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Os numerários e o desenvolvimento de competências sociais de crianças do pré-escolar e do 1º ciclo do ensino básico Universidade do Minho Instituto de Educação Margarida Campos Machado julho de 2020 Os numerários e o desenvolvimento de competências sociais de crianças do pré-escolar e do 1º ciclo do ensino básico Margarida Campos Machado UMinho|2020
Margarida Campos Machado julho de 2020 Os numerários e o desenvolvimento de competências sociais de crianças do pré-escolar e do 1º ciclo do ensino básico Trabalho efetuado sob a orientação da Professora Doutora Sara Reis da Silva Relatório de Estágio Mestrado em Educação Pré-Escolar e Ensino do 1º Ciclo do Ensino Básico Universidade do Minho Instituto de Educação
ii DIREITOS DE AUTOR E CONDIÇÕES DE UTILIZAÇÃO DO TRABALHO POR TERCEIROS Este é um trabalho académico que pode ser utilizado por terceiros desde que respeitadas as regras e boas práticas internacionalmente aceites, no que concerne aos direitos de autor e direitos conexos. Assim, o presente trabalho pode ser utilizado nos termos previstos na licença abaixo indicada. Caso o utilizador necessite de permissão para poder fazer um uso do trabalho em condições não previstas no licenciamento indicado, deverá contactar o autor, através do RepositóriUM da Universidade do Minho. Licença concedida aos utilizadores deste trabalho Atribuição-NãoComercial-SemDerivações CC BY-NC-ND https://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0/
iii AGRADECIMENTOS Não posso deixar de expressar o meu maior agradecimento à minha orientadora, Professora Doutora Sara Reis da Silva. Obrigada pela orientação, pela paciência, por todas as conversas e por ser uma inspiração para mim. Obrigada a todas as crianças que passaram por mim, com as quais tive a oportunidade de trabalhar, de crescer e aprender. Todas marcaram o meu percurso, o meu coração e alegraram sempre os meus dias! Obrigada à Educadora Joana e à Professora Ana por me acolherem nas suas salas e por me demonstrarem, diariamente, o que é ser uma boa profissional, respeitando as crianças e o seu processo de aprendizagem. Serão sempre um modelo e uma inspiração. Obrigada à minha família. Obrigada por me apoiarem sempre, por me deixarem perseguir o meu sonho e por celebrarem comigo cada vitória. Um obrigada muito especial aos meus avós, Helena e Ademar, por serem o meu suporte e o meu porto de abrigo. Um enorme obrigada aos meus amigos por serem a minha segunda família, por serem os melhores. Obrigada pelo apoio constante, pela força e por acreditarem sempre em mim, desde o primeiro dia. Obrigada à família fantástica que a universidade me deu. Obrigada por todas as histórias que ficaram para um dia mais tarde relembrar. Um obrigada especial à Cecília e à Rita por serem tão especiais. Obrigada às minhas companheiras de percurso. Obrigada pela caminhada que fizemos juntas! Sem vocês teria sido muito mais difícil. Para a Margarida, um obrigada especial pelo carinho e apoio incondicional. A todos, o meu mais sincero obrigada!
iv DECLARAÇÃO DE INTEGRIDADE Declaro ter atuado com integridade na elaboração do presente trabalho académico e confirmo que não recorri à prática de plágio nem a qualquer forma de utilização indevida ou falsificação de informações ou resultados em nenhuma das etapas conducente à sua elaboração. Mais declaro que conheço e que respeitei o Código de Conduta Ética da Universidade do Minho.
v Os numerários e o desenvolvimento de competências sociais de crianças do pré-escolar e do 1º ciclo do ensino básico RESUMO O presente estudo expõe o trabalho desenvolvido em dois contextos, Educação Pré-Escolar e 1º Ciclo do Ensino Básico, no âmbito da Prática de Ensino Supervisionada. A intervenção nestes dois contextos perspetivou a aquisição de conhecimentos, por parte das crianças, relacionados com uma tipologia textual específica, o numerário, bem como com o desenvolvimento das suas competências sociais. A escolha destas temáticas nucleares do projeto surgiu, primeiramente, a partir da observação efetuada das necessidades do grupo do primeiro contexto de intervenção. Estas incidiam no desenvolvimento das competências sociais das crianças, de forma a melhorar as suas relações interpessoais. A reduzida investigação existente relativa aos numerários despertou simultaneamente o meu interesse sobre esta tipologia de livro, sendo que os números, na verdade, representavam explicitamente um dos maiores interesses das crianças. Quando iniciada a prática pedagógica no contexto do 1º Ciclo, mostrou-se pertinente dar continuidade ao projeto, adequando o mesmo às necessidades e interesses da turma. Para tal, focou-se a atenção no numerário, na sua exploração e na elaboração de um numerário da turma, aliando este à temática das competências sociais, tópico que acabou por se expandir até às questões da cidadania e da convivência em grupo. Todo o trabalho realizado teve por base a Metodologia de Investigação-Ação, em específico na recolha de dados e na ação reflexiva. Palavras-chave: competências sociais, leitura, literatura para a infância, numerário.
vi Counting books and the development of social skills for children in preschool and primary school ABSTRACT This study presents the work developed within two contexts, Pre-School Education and 1st Cycle of Basic Education, within the scope of Supervised Teaching Practice. The intervention in these two contexts aimed at the acquisition of knowledge by the children, related to a specific textual typology, counting books, and the development of their social skills. The choice of these central themes of the project arose, first, from the observation of the students needs from the first intervention context. These focused on the development of children's social skills, to improve their interpersonal relationships. The limited existing research on counting books generated interest in this type of book, and the numbers, in fact, represented one of the greatest interests of children. When this pedagogical practice started in the context of the 1st Cycle, it seemed to be relevant to continue the project, adapting it to the needs and interests of the class. Consequently, attention was focused on counting books, its exploitation, and the preparation of counting books for the class, combining it with the theme of social skills, which eventually expanded to questions of citizenship and group living. All the work carried out was based on the Action-Research methodology, specifically in data collection and reflective action. Key words: social skills, children’s literature, reading, counting book.
vii ÍNDICE DIREITOS DE AUTOR E CONDIÇÕES DE UTILIZAÇÃO DO TRABALHO POR TERCEIROS .............. ii AGRADECIMENTOS .................................................................................................................. iii DECLARAÇÃO DE INTEGRIDADE ............................................................................................... iv RESUMO ................................................................................................................................... v ABSTRACT ............................................................................................................................... vi INTRODUÇÃO ........................................................................................................................... 1 CAPÍTULO I: ENQUADRAMENTO CONTEXTUAL ......................................................................... 3 1.1. Enquadramento Contextual ....................................................................................... 4 1.1.1. Caracterização do contexto de intervenção ......................................................... 4 1.1.2. A instituição ....................................................................................................... 4 1.1.3. Os grupos de crianças ....................................................................................... 5 1.1.4 Organização do espaço físico ............................................................................. 7 CAPÍTULO II: ENQUADRAMENTO TEÓRICO ............................................................................. 10 2.1. Literatura para a infância: breves considerações .......................................................... 11 2.1.1. Breves apontamentos sobre o conceito da literatura para a infância ...................... 11 2.1.2. Funções da Literatura para a Infância e dos livros ................................................. 12 2.1.3. Formação de leitores/Adulto como mediador na literatura para a infância ............. 14 2.1.4. Importância da leitura e da criação de hábitos de leitura ....................................... 16 2.1.5. Os numerários: para uma clarificação terminológica .............................................. 18 2.1.6. Reflexão acerca dos objetos literários mobilizados ................................................. 20 2.2. Competências sociais: alguns apontamentos ............................................................... 31 2.2.1. Competência social versus Aptidão social .............................................................. 31 2.2.2. Importância do desenvolvimento de competências sociais nas crianças ................. 34 2.2.3. Relevância do jardim de infância/escola no desenvolvimento de competências sociais ...................................................................................................................................... 35
5 A ação pedagógica desenvolvida ao nível do jardim de infância é apoiada no modelo pedagógico High-Scope, respeitando a organização das salas sugerida por este modelo e a organização da rotina diária, assim como na Metodologia de Trabalho de Projeto, sendo desenvolvidos inúmeros trabalhos de projeto, respondendo aos interesses do grupo. O Projeto Educativo da Instituição intitula-se “Somos Mais Natureza - Mais Brincar” e é baseado neste que surge o Projeto Curricular de Sala “Conhecer, Experimentar e Brincar…COM ARTE”. Este projeto é a base da elaboração dos diversos projetos no decurso do ano letivo e também foi sendo interligado com o projeto de intervenção por nós desenhado. A Prática de Ensino Supervisionada II decorreu na mesma instituição, no entanto numa valência distinta, a escola do 1º ciclo, sendo esta integrada na rede de escolas privadas. As instalações da escola do 1º ciclo encontram-se situadas junto às instalações do pré-escolar. Os espaços, quer interiores, quer exteriores, estão, porém, separados e, só em situações pontuais, é que são partilhados entre as diversas respostas sociais desta instituição. O Projeto Educativo é o mesmo para toda a instituição. Por isso, o 1º ciclo também assume o projeto “Somos Mais Natureza - Mais Brincar”. A escola do 1º ciclo apresenta um espaço interior bastante amplo e uma boa área circundante, incluindo um enorme espaço verde, um campo de futebol e alguns equipamentos de diversão, como o baloiço e o escorrega. O espaço interior integra quatro salas de aula, uma para cada turma, balneários, casas de banho, refeitório, sala polivalente, biblioteca, sala dos professores e sala de reuniões. 1.1.3. Os grupos de crianças Educação Pré-Escolar O projeto foi implementado na sala dos 3 anos. O grupo dos 3 anos é constituído por vinte e sete crianças. Este grupo engloba dois grupos da creche, ou seja, estão todos juntos agora pela primeira vez. Iniciaram as suas atividades, em contexto de jardim de infância, em setembro, encontrando-se, no momento da PES I, ainda num processo de adaptação. Por esta mesma razão é que a rotina do grupo ainda se assemelhava, de certa forma, a uma rotina de creche, de modo a facilitar este processo. Este grupo é caracterizado pela sua energia constante, a sua vontade de explorar e de brincar. É, de facto, um grupo composto por crianças muito pequenas, crianças que ainda estão a iniciar o processo de socialização, sendo necessária a ajuda do adulto em diversos aspetos, nomeadamente na resolução de conflitos. Estas crianças encontram-se a dar os primeiros passos
6 no desenvolvimento do pensamento crítico e lógico. No entanto, mostram já possuir inúmeras capacidades e mostram ser capazes de atingir grandes resultados. Nas atividades diárias, é visível uma crescente vontade em realizar as tarefas de forma cada vez mais autónoma, como, por exemplo, na exploração das áreas da sala, nos momentos de higiene, nos momentos de refeição, entre outros. Nas atividades de grande grupo, estão, gradualmente, a desenvolver valores importantes e fundamentais para a convivência em grupo, nomeadamente o respeito pelo outro e pelas suas opiniões, assim como capacidade de esperar pela sua vez, quando têm intenção de partilhar alguma ideia/pensamento/situação. O espaço exterior é um local bastante apreciado por todas as crianças. É, de facto, no exterior que eles gostam de passar grande parte do seu tempo, pois lá têm oportunidade de mexer na terra, na água, saltar nas folhas, olhar para as árvores, brincar com paus ou pneus, correr, entre outros. As crianças manifestam uma forte vontade em explorar o parque e o bosque das descobertas, tornando estes dois espaços locais privilegiados de múltiplas interações, explorações e descobertas. O projeto curricular de sala intitula-se “Conhecer, Explorar e Brincar com Arte” e este surgiu a partir de um conjunto de observações realizadas do grupo de crianças, sendo que estas evidenciam um enorme gosto por atividades de expressão plástica, assim como revelam uma grande vontade de explorar e descobrir novos espaços. O Brincar assume uma extrema importância no dia a dia das crianças, desenvolvendo variadas competências em diferentes áreas e domínios. 1º Ciclo do Ensino Básico A turma do 2º ano é composta por vinte e dois alunos, entre os 7 e os 8 anos de idade. É uma turma acompanhada pela mesma professora desde o 1º ano e que esta irá permanecer até ao 4ºano, sendo que, neste ano letivo ingressaram três novos alunos na turma. O processo de integração foi bastante simples e os alunos já se encontram bem inseridos na turma. Existem alguns casos particulares como: uma das alunas da turma está sinalizada com dislexia, beneficiando de algumas medidas, como a leitura dos testes e um apoio personalizado; um aluno apresenta alguns problemas ao nível do comportamento, apresentado algumas atitudes agressivas e desafiadoras com os colegas; e, também, certos alunos apresentam dificuldades de concentração.
7 Os alunos desta turma são bastante interessados, participativos, carinhosos e demonstram respeito genuíno pela professora. Na generalidade, os alunos são bastante empenhados, pois costumam cumprir as tarefas propostas e os trabalhos de casa. A turma apresenta um enorme interesse pelas atividades sugeridas e conteúdos veiculados, sendo, portanto, muito gratificante trabalhar com a mesma. 1.1.4 Organização do espaço físico Educação Pré-Escolar A organização da sala dos três anos decorre de uma adequação às necessidades e interesses das crianças. Logo, não é estanque nem imutável. A sala está organizada de acordo com seis áreas de trabalho, acessíveis a todas as crianças, em simultâneo: • Área da expressão plástica: um espaço dedicado à exploração de diferentes técnicas de expressão visual e plástica, tais como desenhos livres com recurso a marcadores/lápis de cores ou cera, pinturas no cavalete, recorte e colagem, modelagem, entre outros, possibilitando o desenvolvimento da sua criatividade e sentido estético, assim como desenvolver competências motoras finas; • Área da biblioteca: um espaço dedicado à observação de livros, onde as crianças fazem a leitura de imagens, contam e recontam histórias com recurso a fantoches, entre outros; • Área dos carros e das construções: um espaço preenchido com legos e materiais de construção, levando as crianças a realizar construções variadas e criativas. Este espaço também possui ferramentas, uma banca de trabalho, carros, camiões de variados tamanhos e cores, assim como animais diversos; • Área dos jogos: uma área que possibilita a realização de diferentes jogos de mesa, desde puzzles até jogos de memória, de encaixe, de numeração, entre outros; • Área da cozinha e área do quarto: espaços onde as crianças podem representar ou recriar vivências e situações, com recurso a roupas e adereços variados, bebés e utensílios de cozinha, de forma a tornar as suas brincadeiras mais criativas e inovadoras; A sala dos três anos está pensada para dar resposta aos interesses e necessidades das crianças, no sentido de iniciar um percurso de desenvolvimento e estimulação, que as leve a progredir consoante as suas necessidades e capacidades. Para além do espaço da sala, as crianças têm igualmente acesso a espaços comuns a outras crianças, nomeadamente o refeitório,
8 casas de banho, sala polivalente, bem como espaços no exterior, sendo estes: o parque, o bosque das descobertas e todo o espaço envolvente da instituição. Na minha opinião, a sala dos 3 anos apresenta um excelente espaço, com áreas bem delimitadas e, na sua maioria, repletas de materiais diversos, promotores de inúmeras aprendizagens e ostensivamente lúdicas. No entanto, a área da biblioteca é aquela que, a meu ver, necessita de algumas melhorias, pois os materiais que lá se apresentam estão degradados, estragados e não são, de todo, apelativos. Durante a Prática de Ensino Supervisionada I, a sala sofreu algumas alterações, tendo sido alterada a disposição das áreas na sala. Esta alteração favoreceu a utilização e mobilidade dentro de algumas áreas, sendo que as crianças começaram a frequentar mais a biblioteca, mas este “gesto” continuava a ser algo que não durava mais do que dez minutos, pois os livros eram sempre os mesmos e, como já foi referido, não estavam no seu melhor estado. Face à deterioração e à falta de variedade que caracterizam o acervo bibliográfico da área em causa, a minha sugestão para a melhorar seria colocar exemplares novos e diversos (quanto à forma e ao conteúdo), mais apelativos para as crianças, que as cativassem a ficar naquela área tão especial. Estes livros deveriam ser adequados à idade, aos interesses e curiosidades do grupo, como, por exemplo, livros com uma forte presença animal (por exemplo, fábulas ou contos de animais, minienciclopédias ou dicionários por imagens de animais, entre outros), pois esta é uma das temáticas favoritas do grupo. Este foi um dos aspetos considerados para a mobilização dos objetos literários do projeto desenvolvido neste contexto. 1º Ciclo do Ensino Básico A sala do 2º ano é uma sala ampla, com muita luz natural e diversos materiais à disposição dos alunos. Apresenta uma área da biblioteca de turma, bastante movimentada e utilizada por todos, tem um quadro interativo e um computador, sendo estes também muito utilizados pelos alunos e pela professora. Existem armários enormes, onde os alunos arrumam os seus materiais (livros, cadernos, entre outros), mantendo a sala asseada. As paredes da sala encontram-se repletas de cartazes informativos, com conteúdos gramaticais e ortográficos, que assumem a função de relembrar algumas regras os alunos, quando estes não se recordam ou sentem dificuldades. As mesas dos alunos estão organizadas em três filas, todas voltadas para o quadro. Esta organização revela-se bastante prática e pertinente, devido ao formato da sala (retangular), e também porque os alunos, desta forma, conseguem visualizar bem o quadro e acabam por estar mais atentos.
9 A organização da sala afigura-se lógica e o espaço está a ser muito bem utilizado, sendo possível explorar todas as suas potencialidades. É uma sala funcional e que resulta bastante bem, sendo que um dos pontos positivos é a biblioteca de turma. Este é um cantinho muito importante da sala e a sua utilização é incentivada pela professora. Para além da sua sala, os alunos têm acesso a diversos espaços da escola, onde podem estar em contacto com as outras turmas, como a sala polivalente, as casas de banho, os balneários (onde trocam de roupa e tomam banho, após a componente de educação física), o refeitório, o espaço exterior (bastante apreciado por todos), a sala dos computadores e a biblioteca. Este espaço da biblioteca é muito apelativo, está repleto de livros e apresenta-se como um espaço bastante acolhedor.
10 CAPÍTULO II: ENQUADRAMENTO TEÓRICO
11 2.1. Literatura para a infância: breves considerações 2.1.1. Breves apontamentos sobre o conceito da literatura para a infância Literatura para a infância é arte e pode ser entendida por todos, tal como refere Garcia Sobrino, “a literatura é uma arte misteriosa e profunda; talvez a mais eficaz, influente e universal de todas as manifestações artísticas, na medida em que permite ultrapassar as fronteiras espaciais e temporais e chegar facilmente a qualquer região do globo.” (Garcia Sobrino et al., 1994 apud Gomes, 2007: 5). A literatura assume um formato artístico, através do qual o leitor pode retirar o máximo de proveito. Tal como afirma Sara Reis da Silva, “a literatura, devendo ser protegida de qualquer e de toda a instrumentalização (escolar, política ou ideológica, por exemplo), é um espaço de fruição estética (…). Além disso, rege-se por um policódigo ou por um conjunto de signos, normas e as microestruturas da forma, do conteúdo e da expressão do texto.” (Silva, 2016: 427-428). Segundo Gemma Lluch (2003), a literatura para a infância assume algumas particularidades, que acabam por distingui-la da literatura para adultos. Estas singularidades dizem respeito ao perfil do leitor a quem esta literatura potencialmente se dirige e ao lugar que esta ocupa na comunicação literária. O destinatário extratextual específico ao qual a literatura para a infância se dirige é o leitor mais novo e, segundo Lluch, a literatura para a infância representa: “Una comunicación literaria o paraliteraria que se establece entre un autor adulto y un lector infantil o juvenil. Una literatura que además de proponer un entretenimiento artístico al lector, también busca crear una competência linguística, narrativa, literaria o ideológica. Todo aquello que se publica en colecciones de literatura infantil y juvenil y que, por lo tanto, el editor y el comprador deciden que lo es. Una literatura de frontera, es decir, un tipo de literatura que se sitúa en la frontera literaria o en la periferia del sistema, justo en el lugar más expuesto a las interferencias y a las tendencias evolutivas; porque necesita adecuarse a su lector.” (Lluch, 2003: 2). Assim, a literatura para a infância, é aquela que assume a criança como o seu “destinatário extratextual preferencial” (Silva, 2016: 427). A mesma autora, Silva (2016), entende a literatura para a infância “como um sistema onde uma pluralidade de textos – verbais, ilustrativos, performativos e interativos – converge para um complexo polissistema.” (Silva, 2016: 428).
12 Para além da mensagem especificamente literária, característica inerente à literatura, esta transporta outras características, tais como a índole/a essência da mensagem que comunica. Assim, como refere Pina (1999), “as estratégias da expressão literária, a linguagem, as ilustrações e outra soluções gráficas dos “livros para crianças” – que, de facto, não só ilustram como profundamente integram a mensagem literária daquilo que os editores publicam com destino ao mercado do público infantil -, a natureza dos personagens, os assuntos, tudo isto cria um “horizonte de expectativas” (utilizando uma expressão de Jauss) que condiciona e limita a própria mensagem literária (…).” (Pina, 1999: 130-131). A literatura para a infância é considerada como um “sistema literário reconhecidamente criativo, em visível expansão e muito experimental” (Silva, 2017: 48). Esta, sendo reconhecida como detentora de uma “grande influência social e educacional” (Hunt, 2010 apud Silva, 2017: 48), integra objetos estéticos bastante diversos. Esta diversidade remete, por exemplo, para a componente visual e/ou gráfica, mas também, naturalmente, para o domínio verbal. Com efeito, na definição da literatura para a infância interferem diversos fatores, nomeadamente fatores de ordem etária (ao nível do recetor e do emissor), de ordem textual (verbal e pictórica) e de ordem paratextual (formato, capa, contracapa, entre outros). Na verdade, a literatura para a infância, segundo Silva: “tem desempenhado uma função relevantíssima, atendendo aos seus destinatários, na modelização do mundo, na construção dos universos simbólicos, na convalidação de sistemas de crenças e valores. Esta função modelizadora, indissoluvelmente ligada à imaginação, à fantasia e ao prazer lúdico, manifestandose de modo específico na exploração das virtualidades da língua que muitos textos da literatura infantil realizam com surpreendente criatividade.” (Silva, 1981: 14). 2.1.2. Funções da Literatura para a Infância e dos livros Os livros e a literatura para a infância assumem uma enorme importância no desenvolvimento e progresso, ao nível pessoal, social e intelectual, das crianças e apresentam, também, inúmeras funções. Destas funções destacam-se as seguintes: “formar a criança, transmitindo-lhe conceitos relevantes e valores; divertir e entreter a criança; desenvolver competências sociais, linguísticas, narrativas e literárias muito importantes para a sua formação como indivíduo”. (Ramos & Silva, 2009: 3). Uma outra função da literatura para a infância,
13 reforçada por Azevedo (2014), remete para o acesso ao imaginário humano, permitindo à criança conhecer modelos narrativos e poéticos característicos da sua cultura. Martínez (2005), por sua vez, reflete também sobre as funções da Literatura para a Infância. Segundo esta, a literatura para a infância assume algumas funções fundamentais, tais como a aprendizagem da linguagem ou a incorporação dos valores e comportamentos da comunidade nas novas gerações: “Se esquematizan en tres las funciones de la literatura infantil en el contexto sociocultural actual: el aprendizaje del lenguaje y de las formas literarias básicas sobre las que se sustentan y desarrollan las competencias interpretativas de los individuos a lo largo de su educación literaria; la incorporación de los niños al imaginario de su colectividad, y la socialización de las nuevas generaciones en los valores y conductas de su cultura.” (Colomer Martínez, 2005 apud Silva, 2008: 3). Para além destas funções, Martínez designa outras duas funções da literatura para a infância, de extrema importância para o leitor mais novo. Estas funções são “(…) dar prazer (estético, lúdico) e tranquilizar, funções que a literatura para adultos relegou para um lugar secundário, (…).” (Silva, 2008: 3-4). É através do contacto com os livros e com a literatura para a infância que as crianças têm acesso a usos mais complexos e elaborados da língua e, consequentemente, têm a oportunidade de estimular o desenvolvimento da sua linguagem e da sua capacidade de comunicação. Esta ideia é confirmada por Azevedo (2014), que refere que “(…) a interação com textos literários assegura também ao leitor o acesso a usos da língua mais complexos e mais elaborados, (…), familiarizando o falante com atos de linguagem marcados simultaneamente pela indireção e pela recusa da rotinização de experiências semióticas já conhecidas (…)” (Azevedo, 2014: 39). Silva (1981) refere que os textos da literatura infantil se assumem como potencializadores de diversos jogos rimáticos, aliterações, jogos com os sons das palavras, efeitos rítmicos, entre outros. Esta vertente lúdica dos textos é fundamental no relacionamento inicial com o livro, estimulando o desejo de ler do pré-leitor. Inicialmente, o livro começa por ser um brinquedo e a leitura um jogo, garantindo, assim, uma ligação afetiva aos livros por parte das crianças. (Ramos & Silva, 2009: 3).
14 O livro, enquanto objeto bastante apreciado pelo público mais novo, apresenta-se “(…) com rostos distintos, em espaços e tempos diversificados, e com a aparência desejável e eminentemente lúdica, em particular, quando se intenta uma aproximação da criança (…).” (Silva, 2013: 94). Este apresenta inúmeras possibilidades de exploração, sendo estas a exploração estética, lúdica e pedagógica (Silva, 2016). A exploração lúdica é extremamente importante no contacto que a criança tem com os livros e, por conseguinte, esta leitura “(…) antecipadora da leitura-prazer, não pode, em caso algum, estar ausente do relacionamento com o livro, na medida em que, aos olhos da criança, este começa por ser (um segredo e) um brinquedo e tal facto favorece a ligação afetiva aos livros e ao ato de ler.” (Silva, 2013: 102-103). Enquanto objeto literário, o livro assume uma função extremamente relevante, pois admite a criança como construtora da sua própria identidade. Desta forma, Silva (2008) afirma que “segundo Karen L. McGavock, as obras evocadas pela literatura infantil (…) dão testemunho de uma maneira de ser e de estar (…), mas que traduz também questões intemporais que já afloravam a literatura infantil desde o momento em que as suas obras incluem o entendimento dos seus potenciais leitores como seres ativos na construção da sua identidade” (Silva, 2008: 56). 2.1.3. Formação de leitores/Adulto como mediador na literatura para a infância Quando se debate a importância do livro e da leitura no processo de formação de qualquer indivíduo, surgem dois pontos fundamentais que requerem algum destaque: “(…) o valor formativo da leitura literária e o papel determinante da mediação do adulto no real acesso da criança à literatura.” (Bastos, 1992: 29). Segundo Juan López Molina, é necessário despertar o amor pelas letras, educar para a sensibilidade e conhecer o prazer da leitura. Torna-se crucial estabelecer um processo de aproximação fruitivo e significativo à literatura, principalmente com os pré-leitores. (Molina, 2004). Este processo de aproximação ao livro e à literatura é mediado pelo adulto, pelo educador ou professor, de modo que este assume um papel crucial neste processo. Tal como referem Ramos & Silva, “os adultos possuem um papel fundamental na promoção do contacto da criança com o livro e a importante tarefa de estimular a leitura, transformando-a numa rotina diária, num hábito ou numa atividade que “faz falta”.” (Ramos & Silva, 2009: 4). De acordo com Bastos (1992), o educador/professor assume uma função extremamente fundamental, sendo esta a função de mediador informado. É o educador/professor que possui os melhores dados, permitindo-lhe orientar leituras que irão corresponder aos interesses,
21 solidários e críticos, graças a esse gradual domínio da palavra e da competência literária que a leitura propicia” (Gomes, 2007: 5), este revelou-se um objeto fundamental para iniciar o trabalho referente ao desenvolvimento das competências socias das crianças. Foi através da exploração de uma narrativa, que as crianças começaram a refletir sobre as suas atitudes e as dos outros, tentando selecionar quais seriam as atitudes que todos deveríamos assumir. A escolha destes objetos literários foi sujeita a um outro critério de seleção, sendo este a qualidade das ilustrações presentes nos volumes. As ilustrações são um fator crucial na aproximação do leitor à obra, tal como refere Silva, “(…) a prevalência (…) da componente ilustrativa (…) possibilita a aproximação de leitores que ainda não são capazes de descodificar o código linguístico (…).” (Silva, 2013: 102). Principalmente com as crianças do pré-escolar, crianças que ainda não sabem ler, ou seja, que são apenas capazes de empreender uma leitura visual, as ilustrações adquirem uma extrema importância, tendo sido, por isso, a composição pictórica – as suas singularidades e potencialidades ao nível da motivação para a leitura e para o livro ou ainda no âmbito da conformação de uma cultura estética - um dos fatores de seleção das obras. Segundo Ramos & Silva (2009), existem algumas características das obras literárias que as crianças mais apreciam, designadamente a “identificação com os protagonistas; reconhecimento da situação e identificação com ela; relato de aventuras; temática animal; humor, cómico e absurdo; jogos vários com a linguagem, os sons ou as palavras; presença de desafios, enigmas ou segredos para desvendar.” (Ramos & Silva, 2009: 6). Tendo estas características em atenção, e dando resposta a um dos interesses manifestados pelo grupo, uma das temáticas mais marcadas nas obras exploradas é a temática animal. Retomando Glória Bastos (2002), torna-se, pois, evidente a pertinência da temática animal, junto dos mais pequenos: “As histórias de animais constituem uma das principais vertentes da literatura de fantasia para os mais pequenos. Reconhecida a importância da personagem animal e na sequência de uma forte tradição da presença animal na literatura, a moderna fantasia oferece, na verdade, também um número significativo de histórias, sobretudo contos sobre/com animais. Com personagens que encarnam simultaneamente características humanas e qualidades próprias à sua condição animal, as histórias de animais falantes suscitam uma forte adesão dos leitores mais novos. (…) Nas narrativas de animais, as interações sociais surgem também
22 como um tema recorrente, assumindo feições diversificadas como a (…) amizade e a solidariedade (…), a descoberta do mundo (…).” (Bastos, 2002: 91). Assim, de seguida, apresentaremos uma abordagem/apresentação de todas as obras literárias convocadas no decurso da implementação das atividades inerentes aos nosso projeto, começando pelos exemplares aos quais recorremos em contexto pré-escolar para, depois, nos centrarmos naqueles que pudemos focar em contexto de 1º ciclo. Educação Pré-Escolar O primeiro objeto literário a ser mobilizado no projeto foi a obra As mãos não são para bater , de Martine Agassi (Porto Editora, 2019). Esta obra não integra a categoria do numerário. Não foi, na verdade, selecionada com esse propósito. O critério de seleção desta obra foi essencialmente a questão dos valores e das competências sociais, sendo que a leitura e exploração da mesma tinha como objetivo principal estabelecer um diálogo com as crianças, relativamente às suas próprias atitudes e àquelas que deveriam ser as suas boas ações. A leitura da obra em questão foi bastante pausada, de modo a que o diálogo fosse sendo estabelecido com o grupo, permitindo que as crianças interagissem e dessem a sua opinião. As mãos não são para bater é uma obra que explora as diversas utilidades que poderão ter as nossas mãos, tais como acenar, brincar ou tocar música. Desta forma, este livro demonstra que as mãos não devem utilizadas para qualquer tipo de violência, incentivando as crianças a assumir uma postura amável. Para além disto, através desta obra, as crianças poderão, também, aprender a controlar as suas emoções, principalmente a raiva. Este é um livro composto por ilustrações atrativas e uma linguagem simples, proporcionando ao leitor (infantil, mas não apenas) um agradável momento de leitura. Figura 1 - Capa da obra As mãos não são para bater, de Martine Agassi (2019)
23 João e Mais Oito – Um Livro para Contar , de Maurice Sendak (Kalandraka, 2017), foi introduzido no projeto por se enquadrar na tipologia por nós eleita. Este livro apresenta-se, portanto, como um numerário, tipologia de livro estudada, e, devido à sucessão de rimas presentes no relato, que sustentam sonoridades, um ritmo ou uma cadência atrativas, este é um volume bastante apelativo para as crianças. A introdução do conceito “numerário” no grupo foi efetuada através da leitura desta obra, dando início, assim, à exploração desta tipologia de livro. Este numerário apresenta uma narrativa protagonizada por um menino, o João, que está sozinho a efetuar a leitura do seu livro. Este é interrompido pela repentina chegada de algumas personagens, uma a uma, quebrando a sua solidão. A entrada destas personagens é acompanhada por uma enumeração, por ordem crescente, até ao número 10. Após a chegada a este número, inicia-se uma enumeração decrescente, com a saída das personagens, que outrora tinham entrado, finalizando o relato da mesma forma que iniciou, ou seja, com apenas uma personagem sozinha, o João. Trata-se, pois, de um registo circular, marcado também pelo humor. Esta obra potencia o desenvolvimento das questões de numeracia nas crianças, pois a enumeração apresentada no discurso verbal, coadjuvado pelo discurso visual, é bastante envolvente e prende a atenção do destinatário extratextual infantil. Figura 2 - Capa da obra João e Mais Oito - Um Livro para Contar, de Maurice Sendak (2017) De modo a dar seguimento à temática, o seguinte objeto literário, explorado em grande grupo com as crianças, foi o Um, dois, três, conta lá outra vez! , de Danuta Wojciechowska (Editorial Caminho, 2013). Esta obra afigura-se um numerário fascinante, permitindo, através das suas ilustrações, dar asas à imaginação. Através deste numerário, percebe-se o quão interessantes são os números e que estes, na verdade, se encontram presentes em tudo. Basta olhar com atenção. No momento da leitura e exploração desta obra, as crianças foram sugerindo inúmeras
24 representações para cada número, mostrando que, de facto, esta obra mostra que os números são muito assíduos no nosso quotidiano e no das crianças também. Um, dois, três, conta lá outra vez! é um numerário repleto de cor e belas ilustrações. Este numerário apresenta-nos alguns elementos do nosso dia-a-dia, que estão intimamente ligados aos números. Esta obra mostra-nos algo bastante interessante, ou seja, que os números são universais, introduzindo-os em idiomas distintos. Para além disso, os números representam elementos promotores de ficção, pois cada número poderá contar uma história diferente. Figura 3 - Capa da obra Um, dois, três, conta lá outra vez!, de Danuta Wojciechowska (2013) Articulando a temática do Natal com a tipologia de livros, os numerários, a obra Sonho de Neve , de Eric Carle (Kalandraka, 2016), revelou-se uma excelente opção. Surgiu a necessidade de encontrar um livro atrativo que tratasse a temática do Natal. Desta forma, este numerário mostrou ser o “melhor dos dois mundos”, interligando a temática pretendida, o Natal, e os números, de modo a ir ao encontro dos propósitos do projeto. Sonho de neve conta a história de um agricultor que tinha alguns animais. Como tinha poucos animais, o agricultor decidiu dar-lhes os nomes “Um”, “Dois”, “Três”, “Quatro” e “Cinco”. A narrativa vai-se desenvolvendo em torno destas personagens, até que mostra o agricultor a transformar-se no Pai Natal. Através das suas texturas, da narrativa, muito viva, das ilustrações coloridas e das abas ou tiras de papel (ou seja, do mecanismo lift-the-flap ), que escondiam as personagens, este numerário cativou todas as crianças. As abas, que escondiam os animais, foram um fator fundamental para prender a atenção do grupo, pois as crianças mostraram-se muito curiosas para descobrir qual dos animais seria o “Um” ou o “Dois. As texturas presentes na edição do livro utilizada, a edição cartonada, foram, também, um dos elementos que mais despertou a atenção do grupo. Estas permitiram um contato físico com a obra ou uma aproximação sensorial
25 através também do tato e, assim, todas as crianças tiveram oportunidade de explorar, sentindo-se perto do livro e da narrativa contada. Figura 4 - Capa e páginas da obra Sonho de Neve, de Eric Carle (2016) Dar a conhecer às crianças diferentes tipologias de livros era igualmente nossa intenção e um desafio. Para tal, um dos objetos literários explorados foi o Aprende com pop-up – Números , da Yoyo Books (2018). Este livro, para além de ser um numerário, possuía outras particularidades interessantes, que motivaram a sua escolha. Esta obra é um livro pop-up e, como seria de esperar, isto cativou o grupo, mantendo-o mais atento e interessado. Pelo facto das imagens ganharem uma nova dimensão, forma e volume, a proximidade com o objeto-livro, assim como com o seu conteúdo verbo-icónico, é maior. Uma outra particularidade é o texto poético, pois este livro apresenta o texto em quadras com rimas emparelhadas. Estas quadras respondem afirmativamente às ilustrações dessas páginas e dos números correspondentes, enriquecendo o conteúdo do livro e tornando-o mais apelativo. Aprende com pop-up – Números é um numerário que apresenta os números de 1 a 10, através de algumas quadras e ilustrações bastante originais. As ilustrações são muito apelativas, quer pelo pop-up presente, quer pelas suas cores vibrantes. Este livro apresenta uma composição em dupla página e, devido ao pop-up , o movimento destas páginas criou um forte impacto nas crianças. Através deste numerário, estas tiveram oportunidade de estabelecer uma associação dos números às quantidades, pois para cada número, existia uma representação. Por exemplo, na mesma dupla página, refere “4 maçãs” e “5 minhocas” e as crianças queriam sempre contar os elementos das ilustrações, de modo a confirmarem a informação escrita no livro. Aprende com pop-up – Números é uma obra que oferece inúmeras oportunidades de aprendizagem, quando explorada com intencionalidade.
26 Figura 5 - Capa e páginas da obra Aprende com pop-up – Números, da Yoyo Books (2018) Poemas da Mentira e da Verdade , de Luísa Ducla Soares (Livros Horizonte, 2005), integrou, de igual modo, esta seleção de objetos literários, muito particularmente, devido a um dos poemas que o constituem. O poema explorado foi o “Os números do menino guloso” e foi selecionado pelo facto de explorar a questão dos números, tal como acontece nos numerários. Este poema é constituído por seis pequenas quadras, visivelmente adequadas ao grupo de crianças em questão. A leitura do poema, feita de forma inevitavelmente ritmada, envolve o leitor e prende a sua atenção. O poema alicerça-se numa enumeração do número um até ao número seis, o que facilitou bastante a compreensão das crianças, ao ponto de estas já conseguirem adivinhar que número de bolinhos iria ser referido na quadra seguinte. Por questões de gestão de tempo, apenas foi explorado este poema, mas todos os outros, além de evidenciarem uma vertente estética e uma vertente lúdica dignas de nota, apresentam potenciais aprendizagens para as crianças. Figura 6 - Capa e página da obra Poemas da Mentira e da Verdade, de Luísa Ducla Soares (2005) Um outro objeto literário mobilizado no projeto foi a obra À espera do quê? , de Rosa Montez e Sofia Ambrósio (Associação de Profissionais de Educação de Infância, 2017). Esta obra situa-se na tipologia de livro estudada, os numerários, e foi este um dos factos pelos quais a mesma foi
27 selecionada. Para além de constituir um numerário, esta obra apresenta uma narrativa que ficcionaliza uma temática muito interessante. A temática é dominada pela presença dos animais, algo que coincide com os interesses das crianças. A narrativa apresenta inúmeras repetições, que acabam por cativar a atenção do leitor e prendê-lo à história. À espera do quê? retrata a história de seis animais, que vão aparecendo sequencialmente, e vão ficando todos à janela, à espera. Esta é uma das partes mais interessantes da narrativa, porque acaba por ser uma repetição, sendo que à medida que chega mais um animal, acabam por dizer, por exemplo, no caso do segundo animal, “ficaram os dois à janela, à espera, à espera…”. Como isto acontece desde o primeiro animal até ao sexto, que é o último, a partir de um certo ponto, as crianças já repetiam esta parte e ficavam mesmo entusiasmadas por estarem a “ler” o que diz na obra. Depois, a obra mostra-nos que os animais estavam à espera de situações específicas, algo que eles gostavam muito de fazer. A história termina com uma questão “E tu? Estás à espera do quê?”, segmento interrogativo que interpela diretamente o destinatário infantil e que o impele a responder. Assim o fizeram, entusiasticamente, as crianças que conheceram o livro em pauta. Esta questão acabou por incitar um diálogo muito agradável com o grupo. Figura 7 - Capa e páginas da obra À espera do quê?, de Rosa Montez e Sofia Ambrósio (2017) Dando continuidade à exploração dos numerários e, de modo a dar resposta ao grupo, a obra Todos no sofá , de Luísa Ducla Soares (Livros Horizonte, 2019), foi escolhida e revestiu-se, na nossa perspetiva, de um evidente significado. Esta é uma obra que integra a tipologia dos numerários, fazendo uma enumeração decrescente, do 10 até ao 1. A temática da obra é, novamente, o mundo animal, sendo que os animais são apresentados de uma forma bastante divertida, juntamente com o João Preguição, um menino com o qual as crianças simpatizam bastante.
28 Todos no sofá conta, em forma versificada, as peripécias de dez amigos, que estão todos no mesmo sofá e se encontram bastante apertados. Este grupo variado integra um menino e nove animais. O discurso vai dando conta da saída desses animais do sofá, um a um, até que fica o menino sozinho nesse mesmo sofá. A narrativa é contada através de pequenas quadras, que são complementadas por expressivas ilustrações, sendo que estas, mimetizando o registo verbal, vão mostrando paulatinamente os animais a saltar do sofá. Estas quadras apresentam os números apenas por escrito ou por extenso, ou seja, nunca aparece a representação gráfica dos mesmos. De modo a colmatar esta situação, pois sentimos que seria pertinente para as crianças visualizarem a representação gráfica do número, acabámos por colocar alguns post-its com essas mesmas representações gráficas nas páginas da obra. Desta forma, as crianças conseguiam visualizar o número, de modo a associar o nome à representação gráfica, passando, de seguida, para a contagem dos animais que estavam no sofá, assumindo, assim, uma aprendizagem mais significativa. Figura 8 - Capa e páginas da obra Todos no sofá, de Luísa Ducla Soares (2019) Mantendo a mesma seleção, ao nível autoral, o objeto literário seguinte integra duas tipologias de livro interessantes: o numerário e o livro-alfabeto. ABC & 123 , de Luísa Ducla Soares (Texto Editores, 2018), representa estas duas tipologias, sendo utilizado nesse mesmo sentido, dar a conhecer ao grupo mais um numerário e, também, um livro-alfabeto, sendo que este último não era, ainda, do conhecimento do grupo. No momento da exploração da obra, acabámos por modificar, adaptando, algumas palavras das quadras, de modo a que a linguagem se tornasse mais adequada e pertinente para o grupo em questão. Esta modificação foi efetuada tendo em conta as necessidades e algumas restrições linguísticas do grupo. Este livro encontra-se dividido em duas partes. Primeiramente, aparece a parte referente ao livro-alfabeto, estando nele inseridas inúmeras quadras, uma para cada letra do abecedário. A
29 acompanhar estas quadras encontram-se diversas ilustrações marcadas pelo cómico, que retratam todos os elementos referidos nas quadras. De seguida, aparece a parte do numerário, explicitando uma enumeração crescente do número 0 até ao número 12 e, tal como na parte referente ao livro-alfabeto, cada número é retratado através de uma quadra e de uma ilustração sugestiva. Para além disso, na parte lateral de cada página aparece o número e uma quantidade de objetos respetiva. Deste modo, torna-se mais explícito para que as crianças consigam estabelecer a relação entre o número e a quantidade. Figura 9 - Capa e páginas da obra ABC & 123, de Luísa Ducla Soares (2018) Retomando a questão das competências sociais e do desenvolvimento das mesmas, tornase pertinente referir um outro objeto literário mobilizado no projeto: Sou o maior , de Lucy Cousins (Editorial Caminho, 2010). Esta é uma obra repleta de cor e contém uma narrativa muito interessante, que, no fim de contas, mostra às crianças a importância da humildade e revela que todos temos competências e capacidades, todos somos bons a fazer alguma coisa e não devemos comparar-nos com os outros. Para além disso, esta obra ficcionaliza o valor da amizade e a capacidade de pedir desculpa, sendo esta uma capacidade bastante importante a ser incutida nas crianças. Toda a narrativa e a forma como a mesma se encontra composta – por exemplo, num tom coloquial ou dialógico, do que não se encontra ausente o humor - é bastante cativante, mas um dos fatores que mais chama a atenção das crianças são as ilustrações da obra. Estas afiguramse carregadas de cores vivas e chamativas, preenchendo o olhar atento do leitor. Sou o Maior relata a história de cinco animais, sendo que o cão é a personagem principal e os restantes animais, a joaninha, a toupeira, o ganso e o burro, são personagens secundárias com quem o herói interage sucessivamente. Neste conto em forma(to) de álbum, o cão está constantemente a gabar-se de ser o maior, ou seja, de ser melhor que os seus amigos em diversas coisas. Ele compara-se com os amigos de uma forma bastante injusta. Por exemplo, o cão diz à joaninha “Sou muito maior do que a joaninha. Ganhei. Eu sou o maior.”. Isto não releva, de todo,
30 que o cão tenha ganho alguma coisa. Quando os amigos o confrontam com algo em que eles são melhores que o cão, este fica muito triste. Por exemplo, a resposta da joaninha foi a seguinte “Na verdade, eu voo muito melhor que tu, cão. Tu até nem tens asas. Portanto ganhei. Eu sou a maior.”. O cão acabou por perceber que não estava a ser correto com os amigos, pedindo-lhes desculpa, sendo esta uma das mensagens fundamentais que se pretende transmitir às crianças. Figura 10 - Capa e páginas da obra Sou o maior, de Lucy Cousins (2010) 1º Ciclo do Ensino Básico Direcionando a atenção para os leitores iniciais, foi integrada no projeto a obra Cá em casa somos… , de Isabel Minhós Martins e Madalena Matoso (Planeta Tangerina, 2013). Esta obra apresenta-se como um numerário, pois vai introduzindo quantitativamente as diversas partes anatómicas que constituem os elementos da família retratada no relato. Um aspeto interessante desta obra é o conceito de família que aqui se explora, integrando no mesmo um elemento não humano, sendo este um animal de estimação. Este aspeto acaba por envolver o leitor na história, pois é uma realidade vivida por diversas pessoas. Cá em casa somos… é um livro repleto de ilustrações, conformando um álbum narrativo. Neste, a composição icónica, relacionando-se semanticamente com o registo verbal, ajuda a interpretar o texto que a acompanha, criando um vínculo sinérgico entre o texto e a imagem. Nesta obra são explorados diversos tópicos, tais como a família, os números e o corpo humano, e esta abrangência ou articulação artística de conteúdos transformam este volume num objeto potenciador de inúmeras aprendizagens significativas. Estas aprendizagens podem passar pelas variadas áreas de conteúdo, tais como a matemática, o português, o estudo do meio e as artes visuais.
37 com o livro e, também, no desenvolvimento de competências sociais. A literatura para a infância (assim como, em certos casos, o livro não situado obrigatoriamente no domínio da ficção) revelouse um ótimo ponto de partida para a aquisição de aptidões sociais e para o desenvolvimento de competências sociais das crianças. Assim sendo, algumas obras literárias, devido ao seu conteúdo, quer seja textual ou pictórico, assumem um significativo papel no estímulo do desenvolvimento de competências sociais das crianças. No decurso da prática pedagógica, descrita neste estudo, uma das obras mobilizadas foi As mãos não são para bater , de Martine Agasse. A exploração desta obra proporcionou um momento de diálogo sobre diversas atitudes corretas e incorretas que devemos/não devemos ter com os nossos colegas. Desta forma, foi possível consciencializar as crianças relativamente às questões do respeito pelo outro, da partilha e da amizade, tendo sido as crianças os membros mais ativos e participativos deste diálogo. Os numerários mobilizados no decurso da prática pedagógica tiveram um enorme impacto nas crianças e no seu desenvolvimento. Através da exploração dos numerários foi possível desenvolver as competências numéricas e literárias das crianças. Alguns dos numerários mobilizados, que mais impacto tiveram nas crianças, foram João e Mais Oito - Um Livro para Contar , de Maurice Sendak; Sonho de Neve , de Eric Carle; À espera do quê?, de Rosa Montez e Sofia Ambrósio; e Todos no sofá , de Luísa Ducla Soares. Dois aspetos comuns a estas obras, e que motivaram as crianças, foram, como explicitámos, os números e a temática animal. Uma outra obra literária explorada com as crianças, no final da prática pedagógica, e que permitiu perceber que estas já estavam mais desenvolvidas ao nível das competências sociais, foi Sou o Maior , de Lucy Cousins. Esta obra, como se registou anteriormente, retrata uma história sobre o valor da amizade e revela que todos somos bons a fazer algo, todos temos qualidades, ainda que diferentes uns dos outros. Esta mensagem foi extremamente bem recebida pelas crianças, que a compreenderam muito rapidamente, demonstrando-se mais desenvolvidas ao nível das suas competências sociais. A literatura para a infância apresenta inúmeras possibilidades de exploração, através do livro enquanto objeto. Esta exploração pode ser lúdica e pedagógica (Silva, 2016), integrando outros objetos, para além do livro, elementos ou mediadores que se demonstram cruciais na apropriação das competências sociais, competências numéricas, e outras, por parte da criança. Um outro objeto mobilizado e elaborado no decurso da prática pedagógica, que permitiu estabelecer uma forte ligação entre o numerário e o desenvolvimento das competências sociais,
38 foi um dado, denominado “dado das ações mágicas”. Este era composto por algumas regras/atitudes, promotoras do desenvolvimento das competências sociais e da aquisição de aptidões sociais pelas crianças, que estas deveriam relembrar e pôr em prática diariamente. Estas regras/atitudes foram o ponto de partida para a elaboração do numerário do grupo, conjugando a essência do numerário com o desenvolvimento das competências sociais. O grupo de crianças realizou inúmeras representações dos números que apareciam nas suas regras, como por exemplo “2 ouvidos para escutar” ou “3 pedidos de desculpa que poderei dar”, criando, assim, um numerário que retratasse as questões das competências sociais. O fator mais significativo foi este numerário ter sido elaborado pelas próprias crianças, que, de certa forma empenhada, se dedicaram à criação imaginativa do texto verbal a colocar nas faces do dado. De facto, a literatura para a infância apresenta inúmeras possibilidades de exploração e diversas oportunidades de desenvolvimento para as crianças. No caso concreto da nossa prática, tentámos explorar uma tipologia bastante específica, os numerários, como temos vindo a expor, interligando-a com o desenvolvimento das competências sociais das crianças. A elaboração do numerário do grupo, ou seja, um numerário criado pelas crianças em questão, permitiu estabelecer uma ligação bastante interessante entre estes dois núcleos a tratar em concomitância, sendo esta bastante enriquecedora e significativa para todos.
39 CAPÍTULO III: METODOLOGIA
40 3.1. Procedimentos metodológicos 3.1.1. Metodologia de Investigação-Ação A metodologia de investigação adotada no decurso da Prática de Ensino Supervisionada foi a Investigação-Ação (I-A), uma vez que esta se apresenta como um desafio para todo o profissional que pretende contribuir para a melhoria significativa das práticas educativas. Sucintamente, a Investigação-Ação “consiste na recolha de informação sistemática com o objetivo de promover mudanças sociais” (Bogdan & Biklen, 1994: 292). Inúmeros autores debruçaram-se sobre o conceito de Investigação-Ação, surgindo, dessa forma, variadas definições para este conceito. Retomando Lomax (1990), a Investigação-Ação é definida como uma intervenção na prática profissional, pretendendo proporcionar uma melhoria na mesma. Segundo Watts (1985), esta poderá ser estabelecida como um processo, através do qual os participantes analisam as suas próprias práticas sistematicamente e de forma aprofundada, usando técnicas de investigação. A Investigação-Ação pode ser, também, assumida como uma metodologia que inclui, simultaneamente, ação/mudança e investigação/compreensão, através de um processo cíclico, alternando entre ação e reflexão crítica. (Coutinho, et al. , 2009: 360). Arends assume que a investigação-ação “consiste num processo de colocar questões, procurar respostas válidas e objetivas, e de interpretar e utilizar os resultados” (Arends, 1995: 525). De facto, a intervenção pedagógica pretende dar resposta a objetivos e questões prévias, sendo que os resultados obtidos serão objeto de análise e reflexão. A Investigação-Ação envolve duas componentes fundamentais, sendo estas a prática e a reflexão. Coutinho, et al. (2009) reforçam a importância e a ligação entre estas duas componentes: “Prática e reflexão assumem no âmbito educacional uma interdependência muito relevante, na medida em que a prática educativa traz à luz inúmeros problemas para resolver, inúmeras questões para responder, inúmeras incertezas, ou seja, inúmeras oportunidades para refletir. E é na capacidade de refletir que reside o reconhecimento dos problemas e, consequentemente, emerge o “pensamento reflexivo” de que falava Dewey (1976) associado à “prática reflexiva” defendida por Donald Schon (1983).” (Coutinho, et al. , 2009: 358). A Investigação-Ação facilita a ativação da consciência crítica dos professores. O docente apresenta-se como um “prático reflexivo”, um investigador das suas próprias práticas. Segundo Schon (1983), o conceito de reflexão pode ser separado em três conceitos, os três
41 complementares, sendo estes: “reflexão na ação”, “reflexão sobre a ação” e “reflexão sobre a reflexão na ação”. A reflexão na ação prende-se com a prática observativa, ocorrendo no momento da prática; a reflexão sobre a ação relaciona-se com o momento posterior à prática, tendo como objetivo rever o que foi efetuado; por último, a reflexão sobre a reflexão na ação possibilita o desenvolvimento, aperfeiçoamento ou mudança da prática, pois permite que o professor compreenda a sua prática, encontre soluções para possíveis questões ou problemas, equacionando a sua prática futura. (Schon, 1983 apud Coutinho, et al. , 2009). Latorre (2003) afirma que os principais benefícios da I-A se prendem com a melhoria da prática, a sua compreensão e a melhoria da situação onde a mesma tem lugar. (Latorre, 2003 apud Coutinho, et al. , 2009). De facto, para existir esta melhoria e compreensão da prática, é extremamente necessária a posição questionadora e crítica do professor/investigador, sendo possível modificar a realidade e transformar os seus intervenientes. Com efeito, a I-A envolve planear, atuar, observar e refletir cuidadosamente. Tal como referem Coutinho, et al. , (2009), “(…) na I-A observamos um conjunto de fases que se desenvolvem de forma contínua e que, basicamente, se resumem na sequência: planificação, ação, observação (avaliação) e reflexão (teorização). Este conjunto de procedimentos em movimento circular dá início a um novo ciclo que, por sua vez, desencadeia novas espirais de experiências de ação reflexiva”. (Coutinho, et al. , 2009: 366). Segundo Bogdan & Biklen, a investigação-ação assume cinco características fundamentais, sendo estas: “a fonte direta de dados é o ambiente natural, constituindo o investigador o instrumento principal”; “é descritiva”; “os investigadores qualitativos interessam-se mais pelo processo do que simplesmente pelos resultados”; “os investigadores tendem a analisar 1 2 Planificar Atuar Observar Refletir Plano revisto Atuar Observar Refletir 3 Esquema 1 - Espiral de ciclos da Investigação-Ação (Adaptado de Latorre, 2003)
42 os seus dados de forma indutiva”; “o significado é de importância vital na abordagem qualitativa”. (Bogdan & Biklen, 1994: 47). A Investigação-Ação é considerada, também, uma metodologia qualitativa, permitindo uma recolha de dados e uma posterior reflexão sobre os mesmos, de modo a estabelecer de que forma se poderá melhorar a intervenção pedagógica. Segundo Moreira (2002), a pesquisa qualitativa apresenta algumas características: a interpretação como um foco; a subjetividade é enfatizada; a flexibilidade na conduta do estudo; o interesse no processo e não no resultado; o contexto intimamente ligado ao comportamento das pessoas na formação da experiência; reconhecimento de que há uma influência da pesquisa sobre a situação. (Moreira, 2002 apud Oliveira, 2008). É possível considerar a Investigação-Ação como uma metodologia, eficaz e significativa, de investigação para a educação, tendo como objetivo melhorar as práticas educativas, refletindo sobre as mesmas, tal como refere Coutinho, et. al. , (2009): “(…), a Investigação-Ação é uma das metodologias que mais pode contribuir para a melhoria das práticas educativas, exatamente porque aproxima as partes envolvidas na investigação, colocando-as no mesmo eixo horizontal; favorece e implica o diálogo, enriquecendo o processo ao fazer emergir a verdade; desenvolvese em ambientes de colaboração e partilha, retirando o fardo da solidão ao investigador; valoriza a subjetividade, ao ter sempre mais em conta as idiossincrasias dos sujeitos envolvidos; mas, por outro lado, propicia o alcance da objetividade e a capacidade de distanciamento ao estimular a reflexão crítica.” (Coutinho, et al. , 2009: 375). 3.1.2. Instrumentos e estratégias utilizadas para a recolha de dados A recolha de dados é um aspeto fundamental na Investigação-Ação. O professor/investigador tem de recolher informação relativamente à sua própria ação, necessitando de ver, com algum distanciamento, os efeitos da sua ação, “(…) tendo, para isso, que refinar de um modo sistemático e intencional o seu “olhar” sobre os aspetos acessórios ou redundantes da realidade que está a estudar, reduzindo o processo a um sistema de representação que se torne mais fácil de analisar, facilitando, assim, a fase de reflexão.” (Latorre, 2003 apud Coutinho, et al. , 2009: 373).
43 Para tal, devem ser selecionadas técnicas e instrumentos de recolha de dados. Estes podem ser divididos em três domínios: técnicas baseadas em observação, técnicas baseadas na conversação e a análise documental. Estas técnicas podem, ainda, assumir uma outra classificação: • Instrumentos (lápis e papel) – testes; escalas; questionários e observação sistemática; • Estratégias (interativas) – entrevista; observação participante e análise documental; • Meios audiovisuais – vídeo; fotografia; gravação áudio e diapositivos. (Coutinho, et al. , 2009: 373). A recolha de dados efetuada no decurso da Prática de Ensino Supervisionada integrou diversas técnicas, nomeadamente a observação participante, notas de campo, reflexões semanais, registos fotográficos, gravações áudio e entrevistas informais. Estes dados permitiram uma análise detalhada de toda a intervenção, possibilitando o desenvolvimento de uma atitude reflexiva e crítica. Esta atitude reflexiva e crítica proporcionou um melhoramento da intervenção pedagógica, contribuindo, assim, para uma mudança social. 3.2. Projeto de intervenção 3.2.1. Origem do projeto Tendo em conta o contexto da PES I, o grupo em questão, as suas necessidades e a escassa investigação existente em relação aos numerários e/ou os counting books , considerei interessante problematizar e concretizar o meu projeto em torno da seguinte temática: “Os numerários e/ou os counting books e o desenvolvimento de competências sociais das crianças”. Esta decisão partiu da observação realizada, pois era notória a necessidade do grupo em desenvolver as suas competências sociais e, consequentemente, melhorar as suas relações interpessoais, necessitando de desenvolver diversos valores, como o respeito e a partilha, e, também, requerendo a perceção e o estabelecimento de algumas regras de convivência em grupo. Além disso, a reduzida investigação existente relativa aos counting books e/ou aos numerários também me motivou a debruçar-me sobre esta tipologia de livro, sendo que os números, na verdade, representavam um dos interesses das crianças. Quando iniciada a prática pedagógica no contexto do 1º Ciclo, mostrou-se pertinente dar continuidade ao projeto, adequando o mesmo às necessidades e interesses da turma. Esta turma manifestava um grande interesse pela literatura, sendo, por isso, do seu interesse explorar e conhecer obras literárias diferentes, tais como os numerários. A questão das competências sociais
44 é de extrema relevância nesta turma, sendo que se estende esta temática até às questões da cidadania, estando estas intimamente relacionadas. 3.2.2. Objetivos de investigação e intervenção Através da implementação deste projeto, pretendi compreender de que forma a literatura para a infância (em concreto, os numerários e/ou os counting books ) pode influenciar o desenvolvimento das competências sociais do grupo, refletir sobre a influência dos numerários e/ou counting books no desenvolvimento da numeracia das crianças, refletir sobre a importância da elaboração de um numerário criado pelo grupo, composto pelas regras de convivência do mesmo, e, também, refletir sobre a relevância da elaboração de um numerário criado pela turma (1º Ciclo), composto por algumas competências sociais e aspetos da cidadania. Os meus objetivos, relativamente à minha intervenção com o grupo do pré-escolar, foram os seguintes: • Estimular o desenvolvimento de competências sociais das crianças; • Promover o desenvolvimento das relações interpessoais do grupo; • Promover uma prática diária de “ações mágicas”, através de uns dados elaborados pelo grupo, sendo que nestes dados se encontram inseridas as tais ações mágicas, como se fossem as regras da sala; • Introduzir no grupo uma tipologia de livro específica, os numerários e/ou counting books ; • Explorar literariamente obras diversas, quer ao nível autoral quer ao nível modal; • Desenvolver o sentido de número; • Desenvolver a numeracia das crianças; • Construir o numerário do grupo, introduzindo no mesmo as “ações mágicas” (regras de convivência) definidas por todos. Assim, e muito sucintamente, pretendeu-se convocar uma tipologia textual/literária singular, o numerário, e, além de a interpretar literariamente, procurando, deste modo, contribuir para a conformação de uma competência literária precoce e para noções de numeracia, potenciar as suas qualidades ao nível da formação pessoal, acentuando, portanto e também, a sua função educativa/pedagógica. Relativamente à intervenção com a turma do 1º Ciclo, os objetivos de intervenção necessitaram de uma adaptação/adequação, resultando, assim, nos seguintes:
45 • Estimular o desenvolvimento de competências sociais dos alunos, complementando-as com questões da cidadania; • Introduzir na turma uma tipologia de livro específica, os numerários e/ou counting books, procurando singularizá-la ou destacar as suas especificidades e potencialidades; • Construir o numerário da turma, introduzindo no mesmo algumas competências sociais e aspetos da cidadania, definidos por todos. 3.2.3. Desenvolvimento do projeto O projeto de intervenção em contexto de pré-escolar desenvolveu-se e foi implementado com base na planificação e na promoção de quinze atividades principais, todas elas interligadas. Uma das maiores preocupações foi estabelecer um fio condutor, algo que interligasse todas as atividades, transformando-as em aprendizagens significativas para as crianças e, também, relevantes para o projeto. As atividades desenvolvidas foram indo ao encontro das variadas áreas de conteúdo propostas para a educação pré-escolar. No decurso da implementação do projeto, cada atividade tinha como meta o desenvolvimento de algumas competências que se pretendia que as crianças adquirissem ou consolidassem, designadamente: • Estimular a curiosidade por uma tipologia de livro específica, o numerário; • Promover o contacto com narrativas ou poemas breves; • Estimular o gosto pelo livro e pela leitura; • Promover uma educação para os valores; • Promover a comunicação oral; • Efetuar contagens; • Associar o número à quantidade; • Desenvolver o sentido de número; • Explorar técnicas de expressão visual; • Promover o gosto pelas artes visuais; • Desenvolver o sentido estético. Desta forma, apresenta-se o seguinte esquema, que explicita a denominação de todas as atividades, mostrando de que forma o projeto se desenrolou ao longo do tempo. Atividades Específicas do Projeto de Investigação e Intervenção 1ª atividade Exploração da obra As Mãos Não São Para Bater , de Martine Agasse,
46 2ª atividade Representação fotográfica das ações, de modo a elaborar os dados das “ações mágicas” do grupo. 3ª atividade Exploração dos “dados das ações mágicas”, das fotografias e das ações neles inscritas. 4ª atividade Leitura e exploração da obra João e Mais Oito - Um Livro para Contar , de Maurice Sendak. 5ª atividade Leitura e exploração da obra Um, dois, três, conta lá outra vez! , de Danuta Wojciechowska. 6ª atividade Construção do numerário do grupo “O Nosso Numerário”. 7ª atividade Introdução do “Livro das Ações Mágicas”, explicando ao grupo qual a sua função e como deve ser utilizado. 8ª atividade Leitura e exploração da obra Sonho de Neve , de Eric Carle. Atividade de expressão plástica relacionada com a obra. 9ª atividade Leitura e exploração da obra Aprende com Pop-up - Números , de Yoyo Books. 10ª atividade Leitura e exploração da obra À espera do quê? , de Rosa Montez e Sofia Ambrósio. 11ª atividade Leitura e exploração da obra Todos no Sofá , de Luísa Ducla Soares. 12ª atividade Leitura expressiva da obra ABC & 123 , de Luísa Ducla Soares. Atividade de registo. 13ª atividade Entrevistas informais. 14ª atividade Exploração d’ “O Nosso Numerário”. 15ª atividade Leitura e exploração da obra Sou o Maior , de Lucy Cousins. Exploração de um artista plástico, inspirado na obra, e atividade de expressão plástica. Tabela 1 - Atividades específicas do projeto desenvolvido no contexto de pré-escolar Paralelamente a estas atividades fundamentais do projeto, foi desenvolvido, no contexto, um trabalho de projeto denominado “Vamos conhecer as aranhas!”. Este partiu do interesse do grupo e foi um projeto extremamente interessante, que permitiu ir ao encontro de alguns dos objetivos do projeto de intervenção.
53 No momento da atividade, foram notórios o envolvimento e o entusiasmo do grupo. No entanto, foi no dia seguinte que se percebeu o impacto que esta obra, João e Mais Oito – Um Livro para Contar, teve no grupo. Enquanto ainda estávamos a organizar o grupo, para dar início à exploração de outro numerário, uma das crianças viu que a capa do livro tinha números e disse “Isso tem números!”. Eu respondi: “É uma história com números, um numerário, como a história que lemos ontem… A Vera não estava cá na sala ontem, não ouviu a nossa história… Querem contar-lhe o que tratava a nossa história de ontem?”. Foi surpreendente o que se sucedeu. As crianças começaram a contar diversos momentos da narrativa, referiram as suas personagens e estavam verdadeiramente entusiasmadas a recontar a mesma. Alguns registos efetuados, tendo em conta aquilo que as crianças foram dizendo, foram, por exemplo os seguintes: “Era a história do João” (M.G.); “E um gato saltou” (Co.); “E um tigre e uma tartaruga” (I.); “E o tigre foi atrás do ladrão” (G.); “Primeiro veio o ladrão e depois fugiu” (T.S.); “Depois o João ficou sozinho outra vez” (G.). Desta forma, foi possível perceber que a exploração desta obra foi bastante significativa para o grupo e que foi uma escolha muito acertada e consequente para iniciar a exploração desta tipologia, os numerários. 5ª Atividade Proposta educativa: Leitura e exploração da obra Um, dois, três, conta lá outra vez! , de Danuta Wojciechowska. A leitura e exploração da obra Um, dois, três, conta lá outra vez! foi efetuada, novamente, em grande grupo, permitindo uma participação ativa de cada criança no processo. O grande objetivo de exploração desta obra era mostrar ao grupo mais um numerário diferente, estimulando o desenvolvimento das suas competências numéricas, o gosto pelo livro, pela literatura e pela leitura e, também, motivá-los para a construção do seu próprio numerário. Esta atividade iniciou com a exploração dos elementos paratextuais da obra, sendo que as crianças referiram de imediato “é uma história de números!”, mostrando que estão bastante concentradas e que reconhecem a representação gráfica dos números, antecipando, de imediato, o conteúdo do livro. Esta obra foi muito bem recebida pelo grupo, sendo que as crianças estavam bastante atentas à leitura e foi estabelecida uma ótima interação, permitindo, assim, que as crianças pudessem intervir. Paralelamente à leitura da obra, foram efetuadas algumas questões às crianças, como por exemplo “Olhem aqui duas meias e duas luvas… e no nosso corpo temos, por exemplo, dois olhos, dois ouvidos… E que mais?”. Algumas respostas das crianças: “Temos 2
54 mãos” (M.G.); “Temos 5 dedos” (T.S.); “E 2 pés” (T.P.); entre outras respostas que o grupo foi dando, à medida que íamos explorando os diversos números presentes no numerário. Após a leitura da obra, devido ao entusiamo das crianças pela contagem das partes que constituem o nosso corpo, acabámos por efetuar uma exploração do corpo humano, na qual todos esticámos as pernas para o centro da roda e fomos movimentando 1 perna, depois 2 pernas, depois os 2 pés, entre outras partes/membros do corpo, explorando, também, os números e associando-os às quantidades. Para além disto, enunciámos em voz alta, várias vezes, a sequência numérica, tentando que esta ficasse estabelecida para todos. Enquanto citávamos a sequência numérica, íamos mostrando com os nossos dedos qual a quantidade que correspondia ao número que estávamos a verbalizar. Antes de finalizar esta atividade, foi recordada novamente a construção do numerário do grupo e foi explicado como se essa construção se processaria. As crianças ficaram muito entusiasmadas e começaram logo a enunciar que representações queriam fazer para o numerário. A leitura e exploração deste numerário motivou bastante o grupo para a construção do seu próprio numerário. 6ª Atividade Proposta educativa: Construção do numerário do grupo “O Nosso Numerário”. A construção d’ “O Nosso Numerário” foi uma atividade contínua, ou seja, foi sendo feita ao longo do tempo. Era pretendido que cada criança efetuasse uma representação de objetos, ou algo que a criança decidisse, respeitando as quantidades indicadas (1, 2, 3, 4, 5 e 6), através do desenho, com recurso a marcadores. Esta atividade, a construção do numerário, requeria um acompanhamento muito próximo da criança. Por isso, optou-se por ir chamando individualmente ou em pares, por exemplo, as crianças para realizar a atividade, quando estas estavam a brincar ou, então, quando finalizavam mais cedo uma outra atividade. Sabendo que cada criança iria efetuar uma representação para cada número, ou seja, cada criança teria de realizar 6 representações, e o grupo era constituído por 27 crianças, perfizemos uma totalidade de 162 representações. Este grande número de representações que precisavam de ser realizadas justifica o facto de esta atividade se ter prolongado por tanto tempo. Posto isto, a construção do numerário prolongou-se por diversas semanas, tendo tido início no dia 29/11/2019 e sendo finalizada no dia 16/01/2020.
55 No dia em que se iniciou a atividade, enquanto as crianças estavam a brincar nas áreas, foram sendo chamados alguns meninos, dois de cada vez, de modo a iniciar as representações para o numerário. Era entregue a cada criança um quadrado colorido e esta era questionada relativamente àquilo que pretendia representar. As crianças respondiam, explicitando aquilo que pretendiam representar. A resposta de cada criança era apontada, para posteriormente ser registada no numerário, e a criança iniciava a sua representação, utilizando os marcadores que estavam disponíveis. Este foi o processo utilizado com todas as crianças, nos dias em que era possível fazê-lo, até finalizar todas as representações pretendidas. A 16 de janeiro de 2020, assumimos como terminada esta atividade. O numerário do grupo ficou, finalmente, finalizado. Foi um processo bastante mais demorado do que o esperado. No entanto, o tempo despendido foi o tempo necessário para que o grupo compreendesse aquilo que estava a fazer e para que, de facto, conseguíssemos atingir um resultado muito interessante e significativo. Durante todo este processo de construção do numerário, foi notório um maior envolvimento de algumas crianças em relação ao restante grupo. Estas crianças sempre demonstraram muito interesse pela atividade e efetuaram, logo nos primeiros dias, todas as suas representações. Este conjunto de crianças, que estava mais envolvido na atividade, foi aumentando ao longo do tempo, ou seja, o número de crianças entusiasmadas e interessadas pelo numerário foi aumentando progressivamente. Posto isto, é possível afirmar que esta atividade foi extremamente envolvente, significativa e prazerosa para todo o grupo. 7ª Atividade Proposta educativa: Introdução do “Livro das Ações Mágicas”, explicando ao grupo qual a sua função e como deve ser utilizado. Esta atividade consistiu na introdução do “Livro das Ações Mágicas” no grupo, tendo sido efetuada em grande grupo, logo após o momento do acolhimento. De modo a captar a atenção do grupo, utilizou-se a música da “saquinha das surpresas”, uma das favoritas do grupo, sendo que o “Livro das Ações Mágicas” era a nossa surpresa. Após o entusiasmo por aquele objeto novo e desconhecido, foi explicado ao grupo o que era este livro e qual o objetivo do mesmo, reforçando a ideia de que poderiam registar no “Livro das Ações Mágicas” quando efetuassem boas ações, aquelas que estão no nosso dado ou outras que sejam significativas.
56 No dia em que o “Livro das Ações Mágicas” foi introduzido no grupo, questionei uma criança (B.M.) se queria efetuar o primeiro registo, pois ela tinha arrumado toda a área da cozinha sozinha. A criança ficou muito entusiasmada e respondeu, de imediato, “sim, quero”. Esta efetuou o registo e queria continuar a desenhar em mais folhas, queria desenhar toda a cozinha. Outra criança (M.G.), no dia seguinte, também demonstrou interesse em registar no “Livro da Ações Mágicas”, pois pediu desculpa ao amigo, sabendo que o magoou sem intenção. Esta atitude demonstra que o objetivo do livro foi, de facto, transmitido ao grupo. Inicialmente, os registos eram mais motivados pelo adulto, até que as crianças assimilassem o livro como parte da sua dinâmica. Posteriormente, já surgiram alguns registos por iniciativa própria das crianças, sendo que o objetivo final é que os registos neste livro sejam todos efetuados por iniciativa da criança. 8ª Atividade Proposta educativa: Leitura e exploração da obra Sonho de Neve , de Eric Carle. Esta atividade possuía um objetivo principal, sendo este a exploração de mais um numerário, tipologia de livro estudada. A obra selecionada para esta atividade foi o Sonho de Neve, de Eric Carle. Esta escolha foi motivada não só pelo facto de ser um numerário, mas também devido à temática presente na obra, o Natal. Surgiu a necessidade de selecionar uma obra para iniciar a exploração desta temática no grupo e acabámos por escolher o Sonho de Neve, obra extremamente pertinente. Após a leitura do conto, explorámos as texturas do livro e as abas presentes no seu interior. De forma a consolidar a temática, realizámos uma atividade de expressão plástica contextualizada na obra. O momento da leitura e exploração da obra foi bastante dinâmico, pois estabelecemos um diálogo muito profícuo, as crianças queriam intervir, tentando adivinhar quais os animais que estariam “cobertos pela neve”, ou seja, escondidos nas abas do livro. Enquanto explorávamos a obra, revelou-se pertinente reforçar a sequência numérica, tendo sido dita em voz alta pelas crianças, e, também, efetuámos a contagem dos animais presentes no conto. No final da atividade, as crianças tiveram oportunidade de explorar o livro, as suas texturas e as abas. Este foi um dos momentos favoritos das crianças, pois ficaram muito entusiasmadas por poderem tocar no livro e por poderem levantar as abas, de modo a verem ou descobrirem os animais.
57 Tal como já foi referido, a escolha desta obra foi intencional, pois é uma obra que retrata a temática natalícia, integra a tipologia de livro estudada, os numerários, e apresenta-se como um excelente ponto de partida para uma atividade de artes plásticas, indo ao encontro dos objetivos do projeto de sala. Após a leitura e exploração da obra, iniciámos a atividade de expressão plástica, sendo esta inspirada na obra explorada. As crianças efetuaram uma pintura de um pinheiro, com recurso a tintas. Posteriormente, representaram a neve, recorrendo à técnica do algodão, numa mica (devido à sua transparência), que colocámos por cima da pintura do pinheiro, de modo a recriar aquilo que acontecia no livro, ou seja, a neve cobria as personagens. Para embelezar os pinheiros, as crianças colaram nos mesmos alguns botões. Esta foi uma atividade bastante apreciada pelo grupo, pois todos estavam extremamente entusiasmados. Em suma, resultou muito positivamente. 9ª Atividade Proposta educativa: Leitura e exploração da obra Aprende com Pop-up - Números , de Yoyo Books. De modo a concretizar o objetivo de explorar diversos géneros de numerários e fazer com que as crianças se interessassem por esta tipologia de livro, a 9ª atividade consistiu na leitura e exploração de um numerário com algumas particularidades. Aprende com Pop-up – Números, de Yoyo Books, é um numerário pop-up , extremamente atrativo para as crianças, não só pelo pop-up , mas também pelo texto poético presente e pelas ilustrações coloridas. Durante toda a atividade, as crianças estavam atentas e queriam sempre observar detalhadamente as ilustrações e o movimento das páginas, devido ao pop-up. Após a leitura da obra, efetuámos, em conjunto, a contagem dos animais presentes na obra e as crianças acabaram por efetuar algumas contagens sozinhas, deslocando-se até mim e selecionando as páginas onde estavam os animais que queriam contar. Para finalizar a atividade, o grupo teve oportunidade de explorar, com as suas próprias mãos, as páginas do livro, observando mais de perto o movimento das páginas e as ilustrações pop-up. 10ª Atividade Proposta educativa: Leitura e exploração da obra À espera do quê?, de Rosa Montez e Sofia Ambrósio.
58 Esta atividade consistiu na leitura e exploração de mais uma obra que integra a tipologia estudada, o numerário. Esta obra apresenta uma narrativa muito interessante, repleta de repetições, fator que cativou a atenção do grupo. A obra À espera do quê?, de Rosa Montez e Sofia Ambrósio, foi extremamente bem recebida pelo grupo, proporcionando a todos um excelente momento de leitura. Iniciámos a atividade com a leitura do conto, até que, devido às repetições existentes na mesma, as crianças começaram a tentar adivinhar quais seriam as frases seguintes, em algumas partes da obra. Isto tornou esta atividade bastante mais dinâmica, interativa e divertida para as crianças. Na parte final do livro, após a narrativa, foram apresentadas algumas questões relativamente aos animais presentes na história. Através das informações que as crianças retiveram da leitura da obra, respondemos oralmente, em grande grupo, a todas as questões. Para finalizar a atividade, aproveitámos as páginas destas questões para efetuar algumas contagens e desenvolver a numeracia das crianças. 11ª Atividade Proposta educativa: Leitura e exploração da obra Todos no Sofá , de Luísa Ducla Soares. A leitura e exploração da obra Todos no Sofá, de Luísa Ducla Soares, fez parte de uma das atividades favoritas do grupo. É possível afirmar que este numerário foi uma das melhores escolhas, tendo em conta os interesses do grupo, as suas necessidades e os objetivos de intervenção aos quais nos propusemos. Com a finalidade de dinamizar a leitura desta obra, foram utilizados uns cartões, que continham os animais presentes na narrativa em verso, e um sofá, sendo possível representar aquilo que estava a acontecer na obra, cativando a atenção de todo o grupo. Para dar início à atividade, as crianças estavam organizadas num semicírculo, de modo a que o sofá ficasse no centro, visível para todos. Por cima do pequeno sofá estavam os cartões com todos os animais da obra, organizados pela ordem em que aparecem na narrativa. À medida que íamos avançando na ação, ou seja, à medida que os animais iam saltando do sofá, também os cartões que estavam no sofá iam sendo baixados, representando os animais a saltar, realmente, do sofá. O grupo adorou a exploração desta obra, estando extremamente atentos. Após a leitura da obra, efetuámos a contagem dos animais presentes no texto, com a ajuda dos cartões. Para
59 além disso, associámos o número à sua representação gráfica, através dos post-its colados em cada página da obra. Os cartões utilizados na dinamização da leitura desta obra foram deixados na área da biblioteca, a pedido das crianças. Nesse mesmo dia, no dia que explorámos esta obra, da parte da tarde, as crianças pegaram nos cartões e começaram a imitar aquilo que tinha acontecido no momento da atividade, efetuando um reconto do conto lido. Este pequeno momento, das crianças a brincar com os cartões, mostrou que a exploração da obra Todos no Sofá foi, de facto, significativa para o grupo. 12ª Atividade (1ª parte) Proposta educativa: Leitura expressiva da obra ABC & 123 , de Luísa Ducla Soares, seguida de uma atividade de registo, na sala dos 4 anos. Esta atividade teve como principal objetivo articular dois projetos: “Os numerários e/ou os counting books e o desenvolvimento de competências sociais das crianças”, e o projeto da minha colega Raquel, “O livro-alfabeto como meio facilitador da dinâmica de grupo”, proporcionando às crianças da sala dos 4 anos um agradável e significativo momento de mediação leitora, explorando paralelamente um livro-alfabeto e um numerário. A atividade iniciou com uma leitura expressiva da obra ABC & 123 , de Luísa Ducla Soares. Esta foi previamente preparada, pois selecionámos apenas 6 números e 6 letras, aqueles que eram mais significativos para o grupo em questão. Foram elaborados materiais didáticos, uma espécie de fantoches, com os números e as letras que iríamos referir na nossa leitura. Estes materiais e a nossa interação, aquando da leitura da obra, acabaram por tornar o momento mais interessante para o grupo, captando a sua atenção. No final da leitura da obra, efetuámos uma repetição conjunta das letras exploradas, bem como dos números referidos. Após a leitura e exploração da obra, realizámos uma atividade de expressão plástica, sendo esta relacionada com a abordagem que fizemos da obra. Cada criança recebeu uma folha branca e tinha à sua disposição diversos moldes de números e letras. Estes permitiam que as crianças pudessem explorar a técnica do contorno. Depois de contornarem todas as letras e números que quiseram, cada criança teve a oportunidade de decorar a sua folha com alguns botões, efetuando a sua colagem. Foi muito interessante verificar que a maioria das crianças quis
60 contornar as letras do seu nome, sendo que algumas conseguiram “escrever” o seu nome corretamente. 12ª Atividade (2ª parte) Proposta educativa: Leitura expressiva da obra ABC & 123 , de Luísa Ducla Soares, seguida de uma atividade de registo, na sala dos 3 anos. Tal como se sucedeu na primeira parte desta atividade, esta teve como principal objetivo articular dois projetos: “Os numerários e o desenvolvimento de competências sociais das crianças”, e o projeto da minha colega Raquel, “O livro-alfabeto como meio facilitador da dinâmica de grupo”, proporcionando às crianças da sala dos 3 anos um momento aprazível de mediação leitora, explorando paralelamente, como referimos, um livro-alfabeto e um numerário. Esta atividade consistiu em dois momentos, sendo estes a leitura e exploração da obra e, posteriormente, uma atividade de expressão plástica, como forma de registo. A leitura da obra foi muito semelhante àquela que foi efetuada na sala dos 4 anos, pois utilizámos os mesmos materiais didáticos. No entanto, a exploração da obra foi um pouco diferente, visto que tínhamos de nos adaptar ao grupo e aos seus interesses e necessidades. A obra em questão, ABC & 123, de Luísa Ducla Soares, era composta por letras e números, e, na sala dos 4 anos, na atividade de expressão plástica, as crianças tinham letras e números à sua disposição. No entanto, para as crianças da sala dos 3 anos, achámos que seria mais pertinente utilizar apenas números nessa mesma atividade, pois as letras, não fazendo ainda parte das suas experiências prévias, para além da leitura desta obra, não fazem sentido para as crianças referidas. Esta foi uma adaptação que sentimos necessidade de fazer, de modo a adequar a atividade ao grupo em questão. Para a atividade de expressão plástica, preparámos uma folha, onde contextualizámos a atividade, e, nessa mesma folha, o grupo teve a oportunidade de efetuar uma colagem de diversos números à sua escolha. No seu espaço de trabalho, as crianças tinham diversos números à disposição, com cores variadas, e cada uma colou aqueles que eram mais significativos para si. Esta atividade foi bastante divertida, na qual todas as crianças estavam muito concentradas e motivadas. 13ª Atividade
61 Proposta educativa: Entrevistas Informais. De modo a obter mais dados para o meu projeto de investigação e, também, de modo a perceber melhor qual o impacto das minhas atividades, decidi elaborar algumas questões para efetuar entrevistas informais ao grupo. Estas tinham como objetivo recolher alguns dados pertinentes, sendo estes relativos à implementação do projeto de intervenção e ao impacto da minha ação pedagógica no grupo. As entrevistas realizaram-se enquanto os meninos estavam a brincar nas áreas ou no parque, mantendo a informalidade sempre presente. A entrevista estava elaborada da seguinte forma: Figura 12 - Exemplo da entrevista informal realizada Juntamente a este conjunto de questões, existia uma folha, onde estavam colocadas as imagens das capas das obras exploradas com o grupo, de modo a reavivar a sua memória. Estas questões foram assumidas como as mais pertinentes e adequadas ao grupo e àquilo que se pretendia saber. Para além destas entrevistas, toda a observação realizada durante o tempo de intervenção pedagógica é pertinente para a recolha de dados. Relativamente às entrevistas informais, poucas foram as crianças que conseguiram responder à questão “Porquê?”, demonstrando, assim, que a maioria ainda não se consegue expressar nesse sentido, ou seja, ainda não desenvolveu a capacidade de se justificar ou de expressar a causa da sua escolha. Apesar de serem obtidas muitas respostas do género “porque gosto” ou “porque sim”, surgiram diversas respostas interessantes. Por exemplo, à questão “porque é que é essa a tua história favorita?”, várias crianças responderam “porque tem animais”, demonstrando que consegui ir ao encontro dos seus interesses, pois era sabido que os animais
62 eram uma das suas áreas de interesse e foram exploradas diversas obras que tratavam essa mesma temática. À medida que se foram efetuando as entrevistas, foi notória a importância da folha com as imagens das capas das obras exploradas. Algumas crianças não conseguiam dar nenhuma resposta antes de se mostrar as imagens e, em outros casos, as crianças não conseguiam lembrarse do título da obra, referindo apenas elementos presentes na mesma, sendo que quando se mostrava as imagens, elas identificavam logo a obra a que se estavam a referir anteriormente. No geral, as entrevistas informais assumiram-se como uma parte essencial do projeto, permitindo perceber o impacto da implementação do projeto de intervenção e, também, a relevância da minha ação pedagógica. 14ª Atividade Proposta educativa: Exploração d’ “O Nosso Numerário”. Depois de finalizado o numerário do grupo, surgiu a necessidade de efetuar uma exploração do mesmo em grande grupo. Esta atividade de exploração d’ “O Nosso Numerário” assumiu uma grande pertinência, pois permitiu que as crianças consolidassem o conceito de numerário, compreendessem o seu objetivo e, compreendessem também, a ligação entre o mesmo e o “dado das ações mágicas”. O momento de exploração do numerário, em grande grupo, foi fenomenal. As crianças estavam mesmo entusiasmadas e queriam ver tudo, queriam observar todas as páginas. Algumas crianças identificaram, de imediato, os seus desenhos e isto só demonstra que a construção do numerário foi significativa para elas. Durante esta atividade de exploração do numerário, fomos folheando as páginas do mesmo e as reações das crianças foram fantásticas. Por exemplo, quando surgiu a primeira página do número 1, ou seja, a página onde está o número, a frase da ação mágica e a fotografia da criança, tal como aparece no dado das ações mágicas, as crianças começaram a tecer diversos comentários, tais como “isso está no dado!”, “é o número 1!”, “é para pôr o dedo no ar para falar!”, entre outros comentários idênticos. O entusiasmo do grupo era contagiante e perceber que as crianças conseguiram associar o numerário ao dado das ações mágicas, que era dos objetivos, foi muito positivo e significativo. A ideia inicial era existir uma ligação entre ambos e o grupo apropriar-se dessa mesma ligação era fundamental. 15ª Atividade
69 CAPÍTULO IV: CONSIDERAÇÕES FINAIS, APRENDIZAGENS E LIMITAÇÕES
70 4.1. Considerações finais Com o trabalho desenvolvido nas Práticas de Ensino Supervisionadas I e II, foi possível compreender a importância e a pertinência da interação precoce, e contínua, das crianças com a literatura para a infância, em concreto com uma tipologia peculiar: os numerários. Os numerários representam uma tipologia literária bastante específica e com inúmeras potencialidades de aprendizagem. Através da leitura e exploração destes objetos literários, podemos potenciar o desenvolvimento da numeracia das crianças, a apropriação do sentido de número, além de favorecermos, também, o desenvolvimento da capacidade de associar os números à sua quantidade respetiva. O desenvolvimento destas competências e capacidades é alavancado pela exploração, consecutiva e consistente, de diversos numerários. Esta exploração pode integrar diálogos significativos, jogos corporais, atividades de expressão plástica, entre outros. Não nos devemos restringir apenas à leitura expressiva da obra, apesar de esta ser imprescindível ou fundamental. É necessário explorar o seu conteúdo e dinamizar atividades lúdicas, divertidas e significativas com as crianças. Desta forma, conseguimos auxiliar o desenvolvimento de diversas competências, como a numeracia, e não só, através da literatura para a infância, em específico os numerários. Para além disso, promover o contacto das crianças com os livros e a literatura para a infância, em geral, permite construir e desenvolver o hábito leitor da criança, obtido através de momentos agradáveis e prazerosos que criamos na sala com as crianças. Enquanto mediadora da leitura, considero que um dos fatores mais importantes neste processo é a seleção das obras literárias que são aproximadas das crianças. As obras devem conter um texto verbal de qualidade, tanto no que diz respeito à temática ficcionalizada, que deve despertar o interesse do grupo, como no que concerne aos mecanismos técnico-expressivos que caracterizam o discurso, uma forte e apelativa componente ilustrativa, bem como, do ponto de vista gráfico ou do design , uma configuração original ou criativa que motive, por exemplo, ao toque ou à manipulação física autónoma ou ao manuseio livre por parte do potencial destinatário. Uma outra estratégia de promoção da leitura utilizada foi a ludicidade, ou seja, a valorização do livro ou do texto verboicónico como jogo e com um intuito, antes de mais, fruitivo. No decurso de toda a prática, este foi um aspeto bastante relevante e que se revelou imprescindível no contacto que as crianças estabelecem com o livro, sendo que foram utilizados alguns materiais lúdicos – designadamente e como mencionámos, fantoches - para dinamizar os momentos de leitura e exploração das obras.
71 Um dos aspetos cruciais do projeto desenvolvido com as crianças, principalmente no contexto do pré-escolar, foi a questão das competências sociais. Promover o desenvolvimento das competências sociais do grupo através da literatura para a infância, ou seja, através da exploração de obras literárias, de numerários, da dinamização de atividades lúdicas relacionadas com as obras, foi extremamente prazeroso e revelador da influência que a literatura pode ter no desenvolvimento destas, e de outras, competências. Tal como já foi referido, a literatura para a infância assume-se como um dos melhores instrumentos disponíveis para proporcionar às crianças a possibilidade de se tornarem cidadãos mais cultos, críticos e competentes. Sabendo que uma das funções da literatura e dos livros é formar a criança e transmitir-lhe valores, esta é a maior aliada no desenvolvimento das competências sociais das crianças. A literatura para a infância permite um contacto com diversos exemplos de atitudes corretas, promotoras do desenvolvimento das competências sociais do grupo. No decurso do projeto, foram explorados diversos numerários e foi explorado e potenciado o desenvolvimento das competências sociais das crianças, sendo que a interligação entre estas duas questões se tornou mais evidente e significativa quando se elaborou o numerário do grupo (e o numerário digital, no 1º ciclo). Este foi um numerário criado pelas próprias crianças e que permitiu estabelecer uma ligação bastante interessante entre estes dois núcleos, sendo esta bastante enriquecedora e significativa para todos. Ao longo de todas as atividades do projeto desenvolvidas com as crianças, foi notório um grande envolvimento e entusiasmo, mesmo com as crianças do 1º ciclo no regime de ensino à distância. Os numerários explorados e as dinâmicas realizadas, sendo estas relacionadas com as competências sociais, foram sempre bem recebidas, por parte das crianças, que estavam sempre dispostas e entusiasmadas com a realização das atividades propostas, qualquer que fosse a temática. Ainda assim, a atividade mais significativa e enriquecedora foi quando as crianças viram/receberam o seu numerário, ou seja, o numerário elaborado pelo grupo/turma. No contexto de pré-escolar, sendo que a elaboração do numerário requereu imenso tempo e trabalho, as crianças ficaram bastante animadas ao ver o resultado e ao perceberem que o mesmo resultou de um trabalho cooperativo, no qual todos foram essenciais. As crianças efetuaram, de imediato, a ligação entre o numerário e um objeto que tinham na sala, que era o dado das “ações mágicas”, sendo que este dado era o maior impulsionador do desenvolvimento das competências sociais das crianças. No contexto do 1º ciclo, a dinâmica do projeto foi um pouco diferente, mas isso não diminuiu o impacto que o numerário teve na turma. Ao longo das sessões do projeto, os alunos demonstraram-se bastante motivados e estavam extremamente ansiosos por ver o resultado do
72 seu numerário digital (é um numerário digital, pois esta foi a adaptação que nos pareceu mais adequada). As reações e respostas obtidas foram bastante positivas e, sabendo que os alunos nunca tinham estado envolvidos em nenhuma atividade do género, não podíamos estar mais satisfeitas com o resultado. Como forma de compreender o impacto e pertinência do projeto de intervenção, e até mesmo da prática pedagógica desenvolvida, foram realizadas entrevistas informais, no contexto pré-escolar, e um questionário online, no contexto de 1º ciclo. Apesar de ter sido observado o empenho, dedicação e envolvimento das crianças no decurso das práticas, estes instrumentos (entrevistas e questionário) permitiram constatar que os objetivos do projeto de intervenção foram atingidos com sucesso. Posto isto, reafirma-se a pertinência da elaboração do numerário do grupo/turma, sendo este um objeto que resulta de uma combinação de atividades lúdicas, significativas e enriquecedoras para as crianças. De facto, o numerário que as crianças elaboraram é extremamente importante para as mesmas, primeiramente porque é algo próprio ou pessoal, feito por elas, e, depois, porque resulta de uma sequência lógica de atividades, tornando o numerário ainda mais significativo e enriquecedor. 4.2. Limitações do projeto A implementação do projeto apresentou algumas limitações. Ainda que estas não tenham impedido a concretização substancial de nenhuma das atividades previstas, acabaram por conduzir a alguns momentos de insegurança no decurso da prática pedagógica desenvolvida. É possível afirmar que a escassez de acervo teórico bibliográfico sobre o numerário representou uma limitação, pois não tínhamos muitos recursos para saber mais e aprender sobre esta tipologia bastante específica. Uma outra limitação foi a falta de obras desta tipologia nos contextos onde decorreu a ação. Foi necessário adquirir, requisitar e pedir emprestadas as obras, de modo a poder explorar e dar a conhecer os numerários às crianças. Por último, afirmamos como uma limitação as condições em que decorreu a ação pedagógica no 1º ciclo, tendo sido esta durante a pandemia mundial, provocada pela COVID-19, que obrigou a adaptar o projeto ao regime de ensino à distância. Apesar das limitações referidas, tentamos sempre contornar a situação, encará-la com otimismo e retirar o máximo de proveito de cada momento. Assim sendo, ainda que na presença destas limitações, o projeto foi implementado com sucesso em ambos os contextos da prática
73 pedagógica, uma vez que as crianças corresponderam positivamente aos objetivos do projeto e desenvolveram as atividades propostas com empenho e dedicação. 4.3. Aprendizagens Enquanto educadora, professora e, até mesmo, investigadora, todo este processo de investigação-ação revelou-se promotor de inúmeras aprendizagens. A parte reflexiva, inerente à metodologia de investigação-ação, demonstrou-se crucial no decurso de ambas as Práticas de Ensino Supervisionadas. Enquanto profissional de educação, a reflexão sobre a própria prática é fundamental, no sentido de melhorar a mesma e proporcionar às crianças os momentos de aprendizagem e crescimento mais significativos. Para além disso, a vertente investigativa, que, neste estudo, incidiu sobre as questões da literatura para a infância, dos numerários, da promoção da leitura e das competências sociais, permitiu aumentar e aprofundar o meu conhecimento relativo a estas temáticas, através da leitura e reflexão encetada por diversos autores referenciados ao longo de todo o relatório. Este conhecimento adquirido permitiu enriquecer as práticas desenvolvidas e, assim como, refletir cuidadosamente sobre essas mesmas práticas. Uma grande aprendizagem de toda esta experiência residiu na importância da cooperação e do trabalho cooperativo. Todo o trabalho desenvolvido foi sempre pensado e idealizado em conjunto com a colega de estágio. Com efeito, apesar de esta estar a desenvolver o seu trabalho numa sala diferente, foi realizado um percurso em conjunto na mesma instituição. A educadora cooperante e a professora cooperante foram elementos fundamentais de todo o processo, pois, com estas profissionais, foi possível trabalhar cooperativamente, articulando sempre as atividades do projeto com todas as outras atividades que seriam dinamizadas na sala. Assim sendo, é possível afirmar que o sucesso do projeto provém, em grande parte, do trabalho cooperativo realizado entre todos os agentes educativos. 4.4. Possíveis abordagens futuras Tendo em conta todo o trabalho desenvolvido em torno desta investigação-ação, Os numerários e o desenvolvimento de competências sociais de crianças do pré-escolar e do 1º ciclo do ensino básico, torna-se pertinente refletir sobre as possibilidades de uma replicação e de expansão do projeto em ambos os contextos.
74 No contexto pré-escolar, num período mais alargado, justifica-se uma segunda aplicação deste projeto, no sentido de aprofundar as atividades desenvolvidas, expandir as mesmas, explorar mais obras literárias, em específico os numerários, sendo possível uma reflexão mais significativa e extensa sobre os resultados obtidos. Para além disso, a replicação do projeto neste contexto justifica-se pela possível utilização de uma escala avaliativa das competências sociais das crianças. A escassez de tempo e de informação sobre a mesma não permitiu a sua aplicação no decurso da PES I. No entanto, será equacionada a sua utilização num próximo contexto. No contexto do 1º ciclo, a replicação do projeto torna-se ainda mais evidente e necessária, devido às condições adversas em que o mesmo decorreu. A pandemia mundial, vivida no decurso da PES II, obrigou a uma reformulação e adaptação do projeto ao regime de ensino à distância, como, aliás, fomos registando ao longo deste relatório. Desta forma, acabámos por ter de reduzir e simplificar as atividades do projeto. É nossa convicção que este projeto, num regime de ensino presencial e com um período maior de aplicação, seria promotor de inúmeras aprendizagens, resultando num projeto interdisciplinar bastante significativo para os alunos.
75 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Bibliografia Ativa Agassi, M. (2019). As mãos não são para bater. Porto: Porto Editora. Carle, E. (2010). Sonho de Neve . Porto: Kalandraka. Cousins, L. (2011). Sou o Maior. Lisboa: Editorial Caminho. Martins, I. M., & Matoso, M. (2013). Cá em casa somos… . Lisboa: Planeta Tangerina. Montez, R., & Ambrósio, S. (2014). À espera do quê?. S./l.: Berbequim das Letras. S./n. (2018). Aprende com Pop-Up – Números . Londres: Yoyo Studios. Sendak, M. (2017). João e Mais Oito – Um Livro Para Contar. Porto: Kalandraka. Soares, L. D. (2005). Poemas da Mentira e da Verdade. Lisboa: Livros Horizonte. Soares, L. D. (2009). Todos no Sofá. Lisboa: Livros Horizonte. Soares, L. D. (2016). ABC & 123. Alfragide: Texto Editores. Wojciechowska, D. (2013). Um, dois, três, conta lá outra vez! . Lisboa: Editorial Caminho. Bibliografia Passiva Arends, R. (1995). Aprender a Ensinar . Lisboa: Mc GRAW-HILL. Azevedo, F. (2006). Educar para a literacia: para uma visão global e integradora da língua materna. pp: 1-10. Língua materna e literatura infantil: Elementos nucleares para professores do ensino básico . Lisboa: Lidel. Azevedo, F. (2014). Literatura infantil e juvenil, leitores e competência literária. pp: 33-56. Literatura Infantil e Leitores. Da teoria às práticas. Lulu Press. Bastos, G. (1992). “Para uma pedagogia da leitura: o papel da literatura infantil e juvenil”. Discursos: estudos de língua e cultura portuguesa , pp: 29-35. Lisboa: Departamento da Educação e Juventude da Câmara Municipal de Lisboa.
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85 Fotografia 16 - Exemplos de alguns registos efetuados no Livro das Ações Mágicas 8ª atividade - Leitura e exploração da obra Sonho de Neve , de Eric Carle. Atividade de expressão plástica relacionada com a obra. Fotografia 17 - Exploração da obra Sonho de Neve , de Eric Carle, em grande grupo Fotografia 18 - Crianças a explorar as texturas e abas do livro
86 Fotografia 19 - Trabalho de expressão plástica relacionado com a obra explorada Fotografia 20 - Resultado do trabalho de expressão plástica 9ª atividade - Leitura e exploração da obra Aprende com Pop-up - Números , de Yoyo Books. Fotografia 21 - Exploração da obra Aprende com Pop-up - Números , da Yoyo Books, em grande grupo Fotografia 22 - Crianças a explorarem o livro
87 10ª atividade - Leitura e exploração da obra À espera do quê? , de Rosa Montez e Sofia Ambrósio. Fotografia 23 - Exploração da obra À espera do quê?, de Rosa Montez e Sofia Ambrósio, em grande grupo 11ª atividade - Leitura e exploração da obra Todos no Sofá , de Luísa Ducla Soares. Fotografia 24 - Exploração da obra Todos no sofá , de Luísa Ducla Soares, em grande grupo 12ª atividade - Leitura expressiva da obra ABC & 123 , de Luísa Ducla Soares. Atividade de registo. Sala dos 4 anos: Fotografia 25 - Exploração da obra ABC & 123 , de Luísa Ducla Soares, em grande grupo, na sala dos 4 anos Fotografia 26 - Atividade de registo
88 Sala dos 3 anos: Fotografia 27 - Exploração da obra ABC & 123 , de Luísa Ducla Soares, em grande grupo, na sala dos 3 anos Fotografia 28 - Atividade de registo Fotografia 29 - Resultado do trabalho realizado pelas crianças 13ª atividade - Entrevistas informais.
89 Fotografia 30 - Momento da realização de uma entrevista informal 14ª atividade - Exploração d’ “O Nosso Numerário”. Fotografia 31 - Capa do numerário do grupo Fotografia 32 - Páginas do numerário do grupo
90 Fotografia 33 - Páginas do numerário do grupo Fotografia 34 - Páginas do numerário do grupo 15ª atividade - Leitura e exploração da obra Sou o Maior , de Lucy Cousins. Exploração de um artista plástico, inspirado na obra, e atividade de expressão plástica. Fotografia 35 - Momentos da realização da atividade
91 Fotografia 36 - Exemplo de um dos trabalhos realizados Fotografia 37 - Exposição dos trabalhos no corredor da instituição Apêndice 2 - Registos fotográficos das principais atividades no 1º ciclo do Ensino Básico 1ª atividade - Início do projeto “Elaboração de um numerário digital”, através da exploração da obra Cá em casa somos…, de Isabel Minhós Martins e Madalena Matoso. Fotografia 38 - Exemplo de uma ficha realizada por um aluno 2ª atividade - Exploração das questões de cidadania, competências sociais e regras de convivência social.
92 Fotografia 39 - Regras/atitudes sugeridas pelos alunos Fotografia 40 - Regras/atitudes sugeridas pelos alunos Fotografia 41 - Regras/atitudes sugeridas pelos alunos 4ª atividade - Dinamização de uma hora do conto, explorando a obra João e Mais Oito - Um Livro para Contar , de Maurice Sendak. Fotografia 42 - Momento da hora do conto
93 5ª atividade - Finalização do projeto e entrega do numerário digital aos alunos. Exploração do numerário da turma, seguida de um convite para responder a um pequeno questionário online. Numerário Digital Fotografia 43 – Capa do numerário Fotografia 44 – Agradecimento aos autores
94 Fotografia 45 - Página do numerário com o número 10 Fotografia 46 - Página do numerário com o número 20 Fotografia 47 - Página do numerário com o número 30 Fotografia 48 - Página do numerário com o número 40
101 Fotografia 70 - Respostas à questão 3 Fotografia 71 - Respostas à questão 4
102 Planificação da atividade: • Leitura e exploração da obra As Mãos Não São Para Bater , de Martine Agassi; • Conversa com o grupo, de modo a obter registos para a construção das frases para o dado das ações mágicas. Data: 24 de outubro de 2019. Organização das crianças: em grande grupo. Competências a desenvolver: • Promover o contacto com histórias; • Estimular o gosto pelo livro e pela leitura; • Promover a comunicação oral; • Promover uma educação para os valores; • Estimular o desenvolvimento das competências sociais das crianças. Materiais necessários: obra As Mãos Não São Para Bater , de Martine Agassi. Apêndice 3 – Planificações das atividades desenvolvidas no Pré-Escolar Planificação da 1ª Atividade do projeto
103 Planificação da 2ª Atividade do projeto Planificação da atividade: • Conversa com o grupo sobre as 12 “ações mágicas” que iremos explorar e praticar diariamente; • Representação fotográfica das ações, de modo a elaborar os dados das “ações mágicas” do grupo. Data: 5 e 6 de novembro de 2019. Organização das crianças: em grande grupo, numa primeira fase, e depois em pequenos grupos. Competências a desenvolver: • Promover uma educação para os valores; • Cooperar com os outros no processo de aprendizagem; • Desenvolver o respeito pelo outro, numa atitude de partilha e de responsabilidade social; • Recriar experiências do quotidiano, individualmente e com outros; • Promover a comunicação oral; • Efetuar contagens; • Desenvolver o sentido de número. Materiais necessários: máquina fotográfica.
104 Planificação da 3ª Atividade do projeto Planificação da atividade: • Apresentação dos dados mágicos ao grupo; • Exploração dos dados mágicos, das fotografias e das frases neles inscritas. Data: 12 de novembro de 2019 (tarde). Organização das crianças: em grande grupo. Competências a desenvolver: • Compreender o objetivo dos dados mágicos; • Compreender e assimilar as frases inscritas nos dados mágicos; • Perceber que o lançamento dos dados mágicos fará parte da rotina, a partir deste momento; • Promover uma educação para os valores; • Promover a comunicação oral; • Efetuar contagens; • Desenvolver o sentido de número. Materiais necessários: dados mágicos (construídos previamente).
105 Planificação da atividade: • Introdução de uma tipologia de livro específica, o numerário; • Leitura e exploração da obra João e Mais Oito - Um Livro para Contar , de Maurice Sendak. Data: 27 de novembro de 2019. Organização das crianças: em grande grupo. Competências a desenvolver: • Estimular a curiosidade por uma tipologia de livro específica, o numerário; • Promover o contacto com histórias; • Estimular o gosto pelo livro e pela leitura; • Promover a comunicação oral; • Efetuar contagens; • Associar o número à quantidade; • Desenvolver o sentido de número. Materiais necessários: obra João e Mais Oito - Um Livro para Contar , de Maurice Sendak. Planificação da 4ª atividade do projeto
106 Planificação da atividade: • Exploração de uma tipologia de livro específica, o numerário; • Leitura e exploração da obra Um, dois, três, conta lá outra vez! , de Danuta Wojciechowska. Data: 28 de novembro de 2019. Organização das crianças: em grande grupo. Competências a desenvolver: • Estimular a curiosidade por uma tipologia de livro específica, o numerário; • Promover o contacto com histórias; • Estimular o gosto pelo livro e pela leitura; • Promover a comunicação oral; • Efetuar contagens; • Associar o número à quantidade; • Desenvolver o sentido de número. Materiais necessários: obra Um, dois, três, conta lá outra vez! , de Danuta Wojciechowska. Planificação da 5ª Atividade do projeto
107 Planificação da atividade: • Início da construção do numerário do grupo “O Nosso Numerário”; • Representação de objetos, ou o que a criança quiser, respeitando as quantidades (1, 2, 3, 4, 5 e 6), através do desenho, com recurso a marcadores. Data: Esta atividade, devido à sua complexidade, estendeu-se por diversas semanas, sendo por isso elaborada nas seguintes datas: 29 de novembro de 2019; 3, 5, 10, 18 e 20 de dezembro de 2019; 7, 8 e 14 de janeiro de 2020. Organização das crianças: em grande grupo. Competências a desenvolver: • Explorar uma técnica de expressão visual, o desenho, com recurso a marcadores; • Promover o gosto pelas artes visuais; • Desenvolver o sentido estético; • Efetuar contagens; • Associar o número à quantidade; • Desenvolver o sentido de número. Materiais necessários: folhas coloridas com medidas específicas para o numerário (preparadas previamente) e marcadores. Planificação da 6ª Atividade do projeto
108 Planificação da atividade: • Introdução do “Livro das Ações Mágicas”, explicando ao grupo qual a sua função e como deve ser utilizado. Data: 4 de dezembro de 2019 (acolhimento). Organização das crianças: em grande grupo. Competências a desenvolver: • Compreender o objetivo do “Livro da Ações Mágicas”; • Compreender que podem registar nele as suas boas ações; • Promover uma educação para os valores; • Promover a comunicação oral. Materiais necessários: Livro das Ações Mágicas (preparado previamente); saquinha das surpresas e a respetiva música. Planificação da 7ª Atividade do projeto
109 Planificação da atividade: • Exploração de uma tipologia de livro específica, o numerário; • Leitura e exploração da obra Sonho de Neve , de Eric Carle; • Exploração das texturas do livro e das suas abas. • Atividade de expressão plástica: pintura de um pinheiro de natal, com recurso a tintas, e, numa folha transparente, pintura com recurso a algodão, de modo a simular neve. A folha transparente ficará por cima da folha do pinheiro. Data: 5 de dezembro de 2019. Organização das crianças: em grande grupo e, posteriormente, individual. Competências a desenvolver: • Estimular a curiosidade por uma tipologia de livro específica, o numerário; • Promover o contacto com histórias; • Estimular o gosto pelo livro e pela leitura; • Promover a comunicação oral; • Efetuar contagens; • Associar o número à quantidade; • Desenvolver o sentido de número. Materiais necessários: obra Sonho de Neve , de Eric Carle; folhas; tintas; pincéis; algodão; folhas transparente (micas cortadas a meio). Planificação da 8ª Atividade do projeto
110 Planificação da atividade: • Exploração de uma tipologia de livro específica, o numerário; • Leitura e exploração da obra Aprende com Pop-up - Números , de Yoyo Books; • Contagem dos animais da obra. Data: 10 de dezembro de 2019. Organização das crianças: em grande grupo. Competências a desenvolver: • Estimular a curiosidade por uma tipologia de livro específica, o numerário; • Promover o contacto com histórias; • Estimular o gosto pelo livro e pela leitura; • Promover a comunicação oral; • Efetuar contagens; • Associar o número à quantidade; • Desenvolver o sentido de número. Materiais necessários: obra Aprende com Pop-up - Números , de Yoyo Books. Planificação da 9ª Atividade do projeto
117 Data: 15/05/2020 Ano/Turma: 2ºB Nº de alunos: 22 Professora Cooperante: Ana Afonso Conceitos: numerário, educação literária, consolidação conteúdos gramaticais e expressão escrita. Conteúdos a explorar Objetivos Descrição da atividade Recursos Duração Formas de agrupamento Avaliação Português: • Educação Literária; • Leitura; • Escrita; • Gramática. ✓ Ouvir ler obras literárias; ✓ Apropriar-se do conceito “numerário”; ✓ Antecipar o tema com base em elementos paratextuais (capa); ✓ Compreender narrativas literárias; ✓ Ler textos diversos; ✓ Apropriar-se de novos vocábulos; ✓ Desenvolver o conhecimento da ortografia; Esta aula tem como objetivo dar início à implementação do projeto de intervenção “Elaboração de um Numerário Digital”. Primeiramente, será explicitado o significado do conceito “numerário”, efetuando uma analogia entre este conceito e o conceito “abecedário”, referindo que um numerário representa uma sequência/catálogo de números. De seguida, de modo a demonstrar o que foi referido anteriormente, serão apresentadas duas obras como exemplo: ABC & 123 , de Luísa Ducla Soares, e Cá em casa somos… , de Isabel Minhós Martins e Madalena Matoso. Posteriormente, será efetuada uma leitura e exploração do numerário Cá em casa somos…. Para gravar a aula: • Telemóvel; • Obra ABC & 123 , de Luísa Ducla Soares; • Obra Cá em casa somos… , de Isabel Minhós Martins e Madalena Matoso. Para realizar os desafios propostos: Visualização da aula: 8 minutos. Realização dos desafios propostos: 45 minutos. Individual. A avaliação será feita através da observação das fotografias dos exercícios e da ficha enviadas pelos alunos, após a visualização do vídeo da aula.
118 ✓ Mobilizar o conhecimento da pontuação; ✓ Planificar a escrita de textos; ✓ Redigir corretamente; ✓ Proceder à revisão do texto; ✓ Consolidar conteúdos gramaticais relativamente às classes de palavras, à divisão silábica e ordenação de palavras por ordem alfabética. Antes da leitura da obra, será lançado um desafio aos alunos: “Olhando para a capa e tendo em conta o título, o que achas que se vai passar nesta história?”. No final da leitura, será lançada mais uma questão aos alunos: “O que significa a frase “falar como gralhas e comer como leões?”, sendo esta uma expressão utilizada no texto lido. Será fornecida aos alunos uma ficha, para que, após a visualização do vídeo, a possam realizar. Esta ficha contém algumas questões de compreensão de texto, consolidação de conteúdos gramaticais e um exercício de expressão escrita. • Caderno; • Lápis; • Borracha; • Ficha elaborada previamente.
119 Data: 22/05/2020 Ano/Turma: 2ºB Nº de alunos: 22 Professora Cooperante: Ana Afonso Conceitos: numerário, cidadania, competências sociais, regras de convivência social. Conteúdos a explorar Objetivos Descrição da atividade Recursos Duração Formas de agrupamento Avaliação Português: • Educação Literária. Estudo do meio: • À descoberta dos outros e das instituições. ✓ Apropriar-se do conceito “numerário”; ✓ Reconhecer algumas regras de convivência social; ✓ Apropriar-se de algumas atitudes cruciais para a convivência em grupo. Esta aula tem como objetivo dar continuidade à implementação do projeto de intervenção “Elaboração de um Numerário Digital”, focando num aspeto crucial para a elaboração do mesmo. Esse aspeto remete para a questão das competências sociais, que tendo em conta o contexto, foram estendidas até às questões de cidadania. Estas questões de cidadania englobam as competências sociais de cada aluno e as regras de convivência social. Nesta sessão será pedido a cada aluno para escrever 2/3 atitudes ou regras que achem fundamentais para uma boa convivência em grupo, em sociedade. Estas serão o ponto de Para gravar a aula: • Telemóvel. Para realizar os desafios propostos: • Caderno; • Lápis; • Borracha; • Manual de Estudo do Meio. Visualização da aula: 5 minutos. Realização dos desafios propostos: 20 minutos. Individual. A avaliação será feita através da observação das fotografias das frases enviadas pelos alunos, após a visualização do vídeo da aula.
120 partida, juntamente com os números, para a elaboração do numerário. Os alunos poderão recorrer ao manual de Estudo do Meio (página 22) para recordar algumas atitudes e regras que aprenderam anteriormente.
121 Data: 29/05/2020 Ano/Turma: 2ºB Nº de alunos: 22 Professora Cooperante: Ana Afonso Conceitos: numerário, escrita criativa, competências sociais. Conteúdos a explorar Objetivos Descrição da atividade Recursos Duração Formas de agrupamento Avaliação Português: • Educação Literária; • Escrita. Estudo do meio: • À descoberta dos outros e das instituições. Educação Artística: • Artes Visuais. ✓ Apropriar-se do conceito “numerário”; ✓ Reconhecer algumas regras de convivência social; ✓ Apropriar-se de algumas atitudes cruciais para a convivência em grupo; ✓ Escrever textos; ✓ Redigir corretamente; ✓ Mobilizar o conhecimento da pontuação; Esta aula tem como objetivo dar continuidade à implementação do projeto de intervenção “Elaboração de um Numerário Digital”, dando início à elaboração dos textos que irão formar o conteúdo do numerário. Primeiramente, irei explicitar aquilo que se pretende que cada aluno faça, ou seja, elaborar um texto (tipologia que quiser), respeitando o número e a regra/atitude que lhe for atribuído. Para além disso, terão de ilustrar o seu texto, sendo obrigatória a representação gráfica do número em questão. Serão fornecidas mais indicações aos alunos, tais como utilizar uma folha branca na vertical, para que consiga Para gravar a aula: • Telemóvel; • Obra ABC & 123, de Luísa Ducla Soares. Para realizar os desafios propostos: • Caderno; • Lápis; • Borracha; • Folhas brancas; Visualização da aula: 9 minutos. Realização dos desafios propostos: 60/90 minutos. Individual. A avaliação será feita através da observação das fotografias dos textos enviados pelos alunos, após a visualização do vídeo da aula.
122 ✓ Integrar a linguagem das artes visuais, assim como várias técnicas de expressão, na ilustração; ✓ Escolher técnicas e materiais de acordo com a intenção expressiva das suas produções plásticas. alguma homogeneidade no momento de criar, efetivamente, o numerário. De seguida, será explorado algum conteúdo da obra ABC & 123, de Luísa Ducla Soares, de modo a que os alunos percebam mesmo o que têm de fazer. Por último, serão atribuídos aos alunos os seus números e regras/atitudes, sendo que esta informação será enviada aos pais num documento, para que não haja erros ou falhas de comunicação. • Material de desenho e pintura.
123 Data: 05/06/2020 Ano/Turma: 2ºB Nº de alunos: 22 Professora Cooperante: Ana Afonso Conceitos: numerário, educação literária, hora do conto. Conteúdos a explorar Objetivos Descrição da atividade Recursos Duração Formas de agrupamento Avaliação Português: • Educação Literária. ✓ Apropriar-se do conceito “numerário”; ✓ Ouvir ler textos literários; ✓ Interpretar as intenções das personagens de uma história. Esta aula tem como objetivo dar continuidade à implementação do projeto de intervenção “Elaboração de um Numerário Digital”. De modo a dar mais tempo aos alunos para elaborarem o seu texto para o numerário, esta sessão, integrada no projeto, servirá para dar a conhecer aos alunos mais um numerário, dinamizando uma hora do conto. A obra explorada será João e Mais Oito – Um Livro Para Contar, de Maurice Sendak. Esta obra é um numerário e os alunos poderão disfrutar de uma hora do conto, através da leitura e exploração da mesma. Para gravar a aula: • Telemóvel; • Obra João e Mais Oito – Um Livro Para Contar, de Maurice Sendak. Visualização da aula: 5 minutos. Individual. Não haverá avaliação na dinamização desta atividade.
124 Data: 19/06/2020 Ano/Turma: 2ºB Nº de alunos: 22 Professora Cooperante: Ana Afonso Conceitos: numerário, projeto de intervenção, questionário. Conteúdos a explorar Objetivos Descrição da atividade Recursos Duração Formas de agrupamento Avaliação Português: • Educação Literária. ✓ Apropriar-se do conceito “numerário”; ✓ Ler histórias elaboradas pelos colegas; ✓ Reconhecer um objeto como fruto do trabalho de todos, de uma equipa. Esta aula tem como objetivo finalizar a implementação do projeto de intervenção “Elaboração de um Numerário Digital”. Os alunos terão acesso ao numerário finalizado, onde está o seu próprio trabalho e o dos colegas. Os alunos serão convidados a explorar todo o numerário, a imprimi-lo e a ler todas as histórias que o compõem. Para finalizar o projeto, e de modo a compreender o impacto do mesmo nos alunos, estes irão responder a um questionário online, relativamente ao projeto “Elaboração de um numerário digital”. Para gravar a aula: • Telemóvel. Para responder aos desafios propostos: • Computador ou outro dispositivo para responder ao questionário. Visualização da aula: 5 minutos. Realização dos desafios propostos: 30 minutos. Individual. A avaliação será realizada através das respostas dadas pelos alunos no questionário. Será uma avaliação do projeto, no geral.