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Universidade do Minho Escola de Economia e Gestão Joana Saraiva da Silva O Mercado dos Automóveis Elétricos em Portugal e as Principais Diferenças Internacionais neste setor julho de 2024 UMinho | 2024 Joana Saraiva da Silva O Mercado dos Automóveis Elétricos em Portugal e as Principais Diferenças Internacionais neste setor
Joana Saraiva da Silva O Mercado dos Automóveis Elétricos em Portugal e as Principais Diferenças Internacionais neste setor junho d O Mercado dos Automóveis Elétricos em Portugal e as Principais Diferenças Internacionais neste setor UMinho | 2024 Joana Saraiva da Silva
Universidade do Minho Escola de Economia e Gestão Joana Saraiva da Silva Mestrado em Economia Industrial e da Empresa Trabalho efetuado sob a orientação da Professora Doutora Lurdes Martins julho de 2024 O Mercado dos Automóveis Elétricos em Portugal e as Principais Diferenças Internacionais neste setor
ii DIREITOS DE AUTOR E CONDIÇÕES DE UTILIZAÇÃO DO TRABALHO POR TERCEIROS Este é um trabalho académico que pode ser utilizado por terceiros desde que respeitadas as regras e boas práticas internacionalmente aceites, no que concerne aos direitos de autor e direitos conexos. Assim, o presente trabalho pode ser utilizado nos termos previstos na licença abaixo indicada. Caso o utilizador necessite de permissão para poder fazer um uso do trabalho em condições não previstas no licenciamento indicado, deverá contactar o autor, através do RepositóriUM da Universidade do Minho. Licença concedida aos utilizadores deste trabalho Atribuição-NãoComercial-SemDerivações CC BY-NC-ND https://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0/
iii AGRADECIMENTOS Por fim, chego ao fim de uma longa e desafiante jornada académica. A presente Dissertação é a maior conquista nesta fase da minha vida, só tenho a agradecer a um conjunto de pessoas que me deram um imensurável suporte e não me deixaram desistir deste objetivo. Em primeiro lugar, quero agradecer à professora Doutora Maria de Lurdes Castro Martins por ter aceitado o meu convite para orientar a presente dissertação, pela sua dedicação, pelo seu apoio, pela sua motivação e compreensão que apresentou ao longo deste trabalho. Em segundo lugar, e não menos importante, quero agradecer à minha família, amigos e colegas de trabalho todo o apoio e incentivo que me deram. Ao meu pai, à minha irmã, ao meu irmão e aos meus avós, um obrigada muito especial. Obrigada por não me deixarem desistir. Dedico esta dissertação à minha querida mãe, que na impossibilidade de partilhar este momento comigo, se possa orgulhar de mim onde quer que ela esteja! Muito obrigada! "Aprender é a única coisa de que a mente nunca se cansa, nunca tem medo e nunca se arrepende." – Leonardo da Vinci
iv DECLARAÇÃO DE INTEGRIDADE Declaro ter atuado com integridade na elaboração do presente trabalho académico e confirmo que não recorri à prática de plágio nem a qualquer forma de utilização indevida ou falsificação de informações ou resultados em nenhuma das etapas conducente à sua elaboração. Mais declaro que conheço e que respeitei o Código de Conduta Ética da Universidade do Minho.
v O Mercado dos Automóveis Elétricos em Portugal e as Principais Diferenças Internacionais neste setor RESUMO A indústria automóvel representa um dos setores com maior relevância para a economia nacional, no entanto é um dos mais poluentes, o que se traduz num forte impacto ambiental e na urgência de adotar “boas práticas” para atenuar esta situação, pelo que é pertinente estudar a evolução do mercado dos veículos elétricos (menos poluentes). Os veículos elétricos representam uma inovação com potencial para reduzir as emissões de gases com efeito de estufa e ajudar a mitigar as causas das alterações climáticas. Este trabalho de investigação procura analisar os diversos fatores que afetam a quota de mercado dos carros elétricos. Para isso, recolheu-se informação para um conjunto alargado de países e procurou-se identificar quais os fatores socioeconómicos, técnicos e políticos que poderão ter um papel na explicação da importância relativa dos veículos elétricos no total de veículos existentes em cada país. Neste estudo são utilizados dados de um conjunto de vinte e um países pertencentes na sua maioria à OCDE, publicados no Global EV Outlook, referentes a um horizonte temporal de 2012 a 2022. Os fatores estudados enquadram-se em três categorias: socioeconómicos, técnicos e políticos. Os resultados demonstram que o preço da eletricidade, as infraestruturas de carregamento e a venda de híbridos são fatores explicativos significativos e positivamente correlacionados com a adoção de automóveis elétricos. No entanto, a análise descritiva sugere que possivelmente as infraestruturas de carregamento poderão, só por si, não garantir elevadas taxas de adoção de veículos elétricos. Em futuras investigações poderá ser interessante medir a diferença nos resultados se passarmos a ter em conta a implementação de infraestruturas de carregamento de forma heterogénea e não apenas em cidades. Palavras-chave: indústria automóvel, mobilidade elétrica, meio-ambiente, energias renováveis
vi The Electric Car Market in Portugal and the Main International Differences in this sector ABSTRACT The automotive industry is one of the most significant sectors for the national economy; however, it is also one of the most polluting, resulting in a strong environmental impact and the urgency to adopt "best practices" to mitigate this situation. Therefore, it is pertinent to study the evolution of the electric vehicle market (which is less polluting). Electric vehicles represent an innovation with the potential to reduce greenhouse gas emissions and help mitigate the causes of climate change. This research aims to analyze the various factors affecting the market share of electric cars. For this purpose, information was collected for a wide range of countries, and an attempt was made to identify which socioeconomic, technical, and political factors might play a role in explaining the relative importance of electric vehicles in the total number of vehicles in each country. This study uses data from a set of twenty-one countries, mostly belonging to the OECD, published in the Global EV Outlook, covering a time horizon from 2012 to 2022. The factors studied fall into three categories: socioeconomic, technical, and political. The results show that the price of electricity, charging infrastructure, and the sale of hybrids are significant and positively correlated explanatory factors with the adoption of electric cars. However, the descriptive analysis suggests that charging infrastructure alone may not ensure high adoption rates of electric vehicles. In future research, it may be interesting to measure the difference in results if we consider the heterogeneous implementation of charging infrastructure and not just in cities. Keywords: automotive industry, electric mobility, environment, renewable energy
vii ÍNDICE AGRADECIMENTOS ................................................................................................. iii DECLARAÇÃO DE INTEGRIDADE.............................................................................. iv RESUMO .................................................................................................................. v ABSTRACT .............................................................................................................. vi ÍNDICE DE FIGURAS .............................................................................................. viii ÍNDICE DE TABELAS ............................................................................................... ix LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS.......................................................................... x CAPÍTULO 1: INTRODUÇÃO ...................................................................................... 1 1.1 Enquadramento e justificação do estudo .................................................................. 1 CAPÍTULO 2. REVISÃO DE LITERATURA.................................................................... 6 2.1 Evolução Histórica .......................................................................................................... 6 2.2 Conceito e Definições ..................................................................................................... 6 2.3 Fatores explicativos da evolução do mercado dos automóveis elétricos ............................ 8 ▪ Fatores Socioeconómicos ......................................................................................... 8 ▪ Fatores Técnicos .................................................................................................... 12 ▪ Fatores Políticos..................................................................................................... 17 CAPÍTULO 3: DADOS E METEDOLOGIA ADOTADA ................................................... 21 3.1 Dados Usados / Descrição da Amostra ......................................................................... 21 3.2 Modelos econométricos estimados ............................................................................... 25 CAPÍTULO 4: RESULTADOS E DISCUSSÃO .............................................................. 27 CAPÍTULO 5: CONCLUSÕES, CONTRIBUTOS E LIMITAÇÕES .................................. 35 5.1 Principais conclusões ................................................................................................... 35 5.2. Contributos, limitações e pistas para investigação futura .............................................. 36 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ............................................................................ 38
4 A interação entre a oferta e a procura são determinantes para chegarmos ao preço de um automóvel elétrico. Desta forma, o estudo desta relação é bastante importante na medida em que é possível analisar a dinâmica do mercado. A disponibilização de infraestruturas de carregamento e a sua localização são elementos cruciais a considerar dada a sua complementaridade com a aquisição de VEs. Assim como as medidas promovidas pelo estado como subsídios e incentivos fiscais têm influência na transição para uma mobilidade mais sustentável. De notar, que o planeamento e execução desta intervenção pública deverá ter também por base o estudo da dinâmica da procura e da oferta do mercado de VE`s (Barreiro, 2022). Para uma melhor interpretação deste tema é fundamental estudar os fatores que promovem a compra e a venda de automóveis elétricos face aos automóveis convencionais e no caso da compra de veículos elétricos, se eles são 100% elétricos ou híbridos plug-in . Segundo a literatura, estes fatores poderão ser de ordem económica, social, política, ambiental e energético, entre outros. Para além disso, neste estudo tenciona-se conhecer também quais as associações/ instituições de apoio a este setor, bem como os apoios do Estado para incentivar a compra deste tipo de veículo. Neste sentido, é crucial avaliar os prós e contras da mobilidade elétrica e fazer uma projeção para o futuro deste setor, quer em Portugal quer nos outros países, de forma a melhorar a compreensão deste mercado. Esta dissertação procura servir de referência e de ponto de partilha para futuros trabalhos referentes a este tema. Esta encontra-se dividida em 5 capítulos: introdução, revisão de literatura, dados e metodologia adotada, discussão de resultados, e finalmente as conclusões, contributos e limitações do estudo. O capítulo em que nos encontramos faz uma introdução ao tema, o enquadramento, bem como apresenta brevemente a metodologia a seguir na tentativa de dar resposta ao objeto de estudo identificado. No capítulo 2, revisão de literatura, é apresentada a evolução histórica do automóvel elétrico, conceitos e definições essenciais para compreensão do tema, assim como os fatores de ordem socioeconómica, técnica e política que influenciam a quota de mercado dos automóveis elétricos. O terceiro capítulo são apresentados os dados e a metodologia para que no capítulo que se segue seja feita a discussão dos resultados obtidos
5 Finalmente, no capítulo 5 apresentam-se as principais conclusões a que se chega depois da análise empírica realizada, bem como os contributos para trabalhos futuros e as limitações encontradas ao longo do trabalho e mesmo do tema.
6 CAPÍTULO 2. REVISÃO DE LITERATURA Esta revisão de literatura tem como objetivo explorar e analisar as diversas perspetivas já publicadas sobre o mercado dos automóveis elétricos. Para isso, serão resumidas as contribuições fundamentais que suportam e norteiam esta investigação, tais como quais são as principais diferenças entre países na evolução do mercado dos automóveis elétricos. Se esses mercados são diferentes e em que aspetos. Estas questões fornecem uma estrutura sólida para a análise a desenvolver e permitirão entender as complexidades e nuances relacionadas com este mercado. 2.1 Evolução Histórica O aparecimento dos primeiros modelos de carros elétricos foi entre o ano de 1800 e 1850. No entanto, só em 1912 é que o número de VE´s atinge um marco histórico de vendas, de cerca de 30 mil veículos (Electricity Market Report, 2017). O aparecimento de novas tecnologias, tais como os avanços nas telecomunicações e informática na década de 1990, permitiu o desenvolvimento das baterias que se refletiu no reaparecimento dos veículos elétricos (Hauch et al., 2010). À medida que o preço do petróleo aumenta e as preocupações com os níveis de poluição atmosférica crescem o consumidor passa a ponderar adquirir um VE (Fontaínhas, 2013). 2.2 Conceito e Definições Antes de iniciar a descrição dos principais contributos da literatura para o tema escolhido, é bastante importante conhecer as modalidades que existem referentes aos veículos elétricos (VEs). Os veículos elétricos podem ser definidos como aqueles que utilizam um ou mais motores elétricos. A eletricidade, que pode ser conseguida de diferentes formas, é a fonte de energia que abastece os EVs (Electricity Market Report, 2017). Estes subdividem-se em veículos elétricos híbridos (HEVs), híbridos plug-in (PHEVs) e veículos elétricos a bateria (BEVs). Os HEVs utilizam o diesel/gasolina como fonte principal para alimentar o motor a combustão interna, mas também possuem um motor elétrico e uma bateria. Como utiliza tanto o motor elétrico como o motor a combustão interna, este tipo de automóvel revela-se bastante mais eficiente do que o uso de um veículo convencional.
7 Do mesmo modo, os PHEVs possuem um motor elétrico alimentado por baterias e um motor de combustão interno por combustíveis fósseis. A bateria deste tipo de veículo pode ser recarregada de duas formas: via frenagem regenerativa (kers), que consiste em converter parte da energia perdida na frenagem em eletricidade e ainda por cabo, alimentado de uma fonte externa, como por exemplo a rede elétrica. De forma prática, quando a bateria acaba, o motor a combustão interna funciona de forma normal como um carro convencional. Os BEVs, também designados como carros 100% elétricos, recorrem apenas à bateria para alimentar o motor elétrico. Assim sendo, é um tipo de carro mais sustentável do que aqueles que utilizam combustão e no caso de utilizarem fontes de energia renováveis como a energia solar e eólica revelam-se bastante eficientes (Rocha, 2017). Os motores dos carros elétricos são alimentados pela eletricidade armazenada em baterias. Estes revelam-se mais eficientes do que os motores convencionais, dado que apresentam maior durabilidade, menor custo de manutenção e menor impacto ambiental. A teoria económica salienta o preço e o rendimento como os principais fatores explicativos das quantidades transacionadas dum qualquer produto. Sendo assim, não é de estranhar que estes apareçam também listados como elementos a considerar quando se analisam as vendas de carros elétricos. A literatura aponta como principal obstáculo à expansão do mercado dos VEs o preço deste tipo de veículos. Soares (2012) refere que o preço tem de ser atrativo, porque não serve de nada as marcas produzirem estes modelos de carro mais ecológicos, se não incentivam a compras destes através da prática de preços mais atraentes para o consumidor. Assim, a concorrência entre as marcas tem vindo a ser indicada como muito benéfica também porque está a dar mais oportunidades de escolha e melhores benefícios aos consumidores com a criação de novos modelos e melhorias nas tecnologias existentes de VE, o que faz com que o consumidor se sinta mais tentado a comprar automóveis elétricos. A análise dos fatores que apoiam a adoção de um veículo elétrico é ainda uma grande questão que se “coloca em cima da mesa” nos dias de hoje. Deste modo, estes fatores podem ser agregados num conjunto de categorias tais como: política, económica, social, ambiental e técnicos.
8 2.3 Fatores explicativos da evolução do mercado dos automóveis elétricos A evolução do mercado dos automóveis elétricos tem sido influenciada por uma combinação de fatores socioeconómicos, técnicos e políticos. Esta secção apresenta os principais fatores explicativos para essa evolução: ▪ Fatores Socioeconómicos O rendimento das famílias constitui um fator crucial na decisão de compra de um VE, uma vez que a decisão das famílias sobre a compra ou não de carros elétricos depende da sua situação financeira. Uma das restrições da escolha do consumidor diz respeito à sua restrição orçamental. O rendimento que as famílias possuem pode estar associado ao seu nível educacional e ao desenvolvimento humano do país, por exemplo. Neste sentido, Ruoso & Ribeiro (2022) apresenta vários indicadores que justificam a adoção ou não de um VE em 28 países com características socioeconómicas distintas e, de entre estes, estes autores destacam o rendimento das famílias. Em conformidade com os autores Kumar et al. (2022), as famílias que possuem um rendimento mais alto assumemse como potenciais consumidores de VE, uma vez que temos de ter em linha de conta o elevado preço dos VE face aos convencionais. A literatura também tem salientado o papel das barreiras financeiras, focando-se nas iniciativas que incluem subsídios, descontos fiscais ou financiamentos com taxas de juro menores com o intuito de ultrapassar estes obstáculos. Com base na literatura existente, a dimensão cultural é uma característica determinante no desenvolvimento do mercado dos automóveis elétricos e difere de país para país. Os aspetos culturais podem ser diversos, tais como se os consumidores são propensos à utilização de novas tecnologias, à adoção de práticas mais ecológicas, a sua zona de residência (cidade ou no meiorural, por exemplo), a idade, a profissão, o género, entre outros. Ainda nesta linha de pensamento, vários estudos permitem-nos concluir que os países com maior rendimento per capita, com menor aversão à incerteza, os que são a favor do coletivismo visto que se preocupam com a comunidade no geral e orientados para o longo prazo, isto é, que se preocupam com o futuro revelam-se mais dispostos a adquirir automóveis elétricos (Novotny et al., 2022).
9 A par do rendimento das famílias, o preço de um produto ou serviço tem impacto significativo na decisão de compra do consumidor. O elevado preço dos veículos elétricos é, ainda, um fator que impede a sua difusão em todo o mundo. O preço médio de um automóvel elétrico considerado pelo consumidor inclui, para além do preço do carro, o preço da bateria dado a complementaridade entre os dois bens, esta é também, como veremos abaixo, uma componentechave na decisão de compra (Onohara & Onohara, 2022). Segundo Buranelli de Oliveira et al. (2022), Fevang et al. (2021) e Sobiech-Grabka et al. (2022), o preço dos carros elétricos em diversos países continua a ser um entrave para a descarbonização do setor dos transportes. Nestes estudos, os inquiridos da Polónia, Noruega e Brasil apontam como principal barreira o preço de compra de um VE. Uma solução para contornar o elevado preço de aquisição de VE face aos seus equivalentes convencionais, poderá ser a criação ou o aumento dos subsídios atribuídos ao preço de aquisição e oferta de uma manutenção ao longo da vida útil do VE, tópico este que será analisado mais à frente. A consciencialização para todos os outros benefícios, tais como circular em vias destinadas a transportes públicos ou a importância atribuída à diminuição dos gases com efeito de estufa, também será uma forma de incentivo a adquirir um VE. Os países com maior quota de mercado de VE são também líderes neste tipo de iniciativas do setor. Numa comparação com a média da União Europeia (21%), sobretudo a Suécia, a Dinamarca e a Finlândia destacam-se pela positiva neste âmbito. A Suécia apresentou, em 2022, uma quota de mercado de 54%, isto é, este país tem uma alta taxa de adoção de veículos elétricos em comparação com outros países, com mais de metade das vendas totais do mercado de automóveis elétricos (figura 3).
10 Figura 3Quota de mercado VE em 2022 País Quota de mercado (%) VE Noruega 88 Islândia 70 Suécia 54 Dinamarca 39 Finlândia 38 Países Baixos 35 Alemanha 31 China 29 Bélgica 26 Suíça 25 Estados Unidos 23 Áustria 22 Portugal 22 Europa 21 França 21 EU-27 21 Israel 13 Nova Zelândia 13 Fonte: Eurostat, 2023
11 Portugal localiza-se acima da média da UE, pelo que em janeiro de 2022, ostentou um considerável número de vendas de ligeiros de passageiros, que se repercutiu num crescimento sustentado da quota de mercado dos VE no final do ano, apesar da sua juventude. O preço das baterias é um dos fatores que os consumidores têm em conta no momento da escolha do tipo de veículo uma vez que varia consoante a capacidade, o modelo e o fabricante. Na constituição de um carro elétrico, a bateria é um dos elementos mais importantes e de também mais caros. O preço das baterias tem aumentado nos últimos anos devido ao aumento dos preços dos materiais que constituem as baterias. As restrições da oferta deveram-se a vários acontecimentos como: os desafios na produção durante a pandemia, a escassez de níquel devido à guerra entre a Rússia e a Ucrânia (Rússia é a maior produtora de níquel), entre outros. Os três principais componentes metálicos das baterias são o lítio, o cobalto e o níquel, sendo que na constituição de uma bateria é usado mais níquel do que lítio, logo a produção de baterias é sensível ao preço do níquel (IEA, 2022). Autores como Soares (2012) mencionam que a tecnologia utilizada no fabrico e os próprios materiais apresentam um elevado preço que se reproduz no preço das baterias. No que diz respeito aos principais componentes das baterias, autores como Sousa (2023) referem que existem novos tipos de baterias a serem desenvolvidas numa tentativa de melhorar a eficiência. É possível encontrar em Barbosa (2013), a conclusão que o VE ainda tem um longo caminho a percorrer para se tornar mais competitivo ao nível do preço face a um veículo tradicional. De acordo com o Relatório sobre o mercado da eletricidade, atualizado em 2022, da IEA conseguimos perceber que o preço da eletricidade tem oscilado bastante devido aos acontecimentos ocorridos no mundo. No ano de 2021, a procura global de eletricidade aumentou (6%) à medida que as medidas de restrições da Covid-19 foram eliminadas. No entanto, no ano seguinte, a guerra na Ucrânia fez disparar os preços da energia (Electricity Market Report, 2022). Cada família tem a possibilidade de escolher o contrato mais vantajoso no que diz respeito à eletricidade, dado que tem a possibilidade de instalar um posto de carregamento na sua própria habitação. Devido à instabilidade que se vive na atualidade, o preço do petróleo é muito volátil, que se repercute numa inconstante alteração do preço dos combustíveis. De acordo com Lopes (2022), um VE apresenta custos de manutenção inferiores a automóveis a combustão interna. Contudo, torna-se ainda mais vantajoso para as famílias que possuem
12 carregador no domicílio não estando sujeitos aos preços praticados pelos postos por onde circula. Assim sendo, os custos em combustíveis aproximam-se do preço da eletricidade. Ainda nesta linha de pensamento, Biresselioglu et al. (2018) e Francisco et al. (2014), afirmam que o facto de o preço da eletricidade ser mais baixo quando comparado com preços do combustível em diversos países como por exemplo, a Noruega, a Alemanha, a Suécia e a China, leva os consumidores a preferirem um veículo movido a eletricidade. ▪ Fatores Técnicos O caminho para a mobilidade elétrica está a ser percorrido, no entanto existem diversos fatores técnicos que dificultam essa transição. O aumento de infraestruturas de carregamento tem se revelado bastante importante, à medida que aumentam o número de veículos que circulam nas estradas. É necessário apostar na tecnologia de forma que o carregamento do veículo se faça em menos tempo, visto que a autonomia destes automóveis é ainda limitada (Azadfar et al., 2015). Para os BEVs os pontos de carregamento são fundamentais uma vez que estes se movem apenas com o motor elétrico, já os PHEVs têm a alternativa de serem movidos a diesel/gasolina na falha da bateria. Existem três formas principais de carregar um veículo elétrico: o Carregamento plug-in: os veículos são conectados a uma infraestrutura de carregamento utilizando um cabo ou plugue. O carregamento demora em média oito horas e pode ser realizado em locais públicos ou em casa; o Troca de bateria: Consiste na substituição da bateria por uma bateria carregada. É uma forma rápida, mas acarreta diversos custos; o Carregamento sem fio: Esta tipologia não necessita de uma infraestrutura física, uma vez que o carro é colocado num campo eletromagnético e que automaticamente é feito o carregamento. A regularidade com que os consumidores têm de ir a um posto de carregamento depende de vários fatores tais como: a autonomia do próprio veículo, dos quilómetros percorridos e da capacidade da bateria. Para além disso, existem dois tipos de postos de carregamento (os normais e os rápidos ou os ultrarrápidos) que têm em consideração a velocidade de carregamento que se repercute em diferentes valores a pagar.
13 Um posto de carregamento normal (PCN) é caracterizado por conter uma potência igual ou inferior a 22 kW. O tempo de carregamento total poderá ir até oito horas, mas têm a vantagem de serem mais baratos pois o preço é cobrado ao minuto ou por quilowatt-hora (kWh). Nos que oferecem a potência máxima de 22 kWh, o tempo de espera é de uma hora para carregar 80% da bateria. Quanto ao custo, o preço médio ronda os 3 cêntimos por minuto, não sendo igual para todos os postos. No que diz respeito aos postos de carregamento rápido (PCR) ou semirrápido, estes têm uma potência superior a 22 kWh. Se for 22 kWh é considerado semirrápido é demora mais ou menos 45 minutos para efetuar o carregamento para 100 km. Se em alternativa a potência for superior a 50 kW é considerado rápido e demora apenas 20 minutos para carregar o mesmo. Os consumos nesta modalidade podem ser cobrados até 40 cêntimos por kWh ou 16 cêntimos por minuto. Grande parte dos consumidores utilizam a rede pública de carregamento para satisfazer as suas necessidades, uma vez que o acesso doméstico implica ainda, para além dos custos, diversas burocracias. A nível mundial foram instalados cerca de 1 milhão e 800 mil carregadores lentos, dos quais 680 mil pertenciam à China, isto é, em 2022, esta detinha mais de metade do stock de carregadores públicos lentos.
20 A 1 de janeiro de 2023, o Governo aprovou também, um apoio financeiro aos utilizadores de VE, ou seja, estes têm um desconto por cada carregamento registado na rede de mobilidade elétrica nacional (0,1902€/ carregamento), valor este que diminui face ao ano anterior. O carregamento pode ser efetuado num posto de carregamento público ou através de tomadas domésticas. Uma vez que, os veículos passam a maior parte do tempo noturno estacionados em garagem da habitação particular, o Governo aprovou para o ano de 2023, um incentivo para instalarem carregadores de VE no seu local de residência, de 80% do valor de um carregador até 800€ e do valor da instalação até 1 000€ por lugar de estacionamento. Este posto de carregamento deve ser ligado à rede Mobi.E ( Benefícios e Incentivos - MOBI.E , 2023). A oferta de transportes públicos é um fator que pode contribuir para a decisão de compra de um veículo elétrico, bem como de um veículo tradicional. Autores como Rocha (2017) explicam que os países que possuem um excelente sistema de transportes ferroviários e rodoviários, são países em que os indivíduos tendem a recorrer a esses tipos de transportes em oposição aos rodoviários. No entanto, estes são uma forma de promover uma diminuição da poluição atmosférica, quer pela diminuição de carros movidos a combustíveis fosseis a circular nas estradas, quer pela maior adesão dos transportes públicos, havendo também aqui uma evolução no sentido de que na maioria dos casos os autocarros nas cidades já sejam menos poluentes. Mahmoud et al. (2016) avalia o desempenho dos autocarros elétricos e inclui variáveis na sua análise como por exemplo, a eficiência económica, ambiental e energética. Estes autores acrescentam que deve ser ponderado o trade-off entre diferentes recursos de forma a promover uma utilização ideal de cada tecnologia. Os incentivos têm sido implementados em vários países, Barreiro (2022) exemplifica a forma como estes diferem de país para país. A partir da literatura sobre o tema é possível encontrar como principais fatores explicativos da evolução do mercado dos carros elétricos: o rendimento das famílias; os preços da eletricidade; as infraestruturas de carregamento; fontes de energia renováveis; taxa de emprego; emissões de gases com efeito de estufa; número de vendas de veículos.
21 CAPÍTULO 3: DADOS E METEDOLOGIA ADOTADA Depois de apresentada a revisão da literatura já existente acerca do tema em estudo, e tendo definido os principais fatores e conceitos determinantes sobre esta temática, esta secção visa estabelecer a ligação entre os aspetos teóricos mencionados e as proposições de investigação. De forma a dar resposta ao sugerido na introdução deste projeto, será dado seguimento ao estudo apresentando o método de recolha de dados e a base de dados que deles resulta, apresentando as variáveis usadas e a respetiva análise estatística, sendo ainda apresentado o modelo econométrico e estimar. 3.1 Dados Usados / Descrição da Amostra Para estudar a evolução do mercado dos automóveis elétricos optou-se por centrar a análise na evolução da quota de mercado deste tipo de viatura e na identificação dos seus principais fatores explicativos. Tal como autores como (Neves et al., 2019) e (Rocha, 2017) o fizeram. Este trabalho utiliza os dados de um conjunto de 21 países publicados no Global EV Outlook, referentes a um período de dez anos (2012-2022). Estes países são membros da Electric Vehicle Iniciative (EVI). A EVI é um fórum multigovernamental, fundado em 2010, no âmbito da Clean Energy Ministerial (CEM), que tem como objetivo principal incentivar a compra de veículos elétricos. Como tal, tenta investigar os desafios que se colocam à mobilidade elétrica e apoiar os vários intermediários na transição para a mesma (IEA, 2022). Por motivos de disponibilidade de dados (estarem disponíveis para o público em geral), os países incluídos na investigação são 18 países desenvolvidos, de acordo com a classificação do UNDP-Human Development Index (Portugal, Noruega, Países Baixos, Dinamarca, Polónia, Alemanha, Reino Unido, França, Suécia, Itália, Japão, Estados Unidos, Canadá, Austrália, Finlândia, Islândia, Coreia do Sul, Espanha) a que se acrescentaram o Brasil, a China e a Índia. Os mesmos foram selecionados sob o critério de disponibilidade de dados para as variáveis utilizadas, bem como a maioria pertencer à OCDE. De acordo com estes dados, a maior quota de mercado dos veículos elétricos e a sua produção realizam-se predominante na Europa, na China, nos Estados Unidos e no Japão. Mas, em todos os países da amostra aqui obtida, o mercado tem vindo a expandir-se e, tendo em conta a qualidade dos dados publicados por este fórum (o que pode ser confirmado em Kumar et al.,
22 2022), pode ser usada na estimação do modelo econométrico a desenvolver, que prevê uma relação linear entre a evolução da quota de mercado dos veículos elétricos e os fatores identificados na revisão de literatura anterior. O objetivo é retirar conclusões no que diz respeito à relação entre os fatores explicativos abaixo enunciados e a quota de mercado dos VEs, durante a década de 2012-2022, para o conjunto de países já mencionados acima. Este é um procedimento habitual na literatura de acordo com Rocha (2017) que também utilizou este método. A variável dependente é a quota de mercado dos veículos elétricos (% de veículos elétricos no total das vendas anuais). As variáveis explicativas são os fatores que afetam direta ou indiretamente essa quota de mercado, nomeadamente a disponibilização de infraestruturas de carregamento (lentos e rápidos), o preço da eletricidade, o rendimento das famílias, as vendas de veículos elétricos, bem como de híbridos, as fontes de energia renováveis e por fim os apoios públicos ao setor. Para justificar a escolha das variáveis utilizadas foi realizada uma análise criteriosa da literatura. Na revisão de literatura foram mencionados diversos fatores que ilustram como se comporta a evolução do mercado dos automóveis elétricos. Contudo, alguns fatores como a dimensão cultural são difíceis de quantificar uma vez que divergem muito de país para país. A variável preço dos combustíveis é igualmente difícil de comparar, dado que há várias fontes para a aquisição de combustível em cada país, de mencionar ainda que existem países com maiores custos de transporte do que outros e isso afeta a margem. De igual forma, a autonomia dos veículos varia de marca para marca, pelo que será difícil quantificar porque esta investigação não distingue marcas. O preço das baterias depende do modelo do carro em questão, uma vez que cada fabricante define os seus preços individuais de acordo com os seus modelos, o que se repercute na dificuldade de comparar dados de país para país, relativos ao custo de aquisição de um veículo elétrico. Este estudo é particularmente relevante porque usa uma amostra relativamente grande, quando comparada com os estudos anteriores publicados na literatura sobre o tema, que na sua maioria compara um menor número de países, como por exemplo Fontaínhas (2013) e um menor número de anos, tais como Novotny et al. (2022) que usa dois anos em específico. Esta análise menos ampla poderá levar a limitações na análise e às difíceis conclusões sobre a evolução do mercado dos automóveis elétricos, o que afetará os resultados e a conclusão do
23 estudo. Assim sendo, optarei por analisar, como mencionado anteriormente, um mais elevado número de observações. Espera-se que em países onde o governo incentive a compra de veículos elétricos e dê os devidos apoios, nesse país o parque de automóveis elétricos será sem dúvida maior. Bem como, países com maior disponibilização de infraestruturas de carregamentos. É expectável que famílias com maior rendimento se predisponham a trocar um veículo tradicional por um mais amigo do ambiente. A figura 5 sintetiza o modelo teórico, isto é, mostra de forma esquemática os diferentes fatores explicativos da adoção de veículos elétricos.
24 Venda de veículos elétricos (IEA, 2023) Fontes de energia renováveis na eletricidade/ transportes (Eurostat, 2023) Quota de mercado dos automóveis elétricos (IEA, 2023) Emissões de gases com efeito de estufa (OCDE, 2024) Venda de veículos híbridos (IEA, 2023) Infraestruturas de carregamento rápidas e lentas (IEA, 2023) Rendimento das famílias (Eurostat, 2023) Preço da eletricidade (Eurostat, 2023) Taxa de emprego (OCDE, 2024) Figura 5 - Modelo teórico: O impacto dos fatores explicativos na adoção de veículos elétricos
25 3.2 Modelos econométricos estimados Para investigar os fatores que contribuem para identificar as principais diferenças internacionais observadas na evolução das vendas de carros elétricos foi necessário recorrer às estatísticas do Eurostat, da OCDE e da IEA – International Energy Agency. Assim sendo, a tabela 3 descreve as variáveis utilizadas e a fonte. Tabela 3Identificação das variáveis em estudo Fonte: elaboração própria. De acordo com a tabela 4, é possível conhecer individualmente de forma detalhada cada uma das variáveis em causa. Designação da Variável Variável Fonte Quota de mercado dos veículos elétricos lquota IEA Global EV Data (2023) Vendas de veículos elétricos lvendasElec IEA Global EV Data (2023) Venda de híbridos lvendasHib IEA Global EV Data (2023) Pontos de carregamento rápidos PontCgR IEA Global EV Data (2023) Pontos de carregamento lentos PontCgL IEA Global EV Data (2023) Rendimento das famílias lRend Eurostat (2023) Preço da eletricidade lPrice Eurostat (2023) Taxa de emprego TxEmp OCDE (2024) Fontes de energia renováveis nos transportes FERT Eurostat (2023) Fontes de energia renováveis na eletricidade FERE Eurostat (2023) Emissões de gases com efeito de estufa EmGEE OCDE (2024)
26 Tabela 4 - Descrição das variáveis do modelo Fonte: elaboração própria. Variável Fonte lquota Participação no mercado de veículos elétricos como percentagem de todos os automóveis vendidos lvendasElec Total de vendas anuais de veículos elétricos lvendasHib Total de vendas anuais de veículos híbridos PontCgR O número de pontos de carregamentos rápidos por país, em unidades, por ano PontCgL O número de pontos de carregamentos lentos por país, em unidades, por ano lRend Variável que expressa o poder de compra, em PIB per capita , entre diferentes países ou regiões, ajustando para diferenças nos níveis de preços lPrice Preço da eletricidade paga pelos consumidores domésticos, anual, expresso em euros. É utilizada uma categoria específica de consumidores de eletricidade que utilizam menos de 1.000 kWh por ano. TxEmp Percentagem anual da população em idade ativa no mesmo subgrupo FERT Consumo final anual da utilização de energia no setor dos transportes, em mil toneladas de equivalente de petróleo FERE Participação das energias renováveis no consumo final bruto de energia, por anos EmGEE A emissão total de gases de efeito estufa em kt de equivalente de CO2 são compostas por totais de CO2, excluindo a queima de biomassa de ciclo curto, mas incluindo outras queimas de biomassa, todas as fontes antropogénicas de CH4, fontes de N2O e gases fluorados
27 CAPÍTULO 4: RESULTADOS E DISCUSSÃO Esta seção inclui uma análise dos resultados das estatísticas descritivas relativas aos fatores considerados neste trabalho para explicar a quota de mercado dos VE, da matriz de correlação entre essas variáveis e dos coeficientes estimados para o modelo econométrico seguido. Por fim, discutimos as implicações que surgem dos resultados, que fornecem como uma noção de como diferentes medidas políticas, económicas e técnicas, podem influenciar a adoção de um veículo elétrico por parte do consumidor. As estatísticas descritivas descrevem as características principais do conjunto de dados já mencionados anteriormente. É expectável que em países em que a despesa é maior neste setor, seja também onde se encontra um mercado mais desenvolvido. A mobilidade elétrica tem um grande impacto na rede elétrica, uma vez que irá aumentar a procura global de eletricidade. A tabela 5 expõe as estatísticas descritivas das variáveis determinantes do estudo do mercado dos automóveis elétricos entre 2012 e 2022. Para cada uma das variáveis acima identificadas, apresenta-se a informação sobre o número de observações, a medida de localização de tendência central, ou seja, a média, os valores mínimo e máximo, enquanto medidas de localização de tendência não-central, e o desvio padrão enquanto medida de dispersão. Tabela 5 - Resumo das estatísticas descritivas das variáveis usadas Variável dependente Número de observações Média Desvio Padrão Valor mínimo Valor máximo lquota 391 5,37 11,86 0,00016 88 Variáveis independentes Número de observações Média Desvio Padrão Valor mínimo Valor máximo lvendasElec 389 96,87 65,78 1 226 lvendasHib 366 6258,2 237112,80 1 2900000 PontCgR 301 15102,24 85362,91 0,1 900000 PontCgL 301 34947,32 150103,20 0,1 1800000 lRend 218 111,72 28,93 59 212
28 lPrice 232 71535,54 202745,9 114 1246240 TxEmp 263 63,83 7,85 42,63 81,30 FERET 148 8,87 6,26 0,81 31,85 FERE 148 40,45 24,53 9,91 113,80 EmGEE 282 674644,7 1337484 4521,06 113,80 Fonte: elaboração própria a partir dos resultados obtidos por STATA 16. Através das estatísticas descritivas presentes na tabela pode concluir-se que a média da quota de mercado para o período em análise é de 5,37%, o que nos indica que a difusão deste tipo de veículo ainda tem um longo caminho pela frente. A variável dependente apresenta um mínimo de 0,00016 e apresenta um máximo de 88, o que denota que existe um espalhamento dos valores no conjunto de dados, que é confirmado com o valor elevado 11,82 encontrado para o desvio padrão. De acordo com os dados obtidos no estudo de (Münzel et al., 2019), com 256 observações, número de observações muito próximo, podemos concluir que existe uma maior proximidade entre os dados, isto é uma variabilidade baixa, uma vez que o desvio padrão é 0,037. Uma outra semelhança entre o estudo mencionado anteriormente e o presente é que a média do número de carregadores lentos é superior à média do número de carregadores rápidos. Desta forma, vê-se aqui a necessidade de apostar em carregadores que se façam em menos tempo (Münzel et al., 2019). Os dados do presente estudo em comparação com (Neves et al., 2019), permite advertir para uma maior dispersão dos dados na nossa análise, uma vez que o desvio padrão é mais alto do que o que é apresentado em (Neves et al., 2019). Apresenta-se de seguida a matriz das correlações que demonstra uma análise introdutória do estudo. O objetivo da tabela 6 é observar a intensidade da relação existente entre a variável dependente (quota de mercado) e as diversas variáveis independentes (explicadas anteriormente) através do coeficiente de Pearson .
29 Tabela 6 - Matriz de correlação entre as variáveis estudadas lquota lvendasElec lvendasHib PontCgR PontCgL lRend lPrice TxEmp FERET FERE EmGEE lquota 1,0000 lvendasElec 0,1486 1,0000 lvendasHib 0,7910 -0,0476 1,0000 PontCgR 0,4818 -0,1197 0,6100 1,0000 PontCgL 0,4471 0,0820 0,4155 0,6251 1,0000 lRend 0,5304 0,0830 0,2831 0,0372 0,2701 1,0000 lPrice -0,4604 -0,2449 0,0181 0,1901 0,1354 -0,4766 1,0000 TxEmp 0,6426 0,2327 0,3467 0,0183 0,2691 0,7664 -0,5530 1,0000 FERET 0,4793 0,0422 0,4224 0,3064 0,1158 0,2729 -0,2467 0,3540 1,0000 FERE 0,4431 0,0752 0,0924 -0,0276 -0,1998 0,4371 -0,7131 0,4147 0,2777 1,0000 EmGEE -0,3765 -0,2898 0,0997 0,2640 0,1577 -0,3124 0,7796 -0,4842 -0,2729 -0,5188 1,0000 Fonte: elaboração própria a partir dos resultados obtidos por STATA 16 Grande parte das variáveis explicativas estão positivamente correlacionadas com a variável dependente. A correlação da variável com ela própria, como é esperado apresenta uma correlação perfeita positiva. De acordo com (Martins, M. 2014), pode ser considerado uma correlação imperfeita se: ▪ ]0,8; 1] - muito forte positiva ▪ ]0,5; 0,7] – considerável positiva ▪ ]0; 0,3] – fraca positiva A variável que apresenta a maior correlação com a quota de mercado dos veículos elétricos é a venda de veículos híbridos (0,7910). De destacar a correlação considerável positiva entre o preço da eletricidade e a emissão de gases com efeito de estufa. Com este coeficiente também se consegue analisar o comportamento das variáveis. Isto é, se o sinal for positivo as variáveis comportam-se de igual forma, se negativo divergem. Nesse sentido, existe uma relação inversa entre a quota de mercado e o preço da eletricidade (--0,4604). Um aumento no preço da eletricidade pode tornar a recarga do VE mais cara, especialmente para consumidores que não têm acesso a tarifas elétricas mais baixas. Por conseguinte, especialmente em regiões onde a eletricidade já é cara, pode desestimular a adoção de um VE, reduzindo a sua participação no mercado automotivo.
36 utiliza a frenagem regenerativa como gerador, ou seja, durante a frenagem é produzida a energia que é usada para recarregar as baterias. O preço da eletricidade e a oferta de transporte público restringem a compra de VEs no período analisado. Uma rede de transportes públicos segura e acessível levará os cidadãos a usar com maior probabilidade estas alternativas de transporte, o que reduz a necessidade de possuir um veículo. Os VEs têm um grande impacto na rede elétrica, o que provocará um aumento no custo de produção de eletricidade. O aumento dos preços da eletricidade fará com que os consumidores reconsiderem os benefícios da compra de VEs. Para reduzir os custos de carregamento, a recarga dos veículos deverá ocorrer fora do horário de pico, o que maximizará o uso de fontes renováveis. No futuro, a eletrificação dos veículos criará uma grande variedade de veículos e aumentará as vendas: veículos particulares, no transporte público, no aluguer de viaturas o qual resultará na modernização/desenvolvimento da indústria automobilística e consequentemente numa melhor qualidade do ar e de vida. 5.2. Contributos, limitações e pistas para investigação futura As implicações destes resultados são vastas, sugerindo que políticas focadas na redução dos preços da eletricidade e no aumento das infraestruturas de carregamento podem acelerar a adoção de veículos elétricos. No entanto, a análise descritiva sugere que infraestruturas de carregamento por si só não garantem altas taxas de adoção, corroborando as conclusões apresentadas na revisão de literatura. As limitações deste estudo incluem a ausência de dados específicos sobre preço dos combustíveis, que seria uma variável interessante para comparar com o preço da eletricidade e assim, tirar conclusões sobre se é mais vantajoso possuir um veículo movido a combustão ou a energias limpas. De igual forma, a autonomia dos veículos depende de marca para marca, pelo que seria difícil quantificar esta variável dado que neste estudo a distinção entre marcas não foi objeto de estudo. De acrescentar que, o preço das baterias depende do modelo do carro em questão, visto que cada fabricante define preços individuais de acordo com o tipo de carro, o que se repercute na dificuldade de comparar de país para país, o custo de aquisição de um veículo elétrico.
37 Assim sendo, a dificuldade desta dissertação foi a impossibilidade de estudar todos os fatores mencionados na revisão de literatura. Não foi possível estudar estes fatores citados acima devido a não existir informação suficiente nas bases de dados disponíveis para o público em geral. Por outro lado, para estudos futuros, considero relevante a análise da implementação de infraestruturas em áreas rurais dado que este estudo analisou o total de pontos de carregamento de um país. Os municípios têm um papel fundamental na dinamização deste setor, pois se instalarem este tipo de equipamentos e proporcionarem incentivos, a adoção de veículos elétricos chegará a zonas mais afastadas do centro das cidades. Além disso, é possível que as variáveis usadas tenham deixado de fora outros fatores importantes. Portanto, é necessária uma análise mais aprofundada para desvendar a importância da infraestrutura de carregamento e dos incentivos financeiros para determinar se são, por si só, bons indicadores da adoção de VE, ou se existem outros elementos que também precisam de estar presentes, mas não foram incluídos no nosso modelo. Por exemplo, a volatilidade dos preços dos combustíveis pode fornecer informações sobre a adoção de VE que não são captadas através dos preços absolutos dos combustíveis.
38 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Almeida, S. (2023). Veículos elétricos: Como a China está se preparando para se tornar a maior potência mundial do segmento? Tese defendida Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada. Disponível online em https://www.econstor.eu/bitstream/10419/285028/1/TD2906.pdf Documento extraído em 25/04/2024 Azadfar, E., Sreeram, V., & Harries, D. (2015). The investigation of the major factors influencing plug-in electric vehicle driving patterns and charging behaviour. In Renewable and Sustainable Energy Reviews, 42, 1065–1076). https://doi.org/10.1016/j.rser.2014.10.058 Barbosa, (2013). Sistema de carregamento externo de baterias de veículos elétricos com interface a fonte de energia renovável. Tese defendida na Universidade do Minho. Disponível online em http://repositorium.sdum.uminho.pt/handle/1822/42037 Documento extraído em 07/06/2023 Barreiro, T. (2022). Veículos elétricos: uma análise das políticas públicas voltadas à inserção de veículos elétricos entre os países líderes de venda no segmento. Tese defendida na Universidade de Santa Catarina. Disponível online em https://repositorio.ufsc.br/handle/123456789/242869 Documento extraído em 09/06/2023 Biresselioglu, M. E., Demirbag Kaplan, M., & Yilmaz, B. K. (2018). Electric mobility in Europe: A comprehensive review of motivators and barriers in decision making processes. Transportation Research Part A: Policy and Practice, 109, 1-13. Compete (2030). Disponível online em https://www.compete2030.gov.pt/comunicacao/noticias-pt-informacao/adescarbonizacao-no-portugal-2030/ Documento consultado em 30/03/2024. Conselho da União Europeia (2024). Mobilidade limpa e sustentável para uma UE com impacto neutro no clima - Consilium. Disponível online em https://www.consilium.europa.eu/pt/policies/clean-andsustainable-mobility/ Documento consultado em 25/04/2024. Dinheiro vivo (2022). Postos de carregamento de carros elétricos: como funcionam Disponível online em https://www.dinheirovivo.pt/financas-pessoais/postos-decarregamento-de-carros-eletricos-como-funcionam-15084462.html? Site consultado em 23/08/2023.
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