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Desenvolvimento de um sistema de data warehousing para consolidação de contas

Mota, Joana Rita Araújo

Abstract

Nas últimas décadas, os dados têm vindo a mudar o mundo a grande velocidade, especialmente, no que concerne ao mercado empresarial. O aumento exponencial da quantidade de dados disponíveis nas empresas implicou que estas procurassem soluções e estratégias para ganhar algumas vantagens competitivas face à sua concorrência. Deste modo, as empresas focaram-se essencialmente na análise aos seus dados, tanto depressa quanto possível, de uma forma eficiente para que pudessem retirar insights para suportar os seus processos de tomadas de decisão. Nesta dissertação, apresenta-se e descreve-se o desenvolvimento de um sistema de data warehousing para suporte à consolidação de contas, cujo processo visou otimizar e racionalizar o processo e facilitar a análise de informação de uma empresa. Após um levantamento de requisitos, realizado em conjunto com os agentes de decisão, procedeu-se à modelação do sistema a desenvolver. Concebeu-se um sistema de ETL específico para o data warehouse para a consolidação de contas e fez-se o devido armazenamento dos dados coletados e preparados. Posteriormente ao povoamento, os dados foram encaminhados para uma ferramenta de visualização e análise de dados, de forma a alimentar um conjunto de dashboards especificamente desenvolvidos para retirar insights valiosos que pudessem auxiliar a gestão do negócio da empresa. No final dos trabalhos desta dissertação, obteu-se um sistema para suporte à decisão, automatizado, com capacidade para realizar todas as operações necessárias e de suporte a qualquer processo de análise de dados, desde a fase de extração dos dados, das diversas fontes de informação disponíveis até à sua colocação numa plataforma de análise de dados, concebida especialmente para suporte à consolidação de contas de uma empresa.

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Universidade do Minho Escola de Engenharia Joana Rita Araújo Mota Desenvolvimento de um Sistema de Data Warehousing para Consolidação de Contas março 2024 Universidade do Minho Escola de Engenharia Joana Rita Araújo Mota Desenvolvimento de um Sistema de Data Warehousing para Consolidação de Contas Dissertação de Mestrado Mestrado em Engenharia de Sistemas Trabalho efetuado sob a orientação de Professor Doutor Orlando Manuel Oliveira Belo março 2024 Direitos de Autor e Condições de Utilização do Trabalho por Terceiros Este é um trabalho académico que pode ser utilizado por terceiros desde que respeitadas as regras e boas práticas internacionalmente aceites, no que concerne aos direitos de autor e direitos conexos. Assim, o presente trabalho pode ser utilizado nos termos previstos na licença abaixo indicada. Caso o utilizador necessite de permissão para poder fazer um uso do trabalho em condições não previstas no licenciamento indicado, deverá contactar o autor, através do RepositóriUM da Universidade do Minho. Licença concedida aos utilizadores deste trabalho: CC BY-NC https://creativecommons.org/licenses/by-nc/4.0/ i “Tenho em mim todos os sonhos do mundo.” Fernando Pessoa (Álvaro de Campos) in “Tabacaria”. ii Agradecimentos Esta dissertação é muito mais do que um projeto individual. É o reflexo de um percurso repleto de aprendizagens, desafios e colaborações enriquecedoras. Durante esta jornada académica, várias pessoas e entidades foram fundamentais para o meu crescimento académico e pessoal. Por isso, gostaria de expressar um agradecimento sincero a todos que contribuíram de alguma forma para a realização desta dissertação: Ao prof. Doutor Orlando Belo, um obrigada muito especial, pela disponibilidade, apoio e confiança, pelos ensinamentos e conselhos ao longo desta jornada. A sua orientação foi essencial neste último passo do meu percurso académico, e não poderia ter escolhido uma pessoa melhor para me guiar. À Universidade do Minho, docentes e funcionários, por todos os recursos e materiais disponibilizados que foram imprescindíveis ao longo destes anos. Aos meus amigos, e pessoas que se cruzaram ao longo do meu percurso académico, pelos bons momentos compartilhados, pelo apoio e aprendizagem mútua. E por fazerem destes anos os melhores da minha vida. À minha família, em especial, à minha mãe e irmão pelo constante apoio e incentivo em todo o meu percurso. Por acreditarem em mim, por me darem a mão e por serem o meu porto seguro em todos os momentos da minha vida. Ao Sérgio, pelo suporte e apoio incondicional, pelo companheirismo, pelos conselhos e constante ajuda durante todo o meu percurso. Por ser especial e por tudo aquilo que representa na minha vida. Obrigada por seres a minha âncora. iii Declaração de Integridade Declaro ter atuado com integridade na elaboração do presente trabalho académico e confirmo que não recorri à prática de plágio nem a qualquer forma de utilização indevida ou falsificação de informações ou resultados em nenhuma das etapas conducente à sua elaboração. Mais declaro que conheço e que respeitei o Código de Conduta Ética da Universidade do Minho. Universidade do Minho, Braga, março 2024 iv Assinado por: Joana Rita Araújo Mota Num. de Identificação: 30295201 Data: 2024.03.01 14:22:58+00'00' Resumo Desenvolvimento de um Sistema de Data Warehousing para Consolidação de Contas Nas últimas décadas, os dados têm vindo a mudar o mundo a grande velocidade, especialmente, no que concerne ao mercado empresarial. O aumento exponencial da quantidade de dados disponíveis nas empresas implicou que estas procurassem soluções e estratégias para ganhar algumas vantagens competitivas face à sua concorrência. Deste modo, as empresas focaram-se essencialmente na análise aos seus dados, tanto depressa quanto possível, de uma forma eficiente para que pudessem retirar insights para suportar os seus processos de tomadas de decisão. Nesta dissertação, apresenta-se e descreve-se o desenvolvimento de um sistema de data warehousing para suporte à consolidação de contas, cujo processo visou otimizar e racionalizar o processo e facilitar a análise de informação de uma empresa. Após um levantamento de requisitos, realizado em conjunto com os agentes de decisão, procedeu-se à modelação do sistema a desenvolver. Concebeu-se um sistema de ETL específico para o data warehouse para a consolidação de contas e fez-se o devido armazenamento dos dados coletados e preparados. Posteriormente ao povoamento, os dados foram encaminhados para uma ferramenta de visualização e análise de dados, de forma a alimentar um conjunto de dashboards especificamente desenvolvidos para retirar insights valiosos que pudessem auxiliar a gestão do negócio da empresa. No final dos trabalhos desta dissertação, obteu-se um sistema para suporte à decisão, automatizado, com capacidade para realizar todas as operações necessárias e de suporte a qualquer processo de análise de dados, desde a fase de extração dos dados, das diversas fontes de informação disponíveis até à sua colocação numa plataforma de análise de dados, concebida especialmente para suporte à consolidação de contas de uma empresa. Palavras-chave Análise de Dados, Business Intelligence,Dashboards,Data Warehouse,Data Warehousing, ETL, Visualização de Dados v Abstract Development of a Data Warehousing System for Consolidation Accounting In recent decades, data has been changing the world at a great speed, especially in the business market. The exponential increase in the amount of data available in companies has meant that they seek solutions and strategies to gain some competitive advantages over their competition. In this way, companies have focused essentially on analyzing their data, as quickly and efficiently as possible, so that they can extract insights to support their decision-making processes. In this dissertation, the development of a data warehousing system to support account consolidation is presented and described, a process aimed at optimizing and rationalizing the process and facilitating the analysis of information in a company. After a requirement survey, carried out in conjunction with decision-makers, the modeling of the system to be developed was carried out. A specific ETL system was designed for the data warehouse for account consolidation, and the collected and prepared data was properly stored. After the population, the data was forwarded to a data visualization and analysis tool, in order to feed a set of dashboards specifically developed to extract valuable insights that could assist in the company’s business management. At the end of the work of this dissertation, an automated decision support system was obtained, capable of performing all necessary operations and supporting any data analysis process, from the data extraction phase, from various information sources available, to its placement on a data analysis platform, specially designed to support the consolidation accounting. Keywords Business Intelligence, Dashboards, Data Analysis, Data Visualization, Data Warehouse, Data Warehousing, ETL vi 1Introdução 1.1 Enquadramento e Motivação Atualmente, a área de big data tem-se tornado progressivamente mais presente no quotidiano, tendo, de certa forma, vindo a auxiliar as empresas a tomar melhores decisões. As organizações começam a perceber que podem utilizar os seus dados para melhorar as suas operações e tomar decisões mais conscientes, bem como definir estratégias de atuação especialmente orientadas para a melhoria do negócio. As empresas que adquiriram a capacidade de transformar esses dados em informação e conhecimento têm vindo a se destacar, através da utilização desse conhecimento nos seus processos de tomada de decisões. Consequentemente, obtiveram vantagens competitivas (Vercellis, 2008). Abusiness intelligence representa um conjunto de ferramentas muito vasto e diverso que ajudam as empresas a recolher, organizar, analisar e a interpretar dados, que visam aumentar as suas capacidades de tomada de decisão, transformando os dados em conhecimento (Negash e Gray, 2003). Neste sentido, o processo de implementação de um sistema de business intelligence passa por identificar e extrair dados relevantes das fontes de dados, de seguida, transformar esses dados e carregá-los para um sistema de data warehousing, que trata de armazená-los para depois serem produzidos dashboards e relatórios que possam fornecer informação e conhecimento útil para os gestores. No entanto, a implementação de sistemas de business intelligence apresenta grandes desafios, tais como a necessidade de lidar com grandes volumes de dados, muitas vezes, heterogéneos, e desenvolver habilidades técnicas necessárias para o tratamento de dados e garantir a ética, a segurança e a privacidade dos mesmos (Ramos et al., 2019). Para além disto, a falta de informação sistemática, de qualidade e confiável conduz a erros e à perda de oportunidades de negócio (Costa, 2012). Por isso, quanto melhor for a qualidade dos dados, melhor será a informação produzida. Atualmente, as empresas que investem em ferramentas de big data para suportar os seus processos de negócio tendem a ter ganhos de produtividade e lucros acima da sua concorrência (Côrte-Real, 2022). Através destas ferramentas, utilizam-se os dados disponíveis nas organizações para apresentar informação relevante para os processos de tomada de decisão, dado que a informação poderá fornecer 1 aos gestores um conjunto de indicadores sobre o negócio, que poderão revelar o que aconteceu no passado e delinear possíveis situações para o futuro (Santos e Ramos, 2006). Assim, acredita-se que estes sistemas são uma ferramenta estratégica para o crescimento económico, que permitem a competitividade e o desenvolvimento inovador de muitas organizações, uma vez que estes podem contribuir para acelerar o processo de tomada de decisão (Olszak, 2022). O grupo empresarial multinacional que deu suporte a este trabalho atua em diversos setores, nomeadamente, serviços financeiros, tecnologia, imobiliário, retalho alimentar e moda, saúde e bem-estar. O volume das ações de negócio que desenvolve diariamente é enorme. Por conseguinte, a quantidade de informação que gera e que possui é enorme, o que torna maior a complexidade das suas operações e leva a grandes desafios no que toca a manter o seu negócio. Assim, uma das necessidades desta organização é manter-se, constantemente, a par da situação financeira, de cada uma das suas empresas, com o objetivo de analisar o desempenho atual e futuro das mesmas. A consolidação de contas é uma área importante para as empresas, dado que trata de um conjunto de técnicas que visa elaborar as contas consolidadas de um grupo empresarial como se de uma única empresa se tratasse (Adriana e Silva, 2018). Através de uma análise financeira, é possível recolher e estudar a informação de uma empresa para avaliar se os seus objetivos estão a ser cumpridos, particularmente a maximização do seu lucro. Desta forma, as empresas precisam de se adaptar às mudanças e à evolução das tecnologias para que consigam trabalhar com novos mecanismos e ferramentas que possibilitem extrair e aceder aos seus dados de forma eficaz e analisá-los com a finalidade de tomar decisões eficientes que possam gerar valor para a empresa. Nos últimos anos, apesar de algum desenvolvimento na área da consolidação ao nível dos sistemas de informação, ainda se verificou que esta área envolve um grande manuseamento e pouca otimização nos seus sistemas, o que acaba por dificultar as tarefas diárias e a perceção dos rendimentos e gastos dos seus negócios. Assim, a principal motivação desta dissertação é garantir que o departamento da consolidação de contas, da empresa em questão, consiga otimizar e racionalizar o processo de consolidação de contas, ao possibilitar a recolha, a integração e a análise de dados provenientes de várias fontes, através de ferramentas de business intelligence. O processo de implementar um sistema de business intelligence pode ser bastante complexo. Porém, se houver um planeamento adequado e um levantamento de requisitos bem realizado é possível desenvolver um sistema de análise de dados robusto e eficaz que seja capaz de ajudar a empresa a tomar decisões mais sustentadas e estratégicas. Desta forma, a organização conseguirá retirar insights sobre cada uma das suas empresas, o que lhe permitirá fornecer estratégias para a sua evolução e, consequentemente, facilitar nos seus processos de tomada de decisão. 2 1.2 Objetivos O objetivo principal desta dissertação é a aplicação de ferramentas de business intelligence na área da consolidação de contas, de forma a facilitar os processos de análise de informação e, consequentemente, extrair conhecimento importante para suportar a execução e o desenvolvimento dos processos que usualmente ocorrem nessa área de trabalho. Uma vez que, a consolidação de contas é uma área com grandes volumes de dados envolvendo frequentemente contas de uma empresa-mãe e das suas subsidiárias, é necessário arranjar formas automatizadas para tornar o processo de análise de informação mais eficiente e eficaz. Neste projeto, implementou-se um sistema capaz de extrair os dados necessários para os processos de consolidação de uma dada empresa e, seguidamente, fazer todas as transformações de dados essenciais, para que, no final, estes possam ser carregados num sistema de data warehousing. Posteriormente, estes dados são encaminhados para o ambiente de uma ferramenta de visualização de dados com o objetivo de alimentar um conjunto de dashboards contendo indicadores e métricas intuitivas, de forma a proporcionar uma fácil compreensão da informação tratada e orientada para os processos de tomada de decisão da empresa. 1.3 Metodologia de Investigação De maneira a atingir os objetivos propostos, adotou-se algumas linhas de orientação de alguns métodos que se consideram adequados para realizar este trabalho de dissertação. Assim, inicialmente, foi necessário estudar o domínio de trabalho para analisar e selecionar ferramentas de desenvolvimento, métodos e estratégias de pesquisa apropriados para desenvolver o sistema de suporte à decisão. A realização dos trabalhos desta dissertação orientou-se através da utilização de duas metodologias: a metodologia Design Science Research (DSR) (Hevner et al., 2004) enquanto metodologia de investigação e de trabalho, e a metodologia de Kimball (Kimball e Ross, 2002) enquanto metodologia de desenvolvimento do sistema pretendido. A metodologia de investigação foi considerada eficaz para a realização dos trabalhos e adequada para a investigação de casos de aplicação prática (Hevner et al., 2004). Esta metodologia inclui algumas etapas que devem ser seguidas no desenvolvimento do trabalho, tais como (Geerts, 2011): •Identificação do problema e motivação - Identificação dos problemas de pesquisa a serem resolvidos e justificação adequada da solução. •Definição dos objetivos da solução - Identificação dos objetivos da solução baseando-se nos 3 problemas de investigação encontrados. •Desenho e desenvolvimento da solução - Criação de um mecanismo que resolva o problema - desenho de arquiteturas, modelos, métodos para o desenvolvimento da solução que visa resolver o problema. •Demonstração - Provar que a solução funciona através da resolução de um ou mais casos do problema. •Avaliação - Avaliação da solução e comparação dos resultados alcançados. •Comunicação - Comunicação do problema e a sua solução desenvolvida para um público. A metodologia adotada no desenvolvimento do sistema foi a proposta por Ralph Kimball para o desenvolvimento de sistemas de data warehousing. Esta metodologia apresenta um conjunto bem definido de etapas de trabalho (Figura 1) - ciclo de vida dimensional do negócio - a realizar em qualquer processo de implementação de sistemas de data warehousing (Kimball e Ross, 2002). Figura 1: Ciclo de vida dimensional de negócio por Kimball e Ross (2002) Uma das etapas mais importantes do processo de construção de um sistema de data warehousing é a modelação dimensional, uma vez que é aqui que se define o propósito do sistema de data warehousing e quais os tipos de análises a realizar. Kimball eRoss apresentaram o método dos “4 passos” (Kimball e Ross, 2002) de forma a ajudar a cumprir esta fase. Os 4 passos são (Kimball e Ross, 2002): • Selecionar a área de suporte à decisão a analisar, em que é realizado um levantamento de requisitos com o objetivo de compreender as necessidades do negócio. Este é um passo fundamental para o sucesso do sistema de data warehousing, uma vez que este deve ser capaz de responder às necessidades com a finalidade de apoiar a tomada de decisão. 4 • Definir o grão das tabelas de facto que permite analisar o nível de detalhe da informação. Quanto maior for a sua granularidade, maior é o detalhe dos dados, possibilitando assim análises mais profundas. • Identificar as dimensões de análise que permitem fornecer contexto ao grão definido na etapa anterior. As dimensões fornecem informação detalhada relevante e útil para realizar análises em torno do grão da tabela de factos. • Identificar as medidas a integrar na estrutura de cada facto, que, basicamente significa, definir medidas numéricas que quantificam um facto e que representam o desempenho, as métricas ou os valores a serem analisados. As medidas que são integradas numa tabela de factos são essenciais para a análise e são acompanhadas por várias dimensões que fornecem o seu contexto. 1.4 Trabalho Realizado O desenvolvimento dos trabalhos desta dissertação assentou essencialmente em quatro fases. A saber, o conhecimento do problema e das suas necessidades, o estudo do tema, a modelação e o desenvolvimento do sistema de data warehousing a implementar e, por fim, a análise dos dados. A primeira fase consistiu na compreensão do contexto do problema e das necessidades dos agentes de decisão envolvidos, que necessitavam de uma ferramenta capaz de armazenar grandes volumes de dados e que os disponibilizasse de forma interativa e dinâmica, de forma a possibilitar a realização de análises de dados para processos de suporte à decisão. De seguida, a segunda fase do projeto caracterizou-se pelo estudo e exploração cuidada de todos os conceitos envolvidos no tema em questão, com o propósito de conhecer e compreender os diversos elementos integrantes de um sistema de data warehousing, bem como entender o funcionamento e a importância da área da consolidação de contas dentro de uma organização. Esta fase de estudo foi fulcral para absorver o conhecimento necessário para o desenvolvimento do sistema de data warehousing. Na terceira fase começou-se por definir os principais requisitos que o sistema deveria responder, realizando-se uma matriz de decisão para delinear o modelo multidimensional final. Seguidamente, foram conhecidas as fontes de informação essenciais para realizar o mapeamento dos dados para o data warehouse. Criou-se o data warehouse conforme os requisitos e o modelo multidimensional e realizouse o processo de ETL preparado para carregar os dados no data warehouse sempre que houver novas atualizações. Por fim, na última fase os dados foram encaminhados para uma ferramenta de visualização de dados de forma a realizar dashboards dinâmicos que ajudem os utilizadores na elaboração das suas análises e 5 no suporte à tomada de decisão. 1.5 Estrutura da Dissertação Para além do presente capítulo, esta dissertação contém mais quatro capítulos, nomeadamente: •Capítulo 2 - Sistemas para Análise de Dados -, que é dedicado ao enquadramento teórico dos temas abordados ao longo do projeto, de forma a permitir dar suporte ao desenvolvimento do sistema e fundamentar as decisões executadas durante a realização do mesmo. •Capítulo 3 - Um Sistema para Consolidação de Contas -, que apresenta um levantamento de requisitos a que o sistema deve responder para o seu sucesso e, seguidamente, descreve a modelação multidimensional, na qual caracteriza todos os elementos de dados do data mart a ser desenvolvido. •Capítulo 4 - Um Data Warehouse para Consolidação de Contas -, que detalha a implementação do sistema desenvolvido, descrevendo as fontes de dados e o mapeamento dos dados para o sistema, explica o funcionamento do processo de ETL implementado e, por fim, apresenta algumas análises e uma previsão aos dados, demonstrando alguns elementos gráficos relevantes. •Capítulo 5 - Conclusões e Trabalho Futuro -, que resume tudo o que foi discutido e realizado ao longo do processo de realização desta dissertação, bem como apresenta possíveis ideias do que poderá ser feito, futuramente, para melhorar o sistema desenvolvido. 6 2Sistemas para Análise de Dados 2.1 Big Data Antes do aparecimento dos sistemas e soluções big data, as organizações não tinham capacidade de armazenar todos os seus ficheiros por longos períodos, nem gerir com eficácia enormes volumes de dados, visto que as tecnologias tradicionais possuem armazenamento limitado e ferramentas caras com pouca flexibilidade (Oussous et al., 2018). Atualmente, as empresas começam a perceber a importância de usar cada vez mais os seus dados para apoiar as suas decisões estratégicas para o negócio. Na realidade, quanto maior for o volume de dados mais eficientes serão os seus processos de tomada de decisão, devido às possíveis correlações entre os diversos elementos de dados que seriam difíceis de encontrar se estes fossem analisados em pequenos volumes separados (Ularu et al., 2012). Desta forma, com o passar do tempo, os dados foram crescendo em grande escala, devido ao aumento de fontes de dados e de ferramentas de recolha de dados, que foram produzindo grandes volumes de dados (Magalhães, 2019). Consequentemente, as tecnologias tradicionais passaram a ser menos eficientes, uma vez que começaram a revelar um desempenho lento, incapacidade de escalar e menor precisão (Oussous et al., 2018). Assim, surgiu a necessidade de apostar em tecnologias e soluções para big data (Magalhães, 2019). A definição exata do termo big data é quase impossível de encontrar, uma vez que não há um conceito único, devidamente formalizado (Kubina et al., 2015). Há uma variedade de definições diferentes que foram propostas por vários autores ao longo do tempo. Mas, na generalidade, big data refere-se a enormes quantidades de dados estruturados, semiestruturados e não estruturados produzidos pelas organizações, indivíduos e máquinas. Esses dados têm uma natureza tão complexa que requerem tecnologias poderosas e avançadas (Oussous et al., 2018). Kubina et al. (2015) definem big data como um conjunto de dados cujo volume está além da capacidade das ferramentas tradicionais de base de dados para o recolher, armazenar, gerir e analisar. Da mesma forma, Davenport (2014) refere que big data trata de recolher e interpretar dados de grande dimensão, fornecidos pelo poder da computação que permite aceder e monitorizar informação de várias 7 fontes. Já Chen et al. (2014) abordam a questão da velocidade dos dados mencionando que o termo big data, geralmente, inclui quantidades enormes de dados não estruturados que precisam de ser analisados de forma rápida e em tempo real. O volume de dados é uma das principais razões pelas quais o big data é tão importante, porque cada vez mais há dados e informação disponível, sendo notório a sua dimensão. No entanto, surgiram outras características, tais como: a variedade e a velocidade (Gandomi e Haider, 2015). Estas três características ficaram conhecidas pelos “Três V’s” (volume, variedade e velocidade) para caracterizar o significado do conceito de big data. O volume diz respeito à capacidade física que está a ser utilizada, ao tamanho do número de registos, de transações ou de tabelas que vão crescendo à medida que se vão recolhendo cada vez mais dados (Kubina et al., 2015). Com o volume de dados a aumentar, as empresas passam a ter o desafio de armazenar, processar e analisar de forma eficiente toda essa informação, o que se revela uma grande oportunidade para obter insights acerca dos seus negócios. Além da explosão de volumes de dados, existe uma grande variedade de dados. A variedade refere-se a um conjunto de dados heterogéneos na sua estrutura, uma vez que, hoje em dia, existem várias formas de criar dados através de pessoas para pessoas, de pessoas para máquinas e de máquinas para máquinas (Côrte-Real, 2022). Com os avanços tecnológicos é possível que as empresas utilizem vários tipos de dados, de várias fontes, estruturados, semiestruturados e não estruturados (Kubina et al., 2015). Para além disto, a velocidade com que os dados são gerados e transmitidos aumentou drasticamente, tornando-se, assim, importante para as empresas terem a capacidade de processar os dados de forma rápida e ágil para obter informações úteis e relevantes em tempo real (Oussous et al., 2018). Mais tarde, foram identificadas e incluídas mais duas características, nomeadamente, a veracidade e o valor (Figura 2). A veracidade está relacionada com a qualidade e, consequentemente, confiança que se pode obter dos dados (Côrte-Real, 2022), pois se uma fonte apresenta muito ruído, as correlações e as interpretações dos dados serão mal realizadas, originando informação pouco verídica, o que pode conduzir a más decisões. Por último, o valor é o resultado do processamento de grandes volumes, uma vez que os dados que são extraídos, inicialmente, apresentam um valor reduzido em relação ao seu volume. Assim, após a junção de vários dados e, ao seu tratamento, é possível obter dados com maior valor, o que permitirá a analisar e retirar mais insights (Gandomi e Haider, 2015). Posto isto, as soluções de big data trazem diversas vantagens competitivas para as empresas, uma vez que permitem obter uma maior transparência da informação e do conhecimento dentro da organização, criar novos modelos de negócio ou melhorar já os existentes, como por exemplo, criar segmentos mais detalhados dos clientes com objetivo de lhes direcionar os seus serviços e, sobretudo, apoiar a tomada 8 de decisão, identificando correlações úteis que possam estar omitidas (Kubina et al., 2015). De facto, as empresas que usufruam das tecnologias de big data estão mais perto de se tornarem líderes de mercado do que aquelas que utilizam as ferramentas tradicionais, acabando estas mesmas por ficar atrás dos seus concorrentes. Figura 2: As cinco principais características do big data 2.2 Business Intelligence Abusiness intelligence é um conjunto de ferramentas que permitem às organizações transformar dados em informações valiosas para apoiar a tomada de decisão. Segundo Negash e Gray (2003), os sistemas de business intelligence combinam processos de recolha de dados, de armazenamento de dados e de gestão do conhecimento com ferramentas analíticas para apresentar informação interna e competitiva aos agentes de decisão. Para Sezões e Oliveira (2006), o conceito de business intelligence é um amplo conjunto de tecnologias para apoio à tomada de decisão que permitem um acesso rápido, partilhado e interativo da informação, bem como a sua consequente análise e manipulação. Através destas ferramentas, os utilizadores podem descobrir tendências e transformar grandes quantidades de dados em conhecimento útil. Também Ranjan (2009) refere que as ferramentas de business intelligence são vistas como tecnologias que permitem a eficiência da execução do negócio, agregando valor à informação da organização e, consequentemente, à forma como essas informações são usufruídas. O objetivo dos sistemas de business intelligence passa por aumentar a eficiência na tomada de decisão em todas as áreas de gestão, melhorar os processos e, as relações com os stakeholders e alcançar o sucesso nas empresas (Olszak, 2022). A importância do business intelligence é cada vez mais 9 notória nas organizações, uma vez que apresenta sistemas com capacidade de evidenciar informação útil praticamente em tempo real, sugerir mudanças fulcrais para o negócio, que podem resultar em vantagens competitivas. Desta forma, as organizações que têm ao dispor tecnologias de business intelligence, conseguem transformar os seus dados em conhecimento, com vista a uma tomada de decisão mais fundamentada e consciente. Contudo, essas ferramentas precisam de ter a capacidade de extrair dados de diferentes fontes, de transformar esses mesmos dados de acordo com o objetivo da solução e de carregá-los num repositório de dados específico, usualmente um data warehouse (Pereira e Costa, 2016). Para tal, são desenvolvidas arquiteturas de sistemas de business intelligence que permitem traçar a conceção do sistema. 2.3 Sistemas de Data Warehousing Os sistemas de data warehousing são infraestruturas de dados altamente sofisticadas, integrando um conjunto de componentes, tecnologias e processos que são envolvidos na criação e manutenção de um repositório de dados especializado num ou mais domínios do conhecimento: um data warehouse. Através de uma arquitetura de um ambiente de data warehousing é possível identificar os componentes que a integram, o relacionamento que existe entre eles e as funcionalidades de cada um deles (Dutra e Ciferri, 2002). 2.3.1 Arquitetura Uma arquitetura típica de um sistema de data warehousing para dar suporte à tomada de decisão dentro de uma organização tem uma configuração como a que está apresentada na Figura 3. Como se pode ver, esta arquitetura está organizada em cinco camadas, cada uma delas possuindo um conjunto de componentes, processos e tecnologias específicos, que permitem, essencialmente, realizar tarefas de recolha, transformação, armazenamento e análise de dados. O sistema começa com uma primeira camada relacionada com as fontes de dados, que suporta basicamente a operacionalidade do sistema. Normalmente, os dados que se pretendem analisar provêm de várias bases de dados operacionais dentro de uma organização, mas, em alguns casos, também de fontes de informação externas (Chaudhuri et al., 2011). Contudo, usualmente essas fontes de informação contêm dados com pouca qualidade e veracidade, o que implica a necessidade de se ter técnicas para tratamento de dados. Na camada seguinte, a transformação de dados, realizam-se os processos de ETL sobre os dados extraídos das fontes, utilizando ferramentas apropriadas, que possibilitam a integração, a limpeza, a transformação e o carregamento dos dados para as estruturas de armazenamento do sistema. 10 final do processo envolve o carregamento de dados no data warehouse (Sreemathy et al., 2021). Figura 8: Ilustração de um processo de ETL - Figura - adaptada de Wang e Liu (2020) 2.3.6 Visualização de Dados Atualmente, as empresas cada vez mais recolhem enormes quantidades de dados que precisam de ser analisados constantemente de maneira a obter insights para as suas atividades, para o seu negócio. Uma forma de o fazer com eficácia e com rapidez é compreender e explicar os dados que têm em posse de uma maneira que faça sentido. Portanto, a visualização de dados é uma forma poderosa de apresentar storytelling acerca da informação que as empresas possuem (Qin et al., 2020), uma vez que coloca os dados visualmente interativos. Esta é importante na ajuda ao olho humano na observação de ocorrências que são difíceis ou impossíveis de detetar em grandes conjuntos de dados ou em informação abstrata em formato textual (Rodríguez et al., 2015). A visualização de dados permite fornecer visualizações interativas, nas quais o utilizador pode interagir e, consequentemente, detetar padrões, tendências e correlações interessantes (Rodríguez et al., 2015). Alguns dos elementos de visualização mais utilizados num processo de visualização de dados são: •CountPlot - um gráfico de barras que mostra a contagem dos diferentes valores que surgem numa coluna. •BarPlot - um gráfico de barras com eixo xx e eixo yy, que permite analisar a relação entre duas variáveis. •DistPlot - um gráfico de barras para quantidades quantitativas, divididas em intervalos. Trata-se de um histograma para entender a distribuição dos dados. 17 •PieChart - um gráfico circular dividido por setores. Permite representar para cada categoria a percentagem de um total. •LineChart - um gráfico de linhas que mostra uma série de pontos ligados por segmentos de linha reta. Permite analisar a relação entre duas variáveis. •ScatterPlot - um gráfico de dispersão utilizado para mostrar possíveis correlações entre duas variáveis. •Table - uma tabela que serve para exibir dados textuais. Cada coluna corresponde a uma variável. Posto isto, a etapa final no desenvolvimento de um sistema de business intelligence consiste na utilização de ferramentas visuais que permitem o desenvolvimento de gráficos em dashboards que ajudam os utilizadores a explorar e interpretar a informação, extraindo conhecimento para dar suporte às suas tomadas de decisão (Freitas, 2021). Os dashboards são ferramentas de trabalho bastante poderosas especialmente orientados para a apresentação visual de dados. Usualmente permitem exibir, num único ecrã, a informação mais crucial para um ou mais utilizadores, de forma que estes sejam capazes de identificar, explorar e comunicar as áreas problemáticas que exigem ações corretivas (Velcu-Laitinen e Yigitbasioglu, 2012). Como se pode observar na Figura 9, um dashboard pode possuir diferentes elementos visuais para a consulta de dados. A seleção apropriada destes elementos desempenha um papel fundamental na interação de visualizações intuitivas para os utilizadores (Freitas, 2021). Figura 9: Exemplo de um dashboard 18 2.4 Previsão de Dados Uma previsão consiste na tentativa de antecipar o comportamento futuro com base nas condições atuais, envolvendo dados do passado. A previsão de dados deve ser uma parte integrante nas atividades de suporte à tomada de decisão, visto que pode desempenhar um papel fulcral em diversas áreas da organização. Segundo Petropoulos et al. (2022), a previsão baseia-se na premissa de que o conhecimento atual e passado pode ser usado para realizar previsões sobre o futuro. Embora seja impossível prever o futuro assertivamente, os modelos de previsão procuram ao máximo aproximar-se dessa realidade. Os métodos de previsão podem ser simples ou altamente complexos, dependendo dos dados disponíveis, incluindo dados históricos e o conhecimento de eventuais eventos futuros que possam afetar as previsões (Ferreira, 2017). Particularmente em séries temporais, existe a crença de que é possível identificar padrões nos valores históricos e implementá-los com sucesso no processo de previsão de dados futuros. 2.4.1 Séries Temporais Uma série temporal pode ser definida como um conjunto de observações relacionadas a um fenómeno específico, que variam ao longo de um período de tempo e que estão estatisticamente relacionadas (Pais, 2017). É possível que qualquer observação que seja registada sequencialmente ao longo do tempo seja considerada uma série temporal. A análise de dados de séries temporais são úteis quando se pretende prever tendências ou comportamentos que estão em mudança ao longo do tempo, como por exemplo, o volume de vendas, o valor das ações, a inflação, etc (Ferreira, 2017). Uma série temporal pode ser decomposta em quatro elementos: 1. Tendência - Movimentos regulares e consistentes durante períodos longos. Esta componente descreve o comportamento padrão ao longo do período de tempo, isto é, ascendente ou descendente. 2. Sazonalidade - Variações de movimentos que ocorrem com periodicidade curta. Ou seja, são oscilações que acontecem consecutivamente no mesmo período temporal, devido a vários fatores externos, como aumento de vendas em épocas festivas. 3. Cíclico - Movimentos cíclicos que ocorrem periodicamente e que constituem flutuações positivas e negativas não obedecendo a nenhum período temporal específico, como expansão ou recessão económica. 19 4. Ruído - Movimentos esporádicos e aleatórios. Representa todos os movimentos que não foram possíveis de identificar. 2.4.2 O Modelo ARIMA Um dos métodos mais utilizados em análise de séries temporais é apresentado como modelo ARIMA (Stellwagen e Tashman, 2013). Este tem como finalidade realizar previsões futuras com base em três componentes essenciais, nomeadamente, a: componente autorregressiva (AR), a diferenciação (I) e a componente média móvel (MA) -, estas componentes serão representadas por p,deq, respetivamente (Stellwagen e Tashman, 2013). A componente autorregressiva (AR) é um tipo de modelo de regressão, no qual a variável dependente é baseada em valores passados. A ordem desta componente, representada por p, indica quantos períodos passados são considerados para a futura previsão. Portanto, um modelo AR considera as observações dos últimos períodos ppara prever o valor atual da série temporal. Quanto maior for o valor de p, mais dados do passado são considerados, permitindo que o modelo observe mais padrões ao longo do tempo. Em baixo, está representada a fórmula 2.1 da componente autorregressiva AR, na qual tcorresponde ao período atual, ccorresponde à constante do modelo, pcorresponde à ordem da componente autorregressiva, fp corresponde à previsão para ordem a p,Xt corresponde ao valor da série no período te, por último, et que corresponde ao erro do período t(Borges, 2015). Xt=c+f1Xt−1+f2Xt−2+. . . +fpXt−p+et(2.1) A componente de diferenciação, representada por d, diz respeito ao número de diferenciações que são necessárias para transformar uma série temporal não estacionária em estacionária. Uma série temporal estacionária corresponde aos dados que não apresentam tendências, nem movimentos periódicos e que flutuam em torno de uma média constante, independentemente do tempo. Já uma série não estacionária implica que haja movimentos ao longo do tempo (Pais, 2017). Uma vez que os modelos ARIMA apenas são aplicados em séries temporais estacionárias, é necessário que haja uma transformação prévia dos dados caso a série não seja estacionária, eliminando assim a tendência e a sazonalidade (Borges, 2015). Por fim, a componente média móvel (MA), que permite analisar os erros do modelo em que verifica as diferenças entre os valores observados da série temporal e os valores previstos pelo modelo. Esta componente é representada por qe indica quantos erros observados de médias móveis são considerados. Na fórmula 2.2 está apresentada a equação da componente média móvel (MA), em que q corresponde à ordem da componente média móvel, ccorresponde à constante do modelo, tcorresponde ao período atual, Qq corresponde à média móvel de ordem a qe, por fim, et corresponde ao erro do período t 20 (Borges, 2015). Xt=c−q1et−1+−q2et−2−. . . −qqet−q+et(2.2) Em suma, o modelo ARIMA é representado pelos parâmetros p,deq. O parâmetro prefere-se ao número de termos autorregressivos, o parâmetro dé relativo ao número de diferenciações que são necessárias para transformar uma série em estacionária e, por fim, o parâmetro qque diz respeito ao número de médias móveis (Pais, 2017). Este modelo pode ser representado pela equação que está apresentada na fórmula 2.3. Xt=c+f1Xt−1−q1et−1+et(2.3) Além do modelo ARIMA, existe ainda outro modelo que leva em consideração componentes sazonais, conhecido como SARIMA (Wilher, 2022). Este modelo é utilizado para modelar séries temporais que apresentam padrões de sazonalidade, ou seja, padrões que se repetem ao longo de vários períodos de tempo regulares. O modelo SARIMA(p,d,q)(P,D,Q)mapresenta uma estrutura de parâmetros com o mesmo significado ao do modelo ARIMA. A diferença reside nos parâmetros, onde as letras minúsculas são destinadas à parte não sazonal, enquanto as letras maiúsculas são destinadas à parte sazonal (Pais, 2017). Além disso, o parâmetro mrefere-se ao período de sazonalidade na série temporal. 2.4.3 Modelação Quando se pretende utilizar um modelo de previsão, um dos desafios cruciais é determinar qual o método mais apropriado a aplicar. Para isso, é comum utilizar o método de Box-Jenkins (Stellwagen e Tashman, 2013), que apresenta um algoritmo matemático para avaliar os diversos modelos existentes. De seguida, a partir de várias observações históricas, calcula diferentes estatísticas com base nessa informação. Isto permite a identificação do modelo mais adequado para cada série temporal (Pais, 2017). Assim, a construção de um modelo passa pelas seguintes etapas: (Costa, 2015): 1. Identificação do modelo. 2. Estimativa dos parâmetros do modelo (AR, I, MA) identificado na primeira etapa. 3. Verificação e avaliação do modelo. 4. Previsão do modelo. 21 Os parâmetros ótimos que forem encontrados são determinados por meio de critérios de informação, tais como AIC (Lin, 2021) e BIC (Lin, 2021), que auxiliam na avaliação da qualidade do ajuste entre os vários potenciais modelos para uma série temporal específica (Pais, 2017). O critério de informação AIC é uma medida amplamente utilizada para medir a qualidade de modelos estatísticos. Este tem como finalidade selecionar o melhor modelo entre vários, tendo em consideração o ajustamento do modelo aos dados, bem como a sua complexidade. Além disso, o AIC penaliza modelos mais complexos, incentivando à escolha de modelos mais simples. Assim como o AIC, o critério de informação BIC visa encontrar um equilíbrio entre o ajuste do modelo aos dados e a complexidade deste. Este favorece ainda mais que o AIC os modelos mais simples, particularmente quando há um grande volume de dados. Quanto menor o valor de AIC eBIC, melhor é o modelo, pois indica que o modelo se ajusta bem aos dados observados. 22 3Um Sistema para Consolidação de Contas Antes de implementar qualquer sistema de business intelligence, o primeiro passo será compreender os objetivos e as necessidades do negócio. Neste capítulo, começou-se por apresentar a área de trabalho base, a consolidação de contas, e logo de seguida o que são demonstrações financeiras e a forma como se realizam. De seguida, tendo sido apresentado a problemática em mãos, passou-se, propriamente, ao processo de desenvolvimento do sistema de data warehousing requerido. Assim, numa fase seguinte, definiu-se e descreveu-se os principais requisitos, nomeadamente, de descrição, de exploração e de controlo e acesso, dos vários agentes de decisão envolvidos. Além disso, realizou-se a modelação multidimensional, para projetar os esquemas dos sistemas de dados, através da definição das tabelas de dimensões e das tabelas de factos, orientados para o suporte a processos de tomada de decisão, baseando-se, especialmente, nos requisitos solicitados. Este processo é fundamental para compreender os objetivos do negócio e validar o sistema com os agentes de decisão antes de ser efetivamente implementado. Como se verificou anteriormente, esta é uma das atividades mais relevantes no desenvolvimento e conceção de um sistema de data warehousing. 3.1 A Consolidação de Contas Na última década, com o crescimento económico e do grupo de sociedades mais complexos, aliado à globalização, ao aparecimento de novos mercados e, também, ao desenvolvimento tecnológico, houve a necessidade de proporcionar aos stakeholders informação financeira que permitisse uma análise adequada a um conjunto de empresas pertencentes ao mesmo grupo económico (Garcia, 2019). De forma a acompanhar a evolução da economia, verifica-se que as empresas cada vez mais apostam em diversas formas de organização, seja através de aquisições de capital de outras sociedades, de fusões com outras entidades, ou através de outros mecanismos de cooperação, como alianças estratégicas (Ribeiro, 2017). Isto acontece devido à necessidade estratégica das organizações conseguirem dar resposta à elevada competição empresarial proporcionada pela globalização das economias. Assim, as entidades unem-se com a empresa-mãe para conceber uma unidade económica de direção única, formando um grupo de 23 sociedades. Um grupo de sociedades pode-se definir como um conjunto de entidades ligadas financeira e economicamente a uma empresa-mãe que controla e gere cada uma delas, sem perder autonomia jurídica (Marques, 2019). A empresa-mãe, bem como cada uma das suas subsidiárias, além de apresentar individualmente a prestação de contas, tem a obrigatoriedade de apresentar em conjunto a prestação de contas (Ribeiro, 2017). Para executar este processo, recorre-se à consolidação de contas. Basicamente, pode-se ver a consolidação de contas como um processo que visa o fornecimento de informação económica e financeira dos grupos de sociedades (Ribeiro, 2010), que envolve um conjunto de técnicas de natureza contabilística que permitem a elaboração de demonstrações financeiras consolidadas para um grupo empresarial, como se de uma única entidade se tratasse (Couto e Dias, 2023). A contabilidade de um grupo de empresas está rigorosamente ligada à consolidação de contas, dado que o património e a rentabilidade não podem ser refletidos pelas contas individuais de cada uma das empresas do grupo (Couto e Dias, 2023). Portanto, o objetivo da consolidação de contas é agregar toda a informação financeira das empresas que pertencem ao mesmo grupo económico (Garcia, 2019), fornecendo uma imagem de transparência sobre os seus resultados. Esta permite uma visão mais completa da situação financeira e económica do grupo, uma comparação da performance do grupo com outras empresas do setor, auxilia na tomada de decisões estratégicas e demonstra a evolução do grupo aos longo dos anos. Trata-se, assim, de um processo com elevada importância para os utilizadores, e pode ser utilizado como um instrumento de (Marques, 2019): •Gestão, que - permite à empresa-mãe avaliar a situação patrimonial, financeira e económica do grupo. •Controlo interno, para - assegurar a qualidade da informação, contribuindo para a harmonização de processos e normalização da informação financeira. •Avaliação externa, que - permite fornecer a realidade financeira do grupo aos seus stakeholders. No entanto, as contas consolidadas possuem algumas limitações aquando da sua análise, nomeadamente, entidades que contenham fraca performance dentro de um grupo empresarial serem encobertas por outras empresas que obtenham melhores resultados, dificuldade em realizar comparações de resultados com outras organizações, uma vez que cada entidade empresarial possui as suas próprias características e condições e, ainda, a falta de informação detalhada individualmente sobre cada uma das empresas que compõem o perímetro de consolidação (Garcia, 2019). O processo de consolidação de contas segue, normalmente, as seguintes etapas (Marques, 2019): 24 1. Definição do perímetro de consolidação. 2. Escolha dos métodos de consolidação. 3. Levantamento das demonstrações financeiras individuais de cada entidade. 4. Conversão das demonstrações financeiras para a moeda de relato da empresa-mãe. 5. Harmonização das políticas contabilísticas. 6. Agregação das demonstrações financeiras individuais. 7. Elaboração das demonstrações financeiras consolidadas. Antes da elaboração das contas consolidadas, o primeiro passo é determinar o perímetro de consolidação, que, basicamente, consiste na definição do conjunto das empresas subsidiárias cujas contas vão ser objeto de consolidação (Ribeiro, 2010). Esta delimitação tem por base a percentagem de controlo detida pela empresa-mãe (Marques, 2019). O processo de identificação de perímetro é feito através de uma organograma organizacional que consta a empresa-mãe e suas subsidiárias. O perímetro pode ser alterado com alguma regularidade, o que provoca alguma diferença entre períodos. Assim, anualmente, deve-se redefinir o perímetro, uma vez que pode surgir entradas e saídas de empresas no grupo (Couto e Dias, 2023). 3.2 Demonstrações Financeiras As demonstrações financeiras são um conjunto de relatórios contabilísticos que refletem a situação económico-financeira de uma empresa, num determinado período, e destacam os seus pontos fortes e fracos (Quintaneiro et al., 2000). Além disso, permitem reunir um conjunto de elementos importantes para evidenciar o panorama geral financeiro de uma empresa e, por conseguinte, elaborar decisões estratégicas. Um conjunto completo de demonstrações financeiras inclui balanço, demonstração do resultado do exercício, demonstração do fluxo de caixa e demonstração das contas de capitais próprios (Quintaneiro et al., 2000). Neste trabalho apenas se abordará a demonstração de resultados do exercício. Esta visa destacar os resultados do exercício, quanto ao lucro ou prejuízo que foram obtidos na atividade da empresa. Existem dois tipos de demonstrações de resultados (Ribeiro e Morais, 2021): 1. Demonstração de resultados por natureza, que consiste na junção dos resultados apurados pela empresa, evidenciando os proveitos e custos. 25 2. Demonstração de resultados por funções, que consiste em reunir os resultados conforme as funções empresariais (produção, distribuição, administrativa e financeira). Neste trabalho apenas utilizou-se as demonstrações dos resultados por natureza. Na Figura 10 é possível ver uma demonstração de resultados por natureza. Trata-se de um documento contabilístico que fornece informações resumidas dos resultados das operações financeiras da empresa durante um determinado período específico, no qual se pretende expor os rendimentos e os gastos desse mesmo período de exercício (Quintaneiro et al., 2000). Através deste relatório financeiro é possível realizar uma avaliação do desempenho da empresa relativa a um ano e face ao ano anterior. Várias empresas possuem centenas de transações todos os meses que envolvem muitos gastos e rendimentos. Por isso, seria impensável submeter todas essas transações apenas numa única rubrica. Além disso, também impossibilitava de estabelecer relações entre as várias rubricas. Assim, originou-se um conjunto de contas de receitas e despesas ao longo do mapa financeiro. O principal objetivo final da demonstração de resultados do exercício é a obtenção do resultado líquido do exercício que se traduz no valor total de vendas do período e, de outros eventuais ganhos, subtraindo todos os custos do mesmo período (Quintaneiro et al., 2000). A demonstração de resultados do exercício é uma ferramenta fundamental para avaliar o desempenho financeiro de uma empresa, a sua rentabilidade e a capacidade de gerar lucros. Esta é frequentemente comparada com os resultados de períodos anteriores o que permite identificar tendências e padrões que podem indicar a saúde financeira da empresa, ajudando, assim, os stakeholders a tomar decisões financeiras e estratégicas. Os rendimentos e gastos são os elementos essenciais da demonstração de resultados do exercício, que permitem identificar principais fontes de receita e de despesas da empresa. Numa demonstração de resultados, os rendimentos dizem respeito à parte considerada agradável de todo o exercício de uma empresa. Trata-se, assim, de um aumento no benefício económico durante o período contabilístico. Ao contrário dos gastos, a parte menos agradável de todo o exercício, que são diminuições nos benefícios económicos da empresa (Quintaneiro et al., 2000). Ou seja, rendimentos são valores recebidos pela empresa em decorrência das suas atividades operacionais, enquanto que gastos são os valores pagos pela empresa. No documento da demonstração do resultado do exercício, tanto os rendimentos e gastos estão divididos por rubricas, sendo que uma rubrica pode conter várias sub-rubricas. Na Figura 10 pode-se observar os rendimentos e gastos que integram o relatório financeiro da demonstração de resultados. 26 ção sobre o perímetro e o local de cada empresa. Para além disso, os atributos das subdimensões são informações secundárias. Posto isto, a tabela “DimEmpresa” contém os atributos nome da empresa e os identificadores únicos das subdimensões. Esta foi considerada uma dimensão com variação histórica, na medida em que pode ocorrer entradas e saídas de empresas no grupo ou, até mesmo, mudanças de perímetro. Assim, foi necessário armazenar o histórico das empresas numa tabela denominada de “DimEmpresa_Hist”. Esta última contém os mesmos atributos da “DimEmpresa”, à exceção do número de modificação e da data de atualização que permitem identificar quando é que foram feitas as alterações nas informações da empresa. Em relação à tabela de factos “TF_Transacao”, esta possui apenas uma medida quantitativa: o valor monetário do resultado de uma transação por rubrica, empresa e período do exercício. Esta medida é o principal dado analítico que os utilizadores pretendem acompanhar e analisar, pois permite avaliar o desempenho do negócio. Resumidamente, o data warehouse é composto por uma tabela de factos e cinco dimensões, sendo que três dimensões são principais e duas são secundárias. A tabela “DimEmpresa_Hist” é uma tabela auxiliar que faz parte da dimensão “DimEmpresa”. 3.4.3 Esquema Multidimensional De seguida, apresenta-se o esquema multidimensional do data warehouse, de acordo com a caracterização da tabela de factos e dimensões realizada nas secções anteriores, com o propósito de facilitar a compreensão da estrutura de dados a ser implementada para o data warehouse. A Figura 11 ilustra um modelo de dados baseado num esquema em floco de neve, cuja tabela de factos ocupa uma posição central com três dimensões principais à sua volta, duas dimensões secundárias criadas para normalizar os dados e reduzir a redundância e uma dimensão para armazenar dados históricos. A tabela de factos contém chaves estrangeiras que permitem criar um relacionamento com as dimensões “DimRubrica”, “DimPeriodo” e “DimEmpresa”, fornecendo informação adicional para contextualizar a medida de negócio a ser analisada. Cada registo nesta tabela representa o valor de uma transação de uma rubrica, efetuada por uma empresa, durante um determinado período do exercício. As dimensões representam atributos descritivos importantes para a análise do negócio, e cada uma delas possui uma chave primária única que a identifica. No que concerne à dimensão “DimEmpresa”, esta fragmenta-se em duas subdimensões que a caracterizam, resultando assim em duas chaves estrangeiras que se relacionam com as dimensões “DimLocal” e “DimPerimetro”. Isto significa que um mesmo local pode abranger várias empresas sediadas e um mesmo perímetro pode incluir inúmeras empresas. Para além disso, a dimensão “DimEmpresa” é 33 uma tabela com variação o que implica que haja uma dimensão que armazene o seu histórico. Assim sendo, a dimensão “DimEmpresa_Hist” contém uma chave estrangeira que permite o relacionamento com a dimensão empresa e a chave primária passa a ser o número de modificação. Isto acontece porque uma empresa pode sofrer várias alterações ao longo do tempo. Figura 11: Esquema multidimensional do data warehouse desenvolvido 34 4Um Data Warehouse para Consolidação de Contas 4.1 A Arquitetura do Sistema de Data Warehousing 4.1.1 Ferramentas Utilizadas Para a implementação do sistema de data warehousing, foi essencial selecionar algumas ferramentas tecnológicas que pudessem ser o suporte e a base de todo o desenvolvimento do projeto. A ferramenta de ETL escolhida será usada como a principal ferramenta de trabalho, uma vez que possui os serviços essenciais para a extração, a transformação e o carregamento dos dados de forma automatizada no data warehouse. Atualmente, existem várias ferramentas de ETL user-friendly no mercado, que simplificam muito o trabalho de criação de um sistema de povoamento de um data warehouse. No entanto, não foi utilizado nenhuma delas. O sistema de povoamento foi implementado em Python e o data warehouse acolhido em SQLite. O SQLite é uma base de dados relacional de código aberto (Allen et al., 2010). A linguagem Python foi utilizada para executar todos os scripts produzidos no processo de ETL de uma só vez de maneira a tornar o processo automatizado. Por último, foi utilizada a ferramenta Microsoft Power BI, uma ferramenta de business intelligence que permite visualizar dados de forma interativa e dinâmica através de dashboards que facilitam a apresentação dos dados, tornando-os mais fáceis de interpretar e analisar. 4.1.2 Etapas de Desenvolvimento Na Figura 12 está ilustrado o processo de desenvolvimento do sistema de data warehousing que foi implementado. O sistema foi desenvolvido em quatro fases. De referir: 1. Identificação das fontes de dados operacionais. 2. Processo de ETL. 3. Armazenamento no data warehouse. 35 4. Envio dos dados para uma aplicação de business intelligence. Na primeira etapa são conhecidos os sistemas operacionais das fontes de dados. Neste caso, os dados necessários para o data warehouse estão disponíveis em três ficheiros CSV. De seguida, na segunda etapa é feito o processo de ETL, isto é, a extração dos dados das fontes, a sua transformação e o seu consequente carregamento no data warehouse. A extração dos dados das fontes é feita através da linguagem Python, que envia os dados para o sistema de gestão de base de dados SQLite. Neste sistema são realizadas todas as tarefas de limpeza e de transformação de dados, incluindo a criação de uma área de retenção para suporte à realização dessas tarefas, bem como o carregamento dos dados preparados no data warehouse. Na etapa seguinte, os dados transformados são armazenados no data warehouse e é feito o carregamento para as respetivas tabelas. O data warehouse foi criado também em SQLite. Por fim, a última etapa do sistema trata de enviar os dados diretamente para a ferramenta PowerBI através de uma conexão específica estabelecida com o SQLite. Todas estas etapas, à exceção da última, foram implementadas usando vários scripts de SQL, que, por sua vez, estão interligados com um script Python. Este script permite atualizar os dados todos de uma vez. Assim, sempre que houver novas atualizações de dados para o data warehouse, o administrador do sistema apenas precisa de correr uma única vez os scripts desenvolvidos e, em seguida, atualizar as tabelas no PowerBi. A automatização deste processo garante uma gestão eficiente e ágil dos dados no data warehouse. Figura 12: Etapas de desenvolvimento da arquitetura do sistema de data warehousing 36 4.2 Descrição das Fontes de Dados Antes de implementar o sistema, teve-se que conhecer as suas fontes de informação para compreender que tipo de dados é que nelas estariam contidos, uma vez que as mesmas podem variar em termos de qualidade, confiabilidade e a acessibilidade dos dados que dispõem. A qualidade dos dados é um fator importante a ser considerado, uma vez que dados com baixa qualidade podem levar a conclusões incorretas. A confiabilidade dos dados está relacionada com a credibilidade da fonte e, por isso, é importante saber se os dados são atualizados regularmente e se a informação disponibilizada está atual. E, por último, a acessibilidade dos dados é importante para garantir que os dados possam ser facilmente encontrados e utilizados. Assim, nesta etapa procurou-se conhecer o local no qual está guardada a informação necessária para o projeto, ou seja, tudo aquilo que se relaciona com as empresas do grupo, os seus gastos e receitas, num certo período de tempo. Nesse sentido, foram identificadas três fontes de dados internas, contendo ficheiros CSV como as principais e mais importantes para o contexto do problema a solucionar. 4.2.1 A Fonte “DRE” Esta fonte diz respeito à demonstração do resultado do exercício, na qual estão armazenados os dados relativos ao desempenho financeiro de cada empresa, durante um determinado período do exercício. Todos os meses, a equipa recebe as demonstrações do resultado de cada uma das empresas, com os valores praticados no último mês. Este conjunto de dados será regularmente extraído para o sistema, para garantir a atualização contínua da informação. Assim, como se pode observar através da Tabela 2, cada linha da fonte original representa o valor correspondente de uma receita ou de um gasto realizado por uma empresa durante um determinado mês e ano. Cada uma dessas linhas é constituída pelos seguintes atributos: •COMPANY - nome da empresa. •MONTH - mês em que foi realizada a demonstração do resultado do exercício. •YEAR - ano em que foi realizada a demonstração do resultado do exercício. •ACCOUNT_ID - código único da rubrica. •AMOUNT - valor monetário praticado relativo a uma rubrica. 37 Atributos Exemplo Tipo de Dados COMPANY Sabores da Vida Varchar MONTH October Varchar YEAR 2015 Int ACCOUNT_ID P71100000 Varchar AMOUNT 723 519.67 Float Tabela 2: Dados da fonte “DRE” 4.2.2 A Fonte “Perimetro” A fonte “Perimetro” contem os dados relativos às empresas que pertencem a um determinado grupo, ou seja, a um dado perímetro. Esta fonte possui todos os perímetros da empresa em questão. Porém apenas um deles é utilizado nesta dissertação. Estes dados não são atualizados com frequência, sendo revistos normalmente de ano em ano, a menos que hajam alterações no perímetro, tais como entradas ou saídas de empresas. Na Tabela 3 estão apresentados os atributos que integram uma linha de dados desta fonte. A sua descrição é a seguinte: •AREA_GEOGRAFICA - continente a que pertence a empresa. •DIVISAO - nome do perímetro. •PAIS - sigla do país que a que pertence a empresa. •PAIS_DESCRICAO_DETALHADA - nome do país. •SOCIEDADE - nome da empresa. •SEDE - nome da cidade a que pertence a empresa. •CATEGORIA - setor de atividade em que atuam as empresas do perímetro. 38 Atributos Exemplo Tipo de Dados AREA_GEOGRAFIA Europa Varchar DIVISAO MCC Varchar PAIS PT Varchar PAIS_DESCRICAO_DETALHADA Portugal Varchar SOCIEDADE Sabores da Vida Varchar SEDE Maia Varchar CATEGORIA Retalho alimentar Varchar Tabela 3: Dados da fonte “Perimetro” 4.2.3 A Fonte “Account” Nesta fonte pode-se encontrar as descrições das rubricas. Cada uma das suas linhas de dados descreve, de forma geral e detalhada, a rubrica de uma receita ou de um gasto, que é representado pelo seu código único. É uma fonte que raramente é atualizada, uma vez que as rubricas mantêm-se sempre as mesmas, exceto se houver mudanças no SNC. Esta fonte é importante, porque servirá para que, mais tarde, se possa realizar o mapeamento com a fonte “DRE”. Na Tabela 4 é possível ver os três atributos de dados mais importantes, nomeadamente: •ACCOUNT_ID - código único da rubrica. •DSC - descrição detalhada da rubrica. •DSC_GERAL - descrição geral da rubrica. Atributos Exemplo Tipo de Dados ACCOUNT_ID P71100000 Varchar DSC Vendas de mercadorias Varchar DSC_GERAL Vendas Varchar Tabela 4: Dados da fonte “Account” 4.2.4 Mapeamento de Dados A conceção de um sistema de ETL incide sobre o mapeamento dos atributos dos dados de várias fontes para os atributos das tabelas do data warehouse. Desta forma, conhecidas as fontes e os dados 39 que as integram, é fundamental elaborar um mapeamento de dados. O mapeamento é um processo de identificação de dados, normalmente provenientes de várias fontes de dados, com a finalidade de correspondê-los às tabelas de dimensão e de factos no sistema de data warehouse. É uma etapa essencial para o desenvolvimento de um data warehouse, pois garante que os dados sejam integrados e organizados de forma eficiente. A Tabela 5 apresenta uma visão geral do mapeamento de dados entre as fontes de dados e as tabelas de destino para o data warehouse, e os atributos associados em ambas. Além disso, são apresentados os tipos de dados de cada atributo nas fontes e os tipos de dados esperados no futuro sistema. Essa informação é importante para entender o formato de cada atributo, quer seja um número inteiro, decimal ou texto. No que diz respeito à fonte de dados “DRE”, esta é a principal fonte que fornece informações sobre os valores das rubricas realizadas pelas entidades num determinado mês e ano. Nesse sentido, os atributos “YEAR” e “MONTH” foram mapeados para a dimensão “DimPeriodo”, visto que apresentam o período em que foi elaborada a demonstração dos resultados. É importante observar que esses atributos mantiveram o mesmo formato de dados, o que facilitou a integração. O atributo “COMPANY” foi associado à dimensão “DimEmpresa”, com o mesmo formato de dados, a fim de obter o nome de todas as empresas dentro do perímetro. Por outro lado, o atributo “AMOUNT” da mesma fonte foi direcionado para a tabela de factos “TF_Transacao”, uma vez que é a principal medida de negócio a ser analisada. Este apresenta um formato de número decimal, no entanto no data warehouse será convertido para um formato de número inteiro para simplificar futuras análises, já que habitualmente é mais conveniente trabalhar com valores arredondados. Relativamente aos dados da fonte “Perimetro”, estes estão relacionados com a caracterização do grupo, ao qual as entidades pertencem, assim como as suas localizações. Os atributos como “AREA_GEOGRAFICA”, “PAIS” e “SEDE” foram mapeados para a subdimensão “DimLocal”, enquanto que os atributos “DIVISAO” e “CATEGORIA” foram direcionados para a subdimensão “DimPerimetro”. Todos os atributos desta fonte mantiveram o seu formato. Por fim, em relação à fonte de dados “Account”, esta contém as informações das rubricas, incluindo o código único e as descrições para cada uma delas. Estes atributos foram mapeados para a dimensão “DimRubrica” e mantiveram os mesmos formatos de dados. Em suma, o mapeamento de dados permite planear e compreender a passagem dos dados das fontes para o data warehouse e o tipo de alterações que serão necessárias. Na Tabela 5 é possível também verificar as alterações dos nomes dos atributos, tornando-os mais uniformes no data warehouse. 40 Fonte de Dados Atributo Origem Tipo de Dados Origem Tabela Destino Atributo Origem Tipo de Dados Destino DRE.csv YEAR Int DimPeriodo ano Int DRE.csv MONTH Varchar DimPeriodo mes Varchar DRE.csv COMPANY Varchar DimEmpresa nome Varchar DRE.csv AMOUNT Float TF_Transacao valor Int Perimetro.csv AREA_GEOGRAFICA Varchar DimLocal continente Varchar Perimetro.csv PAIS_DESCRICAO_DETALHADA Varchar DimLocal pais Varchar Perimetro.csv PAIS Char(2) DimLocal sigla Char(2) Perimetro.csv DIVISAO Varchar DimPerimetro nome Varchar Perimetro.csv CATEGORIA Varchar DimPerimetro setor Varchar Account.csv ACCOUNT_ID Varchar DimRubrica codigo Varchar Account.csv DSC Varchar DimRubrica descricao_detalhada Varchar Account.csv DSC_GERAL Varchar DimRubrica descricao Varchar Tabela 5: Mapeamento dos dados origem para as tabelas destino no data warehouse 4.3 A Implementação do Data Warehouse Para implementar qualquer processo de povoamento no data warehouse, é imprescindível assegurar a sua existência prévia. Para isso, a implementação física do data warehouse foi realizada nos servidores e sistemas internos da empresa de maneira a garantir o controlo da infraestrutura, o acesso aos dados e a segurança. A construção do data warehouse foi feita através de um conjunto de queries em SQLite para realizar as suas operações, em particular, a criação das tabelas de dimensão, uma a uma, e a tabela de factos. Assim, a criação do data warehouse é feita de “fora para dentro”, uma vez que se começa pela criação das dimensões secundárias, das dimensões principais e, por último, a tabela de factos. Esta abordagem permite que as dimensões sejam primeiramente povoadas, deixando para o final a povoação da tabela de factos, devido à necessidade de aplicar as regras de integridade referencial que foram estabelecidas. Posto isto, começou-se por criar as tabelas das dimensões secundárias, nomeadamente, a dimensão “DimLocal” e a dimensão “DimPerimetro”, respetivamente. Seguidamente, criou-se a tabela de dimensão “DimEmpresa” que interligou-se com as dimensões secundárias, através das suas chaves primárias, bem como a tabela da dimensão “DimEmpresa_Hist”, que se interligou com a dimensão “DimEmpresa” através da chave primária. Depois, foi criada a tabela da dimensão “DimPeriodo” e “DimRubrica”. Por fim, fez-se a criação da tabela de factos “TF_Transacao”, estabelecendo-se as devidas regras de integridade com as tabelas de dimensão diretamente relacionadas. Após a criação de todas as tabelas do data warehouse, o sistema ficou preparado para ser povoado. 41 4.4 Implementação do Sistema ETL O sistema de ETL é um processo usado para povoar os dados do data warehouse com os dados que forem extraídos das fontes de dados. Este é um processo fulcral que deve ser bem delineado, para que se possa garantir que os dados estejam disponíveis para a análise e que estejam de acordo com os requisitos definidos para a implementação do data warehouse. O sistema de povoamento envolve três fases diferentes de trabalho: extração, transformação e carregamento dos dados. 4.4.1 Extração dos Dados das Fontes A primeira fase do processo de ETL envolve a extração dos dados das suas fontes originais. Após o estudo das três principais fontes de dados, estabeleceu-se uma conexão com cada uma dessas fontes por forma a se poder aceder aos dados nelas contidas. Os dados foram extraídos utilizando um script Python, que enviou os dados para um sistema de gestão de base de dados SQLite. Na Figura 13 é possível verificar todos os dados que foram extraídos das fontes “DRE”, “Perimetro” e “Account”, bem como os dados que foram selecionados para a etapa da transformação. 4.4.2 Transformação dos Dados A fase seguinte do processo de ETL envolve a transformação dos dados. Esta é uma das fases mais complexas e cruciais do processo de ETL, uma vez que é nesta fase que se garantirá a qualidade e a veracidade dos dados. É muito natural que, ao se analisar os dados, se encontrem algumas inconsistências, erros, informação duplicada ou, valores omissos. De modo a resolver-se esses problemas, realizaram-se diversas tarefas de limpeza e de transformação numa zona de retenção de dados. Uma área de retenção é uma componente essencial durante o processo de ETL, na qual se armazenam os dados em bruto antes de serem processados e carregados no data warehouse. Durante esta etapa, os dados são limpos, transformados e enriquecidos para que possam ser utilizados de forma consistente por outros processos posteriormente. Para criar uma área de retenção foi necessário definir a estrutura das tabelas necessárias para armazenar os dados requeridos. Estrategicamente, optou-se por estruturá-las de igual forma à estrutura das tabelas do data warehouse, para permitir, mais tarde, um carregamento ágil e direto no sistema. No entanto, não foram estabelecidas ligações entre as tabelas referidas. Em todas as tabelas da área de retenção, foi criada uma chave primária incremental, que atribui um identificador único a cada novo registo. No entanto, na tabela “AR_Empresa” o caso é diferente. Se a chave primária fosse incremental, 42 As validações realizadas foram baseadas nas diretrizes elaboradas pelos autores Ferreira et al. (2010) que referem vários testes de validação que procuram garantir que todos os dados esperados sejam carregados, que o sistema ETL rejeite ou substitua os valores por defeito, que o carregamento dos dados e aperformance seja eficiente e que o processo de ETL funcione corretamente. Para o desenvolvimento e teste do sistema, optou-se por utilizar um pequeno volume de dados. Como tal, apenas foram utilizados os dados relativos ao ano de 2015. Com esses dados, foram realizadas as seguintes validações: • Comparou-se o número de registos entre os dados extraídos das fontes e os dados carregados para o data warehouse, garantindo que não houvesse duplicados ou dados em falta. • Validou-se os atributos que possuem valores únicos, garantindo a sua unicidade. • Procurou-se verificar os conteúdos de cada atributo, com fim de validar se o formato e o tipo de dados estavam corretos. • Procurou-se testar a integridade referencial garantindo que as chaves estrangeiras e os relacionamentos entre as tabelas fossem respeitados. • Garantiu-se que os dados com valores nulos fossem sempre convertidos para “desconhecido”. • Procurou-se garantir que todos os processos de transformação fossem aplicados. • Efetuaram-se operações de consultas simples para validar a performance do data warehouse. Posteriormente, realizou-se um segundo teste, carregando os dados relativos ao ano 2016. Este teste foi essencial para verificar se o sistema cumpria todas as especificidades necessárias para a transformação dos dados. Após a realização deste teste, é possível afirmar que o sistema de ETL estava preparado para os próximos carregamentos de dados. 4.7 Refrescamento do Data Warehouse O refrescamento de um data warehouse envolve o processo de atualização dos dados armazenados no sistema de data warehousing a partir das suas fontes de dados. Este processo deve ser feito regularmente para manter a informação do data warehouse atualizada e disponível para consulta e análise dos dados. No entanto, escolher a melhor abordagem para a atualização dos dados depende muito das necessidades e dos requisitos do sistema e, principalmente, do negócio em questão. Assim, é necessário compreender qual será a melhor estratégia de refrescamento do data warehouse. 49 O carregamento diferencial é considerado a melhor abordagem, uma vez que apenas os dados novos ou modificados desde a última atualização do sistema são extraídos. Isto é, apenas os dados que foram alterados nas suas fontes são carregados para o data warehouse. Por exemplo, se no próximo carregamento houver um novo grupo de empresas, apenas é adicionado esse grupo, sem a necessidade de recarregar os dados das empresas já existentes no sistema. O mesmo se aplica para o período de tempo em que só é acrescentado dados novos caso ainda não esteja no sistema, por exemplo, o atributo ano. Este tipo de carregamento é particularmente útil em cenários com grandes volumes de dados e alterações frequentes nas fontes de dados, tornando o processo mais eficiente, reduzindo o tempo e os recursos envolvidos e, mantendo o data warehouse sempre atualizado. Quanto ao agendamento do refrescamento dos dados, este deve ser planeado de acordo com as necessidades do negócio. Alguns sistemas podem exigir atualizações diárias, enquanto que outros podem funcionar bem com intervalos de tempo maiores. No caso deste sistema de data warehousing, optou-se por atualizar os dados no primeiro dia de cada mês, o que abrange apenas os dados relativos ao mês anterior. Esta escolha é especialmente relevante, uma vez que as demonstrações financeiras consolidadas são enviadas mensalmente para o sistema, o que demonstra a importância de alinhar o agendamento do refrescamento do data warehouse com as necessidades e processos de negócio. Além disso, à medida que o data warehouse cresce e evolui com novos dados, a estrutura de dados e os processos de refrescamento devem ser ajustados e otimizados para garantir o desempenho contínuo do sistema. 4.8 Visualização de Dados Para aceder aos dados das tabelas do data warehouse, o acesso foi possível através de uma conexão direta entre o PowerBI e o data warehouse. Este tipo de conexão permite reduzir o tempo de acesso aos dados, bem como o torna mais eficiente, reduz o risco de erros humanos e garante uma execução consistente. Além de simplificar o acesso aos dados, também permite que os dados sejam atualizados automaticamente no PowerBI. Ou seja, sempre que ocorrer um novo carregamento de dados no data warehouse, as tabelas no PowerBI serão atualizadas automaticamente, assim como os dashboards criados. Este é um processo fundamental, uma vez que garante que os utilizadores tenham um acesso mais rápido aos dados mais recentes, permitindo uma maior eficiência e agilidade no processo. De seguida, serão apresentados três dashboards, dois deles orientados para análise do desempenho financeiro da empresa e um outro para a previsão de vendas. O desenvolvimento destes dashboards teve como finalidade responder aos requisitos expostos anteriormente no capítulo 3. O processo de criação dos dashboards não levantou grandes problemas, uma vez que os seus requisitos foram bem definidos. Primeiramente, foi criado um dashboard direcionado para a análise dos resultados gerais do 50 grupo, para permitir a análise global do desempenho financeiro da empresa. De seguida, desenvolveu-se um dashboard especificamente orientado para a análise do volume de negócios do grupo. Por último, foi elaborado um dashboard que permitisse obter uma previsão de vendas da empresa para o ano seguinte. De referir que, por questões de privacidade, os nomes das empresas do grupo foram alterados, sendo apresentados nos dashboards nomes de empresa fictícios. 4.8.1 Análise dos Resultados Gerais Neste dasboard é analisado duas das principais medidas de desempenho, o resultado líquido e o EBITDA. O resultado líquido é uma métrica crucial para avaliar a rentabilidade e o desempenho financeiro da empresa. Esta reflete o valor líquido que a empresa efetivamente ganha após considerar todas as despesas e impostos, representando, portanto, o resultado das operações da empresa. Um resultado líquido positivo indica que a empresa obteve lucro, enquanto que um resultado líquido negativo indica prejuízo para a empresa. Quanto ao EBITDA, este é uma medida financeira amplamente utilizada para avaliar a capacidade de gerar lucro e o desempenho da empresa ao longo do tempo. O valor do EBITDA representa o lucro operacional antes de se levar em consideração os efeitos das despesas financeiras, impostos, depreciações e amortizações. Quando este é positivo, significa que a empresa está a gerar lucro antes de considerar as despesas. Contudo, é muito possível que uma empresa obtenha um EBITDA alto, indicando um bom desempenho operacional, e, no final, obter um resultado líquido baixo, devido a valores significativos das despesas financeiras. Para além disso, o tamanho da empresa também afeta o resultado, uma vez que empresas maiores podem ter um resultado maior, devido a ter muitas operações. Na Figura 22 são apresentados os resultados obtidos nos anos 2015 e 2016. Figura 22: Resultado líquido e EBITDA Na Figura 23, está apresentado o número de empresas que obtiveram lucro ou prejuízo, por trimestre. Como se pode verificar através da Figura 23, em todos os trimestres houve sempre um maior número de empresas com lucro, destacando-se o quarto trimestre como o período com mais empresas que obtiveram 51 lucro. Isto permite ter uma visão geral acerca do grupo para ver se ele apresenta mais entidades lucrativas, pois se caso todos os trimestres houvesse mais empresas com prejuízo seria necessário repensar a estratégia de negócio. Figura 23: Gráfico do número de empresas que obtiveram lucro e prejuízo Os gráficos seguintes (Figura 24) identificam as três principais empresas com os maiores prejuízos e lucros. Através da sua análise, é possível identificar quais as empresas que precisam de uma atenção especial, quer seja para melhorar o seu desempenho ou para aproveitar o seu potencial de crescimento. Como se pode observar pela Figura 24, as empresas que apresentam prejuízo nos anos 2015 e 2016 são a “Comida Orgânica”, o “Jardim Florido” e a “Fabrica de Ideias”. Para o mesmo período, as empresas que apresentam maior lucro são a “Easymobile”, a “Magia do Saber” e o “Mercado Express”. Figura 24: Gráfico do top 3 de empresas com maior lucro e maior prejuízo De seguida, na Figura 25, apresenta-se um gráfico de evolução do resultado líquido ao longo dos meses, que evidencia picos altamente significativos nos meses de abril e maio e, posteriormente, entre 52 setembro e outubro. Neste gráfico é possível destacar alguns meses com um resultado líquido negativo, como fevereiro, junho, agosto e novembro, meses críticos que precisam de novas estratégias de negócio para potenciar o crescimento. Figura 25: Gráfico de evolução do resultado líquido nos anos 2015 e 2016 Por fim, na Figura 26 apresenta-se o dashboard, com todos os gráficos descritos anteriormente, que fornece uma visão geral da situação financeira do grupo, com dados relativos aos anos de 2015 e 2016. Neste dashboard também é possível visualizar a distribuição das empresas sediadas por país, sendo Portugal o local com maior representatividade. O objetivo é obter uma visão abrangente do total de empresas que fazem parte do grupo e do local onde estão localizadas. Além disso, permite filtrar os dados por país, de modo a obter uma visão mais detalhada dos resultados das empresas por país. Figura 26: Dashboard de análise de resultados gerais do grupo 53 4.8.2 Análise do Volume de Negócios Na Figura 27 está apresentado o valor das métricas da receita líquida, volume de negócios e margem de lucro. Enquanto que a receita líquida diz respeito à receita total da empresa após a dedução de todos custos e despesas, refletindo efetivamente o valor que a empresa ganhou, o volume de negócios é relativo ao valor total das vendas da empresa, sem deduzir quaisquer custos ou despesas. Assim, a receita líquida trata-se de uma medida mais precisa do desempenho financeiro, enquanto que o volume de negócios é uma medida que pode ser usada para comparar empresas de diferentes setores. A margem de lucro é uma métrica financeira que mede a quantidade de lucro que a empresa obteve em relação às suas receitas. Se a empresa apresentar uma margem de lucro negativa, indica que teve um prejuízo, o que significa que a empresa gastou mais do que recebeu. Portanto, quanto maior for a margem de lucro, maior será a proporção do lucro em relação à receita. Deste modo, consegue-se ver que a diferença entre o volume de negócios e a receita líquida não é muito significativa, tendo existido poucas deduções de despesas. Para além disso, por cada venda realizada em 2015 e 2016, obteve-se uma margem de lucro de 4%. Figura 27: Receita líquida, volume de negócios e margem de lucro Seguidamente, na Figura 28, pode-se observar a percentagem de valor por cada categoria de receita, como vendas, prestações de serviços, rendimentos e ganhos financeiros, ganhos de investimento e outros rendimentos. A maior percentagem de rendimento são as vendas, seguindo-se de outros rendimentos e de prestações de serviços. Apesar das vendas normalmente serem a maior fonte de receita para as entidades do grupo, existem entidades que apenas prestam serviços a outras entidades. 54 Figura 28: Gráfico de percentagem de valor por receita Na Figura 29 pode-se ver o “top” três de empresas com maior volume de negócios, que foram “Chef em Casa”, a “Comida Organica” e a “Comida com Prazer”. Um facto interessante a observar é que nem sempre as empresas com maiores volumes de negócios conseguem apresentar lucros no final do período do exercício. Por exemplo, a empresa “Comida Organica”, apesar de ser uma das empresas com maior volume de negócios, também apresenta o maior prejuízo (Figura 24). Isto significa que as receitas da empresa provavelmente não são suficientes para compensar todas as despesas. Figura 29: Gráfico de top 3 de empresas com maior volume de negócios Por fim, na Figura 30 está apresentada a evolução das receitas e o custo de vendas ao longo dos 55 meses. A finalidade é analisar em que alturas do ano é que os custos de vendas são maiores à receitas de vendas. Através do gráfico (Figura 30) pode-se verificar que ao longo do período as receitas são, geralmente, maiores que o custo de vendas, destacando os meses de agosto a outubro como aqueles que têm maior receita de vendas. Já nos meses de junho e de novembro, a receita não compensa significativamente os gastos. Figura 30: Gráfico de evolução dos custos e ganhos de vendas por mês Na Figura 31 pode-se ver o dashboard do volume de negócios do grupo para os anos 2015 e 2016. Neste dashboard está incorporada uma tabela com as empresas todas do grupo, que pode ser filtrada para visualizar a informação relativa a cada empresa. No entanto, o objetivo principal é obter uma visão geral do volume de negócios do grupo. Sempre que houver novo refrescamento no data warehouse, o dashboard é atualizado com novos dados. Figura 31: Dashboard de análise de volume de negócios 56 4.9 Previsão de Vendas A previsão de vendas é um processo complexo que envolve diversas técnicas e métodos para estimar futuras receitas de vendas. Trata-se de um desafio importante e fulcral para as empresas, uma vez que uma previsão deve permitir ajudar a tomar decisões estratégicas, com base em informação histórica e confiável. Na Figura 32 pode-se observar uma previsão de vendas realizada para os meses seguintes do ano 2017. Esta previsão desempenha um papel crucial no planeamento financeiro, permitindo estimar as despesas e as receitas, bem como calcular o lucro esperado. Além disso, ajuda a empresa a tomar decisões estratégicas, tais como a definição de novos objetivos, o desenvolvimento de novos produtos ou de serviços e, até uma possível expansão para novos mercados. Também permite uma melhoria no desempenho da empresa, identificando oportunidades de crescimento e áreas de trabalho que precisam de melhorias. Existem vários métodos de previsão de vendas. A escolha do método mais adequado deve ser feita com base na quantidade de dados disponíveis, nas necessidades da empresa e no contexto específico do problema em questão. Uma vez que apenas foram fornecidos dados relativos aos anos de 2015 e 2016 para o desenvolvimento do data warehouse, este acaba por fornecer pouca informação histórica. Por essa razão, o modelo ARIMA foi considerado o mais adequado. 4.9.1 O Modelo ARIMA Para a realização da previsão de vendas para o ano seguinte, 2017, foi utilizado o modelo ARIMA. Este modelo foi escolhido por ser um método simples de compreender e de implementar, e por ter a capacidade de lidar com tendências e sazonalidades, o que o torna adequado para modelar séries temporais com padrões, já que os dados das vendas dos anos 2015 e 2016 apresentam tendências ao longo do tempo. A aplicação deste modelo foi feita através de uma implementação específica, em Python. No processo de implementação, foi utilizada a biblioteca “pmdarima” (Smith et al., 2017), que possui várias funções que permitem executar modelos ARIMA em Python. A função “auto_arima()” da biblioteca tem como propósito explorar várias combinações possíveis entre as ordens p,deqe escolher o modelo que melhor se ajusta aos dados com base num conjunto de critérios, como o AIC ou o BIC. Estes critérios são duas medidas de qualidade usadas para avaliar o modelo. Quanto menor for o valor de ambos, melhor será modelo. A função, com base em vinte e quatro observações, encontrou os melhores parâmetros para o modelo ARIMA(1,2,3) e para o modelo SARIMA(1,0,0)12 que resultou do modelo SARIMAX. Os resultados obtidos com esta função estão apresentados na Tabela 6. O modelo SARIMAX é uma combinação entre o modelo 57 ARIMA não sazonal e o modelo SARIMA sazonal, sendo utilizado para modelar uma série temporal. Esta combinação de modelos é frequentemente utilizada quando se está a lidar com séries temporais, que apresentem tanto padrões sazonais como tendências não sazonais. Neste caso, o modelo ARIMA apresenta um componente autorregressivo de ordem a 1 (AR), um componente de diferenciação com ordem a 2 (I) e um componente de média móvel de ordem a 3 (MA). Já o modelo SARIMA apresenta um componente autorregressivo sazonal de ordem a 1 (SAR), nenhuma diferenciação sazonal (DS) e nenhuma média móvel sazonal (SMA). Para além disso, sugere uma sazonalidade anual (doze meses). Resultados SARIMAX Melhor modelo ARIMA(1,2,3)(1,0,0) [12] Número de Observações 24 AIC 1041.854 BIC 1048.400 Tabela 6: Resultados do melhor modelo ARIMA 4.9.2 O Resultado Final Após a aplicação do modelo, foi gerado um gráfico que nos permite comparar os dados previstos de vendas e os dados correspondentes a anos anteriores. Na Figura 32 está apresentada a previsão de vendas mensais para o ano 2017. Através da sua análise, pode-se verificar que as previsões de vendas para 2017 seguem padrões sazonais semelhantes aos de anos anteriores. Notavelmente, a tendência sazonal aponta para aumentos nas vendas durante os meses de abril a maio e, posteriormente, entre julho e outubro. No entanto, o modelo implementado prevê que os meses de fevereiro, junho e novembro continuarão a registar vendas baixas, mantendo, assim, a consistência dos dados históricos. Em suma, o resultado obtido mostra que o modelo é eficaz ao se manter próximo da realidade observada em anos anteriores. O modelo também permite auxiliar na capacidade de prever comportamentos futuros, proporcionando uma base sólida para o desenvolvimento de estratégias e de processos de tomada de decisão sustentados. 58 Ahmed Oussous, Fatima Zahra Benjelloun, Ayoub Ait Lahcen, e Samir Belfkih. Big Data technologies: A survey. Journal of King Saud University - Computer and Information Sciences, 30(4):431–448, 10 2018. ISSN 2213-1248. doi: 10.1016/j.jksuci.2017.06.001. João Pedro Fernandes Pais. Métodos de Previsão. Master’s thesis, Faculdade de Economia da Universidade do Porto, 2017. José Luís Pereira e Marco Costa. Decision support in big data contexts: A business intelligence solution. 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