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Vila Verde em exposição: história e cultura

Pinto, Thomas Fernandes

Abstract

Combinando o propósito de refletir sobre promoção cultural e de desenvolver um projeto de intervenção, este projeto de Mestrado em Comunicação, Arte e Cultura tem como principal objeto a organização de uma exposição sobre Vila Verde. Esta atividade irá basear-se na cultura e na história da vila e concelho, tentando deste modo mostrar o que o concelho tem para oferecer à população local e aos visitantes. Para realizar esta exposição, este projeto contou com o apoio da Câmara Municipal de Vila Verde que, apesar de não contribuir com um valor monetário direto, “patrocinou” a organização com a disponibilização do espaço (a Biblioteca Professor Machado Vilela), assim como com outros tipos de apoios logísticos. Para além dos aspetos práticos inerentes à organização do evento, a Câmara Municipal de Vila Verde também disponibilizou ajuda no levantamento de documentação sobre a história do concelho. A exposição foi feita na Biblioteca Professor Machado Vilela, o Salão Nobre, onde esta se realizou, contem uma caixa com o propósito de fazer projeções. Nessa mesma caixa foi projetado um minidocumentário com testemunhos da história do concelho, a cultura e estórias da sua gente. Na parte de fora da caixa e no resto da sala foram exibidos alguns objetos de elementos culturais e fotografias de pontos de interesse de Vila Verde. A exposição decorreu entre o dia catorze de setembro de 2019, e o dia doze de outubro do mesmo ano. Estes e outros termos foram discutidos com a Dra. Júlia Fernandes, vereadora da educação e da cultura de Vila Verde, e com os orientadores do presente projeto de intervenção, a Prof. Madalena Oliveira e o Prof. Jean Yves Durand.

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Vila Verde em Exposição: História e Cultura Thomas Fernandes Pinto Thomas Fernandes Pinto Vila Verde em Exposição: História e Cultura Thomas Pinto ii Comunicação, Arte e Cultura da Thomas Fernandes Pinto Vila Verde em Exposição: História e Cultura Professora Doutora Madalena Oliveira Professor Doutor Jean Yves Durand Vila Verde em exposição. História e cultura iii DIREITOS DE AUTOR E CONDIÇÕES DE UTILIZAÇÃO DO TRABALHO POR TERCEIROS Este é um trabalho académico que pode ser utilizado por terceiros desde que respeitadas as regras e boas práticas internacionalmente aceites, no que concerne aos direitos de autor e direitos conexos. Assim, o presente trabalho pode ser utilizado nos termos previstos na licença abaixo indicada. Caso o utilizador necessite de permissão para poder fazer um uso do trabalho em condições não previstas no licenciamento indicado, deverá contactar o autor, através do RepositóriUM da Universidade do Minho. Licença concedida aos utilizadores deste trabalho Atribuição CC BY https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/ Thomas Pinto iv Agradecimentos Um agradecimento… …ao Município de Vila Verde por ter recebido de braços abertos este projeto, em especial à Dra. Júlia Fernandes, Vereadora da Educação e Cultura da Câmara Municipal de Vila Verde; …aos orientadores deste projeto, professora Madalena Oliveira e professor Jean Yves Durand, por me terem guiado neste ano de trabalho; …aos intervenientes neste projeto, que ajudaram de forma direta ou indireta; …aos meus amigos e família que mostraram sempre o seu apoio e interesse neste projeto; …ao Paulo Brandão, por ser o meu braço direito e confidente neste projeto, sem ele nada disto seria possível. Vila Verde em exposição. História e cultura v DECLARAÇÃO DE INTEGRIDADE Declaro ter atuado com integridade na elaboração do presente trabalho académico e confirmo que não recorri à prática de plágio nem a qualquer forma de utilização indevida ou falsificação de informações ou resultados em nenhuma das etapas conducente à sua elaboração. Mais declaro que conheço e que respeitei o Código de Conduta Ética da Universidade do Minho. Thomas Pinto vi Título Vila Verde em exposição. História e cultura Resumo Combinando o propósito de refletir sobre promoção cultural e de desenvolver um projeto de intervenção, este projeto de Mestrado em Comunicação, Arte e Cultura tem como principal objeto a organização de uma exposição sobre Vila Verde. Esta atividade irá basear-se na cultura e na história da vila e concelho, tentando deste modo mostrar o que o concelho tem para oferecer à população local e aos visitantes. Para realizar esta exposição, este projeto contou com o apoio da Câmara Municipal de Vila Verde que, apesar de não contribuir com um valor monetário direto, “patrocinou” a organização com a disponibilização do espaço (a Biblioteca Professor Machado Vilela), assim como com outros tipos de apoios logísticos. Para além dos aspetos práticos inerentes à organização do evento, a Câmara Municipal de Vila Verde também disponibilizou ajuda no levantamento de documentação sobre a história do concelho. A exposição foi feita na Biblioteca Professor Machado Vilela, o Salão Nobre, onde esta se realizou, contem uma caixa com o propósito de fazer projeções. Nessa mesma caixa foi projetado um minidocumentário com testemunhos da história do concelho, a cultura e estórias da sua gente. Na parte de fora da caixa e no resto da sala foram exibidos alguns objetos de elementos culturais e fotografias de pontos de interesse de Vila Verde. A exposição decorreu entre o dia catorze de setembro de 2019, e o dia doze de outubro do mesmo ano. Estes e outros termos foram discutidos com a Dra. Júlia Fernandes, vereadora da educação e da cultura de Vila Verde, e com os orientadores do presente projeto de intervenção, a Prof. Madalena Oliveira e o Prof. Jean Yves Durand. Palavras-chave Exposição; curadoria; cultura; história; concelho. Vila Verde em exposição. História e cultura vii Title Vila Verde through exhibition. History and culture Abstract Combining the purpose of reflecting on cultural promotion and developing an intervention project, this master’s project in Communication, Art and Culture has as its main object the organization of an exhibition about Vila Verde. This activity will be based on the culture and history of the village and municipality, thus trying to show what the municipality has to offer to the local population and visitors. To hold this exhibition, this project had the support of the Municipality of Vila Verde which, despite not contributing with a direct monetary value, "sponsored" the organization with the availability of the space (the Library Professor Machado Vilela), as well as other types of logistical support. Besides the practical aspects inherent to the organization of the event, the Municipality of Vila Verde also provided help in gathering documentation about the history of the municipality. The exhibition was held at the Professor Machado Vilela Library, the Noble Hall, where it was held, and contains a box with the purpose of making projections. In this same box was projected a minidocumentary with testimonies of the history of the municipality, the culture and stories of its people. In the outside of the box and in the rest of the room some objects of cultural elements and photographs of points of interest of Vila Verde were shown. The exhibition took place between September 14, 2019 and October 12 of the same year. These and other terms were discussed with Dr. Júlia Fernandes, Councillor for Education and Culture of Vila Verde, and with the orientators of this intervention project, Prof. Madalena Oliveira and Prof. Jean Yves Durand. Keywords Exhibition; curatorship; culture; history; municipality. Thomas Pinto viii Sumário INTRODUÇÃO ................................................................................................................. 1 TÍTULO DA INTRODUÇÃO .............................................. ERRO! MARCADOR NÃO DEFINIDO. CAPÍTULO 1 ................................................................................................................... 3 A EXPOSIÇÃO ................................................................................................................. 3 1.1. História e evolução das exposições museográficas e independentes .............................. 3 1.2. A exposição etnográfica ................................................................................................ 8 1.3. O Curador .................................................................................................................. 11 CAPÍTULO 2 ................................................................................................................. 18 TRABALHO DE CAMPO .................................................................................................. 18 2.1. Diário de campo .......................................................................................................... 18 2.2. Desenvolvimento do projeto ......................................................................................... 26 CONSIDERAÇÕES FINAIS............................................................................................... 55 TÍTULO ......................................................................... ERRO! MARCADOR NÃO DEFINIDO. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .................................................................................... 57 Vila Verde em exposição. História e cultura ix Esta dissertação foi redigida segundo a nova ortografia da Língua Portuguesa (acordo ortográfico de 1990), assim cumprindo o disposto no Despacho RT-34/2011, publicado pela Universidade do Minho a 9 de junho de 2011. Seguiu a norma APA em termos de estilo e referenciação bibliográfica. Thomas Pinto 6 Saltamos assim para a segunda metade do século XX, que trouxe uma nova experiência estética ao panorama das exposições. Foi no final dos anos 50 que apareceu uma nova experiência que pôs de lado a contemplação de objetos autónomos, cumulativamente montados e cortando qualquer contexto existente entre eles. Seguindo esta linha temporal, as exposições deixaram de ser um evento em que os visitantes iam apenas visitar a exposição, passando a ser uma experiência a viver, da qual seria difícil manter distância. Assim sendo, as obras de arte como objeto foram gradualmente eliminadas pelo aumento do uso da exposição como forma de experiência estética, sobrando assim a memória do momento vivido. Para esta situação temos o exemplo de um artista francês, chamado Armand Fernandez, mais conhecido como Arman, que mudou o seu estilo artístico. Em vez de pintar os objetos que via e o inspiravam, usava-os como a sua arte. Ou seja, em vez de retratar os objetos em pinturas, este usava-os como arte e objeto de arte. Um dos exemplos deste tipo de arte a nível nacional é o da Joana Vasconcelos, que usa objetos do dia a dia para recriar um outro objeto do nosso quotidiano. Foram várias as modalidades que caracterizaram a transformação da exposição num discurso direto do artista para a audiência. Vários artistas consideraram a exposição como uma situação didática, da qual foram agrupados factos que levaram o espetador a adquirir uma leitura da exposição. Enquanto isso, houve outros artistas que transformaram as exposições num espetáculo com a participação deles mesmos para articular as suas manifestações numa sequência temporal. Temos neste contexto o exemplo de performances de artistas que se expõem ao público, com determinado objetivo, pondo-se assim à mercê do público. Este tipo de atividades fez com que hoje em dia houvesse uma generalização de performances por parte dos artistas. Isto levou a que vários artistas fizessem uma análise crítica da função e significância deste tipo de exposições. Estas exposições servem como suporte para a experiência estética que teve como tendência a transformação da galeria, ou museu, numa extensão do estúdio do artista. Estabeleceu-se assim uma comunicação com os visitantes que consideraram a intervenção do artista na etapa geral da produção. Quer isto dizer que, em vez de fazer o seu trabalho em estúdio, completamente isolado, o artista passa a fazê-lo em espaços públicos, ou institucionais, com o público a testemunhar o trabalho desse mesmo artista. Este tipo de exposição, ou performance, insere-se em vários tipos de arte e cria, de certa maneira, uma proximidade entre o espetador e o artista. Os mecanismos de divulgação que expõem a transparência do artista articulam-se com o privilégio de processos individuais de criadores e o seu público, ou seja, as instituições evitaram proceder a uma análise distante em que o resultado seria proposto pelos artistas. Este tipo de mecanismo leva à rejeição de uma estética generalizada, criando assim novas maneiras de montar uma exposição, Vila Verde em exposição. História e cultura 7 deixando de parte antigas regras existentes para a montagem de uma exposição. Exemplo disso são as exposições documenta 5 e Contemporanea, que apareceram em 1972 e 1973 respetivamente. Os artistas visuais pareceram inventar novas formas de arte com a mesma facilidade com que partilharam ideias e práticas com criadores de artes performativas. De maneira a contabilizar este tipo de desenvolvimento e a evitar qualquer tipo de confusão, estas duas exposições propuseram uma grelha de leitura detalhada. Documenta 5 teve perto de 20 secções, dando “casa” a obras de arte contemporânea, juntamente com todo o tipo de imagens e material socialmente imaginável. Recorreram às áreas da religião, finanças, média, publicidade, sanidade mental e visões do presente e do futuro que sugerem a transposição para uma atualidade artística. Todo o aparato visual e comunicativo das Ciências Sociais foi mobilizado para mediar os vários discursos que interferiam com os objetos estéticos. Harald Szeeman transportou as artes plásticas para o museu da civilização contemporânea para a entrega aos semiologistas, psicanalistas e sociólogos juntos. No caso da Conteporanea , em vez de uma distribuição dos objetos de maneira mais imaginativa, esta foi organizada formalmente por secções. Ambas as exposições tinham como base a ideia fundamental de que as formas e as delimitações nas estéticas contemporâneas estão disseminadas em todas as direções (o dia a dia, maneiras de adquirir conhecimento, outras formas de arte) e estão simultaneamente baseadas em outras imagens e atividades. Nos finais dos anos 70 e início dos 80, alguns organizadores de museus e exposições sentiram a necessidade de escrever a história das exposições, propondo assim avaliações que iriam redistribuir trabalhos e eventos. Nasce assim, por exemplo, o Centro Pompidou, nomeado a partir de Georges Pompidou, o presidente francês que ordenou a sua construção. Terminada esta série, Westkunst (1939) propôs a sua versão da história da arte ocidental numa enorme exposição. O interesse deste tipo de exposições centra-se nas vias das quais se distingue a organização da temporalidade onde a arte contemporânea é posta em prática. Ad Pedersen afirma que não se pode drenar a vitalidade da arte ao tentar explicá-la, recusando assim a posição de um observador de fora dando importância ao valor do trabalho em si. Este quis proteger os trabalhos de qualquer intervenção que pudesse opacificar a sua perceção. Reconhecendo a grande quantidade de atividade e as dificuldades de as analisar, considerou que uma seleção mais rígida era mais benéfica dos que os seus discursos. A única característica importante para Ad Pedersen reside no facto de que a arte rompeu as sua fronteiras tradicionais e estendeu o seu domínio. Thomas Pinto 8 Westkunst e Paris/Paris tiveram de resolver a apresentação da criação artística em meados do século XX. Ambas as exposições procuraram escrever história e ambas foram comparadas pela imprensa da arte. Nada caracteriza melhor estes dois eventos do que a elaboração da sua arquitetura interior. Paris/Paris ofereceu um itinerário construído à volta de um corredor, no qual as paredes estavam cobertas com obras de arte. A relativa extinção das salas, a maneira como os seus interiores foram construídos e o grande número de objetos expostos combinaram a apresentação ao visitante com uma passagem linear, no entanto labiríntica. Os organizadores da Westkunst desenvolveram o seu interior arquitetónico a partir de espaços museológicos convencionais. Eles estabeleceram uma arquitetura com uma série de espaços vastos, normalmente flanqueados por apêndices laterais. Paredes finas e pilares serviram para reassegurar o visitante da permanência do enquadramento quando a decoração era bastante leve. Paredes brilhantes e luzes difusas combinadas fizeram com que as salas parecessem maiores. A arquitetura sugere uma estrutura para a circulação e a carga simbólica da sua colocação, diferenciando assim o ambiente da descoberta de obras de arte em termos da sua situação no tempo. Em suma, vimos que as exposições sofreram uma grande evolução desde o seu aparecimento no século até aos dias de hoje. O que antes servia como ato de contemplação, que apenas as mais altas classes da sociedade poderiam visitar e em que poderiam participar, não só no mundo da arte como das exposições, passou a um caráter completamente público e sem restrições a outras classes da sociedade. Esta mudança apareceu com a grande diversificação que se deu nos museus no século XIX, resultado de todo um contexto científico, tecnológico, político e histórico, que não só fez com que estas exposições evoluíssem, como fez com que se abrissem as portas para que novas disciplinas começassem a expor o seu conhecimento, como ainda abriu a porta a novos artistas, novas correntes artísticas e novas linhas de pensamento. Tudo isto culminou na visão que temos hoje em dia de galerias, museus e exposições por todo o mundo. Assistimos assim às grandes evoluções e mudanças destes tipos de eventos, que, por sua vez, continuam a modificar e evoluir ao longo do tempo, apesar de ser a um ritmo mais brando. 1.2. A exposição etnográfica Depois desta pequena introdução à história das exposições, abordarei o tema das exposições etnográficas e antropológicas. Isto deve-se ao facto de o projeto de intervenção realizado se ter orientado precisamente para a organização de uma exposição sobre a história e cultura do concelho de Vila Verde. Vila Verde em exposição. História e cultura 9 A exposição etnográfica é um tipo de exposição com coleções mais ou menos volumosas de objetos coletados que fizeram, ou fazem, parte do quotidiano rural, e expostos num determinado espaço. A maioria destas exposições resulta do ajuntamento de objetos, que poderão ser ou não úteis ao proprietário, que são fruto de nostalgias rurais, de pessoas que, geralmente, valorizam a vida e cultura rural e não sofrem nenhum tipo de complexos ou censuras da vida do campo, ou vida rural. Partem da premissa errónea da existência de um ontem impreciso e intemporal onde existia uma cultura rural homogénea, acrítica, igual a ela mesma e incapaz de evoluir. Com este tipo de exposição pretende-se evocar outras épocas, embora, na maioria das vezes, se recrie apenas uma realidade plana do que foi o passado rural. Para além disso, parte-se, com frequência, de um etnocentrismo historicista que tende a fazer pensar que apenas a nossa sociedade atual é complexa, rica e variada, enquanto que o passado é visto como uma época tremendamente simples, e por isso mais facilmente arremetido para exposições temporárias ou permanentes. Este é, segundo José Alonso Ponga, Joaquín Díaz e Carlos Piñel um dos erros deste tipo de exposição (Teoría y Praxis de la Museografía Etnográfica, 2006, p. 14). Segundo José Luis Alonso Ponga, existem mais três problemas. Um deles é que neste tipo de exposição, o discurso é sobre objetos que quase sempre se recolheram com o critério e intuito do “chamativo” e/ou curioso, sem procurar entre eles outros valores sociais e económicos que são fundamentais para conhecer o mundo rural que é suposto representar. Outro problema é que geralmente se apoiam sobre uma tradição oral que assume o “antes”, um tempo impreciso que se refere ao passado como um tempo que era melhor, com valores positivos e sem problemas. Neste tipo de exposições há um movimento de imprecisão temporal, mas que também concede à tradição oral um valor quase sagrado, de modo a que não se questionem da margem de erro que pode conter qualquer tipo de informação transmitida por esta tradição. Quer isto dizer que se aceita a oralidade sem questionar o que foi dito com outro tipo de fontes, como se a oralidade fosse a única e verdadeira fonte para todo o contexto cultural existente nesse tempo. À margem da oralidade, limitamse apenas a procurar trabalhos de documentação em algumas instituições, sendo que na maior parte das vezes o fazem de forma fragmentária e na medida que apoiem os seus discursos. O último erro deste tipo de exposições é que transparecem quase sempre uma ideia simples da realidade da localidade em que estão localizadas, como se esta fosse singular, sendo que a realidade é plural. Ou seja, apesar de cada localidade ser única, isto não quer dizer que não partilhem a maior parte dos aspetos tecnológicos, económicos, culturais, etc. com localidades vizinhas, ou até mesmo com uma Thomas Pinto 10 região inteira. Tomando o exemplo da exposição realizada no âmbito deste projeto de mestrado, o tema foi, como já é do conhecimento do leitor, a história e cultura do concelho de Vila Verde. Apesar de este concelho ter em cada uma das suas freguesias um toque único, normalmente apenas percetível às gentes da sua terra, Vila Verde não é um concelho com grandes diferenças em variados aspetos relativamente a outros concelhos da região minhota. Existe uma escassa reflexão teórica que leva a que as exposições etnográficas e antropológicas, muitas vezes, sejam um pouco repetitivas no que toca a temas, isto porque tentam recriar a sociedade mediante as histórias ou estórias de vida. Esta era a ideia inicial do que seria a exposição etnográfica, contudo, com o passar dos anos, esta disciplina foi evoluindo e ganhando interesse não só pelos contextos sociais rurais como também pelos contextos urbanos. Outra ideia que se tornou errónea, é que as exposições etnográficas se focam apenas no passado, contudo, hoje em dia, as exposições etnográficas também têm foco em grupos sociais no presente. Apesar de existir ainda a ideia de que a exposição etnográfica se foca apenas em contextos rurais do passado, e de ser a grande parte deste tipo de exposições, hoje em dia podemos verificar que o foco desta disciplina passa também por vários tipos de grupos sociais rurais e/ou urbanos, do passado e do presente. O interesse por este tipo de exposições não é generalizado. É, pelo contrário, necessário considerar interesses relativamente particularizados, motivados, por exemplo, pela curiosidade acerca do modo como vivia uma certa sociedade num espaço e tempo, seja esse espaço rural ou urbano e o tempo passado ou presente. No caso das exposições etnográficas focadas num contexto rural do passado, o interesse nasce das pessoas mais velhas, que cresceram ou conheceram bem essa realidade exibida na exposição, por parte das pessoas mais novas a quem foram transmitidas as histórias dos seus avós e outros familiares que viveram nessa realidade diversa da deles, de uma maneira quase romântica, e por pessoas que ganharam de alguma maneira o interesse de ver e sentir como era a vida de um passado não tão longínquo. Neste tipo de exposição sente-se um fundo de nostalgia que mais do que dar conta de um tempo exato, manifesta críticas ocultas ao sistema social da atualidade com o que está em discórdia. Em suma, as exposições etnográficas estão ligadas à necessidade de preservar a memória de um tempo passado e/ou presente de diferentes contextos sociais. Por um lado, existe a curiosidade de conhecer um tempo dos nossos antepassados, com uma realidade diferente da nossa, e que muitas Vila Verde em exposição. História e cultura 11 vezes é mal interpretada e estudada, por outro lado, existe a curiosidade de conhecer outros tipos de contextos sociais existentes tanto nos dias de hoje como no passado. Não obstante, a exposição etnográfica é importante para “reviver” e/ou recordar tempos que já não condizem com a realidade de hoje em dia, assim como dos dias de hoje, sendo que é preciso exercer algum tipo de atração nas gerações mais recentes para que estas tenham curiosidade pelo passado e pelo presente. No que toca às exposições etnográficas rurais, a região minhota tem bastante potencial para a realização das mesmas, visto que ainda existe uma forte cultura rural, que, apesar de tudo, também se encontra em declínio. 1.3. O Curador Como em qualquer tipo de evento promovido no setor cultural, é necessário haver um responsável com o objetivo de criar, formalizar e realizar um certo tipo de evento ou projeto. Nos eventos como festivais e/ou em projetos cinematográficos e musicais esse papel cabe ao produtor, no caso dos museus e exposições esse papel é exercido pelo curador. Assim sendo, o curador é a figura profissional que opera dentro de instituições museológicas, ou de forma independente, e que tem como objetivo a aquisição, interpretação e exposição de obras de arte e de outros tipos de exposição, como é o caso das exposições etnográficas, históricas, científicas, etc. Contudo, para a realização de uma exposição, o curador vê-se sempre dependente de infraestruturas que vão suportar os projetos que pretende realizar. Dentro das infraestruturas necessárias para a realização de um projeto deste tipo, estão incluídos espaços institucionais, como por exemplo museus, bibliotecas, galerias, etc., assim como espaços alternativos, que não fazem parte de instituições e que podem albergar este tipo de projetos. Tanto num caso como no outro, é possível que estes espaços sejam também ao ar livre, levando a exposição a outro nível de exibição. Para além deste tipo de infraestruturas, o curador necessita também de ajudas financeiras e equipas de técnicos e profissionais na área em questão. Tudo isto leva a que o curador seja uma espécie de intermediário destas infraestruturas. No caso do projeto que desenvolvi, assumi um papel de curador em que fui intermediário de todas as instituições e pessoas que me ajudaram na realização da mostra. No que toca ao espaço da exposição, tive a oportunidade de realizar este projeto na Biblioteca Professor Machado Vilela, em Vila Thomas Pinto 12 Verde; contando com a ajuda financeira da Câmara Municipal de Vila Verde, que forneceu alguns materiais para a exibição e divulgação da exposição; quanto à equipa de técnicos registou a colaboração de Paulo Brandão, que esteve quase sempre presente durante a realização deste projeto, contribuindo especificamente para a parte audiovisual, com algumas ideias para a exposição final e também para a montagem e desmontagem da mesma. O curador, para além dos papéis acima referidos, exerce também diferentes funções consoante o projeto em que está inserido, principalmente quando se trata de um trabalho numa instituição como um museu. O curador nunca é o responsável pelo museu. Esse papel cabe ao diretor do mesmo, sendo que o curador, na hierarquia de um museu, é a segunda pessoa mais importante, a seguir ao diretor. Assim sendo, o curador tem o dever de adquirir e recolher material para a exposição/museu; de supervisionar a preservação dos materiais no armazém; e exibir esses materiais numa ou mais exposições. Estes deveres são, principalmente, baseados na administração de exposições permanentes, sendo que, com eles, devem de ser adicionados a organização de exposições temporárias. Isto porque é uma maneira de ter sempre algo mais a se ver para além das exposições permanentes e porque é uma maneira de levar visitantes habituais ao museu, quase como uma empresa que quer manter sempre os públicos habituais ou os “clientes da casa”. Tirando as múltiplas possibilidades apresentadas para exposições pelo mundo da arte, o curador, a qualquer momento, pode selecionar o que ele quer apresentar e calcula a viabilidade do projeto em questão. Com isto, a função do curador passa também pela absorção de informação do mundo da arte que se encontra à sua volta. Mas a posição do curador muda quando este monta uma exposição. Esta é avaliada como produção do museu desde o momento em que é visitada. Quer isto dizer que o curador está na interface do museu como instituição e o público como consumidor. Até há pouco tempo, a atividade do curador de arte contemporânea passava por julgar a qualidade de uma obra de arte em relação a outra, ou de um artista em relação a outro, quase como se fosse um duelo de titãs. Podemos pegar no exemplo de Gertrude Stein e do seu irmão Leo que, como colecionadores de arte, adquiriram quadros de Henri Matisse e Pablo Picasso, expondo ambos na mesma galeria, e criando assim mais tarde uma rivalidade entre os dois artistas que tentaram superar-se um ao outro, deixando assim um vasto trabalho artístico reconhecido ainda hoje em dia por todo o mundo. Mas, hoje em dia, o papel do curador como “árbitro artístico” passou para um papel de curador como mediador cultural. Isto não quer dizer que o curador esteja limitado a Vila Verde em exposição. História e cultura 13 discriminar a excelência artística, mas sim que a sua função esteja mais virada para desvendar e explicar como as práticas artísticas de subordinados tradicionais, ou grupos periféricos, ou comunidades emergentes transmitem noções de identidade. (…) Estas mudanças de funções parecem ter abertos novas ondas artísticas para a distribuição, aceitação, e apreciação de uma corrente artística que antes era marginalizada (como é o exemplo do graffiti). (Thinking About Exhibitions, 1996, p. 23) Podemos assim afirmar que o papel do curador não passa apenas pela escolha elitista de artistas de renome e que este pode trazer novas formas de arte ao panorama artístico mundial. É função do curador escolher artistas e formas de arte antes negligenciadas e promovê-las a uma espécie de ribalta, podendo assim afirmar-se que é expectável que abram novas fronteiras da arte contemporânea e criem novas identidade a grupos anteriormente marginalizados. Voltando à problemática do curador de arte contemporânea e às instituições museológicas, estes museus dependem da cooperação dos mercadores de arte e dos próprios artistas. Nesse sentido, os artistas e os mercadores começam a organizar as suas próprias exposições criando assim uma aliança entre artista, mercador e colecionador. Esta aliança nasce com a emergência de uma necessidade de promover o trabalho do artista como símbolo cultural e como objeto no mercado e com a partilha dos mesmos interesses e gostos destes três elementos da aliança. Este tipo de aliança põe o trabalho do curador num problema a que este tem de se adaptar e tentar contornar. É assim que surge a seguinte questão: “é suposto o curador juntar-se à aliança do artista-mercador-colecionador e juntos fazerem do museu um serviço para o mercado em expansão ou cabe a ele descobrir estratégias de independência?”. (Thinking About Exhibitions, 1996, p. 223) Visto que se trata de uma aliança bastante forte entre esses três grupos, penso que o mais sensato será o curador se juntar à aliança em vez de tentar seguir um caminho a solo. Digo isto porque esta aliança consegue facilmente derrubar o trabalho de um curador em prol deste grupo, visto que o próprio colecionador se pode tornar curador de um artista. Isto acontece porque o colecionador normalmente tem uma vasta coleção dos trabalhos de um artista, podendo assim organizar e implementar os seus próprios projetos curatoriais nas várias instituições existentes para este efeito sem necessitar de um intermediário, que é neste caso o curador. Não obstante, o curador está sujeito a sofrer vários tipos de pressões para se manter na zona segura da sua atividade. Para garantir um desenvolvimento harmonioso das suas funções, é importante ter e manter uma boa relação com os artistas; manter boas relações com os principais mercadores do Thomas Pinto 14 artista; manter os colecionadores do artista satisfeitos; manter as expetativas de gosto provenientes dos administradores e diretores das instituições de que faz parte; manter as expetativas de gosto de outros membros que se encontram no círculo do curador. É também fundamental que o curador se defina em relação à cultura de dois subgrupos: as opiniões mantidas pela secção da sociedade que possui alguma da arte em que este está interessado, e as opiniões de uma geração mais jovem que o curador predispor deve considerar em função de fatores como a idade, a educação, o estilo e/ou a ambição. Apesar de todas estas pressões a que o curador está, de algum modo, sujeito para manter a sua atividade, esta será a melhor estratégia para que continue a exercer as suas funções e salvaguarde a relevância do seu trabalho. Contudo, a profissão de curador sofre uma crise que é devida a um conjunto de condições. Dentro dos fatores que põem em risco esta profissão, temos a crise da expansão no aumento do número de postos, uma crise provocada pelo alargamento dos critérios de recrutamento para esta atividade, assim como a multiplicação e diversificação das instituições em questão; e uma crise na divisão do trabalho com uma crescente especialização das tarefas encontradas pelas várias categorias de curador existentes no mercado. Devido a esta crise que afeta a atuação do curador, têm sido várias as tentativas para a homogeneização deste cargo. Na tentativa de manter esta atividade viva, existem alguns elementos característicos do processo de profissionalização desta área, entre eles a criação e autonomização da função do cuidado e conservação das obras de arte na estrutura das coleções reais, a institucionalização e aumento do número de posições que acompanham a fundação dos museus, a formalização e regularidade de recrutamento e critério de competências, e regulações éticas que governam competências profissionais. Guardar, analisar e apresentar uma herança cultural não são as únicas tarefas de um curador. Espera-se, aliás, que ele procure enriquecê-las, principalmente através da aquisição de trabalhos contemporâneos. Ao fazê-lo, o curador ganha crédito profissional, assim como dá crédito às instituições e crédito financeiro ao estado, visto que existe um valor monetário por cada obra de arte, e o estado ser o dono dessas obras de arte, isto no caso de instituições públicas. Mas o curador pode também cair em descrédito profissional, que está ligado ao trabalho tradicional do mesmo, mas que, hoje em dia, tem maior preocupação a nível monetário. Um curador pode cometer erros. Exemplo disso é a falta da compra de obras de arte, ou por outro lado, a excessiva compra de obras. Assim sendo, o erro é, em si mesmo, um risco para o papel do Vila Verde em exposição. História e cultura 15 curador, quer nos referíramos a um erro de autenticidade de um trabalho ou ao seu valor em termos do julgamento da posterioridade. Enquanto os colecionadores privados têm o seu próprio gosto pessoal, e este gosto pode até conferir uma “marca pessoal” à sua coleção, o curador é responsável por um grupo muito mais amplo que o colecionador, como por exemplo a comunidade que o rodeia. Graças a isso, e como se trata do papel do curador, este vai ver a sua competência avaliada pela equivalência das suas escolhas para a hierarquia de trabalhos e artistas estabelecidos na história da arte. Assim sendo, o curador é confrontado com a obrigação paradoxal de investir em seleções que são o reflexo do seu gosto pessoal, mas também tem de se preocupar em investir em obras que são do gosto de uma comunidade, exaltando dessa forma valores coletivos certificados por procedimentos relativamente formais. Caso o curador falhe com esta tarefa, pode levar a que a pessoa a ocupar esse cargo sofra um declínio no seu posto. Este declínio da pessoa que ocupa o cargo que faz parte de uma instituição de serviço público torna-se ainda mais necessária, no caso do curador, devido ao risco inerente de erro na profissão. Isto parece ser ainda mais evidente porque a posição coloca o seu ocupante numa relação com os artistas, pelo menos em termos de trabalho no quadro do qual o curador é responsável pela aquisição, proteção, circulação e exposição. Traços deste tipo de abnegação, devoção por parte do curador individual para a causa binária da arte e serviço público, podem ser vistos em vários níveis: institucionalmente, de acordo com a longa tradição de evitar conflitos de interesse, especialmente no caso de interesse concedido a todos os funcionários públicos e em adição ao elevado nível de controlos e restrições autoimpostas; psicologicamente, de acordo com a suposição voluntária desses traços considerados apropriados para um curador; e financeiramente, devido aos ganhos relativamente baixos. Apesar de este fenómeno de rasura existir, deve-se encarar o problema de um ponto de vista positivo, em vez de um ponto de vista negativo. Este problema leva a que a função de curador de museus procure outros caminhos e, graças a este fenómeno, um caminho tem sido o de deslocar de uma curadoria da arte para uma curadoria de exposições. O acesso para a posição de autor de exposições evoca uma figura importada de outras disciplinas, que foram acima referidas, sendo que esta figura é irredutível da noção de posto como é da própria função. Parece que é através da redistribuição e redefinição das funções tradicionalmente dadas ao curador que aparecem novos postos para a profissão. E graças a isso, dentro das funções do curador, a única que consegue ser de certa maneira personalizável é a apresentação ao público, apesar de esta Thomas Pinto 22 - Reunião com Júlia Fernandes para combinar os aspetos mais técnicos da exposição, em que se decidiu onde imprimir e arranjar alguns dos materiais presentes na exposição, que ficaram ao cargo da Câmara Municipal de Vila Verde. Ficou então combinado onde se iriam imprimir as fotografias a exibir na exposição e a tarja com o mapa do concelho de Vila Verde. Ficou ainda decidido que os panfletos e os cartazes iriam ser impressos pelo próprio Município de Vila Verde juntamente com o empréstimo de 3 lenços dos Namorados. 18/07/2019 - Reunião com o coordenador Jean Yves Durand em que fiz um pequeno resumo de como estavam a correr os trabalhos de campo. 24/07/2019 - Reunião com Adélia Santos que nos indicou mais alguns pontos de interesse do património do concelho de Vila Verde e que nos forneceu algumas fotos que estiveram presentes na exposição. - Registo fotográfico do Fojo do Lobo, em Gondomar; da Igreja da Carvalhosa, ou Igreja de São Paio, ou Igreja Velha de Vila Verde, em Vila Verde; e da Ponte de Prado, em Prado. 31/07/2019 - Registo fotográfico da Torre de Gomariz, em Cervães. - Ida à ponte de Rodas, em Ponte S. Vicente, à ponte de Goães e à freguesia de Dossãos, que contem mamoas e a Atalaia do Borrelho. Era suposto fazer o registo fotográfico de todos estes sítios, mas tornou-se algo difícil, visto que as pontes estavam cobertas de vegetação e porque não encontramos os sítios de Dossãos. 13/08/2019 Vila Verde em exposição. História e cultura 23 - Recolha de material da Banda Musical de Aboim da Nóbrega que esteve presente na exposição. Foi emprestado um saxofone barítono com a sua caixa de transporte (esta peça não fez parte da exposição); um clarinete com a respetiva caixa de transporte; algumas peças de uma farda que a banda usou anteriormente, continha a gravata, o casaco e o chapéu, durante a exposição as restantes peças, como as calças e a camisa, fazem parte de um outro guarda roupa; e um quadro com duas fotografias da Banda Musical de Aboim da Nóbrega, uma do ano de 2000 e a outra de ano incerto. 23/08/2019 - Recolha do material da Banda Musical de Vila Verde que esteve presente na exposição. Foi emprestado um fliscorne; algumas peças de uma farda que a banda usou anteriormente, continha a gravata, o casaco e as calças, para a camisa da farda usei a camisa que se usava nessa altura e se escondia dentro do meu guarda roupa; e dois quadros com duas fotos distintas, um com uma foto do ano de 2011 (que acabou por não ser usada na exposição), e outra de ano incerto, apesar de se pensar ser da década de 1950. 28/08/2019 - Recolha do material de Abílio Ferreira que esteve presente na exposição, a saber, um traje de campo feminino, um traje de campo masculino, dois pratos, uma travessa, dois pares de talheres que incluem garfo e faca, duas malgas, um pano de linho, e dois instrumentos de trabalho, um engaço e uma malhadeira. Todos estes objetos estiveram expostos durante o tempo de exibição da exposição. 02/09/2019 Thomas Pinto 24 - Reunião com Júlia Fernandes para a entrega do projeto vetorizado do cartaz e do panfleto para a impressão dos mesmos, e onde se discutiu alguns aspetos técnicos da exposição. Ida à gráfica Vilaverdense para explicar o que se pretendia imprimir. 04/09/2019 - Levantamento dos cartazes e panfletos para a divulgação da exposição. - Entrega do projeto vetorizado do mapa que contêm alguns pontos de interesse/património do concelho de Vila Verde, a uma gráfica do concelho, que o imprimiu numa lona. 05/09/2019 - Divulgação do evento da exposição através das redes sociais como o Facebook e Instagram, e através da entrega dos cartazes e panfletos imprimidos anteriormente. Este processo de divulgação estende-se até ao dia anterior à estreia da exposição. 11/09/2019 - Impressão e levantamento das fotos que estiveram presentes na exposição, levantamento da lona que contém o mapa do concelho e levantamento dos lenços dos namorados fornecidos pela Câmara Municipal de Vila Verde. - Início da montagem da exposição na Biblioteca Professor Machado Vilela. 12/09/2019 - Final da montagem da exposição na Biblioteca Professor Machado Vilela. 14/09/2019 Vila Verde em exposição. História e cultura 25 - Estreia da exposição na Biblioteca Professor Machado Vilela. A estreia foi às 21h15h desse mesmo dia e contou com a presença de cerca de 30 pessoas. 20/09/2019 - Reunião com o diretor da Escola Secundária de Vila Verde para combinar um ou dois dias com certas turmas para ser feita uma visita guiada à exposição. Apesar de me ter reunido com o diretor da escola e ter ficado em aberto a hipótese de algumas turmas visitarem a exposição, não foi possível realizar esta atividade, visto que, apesar de me terem recebido de braços abertos, nunca me foi comunicado que turmas viriam e em que dias, mesmo tendo da minha parte contactado a escola por diversas vezes e ficar sempre sem resposta. - Reunião com Sandra Monteiro, diretora pedagógica da Escola Profissional Amar Terra Verde, para combinar a visita de algumas turmas à exposição. Neste caso já foi possível combinar com duas turmas para visitarem a exposição em dois dias distintos. 23/09/2019 - Visita guiada da exposição ao professor e coordenador deste projeto Jean Yves Durand e a Adélia Santos. 30/09/2019 - Visita guiada a uma das turmas da Escola Profissional Amar Terra Verde. 01/10/2019 - Visita guiada a outra turma da Escola Profissional Amar Terra Verde. Thomas Pinto 26 14/10/2019 - Desmontagem da exposição. 19/10/2019 - Devolução do material emprestado pela Banda Musical de Vila Verde. 21/10/2019 - Devolução do material emprestado pelo senhor Abílio Ferreira. 22/10/2019 - Devolução do material emprestado pela Banda Musical de Aboim da Nóbrega. 8/11/2019 - Reunião com Júlia Fernandes onde se fez o balanço deste evento e se discutiu outros projetos que poderiam desenvolver-se no futuro. 2.2. Desenvolvimento do projeto Neste segmento será relatada, de forma mais completa, a experiência vivida e adquirida no decurso do projeto de intervenção, concretamente as etapas de montagem da exposição Vila Verde em exposição: História e Cultura. Será abordado o trabalho realizado por mim, pelo Paulo Brandão e pelos restantes elementos que ajudaram a concretizar este projeto. Pretendo assim analisar os pontos registados no diário de campo, refletindo sobre eles, expondo os desafios que apareceram e o modo como estes foram ultrapassados. Tudo começou no início do ano letivo 2018/2019 em que apresentei como pré projeto para o trabalho de intervenção do mestrado em Comunicação, Arte e Cultura, a ideia de fazer uma exposição Vila Verde em exposição. História e cultura 27 sobre a história e cultura de Vila Verde. Não tardou muito até surgir o nome para este projeto. Ficou decidido que o nome para o projeto seria Vila Verde em Exposição: História e Cultura. Escolhi este nome porque em toda a sua extensão se percebe do que se trata esta exposição, um trabalho sobre Vila Verde, a história e a cultura que acompanham este concelho. Escolhi basear o meu projeto de intervenção neste concelho por vários motivos, entre eles o facto de ter crescido neste concelho, fator decisivo visto que é o concelho que me “formou” e viu crescer, o que faz deste trabalho uma espécie de homenagem pessoal ao concelho. Para além desse facto, existe também o motivo de ter tido sempre grande interesse sobre a cultura, história e património deste concelho, que infelizmente pouco conhecia. Por isso, este trabalho ajudou a conhecer um pouco mais sobre o que este concelho tem para oferecer. Outro motivo para a execução deste projeto prende-se com o facto de que sinto que pouco se sabe sobre o concelho por parte dos seus habitantes, desde a população mais jovem em idade escolar até às gerações que as precedem. Assim, visou esta iniciativa tentar fazer chegar aos habitantes do concelho um pouco mais sobre a sua história, património e cultura. Destes três pontos (história, património e cultura), o mais conhecido entre os habitantes desta região será a cultura, visto que este concelho tem uma cultura forte que não escapa muito do resto da região minhota. Temos assim uma cultura rural, em que o trabalho de campo, apesar de ser cada vez mais raro, ainda é uma das componentes muito fortes da cultura do concelho vila-verdense assim como de toda a região minhota. Feito o pré projeto de intervenção, seguimos então para a segunda fase que foi reunir com três elementos essenciais para a realização do plano, Júlia Fernandes, Adélia Santos e Paulo Brandão. Sendo Júlia Fernandes a Vereadora da Educação, Cultura e Ação Social da Câmara Municipal de Vila Verde, e já tendo contacto com a doutora no passado para a realização doutros projetos, pareceu-me sensato combinar com ela a exposição que previa realizar. Obtive luz verde por parte de Júlia Fernandes, e consequentemente do Município de Vila Verde, para levar este projeto avante. Para além de saber que seria possível executar o plano, ficou também combinado o local e o espaço temporal em que este projeto se iria realizar, a Biblioteca Professor Machado Vilela entre os meses de setembro e outubro. Depois da reunião com Júlia Fernandes, o segundo passo desta fase foi a reunião com Adélia Santos, responsável pelo departamento do património do concelho de Vila Verde. Foi a vereadora que sugeriu que me reunisse com Adélia Santos, o que fez sentido para mim, visto que se trata da pessoa Thomas Pinto 28 responsável pelo património vila-verdense, algo que estaria muito presente neste trabalho. Assim sendo, reuni-me com Adélia Santos que se mostrou muito prestável para ajudar na realização deste projeto. Nesta reunião, foi-me disponibilizada uma lista com vários pontos turísticos e do património do concelho de Vila Verde que poderiam estar presentes nesta exposição. Para além desta lista de pontos turísticos, Adélia Santos forneceu também alguns títulos e autores que escreveram sobre a história do concelho, entre os quais Serra Nevada, que se tornou uma das peças fundamentais para a realização da exposição. Relativamente a publicações, para além das editadas por Serra Nevada, Adélia Santos sugeriu que fizesse pesquisa em publicações do município lançadas todos os meses, as Agendas Culturais. Estas agendas tratam de vários temas relativos ao concelho, tais como história, planos municipais para melhoria em vários sistemas das freguesias do concelho, cartaz cultural, etc. O terceiro elemento fundamental para a realização deste projeto foi Paulo Brandão, que se mostrou desde logo disponível a participar na iniciativa. Estudante no curso de Ciências da Comunicação na Universidade do Minho, e antigo colega de trabalho, Paulo Brandão foi fundamental para a realização deste projeto na parte audiovisual, na pesquisa e na própria montagem da exposição. Como meu braço direito, Paulo Brandão esteve encarregue de fotografar e fazer a gravação audiovisual de todos os locais do concelho pelo qual passámos e das pessoas que entrevistámos, para além de fazer posteriormente a edição destes registos. Estavam assim reunidos os três elementos essenciais para a realização da exposição, e tendo a confirmação de ambos na realização deste projeto, a meados do mês de novembro, foi executado um trabalho de pesquisa sobre o concelho que durou até meados de janeiro 2019 (sendo retomado o trabalho de pesquisa posteriormente) na Biblioteca Professor Machado Vilela. Foi também a meados de janeiro de 2019 que tive a primeira reunião com Tiago Lopes, diretor e bibliotecário da Biblioteca Professor Machado Vilela, para decidir as salas a serem usadas para a exposição, a data e tempo de exibição entre outros pormenores. Ficou então decidido que a exposição iria estar em exibição no Salão Nobre e Sala Polivalente da Biblioteca Professor Machado Vilela do dia 14 de setembro ao dia 12 de outubro, tendo a inauguração ocorrido no dia 14 de setembro por volta das 21h. Apesar de se ter decidido que a exposição iria ocupar duas salas deste edifício, percebeu-se depois que seria pouco viável esta opção tendo a exposição ocupado apenas o Salão Nobre. No final do mês de janeiro fui juntamente com o Paulo Brandão à Biblioteca Professor Machado Vilela para lhe apresentar o edifício. Nessa manhã decidimos o que ia integrar a exposição e onde Vila Verde em exposição. História e cultura 29 estariam expostos os objetos que seriam recolhidos. Apesar de termos feito o esboço (Figura 1) das salas a serem usados e os objetos a serem expostos, tanto um como o outro sofreram algumas diferenças relativamente ao que foi o trabalho exposto no final. Estas diferenças notaram-se mais no número de salas a serem usadas do que propriamente os objetos que foram expostos. Tal como referido anteriormente, a sala usada foi apenas o Salão Nobre da biblioteca. No que toca aos objetos, as fardas e fotos das bandas filarmónicas mantiveram-se no mesmo local que foi programado no esboço, o mesmo sucedeu com o mapa com o património do concelho de Vila Verde. Figura 1: - Planta/esboço provisório da exposição Vila Verde em Exposição: História e Cultura Houve uma diferença relativamente ao espaço para a projeção e os lenços dos namorados, ambos se mantiveram na caixa, que está dividida em dois compartimentos e que está no centro da sala; a diferença é que tivemos de trocar os compartimentos, que originalmente estavam planeados, por motivos logísticos. Na parte de fora dessa mesma caixa, ficou programado que esta estaria repleta de fotos de locais do concelho de Vila Verde. No final, essa mesma caixa, no lado de fora, teve uma das faces com fotos de locais de interesse do concelho, na face contrária foram expostas fotografias do centro de Vila Verde, com fotografias antigas e com fotografias desses mesmos sítios nos dias de hoje, com o intuito de mostrar o que mudou no centro de Vila Verde. Apesar de algumas diferenças óbvias do que fora antes o centro de Vila Verde com o que se vê hoje em dia, podemos verificar que não existe uma Thomas Pinto 30 divergência tão chocante como seria de esperar. Na face da caixa contrária às entradas para os compartimentos dos lenços dos namorados e da projeção, estava programado expor fotografias com o património do concelho de Vila Verde, como foi referido anteriormente. No entanto, essa ideia foi depois abandonada, sendo que esta face teve exposto ferramentas de trabalho de campo, assim como trajes de trabalho de campo e objetos de refeição, como talheres, pratos, malgas de onde se bebia o vinho e uma travessa. Depois de passarmos uma manhã a formalizar e planear o espaço e objetos a serem expostos, houve ainda oportunidade para fazer uma espécie de visita guiada de Vila Verde ao Paulo Brandão. Nessa tarde, enquanto fazíamos essa visita, aproveitámos para fazer fotografas e registo de vídeo a alguns pontos de interesse existentes em Vila Verde. Ao tirar as fotografias, fomos também combinando o que poderia fazer parte da exposição e o que não teria tanto interesse, e que seria mais tarde descartado. Seguimos então para meados do mês de fevereiro de 2019. Como tinha a ideia de fazer um vídeo que iria incorporar uma parte sobre a história do concelho de Vila Verde e estórias de seus habitantes, ocorreu a ideia de entrevistar a minha avó, que mora, e sempre morou, na freguesia de Covas, umas das últimas freguesias do concelho e que faz fronteira com o concelho de Ponte da Barca. Decidimos aparecer de “surpresa” para lhe explicar o que pretendíamos fazer. Apesar da boa vontade, a minha avó Rosa Fernandes não se sentiu confortável para falar em frente à câmara, pelo que não foi possível fazer um registo audiovisual do seu testemunho e das suas estórias. Mas nem tudo estava perdido, como não se sentiu à vontade para falar em frente à câmara, Rosa Fernandes indicou-nos que tentássemos falar com a sua vizinha, Delfina Fernandes, para nos dar a entrevista que queríamos. Como naquele dia a Delfina Fernandes não se encontrava em casa não conseguimos falar com ela, mas a minha tia tratou de falar com ela mais tarde sobre o que pretendíamos fazer e combinamos um dia para lá aparecer e fazer o registo audiovisual do seu testemunho e de outra vizinha. Nessa mesma tarde, depois de tentarmos fazer o registo audiovisual do testemunho da minha avó, seguimos para a freguesia de Aboim da Nóbrega na tentativa de encontrar as ruínas do Castelo de Aboim. Tentámos chegar lá através do GPS que nos indicou uma rota quase impossível de seguir. Ficámos um pouco desanimados porque parecia que não seria possível lá chegar, mas não nos demos por vencidos e perguntámos a alguns residentes da freguesia outra maneira de chegar às ruínas do Castelo. Tendo assim outra rota possível para lá chegar, seguimos então as indicações dadas pelos residentes, o que se tornou bastante mais simples do que as indicações do GPS. A meio do caminho já Vila Verde em exposição. História e cultura 31 conseguíamos perceber onde se situavam as ruínas do Castelo, que estavam no cimo de um monte representando um grande aglomerado rochoso. Chegando ao topo do monte onde se situava o Castelo, fizemos o registo fotográfico do sítio. Para além do registo fotográfico, estivemos também a explorar o local onde se situava o Castelo. Apesar de só restar um aglomerado de pedras, que pouco se parecia com uma antiga estrutura defensiva, são ainda visíveis sinais de uma anterior existência do tal Castelo. Entre eles notámos que havia pedras com pequenos buracos que poderiam ter servido de buracos de poste para estruturas em madeira, assim como caminhos pedonais e um aglomerado de pedras, que apesar de estar em más condições, sugeriam a existência anterior de um lanço de escadas. Chegando o mês de março, entrei em contacto com Júlia Fernandes para que me fornecesse o contacto telefónico de Serra Nevada. Tendo essa informação em meu poder, fiz de imediato o contacto, para fazer agendar uma entrevista sobre a história do concelho de Vila Verde, sobre a obra do autor e um pouco sobre as suas estórias de vida. De início, Serra Nevada mostrou-se um pouco confuso e cético sobre o que queríamos fazer, mas, apesar de tudo, marcamos uma reunião para que pudéssemos falar melhor sobre o projeto e de como este nos poderia ajudar com a sua participação. Visto que nos íamos encontrar com Serra Nevada, no dia a seguir a contactá-lo, fui juntamente com o Paulo à Biblioteca Professor Machado Vilela fazer uma breve pesquisa da vida e obra do autor para ter algumas bases para perguntas que poderiam ou não fazer parte da entrevista. Nessa mesma tarde fomos ao Monte S. Julião, na freguesia de Ponte S. Vicente, onde tentámos fazer o registo fotográfico do sítio onde outrora existiu um povoado mineiro pré-romano, o que se tornou impossível devido à vegetação alta que escondia as provas arqueológicas da existência desse povoado. Senti-me desiludido por não conseguir fazer qualquer tipo de registo fotográfico ao sítio, visto que as ruínas deste povoado estavam completamente ao abandono, quando este é um dos marcos patrimoniais mais importantes do concelho e seria uma das partes da exposição que mais gostaria de ter presente. Assim sendo, a ideia de incluir o castro do Monte S. Julião na exposição caiu por terra no momento em que lá chegamos. Parece, na verdade, haver um certo desinteresse ou despreocupação por parte do município de Vila Verde em recuperar e preservar este tipo de património cultural. Fiquei, no entanto, a saber que existem poucos recursos financeiros para preservar o património do concelho e que existe uma associação que está a tentar recuperar e preservar o castro de S. Julião. Thomas Pinto 38 Marrancos e tem outro projeto em mãos, um museu-casa com peças que fariam parte de uma casa da sua geração. Já existe este museu-casa que não se encontra aberto ao público, mas a que tivemos a oportunidade de fazer uma visita guiada, visto que, segundo o responsável, ainda se encontra incompleta apesar de já estar bem recheada. Depois de vermos então a extensa coleção de Abílio Ferreira, ficou combinado que este nos iria emprestar um traje de campo feminino, um traje de campo masculino, dois pratos, uma travessa, dois pares de talheres que incluem garfos e facas, duas malgas, um pano de linho e dois instrumentos de trabalho de campo, um engaço e uma malhadeira. Todos estes objetos estiveram presentes na exposição. Seguimos assim para o tão esperado mês de inauguração da exposição, o mês de setembro. Começámos por ter uma reunião com Júlia Fernandes, durante a qual entregámos os projetos vetorizados do cartaz e panfletos para se proceder à impressão dos mesmos para a divulgação da exposição. Para além disso, discutimos também alguns aspetos técnicos da exposição, entre eles, decidimos onde seria imprimido o mapa com os pontos de interesse/património do concelho, o sítio indicado por parte do município foi a gráfica Vilaverdense, visto que a Câmara Municipal de Vila Verde tem acordo com esta gráfica. Depois da reunião com Júlia Fernandes, dirigimo-nos então à gráfica Vilaverdense para explicar o que pretendíamos que fosse imprimido. Ficou decidido que devido ao grande tamanho que este mapa iria ter, o melhor seria imprimir o mesmo numa lona. Dois dias depois, foi então feito o levantamento dos cartazes e panfletos na Câmara Municipal de Vila Verde para a divulgação da exposição. Depois de levantado o grande número de cartazes e panfletos, fomos até à gráfica Vilaverdense para entregar o projeto do mapa que contém alguns dos pontos de interesse/património do concelho de Vila Verde, que estaria pronto passado alguns dias. De seguida, eu e o Paulo Brandão dirigimo-nos à minha casa para preparar os cartazes e panfletos para distribuir nos dias seguintes. Não tivemos grande preocupação com os cartazes, mas os panfletos roubaram algumas horas do nosso tempo, visto que tivemos de dobrá-los para não ficarem tão grandes e para ficarem mais apetecíveis à primeira vista. No dia a seguir a receber os panfletos e os cartazes, foi dia de fazer a divulgação física e digital da exposição. Comecei assim na manhã do dia 5 de setembro a espalhar por Vila Verde os quinhentos panfletos e os 50 cartazes. Espalhei os cartazes e os panfletos em sítios estratégicos, tais como a Escola Secundária de Vila Verde, a Escola Profissional Amar Terra Verde, o posto de turismo de Vila Verde, a Câmara Municipal de Vila Verde, a Biblioteca Professor Machado Vilela, a Academia de Música de Vila Verde, a central de autocarros de Vila Verde e cafés e pastelarias da zona. Para além desses sítios, Vila Verde em exposição. História e cultura 39 também foram postos cartazes em locais públicos abertos, e panfletos em carros que estavam estacionados em Vila Verde. Consegui distribuir todos os cartazes e panfletos por volta da hora do almoço, algo que pensei que não fosse possível visto que eram em número elevado. Tendo então despachado os formatos físicos de divulgação da exposição, foi a vez de tratar do formato digital durante essa mesma tarde. Comecei por criar um evento de divulgação da exposição no Facebook, onde convidei cerca de trezentas pessoas da minha lista de amigos. Depois de criado o evento e ter enviado os convites, divulguei-o no mural do meu Facebook, assim como em algumas páginas e grupos da zona de Vila Verde, e também no meu perfil de Instagram. Apesar de ter conseguido resolver a publicidade da exposição em formato físico numa manhã, a publicidade via digital foi sendo contínua até ao dia de estreia da exposição. Cerca de uma semana depois de ter começado a fazer a divulgação da exposição, chegou o dia em que eu e o Paulo Brandão começámos a tratar da montagem. Durante a manhã do dia 11 de setembro tratei da impressão e levantamento das fotos que estiveram presentes na exposição, fiz o levantamento da lona com o mapa do concelho de Vila Verde e fiz o levantamento dos lenços dos namorados emprestados pela Câmara Municipal de Vila Verde. Tendo assim o material todo reunido e pronto para começar a montar a exposição, fui buscar o Paulo Brandão e dirigimo-nos à Biblioteca Professor Machado Vilela. Chegando lá, tratámos de levar todo o material que tínhamos para o Salão Nobre (sala onde foi exibida a exposição). Antes de começarmos a montar as primeiras peças sentia-me um pouco cético e pessimista quanto ao resultado final desta exposição, mas bastou pôr a primeira peça para esses sentimentos se desvanecerem e começar a sentirme mais otimista quanto ao resultado final. Começámos por montar as peças que faziam parte da zona folclórica/rural da exposição, apesar de esta ser das últimas zonas do percurso. A primeira peça a assumir o seu lugar foi o traje feminino de campo. Foi quando esta peça assumiu o seu lugar que percebi que se calhar esta exposição não iria ficar tão mal quanto eu cheguei a temer, e me deu outra esperança e otimismo para continuar a montála. Seguiu-se então o traje de campo masculino, os dois instrumentos de trabalho de campo, o engaço e a malhadeira, que ficaram ao lado dos trajes, o engaço ao lado do traje feminino e a malhadeira ao lado do traje masculino, o jugo, que ficou acima e entre os dois trajes, tendo assim um lugar central na parede com o espólio folclórico. Abaixo do jugo, e também na zona central dessa parede, ficou uma vitrine onde foram expostos os talheres, os pratos, a travessa, as malgas e o pano de linho que foram dispostos como se estivessem numa mesa durante um almoço ou jantar. Thomas Pinto 40 Figura 3 - Fotografia da parede em que foram expostos elementos folclóricos. Figura 4 - Detalhe da vitrine com os elementos de uma mesa expostos na zona folclórica. Vila Verde em exposição. História e cultura 41 Tendo assim a primeira zona pronta, passámos para a zona contrária a essa parede, que foi dedicada às bandas do concelho. Na parede da caixa que está no meio da sala, entre as duas entradas que dão ao interior da caixa, onde ficaram os lenços e a reprodução do vídeo, foi onde foram colocados os instrumentos e as fotos emprestadas pelas duas bandas filarmónicas. Os instrumentos expostos foram o fliscorne, emprestado pela Banda Musical de Vila Verde, que ficou pendurado no meio dessa mesma parede, e o clarinete juntamente com a sua caixa, emprestado pela Banda Musical de Aboim da Nóbrega, que ficou exposto numa vitrine por baixo do fliscorne. Quanto às fotografias, estas ficaram expostas mais ou menos a meia altura da caixa e a mais ou menos 30 centímetros das entradas, sendo que a fotografia da Banda Musical de Vila Verde ficou do lado esquerdo e a fotografia da Banda Musical de Aboim da Nóbrega ficou do lado direito dessa mesma caixa. Figura 5 - Fotografia da parede com os instrumentos e fotografias das bandas musicais do concelho de Vila Verde. Nesta mesma zona, em frente a esta parede, ficaram as fardas de ambas as bandas. Para expor as fardas foram usados dois manequins, que foram emprestados por uma amiga de família que tem uma loja de roupa e os tinha guardados no armazém da loja. Assim sendo, depois de montar os Thomas Pinto 42 manequins, vestimo-los com as fardas que estavam incompletas. Relembre-se que da Banda Musical de Aboim da Nóbrega tinha sido emprestado um chapéu, um casaco e uma gravata, e da Banda musical de Vila Verde um casaco, uma gravata e um par de calças. As peças em falta foram emprestadas pelos guardas roupas de minha casa. Na farda da Banda Musical de Aboim da Nóbrega foi acrescentado então uma das minhas camisas brancas e umas calças cinzentas da minha mãe. Quanto à farda da Banda Musical de Vila Verde foi acrescentada a antiga camisa daquela farda que eu tinha no meu guarda roupa, da altura em que andei na banda. Calhou bem ainda ter essa camisa em minha casa visto que é a camisa que se usava com essa farda. O único problema que encontrámos com os manequins é que um deles não tinha cabeça, ficando assim pouco simétrico, e no caso da farda, foi não haver um chapéu para a farda da Banda Musical de Vila Verde. Figura 6 - Fotografia com as antigas fardas das bandas musicais do concelho de Vila Verde. Estando o dia a chegar ao fim e tendo já quase metade da exposição montada, foi altura de montar o mapa do concelho de Vila Verde com os pontos de interesse/património. Para tal, já tínhamos uma parede pronta para este mapa, sendo que as medidas do mapa foram pensadas para que este fosse exposto nessa mesma parede. Não foi difícil expor este mapa, tivemos apenas de tirar umas medidas para este ficar mais ou menos centrado nessa parede, e assim, depois de tiradas as medidas, esticámos o mapa na parede e prendemo-lo com parafusos. Vila Verde em exposição. História e cultura 43 Figura 7 - Fotografia da parede com o mapa do património do concelho de Vila Verde. Terminámos assim o primeiro dia de montagem da exposição, e voltámos no dia a seguir à Biblioteca Professor Machado Vilela para terminar o que não tínhamos feito no dia anterior. Começámos por tratar da parte dos Lenços dos Namorados. Esta parte revelou-se ser de montagem simples, visto que tivemos apenas que pôr uma vitrine dentro da caixa, do lado esquerdo, e os três lenços dentro desta mesmo vitrine. Thomas Pinto 44 Figura 8 - Detalhe da vitrine que contêm os Lenços dos Namorados. Depois de tratada a parte dos Lenços dos Namorados, decidimos tratar da parte em que iria estar o vídeo em reprodução. Este ficou no lado direito da caixa, e em vez de ser feita uma projeção do vídeo, como teria sido pensado originalmente, pusemos uma televisão dentro deste compartimento. Escolhemos pôr a televisão porque esta encontrava-se parada numa das salas da Biblioteca e porque revelou ser mais simples a sua inclusão por motivos logísticos. Vila Verde em exposição. História e cultura 45 Figura 9 - Detalhe da televisão para a reprodução do vídeo da exposição. Tratada então a secção dos Lenços dos Namorados e da reprodução do vídeo sobre a história e cultura de Vila Verde, foi a vez de expor as fotografias que ficaram nas laterais da caixa. Na primeira secção de fotografias, a que ficou como o início do percurso da exposição, foram expostas três fotografias do património e cultura de Vila Verde. A primeira fotografia contém uma fonte. Esta fonte encontra-se no centro de Vila Verde e é a primeira fonte existente nesta freguesia, o que tem grande importância, pois foi a partir deste ponto que se começou a formar o centro e a própria freguesia de Vila Verde. Na segunda fotografia temos o detalhe do teto de um alpendre da capela de Santa Luzia na freguesia de Vilarinho. Na terceira e última fotografia desta secção, podemos ver a cerimónia da bênção dos animais em Santo António Mixões da Serra, Valdreu. As duas primeiras fotografias são da autoria de Paulo Brandão, enquanto que a última foi fornecida por Adélia Santos. Thomas Pinto 46 Figura 10 - Parede com as fotografias do património e pontos de interesse do concelho de Vila Verde. Faltava então tratar da última parede desta caixa e da exposição para terminar a sua montagem. Nesta última parede expusemos três fotografias do centro de Vila Verde num antigamente impreciso, mas que se pense que seja de finais do século XIX ao início do século XX, e por baixo dessas fotografias, a versão dos mesmos sítios, mas nos dias de hoje. As fotografias antigas foram fornecidas por Adélia Santos e faziam parte de postais alusivos a Vila Verde, enquanto que as fotografias novas foram tiradas pelo Paulo Brandão. Tive a ideia de fazer esta parede do “antes e depois” quando Adélia Santos nos forneceu essas fotografias. Parecia fazer sentido incluir esta parte porque sempre tive curiosidade de saber como seria Vila Verde no século anterior e como esta vila teria crescido e mudado. Aliando esta minha curiosidade pelo antigo aos recursos que nos foram fornecidos, achei também por bem mostrar às pessoas que visitaram a exposição, o antigamente de Vila Verde e como esta era relativamente aos dias de hoje. Vila Verde em exposição. História e cultura 47 Figura 11 - Parede com as fotos do “antes e depois” do centro de Vila Verde. Estava então assim finalizada a montagem da exposição. Para terminar este dia de montagem, tivemos apenas que colocar as legendas de cada peça junto às mesmas. Depois de tudo pronto, fizemos duas voltas à exposição para praticar o que eu iria dizer quando apresentasse a exposição no dia de estreia, e noutras ocasiões em que daria visitas guiadas da mesma. Terminada então a montagem da exposição, foi altura de refletir um pouco sobre a sua montagem. Na semana antes de montar a exposição sentia-me de algum modo cético e pessimista em relação ao resultado final da mesma. Como foi referido anteriormente, só quando comecei a montar a exposição com o Paulo Brandão, e quando as primeiras peças conheceram o seu lugar expositivo, é que comecei a sentir que, se calhar, o resultado não iria ficar tão mau como teria pensado anteriormente. Depois de já estar preparada a primeira parede que montámos, a da zona rural/folclórica, é que comecei realmente a gostar do resultado e a perceber que o resultado final não iria ficar tão mau como previra. Continuando a montagem da exposição, fui reparando que tudo encaixava perfeitamente e parecia haver uma certa harmonia no trabalho expositivo. No final da montagem sobraram algumas peças que estavam previstas estarem presentes na exposição, mas depois de meia dúzia de voltas feitas à exposição, depois de esta estar toda pronta, é que percebi que realmente, as peças que tinham sobrado, eram Thomas Pinto 54 Vila Verde em exposição. História e cultura 55 Considerações finais Um mês de exibição oncluído o trabalho prático da montagem da exposição, deu-se um tempo de reflexão sobre o trabalho efetuado para a realização da exposição, uma reflexão sobre o mês em que esta esteve em exibição e sobre a pós-produção deste projeto. Desde o início que houve desafios para a realização deste projeto. Os primeiros desafios que se depararam perante mim foi o local em que a exposição iria ter lugar, as pessoas que poderiam ajudar na realização deste projeto e o que seria exibido. Apesar de serem os primeiros desafios a aparecer, estes verificaram-se fáceis de resolver, visto que obtive luz verde e apoio por parte das instituições e pessoas que convidei a fazer parte deste projeto, e me ajudarem a concretizá-lo. Os maiores desafios encontrados, foram a recolha de material audiovisual, testemunhos e objetos a serem recolhidos. Como referido anteriormente, no que toca à recolha de material audiovisual, eu e o Paulo Brandão tivemos dificuldade em fotografar alguns dos pontos de turismo/património do concelho, visto que estes se encontravam ao abandono e cobertos de vegetação, sendo assim impossível, ou quase, visualizar o que a vegetação escondia. Relativamente aos testemunhos, obtivemos dificuldade em obter estórias de algumas pessoas que não se sentiam confortáveis com a câmara apontada a elas próprias. Para além da Rosa Fernandes, sentimos algum desconforto por parte da Delfina Fernandes e da Maria Barbosa em testemunhar o que tinham vivido no passado, apesar destas nos terem recebido de boa vontade para o fazer. No que toca aos objetos expostos, a maior dificuldade foi em escolher o que iriamos expor, sendo que tínhamos uma ideia do que queríamos mostrar, mas só quando se deu a recolha dos objetos e a montagem da exposição é que tivemos a certeza do que iria ser exposto e o que seria por nós reprovado. C Thomas Pinto 56 Se recuássemos um ano antes da estreia da exposição, veríamos que o que estava pensado ser feito acabou por sofrer várias mutações da ideia original. Houve ideias que foram descartadas e outras que apareceram e substituíram as anteriores. Apesar dos vários desafios encontrados, foi sempre possível resolvê-los de outra maneira, chegando assim ao resultado final, que de certa forma foi pensado desde início, mas com várias mudanças pelo meio. Relativamente à estreia da exposição, tudo correu como previsto. Obtivemos uma boa audiência que se mostrou satisfeita com o resultado final do projeto. A exposição foi mencionada por dois jornais locais, o Semanário V e o Vilaverdense . Para além do Paulo Brandão, tivemos um repórter fotográfico do jornal Vilaverdense , que fez um pequeno artigo online sobre a exposição. Não foi feita qualquer tipo de entrevista, o artigo limitou-se a “publicitar” a exposição, o que ajudou a levar mais alguns visitantes durante o tempo em que esta esteve em exibição. Para finalizar, gostaria de referir que obtive uma boa experiência na realização desta exposição, que, de certa maneira, me realizou e me motivou a realizar mais projetos deste género. Espero ter mais experiências destas no futuro, e, quem sabe, que seja o caminho da minha vida profissional. Mais uma vez gostaria também de deixar uma palavra de apreso e agradecimento aos intervenientes neste projeto, visto que sem a sua ajuda não seria possível. Vila Verde em exposição. História e cultura 57 Referências bibliográficas 1. Bibliografia Blanco, Á. G. (1999). La Exposición: un medio de comunicación. Madrid: Akal . Cury, M. X. (2005). Comunicação e pesquisa de recepção: uma perspectiva teórico-metodológica para os museus. História, Ciências, Saúde - Manguinhos , 365-380. Durand, J.-Y., Saraiva, C., & Salesse, E. (2004). Vila Verde: Uma Etnografia no Presente. Vila Verde: Câmara Municipal de Vila Verde. Foucault, M. (1975). Surveiller et punir. Editions Gallimard. Greenberg, R., W. Ferguson, B., Nairne, S., Bennett, T., Ramírez, M., Alloway, L., . . . Pollak, M. (1996). Thinking About Exhibitions. TAYLOR & FRANCIS LTD. 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