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Ricardo Jorge da Costa Marques O impacto do Covid-19 nas transferências do futebol português e nas principais ligas europeias setembro de 2023
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i Ricardo Jorge da Costa Marques O impacto do Covid-19 nas transferências do futebol português e nas principais ligas europeias Dissertação de Mestrado Mestrado em Economia Social Trabalho realizado sob a orientação do Professor Doutor Paulo Jorge Reis Mourão setembro de 2023
ii DIREITOS DE AUTOR E CONDIÇÕES DE UTILIZAÇÃO DO TRABALHO POR TERCEIROS Este é um trabalho académico que pode ser utilizado por terceiros desde que respeitadas as regras e boas práticas internacionalmente aceites, no que concerne aos direitos de autor e direitos conexos. Assim, o presente trabalho pode ser utilizado nos termos previstos na licença abaixo indicada. Caso o utilizador necessite de permissão para poder fazer um uso do trabalho em condições não previstas no licenciamento indicado, deverá contactar o autor, através do RepositóriUM da Universidade do Minho. Licença concedida aos utilizadores deste trabalho Atribuição CC BY https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/
iii Agradecimentos Em primeiro lugar, quero agradecer à minha família, em especial aos meus pais, pois sem eles nada disto teria sido possível. Aos meus amigos, em particular aqueles que me acompanharam em todo o meu percurso académico, que de uma forma ou de outra contribuíram para eu o acabar. Um especial agradecimento ao meu orientador, Professor Doutor Paulo Mourão, por me ter guiado durante a elaboração deste trabalho, pela sua disponibilidade, compreensão e toda a experiência partilhada comigo.
iv Declaração de Integridade Declaro ter atuado com integridade na elaboração do presente trabalho académico e confirmo que não recorri à prática de plágio nem a qualquer forma de utilização indevida ou falsificação de informações ou resultados em nenhuma das etapas conducente à sua elaboração. Mais declaro que conheço e que respeitei o Código de Conduta Ética da Universidade do Minho.
v Resumo Intitulada de “O impacto do Covid-19 nas transferências do futebol português e nas principais ligas europeias”, o objetivo desta dissertação é analisar o impacto da pandemia mais recente, o Covid-19, no futebol, especificamente nas transferências. Uma das principais medidas tomadas para combater a pandemia no futebol foi a suspensão dos jogos e campeonatos. Isso ocorreu em diversas competições ao redor do mundo, incluindo as principais ligas europeias e a liga portuguesa. Essa mesma suspensão dos jogos foi uma medida importante para evitar aglomerações e minimizar o risco de transmissão do vírus. Além disso, quando os jogos foram retomados, em muitos casos, foram realizados à porta fechada, sem a presença de adeptos. Essa foi outra medida importante para evitar aglomerações e garantir a segurança dos jogadores e demais envolvidos nas partidas. No entanto, essa medida também teve um impacto significativo na atmosfera dos jogos, uma vez que a presença dos adeptos é uma parte importante da experiência de assistir a um jogo de futebol. Os jogos realizados à porta fechada também tiveram um impacto financeiro importante para os clubes, uma vez que a receita de bilheteria é uma fonte significativa de renda para muitas equipas. A pesquisa é focada nas Top 5 ligas e na Liga portuguesa, com uma análise de dados realizada para identificar possíveis anomalias durante o ano da pandemia e nos anos seguintes. As receitas e despesas desde a temporada 2010/2011 até a 2021/2022 foram exploradas para este estudo. Palavras-Chaves: Covid-19; Futebol; Outliers ; Transferências.
vi Abstract Titled "The Impact of Covid-19 on Transfers in Portuguese Football and Major European Leagues", the objective of this dissertation is to analyze the impact of the most recent pandemic, Covid-19, on football, specifically on transfers. One of the main measures taken to combat the pandemic in football was the suspension of games and championships. This occurred in various competitions around the world, including the major European leagues and the Portuguese league. This same suspension of games was an important measure to avoid crowds and minimize the risk of virus transmission. In addition, when games were resumed, in many cases, they were played behind closed doors, without the presence of fans. This was another important measure to avoid crowds and ensure the safety of players and other parties involved in the matches. However, this measure also had a significant impact on the atmosphere of the games, as the presence of fans is an important part of the experience of watching a football game. Games played behind closed doors also had a significant financial impact on clubs, as ticket revenue is a significant source of income for many teams. The research is focused on the Top 5 leagues and the Portuguese league, with a data analysis conducted to identify possible anomalies during the year of the pandemic and in the following years. Revenues and expenses from the 2010/2011 season to the 2021/2022 season were explored for this study. Keywords: Covid-19; Football; Outliers; Transfers.
vii Índice 1 Introdução ......................................................................................................................... 1 2 Revisão de Literatura ......................................................................................................... 2 2.1 Resumo Covid-19 ..................................................................................................... 2 2.2 Impacto global do Covid-19 na indústria do futebol ................................................... 3 2.3 Importância do futebol na economia global ............................................................... 5 2.4 Importância do futebol na economia nacional ........................................................... 5 2.5 Mercado transferências nacional e internacional ....................................................... 9 2.6 Evolução do mercado de transferências .................................................................. 10 3 Metodologia de Investigação ............................................................................................. 12 4 Análise e interpretação dos dados .................................................................................... 14 4.1 La Liga .................................................................................................................. 15 4.2 Premier League ..................................................................................................... 25 4.3 Bundesliga ............................................................................................................. 35 4.4 Serie A ................................................................................................................... 46 4.5 Ligue 1 .................................................................................................................. 56 4.6 Liga Portugal.......................................................................................................... 66 4.7 Discussão dos Resultados ...................................................................................... 76 5 Conclusão ........................................................................................................................ 83 5.1 Sugestões de investigações futuras ............................................................................... 87 6 Referências Bibliográficas ................................................................................................. 88 7 Anexos/Apêndices ........................................................................................................... 92
1 1 Introdução A pandemia Covid-19 trouxe uma série de desafios e mudanças significativas em diversos setores económicos e sociais em todo o mundo. O lockdown , uma estratégia amplamente adotada pelos governos em todo o mundo para controlar a disseminação do vírus, resultou na limitação de diversas atividades. Desde o encerramento de escolas, do comércios e de outras atividades prescindíveis, até mesmo a restrição de circulação de pessoas em espaços públicos. No futebol, uma das principais consequências da pandemia foi a suspensão de campeonatos e competições em todo o mundo, alguns foram até descontinuados na época 2019/2020, levando à perda de 100% de uma das principais receitas no futebol, a bilheteira. No entanto, outra consequência importante, mas muitas vezes negligenciada, foi o impacto na movimentação de jogadores entre clubes, mais conhecida como transferências. O objetivo desta investigação é analisar o impacto do Covid-19 nas transferências do futebol português e das principais ligas europeias sendo estas as mais importantes, não só em termos desportivos, mas também económicos. A partir da análise de dados e de informações disponíveis, procura-se compreender como a pandemia afetou as transferências, bem como as suas implicações em termos económicos e desportivos. Nesse sentido, é fundamental considerar que as transferências de jogadores são uma importante fonte de receita para os clubes e um indicador da saúde financeira do futebol. Além disso, as transferências também têm impactos significativos no desempenho dos clubes em campo, e podem influenciar a dinâmica competitiva em níveis nacionais e internacionais. Desta forma, o estudo pretende contribuir para a compreensão dos efeitos do Covid-19 no mercado de transferências do futebol, destacando as suas implicações para os clubes e para o desporto. O trabalho divide-se em 5 capítulos. No capítulo 2 será abordado o surgimento do Covid19, a importância do futebol na economia e o mercado de transferências. No capítulo 3 encontrase a metodologia de investigação utilizada ao longo do trabalho. No capítulo 4 foi realizada a interpretação dos dados recolhidos relativamente às “big 5 “ e à liga portuguesa. Por último, seguese a conclusão, algumas sugestões de investigações futuras, referências bibliográficas e posteriormente, os anexos.
2 2 Revisão de Literatura 2.1 Resumo Covid-19 O Coronavírus (Covid-19), uma infeção respiratória altamente contagiosa originada em Wuhan, China em 2019, tem vindo a ter desde o fim do ano de 2019, início do ano 2020, influência significativa a todos os níveis, incluindo os sociais e económicos e como é óbvio, na saúde pública (Laboratório Germano de Sousa, 2020). Como referido anteriormente, sendo uma infeção altamente contagiosa não tardou a se alastrar pelo Mundo, atingindo fortemente a Europa, pelas portas da Itália em fevereiro de 2020. Posteriormente, no início de março foram registados casos em Portugal (Sousa, 2020). Em vista a tentar controlar esta pandemia, foram emitidas regras pelos respetivos governos, a mais conhecida e repetida, o chamado “lockdown”, que consiste no bloqueio total e distanciamento social mais rígido, onde a circulação da população em lugares públicos é permitida apenas para questões essenciais, desde a ida à farmácia, supermercados ou hospitais, sendo que maior parte das atividades económicas estão estagnadas, levando a consequências severas na economia nacional e global (República Portuguesa, 2020). Uma projeção do Internacional Monetary Fund (IMF) revela que a economia global terá tido uma queda de 3% no ano de 2020, pior do que a crise financeira de 2008/2009 (ONU News, 2020).
3 2.2 Impacto global do Covid-19 na indústria do futebol O mercado europeu do futebol contraiu 13% em 2019/2020, especificamente nas receitas dos clubes durante esse período, a primeira redução desde a crise financeira em 2008/2009. A Premier League viveu a sua primeira época com registos de declínio nas receitas. (Deloitte, 2021) Segundo Drewes et al (2021) estas medidas mais rigorosas por parte dos governos nacionais e mundiais, levaram a que a vida das comunidades fosse privada de várias “regalias”. Parte integrante da vida social, o desporto não foi exceção. O adiamento e cancelamento das competições a nível internacional e nacional afetou toda a estrutura de desportos organizados, levando até a que competições como os Jogos Olímpicos de Tóquio e o Euro 2020 fossem adiados. Em fevereiro e março, picos da pandemia e início das várias contenções e medidas impostas, os jogos, nomeadamente de futebol começaram a ser disputados à porta fechada. Realço que muitas federações de futebol europeias optaram por adiar os jogos da sua liga ou até mesmo cancelar a liga nesse próprio ano. Ligas como a Francesa, Belga, Holandesa, ou a Escocesa, optaram pelo cancelamento da época. As restantes, como a liga Portuguesa, Alemã, Italiana, Inglesa optaram por adiar para fins de abril, ou até mesmo para junho, para poderem prosseguir com as suas decisões de campeonato e combater a crise que se poderia abater sobre as próprias ligas, havendo mesmo o exemplo da liga alemã onde os clubes mais ricos, e os quatro clubes germânicos a participarem na UEFA Champions League, criaram um fundo de 20 Milhões para os restantes clubes necessitados da Bundesliga. O prosseguimento de jogos à porta fechada até ao final da época levou à perda de importantes características do futebol profissional, como o próprio ambiente, a atmosfera proporcionada pelos adeptos e o espírito vivido pelos próprios jogadores e treinadores. É referido também que a procura e o interesse na transmissão dos jogos disputados desta forma podem diminuir, pois a vontade de obter TV paga e canais premium poderá decair, consequentemente afetar os diretos televisivos a longo prazo. (Drewes et al., 2021) Do ponto de vista económico, Drewes et al (2021) menciona que os clubes de futebol tiveram de renunciar ao pagamento de venda de bilhetes, ou seja, tiveram de reembolsar os bilhetes já vendidos. No entanto, a continuação da liga foi realizada com o principal objetivo de gerar receitas de qualquer tipo de natureza, nomeadamente de marketing televiso e de valores associados a patrocínios. O fato de que especialmente as grandes ligas de futebol tentaram
4 reiniciar o mais rápido possível (ao contrário de ligas em outros desportos, como hóquei ou andebol), provavelmente, deveu-se ao facto de a receita da venda de bilhetes no futebol ser de importância secundária em relação à receita do marketing de televisão. Como foi referido anteriormente, o chamado marketing televisivo, faz parte de receitas vindas dos media, nomeadamente direitos televisivos - por exemplo na Bundesliga esses valores representam cerca de 39% das suas receitas, já na Liga Inglesa ( English Premier League ) representa 59%, seguidos dos patrocínios. Caso estas ligas, denominadas como as principais, segundo a o ranking da FIFA, fossem canceladas, o dito prejuízo poderia ter proporções gigantescas, atingindo os milhares de milhões. No estudo Quansah et al (2020) onde o foco se centra na EPL ( English Premier League ) denominada como a mais enriquecedora e responsável por muitas transações de elevado valor, é revelado que uma das fontes de rendimento das federações e dos clubes são os bilhetes pagos pelos adeptos para assistirem aos jogos, a par dessa fonte existem muitas outras, como os patrocínios, o merchandising, e os direitos televisivos (Chanavat & Desbordes, 2017), sendo que para a liga inglesa, que contou com uma média de 39.315 adeptos por jogo na época 2019/2020 (Transfermarkt) essa fonte de rendimento é representada com alguma importância para o equilíbrio financeiro e para a estrutura do clube, representando nos dias de hoje 14% do total de receita adquirida (Deloitte, 2019), chegando a atingir os 680M de libras em 2018/2019. (Maguire, 2021) No caso da EPL, o cancelamento ou a descontinuação da sua liga na época 2019/2020 levaria a que tivessem de reembolsar cerca de 762M de libras, provenientes de pagamentos adiantados por parte dos media (Quansah et al., 2020). Segundo um relatório publicado em maio de 2020, pela companhia de marketing desportivo denominada por Two Circles , observou-se uma projeção que a globalidade dos patrocínios desportivos teria tido uma quebra de 37% no ano de 2020, caindo dos 46,1 mil milhões de dólares de 2019 para os 28,9 mil milhões em 2020, resultado da pandemia Covid-19 (Dixon, 2020). É mencionado que grande parte dos novos acordos de patrocínios ficaram em standby devido a toda esta circunstância pois também sofreram um grande impacto nas suas receitas e investimentos, o que levara a que muitos dos contratos sofressem cortes e consequentemente uma queda de rendimento proveniente desta fonte. Algumas das indústrias responsáveis por investimentos em patrocínios no futebol levaram um grande abalo devido à pandemia, como referido anteriormente, sendo estas, mais notavelmente, o setor dos serviços financeiros, companhias aéreas e também as companhias de eletricidade
5 (Cutler, 2020), indústrias estas que têm tido uma grande presença na contribuição para os clubes da EPL. Este estudo ainda concluiu, para a época de 2020/2021, que nos piores dos casos a receita caiu 28%, e nos melhores dos casos apenas 13%. De janeiro de 2020 a julho de 2020, 27 clubes de futebol (6 das divisões de topo e 21 clubes de divisões inferiores) experimentaram fortes dificuldades financeiras (UEFA, 2021). A receita dos clubes da chamada “big 5”, as 5 principais ligas segundo a FIFA, caíram 11%. (Deloitte, 2021). 2.3 Importância do futebol na economia global De acordo com a Serviço de Investigação do Parlamento Europeu, a indústria do desporto gera quase 3% do valor acrescentado bruto total da União Europeia (UE) e proporciona mais de sete milhões de empregos relacionados com o desporto, o que equivale a 3,5% do emprego total da UE (Halleux & Katsarova, 2019). Relativamente ao desporto profissional na Europa, o futebol tem a maior contribuição económica com uma receita recorde de 21 mil milhões de euros em 2018 (UEFA, 2020). No mesmo ano, a Federação Internacional de Futebol (FIFA) também relatou as maiores receitas da história com 4,1 mil milhões de euros (FIFA, 2020). 2.4 Importância do futebol na economia nacional No caso do campeonato português, durante a paragem do campeonato, os três principais clubes portugueses, nomeadamente, Futebol Clube do Porto, Sporting Clube de Portugal e Sport Lisboa e Benfica, sofreram grandes perdas, nomeadamente das fontes já referidas, como os media, marketing, eventos, merchandising, patrocínios, levando a perdas superiores a 27 milhões de euros por mês de paragem (Silva & Sá, 2020), 4,3 milhões de euros referentes à perda da bilheteria e 17 milhões de euros referentes a direitos televisivos. Outra das problemáticas tem a ver com os contratos de publicidade e das empresas e marcas patrocinadoras, refletindo também uma perda mensal de 6 milhões de euros. Segundo
6 Silva & Sá (2020) o melhor cenário para que as perdas não fossem tão elevadas, a par das outras ligas referidas, seria não parar a liga, havendo na mesma uma tendência negativa, mas bastante reduzida em comparação ao cancelamento, opção que a FPF (Federação Portuguesa de Futebol) acabou por optar. A problemática estendeu-se também aos direitos de transmissão pois estes deveriam ter sido renegociados, incluindo os alugueres, os museus e venda de produtos licenciados e publicidade, podendo chegar a perdas mensais de 9 milhões de euros. O merchandising segundo Silva & Sá (2020) não tem tanta expressão em Portugal, mas também faz parte da grande fatia de perdas. Segundo um inquérito conduzido pela Liga Portuguesa de Futebol Profissional (LPFP), um estudo que foi feito junto de 34 sociedades desportivas aponta para um impacto negativo da pandemia de Covid-19 que pode ter atingido os 362 milhões de euros (Lusa, 2020). A liga de clubes através de um comunicado referiu que comparativamente a 2018/2019, e a época 2020/2021, abalada ainda pela pandemia foram registadas perdas de 100% na bilhética, devido ao lockdown os estádios continuaram à porta fechada, 80% de perdas em quotas associativas, 70% em receitas de merchandising e ainda uma quebra de 15% nas receitas da atividade comercial, dados estes completamente insustentáveis na ótica de uma liga que não está entre as principais e onde cada fonte de rendimento é fulcral para o bem-estar económico da mesma, revelando assim dados preocupantes para o futuro do futebol português e da própria sustentabilidade da liga (Lusa, 2020). A UEFA (União das Associações Europeias de Futebol) tendo também sido abalada pela pandemia fez cortes nomeadamente à participação de clubes portugueses nas competições internacionais, cortes a rondar cerca de 31,2 milhões, informação relevante pois a UEFA e as suas competições internacionais acabam por ser uma importante receita para os principais clubes nacionais (Lusa, 2020). Neste estudo (Lusa, 2020) também foi revelado o desagrado por parte dos detentores dos direitos televisivos, pois acreditaram não estar a serem compensados na totalidade das contrapartidas. Este cenário poderá ter levado a perdas de 53,6 milhões de euros (Lusa, 2020). Resumidamente neste estudo realizado pela Liga Portuguesa de Futebol Profissional (LPFP), o somatório das receitas que se colocavam na casa dos 858,3 milhões de euros, puderam agora devido a todas as circunstâncias, oscilar entre os 581,4 milhões de euros e os 496 milhões
7 de euros, representando perdas significativas entre 276 milhões de euros a 362 milhões de euros, na indústria do futebol profissional português (Lusa, 2020). O futebol português é ainda caracterizado pela sua presença no mercado de transferências, principalmente na venda de jogadores a preços elevados. No relatório Global Transfer Report 2020, (FIFA, 2020), Portugal encontra-se em 2º lugar do mundo em transferências importadas, traduzindo-se em 755 importações , ou seja, compra de jogadores, sendo que 274 dessas transferências realizaram-se do Brasil para Portugal. Pela direção contrária, Portugal registou 753 transferências para o exterior, 254 delas para o Brasil, e 60 para a Espanha, nações com que foi estabelecida uma maior ligação no mercado de transferências de 2020. Apesar de Portugal se encontrar em 2º nas importações de transferências, como já referido, é um país mais tendencioso a vendas elevadas. Como prova disso, apenas está posicionado no que toca a valores pagos por transferências em 6º, com 194.9 milhões gastos, sendo a Inglaterra em 1º lugar destacada com 1,627.22 milhões de USD, em seguida a Itália com 731.5 milhões e a Espanha a fechar o pódio com 607.1 milhões. A transferência de jogadores portugueses representou 393.6 milhões, ficando na 4º posição por nacionalidade, atrás apenas dos Brasileiros, Espanhóis e Alemães. Em justificação ao anteriormente mencionado, como Portugal é um país predominantemente vendedor, nesse aspeto está posicionado em 3º lugar, contando com 487.9 milhões, atrás apenas da Espanha com 785.7 milhões e da Itália com 582.6 milhões. No top 10 de clubes vendedores, 3 são portugueses - em 4º o Sport Lisboa e Benfica, em 6º Futebol Clube do Porto e em 7º Sport Club de Braga (FIFA, 2020). Revelando ainda que a Primeira Liga portuguesa foi a que mais beneficiou, fora das “ big 5”, de investimentos das principais ligas europeias, chegando ao valor de 2 mil milhões de euros, na década 2012 – 2021 (Poli, R., Ravenel, L., & Besson, R. (2021). Desde a época 2015/2016, a Liga NOS (Liga Portuguesa de Futebol), tem apresentado receitas através das transferências acima ou perto dos 300 Milhões de euros, apresentando um pico de 510,31 Milhões em 2019/2020. O valor mais baixo é o da época corrente, 2020/2021 com 293,00 Milhões - uma queda de cerca de 215 milhões (Transfermarkt, 2023), impacto do Covid-19. Esta fonte de rendimento é importante para os clubes portugueses, principalmente para os 3 principais, que contam com transferências históricas como a do João Félix em 2019/2020 no valor de 127 Milhões, e uma série de vendas a rondar os 40 Milhões e superiores, como Rubén
8 Dias 2020/2021 (68 Milhões), Bruno Fernandes 2019/2020 (55 Milhões), Éder Militão 2019/2020 (50 Milhões), entre muitas outras. Com a queda dos valores no mercado de transferências, Portugal pode ter sido dos países com Federações de futebol a serem mais afetados, pois a maior parte do poder de compra que os clubes nacionais apresentam advém das vendas nos respetivos mercados. Para além da importância das vendas, outra das componentes que representa um grande peso no encaixe financeiro e no futebol Português, são as camadas jovens e as ditas equipas B - estas que tem como principal objetivo dar oportunidade a jovens da formação numa liga mais competitiva, neste caso na 2º liga portuguesa, onde equipas como o Futebol Clube do Porto, Sport Lisboa e Benfica, Sport Clube de Portugal, Club Sport Marítimo, Sporting de Braga e Vitória Sport Clube estavam representadas, mas nos dias de hoje apenas Futebol Clube do Porto e Sport Lisboa e Benfica continuam na competição, isto devido à competitividade da mesma (Sportinforma/Lusa, 2021)). Desde a época de 2012/2013, que o surgimento das equipas B se tem refletido como um verdadeiro sucesso, contribuindo para a afirmação de novos talentos no principal escalão. O presidente da liga de clubes de Portugal, Pedro Proença, refere ainda que estes jovens jogadores são “responsáveis por mais de mil milhões de euros no encaixe financeiro” para os clubes, um total de 853 atletas foram utilizada nas equipas secundárias, desde 2012/13, tendo contribuído de forma fundamental para alimentar a primeira liga e o futebol português, com 489 jogadores (57%), a darem o salto para o maior palco português (Sportinforma/Lusa, 2021). A níveis de representação internacional, nomeadamente da seleção nacional, que já recebeu 25 jogadores provenientes deste projeto de equipas B pois em alguma fase da sua carreira representaram alguma dessas equipas, sendo que 33 atletas convocados pelo selecionador Fernando Santos, em 2020, 61% apareceram na ribalta através desse mesmo. Ainda neste estudo, Portugal é um país reconhecido por formar jovens talentos e, posteriormente, exportar uma grande quantidade de ativos, verifica-se que a receita proveniente da venda direta de jogadores das equipas B é muito elevada, ascendendo a praticamente 1,115 milhões de euros (Sportinforma/Lusa, 2021). Projeto este que ainda conseguiu acrescentar grande visibilidade ao número de jogos televisivos para um recorde fixado em 75%, comparado com os 24% em 2012/2013, uma diferença abrupta e que revela a importância deste projeto a nível nacional. A importância do futebol não passa só pelos termos financeiros, e de desenvolvimento, mas também pela sua forte componente social e ligação com a população. De acordo com a Lusa (2021) é revelado através de um estudo da UEFA, que o impacto social positivo da população
9 portuguesa ativa ligada ao futebol é de 366,481 milhões de euros, com o destaque para o voluntariado (299,06 milhões de euros), assim como para a educação e emprego (66,78 milhões de euros). Também é referido na mesma vertente que ainda existe um valor positivo de cerca de 200 mil euros na redução do crime e de quase 460 mil em projetos e programas. Ainda no mesmo estudo, a UEFA Grow SROI revela que 361,745 milhões de euros são poupados anualmente em Saúde e benefícios associados à participação federada em futebol em Portugal, com claro destaque para o bem-estar subjetivo (253,23 milhões de euros), com grande incidência na infância e juventude. Na prevenção de doenças, o estudo indica ainda um benefício de 64,54 milhões de euros na diabetes e em problemas cardiovasculares, 14,98 milhões de euros no envelhecimento, sete milhões de euros em doenças mentais e 726 mil euros no cancro (Lusa, 2021). Segundo o presidente da Federação Portuguesa de Futebol (FPF), Fernando Gomes, o futebol é um setor essencial para Portugal, representando um impacto de 1,67 mil milhões de euros, e afirmou também que são muitas as áreas com as quais o futebol se cruza e às quais dá um contributo valioso para o seu progresso e sustentabilidade (Lusa, 2021). Justificada a importância do futebol, as transferências são um dos vínculos do mesmo, sendo uma fonte de rendimento muito significativa para os principais clubes portugueses. 2.5 Mercado transferências nacional e internacional Outro dos impactos provocados pelo Covid-19 e respetivamente os lockdown que sucederam, entre fevereiro e maio de 2020, foram nos valores de mercado dos jogadores de futebol, este denominado através das características do jogador, a sua performance, a performance da equipa e a sua representação na mesma e devido às inúmeras paragens, os parâmetros de performance foram-se perdendo resultando na descida dos valores dos jogadores, (Drewes et al., 2021). Os efeitos adversos foram visíveis, entre outros, no mercado europeu de transferências de jogadores de futebol. A pandemia de Covid-19 teve um impacto direto no valor das transferências de jogadores O total agregado de transferências de jogadores diminuiu em Inglaterra de 1,649 euros. mil milhões (2019) a 1,492 mil milhões (2020); a Alemanha de 776 milhões a 333 milhões
10 de euros; França de 755 milhões para 454 milhões de euros; Itália de 1,246 mil milhões de euros para 667 milhões de euros (Grabowski, 2021). Segundo a consultora KPMG Sports Advisory Practice (2021), no relatório de valor de jogadores datado em fevereiro de 2021, houve uma queda de 10% no valor dos jogadores durante a pandemia, valor este que é justificado através do menor poder de compra e um clima de incerteza nos negócios, para além das inúmeras paragens, que levou inevitavelmente à desvalorização dos ativos mais importantes nos clubes, os seus próprios jogadores. A FIFA ainda revela através da sua publicação “ Global Transfer Market Report 2020 ”, uma queda de 5,4% no número de transferências no futebol masculino, a maior queda dos últimos 10 anos, registando 17077 transferências internacionais comparado aos 18047 do ano de 2019, a FIFA justifica este fenómeno, como era expectável, efeitos surtidos pela pandemia Covid-19, esta que gerou como já referido anteriormente, uma quebra generalizada nas receitas operacionais do clubes e consequentemente nas contratações. Quanto ao valor das transferências a queda foi de 23,4%, os clubes acabaram por gastar menos 1,743 Milhões de USD comparado ao ano anterior (FIFA, 2020). Os clubes de futebol têm como principais fontes de rendimento o ativo dos seus jogadores numa fase de venda, as receitas de bilheteira, os direitos de transmissão televisiva e patrocínios (Maguire, 2021). 2.6 Evolução do mercado de transferências 0 mercado de transferências na passada década, teve uma enorme evolução, batendo vários recordes, época após época. Segundo Poli, R., Ravenel, L., & Besson, R. (2021), de 2012 a 2021 os valores gastos, e o número de transferências realizadas pelas “big 5” , teve um aumento significativo. Revelam também que em 2019 foi batido o recorde de transferências pagas, tendo chegado aos 6.6 bilhões de euros. A inflação tem tido um papel importante neste aumento nos valores, tendo esta subido 181% relativamente a 2010, quando, nos últimos anos da década, vinha aumentando 25% a cada época (Anexo 1).
17 Figura 2 - Compras e Vendas, em milhões de euros do Real Madrid – 2010 a 2022 Tabela 2 - Compras e Vendas de cada época do Real Madrid – 2010/2011 a 2021/2022 Época Compras (milhões de €) Vendas (milhões de €) 2010/2011 93 10,5 2011/2012 56 8 2012/2013 38,5 33,5 2013/2014 175,5 113,5 2014/2015 126 112,1 2015/2016 92,9 31,65 2016/2017 30 37,5 2017/2018 40,5 132,5 2018/2019 164,75 136,1 2019/2020 355,5 136,8 2020/2021 0 104,2 2021/2022 31 78 Total 1203,65 934,35 Média 100,30 77,86 0 50 100 150 200 250 300 350 400 Compras Vendas
18 Tabela 2.1 e 2.2 - Análise de outliers nos agregados devido à Covid-19 – Real Madrid Desvio padrão 97,64 50,58 V. Crit Mínimo 2,67 27,29 V. Crit Min x 2 -94,97 -23,29 V. Crit Máximo 197,94 128,44 V. Crit Máx x 2 295,58 179,02 Ano Resultado C Resultado x2 C Resultado V Resultado x2 V 2010/2011 1)Outlier (-) 2011/2012 1)Outlier (-) 2012/2013 2013/2014 2014/2015 2015/2016 2016/2017 2017/2018 2)Outlier (+) 2018/2019 2)Outlier (+) 2019/2020 2)Outlier (+) 2)Outlier (+) 2)Outlier (+) 2020/2021 1)Outlier (-) 2021/2022 Fonte: Elaborado pelo próprio autor com dados recolhidos no Transfermarkt Durante a temporada 2020/2021, o Real Madrid registou uma notável quebra nas compras de jogadores, com um gasto consideravelmente inferior ao habitual, chegando inclusive ao valor de 0. É relevante ressaltar que essa quebra nas compras é um fator significativo para compreender a estratégia do Real Madrid durante a temporada em questão. A diminuição acentuada nos gastos, chegando ao valor de 0, destaca a adaptação do clube às circunstâncias excecionais. Além disso, o fato de que o valor investido na temporada seguinte, 2021/2022, também ter sido baixo, 3º valor mais baixo registado, indica uma continuidade na abordagem conservadora em relação às aquisições. Considerando que também pode ser explicado pela melhoria significativa em 2019/2020, quando o investimento atingiu um recorde de cerca de 355,5 milhões de euros, valor esse que pode ser justificado pela consistência das vendas no período entre 2017/2018 e 2019/2020. Durante esses anos, as vendas mantiveram-se consistentemente elevadas, sempre acima dos 130 milhões em cada temporada.
19 Figura 3 - Compras e Vendas, em milhões de euros do Atlético de Madrid – 2010 a 2022 Tabela 3 – Compras e Vendas de cada época do Atlético de Madrid – 2010/2011 a 2021/2022 Época Compras (milhões de €) Vendas (milhões de €) 2010/2011 34,05 23,9 2011/2012 85,2 85,35 2012/2013 4,5 21,35 2013/2014 36,1 70,1 2014/2015 120,35 89,3 2015/2016 119 152 2016/2017 78,8 44 2017/2018 95,6 104 2018/2019 168 57,9 2019/2020 247,35 309 2020/2021 91 83,3 2021/2022 80,7 22,75 Total 1160,65 1062,95 Média 96,72 88,58 0 50 100 150 200 250 300 350 Compras Vendas
20 Tabela 3.1 e 3.2 - Análise de outliers nos agregados devido à Covid-19 – Atlético de Madrid Desvio padrão 64,44 79,31 V. Crit Mínimo 32,28 9,27 V. Crit Min x 2 -32,16 -70,04 V. Crit Máximo 161,16 167,89 V. Crit Máx x 2 225,60 247,20 Ano Resultado C Resultado x2 C Resultado V Resultado x2 V 2010/2011 2011/2012 2012/2013 1)Outlier (-) 2013/2014 2014/2015 2015/2016 2016/2017 2017/2018 2018/2019 2)Outlier (+) 2019/2020 2)Outlier (+) 2)Outlier (+) 2)Outlier (+) 2)Outlier (+) 2020/2021 2021/2022 Fonte: Elaborado pelo próprio autor com dados recolhidos no Transfermarkt O Atlético de Madrid apresentou apenas um outlier negativo nas compras, em 2012/2013. Embora o Atlético de Madrid possa não ter sido impactado de forma tão severa quanto outros clubes durante a pandemia, eles enfrentaram desafios nas vendas de jogadores durante a temporada 2021/2022. De salientar também que os valores de ambas as últimas duas épocas, são bastante abaixo da média histórica. Acrescentar que em 2019/2020, o Atlético de Madrid apresentou valores recordes em investimento e vendas, o que abruptamente caiu em período pandémico, nas compras e nas vendas, a soma dos valores pandémicos ficaram bem abaixo do período destacado.
21 Figura 4 – Compras e Vendas, em milhões de euros do Sevilha F.C – 2010 a 2022 Tabela 4 – Compras e Vendas de cada época do Sevilha F.C – 2010/2011 a 2021/2022 Época Compras (milhões de €) Vendas (milhões de €) 2010/2011 17,1 29,6 2011/2012 19 15,7 2012/2013 14 12,2 2013/2014 35,3 90,98 2014/2015 20,95 50,55 2015/2016 44 61,45 2016/2017 81,7 93,45 2017/2018 78,05 81,6 2018/2019 81,05 93,8 2019/2020 188,73 131,45 2020/2021 72,75 19,68 2021/2022 41,5 28,5 Total 694,13 708,96 Média 57,84 59,08 0 20 40 60 80 100 120 140 160 180 200 Compras Vendas
22 Tabela 4.1 e 4.2 - Análise de outliers nos agregados devido à Covid-19 – Sevilha F.C Desvio padrão 48,89 38,92 V. Crit Mínimo 8,96 20,16 V. Crit Min x 2 -39,93 -18,76 V. Crit Máximo 106,73 98,00 V. Crit Máx x 2 155,62 136,92 Ano Resultado C Resultado x2 C Resultado V Resultado x2 V 2010/2011 2011/2012 1)Outlier (-) 2012/2013 1)Outlier (-) 2013/2014 2014/2015 2015/2016 2016/2017 2017/2018 2018/2019 2019/2020 2)Outlier (+) 2)Outlier (+) 1)Outlier (+) 2020/2021 1)Outlier (-) 2021/2022 Fonte: Elaborado pelo próprio autor com dados recolhidos no Transfermarkt Pode-se observar que o Sevilha F.C apresentou um outlier negativo nas vendas de jogadores durante a temporada 2020/2021, registando o terceiro pior valor nessa categoria. Essa queda nas vendas foi significativa, uma vez que não se registavam valores tão baixos desde a temporada 2012/2013. Além disso, a temporada seguinte também apresentou o quarto pior registo em vendas. Estes dados sugerem que o Sevilha F.C enfrentou dificuldades em realizar vendas de jogadores durante os dois anos consecutivos. Em 2019/2020, período pré-pandemia, foi registado um valor recorde de 188,73 milhões, em investimento.
23 Figura 5 – Compras e Vendas, em milhões de euros do Valência F.C – 2010 a 2022 Tabela 5 – Compras e Vendas de cada época do Valência F.C – 2010/2011 a 2021/2022 Época Compras (milhões de €) Vendas (milhões de €) 2010/2011 27,85 84,35 2011/2012 34 32,9 2012/2013 23,2 30 2013/2014 22,47 47,1 2014/2015 55,05 55,45 2015/2016 143,9 50 2016/2017 36 121,9 2017/2018 55 16,55 2018/2019 129,2 68,8 2019/2020 75 56,3 2020/2021 0,5 87,85 2021/2022 13,35 2,7 Total 615,52 653,9 Média 51,29 54,49 0 20 40 60 80 100 120 140 160 Compras Vendas
24 Tabela 5.1 e 5.2 - Análise de outliers nos agregados devido à Covid-19 – Valência F.C Desvio padrão 44,68 33,06 V. Crit Mínimo 6,62 21,44 V. Crit Min x 2 -38,06 -11,62 V. Crit Máximo 95,97 87,55 V. Crit Máx x 2 140,65 120,60 Ano Resultado C Resultado x2 C Resultado V Resultado x2 V 2010/2011 2011/2012 2012/2013 2013/2014 2014/2015 2015/2016 2)Outlier (+) 2)Outlier (+) 2016/2017 2)Outlier (+) 2)Outlier (+) 2017/2018 1)Outlier (-) 2018/2019 2)Outlier (+) 2019/2020 2020/2021 1)Outlier (-) 2)Outlier (+) 2021/2022 1)Outlier (-) Fonte: Elaborado pelo próprio autor com dados recolhidos no Transfermarkt O Valência F.C. é o caso mais notório entre os principais clubes da La Liga quando se trata do impacto do Covid-19, apresentando outliers negativos tanto nas compras quanto nas vendas após a pandemia. No ano de 2020/2021, o clube registou um resultado extremamente atípico nas compras de jogadores, alcançando inclusive o pior desempenho nessa categoria na amostra. Além disso, a temporada seguinte também se destacou negativamente, sendo o segundo pior registo geral em termos de compras. No entanto, na mesma época, apesar da pandemia, o Valência conseguiu vender bastante bem, tendo registado segundo maior valor em vendas, algo que certamente ajudou a minimizar os impactos da mesma. No ano seguinte, na temporada pós-Covid-19 de 2021/2022, o Valência F.C. apresentou o pior resultado, registando vendas no valor de apenas 2,7 milhões de euros, sendo considerado assim um ano atípico.
25 4.2 Premier League Valores de todos os clubes retirados com fonte em Transfermarkt. (2023e). Figura 6 – Compras e Vendas, em milhões de euros do Manchester City – 2010 a 2022 Tabela 6 – Compras e Vendas de cada época do Manchester City – 2010/2011 a 2021/2022 Época Compras (milhões de €) Vendas (milhões de €) 2010/2011 183,61 40,15 2011/2012 91,05 31,2 2012/2013 61,95 44,3 2013/2014 115,5 11,3 2014/2015 102,8 30,3 2015/2016 208,47 67,44 2016/2017 216,25 35,35 2017/2018 317,5 91,35 2018/2019 78,59 57,6 2019/2020 159,52 71 2020/2021 173,4 64 2021/2022 138,9 93,8 Total 1847,54 637,79 Média 153,96 53,15 0 50 100 150 200 250 300 350 Compras Vendas
26 Tabela 6.1 e 6.2 - Análise de outliers nos agregados devido à Covid-19 – Manchester City Desvio padrão 72,18 25,39 V. Crit Mínimo 81,78 27,76 V. Crit Min x 2 9,60 2,37 V. Crit Máximo 226,14 78,54 V. Crit Máx x 2 298,33 103,93 Ano Resultado C Resultado x2 C Resultado V Resultado x2 V 2010/2011 2011/2012 2012/2013 1)Outlier (-) 2013/2014 1)Outlier (-) 2014/2015 2015/2016 2016/2017 2017/2018 2)Outlier (+) 2)Outlier (+) 2)Outlier (+) 2018/2019 1)Outlier (-) 2019/2020 2020/2021 2021/2022 2)Outlier (+) Fonte: Elaborado pelo próprio autor com dados recolhidos no Transfermarkt O Manchester City não apresentou outliers durante a pandemia. Apenas de salientar que na época 2021/2022, no que diz respeito às compras, o valor registado ficou abaixo da média histórica. Porém, positivamente, o Manchester City apresentou um outlier positivo em época pandémica, um valor recorde em vendas, 93,8 milhões em 2021/2022. De salientar também a época de 2017/2018, com 317,5 milhões em compras e 91,35 em vendas, ambas componentes a apresentarem outliers positivos.
33 Figura 10 – Compras e Vendas, em milhões de euros do Arsenal F.C – 2010 a 2022 Tabela 10 – Compras e Vendas de cada época do Arsenal F.C – 2010/2011 a 2021/2022 Época Compras (milhões de €) Vendas (milhões de €) 2010/2011 23 8,1 2011/2012 65,48 78,29 2012/2013 56 65,85 2013/2014 49,25 12,15 2014/2015 118,98 27,8 2015/2016 26,5 2,5 2016/2017 113 10,35 2017/2018 152,85 162 2018/2019 80,15 9,1 2019/2020 160,8 53,65 2020/2021 86 19,15 2021/2022 167,4 31,4 Total 1099,41 480,34 Média 91,62 40,03 0 20 40 60 80 100 120 140 160 180 Compras Vendas
34 Tabela 10.1 e 10.2 - Análise de outliers nos agregados devido à Covid-19 – Arsenal F.C Desvio padrão 50,76 45,62 V. Crit Mínimo 40,86 -5,59 V. Crit Min x 2 -9,90 -51,22 V. Crit Máximo 142,38 85,65 V. Crit Máx x 2 193,14 131,27 Ano Resultado C Resultado x2 C Resultado V Resultado x2 V 2010/2011 1)Outlier (-) 2011/2012 2012/2013 2013/2014 2014/2015 2015/2016 1)Outlier (-) 2016/2017 2017/2018 2)Outlier (+) 2)Outlier (+) 2)Outlier (+) 2018/2019 2019/2020 2)Outlier (+) 2020/2021 2021/2022 2)Outlier (+) Fonte: Elaborado pelo próprio autor com dados recolhidos no Transfermarkt O Arsenal F.C., a par do Manchester United e do Manchester City, não apresenta outliers negativos na época pandémica, porém, em vendas, os valores registados em 2020/2021 e 2021/2022 ficaram muito abaixo da média histórica. Positivamente, o Arsenal F.C já apresenta outliers positivos nas compras, na época pré e pós pandémica, nomeadamente, nas épocas de 2019/2020 e 2021/2022, tendo apenas uma época de interrupção. Também apresentou em 2017/2018 um enorme investimento, registando um recorde em termos de vendas.
35 4.3 Bundesliga Valores de todos os clubes retirados com fonte em Transfermarkt. (2023a). Figura 11 – Compras e Vendas, em milhões de euros do F.C Bayern Munique – 2010 a 2022 Tabela 11 – Compras e Vendas de cada época do F.C Bayern Munique – 2010/2011 a 2021/2022 Época Compras (milhões de €) Vendas (milhões de €) 2010/2011 17 6 2011/2012 52,1 5 2012/2013 70,3 0,5 2013/2014 62 40 2014/2015 53,4 48,7 2015/2016 90,75 33 2016/2017 70 52,3 2017/2018 116,5 32,25 2018/2019 14 84 2019/2020 139,5 54 2020/2021 66,25 22,25 2021/2022 57,5 4 Total 809,3 382 Média 67,44 31,83 0 20 40 60 80 100 120 140 160 Compras Vendas
36 Tabela 11.1 e 11.2 - Análise de outliers nos agregados devido à Covid-19 – F.C Bayern Munique Desvio padrão 35,83 25,62 V. Crit Mínimo 31,61 6,21 V. Crit Min x 2 -4,21 -19,41 V. Crit Máximo 103,27 57,45 V. Crit Máx x 2 139,10 83,07 Ano Resultado C Resultado x2 C Resultado V Resultado x2 V 2010/2011 1)Outlier (-) 1)Outlier (-) 2011/2012 1)Outlier (-) 2012/2013 1)Outlier (-) 2013/2014 2014/2015 2015/2016 2016/2017 2017/2018 2)Outlier (+) 2018/2019 1)Outlier (-) 2)Outlier (+) 2)Outlier (+) 2019/2020 2)Outlier (+) 2)Outlier (+) 2020/2021 2021/2022 1)Outlier (-) Fonte: Elaborado pelo próprio autor com dados recolhidos no Transfermarkt Em relação à Alemanha, no caso do F.C. Bayern de Munique, foi identificado um outlier negativo nas vendas durante a temporada 2021/2022. O valor de 4 milhões de euros registado nesse período foi o pior desde a temporada 2012/2013, posicionando-se como o segundo pior resultado em toda a amostra analisada. Além disso, o ano de 2020/2021 também registou o pior desempenho desde 2012/2013 em termos de vendas. Na época 2019/2020, o Bayern apresentou um notável aumento nos investimentos, alcançando valores recorde. A temporada anterior já tinha sido marcada por um recorde de vendas. Em 2017/2018 também mencionar o outlier positivo.
37 Figura 12 – Compras e Vendas, em milhões de euros do Borussia Dortmund – 2010 a 2022 Tabela 12 – Compras e Vendas de cada época do Borussia Dortmund – 2010/2011 a 2021/2022 Época Compras (milhões de €) Vendas (milhões de €) 2010/2011 5,25 4,3 2011/2012 9,73 12,14 2012/2013 26,65 34 2013/2014 52,6 47,38 2014/2015 65,2 4,8 2015/2016 20 42,55 2016/2017 141,1 111 2017/2018 122,59 275,95 2018/2019 90,5 114,2 2019/2020 148,5 132,25 2020/2021 50 5,5 2021/2022 45 109,5 Total 777,12 893,57 Média 64,76 74,46 0 50 100 150 200 250 300 Compras Vendas
38 Tabela 12.1 e 12.2 - Análise de outliers nos agregados devido à Covid-19 – Borussia Dortmund Desvio padrão 50,12 79,71 V. Crit Mínimo 14,64 -5,24 V. Crit Min x 2 -35,47 -84,95 V. Crit Máximo 114,88 154,17 V. Crit Máx x 2 164,99 233,88 Ano Resultado C Resultado x2 C Resultado V Resultado x2 V 2010/2011 1)Outlier (-) 2011/2012 1)Outlier (-) 2012/2013 2013/2014 2014/2015 2015/2016 2016/2017 2)Outlier (+) 2017/2018 2)Outlier (+) 2)Outlier (+) 2)Outlier (+) 2018/2019 2019/2020 2)Outlier (+) 2020/2021 2021/2022 Fonte: Elaborado pelo próprio autor com dados recolhidos no Transfermarkt Ao contrário do Bayern de Munique, o Borussia Dortmund não apresentou outliers negativos durante os períodos de pandemia. No entanto, os valores registados nas compras de jogadores durante as temporadas 2020/2021 e 2021/2022 ficaram abaixo da média e foram os piores desde 2015/2016. No que diz respeito às vendas de jogadores, também foi registado um desempenho abaixo da média, com o terceiro pior valor registado na temporada 2020/2021. Em termos positivos, em 2016/2017, 2017/2018 e 2019/2020 foram apresentados outliers positivos no investimento, onde o Dortmund investiu os maiores valores da amostra estudada. Em 2017/2018 foi um ano excecional e recorde em termos de vendas.
39 Figura 13 – Compras e Vendas, em milhões de euros do VfL Wolfsburgo – 2010 a 2022 Tabela 13 – Compras e Vendas de cada época do VfL Wolfsburgo – 2010/2011 a 2021/2022 Época Compras (milhões de €) Vendas (milhões de €) 2010/2011 56,15 59,65 2011/2012 48,8 12,13 2012/2013 27,1 21,85 2013/2014 50,6 16,05 2014/2015 45,05 6,25 2015/2016 68,1 111,3 2016/2017 81,05 94,45 2017/2018 72,75 36 2018/2019 36 0,8 2019/2020 34,8 14,3 2020/2021 22 11,1 2021/2022 76,18 22,7 Total 618,58 406,58 Média 51,55 33,88 0 20 40 60 80 100 120 Compras Vendas
40 Tabela 13.1 e 13.2 - Análise de outliers nos agregados devido à Covid-19 – VfL Wolfsburgo Desvio padrão 19,69 35,87 V. Crit Mínimo 31,86 -1,99 V. Crit Min x 2 12,16 -37,85 V. Crit Máximo 71,24 69,75 V. Crit Máx x 2 90,93 105,62 Ano Resultado C Resultado x2 C Resultado V Resultado x2 V 2010/2011 2011/2012 2012/2013 1)Outlier (-) 2013/2014 2014/2015 2015/2016 2)Outlier (+) 2)Outlier (+) 2016/2017 2)Outlier (+) 2)Outlier (+) 2017/2018 2)Outlier (+) 2018/2019 2019/2020 2020/2021 1)Outlier (-) 2021/2022 2)Outlier (+) Fonte: Elaborado pelo próprio autor com dados recolhidos no Transfermarkt No caso do VfL Wolfsburg, foi observado um outlier negativo nas compras durante a temporada 2020/2021, registando o pior valor em toda a amostra analisada. Além disso, em relação às vendas, os valores entre as temporadas de 2019/2020 a 2021/2022 apresentaram-se bem abaixo da média histórica. Isso indica um desempenho abaixo do esperado nas transações de venda de jogadores ao longo desses anos. Em vendas, o Wolfsburg bateu recordes nas épocas 2015/2016 e 2016/2017, que foram seguidas por recordes em compras, em 2016/2017 e 2017/2018. De salientar que em 2021/2022, pleno período pandémico, o Wolfsburg anotou um outlier positivo, registando o terceiro recorde em termos de investimento.
41 Figura 14 – Compras e Vendas, em milhões de euros do RB Leipzig – 2010 a 2022 Tabela 14 – Compras e Vendas de cada época do RB Leipzig – 2010/2011 a 2021/2022 Época Compras (milhões de €) Vendas (milhões de €) 2010/2011 1 0 2011/2012 0,25 0 2012/2013 0,68 0 2013/2014 3,08 0 2014/2015 23,35 0 2015/2016 26,1 1,9 2016/2017 95,95 0,1 2017/2018 63,5 24,54 2018/2019 65,63 72,75 2019/2020 86,5 45,25 2020/2021 58 77,5 2021/2022 107,62 113,5 Total 531,66 335,54 Média 44,31 27,96 0 20 40 60 80 100 120 Compras Vendas
42 Tabela 14.1 e 14.2 - Análise de outliers nos agregados devido à Covid-19 – RB Leipzig Desvio padrão 40,06 39,83 V. Crit Mínimo 4,24 -11,87 V. Crit Min x 2 -35,82 -51,70 V. Crit Máximo 84,37 67,79 V. Crit Máx x 2 124,43 107,63 Ano Resultado C Resultado x2 C Resultado V Resultado x2 V 2010/2011 1)Outlier (-) 2011/2012 1)Outlier (-) 2012/2013 1)Outlier (-) 2013/2014 1)Outlier (-) 2014/2015 2015/2016 2016/2017 2)Outlier (+) 2017/2018 2018/2019 2)Outlier (+) 2019/2020 2)Outlier (+) 2020/2021 2)Outlier (+) 2021/2022 2)Outlier (+) 2)Outlier (+) 2)Outlier (+) Fonte: Elaborado pelo próprio autor com dados recolhidos no Transfermarkt O caso do Leipzig é um caso anormal, explicado pela entrada de investidores, cada vez mais comum no mundo do futebol, como relata a TSF, & Rodrigues, A. (2020, março 10) “Força do dinheiro ergueu um clube do leste da Alemanha, mais precisamente da cidade de Leipzig. Tudo começou quando o empresário austríaco Dietrich Mateschitz, cofundador da empresa de bebidas energéticas Red Bull, adquiriu o modesto SSV Markranstädt, que, alguns anos depois, foi completamente transformado. Nada do antigo clube restou, nem símbolo, nem nome, nem mesmo as cores. Mateschitz decidiu transferir a marca Red Bull para os relvados, mas devido à proibição por parte da Bundesliga em denominar explicitamente o clube como Red Bull Leipzig, o clube ficou conhecido como RasenBallsport Leipzig, comumente denominado como RB Leipzig.”, Até a época de 2015/2016, nas compras, não havia registos de valores acima dos 30 milhões, e até a época de 2017/2018, nas vendas, não havia indícios de valores altos. No entanto, após esses anos, houve uma mudança significativa no clube, graças à entrada de um grande investidor e patrocinador. Esse investimento transformou o clube, que estava à beira da falência,
49 Tabela 17.1 e 17.2 - Análise de outliers nos agregados devido à Covid-19 – Inter de Milão Desvio padrão 55,11 51,71 V. Crit Mínimo 36,25 21,54 V. Crit Min x 2 -18,86 -30,17 V. Crit Máximo 146,47 124,95 V. Crit Máx x 2 201,58 176,66 ´ Ano Resultado C Resultado x2 C Resultado V Resultado x2 V 2010/2011 2011/2012 2012/2013 2013/2014 1)Outlier (-) 2014/2015 1)Outlier (-) 2015/2016 2016/2017 2)Outlier (+) 1)Outlier (-) 2017/2018 2018/2019 2019/2020 2)Outlier (+) 2020/2021 2021/2022 2)Outlier (+) 2)Outlier (+) Fonte: Elaborado pelo próprio autor com dados recolhidos no Transfermarkt A par da Juventus, o Inter de Milão apresenta anomalias negativas apenas nas compras, em 2021/2022, onde o valor registado é bem abaixo da média histórica. Porém, de salientar, no caso do Inter de Milão que em 2021/2022, período pandémico, apresentou valores de venda recordes, 205,05 milhões de euros.
50 Figura 18 – Compras e Vendas, em milhões de euros da AS Roma – 2010 a 2022 Tabela 18 – Compras e Vendas de cada época da AS Roma – 2010/2011 a 2021/2022 Época Compras (milhões de €) Vendas (milhões de €) 2010/2011 11,2 10,65 2011/2012 91,25 26,13 2012/2013 44,17 21,56 2013/2014 75,39 121,39 2014/2015 100,41 41,6 2015/2016 60,85 134,25 2016/2017 102,6 43,43 2017/2018 91,3 155 2018/2019 166,35 150,46 2019/2020 117,4 106,38 2020/2021 72,1 48 2021/2022 126,55 16,19 Total 1059,57 875,04 Média 88,30 72,92 0 20 40 60 80 100 120 140 160 180 Compras Vendas
51 Tabela 18.1 e 18.2 - Análise de outliers nos agregados devido à Covid-19 – AS Roma Desvio padrão 40,28 55,90 V. Crit Mínimo 48,02 17,02 V. Crit Min x 2 7,74 -38,88 V. Crit Máximo 128,57 128,82 V. Crit Máx x 2 168,85 184,72 Ano Resultado C Resultado x2 C Resultado V Resultado x2 V 2010/2011 1)Outlier (-) 1)Outlier (-) 2011/2012 2012/2013 1)Outlier (-) 2013/2014 2014/2015 2015/2016 2)Outlier (+) 2016/2017 2017/2018 2)Outlier (+) 2018/2019 2)Outlier (+) 2)Outlier (+) 2019/2020 2020/2021 2021/2022 1)Outlier (-) Fonte: Elaborado pelo próprio autor com dados recolhidos no Transfermarkt A AS Roma foi o primeiro dos cinco principais clubes a registar um outlier negativo durante a pandemia, especificamente nas vendas durante a temporada 2021/2022. O valor de 16,19 milhões de euros representa o segundo pior resultado nessa categoria, destacando-se também os 48 milhões de euros registados na temporada 2020/2021 como os piores desde 2016/2017. Foram registados outliers positivos em 2018/2019 nas compras e nas vendas em 2015/2016, 2017/2018 e 2018/2019.
52 Figura 19– Compras e Vendas, em milhões de euros do AC Milan – 2010 a 2022 Tabela 19 – Compras e Vendas de cada época do AC Milan – 2010/2011 a 2021/2022 Época Compras (milhões de €) Vendas (milhões de €) 2010/2011 51,3 25,93 2011/2012 65,15 22,3 2012/2013 59,62 88,5 2013/2014 43,13 17,4 2014/2015 16,9 28,2 2015/2016 102,28 11,16 2016/2017 29,56 25,15 2017/2018 186,48 36,3 2018/2019 194,64 88,1 2019/2020 124,08 59,23 2020/2021 31,92 51,39 2021/2022 93,01 5,52 Total 998,07 459,18 Média 83,17 38,27 0 50 100 150 200 250 Compras Vendas
53 Tabela 19.1 e 19.2 - Análise de outliers nos agregados devido à Covid-19 – AC Milan Desvio padrão 59,26 27,87 V. Crit Mínimo 23,92 10,39 V. Crit Min x 2 -35,34 -17,48 V. Crit Máximo 142,43 66,14 V. Crit Máx x 2 201,69 94,01 Ano Resultado C Resultado x2 C Resultado V Resultado x2 V 2010/2011 2011/2012 2012/2013 2)Outlier (+) 2013/2014 2014/2015 1)Outlier (-) 2015/2016 2016/2017 2017/2018 2)Outlier (+) 2018/2019 2)Outlier (+) 2)Outlier (+) 2019/2020 2020/2021 2021/2022 1)Outlier (-) Fonte: Elaborado pelo próprio autor com dados recolhidos no Transfermarkt O A.C. Milan, assim como a AS Roma, também teve um outlier negativo nas vendas durante a temporada 2021/2022. O valor de 5,52 milhões de euros representa o pior registo da amostra nessa categoria. Nas compras em 2020/2021 também é registado um valor muito abaixo da média, sendo também o pior desde 2016/2017. Apresentou outliers positivos em 2017/2018 e 2018/2019 nas compras e em 2018/2019 nas vendas.
54 Figura 20 – Compras e Vendas, em milhões de euros da Nápoles – 2010 a 2022 Tabela 20 – Compras e Vendas de cada época da Nápoles – 2010/2011 a 2021/2022 Época Compras (milhões de €) Vendas (milhões de €) 2010/2011 19,8 12,9 2011/2012 72,7 23,79 2012/2013 31,05 34,85 2013/2014 107,45 74,2 2014/2015 34,8 20,45 2015/2016 42,7 18,29 2016/2017 99,09 116,81 2017/2018 68 17,45 2018/2019 71 100,8 2019/2020 204,72 47,58 2020/2021 77,25 122,06 2021/2022 22,2 3,2 Total 850,76 592,38 Média 70,90 49,37 0 50 100 150 200 250 Compras Vendas
55 Tabela 20.1 e 20.2 - Análise de outliers nos agregados devido à Covid-19 – Nápoles Desvio padrão 51,13 42,90 V. Crit Mínimo 19,76 6,46 V. Crit Min x 2 -31,37 -36,44 V. Crit Máximo 122,03 92,27 V. Crit Máx x 2 173,16 135,17 Ano Resultado C Resultado x2 C Resultado V Resultado x2 V 2010/2011 2011/2012 2012/2013 2013/2014 2014/2015 2015/2016 2016/2017 2)Outlier (+) 2017/2018 2018/2019 2)Outlier (+) 2019/2020 2)Outlier (+) 2)Outlier (+) 2020/2021 2)Outlier (+) 2021/2022 1)Outlier (-) Fonte: Elaborado pelo próprio autor com dados recolhidos no Transfermarkt A Nápoles apresentou na mesma época um outlier negativo, na mesma componente, tendo registado também o pior valor de toda a amostra. No mesmo ano e em compras, o valor registado é o pior desde 2010/2011, sendo assim o segundo pior. Contudo, a Nápoles apresentou outlier positivo em pleno período pandémico, na temporada anterior à quebra negativa, na componente vendas, em 2020/2021. Tendo também apresentado valores recordes nas compras em 2019/2020.
56 4.5 Ligue 1 Valores de todos os clubes retirados com fonte em Transfermarkt. (2023d). Figura 21 – Compras e Vendas, em milhões de euros do Paris SG – 2010 a 2022 Tabela 21 – Compras e Vendas de cada época do Paris SG – 2010/2011 a 2021/2022 Época Compras (milhões de €) Vendas (milhões de €) 2010/2011 9 7 2011/2012 107,1 9,4 2012/2013 151 4,75 2013/2014 135,9 26,5 2014/2015 49,5 2,2 2015/2016 116,1 22,9 2016/2017 134,5 59,8 2017/2018 238 98,4 2018/2019 262 114 2019/2020 95 105,9 2020/2021 62 0,4 2021/2022 91 11 Total 1451,1 462,25 Média 120,93 38,52 0 50 100 150 200 250 300 Compras Vendas
57 Tabela 21.1 e 21.2 - Análise de outliers nos agregados devido à Covid-19 – Paris SG Desvio padrão 72,49 43,88 V. Crit Mínimo 48,43 -5,35 V. Crit Min x 2 -24,06 -49,23 V. Crit Máximo 193,42 82,40 V. Crit Máx x 2 265,91 126,27 Ano Resultado C Resultado x2 C Resultado V Resultado x2 V 2010/2011 1)Outlier (-) 2011/2012 2012/2013 2013/2014 2014/2015 2015/2016 2016/2017 2017/2018 2)Outlier (+) 2)Outlier (+) 2018/2019 2)Outlier (+) 2)Outlier (+) 2019/2020 2)Outlier (+) 2020/2021 2021/2022 Fonte: Elaborado pelo próprio autor com dados recolhidos no Transfermarkt Na Ligue 1, o Paris Saint-Germain (PSG) não apresentou nenhum ano atípico durante o período da pandemia e pós-pandemia. No entanto, é importante destacar que na temporada 2020/2021, o clube registou o pior valor em vendas, com apenas 0,4 milhões de euros. Além disso, na temporada seguinte, o valor de 11 milhões de euros ficou muito abaixo da média e foi o pior registo desde 2014/2015, juntamente com o resultado de 2020/2021. Por outro lado, apresentou, valores críticos positivos, nas épocas de 2017/2018 e 2018/2019 em ambas as componentes, e também em 2019/2020 nas vendas.
58 Figura 22 – Compras e Vendas, em milhões de euros do AS Mónaco – 2010 a 2022 Tabela 22 – Compras e Vendas de cada época do AS Mónaco – 2010/2011 a 2021/2022 Época Compras (milhões de €) Vendas (milhões de €) 2010/2011 9,75 14,1 2011/2012 20 23 2012/2013 24,65 3,5 2013/2014 160,7 5,55 2014/2015 39,75 89,12 2015/2016 101,06 175,4 2016/2017 50,5 18,45 2017/2018 122,4 199,5 2018/2019 145,85 367,25 2019/2020 200 83,75 2020/2021 52,7 13,53 2021/2022 45,5 34,64 Total 972,86 1027,79 Média 81,07 85,65 0 50 100 150 200 250 300 350 400 Compras Vendas
65 Tabela 25.1 e 25.2 - Análise de outliers nos agregados devido à Covid-19 – Stade Rennais Desvio padrão 27,46 18,43 V. Crit Mínimo 3,20 11,57 V. Crit Min x 2 -24,26 -6,85 V. Crit Máximo 58,11 48,43 V. Crit Máx x 2 85,57 66,85 Ano Resultado C Resultado x2 C Resultado V Resultado x2 V 2010/2011 2011/2012 1)Outlier (-) 2012/2013 2013/2014 2014/2015 2015/2016 1)Outlier (-) 2016/2017 1)Outlier (-) 2)Outlier (+) 2017/2018 2018/2019 2019/2020 2)Outlier (+) 2020/2021 2)Outlier (+) 2)Outlier (+) 2021/2022 2)Outlier (+) Fonte: Elaborado pelo próprio autor com dados recolhidos no Transfermarkt O Stade Rennais não apresenta qualquer anomalia negativa em época pandémica por outro lado, apresenta bons resultados a nível de compras em ambos as épocas pandémicas, registando valores recorde, tanto em 2020/2021 como em 2021/2022, acrescentando também, que tiveram uma excelente época no que toca a vendas, também em período pandémico e pré pandémico, respetivamente 2020/2021 e 2019/2020, com valores recordes.
66 4.6 Liga Portugal Valores de todos os clubes retirados com fonte em Transfermarkt. (2023c). Figura 26– Compras e Vendas, em milhões de euros do SL Benfica – 2010 a 2022 Tabela 26 – Compras e Vendas de cada época do SL Benfica – 2010/2011 a 2021/2022 Época Compras (milhões de €) Vendas (milhões de €) 2010/2011 39,13 85,68 2011/2012 30,96 41,19 2012/2013 29 75,73 2013/2014 55,75 45,7 2014/2015 38,65 104,65 2015/2016 35,35 104,3 2016/2017 43,77 124,75 2017/2018 14,45 132,7 2018/2019 27,21 72,78 2019/2020 64,75 240,04 2020/2021 115 81,72 2021/2022 25,5 50,5 Total 519,52 1159,74 Média 43,29 96,65 0 50 100 150 200 250 300 Compras Vendas
67 Tabela 26.1 e 26.2 - Análise de outliers nos agregados devido à Covid-19 – SL Benfica Desvio padrão 26,33 53,87 V. Crit Mínimo 16,97 42,77 V. Crit Min x 2 -9,36 -11,10 V. Crit Máximo 69,62 150,52 V. Crit Máx x 2 95,94 204,39 Ano Resultado C Resultado x2 C Resultado V Resultado x2 V 2010/2011 2011/2012 1)Outlier (-) 2012/2013 2013/2014 2014/2015 2015/2016 2016/2017 2017/2018 1)Outlier (-) 2018/2019 2019/2020 2)Outlier (+) 2)Outlier (+) 2020/2021 2)Outlier (+) 2)Outlier (+) 2021/2022 Fonte: Elaborado pelo próprio autor com dados recolhidos no Transfermarkt Agora na Liga portuguesa, o S.L. Benfica, não apresentou anomalias negativas durante os períodos de pandemia. No entanto, é relevante destacar que, na componente de compras, o clube registou um valor bem abaixo da média na temporada 2021/2022, sendo o pior resultado desde 2017/2018. Além disso, os valores obtidos em vendas também ficaram significativamente abaixo da média, com destaque para os resultados nas temporadas 2020/2021 e 2021/2022. Especificamente na temporada 2021/2022, o clube registou o terceiro pior resultado em vendas, não apresentando um resultado pior desde 2013/2014. No entanto o SL. Benfica apresentou a sua época recordista em compras em plena pandemia, 2020/2021, registando 115 milhões de euros em compras.
68 Figura 27 – Compras e Vendas, em milhões de euros do FC Porto – 2010 a 2022 Tabela 27 – Compras e Vendas de cada época do FC Porto – 2010/2011 a 2021/2022 Época Compras (milhões de €) Vendas (milhões de €) 2010/2011 31,75 38,78 2011/2012 49,19 46,8 2012/2013 13,07 73,84 2013/2014 34,82 81,42 2014/2015 53,25 95,96 2015/2016 59,5 140,65 2016/2017 40,65 15,06 2017/2018 21,25 70,2 2018/2019 40,06 72,55 2019/2020 63,25 88 2020/2021 22,73 76,15 2021/2022 35,27 72,25 Total 464,79 871,66 Média 38,73 72,64 0 20 40 60 80 100 120 140 160 Compras Vendas
69 Tabela 27.1 e 27.2 - Análise de outliers nos agregados devido à Covid-19 – FC Porto Desvio padrão 15,53 31,09 V. Crit Mínimo 23,20 41,55 V. Crit Min x 2 7,66 10,46 V. Crit Máximo 54,27 103,73 V. Crit Máx x 2 69,80 134,82 Ano Resultado C Resultado x2 C Resultado V Resultado x2 V 2010/2011 1)Outlier (-) 2011/2012 2012/2013 1)Outlier (-) 2013/2014 2014/2015 2015/2016 2)Outlier (+) 2)Outlier (+) 2)Outlier (+) 2016/2017 1)Outlier (-) 2017/2018 1)Outlier (-) 2018/2019 2019/2020 2)Outlier (+) 2020/2021 1)Outlier (-) 2021/2022 Fonte: Elaborado pelo próprio autor com dados recolhidos no Transfermarkt O F.C. Porto apresenta um outlier negativo em pleno Covid-19, em 2020/2021, registando o terceiro pior valor da amostra. A época seguinte também é apresentada abaixo da média histórica. Positivamente, o F.C. Porto apresenta uma época recordista em ambas as componentes, 2015/2016 e também em 2019/2020 nas compras.
70 Figura 28 – Compras e Vendas, em milhões de euros do Sporting CP – 2010 a 2022 Tabela 28 – Compras e Vendas de cada época do Sporting CP – 2010/2011 a 2021/2022 Época Compras (milhões de €) Vendas (milhões de €) 2010/2011 12,8 22,3 2011/2012 34 6,63 2012/2013 10,65 15,24 2013/2014 3,76 35,66 2014/2015 10,99 31,3 2015/2016 9,77 19,02 2016/2017 34,8 87,23 2017/2018 47,91 49,8 2018/2019 32,8 79,17 2019/2020 32 113,16 2020/2021 35,45 47,88 2021/2022 21,5 16,67 Total 286,43 524,06 Média 23,87 43,67 0 20 40 60 80 100 120 Compras Vendas
71 Tabela 28.1 e 28.2Análise de outliers nos agregados devido à Covid-19 – Sporting CP Desvio padrão 13,99 33,35 V. Crit Mínimo 9,88 10,32 V. Crit Min x 2 -4,10 -23,02 V. Crit Máximo 37,86 77,02 V. Crit Máx x 2 51,84 110,37 Ano Resultado C Resultado x2 C Resultado V Resultado x2 V 2010/2011 2011/2012 1)Outlier (-) 2012/2013 2013/2014 1)Outlier (-) 2014/2015 2015/2016 1)Outlier (-) 2016/2017 2)Outlier (+) 2017/2018 2)Outlier (+) 2018/2019 2019/2020 2)Outlier (+) 2)Outlier (+) 2020/2021 2021/2022 Fonte: Elaborado pelo próprio autor com dados recolhidos no Transfermarkt O Sporting Clube de Portugal (Sporting CP), assim como o SL Benfica, não apresentou anomalias durante os períodos analisados. No entanto, é importante destacar que, na temporada 2021/2022, o clube registou um valor abaixo da média. Em relação às vendas, é notável que o valor registado em 2021/2022 foi o pior desde 2012/2013, posicionando-se como o terceiro pior resultado na amostra. Por outro lado, de registar a época de 2017/2018 nas compras e as épocas de 2016/2017 e 2019/2020 que apresentaram outliers positivos.
72 Figura 29 – Compras e Vendas, em milhões de euros do SC Braga – 2010 a 2022 Tabela 29 – Compras e Vendas de cada época do SC Braga – 2010/2011 a 2021/2022 Época Compras (milhões de €) Vendas (milhões de €) 2010/2011 0,825 8,5 2011/2012 5,29 24,24 2012/2013 0,85 8,5 2013/2014 4,9 7,66 2014/2015 17,9 0,05 2015/2016 4,2 28,33 2016/2017 8,12 36,27 2017/2018 5,8 32,13 2018/2019 7,11 20,65 2019/2020 5,5 30,4 2020/2021 11,1 49,15 2021/2022 4,1 29,68 Total 75,70 275,56 Média 6,31 22,96 0 10 20 30 40 50 60 Compras Vendas
73 Tabela 29.1 e 29.2 - Análise de outliers nos agregados devido à Covid-19 – SC Braga Desvio padrão 4,62 14,34 V. Crit Mínimo 1,69 8,63 V. Crit Min x 2 -2,92 -5,71 V. Crit Máximo 10,92 37,30 V. Crit Máx x 2 15,54 51,63 Ano Resultado C Resultado x2 C Resultado V Resultado x2 V 2010/2011 1)Outlier (-) 1)Outlier (-) 2011/2012 2012/2013 1)Outlier (-) 1)Outlier (-) 2013/2014 1)Outlier (-) 2014/2015 2)Outlier (+) 2)Outlier (+) 1)Outlier (-) 2015/2016 2016/2017 2017/2018 2018/2019 2019/2020 2020/2021 2)Outlier (+) 2)Outlier (+) 2021/2022 Fonte: Elaborado pelo próprio autor com dados recolhidos no Transfermarkt O SC Braga não apresentou anomalias negativas em período pandémico, apenas um valor abaixo da média em 2021/2022 nas compras e em pré pandémico em 2019/2020. Por outro lado, em plena pandemia o SC Braga conseguiu registar valores recordes positivos em ambas as componentes, na época de 2020/2021.
74 Figura 30 – Compras e Vendas, em milhões de euros do Vitória SC – 2010 a 2022 Tabela 30 – Compras e Vendas de cada época do Vitória SC – 2010/2011 a 2021/2022 Época Compras (milhões de €) Vendas (milhões de €) 2010/2011 1,05 10,6 2011/2012 1,2 1,08 2012/2013 0 0,3 2013/2014 0,5 4,75 2014/2015 0,142 7,1 2015/2016 2,25 7,5 2016/2017 1 11,05 2017/2018 7,9 8,2 2018/2019 3,18 13,6 2019/2020 0,8 22,6 2020/2021 2,95 6 2021/2022 2,7 9,1 Total 23,67 101,88 Média 1,97 8,49 0 5 10 15 20 25 Compras Vendas
81 Tabela 33 – Recolha de resultados - Outliers significativamente positivos (média +2 x desvio padrão) Época Compras Vendas 2010/2011 2011/2012 2012/2013 2013/2014 2014/2015 SC Braga 2015/2016 Valência F.C Manchester United F.C VfL Wolfsburgo F.C Porto 2016/2017 Valência F.C Olympique de Marselha 2017/2018 F.C Barcelona Manchester City Vitória SC F.C Barcelona Liverpool F.C Arsenal F.C Borussia Dortmund 2018/2019 F.C Bayern Munique AS Mónaco 2019/2020 Real Madrid Atlético de Madrid Sevilha F.C F.C Bayern Munique Bayer 04 Leverkusen Nápoles Olympique Lyon Atlético de Madrid Olympique Lyon S.L. Benfica Sporting CP Vitória SC 2020/2021 S.L. Benfica 2021/2022 RB Leipzig Inter de Milão
82 Na perspetiva dos outliers positivos, é notável um significativo e constante aumento a partir da época 2015/2016. Até então, os casos de outliers eram raros. No entanto, foi entre as épocas 2017/2018 até 2019/2020 que se registou um notável incremento no número de ocasiões. Entretanto, a partir da época 2019/2020, observou-se uma queda abrupta no número de outliers positivos, evidenciando que esse período foi marcado por uma diminuição significativa de investimento e consequentemente vendas, fenómeno pode ser atribuído à presença do Covid-19, que possivelmente exerceu um impacto negativo sobre a ocorrência dessas situações atípicas.
83 5 Conclusão Após a análise de dados, e verificando os outliers observados em cada “big 5” e liga portuguesa, desde 2010/2011 até 2021/2022, podemos retirar várias ilações. Começando pela La Liga, principal liga da Espanha, podemos verificar que é possível concluir que o impacto da pandemia do Covid-19 no mercado de transferências foi significativo. Dos cinco clubes analisados, três apresentaram anos atípicos negativos durante esse período, enquanto todos eles registaram valores abaixo da média em pelo menos uma ou duas ocasiões. Um caso notável é o do Real Madrid, que surpreendeu ao registar gastos de 0 euros na temporada 2020/2021. Os outros dois clubes analisados, F.C Barcelona e Sevilha F.C, embora não tenham tido anos atípicos negativos, enfrentaram desafios financeiros, registando valores abaixo da média em ambas as componentes em pelo menos três ocasiões. Realçar individualmente o Atlético de Madrid pois este apresentou todos os valores abaixo da média. O Valencia também teve um ano incomum, com um investimento mínimo de apenas 0,5 milhões de euros nesse mesmo período, em 2020/2021, porém, esta mesma época apresenta um outlier positivo na análise, nas vendas, onde mesmo em tempo de pandemia conseguiu obter um segundo recorde em termos de valor obtido por transferências vendidas, contrastando assim o valor investido. Ainda assim, na época seguinte 2021/2022, foi registado um valor recorde negativo em vendas, tendo sido registado o pior ano nesta componente. Posto isto, apesar do registo positivo, em contrapartida o Valência nesse período mostra maus resultados, sendo as épocas de 2020/2021 e 2021/2022 os piores em termos de compras na amostra analisada e o 2021/2022 o pior na componente vendas. Na Premier League, conhecida por ser a principal fonte de transferências no futebol (Deloitte, 2021), o impacto do Covid-19 também se fez sentir. A maior parte os clubes registaram valores abaixo da média em tempos pandémicos, com destaque para o Chelsea que apresentou em 2020/2021 um resultado de liquidez de transferências bem abaixo da média, o Manchester United também, em ambas as épocas de pandemia e em ambas as componentes, Liverpool o
84 pior caso entre os “ big 5” ingleses, pois apresentou todos os valores abaixo da média, e por fim o Arsenal, apresentou 3 dos 4 valores abaixo da média. O Manchester City pelo contrário, para além de não apresentar qualquer valor abaixo da média, registou, na época 2021/2022 resultados históricos na componente vendas, sendo o ano recordista em termos de liquidez de vendas. O Chelsea, referido anteriormente, apesar do ano menos conseguido na componente vendas, por outro lado, a época 2020/2021 foi a segunda de maior investimento, registando um outlier positivo. Por fim o Arsenal apresentou, também, o valor recordista em investimento na época 2021/2022. Passando para a Bundesliga, observa-se que três dos cinco clubes analisados não tiveram anos atípicos durante e após a pandemia de Covid-19, sendo estes o Leipzig, Bayer Leverkusen e o Borussia Dortmund. Tanto o Bayern de Munique quanto o Wolfsburg registaram valores negativos recordes nas suas transações. Já o Borussia Dortmund apresentou valores significativamente abaixo da média em três ocasiões distintas. De destacar que três dos cinco clubes analisados, por sua vez, apresentaram outliers positivos, sendo estes Wolfsburg, Leipzig, este mais que em uma ocasião, e o Bayer Leverkusen. Sendo assim, a liga em que os “big 5” registaram valores mais normais ao longo da amostra. Na Itália, três dos cinco clubes analisados apresentaram anos atípicos, nomeadamente AS Roma, AC Milan e Nápoles, apresentando todos valores recordistas negativos, destacando assim as dificuldades significativas que os clubes referidos ultrapassaram. Por sua vez, os restantes dois clubes, apresentaram valores abaixo da média em duas ocasiões. Ainda assim, o Inter de Milão e a Nápoles, conseguiram obter números recordes em vendas, em época pandémica, algo que, certamente, contribui para a estabilidade dos mesmos. Na França, nenhum clube analisado registou anos atípicos negativos, porém, à exceção do Stade Rennais que apresentou anos bastantes positivos em época pandémica, fugindo totalmente à “regra”, todos os outros obtiveram valores abaixo da média histórica em pelo menos duas ocasiões. Em Portugal, apenas o F.C. Porto apresentou anos atípicos negativos, sendo o ano 2020/2021 de recorde negativo, porém, todos os restantes clubes apresentaram valores muito abaixo da média histórica em época de Covid-19 e Pós-Covid-19, à exceção da época 2020/2021
85 do SL Benfica, recordista em investimento, e também na mesma época o SC Braga, bateu recordes positivos em ambas as componentes. A análise de outliers efetuada foi uma ferramenta valiosa para entender as tendências do mercado e os fatores que influenciam as flutuações económicas num determinado setor. Durante o período pandémico, vários clubes registaram outliers nas suas atividades de transferências. No entanto, o que se destaca é que a maioria dos clubes registou valores abaixo da média histórica, com muitos deles apresentando resultados atípicos e não comuns nos últimos anos. Esses números recentes são especialmente significativos, pois indicam uma possível influência da pandemia no mercado de transferências do futebol. Isso sugere que a pandemia teve um impacto direto e imediato nas finanças dos clubes de futebol, o que levou a uma diminuição no volume de transferências (Deloitte, 2021) e, consequentemente, a uma queda nos preços dos jogadores. Dado que foram registados mais outliers positivos do que negativos, é evidente nos Anexos 4 e 5 que, ao longo da amostra, é possível identificar uma diminuição nos valores dos outliers positivos após 2020/2021, antes desse período, era observada uma tendência constante de aumento destes valores, e essa queda abrupta deveu-se à redução nos investimentos e no número de transações em período pandémico. Por outro lado, o acréscimo de outliers negativos representa uma situação inédita, uma vez que não há histórico de aumento semelhante na amostra em análise. No entanto, mesmo esses casos em que há registo de outliers positivos em período pandémico, na sua esmagadora maioria, em outra componente ou época, apresentou valores bem abaixo da média, o que reforça a depressão ocorrida no mercado de transferências do futebol europeu, nomeadamente, nos “big 5” e a liga portuguesa, analisadas. Em resumo, a análise de outliers e da média histórica mostrou que as compras e vendas de jogadores no mercado de futebol sofreram alterações significativas nos nas temporadas de 2020/2021 e 2021/2022. Porém, é importante reconhecer que esta é uma situação temporária e que a recuperação é possível à medida que se controla a pandemia e o mercado recupere, como já verificado em estudos recentes (Poli, R., Ravenel, L., & Besson, R. (2023).
86 É relevante destacar como uma limitação deste estudo o facto de este se focar exclusivamente em cinco clubes provenientes de seis das principais ligas europeias. Esta abordagem implica que os resultados obtidos possam não ser diretamente aplicáveis a ligas de menor expressão ou mesmo a clubes com recursos financeiros mais limitados, quando comparados aos clubes analisados nas ligas em questão. Dando eco às palavras de Fernando Gomes, torna-se evidente a amplitude de áreas em que o futebol se entrelaça, proporcionando uma contribuição significativa para o avanço e a sustentabilidade de diversos setores. Jogadores, treinadores, árbitros, médicos, dirigentes, voluntários, clubes e associações funcionam como catalisadores nas comunidades e na sociedade em geral. Este desporto emerge como um instrumento robusto para o desenvolvimento económico, coesão social e responsabilidade, desempenhando um papel vital em um período marcado por desafios globais consideráveis. Reconhecer e valorizar devidamente o impacto do futebol torna-se, assim, imperativo. (Lusa, 2021). Este estudo conclui que as restrições financeiras resultantes da pandemia tiveram um efeito palpável nas transações, influenciando não apenas os valores envolvidos, mas também os padrões de investimento e as estratégias de mercado. A diminuição das receitas, seja devido à ausência de público nos estádios, à suspensão de eventos desportivos ou a outros fatores relacionados ao contexto pandémico, teve reflexos diretos nas finanças dos clubes. Como resultado, muitos clubes viram-se obrigados a adotar abordagens mais cautelosas nas transferências, limitando os gastos e reavaliando as prioridades no mercado de jogadores (Deloitte, 2021). Essas mudanças nas dinâmicas das transferências não apenas têm implicações económicas, mas também podem afetar a esfera social do futebol. A redução nas transferências pode impactar a capacidade dos clubes de investir em desenvolvimento comunitário, programas sociais e iniciativas de responsabilidade social corporativa. Dessa forma, o estudo sugere que a crise provocada pela pandemia pode ter repercussões na capacidade do futebol em desempenhar o seu papel como agente de coesão e responsabilidade sociais.
87 5.1 Sugestões de investigações futuras A realização de qualquer estudo traz consigo o esclarecimento de várias questões ao mesmo tempo que acrescenta outras. Adicionalmente, tendo em conta a carência de estudos efetuados nesta área, é crucial prosseguir com esta linha de investigação, a fim de não só esclarecer os aspetos abordados, mas também de explorar e refletir sobre outras questões correlacionadas. Neste sentido, seria pertinente empreender outros estudos, tais como: • Examinar a relação entre investimento em transferências e títulos conquistados; • Explorar a discrepância dos investimentos das “big 5” para com as restantes; • Investigar a crescente presença de investidores milionários do Médio Oriente, nos clubes europeus e os valores investidos; • Investigar a tendência atual de contratações de jogadores de renome, vindos dos principais clubes europeus, para a Arábia Saudita, a valores salariais muito expressivos; • No panorama nacional, sendo Portugal um país de forte exportação de jogadores, entender de que modo é gerido e aplicado essa fonte de rendimento; • Mostrar a importância e o impacto do futebol nacional nas sociedades envolventes; • Explorar possíveis normas e regras que a FIFA pode aplicar de modo a combater os enormes investimentos por parte de acionistas, e a discrepância crescente entre, nomeadamente, a Premier League e as restantes ligas e mesmo em certos “monopólios” de clubes em determinadas ligas, como por exemplo PSG.
88 6 Referências Bibliográficas Blanco-Varela, B., Quintas-Pérez, M., Sánchez-Carreira, M. C., & Mourão, P. J. R. (2022). Covid and Public Funds: More Opportunities for a Misuse? The Case of the Intermediate Governments of Galicia. Public Organization Review , 22 (3), 505–526. https://doi.org/10.1007/s11115-022-00638-5 Chanavat, N., & Desbordes, M. (2016). Routledge handbook of sports marketing . Routledge. Cutler, M. (2020). Sponsorship spend to fall $17.2bn; Financial Services cut by $5.7bn . Two Circles. https://twocircles.com/eu-en/projections-sponsorship-spend-to-fall-17-2bn/ Deloitte. (2019). Annual Review of Football Finance 2019 . Deloitte. (2021). Annual Review of Football Finance 2021 . Dixon, E. (2020). Study: Sports sponsorship spend to fall US$17.2bn in 2020 . Sportspromedia. https://www.sportspromedia.com/news/sports-sponsorship-rights-spend-2020-studytwo-circles-coronavirus/?zephr_sso_ott=KXzeLZ Drewes, M., Daumann, F., & Follert, F. (2021). Exploring the sports economic impact of COVID-19 on professional soccer. Soccer & Society , 22 (1–2), 125–137. https://doi.org/10.1080/14660970.2020.1802256 FIFA. (2020). Global Transfer Market Report 2020 . https://digitalhub.fifa.com/m/c54634f8bb5a641d/original/ijiz9rtpkfnbhxwbqr70pdf.pdf Goal. (2023). How does a football transfer work? From Players to agents, clubs to leagues | Goal.com . Goal. https://www.goal.com/en/news/how-does-a-football-transferwork/130og8e76770l1dcqbne3jntx7 Grabowski, A. (2021). Impact of COVID-19 Pandemic and Lockdown on the Activities of European Football Companies. European Research Studies Journal , XXIV (Special Issue 3), 645–654. https://doi.org/10.35808/ersj/2519
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