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Formação-ação e investigação em mediação intercultural: uma comunidade de aprendizagem

Silva, Ana Maria Costa e; Costa, Elisabete Pinto da

Abstract

[Excerto] A práxis da mediação desenvolve-se através de um processo em que a formação e a ação dos mediadores se retroalimentam e aprofundam progressivamente. Esta constatação alicerça-se nas experiências em que temos participado no âmbito de projetos internacionais e locais e nos testemunhos de muitos mediadores, nomeadamente interculturais. A formação especializada dos mediadores é essencial à realização da sua ação, à construção de um perfil profissional específico e sólido, diferenciado e complementar de outros profissionais. Para agir responsavelmente, os mediadores interculturais precisam conhecer o significado da mediação e da mediação intercultural, a sua natureza, os seus fundamentos e princípios e os procedimentos metodológicos e éticos que lhe são específicos. Este conhecimento teórico-metodológico e ético, sendo fundamental, é insuficiente quando distanciado ou abstraído da ação. Porém, também a ação dos mediadores deve ser sustentada neste conhecimento. À práxis da mediação são essenciais conhecimento e ação, ambos fortalecidos mutuamente através da formação-aprendizagem e da (auto)supervisão. Este texto documenta uma experiência de formação-ação-investigação em mediação intercultural concretizada através da constituição e desenvolvimento de uma comunidade de aprendizagem.

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Formação-Ação e Investigação em Mediação Intercultural: Uma Comunidade de Aprendizagem https://doi.org/10.21814/uminho.ed.63.10 Ana Maria Costa e Silva Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade, Instituto de Ciências Sociais, Universidade do Minho, Braga, Portugal/Instituto de Educação, Universidade do Minho, Braga, Portugal https://orcid.org/0000-0001-8598-7243 [email protected] Elisabete Pinto da Costa Centro de Estudos Interdisciplinares em Educação e Desenvolvimento, Instituto de Mediação, Universidade Lusófona do Porto, Porto, Portugal https://orcid.org/0000-0002-6255-4135 elisabete.pinto.c[email protected] Introdução: Construindo uma Comunidade de Aprendizagem A práxis da mediação desenvolve-se através de um processo em que a formação e a ação dos mediadores se retroalimentam e aprofundam progressivamente. Esta constatação alicerça-se nas experiências em que temos participado no âmbito de projetos internacionais e locais e nos testemunhos de muitos mediadores, nomeadamente interculturais. A formação especializada dos mediadores é essencial à realização da sua ação, à construção de um perfil profissional específico e sólido, diferenciado e complementar de outros profissionais. Para agir responsavelmente, os mediadores interculturais precisam conhecer o significado da mediação e da mediação intercultural, a sua natureza, os seus fundamentos e princípios e os procedimentos metodológicos e éticos que lhe são específicos. Este conhecimento teórico-metodológico e ético, sendo fundamental, é insuficiente quando distanciado ou abstraído da ação. Porém, também a ação dos mediadores deve ser sustentada neste conhecimento. À práxis da mediação são essenciais conhecimento e ação, ambos fortalecidos mutuamente através da formação-aprendizagem e da (auto)supervisão. Este texto documenta uma experiência de formação-ação-investigação em mediação intercultural concretizada através da constituição e desenvolvimento de uma comunidade de aprendizagem. As comunidades de aprendizagem são constituídas por Formação-ação e InvestIgação em medIação Intercultural 178 pessoas que partilham interesses e conhecimentos comuns e diversos com base num programa construído a partir desses interesses e partilhado entre todos os membros dessa comunidade (A. Silva et al., 2016, 2017; Wenger, 1998/2001). Estas comunidades de prática são, simultaneamente, espaços de partilha de conhecimentos e de aprendizagens e espaços abertos de questionamento e reflexão sobre temáticas específicas, que albergam e celebram a diversidade de perspetivas disciplinares e o cruzamento de saberes práticos e académicos. Imaginam-se como espaços de co-aprendizagem a partir de uma identificação inicial das experiências e dos saberes dos que as integram e de busca ativa de respostas para as perguntas que qualquer um possa formular no seu seio. (A. Silva et al., 2016, p. 21) Neste caso, a comunidade de prática e de aprendizagem constituiu-se a partir dos interesses das comunidades locais de mediadores interculturais, que integraram os projetos de mediação municipal intercultural (PMMI), e da comunidade académica, investigadores e formadores de várias Instituições do ensino superior do norte de Portugal e membros da Rede de Ensino Superior de Mediação Intercultural (grupo de trabalho território). A sua finalidade foi a de contribuir para a construção, desenvolvimento e aprofundamento de saberes no âmbito da mediação intercultural através da partilha de conhecimentos e experiências e da investigação-ação colaborativa. A investigação-ação é uma metodologia que assume a participação e cooperação dos vários participantes e visa a inovação e transformação das práticas sociais através da articulação entre investigação, ação e formação (A. Silva et al., 2020). O foco de interesse e de aprendizagem, no caso desta comunidade de prática, foi a mediação intercultural nos territórios, específicos e diferenciados entre si, partilhando todos eles do interesse e da ação de mediadores interculturais recém-formados nesta área específica, através de uma formação básica de curta duração de mediação intercultural (20 h). O perfil dos mediadores interculturais em Portugal encontra-se definido no Quadro de Nacional de Qualificações, com o código 762387 desde 29 de janeiro de 2022, descrevendo o um conjunto de ações que deve realizar, concretamente: colaborar na integração de diferentes grupos étnicos e culturais (comunidades migrantes, comunidades ciganas, entre outras), intervindo no planeamento, organização, implementação e avaliação de projetos e/ou atividades de mediação intercultural, estabelecendo processos integrados de comunicação, facilitação, mediação e negociação entre as partes envolvidas no quadro de uma cidadania ativa e inclusiva, prevenindo situações de vulnerabilidade, tensão, risco e/ou conflito (Catálogo Nacional de Qualificações, 2022). Sabemos que esta definição é posterior à data em que os mediadores interculturais a que nos referimos iniciaram a sua ação (2019). Assim, podemos interrogar-nos se a sua experiência e questionamentos poderão ter sido fundamentais para a definição deste perfil, embora já viesse a ser discutido e apresentado em trabalhos de investigação e investigação-ação diversos (e.g., A. Silva et al., 2010; Ramos, 2016; D. Silva & Silva, 2018). No mesmo documento prevê-se um MEDIAÇÃO INTERCULTURAL 179 total de 1.000 h de formação para alcançar os conhecimentos, aptidões e atitudes necessárias ao desempenho das atividades de mediação intercultural. Todavia, a formação da maioria das pessoas que constituíam as equipas de mediadores interculturais e respetivas/os coordenadoras/es nesta área não era exigida no aviso de candidatura (Aviso n.º POISE33-2018-06; Programa Operacional Inclusão Social e Emprego, 2018), pelo que grande parte das pessoas, à data do início de implementação dos projetos, apenas contava com as 20 h de formação básica especializada, garantida pelo Alto Comissariado para as Migrações, entre fevereiro e maio de 2019. Tendo em conta o que atualmente se encontra definido para o perfil dos mediadores interculturais (conhecimentos, atitudes, aptidões e horas de formação), compreende-se que a formação que detinham era manifestamente insuficiente para desenvolverem as atividades de mediação intercultural. Neste sentido, à data da constituição desta comunidade de aprendizagem, eram muitos os desafios e os questionamentos formulados pelo grupo. Era, também, forte a motivação e o interesse para partilhar dúvidas, conhecimentos e encontrar respostas e saberes pertinentes para a mudança, inovação e desenvolvimento da coesão social nas comunidades através da mediação intercultural. Este facto, foi fortemente mobilizador para a formação-ação-investigação que foi desenvolvida, tanto mais que a investigação-ação e a mediação têm características comuns e relacionadas que se retroalimentam: ambas buscam a construção de comunidades (auto)críticas, solidárias e coesas através de um processo sistemático de reflexão, diálogo, questionamento e cooperação com vista à inovação e à melhoria da qualidade dos contextos e da ação dos intervenientes (Silva & Carvalho, 2016, p. 102). (A. Silva et al., 2020, p. 9) A dimensão reflexiva é uma característica importante da investigação-ação e também da mediação, constitui um pilar essencial para a análise das práticas, a consolidação de aprendizagens e construção de saberes que as comunidades de prática e de aprendizagem ajudam a desenvolver. São comunidades de diálogo e reflexões partilhadas na ação e sobre a ação (Schön, 1994). O processo de análise e reflexão nas e sobre as práticas é essencial ao desenvolvimento de uma identidade profissional e de um profissional competente; a análise e reflexão partilhada entre pares que atuam na mesma área, formadores e investigadores permite o debate e o aprofundamento dos conhecimentos e a consolidação dos saberes teóricos e de/na ação. A experiência que aqui partilhamos nasce em 2019, ano em que se começaram a implementar a terceira geração1 de PMMI a nível nacional. A formação especializada das equipas de mediadores (12 equipas distribuídas pelos distritos de Braga, Porto, Aveiro, 1 Dando sequência ao Projeto de Mediação Intercultural nos serviços públicos e ao Projeto de Mediadores Municipais, que decorreram entre 2009 a 2015, em 2018, o Alto Comissariado para as Migrações, organismo intermédio do Programa Operacional Inclusão Social e Emprego, publicou a 27 de abril, no Balcão 2020, o Aviso n.º POISE33-2018-06, para financiamento de equipas de mediadores municipais e interculturais a operar em municípios das regiões norte, centro e Alentejo. Formação-ação e InvestIgação em medIação Intercultural 180 Coimbra, Castelo-Branco e Beja)2, iniciou-se em fevereiro daquele ano, simultaneamente ao começo da implementação dos PMMI e à confrontação com a ação concreta — aí onde surgem situações únicas, imprevistas, específicas. Pelo acompanhamento e supervisão que fazíamos a algumas equipas do norte de Portugal, sabíamos que os desafios e as dúvidas eram múltiplos. Também constatamos, durante o período de formação intensiva, que as várias equipas queriam manter o contacto e partilhar entre si as suas experiências. Conjugando os interesses mútuos e os recursos disponíveis, neste caso, aprender mais sobre mediação intercultural a partir das experiências reais e a motivação para realizar encontros periódicos entre equipas e com formadores e investigadores, membros da Rede de Ensino Superior de Mediação Intercultural e de instituições de ensino superior da região norte, instituíram-se os “Encontros dos Serviços Municipais de Mediação Intercultural (SMMI) do Norte”, com seis equipas dos distritos de Braga, Porto e Aveiro e quatro formadores-investigadores, membros das Universidades do Minho, Lusófona do Porto, Aveiro e Escola Superior de Educação Paula Frassinetti do Porto. Esta comunidade de aprendizagem e de prática reuniu cerca de 30 pessoas com interesses e objetivos comuns, a saber: (a) aprofundar conhecimentos em mediação intercultural; (b) partilhar experiências de mediação; e (c) investigar sobre a mediação intercultural e a sua sustentabilidade nas comunidades. Importa salientar que o que era partilhado e trabalhado nos encontros incorporava a ação quotidiana dos mediadores. Nesse sentido, os encontros, enquanto espaços de formação contínua, constituíam espaços comuns de partilha, análise e reflexão que pudessem contribuir para o aprofundamento de conhecimentos com impacto na ação posterior. Assim se desenvolveu a formação-ação-investigação com um total de 50 h de momentos comuns de partilha com continuidade na ação dos mediadores onde emergiam os desafios profissionais reais. O “I Encontro dos SMMI-Norte” realizou-se em junho de 2019. Os conteúdos e periodicidade destes encontros foram acordados entre os vários elementos e preparados com base nas necessidades e interesses que surgiam a partir da ação dos mediadores interculturais. Entre junho de 2019 e maio de 2021 foram realizados nove encontros, com uma periodicidade variável e recorrendo a metodologias adaptadas às condições vivenciadas ao longo deste período, nomeadamente as decorrentes das condições sanitárias face à pandemia COVID-19. Nesse sentido, foram realizados três encontros de um dia em formato presencial, rotativos pelos vários municípios das equipas de mediadores municipais interculturais (EMMI). Os seis encontros que se seguiram realizaram-se em formato online, durante meio dia. A Figura 1 ilustra a linha temporal da realização desses encontros durante 2 anos3. 2 Consultar Capítulo 1 da Parte II deste livro. 3 As agendas dos encontros podem ser consultadas no Apêndice A (Figura A1, Figura A2, Figura A3, Figura A4, Figura A5, Figura A6, Figura A7, Figura A8 e Figura A9). MEDIAÇÃO INTERCULTURAL 181 Embora estivesse previsto ser presencial e seguindo o princípio da rotatividade, o “IV Encontro dos SMMI-Norte” (abril de 2020) foi realizado por videoconferência, pelas razões sanitárias de confinamento obrigatório em que nos encontrávamos. Todavia, apesar dos constrangimentos, consideramos importante e necessário mantermos o encontro, sobretudo pela situação particularmente exigente para todos que trazia desafios novos à ação dos mediadores interculturais nas comunidades. Estes desafios colocaram-se também aos formadores, pelo que foi particularmente interpelador partilharmos as circunstâncias que experienciamos e os modos de intervir enquanto mediadores interculturais. Nos pontos seguintes apresentamos o processo de desenvolvimento da comunidade de prática e de aprendizagem, considerando três etapas fundamentais: • identificação de situações experienciadas, de interesses e de necessidades • análise das práticas de mediação intercultural e • reflexão sobre o trabalho realizado em equipa e nas comunidades e sua sustentabilidade Da Conceção à Implementação dos Projetos de Mediação Intercultural nos Municípios Os três primeiros encontros ocorreram entre junho de 2019 e janeiro de 2020, cerca de meio ano após o início da implementação dos projetos nas diversas comunidades4. Entre a candidatura a financiamento e a sua aprovação e contratualização tinham decorrido vários meses e acontecido mudanças nas comunidades e organizações, o que exigiu, em vários casos, a revisão de objetivos, atividades e recursos que melhor pudessem responder às circunstâncias relativas ao início da implementação dos projetos. 4 As datas de início de implementação dos projetos foram variáveis entre fevereiro e abril de 2019. Figura 1 Linha temporal dos “Encontros dos Serviços de Mediação Municipal Intercultural-Norte”. Nota. ULP — Universidade Lusófona do Porto. CMM — Câmara Municipal da Maia. CMP — Câmara Municipal do Porto. Formação-ação e InvestIgação em medIação Intercultural 182 A realidade e as organizações são dinâmicas e os projetos que visam (co)responder a estas realidades deverão ser flexíveis e o mais adequado às circunstâncias a que visam dar resposta. Portanto, a antecipação, implementação e realização do projeto são etapas importantes e necessárias que consubstanciam a concretização e avaliação dos projetos (Barbier, 1996/1991). O nosso trabalho focou-se, como já referimos, nas etapas de implementação e realização dos projetos e nas ações de mediação intercultural desenvolvidas/em desenvolvimento pelos mediadores. Definição de Interesses, Necessidades e Expectativas Um dos aspetos que caracteriza as comunidades de prática e de aprendizagem é a definição de expectativas e necessidades para que possam ser identificados os interesses comuns e específicos dos elementos que as constituem. Este foi o foco principal do “I Encontro dos SMMI-Norte”, tendo-se para o efeito criado dois momentos diferenciados. • Apresentação de todas as pessoas que integram a comunidade de prática: EMMI, formadores e investigadores. Da apresentação das EMMI foi possível compreender que a maioria se encontrava a iniciar as ações previstas nos projetos, à exceção da uma equipa que identificou um trabalho mais avançado no território e elencou os pontos fortes e frágeis percecionados. Quase todos os mediadores manifestaram algumas dúvidas e inseguranças, como por exemplo: como me apresento na comunidade? O que me distingue de outros profissionais? Como devo articular com as várias instituições da comunidade (escolas, centros de saúde, autarquias, instituições particulares de solidariedade social)? Em síntese, os aspetos referidos nas apresentações iniciais focaram-se: (a) no perfil e nas funções do mediador intercultural; (b) nas especificidades locais das comunidades a trabalhar (comunidades migrantes e comunidades ciganas, por exemplo); (c) na articulação dos mediadores com as comunidades e com os serviços, as entidades parceiras e as diversas equipas de profissionais. Foram ainda destacadas várias palavras-chave nesta primeira apresentação identificadoras do mediador intercultural: confiança, território, reconhecimento, saber fazer, ser ponte, poder de questionar, não dar solução. Estas palavras referem-se a dimensões fundamentais do trabalho dos mediadores e foram por isso retomadas, revisitadas e aprofundadas nos encontros seguintes. • ApresentaçãodosPMMIeidentificaçãodeproblemas,necessidadeserespostasjá existentes. As equipas apresentaram o plano de atividades reformulado, relacionando-o com os objetivos e finalidades a alcançar. Mencionaram o reajuste dos projetos e a necessidade de reforço no apoio financeiro por parte das autarquias. A maioria das equipas apontou um conjunto de atividades previstas e outras apresentaram atividades já realizadas. Destacaram a articulação com projetos existentes nos municípios e com os serviços públicos. Em síntese, reconheceram-se elementos comuns e específicos a cada equipa, acerca, por exemplo: (a) local de trabalho, e formação/capacitação; (b) sinergias entre projetos, parcerias e trabalho em rede com diversos profissionais e serviços; (c) atividades de inclusão e inovação do projeto; (d) criatividade do mediador, MEDIAÇÃO INTERCULTURAL 183 do trabalho com as pessoas distinto do trabalho para as pessoas, construção de pontes entre as margens e o centro e vice-versa; e (e) trabalho em equipa e supervisão. Neste primeiro encontro de partilha e debate foram evidenciados quatro interesses fundamentais emergentes a partir das necessidades e expetativas: • clarificação do papel do mediador intercultural • formação, capacitação e supervisão dos mediadores interculturais • reconhecimento dos mediadores interculturais e articulação com outras equipas, técnicos e serviços • integração dos mediadores nas comunidades e a adesão das comunidades aos SMMI Foi também identificado um conjunto de estratégias facilitadoras da construção da comunidade de prática e aprendizagem relacionadas com a comunicação, a organização de encontros periódicos e a formação dos mediadores. Para facilitar a comunicação e a interação entre os elementos que constituem esta comunidade foram criados um e-mail comum e um grupo no WhatsApp, tendo constituído este último um meio importante para partilha de informações, questionamentos e atividades desenvolvidas pelas diversas equipas. Por outro lado, definiu-se que os encontros deveriam ser acolhidos e preparados por equipas rotativas (Maia, Porto, Braga, Águeda, Fafe, Guimarães). Análise dos Interesses e Partilha de Perspetivas e Experiências Identificados os principais interesses da comunidade de aprendizagem, no “II Encontro dos SMMI-Norte” foram, numa primeira parte do dia, constituídos grupos para trabalhar os temas daí resultantes. O papel dos formadores e investigadores foi suscitar a partilha e o debate através da formulação de questões relativas às experiências de trabalho quotidiano dos mediadores (o que realizavam, como o faziam, que necessidades sentiam, quais situações destacavam e porquê, quais as principais dificuldades…). Neste encontro foi dedicado um segundo momento para a partilha e debate conjunto sobre as dimensões identificadas em cada grupo de trabalho. Foi também aberto um espaço de apresentação e análise das forças, oportunidades, fraquezas e constrangimentos produzida pelos mediadores sobre o seu trabalho quotidiano. A Tabela 1 sistematiza os resultados dos trabalhos em grupo acerca dos temas em análise e as diversas dimensões destacadas relativamente a cada um deles. Formação-ação e InvestIgação em medIação Intercultural 184 Grupo de trabalho e temas G1 — o mediador intercultural: perfil, competências e atuação G2 — capacitação e supervisão dos mediadores interculturais G3 — articulação do mediador intercultural com outras equipas, técnicos e serviços G4 — integração nas comunidades e a adesão das comunidades aos serviços municipais de mediação intercultural Dimensões identificadas Identidade e reconhecimento dos mediadores; Interação e atenção aos outros e às suas verdadeiras necessidades como: segurança, reconhecimento, escuta, tempo Desenvolver competências e autoconfiança nos elementos das equipas de mediadores municipais interculturais; capacitação em trabalho de equipa e desenvolvimento da comunicação entre os mediadores; desenvolvimento de competências de coordenação de equipas; necessidade de instrumentos comuns de supervisão e de reuniões periódicas Acompanhamento sistemático e reuniões periódicas com o/a coordenador da equipa; clarificação dos papéis dos mediadores com as instituições do território; estratégias de divulgação para a visibilidade do projeto na comunidade nomeadamente nos sites institucionais (câmara municipal, Alto Comissariado para as Migrações, etc.); relevância do trabalho em rede entre os mediadores das equipas de mediadores municipais interculturais; cartão de identificação dos mediadores municipais interculturais Integração nas comunidades e a atenção às suas características e especificidades Os resultados da análise das forças, oportunidades, fraquezas e constrangimentos apresentada pelos mediadores no seu trabalho quotidiano são evidenciados na figura seguinte (Figura 2), denotando uma tendência para destacar os constrangimentos e as fraquezas face às forças e oportunidades. Tabela 1 Temas trabalhados em grupo e principais dimensões identificadas. MEDIAÇÃO INTERCULTURAL 185 Neste segundo encontro, em setembro de 2019, foi possível consolidarem-se os interesses e necessidades comuns e características específicas a cada equipa, que foram particularmente evidenciadas nos resultados da análise das forças, oportunidades, fraquezas e constrangimentos. Dos interesses comuns são relevados os relacionados com: (a) a identidade e reconhecimento dos mediadores nas comunidades; (b) a capacitação e supervisão do trabalho das EMMI; (c) o trabalho em rede entre equipas e mediadores; e (d) a conceção de instrumentos de supervisão e avaliação comuns às várias equipas. Consciencialização e Apropriação Progressiva da Mediação Intercultural Os encontros iniciais facilitaram a partilha e conhecimento mútuo do grupo, das suas necessidades e expectativas, contribuíram para o debate sobre princípios e procedimentos fundamentais em mediação intercultural, permitindo a apropriação progressiva de conhecimentos específicos de mediação. Esta apropriação progressiva de conhecimentos foi desenvolvendo a consciencialização sobre características específicas e diferenciadoras do trabalho dos mediadores interculturais relativamente a outros profissionais. Neste processo, a partilha e debate sobre o trabalho, a capacitação, acompanhamento e reflexão conjunta sobre as atividades e trabalho em curso foram essenciais. Estas estratégias foram comuns aos diversos encontros, às quais se foi associando a construção de instrumentos de supervisão e avaliação das práticas de mediação intercultural. Numa linha evolutiva da dinâmica da comunidade de aprendizagem, para o terceiro encontro, as EMMI definiram, em conjunto, um tema comum para aprofundar. O tema selecionado reportou-se às migrações e proteção internacional e foi desenvolvido por um elemento de uma EMMI que tinha conhecimentos na matéria. Para a segunda parte Figura 2 Análise das forças, oportunidades, fraquezas e constrangimentos sobre o trabalho dos mediadores. Forças Coesão e dinâmica da equipa; Empatia da equipa com as comunidades; Desenvolvimento de atividades inovadoras e criativas; Apoio da câmara municipal. Oportunidades Trabalhar a inclusão na s comunidades; Constituição do trabalho em rede; Encontros periódicos dos Serviços Municipais de Mediação Intercultural do Norte. Forças, oportunidades, fraquezas e constrangimentos Fraquezas Falta de competências na equipa: de mediação e coordenação; Falta de instrumentos de avaliação e supervisão padronizados; Falta de apresentação pública da equipa dificuldades de interação com outros projetos da comunidade. Constrangimentos Compreensão mútua; Falta de supervisão das equipas; Ausência de intervenção no terreno; Ausência de coordenação da equipa; Falta de espaço físico adequado para a equipa. Formação-ação e InvestIgação em medIação Intercultural 192 A família encara esta situação com dualidade, uma vez que os pais do aluno tentam solucionar este problema e tentam articular com a escola; já os avós, com uma visão mais tradicional, desvalorizam a escola. Consequentemente, esta situação interfere no seio familiar, no contexto escolar e poderá interferir na continuidade da prestação social do rendimento social de inserção (EMMI D). Situação 5: a Associação X pediu a colaboração da equipa de mediação para divulgação do projeto, cooptação de elementos da comunidade cigana bem como o acompanhamento preventivo de potenciais dificuldades que surjam ao longo de todo o processo. Sumariamente os objetivos deste projeto são: • Aquisição de competências para a empregabilidade de elementos da comunidade cigana; • Implementação de metodologias de transição para a vida ativa de elementos das comunidades ciganas; • Sensibilização para a promoção de experiências em contexto laboral para os elementos das comunidades ciganas; • Integração de elementos das comunidades ciganas no mercado de trabalho; • Apoio na implementação de negócios sustentáveis; • Promoção da sensibilização das entidades empregadoras e acompanhamento dos elementos das comunidades ciganas integrados nas mesmas (EMMI E). As situações relatadas correspondem a contextos diversos de ação dos mediadores municipais interculturais, a qual, por vezes, está para além da ação estrita de mediação. Os casos partilhados, inicialmente, por escrito (procurando responder às diferentes perguntas do guião) e, posteriormente, oralmente nos encontros da comunidade de prática, resultaram num processo de compreensão progressiva do que é a mediação e do papel dos mediadores, assim como a distinção entre o que é mediação e outras ações que os mediadores realizam em articulação com outros profissionais e instituições e que se inscrevem noutros domínios de cooperação e interação. Análise das Situações de Mediação Intercultural: Estudos de Caso Para a análise das situações de mediação intercultural desenvolveu-se uma sequência de procedimentos que pudessem ser facilitadores de um processo de consciencialização progressiva, análise e apropriação das estratégias e conhecimentos de mediação intercultural. Apresentam-se em seguida os procedimentos definidos e concretizados: • seleção por cada equipa de uma situação de mediação • registo escrito e análise em equipa seguindo o guião partilhado • partilha dos registos com todos os elementos da comunidade de prática MEDIAÇÃO INTERCULTURAL 193 • apresentação oral de cada situação por um membro da equipa e análise da mesma entre todos, liderada pelos formadores e por dois elementos de outras equipas que se ofereciam como relatores/as6 • síntese global e memorando escrito7 A metodologia adotada permitiu uma análise partilhada e participada de situações de mediação. A análise de situações em equipa e, posteriormente, em grupo alargado contribuiu para: (a) a constatação da importância de analisar casos reais de intervenção dos mediadores interculturais; (b) o reconhecimento de práticas a partir da própria experiência; (c) a análise de procedimentos e limites da mediação intercultural; e (d) a identificação de potencialidades e constrangimentos na prática da mediação. Em síntese, resultou num processo formativo de análise e reflexão na prática e sobre a prática (Schön, 1994) importante para uma aprendizagem através da ação e investigação. Avaliação e Reflexão Sobre o Trabalho Realizado Pelas Equipas de Mediadores Municipais Interculturais-Norte A avaliação e reflexão sobre o trabalho realizado foi um procedimento contínuo ao longo dos vários encontros da comunidade de aprendizagem. Todavia, chegados ao último ano de implementação dos PMMI, considerou-se importante uma avaliação mais abrangente que proporcionasse feedback a todos sobre o trabalho desenvolvido e a sustentabilidade dos projetos em cada município. Para o efeito, foi elaborado um inquérito por questionário e dedicados dois encontros à análise e reflexão sobre os resultados obtidos com as respostas ao mesmo. Inquérito Sobre o Projeto de Mediadores Municipais Interculturais O inquérito sobre o PMMI foi elaborado pela equipa de coordenação dos encontros das EMMI-N (A. Silva et al., 2021) e foi aplicado online através da aplicação Google Forms no mês de fevereiro de 2021 (cf. Apêndice D). O objetivo principal era recolher informação sobre a implementação do PMMI e sobre as perceções dos mediadores relativamente ao trabalho realizado e perspetivas futuras. O inquérito encontra-se estruturado por um total de 12 questões (com resposta aberta e fechada) organizadas em seis dimensões: análise do trabalho realizado; perceções sobre a função que desempenha (mediador/a ou coordenador/a); importância da equipa no desenvolvimento do trabalho; avaliação da implementação do projeto na cidade e na comunidade; necessidades de formação; sustentabilidade do projeto. Responderam ao questionário 22 mediadores/as e coordenadores/as de um total de 24, o que corresponde a um retorno de 91,6% de respostas. 6 Os encontros dedicados a “contextos e experiências de mediação nas EMMI – análise conjunta” seguiram uma metodologia participativa e colaborativa antecipadamente partilhada com todos/as participantes (consultar Apêndice B). 7 Modelo de memorando (consultar Apêndice C). Formação-ação e InvestIgação em medIação Intercultural 194 Perceções e Análise Sobre o Trabalho Realizado As perceções dos mediadores/coordenadores sobre o trabalho desenvolvido e a realizar encontram-se sistematizadas nas tabelas seguintes em aspetos positivos e aspetos a melhorar (Tabela 3 e Tabela 4). Dimensões Indicadores Apoio e facilitação Na gestão positiva de conflitos; na resolução ou minimização de problemas junto de migrantes, comunidades ciganas, instituições e outros profissionais. Interação e colaboração Comunidades e pessoas: migrantes, de etnia cigana, comunidades locais; instituições: escolas, Serviço de Estrangeiros e Fronteiras, Segurança Social, juntas de freguesia, câmara municipal, centros de saúde e hospitais; profissionais Conhecimento e reconhecimento Da comunidade local, instituições e grupos culturais; problemas e recursos; dos mediadores interculturais e da sua ação Fortalecimento e confiança Entre mediadores e população, trabalho em rede Aperfeiçoamento das estratégias e técnicas de mediação Processos de mediação; escuta ativa; construção da confiança Os mediadores/coordenadores das EMMI destacam como aspetos positivos dimensões importantes relativas ao perfil dos mediadores interculturais no que corresponde às competências desenvolvidas e aperfeiçoadas ao longo do processo de formação aprendizagem e implementação dos projetos (aperfeiçoamento de estratégias e técnicas de mediação como facilitação, construção da confiança, escuta ativa, entre outras). São também referidos aspetos que se prendem com o efeito e o (re)conhecimento do seu trabalho pelas instituições e comunidades. Todavia, identificam igualmente aspetos a melhorar, tanto em relação à prossecução de um trabalho de qualidade e sustentado (planificação, registo e análise de atividades), como o necessário apoio por parte de entidades que financiam e coordenam os projetos (ao nível do acompanhamento e feedback, a melhores condições de trabalho e ao seu reconhecimento profissional). A Tabela 4 sistematiza as dimensões que foram percecionadas como importantes a serem melhoradas. Tabela 3 Aspetos positivos sobre o trabalho realizado. MEDIAÇÃO INTERCULTURAL 195 Dimensões Indicadores Planificação do trabalho Planificação e registo das atividades Articulação e apoio Entre Alto Comissariado para as Migrações, câmara municipal e as equipas de mediadores municipais interculturais; da entidade promotora na divulgação do projeto; acompanhamento e feedback pelo Alto Comissariado para as Migrações Condições de trabalho Local específico para o trabalho em equipa e o atendimento das pessoas; equipamento adequado; cartão de identificação dos mediadores; comunicação no interior da equipa, entre os mediadores e o/a coordenador/ das equipas de mediadores municipais interculturais; entre equipas de mediadores municipais interculturais e câmara municipal Parcerias Maior interação entre instituições no apoio às comunidades institucionais; alargamento de redes de colaboração Formação Acesso a boas práticas; partilha de experiências entre mediadores; seminários Reconhecimento Dos mediadores e do seu trabalho; maior divulgação do trabalho Função de Mediador/a e Papel da Equipa Identificar as perceções sobre a função que desempenham enquanto mediador/a ou coordenador/a e a importância da equipa no desenvolvimento do trabalho foram duas dimensões contempladas no questionário para compreender a sua relevância no trabalho realizado e a desenvolver no âmbito da mediação intercultural e no quadro dos PMMI e pela importância que têm no autoconhecimento e desenvolvimento profissional dos mediadores. As respostas aos questionários não permitiram distinguir as funções de mediador/a de coordenador/a. Do total de 19 respostas obtidas nesta pergunta, a grande maioria refere sentir-se bem na função que desempenha. Porém, alguns mediadores/ as referem sentir-se desiludidos e pouco valorizados. É interessante verificar nas respostas dos mediadores uma perceção realista e construtiva relativamente ao seu autoconhecimento; a maioria considera-se em processo de desenvolvimento, consciente das exigências do que é ser mediador e dos constrangimentos que enfrentam no seu quotidiano profissional, conforme se pode ler nos testemunhos que se transcrevem na Tabela 5. Tabela 4 Aspetos a melhorar na implementação dos projetos de mediação municipal intercultural. Formação-ação e InvestIgação em medIação Intercultural 196 Como se sente na função de mediador/a coordenador/a? Qual a importância da equipa no trabalho que realiza no âmbito do Projeto de Mediação Municipal Intercultural? Respostas “Bastante motivado e desafiado a continuar a trabalhar como mediador intercultural” (Mediador 6, março de 2021) “Fundamental para a consecução dos vários objetivos” e “para os resultados alcançados” (Mediadora 1, março de 2021) “Sinto-me honrada em desempenhar essas funções” (Mediadora 8, março de 2021) “Muito importante na troca de experiências e aprendemos uns com os outros todos os dias” (Mediador/a 2, março de 2021) “A evolução do trabalho da EMMI [equipas de mediadores municipais interculturais] com a capacitação adquirida nas formações e pela prática no terreno, tem resultado no reconhecimento pelos migrantes e membros da comunidade cigana atendidos pela nossa EMMI, e tem sido a principal fonte motivacional para continuar o trabalho de mediação” (Mediador/a 12, março de 2021) “União nas dificuldades apresentadas pela mediação, troca de impressões e experiências para chegar a conclusões nas mediações” (Mediador/a 3, março de 2021) “Gosto muito do meu trabalho, apesar de considerar que temos muitos obstáculos e um caminho longo a construir, maior apoio dos municípios” (Mediador/a 15, março de 2021) “Em equipa os resultados podem ser mais duradouros” (Mediador/a 4, março de 2021) “Tem sido uma descoberta constante. E espero fortificar, ser reconhecida e melhorar o meu papel enquanto mediadora” (Mediadora 1, março de 2021) “Fundamental, apesar de não estarmos no mesmo espaço físico, o que por vezes impede um maior trabalho de equipa” (Mediador/a 14, março de 2021) A perceção sobre a equipa e a sua importância no trabalho que é realizado no âmbito do projeto é claramente positiva conforme ilustra o quadro anterior. Todos os mediadores salientam a sua importância, considerando-a fundamental no apoio e aprendizagem mútua, na implementação das ações do projeto e nos resultados alcançados. Um aspeto destacado no que respeita à equipa foi o destas serem constituídas por pessoas de diferentes culturas e com diversas experiências. Este aspeto foi reconhecido como constituindo mais valor para o trabalho que necessitavam realizar. Perceções Sobre os Projetos de Mediação Municipal Intercultural nos Territórios e a Sua Sustentabilidade A avaliação dos mediadores sobre a implementação dos PMMI no território é muito positiva e relaciona-se com aspetos relativos à ação mediadora. Foram referidos vários indicadores sobre os efeitos da implementação dos PMMI nos territórios, nomeadamente: Tabela 5 Evidências das perceções dos mediadores sobre a sua função e a importância da equipa. MEDIAÇÃO INTERCULTURAL 197 • confiança dos imigrantes no trabalho dos mediadores • análise de problemas e processo mais especializado • apoio informacional • proximidade • cooperação com outras organizações e instituições locais para resolução mais célere das situações • preferência dos mediados em recorrer cada vez mias aos serviços dos mediadores antes de se dirigirem para uma instituição onde receiam um atendimento mais frio • melhor comunicação entre os serviços • atendimentos mais céleres e próximos das comunidades e das pessoas • aumento crescente de encaminhamentos de casos de mediação vindos de outras instituições ou projetos locais • diminuir o excesso de atendimento ou atendimento desnecessário a imigrantes Os indicadores evidenciados anteriormente, sobre os efeitos da implementação dos PMMI nos territórios, articulam-se com a sustentabilidade que as EMMI atribuem aos projetos. A resposta de dois mediadores ao questionário é reveladora da perceção positiva que detêm e da relevância que atribuem à continuidade dos mediadores interculturais nos territórios: como primeiro aspeto destaco a vontade política por parte da Câmara Municipal em implementar o PMMI. Demonstra na prática que o Poder Público Local está sensível à causa da integração das comunidades mais vulneráveis na comunidade local. Como segundo aspeto, sublinho a valorização da função de mediador intercultural, sendo este um representante genuíno das comunidades minoritárias e agente que auxilia na construção da relação de confiança e empatia, facilita na comunicação entre as partes, previne e atenua conflitos interculturais. Por fim, acentuo a importância da continuidade do trabalho, pois a mediação intercultural é o mecanismo mais adequado que procura simultaneamente reconhecer as diferenças culturais, sociais e étnicas dos grupos mais vulneráveis, bem como torna público essas diferenças culturais com o reconhecimento da pluralidade, de modo espontâneo e natural, com a facilitação das relações interculturais e com a autonomização dos seus membros em aceder aos serviços no âmbito da legalização, saúde, educação, empregabilidade, moradia e cidadania, permitindo, assim, a plena integração na comunidade local. (Mediador 6, março de 2021) “A descontinuidade do projeto e o não aproveitamento dos mediadores implicará tanto no desperdício de recursos humanos e enorme retrocesso e contradição desta medida” (Mediadora 1, março de 2021). Formação-ação e InvestIgação em medIação Intercultural 198 Os mediadores manifestaram a necessidade e a desejabilidade de continuidade do seu trabalho nas comunidades, evidenciando dois fatores principais: (a) necessidade da existência da pessoa do mediador na prevenção de conflitos, na escuta das pessoas, em fazer a ponte e ser elo de ligação e facilitação da resolução de problemas que emergem nas comunidades; e (b) investimento efetuado na capacitação dos mediadores interculturais (através da formação inicial e contínua e supervisão). A título de exemplo, transcreve-se duas respostas dos mediadores: “Os problemas existem, as pessoas necessitam de ser ouvidas, ajudadas e é necessário que o PMMI esteja no terreno de forma a ser a ponte e o elo de ligação” (Mediador/a 12, março de 2021). “Há que ser valorizado o trabalho inicial dos mediadores interculturais que receberam formações e apoios institucionais valiosos que possibilitaram a EMMIs se reinventarem mediante as dificuldades e desafios impostos pela pandemia” (Mediador/a 15, março de 2021). Outros dois aspetos sublinhados pelos mediadores, tanto nas respostas aos questionários como nos dois encontros em que foram debatidos os resultados, incidiram na importância de: • maior apoio, valorização e reconhecimento por parte das câmaras municipais (entidades locais gestoras dos projetos) e pelo Alto Comissariado para as Migrações (entidade nacional gestora do PPMI) do seu trabalho; • avaliação da medida e da sua implementação tendo em vista o seu aprimoramento e reajustes necessários para a sua sustentabilidade efetiva nos territórios. Estas duas dimensões destacadas e reconhecidas como essenciais para a sustentabilidade e qualidade dos projetos nos territórios revelam tanto a experiência dos mediadores/coordenadores ao longo de 2 anos de implementação do PMMI, como a consciencialização e análise do processo em que estavam envolvidos no sentido da sua melhoria e qualidade. Para documentar esta análise evidenciam-se dois testemunhos partilhados nos encontros: é importante uma profunda avaliação, não para a finalização do PMMI nos Municípios aderentes, com o simples descarte das EMMIs, mas sim de um esforço em aprimorar a medida com o alinhamento de atividades prioritárias e o aproveitamento dos membros das EMMIs. (Mediador 17, 16 de setembro de 2020) “Reeditar o PMMI com os ajustes necessários resultantes da análise conclusiva, dos erros e acertos necessários” (Coordenadora B, 20 de maio de 2021). Estes testemunhos documentam bem as perceções de quase todos os mediadores/ as e coordenadores/as, numa fase em que os projetos se aproximavam do fim da sua implementação e percecionavam a fragilidade do interesse e dos apoios (a nível local e nacional) para a sua continuidade, comprometendo todo o trabalho e investimento realizado junto das comunidades e a aprendizagem e formação que realizaram no âmbito da mediação intercultural, colocando em risco a continuidade de um serviço essencial nos territórios multiculturais. MEDIAÇÃO INTERCULTURAL 199 Aprendizagens e Desafios A experiência apresentada ao longo do texto sobre uma comunidade de prática e aprendizagem em mediação intercultural pretendeu sistematizar e documentar o trabalho realizado ao longo de 2 anos por mediadores/as interculturais, coordenadores/as de equipas de mediadores/as interculturais, académicos e formadores focado nos seguintes objetivos: (a) aprofundar conhecimentos em mediação intercultural; (b) partilhar experiências de mediação; e (c) investigar sobre a mediação intercultural e a sua sustentabilidade nas comunidades. Pretende-se que esta experiência possa servir de exemplo para documentar um processo de formação-ação-investigação específico, no âmbito da mediação intercultural, evidenciando suas características, vicissitudes, aprendizagens e desafios. Sendo esta comunidade de aprendizagem constituída por pessoas com características muito diferenciadas, nomeadamente em relação à idade, género, cultura, perfil e enquadramento profissional foi uma oportunidade de exercitar a partilha, a escuta e a colaboração entre todas as pessoas e reconhecer os contributos que cada uma trazia para as aprendizagens comuns. Foi, também, um exercício de aprendizagem através da ação e do que cada elemento da comunidade experienciava e considerava relevante partilhar e aprender. Evidentemente, esta aprendizagem teria necessariamente que passar pela análise e reflexão sobre necessidades emergentes através do exercício quotidiano da ação profissional, o que supôs uma continuidade e retroalimentação da/entre ação-formação e investigação e uma predisposição para a aprendizagem em comum através da partilha de experiências. A partilha das experiências mereceu um processo de sistematização e análise, que se revelou de crucial importância para a aprendizagem individual e conjunta dos mediadores interculturais. Para tal, como apontado ao longo do texto foram elaborados instrumentos que facilitassem a análise, reflexão e avaliação na e sobre a ação (Schön, 1994) a nível individual, em equipa e na comunidade de aprendizagem. Estes procedimentos são essenciais para a apropriação das práticas e dos saberes delas resultantes e para o desenvolvimento de aprendizagens pertinentes “face a situações emergentes contribuindo para o desenvolvimento de capacidades que potenciem a descoberta de soluções originais e oportunas face às situações imprevistas (CORREIA, 1999)” (A. Silva, 2007, p. 23). As aprendizagens realizadas ao longo deste processo foram assim: (a) consciencializadas e enunciadas durante os vários encontros, bem como nas respostas ao questionário de avaliação dos PMMI, demonstrando a apropriação de conhecimentos essenciais para a qualidade da ação dos mediadores e para a construção da sua identidade profissional; (b) evidenciadas nas suas perceções sobre a análise que fizeram do seu trabalho, da implementação dos PMMI nos territórios e da sua necessidade e sustentabilidade nas comunidades. A consciencialização sobre a trajetória de formação- -aprendizagem realizada foi efetuada através de um processo de ação-investigação- -ação inscrito num registo de partilha, desconstrução, análise crítica e reconstrução de saberes que vão sendo progressivamente apropriados e reconhecidos no que sabem e no que vislumbram como necessário rever e melhorar. Formação-ação e InvestIgação em medIação Intercultural 200 O processo desenvolvido e os resultados alcançados permitem igualmente evidenciar alguns desafios para a consolidação da formação em mediação e para a sustentabilidade dos mediadores interculturais nos territórios. No que se refere à formação dos mediadores, esta é imprescindível, devendo consistir numa formação sólida e especializada em mediação intercultural, que permita a concretização do trabalho que lhes é específico com qualidade. O estado de insegurança que os mediadores/ coordenadores manifestaram no início da implementação dos projetos foi sendo ultrapassado à medida que compreendiam o que os distingue de outros profissionais e a especificidade da sua ação. Para esta evolução contribuiu significativamente esta comunidade de aprendizagem. No que concerne à sustentabilidade da mediação e dos mediadores nos territórios é urgente preconizar políticas públicas que permitam o seu enquadramento profissional e a garantia da continuidade dos serviços de mediação intercultural a nível local efetivamente assegurados por pessoas qualificadas em mediação. Só esta aposta na formação e na sustentabilidade pode contribuir para que a mediação possa efetivamente fazer-se cumprir na sua finalidade máxima: construir comunidades de culturas de paz social e multicultural. Agradecimentos Este trabalho é financiado por fundos nacionais através da FCT – Fundação para a Ciência e a Tecnologia, I.P., no âmbito do projeto UIDB/00736/2020 (financiamento base) e UIDP/00736/2020 (financiamento programático). Referências Barbier, J.-M. (1996). Elaboração de projectos de acção e planificação (I. Motta, Trad.). Porto Editora. (Trabalho original publicado em 1991) Catálogo Nacional de Qualificações. (2022, 29 de janeiro). Mediador/a intercultural. Retirado a 20 de abril de 2022 de https://catalogo.anqep.gov.pt/qualificacoesDetalhe/7410 Programa Operacional Inclusão Social e Emprego. (2018). Aviso nº POISE‐ 33‐2018‐06. https://poise.portugal2020.pt/avisos/-/asset_publisher/tbXfgqUYbTvU/content/aviso-n-poise-33-2018-06 Ramos, N. V. P. (2016). Intercultural competence in conflict mediation: A mixed-methods approach on training design and outcome assessment [Tese de doutoramento, Instituto Universitário de Lisboa]. Repositório Iscte. http://hdl.handle.net/10071/14589 Schön, D. (1994). Le praticien réflexif. A la recherche du savoir caché dans l’agir professionnel. Logiques Editions. Silva, A. M. C. (2007). Desafios contemporâneos para a formação de jovens e adultos. Educar em Revista, (29), 15–28. https://doi.org/10.1590/S0104-40602007000100003 Silva, A. M. C. (2020). Mediación durante la pandemia: Protección de los derechos, activiación de lazos sociales. In G. C. B. de Mansilla & C. Pilia (Eds.), Una justicia alternativa para los derechos humanos y la proteccion familiar, en tiempos de crisis (pp. 49–58). Ediciones Olejnik. Silva, A. M. C., Caetano, A. P., Freire, I., Moreira, M. A., Freire, T., & Ferreira, A. S. (2010). Novos actores no trabalho em educação: Os mediadores socioeducativos. Revista Portuguesa de Educação, 23(2), 119–151, http://revistas.rcaap.pt/rpe/article/view/13989/10572 MEDIAÇÃO INTERCULTURAL 201 Silva, A. M. C., Carvalho, L., Moisan, A., & Faria-Fortecöef, C. (2017). Arlekin: A collaborative action- -research-training project without frontiers. International Research Journal of Human Resources and Social Sciences, 4(3), 66–87. https://hdl.handle.net/1822/45537 Silva, A. M. C., & Costa, E. P. (2020). Materiais pedagógicos elaborados para os Encontros SMMI-Norte [Manuscrito não publicado]. Silva, A. M. C., Gomes, M. P., & Madeira, R. (2021). Inquérito sobre o Projeto de Mediadores Municipais Interculturais (PMMI) [Manuscrito não publicado]. Silva, A. M. C., Moisan, A., & Morgado, M. (2020). Mediação, participação e investigação-ação colaborativa. Estreiadiálogos, 5(2), 9–14. Silva, A. M. C., Piedade, A., Morgado, M., & Ribeiro, M. C. (2016). Mediação intercultural e território: Estratégias e desafios. In A. C. M. Silva (Ed.), Entre iguais e diferentes: A mediação intercultural (pp. 9–29). Alto Comissariado para a Migração e Diálogo Intercultural (ACIDI, IP). Silva, D. F. S., & Silva, S. M. (2018). Conhecer contextos, conhecer profissionais: Contributo para explorar o desenvolvimento de competências interculturais em contextos educativos. Revista Portuguesa de Educação, 31(1), 38–60. https://doi.org/10.21814/rpe.10278 SMMI-Norte. (2020). Memorando do VI Encontro SMMI-Norte [Manuscrito não publicado]. Wenger, E. (2001). Comunidades de práctica. Aprendizaje, significado e identidade (G. S. Barerán, Trad.). Paidós. (Trabalho original publicado em 1998) Formação-ação e InvestIgação em medIação Intercultural 208 Figura A7 “VII Encontro de Serviços de Mediação Municipal Intercultural da Região Norte (SMMI-N)” a 16 de setembro de 2020. MEDIAÇÃO INTERCULTURAL 209 Figura A8 “VIII Encontro de Serviços de Mediação Municipal Intercultural da Região Norte (SMMI-N)” a 5 de março de 2021. Formação-ação e InvestIgação em medIação Intercultural 210 Figura A9 “IX Encontro de Serviços de Mediação Municipal Intercultural da Região Norte (SMMI-N)” a 20 de maio de 2021. MEDIAÇÃO INTERCULTURAL 211 Apêndice B: Apresentação da Metodologia Preparada Os encontros dedicados a “contextos e experiências de mediação nas EMMI – análise conjunta” seguiram uma metodologia participativa e colaborativa antecipadamente partilhada com todos/as participantes, como nos exemplos seguintes. Metodologia de Estudo de Caso Caríssimos/as mediadores/as Esperamos encontrá-los bem e que as férias tenham sido excelentes! Vimos recordar-vos que no próximo dia… (9:30h) está agendado o nosso Encontro SMMI-Norte. O link de acesso à reunião Zoom é o seguinte: Apresentamos a Metodologia preparada para o Encontro SMMI-Norte no ponto intitulado “Contextos e experiências de mediação nas EMMI”: Primeira fase: Decorrente do Encontro anterior, as Relatoras …. contribuirão para a análise do caso apresentado pela Equipa de…, que trata a situação da etnia cigana relativamente à temática do emprego. Segunda fase: No início do Encontro a Equipa de… fará uma breve apresentação da situação, tendo por referência os itens que constam na ficha que preencheram sobre o caso. Esperase que todos tenham analisado a situação para participarem ativamente na análise e debate. Para o efeito o documento sobre a situação segue em anexo. A partir da situação de mediação apresentada trabalharemos colaborativamente sobre os conceitos de mediação, objetivos, estratégias, avaliação, dificuldades, etc. Assim, discutiremos ponto por ponto requerendo a vossa participação ativa. Terceira fase: As 2 relatoras irão moderar a discussão sobre a situação em análise, tendo em conta alguns aspetos mais relevantes e sugestões que tenham surgido. Às relatoras caberá também apresentação de uma síntese do debate. Contamos com a presença ativa de cada um/a, dando mais um passo em frente na construção desta nossa comunidade de aprendizagem. Os nossos melhores cumprimentos, A Equipa de Coordenação Dos Encontros das EMMI-N Formação-ação e InvestIgação em medIação Intercultural 212 Orientações Para Relatores Caríssimas Relatoras, Na sequência do combinado no último Encontro vimos trazer algumas orientações para a tarefa que vos pedimos enquanto relatoras. Num primeiro momento vamos analisar a situação de mediação escrita pela equipa de … (em anexo) onde todos participaremos. Pedimos que no debate registem o que consideram ser de salientar como: estratégias interessantes e mais relevantes indicadas na descrição do caso; aspetos positivos; sugestões. Após o intervalo partilharão com todos o que registaram nos tópicos indicados de modo a construirmos uma síntese da análise realizada. Se tiverem alguma questão não hesitem em colocar. Agradecemos a vossa colaboração nesta tarefa construtiva. Os nossos melhores cumprimentos, A Equipa de Coordenação Dos Encontros das EMMI-N MEDIAÇÃO INTERCULTURAL 213 Apêndice C: Modelo de Memorando Para a análise das situações de mediação intercultural desenvolveu-se uma sequência de procedimentos que pudessem ser facilitadores de um processo de consciencialização progressiva, análise e apropriação das estratégias e conhecimentos de mediação intercultural, entre os quais o memorando escrito. VIEncontrodeServiçosdeMediaçãoMunicipalInterculturaldaRegiãoNorte(SMMI-N) Data: ___________ Organização: ___________ Horário Início: ___________ Fim: ___________ Local: ___________ Presenças Estiveram presentes: ________________________________________________ ______________________________________________________________________ Programa ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ Breve ponto da ______________________________________________________________________ situação ______________________________________________________________________ Conclusão dos ______________________________________________________________________ trabalhos ______________________________________________________________________ Próximo encontro ____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ Formação-ação e InvestIgação em medIação Intercultural 214 Apêndice D: Inquérito Sobre o Projeto de Mediadores Municipais Interculturais O inquérito sobre o projeto de mediadores municipais interculturais foi elaborado pela equipa de coordenação dos encontros das EMMI-N e aplicado online através da aplicação Google Forms no mês de fevereiro de 2021. InquéritoSobreoProjetodeMediadoresMunicipaisInterculturais(PMMI)1 Este inquérito tem como objetivo recolher informação sobre a implementação do Projeto de Mediadores Municipais Interculturais (PMMI), nomeadamente sobre o trabalho realizado e perspetivas futuras. Os resultados do inquérito serão utilizados para gerar conhecimento, que poderá ser posteriormente partilhado nos canais tradicionais, tais como congressose publicações. Também se espera que eles possam apoiar a melhoria dos processos de acompanhamento, supervisão e formação em mediação intercultural. Os dados que recolhermos são processados, armazenados e partilhados de acordo com o Regulamento Europeu de Proteção de Dados. Isso significa que os seus dados pessoais não serão identificados em nenhum relatório ou publicação e a extração de dados será feita de forma a garantir o anonimato. Quaisquer dados sensíveis o que possam permitir a sua identificação serão mantidos em sigilo e apenas os dados agregados e anonimizados serão partilhados com nossos parceiros e, eventualmente, terceiros. Qualquer questão sobre o inquérito poderá ser enviada para o seguinte email: smmi.nor[email protected]om. Agradecemos a sua colaboração! *Obrigatório 1. Quais os aspetos que salienta do trabalho realizado no seu Concelho no âmbito do PMMI? 1.1 Refira os aspetos positivos: * _______________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________ 1.2 Refira os aspetos que gostaria de ver melhorados: * _______________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________ 1 https://docs.google.com/forms/d/1w40UO8yjTCoIfGRn72SyHRPwbYHF98a2BTd2z3Zz75M/edit MEDIAÇÃO INTERCULTURAL 215 1.3 Refira os aspetos negativos: * _______________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________ 1.4 Refira os aspetos que considera fundamentais para o futuro: * _______________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________ 2. Como se sente na função que desempenha na EMMI? Por favor responda abaixo em 2.1 ou 2.2 conforme a sua função. 2.1 Como coordenador/a. _______________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________ 2.2 Como mediador/a. _______________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________ 3. Qual a importância da equipa no trabalho que realiza no âmbito do PMMI? * _______________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________ 4. Como avalia a implementação do PMMI no seu concelho e na comunidade? _______________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________ 4.1 Por favor identifique pelo menos 3 aspetos que considere significativos: * _______________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________ Formação-ação e InvestIgação em medIação Intercultural 216 5. No âmbito do trabalho que realiza no EMMI, sente necessidade de formação? * (marque apenas uma) 5.1 Sim ____ Não ____ 5.2 Se respondeu sim, por favor refira as áreas/temas em que gostava de receber formação? _______________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________ 6.1 Se não, porquê? _______________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________ 6.2 Se sim, o que terá que ser feito para se manter a sua sustentabilidade? _______________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________ 7. Por favor indique a data de início do PMMI no seu concelho (ano e mês). * _________________________________________________________ 8. Pode indicar o concelho da EMMI a que pertence? (relembramos que será assegurado o anonimato). _________________________________________________________