Educação inclusiva: as práticas de Agrupamento de Alunos em percursos de (des)afetação escolar
Abstract
Analisam-se três práticas de agrupamento de alunos, que apontam para a existência de diferentes resultados nos grupos estudados que devem ser lidos de forma cuidada, pela efetividade em alcançar os resultados pretendidos, ou em particular, pela igualdade de oportunidades de acesso ao conhecimento, argumentando que ainda não é claro o grau de sucesso normativo e se esse sucesso alcançado reflete a aquisição de conhecimentos, competências e atitudes correspondentes ao nível de escolaridade que esses alunos frequentam.
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XIV CONGRESSO SPCE CIÊNCIAS, CULTURAS E CIDADANIAS 11-13 OUTUBRO DE 2018 Marta Rodrigues1, Armando Loureiro1,2, Isabel Costa1,3, Virgínio Sá4,5 Educação inclusiva: as práticas de Agrupamento de Alunos em percursos de (des)afetação escolar 1Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), Portugal 2CIIE, Centro de Investigação e Intervenção Educativas Universidade do Porto, Portugal 3CETRAD, Centro de Estudos Transdisciplinares para o Desenvolvimento, UTAD, Portugal 4 Universidade do Minho, Portugal 5CIEd, Centro de Investigação em Educação, Portugal
Agrupamento de alunos •O presente estudo baseia-se, num primeiro momento, em três práticas socioeducativas inclusivas do tipo Agrupamento de Alunos de um total de seis práticas baseadas num programa nacional ancorado nas escolas •Existem várias definições e abordagens empíricas sobre as práticas de Agrupamento de Alunos (Loveless, 2013) •“Differential instruction” é um termo usado para definir Agrupamento de Alunos (Loveless, 2013) 2
Agrupamento de alunos •Agrupamento de Alunos, ou agrupamento homogéneo, é a separação de crianças do mesmo ano escolar em grupos ou turmas com base no desempenho académico. O agrupamento pode ocorrer com base em resultados de testes ou em registos de notas escolares (Kulik, 1992) •Agrupamento de Alunos, em contexto escolar, consiste na organização de grupos de alunos com homogeneidade relativa quanto ao desempenho académico procurando, dessa forma, tornar a ação pedagógica mais eficaz (Antunes et al, 2017). Estes grupos podem ser fixos ou flexíveis. 3
Agrupamento de alunos •Nas décadas de 70 e 80, do século XX, surgiram vários estudos que criticavam este tipo de práticas •Algumas questões levantadas relacionam-se com o impacto destas práticas na auto-estima, qualidade no ensino e igualdade de oportunidades (Braddock & Slavin, 1992) •No entanto, as práticas de Agrupamento de Alunos são encontradas em vários programas nacionais e são apontadas pelos representantes institucionais como práticas bem-sucedidas na melhoria do desempenho dos alunos 4
Organização da prática Prática 1 •Crianças/jovens com várias dificuldades •Três grupos provenientes de três turmas “mãe” heterogéneas (do 5º ao 6º ano) •Três grupos homogéneos são formados em disciplinas específicas (Matemática e Língua Portuguesa) •Suportada pelo aumento de recursos 5
Organização da prática Prática 2 •Crianças/jovens com várias dificuldades •Uma turma (5º ao 9º ano) •Grupo fixo para todas as disciplinas •Suportada pelo aumento de recursos 6
Organização da prática Prática 3 •Crianças/jovens com várias dificuldades •Turmas “mãe”/Turmas “ninho” (1º Ciclo, 2 Ciclo e 3º Ciclo) •Centrada em disciplinas específicas (Matemática e Língua Portuguesa) •Suportada pelo aumento de recursos Público-alvo: Alunos do Ensino Básico (1º ao 9º ano). Forte presença de alunos com um baixo nível socioeconómico e de minorias étnicas. 7
Resultados Do ponto de vista dos representantes institucionais, as vantagens das práticas Agrupamento de Alunos são: •Melhorias nos resultados dos alunos •Melhorias no trabalho colaborativo, relações professor-aluno, articulação interinstitucional e formação de professores 8
Prática 1: Análise preliminar Fatores que contribuem para superar o insucesso escolar e/ou abandono escolar: •Apoio e aprendizagem individualizada •Reorganização dos recursos humanos disponíveis para apoiar a aprendizagem •Abertura e intensificação de canais de comunicação e cooperação e/ou fatores críticos para superar o insucesso e o abandono escolares 9
Aspectos a explorar nestas práticas •A prática 2 inclui um número desproporcionalmente grande de crianças de grupos socioeconómicos e culturalmente desfavorecidos (incluindo minorias étnicas); é necessário explorar esse status quo, a fim de verificar se essa prática realmente promove a igualdade nos resultados escolares ou se é uma prática que produz exclusão •As duas práticas de agrupamento de Alunos podem ter resultados diferentes nos grupos estudados que devem ser lidos com cuidado, seja pela efetividade em alcançar os resultados pretendidos, ou em particular na igualdade de oportunidades no acesso ao conhecimento Os dados apresentados neste trabalho são o resultado do trabalho conjunto da equipa de investigadores EDUPLCES: Fátima Antunes (coord.); Almerindo Afonso; Armando Loureiro; Carlos Gomes; Esmeraldina Veloso; Fátima Carvalho; Isabel Costa; Isabel Menezes; Joana Lúcio; José A. Palhares; José P. Amorim; Júlia Rodrigues; Manuel Silva; Marta Rodrigues; M. Emília Vilarinho; Raquel Monteiro; Rosanna Barros; Tiago Neves; Virgínio Sá 16
Referências 17 Antunes, F., et al (2017). EDUPLACES/Locais Educadores: práticas, vozes e percursos de educação inclusiva. Relatório Científico de constituição do Portefólio de Práticas (Ano1). Braddock, J., Slavin, R. (1992). Why ability grouping must end: achieving excellence and equity in American education. Baltimore, MD: Center for Research on Effective Schooling for Disadvantaged Students. De Witte, K.; Cabus, S.; Thyssen, G.; Groot, W. & van den Brink, H. (2013). A critical review of the literatures on school dropout. Educational Research Review, 10, pp.13-28 p. 24. Kulik J. (1992). An analysis of the research on ability grouping: Historical and contemporary perspectives. Storrs, CT: National Research Center on the Gifted and Talented. Loveless, T. (2013). How well are American students learning? With sections on the latest international tests, tracking and ability grouping, and advanced math in 8th grade (Vol. 2). Washington. DC: Brown Center on Educacional Policy . Brookings Institution. Perrenoud, P. (1995). Ofício do Aluno e Sentido do Trabalho Escolar. Porto: Porto Editora.
AGRADECIMENTOS PROJETOS/BOLSAS PTDC/MHC – CED/3775/2014 (Projeto financiado pela FCT – Fundação para a Ciência e a Tecnologia, Portugal) BIM/UTAD/44/2017 (Bolsa de investigação financiada pela FCTFundação para a Ciência e a Tecnologia, Portugal) Obrigada pela vossa atenção!