Revistas Científicas de Comunicação Ibero-Americanas na Política de Divulgação do Conhecimento. Tendências, Limitações e os Desafios de Novas Estratégias
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Coleção Investigação | Ciências Sociais Cicilia M. Krohling Peruzzo foi coordenadora da comissão do Fórum de Publicações e Difusão do Conhecimen- to da Confibercom (2011-2016). É professora visitante do Programa de Pós-Graduação em Comunicação Social da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Doutora em Ciências da Comunicação pela Universidade de São Paulo (Brasil). Foi presidente da Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação de 2002 a 2005. Moisés de Lemos Martins é Professor Catedrático do Departamento de Ciências da Comunicação da Universidade do Minho. Dirige o Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade, que fundou em 2001. É diretor da revista Comunicação e Sociedade, e também da Revista Lusófona de Estudos Culturais e da Vista. Doutorou-se pela Universidade de Estrasburgo em Ciências Sociais (na especialidade de Sociologia), em 1984. Foi presidente da Sopcom, da Lusocom e da Confibercom. Rodrigo Gabrioti é doutor em Comunicação pela Universidade Metodista de São Paulo. É diretor adjunto de projetos da Intercom gestão 2020-2023. É um dos coordenadores da DTI1 – Epistemologia, Teoria e Metodologia da Comunicação, na Assibercom, professor e coordenador do curso de Comunicação Social – Jornalismo na Escola Superior de Gestão e Negócios, Sorocaba, São Paulo, Brasil. Revistas Científicas de Comunicação Ibero-Americanas na Política de Divulgação do Conhecimento Tendências, Limitações e os Desafios de Novas Estratégias
Coleção Investigação | Ciências Sociais Cicilia M. Krohling Peruzzo foi coordenadora da comissão do Fórum de Publicações e Difusão do Conhecimen- to da Confibercom (2011-2016). É professora visitante do Programa de Pós-Graduação em Comunicação Social da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Doutora em Ciências da Comunicação pela Universidade de São Paulo (Brasil). Foi presidente da Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação de 2002 a 2005. Moisés de Lemos Martins é Professor Catedrático do Departamento de Ciências da Comunicação da Universidade do Minho. Dirige o Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade, que fundou em 2001. É diretor da revista Comunicação e Sociedade, e também da Revista Lusófona de Estudos Culturais e da Vista. Doutorou-se pela Universidade de Estrasburgo em Ciências Sociais (na especialidade de Sociologia), em 1984. Foi presidente da Sopcom, da Lusocom e da Confibercom. Rodrigo Gabrioti é doutor em Comunicação pela Universidade Metodista de São Paulo. É diretor adjunto de projetos da Intercom gestão 2020-2023. É um dos coordenadores da DTI1 – Epistemologia, Teoria e Metodologia da Comunicação, na Assibercom, professor e coordenador do curso de Comunicação Social – Jornalismo na Escola Superior de Gestão e Negócios, Sorocaba, São Paulo, Brasil. Revistas Científicas de Comunicação Ibero-Americanas na Política de Divulgação do Conhecimento Tendências, Limitações e os Desafios de Novas Estratégias
Os conteúdos apresentados (textos e imagens) são da exclusiva responsabilidade dos respetivos autores. © Autores / Universidade do Minho – Proibida a reprodução, no todo ou em parte, por qualquer meio, sem autorização expressa dos autores. COORDENAÇÃO EDITORIAL Manuela Martins Moisés de Lemos Martins FOTO CAPA Ajda ATZ (Unsplash) DESIGN Tiago Rodrigues PAGINAÇÃO E REVISÃO Marisa Mourão IMPRESSÃO e ACABAMENTOS XXX EDIÇÃO UMinho Editora/Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade LOCAL DE EDIÇÃO Braga 2021 ISBN impresso 978-989-8974-39-6 ISBN digital 978-989-8974-40-2 DOI https://doi.org/10.21814/uminho.ed.43 EDITORES Cicilia M. Krohling Peruzzo Moisés de Lemos Martins Rodrigo Gabrioti
CENTRO DE ESTUDOS DE COMUNICAÇÃO E SOCIEDADE Revistas Científicas de Comunicação Ibero-Americanas na Política de Divulgação do Conhecimento Tendências, Limitações e os Desafios de Novas Estratégias Esta publicação é financiada por fundos nacionais através da FCT – Fundação para a Ciência e a Tecnologia, I.P., no âmbito do Financiamento Plurianual do Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade 2020- 2023 (que integra a parcela de financiamento base com a referência UIDB/00736/2020).
5SUMÁRIO Prefácio: A Comunidade Ibero-Americana de Ciências da Comunicação: Publicar em Português e em Espanhol, Difundir Conhecimento, Moisés de Lemos Martins Prólogo: Breves Aportes Sobre la Comunicación de la Ciencia, Beatriz Elena Marín Ochoa Apresentação: Difusão do Conhecimento: Tendências e Perspectivas, Cicilia M. Krohling Peruzzo O Programa SciELO e o Acesso Aberto via Dourada, Abel L. Packer Redalyc: Una Estrategia de Comunicación Científica Regional, Eduardo Aguado López Periódicos Científicos e Difusão do Conhecimento Comunicacional: Do Diagnóstico ao Debate Sobre Métricas de Avaliação de Impacto, Cicilia M. Krohling Peruzzo Las Revistas de Comunicación en el Panorama Internacional: Análisis de la Presencia en los Sistemas de Indexación, Antonio Castillo Esparcia, Ana Almansa Martínez e Elizabet Castillero Ostio Las Revistas Científicas en Comunicación: Principales Retos Iberoamericanos Actuales, Enrique Bustamante Políticas Científicas e Línguas de Ciência: O Caso das Revistas de Ciências da Comunicação em Portugal, Moisés de Lemos Martins Propuestas Para Más Democracia del Conocimiento Académico en Comunicación, Eduardo Villanueva Mansilla O Acesso Aberto e a Economia Política da Publicação Científica, Paulo Serra 7 15 21 29 59 69 91 113 125 143 159
6SUMÁRIO Difusión Científica 2.0: Adopción y Uso de Herramientas Digitales por Revistas Académicas de Comunicación en Iberoamérica, Carlos Arcila Política Científica y Socialización del Conocimiento: Hacia una Nueva Economía Política Común del Espacio Cultural Latino, Francisco Sierra Caballero Notas Biográficas 177 197 211
Prefácio A Comunidade Ibero- -Americana de Ciências da Comunicação: Publicar em Português e em Espanhol, Difundir Conhecimento https://doi.org/10.21814/uminho.ed.43.1 Moisés de Lemos Martins Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade, Instituto de Ciências Sociais, Universidade do Minho, Portugal
Prólogo Breves Aportes Sobre la Comunicación de la Ciencia https://doi.org/10.21814/uminho.ed.43.2 Beatriz Elena Marín Ochoa Facultad de Comunicación Social – Periodismo, Universidad Pontificia Bolivariana, Colombia/Presidente de la Asociacíón Colombiana de Investigadores en Comunicación (Acicom), Colombia
17REVISTAS CIENTÍFICAS DE COMUNICAÇÃO IBERO-AMERICANAS... La comunicación de la ciencia en formatos impresos, tipo revista, surge con el desarrollo de la ciencia moderna y de la imprenta, a comienzos del siglo XVII. Hasta entonces los científicos de todas las áreas del conocimiento comunicaban sus hallazgos y logros a través de correspondencia que cruzaban con sus pares más cercanos. Era el caso de la Royal Society, en Londres, y de la Académie Royal des Science, en Francia, que incluían en sus escritos desde comentarios hasta evaluaciones de sus hallazgos. Pero con el desarrollo de la imprenta y la llegada de los sistemas tipográficos acogidos por la prensa se facilitó la multiplicación de estas comunicaciones en las páginas de los medios escritos en formatos tipo revista académica. Esto fue un terreno abonado para que surgieran las primeras revistas científicas, en 1665, en Francia, con el Journal de Savants y, en Londres, con el Philosophical Transactions of the Royal Society. Como dicen López Ornelas y Cordero (2005), Philosophical Transactions of the Royal Society, en 1752, implementaría por primera vez un sistema de revisión, es decir, un comité evaluador de los artículos bajo unos parámetros que permitían definir si estos tenían calidad suficiente para ser publicados y así convertir a la revista en cuestión como publicación de referencia. También entonces se dio origen de una forma muy sencilla a las primeras colaboraciones científicas, concepto que, en la actualidad, es muy valorado en nuestros círculos y que es evidenciado en los encuentros locales, nacionales e internacionales de Comunicación, así como en las asociaciones que nos reúnen. “Ciencia y colaboración se han constituido en un binomio indisociable para posibilitar el progreso y el avance del conocimiento” (González Alcaide & Gómez Ferri, 2014, p. 2). El idioma era otro asunto. El Latín dominó la lengua de la ciencia hasta el siglo XVIII, aunque hay afirmaciones de que Galilelo Galilei, en 1612, siglo XVII, publicaba en Italiano, su lengua materna, con la idea de que el pueblo entendiera los avances de sus investigaciones, camino que fue seguido por otros como: “René Descartes, quien en 1637 publicó en francés su Discours de la méthode (Discurso del método), y Robert Boyle, que dio a la luz, en Inglés, en 1661, el The Sceptical Chymist (El químico escéptico)” (Núñez Centella, 2010, para. 5). Pero, fruto de las guerras y el surgimiento creciente de la economía de Estados Unidos, se posicionó al Inglés como la lengua de la ciencia. Con la llegada de las redes y el desarrollo de las tecnologías de información y comunicación digitales, en los 90, se inició una transición un poco precavida hacia ese nuevo ambiente denominado internet y la mayoría de los medios impresos periódicos, entre ellos las revistas científicas, emigraron a la red logrando una gran cobertura geográfica de forma atemporal y con una audiencia más amplia gracias
18 a la popularidad de la red de redes, a pesar de que sus propuestas eran completamente recicladas, es decir, una copia igual a la versión impresa. Y es que esa condición esencial de los investigadores, que ya es parte de la tradición del ejercicio de pesquisa, de que al finalizar los ejercicios de búsquedas, hallazgos y análisis se den a conocer a la comunidad científica sus metodologías, resultados y conclusiones con la idea de que esa información se transfiera a otros investigadores y a la sociedad general. López Ornelas y Cordero (2005) se basan en lo que dijeron Guedón (2000) y Ríos (2000) acerca de las publicaciones seguiren siendo los eslabones básicos en el proceso de transferencia y difusión de la ciencia. La necesidad de presentar los resultados de investigación también es una preocupación permanente entre los investigadores de las Ciencias Sociales y en particular de la Comunicación, en el espacio iberoamericano, es un reclamo por reivindicar su aporte al desarrollo del campo de estudios, desde este lado del mundo, que se ubica entre dos continentes con las lógicas propias de nuestra identidad y su particular mixtura cultural, donde se valora el juzgamiento de evaluadores y se reconoce la importancia de las métricas y los sistemas de indexación, se busca el desarrollo del trabajo colaborativo entre pares de la región, se aboga por el acceso y la libre circulación del conocimiento y se exige una valoración del Español y del Portugués, entre otras, como lenguajes oficiales de la ciencia que se descubre al mundo. Por eso el libro que hoy presentamos, Revistas científicas de Comunicação ibero-ame- ricanas na política de divulgação do conhecimento: tendências, limitações e os desafios de novas estratégias, reúne las reflexiones de académicos iberoamericanos preocupados por revisar: una estrategia de comunicación científica regional; las métricas de evaluación de impacto; la presencia en los sistemas de indexación; los retos iberoamericanos; las políticas científicas y la lengua de la ciencia; las propuestas para promover una mayor y más democrática diseminación del conocimiento; la socialización del conocimiento; el acceso abierto y la economía política de la comunicación científica; la adopción y uso de herramientas digitales; y la visibilidad y accesibilidad de los conocimientos online. Esperamos que este sea un aporte a consolidar los esfuerzos por posicionar el trabajo y dedicación a la investigación en Iberoamérica, una apuesta que cada vez se posiciona más entre las organizaciones que reúnen a los académicos de este campo en lo local, nacional e internacional porque durante los últimos 30 años se realiza un ejercicio riguroso y disciplinado que da cuenta del trabajo como científicos sociales y que permita fortalecer la publicación en las lenguas maternas propias de Iberoamérica, en el campo de estudio en la región y para el mundo. PRÓLOGO
19REVISTAS CIENTÍFICAS DE COMUNICAÇÃO IBERO-AMERICANAS... Referencias González Alcaide, G. & Gómez Ferri, J. (2014). La colaboración científica: Principales líneas de investigación y retos de futuro. Revista Española de Documentación Científica, 37(4), 1-15. https://doi.org/10.3989/ redc.2014.4.1186 López Ornelas, M. & Cordero, G. (2005).Un intento por definir las características generales de las revistas académicas electrónicas.Razón y Palabra, 43, 1-33. http://www.razonypalabra.org.mx/libros/libros/caracrevelec.pdf Núñez Centella, R. (2010, 31 de marzo). La cultura científica, según Ramón Núñez Centella. Asociación Española de Comunicación Científica. https://www.aecomunicacioncientifica.org/la-cultura-cienti- fica-segun-ramon-nunez-centella/
Apresentação Difusão do Conhecimento: Tendências e Perspectivas https://doi.org/10.21814/uminho.ed.43.3 Cicilia M. Krohling Peruzzo Programa de Pós-Graduação em Comunicação, Faculdade de Comunicação Social, Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e Universidade Federal do Espirito Santo, Departamento de Comunicação, Vitória-ES, Brasil
23REVISTAS CIENTÍFICAS DE COMUNICAÇÃO IBERO-AMERICANAS... A publicação do presente livro intitulado Revistas científicas de Comunicação ibero- -americanas na política de divulgação do conhecimento: tendências, limitações e os desafios de novas estratégias, um projeto um tanto postergado, se concretiza em boa hora diante da atual proeminência do debate necessário sobre as questões envoltas na problemática das métricas de avaliação da produtividade científica no campo da Comunicação. Esse tempo de latência dos textos apresentados nos eventos do Fórum de Publicações e Difusão do Conhecimento Científico (FPDCC), da Confederação Ibero-Americana das Associações Científicas e Acadêmicas de Comunicação (Confibercom), no período de 2011 a 2016 e que compõem esta coletânea, permitiu, em alguns casos, uma oportuna atualização das temáticas pelos autores, de modo a contribuir para a discussão ora candente sobre as políticas de divulgação e de avaliação do conhecimento científico no campo da Comunicação Social ibero- -americano. A presente coletânea reúne uma seleção de textos apresentados em painéis e seminários do referido fórum, nas edições realizadas em São Paulo (2011), Quito (2012), Porto (2013), Braga (2014), São Paulo (2015) e Madrid (2016)1, cujos autores enviaram suas contribuições escritas. As atividades do FPDCC aconteceram como parte da programação dos congressos da Confibercom, exceto em 2016, que foi realizado no bojo do “V Congreso da Asociación Española de Investigación de la Comunicación (AE-IC)”. Ao longo desse tempo, os membros da Comissão do FPDCC e convidados discutiram várias temáticas importantes envolvidas na questão da difusão do conhecimento científico, entre elas, as políticas de indexação de periódicos, de avaliação de periódicos pelo fator de impacto, acesso aberto e circulação do conhecimento, dificuldades e limites da internacionalização, ou seja, de publicação de artigos da área da Comunicação em periódicos científicos do mundo anglo-saxão. Elaboraram também diagnósticos sobre o panorama das revistas científicas em diferentes países, além de tecerem propostas visando o fortalecimento da divulgação da produção científica em Comunicação e incentivando avanços na integração interpaíses da região e maior penetração na pesquisa ibero-americana em Comunicação internacionalmente. Todos estes aportes estão tratados nos capítulos desta coletânea. O primeiro capítulo apresenta “O programa SciELO e o acesso aberto via dourada”, de autoria de Abel L. Packer, diretor do programa Scientific Electronic Library Online (SciELO), que tem o mérito de ser pioneiro na adoção do acesso aberto, em 1998, para a publicação de periódicos científicos e de tornar-se uma importante plataforma de acesso aberto com projeção mundial. Abel L. Packer descreve o processo de constituição e 1 Neste período, o Fórum de Publicações e Difusão do Conhecimento foi coordenado por Cicilia M. Krohling Peruzzo, então professora da Universidade Metodista de São Paulo (Brasil), e a partir de julho de 2016, a coordenação passou a ser exercida por Antonio Castillo Esparcia, professor da Universidade de Málaga (Espanha), membro da Comissão do FPDCC, desde 2012.
24 evolução do SciELO, inicialmente criado para dar visibilidade à produção científica brasileira na área da Saúde, mas que atualmente engloba uma rede de coleções de periódicos científicos de várias áreas do conhecimento publicados em países da América Latina e Caribe, além de Espanha, Portugal e África do Sul, a partir das funções de indexação, publicação e interoperabilidade de periódicos e os artigos. O autor salienta as limitações da língua portuguesa, no cenário internacional, para a demonstração do que se produz no Brasil, que concentra um alto grau de produtividade em publicações científicas colocando-o como liderança emergente na região, além de apontar os desafios existentes para a melhoria da difusão científica e de indicar as atuais linhas de ação e as perspectivas futuras do SciELO e sua rede de periódicos. O segundo capítulo traz a contribuição de Eduardo Aguado López, fundador e diretor da Red de Revistas Científicas de América Latina y el Caribe, España y Portugal (Redalyc). Ele apresenta a existência desta base regional de indexação de periódicos, no texto intitulado “Redalyc: una estratégia de comunicación científica regional”, um sistema de livre acesso que nasceu sob o lema “a ciência que não se vê não existe”. Eduardo Aguado López mostra as múltiplas funcionalidades da Redalyc, inclusive, como sistema de busca por campos do conhecimento e de indicadores bibliométricos e cienciométricos nos campos das Ciências Sociais e Humanas e das Ciências Naturais e Exatas, em seu acervo com mais de 1.300 periódicos. A Redalyc tem como um dos marcos de sua visão a superação da atual avaliação da ciência baseada em métricas como o fator de impacto e impulsionando a inclusão da ciência local e a diversidade linguística em favor do bem comum2. O capítulo “Periódicos científicos e difusão do conhecimento comunicacional: do diganóstico ao debate sobre méticas de avaliação de impacto” resgata os conteúdos discutidos no âmbito dos encontros do Fórum de Publicações do Conhecimento Científico da Confibercom e traz um panorama geral dos periódicos de Comunicação nos países ibero-americanos, para discutir caminhos e propostas para a democratização da difusão científica, inclusive, sobre a importância de resgatar a produção ainda não indexada e valorizar as línguas ibero-americanas. Neste capítulo, se apresenta também as propostas discutidas em diversos encontros do FPDCC, as quais, em síntese, visam maior integração ibero-americana, compartilhamento da produção científica em Comunicação, mudanças nas políticas de difusão e avaliação científica, a criação de repositórios e de índices regionais, além de valorização da produção nos idiomas da região, mas com sua difusão em multilínguas – inclusive o Inglês – potencializando sua internacionalização. Se levanta ainda instigantes questões acerca da avaliação da produção científica, mostrando a base de cálculo do fator de impacto e do índice H e suas limitações e possíveis condicionamentos. 2 Ver https://www.redalyc.org/redalyc/acerca-de/mision.html APRESENTAÇÃO
31REVISTAS CIENTÍFICAS DE COMUNICAÇÃO IBERO-AMERICANAS... Introdução1 A América Latina e o Caribe são a região do mundo que, proporcionalmente, publica a maior parte de sua pesquisa científica em acesso aberto (AA). Em 2013, a coleção principal da Web of Science (WoS) mostrou que cerca de 11% dos 1,6 milhões de artigos indexados nesta base de dados foram publicados em AA. Os EUA contribuem com cerca de 9% de seus artigos e a Europa Ocidental com 11%, enquanto a América Latina possui impressionantes 27%, com o Brasil liderando a região, com aproximadamente um terço de seus artigos disponíveis em AA. Em julho de 2014, o Brasil ficou em primeiro lugar no Directory of Open Access Journals, no que diz respeito ao número de artigos em AA. O desempenho do Brasil e dos outros países da América Latina e Caribe pode ser atribuído principalmente a periódicos publicados nacional e regionalmente, a maioria dos quais publicados em AA. Por exemplo, em 2013, do número total de artigos publicados em periódicos do Brasil indexados na WoS, 73% estavam em AA. Esta predominância de periódicos em AA pode ser observada no catálogo dos 20.875 periódicos ativos indexados na Scopus em junho de 2014, sendo 12% destes periódicos publicados em AA, número que sobe para 65% para a região da América Latina e Caribe, 70% para o Brasil e 80% para o Chile. Com verdadeiro espírito pioneiro, o AA foi adotado pelo programa Scientific Electronic Library Online (SciELO) em 1998, sob a liderança do Brasil e do Chile, com o objetivo de promover a visibilidade e disponibilidade online de texto completo, além do uso e impacto da pesquisa comunicada por meio de periódicos de qualidade publicados nacionalmente (Packer, 2009). Esta adoção do AA em 1998 ocorreu quatro anos antes da formalização do movimento de AA pela Declaração de Budapeste2. A predominância do AA na América Latina e Caribe em associação ao programa SciE- LO é reconhecida na literatura científica e técnica internacional (Miguel et al., 2011). Em primeiro lugar, este capítulo descreve a história de fundo que contribuiu para o surgimento do SciELO, a adoção pioneira do AA e sua consolidação como o modus operandi para a publicação de rede de coleções de periódicos SciELO publicados na América Latina e Caribe, Espanha, Portugal e África do Sul; segundo, fornecerá um esboço do desenvolvimento do modelo SciELO, que compreende a integração das funções de indexação, publicação e interoperabilidade de periódicos e os artigos que eles contêm; em terceiro lugar, analisará aspectos críticos na evolução dos periódicos no contexto do SciELO e os pontos fortes, barreiras e grandes desafios que 1 Este capítulo foi publicado e traduzido com autorização. O original foi publicado em 2015 pelo autor, sendo os dados relativos a 2013 e 2014 (ver Packer, 2015). 2 As informações sobre a Declaração de Budapeste estão disponibilizadas em https://www. budapestopenaccessinitiative.org/
32 devem ser enfrentados para melhorar a qualidade e acompanhar o estado da arte na comunicação científica; e quarto, listará as principais linhas de ação que orientarão o desenvolvimento futuro do SciELO e de seus periódicos. O capítulo conclui enfatizando que o AA continuará a predominar no que diz respei- to à futura publicação dos periódicos SciELO, mas que seu desenvolvimento e qualificação dependerão, em parte, do sucesso alcançado pelos refinamentos promovidos pelo programa SciELO e capacidade de renovação por parte das instituições publicadoras e dos editores de periódicos. Este sucesso, no entanto, será decisivamente influenciado pela capacidade dos sistemas nacionais de avaliação de pesquisa em atribuir um valor apropriado ao papel vital que normalmente é desempenhado pela maioria dos periódicos publicados nacionalmente3. As origens e a consolidação do AA via dourada na região da América Latina e Caribe As condições que levaram à adoção em larga escala do AA por periódicos de qualidade publicados na América Latina e Caribe são produtos de dois movimentos convergentes. Em primeiro lugar, uma reunião de políticas e programas internacionais e regionais de apoio ao desenvolvimento da gestão da informação e comunicação científica que ocorreu nos últimos 40 anos. Em segundo lugar, estes esforços foram realizados no contexto ou em convergência ou em parceria com políticas e programas nacionais de fomento à pesquisa, comunicação científica e tradução do conhecimento científico em apoio ao ensino, à prática profissional e à informação de políticas públicas. Dentro destes programas, o apoio a periódicos publicados nacionalmente com base na avaliação de seu desempenho teve um papel fundamental. Cooperação internacional Organismos especializados das Nações Unidas, em particular os seguintes, estabeleceram programas de cooperação técnica muito eficazes e inovadores entre as instituições nacionais que apoiam a pesquisa e a comunicação científica nos países da região da América Latina e Caribe: • a Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL), por meio de seu Centro Latino-Americano de Documentação Econômica e Social (Clades), que levou ao desenvolvimento do formato bibliográfico da CEPAL e do Centro Demográfico da América Latina e Caribe (Celade), por meio de seu Sistema de Documentação da População (Docpal); 3 Uma visão geral mais completa do SciELO é apresentada no livro SciELO – 15 years of open access copublicado pela Unesco e o SciELO (Packer et al., 2014) O PROGRAMA SCIELO E O ACESSO ABERTO VIA DOURADA
33REVISTAS CIENTÍFICAS DE COMUNICAÇÃO IBERO-AMERICANAS... • a Unesco, por meio do Programa de Informação para Todos (IFAP) e das ações de seus escritórios regionais na região da América Latina e Caribe; • a Organização para Alimentos e Agricultura, por meio de seu escritório do Sistema Internacional de Ciência e Tecnologia Agrícola (Agris); • o Instituto Interamericano de Cooperação em Agricultura (IICA)/Centro de Pesquisa e Educação em Agricultura Tropical (CATIE), por meio da Aliança dos Serviços de Informação e Documentação Agrícola das Américas (Sidalc); • a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) através de seu Sistema Internacional de Informação Nuclear (INIS); • a Organização Mundial da Saúde (OMS), por meio de seu escritório regional para as Américas, a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) e seu Centro Latino-Americano e do Caribe de Informação em Ciências da Saúde, mais conhecido como Bireme, que é derivado do nome original em Português e Espanhol – Biblioteca Regional de Medicina. Os programas de cooperação técnica foram orientados para o desenvolvimento de competências e infraestruturas nacionais em informação e comunicação científica. Estes programas contribuíram para atender à crescente demanda de informação científica das comunidades de ensino e pesquisa que não eram totalmente atendidas pelas coleções de bibliotecas localizadas em instituições de ensino e pesquisa em seus países, e estes programas contribuíram para o estabelecimento de controle bibliográfico de produção técnica e governamental em países da região, por meio de sistemas de indexação baseados em disciplinas alinhadas com os principais índices internacionais de tópicos listados acima. Neste processo, os programas de cooperação técnica abordaram a questão crítica de contextualizar a evolução internacional dos sistemas, produtos e serviços de informação às condições e requisitos nacionais e regionais. Ao mesmo tempo, estes programas ajudaram a ajustar e trazer inovações em metodologias e tecnologias para o gerenciamento e operação de fontes e processos de informação com o uso progressivo das tecnologias de informação e comunicação. Isso aconteceu primeiro no final da década de 1960 e no início da década de 1970, com o uso reduzido de mainframes e minicomputadores, seguido pelo uso de computadores no modo autônomo ou trabalhando em redes locais, e a partir da década de 1990, com a adoção progressiva da internet.
34 A disponibilidade livre de custos, juntamente com um programa abrangente de treinamento e suporte técnico, tanto em nível nacional quanto regional, para o pacote de software para computador CDS/ISIS da Unesco, projetado para o armazenamento e recuperação de texto estruturado e, especialmente, registros bibliográficos, foi fundamental na educação de milhares de bibliotecários e profissionais da informação no gerenciamento e operação automatizada de catálogos e na viabilização da automação de bibliotecas e centros e serviços de informação científica. As bases de dados internacionais também começaram a ser operadas em âmbito nacional por meio do software CDS/ISIS. Além disso, em colaboração com programas de cooperação em informação científica das Nações Unidas, muitas instituições relacionadas com a informação, bem como agências e fundações do mundo desenvolvido que apoiaram seu desenvolvimento, contribuíram decisivamente para o avanço do gerenciamento e operação de fontes de informação científica na região da América Latina e Caribe. Entre elas, é importante destacar as contribuições significativas feitas pela Biblioteca Nacional de Medicina dos Estados Unidos (National Library of Medicine, NLM), pela Fundação Kellogg e pelo Centro Canadense de Pesquisa para o Desenvolvimento Internacional (IDRC). Estas políticas e programas regionais progrediram, fornecendo respostas a problemas, demandas e expectativas comuns dos países da região em relação ao desenvolvimento de capacidades e infraestruturas nacionais, de acordo com o estado da arte, internacionalmente falando, a este respeito, e foram favorecidos pela união de fatores políticos, sociais, econômicos e culturais, incluindo a posição predominante das línguas espanhola e portuguesa, que, em muitas ocasiões, apresentavam sérias barreiras ao acesso à informação e ao acompanhamento do estado da arte internacional na gestão da informação e comunicação científica. Trabalho em rede Uma característica determinante destas políticas, programas e projetos foi a posição central desempenhada pelas redes nacionais e regionais de instituições com bibliotecas, centros e serviços de informação e comunicação científica. As redes foram progressivamente sendo construídas usando práticas comuns e se afirmaram como o modus operandi de cooperação, divisão de trabalho e construção de uma massa crítica de coleções acessíveis de conteúdo e comunidades de usuários, profissionais e instituições ligadas à produção e intermediação de informação científica e contribuiu para a adoção de padrões e plataformas operacionais comuns ou compatíveis. Trabalhar em rede traz consigo vantagens conhecidas, como o avanço acelerado promovido pelo intercâmbio mútuo, compartilhamento de informação, conhecimentos, recursos e conteúdo. Ao mesmo tempo, porém, este modo de trabalhar enfrenta O PROGRAMA SCIELO E O ACESSO ABERTO VIA DOURADA
35REVISTAS CIENTÍFICAS DE COMUNICAÇÃO IBERO-AMERICANAS... desafios que derivam principalmente da complexidade da gestão de diferentes assimetrias e prioridades em uma realização de objetivos compartilhados que pressupõe um nível mínimo de equidade na participação. Deste modo, a neutralidade, diante das condições e circunstâncias nacionais, favoreceu a ação de organizações internacionais e agências dos países desenvolvidos na superação de muitas das complexidades envolvidas na introdução de inovações e desempenhou um papel decisivo no desenvolvimento das redes de informação e comunicação na região da América Latina e Caribe. No entanto, também é certo que inconsistências nas políticas de cooperação técnica de agências internacionais e nacionais, produzidas em consequência da crescente restrição de recursos, incapacidade de inovar, mudanças nas prioridades em relação ao apoio ao desenvolvimento e ausência ou mudança de liderança nos níveis mais altos de pesquisa e informação científica travou ou interrompeu o ritmo de desenvolvimento das redes na região da América Latina e Caribe, em muitos casos antes que sua operação pudesse ser consolidada e adotada pelos próprios países. A crescente disponibilidade e interoperabilidade das fontes de informação na web contribuíram e/ou superaram o enfraquecimento das redes tradicionais baseadas em instituições. A rede da Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), composta por centenas de bibliotecas e centros de informação científica na área da saúde, abrange praticamente todos os institutos de pesquisa, educação e assistência à saúde situados na América Latina e Caribe. Estas instituições possuem estreitas relações com os principais sistemas de informação científica em todo o mundo, e com ênfase particular naqueles coordenados pela NLM, OMS e Unesco, são um exemplo da evolução das redes cooperativas e de seu legado positivo para instituições e sistemas nacionais de informação científica. A criação e o desenvolvimento da BVS no final dos anos 90 foi uma síntese dos avanços realizados em política, metodologia e tecnologia contribuídos pelas diferentes redes e programas internacionais de cooperação, e é parte integrante da história da evolução de mais de 40 anos de cooperação técnica da Bireme na região da América Latina e Caribe e com outras regiões em desenvolvimento do mundo, especialmente na África. O papel da Bireme A atividade da Bireme sempre foi realizada por meio de mecanismos de rede e adoção, adaptação e desenvolvimento de ondas sucessivas de metodologias e desenvolvimentos técnicos em tecnologias da informação, a fim de responder às condições e demandas de países da América Latina e Caribe. A Bireme avançou, apoiada pela estreita parceria da OPAS/OMS com o Governo do Brasil, por meio dos Ministérios da Educação e da Saúde, do Governo do Estado de São Paulo e da Universidade
36 Federal de São Paulo (Unifesp) que abrigam a sede da Bireme. A Bireme iniciou sua operação em 1967, com o estabelecimento de um serviço de envio de documentos que oferecia acesso a fotocópias de artigos publicados em periódicos científicos retiradas de coleções de periódicos em papel compartilhados por uma extensa rede nacional e internacional, envolvendo centenas de bibliotecas. Desde o final da década de 1960, a Bireme operava a base de dados Medline, primeiro a partir das instalações do Instituto de Energia e Pesquisa Nuclear (IPEN), afiliado à Universidade de São Paulo, e posteriormente de suas próprias instalações de informática e atuando como um dos centros Medlars estabelecidos mundialmente pela NLM. Em alguns anos, complementou a disponibilidade de acesso ao Medline para os países da América Latina e Caribe com a criação de um índice bibliográfico regional com o objetivo de estabelecer um controle bibliográfico abrangente e a disseminação da literatura científica e técnica relacionada à saúde a partir da América Latina e Caribe. Inicialmente, este índice bibliográfico publicado em papel e intitulado Index Medicus Latino-Americano (IMLA) abrangeu apenas periódicos científicos. Posteriormente, como parte de uma terceira fase na operação da rede cooperativa, o processo de indexação foi expandido para incluir todos os tipos de documentos sob o nome de base de dados da Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (Lilacs). Tornou-se operacional de maneira descentralizada, com cada país assumindo a responsabilidade de registrar sua própria literatura científica, inicialmente em papel, para entrada em bases de dados do tipo Lilacs operadas em microcomputadores e, posteriormente, de forma automatizada, com o uso de computadores. Durante esta fase, a Bireme criou o Sistema Latino-Americano e do Caribe de Informação em Ciências da Saúde como estrutura de gerenciamento e operação de sua rede de bibliotecas e centros de informação científica e técnica. Foi também nesta fase que a Bireme foi pioneira no uso da tecnologia de CD-ROM no mundo em desenvolvimento, com o lançamento em 1987 do Lilacs/CD-ROM para distribuir a base de dados Lilacs e, posteriormente, o Medline para a sua rede. Desenvolvimento online Com o surgimento da internet e a consolidação progressiva da web como a nova mídia da comunicação científica, as lideranças nacionais da rede, sob a coordenação da Bireme, levaram o modus operandi de cooperação adiante para uma quarta fase, focada em operar online usando a web, com a criação da BVS em 1998 após a Declaração de San José Rumo à Biblioteca Virtual em Saúde. Esta rede de bibliotecas online foi criada como um programa abrangente e inovador de cooperação técnica, projetado de acordo com três dimensões principais (Packer & Castro, 1998). A primeira dimensão tem caráter político e engloba uma estratégia de democratização do acesso e publicação de informação científica como condição central e O PROGRAMA SCIELO E O ACESSO ABERTO VIA DOURADA
37REVISTAS CIENTÍFICAS DE COMUNICAÇÃO IBERO-AMERICANAS... determinante social da saúde. A organização e publicação dos resultados de pesquisa dos países da região e sua inclusão no fluxo internacional de informação científica é priorizada juntamente com o acesso ao resultado da pesquisa internacional. É nesta dimensão política que as origens do AA na região foram moldadas. A segunda dimensão, que trata de questões de metodologia e padronização, é a abordagem de rede para gerenciar informação e conhecimento científico e técnico com base em bens comuns multidisciplinares e multilíngues, envolvendo Biblioteconomia, Ciência da Informação e Tecnologias de Informação e disciplinas de gerenciamento. A terceira dimensão, de caráter operacional, consiste na implementação prática da BVS por meio de três tipos de redes convergentes: primeiro, redes sociais compostas por produtores, intermediários e usuários da informação científica4; segundo, redes de conteúdo (ou fontes de informação) operadas online na web; e terceiro, redes de aprendizagem e ambientes aprendizes e informados, centradas no gerenciamento de fluxos de informação locais, com base na troca de informação e experiências entre atores locais que interagem com o espaço da BVS. A biblioteca online, diante de uma variedade de produtos, serviços e coleções de documentos científicos e técnicos viabilizados pela web, além dos tipos tradicionais de documentos em papel, foi estruturada funcionalmente de acordo com seis tipos diferentes de fontes de informação: 1. fontes primárias, que consistem principalmente em coleções de documentos de texto completo online; 2. fontes secundárias, compostas por índices de metadados com acesso online a texto completo ou a serviços de fotocópia, sempre que possível; 3. um terceiro tipo de fontes de informação voltado para educação e tomada de decisão, com ênfase em revisões sistemáticas, como a Biblioteca Cochrane; 4. um quarto tipo compreende a disseminação seletiva de informação; 5. um quinto, os sistemas de comunicação e os espaços de cooperação online; 4 O conceito de rede social era originalmente definido e restrito a relacionamentos institucionais e pessoais no âmbito da BVS e antes de adquirir a ampla natureza da web em torno de sistemas universais centralizados de interação entre usuários.
38 6. e, finalmente, as metodologias e tecnologias que suportam o funcionamento da biblioteca. Para cada tipo de fonte de informação, a BVS considera o desenvolvimento de uma estrutura metodológica e de uma ou mais redes operacionais (envolvendo rede de produtores, intermediários e usuários, rede de conteúdos e redes de ambientes aprendizes e informados), que passaram a ser conhecidas como redes associadas da BVS. Entre estas redes associadas, as seguintes instâncias foram diretamente relacionadas ao avanço da pesquisa e foram desenvolvidas por meio de projetos e alianças específicas e parcerias com agências nacionais de pesquisa: Scientific Electronic Library Online (SciELO), que foi desenvolvida como fonte primária de informação que engloba versões digitais em texto completo de periódicos científicos, e a Rede Internacional para a Gestão de Fontes de Informação e Conhecimento em Apoio à Gestão de Ciência, Tecnologia e Inovação (ScienTI), como fonte primária de currículos de pesquisadores e grupos de pesquisa, com base na Plataforma Lattes de currículos de pesquisadores brasileiros, liderada pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) do Brasil. Estas redes foram caracterizadas de forma temática, política e administrativa, com alcance além da área da Saúde, que é o foco da BVS, e não mais representadas pelos Ministérios da Saúde e da Educação, mas pelas agências e conselhos nacionais de ciência, tecnologia e inovação. Lançamento do SciELO para aumentar a visibilidade dos periódicos Como mencionado acima, o grande desafio em garantir a sustentabilidade política, financeira, gerencial e operacional das redes cooperativas e a continuidade de seus métodos, produtos e serviços sempre foi considerado tornar viável a transição da coordenação e gestão por órgãos internacionais para a responsabilidade dos países. No caso das redes associadas ScienTI e SciELO-BVS, esta transição começou em 2008 com a transferência da liderança política e operacional da rede para as agências de pesquisa da Colômbia e do Brasil, respectivamente. A rede ScienTi não conseguiu sobreviver, mas seu legado permaneceu, em termos de capacidades e infraestruturas nacionais. No entanto, a rede SciELO obteve muito sucesso nesta transição devido à competência e liderança na comunicação científica das fundações e conselhos de Ciência e Tecnologia nos países em questão. O programa SciELO teve início em 1997 e se desenvolveu como resultado da parceria entre a Bireme e a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), agência que celebrou seu cinquentenário em 2012. Anualmente, esta organização desembolsa cerca de 500 milhões US $ em prol do avanço da pesquisa O PROGRAMA SCIELO E O ACESSO ABERTO VIA DOURADA
39REVISTAS CIENTÍFICAS DE COMUNICAÇÃO IBERO-AMERICANAS... no estado de São Paulo, que gera metade da produção científica do Brasil, medida pelo número de artigos indexados internacionalmente. Na época em que o SciELO foi criado, a Fapesp mantinha um programa regular de apoio financeiro a periódicos científicos selecionados publicados no estado de São Paulo há mais de uma década. Isso complementou os programas federais liderados pelo CNPq e pela Agência Brasileira de Inovação (Finep). A Fapesp e os programas federais evoluíram com base nos resultados obtidos em estudos de avaliação de periódicos do Brasil, realizados para orientar o apoio financeiro e como pesquisa acadêmica (Krzyzanowski & Ferreira, 1998; Ribeiro et al., 2007). As metodologias que sustentaram a avaliação de periódicos de pesquisa no Brasil foram adotadas e aperfeiçoadas a partir de experiências na América Latina que remontam a 1962, com a elaboração do Guía de publicaciones periódicas científicas y técnicas de América Latina pelo Centro de Documentación Científica y Técnica de México (Centro de Documentação Científica e Técnica da União Pan-Americana). Em 1964, o Grupo de Trabalho para a Seleção de Periódicos Científicos da América Latina realizou um encontro em Porto Rico, sob a coordenação da Unesco. A evolução das recomendações deste grupo de trabalho contribuiu para o progresso contínuo do controle bibliográfico de periódicos publicados na América Latina e Caribe e culminou no estabelecimento, em 1997, do sistema de controle e registro Latindex para periódicos publicados nos países ibero-americanos (Cetto & Alonso-Gamboa, 1998). Em 1985, a Fapesp estabeleceu uma unidade coordenadora de publicações que desenvolveu um sistema de classificação para os periódicos revisados por pares publicados no Brasil com o objetivo de definir uma coleção principal para a qual o apoio pudesse ser concedido, diante do crescente número de solicitações de financiamento que a Fapesp estava recebendo. Esta avaliação foi atualizada em 1990 com a análise e classificação de 2.215 periódicos em todas as disciplinas. Destes, 372 (17%) foram considerados relevantes para compor a coleção núcleo (Krzyzanowski et al., 1991). Um sistema de classificação semelhante foi desenvolvido a nível federal pelo CNPq. Estas avaliações serviram de referência para o SciELO quando começou a definir sua coleção núcleo inicial. Os modelos, critérios e indicadores usados nestas avaliações mediram o desempenho dos periódicos com relação à abertura e natureza representativa de seus corpos editoriais relacionados às suas disciplinas e comunidades de pesquisa, sua capacidade de publicar em termos de quantidade, pontualidade de publicação e qualidade dos artigos, com base na avaliação de pesquisadores representativos das áreas cobertas por cada periódico em particular. As avaliações e seus respectivos rankings promoveram uma crescente necessidade de aprimoramento editorial e autoavaliação por parte de instituições responsáveis
40 pela publicação e de editores de periódicos. Neste sentido, a Associação Brasileira de Editores Científicos (ABEC) foi criada em 1985 e trabalha constantemente desde aquela data com o objetivo de contribuir para a comunicação científica no Brasil e para o treinamento e atualização de editores de periódicos em todas as disciplinas. Nenhum outro país da região da América Latina e Caribe pode contar com este fórum de editores de periódicos, onde as diferentes questões que têm impacto na política editorial e na comunicação científica podem ser discutidas. No entanto, exceto pelo pequeno número de 17 periódicos do Brasil incluídos até 1998 nos índices de citação do então Institute of Scientific Information (ISI), estas avaliações não levavam em consideração o desempenho dos periódicos e de seus artigos pelo número de citações que estavam recebendo (Meneghini, 1998). O desenvolvimento do modelo SciELO A parceria entre a Fapesp e a Bireme, que deu origem ao programa SciELO, deveu-se à convergência de suas respectivas linhas de ação prioritárias para o desenvolvimento de periódicos científicos. Do ponto de vista da Bireme, a BVS previa o desenvolvimento de uma fonte primária de informação de textos completos, com ênfase particular no conteúdo dos periódicos. Do ponto de vista da Fapesp, a política de apoio a periódicos exigia melhorias na avaliação de periódicos com interesse em estabelecer um índice de citações de periódicos do Brasil que complementasse os índices ISI e, em particular, os indicadores bibliométricos encontrados no Journal Citation Reports (JCR; Packer et al., 2014). Gestão financeira e administrativa A Fapesp financiou um projeto piloto de pesquisa, elaborado em conjunto com a Bireme, para desenvolver metodologias e tecnologias para indexação e publicação online de periódicos em texto completo. Este projeto piloto ocorreu entre fevereiro de 1997 e março de 1998, com 10 periódicos cobrindo vários assuntos e disciplinas, e cujos editores-chefes atuaram como comitê consultivo para o projeto piloto, realizando reuniões regulares com a equipe técnica do projeto. Após o sucesso deste projeto piloto, a Fapesp direcionou seu apoio político e financeiro ao desenvolvimento e operação do programa SciELO, como um programa especial de pesquisa, com recursos que seriam renovados a cada dois ou três anos, sob a coordenação científica de um pesquisador principal e uma equipe dedicada. A operação contou com a liderança e participação ativa da Bireme que, como mencionado anteriormente, promoveu o desenvolvimento das coleções de periódicos O PROGRAMA SCIELO E O ACESSO ABERTO VIA DOURADA
47REVISTAS CIENTÍFICAS DE COMUNICAÇÃO IBERO-AMERICANAS... A Declaração de Salvador reafirma a significância e a importância do AA para o avanço da pesquisa e educação e para o desenvolvimento cultural e econômico, particularmente para os países em desenvolvimento e por sua participação ativa nos fluxos globais de informação científica (Declaração de Salvador – Compromisso com a Equidade, 2005). A declaração destaca as contribuições feitas pelo AA ao princípio da igualdade. Sem nomear especificamente o SciELO, a declaração recorda iniciativas pioneiras de AA em países em desenvolvimento e afirma que estes países devem participar ativamente no movimento global. A partir de 2001, a rede SciELO expandiu-se para além da América Latina, com a entrada da Espanha, cuja coleção cobre periódicos das Ciências da Saúde. Posteriormente, em 2004, Portugal adotou o modelo SciELO e a África do Sul, em 2009. A coleção temática SciELO Saúde Pública inclui dois periódicos publicados pela OMS, um dos EUA e outro da Itália. A coleção SciELO Ciências Sociais, que previa edições especiais de traduções para o Inglês de artigos selecionados de periódicos SciELO nas Ciências Sociais, com o objetivo de aumentar sua visibilidade, foi suspensa em 2010 por falta de financiamento. Os periódicos na rede SciELO – o caso do Brasil Os periódicos no programa SciELO têm uma estrutura que possibilita e amplia sua inclusão nos fluxos nacionais e globais de informação científica. O SciELO representa uma garantia de qualidade para os periódicos que indexa. Esta garantia os diferencia de outros periódicos do universo de periódicos dos países que participam da rede e é apoiada por um sistema multifacetado de monitoramento de desempenho e uma política de adoção de inovações em comunicação científica. A fonte de referência do Latindex fornece uma ideia do universo de periódicos dos países da rede SciELO e a proporção indexada pelo SciELO. Latindex estabelece controle bibliográfico de periódicos ibero-americanos de acordo com critérios de qualificação. Em julho de 2014, registrou um total de 5.512 periódicos publicados na América Latina e Caribe. Deste universo de periódicos, a rede SciELO indexava 868 periódicos em julho de 2014, ou seja, menos de 20% do número total de periódicos registrados no Latindex. Uma proporção semelhante ocorre no caso do Brasil, cuja coleção, juntamente com a do Chile, é a mais desenvolvida da rede. O sistema Qualis do Ministério da Educação do Brasil, outra fonte de referência, classifica os periódicos em oito grupos de relevância, com um total de mais de 1.200 periódicos nos quatro primeiros grupos, dos quais o SciELO Brasil indexa 279 (22%). As instituições que publicam periódicos têm total autonomia em suas políticas e gerenciamento editorial, uma vez que estes são qualificados e reforçados ao serem indexados pelo SciELO. Esta condição do programa SciELO, cuja operação se
48 estende por meio das coleções nacionais de periódicos, coloca-o como um bem público internacional apoiado pelas infraestruturas de pesquisa científica dos países participantes da rede. É um bem público, no sentido em que fornece uma plataforma comum de serviços de indexação, publicação e interoperabilidade de periódicos, colocados ao serviço das instituições responsáveis por sua publicação e de seus editores, autores e, acima de tudo, seus leitores. As expectativas do programa SciELO são em prol da melhoria do desempenho dos periódicos em dois aspectos. O primeiro é cumprir com os critérios de indexação para permanecer na coleção, que inclui, entre outros critérios, transparência no gerenciamento editorial e publicação pontual dos textos completos em AA. O segundo é aumentar a visibilidade, influência e impacto da pesquisa publicada pelos periódicos. O desenvolvimento da maior parte dos periódicos SciELO, no entanto, é historicamente influenciado por dois fatores principais. O primeiro é a falta de profissionalismo que prevalece na gestão editorial, na produção dos periódicos e em seus modelos de negócios. O segundo é o baixo impacto internacional, medido pelas citações recebidas na WoS e Scopus, que são usadas como referência pelos órgãos de pesquisa para classificar o desempenho dos periódicos e da pesquisa que publicam. Estes fatores, bem conhecidos pelos sistemas de pesquisa nacional e comunicação científica, são discutidos brevemente abaixo, com base em periódicos do Brasil e são comparados com periódicos dos países do BRICS, usando dados de estudos anteriores (Packer, 2014). A coleção Brasil A coleção SciELO Brasil é a coleção mais antiga da rede SciELO e tem a cobertura mais ampla, com cerca de 30% do total de periódicos em todas as coleções e mais de 40% dos periódicos publicados anualmente. A inclusão e retenção de periódicos em uma coleção são regidas por políticas, procedimentos e critérios de avaliação aplicados aos periódicos por um comitê científico e atualizados regularmente para refletir o progresso e as prioridades do programa SciELO. A cobertura da coleção SciELO difere significativamente daquelas da WoS e Scopus. No início de 2014, estes três índices cobriam 400 periódicos, dos quais apenas 25% estavam presentes nos três índices. Em 2013, do total de 141 periódicos do Brasil indexados na WoS, 101 (72%) foram indexados simultaneamente na WoS e na coleção SciELO Brasil, de 278 periódicos. No caso da Scopus, do total de 313 periódicos indexados no Brasil, 197 (62%) foram indexados simultaneamente no SciELO Brasil e na Scopus. Olhando em outra direção, 36% dos periódicos da coleção SciELO Brasil também foram indexados na WoS e 71% também na Scopus. Os periódicos do Brasil indexados O PROGRAMA SCIELO E O ACESSO ABERTO VIA DOURADA
49REVISTAS CIENTÍFICAS DE COMUNICAÇÃO IBERO-AMERICANAS... na WoS ou na Scopus, mas não no SciELO, ou não atendem aos critérios do SciELO ou não publicam em AA. Os periódicos SciELO não têm fins lucrativos e são publicados de forma independente por instituições nacionais que fazem parte dos sistemas nacionais de ensino e pesquisa. No caso do Brasil, as universidades e seus departamentos de pesquisa e educação publicam 51% dos periódicos indexados no SciELO Brasil. Sociedades científicas e associações profissionais respondem por 33% e instituições públicas que não são universidades, mas estão relacionadas à pesquisa e desenvolvimento, respondem por 14%. Um número muito pequeno de periódicos é publicado ou copublicado por grandes editoras comerciais. Isso vem aumentando nos últimos anos com a presença mais ativa de grandes editoras comerciais no mercado latino-americano. As políticas editoriais e o gerenciamento são, em geral, conduzidos pelo editor do periódico dentro de seu próprio contexto, sob a liderança de pesquisadores que dedicam uma parte limitada de seu tempo à função de editor e contam com o apoio das equipes e infraestruturas fornecidas pelas instituições responsáveis. Existem excepcionalmente poucas universidades, sociedades científicas ou instituições editoriais que tenham políticas e equipes editoriais bem definidas, dedicadas ao gerenciamento de uma série de periódicos. A gestão dos 278 periódicos indexados no SciELO Brasil no final de 2013 está distribuída em 176 instituições diferentes, ou seja, uma média de 1,5 periódicos por instituição. Esta disseminação da gestão dificulta a criação de economias de escala e isso limita seriamente a racionalização de recursos e inovações. Os custos de produção de periódicos são, em geral, cobertos por uma combinação de fontes que são compostas principalmente por contribuições das instituições responsáveis pelos periódicos e agências de fomento à pesquisa. A cobrança de taxas de processamento de artigos está crescendo, sobretudo no Brasil. No entanto, exceto em alguns casos, os periódicos não possuem modelos financeiros estáveis e precisam de elaborar seus orçamentos todos os anos. Neste quadro operacional, os periódicos SciELO desempenham uma função importante nos sistemas nacionais de pesquisa e educação, principalmente nas últimas duas décadas. Estes periódicos complementam os periódicos de reputação internacional dos países desenvolvidos na comunicação de uma proporção significativa da pesquisa em suas disciplinas e contextos acadêmicos e institucionais. Impacto internacional O caso do Brasil mostra a importância de periódicos publicados nacionalmente na comunicação de pesquisas nacionais indexadas internacionalmente. De fato, 83%
50 dos artigos publicados em periódicos do Brasil indexados na WoS em 2012 são de autores com afiliação brasileira. Este é o maior percentual de artigos de autores nacionais nos periódicos dos países do BRICS indexados na WoS em 2012. A seguir, vem a autoria nacional de 81% em periódicos da China, 79% da Rússia, 66% da África do Sul e 59% da Índia. Os periódicos SciELO, especialmente os publicados no Brasil, representam uma proporção significativa dos artigos indexados em WoS, Scopus e outros índices internacionais. Em 2012, os periódicos do Brasil representavam quase 30% do número total de artigos originais e de revisão indexados na WoS com autoria de afiliação brasileira. Isso representa uma proporção muito maior que a da África do Sul, com 16%, a China e a Índia, com 13%, e menos que a Rússia, com 53%. A representação de periódicos do Brasil na produção de pesquisa do Brasil indexada na WoS foi de 17% em 2006, deixando o país em 15.º lugar em termos de número de artigos. A partir de 2008, esta representação praticamente dobrou, como consequência do aumento de quase 300% no número de periódicos indexados, o que fez o Brasil saltar para o 13.º lugar no número de artigos indexados. O aumento no número de periódicos do Brasil indexados na WoS durante este período foi mais do que o dobro da África do Sul, China e Índia e quase 10 vezes mais que a Rússia. A contribuição do SciELO para estes índices pode ter sido uma das razões para este aumento acentuado na indexação de periódicos do Brasil. A pesquisa que os periódicos SciELO comunicam pode ser classificada como predominantemente de orientação ou de interesse nacional, principalmente nas áreas de Ciências da Saúde, Agricultura, Ciências Humanas e Sociais. No entanto, uma proporção dos periódicos, principalmente nas áreas de Biologia, Ciências Físicas e Ciências da Terra, mostra uma tendência crescente de internacionalização. Alguns indicadores dão suporte a esta situação. Um indicador é que praticamente todos os editores-chefes e a maioria dos editores associados são pesquisadores afiliados a instituições do país que publicam os periódicos. E o editor-chefe é, em geral, afiliado à instituição responsável pelo periódico. No caso dos países de língua espanhola da América Latina, 80% dos artigos dos periódicos SciELO são em espanhol. No caso do Brasil, estão sendo feitos grandes esforços para internacionalizar os periódicos, devido à barreira significativa que a língua portuguesa representa na comunicação com pesquisadores estrangeiros. O percentual de artigos em Inglês nos periódicos brasileiros aumentou de 43% em 2010 para 55% em 2013, enquanto 12% dos artigos foram publicados simultaneamente em Português e Inglês. Na mesma linha, o foco nacional da maioria dos periódicos é mostrado pela predominância de autores nacionais. No caso do Brasil, no subconjunto dos periódicos SciELO Brasil, apenas 18% dos artigos têm um autor O PROGRAMA SCIELO E O ACESSO ABERTO VIA DOURADA
51REVISTAS CIENTÍFICAS DE COMUNICAÇÃO IBERO-AMERICANAS... estrangeiro. Destes, apenas 6% têm autores brasileiros colaborando com autores estrangeiros. O futuro8 – linhas prioritárias de ação Certamente, periódicos de qualidade de países em desenvolvimento, especialmente os da rede SciELO, são relevantes para o desenvolvimento de pesquisas nacionais, a atualização e a transferência de conhecimento científico para a educação, práticas profissionais e políticas públicas. Eles também são importantes para o desenvolvimento de capacidades nacionais na editoração científica. E com estas capacidades sendo valorizadas, elas devem ser reconhecidas nas políticas e sistemas de avaliação de pesquisa. No entanto, muitos dos problemas inerentes ao desempenho destas funções, como a comunicação de pesquisas de interesse internacional limitado, geralmente publicados em idiomas diferentes do Inglês ou com pouca colaboração internacional, alcançam, no conjunto, um impacto internacional limitado e colocam os periódicos em desvantagem competitiva com os periódicos estrangeiros que se destacam nos índices internacionais usados como padrões nos sistemas e políticas de avaliação de pesquisa. Estas questões, cheias de desafios e contradições, fazem parte da evolução dos periódicos nos países em desenvolvimento há muito tempo. O programa SciELO, dando continuidade ao que vem fazendo desde o seu início, contribuirá para o enriquecimento desta evolução, com foco no fortalecimento da função e objetivo de periódicos de qualidade publicados nacionalmente, destacando sua relevância no contexto nacional e internacional de pesquisa e comunicação científica. Um índice alternativo Em primeiro lugar e principalmente, o programa SciELO contribuirá, confirmando inequivocamente o caráter do SciELO como um índice bibliográfico seletivo, multidisciplinar e multilíngue, quebrando a hegemonia dos índices internacionais, populada há algum tempo por periódicos dos países desenvolvidos com predominância de periódicos de editoras comerciais, especialmente os de alto impacto. 8 Recorda-se que este capítulo foi publicado originalmente em 2015, sendo os dados relativos a 2013 e 2014 (ver Packer, 2015). Em 2018, a rede Scielo completou 20 anos. Na ocasião, foi atualizado o documento “Critérios, política e procedimentos para a admissão e a permanência de periódicos na Coleção SciELO Brasil”, disponível em https://wp.scielo.org/wp-content/uploads/20200500-Criterios-SciELO-Brasil.pdf
52 Sendo um índice bibliográfico com texto completo, o SciELO vem sendo progressivamente reconhecido como padrão nos sistemas nacionais de pesquisa, contribuindo, de maneira qualificada, para ampliar o universo de periódicos de qualidade que são levados em consideração nos sistemas de avaliação de pesquisa. A principal característica do SciELO, no que diz respeito a ser um índice bibliográfico seletivo, é a sua inclusão nos sistemas nacionais de ensino e pesquisa, o que significa que está em melhor posição para selecionar periódicos de qualidade e promover sua inclusão internacional, em comparação com outros índices internacionais. A função de indexação do SciELO contribui para o objetivo de melhorar os periódicos de qualidade e, consequentemente, desempenha um papel educacional, juntamente com as instituições publicadoras e editores, nesta capacidade. Com a inclusão do SciELO CI na plataforma WoS, esta função de indexação do SciELO será enriquecida, principalmente no que diz respeito à inclusão internacional de seus periódicos. Adoção do acesso aberto Em segundo lugar, o programa SciELO contribuirá confirmando inequivocamente a adoção do AA, uma vez que aumentou radicalmente a disponibilidade e a interoperabilidade dos periódicos SciELO na web e da pesquisa que publicam, principalmente depois de indexados no Google e no Google Acadêmico. O ranking dos principais portais do Ranking Web de Repositórios do Mundo9, publicado pelo Conselho Superior de Investigações Científicas (CSIC) na Espanha, é usado pelo programa SciELO como parâmetro para medir o desempenho das coleções na web. Em julho de 2014, entre os 157 portais analisados, sete coleções do SciELO foram classificadas entre as 20 melhores: o SciELO Brasil ficou em terceiro lugar logo atrás do ResearchGate e do Academia.edu; SciELO Chile ficou em sétimo; o portal SciELO.org foi o nono; SciELO México foi o 14.º; a coleção temática SciELO Saúde Pública foi a 15.ª; Espanha ficou em 16.º e Cuba em 20.º. Além disso, o desempenho das coleções e dos periódicos na web também é medido pelo número de downloads de artigos que, na rede SciELO, contabiliza a média de um milhão de downloads de artigos por dia. Esta estimativa em toda a rede vem do uso do código de prática Counter para a contagem dos downloads apenas da coleção SciELO Brasil nos últimos dois anos, que mostrou uma média diária de mais de 500.000 downloads. Segundo o Google Analytics, este desempenho extraordinário medido por downloads é impulsionado pelo fato de que mais de 70% dos downloads são de usuários domésticos. Isso também indica que a pesquisa publicada pelos periódicos tem interesse e foco predominantemente nacionais. 9 Ver https://repositories.webometrics.info/ O PROGRAMA SCIELO E O ACESSO ABERTO VIA DOURADA
53REVISTAS CIENTÍFICAS DE COMUNICAÇÃO IBERO-AMERICANAS... Sustentabilidade Em terceiro lugar, ao confirmar inequivocamente o objetivo do SciELO em contribuir para o aprimoramento dos periódicos indexados, os coordenadores das coleções nacionais da rede SciELO, em sua reunião realizada em outubro de 2013, como parte da “Conferência SciELO 15 anos”, aprovaram um conjunto de linhas de ação relacionados à profissionalização, internacionalização e sustentabilidade financeira a serem implementados pelos países nos próximos três anos, de acordo com os planos nacionais correspondentes (SciELO, 2013). Estas novas linhas de ação representaram uma nova fase ao desenvolvimento dos periódicos da rede SciELO, alinhadas com o estado da arte internacional, sem negligenciar o foco central do SciELO nos sistemas nacionais de ensino e pesquisa. A ideia é prover uma plataforma comum de produtos, serviços e processos certificados pelo SciELO para as funções de gerenciamento e publicação de periódicos, o que trará maior eficiência na produção dos periódicos. O desenvolvimento desta plataforma incluirá a participação de empresas nacionais e internacionais que competirão pela prestação de serviços aos periódicos. Por sua vez, as instituições publicadoras de periódicos podem optar pela produção interna com ou sem os produtos da plataforma comum, ou combinar a produção interna com a contratação de um ou mais serviços comuns, ou ainda terceirizar completamente a operação. O objetivo é, por um lado, profissionalizar a produção dos periódicos e, por outro, minimizar o impacto nos editores-chefes e editores associados que, tendo em vista o tempo limitado que podem dedicar aos periódicos, devem se concentrar na melhoria da avaliação dos manuscritos, com o objetivo de aprimorar a qualidade dos artigos de pesquisa publicados pelos periódicos. O fluxo de trabalho de revisão do manuscrito deve ser apoiado por sistemas online que melhoram a eficiência, a transparência e a ética dos processos que envolvem editores, pareceristas e autores. A plataforma comum aprimorará a função de meta-publisher do SciELO, que implica expandir o papel do SciELO além daquele de indexar e agregar periódicos em coleções e portais, de forma a cobrir progressivamente todas as etapas de edição, publicação e disseminação de periódicos. Esta melhoria será implementada em parceria com instituições publicadoras de periódicos e com empresas nacionais e internacionais. O estabelecimento da plataforma também visa minimizar os custos da adoção de produtos e serviços alinhados ao estado da arte; e contribuir de maneira a apoiar os programas de produção de periódicos e as próprias instituições que os publicam, desenvolvendo progressivamente orçamentos consistentes, vinculados à produção eficiente e de qualidade. Para facilitar este processo, serão estabelecidas taxas de artigos, a fim de orientar a definição dos fluxos de produção e seus respectivos
54 serviços, bem como o financiamento conjunto com o apoio de uma ou mais fontes. Em particular, isso abrirá o caminho para o estabelecimento e operação de uma taxa de processamento de artigo (article processing charge [APC]) para periódicos que adotem este modelo de negócios. Este avanço é essencial para orientar e apoiar as instituições responsáveis pela publicação dos periódicos em AA de maneira a demonstrar qualidade e sustentabilidade. Internacionalização O desenvolvimento e a operação regular da plataforma também contribuirão para o fortalecimento das capacidades e infraestruturas nacionais e regionais na edição e publicação de produtos e serviços, de acordo com os padrões internacionais. A implementação da linha de ação de internacionalização representa um enorme desafio para a maioria dos periódicos SciELO, pois exige mudanças significativas em seu design, percepção e construção futuras, à medida que os veículos de comunicação se abrem nacional e internacionalmente. Esta linha de ação visa romper e transcender a insularidade institucional e geográfica dos periódicos com ampla abertura editorial, favorecendo sua inclusão nos fluxos internacionais de comunicação científica. Muitos periódicos foram criados para prover um local de publicação para artigos de suas respectivas instituições, regiões geográficas e disciplinas que, por um motivo ou outro, não são adequados ou não são aceitos para publicação em periódicos estrangeiros. Embora estas razões possam ser aceitáveis, também é reconhecido que a insularidade causa falhas, vícios e favoritismos que se opõem à comunicação científica eficiente. Os critérios de indexação do SciELO exigem transparência no gerenciamento e operação dos periódicos. Com base nisso, a linha de ação de internacionalização promoverá a expansão desta transparência além das fronteiras dos países da rede SciELO. Assim, a internacionalização se aplica à composição dos corpos de editores e pareceristas, que devem trazer em seus periódicos uma mistura de pesquisadores nacionais e estrangeiros, além de um aumento progressivo de autores com afiliação estrangeira. A internacionalização representa uma barreira mais difícil de superar para os periódicos cujo escopo é essencialmente nacional e/ou que publicam em outros idiomas que não o Inglês. As restrições de idioma representam um desafio particularmente crítico para o Brasil, considerando o número limitado de países de língua portuguesa com significativa produção acadêmica. Muitos periódicos do Brasil adotaram o caminho da publicação simultânea em Português e Inglês como forma de atender às suas diferentes comunidades de leitores. No caso dos outros países ibero-ameri- canos, o Espanhol abrange uma ampla gama de países com significativa produção O PROGRAMA SCIELO E O ACESSO ABERTO VIA DOURADA
55REVISTAS CIENTÍFICAS DE COMUNICAÇÃO IBERO-AMERICANAS... acadêmica. De qualquer forma, a comunicação da pesquisa em Inglês tornou-se obrigatória em muitas áreas. A plataforma comum também contribuirá para a adoção de inovações já presentes em publicações internacionais, como: a estruturação de texto completo em XML como fonte de geração de formatos PDF, ePUB e HTML, que permitem a publicação de textos que se ajustam aos diferentes tamanhos de telas de computadores, tablets e smartphones; publicação contínua de artigos sem a necessidade de aguardar a composição de um novo número, e a adoção de redes sociais para disseminação e divulgação de periódicos e da pesquisa que eles publicam. Os critérios de indexação do SciELO para inclusão e retenção de periódicos nas coleções incluirão indicadores que medirão o nível de profissionalização e internacionalização que deve ser progressivamente atingido nos próximos anos nas diferentes áreas temáticas. Conclusão Em 2013, o programa SciELO comemorou 15 anos de operação ininterrupta10. Isso levou a uma revisão do progresso alcançado até o momento, os principais problemas e barreiras que historicamente limitavam o desempenho dos periódicos usando os métodos clássicos de avaliação e os desafios e as oportunidades, em particular, representados pelas inovações que estão ocorrendo no mundo da comunicação científica. Esta revisão conclui com uma proposta conjunta para a promoção e implementação de uma nova fase do programa SciELO, focada no aprimoramento dos periódicos por meio da profissionalização de sua gestão editorial, internacionalização de suas estruturas de trabalho e das autorias dos artigos que publicam e na busca por uma integração de políticas e modelos de financiamento sustentável. A publicação de periódicos SciELO em AA via dourada é um modus operandi bem estabelecido. Continuará a abranger a maioria dos periódicos de qualidade da rede SciELO. Com raras exceções, as políticas e programas e instituições nacionais e institucionais de apoio à pesquisa e à comunicação científica e as instituições responsáveis pela publicação de periódicos estão alinhadas com os princípios que sustentam o AA ao conhecimento científico e, em particular, aos aspectos relacionados ao mundo em desenvolvimento destacados na Declaração de Salvador. Eles estão cientes da contribuição decisiva que o AA significa para aumentar a visibilidade da pesquisa que comunicam. No entanto, espera-se que as instituições nacionais de pesquisa tragam políticas bem definidas em favor de periódicos publicados nacionalmente, particularmente em direção ao seu financiamento sustentável. 10 Ver http://www.scielo15.org/en/
56 O programa SciELO continuará priorizando a melhoria dos periódicos indexados, demandando a adoção de avanços e inovações na edição contemporânea e na publicação científica, além de um desempenho positivo nas avaliações da gestão e operação dos processos editoriais e de publicação dos periódicos, principalmente na visibilidade da pesquisa publicada. Os periódicos e seus editores terão a liberdade e a responsabilidade de implementar e atualizar suas políticas editoriais, gerenciar e operar a avaliação das submissões de artigos, e divulgar seus programas. Além das melhorias em gestão e operação, a questão crucial que afeta a evolução do programa SciELO e, mais especificamente, os periódicos que indexa, reside na compreensão e percepção, pelos sistemas nacionais de pesquisa, da função que exercem na comunicação de uma importante parte da pesquisa nacional que não é adequada nem aceita para publicação em periódicos de reputação internacional. É neste contexto que os periódicos SciELO podem ser classificados de acordo com seus diferentes graus de enfoque nacional e internacional e, como consequência, submetidos a diferentes níveis e escalas de avaliação. Por exemplo, faz pouco ou nenhum sentido equiparar os valores dos indicadores com base no número de citações recebidas por periódicos que publicam em Português ou Espanhol com os valores de periódicos de reputação internacional que publicam em Inglês. Igualar diferentes tipos de periódicos é absurdo e, em geral, tende a estigmatizar os periódicos publicados nos países em desenvolvimento como naturalmente de baixo impacto. Assim, quando os sistemas nacionais de avaliação de pesquisa usam indicadores de citações de periódicos, como o fator de impacto, como proxy do impacto de seus artigos, tendem a penalizar, a priori, uma parcela significativa dos periódicos com foco predominantemente nacional. O desafio diante de nós é, portanto, expandir as políticas e métricas de avaliação e ajustar sua aplicação de acordo com os diferentes níveis de enfoque nacional e internacional dos periódicos. Estas métricas devem combinar indicadores de profissionalismo na gestão editorial e qualidade da revisão dos manuscritos, com indicadores de impacto da pesquisa com base no número de citações, downloads e menções nas redes sociais que os artigos correspondentes recebem. A superação deste desafio será facilitada quando os sistemas nacionais de pesquisa avançarem com o esperado abandono do uso de índices de periódicos, em particular o fator de impacto, como proxy para a qualidade e o impacto da pesquisa que publicam em favor do uso do desempenho individual de artigos, no contexto de suas respectivas disciplinas. Os sistemas de publicação, disseminação e indexação online favorecem a avaliação da visibilidade e influência de artigos individuais. Na medida em que o fator de impacto do periódico pudesse ser abandonado como proxy para a avaliação de O PROGRAMA SCIELO E O ACESSO ABERTO VIA DOURADA
63REVISTAS CIENTÍFICAS DE COMUNICAÇÃO IBERO-AMERICANAS... las cuatro bases no se comparten; en conclusión, los criterios explícitos e implícitos de cada uno de las bases hace que tengan un universo significativo único. Gráfico 2 Revistas que se comparten, por sistema de indización, 2015. La siguiente barra nos explica el número de revistas (31%) que son compartidas por dos sistemas de indización ya sea Scopus, Thomson Reuters, SciELO y/o Redalyc. Alguna composición, pero, son compartidas por dos. Solo el 13% de las revistas son compartidas por tres sistemas o base de datos y únicamente el 5,2% de las revistas las comparten los cuatro sistemas de indización. Desde esta perspectiva, ¿cuál es el mapa y cuál es el territorio? ¡Creo que es el punto a discutir! Dicho lo anterior y planteando un conjunto de interrogantes para la discusión, expondré las características del sistema de información científica Redalyc. En primer lugar, lo que encontramos es que, desde su inicio, que empezó en 2003, ya tenía más de 100 revistas, en 2020 tiene más de 1.300. Estos números y otros textos completos mantienen el acervo actualizado y el crecimiento de Redalyc. El portal de Redalyc – que tiene una nueva imagen – creemos muchísimo más sencillo de utilizar con un conjunto de secciones especializadas. Por un lado, las colecciones de revistas, los indicadores cienciométricos y los informes de producción. En términos de las colecciones de revistas, nosotros, lo primero que encontramos es que podemos buscar en todo el acervo o podemos hacer un primer seccionamiento entre Ciencias Sociales y Humanas y entre Ciencias Naturales y Exactas. Esta es la primera característica del Redalyc, el sistema: la posibilidad de dividir tanto en los sistemas de búsqueda como en los sistemas indicadores. En ese sentido, me pregunto qué deseo buscar, defino que y me digo en que parte lo quiero encontrar. También tiene el sistema de búsqueda avanzada, donde puedo conocer muchísimo más del sistema, datos del Comité Científico, los reconocimientos obtenidos, las condiciones legales, etc. y también puedo acceder a un lugar que me muestra los nuevos números y las revistas.
64 Gráfico 3 Revistas indexadas en Redalyc, periodo 2005-2020. Gráfico 4 Cantidad de revistas y artículos indexados en Redalyc: año 2020. Por otro lado, si quiero conocer las colecciones de revistas, debo plantearme si las quiero conocer a nivel de disciplina, si las quiero conocer a nivel de país o si las quiero conocer a nivel de la institución. De esta forma, si yo defino que quiero conocer las revistas por países, como Brasil, me presenta lo siguiente: me doy cuenta de que tiene 305 revistas y 204.635 artículos de revistas brasileñas. REDALYC
65REVISTAS CIENTÍFICAS DE COMUNICAÇÃO IBERO-AMERICANAS... Gráfico 5 Cantidad de revistas brasileñas y sus artículos indexados en Redalyc: año 2020. Por el otro lado, una característica central del sistema Redalyc es que tiene también micro sitios de instituciones. Por un lado, veamos el micro sitio de la Universidad de São Paulo, que tiene 22 revistas y 14.597 artículos. Gráfico 6 Cantidad de revistas de la Universidad de São Paulo y sus artículos indexados en Redalyc: año 2020. Esto, creemos, es una característica central del sistema de información científico Redalyc, anclado, en la web; también tenemos características de la colección, en este caso, del área que nos compete: el área de la Comunicación, donde de las 28 revistas existentes en Redalyc, siete son de Brasil y solamente dos son de la Universidad de São Paulo. Pero hay otro elemento central: dentro de las revistas – ésta sería la página de la revista Signos do Consumo, de la Universidad de São Paulo, de Comunicación – tenemos los indicadores de producción y colaboración.
66 Figura 2 Página de la revista Signos do Consumo, de la Universidad de São Paulo, de Comunicación: proporción de autores por país. Fuente. https://www.redalyc.org/revista.oa?id=3502 Figura 1 Página de la revista Signos do Consumo, de la Universidad de São Paulo, de Comunicación. Fuente. https://www.redalyc.org/revista.oa?id=3502 REDALYC
67REVISTAS CIENTÍFICAS DE COMUNICAÇÃO IBERO-AMERICANAS... De esta manera, decimos que hacen las instituciones, los países y las áreas. Cuando yo entro a los indicadores cienciométricos, me pregunto: ¿qué quiero consultar? ¿Una disciplina? ¿Una revista? ¿Un área? ¿O país? Si quiero consultar la producción, voy a preguntarme a través de una gráfica circular, como se distribuye la producción externa (fuera del país) o interna (nacional). También dentro de la producción interna, puedo saber si es institucional o no institucional y puedo ver también, del lado derecho, la evolución de mi producción y su distribución por disciplina. Por otro lado, puedo ver el comportamiento de las instituciones que han publicado en mi revista de las Ciencias Sociales y Humanas. También puedo ver en cuantos países publico y en qué proporción. Sí es claro, no estamos midiendo citas, estamos tratando de hacer una cartografía sobre la forma como se comportan los dominios en cerca de una década. Si quiero estudiar la colaboración, puedo saber cuántos artículos publicados en coautoría y cuál es mi comportamiento, en nueve años, a través de los gráficos circulares de fácil interpretación e identifico, a través de los mapas, con cuantos y cuales países colaboro así como con que instituciones hago lo mismo. Por su parte, si quiero ver los indicadores a nivel de revista, sé cuál es la composición de los autores, cual es la tendencia de los autores externos respecto a los nacionales, institucionales y no institucionales y de que países e instituciones; como puede observarse, los datos que proporciona Redalyc no permiten la jerarquización y la distribución mediante posiciones; si permite conocer el comportamiento de un dominio y dicho comportamiento tendrá mayor o menor sentido a partir del contex- to en que se realiza la investigación y sobre los objetivos que se tienen. Por otro lado, cuando entran, igual que lo hicimos al sistema de colección de revistas, al sitio de país para ver los indicadores, no están viendo los indicadores de las revistas brasileñas. Están viendo los indicadores de los investigadores brasileños dentro de las 1.020 revistas que componen el acervo Redalyc. Esta diferencia es central porque los indicadores que estamos mostrando son de la producción brasileña.
68 Gráfico 7 Producción de Brasil por institución, 2015. En este sentido, Redalyc, creemos, es el único sistema que presenta indicadores de actividad y de colaboración dentro de un acervo homogéneo. Habrá que discutir si es representativo, ya que todas las revistas que ingresan y son aceptadas, tienen su material desde el año 2005. Y así, puede verse el sitio de Brasil como un gran ecosistema compuesto de dos grandes áreas de conocimiento, las Ciencias Sociales y las Ciencias Naturales y Exactas, para pasar al nivel de universidades, en este caso, los indicadores Institución de la Universidad de São Paulo, Campinas, entre otros. ¿Por qué nos sirve esto? Porque podemos comparar las características de la producción, por ejemplo, si ponemos a las principales instituciones brasileñas dentro de Redalyc, vemos que tienen una composición distinta en términos de su producción interna y externa. Y si analizamos la producción institucional, esta sería radicalmente distinta dentro de cada una de las cinco universidades presentadas. De esta manera, creemos que Redalyc está proporcionando un conjunto de información que permite hacer investigación y permite apoyar la toma de decisiones, por parte de las áreas, las revistas, las autoridades, acerca de la manera como están realizando ciencia con la finalidad, no de evaluar y de decir quién es el mejor, sino con la finalidad de, dependiendo de los objetivos de cada una de las entidades, ratificar o rectificar las decisiones en materia de política científica. REDALYC
Periódicos Científicos e Difusão do Conhecimento Comunicacional Do Diagnóstico ao Debate Sobre Métricas de Avaliação de Impacto https://doi.org/10.21814/uminho.ed.43.6 Cicilia M. Krohling Peruzzo Programa de Pós-Graduação em Comunicação, Faculdade de Comunicação Social, Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e Universidade Federal do Espirito Santo, Departamento de Comunicação, Vitória-ES, Brasil
71REVISTAS CIENTÍFICAS DE COMUNICAÇÃO IBERO-AMERICANAS... Introdução1 A difusão do conhecimento científico está envolta em múltiplas e complexas problemáticas, desde sua produção até a divulgação pública do mesmo, processo que também é perpassado por critérios e sistemas de avaliação da produtividade científica e do impacto social dos resultados. O objetivo é sistematizar e apresentardados eas principais discussões acerca das condições da difusão do conhecimento através de revistas científicas de Comunicação, a partir das contribuições do Fórum de Publicações e Difusão de Conhecimento Científico da Confibercom (2011-2016), além de avançar em análises sobre as limitações advindas de políticas de avaliação da produção científica centrada nas métricas predominantes em vigor. Baseado em pesquisa documental e bibliográfica, o texto se justifica ao trazer à tona questões importantes que afetam a democratização da produção científica gerada na academia. O Fórum de Publicações e Difusão de Conhecimento Científico (FPDCC), da Confederação Ibero-Americana das Associações Científicas e Acadêmicas de Comunicação/Confederación Iberoamericana de Asociaciones Científicas y Académicas de la Comunicación (Confibercom), foi criado dois anos depois da fundação desta confederação científica que tem, entre outros objetivos, a pretensão de ser um fórum de discussão e formulação de políticas científicas, sistemas de pós-graduação e de difusão do conhecimento científico no campo da Comunicação. A primeira atividade do FPDCC ocorreu aquando do “I Congresso da Confibercom”, que se realizou em São Paulo, em 2011, e constou de dois seminários: um, sobre periódicos de Comunicação, e o outro, sobre portais e enciclopédias, como espaços para a difusão da produção do conhecimento comunicacional. O desafio da divulgação do conhecimento científico em Comunicação no espaço ibero-americano esteve em debate em três momentos que antecederam o “II Congresso Mundial de Comunicação Ibero-Americana”, realizado em 2014, em Braga, Portugal. Refiro-me, em primeiro lugar, ao “Seminário de Revistas de Comunicação”, realizado em São Paulo, em 2011, com a participação de representantes de 40 revistas da Bolívia, Brasil, Colômbia, Espanha, Equador, Portugal e Venezuela2. Foram discutidos os 1 Este capítulo é uma versão ampliada do capítulo com título “Diagnóstico e perspectivas dos periódicos científicos e difusão do conhecimento comunicacional nos primeiros anos da Confibercom (2011-2015)” (Peruzzo, 2017), publicado no livro editado por Moisés de Lemos Martins, intitulado A internacionalização das comunidades lusófonas e ibero-americanas de ciências sociais e humanas – O caso das ciências da Comunicação, coletânea que reúne textos das conferências plenárias do “II Congresso da Confederação Ibero-Americana das Associações Científicas e Acadêmicas de Comunicação”. 2 Este fórum decorreu da realização do “I Congresso Confibercom”, do qual foram publicadas as atas
72 problemas relativos às publicações científicas, desde questões tópicas até à avaliação de periódicos, no Brasil, assim como as consequências do predomínio do critério anglo-saxão para publicação científica. Foi então criada a Rede Confibercom de Revistas de Comunicação (Reviscom)3, a qual congrega, hoje, uma centena de membros associados. O objetivo da Reviscom é reunir os periódicos em um único espaço e facilitar o acesso aberto e gratuito ao conteúdo completo das revistas associadas. Um segundo momento de debate sobre a divulgação do conhecimento científico em Comunicação no espaço ibero-americano ocorreu durante o “I Fórum Integrado da Confibercom”, que se realizou em Quito, em 20124. O painel do Fórum de Publicações e Difusão do Conhecimento Científico contou com a participação de expositores convidados de vários países e identificou os problemas que enfrentava o campo da produção e da divulgação científica em Comunicação. Por sua vez, durante o “II Fórum Integrado da Confibercom”, realizado no Porto, em 2013, foi dada continuidade ao diagnóstico da situação das revistas e à ampliação da rede de revistas na América Latina, Portugal e Espanha. Além do trabalho de identificação de periódicos, o painel do Fórum de Publicações e Difusão do Conhecimento Científico fez ainda propostas para melhorar as condições de difusão do conhecimento científico produzido na Ibero-América. Entretanto, em 15 abril de 2014, durante o “II Congresso da Confibercom”5, realizado em Braga, Portugal, voltaram a reunir-se os investigadores do Fórum de Publicações e Difusão do Conhecimento Científico, então confirmado pela direção da Confibercom6. Foi discutido um programa de ação e o objetivo manteve-se: valorizar a produção científica no espaço ibero-afro-americano, internacionalizando a produção científica de Comunicação, realizada nesta vasta região do globo7. Depois da realização de um seminário, durante o “II Congresso da Confibercom”, em Braga, o Fórum de Publicações e Difusão do Conhecimento Científico voltou a Comunicação Ibero-americana: sistemas midiáticos, diversidade cultural, pesquisa e pós-graduação (Kunsch & Melo, 2012). 3 Ver http://redrevistascomunicacion.wordpress.com/ 4 O livro de atas deste “I Fórum Integrado da Confibercom” foi organizado e editado por Margarida Kunsch (2013), com o título La Comunicación en Iberoamérica. Políticas científicas y tecnológicas, posgrado y difusión de conocimiento. 5 Para mais informações sobre esse evento, acessar http://www.lasics.uminho.pt/confibercom2014/ 6 Integravam a comissão do Fórum de Publicações e Difusão do Conhecimento Científico: Antonio Carlos Castillo (Espanha); Carlos E. Arcila Calderon (Colômbia); Cicilia M.Krohling Peruzzo (Brasil) – Coordenadora (2011-2016); Eduardo Villanueva (Perú); Gerardo León Barrios (México) e J. Paulo Serra (Portugal). 7 Deste “II Congresso da Confibercom” foi publicado um livro de atas: Comunicação ibero-americana: os desafios da internacionalização (Martins & Oliveira, 2014). PERIÓDICOS CIENTÍFICOS E DIFUSÃO DO CONHECIMENTO COMUNICACIONAL
79REVISTAS CIENTÍFICAS DE COMUNICAÇÃO IBERO-AMERICANAS... e de compartilhar as pesquisas científicas em seus próprios países. Sem desconsiderar a importância do diálogo planetário por meio da publicação em Inglês, ao estarem num universo de leitores potencialmente mais interessados e necessitados da informação científica situada, ou seja, relacionada a problemas de investigação presumivelmente vinculados às realidades desses países, embora isso não seja regra nem condição para que a mesma se desenvolva, o território nacional não pode ser desprezado nas estratégias de comunicação dos resultados da pesquisa científica. Referimo-nos à dialética entre a soberba daqueles que só querem publicar, em Inglês, e o interesse (do leitor por temas de sua realidade), a acessibilidade (acesso aberto e idioma) e a apropriação pública do conhecimento (subsídios que disponibiliza e utilidade pública). Afinal, o valor da ciência se mede pela contribuição que traz à sociedade e à humanidade. Karl Popper (1987, 2002), já nos anos 1940, defendia a prática científica com liberdade de pensamento e contrária ao dogmatismo e autoritarismo dos próprios métodos, da concepção de ciência e das instituições, além de defender a ciência como intervenção social e propósitos de combater os problemas de miséria social e econômica em prol do desenvolvimento humano14. Como aceitar, então, as prescrições institucionais de órgãos de governos, universidades e de empresas editoriais privadas que pretendem prescrever tanto as temáticas15 de pesquisa quanto os métodos e as abordagens segundo suas visões e interesses? Em suma, há distorções em certas políticas científico-acadêmicas que ditam orientações de divulgação do conhecimento que, em última instância, favorecem o negócio editorial internacional em detrimento do valor da ciência para os próprios países, nos quais, é gerada. Desse modo, se justifica a forte recomendação do Fórum de Publicações e Difusão do Conhecimento Científico da Confibercom para que o jogo de interesses em publicar em periódicos de mais alto fator de impacto, cujas métricas, como já foi dito, são alvo de severos questionamentos, não venha a restringir a presença dos artigos científicos nos idiomas nativos – no caso, Português, Espanhol, Galego, Catalão – nem desprestigiar os periódicos científicos da região ibero-americana nem de outras regiões do mundo com idiomas próprios. 14 Veja-se a leitura atenta de Marin (2012) e Barreto (2012) sobre essa dimensão do pensamento de Popper e sobre as contradições dos métodos e a necessidade da crítica. 15 As grandes revistas científicas indexadas nas bases antes mencionadas, por exemplo, têm entre os critérios para aceitação de artigos, aqueles que enfocam de temas em voga e de interesses globalizantes, portanto, pesquisas sobre realidades específicas de países ibero-americanos são desprestigiadas, além da exigência de padrões metodológicos e de linguagem mais afeitos a determinadas lógicas metódicas anglo-saxônicas dominantes.
80 Além do interesse nacional, envolto na divulgação e apropriação do conhecimento situado, os contingentes de pessoas de língua não inglesa são enormes. Como mostra Martins (2012), há uma multidão de pessoas que têm a língua portuguesa como primeira língua. São 190 milhões os falantes de Português, quase tantos como os falantes de Francês (110 milhões) e de alemão (100 milhões) juntos. Depois do Mandarim, com 1000 milhões de falantes, do Hindi com 460 milhões, do Espanhol com 300 milhões, do Inglês com 350 milhões e do Árabe com 200 milhões, o Português vem a seguir, em sexto lugar. No entanto, na era da informação global, impressiona saber que o total de falantes em língua inglesa é de 1000 milhões, enquanto o Hindi é 650 milhões, o Francês 500 milhões, o Árabe 425 milhões, o Espanhol é 320 milhões, o Russo 280 milhões e o Português 230 milhões16. (p. 246) Outro aspecto que compõe esse cenário é a ênfase de publicação de artigos em revistas, em detrimento, inclusive, da publicação de livros, motivo de pressão por parte dos investigadores para que se eleve o valor dos livros nas métricas avaliativas de produção. Porém, se faz elevar os índices acadêmicos, a publicação em revistas não significa a garantia de que haja acesso e leitura dos artigos no grau desejado. Quando são acessados, a tendência é que seja pelos pares, ou seja, leitores do próprio circuito acadêmico, o que é relevante, afinal trata-se de circulação e democratização de ideias e, ao mesmo tempo, um mecanismo de avaliação/validação de resultados de pesquisa. Mas, do meu ponto de vista, diante das possibilidades que as configurações das tecnologias atualmente oferecem há que se equilibrar alternativas de divulgação e compartilhamento da produção científica, tanto junto aos públicos especializados (para os pares, universidades, congressos, associações) por intermédio dos periódicos científicos, visando o debate e a validação, quanto para a sociedade como um todo, segundo o princípio da divulgação/comunicação pública da ciência. São linhas de atuação que demandam o desenvolvimento de táticas específicas, como por exemplo a concentração dos esforços na divulgação dos resultados das pesquisas nos periódicos científicos e também a agregação dos blogs de pesquisadores, repositórios digitais de universidades e de associações científicas, plataformas de compartilhamento (ResearchGate e Academia.edu), bases do Google Acadêmico, perfis acadêmicos de pesquisadores e de grupos de pesquisa nas mídias e redes sociais digitais, além de outras plataformas de acesso público. Nesses ambientes, além do compartilhamento de artigos científicos, se incorporam outros formatos e 16 Martins (2012) refere-se a valores de dezembro de 2009 retirados à data de http://wapedia.mobi/ pt/L%C3%ADngua_mundial. PERIÓDICOS CIENTÍFICOS E DIFUSÃO DO CONHECIMENTO COMUNICACIONAL
81REVISTAS CIENTÍFICAS DE COMUNICAÇÃO IBERO-AMERICANAS... linguagens, como entrevistas com investigadores e a disponibilização de áudios e vídeos que conjuguem cientificidade com clareza e sínteses competentes. Tão importante quanto publicar numa revista JCR (que inclusive restringe o acesso a pagantes) ou SciELO, é publicar para acesso público universal e apropriação pela sociedade dos resultados da pesquisa científica, principalmente, aquela financiada por recursos públicos. As possibilidades que o desenvolvimento tecnológico oportuniza indicam a existência de outros fatores passíveis de serem medidos (acessos, downloads, citações, etc.) na avaliação do impacto acadêmico e social da produção de autores, a partir do grau de apropriação dos conteúdos compartilhados, para além do fator de impacto das revistas tradicionais. Essa perspectiva crescente de divulgação da ciência parece apontar para a insuficiência dos indicadores tradicionais na medição da produção científica e de seu impacto nas sociedades. As novas tecnologias de informação e comunicação baseadas na internet apontam para outras possibilidades, como por exemplo, o emprego de blogs e [mídias e] redes sociais – como Research Gate e Academia.edu, por exemplo – para veiculação da produção científica e que dispõem de um conjunto de ferramentas que possibilita um relacionamento mais direto entre pesquisadores. (...) Desta forma, postagens e compartilhamentos no Twitter e no Facebook, menções em blogs e na Wikipédia, registros de acessos e downloads e marcações de favoritos em sites de conteúdo científico tornaram-se novos canais informais que podem oferecer dados valiosos sobre o interesse dos leitores, o uso que fazem das pesquisas e o alcance da produção científica. (Bueno, 2015, para. 14-15) Diante desse cenário de ampliação na comunicação científica por intermédio da internet, com conteúdos disponibilizados na Web e toda uma gama de interações entre pesquisadores e público em geral com o conteúdo resultante dos processos de pesquisa, urge-se por métricas alternativas para o acompanhamento do impacto do que é produzido na ciência nos dias de hoje. (Gouveia, 2013, p. 216) A Confibercom, por intermédio do seu Fórum de Publicações e Difusão do Conhecimento Científico, propõe-se manter o trabalho de diagnóstico da situação dos periódicos científicos e de outras bases de dados e plataformas (portais, enciclopédias, museus, repositórios e catálogos) de difusão do conhecimento do campo da Comunicação. Por outro lado, reconhece-se que a divulgação e integração da produção científica ibero-americana exige a criação de uma potente plataforma digital
82 pela Confibercom, desenvolvida com pessoal especializado e estrutura tecnológica condizente. Uma tal plataforma informática permitiria aglutinar e divulgar revistas científicas, enciclopédias, repositórios científicos e museus virtuais, do campo da Comunicação, tendo em vista facilitar o acesso aberto universal à informação gerada no espaço ibero-americano. Tratar-se-á de fazer jus à potencialidade que o desenvolvimento tecnológico oferece na atualidade. Quanto à internacionalização, não se trata de rejeitar o Inglês, mas aproveitá-lo para garantir maior visibilidade da ciência realizada, em nossos países, sem desconsiderar a publicação nos idiomas nativos. Nesse sentido, publicar em Português e Espanhol significa também lutar contra a invisibilidade internacional, atingir públicos mais amplos e contestar certo etnocentrismo cultural, que associa a universalização da ciência à ciência publicada em língua inglesa. O Fórum de Publicações da Confibercom recomenda a publicação das revistas científicas, em múltiplos idiomas – Português, Espanhol e Inglês –, embora se saiba das dificuldades financeiras e operacionais para tanto. Em consonância a essa estratégia, cabe publicar tudo (livros, capítulos de livros, revistas, artigos, dissertações de mestrado, teses de doutoramento) em regime de acesso aberto universal, limitando os direitos autorais aos direitos morais. Resgatar e digitalizar a produção ibero-americana “perdida” (não indexada), disponibilizando-a de modo gratuito, valoriza o trabalho acadêmico, em geral, e a pesquisa, em particular. Enfatiza-se a premência em facilitar o acesso irrestrito à produção científica, na internet, como forma de internacionalização do conhecimento científico gerado na Ibero-América. O Fórum de Publicações e Difusão de Conhecimento Científico da Confibercom interroga, também, o fator de impacto, o qual é usado não para “avaliar” a produção do conhecimento e o correspondente valor da ciência, mas que é desenhado para avaliar os periódicos, e a partir de critérios e mecanismos anglo-saxônicos e interesses mercadológicos da própria indústria editorial, como já foi explicitado. São ainda propósitos do fórum: 1. auxiliar na formação de editores visando à melhoria da qualidade científica dos periódicos e a democratização do saber técnico quanto a critérios e processos de indexação; 2. incentivar e ajudar na interação das revistas da região com os sistemas de indexação privados (por exemplo, SciELO e Redalyc) e de catalogação (como é o caso do Latindex), além dos demais indexadores; 3. propor às instituições nacionais competentes critérios de divulgação do conhecimento científico e de avaliação de periódicos que favoreçam o PERIÓDICOS CIENTÍFICOS E DIFUSÃO DO CONHECIMENTO COMUNICACIONAL
83REVISTAS CIENTÍFICAS DE COMUNICAÇÃO IBERO-AMERICANAS... avanço da qualidade editorial e respeitem a diversidade cultural, regional e acadêmica; 4. criar um observatório de revistas, com o propósito de sistematizar, analisar e avaliar as atividades de difusão científica nos países ibero- -americanos; 5. criar grupos de trabalho por regiões e/ou em países, de modo a facilitar a convergência de programas de formação e intercâmbio; 6. desenvolver um banco de avaliadores e editores, para facilitar o intercâmbio e ampliar a cooperação entre os periódicos científicos; 7. criar múltiplos canais de informação científica de acesso aberto, de modo a interagir com investigadores e públicos não especializados e a promover a e-ciência no campo ibero-americano; 8. desenvolver um catálogo ibero-americano de periódicos de Comunicação, similar ao Latindex, que atenda a uma variada gama de áreas do conhecimento; 9. agregar a Reviscom ao site da Confibercom; 10. criar um catálogo de coleções, no site da Confibercom, para acesso aos investigadores; 11. otimizar, na plataforma digital Confibercom, o uso de recursos, articulando (através de links) produtos já existentes, tais como revistas científicas, catálogos, portais científicos, bibliotecas digitais e a rede Reviscom. Podemos dizer, em síntese, que a Confibercom, por intermédio do seu Fórum de Publicações e Difusão do Conhecimento, enfatiza a cooperação e o respeito às regionalidades, assim como a integração e o acesso público universal ao conhecimento, propondo-se priorizar as seguintes políticas: 1. realizar seminários para editores de revistas científicas, visando discutir e ajudar nos processos de indexação; 2. fazer um levantamento de dados sobre o uso da comunicação digital, a partir da base do catálogo Latindex e de indexadores como SciELO e Redalyc;
84 3. formar um banco de avaliadores/pareceristas, disponibilizando uma lista com nomes de pesquisadores titulados, que possam auxiliar na avaliação de artigos de revistas científicas; 4. intensificar a divulgação (no Facebook e em outras mídias e redes digitais) da rede de revistas (Reviscom), de modo a difundir informações sobre a disponibilização de conteúdos completos de uma centena de revistas científicas de Comunicação já disponíveis para acesso aberto; 5. criar uma plataforma digital, a qual pode se concretizar pela melhoraria/dinamização do site da Confibercom, de modo a converter-se numa plataforma digital ou na criação de um novo sítio (portal potente), o que implica na compra de um domínio de internet e de um servidor. Esta plataforma digital poderia comportar não apenas um repositório de revistas científicas, como também a migração da rede Reviscom e de toda a memória dos eventos da Confibercom, inclusive, dos artigos apresentados, além da conexão, em rede, com bibliotecas virtuais, como a Biblioteca On-line de Ciências da Comunicação (BOCC) da Universidade Beira Interior (Portugal), o Portal de la Comunicación Infoamérica, catálogos, portais científicos e museus virtuais. Limitações do índice H No período da realização dos fóruns reportados neste texto ainda não estava candente a questão do índice H como sistema de avaliação na área da Comunicação. Em 2019, o tema veio à tona em decorrência das alterações no sistema de avaliação de periódicos da CAPES, incorporando indicadores bibliométricos. Sem entrar no mérito desse sistema proposto, neste momento, vamos situar apenas aspectos sobre o modo de avaliar através desta ferramenta. O índice H mede a influência de um(a) investigador(a) segundo o número de citações de seus artigos. É uma das alternativas para se medir a produtividade nos tempos de web 2.0 e, ao mesmo tempo, soa como uma espécie de questionamento ao tão propalado fator de impacto de revistas científicas. Segundo Thomaz et al. (2011), descrito em 2005 por Jorge E. Hirsch, como uma ferramenta para determinar a qualidade relativa dos trabalhos de físicos teóricos, o Índice H passou a ser muito utilizado no meio científico, como forma de mensurar a produtividade e o impacto do pesquisador. (p. 90) Mas, o que se recomenda é que seja usado ao lado de outros indicadores. O cálculo é feito a partir da relação entre o número de artigos publicados e as citações de cada artigo. PERIÓDICOS CIENTÍFICOS E DIFUSÃO DO CONHECIMENTO COMUNICACIONAL
85REVISTAS CIENTÍFICAS DE COMUNICAÇÃO IBERO-AMERICANAS... O índice H de um pesquisador é definido com o número de artigos publicados pelo pesquisador, os quais obtenham citações maiores ou iguais a esse número. Por exemplo, quando dizemos que índice H de um pesquisador é 10, significa que ele tem, pelo menos, 10 artigos publicados, cada um deles com, pelo menos, 10 citações. (Thomaz et al., 2011, p. 91) O índice H pode ser calculado através da base de dados Web of Science da ISI/ Thomson Reuters ou do programa “Publish or Perish”17 que usa a base do Google Acadêmico (Thomaz et al., 2011). Também pode ser calculado manualmente: para tanto, devemos ordenar os trabalhos por número de citações. Começando por aquele com maior número de citações. O índice H de um determinado autor será o número de sequência numérica dos trabalhos cujo número de citações iguala-se ou é maior que o ranque da sequência. Vejamos um exemplo. Se um pesquisador tem a seguinte sequência numérica de artigos publicados: artigo 1 – 17 citações; artigo 2 – 16 citações; artigo 3 – 14 citações; artigo 4 – 10 citações; artigo 5 – cinco citações; artigo 6 – três citações; artigo 7 – duas citações. Esse autor tem um índice H de cinco, pois cinco é o ponto na sequência em que os números de citações se igualam ao número do artigo. (Thomaz et al., 2011, p. 92) Com a intenção original de quantificar a produtividade e a qualidade (impacto) da produção de um(a) pesquisador(a) com base no número de citações de seus artigos científicos, o índice H apresenta vantagens (pode medir a produtividade, regularidade e impacto total), mas também tem sofrido muitas ponderações e críticas devido a suas limitações explícitas e implícitas. Uma das ponderações é sobre necessidade de conjugar indicadores bibliométricos junto com outros índices para melhor apreensão do conjunto da produtividade de um(a) pesquisador(a). As limitações são apontadas nos termos a seguir brevemente comentados. Existe lentidão no processo de avaliação e publicação de artigos, além de as contagens de citações exigirem certo tempo de retorno (Gouveia, 2013), o que revela que pode haver defasagens nos números; existem textos muito influentes em uma área de estudos, mas que por suas características, tendem a não ser citados e ficam às margens das métricas, apesar de servirem de inspiração e gerarem ideias (Gouveia, 2013); a produção do conhecimento fora da academia acaba sendo ignorada porque não é objeto das métricas atuais (Gouveia, 2013); o índice H não se adequa bem para comparar o impacto da produtividade de indivíduos em diferentes estágios da carreira de pesquisador (Thomaz et al., 2011); pode ainda haver autocitação, indistinção entre ativos e inativos, tentativa de igualar áreas sem respeitar as distinções 17 Disponível em http://www.harzing.com/pop.htm
86 (Thomaz et al. 2011). Ao que podemos acrescentar: as citações em capítulos de livros, livros, trabalhos em eventos, teses e dissertações, portanto, fora de periódicos científicos, ou ainda, que não estão disponibilizados na internet, não entram no cálculo padrão da Web of Science, por exemplo, pois, o sistema só vai identificar os artigos publicados em periódicos científicos, e mais, só aqueles indexados em suas bases. O próprio criador do índice H, Jorge Hircsh, admitiu que “deve-se sempre ter em mente que pesquisas fora do mainstream podem ser pouco citadas e subavaliadas por índices bibliométricos e merecem ser apoiadas financeiramente apesar disso” (Marques, 2013, para. 3). Enfim, urge não se reificar as métricas atuais, pois estão envoltas em incongruências e limitações cruciais, embora nem todas facilmente perceptíveis. Por outro lado, são muitos os desafios diante das transformações tecnológicas e das múltiplas possibilidades de divulgação do conhecimento científico ao alcance dos autores hoje em dia. Se a avaliação da produtividade e do impacto da produção científica do/a pesquisador(a) na sociedade não acompanhar essas mudanças e, ainda, não for capaz de apanhar todas as formas de disseminação do conhecimento, não refletirá a real condição de empoderamento social do conhecimento. Considerações finais Se, por um lado, a área de abrangência do Fórum de Publicações e Difusão do Conhecimento Científico tem especificidades, como as discutidas neste texto, por outro, tem intersecções com os demais fóruns da Confibercom – como de Políticas Científicas e o de Pós-Graduação em Comunicação. Desse modo, os desafios são conjuntos, pois as macro políticas de Ciência e Tecnologia interferem diretamente no direcionamento das políticas de produção e de divulgação do conhecimento científico. Afinal, estas são desenhadas a partir de instâncias que prescrevem normas e parâmetros, principalmente, no nível das políticas de investigação científica e de pós-graduação, as quais desembocam nas políticas de difusão do conhecimento. Portanto, somente um trabalho conjunto dos três fóruns que formam a Confibercom pode ser mais eficiente no delineamento de ações capazes de contribuírem para a formulação de novas diretrizes e pressionar por alterações nas macro políticas de Ciência e Tecnologia que tanto impactam as micro políticas editoriais e a própria visão dos gestores acadêmicos, de editores de periódicos científicos e dos próprios docentes investigadores. A área da Comunicação do espaço ibero-americano tem o desafio de avançar no aprimoramento dos sistemas de divulgação do conhecimento, especialmente, das revistas científicas, mas sem descuidar de dar vazão a todo o seu potencial de PERIÓDICOS CIENTÍFICOS E DIFUSÃO DO CONHECIMENTO COMUNICACIONAL
87REVISTAS CIENTÍFICAS DE COMUNICAÇÃO IBERO-AMERICANAS... manejo das novas tecnologias e linguagens comunicacionais para a disseminação do conhecimento para o conjunto da sociedade e não apenas para os pares. Ciência se faz para a sociedade. Portanto, sua divulgação, para além de periódicos técnicos, também é importante para que possa ser amplamente conhecido e apropriado. Referências Aventurier, P. (2013, 7 de agosto). 5 revistas brasileiras e a ética das publicações. A publicação científica. https://publicient.hypotheses.org/589 Barreto, T. V. (2012). Notas em torno do debate Popper-Adorno. In P. E. Oliveira (Ed.), Ensaios sobre o pensamento de Karl Popper (pp. 274-294). Círculo de Estudos Bandeirantes. Bueno, C. (2015). Métricas da produção científica. ComCiência – Revista Eletrônica de Jornalismo Científico, (166). https://comciencia.br/comciencia/handler.php?section=8&edicao=111&id=1336 Castillo Esparcia, A., Almansa M. A., & Álvarez Nobell, A. (2012). A pesquisa latino-americana em comunicação, estudo bibliométrico de revistas. In M. M. K. Kunsch & J. M. de Melo (Eds.), Comunicação ibero-americana. Sistemas midiáticos, diversidade cultural, pesquisa e pós-graduação (pp. 385-400). ECA-USP. Cohendoz, M. (2013). Revista Argentina de Comunicación, una política de la voz. In M. M. K. Kunsch (Ed.), La comunicación en Iberoamérica: Políticas científicas y tecnológicas, posgrado y difusión de conocimiento (pp. 365- 376). CIESPAL; Confibercom. Comunidade Virtual dos Editores Científicos. (2013, 5 de setembro). Esquema de citações em periódicos brasileiros vem à tona. http://cvirtual-ccs.bvsalud.org/tiki-read_article.php?articleId=613 Fuentes Navarro, R. (2008). La comunicación desde una perspectiva sociocultural. Acercamientos y provocaciones 1997-2007. ITESO. Gobbi, M. C. (2008). A batalha pela hegemonia comunicacional na América Latina: 30 anos da ALAIC. Cátedra Unesco; Editora Metodista. Gouveia, F. C. (2013). Altmetria: Métricas de produção científica para além das citações. LIINC em Revista, 9(1), 214-227. http://revista.ibict.br/liinc/article/view/3434/3004 Kunsch, M. M. (Ed.). (2013). La comunicación en Iberoamérica. Políticas científicas y tecnológicas, posgrado y difusión de conocimiento. CIESPAL; Confibercom. Kunsch, M. M. & Melo, J. M. (Eds.). (2012). Comunicação Ibero-americana: Sistemas midiáticos, diversidade cultural, pesquisa e pós-graduação. Confibercom; Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo. Marin, S. R. (2012). Intervenção social e desenvolvimento humano em Karl Popper. In P. E. Oliveira (Ed.), Ensaios sobre o pensamento de Karl Popper (pp. 252-273). Círculo de Estudos Bandeirantes. Marques, F. (2013, maio). Os limites do índice-h. Supervalorização do indicador que combina quantidade e qualidade da produção científica gera controvérsia. Pesquisa Fapesp. https://revistapesquisa.fapesp. br/2013/05/14/os-limites-do-indice-h/
88 Martins, M. L. (2012). Revistas científicas de ciências da comunicação em Portugal: Da divulgação do conhecimento à afirmação do Português como língua de pensamento e conhecimento. Intercom - Revista Brasileira de Ciências da Comunicação, 35(1). https://doi.org/10.1590/S1809-58442012000100012 Martins, M. L. (2015). A liberdade académica e os seus inimigos. Comunicação e Sociedade, 27, 405-420. https://doi.org/10.17231/comsoc.27(2015).2109 Martins, M. L., & Oliveira, M. (2014). (Eds.). Comunicação ibero-americana: Os desafios da internacionalização. Livro de atas do II Congresso Mundial de Comunicação ibero-americana. CECS. http://hdl.handle.net/1822/33031 Opazo, T. (2016, 23 de janeiro). La tiranía de las publicaciones académicas. La Tercera. https://www.latercera. com/noticia/la-tirania-de-las-publicaciones-academicas/ Ortellado, P. (2013, 30 de agosto). A fábrica de papers. Prof. José Miguel Garcia Medina. https://professormedina.com/2013/08/30/a-fabrica-de-papers-por-pablo-ortellado/ Peruzzo, C. M. K. (2012). Panorama brasileiro das revistas científicas de comunicação. In M. M. K. Kunsch & J. M. de Melo (Eds.), Comunicação Ibero-americana. Sistemas midiáticos, diversidade cultural, pesquisa e pós- -graduação (pp. 417-432). ECA-USP. Peruzzo, C. M. K. (2013). Visión general de los periódicos de comunicación en Brasil y de la Red Confibercom de Revistas de Comunicación. In M. M. K. Kunsch (Ed.), La comunicación en Iberoamérica: Políticas científicas y tecnológicas, posgrado y difusión de conocimiento (pp. 395-308). CIESPAL; Confibercom. Peruzzo, C. M. K. (2017). Diagnóstico e perspectivas dos periódicos científicos e difusão do conhecimento comunicacional nos primeiros anos da Confibercom (2011-2015). In M. L. Martins (Eds.), A internacionalização das comunidades lusófonas e ibero-americanas de Ciências Sociais e Humanas - O caso das Ciências da Comunicação (pp. 217-230). Húmus. http://hdl.handle.net/1822/49365 Popper, K. R. (1987). A sociedade aberta e seus inimigos. Itatiaia. Popper, K. R. (2002). La miseria del historicismo. Alianza. Serra, P. (2013). Digitalização e acesso aberto na publicação em Ciências da Comunicação: O caso português. Intercom - Revista Brasileira de Ciências da Comunicação, 36(2), 91-104. https://doi.org/10.1590/S1809- 58442013000200005 Serra, P. (2016). O (des)conhecimento recíproco dos investigadores ibero-americanos de Ciências da Comunicação. Revista Lusófona de Estudos Culturais, 3(2), 57-68. https://doi.org/10.21814/rlec.115 Sierra Caballero, F. (2013). La era open data. Publicaciones, política científica y socialización del conocimien- to. Hacia una nueva economía política del archivo. In M. M. K. Kunsch (Ed.), La comunicación en Iberoamérica: Políticas científicas y tecnológicas, posgrado y difusión de conocimiento (pp. 347-364). CIESPAL; Confibercom. Suing, A. (2013). Aporte de diá-logos de la Comunicación a la difusión de las ciencias de la comunicación. In M. M. K. Kunsch (Ed.), La comunicación en Iberoamérica: Políticas científicas y tecnológicas, posgrado y difusión de conocimiento (pp. 333-346). CIESPAL; Confibercom. Thomaz, P. G., Assad, R., & Moreira, L. F. P. (2011). Uso do fator de impacto e do índice H para avaliar pesquisadores e publicações. Arquivos Brasileiros de Cardiologia, 96(2), 90-93. https://doi.org/10.1590/S0066- -782X2011000200001 PERIÓDICOS CIENTÍFICOS E DIFUSÃO DO CONHECIMENTO COMUNICACIONAL
95REVISTAS CIENTÍFICAS DE COMUNICAÇÃO IBERO-AMERICANAS... sea para acceder a categorías superiores de investigador (Buela-Casal, 2010; Velasco et al., 2012). Todo este cambio en el sistema de evaluación de la actividad investigadora y en los medios de transmisión de las investigaciones suponen un trasvase de estudios a aquellas revistas que se encuentran catalogadas como de calidad. Sin embargo, en los últimos años, la comunidad académica de la Comunicación ha tendido a valorar en exceso la publicación de artículos en revistas indexadas en la base de datos Social Science Citation Index (SSCI), comercializada por Thompson Reuters e implementada desde el Institute for Scientific Information (ISI). También se da una consideración relevante a las revistas recogidas en la base Scopus, a cargo de la editorial Elsevier y accesible, como la anterior, por suscripción. Sin embargo, el peso asignado a estas bases de datos, y en especial al SSCI, ha sido calificado de “abrumador” (Masip, 2011, p. 206) y criticado, entre otros factores, por su falta de transparencia y su sesgo geográfico y lingüístico a favor de la comunidad anglosajona (Archambault et al., 2006), además de profundizar en la dependencia científica del campo de la Comunicación español, europeo o latinoamericano con respecto a las reglas de un mercado marcado por empresas estadounidenses (Reig, 2014). En el ámbito de las Ciencias Sociales, los principales países en la producción científica son del ámbito anglosajón (Estados Unidos, Reino Unido y Australia), además de China. Por lo que respecta a los países de habla hispánica, solo nos encontramos a España en la séptima posición. Como se puede observar en la Tabla 1, el dato de las citaciones es particularmente negativo, ya que es el tercer país que posee un menor número de citas por artículo, con el dato 0,46 citaciones por documento; por debajo se encuentran India (0,34) y Rusia (0,21). Tabla 1 Ranking mundial por países en producción de artículos en Ciencias Sociales en el Scimago Journal & Country Rank (2019). Fuente. https://www.scimagojr.com/ País Documentos Documentos citables Citas Autocitas Citas por documento Índice H Estados Unidos 78.720 72.904 40.833 23.021 0,52 742 Reino Unido 30.270 27.687 19.481 7.655 0,64 445 China 22.140 21.420 12.430 7.637 0,56 201 Australia 15.156 14.123 10.078 3.673 0,66 296 Alemania 14.064 13.158 8.951 3.367 0,64 305 Canadá 12.724 11.815 7.313 2.156 0,57 364 España 12.606 12.097 5.838 2.342 0,46 208 Italia 9.666 9.006 5.888 2.508 0,61 224 Federación Rusa 8.960 8.470 1.918 1.376 0,21 99 India 8.589 8.021 2.879 1.086 0,34 141
96 Si atendemos a la Comunicación y al listado de países, sufre algunas modificaciones cuando se observa que España pasa a ocupar la tercera de las posiciones y Brasil ocupa el octavo lugar. Son los dos únicos países iberoamericanos representados en este listado de los 10 primeros (Tabla 2). Por lo que en esta categoría, las posiciones de estos países latinoamericanos mejoran de manera ostensible, convirtiéndose en dos de los mayores productores de artículos científicos. Tabla 2 Ranking mundial por países en producción de artículos en Comunicación en el Scimago Journal & Country Rank (2019). Fuente. https://www.scimagojr.com/ País Documentos Documentos citables Citas Autocitas Citas por documento Índice H Estados Unidos 4.798 4.563 2.340 1.366 0,49 261 Reino Unido 1.328 1.205 682 209 0,51 142 España 900 880 236 123 0,26 73 China 865 850 273 130 0,32 50 Alemania 728 690 422 175 0,58 88 Australia 696 647 348 135 0,50 92 Canadá 582 534 366 90 0,63 89 Brasil 464 441 56 26 0,12 28 Países Bajos 403 379 328 99 0,81 102 Italia 376 350 135 53 0,36 59 Estos datos muestran el potencial de publicación de los investigadores latinoamericanos en el ámbito de la Comunicación. Sin embargo, la alta producción científica no se corresponde con la repercusión del trabajo científico debido a que las citaciones que poseen los textos publicados por los investigadores latinoamericanos son muy bajas. Así, vemos que los datos nos muestran que no se llega de media a una cita por artículo publicado (Tabla 3). Tabla 3 Citaciones medias de los artículos publicados de acuerdo con el Scimago Journal & Country Rank (2019). Fuente. https://www.scimagojr.com/ País Documentos Citas por documento España 900 0,26 Brasil 464 0,12 Portugal 182 0,34 Ecuador 37 0,03 Colombia 78 0,17 LAS REVISTAS DE COMUNICACIÓN EN EL PANORAMA INTERNACIONAL
97REVISTAS CIENTÍFICAS DE COMUNICAÇÃO IBERO-AMERICANAS... Mexico 100 0,22 Chile 94 0,46 Argentina 104 0,13 Peru 16 0,44 Cuba 11 0 Uruguay 10 0,20 Costa Rica 9 0,11 Por lo que debemos considerar relevante analizar qué factores hacen que los textos publicados tengan tan escasa repercusión (en citas) por parte de otros investigadores. La calidad en las revistas científicas. Del factor de impacto a otros índices de calidad En la actualidad, para establecer criterios de calidad de las revistas científicas coexisten numerosas iniciativas que están estructuradas en el denominado factor de impacto (FI) y otros criterios bibliométricos. En el ámbito de las revistas, el factor de impacto se ha convertido, no sin creciente controversia, en el eje central eliminando otros criterios más cualitativos de valoración de los textos científicos. En el ámbito de las revistas científicas el factor de impacto se concreta en dos sistemas de indización de revistas como son el que realiza Web of Science (WoS) y Scopus. En el caso de WoS nos encontramos que todas las revistas incluidas en el índice están catalogadas en dos grandes grupos como son el SCIE (Science Citatios Index Espanded, que reúne a las revistas de los ámbitos de Ciencias) y el SSCI (Social Science Citation Index, que reúne a las revistas de Ciencias Sociales). Las revistas de Comunicación se encuentran incluidas en el SSCI. El factor de impacto que genera WoS se denomina Journal Citation Reports (JCR). Por lo que respecta a Scopus, su factor de impacto se denomina SCImago Journal Ranking (SJR). El cálculo del factor de impacto consiste en la cuantificación entre citas recibidas y números de artículos publicados por una revista a través de la siguiente fórmula: FI (2019) = Citas en 2019 a documentos publicados en 2017 y 2018 Documentos citables publicados en 2017 y 2018
98 Al margen del factor de impacto, existen otros índices de valoración de las revistas científicas, como pueden ser Latindex, SciELO o Redalyc (en el contexto de América Latina) y ERIH PLUS (Europeo), entre otros. En el caso de WoS, posee otros sistemas de catalogación de las revistas que incluye índices ajenos (SciELO, por ejemplo) y otros propios. Existe una confusión entre WoS y JCR, ya que no son lo mismo. En el caso de WoS, actúa como una gran base de datos que nos permite búsquedas de artículos científicos que están ubicados en numerosas bases de datos. A su vez, WoS tiene unos directorios de revistas en los que incluye a determinadas revistas que, para ellos, son relevantes en su campo de conocimiento y que les permiten elaborar el factor de impacto (JCR), al mismo tiempo que crear listados de revistas de importancia en su campo. Para WoS esos tipos de revistas están incluidas en lo que denominan Core Collection (colección principal). Como vemos, dentro de la Core Collection encontramos catálogos de revistas en dos grandes grupos: • con factor de impacto que incluye a Science Citation Index Expanded (SCIE) y Social Sciences Citation Index (SSCI); • otros índices también significativos como son Arts & Humanities y Emerging Sources Citations Index (ESCI). Estos dos índices tienen, en España, unos criterios de calidad muy relevantes para la evaluación de la actividad científica. Son índices selectivos que realiza WoS sobre aquellas revistas que poseen calidad contrastada. Según los datos recogidos en 2019, existen 92 revistas incluidas en JCR en el ámbito de la Comunicación. La mayoría son del ámbito anglosajón con una presencia marginal de revistas del contexto latinoamericano. Así, en el caso de las revistas de Comunicación, incluidas en el JCR, solo aparecen dos revistas españolas como son Comunicar (Q1) y El profesional de la Información (Q2). Las revistas con factor de impacto están divididas en cuartiles a partir del factor de impacto, tal como se pueden ver en las siguientes tablas. Tabla 4 Revistas del primer cuartil en el ámbito de la comunicación en el JCR (2019). Fuente. https://jcr.clarivate.com/JCRLandingPageAction.action LAS REVISTAS DE COMUNICACIÓN EN EL PANORAMA INTERNACIONAL Ranking Título de la revista Factor de impacto 1Journal of Advertising 6,302 2Political Communication 5,912
99REVISTAS CIENTÍFICAS DE COMUNICAÇÃO IBERO-AMERICANAS... Tabla 5 Revistas del segundo cuartil en el ámbito de la comunicación en el JCR (2019). Fuente. https://jcr.clarivate.com/JCRLandingPageAction.action 3Journal of Computer-Mediated Communication 5,366 4Communication Methods and Measures 5,281 5Journal of Communication 4,846 6New Media & Society 4,577 7Information Communication & Society 4,559 8Digital Journalism 4,476 9Communication Monographs 3,843 10 Communication Research 3,758 11 International Journal of Advertising 3,606 12 Human Communication Research 3,540 13 Comunicar 3,375 14 Journalism 3,179 15 Social Media + Society 2,807 16 Policy And Internet 2,763 17 International Journal of Press-Politics 2,612 18 Mobile Media & Communication 2,545 19 European Journal of Communication 2,500 20 Public Opinion Quarterly 2,494 21 Media Psychology 2,397 22 Information Society 2,378 23 Journal of Social And Personal Relationships 2,359 Ranking Título de la revista Factor de impacto 24 Journalism Studies 2,345 25 Public Understanding of Science 2,338 26 Science Communication 2,328 27 Public Relations Review 2,321 28 Telecommunications Policy 2.224 29 Journal of Advertising Research 2,169 30 Journalism & Mass Communication Quarterly 2,121
100 Tabla 6 Revistas del tercer cuartil en el ámbito de la comunicación en el JCR (2019). Fuente. https://jcr.clarivate.com/JCRLandingPageAction.action LAS REVISTAS DE COMUNICACIÓN EN EL PANORAMA INTERNACIONAL 31 Media Culture & Society 2,000 32 Health Communication 1,965 33 Communication Theory 1,905 34 Journal of Public Relations Research 1,897 35 International Communication Gazette 1,877 36 International Journal of Conflict Management 1,806 37 Mass Communication and Society 1,792 38 Environmental Communication-A Journal of Nature and Culture 1,787 39 International Journal of Public Opinion Research 1,779 40 Journal of Information Technology & Politics 1,771 41 Written Communication 1,727 42 Convergence-The International Journal of Research Into New Media Technologies 1,714 43 Critical Studies In Media Communication 1,616 44 Journal of Broadcasting & Electronic Media 1,616 45 Feminist Media Studies 1,607 46 Journal of Health Communication 1,596 Ranking Título de la revista Factor de impacto 47 Research on Language and Social Interaction 1,591 48 Profesional de la Información 1,580 49 Journalism Practice 1,542 50 Personal Relationships 1,522 51 Discourse Studies 1,483 52 Discourse & Communication 1,475 53 Management Communication Quarterly 1,453 54 Media and Communication 1,400 55 Discourse & Society 1,390 56 Games and Culture 1,388 57 Discourse Context & Media 1,380
101REVISTAS CIENTÍFICAS DE COMUNICAÇÃO IBERO-AMERICANAS... Tabla 7 Revistas del cuarto cuartil en el ámbito de la comunicación en el JCR (2019). Fuente. https://jcr.clarivate.com/JCRLandingPageAction.action 58 Chinese Journal of Communication 1,354 59 Cyberpsychology-Journal of Psychosocial Research On Cyberspace 1,354 60 Journal of Media Psychology-Theories Methods and Applications 1,351 61 International Journal of Mobile Communications 1,328 62 International Journal of Business Communication 1,326 63 Communications-European Journal of Communication Research 1,302 64 Communication & Sport 1,292 65 Critical Discourse Studies 1,254 66 Communication Culture & Critique 1,247 67 Journal of Children and Media 1,246 68 Language & Communication 1,242 69 Journal of Business and Technical Communication 1,207 Ranking Título de la revista Factor de impacto 70 International Journal of Communication 1,194 71 Quarterly Journal of Speech 1,182 72 Journal of Language and Social Psychology 1,162 73 Social Semiotics 1,160 74 Communication and Critical-Cultural Studies 1,058 75 Javnost-The Public 1,024 76 Ieee Transactions on Professional Communication 0,980 77 Interaction Studies 0,980 78 Rhetoric Society Quarterly 0,961 79 Journal of Applied Communication Research 0,959 80 Argumentation 0,904 81 Journal of Media Ethics 0,867 82 Television & New Media 0,835 83 Narrative Inquiry 0,811
102 Tabla 8 Revistas latinoamericanas en SJR (2019). Fuente. https://www.scimagojr.com/ LAS REVISTAS DE COMUNICACIÓN EN EL PANORAMA INTERNACIONAL 84 Asian Journal of Communication 0,743 85 Media International Australia 0,616 86 Translator 0,565 87 Visual Communication 0,523 88 African Journalism Studies 0,420 89 Continuum-Journal of Media & Cultural Studies 0,376 90 Text & Talk 0,328 91 Journal of African Media Studies 0,245 92 Tijdschrift voor Communicatiewetenschap 0,083 Por lo que respecta a la evolución de las revistas en SJR, nos encontramos que la primera revista latinoamericana es Interface: Comunicação, Saúde, Educação (Brasil) que aparece indexada en 2004. Posteriormente entran en el sistema El Profesional de la Información (España), en 2006, y Comunicar (España), en 2008. En la actualidad, existen 16 revistas latinoamericanas, con una presencia mayoritaria de publicaciones de Brasil (nueve). En el caso de las revistas latinoamericanas que se encuentran en SJR, aparecen 16 con una preponderancia en los niveles bajos de los cuartiles (tres y cuarto), siendo solo tres de ellas incluidas en el Q2 (Cuadernos. Info – Chile –, Comunicación y Sociedad – México – e Interface: Comunicação, Saúde, Educação – Brasil). Título (país) SJR Índice H Total de documentos (2019) Total documentos (3 años) Total de referências (2019) Total de citas (3 años) Documentos citables (3 años) Citas/ doc. (2 años) Árbitro/ doc. (2019) Cuadernos.info (Chile) 0,366 Q2 8 29 86 1.596 61 81 0,68 55,03 Comunicacion y Sociedad (México) 0,355 Q2 5 29 99 1.148 39 88 0,52 39,59
103REVISTAS CIENTÍFICAS DE COMUNICAÇÃO IBERO-AMERICANAS... Interface: Comunicacao, Saude, Educacao (Brasil) 0,354 Q2 19 161 393 4.441 183 338 0,45 27,58 Palabra Clave (Colombia) 0,265 Q3 8 41 124 1.548 62 121 0,50 37,76 Informacao e Sociedade (Brasil) 0,256 Q3 5 26 175 745 36 164 0,20 28,65 Texto Livre (Brasil) 0,198 Q3 2 24 87 542 11 81 0,14 22,58 Transinformacao (Brasil) 0,196 Q3 7 29 89 781 37 86 0,30 26,93 Brazilian Journalism Research (Brasil) 0,192 Q3 1 29 43 907 8 39 0,21 31,28 Signo y Pensamiento (Colombia) 0,187 Q3 3 20 41 723 20 41 0,44 36,15 Perspectivas em Ciencia da Informacao (Brasil) 0,178 Q3 9 55 148 1.728 29 146 0,11 31,42 Revista de Comunicacion (Peru) 0,108 Q4 1 31 26 1.509 5 25 0,20 48,68 Cogency (Chile) 0,101 Q4 1 4 19 177 0 19 0,00 44,25 Estudios de Teoria Literaria (Argentina) 0,101 Q4 1 62 48 1.469 2 40 0,05 23,69 Comunicacao Midia e Consumo (Brasil) 0,100 Q4 1 28 57 599 2 51 0,04 21,39
104 LAS REVISTAS DE COMUNICACIÓN EN EL PANORAMA INTERNACIONAL Discursos Fotograficos (Brasil) 0,100 Q4 2 0 80 0 0 74 0,00 0,00 Caracol (Brasil) 0 22 0 352 0 0 0,00 16,00 En el caso de las revistas españolas, encontramos a 17, siendo la mayoría ubicada también en los cuartiles bajos (tres y cuatro). Solo aparece una revista en el Q1 (Comunicar) y tres en el Q2 (Profesional de la información, Revista Latina de Comunicación Social y Comunicación y Sociedad). Título SJR Índice H Total de documentos (2019) Total documentos (3 años) Total de referências (2019) Total de citas (3 años) Documentos citables (3 años) Citas/ doc. (2 años) Árbitro/ doc. (2019) Review of Communication Research 1,116 Q1 4 4 5 570 20 5 4,00 142,50 Comunicar 1,092 Q1 32 40 120 1655 432 120 3,14 41,38 Profesional de la Informacion 0,480 Q2 25 100 331 5.189 414 331 1,19 51,89 Revista Latina de Comunicacion Social 0,423 Q2 14 55 238 2.196 199 238 0,89 39,93 Comunicacion y Sociedad 0,331 Q2 13 60 156 2.622 117 152 0,69 43,70 Educar 0,283 Q2 2 29 26 1.127 11 24 0,46 38,86 Estudios Sobre el Mensaje Periodistico 0,195 Q3 12 75 269 2.432 56 264 0,20 32,43 Tabla 9 Revistas españolas en SJR (2019). Fuente. https://www.scimagojr.com/
111REVISTAS CIENTÍFICAS DE COMUNICAÇÃO IBERO-AMERICANAS... hispanoamericano que soslayen la hegemonía de modelos que implican poco a nuestras revistas y a nuestros investigadores. De ahí, que sea necesario aumentar el número de revistas algo que ya es un proceso que se viene realizando en las últimas décadas. En la siguiente tabla observamos unos datos que analizan la fecha de creación de las revistas de Comunicación incluidas en Latindex. Así, es claro que, desde el año 2010, existe un creciente proceso de generación de nuevos espacios de difusión de las investigaciones, lo que supone un aire fresco al ecosistema preexistente. Ahora lo que se debe realizar son estrategias de mejoras de los procesos de contenidos y de estructura de las publicaciones para adecuarse a los estándares de toda publicación científica. Para ello, Latindex está desarrollando una magnífica labor con la difusión de las principales características que debe poseer una revista científica, que sirve como listado de chequeo de una publicación1. País 2010 2000-2009 -2000 Número total de revistas Brasil 17,85% 57,14% 25% 56 España 37,50% 35,41% 28,08% 48 Chile 0% 75% 25% 4 Uruguay 33,33% 33,33% 33,33% 3 Costa Rica 0% 0% 100% 1 Paraguay 100% 0% 0% 1 Colombia 0% 33,33% 66,66% 9 Venezuela 0% 55,55% 44,44% 9 Portugal 11,11% 77,77% 11,11% 9 Argentina 27,27% 45,45% 27,27% 11 Ecuador 33,33% 33,33% 33,33% 3 México 11,11% 33,33% 55,55% 9 Perú 33,33% 50% 16,66% 6 Bolivia 0% 0% 100% 1 1 Ver https://www.latindex.org/latindex/meto2 Tabla 13 Año de creación de las revistas por países. Fuente. Elaboración propia con datos de los informes proporcionados por Latindex.
112 LAS REVISTAS DE COMUNICACIÓN EN EL PANORAMA INTERNACIONAL Referencias Archambault, E., Vignola-Gagné, E., Côté, G., Larivière V., & Gingras, Y. (2006). Benchmarking scientific output in the social sciences and humanities: The limits of existingdatabases. Scientometrics, 68 (3), 329-342. https://doi.org/10.1007/s11192-006-0115-z Buela-Casal, G. (2010). Índices de impacto de las revistas científicas e indicadores para medir elrendimiento de los investigadores. Revista de psicodidáctica, 15(1), 3-19. https://www.ehu.eus/ojs/index.php/psicodidactica/article/view/731/606 Castillo-Esparcia, A. (2011). El rol de las publicaciones científicas en Comunicación en el EEES: Indexación e impacto. Revista Internacional de Relaciones Públicas, 1(1), 135-154. https://doi.org/10.5783/RIRP-1-2011- 07-135-154 Castillo-Esparcia, A., & Carretón, M. C. (2010). Investigación en Comunicación. Estudio bibliométrico de las revistas de Comunicación en España. Comunicación y Sociedad, 23(2), 289-327. https://hdl.handle. net/10171/27872 Declaración de San Francisco de Evaluación de la Investigación, 2012, http://scielo.sld.cu/scielo. php?script=sci_arttext&pid=S0864-34662014000100017 Hicks, D., Wouters, P., Waltman, L., Rijcke, S., & Rafols, I. (2015). Bibliometrics: The Leiden Manifesto for research metrics. Nature, 520(7548), 429-431. https://www.nature.com/news/bibliometrics-the-leiden-man- ifesto-for-research-metrics-1.17351 Masip, P. (2011). Efecto Aneca: Producción española en comunicación en el Social Science Citation Index. Anuario ThinkEPI, 5, 206-210. https://dialnet.unirioja.es/descarga/articulo/3647635.pdf Reig, R. (2014). La investigación dependiente: Crítica estructural al sistema JCR. Ámbitos, Revista Internacional de Comunicación, 27. https://www.redalyc.org/articulo.oa?id=168/16845649001 Ruiz-Pérez, R., Delgado, E., & Jiménez-Contreras, E. (2010). Principios y criterios utilizados en España por la Comisión Nacional Evaluadora de la Actividad Investigadora (CNEAI) para la valoración de las publicaciones científicas: 1989-2009. Psicothema, 22(4), 898-908. https://www.redalyc.org/pdf/727/72715515055.pdf Velasco, B., Bouza, J. M. E., Pinilla, J. M., & San Román, J. A. (2012). La utilización de los indicadores bibliométricos para evaluar la actividad investigadora. Aula abierta, 40(2), 75-84. https://dialnet.unirioja.es/descarga/ articulo/3920967.pdf
Las Revistas Científicas en Comunicación Principales Retos Iberoamericanos Actuales https://doi.org/10.21814/uminho.ed.43.8 Enrique Bustamante1 Departamento de Ciencias de la Comunicación, Facultad de Ciencias de la Información, Universidad Complutense de Madrid, España 1 In memorian.... Texto escrito e revisto pelo autor em 2020.
115REVISTAS CIENTÍFICAS DE COMUNICAÇÃO IBERO-AMERICANAS... Introducción Las revistas científicas de Comunicación asumen hoy una trascendencia especial en las Ciencias Sociales, al superar con mucho el campo del periodismo y abarcar una visión transversal que atraviesa todas las actividades sociales y económicas, pero esa función de encrucijada trae consigo también enormes riesgos de atomización y dispersión temática. Tales caracteres acentúan en la Comunicación los peligros actuales de las publicaciones en Ciencias Sociales: la colonización del Inglés empobrece la investigación y sus resultados, la hegemonía de los índices anglosajones margina las aportaciones iberoamericanas y latinas y las subordina a dinámicas comerciales de grandes grupos editoriales, la dominación de los grandes grupos multimedia anglosajones y su distribución en grandes paquetes arrincona aún más la economía y el impacto de la investigación latinoamericana en un escenario cada vez más global; unas tendencias peligrosas que las políticas científicas nacionales, medrosas y subordinadas, de los países latinos no han hecho más que aumentar, hasta delegar a veces su soberanía científica en el mundo angloamericano. Mi experiencia sobre la prolongada historia de 32 años de Telos (1985-2017) de la que fui fundador y director hasta su conversión en revista de divulgación tecnológica y genérica, una de las publicaciones más veteranas en el ámbito español, me permitió plantearme durante años las grandes disyuntivas posibles: orientación académica o también profesional, investigadores emergentes o seniors, protocolos informáticos o atención directa a los autores, profesionalización de la edición o de la distribución, papel o soporte digital, todo pago o acceso abierto… Pero he comprobado, en diversos foros y debates, como en el coloquio organizado con motivo del 30º aniversario de la revista Réseaux, en enero de 2014, que los problemas que he vivido en primer plano se pueden aplicar a prácticamente toda la Europa continental. El cuadro conjunto de situación apela inevitablemente a la necesidad urgente de una cooperación iberoamericana acrecentada, que debería engarzarse en una cooperación latina creciente, tanto en la creación de índices prestigiosos autóctonos, como en la constitución de redes de distribución y promoción conjuntas y, finalmente, en la integración de las revistas científicas en Comunicación en una auténtica política de apoyo a la investigación en Ciencias Sociales. Comunicación: revista disciplinaria o temática Esa función de cruce de caminos trae consigo también enormes riesgos de generalización (ver bosques sin árboles) y de dispersión temática (árboles sin bosques).
116 Ciertamente, se trata de reivindicar la Comunicación como un objeto de estudio axial en nuestra sociedad que ha pasado en varias décadas de una concepción restrictiva, los medios de comunicación de masa, a situarse en el centro del funcionamiento y del desarrollo de las sociedades contemporáneas; Comunicación también como encrucijada de caminos disciplinares múltiples, que se enriquece cada día con las aportaciones realizadas desde las perspectivas diversas de las Ciencias Sociales. Pero esta concepción de la Comunicación exige asimismo una ambición totalizadora de su realidad social, conseguida a través de múltiples investigaciones empíricas, pero capaz de no perder de vista la complejidad global de la evolución de la comunicación social sobre la sociedad entera; una perspectiva que permite mantener la capacidad trascendental de crítica de la realidad, y su corolario imprescindible de interrogantes sobre cómo podría ser la Comunicación – y la sociedad – de otra forma, por otras vías, en beneficio de la mayoría de sus ciudadanos. Los cantos a la delimitación superespecializada de cada revista de Comunicación, argumentados casi siempre en su probabilidad de aumentar las citas y los índices de impacto, corren el riesgo pues de incrementar la segmentación – disciplinar, sectorial o tecnológica –, reduciendo drásticamente esa capacidad holística de contemplar las relaciones entre comunicación y sociedad, en donde los departamentos estancos son cada vez más reducidos y pequeños. Y por las mismas razones una revista que ofrezca sólo dossiers monográficos en cada número, satisfaciendo a una parte seguramente minoritaria de su público mientras frustra al resto, perdería su capacidad de cita periódica y estable con su audiencia. Revistas anglófonas o en lenguas latinas La pregunta es enormemente trascendental en este período del desarrollo del pensamiento en los países no anglófonos, porque implica consecuencias graves no sólo para las revistas científicas sino también para la investigación en Comunicación entera. Primero, porque como se sabe, la lengua implica también estructuras de pensamiento, conceptos, tradiciones, escuelas, riqueza de perspectivas epistemológicas incluso, que se harían mucho más limitadas, sesgadas y pobres en un mundo uniforme en Inglés. Segundo, porque la imposición de la publicación hegemónica o casi total en Inglés beneficia claramente la competitividad científica de los países de esa área y perjudica notablemente, en términos de riqueza de expresión y de costes económicos incluso, a los investigadores de las restantes áreas lingüísticas. Tercero, resulta altamente dudoso que la simple versión exclusiva en Inglés permita penetrar realmente en el ambiente científico anglosajón, en tanto que distancia a las publicaciones de la audiencia de sus propias naciones de origen, acentuando la distancia entre las Ciencias Sociales y la realidad misma investigada respecto al tejido social de sus países. LAS REVISTAS CIENTÍFICAS EN COMUNICACIÓN
117REVISTAS CIENTÍFICAS DE COMUNICAÇÃO IBERO-AMERICANAS... Otra cosa es la edición en Inglés – ¿por qué no también en otras lenguas mayoritarias como el Portugués, el Español, el Francés…? – de los resúmenes y palabras clave, como vía para un intercambio cultural y científico, como garantía de mantenimiento de la riqueza de la lengua originaria de cada artículo cuando esta es comprensible por la mayoría de la audiencia en cada país. En cuanto a la opción de la doble lengua sistemática de cada revista, en su lengua originaria y en Inglés, resulta evidentemente de un coste suplementario y muchas veces prohibitivo para su editorial o para sus autores (hay revistas españolas que obligan a pagar la traducción a alto precio para garantizar su calidad). Pero, además, supone una confesión de debilidad de una cultura que, difícilmente le permitirá un diálogo de igual a igual con las revistas y el mundo científico anglosajón. Los índices de calidad Dicho esto, hay que reconocer que la presión en muchas naciones para la publicación de los textos y la edición única en Inglés de las revistas resulta muchas veces insoportable como consecuencia del provincianismo de las autoridades educativas y científicas que, como en Portugal o en la propia España han dado absoluto y acrítico reconocimiento a los índices académicos anglosajones. Así, la web del Consejo Superior de Investigaciones Científicas (CSIC) (homólogo del Centre National de la Recherche Scientifique [CNRS] francés), ha llegado a conectar automáticamente con el sitio web del Institute for Scientific Information (ISI) de Thomson Reuters, sus catálogos y sus índices de impacto, en una absoluta cesión de la soberanía nacional científica. Y de la misma forma la Agencia Nacional de Evaluación de la Calidad y Acreditación (ANECA), agencia de calidad científica española, todopoderosa para la promoción y carrera profesional de los investigadores y profesores, sólo aceptaba durante años a las revistas y los índices del ISI (Web of Knowledge [WoK]) o los de Scopus (de Elsevier), relegando a valores marginales a las publicaciones más destacadas españolas o latinoamericanas. El asunto es tanto más escandaloso por cuanto que se trata de dos aparatos dependientes de grandes grupos privados en los que los índices forman parte de sus modelos de negocio, ellos mismos implicados en la edición de revistas científicas, y que, a mi modo de ver, ofrecen resultados fuertemente sesgados a favor de las revistas anglosajonas (entre el 80-87% de sus listados), que aparecen desde hace años sobre representadas en sus catálogos de Ciencias Sociales y Humanidades, dominando absolutamente el famoso “primer cuartil” frente a un número ridículo de revistas de otras áreas; en el segundo cuartil, apenas hay entre una y tres publicaciones chinas, españolas, brasileñas o francesas, la mayoría de las cuales aparece a partir del puesto 140-150.
118 Los tres índices hegemónicos, Journal Citation Reports (JCR), Scopus y Web of Science son “muy sesgados a favor del mundo anglófono” en todas las Ciencias Sociales, y dejaban a las publicaciones en Español, y en Portugués, Francés o Italiano, en posiciones marginales: en JCR, de 2.731 publicaciones contempladas (2010), solo un 0,97% estaban en Español (81, de las cuales 47 de España y el resto de Latinoamérica) y 25 en Francés (pero 85 de Australia); más significativo era aún que el Español representaba el 1,1% de los artículos indexados (Ramos-Torre & Callejo-Gallego, 2013, p. 51). Por su parte, en Scopus, de 3.015 revistas analizadas (2012), un 3,6% eran en Español (79 españolas y 42 en Latinoamérica; Ramos-Torre & Callejo-Ga- llego, 2013, p. 51). Felizmente, el índice Hirsch y su evaluación a través de Google Scholar Metrics ha venido a disminuir estas discriminaciones, desde 2012, “socializando” o “democratizando” los índices de calidad, pero no a eliminarlas. En sus listados de impacto, más exhaustivos que los de Elsevier o Thomson Reuters aparece en la última década “sólo” un 59,67% de revistas publicadas en Inglés y procedentes de los países anglosajones, y un número mayor pues de revistas de otros países (de entre 664 de 30 países) aunque en posiciones muy retrasadas respecto a las anglosajonas. A título de ejemplo, Réseaux fue la primera europea continental en el índice H, durante cinco años (2007-2011), pero aparecía en el puesto 98 del ranking (de 272 en Comunicación, con más de 100 artículos publicados en los últimos cinco años), mientras que Telos encabezaba la lista de revistas en Español, pero en el puesto 101; puestos mantenidos durante una década porque, en el ranking de una década (2001-2010), Réseaux era ya la primera revista francesa y europea continental por citas y Telos la primera del mundo de habla hispana. En el ranking de 2014 (sobre cinco años anteriores, 2009-2013), de un total de 423 publicaciones consideradas de Comunicación, había cinco latinas entre las primeras 100, y 21 entre las primeras 200: la primera publicación latina (brasileña) estaba en el puesto 31 y la segunda (italiana), en el 33, mientras que la primera francesa ocupaba el puesto 89 (Réseaux). En lo que respecta a España, figuraban tres revistas entre las primeras 100, y cuatro en las 150 iniciales del ranking. Ciertamente, en muchos países latinos, se ha hecho un gran esfuerzo de adaptación en los últimos años. Pero también se ha dado una enorme dispersión de criterios e indicadores, desde las condiciones formales de autonomía editorial a los protocolos burocráticos, desde los índices de impacto seguidistas del mundo anglosajón a las encuestas de expertos españoles a veces de extrañas distorsiones en la selección; y, en correspondencia, se ha producido una proliferación de organismos y termómetros nacionales e internacionales, que en el caso español producen ya una notable confusión cruzada: Difusión y Calidad Editorial de las Revistas Españolas de Humanidades y Ciencias Sociales y Jurídicas (DICE), organizada por el CSIC, financiada por LAS REVISTAS CIENTÍFICAS EN COMUNICACIÓN
119REVISTAS CIENTÍFICAS DE COMUNICAÇÃO IBERO-AMERICANAS... la agencia de calidad universitaria ANECA como referencia de calidad de las publicaciones científicas; Fundación Española para la Ciencia y la Tecnología (FECYT), In-RECS (Índice de Impacto de Revistas Españolas de Ciencias Sociales)… Además de Latindex y los indicadores anglosajones, no pocas veces mezclados. Así, la avalancha de criterios formales para las revistas, algunas justas para avanzar en su profesionalización y rigor, degenera sin embargo en muchos casos en condiciones irracionales, en rígidos protocolos metodológicos que encorsetan la reflexión (tomados generalmente de las Ciencias de la Naturaleza o de la Psicología Médica) o en incontables condiciones burocráticas que condicionan la libertad investigadora, sus objetos de estudio y sus resultados. De esta forma, al amparo de supuestos labels de calidad, se imponen decenas de condiciones formalistas, se calcula a priori incluso el porcentaje de textos rechazados, o se cae en la picaresca de la “ingeniería” de las autocitas, no ya de los propios autores sino de la publicación editora que en algunas revistas incluye explícita o implícitamente la exigencia abusiva de citar múltiples veces a la revista deseada para engordar su supuesto impacto, a sabiendas de que el índice H no permite discriminar las citas rigurosas y motivadas de las autocitas de los autores, incluyendo las citas cruzadas y pactadas entre grupos, ni siquiera esas autocitas impuestas abusivamente y hasta insertadas unilateralmente por las propias publicaciones. Una práctica tan irregular y acientífica como los consejos que nos rodeaban a muchos doctorandos y profesores en los años 80: no dejar de citar nunca todos los catedráticos del área… Por si acaso “caían” en los tribunales. En la misma línea de exigencias perniciosas, se exige el uso de plataformas informáticas anónimas cuyas cuantiosas condiciones formales (que a menudo sustituyen a la labor de edición) pueden determinar el rechazo previo de artículos durante largo tiempo (hasta un año en algunos casos) sin contacto posible alguno entre editor y colaborador. Se olvida también con frecuencia en esa dinámica la originalidad y calidad del pensamiento desarrollado, en beneficio de la cantidad de producción, o de un conocimiento de corta memoria (la de internet generalmente), repetitivo cuando no inútil y no acumulativo ni progresivo. Y hasta el impacto de cada texto frente a la comodidad del índice de impacto del soporte de edición. La disyuntiva papel – digital Ciertamente, lo importante de una revista científica es la calidad de los contenidos, pero el soporte no es una cuestión trivial. Y en los tiempos de transición en que estamos, mi respuesta para una publicación periódica de Comunicación es no disyuntiva: en papel y en digital, a ser posible en este último caso, gratuita y de libre acceso.
120 El papel sigue teniendo funciones esenciales para las bibliotecas públicas, para los investigadores especializados, para muchos países en desarrollo: recuerdo haber contemplado con emoción en facultades de Cuba pero también de Colombia, de Argentina y Brasil colecciones de Telos desgastadas por el prolongado uso. En cambio, el soporte digital tiene ventajas indudables de acceso universal, de traspaso de las fronteras y las tasas aduaneras, tan abundantes en Iberoamérica, de conexión en todo tiempo y lugar, de descenso de costes. En teoría también de espacio ilimitado para muchos más artículos, pero esta posibilidad resulta inviable cuando los índices miden las citas en función del número de artículos editados, porque se rebajaría inmediatamente el impacto de una revista que duplicara el número de textos. Además, lo digital permite la proliferación y conexión de las bases de datos, el funcionamiento de los buscadores, la generación de espacios de debate, las dobles versiones lingüísticas, el enlace con las redes sociales y el consiguiente feedback con los lectores. Los interrogantes más fuertes no residen pues en el soporte, sino en los modelos de negocio: difícil venta por número o suscripción digital, salvo en el caso de revistas anglosajonas que se agrupan en redes manejadas por potentes grupos editores para hacer pagar abonos excesivos (seis editoriales anglos editan en 2013 entre el 54- 65% de las revistas de los rankings de WoK o Scopus). Difícil ecuación, salvo en caso de patrocinio privado, cuando nuestras universidades públicas y grupos de investigación están siendo esquilmados presupuestariamente por los estados en Europa y, especialmente, en España, mientras que las opciones de venta o suscripción por revista aislada se revelan inviables. Tan grave o más que la cuestión financiera son las consecuencias que los índices están teniendo sobre el mundo científico completo de las Ciencias Sociales, en analógico o en digital. Así, la generalización de las valoraciones de doble ciego está alejando a los investigadores seniors reconocidos de las revistas, y dejando a estas como soporte casi único para los autores emergentes, incluidos los especialistas en promoción de carreras universitarias (“investigadores del boletín oficial del estado”), incluyendo frecuentemente exigencias formales irracionales, como la tasa mínima del 60% de rechazo de originales. Se está generando así un doble circuito perverso, con dos mundos paralelos sin casi conexión: los seniors publican libros, los jóvenes publican artículos en busca obsesiva de las “estrellas Michelin”. Sólo los grandes congresos científicos periódicos se mantienen como lugar de encuentro, aunque penalizados incomprensiblemente cada vez más por las agencias de calidad de la enseñanza y la investigación, disminuyendo así tendencialmente el imprescindible diálogo entre investigadores nacionales e internacionales. Para mayor abundamiento, el tejido editorial de libros, muy mayoritariamente privado y comercial, es mucho más fuerte y está más extendido en toda el área LAS REVISTAS CIENTÍFICAS EN COMUNICACIÓN
127REVISTAS CIENTÍFICAS DE COMUNICAÇÃO IBERO-AMERICANAS... A afirmação do Português como língua de ciência Com a globalização, uma cinética própria da era da técnica, as tecnologias da informação e da comunicação passaram a mobilizar-nos, total e infinitamente, para o mercado, a competição e o ranking (Carvalho, 2019; Martins, 2010, 2014, 2019), e tornam possível o desenvolvimento de identidades transculturais e transnacionais (Martins, 2018a, 2018b), que exprimem a luta pela ordenação simbólica do mundo (Bourdieu, 1977, 1979, 1980, 1982). É precisamente a magna questão geo-estratégica e cultural do combate pelo ordenamento simbólico do mundo que está presente na ideia de lusofonia. Colocam-se nela, com efeito, os problemas de uma língua hegemónica, o Inglês, e da subordinação, linguística, cultural, política e científica, da língua portuguesa1. Por outro lado, à ideia de lusofonia também não é alheio o atual debate sobre a globalização do conhecimento e da cultura digital, com o ciberespaço a apresentar- -se como um novo lugar para o conhecimento científico (Martins, 2018c). Mas, o ciberespaço, que enquanto novo lugar do conhecimento científico é, antes de mais, um espaço de língua inglesa, não pode deixar de ser, também, um espaço de língua portuguesa (Martins, 2018c, p. 89). Com pouco menos de 300 milhões de falantes, a língua portuguesa é a quinta língua mais utilizada na internet2. Como expliquei no estudo “Os países lusófonos e o desafio de uma circum-navega- ção tecnológica” (Martins, 2018c), o espaço transcultural e transnacional dos povos que falam Português constitui uma mesma barricada de países, em permanência empurrados para a periferia do sistema mundial, falado numa única língua, o Inglês. Estas circunstâncias permitem configurar um novo desafio para a lusofonia. Promovendo uma ideia de ciência com memória, responsabilidade e consciência, enfim, uma ideia de ciência que tenha o sentido do humano (Martins, 2008), podemos encarar a lusofonia como uma travessia tecnológica a realizar por todas as comunidades e povos de língua portuguesa, no sentido do interconhecimento, da cooperação, cultural, científica, social, política e económica, e também de afirmação da diversidade no mundo (Brito & Martins, 2005). No entanto, esta travessia, no sentido do interconhecimento entre os países e comunidades de língua portuguesa, parece ainda estar longe de ser uma realidade na ciência. Vejamos o exemplo de um estudo que vai além do espaço lusófono, mas que nos auxilia a vislumbrar o possível conhecimento ou desconhecimento entre investigadores que não têm o Inglês como língua materna. Ao tomar como referência 1 Esta ideia é explorada em diversos trabalhos como, por exemplo, Martins (2016, 2017, 2018a, 2018c). 2 Dados referentes a 31 de março de 2020. Ver https://www.internetworldstats.com/stats7.htm
128 as revistas de Ciências da Comunicação, de Portugal, Brasil e Espanha, Serra (2016) avaliou o grau de conhecimento, ou de desconhecimento mútuo, dos investigadores daqueles três países. Esta análise permitiu verificar que há “um reduzido cruzamento não só entre os autores da língua portuguesa e da língua espanhola, mas também dentro do Português, entre os autores de Portugal e do Brasil” e que há ainda, por parte de autores de língua portuguesa e espanhola, um predomínio de referências a autores de língua inglesa (Serra, 2016, p. 66). Existe, portanto, um desconhecimento recíproco dos investigadores ibero-americanos de Ciências da Comunicação. Quer isto dizer que estes académicos estão a contribuir para reforçar o paradigma dominante, baseado na publicação em Inglês (Serra, 2016). A realidade é que o modelo de publicação dos países anglo-saxónicos se tem tornado hegemónico, mesmo nas Ciências Sociais e Humanas, área em que foram encontradas maiores resistências e a penetração foi mais tardia (Gradim & Morais, 2016). Essa hegemonia tem contribuído, todavia, para que se perpetuem as desigualdades linguísticas. O Inglês é, hoje em dia, a língua utilizada cientificamente. Esta situação apresenta benefícios práticos, como sejam a eliminação de barreiras de comunicação e o aumento da visibilidade e citabilidade dos trabalhos. Mas tem, também, uma clara desvantagem para os falantes não nativos, que têm de se expressar numa língua estrangeira (Gradim & Morais, 2016). Este caminho, no sentido de um paradigma dominante, prende-se com as exigências dos editores. Mas é também imposto pela bibliometria e pelas exigências de indexação e ainda pela predominância do Inglês em bases de dados, o que, obviamente, influencia os resultados desses instrumentos. Hoje, a Web of Science, por exemplo, confirma claramente que a ciência tende cada vez mais para o monolinguismo (Gradim, 2018). No fundo, como sintetiza Serra (2017), o atual paradigma de ciência implica o seguinte: ciência é o que é publicado 1) em Inglês; 2) sob a forma de artigos em revistas científicas; 3) em artigos, que obedecem ao formato IMRaD (introduction, methods, results, and discussion [introdução, métodos, resultados e discussão]); e 4) publicado em revistas científicas com “fator de impacto”. Já a resposta a este mesmo paradigma pode levar-nos por diversos caminhos. Serra (2017) apresenta-nos três: o da submissão aos ditames do paradigma; o da recusa do paradigma; e um terceiro, o de compromisso, que já está a ser seguido por algumas revistas portuguesas e brasileiras, da área das Ciências da Comunicação, o que implica a publicação de artigos bilingues. Do ponto de vista aqui apresentado, entende-se, contudo, que é uma questão estratégica debater as políticas científicas e as formas de contrariar o paradigma instalado, um modelo que apaga a diferença, pela sua centralidade anglo-saxónica, que perpetua a subalternidade linguística e cultural. POLÍTICAS CIENTÍFICAS E LÍNGUAS DE CIÊNCIA
129REVISTAS CIENTÍFICAS DE COMUNICAÇÃO IBERO-AMERICANAS... Contra o empobrecimento da língua, é hoje, pois, função de primordial importância, na política editorial, a escrita em língua portuguesa. Aliás, eu próprio escrevi, em 2012, “muitas razões justificam a necessidade de promover a edição de revistas científicas portuguesas. Existe, porém, uma que deveria tomar-se como primordial: a afirmação da língua portuguesa como língua de pensamento e de conhecimento” (Martins, 2012a, pp. 243-244). O combate linguístico tem várias frentes. Assim como a comunicação social tradicional, e também a comunicação na internet, deve disponibilizar em vernáculo a maior variedade de informação, literária, científica, cultural, visual, musical, económica, tornando-a acessível ao maior número de falantes, nativos e não nativos de uma língua, também as revistas científicas devem transmitir pensamento e conhecimento, urbi et orbi, em língua vernácula. E do mesmo modo que cabe à comunicação social e aos professores de língua e cultura empenharem-se neste combate pela sobrevivência da língua portuguesa, assim também é um desafio para os investigadores de Ciências Sociais e Humanas do espaço lusófono, e de entre estes destacamos os investigadores de Ciências da Comunicação, empenharem-se neste combate pela nossa sobrevivência plural, na diversidade dos povos e culturas que constituímos. Fazer ciência em língua portuguesa é, pois, dar oportunidades ao conhecimento, que se exprime na diversidade das culturas faladas em Português, assim concorrendo para a construção de uma comunidade científica lusófona, policentrada e polifacetada, uma comunidade com sentido humano, que é sempre uma comunidade com o sentido do debate e da cooperação, no respeito pela diversidade e pela diferença entre as culturas. (Martins, 2018c, p. 91) Ciências da Comunicação: área científica de ensino e publicação3 Sendo a comunicação matéria transversal a diferentes Ciências Sociais e Humanas e fenómeno de que desde sempre, direta ou indiretamente, se ocupou o pensamento filosófico, é compreensível que seja difícil balizar o seu nascimento como campo científico delimitado. No entanto, é comum situar-se na década de 1950 a formalização das Ciências da Comunicação como domínio de estudo, investigação e ensino, uma vez que foi por esta altura que se constituíram os primeiros departamentos de Ciências da Comunicação em universidades de alguns países. Por esta razão, apenas a partir da segunda metade do século XX começaram a ser publicadas as 3 Este capítulo procura atualizar um estudo realizado sobre as “Revistas científicas de Ciências da Comunicação em Portugal: da divulgação do conhecimento à afirmação do Português como língua de pensamento e conhecimento” (Martins, 2012a), pelo que retoma alguns parágrafos e atualiza outros.
130 primeiras revistas científicas especificamente vocacionadas para a divulgação do conhecimento nesta área. Em Portugal, a fundação das Ciências da Comunicação no meio académico é ainda mais tardia. Na verdade, só em 1979 aparece, em Lisboa, o primeiro curso de graduação em Comunicação Social, por iniciativa do então designado Departamento de Comunicação Social da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Este núcleo académico – que passou a chamar-se Departamento de Ciências da Comunicação – é reconhecido pelo lançamento efetivo desta área científica no país. A este departamento estão associados, por sua vez, três outros importantes acontecimentos: a criação do primeiro curso de pós-graduação, a constituição do Centro de Estudos de Comunicação e Linguagens (CECL) e o lançamento da Revista de Comunicação e Linguagens (respetivamente, o mais antigo centro de Comunicação em Portugal e a primeira revista científica desta área). Com uma atuação em regime de exclusividade nos primeiros anos – dado que só um pouco mais tarde é que outras universidades passaram a apostar na Comunicação como área de estudos autónoma – o Departamento de Ciências da Comunicação da Universidade Nova de Lisboa foi particularmente oportuno neste investimento, beneficiando de uma conjuntura de expansão dos média em Portugal. A abertura de novos órgãos de comunicação social – designadamente, o lançamento de novos jornais, a abertura dos canais privados de televisão, a legalização de mais de três centenas de rádios locais e regionais –, assim como a diversificação das profissões ligadas à comunicação, contribuíram significativamente para o aumento do número de pessoas interessadas na formação superior em jornalismo, relações públicas, publicidade e comunicação audiovisual. A par deste fenómeno de desenvolvimento do ensino, que compreendeu a criação de outros cursos de Comunicação nos principais centros universitários do país e a sua extensão a unidades de ensino superior mais pequenas, como os institutos politécnicos, foram, finalmente, criadas condições para a produção de conhecimento em centros de pesquisa especializados e para a difusão da investigação em publicações nacionais (Martins, 2012b; Martins & Oliveira, 2012, 2013). Um breve percurso pelas revistas portuguesas de Ciências da Comunicação No estudo realizado sobre as “Revistas científicas de Ciências da Comunicação em Portugal: da divulgação do conhecimento à afirmação do Português como língua de pensamento e conhecimento” (Martins, 2012a), contavam-se meia dúzia de revistas científicas de Ciências da Comunicação em Portugal. Dizia-se, em 2012, que “dada a dimensão ainda relativamente reduzida da comunidade científica portuguesa de Ciências da Comunicação”, não era legítimo considerar esse número de publicações POLÍTICAS CIENTÍFICAS E LÍNGUAS DE CIÊNCIA
131REVISTAS CIENTÍFICAS DE COMUNICAÇÃO IBERO-AMERICANAS... científicas insuficiente (Martins, 2012a, p. 242). Desde aí assistimos ao desaparecimento de algumas revistas, mas também à clara expansão deste campo e consequente aumento das publicações, contabilizando-se, em 2021, 19 publicações nesta área de conhecimento. Faremos agora um pequeno percurso por todas estas publicações, começando por aquelas que estão associadas aos quatro centros de investigação avaliados pelo painel de Ciências da Comunicação, na última Avaliação das Unidades de I&D, levada a cabo pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT), em 2018/20194. Referimo-nos ao Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade (CECS), ao Centro de Investigação em Comunicação Aplicada, Cultura e Novas Tecnologias (CICANT), ao Instituto de Comunicação da NOVA (ICNOVA) e ao LabCom – Comunicação e Artes (LabCom). O Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade (CECS), da Universidade do Minho, conta com três revistas científicas5: Comunicação e Sociedade, Revista Lusófona de Estudos Culturais/Lusophone Journal of Cultural Studies e Vista. A revista Comunicação e Sociedade (www.revistacomsoc.pt) apresenta-se como “uma revista académica que pretende aprofundar a análise dos fenómenos comunicacionais e, simultaneamente, contribuir para a leitura da realidade social, segundo ferramentas teóricas e metodológicas dos diferentes campos das Ciências Humanas e Sociais”6. É a segunda revista mais antiga no panorama nacional, sendo publicada desde 1999, tem atualmente uma periodicidade estabelecida de dois volumes por ano e soma 40 volumes publicados7, estando todos os volumes disponíveis online e também em versão impressa. A Comunicação e Sociedade é uma revista temática, é bilingue, desde 2013, sendo publicada em Português e em Inglês. A revista apresenta um ICDS (Secondary Composite Index Broadcasting)8 igual a 9,8 no MIAR (Information Matrix for the Analysis of Journals), indicador associado à presença de uma revista em diferentes fontes de informação de relevância internacional9. Foi aprovada de acordo com os critérios de inclusão do European Reference Index for 4 Para mais informações, ver https://www.fct.pt/noticias/index.phtml.pt?id=452&ano=2019&mes=6/ FCT_publica_resultados_da_Avalia%C3%A7%C3%A3o_das_Unidades_de_I&D 5 Ver http://www.cecs.uminho.pt/publicacoes/revistas/ 6 As informações relativas às revistas foram preferencialmente retiradas dos seus websites, os quais estão indicados no corpo do texto deste capítulo. 7 Os dados apresentados neste artigo foram atualizados em fevereiro de 2021. 8 As informações apresentadas ao longo deste capítulo sobre o ICDS foram recolhidas a partir do seguinte link http://miar.ub.edu/search 9 Ver http://miar.ub.edu/about-icds
132 the Humanities and the Social Sciences (ERIH PLUS)10, está disponível na SciELO11 e na Scopus12, mas não na Web of Science13. Está no Catálogo v1.0 (2002 - 2017) do Latindex14, Sistema Regional de Informação em Linha para Revistas Científicas de América Latina, Caraíbas, Espanha e Portugal, cumprindo 33 critérios de qualidade. Olhando para as métricas do Google Académico15, apresenta um h5-índice igual a 9 e um h5-mediana igual a 10. Na classificação Qualis/CAPES 2013-201616 foi-lhe atribuído B1 na área da Comunicação. Observando, por sua vez, o SCImago Journal & Country Rank17, verifica-se que a revista está no quarto quartil de Comunicação. A Revista Lusófona de Estudos Culturais/ Lusophone Journal of Cultural Studies (www. rlec.pt) é “uma revista temática da área dos Estudos Culturais”, fundada em 2013, que “tem como propósito servir os países de língua oficial portuguesa, assim como as suas diásporas”. Tendo sido editada até 2016 numa parceria entre a Universidade do Minho e a Universidade de Aveiro, é hoje um projeto editorial exclusivo do CECS, da Universidade do Minho. É publicada em Português e em Inglês, duas vezes por ano, em versão digital e impressa, e conta com 14 edições. Esta revista encontra-se nas métricas do Google Académico, onde apresenta um h5-índice igual a 5 e um h5- -mediana igual a 9. Além disso, foi aprovada de acordo com os critérios de inclusão do ERIH PLUS. A revista Vista (https://revistavista.pt) foi lançada em 2017 pelo Grupo de Trabalho de Cultura Visual da Associação Portuguesa de Ciências da Comunicação (Sopcom). No segundo semestre de 2020, passou a ser editada pelo CECS, mantendo todavia uma ligação a este Grupo de Trabalho da Sopcom. Apresenta-se como “uma revista científica de Cultura Visual e Artes Digitais” e conta com sete números, estando 10 Aquando da falta desta informação no website das revistas apresentadas, as informações relativas a esta questão foram confirmadas no seguinte link https://dbh.nsd.uib.no/publiseringskanaler/erihplus/ 11 Aquando da falta desta informação no website das revistas apresentadas, as informações relativas a esta questão foram confirmadas no seguinte link https://www.scielo.org/ 12 Aquando da falta desta informação no website das revistas apresentadas, as informações relativas a esta questão foram confirmadas no seguinte link https://www.scopus.com/ 13 Aquando da falta desta informação no website das revistas apresentadas, as informações relativas a esta questão foram confirmadas no seguinte link http://apps.webofknowledge.com 14 Aquando da falta desta informação no website das revistas apresentadas, as informações relativas a esta questão foram confirmadas no seguinte link https://www.latindex.org/latindex/inicio 15 As informações apresentadas sobre as métricas do Google Académico das revistas foram recolhidas a partir do seguinte link https://scholar.google.pt/citations?view_op=top_venues&hl=pt-PT&vq=pt 16 Ainda não existem resultados mais recentes da avaliação Qualis. As informações apresentadas sobre as diversas revistas relativas às classificações do quadriénio 2013-2016 foram recolhidas a partir do seguinte link https://sucupira.capes.gov.br/sucupira/public/consultas/coleta/veiculoPublicacaoQualis/ listaConsultaGeralPeriodicos.jsf 17 Aquando da falta desta informação no website das revistas apresentadas, as informações relativas a esta questão foram recolhidas no seguinte link https://www.scimagojr.com/journalrank.php POLÍTICAS CIENTÍFICAS E LÍNGUAS DE CIÊNCIA
133REVISTAS CIENTÍFICAS DE COMUNICAÇÃO IBERO-AMERICANAS... o último em processo de atualização, dado que, na transição para o CECS, a Vista adotou a modalidade de publicação contínua e tornou-se uma revista bilingue (Português e Inglês). Dada a sua recente existência, a Vista não conta, ainda, com referências de indexação. Ao Centro de Investigação em Comunicação Aplicada, Cultura e Novas Tecnologias (CICANT)18, uma unidade de investigação da Universidade Lusófona, estão associadas três revistas: International Journal Of Film And Media; International Journal On Stereo & Immersive Media; e Caleidoscópio. Contudo, nos websites associados à revista Caleidoscópio19 não se encontram edições recentes. E tanto a revista International Journal of Film and Media Arts (https://revistas.ulusofona.pt/index.php/ijfma/), como a revista International Journal On Stereo & Immersive Media (https://revistas.ulusofona.pt/index.php/stereo) são muito recentes, tendo surgido a primeira em 2016 e a segunda em 2017. A International Journal Of Film And Media Arts é uma revista centrada nas áreas do cinema e artes mediáticas, conta com 10 edições, é publicada duas vezes por ano e aceita artigos de diferentes línguas. Já a International Journal On Stereo & Immersive Media procura refletir sobre a emergência de uma cultura mediática progressivamente imersiva, conta com seis edições e afirma-se como uma publicação em Inglês ou Português, sendo publicada anualmente. Não se encontram referências a estas revistas no ERIH PLUS, Latindex, SciELO, Scopus, Web of Science, MIAR, métricas do Google Académico, nem, obviamente, na avaliação Qualis/CAPES de 2013-2016, dada a recente existência destas publicações. A International Journal of Film and Media Arts informa, contudo, ter sido aceite para indexação na Scopus, em junho de 2020. O Instituto de Comunicação da NOVA (ICNOVA) conta com três revistas científicas20: Revista de Comunicação e Linguagens; Revista Media & Jornalismo; e Interact. Constituindo-se como a mais antiga revista da área em Portugal, a Revista de Comunicação e Linguagens (http://www.fcsh.unl.pt/rcl/index.php/rcl/index) lançou o seu primeiro número em março de 1985. Tratou-se de um número sobre “as máquinas censurantes modernas”, um tema que anunciava já a tendência que a revista teria para o tratamento da comunicação, no sentido amplo do termo, e não para o seu estreitamento nos estudos jornalísticos stricto sensu. Percorridos mais de 35 anos da sua existência, a Revista de Comunicação e Linguagens publicou mais de 50 números, estando disponíveis os últimos sete no seu atual website. A revista apresenta um ICDS igual a 6,5 no MIAR e está, no que diz respeito à sua versão impressa, no Catálogo v1.0 do Latindex, cumprindo os 26 critérios de qualidade. A revista foi aprovada 18 Ver https://cicant.ulusofona.pt/publications/ 19 Ver http://loja.ulusofona.pt/loja/revistas-cientificas/revista-caleidoscopio e https://revistas.ulusofona. pt/index.php/caleidoscopio/issue/archive 20 Ver http://www.icnova.fcsh.unl.pt/edicoes/
134 de acordo com os critérios de inclusão do ERIH PLUS. Não se encontra referência à revista na SciELO, Scopus, Web of Science, métricas do Google Académico, nem na avaliação Qualis/CAPES de 2013-201621. A revista é semestral e aceita textos em Português e Inglês, e, excecionalmente, em Espanhol e Francês. Em 2002, e na sequência da criação do Centro de Investigação Média e Jornalismo, em 1997, a revista Media & Jornalismo (https://impactum-journals.uc.pt/mj) juntou- -se ao panorama.No seu atual website apresenta edições desde 2015, totalizando 12 números. A revista é semestral e apresenta um ICDS igual a 7,8 no MIAR, foi aprovada de acordo com os critérios de inclusão do ERIH PLUS, está disponível na SciELO e na Scopus, mas não na Web of Science. No SCImago Journal & Country Rank, está no terceiro quartil de Comunicação. Está no Catálogo v1.0 do Latindex, cumprindo 28 caraterísticas de qualidade. Nas métricas do Google Académico, apresenta um h5-índice igual a 7 e um h5-mediana igual a 9. Na classificação Qualis/ CAPES 2013-2016 foi-lhe atribuído B1 na área da Comunicação. A Interact – Revista Online de Arte, Cultura e Tecnologia (http://interact.com.pt/), a mais antiga revista no espetro online, foi publicada pela primeira vez em 2000. Tem uma periodicidade irregular. O objetivo da publicação é, de acordo com a sua apresentação no website, “a reflexão e a discussão em torno de temáticas importantes do pensamento contemporâneo, o acompanhamento crítico de acontecimentos e práticas culturais e artísticas e o incentivo ao trabalho de experimentação com as tecnologias digitais e as redes de informação”. Não existe referência a esta revista no ERIH PLUS, Latindex, SciELO, Scopus, Web of Science, MIAR, métricas do Google Académico, nem na avaliação Qualis/CAPES de 2013-2016. Por fim, o LabCom – Comunicação e Artes (LabCom), unidade de investigação da Universidade da Beira Interior, conta com cinco revistas22: Estudos em Comunicação, Doc-online, Eikon, Recensio, e Rhêtorike. Todavia, no website associado à Recensio 23 não se encontram edições recentes. O LabCom publica, desde 2007, a Estudos em Comunicação/Communication Studies (http://ojs.labcom-ifp.ubi.pt/index.php/ec/index), uma revista semestral com mais de 30 edições, estando 12 disponíveis no website. A sua linha editorial “está orientada para os conceitos de ‘cidadania’ e ‘participação’, entendidos de um ponto de vista comunicacional”. A revista apresenta um ICDS igual a 7,6 no MIAR, foi aprovada de 21 Se consultarmos a Plataforma Sucupira (https://sucupira.capes.gov.br/sucupira/public/consultas/ coleta/veiculoPublicacaoQualis/listaConsultaGeralPeriodicos.jsf) não encontramos dados sobre esta revista, contudo, ao consultar a lista apresentada no website da Compós (http://compos.org.br/periodicos. php) aparece como B1. 22 Ver http://www.labcom-ifp.ubi.pt/pagina/revistas/136/ 23 Ver http://www.recensio.ubi.pt/index.php3 POLÍTICAS CIENTÍFICAS E LÍNGUAS DE CIÊNCIA
135REVISTAS CIENTÍFICAS DE COMUNICAÇÃO IBERO-AMERICANAS... acordo com os critérios de inclusão ERIH PLUS, está disponível na Scopus, mas não na SciELO, nem na Web of Science. Está no Catálogo v1.0 do Latindex, cumprindo os 30 critérios de qualidade, e encontra-se a aguardar classificação no Catálogo v2.0. Olhando para as métricas do Google Académico, Estudos em Comunicação/Communication Studies apresenta um h5-índice igual a 7 e um h5-mediana igual a 10. Na classificação Qualis/CAPES 2013-2016 foi-lhe atribuído B2 na área da Comunicação. Observando o SCImago Journal & Country Rank, verifica-se que a revista está no quarto quartil. A Doc-online (http://ojs.labcom-ifp.ubi.pt/index.php/doc), por seu lado, é uma revista digital de cinema documentário que, desde 2006, publicou 30 números, aceitando artigos em Português, Castelhano, Inglês e Francês. Foi aprovada de acordo com os critérios de inclusão do ERIH PLUS, apresenta um ICDS igual a 6,2 no MIAR, foi aprovada para indexação pela SciELO Portugal. Está no Catálogo v1.0 do Latindex, cumprindo os 33 critérios de qualidade, e encontra-se a aguardar classificação no Catálogo v2.0. Olhando para as métricas do Google Académico, apresenta um h5-ín- dice igual a 4 e um h5-mediana igual a 4. Na classificação Qualis/CAPES 2013-2016 foi-lhe atribuído B1 na Comunicação. Não está na Scopus, nem na Web of Science. Eikon (http://ojs.labcom-ifp.ubi.pt/index.php/eikon/index) é a revista mais recente do LabCom. Surgiu em 2017, conta com oito edições, apresenta-se como sendo uma publicação semestral de Semiótica e Cultura Visual e tem um ICDS igual a 3,6 no MIAR. Não se encontram referências a esta publicação no ERIH PLUS, Latindex, SciE- LO, Scopus, Web of Science, métricas do Google Académico, nem, naturalmente, na avaliação Qualis/CAPES 2013-2016, dado ser então uma revista acabada de fundar. Por sua vez, a Rhêtorikê (http://www.rhetorike.ubi.pt/05/index.html) é uma revista especializada em retórica e argumentação. Publicou, desde 2008, apenas seis números, apresentando uma periodicidade muito irregular. Não tem existência no ERIH PLUS, Latindex, SciELO, Scopus, Web of Science, MIAR, métricas do Google Académico, nem na avaliação Qualis/CAPES 2013-2016. Além dos centros de investigação, também a Sopcom, a Associação Portuguesa de Ciências da Comunicação, edita várias publicações científicas. Esta política foi decidida em 2012, quando tomou a seu cargo, “através dos seus grupos de trabalho, a publicação de revistas científicas de edição online” 24. Aprovou, então, a edição de quatro publicações, editadas em várias línguas: Revista Comunicando, Revista Estudos de Jornalismo, Vista, e Revista Portuguesa de História da Comunicação. Como referido anteriormente, a Vista passou a ser editada pelo Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade da Universidade do Minho, no segundo semestre de 2020. 24 Ver https://www.sopcom.pt/page/publica____es/
136 Duas destas revistas existem desde 2012, a Revista Comunicando (http://www.revistacomunicando.sopcom.pt/) e a Revista Estudos de Jornalismo (http://www.revistaej. sopcom.pt/). A primeira foi criada no âmbito do Grupo de Trabalho (GT) de Jovens Investigadores. Sem pretensão comparativa, pode talvez admitir-se que os propósitos desta publicação serão, de algum modo, equivalentes aos da revista brasileira E- -Compós, pretendendo-se que sirva particularmente para a divulgação de trabalhos de investigadores em início de carreira, quer sejam estudantes de pós-graduação, quer sejam investigadores de projetos coletivos, suportados por bolsas de investigação. Já a segunda é formada pelos membros do GT de Jornalismo e Sociedade, tendo como tal especial incidência no Jornalismo. Não se encontram referências a estas revistas no ERIH PLUS, SciELO, Scopus, Web of Science, MIAR, nem nas métricas do Google Académico. A Revista Estudos de Jornalismo está a aguardar classificação no Catálogo v2.0 do Latindex e não foi classificada no Catálogo v1.0. Por sua vez, a Revista Comunicando não é encontrada neste sistema de informação. Ambas as revistas obtiveram um B4 na avaliação Qualis/CAPES 2013-2016. Entretanto, em 2017, foi lançada a Revista Portuguesa de História da Comunicação (http://revistahc.sopcom.pt/). Como o próprio nome indica, trata-se de uma revista aberta a publicações nas áreas da História da Comunicação e conta com cinco edições. Não se encontra referências a esta publicação no ERIH PLUS, Latindex, SciELO, Scopus, Web of Science, MIAR, métricas do Google Académico, nem, obviamente, na avaliação Qualis 2013-2016, sendo, então, uma revista de recente existência. Para terminar, importa ainda fazer referência a mais quatro revistas, associadas a projetos relacionados com o campo das Ciências da Comunicação: Comunicação Pública; Observatório (OBS*); PRISMA.COM; e Aniki: Revista Portuguesa da Imagem em Movimento. Em 2005, começou a ser publicada Comunicação Pública (https://journals.openedition.org/cp/), uma revista que conta, hoje, com cerca 30 edições no seu atual website. Aceita artigos em Português, Inglês e Espanhol. Apresenta-se como “um projeto editorial de raiz multidisciplinar”, destinado à publicação de trabalhos que “façam das formas de comunicação humana o seu tema de reflexão”. A revista apresenta um ICDS igual a 4,2 no MIAR, foi aprovada de acordo com os critérios de inclusão do ERIH PLUS, não está disponível na SciELO, nem na Scopus, nem na Web of Science. Está no Catálogo v1.0 do Latindex, cumprindo 36 critérios de qualidade e aguarda classificação no Catálogo v2.0. Olhando para as métricas do Google Académico, apresenta um h5-índice igual a 4 e um h5-mediana igual a 6. Na classificação Qualis/CAPES 2013-2016 foi-lhe atribuído B2 na área de Comunicação. A revista Observatório (Obs*) (http://obs.obercom.pt/index.php/obs/index) é, desde 2007, uma revista online pertencente ao OberCom – Observatório da Comunicação. POLÍTICAS CIENTÍFICAS E LÍNGUAS DE CIÊNCIA
Propuestas Para Más Democracia del Conocimiento Académico en Comunicación https://doi.org/10.21814/uminho.ed.43.10 Eduardo Villanueva Mansilla Departamento Académico de Comunicaciones, Sección Comunicación, Pontificia Universidad Católica del Perú, Perú
145REVISTAS CIENTÍFICAS DE COMUNICAÇÃO IBERO-AMERICANAS... Introducción La existencia de una tradición propia de estudio de la Comunicación, en América Latina, basada en el pensamiento crítico aplicado a la realidad social y económica de la región, es fácil de comprobar; esta tradición, nacida hace unos 40 años de la confluencia de perspectivas políticas y preocupaciones académicas, sigue presente en los temas y estilos de trabajo de los académicos latinoamericanos. Sin embargo, existen varios desafíos que en la actualidad debilitan el desarrollo y actualización de esta tradición. Considerando específicamente la cuestión de la difusión del conocimiento creado por esta tradición académica, es necesario ponderar las dificultades específicas que surgen de las varias vertientes de producción. Mucho se hace, poco circula; sistemas nacionales altamente formalizados como el brasileño conviven con realidades de pocos recursos y baja circulación interna, ya no regional, que nos lleva a desconocer lo avanzado y en muchos casos a duplicar debates que no siempre requieren seguir siendo discutidos. Los profesionales de la comunicación aportan conocimiento directo, empírico, de la realidad comunicativa de nuestros pueblos; los académicos intentan sintetizar, recurriendo en muchos casos al ensayo antes que los estudios basados en datos. Tendencias globales temáticas y metodológicas atraviesan el debate específico y alteran la dinámica. Al mismo tiempo, continuidades concretas permiten reconocer lo que no ha cambiado a pesar de la transformación: la demanda por un sistema sociotécnico que permita sostener la creación de conocimiento de manera sostenible y útil a la sociedad (Borgman, 2007). Estas premisas son igualmente relevantes para América Latina, con tonalidades específicas que se discutirán a lo largo de este artículo. La dimensión lingüística no es trivial. No solo tenemos la barrera objetiva entre el Español y el Portugués, que si bien son cercanos tienen suficientes diferencias para requerir competencias idiomáticas concretas. El idioma de circulación de la producción científica a nivel global es el Inglés, y producir en esa lengua, implica alejarse de muchos potenciales lectores de la región, no solo por el idioma mismo, sino porque se trata de un circuito de circulación completamente distinto, muchas veces, difícil de acceder para los académicos de la región. Al mismo tiempo, la demanda por internacionalización exige reconocer al Inglés como una fuente de documentación crítica y como un requerimiento de validación global del trabajo que se hace a nivel local. Otro aspecto es la cuestión conceptual/terminológica. No todo lo que decimos se entiende igual en todas partes, y a veces la explicación singular de por qué llamamos algo como lo llamamos es tan particular que termina por complicar el diálogo. Discutir la terminología implica entender las singulares historias detrás
146 de la producción académica, y por ello, es necesario incorporarlo en cualquier elaboración sobre el conocimiento registrado y difundido en la región. Aunque no es posible proponer un estado de la cuestión respecto a estos asuntos – puesto que falta información y antes que eso, investigación sobre las condiciones de circulación de la investigación latinoamericana en Comunicación – es posible proponer algunos temas críticos y a partir de ellos, plantear posibles líneas de trabajo para el futuro, trabajo que puede estar enmarcado en organizaciones como la Confederación Iberoamericana de Asociaciones Científicas y Académicas de Comunicación (Confibercom), en alianza con asociaciones nacionales y con los organismos nacionales dedicados a estos temas. Publish or perish La demanda por publicación se ha agudizado en los últimos años, creándose al menos tres conflictos importantes. Core journals y el espacio de publicación relevante El dilema del impacto visto como citas, o la incidencia local (académica o política) sigue estando al centro de la conversación académica. La percepción de una competencia cada vez mayor por prestigio y estudiantes basada en la posición en los rankings requiere que las universidades promuevan la publicación de artículos en revistas de alta calificación, o core journals, como se les llama en Inglés. Estas revistas suelen estar publicadas por editoriales comerciales y requieren que las contribuciones se hagan en Inglés. Es discutible que publicar en esas revistas sirva para algo más que ser reconocido entre pares, en el mejor de los casos. Se trata de productos editoriales caros, que presentan dos problemas completamente distintos: exigen escribir un discurso denso y complejo que está alejado de las preocupaciones profesionales o políticas de cada realidad nacional; al mismo tiempo, este discurso requiere métodos y objetivos distantes de lo que tiene impacto directo en la formación profesional en cada contexto. Esto aleja a los académicos que publican en revistas con altos factores de impacto tanto de la formación profesional como de la discusión de políticas públicas. El resultado es que nos conectamos con elites académicas globales, pero perdemos la relación con el entorno inmediato. Los core journals presentan otro inconveniente: el grado de esfuerzo que requieren para lograr ser aceptados suele obligar a desbrozar la especificidad local en favor de aproximaciones de interés genéricamente global, las que terminan siendo vistas como “ciencia”, sin que por ello lo sea en el sentido de las ciencias más tradicionales, PROPUESTAS PARA MÁS DEMOCRACIA DEL CONOCIMIENTO ACADÉMICO...
147REVISTAS CIENTÍFICAS DE COMUNICAÇÃO IBERO-AMERICANAS... pero reforzando la pretensión de una mirada academicista de la realidad. Es parte de un juego político que demanda integrar a la academia regional a las prácticas globales, pero que no deja mucho margen que esta incorporación sea bajo condiciones medianamente igualitarias. Pero es cierto que al menos en el campo de la Comunicación, América Latina se ha refugiado en producciones más ensayísticas, sin intención de replicabilidad o de relevancia más allá del entorno inmediato. Seguimos considerando lo latinoamericano como algo viable, pero no logramos crear un discurso sólido y consistente de nivel regional, conformándonos con coincidencias y similitudes; renunciamos a la observación sistemática en aras de la calidad expresiva. Lograr equilibrio requiere un debate institucional fuerte: ¿a quién nos debemos? Y más importante aún, ¿cómo podemos ser realmente relevantes para aquellos a quienes nos debemos sin perder la capacidad de dialogar con el mundo en su conjunto? ¿Cúal es el canal para lograrlo? Los core journals son útiles, pero lejanos, y nuestras publicaciones son más de una vez demasiado inmediatas: se trata de reflejos de dos vectores de abordaje del trabajo académico, que en una versión simplificada implica la absoluta sumisión a modelos cientifistas, y, por el otro, la completa obediencia al debate cotidiano. Defender uno u otro a ultranza es absurdo, pero algún equilibrio es necesario proponer. Acceso abierto América Latina ha sido considerada como la región más adelantada en la adopción del acceso abierto a sus revistas científicas y académicas, gracias a iniciativas como SciElO, Redalyc, el portal de portales Latindex y la Red Federada de Repositorios Institucionales de Publicaciones Científicas (Fischman & Alperin, 2015). Al mismo tiempo, tenemos muchos desafíos respecto a calidad, difusión y utilización de todos estos trabajos. El mercado de la publicación académica comercial, en manos de conglomerados globales orientados a la ganancia antes que, en cualquier otra cosa, ha creado costos altos sin necesariamente satisfacer las necesidades de difusión de los autores. Apoyados en este modelo, las autoridades universitarias y educativas nacionales fuerzan a la publicación en revistas comerciales, caras y de difícil acceso, sin fomentar mecanismos alternativos de control de la calidad del trabajo académico. Como contrapartida, parte de la comunidad académica internacional está respondiendo con el movimiento del acceso abierto, que busca liberar los contenidos y publicarlos a través de espacios definidos como libres, los que respetan a los autores al dejarles en sus manos el control sobre el uso de la publicación, y al público al
148 permitirle usar los contenidos de manera libre, difundiendo con mucha más amplitud el producto de su trabajo. Promover el acceso abierto consiste no solo en publicar en revistas abiertas o en editar publicaciones abiertas, sino en participar del debate y articular a la comunidad académica como actor en el desarrollo del movimiento. Organizaciones como la Asociación Latinoamericana de Investigadores de la Comunicación (ALAIC) cuentan con revistas abiertas (el Journal of Latin American Communication Research1) y universidades de la región han desarrollado, mediante el uso de plataformas libres como Open Journal Systems (OJS)2, publicaciones en este espíritu. Es además importante considerar que OJS es parte de los esfuerzos del Public Knowledge Project, de la Universidad Simon Fraser, de Vancouver, Canadá3, que incluye plataformas para el descubrimiento de contenido4, para la publicación de monografías5 y para el manejo de conferencias6. A estos servicios se les complementa con el directorio de publicaciones de acceso abierto (Directory of Open Access Journals [DOAJ]), que tiene estándares específicos para garantizar la calidad del acceso ofrecido, lo que hace que cada revista deba solicitar una evaluación previa para ser incorporados7. La seguridad de la información publicada, que requiere un repositorio Public Knowledge Project adecuado para la revista de manera de garantizar la integridad y continuidad del servicio, se complementa con LOCKSS (Lots Of Copies Keep Stuff Safe), manejado en la Universidad de Stanford, que permite que las bibliotecas participantes hagan copia local de los contenidos de una revista de manera que, en caso de problemas significativos con el repositorio, la integridad de la colección no se pierda8. Pero falta valorar lo que esto significa, y sobre todo, convertir el acceso abierto en el nuevo sentido común de la práctica académica. Se trata de buscar que todas las publicaciones abiertas sean conocidas, que circulen ampliamente, pero también que los comités de evaluación valoren tanto a las revistas abiertas como a las comerciales, o que cuando se decida habilitar una nueva publicación siempre se diseñe considerando versiones digitales de libre disponibilidad. 1 Ver www.alaic.net/journal/index.php/jlacr 2 Ver http://pkp.sfu.ca/?q=ojs 3 Información retirada de http://pkp.sfu.ca 4 Ver http://pkp.sfu.ca/harvester 5 Ver http://pkp.sfu.ca/omp 6 Ver https://pkp.sfu.ca/ocs/ 7 Ver https://doaj.org/ 8 Ver https://www.lockss.org/ PROPUESTAS PARA MÁS DEMOCRACIA DEL CONOCIMIENTO ACADÉMICO...
149REVISTAS CIENTÍFICAS DE COMUNICAÇÃO IBERO-AMERICANAS... Además, resulta urgente difundir de manera agresiva estos medios de publicación, creando espacios de difusión de su existencia y que sirvan además de metasitios, que recojan las varias opciones existentes. Las facilidades tecnológicas para lograr esto son cada vez más asequibles, estando muchas veces en manos de las bibliotecas universitarias en las que cotidianamente buscamos nuevos contenidos. Una alianza con la comunidad bibliotecaria, más una promoción de la discusión intelectual sobre la necesidad de nuevas políticas a nivel nacional, institucional y también individual, permitiría fomentar el acceso abierto más allá del movimiento hacia el sentido común, rompiendo además la lenta marcha hacia la estandarización en el estilo burocrático anglosajón que las reformas globalizantes de la actividad académica parecen hacer inevitable. Un reclamo por el openness es pues un alegato por la libertad académica y la integración de esfuerzos hacia un entendimiento cada vez más poderoso de nuestras realidades. Como se ha mencionado, la sumisión a los rankings de índices de citas es un problema significativo. El estímulo fundamental para la publicación académica sigue siendo la carrera docente, que considera estos rankings como el indicador central. La abundancia de opciones no quiere decir que el modelo mismo sea divergente: mientras más citas tiene un artículo, más valioso el citado; mientras más artículos con muchas citas tiene una revista, su valor aumenta. Publicar en las revistas más “populares” se convierte en un destino, no en un camino. Las revistas abiertas no logran todavía convertirse en alternativas significativas, en especial, en ciertos campos como la Comunicación. Revistas depredadoras En el escenario contemporáneo, la aparición de revistas depredadoras es una cuestión que debe al menos diseminarse. Definimos una revista depredadora como aquella que cobra por la publicación de un artículo pero que no realiza ninguna de las funciones editoriales tradicionales de una revista académica, entre ellas, el arbitraje por pares, y que ofrece acceso abierto, pero sin participar de las herramientas habituales, como el directorio de revistas de acceso abierto (DOAJ) o servicios como el mencionado LOCKSS. Si bien existen muchos servicios que cobran por la publicación como un mecanismo de garantizar el acceso abierto – muchos de los cuales son provistos por editoriales comerciales – una revista depredadora simplemente publica sin control editorial alguno, cobrando por permitirle a cualquier decir que ha publicado. Hay muchos criterios para definir una revista depredadora: la Asociación de Bibliotecarios de los EEUU ha definido 15 (Berger, 2017), donde uno de los más saltantes es la excesiva amplitud temática que se supone cubre: por ejemplo, un
150 típico mensaje de correo enviado a la carpeta de spam proviene de una revista con el inverosímil título de International Journal of Latest Research in Engineering and Management, que además indica que cubre “todas las áreas de Ingeniería, Gestión Empresarial, Humanidades y muchas más”. Algunas de estas revistas son capaces de aceptar literalmente cualquier cosa, incluso, si solo consiste en una oración insultante repetida a lo largo del texto (Safi, 2014). Si bien el criterio para separar las revistas depredadoras de las simplemente malas suele ser la intención de estafar al autor, ofreciendo datos falsos y similares, lo cier- to es que un autor o supervisor desprevenido puede caer con facilidad; o un autor que quiere lograr acumular publicaciones simplemente puede optar por publicar sin criterio alguno. Parte de los excesos propios de la tendencia a publish or perish que comienza a volverse común en nuestra región, las revistas depredadoras son un peligro para la integridad académica que debe combatirse, y que requiere esfuerzos profesionales para lograr que no se difundan y que los autores, autoridades académicas y lectores no sean víctimas de sus prácticas. Nuevos medios y nuevos contenidos Precisamente en este espacio surge la necesidad de reconocer que la producción intelectual en Comunicación no se agota en publicaciones convencionales. Por un lado, las manifestaciones de la Comunicación, esos productos que constantemente llaman a la reflexión y renovación de las perspectivas intelectuales, solían estar fuera del alcance de quienes no podían viajar o que contaban con recursos para adquirir copias de distinto origen. Esta transformación ocurre en todos los campos de la investigación académica y se refleja en alternativas novedosas que no siempre resultan fáciles de apreciar y de compartir (Meyer & Schroder, 2013). La abundancia de contenidos y de nuevos formatos ahora disponible gracias a la internet ha cambiado la situación, pero muchas veces no encontramos cómo insuflar nuestra práctica académica de esos contenidos novedosos que reflejan además la creatividad de los latinoamericanos, más allá de las limitaciones impuestas por los sistemas comerciales de radiodifusión. Tenemos la oportunidad de atestiguar el cada vez mayor número de productos audiovisuales, en diversidad de medios y formatos, pero al mismo tiempo la preservación, para no decir la organización, de dicho material no está garantizada. Temas emergentes, desde las nuevas narrativas que surgen en juegos de video, en video para la web, en formas de comunicación reiterativa como los memes; hasta las recreaciones y reformulaciones de tradiciones culturales latinoamericanas en la música, el video y la narrativa escrita, están inscritas en la internet gracias a la facilidad de acceso y de copiado que ahora se ha vuelto la norma. Promover el PROPUESTAS PARA MÁS DEMOCRACIA DEL CONOCIMIENTO ACADÉMICO...
151REVISTAS CIENTÍFICAS DE COMUNICAÇÃO IBERO-AMERICANAS... intercambio de estos imaginarios, facilitar el acceso a estas expresiones de creatividad, puede servir para descubrir con amplitud la diversidad en la similitud, la manera como los consumidores, los empresarios emergentes y también los académicos hacen el esfuerzo de aprovechar al máximo las capacidades expresivas de los medios digitales para ampliar el horizonte comunicativo de sus comunidades. Es posible argumentar que un nuevo campo, los llamados Estudios de Internet, comienza a alcanzar autonomía epistemológica a pesar de su clara deuda con los estudios de Comunicación (Dutton, 2013). También los académicos crean en los nuevos medios: desde trabajos formativos en las universidades hasta nuevas maneras de explicar ideas o difundir conocimiento, los profesores e investigadores poco a poco comienzan a explorar esas posibilidades y no se limitan al trabajo habitual. Es indispensable promover la diseminación y el acceso a estas nuevas formas, lo que, en muchos casos, no requiere más que coordinar entusiasmos locales que se expresan en índices hechos por entusiastas en foros en donde se discute lo nuevo y lo novedoso. Esto implica desarrollar capacidades para recoger, organizar y hacer fácil la recuperación de contenidos tanto empíricos como materiales de difusión y discusión académica que van más allá del formato escrito tradicional. No hay una solución real aun a la pérdida de lo que se hace en este ámbito, y es un asunto que debería preocuparnos: ¿cuantos de nosotros desarrollamos proyectos que dependían de formatos que han, para todo efecto práctico, desaparecido ya? El material en CD o DVD ha desaparecido salvo para la música el primero (mínimamente) y los videos el segundo (algo más común) y los formatos de software contenidos en su interior, difíciles de usar; videos que hace 10 años se veían bien en una computadora ahora son poco atractivos; los juegos de video se pierden casi por completo una vez que la plataforma en que fueron desarrollados se vuelve comercialmente obsoleta. La producción audiovisual es ahora pensada para el streaming y la realidad es que las copias duras cada vez son menos populares, a nivel general. Esto crea problemas para la preservación de materiales y la continuidad de colecciones, pues los formatos tradicionales desaparecen, al quedar sin equipamiento para reproducirlo, ni permisos para hacer copias. En tiempos en que parecería natural esperar más acceso a la enorme producción cultural de la región, es más difícil por la abundancia de formatos, la complejidad de montar repositorios, y la dependencia de servicios como YouTube o similares, que ofrecen opciones con la complicación de ceder control sobre la explotación comercial o simplemente, facilitan la piratería. Salvo casos como la colección de preservación cultural que realiza la Biblioteca del Congreso de los EEUU, o las grandes filmotecas del mundo, el riesgo es la lenta desaparición de una diversidad mayúscula de producción audiovisual. No es que haya un sistema de preservación que garantice la supervivencia de cualquier y todo material. Salvo los
152 libros bajo depósito legal, no es raro que se pierdan materiales en papel, el formato más seguro y estable que conocemos; la producción de películas en el mundo entero ha sufrido de desastres, descuidos o simple falta de valoración, con lo que mucho de lo que existió, ya se perdió. Los formatos obsoletos ya mencionados no solo desaparecen, son destruidos por razones comerciales. Un disquete puede guardar información valiosa, pero sin una máquina que lo lee y medidas básicas de preservación, da lo mismo que si el contenido hubiera sido borrado de la faz de la tierra. Sin soluciones obvias, al menos ser conscientes de la fragilidad de los materiales, tanto de difusión como académico, es una obligación profesional. Nuevamente el dialogo con la comunidad bibliotecaria, que está constantemente desarrollando alternativas a la perdida de documentos, es necesaria. Similarmente, la necesidad de desarrollar políticas públicas que reconozcan la importancia de repositorios nacionales y regionales fuera de la lógica comercial es un tema que se debería al menos discutir. Proyectos de enorme valor como “The Internet Archive”9 deberían ser promovidos y discutidos ampliamente buscando alianzas para recoger lo que se produce en la región: no es una solución perfecta pero ayudaría mucho a acceder a lo existente, pero sobre todo a no perder lo que puede quedar obsoleto técnicamente. Lenguas y términos Un problema concreto es el idioma en el que escribimos, y otro la terminología que usamos. Si el lenguaje global de la comunicación académica es el Inglés, nuestra región habla Español y Portugués, y como es sabido, en contextos académicos o “cultos”, las barreras para leer ambos idiomas son menores, aunque el intercambio verbal sea otra historia. Pero eso no significa que no exista una demanda cada vez mayor para escribir y comunicarse en Inglés. Esto plantea tanto el asunto de cómo escribir y de por qué escribir en un idioma que aleja del grueso de estudiantes y de muchos colegas lo que se produce. Aparte de los inconvenientes asociados a la disponibilidad de los textos, la barrera idiomática complica la difusión del trabajo y hace más difícil que se pueda conocer lo que se hace en la región; no siempre es posible traducir lo que se publica en Inglés. Pero si no se escribe en Inglés, la participación en eventos internacionales también se ve perjudicada. Nuestra región no ofrece la variedad y amplitud temática que existe en eventos globales, incluso sin considerar la rigidez metodológica que a veces hace inaccesible la investigación realizada en otras regiones. Al mismo tiempo, la relativa abundancia de ensayos y la poca vocación por replicabilidad en la investigación hace que muchas conferencias regionales presente pocas oportunidades de intercambio real. 9 Ver www.archive.org PROPUESTAS PARA MÁS DEMOCRACIA DEL CONOCIMIENTO ACADÉMICO...