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Serman nas honras do excellentissimo senhor Dom Miguel Luis de Menezes, Conde de Valadares, ...

Valladares, Manoel

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SERMAM ñas honras DO EXCELLENTISSIMO SENHOR / DOM MIGUEL LUISÍ de menezes, Conde de Valadares,Comendador de Sana Juliam de Montenegro , de Samjoam da Gaftanheyra, & da Cómendada Granja.* _ gUÉ LHE FES O R.EVERENDISSIMO cabido da s. see de Leyria em oito de Mar$o de 1714. P REGOU-O OM.R.P.Frei MANOEL DE VALADARES Monge de S.Bernardo.Dom Abbade Reytor que foy do Collcgio de Nofla Senhora da Conceicam de Alcoba^a, & Confeílor aftual do Mofteyrode S. Bento de Evora: OFFERECFDO A SEU F1LH0 O ILLUSTRISSIMO SENHOR D. ALVARO DE ABRANCHES BifpodeLeyna.do Cónfelho de Elhdode Sua Magertatade, 6c feu Regedor das Juíti^as, & agora nomeado Arcebiípo de Evora. evora, Na ImpreíTaódaUniveríidade Com todas as licen^as necesarias no Annode 17 tí. aw.üP ,,, „ .I» .ITJL _• 2 v, j* «. w.J. U • : V •:: >K a..,. ■ :•{€.: O.. ' '. ; i :> >0 jy-. YQr r) V, 1 ' - ! i úí * ■ *\ ■ r . ' i -s. r >* • • VO v ' ' ’ •: ■ - ;; .> i-a o< ' ■ v> oUw.t: . v ::: :v o ^iT.i jfc VI b w:k> nb -V..J. r. - iv,., ■ w ■ : . •;'/ :íc •. _V :u.fi !v0rVvVddi. í‘:í:C, .1/,':" . i . • . ’ . íüí,' í.-.jnóO ¿i> ;r.crí:. ..¿‘'IfteV 1 ! ■■ •-• o dV . t>- ^ ■ 'i' ' - V-vLjikV*> .v .< V s_< •- ¿i ‘O j|j - ; i/. .. : K.:.\ . V . v novíÁMíi;* ‘iaoi ¡ . :W v - ■ V : - * t:.S c v '/.; ■ ) w - ; :*> - b. ' : ; ■ > fl • • • ' -Vi ::]' ■ < * ' • ' ”'p—- --—-* ■ V -#. O V . - ", .. ‘ ■ X ^ ;; : y¿ rm j ’ v»; W - DEDICATORIA ILLUSTRISSIMO SENHOR. T Arde chego aospés deVofla Illuftriflíma, pera pomas fuas maós eílas memorias do Excellentiílimo Senhor Dom Miguel Luis de Menezes Conde de Valadares, digniílimo Pay de Voíla Illuítriílima. Sam memorias, & tambem fam retrato: co¬ mo memorias noseítam reprezentando ao Excel len ti (Ti¬ mo Senhor Conde vivo* que ñas fuas acgoés heroicas fe eternizam os homens, porque ñas fuas memorias renacem pera fer eternos. Morrem todos os homens pera a vida, porque fam xñoxtús.St atutíim efl hominibusfemelmori-, mas Heb. vivem pera a eternidade, os que fam homcnsj aflirn como *- na mor te acaba ocorpo, & fíca a alma pera fer eterna: af- X * ' íim tambem pera afamao mefmo homem, quemorre, fe he homem,fica eternizadona honra, porque he a honra almadafama:poreílarezam aquelle Principe do Orien¬ te dille, que havia de morrer, & que havia de eternizar os feus días, porque oqueperdeíTe como mortal na vida, havia de rcítaurar como eterno na fama: In nidulomo Tob monar , &¡icut 'L hoenix multiplicaba dies rneos . 29. >. Sam retrato, porque nellas fe eítam vendo nao fó as l 8 - Excellenciasdo 1 ay, mas tambem as altas prendas,& vir¬ tudes dos hihos. Como memorias nos propoem ao Excellentiíhmo Senhor Conde pera a fama* como retrato nos propoem a Voífa Illuítriílima pera o exemplo. E aondeíe haviam de collocar eítas memorias de hum Pay A 2. ta.cn tam efclarecido, fenaó ñas maós de hum filho, que em tudo he huma viva cilampa das virtudes, & perfei$oés de feu Pay? Topera que fe viílecom admira^am, que ella acopia comforme com o original. Eílas mefmas rezoens, Illuílriílimo Senhor, me deram confianza pera oíferecera VoíTa Illuílriílima eíle Sermaó (limitado pella obra, excellente pella materia) q preguei ñas exequias, q o ReverendiíTimo Cabido da See de Leyria fez, quando Deosfoy férvido levar pera fi ao Excellentiflimo Senhor Pay de VoíTa IlluílriíTima. Nao o fui logo levar a Lisboa(aonde VoíTa HluítrifTima eílava exercitando a occupa$am de Regedordas Juíli$as do Reyno com tam admiravelre£tidam, que ficará íervindo de regra, Se exemplo pera todos os que lhe foccederem neífa graviflima occupa^am ) porque a obediencia me mandou logo afíiílir aeíle moíleyro de Sam Bentoda Cidade de Evora, da qual tem Sua Mageílade, que Déos guarde, nomeado a VoíTa Uiuftriífima peradignifiimo Arcebifpo. Ditoza Diecezieom tam íingular Prelado? Leyria cho¬ rará eternamente eílaperdapellos olhos de todos os feus moradores, porque em VoíTa IlluílriíTima tinham todos o feu remedio; os pobres Pay, os ignorantes Meílre,os affii- . ¿tosconfolagam,os virtuozos exemplo, & todos quem os honraíTe. Finalmente era VoíTa IlluílriíTima pera todas as í'uas ovelhás, o que foy Sam Paulo pera todos os feus difeipulos,tudo pera todos; Omnia ómnibusfaftiis film. So Leyx . C o¬ ria era pequeña esfera pera hum fol de tantas luzes,p era rinth. hum Prelado de tantos merecimientos. AquelleSenho r i n - ir. 22. finito, que adornou a VoíTa Illuílriílima de tantas, ct tam raras virtudes,lhe dará o premio de tam fíngulares merecimentos: &VoíTa Illuílriflima me de amim perdam de tam arrojada confianga. Déos cmarde por felices annos a peíToa de VoíTa Illuítriííima. & ^ VoíTa Illuílriílima Capellam, Se Orador frej Manoel de ¡Saladares. REVERENDISSIMO SENHpR DOM ABBADE Geral Efmoler Mor. P O r mandado de Voíla Reverendifilma vieílc Sermaó,que pregou o Muito Reverendo Padre Frey Manoelde Valadares ñas Exequias,que o Reverendiífimo Cabido de Leyria fez ao Excellentifi fimo Senhor Dom Miguel Luis de Menezes Conde de Valadares* &: fendo fúnebre o aíTumpto, foia leiturado Sermaó pera mim de muito goílo. Em Leyria patria fuá o pregou o feu author, acompanhandoa fiel em taó generoza demonfira^aó de fentimento,& juílo obzequio, comque obrigada a hum filIio,quiz ñas honras dopay fazer publico o feu agradecimento: venturoza térra có hum Prelado,que ailim a obriga! Difcreta Cidade, que aílim; fabecorrefponderá grandeza de hum Principe! Sejatambem abono da fuá dita o crear hum filho, que a fervifle emhum tal empenho-, Scconfirmefe difcreta emo eleger pera pregador de taó excellentes honras. Tudoiílofao julios títulos pera que eílaora$aó fe deva dar ao prelo. Eíleheo meu parecer. Alcoba$a8.deSetembrode 1716. O T)outor Fr. Manoelda Rocha. D A m o s licengaao Padre Frey Manoel de Valada¬ res, pera poderimprimir elle Sermaó. Pederneira 1 y. de Setembro de 1716. F)om Abbade Geral Efmoler Mor. Do Do Sanólo Officio. O Padre Doutor Theodoziode Sandia Marta Qualifícador do Sandio Officio veja o Sermaó de Ex¬ equias, de que trata efta peti$aó , & imforme com feu parecer. Lisboa 27, deOutubro de 1716. Hajfie. Monteiro. Rocha. Fr. Rodrigo Lene afir e. Guerreyro * EMIN ENTISSIMO SENHOR. L I por mandado de VoíTa Eminencia a Oragaó fúne¬ bre, que recitou o Milito R. P. Fr. Manoel de Vali¬ dares monge de S. Bernardo ñas'honras do Excellentiílimo Conde de Valadares Dom Miguel Luis de Menezes celebradasem a See de Leyria, 6t nao encótrei nella couza oppoíta a 110 fia Sandia Fe,ou bous coílumes.V.Eminencia mandará o que for férvido. Sandio Eloy de Lisboa 30. de Outubro de 17 1 6 . Theodozio de Sanida Mari ha. O Padre Meftre Fr. Antonio de Almeyda Qualifícador do Sandio Officio veja o Sermaó,de q faz men- §aó efia peticaó, 8c informe com feu parecer.Lisboa 2p- c Outubro de 1716. Hajfie. Ribeiro . Rocha. Fr. Rodrigo Lene adre. Guerreyro . «olio* fo* « oigo*«of EMINENTISIMO SENHOR. V I com attengaó,& vagar elle Sermaó, qnas honras funeraesdoExcellentiílImo Senhor Dom Miguel Luis . Luís de Menezes, Conde de Valadares, pregbuoM.R. P.Fr.Manoelde Valadares, &naóachei nelle couza alguma contra nofla San&a Fe, ou bons coílnmesj achei fim mui grande erudi$aó, & muita íabedoria, porq a fraze nao ío he igual,mas excelente,a formalidade muita ja clareza ra¬ ra» & íobre tudo o engenho delicadiílimo, porque a for$a de engenho foi feito elle Sermaó. Uto me parece, V. Emi¬ nencia mandará o que for férvido. S. Domingos de Lis¬ boa. 7. de Novembro de de 1716. Fr. Antonio de Almeyda. V I f tas as ínforma^oés,pódele imprimir o Sermaó das Exequias do Conde de Valadares, de que trata ella peticaój& impreíTo tomará pera fe conferir, & darlicen$a que corra, & ícmella naó correrá.Lisboa. 6. de Novembro de 1716. Hajj'e. Monteiro. Ribeyro. Rocha. Fr. Rodrigo Lencajire. Guerreyro. Do Ordinario. P O de imprimirle o Sermaó,de que trata ella petigaój &depoisde impreíTo tornará pera fe dar licen^a que torra, & fem ella naó correrá. Lisboa 10. de Novembro de 1716. B. de Tagajte. Do Pa£o. O PadreFi'.Manoel Guilherme R ligiozo da Ordem de S. Domingos veja o Sermaó,de que ella p .ticam faz mengaó, & com ofeu parecer o remetta aefta Meza. Lisboa 12.de Novenibcode 171 6 . Cofia. . Botelho. Olivcyra. Quedes. SENHOR. M A n dameV. MageftadeveroSermaó,que prégou o Reverendo Padre Medre Frey Manoel de Va- Iadares ñas Exequias do Conde de Valadares Dom.Miguel Luisde Menezes:& no Sermaó nao achey couza con¬ tra o Real fervigo de V. Mageftade: antes^o conlidero muito conducente ao rneírno Real fer vigo¿ porque diferetamente intima o illuftre daquelb grande Caza, nao pe¬ queño efplendordefta Monarquía j & catholicamente in¬ tima documentos a toda a grandeza terrena , pera que cuydem nocaduco di fuá grandeza. V. Mageftade man¬ dará o que for férvido, S. Domingos em 1 2 . de Novembro de 1716. Fr. Manoel Guilherme . c.£6 'O o Q ^LPpfta imprimirle viftas as licengas do Santfo Oíhcio 5 c Ordinario, & depoisde imprefto torna? v Meza.pera íe conferir, & taxar, & fc 1 ^ correrá. Lisboa 14, de Novembro de x 71 6 . Cofia. Oliveyra. IsToronha. Guedes. Mortuus 5 > Mortuus eji Pater ejus, cf quafi non efl mortuus: Jimilem enlm reliquit fibi pojife. Eccleíiaíli. 30. #.4. § ■ 1. EjJ Uemal podeoen- $ tendimento dos ¿4 homens acertar CQrn QS ¿jfcurfos em hura fentimento grande? (ReverendiíFimo Cabido: bem me parecía amim, que nao havia Vofla Sensoria de faltar em a cópanharcom eílas demonftragoens piedozasojuíliílimofentimen- to do noíTo Uluftriflimo Pre¬ lado na morte de feu Excellentiíllmo Pay: Mortuus e(t paterejus) Q u e mal pode,dizia cu, o entendí mentó dos homens acertar com csdifcurfos em hum fentimento grande! Pode acertar pera fentir, mas naó pera difcorrer: porque magoadoo entendimento coma dor perde o tino pera explicar o q fentej que quem nao perdeo o tino quando quis dizer o que Tente, naó arinou com o fentimento. Mandoume hoje VoíTa Senhoria pregar as honras de hum hornera grande, de humVaram illuftre,dehum Principe efclarecido: &qué naó ha de fentir muito ha ve¬ do de fallar na morte,quan¬ do he ameaco pera quem falla, o meímo, que foi gol¬ pe pera quera morre: Mihí Eccl herU tibí hodic? \ Quem naó hade fentir, vendo que quando os ho.r B mens tiílimo Senhor? Sabem qué? ^ leu nome* porque fo o íéu nome nos pode dizer bern todas as fuas grandezas. Quando SaJamam, depois da mor re de Jozué, quiz pregar asAngulares grande¬ zas daquelle homem tam grande, do íéu nome tirou toda a noticia das fuás gran¬ dezas, porque pella grande¬ za do íeu nome medio a G randeza das fuas obras: uit magnas fecunda nomen \fuum . lito mefmo, queSalamám diüé de Jozué, digo eu do Excelléndílímo Conde, Tam grande foi eíle excellcnte,que fo pello íeu nome íé podem faber rodas as fuas grandezas,- porque foram as idas grandezas como o íéu nome,& o íeu n ome como as fuas grandezas. Miguel foi, & hade fer íémpreonomedeíteiníigne Varam.Eíte nome baila pe¬ ra dizer tudoj altím como o nome de Jozué baítou pera dizer todas as fuas excelen¬ cias, a íTim rambem o nome do nodo Conde baila pera dizer todas as fuas grande¬ za^ pera que íe veja, que os homenstam grandes foem íi mefmostenr asfuasdeünigoés-,porqué fam os íéus nomes a medida das fuasgrandezas: Fuit magnasfecunda nomenfiium. Que querdizer Miguel? Refpondem os Sanétos Pa¬ dres,& Interpretes deíte ex¬ cedente nome, que Miguel quer dizer Principé grande na nobreza, na piedade cona os pobres,6c em todas as iría¬ is virtudes, & perfei^oens: Michael ‘Princeps magnas nobilitate.pietate^ caterisque ¿°” c donis. FoioSenhor Dó MideS. gtiél grade Principe pedo re-Mich. al fangue,donde procedía, Na5 fei eu, q aigum grande em Portugal poda dizer, que tem mais eíclarecídos aícendentés. Tambcm no íeu nome grande achamos ella íingularidade. Miguel ein outra interpreta^am quer dizer: Ghtisjicut 'Deas? Ido mefmo, que o nome do Anjo Sam Miguel edá dizendo de Déos, diz o no¬ me do nodo Conde de il mefmo: quem he tam gran¬ de em Portugal , tam illudre 3 tam excedente como o noífo ñafio Conde > ®uis> ut Michad? Era Neto,pella parte ma- Co ¡! 0 " terna do Senhor Dom Mi- Por- guel de Menezes, 6. Martug. quez de Villa Real * & fegutOI f ol do Duque de Gaminha, & 2 ' 9I / ‘ pella parte paterna, era pa- & rete muito chegado da mef- ¿ l 7 - macaza,porfer filho do Se¬ nhor Dom Carlos de Noronha, que era Primo em terceyro grao do mcfmo Du¬ que: de forte que por huma, ¿ outra parte defeendia da Excellentiflima.caza de Vil¬ la Real, tam efclarecida, que finco Reys leus Avos fe contam nella em gráos muito conhecidos *, Dom Henrique fegundo Rey de Caftella,&: Dom Fernando Rey de Portugal, que am¬ bos foram Bisados pella parte paterna de Dom Pe¬ dro de Menezes primeyro Márquez de Villa Real: 6c pella parte materna por fer filho da Senhora Dona Brittes.de Menezes, que tam-, bem defeendia de dous Re¬ ys Dom Sancho primeyro de Portugal, & Dom San¬ cho Rey de Caítella, que tambem eram ambos feus A- vós em grao mais remoto. Comque o Excellentilfimo; Senhor Dompedro de Me¬ nezes primeyro Márquez de Villa Real defeendiapor linha direyta dos quatro Reys, que tenho dito, & era terceyro Avó do noífo Excellétifíimo Conde. Oquin- to Rey, que fe acha nefia efclarecida afcendencia, ha El-Rey Dom Joam primeyro de Portugal ; porque o Senhor Dom Pedro de Me¬ nezes, de que athe agora fallamos ,cazou com a Excellentifiima Senhora Donna Brittes de Bragan$a fi- Iha de Dom Fernando fe¬ gundo Duque de Braganga, & Bifneta de El-Rey Dom Joam primeyro de Portu¬ gal: do qual matrimonio naceo o fegundo Márquez de Villa Real Dom Fernando de Menezes j & defte naceramos Avós, & Bifavós do noílo Excelientiílimo Con-, de; comque fica o Exceden-' tiífimo Senhor Dom Mi¬ guel Luis de Menezes,íeptimo Neto de El-Rey Do n Henrique fegundo de Ca- C ílclla, i8 ílella, & de El-Rey Dom Fernando de Portugal, & íéxto Neto de El-Rey Dom Joam primeyro de Portu¬ gal; & Netoern gráo mais afaftadóde El-Rey Dom Sa¬ cho de Portugal,' & de El- Rey Dom Sancho de Caítella. E fe na afcendencia ddle excellente Enhor fe a - cham tantos Marquezes, tantos Duques, tantos In¬ fantes, 6c tantos Reys,quem pode duvidar, que era Prin¬ cipe illuftre, Principe efclarccido,. & Principé grande? V indo a dizer o feu nomo a fuá mefma grádeza \ Michael, idejl , c Prmcep magnus ; porque a fuá grandeza fó pello feu nome íé podia me¬ dir : Fnit magnus fecundum k ornenfiiíitn . Quemáis quer dizer Miguel ? Quer .dizer grande na pjedade '^Princeps magnus petate. Tam excellen&foi neítavirtudeoScnhorDom Miguel, que acodia con, os favores, &c com as efmollas aos neceííitacios comtanto amor, & piedade , que an¬ tes quelhe pediífem os fa¬ vores, acodia com os reme¬ dios > antes qlie lhe reprezentaílem a neceííidade, acodia com a cfmolla. Oh Miguel verdadeyramentc Principe! Oh Principe verdadeyramente Miguel! Vio o Profeta Ezechiel aquelles quatro animáis fi¬ gurados ñas quatro rodas daquelle divino,&magefiozo carro, em que Déos fobia pera'a gloria^ mas nem por fe admirar de tantas maravilhas, & de tam foberana grandeza, deixou de reparar, que fendo aquel¬ las maravilhozas creaturas as rodas do Coche, em que Déos fobia pera o Cco, hu¬ ma dellas ficaílé comoefquecida na térra: Apparuit rota una fuper terram. Reparou o fagrado Profeta no meímo, queeu agora repa¬ ro. Se o Coche, em que Dé¬ os fobia,partió da térra com todas as quatro rodas, que igualmente o levavam : elevar entur animalia de terc ^ x _ 1 ra , clevabmtur fimid & ro¬ ta-, como diz o Profeta, que huma ficava na térra: Appanñt rota una fuper terram ? Que he iíto? Quebroufe o Coche Coche de Déos ? So tres ro¬ das o levantam? Mal pode¬ rla caminhar. Tres rodas vam fobindo, 8c fó huma fe deixou ficar na térra? Sim. Quem eram eftas quatro ro¬ das, ou eftes quatro animᬠis, que tudo era o mefmo? Diz o Padre Sylveyra, que eram os Principáis quatro Anjos do Ceo,aquem (abe¬ mos os nomes ca na cerra, Sam Miguel, Sam Rafael, Sarn Gabriel, 8c Sam Uriel. Equal deftas rodas era, a que ficavana térra? O mefmo texto em outra verfam o diz : Rota prima apparuit fuper terram : logo era Sam Miguel o Anjo, que ficava na térra: porque Sam Mi¬ guel eraaprimeyra roda daquelie divino carro: Trima rota Michacl. Mas nifto mefmo he o que reparo. Se os outros Anjos íobiam peraoCeoacompanhando ao mefmo Déos, porque nao fobetambem juntamente com elles Sam Miguel •, mas Sam Mi¬ guel fica na térra, quando os outros Anjos fobem pe¬ ra oCeo? Sim: vio o foberano Anjo , que eftavarn ameagando terriveis trabalhos, Se crueis guerras aoi homens nos exercitos de Nabuchodonozor , como vio o mefmo Profeta na fi¬ gura de huma terrivel tem¬ pe ftade : Ecce ventas tur- Ezs- binis veniebat ab Aqnilone. ^ r< E pera moftrar, que diziaó asfuas obras com o feu nome, que era Miguel, aínda que os outros Anjos fe auzentem pera o Ceo, en fó (diz o foberano Anjo ) heide ficar na térra, naó fo pe¬ ra remediar aos homens em tam rigorozos trabalhos, ¿c em tam terriveis neceífidades, como fe haóde ver, mas pera os remediar, antes que os trabalhos lhe cheguem, pera lhe acudir, an¬ tes que os homens me cham?m •, por eífa rezam eílou ja na térra: Apparuit Michdel fuper terram p o rque á fui neceífidade quero antepor o remedio. Ecce ventas tur - binis veniebat: Neftas obrigacoens pos o feu nome ao Anjo Sim Miguel-, 8c com efte mefmo nome tomoti o noíTo Cori- C 3 de, 29 de, toda a fuá vida ellas obriga^oens; acudindo aos necesitados primeyro, que lhepediíTern a cfmolla, Se com osdefpachos, primeyro, que lhe aprezentafícrn as petigoens, nao fo pera moílrar, que era Miguel em o nome, fenaó pera moftrar,que era <hum Anjo na térra \Mtchnel Trmceps ma¬ gnas pietate. Naó fallo ñas piedades, que uzou com os Cidadaos de Lisboa, quando governou a República no Illuílre fenado daquelia nobre Cidade, qtíe he fem duvida, que fendo Miguel Principe, Se Anjo, tudo havia de governar como hurn Anjo, tudo havia de fazer como hum Principe. Subamos a mayores pie¬ dades, pera vermos a elle efciarecido Principe em ma¬ yores venturas. A piedade definem os Padres, -huma virtude, com a qual honra¬ mos a Déos, Se o venera¬ mos, Se a fuá MaySanctif- . lima: T tetas eft virtus , qua c DeO' ) &. Matri ejus exhibe - , mus cultuM.Honrou o nodo Conde a Déos, porque co¬ mo verdadeyro catholico guardara os feus divinos preceytos-, aos pobres da va as fuas efmollas, aos trilles confolagoens, aos prezos procura va as fuas liberda* des, Se muitas vezes pellas fuas diligencias os livrava das prizoens, em que eflavam padecendo: finalmen¬ te a todos dava bons exemploscom feus yirtuozoscoítumes. Honrou a Maria .San£tiífima, porque toda a fuá vida foy, devotiifimo delta Soberana Senhora,defta Máy de mizericordia, deíte amparados peccadores, delta verdadeyra efperanga de todos,osquenavegam cite mar tam arrifeado do mundo : Se como foy tam obediente aos precey¬ tos do filho, Se tam devoto da Máy, o filho, como Senhonda mizericordia, o le¬ varía pera a fuá gloriaronde lhe cera dado os premios cíe feus merecimentos: Se María Soberana,parece que Q quis teccber noCeo com luminarias de refphndecentes tochas, porque na noite da. feíta das fuas candeas quis ar quis que efte íeu devoto partifle defta vida tempo¬ ral pera a vida eterna. Agora fim, Excellentiftimo Condes agora vos cern¬ adero eu grande-, grande foftes na térra pello, IIluftre do langue, & pello real da voíTa efclarecida afeendenc ja, pella dignidade ou ti¬ tulo, que tiveftes ; finalméte foftes grande no mundo por todas as grandezas da térra: mas como todas eftas grandezas lam fombras, 6c nao íam luzes fam reprezenta^oens, & nao fam glo¬ rias (porque tudo,quanto o .mundo tem , 6c tudo, quanto. da, he hum pouco de:fumo, &.huma vaidade, como ja agora rereis v.ifto, Eccl. Se o mais fabio Rey do mun- * do vos tinha emfmado:^?- nitas vanitatim , & omnia nanitas : ).Naó vos quero coníidcrar ja agora gran¬ de, íenaó pellas voílas vir¬ tudes, pellas voílas piedozas obras: eftas fim , eftas vofsfazemí,; & teram fcyto grande diante de Déos-, eré¬ is grande pera o mundo, mas muito pequeño pera o Ceo,porem depois que virtuozamente vos humilhaftesa querer parecer peque¬ ño pera o mundo, logo ficaftes muito grande pera o Geo: Quicumque humiliave - Math.7-a ritfe x ( Ícutpárvulas y hic ma- +• ior eflin regno calorum. Sobi, que odia da vcííu mortc vospromette, que haveis de fer grande no Reyno dos Ceos, aonde acharéis o vcrdadeyro premio dos voffos merecimentos: na térra, aínda que tiveftes muito grandes lugares , todos eraó pequeños, 6c apartados pera o que vos merecieis, porem no Ceo acharéis lu¬ gar igual aos yoftos mereT cimentos-, porque he p Ceo centro pera o-voflo. nome, 6 c pera o voftb dezejo,por ifíb em quanto viveftes na térra eftaveis violentado, como de vos, diñe hum gra¬ de affeicoado vofto: . í Tetra petit centrum : centrü Michaels O 'vmpus\ In tenis Michael <¿rgo. coa* Bus erat. Gora fim,que eftais ja dezenganado do mun- 2 2 mundo, Se das fuas repre¬ sentadas grandezas, na idadeja madura pera odezengano: agora fim , que os dilatados anuos vostinhaó emfinado a defprezar o ca¬ duco, fo pera amar o eter¬ no: agora íim,que vieiscó os olhos do entendimentó o que cofiuma ver a mocidade com osolhos daigno-- randa: agora fim, queja o alto conhecmiento do que he o mundo vos tinha fey- to meter debaxo dos pes t( ?das as fuas grandezas. Sohi, Exceilentiífimo Conde, *j ü e o Ceo vos efta tecendo huma refplandecente coroa de eftrellas pera coroar o voftb defprezo de fodas asgrandezas, Se gh> rías do mundo; porq quem do mundo por amor de eos fabe defprezar as grandezas, o Cso Ihe coroa acabega cora as fuas luzes. Aquella molher, q ue vio Q Evangehfta amado no f eu Apocalypíe,que eftava no Ceo, nao fo traja va de lu¬ zes, como diz o Sagrado Chroíiifta, mas tambem ella va coroada, de refplandores, porque o Ceo lhc tinha pofto na cabera huma coroa de eftrellas: In Apoc capite ejus corona ftellarum duodecim. Eu nao reparo ñas gallas,comque efta mo- Iher fe adornava: mais alto fobe o meu penfamento: porque reparo ñas eftrellas, que 1 he coroa vam a cabe» ^a. Que maravillas tinha feyto efta exceliente creatura,pera que o Ceo fe difvelafle cuidadozo em Ihe tecer huma coroa tamluzida? Ora noüem, o que efta *niblher tinha debaixo dos pes, Se logo entenderán! porque tem a cabega coro¬ ada com tanto luzimento. Efta molher no featidontyftico ftgnificava a alma de qualquer jufto, como diz Hugo, Se Ruperto: o que ^ ' tinha debaixo dos pes, e-.j^ 01 ram todas as honras, Se grandezas do mundo , co¬ mo diz o Intcrlinialj Luna, ideft,omnia terrena, &glori<e ?mndt. País alma, que foube defprezar as colizas do mando, Se meter debai- *° dos pes todas as íiias grandezas, todas as íuas glo- *3 glorias, & todasas fuas hon¬ ras, nao ío a háó de ver os homens no Ceo : Signum magnum apparuit m Calo , vellida de refplandecentes luzes : Ami El a Jóle. : mas tambcm lhe haó de .ver hu¬ ma galharda coroa de estrel¬ las na cabeca : Et m capite ejus coronajtellanm. Mas nem por ferem tan¬ tas as glorias ,comque confidero ao noíTo Conde no Ceo, nem por ferem tantos os annos, que efteve com os homens na térra, pode¬ mos deixar de chorar a fuá morte. Flet Leyria Virum , cujas de flirpe decorem Induit , ut c Domino grata Jit ipfafuo, A S f imcantava difcrctamente o noíTo fentimento o mefmo engenho, que fica citado. Sintamos a morte defte Principe, que fempre fe Tente mais, quando fe perde, o que fe poffue mais, quando fe logra. Morreo Sara,& morreo RacheU a primeyra, efpoza de Abraham, a fegunda, efpo¬ za de Jacob, ambas,efclarccidas pello illuftre de íuas afcendencias, ambas excel¬ entes pellas íuas formozuras, & ambas Singularmen¬ te queridas pellas fuas pcrfei^óe^s v mas he muito pe¬ ra reparar,que fendo em til¬ do tam iguais pera a eStima$aó, nao foram iguais pera o íentim.ento* porque Abraham chorou com prantos, Se pranteou com conti¬ nuos choros a morte da formoza Sara: Morttta ejlJa-Gen, ra , & venit Abraham ut plangcret , &fleret eam: Se 7 »' nao fe contentando fó com as fuas lagrimas,bufeou qué lhe fizeífe companhia no feu pranto, & quem lhe ajudaíle a chorar a fuá pena: Vocans alijaos , qui plange - rejeirent: a ccrefcentao Abuleníe : porem na morte de Rachel, nem vemos eíles fentimentos, nem aefeobrimos ellas lagrimas, ío diz o Sagrado texto, que Rachel morrera, & que Jacob a me¬ terá na fepultura: MortuaGen. ejl Rachel y & Jepulta Pois fe ambas eram iguais nosmerecimentos, fe Jacob ama- 2%r amaVa’ cSrñ ‘ tantos extre¬ mos' a formoziílinia Rachcí, como Abfá'ham amava a formoziílima Sara; co¬ mo nao forana íguais osprantosi & ós fenti«lentos, que íe dzeram por ambas?* Como chora, Se Tente mili¬ to Abraham a morte de .Sa¬ ra, 5c Jacob nao diz o texto, que chorara, nem férttira a mort^ de Rachel? Hora notcm. Abraham efteve de poiTe da formozura de Sa¬ ra por dilatados annosj por¬ que Sara viveo cento, Se vinté , Se íete: Jacob e(le¬ ve muito poiico tempo de pode da formozura ae Ra¬ chel, porque Rachel mor¬ reo logo na primavera dos anuos j & peraque fe vide, que fempre fe chora com mais fentimento apeldado bem, que fe logra mais tem¬ po, doque a perda do bem, que por menos tempo fe lo¬ gra : nao falla o texto no pranto, que fes Jacob por fuacfpoza Rachel, Se f o fal¬ la na fuá morte , Mortuaejh Rachel : mas falla ñas la¬ grimas, nos prantos,& fen-' timentos. de Abraham na perda de Safa: • Mortuá efl Sardy & venit Abraham üt plangeret , & fleret eam¡ vi - xit Sara centitm , & viginti feptem amis, & mortua efl y pera qué fe veja, que fem¬ pre fe Tente muito mais a perda do bem, que fe logra mais, do que a perda do bem, que íe lógramenos, Grandes prantos fe devem logo fazer pella perda, que cauzou eíla morte í grande fentimento deve moftrar eíte reyno , pois perdeo ao Excellentiiíimo Senhor Do Miguel, depoísj de o lograr tantos annos : meflafe o fentimento pella pode, & o pranto pella tyrannia da morte, que levou á’taiPay.* Moríuus eft pater ejus . 3 * M A s quando eu que¬ na-dar principio ao pranto mais fentido, & ao fentimento mais magoado na morte deíle,Excellentiífimo Conde, vejo , que as palavras do meu ithema eftam impedindo as lagri¬ mas, que nao corram. Se me me poem embargos ao fentimento pera que naóchore. Pois fe o mefmo chema nos propoem o motivo pe¬ ra o pranto na morte deíte Excedente, Mortuus efaz omo nos detem as lagrimas pera que nao corram? Sabem porque? Porque o mef¬ mo chema , que diz que morreo, cita tambena dizendo, que nao morreo: Mortuus eft *Tater ejus , & quafi non eft mortuus: ExceJ - jit e vivís Eater ejus^&adhuc vivit : Morreo o ExcellenciíTimo Senhor Dom Mi¬ guel , mas nao morreo: mor¬ reo, porque'fe apartou da vida: ExceJJitevivís : nao morreo, porque aínda eítá vivo: Adhnc vívit. Mas fe morreo, como vive ?f¿ eítá aínda vivo, como morreo? Quem morreo, ja nao eítá vivo, 8c quem vive, ainda nao eítá morco : como diz lbgo o texto que morrera, 8 c cambem diz que eítá vi¬ vo? O mefmo texto naspalavras, que tomei por thema, propoem, 8c rezolve a difiieuldade. Morreo, por¬ que fe apartou da vida: Mortuus eft, exccffit e vivís. Naó morreo: Non eft mor - tuus, adhnc vivit *, porque nosdeixou dous filhos tam efclarecidos, & excellentes, quefam huns vivos retratos de todas as excelencias, 8c perfei^oens de feu Pay: Sí¬ miles ¡ibi rdiquit poft fe. E quem deixou dous filhos tam excellentes, nao fo fe pode dizer, que depois da fuá morte, vive: mas tam¬ bé q renace pera fer eterno. Falla o Sanéto Job de fi mefmo, 8c diz humas palavras bem diíficulcozas de entender: In nidulo meo mo ■ r 0 ^ riar , &firut Thamix multi - í 9 . plicabo dies meos : Eu heid; l ^ - morrer, dizia Job, 8c na minha patria: In patria, me ¿z, accrefcétaTirino:mas morrendo, nao heide morrer, antes heide eternizar a mi* nha vida, como faz o Pheniz, q quando morre,renace fazencto das mefmas cinzas, que lhe ferviram de mortalhas, mantilhas pera o feu nacimento. Muito deram cm que cuidar eítas palavras do Santo'Job aos Pa¬ dres, 8c Expozitores fagra- D aos.