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Nuno Miguel Correia Rodrigues A Inovação e os efeitos de adicionalidade: Estudo de caso do programa NORTE 2020 em empresas da região de Braga. Dissertação de Mestrado Mestrado em Economia Industrial e da Empresa Trabalho efetuado sob a orientação: Professora Doutora Ana Paula Faria e Professor Doutor Marco Escadas Junho de 2021
ii DIREITOS DE AUTOR E CONDIÇÕES DE UTILIZAÇÃO DO TRABALHO POR TERCEIROS Este é um trabalho académico que pode ser utilizado por terceiros desde que respeitadas as regras e boas práticas internacionalmente aceites, no que concerne aos direitos de autor e direitos conexos. Assim, o presente trabalho pode ser utilizado nos termos previstos na licença abaixo indicada. Caso o utilizador necessite de permissão para poder fazer um uso do trabalho em condições não previstas no licenciamento indicado, deverá contactar o autor, através do RepositóriUM da Universidade do Minho. Licença concedida aos utilizadores deste trabalho Atribuição-NãoComercial-SemDerivações CC BY-NC-ND https://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0/
iii Agradecimentos A realização do projeto de dissertação, apesar de se tratar de um trabalho individual, exige o auxílio de diversas pessoas de forma a que seja realizado com sucesso. Assim sendo, aproveito este momento para deixar um profundo voto de agradecimento a todos os intervenientes, que de alguma forma contribuíram para o término de mais um capítulo do meu trajeto académico. Aos meus orientadores, Professora Ana Paula Faria e Professor Marco Escadas, gostaria de deixar um sincero agradecimento pela constante disponibilidade, acompanhamento, persistência e partilha de conhecimento que demonstraram ao longo do percurso da realização da investigação. Pautauram a sua postura pelo incentivo constante na procura por ultrapassar as dificuldades que surgiram neste trajeto. Às empresas e aos colaboradores das mesmas, que se mostraram disponíveis a ajudar na realização da dissertação, através da partilha das suas experiências e do seu conhecimento como profissionais no decorrer da realização das entrevistas. Aproveito para agradecer, dado que sem esta preciosa ajuda este projeto não seria passível de se realizar. À empresa dstgroup, na qual eu trabalho, agradeço o apoio e a flexibilidade que demonstraram para que me fosse possível concluir a minha dissertação. Agradeço a todos os meus amigos, que sempre me encorajaram e acreditaram que iria conseguir levar até ao fim este compromisso, mas acima de tudo que conseguiam alegrar os meus dias, mesmo quando as coisas não corriam de feição. Por fim, quero agradecer do fundo do coração à minha namorada e à minha família, por terem sido os elementos basilares para que tudo isto fosse possível. Agradecer-lhes pela força e confiança que me transmitiam nos momentos difíceis, pelos conselhos e sugestões de melhoria no trabalho, e acima de tudo pelos ensinamentos de que na nossa vida tudo se consegue com esforço, dedicação e trabalho. A todos, o meu sincero obrigado.
iv Declaração de Integridade Declaro ter atuado com integridade na elaboração do presente trabalho académico e confirmo que não recorri à prática de plágio nem a qualquer forma de utilização indevida ou falsificação de informações ou resultados em nenhuma das etapas conducente à sua elaboração. Mais declaro que conheço e que respeitei o Código de Conduta Ética da Universidade do Minho. Universidade do Minho, [data] ___ de _______________ de ________ Nome completo: ________________________________________ Assinatura: _____________________________________
v Título A Inovação e os efeitos de adicionalidade: Estudo de caso do programa NORTE 2020 em empresas da região de Braga. Resumo A inovação e a sua relação com o desempenho das empresas tem-se evidenciado como um tema de interesse crescente, tanto a nível académico, como numa perspetiva prática. Com vista à implementação de uma política de orientação para a inovação mais eficiente, vários programas têm sido desenvolvidos, tanto de natureza nacional como europeia. Contudo, a análise, em termos reais, da eficácia destes programas necessita de investigações adicionais. O objetivo desta investigação consiste no estudo da relação entre o programa NORTE 2020, particularmente os seus efeitos de incentivo público à inovação nas empresas, e a adicionalidade comportamental enquanto resultado desse mesmo incentivo no contexto empresarial português. Com o propósito de aproximar esta temática à realidade do tecido industrial em Braga, foi conduzido um estudo qualitativo com base em oito entrevistas, pretendendo explorar a experiência da participação das empresas no programa NORTE 2020. Os resultados possibilitaram verificar que, relativamente à adicionalidade comportamental, existe um efeito positivo quanto às competências desenvolvidas ao longo da participação no programa e na valorização das atividades em I&D e inovação. Observou-se que, praticamente todas as empresas, sentiram impactos positivos no desenvolvimento do projeto em parceria com entidades externas. No final, verificaram-se melhorias significativas em alguns dos indicadores de adicionalidade, tais como a melhoria nos processos internos das empresas, o aumento do conhecimento técnico, das capacidades de aprendizagem e da formação. Palavras-Chave: adicionalidade comportamental, financiamento público, inovação, Programa NORTE 2020
vi Title Innovation and the effects of additionality: a case study of the NORTE 2020 program in companies in the region of Braga. Abstract Regarding the study of the effects of public programmes to encourage innovation in enterprises, new topics have emerged and still need to be developed, such as behavioral additionality, namely their effects and influence on the portuguese business context. The purpose of this research is to study the connection between the NORTE 2020 Program, especially the support of public incentive to innovation in companies, and behavioral additionality as a result of this same incentive. Thus, the objectives of the dissertation were the identification and evaluation of the types of additionality effects of the NORTE 2020 Program and the confirmation of behavioral additionality indicators, previously identified in the literature. With the purpose of deepening and bringing this theme closer to the reality of the industrial sector in Braga, a qualitative study was conducted based in eight interviews, namely on the experience of the participation of companies in the NORTE 2020 Program and the effects of financing the development of innovation and R&D. The results achieved made it possible to verify that, regarding the behavioral additionality, there is a positive effect on the categories of skills developed throughout the participation in the program and in the valorization of activities in R&D and innovation. It was also possible to observe that almost all companies felt positive impacts in the development of the project in partnership with external entities. In the end, some of the indicators that were presented in the literature were confirmed, such as improvement in internal processes, increasment in technical knowledge and learning/training skills. Keywords: behavioural additionality, public funding, innovation, NORTE 2020 Program.
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viii Índice DIREITOS DE AUTOR E CONDIÇÕES DE UTILIZAÇÃO DO TRABALHO POR TERCEIROS ... ii Agradecimentos ........................................................................................................ iii Declaração de Integridade......................................................................................... iv Resumo ...................................................................................................................... v Abstract .................................................................................................................... vi Abreviaturas e Siglas .................................................................................................. x Índice de Tabelas ...................................................................................................... xi CAPÍTULO 1. Introdução .............................................................................................1 1.1 Enquadramento e Motivação ...........................................................................1 1.2 Objetivos e questões de investigação ...............................................................3 1.3 Estrutura da dissertação ...................................................................................4 CAPÍTULO 2. Revisão de Literatura .............................................................................5 2.1 Introdução .......................................................................................................5 2.2 Inovação: conceitos e relevância ......................................................................5 2.3 Fundamentos económicos para apoio público à inovação ................................8 2.4 Efeitos de adicionalidade ................................................................................ 11 2.5 A perspetiva europeia e o programa NORTE 2020 .......................................... 26 2.6 Síntese ........................................................................................................... 29 CAPÍTULO 3. Metodologia e dados ........................................................................... 31 3.1 Introdução ..................................................................................................... 31 3.2 Seleção da Amostra ........................................................................................ 31 3.3 Instrumento de Recolha de Dados .................................................................. 34 3.4 Análise de Dados ............................................................................................ 40 3.6 Síntese ........................................................................................................... 43 CAPÍTULO 4. Resultados e Discussão ........................................................................ 45
ix 4.1 Introdução ..................................................................................................... 45 4.2 Caracterização da I&D e projetos das empresas ............................................. 45 4.3 Adicionalidade nos investimentos .................................................................. 48 4.4 Adicionalidade no comportamento ................................................................ 51 4.5 Adicionalidade nos resultados ........................................................................ 60 4.6 Recomendações de melhoria ......................................................................... 62 CAPÍTULO 5. Conclusões ........................................................................................... 66 5.1 Síntese ........................................................................................................... 66 5.2 Conclusões e Implicações Práticas e Teóricas da Investigação......................... 66 5.3 Limitações e sugestões para futuras de investigação ...................................... 69 Referências .............................................................................................................. 72 ANEXOS ................................................................................................................... 76 Anexo I................................................................................................................. 76
5 CAPÍTULO 2. Revisão de Literatura 2.1 Introdução Tendo em conta os objetivos da dissertação mencionados anteriormente, este capítulo será fundamental no desenvolvimento do tema deste projeto de investigação. Assim, a revisão de literatura está dividida em seis secções. Na secção 2.2, o conceito de inovação é explorado, bem como a relevância do mesmo. De seguida, na seção 2.3, é fundamentada a importância do financiamento público à inovação, no combate às barreiras à inovação e às falhas de mercado. Na secção seguinte, considerouse relavante estudar e aprofundar os diferentes conceitos e efeitos de adicionalidade. Na secção 2.5, é analisada a perspetiva europeia no que toca à inovação, em específico o programa NORTE 2020, uma vez que foi o programa selecionado no desenvolvimento desta investigação. Por fim, é realizada uma síntese de tudo o que foi abordado anteriormente. 2.2 Inovação: conceitos e relevância A definição de inovação é complexa, pelo que é natural que a literatura sugira que o conceito de inovação possa ser analisado a partir de um conjunto abrangente de perspetivas e definições económicas. No entanto, os princípios ideológicos são bastante congéneres (McFadzean et.al., 2005). O processo de inovação parte da teoria do desenvolvimento económico elaborada por Schumpeter e divide-se em três fases: a invenção, a inovação e a difusão (Freeman & Soete, 1997). A primeira relaciona-se com a criação de uma ideia associada a um produto, serviço ou processo, enquanto que a seguinte exige a colocação em prática da ideia, finalmente, a terceira está relacionada com a entrada da ideia no mercado (Fagerberg, 2003). Inovação é o processo que se inicia numa ideia, que sofre uma fase de desenvolvimento/investigação e que culmina na introdução de um novo produto, serviço ou processo no mercado. Do ponto de vista económico, a inovação apenas se concretiza quando ocorre a primeira troca comercial envolvendo o novo produto, serviço ou processo inovador (Freeman & Soete, 1997).
6 Com base no conceito de inovação, surgem várias tipologias associados ao mesmo. Identificaram-se, então, quatro categorias de inovação: incremental, radical, mudança do sistema tecnológico e revolução tecnológica, sendo as mais relevantes a inovação incremental e a radical. (Freeman & Soete, 1997). A inovação incremental surge como resultado de programas de investigação e desenvolvimento (I&D), o que assegura invenções e melhorias ligadas ao processo de produção, garantindo à empresa o reforço da sua posição competitiva (Beck et.al., 2016). As inovações radicais relacionam-se com a incorporação de novas tecnologias em produtos, tornando-os disruptivos quando inseridos nos mercados, pois não satisfazem a procura existente de um produto, gerando, pelo contrário, uma necessidade nova que até agora os consumidores não sentiam ou reconheciam (O'Connor, 1998; Garcia & Calantone, 2002). Estes tipos de inovações são descontínuas e resultam, na sua maioria, de atividades de I&D realizadas entre empresas, universidades e centros de investigação (Freeman & Soete, 1997). As mudanças do sistema tecnológico baseiam-se na combinação entre inovação radical e incremental e a revolução tecnológica afeta a estrutura, as condições de produção e distribuição (Guan & Chen, 2012). Segundo o Manual de Oslo (OCDE, 2005, p.55), inovação é “a implementação de um produto (bem ou serviço) novo ou significativamente melhorado, um processo novo, um novo método de marketing, um novo método organizacional nas práticas de negócios na organização do local de trabalho ou relações externas”. Este manual também classifica o conceito de inovação em quatro tipologias distintas: a inovação de produto, a inovação de processo, a inovação de marketing e a inovação organizacional. A inovação de produto está relacionada com a criação de produtos mais atraentes para os consumidores, podendo estes ser novos ou existentes. Isto engloba melhorias nos aspetos técnicos, componentes, materiais, software incorporado ou outras caraterísticas funcionais associadas ao produto (Oke, 2007). Este tipo de inovação pode utilizar conhecimentos novos ou pré-existentes, surgindo por estímulo do aparecimento de novas tecnologias ou novas necessidades dos consumidores, mas também pode brotar da necessidade de diferenciação da concorrência (Gunday et.al., 2011). A inovação de processo pode ser definida como a abordagem que combina a implementação de uma nova visão de processo ou de um novo método de distribuição, com a aplicação da
7 inovação aos processos-chave do negócio. Este tipo de inovação tem um enorme potencial no auxílio do alcance dos objetivos, por parte das organizações, tais como as reduções nos custos ou no tempo de execução do processo, melhorias na qualidade, entre outros objetivos de negócio (Davenport, 1993). A inovação de marketing resulta do incremento de uma nova metodologia no plano de marketing, que pode ser baseada em alterações físicas do produto (design), numa redefinição do posicionamento no mercado, numa variação nos preços, ou modificações na forma como é executada a promoção do mesmo. Normalmente, esta necessidade de voltar a planificar nasce do objetivo constante de aumentar as vendas, o que passa muitas vezes pela procura de novos mercados, novos canais de distribuição ou um novo posicionamento da empresa no mercado. Assim, inovação de marketing engloba uma inovação ligada aos 4 P´s, sendo estes: marketing de produto, de preço, de promoção e de distribuição (Shergill & Nargundkar, 2005). Por fim, e não menos relevante, a inovação organizacional relaciona-se com mudanças organizacionais e adaptações a novos processos, com o intuito de responder às mudanças no ambiente. Estas mudanças podem passar pela implementação de práticas recém-adquiridas pela empresa, tanto a um nível interno, como em relações externas. São exemplos destas adaptações a criação ou adoção de uma ideia ou comportamento novo para a empresa. A mesma relaciona-se com a performance de uma empresa, na medida em que esta poderá alcançar a redução de custos e aumentar a satisfação dos seus colaboradores (Lam, 2004). A inovação tem uma importância central no progresso económico. É uma capacidade organizacional fulcral, pois o sucesso de novos produtos ou serviços, processos ou métodos é um motor de crescimento, que se reflete no aumento das vendas e dos lucros, na redução dos custos, no aumento da produtividade e/ou competitividade nos mercados. Existe assim evidência de uma correlação direta e positiva entre inovação e desempenho superior, que se traduz em vantagem competitiva (Niazi, 2017). Uma vasta evidência empírica ilustra a importância da inovação no desempenho das empresas, e, através de vários estudos, identificou-se que a inovação tem um impacto positivo na competitividade e produtividade de uma organização (Armbruster et.al., 2008). Baseado num estudo em 184 empresas turcas, Gunday et.al.(2011) verificaram que a inovação tem impacto no desempenho da produção e do mercado e no desempenho
8 económico e financeiro. Concluíram ainda que a inovação constitui uma componente indispensável nas estratégias corporativas, devido ao seu potencial para aumentar a eficiência, a rentabilidade e a produtividade, com o intuito de alcançar uma reputação positiva na perceção dos clientes e, como objetivo principal, obter uma vantagem competitiva sustentável. Sobre as barreiras à inovação nas PME’s, concluiu-se que a inovação é essencial para o desenvolvimento económico e fundamental para as empresas se manterem competitivas. As organizações que procuram inovar aumentam a produtividade, o potencial de crescimento, a probabilidade de sobrevivência, a criação de empregos e o crescimento económico. Do ponto de vista organizacional, o sucesso do incremento da inovação é fundamental, uma vez que se reflete no aumento das vendas e dos lucros, na redução dos custos, no aumento da produtividade e competitividade nos mercados. Assim, também neste estudo se verificou uma correlação direta e positiva entre inovação e desempenho superior, que se traduz em vantagem competitiva no mundo empresarial (Madrid et.al., 2009). 2.3 Fundamentos económicos para apoio público à inovação Apesar de estar comprovado que a implementação de inovação é fundamental no progresso económico das indústrias, e existirem meios de incentivo à integração de inovação por parte das empresas, sendo os principais incentivos os financiamentos públicos, também existem vários obstáculos que dificultam a implementação da inovação, e que merecem ser estudados (Damanpour & Evan, 1984). A existência do financiamento público, através de subsídios, revelou ser um dos instrumentos políticos mais significativos, no que diz respeito ao apoio às empresas, como meio de garantir a sustentabilidade e competitividade futura das mesmas. O mecanismo de subsidiarização de políticas industriais, segundo a literatura, é fulcral no combate às falhas de mercado e às barreiras à inovação (Arrow, 1972). Tal como foi referido anteriormente, a inovação é uma estratégia fundamental para a sobrevivência e/ou crescimento das empresas. As parcerias com agências governamentais e outras organizações podem contribuir no combate às falhas de mercado e às barreiras à inovação identificadas na literatura como meio de superação, ou atenuação das mesmas. Isto
9 permitirá às empresas abordarem com sucesso as oportunidades e desafios estratégicos (Dutta & Evrard, 1999). O estado desempenha, cada vez mais, um papel mediador, tanto no que diz respeito ao combate das assimetrias do mercado, como também na alavancagem da inovação nas organizações, principalmente através de programas de subsídios à inovação (Fagerberg, 2003). Arrow (1972) define como principais falhas de mercado a apropriação imperfeita do conhecimento e as limitações no acesso aos mercados de capitais. O problema de apropriação imperfeita é fruto de avanços na inovação, pois da criação de conhecimento vão germinar condutas de free-riding, por parte de outras empresas. Isto é, dada a natureza intangível do conhecimento, faz com que este seja um bem de consumo não-rival (o uso por parte de um consumidor não reduzirá o conhecimento disponível para uso de outros consumidores) e de não exclusão (todos os consumidores usufruem de forma igualitária do conhecimento), o que permite a disseminação livre do conhecimento pela sociedade, sem que os produtores sejam recompensados pela sua utilização. Assim, nem todos os projetos com potencial para gerar retornos sociais irão avançar, dado que as empresas inovadoras não estarão a usufruir de todos os benefícios associados aos seus investimentos. O facto dos retornos sociais tenderem a ser superiores aos retornos privados, leva a que os benefícios para a organização sejam inferiores, comparativamente aos benefícios da sociedade, o que não incita a organização a avançar na inovação (Madrid et.al., 2009). As limitações no acesso a financiamento bancário também não incentivam a inovação. Estas limitações derivam das assimetrias no mercado de capitais, que estão relacionadas com a existência de uma diferença entre a taxa de retorno privada e o custo do capital externo, o que dificulta o acesso a financiamento bancário. As empresas que não têm o capital necessário para as suas atividades de inovação irão congelar o desenvolvimento das mesmas, particularmente devido ao alto custo do acesso ao capital externo, mesmo na ausência de externalidades como, por exemplo, as imperfeições do sistema de patentes como forma de proteger a inovação implementada (Clausen, 2009). O desenvolvimento bem-sucedido e a introdução de inovações exigem recursos e capacidades organizacionais, no entanto, a inovação enfrenta resistência interna na organização e externa no mercado. A inovação pode expor a empresa a riscos adicionais de fatores internos
10 (financeiros e recursos humanos) e externos (ambiente externo). Sendo assim, apesar da sua importância para o desenvolvimento organizativo, é de notar que a inovação envolve riscos, ou seja, probabilidade de fracasso e/ou falta de rentabilidade temporária, que pode ser maior ou menor dependendo do tipo de inovação (Madrid et.al., 2009). A escassez de trabalhadores, a falta de soluções para problemas técnicos e a falta de conhecimento e mão de obra qualificada são barreiras para introduzir mudanças tecnológicas nas organizações (Dutta & Evrard, 1999). No mesmo sentido Van de Vrande et.al.(2009), concluíram que a inovação é dificultada pela falta de recursos financeiros e escassas oportunidades de recrutar trabalhadores especializados. Defendem ainda que as barreiras técnicas, relacionadas com os recursos humanos e o conhecimento, também são causadoras de entraves à inovação, principalmente nas PME’s, pois com a escassez de ambos os recursos, que por si só estão conectados, fica mais complicado implementar a inovação. Outra barreira recai na carência de informação sobre a estrutura de mercado e os seus principais agentes, o que contribui para uma introdução deficitária da inovação. Madrid et.al.(2009) relacionaram as barreiras à inovação com os elevados custos; riscos excessivos; dificuldade de acesso a recursos financeiros; falta de informação sobre o mercado; falta de infraestruturas e informações tecnológicas; carência de pessoal qualificado; défice de atividades formativas; fraca gestão; resistência dos empregados à mudança; restrições institucionais; tipo de cultura organizacional e défice de políticas governamentais de apoio. De forma a superar esses constrangimentos, as organizações procuram colaborações externas que possam colmatar o défice a nível interno, para mais facilmente introduzir inovações, mas é algo que acresce desafios. Estas colaborações implicam grande complexidade no que diz respeito aos esforços de coordenação, proteção da propriedade intelectual e apropriação de rendas (Rosenbusch et.al., 2011). Também de realçar que diferenças cognitivas, organizacionais, culturais e institucionais entre parceiros implicam problemas com contratos, excessos burocráticos e comportamentos de free-riding (Van de Vrande et.al., 2009). Quando se consideram as colaborações externas como possíveis soluções, não se pode excluir as diferenças em termos de dimensão entre organizações. Observa-se que as PME’s estão mais expostas aos riscos caso ocorram fracassos, uma vez que não possuem uma variedade de recursos tão abundante, como as organizações de maior dimensão. A idade da empresa, o
11 tipo de inovação e o contexto cultural são alguns dos fatores determinantes da inovação. As grandes organizações são mais propensas a ter experiência em projetos de inovação, que geram capacidades de inovação organizacional mais eficazes, enquanto as empresas de menor dimensão e mais jovens carecem dessa experiência (Rosenbusch et.al., 2011). Todas estas barreiras e falhas de mercado, que dificultam a inovação, servem de fundamento para a intervenção governamental. Os principais entraves a colmatar advêm do défice de recursos, como o financiamento, a escassez de recursos humanos qualificados, do défice de gestão de qualidade e a da falta de informação tecnológica (Niazi, 2017). Sendo assim, os programas de apoio à inovação são fulcrais na capacidade das indústrias inovarem o que, por sua vez, contribui para o avanço da competitividade de um país. Os efeitos que estes programas têm nas organizações estão profundamente ligados às capacidades de as empresas abordarem com sucesso as oportunidades e desafios estratégicos. Conclui-se ainda que é fundamental que os formuladores de políticas auxiliem as atividades de inovação, mas também que ajudem as organizações a não se tornarem limitadas pela dependência externa. Para tal, é fundamental as políticas de incentivo considerarem o que o governo pode fazer para apoiar as organizações em termos de recursos financeiros, mas também na criação de infraestruturas de pesquisa (universidades, centros de pesquisa, etc), que são as principais instituições parceiras de informação vinda de investigação (Fagerberg, 2003). 2.4 Efeitos de adicionalidade Após o estudo das políticas governamentais de incentivo à inovação, mais especificamente do NORTE 2020, entendeu-se que os subsídios são o principal e o mais direto método de apoio às organizações (Hsu et.al., 2009). Gerar o maior benefício a partir de programas públicos de incentivo à I&D e à inovação é o objetivo principal da gestão organizacional e dos responsáveis pelas políticas de financiamento público. No entanto, como pode ser medido o benefício criado por estes financiamentos? Este tem sido um dos maiores dilemas para os agentes envolvidos, cuja bibliografia não tem alcançado respostas claras. No seguimento da análise da literatura, são vários os conceitos que já foram propostos como forma de medir os efeitos das políticas de financiamento públicas, aplicadas nas atividades de inovação das empresas. Estes podem ser classificados em três grandes categorias: conceitos
12 baseados em recursos, em resultados e conceitos que medem o sucesso da intervenção política examinando se as mudanças desejadas foram alcançadas no processo de inovação em termos comportamentais (Hsu et.al., 2009). Programas governamentais para I&D e inovação são aplicados nos países mais industrializados através de incentivos indiretos, tais como taxas de incentivo a atividades de inovação, ou através de intervenções diretas numa indústria ou empresa com o intuito de desenvolver uma iniciativa de pesquisa específica. Os governos aplicam estes incentivos com o objetivo microeconómico de promover os benefícios competitivos das empresas. Consequentemente, os frutos retirados pelas empresas de beneficiar destes incentivos, irão difundir-se na economia, numa perspetiva macroeconómica, gerando um aumento da competitividade de uma nação (Hsu et.al., 2009). Uma das abordagens que procura dar resposta a este dilema é o conceito de adicionalidade. A adicionalidade apareceu, pela primeira vez, na avaliação do programa Alvey no Reino Unido, em meados dos anos oitenta. No seguimento da pesquisa literária, chegou-se ao conceito de adicionalidade, que consiste em analisar de que forma o financiamento público estimula o desenvolvimento de atividades de I&D e inovação, que de outra forma não seriam realizadas sem este tipo de apoios (Hsu et.al., 2009). É possível medir os retornos privados deste tipo de incentivos, desde que o projeto em análise tenha sido financiado e concluído, através de indicadores de retorno privado. No entanto, estimar os retornos sociais ex ante e ex post é um processo bem mais complicado, uma vez que desenvolver indicadores adequados às circunstâncias é o principal desafio na avaliação da adicionalidade, dada a tentação de medir o que é mensurável e não o que é importante (Davenport et.al., 1998). Conclui-se que o facto dos programas públicos gerarem efeitos nas atividades de inovação, que podem ocorrer em três fases distintas do processo de inovação, sendo estes a adicionalidade no input, a adicionalidade no output e a adicionalidade no comportamento organizacional, faz com que medir o retorno total do financiamento público à I&D não seja um processo simples (Wallsten, 2000). A adicionalidade no investimento carateriza-se como sendo o aumento dos gastos privados em I&D e inovação, em comparação com os gastos provenientes de subsídios públicos para o desenvolvimento destas temáticas. A maior parte dos estudos empíricos que avaliam a política
13 de inovação, em termos de eficácia na distribuição e implementação dos financiamentos, são relativos a este tipo de adicionalidade (Chavez, 2011). Este conceito está intrinsecamente relacionado com os efeitos que os financiamentos públicos têm no investimento privado em inovação e I&D nas organizações. Tem por objetivo avaliar se a empresa que está a beneficiar de incentivos públicos através do financiamento investe mais recursos em inovação e I&D do que possivelmente estaria a investir se não fosse beneficiária do financiamento em questão. Isto é, a adicionalidade nos investimentos avalia se, por cada euro fornecido pelo financiamento público, a empresa gasta fundos privados adicionais em inovação e I&D (Luukkonen, 2000). Esta avaliação é efetuada através de indicadores associados à adicionalidade nos investimentos. Estes estão relacionados com a representação, de forma quantitativa, do aumento da atividade de inovação e I&D, mais especifacamente, do aumento do nível e da qualidade das atividades inovadoras na indústria (Davenport et.al., 1998). As despesas com este tipo de atividades organizacionais é um dos indicadores mais comum presente na literatura, que tem como finalidade quantificar a inovação numa organização. Existe uma relação entre os incentivos públicos e este indicador. As políticas públicas de apoio à atividade privada em inovação e I&D foram desenvolvidas e os subsídios públicos ou incentivos fiscais entregues, com o intuito de uma alocação ótima de recursos para atividades inovadoras. Estas políticas permitem às empresas reduzir os custos com despesas em atividades de inovação e I&D (Bronzini & Piselli, 2016). Ao longo dos anos, o estudo desta adicionalidade despertou interesse em vários projetos de investigação. O objetivo dos projetos passava pela compreensão do impacto dos financiamentos públicos em questão. Neste sentido, procurou-se perceber se os financiamentos públicos à inovação estimulavam e complementavam os investimentos privados em inovação e I&D ou, se pelo contrário, geravam o efeito crowding out, ou seja, se os investimentos privados em inovação e I&D eram, total ou parcialmente, substitutos dos financiamentos públicos à inovação e I&D (Marino et.al., 2016). É vital que o subsídio atribuído às empresas aumente efetivamente os seus investimentos privados nestas áreas, uma vez que podem substituir o investimento através de fundos privados por fundos públicos, mantendo a realização da atividade inovadora originalmente
14 planeada. Através da análise efetuada à literatura existente, identificou-se que a resposta a esta questão era ambivalente. Na maioria dos casos, verificou-se que os financiamentos públicos à inovação estimulavam os investimentos privados, no entanto, o efeito crowding out também estava presente numa parte considerável dos mesmos (Marino et.al., 2016). Zúñiga-Vicente et.al.(2014), através de um estudo, procuraram agrupar os que consideravam ser os principais estudos empíricos realizados entre 1950 e 2011, relativamente ao efeito dos financiamentos públicos à inovação nos investimentos privados das empresas, mais especificamente, se se verificava um efeito de substituição ou de complementariedade. Da análise, deduziram que a maioria dos estudos rejeitam os efeitos de crowding out, ou seja, a substituição do investimento privado por investimento público. Assim, as políticas de inovação parecem ampliar os gastos com inovação e I&D no setor privado e indiciam efeitos de complementaridade do financiamento público sobre o investimento privado. A dimensão da empresa também é relevante na interpretação do efeito de crowding out. Todos os tipos de empresas, independentemente da sua dimensão, apresentam algum tipo de complementariedade entre o investimento privado e o financiamento público (Streicher et.al., 2004). No entanto, empresas de maior dimensão, apesar de beneficiarem de incentivos públicos à inovação para o desenvolvimento de determinados projetos, têm uma probabilidade de os desenvolver de igual forma, mesmo na ausência do subsídio. O mesmo não se verifica com as empresas de menor dimensão, ou seja, PME´s utilizam os subsídios para financiar projetos que não teriam sido realizados sem os mesmos (Lach, 2002). A competência tecnológica da empresa e o nível tecnológico do sector em que as empresas se inserem também têm relevância na ocorrência de efeitos de crowding out. Estudos sugerem que a probabilidade de ocorrerem estes efeitos é maior em empresas com menor competência tecnológica; que estejam inseridas em clusters; que operem em sectores com baixo nível tecnológico; que estejam enquadradas num setor pouco competitivo ou em empresas com pouca experiência em projetos colaborativos (Lee, 2011). No final, é possível concluir-se que a adicionalidade nos investimentos se verifica na maioria das empresas que beneficiam de financiamentos públicos à I&D. No entanto, e não obstante, também se verifica que determinados fatores, tais como a dimensão da organização, o setor empresarial, o nível tecnológico da empresa e a experiência em projetos de colaboração com
21 comportamentos associadas à inovação, do que com o aumento dos níveis de intensidade de inovação ou do aumento de resultados inovadores (Chavez, 2011; Antonioli et.al., 2014). Assim sendo, o conceito desta adicionalidade emerge da percepção de que os programas de financiamento à inovação podem ajudar as empresas a adquirir novas atitudes, habilidades e capacidades (Buisseret et.al., 1995). Esta nova perspetiva procura captar mudanças no comportamento das empresas, a curto e longo prazo, como resultado da intervenção política. Para a identificação destas alterações comportamentais, já existem alguns indicadores que são usados, sendo as principais categorias identificadas: o projeto, a escala, a gama, a aceleração, a rede, o acompanhamento e a adicionalidade de gestão (Falk, 2007; Clarysse et.al., 2009). Estes indicadores surgem do facto dos conceitos tradicionais de adicionalidade centrados nos investimentos e nos resultados, e o conceito mais vanguardista de adicionalidade comportamental, possuírem uma relação de complementariedade. Essa complementariedade aborda o processo de inovação sob uma perspetiva estruturalista, que analisa o impacto da intervenção de políticas públicas, mas também evolutiva, no que concerne à observação das mudanças no comportamento e desenvolvimento das atividades de inovação das empresas, ao longo do tempo (Davenport et.al., 1998). Falk (2007) procura explicar que as mudanças comportamentais, podem ser identificadas em três categorias base de adicionalidade, sendo estas adicionalidades nos recursos, nos processos ou nos resultados. Falk (2007) indica que, inicialmente, as empresas têm tendência a aumentar os recursos de que dispõem em prol dos projetos de inovação, pois acreditam que os investimentos adicionais aumentam a escala dos projetos em que participam. Até uma certa escala passam a verificar-se adicionalidades de aceleração, na procura de ampliar ao máximo o horizonte de tempo dos seus projetos de pesquisa. Posteriormente, as adicionalidades na gama entram em vigor à medida que as anteriores se verificam. Este tipo de adicionalidade relaciona-se com casos em que a atividade empresarial é expandida para uma gama mais ampla de mercados, produtos ou intervenientes, mais do que teria sido possível sem a ajuda do financiamento público como, são exemplo, novas parcerias entre as esferas empresarial e investigacional, ou mesmo entre empresas entre e intra setores. Também o aumento do networking pode ser
22 considerado um indicador desta adicionalidade, pois envolve a aprendizagem individual e organizacional, aumentando assim as competências dos intervenientes e das suas capacidades de aprendizagem (Falk, 2007). No caso da expansão da atividade empresarial se verificar, as empresas expõem o projeto de inovação a um maior risco, uma vez que se expandem para além das principais competências da empresa, o que envolve maior dificuldade técnica e um sucesso comercial menos previsível, aumentando o risco comercial. Assim, é necessário um certo nível de intervenção para que a adicionalidade da capacidade cognitiva seja alcançada, uma vez que se refere ao impacto positivo sobre as competências e conhecimento de uma organização. Quando a combinação das adicionalidades se concretiza, verificam-se resultados inovadores e impactos organizacionais positivos e sustentáveis, que podem vir a ser cruciais no futuro comportamento de inovação da empresa (Falk, 2007). O principal objetivo das políticas públicas passa pela modificação da forma de como as empresas pensam e abordam o processo inovador, traduzindo-se numa forma complementar de avaliar os efeitos das políticas públicas de inovação e I&D. Assim, o foco deve ser na construção de capacidades de inovação e competências em geral, na capacidade das empresas introduzirem e usufruírem de novas tecnologias e procedimentos, que podem não só fortalecer a capacidade da empresa de absorver novos conhecimentos, como também, fomentar a construção de competências que beneficiem outros players do sistema de inovação, como clientes, parceiros de colaboração ou instituições de investigação, contribuindo para um aumento permanente e sustentável do investimento em inovação de um país (Chavez, 2011). Os projetos devem satisfazer alguns critérios para serem considerados elegíveis, sendo estes, o avanço tecnológico, a possível existência de uma relação de parceria entre uma empresa e um centro de pesquisa, uma oportunidade de negócio e um compromisso entre as partes envolvidas. Como o caso do Technology for Business Growth (TBG) que é um programa que financia projetos de colaboração de I&D entre empresas da indústria da Nova Zelândia e instituições de pesquisa, que se iniciou em 1990. O objetivo deste programa passa por apoiar a atividade colaborativa, com a intenção de desenvolver tecnologias que melhorem o desempenho do tecido empresarial, mas também na esperança de que a difusão tecnológica
23 melhore o conhecimento através da partilha. No alcance destes objetivos, o TBG procura melhorar a gestão estratégica das empresas e melhorar as ligações entre o setor privado e institutos de pesquisa governamentais. O sucesso do programa tem, por base, atingir as empresas de forma a que se verifiquem mudanças nas atitudes e comportamentos em relação às parcerias em inovação e permitir à gestão ganhar experiência e know how na tomada de decisões de investimento em inovação (Davenport et.al., 1998). Este progama é um dos que está intrinsecamente ligado à adicionalidade comportamental, uma vez que o TBG se centra em mudanças de comportamentos na gestão do processo em inovação, nomeadamente na estratégia empresarial e operacional das empresas. Através deste estudo, verificaram-se efeitos nos comportamentos, reflexo de mudanças atitudinais dentro da organização, em resultado de práticas aprimoradas para a gestão em inovação como, por exemplo, o estabelecimento de metas e objetivos alcançáveis e a procura pelo uso mais eficiente dos recursos. Assim, o sucesso dos projetos em pesquisa colaborativa como parte integrante da estratégia de uma empresa é importante, principalmente na difusão do conhecimento por via da partilha e na implementação de mudanças nos comportamentos da gestão. No entanto, não deixa de ser um desafio para os formuladores de políticas de incentivo à inovação e I&D, pois convencer as empresas do potencial da colaboração e desenvolver formas de facilitar estas relações não é uma tarefa fácil, devido aos riscos existentes da parceria poderem correr de forma inesperada (Davenport et.al., 1998). Alcançar e verificar mudanças nos comportamentos é algo complicado, qualquer que seja a posicionamento estratégico e a vantagem competitiva de uma empresa no mercado. No entanto, procurar concretizar estas alterações comportamentais, principalmente as que possam vir a ser duradouras e que possam trazer à empresa uma capacidade competitiva maior passa por ser, nos dias de hoje, um objetivo bastante desejável da intervenção governamental através dos financiamentos públicos à inovação (Larosse, 2004). Este objetivo passou a ser primordial, uma vez que se põe a hipótese de que as alterações comportamentais mais duradouras poderão ser as que mais afetam a mudança na gestão estratégica da empresa, em termos de investimento em inovação e I&D (Davenport et.al., 1998). Assim, da avaliação do impacto que os apoios governamentais à inovação causam nas empresas, retira-se que estas devem focar-se na procura de indicadores de adicionalidade
24 comportamental que possam explorar e justificar aumentos sustentáveis da competitividade. Estes indicadores resultam de mudanças na gestão interna da empresa, bem como da relação que as empresas criam com concorrentes, clientes ou centros de investigação. Para além disto, devem procurar medir a proporção de produção que não teria sido alcançada sem o financiamento público, ou avaliar se a empresa que está a beneficiar de incentivos públicos à inovação investe mais recursos em I&D, do que possivelmente estaria a investir se não fosse beneficiária do financiamento em questão (Chavez, 2011) Em termos mais concretos, os gestores devem investir numa procura extensiva e constante por possíveis melhorias nas práticas de gestão como resultado da concretização dos objetivos, que os programas de incentivo à pesquisa e desenvolvimento se propõem alcançar. Além disso, os administradores de políticas de incentivo representam um papel fundamental na exploração e otimização do potencial da adicionalidade comportamental, através da promoção e sensibilização dos gestores para mudanças comportamentais, nomeadamente no potencial que as mesmas podem ter no sucesso da estratégia empresarial e do sistema de operações das empresas. Deste modo, as intervenções governamentais mais eficazes poderão ser aquelas que têm um efeito sustentável no comportamento das empresas (Davenport et.al., 1998). Explorando o conceito de adicionalidade comportamental, no contexto da gestão e avaliação das políticas governamentais, associadas a projetos de financiamento à inovação, ficou claro que a adicionalidade comportamental deve ser o principal alvo, tanto para avaliadores como para gestores de políticas, na ausência da identificação de adicionalidades de produção. A relevância do reconhecimento do potencial da adicionalidade comportamental para o financiamento orientadado é fundamental na sensibilização dos administradores do programa, no que concerne aos pilares a ser definidos, quando chega à hora de priorizar os critérios comportamentais adequados, tanto no processo de seleção do projeto, como de avaliação do mesmo. No entanto, este processo de seleção, implementação e avaliação dos financiamentos foi de tal modo projetado para concentrar a atenção da empresa no seu potencial comercial, que a imparcialidade e transparência nos tais critérios seria sempre comprometida. Logo do ponto de vista político, uma forma possível de explorar a adicionalidade comportamental passaria por isolar e financiar separadamente a parte do
25 programa que tem por base a promoção e desenvolvimento de mudanças comportamentais na organização. Esta sensibilização paralela à prioridade que, normalmente, é dada ao desenvolvimento da vertente mais comercial da empresa, orientada para o potencial dos impactos comportamentais, ajuda as organizações a desenvolver e a preparar outras armas para atacar o mercado de uma forma competitiva. Esta realidade verificou-se no programa TBG, anteriormente mencionado, uma vez que os administradores do programa reconheceram o valor para as empresas, de investir recursos suficientes, no desenvolvimento da vertente comportamental. No caso do TBG, que tal como se verificou se trata de um programa de pesquisa colaborativa, os gestores das empresas envolvidas tinham de estar cientes de que o desenvolvimento do produto ou processo tecnológico não era necessariamente o único benefício. Pelo contrário, tinham de ter a sensibilidade de conseguir interpretar, de onde e quando, uma adicionalidade poderia surgir, de forma a conseguirem otimizar e difundir as mudanças comportamentais, que fossem consideradas mais relevantes para a empresa. A absorção de mudanças comportamentais dependerá sempre da capacidade de interpretação dos responsáveis pela gestão de uma organização, para o aproveitamento mais rentável e benéfico do conhecimento. Por sua vez, quanto maior for a capacidade de absorção, maiores serão as competências e conhecimento adquiridos a partir da pesquisa colaborativa, sendo que o comportamento é parte integrante da noção de competitividade. Logo, sensibilizar as organizações participantes para a importância estratégica da gestão da adicionalidade comportamental é essencial para a maior probabilidade de sucesso de uma política de cooperação. No entanto, a adicionalidade comportamental tem as suas limitações (Davenport et.al., 1998). Verifica-se uma dificuldade constante na medição dos indicadores de adicionalidade, na procura de novos indicadores que contribuam para uma melhoria da quantificação de adicionalidades comportamentais e existe uma clara escassez de dados disponíveis sobre o tópico (Falk, 2007). As fragilidades sobre o tema presentes ao longo da literatura incentivaram bastante a exploração e desenvolvimento do tópico, de uma forma mais extensiva e mais próxima dos efeitos causados nas organizações (Larosse, 2004).
26 Se num contexto global a avaliação dos impactos dos subsídios de incentivo à inovação, permanece pouco estudada, no caso de Portugal é ainda mais explicito o facto de existir um número reduzido de estudos sobre esta área de investigação. Validou-se o facto de, em Portugal, os estudos nesta área darem quase sempre primazia a financiamentos de origem europeia e em demonstrar efeitos entre estes financiamentos e outros tópicos como, por exemplo, o emprego, a saúde ou a crise económica. Mesmo quando as investigações se debruçam sobre os efeitos do financiamento público à inovação, o enfoque está, regularmente, nos investimentos ou nos resultados da empresa, e nem tanto nos efeitos que podem causar em termos comportamentais. Em suma, o presente projeto de dissertação tem como foco estudar os efeitos NORTE 2020 nas atividades de inovação das empresas portuguesas, bem como avaliar os resultados nas alterações de comportamento das empresas em inovação ao beneficiar destes financiamentos. Apesar do progressivo interesse na área da avaliação dos impactos dos subsídios públicos na inovação e no reconhecimento que a inovação tem conquistado, como motor da atividade económica e no desenvolvimento das atividades de I&D das empresas, Portugal ainda não concedeu muita atenção aos efeitos comportamentais, o que leva a que o tópico ainda careça de mais estudos empíricos, na procura de colmatar as fragilidades identificadas. 2.5 A perspetiva europeia e o programa NORTE 2020 No que diz respeito à preocupação da política europeia de incentivo à inovação, também esta tem aumentado. Os Estados membros da União Europeia (UE) entendem, cada vez melhor, a importância das políticas governamentais, que têm por objetivo ajudar as organizações a ultrapassar as falhas de mercado e as barreiras, que criam entraves à inovação (Bogers et.al., 2018). O tecido empresarial europeu tem visto a capacidade inovadora das suas empresas constrangida por problemas de escala, fragmentação de processos produtivos e falta de fundos privados. Assim, a principal iniciativa da Comissão Europeia envolve uma reforma nos instrumentos de financiamento da inovação. O objetivo passa por fornecer financiamento e
27 orientação às empresas, para que possam suportar a inovação da melhor forma. Atualmente, esforços estão consolidados na Estratégia da Europa 2020, que definiu metas para melhorar as condições de inovação e desenvolvimento de I&D (McCann & Ortega-Argilés, 2016). As políticas europeias também veêm como fundamental fomentar medidas de incentivo à Open Innovation, que tal como (Chesbrough, 2006) indica, “(..) é o paradigma que assume que as empresas podem e devem utilizar ideias internas ou externas, bem como patentes internas ou externas, em prol do avanço tecnológico que desejam alcançar”. É possível para as empresas adquirirem este conhecimento, principalmente, se as pesquisas efetuadas através de financiamentos públicos virem as suas publicações usufruírem do acesso aberto à comunidade empresarial, no global. O intuito é conectar melhor as pesquisas, práticas e políticas de inovação abertas para informar académicos, gestores e formuladores de políticas sobre as tendências atuais e as direções futuras, bem como pela disseminação mais ampla da pesquisa que financiam (Bogers et.al., 2018). Atualmente verifica-se que as diretrizes europeias têm por objetivo proporcionar instrumentos de apoio finacieiro às empresas e orientação para uma melhor performance, no que que diz respeito ao aproveitamento do financiamento à inovação. A ideologia da estratégia europeia defende uma partilha de conhecimento, cada vez mais aberta a toda a comunidade empresarial, pois acredita que a difusão da informação ser a base para a evolução da inovação. Após a observação da posição da Europa, no que diz respeito às políticas de coesão no tópico da inovação, nomeadamente com especial atenção às regiões que apresentam níveis de competitividade mais baixos, não admira que a Região Norte (RN) de Portugal esteja no grupo de regiões de intervenção prioritária. Com base no Regional Innovation Scoreboard 2014, também é possível observar que a RN apresenta valores inferiores na performance de inovação e cooperação das PME´s, em comparação com a Região Centro. Estes valores revelam que existe um défice na introdução de novos produtos no mercado e na obtenção de conhecimento e, ao mesmo tempo, é necessário assegurar o apoio a grandes empresas, de forma a que estas consigam desenvolver processos de internacionalização (Norte2020). Como se sabe, Portugal vivenciou um contexto económico difícil e, como tal, a estratégia regional de desenvolvimento contribuirá para o alcance dos objetivos previstos, no atual
28 Acordo de Parceria 2014-2020, designado por Portugal2020. Este acordo tem como pilares políticos medidas de desenvolvimento económico, social e territorial que tragam progresso ao país (Norte2020). Com base na implementação do Portugal 2020, foram identificados cinco fundos principais, usados como instrumentos de alcance dos objetivos propostos pela EU, no acordo de parceria PORTUGAL2020: 1) Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER) 2) Fundo de Coesão (FC) 3) Fundo Social Europeu (FSE) 4) Fundo Europeu Agrícola de Desenvolvimento Rural (FEADER) 5) Fundo Europeu dos Assuntos Marítimos e Pesca (FEAMP) Estes fundos por sua vez estão subdivididos em programas mais espicificos, assim no programa selecionado para o desenvolvimento desta dissertação, enquadra-se no âmbito do FEDER e do FSE, cujo nome é NORTE 2020 (Programa Operacional Regional do Norte 2014/2020). Trata-se de um instrumento financeiro de apoio ao desenvolvimento regional e, tal como o nome indica, está especificamente direcionado ao desenvolvimento da região norte de Portugal (Oliveira & Leitão, 2020). Uma curiosidade sobre o programa NORTE 2020 é que o facto do orçamento total deste programa ser bastante considerável, cerca de €3,4 mil milhões, faz com que seja o mais importante programa regional entre sete existentes, em termos de peso relativo. Cerca de metade do valor total do orçamento (49,3%) é direcionado para dois dos eixos prioritários, sendo eles o da “Competitividade das Pequenas e Médias Empresas” e “Investigação, Desenvolvimento Tecnológico e Inovação” (Oliveira & Leitão, 2020). A alocação deste valor elevado do orçamento aos dois eixos prioritários mencionados tem como objetivo colmatar a necessidade de impulsionar os domínios de especialização inteligente; modernizar as infraestruturas de I&D e inovação; desenvolver as competências relacionadas com a inovação e internacionalização das PME; incentivar o empreendedorismo e o investimento das empresas em inovação e I&D e fomentar as parcerias e projetos de cooperação nestas temáticas (Oliveira & Leitão, 2020).
29 Através da interpretação do programa, entendeu-se que o crescimento económico só é possível com o fomento da competitividade da economia de cada região. Com base no investimento proveniente do NORTE 2020, é possível verificar a influência da RN na riqueza produzida a nível nacional, uma vez que a estimativa indica que investimento total aprovado afeta o VAB (Valor Acrescentado Bruto) nacional na ordem dos € 4 mil milhões, o que afeta diretamente a criação de centenas de milhares de postos de trabalho. Conclui-se que, apesar das desigualdades nas regiões menos desenvolvidas estarem a ser combatidas, ainda existe muito trabalho pela frente, uma vez que elas continuam a existir em Portugal e na Europa. Os fundos já demonstraram desempenhar um papel essencial na atenuação destas desigualdades, no entanto, a falta de clareza do impacto positivo nestas regiões torna os fundos e as políticas europeias bastante sensíveis às crescentes críticas. Assim, é fundamental analisar e procurar evidências reais das melhorias causadas pelos fundos e programas de investimento ou investigar novas medidas mais eficazes de desenvolver a competitividade destas regiões. 2.6 Síntese Ao longo do capítulo da revisão de literatura foram aprofundadas as secções que se definiram como sendo fulcrais explorar, em termos da literatura já existente. Foi possível identificar na secção 2.2 que a inovação é um conceito bastante volátil e tem uma importância central no progresso económico, uma vez que se trata de uma capacidade organizacional fulcral no sucesso empresarial, quer em termos de resultados económicos, quer em termos de desempenho. Na secção 2.3 identificou-se que, apesar da importância da inovação, existem barreiras e falhas de mercado, que dificultam o seu desenvolvimento, o que serve de fundamento à intervenção governamental. Assim é fundamental que os formuladores de políticas auxiliem as atividades de inovação, mas também que ajudem as organizações a não se tornarem limitadas pela dependência externa. Quanto aos efeitos de adicionalidade aprofundados no capítulo 2.4, sendo que o primeiro a ser abordado foi a adicionalidade no investimento, verificou-se que ocorre na maioria das
30 empresas que beneficiam de financiamentos públicos à inovação. Também se endendeu que os objetivos passam por incentivar e complementar os investimentos privados em inovação e I&D nas empresas, ao invés de substituir estes investimentos por financiamentos públicos, com o intuito de reduzir os efeitos de crowding out. De seguida, através do estudo da adicionalidade nos resultados, conclui-se que passou a existir uma consciencialização em medir a proporção de produção que não teria sido alcançada sem o financiamento público à inovação, o que permite alcançar conclusões do quão positivo estes podem ser nos resultados das empresas. No que diz respeito ao conceito de adicionalidade comportamental, verificaram-se dificuldades na medição dos indicadores deste tipo de adicionalidade, na procura de novos e existe uma clara escassez de dados disponíveis sobre o tópico. Assim, da avaliação do impacto que os apoios governamentais à inovação causam nas empresas, retirou-se que estas devem focar-se na procura de indicadores de adicionalidade comportamental que possam explorar e justificar aumentos sustentáveis da competitividade. As fragilidades sobre o tema presentes ao longo da literatura incentivaram bastante a exploração e desenvolvimento do tópico, de uma forma mais extensiva e mais próxima dos efeitos causados nas organizações. O capítulo 2 finaliza com o tópico da perspetiva europeia e o programa NORTE 2020. Aqui ficou claro que, apesar do progressivo interesse na área da avaliação dos impactos dos subsídios públicos de apoio à inovação e no reconhecimento que a inovação tem conquistado a nível europeu, Portugal ainda não concedeu a atenção necessária com vista a avaliar os efetivos e reais impactos da inovação no desempenho das empresas. Isto leva a que o tópico ainda careça de mais estudos empíricos. Também os fundos demonstraram desempenhar um papel essencial na atenuação de desigualdades; ainda assim é fundamental analisar e procurar evidências reais das melhorias causadas pelos fundos e programas de investimento, ou investigar novas medidas mais eficazes de desenvolver a competitividade das regiões.
37 Tabela 2 - Caraterísticas Principais das Entrevistas Empresa Cargo Entrevistado Formato Entrevista Data Entrevista Duração Entrevista A Diretor Geral Via telefónica 11/12/2020 21min e 23seg B Diretor Financeiro Via email e Via telefónica 11/12/2020 23min e 56seg C Gestor Financeiro Via email e Via telefónica 16/12/2020 23min e 36seg D Gestor de Produção Via telefónica 18/12/2020 22min e 31seg E Sócio-Gerente Via email e Via telefónica 21/12/2020 22min e 37seg F Diretor Financeiro Via telefónica 23/12/2020 22min e 52seg G Responsável Departamento I&D Via telefónica 23/12/2020 28min e 34seg H Administrador Departamento Contabilidade Microsoft teams 30/12/2020 27min e 47seg No início de todas as entrevistas, foi solicitada a gravação das mesmas, apenas para consulta da informação transmitida e nunca para divulgação. O pedido foi autorizado por todos os participantes e foi expressamente efetuado com o intuito de facilitar a transcrição das entrevistas, sem que se perdessem pormenores que pudessem ser relevantes na análise de dados. Devido à situação pandémica que o país atravessa, sendo aconselhável e prudente evitar qualquer tipo de contacto pessoal, todas as entrevistas às empresas tiveram de ser efetuadas à distância e não pessoalmente, como teria sido preferência caso fosse exequível. Apesar da limitação presencial das entrevistas, a opção por este método mostrou-se ser a mais apropriada, pois ao permitir um contacto direto com as empresas, garantiu informações fulcrais e mais detalhadas sobre o fundo de financiamento NORTE 2020, sobre a inovação e sobre os efeitos da mesma nas empresas abordadas. O contacto com as empresas foi efetuado, primeiramente, via telefónica, uma vez que permitia explicar de uma forma mais perceptível o âmbito do projeto de investigação e o objetivo da entrevista a realizar, de modo a que a empresa, com a as informações fornecidas, selecionasse a pessoa mais capaz e informada sobre tópico do estudo apresentado.
38 Após este primeiro contacto, verificaram-se três tipos de situações diferentes. Algumas empresas nunca chegaram a atender, apesar da insistência, e por isso foi efetuado um segundo contacto, mais especificamente via email, onde novamente se explicou o objetivo e a importância da investigação, mesmo assim sem sucesso. Outras empresas, apesar de não atenderem, responderam ao contacto telefónico, o que possibilitou avançar com o agendamento da data de entrevista e com o esclarecimento de dúvidas, sobre como a mesma se iria realizar. No entanto, a grande maioria das empresas atenderam ao primeiro contacto telefónico e revelaram abertura para participar, o que permitiu agendar uma data para a realização da entrevista. As entrevistas foram conseguidas graças à perseverança na insistência de participação das empresas e a maioria foi realizada via telefónica. A insistência e a dificuldade em conseguir a participação das empresas deveu-se à época do ano em que foram contactadas, uma vez que em dezembro grande parte das empresas têm muitos dos seus colaboradores de férias. Os que estavam disponíveis estavam atarefados com o fecho de contas e de stocks do ano civil. As entrevistas foram realizadas durante os meses de novembro e dezembro de 2020. Após a realização das entrevistas, foi efetuada a transcrição de cada uma delas. Esta tarefa foi executada manualmente, com o propósito de estabelecer uma primeira análise mais próxima e pessoal das informações recolhidas. Conforme se confirma na Tabela 3, cada questão presente no guião das entrevistas (ver anexo I), foi meticulosamente pensada com o intuito de recolher informações oportunas que contribuíssem na resposta aos objetivos e questões de investigação definidos inicialmente. Para tal, a estrutura do guião organizou-se de forma a que fosse possível associar questões a um objetivo, e que cada questão conseguisse verificar se os indicadores identificados na literatura, confirmam-se ou não, em contexto empresarial.
39 Tabela 3 - Justificação das Questões das Entrevistas Objetivo Questão Descrição Indicador Caraterização da Empresa 1 A empresa tem atividades de investigação e desenvolvimento (I&D) de forma contínua ou ocasional? Capacidade de inovação 2 Foi o primeiro projeto de financiamento público a que a empresa se candidatou? E obtido? Se não, a quantos projetos de financiamento público já se candidatou? Experiência em projetos de financiamento público 3 Existiu colaboração com parceiros neste projeto (sejam estas colaborações com empresas ou instituições/universidades/institutos)? Experiência em cooperação Adicionalidade nos Investimentos 4 Caso a empresa não tivesse beneficiado do incentivo público à inovação, o projeto teria sido desenvolvido? Se sim, em que condições? Se não, porquê? Efeito de crowding out Adicionalidade nos Comportamentos 5 O projeto contribuiu para desenvolvimento de novas competências ligadas à inovação e/ou recursos humanos? Pode dar exemplos? Competências dos colaboradores 6 A empresa passou a valorizar mais o desenvolvimento de atividades relacionadas com I&D e inovação? Abertura à inovação 7 O projeto contribuiu para a melhoria das capacidades de gestão da inovação? Pode dar exemplos? Gestão de inovação 8 Quais os principais impactos que resultaram da colaboração na atividade de I&D? Projetos de cooperação Adicionalidade nos Resultados 9 O projeto permitiu introduzir no mercado um produto ou processo inovador? Em quanto espera aumentar as vendas em termos percentuais? Influência do projeto Políticas Governamentais 10 Melhoraria alguma coisa em termos das políticas governamentais de incentivo público à inovação, em Portugal? Políticas governamentais
40 3.4 Análise de Dados Tal como foi referido anteriormente, entre os métodos quantitativos e qualitativos, a opção no desenvolvimento desta investigação recai sobre o método qualitativo. Para a evolução e progresso do tema, foi necessário efetuar uma recolha de dados que, por sua vez, gerou a necessidade de tratamento e análise dessa informação. Prontamente, com o intuito de analisar a informação, outra escolha teve de ser tomada, neste caso, a técnica de análise que seria implementada. Assim, a análise de conteúdo foi a técnica selecionada na análise de dados desta investigação. Esta tipologia de análise carateriza-se por ser uma técnica que analisa a informação recolhida, neste caso através das entrevistas e da literatura, mas poderia estar associada a outras fontes de dados (Silva & Fossá, 2015). A análise de conteúdo encontra-se estruturada em três fases distintas, sendo estas: a préanálise, a exploração do material e o tratamento dos resultados. Na primeira fase, são desenvolvidas as interpretações teóricas iniciais de forma a serem definidos indicadores, isto com base nos dados recolhidos. Dado que nesta investigação foram realizadas entrevistas, nesta fase já devem estar transcritas de modo a que esta interpretação seja exequível. Após a pré-análise, segue-se a exploração do material, que representa a segunda fase da análise de conteúdo. Esta fase consiste na codificação e classificação das temáticas interpretadas da informação recolhida na fase anterior. Ou seja, através das entrevistas, são selecionadas as palavras consideradas chave para a investigação e efetua-se a categorização dos temas das diferentes questões. O objetivo desta fase é alcançar o sentido do que foi mencionado pelos entrevistados. Concluída a segunda fase, avança-se para a terceira e última, o tratamento dos resultados. É então efetuada uma análise comparativa a toda a informação recolhida, com o intuito de serem identificadas as semelhanças e as diferenças, que surgiram tanto das entrevistas, como dos documentos analisados e da observação ao longo da investigação (Silva & Fossá, 2015). As diversas fases que foram descritas podem ser identificadas ao longo da dissertação. A primeira através da estruturação do guião e da transcrição das entrevistas; a segunda, na organização do conteúdo, que tal como a teoria refere pode ser caraterizada tendo em conta a semelhança de significados numa frase ou num conjunto de frases. Esta organização permitiu alcançar a terceira fase de tratamento de resultados, onde as ideias chave foram
41 definidas com base na análise comparativa da informação, na revisão de literatura e nos objetivos de investigação propostos (Silva & Fossá, 2015). Resumidamente, a técnica de análise de conteúdo demonstrou ser a mais apropriada, no que diz respeito às exigências da realização deste projeto de investigação, uma vez que esta se retrata pela subjetividade da sua temática, mas também porque a recolha de dados, foi realizada com base em entrevistas. Além disso, a investigação tem por objetivo observar, descrever, classificar e interpretar os fenómenos que foram propostos ser estudados, sem interferir ou modificar nada que conste na informação recolhida da realidade observada, sendo este propósito caraterístico da análise de conteúdo (Silva & Fossá, 2015). A aborgagem metodológica em questão, conhecida como “Análise Comparativa Qualitativa” (QCA – Qualitative Comparative Analysis), é uma ferramenta que está principalmente ligada a investigações nas áreas das ciências sociais como, são exemplo, a área da sociologia e psicologia. No entanto, verifica-se um crescente número da sua aplicação noutras áreas de estudo como a economia (Wagemann & Schneider, 2010). A sua pertinência em investigações onde o efeito de causalidade é necessário ou suficiente, bem como a natureza da sua estratégia de pesquisa ser sustentada na comparação entre evidências e ideias, tem permitido impulsionar esta ferramenta metodológica (Rihoux & Lobe, 2009). A natureza da QCA, além de ser comparativa, pode ser interpretada como uma abordagem de pesquisa, ou como uma técnica de análise de dados. Estas interpretações surgem principalmente relacionadas com o que foi mencionado anteriormente, relativamente ao processo de recolha de dados se suportar numa constante interação entre evidências e ideias, mas também pela visão holística de causalidade, que interliga o processo de seleção dos casos, a teoria e os resultados. Assim, para que seja possível a sua aplicação, o investigador necessita de se suportar em fundamentos, sem nunca se esquecer que as raízes da QCA assentam na pesquisa qualitativa (Schneider & Wagemann, 2010). Recorrendo à teoria existente sobre o uso da QCA, definiu-se que a aplicação desta ferramenta metodológica seria muito pertinente neste projeto de dissertação, uma vez, que para a análise de dados da investigação era estritamente necessário recolher e agrupar informações detalhadas e complexas sobre os diferentes casos selecionados, com o intuito de estreitar a
42 intimidade com os mesmos e de forma a que a sua compreensão fosse maximizada (Rihoux & Lobe, 2009). A preferência sobre a aplicação da QCA na dissertação foi também bastante suportada pelos objetivos desta estratégia, nomeadamente o apoio que presta ao investigador na procura de padrões de causalidade nos casos, em prol de alcançar uma interpretação para esse estado de causa. A sua predominância e foco na compreensão dos casos permite-lhe, através da causalidade, explicar a relação entre os resultados e as condições. Esta caraterística da QCA mostra que esta ferramenta é bastante poderosa na procura de condições que sejam suficientes e/ou necessárias para comprovar um determinado resultado (Schneider & Wagemann, 2010). Outro factor a favor da QCA, no âmbito deste estudo, é a sua orientação para investigações de múltiplos casos, e as vantagens que apresenta em projetos com uma população cujo número de objetos (N) seja relativamente pequena, tal como é o caso desta dissertação que conta com oito empresas entrevistadas. Esta orientação deve-se ao facto de certas investigações verem os seus objetos de estudo limitados em termos de número. Mesmo quando o N é maior, existem, por vezes, motivos para o investigador desejar limitar o número de casos, para que o projeto seja viável de se concretizar como, por exemplo, a dificuldade de obter um conhecimento detalhado de cada caso (Rihoux & Lobe, 2009). A QCA, em termos de aplicação, também apresenta semelhanças com técnicas quantitativas, no que diz respeito ao uso de técnicas de análise de variáveis identificadas através dos dados. Tal como nas metodologias quantitativas, após o estudo da teoria, da seleção dos objetos de estudo e da definição das condições a estudar, é necessário alcançar o momento em que será efetuada a análise, e a QCA sendo uma considerada uma técnica analítica, também em certo ponto atinge este momento analítico. (Wagemann & Schneider, 2010). Apesar das semelhanças, também existem diferenças quando comparadas as técnicas quantitativas. Em primeiro lugar, é de salientar que cada caso individual apresenta uma complexidade própria e, como tal, todos os casos selecionados na investigação devem ser analisados individualmente, sem que nenhum seja excepção ou esquecido. Em segundo é de realçar que ao contrário da maioria das técnicas quantitativas, a complexidade de cada caso não é neutralizada pela fase experimental ou empírica (Rihoux & Lobe, 2009). Assim, ao utilizar a QCA, o investigador irá identificar, através da comparação entre os casos
43 comparáveis, a quantidade e o grau dos diferentes modelos causais que existem (Rihoux & Lobe, 2009). Em suma, através do tópico em análise, foi possível observar que a complexidade de causa efeito desempenha um papel fulcral na QCA. Procurou-se demonstrar que esta ferramenta priviligia a análise dos casos, através de uma abordagem de pesquisa centralizada em evidências e ideias. Verificou-se também que, em projetos de investigação em que é exequível no decorrer da pesquisa estabelecer ligações comparativas entre as condições e os resultados, a QCA revelou ser uma alternativa entre os paradigmas quantitativos e qualitativos. Isto porque o investigador deve procurar desempenhar um papel ativo entre os casos selecionados, sem nunca descorar que a ênfase deve ser sobre os aspetos qualitativos como, por exemplo, no caso desta dissertação, as entrevistas às empresas. Assim, no que diz respeito ao método, a investigação suportou-se apenas nos princípios da QCA para a estruturação e análise comparativa da informação qualitativa recolhida. Não obstante, numa realidade temporal próxima, prespetiva-se um progresso acentuado da aplicação desta técnica, uma vez que mais investigações que cruzam técnicas relacionadas com a QCA serão combinadas e realizadas com mais consistência, sejam elas qualitativas ou quantitativas. Existe espaço também a outras melhorias, como são o caso das práticas de pesquisa utilizadas na recolha de dados, da sua aplicação em tópicos da vida real, da extração de informação dos casos e da interpretação dessa informação na procura de ideias e, ao mesmo tempo, numa vertente mais quantitativa, existisse algum progresso suplementar em termos de software de análise (Rihoux & Lobe, 2009). 3.6 Síntese Como é possível verificar, ao longo do capítulo dos dados e metodologia foram apresentadas e justificadas as opções quanto ao método de investigação a adotar, quanto às técnicas de seleção da amostra e quanto á técnica de análise dos dados. Assim, para este estudo, foram selecionadas empresas que tinham beneficiado do incentivo à inovação em I&D e inovação produtiva, por parte do NORTE 2020, cujo projeto de financiamento já tivesse concluído, em que o fundo aprovado tivesse sido superior a 100.000
44 euros, que pertencessem ao concelho de Braga e ao mesmo CAE. No entanto, este último critério não foi possível, devido à baixa disponibilidade das empresas contactadas. Estes critérios de seleção foram estabelecidos com o intuito de agregar uma amostra, com algumas semelhanças em termos do que são as caraterísticas das empresas. De forma a introduzir e justificar a metodologia implementada neste projeto de investigação, procurou-se esclarecer ao longo do capítulo as opções metodológicas, com base nos objetivos definidos e nas questões de investigação a que se pretendia dar resposta, mas também de acordo com as vantagens da escolha do método qualitativo como método de investigação mais indicado para o estudo em causa. Quanto ao instrumento de recolha de dados, recorreu-se às entrevistas semiestruturadas e, no que diz respeito ao tratamento dos dados recolhidos, optou-se pela análise de conteúdo e à QCA, ambas as escolhas foram devidamente justificadas neste capítulo. No contexto, esta dissertação procura analisar e identificar o fenómeno da adicionalidade comportamental como efeito dos incentivos públicos à inovação nas empresas de Braga.
45 CAPÍTULO 4. Resultados e Discussão 4.1 Introdução Ao longo do capítulo quatro, e tendo por base os objetivos e questões de investigação, foi realizada uma análise de dados detalhada das entrevistas realizadas no âmbito desta dissertação, que foram introduzidas e apresentadas no capítulo anterior. O capítulo em questão está dividido em cinco partes, sendo que cada parte se destina à análise das entrevistas de um tópico estudado previamente na revisão da literatura. Desta forma, os cinco subcapítulos são a “Caraterização da I&D e projetos das empresas”, a “Adicionalidade nos investimentos”, a “Adicionalidade comportamental”; a “Adicionalidade nos resultados” e as “Políticas governamentais”. De realçar que todos os dados presentes neste capítulo foram facultados pelos participantes nas entrevistas, através do relato da experiência integral, que cada empresa vivenciou ao beneficiar do programa em estudo. 4.2 Caracterização da I&D e projetos das empresas Após a execução das entrevistas e de forma a facilitar a identificação da informação mais pertinente, oriunda dos relatos dos participantes, foram efetuadas as transcrições das mesmas. Através das transcrições foi possível identificar informações chave, apesar da informação estar em bruto e isso dificultar a interpretação e a comparação da informação como um todo. Assim, com o intuito de alcançar conclusões e estabelecer comparações entre as várias respostas, decidiu-se estratificar e simplificar a informação recolhida através de tabelas. Cada tópico em análise está representado em formato de tabela, sendo que o primeiro encontra-se refletido na tabela 5, onde se pode verificar a informação recolhida relativamente à caraterização da I&D e aos projetos em que as empresas participaram.
46 Tabela 4 - Caraterização da I&D e Projetos das Empresas Empresa Q1: Atividades de I&D Q2: Envolvimento em projetos Q3: Projeto em colaboração A Ocasional. Segundo projeto realizado. Sem colaboração. B Contínua. Departamento de I&D (1 pessoa). Primeiro projeto. Em colaboração. Com a UM e empresas. C Contínua. Departamento de I&D (1 pessoa). Primeiro relizado. Em colaboração. Com a UM. D Ocasional. Não tem departamento. Segundo realizado. Sem colaboração. E Ocasional. Não tem departamento. Quinto realizado. Sem colaboração. F Ocasional. Não tem departamento. Primeiro realizado. Em desenvolvimento o segundo projeto Em colaboração. Com uma empresa. G Contínua. Departamento de I&D. Primeiro realizado. Em desenvolvimento mais quatro projetos Em Colaboração. Com empresas. H Ocasional. Não tem departamento. Terceiro realizado. Em colaboração: Com a UM e uma empresa. Com base na simplificação da informação presente na tabela 5, é possível verificar que quanto à questão 1 (Q1) do guião "A empresa tem atividades de investigação e desenvolvimento (I&D) de forma contínua ou ocasional?", existem dois grupos distintos. O primeiro grupo é composto pelas empresas A, D, E, F e H, que apenas executam atividades de I&D de forma ocasional, tendo sido justificado pelas próprias empresas que o facto de não possuírem um departamento especializado para o desenvolvimento destas atividades, faz com que apenas avançem quando surgem oportunidades ou desafios que as estimulem no progresso à inovação. Apesar destas empresas mencionarem que não possuem um departamento de I&D, algumas também afirmam que isto se deve "(…) principalmente devido às regulamentações que teria de cumprir", como foi o caso das empresas E e H. O segunto grupo é formado pelas empresas B, C e G, que executam este tipo de atividades de uma forma contínua, pois as três empresas possuem um departamento vocacionado para o
53 Tabela 8 – Efeitos de Adicionalidade Comportamental Empresa Q5: Competências Desenvolvidas Q6: Valorização de atividades de I&D e inovação Q7: Capacidade de gestão da inovação Q8: Impactos da Colaboração A Melhoria de processos e de competência. Valorizou. Implementação novas metodologias de desenvolvimento. Formação de gestão de inovação nos quadros superiores; Implementação de novas ferramentas de gestão; Formações para os trabalhadores. Sem colaboração. B Novas funções operacionais; Desenvolvimento de técnicas; Maior especialização; Aumento da capacidade de resposta aos problemas. Valorizou. A candidatura a outro projeto e Criação do departamento de I&D. Não são assinaláveis melhorias. A gestão da empresa fez dispersar oportunidades e soluções apresentadas. Positivos. Melhoria de competências técnicas. Aquisição de competências. C Sem melhorias a registar. Já existiam competências ligadas à inovação. Não valorizou. Já fazia parte da cultura da empresa. Não são assinaláveis melhorias. As capacidades já estavam intrínsecas nas pessoas. Positivo. Não especificaram. D Sem melhorias a registar. Só existiu desenvolvimento de produto. Não valorizou. Já fazia parte da cultura da empresa. Não são assinaláveis melhorias. A abertura ao desenvolvimento já existia, fruto da experiência no mercado internacional. Sem colaboração. E Melhoria nos processos internos e condições laborais; Aumento do interesse dos trabalhadores; Valorizou. Passou a existir desenvolvimento de estudos ligados à segurança no trabalho. Aquisição de softwares de produção; Implementação de técnicas de organização e planeamento; Formações para os trabalhadores. Sem colaboração. Reconhecem a importância de começar a estabelecer relações.
54 Empresa Q5: Competências Desenvolvidas Q6: Valorização de atividades de I&D e inovação Q7: Capacidade de gestão da inovação Q8: Impactos da Colaboração Aumento da capacidade de aprendizagem. F Melhoria da organização e métodos de trabalho. Aprendizagem em processos produtivos. Valorizou. Maior proximidade entre departamentos; Aumento da proatividade; Candidatura a outro projeto. Maior aptidão na gestão de projetos de inovação; Formação em novos processos. Positivos. Aquisição de novos métodos de trabalho. Aceleração de processos. Aquisição de competências. G Contratação de pessoas mais qualificadas; Aumento do interesse dos trabalhadores; Aumento da capacidade de aprendizagem. Valorizou. Aumento da proatividade e absorção de novos processos; Criação do departamento de I&D; A candidatura a outro projeto Gestão de novas funções; Melhoria em áreas complementares da inovação; Formação em novos processos; Contratação de uma pessoa para a área da inovação. Positivos. Maior abertura ao exterior. Aquisição de competências. Maior inter ajuda entre colaboradores. H Aumento da capacidade de aprendizagem. Melhoria dos métodos de trabalho e de organização. Valorizou. Procura abraçar todas as oportunidades de inovar. Implementação de novas metodologias de desenvolvimento. Subcontratação de uma pessoa com experiência na área da inovação. Negativos. Desfasamento nos métodos de trabalho. A universidade tem uma desenvoltura que a empresa não tem.
55 No que diz respeito à questão seguinte, Q7 (questão 7):”O projeto contribuiu para a melhoria das capacidades de gestão da inovação? Pode dar exemplos?", foi observado que, mais uma vez, as empresas se dividem em dois grupos. As empresas B, C e D formam o primeiro grupo, pois não verificaram quaisquer tipos de melhorias em termos das capacidades de gestão da inovação, enquanto que o segundo grupo é formado pelas empresas A, E, F, G e H, que identificaram melhorias nesta categoria. As empresas B, C e D deram justificações diferentes para o motivo de não terem nenhuma melhoria a registar: a) Empresa B – “Não são assinaláveis melhorias na capacidade de gestão de inovação, na medida em que a segmentação da empresa, (…) fez dispersar oportunidades e soluções(…), onde estavam centralizadas as decisões atinentes à gestão da inovação." b) Empresa C – “Não passamos a valorizar mais, uma vez que já fazia parte da cultura da empresa a valorização destas atividades. Pouco ou nada acrescentou neste aspeto." c) Empresa D – “Não sentimos melhorias, o know-how relacionado com a gestão da inovação já existia há muitos anos. Sempre fomos uma empresa muito aberta ao desenvolvimento empresarial, (…)". As empresas que englobam o segundo grupo apresentaram vários exemplos de ganhos de capacidade de gestão da inovação, sendo exemplos disso: a) Empresa A - Formação de gestão de inovação nos quadros superiores; implementação de novas ferramentas de gestão e formações para os trabalhadores. b) Empresa E - Aquisição de softwares de produção; implementação de técnicas de organização e planeamento e formações para os trabalhadores. c) Empresa F - Maior aptidão na gestão de projetos de inovação e formação em novos processos. d) Empresa G - Gestão de novas funções; melhoria em áreas complementares da inovação; formação em novos processos; contratação de uma pessoa para a área da inovação.
56 e) Empresa G - Subcontratação de uma pessoa com experiência na área da inovação. Para finalizar, as respostas à Q8 (questão 8): "Quais os principais impactos que resultaram da colaboração na atividade de I&D?", agrupou a amostra em três grupos distintos. O primeiro grupo, do qual fazem parte as empresas A, D e E, como já tinha sido referenciado anteriormente, não desenvolveram o projeto em colaboração. O segundo grupo, ao qual pertencem as empresas B, C, F e G, cujo impacto da colaboração foi positivo, e por último, o terceiro grupo é constituído somente pela empresa H, que relatou o impacto da colaboração no projeto de inovação como sendo negativo. Alguns dos impactos positivos identificados pelo segundo grupo de empresas são, por exemplo, a aquisição de novos métodos de trabalho, o aumento da capacidade de resposta a problemas ou uma maior abertura ao exterior. Por outro lado, também existiu um experiência negativa da qual a empresa H relatou que sentiu "(…) que os ritmos de trabalho entre nós e a universidade são diferentes e que existia um desfasamento nos métodos de trabalho. Eles têm outro tipo de desenvoltura que as empresas não têm". De forma a quantificar as respostas por categorias da adicionalidade comportamental, simplificou-se a tabela 8 e agruparam-se as respostas das empresas consoante os efeitos relatados nas entrevistas, representado na tabela 9. Tabela 9 - Quantificação das respostas por categorias da adicionalidade comportamental Efeitos de Adicionalidade Comportamental Competências Desenvolvidas N Melhoria verificada. 6 Melhoria não verificada. 2 Valorização de atividades de I&D e inovação N Valorização verificada. 6 Valorização verificada. 2 Capacidade de gestão da inovação N Melhoria verificada. 5 Melhoria não verificada. 3 Impactos da Cooperação N Positivos. 4
57 Efeitos de Adicionalidade Comportamental Negativos. 1 Sem colaboração. 3 Assim sendo, através da análise da Tabela 9 confirmou-se que existem efeitos de adicionalidade nos comportamentos relacionados com competências desenvolvidas ao longo do projeto e na valorização das atividades em I&D e inovação, verificando-se melhorias em 6 de 8 empresas. No que diz respeito a melhorias na capacidade de gestão da inovação, existe claramente uma divisão no relato das empresas, visto que em cinco se verificou um efeito de melhoria nas capacidades, enquanto que nas três restantes não ocorreram melhorias. Por fim, em termos de colaboração, ficou explícito que entre as empresas que executaram o projeto em colaboração com entidades externas, os impactos dessas parcerias foram positivos. Após a interpretação da Tabela 9 foi ainda possível identificar e categorizar os diferentes indicadores de adicionalidade comportamental. Estes indicadores foram alcançados através do relato das empresas, aquando da participação nas entrevistas. Desta forma, possibilitou dar resposta ao objetivo específico “Validar indicadores da adicionalidade comportamental” e dar resposta à questão de investigação “Que tipos de adicionalidade de comportamento são mais frequentes?” Definiu-se que as principais categorias da adicionalidade comportamental são: as Competências, a Valorização de I&D e Inovação, as Capacidades de Gestão e a Colaboração. Dentro de cada uma destas categorias presentes na tabela 10, estão discriminados todos os indicadores de adicionalidade comportamental identificados nas entrevistas às empresas. Com isto, foi possível validar os indicadores de adicionalidade comportamental encontrados no estudo da literatura existente, e que são fruto da participação das empresas em programas de incentivo público à inovação e I&D. Tabela 10 - Categorias e indicadores da adicionalidade comportamental Categoria de adicionalidade comportamental Indicadores N Competências Melhoria nos processos internos; Aumento na capacidade de aprendizagem; Criação de novas funções; Aumento da especialização; 3 4 1 1 1
58 Categoria de adicionalidade comportamental Indicadores N Melhoria da capacidade de resposta aos problemas; Aumento do interesse dos trabalhadores; Aumento do conhecimento técnico; Melhoria da organização e métodos de trabalho; Contratação de recursos humanos mais qualificados. 2 4 2 1 Valorização de I&D e inovação Criação de departamento de I&D; Implementação de novas metodologias de desenvolvimento; Candidatura a mais projetos de inovação e I&D; Maior proximidade entre departamentos; Aumento da proatividade na I&D e inovação. 2 2 3 1 3 Capacidades de gestão em inovação Aumento da formação; Implementação de novas ferramentas de gestão; Implementação de técnicas de organização e planeamento; Aumento da aptidão na gestão de projetos de inovação e I&D; Gestão de novas funções; Aumento da contratação de pessoas com mais qualificações; Desenvolvimento de áreas complementares à inovação e I&D. 4 2 1 1 1 2 1 Colaboração Aumento das capacidades de aprendizagem; Melhoria de competências técnicas; Acelaração de processos; Aquisição de novos métodos de trabalho; Aumento da capacidade de resposta a problemas; Maior abertura ao exterior; Aumento da inter ajuda entre colaboradores. 2 1 1 1 1 1 1 1 Com isto, foi possível validar os indicadores de adicionalidade comportamental encontrados no estudo da literatura existente, e que são fruto da participação das empresas em programas de incentivo público à inovação e I&D. A tabela seguinte reflete a verificação dos indicadores, que são comuns à revisão de literatura e às entrevistas, permitindo simultaneamente identificar alguns indicadores que foram
59 referidos em contexto de entrevista, mas que não foram identificados ao longo da revisão de literatura. Os indicadores que são comuns à revisão de literatura e às entrevistas encontramse sublinhados em ambas as tabelas (tabela 10 e 11), para que sejam facilmente identificados. Tabela 11Validação de indicadores de adicionalidade comportamental Indicadores de adicionalidade comportamental na literatura Autor Verificação Melhorias/mudanças na gestão de inovação (Autio et.al., 2008); (Davenport et.al., 1998) Verificado Colaboração no projeto com entidades externas (Clarysse et.al., 2009); (Falk, 2007); (Bergman et.al., 2010); (Chavez et.al., 2011) Verificado Reforço do capital humano e intelectual nas empresas (Bergman et.al., 2010); (Clarysse et.al., 2009); (Chavez, 2011) Verificado Aumento da formação (Clarysse et.al., 2009); (Chavez et.al., 2011); (Bergman et.al., 2010) Verificado Acelaração na execução de projetos (Neicu et.al., 2016) Não verificado Aumento de capacidades de aprendizagem (Autio et.al., 2008); (Clarysse et.al., 2009); Verificado Melhorias nos processos internos (Chavez et.al., 2011); Verificado Aumento do conhecimento técnico (Clarysse et.al., 2009); Verificado Alterações na estratégia operacional das empresas (Davenport et.al., 1998) Verificado Melhorias no planeamento (Davenport et.al., 1998) Verificado Aumento do uso eficiente dos recursos (Davenport et.al., 1998) Não verificado Dos indicadores identificados é de realçar que os que foram validados entre a literatura e as entrevistas, como sendo figurantes comuns em ambas, são os que surgem mais vezes mencionados na contabilização do que foram as respostas das empresas. Isto é, os indicadores mencionados por três ou mais empresas, quase todos eles já compareciam discriminados na revisão de literatura, o que contribui bastante para a sua validação. São esses indicadores os seguintes: a) Melhorias nos processos internos; b) Aumento do conhecimento técnico; c) Aumento de capacidades de aprendizagem;
60 d) Aumento da formação. Ainda assim, existem dois indicadores mencionados por três empresas, a saber o aumento da proatividade em atividades de I&D e inovação e a candidatura a mais projetos de inovação e I&D, ainda não descritos na literatura, mas que têm um peso relativo no testemunho das entrevistas. O contrário também se observou, ou seja, dois indicadores presentes na revisão de literatura, o aumento do uso eficiente dos recursos e a acelaração na execução de projetos, que não foram mencionados pelas empresas como efeitos de adicionalidade comportamental da participação no projeto. Posto isto, é possível afirmar que o efeito de causalidade do programa NORTE 2020 é positivo em relação aos efeitos de adicionalidade comportamental nas empresas. 4.5 Adicionalidade nos resultados Na tabela 12 estão representados os dados referentes à Q9 (questão 9): "O projeto permitiu introduzir no mercado um produto ou processo inovador? Em quanto espera aumentar as vendas em termos percentuais?", com o objetivo de identificar os impactos nos resultados em termos de inovação e nos resultados económicos. Tabela 12 – Efeitos de Adicionalidade nos Resultados Empresa Resultados em inovação Resultados Económicos A Introdução de processos inovadores. Previsão de aumento das vendas e da liquidez financeira. B Introdução de processos inovadores. Preferência em não responder. C Introdução de novo produto. Precoce a reflexão nos resultados. D Introdução de processos inovadores. Sem melhoria. E Introdução de processos inovadores. Previsão de aumento das vendas e da liquidez financeira. F Melhoria de processo. Precoce a reflexão nos resultados. G Introdução de novo serviço e produto. Aumento do volume de vendas e da faturação.
61 Empresa Resultados em inovação Resultados Económicos H Melhoria de processo. Precoce a reflexão nos resultados. Quanto à leitura da Tabela 8 é possível identificar-se que a grande maioria das empresas, através do projeto, conseguiu implementar um processo ou um produto inovador no mercado, apenas com a excepção das empresas F e H, que conseguiram uma melhoria nos seus processos e não uma inovação. Isto revela que o programa é frutífero em termos de resultados na inovação. No que diz respeito aos resultados económicos, estes revelaram ser algo inconclusívo, uma vez que as respostas quanto ao assunto foram bastante vagas. As empresas A, C, E, F e H relatam não terem ainda noção do impacto real do projeto nos seus resultados económicos. Entre estas, as empresas, a A e E, que introduziram processos inovadores, no mercado, garantem que " (…) conseguimos ser mais rápidos a satisfazer as necessidades dos clientes e ao mesmo tempo aumentar a qualidade dos nossos produtos", e que "(…) houve clientes que deslocaram o negócio para a nossa empresa, porque confiaram que estava melhor preparada para ser o seu fornecedor", o que lhes permite especular um aumento nas vendas e na liquidez financeira das empresas. No caso da empresa H, esta justifica a falta da noção real do impacto nos resultados económicos com o facto de ainda ser precoce a reflexão dos benefícios do projeto nos resultados económicos. Quanto às empresas D e G, conseguiram efetuar uma análise ao impacto do projeto nos resultados económicos, mas as conclusões de ambas as empresas são díspares. Enquanto que a empresa D não verificou qualquer melhoria nos resultados económicos, o mesmo não acontece na G, que relatou uma aumento nas vendas e na liquidez financeira da empresa, fruto de "(…) se tratar de um novo serviço e novos produtos que até à altura não conseguiamos prestar(…), aumentamos a nossa carteira de clientes, que por sua vez aumentou o volume de vendas. Esta integração no processo produtivo trouxe valor acrescentado aos produtos e ao serviço da empresa, que por sua vez aumentou a faturação.". A empresa B, à parte das restantes, preferiu não comentar o impacto do projeto nos resultados. Com o intuito de quantificar as respostas das empresas à questão nove, elaborou-se a Tabela 13, que permite de uma forma mais intuitiva identificar quais os principais resultados
62 económicos e em termos de inovação, fruto das empresas terem beneficiado do programa NORTE 2020. Tabela 13 - Quantificação das respostas por categorias da adicionalidade nos resultados Efeitos de adicionalidade nos resultados Resultados em inovação N Inovação de processo. 5 Inovação de produto ou serviço. 1 Melhoria de processo ou produto. 2 Resultados económicos N Melhoria verificada. 1 Previsão de melhoria. 2 Precoce a refexão. 3 Melhoria não verificada. 1 Sem resposta. 1 Para finalizar, através da tabela 13 observa-se que a maioria das empresas não tem ainda uma perspetiva dos impactos reais nos resultados económicos, dado que três empresas respondem que ainda é precoce tirarem conclusões sobre os efeitos do programa nos resultados e, ao mesmo tempo, outras duas empresas apenas têm uma previsão de melhoria. Sendo assim, não se verifica um efeito de causalidade positiva do programa nos resultados económicos das empresas., nem um efeito de adicionalidade neste tipo de resultados. No entanto, verifica-se claramente adicionalidade nos resultados em termos de implementação de inovação, uma vez que grande parte da amostra (seis empresas) conseguiu alcançar, como resultado do projeto, um produto ou um processo inovador no mercado. 4.6 Recomendações de melhoria Com o intuito de identificar possíveis melhorias nas políticas governamentais de incentivo à inovação e I&D, considerou-se pertinente questionar as empresas sobre eventuais progressos na intervenção do governo quanto a esta temática. Para tal, usou-se a Q10 (questão 10) "Melhoraria alguma coisa em termos das políticas governamentais de incentivo público à
69 os impactos e os efeitos que estes projetos de inovação podem ter no quadro humano das empresas, e vice-versa (Camerer & Malmendier, 2007). Aqui também os gestores desempenham um papel fundamental, uma vez que, se a tendência é verificar-se um acréscimo da valorização da adicionalidade comportamental na formulação das políticas públicas de incentivo à inovação nas empresas, estes deverão manter-se atualizados quanto aos avanços teóricos que compravam a importância da variável comportamental, como um dos efeitos relevantes e positivos na alavancagem da inovação do tecido empresarial (Davenport et.al., 1998). No que concerne às implicações teóricas, esta investigação acresce valor, na medida em que o tópico em análise ainda é pouco explorado a nível nacional, como já tinha sido mencionado anteriormente. Além disso, em termos conceptuais, vem acrescentar valor ao atual conhecimento, dado que confirma indicadores já existentes na literatura e são propostos alguns indicadores novos que ainda não se tinham verificado. Outro aspecto adicional interessante está relacionado com a utilização do método QCA, uma vez que ao longo da revisão de literatura não foi descoberto nenhum estudo que o utilizasse na análise da adicionalidade e no impacto dos projetos cofinanciados no desempenho das empresas. Como sugestão para as instituições académicas, considera-se relevante a introdução do estudo e análise do impacto que as variáveis comportamentais têm no seio empresarial, em específico aquando da participação em projetos de inovação. Esta sugestão passaria por introduzir este tópico em unidades curriculares relacionadas com o tecido empresarial, assim como em cadeiras que abordam as políticas europeias e políticas de inovação. 5.3 Limitações e sugestões para futuras de investigação Ao longo da investigação sentiram-se algumas limitações, principalmente na participação e abertura das empresas nas entrevistas, o que resultou num número reduzido de casos de estudo. Algumas das razões apontadas para não participarem nesta investigação foram a preferência em manter o sigilo, a falta de recursos humanos ou a falta de disponibilidade para a realização da entrevista. Ainda assim, surge desta limitação uma oportunidade para que em investigações futuras seja realizado um inquérito mais representativo da população, em
70 termos do número de empresas abrangidas. Posto isto, seria possível avaliar, mais aprofundadamente, os efeitos de adicionalidade, através de uma perspetiva metodológica de natureza quantitativa e beneficiando do rigor estatístico para o tratamento dos dados. Relativamente ao estudo bibliográfico, também se enfrentaram algumas dificuldades no processo. A carência de literatura associada à adicionalidade comportamental no tecido empresarial português, assim como artigos científicos na língua portuguesa, demonstraram ser um entrave ao desenvolvimento do contexto pretendido. Justifica-se esta limitação pelo facto do tema da adicionalidade comportamental ser ainda pouco explorado no universo académico. Ainda assim, também este entrave gerou uma oportunidade de alavancar o tópico em análise, tanto por acrescer relevância ao desenvolvimento de futuras investigações a nível nacional, como por iniciar uma investigação, que posteriormente pode ser a base para estudos futuros. No final da dissertação, resta evidenciar a pertinência que este estudo pode ter, tanto no contexto empresarial, como no contexto académico, especificamente em Portugal, uma vez que é um tema pouco explorado na literatura empírica. Numa fase final do capítulo dos resultados, foi efetuada uma análise às sugestões de melhoria das políticas governamentais de incentivo à inovação nas empresas nacionais. Desta análise, observou-se que surgem sugestões de melhorias em comum, sendo estas o desenvolvimento das capacidades técnicas e de gestão das empresas, o aumento dos incentivos à cooperação entre empresas e as restantes entidades externas e o aumento dos fundos estruturais orientados para o incentivo da inovação. Além das sugestões em conformidade, outras foram mencionadas nas entrevistas, sendo que as sugestões mais vezes apontadas foram: a melhoria nos métodos e sistemas de partilha de informação relativa a programas de incentivo, a diminuição de burocracia e o aumento do acompanhamento ao longo do projeto. Assim, foi possível concluir que existe espaço para melhorias no programa e nos intrumentos usados pelos formuladores de políticas de incentivo à inovação, dado que praticamente a totalidade das empresas entrevistadas apontaram dificuldades.
71 No final da dissertação, resta evidenciar a pertinência que este estudo pode ter, tanto no contexto empresarial, como no contexto académico, especificamente em Portugal, uma vez que é um tema pouco explorado na literatura empírica.
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76 ANEXOS Anexo I Guião das entrevistas Bom dia. Queria desde já, agradecer pela participação e disponibilidade demonstrada. O objetivo central desta entrevista é perceber quais são os efeitos do projeto no comportamento da empresa, resultantes da experiência/aprendizagem obtida com o financiamento público à inovação. Nome: Cargo: Relação com o projeto: Data: Duração da entrevista: 1. A empresa tem atividades de investigação e desenvolvimento (I&D) de forma contínua ou ocasional? 2. Foi o primeiro projeto de financiamento público a que a empresa se candidatou? E obtido? Se não, a quantos projetos de financiamento público já se candidatou? 3. Existiu colaboração com parceiros neste projeto (sejam estas colaborações com empresas ou instituições/universidades/institutos)? 4. Caso a empresa não tivesse beneficiado do incentivo público à inovação, o projeto teria sido desenvolvido? Se sim, em que condições? Se não porquê? 5. O projeto contribuiu para desenvolvimento de novas competências ligadas à inovação e/ou recursos humanos? Pode dar exemplos? 6. A empresa passou a valorizar mais o desenvolvimento de atividades relacionadas com I&D e inovação?
77 7. O projeto contribuiu para a melhoria das capacidades de gestão da inovação? Pode dar exemplos? 8. Quais os principais impactos que resultaram da colaboração na atividade de I&D? 9. O projeto permitiu introduzir no mercado um produto ou processo inovador? Em quanto espera aumentar as vendas em termos percentuais? 10. Melhoraria alguma coisa em termos das políticas governamentais de incentivo público à inovação, em Portugal?