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Sala André Cruz de Carvalho: práticas e perspetivas de professores que a utilizam

Marczak, Cláudia Maria Fernandes

Abstract

As inovações tecnológicas têm avançado a uma velocidade incrível, porém, sua inserção nos meios educativos ainda não supre a necessidade das escolas e universidades hoje. Salas de aula tradicionais são maioria e as salas de aprendizagem ativa, que são espaços ricos em tecnologia e que possuem espaço diferenciado, exigem que os professores se apropriem dos recursos existentes nelas e que transformem suas metodologias. A Sala André Cruz de Carvalho foi inaugurada em 2021 para oferecer aos professores e alunos o que há de mais moderno em relação às aprendizagens ativas. No mesmo ano, diversos aspetos da sala foram objeto de investigação de um grupo de pesquisadores da UMinho. Dando continuidade a esse trabalho, a presente pesquisa tem como objetivo perceber de que maneira os docentes da universidade estão usando o espaço, dificuldades e facilitadores do uso da mesma. Usamos para a presente pesquisa o estudo de caso e a análise temática, a partir dos dados coletados por grupo focal. Os resultados apontam para os benefícios do uso da sala, a diferença de mobilidade e interação entre professores e alunos, bem como a motivação dos discentes com a utilização dos recursos e a possibilidade de trabalhos compartilhados. As principais dificuldades referidas, apontam para questões técnicas e à capacidade numérica da sala. É fundamental que os principais atores do processo educativo sejam ouvidos e que sejamos sensíveis às suas falas, pois dessa maneira poderemos perceber como a tecnologia pode humanizar e transformar os processos de aprendizagem, ainda tão moldados por antigas práticas.

Full text

1 Universidade do Minho Instituto de Educação Cláudia Maria Fernandes Marczak SALA ANDRÉ CRUZ DE CARVALHO: PRÁTICAS E PERSPETIVAS DE PROFESSORES QUE A UTILIZAM outubro de 2023 Cláudia Maria Fernandes Marczak Sala André Cruz de Carvalho: práticas e perspetivas de professores que a utilizam Sala André Cruz de Carvalho: práticas e perspetivas de professores que a utilizam UMinho|2023 2 Universidade do Minho Instituto de Educação Cláudia Maria Fernandes Marczak SALA ANDRÉ CRUZ DE CARVALHO: PRÁTICAS E PERSPETIVAS DE PROFESSORES QUE A UTILIZAM Dissertação de Mestrado Mestrado em Ciências da Educação Área de Especialização em Tecnologia Educativa Trabalho efetuado sob a orientação da Doutora Maria Altina da Silva Ramos outubro de 2023 ii DIREITOS DE AUTOR E CONDIÇÕES DE UTILIZAÇÃO DO TRABALHO POR TERCEIROS Este é um trabalho académico que pode ser utilizado por terceiros desde que respeitadas as regras e boas práticas internacionalmente aceites, no que concerne aos direitos de autor e direitos conexos. Assim, o presente trabalho pode ser utilizado nos termos previstos na licença abaixo indicada. Caso o utilizador necessite de permissão para poder fazer um uso do trabalho em condições não previstas no licenciamento indicado, deverá contactar o autor, através do RepositoriUM da Universidade do Minho. Licença concedida aos utilizadores deste trabalho CC BY-NC-SA https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/ iii AGRADECIMENTOS Será pouco tudo o que será dito aos que acompanharam a minha jornada. Meus pais, que me ensinaram que educar é antes de tudo amar, lema do Instituto Educacional Luís de Camões, escola fundada por eles e que fez parte da vida de inúmeras pessoas. Por eles, hoje sou o que sou. Por eles, aprendi a acreditar na educação como elemento transformador do mundo. De onde estiverem, minha gratidão por tudo. Aos meus filhos, meus três incentivadores, Natália, Guilherme e André, pela paciência (imensa), pelo incentivo, por estarem sempre ao meu lado e acreditarem em mim. Às minhas irmãs, Ciça e Lu, que mesmo distantes, apoiaram com boas energias, palavras e orações durante a minha jornada. Aos meus amigos do curso de Tecnologia Educativa, por todo o companheirismo e trocas que tivemos durante esses anos de estudo. À Maria Altina da Silva Ramos, minha orientadora, pelo suporte e por todo ensinamento acerca da pesquisa científica. À Teresa Lacerda, amiga que apontou para mim o caminho para voltar aos estudos e tornar-me mestre em Tecnologias Educativas. À DGES pela bolsa de estudos que me foi concedida e que permitiu que eu pudesse cursar e concluir o mestrado. A Portugal, terra dos meus avós, que acolheu a mim, meus filhos, meus ideais de transformação educacional e que eu escolhi como lar. iv DECLARAÇÃO DE INTEGRIDADE Declaro ter atuado com integridade na elaboração do presente trabalho académico e confirmo que não recorri  prática de plágio nem a qualquer forma de utilização indevida ou falsificação de informações ou resultados em nenhuma das etapas conducente  sua elaboração. Mais declaro que conheço e que respeitei o Código de Conduta Ética da Universidade do Minho. STATEMENT OF INTEGRITY I hereby declare having conducted this academic work with integrity. I confirm that I have not used plagiarism or any form of undue use of information or falsification of results along the process leading to its elaboration. I further declare that I have fully acknowledged the Code of Ethical Conduct of the University of Minho. v SALA ANDRÉ CRUZ DE CARVALHO: PRÁTICAS E PERSPETIVAS DE PROFESSORES QUE A UTILIZAM RESUMO As inovações tecnológicas têm avançado a uma velocidade incrível, porém, sua inserção nos meios educativos ainda não supre a necessidade das escolas e universidades hoje. Salas de aula tradicionais são maioria e as salas de aprendizagem ativa, que são espaços ricos em tecnologia e que possuem espaço diferenciado, exigem que os professores se apropriem dos recursos existentes nelas e que transformem suas metodologias. A Sala André Cruz de Carvalho foi inaugurada em 2021 para oferecer aos professores e alunos o que há de mais moderno em relação às aprendizagens ativas. No mesmo ano, diversos aspetos da sala foram objeto de investigação de um grupo de pesquisadores da UMinho. Dando continuidade a esse trabalho, a presente pesquisa tem como objetivo perceber de que maneira os docentes da universidade estão usando o espaço, dificuldades e facilitadores do uso da mesma. Usamos para a presente pesquisa o estudo de caso e a análise temática, a partir dos dados coletados por grupo focal. Os resultados apontam para os benefícios do uso da sala, a diferença de mobilidade e interação entre professores e alunos, bem como a motivação dos discentes com a utilização dos recursos e a possibilidade de trabalhos compartilhados. As principais dificuldades referidas, apontam para questões técnicas e à capacidade numérica da sala. É fundamental que os principais atores do processo educativo sejam ouvidos e que sejamos sensíveis às suas falas, pois dessa maneira poderemos perceber como a tecnologia pode humanizar e transformar os processos de aprendizagem, ainda tão moldados por antigas práticas. Palavras-chave: Inovação pedagógica; práticas pedagógicas; sala de aprendizagem ativa; novos espaços de aprendizagem. vi ANDRE CRUZ DE CARVALHO ROOM: TEACHING PRACTICES AND PERSPECTIVES IN USE ABSTRACT While technology innovations have advanced at an incredible rate, their insertion in educational environments still does not meet the current needs of schools and universities. Active learning classrooms are differentiated spaces, rich in technology, where teachers are not only required to take advantage of existing resources but also transform their own methodologies. The classroom André Cruz de Carvalho was opened in 2021 to provide both teachers and learners with the latest technology in active learning. In the same year, many of its aspects were the subject of research at UMinho. As part of this research, this work aims to understand the ways in which university lecturers utilize the space, benefit of its use and address its shortcomings. The present work made use of a case study and thematical analysis based on data collected during a focus group. Results indicate the benefits of using the classroom, the differences in the mobility and interaction between teachers and learners, as well as student motivation when using the resources and the possibility of groupwork. The main difficulties found were related to technical issues and room capacity. It is essential to listen with attention to the main actors of the educational process as we may better understand the ways in which technology can humanize and transform learning processes that are still shaped by old practices. Keywords: Pedagogical innovation; pedagogical practices; active learning classroom; innovative learning spaces vii ÍNDICE DIREITOS DE AUTOR E CONDIÇÕES DE UTILIZAÇÃO DO TRABALHO POR TERCEIROS ...... ii AGRADECIMENTOS ..........................................................................................................iii DECLARAÇÃO DE INTEGRIDADE ....................................................................................... iv RESUMO ............................................................................................................................ v ABSTRACT ........................................................................................................................ vi ÍNDICE DE FIGURAS ......................................................................................................... ix ÍNDICE DE QUADROS ........................................................................................................ x LISTA DE ABREVIATURAS ................................................................................................. xi 1. INTRODUÇÃO ............................................................................................................ 1 1.1. Contextualização do Estudo ........................................................................ 1 1.2. Identificação do Problema .......................................................................... 1 1.3. Questão de Investigação................................................................................. 3 1.4. Objetivos do estudo ....................................................................................... 4 1.5. Relevância do estudo ..................................................................................... 4 1.6. Estrutura da dissertação ................................................................................ 5 2. ENQUADRAMENTO TEÓRICO .................................................................................... 7 2.1. Identificação de Estudos Relevantes ............................................................... 7 2.2. Seleção dos Estudos ...................................................................................... 8 3. METODOLOGIA ....................................................................................................... 18 3.1. Opção metodológica .................................................................................... 18 3.2. Participantes ............................................................................................... 19 3.3. Método e técnicas de recolha de dados ........................................................ 20 3.4. Método e técnicas de análise dos dados ....................................................... 21 3.5. Questões éticas ........................................................................................... 23 3 ensino-aprendizagem é, em grande parte das vezes, analisado e idealizado de fora para dentro. A educação envolve dois atores principais: professor e aluno, porém eles pouco são questionados ou têm participação na adoção de novas estratégias pedagógicas. Dando continuidade ao trabalho realizado anteriormente, no ano letivo de 2022/2023 foi criado um novo grupo de pesquisadores para investigar questões que não haviam sido estudadas sobre a SACC. Num cenário pós pandêmico que, porém, ainda revela as marcas de um período historicamente perturbador, novos temas foram escolhidos para complementar as investigações já realizadas ou levantar novos questionamentos para futuras pesquisas. Os estudos realizados anteriormente sobre a SACC, discorreram sobre os seguintes temas: práticas docentes (Soares, 2021), o uso de tecnologias digitais no desenvolvimento de novas práticas pedagógicas (Lourenço, 2021) e a construção de novos espaços de aprendizagem (Franco, 2021). Os temas possuem relevância para a compreensão do uso da sala, porém percebeu-se a necessidade de ouvir os professores sobre quais os motivos que os levam ou não a ocuparem a SACC. 1.3. Questão de Investigação A presente pesquisa visa contribuir para o aprofundamento das investigações anteriormente realizadas, sendo que a nossa questão de investigação para este estudo é: → De que maneira os professores da UMninho estão utilizando a Sala André Cruz Carvalho? A partir da questão principal, seguem os sub-problemas ou questões de investigação: ➔ Quais professores e de que maneira ocupam a sala? ➔ Que papel a formação oferecida pela universidade teve para que ocupassem ou não a sala? ➔ Quais as maiores dificuldades na ocupação da sala: - Utilização dos recursos tecnológicos? - Conciliação entre tempo, conteúdos e compromissos pedagógicos? - Falta de familiaridade com as salas de aprendizagem ativa? 4 ➔ Quais os benefícios no uso da sala: - Participação ativa e em tempo real dos alunos? - O espaço para trabalhos em grupo? - Os ecrãs para o compartilhamento de atividades? ➔ De que maneira e com qual periodicidade os professores ocupam a sala? ➔ Quais os sucessos e insucessos da utilização das salas? 1.4. Objetivos do estudo Tendo como base a questão e as subquestões de investigação, os objetivos que o estudo pretende atingir são: • Conhecer quais são os professores da UMinho que estão ocupando a Sala André Cruz Carvalho. • Identificar quais são os professores que utilizam a SACC e quais recursos utilizam. • Identificar quais as principais dificuldades no uso da SACC. • Perceber que fatores são facilitadores para o uso da sala. • Verificar os sucessos e insucessos relatados pelos professores em relação  utilização da SACC. 1.5. Relevância do estudo É incontestável a importância da investigação em educação, nomeadamente em novos espaços e recursos digitais. Não concebemos mais um mundo sem os apetrechos tecnológicos, pois telemóveis, computadores, ecrãs fazem parte do nosso dia a dia. Entretanto, ainda é raro vê-los sendo usados em 5 prol da melhoria dos estudos. E, como foi ressaltado anteriormente, os dois atores principais do processo educativo (professores e alunos) têm suas vozes nem sempre ouvidas. A busca por espaços de aprendizagem que estejam adequados aos novos-velhos tempos tem sido frequente. A disposição das salas de aula centradas no professor, mesas e cadeiras enfileiradas, um quadro para apontamentos do conteúdo é, nos dias de hoje, o mais utilizado em sala de aula. Embora tudo isso pareça muito antigo, é o modelo que temos, de modo geral, em escolas e universidades. O surgimento de novas propostas de adequação de espaço fez surgir um campo de investigação focado no estudo do impacto do espaço na aprendizagem. Pesquisas confirmam que o tipo de espaço de aprendizagem pode exercer influência sobre o pensamento criativo (Jankowska, 2007), bem como motivar alunos e professores além de enriquecer as experiências educativas (Amedeo, Golledge e Stimson, 2009; Lippincot 2009; Long & Heleton , 2009; Oblinger, 2006; Wilson & Randal, 2012). O espaço físico também colabora para a melhoria dos resultados da aprendizagem e a participação efetiva dos alunos (Brooks, 2010; Brooks, 2012; Dori & Belcher, 2005; Beichner, et al., 2007). Porém, é sabido que outros aspetos podem interferir no processo de ensino-aprendizagem, desde a influência das crenças dos docentes às vivências dos educandos em relação à aprendizagem (Sawer et al, 2016). Desta forma, perceber como os professores lidam com as transformações na educação, sendo o foco dessa investigação como utilizam e lidam com os desafios da SACC, nos ajudarão a compreender e minimizar os obstáculos, otimizando a utilização da sala. 1.6. Estrutura da dissertação A presente dissertação encontra-se organizada em quatro capítulos, cada um contendo subcapítulos, de acordo com a pertinência do estudo. No capítulo inicial é realizada a contextualização do estudo, sua relevância e objetivos, bem como é apresentada a questão e sub questões de investigação. Nesta introdução é descrita a motivação e pertinência do estudo apresentado e a estrutura da dissertação. O segundo capítulo é dedicado à revisão de literatura e para isso foi utilizado o scoping review realizado pela equipa dos investigadores juniores que haviam realizado uma vasta pesquisa nos anos anteriores. 6 A opção metodológica, a descrição do estudo e seus subtemas são apresentados no terceiro capítulo, no qual poderão ser observados os métodos e técnicas de recolha de dados, o calendário referente às atividades desenvolvidas e a análise dos dados obtidos. Neste capítulo são, também, referenciadas as questões éticas e de confiabilidade em relação à investigação. O quarto capítulo é dedicado à apresentação dos dados, nomeadamente o grupo focal realizado e que serviu de base para a investigação. A análise dos dados, conclusões e limitações do estudo são demonstrados no quinto capítulo. Por fim, apresentamos as referências bibliográficas e os apêndices desta pesquisa. A presente pesquisa, bem como sua revisão de literatura, é baseada em um estudo desenvolvido na Universidade do Minho em 2019. Esse estudo foi coordenado pelo professor José Alberto Lencastre e tinha como objetivo investigar questões relacionadas com a utilização da Sala André Cruz Carvalho. Este estudo deu origem a trabalhos que abordaram temas como espaço físico, pedagogia utilizada na sala e aprendizagem na sala André Cruz Carvalho. O grupo de investigação, de acordo com as discussões realizadas, optou por realizar uma revisão de literatura com base numa scoping review (Arksey & O’Malley, 2005) em bases de dados conceituadas no mundo académico. A scoping review é uma metodologia de revisão de literatura relativamente recente, sendo bastante popular na área da saúde. Esta abordagem permite mapear os “conceitos-chave subjacentes a uma área de investigação, bem como as principais fontes e tipos de evidência disponíveis” (Arksey & O’Malley, 2005, p. 22). 7 2. ENQUADRAMENTO TEÓRICO A questão da revisão de literatura constitui uma parte importante da investigação, uma vez que não só servirá de suporte para iniciar qualquer estudo bem como servirá de respaldo durante a análise dos dados que serão obtidos no intuito de poder responder à questão de pesquisa proposta no início desta investigação. A questão que serviu de base a esta investigação é a seguinte: como os docentes lidam com as salas de aprendizagem ativa. Com o intuito de identificar os estudos relevantes para nossa pesquisa, tivemos por base a revisão sistemática de literatura já utilizada pelos investigadores juniores e seniores em 2019. 2.1. Identificação de Estudos Relevantes Durante a pesquisa realizada em 2019 os investigadores seniores utilizaram oito bases de dados online: ERIC; ISI Web of Science; Taylor & Francis Online; ACM Digital Library; Science Direct; SCIELO – Scientific Library Online; SCOPUS e Open Research Online, que serviram de referência para a revisão sistemática de literatura. Os pesquisadores realizaram uma pesquisa preliminar a fim de averiguar o que havia nestas bases de dados sobre aprendizagens ativas nas salas de aula do futuro. O segundo passo foi filtrar os artigos encontrados procurando os que falavam sobre as metodologias utilizadas nessas salas. Depois da leitura dos resumos foram recolhidas um conjunto de palavras-chave que se encontram apresentadas no quadro seguinte: Quadro 1: lista das palavras-chave identificadas PALAVRAS-CHAVE Active Learning Classroom Classroom design Classroom effect New classroom space Learning Spaces Higher Education 8 College University Educational activities Innovative Educational Environments Students Teachers Digital Education Resources XXI century Competences Pedagogy Learning principles Active Learning Technology enabled active learning Future Classroom Labs Teaching and administrative setting; SCALE (Social Context and Learning Environments) Institute of technology; Teaching training Ambientes Educativos Inovadores Sala de Aula do Futuro ICT Fonte: Soares, J. F. B. (2022), p.25 Cabe salientar, que estas palavras-chaves foram identificadas pelos pesquisadores juniores da primeira fase de pesquisa sobre a SACC em conjunto com os pesquisadores seniores após terem verificado os artigos existentes na oito base de dados já citadas anteriormente. A etapa seguinte realizada por eles foi selecionar as palavras-chaves sinónimas a fim de restringir o número de artigos. 2.2. Seleção dos Estudos Depois de selecionarem os estudos relevantes para o tema através das palavras-chave, fez-se necessário restringir e eliminar os estudos que não estavam relacionados com o nosso interesse para o tema em específico. Por isso, foi indispensável definir critérios de inclusão e exclusão que foram determinados depois de termos os dados que são referidos pelos autores Arksey e O’Malley (2005). 9 O quadro abaixo apresenta a lista final de critérios de inclusão e exclusão que foram utilizados inicialmente pelos primeiros pesquisadores juniores e seniores e que permitiram fundamentar os artigos que foram aceites ou não aceites para a base de dados das futuras pesquisas. Quadro 2: Critérios de inclusão e exclusão (definitivos) Critérios de Inclusão Critérios de Exclusão Artigos de revista com palavras-chave e resumo. Excluir artigos que não apresentam resumo e/ou palavra-chave e com menos de oito páginas. Artigos desde 2017 Excluir artigos através da análise dos títulos e resumos Acesso ao texto completo Excluir artigos pela análise dos resumos dos artigos (com exclusão dos não pertinentes com a temática do estudo) Artigos em inglês ou português Excluir artigos pela análise dos resumos dos artigos (com exclusão) Artigos relativos ao Ensino Superior (“Higher education” or “College” or “University) Excluir artigos cujos objetivos e metodologia não estejam explícitos no resumo segundo a framework CASP Fonte: Soares, J. F. B. (2022), p.26 Dando continuidade a aspetos não pesquisados pelo grupo de investigação anterior, em 2021 um novo grupo de investigadores juniores foi reunido em conjunto com os investigadores seniores para prosseguir os estudos. No nosso caso, a partir desta base de dados, selecionamos os artigos que possivelmente serviriam para a nossa pesquisa. Como já referimos, tivemos por base o scope review realizado pelas pesquisadoras anteriores, porém fomos nós que selecionamos os textos que correspondiam ao escopo das questões de investigação propostas para a presente pesquisa, ou seja, os textos que mostravam a perspetiva dos professores em relação ao uso da sala André Cruz Carvalho. O quadro 3 mostra a lista de artigos que selecionamos inicialmente para a elaboração da nossa revisão de literatura. 10 Quadro 3: Lista de artigos com base nos resumos Nome Ano 1 A Learning Studio That Inspires Active Pedagogy 2016 2 An instructional design framework to improve student learning in a first-year engineering class 2016 3 Diálogo: rede que entrelaça a relação pedagógica no ensino práticoreflexivo 2016 4 E-learning Spaces and the digital university 2016 5 Embracing digital technologies in classroom practice: The impact of teacher identity 2016 6 Faculty adoption of active learning classrooms 2016 7 Standing to Preach, Moving to Teach: What TAs Learned from Teaching in Flexible and LessFlexible Spaces 2016 8 What Drives Student Engagement: Is It Learning Space, Instructor Behavior, or Teaching Philosophy? 2016 9 ASPECT: A Survey to Assess Student Perspective of Engagement in an Active-Learning Classroom 2017 10 Language, relationships and skills in mixed-nationality Active Learning classrooms 2017 11 Leveraging Faculty Reflective Practice to Understand Active Learning Spaces: Flashbacks and Re-Captures 2017 12 Redesigning Learning Spaces: What Do Teachers Want for Future Classrooms? 2017 13 The Cube and the Poppy Flower: Participatory Approaches for Designing TechnologyEnhanced Learning Spaces 2017 14 The Influence of Hierarchy and Layout Geometry in the Design of Learning Spaces 2017 15 The Room Itself is Active: How Classroom Design Impacts Student Engagement 2017 16 A Pedagogic Approach to Enhance Creative "Ideation" in Classroom Practice 2018 17 Faculty use of the active learning classroom: Barriers and facilitators 2018 18 Innovating Lecturing: Spatial Change and Staff-Student Pedagogic Relationships for Learning 2018 19 Please Stop Blabbing: A Prescription for Verbal Diarrhea 2018 11 20 Strategies for Training Undergraduate Teaching Assistants to Facilitate Large ActiveLearning Classrooms 2018 21 The role of self-determination theory in developing curriculum for flipped classroom learning: A Case Study of First-Year Business Undergraduate Course 2018 22 A Narrativa do Aluno de Medicina na Formação em Atenção Primária à Saúde: Potencializando Espaços de Aprendizagem Mediados pelas Tecnologias Digitais 2019 23 A space for learning: An analysis of research on active learning spaces 2019 24 Considering the Environment: An Expanded Framework for Teacher Knowledge 2019 25 Creating a culture and environment for active learning success 2019 26 Learning to Teach in Space: Design Principles for Faculty Development in Active Learning Classrooms 2019 27 More than chalkboards: classroom spaces and collaborative learning attitudes 2019 28 Pre-Service Teachers' Perceptions and Experiences: Courses Based on the Active Learning Model and Environment 2019 29 The Impact of New Collaborative Learning Spaces on Tertiary Teacher Practice 2019 30 A Multi-Disciplinary Mixed-Methods Study of Group Dynamics in Active Learning Space 2020 31 Active Learning Training and Classroom Renovation: Exploring Student and Faculty Perceptions in Health and Human Performance Disciplines 2020 32 Does It Matter Where You Teach? Insights from a Quasi-Experimental Study of Student Engagement in an Active Learning Classroom 2020 33 How Learning Spaces Can Collaborate with Student Engagement and Enhance StudentFaculty Interaction in Higher Education 2020 34 Student and Instructor Perceptions of a First Year in Active Learning Classrooms: Three Lessons Learned 2020 35 Active learning in construction management education: faculty perceptions of engagement and learning 2021 36 Faculty Reflections of Pedagogical Transformation in Active Learning Classrooms 2021 O passo seguinte foi ler os trinta e seis textos selecionados, a partir do resumo, na sua íntegra e, após essa análise, selecionamos quinze textos para fazer parte da revisão de literatura desta pesquisa. Os textos selecionados estão representados no quadro 4 que se segue: 12 Quadro 4: Lista final de artigos escolhidos Nome Ano 1 A Learning Studio That Inspires Active Pedagogy 2016 2 Embracing digital technologies in classroom practice: The impact of teacher identity 2016 3 Faculty adoption of active learning classrooms 2016 4 What Drives Student Engagement: Is It Learning Space, Instructor Behavior, or Teaching Philosophy? 2016 5 Language, relationships and skills in mixed-nationality Active Learning classrooms 2017 6 Leveraging Faculty Reflective Practice to Understand Active Learning Spaces: Flashbacks and ReCaptures 2017 7 The Cube and the Poppy Flower: Participatory Approaches for Designing Technology-Enhanced Learning Spaces 2017 8 Faculty use of the active learning classroom: Barriers and facilitators 2018 9 The role of self-determination theory in developing curriculum for flipped classroom learning: A Case Study of First-Year Business Undergraduate Course 2018 10 A space for learning: An analysis of research on active learning spaces 2019 11 Considering the Environment: An Expanded Framework for Teacher Knowledge 2019 12 Learning to Teach in Space: Design Principles for Faculty Development in Active Learning Classrooms 2019 13 Pre-Service Teachers' Perceptions and Experiences: Courses Based on the Active Learning Model and Environment 2019 14 The Impact of New Collaborative Learning Spaces on Tertiary Teacher Practice 2019 15 Faculty Reflections of Pedagogical Transformation in Active Learning Classrooms 2021 Tais artigos correspondem a estudos que respondem ao tema e subtemas da pesquisa realizada, tendo sido definidos os mesmos da seguinte maneira: Questão principal: - De que maneira os professores utilizam as ALC? Subtemas: ➔ Quais as dificuldades encontradas pelos professores para utilizar as ALC? 19 - ser adaptável e flexível, e conseguir ver as situações inesperadas como oportunidades e não como ameaças; - ter uma boa capacidade de ‘agarrar’ os aspetos que estão a ser estudados; esta capacidade reduz os dados relevantes e a informação toma proporções geríveis; - não ser influenciado por preconceitos, incluindo os que derivam da teoria. Ainda, segundo Yin (2015), a investigação na abordagem de estudo de caso deve ser considerada de acordo com as seguintes orientações: (a) o foco do estudo é responder s questões “como” e “por que”; (b) você não pode manipular o comportamento dos envolvidos no estudo; (c) você deseja cobrir condições contextuais porque acredita que são relevantes para o fenômeno em estudo; (d) os limites não são claros entre o fenómeno e o contexto. O desenho acima apresentado, na perspetiva de Yin (2015), contempla o foco da pesquisa realizada com os professores da UMinho, no contexto do uso da SACC e, por esse motivo, foi a opção metodológica escolhida para a presente pesquisa. 3.2. Participantes Os participantes do estudo são professores da Universidade do Minho que já utilizaram a SACC, tendo ou não participado da formação oferecida pela universidade. Inicialmente foram convidados 14 professores, mas apenas 9 participam deste estudo. Os outros cinco professores não puderam participar do focus group no dia marcado uma vez que tinham outros compromissos, como aulas, defesas, etc. 20 3.3. Método e instrumentos de recolha de dados No âmbito da pesquisa qualitativa, existem diferentes maneiras de coleta de dados. Tendo sido a opção metodológica o estudo de caso, optamos por utilizar o focus group como forma de recolher os dados pertinentes à esta investigação. O focus group pode ser definido como a discussão de um determinado tema, selecionado pelo investigador, por um grupo previamente selecionado, com o objetivo de colher informações que não seriam satisfeitas por entrevista (Guest, Namey, Taylor, Eley & McKenna, 2017). Ideias e opiniões dos participantes podem ser complementadas e/ou refutadas por outros elementos do grupo, dando origem a uma opinião comum ou opiniões discordantes, visto que o grupo é formado de maneira plural. (Nyumba, Wilson, Derrick & Mukherjee, 2018). De acordo com Silva, Veloso e Keating (2014), o focus group possui uma série de etapas estruturadas, sendo elas o planeamento, a preparação, a moderação, a análise dos dados e a divulgação dos resultados, as quais serão descritas brevemente a seguir: - Planeamento: etapa na qual são definidos os objetivos de investigação que nortearão essa fase da pesquisa. - Preparação: fase na qual será realizada a escolha e seleção dos participantes. É, também, nessa etapa que será escolhido o local da intervenção e passa aos participantes as informações pertinentes ao encontro, sendo elas: 1) os objetivos da investigação; 2) as regras de participação (como o tempo estimado de duração de forma a prevenir a desistência dos participantes durante o trabalho de discussão em grupo); 3) o esclarecimento de dúvidas; 4) entrega de uma declaração de consentimento livre e informado - Moderação: etapa na qual será efetivamente realizada a sessão do focus group. É importante que o moderador comunique as recomendações para o início da atividade, sendo elas: ter os telemóveis desligados, não interromper a fala do outro e de que não há obrigatoriedade de 21 resposta. Um outro aspecto importante dessa fase é a presença de um observador para a recolha de dados durante a sessão. - Análise dos dados: transcrição da gravação e extração dos dados relevantes ao estudo, que serão tratados de acordo com uma lógica de análise de conteúdo. - Divulgação dos resultados: última etapa, ocorre com a devolução das transcrições para que os participantes a validem. Ainda nessa fase é permitido aos participantes que abandonem o estudo. Também é nessa etapa que os resultados do estudo poderão ser divulgados aos participantes. Em cumprimento às fases norteadas pelos autores supracitados, juntamente com os pesquisadores sénior, orientadores da presente pesquisa, já tendo os objetivos definidos, iniciamos a escolha dos participantes. Foram convidados a participar do estudo os professores da Universidade do Minho que haviam feito uso da SACC, tendo ou não realizado a formação proposta pela universidade. O convite foi feito via correio eletrónico. Tendo em vista a disponibilidade da maioria dos professores convidados, o focus group foi marcado para o dia 24 de maio de 2023, das 18h às 19h, na modalidade online. 3.4. Técnicas de análise dos dados A análise temática foi a opção escolhida para analisarmos os dados obtidos nesta investigação. A Análise Temática é definida por Braun e Clarke (2006) como um método qualitativo adotado para identificar, analisar, interpretar e relatar padrões, isto é, temas, dentro de dados e favorece a interpretação de diferentes aspetos do tema de pesquisa. Faz-se necessário, então, definir o que é tema. Diversos autores tais como Souza (2019), Maguire e Delahunt (2017), Braun e Clarke (2006) possuem opiniões semelhantes, nas quais o tema é definido como um padrão que capta algo significativo sobre o que está sendo pesquisado, nomeadamente, a questão de investigação. Para outros autores, como Vaismoradi, Jones, Turunen e Snelgrove (2016), o tema, é entendido, ainda, como um assunto implícito que organiza um grupo de ideias repetidas e permite aos investigadores responderem à questão do estudo. 22 De acordo com os autores Braun e Clarke (2006) as fases da análise temática são: → Fase 1 - Familiarização com os dados → Fase 2: Criação de códigos iniciais → Fase 3: Procura de temas → Fase 4: Revisão dos temas → Fase 5: Revisão e nomeação dos temas → Fase 6: Elaboração de um relatório Podemos apontar diversos benefícios da abordagem estruturada em seis fases, por Braun e Clarke (2006). A flexibilidade em todas as etapas da análise e por se tratar de um método fácil e rápido de se aprender e executar, sendo um método acessível a investigadores iniciantes na pesquisa qualitativa. Para responder a questão principal e as subquestões de investigação, foi realizado um questionamento sobre quais as facilidades e dificuldades no uso da sala e como foram as experiências dos professores na SACC. Todo o processo foi gravado e filmado, com autorização dos participantes e, posteriormente, transcrito. Cumprindo as etapas supracitadas por Braun e Clarke, a transcrição foi cuidadosamente lida diversas vezes e foi realizada a codificação inicial dos temas. Para o estudo realizado utilizamos o software NVivo para auxiliar a demarcação dos temas. Os temas relevantes observados no focus group, em relação a como os professores da UMinho estão usando a SACC, foram: - Facilitadores - Aspetos positivos - Dificuldades - Aspetos negativos - Uso da sala (qual a maneira que está a ser ocupada) Tendo clarificados os temas pertinentes para responder as questões de investigação, foi feita a classificação das respostas e organização das mesmas para a elaboração da análise que será apresentada na sequência deste trabalho. 23 3.5. Questões éticas Na investigação em Ciências Humanas é fundamental que os procedimentos éticos sejam devidamente respeitados, a fim de garantir a proteção da identidade dos participantes, bem como de outros aspetos relevantes nesse campo. A Carta Ética da Sociedade Portuguesa de Ciências da Educação (SPCE, 2014) destaca a importância do respeito e elucidação integral dos termos relativos à participação de cada pessoa envolvida. Garantimos o direito de privacidade, discrição e anonimato, sendo todos os dados protegidos pela confidencialidade de acordo com o Deliberação No 1495/2016 sobre a Proteção de Dados. Em relação à difusão dos resultados, comprometemo-nos a informar os participantes sobre de que maneira serão divulgados e utilizados. Foi apresentado o documento Consentimento Livre e Informado onde está explícito, de forma clara e rigorosa, os direitos e os compromissos assumidos entre as partes, designadamente no que se refere à garantia de sigilo e privacidade, foi feita a referência aos procedimentos a tomar em situações especiais e imprevisíveis, bem como ao uso dos dados obtidos. (CEUM, 2020). Não há identificação pessoal dos envolvidos. Os participantes serão informados sobre os resultados da investigação e sobre a forma como esses resultados vão ser usados e divulgados, em conformidade com o que for acordado no âmbito do Consentimento Livre e Informado, sendo assegurado o cumprimento do acordo celebrado em caso de publicação, incluindo a publicação na Internet. 24 4. ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS DADOS O grupo focal foi realizado no dia 24 de maio de 2023. Para tal, foram convidados 14 professores, dos quais participaram de maneira efetiva, nove docentes. Participaram, também, do grupo focal, os investigadores juniores envolvidos em pesquisas semelhantes sobre a SACC. Foi estabelecida uma ordem para a colocação das perguntas, organizada pelos orientadores que estavam como moderadores da sessão. A íntegra do relato do grupo focal consta nos apêndices deste trabalho. Após os agradecimentos e esclarecimentos iniciais, as perguntas foram feitas, de acordo com a dimensão que cada investigador estava a pesquisar. A dimensão da presente pesquisa, é como os professores estão utilizando a SACC, bem como, aspetos facilitadores ou obstáculos no uso da sala. As primeiras perguntas realizadas no grupo foram focadas nesse tema, sendo elas: - Como foram as primeiras experiências na SACC? - O que os levou a ocuparem a SACC? As primeiras respostas apontaram a formação oferecida pela universidade aos professores como um fator fundamental para a ocupação da sala. Seguem, a seguir, algumas evidências coletadas: P3 - Eu fui fazer a formação com professores formadores e comecei como aluna e acho que foi isso que despertou o meu interesse em usá-la como professora. A formação que nós tivemos para usar essa sala de já estava muito bem preparada no sentido do explicar todas as funcionalidades da sala. e de nos fazer a perceber que como é que se podia usar essa sala. É claro que nós estávamos éramos alunos, mas com os olhos do professor, não é? O meu interesse em usar a sala foi porque eu me senti muito bem com uma aluna . P4 - A formação foi interessante não só do ponto de vista para percebermos asas potencialidades e os equipamentos e como funcionam, mas, sobretudo, para perceber um para tentar utilizar a dinâmica que foi utilizada na aula e aplicar as minhas aulas . A não participação nas formações não foi um impeditivo para os que os professores usassem a sala, porém, percebemos um caminho mais árduo a ser percorrido por esses docentes, inclusive aqueles que participaram de formações que não transcorreram conforme o previsto: 25 P6 - Infelizmente não consegui fazer a formação e, portanto, sinto falta disso é porque sei que ali há funcionalidades que não estou a explorar é esse é um aspeto que eu acho que é importante, haver essa formação. P2 - Foi uma formação que o professor Manuel João fez. Foi uma coisa muito pouco produtiva. Fiquei com uma imagem, apenas ligeira da do uso da sala. As coisas não estavam a funcionar ainda muito bem mesmo. Em relação ao questionamento sobre a motivação que tiveram para usar a sala, a curiosidade foi, também, um fator motivador para o uso da SACC. Prosseguindo com as questões, os professores foram inqueridos sobre as dificuldades e/ou facilidades para o uso da sala André Cruz Carvalho, surgindo durante o grupo focal, os aspetos positivos e negativos percebidos por eles. As principais dificuldades referem-se ao número de alunos por turma, visto que a SACC possui uma capacidade para acolher 35 alunos, podendo atingir um máximo de 40 alunos. Muitas turmas possuem um número superior ao suportado pela sala, fazendo que os professores tivessem de dividir as turmas e usar uma sala de apoio. Alguns relatos que evidenciam essa dificuldade, foram: P8 - É alguma frustração não poder usar a sala mais é, sendo que as razões principais. Uma delas é dimensão das nossas turmas. Eu sou da escola de economia e gestão e os nossos turnos partem aos 50 alunos, ou seja, é muito habitual e na maior parte, os cursos as nossas turmas não cabem na sala . P7 - Eu sei que tenho em Gualtar 230 alunos e, portanto, eu via isso como um entrave . A solução encontrada pelos professores foi fazer a divisão das turmas, embora isso nem sempre ocorresse da maneira esperada: P8 - Eu achei que usar a sala do apoio ia ser um bocadinho…é, parecia um castigo para os alunos que ficavam lá. Eles próprios escolheram. é que, sendo assim, era melhor termos aulas numa sala normal, ou seja, eu acabei por acabei por anular essas requisições (da sala) porque os alunos não cabiam na sala. Outras dificuldades evidenciadas nos relatos dos professores foram: - Falta de suporte técnico aos sábados - Disponibilidade da sala 26 - Dificuldade para a escrita matemática - Número de salas semelhantes (até o momento dessa investigação, havia apenas uma sala de aprendizagem ativa). O discurso dos docentes sobre os entraves à ocupação das salas mostra que as principais dificuldades estão relacionadas com aspetos relacionados com a viabilidade e suporte para utilização da SACC. Os empecilhos citados, entretanto, não impediram que os professores tivessem a perceção dos benefícios da SACC e do impacto positivo que ministrar aulas em um ambiente rico tecnologicamente e favorecedor da aprendizagem ativa. O uso dos diversos recursos é notado em vários relatos: P3 - Gostei imenso do conceito das mesas redondas e das cadeiras com rodinhas. É, podemos usar as cadeiras ou os quadros das paredes. Para mim são a coisa mais importante. P2 - Acho que funcionou mesmo muito bem em termos da postura dos alunos. É, estão em grupo, é trabalham juntos . P6 - Temos usado mais o recurso dos computadores e a partilha de informação por parte dos alunos. É algo até algum, digamos, alguns debates. É, portanto, sobre, digamos, sobre determinados temas. Em cada um é grupo, trabalha e depois apresentam os resultados . P5 - Eu uso muito computadores, os ecrãs que o objetivo é pôr os alunos a trabalhar à volta de um tema, onde eles fazem pesquisa e no fim o grupo tem que apresentar o que fez durante a aula. Mas a grande vantagem do ecrã se tudo é que eles facilmente, cada um deles partilha, o que quer é aos outros colegas todos que estão a ver . P2 - Usávamos e usamos imensos os quadros. É para discutir a resoluções, para cada um apresentar uma maneira, fazemos de maneiras diferentes . P7 - É, usei os quadros de acrílico. Funcionam muito bem, tanto que eles estavam em grupo, conversavam, trocavam ideias . A estrutura da SACC possibilita o trabalho em grupo e o compartilhamento de atividades, sendo percetível nos depoimentos a mais-valia de ter um espaço com essas condições na universidade. Outro aspeto revelado durante o focus group é o impacto motivacional que os recursos disponíveis na sala têm sobre os alunos, ampliando as possibilidades de interação entre eles e o engajamento durante as aulas: P6 - Mas e os alunos gostam? É, eu sinto . (…) Está a ser positivo, não é? Eu acho que os alunos gostam de fato, estar assim num ambiente diferent e. 27 P9 - E então as mesas redondas, é muito bom, fomenta imenso que eles trabalhem em grupo, o que faz com que eu se ajudem, tirem dúvidas. E quando eu chego à mesa eu já tenho as dúvidas, digamos assim, filtradas. Isso é uma coisa que o só trabalhando em grupo é que eles já percebem. Por isso, esse ponto de vista funciona muito bem. P7 - É, usei os quadros de acrílico funcionam muito bem, tanto elas estavam em grupo, conversavam, trocavam ideias. A minha UC usa muito formulário e eles viravam o ecrã deles para a zona do trabalho, dos quadros de acrílicos deles. Depois deu também para partilhar a resoluções . Para melhor percebermos os temas e subtemas salientados no focus group, foi elaborado o quadro seguinte: Quadro 5: temas e subtemas em relação à questão principal Fonte: quadro elaborado pela autora Analisando o quadro, podemos perceber a formação dos professores como um fator importante para o uso da sala. A formação oferece aos docentes o conhecimento sobre os equipamentos disponíveis na SACC e duas potencialidades, facilitando, desta forma a utilização da sala em sua integralidade. Os aspetos positivos destacados pelos docentes referem-se à facilidade que a SACC proporciona em determinados tipos de aula, tais como, atividades em grupo, compartilhamento de trabalhos, interação entre alunos mesmo que estejam alocados em outros países. A importância dos recursos apresentados e utilizados na Sala André Cruz de Carvalho reflete-se na reprodução de algumas de suas funcionalidades na sala de aula tradicional. 28 As principais dificuldades relatadas dizem respeito às questões de caráter funcional, tais como o apoio técnico em caso de problemas informáticos, à discrepância em relação ao número de alunos por turma e a capacidade da SACC e à disponibilidade da sala, quando a mesma era muito requisitada pelos professores. 4.1 Considerações finais Os dados coletados pela presente investigação, bem como a literatura consultada para fundamentar teoricamente a pesquisa demonstram a importância de espaços diferenciados para a aprendizagem e, principalmente, incitam a uma mudança no padrão das aulas, descentrando a figura do professor e contribuindo para o trabalho em grupo e responde às questões propostas nesta investigação. Existem diversos estudos que comprovam o aumento da motivação dos alunos e da interação entre docentes e discentes. O espaço físico é um grande influenciador no comportamento de professores e estudantes (Amedeo, Golledge e Stimson, 2009; Lippincot 2009; Long & Heleton, 2009; Oblinger, 2006; Wilson & Randal, 2012). Isso foi percebido em diversas falas durante a entrevista de grupo. Estar em uma sala que possui um novo design e elementos diferentes da sala de aula tradicional, obriga professores e alunos a terem novas posturas em sala de aula: P2 - Acho que funcionou mesmo muito bem em termos da postura dos alunos. Estão em grupo e trabalham juntos. Acho que até quebrou um bocadinho a barreira que eu acho que se nota, são alguns do primeiro ano, não é? É aquela barreira que existe dos alunos que estão na praxe dos que não estão na praxe. Não falam uns com os outros, é, não falam sobre o que estão a fazer em termos de matéria. Portanto, aqui há liga, aquela sala convida muito mais a isso. Percebe-se que o espaço físico, a disposição e tipos de mesas e cadeiras (cadeiras com rodinhas e mesas hexagonais) proporcionam uma maior facilidade na formação de grupo e na interação entre alunos e alunos-professores. A mudança de postura de discentes e docentes, de suas relações, sugere a importância de repensarmos a estrutura de currículo e a maneira como funcionam as aulas. Umas das professoras entrevistadas relata que, durante o uso da sala, o aprendizado foi muito mais rico e 35 Zanella, L. C. H. (2011). Metodologia de pesquisa. 2. ed. Florianópolis: Departamento de Ciências da Administração/UFSC. 36 APÊNDICES Guião do Grupo Focal 37 38 39 Transcrição grupo focal: Entrevistadora 1 - Primeiro, também queria agradecer em nome dos alunos essa disponibilidade dos professores a gente sabe como é difícil a gente conseguir um tempinho. É muito importante para nós percebermos como usar a SACC com alunos, é termos essa visão da do uso da sala André Cruz Carvalho e o foco da minha pesquisa é a visão dos professores da universidade do Minho sobre a sala. Então as primeiras perguntas serão focadas, é nesse tema. E eu gostaria de saber, é como é que foi essa a primeira experiência de vocês na sala? André Cruz Carvalho. O que levou vocês a usarem essa sala? E como é que foi essa experiência, se foi uma experiência positiva, negativa? O como é que foi isso? Já ocuparam de certa forma a sala, né? E o que levou vocês a buscarem a sala? André Cruz Carvalho e como foi essa experiência? Essa primeira experiência ou as primeiras experiências? Alguém gostaria de responder? P1 - E eu devo dizer que sou uma privilegiada. É porque eu fui das primeiras pessoas antes da sala, André Cruz de Carvalho estar a operacional e como eu faço parte do centro IDEA Minho fui convidada a viver uma primeira ação da de como seria a sala e, portanto, qualquer coisa que eu diga algo que eu diga sobre a primeira experiência tem sempre este background aqui. Eu conheci a sala, ainda, a sala não estava disponível aos colegas. Eu usei a sala, ainda, a sala não estava disponível para os colegas e dei informação sobre a sala, a utilização da sala. Alguns colegas, penso que alguns estarão aqui ou não, e, portanto, é eu vou me abster de poder de dar uma resposta a esta pergunta. Por estas razões, acho que seria enviesada, ok? Entrevistadora 1Ok, agradeço professora, mais alguém gostaria de relatar a experiência, a primeira ou as primeiras experiências na sala ou porque fizeram essa opção de ir para a sala de buscar os recursos da sala, André Cruz Carvalho. P2Posso falar eu? Sim, tanto, e eu sou do departamento de matemática. E fiz o meu primeiro contato com a sala, foi numa formação que o professor formador fez. Foi uma coisa muito pouco produtiva. Fiquei com uma imagem apenas ligeira da do uso da sala. As coisas não tinham, não estavam a funcionar ainda muito bem mesmo. O computador que eu tinha não fazia uma ligação direita pronto, foi assim uma experiência assim, um bocadinho, tremida. Entretanto, é durante o primeiro semestre deste ano e senti uma diferença muito grande no funcionamento de uma turma que eu costumo ter. Portanto, nós na matemática rodamos muito as disciplinas e os cursos, mas eu tenho dado muitas vezes aula, alguns 40 de economia aos (inaudível) e esta nos sentir uma diferença abismal em relação a outros anos no ano passado, sentir um cadinho, mas está no sentir uma diferença abismal em termos do eu senti que os alunos não conseguiam estar na sala de aula. É como estavam nos outros anos, claro, são grupos diferentes, mas acho que não era só isso, era a postura. Eles não conseguiam estar mais do que 1 hora interessados é eu nunca tinha sentido isso em particular naquele curso. É, e depois houve uma altura que eu fui, eu já não me recordo muito bem a professora P1 fez, alguma coisa ligada, já não recordo, pronto, não interessa. Fui atravessar a sala André Cruz Carvalho e percebi que era possível usar a sala. Mesmo para aulas de matemática tantos, claro que tem limitações, porque os alunos não conseguem estar a escrever num computador, só se tiver a parte de escrever a mão. Não é tanto escrever respostas outra escrever texto matemática é difícil no computador, para alguns, não é. E portanto, eu não tiro propriamente partido dessa parte dos alunos partilharem coisas, é através do monitor. Comecei a dar aulas teórico-práticas. A licenciatura é licenciatura em matemática. É, e eles aderiram numa de uma maneira que que me perguntam sempre professora, para a semana temos aulas naquela sala, estão sempre a pedir, portanto, sempre que tenho aulas teórico-práticas eles pedem para ter na sala. Acho que funcionou mesmo muito bem em termos da postura dos alunos. Estão em grupo e trabalham juntos. Acho que até quebrou um bocadinho a barreira que eu acho que se nota agora nos alguns são alguns do primeiro ano, não é? É aquela barreira que existe dos alunos que estão na praxe dos que não estão na praxe. Não falam uns com os outros, é, não falam sobre o que estão a fazer em termos de matéria. Portanto, aqui há liga, aquela sala convida muito mais a isso e depois, o que usávamos mais do que os monitores, os monitores usávamos para partilhar coisas já feitas. Portanto, não era propriamente para partilhar coisas que estavam a ser feitas em tempo real, não é? Mas usávamos e usamos imensos quadros para discutir a resoluções para cada um. Apresentava uma maneira, fazemos de maneiras diferentes. Eles discutiam entre elas. Portanto, acho que foi mesmo uma resposta boa para aquela o desânimo que eu senti no primeiro semestre em relação ao outra turma. Entrevistadora 1Quando você falar do no desânimo da outra turma, você fala no desânimo. Na sala, convencional na sala José é André Luiz Carvalho ou, de uma maneira geral. P2 - Só o tradicional e era uma, eram turmas maiores, portanto, eu também nunca teria pensado em usar a sala. André Cruz de Carvalho numa turma com 40 e 45 alunos, 50 pronto. Depois, depois P1 sugeriu o usar a sala. André Cruz Carvalho e aquela de apoio que tem em frente, mas pronto, eu, na altura já tinha terminado o semestre, portanto, que eu implementei foi só neste semestre o que eu achei os alunos que são alunos é normalmente interessados, muito interessados e trabalhadores eu senti uma 41 diferença abismal. E muito mais desinteressados a querer, perceber, mas sem grande trabalho. Fartavam-se, de estar em sala de aula, na sala de aula tradicional, mesmo que eu acho que que o ambiente em sala da aula é bom, percebe, mas acho que enfim, notei assim, um desânimo. Não querem aquele tipo de aulas, não é? Entrevistadora 1 - Muito obrigada, professora, pelo seu contributo. Mais alguém gostaria de partilhar? P3 - Posso, eu posso, eu posso dar o meu contributo e respondendo diretamente a questão da Entrevistadora1, o porquê de usar aquela sala não é? E eu já uso aquela sala há 2 ou 3 anos é não sei, algo antes algum tempo desde que ela não. Que ela só fez 2 anos. Eu só uso a 2, é verdade. E eu e eu comecei com uma aluna daquela naquela sala, eu fui fazer a formação com a P1 e comecei com uma aluna e acho que foi isso que despertou o meu interesse em usá-la como professora. Porque, a formação que nós tivemos para usar essa sala de já estava muito bem preparada e não é por estarem aqui, no sentido do explicar todas as funcionalidades da sala. e de nos fazer a nós alunos, porque naquele momento meu papel era de aluna a perceber que, como é que se podia usar essa, é claro que nós estávamos éramos alunos, mas com os olhos do professor, não é? Já estávamos ali a captar coisas que podíamos fazer. O meu interesse em usar a sala foi porque eu me senti muito bem com uma aluna. Gostei imenso do conceito das mesas redondas e das cadeiras com rodinhas. Aquilo ainda começou na pandemia, portanto, aquilo era mais, tinha menos cerca da cadeira, é mais complexo, mas agora, felizmente, já não temos acrílicos e já é tudo muito mais fácil, mas. É, podemos usar as cadeiras ou os quadros das paredes. Para mim são a coisa mais importante. Eu também estou com P2 também dou aulas de engenharia aos poucos, como uso ponto. Mas uso muito menos o computador do que usa o resto das coisas. Mas não é bem, isso pode ser na outra pergunta, outro tipo de pergunta, o que é que nós usamos? Mas em termos de docente em irmos para lá, foi ter gostado muito com uma aluna. E depois continuou a usar sempre que posso sempre estar em turmas, às vezes até faço turmas, quando tem turmas maiores faço aulas de 15 em 15 dias pra eu tinha oportunidade naquela sala para os fatos da aprendizagem ali é muito diferente. E tanto tem me levado a usar cada vez mais a sala, o facto achar que realmente as aulas correm muito, muito bem lá e também às vezes implemento em salas de aula normais, as coisas que tragam lá, por exemplo, já cheguei a usar cartolinas em sala da aula normal. Enfim, teatros ou salas de aulas, cola as cartolinas nas paredes os alunos vão em grupo. Tanto aproveita algumas das coisas que eu aprendi lá para a sala da aula normal, porque nós só temos uma, não é? Sala André Cruz é maravilhosa, mas é única. Pronto, e foi isso que fez usar a sala. Entrevistadora 1 - Muito obrigada, professora, pelo seu contributo. É mais alguém gostaria de… 42 P6 - Posso falar agora, então, um bocadinho para ser dar uma perspetiva, um bocadinho diferente, é, portanto, eu sou de economia, é eu também uso a sala, já usei o ano passado e está indo também é e pronto que aquilo que me levou a usar a sala foi curiosidade. É que eu não tive, infelizmente não consegui fazer a formação e portanto, e sinto falta disso é porque sei que ali funcionalidades que que não estou a explorar é e portanto esse é um aspeto que que que eu acho que é importante haver essa, essa formação, mas pronto, como vou a crer experimentar? A sala foi se foi a minha curiosidade não é, portanto, ao cá, estamos aqui uma sala, até que. Aí tem que vamos experimentar e ver o que que isto para os alunos, portanto, criados aqui, uma experiência é diferente. Foi isso que me levou a querer experimentar e a experiência tem sido positiva. Claro que. nós temos usado mais o uso dos computadores e a partilha é de informação por parte dos alunos até algum, digamos, alguns debates. É, portanto, sobre, digamos, sobre determinados temas. Em cada um é grupo, trabalha e depois apresentam os resultados. E para ter sido, tem sido assim. Mas e os alunos gostam? É, eu sinto. É só que que para aumentar mais, para que eventualmente, que eu possa até explorar melhor essa aula do que tirar mais partido até da sala, o que que está a ser feito? Mas no geral está a ser positivo, não é? Eu acho que os alunos gostam de fato, estar assim num ambiente diferente. Entrevistadora 1 - Obrigada, professora, pelo seu contributo. Mais alguém gostaria de compartilhar a a sua experiência? P5 - Talvez eu possa também falar um bocadinho. É, eu pensei a sala através da P1. Ela esteve na sala e antes de começar, eu sou colega dela, portanto houve uma altura que ela me foi mostrar a sala e mostrar as funcionalidades. Da sala e desde aí, praticamente desde o início eu tenho usado a sala até com alguns objetivos diferentes, normalmente para dar aulas ao mestrado, principalmente, que são grupos mais pequenos. E eu uso muito computadores. Os ecrãs que o objetivo é pôr os alunos a trabalhar à volta de um tema, é onde eles fazem pesquisa e no fim do grupo. Tem que apresentar o que fez durante a aula, é também já utilizei. É numa workshop Internacional em que nós tínhamos tantos membros que estavam dentro da na sala e havia pessoas de outros países que não puderam vir e que interagiam connosco, com quase estivessem ali connosco. Foi uma experiência excelente, funcionou mesmo muito bem, posso dizer que pessoas de vários países a trabalharmos todos em conjunto resultou muito, muito, muito bem. Portanto, a minha experiência é para já, tem sido boa e penso que da parte dos alunos também, o feedback tem sido bastante bom e acredito que não esteja a aproveitar todas as funcionalidades que a sala tem, mas. Com menos aquilo que tem conseguido utilizar, tenho tido uma experiência muito boa. 43 Entrevistadora 1Obrigada, professora, é, vocês conhecem todos os recursos da sala, porque eu percebo que nem todos fizeram a formação, pois não? Todos já estiveram na sala, mas nem todos é, é participaram da das, da formação oferecida e eu queria saber se vocês têm o conhecimento de todos os recursos que a sala oferece e conseguem usá-los de uma maneira, é prática, produtiva é com os alunos. P4 - Não sei se posso. Ser eu a falar agora, não. Entrevistadora 1 - Pois não, professora. P4 - Muito obrigada pelo convite, é. um gosto de estar aqui. Hoje eu vou ter. Que sair um bocadinho mais cedo. Não vou conseguir estar aqui 1 hora, mas pensei que estava também aqui. Aproveitaram para dar um pequenino ou testemunho, não crendo pular mais palavras da Mariana, mas eu também iniciei minha espécie na sala. Foi como uma formação, foi muito. Interessante, adorei. Além disso, aprendi tirar fotografias que saía. Sempre ali, um dia ser um expert. Não, isso e realmente é. A formação foi foi interessante não só do ponto de vista para percebermos a potência, as potencialidades e os equipamentos e como funcionam? Mas, sobretudo, para perceber um para tentar utilizar a dinâmica que foi utilizada na aula e aplicar as minhas aulas. E foi isso que eu fiz. Eu fiz uma coisa muito parecida e. Indo pro time, nós utilizamos. É. É. As aulas que eu tenho dado tem sido integradas com 2 unidades curriculares, ou seja, juntar 2 unidades curriculares em fazer um projeto integrador, é isso. Que nós estamos a fazer? E por isso, temos. Também os alunos divididos. Em grupos, depois passam por estações de aprendizagem, depois voltam aos grupos. Para nós temos essa essa dinâmica e corre muito bem. Os alunos gostam imenso, envolvem-se, é e fato tem usado todos os recursos. Que que daquilo? Que eu conheço não só os painéis que um dos alunos que fazem os seus esquemas e fazer muito recurso aos painéis, depois, entre sento a vê-los explicar aos colegas e vão aos painéis aquilo que já escreveram e envolvem-se nessa discussão. Mas depois também usamos os computadores e depois fazem uma apresentação final, porque o jogo conseguimos tirar parte. Dos todos os recursos da sala e de fato tem sido, mas foi uma experiência ótima como aluna e tem sido uma experiência, uma especial ótima agora, com com professora e julgo também. O feedback dos alunos é mesmo muito positiva aos costumam se interessar, se motivar, se muito costuma ser mal introdutória às 2 unidades curriculares. E notamos, que eles acabam até por estar mais envolvidos e mais interessados para aprendizagem, depois terem que dessa experiência esta. Esta seria a minha a minha partilha aqui hoje obrigada. Entrevistadora 1 - Obrigada, professora, pelo pela. Sua partilha é uma coisa que eu gostaria é é de perceber, é o que facilita o uso, porque é uma. Sala só né que temos ainda, por enquanto na UMINHO. 44 O que que facilita o uso dela? O que que dificulta? Quais as dificuldades que vocês percebem no na ocupação da sala para ocuparem a sala e que que entravam um pouco esse, essa utilização? P7 - Posso falar boa tarde, obrigada pelo convite. É sim, eu também. No início fiz a formação, mas o que se passa é o seguinte, portanto, eu sou professora do da escola de engenharia, tenho serviço do centro em Azurém, no campus de Azurém e serviços do centro em Gualtar. Eu sei que tenho em Gualtar 230 alunos e, portanto, eu via isso como um entrave. Hã, é possível ao valso, mas estava bastante curiosa EE este semestre este semestre em curso e levei 3 dos 7 turnos tanto aqui. Eu tenho 7 turnos práticos e levei 3 deles lá porque queria. Não via a hipótese de nunca de usar a sala e funcionou muito bem. É, usei, usei os quadros de acrílico funcionam muito bem, tanto elas estavam em grupo, conversavam, trocavam ideias. O fato do poder ter porque a minha UC usa muito formulário e eles se viravam o ecrã, o ecrã deles para a zona do trabalho, dos quadros de acrílicos deles. É, depois deu também para partilhar a resoluções. Aqueles que tinham Padlet é que os tinham o padlet escreviam e tirava uma fotografia e partilhavam. Dessa forma, funcionou muito bem. Agora tenho uma novidade boa porque vou ficar com uma UC no campus do Gualtar, que tem 60 alunos, ou seja, 3 turnos de 20, e eu vou tentar ao máximo. E vou marcar aulas lá. Um entrave é realmente a disponibilidade. Cláudia, como nós muitas vezes queremos, marcará, já está ocupada aí, não pode. Tanto essa é uma das das restrições, digamos, outra, é o facto de o meu serviço sendo também estar em Guimarães e em Guimarães, não haver uma sala lá, mas pronto, dentro do possível. Os alunos gostaram muito, acharam interessante e eu acho que foi produtivo. Entrevistadora 1 - Que bom, professora, muito obrigada, pelo seu contributo. Então também a questão do número de alunos acaba tendo de ter de a divisão em turnos e a senhora acaba necessitando de mais vezes na sala. P7 - Exatamente porque, dos 7 turnos, eu tinha 3 outro colega, tinha 3 e uma colega tinha um e eu levei os meus 3 turnos aos que pude, não é que eram os meus alunos na prática, mas eu tenho pena que os outros não tivessem a oportunidade ter a mesma experiência agora para o próximo ano já não vai acontecer isso que eu vou levá-los todos. Entrevistadora 1Muito obrigada, professora, é. Tem pessoas aí com a mão, com a mãozinha levantada P8 - Sim, isso que ele a possa contar a minha experiência, e eu vou falar sobre os obstáculos do usar a sala, porque é um bocadinho que eu sinto. É alguma frustração não poder usar a sala mais é, sendo que as razões principais. Uma delas é dimensão das nossas turmas. Eu sou da escola de economia e gestão.