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i DIREITOS DE AUTOR E CONDIÇÕES DE UTILIZAÇÃO DO TRABALHO POR TERCEIROS Este é um trabalho académico que pode ser utilizado por terceiros desde que respeitadas as regras e boas práticas internacionalmente aceites, no que concerne aos direitos de autor e direitos conexos. Assim, o presente trabalho pode ser utilizado nos termos previstos na licença abaixo indicada. Caso o utilizador necessite de permissão para poder fazer um uso do trabalho em condições não previstas no licenciamento indicado, deverá contactar o autor, através do RepositóriUM da Universidade do Minho. Atribuição-NãoComercial CC BY-NC https://creativecommons.org/licenses/by-nc/4.0/
ii Agradecimentos A realização deste trabalho não teria sido possível sem o apoio e dedicação constante de algumas pessoas, a quem deixo aqui o meu agradecimento: Ao meu orientador, Professor Doutor Paulo Pereira, pelo constante apoio, disponibilidade, prontidão no esclarecimento de dúvidas, pelas críticas e sugestões e por todas as correções que permitiram a conclusão deste trabalho da melhor forma possível; Ao Professor Doutor Renato Henriques pelo apoio informático e fornecimento de material essencial para a realização deste trabalho; Ao Professor Doutor José Brilha pela atenção e disponibilidade e extensa partilha de conhecimentos; Ao ICNF pela prestabilidade no fornecimento de informação que permitiu enriquecer este trabalho; À minha família pela paciência e pelo apoio que nunca faltou, mesmo nos momentos mais difíceis; À Bruna, à Joana e à Rita pela ajuda e conselhos e sobretudo pela amizade que nos une; Aos colegas de mestrado, pelos bons e divertidos momentos que passamos juntos; E a um amigo especial, que me acompanhou e apoiou incondicionalmente ao longo de toda esta jornada e sem o qual a realização deste trabalho não teria sido a mesma coisa.
iii DECLARAÇÃO DE INTEGRIDADE Declaro ter atuado com integridade na elaboração do presente trabalho académico e confirmo que não recorri à prática de plágio nem a qualquer forma de utilização indevida ou falsificação de informações ou resultados em nenhuma das etapas conducente à sua elaboração. Mais declaro que conheço e que respeitei o Código de Conduta Ética da Universidade do Minho.
iv Avaliação do valor turístico do património geológico do Parque Nacional da Peneda-Gerês Andreia Filipa Faria Afonso 2019, Universidade do Minho Resumo Este trabalho tem como tema principal o património geológico do Parque Nacional da PenedaGerês (PNPG), tendo como objetivos a avaliação do seu valor turístico e a proposta de medidas para a valorização turística dos geossítios. Foram identificados todos os geossítios do PNPG inventariados em trabalhos anteriores. A estes foram adicionados outros sete que evidenciam atratividade turística associada a elementos da geodiversidade. Esses 168 geossítios foram alvo de uma primeira avaliação para seleção dos principais geossítios com potencial valor turístico, a qual teve por base os critérios “presença de visitantes”, “promoção na internet”, “existência de promoção por parte dos municípios, centros de interpretação e Portas do Parque” e “estética”. Foram selecionados 18 geossítios, os quais foram alvo de avaliação quantitativa mais detalhada e que envolveu trabalho de campo e pesquisa relacionada com os critérios “disponibilidade”, “uso”, “logística” e “sentidos” e com subcritérios associados. Desta avaliação, concluiu-se que o geossítio com valor turístico mais elevado no PNPG é o Miradouro da Pedra Bela, com 76,7% da pontuação máxima possível. O geossítio Sete Lagoas foi o menos pontuado, com apenas 42%. Os restantes geossítios obtiveram pontuações entre os 50 e os 75%, possuindo um valor turístico moderado. Constatou-se que o critério “logística” foi o menos pontuado, o que se pode justificar pelo facto de equipamentos de suporte ao turismo não serem prioritários em áreas protegidas. Tendo em conta os resultados e as especificidades de cada geossítio e de cada critério usado na avaliação, propuseram-se medidas de valorização, as quais procuram estabelecer melhores condições de visitação e de promoção do património geológico, sem colocar em risco os valores naturais do PNPG. Palavras-chave: avaliação, geossítios, Parque Nacional da Peneda-Gerês, património geológico, valor turístico.
v Tourism value assessment of the Peneda-Gerês National Park geoheritage Andreia Filipa Faria Afonso 2019, University of Minho Abstract The main topic of this research is the geoheritage of the Peneda-Gerês National Park (PNPG). The objectives are the assessment of its tourism value and the proposal of actions for the tourism valorization of geosites. All the PNPG geosites inventoried in previous works were identified. Besides, other seven were added because of their tourist attractiveness related with elements of geodiversity. These 168 sites were the subject of an first assessment aiming the selection of the geosites with the highest potential tourism value. The criteria used were "presence of visitors", "promotion on the internet", "existence of promotion by municipalities, in interpretative centres and in the Portas do Parque (Park’s Doors)", and" aesthetics". 18 geosites were selected and were subjected to a more detailed quantitative assessment, which included fieldwork and research related to "availability", "use", "logistics" and "senses" criteria and related subcriteria. It was concluded that the geosite with the highest tourism value in PNPG is Miradouro da Pedra Bela, with 76.7% of the maximum possible score. The Sete Lagoas geosite had the lowest score, with only 42%. The remaining geosites obtained scores between 50 and 75%, having a moderate tourism value. The "logistic" criterion was the less valued, which is justified by the fact that tourism infrastructures are not a priority in protected areas. Taking into account the results and specificities of each geosite and each assessment criterion, valorization actions were proposed, which aim to establish better conditions for tourism visitation and promotion of the geoheritage, without endangering the natural values of PNPG. Keywords: assessment, geoheritage, geosites, Peneda-Gerês National Park, tourism value.
vi Índice Geral DIREITOS DE AUTOR E CONDIÇÕES DE UTILIZAÇÃO DO TRABALHO POR TERCEIROS ......................... i Agradecimentos .................................................................................................................................. ii DECLARAÇÃO DE INTEGRIDADE ........................................................................................................ iii Resumo ............................................................................................................................................. iv Abstract .............................................................................................................................................. v Índice Geral ....................................................................................................................................... vi Índice de Tabelas ............................................................................................................................... ix Índice de figuras .................................................................................................................................. x 1 Introdução ................................................................................................................................... 1 2 Património Geológico do Parque Nacional da Peneda-Gerês ......................................................... 3 2.1 Caracterização geral do Parque Nacional da Peneda-Gerês ................................................... 3 2.1.1 Enquadramento legal e geográfico ................................................................................ 3 2.1.2 Geodiversidade ............................................................................................................. 4 2.1.3 Outros aspetos naturais .............................................................................................. 12 2.2 Turismo e visitação no Parque Nacional da Peneda-Gerês ................................................... 16 2.3 Inventários de património geológico no Parque Nacional da Peneda-Gerês .......................... 27 2.4 Seleção de geossítios com valor turístico no Parque Nacional da Peneda-Gerês ................... 29 3 Metodologia de avaliação do valor turístico do património geológico ............................................ 32 3.1 Valor turístico do património geológico ............................................................................... 32 3.2 Metodologias e critérios de avaliação .................................................................................. 35 3.2.1 Metodologia proposta por Pralong (2005) ................................................................... 35 3.2.2 Metodologia proposta por Rybár (2010) ...................................................................... 38 3.2.3 Metodologia proposta por Pereira & Pereira (2012) ..................................................... 39 3.2.4 Metodologia proposta por Strba & Rybár (2015) .......................................................... 41 3.2.5 Metodologia proposta por Doktor et al. (2015) ............................................................ 42 3.2.6 Metodologia proposta por Valjarevic et al. (2017) ........................................................ 46 3.3 Proposta de metodologia para a avaliação do valor turístico do património geológico do PNPG 49 4 Avaliação do valor turístico do património geológico do PNPG ..................................................... 55 4.1 Descrição dos geossítios com valor turístico ....................................................................... 56 4.1.1 Cascata do Arado ....................................................................................................... 56 4.1.2 Miradouro da Pedra Bela ............................................................................................ 58
vii 4.1.3 Cascata do Tahiti ....................................................................................................... 60 4.1.4 Miradouro da Boneca ................................................................................................. 62 4.1.5 Cascata do Rio Laboreiro ............................................................................................ 64 4.1.6 Fenda da Calcedónia .................................................................................................. 66 4.1.7 Sete Lagoas ............................................................................................................... 68 4.1.8 Cascata de Cela Cavalos ............................................................................................ 70 4.1.9 Cascata de Pitões das Júnias ..................................................................................... 73 4.1.10 Tartaruga de Castro Laboreiro .................................................................................... 75 4.1.11 Miradouro da Junceda ................................................................................................ 76 4.1.12 Miradouro da Preguiça ............................................................................................... 78 4.1.13 Minas dos Carris ........................................................................................................ 79 4.1.14 Vale do Alto Vez .......................................................................................................... 85 4.1.15 Vale do Homem ......................................................................................................... 87 4.1.16 Mirante Velho ............................................................................................................. 89 4.2 Resultados e discussão ...................................................................................................... 90 5 Propostas de valorização ........................................................................................................ 103 5.1 Miradouro da Pedra Bela ................................................................................................ 104 5.2 Miradouro da Preguiça .................................................................................................... 105 5.3 Tartaruga de Castro Laboreiro ......................................................................................... 106 5.4 Vale do Alto Vez .............................................................................................................. 107 5.5 Cascata do Arado ............................................................................................................ 109 5.6 Cascata de Pitões das Júnias .......................................................................................... 109 5.7 Miradouro da Boneca ...................................................................................................... 110 5.8 Miradouro de Tibo ........................................................................................................... 111 5.9 Miradouro da Junceda .................................................................................................... 112 5.10 Cascata de Pincães ......................................................................................................... 112 5.11 Vale do Homem .............................................................................................................. 113 5.12 Cascata do Tahiti ............................................................................................................ 114 5.13 Mirante Velho ................................................................................................................. 115 5.14 Fenda da Calcedónia ...................................................................................................... 116 5.15 Cascata do Rio Laboreiro ................................................................................................ 117 5.16 Cascata de Cela Cavalos ................................................................................................. 119 5.17 Minas do Carris .............................................................................................................. 120 5.18 Sete Lagoas .................................................................................................................... 121
xiv Figura 4.29: Localização do geossítio Cascata de Cela Cavalos na folha 31 da Carta Militar de Portugal na escala 1/25 000…………………………………….……………………………………………………………………..70 Figura 4.30: Cascata de Cela Cavalos……………..……………………………………………………………………..72 Figura 4.31: Caminho de acesso à cascata de Cela Cavalo, a partir da capela de Santa Luzia e aldeia de Cela………………………………………………………………………………………………………………………………..72 Figura 4.32: Fauna da cascata de Cela Cavalos, Calopteryx virgo …………………………………………………72 Figura 4.33: Localização do geossítio Cascata de Pitões das Júnias na folha 18 da Carta Militar de Portugal na escala 1/25 000………………………………………………………………………………………………..73 Figura 4.34: Cascata de Pitões das Júnias, observada a partir do miradouro dedicado……………………..74 Figura 4.35: Sinalização da Cascata de Pitões das Júnias ao longo do percurso de acesso…………………74 Figura 4.36: Estruturas de apoio ao turista no geossítio Cascata de Pitões das Júnias: (a) Passadiço em madeira que liga o parque de estacionamento ao miradouro. (b) Barreiras de segurança e bancos madeira no miradouro………………………………………………………………………………………………………..74 Figura 4.37: Localização do geossítio Tartaruga de Castro Laboreiro na folha 4 da Carta Militar de Portugal na escala 1/25 000………………………………………………………………………………………………..75 Figura 4.38: Tartaruga de Castro Laboreiro……………………………………………………………………………..76 Figura 4.39: Localização do geossítio Miradouro da Junceda na folha 30 da Carta Militar de Portugal na escala 1/25 000………………………………………..……………………………………………………………………..76 Figura 4.40: Paisagem observada a partir do miradouro da Junceda. a) Perspetiva para a parte superior do vale do rio Gerês, a nordeste; b) Perspetiva para a parte inferior do vale do rio Gerês, a sul…………….77 Figura 4.41: Sinalização do miradouro da Junceda na principal via de acesso…………………………………78 Figura 4.42: Estrutura existente no miradouro da Junceda….………………………………………………………78 Figura 4.43: Localização do geossítio Miradouro da Preguiça na folha 30 da Carta Militar de Portugal na escala 1/25 000………………………………………..……………………………………………………………………..78 Figura 4.44: Setor inferior do vale do rio Gerês observado a partir do miradouro da Preguiça……………..79 Figura 4.45: Localização do geossítio Minas dos Carris na folha 31 da Carta Militar de Portugal na escala 1/25 000………………………………………………….……………………………………………………………………..79 Figura 4.46: Ruínas da aldeia mineira do Carris, na Serra do Gerês………………………………………………81 Figura 4.47: Aspeto de fosso associado a uma das entradas das minas dos Carris…………………………..81
xv Figura 4.48: Blocos desabados no caminho de acesso às minas dos Carris, no vale do rio Homem……..81 Figura 4.49: Vestígios de vandalismo nas ruínas da aldeia mineira dos Carris…………………………………81 Figura 4.50: Localização do geossítio Miradouro de Tibo na folha 9 da Carta Militar de Portugal na escala 1/25 000………………………………………………….……………………………………………………………………..82 Figura 4.51: Perspetiva dos vales da Gavieira e da Peneda a partir do miradouro de Tibo…………………..83 Figura 4.52: Fraga das Pastorinhas observada a partir do miradouro de Tibo………………………………….83 Figura 4.53: Localização do geossítio Cascata de Pincães na folha 44 da Carta Militar de Portugal na escala 1/25 000………………………………………..……………………………………………………………………..83 Figura 4.54: Cascata de Pincães…………………………………………………………………………………………..84 Figura 4.55: Caminho pedonal de acesso à cascata de Pincães, a partir da aldeia……………………………85 Figura 4.56: Localização do geossítio Vale do Alto Vez na folha 9 da Carta Militar de Portugal na escala 1/25 000.………………………………………………………………………………………………………………………..85 Figura 4.57: Blocos erráticos situados junto à Branda da Aveleira, no geossítio vale do Alto Vez………….86 Figura 4.58: Bloco errático de elevada dimensão, no geossítio Vale do Alto Vez……………………………….87 Figura 4.59: Localização do geossítio Vale do Homem na folha 31 da Carta Militar de Portugal na escala 1/25 000………………………………………………….……………………………………………………………………..87 Figura 4.60: Cascata e lagoa da Portela do Homem observada a partir da ponte com o mesmo nome. ………………………………………………………………………………………………………………………………………88 Figura 4.61: Ponte da Portela do Homem: a) perspetiva a partir da lagoa, no fundo do vale do rio Homem; b) turistas a observar a cascata a partir da ponte. …………………………………………………………………….89 Figura 4.62: Localização do geossítio Mirante Velho na folha 31 da Carta Militar de Portugal na escala 1/25 000.………………………………………………………………………………………………………………………. 89 Figura 4.63: Paisagem observada a partir do geossítio Mirante Velho. a) perspetiva para o setor superior do vale do rio Gerês, a nordeste; b) perspetiva para sul, sobre a albufeira da Caniçada……………………90 Figura 5.1: Turistas apoiados no gradeamento de segurança situado no Miradouro da Pedra Bela…….104 Figura 5.2: Painel em homenagem ao 1º centenário do nascimento do escritor Miguel Torga, colocado junto ao miradouro da Pedra Bela em 2007 pelo município de Terras de Bouro…………………………….105 Figura 5.3: Painel informativo relativo ao Trilho da Preguiça, localizado no miradouro da Preguiça…….106 Figura 5.4: Capa do folheto relativo ao Trilho da Preguiça………………………………………………………….106
xvi Figura 5.5: Painel informativo sobre a ocorrência de “vale glaciar” junto ao geossítio do Vale do Alto Vez, na Branda da Aveleira……………………………………………………………………………………………………….108 Figura 5.6: Plataforma no miradouro da cascata de Pitões das Júnias com sinais visíveis de degradação…………………………………………………………………………………………………………………….110 Figura 5.7: Capa do panfleto dedicado ao “Trilho de Pitões das Júnias”……………………………………….110 Figura 5.8: Capa do panfleto dedicado ao “Trilho dos Miradouros”……………………………………………..111 Figura 5.9: Passadiço de acesso ao miradouro da cascata de Pitões das Júnias, o qual tem início no parque de estacionamento e termina no miradouro…………………………………………………………………113 Figura 5.10: Cabine de controlo de visitantes localizada na extremidade norte (Espiunca) dos Passadiços do Paiva………………..……………………………………………………………………………………………………….115 Figura 5.11: Estrutura de apoio no geossítio Mirante Velho………………………………………………………..116 Figura 5.12: Capa do panfleto relativo ao “Trilho da Cidade da Calcedónia”………………………………….117 Figura 5.13: Cascata do rio Laboreiro com a visibilidade afetada pela presença de vegetação arbórea e arbustiva……………….……………………………………………………………………………………………………….118 Figura 5.14: Exemplo de painel informativo existente na porta de Montalegre do PNPG sendo este dedicado ao lobo, espécie encontrada no território do PNPG……………………………………………………..120 Figura 5.15: Vedação de apoio a trilho de visitação nas minas de S. Domingos………………………………121 Figura 5.16: Passadiço de apoio à visitação nas minas do Lousal……………………………………………….121
1 1 Introdução As temáticas relacionadas com a conservação da natureza e a proteção do meio ambiente têm evoluído ao longo dos anos, estando cada vez mais associadas à investigação, à gestão territorial e a questões sociais e económicas. O crescente envolvimento das populações humanas com o meio natural tem proporcionado que o público em geral esteja mais sensibilizado para estas questões. No entanto, na maioria dos casos a conservação da natureza é vista apenas como a conservação da biodiversidade, subvalorizando-se a geodiversidade e sobretudo os casos de valor notável da geodiversidade – o património geológico. As estratégias no âmbito da conservação do património geológico – geoconservação - têm vindo a ganhar importância global, sobretudo através da figura dos geoparques. Contudo, existe ainda muito a ser feito, principalmente em relação a património geológico incluído em áreas protegidas e, mais ainda, àquele que não possui qualquer tipo de proteção. A relevância da geoconservação é maior no seio da comunidade científica, sendo um tema praticamente desconhecido pela maioria da população em geral, mesmo que esta se sirva cada vez mais de elementos de património geológico para a prática da atividade turística. Para contrariar este facto, é importante a promoção da interpretação do património geológico por parte das entidades promotoras de atividades turísticas e pelos gestores de áreas protegidas. Desta forma, o turista poderá obter conhecimento acerca do património natural e da sua importância e ficará mais sensibilizado em relação à necessidade da sua proteção. Os geoparques são áreas que, possuindo património geológico notável, estão essencialmente associadas a uma estratégia de desenvolvimento sustentável, que tem como pilares fundamentais a geoconservação, a educação e o geoturismo (Zouros, 2004). Nas áreas protegidas, o objetivo principal é a conservação da natureza, mas a educação e o turismo da natureza são igualmente componentes essenciais e cada vez mais praticadas. O Parque Nacional da Peneda-Gerês (PNPG) é a principal área protegida em Portugal, recebendo um número cada vez maior de turistas, atraídos pelas beleza e riqueza natural e cultural do território. A geodiversidade e a riqueza do património geológico local são as principais razões da beleza destas paisagens, embora isso não seja reconhecido pelas instituições que gerem a natureza, mais focadas no valor da biodiversidade local.
2 O presente trabalho é realizado no âmbito do mestrado em Geociências - ramo de Património Geológico e Geoconservação e tem como principais objetivos a avaliação do valor turístico do património geológico do PNPG e a proposta de medidas para a valorização dos geossítios. Os objetivos específicos são: • Seleção do património geológico do PNPG com potencial valor turístico mais elevado; • Aplicação de uma metodologia quantitativa para a avaliação do valor turístico do património geológico do PNPG; • Proposta de medidas para a valorização dos geossítios com valor turístico mais elevado com vista à gestão adequada do património geológico do PNPG. Em termos metodológicos, este trabalho iniciou-se com a caracterização geológica da área do PNPG e o estudo e desenvolvimento de metodologias para identificação, seleção e avaliação quantitativa de geossítios com valor turístico. Os resultados são apresentados nos capítulos 2 e 3. Selecionados os geossítios com potencial valor turístico e definida a metodologia de avaliação quantitativa do valor turístico procedeu-se ao trabalho de campo em todos os geossítios selecionados. No capítulo 4 é descrita essa etapa e é feita a análise dos resultados. No capítulo 5 são apresentadas propostas de valorização dos geossítios tendo em conta a análise dos resultados.
3 2 Património Geológico do Parque Nacional da Peneda-Gerês 2.1 Caracterização geral do Parque Nacional da Peneda-Gerês 2.1.1 Enquadramento legal e geográfico O Parque Nacional da Peneda-Gerês (PNPG) foi a primeira área protegida criada em Portugal, sendo a única com o estatuto de Parque Nacional. Foi inaugurado a 11 de Outubro de 1970, vindo a ser constituído a 8 de Maio de 1971 pelo Decreto-Lei nº 18/71, ainda sob o âmbito do existente regime geral de proteção da natureza estabelecido pela Lei nº9/70 de 19 de Junho. A classificação do PNPG teve por base a singularidade da paisagem natural e o caráter selvagem do território, valorizando as atividades humanas tradicionais e os recursos naturais com finalidades educativas, turísticas e científicas (Plano de Ordenamento do PNPG, 2008). A classificação do PNPG como Parque Nacional foi, prontamente reconhecida pela UICN (União Internacional para a Conservação da Natureza). O PNPG abrange uma área de 70.920 hectares no noroeste de Portugal, fazendo fronteira com Espanha. Esta área é parte de 5 concelhos, nomeadamente os de Melgaço, Arcos de Valdevez e Ponte da Barca (distrito de Viana do Castelo), Terras de Bouro (distrito de Braga) e Montalegre (distrito de Vila Real) (figura 2.1), incluindo a maior parte das serras da Peneda, Soajo, Amarela e Gerês. Sendo essencialmente uma área montanhosa, com cotas geralmente acima dos 700 metros, é na serra do Gerês onde se encontra o ponto mais alto 1545 metros, no Pico da Nevosa. Figura 2.1 : Localização do Parque Nacional da Peneda-Gerês no noroeste de Portugal (adaptado de Peixoto, 2008).
4 2.1.2 Geodiversidade A área do PNPG está integrada na Zona Galiza-Trás-os-Montes do Maciço Ibérico (figura 2.2), a maior das unidades morfoestruturais da Península Ibérica (Julivert et al., 1974). Esta grande unidade incorpora rochas antemesozoicas e teve a sua génese com a orogenia Varisca, a qual se desenvolveu desde o fim do Devónico (380 Ma) até ao início do Pérmico (290 Ma) (Moreira & Ribeiro, 1991), com episódios de deformação, metamorfismo e plutonismo (Quesada, 1992). As forças e tensões associadas a esta orogenia, para além da criação da cadeia montanhosa varisca, foram também responsáveis pelas deformação e metamorfização de rochas preexistentes, com transformação dos sedimentos marinhos depositados durante o Silúrico em rochas metassedimentares (Moreira & Ribeiro, 1991). Foram identificadas 3 principais fases de deformação varisca, em função das características estruturais dos materiais geológicos: a 1º fase decorreu no Devónico superior (entre 380 Ma e 360 Ma), a 2º fase entre o Devónico superior e o Carbónico inferior (entre 370 Ma e 350 Ma) e a 3º fase entre o Carbónico superior e o Pérmico inferior (entre 330 Ma e 290 Ma) (Moreira & Ribeiro 1991). As forças de compressão que estão na origem das grandes falhas e fraturas e que contribuíram para a ascensão e implantação de magmas graníticos (Ferreira et al ., 1987; Dias, 2001) a que correspondem os granitos que atualmente ocorrem na grande maioria do PNPG ocorreram durante a 3ª fase de deformação varisca. Figura 2.2 : Enquadramento da área do Parque Nacional da Peneda-Gerês na Zona Galiza-Trás-os-Montes do Maciço Ibérico (Pérez–Estaún et al ., 2004).
5 Na área do PNPG sobressaem a variedade de granitos variscos, os metassedimentos de idade paleozoica e os sedimentos recentes caracterizados por depósitos fluviais, glaciários e torrenciais (figura 2.3). Os metassedimentos do Paleozoico são essencialmente xistos, metagrauvaques e quartzitos e afloram entre fácies graníticas, nomeadamente uma mancha no Vale das Antas (planalto de Castro Laboreiro) e outra entre Louriça (serra Amarela) e a Branda de S. Bento do Cando (serra da Peneda). Figura 2.3 : Mapa geológico simplificado do Parque Nacional da Peneda-Gerês (GEOSITE, 2014).
6 A mancha do Vale das Antas estende-se por cerca de 5 km, dominada por xistos orientados a NE-SE com filões de quartzo e de aplito-pegmatitos. Mais a norte afloram também quartzitos. Na mancha da Louriça-S. Bento do Cando encontram-se micaxistos, xistos, metagrauvaques e quartzitos, com presença de corneanas resultantes do metamorfismo de contacto induzido pela instalação do maciço granítico do Gerês (Moreira & Ribeiro, 1991). Esta mancha estende-se por 20 km e as rochas possuem orientação NNW-SSE. Noutros locais PNPG existem ainda pequenos retalhos destes metassedimentos, dispersos em migmatitos e granitos (Moreira & Ribeiro, 1991). Os sedimentos recentes são abundantes no PNPG e podem ser encontrados sob a forma de terraços fluviais, depósitos glaciários e depósitos torrenciais. Os terraços fluviais estão relacionados com os rios Lima (em Entre-Ambos-os-Rios) e Cávado (a leste do Campo do Gerês e no Vale do Ribeiro da Lapa no Soajo) e são caracterizados maioritariamente pela presença de calhaus rolados (Moreira & Ribeiro, 1991). Depósitos glaciários (alguns sob a forma de moreias), fluvioglaciários e periglaciários ocorrem nos setores mais altos das serras da Peneda, do Gerês e Amarela (Ferreira et al ., 1999). Dos depósitos torrenciais são particularmente expressivos os grandes blocos graníticos localizados no fundo de vales e aí colocados durante o Quaternário (Moreira & Ribeiro, 1991). Os granitóides variscos são a litologia mais abundante no PNPG, ocorrendo em todos os setores do parque. Devido às suas géneses diferenciadas, apresentam texturas e mineralogias diferentes e podem considerar-se três tipos: sin-tectónicos, tardi-tectónicos e pós-tectónicos (Ferreira et al. 1987 in Moreira & Ribeiro, 1991). Os granitóides sin-tectónicos instalaram-se entre 320 Ma e 310 Ma sendo os mais antigos do PNPG. Ocupam uma grande área, aflorando nas serras Amarela, do Soajo, da Peneda, em Castro Laboreiro e em Tourém (serra do Gerês). São maioritariamente leucogranitos de duas micas e monzogranitos/ granodioritos biotíticos (Dias et al ., 1998; Dias, 2001). Tendo sido instalados já na 3º fase de deformação varisca, podem apresentar restites de metamorfismo resultantes da fusão de rochas metassedimentares da crosta (Moreira & Ribeiro, 1991). Neste grupo encontram-se o granito “nodular” e migmatitos de Tourém e Castro Laboreiro, o granito da Pedrada e Ermida, o granito de Parada e Tourém, o granito de Lindoso e Várzea, o granito da
7 Serra Amarela, o granito do Soajo, os granitóides biotíticos de Germil, Sezelhe e Frades e o granito do Mezio. Os granitóides tardi-tectónicos são essencialmente biotíticos e instalaram-se no final da 3ª e última fase de deformação varisca, entre os 310 Ma e os 295 Ma (Dias et al ., 1998; Dias, 2001). Estes granitóides estão representados apenas pelo granito de Terras de Bouro que aflora a sudeste de Germil. Os granitóides pós-tectónicos são os mais abundantes no PNPG e são posteriores à 3º fase de deformação varisca. São representados na sua maioria pelo maciço granítico da Peneda-Gerês, cuja implantação está associada a deformação frágil (ao contrário dos granitóides sin e tardi-tectónicos associados a deformação dúctil) (Mendes, 1994; Dias et al ., 1998; Mendes, 2001; Dias, 2001). São os mais recentes do PNPG, com idades compreendidas entre os 296 Ma e os 290 Ma e são maioritariamente leucogranitos biotíticos (Dias et al ., 1998; Dias, 2001), sem apresentar minerais de metamorfismo. Neste grupo estão incluídos os granitos do Gerês (o mais vasto em todo o PNPG, figura 2.3), de Paufito e de Carris, Borrageiro e Tieiras. Em muitos locais, os granitóides deste maciço apresentam enrubescimento causado pela ação hidrotermal associada à fraturação do granito. No PNPG é comum a existência de filões associados tanto a granitos como a metassedimentos. No granito do Gerês são muito frequentes os filões de quartzo (figura 2.4), e nos metassedimentos predominam os filões de aplitos, de pegmatitos e de aplito-pegmatitos (Moreira & Ribeiro, 1991). Nestes filões podem ocorrer mineralizações, algumas das quais foram historicamente exploradas para extração de, estanho, molibdénio, volfrâmio e ouro (Moreira & Ribeiro, 1991).
14 lírio-do-Gerês ( Iris boissieri ) (figura 2.14), que existe apenas na Península Ibérica e se encontra ameaçado devido à sua colheita ilegal. Também com enorme importância em termos de conservação, a vegetação do tipo ripícola desempenha um papel fundamental na estabilização das margens dos cursos de água. Nestes locais destacam-se o feto-do-botão ( Woodwardia radicans ), o salgueiro ( Salix repens ), a bétula ( Betula pubescens ), amieiros ( Alnus glutinosa ), freixos ( Fraxinus excelsior ) e teixo ( Taxus baccata ). Para além de uma elevada diversidade florística, a grande diversidade de ambientes, climas e habitats torna a área do PNPG muito diversificada no que respeita à fauna. Segundo o ICNF, estão atualmente identificadas 235 espécies de vertebrados no PNPG, 71 das quais estão registadas no “Livro Vermelho de Vertebrados de Portugal”, uma lista de espécies ameaçadas. Apesar de poucas vezes avistados, os grandes mamíferos são o grupo a que é dada maior atenção, principalmente pelos turistas. O lobo-ibérico ( Canis lupus ) (figura 2.15a) é um dos animais selvagens mais populares, sendo uma espécie estritamente protegida, com legislação específica e em risco de extinção em Portugal. Também a cabra-montês ( Capra pyrenaica ), o corço ( Capreolus capreolus ) (figura 2.15 b) e os cavalos garranos (espécie doméstica) (figura 2.15c) são alvo de grande interesse por parte dos visitantes do PNPG. Existem também no PNPG 15 espécies de morcegos, cinco das quais estão em risco de extinção. Figura 2.14: Lírio-do-Gerês ( Iris boissieri ) (Foto: ADERE Peneda-Gerês).
15 Estão identificadas 20 espécies de répteis no PNPG, quatro das quais encontram-se ameaçadas em Portugal: o cágado-de-carapaça-estriada ( Emys orbicularis ), a cobra-lisa-europeia ( Coronella austriaca ), a víbora-cornuda ( Vipera latastei ) e a víbora-de-Seoane ( Vipera seoanei ). Nos cursos de água a espécie mais abundante é a truta-do-rio ( Salmo trutta ). Por outro lado, a enguia ( Anguilla anguilla ) encontra-se “comercialmente ameaçada”. Para além destes, também se encontram outros animais, como são exemplo a lontra ( Lutra lutra ), o lagarto-de-água ( Lacerta schreiberi ), a rã ibérica ( Rana ibérica ) e a salamandra lusitânica ( Chioglossa lusitânica ). Estão identificadas 147 espécies de aves, destacando-se a águia-real ( Aquila chrysaetos ), a gralha-de-bico-vermelho ( Pyrrhocorax pyrrhocorax ), o bufo-real ( Bubo bubo ), o falcãoabelheiro ( Pernis apivorus ), o cartaxo-nortenho ( Saxicola rubetra ) e a narceja ( Gallinago gallinago ) cujo único local de reprodução em Portugal é o PNPG, entre outros. a) b) c) Figura 2.15: Alguns dos grandes mamíferos do PNPG: a) lobo – ibérico ( Canis lupus ) (Fonte: ADERE PenedaGerês); b) corço ( Capreolus capreolus ) (Fonte: ADERE Peneda-Gerês); e c) cavalo garrano (espécie doméstica). c)
16 Apesar da maior importância ser dada aos vertebrados, as inúmeras espécies de invertebrados possuem igualmente elevada importância em termos de conservação. São exemplo as borboletas Euphydryas aurinia e Callimorpha quadripunctata (figura 2.16), o escaravelho Lucanus cervus e um gastrópode Geomalacus maculosus . 2.2 Turismo e visitação no Parque Nacional da Peneda-Gerês O turismo é uma atividade que terá as suas origens nos séculos XVII e XVIII com o Grand tour , em que diplomatas, empresários e estudiosos viajavam para cidades europeias, principalmente de França e de Itália, e sendo a primeira vez que se designaram as pessoas que viajam como “turistas” (Goeldner et al, 2002). A World Tourism Organisation define turismo como sendo “a atividade de pessoas que viajam e permanecem num local fora da sua zona de residência, durante não mais do que um ano consecutivo, por lazer, negócios ou outros motivos” (Eagles et al ., 2002). A atividade turística pode ser realizada por diferentes motivos, o que está na base da definição de diferentes tipos de turismo, como o turismo cultural, o educativo, o de natureza, de entre outros. No turismo de natureza, destaca-se o ecoturismo e mais recentemente o geoturismo, sendo os mais praticados em áreas protegidas. O PNPG é um exemplo de uma área protegida onde se pratica cada vez mais turismo de natureza, com o número de turistas a aumentar nos últimos anos (tabela 2.1. e figura 2.17). Figura 2.16: Borboleta Callimorpha quadripunctata (Serra do Gerês).
17 Tabela 2.1: Número total de visitantes contabilizados nas Portas do parque e no centro de Educação Ambiental do Vidoeiro entre os anos de 2010 e 2017. Ano Portugueses Estrangeiros Total 2010 37682 10860 48542 2011 45329 15451 60780 2012 39882 16838 56720 2013 40201 15634 55835 2014 56894 18423 75317 2015 65100 21733 86833 2016 71921 21559 93480 2017 82862 24319 107181 Fonte: Informação cedida pelo ICNF. Para além das atividades diretamente ligadas ao turismo, como a restauração, a hotelaria e a animação turística, o aumento da visitação levou à criação de outros serviços importantes para o desenvolvimento da economia local e como tal, a criação de novos postos de trabalho (Plano de Ordenamento do PNPG, 2008). A animação turística é uma componente importante da oferta turística e nesse âmbito, na área do PNPG tem ocorrido diversificação e aumento da oferta (figura 2.18). Em 2006 havia cerca de 20 0 20000 40000 60000 80000 100000 120000 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 2018 Nº Total de Visitantes Anos Figura 2.17: Evolução crescente do número de turistas que visitaram as portas do PNPG e o Centro de Educação Ambiental do Vidoeiro entre 2010 e 2017. Fonte: ICNF.
18 empresas turísticas a operar dentro do PNPG e licenciadas pelo ICNB (correspondente ao atual ICNF) oferecendo diferentes tipos de atividades. O turismo de natureza é aquele que se encontra mais desenvolvido no PNPG (Plano de Ordenamento do PNPG, 2008), tal como é habitual nas áreas protegidas. Neste ramo é possível encontrar atividades destinadas a públicos que tenham como preferência o ar livre e o contacto direto com a natureza. O geoturismo é uma das vertentes do turismo de natureza, podendo ser definido como um tipo de turismo que “permite ao turista a aquisição de conhecimento e compreensão da geologia e geomorfologia de um determinado local para além do nível de mera apreciação estética” (Hose, 1995). Apesar do não ser ainda uma temática muito divulgada, o geoturismo é uns dos mais praticados ainda que involuntariamente, uma vez que em muitos casos os turistas são atraídos pelas paisagens com suporte geológico. No PNPG, apesar de existirem vários locais com potencialidades geoturísticas, há ainda escassa informação que permita “educar” o geoturista, tornando-os apenas locais com valor estético. Por exemplo, no Miradouro da Boneca (serra do Gerês), é possível observar o vale de falha Gerês-Lobios onde se encontra encaixado o rio Gerês (figura 2.19). No entanto, apesar de haver estruturas de valorização do local (vedação e escadas de acesso ao local), nenhuma referência é feita em relação à geologia ou aos processos que originaram a paisagem. Figura 2.18: Atividades de animação turística existentes no PNPG até 2006.
19 Para além do turismo de natureza e ativo, o turismo termal, o turismo cultural e o turismo religioso são importantes na área do PNPG (Plano de Ordenamento do PNPG, 2008). O turismo termal foi uma das primeiras atividades a levar turistas ao PNPG, atraindo pessoas às Caldas do Gerês desde o século XIX (figura 2.20). Sobretudo entre maio e outubro os turistas procuram as termas, sendo estas frequentadas maioritariamente por idosos e pessoas com necessidades terapêuticas. As termas têm vindo a atrair mais turistas devido à possibilidade recente da sua utilização como spa e local de relaxamento (Plano de Ordenamento do PNPG, 2008). Figura 2.19: Vale de falha do rio Gerês observado a partir do Miradouro da Boneca. Figura 2.20: Colunata das termas na Vila do Gerês.
20 O turismo cultural é também relevante devido principalmente à gastronomia, à atividade vitivinícola e ao património histórico e arqueológico. Por todo o PNPG é possível encontrar-se vestígios da ocupação humana milenar do território (figuras 2.21 a 2.23). Figura 2.22: Marcos miliários da Geira Romana, na Serra do Gerês. Figura 2.21: Anta do Mezio, estrutura megalítica tumular, na Serra do Soajo.
21 O turismo religioso é igualmente relevante, destacando-se o grande ponto turístico que é a basílica de São Bento da Porta Aberta (figura 2.24). Apesar de situado ligeiramente fora da área do PNPG, é o segundo local em Portugal que atrai mais peregrinos. O Santuário da Senhora da Peneda (figura 2.25) representa também um importante centro de peregrinação, principalmente aquando da sua romaria, no início do mês de setembro. Figura 2.23: Fojo do lobo de Cabril, armadilha criada pelas populações para capturar lobos, na Serra do Gerês. Figura 2.24: Basílica de São Bento da Porta Aberta.
22 Para além dos serviços diretamente associados ao turismo (restauração, hotelaria e animações turísticas), existem estruturas de apoio ao visitante com o objetivo de o receber e informar, nomeadamente os centros de informação e interpretação (Portas do PNPG e Centro de Educação Ambiental do Vidoeiro), os postos de turismo, os museus (o Museu Etnográfico de Vilarinho das Furnas e o Ecomuseu do Barroso) os núcleos museológicos (de Castro Laboreiro, de S. Miguel e da Ermida) e os sítios ou estruturas musealizadas (castelos de Castro Laboreiro e do Lindoso, fojos do lobo de Fafião, da Portela da Fairra, Via Romana-Geira, Pisão e Moinhos de Paredes do Rio, Mosteiro de Pitões das Júnias e Núcleo Megalítico do Planalto de Castro Laboreiro. A atividade turística mais praticada na área PNPG é o pedestrianismo, o que levou os municípios e associações de desenvolvimento regional como a ADERE Peneda-Gerês a criar uma rede de percursos pedestres sinalizados, com diferentes tamanhos e graus de dificuldades oferecendo maior conforto e segurança aos turistas. Atualmente existem 40 percursos pedestres sinalizados na área do PNPG (Anexo A). No mesmo âmbito está em curso a implementação do projeto “Grande Rota Peneda-Gerês”, o qual consiste num percurso pedestre com cerca de 200 km de extensão, ligando as regiões de Castro Laboreiro e de Montalegre. Tem como principal objetivo tornar-se no percurso pedestre principal do PNPG e através dele serem comunicadas outras atrações naturais e culturais, bem como outros percursos Figura 2.25: Santuário da Senhora da Peneda. (Foto: Joaquim Rios)
23 pedestres já existentes. Sendo promovido pela ADERE Peneda-Gerês, o projeto conta com a parceria do ICNF, dos Conselhos Diretivos dos Baldios e dos 5 municípios abrangidos pelo PNPG (ADERE PenedaGerês, 2017). O projeto “Portas do PNPG” teve início no ano 2004 e consiste num centro de interpretação localizado nas entradas rodoviárias dos limites do PNPG em cada um dos 5 concelhos, com os objetivos principais de informar os visitantes antes de iniciarem a sua visita ao parque e gerir de forma mais precisa o fluxo de turistas. Nestes locais, os turistas podem obter informações acerca dos valores naturais e culturais do parque, dos percursos pedestres e dos locais com interesse turístico. Para além disso, a cada uma das Portas está atribuído um tema principal (Plano de Ordenamento do PNPG, 2008). A Porta de Lamas de Mouro localiza-se no concelho de Melgaço e foi a primeira a ser criada, em 2004. Aí encontra-se uma exposição sobre “Ordenamento do Território” onde é abordada a história, a organização e a ocupação do território local (figura 2.26). Podem obter-se informação acerca de percursos pedestres, valores e culturas do PNPG e na parte exterior realizam-se visitas ao rio Mouro. Figura 2.26: Aspeto da exposição temática “Ordenamento do território” na Porta de Lamas de Mouro, município de Melgaço.
30 blogs ou em sítios da Internet institucionais ou turísticos; referência e promoção em panfletos, brochuras, guias turísticos e livros; promoção nas câmaras municipais, centros de interpretação e Portas do PNPG; estética do local. Este último critério reveste-se de elevada subjetividade, tendo sido considerado essencialmente com base no potencial paisagístico e fotográfico do local. Cada geossítio foi avaliado e pontuado entre 0 e 5 pontos, podendo assim obter um valor máximo de 25 pontos. Os geossítios com pontuação igual ou superior a 15 pontos são considerados geossítios com valor turístico (Anexo C). Aplicados os critérios e operada a avaliação aos 168 geossítios, 18 foram selecionados como geossítios com valor turístico (tabela 2.2 e figura 2.34) (Afonso & Pereira, 2018). Tabela 2.2: Geossítios do PNPG com potencial valor turístico e respetiva pontuação. Geossítios com Potencial Valor Turístico Pontuação Cascata do Arado 25 Miradouro da Pedra Bela 25 Cascata de Fecha das Barjas (Cascata do Tahiti) 25 Miradouro da Boneca 20 Cascata do Rio Laboreiro 20 Fenda da Calcedónia 18 Cascata das 7 lagoas 18 Cascata de Cela Cavalos 18 Cascata de Pitões das Júnias 17 Tartaruga de Castro Laboreiro 16 Miradouro da Junceda 16 Miradouro da Preguiça 16 Minas do Carris (Carris 2) 15 Miradouro de Tibo 15 Cascata de Pincães 15 Vale do Alto Vez 15 Vale do Homem 15 Mirante Velho 15
31 Figura 2.34: Mapa do Parque Nacional da Peneda-Gerês, com representação dos geossítios inventariados em trabalhos anteriores e dos geossítios com valor turístico (Afonso & Pereira, 2018).
32 3 Metodologia de avaliação do valor turístico do património geológico 3.1 Valor turístico do património geológico Um dos tópicos mais debatidos no que diz respeito à conceptualização do património geológico é o dos valores associados aos geossítios. Existe alguma unanimidade quanto à definição de património geológico como o conjunto de geossítios inventariados e caracterizados numa dada área ou região, sendo um geossítio “ a ocorrência de um ou mais elementos da geodiversidade (que afloram quer em resultado da ação de processos naturais quer devido à intervenção humana), bem delimitado geograficamente e que apresente valor singular do ponto de vista científico, pedagógico, cultural, turístico ou outro ” (Brilha, 2005). Mais recentemente, Brilha (2016) propôs que sejam apenas considerados como geossítios (e património geológico) aqueles locais onde o valor científico é elevado. Outros locais onde existam outros valores (estético, cultural, ecológico, turístico) mas onde o valor científico não é relevante não devem ser considerados como património geológico. Este trabalho aproxima-se mais da primeira abordagem, optando-se por denominar como geossítios todos os locais do PNPG inventariados em trabalhos anteriores, tal como outros agora adicionados, por se considerar que a estes está associado um elevado valor turístico. É precisamente ao valor turístico do património geológico que se pode associar o turismo de natureza, o qual é suportado pelo uso sustentável do património natural e, tem sofrido um rápido crescimento nos últimos anos. Sendo o património geológico uma das vertentes do património natural, também ele se torna um atrativo à atividade turística – o geoturismo (Carvalho et al. , 2009). O geoturismo é um segmento do turismo que implica a interpretação do património geológico para que o turista possa compreender o meio em que se enquadra. Em muitos destes casos, locais com elevado valor científico e/ou educativo, apresentam também um acentuado valor cénico, tornando local aprazível ao turista, ou seja, é um local de interesse geológico com potencial turístico. No entanto, em muitos casos o valor científico dos geossítios não é por si só suficiente para atrair turistas, sendo para tal necessária a conjugação do valor científico com outras abordagens, como a história, a cultura e a natureza (no seu todo) (Carvalho et al. , 2009). No geoturismo é também importante a existência de uma boa interpretação do local. Os equipamentos de interpretação (painéis interpretativos, por exemplo) existentes no geossítio devem ser capazes de cativar os turistas e devem conter informação destinada ao turista comum, ou seja, uma pessoa sem qualquer formação na área da geologia, de modo a que esta entenda o que o geossítio
33 representa. Estas ferramentas de interpretação são essenciais em geoparques, os quais têm como propósitos a educação e o geoturismo, para além da geoconservação. Contudo, podem ser encontradas também em áreas protegidas, como é o caso do Parque Natural da Serra da Estrela (figura 3.1). No PNPG não existem painéis do mesmo tipo fazendo referência à geologia, sendo que os existentes dizem respeito à biodiversidade ou a aspetos culturais (figura 3.2). Para além da informação existente nos geossítios, o turista pode encontrar informação mais completa em centros interpretativos. No PNPG, as Portas do Parque são infraestruturas do tipo Centro Interpretativo onde o turista pode visitar antes de iniciar a sua jornada pelo parque. Como referido no capítulo anterior, a cada uma das 5 portas do PNPG, foi atribuído um tema, sendo o tema “Água e Geologia” da responsabilidade da Porta do Lindoso, no concelho de Ponte da Barca. Nesta Porta encontram-se expostos painéis sobre a geologia do PNPG, amostras de rochas, uma maquete interativa onde é possível explorar a distribuição espacial dos elementos da geodiversidade do PNPG (figuras 3.3. a e b). b) Figura 3.1: Painel Interpretativo do “Local de Interesse Geológico” Vale do Zêzere, Parque Natural da Serra da Estrela. Figura 3.2: Painel interpretativo sobre o Fojo do Lobo de Germil (Serra Amarela, Parque Nacional da Peneda - Gerês).
34 Segundo Dowling & Newsome (2006), todos os elementos da geodiversidade podem ter valor turístico, embora nem todos tenha, o mesmo peso em termos de atratividade. Para explicar a sua teoria, os autores criaram uma pirâmide invertida onde no topo estão os elementos da geodiversidade passíveis de atrair mais turistas e, nos patamares inferiores todos os outros elementos (figura 3.4). a) a) b) Figura 3.3: Aspeto de elementos expositivos sobre a geodiversidade do Parque Nacional da Peneda – Gerês existentes na porta do Lindoso: a) maquete tridimensional Interativa; b) dispositivo tátil para controlo da informação a projetar na maquete tridimensional. Figura 3.4: Pirâmide invertida com grau decrescente de valor turístico dos elementos da geodiversidade (Dowling & Newsome, 2006). a) b)
35 A imagem da região do PNPG é dominada por relevos de grande dimensão, que variam desde os grandes picos do tipo “ bornhardt ” e “ castle koppje ” nos topos das serras do Gerês e da Peneda, aos vales encaixados por onde correm os rios principais, os planaltos, o da Mourela na serra do Gerês e o de Castro Laboreiro na serra da Peneda. De igual modo, geoformas de menor dimensão (quedas de água, fraturas, blocos, pias, tafoni) abundam por toda a área do parque e os vestígios geomorfológicos das glaciações têm uma relevância elevada. A diversidade e as particularidades da geomorfologia tectónica, fluvial, granítica e glaciária fazem do PNPG uma área protegida com elevado potencial geoturístico, o que está de acordo com a hierarquização dos elementos da geodiversidade em função do seu valor turístico proposta por Dowling & Newsome (2006). 3.2 Metodologias e critérios de avaliação A avaliação numérica do valor turístico do património geológico é um tema ainda pouco desenvolvido existindo um escasso número de trabalhos desenvolvidos na área. São de destacar as metodologias propostas por Pralong (2005), Rybár (2010), Pereira & Pereira (2012), Strba & Rybár (2015), Doktor et al. (2015) e Valjarevic et al. (2017). 3.2.1 Metodologia proposta por Pralong (2005) A metodologia de avaliação do valor turístico proposta por Pralong (2005) considera 4 valores, nomeadamente os valores cénico/ estético (Vcén), científico (Vcie), o cultural/ histórico (Vcult) e o económico/ social (Veco). O valor turístico (Vtur) resulta da divisão da soma desses valores por 4. !"#$%="!'é)+!'+,+!'$-#+!,'. 4 Cada um destes valores é obtido pela soma da pontuação resultante da avaliação de vários critérios, dividida pelo número de critérios considerados (tabelas 3.1 a 3.4).
36 Tabela 3.1: Critérios e escala de pontuação usados na avaliação do valor cénico (Pralong, 2005). Critérios/ Pontuações 0 0.25 0.5 0.75 1 Cén 1: Número de miradouros - 1 2 ou 3 4, 5 ou 6 mais de 6 Considera o número de miradouros acessíveis por percursos pedestres. Cén 2: Distância média entre miradouros - Menos de 50 Entre 50 e 200 Entre 200 e 500 Mais de 500 Corresponde ao somatório das distâncias entre cada miradouro e o sítio dividido pelo número de miradouros marcados no cénico 1. Cén 3: Superfície - Pequena Moderada Grande Muito grande Considera toda a área de superfície do sítio (ha) definida em relação a todos os sítios idênticos no território em estudo. Cén 4: Elevação Raso Baixo Moderado Alto Muito alto Considera toda elevação do sítio (m) definida em relação a todos os sítios idênticos no território em estudo. Cén 5: Contrastes de cor Cores idênticas - Cores diferentes - Cores opostas Considera o contraste entre as cores do sítio e do ambiente envolvente. !"'é)="0é)"1+0é)"2+0é)"3+0é)"4+0é)"5 5 Tabela 3.2: Critérios e escala de pontuação usados na avaliação do valor científico (Pralong, 2005). Critérios/ Pontuações 0 0.25 0.5 0.75 1 Cie 1: Interesse paleogeográfico - Baixo Moderado Alto Muito alto Dependente do interesse paleogeográfico do sítio como testemunho da reconstrução evolução morfodinâmica do território. Cie 2: Representatividade Nulo Baixo Moderado Alto Muito alto Depende das características exemplares e didáticas do local. Cie 3: Área (%) - Menos de 25 Entre 25 e 50 Entre 50 e 90 Mais de 90 A pontuação deste critério é calculada através da divisão da área do sítio por toda a área ocupada por todos os geossítios idênticos existentes no território em estudo. Cie 4: Raridade Mais de 7 Entre 5 e 7 Entre 3 e 4 Entre 1 e 2 Único Avaliado pelo número de sítios idênticos existentes no território em estudo. Cie 5: Integridade Destruído Muito deteriorado Moderadamente deteriorado Pouco deteriorado Intacto Depende da existência de catástrofes naturais, da evolução natural ou evolução humana. Cie 6: Interesse ecológico Nulo Baixo Moderado Alto Muito alto Dependo do interesse, diversidade e dinâmica natural da fauna e flora do sítio.
37 !"'+,="0+,"1+0+,"2+0+,"3+0+,"4+0+,"5+0+,"6 6 Tabela 3.3: Critérios e escala de pontuação usados na avaliação do valor cultural (Pralong, 2005). Critérios/ Pontuações 0 0.25 0.5 0.75 1 Cult 1: Tradiçoes culturais e históricas Sem ligações Fracas ligações Ligações moderadas Fortes ligações Muito fortes ligações Depende da relevância simbólica e do peso do património do sítio para a comunidade. Cult 2: Representações iconográficas Nunca representado Representado entre 1 e 5 Representado entre 6 e 20 Representado entre 21 e 50 Representado mais de 50 Representações do local (pinturas, desenhos, esculturas, fotografias). Cult 3: Relevância histórica e arqueológica Sem vestígios nem construções Baixa relevância Relevância média Elevada relevância Muito elevada relevância Presença e relevância dos vestígios históricos, arquitetónicos e/ ou arqueológicos e / ou construções no local. Cult 4: Relevância religiosa e metafisica Sem relevância Baixa relevância Relevância média Elevada relevância Muito elevada relevância Relevância religiosa ou metafisica relacionada ao local, incluindo as crenças populares. Cult 5: Eventos artísticos e culturais Nunca - Ocasionalmente - Pelo menos uma vez por ano Eventos artísticos e culturais relativos ao sítio. !"'$-#="0$-#"1+0$-#"2+0$-#"3+0$-#"4+0$-#"5 5 Tabela 3.4: Critérios e escala de pontuação usados na avaliação do valor económico (Pralong, 2005). Critérios/ Pontuações 0 0.25 0.5 0.75 1 Eco 1: Acessibilidade Mais de 1 km de um caminho Menos de 1 km de um caminho Por uma estrada local Por uma estrada de importância regional Por uma estrada de importância nacional Depende da distância do sítio às vias circuláveis por meios de transporte. Eco 2: Ricos naturais Incontrolável Não controlado Parcialmente controlado Controlado – residual Sem risco Depende dos níveis de risco a que o sítio está exposto e as suas políticas de gestão.
38 Eco 3: Número de visitantes anuais na região Menos de 10000 Entre 10 e 100000 Entre 100000 e 500000 Entre 500000 e 1 milhão Mais de 1 milhão O potencial teórico de visitantes do sítio é dado pelo número anual de visitantes no maior resort da região. Eco 4: Nível oficial de proteção Completa Limitada - Não limitada Sem proteção Considera o nível de proteção oficial do sítio. Eco 5: Atração - Local Regional Nacional Internacional Origem dos visitantes. !",'.="0,'."1+0,'."2+0,'."3+0,'."4+0,'."5 5 3.2.2 Metodologia proposta por Rybár (2010) Segundo Rybár (2010), uma avaliação de locais com valor geoturístico deve ser aplicada em dois tipos de objetos ou locais geoturísticos: objetos naturais e objetos antropogénicos. Para cada um destes dois tipos de objetos foram selecionados determinados critérios. Os objetos naturais são avaliados segundo os critérios: • Elementos geológicos primários (objetos mineralógicos, petrográficos, estratigráficos, tectónicos ou paleontológicos); • Exclusividade do objeto; • Acessibilidade do objeto; • Existência de publicações científicas e profissionais; • Condições de observação; • Critérios de segurança (perigo no acesso e no local); • Informação sobre o objeto; • Valor visual do objeto (ambiente em que o objeto se enquadra); • Valor dos serviços disponibilizados (existência de locais de interpretação dedicados ao objeto); • Objeto localizado em área turística (objetos que fazem parte de roteiros turísticos).
39 Os objetos antropogénicos estão relacionados com a atividade mineira e à semelhança dos objetos naturais, também estes são avaliados segundo determinados critérios: • Idade do objeto; • Valor histórico do objeto; • Valor estético do objeto; • Autenticidade; • Valor das rotas reconstruídas (reconstrução de locais e povoações mineiras); • Excelência (objetos únicos, que se encontrem por exemplo, na Lista de Património Mundial da UNESCO); • Valor emocional (objeto relacionado com alguma pessoa famosa ou um evento nacional ou internacionalmente importante); • Valor utilitário (utilização dos objetos ou locais mineiros para outros fins, por exemplo, transformar uma antiga habitação mineira num restaurante); • Valor dos serviços disponibilizados; • Critérios de segurança. A cada um dos critérios é-lhes atribuída uma pontuação máxima de 8 pontos, sendo 0 a pontuação mínima e 8 a pontuação máxima. Cada objeto poderá obter no máximo 80 pontos, seja do tipo, natural ou do tipo antropogénico. A pontuação de cada objeto é apresentada por dois números sendo o primeiro referente à categoria natural e o segundo à categoria antropogénica. Assim, um objeto com pontuação 80/0 é um objeto com elementos naturais de alto valor turístico e sem elementos antropogénicos com valor turísticos. Por outro lado, um objeto pontuado com 0/80 é um objeto sem valor turístico tendo em conta os aspetos naturais, mas com elevado valor turístico nos elementos antropogénicos. Se um objeto apresentar uma pontuação de 80/80, trata-se de um objeto com excecional valor turístico (Rybár, 2010). 3.2.3 Metodologia proposta por Pereira & Pereira (2012) Pereira & Pereira (2012) propuseram uma metodologia caracterizada por 4 critérios principais e 13 subcritérios (tabela 3.1), sendo que a cada critério podem ser atribuídos diferentes pesos e
46 • Investidores Ø Proprietários - este subgrupo inclui proprietários privados e públicos (por exemplo, áreas protegidas, florestas nacionais, ou autoridades locais); preocupam-se essencialmente com o lucro gerado pela valorização do local e como tal procuram melhorá-lo do ponto de vista estético, tornando-o mais atrativo; Ø Gestores - estão igualmente focados no lucro, sendo o principal objetivo aumentar o fluxo de turistas e dinamizar a economia local; para eles, o mais importante são os valores visuais e cognitivos, não esquecendo a necessidade de controlar o fluxo de turistas de forma a não pôr em causa o seu conforto e segurança. 3.2.6 Metodologia proposta por Valjarevic et al. (2017) A metodologia proposta por Valjarevic et al. (2017) é uma adaptação de um modelo de classificação de atratividade turística para locais termais e com características climáticas específicas (Milenkovic, 1995, in Valjarevic et al., 2017). São avaliados diversos parâmetros, nomeadamente o relevo, as propriedades hidrológicas, a biodiversidade, a possibilidade de desenvolvimento de desportos de Inverno e a capacidade de desenvolvimento da atividade turística. Para cada parâmetro foram criadas equações para determinar o valor turístico do local: • Atratividade turística do relevo log9:=";<=> ;<"log1 ℎ;@−;@B ;@ Kh – Coeficiente de atratividade do relevo Hmax – Altitude máxima do local turístico Hm – Altitude máxima da região turística Hw – Diferença entre o ponto mais alto e o ponto mais baixo da região
47 Hwi – Diferença entre o ponto mais alto e o ponto mais baixo do local h – Intensidade do relevo (calculado através de equação própria) Assim, se: 0 ˂ Kh ≤ 0,50 – a área é adequada para o desenvolvimento de excursões; 0,50 ˂ Kh ≤ 0,75 – a área é adequada para o desenvolvimento de turismo termal; 0,75 ˂ Kh ≤ 1 – a área é adequada para o desenvolvimento de atividades turísticas de inverno; • Atratividade turística das propriedades hidrológicas log9C 0=DB D@"log%"EFB−E@B EFB Kw – Coeficiente de atratividade turística das propriedades hidrológicas C – Coeficiente que determina a qualidade e classe da água Qi – Média anual da taxa de fluxo da maior nascente termomineral na área termal estudada (l/s) Qw – Média anual da taxa de fluxo da maior nascente termomineral na região (l/s) Fci – Área turística (m2) Fwi – Área submersa no local r – Fator de correção relativo à ação do relevo, erosão, seres humanos, etc. (deve ser menor que 1) Assim, se: C = 1 – a água é apropriada para beber e para banhos, com propriedades “curativas” (Classe I); C = 0,75 – a água é apropriada para recreação e com propriedades “curativas” (Classe II); C = 0,50 – a água é apropriada apenas para atividades desportivas (Classe III); C = 0,25 – a água é não apropriada para qualquer tipo de uso (Classe IV); Kw ˂ 1 – o local tem condições para o desenvolvimento turístico; Kw ˃ 1 – o local não tem condições para o desenvolvimento turístico.
48 • Atratividade turística da biodiversidade log9G=HB HFB"log1-HI@ HB Kl – Coeficiente de atratividade da biodiversidade Li – Área da comunidade vegetal no local turístico (ha) Lci – Área do local (ha) Lsw – Área média da comunidade vegetal no local por habitante l – Coeficiente de classe florestal Assim, se: l = 5 – a floresta está em boas condições, com propriedades “curativas” e, apta para caça e recreação (Primeira classe florestal); l = 4 – a floresta localizada entre os 800 e os 1200 m de altitude, com propriedades “curativas” e, apta para caça e recreação (Segunda classe florestal); l = 3 – florestas “médias”, com poucos valores turísticos (Terceira classe florestal); l = 2 – floresta fraca sem locais com propriedades “curativas” (Quarta classe florestal); l = 1 – floresta muito fraca sem locais com propriedades “curativas” (Quinta classe florestal); Kl ˂ 1 – o local tem condições para o desenvolvimento turístico; Kl ˃ 1 – o local não tem condições para o desenvolvimento turístico. • Atratividade turística de um local com a possibilidade de desenvolvimento de desportos de Inverno 9J="9:KL KM Kz – Coeficiente de atratividade turística do desenvolvimento de desportos de Inverno Kh – Coeficiente de atratividade do relevo S0 – Duração média da cobertura de neve na região Si - Duração média da cobertura de neve no local em estudo
49 • Atratividade local para o desenvolvimento turístico 9N=" O 9:P+"9@ P+"9GP+9JP 4 K0 – Coeficiente de atratividade local para o desenvolvimento turístico Kh – Coeficiente de atratividade do relevo Kw – Coeficiente de atratividade turística das propriedades hidrológicas Kl – Coeficiente de atratividade da biodiversidade Kz – Coeficiente de atratividade turística do desenvolvimento de desportos de Inverno 3.3 Proposta de metodologia para a avaliação do valor turístico do património geológico do PNPG A maioria das propostas metodológicas descritas no ponto anterior estão associadas a características específicas da geodiversidade de determinadas regiões, sendo os casos mais evidentes as metodologias de Rybár (2010) e de Valjarevic et al. (2017). Por outro lado, Pralong (2010) descreve quatro valores essenciais (cénico, científico, cultural e económico), sem contemplar critérios importantes para a realização de uma avaliação turística, como segurança e logística, por exemplo. Com a revisão da metodologia de Rybár (2010) por Strba & Rybár (2015), algumas alterações tornaram-na mais facilmente compreensível, embora alguns critérios pudessem estar mais claros, como é o caso da logística. Nesta metodologia, apenas é feita referência aos serviços disponibilizados no local do objeto geoturístico, o que tornaria inviável, a aplicação desta metodologia à área do PNPG. Tratando-se de uma área protegida, a probabilidade de não existirem serviços de apoio ao turismo junto dos geossítios é muito elevada. Tendo em consideração as especificidades das áreas protegidas, considerou-se que para a avaliação quantitativa do valor turístico do património geológico do PNPG, deveria ser realizada uma adaptação da metodologia de Pereira & Pereira (2012) e das alterações introduzidas por Gonçalves (2013) e Viveiros (2016). Apesar destas três abordagens metodológicas terem sido aplicadas em geoparques (Arouca, Terras de Cavaleiros e Lapland, respetivamente), os quais têm como pilares fundamentais a geoconservação, o geoturismo e a educação com vista ao desenvolvimento sustentável
50 local, o foco da avaliação é a potencialidade de uso turístico dos locais, independentemente de outros valores (científico, por exemplo) considerados noutras metodologias. A seleção dos geossítios com aptidão turística feita anteriormente teve já em consideração as potencialidades e limitações turísticas do PNPG, onde o objetivo principal é a conservação da natureza, mas onde cabem igualmente finalidades educativas, científicas e turísticas. Assim, a avaliação do valor turístico dos geossítios do PNPG baseou-se em quatros critérios principais: A) Disponibilidade; B) Uso; C) Logística; D) Sentidos (tabela 3.2). Para o critério “disponibilidade” foram selecionados os subcritérios, a “ocupação sazonal”, a “acessibilidade”, a “visibilidade”, a “segurança no local e no acesso” e a “segurança em caso de emergência”. Relativamente ao critério “uso”, os subcritérios aplicados dizem respeito a “sinalética”, “uso atual do interesse geológico”, “uso atual de outros interesses” e, “propriedades e limitações ao uso turístico”. O critério “logística” foi definido segundo os subcritérios, “limpeza e recreação”, “instalações sanitárias”, “restauração” e “alojamentos”. O critério “sentidos” é mais subjetivo, dependendo da sensibilidade do observador, com os subcritérios “estética do local” e “capacidade de compreensão e aprendizagem do geossítio”. Tabela 3.6: Critérios, subcritérios e pontuações atribuídas a cada parâmetro na metodologia a aplicar na avaliação quantitativa do valor turístico do património geológico do Parque Nacional da Peneda - Gerês (adaptado de Pereira & Pereira, 2012; Gonçalves, 2013; e Viveiros, 2016). A. DISPONIBILIDADE A1. OCUPAÇÃO SAZONAL (Períodos com maior visitação durante o ano.) Pontuação 10 pontos De 1 a 90 dias (uma estação), durante o verão 2.5 De 91 a 180 dias (duas estações), durante o verão e o inverno 5 De 181 a 270 dias (três estações), durante a primavera, verão e outono 7.5 De 271 a 360 dias (quatro estações), durante a primavera, verão, outono e inverno 10 A2. ACESSIBILIDADE (Distâncias até aos locais e meios de transporte através dos quais é possível alcançar os locais.) 10 pontos Acesso impossível 0 Acesso muito difícil, apenas com recurso a equipamento especial 2 A mais de 4000 metros de via transitável por automóveis 4
51 Entre 2000 e 4000 metros de via transitável por automóveis 6 Entre 1000 e 2000 metros de via transitável por automóveis 7 Entre 500 e 1000 metros de via transitável por automóveis 8 Entre 50 e 200 metros de via transitável por automóveis 9 Em autocarro de 50 lugares, até menos de 50 metros do local 10 A3. VISIBILIDADE (Capacidade de visualização dos elementos geológicos tendo em conta a distância, a presença de vegetação, presença de estruturas antrópicas e a necessidade de luz artificial.) 10 pontos Não é visível 0 Muito difícil (apenas com auxilio de equipamento especial, luz artificial, cordas…) 2.5 Fraca, limitado por exemplo por vegetação, edifício, etc. 3 Média, obrigando a deslocação para ser melhorada 5 Boa para todos os elementos geológicos com interesse 7.5 Excelente para todos os elementos geológicos com interesse 10 A4. SEGURANÇA NO LOCAL E NO ACESSO (Elementos que possam condicionar a segurança da pessoa tendo em conta encostas ingremes, pisos escorregadios e/ ou irregulares, cursos de água e movimentos de vertentes.) 10 pontos Sem condições mínimas de segurança 0 Perigo elevado no geossítio (movimentos de terra, cursos de água, abruptos,…) 2 Perigo elevado no acesso (movimentos de terra, cursos de água, abruptos,…) 3 Perigo moderado no geossítio (piso irregular e/ ou escorregadio, muita inclinação,…) 5 Perigo moderado no acesso (piso irregular e/ ou escorregadio, muita inclinação,…) 7 Perigo reduzido (apenas necessidade de alguma precaução) 8 Geossítio sem qualquer perigo para o visitante 10 A5. SEGURANÇA EM CASO DE EMERGÊNCIA (Existência de cobertura de rede telefónica caso seja necessário chamar um meio de socorro e de um hospital nas proximidades.) 10 pontos Sem cobertura de rede e o hospital mais próximo fica a mais de 50 km 1 Tem cobertura de rede e o hospital mais próximo fica a mais de 50 km 2 Sem cobertura de rede e o hospital mais próximo fica a menos de 20 km 4 Tem cobertura de rede e o hospital mais próximo fica a menos de 20 km 6 Sem cobertura de rede e o hospital mais próximo fica a menos de 5 km 8 Tem cobertura de rede e o hospital mais próximo fica a menos de 5 km 10 B. USO B1. SINALÉTICA (Existência de sinalética nas estradas que permitam o acesso ao local e no local.) 10 pontos
52 Inexistência de sinalética 0 Assinalado apenas nas vias de acesso 2.5 Assinalado apenas no local ou nas proximidades como local de interesse 5 Assinalado nas principais vias de acesso e no local como local de interesse 7.5 Assinalado nas principais vias de acesso e no local como “geossítio” 10 B2. USO ATUAL DO INTERESSE GEOLÓGICO (Promoção do local em websites e blogues, panfletos, guias, painéis interpretativos, centros interpretativos e portas do parque.) 10 pontos Sem divulgação do geossítio 0 Com divulgação do geossítio apenas na internet 2 Com divulgação do geossítio na internet, em guias e panfletos 3 Posto de turismo e/ou centro interpretativo e porta a mais de 10 km do geossítio 5 Posto de turismo e/ou centro interpretativo e porta a mais de 5 km do geossítio 6 Com divulgação do geossítio no local (painéis interpretativos, centros interpretativos, portas do parque) 8 Com centro de interpretação no local dedicado ao geossítio 10 B3. USO ATUAL DE OUTROS INTERESSES (Promoção de outros valores naturais e culturais.) 10 pontos Sem outro(s) tipo(s) de interesse, sem divulgação e/ ou uso 0 Com outro(s) tipo(s) de interesse, sem divulgação e/ ou uso 2.5 Integrado em percurso pedestre 5 Com outro(s) tipo(s) de interesse, com divulgação 7.5 Com outro(s) tipo(s) de interesse, com divulgação e/ ou uso 10 B4. PROPRIEDADE E LIMITAÇÃO AO USO TURÍSTICO (Possibilidade de visitar o geossítio em relação à propriedade da terra, à existência de cercas, taxas e condições de acesso a áreas de proteção total.) 10 pontos Sem possibilidade de visitação (área de proteção integral) 0 Com restrições à visitação (propriedade privada, proteção integral, mas visitável com a devida autorização) 3 Com restrições à visitação, com taxas de acesso e condicionamento do número de pessoas nos grupos 5 Com restrições físicas (cercas, redes, obstáculos,…) mas não impedindo a visitação 8 Sem restrições à visitação 10 C. LOGÍSTICA 10 pontos
53 C1. LIMPEZA E RECREAÇÃO (Condições sanitárias do local com existência de recipientes apropriados para a colocação de lixo, considerando a possibilidade de piqueniques e banhos.) Local sem limpeza com despejos de lixo e/ ou entulho 0 Local pouco aprazível, mas com recipientes para a recolha de lixo 2.5 Local limpo, mas não permite merendas 5 Local limpo, permitindo merendas 7.5 Local limpo permitindo merendas e banhos 10 C2. INSTALAÇÕES SANITÁRIAS (Existência de casas de banho públicas no local ou nas proximidades, considerando a possibilidade do uso de casas de banho de estabelecimentos comerciais, tendo em conta a distancia do local.) 10 pontos Há sanitários públicos ou em estabelecimentos comerciais a menos de 5 km 1 Há sanitários públicos ou em estabelecimentos comerciais a menos de 1 km 2.5 Há sanitários em estabelecimentos comerciais a menos de 200 m 5 Há sanitários públicos a menos de 200 m 7.5 Há sanitários públicos no local 10 C3. RESTAURAÇÃO (Existência de restaurantes e cafés considerando a distancia do local.) 10 pontos Não há restaurantes a menos de 20 km 0 Há restaurante(s) entre 5 km e 20 km 2 Há restaurante(s) entre 1 km e 5 km 4 Há apenas café/bar no local ou a menos de 1 km 6 Há restaurante(s) a menos de 1 km 8 Há restaurante(s) no local (a menos de 300 m) 10 C4. ALOJAMENTO (Existência de hotéis, pousadas, alojamentos locais e parques de campismo próximos do local.) 10 pontos Há apenas parque de campismo a mais de 20 km 1 Há apenas parque de campismo a menos de 20 km 2.5 Há alojamento de vários tipos a menos de 20 km 5 Há alojamento de vários tipos a menos de 5 km 7.5 Há alojamento de vários tipos a menos de 1 km 10 D. SENTIDOS D1. ESTÉTICA (Atratividade da paisagem envolvente, presença de água e vegetação; apelo dos elementos naturais, culturais e outros.) 10 pontos Local desconfortável e/ ou enquadrado por elementos desagradáveis (lixo, etc.) 0 Local desprovido de atratividade 1
54 Local agradável, sem elementos particularmente atraentes 2 Local agradável com elementos medianamente atraentes (pequena dimensão, etc.) 3 Local agradável, com elementos atraentes, com impacto sensorial 5 Local muito atraente, com forte impacto sensorial 7 Local extremamente atraente com forte impacto sensorial 8 O local mais atraente para o mesmo tipo de elementos, com forte impacto sensorial 10 D2. COMPREENSÃO E APRENDIZAGEM DO CONTEÚDO DO GEOSSÍTIO (Compreensão dos conteúdos geológicos utilizando as ferramentas disponíveis (painéis interpretativos, páginas web, folhetos, livros, etc.)) 10 pontos Local desprovido de conteúdo e não representa qualquer conceito (ou não é compreendido) 0 Local com conteúdo(s) mal compreendido(s) 2.5 Local com conteúdo(s) que são compreendido(s) 5 Local com conteúdo(s) que são bem compreendido(s) 7.5 Local com conteúdo(s) muito expressivos e muito bem compreendido(s) 10 No total, existem 15 subcritérios a ser aplicados em cada geossítio, aos quais estão associados diversos parâmetros cuja pontuação máxima é de 10 pontos. Deste modo, cada geossítio pode, no máximo, obter a pontuação de 50 pontos no critério “disponibilidade”, 40 pontos no critério “uso”, 40 pontos no critério “logística” e 20 pontos no critério “sentidos”, num total de 150 pontos.
55 4 Avaliação do valor turístico do património geológico do PNPG Neste capítulo são apresentados os resultados da aplicação da metodologia apresentada no capítulo 3 aos 18 geossítios selecionados de acordo com os procedimentos apresentados no capítulo 2. A título de exemplo, encontra-se no anexo D a metodologia aplicada a um geossítio (neste caso o Miradouro da Pedra Bela). Numa fase inicial, foram realizadas pesquisas bibliográfica, documental e cartográfica mais detalhadas dos geossítios, a que se seguiu o levantamento de campo, com vista a pontuar todos os critérios da metodologia. A “ocupação sazonal” foi avaliada por estimativa do número de turistas que visita os locais durante os diferentes períodos do ano, tendo em conta as características que tornam o local mais atrativo. A título de exemplo, no caso dos geossítios com cascatas, é nos meses de Verão em que é contabilizado um maior número de turistas. A avaliação do subcritério “acessibilidade” foi feita no terreno, tendo sido verificado o ponto mais próximo aos geossítios com chegada por autocarro, carro ou outro veículo. Marcado este ponto no terreno e no mapa, aferiram-se as distâncias com o auxílio do software Google Earth©. Em relação aos critérios de segurança, a sua avaliação foi feita com base na análise cuidadosa das condições de cada geossítio e dos perigos que poderiam representar. Tratando-se de uma região montanhosa e de difícil acesso nalguns casos, em muitos locais não existe cobertura de rede telefónica, tendo esse aspeto sido igualmente considerado. Para determinar distâncias ao hospital ou posto de saúde mais próximos recorreu-se igualmente ao software Google Earth©. Os subcritérios “visibilidade” e “sinalética” foram avaliados no terreno, sendo que a visibilidade dos locais pode variar consoante a manutenção a que estão sujeitos, pois o rápido crescimento da vegetação impede, nalguns casos, a boa visibilidade dos geossítios. Para os subcritérios “uso atual do interesse geológico” e “uso atual de outros interesses” recorreu-se à análise de documentos, panfletos e outros meios de divulgação, bem como à sua referência em sítios da internet, blogues e guias turísticos. Para além disso, foi também contabilizada a sua referência nos centros interpretativos e nas Portas do PNPG. Recorreu-se a cartografia oficial do ICNF para identificar as diferentes áreas de proteção dentro do PNPG, bem como as taxas aplicadas para o acesso a alguns locais e deste modo avaliar as restrições
62 4.1.4 Miradouro da Boneca Localização: Distrito: Braga Concelho: Terras de Bouro Freguesia: Vilar da Veiga Coordenadas: 41º43’40.4’’N 8º10’16.1’’O O miradouro da Boneca localiza-se na encosta oeste do vale do Gerês, a cerca de 1 km a noroeste da vila do Gerês (figura 4.13). A partir deste ponto é possível observar toda a dimensão do vale de fratura do rio Gerês (figura 4.14), à semelhança do que acontece a partir do miradouro da Pedra Bela. A acessibilidade a este geossítio é relativamente fácil, havendo sinalização nas principais vias de acesso (figura 4.15) e podendo circular-se de automóvel até cerca 1,5 km do local, com o restante percurso feito a pé em trilho sem perigos que condicionem a segurança do turista. O facto de este miradouro estar integrado num percurso pedestre sinalizado favorece as suas manutenção e a sinalização, não tendo qualquer restrição à visitação. Para além disso, existe uma boa infraestrutura no miradouro que permite ao turista desfrutar da paisagem em segurança (figura 4.15). Tratando-se de um miradouro de fácil acesso, pode ser visitado durante todo o ano, mas é nos meses de Primavera, Verão e Outono quando há maior número de visitantes. No Inverno a observação Figura 4.13: Localização do geossítio Miradouro da Boneca na folha 43 da Carta Militar de Portugal na escala 1/25 000. Figura 4.12: Aspeto de poluição da água na cascata do Tahiti (fotografia obtida em Agosto de 2018).
63 pode ser condicionada por nevoeiros, chuva ou mesmo neve. Nestas condições a segurança é menor pois, apesar do trilho estar sinalizado, os turistas podem perder o rasto do mesmo e as referências de localização. Nesses casos, os turistas devem dirigir-se a um centro interpretativo (a cerca de 7 km) ou à Porta de Campo do Gerês (a 4 km) antes de iniciar a visita ao local, de modo a haja conhecimento da presença dos turistas e se possa atuar em caso de emergência. Na Porta do PNPG de Campo do Gerês os turistas podem obter informação de cariz geológico, tal como de outros valores existentes no local. Em termos logísticos, no geossítio não existem infraestruturas, estando as mais próximas localizadas no Campo do Gerês (a cerca de 4 km) ou na vila do Gerês (a cerca de 7 km), nomeadamente alojamentos de vários tipos, incluindo a Pousada da Juventude do Campo do Gerês. Figura 4.14: Vale do rio Gerês, observado a partir do miradouro da Boneca: a) vista para nordeste, para a vila do Gerês e parte superior do vale; b) vista para o quadrante sul, sobre a parte inferior do vale e albufeira da Caniçada. a) b) Figura 4.15: Sinalização existente a caminho do miradouro.
64 4.1.5 Cascata do Rio Laboreiro Localização: Distrito: Viana do Castelo Concelho: Melgaço Freguesia: Castro Laboreiro e Lamas de Mouro Coordenadas: 41º01’48.7’’N 8º09’21.2’’O A cascata do Rio Laboreiro localiza-se a cerca de 100 m a leste do centro da aldeia de Castro Laboreiro (figura 4.17). A cascata corresponde a um conjunto de saltos de altura inferior a 5 metros (figura 4.18), havendo também grandes marmitas fluviais, algumas com mais de 3 metros de diâmetro (figura 4.19), formadas pela abrasão do substrato (granito do Gerês) pelos sedimentos contidos no fluxo do rio Laboreiro. O geossítio é um dos mais favorecidos em termos de acessibilidade, uma vez que se localiza junto à aldeia e pode ser facilmente acedido por automóvel ou por autocarro. A melhor perspetiva sobre a cascata e as marmitas obriga a um percurso pedonal com cerca de 500 metros pela margem esquerda do rio. Aí é necessária precaução devido à inexistência de proteções laterais e à ocorrência de segmentos Figura 4.17: Localização do geossítio Cascata do Rio Laboreiro na folha 4 da Carta Militar de Portugal na escala 1/25 000. Figura 4.16: Estruturas de segurança existentes no miradouro da Boneca. a) Vedação existente no ponto de observação; b) Escadas de acesso ao ponto de observação. a) b)
65 muito inclinados e escorregadios do trilho. Para além disso, este trilho não tem sinalização o que dificulta a chegada ao ponto de observação. A proximidade entre a cascata e a povoação é uma mais-valia em termos turísticos uma vez que é possível encontrar instalações sanitárias, alojamentos de vários tipos e diversos restaurantes a menos de 1 km do geossítio. Não existem restrições à visitação. A maior condicionante poderá ser o facto de não existir cobertura de rede telefónica ou, quando existe, é muito fraca. Outra desvantagem reside no facto de o hospital mais próximo se localizar em Arcos de Valdevez, a cerca de 35 km. Apesar de esta cascata não ser muito propícia a banhos, os meses em que recebe um maior fluxo de turistas são os meses de Primavera, Verão e Outono, quando as condições meteorológicas são mais favoráveis. Contudo, a visibilidade da cascata é condicionada pela presença de vegetação, principalmente durante a Primavera e o Verão. A Ponte Velha de traço românico (figura 4.20) e os moinhos de água que existem junto da cascata são elementos com elevado valor cultural com valor turístico. Na Porta de Lamas de Mouro do PNPG, localizada a cerca de 10 km, é possível encontrar informação sobre estes valores culturais, bem como sobre a geologia e outros valores naturais desta região. O local é referido em diversos guias de viagens, brochuras, websites e blogues de viagens. Figura 4.18: Cascata do rio Laboreiro.
66 4.1.6 Fenda da Calcedónia Localização: Distrito: Braga Concelho: Terras de Bouro Freguesia: Covide Coordenadas: 41º43’31.0’’N 8º12’04.0’’O A Fenda da Calcedónia é um dos geossítios mais procurados no PNPG pelos amantes de turismo de aventura. Localizada no sector mais ocidental da serra do Gerês (figura 4.21), dista cerca de 5 km da aldeia de Covide e cerca de 8 km da vila do Gerês, por estrada. A Calcedónia é um relevo do tipo bornhardt com uma rede de fraturação pouco densa. Contudo, uma dessas poucas fraturas (denominada de Fenda da Calcedónia) possui uma grande profundidade, atravessando grande parte do maciço granítico nesse local e permitindo inclusivamente que se circule pelo interior da fratura (figura 4.22). O atravessamento da fenda conduz o turista ao ponto mais alto do bornhardt , de onde se obtém uma vista panorâmica sobre vários sectores da serra do Gerês bem como de outros elementos geomorfológicos no local (figura 4.23). Além das geoformas, no trilho de acesso ao local é possível observar um filão de quartzo que se estende ao longo de aproximadamente 500 m (figura 2.3, capítulo 2). Figura 4.21: Localização do geossítio Fenda da Calcedónia na folha 43 da Carta Militar de Portugal na escala 1/25 000. Figura 4.19: Ponte Velha, situada ligeiramente a jusante da cascata do rio Laboreiro. Figura 4.20: Marmitas fluviais no leito do rio Laboreiro junto à cascata.
67 Para além do valor geológico, tem também um grande valor biológico, que conjugados dotam o local de um grande valor estético, tornando-o um dos mais belos do parque. Para chegar ao geossítio deve ir-se até à Porta do Campo do Gerês e seguir em direção ao cruzamento de Lamas. A partir deste ponto é necessário percorrer cerca de 600 m em direção à vila do Gerês. Apesar de não existir sinalização nem no local nem nas principais vias de acesso, após a chegada ao local é possível encontrar marcas de estacionamento e trilhos marcados pela circulação humana. É possível chegar de automóvel ou de autocarro até 1 km de distância sendo necessário percorrer o resto caminhando. A Fenda da Calcedónia está incluída num percurso pedestre e como tal, também pode ser acedida através de um trilho que se inicia no centro da freguesia de Covide. Antes da realização do trilho deve procurar-se a Porta do Campo do Gerês, onde se irá obter informações sobre o mesmo, bem como sobre toda a geologia da serra do Gerês. Como se trata de um geossítio extremamente divulgado, pode encontrar-se informação sobre ele em diversos meios de comunicação tanto online como em papel. A visitação deste geossítio é feita essencialmente durante os meses de Primavera, Verão e Outono. No Inverno é desaconselhado, pois o atravessamento da fenda implica a escalada de rochas muito abruptas e escorregadias quando molhadas, o que torna o geossítio muito perigoso. Apesar de os riscos de escorregamento serem menores nas outras estações do ano, o atravessamento da fenda continua a ser perigoso sendo aconselhado ao turista que o faça em grupo. Em caso de acidente, o hospital mais próximo localiza-se acerca de 30 km, existindo um centro de saúde a 15 km em Terras de Bouro. A povoação mais próxima localiza-se a 5 km na freguesia de Covide e é lá onde se encontram os serviços de apoio turístico mais próximos. Para além disso, o turista que visita este geossítio também procura a vila de Terras de Bouro, que tratando-se da sede do município, apresenta uma maior oferta logística. Figura 4.22: Aspeto da Fenda da Calcedónia: a) Ponto de entrada na fenda; b) Turistas a circular no interior da fenda, com presença de blocos graníticos a dificultar a travessia. a) b) a) b) d) c)
68 4.1.7 Sete Lagoas Localização: Distrito: Vila Real Concelho: Montalegre Freguesia: Cabril Coordenadas: 41º45’28.7’’N 8º01’30.3’’O As Sete Lagoas enquadram-se numa sequência de quedas de água situadas no segmento superior do curso da ribeira de Cabril (figura 4.24), cerca de 2 km a jusante do planalto de Couce, no centro da serra do Gerês. Trata-se de um conjunto de pequenas lagoas, em escadaria (figura 4.25), com uma génese provavelmente associada à erosão glaciária do substrato granítico do tipo abrasão e arranque, constituindo assim pequenos covões glaciários atualmente preenchidos pelo curso fluvial. Figura 4.24: Localização do geossítio Sete Lagoas na folha 31 da Carta Militar de Portugal na escala 1/25 000. Figura 4.23: Paisagem observada a partir do topo da meda (bornhardt) da Calcedónia: a) Vista para oeste; b) Vista para este; c) Vista para norte; d) Vista para sul. a) b) c) d)
69 A cerca de 5 km localiza-se a pequena povoação de Xertelo, sendo a mais próxima do geossítio e também onde os turistas estacionam os automóveis para percorrer essa distância a pé. É possível aceder por automóvel até menos de 50 metros do geossítio, embora seja aconselhável que a distância entre a povoação de Xertelo e as lagoas seja percorrida a pé ou num veículo todo-o-terreno devido às más condições do pavimento. Trata-se de cascatas e lagoas esteticamente muito atrativas, sendo por isso muito documentada em websites e blogues de viagens, na Porta de Montalegre e nos postos de turismo, não havendo restrições à visitação e sendo possível circular pelas várias lagoas e quedas de água. Contudo, a elevada distância a percorrer a pé restringe a visitação quase somente aos meses de Verão, mais propícios a banhos (figura 4.26). Para além disso, o acesso a pé no local requer alguma precaução devido à existência de inclinações elevadas e sectores escorregadios, principalmente em períodos chuvosos. A inexistência de sinalética pode dificultar a chegada ao local, sendo importante seguir as marcas do trilho. No geossítio existem despejos de entulho associados à escavação de túneis e à construção dos canais e pequena barragem situados nas proximidades para desvio de águas da ribeira para a albufeira de Paradela, situada a leste, os quais afetam a paisagem natural, tornando-a menos apelativa. Apesar disso, existe uma placa apelando aos turistas para que não deixem lixo espalhado pelo local (figura 4.27). Outros valores naturais podem ser observados no local (figura 4.28), podendo os turistas obter informações na Porta de Montalegre do PNPG, localizada a aproximadamente 36 km. Na aldeia de Cabril, situada a cerca de 10 km a sul, existem várias estruturas de apoio turístico, nomeadamente restaurantes, bares e alojamentos. No entanto, a insuficiência dos serviços de saúde prejudicam o local, existindo apenas um centro de saúde em Cabril e o hospital de Braga, a cerca de 50 km. Figura 4.25: Aspeto das pequenas lagoas em escadaria no geossítio Sete Lagoas.
70 4.1.8 Cascata de Cela Cavalos Localização: Distrito: Vila Real Concelho: Montalegre Freguesia: Outeiro Coordenadas: 41º45’38.4’’N 7º59’12.4’’O Figura 4.29: Localização do geossítio Cascata de Cela Cavalos na folha 31 da Carta Militar de Portugal na escala 1/25 000. Figura 4.26: Atividade balnear nas Sete Lagoas durante o período de Verão. Figura 4.27: Aspeto da biodiversidade local nas Sete Lagoas, Pelophylax ridibundus (rã verde). Figura 4.28: Sinalização apelando à manutenção da limpeza no acesso ao geossítio Sete Lagoas.
71 A cascata de Cela Cavalos é uma das mais belas e recônditas cascatas do PNPG, localizando-se no sector oriental da serra do Gerês (figura 4.29), na ribeira das Cavadas, afluente do rio Cávado. Trata-se de uma geoforma modelada pela erosão diferencial no granito do Gerês e pela existência de fraturas que condicionaram o maior desenvolvimento de meteorização (figura 4.30). À semelhança de outras quedas de água situadas na vertente sul da serra do Gerês, a sua génese foi fortemente influenciada pelo encaixe muito pronunciado do rio Cávado e dos seus afluentes neste sector do PNPG. Possui um caudal muito reduzido nos meses mais secos mas a beleza do local e do espaço circundante atraem mais turistas durante o Verão, na época balnear. Nos meses de maior pluviosidade o caudal aumenta tornando-a esteticamente mais apelativa, mas devido ao difícil acesso, praticamente não recebe turistas nesses períodos. O acesso à cascata pode ser feito através de um estradão que liga a aldeia de Cela à cascata (figura 4.31). Contudo, tratando-se de um piso em más condições, este percurso de cerca de 2 km deve ser feito a pé ou com recurso a veículos todo-o-terreno. Devido à escassa sinalização, existente apenas nas principais vias de acesso, na capela de Santa Luzia (perto da aldeia de Cela, cerca de 1,5 km da cascata) o turista depara-se com vários trilhos marcados, sendo difícil encontrar o caminho correto para a cascata. Neste caso, o uso de recetor GPS pode auxiliar, visto que há cobertura de rede no local. De igual forma, pode usar-se um mapa que pode ser obtido em locais como o a junta de freguesia de Cabril ou na porta de Montalegre do PNPG, onde também se podem obter outras informações sobre a cascata e a outros valores a ela associados (figura 4.32). Apesar de proporcionar uma caminhada agradável, onde se pode desfrutar das belas paisagens características do Gerês, sem restrição à visitação, a longa distância percorrida e o declive acentuado do terreno acabam por contribuir para que os turistas não procurem muito este local para veraneio. Em termos de segurança, tanto na cascata como no seu acesso o perigo é reduzido, sendo sempre necessária alguma precaução.
78 4.1.12 Miradouro da Preguiça Localização: Distrito: Braga Concelho: Terras de Bouro Freguesia: Vilar da Veiga Coordenadas: 41º45’03.7’’N 8º09’14.7’’O O miradouro da Preguiça localiza-se a cerca de 2 km da vila do Gerês junto à antiga casa florestal da Preguiça, na estrada em direção à Portela do Homem (figura 4.43). Trata-se de um miradouro situado no fundo do vale de falha do Gerês, com perspetiva para jusante. O facto de se encontrar no centro do vale proporciona uma perspetiva retilínea do vale de falha, das vertentes simétricas e do lago da albufeira da Caniçada (figura 4.44). Situa-se a menos de 100 metros da estrada, onde podem circular vários tipos de veículos, incluindo autocarros até 25 lugares. Tanto no acesso como no local existem condições de segurança e, estando próximo da vila do Gerês, existe facilidade de socorro em caso de acidente. No entanto, o centro de saúde mais próximo situa-se em Vieira do Minho (a cerca de 20 km) e o hospital mais próximo em Figura 4.43: Localização do geossítio Miradouro da Preguiça na folha 30 da Carta Militar de Portugal na escala 1/25 000. Figura 4.42: Estrutura existente no miradouro da Junceda. Figura 4.41: Sinalização do miradouro da Junceda na principal via de acesso.
79 Vila Verde (a cerca de 40 km). Para além disso, a proximidade da vila favorece o geossítio em termos logísticos, pois existem vários serviços de restauração e de alojamento a menos de 3 km. O miradouro é o ponto inicial de um percurso pedestre sinalizado (Percurso Pedestre da Preguiça), havendo no local um painel informativo relativo ao trilho. Para obter mais informações sobre a geodiversidade e a biodiversidade, os turistas podem dirigir-se ao Centro de Educação Ambiental do Vidoeiro (a cerca de 3 km), ao Posto de Turismo do Gerês (a menos de 5 km) ou à porta do Campo do Gerês do PNPG (a cerca de 20 km). Todas estas razões e o facto de não ter restrições à visitação tornam este miradouro propício à visitação durante todo o ano. 4.1.13 Minas dos Carris Localização: Distrito: Vila Real Concelho: Montalegre Freguesia: Cabril Coordenadas: 41º48’49.2’’N 8º02’39.6’’O O geossítio Minas dos Carris corresponde ao conjunto de vestígios do complexo mineiro que funcionou de 1941 a 1974 e que teve o seu auge durante a II Guerra Mundial com extração de volfrâmio, estanho e molibdénio. Situa-se no Figura 4.45: Localização do geossítio Minas dos Carris na folha 31 da Carta Militar de Portugal na escala 1/25 000. Figura 4.44: Setor inferior do vale do rio Gerês observado a partir do miradouro da Preguiça.
80 sector mais alto do PNPG, a mais de 1400 metros de altitude, na serra do Gerês e junto da fronteira com Espanha (figura 4.45).No local podem observar-se as ruínas da aldeia mineira (figura 4.46) e de vestígios de materiais usados na exploração que, apesar de situados em área de Proteção Integral do PNPG, apresentam sinais de vandalismo (figura 4.47). Devido ao valor cultural e histórico do local e apesar das dificuldades no acesso, este geossítio tem atraído cada vez mais turistas. Mesmo não havendo qualquer sinalização, o acesso pode ser feito por vários trilhos, todos eles de elevado grau de dificuldade, obrigando os turistas a percorrer grandes distâncias a pé. O trilho mais curto e mais divulgado inicia-se na margem direita da cascata da Portela do Homem ao longo de cerca de 9,5 km até chegar às minas, com o rio Homem à esquerda. Para além da elevada extensão do trilho, o seu mau estado de conservação dificulta a caminhada, sendo o piso muito irregular e escorregadio, onde frequentemente ocorrem movimentos de vertente (figura 4.48). Nas minas o perigo é reduzido, embora seja necessária precaução na aproximação aos poços e entradas da mina (figura 4.49). O geossítio pode ser acedido durante todo o ano, embora a elevada altitude (a cerca de 1400 metros) e a elevada distância a percorrer a pé até ao local não sejam favoráveis em condições meteorológicas adversas. Os meses de Primavera, Verão e Outono são os mais frequentados por turistas, embora alguns caminheiros se aventurem neste trajeto durante o Inverno. A constante cobertura de neve nessa época dificulta a chegada e o regresso do local, sendo frequentes os casos de pedido de socorro por parte de turistas, algumas das vezes resgatados de helicóptero. Outra condicionante à visitação deste local é o regime de proteção aplicado pelo PNPG. Apesar da visitação das minas não ser proibida (localizadas em zona de proteção parcial tipo I), o trilho de acesso pela Portela do Homem encontra-se sobre um regime de proteção total, sendo necessária a obtenção de autorização do PNPG para aí circular e havendo aplicação de coima caso as normas não sejam cumpridas. Em termos logísticos, este geossítio é muito desfavorecido, sendo que as infraestruturas mais próximas se localizam a cerca de 18 km na vila do Gerês.
81 Normalmente quem visita o local possui algum conhecimento sobre o mesmo, a qual pode ser obtida em blogues de caminheiros, guias turísticos e inclusivamente uma publicação sobre as minas dos Carris (Barbosa, 2013). Para além disso, os turistas podem obter informações no centro de Educação Ambiental do Vidoeiro (a 18 km), no posto de turismo do Gerês (a 20 km) e na Porta de Campo do Gerês (a 37 km). Figura 4.48: Blocos desabados no caminho de acesso às minas dos Carris, no vale do rio Homem. Figura 4.49: Vestígios de vandalismo nas ruínas da aldeia mineira dos Carris. Figura 4.46: Ruínas da aldeia mineira do Carris, na Serra do Gerês. Figura 4.47: Aspeto de fosso associado a uma das entradas das minas dos Carris.
82 4.1.2. Miradouro de Tibo Localização: Distrito: Viana do Castelo Concelho: Arcos de Valdevez Freguesia: Gavieira Coordenadas: 41º55’40.7’’N 8º14’15.4’’O O miradouro de Tibo localiza-se a cerca de 1 km a sul da aldeia de Tibo, na serra da Peneda (figura 4.50), proporcionando a observação dos vales da Gavieira e da Peneda (figura 4.51). Neste local é possível interpretar o condicionamento do relevo pela tectónica, nomeadamente as falhas com orientação NNE-SSW que controlam a direção principal dos vales, e fazer a distinção entre os topos mais irregulares associados ao granito do Gerês e as cumeadas mais suaves associadas ao granito da serra Amarela. Do miradouro observa-se o santuário de Nossa Senhora da Peneda e obtém-se uma excelente panorâmica sobre a Fraga das Pastorinhas (figura 4.52), vertente moldada no substrato granítico (granito do Gerês), considerada uma das maiores paredes de escalada do país. É igualmente possível alcançar visualmente as aldeias de Tibo, Rouças e Gavieira. O acesso a este geossítio é um dos mais fáceis do PNPG pois, para além de não ter restrições à visitação, localiza-se à face da estrada onde podem circular vários tipos de veículos, incluindo autocarros. Para além disso, é um local seguro e no ponto de observação existe um muro em pedra que proporciona uma maior segurança ao visitante. Apesar de não haver sinalética respeitante ao miradouro, faz parte de um percurso pedestre sinalizado e é divulgado em vários blogues de viagens, guias turísticos e panfletos. De igual forma, na Porta do Mezio (a 14 km) e no posto de turismo do Soajo (a 16 km), podem ser obtidas informações sobre este local. As infraestruturas de apoio turístico mais próximas encontram-se na aldeia do Soajo, onde existem vários restaurantes, alojamentos e um centro de saúde. Mais perto, a cerca de 3 km, existem alguns cafés na aldeia de Rouças. Figura 4.50: Localização do geossítio Miradouro de Tibo na folha 9 da Carta Militar de Portugal na escala 1/25 000.
83 4.1.3. Cascata de Pincães Localização: Distrito: Vila Real Concelho: Montalegre Freguesia: Cabril Coordenadas: 41º42’56.6’’N 8º03’35.0’’O A cascata de Pincães situa-se num local pouco divulgado, a cerca de 1 km da pequena aldeia de Pincães (figura 4.53). Ocorre no rio Pincães, Figura 4.53: Localização do geossítio Cascata de Pincães na folha 44 da Carta Militar de Portugal na escala 1/25 000. Figura 4.52: Fraga das Pastorinhas observada a partir do miradouro de Tibo. Figura 4.51: Perspetiva dos vales da Gavieira e da Peneda a partir do miradouro de Tibo.
84 num troço em que está fortemente condicionado pela fraturação do granito (figura 4.54) e, tal como a maioria das cascatas do Gerês, as suas génese e evolução estão relacionadas com erosão diferencial no granito local e sobretudo com o encaixe acentuado do rio Cávado e seus afluentes nesse sector da serra. O acesso pode ser feito por veículo automóvel num caminho com cerca de 2 km desde a aldeia de Pincães até à cascata, embora devido às suas más condições, é aconselhável que seja percorrido com veículo todo-o-terreno. Pode também ser acedida a pé, existe um percurso mais curto, com cerca de 1 km de extensão, a partir da aldeia (figura 4.55). É um percurso que requer alguma precaução devido à existência de sectores escorregadios e muito inclinado em certas partes. É necessária também alguma precaução na pequena lagoa na base da cascata. Nas principais vias de acesso existe sinalização facilitando a chegada ao local. Na aldeia de Cabril (situada a cerca de 3,5 km) existe uma oferta de infraestruturas turísticas, nomeadamente cafés, restaurantes e alojamentos, incluindo um parque de campismo. Aí existe também um centro de saúde, mas o hospital mais próximo está em Braga, a 42 km. Sendo propícia a banhos, a cascata é visitada essencialmente nos meses de Verão apesar do menor caudal do rio Pincães. Estando localizada num local menos popular e muitas vezes escondida pelo avanço da vegetação, possui uma escassa divulgação. Ainda assim, é referida em alguns blogues e websites de viagens, bem como na sede da Junta de Freguesia de Cabril (a 3,5 km) e na Porta de Montalegre (a 40 km), onde se encontra informação sobre a geologia e outros valores associados da região. Figura 4.54: Cascata de Pincães.
85 4.1.14 Vale do Alto Vez Localização: Distrito: Viana do Castelo Concelho: Melgaço Freguesia: Gave Coordenadas: 41º59’46.4’’N 8º17’09.7’’O O geossítio Vale do Alto Vez situa-se fora da área do PNPG, correspondendo a uma área de elevada dimensão que se estende desde o planalto de Lamas de Vez às proximidades das brandas de Aveleira e de Santo António. É precisamente junto à Branda da Aveleira (figura 4.56) onde se situam os interesses principais do geossítio, nomeadamente blocos erráticos de granito sobre os afloramentos de xisto do Silúrico (figuras 4.57 e 4.58). Devido à sua importância científica, à potencialidade turística e às ameaças a que está sujeito, o geossítio foi incluído neste trabalho. Em toda a área do geossítio ocorrem várias evidências glaciárias de elevado valor científico, nomeadamente um vale com perfil em “U” resultante da erosão glaciária, moreias, tills e os blocos erráticos referidos, alguns deles de grandes dimensões (figura 4.58). Estes aspetos da geodiversidade são facilmente compreendidos tanto por turistas como por estudantes existindo, por isso muita informação em livros e panfletos, blogues e na Porta de Lamas de Mouro (a cerca de 10 km). Também Figura 4.56: Localização do geossítio Vale do Alto Vez na folha 9 da Carta Militar de Portugal na escala 1/25 000. Figura 4.55: Caminho pedonal de acesso à cascata de Pincães, a partir da aldeia.
86 na sinalização é feita referência ao caráter glaciário do local e outros valores biológicos têm um painel informativo dedicado. O acesso é fácil até cerca de 100 m dos blocos erráticos, sendo possível circular com vários tipos de veículo. No entanto, para observar outros elementos é necessário recorrer a veículo todo-oterreno. Existe um restaurante no local e vários alojamentos a cerca de 2 km a oeste, na Branda de Santo António. No entanto, o centro de saúde mais próximo fica em Melgaço, a cerca de 25 km, e o hospital mais próximo fica em Arcos de Valdevez, a 37 km. É um local esteticamente atrativo que é visitado durante todo o ano, estando por vezes coberto de neve nos meses de Inverno. Porém, devido à inexistência de proteção legal, está sujeito à degradação, nomeadamente pela construção de infraestruturas para criação de gado, que afetam a estética natural do local. Este tipo de obras tem originado também grandes quantidades de entulho, visíveis no local. O local onde ocorre o principal conjunto de blocos erráticos foi recentemente degradado pela construção de uma pista de corridas de cavalos, o que obrigou à reposição possível da situação inicial (Pereira et al., 2017). Contudo, apesar da situação de degradação ter sido corrigida, essa situação inicial não foi ainda alcançada e a estética natural do local ainda se encontra muito afetada, pelo menos enquanto a vegetação arbustiva não recuperar. Figura 4.57: Blocos erráticos situados junto à Branda da Aveleira, no geossítio vale do Alto Vez.
87 4.1.15 Vale do Homem Localização: Distrito: Braga Concelho: Terras de Bouro Freguesia: Campo do Gerês Coordenadas: 41º48’13.2’’N 8º07’41.4’’O O geossítio Vale do Homem situa-se na parte central da serra do Gerês junto à fronteira com Espanha (figura 4.59). Trata-se de um vale com orientação geral E-W, com perfil transversal em “U”, decorrente de erosão glaciária. O rio Homem percorre o fundo do vale em escadaria, com pequenos lagos ao longo do seu percurso. Na parte mais a jusante do vale, junto à ponte da Portela do Homem, ocorre um desses lagos e queda de água associada que, devido à sua localização junto da estrada, é uma grande atração turística nos meses de Verão (figura 4.60). Durante períodos de maior pluviosidade, o caudal do rio é maior, tornando a cascata esteticamente mais apelativa e, por isso, também é bastante visitada durante o resto do ano. Estando localizada junto da Portela do Homem (a cerca de 12 km da vila do Gerês), que apresenta sinalização nas principais vias de acesso. A ponte da Portela do Homem é o melhor ponto de Figura 4.59: Localização do geossítio Vale do Homem na folha 31 da Carta Militar de Portugal na escala 1/25 000. Figura 4.58: Bloco errático de elevada dimensão, no geossítio Vale do Alto Vez.
94 Por outro lado, critérios como “visibilidade”, “uso atual de outros interesses” e “estética” são os que mais favoreceram os geossítios na avaliação. O geossítio Miradouro da Pedra Bela apresenta a pontuação mais elevada, com 115 pontos, correspondentes a 76,7%. Este elevado valor foi conseguido essencialmente pela existência de vários subcritérios com pontuação máxima (10 pontos), nomeadamente a “ocupação sazonal”, “acessibilidade”, “visibilidade”, “uso atual de outros interesses”, “propriedade e limitação ao uso turístico” e “estética”. Relativamente ao critério de “segurança no local e no acesso”, obteve uma pontuação de 8 visto que é um local seguro. O geossítio foi penalizado nos critérios de “logística”, onde obteve um total de 20 pontos em 40, na “segurança em caso de emergência” e no “uso atual do interesse geológico” (estes dois últimos com 6 pontos cada). Tanto a “sinalética” como a “compreensão e aprendizagem do conteúdo do geossítio” foram avaliados com 7,5 pontos. O geossítio Miradouro da Preguiça (105 pontos, 70,3%), apesar de ter reduzida divulgação, possui um painel informativo no local e está enquadrado num percurso pedestre, o que lhe conferiu 8 e 5 pontos nos subcritérios “uso atual do interesse geológico” e “uso atual de outros interesses”, respetivamente. Obteve também 5 pontos no subcritério “sinalética”. O facto de ser um dos geossítios mais pontuados deve-se também à existência de 4 subcritérios com pontuação máxima, nomeadamente “ocupação sazonal”, “acessibilidade”, “segurança em caso de emergência” e “propriedade e limitação ao uso turístico”. Os subcritérios de “logística” foram os que mais desfavoreceram o geossítio, obtendo apenas 17,5 pontos. A elevada pontuação do geossítio Tartaruga de Castro Laboreiro (103,5 pontos, 69%) deve-se sobretudo aos subcritérios da “disponibilidade”. O facto de estar localizado junto à aldeia de Castro Laboreiro faz com que o critério “logística” influencie positivamente na avaliação do geossítio com 33 pontos em 40, a segunda pontuação mais elevada neste critério (apenas inferior à do geossítio Cascata do Tahiti). No que diz respeito ao critério “uso” obteve pontuação máxima nos critérios de “propriedade e limitação ao uso turístico” e “uso atual de outros interesses” porque existe associação a lendas e histórias locais. No entanto, a inexistência de sinalética resultou na atribuição de 0 pontos neste subcritério. No critério “sentidos” obteve 12,5 pontos, por soma dos 5 pontos do subcritério “estética” e dos 7,5 pontos do subcritério “compreensão e aprendizagem do conteúdo do geossítio”, sendo este um geossítio com conteúdo facilmente compreendido pelos turistas.
95 O geossítio Vale do Alto Vez (101,5 pontos, 67,7%) teve subcritérios com pontuação máxima, nomeadamente “ocupação sazonal”, “visibilidade”, “segurança no local e no acesso”, “propriedade e limitação ao uso turístico” e “restauração” (existe um restaurante precisamente no local, junto aos blocos erráticos da Branda da Aveleira). O subcritério “acessibilidade” foi pontuado com 9 pontos devido aos bons acessos por estrada. Por outro lado, foram atribuídos apenas 2 pontos no subcritério “segurança em caso de emergência” devido à grande distância que o separa da unidade de saúde mais próxima. A existência de grandes estruturas de criação de gado bovino no geossítio e arredores e a construção de outras promove a depositação de lixo e entulho no local. Também a remediação a que o geossítio foi sujeito após ter sido destruído não permitiu a que ele voltasse ao seu estado normal, o que também penaliza a estética do local. Por isso, os subcritérios “limpeza e recreação” e “estética” obtiveram uma pontuação de 0 e 3 respetivamente, sendo os que mais afetam negativamente a avaliação do geossítio. Tratando-se de um local com elevado valor científico, apresenta boa sinalização, incluindo no local, como sendo de interesse geológico, tendo obtido 5 pontos no subcritério “sinalética”. Teve também 5 pontos no subcritério “uso atual do interesse geológico” e 7,5 nos subcritérios “uso atual de outros interesses” e “compreensão e aprendizagem do conteúdo do geossítio” devido à boa divulgação e a conteúdos facilmente compreendidos. O geossítio Cascata do Arado (98 pontos, 65,3%) é o mais pontuado entre aqueles que têm uma queda de água como elemento principal. Isto deve-se sobretudo à elevada pontuação no critério “uso” (33,5 pontos), a mais elevada em todos os geossítios (em igualdade com o geossítio Miradouro da Pedra Bela). O critério que mais prejudica a avaliação é a “logística”, com apenas 18 pontos, um valor relativamente baixo e que tem por base a longa distância que separa o local de infraestruturas de apoio turístico. O geossítio foi desfavorecido no subcritério “ocupação sazonal” (5 pontos), na medida em que é frequentado principalmente durante a Primavera e o Verão. Os poucos pontos no subcritério “visibilidade” (5 pontos) devem-se ao facto de, durante a Primavera, o crescimento da vegetação impedir ou dificultar a visualização da cascata. Em termos de “acessibilidade” foram atribuídos 10 pontos e no subcritério “segurança no local e no acesso” obteve 8 pontos, considerando as dificuldades e perigos inerentes no acesso ao melhor ponto de observação da cascata. Devido à distância a que se encontra das unidades de saúde mais próximas, obteve apenas 6 pontos em “segurança em caso de emergência”. No critério “sentidos” a pontuação atribuída foi de 12,5, dos quais 10 pontos são relativos à “estética” pelo forte impacto sensorial que o local provoca e 2,5 pontos à fraca “compreensão e aprendizagem do
96 conteúdo do geossítio”, pela escassez de informação geológica relativa ao local que permita ao turista a compreensão da mesma. O geossítio Cascata de Pitões das Júnias (96,5 pontos, 64%) teve no critério “disponibilidade” a sua melhor pontuação (39,5 pontos). Apesar de haver 4 geossítios com pontuação mais elevada neste critério, a pontuação máxima obtida na “ocupação sazonal” e as boas condições de acessibilidade e segurança (8 pontos em ambos os critérios) permitiram-lhe obter uma boa pontuação. Também a estrutura criada no miradouro e o passadiço no acesso permitiram aumentar a pontuação deste critério. No critério “uso” obteve 25 pontos, com destaque para a sinalética (5 pontos), pela sinalização que se encontra ao longo do passadiço de acesso. Tanto os critérios de “logística” como os de “uso” obtiveram uma pontuação intermédia, de 20 e 12 pontos, respetivamente. No geossítio Miradouro da Boneca (95,5 pontos, 63,7%), o subcritério mais valorizado é a “visibilidade” (10 pontos), com uma pontuação de 38,5 no critério “disponibilidade”. A “segurança no local e no acesso” é também um dos subcritérios que mais influencia positivamente a pontuação (8 pontos) devido à existência de uma boa estrutura de apoio ao turista no miradouro e em parte do acesso. À semelhança da maior parte dos geossítios, obteve pontuação máxima no subcritério “propriedade e limitação ao uso turístico”, obtendo 23,5 pontos na totalidade do critério “uso”. Pelo facto de se encontrar geograficamente afastado de povoações, reuniu apenas 18 pontos no critério “logística”. Pela aprazibilidade do miradouro e da paisagem panorâmica daí contemplada, obteve 15,5 pontos em 20 possíveis no critério “sentidos”. Com apenas 0,5 pontos menos, o geossítio Miradouro de Tibo obteve uma pontuação de 95 pontos (63,3%). Esta pontuação deve-se essencialmente ao critério “disponibilidade” que foi pontuado com 44 pontos, a segunda pontuação mais elevada neste critério, a par do geossítio Miradouro da Pedra Bela. Os bons acessos, a boa visibilidade e a estrutura no local de observação permitiram a elevada pontuação neste critério. O critério “sentidos” também influenciou positivamente a pontuação total (15,5 pontos), principalmente no que diz respeito à estética da paisagem. Por outro lado, a inexistência de sinalética e a grande distância entre o local e as infraestruturas de apoio turístico foram as principais razões das baixas pontuações obtidas nos critérios “uso” e “logística” (20 e 15,5 pontos, respetivamente).
97 Também com pontuação semelhante, o geossítio Miradouro da Junceda (94,5 pontos, 63%), obteve uma boa pontuação no critério “disponibilidade” (37,5 pontos), mas a fraca acessibilidade e a longa distância que é necessário percorrer a pé ou com um veículo todo-o-terreno até ao local influenciaram negativamente a pontuação do local. Em relação aos critérios “uso” e “logística” a pontuação também não foi muito elevada (23,5 e 18 pontos respetivamente), destacando-se a boa sinalização (5 pontos) e o “uso atual do interesse geológico” (6 pontos). A localização do geossítio também dificulta a chegada até às infraestruturas de apoio turístico tendo por isso, obtido baixa pontuação nesses subcritérios. O critério “sentidos” foi dos que mais favoreceu a pontuação final, com 8 pontos atribuídos ao subcritério “estética” e 7,5 ao subcritério “compreensão e aprendizagem do conteúdo do geossítio” . O geossítio Cascata de Pincães (94 pontos, 62,7%) obteve pontuação máxima nos subcritérios “visibilidade” e “segurança em caso de emergência”. Tratando-se de uma cascata que permite banhos e que se encontra numa área pouco divulgada, recebe turistas quase exclusivamente no Verão, tendo recebido 2,5 pontos no subcritério da “ocupação sazonal”. Em relação ao critério “uso” é de realçar a sinalética do local, encontrando-se várias indicações relativas à cascata. O critério “logística” obteve uma pontuação máxima de 22,5 em 40 pontos. Apesar do elevado valor estético que o local possui (8 pontos), a inexistência de informação relativa à geologia dificulta a compreensão do conteúdo do geossítio, tendo obtido apenas 2,5 pontos no subcritério “compreensão e aprendizagem do conteúdo do geossítio”. Pela sua localização, estética e divulgação, na avaliação do geossítio Vale do Homem foi tida em conta apenas a cascata localizada ligeiramente a montante da ponte da Portela do Homem e não o vale do rio Homem na sua totalidade. Da pontuação obtida (92 pontos, 61,3%) 36,5 pontos correspondem aos critérios “disponibilidade”, com os subcritérios “visibilidade” e “acessibilidade” a obter a pontuação máxima devido à boa observação sobre a cascata a partir de vários pontos e pelo facto de se poder aceder até à ponte com diversos tipos de veículos. É importante realçar que a pontuação atribuída à “acessibilidade” diz respeito apenas ao acesso à ponte da Portela do Homem, ou seja, ao local de observação da cascata e não da cascata em si. Apesar de existir algum espaço e de se poder circular em cima da ponte, é proibido estacionar na mesma, podendo o estacionamento ser feito junto à Portela do Homem. O subcritério “ocupação sazonal” obteve 7,5 pontos, pois apesar de se tratar de uma cascata propícia a banhos (principalmente nos meses de Verão) também é procurada durante o resto do ano pela sua beleza estética, pelo bom acesso e também pelo facto de se encontrar num dos caminhos de acesso à fronteira entre Portugal e Espanha. O subcritério “segurança no local e no acesso” foi dos
98 menos pontuados (3 pontos), devido ao difícil e perigosos acesso a que os turistas estão sujeitos para alcançar a cascata. O critério “uso” obteve 22,5 pontos, sendo de destacar os 10 pontos atribuídos ao subcritério “uso atual de outros interesses” pelo facto de se encontrar na Mata da Albergaria. Ao contrário da maioria dos geossítios avaliados, ao subcritério “propriedade e limitação ao uso turístico” foram atribuídos 5 pontos, devido à visitação estar condicionada pelo local se encontrar em zona de proteção integral do PNPG (sem grande efeitos práticos, como se constata pelo elevado número de visitantes no local durante os meses de Verão). Como as infraestruturas de apoio turístico mais próximas se encontram na vila do Gerês, ao critério “logística” foi atribuído 18 pontos. A estética do local valeu a pontuação máxima no subcritério “estética”. O geossítio Cascata do Tahiti (91,5 pontos, 61%), sendo uma das mais belas quedas de água do PNPG e possuindo um elevado potencial turístico, foi prejudicado na avaliação de vários critérios. Um deles é o critério “disponibilidade”, em que obteve apenas 29 pontos em 50 possíveis, sendo o geossítio com a segunda pontuação mais baixa neste critério. Este baixo valor deve-se essencialmente à baixa pontuação nos critérios de segurança. Na “acessibilidade” o geossítio obteve 9 pontos, pelo facto de ser possível circular com vários tipos de veículos até perto da cascata. Como o local fica bastante afastado de unidades de cuidados de saúde, obteve apenas 2 pontos no subcritério “segurança em caso de emergência”. Em relação a “segurança no local e no acesso” obteve apenas 3 pontos, uma vez que para alcançar o local onde melhor se observa a cascata e mais propício a banhos é necessário circular por sectores muito inclinados e sobre as rochas graníticas que podem estar muito escorregadias, com perigo para o visitante. Na “ocupação sazonal” obteve apenas 5 pontos pois um local usado sobretudo nos meses de Verão. Nos subcritérios “acessibilidade” e “visibilidade” obteve elevadas pontuações (9 e 10 pontos, respetivamente), tendo em conta a boa observação da cascata a partir do patamar inferior. No critério “uso” a pontuação foi de 26 pontos, tendo obtido 10 pontos no subcritério “uso atual de outros interesses” pela existência e uso de outros valores e 10 pontos no subcritério “propriedade e limitação ao uso turístico” pela inexistência de restrições ao uso. Destaca-se a inexistência total de sinalização (0 pontos no subcritério “sinalética”), o que dificulta a chegada ao local. Em termos de logística, a proximidade à aldeia da Ermida e a existência serviços de restauração ambulante no local durante o Verão valeram-lhe 24 pontos neste critério, tendo sido o geossítio com a terceira pontuação mais elevada. O critério “sentidos” somou um total de 12,5 pontos, pois apesar de ter obtido 10 pontos no subcritério “estética”, obteve apenas 2,5 pontos no subcritério “compreensão e aprendizagem do conteúdo do geossítio” pela falta de informação sobre o conteúdo geológico do local para a compreensão do mesmo.
99 O geossítio Mirante Velho somou uma pontuação total de 89,5 pontos (59,7%), sendo o miradouro com a pontuação mais baixa de entre os miradouros com vista para o vale de falha do Gerês. Os critérios que mais influenciaram positivamente a avaliação do geossítio são a “logística” (20 pontos) devido à proximidade à vila do Gerês e os “sentidos” (15,5 pontos), dada o valor estético da paisagem observada. O critério “disponibilidade” foi pontuado com 37 pontos. Sendo um miradouro localizado junto à estrada a de fácil acesso, este é visitado durante todo o ano, tendo obtido 10 pontos nos subcritérios “ocupação sazonal” e “acessibilidade”. Por outro lado, obteve apenas 3 pontos no subcritério “visibilidade” porque a fraca ou inexistente manutenção não retém o crescimento de vegetação que impede a boa observação dos elementos geológicos. O subcritério “segurança no local e no acesso” obteve 8 pontos, tendo em conta a boa estrutura criada no local que permite os visitantes observarem a paisagem em segurança. O critério “uso” (17 pontos) foi o mais desfavorecido, sendo o geossítio com a segunda pontuação mais baixa neste critério. A inexistência de sinalética está na base dos 0 pontos atribuídos ao subcritério “sinalética” e a fraca divulgação do local contribuiu para os 2 pontos atribuídos ao subcritério “uso atual do interesse geológico”. Com 86,5 pontos (57,7%), o geossítio Fenda da Calcedónia é um dos locais do PNPG mais procurados pelos amantes de turismo de aventura. O critério “sentidos” obteve uma pontuação elevada devido à estética do local e da panorâmica observada do topo do geossítio e ao impacto sensorial causado pela entrada e atravessamento da fenda. Obteve 10 pontos no subcritério “estética” e 7,5 pontos no subcritério “compreensão e aprendizagem do conteúdo do geossítio” pelos elementos geológicos ser facilmente compreendidos pelos turistas. No critério “disponibilidade” (32,5 pontos), as pontuações foram relativamente boas (7,5 pontos na “ocupação sazonal, 7 na “acessibilidade”, 10 na “visibilidade” e 6 na “segurança em caso de emergência”) exceto na “segurança no local e no acesso” (2 pontos), o subcritério mais penalizante na avaliação do geossítio. No acesso à fenda o perigo é reduzido, mas para atravessar a fenda e chegar ao topo da mesma é necessário escalar grandes blocos rochosos que se encontram no interior da fenda e que são muito escorregadias quando molhadas. Além disso, uma vez alcançado o topo da fenda o turista encontrar-se-á sobre grandes blocos graníticos, com risco de queda. No critério “uso” também obteve uma das pontuações mais baixas com apenas 21 pontos, principalmente devido à falta de sinalética (0 pontos). Como se trata de um geossítio em que a geologia está bastante divulgada, obteve 6 pontos no subcritério “uso atual do interesse geológico”. Obteve também 5 pontos no subcritério “uso atual de outros interesses” pelo facto de estar incluído e ser o ponto principal de um percurso pedestre do PNPG. A elevada distância até à povoação com
100 infraestruturas de apoio turístico mais próximas bem como a acumulação de lixo no topo da fenda (pontas de cigarros e garrafas de plástico acumuladas numa pequena depressão na rocha), contribuíram para uma das pontuações mais baixas (15,5 pontos) no critério “logística”. O facto se localizar junto ao centro da aldeia de Castro Laboreiro influenciou favoravelmente o geossítio Cascata do Rio Laboreiro (85 pontos, 56,7%), principalmente no critério “logística”, sendo a segunda pontuação mais elevada (25,5 pontos) atribuída a este critério. No entanto, a reduzida pontuação obtida nos outros critérios faz deste um dos geossítios com menor valor turístico no PNPG. No critério “disponibilidade” somou 29,5 pontos, conferidos maioritariamente pelos subcritérios “acessibilidade” (8 pontos, porque é possível circular de automóvel até perto da cascata) e “ocupação sazonal” (7,5 pontos, porque não é propícia a banhos, sendo visitada equitativamente ao longo do ano). Obteve apenas 5 pontos na “visibilidade” como na “segurança no local e no acesso” pela existência de muita vegetação que impede a observação da cascata e pela falta de uma estrutura que permita ao turista disfrutar da paisagem em segurança. O caminho até ao ponto de observação, apesar de curto, tem alguns sectores escorregadios e abruptos que aumentam a perigosidade para o visitante. O critério “uso” (22,5 pontos) foi penalizado pelos 0 pontos atribuídos ao subcritério “sinalética”, sendo a pontuação dividida pelos outros critérios (5 pontos no “uso atual do interesse geológico”, 7,5 no “uso atual de outros interesses” e 10 na “propriedade e limitação ao uso turístico”). O critério “sentidos” (7,5 pontos) foi o que mais afetou negativamente a avaliação do geossítio, sendo mesmo a pontuação mais baixa atribuída a este critério entre os 18 geossítios. Apesar de ser um local esteticamente agradável, a distância da cascata ao miradouro bem como a presença de muita vegetação dificultam a observação da paisagem, justificando os 5 pontos que obteve. A falta de informação sobre a geologia do local torna muito difícil a compreensão da mesma, tendo sido atribuídos 2,5 pontos ao subcritério “compreensão e aprendizagem do conteúdo do geossítio”. O geossítio Cascata de Cela Cavalos (83,5 pontos, 55,7%) é a cascata com menor valor turístico no PNPG. O critério “uso” (27,5 pontos) foi o que mais se destacou pela positiva (semelhante à pontuação do geossítio Vale do Alto Vez), sendo de salientar a existência de sinalética, apesar da sua localização numa área remota. O critério “sentidos” também está penalizado (10,5 pontos), pois tratando-se de uma cascata muito atrativa e com grande impacto sensorial (8 pontos no subcritério “estética”), no subcritério “compreensão e aprendizagem do conteúdo do geossítio” obteve apenas 2,5 pontos pela inexistência de informação que permita interpretar o conteúdo geológico. Ainda assim, o
101 critério “disponibilidade” (29,5 pontos) foi o que mais influenciou negativamente a avaliação do geossítio, sendo o geossítio com a terceira pontuação mais baixa neste critério (a par do geossítio Cascata do rio Laboreiro). Destaca-se o subcritério “visibilidade”, em que obteve pontuação máxima, mas na acessibilidade obteve apenas 7 pontos devido à grande distância que é necessário percorrer a pé ou num veículo todo-o-terreno para chegar até à cascata. Sendo uma cascata esteticamente atraente e propícia a banhos, o difícil acesso e o facto de se encontrar numa área pouco frequentada por turistas contribuem para os 2,5 pontos obtidos na “ocupação sazonal”. No subcritério “segurança em caso de emergência”, a reduzida pontuação (2 pontos) está relacionada com a elevada distância até à unidade de cuidados de saúde mais próxima. Com apenas 77 pontos (51,3%) o geossítio Minas dos Carris é o segundo geossítio com menor valor turístico do PNPG, dos 18 avaliados. Apesar de ser um local extremamente divulgado e conhecido na comunidade de caminheiros, a sua localização no interior da serra do Gerês e as dificuldades de acesso sentidas pela maioria dos turistas são a principal causa da baixa pontuação obtida por este geossítio. Para aceder às minas dos Carris existem vários trilhos, sendo o mais fácil aquele que se inicia junto à ponte da Portela do Homem. Ainda assim, é necessário percorrer uma distância de 9 km de trilho pedonal até ao local e por isso, no subcritério “acessibilidade” foi atribuída a pontuação de 4 pontos. Para além da longa distância, o trilho é composto por pedras soltas, grandes abruptos em certos sectores e com risco de movimento de vertente tornando o percurso bastante perigoso. Ao critério “segurança no local e no acesso” foram atribuídos 3 pontos. Os restantes subcritérios do critério “disponibilidade” obtiveram uma boa pontuação (7,5 pontos na “ocupação sazonal”, 10 na “visibilidade” e 6 na “segurança em caso de emergência”), perfazendo um total de 30,5 pontos. O critério “sentidos” foi aquele que mais influenciou positivamente o geossítio tendo-lhe sido atribuídos 15,5 pontos. Trata-se de um geossítio esteticamente atraente e com conteúdo facilmente compreendido, tendo por isso obtido 8 e 7,5 pontos nos subcritérios “estética” e “compreensão e aprendizagem do conteúdo do geossítio”, respetivamente. Dada a sua localização geográfica, o critério “logística” também obteve uma pontuação baixa (15,5 pontos). Salientam-se os 7,5 pontos atribuídos ao subcritério “limpeza e recreação”, devido às ruinas e restos da atividade de mineração e aos vestígios de vandalismo. No critério “uso”, é o geossítio com a pontuação mais baixa (15,5 pontos). Apesar de ser um local com interesse geológico (5 pontos) e com grande valor cultural (7,5 pontos), o seu acesso está enquadrado em área de proteção integral do PNPG, tendo sido atribuídos apenas 3 pontos ao subcritério “propriedade e limitação ao uso turístico”. Não existindo qualquer sinalética, foram atribuídos 0 pontos a esse subcritério.
102 A baixa pontuação atribuída ao geossítio Sete Lagoas (63 pontos, 42%) está sobretudo associada aos subcritérios da ocupação sazonal, acessibilidade, sinalética, uso atual de outros interesses, limpeza e recreação, instalações sanitárias, restauração e alojamento. Apesar de ser dos geossítios com pontuação mais baixa no critério “sentidos” (10,5 pontos) a beleza do local valeu 8 pontos no subcritério “estética”, tendo obtido apenas 2,5 pontos no subcritério “compreensão e aprendizagem do conteúdo do geossítio”. Nos critérios “disponibilidade” e da “logística”, este geossítio obteve as pontuações mais baixas com 27 e 8 pontos, respetivamente. Localizando-se numa área remota, com acesso limitado pelo mau estado de conservação do acesso e a necessidade de caminhar uma longa distância, obteve apenas 4 pontos no subcritério “acessibilidade”. Também devido a esta razão e por ser um local propício a banhos, praticamente só no Verão recebe visitantes. Em relação à logística, a baixa pontuação justificase pela elevada distância até às infraestruturas de apoio turístico mais próximas e pela quantidade de entulho no local, ainda derivado das obras realizadas para os canais de condução de água associados à produção de energia elétrica na barragem de Paradela, situada a leste.
103 5 Propostas de valorização Pouco vale um geossítio com valor turístico se este estiver oculto e fora do alcance dos visitantes (Brilha, 2005). Nesse sentido, para um geossítio ser dado a conhecer, é necessário o desenvolvimento de ações que promovam as suas valorização e divulgação de modo a cativar os turistas a ir até ao local e a aprender sobre as suas características. Mesmo tratando-se de geossítios inseridos na principal área protegida portuguesa, são locais com grande atratividade turística, onde é necessário identificar a necessidade dessas ações e eventuais benefícios ou prejuízos em termos de conservação. Foi nesse sentido que os geossítios selecionados neste trabalho são aqueles que possuem já caraterísticas de atratividade turística, não havendo intenção de aumentar a atratividade turística de outros geossítios do PNPG, alguns deles com elevado valor científico. Segundo Brilha (2005), a valorização é um conjunto de ações de informação e interpretação que visam ajudar o público a reconhecer os valores do geossítio, tornando-o mais recetivo às questões relativas à conservação do património geológico. Para tal, torna-se necessária a criação de materiais e atividades, como percursos pedestres, painéis interpretativos e informativos, panfletos, brochuras, entre outros. Mais do que informar, estes materiais devem ter caráter interpretativo, ou seja, devem fornecer conhecimento ao turista de modo a fazê-lo entender o valor do património apresentado, despertar sentimentos relativamente àquilo que o rodeia e assim tornando-o assim mais recetivo em relação às questões da conservação do património geológico (Carter, 2001). Segundo Tilden (1977), a informação somente informa, enquanto a interpretação provoca o turista, aumentando a sua curiosidade. Nesse sentido, a informação disponibilizada deve ser trabalhada de forma a ser dirigida a vários tipos de público, para que possa ser compreendida tanto por profissionais da geologia como por turistas sem qualquer formação nesta área (Brilha, 2005). Além disso, na criação destes produtos é importante ter em conta aspetos como a linguagem utilizada, o conteúdo geológico exposto, as imagens e esquemas e a disposição dos vários elementos. De acordo com a Scottish Natural Heritage (1997, in Brilha, 2005), os turistas retêm apenas 10% do que ouvem, 30% do que lêem, 50% do que observam e 90% do que fazem, sendo por isso de extrema importância a forma como é transmitida a informação. É também essencial a execução de medidas que melhorem a disponibilidade do geossítio, nomeadamente no acesso, na visibilidade e na segurança do local, sendo estes, em muitos casos, critérios determinantes para a escolha dos locais a visitar.
110 A visibilidade da cascata é muito boa a partir do miradouro, embora seja necessária a poda regular da vegetação. O percurso pedestre sinalizado denominado “Trilho de Pitões das Júnias” inclui o miradouro como um dos pontos de paragem. No panfleto do trilho (figura 5.7) são descritos os pontos de paragem, mas nada é dito relativamente às características geológicas do geossítio. Uma breve e sucinta explicação no panfleto sobre a formação da cascata poderia despertar o interesse do turista mas seria ainda mais importante haver um painel interpretativo no local, explicando a génese e evolução da queda de água. 5.7 Miradouro da Boneca Apesar da pontuação obtida no subcritério “acessibilidade” ter sido das mais baixas, não são sugeridas medidas de melhoria do acesso, na medida em que a baixa pontuação deve-se ao facto de se encontrar a elevada distância de uma via onde podem circular veículos e não por haver perigo no acesso. A melhoria do acesso seria muito dispendiosa e poderia colocar em causa a integridade natural do local. No miradouro destaca-se a boa infraestrutura que permite uma segura observação da paisagem. A sinalização poderia ser melhorada pois, apesar de estar bem sinalizado no local e na principal via de acesso, seria importante a colocação de sinalização no ponto onde se inicia o percurso a pé de modo a não haver dúvidas sobre qual o caminho a seguir. Figura 5.7: Capa do panfleto dedicado ao “Trilho de Pitões das Júnias”. Figura 5.6: Plataforma no miradouro da cascata de Pitões das Júnias com sinais visíveis de degradação.
111 Dada a importância geológica do vale do rio Gerês, seria importante a colocação de um painel interpretativo. Para além disso, o miradouro da Boneca integra o percurso pedestre sinalizado “Trilho dos Miradouros”, havendo um panfleto que contém apenas informação sobre as características físicas do trilho (figura 5.8). Tratando-se de um percurso com paragens em vários miradouros sobre o vale de falha do Gerês (Fraga Negra, Boneca, Mirante Velho e Mirante Novo), seria pertinente a introdução de informação da geologia da área, comum a todos estes locais. Também na Porta de Campo do Gerês do PNPG, no Centro de Educação Ambiental do Vidoeiro e no posto de turismo do Gerês poderia ser feita referência a este geossítio. 5.8 Miradouro de Tibo O miradouro de Tibo é um dos geossítios mais acessíveis no PNPG. O facto de se localizar junto à estrada que é um dos principais acessos a várias povoações na região faz com que muitas vezes seja local de paragem. Apesar de se localizar junto à estrada, é propício ao estacionamento de automóveis e e permite ao turista uma boa observação da paisagem em segurança. Figura 5.8: Capa do panfleto dedicado ao “Trilho dos Miradouros”.
112 A sinalética é inexistente, o que torna difícil a chegada até ao geossítio, pelo que seria fundamental a colocação de sinalética indicando o nome do local. Apesar de relativamente complexa para leigos, a geologia que está na base da paisagem envolvente poderia ser transmitida ao turista através de um painel interpretativo colocado no miradouro. Para além do grande valor geológico da paisagem, ocorrem outros valores culturais, sendo possível observar daí o santuário da Senhora da Peneda. Mesmo em frente ao miradouro localiza-se a Fraga das Pastorinhas, uma das maiores paredes de escalada de Portugal. Todos estes elementos estão interligados e poderiam ser abordados num painel interpretativo, onde o turista os pudesse interpretar com o que observa na paisagem. 5.9 Miradouro da Junceda Tal como foi referido para o geossítio Miradouro da Boneca, este geossítio está localizado a uma grande distância de uma via circulável por automóveis ligeiros, o que contribuiu para a baixa pontuação obtida no subcritério “acessibilidade”. Porém, é possível circular com um veículo todo-o-terreno até junto do geossítio. Se o caminho fosse melhorado, nomeadamente com o preenchimento das depressões existentes no caminho uniformizando o pavimento, poderia ser circulável por outros tipos de veículos. Como já foi referido para os geossítios com perspetiva sobre o vale do rio Gerês, seria importante a colocação de um painel interpretativo sobre a geologia e os processos associados à génese e evolução do vale. Seria ainda mais interessante se a informação dos painéis nos diferentes miradouros fosse diferenciada (tectónica, granito, atividade termal, geomorfologia, por exemplo) de modo a não haver repetição de conteúdos e a promover a visitação de todos os miradouros. Na porta de Campo do Gerês existe já bastante informação disponibilizada relativa ao vale do rio Gerês, incluindo o esquema da falha e uma pequena maquete tridimensional. No entanto, poderia ser feita maior divulgação do miradouro da Junceda como sendo um dos melhores locais para observar o vale. 5.10 Cascata de Pincães A cascata de Pincães é uma das mais belas cascatas do Gerês, mas por se encontrar num local mais periférico do PNPG não tem a devida divulgação. Os dois acessos existentes carecem de melhorias. O percurso mais longo pode ser efetuado de carro, mas as más condições do pavimento dificultam a circulação, sendo apenas percorrido por veículos todo-o-terreno. A melhoria do caminho, nomeadamente
113 com preenchimento das depressões existentes iria facilitar a circulação de outros tipos de veículos. O percurso mais curto é pedonal mas também poderia ser melhorado com a construção de um passadiço semelhante ao existente na cascata de Pitões das Júnias (figura 5.9). Caso a construção deste passadiço não fosse viável na sua totalidade (devido à elevada extensão desse trajeto) seria importante a sua implementação pelo menos nos sectores onde o acesso é mais difícil e o perigo é maior. Seria também uma mais-valia a colocação de mais sinalética, uma vez que, da aldeia de Pincães é difícil encontrar o caminho correto em direção à cascata, não existindo aí qualquer sinalética. O crescimento da vegetação pode cortar o acesso (principalmente o acesso pedestre) e dificultar a visualização da cascata. Para contrariar isso, é importante que seja promovida a manutenção do local com a poda da vegetação. Em relação à divulgação enquanto património geológico, seria essencial que esta fosse feita primeiramente na Porta de Montalegre onde deveria haver mais informação de fácil compreensão para o turista. A produção de um panfleto seria também uma medida de divulgação, podendo mesmo ser um panfleto temático sobre as cascatas da região (Pincães, Pitões das Júnias e Cela Cavalos). 5.11 Vale do Homem As propostas de valorização para este geossítio devem ter em conta a sua localização em área de proteção total do PNPG, existindo determinadas normas impostas pelo ICNF que devem ser respeitadas em relação ao uso do geossítio. Figura 5.9: Passadiço de acesso ao miradouro da cascata de Pitões das Júnias, o qual tem início no parque de estacionamento e termina no miradouro.
114 O acesso até à ponte da Portela do Homem não necessita de melhoria. No entanto, o acesso à cascata propriamente dita implica descer as encostas íngremes do vale, sendo uma ação perigosa. A resolução deste problema poderia passar pela construção de um pequeno passadiço em madeira. Tendo em conta a localização em área de proteção total, uma escadaria em pedra, semelhante à proposta para a cascata do Arado, poderia ser uma melhor opção. É também necessário considerar a proibição de estacionamento junto à ponte, norma esta muitas vezes desrespeitada, sendo por isso importante um aumento da fiscalização. A sinalética do geossítio também é deficitária, sugerindo-se a colocação de sinalização pelo menos junto à ponte da Portela do Homem. Em relação ao subcritério “uso atual do interesse geológico”, a geologia do local é bem explorada na Porta de Campo do Gerês. Contudo, a elevada distância entre o geossítio e a Porta prejudica a avaliação neste âmbito. Como a maioria dos turistas que procuram o local não visitam a Porta, seria importante a colocação de um painel interpretativo junto à ponte da Portela do Homem, no qual se fizesse uma abordagem aos processos glaciários que moldaram a paisagem local. 5.12 Cascata do Tahiti A cascata do Tahiti é uma das mais belas do PNPG mas também das que oferece mais perigos aos visitantes. Apesar disso, é um dos locais do PNPG que mais turistas atrai nos meses de Verão. O acesso no local é extremamente complicado, sendo necessário atravessar a queda de água num patamar superior e só depois descer por trilho na vertente da margem esquerda do rio Arado, a qual tem vindo a ser degradada pelo grande número de turistas que lá passa. Por esta razão, tem sido local de acidentes graves nos últimos anos. A grande afluência de turistas resulta igualmente numa maior acumulação de lixo nos meses de Verão, bem como na poluição das águas (figura 4.9). Para tentar resolver este problema, sugere-se a proibição da circulação nos sectores mais perigosos e a construção de um passadiço semelhante ao da cascata de Pitões das Júnias, com fiscalização, em que para aceder a este os visitantes tivessem de pagar uma taxa simbólica (1 euro, por exemplo). Tal medida serviria para controlar o fluxo turístico até um número máximo de visitantes, à semelhança do que acontece nos Passadiços do Paiva, no Geoparque Arouca (figura 5.10). Desta forma, o fluxo turístico seria controlado, diminuiria a degradação do local e os visitantes poderiam aceder à cascata com maior segurança.
115 Em relação ao critério “uso atual do interesse geológico”, o geossítio também não obteve a melhor pontuação porque as suas características geológicas não são divulgadas e, à semelhança do geossítio Vale do Homem, também este se encontra longe da Porta de Campo do Gerês. Nesse âmbito, propõe-se a produção de um panfleto sobre as características geológicas associadas à cascata e que poderia ser disponibilizada na Porta de Campo do Gerês, no Centro de Educação Ambiental do Vidoeiro e no posto de turismo do Gerês. O panfleto poderia conter igualmente um apelo à limpeza e à conservação do local. 5.13 Mirante Velho O Mirante Velho é um dos geossítios cuja maior necessidade se prende com a sua divulgação, principalmente na Internet. Para além da boa acessibilidade, existe no local uma plataforma que permite ao turista disfrutar da paisagem em segurança (figura 5.11). A maior desvantagem deste geossítio é a visibilidade, uma vez que a falta de manutenção da vegetação impede a observação da paisagem em certos períodos do ano. Apesar de fazer parte de um percurso pedestre sinalizado, não existe qualquer sinalética para além da que se encontra na estrutura de observação. Tendo em conta a boa estrutura no local, a excelente acessibilidade e a vista que proporciona, este local tem potencialidade para receber mais turistas. Para tal, é necessário o desenvolvimento de mais medidas de valorização e divulgação. Integrando o percurso pedestre “Trilho dos Miradouros” que, sendo uma boa ferramenta de divulgação, não contém informação relativa aos elementos geológicos Figura 5.10: Cabine de controlo de visitantes localizada na extremidade norte (Espiunca) dos Passadiços do Paiva.
116 observados do local. Seria também importante uma maior divulgação tanto na Internet como na Porta de Campo do Gerês, no Centro de Educação Ambiental do Vidoeiro e no posto de turismo do Gerês. 5.14 Fenda da Calcedónia Apesar do acesso difícil e perigoso no interior da fenda, este é um dos locais mais procurados pelos turistas que procuram alguma atividade física. O geossítio dista cerca de 1 km de uma via circulável por automóveis, mas este percurso que deve ser efetuado a pé é relativamente fácil devido à existência de um trilho informal criado pelos muitos visitantes que por lá passam. A travessia da fenda implica trepar os blocos rochosos, por vezes escorregadios, tornando esta tarefa muito perigosa. Contudo, não se sugerem medidas para aumentar a segurança dentro da fenda, o que poderia colocar em causa a integridade e as características naturais do geossítio. Propõe-se a colocação de sinalética pelo menos no cruzamento junto à Porta de Campo do Gerês e no local de estacionamento na estrada, onde se inicia o trilho em direção ao geossítio. Sendo já um dos locais mais conhecidos do PNPG, existe um percurso pedestre denominado “Trilho da Cidade da Calcedónia”, em que a chegada à Fenda da Calcedónia é o principal objetivo. No panfleto relativo ao trilho (figura 5.12) são abordados aspetos faunísticos, florísticos e geológicos encontrados ao longo do percurso. Apesar da informação geológica colocada no panfleto ser correta, a forma e a complexidade como é descrita pode tornar-se desinteressante para os turistas sem formação Figura 5.11: Estrutura de apoio no geossítio Mirante Velho.
117 na área da Geologia. Como tal, propõe-se a reformulação destes panfletos tornando a informação menos descritiva e detalhada, de modo a torná-la mais apelativa e mais facilmente entendida. Outro aspeto menos favorável nestes panfletos é conterem informação em duas línguas, originando um excesso de texto, o que não é apelativo para quem o lê. Tendo em conta que a aquisição destes panfletos é paga, sugere-se a criação de dois panfletos, um em português e outro em inglês, podendo os turistas adquirir aquele que lhes for mais conveniente. Este local é também merecedor de um bom painel interpretativo, que poderia ser colocado junto à entrada da fenda (incentivando o turista a atravessar a fenda) e no qual fossem incluídos os principais aspetos geológicos, para além de outros elementos naturais e culturais. 5.15 Cascata do Rio Laboreiro Apesar de ser um dos pontos mais turísticos de Castro Laboreiro, é um dos geossítios que mais necessita de medidas de valorização. A sua proximidade à aldeia de Castro Laboreiro valeu-lhe boa pontuação no subcritério “acessibilidade”. Porém, esse pequeno percurso a partir da aldeia apresenta um elevado grau de dificuldade, pela existência de desníveis acentuados e rochas escorregadias até chegar ao miradouro da Figura 5.12: Capa do panfleto relativo ao “Trilho da Cidade da Calcedónia”.
118 cascata. No miradouro não existe qualquer estrutura de observação nem gradeamento, o que torna o local bastante perigoso. Estes problemas poderiam ser contornados com a criação de um passadiço semelhante ao existente na cascata de Pitões das Júnias e com a construção de uma plataforma no miradouro, semelhante à que se encontra no Mirante Velho. Seria também importante o reforço da cobertura de rede telefónica na região uma vez que esta é muito fraca ou inexistente em certos períodos. O crescimento descontrolado da vegetação afeta a visualização da cascata, tanto no miradouro como na cascata em si (figura 5.13). A poda destas árvores é essencial para que o miradouro possa ter atratividade. No local não existe sinalização da cascata, sendo difícil aceder sem informação prévia, pelo que a colocação de sinalização no início do trilho facilitaria a chegada à mesma. A informação existente na Porta de Lamas de Mouro foca-se maioritariamente nas questões da biodiversidade da área, sendo importante a instalação de um painel interpretativo em que se abordasse as características geológicas da área e a sua influência na formação da cascata e na evolução das marmitas fluviais existentes no leito do rio. Poderia também conter informação sobre os moinhos situados nas margens e da influência da utilização da água nesses elementos culturais. Seria também importante a inclusão deste ponto no “Trilho Interpretativo de Castro Laboreiro”, o qual está vocacionado para a visitação turística da aldeia. Figura 5.13: Cascata do rio Laboreiro com a visibilidade afetada pela presença de vegetação arbórea e arbustiva.
119 5.16 Cascata de Cela Cavalos A cascata de Cela Cavalos obteve uma pontuação baixa, indiciando a necessidade de medidas de valorização turística. O acesso é feito por caminho a partir da capela de Santa Luzia na Aldeia de Cela, o qual pode ser percorrido a pé ou com veículo todo-o-terreno. Para melhorar este acesso e torná-lo circulável por outros tipos de veículos poderia optar-se por utilizar material mais permanente no arranjo do caminho. A sinalética poderá ser melhorada, pois a única existente encontra-se antes de chegar à aldeia de Cela. Na aldeia é muito difícil saber qual a direção correta para chegar à cascata, uma vez que existem vários caminhos que permitem a descida do vale e apenas um deles vai em direção à cascata. Tratando-se de um local propício para banhos e com condições (principalmente na margem direita da ribeira) para a realização de piqueniques, há probabilidade de acumulação de lixo, sendo importante a colocação de recipientes apropriados para lixo, de modo a manter o local limpo. Estando situada num sector periférico do PNPG e possuindo um caudal muito reduzido nos meses de Verão, a cascata é pouco visitada quando comparada com outras situadas mais a oeste. A fraca divulgação do local também ajuda no baixo número de turistas, pelo que se propõe a exposição de um painel na Porta de Montalegre no qual sejam abordados os geossítios do sector oriental do PNPG, à semelhança dos existentes dedicados à fauna e à flora (figura 5.14). Esta informação expositiva teria como propósito abordar os processos geológicos na formação das cascatas, promovendo o conhecimento geológico e incentivando os turistas a visitar os locais. Para além disso, sugere-se a produção de um panfleto temático sobre as cascatas deste sector do PNPG, como referido anteriormente. Figura 5.14: Exemplo de painel informativo existente na porta de Montalegre do PNPG sendo este dedicado ao lobo, espécie encontrada no território do PNPG.
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127 Diário do Governo nº 141/70, Série 1, 19 de Junho de 1970: Lei no 9/70 – Que promove a proteção da Natureza e dos seus recursos em todo o território, de modo especial pela criação dos parques nacionais e de outros tipos de reserva. Presidência da República, 801-803. Dias, G.; Letrier, J.; Mendes, A.; Simões, P. & Bertrand, J. (1998) U-Pb zircon and monazit geochronology of post-collisional Hercynian granitoids from the Central Iberian Zone (Northern Portugal). Lithos, 45, 349369 pp. Doktor, M.; Miskiewicz, K.; Welc, E. & Mayer, W. (2015) Criteria of geotourism valorization specified for various recipients . Geotourism, 3-4 (42-43), 25-38 pp. Dowling, R. K. & Newsome, D. (2006 ) Geotourism . Elsevier – Butterworth Heinemann. Oxford. Eagles, P.; McCool, S.; Haynes, C. (2002) Sustainable Tourism in Protected Areas: Guidelines for Planning and Management . Best Practice Protected Area Guidelines Series No. 8, World Commission on Protected Areas, IUCN. Fernandes, M. (2008) Valorizar e Divulgar o Património Geológico do Parque Nacional da Peneda – Gerês numa estratégia dirigida ao ensino das geociências. Dissertação de Mestrado em Património Geológico e Geoconservação, Universidade do Minho, Braga. Ferreira, A. B. (1993) Manifestações geomorfológicas glaciárias e periglaciárias em Portugal . In Carvalho, G. S.; Ferreira, A. B. & Senna-Martinez, J.C. (Eds) O Quaternário em Portugal, balanço e perspetivas. Associação Portuguesa para o Estudo do Quaternário, Ed. Colibri. Lisboa. 75-84 pp. Ferreira, A. B.; Vidal Romani, J. R.; Vilaplana, J. M.; Rodrigues, M. L.; Zêzere, J. L.; Monge, C. (1992) Formas e depósitos glaciários e periglaciários da serra do Gerês-Xurés (Portugal; Galiza) . Levantamento cartográfico. Cuadernos do Laboratório Xeoloxico de Laxe, 17, 121-135 pp. Ferreira, A. B.; Vidal Romani, J. R.; Zêzere, J. L.; Rodrigues, M. L. (1999) A Glaciação Plistocénica da Serra do Gerês . Relatório 37, Centro de Estudos Geográficos. Lisboa. 150 pp. GEOSITE (2014). Carta geológica do Parque Nacional da Peneda – Gerês na escala 1:30000 em formato matricial , adaptada da Carta Geológica do Parque Nacional da Peneda – Gerês (Coord. A. Moreira, 1984) na escala 1:50000. Goeldner, C. R.; Ritchie, J. R. B.; McIntosh, R. W. (2002) Turismo, Princípios e Práticas . 8º Ed., Bookman, Porto Alegre. Gonçalves, B. (2013) Avaliação do valor turístico dos geossítios do Geoparque Terras de Cavaleiros. Dissertação de mestrado em Património Geológico e Geoconservação, Universidade do Minho, Braga. Gray M. (2004) Geodiversity: valuing and conserving abiotic nature . John Wiley and Sons, Chischester, England, 434 pp. Hose, T. A. (1995) Selling the story of Britain’s stone . Environmental Interpretation. 10, 2, 16-17 pp.
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131 Websites ADERE-PG: http://www.adere-pg.pt/projectos-e-actividade-em-desenvolvimento-implementacao-da-grpeneda-geres, acedido a 5 de Dezembro de 2017 ICNF: http://www2.icnf.pt/portal/ap/pnpg, acedido a 17 de Setembro de 2018 ICNF: http://www2.icnf.pt/portal/turnatur/visit-ap/pnpg, acedido a 20 de Setembro de 2018 LNEG: http://www.lneg.pt/iedt/areas/6/temas/27, acedido a 6 de Fevereiro de 2018
132 Anexos Anexo A Tabela 1: Percursos com sinalização convencional no terreno existentes no território do PNPG. Ponto de situação – Agosto de 2018 (Fonte: ADERE – PG). Percursos/ Principais aspetos Entidade promotora/ Informação disponível Estado do Percurso Situação do percurso face ao Plano de Ordenamento do PNPG 1 Trilho do Megalitismo do Planalto de Castro Laboreiro 13,1 km, cerca 4h30m Fácil Rodeiro, Castro Laboreiro, concelho de Melgaço ADERE-PG Folheto disponível na ADERE-PG, no PNPG e nas Portas do PNPG Falta alguma sinalização na parte inicial/ final do percurso. Pode ser realizado, com esta ressalva. Pode ser realizado sem autorização prévia do PNPG por grupos até 10 participantes. 2 Trilho de Lamas de Mouro 4,5 km, cerca de 1h45m Dificuldade moderada Lamas de Mouro, Melgaço Portal de Lamas de Mouro/ PNPG Folheto disponível na ADERE-PG, no PNPG em Lamas de Mouro Ok Pode ser realizado sem autorização prévia do PNPG. 3 Trilho Interpretativo de Castro Laboreiro 5,8 km, cerca de 2h20m Dificuldade moderada; possibilidade de fazer versão mais curta Castro Laboreiro, Melgaço PNPG Folheto disponível na Porta do PNPG em Lamas de Mouro Ok Pode ser realizado sem autorização prévia do PNPG.
133 4 Trilho Castrejo 16,8 km, cerca de 6h45m, dificuldade média; possibilidade de fazer versão mais curta. Castro Laboreiro, Melgaço Município de Melgaço Folheto disponível na Porta do PNPG em Lamas de Mouro Ok Pode ser realizado sem autorização prévia do PNPG. 5 Trilho da Peneda 8,2 km, cerca de 4h, dificuldade média Gavieira, Arcos de Valdevez ADERE-PG Ok Não possui placa de início de percurso Pode ser realizado sem autorização prévia do PNPG por grupos até 15 participantes. 6 Rota Temática dos peregrinos e Romeiros da Peneda – Rota de Sistelo 20 km, cerca de 9h, dificuldade média Sistelo, Arcos de Valdevez ARDAL Folheto disponível na Porta do Mezio Aconselha-se precaução pois necessita de remarcação, da Branda do Furado até à Peneda. Sugere-se contacto com a entidade promotora. Pode ser realizado sem autorização prévia do PNPG. 7 Trilho Curro da Velha 7,1 km, cerca de 3h15m, dificuldade moderada Castro Laboreiro, Melgaço Município de Melgaço Folheto disponível na Porta do PNPG em Lamas de Mouro Ok Folhetos disponível ligeiramente desatualizado. Pode ser realizado sem autorização prévia do PNPG. 8 Trilho Pertinho do Céu 6 km, cerca de 3h30m, dificuldade fácil/moderada Gavieira, Arcos de Valdevez ADERE-PG Folheto disponível na ADERE, no PNPG, nas Portas do PNPG e nos sites da ADERE e do ICNF Apresenta apenas alguns problemas de limpeza na parte final do traçado (S. Bento do Cando e Gavieira). Pode ser realizado, com esta ressalva. Pode ser realizado sem autorização prévia do PNPG.
134 9 Trilho da Mistura das Águas 4 km, cerca de 2 h (opção 1) ou 8,6 km, cerca de 5 h (opção 2), fácil Gavieira, Arcos de Valdevez ARDAL Folheto disponível na Porta do PNPG no Mezio Ok Pode ser realizado sem autorização prévia do PNPG. 10 Trilho do Ramiscal 7,2 km, cerca de 4h, fácil Cabreiro, Arcos de Valdevez ARDAL Folheto disponível na Porta do PNPG no Mezio, no site da ARDAL, no portal do ICNF ou no site da ADERE Desaconselhado Sugere-se contacto com a entidade promotora. Pode ser realizado sem autorização prévia do PNPG. 11 Trilho das Brandas 8 km, cerca de 5 h, dificuldade elevada Gavieira, Arcos de Valdevez ADERE-PG Folheto disponível na ADERE-PG, no PNPG, nas Portas do PNPG, no site da ADERE ou no portal do ICNF Ok Não possui placa de início de percurso. Pode ser realizado sem autorização prévia do PNPG. 12 Rota Temática dos Peregrinos e Romeiros da Peneda - Rota dos Bicos 17 km, cerca de 8 h, dificuldade média Lombadinha (Gondoriz), Arcos de Valdevez ARDAL Folheto disponível na Porta do PNPG no Mezio Aconselha-se precaução pois necessita de remarcação em algumas zonas. Sugere-se contacto com a entidade promotora. Pode ser realizado sem autorização prévia do PNPG por grupos até 10 participantes. 13 Trilho Interpretativo do Mezio 2 km, cerca de 1 h, fácil Mezio, Arcos de Valdevez PNPG Folheto disponível nos serviços do PNPG e nos sites do ICNF e da ADERE. Ok Pode ser realizado sem autorização prévia do PNPG. 14 Percurso de Grande Rota: Travessia Peneda - Soajo ARDAL Desaconselhado Pode ser realizado sem autorização prévia do PNPG.
135 77 km, cerca de 4 dias, dificuldade moderada/elevada Mezio, Arcos de Valdevez Folheto disponível na Porta do PNPG no Mezio ou no portal do ICNF Sugere-se contacto com a Entidade promotora. 15/ 16 Caminhos do Pão, Caminhos da Fé 4,9 km, cerca de 2 h (percurso curto) ou 5,4 km, cerca de 3 h (percurso longo), fácil Soajo, Arcos de Valdevez ARDAL Folheto disponível na Porta do PNPG no Mezio e nos sites da ARDAL, do ICNF e da ADERE Aconselha-se precaução pois necessita de remarcação em algumas zonas. Sugere-se contacto com a entidade promotora. Pode ser realizado sem autorização prévia do PNPG. 17 Rota Temática dos Peregrinos e Romeiros da Peneda - Rota do Soajo 15 km, cerca de 7 h, dificuldade média (Lage, Soajo), Arcos de Valdevez ARDAL Folheto disponível na Porta do PNPG no Mezio Desaconselhado Sugere-se contacto com a entidade promotora. Pode ser realizado sem autorização prévia do PNPG. 18 Trilho do Ramil 4 km, cerca de 2 h, fácil Soajo, Arcos de Valdevez ARDAL Folheto disponível na Porta do PNPG no Mezio, no site da ARDAL, no portal do ICNF ou no site da ADERE Desaconselhado Sugere-se contacto com a entidade promotora. Pode ser realizado sem autorização prévia do PNPG. 19 Trilho dos Moinhos de Parada 6 km, cerca de 2h30m, dificuldade moderada Lindoso, Ponte da Barca ADERE-PG Folheto disponível na ADERE, no PNPG, nas Portas do PNPG e nos sites da ADERE e do ICNF Desaconselhado Pode ser realizado sem autorização prévia do PNPG. 20 Trilho do Penedo do Encanto 4 km, cerca de 2 h, fácil ADERE-PG Desaconselhado Pode ser realizado sem autorização prévia do PNPG.