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Metodologia para implementação do BIM-FM: caso de estudo

Correia, Matheus Bento

Abstract

Com o passar dos anos, a construção civil tem passado por um processo evolutivo e, nesse aspeto, algumas mudanças vêm sendo sentidas, quer no âmbito económico ou mesmo de mentalidade. Os edifícios têm se tornado cada vez mais complexos e com grande riqueza de detalhes e, para tal, aprimorar a forma como se faz engenharia é cada vez mais preciso nos dias atuais. A mentalidade dos stakeholders tem se voltado a buscar mecanismos que propiciem o controlo sobre as mais variadas fases do ciclo de vida das edificações e, que, ao mesmo tempo facilite a gestão em todas estas. Paralelo a este cenário, a indústria da construção civil tem percebido a relevância da otimização de processos e redução de custos nas fases de operação e manutenção, fase esta com extrema relevância, em muitos aspetos. A utilização de métodos tradicionais para gerir equipamentos, processos e pessoas já não satisfaz às necessidades atuais do setor e a manutenção das condições adequadas da edificação se torna cada vez mais comprometida. O usufruto da tecnologia BIM (Building Information Modeling) vem auxiliando esse processo de controlo em todos os ciclos e vem ganhar mais força na fase de operação e manutenção. Unido ao emprego do facility management em edificações, o BIM-FM, é capaz de auxiliar na melhoria do controlo do espaço, otimizar equipas, projetos, processos, precisão de dados, e vários outros benefícios voltados a um controlo mais abrangente em que os dados necessários são extraídos de um modelo rico em detalhes e informações, preciso e capaz de fornecer suporte integral à gestão de facilidades do edificado. Desta maneira, o presente trabalho centra-se em avaliar o emprego do BIM-FM, em contexto empresarial, de um pavilhão pré-existente com o intuito de fomentar e aplicar uma metodologia padrão no edificado para usufruto das potencialidades do BIM-FM. De acordo com os objetivos propostos foi possível contribuir para a otimização dos dados contidos em projeto e, avaliar o uso dessas ferramentas para auxiliar no processo de manutenção preventiva e corretiva nas instalações, utilizando como software de modelação BIM, o Revit® e para o facility management o software Archibus®.

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Universidade do Minho Escola de Engenharia Matheus Bento Correia Metodologia para implementação do BIMFM: Caso de estudo Metodologia para implementação do BIM-FM: Caso de estudo UMinho | 2021 Matheus Bento Correia Outubro de 2021 Universidade do Minho Escola de Engenharia Matheus Bento Correia Metodologia para implementação do BIM-FM: Caso de estudo Dissertação de Mestrado Mestrado em Construção e Reabilitação Sustentáveis Trabalho efetuado sob a orientação do Professor Doutor Dinis Miguel Campos Leitão e coorientação do Professor Doutor Vítor Manuel do Couto Fernandes da Cunha Outubro de 2021 ii DIREITOS DE AUTOR E CONDIÇÕES DE UTILIZAÇÃO DO TRABALHO POR TERCEIROS Este é um trabalho académico que pode ser utilizado por terceiros desde que respeitadas as regras e boas práticas internacionalmente aceites, no que concerne aos direitos de autor e direitos conexos. Assim, o presente trabalho pode ser utilizado nos termos previstos na licença abaixo indicada. Caso o utilizador necessite de permissão para poder fazer um uso do trabalho em condições não previstas no licenciamento indicado, deverá contactar o autor, através do RepositóriUM da Universidade do Minho. Licença concedida aos utilizadores deste trabalho Atribuição CC BY https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/ iii AGRADECIMENTOS Chegar até esse momento não foi fácil. Em meio a uma pandemia, conciliar trabalho, família e a produção desta dissertação foi extremamente desafiador, entretanto é gratificante chegar neste momento. Agradeço imensamente a Deus por me permitir concluir esta etapa. Ele tem sido a minha força e fortaleza. Aos Professores Doutor Dinis Miguel Campos Leitão e Vítor Manuel do Couto Fernandes da Cunha, orientador e coorientador, respetivamente, por todo apoio, compreensão, dedicação e colaboração. Ao engenheiro João Marcelo, DST, pelo acolhimento e auxílio no decorrer desta dissertação. Ao engenheiro Mário Correia, Archibus, pela prontidão em contribuir com este projeto. Tornou-se parte indispensável para que este trabalho fosse possível. Agradeço ainda pela parceria e constante motivação da minha esposa Layra, que nunca duvidou que este momento chegaria e sempre esteve ao meu lado. Agradeço à minha família no Brasil, que mesmo distante sempre se fez presente, minha insuperável mãe Maribel, meu pai José Carlos, minhas irmãs Ana Cláudia e Juliana. Vocês são meu refúgio. Por fim agradeço aos professores, amigos e colaboradores do Mestrado em Construção e Reabilitação Sustentáveis da Universidade do Minho pela troca de experiências e constante aprendizado. Apenas Gratidão. iv DECLARAÇÃO DE INTEGRIDADE Declaro ter atuado com integridade na elaboração do presente trabalho académico e confirmo que não recorri à prática de plágio nem a qualquer forma de utilização indevida ou falsificação de informações ou resultados em nenhuma das etapas conducente à sua elaboração. Mais declaro que conheço e que respeitei o Código de Conduta Ética da Universidade do Minho. v RESUMO Com o passar dos anos, a construção civil tem passado por um processo evolutivo e, nesse aspeto, algumas mudanças vêm sendo sentidas, quer no âmbito económico ou mesmo de mentalidade. Os edifícios têm se tornado cada vez mais complexos e com grande riqueza de detalhes e, para tal, aprimorar a forma como se faz engenharia é cada vez mais preciso nos dias atuais. A mentalidade dos stakeholders tem se voltado a buscar mecanismos que propiciem o controlo sobre as mais variadas fases do ciclo de vida das edificações e, que, ao mesmo tempo facilite a gestão em todas estas. Paralelo a este cenário, a indústria da construção civil tem percebido a relevância da otimização de processos e redução de custos nas fases de operação e manutenção, fase esta com extrema relevância, em muitos aspetos. A utilização de métodos tradicionais para gerir equipamentos, processos e pessoas já não satisfaz às necessidades atuais do setor e a manutenção das condições adequadas da edificação se torna cada vez mais comprometida. O usufruto da tecnologia BIM ( Building Information Modeling ) vem auxiliando esse processo de controlo em todos os ciclos e vem ganhar mais força na fase de operação e manutenção. Unido ao emprego do facility management em edificações, o BIM-FM, é capaz de auxiliar na melhoria do controlo do espaço, otimizar equipas, projetos, processos, precisão de dados, e vários outros benefícios voltados a um controlo mais abrangente em que os dados necessários são extraídos de um modelo rico em detalhes e informações, preciso e capaz de fornecer suporte integral à gestão de facilidades do edificado. Desta maneira, o presente trabalho centra-se em avaliar o emprego do BIM-FM, em contexto empresarial, de um pavilhão pré-existente com o intuito de fomentar e aplicar uma metodologia padrão no edificado para usufruto das potencialidades do BIM-FM. De acordo com os objetivos propostos foi possível contribuir para a otimização dos dados contidos em projeto e, avaliar o uso dessas ferramentas para auxiliar no processo de manutenção preventiva e corretiva nas instalações, utilizando como software de modelação BIM, o Revit® e para o facility management o software Archibus® . Palavras-Chave: facility management , BIM-FM, manutenção preventiva, manutenção corretiva, Revit, Archibus. vi ABSTRACT Over the years, civil construction has gone through an evolutionary process and, in this respect, some changes have been felt, whether in the economic field or even in the mentality. Fact is that there has been much progress in the increase of technologies and tools to leverage the workability on several fronts. Buildings are becoming more and more complex and with great wealth of detail and, to this end, improving the way engineering is done is more and more precise nowadays. The mindset of the stakeholders has turned to seek mechanisms that provide control over the most varied phases of the life cycle of buildings and, at the same time, facilitate management in all of them. Parallel to this scenario, the civil construction industry has realized the relevance of process optimization and cost reduction in the operation and maintenance phases, a phase that is extremely relevant in many aspects. The use of traditional methods to manage equipment, processes and people no longer meets the current needs of the sector and the maintenance of the proper conditions of the building is becoming increasingly compromised. The use of BIM (Building Information Modeling) technology has been helping this control process in all cycles and is gaining more strength in the operation and maintenance phase. United to the use of facility management in buildings, the BIM-FM, is able to help improve the control of space, optimize teams, projects, processes and data accuracy, and several other benefits aimed at a more comprehensive control where the necessary data is extracted from a model rich in details and information, accurate and able to provide full support to the management of facilities of the building. In this way, the present work focuses on evaluating the use of BIM-FM, in a business context, of a pre-existing pavilion with the purpose of fostering and applying a standard methodology in the building to enjoy the potential of BIM-FM. According to the proposed objectives, it was possible to contribute to the optimization of the data contained in the project, and to evaluate the use of these tools to assist in the process of preventive and corrective maintenance in the facilities, using as BIM software, Revit® and for facility management Archibus® software. Keywords: facility management, BIM-FM, preventive maintenance, corrective maintenance, Revit, Archibus. vii ÍNDICE Agradecimentos Resumo Abstract CAPÍTULO 1: INTRODUÇÃO .................................................................................................. 1 CAPÍTULO 2: FACILITY MANAGEMENT .................................................................................. 7 2.2.1 Gestão técnica ................................................................................................... 12 2.2.2 Gestão económica ............................................................................................. 14 2.2.3 Gestão funcional ................................................................................................ 15 2.3.1 Sistema de Manutenção Integrada ..................................................................... 20 2.3.2 Plano de manutenção ........................................................................................ 20 2.5.1 Service Level Agreement .................................................................................... 29 2.5.2 Key Performance Indicators ............................................................................... 34 2.5.3 Indicadores de desempenho segundo EN 15341 ................................................ 35 2.5.4 Indicadores de desempenho económico ............................................................. 35 2.5.5 Indicadores de desempenho técnico .................................................................. 36 2.5.6 Indicadores de desempenho organizacional........................................................ 37 CAPÍTULO 3: BUILDING INFORMATION MODELING (BIM) .................................................... 40 viii 3.7.1 Vantagens da utilização do BIM-FM .................................................................... 54 3.7.2 Software BIM-FM ............................................................................................... 55 3.7.3 Construction Operations Building Information Exchange ..................................... 63 3.7.4 Implementação e normalização do BIM-FM ........................................................ 64 CAPÍTULO 4: METODOLOGIA APLICADA.............................................................................. 67 4.2.1 Caracterização do edificado ............................................................................... 68 4.2.2 Desenvolvimento/etapas do projeto ................................................................... 71 4.4.1 Arquitetura e estrutura ....................................................................................... 77 4.5.1 Sistema de classificação .................................................................................... 84 4.5.2 Configurações iniciais de dados COBie ............................................................... 87 4.5.3 Ferramentas de extensão COBie ........................................................................ 92 4.5.4 Folhas COBie ................................................................................................... 101 4.6.1 Configuração do modelo e transferência de dados ............................................ 107 4.7.1 Bases para Manutenção Preventiva .................................................................. 113 4.7.2 Bases para Manutenção Corretiva .................................................................... 117 CAPÍTULO 5: CONSIDERAÇÕES FINAIS ..............................................................................126 xv Figura 76: Agendamento de serviço gerado para manutenção preventiva: Armazém DTE (Elaborado pelo autor) .......................................................................................................... 116 Figura 77: Outras informações disponíveis sobre manutenção para catalogação no Archibus (Archibus, 2020) .................................................................................................................. 117 Figura 78: Rotina de manutenção corretiva, segundo Calil; Teixeira (1998) ............................ 118 Figura 79: Identificação e localização por parte do funcionário 1 (Elaborado pelo autor) ......... 119 Figura 80: Preenchimento de opções e detalhamento da avaria (Elaborado pelo autor) .......... 120 xvi LISTA DE TABELAS Tabela 1: Vantagens e desvantagens dos tipos de manutenção (Adaptada de Flores, 2002)..... 19 Tabela 2: Elementos Fonte de Manutenção (Adaptado Rodrigues, 2001). (Continua) ............... 23 Tabela 3: Informações básicas e suas especificidades para o SLA (Adaptado de Maurício, 2011) .............................................................................................................................................. 30 Tabela 4: Cláusulas específicas de SLA de acordo com a norma EN 15221-2. ......................... 33 Tabela 5: Indicadores de desempenho EN 15341 (Adaptado de EN 15341) ............................ 35 Tabela 6: Resumo de lista de indicadores económicos da EN 15341 ....................................... 36 Tabela 7: Resumo de lista de indicadores técnicos da EN 15341 ............................................ 37 Tabela 8: Resumo de lista de indicadores organizacionais da EN 15341 ................................. 38 Tabela 9: Padrões buildingSMART adaptado de BuildingSMART (2020) ................................... 50 Tabela 10: Comparativo de características dos sistemas de classificação Uniclass e Omniclass 86 Tabela 11: Definições adotadas para a configuração de porta (Elaborado pelo autor) ............... 91 Tabela 12: Informações condizentes com as folhas de cálculo exportadas. ............................ 102 Tabela 13: Tabela elucidativa do processo de aplicação BIM-FM (Elaborado pelo autor) ......... 129 1 CAPÍTULO 1: INTRODUÇÃO Enquadramento Com o passar dos anos, a indústria da construção tem vindo a passar por mudanças, sobretudo no âmbito de processos / ferramentas / mentalidade e, a arte em construir, por consequência, tem sido aprimorada com o tempo em todas as suas fases. Neste contexto, algumas ferramentas vêm sendo cada vez mais utilizadas com o intuito de minimizar erros e otimizar os processos referentes às fases do ciclo de vida das edificações. O uso BIM, “ Building Information Model ”, contribui com tal transformação e visa favorecer a diminuição de erros, permitindo uma melhor organização na base de dados, em formato digital. Concede, ainda, acesso a utilizadores e projetistas, podendo ser utilizado em todas as fases da obra pelos diversos intervenientes. O uso BIM tem impacto na forma como os edifícios são planeados, projetados, construídos e geridos ao longo do ciclo de vida. Destas quatro vertentes de aplicação, o BIM na gestão de instalações, BIM-FM, tem vindo a ser desenvolvido, mas ainda se encontra bastante limitado, sobretudo na abordagem para edifícios existentes (Eadie, R. et al . 2013). Segundo Bryde et al. (2013), ligar o conceito BIM à gestão de instalações ainda representa um substancial desnível quando a mesma aplicação BIM é comparada à sua evolução na fase de projeto e construção. Em edifícios existentes torna-se mais difícil sua utilização, sobretudo, por conta de quatro barreiras significativas aquando da sua aplicação. A primeira delas está relacionada com a dificuldade em identificar as informações críticas necessárias para aplicação. A segunda e terceira referem-se ao alto nível de esforço para desenvolver e utilizar modelos voltados para a manutenção no BIM e a última está relacionada com a troca de informações entre os sistemas BIM-FM ao nível de interoperabilidade e correta relação dos objetos entre os software (Volk et al., 2014) . Talebi (2014) corrobora com o pensamento supracitado e acrescenta outras dificuldades para implantação, subdividindo as barreiras em: processual, social e técnica. A processual está relacionada com a imaturidade dos utilizadores, ausência de diretrizes específicas e precária estrutura de contratos. O aspeto social engloba a falta de profissionais capacitados e que com conhecimentos sobre BIM, para além do gradual processo de mudança na mentalidade, tanto de profissionais, como de organizações da construção civil para tal avanço. A barreira técnica centrase na falta de interoperabilidade entre os software envolvidos, ausência de integração entre as 2 fases da edificação, falta de alinhamento técnico entre os processos de FM e os software BIM e o alto custo inicial de implantação praticado com licenças, aprendizagem, hardware e em alguns casos com subcontratações. Neste contexto, Becerik et al . (2012) ressalta a importância de estudar minuciosamente a aplicação e utilização dos processos BIM-FM. Apesar destes e de outros entraves para a sua implantação, a indústria da construção tem tido interesse em utilizar o BIM na gestão de instalação. Percebe-se que esta barreira de entrada não deve superar os benefícios advindos de sua utilização, pois a sua prática visa aumentar a precisão e qualidade das informações nas fases de operação e manutenção (O&M) visando tornar os edifícios mais eficientes, limpos, económicos, seguros, bem como elevar o nível de sustentabilidade das edificações (Volk et al., 2014). Na fase de O&M, o BIM pode ser estudado em várias frentes, como por exemplo: manutenção preventiva, preditiva ou corretiva; gestão de ativos e de espaço; monitorização e controlo dos sistemas prediais; reformas e/ou retrofits; gestão de emergências; visualização da edificação no aspeto 3D; entre outros. É possível, através do BIM, reunir informações mais precisas e, gerar análises de dados automáticos, a fim de propiciar economia de custo, tempo e uma melhor gestão da instalação. Segundo Eastman et al. (2011), grandes corporações, agências governamentais e órgãos institucionais têm explorado tais potencialidades nos últimos tempos. A academia também tem realizado casos de estudo com esta abordagem, confirmando a necessidade de análise e, sobretudo de aplicabilidade do tema em questão (Teicholz, 2013). O que se percebe é que, muito embora utilizadores, proprietários, gestores e os stakeholders de maneira geral percebam a importância desta mudança de paradigma e na forma de gerir as instalações, muito pouco ainda tem sido feito no âmbito de realmente aplicar tais metodologias que, comprovadamente, já se mostraram de grande relevância. As fases de operação e manutenção tornam-se cada vez mais promissoras e, apesar de complexa, apresenta um contributo que, por vezes, é difícil de medir e, tal fator deve estimular investigações a fim de fundamentar, estabelecer parâmetros, mitigar dúvidas e esclarecer as limitações e caminhos fiáveis a se seguir em torno desta abrangente temática a nível académico, mas sobretudo a nível prático. 3 Motivação Este documento pretende abordar como caso de estudo a contextualização BIM para facility management , sendo dirigido a dois edifícios de um parque industrial do grupo empresarial Domingos da Silva Teixeira (DST), como forma de planear uma metodologia de trabalho, bem como perceber quais são os principais entraves a resolver para ser possível a utilização em contexto BIM-FM e com isso fomentar uma futura implementação desta metodologia nos restantes edifícios do seu parque empresarial para as fases de operação e manutenção. Ao perceber os benefícios oriundos desta prática é necessário procurar meios para gerir a edificação de forma ampla e possuir o domínio sobre aspetos económicos, físicos e sociais da mesma. Tais princípios, bases do facility management, devem nortear a gestão coordenando o parque edificado a fim de fornecer auxílio aos utilizadores e dar suporte à atividade principal deste, garantido o funcionamento das atividades de maneira ininterrupta. Este resultado pode ser mais facilmente concebido aquando da sua utilização desde as fases iniciais da construção, tornando o desafio maior quando o mesmo já se encontra em operação. Para estes casos a organização de dados ainda se mantém nos moldes tradicionais e na maior parte das vezes desatualizados, pois ao longo das etapas do ciclo de vida: estudo de viabilidade, projeto, planeamento, execução ou operação e manutenção são gerados muitos registos técnicos e os documentos podem sofrer ajustes no decorrer da obra e no final pode não existir conformidade entre o executado e catalogado. Eastman et al., (2011) corrobora com o pensamento supracitado quando ressalta que a informação gerada durante as fases do empreendimento é reintroduzida durante as entregas de cada uma delas, sendo que, em grande parte dos projetos a informação não tem muita utilidade, pois já não reflete o que foi executado, deixando de ser considerada informação de valor para aspetos de gestão de dados. Para permitir uma melhor abordagem do estudo do tema proposto, utilizou-se o software BIM com o intuito de reunir tais informações e, tornar os dados passivos de serem geridos, sendo preciso utilizar a modelação da edificação no seu estado atual ( as is ) e não apenas em conformidade com o ambiente construído ( as built ). Foram feitas visitas à empresa a fim de se obter o máximo de informações que permitissem auxiliar as fases que viriam a seguir. 4 Considerando a área de atuação da pesquisa optou-se por escolher para o caso de estudo dois pavilhões que se encontram em utilização dentro do parque industrial da DST, localizado em Palmeira, Braga. No que se refere à modelação, foi utilizado o software BIM Revit® 2020, na versão estudante, para modelação da arquitetura e a ferramenta de gestão, Archibus®, na versão 25.2, em licença adquirida exclusivamente para o trabalho. É importante destacar que o módulo de navegação tridimensional (3D) do Archibus® não foi disponibilizado pela licença adquirida, restringindo a pesquisa à visualização bidimensional (2D). Quanto ao modelo as built BIM da edificação, este reproduzirá apenas os elementos de arquitetura, além de mobiliário e demais equipamentos representados em projeto ou visíveis in loco , sendo as informações restritas a consultas em projetos. As informações sobre a gestão de ativos e manutenção da edificação serão descritas conforme informações fornecidas por gestores da própria empresa, responsáveis por sua administração. Objetivos O objetivo principal com o presente trabalho consiste em incentivar a utilização de uma metodologia para a melhoria da organização e gestão de informações para a fase de manutenção e gestão de edifícios pós construção, demonstrando o processo para se obter os dados das edificações e como otimizar seu uso em ferramentas de manutenção preventiva e corretiva nas instalações. A metodologia utilizada através do software de gestão de facilities , o Archibus, integrado ao software de modelação, o Autodesk Revit, tem como objetivo possibilitar a perceção de organização de património, espaços e instalações, sendo estas geridas por meio de plataformas integradas através de uma gestão executada de maneira mais rápida e precisa do que a que se consegue com base em métodos tradicionais. Todo o método desenvolvido e descrito nesta investigação tem como objetivo tornar o processo reprodutível para edificações básicas e complexas, ressalvadas as diferenças e particularidades de cada projeto e edificação. Para demonstração do método aplicado ficou delineado utilizar o projeto arquitetónico, como base para desenvolvimento deste estudo, sendo este atualizado sempre que houvesse diferenças entre o projetado e o executado. Para atender ao objetivo geral supracitado, devem ser atingidos os seguintes objetivos específicos: 5  Realizar um estudo teórico e prático acerca da utilização dos software Revit e Archibus e das suas potencialidades, verificando a interoperabilidade entre os mesmos;  Identificar os procedimentos utilizados em aplicações FM para obras semelhantes;  Reunir informações acerca de projetos disponíveis, registos e documentações de manutenção, dados de objetos e equipamentos existentes e demais informações pertinentes ao serviço de FM do edificado;  Identificar os requisitos necessários para implantação do FM e seus desafios através de visitas à sede;  Modelar o edifício existente no software Revit com base nas informações obtidas;  Criar um ficheiro em COBie para futura utilização em qualquer software de FM compatível;  Inserir as informações no software Archibus e explorar as potencialidades fornecidas pelo mesmo;  Analisar os resultados para a formulação de diretrizes preliminares para expansão da implementação do BIM em ambiente empresarial. Estrutura da dissertação Esta dissertação encontra-se dividida em cinco capítulos relativos ao conceito e aplicação da metodologia BIM-FM em edifícios privados de serviços. Neste primeiro capítulo é apresentada uma introdução acerca do tema em questão, procurando-se explicar as bases dos conceitos explorados neste trabalho, bem como qual a relevância e enquadramento do presente estudo. Por fim, apresentam-se os objetivos a serem atingidos: gerais, específicos e a estrutura organizacional do mesmo. O segundo capítulo aborda conceitos mais aprofundados sobre facility management , gestão e manutenção de edifícios, bem como descreve um breve histórico do processo evolutivo dos estudos nessa área até o atual momento. Fornece, ainda, um panorama básico de aplicação do FM em Portugal e no mundo, sobretudo no continente europeu. O terceiro capítulo retrata a contextualização do paradigma BIM e seus contributos, vantagens e implicações de utilização. Apresenta características importantes, conceitos acerca do funcionamento das ferramentas, software e seus benefícios. Em seguida é abordada a interoperabilidade entre o BIM-FM, suas correlações, vantagens de aplicação em conjunto e quais são os software mais utilizados no mercado, bem como suas características. 6 No quarto capítulo, descreve-se o caso de estudo e a aplicação do conceito estudado nos capítulos anteriores. São abordadas as dificuldades de implementação, os desafios para compor o presente texto, bem como todo o processo inerente a esta aplicação. Pode-se dividir o capítulo quatro entre: i) enquadramento do objeto de estudo e busca por informações importantes pertinentes ao estudo; ii) modelação do objeto de estudo; iii) formatação das informações de manutenção em ficheiro COBie; iv) catalogação de dados entre o Revit e o Archibus, com o planeamento de manutenção preventiva e corretiva aplicadas; v) análise dos resultados obtidos de todo o processo. No quinto capítulo são apresentadas as considerações finais, conclusões e possibilidades de trabalho futuro para o mesmo. 7 CAPÍTULO 2: FACILITY MANAGEMENT Contexto histórico e conceitos O facility management , FM, à semelhança das mais variadas facetas da engenharia, nasceu de uma necessidade e evoluiu ao nível conceptual e funcional com o passar do tempo. Originalmente, o seu vocábulo deriva do latim, nomeadamente, dos termos “ facilitas ” e “ manus ”, que significam, respetivamente, “fácil” e “mãos”, ou seja, “de fácil manuseamento” (Sousa, 2013). Historicamente os primeiros indícios da utilização do termo facility management, também conhecido como gestão de instalações, na tradução para o português, ocorreram nos Estados Unidos da América, na década de 1960. Alguns autores discorrem acerca da motivação do surgimento desta demanda. Segundo Lord et al. (2001) o FM surgiu como resposta à crescente prática, por parte dos bancos, relacionada com a responsabilidade do processamento de transações de cartões de crédito a fornecedores especializados. Sousa (2013) discorre o surgimento em virtude de uma necessidade voltada para a redução de custos, como por exemplo os custos de operação e manutenção, com o intuito de se obter um aumento de rentabilidade no ramo imobiliário e a busca por satisfação dos proprietários e utilizadores. Facto é que, com o advento dos computadores nas empresas e a crescente busca por melhorias na gestão de escritórios, sobretudo em áreas que detinham maior concentração de pessoas, foi necessário fazer uma melhor gestão dos ativos e pessoas. Desta forma, os envolvidos com a metodologia FM precisaram se tornar capazes de otimizar o espaço e os processos envolvidos no local de trabalho. Devido a esta demanda, em 1978 foi realizada a primeira conferência a respeito da gestão de instalações e sua influência acerca da produtividade, além de debates voltados para desafios e estratégias do novo momento. Em 1980 surgia a NFMA ( National Facility Management Association ) com o intuito de criar uma organização com os profissionais da indústria. Em 1982, o NFMA teve seu nome alterado para IFMA ( International Facility Management ), tornando-se hoje a associação mais reconhecida pelos profissionais da área e que tem como desígnio a pesquisa e investigação das melhores práticas para a gestão de edifícios (Gomes, 2017). No contexto europeu o FM surgiu com o arquiteto britânico Sir Frank Duffy que sentiu a necessidade de implementar os conceitos desta metodologia para elaboração de projetos de 8 escritórios. Porém, apesar da iniciativa do arquiteto, apenas em 1993 foi registada oficialmente a European Facility Management Network (EuroFM), cujo objetivo era alcançar a compreensão, aprendizagem e partilha de conhecimentos entre todos os intervenientes, bem como antecipar, divulgar e aperfeiçoar os conhecimentos para o avanço do FM (Gomes, 2017) . Outras organizações foram criadas com o passar do tempo, como o British Institute of Facility Management , BIFM, por exemplo (Mota, 2016). Entre 1993 a 2002, observaram-se bastantes desenvolvimentos no panorama do FM em cada mercado europeu, com avanços tanto na prestação de serviços de suporte de FM como na gestão imobiliária. Em Portugal o estudo desta área surgiu um pouco mais tarde, em 2006, através de uma iniciativa de empresas de referência como a Vodafone, TDGI, EDP Valor e Sotécnica, que tinham como finalidade construir um modelo operacional que fosse viável e trouxesse desenvolvimento (Steenhuizen, 2011). Nesta altura, foi fundada uma associação nacional sem fins lucrativos, denominada de Associação Portuguesa de Facility Management (APFM) que, dentre outras atividades, forneciam cursos de formação e fóruns de discussão e divulgação da área em questão. Esta associação visa proporcionar excelência em serviços para todos os stakeholders a fim de discutir a gestão dos espaços com base na satisfação dos utilizadores com altos standards de eficiência financeira na exploração de ativos e sustentabilidade ambiental (APFM, 2016). Na atualidade, o FM tem sido cada vez mais utilizado como ferramenta diferenciadora na gestão de edifícios, em que as suas teorias podem ser implementadas, sobretudo devido à sua capacidade de fornecer suporte aos principais processos de uma organização, dando possibilidade às mesmas em concentrar eficazmente os recursos nas mais variadas atividades e consequentemente trazendo valor acrescentado para estas organizações (Silva, 2010). Teicholz (2013), no seu livro intitulado “ BIM for Facility Management” , afirma que os benefícios obtidos, em países que têm um maior nível de desenvolvimento nessa área, vão desde a redução de custos operacionais, aumento da produtividade até a uma melhor comunicação e ambiente de trabalho para todos os envolvidos direta ou indiretamente no processo. Deste modo, a principal premissa do FM é gerir e coordenar “pessoas, processos e lugares” dentro de uma organização (Schulte & Pierschke, 2000; Quinello & Nicoletti, 2006). A Figura 1 retrata as áreas centrais do FM. 15 Figura 3: Percentagens de custos em um edifício nas diferentes fases (Adaptado de Coias e Silva, 2003). É na gestão desses custos que deve centrar o facility manager , com a visão de minimizá-los e garantir o bom funcionamento da edificação (Rodrigues, 2001). Para além dos valores com operação e manutenção, deve-se considerar ainda outros custos. Os valores despendidos na fase de exploração, por exemplo, relacionam-se com encargos económicos centrados em atividades específicas. Os custos financeiros, por sua vez, têm impacto sobre todo o processo do empreendimento, ou seja, desde o planeamento / conceção à utilização, podendo estar relacionados aos mais variados tipos de despesas como: arrendamentos, instalações de apoio ao edifício, dentre outros. permear, arrendamento, instalações de apoio ao edifício, entre outros. Por fim, os custos fiscais decorrem da implantação do edifício e atribuem responsabilidades que devem ser satisfeitas quer a propósito do registo / transação quer a propósito da utilização (Rodrigues, 2001). 2.2.3 Gestão funcional A gestão funcional tem como objetivo criar regras para os utilizadores da edificação e estabelecer diretrizes quanto ao correto funcionamento de cada ambiente (Alves, 2008). Neste domínio o gestor regulamenta as atividades, trata dos aspetos económicos e regras de utilização, representa a gestão de edifícios nos mais variados compromissos e promove a gestão técnica (Rodrigues, 2001). Pelo facto de as edificações terem funcionalidades distintas é necessário dividir em grupos que enquadrem melhor o âmbito de cada uma delas e, para tal os edifícios são divididos em quatro grupos relacionados com as suas especificidades, designadamente: 5% 15% 80% Conceção/Projeto Construção Utilização e Manutenção 16  Edifícios de habitação;  Edifícios públicos;  Edifícios de serviços;  Edifícios industriais. Manutenção de edifícios: conceitos e definições Como instrumento de grande impacto no contributo do FM, a manutenção deve ser claramente percebida para que seu potencial seja maximizado. Para tal, muitos estudos são realizados a respeito do tipo de manutenção, benefícios e características. O conceito em torno da manutenção no decorrer do tempo foi avançando e sendo redefinido em momentos específicos da história. Segundo Moubray (1997) o conceito sobre manutenção passou por três fases: i) o primeiro período, que durou até meados de 1950, concentrava-se apenas em reparar a avaria existente; ii) a segunda fase estaria centrada em evitar que a avaria / falha ocorresse, período este originado na altura da revolução industrial; iii) por volta de 1980 e, combinando práticas de gestão, engenharia, finanças, entre outras, surge a terceira fase que apresentaria a manutenção pautada sobretudo na prevenção de falhas, através de atividades voltadas para a gestão de manutenção (Farinha, 2011). Com o avanço do entendimento e princípios, surge a necessidade de integralizar os conceitos e marcar o pensamento atual acerca da manutenção e, no que diz respeito à definição, a Norma Portuguesa NP EN 13306:2010 define manutenção como sendo “a combinação de todas as ações técnicas, administrativas e de gestão, durante o ciclo de vida de um bem, destinados a mantê-lo ou repô-lo num estado em que possa desempenhar a função requerida”, que corrobora com a definição de manutenção da ISO 15686-1:2011: “ combinação de ações técnicas e respetivos procedimentos administrativos que, durante a vida útil dum edifício e suas componentes, se destinam a assegurar que este desempenhe as funções para que foi dimensionado”. Sabe-se, portanto, que a manutenção possui duas vertentes de atuação: uma que engloba os serviços planeados e outra em que estes serviços não são planeados, em virtude de alguma falha inesperada ou situações não previstas. A Figura 4 ilustra os tipos de manutenção. 17 Figura 4: Tipos de manutenção (Adaptado de Cabral, 2009) Segundo Leite (2009) a manutenção preventiva ou proactiva é realizada em intervalos de tempo previamente determinados ou seguindo critérios específicos a fim de reduzir as possibilidades de falha ou perda de funcionamento por parte de um componente. Pode, ainda, ser subdividida em sistemática ou condicionada. A NP EN 13306:2010 define a manutenção preventiva sistemática como sendo a atividade praticada em intervalos de tempo previamente determinados ou de acordo com um número específico de unidades, sem que se controle o estado do bem. Já a preventiva condicionada procede à vigilância do bom funcionamento do bem ou análise de parâmetros significativos para o bom funcionamento deste, como critério para ações decorrentes destas observações. A manutenção corretiva, ou reativa, é empregue logo que surja uma falha ou patologia. Neste caso, é efetuada uma intervenção com o intuito de reestabelecer o componente após o dano / patologia, com o intuito de que este volte a operar ou funcionar de acordo com a função requerida (Raposo, 2010). A manutenção corretiva pode ainda ser classificada através de avaria intrínseca, quando a perda de funcionalidade é por razões inerentes ao próprio equipamento, seja por estar inativo, ou por desgaste de alguma peça, entre outros. Em contrapartida, a manutenção corretiva por avaria extrínseca é quando a perda de função é derivada de um fator exterior ao equipamento seja colisão, má operação, acidente, entre outros (Cabral, 2009). Manutenção Preventiva Sistemática Condicionada Corretiva Intrínseca Extrínseca 18 Alguns autores, ainda, defendem outras subclassificações para os tipos de manutenção. Hormigo (2015b) acrescenta a manutenção preditiva e a detetiva como sendo segmentações além das já referidas para os tipos de manutenção. Adicionalmente, define a manutenção preditiva como sendo um avanço à manutenção preventiva, uma vez que a manutenção preventiva pode vir a não caracterizar bem o edificado pela ausência de resultados fidedignos quanto ao real estado dos seus elementos. Em contrapartida a manutenção preditiva requer conhecimento do estado da edificação / elemento, seja através de dados estatísticos sobre o desempenho do mesmo, ou por meio do desgaste aparente / degradação, rentabilidade ou cálculos de eficiência. Através de monitorização e análise detalhada, procura-se o diagnóstico que prolongue a vida útil do sistema, sendo que todas as tomadas de decisão são geridas de modo a garantir o funcionamento da unidade em questão e, para tal, todo o processo de monitorização deve estar bem definido e atividades de inspeção e periocidade determinadas a fim de que o elemento ou equipamento não falhe nem tenha sua rentabilidade diminuída (Carvalho, 2012). A manutenção detetiva visa identificar falhas que sejam impercetíveis aos utilizadores. Surge com o avanço das tecnologias, em que através de um sistema informatizado e sensores é possível obter informação do real estado de um equipamento / componente e obter informação em tempo real ao longo da vida útil da edificação. A interpretação dos resultados é analisada e, posteriormente, são adotadas medidas para garantir o bom funcionamento. Pode-se perceber que os mais variados sistemas de manutenção podem apresentar, de maneira geral, vantagens e desvantagens, pelo qual cada gestor de instalações deve definir, de acordo com os recursos empreendidos, características e objetivos traçados quais as melhores estratégias a adotar. A Tabela 1 aponta vantagens e desvantagens de cada tipo de manutenção. 19 Tabela 1: Vantagens e desvantagens dos tipos de manutenção (Adaptada de Flores, 2002) Manutenção Vantagens Desvantagens Preventiva  Torna possível planear as operações de manutenção e seus custos;  Reduz os inconvenientes da execução dos trabalhos previstos;  Proporciona maior satisfação aos utilizadores.  Requer análise na fase de projeto, com dados de suporte e controle rigoroso e planeado;  É possível que o plano de manutenção não enquadre a realidade da situação;  Pode inutilizar grande parcela de vida útil de um elemento. Corretiva  Reparação de todo o tipo de anomalias;  Ausência de custos advindos da manutenção preventiva, bem como perda de tempo e dinheiro com inspeções, no caso da preditiva.  Falta de planeamento e possível acúmulo de intervenções;  Rápida degradação dos elementos, por se tratar de reparação onerosa, ou por descuido;  Custo, geralmente, mais elevado. Preditiva  Envolvimento de alta tecnologia e conhecimento;  Redução de perdas de produção, oriundas de paradas para intervenção;  Ações tomadas com elementos em funcionamento;  Ausência de intervenções desnecessárias.  Alto custo envolvido seja através da compra de equipamentos para assessorar ou treinamentos;  Possibilidade de erro na seleção da técnica para equipamentos / elementos que não se encontram em estado crítico. Detetiva  Deteção de falhas ocultas ou não percetíveis pelo pessoal de manutenção;  Facilidade de efetuar a manutenção, mantendo a operação.  Alto custo envolvido;  Necessidade de mão de obra especializada. 20 2.3.1 Sistema de Manutenção Integrada Como discutido anteriormente, cada técnica apresenta vantagens e desvantagens e, por isso surge a manutenção integrada, que versa uma estratégia de abordagem com foco na obtenção de melhores resultados, ao unir a manutenção proactiva e reativa, de modo a garantir integridade e funcionalidade a todo o edifício. Para que esta atividade se tornasse viável foi necessário construir um sistema de gestão da manutenção a fim de nortear os momentos exatos para a intervenção durante a vida útil dos elementos, além de elaborar estratégias para racionalizar os recursos e custos sem desprender de excessivos gastos para tal (Cavaco, 2012). Vários estudos foram desenvolvidos mundialmente a fim de implantar um sistema organizado, baseado num modelo operacional que fosse adequado à realidade e complexidade específicas para cada empreendimento, através de monitorização e acompanhamento constituído por um sistema informático. Em Portugal, o primeiro Sistema Integrado da Manutenção (SIM), foi concebido em 2001 e apresentava como intuito suprir a necessidade de uma metodologia que englobasse uma execução coordenada das mais variadas funções da gestão de edifícios, integrando atividades técnicas e funcionais (Ferreira, 2009). Rodrigues (2001) define um SIM através de contributos a gerar, nomeadamente: i) identificar e disponibilizar interlocutores e decisores capazes de atuar; ii) tipificar a situação a fim de facilitar a análise e resposta (automatizando-a caso seja possível); iii) padronizar procedimentos de intervenção e contratação; iv) unificar ações de registro alimentando com um único ato as bases de dados tecnológicas, contabilísticas e funcionais e recolher informação final, realimentando o sistema. Conta ainda como princípios fundamentais, a tipificação de procedimentos a reunir, registro e atualização de toda a informação, seja ela escrita ou desenhada, a fim de conhecer as tendências e o estado de conservação da edificação, maximizando o potencial de prever necessidades de intervenção e otimizar os custos de manutenção e desempenho (Leite, 2009). 2.3.2 Plano de manutenção Para que se obtenha êxito e otimização de resultados na gestão de edifícios é necessário ter boa estratégia no âmbito da manutenção e esboçar um plano base para atingir os referidos objetivos. 21 Devido a alta competitividade do sector e as mais variadas opções de mercado, o plano de manutenção foi integrado como um elemento de gestão da organização (Fraser, 2014). Como pôde ser visto na Figura 3, o custo inerente ao processo de operação e manutenção é a parcela mais elevada e através de uma gestão de custos eficaz concomitantemente com um bom programa de gestão de ativos, é possível gerar economia à corporação (Rogers, 2013). Hormigo (2015b) ressalta que os custos decorrentes de uma manutenção não planeada podem chegar a ser três vezes mais dispendiosos do que a mesma manutenção caso esta tivesse sido planeada e executada atempadamente. Outro critério que justifica a execução de um plano de manutenção eficaz é o facto de garantir as características funcionais e estéticas para as quais o edifício foi projetado/executado, bem como prolongar a vida útil da edificação através do planeamento e ações de manutenção (Rocha, 2005). Segundo Leite (2009) um plano de manutenção programado deve ser pautado por, no mínimo, cinco ações de manutenção: i) inspeção; ii) limpeza; iii) pró-ação; iv) correção; v) substituição, além de envolver a análise de alguns critérios, como: i) determinar a vida útil de todos os elementos construtivos; ii) individualmente; iii) determinar os níveis mínimos de qualidade; iv) definir as patologias relevantes; v) possíveis causas e mecanismos de degradação; vi) prever pré-patologias e seus sintomas; vii) estabelecer o sistema de operação e manutenção; viii) definir rotinas de inspeção; ix) bolar estratégias de atuação; x) registrar todas as intervenções, bem como custos de operações; xi) analisar recomendações técnicas de soluções e produtos. A Figura 5 ilustra a organização de um plano de manutenção, com base no exposto acima. 22 Figura 5: Organização de plano de manutenção (De-Francesco, 2011) Elementos fonte de manutenção Para simplificar a elaboração de um plano de manutenção, o edifício é pensado como um conjunto de elementos, os quais, podem ser divididos por características em comum. Para tal, são definidos através de classes de elementos, as quais permitem organizar informações, bem como os elementos em si. A essa designação chama-se elementos fontes de manutenção, EFM (Rodrigues, 2001). Os EFM fazem parte de um grupo ou unidade de construção que apresentam condições e mecanismos específicos de degradação e, portanto, apresentam comportamentos distintos durante a fase de utilização e toda a vida útil da edificação, o que exige intervenções diferentes que devem ser tratadas durante o planeamento da manutenção, pelo gestor de instalações e equipa competente. As respetivas classificações podem ser realizadas e coordenadas de modo que o facility manager otimize os seus resultados, capacidade de resposta e seus níveis de desempenho, fazendo com que não haja regra e sim a melhor resolutiva de acordo com cada situação e tipo de edificação. A Tabela 2 representa a segmentação adotada por Rodrigues (2001). 23 Tabela 2: Elementos Fonte de Manutenção (Adaptado Rodrigues, 2001). (Continua) Sistemas Subsistemas EFM Estruturas e divisórias Estrutura Fundações Elementos verticais Elementos horizontais Panos de parede Exteriores Interiores Cobertura Terraço Inclinada Acabamentos Revestimentos horizontais Exteriores Interiores Revestimentos verticais Exteriores Interiores Vãos exteriores Portas Envidraçados Vãos interiores Portas Envidraçados Escadas Exteriores Interiores Rampas Exteriores Interiores Instalações Abastecimento de água Rede Sanitários Outros 24 Tabela 2: Elementos Fonte de Manutenção (Adaptado Rodrigues, 2001). (Continuação). Sistemas Subsistemas EFM Instalações Drenagem de águas residuais e pluviais Rede Caixa de visitas Outros Abastecimento e distribuição de gás Rede, ligações e terminais Comandos Eletricidade Rede Equipamentos Outros Telecomunicações Rede Outros Sistemas de Segurança Segurança contra incêndio Rede Equipamentos Outros Para-raios Rede Outros Isolamento e impermeabilização Isolamento térmico Isolamento acústico Impermeabilização Equipamentos Mobília Acessórios Equipamentos 31 Dado o controle e o nível organizacional exigido, Lee & Bem-Natan (2002) definem que o mais importante para atingir o patamar de qualidade é perceber as funcionalidades que o SLA deve ter e conseguir aplicar a cada uma das suas funções. São basicamente seis as áreas que compõem as funcionalidades do SLA:  Definição de papéis e responsabilidades;  Gestão de expectativas;  Controle da implementação e execução;  Verificação da qualidade;  Possibilitar a comunicação;  Avaliação do retorno do investimento. Relativamente à definição de papéis e responsabilidade de cada interveniente é fundamental que estes estejam bem definidos e que haja corporativismo, uma vez que os aspetos técnicos de cada serviço tornam complexo a atribuição dos deveres de cada um. Outra função relevante é a gestão de expectativas por parte do cliente, uma vez que estas são contratualmente definidas espera-se uma contrapartida relacionada ao produto / serviço prestado. A garantia por parte deste tipo contrato faz com que o cliente planeie e opere o seu negócio baseado no contratado e através da confiança gerada mutuamente, bem como do acordo, prazos e desempenho expectados. O controle de implementação e execução deve estar diretamente relacionado com a verificação de qualidade, tendo em vista que, o prestador de serviço deve estar ciente e focado a cumprir o contrato, isto é, prestar o serviço assegurando que os recursos são suficientes e estão disponíveis para atender de forma consistente o estipulado de forma contínua e sólida. Deve, ainda, estar seguro de que o serviço é prestado com a qualidade e desempenho adquiridos. Um bom SLA deve garantir o princípio de confiança de que a qualidade do serviço está a ser monitorada e que o prestador de serviços está disponível para as medidas de contingência que possam surgir. A possibilidade de comunicação é outro fator essencial para uma boa prestação de serviço. Prestador e cliente devem ter acesso simultâneo e recíproco durante a negociação implementação e consequente avaliações do cliente. De acordo com a estrutura fornecida pelo SLA ambas as partes podem expressar as suas necessidades, expectativas, desempenho e progressos, a fim de aprimorar o SLA / serviço. Os acordos geralmente incluem prazos e procedimentos, bem como atualizações destes e notificação de eventuais problemas. 32 Quanto à avaliação do retorno do investimento, este tem sido um dos fatores principais pelos quais os clientes contratam esse tipo de serviços, estando dispostos a investir financeiramente com o intuito de reduzir riscos a fim de obter um maior nível de segurança e conforto empresarial. O prestador de serviço, segundo Gomes (2017) deve encarar o SLA como uma abordagem organizada de maneira a gerir e examinar cada SLA, individualmente, para a tomada de decisões. O processo deve ser contínuo e de forma a tornar um ciclo de vida do SLA que envolve o seu desenvolvimento, negociação, vendas, implementação, execução e avaliação contínua durante o processo (Lee & Bem-Natan, 2002). A EN15221-2 propõe um modelo composto por cláusulas gerais e específicas para cada serviço. As cláusulas específicas, que contém aspetos técnicos e operacionais são listadas como exemplo na Tabela 4. 33 Tabela 4: Cláusulas específicas de SLA de acordo com a norma EN 15221-2. Cláusulas específicas de SLA de acordo com a norma EN 15221-2 1 Descrição geral 1.1 Descrição do serviço do FM 2 Processos comuns inerentes à organização 2.1 Influência do serviço 3 Condições gerais 3.1 Definições da terminologia específica do FM 4 Estrutura e comunicação 4.1 Organização e definições de partes envolvidas 4.2 Comunicação e documentação específica para o serviço individualizado 4.3 Descrição do processo 4.4 Rotinas específicas para exigências dos serviços 4.5 Rotinas específicas para a prestação de serviços 4.6 Medição de desempenho e aceitação 4.7 Sistema de garantia de qualidade e processo de melhoria contínua 4.8 Participação e compromissos do cliente 4.9 Mudanças no SLA 5 Definições e clarificação 5.1 Propriedades e valores relativos ao serviço 5.2 Especificação do serviço 5.3 Resultados e objetivos acordados 5.4 Especificação de serviços outputs e serviços parciais não incluídos 5.5 Equipamento, material e meios de comunicação 5.6 Serviços opcionais 5.7 Processo de resolução de conflitos e procedimentos de não-conformidade 6 Obrigações e requerimentos 6.1 Segurança, saúde e ambiente 6.2 Início dos trabalhos e processos de implementação 6.3 Finalização do serviço 7 Preços, pagamento e contabilidade 7.1 Preços 7.2 Requerimentos específicos de faturação 7.3 Sistema de pagamento consoante o desempenho 7.4 Retenção de pagamento 7.5 Gestão de faturação 34 2.5.2 Key Performance Indicators Depois de estabelecer todos os parâmetros e identificar os intervenientes torna-se necessário monitorizar a evolução e desempenho dos serviços. Através desta ação surgem os indicadores chave de desempenho ( key performance indicators - KPI), que facilitam a medição do progresso feito de acordo com os objetivos planeados. Kavrakov (2015) refere que, através do processo de medição, se consegue inicialmente controlar os serviços e possivelmente melhorá-los. Diz ainda que, sem conseguir medir, não se consegue perceber, tampouco controlar e obter melhorias. A avaliação de desempenho através dos KPIs é realizada por meio da quantificação da eficiência e eficácia dos serviços, a fim de garantir a satisfação por parte do utilizador através da recolha de dados fiáveis e válidos fundamentando as tomadas de decisão e proporcionando melhoria contínua do ponto de vista técnico e estratégico da organização. Segundo Lavy (2008), o gestor de instalações deve utilizar ferramentas que aumentem o desempenho da organização, desenvolvendo indicadores que sejam pertinentes aos objetivos traçados e assegurem o funcionamento da organização, as condições do negócio e ressaltem o contributo do FM para a eficácia da edificação como um todo. Os resultados oriundos dos KPI são utilizados para benchmarking , ou seja, para aplicar procedimentos eficientes e implementar melhores soluções para os problemas identificados (Lavy, 2008). O benchmarking representa um processo comparativo entre dois ou mais sistemas que a organização utiliza. Tem como objetivo, quer a nível interno ou externo, comparar resultados de medições quantitativas, seja do desempenho global da construção do património edificado, de um sistema específico ou dos recursos utilizados para o sistema. Detém, ainda, a perspetiva comparativa entre insourcing e outsourcing para a revisão de necessidades de manutenção num horizonte entre 5 e 10 anos (Soares, 2013). Tais características fazem do benchmarking uma ferramenta poderosa para medir o progresso ao longo do tempo. Segundo a norma EN 15341, os indicadores devem ser utilizados quando o desempenho esperado não for satisfatório, de modo a permitir à organização: medir o estado; avaliar e comparar o desempenho; identificar os pontos fracos e fortes; definir os objetivos; planear estratégias e ações; divulgar os resultados e controlar o progresso e alterações ao longo do tempo. 35 2.5.3 Indicadores de desempenho segundo EN 15341 A norma EN 15341 tem como objetivo principal apresentar e descrever indicadores de desempenho afetos à atividade de manutenção, definindo, desta maneira, setenta e um indicadores que se subdividem em três grupos distintos, respetivamente:  Económico (24);  Técnico (21);  Organizacional (26). Os indicadores ainda se dividem em três níveis de detalhe (Tabela 5), de um a três, sendo o nível um o mais amplo e o terceiro específico. Tabela 5: Indicadores de desempenho EN 15341 (Adaptado de EN 15341) Indicadores Nível 1 Nível 2 Nível 3 Indicador Económico (E1-E6) (E7-E14) (E15-E24) Indicador Técnico (T1-T4) (T5-T6) (T7-T21) Indicador Organizacional (O1-O8) (O9-O10) (O11-O26) Os indicadores, assim como a manutenção e a obtenção de resultados são influenciados quer por fatores externos e internos. São exemplos de fatores externos: a localização, hábitos culturais e locais, legislações e regulamentações setoriais aplicáveis, entre outros. Já os fatores internos são aspetos do género: cultura empresarial e organizacional, taxa de utilização de determinado equipamento, idade das instalações, entre outros (Soares, 2013). 2.5.4 Indicadores de desempenho económico Os indicadores económicos detêm grande importância, sobretudo, para os gestores. Tais indicadores focam a sua análise nos mais variados tipos de custos, os quais permitem evidenciar os custos de substituição, manutenção corretiva, preventiva, condicionada e o custo total de manutenção (CTM) (Maurício, 2011). 36 Tabela 6: Resumo de lista de indicadores económicos da EN 15341 Nível Indicador de desempenho económico 1 𝐸1=𝐶𝑢𝑠𝑡𝑜 𝑡𝑜𝑡𝑎𝑙 𝑑𝑒 𝑚𝑎𝑛𝑢𝑡𝑒𝑛çã𝑜 𝐶𝑢𝑠𝑡𝑜 𝑑𝑒 𝑠𝑢𝑏𝑠𝑡𝑖𝑡𝑢𝑖çã𝑜×100 𝐸3=𝐶𝑢𝑠𝑡𝑜 𝑡𝑜𝑡𝑎𝑙 𝑑𝑒 𝑚𝑎𝑛𝑢𝑡𝑒𝑛çã𝑜 𝑂𝑢𝑡𝑝𝑢𝑡 𝑑𝑒 𝑜𝑝𝑒𝑟𝑎çõ𝑒𝑠 ×100 2 𝐸7=𝑉𝑎𝑙𝑜𝑟 𝑚é𝑑𝑖𝑜 𝑑𝑒 𝑚𝑎𝑡𝑒𝑟𝑖𝑎𝑖𝑠 𝑑𝑒 𝑚𝑎𝑛𝑢𝑡𝑒𝑛çã𝑜 𝐶𝑢𝑠𝑡𝑜 𝑑𝑒 𝑠𝑢𝑏𝑠𝑡𝑖𝑡𝑢𝑖çã𝑜×100 𝐸8=𝐶𝑢𝑠𝑡𝑜 𝑑𝑜𝑠 𝑟𝑒𝑐𝑢𝑟𝑠𝑜𝑠 ℎ𝑢𝑚𝑎𝑛𝑜𝑠 𝑖𝑛𝑡𝑒𝑟𝑛𝑜𝑠 𝐶𝑢𝑠𝑡𝑜 𝑡𝑜𝑡𝑎𝑙 𝑑𝑎 𝑚𝑎𝑛𝑢𝑡𝑒𝑛çã𝑜×100 𝐸9=𝐶𝑢𝑠𝑡𝑜 𝑑𝑜𝑠 𝑟𝑒𝑐𝑢𝑟𝑠𝑜𝑠 ℎ𝑢𝑚𝑎𝑛𝑜𝑠 𝑒𝑥𝑡𝑒𝑟𝑛𝑜𝑠 𝐶𝑢𝑠𝑡𝑜 𝑡𝑜𝑡𝑎𝑙 𝑑𝑎 𝑚𝑎𝑛𝑢𝑡𝑒𝑛çã𝑜×100 3 𝐸15 =𝐶𝑢𝑠𝑡𝑜 𝑡𝑜𝑡𝑎𝑙 𝑑𝑎 𝑚𝑎𝑛𝑢𝑡𝑒𝑛çã𝑜 𝑐𝑜𝑟𝑟𝑒𝑡𝑖𝑣𝑎 𝐶𝑢𝑠𝑡𝑜 𝑡𝑜𝑡𝑎𝑙 𝑑𝑎 𝑚𝑎𝑛𝑢𝑡𝑒𝑛çã𝑜×100 𝐸16 =𝐶𝑢𝑠𝑡𝑜 𝑡𝑜𝑡𝑎𝑙 𝑑𝑎 𝑚𝑎𝑛𝑢𝑡𝑒𝑛çã𝑜 𝑝𝑟𝑒𝑣𝑒𝑛𝑡𝑖𝑣𝑎 𝐶𝑢𝑠𝑡𝑜 𝑡𝑜𝑡𝑎𝑙 𝑑𝑎 𝑚𝑎𝑛𝑢𝑡𝑒𝑛çã𝑜×100 𝐸17 =𝐶𝑢𝑠𝑡𝑜 𝑡𝑜𝑡𝑎𝑙 𝑑𝑎 𝑚𝑎𝑛𝑢𝑡𝑒𝑛çã𝑜 𝑐𝑜𝑛𝑑𝑖𝑐𝑖𝑜𝑛𝑎𝑑𝑎 𝐶𝑢𝑠𝑡𝑜 𝑡𝑜𝑡𝑎𝑙 𝑑𝑎 𝑚𝑎𝑛𝑢𝑡𝑒𝑛çã𝑜×100 𝐸24 =𝐶𝑢𝑠𝑡𝑜 𝑑𝑎 𝑚𝑎𝑛𝑢𝑡𝑒𝑛çã𝑜 𝑐𝑜𝑛𝑡𝑟𝑎𝑡𝑎𝑑𝑎 𝑝𝑎𝑟𝑎 𝑒𝑞𝑢𝑖𝑝𝑎𝑚𝑒𝑛𝑡𝑜𝑠 𝐶𝑢𝑠𝑡𝑜 𝑡𝑜𝑡𝑎𝑙 𝑑𝑎 𝑚𝑎𝑛𝑢𝑡𝑒𝑛çã𝑜 𝑐𝑜𝑛𝑡𝑟𝑎𝑡𝑎𝑑𝑎 ×100 2.5.5 Indicadores de desempenho técnico Os indicadores de desempenho técnico representam as informações referentes aos ativos em estudo e ao desempenho técnico das instalações sendo de grande valia, a nível de informação, para o gestor. Estes indicam número total de falhas, período de paragem devido à manutenção, período em funcionamento e período de paragem devido a falhas. A Tabela 7 apresenta um resumo dos indicadores de desempenho técnico com base na EN 15341. 37 Tabela 7: Resumo de lista de indicadores técnicos da EN 15341 Nível Indicadores de desempenho técnico 1 𝑇1=𝑃𝑒𝑟í𝑜𝑑𝑜 𝑑𝑒 𝑡𝑒𝑚𝑝𝑜 𝑒𝑚 𝑓𝑢𝑛𝑐𝑖𝑜𝑛𝑎𝑚𝑒𝑛𝑡𝑜 (𝑃𝑒𝑟í𝑜𝑑𝑜 𝑑𝑒 𝑡𝑒𝑚𝑝𝑜 𝑒𝑚 𝑓𝑢𝑛. + 𝑃𝑒𝑟í𝑜𝑑𝑜 𝑑𝑒 𝑡𝑒𝑚𝑝𝑜 𝑑𝑒 𝑚𝑎𝑛𝑢𝑡𝑒𝑛çã𝑜) ×100 𝑇2=𝑃𝑒𝑟í𝑜𝑑𝑜 𝑑𝑒 𝑡𝑒𝑚𝑝𝑜 𝑒𝑚 𝑓𝑢𝑛𝑐𝑖𝑜𝑛𝑎𝑚𝑒𝑛𝑡𝑜 (𝑃𝑒𝑟í𝑜𝑑𝑜 𝑑𝑒 𝑡𝑒𝑚𝑝𝑜 𝑝𝑟𝑜𝑗𝑒𝑡𝑎𝑑𝑜) ×100 𝑇4=𝑁ú𝑚𝑒𝑟𝑜 𝑑𝑒 𝑓𝑎𝑙ℎ𝑎𝑠 𝑐𝑎𝑢𝑠𝑎𝑑𝑜𝑟𝑎𝑠 𝑑𝑒 𝑑𝑎𝑛𝑜𝑠 𝑝𝑒𝑠𝑠𝑜𝑎𝑖𝑠 𝑇𝑒𝑚𝑝𝑜 𝑑𝑒 𝑐𝑎𝑙𝑒𝑛𝑑á𝑟𝑖𝑜 2 𝑇5=𝑃𝑒𝑟í𝑜𝑑𝑜 𝑑𝑒 𝑡𝑒𝑚𝑝𝑜 𝑒𝑚 𝑓𝑢𝑛𝑐𝑖𝑜𝑛𝑎𝑚𝑒𝑛𝑡𝑜 (𝑃𝑒𝑟í𝑜𝑑𝑜 𝑑𝑒 𝑡𝑒𝑚𝑝𝑜 𝑒𝑚 𝑓𝑢𝑛. + 𝑃𝑒𝑟í𝑜𝑑𝑜 𝑑𝑒 𝑝𝑎𝑟𝑎𝑔𝑒𝑛𝑠 𝑑𝑒𝑣𝑖𝑑𝑜 𝑎 𝑓𝑎𝑙ℎ𝑎𝑠)×100 𝑇6=𝑃𝑒𝑟í𝑜𝑑𝑜 𝑑𝑒 𝑡𝑒𝑚𝑝𝑜 𝑒𝑚 𝑓𝑢𝑛𝑐𝑖𝑜𝑛𝑎𝑚𝑒𝑛𝑡𝑜 (𝑃𝑒𝑟í𝑜𝑑𝑜 𝑑𝑒 𝑡𝑒𝑚𝑝𝑜 𝑒𝑚 𝑓𝑢𝑛. + 𝑃𝑒𝑟í𝑜𝑑𝑜 𝑑𝑒 𝑝𝑎𝑟𝑎. 𝑑𝑒𝑣𝑖𝑑𝑜 𝑎 𝑚𝑎𝑛𝑢𝑡. 𝑝𝑙𝑎𝑛) ×100 3 𝑇7=𝑃𝑒𝑟í𝑜𝑑𝑜 𝑑𝑒 𝑡𝑒𝑚𝑝𝑜 𝑑𝑒𝑣𝑖𝑑𝑜 𝑎 𝑚𝑎𝑛𝑢𝑡𝑒𝑛çã𝑜 𝑝𝑙𝑎𝑛𝑒𝑎𝑑𝑎 𝑃𝑒𝑟í𝑜𝑑𝑜 𝑑𝑒 𝑝𝑎𝑟𝑎𝑔𝑒𝑚 𝑑𝑒𝑣𝑖𝑑𝑜 𝑎 𝑚𝑒𝑛𝑢𝑡𝑒𝑛çã𝑜×100 𝑇8=𝑃𝑒𝑟í𝑜𝑑𝑜 𝑑𝑒 𝑝𝑎𝑟𝑎𝑔𝑒𝑚 𝑑𝑒𝑣𝑖𝑑𝑜 𝑎 𝑚𝑒𝑛𝑢𝑡𝑒𝑛çã𝑜 𝑝𝑟𝑒𝑑𝑒𝑡𝑒𝑟𝑚𝑖𝑛𝑎𝑑𝑎 𝑃𝑒𝑟í𝑜𝑑𝑜 𝑑𝑒 𝑝𝑎𝑟𝑎𝑔𝑒𝑚 𝑑𝑒𝑣𝑖𝑑𝑜 𝑎 𝑚𝑎𝑛𝑢𝑡𝑒𝑛çã𝑜×100 𝑇9=𝑃𝑒𝑟í𝑜𝑑𝑜 𝑑𝑒 𝑝𝑎𝑟𝑎𝑔𝑒𝑚 𝑑𝑒𝑣𝑖𝑑𝑜 𝑎 𝑚𝑎𝑛𝑢𝑡𝑒𝑛çã𝑜 𝑐𝑜𝑛𝑑𝑖𝑐𝑖𝑜𝑛𝑎𝑑𝑎 𝑃𝑒𝑟í𝑜𝑑𝑜 𝑑𝑝𝑎𝑟𝑎𝑔𝑒𝑚 𝑑𝑒𝑣𝑖𝑑𝑜 𝑎 𝑚𝑎𝑛𝑢𝑡𝑒𝑛çã𝑜×100 2.5.6 Indicadores de desempenho organizacional Os indicadores organizacionais analisam a organização e os trabalhadores, a fim de avaliar o tempo gasto em cada atividade de manutenção, bem como a sua produtividade. Para tal os trabalhadores são separados de acordo com a relação que tem com a empresa e a manutenção em si, distinguindo-se em trabalhadores direta e indiretamente relacionados com os processos de manutenção e os trabalhadores contratados internos dos externos. A Tabela 8 apresenta uma lista resumida dos indicadores de desempenho organizacionais de acordo com a norma EN 15341. 38 Tabela 8: Resumo de lista de indicadores organizacionais da EN 15341 Nível Indicadores de desempenho organizacional 1 𝑂1=𝑁ú𝑚𝑒𝑟𝑜 𝑑𝑒 𝑓𝑢𝑛𝑐𝑖𝑜𝑛á𝑟𝑖𝑜𝑠 𝑑𝑒 𝑚𝑎𝑛𝑢𝑡𝑒𝑛çã𝑜 𝑑𝑎 𝑜𝑟𝑔𝑎𝑛𝑖𝑧𝑎çã𝑜 𝑁ú𝑚𝑒𝑟𝑜 𝑡𝑜𝑡𝑎𝑙 𝑑𝑒 𝑓𝑢𝑛𝑐𝑖𝑜𝑛á𝑟𝑖𝑜𝑠 𝑑𝑎 𝑜𝑟𝑔𝑎𝑛𝑖𝑧𝑎çã𝑜×100 𝑂2=𝑁ú𝑚𝑒𝑟𝑜 𝑑𝑒 𝑓𝑢𝑛𝑐𝑖𝑜𝑛á𝑟𝑖𝑜𝑠 𝑑𝑒 𝑚𝑎𝑛𝑢𝑡𝑒𝑛çã𝑜 𝑖𝑛𝑑𝑖𝑟𝑒𝑡𝑜𝑠 𝑑𝑎 𝑜𝑟𝑔𝑎𝑛𝑖𝑧𝑎çã𝑜 𝑁ú𝑚𝑒𝑟𝑜 𝑑𝑒 𝑓𝑢𝑛𝑐𝑖𝑜𝑛á𝑟𝑖𝑜𝑠 𝑑𝑒 𝑚𝑎𝑛𝑢𝑡𝑒𝑛çã𝑜 𝑑𝑎 𝑜𝑟𝑔𝑎𝑛𝑖𝑧𝑎çã𝑜 ×100 𝑂3=𝑁ú𝑚𝑒𝑟𝑜 𝑑𝑒 𝑓𝑢𝑛𝑐𝑖𝑜𝑛á𝑟𝑖𝑜𝑠 𝑑𝑒 𝑚𝑎𝑛𝑢𝑡𝑒𝑛çã𝑜 𝑖𝑛𝑑𝑖𝑟𝑒𝑡𝑜𝑠 𝑑𝑎 𝑜𝑟𝑔𝑎𝑛𝑖𝑧𝑎çã𝑜 𝑁ú𝑚𝑒𝑟𝑜 𝑑𝑒 𝑓𝑢𝑛𝑐𝑖𝑜𝑛á𝑟𝑖𝑜𝑠 𝑑𝑒 𝑚𝑎𝑛𝑢𝑡𝑒𝑛çã𝑜 𝑑𝑖𝑟𝑒𝑡𝑜𝑠 𝑑𝑎 𝑜𝑟𝑔𝑎𝑛𝑖𝑧𝑎çã𝑜 ×100 𝑂5=𝐻𝑜𝑚𝑒𝑛𝑠 ℎ𝑜𝑟𝑎 𝑒𝑚 𝑝𝑙𝑎𝑛𝑒𝑎𝑚𝑒𝑛𝑡𝑜 𝑒 𝑐𝑎𝑙𝑒𝑛𝑑𝑎𝑟𝑖𝑧𝑎çã𝑜 𝑑𝑒 𝑚𝑎𝑛𝑢𝑡𝑒𝑛çã𝑜 𝐻𝑜𝑚𝑒𝑛𝑠 ℎ𝑜𝑟𝑎 𝑑𝑒 𝑚𝑎𝑛𝑢𝑡𝑒𝑛çã𝑜 𝑑𝑎 𝑜𝑟𝑔𝑎𝑛𝑖𝑧𝑎çã𝑜×100 2 𝑂9=𝑃𝑟𝑜𝑑𝑢çã𝑜 𝑑𝑜 𝑡𝑟𝑎𝑏𝑎𝑙ℎ𝑎𝑑𝑜𝑟 𝑑𝑒 𝑚𝑎𝑛𝑢𝑡𝑒𝑛çã𝑜 𝑒𝑚 ℎ𝑜𝑚𝑒𝑛𝑠 ℎ𝑜𝑟𝑎 𝑃𝑟𝑜𝑑𝑢çã𝑜 𝑡𝑜𝑡𝑎𝑙 𝑑𝑜 𝑡𝑟𝑎𝑏𝑎𝑙ℎ𝑎𝑑𝑜𝑟 𝑒𝑚 ℎ𝑜𝑚𝑒𝑛𝑠 ℎ𝑜𝑟𝑎𝑠 ×100 𝑂10 =𝑃𝑒𝑠𝑠𝑜𝑎𝑙 𝑑𝑒 𝑚𝑎𝑛𝑢𝑡𝑒𝑛çã𝑜 𝑝𝑜𝑟 𝑡𝑢𝑟𝑛𝑜 𝑃𝑒𝑠𝑠𝑜𝑎𝑙 𝑑𝑒 𝑚𝑎𝑛𝑢𝑡𝑒𝑛çã𝑜×100 3 𝑂11 =𝑃𝑒𝑟í𝑜𝑑𝑜 𝑑𝑒 𝑡𝑒𝑚𝑝𝑜 𝑝𝑎𝑟𝑎 𝑎çõ𝑒𝑠 𝑐𝑜𝑟𝑟𝑒𝑡𝑖𝑣𝑎𝑠 𝑃𝑒𝑟í𝑜𝑑𝑜 𝑑𝑒 𝑡𝑒𝑚𝑝𝑜 𝑑𝑒 𝑝𝑎𝑟𝑎𝑔𝑒𝑚 𝑡𝑜𝑡𝑎𝑙 𝑟𝑒𝑙𝑎𝑐𝑖𝑜𝑛𝑎𝑑𝑎 𝑐𝑜𝑚 𝑡𝑟𝑎𝑏𝑎𝑙ℎ. 𝑚𝑎𝑛𝑢𝑡. ×100 𝑂18 =𝐻𝑜𝑚𝑒𝑛𝑠 ℎ𝑜𝑟𝑎 𝑒𝑥𝑒𝑐𝑢𝑡𝑎𝑑𝑜𝑠 𝑒𝑚 𝑎çõ𝑒𝑠 𝑝𝑟𝑒𝑣𝑒𝑛𝑡𝑖𝑣𝑎𝑠 𝐻𝑜𝑚𝑒𝑛𝑠 ℎ𝑜𝑟𝑎 𝑡𝑜𝑡𝑎𝑖𝑠 𝑝𝑎𝑟𝑎 𝑎 𝑚𝑎𝑛𝑢𝑡𝑒𝑛çã𝑜×100 𝑂19 =𝐻𝑜𝑚𝑒𝑛𝑠 ℎ𝑜𝑟𝑎 𝑒𝑥𝑒𝑐𝑢𝑡𝑎𝑑𝑜𝑠 𝑒𝑚 𝑎çõ𝑒𝑠 𝑚𝑎𝑛𝑢𝑡𝑒𝑛çã𝑜 𝑐𝑜𝑛𝑑𝑖𝑐𝑖𝑜𝑛𝑎𝑑𝑎 𝐻𝑜𝑚𝑒𝑛𝑠 ℎ𝑜𝑟𝑎 𝑡𝑜𝑡𝑎𝑖𝑠 𝑝𝑎𝑟𝑎 𝑎 𝑚𝑎𝑛𝑢𝑡𝑒𝑛çã𝑜×100 𝑂20 =𝐻𝑜𝑚𝑒𝑛𝑠 ℎ𝑜𝑟𝑎 𝑒𝑥𝑒𝑐𝑢𝑡𝑎𝑑𝑜𝑠 𝑒𝑚 𝑎çõ𝑒𝑠 𝑑𝑒 𝑚𝑎𝑛𝑢𝑡𝑒𝑛çã𝑜 𝑐𝑜𝑛𝑑𝑖𝑐𝑖𝑜𝑛𝑎𝑑𝑎 𝐻𝑜𝑚𝑒𝑛𝑠 ℎ𝑜𝑟𝑎 𝑡𝑜𝑡𝑎𝑖𝑠 𝑝𝑎𝑟𝑎 𝑎 𝑚𝑎𝑛𝑢𝑡𝑒𝑛çã𝑜×100 𝑂21 =𝐻𝑜𝑚𝑒𝑛𝑠 ℎ𝑜𝑟𝑎 𝑒𝑥𝑒𝑐𝑢𝑡𝑎𝑑𝑜𝑠 𝑒𝑚 𝑝𝑒𝑟í𝑜𝑑𝑜 𝑒𝑥𝑡𝑟𝑎𝑜𝑟𝑑𝑖𝑛á𝑟𝑖𝑜 𝐻𝑜𝑚𝑒𝑛𝑠 ℎ𝑜𝑟𝑎 𝑡𝑜𝑡𝑎𝑖𝑠 𝑝𝑎𝑟𝑎 𝑎 𝑚𝑎𝑛𝑢𝑡𝑒𝑛çã𝑜×100 Síntese do capítulo Este capítulo contextualiza o tema em questão no que tange ao facility management . São abordados conceitos referentes ao contexto histórico, principais características, vantagens e 39 desvantagens aquando da aplicação do FM em empresas e organizações. Paulatinamente, a indústria da construção foi percebendo a importância de tais aplicações, visto que as fases de operação e manutenção devem seguir por longos anos após a construção de qualquer edificação. Gerir de maneira eficaz todo o ambiente, tornando-o mais aprazível e funcional a custos cada vez menores é uma necessidade iminente e que demanda bastante compromisso e organização por parte de todos os intervenientes. Após colocar em prática os métodos considerados mais eficazes e eficientes, torna-se necessário medir o progresso feito de acordo com os objetivos planeados, a fim de monitorizar a evolução e desempenho dos serviços. A avaliação de desempenho pode ser realizada através dos KPIs, que subdividem em indicadores: i) económicos; ii) técnicos; iii) operacionais. Os principais conceitos acerca do FM podem ser explorados neste capítulo que, de forma complementar ao capítulo seguinte, formam o estado da arte do presente documento. 40 CAPÍTULO 3: BUILDING INFORMATION MODELING (BIM) Conceitos e definições No contexto do building information modeling , BIM, o primeiro documento de referência que utilizou o conceito básico que, com o passar dos anos, seria denominado de BIM, teve sua origem em 1975, quando o Professor Chuck Eastman publicou um artigo, de sua autoria, no jornal American Insitute of Architects (AIA). O artigo continha uma premissa básica, designadamente, “ qualquer mudança da disposição do projeto deveria ser feita apenas uma vez para todos os futuros desenhos atualizarem. Todos os desenhos que derivam da mesma disposição de elementos seriam automaticamente consistentes ”. Tal abordagem ficou conhecida, na época, como “ Design Description System ” (Tjell, 2010). Ainda na década de 80, o BIM começou a ser implementado em software relacionado com computer-aided design , CAD, e pouco a pouco passou a ser percecionado como um modelo gráfico tridimensional de edificações (Grafical Information Model) . Este modelo representa toda a geometria de uma determinada edificação, identificando nomes, funções e propriedades dos seus componentes. Posteriormente, surgiram os primeiros software em torno desse sistema, como por exemplo o ArchiCad, Revit e o Allplan. Porém, o termo BIM foi utilizado pela primeira vez pelo arquiteto da Autodesk, Phil Bernstein, ao descrever a sua funcionalidade e correlação entre um desenho virtual, gestão da construção e instalação. No entanto, a modelação em BIM, não deve ser encarada como um modelo 3D do edifício, no qual se espera que compreenda somente propriedades geométricas, como erroneamente é percecionada por grande parte da comunidade de AEC. O BIM deve ser considerado como um conjunto de informações e base de dados referentes às distintas fases e dimensões de uma edificação, que compreendem desde o surgimento da ideia e conceção do projeto até a desconstrução, partilhando-se informações entre os distintos intervenientes durante toda a fase do ciclo de vida da edificação (Eastman et al., 2011) . Martins (2009) retrata o BIM como um conjunto de processos baseados em informações tratadas de maneira sistematizada utilizando, para tal, software específicos. Segundo Azhar et al., (2007) todas as especialidades devem trabalhar num único modelo, de modo que as alterações realizadas por uma das partes sejam reproduzidas automaticamente no conjunto de projetos. 47 Pode-se perceber que os intervenientes, por diversas vezes, encontram obstáculos e dificuldades em partilhar informações de maneira ágil e que contemplem dados necessários para cada caso. Segundo Simões (2013), a aplicabilidade da metodologia BIM deve ser acoplada à interface obtida entre as diversas especialidades de um projeto, sendo cada uma desenvolvida por um software distinto. Baseado nesse pressuposto, surge um dos pilares para o desenvolvimento desta ferramenta, isto é, a interoperabilidade. A interoperabilidade surgiu da necessidade em criar uma plataforma que favorecesse a integração e partilha de informações entre os diferentes software , utilizando um modelo único nas mais variadas etapas do empreendimento e garantindo a integridade das informações criadas, sendo estas, mantidas e/ou atualizadas constantemente ao longo das intervenções, não apresentando conflitos no seu funcionamento em rede, subsidiando a troca de informações entre si (Sacks et al., 2008). Segundo AIA (2020) para que se tenha fluxos de trabalho BIM mais eficientes é necessário garantir a eficácia e fluidez da interoperabilidade. A interoperabilidade é constituída por três pilares de acordo com a organização buildingSMART , nomeadamente, IFC ( Industry Foundation Classes ), IFD ( Industry Framework for Dictionaries ) e IDM ( Information Delivery Manual ). Resumidamente, o IFC equivale ao modelo de dados, enquanto o IFD equivale a um dicionário e o IDM corresponde ao manual de entrega de informações. A Figura 12 caracteriza o triângulo padrão da buildingSMART. Figura 12: Triângulo padrão buildingSMART (BuidingSMART, 2020) 48 O padrão Industry Foudation Classes foi desenvolvido pela buildingSMART com o intuito de partilhar e favorecer a troca de dados entre os software BIM, sendo responsável pela atualização constante do modelo e criação de novos padrões a fim de atender às demandas da indústria AEC (AIA, 2020). A Figura 13 representa o processo evolutivo das versões lançadas do IFC. Figura 13: Versões implementadas do formato IFC (Liebich, 2013) O IFC encontra-se normalizado através da ISO 16739:2013, tendo como pressuposto não pertencer a nenhum fornecedor exclusivo de software . Este deve ser uma plataforma comum de comunicação entre os mais variados programas que interagem com modelos BIM, a fim de gerir e transmitir as informações de forma fiável e segura (Silva, 2012). O IFC é um arquivo aberto, neutro e com especificações padronizadas para o BIM e, que não tem como objetivo apresentar um modelo 3D, mas um formato completo de um modelo da construção, transportando propriedades alfanuméricas, relações entre materiais e objetos e propriedades geométricas (Rodas, 2015). O processo deve ser realizado através da extração de informações da base de dados, seguido da atribuição de parâmetros IFC presentes em um conversor e guardado num formato neutro. A base de dados do recetor capta as informações, em IFC, e torna a convertê-los de modo a viabilizar a interpretação por parte do novo recetor. Para que as informações sejam transmitidas e decifradas corretamente, torna-se necessário que haja um dicionário universal entre os software , em que cada parâmetro apresente definições específicas associadas, através de um acesso automático e que seja independente da linguagem e tipologia utilizada, sendo esta a principal função do IFD (buildingSMART, 2020). Adicionalmente, facilita a centralização dos dados disponibilizados no modelo, com a finalidade de atuar como um 49 mapa que ajuda a localizar informações, impossibilitando a duplicação e reduzindo o tempo de realização do projeto. Outro benefício do IFD é a catalogação de cada elemento inserido neste, o que simplifica a identificação e torna o processo mais fluido e eficaz. O IFD, portanto, funciona como uma biblioteca que permite flexibilizar os modelos em BIM, através do formato IFC e suas várias bases de dados a fim de proporcionar maior compreensão acerca dos requisitos de informação atrelados à indústria da construção (IFD-Library, 2020). O IDM ( Information Delivery Manual ) tem por objetivo especificar e normalizar os processos e fluxos de informações criados durante o ciclo de vida do edifício, de forma a proporcionar maior compreensão nos requisitos e identificar processos que exijam troca ou partilha de dados entre os intervenientes, bem como indicar os requisitos necessários para a execução dos processos em cada fase do projeto (BuildingSMART, 2020). Segundo Soares (2013), o IDM, especificamente, visa garantir que todos os dados relevantes sejam transmitidos de modo que possam ser interpretados pelos software dos recetores da informação. O MVD ( Model View Definition ) é definido através de um subconjunto de entidades do esquema IFC, fornecendo a devida orientação de implementação para todos os conceitos do IFC utilizados no subconjunto, ou seja, representa a especificação de requisitos do software a fim de criar uma interface IFC e satisfazer os requisitos de troca e partilha de dados entre eles, tornando-os compatíveis (buildingSMART, 2020). É também referido como sendo o IFC View Definition e atua como ferramenta legal na definição de subconjunto do IFC, em que favorece a orientação e os acordos para implementar seus conceitos, representando os requisitos do software na implementação da ligação com o IFC, a fim de satisfazer aos requisitos de partilha. (Graphisoft, 2020). A Tabela 9 resume as normas que são aplicadas por parte de cada padrão necessário com a finalidade de gerar diretrizes tendo por base cada especificação que o define. 50 Tabela 9: Padrões buildingSMART adaptado de BuildingSMART (2020) Nome Função Norma IFC Partilha de informação e dados ISO 16739:2013 IFD Biblioteca de dados aberta ISO 12006-3:2007 IDM Normalizar e especificar processos ISO 29481-1:2010 ISO 29481-2:2012 BFC Coordenação de atualizações BuildingSMART BFC MVD Traduzir os processos para os requisitos técnicos BuildingSMART MVD Level of delevopment A estrutura do LOD, Level of Development , foi desenvolvida pelo AIA para atender à necessidade em definir qual o nível de confiabilidade, desenvolvimento e pormenorização dos elementos e as informações que podem ser extraídas através de modelos gerados por outros colaboradores (BIMForum, 2020). O LOD é definido segundo BuildingSmart (2020) como um modelo que permite desenvolver e especificar, com elevado nível de clareza, os conteúdos e níveis de confiabilidade dos dados de um modelo BIM definindo e ilustrando as características dos elementos de diferentes sistemas de construção e em diferentes níveis de detalhe. No tocante ao processo de organização de informações, através da boa utilização do LOD é possível que o gestor indique à sua equipa qual o nível e detalhe de informação necessário para cada fase construtiva de modo a otimizar os processos, tornando-se necessário ser definido já na fase de projeto, de modo a garantir a compreensão do modelo virtual a criar (McPHEE, 2013). Com o objetivo de estruturar o processo de informação, a AIA propôs um padrão para aplicar aos níveis de desenvolvimento pretendido, tal como a permissão de utilização em cada nível de desenvolvimento no modelo BIM e, distribuiu o desenvolvimento de cada elemento do modelo pelos diferentes LOD’s para cada fase de projeto (AIA, 2020). Os níveis de desenvolvimento dividem-se em cinco e classificam, segundo AIA (2020), da seguinte maneira: 51  LOD 100 – Modelo conceptual – Equivale ao projeto conceptual em que o modelo abrange a volumetria geral da edificação e inclui áreas, volumes, orientações, localizações, podendo ser representados em 3D. Estimativas de custos e estudos de viabilidade serão meramente indicativos;  LOD 200 – Modelo de geometria aproximada – Os elementos são modelados através de sistemas generalizados, possuindo informações geométricas próximas da realidade constituindo-se de tamanho, forma, orientação e localização aproximadas, com a possibilidade de serem anexadas informações não geométricas aos elementos do modelo. É possível apresentar estimativas de custos e cálculos estruturais básicos;  LOD 300 – Modelo de geometria precisa – Os elementos apresentam conjuntos precisos quanto à forma, localização, quantidade, tamanho e orientação. É necessário que todas as informações pertinentes às especialidades, arquitetura, planeamento, orçamento, estruturas, estejam à disposição.  LOD 400 – Modelo de fabrico – Os elementos devem ser concebidos através de conjuntos específicos com total precisão em relação à forma, localização, tamanho, quantidade e orientação com fabricação completa e montagem, contendo toda a informação de maneira detalhada. Devem incluir dados acerca do fabrico e manutenção.  LOD 500 – Modelo as-built – Os elementos são modelados como construídos na realidade (modelo as-built ) e devem ter medidas precisas em termos de forma, tamanho, localização, orientação e quantidade, sendo adequado para operações de gestão e manutenção. Deve ser incluída toda informação de acordo com a construção e seus pormenores, pois serão utilizados para as fases de manutenção e exploração do edifício. A Figura 14 representa o LOD relacionado às fases de vida de um projeto, contemplando projeto base, estudo prévio/anteprojeto, projeto de execução, construção e gestão de operação. 52 Figura 14: Relação entre níveis de desenvolvimento e as fases de vida de um projeto (Sousa, 2013) Metodologia BIM aplicada ao FM Conforme já discutido em capítulos anteriores, a fase de operação / manutenção é extremamente relevante no aspeto de custo e aplicabilidade para as edificações, envolvendo a maior parte dos recursos financeiros quando comparado às outras fases de um projeto. O facility management , FM, apresenta grande contributo relativamente a estas fases e propicia a integração no sentido de melhorar, manter, operar e adaptar os edifícios garantindo que os objetivos primários da organização sejam apoiados. Entretanto, a eficácia e eficiência da manutenção de edifícios e suas operações diárias dependem fundamentalmente das informações contidas acerca do todo (Atkin & Brooks, 2009). Estima-se que, mais de 80% do tempo, durante a O&M (Operação e Manutenção), é usado para procurar dados relevantes à falta de integração de dados (Ding et al., 2009). Como o BIM fornece um sistema de informação abrangente que capta informações sobre todos os componentes relacionados ao edifício, estas informações essenciais e relevantes, tais como informações geométricas e semânticas, podem ser coletadas e recuperadas em um ambiente BIM eficiente. A fim de facilitar as operações e a utilização de informações que contribuam com o avanço no processo como um todo, é necessário utilizar-se ferramentas e software compatíveis. O uso BIM proporciona um sistema abrangente e capaz de captar dados sobre todos os componentes do edifício como, por exemplo, informações semânticas e geométricas, que podem ser coletadas e recuperadas de maneira eficiente, reduzindo até 98% o tempo de atualização das bases de dados FM (Ding et al., 2009). Segundo Becerik et al. (2012), na indústria da construção existe uma dificuldade em implementar novos processos e tecnologias no âmbito do FM, pois é uma indústria que apresenta barreiras na 53 inserção dessas novas tecnologias. Para que sejam validados é necessário a realização de inúmeros testes com o intuito de fundamentar a utilização da implementação FM. A aplicabilidade do BIM-FM é baseada no uso da gestão de instalações através dos recursos proporcionados pela modelação BIM, como uma base de dados que contém dados acerca de todos os elementos, bem como o benefício do modelo geométrico (Rodas, 2015). A metodologia BIM utiliza recursos de software BIM, entretanto, a ferramenta informática para a utilização do FM não segue uma especificação, podendo ser utilizadas as terminologias que assessoram tal aplicação como o Integrated Workplace Management System (IWMS) e Computer Aided Facility Management (CAFM), sendo consideradas fontes fundamentais de informação, capazes de fornecer aos gerentes de instalações e equipa dados relacionados ao suporte e auxílio na tomada de decisões. Leppard (2009), defende que evolução do CAFM para o IWMS é uma mera estratégia de marketing, definindo que o IWMS é apenas um CAFM aplicado de maneira correta e não o encarando como uma evolução do CAFM. Estas duas plataformas empresariais têm o objetivo comum de visarem auxiliar o planeamento, gestão, projeto, alienação e utilização dos ativos de uma organização fundamentada em sua localização. Tais ferramentas otimizam o uso de recursos no local de trabalho e proporcionam a gestão do portfólio imobiliário, ativos das instalações e infraestruturas de uma empresa. Outros acrónimos foram criados e implementados para tentar compor e obter soluções informáticas distintas atendendo às necessidades do mercado, focando em processos específicos que se completam. Não existe consenso na literatura acerca da obtenção e especificação de cada uma das soluções existentes. A Figura 15 ilustra resumidamente, tais soluções como sendo complementares à CAFM/IWMS e representativos da metodologia FM. 54 Figura 15: Áreas funcionais do FM e respetivos acrónimos dos Sistemas (IWMS, 2009) Através da Figura 15, é possível seccionar o CAFM/IWMS em cinco campos de aplicação distintos, pautados através da:  Gestão do espaço e das instalações;  Gestão da manutenção;  Gestão do projeto;  Gestão dos ativos e arrendamentos;  Sustentabilidade ambiental. 3.7.1 Vantagens da utilização do BIM-FM Pode-se considerar que a utilização de BIM-FM se encontra em uma fase inicial, mas desde já é possível apontar diversos benefícios inerentes à sua utilização. Segundo Kassem et al. (2015), as vantagens oriundas da utilização desta metodologia são:  Melhoria por parte dos processos e precisão de dados;  Aumento da eficiência na execução das ordens de serviço (OS);  Maior facilidade no acesso aos dados FM, pois os mesmos podem ser encontrados no modelo BIM contendo informações precisas;  Eficiência na obtenção / criação de plantas, visualizações e elevações a partir de um modelo integrado gerados de maneira automática a partir de planos que seccionam o modelo tridimensional e fornecem elevada precisão;  Capacidade de anexar garantias e dados legais, sendo possível extraí-los do modelo em momento oportuno; 55  Potencial para emitir relatórios de falhas e identificar espaços de maneira precisa através de consulta ao modelo;  Capacidade em executar projetos de reforma em ambiente 3D. Outros autores, por exemplo Castilla (2015) e Helbling (2012), acrescentam as seguintes vantagens relativamente à utilização do BIM-FM:  Melhoria na gestão do espaço;  Maior facilidade de coordenação de pessoas, processos e lugares;  Otimização de projeto e de equipas;  Redução no tempo de identificação e resolução de problemas de projeto;  Análise energética detalhada;  Iniciativas de sustentabilidade;  Extração de quantidade de materiais;  Controle de prazos e custos.  Programas de manutenção baseados apenas nas recomendações iniciais do fabricante e não com base em operações e atividades das organizações;  Falta de um alinhamento adequando entre a manutenção de ativos e a necessidade da organização em relação à sua atividade;  Ausência de prática de gestão de risco e análise que permita à organização estabelecer planos de manutenção e operação;  Pouca interação e comunicação por parte dos departamentos de manutenção, compras, finanças e recursos humanos. 3.7.2 Software BIM-FM As atividades de manutenção de instalações podem ser apoiadas por sistemas de gestão de manutenção computadorizados (CMMSs) e sistemas de gestão de instalações (FMSs) e podem ser utilizados para gerir a manutenção do edifício e fornecer uma plataforma de informação organizada. Os CMMSs são usados por organizações de manutenção de instalações a fim de registrar, comunicar e gerir operações diárias, gerir ativos e ordens de serviços diferentes, gerir custos e tempos, gerar solicitações de serviços, controle de inventário, gerir e acompanhar recursos (custos e tempo) de materiais (Parsanezhad & Dimyadi, 2014). Entretanto, há dois problemas nos FMSs: o primeiro relaciona-se ao facto de os CMMSs/FMSs não conseguirem fornecer programação automática de ordens de trabalho de manutenção, o que dificulta no tocante 56 à reprodutividade de processos e o segundo é a alta complexidade para a equipa FM aceder a informações precisas (Sapp, 2015). Atualmente existem muitos software voltados para a modelação BIM e outros para a utilização do FM. Porém, ainda existem poucas tecnologias que permitem fundir as informações destas duas metodologias de modo integrado num só programa de BIM-FM. Geralmente, a interação entre os gestores de instalação e os software BIM é realizada através de um web browser que é o responsável pode aceder a todos os dados através de um login, podendo ser efetuado através de acesso remoto de modo a controlar / operar ações de emergência e/ou manutenção. Existem software que permitem, através de aplicações, interligar os contributos BIM e os de FM, de modo a complementarem mutuamente as informações contidas em cada um dos respetivos modelos. Adicionalmente, existem outros tipos de software, por exemplo o EcoDomus, que apesar de não possuírem nenhum software completamente dedicado ao BIM ou ao FM, unem as capacidades de outros software , a fim de permitir a aplicação do BIM-FM. Ainda há muitas questões técnicas que necessitam de ser superadas, sobretudo no âmbito da padronização de troca de informações e da resolução de questões relacionadas com a interoperabilidade entre sistemas BIM e FM (Shalabi & Turkan, 2017). Teicholz (2013) salienta que os problemas relativos à integração de dados e perda de informações são causados por: convenções que apresentam nomenclaturas inconsistentes, ausência de norma universal para requisitos de dados acerca das instalações, categorização indevida de dados em BIM e CMMSs/FMSs, sincronização deficiente de informações, e ausência de metodologia de captura de instalações e ativos existentes. O avanço nesta área tem um potencial enorme, dada a crescente necessidade e procura do uso destas metodologias, com o surgimento no mercado de edifícios cada vez mais complexos. Deste modo, torna-se indispensável que o modelo utilizado para a gestão apresente grande rigor na modelação, bem como relativamente à quantidade e qualidade destas a fim de superar as limitações supracitadas. Já existem alguns software que possuem o mesmo sistema de utilização através de web browser , conforme anteriormente enunciado. Os principais software serão detalhados de seguida, nomeadamente: IBM Maximo , FM:Interact, EcoDomus, YouBIM, ArchiFM e Archibus. 63 3.7.3 Construction Operations Building Information Exchange Sabe-se que, desde a fase de projetos e durante toda a execução da construção, tem-se muita informação acumulada e muitas vezes estas não se encontram organizadas num único documento, o que dificulta o acesso posterior, em caso de necessidade. O Construction Operations Building Information Exchange (COBie) surge nesse contexto de organização e critério na ordem das informações, desde o projeto inicial até a entrega da obra, englobando todos os seus intervenientes através de folhas de cálculo unificadas, que auxiliam na gestão de instalações do proprietário, operações e manutenção, com o intuito de reduzir / eliminar custos com documentação na fase de construção e, melhorar a qualidade das informações otimizando-as para utilização do gestor de instalações. O COBie é, portanto, um padrão internacional para a troca de informações sobre ativos de instalação, utilizado para unir, compatibilizar e partilhar os documentos produzidos no processo de realização de uma obra, sobretudo informação não gráfica (East & Carrasquillo-Mangual, 2013). Uma vez que não existe integração direta entre o BIM e o FM, devem ser usados padrões de troca de dados COBie. Tais dados devem ser fornecidos ao gestor de instalações, de modo a assegurar que a informação sobre a edificação seja transmitida de forma mais completa, sendo concebida para ser facilmente utilizada por todos os intervenientes (BIM Industry Working Group, 2011). O intuito do COBie não consiste em criar informações novas, mas geri-las de modo que estas sejam facilmente encontradas. Para isso, torna-se necessário que exista um trabalho colaborativo entre os intervenientes de modo que cada colaborador exerça uma função e contribua com um tipo de informação. Os projetistas devem contribuir com dados como o layout de espaço, tipos, localização de equipamentos, lista de sistemas, entre outros. O fornecedor deve emitir dados referentes à marca do equipamento, número de série, modelo, garantia e informação de peças de reposição, por exemplo. Após armazenar toda a informação, o COBie deve identificar todo o conteúdo de informações a capturar e trocar em cada fase do projeto visando minimizar o desperdício associado à documentação em papel. Devido à quantidade de intervenientes a utilizar diferentes software , deve-se ter em atenção que o parâmetro da interoperabilidade faz-se presente quando utilizado o COBie, visto que o utilizador final conseguirá importar a informação para o software de operação e manutenção do edifício em qualquer dos formatos, não representando modelos geométricos mas sim informações em texto e números. 64 Entretanto é importante frisar que ainda que o padrão COBie, através das folhas de cálculo, contenham informações gráficas e não gráficas a fim de fornecer informações do BIM para FM, não é capaz de representar dados completos sobre as atividades de manutenção. Tal facto proporciona a junção do modelo gráfico e parte dos dados não gráficos por parte dos modelos BIM, conjuntamente com outra parte de dados e documentação não gráfica oriunda de atividades de manutenção, normalmente, armazenados em CMMSs ou FMSs. A norma PAS-1192:2013 enfatiza que um modelo de informação de ativos necessita incluir modelo gráfico, dados não gráficos, e documentação a fim de obter dados completos acerca de determinado edifício. 3.7.4 Implementação e normalização do BIM-FM Em Portugal existem várias iniciativas de divulgação e implementação do BIM, como por exemplo a comissão técnica de normalização CT197-BIM, que representa o CEN/TC 442 em Portugal e o EU BIM Task Group . A normalização favorece a redução de custos para clientes e fornecedores, ajuda a criar negócios, aumenta a transparência do mercado e garante ao cliente que o(s) produto(s) / serviço(s) detenha(m) o adequado grau de segurança e respeito ao ambiente e qualidade. A comissão técnica CEN/TC 442 propõe a criação de normas, relatórios e especificações que implementem, definam e monitorizem o BIM, a fim de gerir toda a informação que é inerente a este. Já a CT197 é dividida em quatro subcomissões, tendo como membros diversas entidades e organizações. As subcomissões são: i) Plano de ação e maturidade (subcomissão 1), ii) trocas e requisitos de informação (subcomissão 2), iii) metodologias BIM (subcomissão 3) e iv) bibliotecas e objetos BIM (subcomissão 4). O CEN/TC 442 visa harmonizar as iniciativas europeias relativas à normalização do BIM, contribuir para a inovação tecnológica da construção, potenciar uma construção mais sustentável, bem como um trabalho colaborativo estruturado e definir a implementação do BIM a nível europeu. No Reino Unido, com a direção da buildingSMART Alliance , a NBIMS, desenvolve normas para troca de informações na construção, com o intuito de criar um conjunto de modelos de produtos que podem ser utilizados por construtores, projetistas, proprietários e operadores, sendo a buildingSMART Alliance responsável pela adoção do formato IFC para a troca de dados BIM, durante o ciclo de vida do edifício. 65 O processo de implementação do BIM em Portugal deve ser pormenorizado com a devida atenção às questões legais, de modo a garantir a colaboração desejada por parte da indústria da construção sem que esta tenha de se preocupar com os desafios inerentes estes aspetos. Três parâmetros foram utilizados a fim de dar suporte a esta implementação. São eles:  Modelo de gestão;  Contratos;  Propriedade intelectual. No que concerne ao modelo de gestão, deve existir contribuição entre as partes, de modo a construir um modelo tridimensional único, que tenha o modelo de gestão adequado ao caso particular. Para tal é necessário ter acesso a informações específicas de segurança, arquivo, transmissão, entre outras, através da criação de um gestor modelo que permita tal controle. As responsabilidades e poderes do gestor devem ser estabelecidos previamente e, através de um protocolo claro, objetivo e bem definido para evitar possíveis conflitos. Em relação aos contratos e, tendo como pressuposto as alterações que advêm da adoção do BIM, é de realçar que o ideal seria a criação de um novo modelo de contratos que visem criar protocolos de BIM através de um conjunto de alterações ao contrato principal idealizado, a fim de adequálos. Tal facto permitiria a permanência dos habituais contratos, porém também poderia causar conflitos entre os protocolos no BIM e as cláusulas principais anteriormente estabelecidas e, para tal, torna-se necessário listar a ordem de prioridade entre o protocolo BIM e os demais documentos do contrato. O direito e proteção de propriedade intelectual deve ser validado visando garantir que todos tenham tal direito salvaguardado acerca das contribuições que fazem. A empresa necessita obter uma sublicença em que será preciso cobrir todos os intervenientes do projeto BIM para permitir o acesso e utilização de cada contribuição no projeto. Entretanto pode surgir um conflito quando duas partes trabalhem para a mesma contribuição. Nestes casos, é possível atribuir a responsabilidade a um autor do elemento do modelo, que passa a ser responsável pelo nível do pormenor do elemento, bem como do conteúdo, obtendo o direito de rejeitar / aceitar quaisquer edições efetuadas, assim como a responsabilidade pelos erros advindos do mesmo. Por fim, sabe-se que os benefícios advindos da utilização do BIM são superiores aos riscos de utilização deste. As questões legais podem ser ultrapassadas e os problemas facilmente solucionados e adaptados aos diversos contratos do mercado. 66 Síntese do capítulo Neste capítulo são abordados os conceitos em torno da metodologia BIM, sua utilidade, níveis de desenvolvimento, grau de maturidade, interoperabilidade e relações paramétricas. A metodologia BIM-FM é explorada e os seus fundamentos são elencados através da investigação dos seus benefícios, sendo explicitado como unir os dois conceitos supracitados, os pormenores aquando da sua utilização, os software que podem ser usados em conjunto e os aspetos pertinentes à implementação e normalização do contexto BIM-FM. Na última secção do capítulo é abordada a configuração dos ficheiros COBie e a folha de cálculo gerada por conseguinte, bem como sua utilidade e benefícios. No capítulo seguinte será abordada a metodologia e o caso de estudo presente nesse texto. 67 CAPÍTULO 4: METODOLOGIA APLICADA Notas preliminares Segundo Olanrewaju, et. al. (2012), a perceção de promotores e empresas da construção civil acerca da importância da gestão de manutenção e dos seus contributos para o património edificado, tem vindo a ganhar cada vez mais destaque com o passar do tempo, sobretudo nas últimas décadas, quando os custos inerentes às novas construções se tornaram mais significativos. Tal contexto fez com que despertasse um maior interesse de empresas públicas e privadas no setor de FM que, embora compreenda várias áreas, conforme já relatado em capítulos interiores, tem na gestão da manutenção de instalações (FMM) a maior fração dos custos incorridos nas atividades de FM, chegando a comprometer cerca de 65% - 85% de importância inerente a esta atividade (Lavy et. al. 2014). Torna-se iminente o desejo de empresas públicas e privadas em executar tais procedimentos com o intuito de conseguirem otimizar a utilização dos espaços de trabalho, diminuir os custos com manutenção e evitar maiores prejuízos decorrentes da má utilização / gestão dos ambientes nas edificações, facto que tem acelerado a implementação das práticas de FM a fim de manter as características físicas e garantir o desempenho elevado do edifício existente ao longo do seu ciclo de vida (Arditi et. al. 2002). Através da avaliação do cenário português e, mediante o avanço de algumas empresas nacionais no setor de modelação BIM, dispondo de um ou mais departamentos dedicados a tais funções, decidiu-se por estudar o contributo que o BIM-FM pode gerar em ambiente empresarial, bem como quais as dificuldades que podem ser levantadas aquando da sua aplicação, sendo esta segmentada à gestão de manutenção preventiva e corretiva. Caso de estudo Tal como já foi referido, algumas empresas em Portugal já têm trabalho desenvolvido na temática abordada no conteúdo dessa dissertação e, com base nisto, o grupo Domingos da Silva Teixeira, grupo DST, uma dessas empresas, manifestou interesse em avançar com uma metodologia através de um teste modelo das suas próprias instalações. O grupo DST acredita que esta metodologia, aquando da sua implementação, deverá ser estendida a todas as instalações do grupo a fim de validar o método por completo e, posteriormente, construir uma base de dados 68 eficiente e realística para gestão de instalações, na qual se possa basear para gerar rotinas de manutenção, bem como otimizar os custos decorrentes de todo o processo. Com este pensamento alargado, a DST, em contacto com a Universidade do Minho, UMINHO, levantou a problemática para que pudesse ser desenvolvido um trabalho de investigação que permitisse o estudo do seu parque edificado de modo a elucidar as dificuldades e a viabilidade de implementação do FM nas suas instalações e gerar benefícios advindos da diminuição de custos de manutenção e facilidades de planeamento de manutenção e logística nas suas instalações. Dada a dimensão do parque edificado, bem como a complexidade de reprodutividade em ambiente BIM de toda a sua construção e especialidades, foi necessário optar por uma parte do todo devido à limitação de tempo e enquadramento resolutos deste documento e, para tal, foi estabelecido focar o estudo num pavilhão logístico, constituído por 2 volumes distintos, tendo como propósito validar as argumentações e necessidades da DST, a partir da modelação, em ambiente BIM do mesmo, bem como gerar dados interoperáveis entre o ambiente BIM e o software a utilizar para gestão de manutenção, para além de planear rotinas de manutenção preventiva e corretiva, tendo como especialidades em questão o projeto arquitetónico do mesmo. Para a modelação necessária para o desenvolvimento do caso de estudo procedeu-se à utilização do software Autodesk Revit 2020, versão estudante, para as especialidades de arquitetura e estruturas. O que motivou a escolha desse software foi o facto de a empresa em questão o utilizar para a modelação, o que favorece a posterior utilização deste trabalho e inserção do próprio modelo na sua base de dados, bem como o facto de a universidade disponibilizar uma versão para estudantes. Para a interação voltada para a gestão de instalações optou-se por utilizar o software Archibus V24, escolha norteada por ser de fácil interação com o Revit, sendo utilizado a partir de um plugin no próprio software de modelação. Todo o procedimento e metodologia aplicada neste estudo pode ser reproduzido para os demais edifícios, bem como para as demais especialidades, reservadas as suas particularidades. 4.2.1 Caracterização do edificado Situada na Rua de Pitancinhos, Aptd. 208 Palmeira, a sede da DST é o objeto de estudo em questão, mais especificamente um edifício que funciona como armazém. O complexo do centro de produções da DST compreende uma área total de 24.440 m2 sendo composta por diversos 69 departamentos e empresas contidas neste mesmo ambiente. Na Figura 19 identifica-se a localização da sede do grupo DST. Figura 19: Vista aérea – sede grupo DST (GoogleMaps 41.58791292167197, -8.417969940780877) Os 2 volumes em estudo referem-se a pavilhões logísticos da empresa em questão e serão denominados como edifício A e edifício B. O edifício A é composto por um pavimento térreo e cobertura tendo o seu interior subdividido em: armazém de geotecnia, com 641,17 m2; armazém de equipamento ligeiro, com 319,34 m2; cais de carga e descarga coberto, 356,13 m2 e armazém geral com 331,47 m2. Assim, contabiliza-se aproximadamente 1.621,11 m2 de área construída. O edifício B por sua vez, possui dois pavimentos e conta com o rés-do-chão e primeiro piso. O résdo-chão possui: sala para escritório, com 29,03 m2; armazém DTE, com 726,53 m2; sala de manutenção, 137,67 m2; sala de pintura e armazém de serralharia ligeira, que juntos totalizam 214,52 m2. Possui ainda balneário e casas de banho, com 60,43 m2, armazém de gases florados, com 40,43 m2, além de salas de formação, topografia com 81,93 m2 e 73,38 m2, respetivamente e armazém solar com 265,49 m2, compreendendo uma área útil de 1.363,92 m2 apenas no résdo-chão. O pavimento superior possui: sala para os encarregados, com 85,02 m2; além de três salas de apoio denominadas como: sala 1, com 67,73 m2; sala 2 com 30,58 m2 e sala 3 com 55,50 m2; casas de banho com 11,73 m2 e hall de entrada com 10,07 m2. O edifício B tem, 70 portanto, uma área útil de 1.624.55 m2, totalizando os dois pavimentos descritos. A Figura 20 apresenta a planta de implantação dos dois pavilhões. Figura 20: Planta de implantação de pavilhões logísticos (Acervo da DST) Vale a pena salientar ainda que, parte dos pavilhões logísticos já existiam e foram ampliados. Todas as medidas de áreas, bem como tudo o que for retratado neste capítulo, será pertinente ao parque edificado atualizado, bem como as compatibilizações resultantes deste processo. Os pavilhões estão em operação e têm a sua estrutura constituída em estrutura metálica com envolvente exterior em chapa ondulada. Como camada interior da envolvente e paredes divisórias tem-se paredes em tijolo aparente. O pavimento interior do rés-do-chão é composto por betonilha industrial e para o edifício B, a laje do primeiro piso é composta por um pavimento em betão com 15 cm e a camada subjacente é em betonilha industrial com 5 cm de espessura. 71 Figura 21: Vistas do edifício A e B (foto do autor, 05 nov. 2020) De acordo com o exposto anteriormente, entendeu-se que a primeira especialidade a ser estudada será a arquitetura, visto que em todos os contextos esta é a primeira especialidade a ser idealizada e modelada e, como o principal critério do documento é estabelecer as relações no contexto do BIM-FM, os passos a serem utilizados nesta componente, deverão servir como parâmetro para as subsequentes especialidades e edifícios. 4.2.2 Desenvolvimento/etapas do projeto Para o desenvolvimento deste trabalho foi necessário cumprir algumas etapas a fim de sequenciar toda a fase metodológica. Logo após a escolha do caso de estudo, pelos motivos já ressaltados nos capítulos anteriores, tornou-se necessário avançar com o levantamento de dados com o intuito de permitir a melhor tomada de decisão e cumprir com os objetivos pré-estabelecidos. Abaixo segue a sequência de atividades a executar:  Recolha de informações – Levantamento de projetos do objeto de estudo e avaliação de informações e componentes obtidos; 72  Modelação de especialidades – Modelação de especialidades, criação/adequação de famílias para gerar dados interoperáveis;  Estruturação de informações padrão COBie – Preparação de informações e organização para gestão de dados e exportação em folha de cálculo Excel através de dados COBie;  Importação de informação para software Archibus – Alinhamento de dados e importação de ficheiros gerados no Revit para plug-in Archibus;  Estruturação de processos para otimização e alinhamento de manutenção preventiva e corretiva – Elaboração por meio de consulta a histórico de manutenção do pavilhão e inserção em software para manutenção preventiva e corretiva;  Avaliação do sistema e discussão dos resultados – Avaliação de resultados obtidos e discussão do mesmo através da análise dos outputs gerados. Para tal, será utilizado o software de modelação Revit 2020, versão estudante. A Figura 22 retrata o fluxograma simplificado utilizado nesta dissertação. Em princípio, pretende-se usar o ficheiro original da DST importado em IFC como base para execução do modelo arquitetónico e posterior catalogação de dados. Como software FM tem-se o Archibus versão 25.2, no qual, serão inseridas todas as informações arquitetónicas, bem como o ficheiro 2D do modelo, seguido de posteriores catalogações de ações de manutenção preventiva e corretiva de acordo com os recursos oferecidos pelo próprio Archibus. Todos os processos de organização de dados de edifícios empresariais demandam tempo, organização e posterior aplicação e, para tal, essa metodologia será dividida, conforme organograma abaixo e, através de passos de obtenção de informações, por parte da empresa, estruturação dos modelos, em conformidade com o as is, catalogação de informações, através do ficheiro COBie, originando um padrão de informações para a empresa e, posterior organização para o software FM. Em seguida será aplicada a manutenção preventiva e corretiva a fim de avaliar os benefícios oriundos da utilização desta metodologia em detrimento do tradicionalmente utilizado. 79 Figura 27: Imagem retirada do software Revit de estrutura e arquitetura justapostas (Acervo da DST) Para este caso específico, foi preciso ter maior atenção acerca da modelação, visto que, foi necessário editar as informações da categoria e família da parede. A categoria editada foi a parede e a família parede básica, sendo escolhido um tipo que pudesse ser utilizado como elemento exterior a fim de compor o que faltava da peça metálica restante. A Figura 28 abaixo retrata o procedimento adotado através da duplicação de paredes básicas e configuração de um novo tipo com a escolha de material em chapa metálica para o devido complemento em questão. 80 Figura 28: Duplicação de parede e configuração de envolvente exterior em chapa metálica (Elaborado pelo autor) Outras incompatibilidades foram notadas, contudo, não tinham grande impacto para o que se pretendia abordar neste trabalho e, para tal, foi adotado o modelo “ as is” para tal estudo. Uma vez consideradas tais adaptações no projeto, deu-se prioridade à modelação dos edifícios através dos comandos na Ribbon , na aba architecture do próprio Revit para proceder com os contornos inerentes a cada espaço, sala e segmentações do mesmo, tais como paredes e portas, por exemplo. No decorrer da execução do projeto, outros componentes também foram criados a fim de constituir as demais famílias referentes ao projetado. Foi o caso do elemento piso, projetado e executado em pavimento industrial, betonilha. O mesmo foi inserido através da aba architecture , componente, através de uma biblioteca do próprio software , de acordo com os passos seguintes, conforme Figura 29 abaixo. 81 Figura 29: Inserção de pavimento em betonilha 5 cm (Elaborado pelo autor) Depois de terem sido ajustadas todas as incompatibilidades, o modelo arquitetónico foi finalizado de acordo com os projetos iniciais e levou em conta algumas adaptações de acordo com o que foi construído, mas que não originaram perda de informações no âmbito da continuidade do trabalho. Após inserir as cotas e níveis, bem como todos os componentes necessários, incluindo mobiliário foi necessário identificar os ambientes e nomeá-los de acordo com o seu uso, conforme representado no projeto arquitetónico. A tela final deste processo pode ser vista na Figura 30 e Figura 31, enquanto a sua representação tridimensional encontra-se representada na Figura 32. 82 Figura 30: Rés do chão retificada dos edifícios A e B (Elaborado pelo autor) Figura 31: Piso 1 retificado dos edifícios A e B (Elaborado pelo autor) 83 Figura 32: Modelo 3D retificado dos pavilhões A e B (Elaborado pelo autor) Estruturação padrão COBie Uma vez que os pormenores do projeto foram ajustados em formato BIM, o próximo passo deuse através da organização das informações para evolução da etapa de gestão. Nomeadamente, o formato COBie auxilia na gestão, uma vez que, após a folha de cálculo ser finalizada é possível obter uma lista com todos os materiais, ambientes, zonas, com as suas elevações e características pertinentes à fase de operação e manutenção do património edificado, sendo possível editá-las a fim de otimizar toda a escala do processo e viabilizar a concentração de informação em formato de ficheiro em Excel, onde toda e qualquer alteração no projeto, quer seja em elementos construtivos, materiais ou áreas úteis possa ser reproduzida e atualizada no ficheiro em questão, sem perda de dados, de forma automática (Figura 33). 84 Figura 33: Processo de organização de informações COBie (Adaptada de The COBie Guide v05, 2013) É necessário, portanto, utilizar uma metodologia para conseguir exportar os dados do software Revit para um ficheiro em Excel. Ver-se-á, no final deste subtópico que, as folhas de cálculo geradas podem ser extensas e podem prejudicar toda a otimização que se pretende e, portanto, cabe ao gestor de FM ser criterioso em selecionar o que realmente é útil para continuar o processo que virá a seguir de gestão da instalação. Vale a pena ressaltar que, no documento em questão, utilizarse-ão apenas os componentes, zonas e elementos constituintes do modelo arquitetónico para exportação das referidas folhas de cálculo. Apenas um elemento (caleira), que por padrão pertence ao projeto de instalação hidráulica, foi acrescentado ao modelo arquitetónico com o intuito de servir como base para manutenção preventiva na subsecção 4.7.1 4.5.1 Sistema de classificação A utilização do COBie no Revit é possível através da instalação de um Add-in , COBie Toolkit for Autodesk Revit , que simplifica a exportação da informação para o ficheiro em Excel. Para que as informações fiquem organizadas é necessário que alguns passos sejam realizados no Revit até à obtenção das folhas de cálculo. Antes de iniciar o tratamento de dados e organização das informações é indispensável determinar o sistema de classificação de elementos que será utilizado. Esta etapa é essencial, pois a partir desta definição ficam estabelecidos os requisitos associados aos mais variados níveis de detalhe/informação para cada elemento/objeto do projeto. Esta consistirá na uniformização das 85 mesmas fazendo com que os mais variados intervenientes do processo de gestão de instalação possam comunicar-se através deste mesmo padrão pré-convencionado. O Revit possui, na sua biblioteca, alguns sistemas de classificação, conforme figura abaixo. Esses sistemas de classificação podem ser encontrados no menu BIM Interoperability Tools Setup (Figura 34). Figura 34: Sistemas de classificação do software (Elaborado pelo autor) Originalmente, o Revit estabelece o sistema Omniclass como padrão pré-definido dentre os sistemas de classificação listados acima. Para o trabalho em questão, tomou-se como prerrogativa a escolha de um sistema que tivesse caráter transversal e que permitisse aplicação do mesmo durante todo o ciclo de vida do edificado, tendo aplicabilidade garantida, propiciando o trabalho colaborativo entre os diversos intervenientes da indústria AEC e que tivesse as suas bases permanentemente atualizadas. Um dos sistemas que cumprem os requisitos citados é o Omniclass , contudo, trata-se de um sistema de classificação criado e instituído nos EUA (Estados Unidos da América) apresentando um padrão que representa as características construtivas do seu país de origem. Portanto, o sistema ideal a ser escolhido, que engloba todas as características necessárias, deveria ser um que retratasse o sistema construtivo português, especificamente. Apesar de alguns estudos já terem sido introduzidos, até à presente data, o sistema de classificação português ainda não foi desenvolvido na sua totalidade. Entretanto, proveniente do Reino Unido, existe o sistema de 86 classificação Uniclass que apresenta características semelhantes ao sistema Omniclass, com todas as especificidades necessárias e detém de um padrão construtivo mais próximo do utilizado em Portugal. Abaixo segue a Tabela 10 comparativa entre os dois sistemas de classificação, de acordo com as características dos mesmos. Tabela 10: Comparativo de características dos sistemas de classificação Uniclass e Omniclass Características Uniclass Omniclass Definido segundo ISO 12006-2; X X Passível de utilização em todo o ciclo de vida da edificação; X X Recomendado pela BS 1192; X Ampla abertura e abrangência; X X Atualização permanente; X X Desenvolvido em processo colaborativo com a indústria AEC; X X Tabelas definidas hierarquicamente, com maturação progressiva de informações; X Sistema de numeração lógico e flexível para acréscimos; X X Possibilidade de apresentação de classificação de conteúdo por diferentes prismas; X Níveis de análise constantes; X Compatível com sistemas-padrão de classificação internacionais; X Incorporação do Uniformat e Masterformat; X Versão melhorada do sistema original que permite melhor adaptação ao BIM. X Para além das características listadas acima, ambos os sistemas ainda apresentam limitações. O sistema Omniclass , para além de contemplar o sistema construtivo norte-americano, que por estar em Portugal é uma característica desfavorável, apresenta um sistema de numeração inconsistente ao longo das tabelas, o que gera falta de uniformidade nas suas representações e não detém correspondência direta às tabelas propostas na ISO 12006-2, cuja prerrogativa principal é definir a estrutura para desenvolvimento de sistemas de classificação voltados para o ambiente 87 construído. Já o sistema Uniclass apresenta um menor número de tabelas, com apenas um prisma de classificação de conteúdo, quando em comparação com o Omniclass e não estabelece compatibilidades com outros sistemas de classificação. Considerando as características supracitadas, qualquer um dos dois sistemas de classificação poderiam se escolhidos neste trabalho, ainda que com as suas limitações. Entretanto, dois fatores foram preponderantes para a escolha: o primeiro por se tratar de um padrão construtivo compatível com Portugal, o segundo pela recomendação de utilização por parte da BS 1192, a qual institui o método de colaboração para a gestão eficaz da produção, distribuição e qualidade de informação na construção civil e dos sistemas. Portanto, ao reunir os dois contributos citados, o sistema de classificação Uniclass foi utilizado como padrão neste documento. 4.5.2 Configurações iniciais de dados COBie Uma vez escolhido o sistema de classificação, deve-se continuar com as configurações a fim de se obter a tabela desejada com as informações pertinentes aos ambientes projetados. Como parte essencial desta metodologia, será apresentado neste subtópico uma versão mais detalhada dos passos seguidos para chegar à folha de cálculo final exportada do ficheiro COBie em Excel da presente dissertação, a fim de auxiliar e justificar as decisões tomadas ao longo desta. A Figura 35 retrata a aba de configurações do plug-in COBie no Revit. Figura 35: BIM Interoperability Tools ( plug-in para software Revit 2020) Como referido no subtópico anterior, o sistema de classificação adotado no presente texto é o Uniclass 2015 e a sua configuração é escolhida no primeiro ícone do lado esquerdo, setup , de acordo com a Figura 35. Ao ser selecionado tal sistema, o banco de dados deste é adicionado ao projeto em causa e todas as demais configurações serão baseadas de acordo com tal seleção. A Figura 36 retrata a escolha do sistema. 88 Figura 36: Definição do sistema de classificação utilizado (Elaborado pelo autor) Em seguida, no menu ao lado, existe a opção Assign , em que é possível definir qual o tipo de utilização do parque edificado. Já fica em evidência que apenas é possível optar por uma utilização que corrobore com a base de dados do sistema escolhido anteriormente, contando com os padrões e características desta que serão preenchidos para os objetos que forem selecionados e exportados por parte da folha de cálculo COBie (Figura 37). Figura 37: Definição de classificação de acordo com a tabela de escolha de entidades (Elaborado pelo autor) De acordo com a Figura 36, fica definido, através da tabela de entidades do sistema uniclass, o padrão de entidades administrativas, comerciais e de proteção de serviços, sendo classificado 95 Figura 45: Configurações gerais de projeto (Elaborado pelo autor) Para a configuração dos ambientes do projeto, estes foram definidos como: Room ou Space . Tendo em vista que todo o trabalho foi realizado com base no projeto de arquitetura e não houve desenvolvimento de projetos complementares, tomou-se por base a escolha de categorizar os espaços com a classificação de Room , pois, segundo CADD (2014), aos componentes arquitetónicos deve ser atribuído a classificação Room e apenas deve ser definido Space para elementos da disciplina MEP, pois este contém parâmetros específicos para avaliar o volume, enquanto a classificação Room mantém informações sobre áreas ocupadas (Figura 46). 96 Figura 46: Definições de Space e Room do projeto (Elaborado pelo autor) Nas definições da aba Types, foi necessário ordenar as categorias de acordo com o sistema de classificação que já foi escolhido anteriormente e, para tal, categorizou-se como prioritária a classificação para produtos Uniclass Pr , em segundo lugar a classificação para elementos/função Uniclass EF, seguido de parâmetros de valor do próprio Revit (Figura 47). Figura 47: Configurações de tipo (Elaborado pelo autor) 97 Dando continuidade aos procedimentos, tem-se a configuração da aba systems , em que se deve optar pela categoria dos sistemas disponíveis que, conforme já dito anteriormente, será uma opção dentro do sistema de classificação adotado. Para o caso em questão será o Uniclass Table ss. As demais opções estão relacionadas para a geração de parâmetros por meio do Omniclass Table 21, Uniformat, que também é um sistema de classificação utilizado para classificação de edifícios, bem como a opção de deixar os espaços em branco e preencher manualmente, de acordo com a necessidade da equipa de FM. Como a finalidade do documento em questão é tornar as informações organizadas num único ficheiro que contenha todos os documentos, optou-se pela opção do Uniclass Table ss . Em seguida, foram selecionados os atributos que estão contidos no projeto, de maneira a escolher apenas os objetos que são contemplados no mesmo e que serão exportados para a folha de cálculo (Figura 48). Figura 48: Seleção de parâmetros a exportar do Revit para criação de ficheiro COBie (Elaborado pelo autor) Outra opção importante foi editar os esquemas que serão exportados. Para isso, alguns dos subitens foram retirados, por não pertencerem aos projetos modelados. O item COBie System foi desmarcado, bem como o subitem Spaces pelos motivos já mencionados anteriormente (Figura 49). 98 Figura 49: Configuração de esquemas de tabela a serem exportados (Elaborado pelo autor) Ainda no menu de extensão COBie é possível configurar os contactos de responsáveis pelo processo de gestão de informações. Para efeito exemplificativo, foi preenchido apenas com um contacto, entretanto, podem ser atribuídos tantos quantos forem necessários para identificar os intervenientes no processo (Figura 50). Figura 50: Inserção de contactos de intervenientes no processo de FM (Elaborado pelo autor) 99 As ferramentas utilizadas até ao momento para configuração da folha de cálculo COBie permitiram ajustar as folhas de cálculo que serão exportadas. O último passo a ser dado, antes da exportação será o de preencher as folhas de cálculo que estão subdivididas em: zones , select e update. O primeiro a ser configurado foi o menu para cadastrar as zonas do modelo. A divisão dos ambientes foi separada de acordo com cada edifício, sendo mantida a mesma nomenclatura do ficheiro arquitetónico da empresa (Figura 51). Figura 51: Configuração de ambientes e zonas para edifícios A e B (Elaborado pelo autor) A próxima etapa é selecionar os elementos que estão no arquivo para que seja criada uma lista apenas com o que foi referido neste menu (Figura 52). 100 Figura 52: Seleção de elementos a exportar no ficheiro COBie (Elaborado pelo autor) Uma das partes finais do processo é atualizar os parâmetros e campos que devem ser exportados na folha de cálculo. É possível escolher apenas um ou mesmo todos os parâmetros listados, a depender das informações que são requisitadas e necessárias para a boa gestão. Foi utilizado o preenchimento com todos os parâmetros a serem exportados conforme pode ser visto na (Figura 53). Figura 53: Atualização de parâmetros a exportar (Elaborado pelo autor) 101 Depois de concluir todas as configurações e verificá-las, o ficheiro foi exportado através do menu create spreadsheet. Nesse menu foram retiradas algumas abas que não serão necessárias para o modelo em questão (Figura 54). Figura 54: Exportação de ficheiro COBie (Elaborado pelo autor) Vale a pena salientar que, caso o gestor considere que todas as configurações foram executadas de acordo com as necessidades do empreendimento e, com base na experiência do mesmo, é possível tornar o ficheiro modelo de modo que não seja necessário configurá-lo novamente em um novo projeto com o mesmo padrão de informação. 4.5.4 Folhas COBie Da exportação das folhas formato COBie é possível padronizar as informações de acordo com um conjunto de características, sendo identificadas através de cinco cores específicas que representam a proveniência dos dados, sendo as células classificadas de acordo com as seguintes cores: amarelo, laranja, violeta e verde (Figura 55). As células amarelas representam informações requeridas no projeto, enquanto as células cor laranja, são procedentes de outras folhas de cálculo. Esses dados são oriundos da folha Manage Project Information no Revit , conforme explicado nos pontos anteriores. As células de cor violeta não podem ser editadas manualmente, pois são extraídas diretamente da base de dados do software, ao contrário das células verdes que podem ser adicionadas manualmente. Tendo 102 como base o exposto, utilizaram-se no trabalho nove folhas de cálculo, todas estas exportadas de acordo com as configurações supracitadas, conforme se pode ver na Tabela 12: Tabela 12: Informações condizentes com as folhas de cálculo exportadas. Folhas de cálculo exportadas Informação detalhada na folha Contacts Dados dos responsáveis pelo projeto; Facility Dados referentes ao património edificado; Floor Informações sobre os pavimentos; Space Representa os espaços, classificados como “ Room ” neste projeto, sendo segmentados pelo pavimento em que se encontram; Zone Dados sobre os ambientes, sendo separados por edifício, sendo eles edifícios A e B; Type Detalha os diferentes tipos de elementos/equipamentos. É possível adicionar garantias, modelos, cor, fabricante, entre outros. No caso em questão foi exportada informações das portas, janelas, pias, louças sanitárias, entre outros; Component Detalha os diferentes tipos de componentes dos equipamentos listados na folha “ Type ”; Attribute É a folha mais extensa contendo os atributos de todo o ficheiro; Coordinate Contém informações de todo o sistema de coordenadas dos elementos contidos no ficheiro. Como resultado de tais configurações, foi possível exportar as folhas de cálculo e organizar todas as informações oriundas do projeto, de modo a permitir maior eficiência no que se refere à gestão de instalações. Da Figura 55 à Figura 65 é possível observar o ficheiro COBie exportado. 103 Figura 55: Folha inicial do ficheiro COBie gerado (Elaborado pelo autor) Figura 56: Folha " Contact " do ficheiro COBie gerado (Elaborado pelo autor) Figura 57: Folha " Facility " do ficheiro COBie gerado (Elaborado pelo autor) 104 Figura 58: Folha " Floor " do ficheiro COBie gerado (Elaborado pelo autor) Figura 59: Folha " Space " do ficheiro COBie gerado (Elaborado pelo autor) Figura 60: Folha " Zone " do ficheiro COBie gerado (Elaborado pelo autor) 111 pavimentos e respetivas áreas, sendo divididos de acordo com a especificação dada a cada Room no Revit e, de acordo com as cores pré-estabelecidas no Archibus. Figura 72: Importação de dados registrados no software Revit e enviados ao Archibus (Elaborado pelo autor) Como referido, os ambientes foram agrupados através de cores que representam as características da informação partilhada entre os software . A Figura 73 categoriza o agrupamento formado de acordo com os ambientes e as suas cores de delimitação. 112 Figura 73: Segmentação de ambientes por cores (Elaborado pelo autor) A qualquer momento é possível alterar o ambiente pré-determinado, bem como criar categorias de tipo distintas das supracitadas, de acordo com a necessidade imposta pelo facility manager , de modo a manter toda a informação padronizada e organizada permitindo criar a identidade que seja necessária. Organização dos dados para manutenção preventiva e corretiva O software Archibus fornece uma gama de possibilidades para organização e catalogação de dados, nas mais variadas áreas de interesse para gestão de um edifício. Os ambientes podem conter informações acerca de funcionários, equipamentos e categorias relacionadas entre si. Aos equipamentos, podem ser nomeados técnicos responsáveis, procedimentos de manutenção e documentos condizentes aos mesmos. O intuito deste subtópico é dar continuidade aos procedimentos no software Archibus que foram utilizados a fim de elucidar como seria a validação e abordagem para a manutenção preventiva e corretiva. 113 4.7.1 Bases para Manutenção Preventiva Segundo Ferreira (2009) a manutenção de um edifício está intrinsecamente ligada à necessidade em otimizar o seu desempenho durante a sua utilização, de modo a manter a satisfação e conforto dos utilizadores. Desta forma, é possível evitar a degradação precoce oriunda do desgaste natural dos edifícios através de ações que prolonguem a vida útil dos elementos. Sendo a manutenção preventiva voltada para a execução de um conjunto de ações de manutenção em intervalos pré-determinados ou com base em critérios específicos, é preciso conhecer o desempenho dos elementos, bem como gerar dados a fim de sistematizar planos de inspeção e manutenção desde a fase inicial de projeto e contribuir, portanto, para a redução de custos globais (Flores-Colen & Brito, 2010). Para tal tomaram-se por base os principais elementos que afetam a boa utilização e melhor desempenho do edifício em estudo, de acordo com a equipa que encabeçou o estudo por parte da DST. São eles: as caleiras e os pavimentos. As principais anomalias oriundas do mau funcionamento das caleiras ocorrem nos meses mais chuvosos, nomeadamente os meses entre novembro e março, tendo maior intensidade em novembro e fevereiro, meses estes que exigem um melhor funcionamento destes elementos fonte de manutenção. Apesar de um estudo prévio realizado na conceção do projeto acerca do seu funcionamento constatando que as mesmas atendem às necessidades de escoamento de acordo com os critérios regulamentares, é necessário adotar algumas medidas a fim de otimizar o desempenho das mesmas. O principal problema que impede o bom funcionamento ocorre quando folhas e a própria sujidade faz com que as caleiras fiquem entupidas e não consigam escoar as águas pluviais, ocasionando vazamentos e por consequência gerando outras patologias que resultam de tal falha. No que respeita à outra anomalia abordada neste documento, trata-se do surgimento de fissuras nos pavimentos industriais em betonilha, os quais, apesar de não terem sido feitas inspeções que comprovem e confirmem as causas acerca de tais anomalias, aparentemente, as principais ligações de causa/efeito estão relacionadas com as cargas elevadas às quais o mesmo está sujeito, bem como alguma falha não registada decorrente da deficiente execução do mesmo. Arcelor Mittal (2014) corrobora com as possíveis causas de fissuração como sendo as citadas acima. Retrata que as fissuras em pavimentos com a mesma utilização do pavimento em questão geralmente são originadas pelo mal assentamento, quer por má conceção de base/sub-base, 114 humidade do solo, ou compactação insuficiente, dimensionamento deficiente, instalação precoce de maquinaria, entre outras possibilidades. Foi estipulado um conjunto de ações de manutenção de acordo com alguns dos critérios abordados na NP 4483 (2008), os quais têm como intuito a: determinação de potenciais anomalias e suas causas; avaliação da necessidade de ações a empregar para prevenir o surgimento das mesmas e determinação e implementação de ações preventivas necessárias. Para o caso das caleiras, pode-se diminuir a entrada de folhas com a simples colocação de uma rede de proteção de caleira, entretanto tendo em vista a dimensão do edifício e os custos inerentes a esta colocação, pretende-se adotar a estratégia de limpeza para este efeito. Para o caso dos pavimentos industriais será adotada a estratégia padrão que a empresa em questão executa e que será abordada ainda neste capítulo na subsecção 4.7.2. Catalogação de Manutenção Preventiva no Archibus Ao utilizar as ferramentas do Archibus, é possível otimizar o tempo e esforço necessários para que o processo de manutenção preventiva seja executado, desde o planeamento, agendamento, execução propriamente e, por fim, rastreabilidade da informação gerada. Em primeiro lugar é necessário conhecer as necessidades do edifício e o plano que será gerado pela própria empresa ou empresa responsável pela manutenção. Para tal, algumas informações são importantes, tais como: datas, características dos procedimentos e recorrências da manutenção preventiva. Após ter todo esse quadro definido, é possível inserir as informações no planeador do programa, criando o cronograma, quer local, quer por equipamento/mobiliário, o que facilita o filtro de informações em buscas posteriores. A Figura 74 retrata o preenchimento das etapas do procedimento referentes à limpeza da caleira. Entretanto, também foi inserida toda a informação acerca dos procedimentos, equipa de trabalho a executar o serviço, bem como a quantidade de horas gastas para tal. A Figura 75 mostra os procedimentos a serem seguidos com base no filtro utilizado por ambiente para a manutenção preventiva descrita. Já a Figura 76 retrata o agendamento da execução dos serviços de manutenção para o mesmo ambiente, de acordo com o estipulado. 115 Figura 74: Procedimentos de execução para manutenção preventiva em caleira (Elaborado pelo autor) Figura 75: Filtro de agendamento de serviço gerado para manutenção preventiva por ambiente: Armazém DTE (Elaborado pelo autor) 116 Figura 76: Agendamento de serviço gerado para manutenção preventiva: Armazém DTE (Elaborado pelo autor) Após conferir todos os procedimentos a serem executados na manutenção preventiva, é possível finalizar o agendamento e ajustar a recorrência do procedimento. Tal fator permite automatizar as ordens de serviço, dentro do software a fim de encaminhar a execução das tarefas à equipa ou mesmo ao funcionário designado para tal. É possível, ainda, personalizar outras informações que a equipa de facility manager julgue necessárias para os edifícios em questão. A Figura 77 mostra as opções que o gestor pode utilizar com o intuito de combinar os dados para melhor documentar e registar a gestão da edificação. Entre alguns exemplos, pode-se destacar informações acerca de: garantias de equipamentos, gestão de inventário de peças, fornecedores de peças, ordens de compra, definição de equipas de trabalho, definição de reparos, causas, problemas, ferramentas, entre outros. 117 Figura 77: Outras informações disponíveis sobre manutenção para catalogação no Archibus (Archibus, 2020) 4.7.2 Bases para Manutenção Corretiva O nível mais recorrente no âmbito da manutenção é a corretiva, visto que se trata de uma abordagem cuja necessidade de planeamento é pouco e, geralmente tem custo de implementação baixo em detrimento dos outros tipos. Torna-se mais eficaz planear e prever esta atividade, de acordo com o conhecimento adquirido e as características prediais, a fim de colher os benefícios da gestão de instalações, e minimizar as consequências resultantes das interrupções não planeadas para além de poder reduzir os custos com as reparações. Contudo, sabe-se que as manutenções corretivas ainda se fazem muito presentes na realidade portuguesa e mundial, sendo executadas, para este efeito de forma reativa. Antonioli (2003) relata que, ainda que a manutenção preventiva se faça presente e seja planeada corretamente, deverá existir espaço para a manutenção corretiva na mesma edificação e, acrescenta que a quantidade de vezes que as equipas forem mobilizadas e retiradas das suas funções originais para tratar da manutenção corretiva deverá ser inversamente proporcional à eficiência da manutenção preventiva planeada para o parque edificado. A Figura 78 retrata um esquema padrão de manutenção corretiva. 118 Figura 78: Rotina de manutenção corretiva, segundo Calil; Teixeira (1998) Pelo exposto, a manutenção corretiva visa dar maior fiabilidade ao equipamento/edifício, sendo solicitada aquando da falha do material, incorporando segurança através de estratégias que versam a redução de deteriorações e falhas. É possível obter informações úteis que devem ser utilizadas para prevenção de manutenção dos próprios equipamentos reparados para melhoria das instalações (Ahuja, 2009). Para o caso dos pavimentos industriais na empresa DST será adotado o procedimento de fresagem e limpeza da fissura, seguida pela selagem através de preenchimento aderente e impermeável de acordo com as patologias existentes. Os procedimentos de manutenção corretiva serão descritos no subtópico seguinte. Catalogação de Manutenção Corretiva no Archibus Um dos grandes benefícios que advém do facility management é a possibilidade de o gestor ter acesso a informações acerca do elemento/equipamento em utilização mesmo antes de ter de 119 inspecionar o próprio local, para uma eventual manutenção de urgência. Para elucidar este conceito, toma-se por base uma situação hipotética, conforme a descrita a seguir: Situação hipotética: num dia normal, um funcionário que trabalha no armazém dte vai à casa de banho e verifica que o autoclismo apresenta uma fuga e solicita a intervenção ao setor de manutenção. Conforme foi visto na Figura 78, tal funcionário deveria notificar, através de e-mail ou ligação ao setor responsável a fim de descrever a ocorrência e solicitar intervenção. Entretanto, por meio do Archibus o funcionário poderia utilizar alguns comandos e preencher alguns parâmetros préestabelecidos pelo setor de manutenção, o qual facilitaria todo o processo e melhoraria a precisão do pedido em questão, obtendo maior fluidez e menor tempo para solucionar tal avaria. A Figura 79 e a Figura 80 retratam a importância de uma descrição precisa cujo objetivo é colher os benefícios desta integração e melhorar a geração de fluxo de informações entre as partes envolvidas. Figura 79: Identificação e localização por parte do funcionário 1 (Elaborado pelo autor) 120 Figura 80: Preenchimento de opções e detalhamento da avaria (Elaborado pelo autor) Através deste preenchimento, com informações acerca do funcionário que detetou o problema, localização da avaria, tipo de avaria identificada, descrição, prioridade na ordem de resolução e, ainda, a possibilidade de anexar outras informações é possível obter uma maior quantidade e qualidade de informações e aumentar a velocidade de resposta da equipa de manutenção, gerindo melhor as prioridades e, otimizando o processo como um todo. Vale a pena salientar que, o preenchimento e consequente configuração destes campos serão efetuados em listas e relatórios, quando solicitados ao próprio software , o que melhorará a qualidade das informações armazenadas permitindo um melhor planeamento e análise para ações futuras. Para a situação 1 proposta, provavelmente uma equipa interna solucionaria o problema de forma simples, diagnosticando a avaria e procedendo à reparação. Para estruturas mais complexas, parte do diagnóstico pode ser realizado ao utilizar o modelo importado do software BIM para o software FM, utilizando a planta e os dados resultantes da interação BIM-FM. Análise Crítica dos Resultados Os principais contributos extraídos do desenvolvimento deste documento serão explicitados nesta subsecção, levando em consideração que todo o processo foi subdividido em três etapas distintas: coleta de dados e fomento de necessidades por parte da empresa, DST, seguindo para as definições, análises e elaboração do modelo arquitetónico dos pavilhões através da ferramenta da Autodesk Revit e, por fim, a realização de testes no Archibus utilizando recursos do sistema CAFM. 127 deste tema/trabalho para a AEC. Sabe-se que, a procura por estas tecnologias, sobretudo mão de obra específica que saiba operacionalizar todas estas informações no contexto dos software BIMFM para levar ao máximo a potencialidade deste tema é, certamente, um divisor de águas no tocante à implementação destes métodos de gestão e seus benefícios. No que se refere à ferramenta Archibus, esta apresenta vantagens de utilização e contribuições relevantes quanto ao planeamento de manutenção de uma edificação, seja preventivo ou corretivo. É possível ter uma lista completa de equipamentos e serviços a realizar, de modo a: programar a manutenção, emitir ordens de serviço, estabelecer funcionários a executar a manutenção em dia e horário específico, otimizar todo o processo de tomada de decisão para facilitar a manutenção do parque edificado, entre outros recursos disponíveis pelo software . Entretanto, é preciso perceber que o Archibus ou qualquer outro sistema é o meio e não o fim de todo o processo e que todas as etapas e tomadas de decisão são importantes para se obter o resultado desejado a nível de operacionalidade, economia e gestão de recursos e pessoas numa instituição. Contributos da investigação Mudança de paradigmas, de conceitos e execução são alguns dos desafios pertinentes ao dia a dia da indústria da construção. Sabe-se que muita energia é gasta para que se consiga operacionalizar tais conceitos de maneira prática, de modo que fundamentem e reestruturem uma nova cultura empresarial em determinada organização. As empresas que percebem esse valor agregado na mudança conseguem ir além do tradicional e saem à frente das demais nesse mercado competitivo. Foi intuito dessa dissertação gerar uma cultura voltada à organização de dados e informações de projetos e, por consequência, transformar os mesmos em informações relevantes para a manutenção do parque edificado. De uma forma geral, tem-se no presente trabalho todo o processo que permite a obtenção desses dados, de maneira real e com as limitações impostas em cada processo. Foi possível elucidar quais as variáveis relevantes a todo o contexto em que está inserido o BIM-FM e a aplicação da tecnologia CAFM, no âmbito dos software Revit e Archibus. Foram discutidas as dificuldades inerentes ao desenvolvimento do modelo, que não se encontrava atualizado em relação ao construído, a problemática em torno disto e a necessidade em concluir o modelo antes de projetar qualquer aplicação em torno do FM; a complexidade em se obter informações do ficheiro COBie, 128 bem como suas vantagens da aplicação deste, para além da configuração deste ficheiro como molde para futuras aplicações e a facilidade que esta proporciona para a empresa que o utilize; todo o processo de exportação de informações, bem como a interoperabilidade necessária entre software BIM-FM e o padrão de manutenção preventiva e corretiva que pode ser obtido, com maior agilidade em toda a conjuntura da edificação. Por fim, discutiram-se quais os outros contributos oriundos da utilização de software BIM-FM e qual a importância de tal implementação para a gestão de instalações da empresa. Todas estas informações foram compiladas conforme Tabela 13 a fim de resumir o processo de inserção do BIM-FM em ambiente empresarial, conforme relatado em capítulos anteriores. 129 Tabela 13: Tabela elucidativa do processo de aplicação BIM-FM (Elaborado pelo autor) PRÉ-REQUISITO PARA IMPLEMENTAÇÃO E ORGANIZAÇÃO DE INFORMAÇÕES BASEADOS NO BIM-FM QUESTÕES OU RECOMENDAÇÕES PRÉVIAS Conhecer as necessidades de uso e operação do parque edificado; Conhecer a logística de utilização do edifício e seus potenciais problemas; Estipular objetivos aquando da inserção do CAFM e da metodologia BIM-FM; Identificar os intervenientes da instituição em todo o processo de gestão; Definir o programa de requisitos BIM: normativas, orientações para nomear os arquivos, requisitos e parâmetros necessários à aplicação; AÇÕES PARA AJUSTES NO MODELO BIM LOD – Analisar a necessidade de detalhamento conforme a aplicação de FM a utilizar para cada caso; Compatibilizar o projeto conforme o executado, para edifícios existentes, contemplando as especialidades necessárias de acordo com as características; Cadastro de informações da edificação e seus ativos; Sincronização entre a equipa de projeto e equipa FM para fluxo de informações e dados; APLICAÇÃO FM Catalogação de dados para o parque edificado em software FM, contendo informações sobre o mesmo (listagem de ativos e funcionários, característica dos espaços, localização, padronização e divisão de responsabilidades); Perceção acerca da informação definindo onde e como esta é armazenada e quem da equipa terá acesso; Sincronização entre o modelo BIM e o software FM; Desenvolver esquema e padrão de manutenção a aplicar, cadastrando no software ; Analisar dados, otimizar processos e revisar a metodologia aplicada na instituição. Conclusão e trabalhos futuros Com base na literatura consultada, nos casos de estudo e no próprio contributo deixado por parte desta dissertação, fica evidente a relevância do estudo acerca do facility management e do BIM para o ciclo de vida das edificações e suas fases de manutenção e operação. Vale a pena salientar, 130 porém, que a eficácia de tal metodologia depende de algumas variantes, tais como: perceber quais os reais objetivos da instituição a aplicar o BIM-FM; quais os processos a desenvolver para alcançar esses objetivos e como os intervenientes podem influenciar a fim de atingir tais resultados, entre outros. Tais variantes irão determinar como o edificado deve ser gerido. É importante alertar para a escolha do software e qual o consequente investimento em detrimento da escolha, para além da formação dos colaboradores ou mesmo da contratação de mão de obra especializada para tal. É necessário ter uma equipa multidisciplinar que atue em trabalho colaborativo entre os mesmos e que, embora desempenhem papéis diferentes, são demasiados importantes e necessitam trabalhar em coesão para atingir os objetivos pré-estabelecidos. Quanto mais complexo o projeto e o nível de exigência para extração de resultados, mais tempo e empenho deve-se ter para tal fim. Apesar de muito incipiente a utilização do BIM em aplicações CAFM, pode-se considerar este tema bastante promissor e aliciante, visto terem aplicações relevantes. Entretanto existe pouca informação acerca da sua utilização na literatura, o que torna necessário despender grandes esforços para se obterem informações válidas e avançar com o uso do BIM nas fases de operação e manutenção, pois as informações não são tão bem aproveitadas nesta fase quando em comparação às demais fases de construção. Sabe-se da importância em se ter a equipa de FM desde o início do ciclo de vida das edificações e alguns motivos que sustentam tal pensamento devem-se ao facto de poder criar métodos de trabalho, definir critérios no armazenamento das informações, discutir melhores soluções com a mentalidade na operação e manutenção, entre outros, o que diminuiria o tempo de implementação deste. Para edificações existentes há maiores dificuldades seja no âmbito da geometria e a possibilidade de existência de objetos/elementos ocultos, falta de histórico de manutenção dos equipamentos em utilização e informações semânticas, entre outros e, a depender da complexidade da estrutura pode ser necessário tempo e custos elevados para processamento de dados, desenvolvimento e inserção de todos os detalhes necessários para a boa gestão. Para tal é necessário ajustar a modelação de acordo com a aplicação a ser abordada, bem como, alinhar informações, mesmo que seja necessário acrescentá-las de forma a que o modelo BIM se torne mais integrado e sem duplicação de dados, obtendo sempre desenhos atualizados. Em relação às vantagens, para além das supracitadas, pode-se dizer que ter todas as informações do edifício disponíveis e atualizadas a qualquer momento facilita qualquer empresa na tomada de 131 decisões, bem como é possível otimizar a gestão de riscos, pois aquando da aplicação da metodologia todos os elementos de um edifício são facilmente localizados e os incidentes são facilmente detetados e minimizados. Para além disto, a interligação entre o Archibus e Revit é possível de ser realizada de forma simples e intuitiva na passagem de informações, bem como para o planeamento de manutenção preventiva e corretiva, o que otimizou a inserção de um plano programado básico para execução da limpeza das caleiras e da reabilitação do pavimento em betonilha, conforme a necessidade ressaltada pelos gestores da DST. Por conta do pouco tempo e o nível de detalhes levantados neste texto, não foi possível modelar todas as especialidades nem executar um plano de manutenção integrada, e monitorá-lo. A modelação da arquitetura, organização de dados em ficheiro COBie e posterior interligação Revit – Archibus necessitaram de bastante tempo na realização deste trabalho, sobretudo, pelo processo de aprendizagem na utilização de tais ferramentas, conforme descrito no caso de estudo. Como propostas futuras a DST pode aplicar e controlar a eficácia de um plano de manutenção numa estrutura mais complexa e com todas as especialidades previamente modeladas, atuando com a organização dessas informações e suas compatibilidades. Tal proposta contribuiria para criar um modelo completo a aplicar e replicar no seu parque edificado, aos restantes edifícios que a mesma detém, permitindo ainda funcionar de base para nortear outras situações de integração de informação mais avançadas. Outro passo a ser explorado seria o de utilizar o ficheiro COBie para transferência de dados entre o Revit e um software FM. Tal aplicação poderia fomentar a temática e gerar contributos que facilitem a passagem de informação. Esse processo, na maioria das vezes não é tão direto, conhecido, nem simples de se obter. Outro trabalho futuro, numa vertente mais robusta e com o critério tempo a favor da pesquisa, seria operacionalizar todos os processos numa edificação nova a fim de comparar e comprovar os benefícios de um facility manager na etapa inicial de um projeto e aprofundar os benefícios inerentes a esta prática. Para além do referido, pode ser incorporado um estudo comparativo, na mesma obra, aquando da utilização de métodos tradicionais a fim de validar ou não o usufruto do contexto BIM-FM nesta ou mesmo realizar um estudo sobre uma edificação antiga através da elaboração de um plano de manutenção preditiva, preventiva e corretiva e avaliar os processos de implementação do BIM-FM e os impactos oriundos de tal execução sobre a ótica da gestão de instalação. 132 As automatizações desses processos já começaram a ser estudadas, assim, outra possibilidade de desenvolvimento seria automatizar o processo de obtenção de parâmetros e transformação de informações do Revit em ficheiro COBie, sem perda de dados. 133 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS AHUJA, P. S. (2009). Total Productive Maintenance. In Ben-Daya, et al (Eds.). Handbook of Maintenance Management and Engineering (pp. 417–459). Springer. Disponível em <https://doi.org/10.1007/978-1-84882-472-0>. Acesso em mar. 2020. 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