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Beatriz Ferreira Pinto Diversidade de Género e Eco-Inovação Diversidade de Género e Eco-Inovação Beatriz F Pinto
abril de 2025 UMinho | 2025
Beatriz Ferreira Pinto Diversidade de Género e Eco-inovação Dissertação de Mestrado Mestrado em Economia Industrial e da Empresa Trabalho efetuado sob orientação da Professora Doutora Isabel Correia abril de 2025
ii DIREITOS DE AUTOR E CONDIÇÕES DE UTILIZAÇÃO DO TRABALHO POR TERCEIROS Este é um trabalho académico que pode ser utilizado por terceiros desde que respeitadas as regras e boas práticas internacionalmente aceites, no que concerne aos direitos de autor e direitos conexos. Assim, o presente trabalho pode ser utilizado nos termos previstos na licença abaixo indicada. Caso o utilizador necessite de permissão para poder fazer um uso do trabalho em condições não previstas no licenciamento indicado, deverá contactar o autor, através do RepositóriUM da Universidade do Minho. Licença concedida aos utilizadores deste trabalho Atribuição-NãoComercial-SemDerivações CC BY-NC-ND https://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0/
iii AGRADECIMENTOS A realização desta dissertação representa a concretização de um percurso cheio de desafios, aprendizagens e conquistas que não teria sido possível sem o apoio e incentivo de muitas pessoas, as quais manifesto a minha gratidão. Em primeiro lugar, agradeço à minha família, pelo amor, compreensão e encorajamento constantes, mesmo nos momentos mais difíceis. Sem o vosso apoio a conclusão desta etapa não seria possível. Um agradecimento especial ao meu namorado pela motivação constante, pelos abraços silenciosas e pela paciência e amor nos momentos de ansiedade ao longo desta caminhada. Agradeço à minha orientadora, Professora Doutora Isabel Maria Machado Correia Brioso Dias, que sempre se mostrou disponível e atenta ao longo desta trajetória. O seu incentivo e apoio foram fundamentais para o desenvolvimento deste projeto. Aos meus amigos, agradeço pela partilha de conhecimentos, motivação e apoio incondicional, ao longo de todo este percurso. Estou extremamente grata a todos os que, de alguma forma, contribuíram para a conclusão desta dissertação.
iv DECLARAÇÃO DE INTEGRIDADE Declaro ter atuado com integridade na elaboração do presente trabalho académico e confirmo que não recorri à prática de plágio nem a qualquer forma de utilização indevida ou falsificação de informações ou resultados em nenhuma das etapas conducente à sua elaboração. Mais declaro que conheço e que respeitei o Código de Conduta Ética da Universidade do Minho.
v Resumo A questão da diversidade de género nos órgãos de decisão das empresas tem suscitado o interesse da literatura. Em particular, vários estudos têm discutido e recolhido evidência empírica sobre se a presença de mulheres nos conselhos de administração das empresas influencia positivamente o desempenho destas. O conselho de administração das empresas é responsável pela adoção, ou não, de práticas de responsabilidade social e ambiental. Diferentes teorias suportam a perspetiva de que os conselhos de administração com diversidade de género apresentam uma maior probabilidade de compreender as preferências das partes interessadas e o ambiente em que a empresa opera. Cada vez mais a inovação ambiental é exigida às empresas, não apenas pela regulamentação ambiental, mas também porque representa um fator de competitividade das mesmas. Desta forma, o objetivo central desta dissertação foi investigar se a presença de mulheres no conselho de administração das empresas e a diversidade de género influenciam (i) a probabilidade de esta implementar inovação ambiental, bem como (ii) a probabilidade de introduzir inovação com benefícios ambientais obtidos dentro da empresa e (iii) a probabilidade de introduzir inovações com benefícios ambientais no consumo ou uso dos bens ou serviços pelo utilizador final. Para este estudo foram utilizados dados secundários provenientes do Inquérito Comunitário à Inovação (CIS22) e do Inquérito às Práticas de Gestão (INE). O período de análise corresponde ao triénio 2020 – 2022. Os resultados obtidos demonstram que não foi encontrada evidencia de que, quer o efeito da presença de mulheres, quer o efeito da diversidade de géneros na implementação de práticas de eco-inovação sejam estatisticamente significativos. Estes resultados foram coerentes para os tipos de eco-inovação considerados, e para as diferentes especificações adotadas. Palavras-chave: Eco-inovação, mulheres, conselho de administração, empresas
vi Abstract The issue of gender diversity in corporate decision-making bodies has attracted increasing interest in the literature. Several studies have discussed and gathered empirical evidence on whether the presence of women on company boards positively influences firm performance. Boards of directors are responsible for the adoption of social and environmental responsibility practices. Different theories support the view that gender-diverse boards are more likely to understand stakeholder preferences and the environment in which the company operates. Environmental innovation is increasingly demanded from companies, not only due to environmental regulation, but also because it represents a factor in their competitiveness. Therefore, the main aim of this dissertation was to investigate whether the presence of women on company boards and gender diversity influence (i) the likelihood of implementing environmental innovation, (ii) the likelihood of introducing innovation with environmental benefits within the company, and (iii) the likelihood of introducing innovations with environmental benefits in the consumption or use of goods or services by the end user. Secondary data from the Community Innovation Survey (CIS22) and the Survey of Management Practices (INE) were used in this study. The period of analysis corresponds to the three-year span from 2020 to 2022. The results show no statistically significant evidence that either the presence of women or gender diversity affects the implementation of eco-innovation practices. These results were consistent across the types of eco-innovation considered and the different model specifications adopted. Keywords: Eco-innovation, women, board of directors, companies
13 1.2. Objetivos do trabalho e Questões de investigação O objetivo central desta dissertação foi investigar se a presença de mulheres no Conselho de administração das empresas influencia (i) a probabilidade de esta implementar inovação ambiental, bem como (ii) a probabilidade de introduzir inovação com benefícios ambientais obtidos dentro da empresa e (iii) a probabilidade de introduzir inovações com benefícios ambientais no consumo ou uso dos bens ou serviços pelo utilizador final. Atendendo a este objetivo, formularam-se as seguintes questões de investigação: 1. A presença de mulheres no Conselho de Administração influencia a probabilidade de a empresa implementar inovação ambiental? 2. A presença de mulheres no Conselho de Administração influencia a probabilidade de a empresa implementar inovação ambiental, cujo benefício ambiental foi obtido dentro da empresa? 3. A presença de mulheres no Conselho de Administração influencia a probabilidade de a empresa implementar inovação ambiental, cujo benefício ambiental foi obtido durante o consumo ou uso dos bens ou serviços pelo utilizador final? 1.3. Estrutura da Dissertação Esta dissertação encontra-se dividida em oito secções. Após esta introdução, apresentase uma revisão de literatura que inclui as principais contribuições teóricas e empíricas sobre a relação entre a diversidade de género e o desempenho ambiental das empresas. A secção três descreve a metodologia utilizada para responder às questões de investigação. As secções quatro e cinco são referentes à apresentação dos resultados e à discussão dos mesmos. Por fim, na secção seis encontra-se a conclusão relativa ao trabalho em questão e na sete as referências utilizadas para a realização do mesmo.
14 2. Revisão de literatura 2.1. Diversidade de género e desempenho das empresas: principais contributos teóricos O tema da diversidade de género tem suscitado o interesse da literatura, motivando diversos estudos que relacionam este tópico com diferentes indicadores de desempenho das empresas, como por exemplo o desempenho financeiro (Bennouri et al., 2018; Green & Homroy, 2018), o desempenho ambiental (Al-Najjar & Salama, 2022; Lu & Herremans, 2019; Zhang, 2023) ou a sua capacidade de inovação (Bauweraerts et al., 2022; Chen et al., 2018; Dohse et al., 2019; Javaid et al., 2023). A literatura que relaciona a diversidade de género com o desempenho das empresas apoiase em diferentes suportes teóricos. De entre os mais referidos na literatura, encontramos a teoria de agência, a teoria da dependência de recursos, a teoria dos escalões superiores e a teoria da identidade social. 2.1.1. Teoria da agência A teoria de agência foca os conflitos de interesse que surgem entre o agente e o principal, originados pela divergência de objetivos de ambos (Jensen & Meckling, 1976). Uma relação de agência surge quando um (ou mais) indivíduo(s), denominado(s) “principal”, contrata(m) uma outra pessoa, designada “agente”, para executar um serviço que implique a delegação de poder de decisão ao mesmo (Jensen & Meckling, 1976). No contexto das empresas, o principal é representado pelos acionistas e o agente, indivíduo no qual o principal delega poder de decisão, corresponde ao(s) responsável pela gestão da empresa. De acordo com esta teoria, na relação entre o agente e o principal, se ambas as partes maximizarem a sua utilidade, é possível que nem sempre o agente aja de acordo com os interesses do principal. Existirá sempre algum nível de divergência entre as decisões do agente e as que maximizam o bem-estar do principal, podendo gerar conflitos de agência e os correspondentes custos de agência (Jensen & Meckling, 1976). Na base destes conflitos estão problemas de assimetria de informação (Abad et al., 2017), ou seja, o agente possui mais informação do que o principal. Estes problemas podem ocorrer em dois momentos: antes da contratação do gestor, onde a informação assimétrica pode
15 causar problemas de seleção adversa, e após a assinatura do contrato do gestor, onde a informação assimétrica pode causar problemas de risco moral. A seleção adversa surge porque os acionistas não conseguem prever o tipo de profissional que é o gestor, no momento de o contratar, isto é, se possui ética profissional e desempenha bem o seu trabalho. Relativamente ao problema de risco moral, este deve-se à possível falta de esforço do gestor na execução das tarefas delegadas ou à possibilidade de escolher a opção que maximiza os seus interesses, renunciando à melhor decisão que maximiza os interesses dos acionistas da empresa (Zhou, 2023). Para minimizar estes problemas surgem os custos de agência. Por exemplo, os acionistas podem limitar as divergências através de incentivos adequados para assegurar que o gestor promova as ações que vão ao encontro dos seus interesses (Jensen & Meckling, 1976). A realização de auditorias são outra forma de minimizar os problemas de agência, pois permitem que os acionistas sejam informados das decisões tomadas pelo gestor. O conselho de administração de uma empresa é visto como essencial para superar os problemas de agência entre gestores e acionistas (Adams & Ferreira, 2009). Alguns estudos têm argumentado que a diversidade no conselho de administração da empresa pode fornecer-lhe experiências, competências e habilidades diversas, o que poderá afetar positivamente a eficácia da sua função de controlo e supervisão, favorecendo a redução dos conflitos de agência (Abad et al., 2017). Chen et al. (2018) argumentam que as competências para monitorizar podem ajudar a mitigar os problemas de agência. Efetivamente, alguma literatura aponta que as mulheres podem melhorar a capacidade de gestão do conselho de administração, uma vez que apresentam características tais como a capacidade para realizar as atividades propostas de forma rápida, eficaz e responsável. Ou seja, de uma forma geral, as mulheres são vistas como mais diligentes do que os homens (Kirsch, 2018). Empiricamente, com base numa amostra de empresas indianas, Ullah et al. (2020) encontraram evidência de que a presença de mulheres no CA melhora a governação e diminui os conflitos de agência, resultando no aumento do valor da empresa. 2.1.2. Teoria da dependência de recursos De acordo com a teoria da dependência de recursos, as empresas operam num sistema aberto, onde necessitam de trocar e adquirir certos recursos para sobreviverem (Terjesen et
16 al., 2009). Desta forma, os membros do conselho de administração contribuem para o desempenho desta, fornecendo-lhe uma combinação de capital humano e social (Lu & Herremans, 2019). Deste ponto de vista, as empresas com um conselho de administração mais diversificado em termos de género apresentam um conjunto mais alargado de perspetivas e de competências (Arora, 2022). Ou seja, os membros do conselho de administração do sexo feminino podem transmitir recursos humanos, capacidades e conhecimentos diferentes dos seus colegas do sexo masculino, proporcionando perspetivas e abordagens diversas para a empresa (Lakhal et al., 2024). Assim, as mulheres são vistas como um recurso humano crucial para melhorar o desempenho financeiro ou o valor da empresa, o que torna vantajosa a sua presença no conselho de administração das organizações (Magoma & Ernest, 2023). Por outro lado, existem alguns argumentos que contestam o impacto positivo da presença de mulheres nos conselhos de administração das empresas. Khan et al. (2020) por exemplo, referem que as mulheres são mais avessas ao risco, pelo que a presença de mulheres nos conselhos de administração das empresas pode condicionar a gestão da mesma a uma estratégia demasiado conservadora. Estes autores argumentam, ainda, que a presença de mulheres no conselho de administração conduz a uma gestão mais rigorosa, o que pode representar uma diminuição no valor para os acionistas, para além de poder enfraquecer a interação entre os membros do conselho de administração, diminuindo a coesão do grupo. Segundo Adhikari (2018), pode-se esperar que as organizações lideradas por gestores mais avessos ao risco apresentem uma maior liquidez, por se tratarem de pessoas que valorizam a precaução e adotam políticas empresariais menos arriscadas do que os homens. Utilizando o género como proxy para a aversão ao risco, este estudo que as empresas com um maior número de mulheres nas suas equipas executivas de topo detêm mais liquidez como proporção dos ativos totais (Adhikari, 2018). Alguns autores argumentam, ainda, que uma maior diversidade de género nas empresas pode provocar o declínio do seu desempenho, devido a questões de estereótipos de género ou tokenismo (Lim et al., 2019). A teoria do tokenismo sugere que os indivíduos, membros de um subgrupo, cuja categoria social está sub-representada, em contextos específicos, enfrentarão experiências negativas, como por exemplo o isolamento social (King et al., 2010).
17 2.1.3. Teoria dos escalões superiores A teoria dos escalões superiores, proposta por (Hambrick & Mason, 1984), defende que as ações e decisões das organizações são fortemente determinadas pelas pessoas que estão nos “escalões superiores”, ou seja, nas posições mais elevadas de poder e autoridade. Este será o motivo pelo qual as organizações apresentam determinados comportamentos e atingem níveis de desempenho específicos (Hambrick & Mason, 1984). Esta teoria salienta a influência das características individuais na tomada de decisões da equipa e nos resultados ao nível da empresa (Nielsen, 2010). Para este autor, os fatores comportamentais, tais como a racionalidade limitada, objetivos múltiplos e conflituantes, podem influenciar as escolhas estratégicas feitas pelos membros do conselho de administração, que por sua vez determinam o desempenho da empresa, uma vez que as escolhas de gestão nem sempre seguem motivos racionais, mas são, em grande medida, influenciadas pelas limitações naturais dos gestores enquanto seres humanos. Efetivamente, segundo Foss et al. (2022), as características dos gestores de topo influenciam os valores, visões e objetivos dos restantes membros da equipa e dos funcionários da empresa, colaborando para a existência de uma liderança eficaz. Assim, um conselho de administração que apresente diversidade de género proporciona um aumento no empreendedorismo da organização e promove o pensamento inovador, o que resulta na existência de novas soluções e alternativas para a empresa (Foss et al., 2022). 2.1.4. Teoria da identidade social A teoria da identidade social foi proposta por Tajfel & Turner (2019) e descreve a forma como os indivíduos se enquadram em determinados grupos, como por exemplo o género, a raça, a classe e a ocupação (Terjesen et al., 2009). Para pertencer a estes grupos é essencial que os indivíduos em causa se definam e sejam definidos pelos outros como membros do grupo (Tajfel & Turner, 2019). O termo identidade social é utilizado pelos autores num sentido limitado, definindo o indivíduo como semelhante ou diferente, como “melhor” ou “pior” do que os membros de outros grupos (Tajfel & Turner, 2019). Remetendo esta análise a grupos baseados no género, Lyngsie & Foss (2017) caracterizam os estilos de liderança femininos como mais elevados em termos de inclusão, comunicação, atitudes cooperativas e partilha de conhecimentos do que os estilos de liderança masculinos,
18 o que apoia o reconhecimento e a concretização de oportunidades empreendedoras. Ao alcançar a representação feminina na gestão de topo, a equipa beneficia de diversidade social e de informação, facilitando o acesso à inovação. Os autores argumentam que a presença feminina nos conselhos de administração enriquece os comportamentos exibidos pelos gestores, motiva as mulheres em cargos de gestão inferior e melhora o desempenho e a competitividade da organização (Dezsö & Ross, 2012). Estes factos facilitam a inovação, apoiando uma diversidade de perspetivas e construindo confiança que promove a troca de conhecimentos, ideias e informações (Lyngsie & Foss, 2017). Para Dezsö & Ross (2012) a presença de mulheres com informação congruente pode estimular uma discussão mais ampla e rica de alternativas e, assim, melhorar a tomada de decisões dentro da equipa de gestão e, consequentemente, incentivar a eco-inovação. No mesmo sentido, Azzam (2022) e Lu & Herremans (2019) argumentam que a presença de mulheres nos conselhos de administração das empresas proporciona experiências divergentes, perspetivas mais amplas e, também, a existência de competências e conhecimentos diversos, o que fomenta as atividades de inovação, o que significa uma maior probabilidade de bom desempenho relativamente às práticas de inovação por parte da empresa. Por outro lado, o conflito existente entre géneros pode causar barreiras à comunicação, reduzindo a probabilidade da equipa chegar a acordo sobre investimentos de risco, como os relacionados com atividades de inovação ambiental (Foss et al., 2022). 2.2. Diversidade de género e Eco-inovação 2.2.1. Eco-inovação: conceito A eco-inovação, também denominada de inovação verde, tem vindo a ser um tema bastante abordado nos trabalhos académicos, por se tratar de um indicador da contribuição da empresa para as preocupações ambientais (García-Meca et al., 2023). Kemp & Oltra (2011) consideram a eco-inovação como uma inovação cujo impacto ambiental é inferior ao das alternativas pertinentes. O conceito de Inovação baseia-se na implementação de um produto (bem ou serviço) novo ou significativamente melhorado, um processo, um novo método de marketing, um novo
19 método organizacional nas práticas de negócios, na organização do local de trabalho ou nas relações externas. A inovação pode ser categorizada em inovação de produto, de processo, de marketing e organizacional (OCDE, 2005). A eco-inovação consiste na criação de novos produtos ou processos, bem como na alteração dos que já existem, ou seja, integra a criação de métodos ou práticas que incluem benefícios ambientais e promovem o desenvolvimento sustentável, proporcionando um aumento da reputação e do valor da empresa (García-Meca et al., 2023). Andersen (2010) propõe uma interpretação económica do conceito, associando a ecoinovação a inovações que atraem “rendas verdes” no mercado, pois permitem que a empresa cobre um preço premium pela sua reputação ou produto verde e, ao mesmo tempo, reduza os custos de produção pela via do uso mais eficiente dos recursos. Ou seja, de acordo com esta perspetiva, a eco-inovação combina dois efeitos: permite reduzir as externalidades ambientais negativas e, com base nisso, aumenta o valor da empresa (Vasconcelos-Garcia & Carrilho-Nunes, 2024). A distinção crucial entre a eco-inovação e a inovação convencional é, portanto, o desempenho ambiental, que incorpora uma redução dos recursos naturais utilizados, bem como uma redução da libertação das substâncias nocivas para o ambiente (Horbach & Reif, 2018). Outra diferença poderá residir no objetivo. Normalmente, assume-se que as empresas utilizam a inovação com o principal objetivo de obter lucro, mas no caso da eco-inovação, existem outros tipos de motivações como, por exemplo, responder à pressão regulatória, à pressão de organizações não governamentais (ONG) e/ou à pressão dos clientes (Rennings, 2000). O desenvolvimento de novos produtos ou processos que reduzam os impactos ambientais é considerado uma tarefa complexa e que requer, frequentemente, informações e competências adicionais que diferem da base de conhecimentos tradicional da indústria (Ben Arfi et al., 2018). Para Ben Arfi et al. (2018), as inovações tecnológicas representam uma fronteira tecnológica, na qual as organizações são inexperientes, o que resulta num aumento das incertezas tecnológicas e de mercado, uma vez que não existem normas generalizadas, quer em termos de soluções tecnológicas específicas, quer de medidas políticas para avaliar o desempenho ambiental Rennings (2000) aponta o denominado problema de dupla externalidade como outra diferença entre os dois tipos de inovação. Refere que este fenómeno explica o facto de a eco-
20 inovação não só necessitar de apoios no seu desenvolvimento, como por exemplo, financiamento de I&D, mas também sofrer de uma externalidade adicional na fase de difusão, uma vez que os benefícios são partilhados com a sociedade em geral. O problema de dupla externalidade resulta num investimento sub-ótimo, induzindo uma peculiaridade da ecoinovação: a importância da regulação como um fator determinante do comportamento do eco-inovador, da empresa e de outras instituições (Cleff & Rennings, 1999). O inovador cria ou adota um novo processo, produto ou medida organizacional que melhora a qualidade do ambiente e, embora a sociedade beneficie da inovação, os custos são suportados apenas pelo inovador. Desta forma, o problema de dupla externalidade traduz-se no facto de que, mesmo que a inovação possa ser comercializada com sucesso, é difícil para o inovador apropriar-se dos lucros decorrentes da inovação, se o conhecimento correspondente for facilmente acessível a todos e se os benefícios ambientais tiverem um carácter de bem público (Beise & Rennings, 2005). Considerando os efeitos, alguma literatura distingue a inovação ambiental induzida pela regulação e a inovação ambiental voluntária (Rexhäuser & Rammer, 2014). Os autores concluiram que as inovações que não melhoram a eficiência dos recursos das empresas não proporcionam retornos positivos em termos de rentabilidade. No entanto, as inovações que aumentam a eficiência dos recursos de uma empresa, em termos de consumo de materiais ou de energia por unidade de produção, têm um impacto positivo na rentabilidade. Este resultado positivo aplica-se tanto às inovações induzidas pela regulação como às inovações voluntárias, embora o efeito seja maior para a inovação impulsionada pela regulação (Rexhäuser & Rammer, 2014). Por outro lado, Marin (2014) afirma que a inovação ambiental difere sistematicamente de outros tipos de inovação, relativamente ao seu efeito na produtividade da empresa. A inovação ambiental garante um retorno substancialmente inferior ao da inovação não ambiental, o que pode gerar uma exclusão da inovação ambiental, em detrimento de outros tipos de inovação, por parte da empresa (Marin, 2014). A tabela 1 resume as principais diferenças entre a Eco-inovação e os outros tipos de inovação.
21 Tabela 1 - Principais diferenças entre Eco-inovação e outros tipos de inovação Eco-inovação Outros tipos de inovação Promove o desenvolvimento sustentável, proporcionando o aumento do valor da empresa. Promove a introdução de um bem, serviço ou processo novo ou significativamente melhorado. O objetivo ao introduzir a Eco-inovação na empresa é responder à pressão regulatória, das organizações não governamentais e/ou clientes. O objetivo da empresa ao inovar é a obtenção de lucro e gerar valor para a sociedade. Apresenta um problema de dupla externalidade. O inovador apropria-se facilmente dos lucros decorrentes da inovação. Garante um retorno inferior para a empresa. Garante um retorno superior para a empresa. Fonte: Elaboração própria com base em: García-Meca et al. (2023); Marin (2014); OCDE (2005); Rennings (2000). 2.2.2.1. Eco-inovação: determinantes A eco-inovação é determinada por três fatores: oferta, procura e regulação (MerlinBrogniart & Nadel, 2021) ou, na terminologia de Rennings (2000): technology push (eficiência energética, eficiência de materiais e qualidade do produto), market pull (quota de mercado, concorrência, novos mercados, procura dos consumidores, imagem e custos de trabalho), regulatory push/pull effect (regulamentação existente, standards sobre segurança ocupacional e saúde e regulamentação futura). Empiricamente, o estudo de Belin et al. (2011) confirma o papel central da regulação e da poupança de custos como incentivos à eco-inovação. Os autores referem que a regulação ambiental força as organizações a realizar inovação ambiental, o que, de certa forma, deveria acontecer espontaneamente. Segundo Del Río González (2009), é necessário ter em conta as variáveis relevantes que influenciam a mudança tecnológica ambiental, ou seja, os fatores internos e externos à empresa, bem como, as características das tecnologias ambientais. Relativamente aos fatores internos à empresa, os autores referem as características internas das organizações que facilitam o envolvimento na mudança tecnológica ambiental, como por exemplo, os seus recursos humanos e financeiros. Os fatores externos à empresa são resultado das tomadas de decisão e da interação com outros atores sociais, institucionais e do mercado. As decisões ambientais são consideradas uma resposta das organizações aos estímulos e incentivos resultantes de pressões de mercado ou de parcerias, por exemplo. A implementação da inovação ambiental requer investimentos iniciais significativos na
22 mudança tecnológica, para além disso, pode exigir formação adicional para os trabalhadores da empresa ou a contratação de novos funcionários e a compatibilidade com o sistema de produção já existente (Del Río González, 2009). Para Del Río González (2009), a regulação ambiental constitui a maior pressão para as organizações adotarem ou desenvolverem tecnologias ambientais, mas existem outras fontes de pressão, como por exemplo, clientes, fornecedores, investidores, companhias de seguros, etc. As características das tecnologias ambientais podem influenciar a sua adoção e o seu desenvolvimento. 2.2.3. Presença de mulheres no CA e eco-inovação Nesta secção apresentam-se os argumentos avançados na literatura acerca das razões pelas quais a representação feminina nos orgãos de governação pode afetar as atividades de eco-inovação das empresas. De acordo com a literatura, a presença de mulheres nos conselhos de administração das empresas melhora a capacidade inovadora das mesmas, incentivando o conselho de administração a assumir riscos, investindo em projetos de inovação a longo prazo que respeitam o ambiente (Lakhal et al., 2024). Deste modo, a existência de diferentes tipos de conhecimentos individuais é fundamental para a inovação (Østergaard et al., 2011). Para Ma et al. (2022), com diversidade de género no conselho de administração, é possível aumentar a pluralidade de interpretações da informação, compreender de forma mais clara a heterogeneidade do mercado, o que possibilita uma identificação mais precisa das necessidades dos consumidores e das oportunidades de desenvolvimento, criando oportunidades para a empresa satisfazer essas necessidades. García-Sánchez et al. (2021) argumentam que as estratégias ativas de eco-inovação envolvem frequentemente grandes investimentos e custos avultados no curto prazo, sendo que os benefícios apenas aparecem no longo prazo. Como as mulheres estão muitas vezes menos preocupadas com os objectivos económicos de curto prazo, veem no investimento em eco-inovação uma forma de ganhar vantagens estratégicas que são únicas para a empresa. Este argumento assenta na ideia defendida por (Boulouta, 2013) de que as mulheres, de acordo com o estereótipo feminino, têm padrões morais mais fortes e são socialmente mais sensíveis, emocionais e empáticas do que os homens. Essas características tornam as mulheres mais propensas a ter em conta os interesses dos diferentes stakeholders, ao
29 3. Metodologia Este estudo tem como objetivo responder às seguintes questões de investigação: 1. A presença de mulheres no Conselho de Administração influencia a probabilidade de a empresa implementar inovação ambiental? 2. A presença de mulheres no Conselho de Administração influencia a probabilidade de a empresa implementar inovação ambiental, cujo benefício ambiental foi obtido dentro da empresa? 3. A presença de mulheres no Conselho de Administração influencia a probabilidade de a empresa implementar inovação ambiental, cujo benefício ambiental foi obtido durante o consumo ou uso dos bens ou serviços pelo utilizador final? 3.1. Fontes de dados Para este estudo foram utilizados dados secundários provenientes do Inquérito Comunitário à Inovação (CIS22) e do Inquérito às Práticas de Gestão (INE). O período de análise corresponde ao triénio 2020 – 2022 (últimos dados disponíveis do CIS). O Inquérito Comunitário à Inovação contém 32 questões distribuídas por três blocos. O primeiro conjunto de questões aborda as estratégias e o ambiente empresarial. No segundo bloco, as questões incidem sobre a inovação das empresas. No último bloco, recolhe informações relativas às empresas. O CIS é uma das bases de dados mais utilizados em estudos de inovação e tem sido amplamente usada no estudo da inovação ambiental (Belin et al., 2011; Merlin-Brogniart & Nadel, 2021; Vasileiou et al., 2022). O Inquérito às Práticas de Gestão (INE) encontra-se dividido em três blocos e 49 questões. O primeiro bloco é referente à caracterização da empresa e encontra-se subdividido em três partes: organização e tomada de decisão, pessoas ao serviço e gestão e liderança. O segundo conjunto de questões refere-se às práticas de gestão da empresa, fragmentado em três partes: estratégia, monitorização e informação, recursos humanos e sistemas de gestão e responsabilidade social. Por fim, o último conjunto de questões é relativa à informação do membro da gestão de topo responsável pela informação. Para responder às questões de investigação foram extraídas informações relativamente à
30 inovação ambiental realizada por cada empresa do Inquérito Comunitário à Inovação, e do Inquérito às Práticas de gestão foram utilizadas informações sobre os membros do conselho de administração das empresas, bem como a presença feminina no mesmo. 3.2. População alvo do estudo A população-alvo deste estudo corresponde ao conjunto de sociedades não financeiras ativas, localizadas em território português, classificadas nas secções B (Indústrias extrativas), C (Indústrias Transformadoras), D (Eletricidade, gás, vapor, água quente e fria e ar frio), E (Captação, tratamento e distribuição de água; saneamento gestão de resíduos e despoluição), F (Construção), G (Comércio por grosso e a retalho; reparação de veículos automóveis e motociclos), H (Transportes e armazenagem), I (Alojamento, restauração e similares), J (Atividades de informação e comunicação), L (Atividades imobiliárias), M (Atividades de consultoria, científicas, técnicas e similares), N (Atividades administrativas e dos serviços de apoio), da Classificação Portuguesa das Atividades Económicas, Revisão 3 (CAE-Rev.3). 3.3. Descrição da base de dados A amostra total é composta por 1513 empresas, maioritariamente maduras sendo que 924 (61%) apresentam idade igual ou superior a 20 anos, 417 (28%) com idades entre os 6 e os 19 anos e 172 (11%) com idades entre 1 e 5 anos. As empresas com presença feminina na gestão de topo (855 empresas) apresentam uma maior percentagem de empresas maduras (66%) e uma diminuição na percentagem de empresas adultas (24%) e jovens (10%), relativamente à amostra total. Figura 1 - Idade das empresas da amostra Total Empresas sem mulheres na gestão de topo Empresas com mulheres na gestão de topo Fonte: Elaboração própria 11% 28% 61% 14 %32 % 54 % 10% 24% 66%
31 Em termos de dimensão, observa-se, na amostra total, uma predominância de pequenas e médias empresas (58%). Apenas 178 empresas apresentam um volume de negócios inferior a 2 milhões de euros (microempresas). Nas empresas com mulheres na gestão de topo, relativamente à amostra total, é observável uma menor percentagem de microempresas (7%), bem como, de pequenas e médias empresas (54%) e uma percentagem mais elevada de grandes empresas (39%). Figura 2 - Dimensão das empresas da amostra Total Empresas sem mulheres na gestão de topo Empresas com mulheres na gestão de topo Fonte: Elaboração própria No que diz respeito à distribuição setorial, na amostra total (Figura 3), 38% das empresas da amostra têm atividade principal na Indústria Transformadora, enquanto 16% operam nos setores de Transportes e armazenagem; atividades de informação e comunicação. Os setores com menor representatividade são a Indústria Extrativa, com 3% e o Alojamento e Restauração com apenas a 2% da amostra. Nas empresas com presença feminina no conselho de administração, os setores de maior representatividade são a Indústria Transformadora (37%) e o Comércio e Reparação de veículos (16%). Relativamente aos setores com menor atividade mantêm-se os setores Indústria Extrativa (2%) e Alojamento e Restauração (3%). 12% 58% 30% 18% 62% 20% 7% 54% 39%
32 Figura 3 - Distribuição setorial das empresas da amostra Total Empresas sem mulheres na gestão de topo Empresas com mulheres na gestão de topo Fonte: Elaboração própria 3.4. Especificação do modelo econométrico 3.4.1 As medidas de eco-inovação Nesta dissertação, o desempenho ambiental foi aproximado pela eco-inovação da empresa. Tal como em Vasileiou et al. (2022), esta variável foi construída com base na soma das respostas afirmativas das empresas às seguintes questões: I. Introduziu inovações com benefícios ambientais obtidos da produção de bens ou serviços dentro da empresa? • Redução do uso de material ou uso de água por unidade produzida; • Redução do uso de energia ou da pegada de co2 (i.e. a redução de emissão de co2); • Redução da poluição do ar, água, solo ou sonora; • Substituição de parte dos materiais por outros menos poluentes/perigosos 3% 38% 9% 4% 15% 2% 16% 13% 5% 38% 10% 4% 13% 2% 17% 11% 2% 37% 8% 4% 16% 3% 15% 15%
33 • Substituição de parte da energia fóssil por fontes de energia renovável; • Reciclagem de lixo, água ou materiais para consumo próprio ou venda; • Proteção da biodiversidade. II. Introduziu inovações com benefícios ambientais obtidos durante o consumo ou uso dos bens ou serviços pelo utilizador final? • Redução do uso de energia ou da pegada de co2 (i.e. a redução de emissão de co2); • Redução da poluição do ar, água, solo ou sonora; • Reciclagem facilitada do produto após a sua utilização; • Prolongamento da vida útil e da durabilidade dos produtos; • Proteção da biodiversidade. Após a soma das respostas afirmativas a estas questões e consideradas como tendo um impacto significativo, a variável Eco-inovação (ECOINOV) foi definida como uma variável binária que assume o valor 1 no caso em que a empresa reporta a introdução de uma prática de inovação ambiental significativa e 0 no caso de não ocorrerem práticas ambientais ou forem consideradas insignificativas. Foram, ainda, construídas duas variáveis para especificar se das inovações introduzidas resultaram benefícios ambientais obtidos da produção de bens ou serviços dentro da empresa (EI_EMP) ou se os benefícios ambientais foram obtidos durante o consumo ou uso dos bens ou serviços pelo utilizador final (EI_CONS). A variável EI_EMP assume valor 1 se a empresa reportar a introdução de pelo menos 1 inovação com benefícios ambientais significativos obtidos dentro da empresa (e 0 caso contrário). A variável EI_CONS assume valor 1 se a empresa reportar a introdução de pelo menos 1 inovação com benefícios ambientais significativos obtidos durante o consumo ou uso dos bens ou serviços pelo utilizador final (e 0 caso contrário). 3.4.2. Variáveis explicativas A principal variável de interesse é a diversidade de género. Seguindo a literatura, a diversidade de género foi medida através das seguintes variáveis:
34 • FEM - a proporção de mulheres diretoras presentes no Conselho de Administração das empresas, ou seja, através do rácio entre o total de mulheres diretoras e o total de diretores. o mulheres 1 - variável binária que assume o valor 1 caso a empresa tenha pelo menos uma mulher no conselho de administração; o mulheres 2 - variável binária que assume o valor 1 caso o conselho de administração da empresa seja constituído maioritariamente por mulheres; o DIVGEN - Variável binária que assume o valor 1 caso a empresa tenha homens e mulheres no seu conselho de administração. Relativamente às variáveis de controlo, foram consideradas: • A dimensão da empresa Segundo a literatura, tem um efeito direto na inovação, uma vez que a falta de recursos pode limitar o investimento em inovação ambiental das empresas (He & Jiang, 2019) . Esperase, portanto, que as empresas de maior dimensão tenham mais meios e incentivos para fazer investimentos ecológicos (Van Leeuwen & Mohnen, 2017). Neste estudo, a dimensão foi medida pelo volume de negócios de cada empresa. • Idade da empresa A idade é referida na literatura como uma das características das empresas que influencia as suas práticas de Eco-Inovação (Hiz & Bolívar-Ramos, 2022). Alguns estudos revelam que as empresas mais jovens têm maior probabilidade de introduzir novos produtos e processos em comparação com as empresas mais maduras, por estas se tratarem de empresas mais conservadoras e menos propensas a inovar (Barasa et al., 2017; Leyva-de la Hiz & Bolívar-Ramos, 2022).Espera-se, portanto, que as empresas mais jovens introduzam, mais facilmente, práticas de Eco-inovação. • Indústria A indústria em que a empresa opera pode influenciar as práticas de Eco-Inovação, uma vez que o impacto ambiental é maior nas indústrias extrativas e transformadoras, em comparação, por exemplo, com os setores do comércio retalhista e de serviços (Lu & Herremans, 2019). Para além disso, as oportunidades tecnológicas e a consciencialização dos
35 consumidores relativamente ao meio ambiente também variam de acordo com os diferentes tipos de indústrias (Martínez-Ros & Kunapatarawong, 2019). • Grupo empresarial Uma organização, ao pertencer a um grupo empresarial, pode apresentar uma maior probabilidade de implementar práticas de eco-inovação. A capacidade dos grupos empresariais partilharem conhecimentos tecnológicos e recursos financeiros permite-lhes um melhor desempenho a nível da inovação ambiental, comparativamente com empresas que não façam parte de um grupo (Hsieh et al., 2010). • Idade média das pessoas ao serviço com funções de gestão A literatura revela que os membros do conselho de administração mais jovens amplificam o efeito positivo da eco-inovação, defendendo que a idade reflete a motivação intrínseca do conselho de administração em relação à eco-inovação (Collevecchio et al., 2024). Desta form, é espectável que a idade média dos membros do conselho de administração das empresas tenha influência na Eco-inovação. • Grau académico O grau académico dos membros do conselho de administração das organizações é um dos fatores decisivos na prática de eco-inovação. As empresas devem escolher administradores com sólida formação e com bastante experiência para implementar eco-inovação e alcançar metas ambientais de forma vigorosa (Javeed et al., 2023). É esperado que organizações cujos membros do conselho de administração apresentem formação académica superior adotem mais facilmente práticas ambientais. Na tabela seguinte (tabela 4) apresentam-se, de forma sumária, as variáveis utilizadas nos modelos a estimar. As variáveis referentes à inovação ambiental (ECO_INOV, EI_EMP E EI_CONS) foram extraídas do Inquérito Comunitário à Inovação, bem como as variáveis sobre a dimensão das
36 empresas (DIM) e de pertença a um grupo empresarial (GRUPO). As variáveis relativas aos membros do conselho de administração das empresas (FEM, mulheres1, mulheres2, DIVGEN, HKUM e IDADEGEST), assim como, a idade das empresas (IDADE) e os setores de atividade económica (CAE) forma extraídos do Inquérito às Práticas de gestão. Tabela 4 - Descrição das variáveis Fonte: Elaboração própria Variável Descrição Variável dependente ECO_INOV Variável binária que assume o valor 1 caso tenha sido introduzida pelo menos uma inovação ambiental significativa. EI_EMP Variável binária, que assume o valor 1 caso tenha ocorrido a introdução de pelo menos uma prática de inovação significativa, com benefícios ambientais obtidos da produção de bens ou serviços dentro da empresa. EI_CONS Variável binária, que assume o valor 1 caso tenha sido introduzida pelo menos uma prática de inovação significativa, com benefícios ambientais no consumo ou uso dos bens ou serviços pelo utilizador final. Variáveis independentes FEM Variável ordinal, que varia entre 1 e 4 (10%; 20%-50%; 350%-100%; 4100%) de acordo com a proporção de mulheres diretoras presentes no Conselho de Administração das empresas Mulheres1 Variável binária que assume o valor 1 se a empresa tiver pelo menos uma mulher no conselho de administração. Mulheres2 Variável binária que assume o valor 1 se as mulheres estiverem em maioria no conselho de administração da empresa. DIVGEN Variável binária que assume o valor 1 se o conselho de administração da empresa for composto por homens e mulheres. DIM Variável ordinal de 3 dimensões, assumindo valores de 1 a 3 (1Micro empresa; 2Pequena e média empresa; 3Grande empresa) ,de acordo com a dimensão da empresa, medida pelo volume de negócios. GRUPO Variável binária que assume o valor 1 se a empresa pertencer a um grupo empresarial; KHUM Variável ordinal de 4 dimensões, assumindo valores de 1 a 4 (10%; 21%-40%; 341%- 80%; 4- >80%), que indica a percentagem de indivíduos com funções de gestão que têm grau académico de licenciatura ou superior. IDADE Variável ordinal de 3 níveis, assumindo valores de 1 a 3 (1Jovem; 2-Adulta; 3Sénior), de acordo com a idade da empresa – jovem: menos de 4 anos; adulta, entre os 6 e 19 anos; madura mais de 19 anos. IDADEGEST Variável ordinal de 3 níveis, assumindo valores de 1 a 3 (1- <35 anos; 235 a 54 anos; 3- >54 anos), de acordo coma idade média dos trabalhadores da empresa, em 2022, com funções de gestão; CAE Conjunto de 8 variáveis binárias referentes às divisões do CAE – Rev.3. l , (1Indústria Extrativa; 2Indústria Transformadora; 3Energia, água e saneamento; 4Construção e imubiliária; 5Comércio e reparação de veículos; 6Alojamento e restauração; 7Transportes e armazenagem, atividades de informação e comunicação; 8Outras atividades e serviços), de acordo com o setor em que se insere a atividade da empresa
37 3.4.3 Modelos empíricos Para responder às questões de investigação foram estimados 3 modelos. No modelo1 a variável dependente é a Eco-inovação, uma variável binária que assume o valor 1 se a empresa introduziu pelo menos uma eco-inovação; no modelo 2 é a EI_EMP, que assume o valor 1 se a empresa introduziu inovação com benefícios ambientais obtidos da produção de bens ou serviços dentro da empresa e, por fim, no modelo 3 é EI_CONS - uma variável binária que assume o valor 1 se a empresa introduziu inovação com benefícios ambientais no consumo ou uso dos bens ou serviços pelo utilizador final. a) Modelo 1 Para cada modelo estimado, foram consideradas 4 especificações distintas, que diferem na forma como foi definida a variável de interesse: as primeiras 3 especificações consideram 3 medidas diferentes de presença feminina (mulheres1pelo menos uma mulher na gestão de topo; mulheres2 – a maioria da gestão de topo são mulheres; FEM proporção de mulheres na gestão de topo) e a quarta especificação considera a diversidade de género (DIVGEN). As variáveis de controlo são comuns às 4 especificações e têm como objetivo controlar outras características das empresas e do setor, suscetíveis de afetar a probabilidade de introduzir práticas de eco-inovação.
38 Tabela 5 - Especificação do Modelo 1 Modelo 1 Modelo 1a: Pr(𝐸𝑐𝑜𝐼𝑛𝑜𝑣𝑖=1) = (𝛼+𝛽1𝑀𝑢𝑙ℎ𝑒𝑟𝑒𝑠1𝑖+𝛽2𝐷𝐼𝑀𝑖+𝛽3𝐺𝑅𝑈𝑃𝑂𝑖+𝛽4𝐾𝐻𝑈𝑀𝑖+𝛽5𝐼𝐷𝐴𝐷𝐸𝑖 +𝛽6𝐼𝐷𝐴𝐷𝐸𝐺𝐸𝑆𝑇𝑖+∑𝛾𝑠𝐶𝐴𝐸𝑖𝑠 𝑆−1 𝑠=1 ) Modelo 1b: Pr(𝐸𝑐𝑜𝐼𝑛𝑜𝑣𝑖=1) = (𝛼+𝛽1𝑀𝑢𝑙ℎ𝑒𝑟𝑒𝑠2𝑖+𝛽2𝐷𝐼𝑀𝑖+𝛽3𝐺𝑅𝑈𝑃𝑂𝑖+𝛽4𝐾𝐻𝑈𝑀𝑖+𝛽5𝐼𝐷𝐴𝐷𝐸𝑖 +𝛽6𝐼𝐷𝐴𝐷𝐸𝐺𝐸𝑆𝑇𝑖+∑𝛾𝑠𝐶𝐴𝐸𝑖𝑠 𝑆−1 𝑠=1 Modelo 1c: Pr(𝐸𝑐𝑜𝐼𝑛𝑜𝑣𝑖=1) = (𝛼+𝛽1𝐹𝐸𝑀𝑖+𝛽2𝐷𝐼𝑀𝑖+𝛽3𝐺𝑅𝑈𝑃𝑂𝑖+𝛽4𝐾𝐻𝑈𝑀𝑖+𝛽5𝐼𝐷𝐴𝐷𝐸𝑖 +𝛽6𝐼𝐷𝐴𝐷𝐸𝐺𝐸𝑆𝑇𝑖+∑𝛾𝑠𝐶𝐴𝐸𝑖𝑠 𝑆−1 𝑠=1 Modelo 1d: Pr(𝐸𝑐𝑜𝐼𝑛𝑜𝑣𝑖=1) = (𝛼+𝛽1𝐷𝐼𝑉𝐺𝐸𝑁𝑖+𝛽2𝐷𝐼𝑀𝑖+𝛽3𝐺𝑅𝑈𝑃𝑂𝑖+𝛽4𝐾𝐻𝑈𝑀𝑖+𝛽5𝐼𝐷𝐴𝐷𝐸𝑖 +𝛽6𝐼𝐷𝐴𝐷𝐸𝐺𝐸𝑆𝑇𝑖+∑𝛾𝑠𝐶𝐴𝐸𝑖𝑠 𝑆−1 𝑠=1 Fonte: Elaboração própria Onde CAEis são variáveis binárias que controlam para as características específicas dos setores. Na estimação dos modelos, a categoria CAE 1, ou seja, o setor de Indústria Extrativa, foi a categoria omitida, assim, os coeficientes estimados para as demais categorias representam o efeito relativo face ao setor de Indústria Extrativa. b) Modelo 2 Na estimação do modelo 2, tal como para o modelo 1, foram consideradas 4 especificações distintas, que diferem na forma como foi definida a variável de interesse: as primeiras 3 especificações consideram 3 medidas diferentes de presença feminina (mulheres1, mulheres2
45 Para analisar se há diferenças estatisticamente significativas na introdução dos diferentes tipos de eco-inovação entre empresas sem mulheres no conselho de administração e empresas com homens e mulheres no conselho de administração, foi realizado o teste de Kruskal-Wallis, teste não paramétrico adequado à comparação de dois grupos independentes, cujos dados são categóricos. Os resultados são apresentados na Tabela 11.
46 Tabela 11 - Teste estatístico às diferenças nas práticas ambientais Nenhuma mulher na gestão de topo Homens e mulheres na gestão de topo Chi2 p-valor Significativo Chi2 p-valor Significativo Introduziu inovações ambientais obtido dentro da empresa: · Redução do uso de material ou uso de água por unidade produzida; 2.104 0.1469 Não 2.193 0.1386 Não · Redução do uso de energia ou da pegada de co2 (i.e. a redução de emissão de co2); 3.667 0.0558 Não 6.586 0.0103 Sim · Redução da poluição do ar, água, solo ou sonora; 6.774 0.0092 Sim 8.718 0.0032 Sim · Substituição de parte dos materiais por outros menos poluentes/perigosos 7.182 0.0074 Sim 9.857 0.0017 Sim · Substituição de parte da energia fóssil por fontes de energia renovável; 8.425 0.0037 Sim 12.437 0.0004 Sim · Reciclagem de lixo, água ou materiais para consumo próprio ou venda; 3.413 0.0647 Não 3.125 0.0771 Não · Proteção da biodiversidade. 0.682 0.4087 Não 2.585 0.1079 Não Introduziu inovações ambientais obtido durante o consumo ou uso dos bens ou serviços pelo utilizador final: · Redução do uso de energia ou da pegada de co2 (i.e. a redução de emissão de co2); 0.081 0.7759 Não 0.288 0.5915 Não · Redução da poluição do ar, água, solo e sonora; 5.690 0.0171 Sim 5.741 0.0166 Sim · Reciclagem facilitada do produto após a sua utilização; 0.047 0.8291 Não 0.416 0.5189 Não · Prolongamento da vida útil e da durabilidade dos produtos; 2.456 0.1171 Não 1.137 0.2864 Não · Proteção da biodiversidade. 1.293 0.2554 Não 1.169 0.2797 Não Fonte: Elaboração própria
47 A análise dos testes anteriores revelou que as seguintes práticas de inovação com benefícios ambientais obtidos dentro da empresa: Redução da poluição do ar, água, solo ou sonora; Substituição de parte dos materiais por outros menos poluentes/perigosos e Substituição de parte de energia fóssil por fontes de energia renovável e a Redução da poluição do ar, água, solo e sonora obtida durante o consumo ou uso dos bens ou serviços pelo utilizador final apresentam diferenças significativas entre o grupo das empresas sem mulheres no conselho de administração e o grupo das empresas que têm homens e mulheres no conselho de administração. Para analisar a relação entre a presença de mulheres na gestão de topo e a adoção de práticas de eco-inovação, foi utilizada uma tabela de dupla entrada (tabela12). Tabela 12 - Adoção de práticas de Eco-inovação Eco-inovação Pelo menos uma mulher na gestão de topo Nenhuma mulher na gestão de topo . Frequência Percentagem Frequência Percentagem Não 175 26% 127 29% Sim, insignificativas 93 14% 76 17% Sim, significativas 398 60% 234 54% Total 666 100% 437 100% Fonte: Elaboração própria É possível verificar que a proporção de empresas inovadoras é superior nas empresas com presença feminina nos cargos de gestão. Para testar a significância estatística desta associação, foi realizado um teste qui-quadrado de Pearson, cujos resultados (χ²(1) = 4.1627 e p-valor = 0.041) indicam uma associação estatisticamente significativa entre as duas variáveis, rejeitando a hipótese nula de independência (H0: A presença de mulheres na gestão de topo não influência a adoção de práticas de Eco-inovação). Assim, a presença de mulheres em cargos de gestão de topo está significativamente associada a uma maior propensão à adoção de práticas de eco-inovação por parte das empresas.
48 Para investigar se há diferenças significativas na adoção de práticas de eco-inovação conforme características das empresas (tabela 10), foram realizados testes de análise de variância (ANOVA), uma vez que as variáveis explicativas categóricas: a dimensão das empresas (DIM) e a idade das empresas (IDADE), apresentam 3 grupos cada. Tabela 13 - Teste às médias da dimensão e idade das empresas Variável Média Desvio-Padrão F (Estatística) p-valor DIM 13.14 0.0000 Pequena 0.408 0.494 Média 0.538 0.5 Grande 0.668 0.471 IDADE 7.00 0.0010 Jovem 0.5 0.503 Adulta 0.497 0.501 Sénior 0.614 0.487 Fonte: Elaboração própria A análise da dimensão das empresas revelou diferenças significativas nas médias de adoção de eco-inovação entre os três grupos analisados, sugerindo que empresas maiores estão associadas a práticas mais frequentes de eco-inovação. A análise da idade das empresas também indicou diferenças estatisticamente significativas entre os grupos etários, sugerindo que empresas mais maduras apresentam maior propensão a adotar práticas de eco-inovação. 4.3. Matriz de correlação entre as variáveis Com o objetivo de detetar possíveis problemas de colinearidade entre as variáveis explicativas, foi realizada uma matriz de correlação (tabela 11) entre as variáveis a incluir nos Modelos. Analisando os coeficientes obtidos, é possível estabelecer a relação entre as variáveis estudadas.
49 Tabela 14 - Matriz de correlação de Pearson para as variáveis utilizadas nos Modelos (1) (2) (3) (4) (5) (6) (7) (8) (9) (10) (11) (12) ECO_INOV (1) 1 EI_EMP (2) 0,9241*** 1 EI_CONS (3) 0,6874*** 0,5835*** 1 mulheres1 (4) 0,0614** 0,0682** 0,0630** 1 mulheres2 (5) -0,0124 -0,0057 0,0149 0,4956*** 1 FEM (6) 0,0312 0,0386 0,0371 0,7866*** 0,7152*** 1 DIVGEN (7) 0,0607** 0,0657** 0,0673** 0,8572*** 0,2199*** 0,3859*** 1 DIM (8) 0,1531*** 0,1611*** 0,1347*** 0,2416*** -0,0595** 0,1219*** 0,2610*** 1 GRUPO (9) 0,0577* 0,0621** 0,0443 0,1160*** -0,0349 0,0756*** 0,1188*** 0,3153*** 1 KHUM (10) 0,0350 0,0251 0,0507* 0,0961*** 0,0212 0,0763*** 0,0835*** 0,1375*** 0,2459*** 1 IDADE (11) 0,1023*** 0,0964*** 0,1063*** 0,1178*** -0,0378 0,0138 0,1678*** 0,3821*** 0,0991*** 0,0027 1 IDADEGEST (12) -0,0199 -0,0108 -0,0528* -0,0755*** -0,0096 -0,0559** -0,0695*** -0,0040 -0,0620** 0,0981*** 0,1025*** 1 Fonte: Elaboração própria
50 A matriz de correlação (tabela 14) evidencia uma correlação positiva e estatisticamente significativa entre a Eco_INOV e a presença de, pelo menos, uma mulher no conselho de administração da empresa (mulheres1), bem como a presença de diversidade de género no mesmo (DIVGEN). Observa-se que a ECO_NOV está positivamente associada à dimensão (DIM) e idade das empresas, sugerindo que empresas de maior dimensão e com maior longevidade tendem a adotar com mais frequência práticas de eco-inovação. É possível verificar uma correlação negativa baixa e não estatisticamente significativa entre a introdução de práticas de eco-inovação (ECO_INOV) e a existência de mulheres em maioria (mulheres2) no conselho de administração das organizações. Importa referir que, embora variáveis como DIM, IDADE, KHUM, IDADE e IDADEGEST sejam de natureza ordinal, para efeitos desta análise, assumiu-se que estas poderiam ser tratadas como aproximadamente contínuas. Esta abordagem permitiu a aplicação da correlação de Pearson, facilitando a análise conjunta com as restantes variáveis. No que respeita à eco-inovação com benefícios obtidos dentro da empresa (EI_EMP), podemos constatar que esta está positivamente associada à presença de pelo menos uma mulher no conselho de administração das empresas (mulheres1) e à presença de homens e mulheres no mesmo (DIVGEN). É, também, evidente uma relação positiva entre a EI_EMP e a dimensão da empresa, a pertença a um grupo empresarial (GRUPO) e a idade da mesma (IDADE). A eco-inovação com benefícios ambientais no consumo ou uso dos bens ou serviços pelo utilizador final (EI_CONS), está positivamente associada à presença de pelo menos uma mulher na gestão de topo da organização (mulheres1) e à diversidade de género na gestão de topo da empresa (DIVGEN), bem como à dimensão (DIM) e idade da empresa (IDADE). Variáveis como KHUM e IDAGEGEST mostram correlações baixas ou próximas de zero e não significativas com as variáveis dependentes. É importante mencionar que, regra geral, correlações elevadas podem resultar em problemas de multicolinearidade. Na tabela 14 é possível verificar que existem 4 correlações mais elevadas (identificadas a negrito), no entanto, estas variáveis não foram utilizadas simultaneamente no mesmo modelo, o que não resultará em problemas de multicolinearidade.
51 4.4. Resultados da Estimação dos Modelos Econométricos Após a análise descritiva dos dados e a análise bivariada, apresentam-se, agora, os resultados da estimação dos modelos econométricos apresentados no Capítulo 3.4.3. Como a variável dependente foi especificada como uma variável binária, foi utilizado um modelo Logit, através do software STATA versão 19. Os Modelos 1a, 2a e 3a foram estimados com a variável referente à existência de pelo menos uma mulher no conselho de administração da empresa (mulheres1), os Modelo 1b, 2b e 3b com a variável referente à presença maioritária de mulheres no conselho de administração (mulheres2), os Modelos 1c, 2c e 3c com a variável referente à proporção de mulheres no conselho de administração (FEM) e, por fim, os Modelos 1d, 2d e 3d foram estimados com a variável que corresponde à existência de diversidade de género no conselho de administração das empresas (DIVGEN). Globalmente, todos os Modelo apresentados são estatisticamente significativos, contudo o poder explicativo dos mesmos é baixo. (a) Modelo 1 A tabela 15 apresenta os resultados da Estimação do Modelo 1. Tabela 15 - Resultados da estimação do Modelo 1 Variáveis MODELO 1a MODELO 1b MODELO 1c MODELO 1d CONSTANTE -1,1023 (0,6762) -1,0987 (0,6778) -1,1173* (0,6759) 1,0859 (0,6759) Mulheres1 0,0974 (0,1345) - - - Mulheres2 - 0,0670 (0,1551) - - FEM - 2 - 0,1135 (0,1421) - 3 - -0,1747 (0,2835) - 4 - 0,2407 (0,2863) - DIVGEN - 0,0494 (0,1334) DIMENSAO 2 0,6992** (0,2806) 0,7203** (0,2797) 0,7005** (0,2824) 0,7050** (0,2813) 3 1,2723*** (0,3125) 1,3139*** (0,3099) 1,2723*** (0,3150) 1,2855*** (0,3138)
52 Tabela 15 - Continuação Variáveis MODELO 1a MODELO 1b MODELO 1c MODELO 1d GRUPO 0,1231 (0,1489) 0,1265 (0,1489) 0,1240 (0,1491) 0,1247 (0,1489) KHUM 2 0,0728 (0,4451) 0,0836 (0,4449) 0,0632 (0,4449) 0,0792 (0,4450) 3 0,2015 (0,4521) 0,2177 (0,4517) 0,1906 (0,4521) 0,2097 (0,4520) 4 0,2676 (0,4471) 0,2824 (0,4467) 0,2537 (0,4471) 0,2754 (0,4470) IDADE 2 -0,3402 (0,2647) -0,3432 (0,2647) -0,3368 (0,2650) -0,3411 (0,2647) 3 -0,0052 (0,2568) -0,0009 (0,2567) 0,0035 (0,2570) -0,0040 (0,2568) IDADEGEST 2 0,5924 (0,3969) 0,5844 (0,3974) 0,5889 (0,3969) 0,5964 (0,3968) 3 0,0177 (0,4722) 0,0022 (0,4725) -0,0007 (0,4732) 0,0202 (0,4726) CAE 2 0,3391 (0,4556) 0,3437 (0,4577) 0,3632 (0,4557) 0,3324 (0,4561) 3 -0,2852 (0,5086) -0,2886 (0,5097) -0,2571 (0,5092) -0,2913 (0,5091) 4 -0,4573 (0,5459) -0,4503 (0,5484) -0,4417 (0,5459) -0,4653 (0,5464) 5 -0,8815* (0,4823) -0,8833* (0,4835) -0,8620* (0,4825) -0,8863* (0,4829) 6 -0,0620 (0,5947) -0,0448 (0,5964) -0,0311 (0,5955) -0,0643 (0,5953) 7 -0,3593 (0,4749) -0,3574 (0,4768) -0,3294 (0,4753) -0,3674 (0,4753) 8 -0,8607* (0,4839) -0,8501* (0,4855) -0,8483* (0,4839) -0,8599* (0,4846) Wald chi2(7) 100.70 101,04 102.41 100.65 Prob>chi2 0,0000 0.,000 0,0000 0,0000 Pseudo R2 0,0672 0,0674 0,0684 0,0672 N 1098 1098 1098 1098 Legenda: *, ** e *** indicam os coeficientes estatisticamente significativos a 10%, 5% e 1%, respetivamente. Os resultados da estimação do modelo 1 indicam que algumas características das empresas estão significativamente associadas à probabilidade de adotarem práticas de Eco-inovação. Podemos constatar que as variáveis de interesse apresentam um efeito positivo, embora não estatisticamente significativo. Em todos as especificações do modelo 1
53 encontramos uma relação positiva e estatisticamente significativa entre a dimensão da empresa e a probabilidade de introduzir eco-inovação, o que significa que organizações com maior dimensão (DIM) apresentam uma maior probabilidade de implementar práticas ambientais. Podemos observar, também, que alguns setores de atividade (CAE) apresentam uma menor probabilidade de introduzir Eco-inovação, nomeadamente, Comércio e reparação de veículos (CAE-5); e outras atividades de serviços (CAE-8). Relativamente às características dos membros do conselho de administração das empresas, é possível verificar que a idade (IDADEGEST) e o nível de formação académica (KHUM) apresentam uma relação positiva, mas não estatisticamente significativa, com as práticas de inovação ambiental. (b) Modelo 2 A tabela 16 apresenta os resultados da Estimação do Modelo 2. Tabela 16 - Resultados da Estimação do Modelo 2 Variáveis MODELO 2a MODELO 2b MODELO 2c MODELO 2d CONSTANTE -0,9263 (0,6779) -0,9260 (0,6796) -0,9390 (0,6779) -0,9074 (0,6775) Mulheres1 0,1249 (0,1331) Mulheres2 0,0976 (0,1537) FEM 2 0,1355 (0,1404) 3 -0,1122 (0,2820) 4 0,2721 (0,2838) DIVGEN 0,0729 (0,1319) DIMENSAO 2 0,7114** (0,2837) 0,7389*** (0,2827) 0,7151** (0,2854) 0,7164** (0,2843) 3 1,3205*** (0,3141) 1,3754*** (0,3115) 10,3238*** (0,3165) 1,3335*** (0,3152) GRUPO 0,1418 (0,1477) 0,1463 (0,1477) 0,1427 (0,1479) 0,1437 (0,1476) KHUM 2 -0,0925 (0,4446) -0,0786 (0,4443) -0,1014 (0,4446) -0,0852 (0,4444) 3 -0,0320 (0,4515) -0,0111 (0,4509) -0,0417 (0,4515) -0,0229 (0,4512) 4 0,0481 (0,4465) 0,0672 (0,4460) 0,0357 (0,4466) 0,0569 (0,4462)
54 Tabela 16 - Continuação Variáveis MODELO 2a MODELO 2b MODELO 2c MODELO 2d IDADE 2 -0,2854 (0,2641) -0,2892 (0,2640) -0,2833 (0,2643) -0,2859 (0,2640) 3 -0,0368 (0,2553) -0,0314 (0,2553) -0,0289 (0,2555) -0,0358 (0,2554) IDADEGEST 2 0,5605 (0,4023) 0,5488 (0,4028) 0,5552 (0,4024) 0,5660 (0,4022) 3 0,1060 (0,4764) 0,0849 (0,4767) 0,0862 (0,4775) 0,1112 (0,4767) CAE 2 0,1180 (0,4536) 0,1266 (0,4559) 0,1391 (0,4540) 0,1103 (0,4541) 3 -0,3902 (0,5069) -0,3931 (0,5080) -0,3666 (0,5076) -0,3968 (0,5073) 4 -0,4388 (0,5445) -0,4267 (0,5471) -0,4246 (0,5445) -0,4483 (0,5449) 5 -0,9914** (0,4809) -0,9924** (0,4822) -0,9754** (0,4813) -0,9964** (0,4815) 6 -0,0636 (0,59310 -0,0392 (0,5950 -0,0351 (0,5939) -0,0676 (0,5937) 7 -0,6026 (0,4735) -0,5977 (0,4756) -0,5769 (0,4741) -0,6119 (0,4740) 8 -1,0333** (0,4839) -1,0182** (0,4856) -1,0231** (0,4840) -1,0322** (0,4845) Wald chi2(7) 94,38 93,91 95,52 93,81 Prob>chi2 0,0000 0,0000 0,0000 0,0000 Pseudo R2 0,0622 0,0619 0,0630 0,0618 N 1098 1098 1098 1098 Legenda: *, ** e *** indicam os coeficientes estatisticamente significativos a 10%, 5% e 1%, respetivamente. Tal como no Modelo1, as variáveis de interesse apresentam um efeito positivo na implementação de práticas de inovação com benefícios ambientais obtidos da produção de bens ou serviços dentro da empresa, contudo os resultados não são estatisticamente significativos. Relativamente aos resultados de estimação do Modelo 2, é possível verificarmos que existe uma relação positiva e estatisticamente significativa entre a dimensão da empresa (DIM) e as práticas de eco-inovação com benefícios obtidos da produção de bens ou serviços dentro da empresa, o que nos indica que empresas maiores apresentam maior probabilidade de implementar práticas ambientais com benefícios obtidos dentro da organização. No que respeita aos setores de atividade económica,
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