões, o que possibilitou-me conhecer as diferentes perspetivas e realidades dos imigrantes em Braga, bem como os seus respetivos processos de adaptação e integração na sociedade bracarense. I O projeto DiverCidade Braga - Uma Viagem Intercultural, é um projeto idealizado pela Câmara Municipal de Braga e financiado pelo FAMI – Fundo para o Asilo, a Migração e a Integração, que 9 tem como objetivo a integração de imigrantes e a valorização das diversas culturas presentes na cidade, ao mesmo tempo que busca desconstruir os preconceitos e estereótipos associados a esses grupos sociais. Para tal, foi desenvolvido e implementado cinco atividades: I ·4 Café Intercultural – sessões em formato presencial ou online que visam dar voz e valorizar à comunidade imigrante; ·4 Campanha de Igualdade de Género - campanha de informação para as mulheres imigrantes; ·4 Criando Oportunidades – workshops e mentorias com o objetivo de melhorar a inserção profissional dos imigrantes; ·4 Biblioteca Humana – onde os “livros” são pessoas que interagem com o público num formato de storytelling; ·4 Campanha Anti Rumor – campanha que pretende desmistificar rumores e preconceitos em relação à comunidade imigrante. I A operacionalização do projeto iniciou-se em julho de 2020, e o fim das atividades está previsto para junho de 2022. A minha atuação no DiverCidade abrangeu o período entre setembro de 2020 a março de 2021, dentre as principais funções que desempenhei durante esses seis meses estão: a gestão das redes sociais, o copywriting para as redes sociais e o website , e - de maneira esporádica - atividades de design gráfico, fotografia e edição de vídeo. Foi essencial a utilização das redes digitais para divulgar e operacionalizar todas as atividades e ações do plano de atuação do projeto, sobretudo em razão da pandemia da Covid-19 e as restrições que estiveram em vigor, em vista disso, a operacionalização de algumas das atividades tiveram de ser alteradas e passaram a ser feitas no formato online, como foi o caso da componente Café Intercultural, na qual as sessões que estavam programadas para acontecer em formato presencial, passaram a ser realizadas na plataforma Zoom . O emprego de outras plataformas digitais também se demonstrou necessário para a comunicação do projeto, para tal foi criado um canal no Spotify e um website para o DiverCidade. Para além disso, as ferramentas de social media mostraram-se fundamentais para estabelecer uma comunicação bilateral e horizontal com o público-alvo do projeto: as comunidades de 10 imigrantes e a população bracarense. Atualmente, o projeto conta com duas plataformas de social media , uma página no Facebook e um canal no Youtube . A página do Facebook ajuda a divulgar as atividades do projeto, realiza campanhas de conscientização, assim como, partilha informações relevantes para os imigrantes que residem na cidade de Braga. Já o canal do Youtube , partilha entrevistas com os testemunhos de imigrantes que escolheram a cidade minhota para morar.I I Dessa forma, visto o meu interesse e identificação com a temática das migrações, integração e multiculturalismo, junto a minha experiência no estágio e os conhecimentos teóricos adquiridos no decorrer do mestrado em Ciências da Comunicação, este relatório procurará responder de que forma e em que medida as ferramentas de social media auxiliam na implementação de políticas culturais e de integração de imigrantes. Para esse fim, será observado o projeto DiverCidade – “Uma Viagem Intercultural”, o qual fiz parte ajudando na gestão das redes sociais e de outras atividades. Através da questão de partida surge ainda as seguintes subperguntas: - Até que ponto as ferramentas de social media utilizadas pelo projeto promovem o diálogo intercultural? - De que maneira as ferramentas de social media do projeto auxiliam na integração dos imigrantes da cidade de Braga? 11 Capítulo 2 - Enquadramento Teórico I Para buscar compreender melhor o público-alvo do projeto DiverCidade e o processo de integração que um imigrante se envolve ao inserir-se numa nova sociedade, serão abordados neste trabalho os conceitos de Identidade Cultural, Movimentos Migratórios, Globalização e Hibridismo Cultural. De seguida, para entender qual papel os social media desempenham neste processo - em específico na implementação de políticas multiculturais voltadas à integração de imigrantes - será desenvolvido os conceitos de Comunicação Intercultural e de social media, junto a exemplos de estratégias digitais focadas em páginas de social media. I 2.1 - Identidades Culturais, Globalização e Movimentos Migratórios I De acordo com Hall (2015), as velhas Identidades Culturais estão em processo de "declínio", porém, ao mesmo tempo estão a surgir novas e diversas Identidades num mundo cada vez mais globalizado. O sociólogo conceituou a partir da história da modernidade, três conceitos de Identidade: Sujeito do Iluminismo; Sujeito Sociológico e Sujeito Pós-Moderno. O primeiro atribuído aos ideais iluministas, alude a um indivíduo totalmente centrado (antropocentrismo), unificado, individualista, dotado de razão e consciência. O segundo se refere a um indivíduo mais complexo, reflexo da complexidade do mundo moderno, o seu "eu" interior já não é o suficiente para a formação da sua identidade, ela é resultado da sua interação com o "outro", o indivíduo internaliza valores, tradições, símbolos, ou seja, a cultura a partir da sociedade, ao mesmo tempo em que ele externaliza a dele para os "outros". A terceira e última conceção, a do indivíduo pós-moderno, é a que será desenvolvida neste trabalho. Segundo Hall (2015) esse sujeito é fragmentado, ele não é composto de uma, mas sim de várias identidades, ele não possui uma identidade fixa, "O sujeito assume identidades diferentes em diferentes momentos, identidades que não são unificadas ao redor de um "eu" coerente" (Hall, 2015, p. 12).I I Para o autor, a principal causa desse deslocamento de identidades - que já foram centradas - é o processo da globalização, que consequentemente envolve a migração em massa, um fenômeno responsável por atravessar fronteiras nacionais, integrando e conectando comunidades, deixando o mundo interconectado, em um processo que vem ganhando força desde a década de setenta:I "Um tipo diferente de mudança estrutural está transformando as sociedades modernas no final 12 do século XX. Isso está fragmentando as paisagens culturais de classe, gênero, sexualidade, etnia, raça e nacionalidade, que, no passado, nos tinham fornecido sólidas localizações como indivíduos sociais." (Hall, 2015, p. 10). I Junto às migrações, os novos medias podem ser considerados um dos principais impulsionadores da tendência da globalização, levando a transformação de quase todos os aspetos culturais, sociais e económicos da sociedade humana (Chen, 2012). Appadurai (2004) também considera que a comunicação eletrónica e os fluxos migratórios assumem um papel importante em um mundo cada vez mais globalizado, segundo o autor, esses dois fenómenos estimulam a imaginação porque tanto os imigrantes bem como as imagens encontram-se em circulação simultânea e não se confinam a espaços locais, nacionais ou regionais, neste sentido, “tanto as pessoas como as imagens encontram-se muitas vezes por acaso, fora das certezas do lar e do cordão sanitário de efeitos mediáticos locais e nacionais. Esta relação amovível e imprevisível entre acontecimentos mediatizados e audiências migratórias define o âmago da ligação entre a globalização e o moderno." (Appadurai, 2004, pp. 15-16). Ou seja, esses imigrantes ao deslocarem-se pelo globo levam consigo a imaginação para se adaptarem a novas maneiras de viver, uma vez que os processos de adaptação na sua nova sociedade são afetados por esse imaginário mediático que transcende qualquer tipo de fronteira (Appadurai, 2004). I A relevância da relação entre as migrações e a comunicação digital na globalização também é descrita por Andrade (2021): "O processo de globalização, nas suas múltiplas vertentes, agora protagonizado pelas tecnologias de informação e comunicação, como forças motrizes de desenvolvimento, apresenta uma realidade plural/heterogénea e ela própria em mutação, com os fluxos migratórios que lhe estão associados, alterando sociedades, quebrando fronteiras e mudando comportamentos, e culturas em transformação intensa e constante." (Andrade, 2021, p. 44) I A convergência entre os novos medias e a globalização resultam na criação de um ciberespaço universal onde novas identidades culturais surgem em diferentes comunidades virtuais (Chen, 2012), são identidades não-fixas que refletem a fragmentação da identidade do homem pósmoderno descrito por Hall (2015). Outra consequência direta desses processos globalizadores e 13 da expansão urbana é o intercâmbio e a mescla de culturas num processo conhecido como hibridismo cultural (Canclini, 2013; Hall, 2011, 2015).I I 2.2 - Hibridismo Cultural I Os movimentos migratórios, que ganharam força após a Segunda Guerra Mundial, ocasionaram a formação de sociedades étnicos minoritárias no interior das nações, o que levou a uma pluralização de culturas nacionais e de identidades nacionais dentro dos territórios. Segundo Hall (2011): "Por todo o globo, os processos das chamadas migrações livres e forçadas estão mudando de composição, diversificando as culturas e pluralizando as identidades culturais dos antigos Estados-nação dominantes, das antigas potências imperiais, e, de fato, do próprio globo." (p. 45) I Essas identidades culturais transportadas pelo mundo, - e consequentemente a expansão urbana - são um dos fatores responsáveis pela fusão e a mescla de culturas num processo denominado hibridismo cultural por alguns teóricos. Na visão de Canclini (2013), hibridismo cultural é um fenómeno que consiste em “processos socioculturais nos quais estruturas ou práticas discretas, que existiam de forma separada, se combinam para gerar novas estruturas, objetos e práticas” (p. 19). O processo de hibridismo cultural é conceituado similarmente por Hall (2015) como sendo o intercâmbio e a mescla de diferentes culturas, além disso, o autor considera esse processo uma poderosa fonte criativa, que produz novas formas de cultura a partir do sincretismo de tradições culturais.I I Todas as culturas possuem seus "locais", porém, é extremamente difícil mapear a suas origens, pois elas são diversas, e estão em constante processo de formação. Entretanto, o processo de hibridismo cultural não é algo novo e exclusivo das sociedades modernas, todos os impérios antigos (romano, grego, islâmico, otomano, etc.) foram multiculturais. "As nações líderes da Europa são nações de sangue essencialmente misto: a França é [ao mesmo tempo] céltica, ibérica e germânica. A Alemanha é germânica, céltica e eslava. A Itália é o país onde… gauleses, etruscos, pelagianos e gregos, para não mencionar os outros, se intersectam numa mistura indecifrável. As ilhas britânicas, consideradas como um todo, apresentam uma mistura de 14 migração generalizada da população e, consequentemente, um avanço do multiculturalismo. Faz-se necessário aprender a trabalhar em conjunto com culturas diferentes e enfrentar novas realidades nos mais diversos campos de atuação” (p. 341), e por isso, “somente com essa comunicação que leve em conta o conhecimento, a língua e o respeito a outras culturas diferentes, diversidade, pluralidade, busca de entendimentos e de convívios amigáveis, por meio do diálogo, será possível a existência do verdadeiro interculturalismo”. (p. 343). O diálogo intercultural é fundamental para um mundo globalizado onde diversas culturas entram em contacto diariamente, especialmente por meio de ferramentas digitais. Mas como se daria uma abordagem intercultural na prática? Ramos (2009) descreve as principais características que uma comunicação intercultural exige:I "− um esforço contra o etnocentrismo, os estereótipos e os preconceitos; I− um trabalho de descentração e de meta conhecimento da sua própria identidade cultural e do papel que ela desempenha na construção identitária, obrigando a reflectir sobre a sua cultura, sobre a sua própria identidade cultural;I − a promoção de um novo modelo de comunicação, de negociação e de gestão da diversidade cultural;I − desenvolver processos reflexivos, modelos pedagógicos e competências que contribuam na construção de sociedades democráticas e equitativas e de cidadãos e profissionais implicados e responsáveis, que permitam fazer face às diferentes e complexas situacões que encontram na sociedade e no mundo do trabalho e que favorecam o trabalho em equipe e inter/multidisciplinar e não apenas a aquisicão de conhecimentos e a aprendizagem de uma simples profissão;I − promover a comunicação e a cooperação com os outros nas diferentes actividades humanas; − aprender a dialogar com as outras culturas e aprender a conhecer o outro e as suas tradições e culturas;I − aceitar negociar e propor compromissos de modo a evitar comportamentos de rejeicão ou de assimilacão;I − aprender a construir projectos e a encontrar soluções em conjunto para a resolução de conflitos e para a compreensão das relações interculturais e de interdependência cada vez maiores.” (Ramos, 2009, pp. 19-20). I 21 E quais seriam as ferramentas adequadas para pôr em execução a comunicação intercultural? As tecnologias de informação – em especial a internet - têm se mostrado instrumentos ideais para fomentar a pluralidade cultural nas sociedades, contudo, é importante aliar essas ferramentas a políticas públicas porque, por mais que a internet e as redes sociais permitem inovações socioculturais e uma comunicação descentralizada, normalmente as informações nas redes são difundidas entre pessoas e grupos semelhantes e dificilmente furam a bolha de uma comunidade de interesse (Moreira, 2016).I As mídias digitais tem afetado a forma como as pessoas entendem o processo de comunicação, especialmente a comunicação entre grupos étnicos culturais diferentes, essas diferenças culturais afetam como as pessoas comunicam-se nas redes, neste sentido, como se comunicar e obter a compreensão mútua torna-se um desafio (Chen, 2012), por isso, a importância de uma comunicação de abordagem intercultural no ciberespaço. 2.4 – A Web 2.0 e os Social Media 4 I O aumento da interação social online deu-se ao avanço da chamada Web 2.0, - termo popularizado no início do século XXI por Tim O´Reilley para designar uma mudança no desenvolvimento de tecnologias da World Wide Web , levando-a da versão 1.0 para a versão 2.0 - que possibilitou uma comunicação bidirecional, a partilha de conteúdos multimídia de áudio e vídeo, entre outras transformações na internet. Essas mudanças impactaram a forma como os indivíduos, as comunidades e as organizações comunicam-se entre si e com o seu público, incluindo a possibilidade de comunicar-se com um público em massa sem a intermediação dos media tradicionais (Quesenberry, 2019). O caráter transformador da Web 2.0 também é enfatizado por Andrade (2021), segundo o autor “Existem novos suportes de preservação e distribuição de informação, por meio da internet, chamados de media sociais ou Web 2.0, que trouxeram a possibilidade de uma interação direta entre autores e leitores, entre criadores e consumidores (emissores e recetores). O formato digital é a essência que distingue os novos media de outros tipos de meios de comunicação." (p. 180). I Andrade (2021) também destaca o impacto da internet nas interações sociais, conforme o autor a internet seria responsável por gerar "um novo ambiente de comunicação, criando um sistema 22 mediático baseado na interligação em rede, possibilitando também um novo modo de relação entre os processos simbólicos e comunicativos. A atual convergência é o resultado da forma como as pessoas se apropriam e utilizam os media digitais, como utilizadores, produtores ou "produtilizadores" desse espaço. Assim, fruto das atuais mudanças proporcionadas pela internet temos uma nova mobilidade, a possibilidade de estar conectado em diversos pontos no seio da Rede, criando uma convergência entre telefonia móvel, internet e multimédia.” (p. 180). I Diante desse cenário, os meios digitais, principalmente a internet, mostram-se ferramentas propícias para pôr em prática uma comunicação intercultural, mobilizar a sociedade e implementar políticas culturais que visam a integração de imigrantes e a valorização de múltiplas culturas. Apesar de haver alguns estudiosos que argumentam que a difusão da internet está relacionada diretamente ao aumento do isolamento social, Castells (2003) defende que as redes têm um impacto positivo sobre a interação social ao substituir os lugares físicos como suporte da sociabilidade nos bairros e nas cidades, isso é um ponto fundamental perante o contexto pandémico no qual vivenciamos, onde a realização de ações e iniciativas em formato presencial são inviáveis ou dificultadas. Pesquisas recentes também indicam que as pessoas têm vindo a preferir se comunicar virtualmente por meio das redes sociais porque elas consideram que requer menos esforço e envolvimento emocional (Quesenberry, 2019). I E por mais que as questões de desigualdade estejam refletidas nas redes digitais, a internet constitui um espaço democrático, na medida em que o meio é aberto à pluralidade e ao amplo acesso, sendo caracterizado por sua comunicação horizontal (Castells, 1999, 2003). É o exemplo dos social media , que podem ser definidos como “tecnologias mediadas por computador que permitem a criação e a partilha de informações, ideias e outras formas de expressão por meio de comunidades e redes virtuais” (Quesenberry, 2019, p. 8).I Recuero (2014) faz uma descrição do que seriam as redes sociais e as ferramentas de redes sociais. Na definição da autora, as redes sociais são compostas pelo conjunto de dois elementos: os atores (pessoas, organizações, etc.), representados por nós, e suas conexões (interações ou laços sociais). Os atores são responsáveis por moldar as estruturas das redes sociais através das interações e da formação de laços sociais. Já as conexões são “constituídas dos laços sociais, que, por sua vez, são formados através da interação social entre os atores." 23 (Recuero, 2014, p. 30). Essas interações serão sempre dialógicas e mútuas, sendo que a comunicação nas redes pode se dar de forma síncrona ou assíncrona. Outra característica significativa das redes sociais é sua "capacidade de difundir informações através das conexões existentes entre os atores. Essa capacidade alterou de forma significativa os fluxos de informação dentro da própria rede. O surgimento da internet proporcionou que as pessoas pudessem difundir as informações de forma mais rápida e mais interativa. Tal mudança criou novos canais e, ao mesmo tempo, uma pluralidade de novas informações circulando nos grupos sociais. (Recuero, 2014, p. 116) As redes sociais também podem ser consideradas espaços de relações interculturais que permitem ao utilizador interagir com diversas culturas diferentes da sua (Santos & Ribeiro, 2014). Para além disso, as plataformas de social media refletem a hibridização cultural e a fragmentação da identidade do sujeito pós-moderno, no qual possibilita esse sujeito de transportar sua(s) identidade(s) para as redes, os perfis das redes sociais podem ser considerados "construções plurais de um sujeito, representando múltiplas facetas de sua identidade." (Recuero, 2014, p. 30). Algumas teorias discorridas por Quesenberry (2019) em sua obra explicam o porquê dos social media serem a ferramenta ideal para realizar uma comunicação efetiva com um alto grau de influência social. A primeira teoria é a da Presença Social, que diz que as mídias diferenciam-se no grau de presença social entre dois parceiros de comunicação, essa influência social é afetada pela intimidade (interpessoal versus mediada) e imediatismo (assíncrono versus síncrono) do meio de comunicação, acredita-se que o impacto social seja maior para comunicações interpessoais do que mediadas e para comunicações síncronas do que assíncronas. Neste sentido, pode-se avaliar que a comunicação por meio dos social media - com sua comunicação interpessoal (mediada por meios eletrónicos) e síncrona - têm um maior grau de influência social do que o dos media tradicionais. Outra teoria abordada pelo autor para justificar o sucesso das redes sociais, é a da Riqueza dos Media, no qual afirma que "os media diferem-se pelo grau de "riqueza" que possuem - a quantidade de informação que permitem que seja transmitida em um determinado momento. Se um meio for mais rico (pode transmitir mais informações), será mais eficaz na comunicação. Os social media são ricos na sua capacidade de transmitir texto, 24 imagens, sons e vídeos, e pode transmitir essas informações instantaneamente em ambas as direções para ou de qualquer pessoa ao redor do mundo." (Quesenberry, 2019, p. 29). I Assim sendo, os social media - com sua comunicação de caráter bilateral, sua facilidade para criar e partilhar conteúdos multimédia e para difundir informações - mostram-se ferramentas ideais para a implementação de políticas de integração de imigrantes, como o projeto DiverCidade Braga, que visa fomentar o diálogo intercultural na comunidade bracarense. 2.5 - Estratégias de social media Com o mundo cada vez mais globalizado, os social media têm ganhado popularidade nos últimos anos, ferramentas como Facebook, Youtube e Twitter conectam pessoas de diversos lugares e culturas sem a restrição de fronteiras, eles fornecem uma plataforma onde é possível estabelecer uma comunicação intercultural. Para além disso, os social media tornaram-se essenciais no processo de adaptação dos imigrantes, que utilizam essas ferramentas de comunicação para buscar informações sobre o país e a cultura de acolhimento, tanto antes como depois de migrarem, para se comunicar com amigos e parentes do seu país de origem e também para criar interações e novos laços com a sua nova comunidade.I Apesar de não ser atualmente a aplicação de smartphone mais popular no mundo, - sendo o primeiro lugar ocupado pelo Tik Tok - o Facebook continua a ser uma das ferramentas de social media mais relevantes no mundo globalizado, visto que permanece a ser a app com mais utilizadores ativos mensalmente (Forbes, 2022) com seus 2,93 mil milhões de utilizadores mensais (Meta, 2022), ou seja, uma em cada quatro pessoas no mundo tem uma conta ativa na rede social, já em Portugal o Facebook possui 7,2 milhões de contas ativas (Bacelar, 2022). Assim como as outras plataformas de social media, o Facebook fomenta o diálogo intercultural ao fornecer uma ferramenta que milhões de pessoas ao redor do mundo podem utilizar para se comunicar, e também por disponibilizar uma ferramenta de tradução com mais de 70 linguagens em seu site (Sawyer & Chen, 2012). Além de ser uma ferramenta de social media , o Youtube é o principal site de hospedagem de vídeos da internet, com 2,1 mil milhões de utilizadores mensais em todo o mundo (Shepherd, 25 2022), sendo que destes, 7,2 milhões encontram-se em Portugal (Bacelar, 2022), ficando atrás apenas do Facebook. O seu sucesso pode ser explicado pelo aumento do uso entre o público mais jovem e o aumento da visualização de vídeos em dispositivos móveis, o que ajudou a impulsionar o crescimento da plataforma (Quesenberry, 2019). Com os milhões de vídeos carregados na plataforma diariamente, o Youtube possibilita às pessoas de entrarem em contacto com culturas diferentes da sua e consequentemente tem como efeito a diminuição dos estereótipos tradicionais dos grupos sociais (Sawyer & Chen, 2012). O projeto DiverCidade escolheu o Facebook e o Youtube como suas plataformas de social media para se comunicar com o público-alvo do projeto e auxiliar no plano de integração intercultural da comunidade imigrante da cidade de Braga. Mas qual seria a maneira mais efetiva de ter um grande alcance e atingir o seu público-alvo com uma página ou canal numa plataforma de social media ? Para diversos autores da área de estratégias digitais, o engagement é essencial, de acordo com Quesenberry (2019), vídeos, fotos e outros conteúdos multimédia no geral são uma boa forma de aumentar as visualizações e o engagement das publicações no Facebook. Contudo, as atualizações do algoritmo da rede social têm vindo a diminuir o número do alcance orgânico nos últimos anos, o que beneficia a empresa com sua estratégia de vender patrocínio para as publicações. No entanto, o algoritmo ainda valoriza o engagement nas publicações, então buscar uma interação com o seu público ainda é considerado uma boa forma de aumentar o alcance de uma publicação, uma vez que, quanto mais as pessoas partilharem, reagirem ou comentarem numa publicação, isso aumentará as hipóteses de ela ser mais vista por outras pessoas. Outra forma de aumentar o alcance de uma publicação de forma orgânica na plataforma seria utilizar o tagging , seja ao marcar outras pessoas e páginas em sua publicação ou ao incentivar o seu público a fazer tag da sua página em suas próprias publicações.I Rowles (2018) ainda defende que é possível gerar engagement por meio de um digital branding eficiente e de conteúdos adequados para as plataformas de social media . O autor define digital branding como sendo “a soma das experiências digitais que temos online e depende da oferta de valor. O fornecimento desse valor geralmente depende de algum tipo de conteúdo, que pode ser algo que nos educa em torno de algum tema e ganha a nossa confiança, ou algum conteúdo que podemos partilhar com nosso grupo social para nos fazermos percebidos da maneira que 26 gostaríamos de ser percebido.” (p. 17). Esse conteúdo pode ser de caráter educativo, informativo ou de entretenimento - ou de todos ao mesmo tempo -, mas é preciso dar um incentivo para o engajamento do público com conteúdos úteis e interessantes que façam com que as pessoas os queiram partilhar de forma orgânica. Outro aspeto a se considerar é o fato de que atualmente a maioria das pessoas acedem às plataformas de social media através de aplicações de telemóvel, em vista disso, é essencial levar em conta a experiência do utilizador e desenvolver publicações e conteúdo multimédia que funcionem tanto no formato mobile quanto no desktop (Rowles, 2018). O autor ainda reforça a importância de atualizar regularmente os canais de social media e de interagir frequentemente com o público que deixa comentários para gerar engagement em sua publicação, e por último, aponta uma estratégia para aumentar o alcance de uma página, que consiste em identificar os principais "influenciadores" dentro da sua rede social e fazer com que estas pessoas partilhem o seu conteúdo, aumentando potencialmente a visibilidade de sua publicação. 27 Capítulo 3 – Análise 3.1 – Metodologia O primeiro método adotado para o desenvolvimento do presente relatório de estágio foi a pesquisa bibliográfica, esse tipo de pesquisa é definida por Stumpf (2006) como sendo: "[...]o planejamento global inicial de qualquer trabalho de pesquisa que vai desde a identificação, localização e obtenção da bibliografia pertinente sobre o assunto, até a apresentação de um texto sistematizado, onde é apresentado toda a literatura que o aluno examinou, de forma a evidenciar o entendimento do pensamento dos autores, acrescido de suas próprias ideias e opiniões." (p. 51). Dessa forma, foram levantadas referências, por meio de livros e artigos científicos, acerca dos temas: estudos culturais, globalização, movimentos migratórios, comunicação intercultural e novas médias digitais para a construção da fundamentação teórica.I Após a fundamentação teórica, será feito um estudo de caso das plataformas de social media do projeto DiverCidade para compreender como os social media influenciam e impactam na implementação de políticas culturais destinadas à imigrantes. O estudo de caso é considerado um método qualitativo que “investiga um fenômeno contemporâneo dentro de um contexto da vida real, quando a fronteira entre o fenômeno e o contexto não é claramente evidente e onde múltiplas fontes de evidência são utilizadas." (Duarte, 2006, p. 216). O método contém dentre suas características o Particularismo, por focar-se em um fenómeno em particular, e a Explicação, uma vez que busca compreender e interpretar aquilo que está a analisar (Duarte, 2006). Contudo, os estudos de casos também podem ser entendidos como a escolha do objeto de estudo, que devem ser específicos - como pessoas, organizações e países - e não uma generalidade (Duarte, 2006). No presente relatório de estágio, tanto a escolha do objeto a ser estudado - o projeto da Câmara Municipal de Bragae a metodologia, baseiam-se em ambos conceitos de Estudo de Caso. Outro método que virá a ser utilizado é a entrevista em profundidade semiestruturada. A entrevista em profundidade é caracterizada por uma “técnica qualitativa que explora um assunto a partir da busca de informações, perceções e experiências de informantes para analisá-las e apresentá-las de forma estruturada. [...] Este tipo de entrevista procura intensidade nas 28 respostas, não quantificação ou representação estatística.” (Duarte, 2006, p. 62), e que tem por objetivo obter informações por meio das experiências subjetivas do entrevistado (Duarte, 2006). Para o presente relatório será utilizado a entrevista semiestruturada em profundidade, que tem o caráter flexível e exploratório, e a possibilidade de aprofundar as questões a partir das respostas, no entanto, ela possui um guião de perguntas como base (Duarte, 2006).I E para a análise dos dados qualitativos obtidos, - seja por meio de entrevista semiestruturada ou por meio do estudo das plataformas de social media do projeto DiverCidade - será implementado o processo interpretativo. O paradigma interpretativista é concebido por Burrel e Morgan (1979) como sendo “informado por uma preocupação em compreender o mundo como ele é, compreender a natureza fundamental do mundo social no nível de experiência subjetiva. Ele busca explicação dentro do domínio da consciência individual e da subjetividade, dentro do referencial do participante em oposição ao observador da ação." (p. 28). Com o objetivo de obter um panorama do que está a acontecer num determinado espaço de social media , Quesenberry (2019) recomenda uma “auditoria de social media”, que consiste em um modelo de coleta de dados e de análise para as páginas de redes sociais, o modelo baseiase nas seguintes categorias: Quem - empresa, organização, etc.); Onde - canal de social media (Facebook, Instagram, Youtube, etc.) e ambiente (descrever a aparência); O que - tipo de conteúdo (fotos, vídeos, notícias, etc.) e sentimento (positivo, negativo, neutro); Quando - frequência de atividade (número de postagens, comentários, visualizações, etc. por dia, semana ou mês) e Porque - o propósito (promoção, conscientização, etc.). Em vista disso, será realizada um estudo de caso de cunho interpretativista das páginas de social media do Projeto DiverCidade Braga, que resulta da minha experiência de seis meses de estágio curricular, onde serão observadas as práticas de integração e comunicação intercultural empregadas por meio dos social media na execução do projeto. Para tal, serão selecionadas dez publicações da página do Facebook e dez vídeos do canal do Youtube do projeto, que foram publicados na altura em que foi realizado o estágio, - no período compreendido entre 7 de setembro de 2020 e 5 de março de 2021 - Ipara ser feito uma análise qualitativa, no entanto, será necessário empregar uma métrica de abordagem quantitativa para a coleta de dados, através das métricas fornecidas pelo Facebook e o Youtube, com o objetivo de selecionar as 29 publicações e vídeos com o maior número de alcance e visualizações para a análise. O estudo de caso será complementado com uma entrevista semiestruturada em profundidade realizada por meios eletrónicos com Mariana Teófilo, responsável pela gestão das redes sociais do projeto DiverCidade dentro da agência LKCOM. 3.2 - O Projeto DiverCidade - Uma Viagem Intercultural O projeto "DiverCidade - Uma Viagem Intercultural" é um projeto realizado pela Câmara Municipal de Braga e financiado pelo FAMI - Fundo para o Asilo, a Migração e a Integração, com o objetivo de promover a integração de Nacionais de Países Terceiros (NPTs) na sociedade bracarense, visando ao mesmo tempo a valorização da multiculturalidade presente na cidade. As atividades do projeto tiveram início em julho de 2020 e o fim estava previsto para junho do ano de 2022. Outros propósitos do projeto incluem a inserção dos imigrantes no mercado de trabalho da cidade de Braga, e um trabalho de desconstrução dos preconceitos e estereótipos associados às pessoas de países estrangeiros. Para tal finalidade, foram desenvolvidos cinco componentes para o projeto, nomeadamente: Café Intercultural; Campanha de Igualdade de Género; Criando Oportunidades; Biblioteca Humana e Campanha Anti Rumor. Devido à pandemia da SARS-CoV-2, a operacionalização de várias atividades que estavam previstas para decorrerem no formato presencial tiveram de ser adaptadas para o formato online.I O Café Intercultural tem como objetivo construir espaços públicos de trocas interculturais em locais estratégicos da cidade de Braga, dentre eles, a Universidade do Minho, cafés, museus e bibliotecas. O Café possui no total cinco modalidades:I Café Temático - pretende apresentar as diferentes culturas oriundas de países terceiros à comunidade bracarense; Café com conversa - pretende dar voz aos imigrantes e abordar temas específicos relacionados de cada cultura; Café com cinema - possui o intuito de promover a cultura dos países terceiros por meio de sessões de curta-metragens, e a partir deles incentivar um debate entre o público; 30 Figura 9: publicação campanha #EuSobrevivi 37 Figura 10: publicação Campanha Anti-Rumo Cinco das publicações da página consistem em vídeos de episódios do Vodcast feito com imigrantes da cidade de Braga, são vídeos com duração de oito a doze minutos onde imigrantes partilham suas histórias de vida e de adaptação na cidade minhota, assim como as diferenças culturais entre Braga e o seu país de origem. O episódio de Vodcast feito com o imigrante ucraniano Vasyl Bundzyak foi a segunda publicação com o maior número de alcance da página, a entrevista de onze minutos alcançou 2,5 mil pessoas, obteve 1,1 mil visualizações do vídeo, 170 reações, 15 comentários e 23 partilhas. Também observa-se que as interações e os comentários da publicação foram feitos por pessoas que possuem alguma conexão com o entrevistado. 38 Figura 11: publicação VodCast Vasyl Bundzyak A componente Biblioteca Humana do projeto foi tema de três publicações feitas na página, todas essas publicações divulgam um pequeno trecho da sinopse do livro e possuem um link que direciona para as sinopses completas que se encontram hospedados no website do DiverCidade. As outras quatro publicações restantes da página do Facebook consistem em efemérides relevantes para o projeto. 39 Figura 12: publicação Biblioteca Humana 3.3.3 - Youtube 4 O canal do Youtube do projeto DiverCidade foi criado a 28 de julho de 2020, e possui atualmente 141 subscritos e 90 vídeos carregados. Em comparação a página do Facebook, o canal do Youtube do projeto foi atualizado com muito menos frequência, no período que está a ser analisado foram carregados apenas seis vídeos no total, todos os vídeos são episódios do Vodcast feito com imigrantes da cidade de Braga, e são exatamente iguais aos vídeos carregados na página do Facebook do projeto.I O vídeo com maior número de visualizações, e também com o maior número de gostos e de comentários, é o episódio do Vodcast com o timorense Paulo Henriques, o vídeo de nove minutos obteve 898 visualizações, 38 gostos e 13 comentários. Também é possível observar que, assim como os comentários no vídeo de Paulo Henriques, todos os comentários feitos nos seis episódios são dos próprios entrevistados e de utilizadores que têm alguma conexão com os entrevistados.I 40 Figura 13: episódio do Vodcast no Youtube 3.3.4 - Entrevista semiestruturada A entrevista foi realizada a 14 de dezembro de 2022 pelo formato online com Mariana Teófilo, da área de Marketing e Comunicação da LKCOM e a responsável dentro da agência pela gestão e criação de conteúdos das redes sociais do projeto DiverCidade durante o período em que realizei o estágio. A entrevista de caráter semiestruturada possuía como base inicial um guião de perguntas (ver anexo 1) sobre os canais de social media do projeto e a visão da entrevistada sobre os mesmos, e devido a natureza da entrevista semiestruturada, no decorrer da entrevista foram surgindo outras questões relacionadas às respostas. Segundo a entrevistada, o Facebook foi escolhido como uma das plataformas de social media do projeto pois "continua a ser uma plataforma fácil de usar, acessível à maior parte dos cidadãos e possui uma grande abrangência de público em várias faixas etárias.". Enquanto o propósito de se utilizar as plataformas de social media para a implementação do projeto, Teófilo destacou que o principal objetivo das redes sociais do DiverCidade "é, sem dúvida, conectar as pessoas e as comunidades de migrantes, sobretudo as que habitam na cidade de Braga.".I Na opinião de Teófilo, o projeto fomenta a integração das comunidades imigrantes através "de momentos de lazer e partilha de experiências, não só entre estes grupos específicos, mas 41 principalmente com a população bracarense em geral, estimulando o conhecimento e união da população em Braga.", ao ser questionada de que forma os social media do projeto auxiliam nessa integração dos imigrantes na cidade minhota, ela ressalta que "estes momentos de lazer e partilha de experiências são divulgados e promovidos através das redes sociais", assim como, "os seus resultados são divulgados nas redes sociais do Projeto, mas também nas redes sociais de parceiros.". A entrevistada ainda considera que os canais de social media do projeto promovem uma comunicação intercultural por meio da divulgação de "vídeos testemunhos [Vodcasts] de migrantes que vivem na cidade de Braga que partilham as suas histórias, culturas e costumes.", na medida em que, "estes vídeos testemunhos, publicados nas redes sociais, ajudam a desmistificar rumores e preconceitos em relação à comunidade de Nacionais de Países Terceiros." 3.3.5 – O papel dos social media do projeto DiverCidade A escolha do Facebook e do Youtube como as plataformas de social media do projeto DiverCidade foram certamente adequadas, devido à grande relevância e popularidade que ambas possuem não somente em Portugal como no mundo, assim como, o potencial de abranger diversos grupos sociais, culturais e étnicos, algo essencial para um projeto direcionado à imigrantes. Outro ponto positivo das plataformas de social media como escolha para se comunicar com um público multicultural, são as ferramentas de tradução automática com suporte a dezenas de idiomas, facilitando assim a comunicação com uma grande parte dos imigrantes presentes na cidade de Braga, que não têm o português como língua nativa, como é o caso dos italianos, ucranianos e chineses. No entanto, o projeto não considerou trabalhar com a rede social Instagram, que atualmente conta com mais de 1,44 mil milhões de utilizadores activos no mundo (Datareportal, 2022), sendo que destes 4,9 milhões encontram-se em Portugal (Bacelar, 2022), e situa-se no ano de 2022 como a aplicação de telemóvel com o maior número de dowloads (Forbes, 2022). Ao excluir esta plataforma do seu plano de comunicação digital, o projeto certamente está a diminuir o potencial de alcance do seu público-alvo, principalmente entre o público mais jovem, uma vez que o Instagram é a rede social mais utilizada pelo segmento de população entre os 15 e os 24 anos no país (Marktest, 2022). 42 Foi possível observar por meio da análise das redes sociais do projeto DiverCidade que os conteúdos de caráter informativo - como por exemplo aqueles de divulgação dos eventos e ações do projeto, ou os com propósito de conscientização - dominaram as publicações da página do Facebook no período analisado. O acesso à esse tipo de informações por parte dos imigrantes, é fundamental para a sua integração, uma vez que, a falta de informações - ou a pobreza informacional -, é um dos motivos pelos quais os imigrantes correm o risco de experienciar a exclusão social na sociedade de acolhimento (Chatman, 1996; Omidvar & Richmond, 2003). Ao divulgar e incentivar a participação nas componentes do projeto, - como é o caso do Café Intercultural e da Biblioteca Humana -, a página do DiverCidade está a promover a integração tanto de forma direta, ao partilhar e tornar acessíveis as informações, e indireta, ao incentivar que o público participe de atividades que promovem a integração dos estrangeiros e a valorização da multiculturalidade da cidade de Braga. Pode-se também considerar que os conteúdos de caráter informativo que incentivam a participação nos eventos e atividades de integração, contribuem para a terceira e última fase de adaptação do imigrante descrita por Mwarigha (2002), na qual, este busca participar de forma ativa na vida política, económica e cultural do país de acolhimento.I Dito isso, na minha opinião, um projeto de política cultural que tem como objetivo a integração de imigrantes não deveria se apoiar exclusivamente em uma comunicação online , especialmente para a divulgação de informações, visto que, não são todos os imigrantes que terão acesso a esse tipo de comunicação, sendo assim, é necessário buscar formas alternativas de comunicação que abrangem o público na totalidade, evitando, assim, o maior risco de exclusão social daqueles que não tem recursos ou acesso aos meios eletrónicos.I Nota-se também que a página do Facebook e o canal do Youtube do DiverCidade ajudaram a promover uma comunicação intercultural na medida em que nessas ferramentas foram publicados conteúdos com o objetivo de combater os preconceitos e os estereótipos acerca dos imigrantes, uma das características essenciais da comunicação intercultural (Ramos, 2009), como por exemplo, com as publicações da Campanha Anti-Rumor. Outro aspeto fundamental da abordagem intercultural na comunicação segundo Ramos (2009) e Kunsch (2017) é a capacidade de dialogar com respeito com o outro enquanto aprende a conhecer sua cultura e 43 tradições, algo que os social media do projeto põem em prática ao publicar as entrevistas (vodcasts) realizadas com os imigrantes presentes no território bracarense. Visto que a página do Facebook do DiverCidade não se utiliza da promoção paga para as suas publicações, observa-se que algumas estratégias que contribuem para aumentar o alcance e o engagement de forma orgânica foram adotadas, como por exemplo a atualização frequente da página e o uso de de variados conteúdos multimédia (Quesenberry, 2019).I Em contrapartida, o canal do Youtube do projeto foi atualizado com pouca frequência - com apenas seis vídeos carregados no período de seis meses -, e também não há nenhuma diversificação de conteúdo - todas as publicações são episódios do Vodcast com os imigrantes -, sendo assim, a ferramenta foi pouco aproveitada e explorada na sua totalidade. E apesar de que o objetivo das plataformas de social media do projeto seja conectar a população local com as comunidades migrantes que habitam em Braga, e que as atividades realizadas pelo projeto promovam uma conexão entre as pessoas de diversas culturas presentes na cidade, nota-se que os social media do DiverCidade não conseguem fomentar essa mesmo nível de conexão dentro das suas redes sociais virtuais se formos considerar o número baixo de comentários e de interações feitos tanto na página do Facebook quanto no canal do Youtube . Para além do post do concurso de fotografia - publicação com maior número de alcance e interações -, não foi publicado nenhum tipo de conteúdo que estimula uma maior interação e conexão com/entre o público dentro das redes sociais do projeto e não somente fora delas. Há uma estratégia para aumentar o alcance e o engagement citada por Rowles (2018) que seria interessante a página do Facebook do projeto adotar, seria a de identificar e escolher influenciadores locais, de preferência imigrantes, dentro da rede social do DiverCidade, e fazer com que essas pessoas partilhem as publicações, dessa forma aumentando sua visibilidade. Apresenta-se também a necessidade da criação de um maior número de conteúdos que incentivam uma participação do público e que gerem debates nas publicações, assim abrindo um espaço para maior interação dentro da rede social do projeto. Em suma, o projeto DiverCidade, incluindo suas redes sociais, cumprem o seu papel como política cultural ao reconhecer, valorizar e promover a diversidade cultural presente no território 44 bracarense. Ainda que os canais de comunicação online do projeto não fomentem uma maior interação dentro das suas redes sociais igual a que ocorre fora dos ambientes digitais, os social media do projeto certamente auxiliam na implementação do projeto e de suas atividades enquanto auxiliam, seja diretamente ou indiretamente, na integração dos imigrantes da cidade e que promovem uma comunicação intercultural. 45 Conclusão A oportunidade de estagiar na agência LKCOM durante os seis meses, e de trabalhar junto com as redes sociais do projeto DiverCidade, possibilitou-me aprimorar os meus conhecimentos e habilidades adquiridos no decorrer do mestrado de Ciências da Comunicação, em especial aqueles relacionados à área de estratégias digitais, que certamente ajudaram a me preparar para outras oportunidade profissionais que venham a surgir nesta área, mas para além disso, o estágio curricular me proporcionou também meu primeiro contacto com o mercado da comunicação no país junto a uma experiência de integração em Portugal e na cidade de Braga. No início tive alguma dificuldade de adaptação no estágio, em especial no desenvolvimento dos copies por causa das diferenças culturais e de língua entre o português de Portugal e o português do Brasil, contudo, com o passar do tempo e a convivência diária no ambiente de trabalho, consegui adaptar-me e passei a produzir os conteúdos com maior facilidade. E o meu trabalho junto ao projeto DiverCidade em particular, deu-me a oportunidade de participar de atividades e de ações que me possibilitaram conhecer e entrar em contacto com a multiculturalidade presente no território bracarense, uma experiência enriquecedora que também considero essencial para a minha adaptação na cidade. Foi possível observar neste relatório de estágio por meio do enquadramento teórico que o processo da globalização tem sido impulsionado com o aumento dos fluxos migratórios, que vem acompanhado da formação de etnopaisagens cada vez mais multiculturais, e com o surgimento dos novos média digitais, que atualmente possuem a capacidade de conectar milhões de pessoas ao redor do mundo eliminando a distância física e temporal. Porém, com esta multiculturalidade crescente nos espaços físicos e virtuais, tem vindo a ser necessário o uso de uma comunicação de abordagem intercultural que contemple as diferenças culturais. Também nota-se através da análise, que a internet, mas em especial, as plataformas de social media, possuem o potencial de auxiliar na implementação e na divulgação de políticas culturais destinadas à imigrantes. O potencial de alcançar um público abrangente de diversas nacionalidades, culturas e etnias junto a disponibilização de ferramentas de tradução automática em diversas línguas, assim como a oferta de um espaço para criar conexões e interações entre este vasto público, fazem destas plataformas uma ferramenta ideal para auxiliar na comunicação 46 Anexos Anexo 1 - Guião entrevista - Qual/quais o(s) objetivo(s) dos social media do projeto? - Por que o Facebook e o Youtube foram as plataformas de social media escolhidas para a comunicação online do projeto? - Considera que os social media do projeto ajudaram a fomentar a integração dos imigrantes em Braga? - Acredita que os social media do projeto promoveram uma comunicação intercultural? 53