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Ageing in place e gerontotecnologia. Diálogos emergentes na relação idoso-tecnologia

Carioca, Vito; Fernandes, Ana

Abstract

O artigo procura reflectir a sociedade atual, situando dois paradigmas emergentes no diálogo idoso-tecnologia. O primeiro, respeita às questões idoso e interacções com o desenvolvimento tecnológico e suas influências no envelhecimento ativo; o segundo, analisa as expectativas de um grupo de idosos, de um concelho rural-urbano do sul de Portugal, face à utilização da tecnologia na sua actividade pessoal diária. Foi realizado um estudo exploratório, de tipo indutivo, com o recurso à metodologia do focus group. Os resultados obtidos permitem concluir que a totalidade do grupo privilegia a sua situação de ageing in place em detrimento de respostas sociais tradicionais de apoio a idosos. Em matéria da utilização da tecnologia, as questões técnicas necessárias para uma boa utilização da tecnologia foram consideradas prioritárias. Um outro aspeto, referese à ideia de que a tecnologia é fundamental na lógica do ageing in place, na autonomia do idoso, mas condicionada ao tempo de utilização da mesma. Em termos de política social foi assumida como fundamental, a necessidade da descentralização do poder local em termos da literacia em tecnologia, e também valorizada a ideia de que o poder central deveria assumir, uma política nacional de incentivo ao uso da tecnologia por parte do idoso.

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Píxel-BIT Revista de Medios y Educación - 2019 - nº 56 ISSN: 1133-8482. e-ISSN: 2171-7966 ________________ O artigo procura reflectir a sociedade atual, situando dois paradigmas emergentes no diálogo idoso-tecnologia. O primeiro, respeita às questões idoso e interacções com o desenvolvimento tecnológico e suas influências no envelhecimento ativo; o segundo, analisa as expectativas de um grupo de idosos, de um concelho rural-urbano do sul de Portugal, face à utilização da tecnologia na sua actividade pessoal diária. Foi realizado um estudo exploratório, de tipo indutivo, com o recurso à metodologia do focus group. Os resultados obtidos permitem concluir que a totalidade do grupo privilegia a sua situação de ageing in place em detrimento de respostas sociais tradicionais de apoio a idosos. Em matéria da utilização da tecnologia, as questões técnicas necessárias para uma boa utilização da tecnologia foram consideradas prioritárias. Um outro aspeto, referese à ideia de que a tecnologia é fundamental na lógica do ageing in place, na autonomia do idoso, mas condicionada ao tempo de utilização da mesma. Em termos de política social foi assumida como fundamental, a necessidade da descentralização do poder local em termos da literacia em tecnologia, e também valorizada a ideia de que o poder central deveria assumir, uma política nacional de incentivo ao uso da tecnologia por parte do idoso. The article seeks to reflect society, placing two emerging paradigms in the elderly-technology dialogue. The first relates to elderly issues and interactions with technological development and its influences on active ageing; the second analyzes the expectations of a group of elderly people from a rural-urban municipality in the south Portugal about the use of technology in their daily personal activity. An exploratory, inductive study was conducted using the focus group methodology. The results obtained allow us to conclude that the whole group privileges their situation of ageing in place to the detriment of traditional social responses in support of the elderly. With regard to the use of technology, the technical issues necessary for the proper use of technology have been identified as priorities. Another aspect refers to the idea that technology is fundamental in the logic of ageing in place, in the autonomy of the elderly, but conditioned to the time of use of it. In terms of social policy was assumed as fundamental, the need for decentralization of local power in terms of technology literacy, and also valued the idea that the central power should assume, a national policy to encourage the use of technology by the elderly . gerontotecnologia, ageing in place, tecnologia, idoso, envelhecimento ativo Recibido: 12-02-2019 | Revisado: 15-02-2019 | Aceptado: 31-03-2019 | Publicado: 01-09-2019 DOI: https://doi.org/10.12795/pixelbit.2019.i56.01 | Páginas: 7-31 Ageing in place e gerontotecnologia. Diálogos emergentes na relação idoso-tecnologia Ageing in place and gerontotecnology. Emerging dialogues in the elderly-technology relationship RESUMEN ABSTRACT PALABRAS CLAVE Dr. Vito Carioca [email protected] Dra. Ana Fernandes [email protected] Instituto Politécnico de Beja, Rua Pedro Soares s/n Campus do IPBEJA. Portugal KEYWORDS gerontotechnology, ageing in place, technology, elderly, active ageing __________________ Píxel-Bit. Revista de Medios y Educación. 2019 - ISSN: 1133-8482. e-ISSN: 2171-7966. 8 Píxel-Bit. Revista de Medios y Educación - Páginas: 7-31 _________________________________________________ 1.- Introdução No mundo da Internet das Coisas, em que tudo está ligado a tudo, e em que a segurança da informação disponível é cada vez maior (cloud computing), a humanidade e o desenvolvimento tecnológico de matriz empresarial centramse com maior acuidade na conceção de aplicações, plataformas ou outras soluções que permitam aumentar os níveis de apoio em áreas de emergência social, nomeadamente no envelhecimento ativo e positivo (Fonseca, 2018). Equacionamse novas e ousadas possibilidades de comunicação para este século XXI fruto do desenvolvimento exponencial do fenómeno tecnológico, com profundas implicações no sistema social e nas suas configurações, a 4ª revolução industrial, na acepção Schwab e Davis (2019). em referência à designada Quarta Revolução Industrial. No mundo do telepoder em que o tempo se conta em nanosegundos, a vida e o homem serão certamente diferentes, abrindose com elevado optimismo o caminho para a melhoria de vida da pessoa idosa e do seu envelhecimento natural, mais ativo e positivo. Futuro de pensamentos ousados que nos coloca questões de pertinência: poderemos competir com as máquinas no futuro? Ou esta é uma oportunidade para os humanos se especializarem no que é verdadeiramente humano?. Na sociedade do digital e da inteligência artificial, o idoso assume uma consciência reflexiva que propicia para a adaptação e desempenho de novos papéis. De acordo com a teoria da Gerotranscendência, desenvolvida por Lars Tornsatm (2005), a velhice pode ser uma altura em que os objetivos surgem como alvo de mudança, orientados para uma adaptação à perda e para o exercício de novos papéis, pontos de vista e ambientes sociais. A este propósito a teoria do Ageing in Place, traduzse num importante contributo para esta análise, na medida em que gira em torno da promoção da «capacidade de continuar a viver em casa e na comunidade ao longo do tempo, com segurança e de forma independente. Este conceito requer uma abordagem interdisciplinar protagonizada pela gerontologia, valorizando intervenções em diferentes escalas: nacional, regional, comunitário e individual » (Fonseca, 2018, p.7). 9 Píxel-Bit. Revista de Medios y Educación - Páginas: 7-31 _________________________________________________ __________________ Píxel-Bit. Revista de Medios y Educación. 2019 - ISSN: 1133-8482. e-ISSN: 2171-7966. Na defesa deste ponto de vista, tornase premente trazer ao debate o papel dos cuidadores informais que pode ser definido « como a prestação de cuidados não remunerado… a pessoas dependentes por parte da família, amigos, vizinhos, ou outros grupos de pessoas, que não recebem remuneração económica pela ajuda que oferecem» (Lage, 2005 in Paixão, 2017, p. 26). Este conjunto de pressupostos são evidentes na lógica das políticas sociais europeias da última década, cuja orientação fulcral é a de implementar a ideia de um envelhecimento ativo e saudável, como fator de possibilidade da pessoa idosa permanecer autónoma e capaz de se bastar a si própria, ainda que com recurso a apoios que, entre outros, podem ser de base tecnológica (González & Rodríguez-Porrero, 2015). A este respeito a Tunstall Televida1 (cit. por González & Rodríguez-Porrero 2015) afirmaria: «Pero hemos de dar un paso más allá y aprovecharmos de los últimos desarrollos. Estamos vivendo una autêntica revolución digital. Las redes IP y la tecnologia móvil permiten conectar toda la vivenda com una gama amplia de dispositivos, así como ofrecer servicios que, hasta hace unos años, eran una utopia, como la telemonitorización a domicilio o en centros asistenciales de las patologias crónicas más habituales, la telerrehabilitación, la telesistencia para personas sordas o com problemas de comunicación e, incluso, la geolocalización de personas com demência gracias a la telesistencia móvel » (p..173). Assumindo este quadro conceptual o estudo orientase em torno de três eixos de análise: i) o primeiro, a teoria do ageing in place (Fonseca, 2018) enquanto base para a manutenção dos idosos integrados em contexto domiciliário e comunitário e, consequentemente, assumindose a defesa dos cuidadores informais como parte fundamental neste processo; ii) o segundo, a gerontotecnologia, enquanto processo que recorre à tecnologia para melhorar a qualidade de vida e os efeitos do envelhecimento, numa lógica de envelhecimento ativo; o terceiro eixo, o estudo prático, estruturase em torno das vivências e expectativas de uma amostra intencional de idosos, não institucionalizados, de um concelho do sul de Portugal, relativamente à utilização da tecnologia na sua atividade diária. 2.- Metodología O estudo realizado enquadrase na definição de um estudo exploratório do tipo indutivo, assente no paradigma qualitativo. __________________ Píxel-Bit. Revista de Medios y Educación. 2019 - ISSN: 1133-8482. e-ISSN: 2171-7966. 10 Píxel-Bit. Revista de Medios y Educación - Páginas: 7-31 _________________________________________________ A dimensão exploratória, centrase na necessidade de desenvolver uma maior familiaridade com o objeto de estudo de forma a explicitálo, ou seja, partese da finalidade de « desenvolver, esclarecer e modificar conceitos e ideias, tendo em vista a formulação de problemas mais precisos.» (Gil, 2008, p.46). Ao optarse por uma estratégia de investigação do tipo indutivo, não se pretendeu concretizar uma explicação do problema, mas sim compreender e interpretar a realidade em estudo, partindo de uma situação concreta do real. No que concerne ao carácter qualitativo do estudo, não se pretendeu contribuir para a construção de explicações plausíveis de serem generalizadas, mas sim que permitam construir uma análise sobre uma situação concreta do real. Foi determinada como população do estudo um grupo de idosos da Universidade Sénior de Beja. O método de seleção foi realizado através de uma amostra intencional por conveniência, considerando que a linha de pensamento subjacente a este tipo de amostra, parte do pressuposto que « …o número de pessoas a estudar varia sobretudo segundo o tipo de análise que pretendemos» (Albarello et al, 1997, p.59). Neste âmbito, foram três os critérios de conveniência que estiveram na base da constituição desta amostra: i) Disponibilidade demonstrada para participar na investigação, mediante consentimento informado; ii) Ter contacto com a tecnologia na ótica do utilizador; iii) O equilíbrio de géneros no grupo estudado. Face a estes critérios, foram selecionados quatro elementos do género feminino e quatro elementos do género masculino, com idades compreendidas entre os 64 e os 82 anos. No âmbito da recolha de dados, foram tomadas as disposições necessárias para proteger os direitos e liberdade das pessoas que nele colaboraram. Os participantes foram informados sobre os objetivos da pesquisa, esclarecendo que as informações fornecidas seriam mantidas em sigilo e que só seriam utilizadas para fins de investigação. O Focus Group foi realizado na sala de aula da Universidade Sénior de Beja, com recurso a um gravador. O mesmo contou com dois moderadores especializados e decorreu durante o período de duas horas, findo o qual foi realizado um momento de balanço e reflexão acerca das informações e apresentadas. A utilização da técnica do Focus Group, respeitou a sequência da sua aplicação: planeamento, preparação, condução, análise. (Krueger & Casey, 2009; Stewart et al., 2007; cit. Silva, Veloso, & Keating, 2014). Para o efeito foi criado um guião que tinha como principal objetivo compreender as questões emergentes na relação entre os conceitos de ageing in place e gerontotecnologia. O guião utilizado apresentase em seguida, no Quadro 1. 11 Píxel-Bit. Revista de Medios y Educación - Páginas: 7-31 _________________________________________________ __________________ Píxel-Bit. Revista de Medios y Educación. 2019 - ISSN: 1133-8482. e-ISSN: 2171-7966. Quadro 1. Guião de Focus Group Parte/Objetivo Dimensões Tópicos/ Questões Parte I Informar sobre os objetivos do estudo - Valorizar a contribuição dos participantes para a realização do estudo - Assegurar o caráter voluntário da participação e possibilidade de desistência a qualquer momento do estudo - Assegurar o anonimato e a confidencialidade dos dados - Garantir a divulgação do estudo, refletindo as considerações emergentes do tema em análise. - Objetivos do estudo e informar do recurso ao gravador para registo de memórias Parte II Caraterização dos participantes - Recolher dados pessoais e profissionais - Género - Idade - Habilitações académicas Parte III Representação do processo de envelhecimento - Identificar a representação do processo de envelhecimento e dos idosos - O que é para si o envelhecimento? Com que idade se começa a envelhecer? __________________ Píxel-Bit. Revista de Medios y Educación. 2019 - ISSN: 1133-8482. e-ISSN: 2171-7966. 12 Píxel-Bit. Revista de Medios y Educación - Páginas: 7-31 _________________________________________________ Parte/Objetivo Dimensões Tópicos/ Questões Parte IV Representação do conceito de Ageing in Place - Identificar a representação do envelhecimento em contexto domiciliário e comunitário - identificar a representação sobre as respostas sociais tradicionais de apoio a idosos - O que pensa sobre os idosos que decidem permanecer na sua casa? - O que pensa sobre os idosos que recorrem a respostas sociais (ERPI, apoio domiciliário, entre outras)? - em que situações gostaria de permanecer em casa e em que situações recorreria a apoios sociais? Parte V Utilização da tecnologia - Conhecer as diferentes vertentes de utilização das TIC - costuma utilizar a tecnologia? Parte VI Aspetos positivos da tecnologia - Identificar os aspectos positivos da utilização da tecnologia - que razões podem justificar a sua opção pela utilização das TIC na sua actividade enquanto pessoa? Parte VII Dificuldades na utilização da tecnologia - Identificar as dificuldades na utilização da Tecnologia - que dificuldades encontra na utilização da tecnologia? Parte VIII Riscos da utilização da tecnologia - Identificar os riscos da utilização da tecnologia - Em sua opinião, existem riscos na utilização da tecnologia? 13 Píxel-Bit. Revista de Medios y Educación - Páginas: 7-31 _________________________________________________ __________________ Píxel-Bit. Revista de Medios y Educación. 2019 - ISSN: 1133-8482. e-ISSN: 2171-7966. Parte/Objetivo Dimensões Tópicos/ Questões Parte IX Impactos da tecnologia na vida do idoso - Conhecer a percepção acerca dos impactos da tecnologia no processo de envelhecimento - Que impactos a utilização da tecnologia poderá causar no bemestar do idoso no seu processo de envelhecimento? - Em sua opinião, de que forma a tecnologia pode contribuir para a autonomia e independência do idoso na sua casa? Parte X Medidas de Política Social para reforço do binómio idoso tecnologia - Identificar um conjunto de sugestões relativas a medidas de política social para reforço da relação idosotecnologia - Em sua opinião, que medidas devem ser consideradas pelos decisores políticos (governo, autarquias, união europeia) para reforço da relação entre tecnologia e autonomia dos idosos em contextos domiciliário e institucional? Observações finais - Há mais alguma questão que deva considerar? Após a realização do focus group, a análise decorreu ao longo de três etapas (Bloor et al., 2001; cit. Silva, Veloso, & Keating, 2014): i. Codificação/indexação: uma vez transcrito e lido o texto, ocorreu um processo de atribuição de categorias e de subcategorias, refletindo estas os temas presentes no guião, bem como outros que emergiram da discussão do grupo; ii. Armazenamento/recuperação: esta fase foi dedicada à compilação de todos os extratos do texto subordinados à mesma categoria, de modo a poder comparálos, processo que pode foi realizado manualmente. __________________ Píxel-Bit. Revista de Medios y Educación. 2019 - ISSN: 1133-8482. e-ISSN: 2171-7966. 14 Píxel-Bit. Revista de Medios y Educación - Páginas: 7-31 _________________________________________________ iii. Interpretação: foi suportada numa análise sistemática dos dados, com base no método de indução analítica. 3.- Análise dos Resultados O volume de informação obtido permitiu a análise que se segue. O Quadro 2 explicita o posicionamento relativamente ao processo de envelhecimento: Quadro 2. Categoria Representação do Processo de Envelhecimento Dimensões/ subcategorias Indicadores Freq. ind. Perceção do significado de envelhecimento “Penso que está sempre relacionado com a idade.” (Ent. 1) “O conceito de envelhecimento, podemos têlo relacionado com a idade.” (Ent.5) 2 “…avançam … as questões da tecnologia que vão atingindo… o comportamento em todos os segmentos… e vão exigindo cada vez mais às pessoas” (Ent. 1) “…vir para a escola, para a Universidade Sénior também nos ajuda, depois estas novas tecnologias.” (Ent.3) “novas tecnologias, as informáticas…nós estarmos a acompanhar, porque não podemos deixar de acompanhar estas novas tecnologias.”(Ent.6) “já se nota em relação a nós e em relação aos nossos pais, já se nota outra forma, não haviam computadores.” (Ent. 7) 4 “…não penso muito na idade que tenho” (Ent.1) “não penso muito ainda nessa parte de lares e não sei quantos, doenças.” (Ent.2) 2 15 Píxel-Bit. Revista de Medios y Educación - Páginas: 7-31 _________________________________________________ __________________ Píxel-Bit. Revista de Medios y Educación. 2019 - ISSN: 1133-8482. e-ISSN: 2171-7966. Dimensões/ subcategorias Indicadores Freq. ind. “o envelhecimento é uma fase que é naturalmente complexa” (Ent. 1) “…o envelhecimento é irmos perdendo as nossas faculdades . É isso também que nos vai fazendo, com que tenhamos mais…desgosto de envelhecer. (Ent. 3) “…é a perda de faculdades físicas e psíquicas e reconhecer que não sou nada que se pareça com aquilo que já fui…” (Ent.4) 3 “gosto muito de fazer anos, quanto mais melhor” (Ent. 2) “…tudo tem a ver com o espirito de cada um.” (Ent.7) 5 Perceção sobre a idade em que se começa a envelhecer “Sinceramente nunca pensei nisso, não faço uma ideia.” (Ent. 1) “Não há uma idade padrão para definir a idade de envelhecer, mas tudo depende de cada pessoa.” (Ent.5) “Eu tenho dias que parece que tenho 20, outros que parece que tenho 30 e outros tenho mais.” (Ent.7) 3 “é mais velho quem se resigna do que propriamente quem tem mais idade.” (Ent.1) “não me considero velha, ainda faço praticamente quase tudo… ainda não considero que estou no envelhecimento” (Ent. 2) “Eu não me considero ainda velha, considerome assim já com uns anitos em cima…” (Ent.3) “não me sinto muito velha de mentalidade” (Ent.8) 4 “se quisermos ao aspeto físico fundamentalmente, se calhar a partir dos 50 e tal, 60, há certas coisas que se começam a notar” (Ent.1) “Eu para mim acho que a partir dos 60, pronto a gente já não tem os mesmos reflexos…” (Ent. 2) “Mas a idade, mais ou menos, é a partir 60 anos já uma pessoa tem mais dificuldade” (Ent. 3) 5 __________________ Píxel-Bit. Revista de Medios y Educación. 2019 - ISSN: 1133-8482. e-ISSN: 2171-7966. 22 Píxel-Bit. Revista de Medios y Educación - Páginas: 7-31 _________________________________________________ com a utilização de suportes (via Skype) para o dialógo familiar e intergeracional. Este é um aspeto de extrema importância, porque a tecnologia é entendida enquanto recurso que permite “ultrapassar as distâncias” e contribuir para o reforço da relação familiar. Quadro 6. Categoria Dificuldades na utilização da tecnologia Dimensões/ subcategorias Indicadores Freq. ind. Dificuldades na utilização da tecnologia “às vezes quero fazer coisas que não sou capaz, nunca aprendi… tenho um filho…e ajudame… quando me aparecem sugestões no computador para atualizar software” (Ent.1) “muitas vezes sinto, os telemóveis custei a comprar o do dedo… a minha filha fezme um caderninho com as instruções todas… agora faço tudo.” (Ent.2) “não sei muito de computador…mas tenho a minha filha, às vezes ela explicame e vou andando devagar.” (Ent.8) “Tenho as minhas limitações… há medida que elas vão aparecendo vou falando com quem sabe mais ou…mesmo com o professor de informática.” (Ent.3) 4 “Na ótica do utilizador, não tenho assim dificuldade de maior até porque também frequento aí a informática” (Ent.6) “Naquilo que estou habituada a fazer faço …alguma coisa que não saiba tenho alguém sempre que ajuda.(Ent.7) 2 “Eu tenho muitas dificuldades para já por causa da falta de visão, os telemóveis têm os écrans muito pequenos… Se não tiver ninguém a quem recorrer… para a informática tenho problemas, porque aquilo muitas vezes é projetado no quadro e não consigo ver”(Ent.5) “não tenho problemas nenhuns com a tecnologia de que necessito.” (Ent.4) 2 23 Píxel-Bit. Revista de Medios y Educación - Páginas: 7-31 _________________________________________________ __________________ Píxel-Bit. Revista de Medios y Educación. 2019 - ISSN: 1133-8482. e-ISSN: 2171-7966. Conforme o quadro detalha as questões centramse, fundamentalmente a dois níveis: i) o nível da necessidades de formação técnica para a utilização da tecnologia ; ii) um segundo nível, prendese com os interfaces gráficos do computador, aquilo que designamos de user friendly, que deverão ser adaptados a esta franja etária e, no futuro, personalizados. O primeiro nível deve considerarse relevante para o processo de inclusão, na qual os processos de formação técnica são fundamentais. O segundo, pensamos que é uma aposta de futuro e que está a merecer já, por parte da matriz empresarial uma atenção redobrada, no sentido de ajustar os interfaces às características próprias desta franja. Essa é, aliás, uma componente fundamental da gerontotecnologia, tendo em conta as alterações decorrentes do envelhecimento humano ,que em matéria de visão, se situam « nas dificuldades em discriminar detalhes de objectos próximos; dificuldades de leitura, de visão à noite e para interpretar a visão nas mudanças rápidas de ambientes com luminosidade diferente (…) » (Ferreira,2013). Por outro lado, e conforme o Quadro 7 detalha, são identificáveis, na opinião dos inquiridos, alguns riscos próprios da utilização da tecnologia: Quadro 7. Categoria Riscos na utilização da tecnologia Dimensões/ subcategorias Indicadores Freq. ind. Riscos na utilização da tecnologia “há o que se chama fisching…expõemse alguns dados que podem dar origem a que alguns mais evoluídos possam tirar partido disso… há muita informação falsa… um bocado de pirataria… o risco, que é viciante… quando somos idosos…somos um bocado mais cautelosos… Penso que é muito mais complicado para pessoas com uma formação menos sustentada…”(Ent.1) “temos que ter cuidado, porque por vezes…passamos toda a nossa identificação para o campo oposto… dentro dessa parte…de pirataria… até certo ponto é benéfica…porque tantos casos que se estão a passar por aí que vêm à luz do dia hoje, se não fosse essa pirataria nós não tínhamos conhecimento ficava abafado”. (Ent.6) 2 __________________ Píxel-Bit. Revista de Medios y Educación. 2019 - ISSN: 1133-8482. e-ISSN: 2171-7966. 24 Píxel-Bit. Revista de Medios y Educación - Páginas: 7-31 _________________________________________________ Dimensões/ subcategorias Indicadores Freq. ind. “Quando fui fazer uma colonoscopia e diziamme: devias ver ali na internet, eu fui ler um bocadinho…já tinha os sintomas todos…nunca mais na vida eu leio isto.” (Ent.2) “a gente se vai ler tudo o que vem lá ficamos do mais assustados… medicamentos que se compram também por meio da internet… os idosos…são mais cautelosos… a malta nova tem conhecimentos, amizades…trazem muitas contrariedades essa nova tecnologia.” (Ent.3) 2 “o meu marido marca muita coisa, faz os cartões virtuais faz os pagamentos e depois apaga, isso já têm que ser pessoas que saibam mexer nisso… a gente não sabe…há muita coisa que a pessoa clica que diz que é uma coisa e depois aparecem essas e mais outras.” (Ent.7) 1 “as pessoas dedicamse demais, porque os meus filhos chegam a estartodos ao computador e ninguém…a gente também tem falta de ouvir a família.. falase com os de longe e com os de perto não se fala…muitos amigos no computador, um tem quinhentos outro tem mil, depois a gente não tem ninguém” (Ent.8) 1 “como é que a gente vai resolver o problema do desemprego…na estrada abre já o portão e liga o ar condicionado, está tudo feito, mas as pessoas que nascem precisam de emprego” (Ent.1) 1 “…carros que já andam sozinhos…aspiradores que temos em casa e tudo isso de facto tem perigos…os da informática…é não só, há perigos nas outras tecnologias dos combustíveis, determinados tipos de aquecimento. (Ent.4) …temos que ter cuidado e a mim no que me diz respeito sou muito limitado…estou um bocado protegido.” (Ent.5) 2 25 Píxel-Bit. Revista de Medios y Educación - Páginas: 7-31 _________________________________________________ __________________ Píxel-Bit. Revista de Medios y Educación. 2019 - ISSN: 1133-8482. e-ISSN: 2171-7966. Os riscos da perda de confidencialidade e os decorrentes da pirataria são pormenor importante nas respostas (Ent.1; Ent.6), aspecto que nos merece especial atenção e que é matéria amplamente debatida, porque é uma realidade efectiva e um risco da utilização pouco cuidada da tecnologia. Outro aspecto de referência está directamente aos riscos de utilização da Internet sem filtros, i.e., o recurso ao suporte por parte do idoso em questões de saúde (Ent.2;Ent.3). Esta é, igualmente, uma matéria particular e de relevância, o que, em nossa opinião, passa pela maior formação para a educação para a saúde e, também, para a educação para os riscos possíveis decorrentes da generalização e banalização da informação, sem controlo e sem filtros rigorosos. São ainda colocadas situações que se prendem com necessidades de maior formação técnica do idoso no âmbito da utilização do meio tecnológico (Ent.7), questões que se prendem com as implicações negativas da tecnologia na relação familiar e no convívio da família (Ent.8) e, por último, de extrema importância, o risco do aumento do desemprego humano, provocado pela máquina (Ent.1) O grupo amostral foi ainda inquirido, em termos das questões directamente relacionadas com a influência da tecnologia no envelhecimento (Quadro 8): Quadro 8. Categoria Impactos da tecnologia na vida do idoso Dimensões/ subcategorias Indicadores Freq. ind. Impactos da tecnologia no processo de envelhecimento “…tive que substituir a máquina de lavar roupa…marco a hora e deitome descansado… das comunicações que também trazem algum conforto, as pessoas estão distantes… como as famílias cada vez estão mais dispersas” (Ent.1) “é muito importante…este ano a minha filha não pôde vir passar o Natal connosco e pusemos o Whatsap e estávamos todos lá e partilhámos as prendas todos juntos” (Ent.2) 2 __________________ Píxel-Bit. Revista de Medios y Educación. 2019 - ISSN: 1133-8482. e-ISSN: 2171-7966. 26 Píxel-Bit. Revista de Medios y Educación - Páginas: 7-31 _________________________________________________ Dimensões/ subcategorias Indicadores Freq. ind. “Contribui para o bemestar isso contribui sem dúvida, mas cá está temos que saber, temos que disfrutar minimamente bem essas coisas.” (Ent.3) “é bom que ela venha gradualmente e não em catadupa que depois nos vá atrapalhar.” (Ent.5) “Acho que sim, claro, a tecnologia facilita muito a vida de toda a gente…. (Ent.4) 3 “há pessoas com a nossa idade que infelizmente não têm tantos conhecimentos nesta matéria, mas bastava só dar umas pequenas indicações é o suficiente.(Ent.6) “Há uma maior autonomia, a pessoa consegue ter alguma autonomia, agora não dá é para todas as situações.” (Ent.7) 2 “com uma certa idade não estamos bem, mas se não podemos fazer a comida compramos feita ou se há uma vizinha, a gente também tem que cultivar as vizinhas para ter uma ligação.” (Ent.8) 1 Contributos da tecnologia para o Ageing in Place “Acaba por ser mais útil a quem está só. Mais independentes, mais autónomos… é o conforto no lar… se as pessoas se forem adaptando, forem sendo instruídas, se não houver uma mudança radical” (Ent.1). 1 “É muito importante em casa, porque é em casa que a pessoa está mais segura, sente mais segurança tendo ali um objeto que possa ligar com muita facilidade e acho que a pessoa se sente mais segura.” (Ent.2) “sentimonos mais acompanhados com as novas tecnologias na velhice para estarmos em casa.” (Ent. 3) 2 “a tecnologia facilita muito a vida de toda a gente, é a luz que se acende ao carregar num botão, é a televisão que faz companhia, é cama que é articulada, é a ligação direta à GNR.” (Ent.4) 1 27 Píxel-Bit. Revista de Medios y Educación - Páginas: 7-31 _________________________________________________ __________________ Píxel-Bit. Revista de Medios y Educación. 2019 - ISSN: 1133-8482. e-ISSN: 2171-7966. Dimensões/ subcategorias Indicadores Freq. ind. “acho que as novas tecnologias têm esse propósito de ajudar as pessoas a estarem mais tempo em casa e não ir tão cedo para o lar” (Ent.5) “Acho que ajuda a que as pessoas fiquem em casa e não vão para o lar. Por exemplo temos um sistema, o skipe… por exemplo a pessoa estar em casa, ter um telemóvel…sente necessidade de um auxílio qualquer de um familiar ou de uma pessoa amiga, carrega num botão… Bastam estes pequenos conhecimentos para a pessoa ficar em casa, não ir para o lar (Ent.6) 2 “Se não houver muitas limitações físicas e psicológicas da pessoa e que tenha algum suporte familiar ainda, as novas tecnologias ajudam.” (Ent.7) 1 “O lar é o final, a gente quando vai para o lar sabemos que já não voltamos a casa… O que eu tenho feito, doume bem com as vizinhas todas.” (Ent.8) 1 Em termos gerais do processo de envelhecimento referem, três aspectos fundamentais: i) a tecnologia, numa perspectiva positiva, ao serviço da relação familiar e no apoio à actividade diária das famílias, aspectos que nos merecem particular atenção; ii) para a concretização efectiva destes pressupostos importa existir adequada formação técnica para a utilização da tecnologia, aspeto que percorre todo o estudo e que nos deve merecer especial atenção; iii) um terceiro, prendese com uma maior autonomia e independência que a tecnologia permite e que nos re-mete já para as questões do ageing in place. A análise da situação específica da utilização da tecnologia em contextos familiares e comunitários (o ageing in place) revelanos a total receptividade e consideração da importância do recurso para “evitar ir para o lar”. Os entrevistados afirmam, na totalidade, que a tecnologia é fundamental para a autonomia e segurança em contexto familiar não institucionalizado. __________________ Píxel-Bit. Revista de Medios y Educación. 2019 - ISSN: 1133-8482. e-ISSN: 2171-7966. 28 Píxel-Bit. Revista de Medios y Educación - Páginas: 7-31 _________________________________________________ Quadro 9. Categoria Politicas Sociais promotoras da relação idoso-tecnologia Dimensões/ subcategorias Indicadores Freq. ind. Medidas de Politica Social para reforço do binómio idosotecnologia “seria razoável que se fizesse uma espécie de formação para adultos para a nova tecnologia… temos que fazer aí uma disciplina, que chamemoslhe tecnologias…como é que se tira a fotografia do computador, como é que se abre um anexo ou um email, como é que se lê uma mensagem… Quanto a pessoa tem opção de ficar em casa, que haja um centro, um local qualquer, em que lhe possam dizer tem estes equipamentos disponíveis… em casa? Então vão lá dois técnicos e dizemlhe cuidados que tem que ter, como é que faz. Ao fim ao cabo era uma reciclagem, uma atualização.” (Ent.1) “Acho que o governo devia dar condições às freguesias, que é as que estão mais perto das pessoas, para que…ajudassem mais os idosos e contribuíssem mais para eles não estarem sozinhos e daremlhe estas lições para eles aprenderem a funcionar o mínimo, muitos não sabem o mínimo sequer.” (Ent.2) “o governo se inteirar disto, até uma interligação com as universidades sénior para haver menos dificuldade de informática dentro destas áreas, dado que se não formos para o lar temos que ficar em casa, temos que utilizar os aparelhos e vejo que tem sido sempre uma dificuldade muito grande arranjar um professor de informática. (Ent.3) “acho que os governantes estão atentos às projeções dos rácios entre ativos e inativos. Uma das coisas era mudar os lares, devia começar por aí, essa das freguesias... Podem fazer muita coisa assim eles queiram.” (Ent.4) “Concordo plenamente, penso que o poder local devia ter uma atividade maior sobre isso, porque é quem conhece as pessoas.” (Ent. 5) “ que as autarquias que são no terreno, deviam ter um bocado mais de atenção sobre isso e nós vemos só ao nível de Beja… vamos às freguesias, que a maior parte delas têm boas salas para convívio, as pessoas não utilizam, não dão formação às pessoas, podiam utilizar a dar informática… 8 29 Píxel-Bit. Revista de Medios y Educación - Páginas: 7-31 _________________________________________________ __________________ Píxel-Bit. Revista de Medios y Educación. 2019 - ISSN: 1133-8482. e-ISSN: 2171-7966. Dimensões/ subcategorias Indicadores Freq. ind. A formação não pode estar só na sede do concelho mas distribuída por toda a parte, arranjar parcerias aqui por exemplo com o Politécnico.”( Ent.6) “Em relação às casas das pessoas quem tivesse computador, haver esses meios de alguém ir ajudar, ensinar.” (Ent.7) “A mim davame jeito ensinaramme porque sei muito pouco e pessoas da minha idade que vivem no campo têm ainda muito menos do que eu.” (Ent.8) A totalidade dos participantes sugeriu o reforço da intervenção do poder local, ao nível da literacia em tecnologia, na medida em que esta seria uma forma de incentivar um processo de ageing in place informado e gradual. Deste modo, com o apoio de especialistas e parcerias locais, as pessoas idosas poderiam ter acesso a formações potenciadoras de um envelhecimento retardador de processos de institucionalização. As pessoas que colaboraram nesta investigação, mencionam ainda a necessidade de descentralização das formações em tecnologia para as freguesias rurais, na medida em que muitas vezes estas iniciativas estão centralizadas na sede do concelho, facto que não abona na democratização do conhecimento, que deveria ser alvo de uma política nacional. 4.- Discussão e Conclusões Em primeiro lugar, constatase que a totalidade do grupo privilegia a sua situação de ageing in place. O serviço de apoio domiciliário é mencionado como uma alternativa que permite retardar a institucionalização. Em matéria de utilização da tecnologia, e numa apreciação aos seus efeitos na vida diária do grupo, importa referir que, na quase generalidade, as dificuldades e questões técnicas necessárias para uma boa utilização e optimização da tecnologia foram consideradas prioritárias. Em nossa opinião, esta é uma questão fundamental a considerar e objecto de estudos diversos (Páscoa, 2017; Prado, 2008; Abad, 2013), que confirmam esta evidência do estudo e, nos merecem a recomendação para que este aspeto __________________ Píxel-Bit. Revista de Medios y Educación. 2019 - ISSN: 1133-8482. e-ISSN: 2171-7966. 30 Píxel-Bit. Revista de Medios y Educación - Páginas: 7-31 _________________________________________________ seja objecto de reflexão por parte das instituições de ensino superior que deveriam investir na criação criar de Unidades de Apoio ao Idoso, com valências directamente relacionadas com a formação técnica para a utilização da tecnologia e para a mudança da atitude face ao novo objecto que em muitas situações pela dificuldade de utilização da tecnologia antecipou até a sua reforma fundamentais para a einclusão e para fazer face ao boom tecnológico. Um outro aspeto referese à ideia de que, a tecnologia é relevante na lógica do ageing in place, na autonomia do idoso, mas condicionada ao tempo de utilização, que deve considerar, no seu tempo global de vida, a execução de outras tarefas fundamentais à sua existência (a leitura, a actividade física, a partilha social, etc). Em termos de política social foi assumido como fundamental, a descentralização do poder local para apoiar a literacia em tecnologia. No entanto, é também valorizada a ideia de que o poder central deveria assumir, igualmente, uma política nacional de informação e incentivo ao uso da tecnologia por parte do idoso. Referências Abad, L. (2013). Diseño de programas de e-inclusión para alfabetización mediática de personas mayores. Comunicar, 42(vol XXI), 173-180. https://doi.org/10.3916/C42-2014-17 Albarello, L. et al. (1997). Práticas e Métodos de Investigação em Ciências Sociais. Lisboa: Gradiva Ferreira, S. (2013). 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New York: Springer Publishing Company. Cómo citar este artículo: De Jesús-Carioca, V. & Lapa-Fernandes, A. I. (2019). Ageing in place e gerontotecnologia. Diálogos emergentes na relação idoso–tecnologia. Pixel-Bit. Revista de Medios y Educación., 56, 7-31. https://doi.org/10.12795/pixelbit.2019.i56.01