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Hirao, H; Faccio, N. B; Larive-López, E. 9 # "" A experiência de caminhar para identificar e reconhecer as pistas, os rastros e as ruínas do patrimônio industrial de Presidente Prudente potencializa ativações de ações educativas de preservação e provocou o movimento do pensamento e fazer arquitetônico dos alunos do quarto ano do curso de graduação em Arquitetura e Urbanismo e Geografia da UNESP de Presidente Prudente, dentro das atividades didáticas práticas das disciplinas ministradas de forma integrada, Técnicas Retrospectivas, ministrada pelo Professor Hélio Hirao e Patrimônio Cultural, lecionada pela professora Neide Barrocá Faccio e, complementado com as ações do Seminário Internacional Brasil/Sevilha-Reconhecimento da Paisagem da Produção, coordenado pelo professor Enrique Larive-López, em 2023. Essa prática realizada de forma coletiva, diferente da individual, possibilita compartilhar vivências anteriores e atuais, compor com as sensações e emoções apreendidas, reconhecer territórios funcionais e existenciais, encontrar com o outro e, distanciar das sensações de medo e insegurança, possibilitando o compartilhamento das fruições do “entre” corpos e ambiências atravessados de afetos¹ expressos em um plano de somatórias de apreensões e cognições possibilitando adentrar esse rizoma de relações vivenciado em sua multiplicidade, diversidade e heterogeneidade (Deleuze; Guattari, 2011). Dentro da experiência realizada produziram-se cartografias visuais, como expressões individuais e coletivas que atravessam as apreensões subjetivas dos corpos e suas ambiências singulares. Nesse sentido, se afasta dos meios representacionais supostamente objetivos e neutros para se aproximar de processos cognitivos inventivos e coletivos. Assim, o desafio é realizar essa experiência singular como uma narrativa coletiva composta com os efeitos de contágio e intervenção (Kastrup, 2023). Para além, da identificação das tessituras de relações objetivas, produtivas e funcionais fez-se o esforço de apreender das relações de resistências e aberrantes que escapam da narrativa abstrata e hegemônica, buscando descrever essas forças transversais que habitam o espaço experimentado). :*0>201-1114. :>701601600$D :*0$.9=*0 :>701601600$D
Hirao, H; Faccio, N. B; Larive-López, E. 10 A provocação estabelecida estimula outras perspectivas de Preservação do Patrimônio Urbano e Arquitetônico em contextos pós-industriais, com processos acelerados de abandono, modificação e ressignificação, provocadas por essa descontextualização e pelos interesses do mercado imobiliário, compondo com os múltiplos e heterogêneos modos de habitar a cidade ao realizar uma experimentação de caminhar coletivo nessas ambiências e seus habitantes singulares excluídos da lógica funcional e produtiva da cidade (Figura 2). Identificadas como áreas residuais da cidade, se aproximam com a ideia de terrain vague de Solà-Morales, (2002). Essa ambiência experimentada possui a permanência da tessitura de múltiplas camadas do tempo materializadas no espaço, onde as anteriores parecem prevalecer sobre as atuais e, estão habitadas com corpos que ainda preservam ressignificados, seus territórios históricos acumulados e por outras, que sem nenhum vínculo com as memórias anteriores, apenas circulam, sem nenhum vínculo com o lugar. São ambiências silenciosas que guardam expectativas e promessas de ocupação, que acolhem as resistências e as linhas desviantes e aberrantes a esse processo urbano. Ao escapar das determinações do plano estratégico da cidade, essas áreas imprecisas, improdutivas e aparentemente inseguras potencializam compor o valor funcional com o existencial instigando e provocando ações criativas desses habitantes excluídos nessa ambiência singular. O caminhar por entre essas ambiências patrimoniais aprendendo com os rastros, as pegadas, os corpos, os objetos, os agenciamentos, os territórios e as composições dos tempos heterogêneos materiais ou imateriais, expressam, desse modo, as coexistências e as simultaneidades desses diversos e singulares territórios, conflituosos e pacificados, em movimento constante de transformação. Os corpos que habitam esse espaço ressignificam essas memórias anteriores e visibilizam as relações subjetivas de afeto e sentimento de pertencimento com os seus territórios atuais, em um plano de composição potencializando com intensidade a valorização e a preservação do Patrimônio Industrial. $ O dia demasiado ensolarado, no período da tarde, de uma terça-feira, do mês de maio de 2023, não intimidou a experimentação do grupo de alunos e professores a praticarem o procedimento metodológico da deriva e cartografia, em um breve período de tempo, de duas horas, em uma área do patrimônio industrial de uma cidade de porte médio do interior paulista, Presidente Prudente, como laboratório para alimentar as discussões nesse campo do conhecimento. Dessa forma, de ônibus, deslocaram-se do Campus Universitário para as ruínas dos Antigos Galpões da SANBRA, de onde seguiu para a caminhada coletiva, se abrindo para encontro com os corpos e ambiências ao longo da linha férrea acompanhando o patrimônio industrial da cidade até a Estação Ferroviária e, no final, atravessou o centro histórico até a Catedral, local de volta de ônibus para o retorno ao Campus (Figura 3). :*0D11<01210( :>7*2 .-D A experimentação desenvolvida resulta de um processo acumulado de discussões e reflexões teóricas e práticas do grupo de pesquisa e extensão “Projeto, Arquitetura e Cidade” - Núcleo de Estudos em Patrimônio e Projeto da Universidade Estadual Paulista com conexões com o Projeto Memória Ferroviária e Red
Hirao, H; Faccio, N. B; Larive-López, E. 11 Iberoamericana de Investigación Laboratorio Americana de los Paisajes Históricos de la Producción (REDAPPLAB). Compõem como coexistências, as camadas de conteúdos teórico metodológicas desde as flanâncias de Charles Baudelaire e João do Rio, passando pelas deambulações dos dadaístas e surrealistas e das derivas dos letristas e situacionistas de Debord (1958), das Transurbâncias de Careri (2013), até a caminhografia urbana de Rocha e Santos (2023). Nesse método experimental e processual procura apreender realizando uma imersão com os movimentos das forças e afetos, criando situações lúdicas construtivas deixando conduzir-se pelos eventos, podendo encontrar o outro ao acaso, ao praticar o processo do caminhar indeterminado, nesse processo do perder para conhecer (Carreri; Chaparim; Caon, 2022). Dentro da experimentação espacial reconhece a partir do presente, as diversas camadas de memórias materializadas no espaço dos tempos acumulados, um presente que tem duração e espessura, agora com seus territórios ressignificados (Jacques; Pereira, 2018). Desse modo, nessa experiência espacial reconhece que os dissensos e os conflitos urbanos identificados e reconhecidos são legítimos e vitais para a composição da esfera pública, como dos espaços públicos, e essas tessituras entre corpo e ambiência, não planejadas e nem pacificadas apreendidas potencializam a construção de uma cidade menos espetacular, mas lúdica e experimental que intensifica e estimula o sentimento de pertencimento ao lugar valorizando o sistema não funcional e improdutivo. %& No início da prática deriva, o GPS do celular individual dos participantes foi ligado para registrar o trajeto realizado. O caderno de diário de bordo acompanhou durante todo o percurso realizado, anotando as impressões, as sensações, os diálogos, enfim os atravessamentos dos afetos apreendidos. As fotos tiradas pelo celular também auxiliam nesse processo que compõe a construção das cartográficas visuais do patrimônio industrial de Presidente Prudente. Ao traçar um plano de corte nessas dinâmicas de apreensão dos afetos, expressa um rizoma afetivo reconhecidos em sua multiplicidade, heterogeneidade e diversidade (Deleuze; Guattari, 2011) como potência para pensar e ativar a conservação e preservação desse patrimônio. Essa abordagem rizomática se abre para a compreensão da vida considerando a sua complexidade e processualidade, trata do “entre” corpos e ambiências, nessa tessitura de conexões múltiplas, heterogêneas e diversas, onde todos os pontos conectam-se, sem restrições hierárquicas ou central, potencializando linhas de fugas e resistências, abrindo o espaço para reconfigurações, além das determinações preexistentes, já dadas e estabilizadas. Esse pensamento se aproxima do mapa”, [...] voltado para uma experimentação ancorada no real”, aberto, desmontável, reversível, sujeito a modificações permanentes, sempre com múltiplas entradas, ao contrário do decalque, que “[...] volta sempre ‘ao mesmo’” (Deleuze; Guattari, 1996, p. 17-22). Nesse sentido, se utiliza da cartografia para expressar esse rizoma. :*0C$*-1101/ :>701601600$D
Hirao, H; Faccio, N. B; Larive-López, E. 12 Assim, as cartografias subjetivas do Patrimônio Industrial de Presidente Prudente foram construídas de dentro da deriva experimentada. O grupo formado pelos alunos Fernando Costa da Silva, José Leonardo Teixeira, Milena Vitoria Correia, Mariane Rodrigues Vilela e Natália Yoshimi Tonossu (Figura 4) expressam do plano de formas arquitetônicas para o do sensível, pela intensidade das cores as diversidades com coexistências e conflitos, as forças e afetos apreendidos em que a cor verde relata a sensação de tranquilidade dos espaços que tendem a resistir à espetacularização e que proporcionam permanecer no espaço com os afetospertencimentos, enquanto a cor vermelha, relata corpos em movimento, em diferentes intensidades, e que se vinculam a funcionalidade, do ir e vir sem conexão com o lugar. Do mesmo modo os verbos e qualificações espacializadas mostram a produção de vida reconhecida. Nas expressões cartográficas de Anni Elizabeth, Juliana Acássia, Lucas Corrêa, Matheus Moraes, Matheus Teixeira e Thamyres Lima (Figura 5), a clareza das sensações afetivas de pertencimento do espaço em meio a tranquilidade e lentidão dos corpos singulares dos espaços históricos de uma cidade existencial, em coexistência, ao lado, com os corpos imersos para atender as necessidades imediatas da funcionalidade, que privilegia a circulação das pessoas de forma objetiva para as relações produtivas da cidade. :*0$*-1101/ :>701601600$D Do mesmo modo, Bianca Polidoro Idalécio, Gabriela de Lima Andrade e Natalye Brenda Francisco (Figura 6) contam as diversidades de ambiências arquitetônicas, corpos e sensações encontradas, visibilizando as multiplicidades, heterogeneidades espaciais e diversidades dos corpos que a habitam e caracterizam a cidade de Presidente Prudente. :*0B$*-1101/ :>701601600$D Com outra singularidade gráfica, mas com outra intensidade expressiva, o grupo formado por Giulia Beatriz Morita Cruz, Mariana Rodrigues de Lima Garcia e Vitória Marina Francisco de Oliveira (Figura 7) conta das heterogeneidades dos espaços e corpos dessa cidade experimentada.
Hirao, H; Faccio, N. B; Larive-López, E. 13 :*0@$*-1101/ . :>701601600$D A riqueza de conteúdo das diversidades de expressões gráficas visuais que compõe o processo de apreensão da espaço vivenciado por João Pedro Pereira, Tabatha Luiza Feitoza Casagrande e Vitor Rodrigues Blanco revela também, de forma singular (Figura 8), as potências preservativas desses lugares singulares de Presidente Prudente. :*0E$*-1101/ :>701601600$D '( As expressões das cartografias das atmosferas habitadas compõem o procedimento metodológico em que descrevem as tessituras dos atravessamentos das relações dos afetos entre os corpos e as ambiências, se afastando das apreensões já estabelecidas, das representações tradicionais em busca de expressar esse afeto reconhecido de outra forma (Deleuze, 2007). Desenvolve desse modo, uma linguagem artística aproveitando as potencialidades de cada aluno no conhecimento e domínio técnico das diversas técnicas de artes visuais, construindo expressões compositivas, justapondo imagens, formas, cores, palavras relatando apreensões de difícil comunicação transbordando sensações. Se aproximam da ideia de Collage (Fuão; Santos, 2023), contrária a regras normatizadas, que se constrói na emergência do caos, as partes recortadas (fotos e desenhos) retiradas de sua ordem estabelecida são novamente compostas com suas múltiplas possibilidades de arranjos que possibilitam visibilizar em aberto, as forças e os afetos reconhecidos, expressados em seu movimento com modulações, intensidades, conexões e agenciamentos, potencializando expressar o processual, dessa metodologia experimental. Ao ser tocado pelos afetos, antes da ação dos corpos nas ambiências, afetar e ser afetado, com o afeto no sentido filosófico de Espinosa, as cartografias de afetos expressam pela linguagem visual essa intensidade das tessituras de relações entre corpos e ambiências e, busca se aproximar da produção de realidade das cidades (Deleuze, 2007; Rolnik, 2011).
Hirao, H; Faccio, N. B; Larive-López, E. 14 :*0F$*-1111/ :>701601600$D Nesse sentido, ao ativar as relações sensitivas corpóreas, além da visão (Pallasmaa, 2011), Vanessa Pires experimentou a deriva com os olhos vendados, ativando o reconhecimento pela audição, tato e olfato. Sua expressão gráfica visual (Figura 9) mostra com mais intensidade as heterogeneidades dos afetos entre corpos sentido durante a travessia realizada. A parte inferior desta arte visual expressa os sons contínuos da grama nos trilhos do trem, as setas no canto direito indicam a direção do vento, trazendo essa experiência sonora e tátil que incorpora e envolve. À esquerda, os sons que se desviam do som da grama, como latidos e o cântico dos pássaros, criam uma experiência auditiva que conduz a uma vivência mais interna ao corpo. Conforme se avança no percurso, se depara com os emaranhados de nós coloridos, que traduzem picos de som, cruzamentos e paradas abruptas, proporcionando uma experiência auditiva mais intensa. Na sequência, os pontos dispersos mostram os sons rítmicos das pisadas em pedras, oferecendo essa rica experiência sensorial. :*0$*-1-1/ :>701601600$D As duas cartografias de forças e afetos de Anni Elizabeth, Juliana Acássia, Lucas Corrêa, Matheus Moraes, Matheus Teixeira, Thamyres Lima (Figura 10) visibiliza os corpos outros, rebeldes e excluídos, que habitam o património industrial, que o utilizam como ponto de referência, além de apropriar da materialidade local que conta a sua própria história e permanência nesse espaço. Complementa com a terceira cartografia (Figura 11), mostrando a oposição entre territórios não reconhecidos pelo poder público como o Galpão da Lua e as ruínas da antiga sede da SANBRA, que ao contrário do que se supõe, apresentam apropriações variadas por corpos diversos, e a rigidez dos prédios dos territórios oficiais como o Centro Cultural Matarazzo, o IBC e a Estação Ferroviária, que apesar do bom estado de conservação acabam por determinar usos ao invés de permitir uma liberdade de apropriações, escolhidas pelas pessoas que habitam o lugar. Além disso, evidenciase a fragmentação socioespacial estabelecida pela implantação do conjunto habitacional social do MRV, construída sobre os antigos galpões da SANBRA, que não dialoga com seu entorno e suas potencialidades. Apesar das diferenças entre cada ambiência, todos estão atrelados historicamente à ferrovia.
Hirao, H; Faccio, N. B; Larive-López, E. 15 :*0$*-1-1/ :>701601600$D A expressão afetiva de Laura Geovanna, Marcelly Zago, Mireley Iwamoto e Thayná Martins (Figura 12) retrata as sensações geradas por suas múltiplas atmosferas. A luz que penetra pelas fissuras que aparecem com o abandono do local, transborda pelas frestas que se abrem na cobertura da edificação, que fazem, por consequência, vegetações singelas nascerem em locais não normais para seu crescimento e desenvolvimento. O movimento do corpo outro, excluído, que lê um livro catado dos entulhos organizados segundo sua própria lógica, que estão armazenados para serem reciclados. Dessa forma, narra o percurso e a tessitura dos corpos heterogêneos e singulares habitando esse lugar único. :*0$*-1-1/ :>701601600$D :*0D$*-1-1/ :>701601600$D
Hirao, H; Faccio, N. B; Larive-López, E. 16 Para o grupo de Fernando Costa da Silva, José Leonardo P. Teixeira, Milena Vitoria Correia. Mariane Rodrigues Vilela e Natália Yoshimi Tonossu, a apreensão do espaço compõe de três dimensões, as texturas, tateadas pelos corpos, as cenas, visualizadas pelos olhos sensíveis, e a geografia, experimentada pelo afetamento dos territórios encarnados (Figura 13). Adicionam outra cartografia (Figura 14) realizando montagens com camadas do tempo (Jacques; Pereira, 2018) que comparecem na memória atual, ao adentrar a ambiência, dessa forma, se apresentam não lineares, mas como atmosferas históricas diante a presença atual de corpos no espaço, são ressignificadas. As vivências e apropriações múltiplas ocorrem, e tornam cada território singular. :*0C$*-1*2/ :>701601600$D ) O procedimento da prática da deriva e cartografia realizada se apresenta como um processo em aberto e em constante transformação para a apreensão e cognição da cidade real em uma perspectiva que se visualiza no rizoma, os agenciamentos afetivos dos corpos que habitam essa ambiência, corpos que resistem a lógica funcional e produtiva em que se está inserido, mas que possibilita ativar os valores existenciais desses corpos resistentes e excluídos. Se abrem brechas, assim, para ativação desses territórios para somar com os funcionais e produtivos, promovendo um plano de composição com coexistência dos conflitos e dos simultâneos e, estimulando novas práticas criativas com efetiva participação da comunidade, montando uma espécie de colagem múltipla, heterogênea e diversa da riqueza de produção de vida cotidiana. Dessa maneira, engendrando com a heterogeneidade dos corpos identificados, nesse processo de reconhecimento dessa ambiência, potencializa intensificar o sentimento de pertencimento e valorização do lugar, favorecendo a preservação e conservação do patrimônio industrial ressignificado. Nesse sentido, essa ferramenta metodológica, experimental e processual, encaminha para que o processo de construção da cidade seja feito de forma compartilhada e participativa. Tem-se então, uma cidade para e com as pessoas, menos espetacular, mas lúdica e criativa. Oficinas com esse conteúdo teórico metodológico são possibilidades educativas potentes de efeitos de contágio e intervenção que se revelam para construção do cidadão, uma vez que atualizam a memória coletiva no espaço atual e suas relações com os novos contextos socioeconômico e cultural das cidades. *+" CARERI, F. Walkscapes: o caminhar como prática estética. 1a. ed. São Paulo: Editora G. Gili, 2013. CARRERI, F.; CHAPARIM, M. A. S.; CAON, P. M. Entrevista com Francesco Careri – a Internacional Situacionista e as derivas contemporâneas. Risco Revista de Pesquisa em Arquitetura e Urbanismo (Online), v. 20, p. 255–278, 14 jul. 2022. Disponível em: https://www.revistas.usp.br/risco/article/view/200065/186066/. Acesso em: 23 mar. 2024.