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Universidade do Minho Escola de Psicologia Catarina Raquel Pereira Abreu Caracterização do Comportamento Delinquente dos Jovens em Portugal - Dados do ISRD3 junho de 2019 UMinho | 2019 Catarina Abreu Caracterização do Comportamento Delinquente dos Jovens em Portugal - Dados do ISRD3
Catarina Raquel Pereira Abreu Caracterização do Comportamento Delinquente dos Jovens em Portugal - Dados do ISRD3 Dissertação de Mestrado Mestrado em Psicologia Aplicada Trabalho realizado sob a orientação da Professora Doutora Paula Cristina Martins Universidade do Minho Escola de Psicologia junho de 2019
ii Direitos de autor e condições de utilização do trabalho por terceiros
iii Agradecimentos À Professora Doutora Paula Cristina Martins, pelos encorajamentos, pelo apoio e pela paciência desmedida; Ao meu grande colega e amigo Rui Sofia pela sua ajuda imprescindível; Aos meus amigos, em especial à Maria Inês e ao Alexandre, colegas de licenciatura que me acompanharam durante todo o processo da dissertação e nunca me deixaram desistir. São e serão a minha força em todos os momentos da minha vida; Por último, e não menos importante, aos meus pais, ao meu irmão e ao meu namorado. Sofreram tanto ou mais do que eu durante este ano, infelizmente por motivos que ultrapassam a dissertação. E por isso, este trabalho é dedicado a vocês, que são os meus pilares, a minha vida! E a todos os demais familiares, amigos e colegas que estiveram sempre na sombra do meu percurso, um bem hajam!
iv Declaração de integridade
v Caracterização do comportamento delinquente dos jovens em Portugal – Dados do ISRD3 Resumo A delinquência juvenil é uma problemática mundial, sendo alvo de diversa investigação. Este é um fenómeno preocupante, porque implica o envolvimento de jovens em condutas de risco para si e para os outros. As estatísticas oficiais portuguesas revelam oscilações da delinquência nos últimos anos, decrescendo substancialmente a partir de 2014. Todavia, a caracterização do comportamento delinquente dos jovens em Portugal não está feita. Este estudo pretende colmatar esta lacuna, com recurso aos dados do International Self-Reported Delinquency Questionnaire (ISRD3). Neste sentido, procura caracterizar as condutas delinquentes dos jovens portugueses em contexto urbano e examinar o papel do género, idade, escolaridade, cidade e estatuto socioeconómico nesses comportamentos. A par deste objetivo, pretende-se fazer uma comparação entre os dados do ISRD2 e ISRD3, a fim de se apurar a evolução do comportamento delinquente ao longo dos anos. A amostra reúne 4.048 alunos do 7º ao 12ºano, recrutados de 80 escolas do Porto, Lisboa e Braga. Os resultados apontam para o maior envolvimento dos rapazes em atos delinquentes, bem como um aumento da atividade ofensiva com a idade. Desta forma, e através desta análise, foram obtidos dados preliminares referentes ao comportamento delinquente dos jovens em Portugal. Palavras-chave: criminologia, delinquência juvenil, ISRD2, ISRD3, transgressão.
vi Characterization of delinquent behavior of young people in Portugal – Data from the ISRD3 Abstract Juvenile delinquency is a worldwide problem. It is, as a result, the subject of several research studies. It’s a worrying phenomenon as it describes the involvement of young people in risk behaviors for themselves and for others. Official portuguese statistics reveal oscillations of delinquency in recent years, with a substantial decrease from the year of 2014. There is, though, a lack of information regarding the nature of Portuguese youth`s delinquent behaviors. This study intends to overcome this issue using data from the International Self-Reported Delinquency Questionnaire (ISRD3). Thus, it aims to analyze the role of gender, age, grade, city size and socioeconomic status on juvenile delinquency. It is also it`s goal to contribute to a comparison between ISRD2 and ISRD3 data, in order to determine the evolution of juvenile delinquent behavior over the years. The sample includes 4048 students from the 7th to the 12th grades, recruited from 80 schools in Porto, Lisboa and Braga. The results point to the greater involvement of boys in delinquent acts, as well as an increase in offensive activity with age. In this way, and through this analysis, preliminary data regarding the delinquent behavior of young people in Portugal were obtained. Keywords: criminology, juvenile delinquency, ISRD2, ISRD3, transgression.
vii Índice Direitos de autor e condições de utilização do trabalho por terceiros ..................................................... ii Agradecimentos .................................................................................................................................. iii Declaração de integridade .................................................................................................................. iv Resumo............................................................................................................................................... v Abstract.............................................................................................................................................. vi Introdução .......................................................................................................................................... 8 Método ............................................................................................................................................. 12 Participantes ................................................................................................................................ 12 Instrumento .................................................................................................................................. 13 Procedimento ............................................................................................................................... 13 Procedimento de análise de dados ................................................................................................ 13 Resultados ....................................................................................................................................... 14 Análise dos comportamentos delinquentes e das diferenças em função de variáveis sociodemográficas ........................................................................................................................ 14 Predição de comportamentos delinquentes ................................................................................... 18 Comparação dos dados de comportamentos delinquentes no ISRD2 e ISRD3 ................................ 19 Discussão......................................................................................................................................... 27 Conclusão ........................................................................................................................................ 28 Referências ...................................................................................................................................... 30 Anexo ............................................................................................................................................... 36 Índice de Tabelas Tabela 1. Caracterização Sociodemográfica dos Jovens Portugueses…………………………………………..20 Tabela 2. Caracterização Sociodemográfica dos Jovens Portugueses (Continuação)……………………….22 Tabela 3. Regressão Logística………………………………………………………………………………………………24 Tabela 4. Regressão Ordinal………………………………………………………………………………………………..25 Tabela 5. Análise de Comparação entre ISRD2 e ISRD3…..……………………………………………………….26
A delinquência juvenil 14 de Enzmann e colaboradores (2010), dividindo as ofensas em graves violentas e graves contra a propriedade. Para avaliar a perceção da situação socioeconómica, foram utilizadas as variáveis afluência familiar e pessoal, tendo sido dicotomizadas de forma a agrupar as sete opções de resposta apenas em duas, isto é, foram agrupadas as respostas de 1 a 3 e, por outro lado, de 4 a 7 (Martins et al., 2018). De seguida, para averiguar se as características sociodemográficas acima descritas são preditoras do comportamento delinquente dos jovens, recorreu-se a modelos de regressão logística e ordinal (no caso da versatilidade) (Marôco, 2018). Para a comparação do ISRD2 e ISRD3, recorreu-se ao Teste de Qui-Quadrado, tendo-se ajustado as duas amostras em função dos pesos. Em todos os Testes de Qui-Quadrado, foi utilizado o V de Cramer como medida de associação, o qual mede a força da correlação (Tomczak & Tomczak, 2014). Todas as ofensas foram analisadas, à exceção do grafiti , pois esta transgressão não foi considerada no ISRD2. Resultados Análise dos comportamentos delinquentes e das diferenças em função de variáveis sociodemográficas A tabela 1 expressa a prevalência de ofensas autorrelatadas, de acordo com as variáveis sociodemográficas. Atendendo aos tipos específicos de ofensas, o grafiti (21.6%), o furto em loja (16.7%) e as brigas em grupo (14.9%) foram as ofensas mais prevalentes, ao passo que o furto de carro (0.4%), furto em edifício (0.6%) e extorsão (0.6%) foram claramente as menos relatadas. Globalmente, os rapazes apresentam maior envolvimento em todas as ofensas, além de que se observa um aumento da prevalência de ofensas com a idade, pois é no intervalo de idades entre os 16 e 21 anos que são cometidas mais ofensas. Relativamente às cidades, constata-se que Lisboa é a cidade onde ocorrem mais ofensas, e Braga a que contem as percentagens mais baixas. Analisando cada coluna, é possível extrair as ofensas mais e menos prevalentes em função de cada variável sociodemográfica. No que toca ao sexo masculino, as ofensas autorrelatadas em maior número foram brigas em grupo (20.6%), furto em loja (18.8%), posse de armas (14.4%) e vandalismo (12.8%). Note-se que o sexo masculino apresenta uma percentagem de ofensas violentas de 10.5% e contra a propriedade 6.5%. Pelo contrário, as ofensas menos prevalentes entre os rapazes são furto de carro (0.8%), furto em edifício (1%) e extorsão (1.1%). Já no sexo feminino, as ofensas mais prevalentes foram o furto em loja (14.8%) e brigas em grupo (10%), ao passo que o furto de carro (0%), furto de bicicleta (0.1%) e furto em edifício (0.2%) foram menos prevalentes. De salientar que a percentagem de ofensas violentas entre as raparigas é 4.5% e contra a propriedade 0.7%.
A delinquência juvenil 15 Na coluna referente à idade (12-15 anos), as ofensas mais relatadas foram grafiti (17.9%), brigas em grupo (12.3%) e furto em loja (10.5%). Já as menos relatadas foram extorsão (0.4%), furto de bicicleta (0.6%) e furto do interior de um carro (0.9%). Neste intervalo de idades, as ofensas violentas são de 5.5% e contra a propriedade 1.8%. Entre os 16-21 anos, os crimes mais prevalentes foram grafiti (26%), furto em loja (23.9%) e brigas em grupo (18.1%), pelo que as menos relatadas foram extorsão (0.9%), furto de bicicleta (2%) e violência contra pessoas (2.3%). Note-se que as ofensas violentas comportam um total de 9.5% e contra a propriedade 5.4%. No que concerne às cidades, Lisboa apresentou um maior número de ofensas no grafiti (26.9%), furto em loja (25.7%) e posse de armas (13.3%) e um menor número de furtos de bicicleta (2.4%) e do interior de um carro (3.2%). As ofensas violentas reportadas nesta cidade apresentam uma percentagem de 11.8% e as ofensas contra a propriedade 5.4%. Já o Porto evidenciou mais ofensas relacionadas com grafiti (22.5%), furto em loja (18.5%) e posse de armas (9.6%). Pelo contrário, os furtos de bicicleta (1.3%), do interior de um carro (2.7%) e furtar alguém (5.5%) são menos prevalentes. Note-se que as ofensas violentas autorrelatadas conferem um total de 7.3% e as ofensas contra a propriedade 4%. Por fim, a cidade de Braga apresenta maiores percentagens relacionadas com grafiti (18.4%), furto em loja (11%) e posse de armas (6.8%) sendo que os furtos de bicicleta (0.7%), do interior de um carro (1.6%) e furtar alguém (3.9%) foram as menos relatadas. As ofensas violentas apresentam um total de 5.1% e as ofensas contra a propriedade um total de 2.1%. No que concerne às diferenças de género, foram observadas diferenças significativas no vandalismo, χ 2 (1) = 117.46, p < .001, v = .17, furto em loja, χ 2 (1) = 11.46, p = .001, v = .05, furto em edifício, χ 2 (1) = 12.00, p = .001, v = .06, furto de bicicleta, χ 2 (1) = 46.72, p < .001, v = .11, furto de carro, χ 2 (1) = 17.21, p < .001, v = .07, furto do interior de um carro, χ 2 (1) = 68.24, p < .001, v = .13, extorsão, χ 2 (1) = 13.04, p < .001, v = .06, furtar alguém, χ 2 (1) = 44.93, p < .001, v = .11, posse de armas, χ 2 (1) = 117.29, p < .001, v = .17, brigas em grupo, χ 2 (1) = 89.51, p < .001, v = .15, violência contra outros, χ 2 (1) = 19.68, p < .001, v = .07, venda de drogas, χ 2 (1) = 31.28, p < .001, v = .09, versatilidade, χ 2 (3) = 120.34, p < .001, v = .17, ofensas violentas, χ 2 (1) = 53.57, p < .001, v = .12 e ofensas contra a propriedade, χ 2 (1) = 101.24, p < .001, v = .16. De um modo geral, os rapazes tendem a adotar mais este tipo de comportamentos comparativamente com as raparigas. Relativamente às diferenças de idade, verificaram-se diferenças significativas no grafiti , χ 2 (1) = 39.691, p < .001, v = .10, vandalismo, χ 2 (1) = 22.33, p < .001, v = .07 furto em loja, χ 2 (1) = 130.22, p < .001, v = .18, furto de bicicleta, χ 2 (1) = 14.88, p < .001, v = .06, furto do interior de um carro, χ 2 (1) = 39.86, p < .001, v = .10, extorsão, χ 2 (1) = 4.22, p = .040, v = .03, furtar alguém, χ 2 (1) =
A delinquência juvenil 16 16.50, p < .001, v = .06, posse de armas, χ 2 (1) = 92.92, p < .001, v = .15, brigas em grupo, χ 2 (1) = 27.03, p < .001, v = .08, violência contra outros, χ 2 (1) = 9.40, p = .002, v = .05, venda de drogas, χ 2 (1) = 142.15, p < .001, v = .19, versatilidade, χ 2 (3) = 168.60, p < .001, v = .20, ofensas violentas, χ 2 (1) = 23.33, p < .001, v = .08 e ofensas contra a propriedade, χ 2 (1) = 39.52, p < .001, v = .10. Globalmente, os sujeitos com idades entre os 16 e 21 anos cometem mais ofensas do que os jovens mais novos. Relativamente às diferenças por cidade, verificou-se que Lisboa é a cidade onde os comportamentos ocorrem com maior frequência, nomeadamente o grafiti , furtos (loja, bicicleta, interior de um carro, furtar alguém) e posse de armas, bem como maiores percentagens em relação às ofensas violentas e de propriedade, comparativamente com Porto e Braga. Globalmente, as ofensas reportadas em maior número na cidade de Lisboa são consideradas ofensas menores (Marshall & Enzmann, 2012). Desta forma, foram encontradas diferenças significativas no grafiti, χ 2 (2) = 28.88, p < .001, v = .09, furto em loja, χ 2 (2) = 105.93, p < .001, v = .16, furto de bicicleta, χ 2 (2) = 16.12, p < .001, v = .06, furto do interior de um carro, χ 2 (2) = 8.91, p = .012, v = .05, furtar alguém, χ 2 (2) = 53.51, p < .001, v = .12, posse de armas, χ 2 (2) = 34.27, p < .001, v = .09, ofensas violentas, χ 2 (2) = 44.05, p < .001, v = .11, ofensas contra a propriedade, χ 2 (2) = 22.53, p < .001, v = .08 e versatilidade, χ 2 (6) = 59.41, p < .001, v = .09. Verificou-se que Lisboa e Braga apresentam diferenças significativas no grafiti , furto em loja, furto de bicicleta, furto do interior de um carro, furtar alguém e posse de armas. Relativamente à versatilidade, verificou-se que, globalmente, os rapazes são mais versáteis no que toca às ofensas que cometem, isto é, a prática de duas ofensas apresentou uma percentagem nos rapazes de 10.9% (e nas raparigas 9.2%) e a prática de três ou mais ofensas foi igualmente mais elevada nos rapazes (17.3%) do que nas raparigas (6.7%). Além disso, também se verificou que os jovens mais velhos apresentam maior versatilidade. Tal é visível quer na prática de apenas uma ofensa, duas ofensas e três ou mais. Finalmente, é na cidade de Lisboa onde os jovens tendem a ser mais versáteis – a prática de três ou mais ofensas apresentou uma percentagem de 17% - comparativamente com Braga, que apresentou a maior percentagem na prática de zero ofensas (64%). No que diz respeito à afluência familiar (Tabela 2) - a qual remete para a perceção da situação económico-financeira da família - apurou-se que as ofensas mais prevalentes nas respostas entre “Muito pior a um pouco pior” foram grafiti (30.5%), furto em loja (28%) e brigas em grupo (19.9%). Note-se que as ofensas violentas relatadas correspondiam a uma percentagem de 12.8% e as ofensas contra a propriedade 6.1%. Contrariamente, as menos relatadas foram extorsão (2.4%), furto de
A delinquência juvenil 17 bicicleta (3.1%) e violência contra pessoas (3.3%). As ofensas mais prevalentes nas respostas “Igual a muito melhor” foram grafiti (20.3%), furto em loja (15%) e brigas em grupo (14.2%). Aqui, as ofensas violentas obtiveram um total de 6.5% e as ofensas contra a propriedade 3%. Pelo contrário, os comportamentos que foram relatados em menor número foram extorsão (0.3%), furto de bicicleta (1%) e violência contra pessoas (1.4%). Foi possível observar que existem diferenças significativas no grafiti , χ 2 (1) = 27.39, p < .001, v = .08, furto em loja, χ 2 (1) = 54.04, p < .001, v = .12, furto de bicicleta, χ 2 (1) = 17.15, p < .001, v = .07, furto do interior de um carro, χ 2 (1) = 4.49, p = .034, v = .03, extorsão, χ 2 (1) = 30.47, p < .001, v = .09, furtar alguém, χ 2 (1) = 20.65, p < .001, v = .07, posse de armas, χ 2 (1) = 27.30, p < .001, v = .08, brigas em grupo, χ 2 (1) = 11.38, p = .001, v = .05, violência contra pessoas, χ 2 (1) = 10.87, p = .001, v = .05, venda de drogas, χ 2 (1) = 6.27, p = .012, v = .04, versatilidade, χ 2 (3) = 60.51, p < .001, v = .12, ofensas violentas, χ 2 (1) = 26.33, p < .001, v = .08 e ofensas contra a propriedade, χ 2 (1) = 12.72, p < .001, v = .06. Globalmente, os inquiridos que se percecionam numa situação económico-financeira inferior à das outras famílias revelam um maior envolvimento em atos delinquentes. Além disso, verificou-se que quando se percecionam nesta situação, são mais versáteis relativamente à prática de ofensas. Na afluência pessoal – definida como a perceção em termos do dinheiro que o inquirido possui para gastar – foi possível verificar que as ofensas mais prevalentes nas respostas “Muito menos a um pouco menos” foram grafiti (27%), furto em loja (23.5%) e brigas em grupo (17.2%). As ofensas violentas apresentaram uma percentagem de 10.5% e contra a propriedade um total de 4.2%. Contrariamente, as ofensas autorrelatadas em menor número foram furto de carro (0.7%), extorsão (1.3%) e violência contra pessoas (2.6%). Já nas ofensas referentes às respostas “Mesmo a muito mais” verificou-se uma maior percentagem nas ofensas relacionadas com grafiti (20%), furto em loja (14.5%) e brigas em grupo (14.2%). As ofensas violentas perfizeram um total de 6.4% e as ofensas contra a propriedade um total de 3.2%. Não obstante, as ofensas que foram menos relatadas foram furto de carro (0.3%), extorsão (0.4%) e violência contra pessoas (1.3%). Verificaram-se, assim, diferenças significativas no grafiti , χ 2 (1) = 20.91, p < .001, v = .07, furto em loja, χ 2 (1) = 42.40, p < .001, v = .10, furto de carro, χ 2 (1) = 4.47, p = .035, v = .03, extorsão, χ 2 (1) = 9.40, p = .002, v = .05, furtar alguém, χ 2 (1) = 12.71, p < .001, v = .06, posse de armas, χ 2 (1) = 22.34, p < .001, v = .08, brigas em grupo, χ 2 (1) = 5.22, p = .022, v = .04, violência contra pessoas, χ 2 (1) = 8.19, p = .004, v = .05, venda de drogas, χ 2 (1) = 4.96, p = .026, v = .04, versatilidade, χ 2 (3) = 42.20, p < .001, v = .10 e ofensas violentas, χ 2 (1) = 17.83, p < .001, v = .07. Na generalidade, os indivíduos que percecionam ter
A delinquência juvenil 18 o mesmo ou mais dinheiro do que os sujeitos da sua idade revelaram cometer menos ofensas, além de que demonstram ser menos versáteis na prática de ofensas. Apesar de não estarem evidenciados os valores referentes à escolaridade, torna-se pertinente referir que em quase todas as ofensas existe um incremento ao longo dos anos de escolaridade, atingindo o pico ofensivo no 11º ano, seguido de uma diminuição no ano subsequente. Tal não é observado somente nas ofensas de furto em edifício e furto de carro, nas quais se verificou um pico ofensivo no 10º ano e posterior declínio no 12º ano. Predição de comportamentos delinquentes A tabela 3 apresenta as regressões logísticas para as variáveis prevalência e severidade das ofensas, com a apresentação dos valores de Beta. Em termos de prevalência da delinquência, referente à variável “ lifetime ”, o modelo de regressão explica 7% da variância nos comportamentos delinquentes, sendo este significativo, χ 2 (6) = 208.99, p < .001. De acordo com a análise, o género, p < .001, idade, p < .001, viver em Lisboa, p < .001, viver no Porto, p = .006 e a afluência familiar, p = .001 são preditores independentes significativos de prevalência. Já nos últimos 12 meses, os preditores significativos de prevalência foram o género, p < .001, idade, p < .001, viver em Lisboa, p < .001 e viver no Porto, p = .001, sendo o modelo de regressão significativo, χ 2 (6) = 85.00, p < .001, explicando 3% da variância na delinquência. Em relação à severidade, e especificamente as ofensas violentas, no que diz respeito ao “ lifetime ”, o modelo de regressão foi significativo, χ 2 (6) = 128.36, p < .001, com uma variância de 8% nos comportamentos delinquentes. A análise de regressão mostrou que o género, p < .001, idade, p = .001, viver em Lisboa, p < .001, viver no Porto, p = .031 e afluência familiar, p = .007 são preditores significativos de severidade. Relativamente aos últimos 12 meses, o modelo de regressão foi igualmente significativo, χ 2 (6) = 67.48, p < .001, explicando 6% da variância nos comportamentos delinquentes. O género, p < .001, viver em Lisboa, p < .001 e viver Porto, p = .023 predizem significativamente a severidade. Por fim, relativamente às ofensas contra a propriedade no “ lifetime ”, o modelo de regressão explica 16% da variância na delinquência sendo este significativo, χ 2 (6) = 173.15, p < .001, tendo a análise mostrado que o género, p < .001, idade, p < .001, viver em Lisboa, p < .001, viver no Porto, p = .002 e a afluência familiar, p = .017 são preditores significativos de severidade.
A delinquência juvenil 19 Nos últimos 12 meses, o modelo de regressão foi significativo, χ 2 (6) = 95.53, p < .001, sendo que o género, p < .001, idade, p = .002, viver em Lisboa, p = .010, viver no Porto, p = .009 e afluência familiar, p = .022 predizem de forma significativa a severidade, com uma variância explicada de 12%. A tabela 4 apresenta a regressão ordinal efetuada para a variável versatilidade. Em termos de versatilidade ao longo da vida, o modelo de regressão explica 8% da variância nos comportamentos delinquentes sendo este significativo, χ 2 (6) = 295.75, p < .001. O género, p < .001, idade, p < .001, viver em Lisboa, p < .001, viver no Porto, p = .001, afluência familiar, p < .001 e afluência pessoal, p = .038 são preditores significativos de versatilidade. Nos últimos 12 meses, o modelo de regressão explica 3% da variância, sendo igualmente significativo, χ 2 (6) = 108.85, p < .001. O género, p < .001, idade, p < .001, viver em Lisboa, p < .001 e viver no Porto, p = .001 são preditores significativos. Comparação dos dados de comportamentos delinquentes no ISRD2 e ISRD3 A Tabela 5 expressa a comparação entre os dados do ISRD2 e ISRD3 quer no que se refere à prevalência ao longo da vida, quer no que se refere aos últimos 12 meses. Em termos de prevalência ao longo da vida observa-se um incremento das ofensas com o avançar dos anos, particularmente nos furtos (furtos em loja, furtos do interior de um carro, furtar alguém) – à exceção do furto em edifício –, posse de armas, violência contra pessoas e venda de drogas. Note-se que as brigas em grupo também apresentaram um decréscimo significativo (de 17.4% para 14.9%). No que concerne aos últimos 12 meses, a tendência de crescimento volta a verificar-se, nomeadamente nos furtos (furtos em loja, de bicicleta, do interior de um carro), extorsão, brigas em grupo e venda de drogas. De um modo geral, no ISRD2, a prevalência total de ofensas, ao longo da vida, conferia uma percentagem de 25.9% e no ISRD3 aumentou substancialmente para 40.3%. Relativamente às ofensas cometidas ao longo da vida, foram encontradas diferenças significativas no furto em loja, χ 2 (1) = 158.89, p < .001, v = .16, furto em edifício, χ 2 (1) = 4.04, p = .044, v = .03, furto do interior de um carro, χ 2 (1) = 60.66, p < .001, v = .10, furtar alguém, χ 2 (1) = 60.12, p < .001, v = .10, posse de armas, χ 2 (1) = 35.33, p < .001, v = .07, brigas em grupo, χ 2 (1) = 9.31, p = .002, v = .04, violência contra pessoas, χ 2 (1) = 6.036, p = .014, v = .03, e venda de drogas, χ 2 (1) = 129.397, p < .001, v = .14. Relativamente aos últimos 12 meses foram encontradas diferenças significativas no furto em loja, χ 2 (1) = 46.82, p < .001, v = .25, furto de bicicleta, χ 2 (1) = 4.183, p = .041, v = .23, furto do interior de um carro, χ 2 (1) = 6.63, p = .010, v = .28, extorsão, χ 2 (1) = 3.951, p = .047, v = .33, brigas em grupo, χ 2 (1) = 92.51, p < .001, v = .30, e venda de drogas, χ 2 (1) = 17.11, p < .001, v = .27.
A delinquência juvenil 20 Tabela 1. Caracterização Sociodemográfica dos Jovens Portugueses Total Género Grupos de idades Cidades portuguesas N = 4048 Masculino n = 1889 Feminino n = 2159 12-15 anos n = 2196 16-21 anos n = 1852 Lisboa n = 998 Porto n = 1094 Braga n = 1956 Grafiti 873 (21.6%) 424 (22.5%) 449 (20.8%) 391 (17.9%) 482 (26.0%)*** 268 (26.9%) 245 (22.5%) 360 (18.4%)*** Vandalismo 318 (7.9%) 241 (12.8%) 77 (3.6%)*** 132 (6.0%) 186 (10.0%)*** 80 (8.0%) 91 (8.4%) 147 (7.5%) Furto em loja 673 (16.7%) 354 (18.8%) 319 (14.8%)** 230 (10.5%) 443 (23.9%)*** 256 (25.7%) 201 (18.5%) 216 (11.0%)*** Furto em edificio 23 (0.6%) 19 (1.0%) 4 (0.2%)** 11 (0.5%) 12 (0.6%) 8 (0.8%) 8 (0.7%) 7 (0.4%) Furto de bicicleta 51(1.3%) 48 (2.5%) 3 (0.1%)*** 14 (0.6%) 37 (2.0%)*** 24 (2.4%) 14 (1.3%) 13 (0.7%)*** Furto de carro 15 (0.4%) 15 (0.8%) 0 (0.0%)*** 8 (0.4%) 7 (0.4%) 7 (0.7%) 3 (0.3%) 5 (0.3%) Furto do interior de um carro 92 (2.3%) 82 (4.4%) 10 (0.5%)*** 20 (0.9%) 72 (3.9%)*** 32 (3.2%) 29 (2.7%) 31 (1.6%)* Extorsão 24 (0.6%) 20 (1.1%) 4 (0.2%)*** 8 (0.4%) 16 (0.9%)* 6 (0.6%) 8 (0.7%) 10 (0.5%) Furtar alguém 243 (6.0%) 164 (8.7%) 79 (3.7%)*** 101 (4.6%) 142 (7.7%)*** 106 (10.7%) 60 (5.5%) 77 (3.9%)*** Posse de armas 369 (9.1%) 271 (14.4%) 98 (4.5%)*** 112 (5.1%) 257 (13.9%)*** 132 (13.3%) 105 (9.6%) 132 (6.8%)*** Brigas em grupo 603 (14.9%) 388 (20.6%) 215 (10.0%)*** 268 (12.3%) 335 (18.1%)*** 145 (14.6%) 153 (14.0%) 305 (15.6%)
A delinquência juvenil 21 Violência contra pessoas 65 (1.6%) 48 (2.6%) 17 (0.8%)*** 23 (1.1%) 42 (2.3%)** 22 (2.2%) 21 (1.9%) 22 (1.1%) Venda de drogas 270 (6.7%) 170 (9.1%) 100 (4.6%)*** 52 (2.4%) 218 (11.8%)*** 78 (7.9%) 75 (6.9%) 117 (6.0%) Ofensas Gravesa Violentas 295 (7.3%) 198 (10.5%) 97 (4.5%)*** 120 (5.5%) 175 (9.5%)*** 117 (11.8%) 79 (7.3%) 99 (5.1%)*** Propriedade 139 (3.4%) 123 (6.5%) 16 (0.7%)*** 39 (1.8%) 100 (5.4%)*** 54 (5.4%) 43 (4.0%) 42 (2.1%)*** Versatilidade 0 ofensas 2411 (59.6%) 1031 (54.6%) 1380 (64%)*** 1481 (67.6%) 930 (50.2%)*** 525 (52.7%) 635 (58.3%) 1251 (64%)*** 1 ofensa 758 (18.7%) 324 (17.2%) 434 (20.1%) 380 (17.3%) 378 (20.4%) 196 (19.7%) 200 (18.3%) 362 (18,5%) 2 ofensas 403 (10.0%) 205 (10.9%) 198 (9.2%) 183 (8.4%) 220 (11.9%) 107 (10.7%) 121 (11.1%) 175 (8.9%) 3 ou mais 471 (11.6%) 327 (17.3%) 144 (6.7%) 147 (6.7%) 324 (17.5%) 169 (17.0%) 134 (12.3%) 168 (8.6%) a As ofensas contra a propriedade incluem furto de bicicleta, furto de carro, furto em edifício e furto em loja. As ofensas violentas referem-se a extorsão, furtar alguém, brigas em grupo, posse de armas e violência contra pessoas (Marshall & Enzmann, 2012). * p < 0.05, ** p < 0.01; *** p < 0.001
A delinquência juvenil 22 Tabela 2. Caracterização Sociodemográfica dos Jovens Portugueses (Continuação) Total N = 4048 Índice Composto Afluência Familiar Afluência Pessoal Muito pior a Igual a muito pouco pior melhor Muito menos a um pouco menos Mesmo a muito mais Grafiti 155 (30.5%) 712 (20.3%)*** 256 (27.0%) 615 (20.0%)*** Vandalismo 44 (8.7%) 272 (7.8%) 74 (7.8%) 243 (7.9%) Furto em loja 142 (28.0%) 525 (15.0%)*** 223 (23.5%) 446 (14.5%)*** Furto em edificio 6 (1.2%) 17 (0.5%) 7 (0.7%) 16 (0.5%) Furto de bicicleta 16 (3.1%) 34 (1.0%)*** 15 (1.6%) 35 (1.1%) Furto de carro 4 (0.8%) 11 (0.3%) 7 (0.7%) 8 (0.3%)* Furto do interior de carro 18 (3.5%) 72 (2.1%)* 26 (2.8%) 64 (2.1%) Extorsão 12 (2.4%) 12 (0.3%)*** 12 (1.3%) 12 (0.4%)** Furtar alguém 53 (10.5%) 187 (5.3%)*** 80 (8.5%) 163 (5.3%)*** Posse de armas 78 (15.4%) 288 (8.2%)*** 123 (13.0%) 244 (7.9%)***
A delinquência juvenil 23 * p < 0.05, ** p < 0.01; *** p < 0.001 Brigas em grupo 101 (19.9%) 497 (14.2%)** 163 (17.2%) 437 (14.2%)* Violência contra pessoas 17 (3.3%) 48 (1.4%)** 25 (2.6%) 40 (1.3%)** Venda de drogas 47 (9.3%) 220 (6.3%)* 78 (8.3%) 190 (6.2%)* Ofensas Graves Violentas 65 (12.8%) 227 (6.5%)*** 99 (10.5%) 196 (6.4%)*** Propriedade 31 (6.1%) 106 (3.0%)*** 40 (4.2%) 97 (3.2%) Versatilidade 0 ofensas 241 (47.4%) 2155 (61.4%)*** 497 (52.4%) 1901 (61.8%)*** 1 ofensa 96 (18.9%) 661 (18.8%) 182 (19.2%) 576 (18.7%) 2 ofensas 67 (13.2%) 335 (9.5%) 110 (11.6%) 289 (9.4%) 3 ou mais 104 (20.5%) 360 (10.3%) 159 (16.8%) 310 (10.1%)
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A delinquência juvenil 36 ANEXO
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