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Revista Portuguesa de Educação, 36(1), e23012. http://doi.org/10.21814/rpe.26059 Educação alimentar e nutricional: uma possibilidade de trabalho em equipe RESUMO O objetivo deste artigo é analisar um processo formativo na perspectiva do desenvolvimento de um trabalho em equipe que visa à Educação Alimentar e Nutricional – EAN – de crianças de duas escolas públicas. A intenção foi aprofundar o debate sobre a temática, bem como auxiliar no processo de compreensão do tema e desenvolver alternativas de práticas pedagógicas nos anos iniciais, incluindo a EAN como constitutiva do currículo escolar. O processo envolveu professores, equipe diretiva, funcionários e familiares de uma Escola de Educação Infantil e outra de Educação Básica de um município de pequeno porte do interior do Estado do Rio Grande do Sul/Brasil. A metodologia é qualitativa e os dados foram obtidos de encontros formativos e entrevistas com professores de educação básica, os quais foram audiogravados, transcritos e analisados com base na análise textual discursiva. Da análise do corpus emergiram três categorias: a) Alimentação escolar articulada aos conteúdos disciplinares; b) Imitação como modo de aprendizagem; c) Formação de conceitos de EAN. O estudo mostra que as ações de EAN precisam ser sistemáticas e que o trabalho em equipe possibilita a articulação de saberes de diferentes áreas do conhecimento. Considera-se que o professor influencia nos hábitos alimentares de crianças, mas é importante que o tema esteja articulado com os conhecimentos científicos a partir do contexto dos saberes das vivências das crianças. Palavras-chave: Processo formativo; Criança; Currículo escolar; Problematização; Práticas interdisciplinares. 1. INTRODUÇÃO A escola é considerada um espaço privilegiado de convivência, capaz de propiciar a apropriação de conhecimentos importantes para o desenvolvimento dos processos sociocognitivos articulados com a realidade dos sujeitos. Entende-se que o ambiente escolar pode promover, em seus alunos, a capacidade de fazer escolhas adequadas para um estilo de vida saudável. Ao ingressar na escola a criança começa a realizar refeições distante do meio familiar e, portanto, a representação social do alimento é modificada e passa a ser influenciada pelo ambiente escolar, o qual se torna o principal meio de conhecimento formal sobre o ato de se alimentar e nutrir-se. Cláudia Thomé da Rosa Piasetzkii Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul, Brasil. Eva Teresinha de Oliveira Boffii Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul, Brasil. Zélia Ferreira Caçador Anastácioiii Universidade do Minho, Portugal Revista Portuguesa de Educação
Educação alimentar e nutricional: uma possibilidade de trabalho em equipe 2 Revista Portuguesa de Educação, 36(1), e23012. http://doi.org/10.21814/rpe.26059 Embora grande parte das crianças leve para a escola alimentos fornecidos pela família, todas as escolas públicas brasileiras fornecem merenda escolar, e é neste momento que existe a possibilidade de se estabelecer relações entre Educação Alimentar e Nutricional (EAN) e práticas pedagógicas. Os professores, no entanto, expressam ter dificuldades em sistematizar conteúdos sobre alimentação além dos propostos pelos livros didáticos, existindo uma carência de conhecimentos científicos para possibilitar o desenvolvimento do tema articulado aos conteúdos disciplinares. Do mesmo modo, a falta de materiais didáticos é relatada como a principal dificuldade dos professores para trabalhar, na escola, o tema saúde. Suas concepções sobre saúde são insuficientes para o ensino das crianças, pois o tema, geralmente, está relacionado, nos livros didáticos, ao modelo biomédico/patológico e não com a concepção ampliada de educação em saúde. A maioria das formações continuadas para os professores que abordam o tema saúde é voltada à orientação e à prevenção de doenças (Silva et al., 2017, p. 161). Juzwiak (2013) destaca a possibilidade de criar uma rede de conteúdos a partir de um alimento, para ser trabalhada em disciplinas tradicionais e nas atividades extras, possibilitando desenvolver as questões alimentares transversalmente, incluindo estudantes, professores, família e comunidade escolar. A autora também ressalta os contos de fada como ferramentas interessantes a serem utilizadas. As ações interdisciplinares são defendidas como significativas para trabalhar o tema saúde na escola. Educação em saúde, porém, não significa apenas prevenir ou tratar doenças. A escola e o professor têm a responsabilidade de ensinar os alunos, capacitando-os para tomar suas próprias decisões de modo a contribuir para o desenvolvimento de uma vida saudável (Silva et al., 2017, p. 161). No cotidiano da escola “uma das preocupações centrais para o professor está na quantidade de conteúdo a ser ‘transmitido’ para seus alunos; cumprir o programa, geralmente produzido por outros, ainda parece ser uma das metas prioritárias para grande parte dos professores” (Boff, 2011, p. 168). Ainda existe a concepção de que para ser competente o professor precisa conseguir “desenvolver todos os itens listados nos programas instituídos por outros distantes da realidade escolar”. Produzir a aula “não faz parte da cultura dos professores e por isso exige um esforço demasiado para que ele de fato se envolva na elaboração do seu programa de ensino” (Boff, 2011, p. 168). Vigotsky (2008) afirma que “a criança pensa de forma sincrética sobre assuntos de que não tem conhecimento ou experiência, mas não recorre ao sincretismo com relação às coisas familiares ou que sejam de fácil comprovação prática” (p. 27), posto que o número dessas coisas depende do método de educação. Por isso são importantes as atividades educativas no ambiente escolar, que despertem, com maior intensidade, o interesse e a curiosidade da criança. As atividades, porém, não devem ser pontuais, mas articuladas no contexto escolar, fazendo parte do Projeto Político Pedagógico da escola para que realmente seja possível formar conceitos escolares significantes de hábitos alimentares e estilos de vida saudáveis.
Educação alimentar e nutricional: uma possibilidade de trabalho em equipe 3 Revista Portuguesa de Educação, 36(1), e23012. http://doi.org/10.21814/rpe.26059 Quando o professor deixar de reproduzir sua aula terá a possibilidade de refletir com os estudantes sobre seus hábitos alimentares e estilos de vida e, ao mesmo tempo, produzir sentidos e significados aos conteúdos escolares e, portanto, ele pode contribuir para prevenir futuros problemas de saúde, promovendo a qualidade de vida ainda na infância. A escola é um espaço e momento para a realização de ações de EAN e o trabalho inter e multidisciplinar, envolvendo professores de diferentes áreas e profissionais da saúde, possibilita articular os conteúdos escolares com o mundo vivido pelos estudantes. Vários estudos (Ministério da Saúde do Brasil, 2014; Silva et al., 2018; Bezerra, 2018) mostram que a EAN produz resultados positivos quando está articulada com ações interdisciplinares e sistemáticas. Com base nestes argumentos, foi pensado constituir um processo formativo envolvendo nutricionista, professores, merendeiras1, equipe diretiva e demais sujeitos da comunidade escolar. O objetivo deste artigo é analisar um processo formativo na perspectiva do desenvolvimento de um trabalho em equipe que visa à Educação Alimentar e Nutricional (EAN) de crianças de duas escolas públicas. A intenção foi aprofundar o debate sobre a temática, bem como auxiliar no processo de compreensão do tema e desenvolver alternativas pedagógicas nos anos iniciais, incluindo a EAN como constitutiva do currículo escolar. A questão central da pesquisa foi: Que contribuições podem ser produzidas a partir de um processo coletivo formativo para a compreensão da EAN como constitutiva do currículo escolar? 2. METODOLOGIA A pesquisa é qualitativa na modalidade de pesquisa ação, uma vez que busca produzir mudanças no ambiente escolar quanto à EAN. O estudo envolveu 18 participantes, entre eles equipe diretiva, professores, auxiliares, estagiárias e funcionárias de duas escolas públicas de um município do interior do Estado do Rio Grande do Sul/Brasil. Foram realizados três encontros formativos (moderados pela nutricionista pesquisadora) e uma entrevista com as professoras: o primeiro encontro aconteceu na Escola Municipal de Educação Infantil, tendo como roteiro para as discussões a alimentação em período escolar oferecida pelo Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) e a resistência das crianças em comer alimentos saudáveis, como frutas e hortaliças. O segundo encontro envolveu a Escola de Educação Básica e Ensino Fundamental, anos iniciais (idades compreendidas entre 4 e 10 anos), tendo como roteiro orientador das discussões as questões respondidas pelos professores entrevistados previamente. O terceiro encontro de formação retomou os assuntos das formações anteriores, analisando resultados. Após os encontros foram realizadas entrevistas, individualmente, com seis professoras de ambas as escolas que participaram das formações. 1. Merendeira é o termo atribuído no Brasil a pessoa encarregada de preparar a alimentação escolar.
Educação alimentar e nutricional: uma possibilidade de trabalho em equipe 4 Revista Portuguesa de Educação, 36(1), e23012. http://doi.org/10.21814/rpe.26059 Também aconteceram duas reuniões com pais, professores e nutricionista, em que esta última abordou o tema alimentação saudável, com o objetivo de sensibilizar os pais sobre a importância de serem os exemplos para as suas crianças. Todos os momentos da pesquisa foram registrados em audiogravações com a autorização dos participantes e, posteriormente, transcritos e analisados com base nos argumentos de Moraes e Galiazzi (2020) sobre a Análise Textual Discursiva (ATD). Os argumentos de Moraes e Galiazzi (2020) sobre ATD fundamentaram a análise dos resultados, os quais possibilitaram aprofundar a compreensão dos fenômenos investigados a partir de uma análise rigorosa e criteriosa com a intenção de compreender e reconstruir conhecimentos existentes sobre o tema investigado. A análise textual discursiva parte da desconstrução do corpus, com a intenção de identificar as unidades de significado pela sua fragmentação. Ao examinar-se as unidades e confrontá-las, são estabelecidas as categorias que podem ser emergentes ou a priori. As relações entre as unidades de significado possibilitam nova compreensão do todo, de modo crítico e validável, pela produção de metatextos (Moraes & Galiazzi, 2020). Para preservar a identidade dos sujeitos participantes do processo foram criados nomes fictícios com a letra inicial P para a descrição de cada professora, com a letra M para a descrição de merendeiras, F para a descrição de funcionárias e, para as crianças, foram utilizados nomes com a letra inicial C. O projeto foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da UFRGS, com o parecer 33.159. A pesquisa foi desenvolvida de maneira a contemplar todos os preceitos éticos contidos na Resolução 466/12 do Conselho Nacional de Saúde do Ministério da Saúde (Conselho Nacional de Saúde do Brasil, 2012). 3. RESULTADOS E DISCUSSÃO Os encontros formativos foram realizados de forma interativa e problematizadora para permitir aos participantes refletir sobre seus pontos de vista na mediação de outros. O objetivo dos encontros foi aprofundar o debate sobre a temática, bem como auxiliar no processo de compreensão sobre as tomadas de decisão e escolhas saudáveis, e ainda como planejar alternativas para a prática de ensino nos anos iniciais, incluindo a EAN como constitutiva do currículo escolar. Os resultados mostram que o professor que pensa em conjunto com seus colegas e com outros sujeitos que possuem experiências diferentes pode se constituir em um profissional mais crítico. Não se trata de reflexão sobre a prática embasada somente nos saberes da experiência desconectada da teoria. Trata-se de um profissional que reflete sobre seus saberes, obtidos da prática e compreendidos à luz de uma teoria, articulados por múltiplas interlocuções (Boff, 2011, p. 143).
Educação alimentar e nutricional: uma possibilidade de trabalho em equipe 5 Revista Portuguesa de Educação, 36(1), e23012. http://doi.org/10.21814/rpe.26059 Boff (2011) defende que é “a reflexão coletiva que permite ao docente ser autor e ator de seu processo de ensino e aprendizagem” (p.143). A reflexão também significa “que o processo de aprender e ensinar não se limita somente aos programas de formação inicial de professores” (p. 147). A formação inicial prepara “para começar a carreira, com capacidade, disposição e responsabilidade para estudar e melhorar, de maneira contínua, o seu próprio desenvolvimento profissional” (p.147); assim, aprender e ensinar é um processo que se prolonga no decorrer da carreira do professor. Articular a teoria e a prática: se torna possível quando se prioriza práticas e modalidades que privilegiam a partilha de ideias entre os atores, a construção de espaços e momentos em que os formadores e os outros atores possam refletir e trabalhar juntos em seu projeto de formação (Boff, 2011, p. 179). Considerando esses argumentos, foram realizadas discussões em três momentos formativos, assim como entrevistas semiestruturadas. A análise do corpus possibilitou a construção de unidades de significado, as quais são expressas pelos argumentos dos sujeitos que participaram da pesquisa. Do confronto das unidades de significado emergiram três categorias; a) Alimentação escolar articulada aos conteúdos disciplinares; b) A imitação como modo de aprendizagem; e c) Formação de conceitos de EAN. 3.1. ALIMENTAÇÃO ESCOLAR ARTICULADA AOS CONTEÚDOS DISCIPLINARES O Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) tem o objetivo de “contribuir para o crescimento e o desenvolvimento biopsicossocial, a aprendizagem, o rendimento escolar e a formação de hábitos alimentares saudáveis dos alunos, por meio de ações de educação alimentar e nutricional e da oferta de refeições” que atendam às necessidades nutricionais durante o período de aulas (Ministério da Educação do Brasil, 2013, p. 3). Para compreender a importância do PNAE, questionou-se ao grupo sobre o que eles entendiam por alimentação escolar. Paula argumenta que a alimentação escolar precisa ser uma "alimentação saudável para as crianças". Na sua percepção, a alimentação escolar é saudável, pois o cardápio é elaborado pela nutricionista do município, que discute com professores, merendeiras e alunos continuamente. Paula ressalta que a alimentação escolar é “para as crianças”, mas também é um momento propício para o professor dar o exemplo. O professor, comendo junto com as crianças, vai estimulá-las a experimentar e a comer alimentos que favorecem uma alimentação adequada. A professora Patrícia complementa que a alimentação tem como importância: nutrir o corpo, alimentar o cérebro; em partes isso minha mãe sempre dizia. Ela é importante porque na verdade junta tudo o que o corpo da gente precisa, que são sais minerais, vitaminas. Isso eu compreendo por uma questão de alimentação.
Educação alimentar e nutricional: uma possibilidade de trabalho em equipe 6 Revista Portuguesa de Educação, 36(1), e23012. http://doi.org/10.21814/rpe.26059 De acordo com o Guia Alimentar para a População Brasileira, A alimentação adequada e saudável é um direito humano básico que envolve a garantia ao acesso permanente e regular, de forma socialmente justa, a uma prática alimentar adequada aos aspectos biológicos e sociais do indivíduo e que deve estar em acordo com as necessidades alimentares especiais; ser referenciada pela cultura alimentar e pelas dimensões de gênero, raça e etnia; acessível do ponto de vista físico, financeiro; harmônica em quantidade e qualidade, atendendo aos princípios da variedade, equilíbrio, moderação e prazer; e baseada em práticas produtivas adequadas e sustentáveis (Ministério da Saúde do Brasil, 2014, p. 7). As discussões continuaram com foco nas recomendações do PNAE, considerando porque determinados alimentos precisam estar incluídos nos cardápios e outros não devem ser ofertados. Foi enfatizada a importância do consumo de frutas e verduras e ressaltado o fato de a população não ter o hábito de consumir frutas. As pessoas nem sempre entendem que as frutas e verduras são indispensáveis, mas entre os fatores associados a esses entendimentos está a pouca disponibilidade de fruteiras no município pesquisado. É possível encontrar frutas nos pequenos mercados, mas com pouca variedade e com valores acentuados quando comparados aos municípios vizinhos. O Guia Alimentar para a População Brasileira ensina que: Adotar uma alimentação saudável não é meramente questão de escolha individual. Muitos fatores – de natureza física, econômica, política, cultural ou social – podem influenciar positiva ou negativamente o padrão de alimentação das pessoas. Por exemplo, morar em bairros ou territórios onde há feiras e mercados que comercializam frutas, verduras e legumes com boa qualidade torna mais factível a adoção de padrões saudáveis de alimentação. Outros fatores podem dificultar a adoção desses padrões, como o custo mais elevado dos alimentos minimamente processados diante dos ultraprocessados, a necessidade de fazer refeições em locais onde não são oferecidas opções saudáveis de alimentação e a exposição intensa à publicidade de alimentos não saudáveis (Ministério da Saúde do Brasil, 2014, p. 22). A discussão sobre o cardápio escolar (como é elaborada a lista de compras, os custos, os fornecedores, como é feita a compra desses alimentos) é um aspecto que possibilita a articulação dos conteúdos disciplinares. A Matemática envolveu cálculos dos custos dos alimentos e quantidades; Ciências estudou os nutrientes, suas funções no corpo humano e implicações na saúde; História e Geografia abordaram origem e evolução dos tipos de alimentação, locais de maior produção, questões culturais. O debate possibilitou a interlocução com questões do cotidiano dos alunos, como alimentos fornecidos pela agricultura familiar e dificuldades encontradas com os fornecedores para trazer os alimentos adequados.
Educação alimentar e nutricional: uma possibilidade de trabalho em equipe 7 Revista Portuguesa de Educação, 36(1), e23012. http://doi.org/10.21814/rpe.26059 Priscila mostrou um vídeo feito durante o almoço das crianças, que ficam em turno integral na escola, para analisar os pontos positivos e negativos do que acontece na hora do almoço. Durante o vídeo era possível ir conversando sobre o que estava acontecendo e pensando em melhorias para este momento. Algumas questões sobre a alimentação das crianças foram debatidas na perspectiva de encontrar soluções no coletivo, conforme indicado pela nutricionista: "O PNAE pede que 30% do recurso que vem para a merenda escolar seja destinado à compra de produtos da agricultura familiar [...], por isso que vem o suco de uva, vem a laranja, batata-doce, mandioca, verduras e panificados" (Nutricionista). Nas escolas municipais a alimentação é farta em variedade. Segue-se as recomendações do PNAE para a elaboração dos cardápios e o consumo de frutas e verduras é sempre estimulado. Para as crianças que frequentam a escola em turno integral é oferecido 70% das recomendações nutricionais diárias de alimentos, e para as crianças que frequentam a escola em turno único precisa-se oferecer 30% das recomendações nutricionais diárias. O diálogo frequente entre nutricionista, merendeiras e professores é importante para a adequada execução do trabalho. Um estudo de LongoSilva et al. (2013) ressalta que as educadoras de creches têm dificuldades em lidar com a rejeição das crianças a certos tipos de alimentos e com a demanda de tempo necessária para a introdução destes. Elas enfatizam a necessidade de orientação por um/a nutricionista para que possam compreender as mudanças e o porquê da necessidade de consumo de determinados alimentos em detrimento de outros. As professoras estão com as crianças todos os dias; experimentam, comem junto com elas; se não está bom, conversam com a nutricionista para melhor adequar o cardápio. O grupo também discutiu a respeito das birras das crianças na hora das refeições, exemplificando com o Cristiano, que fazia "um gritedo" (Maria) na hora do almoço, com o César, que só queria pão e bolacha Maria, e com o Carlos, que só comia arroz e pão puro e não tomava água. Ele só queria comer pão puro, daí se embuchava de pão, se trancava, depois não conseguia fazer coco e só queria pão, daí a gente não queria deixar sem comer e dava o que ele queria: só pão (Priscila). E o que a nutri falou para nós, que não é para colocar o pão no lugar da comida. E não é para dar muito arroz. É para servir o prato variado para todas as crianças, para estimulá-las (Mariana). Eu acho que o Cristiano evoluiu bastante desde que está aqui (Maria). Priscila destaca que, para não deixar César sem comer, davam pão ou bolacha "porque precisávamos adaptar ele na escola [...] aí tínhamos que ir aos poucos trocando".
Educação alimentar e nutricional: uma possibilidade de trabalho em equipe 8 Revista Portuguesa de Educação, 36(1), e23012. http://doi.org/10.21814/rpe.26059 O melhor exemplo é o Carlos, que só comia arroz e pão puro, eu chamei a família, para conversar. Precisamos trabalhar com a educação alimentar e nutricional da família. A mãe me disse que tinham o hábito em casa de comer muita bolacha recheada, salgadinho e tomar refrigerante, eles não tomavam água, só coca-cola. E tem muitas famílias que não tomam água, só refrigerante. Por isso também é preciso mudar em casa (Nutricionista). Sim, o Carlos me pedia Coca, ele não queria tomar água (Palma). Muitas vezes as opiniões e condutas dos educadores divergem, mas eles têm claramente a compreensão de que cada criança é um indivíduo único, com gostos e hábitos diferentes. Durante uma formação em um ambiente escolar muitas vezes a conversa acaba tomando outros rumos e, por isso, é importante a roda de discussão; não necessariamente é preciso conversar exatamente aquilo que a nutricionista pensou, mas, sim, nortear as discussões e abrir para ver quais são realmente as necessidades dos educadores, quais são suas dúvidas e aflições, sendo o diálogo do grupo fundamental para enfretamento dos problemas. Para auxiliar na mudança de hábito alimentar foi trabalhado o livro Socorro! Meu filho come mal, de autoria de Kapim e Abreu (2014), com a montagem do prato das crianças seguindo as recomendações do PNAE, discutindo-se a higiene dos alimentos e das crianças. Embora a merenda escolar seja planejada conforme orientações nutricionais saudáveis, é necessário considerar a cultura familiar para que as mudanças aconteçam. O estudo mostra que a EAN, de modo sistemático e articulada aos conteúdos disciplinares, pode contribuir significativamente para a construção de hábitos alimentares mais saudáveis. 3.2. A IMITAÇÃO COMO MODO DE APRENDIZAGEM O grupo discutiu sobre a necessidade de ser exemplo para as crianças, pois estas, ao verem o professor experimentando as frutas, serão estimuladas a experimentar também. Comer em conjunto com as crianças constitui-se uma atividade educativa e estimulante de alimentação saudável. As professoras relatam que o exemplo delas é seguido pelas crianças, que as imitam constantemente: "Mas às vezes até de você chegar e dizer: ó a profe vai comer o tomate; aí eles vão lá e comem o tomate só para ver o que é que a profe está comendo" (Paula). As próprias crianças estimulam-se umas às outras: É que nem a Camila hoje, tirou a batata-doce, aí a Maria disse: Vocês experimentaram a batata-doce? Alguém experimentou a batata- -doce? Daí eu olhei e disse assim: Não, aqui na mesa ninguém experimentou ainda. Daí a Carolina deu uma mordidinha; a Camila comeu a batata-doce (Poliana).
Educação alimentar e nutricional: uma possibilidade de trabalho em equipe 9 Revista Portuguesa de Educação, 36(1), e23012. http://doi.org/10.21814/rpe.26059 Poliana refere-se a uma das preparações novas, que era a batata- -doce assada, representando que as crianças têm medo de experimentar o que é novo, o que elas não conhecem. De acordo com Vigotsky (2018): para imitar é necessário possuir os meios para se passar de algo que já se conhece para algo novo. Com o auxílio de uma outra pessoa, toda criança pode fazer mais do que faria sozinha – ainda que se restringindo aos limites estabelecidos pelo grau de seu desenvolvimento. (p. 129) No desenvolvimento da criança, “a imitação e o aprendizado desempenham um papel importante. Trazem à tona as qualidades especificamente humanas da mente e levam a criança a novos níveis de desenvolvimento” (Vigotsky, 2008, pp. 129-130). Do mesmo modo se dá com a alimentação. A criança imita o outro, imita os colegas, ao dizer “eca” para algum alimento que “pensa não gostar” antes mesmo de ter experimentado. Ela também imita o colega que leva à boca, experimenta e come o alimento; imita o professor, adulto de referência no período em que está na escola. A imitação, na percepção de Vigotsky, não é simplesmente cópia, pois existe um movimento de internalização. As educadoras destacam, ainda, a importância de incentivar e elogiar as crianças quando estas atendem às suas expectativas. Eu disse: "o Carlos hoje vai brigar, não tem arroz". Daí, quando eu dei uma observada nele, aí ele começou a comer, me chamou e chamou uma por uma: “Olhem, eu estou comendo massa com carne, e temperos!” E todos elogiaram o Carlos (Maria). Carlos é rotulado na escola como o menino do arroz, pois, desde que ingressou na escola, somente aceitava consumir pão e arroz. A gente está tentando não dar o pão para ele na frente dos outros, porque ninguém mais vai querer lanchar e vão querer só o pão. Aí a gente deixa todos comerem e se é uma coisa que realmente ele não come, aí a gente dá o pão depois. Mas, tipo aquele dia de manhã, que não tinha o pão, ele comeu os sucrilhos do copo dos colegas. Ele não pediu e cuidava pra quando a gente estava de costas (Paola). Mas o Carlos, depois da formação que a gente fez, ele começou a comer; antes ele comia só pão e arroz (Priscila). Mas aí aconteceu dele ficar um tempo em casa e na volta ele teve a resistência de novo (Maria). Nós encaminhamos ele e a família para conversar com a nutricionista e realmente ele comia só arroz em casa. Aí a família começou a insistir em casa e nós, aqui na escola, para ele variar um pouco os alimentos. Ele não tomava água, ele pedia coca e cerveja (Priscila).
Educação alimentar e nutricional: uma possibilidade de trabalho em equipe 16 Revista Portuguesa de Educação, 36(1), e23012. http://doi.org/10.21814/rpe.26059 provam eles começam a desenvolver o paladar. Se eles gostam, ou não gostam..., e foi desse modo que eu comecei a trabalhar com eles. Alguns professores conseguiram trabalhar a EAN com as crianças pequenas, seja por meio de conversas ou práticas. Os professores percebem a EAN como um tema amplo, possível de ser trabalhado não como atividade pontual, mas com significado, e que não é necessário trabalhar a EAN somente como um projeto, restrito a um único momento ou conteúdo de uma disciplina. A EAN está em todos os lugares e pode ser um tema transversal. Palmira, ao trabalhar com as crianças misturas homogêneas e heterogêneas, convidou a nutricionista para participar da aula, quando as crianças realizaram a preparação de cupcakes de chocolate para compreender, na prática, como se dava o processo das misturas. No decorrer da aula as crianças foram preparando a massa, a professora explicando o conteúdo proposto e a nutricionista solucionando as dúvidas relacionadas que iam surgindo. No final, os cupcakes foram assados e degustados por todos. Para Vigotsky (2008, p. 127), o desenvolvimento intelectual “não é compartimentado de acordo com os tópicos do aprendizado. O seu percurso é muito mais unitário, e as diferentes matérias escolares interagem, contribuindo com ele”. De acordo com os experimentos de Vigotsky (2008, pp. 127-128), “os pré-requisitos psicológicos para o aprendizado de diferentes matérias escolares são, em grande parte, os mesmos; o aprendizado de uma matéria influencia o desenvolvimento das funções superiores para além dos limites dessa matéria específica”. A forma como é realizada a EAN, portanto, precisa ser diferente nas diversas faixas etárias. No entendimento das professoras de educação infantil, a EAN pode ser trabalhada explorando os sentidos, conhecendo os alimentos e aprendendo sobre os seus benefícios para a saúde: Os conteúdos da educação infantil envolvem a questão dos hábitos alimentares, como provar, sentir o cheiro, o sabor, tocar; envolve o sentido da gustação, do olfato, o ver, o sentir. Trabalhamos mais a questão dos sentidos com eles e também apresentando os alimentos, comendo junto com eles, e mais a questão de conteúdos. Eles aprendem a manipular os alimentos e, a partir daí, ingerir maior número de alimentos diferentes (Poliana). A gente começou sempre que íamos comer frutas, discutir: laranja é bom pra quê? Daí eu dava a dica: "Ó Carlos! O Carlos não está bem, que é que o Carlos tem?" Daí eles diziam: "Tá engripado!" Daí eu dizia: "E o que é bom para o Carlos comer?" Aí eles ficavam dizendo: "a minha mãe diz que suco de laranja!" Então eles têm o conhecimento de casa, eles têm muito conhecimento. "Viu Carlos?" Daí eles começavam a se policiar para o Carlos comer laranja, bergamota, abacaxi; daí eles ficavam puxando. O que foi muito bom, porque o Carlos aprendeu a comer fruta que ele não comia. E o Carlos,
Educação alimentar e nutricional: uma possibilidade de trabalho em equipe 17 Revista Portuguesa de Educação, 36(1), e23012. http://doi.org/10.21814/rpe.26059 preocupado muito em melhorar, comia. Então isso foi muito positivo para a turma (Patrícia). As professoras da educação infantil produzem discussões que vão além do consumo alimentar. Elas buscam estabelecer relações desde a origem dos alimentos até a importância da conservação ambiental. Na perspectiva de Vigotsky (2008, p. 107), “o aprendizado é uma das principais fontes de conceitos da criança em idade escolar, e é também uma poderosa força que direciona o seu desenvolvimento, determinando o destino de todo o seu desenvolvimento mental”. Vigotsky (2008, pp. 108-109) afirma que “o estudo dos conceitos científicos como tais tem importantes implicações para a educação e o aprendizado. Embora a criança não absorva esses conceitos já prontos, o ensino e a aprendizagem desempenham um importante papel na sua aquisição”. As professoras estimulam seus alunos a fazer pesquisas sobre os conteúdos estudados, levando em conta o meio em que vivem, para que as realidades individuais possam ser consideradas, minimizando a exclusão e enfatizando a alimentação e estilos de vida saudáveis. Ao pesquisar, a criança amplia sua visão de mundo, produzindo novos significados para suas práticas alimentares. Vigotsky (2008, p. 108) assevera que “os conceitos se formam e se desenvolvem sob condições internas e externas totalmente diferentes, dependendo do fato de se originarem do aprendizado em sala de aula ou da experiência pessoal da criança”. A mente da criança “se defronta com problemas diferentes quando assimila os conceitos na escola e quando é entregue aos seus próprios recursos”. Quando se transmite um conhecimento sistemático à criança, ensina-se a ela “muitas coisas que ela não pode ver ou vivenciar diretamente.” Para Vigotsky (2008), o processo de formação de conceitos normalmente se inicia na infância e desenvolve-se até a adolescência, quando atinge a maturidade. Quando os verdadeiros conceitos estão formados, e se entre eles está a alimentação e esta não está sendo adequada ao indivíduo, há uma maior dificuldade na adoção ou, até mesmo, modificação de hábitos alimentares e de estilos de vida mais saudáveis. Uma criança que iniciou sua formação de conceitos sobre alimentação e estilos de vida saudáveis, portanto, terá maior facilidade para desenvolvê-los durante a adolescência e formar os verdadeiros conceitos, seguindo e mantendo o pensamento saudável para a sua vida adulta. Vigotsky (2008) destaca que é a cultura que constitui o próprio locus do desenvolvimento, sendo este uma função da interação do homem com o meio/grupo social em que está inserido e não como uma função individual que seja programada biologicamente. Assim, o ser humano não nasce com sua cultura pronta; ela é moldada pelo convívio em sociedade, que definirá os conceitos a serem formados durante o processo de transformação intelectual. O autor afirma que a criança desenvolve uma função por meio de sua utilização e prática, inconsciente e espontaneamente, antes de ter consciência e controle sobre ela. As crianças aprendem por imitação e mediação com os outros, pois é o meio, a sociedade em que estas estão inseridas, que
Educação alimentar e nutricional: uma possibilidade de trabalho em equipe 18 Revista Portuguesa de Educação, 36(1), e23012. http://doi.org/10.21814/rpe.26059 as constituirá como ser humano, histórico cultural. Este estudo demonstra como as ações de educação alimentar e nutricional precisam ser contínuas, e ressalta a importância do trabalho em equipe para que seja possível a articulação de saberes de diferentes áreas do conhecimento. Em Portugal, a Educação Alimentar constitui um dos temas do Referencial de Educação para a Saúde (Carvalho et al., 2017), que é atualmente um dos documentos de referência na Educação para a Cidadania. O tema Educação Alimentar inclui oito subtemas, dos quais os três primeiros apoiam bem este estudo, mais precisamente: “Alimentação e influências socioculturais”, o que converge para as ideias de Vigotsky (2008) acima descritas e que, no caso de Portugal, dá especial ênfase à dieta mediterrânica como exemplo de influências socioculturais no consumo alimentar; “Alimentação, nutrição e saúde”, em estreita relação com o conceito de EAN, que é central nesta pesquisa, esperando-se que as crianças desde o pré-escolar reconheçam a alimentação como um dos principais determinantes de saúde e que aprendam a identificar alimentos benéficos e alimentos prejudiciais para a saúde, bem como que compreendam a importância do consumo de água; “Alimentação e escolhas individuais” cujos objetivos incidem na compreensão de que fatores psicológicos e sensoriais, individualmente ou em grupo, também contribuem bastante para as escolhas alimentares, alertando para a influência da publicidade e do marketing. Este último subtema, em relação à faixa etária deste estudo (4 a 10 anos, ou seja, pré-escolar e primeiro ciclo do ensino básico em Portugal / anos iniciais do ensino fundamental no Brasil), preconiza como objetivos mais específicos que a criança identifique os alimentos que fazem parte da sua dieta quotidiana e que tenha uma atitude positiva perante novos alimentos e novos sabores. Consideramos que este referencial português é muito importante para refletir sobre os casos das crianças, referidas pelas merendeiras e professoras que integraram esta pesquisa no Brasil, que só comiam arroz e pão puro ou que só consumiam refrigerantes ao invés de água, bem como pode ser um bom suporte de EAN em complementaridade ao trabalho de nutricionista na escola. 4. CONSIDERAÇÕES FINAIS O estudo mostra que um processo coletivo formativo contribui para a constituição de hábitos alimentares saudáveis, considerando a EAN constitutiva do currículo escolar. As professoras interagiram com a nutricionista internalizando conceitos que não estão prontos nos livros didáticos; do mesmo modo, interagiram com seus alunos a partir de uma visão ampliada de ensinar e aprender. Levando em conta que as crianças aprendem por imitação, o exemplo de boas práticas de EAN representa estratégia importante para o professor, que não se restringe a ensinar os conteúdos desvinculados de questões importantes para a saúde/vida. O processo formativo, por sua forma interativa e problematizadora, permitiu aos participantes refletirem sobre seus pontos de vista na mediação
Educação alimentar e nutricional: uma possibilidade de trabalho em equipe 19 Revista Portuguesa de Educação, 36(1), e23012. http://doi.org/10.21814/rpe.26059 de outros. A intenção foi de aprofundar o debate sobre a temática, bem como auxiliar no processo de compreensão das decisões e escolhas alternativas para a prática de ensino nos anos iniciais, incluindo a alimentação saudável e a nutrição humana como constitutiva do currículo escolar. O trabalho em equipe constituiu-se em momentos formativos e reflexivos sobre EAN articulados aos conteúdos disciplinares. Este fato demonstra, claramente, como as ações de EAN precisam ser contínuas, e ressalta a importância do trabalho em equipe para que o processo funcione da forma mais adequada possível. O professor pode influenciar nas escolhas alimentares sem impor sua vontade, mas pelo diálogo problematizador junto a seus alunos. AGRADECIMENTOS Este trabalho foi financiado por Fundos Nacionais através da FCT – Fundação para a Ciência e a Tecnologia no âmbito do projeto do CIEC (Centro de Investigação em Estudos da Criança da Universidade do Minho) com a referência UIDB/00317/2020. Este trabalho é parte do projeto “Processo Interativo de Formação Docente no Contexto da Educação Básica: Uma Perspectiva Emancipatória de Currículo no Ensino Híbrido”, financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Rio Grande do Sul/FAPERGS, conforme edital FAPERGS SEBRAE/ RS 03/2021. REFERÊNCIAS Bezerra, J. A. B. (2018). Educação alimentar e nutricional: Articulação de saberes. Edições UFC. https://www.fnde.gov.br/index.php/centrais-de-conteudos/ publicacoes/category/116-alimentacao-escolar?download=12042:educa%C3%A7% C3%A3o-alimentar-nutricional-articulacao-de-saberes Boff, E. T. O. (2011). Processo interativo: uma possibilidade de produção de um currículo integrado e constituição de um docente pesquisador – autor e ator – de seu fazer cotidiano escolar. [Tese de Doutorado, Universidade Federal do Rio Grande do Sul]. Repositório Digital LUME. http://hdl.handle.net/10183/31787 Brasil. (2009). Lei n.° 11.947, de 16 de junho de 2009. Dispõe sobre o atendimento da alimentação escolar e do Programa Dinheiro Direto na Escola aos alunos da educação básica; altera as Leis nos 10.880, de 9 de junho de 2004, 11.273, de 6 de fevereiro de 2006, 11.507, de 20 de julho de 2007; revoga dispositivos da Medida Provisória no 2.178-36, de 24 de agosto de 2001, e a Lei no 8.913, de 12 de julho de 1994; e dá outras providências. https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2009/lei/l11947.htm Conselho Nacional de Saúde do Brasil. (2012). Resolução n.º 466 de 12 de dezembro de 2012. Diretrizes e normas regulamentadoras estabelecidas na resolução devem ser cumpridas nos projetos de pesquisa envolvendo seres
Educação alimentar e nutricional: uma possibilidade de trabalho em equipe 20 Revista Portuguesa de Educação, 36(1), e23012. http://doi.org/10.21814/rpe.26059 humanos que devem ainda atender aos fundamentos éticos e científicos também elencados na resolução nº 466/ 2012 do CNS. https://conselho.saude.gov.br/ ultimas_noticias/2013/06_jun_14_publicada_resolucao.html Carvalho, A., Matos, C., Minderico, C., Tavares de Almeida, C., Abrantes, E., Mota, E. A., Nunes, E., Paixão von Amann, G., Lopes, I., Bettencourt, J., Ribeiro, J. P., Ladeiras, L., Durval, M., Martins, M., Narigão, M., Frango, P., Leal, P., Graça, P., Melo, R., & Matias Lima, R. (2017). Referencial de Educação para a Saúde. Ministério da Educação. https://www.dge.mec.pt/sites/default/files/Esaude/referencial_educacao_ saude_vf_junho2017.pdf Dugnani, P. (2003). Beleléu. Paulinas. Dugnani, P. (2010). Beleléu e as Cores. Paulinas. Dugnani, P. (2011). Beleléu e as Formas. Paulinas. Juzwiak, C. R. (2013). Era uma vez... um olhar sobre o uso dos contos de fada como ferramenta de educação alimentar e nutricional. Revista Interface: Comunicação Saúde Educação, 17(45), 473-484. https://doi.org/10.1590/S1414-32832013000200019 Kapim, G., & Abreu, A. (2014). Socorro, meu filho come mal. LeYa. Longo-Silva, G., Taddei, J. A. de A. C., Konstantyner, T., & Toloni, M. H. de A. (2013). Percepções de educadores de creches acerca de práticas cotidianas na alimentação de lactentes: impacto de um treinamento. Revista Ciência & Saúde Coletiva, 18(2), 545-552. https://doi.org/10.1590/S1413-81232013000200026 Ministério da Educação do Brasil (2018) Base Nacional Comum Curricular (3.ª Ed.). MEC. http://basenacionalcomum.mec.gov.br/images/BNCC_EI_EF_110518_ versaofinal_site.pdf Ministério da Saúde do Brasil (2014). Guia alimentar para a população brasileira (2 ª Ed.). https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/guia_alimentar_ populacao_brasileira_2ed.pdf Ministério da Educação do Brasil (2013). Resolução n.º 26 de 17 de junho de 2013. Dispõe sobre o atendimento da alimentação escolar aos alunos da educação básica no âmbito do Programa Nacional de Alimentação Escolar – PNAE. https://www.fnde.gov.br/acesso-a-informacao/institucional/legislacao/item/4620resolu%C3%A7%C3%A3o-cd-fnde-n%C2%BA-26,-de-17-de-junho-de-2013 Ministério do Desenvolvimento Social do Brasil (2018) Princípios e práticas para educação alimentar e nutricional. https://www.mds.gov.br/ webarquivos/arquivo/seguranca_alimentar/caisan/Publicacao/Educacao_ Alimentar_Nutricional/Princ%C3%ADpios%20e%20Pr%C3%A1ticas%20para%20 Educa%C3%A7%C3%A3o%20Alimentar%20e%20Nutricional_impress%C3%A3o.pdf Montano, D., Kasprzyk, D., Glanz, K., Rimer, B., & Viswanath, K. (2008). Theory of reasoned action, theory of planned behavior, and the integrated behavior model (4th Ed.). Jossey Bass. https://www.researchgate.net/publication/233894824 Moraes, R., & Galiazzi, M. C. (2020). Análise textual discursiva. Editora Unijuí. Wills, J. (2009). Foundations for Health Promotion. Elsevier Health Sciences. Silva, R. P. N. da, Lara, S., Copetti, J., Lanes, K. G., & Soares, M. C. (2017). Concepções de professores sobre os processos de educação em saúde no contexto escolar. Revista Contexto e Educação, 32 (103), 146-164. http://dx.doi.org/10.21527/2179-1309.2017.103.146-164 Silva, S. U. da, Monego, E. T., Sousa, L. M. de, & Almeida, G. M. de. (2018). As ações de educação alimentar e nutricional e o nutricionista no âmbito do Programa
Educação alimentar e nutricional: uma possibilidade de trabalho em equipe 21 Revista Portuguesa de Educação, 36(1), e23012. http://doi.org/10.21814/rpe.26059 i Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul - UNIJUÍ, RS, Brasil. Secretaria Municipal de Saúde e Secretaria Municipal de Educação de Bozano, RS, Brasil. https://orcid.org/0000-0002-2574-313X ii Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul – UNIJUÍ, RS, Brasil. https://orcid.org/0000-0002-7266-9630 iii Centro de Investigação em Estudos da Criança, Instituto de Educação, Universidade do Minho, Portugal. https://orcid. org/0000-0002-3786-6559 Toda a correspondência relativa a este artigo deve ser enviada para: Cláudia Thomé da Rosa Piasetzki Linha 8 Leste, Vila Floresta, Ijuí/RS/Brasil [email protected] Recebido em 25 de dezembro de 2021 Aceite para publicação em 12 de janeiro de 2023 Publicado em 17 de maio de 2023 Nacional de Alimentação Escolar. Ciência & Saúde Coletiva, 23(8), 2671-2681. http:// dx.doi.org/10.1590/1413-81232018238.19642016 Sousa, F. (2010). João e o pé de feijão. FTD Educação. Vigotsky, L. S. (2008). In K. L. Camargo (Trad). Pensamento e linguagem (K. L. Camargo, Trad.; 4.ª Ed.). Martins Fontes Editora. Vigotsky, L. S. (2007). In M. Cole, V. John-Steiner, S. Scribner, & E. Souberman (Orgs.), A formação social da mente: O desenvolvimento dos processos psicológicos superiores (J. Cipolla Neto, L. Silveira Menna Barreto & S. Castro Afeche, Trads.; 7.ª Ed.). Martins Fontes Editora.
Educação alimentar e nutricional: uma possibilidade de trabalho em equipe 22 Revista Portuguesa de Educação, 36(1), e23012. http://doi.org/10.21814/rpe.26059 Food and nutrition education: A possibility for teamwork ABSTRACT The objective of this article is to analyze a formative process from the perspective of the development of a teamwork aimed at food and nutrition education – EAN - of children from two public schools. The intention was to deepen the debate on the thematic, as well as to assist in the process of understanding the issue and develop alternative pedagogical practices in the early years, including EAN as part of the school curriculum. The process involved teachers, school management team, staff and family members of a Preschool and of an Elementary School of a small town in the interior of the State of Rio Grande do Sul, Brazil. The methodology is qualitative, and data were obtained from formative meetings and interviews with teachers of basic education, which were audio recorded, transcribed and analyzed based on textual discourse analysis. From the corpus analysis, three categories emerged: a) school meals articulated to disciplinary content; b) imitation as a way of learning; c) formation of concepts of EAN. This study demonstrates that EAN actions need to be systematic and that teamwork enables the articulation of knowledge from different areas of knowledge. It is considered that the teacher influences the children’s eating habits, but it is important that the theme is articulated with scientific knowledge from the context of knowledge of children's experiences. Keywords: Formative process; child; school curriculum; problematization; interdisciplinary practices.
Educação alimentar e nutricional: uma possibilidade de trabalho em equipe 23 Revista Portuguesa de Educação, 36(1), e23012. http://doi.org/10.21814/rpe.26059 Educación alimentaria y nutricional: Una posibilidad de trabajo en equipo RESUMEN El objetivo de este artículo es analizar el proceso formativo del trabajo en equipo como perspectiva de desarrollo en la Educación Alimentaria y Nutricional - EAN - de niños de dos escuelas públicas. La intención fue profundizar el debate sobre la Nutrición y la Educación Alimentaria como parte del currículo escolar, ayudando en el proceso de comprensión del mismo y desarrollando prácticas pedagógicas alternativas en los primeros años de escolaridad. En el proceso participaron profesores, equipo directivo, empleados y familiares de una Escuela de Educación Infantil y otra de Educación Básica de una pequeña ciudad del interior del Estado de Rio Grande do Sul/Brasil. La metodología es cualitativa, los datos se obtuvieron a partir de reuniones formativas y entrevistas con profesores de enseñanza básica. Estas reuniones y entrevistas fueron grabadas en audio, transcritas y analizadas a partir de la técnica de análisis textual discursivo. Del análisis del corpus surgieron tres categorías: a) Alimentación escolar articulada a contenidos disciplinares; b) Imitación como forma de aprendizaje; c) Formación de conceptos de EAN. El estudio muestra que las acciones de Nutrición y Educación Nutricional necesitan ser sistemáticas y que, el trabajo en equipo permite la articulación de saberes de diferentes áreas del conocimiento. Se considera que el profesor influye en los hábitos alimenticios de los niños, pero es importante que el tema se articule con el conocimiento científico a partir del conocimiento de las experiencias de los niños. Palabras clave: Proceso formativo; niño; Currículo escolar; problematización; prácticas interdisciplinares.