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ii DIREITOS DE AUTOR E CONDIÇÕES DE UTILIZAÇÃO DO TRABALHO POR TERCEIROS Este é um trabalho académico que pode ser utilizado por terceiros desde que respeitadas as regras e boas práticas internacionalmente aceites, no que concerne aos direitos de autor e direitos conexos. Assim, o presente trabalho pode ser utilizado nos termos previstos na licença abaixo indicada. Caso o utilizador necessite de permissão para poder fazer um uso do trabalho em condições não previstas no licenciamento indicado, deverá contactar o autor, através do RepositóriUM da Universidade do Minho. Licença concedida aos utilizadores deste trabalho
iii Agradecimentos Ao meu Orientador, Professor Doutor Ângelo Martingo, pelo apoio. Ao professor cooperante do grupo M32, professor Vítor Vieira, pelo seu conhecimento, ajuda, pela sua disponibilidade e principalmente pela sua amizade. Aos meus pais, pelas oportunidades de estudo ao longo da vida. Ao meu tio Cândido, que sempre me ajudou em todas as dificuldades, apoiando e acompanhando sempre o meu percurso musical. A todos os professores, amigos do Conservatório de Braga, que sempre me incentivaram e estimularam a concluir esta etapa. E por fim, agradeço a uma pessoa central neste percurso musical e de aprendizagem, o Professor Nelson Braga, professor, amigo e cooperante no estágio do grupo M20. A ele devo muito do que sei enquanto trompista. Foi também fundamental no resultado final deste trabalho, os Semanais que construímos para os alunos, a pensar no seu desenvolvimento musical.
iv DECLARAÇÃO DE INTEGRIDADE Declaro ter atuado com integridade na elaboração do presente trabalho académico e confirmo que não recorri à prática de plágio nem a qualquer forma de utilização indevida ou falsificação de informações ou resultados em nenhuma das etapas conducente à sua elaboração. Mais declaro que conheço e que respeitei o Código de Conduta Ética da Universidade do Minho.
v Semanal do Trompinhas – Uma proposta de exercícios de aquecimento para a aprendizagem da trompa no ensino especializado de música até ao 2º Ciclo Resumo O presente relatório foi elaborado no âmbito do Estágio Profissional do Mestrado em Ensino de Música da Universidade do Minho e reflete a Intervenção Pedagógica realizada durante o ano letivo 2018/2019, no Conservatório de Música Calouste Gulbenkian de Braga, nos Grupos de Recrutamento M20 – Trompa e M32 – Conjuntos Instrumentais. Tendo em conta a importância do aquecimento na aprendizagem e prática profissional na trompa, constatando-se uma lacuna nos materiais pedagógicos para a formação inicial neste domínio, partindo das necessidades aferidas na observação de aulas e das considerações recolhidas num inquérito administrado a 11 docentes de instrumentos de metal, foi elaborado e implementado na Intervenção Pedagógico um recurso didático designado Semanal do Trompinhas, dirigido a alunos de trompa que frequentam até o 2ºciclo do ensino básico. O Semanal do Trompinhas é um manual de aquecimento diário que contempla seis exercícios (um para cada dia, de segunda-feira, a sábado) para cada um dos elementos técnicos (respiração, bocal, flexibilidade, escalas), em cada um dos três níveis de dificuldade contemplados (iniciação, intermédio, avançado), perfazendo um total de 72 exercícios. O manual foi aplicado na Intervenção Pedagógica, tendo os resultados obtidos demonstrado que os alunos conseguem assimilar com bons resultados as competências necessárias para a aprendizagem do instrumento de uma forma eficaz. O presente trabalho incide no projeto de intervenção supervisionada e consiste na realização do “Semanal do Trompinhas” para estudantes de trompa até ao 2º ciclo, sendo construídos e implementados exercícios que pretendem desenvolver competências de aquecimento. Os resultados obtidos durante o estudo indicam que com os exercícios testados, os alunos conseguem assimilar com bons resultados as competências necessárias para a aprendizagem do instrumento de uma forma eficaz. Palavras-chave: Aquecimento, exercícios, semanal, trompa
vi Trompinhas Weekly - A proposal of warm-up exercises for french horn in specialized music education up to the 2nd Cycle Abstract This report was prepared within the framework of Pedagogical Intervention conducted during the academic year 2018/2019, at the Calouste Gulbenkian Conservatory of Music in Braga, in the Recruitment Groups M20 – French Horn and M32 - Instrumental Sets. Considering the importance of warm up in the learning and professional practice in the French Horn, there was a gap in the pedagogical materials for initial training in this field, based on the needs assessed in class observation and the considerations gathered in a survey administered to 11 teachers of brass instruments, was designed and implemented in the Pedagogic Intervention a didactic resource called Trompinhas Weekly, directed to pupils of the horn that attend until the 2nd cycle of basic education. The Trompinhas Weekly is a dynamic warm-up manual that includes six exercises (one for each day from Monday to Saturday), for each of the technical elements (breathing, flexibility, mouthpiece, scales), at each of the three levels (initial, intermediate, advanced), making a total of 72 exercises. The manual was applied in Pedagogical Intervention, and the results obtained showed that students are able to assimilate with good results the skills necessary to learn the instrument in an effective way. The present work focuses on the project of supervised intervention and consists of the realization of the "Trompinhas Weekly" for french horn students up to the 2nd cycle, being constructed and implemented exercises that intend to develop heating skills. The results obtained during the study indicate that with the exercises tested, the students are able to assimilate with good results the skills necessary to learn the instrument in an effective way. Keywords: heating, exercises, weekly, french horn
vii Índice Agradecimentos ...................................................................................................... iii DECLARAÇÃO DE INTEGRIDADE.............................................................................. iv Resumo .................................................................................................................... v Abstract .................................................................................................................. vi Introdução ............................................................................................................... 1 Capítulo 1 – Enquadramento contextual e teórico.................................................... 3 1.1 Aquecimento dos músculos ............................................................................................ 4 1.2 Postura/Performance ..................................................................................................... 5 1.3 A respiração ................................................................................................................... 6 1.4 Exercícios com bocal ...................................................................................................... 8 1.5 Exercícios de flexibilidade ................................................................................................ 9 1.6 Exercícios de Articulação............................................................................................... 10 1.7 Métodos de exercícios técnicos e aquecimento .............................................................. 11 1.8 Métodos de exercícios de rotina diária e estudos ........................................................... 12 1.9 A contribuição de Philip Farkas ..................................................................................... 13 Capítulo 2 - Contexto de Intervenção ..................................................................... 15 2.1 Caracterização da Escola .............................................................................................. 15 2.2 Disciplinas e professores .............................................................................................. 16 2.3 Caraterização dos alunos de trompa ............................................................................. 17 1º A Aluno A ................................................................................................................... 17 2º A Aluno B ................................................................................................................... 18 2º A Aluno C ................................................................................................................... 18 5ºA Aluno D .................................................................................................................... 18 6ºA Aluno E .................................................................................................................... 18 8ºA Aluno F .................................................................................................................... 19 11ºA Aluno G .................................................................................................................. 19 12ºA Aluno H .................................................................................................................. 19 12ºA Aluno I ................................................................................................................... 20 2.4 Caraterização da Orquestra de Sopros do 6º ano de Maximinos .................................... 20 Capítulo 3 - Intervenção Pedagógica Supervisionada: Elaboração e implementação do Semanal do Trompinhas .................................................................................... 21 3.1 Procedimento/Aspetos metodológicos .......................................................................... 21 3.2 Inquérito ....................................................................................................................... 22 3.3 O Semanal do Trompinhas ........................................................................................... 31 3.4 Planificação de aulas .................................................................................................... 33 3.5 Análise e reflexão das aulas na prática de ensino supervisionada .................................. 36 Conclusão .............................................................................................................. 38 Referências Bibliográficas ..................................................................................... 40
viii Anexos ................................................................................................................... 43 Anexo 1 – Exercícios com bocal .................................................................................. 44 Anexo 2 – Exercícios de Aquecimento e Afinação......................................................... 45 Anexo 3 – Pompa e Circunstância ............................................................................... 46 Anexo 4 - Inquérito ...................................................................................................... 47 Anexo 5 - Semanal de aquecimento do Trompinhas ..................................................... 51
7 “a expiração com pressão é alcançada pela contração dos músculos do abdómen e da cintura com o intuito de causar pressão ascendentemente a partir do lado de baixo do diafragma”. (p.30)3 Existem vários tipos de exercícios de respiração para o aquecimento. Procurando otimizar a respiração, com o auxílio de exercícios corporais práticos, ajudando a quantificar a capacidade pulmonar de instrumentistas de sopros e comparar a capacidade pulmonar em diferentes graus de aprendizagem, Bernardo (2016) levou a cabo medições com o espirómetro em Trompistas de diferentes graus de aprendizagem. Com base nas medições obtidas, e após a sua intervenção/análise, procurou compreender a relação entre o nível de ensino dos alunos. Também utilizou diversos materiais e formatos multimédia, de modo que se conseguisse abranger o máximo de informação e documentação relativamente ao tema em questão. Conclui-se de Bernardo (2016), que os exercícios de respiração são, deveras, muito importantes no aquecimento de um instrumentista de sopro. Com efeito, após analisar os testes de espirometria, o autor concluiu que os exercícios de respiração aplicados tiveram um efeito positivo na capacidade pulmonar dos alunos. Por outro lado, Bernardo (2016) verificou ainda uma melhoria no som produzido pelos alunos, mais especificamente uma melhoria dos harmónicos produzidos, quando analisados relativamente a valores de referência, ajudando a uma melhor capacidade de resposta dos alunos, a um acrescento da capacidade sonora e a um aumento da qualidade dos harmónicos. Importante também para o projeto que nos propusemos desenvolver, Bernardo (2016) apresenta um Semanal com exercícios de respiração diários. Esse semanal clarifica dúvidas de alguns docentes sobre o tema da respiração. Não obstante esse contributo, constata-se uma falta de estudos e de materiais de exercícios de respiração para trompistas, como mostra o facto de, muitas vezes, se adotarem os materiais de trompetistas, como refere Wekre (2016): “Tradicionalmente são ensinadas aos trompistas técnicas de respiração semelhantes às que a maioria dos trompetistas usam”. (p.36) Procurando identificar exercícios de respiração recomendados para a prática instrumental, bem como testar utensílios de respiração indicados por alguns pedagogos, Faria (2016), mostra 3 Exhalation with pressure – achieved by contraction of abdominal and waist muscles for the purpose of causing upward pressure from the underside of the diaphragm.
8 que os alunos conseguiram obter mais facilmente uma melhor qualidade sonora, tímbrica tocando frases mais longas, assim como uma melhor afinação (por estabilizarem o som). Faria (2016) sugere também que realizar exercícios de respiração com utensílios é uma mais-valia na aprendizagem de um instrumento de sopro, no caso, a trompa e que, apesar de alguns destes utensílios terem um custo elevado, a sua utilização é um ponto forte. 1.4 Exercícios com bocal Nos exercícios com bocal, desenvolve-se a vibração labial. Estes exercícios servem, sobretudo, para o aluno controlar o desenvolvimento dos músculos labiais, dimensão do registo, e são também mais uma forma de exercitar o dominar o uso a coluna de ar. Nestes exercícios, deve ter-se em atenção a afinação das notas. A forma como se ouve o som só com bocal deve ser semelhante no instrumento. Para estes exercícios, os alunos devem ter em conta a maneira como seguram o bocal, devendo servir-se apenas de dois dedos, e evitar fazer pressão no lábio superior. Esta conceção é defendida por Wekre (2016), que explica detalhadamente como é que estes aspetos (controlo e desenvolvimento dos músculos labiais, extensão de registo, controlo da coluna de ar e afinação) devem ser trabalhados. Na trompa, os exercícios com bocal são um campo que ainda pouco explorado, sendo que os professores, normalmente, utilizam os cadernos dos alunos para escreverem alguns. Os exercícios mais utilizados são sempre da nota dó a dó8, apresentando-se esses exercícios por etapas, ou seja, iniciam numa primeira vez, “dó, ré, mi, ré, dó”, depois “dó, ré, mi, fá, sol, fá, mi, ré, dó”, e, por fim, de “dó a dó8”, de modo ascendente e descendente. Este exercício, normalmente, é executado duas vezes com diferentes articulações, primeiro ligado e depois separado (Anexo1). Não havendo exercícios escritos e específicos com o bocal, apresentamos, no Anexo 1, exercícios que normalmente são usados pelos professores nas aulas. Além dos exercícios com bocal, há quem proponha o uso de exercícios de buzzing . Por exemplo, Matosinhos refere que o uso só do buzzing apresenta vantagens para focar o som, ajudando a controlar a vibração, fortalecendo a embocadura e pode até ser usado como exercício de aquecimento. A única ressalva tem que ver com o chamado free buzzing . A vibração é diferente dentro e fora do bocal. Ora, havendo consciência disso, pode ser bom realizar exercícios com e sem o bocal. Sendo assim, pode considerar-se que o buzzing efetuado somente com os lábios deve ser realizado antes de usar também o bocal. Silva e Ronqui (2015), salientam também a importância do buzzing , sugerindo que:
9 “[...] a utilização do buzzing como ferramenta no ensino e aprendizados dos instrumentos de metal proporciona: uma correta vibração labial, auxilia na formação da embocadura, melhora a entonação das notas, beneficia a perceção auditiva e contribui com a melhora da resistência física desses músicos”. (p.85) 1.5 Exercícios de flexibilidade Os exercícios de flexibilidade são uma base de aquecimento fundamental no trabalho diário de um trompista. A flexibilidade consiste na capacidade da estrutura muscular se estender, sem danos ou lesões e com ampla movimentação em articulações. Para os trompistas, a flexibilidade consiste na extensão dos músculos labiais, ajudando a uma maior velocidade e precisão das notas. Os exercícios de flexibilidade, além de servirem para trabalhar os músculos labiais e a precisão dos harmónicos, são um utensílio para se poder analisar se a coluna de ar é usada de uma forma correta. Podemos encontrar diversos exercícios destes em manuais de técnica para o instrumento, onde se encontram vários exercícios com 3, 5, 7, 9 ou mais harmónicos. Para alunos até ao 2º ciclo, o mais aconselhado seriam exercícios até 5 harmónicos. Consideramos que um bom exemplo de manual neste âmbito poderia ser o Skola hry na lesní roh de Wipperich, na medida em que apresenta exercícios com nível de dificuldade baixa, ajudando os alunos a realizar com alguma facilidade o seu aquecimento. Um dos problemas que se pode encontrar noutros métodos, como, por exemplo, Playing the Horn de Tuckwell (1978) , Calientamiento para Trompa de Minguet (2011), Techni-Cor de Bourgue (1997), entre outros, é o nível da dificuldade que apresentam, visto configurarem exercícios de flexibilidade pouco adequados para alunos desta faixa etária, ou seja, são poucos os exercícios em cada método, que os alunos conseguem realizar, havendo um crescente nível de dificuldade. Comparando vários métodos com exercícios de flexibilidade, pode-se facilmente perceber que são pensados para executantes de, mas não para iniciantes de trompa, nem para o aquecimento diário destes. No método Calientamiento para Trompa , de Minguet (2011), por exemplo, encontramos, nas duas primeiras páginas, exercícios que consideramos adequados, mas, a partir da terceira página, já surgem exercícios com um nível de dificuldade maior, não muito pelas notas escritas, mas pelo ritmo. Para alunos de 10 anos, ou que executem o instrumento há menos de três anos, encontramos exercícios que serão difíceis de realizar. Se for pedido a um aluno para executar em casa os exercícios aí previstos, consideramos que se devem adaptar esses exercícios procedendo a algumas alterações, por exemplo, de semicolcheias para
10 colcheias, adaptações estas que, a nosso ver, iriam facilitar uma maior compreensão por parte do aluno. Resumidamente, e para salientar a importância da flexibilidade no aquecimento, podemos concluir, com Wekre (2016), que “este tipo de exercício pode soltar lábios rígidos e desenvolver ligações rápidas e suaves entre vários registos” (p.6). 1.6 Exercícios de Articulação No aquecimento diário de um trompista, outro aspeto a ter em conta é a articulação das notas, desde o staccato ao legato . Para um aquecimento completo, devem realizar-se exercícios para o correto uso da língua, sendo este o fator mais importante para a obtenção de uma articulação clara e rápida. Uma questão surge de imediato: como realizar esses exercícios e qual o melhor método para o fazer? Antes de propormos uma resposta para estas questões, devemos perceber algo aparentemente muito simples e de cariz mais fisiológico e que se prende com o funcionamento da língua dentro da nossa boca. Segundo Tuckwel (1978), existem dois fatores que podem ditar uma má articulação – em primeiro lugar a baixa velocidade na retirada da língua do palato duro, criando um ataque mole e pesado, não sendo eficaz quando necessitamos de articular rapidamente, e, em segundo lugar, o trajeto que a língua necessita de fazer para tocar notas repetidas. Se o trajeto da língua for longo, o ataque da nota seguinte será tardio, ou seja, se o músico fizer um movimento muito longo com a língua dentro da boca, o ataque da nota seguinte chegará tarde. Tuckwell (1978) realça que, para tal não acontecer, se deve manter a língua na parte inferior da boca, até que seja necessário iniciar uma nova nota. Assim, deve-se realizar numa fase inicial exercícios com notas staccato e depois legato . Segundo Farkas (1956), “a primeira consideração do staccato é de haver espaço entre as notas” (p. 50)4. Para que este fenómeno aconteça, impõe-se escolher sílabas para separar as notas. As sílabas “t” e “d” são as mais referidas pelos pedagogos, visto serem sílabas linguísticas. Ou seja, é preciso tocar com a língua nos dentes para as pronunciar e, desta forma, separar-se a coluna de ar, produzindo o ataque de cada nota. Em relação ao legato , pode-se considerar que, para estas idades, os exercícios devem ser mais facilitados, existindo uma aproximação de harmónicos. Deve ter-se controle na vibração dos 4 Tradução do autor: “The prime consideration of staccato is to have space between notes”.
11 lábios para se poder fazer os intervalos pretendidos sem o ataque com língua, concluindo-se que a falta de precisão do ataque poderá causar um legato defeituoso. 1.7 Métodos de exercícios técnicos e aquecimento Segundo Castellano (2002), não existe uma grande quantidade de técnicas, exercícios ou métodos para trompa, sobretudo na comparação com outros instrumentos. O mesmo é referido por Tuckwell (1983), que sugere que “alguns aspetos da prática são tratados integralmente do ponto de vista do professor” (p. 162)5. Existem métodos escritos para a iniciação à trompa, mas, na sua génese, não são livros de exercícios diários, mas compêndios com peças, estudos ou duos para o aluno tocar com o professor. O método Iniciação ao estudo da trompa de Ricardo Matosinhos (2013), possivelmente o mais acessível e apelativo para os alunos, engloba peças tradicionais fáceis, com acompanhamento em duo e uma série de pequenos estudos, não contemplando exercícios de técnica diária. No método Kürtiskola , de Szilágyi-Kökényessy (1992), o conteúdo é mais abrangente, incluindo exercícios técnicos, mas que são demasiado complexos ao nível da extensão de registo para alunos que estão a iniciar a aprendizagem do instrumento. Os métodos Aprende tocando la trompa , de Wastall, A tune a day , de Herfurth e Miller (2000) e Look, Listen & Learn 1 , de Kastelein (2012), são manuais para sopros, cujo conteúdo é muito semelhante para todos os instrumentos, não contendo exercícios de aquecimento diário específicos para o instrumento. The Dale Clevenger french horn method , de Dale Clevenger, Mark Mcdunn e Harold Ruschc (1974), por exemplo, é um método com exercícios e estudos, mas que não se enquadra ao nível de ensino do segundo ciclo, apresentando um grau de dificuldade demasiado elevado. Além dos métodos apresentados, existem manuais mais direcionados para o aquecimento diário, mas que apresentam a mesma lacuna, visto que são dirigidos aos alunos mais avançados e profissionais do instrumento. O Semanal del trompista , de Castellano, é bastante interessante, mas, para alunos de 2º ciclo, é bastante difícil. Além deste semanal, existem manuais como Techni-cor de Bourgue (1997), Mastery of the french horn , de Hoeltzel (2006), e Playing the horn, de Tuckwell (1978), com compilações de exercícios para uma fase mais avançada da aprendizagem do instrumento. O livro de exercícios Calientamento para trompa , de Minguet 5 Tradução do autor: “Some aspects of playing are dealt with more fully from the point of view of the teacher (…).”
12 (2011), será, porventura, o mais acessível para alunos mais jovens, mas nunca poderemos considerá-lo adequado a alunos desta faixa etária. Assim, e fazendo uma brevíssima súmula do que se expôs, consideramos que os materiais disponíveis para os exercícios diários de aquecimento não são indicados para alunos até ao 2º ciclo. Tendo em conta as competências e objetivos traçadas para este ciclo, as idades dos alunos em questão, o tipo de instrumento usado, entendemos que seria necessário compilar vários exercícios presentes em diferentes métodos, destinados ao aquecimento, tanto em casa como nas aulas com o professor. 1.8 Métodos de exercícios de rotina diária e estudos De entre as várias propostas de exercícios e estudos, podem ser consideradas mais interessantes são, a nosso ver, An Annotated Guide to Published Horn Warm-Up Routines , de Manners (2016), e Bibliografia selecionada e anotada de estudos para trompa publicados entre 1950 e 2011 , de Matosinhos (2012). Manners (2016) pesquisa vários métodos de exercícios de rotinas diárias entre 1940 e 2015, mostrando a sua evolução ao longo de 75 anos. A data de 1940, não representa uma decisão consciente de excluir materiais antes de uma data arbitrária, de acordo com Manners (2016), mas antes, um reflexo do facto dos livros incluídos refletirem uma nova categoria de publicação: exercícios expressamente projetados para iniciar sessões diárias de prática. Manners (2016) faz uma análise do foco que cada livro coloca nas seguintes categorias: notas longas, buzzing , métodos de flexibilidade, escalas e arpejos, articulações e estudos de intervalos. Da sua recolha, Manners (2016) conclui que o caminho para o sucesso na trompa é diferente para cada praticante e, portanto, uma ampla visão de opções é necessária para algo aparentemente tão simples quanto uma rotina de aquecimento, mas que pode desempenhar um papel substancial no desenvolvimento do aluno. No nosso trabalho de investigação, Manners (2016) foi importante para o desenvolvimento de vários exercícios. Mesmo assim foi preciso sempre reescrever e adequar os exercícios para o semanal. De realçar ainda que os métodos estudados por Manners (2016) são todos em língua estrangeira, o que demonstra que ainda não há muitos métodos transcritos ou realizados em português. O método de exercícios de rotina diária em português mais usado é, sem dúvida, o Compêndio de exercícios para trompa, de Silva, mas, como tantos outros, o seu grau de dificuldade não se adequa, do nosso ponto de vista, a alunos até ao 2º ciclo.
13 A investigação de Matosinhos (2012), é bastante útil aos trompistas. O autor criou um guia que pudesse elucidar os professores de trompa sobre as partituras em questão antes da sua aquisição. Inicialmente, fez uma pesquisa de partituras, recorrendo a catálogos de editoras e empresas de distribuição musical ou a partir dos próprios autores. Numa segunda fase, estabeleceu contactos com trompistas e professores de trompa de diferentes países, para obtenção de informações sobre livros de estudos publicados por pequenas editoras de carácter local que não figuram nos grandes circuitos comerciais. 1.9 A contribuição de Philip Farkas Para qualquer trompista, é importante conhecer a obra de Farkas. Dele se refere no sítio da International Horn Society que “ Philip Francis Farkas was a legendary principal orchestra player, a leading teacher, author of a book known as the Bible for horn players, and a co-founder of the IHS ”6. Internacionalmente reconhecido não só como professor, mas principalmente como pedagogo, concebeu estratégias, ajudou a ultrapassar barreiras e criou diversos materiais para a trompa. Farkas nasceu a 5 de março de 1914 e morreu a 21 de dezembro de 1992. Foi o principal trompista da Orquestra Sinfónica de Chicago durante muitos anos, saindo em 1960 para se juntar à faculdade de música da Universidade Indiana em Bloomington. Escreveu The Art of French Horn Playing (Farkas, 1956) que é considerado, por muitos, como o trabalho mais importante para os trompistas. Outros livros por si escritos incluem The Art of Brass Playing, The Art of Musicianship (Farkas, 1976) e um estudo fotográfico de 40 embocaduras de executantes virtuosos de trompa (Farkas, 1952). Por volta dos 14 anos de idade, Farkas começou a ter problemas de asma. Na altura, os pais decidiram que o melhor seria ele iniciar algum instrumento de sopro na banda, escolhendo a tuba. Depois surgiram outros problemas, nomeadamente o tamanho do instrumento, pois, para se deslocar para a escola, o aluno precisava de ir de táxi e o condutor começou a reclamar que o seu instrumento ocupava muito espaço. Então, Farkas perguntou qual seria o instrumento mais conveniente, e o condutor apontou para um estojo de trompa pertencente a uma banda que estava na rua. Logo depois, Farkas e o seu pai foram ao centro de Chicago e alugaram uma trompa da marca Schmidt por três dólares por mês. Foi assim que ele se apaixonou pela trompa e decidiu seguir a profissão de trompista. Ainda no liceu, tornou-se o mais jovem membro 6 Informação disponível em: https://www.hornsociety.org/ihs-people/honoraries/26-people/honorary/48-philip-ffarkas-1914-1992
14 da Orquestra de Chicago, primeiro trompista da Chicago Civic Orchestra e primeiro na Filarmónica de Kansas City. Este foi, aliás, o seu primeiro trabalho profissional como um executante de trompa. Mas Farkas foi também primeiro trompa nas orquestras de Chicago Symphony, Boston e Cleveland. Foi, ainda professor de música, tendo lecionado na Indiana University, na Northwestern University, no Cleveland Institute, no Kansas City Conservatory, na De Paul University e na Roosevelt University. Dos seus alunos mais notáveis destacam-se nomes como os de Douglas Hill e de Paul Marcotte. Finalmente, importa realçar que Farkas fundou uma editora, a Wind Music Inc. Farkas é muito conhecido por projetar a trompa Holton-Farkas, o instrumento mais vendido pela Frank Holton Company. Publicou quatro livros best-sellers para ajudar os executantes de trompa, músicos de metal e todos os músicos a melhorarem na arte. Farkas, conhecido por ter uma personalidade gentil e alegre, era muito perfecionista. Todos os que com ele privaram e aqueles que conhecem a sua obra sabem que causou um grande impacto no mundo da música, assim como em muitas vidas ao longo do caminho. Farkas (1956) pretendia apresentar uma obra que reunisse a sua experiência enquanto trompista e docente, e a dos seus professores, de modo a ajudar os músicos, em particular instrumentistas da família dos metais, a executar um instrumento tão complexo. Para a escrita deste livro, o autor analisou vários livros na área da aprendizagem da trompa com passagens difíceis, que se tornaram muito úteis para a sua reflexão. Os estudos analisados, associados aos vários anos de experiência prática, permitiram-lhe escrever este livro onde procura antecipar os problemas que podem surgir na execução deste instrumento, respondendo de forma clara aos mesmos. Nesse volume, Farkas (1956) apresenta um conjunto de técnicas específicas, bem como sugestões que podem auxiliar um músico na aprendizagem do instrumento. Discute, ainda, questões de ordem particular das técnicas do instrumento, como a utilização da mão direita, posições dos dedos e som das notas, embocadura, respiração, prática, articulação, frases musicais, pressão do bocal, precisão nos ataques das notas, trilos labiais e, por fim, apresenta alguns exercícios selecionados com vista a obter objetivos precisos.
15 Capítulo 2 - Contexto de Intervenção 2.1 Caracterização da Escola O Conservatório de Música Calouste Gulbenkian de Braga foi inaugurado no dia 7 de novembro de 1961 e foi considerada uma instituição de tipo associativo e de carácter particular. Como era uma escola particular, naturalmente, as suas receitas constituíam-se a partir das propinas dos alunos e das quotas dos sócios ordinários, sócios protetores e outras entidades ou organismos. Nessa altura, a escola beneficiava do apoio da Fundação Calouste Gulbenkian, que forneceu os instrumentos e se propôs auxiliar na manutenção, assim como do empenho e força de vontade da sua fundadora, D. Adelina Caravana, que era a diretora pedagógica. A partir de outubro de 1971, foi determinado que, no ano letivo 71/72, fosse criada uma Escola Piloto com ensino pré-primário, primário, ciclo preparatório e liceal, secção de música com cursos complementares e curso superior de Piano, secção de Ballet, secção de Artes Plásticas e Fotografia e secção da Arte Dramática. O Conservatório foi passando sempre por uma experiência pedagógica pioneira de ensino integrado, até que, com o Decreto-lei n.º 310/83 publicado a 1 de julho de 1983, foi reestruturado e viu ser-lhe retirado o estatuto de ensino superior. Depois de vários anos sujeito a diferentes propostas de planos de estudo, a 5 julho de 2012, com o Decreto-Lei n.º 139/2012, estabeleceram-se os princípios orientadores da organização e da gestão dos currículos do ensino secundário, reforçando, entre outros aspetos, a autonomia pedagógica e organizativa das escolas. Neste contexto, criou-se o “Curso Secundário de Música” (com as vertentes de Instrumento, Formação Musical e Composição), o Curso Secundário de Canto e o Curso Secundário de Canto Gregoriano e aprovaram-se os respetivos planos de estudos em regime integrado e em regime supletivo, através do disposto na Portaria n.º 243-A/2012, de 13 de agosto. Atualmente, o Conservatório de Música Calouste Gulbenkian de Braga, no ensino básico, paralelamente às disciplinas de formação geral, que todas as escolas do ensino regular oferecem, oferece também a componente da área vocacional, com disciplinas diversificadas, tais como instrumento, coro, classes de conjunto, formação musical e introdução às técnicas de composição. No ensino secundário, há a possibilidade de escolha entre quatro cursos, sendo todos eles específicos da área da música: canto, composição, formação musical e instrumento. Neste conservatório existe ainda a possibilidade de se fazer, em regime supletivo, um dos cursos de música do ensino secundário, isto é, o aluno pode frequentar paralelamente outra escola e o
16 conservatório. Também para este fim, o aluno deve candidatar-se à frequência do regime supletivo no CMCG, através da realização de provas ao ingresso nestes cursos, desde que tenha o curso básico de música. O CMCG, de Braga, oferece ainda o curso livre de dança, que poderá ser certificado, com exames, pela “Royal Academy of Dance”. Esta escola, além de ensino integrado, tem, desde 2015, ensino articulado, tendo este lugar na Escola EB 2/3 Frei Caetano Brandão, do Agrupamento de Escolas de Maximinos. De momento, o Conservatório tem cerca de 500 alunos no ensino integrado e 60 do ensino articulado. No Conservatório, existem dois professores de trompa, sendo um contratado e outro professor do quadro de escola, de nomeação definitiva. Distribuídos entre os horários dos dois professores nesta escola, há alunos em todos os anos escolares. Relativamente ao meu estágio, o professor cooperante foi o professor do quadro de escola, o qual tem alunos de todos os ciclos. Os alunos a cujas aulas assistimos integram vários anos escolares, como a seguir se lista: um aluno do 1ºano; dois alunos do 2ºano; um aluno do 5ºano; um aluno do 6ºano; um aluno do 8ªano; um aluno do 11ºano; e dois alunos do 12ºano. 2.2 Disciplinas e professores Durante o estágio frequentei as disciplinas de Instrumento, Trompa (M20) e Classes de Conjunto (M32). O programa apresentado na página oficial do conservatório para trompa é bastante vasto, mas não consistente para as dificuldades ou mesmo facilidades que os alunos possam ter. Nesse plano não existe programa para o 1º Ciclo, e durante as aulas presenciadas, o professor usufrui de uma autonomia da sua escolha, usando materiais didáticos diversos e mais recentes, como por exemplo: Iniciação ao estudo da Trompa de Ricardo Matosinhos. Este livro não aparece no programa oficial, em nenhum dos anos, mas mediante a sua versatilidade e pedagogia, é um recurso adequado para este Ciclo. A disciplina de trompa era lecionada pelo professor Nelson Braga. Nas aulas o professor foi sempre muito interventivo, demonstrando aos alunos que eles são capazes sempre de fazer muito melhor. O seu estilo de ensino era muito profissional, conjugando o seu profissionalismo com alegria, e incentivando sempre os alunos. Para ele o aquecimento era fulcral na aprendizagem e nas aulas, usando sempre 10 a 20 minutos do início para exercícios de aquecimento variados, desde exercícios com bocal, a exercícios de flexibilidade, utilizando também escalas para o aquecimento das articulações. Mediante as aulas de observação, e sempre com muita articulação com o professor, concluímos que não existiam materiais adequados para os alunos realizarem os
23 Gráfico 1 – Faixa etária No que se refere às habilitações académicas, os professores inquiridos possuem licenciatura, sendo que mais de metade frequentou o mestrado. Importa também salientar que a maioria dos respondentes tem uma vasta experiência docente, com mais de dez anos (Gráfico 3) Gráfico 2 – Habilitações académicas Gráfico 3 – Experiência docente
24 Quando questionados se realizavam o aquecimento com os alunos e se para eles o aquecimento era importante, os inquiridos responderem na totalidade que sim. De seguida foram questionados sobre o género de exercícios que realizavam. Podemos considerar, mediante as respostas, que os mais importantes são os exercícios de flexibilidade e de articulação, seguindose então exercícios de respiração, harmónicos e escalas. Pela análise do gráfico 4, verificamos que, para sete dos onze professores, os exercícios físicos também são importantes para o aquecimento. Já relativamente aos exercícios com bocal, nove professores referem que os utilizam no quotidiano. Gráfico 4 – Tipo de exercícios Por último, os professores foram inquiridos sobre a duração que deve ter um bom aquecimento. Sobre esta questão, a maioria dos professores considera que o aquecimento deve ser realizado até 20 minutos. Tendo em consideração estes dados, os exercícios do Semanal do Trompinhas foram desenvolvidos de modo a nunca ultrapassarem os 20 minutos de duração.
25 Gráfico 5 – Duração Depois de responder a estas questões iniciais, foi pedido aos professores para selecionarem o seu grau de concordância (1 – discordo totalmente; 2 – discordo parcialmente; 3 – indiferente; 4 – concordo parcialmente; 5 – concordo totalmente) com várias afirmações apresentada. Para a primeira afirmação, “os exercícios de aquecimento diário são muito importantes”, só um professor respondeu concordar parcialmente, sendo que 10 concordaram totalmente. Quanto à afirmação, “além de exercícios de respiração, os primeiros exercícios que devemos realizar, são exercícios com o corpo, desde alongamentos a relaxamento dos músculos”, seis professores concordam totalmente, quatro concordam parcialmente e um dos professores inquiridos é indiferente quanto à realização de exercícios com o corpo. Gráfico 6 - Além de exercícios de respiração, os primeiros exercícios que devemos realizar, são exercícios com o corpo, desde alongamentos a relaxamento dos músculos. No caso da afirmação “cada exercício executado, deve ser realizado sempre com uma postura correta” apenas um professor respondeu que discordava parcialmente, já os outros dez inquiridos concordaram totalmente. Relativamente à afirmação “cada exercício executado, deve ser realizado sempre com muito ar”, a maioria dos professores concordou totalmente, apesar disso três professores assinalaram que era indiferente. Relativamente à quinta afirmação, se os exercícios de aquecimento mais importantes eram os de harmónicos, a maioria considerou indiferente. Quanto à sexta questão, sobre a realização dos exercícios de aquecimento sempre de manhã, a maioria discordou parcialmente.
26 Gráfico 7 - Os exercícios de aquecimento mais importantes são os de harmónicos Gráfico 8 - Os exercícios de aquecimento devem ser realizados sempre de manhã Na sétima afirmação, “para um bom aquecimento basta realizar exercícios com bocal”, a maioria dos professores discordou totalmente, significando que, na sua perspetiva, para um bom aquecimento o uso somente do bocal, não é suficiente para um bom aquecimento. Na oitava afirmação, “os exercícios físicos são muito importantes para a performance musical”, quatro professores responderam que era indiferente, quatro concordaram parcialmente e três concordaram totalmente. Com base nestas respostas, podemos constatar que as opiniões dos professores não são unânimes em relação aos exercícios físicos, não havendo consenso quanto à sua importância no aquecimento. No entanto, como vimos anteriormente neste relatório, Watson (2009) defende que o aquecimento é particularmente importante logo pela manhã, quando os músculos estão rígidos e tensos após horas de inatividade despendidas durante o sono. Em relação à afirmação número nove, “quanto mais tempo aquecermos, melhor será o resultado posteriormente”, quatro professores discordam totalmente, três discordam parcialmente, para dois é indiferente e dois concordam parcialmente. Sendo assim, concluímos que não existe unanimidade quanto ao tempo ideal de aquecimento.
27 Gráfico 9 - Quanto mais tempo aquecermos, melhor será o resultado posteriormente Nas afirmações 10 e 11, a maioria dos professores inquiridos concorda totalmente, quando referimos que um bom aquecimento deve ter diversos gêneros de exercícios. Também nas afirmações 12 e 13, os professores, maioritariamente, concordam totalmente, com a importância dos exercícios de respiração e que se deve incutir uma rotina diária de aquecimento nos alunos até ao 2º Ciclo. Relativamente à afirmação 14, quando se refere uma possível ordem correta dos exercícios para o aquecimento, a maioria dos professores inquiridos concordou parcialmente. Quando afirmado que os exercícios de articulação devem ser apenas com ligaduras para os alunos até ao 2º ciclo, podemos entender, mediante o gráfico seguinte que cinco professores discordam totalmente, dois discordam parcialmente, para três é indiferente e apenas um concorda parcialmente. Gráfico 10 - Nos exercícios de articulação os alunos até ao 2º ciclo devem apenas realizar exercícios com ligaduras Numa das afirmações que achamos mais relevantes (n.º 16), a saber, “existem imensos métodos de exercícios e rotinas diárias de aquecimento”, constatamos, pela análise do gráfico 11
28 que as opiniões não são unânimes, demonstrando-se que existe falta de conhecimento e de estudo sobre os métodos existentes.7 Gráfico 11 - Existem imensos métodos de exercícios e rotinas diárias de aquecimento No que se refere às afirmações nº17 “Os métodos existentes têm todo o tipo de exercícios necessários para um bom aquecimento” e nº18 “Para a família dos metais existem derivados métodos de aquecimento para trompete e trombone, mas para trompa e tuba, são insuficientes”, a maioria dos professores inquiridos indicou ser “indiferente”. Deste modo, podemos considerar que há um desconhecimento que não permite aos professores afirmarem que os métodos existentes têm todo o tipo de exercícios necessários para um bom aquecimento, pois teriam de os conhecer todos. Mesmo assim como se pode observar pela análise dos gráficos 12 e 13, concluímos que seria importante desenvolver mais estudos sobre os exercícios e métodos existentes para o aquecimento. Gráfico 12 - Os métodos existentes têm todo o tipo de exercícios necessários para um bom aquecimento 7 Sobre este aspeto, na criação do nosso Semanal, depois de uma vasta procura de materiais e exercícios, pudemos perceber que existem diversas atividades, no entanto, o número de exercícios diários, principalmente para trompa, é bastante reduzido.
29 Gráfico 13 - Para a família dos metais existem derivados métodos de aquecimento para trompete e trombone, mas para trompa e tuba, são insuficientes Quanto à afirmação 19, “devia-se realizar uma coletânea e investigação sobre os exercícios de aquecimento diário”, constatamos que os professores na maioria concordaram parcialmente e totalmente, demonstrando a importância de se realizar essa investigação e coletânea. Nesse sentido, sentimos que o Semanal concebido será uma mais valia para os professores de trompa. Gráfico 14 - Devia-se realizar uma coletânea e investigação sobre os exercícios de aquecimento diário Para a afirmação 20, “os materiais existentes são adequados a alunos até ao 2º ciclo”, constatamos que para cinco professores é indiferente, três concordam parcialmente, dois discordam parcialmente e um discorda totalmente. Pensamos que o facto de a maioria dos professores considerarem indiferente, pode-se justificar pelo facto destes exercícios serem adaptados diariamente e os professores usarem os cadernos dos alunos para os aplicar.
30 Gráfico 15 - Os materiais existentes são adequados a alunos até ao 2º ciclo Para terminar este questionário aos professores, foi criado um campo onde estes poderiam integrar observações e sugestões relativas ao processo de aquecimento na aprendizagem dos instrumentos de metal. Foram então registadas cinco respostas, designadamente, (1) “Cada professor deve fazer uma seleção de exercícios e adaptá-los aos seus alunos”; (2) “O aquecimento é importante para todos os graus”; (3) “O aquecimento na minha opinião é a parte mais importante do dia de um instrumentista”; (4) “O aquecimento diário é individual, deverá ser estabelecido caso a caso, tendo em conta as necessidades específicas de um determinado aluno, num determinado momento, dependendo do que se fez nos dias anteriores, e o que se vai fazer no próprio dia e seguintes. Dificilmente um método estanque poderá fazer face a esta multiplicidade de situações. Apenas exercícios adaptáveis podem responder às necessidades específicas de cada um, num determinado momento”; (5)“Deve ser feito com qualidade e de acordo com a prestação que se irá realizar”. Reflexões sobre o inquérito As observações dos professores, indicam a importância do aquecimento diário dos alunos, não só até ao 2º Ciclo, mas para todos os graus, procurando adaptar as práticas a cada situação particular. Ou seja, para os professores inqueridos todos os alunos são diferentes, daí ser importante uma coletânea de exercícios adaptável a cada aluno e circunstância. Nesse sentido, pensamos que o Semanal concluído poderá auxiliar os alunos e os professores de trompa nas suas práticas de aquecimento diário. O facto de estar dividido por três níveis, poderá contribuir para adaptar os exercícios ao nível de cada aluno. Em suma, com este inquérito pensamos que existe uma necessidade da criação de materiais adaptados para alunos até ao 2º ciclo. Concluímos então, que ainda existe uma falta de conhecimento, sobre os materiais existentes por parte dos professores. Os resultados apresentados no questionário contribuíram também, para compreendermos, que existe, ainda,
31 um desconhecimento relativamente à diversidade de materiais didáticos existente para o aquecimento. 3.3 O Semanal do Trompinhas O Semanal do Trompinhas foi elaborado para alunos até ao 2º ciclo. No método propõese exercícios diários, de segunda a sábado, sendo que no domingo, o aluno pode, se assim entender, selecionar um exercício previsto para um dos dias da semana. O manual está dividido em três níveis correspondendo a igual número de estádios de desenvolvimento técnico – Iniciante, Intermédio e Avançado. Para cada nível, e dia de semana, é sugerido um exercício de respiração, um exercício com bocal, um exercício de flexibilidade, e um exercício de escalas. No conjunto, o manual tem 72 exercícios, considerando que alguns alunos tem trompa em Fá e Sib, os exercícios de flexibilidade, foram escritos nessas duas tessituras. No nível iniciante, foram usadas ilustrações gráficas das posições das notas na trompa, sendo que por vezes estes alunos ainda não sabem as notas e a colocação dos dedos. O manual é pensado para um aquecimento de, no máximo, 20 minutos, percorrendo esta ordem, exercícios de respiração, bocal, flexibilidade e escalas, de modo a contemplar aspetos de musculatura, sonoridade e articulação. Os exercícios de respiração são vocacionados para aumentar capacidade torácica e melhorar a qualidade do som. Neste domínio, os exercícios são adaptados de Bernardo (2016). A título de exemplo, um dos exercícios utilizados prevê inspirar durante 2 tempos, levantando os braços gradualmente acima da cabeça e depois expirar durante 2 tempos, ao mesmo tempo que leva os braços até à posição inicial. Relativamente aos exercícios com bocal, servindo para o aquecimento labial, não existem materiais editados, sendo estes exercícios são muitas vezes escritos nos cadernos pelos professores. Neste método, durante os três níveis, o grau de dificuldade vai aumentando, alargando o âmbito dos intervalos, tendo sido adaptados mediante a sua aprendizagem. Para os exercícios de flexibilidade, que implica controle da velocidade do ar, existem diversos materiais editados, mas sempre com um grau de dificuldade não aconselhados a estas idades investigadas. Nos exercícios do Semanal , o número de harmónicos aumenta a cada nível. Por fim, como último aspeto de aquecimento apresentado, surgem as escalas, em que se procura melhorar a afinação e a articulação. No nível Iniciante, são apresentados exercícios rítmicos com apenas as notas Dó, Ré e MI. No nível Intermédio, surgem já escalas também com diversos ritmos até uma alteração, ou seja, escala de Dó Maior, Fá Maior e Sol Maior. Por fim no nível avançado, são apresentadas escalas até quatro alterações, existindo também as relativas
32 menores e escalas cromáticas, sendo que neste nível, os ritmos de dia para dia são idênticos, enquanto nos anteriores existe uma variação. Organização do Semanal do Trompinhas O manual segue a organização do Semanal del Trompista de Castellano, possuindo exercícios mais acessíveis e acrescentando exercícios de respiração, preenchendo a lacuna que existia neste domínio para os alunos até ao 2º ciclo. Para a criação deste Semanal foi utilizado o domingo como dia de descanso, sendo referenciado no nível Iniciante que, “Dia de descanso, mas se sentir confortável e com vontade, o Trompinhas aconselha a realizar um dos dias anteriores á escolha!” e no nível Intermédio e Avançado “Dia de descanso, mas se sentir confortável e com vontade, o Trompinhas aconselha a realizar um dos dias anteriores á escolha, ou escolher exercícios aleatórios dos dias anteriores!”. Para a composição deste método, que se inclui como Anexo 5 - Semanal de aquecimento do Trompinhas, e cuja estrutura se apresenta na Tabela nº1, foi utilizado o software, Finale 2007 e Paint. Tabela nº 1 - Estrutura do Semanal do Trompinhas Nível (Iniciante, Intermédio e Avançado) Segunda-feira A - Exercícios de respiração B - Exercícios com o bocal C - Exercícios de flexibilidade Trompa em Fá Exercícios de flexibilidade Trompa em Sib D – Escalas Terça-feira A - Exercícios de respiração B - Exercícios com o bocal C - Exercícios de flexibilidade Trompa em Fá Exercícios de flexibilidade Trompa em Sib D – Escalas Quarta-feira A - Exercícios de respiração B - Exercícios com o bocal C - Exercícios de flexibilidade Trompa em Fá Exercícios de flexibilidade Trompa em Sib D – Escalas Quinta-feira A - Exercícios de respiração B - Exercícios com o bocal C - Exercícios de flexibilidade Trompa em Fá Exercícios de flexibilidade Trompa em Sib D – Escalas Sexta-feira A - Exercícios de respiração B - Exercícios com o bocal C - Exercícios de flexibilidade Trompa em Fá Exercícios de flexibilidade Trompa em Sib D – Escalas Sábado A - Exercícios de respiração B - Exercícios com o bocal C - Exercícios de flexibilidade Trompa em Fá Exercícios de flexibilidade Trompa em Sib D – Escalas Domingo Descanso Descanso Descanso Descanso Descanso
39 Consideramos globalmente que este projeto respondeu a necessidades identificadas pelos professores e observadas junto de alunos, até ao 2º Ciclo. De um ponto de vista pessoal, apesar de já termos alguns anos de experiência, o Estágio constituiu um processo de desenvolvimento e aprendizagem central na nossa formação, contactando com conhecimentos e novos métodos de ensino. Deste modo, acreditamos que cumprimos os objetivos traçados inicialmente no Projeto de Intervenção Supervisionada.
40 Referências Bernardo, F. L. (2016). A otimização da respiração na aprendizagem da trompa no ensino especializado de música , Relatório de Estágio. Disponível em: http://repositorium.sdum.uminho.pt/bitstream/1822/45184/1/Filipe%20Lu%C3%ADs%20Bern ardo.pdf Biazi, T., Gimenez, T. & Stutz, L. (2011) O Papel da Observação de Aulas Durante o Estágio Supervisionado de Inglês. Disponível em: http://www.uel.br/revistas/uel/index.php/signum/article/viewFile/8644/9226 Bourgue, D. (1987). Techni-cor. Paris: Gérard Billaudot Éditeur . Castellano, M.T. (2002). Semanal del Trompista . Valencia: Rivera Editions. Conservatório de Música Calouste Gulbenkian de Braga. (2014-2018). Projeto educativo. Disponível em: https://www.conservatoriodebraga.pt/ Coutinho, C., Sousa, A., Dias, A., Bessa, F., Ferreira, M. & Vieira, S. (2009), Investigação-ação: Metodologia Preferencial nas Práticas Educativas . Disponível em: http://repositorium.sdum.uminho.pt/bitstream/1822/10148/1/Investiga%c3%a7%c3%a3o_Ac% c3%a7%c3%a3o_Metodologias.PDF Faria, N. C. G. (2016), Exercícios de respiração no ensino musical: Trompa. Relatório de estágio. Disponível em: https://ria.ua.pt/bitstream/10773/17869/1/Natalia_Faria_Projeto_Educativo.pdf Farkas, P. (1956). The art of french horn playing . Miami: Summy-Birchard. Farkas, P. (1962). The Art of Brass Playing. Miami: Wind Music Inc. Feitosa, R. A. T. (2015), O ensino de trompa: um estudo dos materiais didáticos utilizados no processo de formação do trompista . Dissertação de mestrado. Disponível em: http://abemeducacaomusical.com.br/conferencias/index.php/xxiicongresso/xxiicongresso/pap er/viewFile/1218/453
41 Ferreira, F. J. dos S. (2018), Exercícios específicos para resolver problemas específicos na trompa. Disponível em: https://repositorio.ipcb.pt/bitstream/10400.11/6290/1/Francisco%20Ferreira%2817%29.pdf Ferreira, S. R. (2009), Padrões Físicos Inadequados na Performance da Trompa. Dissertação de mestrado. Disponível em: http://www.bibliotecadigital.ufmg.br/dspace/bitstream/handle/1843/AAGS7XNLXD/disserta__o_ferreira__sarah_r..pdf;jsessionid=F722B0A95C4A5FAF39428AD95798BF CD?sequence=1 Gordon, E. E. (1999). All about Audiation and Music Aptitudes. Artigo disponível em: http://webcache.googleusercontent.com/search?q=cache:43ot1H57oQIJ:s66fd5096a1c9453a.j imcontent.com/download/version/1439818907/module/6461885852/name/allaboutaudiatio n.pdf+&cd=1&hl=pt-PT&ct=clnk&gl=pt Guptill, C., Zaza, C. (2010) . Injury Prevention – What Can Music Teachers Do? Disponível em: https://tspace.library.utoronto.ca/bitstream/1807/68636/3/Manuscript%20Music%20Educator s%20Journal.pdf Manners, W. A. (2016). An Annotated Guide to Published Horn Warm-Up Routine s. Tese de Doutoramento, Satate University, Arizona. Disponível em: https://repository.asu.edu/attachments/170332/content/Manners_asu_0010E_15747.pdf Matosinhos, R. (2012). Bibliografia selecionada e anotada de estudos para trompa publicados entre 1950 e 2011 . Dissertação de mestrado, Universidade Católica do Porto. Disponível em: https://repositorio.ucp.pt/bitstream/.../1/Matosinhos%2C%20R.%20-%20Dissertação.pdf Matosinhos, R. (2013). Iniciação ao estudo da Trompa . Lisboa: Ava Musical Editions Minguet, O.S. (2011). Calientamiento para Trompa . Spain: Geometría del desconcierto editions. Morgan, C. (2003). The Boosey Brass Method. Boosey & Hawkes Music Publishers Ltd . London Shaw, JD. (2016) The Living Warm Up. Artigo disponível em:http://www.bandworld.org/pdfs/BWFall2016LivingWarmUp.pdf
42 Small, K., Naughton, L., Matthews, M. (2008) A Systematic Review into the Efficacy of Static Stretching as Part of a Warm-Up for the Prevention of Exercise-Related Injury. Disponível em: https://www.tandfonline.com/doi/full/10.1080/15438620802310784 Tuckwell, B. (1978). Playing the horn. Oxford: University Press Tuckwell, B. (1983). Horn . Schirmer Books. New York Vecchia, F. D. (2008), Iniciação ao trompete, trompa, trombone, bombardino e tuba: Processos de ensino e aprendizagem dos fundamentos técnicos na aplicação do método DA CAPO. Dissertação de mestrado. Disponível em: https://repositorio.ufba.br/ri/bitstream/ri/5626/1/Vecchia2008disserta%C3%A7%C3%A3o.p%2 0%20df.pdf Wastall, P. (1990). Aprende tocando la trompa . London: Edición revisada. Boosey & Hawkes Music Publishers Ltd. Wekre, F. R. (2016). Reflexões sobre como tocar bem trompa. Portugal: AvA Musical Editions Zdenek, D. (2019). Daily embouchure exercises for horn. Czech Republic: Talacko Editions Pereira, A. (2013) . A importância do aquecimento físico e instrumental para os oboístas Dissertação de mestrado. Disponível em: https://core.ac.uk/download/pdf/32242295.pdf Watson, A. (2009). The biology of musical performance and performancerelated Injury. Lanham, ML: Scarecrow Press Robinson, D., Zander, J. (2002). Preventing Musculoskeletal Injury (MSI) for Musicians and Dancers. Artigo disponível em: http://www.musicianshealth.co.uk/injuriesmusiciansdancers.pdf Roos, F., Brandsson, M., Karlsson, M. (2001). Validation of the Foot and Ankle Outcome Score for Ankle Ligament Reconstruction. Artigo disponível em: https://journals.sagepub.com/doi/abs/ 10.1177/107110070102201004
43 Anexos
44 Anexo 1 – Exercícios com bocal
45 Anexo 2 – Exercícios de Aquecimento e Afinação
46 Anexo 3 – Pompa e Circunstância
47 Anexo 4 – Inquérito
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