Full text
Universidade do Minho Instituto de Ciências Sociais Marta Filipa Fernandes Fonseca Trabalho de Projeto de Ação O papel das redes sociais nas estratégias de divulgação da Intensify World outubro de 2023 UMinho | 2023 Marta Filipa Fernandes Fonseca O papel das redes sociais nas estratégias de divulgação da Intensify World
Marta Filipa Fernandes Fonseca O papel das redes sociais nas estratégias de divulgação da Intensify World Trabalho de Projeto Mestrado em Ciências da Comunicação Área de Especialização em Publicidade e Relações Públicas Trabalho efetuado sob a orientação da Professora Doutora Ana Melo Universidade do Minho Instituto de Ciências Sociais outubro de 2023
O papel das redes sociais nas estratégias de divulgação da Intensify World DIREITOS DE AUTOR E CONDIÇÕES DE UTILIZAÇÃO DO TRABALHO POR TERCEIROS Este é um trabalho académico que pode ser utilizado por terceiros desde que respeitadas as regras e boas práticas internacionalmente aceites, no que concerne aos direitos de autor e direitos conexos. Assim, o presente trabalho pode ser utilizado nos termos previstos na licença abaixo indicada. Caso o utilizador necessite de permissão para poder fazer um uso do trabalho em condições não previstas no licenciamento indicado, deverá contactar o autor, através do RepositóriUM da Universidade do Minho. Atribuição CC BY https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/ ii
O papel das redes sociais nas estratégias de divulgação da Intensify World Agradecimentos Queria agradecer, antes de mais, à minha família, por todo o apoio e pela oportunidade de poder ter chegado onde cheguei. Aos meus amigos, de uma vida e aos que descobri na universidade que, embora não sejam de uma vida, são para a vida. E, por fim, mas não menos importante, à minha orientadora Professora Ana Duarte Melo. iii
O papel das redes sociais nas estratégias de divulgação da Intensify World DECLARAÇÃO DE INTEGRIDADE Declaro ter atuado com integridade na elaboração do presente trabalho académico e confirmo que não recorri à prática de plágio nem a qualquer forma de utilização indevida ou falsificação de informações ou resultados em nenhuma das etapas conducente à sua elaboração. Mais declaro que conheço e que respeitei o Código de Conduta Ética da Universidade do Minho. ii
O papel das redes sociais nas estratégias de divulgação da Intensify World Resumo As redes sociais assumem-se, hoje, mais do que nunca, como uma parte fulcral da comunicação de qualquer empresa, instituição, associação ou pessoa. Consideramos o tema relevante, porque, num mundo em que se fala tanto das redes sociais e dos benefícios que estas trouxeram para as nossas vidas, propomo-nos a perceber se funcionam como um meio de divulgação de informação e como um meio de literacia de uma instituição particular de solidariedade social: a Intensify World. A Intensify World é uma associação voluntária, tecnológica e recreativa, que assenta em quatro pilares, por forma a ajudar os jovens: Educação, Solidariedade, Meio Ambiente e Tecnologia. Mas isto, por si só, não nos diz verdadeiramente em que é que a associação atua, evidenciando a ausência de uma estratégia ou plano de comunicação para divulgar os seus serviços ou as áreas concretas de atuação. Com base nesta observação, identificamos ser este o maior problema (o facto de não conseguir exprimir concretamente os seus serviços) de comunicação da organização, e comprometemo-nos, com este projeto de ação, a tentar colmatá-lo através da utilização estratégica e eficaz das redes sociais como um veículo de transmissão de informação, nomeadamente para dar a conhecer os serviços e áreas em que atua e como atua a associação, ou seja, a sua função e missão. Visto que, atualmente, as redes sociais são o meio onde as pessoas mais consomem informação, consideramos que seria o meio ideal para pôr em prática este projeto de ação. Neste projeto de investigação-ação, pretendemos identificar problemas de comunicação da Intensify World (supra-referido), propor soluções, nomeadamente, a divulgação de vídeos sobre as áreas de atuação da associação, implementá-las e monitorizar o seu resultado, com particular ênfase na utilização de redes sociais. Com base neste esquema, fomos capazes de perceber que as redes sociais são um bom veículo de transmissão de informação e que a instituição, simplesmente, não as estava a utilizar da melhor forma, não partilhando, até, conteúdos que os seguidores teriam interesse em ver. Palavras-chave: comunicação digital, redes sociais, seguidores, associação voluntária, projeto de ação iii
O papel das redes sociais nas estratégias de divulgação da Intensify World Abstract Today, more than ever, social networks are a central part of the communication of any company, institution, association or individual. We consider the topic relevant because, in a world where there is so much talk about social networks and the benefits they have brought to our lives, we set out to understand whether they work as a means of disseminating information and as a means of literacy for a private charity: Intensify World. Intensify World is a voluntary, technological and recreational organisation based on four pillars to help young people: Education, Solidarity, Environment and Technology. But this in itself doesn't really tell us what the association is working on, as it shows the absence of a communication strategy or plan to publicise its services or specific areas of activity. Based on this observation, we identified this as the organisation's biggest communication problem (not being able to express its services concretely), and we undertook, with this action project, to try to overcome it by using social networks strategically and effectively as a vehicle for transmitting information, namely to publicise the services and areas in which it operates and how the association operates, in other words, its role and mission. Given that social networks are currently the medium where people consume the most information, we thought it would be the ideal way to put this action project into practice. In this action-research project, we set out to identify Intensify World's communication problems (mentioned above), propose solutions, namely the dissemination of videos on the association's areas of activity, implement them and monitor their results, with particular emphasis on the use of social networks. Based on this scheme, we were able to realise that social networks are a good vehicle for transmitting information and that the institution simply wasn't making the best use of them, not even sharing content that followers would be interested in seeing. Keywords: digital communication, social networks, followers, voluntary association, action project iv
O papel das redes sociais nas estratégias de divulgação da Intensify World Índice IIntrodução……………………………..………………………………………………......…………………………………..1 Porquê esta temática e instituição?………..………………………………………………………….………...2 Identificação e caracterização da Intensify World…..…………………………………………….………….2 Apresentação do projeto………………………………..…………………………………………………..……...3 IIEnquadramento………………………………………………………..………………………………………………...…..3 Capítulo 1 – As redes sociais………………………………..……………………………………………………..………..3 1. As Redes Sociais: um fenómeno atual..…………………………………………………..………………..3 1.1. O estudo científico das redes………..………………………….….……………………...……………….7 1.2. Modelo de Redes……………………………………………………………..………………………………..9 1.2.1. Modelo de Redes Aleatórias……………………..…………………………………………...………….10 1.2..2. Modelo de Mundos Pequenos………………………..…………………………………….………….10 1.2.3. O Modelo das Redes Sem Escalas………………………..……………………………..……………11 1.3. Redes Sociais na Internet…………………………………………………………………………..……….12 1.3.1. Orkut, Facebook, Instagram e Twitter: as principais redes atuais…………..…...……………12 1.4. Dados sobre as redes sociais em Portugal…………………………………………………..………...14 1.5. Consequências das redes sociais………………………………………………………………..……….14 1.5.1. A dependência……………………………………………………………………………………………....15 1.5.2. Como prevenir a dependência…………………………………………………………………………..16 Capítulo 2 – A comunicação estratégica e organizacional……………………………………………………..……16 1. A comunicação estratégica…………………………………………………………………………………….16 2. A Comunicação Organizacional………………………………………………………………………..…….18 v
O papel das redes sociais nas estratégias de divulgação da Intensify World "business" em que está estabelecida uma rede entre cliente/empresa que não é visível. Redes sociais são redes de ligação entre pessoas em que se estabelecem contactos pessoais e interpessoais. São redes que se criam de forma presencial ou não presencial. Exemplo de redes sociais pessoais são encontros de amigos em cafés, concertos, jogos de futebol. Tem sempre por detrás um acontecimento social. Exemplos de redes sociais não presenciais, ou seja, remotos, são por exemplo, chamadas telefónicas ou vídeochamadas. As redes sociais digitais são um processo mais atual, um encontro remoto que permite criar comunidades sem limite e com vários interesses. As redes sociais são um processo que permite a identificação com outras pessoas com os mesmos interesses ou discussão e interação a partir de um dispositivo móvel com acesso a meios digitais (ex: Facebook, Instagram, etc.) Atualmente, não podemos negar o peso que o mundo virtual tem no mundo real, porque estaríamos a caminhar na direção errada. “Vivemos um momento histórico em que o mundo virtual tem um peso cada vez mais significativo no mundo real. O primeiro não apenas repercute o segundo; ele o influencia. Em alguns casos, até o molda!” (Hunt, 2009, p.14). E quantos de nós não fomos já moldados pelo mundo virtual em que vivemos? Seja por um post de uma pessoa, por um post de uma marca, por uma propaganda publicitária ou até mesmo por uma simples mensagem. O mundo virtual gira à nossa volta, mas não só: faz parte de quem somos. E quando falo em nós, não me refiro apenas a seres individuais, mas também a empresas, por exemplo. É desnecessário escrever aqui o quanto a Internet mudou a vida de todos nós. Algumas empresas entenderam isso adequadamente e estão aderindo à rede mundial de computadores e aprendendo a lidar com suas particularidades. Em outras, contudo, os gestores ainda despendem seu tempo tentando desesperadamente fechar, e trancar, suas portas virtuais. Um desperdício de tempo (Hunt, 2009, p.14). E estas redes sociais até assumem um papel importantíssimo nas empresas atuais: “os comentários e as reações negativas a uma empresa no mundo digital podem representar perda do seu capital digital” (Hunt, 2009, p.15). Contudo, não se pode criar uma rede social só por criar, é preciso ter uma estratégia bem definida por trás: “na perspetiva empresarial, as Redes Sociais apresentam um desafio para as marcas. Criar uma conta no Facebook ou no Twitter sem uma estratégia definida e apenas porque todas as empresas o fazem pode revelar-se um erro fatal” (Marques, 2016, p. 3). 4
O papel das redes sociais nas estratégias de divulgação da Intensify World As pessoas estão em redes sociais para se conectar e construir relacionamentos. Relacionamentos e conexões, com o tempo, levam à confiança, que é a chave para a formação de capital. O capital sobre o qual estou falando, contudo, não é o de variedade monetária. É o capital social, mais conhecido como whuffie. Um capitalista social é alguém que constrói e nutre uma comunidade, aumentado, portanto, o seu whuffie (Hunt, 2009. p.2), sendo que “whuffie” significa reputação em português. E nada é mais importante no mundo virtual que a reputação: quem tem uma boa reputação tem tudo. E, obviamente, quem tem um bom capital social ou “whuffie”, tem também um bom capital monetário, visto que uma boa reputação traz com ela negócio. Mas a verdade é que as redes sociais não servem apenas para venda, há todo um conjunto de influências que estas novas tecnologias exercem sobre nós. “A inserção em rede é determinante para o compartilhamento da informação e do conhecimento. Isto porque as redes são espaços valorizados para o compartilhamento da informação e para a construção do conhecimento“ (Tomaél et al., 2005, p.93). As redes sociais, segundo Marteleto (2001), representam [...] um conjunto de participantes autônomos, unindo idéias e recursos em torno de valores e interesses compartilhados (…). Nas redes sociais, cada indivíduo tem sua função e identidade cultural. Sua relação com outros indivíduos vai formando um todo coeso que representa a rede (Marteleto, 2001, p.72). E não somos só nós que nos vamos adaptando às redes sociais: elas também vão evoluindo com o tempo e tentando sempre dar resposta aos nossos interesses. “Este mundo [das redes sociais] está em constante evolução, pois vão surgindo novos Social Media que se vão adaptando às necessidades do público, revelando novas funcionalidade” (Marques, 2016, p.1). Em 2016 e segundo o livro “Redes Sociais 360Como comunicar online”, “dados do Google Consumer Barometer para Portugal indicam que em termos de dispositivos conectados à Internet cerca de 59% são smartphones , 65% computadores e 31% tablets . Em média, cada português dispõe de 2, 3 equipamentos” (Marques, 2016, p.3). E a tendência é para subir, visto que “vivemos numa sociedade hiperconectada que é consequência de uma evolução tecnológica sem precedentes. Enquanto consumidores estamos permanentemente envolvidos com as marcas através dos mais diversos dispositivos ( tablets, smartphones , portáteis)” (Marques, 2016, p.3). Tendo por base o “Relatório sobre o digital para 2022” 5
O papel das redes sociais nas estratégias de divulgação da Intensify World e para termos uma noção dos dados mais recentes, estes números já subiram: atualmente, 93,75% da população acede à Internet através do telemóvel, 83,9% através do computador pessoal, 82,9% do tablet e, por fim, apenas 34,6% acedem através do computador do trabalho. Neste momento, deixamos de assistir a um domínio da comunicação face ao consumidor, pois assistimos à emancipação deste mesmo, que se torna, cada vez mais, o fator dominante: as marcas já não controlam a sua comunicação como outrora, sendo que há muito que a comunicação deixou de ser unilateral. Estamos na era em que o consumidor assumiu o controlo e é participativo em todo o processo de comunicação, que passou a ser multilateral (Marques, 2016, p.3). Isto fez com que as marcas adotassem, cada vez mais, técnicas consumer centric . Passemos, agora, aos números que estas redes sociais têm assumido: cerca de 65% da consumer journey é feita online. Se olharmos para o comportamento online do consumidor português, por cada hora de navegação na Internet, cerca de 26, 3 minutos são passados nas Redes Sociais (Marktest). Ou seja, as Redes Sociais representam 44% do tempo de navegação. O número de utilizadores das Redes Sociais tem vindo a crescer. A nível global, o Facebook tem 1650 milhões de utilizadores ativos mensais, o Instagram cerca de 500, o Twitter 320, o Snapchat 200 e o LinkedIn 433 milhões (Statista, dados de abril, 2016). De acordo com dados oficiais do Facebook, em Portugal existem 5,2 milhões de utilizadores ativos mensais, dos quais 4 milhões acedem a partir do telemóvel (Marques, 2016, p.3). Em 2022, no nosso país, cerca de 85% da população utilizava frequentemente a Internet, ou seja, mais de oito milhões de portugueses, sendo que as redes sociais ocupam 2h30min do tempo que estes passam online. Nesse ano, o Facebook teve 49,3 milhões de visitas por mês e o Instagram 10,3 milhões. 6
O papel das redes sociais nas estratégias de divulgação da Intensify World 1.1. O estudo científico das redes Na estratégia nas redes sociais, “o conteúdo é rei” (Marques 2016, p.17). Mas é preciso ter consciência que cada plataforma tem as suas características e, por isso, este conteúdo tem de ser adaptado a diferentes plataformas e públicos-alvo. Manuel Castells (1999) alerta para o fenómeno das redes como uma nova morfologia social que altera profundamente os fluxos de informação, a cultura e os modos de produção. “O poder dos fluxos de informação, em especial, possibilitado pelas novas tecnologias, passa a exercer um papel mais importante que os próprios fluxos de poder” (Souza & Quandt, 2008, p.2). Assim, segundo Souza e Quandt (2008), as redes sociais podem assumir diferentes formatos e níveis de formalidade no decorrer do tempo e podem, ainda, surgir em torno de objetivos diversos: políticos, económicos, culturais, informacionais, entre outros. Na verdade, as análises tentam sempre reproduzir através das redes certas estruturas relacionais de médio alcance, que podem ser levantadas e estudadas de forma dedutiva, construindo um nível analítico intermediário entre estrutura a ação social. Em termos concretos, a análise de redes tenta reproduzir através de representações gráficas e matemáticas os contextos relacionais mais variados nos quais se inserem os atores sociais. Nas análises desse tipo, pessoas, grupos, organizações e entidades são representadas como nós e as relações são representadas como vínculos de tipos diversos. Os vínculos podem ser materiais e imateriais, podem apresentar conteúdos múltiplos e usualmente são pensados como em constante transformação (Marques, 2007, p.35). O fundamento teórico básico da análise de redes sociais é que os fenómenos sociais têm como as suas unidades básicas as relações sociais e não os atributos dos indivíduos. Neste sentido, o mundo social seria constituído ontologicamente por padrões de relação de vários tipos e intensidades em constante transformação. Na formulação das primeiras sínteses teóricas sobre o problema, atributos e relações eram pensados como ênfases analíticas excludentes de uma forma até certo ponto reducionista. Contemporaneamente, os dois elementos são pensados em associação, visto que entidades com atributos comuns têm maior probabilidade de estabelecer relações pela presença de mecanismos de homofilia (Marques, 2007, p.35). Mas, afinal, o que são as redes sociais e para que servem? 7
O papel das redes sociais nas estratégias de divulgação da Intensify World Redes Sociais são estruturas dinâmicas e complexas formadas por pessoas com valores e/ou objetivos em comum, interligadas de forma horizontal e predominantemente descentralizada. As redes sociais têm sido utilizadas por psicólogos, sociólogos, antropólogos, cientistas da informação e pesquisadores da área da administração para explicar uma série de fenómenos caracterizados por troca intensiva de informação e conhecimento entre as pessoas. Considera-se, em geral, que a velocidade das mudanças ambientais e a necessidade constante de inovação nos negócios é um dos fatores-chave na emergência e visibilidade que as redes sociais têm alcançado. Mais recentemente, os movimentos da sociedade civil na busca por soluções para problemas sociais crónicos como fome, miséria e violência têm contribuído para um interesse ainda maior nas redes sociais e suas propriedades. São exemplos práticos de redes sociais os conselhos políticos internacionais, as redes terroristas, as associações de classe, as redes de especialistas e académicos (Souza & Quandt, 2008, p.2). De acordo com Marques (2007), as redes podem ser consideradas apenas de maneira metafórica “(como no caso das diversas tradições das ciências sociais que usam as redes em termos descritivos e discursivos)” (Marques, 2007, p.35), normativamente “(como nos estudos de administração de empresas que objetivam melhorar as redes)” (Marques, 2007, p.35) ou como método para o estudo de situações sociais específicas através do estudo das conexões sociais nelas presentes. Atualmente, as redes sociais em ambientes digitais são cada vez mais amplas, complexas e estruturadas, e muitas perceções e comportamentos são formatados preferencialmente ou apenas nesse contexto. Os primeiros passos da teoria das redes encontram-se principalmente nos trabalhos do matemático Ëuler que criou o primeiro teorema da teoria dos grafos. Um grafo é uma representação de um conjunto de nós conectados por arestas que, em conjunto, formam uma rede. Em cima dessa nova ideia, vários estudiosos dedicaram-se ao trabalho de compreender quais eram as propriedades dos vários tipos de grafos e como se dava o processo da sua construção, ou seja, como seus nós se agrupavam. Essa forma de perceção das coisas como redes seria crucial para a compreensão das relações complexas do mundo ao nosso redor (Recuero, 2004, p.2). A análise das redes sociais parte de duas grandes visões do objeto de estudo: as redes inteiras (whole networks) e as redes personalizadas (egocentered networks). O primeiro aspeto é focado na relação estrutural da rede com o grupo social (…). O segundo foco estaria no 8
O papel das redes sociais nas estratégias de divulgação da Intensify World papel social de um indivíduo poderia ser compreendido não apenas através dos grupos (redes) a que ele pertence, mas igualmente, através das posições que ele tem dentro dessas redes. A diferença entre os dois focus está no corpus da análise escolhida pelo pesquisador (Recuero, 2004, p.3). Para ir além dos atributos individuais e considerar as relações entre os atores sociais, a análise das redes sociais procura focar-se em novas "unidades de análise", tais como: relações (caracterizadas por conteúdo, direção e força), laços sociais (que conectam pares de atores através de uma ou mais relações), multiplexidade (quanto mais relações um laço social possui, maior a sua multiplexidade) e composição do laço social (derivada dos atributos individuais dos atores envolvidos) (Recuero, 2004, p.3). A verdade é que a análise das redes sociais pretende focar-se na interação como fundamento principal do estabelecimento das relações sociais entre os agentes humanos, que originam as redes sociais, tanto no mundo real, como no virtual. “Isso porque em uma rede social, as pessoas são os nós e as arestas são constituídas pelos laços sociais gerados através da interação social” (Recuero, 2004, p.3). Conhecido o mundo das redes sociais, passaremos, agora, a analisar modelos de redes que foram sendo mudados ao longo do tempo, como a evolução natural das coisas e que são bastante importantes no estudo das redes sociais. 1.2. Modelo de Redes Nas redes sociais, todos estamos interligados por nós e ninguém é independente. Torna-se, então, imperativo estudar como esta relação se foi alterando ao longo dos tempos. Nos últimos anos, toda uma atenção renovada tem sido dadas às redes complexas através de estudos das áreas da física aplicados às redes, sejam sociais e às redes como um todo. Nessas novas perspetivas, foram criados modelos, numa tentativa de explicar características e propriedades das redes (Recuero, 2004, p.4). Watts (2003) afirma que a diferença entre os novos estudos de redes e os antigos é que "no passado, as redes foram vistas como objetos de pura estrutura, cujas propriedades estavam fixadas no tempo. Nenhuma dessas assertivas poderia estar mais distante da verdade" (Watts, 2003, p. 28). Estas novas 9
O papel das redes sociais nas estratégias de divulgação da Intensify World abordagens são importantes para o estudo das redes sociais, na medida em que nos ajudam a “perceber a estrutura não como determinada e determinante, mas como mutante no tempo e no espaço” (Recuero, 2004, p.4). 1.2.1. Modelo de Redes Aleatórias Paul Erdös e Alfred Rényi foram dos primeiros matemáticos a estudar os grafos e as suas propriedades. De entre vários estudos que realizaram, destaca-se o random graphs . Pensando sobre como se formariam as redes sociais, eles demonstraram que bastava uma conexão entre cada um dos convidados de uma festa, para que todos estivessem conectados ao final dela. Erdös e Rényi ainda atentaram para outro fato: Quanto mais links eram adicionados, maior a probabilidade de serem gerados clusters, ou seja, grupos de nós mais conectados. Uma festa, portanto, poderia ser um conjunto de clusters (grupos de pessoas) que de tempos em tempos estabeleciam relações com outros grupos (rede). Entretanto, como esses nós se conectariam? Eles acreditavam que o processo de formação dos grafos era randómico, no sentido de que esses nós se agregavam aleatoriamente (Recuero, 2004, p.4). Dessa premissa, Erdös e Rényi concluíram que todos os nós, numa determinada rede, deveriam ter mais ou menos a mesma quantidade de conexões, “ou igualdade nas chances de receber novos links , constituindo-se, assim, como redes igualitárias” (Barabási, 2003, p.5). Por fim, para Paul Erdös e Alfred Rényi, quanto mais complexa fosse a rede, mais probabilidades tinha de ser aleatória. 1.2.2. Modelo de Mundos Pequenos As redes sociais não são dependentes umas das outras e, por isso, é possível dizer-se que as pessoas se encontram todas interligadas umas às outras. Stanley Milgram, sociólogo, foi a primeira pessoa a realizar um estudo para observar os graus de separação entre as pessoas. Ele enviou uma determinada quantidade de cartas a vários indivíduos, de forma aleatória, solicitando que tentassem enviar a um alvo específico. Caso não conhecessem o alvo, as pessoas eram solicitadas então, a enviar as cartas para alguém que acreditassem estar mais perto dessa pessoa. Milgram descobriu que, das cartas que chegaram ao seu destinatário final, a maioria havia passado apenas por um pequeno 10
O papel das redes sociais nas estratégias de divulgação da Intensify World número de pessoas. Isso indicaria que as pessoas estariam efetivamente, a poucos graus de separação umas das outras (Recuero, 2004, p.5). Em 1973, Mark Granovetter veio também a contribuir para este modelo, com a sua teoria sobre “laços fracos” e “laços fortes”. Segundo ele, pessoas que partilhavam laços fortes (amigos próximos ou família, por exemplo) seriam mais propensas a pertencer ao mesmo círculo social. Já as que partilham laços fracos (amigos distantes ou conhecidos), assumem importância, porque são elas que conectam diferentes grupos sociais. Posto isto, dois desconhecidos que têm em comum um amigo possuem muito mais chances de virem a se conhecer no tempo do que um padeiro da Argentina e um agricultor chinês. As redes sociais, portanto, não são simplesmente randómicas. Existe algum tipo de ordem nelas (Recuero, 2004, p.5). A partir destes dois estudos, Ducan Watts chegou à conclusão que as redes sociais “apresentavam padrões altamente conectados, tendendo a formar pequenas quantidades de conexões entre cada indivíduo” (Recuero, 2004, p.5). 1.2.3. O Modelo das Redes Sem Escalas Porém, em 2003, Barabási mostrou que as redes não se formavam de modo aleatório, pois ele acreditava que existiam leis bem específicas. Essa lei, ou padrão de estruturação, foi chamada por Barabási de "rich get richer"- ricos ficam mais ricos. Ou seja, quanto mais conexões um nó possui, maiores as chances de ele ter mais novas conexões. Ele chamou essa característica de preferential attachment ou conexão preferencial: Um novo nó tende a se conectar com um nó pré existente, mas mais conectado. Essa assertiva implica em outra premissa fundamental: as redes não seriam constituídas de nós igualitários, ou seja, com a possibilidade de ter, mais ou menos, o mesmo número de conexões. Ao contrário, tais redes possuiriam nós que seriam altamente conectados ( hubs ou conectores) e uma grande maioria de nós com poucas conexões. Os hubs seriam os "ricos", que tenderiam a receber sempre mais conexões. As redes com essas características foram denominadas por ele "sem escalas" ( scale free ) (Recuero, 2004, p.6). 11
O papel das redes sociais nas estratégias de divulgação da Intensify World 1.3. Redes Sociais na Internet Para comprovar a funcionalidade dos modelos supra apresentados, apresentaremos alguns sistemas que podem ajudar na observação das redes sociais na Internet. “Esses sistemas funcionam com o primado fundamental da interação social, ou seja, buscando conectar pessoas e proporcionar sua comunicação e, portanto, podem ser utilizados para forjar laços sociais” (Recuero, 2004, p.7). 1.3.1. Orkut, Facebook, Instagram e Twitter: as principais redes atuais Inicialmente, o Orkut parece ir de encontro ao modelo de Watts, visto que parece demonstrar a existência de redes sociais amplas, altamente conectadas, com um grau de separação muito pequeno. Uma avaliação mais aprofundada, dir-nos-à que se assemelha ao modelo de Barabási. Porém, se analisarmos bem, percebemos que este também apresenta problemas, porque, no Orkut, podemos adicionar pessoas como amigos sem sequer os conhecermos, o que nos faz pensar que não há qualquer interação social. Se não existe interação social como pressuposto para o estabelecimento dessas conexões no sistema, será que ele pode ser considerado uma rede social? (…) essas redes não poderiam ser consideradas a priori redes sociais, porque em sua formação (ato de adicionar amigos), elas dispensam a interação social, já que esta não é pressuposto para o estabelecimento da conexão (Recuero, 2004, p.9). Para além disso, podemos dizer que o modelo de Barabási só funciona ao nível de software, negligenciando o nível social, apresentando, assim, mais problemas: o primeiro deles é que a existência de hubs sociais toma como pressuposto uma relação social que não tenha custos para as partes. Uma relação social, portanto, na qual as partes envolvidas não precisam despender tempo, capital social e envolvimento para aprofundar ou manter a conexão entre elas. Isso porque seria impossível para os hubs sociais que conseguissem manter algum tipo de i nteração com um número tão imenso de conexões. Um laço social pressupõe algum tipo de manutenção, seja ele fraco ou forte. A única diferença entre esses laços é a quantidade de manutenção exigida (Recuero, 2004, p.10). O modelo de Watts já é mais claro: “além de ser possível visualizar os clusters sob a forma de grupos e comunidades, percebe-se como essas são unidas entre si através dos seus membros, que participam 12
O papel das redes sociais nas estratégias de divulgação da Intensify World também de outros grupos. O Orkut é efetivamente um mundo pequeno” (Recuero, 2004, p.10). No entanto, são visíveis os mesmos problemas do modelo de Barabási, porque a maior parte das conexões não exige interação social. Por fim, o modelo de Erdös e Rényi parece fazer mais sentido neste sistema. “Ora, as conexões no Orkut são estabelecidas de modo aleatório pelos hubs . Logo, faz sentido entender que todos os nós têm a mesma chance de receber essas conexões. Seria uma rede mais igualitária. Mas essa assertiva não é inteiramente verdadeira” (Recuero, 2004, p.11), porque a verdade é que nem todas as conexões são aleatórias, apesar de muitas o serem. Decidimos juntar as redes sociais (Instagram, Facebook e Twitter), por acreditarmos que partem da mesma base e do mesmo princípio: reunir pessoas. Podemos assumir que as três podem se relacionar com qualquer um dos modelos e é difícil estabelecer o que mais relação tem com estas redes sociais. O modelo de Paul Erdös e Alfred Rényi faz algum sentido, visto que, muitas vezes, os nós que estabelecemos são apenas randómicos e não existe qualquer fundamento por trás deles. Porém, mais uma vez, nem todas as conexões que estabelecemos são aleatórias: conectamo-nos com amigos e com familiares, por exemplo. Já tendo por base o estudo de Stanley Milgram, podemos afirmar que, muitas vezes, a informação transmitida nestas redes sociais passa apenas por um pequeno número de pessoas (principalmente, quando temos poucos nós). No entanto, e quando partilhamos informação nas redes sociais não é com o intuito de que ela chegue a poucas pessoas: antes pelo contrário, fazemo-lo para que tenha vários destinatários e é isso que acontece a maioria das vezes. Por isso, também este modelo apresenta problemas. Analisando estas redes a partir do modelo de Mark Granovetter, no Facebook, no Instagram e no Twitter, as coisas não são só e apenas randómicas, elas apresentam alguma lógica. Duas pessoas de Portugal têm muitas mais probabilidades de se virem a conhecer e a conectar do que um português e um americano. E a verdade é que estas redes sociais sugerem-nos sempre pessoas para nos conectarmos e nunca é de forma aleatória, tem sempre uma lógica por trás. De igual modo, não podemos dizer que o modelo de Watts esteja completamente certo, porque, mais uma vez, há conexões que não exigem qualquer tipo de interação social. 13
O papel das redes sociais nas estratégias de divulgação da Intensify World Pérez critica, principalmente, o facto de as estratégias serem vistas como ferramentas para atingir os objetivos. Este paradigma administrativo/económico enquadra-se na forma como os administradores têm agido anteriormente: a crença de que apenas os recursos internos da organização importam para seu sucesso, a ilusão de que é possível evitar que mudanças externas gerem impacto sobre sua organização e a visão da comunicação como instrumento voltado à transmissão de informações (Kunsch, 2018, p.19). Outra crítica de Pérez prende-se com a pouca atenção dada ao crescimento das redes. 4. Perspetivas da comunicação organizacional estratégica A comunicação organizacional estratégica sempre foi relevante no contexto social e das organizações. “Frente às transformações que vêm ocorrendo continuamente e as grandes incertezas globais presentes na contemporaneidade, não há mais espaço para uma comunicação meramente instrumental, técnica e tática” (Kunsch, 2018, p.20). Para Rafael Pérez (2008) “é uma forma de ação social que se caracteriza por se produzir em uma situação de jogo estratégico na qual os jogadores fazem uso da interação simbólica para resolver seus problemas ou maximizar suas oportunidades” (Pérez, 2008, p.458). E, ainda, “serve para direcionar o poder da comunicação e, assim, incidir nos resultados da partida que estamos jogando, na orientação que marca nossos objetivos” (Pérez, 2008, p.458). Esta comunicação estratégica, dependendo dos sujeitos envolvidos, pode ser mais tradicional ou mais interativa. Na sua forma mais tradicional, esta é feita tendo em conta os resultados pragmáticos e os objetivos. É considerada um fator que agrega valor à organização e aos negócios. Alinha -se, estrategicamente, por meio do planeamento estratégico e de gestão, aos objetivos globais da organização e aos princípios estabelecidos em relação a sua missão, sua visão e seus valores (Kunsch, 2018, p.20). Claro que, dentro do sistema capitalista em que vivemos, a comunicação tem de trazer benefícios à organização, mas isso não significa que deixe de parte valores humanos e sociais. 20
O papel das redes sociais nas estratégias de divulgação da Intensify World Segundo Ivone de Lourdes Oliveira e Maria Aparecida de Paula (2007), os componentes da comunicação estratégica são: 1. Tratamento processual da comunicação – possibilita a combinação dos fluxos informacionais e relacionais; 2. Inserção na cadeia de decisões – a comunicação é considerada e valorizada pela alta gestão; 3. Gestão de relacionamentos – vista como componente estratégico que valoriza as interações e os diálogos; 4. Processo planeado – uso de metodologias para uma sistematização e alinhamento estratégico das ações; 5. Processo monitorado – acompanhamento e avaliação com vistas à qualidade dos processos e os impactos provocados com as ações levadas a efeito (Oliveira & Paula, 2007, p.43). De ressalvar que o facto de existir comunicação estratégica, quer a nível interno como externo, requer a existência de requisitos prévios: revisão e avaliação dos paradigmas organizacionais vigentes e da comunicação; entendimento de que a comunicação estratégica é intencional e estruturada por políticas, estratégias e princípios; uso de metodologias flexíveis de formulação de estratégias; utilização de aportes teóricos e metodológicos de planeamento estratégico; valorização do uso de pesquisas e auditorias; análises ambientais e estratégica de cenários; construção de diagnósticos situacionais; monitorização e avaliação das ações comunicativas. Pressupõe também que planeamento e gestão devem ser atividades bem articuladas e monitoradas por seus agentes (Kunsch, 2018, p.21). IIPesquisa/Diagnóstico e Planificação Capítulo 3 – Desenho Metodológico do Projeto Tendo presente a fundamentação teórica anteriormente apresentada, neste capítulo será salientado o caminho metodológico a adotar. A metodologia ajuda-nos a ser racionais no nosso percurso, assegurando a clareza necessária e reduzindo a interferência subjetiva do investigador (Selltiz et al., 1965). 21
O papel das redes sociais nas estratégias de divulgação da Intensify World Por isso, estabelecemos uma pergunta de partida- “serão as redes sociais um suporte de comunicação eficaz para dar a conhecer a Intensify World e as suas áreas de atuação?”- clara, exequível e pertinente, a qual funcionará como um “primeiro fio condutor da investigação” e que permita ao investigador estudar o tema em profundidade e “compreender melhor” (Quivy & Campenhoudt, 1998). Para respondermos a esta pergunta de partida, estipulamos alguns objetivos que giram em torno das redes sociais: - perceber qual a sua importância no mundo atual; - perceber o seu potencial para a comunicação da Intensify World; - perceber as consequências positivas e negativas que as redes sociais têm na vida das pessoas; - perceber a sua importância para uma associação de voluntariado; - perceber se, através delas, os seguidores da Intensify World ficam a perceber os serviços e áreas de atuação da organização; - para além disso e posteriormente à ação posta em prática, perceber se houve um crescente do número de seguidores; - que impacto a ação terá nos seguidores já existentes. 1. Paradigma, metodologia e método de investigação-ação Tendo em conta estes objetivos e a questão de investigação, irá ser adotada a metodologia de investigação-ação, visto que a investigadora terá que intervir na realidade em estudo, para dar origem a uma mudança, ao mesmo tempo que a analisa criticamente. A metodologia será sustentada pelo paradigma crítico, uma vez que temos como objetivo principal intervir numa situação ou contexto e solucionar um ou vários problemas reais (Coutinho, 2014). Assim sendo, trata-se de uma investigação que requer um estudo intensivo de uma entidade bem definida (Martins, 2008), que, neste caso, é a Intensify World. 22
O papel das redes sociais nas estratégias de divulgação da Intensify World Com este estudo pretende-se analisar o papel das redes sociais nas estratégias de divulgação da Intensify World, nomeadamente, sobre as áreas em que esta organização atua. É uma instituição que cumpre com todos os pressupostos necessários à elaboração do estudo e após o contacto, a mesma, demonstrou colaboração total. A seleção desta instituição deveu-se a um critério de conveniência, uma vez ser uma organização com grande impacto na área onde a investigadora reside. O estudo decorreu em três etapas, incluindo a elaboração e implementação de um plano de comunicação. 1.1. Fase de diagnóstico A primeira etapa englobou a pesquisa e o diagnóstico sobre a comunicação atual da Intensify World, bem como uma conversa informal com o fundador. De seguida, procedeu-se à análise dos canais de comunicação da associação, como o website e as suas redes sociais (Facebook e Instagram). Neste processo, procurou-se entender como é realizada a comunicação por parte da associação, nomeadamente nas suas redes sociais. Depois da conversa informal com o fundador, foi possível entender que, segundo este, o público da associação não percebe bem em que áreas a Intensify World atua e, depois da análise das redes sociais, deu para constatar isso mesmo. Afinal, não há nenhum post claro que explicite as áreas de atuação e é natural que o seu público não as reconheça. Para perceber ainda como a comunicação da Intensify é percecionada pelo público, aplicou-se um questionário anónimo. 1.1.1. Questionário de diagnóstico O inquérito é dos instrumentos mais utilizados (Landsheere, 1993) e que ajuda o investigador a responder a uma problemática, através da inquirição a uma amostra “representativa da população” que se pretende estudar (Coutinho, 2014). Tendo por base estas afirmações, considerou-se o questionário como o método de recolha mais pertinente para este estudo, numa fase inicial, isto, porque nos permite obter um grande número de respostas e uma noção geral sobre o tema. Considerou-se pertinente, porque dá respostas atuais e nos permite perceber qual o papel que as redes sociais têm nas estratégias de divulgação da Intensify World junto do seu público. Como objetivo, tínhamos de 23
O papel das redes sociais nas estratégias de divulgação da Intensify World perceber qual a relação que as pessoas tinham com as redes sociais da Intensify World e até que ponto estas lhe transmitiam as informações corretas e necessárias sobre a organização. O questionário (anexo 4) foi estruturado em quatro partes: (1) dados sociodemográficos; (2) questões sobre redes sociais; (3) questões sobre as redes sociais da Intensify World e (4) questões sobre as áreas de atuação da Intensify World. O questionário foi realizado com o intuito de perceber a relação que os seguidores da associação têm com as redes sociais e com as áreas de atuação da mesma. No total, o questionário é composto por 17 perguntas: 14 de escolha múltipla, duas de resposta curta e uma de resposta aberta. 1.1.2. Amostragem A amostragem é o processo de seleção dos sujeitos que participam num estudo, devendo entender-se por sujeito o indivíduo de quem se recolhem dados, ou seja, o(s) participante(s) na investigação (Coutinho, 2011). Existem, basicamente, dois tipos de amostragem: (1) amostragem probabilística ou aleatória – as amostras são obtidas de forma aleatória, isto é, a probabilidade de cada elemento da população fazer parte da amostra é igual para todos os elementos; e (2) amostragem não probabilística ou não aleatória – a probabilidade de um determinado elemento pertencer à amostra não é igual à dos restantes elementos (Maroco, 2011). Neste estudo, foi utilizada uma amostragem probabilística ou aleatória. De ressaltar que não é possível obter dados concretos sobre este tema, dado que nem a organização os tem. 1.1.3. Descrição da amostra Para a recolha de dados do inquérito de diagnóstico e pesquisa, o mesmo foi publicado na página de Facebook da associação, no dia 4 de fevereiro. O questionário esteve aberto para resposta de 4 de fevereiro a 11 de fevereiro. Responderam ao mesmo 40 pessoas, sendo que 70% (28 pessoas) eram mulheres. Em termos de idade, estes dividiam-se entre: 19-26 anos (25%); 27-33 (27,5%); 34-45 (32,5%) e mais de 46 anos (12,5%) - um dado que não esperava, dado que a maior parte das pessoas da associação com que contactei eram ainda estudantes. A maior parte tinha o ensino superior (72,5%) 24
O papel das redes sociais nas estratégias de divulgação da Intensify World - com base em vários estudos partilhados nas redes sociais e dado que grande parte da nossa população jovem é licenciada, nos dias de hoje, não estranha que mais de metade tenha o ensino superiore 82,5% verifica as redes sociais várias vezes ao dia, um dado normal nos dias de hoje. Porém, e apesar do questionário ter sido disponibilizado no Facebook da Intensify World, 5 pessoas não seguiam a instituição nas redes sociais. Possivelmente, estes tiveram acesso ao questionário pelo algoritmo do Facebook, que faz com que um like ou uma partilha de alguém apareça nos feeds de outras pessoas. Contaremos, no plano de comunicação, com quatro vídeos (quatro porque as áreas de ação da associação são quatro - solidariedade, educação, tecnologia e ambiente-), que serão publicados no Facebook (devido ao facto de ser a rede social com mais seguidores da instituição) da mesma. Decidimos fazer vídeos, por ser a opção que mais cativa pessoas hoje em dia, por não terem de “perder tempo” a interagir. Optamos, ainda, pelos questionários, porque é o método que nos leva a obter um grande número de respostas e, visto que queríamos saber sobre um alargado número de pessoas (seguidores da associação no Facebook), pareceu-nos a escolha mais acertada. 1.2. Fase da intervenção Tendo presente a pesquisa e o diagnóstico efetuados na primeira fase do projeto, a segunda etapa consistiu na ação, que envolveu a concretização de quatro vídeos (um por cada área de intervenção da Intensify World). Os vídeos, parte integrante da estratégia de comunicação para o uso das redes sociais como um veículo de comunicação eficaz, surgiram como resposta a um problema: o facto de os seguidores não conhecerem as áreas de atuação da Intensify World e, através de vídeos, poderem ficar a conhecê-las um pouco melhor. Nesta fase, recorreu-se a jovens, com idade superior a 18 anos e para os quais foi apresentado um termo de consentimento, presente no anexo 3 e ainda ao fundador da associação. 1.3. Fase da avaliação Terminada a implementação do plano de comunicação, chegou o momento de avaliar os resultados. Neste sentido, optamos, mais uma vez, por uma avaliação quantitativa, com a aplicação de um questionário aos seguidores da Intensify World no Facebook, para percebermos se, com os vídeos, 25
O papel das redes sociais nas estratégias de divulgação da Intensify World houve alguma alteração na perceção sobre as áreas de trabalho da Intensify, para termos noção do impacto dos vídeos. 1.3.1. Questionário de avaliação O segundo questionário foi, de igual forma, aplicado online e de forma anónima aos seguidores da Intensify World no Facebook. Pretendíamos perceber qual seria o conhecimento que os seguidores tinham sobre as áreas de atuação da instituição depois da implementação do plano de comunicação. O questionário (anexo 5) era composto por dez questões, sendo que nove eram de escolha múltipla e uma de resposta curta. Responderam, no total, 23 pessoas ao questionário. Capítulo 4 – Contexto e participantes da ação Depois de percorremos o caminho metodológico, é importante contextualizar a ação e os participantes no estudo. Desta forma, neste capítulo, será explanada detalhadamente a constituição, a cultura, um pouco da história, identidade, missão, visão e valores da instituição, a Intensify World. A caracterização do contexto incidirá numa breve explanação sobre a cultura e história da organização, bem como, e ainda, sobre o perfil dos seguidores das redes sociais da instituição. 1.1. Cultura e história da organização A Intensify World foi fundada a 19 de fevereiro de 2019, quando três jovens engenheiros tiveram a ideia de criar uma associação baseada em 4 pilares: Educação, Solidariedade, Meio Ambiente e Tecnologia. Segundo o website da associação, os principais objetivos da instituição estão organizados, tal como a própria associação, nestas quatro áreas, sendo que a primeira apresentada é a educação: “Educação: Os objetivos são alertar os jovens para os perigos dos dias de hoje com o uso da Internet e alertar estes jovens para a capacidade crítica dos conteúdos que visualizam. Por outro lado, ainda neste ponto pretende-se educar a juventude e sensibilizar para temáticas dos dias de hoje como a igualdade de 26
O papel das redes sociais nas estratégias de divulgação da Intensify World género, o racismo, a violência (física e verbal), entre outras temáticas. Incutir na juventude princípio de cooperação com a partilha de conhecimentos entre elementos. Promover atividades de partilha de conhecimentos e cooperação entre pessoas de áreas de conhecimento distintas. Promover atividades de grupos com características distintas para contribuir para a igualdade e capacidade dos jovens de cooperar com terceiros”1. A segunda área apresentada é a solidariedade. “Solidariedade: Neste ponto o nosso objetivo é incutir na comunidade um espírito de partilha e reutilização de bens. Ajudar a população neste processo de reaproveitamento de materiais quer para reciclar quer para doar a outras pessoas que precisam deles”2. Em terceiro lugar, aparece-nos o ambiente. “Meio ambiente: Fazer reciclagem de material altamente poluente. Recolher material poluente e lixo de zonas como florestas, praias, campos e semelhantes. Ter um papel ativo na preservação da Natureza limpando estes espaços. Sensibilizar a comunidade local para comportamentos de risco quer poluentes quer de impacto ambiental como os incêndios, apostando assim em campanhas de sensibilização como forma de prevenir e minimizar os danos logo num ponto inicial”3. Por fim, temos a tecnologia. “Tecnologia: Participar todos os anos no campeonato nacional de robótica. Ensinar os jovens a construir objetos com equipamentos eletrónicos velhos, avariados ou danificados. Assim com uma componente ecológica consegue-se também incentivar o espírito de grupo e uma competição saudável entre grupos”4. Atualmente, a associação é composta por três fundadores (Luís Dias, José Alves e Carlos Barros) e ainda 30 voluntários. 1.2. Identidade: missão, visão e valores A associação apresenta no seu website a sua missão (“Missão: Partilhar conhecimentos e recursos entre os elementos da associação, voluntários/as e organizações parceiras para proporcionar a todos/as a oportunidade de contribuir para um mundo melhor”5), visão (“Visão: Uma organização ambiciosa que pretende crescer e alargar os seus projetos à escala internacional, promovendo o bom ambiente e o desenvolvimento sustentável, aumentado a rede de envolvidos nos projetos de forma a 1(Ver https://www.intensifyworld.com/) 2(Ver https://www.intensifyworld.com/) 3(Ver https://www.intensifyworld.com/) 4(Ver https://www.intensifyworld.com/) 5(Ver https://www.intensifyworld.com/) 27
O papel das redes sociais nas estratégias de divulgação da Intensify World alargar o raio de ação”6) e valores (“Valores: Os nossos valores são a lealdade, eficiência, sustentabilidade e cooperação”7). 1.3. Seguidores nas redes sociais (Facebook) Já quanto aos seguidores, estes são maioritariamente mulheres, têm o ensino superior e acedem às redes sociais várias vezes ao dia. Têm, maioritariamente, 19 a 26 anos de idade e seguem a instituição por ser uma associação da zona. Decidimos, apenas, observar o Facebook nesta situação, porque foi o local onde partilhamos os inquéritos. IVO Projeto de Ação: Diagnóstico, Estratégia, Implementação e Observação Capítulo 5 – Projeto de ação Neste capítulo, dá-se a conhecer o projeto de ação desenhado e implementado tendo em vista o conhecimento do impacto das redes sociais nas estratégias de divulgação da Intensify World. Primeiramente, apresenta-se os resultados da fase de diagnóstico, sendo apresentada uma análise detalhada à comunicação da Intensify World e são apresentados os resultados do questionário de diagnóstico. Num segundo momento, descreve-se o plano de ação e, por fim, são descritos os mecanismos de avaliação do plano de comunicação e revelados os resultados do segundo questionário. 1. Análise da comunicação atual Para se analisar a comunicação da Intensify World foi revisto o seu site e o seu Facebook e feita uma análise SWOT. Apenas foi analisada a comunicação digital, porque é a única que existe, muito 6(Ver https://www.intensifyworld.com/) 7(Ver https://www.intensifyworld.com/) 28
O papel das redes sociais nas estratégias de divulgação da Intensify World possivelmente, porque é a forma de chegar mais facilmente a mais pessoas e a um preço bastante em conta ou até inexistente. 1.1. Análise do website e redes sociais da Intensify World 1.1.1. Website Por um lado, o site é de rápida análise e fácil de navegar. O domínio é simples e o mais acertado: “intensifywolrd.com”. A primeira página apresenta as áreas de atuação da associação, mas, mesmo assim, algo não funciona de forma correta. De ressaltar ainda que o site é feito para ser aberto em computador, assim como em telemóvel, sendo esse mais um ponto positivo. Por outro lado, a imagem de abertura é demasiado extensa, dando a ideia que vai até ao fim da página. Em termos de design, o site não é dos mais agradáveis que existem e as imagens não são as mais apelativas. Falta uma secção com notícias sobre a associação, visto que eles poderiam divulgar aqui os prémios que ganham e as parcerias que estabelecem. Esta falta de atualização do website , pode fazer com que os utilizadores não permaneçam online. Para além disso, o site tem demasiado texto, na área do “Sobre Nós” e, na parte dos “Estatutos”, tem apenas um documento PDF embutido e isso não é nada apelativo. Apesar de terem um botão para ligar diretamente a cada Loja Social, onde se pode pedir bens, e isso ser um ponto bastante positivo, não tem nada que ligue o website às redes sociais. Isso torna a experiência do utilizador mais interessante e direta e também cria fluxos comunicacionais e potencia o tráfego cruzado entre plataformas. 1.1.2. Facebook Como ponto positivo, destaca-se o facto de a associação ter 3,2 mil seguidores nesta rede social. As postagens são, também, recorrentes, o que cria engajamento. Porém, não há muita interação com os comentários feitos nas postagens ou até mesmo nas críticas da página, sendo que estes são escassos. Os gostos e as partilhas são, igualmente, escassos, em grande parte devido aos textos, na descrição. 29
O papel das redes sociais nas estratégias de divulgação da Intensify World - perceber a sua importância para uma associação de voluntariado; - perceber se, através delas, os seguidores da Intensify World ficam a conhecer os serviços e áreas de atuação da organização; - que impacto a ação terá nos seguidores. 5.2.2. Públicos-alvo O público-alvo desta ação são, claramente, os seguidores da instituição. 5.2.3. Insight As redes sociais podem servir como excelentes ferramentas de comunicação, mas, se não forem usadas da forma correta, falham o seu propósito. 5.2.4. Posicionamento Uma instituição com áreas de atuação para todos os cidadãos. 5.2.5. Conceito Implementar um uso correto das redes sociais, para que, juntos, possamos mudar o mundo digital e fazer dele uma fonte de conhecimento. 5.2.6. Definição do eixo de comunicação Foi criada uma identidade visual e valores consonantes com o objetivo de cultivar o espírito de pertença, optando pela partilha da experiência. Deste modo, pretendemos que a mensagem seja cativada com mais facilidade, visto que, quando conhecemos a situação de outras pessoas, tendemos a relacionar-nos com elas de forma mais fácil. 36
O papel das redes sociais nas estratégias de divulgação da Intensify World 5.2.7. Mix de comunicação Para contactar com os seguidores da associação, será utilizado o meio online, através do uso do Facebook. 5.2.8. Plano de ações e operacionalização de conteúdos para as redes sociais Reter a atenção do público no online, é uma das maiores dificuldades. Desta forma, foram feitos vídeos, porque consideramos a forma mais fácil de cativar a atenção e manter o público entretido. Os vídeos tinham entre dois e cinco minutos. Depois do questionário realizado aos seguidores da página, ficamos com a certeza de que estes têm um forte envolvimento com o Facebook da Intensify World. Dada, também, a falta de recursos financeiros e humanos, as redes sociais e a produção de algo que não envolvesse recursos para além de mim, esta pareceu-nos a melhor solução. Mas passemos aos vídeos: os quatro vídeos contaram com a presença de Luís Dias (um dos fundadores) e, depois, fomos contando com a presença de voluntários conforme a sua área de atuação. Isto é, no vídeo do ambiente, por exemplo, contamos com Ana Lúcia e José Padrão, porque ambos tinham atividades relacionadas com o ambiente. A ideia passou por dar a conhecer o que se fazia em cada área e cada jovem falou um pouco sobre a sua experiência e sobre o que tem feito na Intensify World. Todos os vídeos contaram com a presença de Luís Dias (fundador). Já o primeiro vídeo publicado (anexo 3https://fb.watch/lOifVVld1P/) contou também com Cátia Rego e Irene Pereira. No segundo vídeo (anexo 3https://fb.watch/lOil0Et4qY/), sobre o ambiente, fizeram parte Ana Lúcia e José Padrão. No vídeo sobre tecnologia (anexo 3https://fb.watch/lOirjzl6Ag/), contamos com Pedro Cancela e Alexandre Miranda. Por fim, no último vídeo (anexo 3https://fb.watch/lOivQOC_F6/) contribuíram Rita Vale Lima e Ana Novais. Os vídeos foram publicados no Facebook (por ser a rede social da associação com mais seguidores). Os vídeos foram relevantes, na medida em que ajudaram os seguidores a conhecer um pouco mais sobre a instituição e a terem uma melhor ideia do que se fazia em cada área. 37
O papel das redes sociais nas estratégias de divulgação da Intensify World 5.2.9. Calendarização das ações de comunicação Os vídeos foram divulgados de 19 de junho a 22 de junho, um em cada dia. Optamos por os divulgar de forma diária, pois consideramos que era o tempo ideal para que as pessoas não se esquecessem do plano que estávamos a realizar, bem como não confundissem os vídeos entre si. VReflexão, Análise e Avaliação Capítulo 6Inquérito de avaliação Por fim, procedeu-se à aplicação de mais um inquérito aos seguidores, no Facebook, da associação. Este teve como objetivo perceber se os vídeos tinham causado algum impacto. Este obteve menos respostas (apenas 23) e, tal como no primeiro inquérito, houve pessoas que tiveram acesso ao mesmo sem seguir a Intensify World nas redes sociais. Mais uma vez, predominam as mulheres, com 69,6% das respostas. A idade predominante continua a ser a dos 19 aos 26 anos de idade, o que não surpreende, dado que a instituição é maioritariamente composta por jovens desta idade. 87% das pessoas respondeu que usa as redes sociais várias vezes ao dia e, mais uma vez, tivemos duas pessoas que não seguiam a Intensify World nas redes sociais, pelo que, para essas pessoas, o questionário terminava ali. 38
O papel das redes sociais nas estratégias de divulgação da Intensify World De 22 pessoas, apenas uma não costuma visualizar conteúdos da Intensify World no seu feed , o que continua a ser um grande número de pessoas que poderiam ser potenciais interações para a página. A grande maioria (77,3%) visualizou os vídeos que foram colocados no Facebook e, por isso, podemos tirar daqui uma boa noção do impacto dos vídeos. 39 Imagem 6: Segue a Intensify World nas redes sociais? Imagem 7: Visualizou vídeos?
O papel das redes sociais nas estratégias de divulgação da Intensify World E foi aqui que se deu a mudança esperada. Deixamos de ter pessoas a dizer que não sabiam em que área atuava a Intensify World e passamos a ter 88,2% a dizer que sabiam e, apenas, 11,8% a dizer mais ou menos. É importante ressalvar que 94,1% dos inquiridos respondeu que os vídeos fizeram com que ficassem a conhecer um pouco mais da instituição. Capítulo 7Discussão e considerações finais As redes sociais assumem, cada vez mais, uma maior importância nas nossas vidas e já não vivemos sem elas. Como meio de comunicação, ultrapassaram até os restantes (televisão, rádio e imprensa), sendo que cada um teve o seu tempo, por isso, terão, também as redes sociais uma data de expiração? Isso só o tempo nos dirá. Mas estas têm a capacidade de unir as pessoas. 40 Imagem 8: Em que áreas atua a Intensify World?
O papel das redes sociais nas estratégias de divulgação da Intensify World “A inserção em rede é determinante para o compartilhamento da informação e do conhecimento. Isto porque as redes são espaços valorizados para o compartilhamento da informação e para a construção do conhecimento” (Tomaél, Alcará, Di Chiara, 2005, p.93). Foi com base neste princípio que se redigiu este projeto de ação. Neste sentido, estudou-se o impacto e o potencial das redes sociais nas estratégias de divulgação da Intensify World. Importa agora refletir sobre os objetivos que nortearam este estudo e os seus resultados, sendo que foi possível perceber a importância das redes sociais no mundo atual e o seu potencial para a comunicação da Intensify World. Foi, ainda, percetível a sua importância para uma associação de voluntariado. Tomamos, também, consciência se, através das redes sociais, os seguidores da Intensify World ficaram a conhecer os serviços e áreas de atuação da organização e o impacto que a ação teve nos seguidores. Seguidamente, apresentar-se-ão e discutir-se-ão os resultados, na tentativa de obter uma resposta à questão de partida “serão as redes sociais um suporte de comunicação eficaz para dar a conhecer a Intensify World e as suas áreas de atuação?”. 1. Perceções dos inquiridos sobre as redes sociais da associação De acordo com o diagnóstico inicial e embora uma pequena parte dos inquiridos não seguisse a instituição nas redes sociais, quase todos os inquiridos viam publicações da Intensify World no seu feed de Facebook. A maior razão para as pessoas seguirem a página era porque era uma associação da zona onde viviam, o que nos leva a pensar que grande parte dos seus seguidores estão localizados em Macieira de Rates ou Pedra Furada (local onde a instituição tem as suas sedes). Apesar de, no nosso ponto de vista, a associação tentar divulgar aquilo que faz, os inquiridos responderam que gostavam de ver mais informações e posts sobre as atividades que a Intensify World realiza e alguns não conheciam as áreas de atuação da mesma. Por isso mesmo, sentimos necessidade de um plano de comunicação que desse a conhecer melhor as atividades e áreas sobre as quais a instituição se debruça. 41
O papel das redes sociais nas estratégias de divulgação da Intensify World 2. O principal resultado do inquérito No período em que decorreu a implementação do plano de comunicação, a maioria dos inquiridos no questionário (94,1%) respondeu que os vídeos contribuíram para que conhecesse mais um pouco sobre a associação, sendo que só uma pessoa respondeu que não. Desta forma, superou-se o objetivo de ter impacto nos seguidores. Para além disso, nenhum inquirido respondeu que não conhecia as áreas de atuação da Intensify World, provando-se, assim, que as redes sociais são um bom meio para se divulgar informação. 3. A perceção da comunicação nas redes sociais Posto isto, considera-se que o projeto foi importante para dar visibilidade às áreas de atuação da instituição e para se perceber se as redes sociais são um bom veículo de transmissão de informação. validando o cumprimento dos objetivos aos quais nos propusemos no início deste projeto, sendo possível responder à pergunta de partida: “serão as redes sociais um suporte de comunicação eficaz para dar a conhecer a Intensify World e as suas áreas de atuação?”: sim, são. 4. Investimento em projetos futuros envolvendo as redes sociais e limitações sentidas Dado tudo o que já foi explanado neste estudo, é claro que os posts que a Intensify World divulga têm impacto nos seus seguidores. Uma estratégia de comunicação direcionada e posicionada (Argenti et al., 2005) é sempre capaz de divulgar uma marca, uma instituição, uma pessoa e, por isso, é imperativo apostar nela. A principal limitação sentida foi o facto de não termos material para proceder às filmagens e, por isso, as mesmas foram feitas com material amador. Para além disso, a instituição encarregou-se de fazer as descrições dos posts , não havendo abertura para que a responsável por este estudo as fizesse, não podendo, assim, sair do formato enraizado pela instituição na descrição dos seus posts e não podendo criar posts diferentes do habitual, que fossem, até, mais chamativos, devido à diferença que causavam. Penso que esta falta de abertura se deve ao medo de arriscar nas redes sociais e de não ter sucesso. Para além disso, embora o questionário fosse o melhor método a usar para obter um grande número 42
O papel das redes sociais nas estratégias de divulgação da Intensify World de respostas, nem toda a gente contribui para este tipo de questionários e, tendo em conta o número de seguidores da página, o número de respostas ficou um pouco aquém das expectativas. Apesar disso, é importante referir a disponibilidade e a ajuda sempre prestadas pela Intensify World, em nome de Luís Dias e dos seus colaboradores. É, ainda, importante ressaltar a disponibilidade mostrada pelos seguidores que responderam aos inquéritos. Espera-se que este projeto académico sobre as redes sociais contribua, de alguma forma, para o estudo das mesmas e, quem sabe, possa influenciar futuros estudos sobre elas, inspirando novos modelos de comunicação ou até mesmo as teorias basilares usadas neste estudo. Importa, ainda, refletir sobre possíveis projetos futuros. Dado que os seguidores da Intensify World querem ver mais posts sobre as atividades que a associação realiza, é importante não parar por aqui. A instituição pode, por exemplo, apostar em diretos aquando da realização das mesmas e tornar os seguidores mais próximos daquilo que acontece. Estes são os contributos que deixamos, esperando impulsionar mais as redes sociais da Intensify World e a aposta em estudos sobre redes sociais. Por fim, a Intensify World reconheceu que os vídeos tiveram um impacto positivo e que deram resposta a um problema que tinham há algum tempo. 43
O papel das redes sociais nas estratégias de divulgação da Intensify World Referências Amaral, R. (2015). EXPOSIÇÃO DA VIDA PRIVADA EM REDES SOCIAIS: MOTIVAÇÕES E CONSEQUÊNCIAS. São Paulo Argenti, A., Howell, A. & Beck, A. (2005). The strategic communication imperative. MIT Sloan Management Review . Retirado de https://sloanreview.mit.edu/article/the-strategiccommunication-imperative/ BARABÁSI, A. (2003). Linked. How Everything is Connected to Everything else and What it means for Business, Science and Everyday Life . Cambridge: Plume Castells, M. (1999). A sociedade em rede. (A era da informação, economia, sociedade e cultura: v.1) . São Paulo Castells, M. (2009). Comunicación y poder . Madrid Castro, A. (2022). O papel da comunica ção na visibilidade da arbitragem feminina: o caso da Associação de Futebol de Braga. Braga: Universidade do Minho COSTA, Larissa et al. (2003). Redes: uma introdução às dinâmicas da conectividade e da autoorganização. Brasília Coutinho, C. P. (2011). Metodologia de Investigação em Ciências Sociais e Humanas: teoria e prática. Coimbra Coutinho, C. P. (2014). Metodologia de Investigação em Ciências Sociais e Humanas. Coimbra Hunt, T. (2009). O poder das redes sociais: Como o Fator Whuffie – seu valor no mundo digital – pode maximizar os resultados de seus negócios. Nova Iorque Granovetter, M. (1973). The Strenght of Weak Ties. American Journal of Sociology . The University of Chicago Press Kunsch, M. (2003). Planejamento de relações públicas na comunicação integrada . São Paulo Kunsch, M. (2018). A comunicação estratégica nas organizações contemporâneas. São Paulo Landsheere, G. (1993). History of educational research. In M. Hammersley (Ed.), Educational research: current issues . London Maroco, J. (2011). Análise estatística com o SPSS Statistics . Pêro Pinheiro Marques, E. (2007). REDES SOCIAIS, SEGREGAÇÃO E POBREZA EM SÃO PAULO. São Paulo Marques, V. (2016). Redes Sociais 360: como comunicar online . Lisboa 44
O papel das redes sociais nas estratégias de divulgação da Intensify World Marteleto, M. (2001). Análise de redes sociais: aplicação nos estudos de transferência da informação . Ciência da Informação. Brasília Martins, A. (2008). Estudo de caso: Uma reflexão sobre a aplicabilidade em pesquisas no Brasil. Retirado de: https://www.revistas.usp.br/rco/article/view/34702 Oliveira, L. & Paula, M. (2007). O que é comunicação estratégica nas organizações? São Paulo. Pérez, R. (2008). Estrategias de comunicación . Barcelona Quivy, R. & Campenhoudt, L. V. (1998). Manual de investigação em ciências sociais. Lisboa Recuero, R. (2004). Redes Sociais na Internet: Considerações Iniciais . Porto Alegre Selltiz, C., Wrightsman, S. & Cook, W. (1965). Métodos de pesquisa das relações sociais. São Paulo Souza, Q. & Quandt, C. (2008). Metodologia de Análise de Redes Sociais. São Paulo Tomaél, M., Alcará, A., Di Chiara, I. (2005). Das redes sociais à inovação. Brasil Türcke , C. (2004). Sociedade da sensação: a estetização da luta pela existência. São Paulo WATTS, J. (2003). Six Degrees. The Science of a Connected Age . Nova Iorque 45
O papel das redes sociais nas estratégias de divulgação da Intensify World Anexo 3Termo de Consentimento enviado às pessoas que participaram nos vídeos 52
O papel das redes sociais nas estratégias de divulgação da Intensify World 53
O papel das redes sociais nas estratégias de divulgação da Intensify World Anexo 3.1Termo de Consentimento_ Luis Dias 54
O papel das redes sociais nas estratégias de divulgação da Intensify World 55
O papel das redes sociais nas estratégias de divulgação da Intensify World Anexo 3.2Termo de Consentimento_ Cátia Rego 56
O papel das redes sociais nas estratégias de divulgação da Intensify World 57
O papel das redes sociais nas estratégias de divulgação da Intensify World Anexo 3.3Termo de Consentimento_ Maria Pereira 58
O papel das redes sociais nas estratégias de divulgação da Intensify World 59
O papel das redes sociais nas estratégias de divulgação da Intensify World Anexo 3.4Termo de Consentimento_ Ana Alves 60
O papel das redes sociais nas estratégias de divulgação da Intensify World 61
O papel das redes sociais nas estratégias de divulgação da Intensify World Anexo 3.8Termo de Consentimento_ Pedro Silva 68
O papel das redes sociais nas estratégias de divulgação da Intensify World 69
O papel das redes sociais nas estratégias de divulgação da Intensify World Anexo 3.9Termo de Consentimento_ Rita Lima 70
O papel das redes sociais nas estratégias de divulgação da Intensify World 71
O papel das redes sociais nas estratégias de divulgação da Intensify World Anexo 4Questionário de Diagnóstico 72
O papel das redes sociais nas estratégias de divulgação da Intensify World 73
O papel das redes sociais nas estratégias de divulgação da Intensify World 74
O papel das redes sociais nas estratégias de divulgação da Intensify World 75
O papel das redes sociais nas estratégias de divulgação da Intensify World 76
O papel das redes sociais nas estratégias de divulgação da Intensify World 77