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Universidade do Minho Escola de Psicologia Carolina de Oliveira Guimarães Adição alimentar, regulação emocional, urgência negativa e petisco contínuo numa população universitária junho de 2022 Adição alimentar, regulação emocional, urgência negativa e petisco contínuo numa população universitária Carolina de Oliveira Guimarães UMinho | 2022
Universidade do Minho Escola de Psicologia Carolina de Oliveira Guimarães Adição alimentar, regulação emocional, urgência negativa e petisco contínuo numa população universitária Dissertação de Mestrado Mestrado em Psicologia Aplicada Trabalho efetuado sob a orientação da Professora Doutora Sónia Ferreira Gonçalves junho de 2022
ii DIREITOS DE AUTOR E CONDIÇÕES DE UTILIZAÇÃO DO TRABALHO POR TERCEIROS Este é um trabalho académico que pode ser utilizado por terceiros desde que respeitadas as regras e boas práticas internacionalmente aceites, no que concerne aos direitos de autor e direitos conexos. Assim, o presente trabalho pode ser utilizado nos termos previstos na licença abaixo indicada. Caso o utilizador necessite de permissão para poder fazer um uso do trabalho em condições não previstas no licenciamento indicado, deverá contactar o autor, através do RepositóriUM da Universidade do Minho. Licença concedida aos utilizadores deste trabalho Atribuição-NãoComercial-SemDerivações CC BY-NC-ND https://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0/
iii Agradecimentos À Professora Doutora Sónia Gonçalves, por todo o ensino, apoio e disponibilidade. Pela orientação sempre construtiva, marcada pela gentileza e pelo incentivo à curiosidade. Pelo otimismo e pelos conhecimentos transmitidos, fundamentais para a concretização deste projeto. À minha família, sempre se fazendo presente mesmo que geograficamente distante, por todo o carinho e encorajamento. Em especial, agradeço aos meus pais por serem tão compreensivos e por me ajudarem a trilhar o caminho que escolhi. Ao Hélder, por acreditar tanto em mim e por ter abraçado esta aventura comigo. Pela alegria e entusiasmo diários, mesmo diante dos momentos difíceis. Por conseguir tornar tudo mais simples, e por estar sempre ao meu lado. À Hélia e ao Marcos, pelo convívio, por terem sido uma fonte de partilha de inseguranças e alegrias, e por toda a ajuda. Às minha amigas de percurso, Carolina Andriola, Beatriz Brito, Dayanne Farias e Helena Vianna, pelo companheirismo, risadas, trocas e vivências particulares que nos uniram. Saibam que fizeram toda a diferença, e essa trajetória certamente não teria sido a mesma sem vocês! A todos os meus amigos que tornaram e ainda tornam a minha vida mais leve. Obrigada por estarem sempre comigo.
iv DECLARAÇÃO DE INTEGRIDADE Declaro ter atuado com integridade na elaboração do presente trabalho académico e confirmo que não recorri à prática de plágio nem a qualquer forma de utilização indevida ou falsificação de informações ou resultados em nenhuma das etapas conducente à sua elaboração. Mais declaro que conheço e que respeitei o Código de Conduta Ética da Universidade do Minho. Braga, 6 de junho de 2022
v Adição alimentar, regulação emocional, urgência negativa e petisco contínuo numa população universitária Resumo Introdução: A adição alimentar (AA) é uma conceptualização emergente que aborda os possíveis processos aditivos relacionados aos alimentos hiperpalatáveis, e aparece muitas vezes associada a problemas do comportamento alimentar, dificuldades na regulação emocional, urgência negativa e sobrepeso. Objetivos: Este estudo teve como objetivo (1) avaliar e caracterizar a frequência de AA numa população universitária; (2) comparar os grupos com e sem AA considerando as dificuldades de regulação emocional, a urgência negativa e o petisco contínuo; (3) avaliar os preditores de AA; e (4) perceber se existem e quais são os moderadores presentes nas associações entre a AA e as demais variáveis. Método: Foram avaliados 338 estudantes universitários, de ambos os sexos, através de instrumentos de autorrelato num único momento. Resultados: A frequência de AA nesta população foi de 10.7%. Participantes com AA apresentaram maiores dificuldades de regulação emocional, maior urgência negativa e maior petisco contínuo. As dificuldades de regulação emocional e o petisco contínuo mostraram-se preditores da AA, e a urgência negativa evidenciou um papel de moderação nestas relações. Discussão: Além de apresentarem mais comportamentos de petisco contínuo, indivíduos com AA possuem défices no que diz respeito à regulação das emoções, agindo de forma mais precipitada diante de emoções negativas. Palavras-Chave: adição alimentar, regulação emocional, urgência negativa, petisco contínuo, população universitária
vi Food addiction, emotion regulation, negative urgency and grazing in a university population Abstract Introduction: Food addition (FA) is an emerging conceptualization that addresses the possible additive processes related to hyperpalatable foods, and often appears associated with eating behavior problems, difficulties in emotional regulation, negative urgency and overweight. Objectives: This study aimed to (1) assess and characterize the frequency of FA in a university population; (2) compare the groups with and without FA considering difficulties in emotional regulation, negative urgency, and grazing; (3) assess the predictors of FA; and (4) understand if there are and which are the moderators present in the associations between FA and the other variables. Method: Three hundred and thirty-eight university students of both sexes were assessed using selfreport instruments at a single time point. Results: The frequency of FA in this population was 10.7%. Participants with FA had higher difficulties in emotional regulation, higher negative urgency, and higher grazing behavior. Difficulties in emotional regulation and grazing were predictors of FA, and the negative urgency evidenced a moderating role in these relations. Discussion: In addiction to presenting more grazing behaviors, individuals with FA have deficits regarding the regulation of emotions, acting more precipitately in the face of negative emotions. Keywords: food addiction, emotional regulation, negative urgency, grazing, university population.
vii Índice Adição alimentar, regulação emocional, urgência negativa e petisco contínuo numa população universitária .............................................................................................................................. 8 Método ................................................................................................................................... 12 Participantes ....................................................................................................................... 12 Instrumentos ....................................................................................................................... 12 Procedimentos .................................................................................................................... 15 Análise Estatística ............................................................................................................... 15 Resultados ............................................................................................................................. 16 Frequência e Caracterização da Adição Alimentar em Estudantes Universitários ................... 16 Adição Alimentar e Dificuldades na Regulação Emocional .................................................... 16 Adição Alimentar e Urgência Negativa.................................................................................. 17 Adição Alimentar e Petisco Contínuo.................................................................................... 18 Associação entre o Diagnóstico de Adição Alimentar e as Demais Variáveis .......................... 19 Associação entre a Sintomatologia de Adição Alimentar e Demais Variáveis.......................... 20 Variáveis Preditoras da Adição Alimentar ............................................................................. 21 Papel Moderador da UN na Relação Entre (1) as DRE e a Sintomatologia da AA e (2) o PC e Sintomatologia da AA .......................................................................................................... 23 Discussão ............................................................................................................................... 24 Referências ............................................................................................................................ 31 Anexo: Parecer da Comissão de Ética para a Investigação em Ciências Sociais e Humanas ..... 35 Índice de Tabelas Tabela 1. Diferenças entre os grupos com e sem diagnóstico de Adição Alimentar relativamente às Dificuldades na Regulação Emocional ................................................................................. 17 Tabela 2. Diferenças entre os grupos com e sem diagnóstico de Adição Alimentar relativamente à Urgência Negativa .................................................................................................................. 18 Tabela 3. Diferenças entre os grupos com e sem diagnóstico de Adição Alimentar relativamente ao Petisco Contínuo ................................................................................................................ 18 Tabela 4. Correlações entre o diagnóstico de Adição Alimentar e variáveis em estudo .............. 19 Tabela 5. Correlações entre a sintomatologia da AA, as DRE, a UN e o PC .............................. 20 Tabela 6. Regressão linear múltipla para analisar os possíveis preditores da sintomatologia da AA .............................................................................................................................................. 22
14 (Consciência), Dificuldades no Controlo de Impulsos (Impulsos), Dificuldades de Agir de Acordo com os Objetivos (Objetivos) e Falta de Clareza Emocional (Clareza). Para calcular o score desta escala, deve-se somar a pontuação total de cada domínio e, posteriormente, somar o valor de cada domínio para se obter o score total. Scores mais altos indicam maiores dificuldades em regular as próprias emoções Neste estudo, optou-se por aplicar a versão reduzida da escala, a qual contém 18 itens. A DERS-SF demonstrou ter uma boa consistência interna (α = .91). Escala do Comportamento Impulsivo – Subescala da Urgência Negativa (UPPS-P; Whiteside et al., 2005; Leandro, 2015) : adaptada para o contexto não-clínico português, tem como objetivo avaliar a impulsividade enquanto constructo multidimensional através de uma escala Likert, composta por 59 itens que vão do 1 (concordo completamente) ao 4 (discordo completamente). Este instrumento examina a impulsividade mediante cinco fatores: urgência negativa, falta de premeditação, falta de perseverança, busca de sensações e urgência positiva, sendo esta última dimensão desenvolvida por Cyders e colaboradores (2007) e adicionada à escala posteriormente. A versão portuguesa deste instrumento apresentou boas propriedades psicométricas (α = .77). Neste estudo, optou-se por utilizar apenas a subescala que afere a UN, composta por 12 itens. Questionário para Petisco Contínuo (Repetitive Eating Questionnaire – Rep (Eat)-Q; Conceição et al., 2017) : este questionário de autorrelato é composto por 12 itens, e tem como finalidade avaliar a existência e frequência do comportamento de petisco contínuo no último mês. Os itens são respondidos através de uma escala Likert de sete pontos, variando entre 0 (nunca) e 6 (todos os dias). Este instrumento avalia o padrão de comportamento do PC considerando suas duas formas, sendo elas o PC Compulsivo e o PC Não-Compulsivo. O score total é feito através da média da soma de todos os itens, podendo variar entre 0 e 90 pontos, sendo que pontuações mais altas indicam uma maior incidência do padrão alimentar do PC. As subescalas são cotadas da mesma forma, havendo 6 itens que avaliam o PC Compulsivo e outros 6 que avaliam o PC NãoCompulsivo. Este questionário apresentou uma boa consistência interna para o score total (α = .91), assim como para as subescalas de PC Compulsivo (α = .91) e PC Não-Compulsivo (α = .86).
15 Procedimentos O presente estudo foi aprovado pela Comissão de Ética para a Investigação em Ciências Sociais e Humanas da Universidade do Minho (CEICSH 100/2021). A recolha dos dados para o curso de Psicologia da Universidade do Minho deu-se por meio da Plataforma Digital de Créditos com recurso ao Google Forms , onde foram inseridos o Consentimento Informado—com os objetivos e procedimentos do estudo, assegurando a confidencialidade dos dados e o anonimato dos participantes, assim como o caráter voluntário da participação—e os instrumentos de investigação a serem preenchidos. Para que fosse possível a participação dos estudantes dos demais cursos, foi enviado um pedido de colaboração pelo e-mail institucional da Universidade do Minho. Foi também utilizado o método de amostragem não probabilístico de bola de neve, em que o link para os questionários foi repassado organicamente entre os participantes, viabilizando, assim, a contribuição de alunos de outras universidades. Análise Estatística A análise estatística foi realizada através do programa estatístico IBM ® SPSS ® Statistics (versão 28) para Windows . Inicialmente, foi conduzida uma análise descritiva dos dados, utilizandose medidas de tendência central e dispersão. A seguir, realizou-se uma análise exploratória dos dados para testar a sua normalidade. Os procedimentos da análise exploratória dos dados indicaram que os pressupostos da normalidade não estavam sendo cumpridos em todas as variáveis, optando-se, assim, pela utilização de testes não paramétricos na comparação entre grupos. Considerando-se um design inter-sujeitos, foi utilizado o Teste de Mann-Whitney ( U ) para averiguar as diferenças entre os grupos com e sem diagnóstico de AA relativamente ao IMC, às DRE, à UN e ao PC. A fim de explorar uma possível correlação entre a presença de diagnóstico para AA e o IMC, DRE, UN e PC, utilizou-se o Teste de Correlação Ponto-Bisserial ( r pb). A possível associação entre a sintomatologia da AA e as demais variáveis foram aferidas através do Coeficiente de Correlação de Pearson ( r ).
16 Com o intuito de investigar os potenciais preditores para a sintomatologia da AA, recorreuse a uma Regressão Linear Múltipla. Para tal, distribuiu-se em três blocos as possíveis variáveis preditoras selecionadas. Finalmente, análises de moderação simples foram realizadas através do PROCESS (versão 4.1) com o propósito de examinar o papel moderador da UN na relação entre as DRE e a sintomatologia da AA e na relação entre o PC (Compulsivo e Não-Compulsivo) e a sintomatologia da AA. Resultados Frequência e Caracterização da Adição Alimentar em Estudantes Universitários Dos 338 participantes deste estudo, 36 (10.7%) preencheram os critérios para o diagnóstico de AA de acordo com o YFAS 2.0. Destes, no que concerne à classificação do nível de severidade, 10 sujeitos (25.23%) apresentaram uma AA leve, 5 (14.01%) obtiveram diagnóstico moderado e 21 (60.74%) foram classificados com AA severa. Quanto à sintomatologia da AA, os critérios diagnósticos mais frequentes no grupo com diagnóstico de AA, excetuando-se o comprometimento clínico, foram os sintomas de abstinência ( M = .78, DP = .07), a persistência do consumo mesmo quando este tem consequências físicas ou emocionais consideradas negativas ( M = .75, DP = .07), e desejo contínuo ou incapacidade de reduzir/parar o consumo ( M = .69, DP = .07). Dos participantes que apresentaram diagnóstico para AA, 31 são do sexo feminino (86.1%), 3 do sexo masculino (8.3%) e 2 (5.5%) selecionaram a opção “outro” ao serem questionados acerca do sexo. No que se refere ao IMC, o Teste de Mann-Whitney não revelou diferenças estatisticamente significativas entre os grupos com e sem diagnóstico de AA ( U = 4593.5, p = .128). Adição Alimentar e Dificuldades na Regulação Emocional O Teste de Mann-Whitney revelou diferenças estatisticamente significativas entre os grupos com e sem diagnóstico de AA em relação às DRE, sendo que o grupo com AA apresenta mais dificuldades em regular as próprias emoções de acordo com as seis dimensões da DERSSF—nomeadamente Consciência ( U = 3867.0 , p = .004), Clareza ( U = 2940.0, p < .001), Objetivos ( U = 3262.5 , p < .001), Impulsos ( U = 2653.5, p < .001), Não-Aceitação ( U = 2754.0,
17 p < .001) e Estratégias ( U = 2985.5, p < .001) —, e, consequentemente, de acordo com o score total ( U = 2599.0, p < .001). A Tabela 1 apresenta estes resultados. Tabela 1 Diferenças entre os grupos com e sem diagnóstico de Adição Alimentar relativamente às Dificuldades na Regulação Emocional Grupo sem AA ( n = 302) Grupo com AA ( n = 36) Posto médio Posto médio U DERS-SF: Consciência 164.30 213.08 3867.0** DERS-SF: Clareza 161.24 238.82 2940.5*** DERS-SF: Objetivos 162.30 229.79 3262.5*** DERS-SF: Impulsos 160.29 246.79 2653.5*** DERS-SF: NãoAceitação 160.62 244.00 2754.5*** DERS-SF: Estratégias 161.39 237.57 2985.5.*** DERS-SF: Total 160.11 248.31 2599.0*** Nota . N = 338. DERS-SF: Consciência; DERS-SF: Clareza; DERS-SF: Objetivos; DERS-SF: Impulsos; DERS-SF: Não-Aceitação; DERS-SF: Estratégias = subescalas da Escala de Dificuldades de Regulação Emocional – Versão Reduzida; DERS-SF: Total = score total da Escala de Dificuldades de Regulação Emocional – Versão Reduzida. ** p < .01; *** p < .001 Adição Alimentar e Urgência Negativa Em relação à UN, o Teste de Mann-Whitney mostrou que a diferença entre os grupos com e sem diagnóstico de AA é estatisticamente significativa, uma vez que o grupo com diagnóstico de
18 AA apresenta um maior score para esta componente da Escala do Comportamento Impulsivo, U = 3155.5, p < .001. Estes resultados são apresentados na Tabela 2. Tabela 2 Diferenças entre os grupos com e sem diagnóstico de Adição Alimentar relativamente à Urgência Negativa Grupo sem AA ( n = 302) Grupo com AA ( n = 36) Posto médio Posto médio U UPPS - Subescala UN 161.95 232.85 3155.5*** Nota . N = 338. UPPS - Subescala UN = score total da subescala Urgência Negativa na Escala do Comportamento Impulsivo. *** p < .001 Adição Alimentar e Petisco Contínuo Testes de Mann-Whitney revelaram diferenças estatisticamente significativas entre os grupos quanto à pontuação para o PC de forma geral ( U = 2199.0, p < .001), para o PC no subtipo Não-Compulsivo ( U = 2899.0, p < .001) e para o PC no subtipo Compulsivo ( U = 2012.5, p < .001), sendo que o grupo com diagnóstico de AA apresentou maiores pontuações em todas as condições, como pode ser visualizado na Tabela 3. Tabela 3 Diferenças entre os grupos com e sem diagnóstico de Adição Alimentar relativamente ao Petisco Contínuo Grupo sem AA ( n = 302) Grupo com AA ( n = 36)
19 Posto médio Posto médio U Rep(Eat)-Q: Compulsivo 158.16 264.60 2012.5*** Rep(Eat)-Q: Não-Compulsivo 161.10 239.97 2899.0*** Rep(Eat)-Q: Total 158.78 259.42 2199.0*** Nota . N = 338. Rep(Eat)-Q: Compulsivo; Rep(Eat)-Q: Não-Compulsivo = subescalas do Repetitive Eating Questionnaire . Rep(Eat)-Q: Total = score total do Repetitive Eating Questionnaire . *** p < .001 Associação entre o Diagnóstico de Adição Alimentar e as Demais Variáveis Testes de Correlação Ponto-Bisserial indicam que existe uma correlação positiva significativa entre a presença do diagnóstico de AA e as DRE ( r pb = .34, p < .001); entre o diagnóstico de AA e a UN ( r pb = .24, p < .001), entre o diagnóstico de AA e o score total para o PC ( r pb = .40, p < .001), PC Não-Compulsivo ( r pb = .29, p < .001) e PC Compulsivo ( r pb = .45, p < .001). A presença do diagnóstico de AA, portanto, está associada a maiores dificuldades em regular as próprias emoções, a maiores dificuldades para controlar os impulsos diante de eventos emocionalmente negativos, e a maiores níveis do padrão comportamental do PC em seus dois subtipos. Os resultados estão ilustrados na Tabela 4. Tabela 4 Correlações entre o diagnóstico de Adição Alimentar e variáveis em estudo Variáveis Coeficiente de Correlação Ponto-Bisserial ( r pb) p DERS-SF: Consciência .159 .003 DERS-SF: Clareza .295 <.001 DERS-SF: Objetivos .262 <.001 DERS-SF: Impulsos .342 <.001 DERS-SF: Não-Aceitação .311 <.001 DERS-SF: Estratégias .292 <.001
20 DERS-SF: Total .345 <.001 UPPS – Subescala UN .245 <.001 Rep(Eat)-Q: Compulsivo .450 <.001 Rep(Eat)-Q: Não-Compulsivo .298 <.001 Rep(Eat)-Q: Total .405 <.001 Nota . N = 338. DERS-SF: Consciência; DERS-SF: Clareza; DERS-SF: Objetivos; DERS-SF: Impulsos; DERS-SF: Não-Aceitação; DERS-SF: Estratégias = subescalas da Escala de Dificuldades de Regulação Emocional - Versão Reduzida; DERS-SF: Total = score total da Escala de Dificuldades de Regulação Emocional - Versão Reduzida. UPPS - Subescala UN = score total da subescala Urgência Negativa na Escala do Comportamento Impulsivo. Rep(Eat)-Q: Compulsivo; Rep(Eat)-Q: Não-Compulsivo = subescalas do Repetitive Eating Questionnaire . Rep(Eat)-Q: Total = score total do Repetitive Eating Questionnaire . Associação entre a Sintomatologia de Adição Alimentar e Demais Variáveis No que se refere à sintomatologia da AA, o Teste de Correlação de Pearson demonstrou que a presença de mais sintomas também está positivamente relacionada a maiores DRE ( r = .42, p < .001); a uma maior UN ( r = .41, p < .001); e a uma maior pontuação para a escala que afere a presença do PC ( r = .66, p < .001), seja no seu subtipo Compulsivo ( r = .67, p < .001) ou NãoCompulsivo ( r = .55, p < .001). Todas as variáveis também apresentaram correlações positivas significativas entre si. Estes resultados estão indicados na Tabela 5. Tabela 5 Correlações entre a sintomatologia da AA, as DRE, a UN e o PC Variáveis M DP 1 2 3 4 5 6 1. Sintomatologia de AA 1.2 2.39 – 2. DERS-SF: Total 39.8 12.6 .420*** –
21 3.UPPS - Subescala UN 26.6 7.3 .411*** .613*** – 4. Rep(Eat)-Q: Compulsivo 1.4 1.3 .675*** .443*** .476*** – 5. Rep(Eat)-Q: NãoCompulsivo 1.5 1.3 .556*** .374*** .457*** .716*** – 6. Rep(Eat)-Q: Total 1.5 1.2 .666*** .442*** .503*** .928*** .924*** – Nota . N = 338. DERS-SF: Total = score total da Escala de Dificuldades de Regulação Emocional – Versão Reduzida. UPPS - Subescala UN = score total da subescala Urgência Negativa na Escala do Comportamento Impulsivo. Rep(Eat)-Q: Compulsivo; Rep(Eat)-Q: Não-Compulsivo = subescalas do Repetitive Eating Questionnaire . Rep(Eat)-Q: Total = score total do Repetitive Eating Questionnaire *** p < .001 Variáveis Preditoras da Adição Alimentar Foi realizada uma Regressão Linear Múltipla (método hierárquico por blocos) para avaliar o potencial preditor das DRE, UN e PC em relação à sintomatologia da AA. Algumas destas variáveis—como o PC Compulsivo e o PC Não-Compulsivo—foram selecionadas em decorrência da sua significância nas análises acima realizadas, e outras—como as DRE e a UN—foram selecionadas levando-se em consideração a sua base teórica prévia para a predição da sintomatologia da AA. Desta forma, definiram-se três blocos de variáveis preditoras da sintomatologia da AA. No primeiro bloco foram adicionadas as variáveis Idade e Sexo como variáveis de controlo; no segundo, foram introduzidos o IMC, o PC Compulsivo e o PC Não-Compulsivo, uma vez que estas variáveis estão diretamente relacionadas ao comportamento alimentar; no terceiro bloco, por fim, foram introduzidas as DRE e a UN. No primeiro bloco, o modelo não foi estatisticamente significativo, F (2,335) = 1.86, p = .156, R² = .01, explicando 1% da variância. Nenhuma das variáveis inseridas revelou ser uma preditora significativa da sintomatologia da AA neste modelo.
22 No segundo bloco, o modelo revelou-se estatisticamente significativo, F (5,332) = 59.69, p < .001, R² = 47, explicando corretamente 47% da variância. Aqui, as variáveis “Sexo” (ß = .081, t (338) = 2.03, p = 0.43), “PC Compulsivo” (ß = .568, t (338) = 9.56, p < .001) e “PC NãoCompulsivo” (ß = .151, t (338) = 2.62, p = .009) mostraram-se preditoras significativas da sintomatologia da AA. No terceiro bloco, o modelo também se mostrou estatisticamente significativo, F (7,330) = 45.05, p < .001, R² = .48, explicando cerca de 49% da variância. Sendo consideradas todas as variáveis do modelo neste bloco, o “PC Compulsivo” (ß = .509, t (338) = 8.27, p < .001), o “PC Não-Compulsivo” (ß = .132, t (338) = 2.28, p = .023) e o score total do DERS-SF (ß = .125, t (338) = 2.40 p = .017) se revelaram preditores estatisticamente significativos para a sintomatologia da AA. A Tabela 6 ilustra estes resultados. Tabela 6 Regressão linear múltipla para analisar os possíveis preditores da sintomatologia da AA Variáveis B SE B β t p 95% IC Bloco 1 Constante 0.12 0.95 0.12 .900 [-1.76, 2.00] Idade 0.01 0.04 .02 0.39 .691 [-0.06, 0.09] Sexo 0.76 0.40 .10 1.88 .060 [-0.03, 1.55] Bloco 2 Constante -1.24 0.88 -1.40 .163 [-2.98, 0.50] Idade 0.00 0.03 .01 0.26 .791 [-0.05, 0.06] Sexo 0.60 0.29 .08 2.03 .043 [0.02, 1.18] Rep(Eat)-Q: Compulsivo 1.01 0.10 .56 9.56 < .001 [0.80, 1.22] Rep(Eat)-Q: Não-Compulsivo 0.27 0.10 .15 2.62 .009 [0.07, 0.48] IMC -0.00 0.03 -.01 -0.29 .767 [-0.06, 0.05] Bloco 3 Constante -2.58 0.98 -2.63 .009 [-4.51, -0.65] Idade 0.02 0.03 .03 0.82 .413 [-0.03, 0.08] Sexo 0.50 0.29 .06 1.69 .090 [-0.07, 1.08]
23 Rep(Eat)-Q: Compulsivo 0.91 0.11 .50 8.27 < .001 [0.69, 1.12] Rep(Eat)-Q: Não-Compulsivo 0.24 0.10 .13 2.28 .023 [0.03, 0.45] IMC -0.00 0.03 -.00 -0.14 .886 [-0.06, 0.05] DERS-SF: Total 0.02 0.01 .12 2.40 .017 [0.00, 0.04] UPPS - Subescala UN 0.01 0.01 .03 0.56 .576 [-0.02, 0.04] Nota . N = 338. IC = intervalo de confiança. Rep(Eat)-Q: Compulsivo; Rep(Eat)-Q: Não-Compulsivo = subescalas do Repetitive Eating Questionnaire .. IMC = Índice de Massa Corporal. DERS-SF: Total = score total da Escala de Dificuldades de Regulação Emocional – Versão Reduzida. UPPS - Subescala UN = score total da subescala Urgência Negativa na Escala do Comportamento Impulsivo. Papel Moderador da UN na Relação Entre (1) as DRE e a Sintomatologia da AA e (2) o PC e Sintomatologia da AA Com o intuito de investigar se a UN poderia exercer um papel moderador na relação entre as DRE e a sintomatologia da AA, e entre o PC—em seus dois subtipos—e a sintomatologia da AA, foram executadas três análises de moderação simples. A sintomatologia da AA foi a variável final destas análises, e considerou-se como variáveis preditoras as DRE, o PC Compulsivo e o PC NãoCompulsivo, os quais se mostraram preditores da sintomatologia da AA nas análises aqui executadas. A UN foi escolhida para ter avaliado o seu efeito moderador nestas relações, uma vez que a sua associação com a AA e as DRE tem sido amplamente explorada pela literatura, e uma vez que, neste estudo, esteve associada ao PC em seus dois subtipos. Optou-se por centrar a variável moderadora (UN) em três pontos de corte, adotando-se os pontos de baixo-percentil 16, médio-percentil 50 e alto-percentil 84 (Hayes, 2022), para que, desta forma, o seu efeito pudesse ser mais bem compreendido. Sendo assim, os resultados aqui apresentados têm como base o efeito condicional da UN fundamentando-se nestes pontos, nomeadamente baixos, médios e altos níveis de UN. Considerando-se as DRE como preditoras da sintomatologia da AA, a interação entre as DRE e a UN revelou-se estatisticamente significativa ( b = .004, 95% CI [.0020, .0062], t = 3.78, p < .001). O modelo desta moderação explicou 24% da variância da sintomatologia da AA, F (3, 334)
30 constatar uma causalidade na relação entre as variáveis e, por isso, enfatiza-se a importância de estudos longitudinais para contribuir com um conhecimento mais acurado sobre essa questão. Também o facto de os participantes serem, em sua grande maioria, do sexo feminino e pertencentes ao curso de Psicologia, compromete a possibilidade de generalização dos resultados. Finalmente, a utilização de instrumentos de autorrelato pode ser desvantajosa na medida em que estes recursos estão sujeitos a um baixo grau de autoconhecimento do participante e ao viés de desejabilidade social.
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35 Anexo: Parecer da Comissão de Ética para a Investigação em Ciências Sociais e Humanas