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Conhecimentos, atitudes e comportamentos de saúde em estudantes do Ensino Superior: avaliação e monitorização de um programa de intervenção socioeducativa em contexto não-formal

Alves, Regina Ferreira

Abstract

As investigações na área da Educação para a Saúde no Ensino Superior têm atingido elevada pertinência, ainda que, em Portugal, sejam pontuais e os programas de Promoção da Saúde no Ensino Superior escassos. Procurando contrariar este cenário, esta investigação teve como objetivos: 1) identificar, caracterizar e analisar os comportamentos de risco para a saúde (consumo de tabaco, álcool, drogas ilícitas e medicamentos não prescritos, prática de atividade física, hábitos alimentares e práticas sexuais de risco) dos/as estudantes universitários/as; 2) determinar o efeito de fatores de natureza intrapessoal, atitudinal e social na adoção de comportamentos de risco; 3) desenvolver, validar e implementar um programa de intervenção socioeducativa de Educação para a Saúde no Ensino Superior baseado na web. Para atingir os dois primeiros objetivos, e seguindo o modelo PRECEDE-PROCEED, realizaram-se estudos transversais com uma amostra estratificada (n = 840) de estudantes de uma universidade pública do Norte de Portugal. Aplicou-se presencialmente um questionário de autorrelato que incluiu o Questionário de Comportamentos, Conhecimentos e Atitudes de Saúde no Ensino Superior (QCCASES), a Escala de Perceção de Bem-estar e Saúde (EPBeS) e questões de natureza sociodemográfica e académica. Devido à emergente pandemia COVID-19 incluiu-se um estudo transversal com uma amostra de conveniência (n = 262) acerca dos conhecimentos, das atitudes e dos comportamentos preventivos face à COVID-19. Os resultados mostraram que 20,1% era fumador/a, 22,2% era consumidor/a de drogas ilícitas e mais de metade dos/as estudantes teve um consumo de risco de álcool (60,1%) e fez uso de alguma forma de automedicação (54,3%), nos últimos 12 meses. Mais de um terço dos/as estudantes inquiridos/as era sedentário (35,7%), 94,2% dos/as estudantes apresentava uma alimentação desequilibrada e 74,9% dos/as estudantes tiveram algum comportamento sexual de risco, nos últimos 12 meses. Os/as estudantes relataram ter sempre, em média, 5,81 (DP = 2,61) comportamentos preventivos face à COVID-19 (máximo de 13). Os estudantes revelaram um baixo nível de conhecimentos em saúde (M = 17,71, DP = 4,59, máximo de 36) e apresentaram pontuações moderadas na escala de atitudes em relação à saúde (M = 2,61, DP = 0,48, máximo de 5). A relação entre o conhecimento acerca da saúde e os comportamentos de risco foi significativamente mediada pelas atitudes face à saúde. As variáveis da influência social mediaram significativamente o efeito da perceção do bem-estar e saúde nos comportamentos de risco para a saúde. Com base neste diagnóstico desenvolveu-se o programa Health On You, implementou-se a 37 estudantes universitários/as e avaliou-se com o recurso a questionários de autorrelato. O programa Health On You mostrou adequabilidade para as dificuldades enfrentadas pelos/as estudantes universitários/as na adoção de comportamentos positivos para a saúde. Os comportamentos de risco para a saúde são bastante prevalentes entre os/as inquiridos/as, recomendando-se a divulgação e implementação em Instituições do Ensino Superior de intervenções baseadas na Web como o programa Health On You.

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julho de 202 1 UMinho|202 1 Regina F err eira Alves Conhecimentos, atitudes e compor t amentos de saúde em estudantes do Ensino Superior : av aliação e monitorização de um programa de inter venção socioeducativ a em contexto não-formal Regina F erreira Alv es Conhecimentos, atitudes e compor t amentos de saúde em estudantes do Ensino Superior : avaliação e monitorização de um programa de inter venção socioeducativa em contexto não-formal Univer sidade do Minho Instituto de Educação T rabalho ef etuado sob a or ientação do Doutor José Alber to Gomes Precioso T ese de Doutor ament o Doutor ament o em Ciências da Educação Especialidade em Super visão P edagógica julho de 202 1 Regina F err eira Alves Conhecimentos, atitudes e compor t amentos de saúde em estudantes do Ensino Superior : av aliação e monitorização de um programa de inter venção socioeducativ a em contexto não-formal Univer sidade do Minho Instituto de Educação ii DIREIT OS DE AUTOR E CO NDIÇÕES DE UT ILIZAÇÃO DO TRABALHO POR TERCEIROS Este é um trab alho académico qu e pode ser utilizado por t erceiros desde que respeitadas as regras e boas práticas internacionalmente aceites, no que concern e aos direitos de autor e direitos conexos. Assim, o presente trabalho pode ser utilizado nos termos previstos na licença ab aixo indicada. Caso o utilizador necessite de permissão para poder fa zer um uso do t rabalho em condições não previstas no licenciamento indicado, deverá contactar o autor, através do Repositóri UM da Universidade do Minho. Licença concedida aos utilizadores deste trabalho Atribuição-Nã oComercial CC BY-NC https://creativec ommons.org/lic enses /by-nc/4.0/ iii AGRAD ECIMENTOS Talvez a es crita deste espaço corresponda ao momento mais liber tador destes quatro anos , que refletindo pareceram-m e t antos mais! Este será, certamente, o espaço menos científico desta tese, permitindo-me uma lufada li bertadora! Na verdade, desde o in ício pe nso nos agradecimentos, sem qualquer rascunho, mas em permanente preocupaçã o em não me esquecer de ninguém ou de algo importante. Pois, este percu rso, que não soube p ercorrer sozinha, foi possível graças a um conjun to de pes soas que se configu raram como uma base segura e às quais é momento de agradecer. Agradecer tudo o que me deram e têm dad o! Ainda que dificilmente possa transcrever sentimentos e mom entos t ão calorosos, é com estas modestas palavras que q uero expressar a minha mais sincera e profunda gratidão a todos/as os/as qu e me ajudaram, que passaram e qu e permaneceram, nes ta longa e construtiva caminhada. Nesta fase, permito-me reflet ir acerca das escolhas qu e fi z e q ue me po ssibilitaram realiz ar este percurs o que comecei h á alguns anos, n esta mesm a Universidade! É certo que não teria sido possível sem o conhecimento que ad quiri dura nte t odo o m eu percurso académico. Posto isto, agradeço à instituição que s empre m e acolheu, à Universidade do Minho, em concreto, ao Instituto de Ciências Sociais e ao Instituto de Educação. Agradecer ao Professor José Pr ecioso, pela orientaçã o desta tese de doutoramento, pela disponibilidade com que m e acolheu, mas principalmente por ter confiado em mim e ter respeitado a minha forma autónoma de trabalhar . Al Profesor Eli sardo Becoña , porque es m i modelo de investigador en cuanto a profesionalismo, maestría científica e ollar crí tico, gracias a tus conocimientos, así como a la generosidad y satisfacción con que los compartes. Ao Profes sor Ben to Silva, por ter mediado muitas e varia das oportun idades de aprendizagem e de crescimento; m as, sobretudo, porque será sempre o meu “Mestre” e aquele com quem conto para, num ápice, resolver impasses e situações de m aior dificuldade. A o longo deste percurso terão sido pouco s os dias em que não conversámos. Mais do que t udo, um A migo! Obrigad a Professor! Voltando ao in ício do percurso académico, ao Instituto de Ciências Sociais da UMinho! N ão posso deixar de referenciar o Prof essor Ivo Domingues, que sempre me indicou a importân cia do capital social; à Professora Ana Maria Brandão, com quem amadureci a importância do rigor científico imposto a um cientista social; à Profe ssora Ana Paula Marques, por ter orientado o meu primeiro iv trabalho académico acerca do A bsentismo Laboral; à Professora Alice Matos por t er mostrado qu e era pos sível ter uma postura dialógica em t empos Pr é-Bolonha. Sentir- me -ei sempre orgulh osa por me autodeclarar Socióloga. No Instituto de Educação, no âmbito de Mestrado em Educação, no qual não posso deixar de agradecer a docentes inspiradores/as: à Professora Flávia Vie ira, um exemplo em contexto de s ala de aul a; à Pr ofessora Ter es a Fre ire, por t er partil hado as mais variadas experiência s em psicologia social – o conceito de dissonância cognitiva será se mpre recorda do pelas sua s palavra s; e à Professora Isabel Viana, pela conjugação metafórica em todas as frases – é tão b om “lê - la”. Além disso, à Professora Tere sa Vil aça que me proporcionou o primeir o contato com a escrita de artigos e participação em Congressos. A gr adeço-lhe por me ter apresentado a sua pers petiva sobre a Educação em Sexualidade; por me t er desafiado a investigar e a intervir na prevenção da homonegatividade. No âmbito da pós-graduação, gostaria de deixar u m agradecimento ao Profes sor Licínio Lima e ao Professor Almerindo Afons o pelos ensinamentos na busca incessante do conhecimento cien tífico. Ao Professor Leandro, por me ter incentivado a embarcar num Doutoramento qua ndo eu nunca havia sequer imaginado essa hipótese. Lembra -se, Professor?! Embora n ão tenh a trabalhado diretamente com a temática que tínhamos convers ado , haverei de lá chegar! A todos/as os/as docen tes do Instituto de Educação que sempre s e comprometeram a transmitir os Saberes que possibilitassem um futuro profissional promissor e cons ciente. Mais carinhosamente, à Professora Judite C ruz pela amabilidade com que sempre m e abordou; à Professora Zélia Ana stácio e à Professora Graça Carvalho por me in tegrarem e tão bem receberem no Grupo de Investiga ção em Saúde Infantil; à Professora Lia Oliveira, não sei se se lembra, m as as suas palavra s ficaram em mim durante todo o processo: “Regina, o doutoram ento não é para descobrires a pólvora. É para provar que sabes fazer investigação!”. Acho que provei! Gostaria de deixar u ma men ção ao Pr ofessor José Cunha Machado pelas diretrizes na construção de uma amostra estra tificada e ao Professor José Augusto Palhares porque na mesma linha também me alertou para o acrónimo KUSAB. Não pos so esquecer cada um/a dos/as es tudantes da U niversidade do Minho que, com alt ruísmo e n o seu tempo livre, participaram n esta investigação, pos sibilitando que eu possa agora partil har esta tese. A o lê -la, espero que sintam que o tempo e a energia cog nitiva que dispensaram não tenha sido em vão. E, neste âmbito , t ambém a to dos/as os/as docentes que g entilmente me concederam uns mi nutos das suas aulas para aplicação dos questionários. v Aos investigadores/a nacionais que val idaram o ins trumento de pesquisa, e specialmente: à Doutora Andreia Martins Soa res que numa fase tão enca ntadora da sua vida, permitiu-me ler os seus com entários tão aprofundados e à Professora Maria Piedade Brandão, por s er uma pessoa tão maravilhosa. Não tenho como recompens á -la por me t er guiado no início deste percurs o. Aquela reunião fez toda a diferen ça ! Ainda hoje vejo isso! To all Chief Edit or, fo r acc epting th at my manus cripts were revised, then published, and to all Reviewers, for the issues raised, which were extremely helpful to improve this res earch . Ao C entro de Competência TIC da Universidade do Min ho, por me permitir alojar o website deste projeto de doutoramento, especialmente ao Professor Luís Vale nte, pelo amável apoio na criação do diretório. À Catarina Samorinha, por se ter juntado a esta viagem e com qu em a tarefa de escrita se tornou aprazível. Possibilitando-me uma pausa no autodidatismo. Aos/Às que trabalham no Instituto de Educação, Rui, Celeste, Artur, Sr. Vilaça, César e Carlos, obrigada por todo o apoio e carinho! À Natália Cerqu eira e à N atália Rodrigues não posso deixar de agradecer a agilidade com que sempre des bloquear am os demais processos bu rocráticos. Ao Professor Manuel João Costa pela oportunidade em integrar o Projeto Students Digital Civic Engagement, o que me permitiu ter uma outra perspetiva de gestão de projetos investigação. Ao Professor Manuel Peralbo, ao Profess or Alfonso Barca e à Professora Alicia Risso tem sido um privilégio integrar a organização do Congresso Gale go -Port uguês de Psicope dagogia. Ao povo da célula, do rato e das pessoas (Grupo Estat ística 2020), especialmente ao Professor Altay Sousa, que tanto me ensinou sobre o Ser Cientista, sendo uma fonte ines gotável de inspiração, energia e dedica ção. Aquel es chás de cog umelo que nunca esquecerei, ainda bem qu e o virtual nos uniu. O b rigada a todos/as pela disponibilidade constante e partilhas. A t odos/as os Ubuntus q ue se cruzaram no meu ca minho – aos nossos abraç os de união e à energia boa e m otivadora de t odos os contactos. À amiga e Professora Susana C aires, o meu obrigada pelo reforço positivo constante! À AA UM, que através do p rojeto UMSumário, me concederam a oportunidade d e dar do m eu tempo ao Outro , num momento em que o mundo se fech ava em casa. A todos/as os/as sociólogos/as (turma 20 03/2004) que at ravés do mun do digital me fazem ri r, a cada partilha ou picardia. vi À família vizelense (Belém, Din is, Tó - Zé e Sofia), à família empre stada (Alice e T ó) e à família Teles (Quina, Goreti, Ivo, Inê s e Carolina) & Alves (Ma nuel, Marga rida, Virginie e Guil haume; Qui m), vocês são família e, essa palavra diz tudo. À Luciana Sa ntos e à Síl via Nunes, colegas de doutoram ento que se tor naram “amiga s de sempre”, pelo apoio incondicional e por me t erem permitido desabafar em momen tos de maior desânimo. Mais uma amiga, a Clá udia Estefânia, um apoio t ão import ante ao tolerar todas as minhas inseguranças e pelas palavras de encorajamento, tão reconfortantes, que me encheram de confiança. À Am anda Franco, das pessoas mais genuínas q ue conheço e com um coração do tamanho do mundo ! À Patrícia Fernandes, à Gabriela Quadrado, à Sonya Olivares , amigas fundamentais que me incentivaram e apoiaram desde sempre. A outros/as amigos/as que m esmo à dis tância fazem parte da minha vida: ao Davide, Vanda e Vicen te (família Alfacinha), ao Hélde r (amigo de uma vida), à Leonor (amiga que não preci sas de falar todos os dias), à Teresa Leite (amiga para o que precisares) e à min ha B elinha (amiga protetora). À minha “manuchinha”, Tân ia Barradas, pelo apoio que me devotou, por celebrar mais do que eu c ada pequena conquis ta! Porque sei que com ela, I’ll never walk alone! Ao Monsieur Agostinho e à Ma dame Marie Jo, o vosso apoio foi fundamental para que nunca desistisse e sempre me fizeram acreditar que poderia al cançar as minhas aspi rações! Acreditando, quando eu ain da não sabia que era poss ível! Léa e Ludi (e hoje também, Gil) vocês es tão sempre no meu coração! Ao Tobias, que pel a sua ternura sem fim me inspira a ser mais e melhor todos os dias! À Patrícia Magalh ães, cuja presen ça me aco mpanhou no dia -a-dia, num apoio in condicional, por ser a pessoa que mais me desafia , fazendo com que a minha vontade de vencer seja maior. Aos meus pais (Boss & Ma my), aos maninhos (Willy & Elsa) e seus apêndices (Nini & Costa), por tudo! Porque, sem mais palavras, s(er)ão sempre o meu Porto de Abrigo . Este trabalho é financiado por Fundos Nacionais através da FCT – Fundação par a a Ciência e a Tecnologia, I.P., no âmbito do projeto SFRH/BD/120758/2016. vii DECLARAÇÃO DE INTEGRID ADE Declaro ter at uado com integridade na elaboração do pr esente t rabalho académico e confirmo que não recorri à prática de plág io nem a qualquer form a de utilização indevida ou falsificação de informações ou resultados em nen huma das etapas conducente à sua e laboração. Mais declaro que conheço e que respeitei o Código de Conduta Ética da Universidade do Minho. xiv ÍNDICE DE SIGL AS AF Atividade Física CDC Centers for D isease Control and Prevention EpS Educação para a Saúde BES Bem-estar Subjetivo DGS Direção-Geral da Saúde EPBeS Escala de Perceção de Bem-estar e Saúde ES Ensin o Superior FAT Fumo Ambiental do Tabaco IMC Índice de Massa Muscu lar ISTs Infeções Sexualmente Transmis síveis KAP Modelo de Conhecimento, Atitudes, Práticas MCS Modelo das Crenças em Saúde PRECEDE- PROCEED Predisposing, Reinforcing, Enablin g, Constructs in Educat ional/ecological Diagnosis a nd Evaluation) (Policy, Regulatorory, Organizational, Constructor in Educational and En vironm ental Developmen t QCCASES Ques tioná rio de Comportamentos, Con hecimentos e Atitudes de Saúde no Ensin o Superior SPSS Statistical Package for the Social Sciences TCP Teoria do Comportamento Planeado TIT Teoria da Influência Triádica TSC Teoria Social Cognitiva UMinho Universidade do Minho VIH Vírus Imunodeficiência Humana WHO World Health Organization 1 INTR O DUÇÃO A Educação para a S aúde (EpS) é, em Portugal, de caráter obrigatório em todos os estabelecimentos de ensino público, indepen de ndo do ciclo de estudos (1.º, 2.º e 3.º ciclo e ensino secundári o ). N o entanto, essa obrigatoriedade não é extensível ao E nsino Superior (ES) apes ar de várias razões apontarem para a n ecessária continuidade dos programas de EpS e Promoção da Sa úde (PrS). Na perspetiva de Precios o (2004), esta continuidade permitirá evitar ou prevenir a adoção de comportamentos de risco ou prejudiciais para a saúde dos/as es tuda ntes em início de ciclo académico , inves ti ndo na prevenção primária (iniciada na es cola ). As in vestigações na área da EpS/PrS no ES têm atingido elevada pertin ência e s ão cada vez mais recorrentes. A nível n acional as dissertações de m estrado e dout oram ento dirigem-se, essencialmente, a estudantes universitários/as de áreas científicas e specíficas: s aúde, educação, ps icolog ia e, em alguns casos, serviço social e cen tram -se na identificação dos comportam entos saudáveis e de risco para a saúde (J. Almeida, 2014; A raújo, 2015; Brandão, 20 10; Calado, 2011; S. Costa, 2008; Gaspa r, 2006; R. Lopes, 20 04; Morais, 2011; Pacheco, 2008; Pimentel, 2010; Preto, 2002; M. L. Sa ntos, 2011 ; Sarmento, 2013; A . M. Soares, 2019; Sousa, 2014; Zão, 2012) . Tal como na literatura científica nacional, t ambém nos estu dos internacionais, os com portamentos de risco com m aior incidência nos/as estudantes universitários/a s referem-se ao consumo de bebidas alcoólicas, de taba co e de su bstâncias psicoativas lícitas ou ilícitas, à ocorrência de relações sexuais desprotegidas e à adoção de um estilo de vida sedentário e a hábitos alimentares desequilibrado s (Alves, 2018, 2 019b, 2019a, 2020b, 2 020a; Alves & Precioso, 2018, 20 19) . A maioria dos estudos apo nta a existência de uma correlação positiva entre os vários comportam entos de risco (Buckner et al., 2010; De Vries et al., 2008; Pais-Ribeiro, 199 8) e uma maior prevalência destes em estudantes finalist as quando comparados com os/as do primeiro ano (Crawford et al., 2019; Crosnoe et al., 2017; Davoren et al., 2016; Hustad et al., 2014; Os berg et al., 2011; Scott-Sheldon et al., 2016) . As investigações nesta área recomendam a criação de program as educativos que promovam o aumento de conhecimentos acerca da saúde e, consequentemente, a adoção de estil os de vida saudáveis. Num estudo reali zado por Luís Costa (2006), percebe-se a existência de lacunas na formaç ão ministrada pelas co nceções antiqu adas e ide ias contradit órias observadas. No me smo sentido, Antão e Veiga-Branco (2011) afirmaram a existência de lacunas e imat uridades no nível de c onhecimentos acerca da saúde afetivo- se xual. Para Carvalho e Carvalho (2010), as perceções dos/as estudantes INTRODUÇ ÃO 2 universitários /a s acerca da EpS podem estar ligadas a uma visão reducionista dos determinantes de saúde centrada nas unidades de saúde, relacionando-a ao paradigma biom édico. Tendo por base o referido anteriormente e alinhado com : 1) os Ob jetivos de De senvolvimento Sustentável (ODS) 2030, nomeadam en te , o 3º ODS – g arantir o aces so à saúde de qualidade e o bem - estar de t odos/as, em todas as idades e o 4 º ODS – gar antir o acesso à educação i nclusiva, de q ualidade e equitativa, e promover op ort unidades de aprendizagem ao longo da vid a para todos/as; 2) o Healthy People 2030 (U.S. Department of Health and Human S ervices, 2 021) , no qual os/as jovens adultos/as , nomeadamente, os/as estudantes universitários/as, constituem um grupo social pr ioritário; 3) Healthy Campus 2020 (American College Health Association [ACHA], 2018a) que apresenta diretrizes que impelem à implementação de programas de b em -estar e de saúde nas universidades; 4) o P lano Nacional de Saúde (Direção-Geral da Saúde [DGS], 2015) que solicita medidas preventivas di rigidas aos/às jovens adultos/as, o tema central desta tese é a identificação dos comportamentos de ris co para a saúde dos/as estudantes universitários/as, associá -los a fatores de influência intrapessoal (caract erísticas sociodemográficas e perceção de bem-estar), atitudinal (con hecimentos e atitudes face à saúde) e s ocial (influên cia de pares e pessoas significativas), com vis ta ao desenvolvimento de um programa de EpS n o ES. No primeiro capítulo desta tese, a pós algumas considerações iniciais para melhor compreensão dos termos utilizados , ident ificam- se os principais construtos teóric os da problemática de investigação : comportamentos de risco para a saúde, fatores i ntrapessoais , interpessoais e sociais, o bem -estar e a perceção de saúde e, ai nda se exploram a s principais teórias de investigação para a saúde, o m odelo usado para a construção do programa de EpS e a importância desta tese numa âmbito da sua especialidade. O capitulo I I – Métodos – apresenta os objet ivos gerais e os objetivos e specíf icos d e cada um dos estudos efetuados e fornece- se informações sobre o desenho do estudo, as amost ras dos estudos, os procedimentos de recolha de dados e as análises estatísticas realizadas. No terceiro capítulo são sucessivamen te apresentados os doz e artigos resultantes dos estudos realizados no âmbito desta dissertação, redigida na ba se de com pilação de artigos cien tíficos ao abrigo do Despacho IE- PR -02/20 19 e a utorizada pelo Conselho C ientífico do I nstituto de Educação da Universidade do Minho (U Minho),de acordo com o Despacho IE -335/20 20 . O estad o da publicação (publicado, n o prelo, aceite, em revisão ou submetido) encontra-se i ndicado na primeira página de cada subseção de ste capítulo ju ntamente com um resumo do artigo em língua portuguesa e em rodapé identificam-se outras public ações e co municações real izadas no âmbito dos objetiv os específicos de cada INTRODUÇ ÃO 3 artigo. Os artigos estão escritos em inglês por terem sido submetidos em revistas internacionais e estão organizados de acordo com as normas específicas da revista científica à qual foram su bmet idos. No entanto, para efeitos de apresentação e coerência, a sequência dos art igos não segue a data da sua publicação. O capítulo I V – Considerações Finais – apresenta e discute as principais conclusões desta t ese, bem com o os seus pontos forte s, limitações e implicações para a prática e pesquisa futuras. As referên cia s bibliográficas apresentam-se no final, em conformidade com as normas da APA (7ª edição). 4 C APÍTULO I – ENQUADRAMEN TO TEÓRICO ENQUADRAM ENTO TEÓ RICO 5 1 . CONSIDERAÇÕES INICIAIS A saúde é um direito humano fundamental (World Health Organization [WHO], 2 009), definido como um estado dinâmico de bem-estar físico, mental, emoc ional/afetivo, social e espiritual (outra s dimensões, como a sexual ou a ambiental, poderiam ser acrescentadas) que m uda constantemente ao longo da vida, e depende de fatores biológicos (constituição genética, género), comportamentais, ambientais e sociais (nível socioeconómico) (Aronson et al., 2007; Pais-Ribei ro, 2007) . Se ao termo Saúde somarmos o termo Tecnologia e ncontrar - se -á o conceito de eHealth - electronic health ou mHealth - mobile health, no caso dos dispos itivos móveis (Oh et al., 2005). Embora, não exista (ainda) uma definição universal, tam bém devido aos avanç os contínuos das t ecnologias de informação e comunicação, a definição mais consensual refere -se a eSaúde com o o uso de t ecnologias emergentes de informação e comunicação, especialmente a I ntern et, par a melhorar ou habilitar a saúde e os cuidados de saúde (Eng, 2002). A tecnologia aliada à saúde é entendida como uma ferramenta para expandir, auxiliar, aprimorar ou facil itar as mudanças com portamentais e melhorar a saúde, atribuindo - se conotações positivas a todas as formas de eSaúde (Oh et al., 2005) . O conhecimento incorpora todas as i nformações qu e uma pessoa po ssui e acu mula ao longo da sua existência, que obt êm através de vivências, observações e experiência s, cabendo à pes soa segregar as informações e transformá -las em conhecimento para, no mom ento oportuno, utilizá-lo convenientemente. O co nhecimento é, segundo Just o (2010), o capital da PrS através do qual os indivídu o s podem tomar decisões informadas e conscientes acerca da su a saúde. À imag em do conhecimento, o conceito de atitude tem múltiplos significados, formando-se a partir das crenças face a d eterminado objeto ou situação e influenciando tudo aq uilo qu e a pe ssoa faz. De aco rdo com Ajze n e Fishbein (1980), o conce ito de a t itude “is ch aracterized by a n embarrasing degree of ambiguity and confu sion” (p. 1), existindo difere ntes atitudes, favoráveis ou desfavoráveis , em re lação a cada dif erente asp eto da n ossa vida. No caso específico da EpS, um/a estudan te que t enha uma forte crença de qu e a prática de a tividade física melhora a aptidão física, sabe-se q ue essa crença determinará a atitude do/a estudante (Ajzen & Fishbein, 1980). As atitudes não são alteradas rapidamente, mas s ão maleáveis, vi sto que a vi vência de uma situação q ue promova uma sensação positiva, desenvolverá atitudes positivas relativamente àquela situação. Posteriormente, Stroebe e St roebe (1999) referiram que uma at itude é a tendência para aval iar alguma coisa num determinado sentido, ou seja, com algum degrau de positividade ou negatividade. Esse componente avaliativo é g eralmente estudado em relação CAPÍTULO I – E NQUADR AMENTO TEÓ RICO 6 aos com ponentes cognitivos (cren ças da s pe ssoas), avaliativos (sentimentos) e comportamentais (ações), sendo a escala de Likert a mais comummente utiliz ada para medir as atitudes. Face ao exposto anteriormente, conclui-se que os comportamentos não ocorrem num vazio, são produto das dimensões pessoais, ambientais e sociais, que emergem não só do pr esente, mas t ambém das experiência e vivências do indivíduo (Arrivillaga et al., 2003). No que concer ne à área da saúde , existem, na literatura cie ntífica, inúmeras definições de com portamentos de saúde. Desde a mais citad a , mas tam bém crit icada pela sua limitação, na qual o c omportamento de s aúde é visto como uma atividade que o indivídu o adota, com o propósito de preve nir a doença e manter - se saudável (Kasl & Cobb, 1966), até definições mais amplas como a forn ecida pela Organização Mundial de Saúde OMS, ou seja, qualquer atividade empreen dida por uma pessoa, independentemente do seu es tado de saúde, com o pr opósito de p romover, proteger ou m anter a sua saúde, quer essa at ividade s eja objetivamente eficaz ou não para obter o fim pretendido (WHO, 1998). Os com portamentos de saúde quando negativos são denominados de compor tamentos de risco (para a saúde) ( Ogden, 1 999), t ratando-se de um a atividade qu e conduz a um aumento do r isco de morbimortalidade, tal como, o consu mo de substâncias ps icoat ivas lícitas e ilícitas, o seden t ário ou a alimentação rica em gorduras e açúcare s. Por oposição, comportamentos de saúde posit ivos ou protetores refere-se aos comportamentos adot ados qu e visam promover a saúde. Importa aqui deixar um apontamento relativamente aos estilos de vida sau dáveis e aos comportamentos de saúde. Os comportamentos de saúde e os comport amentos de risco t endem a agregar-se de uma fo rma complexa, formando perfis, que recebem a denomi nação de estilos de vida (WHO, 1998). Embora, diversas investigações evidenciem que nem sempre a prática de um determinado comportamento de saúde se relaciona diretamente co m a prática de outro s, múltiplos e studos co nfirmam a t endência para os comportamentos de saúde se a ssociarem (Ribeiro, 1998). No entanto, esta t ese apesar de analisar os comportamentos de saúde, não foi considerado o conceito de estilo de vida pelo fato deste implicar uma det erminada extensão temporal, aspeto que não foi considerado nos diversos estudos realizados . O b em -est ar subjetivo (BES) é considerado um c onceito complexo que compreende uma dimensão cognitiva e uma afetiva, referindo-se à avali ação que as pessoas fazem da sua própria vida (Diener et al., 2000; Galinha & Ribeiro, 2005). O B ES corresponde ao termo técnico utilizado nas pesquisas científicas para a felicidade ou a satisfaçã o com a vida . Embora se tratem de constructos heterogéneos apresen tam uma forte associação, em ter mos teóricos e empíricos (Howell et al., 200 7) e formam um ún ico fator (Sh eldon & Lyubomirsky, 2006). No e ntanto, felicidade associa -se CAPÍTULO I – E NQUADR AMENTO TEÓ RICO 7 frequentemente a emoções positivas (Lyubomi rsky et al., 2005) , enquanto a sat isfação com a vida se refere a um j ulgamento cognitivo de avaliação geral da sua própria vida (A. S. A lbuquerque & Tróccoli, 2004). De acordo com a declaração de Ottawa (WHO, 198 6), a promoção da saúde (P rS) é entendida como um processo que visa capacitar o indivíduo de informações e conhecimentos sobre si com vista a aumentar e melhorar o controlo sobre os determinantes da saúde. Mais recen temente, entende-se que a PrS também se direciona à com unidade em geral, compreen de ndo ações de prom oção e proteção da saúde ao construir am bientes favoráveis à saúde (WHO, 2009). O u seja, trat a- se de uma “ combinação planeada de mecanismos e ducacionais, políticos, ambientais ou organiz acio nais que apoiam as ações e condições de vida de forma a garant ir a saúde dos indivídu os, grupos e comunidades” (Brito, 2014) , podendo ser entendida com o uma intervenção individual, de acordo com a conceção am ericana e mais do tipo comunitário e social, priv ilegiada na Europa e Canadá (Pais-Ribeiro, 2007). A EpS é vista com o uma importante contribuição para a PrS , embora não seja sinónimo dela, pode assumir-se com um conjunto de estratégias utilizadas para a PrS . Na verdade, uma fórmula reconhecidamente simplista é usada para captar a essência da relação sinér gica entre política e educação: Health Promot ion = Health Education x Healthy Pu blic Policy (Tones & Tilford, 2001) . A EpS refere-se a um processo de aprendizagem, construído i ntencional e voluntariamente, de várias formas e ao longo da vida, com o intuito de aumentar os conhecimentos e desenvolver competências que favoreçam a saúde individual, grupal e da comunidade ( Green & Kr euter, 2 005; W HO, 1998) . Por outras palavras, pode ser definida como o “ somatório de todas as i nfluências que colet ivamente determinam conhecimentos, crenças e comportamentos relacion ados com a promoção, manutenção e restabelecimento da saúde n os indivíduos e comunidades” (Brito, 2014) . A literatura científica, nes te âmbito, apres enta pote ncialidades nos programas de EpS por computador ou baseados na web para estudantes un iversitários/as (Gross, 2004), demonstrando a eficácia das intervenções comportam entais de eHealth (Broekhuizen et al., 2012; Hutchesson et al., 2015; Oosterveen et al., 2017; Webb et al., 2010). Este programas, na maioria das vezes, incluem -se na educação n ão-formal , visto que, embora se jam at ividades educativas orga n izadas e sistemáticas, são re alizadas fora do siste ma oficial de ensino e, por isso, não têm um caráter obrigat ório (Inter-ag ency Network for Education in E mergencies, 2010). Os est udos científicos qu e incluem estratégias de EpS baseados na web e em con t exto não-formal são cada vez mais frequentes (Gabarron et al., 2018; Hsu et al., 2018). CAPÍTULO I – E NQUADR AMENTO TEÓ RICO 8 2 . OS COMPORT AMENTOS DE RISC O P ARA A SAÚD E A idade adulta emer gent e en quant o nova fase de transição de vida corres ponde a uma e tapa de apr endizagem e desenvolv imento da personalidade, nos domínios cog nitivo, físico, afetivo, sexual, familia r e social (Arnett, 2000). Para alg uns/algumas jovens adultos/as, a esta nova fase acr esce a t ransição para o ES , um dos períodos mais ambicionados e simultan eamente mais difíceis que os /as jovens viv enciam (A . M. Soa r es, 20 1 9). P e ríodo no qu al os/as jov ens deixam a sua res idência de origem , exis tindo um afastam ento físico da fam ília e dos /as am igos/as, uma menor super visão e uma maior autonomização em rel ação à família; assumem a sua independência e autonomia e mais r espo nsabilidades; estabele cem novas am izades dentro e fora da s IES e encontram-se sujeitos /as a uma maior pr es são social e académica; e surg em mais opor tunidades pa ra explorar valo res, crenças e atitudes pessoais (Des Rosiers et al., 20 1 3; Joh e t al., 20 1 7; Lefko witz, 2 005; Lefk owitz et al., 20 04; Str o ud et al., 20 1 5) . Es se período de intens a exploração, vulnerabilidade e mudança (D utt & Manjula, 20 1 7; Shifera w et al., 2 0 1 4) pode tornar os/as jovens adultos/as par ticularmente susce tíveis ao su rgiment o de dificuldades a nív el pessoal, social, aca démico (How ar d et al., 2006) e a env olver em- se em compor tam entos de risco para a saúde (G. B radle y & Wildman, 2002), com o o início do consumo de substâncias psicoativas (Wagner e t al., 20 1 2), que podem persistir ao longo da vida (Clusk e y & Gr obe, 2009). I sso poder á acontecer qu er por uma qu estão d e curiosidade e e x perimentaç ão (pr opo r cionados pela ausência do cont r olo paren tal ou pe la afirmação da identidade), quer por estes compor tamentos ser em normalizados em con te xto académico (A . M. Soa res , 20 1 9). Como r es ultado, na liter atura cie ntífica é possív el encont rar em- se i númer a s investigações r ecentes acer ca dos compor tam entos de risco par a a saúde no ES (pr evalência e pr editor es) e r elat ivas ao bem-estar e qualidade de vida dos/as estudantes univer sitários/as . As evi dências científ icas re velam uma elevada p r evalência de compor t amentos d e risco para a saúde entr e estudantes universitários/as (U .S. Depar tment of Health and Human S er vices, 2020), como o 1) consumo de substâncias psicoativas como o taba co álcool, ou dr ogas ilícitas; 2) automedicação; 3) hábitos alimentar es desequilibr ados; 4) ausência da prática de atividade física; 5) práticas sexu ais consider ad as de risco, não consider ando a saúde uma prioridade tão grande quanto estudar ou t rabalhar (El Ansari e t al., 20 1 1; Joh et al., 20 1 7). CAPÍTULO I – E NQUADR AMENTO TEÓ RICO 9 2.1. Consumo de tabaco no Ensino Superior O tabagismo continua a ser a principal causa de morbidade e mort alidade evitável em todo o mundo, se ndo a sua prevalência considerada epidémica (Centers for Disease Control and P revention [CDC], 2014; WHO, 2 010b) . Além disso, a exposição ao fumo ambiental do t abaco (FAT ) ou fumo passivo aumenta a morbidade e mortalidade por doenças cor onárias, cancro do pulmão, infeções res piratórias e outras doenças. O início da v ida ad ulta está frequentemente associado ao aumento do t abagismo e ao estabelecimento do seu consumo regular (Husten, 2007; Orlando et al., 2004) . Nesse se ntido, o ambiente académico pode constituir um contexto favorável ao consumo de tabaco (Reed et al., 2007) , bem com o à sua iniciação/experi mentação (Wet ter et al., 2004), pela forma como é socialmente aceite neste contexto (Nolen-Hoeksema, 2004). Vários estudos têm mostrado um aumento no número de fumadores em co ntext o académico, tanto no número de estudantes que passaram a fumar regularmente, quanto no número de cig arros consumidos diari amen te (Guillén et al., 2003). Por exemplo, Tercyak, Rodriguez e Audrai n-McGovern ( 2007) v erificaram q ue 25% dos/as estudantes qu e relataram nunca ter fumado na escola secundária começaram a fumar um ano mais tarde. A prevalência de estudantes universitários/as fumadores/as corresponde a cerca de um quatro dos/as estudantes quer a nível nacional (C. Albuquerque & Franco, 2010; Luz e t al., 2010 ; Mendes & Lopes, 2014) qu er internacional (Espanha - Castro Cuesta et al., 2014; Guillén et al., 2003; Hernández- González et al., 2018; Grécia - Alexopoulos et al., 2010 ; Irão - A skarian et al., 2013; Austrália - Clark et al., 2004; Jordânia - Kofahi & Haddad, 2005; Palestina - Musmar, 2012 ; L íbano - S alameh et al., 2014 ; Inglaterra - Ma llia & Hamilton-West, 2010; It ália - Lucenteforte et al., 2010; República Checa - Schneidrová et al., 20 16; Sérvia - Milo šević Georgiev et al., 2019 ; Bras il - Damasceno et al., 2016; Arábia Saudita - Almutairi, 2016 ; B élgica - Patel et al., 2016; Chile - Barra et al., 2015; Polónia - Ksi ąż ek et al., 2019 ; Turquia - Baba oglu, 2 017). Ape sar desta pre valência, ainda se regi sta uma proporção considerável de ex-fumadores/as universitários/as ( 23% - Clark et al., 2004 ; McCann et al., 2005; 10% - Kofahi & Haddad, 200 5; 64 % - Danjoy León et al., 201 0; 28,6% - Saeed et al., 2012; 18,1% - Barmpagianni et al., 2014). 2.2. Consumo de álcool no Ensino Superior O álcool é das subs tâncias psicoativas com maior prevalê ncia no ES (Pillon & Corradi-Webster, 2006) , visto que div ersos estudos nacion ais apo ntam qu e mais de 80% dos/as estudantes universitários /a s consomem bebidas alcoólicas (J. S. Martins et al., 2010; Piment el et al., 2013; P reto, CAPÍTULO I – E NQUADR AMENTO TEÓ RICO 16 e, em termos gerais, com a felicidade (A. S. Albuquerque & Tróccoli, 2004; Gali nha & Ribeiro, 2005; Mariano Rojas & Maikol Elizondo-Lara, 2012). A satisfação c om a vida é um constructo que se refere ao contentam ento que uma pessoa sente ao pensar na sua vida como um todo (Bardagi & Hutz, 20 10) . Refere-se às avaliações subjetivas ou julgamentos que o indivídu o faz em relação às s uas experiências, caso tenham proporcionado (in)satisfação com a vida. Port anto, o indivíduo compar a as circunstâncias da vida com um conjunto de padrões autoimpostos e em qu e medida a su a qualidade de vida corresponde a es ses padrõe s. A ssim, de acordo com Pavot e Diener ( 2009) e Diener, Inglehart e Tay (2013), a satisfação com a vida é um julgamento cognitivo assente em critérios pessoais. Em termos prát icos, os indivíduos com alto bem - estar devem ter um alt o g rau de satis fação com a vida e emoções pos itivas e baixos níveis de emoções negativas. Como já mencionado, outros indicadores importantes para medir o BES referem -se ao conceito de felicidade subjetiva . Ou seja, as perceções individuais de felicidade ou efeitos positivos (Lyubomirsky & Lepper, 1999; Trinh & Khanh, 2019). A qualidade de vida definida com o a perceção de um indivídu o sobre a sua posição na vida, no contexto da sua cultura e dos s istemas de valores em que vive, e em relação aos seus objetivos, expectat ivas, padrões e preocupações (T HE WHOQOL GR OUP, 1995). Nessa perspetiva, a s definições de qualidade de vida, satisfação com a vida, BES e felicidade sugerem uma s obreposição con cetual ( Camfield & Skevington, 2 008), e estão intimamente relacionadas (Medvedev & Lan dhuis, 2018) . A satisfação com a vida e a felicidade são a spetos ext remamente importante s na vida dos/as estudantes u niversitários/as, embora difíceis de alca nçar (Diener et al., 2000), t êm impact o nas suas atitudes e comport amentos (Khram tsova et al., 2007). O estudo do bem -e star deve s er considerado ao longo do perc urso académico, is to porque as evidências científicas mostraram que as bar reiras ao bem- estar, como ansiedade, stresse e depressão, aumentam com a permanência no ES (Beiter et al., 2015; H. Elias et al., 2011; Fawzy & Hamed, 2017), sendo que um/a em cada cinco estudantes universitários /a s relataram ter uma doença mental ativa (ACHA , 2018b). Para alé m disso, atendendo à componente cognitiva do bem-estar, os es tudos científicos comprovam que a satisfação com a vida está negativamente relacionada com alguns comportamentos de saúde, com o fumar, beber e o sedentarismo entre estudantes universitários/as em diferentes culturas (Grant et al., 2009; Pengpid & Peltzer, 2019) . Da mesma forma que, face à componente afetiva, se identificou uma série de relaç õe s significativas entre felicidade e determinados comportamentos de saúde, como os hábitos alimen tares, nomeada mente não saltar o pequeno-almoço e consumir frutas e vegetais diariamente, a prática regular de atividade física , CAPÍTULO I – E NQUADR AMENTO TEÓ RICO 17 a aus ência de maus hábi tos como não fumar, consumir álcool ou drogas ilícitas e os ris cos s exuais (E. Cook & C hater, 2 010; Grant et al., 2 009; Kye & Park, 2 014; Monahan et al., 2012; Murphy et al., 2 018; Peltzer et al., 2 017; Peltzer & Pen gpid, 20 13; Pengpid & Peltzer, 2019; Piqueras et al., 2011; Shahab & West, 20 12). Ou seja, os resultados destes estudos rev elaram qu e a felicidade tem múltiplos be ne fícios, estando associada e precedendo inúmeros comportamentos de sa úde. Dito de outra maneira, i ndivíduos felizes t êm menos probabili dade de s e envolver nu ma variedade de comportamentos prejudiciais e não saudáveis, tais como os mencionados anteriormente. 4. AS UNIV E RSID A DES ENQUANT O ESP AÇOS PR OMOTORES D E SAÚDE Um dos aspetos que demonstra a per tinência dest a invest igação pr ende-s e com o facto do s/as jovens adultos/as p ode re m ser mais pr openso s a in ter venções e mudan ça s de compor t amento enq uanto imersos num ambiente de apr endizagem como o académico (Plo tnik of f et al., 20 1 5; Visser & Hirsc h, 20 1 4) . Depr eende-s e q ue os se us hábitos ain da não for am t otalmente formados e estabelecido s, hav endo um grande potencial dur ante es se pe ríodo para corrigir com por tamentos não saudá veis (Kim et al., 2020), visto que é mais difícil extinguir um compor t amento de ri sco, do q ue iniciar nov os com por tamentos saudá vei s (Holland et al., 2006). Para além disso, os compor tamentos pr ejudiciais à saúde adquiridos no ES tendem a manter - se ao longo da vida e a exer cer um impacto considerá vel a longo pr azo na saúde e no bem -estar des tes/as joven s, r eforçando a par ticular impor t ância das in vestigações nesta ár ea (Arias-Palen cia et al., 20 1 5; Ellis, 20 1 3; Seo et al., 20 1 8) . Nest e conte xto, os/as estudantes universitários/as dev em ser enca rados/as co mo agentes de desen volvimento emergentes, assente na c r ença dos /as mesmos/as s erem de tentor es/as de conhecimentos devido ao s eu percu rso académico e, conseq ue ntement e com poder de influenciar a saúde de uma população, quer atra vés da s s uas escolhas individuais, quer at ra vés de h ipot éticas pr of issões com responsabilidades na construção de futu ras políticas de saúde ou na s tomadas de decisão sobr e as mesmas (Allenswor th e t al., 20 1 7; Dooris & Doh er t y , 20 1 0; Ste war t-Br own et al., 2000). Estes/as jov ens adultos/as são, neste conte xto, incumbidos de abrir à sociedade um lequ e de alternativas pr ev entivas, tendo por bas e a transmis são de conhecimentos e atitudes pr ote tor as face a potenciais compor tam entos de risco (Alves et al., 202 1), sendo agentes de mudança, r espo nsá veis pela promoção de estilos de vida sau dá veis (Melani et al., 2000). E st a visão permite a valorização mais dos ator es do qu e das políticas de desenvol vimento (Nó voa et al., 1 992). CAPÍTULO I – E NQUADR AMENTO TEÓ RICO 18 As ações de PrS no ES são cada vez mais urgentes, pois, se por um lado, o núm ero de jovens adultos/as neste context o vem aumentando ao longo dos anos, t anto a nív el internacional como nacional 2 . Por outro lado, as IES dispõem de uma infraes trutura (tecnol ogias, instalações, profissionais especializados) capazes de constituir espaços promot ores da saúde, um cenário privilegiado para fomentar mudanças nos co mportam entos de saúde individuais e do coletivo unive rsitário (Meda Lara et al., 2 008). De acordo com Silva e Brito (2014) , as “ universidades podem incrementar o conhecimento e o compromisso com a saúde de um amplo número de pes soas formadas num enorme conjunto de disciplinas e capacitadas para promover a saú de” (p. 1 8). As Instituições de Ensino Superior (IES) desempenham um papel importante no desenvolvimento profissional dos/as jovens, mas atualmente a sua missão n ão se limit a à aprendizag em dos conteúdos das áreas específi cas dos cursos. Trata -se nelas de sobretudo promover o desenvolvi me nto integral dos/as estudantes, adot ando uma atitude educativa global. Neste domínio instit ucional, destaca -se o conceito de Universidades Promotoras de Saúde en tendido como uma I ES que promove uma cultura organizacional orientada para valor es e princípios as sociados à PrS , dando prioridade à construção de ambientes físicos, psíquicos e sociai s que favoreçam a saúde e o bem -estar de todos os membros da comunidade académica (Silva & Brito, 2014) . 5. TEORIA EXPLICA TIVA D A INVESTIG AÇÃ O EM EDUC AÇÃ O P ARA A SAÚDE Os comportamentos de saúde são influenciados por um a série de fat ores relacionados ao indivíduo (conhecimento pré-existente, atitudes e crenças), o ambiente social (normas culturais, a influência dos pares, a influência da família) e fatores cog nitivos (a autoconceito e autoeficácia) (Pais-Ribeiro, 20 07) . Estes fatores des empenharam , ao longo do t empo, um papel central no s dive rsos modelos t eóricos em torno das inves tigações em saúde, de modo a encontrar explicações p ara a adoção de comportamentos protetores e a prevenção de comportamentos de ris co. Embora se reconheça os esforços para melhorar as teorias em torno dos comportamentos de saúde, estes parecem guiados mais po r um misto de hipóteses e micro-teorias do que por uma macro -teoria unificada, integrada e abrangente (Glanz et al., 2008). Face a esta premissa, o desenho e a conceção desta tese guiaram-se pela Teoria da Influência Triádica ( TI T ) ( Flay & Pe traitis, 199 4) que numa abordagem ecológica integ ra várias teorias de micronível que focalizam i ndividualmente diferentes fl uxos de influência (intrapessoal, atitudinal e social) 2 Na UE-27, em 2018, havia 17,5 milhões de estudantes no E S (Eurosta t, 2018), sendo que em Portugal, em 2020, se r egistaram 396909 jovens inscritos/as em IES (FFMS & PORDATA, 2020). CAPÍTULO I – E NQUADR AMENTO TEÓ RICO 19 e níveis de causalidade. Tais com o: o modelo racional (transmissão de conhecim ento/informação), o Modelo das Crenças em S aúde (MCS) (influenciando atitudes, crenças e motivações), a teoria social co gnitiva (abordando as influên cias sociais), a Teoria do Comportamento Planeado (TCP) (que engloba as atitudes em relação a um comportamento, a perceção de pressão normativa para se envolver nesse comportamento, e a perceção de autoeficácia relacionada à saúde).  o Modelo racional ou informativo , também conhecido como “modelo de conhecimento, atitudes, práticas” ( Model o f knowledge, attitude and pr actices – KAP; Model of knowledge, at titude and behavior - KAB ) ou modelo médico, é baseado n a premissa de que aumentar o conhecimento de uma pessoa irá pr ovocar uma mudança de comportamento, ou seja, pressupõe que pr oporcionar informação por si só pode i nfluenciar os comportamentos negativos para a saúde, co rrigindo -o s (WHO, 2012). Este modelo apresenta uma rela ção progressiva entre conh ecimento, at itudes e comport amento da seguinte forma: o conhecimento modifica as atitudes e a mudança destas permite à pessoa t er intenções e comportamentos de acordo com elas (Thompson, 197 8). De acordo com esta teoria de mudança de comportamento em saúde, os indivíduos podem obter conhecimentos e competên cias por meio da aprendizagem e, então, desenvolver gradualmente crenças e at itudes saudáveis que são reforçadas por meio da adoçã o de comportamentos saudáveis (Bettinghaus, 1986; Fishbein & Ajzen, 1975). No entanto, tais modelos teóricos n em sempre são confirmados. A literatura mostra que , muitas vezes, as pes soas que se envolvem em comportam entos de risco estão cientes do risco e não conseguem mudar o seu comportamento (P. A. Cook & B ellis, 2001) . Por exem plo, os comportamentos de risco (por exemplo, fumar, beber álcool e usar drog as) não são raros, me smo em grupos populacionais bem informados, como médicos e estudantes de medicina (P. A. Cook & Bellis, 2001) . Mesmo assim, embora o conhecimento nem sempre leve a uma determinada ação, nen huma ação é realizada sem motivação, e a mot ivação é baseada em alg uma experiência, informaçã o ou compreen são pr évia (Kilander, 20 01) . Portanto, o conhecimento é essen cial para dese nvolver atitudes em relação a compor tamentos distintos e auxiliar os indivíduos na t omada de decis ões e ações voltadas para comportamentos s audáveis (Mas et al., 1997). Por outras palavras, o con hecimento e as atitudes afetam indiretamente o estado de s aúde dos indivíduos, promovendo a mudança de comportamento (Jeruszka-Bielak et al., 2018; Pickard et al., 2018) .  o Modelo das Crenças em Saúde (MCS) ( Health Belief Mod el - HBM ) originalmente desenvolvido por Rose nstock (1966) e, posteriormente reformulado por Janz e Becker (1984 ), por enfatizar o papel das crenç as na formaç ão de atitudes relacionadas à saúde e aos comportamentos de saúde. Este modelo assenta em seis determinan tes do comportamen to: a suscetibilidade, a gravidade, CAPÍTULO I – E NQUADR AMENTO TEÓ RICO 20 os benefícios e as barreiras percebidas, a motiv ação para o comportamento e a disposição pa ra agir (Armitage & Conner, 1999). De acordo com este modelo, o indivíduo adota det ermin ado com portamento na medida em que se sen te ameaçado ( suscetibilidade e gravidade), perceciona a existência de benefícios e barreira s e se sente motivado e disposto a adotar um det erminado comportamento.  a Teoria Social Cognitiva (TSC) ( Social Cognitive Theory - SCT ) de Bandura (1986) , anteriormente designada por teoria da aprendizagem social, por destaca r a influência socia l (relacionamento, observação, imitaçã o e reforço social) na adoção de comport amentos de saúde. A teoria social cognitiva prevê que os comportamentos se manifestam qu ando a pessoa sente que tem control o sobre o resultado, iden tifica poucas barrei ras ext ernas e confia n a sua capacidade para realizar a ação (Armitage & Conner, 19 99).  a Teoria do Com portamento Planeado ( Theory of Plan ned Behaviour - TPB ) de A jzen (1991) resulta da modificação da Teoria da Ação Racional ( Theory of Rea soned A ction - TRA ) por argumentar que os comportamentos relacionados com a saúde são determinados por inten ções ou decisões conscientes. Poder- se -á afirmar, então, que o indivíduo n ão age de for ma es pontânea, mas sim racional e consciente, exist indo uma intenção imediat amente anterior a um det ermin ado comportam ento. Esta teoria conclui que a s atitudes, as normas subjetivas e a perceção do controlo do comportamento, predizem as in te nções comportamentais, as quais antecedem a concretização dos comportamentos. A utilização da TIT nesta te se não teve como objetivo testar a teoria, mas explorar as diferentes variáveis identificadas pelos seus autores como preditores dos comportam entos de risco para a saúde dos/as estudantes univ ersit ários/as. 5.1. Fluxo de influência intrapessoa l (biologia e personalidade) Este tipo de influência representa caract erísticas biológica s e de personalidade dos/as es tudantes que prejudicam sua capacidade de ad otar comportamen tos de saúde po sitivos. No âmbito desta t ese , considerou - se a perceção de bem -estar e saúde e as caract erísticas sociodemográfica dos/as estudantes. Por exemplo, a variável se xo, visto que na grande m aioria d os estudos analisados a prevalência d e consumo de t abaco é s uperior nos e studantes do sexo masculino em comparação ao sexo feminino (Askarian et al., 2013; Barr a et al., 2015; Danjoy León et al., 2010; Granja et al., 2020; Karadoğan & Önal, 2018; L uz et al., 2010; Musmar, 2 012; Öncel et al., 2011; Pinilla -Vásquez & Angarita -Fonseca, 2012; Rodrigue s et al., 20 10; Sarioglu et al., 2016) . A variável s exo é co nsiderada na literatura científica com dos fatores associados à automedicação, revelan do que as estudantes apr esentam uma maior CAPÍTULO I – E NQUADR AMENTO TEÓ RICO 21 prevalência em comparação com os estudantes (Cabrita et al., 2001; Carrasco-Garrido et al., 2014; Garofalo et al., 2015; Helal & Abou-ElWafa, 2017; James et al., 2006; Moreira et al., 2012) 5.3. Fluxo de influência atitudinal (ambien tal) A influência at itudinal de acordo com a t eoria TIT repres entam as atitudes em relação a um comportamento específico, formad as a partir dos conhecimen tos acerca da saúde dos/as estudantes universitários /a s. Na literatura científica, diversas investigações têm abordado a relação e n tre conhecimentos, atitudes e comportamentos de saúde. Especificamente, em termos de conhecimento sobre o uso do tabaco, vários estudos t êm mostrado que os/as f umadores/as têm um baixo nível de conhecimento (Hsieh et al., 1996), sugerindo que aumentar o conhecimento sobre os efeitos do tabagismo diminuiria as taxas de tabagismo duran te o percurso académico (Pinilla-Vásquez & Angarita-Fonseca, 2012). Por conseguin te, os/as e studantes que deixaram de fum ar revelavam um maior n ível de conhecimentos (Clark et al., 20 04; Kofahi & Hadda d, 2005). E, em relação às atitudes face ao t abaco, verificou-se que a maioria dos/as estudante s apresentava atitudes favor áveis ao tabag ismo (Clark et al., 2004), embora os/as não-fumadores/as t enham demonstrado pontua çõ es mais altas em atitudes positivas do que fumadores/as e ex-fumadores/as (Clark et al., 2004; Musmar, 2012) . Na mes ma linha, as in vestigações científicas com estudan tes universitários/as mostraram que as expectativas sobre o consumo de álcool de risco, comu mente vistas como um componente das atitudes (Chawla et al., 2007), foram um preditor significativo não apena s do consumo de álcool, mas também de problemas relacionados ao álcool (LaBrie et al., 2014; Wicki et al., 2010). A ssim, as expect ativas positivas (por exem plo, mel horia da performance sexu al) tendiam a aument ar o consumo de bebidas alcoólicas e as expectativas negativas (como défice cog nitivo induzido) a diminuir o seu consumo. De igual m odo, a alta prevalência de automedicação entre os/as universitários/as po de estar relacionada: à perceção de que possu em con hecimentos suficientes e adequ ados; à perceção errônea de que uma doença com sintomas não graves não produz consequências graves em caso de automedicação (Mehta & Sharma, 2015); à cren ça de que a automedicação p roporciona um rápido alívio da dor e da doença (Tuyishimire et al., 2019) e à existência de experiênc ias pos itivas com determina dos medic amentos, influencian do o hábit o da sua ingestão e o aconsel hamento a fam iliares e amigos ( A. Soares, 2002) . Outro fator con siderado pre ditor de consumo de risco refere -se ao conhecimento sobre o con sumo de álcool (Black et al., 2004; Engs, 1978) . Os i nvestigadores Black e colaboradores (2004) e Engs (1978) sugerem que os conhecimentos acerca dos malefícios do consumo de bebidas alcoólicas poderia ajudar CAPÍTULO I – E NQUADR AMENTO TEÓ RICO 22 os/as estuda ntes a fazerem escolhas responsáveis e a tornar em - se consu midores/as de álcool responsáveis, caso o decidam consumir (Engs, 1 978) . Além disso, a literatura ci entífica demonstra a eficácia das intervenções destinadas a reduzir o consumo de risco entre universitários/as, principalmente aquelas com enfoque em abordagens q ue visam fornecer informações sobre os ri scos, transmitir conhecimentos relacionados com os perigos do álcool e desenvolver competências para evita r o seu consumo (Werch et al., 2008 ). A normalização do consumo de drogas em contex to académico pode ser explicada por alguns mitos, como o consumo de marij uana ser inofensivo e não viciante ou prejudicial para a saúde (Kilmer et al., 2006; Lewis & Clemens, 2008) . Nesse sentido, os/as estudantes com uma perceção de risco el evada tendem a apresentar níveis de consumo mais baixos (Harris Abadi et al., 2011). Vários estudos sugerem que o conhecimento é um fator importante para ex plicar as variações na escolha de alimentos (Al-O taibi, 2014; A lves, 2019a; C ooke & Papadaki, 20 14; El -Sabban & B adr, 2011; Hyska et al., 2014; Makiabadi et al., 2019; Yahia et al., 2016), tendo- se verificado que o aumento do conhecimento nutricion al tem sido associado a melh ores h ábitos aliment ares e menores taxas de obesidade (Ha & C aine-Bish, 2009, 2011; Makiabadi et al., 201 9) . Além disso, as atitudes são fatores determinantes na escolha d e uma alimentação saudável, sendo recomendável que a educação alimentar também tenha como foco a mudan ça de atitudes e expectat ivas (Al-Otaibi, 2014) . Os com portamentos sexuais de risco podem ser at ribuídos a um baixo nível de conhecimento sobre sexualidade ou às atitudes negativas face às I S Ts ou ao uso do p reservativo. Embora o fator cognitivo possa fornecer u ma base de ação (Abiodun et al., 2014; Oppong Asa nte, 2013) , não será suficiente, ou s eja, um nível su perior de conhecimentos não pode necessariamente garantir um comportamento sexual responsável e segur o. Assim, mais do que o s conhecimentos, as atitudes es tão entre os constructos teóricos que mais predizem os comportam entos sexuais ( Fernández Rouco et al., 2018; Sa lam et al., 2016), funcionado como facilitadores de mudanças no comportamento sexual. Ou seja, uma at itude positiva face aos mét odos contracetivos influenciará positivam ente o uso do preservativo com o intuito de proteger de ISTs (Reis et al., 2009; Reis & Matos, 2007a, 2007b) 5.2. Fluxo de influência social (interpessoa l) A influência social re fere-se ao contexto social ou m icroambiente que contribui para crença s normativas, representadas nesta tese pela influ ência de pares e de outras pessoas significativas. A in fluência dos pares ( Bors ari & Carey, 2001; Litt et al., 2012) e a relativa falta de supe rvisão de adultos em ambientes universitários contribui para a “t empestade perfeita” podendo aumentar o risco CAPÍTULO I – E NQUADR AMENTO TEÓ RICO 23 de con sumo de álcool pelos/as estudantes u niversitários/as. Num estudo realizado por Staff e colega s (2010), os/a s jovens que n ão viviam com os pais apresentavam um consumo de substâncias psicoativas ilícitas superior aos/às q ue con tinuavam a viver em casa dos pais . Para além disso, importa acres centar que as perceções normat ivas podem desempenhar um papel na perpetuação desses com portamentos, ou seja, as perceções face à frequência de consumo d os pares e à apro vação do cons umo pelos pare s (Blavos et al., 2017 ; Buckner, 2013; Coomber et al., 2016 ; Dennhardt & Murphy, 2013; Edwards et al., 2019; Har ris Abadi et al., 2011; McCabe et al., 2014; Meisel & Goodie , 2015; Mo yle & Coomber, 2019 ; Napper et al., 2015; Pinchevsky et al., 2012) . 6. INTERVENÇÃ O EM EDUC AÇÃ O P ARA A SAÚDE O modelo PRECEDE -PROCEED ( Predisposing, Reinforcing and Enabling C onstructs in Educational/Ecological Diagnos is a nd Evaluat ion and Policy, Regulat ory and O rganizational Constructs in Educational and Environmental Development ) (Green & Kreuter, 2005) refere-se a uma aborda gem ecológica para o pl aneamento de programas de EpS . Este modelo a mplamente utiliz ado (inter)nacionalmen te em int ervenções de EpS com est udantes universitários/as (Asht on et al., 2017; Kattelmann et al., 2014; M. Wh atnall et al., 2019), desenvolve-se em 8 fases: as primeiras 4 fases (PRECEDE) serve m para planear o programa e avaliar a s necess idades dos/as envolvidos/as, enquanto a componen te PROCEED (4 fases) en vo lve a implementaçã o e avaliação do proces so, dos s eus resultados e do impacto. A utilização deste modelo, de acordo com Pedroso e Brito (2014) , permite orientar os/as inves tigadores/as a “pensar logicamente sobre o ponto fin al desejado e trabalh ar para trás para atingir esse objetivo, envolvendo o grupo- alvo nesse processo” (p. 16), baseando -se em evidências científicas assentes na análise de diagnóstico realiz ada na fa se PRECEDE. 6.1. Programas baseados na Web dirigidos a estudantes do Ensino Superior Nesta seção apresentam-se os programas baseados na web que serviram de inspiração para a criação do programa de EpS apresentado no Estudo 12. Os exemplos na literatura científica de estudos com programas de EpS baseados na web são vários, demonstrando eficácia, viabilidade e aceitabilidade por parte dos/as estudante s universitários/as (Bailey et al., 2012; Lau et al., 2011; Portnoy et al., 20 08; Shahab & McEwen, 2009; Webb et al., 2010; Whitt aker et al., 2009) . A internet é, neste sentido, um canal promissor para desenvolver este tipo de p rogramas, fornecendo mét odos abrangentes e CAPÍTULO I – E NQUADR AMENTO TEÓ RICO 24 relativamente barat os (Bingham et al., 2011; Evers, 2006; Kattelmann et al., 20 14; Tahaney & Palfai, 2017), com eficácia n a mu dança de comportamentos (G. G. Benn ett & Glasgow, 2009; Brouwer et al., 2011; Cugelman et al., 20 11; Kohl et al., 2013; Web b et al., 2010) e pos sibilitando a manutenção e atualização da s intervenções (Atkinson & Gold, 20 02; Cugelman et al., 2011; Griffiths et al., 2006; Neuhauser & Kreps, 2003) . No âmbito da prevenção do taba gismo em contexto académico, destacam -se: o Programa RealU , uma in tervenção on- line de dois semestres com fumadores/as u niversitários/as com vi sta ao aumento das taxas de abstinência a utorreferidas de 30 dias ( An et al., 2008); o Tweet2Quit , u ma intervenção com duas abordagens: 1) usa o Twitter, configurando pequenos grupos de autoajuda, privados e virtuais, de fumadores mot ivados a parar de fumar e 2) envia men sagens autom áticas diárias levantando questões relevantes para o tratamento escritas por espe cialistas para os /as fumadores/as discutirem (Pechmann et al., 2017) e um programa baseado na web a par tir do sistema Questions Sh aring and I nteractive Assignments – QSIA (Essa-Hadad et al., 2015) no qual se partilharam material de EpS personaliz ados (como textos e vídeos). Relativamente à prevenção do consumo e abuso de á lcool no ES desenvolvidos com recurso a plataformas digitais, identificaram -se: o M-PASS (Barrett o et al., 2011; Bingham et al., 2 011) , uma interven ção motivacional br eve, baseada na teoria, consistindo em quat ro sessões ministradas através da Internet para prevenir e reduzir o consumo de risco entre es tudantes univ ersitári os/as primeiristas; o Multi-Media Assessment of Student Health - Project MMASH (Dimeff & McNeely, 2000) dirigido a estudantes consumidores/a s de álcool, pr etendendo m otivá-los/as a reduzir o seu cons umo em vez de atingir uma meta específica ou a abstinência; o AlcoholEdu (Paschall et al., 2011) relativo a um curso online de 2 a 3 horas que inclui 5 módulos e é dirigido a t odos/as os/as e studantes primeiristas; o THRIVE - Online Alcohol Interven tion (Hallet et al., 20 09; Kypri, 2009) , uma intervenção de 10 m inutos de avaliação motivacional baseado na Web e um feedback personalizado; o MyStudentBody.com: A lcohol - (Chiauzzi et al., 20 05) relativo a um website interativo, que oferece uma interven ção breve e personalizada para ajudar o s/as estudan tes universitários/as que apresen tam um cons umo exc essivo a reduzir esse consumo ; Alcohol Skills Training Program (Ki vlahan et al., 1990), um programa d e competências incluiu o con hecimento acerca do cálculo da estimativa do nível de álcool no sangue, a definição de limites e habilidades de preven ção de recaídas. A educação baseada na web t em sido amplamente utilizada para introduzir progra mas preventivos face ao consumo de drogas ilícitas, no s últim os anos, e specialmente entre e studantes universitários/as (Jalilian et al., 2015; Marsc h et al., 2014; B. A. Moore et al., 2011) , mostrando que o uso da internet CAPÍTULO I – E NQUADR AMENTO TEÓ RICO 25 poderia ser uma solução ef iciente para conduzir intervenções educacionais (Escof fery et al., 2005). O programa desenvolvido por Jalilian e colegas (2015) vis ou diminuir as crenças posit ivas q ue e ncorajavam o uso de drog as entre est udantes univers itário s de medicina, disponibilizando conteúdos educativos (booklet acerca das consequências das drog as, videocl ique educat ivo de 3 minutos, slides acerca das crenças erróneas) no website da univer sidade. O Cannabis eCHEC KUP TO GO ( e- TOKE) (San Diego State Un iversity Research Foundation, 2 009) é uma intervenção breve (uma sessão com cerca de 20 minutos) dispo nibilizada online. Esta intervenção fornece um feedback indivi dualizado acerca das normas de uso percebidas, do dinheiro gasto com o consumo destas substâncias, as con sequências do se u consumo e ainda fornece estrat égias para reduzir o consumo. A s ua eficácia foi demonstrada por vário s investigadores (Doumas et al., 2011; El liott & Carey, 2012). As intervenções em que se pretende promover comportamentos alimentares saudáveis t êm um efeito mais efetivo do que a s intervenções cujo objetivo é diminuir comportamentos alime ntares pouco saudáveis (por exemplo, diminuir a ingestão de gorduras saturadas ou o consumo de snacks ) (Adriaanse et al., 2011). O u seja, as intervenções deve rão centrar -se em iniciar novos comportam entos saudávei s do que em ext inguir compor tamento s de risco (Holland et al., 2006). O Eating Advice To Students (EATS) (M. What nall et al., 2019) é uma intervenção nutricional baseada na web e di rigida a estudantes universitários /a s, apresentando uma solução inovadora para m uitas das dificuldades enfrentadas pelos/as jove ns adultos/as para melhorar os seus hábitos alimentares. Para além disso, destacam -se um Web- Based Nutritional Health Education Module (El-Refaay et al., 2017), des crito por especialistas e estudantes universitários como abrangente e focado em estratégias que incentivam os/as estudantes na adoção de uma alimentação saudável e uma Web-B ased Nutrition Educat ion I ntervention (Poddar et al., 2010) projetada para mudar a ingestão de laticínios em estudantes u niversitários/as. No âmbito da prática de atividade física de stacam -se: o Active Transition ( Kwan et al., 2013) que se refere a um website alojad o n a blackboard do portal un iversitá rio protegido por usuário e password, de forma a ser um fórum in f ormativo pr ojetado para 6 semanas, nas quai s se apres entam apresentando tópicos semanais sobre cr enças comportam entais, norma tivas e de c ontrolo da atividade física, bem como o estabelecimento de metas, planeamento de ações, prevenção de rec aídas e manutenção comportamental; o Internet-based Physical Activity Program - i-PAP (Okazaki et al., 2014) é um sistema de aprendizagem in terativ o na web e apresenta várias funções, incluindo a definição de metas, programação, automonitorização, treino de força e alongamentos, um questionário baseado na Web e cálculos de gasto de energia de atividade física; e uma in tervenção n a web de 8 sem anas que com base CAPÍTULO II – MÉTODOS 32 prática de ativida de física por estuda ntes do ES . Avaliar os c onhecime ntos, as atitudes e os comportamentos se xu ais de ris co entre estudantes universitários de uma Universida de do Norte de Po rtugal. Estudo 7: Prevalência de comportam entos sexuais de ri sco e sua relação com o conhecimento e as atitudes ac erca dos comportamentos s exuais de estudan t es univ ersitários Referência bibliográfica: Alves, R., Precioso, J. &, Becoña, E. (submetido). Prevale nce of risky sexual behaviors and t heir relationship w ith the knowl edge and at titudes of univ ersity st udents . Avaliar conhecimentos, atitudes e comportamentos acerca do COVID-19 entre estudantes por tugueses do ES . Estudo 8: Conhecime ntos, atitudes e comportamentos p reventivos em relação ao COVID - 19: um es tudo c om estudantes do ES em Portuga l Referência bibliográfica: Alves, R., Samorinha, C. &, Prec ioso , J. (2020). Knowle dge, attitudes and prev entive behav iors toward COVID-19 : a study among hi gher educat ion students in Portugal. Journal of Health Research . DOI: 10.110 8/JHR- 07 -2020-0 254 Construir e validar u m inquérito por questionário de medição dos conhecimentos, atitudes e c ompor t amentos de saúde dos/as estudantes do ES. Estudo 9: R elação en tre conhecim entos e ati tudes relacio nadas c om a saúde e com portamentos de r isco para a sa úde em estudantes un iversitários port ugueses Referência bibliográfica: Alves, R. (em revisão). The Relationship between health-related knowledge and attitudes, and health risk behaviors among P ortuguese univ ersity students . Objetivo Geral: Ava l iar a perce ção de bem-estar e sa úde de estudan tes universi tários e a sua rela ção enquanto preditor do s comportamentos d e risco para a saúde Avaliar a p erceção de bem-estar e saúde de estudantes universitár ios, explorando as propriedad es psicométr icas da Escala de Perceção de B e m-estar e S aúde (EPBeS) e analisando a influência de variáveis sociodemográficas. Estudo 10: Bem-estar e perceção de sa úde de estudantes univers itários em Por tugal: a inf luência do a poio paren tal e da relação amorosa Referência bibliográf ica: Alves, R., Precioso, J. &, B e coña, E. (2020). Well-being and health p ercep tion of university stud e nts in Portugal: the i nfluence of parental support and lov e relationship. Health Psycholo gy Report 8 (2): 145-154 . D OI: 10.51 14/hpr.2020.94 723 Examinar o papel me diador da influência social (pares consumidor es, viv e r com a família e parceiro romântico) na relação e ntre o bem - estar e os comportam entos de ri sco para a saúde. Estudo 11: A associação entre bem-estar e comportam entos de risco à saúde em estuda ntes universitários: o p ap e l mediador da i nfluência soc ial Referência bibliográfi c a: Alves, R. (em revisão). The associa tion between well-being and hea lth -risk behaviors i n university students: th e mediating rol e of so cial influence. Objetivo Geral: D esenvolver, validar e implem entar uma intervenção socioeducativa de EpS/PrS em contexto não-fo rmal dirigida aos/ às estuda ntes universi tários/as do grupo experim e ntal Descrever o desenvo lvimento de uma intervenção, baseada na teoria e fornecida na Web para promover comportamentos de saúde positivos no ES. Estudo 1 2: H ealth o n You Pro gram: Des envolvimento e impl e mentação de Intervenção de Educ ação p ara a Saúd e ba seada na Web para estudantes unive rsitários Referência bibliográfica: Alves, R. (submetido). Health on You Program: Devel opm ent and implementation of Web-Based Health Educat ion Interventio n fo r university students. CAPÍTULO II – M ÉTOD OS 33 2 . ROTEIR O ME TODOL ÓGICO O programa “Healt h On You” foi elaborado de acordo com as etapas de desenvolvimento de uma interven ção em saúde do modelo PRECEDE -PROCEED (Green & Kreuter, 2005) . O quadro 2 apresenta uma visão geral do modelo PRECEDE -PROCEED e a identificação d os co mponentes desenvolvidos em cada fase, descritas no es tu do 12. Quadro 2 Visão geral do des envolvimento e avaliaçã o do Programa "Health O n You”, por fase do modelo PRECEDE - PROCEED Fase do Modelo Componentes PRECEDE Fase 1 - Diagnóst ico Social Análise docum e ntal - Revisão da literatura sobre comportamen to de saúde de jovens adultos/as; - Estudos transv e rsais dos co mp ortamentos d e risco para a saúde e conhecimen tos e atitudes d e saúde de estuda ntes do ES; - Revisão da literatura de inte rvenções b aseadas na web com estudantes un iversitários/ as. Lançamento do Mural Edu cativo Health On You - http://www.non io.uminho. pt/healthonyou/ Fase 2 - Diagnóst ico Epidemiológico, Comportamen tal e Ambie ntal Fase 3 - Diagnóst ico Educacional e E c ológico Fase 4 – Diagnóst ico Administrativo e de Políticas e Alinhamen to da Interven ção Desenvolvimen to do programa Health On You Teste pilo to e refinamen to PROCEED Fase 5 - Implementa ç ão Implementação do programa Health On You; Avaliação do pro c esso, do im pacto e dos r esultados da intervenção. Fase 6 - Avaliação do process o Fase 7 - Avaliação d e i mpac to Fase 8 - Avaliação do s resultados A análise documental está sempre presente numa investigação , pois “permite alarg ar o seu quadro teórico, situar com parativam ente a sua p roblemática, conhecer resultados interessantes, tomar consciên cia da originalidade do seu ponto de vista” (Saint-Georges, 1997, p. 15). Neste sentido, procurou-se que todos os artig os que constituem esta tese incorporrassem as investig ações científicas mais recentes. CAPÍTULO II – M ÉTOD OS 34 3. POPUL A ÇÃ O E AMOSTRAS Estudos 1 a 7 e 9 a 11 A população-alvo do s estudo s rea lizados no âmbito dest a tese é co nstituída po r estu dantes de uma Universidade do Norte de Portugal mat riculados/as no ano letivo de 2018/2019 e a frequentar 1º e o 3º ano das licenciaturas e mestrados integrados (à exceção do estudo 8 e 12). Para o efeito, aplicaram - se alguns critérios para a sel eção da pop ulação -alvo e, posterior con stituição de uma amostra estratificada em função do ano de frequência e da área cien tífica, que garantis se uma representatividade proporcional da população -alvo. A ssim, exc luíram-se a s turmas re lativas a cu rsos da área da Sa úde, as dos mestrados ou pós-g raduação, os cursos que não possuíam turmas no 1º e 3º ano e as turmas a funcionar em regime pós-laboral. No ano letivo de 2018/2019 encontravam -se matriculados no 1º e 3º ano dos cursos considerados para o processo amostral 5447 estudantes universitários/as, di stribuídos por 47 cur sos e 4 área s científicas de estudo (tal como definidas pela Fundação para a Ciência e Tecnologia): C iências da Engenharia; Ciê ncias Exatas e da Natureza; Ciên ci as Judiciais e Econ ómicas; Ciências Sociais e Humanas. Tendo em co nta o número de e studantes em cada área científica, obteve-se por seleção aleatória simples 16 cursos, correspondentes a 32 turmas do 1º e 3º ano . Considerando o software d e análise G*Power 3.1.9.2 (Faul et al., 2 007), o t amanho mínimo da amostra neces sária para e st e es tudo foi de 592 alunos (margem de erro = 5%, nível de confi ança = 99 % e distribuição das respostas = 50%). No total foram distribuídos 873 q uestionários, número que reflete o total de estudantes que estiveram presentes em sala de aula e aceitaram par ticipar do estudo. No entanto, 33 que stionários foram considerados inválidos devido a respos tas omissas ou res postas incongruentes que poderiam colocar em causa a validade da informação re colhida. A taxa de resposta foi de 96,2% (IC 95%: 94 ,8 – 97 , 6). A amostra é composta por 464 estudantes do primeiro ano ( 55 ,2%) e 376 estudantes do 3º ano (44 ,8%). A idade média é de 20,7 8 anos (DP = 4,2 21), variando de 18 a 54 anos, sendo que apenas 3% dos/as estudantes têm 30 anos ou mais. Essas duas variáveis (a no de estudo e idade) são positiva e significativamente correl aci onadas ( r sp = 0.707, p < 0.001). No que diz respeito à área científica, 3 02 e studantes ( 36 ,0%) frequentavam cu rsos da área das ciências da e ngenharia, 270 estudantes (32,1%) da s ciências sociais e humanas, 136 estudantes (16 ,2%) das ciências exat as e da natureza e 132 estudantes (15 ,7%) nas ciências judiciais e económicas. Como CAPÍTULO II – M ÉTOD OS 35 a amostra foi estratificada de acordo com a área científica e o ano de estudo, foram encontradas diferenças na distribuição da proporção dessas variá veis ( χ 2 (3) = 13.684, p = 0.003), com mais estudantes n o 3 º ano e na área das ciências da engenharia. A maioria dos/as estuda ntes inquir idos/as pertence ao s exo feminino ( 55,4%, n = 4 65) e estavam menos representadas n os cursos de ci ências da engenharia do que os estudantes do sexo masculi no ( χ 2 (3) = 151.709, p = 0.0 00). A am ostra inclui principalmente estudantes que não mantinham uma relação amorosa (58,3%, n = 486) e que não mudaram de residência aquando do ingresso no ES (64 , 9%, n = 537). Em relação à situação pr ofiss ional, a maioria dos/as inquir idos/as era estudante a tempo inteiro (88.8%, n = 739). No entanto, houve uma prevalência maior de trabalhadores-estudantes nas áreas das ciências judiciais e econó micas e das ciências socia is e h umanas ( χ 2 (3) = 16.729, p = 0.001), em estudantes mais velhos/as ( χ 2 (1) = 31.863, p = 0.000), que se en contravam numa relação amorosa ( χ 2 (2) = 16.552, p = 0.000) e que nã o mudaram de residência ( χ 2 (1) = 12.084, p = 0.001). A maioria dos/as e studantes apre sentava um Índice de Massa Musc ular (IMC ) correspondente ao peso normal (73,1%, n = 5 99), identificando- se uma maior prevalência de estudantes com excesso de peso pertencentes ao sexo masculino ( χ 2 (2) = 39.605, p = 0.000). Estudo 8 No estudo 8, t odos os/as e studantes matriculados/as no ano letivo 2019/2020 na UMin ho, em qualquer um dos níveis de ensino (licenciatura, mestra do ou doutoramento) constituíram a população - alvo. Dos 19.632 alunos matriculados, um total de 262 es tudantes participaram neste estudo (taxa de resposta: 0.013%). A maioria dos/as estudantes inquiridos/as pertence ao sexo feminino ( n = 206, 78,4%) e é estudante a tempo inteiro ( n = 195, 76,8 %). No que concern e ao percurso académ ico, 15 8 es tudantes frequentavam a licenciatura (60,3%), 94 estudantes estavam em mestrado (35,9%) e 10 inquiridos/as eram estudantes de doutor amento (3.8%). A área científica com maior representativa na amostra foi as Ciências Sociais e Humanas ( n = 124, 47,5%), seguindo-se os/as estudantes da área das Ciências da Engenharia ( n = 57, 21,8%) e das Ciências Económicas e Judiciais ( n = 57, 21,8%). CAPÍTULO II – M ÉTOD OS 36 Estudo 12 Todos/as os/as estudantes matriculados/as na univ ersidade no ano letivo 2020/20 21 foram convidados/as a participar no program a através do email institucional e de rede s de contato informais, como as redes sociais. A am ostra de estudantes que concluíram o programa ( n = 37) fo i quase na totalidade cons tituída por estudantes do sexo feminino ( n = 36, 97, 3%) com idades compreendidas entre os 21 e os 23 anos. A totalidade dos/as participantes era estudante a temp o inteiro e en contrava -se a frequentar o 1º ano do mestrado num curso da área das Ciências Sociais e Humanas. Os/as part icipan tes eram predominantemente solteir os/as e sem relação amorosa ( n = 23, 62, 2%) e todos/as encontravam-se a viver em casa dos/as pais/mães ou familiares. 4. INSTRUM EN TOS D E RECOLHA DE D ADOS Estudos 1 a 7 e 9 a 11 Atualmente, existem vários instrumentos científicos para monitorar a prevalên cia do s comportamentos de saúde no ES , com o o Ques tionário de At itudes e Comportamentos de Saúde – QACS de Pais-Ribeiro ( 2004), o Questionário de Est ilos de V ida n o Ensino S uperior - QEVES (S. Costa, 200 8), o Ques tio nário de Com portamentos de Risco em Estudantes Universitários – QCREU (M. L. Santos, 2011) e o Questionário Estilo de Vida FANTASTICO (Loureiro, 201 2; A. M. M. Silva et al., 2011), assim como para analisar o B ES no ES (por exem plo, Satisfaction With Life Scale - SWLS ( Diener et al., 1 985) ; Subjective Well-Being Scale – SWBS (A. S. Albuquerque & Tróccoli, 2 004) ; Overall Life Satisfaction - O LS (Hutz, 2014); Personal Wellbeing I ndex - PWI (Cu mmins et al., 2003) ; Brief M ultidimensional Students' Life Satisfaction Scale - BMS LSS (Huebn er et al., 2006) ; Oxford Happiness Questionnaire - OHQ (Hills & Argyle, 2002) ; Subjective Happin ess Scale - SHS (Lyub omirsky & Lepper, 1999)). No entanto, nenhum dos questionários disponibilizados na literatura cie ntífica atendia plenamente aos objetivos da inves tigação , pelo que se procedeu ao desenvolvimento dos instrumen tos utilizados nos estudos desta tese (à exceção do estudo 8 e 12) em três etapas: construção da escala (1ª etapa); vali dade de conteúdo (2ª etapa); validade psicomét rica (3ª et apa), de acordo com os proce dimentos definidos por Bowling (1998) e Oppenheim (199 2), bem com o no Guia par a desenvol ver investigações KAP , da OMS (WHO, 2008) . Para a construção da escala (1ª etapa) foram realizada s várias revisões sistemática s da literatura (Alves, 2018, 2019b, 20 19a, 2020b, 2020a; Alves & Precioso, 2018, 20 19) em função dos CAPÍTULO II – M ÉTOD OS 37 comportamentos de saúde considerados na presente t ese, com o objetivo de identificar as questões e itens com umente utilizados para avaliar conhecimentos, at itudes e comportamentos de saúde no ES . A partir dessa revis ão, foi elaborada uma m atriz analítica para c ada u ma das dimensões a serem analisadas e cada um dos comportamentos , sendo eli minado s os iten s com as m esmas semelhanças semânticas e, de seguida optando-se por aqueles com maior expressão n os es tudos analisados e mais relevantes do ponto de vista das teorias anali sadas. O mesmo procedimento foi s eg uido para a categoria do BES. O questionário inicia-se com ques tões acerca dos comportamentos de saúde, de modo a que as atitudes e a reflexão acerca dos conhecimentos não condicion assem as respostas aos comportamentos (Christensen et al., 2015). Para além disso, optou-se por circunscrever de forma clara o t empo de cada questão (Ke szei et al., 2010) , ou seja, não se utilizaram termos com o “recen temente”, optando -se por questões temporais específicas: nos últimos 7 dias, n os últimos 30 dias, nos últimos 12 meses. No mesmo sentido, quando as opções de resposta se referiam à frequência, optou - se por colocar o “Nunca” juntamente com o “Quase Nun ca”, tal como o “S empre” com o “Quase Sempre”, por exemplo. Na dimensão das at itudes optou-se pela utilização de uma escala de t ipo Likert, commummente projetadas para medir at itudes ou opiniões (Bow ling , 1998) e medindo o nível de concordância/discordância at ravés de uma escola de cinco respost as pré-codificadas com o ponto neutro. Embora exista alguma controvérsia acerca da inclu são de um ponto neutro (Oppenheim, 1992), optou-se por o incluir vi sto que a maioria do s i nstrumentos acerca das atitudes analisados utili zaram um escala de t ipo Likert de 5 pontos. Embora se te nham evitado duplos sentidos e os itens tenham sido formulados de forma clara, curta e direta, inclu íram -se itens invertidos de modo a minimiz ar o risco de viés de re sposta, ou seja, diminuir a tendência de os/as estudan tes concordarem com uma afirmação ou responderem da mesma maneira a todos itens. As questões ace rca dos conh ecimentos podem ser consideradas embaraçosas se os/as inquiridos/as desco nhecerem as respostas. Por isso, a inclus ão da opção “Não Sei”, para além de di minuir a adivi nhação, visa tam bém reduzir os sentimentos embaraçosos, mostrando que é aceitável não ter esse con hecimento. Todas as seçõe s do questionário encontra m-se na mesma ordem. A ssim, se na seção dos comportamentos as primeiras questões se referem ao consumo de álcool, a s primeiras q uestões da escala dos conhecimentos e das atitudes também se referem à categoria do álcool. Para a validade de conteúdo (2ª fa se) fo ram convidados 10 investigadores /as doutorados/as de várias u niversidades po rtuguesas com trabalh os reconhecidos na área d a Ep S no ES , tendo sido CAPÍTULO II – M ÉTOD OS 38 consideradas as sugestões, principalmente semânticas, recebidas de 5 investiga dores/as. Da mesma forma, o instrumento foi aplicado a 12 estudantes u niversitários/as , utilizando o método “ “thinking aloud” (L. S. Almeida & Freire, 2008; Bowling, 1998) p ara identificar itens que pudessem ser confusos, excluir itens menos releva ntes ou redundantes e ver ificar se opções de resposta codificadas eram suficientes. Para obt er maio r objetividade, foi utilizada como critério de avaliação da clareza de cad a item a seguinte escala: 1 - co nfu so; 2 - pouco claro; 3 - claro . Após terem sido realizada s todas as alterações decorrentes do teste p ré-pilot o, a ve rsão prelimin ar do qu estionário foi pré-testada com um novo grupo de es tudantes ( 32 estudantes), não incluídos na amostra final. Estes/as es tudantes foram corre tamente informados/as acerca do objetivo do pré-teste e foram considerados os pontos de análise sugeridos por Bowling ( 1998): redação das questões; entendimento ( significado); in struções de resposta; opções na s respostas pré-codificadas; m otivação para responder; emoç ões sentidas durante o preenchimento; layout do questionário (formato folheto). Os/as estudant es da validação de cont eúdo e do pré -t este encontravam-se a frequentar o 2º ano, de m odo a não causar problemas na seleção aleatória das turmas. O Questionário de Com portamentos, Conhecimentos e Atitudes de Saúde no Ensino Superior (QCCASES) utilizado nestes estudos e ncontra - se em anexo (Apê ndice I ) e explicitado em cada um dos estudos . Ques tionário dos com portamentos de saúde Esta seção encontra-se dividida em 7 categorias: C onsumo de álcool, consumo de t abaco, h ábitos alimentares, prática de at ividade física, comportam entos sexuai s, con sumo de drogas ilícitas e medicamentos. A categoria do consumo de álcool inclui 6 questões: idade da primeir a experiência de cons umo; AUDIT-C (frequência de consumo de álcool no ano anterior, quantidade de bebida num dia típico e binge drinkin g ); embriaguez; consumo de pares. O consumo de tabaco foi medido at ravés da ques tã o “At ualmente, fuma?”, inc luindo -se uma questão aberta para acerca do n úmero de cigarros fumados e duas que stões ac erca da idade do início de consumo e das tentativas de cess ação (apenas para os/as estudantes fumadores/as). Os/as estudantes foram ainda q uestionados acerca do consumo de tabaco pelos pares e face à exposição ao fumo passiv o. Os h ábitos alimentares saud áveis foram avaliados pela i ngestão de frutas, vegetais, alimentos com açúcar adicionado e co midas rápidas ( fast food ) nos últimos 7 dias. Adicionalmente, incluíram-se duas questões acerca de saltar refeições, n o s últimos 7 dias: pequeno-almoço e almoço e/ ou jantar. CAPÍTULO II – M ÉTOD OS 39 Na avaliação da prática de at ividade fí sica utiliz ou-se o Godin Leisure-Time Exercise Q uestionnaire (Godin & Shephard, 1997). Os comportamentos sexuais de risco for am medidos de acordo com o estudo re alizado por Reis e colegas (2013): ter t ido relaçõ es sexuais; idade da pr imeira relação sexual; número de parceiros/as sexuais n o s últimos 12 meses; u so de preservativo durante as relações sexuais nos últimos 12 mes es e ter relações sexuais após de beber álcool ou consumir drogas nos últimos 12 meses. O consumo de drogas ilícitas incl uiu três questões acerca do consumo de Cannabis, Cocaína e Alucinogénios (“N os ú ltimos 12 meses, q uantas vezes você cons umiu ...?”) e a prev alência da automedicação através da questão “Nos últimos 12 meses, quantas vezes consumiu: Antidepres sivos / Sedativos / Calmantes / Tranquilizantes (sem prescrição médica); Analgésicos / Anti-inflamatórios (sem prescrição médi ca); Vitaminas / Supl ementos Alimentares (sem prescrição médica)”. Escala de conhecimentos acerca dos comportamentos de saúde Esta escala é composta por 3 6 itens: 6 iten s, relativos às categorias t abaco, álcool, alimentaçã o , atividade fís ica e sex ualidade, e 3 itens para cada uma das categorias drogas ilícitas e automedicação. As opções de resposta desta escala foram: Verdadeiro, Falso , Não Sei. Escala de atitudes face aos comportamentos de saúde Esta escala consiste em 30 itens avaliados numa escala de Likert de 5 pontos (1 – discordo totalmente, 5 – concordo totalmente ) que incluem at itudes face aos comportam entos de saúde das 7 categorias listadas . Escala de Perceção de Bem-estar e Sa úde (EPBeS) / Well-being and Health Perception Scale (WbHPS) Esta escala é com posta por 5 itens relacionados com as dimensões: Satisfação com a vida; Satisfação consigo próprio/a; Felicidade sentida; Saúde Percebida e Satisfação com a forma física. A satisfação com a vida, consigo próprio/a e com a forma física foram avaliadas através das questões: “Con siderando t odos os aspetos da sua vida, qual é o seu g rau de sat isfação com a vida em geral?”; “Considerando todos os aspetos da sua vida, qual é o seu grau de satisfação consigo próprio/a?” e “Comparando com as pe ssoas da sua idade, qual é o seu grau de sat isfação com a sua atual forma física?” . As respos tas variar am de 1 = muito insatisfeito a 5 = muito satisfeito. Para a felicidade s entida colocou-se a seguinte qu estão: “ Considerando todos os aspetos da sua vida, qual o grau de felicidade qu e se nte? ” . As respostas variaram entre 1 (Muito infeliz) a 5 (Muito feliz). Enquanto que para a saúde percebida se utilizou a seguinte questão: “Comparando com as pessoas da CAPÍTULO II – M ÉTOD OS 40 sua idade, como avalia a sua saúde em g eral?” , com as seguintes opções de res posta: 1 = Péssima; 2 = má; 3 = razoável; 4 = boa; 5 = excelente. Ques tões Sociodemográficas Mantendo o anonimato do instrumento de investigação, tornou-se pertine nte levantar alguns dado s sociodemográficos dos/as es tudantes , por serem considerados preditores dos comportamentos de risco para a saúde. A ssim, os da dos de caracterização sociodemográf ica incluír am: o sexo; a idade; o estado civil ; a h abitação at ual; o peso e a alt ura (para o cálculo do I MC) e a situação profissional. O ano de frequência e a área científica do curso freq uentado foram registados pela investigadora no mom ento de recolha de dados. Estudo 8 Após definição das dimensões principais a inserir no questionário, tendo por base os modelos de PrS e a sua robustez empírica na p redição e promoção de comportam entos preventivos noutras áreas da saúde (Fishbein & Ajzen, 1975; Janz & Becker, 1984) , o instrumento utilizado no estudo 8 foi desenvolvido com recurso a uma revisão da literatura , incluindo o s seguintes as petos: a) estudos que avaliassem conhecimentos, atitudes e/ou comportamentos relativos a COVID -1 9 e outras doenças transmissíveis em estudan t es do ES (Alzoubi et al., 2020; Asaad et al., 2019); e b) informa ção sobre a COVID-19, sintomas, t ransmissão e diretrizes para a sua prevenção emitidas por A utoridades de Saúde (DGS, 2020; WHO, 20 20). Os itens comummente utilizados para cad a uma das dimensões (conhecimentos, atitudes e comport amentos) foram agrupados e, s eguidamente, eli minados aqueles que eram redundantes. D uas investiga doras nas áreas da s ciências da saúde e ciências da educação rev iram uma versão p reliminar do instrumento, validando o seu conteúdo. Realizou - se um estudo piloto com uma amostra de 12 estudan tes para testar a su a compreens ão e dificuldade. Todos os itens se mantiveram sem alterações. A par das qu estões re lativas à caracterização sociodem ográficas (s exo, situação pr ofissional, nível de ensin o e área científica), o questionário é composto por m ais 50 questões, divididas por 3 dimensões: Conhecimentos acerca da COVID Esta escala é composta por 14 itens relativos aos si nt omas da COVID-19, ao uso de equipamentos de proteção individual, à lavagem de mãos e desinfeção e à exposição ao vírus . Foi medida através d e uma escala de respos ta: Ve rdadeiro, Falso e Não sei. CAPÍTULO II – M ÉTOD OS 41 Atitudes acerca da COVID- 19 Nesta escala foram apresentados 22 itens (u so de equipamentos de proteção individu al; lavagem das mãos; desinfeção; ex posição a COVID -19; confi ança; perceção do risco; receio; restrições em espaços públicos; alarmismo; recu rsos; necessidade de programas educativos) m edidos at ravés de u m a escala de Likert de 5 pontos (de 1 – Discordo Totalmente a 5 – Concordo Totalmente), correspondendo o score mais elevado a atitudes mais po sitivas face aos comportamentos preventivos. Alguns itens da escala tiveram de ser invertidos para uma leitura correta d a escala. Comportamentos face à COVID- 19 Esta escala referente ao n úmero de comportamentos protet ores integra 1 5 itens (uso de equipamentos de proteção individual; di stanciamento fí sico; lavagem das m ãos; desinfeção e exposição à COVID-19), embora a anál ise dos dados se reporte a 12 comport amentos por term os agrupado os dois itens que dizem res peito ao uso de máscara (máscara cirúrgica e máscara com unitária). C ada item foi respondido através de uma escala de Likert de 5 pontos (1 – Nunca a 5 – Sempre). Estudo 12 O estudo cor respondente ao desenvolvimento e impl ementação do programa de intervenção incluiu três momentos de avaliação: Diagnóstico (relativo as condições p révias); Mo nitorização (correspondente à avaliação durante o processo) e Resultados ( referente ao impacto geral). Diagnóstico - Questionário para a Identificação de Expectativas (QIE) De forma a que os/as potenciais in teressados/as se pudesse inscreve r no P rograma “Health On You” , foi criado um questionário composto por t rês questões abertas, o que permitiu avaliar as motivações, expetativas e obstáculos previstos (Apên dice II ). Para além disso, nesta fase os/as estudantes foram convidados/as a responder ao QCC ASES de m odo a futuramente se avaliar o impacto da intervenção n o s conhecime ntos, atitudes e comportamentos de saúde. Monitorização - Escala de Avaliação dos Módulos (E AM) Esta escala adaptad a de Jardim e Pereira (2006) foi a plicad o no final de cada módulo, permitindo que os/as estudantes expressassem as suas opiniões através de 2 3 iten s div ididos em 5 cat egorias (Apreciação global deste módulo; O bjetivos; Co nteúdos; A tividades; Desenvolvimento) e avaliados com recurso a uma escala de Likert de 5 pontos (“Mau ”, “Fraco”, “Razoável”, “Bom” e “Muito bom”). Para CAPÍTULO III – APRESENT AÇÃO DOS RES U LTADOS 48 CAPÍTULO III – APRESENT AÇÃO DOS RES U LTADOS 49 CAPÍTULO III – APRESENT AÇÃO DOS RES U LTADOS 50 CAPÍTULO III – APRESENT AÇÃO DOS RES U LTADOS 51 CAPÍTULO III – APRESENT AÇÃO DOS RES U LTADOS 52 CAPÍTULO III – APRESENT AÇÃO DOS RES U LTADOS 53 CAPÍTULO III – APRESENT AÇÃO DOS RES U LTADOS 54 CAPÍTULO III – APRESENT AÇÃO DOS RES U LTADOS 55 CAPÍTULO III – APRESENT AÇÃO DOS RES U LTADOS 56 CAPÍTULO III – APRESENT AÇÃO DOS RES U LTADOS 57 CAPÍTULO III – APRESENT AÇÃO DOS RES U LTADOS 64 CAPÍTULO III – APRESENT AÇÃO DOS RES U LTADOS 65 CAPÍTULO III – APRESENT AÇÃO DOS RES U LTADOS 66 CAPÍTULO III – APRESENT AÇÃO DOS RES U LTADOS 67 CAPÍTULO III – APRESENT AÇÃO DOS RES U LTADOS 68 CAPÍTULO III – APRESENT AÇÃO DOS RES U LTADOS 69 CAPÍTULO III – APRESENT AÇÃO DOS RES U LTADOS 70 CAPÍTULO III – APRESENT AÇÃO DOS RES U LTADOS 71 CAPÍTULO III – APRESENT AÇÃO DOS RES U LTADOS 72 CAPÍTULO III – APRESENT AÇÃO DOS RES U LTADOS 73 CAPÍTULO III – APRESENT AÇÃO DOS RES U LTADOS 80 CAPÍTULO III – APRESENT AÇÃO DOS RES U LTADOS 81 CAPÍTULO III – APRESENT AÇÃO DOS RES U LTADOS 82 CAPÍTULO III – APRESENT AÇÃO DOS RES U LTADOS 83 CAPÍTULO III – APRESENT AÇÃO DOS RES U LTADOS 84 CAPÍTULO III – APRESENT AÇÃO DOS RES U LTADOS 85 CAPÍTULO III – APRESENT AÇÃO DOS RES U LTADOS 86 CAPÍTULO III – APRESENT AÇÃO DOS RES U LTADOS 87 CAPÍTULO III – APRESENT AÇÃO DOS RES U LTADOS 88 4. ESTUDO 4: CONHECIMENTOS, ATITUDES E PRÁTICA DA A UTOMEDICAÇÃO ENTRE ESTUD ANTES UNIVERSITÁRIOS/AS EM PORTUGAL: UM ESTUDO TRANSVERSAL 7 Referência bibliográfica: Alves, R. , Precioso, J. & , Becoña, E. (2021). Knowledge, att itudes and practice of self-medication am ong university stude nts i n Portugal: A cross- sectional study. Nordic St udies o n A lcohol a nd Drugs , 38 (19): 50- 65. DOI: 10.1177/1455072520965017 País: Polónia; Social Sciences Citation Index (SSCI): JIF = 1.6 00, JCI = 0.49; SJR = Q2. Resumo Enquadramento: A automedicação é o ato pelo qual uma pessoa, por conta própria ou recomendação de terceiros, escolhe e administra medicamentos para prevenir, trat ar ou curar uma doença cuja identidade e gravidade gera lmente são desconhecidas. A OMS vem deixando clar a a e xistência de um local válido para a automed icação nas sociedades desenvolvidas, porém, alerta para a neces sidade de informar a pop ulação sobre o uso adequado de medicamentos de venda livre, enquanto um aspeto mais educativo para a educação em saúde. Objetivos: Descrev er os con hecimentos, atitudes e práticas de automedicação dos/as universitários/as e analisar os fatores preditivos para o envolvimento nesse comportamento. Métodos : Trata -se de um estudo transversal envolvendo estudantes ( n = 840) de uma u niversidade portuguesa, selecionados por amostragem estratificada e proporcional. Os dados f oram recolhidos com o recurso a um questionário de autorrelato que, além de questões sociodemogr áficas, continha uma escala de conhecimentos sobre a automedicaçã o ( α = 0.488), uma escala acerca das atitudes em relação à automedicação ( α = 0.708) e questões sobre os padrões de práticas de automedicação ( α = 0.445). As diferenças en tre os resultados e os da dos s ociodemográficos foram an alisadas por meio de testes t independentes e ANOVA. Um modelo linear generalizado foi calculado para det erminar as variáveis preditivas da automedica ção. Resultados: Mais da metade dos/as inquiridos/as (54,3%, n = 434) fez uso de alguma forma de automedicação no ano an terior. Os/as estudantes revelaram conhecimentos ins uficientes sob re a 7 No âmbito deste artigo realizaram-se u m a publ icação e um a c omunicação : 1) A lves, R. &, Precioso, J. (2019). Knowl edge, at titude and practice of self- medication among college students. In Marina Almeida-Silva, Maria Belo, Irene Morais, J oana Morais, L iliana Natividade, Pedro Pena, Má rcia Pimenta, Mariana Simão (eds. ). "New" challenges for the future - Abstrac t procee dings o f Int ernational Congress on Environmental Health 2019 . (p.73- 74). L isboa: Escola Supe rior de Tecno logia da S aúde de Lisboa. ISBN 978- 989 - 8077 - 28 -8 e 2) no 4th edition o f the Inte rnational Cong ress on Environ m ental Health , ICEH 2019. Escola Superio r de T ecnologia da Saúde d e Lisboa – Instit uto Politéc nico de Lisboa, L isboa, P ortugal. 25 a 27 de sete m bro 2019 (intitulada “ Knowled ge, attitude and p ractice of sel f - medication amo ng colle ge students”) . CAPÍTULO III – APRESENT AÇÃO DOS RES U LTADOS 89 referida prática, respondendo corretamente a 1,60 (DP =0,936) questões num total de 3, e atitudes favoráveis à automedica çã o ( M = 2,17, DP = 0,950, v aria çã o 1 – 5). F requentar um curso da área das ci ências da en ge nharia (  = 0.7 18, IC 95%: 1.373 – 3.069, p <0.001), ser do sexo feminino (  = 0.866 , IC 95%: 1.700 – 3.327, p <0 .00 1) e t er atitudes negativas em relação à autom edicação (  = 0.367, IC 95%: 1.227-1.698, p <0.001) prevêm a adoção dessas práticas. Conclusões : A automedicação é uma prática com um entre os /as universitários/as, o nível de conhecimento da automedicação é baixo e o baixo score do nível de at itudes revelou q ue os /as estudantes tendem a ter u m posicionamento co rreto em relação à automedicação. Portanto, torna -se evidente a recomendação de desenvolver cam panhas ou programas educacionais, a fim de informar sobre os efeitos adversos d o uso de medicamentos não prescritos. CAPÍTULO III – A PRESENT A ÇÃO DOS RES ULTADOS 96 CAPÍTULO III – APRESENT AÇÃO DOS RES U LTADOS 97 CAPÍTULO III – APRESENT AÇÃO DOS RES U LTADOS 98 CAPÍTULO III – APRESENT AÇÃO DOS RES U LTADOS 99 CAPÍTULO III – APRESENT AÇÃO DOS RES U LTADOS 100 CAPÍTULO III – APRESENT AÇÃO DOS RES U LTADOS 101 CAPÍTULO III – APRESENT AÇÃO DOS RES U LTADOS 102 CAPÍTULO III – APRESENT AÇÃO DOS RES U LTADOS 103 CAPÍTULO III – APRESENT AÇÃO DOS RES U LTADOS 104 CAPÍTULO III – APRESENT AÇÃO DOS RES U LTADOS 105 CAPÍTULO III – APRESENT AÇÃO DOS RES U LTADOS 112 CAPÍTULO III – APRESENT AÇÃO DOS RES U LTADOS 113 CAPÍTULO III – APRESENT AÇÃO DOS RES U LTADOS 114 CAPÍTULO III – APRESENT AÇÃO DOS RES U LTADOS 115 CAPÍTULO III – APRESENT AÇÃO DOS RES U LTADOS 116 6. ESTUDO 6: ACTIVIDADE FÍSICA D E ESTUDANTES UNIVERSITÁRIOS/AS PORTUGUESES /AS E SUA RELAÇÃO CO M O C ONHECIMENTO E BARR EIRAS PERCEBIDAS 9 Referência bibliográfica: Alves, R. , Precioso, J. &, Becoña, E. (2020) . Physi cal activity a mong Portuguese university students and its relation to knowledge and perceived barriers. Sportis Sci J , 7(1), 2 5-42. DOI: 10.17979/sportis.2021 .7. 1.6924 País: Espanha; Emerging Sources Citat ion Index (ESCI): JCI = 0.4 9. Resumo Enquadramento: Os/as estudantes universitários/as, indepen dentemente do país, apresen tam prevalência muito elevada d e s edentarismo e os hábitos de saúde adquiridos n esse perí odo ten dem a s e manter ao longo da vida, inclusiv e os relacionados à pr ática de exercícios físicos. Objetivos: O objetivo deste est udo foi analisar a relação entre o co nhecimento sob re as recomendações sobre a prática de atividade física, as barreira s percebidas e a prática de atividade física por estudantes do ES . Métodos: Este estudo transve rsal utili zou um questionário autorref er ido com u ma amostra estratificada de estudantes universitários/as ( n = 84 0) de uma universidade portuguesa. Um modelo de regressão logística ordinal foi calculado para determinar as variáveis preditivas para a prática de A F. Resultados : Os resultados m ostraram que 35,7% dos/as estudantes inquiridos/as era sedentá rio , o nível de conhecimento sobre AF era baixo, respondendo corretamente a 2 ,79 (DP = 0,090) questões n um total de 6, e a falta de temp o foi a barreira percebida m ais evidente. O modelo cons tr uído previu que ter mais barreira s para AF ( β = -.750, p = .000) e ser do sexo femin ino diminuiu a probabilidade de praticar AF ( β = .578 , p = .000). Conclusão: O aumento dos níveis de AF dos/as e studantes universitários/as é um a necessidade social e, n este contexto, as I ES de vem assumir um papel fundam ental n a PrS do /a estudan te, implementando 9 No âmbito deste artigo realizaram-se um capítulo d e livro, duas publicações e uma comunicaç ão: 1) Alves, R. (2020). Instrumentos de avaliação de conhec imentos, atitudes e prática d e exercício físico no E nsino Superior: uma revi são sistemática . In João Serrano; João Petrica; Ma rcio Ker koski; Beatriz Pereira (eds ). Atividad e física, lazer e saúde - perspetivas e desafios de investigação . (p. 142-150). Castelo B r anco, Portugal: Instituto Politécnico de Castelo Branco (IPCB). ISBN: 978- 989 - 8196 - 99 -6; 2) Alves, R. ( 2019). Prática de ativi dade física no ensino superior: relação com os conhecimentos e as atitudes. Journal of Sport Peda gogy & Research 5 (2): 8; 3) Alves, R. (2019 ). Physical exercise in higher education: Knowledge, a ttitudes and pract ices. Journal of Human Spo rt and Exercis e 14 (4 proc ): 1254-1257. D OI: 10.14198/ jhse.2019.14.Proc4.82 ; 4) no XV S eminário Internacio nal de Educaçã o Física, Lazer e Saúde (SIEFL AS) / IV BUDO Congress. Es cola Superior de Educação do Ins tituto Politécnico de Cas telo Branco, Cast elo Branco, Portugal. 17 a 19 de junho de 2019 (int itulada “ Physical e xercise in high er educ ation: Knowle dge, attitudes an d pr actices ”) . CAPÍTULO III – APRESENT AÇÃO DOS RES U LTADOS 117 ações que reduzam a inatividade dos/as seus/su as estudantes, desenvolvendo a transmissão de informações s ob re os benefícios para a saúde. relacionadas à prát ica de AF. CAPÍTULO III – APRESENT AÇÃO DOS RES U LTADOS 118 CAPÍTULO III – APRESENT AÇÃO DOS RES U LTADOS 119 CAPÍTULO III – APRESENT AÇÃO DOS RES U LTADOS 120 CAPÍTULO III – APRESENT AÇÃO DOS RES U LTADOS 121 CAPÍTULO III – APRESENT AÇÃO DOS RES U LTADOS 128 CAPÍTULO III – APRESENT AÇÃO DOS RES U LTADOS 129 CAPÍTULO III – APRESENT AÇÃO DOS RES U LTADOS 130 CAPÍTULO III – APRESENT AÇÃO DOS RES U LTADOS 131 CAPÍTULO III – APRESENT AÇÃO DOS RES U LTADOS 132 CAPÍTULO III – APRESENT AÇÃO DOS RES U LTADOS 133 CAPÍTULO III – APRESENT AÇÃO DOS RES U LTADOS 134 CAPÍTULO III – APRESENT AÇÃO DOS RES U LTADOS 135 CAPÍTULO III – APRESENT AÇÃO DOS RES U LTADOS 136 7. ESTUD O 7: PREVALÊNCIA DE COMPORTAMENTOS SEXUAIS DE RISCO E SUA RELAÇÃO COM O CONHECIMENT O E AS ATIT UDES ACERCA DOS COMPORT AMENTOS SEXUAIS DE ESTUD ANTES UNIVERSITÁRIOS/AS 10 Referência bibliográfica: Alves, R. , & Prec ioso, J. (submetido). Prevalence of ris ky sexual behaviors and their relationship with the knowledge and attitudes of u niversity students . País: Portugal. ISI: IF = 1.421 Resumo Enquadramento: Os comporta mentos sexuais de ri sco nos/as es tudantes universitários/as apresentam uma elevada prevalência. O início da atividade sexual e m idade precoce, os /as m últiplos/as parceiros/as sexuais, o consumo de álcool antes da pr ática de relaçõ es sexuais e o uso inconsistente de pres ervativo são algumas das características comuns dos comporta mentos sexuais de risco em estudantes do ES . Objetivo: Avaliar o s conheci mentos, as atitudes e o s co mportamentos sexuais de risco entre e studantes universitários/as de uma Universidade do Norte de Portugal. Métodos: Para tal, utilizamos uma aborda gem transv ersal, aplicando um inquér ito por questionário previamente validado, a uma amostra, estrat ificada proporcional, constituída por 840 estudantes un iversitários/as. O i nquérito por questionário enco ntrava -se dividido em três partes: conhecimentos acerca das ISTs, ati tudes face às ISTs e face ao uso de preservativo e comportamentos sexuais de risco. Resultados : O s resultados evidenciaram q ue a maioria dos /as e studantes universitários/a s era sexualmente ativa e que o comportam ento sexual de risco com maior prevalência refere -se ao uso inconsistente do preservativo. O nível de conheciment os acerca das ISTs e as at itudes face a ess as infeções e ao uso de preservativo foram moderadas. Não se verificou nenhuma correlação entre os conhecimentos e as atitudes, no entanto, as atitudes face ao uso do preservativo predizem os comportamentos sexuais de risco dos/as estudantes universitários/as . 10 No âmbito deste a rtigo realizaram-se do is posters e uma co municação : 1) no II International Seminar - Past , present and future of sexuality research, Faculdade de Psicologia e Ciências da E ducação, Universidade do Porto, Porto, P ortugal. 20 de s etembro de 2019 (intitulado “Sexual risk b ehaviors in h igher education: the influen ce of sociodemo g raphic variables”); 2) no I Internat ional Seminar - P ast, present and future of sexuality research. Faculda de de Psicologia e Ciências da Educação, Unive rsidade do Porto, Porto, Portugal. 21 de setembro de 2018 (intitulado “Knowled ge, attit udes and sexual behavio rs in Higher Education: the process of constructing a measurement scale”; 3) no 2 nd International Congress of Health and Well-Being Intervent ion ( ICHWBI 2021). Instituto P iaget, V iseu, Portugal, 28 e 29 de maio de 2021 (intitulada “S ex ual knowled ge and attitudes and sexual risk be hav iors among coll ege students ”). A comunicaç ão no ICHWBI 2021 recebeu o pr émio das 8 melhores comunica ções submetidas ao Congresso, de acordo com a ava liação final da revisão por pares e, nest e âmbito, os /as autores/as foram convidados a escr ever o texto co mpleto para o Jou rnal of Egitania Sciencia. CAPÍTULO III – APRESENT AÇÃO DOS RES U LTADOS 137 Conclusão: Este estudo mostrou que entender os fator es que influenciam os com portamentos sexuais de risco em estudantes do ES contribui para o desenvolvimento de programas de educação em sexualidade. CAPÍTULO III – APRESENT AÇÃO DOS RES U LTADOS 240 CAPÍTULO III – APRESENT AÇÃO DOS RES U LTADOS 241 CAPÍTULO III – APRESENT AÇÃO DOS RES U LTADOS 242 CAPÍTULO III – APRESENT AÇÃO DOS RES U LTADOS 243 CAPÍTULO III – APRESENT AÇÃO DOS RES U LTADOS 244 CAPÍTULO III – APRESENT AÇÃO DOS RES U LTADOS 245 CAPÍTULO III – APRESENT AÇÃO DOS RES U LTADOS 246 CAPÍTULO III – APRESENT AÇÃO DOS RES U LTADOS 247 CAPÍTULO III – APRESENT AÇÃO DOS RES U LTADOS 248 CAPÍTULO III – APRESENT AÇÃO DOS RES U LTADOS 249 CAPÍTULO III – A PRESENT A ÇÃO DOS RES ULTADOS 256 CAPÍTULO III – A PRESENT A ÇÃO DOS RES ULTADOS 257 258 C APÍTULO IV – CONSIDERAÇÕES FINA IS CONSIDERAÇÕES FINAIS CAPÍTULO IV – CONSIDE RAÇÕES F INAIS 259 Neste capítulo fi nal são ap resentados os principais contributos empírico s e teóricos resultantes dos principais res ultados dos estudos apresentados. Para uma mel h or facilidade de exposição e leitura optou-se por aprese ntar os principais contributos em píricos por estudo e apresentar os contributos teóricos em torno dos fatores de in fluência considerados pela TIT . Mas t ambém porque de aco rdo com Painter e colegas (2008) apenas 37,5% dos e studos na área dos comportamentos de saúde me ncionam o modelo teórico, incentivando os/as investigadores a t estarem t eorias existentes e cri arem novas teorias no sentido de impulsio narem o desenvolvimento deste cam po de investigaçã o. Findas estas considerações, di scutem-se a s limitações mais importantes e as possíveis implicaç ões para práticas de interven ção em EpS e estud os futuros. 1 . CONTRIBUTOS EMPÍRICOS E PRINCI P AIS RESUL T ADOS Estudo 1 - Com portam ento t abágico e exposição ao fumo passivo ent re estudantes universitários /a s no Norte de Portugal: Relações com o conhecimento acerca do uso de tabaco e as atitudes em relação ao tabagismo Neste estudo anal isaram- se os hábitos t abágicos (idade de início de co nsumo, número de cigarros consumidos, tentativas de cessação), verificando-se que 1 em cada 5 estudantes universitários/as era fumador/a, sendo que a m aioria destes/as fumadores/ as começou a fumar antes dos 17 anos e relatou nun ca ter t entado parar de fu mar. Em bora se tratem de jovens ad ultos/as, identificou -se uma elevada proporção de estudantes ex-fumadores/as (11,2%). Com o objetivo de identificar os preditores do consumo de tabaco no ES carat erizaram -se os conhecimentos acerca do cons umo de t abaco e at itudes em relação ao t abagismo, a exposição ao FAT e os pares consumidores de tabaco. Os resu ltados mostraram que a maioria dos/as estudantes universitários /a s se encontrava exposta semanalmen te ao FAT e t inha ami gos/as con sumidores/as de tabaco. Acresce que as at itudes face ao tabag ismo e ram favoráveis e os conh ecimentos acerca dos malefícios do consu mo de t abaco para a saúde eram moderados . Este estudo mostrou que os /as e studantes a tempo i ntegral, menos exposto s/as ao FAT, com menos amigos/as fumadores/as, numa relação amorosa e com at itudes mais d esfavoráveis face ao consumo de tabaco tendem a apresen tar uma m enor probabilidade de se tornarem fumadores/as. CAPÍTULO IV – CONSIDE RAÇÕES F INAIS 260 Estudo 2 - Conhecimento e at itudes relacionadas ao consumo de álcool enqu anto preditores do consumo de bebidas alcoólicas entre estudantes univer sitários/as portugueses/as Ne ste estudo em que se analis ou a prevalência de comportamentos de consumo de álcool em universitários /a s e sua associação com o conhecimento sobre o consumo de álcool e as atitudes gerais em relação ao uso de álcool, destacou que cerca de 95% dos/as estudantes universitários/as já tinham ingeridos bebi das alcoólicas e que a maioria o fez antes do ingresso no ES. De acordo com os r esultados agrupados do AU DIT -C, g rande parte dos/as universitários/as apresenta um nível problemát ico de consumo de risco, s endo superior nos/as estudantes mais velhos/as e deslocados/as. Para alé m disso, a maioria dos/as inquiridos/as tem amigos /as que co nsomem bebidas alcoólicas e iden tificou, pelo menos, um episódio de embriaguez nos últimos 12 meses. De um modo geral, os/as estudantes apresentaram atitudes moderadas face ao consumo de álcool e revelaram um baixo nível de conhecimentos so bre as consequências do consu mo de álcool. Este es tudo mostrou que a probabilidade de cons umir álcool em exc esso aumenta com o nível de conhecimento e atitudes em relação ao cons umo de álcool, ou seja, qua nto m aior o nível de conhecimento e das atitudes negativas maior o consu mo de álcool. Para o m esmo nível de conhecimentos e atitudes, a probabilidade de apresentar consumo de álcool de risco é superior nos/a s estudantes qu e não mudaram de residência ao ingres sar no ES e que têm amigos/as consu midores/as de álcool. Estudo 3 - Uso de drogas ilícitas entre estudantes u niversitários/as: A i mportância do conhecimento sobre drogas, de viver em casa de familiares e a in fluência dos coleg as Este estudo focou-se na análise da prevalência do consumo de drogas ilícitas entre estudantes universitários /a s, assim com o nos fat ores preditivos desse consumo. Os res ultados mostraram um elevado consumo de drogas ilícitas (21 ,9% de consumidores/as), no último ano, sendo a can nabis a droga mais cons umida. Para além disso, a maioria dos/as estudantes referiu t er amigos/as consumidores /a s de algum tipo de droga ilícita. Os conhecimentos e as a titudes acerca dos malefícios das drogas ilícitas são moderados, verificando-se variações em função do consumo de dr ogas, de ter am igos/as consumidores/as e de outras variáveis sociodemográficas. CAPÍTULO IV – CONSIDE RAÇÕES F INAIS 261 Este estudo mostrou que o aumen to do nível de conhecimentos, ter amigos/as consumidores/as de drogas ilícitas, ser do sexo masculino, ter mudado de residência após ingressar no ES e frequentar o 3º ano constituem fatores (por vezes combinados) que aumentam as ch ances de p ertencer ao grupo de estudantes consumidor de drogas ilícitas. Estudo 4 - Conhecimentos, at itudes e prática da automedicação entre estudantes universitários /a s em Portugal: Um estudo transversal O estudo 4 forneceu informações acerca dos conhecimentos, atitudes e práticas de automedicação dos/as universitários/as, m ostrando que a autom edicação era uma prática com um entre os /as universitários/as, uma vez que mais da met ade dos/as m esmos/as fez uso de algu m tipo de medicamentos sem prescrição médica, no último ano. Os analg ésicos / anti-i nflamat órios foram os medicamentos (sem prescrição médica) mais consu midos pelos/as inquiridos/as. O nível de con hecimento s obre automedicação foi , em média, de 1.60 ± 0 . 936 re spostas corre tas (num máximo 3) e a média da escala das atitudes foi de 2.17 ± 0.950 (num máx imo de 5), mostra ndo que os/as estudantes apresentaram atitudes favoráveis à automedica çã o. Este estudo mostrou que a área científica de estudo, o sexo dos /as e studantes e a s atitud es em relação à automedicação tiveram efei to estatisticamente sign ificat ivo nas práticas d e automedicação, ou seja, frequentar c ursos da área das ciê ncias da e ngenharia, ser do sexo feminino e te r atitudes favoráveis à automedicação predizem a ado çã o dessas práticas. Estudo 5 - Conhecimentos, atitudes e hábitos alimentares saudáveis entre estudantes universitários /a s em Portugal No estudo 5 pretendeu-se a valiar os conhecimentos, a s at itudes e as práticas sobre alimentação saudável entre universitários/as portugueses/as. O s resultados mostraram que os/as estudantes universitários /a s têm hábitos alimentares desequil ibrados, ingerin do fr utas e veget ais abaixo do recomendado e várias veze s por semana comidas rápida s e produtos açucarado s. Pa ra além disso, saltar o pequeno-almoço e o almoço e/ou jantar foram cons ideradas práticas comuns. O nível de conhecimento sobre alimentação saudável foi b aixo e na escala de atitudes face à alimentação saudável obteve-se uma média de 13,54 ± 3,492 (variação entre 4 e 20), sendo o maior valor corresponden te a atitudes positivas em relação à alimentação saudável. CAPÍTULO IV – CONSIDE RAÇÕES F INAIS 262 Este estudo mostrou qu e a exist ência de u ma re lação pos itiva e significativa entre c onhecimento s , atitudes e hábitos alimentares. Estudo 6 - Atividade física de estudantes un iversitários/as portugueses /as e sua relação com o conhecimento e barreiras percebidas O foco deste estudo fo i analisar a relação entre o conhecimento sobre a s recomendações sobre a prática de atividade, as barr eiras percebidas e a prát ica de at ividade física . Os resultados m ostram que 35 ,7% do s/as estudantes inquiridos/as era sedentário, pa ssando, em média e num dia normal, 7 ,4 4 ± 2,656 horas sentados. As correlações realizadas neste estudo indicaram que as estudantes são m ais sedentárias e m enos ativas em comparação com os e studantes e que os estudantes a tempo inteiro e dos cursos da área das ci ências enge nharia foram aqueles/as que declaram mais horas sentados diariamente. O nível de co nhecimento acerca das recomendações foi baixo e a principal barreira à prática de atividade física foi a falta de tempo, seguida da falta de motivação. Este estudo mostrou que à medida que as barreiras pe rcebidas a umentam, diminui a probabilidade de se praticar atividade física, assim co mo ser do sexo feminino diminui a probabilidade de praticar atividade física. Estudo 7 - Prevalência de comportamentos sexuais de ri sco e s ua relação com o conhecimento e as atitudes acerca dos comportamentos sexuais de estudan tes universitários/as Este estudo avaliou os con hecimentos, perceções e com portamentos sexuais de risco dos/as estudantes, demonstrando que a maior ia dos/as estudantes universitários/as se envolveram em comportamentos sexuais de risco , no último ano. Ou seja, dos/as estudantes sexualmente at ivos/as, 39 ,5% iniciou a sua vida sexual em idade precoce; 18,7% t eve 2 ou m ais parceiros/as sexuais nos últimos 12 meses; 60,1% teve rela ções sexuais desprotegidas nos últimos 12 meses e 3 2 , 3% revelou ter tido relações sexuai s após o con sumo de álcoo l, no último ano. De u m modo geral, 57, 1% dos/as estudantes sexualmente ativos/as referiu ter tido 2 ou mais comportamentos sexuais de risco. O nível de conhecimentos acerca da sexualidade foi de 3 ,99 ± 1,194 re spostas corretas (num máximo de 6) e as perceções dos /as estudantes face às I STs e ao uso de preser vativo mostraram -se moderadas. CAPÍTULO IV – CONSIDE RAÇÕES F INAIS 263 Este estudo mostrou q ue os /as estudantes universitários /as q ue tinham uma relação amorosa e que não tinham mudado de residência após o ingresso no ES eram menos propensos a ter comportamentos sexuais de risco. Para além disso, ficou evidenciado que quanto mais negativas forem as perceções face ao uso do preservativo maior será a probabilidade dos /as estudantes terem comportamentos sexuais de risco. Estudo 8 - Conhecimentos, atitudes e com portamentos preventivos em relação ao C OVID -19: Um estudo com estudantes do ens ino superior em Portuga l Neste estudo transversal, foram analisados os conhecimentos relacio nados à COVID -19, a s atitudes face aos comportam entos preventivos, as at itudes relativas à perceção de risco e os comportamentos preventivos da COVI D-19 entre estudantes do ES , tendo sido este o primeiro realizado em Portugal. Os resultados revelaram que os/as estudantes tinham bons conhecimentos relacionados com a COVID-19, visto que grande parte dos itens apresentou ma is de 90% de respostas corretas. Para além disso, a maioria dos /as uni versitários/as revelou atitudes favoráveis em função de cada um dos itens das atitudes face à COVID- 19. Em termos de comportamentos preventivos, c onsiderando os doze comportamentos apresentados, verificou-se que, em média, os/as estudantes relat aram ter sempre 5,8 1 ± 2,61 desses comportam entos, se ndo q ue 5 0% da am ost ra indicou até 6 comportamentos pr eventivos . Este estudo mostrou que ser estudante de licenciatura ou mestrado e ter perceções positivas face aos comportamentos preventivos influencia a adoção de comportamentos preventivos. Estudo 9 - Relação entre c onhecimentos e at itudes relacionadas com a saúde e c omportamentos de risco para a saúde em estudantes universitários port ugueses Neste estudo analisou- se a relação entre conhecimentos e atitudes relacionadas com a saúde e comportamentos de risco para a saúde, verificando-se, em termos g erais, os/as estudantes apresentaram baixos conhecimentos acerca da sa úde, scores moderados na e scala das atitudes e envolveram-se, em média, em 3,88 (DP = 1,45) comp ortamentos de risco para a saúde (num máximo de 7). Considerando o objetivo do estudo, os resultados mostraram que a relação entre o con hecimento acerca da saúde e os com portamentos de risco para a saúde foi significativamente mediada p elas atitudes face à saúde e expli cou 16,7% da variância t otal para os com portam entos de risco para a sa úde. CAPÍTULO IV – CONSIDE RAÇÕES F INAIS 264 Estudo 10 - Bem-estar e perceção de saúde de estudantes universitários/as e m Port ugal: A influência do apoio parental e da relação amorosa Este estudo pretendeu a valiar a pe rceção de bem -estar e saúde de estudan tes universitários /a s, explorando as prop riedades psicométricas da EPBeS e analisando a infl uência de variáveis sociodemográficas. Os resultados deste estudo sugerem que a EPBeS mostra exce lentes propriedades psicométricas, se ndo caract erizada por uma boa consistência interna e um único fator explicat ivo de 58 ,4 % da variân cia. Portanto, o es tudo corrobora a inves tigação de Dien er e colaboradores ( 1985), ao referirem qu e as aná lis es fa tor iais de e scala s de sat isf ação de vida m ulti -item g er alm ente reve lam um a única dim ensão su bjace nt e. A média da EPBeS foi de 3, 73 ± 0,664, variando entre 1 e 5, mostrando uma perceção de be m - estar e saúde m oderada, sendo que as estudantes a p resentaram maiores scores de satisfação com a vida e felicidade sentida em comparação com os estudantes. Os resultados mostraram que os /as estudantes que não se encontram at ualmente numa relação amorosa, que atualmente moram numa habitação própria ou com os p ais, que t êm um I MC classificado com normal apresen tam uma maior perceção de bem-estar e saúde. Estudo 11 - A associação entre bem-estar e comportamentos de risco à saúde em estudantes universitários /a s: O papel mediador da influência social Neste estudo pr etendeu-se exa minar o papel mediador da influência social ( pares consumidores, viver com a família e parceiro/a româ ntico/a) na relação entre o bem -estar e os comportamentos de risco para a s aúde. Tal como verificado em estudos p recedentes, os/as estudantes apresen t aram uma perceção de bem-estar e s aúde moderada e uma eleva da prevalência de comportamen tos de risco para a saúde. Os resultados m ostraram que o aumento dos níveis de bem-estar, ter um par româ ntico e viver com a família diminuem o número de comportamentos não -saudáveis. Por seu lado , ter amigos/as consumidores /a s de substâncias psicoativas aumenta o número de comportamentos de ris co. Este estudo mostrou que as variáveis da influência social mediaram significativamente o efeito d a perceção do bem-estar e saúde nos comportamentos de ris co para a saúde. CAPÍTULO IV – CONSIDE RAÇÕES F INAIS 265 Estudo 12 - Health On You Program: Desenvolvimento e implementação de i ntervenção de educação para a saúde baseada na web para estudantes universitários/as Este estudo descreveu o p rocesso de desenvolvimento e implementação de um programa de interven ção em EpS fornecido na Web, para dotar os /as estudantes de conhecimentos e estratégias que lhes permitissem decidir a favor da sua saúde, ao adotar comport amentos de saúde saudáveis e positivos no seu dia-a-dia. Os re sultados m ostraram que os/as participantes consideraram r elevantes e úteis o s componentes de intervenç ão desenvolvidos em cada módulo. Um dos po ntos f ortes deste programa refere-se à utilização do modelo PRECEDE-PROCEED para o desenho da intervenção, com a Teoria da Influên cia Triádica (TTI) enquanto base teórica da intervenção e as diretrizes de Fleming (2002) e de Brendryen e colegas (2013) para a projeção das sessões de cada módulo. O programa Health On You m ostrou ser uma solução para m uitas das dificuldades enfrentadas pelos/as estudantes univ ersitários/as na adoção de com portamentos positivos pa ra a saúde, recomendando-se a sua ampla divulgação e implemen tação a nível nacional. 2. CONTR IBUTOS TEÓRICOS E PRINCIP AIS CONCL USÕES Os es tudos apresentados nesta tese (à exceção do est udo 12) identificam os comportamentos de risco para a saúde e analisam os fatores de influência intrape ssoal (perceção de bem-estar e características sociodemográficas), atitudinal (conhecimentos e at itudes face à saúde) e social (influência de pares e pessoas significativas). 2.1. Comportamentos de Risco para a Saúde e Perceção de Bem -estar e Sa úde Os resultados dos estudos apresen t ados mostraram que os/as estudantes universitários/as apresentam uma elevada prevalência de comportamentos de risco para a saúde (Aktaş et al., 2019) . O s resultados mostraram que 1 em cada 5 univ ersitário/a é fumador/a , mas que a prevalên cia de tabagismo nesta universidade foi meno r do que a identificada em outros estudos naciona is (C. Albuquerque & Franco, 2010; Luz et al., 20 10; Mendes & Lopes, 2014; Rodr igues et al., 2010) e internacion ai s realizados c om estudantes universitários/as, como em Espanha (Castro Cuesta et al., 2014; Guillén et al., 2003; Hernández-González et al., 2018), na Gr écia (Alexopou los et al., 2010), no Ir ão (Askarian et al., 2013 ), n a Austrália (Clark et al., 2004 ), na Jordânia (Kofahi & Hadda d, 200 5), na CAPÍTULO IV – CONSIDE RAÇÕES F INAIS 272 nas práticas não-saudáveis dos/as estudantes universitários/as (Calamidas & Crowell, 2018; Steptoe & Wardle, 1992) . Por exem plo, as perceções face ao us o do preservativo for am um preditor proeminen te dos comportamentos sexuais de ris co (M. J. Santos et a l., 2016; X. Yang et al., 2019). Desta for ma, os programas de EpS no ES devem pr omover atitudes positivas n os/a s es tudantes a fim de mudar os seus comportamentos não-saudáveis. Os/as estudantes provavelmente agirão de modo saudável e consciente se acreditarem no valor s ignificativo das suas ações. Essas m otivações podem ser m ais reforçadas por experiências be m-sucedidas , bem como pelo feedback positivo em relação a determinadas condutas. Tal com o noutros e studos (Clark et al., 2004; Musmar, 2012), o s não fuma dores/as demonstraram pontuações mais pos itivas do que os/as fumadores/as e ex-fumadores/as. De igual modo, os/as estudantes que mantiveram atitudes favoráveis face ao consumo de álcool foram aqueles/as que apre sentaram uma maior prevalência de comport amentos problemáticos relacionados ao álcool (Neighbors et al., 2006). Essas at itudes podem estar relacionadas aos motivos pelos quais os /as estudantes consomem álcool, sej a pela expectat iva de que o álcool ajude na melhori a da sua vi da sexual (Brown et al., 20 16; Florimbio et al., 2018; Lef kowitz et al., 2016; Tuli ao & McChargue, 2014) , na fuga ao stresse (Musselman & Rutledge, 2010), no aumento da div ersão (Studer et al., 2016; Wardell et al., 2012) e/ou na procura pelo prazer social (Zamboanga et al., 2010). Embora as atitudes face ao consumo de droga s ilícit as não se tenha apresentado com o uma variável preditora deste tipo de consumo, outros estudos confirmaram esta relação (Stone et al., 2012) , mostrando que os/as estudantes do ES tendem a aprovar o consumo de drogas pelos pares o u a consumir por in fluê ncia dos pares (Buckner, 2013; Helmer et al., 2014; Sanders et al., 2013) . Relativamente à automedicação, os/as estudante s inquiridos/as apresentaram atitudes desfavoráveis, de mo nstrando corretamente que não era aconselhável usar medicamentos sem prescrição po r um cu rto pe ríodo de tempo e/ou usar medicamentos previamente prescritos para trat ar os mesmos sintomas (James et al., 2006; Mehta & Sharma, 2015) . A falta de tempo para preparar refeições saudáve is devido a compromissos académicos foi a principal barre ira en unciada á pr ática de uma alimentaç ão saudável ( Hilger et al., 20 17; Mus aiger et al., 2014; Pelletier & Laska, 20 12). De igual modo, a falta de tempo é percecionada como a principal barreira à prática de exercício (Casta ñeda et al., 2 018; Daskapan et al., 2006; Deliens et al. , 2013; Gómez -Lóp ez et al., 2010; Ma rtínez-Lemos et al., 2014; Ramírez-Vélez et al., 2016; Samara et al., 2015; Sill iman et al., 20 04), seguindo-se a fal ta de motivação (King et al., 2014) e a falt a de energia (Ramírez-Vélez et al., 2016; Samara et al., 2015), CAPÍTULO IV – CONSIDE RAÇÕES F INAIS 273 As perceções face às ISTs foram m oderadas, conforme consistentemente relatado na literat ura (M. J. Santos et al., 2016; Soh bet & Geçici, 2014) , co nsiderando-se improvável c ontrair I STs ou Vírus Imunodeficiência Humana ( VI H) (Amare et al., 2019; H aile et al., 2017; Olubola, 2014; Roja s -Murcia et al., 2015). As perceções face ao uso do preservativo, embora também tenham sido moderada s, obtendo- se uma média um po uco superior ao ponto média da escala, apontam que as perceções sejam desfavoráveis. Tal como veri ficado no estudo de Shapiro e colega s ( 1999), os /as estudantes universitários/as tendem a concordar que o u so do preservativo torna as rela ções sexuais meno s agradáveis e que quem s e en contra numa relação es tável e duradoura nã o n ecessita de usar preservativo. No mesmo sentido, investigações mais recentes referem que muitos /as universitários/as acreditavam que os pr eservat ivos reduziam o p razer durante a relação sexual (Mukherjee et al., 2019) e que a confiança nos/as parceiros/as sexuais e a e stabilidade das relações amorosas ju stificam a ausência de uso de preservativo (Pastor & Rojas-Murcia, 2019) . De um modo geral, os conhecimentos acerca da saúde pr eviram os compo rtament os não saudáveis por meio do efeito mediador d as atitudes face à saúde. Por outras palavras, os /as es tudantes com um maior nível de conhecimentos tiveram propensão a ter atitudes desfavoráveis à adoção de comportamentos saudáveis, o que, por sua vez , estev e relacionado a um maior n úmero de comportamentos de risco. Isto é inconsistente com es tudos anteriores, nos qu ais o s resultados mostram que a literacia em s a úde contribui para os comportam entos preventivos de saúde (B arsell et al., 2018) e que comportamento de risco e elevados níveis de conhecimentos acerca da saúde não estavam correlacionados (P. A. Cook & Bellis, 2001; Piko, 2002). A inclusão dos fatores de influência atitudinal da TIT permitiram analisar a teoria do modelo racional, ao ba sear-se o e studo 9, na cre nça de que exi ste um potencial mediador das atitudes na relação entre conhecimento e com portamentos de saúde (Jones et al., 2015). Os result ados desse estudo mostraram que um m aior nível de conhecimentos influencia positivamente os comport amentos não - saudáveis. Por conseguinte, embora os/as estudantes apresentem inúmeros comportamentos de risco para a saúde, eles/as encontram-se informados/as acerca dos seus m alefícios. Assim colocado , os conhecimentos por si só n ão são suficientes para resultar em numa mudança nas atitudes nem nos comportamentos dos/as estudantes universitários/as ( P. A. Cook & Bellis, 20 01). É neste sen tido q ue, na análise dos fatores assoc iados aos comportam entos de risco para a saúde , se de vem identificar outros fatores que motivem e resultem em ações (Glanz et al., 2008) . Face à pandemia COVID-19, os resultados relativos aos conhecimentos acerca da COVID-19 foram bons, revelando um profundo conhecimento sobre os sintomas do C OVID -19, bem com o sobre as CAPÍTULO IV – CONSIDE RAÇÕES F INAIS 274 medidas preventivas e recom endações. Estudos anteriores já tinham demonstrado que os/as estudantes do ES revelavam bons conhecimentos sobre esta patologia (Alzoubi et al., 2020; Asaad et al., 2019; Maheshwari e t al., 2 020; Taghrir et al., 2020) . Para além dessa evidência , os/as estudantes mostraram atitudes positivas em relação a como as pessoas se devem com portar em relação ao COVID -19 , semelhante a outros estudos internacionais (Alzoubi et al., 2020; Asaad et al., 2019; Boka dia & Ganapathy, 2020; Mah eshwari et al., 2020) . Nessa base empírica , as perceções dos/as estudantes refletem a forma correta de prev enir a infeção pela COVID-19, como a lavagem cuidadosa das mãos e a desinfe ção de superfícies e objetos. Ao contrário das evidências internacionais (Alzoubi et al., 2020; Taghrir et al., 2020; H. Yang et al., 2020), não foi possível afirmar que os/as estudantes tinham bons comportamentos preventivos contra COVID-19, uma vez que h avia comportamentos - como n ecessidade de distanciamento social ou desinfeção de calçado e produtos adquiridos - que não eram muito prevalentes . Um dos resu ltados mais importantes deste estudo refere-se à correlação positiva e signif icativa entre o comportamento preventivo face à COVID -19 e a perceção de risco, sendo esta última uma variável preditora, n o sentido em que, conforme aumenta a pe rceção de ri sco, os comporta mentos preventivos também aumentam (H. Yang et al., 2020). 2.4. Fatores de influência social Entre os inúmeros fat ores de influência soc ial, os/as jovens adultos/as, nomeadam ente os/as estudantes universitários/a s, são sensíveis aos comportamentos dos seus pares (Dumas et al., 2019; Graupensperger et al., 2020; Krieger et al., 2016; Lac & Donaldson, 2018; Lewis et al., 2015) , sendo este considerado u m predit or psicossocial robusto (McBride, Barrett , Moore, & Schonfe ld, 2014). A maioria dos/as estudantes fumadores/as relatou t er amigos/as fumadores/as. A ssim expre sso, o facto de que t er amigos/as fumadores/as parece influenciar o consumo de tabaco entre os /as universitários/as (Al-Dubai et al., 2014; Almutairi, 2016; Askarian et al., 2013; Granja et al., 2020; Kamimura et al., 201 8; Menati et al., 20 1 6; Milošević Georgiev et al., 2019; Öncel et al., 2011; Sarioglu et al., 2016; Solima n et al., 2017). Da mesma forma, o consumo de álcool pelos pares parece estar relacionado ao consumo de álcool dos/as estudantes, indicando q ue os/a s e studantes que int eragem com mais amigos/as que bebem t endem a consumir mais bebidas alcoólica s e a envolverem -se em consumos exc essivos (Borsari & C arey, 2001; Byrd, 2016; Ka ssa et al., 2016; McBride et al., 2014; Tartaglia et al., 2017) . Na mesma linha, os resultados dos estudos ap resentados mostraram que ter amigos/as consumidores /a s de drogas ilícitas aumenta exponencialmente a probabilidade de ta mbém CAPÍTULO IV – CONSIDE RAÇÕES F INAIS 275 consumir e sse tipo de substâncias psicoativas, sugerindo que as redes socialmen te próximas têm um impacto no uso relatado de s ubstâncias psicoat ivas ilícit as (Blavos et al., 2017; Buckner, 2 013; Edwards et al., 2019; Helmer et al., 2014; Kilmer et al., 2006; Napper et al., 2015; Neigh bors et al., 2008; Pinchevsky et al., 2012; Zeferino et al., 2015). A influência de am igos/as consumidores/as desempenhou um papel mediador significativo na relação entre o bem-estar geral e, es pecificamente a satisfação com a vida e co nsigo p róprio/a, e os comportamentos de risco ( Griggs & Crawford, 2019) . Este foi um dos resultados esperados, visto qu e as evidências científicas indicavam qu e o s/as estudantes com m enor n ível de bem -estar e satisfação com a vida e co nsigo próprio/a, têm mais amigos/as con sumidores/as de substâncias psicoativas e, por isso, se envolvem em mais comportamentos não-saudáveis (Akt aş et al., 2019; Lai & Ma, 2016) . A este aspeto da in fluência de pares alia-s e o fact o de muitos /as jovens adultos/a s mudarem de residên cia após o ingresso no ES. No s estudos apresentados , os/as estudantes deslocados/as apresentaram uma maior p revalência de consumo de tabaco, álcool (Kassa et al., 2016; Shields et al., 2016; Tartag lia et al., 2017; Tavolacci et a l., 2016; Wicki et al., 20 10) e drogas ilícitas (Ajayi & Somefun, 2020; Arias- De la Torre et al., 2 019; T. H. B ennett & Holloway, 2015; Hosseini et al., 2018; Massah et al., 2 016; Moh ammadpoorasl et al., 20 14; Nappe r et al., 2015; Peltzer & Pengpid, 201 6b; Pi nchevsky et al., 2012) e de práticas alimentares desequilibradas (El Ansari et al., 2011; P apadaki et al. , 2007; Peltzer & Pengpid, 2014; Tanton et al., 20 15; M. C. W hatnall et al., 2020). No Estudo 11, identificou-se a relação entre o bem-estar e as variáveis que se d efiniram como influência social, mostrando que viver com a família (Brannan et al., 2013) e ter um parceiro româ ntico são caract erísticas que aumentam os níveis de bem-estar dos/as estudantes universitários/as (Jackson et al., 2007; Yıldırım et al., 201 7) , enquanto ter pares consumidores de substâncias psicoativas diminuiu a perceção de bem-estar (Brannan et al., 2013; Cobo-Rendón et al., 2020) . A família, nomeadamente n a condição de apoio e suporte familiar, parece ter um papel fundamental na adoção de comportamentos saudáveis (Akt aş et al., 2019; Allahv erdipour et al., 2015) e na perceção de cada componente do bem-estar (Brannan et al., 2013; Schnettler et al., 2015), devendo ser considerado no dese nvolvimento de programas de prevenção em cont exto académico (Ajayi & Somefun, 2020). Ou sej a, devem ser apoiadas estrat égias que capacitem os pais e as mães a reconhecer em e exercerem os seus pap éis na prevenção do consumo de substâncias psicoativas dos /as seus/suas filhos/as (Pinchevsky et al., 2012), visto que o grau de autonomia e responsabilidade conferidos pelo ingresso n o ES não cons titui por si só um distanciamento dos comportamentos de risco. CAPÍTULO IV – CONSIDE RAÇÕES F INAIS 276 Relativamente à variável Parceiro/a Amoroso/a , os resultados mostraram que o aumento dos níveis de bem-estar com a vida, consigo próprio e felicidade, aliado ao fato de t er um parceiro/a amoroso/a, reduzem o número de comportamentos não-saudáveis dos/a estudantes universitários/a s (Kye & Park, 2014; Ratelle et al., 2013). 2.5. (Auto)Super visão P edagógica O modelo autosupervisivo desenvolvido através da s na rrativas reflexivas possibilitaram um melhor planeamento, ação e monitorização das próprias experiências de investigação e integrá-las nas experiências anteriores, de forma a facilitar o crescimen to pessoal enquanto profis sional reflexivo, não ficando limitado às práticas e conceções anteriores, mas submetendo o desempenho formativo a uma constante reflexão, com vista a melhorá -lo. A aut osuperv isão foi e ntendida co mo um processo de desenvolvimento pes soal e profissional e de tran s formaçã o da identidade profissional, p elo constante autoquestionamento da s práticas. Por isso, assumiu-se desde sempre uma postura at iva e de envolvência pessoal num processo que se quis realista e criat ivo, (co)respondendo às situações de cada momento da melhor forma possível (Alarcão & Tavares, 2007). Para além da autosupervisão do pr ocesso metodológico, o própr io proce sso de recolha de dados (pela componente pedagóg ica do questionário desenvolvido), assim como, o programa de EpS construído com base no modelo PREC EDE-PROCEED apres enta inúmeros componentes da Supervi são, cuja essên c ia remete para a constru ção e desenvolvimento da autonomia profissional (Alarcão & Roldão, 2008) de todos/as os/as envolvidos/as, mas também comporta as funções de apoiar, orientar e regular o processo formativo (Vieira, 1993). Nomeadamente, a criação de e spaços p ara a realização de aprendizagens colaborativas e de social ização, como os fóruns das sessões; as i númeras oportunidades para o aprofundamento dos conhecimentos, através de bibliográfica de aprofundamento; a aplicação prática e resolução de probl emas quotidianos, levando os/as estudantes a refletir e criar s oluções para os problemas equacionado s (por exemplo, os dilemas apresentados ou o cálculo dos gastos com o consumo de t abaco ou álcool); o respeito pelos diferentes ritmos de aprendizagem e adapt ação , já que, a avaliação é sempre feita da mesma forma e apenas no final do módulo ; a divers ifi cação das atividades e estratégias pedagógicas apresen tadas ao longo do prog rama . 2.6. O Programa Health On You Embora as intervenções que se centram apenas num comportamento de risco po ssam se r mais bem-sucedidas (Coons et a l., 20 00) , observa-se que as potencialidades das intervenções focad as em CAPÍTULO IV – CONSIDE RAÇÕES F INAIS 277 múltiplos comportamentos, consider a ndo que uma i ntervenção ideal seria aquela que visa mudar e melhorar vários comportamentos de ri sco simultaneamente ( Prochaska et al., 200 8) , na m edida em que vários comportamentos de r isco se encontrarem correlacionados, formando perf is comportamentais (De Vries et al., 2008) . As análises rea lizadas no â mbito dos programas de in tervenção em EpS no ES mostraram que raramente os artigos cient íficos descrevem em prof undidade o desenvolvimento , implementação e avaliação das intervenções (Barretto et al., 2011; Bart holomew e t al., 2016; F. Bradley et al., 1999; Campbell, 2000; Fernandez et al., 2019) . No est udo 12 apresent ou - se todas as etapas d o desenvolvimento do Progra ma Health On You com bas e no Modelo PRECEDE-PR OCEED pois considerou- se que descrição de cad a uma das fases e o seu planeamento permitirão: orientar o desen volvimento de novas i ntervenções nesta área e o refinamento dest a intervenção em estudos futuros; fornecer a metodologia utilizada permitirá a sua utilização por outros/as investigadores/as e profissionais da área; aumentar a transparên cia e credibilidade do proce sso de desen volvimento da intervenção e dos resultados obtidos. 3. LIMIT AÇÕES GERAIS DOS ESTUDOS Todas as investigações científicas apresentam limitações metodológ icas, e embora os/as inves tigadores/as procurem que as m esmas não condicionem o desenvolvimento das investigações, a leitura dos resultados de cada um dos es tudos de ve rá considerá-las. N esta se cção procurou-se apresentar a s limitações globais dos e studos, salientando - se que cada estudo apres enta as suas limitações específi cas. Em primeir o lugar, destaca -se o ter sido pretendido, considerando os objetivos da tese, con struir uma amostra representativa dos/as estudan tes da univers idade em estudo , de mo do a obter resultados fi áveis. Apesar desta representatividade restringir o estudo a uma única univers idade , limita a generalização dos resultados a todos/as e studantes universitários/as portuguese s/as, deve ndo essa generalização ser encarada com cautela. Mais especificamente justifica-se referir que, embora se trate de um estudo transversal, mostrou -se apropriada a realização de análises de mediação, tal como verificado noutros e studos (Boyd & Wilcox, 2020; Buckner et al., 20 19; Domínguez -Valerio et al., 2019; Lai & Ma, 2016; Romeo et al., 2021). Por sua ve z, ao ter sido eleito um instrumen to de recolha de dados, na forma de autorrelato, se mostra adequado para utilização num curto es paço de tempo e com um grande número de s ujeitos. No CAPÍTULO IV – CONSIDE RAÇÕES F INAIS 278 entanto, sabe-se existirem limitações que podem afe tar a validade das informações fornecidas, como as seguintes: 1) a desejabilidade social ou a falsificação das respostas, da do que a natureza da s questões pode causar algum emb araço ao serem demasiado pessoais, levando a su b ou sobreestima r determinados comportam en tos ; 2) a influência da memória pelas dificuldades em recordar determinados aspetos, visto que os/as estudantes foram questionados /as acerca de com portamentos ocorridos no passado (por exemplo, u sando expressões como nos últim os 12 meses ou nos últimos 30 dias); e 3) a s diferentes perceção face a cada um dos itens apresentados, por exemplo, poderão ter existido envies ame ntos no que conc erne à dificuldade de distinguir os diferentes níveis de atividade , embora se tenham apresentado exemplos de cada tipo de atividad e . No que se refere aos com portam entos ocorridos no pa ssado, e apesar da recolha de dados ter sido planeada e realizada num mom ento da vida académica que exc luísse festividades, os comportamentos relatado s podem n ão ser representativos do comportamento típico, principalmen te no que concerne os hábitos alimentares, ao serem considerados os últimos 7 dias. Apesar das limita ções apresentadas, a validade dos q uestionários de autorrelato em estudos de comportamentos de saúde é su stentada (Rebagli ato, 2 002), mostrando uma elevada confiabilidade para autorrelatos relacionados c om o consumo de sub stâncias psicoat ivas e u ma confi abilidade moderadas , em estudos relativos à atividade física (Brener et al., 2003), ao destaca r- se a confidencialidade e anonimato aquando da aplicaçã o dos questionários . Para contorn ar estas limita ções, procedeu-s e de forma a que as cir cunstâncias de pr eenchimento dos questionários fo ssem a s m esmas para todos/as o s/as estudantes, a o ser em aplicados em sala de aula e em formato de papel. Este procedimento levantou outra limitação, ao existir a possibilidade de que os/as estudantes com determinados comport amentos de ri sco estejam sub -representados. Po r exemplo, de acordo com A rri a e colegas (2015), os/as estudantes consumidores/as de drog as ilícitas apresentam uma menor probabilidade de frequ entar as aulas. Embora se compreendam as vantag ens ass ociadas à recolha de dados online (mais económico, mais rápido, mais cómodo), no âmbito deste es tudo, a utilização de instrumen tos de autorrelato online não pareceu adequada, seja pelo facto de não se cont rolar o momento de respos t a de todos/as os/as estudantes. Pode ser fornecido o segui nte exemplo: em questões de b em-estar, se o/a estudante se encontrasse a responder a o questionário num am biente mais t enso, certamente as suas respostas seriam diferentes. E , também considerando as respostas à escala dos conhecim entos sobre saúde, existia a possibili dade dos/as estudantes recorre rem a ou tras fontes de informação para con hecerem as respostas, enviesando o seu nív el de conhecimentos. CAPÍTULO IV – CONSIDE RAÇÕES F INAIS 279 Por sua vez, no estudo 8, recorreu-se ao uso de uma plataforma onlin e para a recolha de dados e, por isso, uma das suas li mitações refere-se ao facto de não existir a garantia de que os/as estudan tes não tenham procurado as respostas , para a aquisição de conhecimento pedido com a escala conhecimentos. Mesmo assim, destaca -se a componente pedagógica inerente a es ta recolha de dados, pois quer tenham ou não procurado as respostas aos itens da escala de conhecimentos acerca da COVID - 19, os conhecimentos demonstrados correlacionam -se positivamente com os comportamentos preventivos face à COVID-19. Uma outra limitação reporta -se à exclusão dos/as est udantes a frequentar cursos da área das ciências da sa úde. Est a exc lusão foi pensada pe lo vié s que poderia ser causado, nomeadamente na escala dos conhecimentos sobre sa úde (Hyska et al., 2014) . Esta op çã o metodológica não significa de forma alguma que tenha sido descartada a importância de analisar os com portamentos de saúde dos/as estudantes desta área científica em pesquisas f uturas. A cresce assumir que na metaanálise realizada por Xu e colaboradores (2019) verificou- se uma prevalência significativamente superi or de prát icas de automedicação com antibióticos , entre estudantes d e medicina quando comparados/as com os/as estudantes de outros domínios cien tíficos. Outras limitações es pecífic as s ão enunciadas em cada um dos estudos apresentados. Por exemplo, no caso do estudo 1, não foi considerado o consumo de cigarros eletrónicos ou de tabaco aquecido, na medida em que o uso des se tipo de produtos tabágicos foi re sidual, em estudantes universitários/as, partindo da validação do questionário e do estudo de Feijão (2015) com jovens estudantes portugueses/as . Em relação ao estudo 4, não foram considerados o s períodos específicos de automedicação (por exemplo, durante o estudo e preparação para exames). Uma das limitações do programa Health On You refere-se à participação voluntária dos/as estudantes, ou seja, sendo a inscrição no programa voluntária poderá indiciar que esses/as estudantes se encon tram mais sensibilizados/as, interessados/as e recetivos/as à ad oção de comportamentos positivos de saúde. De ixando de fora aqueles/as estudantes que deveria be neficiar deste tipo de programas por apresentar uma maior prevalência de com portamentos de risco. Para além dessa limitação, a implementação do programa não incluiu uma amostra represen tativa da pop ulação-alvo, sendo também o tamanho da amostra relativamen te p equeno, nem um grupo de con trolo. Desta for ma, reitera-se a necessidade de interpretar os resultados com alguma precaução e que eventuais melhorias comportamentais poderão não ser resultado exclusivo da intervenção. Em t ermos de desenho do programa, uma da s desvantagens de usar um formato baseado na Web é que era difícil medir a quantidade e a qualidade da interação que os /as participantes tinham com o CAPÍTULO IV – CONSIDE RAÇÕES F INAIS 280 programa da Web, apesar de existir a possibi lidade comentar cada umas das sessões e de existirem vários i ncentivos à participação nos fóruns das sessões, pou cos foram os comentários liv res r ealizados pelos/as participantes. Pa ra além disso, co nsidera- se que os/as participantes deveriam ter s ido questionados sobre o que pensavam sob re o format o da intervenção ba seado n a web, sendo que a inclusão desta informação teria contribuído para validar o format o escolhido para a realização da interven ção. Por último, referir que a análise das narrativas refl exivas inerentes ao proces so metodológico desta tese não foram alvo de análise, sendo um processo de desenvolvimento pessoal e profissional, não fez sentido ne sta tese analisar todas as dimen sões elencadas em cad a um dos m omentos vivenciados. No entanto, na seção ant erior elenca ra m-se as potencialidades deste processo na cons trução do conhecimento científico e desen volvimento profissional do/a investigador/a. 4. IMPLICA ÇÕ ES P ARA PRÁ TICAS E ESTUDOS FUTUROS Partindo do pressuposto de que a investigação científica é um pr ocesso circular ou , mais corretamente, um processo em espiral (Alferes, 1997), os contributos empíricos e t eóricos di scutidos ao longo deste capítulo sugerem vári as implicações pr át icas e apontam para pesquisas futuras que permitam da r continuidade à investigação realizada e mostrar a pertinência de se m anter uma atualização constante das tendências comportamentais (bem como cognitivas e afetivas) . Os res ultados dos estudos apresentados pe rmitir am ad quirir conhecimentos acerca da problemática dos c omportamentos de risco para a saúde dos/as estudantes u niversitários/as, bem como uma exploração mais aprofundada de alg uns fa tores subjacentes e da possível influência de outros determinantes. O modelo de comportamentos de saúde proposto po r Flay e Petraitis (1994) sugere a importância de es tudar os det erminantes dos comportamentos de saúde relacionados com diferentes dom ínios ( social, interpessoal e in trapessoal). Os diferentes es tudos identificaram as variávei s preditoras relativas a cada um dos comportamentos de ri sco analisados, as sim como, se considerou o efeito mediador da variável “Atitudes face à saúde” (estudo 9) e da variável “Influência s ocial” (estudo 11). N o entanto, investigações futuras deverão explorar outros procedimentos e possívei s efeitos mediadores e moderadores, bem como o agrupamento de comportamentos de ris co , criando perfis comportamentais . Ou s eja, é importante examinar com m ais profundidade os comport amentos que se agrupam e que podem ser influenciados por fat ores semelhante , a fim de pre parar programas de prevenção mais eficien tes que permitam um foco em vários com p ortamentos ao mesmo tempo e CAPÍTULO IV – CONSIDE RAÇÕES F INAIS 281 dirigidos a e studantes com os mesmos perfis comporta mentais. Da mesma forma, prevê-se a publicação de um artigo que explore as inter-relações do item relativo à perceção do estilo de vida, após o ingresso no ES . Nesta t ese abordaram -se sete comportamentos de risco para a saúde, no en tant o, ambiciona -se ampliar a análise deste tipo de comportamentos, incluindo a saúde oral (lavagem dos dentes e realização de ch eck-ups dentários), a segurança rodoviária (uso de cint o de segurança, consumo de b ebidas alcoólicas e condução, cumpr imento dos limites de velocidade) e a qualidade do son o (nú mero de horas dormidas, horários estáveis). No que diz respeito aos in strumentos utilizados, e mbora as análises estatísticas realizada s demonstrem boas características psicométricas, o estudo e o aprofund amento psicométrico dos instrumen tos utilizados podem co nstituir u m aspeto a ter em conta em estudos futuros 16 . Estudos futuros deverão considerar outras variáveis entre os diferen tes fat ores de infl uência, como, por exemplo, o nível socioeconómico, que está claram ente associado ao consumo de s ubstâncias psicoativas (Redonnet et al. , 2012), a hábitos alime ntares desequilibrados e sedentarismo (Rodrígue z- Espinos a et al., 20 15) e à forma como os/as jovens percecionam o se u bem-est ar (Schnettler et al., 2015). O desenho da i nvestigação incluiu uma amostragem por ano de frequência académica, com o intuito de com parar as caraterísticas comportam entais dos/as estudantes no i nício e no final do percurso académico. No entanto, não invalida o desenvolvimento de est udos longitudinais , ambicionando-se, futuramente, a compreensão destes fen ómenos ao longo do te mpo, clarificando as petos contraditórios encontrados na literatura e verificando se a prevalênc ia dos comportam entos de risco, que segue a tendência descri ta nas pesquisas científicas. Na mesma ótica, sugere-se a replicaç ão destes estudos com outras populaçõe s, no meadamente jovens adultos/as que não estudam nem trabalham e estudantes universitários/as de outras IES (para a obtenção de uma amostra representativa da realidade nacional) e de outros países que permitirá confirmar ou infirmar os resultados obtidos. O bem -estar (subjetivo) é um constructo constituído por diferentes componentes claram ente diferenciados, embora relacionados. Esta investigação demons trou que o bem -estar deve ser 16 Embora os estudo s desta tese nã o incluam as aná lises psicométricas gerais da esc ala dos conh ecimentos ac erca dos comportamentos de saúde e da escala d e atit udes face aos comportament os de sa úde foi realizada uma análise f atorial confirmató ria para cada uma das escalas e os resultados da mes ma serão redigidos em f orma de artigo científica e publicados futuramente. The CFA analys is of the Health-related knowledge scale by testing the model compose d of 7 factors related to each of the cate gories subject to analysis and one factor of sec ondary order has shown that we have obta ined a model with satisfying indexes (RMSEA = 0.028; SRMR = .040; TLI = .880; NFI = .7 59; CFI = .891; GFI = .935;  2 (912.147) / df (569) = 1.60). The indexes, or scores, of re liability of each of t he factors varied between .488 and .578, and a good reliability index was obtained for the general factor ( α = .8 30) . The quality indexes of th e Attitudes towards health scale indicated, after adjustment and deletion of items w hich did not pr esent an acceptab le facto rial rel evanc e, an accepta ble adjustment (RM S EA = 0.042; SRMR = .0 40; TLI = .928; NFI = .908; CFI = .944; GFI = .951;  2 (476.493) / df (199 ) = 2.39). The reliability indexes o f each of the factors vari ed between .67 1 and .7 65, and we have obtained a highly sat isfactory reliability index for the general factor ( α = .800). REFERÊNCI A S BIBLIOG RÁFICAS 288 profess o res. Edições Pedago, Lda. Alarcão, I., & Tavares, J. (20 07). Supervisão da prát ica pedagógica - Uma perspectiva de desenvolvimento e aprendizagem . Almedina. Albuquerque, A. S., & Tróc coli, B . T. (2004). Desenvo lvimento de uma escala de bem -estar subjetivo. Psicologia: Teoria e Pesquisa , 20 (2), 153 – 164. http://www.scielo.br/pdf/ptp/v20n 2/a08v20n2 Albuquerque, C., & Franco, V. (2010). 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