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Avaliação dos riscos psicossociais: relatório de estágio numa organização do setor têxtil

Fernandes, Inês Maria Gomes Teixeira

Abstract

O presente relatório de estágio surge no âmbito do Mestrado em Psicologia do Trabalho e das Organizações da Universidade do Minho. O estágio decorreu numa organização do setor têxtil, que conta com 6 unidades fabris, localizadas na região Norte do país, e no total, com cerca de 300 trabalhadores. Inserido no Departamento dos Recursos Humanos, em particular na área da Segurança e Saúde no Trabalho, o estágio teve como principal objetivo implementar um programa de avaliação dos riscos psicossociais A avaliação foi feita com recurso à Versão Portuguesa preliminar do Questionário Psicossocial de Copenhaga III (COPSOQ III – versão média) (Cotrim et al., XXX), tendo nela participado a maioria dos trabalhadores. Da análise realizada, foram identificados aspetos que que merecem atenção e intervenção prioritária, assim como também sobressaem alguns fatores positivos e claramente diferenciadores que é desejável manter. O relatório termina com uma reflexão crítica da experiência de estágio, onde se abordam as competências desenvolvidas e as limitações sentidas.

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Universidade do Minho Escola de Psicologia Inês Maria Gomes Teixeira Fernandes Avaliação dos Riscos Psicossociais: Relatório de Estágio numa Organização do Setor Têxtil junho de 2024 Avaliação dos Riscos Psicossociais: Relatório de Estágio numa Organização do Setor Têxtil Inês Maria Gomes Teixeira Fernandes UMinho | 2024 Inês Maria Gomes Teixeira Fernandes Avaliação dos Riscos Psicossociais: Relatório de Estágio numa Organização do Setor Têxtil Relatório de Estágio Mestrado em Psicologia do Trabalho e das Organizações Trabalho efetuado sob a orientação do(a) Professora Doutora Isabel Maria Soares da Silva ii Despacho RT - 31 /2019 DIREITOS DE AUTOR E CONDIÇÕES DE UTILIZAÇÃO DO TRABALHO POR TERCEIROS Este é um trabalho académico que pode ser utilizado por terceiros desde que respeitadas as regras e boas práticas internacionalmente aceites, no que concerne aos direitos de autor e direitos conexos. Assim, o presente trabalho pode ser utilizado nos termos previstos na licença abaixo indicada. Atribuição-NãoComercial-SemDerivações CC BY-NC-ND https://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0/ iii Agradecimentos À minha mãe e ao meu pai, por todo o amor e apoio incondicional. Por me iluminarem nos momentos escuros e pelas oportunidades que me proporcionaram ao longo de toda a minha vida. À minha irmã, que merecia toda uma página de agradecimentos. Sem o seu apoio não teria superado o momento mais difícil da minha vida. Por ouvir com paciência e humor as minhas angústias e preocupações, muitas vezes descabidas e sem noção. Por ser a calma na tempestade. À Sofia por ser a minha amiga de todas as horas, o meu suporte incondicional e um exemplo de empenho e humanidade. Quando for grande quero ser como ela. A todos os meus amigos pelo apoio constante e por me aturarem todos os dias. À Doutora Isabel Silva, orientadora do presente relatório de estágio, pelo conhecimento transmitido. Às minhas colegas de trabalho, um enorme obrigado pela forma como me acolheram ao longo de todo o estágio, em particular à Lígia pela boa disposição e amabilidade. O maior agradecimento de todos, reserva-se à minha supervisora de estágio, Raquel. Um exemplo de determinação, garra e profissionalismo. Por fim, ao meu avô, Raul, a quem dedico este trabalho. As saudades são imensuráveis, espero que estejas orgulhoso e que tomes conta de nós. “Não te esqueças que dentro de ti Há uma luz que brilha sempre aí Onde estás é escuro Mas tu vive e dá valor à vida” - DEAU iv Despacho RT - 31 /2019 DECLARAÇÃO DE INTEGRIDADE Declaro ter atuado com integridade na elaboração do presente trabalho académico e confirmo que não recorri à prática de plágio nem a qualquer forma de utilização indevida ou falsificação de informações ou resultados em nenhuma das etapas conducente à sua elaboração. Mais declaro que conheço e que respeitei o Código de Conduta Ética da Universidade do Minho. Universidade do Minho, 21 de junho de 2024 (Inês Maria Gomes Teixeira Fernandes) v Resumo O presente relatório de estágio surge no âmbito do Mestrado em Psicologia do Trabalho e das Organizações da Universidade do Minho. O estágio decorreu numa organização do setor têxtil, que conta com 6 unidades fabris, localizadas na região Norte do país, e no total, com cerca de 300 trabalhadores. Inserido no Departamento dos Recursos Humanos, em particular na área da Segurança e Saúde no Trabalho, o estágio teve como principal objetivo implementar um programa de avaliação dos riscos psicossociais A avaliação foi feita com recurso à Versão Portuguesa preliminar do Questionário Psicossocial de Copenhaga III (COPSOQ III – versão média) (Cotrim et al., XXX), tendo nela participado a maioria dos trabalhadores. Da análise realizada, foram identificados aspetos que que merecem atenção e intervenção prioritária, assim como também sobressaem alguns fatores positivos e claramente diferenciadores que é desejável manter. O relatório termina com uma reflexão crítica da experiência de estágio, onde se abordam as competências desenvolvidas e as limitações sentidas. Palavras-chave : Avaliação dos Riscos Psicossociais; COPSOQ III; Setor Têxtil; Segurança e Saúde no Trabalho. vi Abestract This internship report is part of the Master's degree in Work and Organizational Psychology at the University of Minho. The internship took place in a textile sector organization, which has six manufacturing units located in the northern region of the country, and a total of about 300 workers. Integrated into the Human Resources Department, specifically in the area of Occupational Safety and Health, the main objective of the internship was to implement a program for the assessment of psychosocial risks. The assessment was conducted using the preliminary Portuguese Version of the Copenhagen Psychosocial Questionnaire III (COPSOQ III – medium version) (Cotrim et al., XXX), with the participation of most workers. The analysis identified aspects that require attention and priority intervention, as well as some positive and clearly differentiating factors that should be maintained. The report concludes with a critical reflection on the internship experience, discussing the skills developed and the limitations encountered. Keywords : Psychosocial Risk Assessment; COPSOQ III; Textile Sector; Occupational Safety and Health. vii Índice 1. Introdução .................................................................................................................................. 9 2. Enquadramento institucional ....................................................................................................... 9 2.1. Descrição da organização ................................................................................................ 10 2.2. Departamento dos Recursos Humanos ............................................................................. 11 3. Avaliação dos Riscos Psicossociais ............................................................................................ 12 3.1. Objetivo do Projeto ........................................................................................................... 13 3.2. Clientes do Projeto ........................................................................................................... 13 3.3. Metodologias do Projeto ................................................................................................... 13 3.3.1. Alvos ....................................................................................................................... 14 3.3.2. Procedimentos ........................................................................................................ 15 3.3.3. Recursos ................................................................................................................. 17 3.3.4. Calendário ............................................................................................................... 18 3.4. Resultados da ARP ........................................................................................................... 18 3.5. Reflexão Crítica do Projeto ............................................................................................... 27 4. Outras atividades ...................................................................................................................... 27 5. Reflexão crítica sobre a experiência de estágio ........................................................................... 28 Referências ...................................................................................................................................... 29 14 3.3.1. Alvos Uma vez que a organização nunca tinha, até ao momento, realizado uma ARP, não estavam identificados potenciais setores prioritários para a avaliação pelo que se optou por incluir todos os trabalhadores da organização que estavam à altura da recolha de dados. Com efeito, alguns trabalhadores não estavam presentes no momento da recolha de dados, por motivos de baixa médica ou deslocações de trabalho. A amostra da avaliação contou com 149 participações, sendo que foram entregues 234 questionários, revelando uma taxa de resposta de 64%. Da amostra, 111 são do sexo feminino, 20 do sexo masculino e 18 não responderam à pergunta, e tem idades compreendidas entre os 22 e 74 anos (M=43.90; DP = 10.477). Relativamente ao estado civil, a maioria dos participantes encontram-se casados ou em união de facto. Com menos afluência de respostas, participaram na avaliação trabalhadores solteiros, divorciados e viúvos. Vários foram os participantes que optaram por omitir esta informação. Analisando as habilitações académicas dos participantes, 61 dos participantes tem até ao 9º ano (Ensino Básico), 37 tem até ao 12º ano (Ensino Secundário), 2 tem um Curso Técnico Superior Profissional (CTESP), 10 concluíram o Bacharelato ou a Licenciatura, 8 o Mestrado (5.4%) e 31 não responderam. Tabela 1. Descrição da amostra Variável Resposta n % Sexo Masculino 20 13,4 Feminino 111 74,5 Sem informação 18 12,1 Estado civil Solteiro(a) 28 18,8 Casado(a)/União de Facto 84 56,4 Divorciado(a) 12 8,1 Viúvo(a) 2 1,3 Sem informação 23 15,4 Habilitações académicas Até ao 9º ano (Ensino Básico) 61 40,9 Até ao 12º ano (Ensino 37 24,8 15 Secundário) CTESPCurso Técnico Superior Profissional 2 1,3 Bacharelato/Licenciatura 10 6,7 Mestrado 8 5,4 Sem informação 31 20,8 3.3.2. Procedimentos A implementação de um programa de ARP envolve diversas etapas, pelo que a primeira fase ocorreu previamente ao início do meu estágio. Aquando da minha chegada à organização, o processo de avaliação já havia sido explicado e aprovado pela Diretora dos Recursos Humanos e pelo Diretor Geral. Aos restantes trabalhadores, o projeto foi apresentando por mim, em conjunto com a responsável da SST, tendo esta fase coincidido com o início do estágio. O instrumento escolhido para avaliar os RP foi a Versão Portuguesa preliminar do Questionário Psicossocial de Copenhaga III (COPSOQ III – versão média), desenvolvido por Cotrim et al. (2022), visto ser um instrumento que reúne consenso internacional quanto à sua validade e compreensibilidade (Burr et al., 2019). O COPSOQ III avalia 7 domínios e 31 escalas de RP e é composto por 85 itens (Tabela 2.) (Bem-Haja et al., 2023; Cotrim et al., 2022). Ao instrumento foi adicionado um questionário sociodemográfico, de forma a coletar informação relativa à idade, gênero e habilitações académicas do participante. Tabela 2. Domínio e escalas da versão média do COPSOQ III. Tabela adaptada de Bem-Haja et al. (2023) Domínios Escalas Nº de Itens Exigências Laborais Exigências Quantitativas 3 Ritmo de Trabalho 2 Exigências Cognitivas 4 Exigências Emocionais 3 Organização do Trabalho e Conteúdo Influência no Trabalho 4 Possibilidades de Desenvolvimento 3 Controlo sobre o tempo de Trabalho 3 Significado do Trabalho 3 16 Os instrumentos foram aplicados em papel, pelo que implicou a deslocação a todas as unidades fabris da organização, estando envolvida, com elevada autonomia, em todo o processo de entrega e recolha do instrumento. Por esse motivo a recolha de dados foi demoroso, ocorrendo de 25 de outubro e a 20 de dezembro. Juntamente com o questionário foi entregue uma carta de apresentação do estudo que pretendia dar, mais uma vez, a conhecer o projeto e garantir a todos os participantes que o anonimato e a confidencialidade das respostas seriam totalmente asseguradas. Devido ao grande fluxo de trabalho, não foi possível que os trabalhadores respondessem ao questionário no momento de entrega. Desse modo, aquando da entrega do questionário, foi colocada Interface TrabalhoIndivíduo Compromisso face ao Local de Trabalho 3 Relações Sociais e Liderança Previsibilidade 2 Reconhecimento 3 Transparência do Papel Laboral 3 Conflito de Papéis Laborais 3 Qualidade da Liderança 4 Suporte Social de Colegas 3 Suporte Social de Superiores 3 Sentido de Pertença a Comunidade 3 Interface TrabalhoIndivíduo Insegurança Laboral 2 Insegurança com as Condições de Trabalho 3 Qualidade do Trabalho 1 Capital Social Confiança Horizontal 3 Confiança Vertical 3 Justiça Organizacional 4 Interface TrabalhoIndivíduo Conflito Trabalho-Família 3 Satisfação com o Trabalho 3 Saúde e Bem-Estar Autoavaliação da Saúde 1 Personalidade Autoeficácia 2 Saúde e Bem-Estar Problemas de Sono 2 Saúde e Bem-Estar Burnout 2 Stress 2 Sintomas Depressivos 2 17 uma caixa lacrada, devidamente sinalizada na respetiva unidade, onde deveriam ser colocados os questionários preenchidos. A caixa foi recolhida após 5 dias da entrega do questionário. Todo este procedimento foi explicado aos trabalhadores na carta de apresentação anteriormente referida e, oralmente, por mim. Concluída a segunda fase da ARP, caracterizada pela divulgação e recolha de respostas, seguiu-se o tratamento estatístico e a análise dos resultados. Os dados recolhidos foram analisados através do programa de tratamento estatístico Statistical Package for Social Sciences (SPSS), versão 27.0 para Windows, e do Microsoft Excel. O processo de ARP terminou com a escrita do relatório geral e dos relatórios individuais respeitantes a cada unidade. Dessa fase resultaram 7 relatórios escritos na sua totalidade por mim e validados pela responsável da SST. Na elaboração destes documentos, tivemos em conta as recomendações de BemHaja et al. (2023), nomeadamente que primassem pela utilização de uma linguagem técnica, mas simples, permitindo à administração uma tomada de decisão consciente no que concerne à intervenção necessária. De forma a concluir o projeto, realizou-se uma reunião, onde estavam presentes o Diretor Geral, o Chief Financial Officer (CFO), a Diretora dos Recursos Humanos, a responsável da SST e eu. Com suporte a um PowerPoint , os resultados da ARP foram devolvidos, assim como os respetivos relatórios. Discutiuse ainda o plano de intervenção proposto, desenvolvido em pormenor no projeto de conclusão de mestrado. A reunião foi conduzida por mim e, sempre que necessário, contou com a intervenção da supervisora de estágio. 3.3.3. Recursos Durante a totalidade do estágio e, para a concretização dos objetivos propostos, a organização facultou todos os recursos necessários. Foi-me disponibilizado um computador portátil, com acesso à internet , e um local de trabalho apropriado no DRH, e ainda criado um email institucional de forma a facilitar a comunicação com todos os trabalhadores. Tinha ao meu dispor todo o material de escritório necessário, como canetas, lápis, capas, entre outros, e ainda acesso livre à impressora. Importa realçar que todos os materiais fornecidos pela organização foram utilizados com responsabilidade e devolvidos aquando do término do estágio. 18 3.3.4. Calendário O projeto ARP decorreu ao longo de todo o estágio, tendo iniciado em setembro e terminado em abril. A tabela 3 explicita a organização das diferentes fases da ARP pelo tempo de estágio. Importa salientar que consideramos que o tempo de estágio foi bem gerido, tendo sido a ARP um projeto demorado, não só pela sua natureza, como também pela necessidade de coordenar o projeto com outras atividades realizadas. Tabela 3. Calendarização das atividades associadas ao projeto ARP 3.4. Resultados da ARP A análise da ARP dividiu-se em dois momentos distintos. Numa primeira fase realizou-se a análise da fiabilidade das escalas do instrumento aplicado e, na fase seguinte, efetuou-se a análise descritiva dos resultados do COPSOQ III. Análise da fiabilidade através do alfa de Cronbach A fiabilidade de uma escala corresponde à capacidade de a mesma ser consistente, sendo que o índice alfa de Cronbach é o mais frequente a usar pela comunidade científica para realizar o estudo métrico de uma escala (Marôco & Garcia-Marques, 2006). Fase Calendarização Set Out Nov Dez Jan Fev Mar Abr 1ª Fase: Apresentação do projeto a todos os trabalhadores e escolha e preparação do instrumento X 2ª Fase: Divulgação da ARP e entrega do instrumento de avaliação X X X 3ª Fase: Tratamento estatístico e análise dos dados X X X 4ª Fase: Redação dos relatórios individuais de cada unidade e do relatório geral X X 5ª Fase: Reunião com administração e demais clientes do projeto X 19 Importa referir que o alfa de Cronbach varia de 0 a 1, e quanto maior aproximação a 1 do coeficiente, maior a fiabilidade do instrumento. A fiabilidade de um instrumento revela-se apropriada quando o alfa é igual ou superior a 0,70, no entanto valores entre 0,60 e 0,70 podem ser considerados aceitáveis, obrigando a uma interpretação mais cautelosa dos resultados de determinado instrumento (Marôco & Garcia-Marques, 2006). Neste sentido, recorreu-se à análise da consistência interna através do alfa de Cronbach para averiguar a fiabilidade das subescalas que integram o COPSOQ III. Nas tabelas que se seguem é possível observar os valores de alfa para cada subescala do instrumento, à exceção das subescalas Qualidade do Trabalho e Autoavaliação da Saúde, por serem compostas por apenas um item¹. Tabela 4. Valores de alfa de Cronbach para a dimensão Exigências Laborais 1 Tabela 5. Valores de alfa de Cronbach para a dimensão Organização do Trabalho e Conteúdo Subescala Nº de itens Alfa de Cronbach Influência no Trabalho 4 0,810 Possibilidades de Desenvolvimento 3 0,770 Controlo sobre o tempo de Trabalho 3 0,778 Significado do Trabalho 3 0,787 Como observado na Tabela 4 e na Tabela 5 todas as subescalas das dimensões das Exigências Laborais e da Organização do Trabalho e Conteúdo revelam uma boa consistência interna para todos os itens que as compõem, observando-se valores de alfa entre 0,74 e 0,85. ¹Apesar da recomendação de um mínimo de três itens na criação de uma subescala (Marôco & Garcia-Marques, 2006), seguimos a estratégia adotada pela equipa do COPSOQ (Cotrim et al., 2022). Subescala Nº de itens Alfa de Cronbach Exigências Quantitativas 3 0,792 Ritmo de Trabalho 2 0,848 Exigências Cognitivas 4 0,739 Exigências Emocionais 3 0,760 20 Tabela 6. Valores de alfa de Cronbach para a dimensão Interface Trabalho-Indivíduo Subescala Nº de itens Alfa de Cronbach Compromisso face ao Local de Trabalho 3 0,554 Insegurança Laboral 2 0,872 Insegurança com as Condições de Trabalho 3 0,694 Conflito Trabalho-Família 3 0,914 Satisfação com o Trabalho 3 0,886 Na dimensão Interface Trabalho-Individuo (Tabela 6), observa-se que as subescalas Insegurança Laboral, Insegurança com as Condições de Trabalho, Conflito Trabalho-Família e Satisfação com o Trabalho revelam uma consistência interna razoável a boa, com valores de alfa entre 0,69 e 0,91. Na subescala Compromisso face ao Local de Trabalho, o alfa de Cronbach assume valores inferiores a 0,60, pelo que se optou por não considerar esta dimensão nas análises seguintes Tabela 7. Valores de alfa de Cronbach para a dimensão Relações Sociais e Liderança Subescala Nº de itens Alfa de Cronbach Previsibilidade 2 0,582 Reconhecimento 3 0,682 Transparência do Papel Laboral 3 0,734 Conflito de Papéis Laborais 3 0,675 Qualidade da Liderança 4 0,820 Suporte Social de Colegas 3 0,779 Suporte Social de Superiores 3 0,848 Sentido de Pertença a Comunidade 3 0,842 Analisando a dimensão Relações Sociais e Liderança (Tabela 7), as subescalas Transparência do Papel Laboral, Qualidade da Liderança, Suporte Social de Colegas, Suporte Social de Superiores e Sentido de Pertença a Comunidade revelam uma boa consistência interna, com valores de alfa que 21 variam de 0,73 a 0,85. Tanto a subescala do Reconhecimento e do Conflito de Papéis Laborais assumem alfas de Cronbach inferiores a 0,60, pelo que a sua análise deve ser cautelosa. A subescala Previsibilidade assume um alfa de 0,58, não tendo sido considerada nas próximas análises. devido ao seu reduzido valor. Tabela 8. Valores de alfa de Cronbach para a dimensão Capital Social Subescala Nº de itens Alfa de Cronbach Confiança Horizontal 3 0,655 Confiança Vertical 3 0,682 Justiça Organizacional 4 0,840 Na dimensão Capital Social, quer a Confiança Horizontal como a Confiança Vertical necessitam de precaução na sua análise, revelando valores de alfa inferiores a 0,70 e superiores a 0,60 (Tabela 8). Tabela 9. Valores de alfa de Cronbach para a dimensão Saúde e Bem-Estar Subescala Nº de itens Alfa de Cronbach Problemas de Sono 2 0,796 Burnout 2 0,886 Stress 2 0,789 Sintomas Depressivos 2 0,763 Tabela 10. Valores de alfa de Cronbach para a dimensão Personalidade Subescala Nº de itens Alfa de Cronbach Autoeficácia 2 0,738 Nas dimensões Saúde e Bem-Estar e Personalidade, todas as subescalas revelam ter boa consistência interna, com valores de alfa de Conbrach superiores a 0,70 em todos elas (Tabela 9 e Tabela 10). Resultados descritivos do COPSOQ III A análise descritiva iniciou-se com o cálculo das respetivas médias e desvio padrão para cada subescala (Tabela 11). As médias devem ser analisadas tendo em conta dois pontes de corte, sendo o 22 primeiro 2,33 e o segundo 3,66 conforme recomendações e prática seguida por outros autores (Silva et al., 2012). Para subescalas inversas, pontuações mais elevadas são favoráveis. Nestes casos médias situadas entre 0 e 2,33 representam situações de risco, sem exposição a fatores de proteção; médias entre 2,34 e 3,66 representam situações intermédias de exposição; e médias superiores a 3,66 representam situações favoráveis com elevada exposição a fatores positivos. Estas subescalas são, nomeadamente: (1) Influência no Trabalho; (2) Possibilidades de Desenvolvimento; (3) Controlo sobre o tempo de Trabalho; (4) Significado do Trabalho; (5) Qualidade do Trabalho; (6) Satisfação com o Trabalho; (7) Reconhecimento; (8) Transparência do Papel Laboral; (9) Qualidade da Liderança; (10) Suporte Social de Colegas; (11) Suporte Social de Superiores; (12) Sentido de Pertença a Comunidade; (13) Confiança Vertical; (14) Justiça Organizacional; e, por fim, (15) Autoeficácia. As escalas que avaliam diretamente a exposição ao risco devem ser analisadas contrariamente às anteriores. Assim sendo, médias iguais ou inferiores a 2,33 representam situações favoráveis, sendo que revelam baixa exposição a fatores de risco, médias entre 2,34 e 3,66 representam situações intermédias, e médias superiores a 3,66 representam situações de risco. Estas subescalas são: (1) Exigências Quantitativas; (2) Ritmo de Trabalho; (3) Exigências Cognitivas; (4) Exigências Emocionais; (5) Insegurança Laboral; (6) Insegurança com as Condições de Trabalho; (7) Conflito Trabalho-Família; (8) Conflito de Papéis Laborais; (9) Confiança Horizontal; (10) Autoavaliação da Saúde; (11) Problemas de Sono; (12) Burnout; (13) Stress; (14) Sintomas Depressivos. Com uma análise inicial, recorrendo exclusivamente às médias, podemos observar que a grande maioria das subescalas apresentam médias situadas entre os 2,33 e 3,66. Apenas 5 subescalas (Significado do Trabalho, Transparência do Papel Laboral, Sentido de Pertença a Comunidade, Qualidade de Trabalho e Autoeficácia), analisadas inversamente, revelam médias superiores a 3,66 e demonstram ter uma exposição favorável. Como situação de risco, com uma média inferior a 2,33, destaca-se apenas a subescala do Controlo sobre o Tempo de Trabalho. Tabela 11. Resultados descritivos do COPSOQ III Subescala n Mínimo Máximo Média Desvio Padrão 23 Exigências Quantitativas 149 1,00 5,00 2,5391 ,75097 Ritmo de Trabalho 148 1,00 5,00 3,1892 ,98008 Exigências Cognitivas 149 1,25 5,00 3,4787 ,79271 Exigências Emocionais 149 1,00 4,33 2,5459 ,90479 Influência no Trabalho 149 1,00 5,00 2,6482 ,98772 Possibilidades de Desenvolvimento 149 1,00 5,00 3,6096 ,88633 Controlo sobre o tempo de Trabalho 149 1,00 5,00 1,8725 1,02032 Significado do Trabalho 149 1,00 5,00 3,6767 ,76774 Insegurança Laboral 149 1,00 5,00 3,1107 1,31113 Insegurança com as Condições de Trabalho 149 1,00 5,00 2,8523 1,09814 Qualidade do Trabalho 148 2,00 5,00 4,2162 ,64461 Conflito Trabalho-Família 149 1,00 5,00 2,5559 ,92423 Satisfação com o Trabalho 149 1,00 5,00 3,1711 ,76694 Reconhecimento 148 1,00 5,00 3,5214 ,91520 Transparência do Papel Laboral 148 1,00 5,00 4,2466 ,69402 Conflito de Papéis Laborais 148 1,00 5,00 2,9358 ,68747 Qualidade da Liderança 148 1,00 5,00 3,3249 ,88724 Suporte Social de Colegas 149 1,00 5,00 3,3680 ,85276 Suporte Social 149 1,00 5,00 2,9251 ,99632 30 S and Cox T (Eds.), 1-16. Maroco, J., & Garcia-Marques, T. (2006). Qual a fiabilidade do alfa de Cronbach? Questões antigas e soluções modernas?. Laboratório de psicologia , 4 (1), 65-90. https://doi.org/10.14417/lp.763 Neto, H. V. (2015). Estratégias organizacionais de gestão e intervenção sobre riscos psicossociais do trabalho. International Journal on Working Conditions, 9(6), 1-21 https://www.researchgate.net/publication/280287225 Ordem dos Psicólogos Portugueses (2023). Prosperidade e Sustentabilidade das Organizações. Relatório do Custo do Stresse e dos Problemas de Saúde Psicológica no Trabalho. Portugal. https://www. ordemdospsicologos. pt/ficheiros/documentos/relatorio_riscos_psicossoc iais. pdf. República de Portugal (2005). Decreto-lei nº50/2005, de 25 de Fevereiro – “Regula as prescrições mínimas de segurança e saúde dos trabalhadores na utilização de equipamentos de trabalho”, Diário da República, I Série-A. 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