scieee AI-readable full text Open interactive document viewer

As Histórias de vida em Educação : entre formação, pesquisa e testemunho

González Monteagudo, José

Abstract

Este artigo apresenta as histórias de vida consideradas em sua tripla função - investigadora, formativa e testemunhal -, dentro do contexto de globalização econômica e câmbio epistemológico das últimas décadas. Na primeira parte deste artigo comento sobre a dimensão investigadora do enfoque biográfico-narrativo. Na segunda parte abordo as dimensões formativas e testemunhais das histórias de vida em diferentes contextos (formação e desenvolvimento profissional de professores, educação de adultos, trabalho genealógico e familiar, autobiografia educativa no meio universitário, memória histórica e educação popular). Na terceira parte discuto algumas tendências da teoria educativa e esboço as implicações que derivam do trabalho biográfico-narrativo para uma teoria educativa crítica, rebelde e problematizadora. O artigo oferece uma perspectiva principalmente européia, derivada de uma revisão da literatura em línguas inglesa, francesa, italiana, portuguesa e espanhola.

Full text

! 1! AS HISTÓRIAS DE VIDA EM EDUCAÇÃO: ENTRE FORMAÇÃO, PESQUISA E TESTEMUNHO. DR. JOSÉ GONZÁLEZ MONTEAGUDO. FACULDADE DE CIÊNCIAS DA EDUCAÇÃO. UNIVERSIDADE DE SEVILLA. (Tradução: Abel Araujo Nunes de Carvalho). (Capítulo* de* libro,* publicado* en* português* en:* E.* C.* de* Souza* (Ed.)* (2011).*Memória,) (auto)biografia) e) diversidade:) Questões) de) método) e) trabalho) docente.* Salvador* da* Bahía:* Editora*da*Universidade*Federal*da*Bahia,*Brasil,*59F96.*ISSN:*9788523207694). RESUMO Este artigo apresenta as histórias de vida consideradas em sua tripla função - investigadora, formativa e testemunhal -, dentro do contexto de globalização econômica e câmbio epistemológico das últimas décadas. Na primeira parte deste artigo comento sobre a dimensão investigadora do enfoque biográfico-narrativo. Na segunda parte abordo as dimensões formativas e testemunhais das histórias de vida em diferentes contextos (formação e desenvolvimento profissional de professores, educação de adultos, trabalho genealógico e familiar, autobiografia educativa no meio universitário, memória histórica e educação popular). Na terceira parte discuto algumas tendências da teoria educativa e esboço as implicações que derivam do trabalho biográfico-narrativo para uma teoria educativa crítica, rebelde e problematizadora. O artigo oferece uma perspectiva principalmente européia, derivada de uma revisão da literatura em línguas inglesa, francesa, italiana, portuguesa e espanhola. Palavras-chave: Histórias de vida, narrativas, metodologia qualitativa, memória, formação experiencial, educação emocional. INTRODUÇÃO: GLOBALIZAÇÃO, CULTURA E EDUCAÇAO Nos últimos vinte anos estamos vivendo transformações decisivas que estão alterando radicalmente os diferentes setores da vida humana. E’ certo que a globalização tem aumentado a produtividade e a riqueza e que, como conseqüência dela, tem melhorado o nível de vida de uma parte da população, tanto nos países desenvolvidos como, sobretudo, em um certo número de países emergentes. Mas, o panorama atual indica que entre as diferentes formas de desenvolver a inevitável globalização, os ideólogos e gestores neoliberais estão ganhando a batalha nos terrenos da economia, da política, da cultura e da opinião pública. Na economia assistimos à novas formas de produção, distribuição e consumo, caracterizadas pela globalização em escala planetária. As novas formas de organização de todo o ciclo econômico, apoiadas nas tecnologias de informação e em um management sem piedade e agressivo, tem revolucionado as concepções tradicionais relativas as relações trabalhistas. No altar terrenal dos novos mandatários da economia aparecem em grandes letras palavras como mercado, competitividade, flexibilidade, desregulação e individualismo. Aumenta a dificuldade dos jovens para acessar ao mercado de trabalho, afetando tanto os setores mais frágeis como também os jovens extramente preparados. O emprego precário, a inseguridade laboral, os baixos salários e a deslocalização de empresas com benefícios, estendemse por todas as partes. ! 2! Na esfera política, nos últimos anos temos assistido ao afundamento da União Soviética e dos países comunistas, à perda de legitimidade da democracia representativa, à crise do estadonação, ao surgimento de novos focos de conflito e violência, ao desenvolvimento das chamadas guerras preventivas e da política fundamentalista de war on terror, à reconfiguração dos bloqueios políticos e militares supranacionais, ao aguçamento da pobreza e à crescente recuperação política e bélica do Islã, apartir de uma interpretação extremista e violenta. Outro fenômeno importante que tem dimensões por vezes econômicas, políticas e culturais é o aumento das migrações, sobretudo dos fluxos migrantes irregulares, favorecido tanto pela pobreza nos países de origem como pela globalização econômica e cultural. Finalmente, se algo faltava para averiguarmos que estamos em um mundo de relações mútuas e interdependentes, a constatação científica unânime da mudança climática nos últimos anos está criando uma consciência mais ciente das dificuldades de nosso momento histórico. Pela primeira vez, as mudanças que a espécie humana tem provocado no planeta ameaçam deteriorar de maneira irreversível o habitat natural em que a espécie homo tem vivido no decorrer de vários milhões de anos (cf. Castells, 1997 e 2003; Estefanía, 1998; Gil, 2001; Boff, 2001; Bifani, 2003; Gimeno, 2001; González Monteagudo, 2003). Os avanços nas tecnologias de informação e de comunicação, a revolução dos transportes e o progresso irrefreável da investigação biotecnológica e biomédica, estão nos colocando em uma sociedade completamente diferente de meio século atrás. A globalização cultural e ideológica produz uma homogeneização das consciências. A identidade, o consumo cultural e o ócio estão mediados por poderosas e influentes estruturas econômicas e midiáticas. A indústria da consciência opera hoje de maneira refinada, sutil e encoberta. Como conseqüência de tudo isso, a socialização, a aprendizagem, as relações interpessoais e a identidade sofrem um processo de forte reconfiguração, em um ambiente caracterizado pela reflexividade, pela incerteza e pelo relativismo (Martucelli, 1999). Neste meio sociocultural cambiante, as pessoas são chamadas a desenvolverem um intenso trabalho de biografização, para dar sentido às suas vidas e suas trajetórias (Delory-Momberger, 2003; West, Alheit, Andersen e Merril, 2007). Para uns, a globalização é um novo paraíso na terra; para outros, a globalização só apresenta traços negativos. Creio que falta transcender estas visões simplistas e dicotômicas que dividem e enfrentam os globafóbicos e os globafílicos, na acertada expressão de Gimeno (2001, 79). Temos que recordar a frase esperançosa de Edgar Morin, quando comentava em um congresso o difícil momento atual: “Se saímos da pré-história, sairemos da situação atual”. A sociedade informacional nos brinda também novas oportunidades e possibilidades. As culturas ficam mais plurais e diversas. As identidades pessoais e sociais ficam mais complexas e incertas. Os movimentos sociais e a participação social adquirem novas dimensões. A hibridização e a mestiçagem culturais, em um mundo mais aberto e permeável, caracterizam os novos tempos. A solidariedade e o voluntariado propõem maneiras utópicas de ajuda, convivência e irmandade. Uma espiritualidade mais livre e não rancorosa abala os engessamentos das religiões tradicionais. A educação, como não podia ser de outra maneira, tem sofrido os embates da globalização de maneira intensa. O predomínio neoliberal faz retroceder o Estado de bem-estar. O privado identifica-se com o bom, enquanto que demoniza-se o público. A economia, a tecnologia e a ciência conformam cada vez mais o sistema educativo. A obsessão pelo controle, o accountability, o gerencialismo e a privatização dominam a linguagem dos especialistas e os projetos dos técnicos. Aumentam as desigualdades educativas (Laval, 2003; Gimeno, 2001, 75-102). Abundam os diagnósticos pessimistas relativos às perversas conseqüências da globalização neoliberal sobre os sistemas e agentes educativos (cf. González Monteagudo, 2003). Também aqui, no entanto, encontramos os altermundialistas e os diferentes grupos que resistem ao neoliberalismo gerencialista e tecnicista. Este é o cenário de fundo sobre o que me proponho comentar, os desafios ! 3! que as histórias de vida – na tripla dimensão de metodologia de investigação, instrumento de formação e testemunho sociohistórico – vem indicando na investigação e teorização sociais e educativas, no transcorrer dos últimos 25 anos. 1. AS HISTÓRIAS DE VIDA COMO ENFOQUE DE INVESTIGAÇÃO SOCIAL E EDUCATIVA. Concebidas desde uma perspectiva ampla e holística, as histórias de vida – isto é, as narrativas dos seres humanos em torno da experiência vivida, com suas diferentes formas, procedimentos, fins e contextos – são consubstanciais aos seres humanos. Neste sentido constituem um feito antropológico universal, presente em todas as culturas e em todas as etapas do devir histórico (Vansina, 1967). Como indicam Pineau e Le Grand (1996, 5-13), as histórias de vida formam parte das práticas cotidianas de transmissão intergeracional e intrageracional, e de práticas da vida cultural, como comemorações, histórias de vida coletivas, literatura pessoal biográfica e autobiográfica, e produções audiovisuais cinematográficas e digitais. Atualmente, desde uma perspectiva mais específica e também mais especializada, as histórias de vida – métodos biográficos, enfoques auto/biográficos, narrativas pessoais, documentos pessoais e relatos de vida – são, segundo a Association Internacionale des Histoires de Vie em Formation, práticas de investigação, formação e intervenção, guiadas por um objetivo inovador e emancipador, que pretendem registrar o trabalho individual do sujeito narrador de sua vida com a dimensão coletiva própria dos seres humanos. Tratando-se de investigação, o objetivo consiste na produção de conhecimento; na formação, a meta perseguida é contribuir para que os sujeitos dêem sentido a sua própria vida; já na intervenção, o fim consiste em contribuir para que as pessoas insirem-se na ação social (ASIHVIF, 2005, 15-16). As histórias de vida são entendidas, de acordo com Pineau e Le Grand (1996, 5), como “investigação e construção de sentido apartir de feitos temporais pessoais”. Nesta breve definição, nos aparecem os grandes elementos constitutivos das histórias de vida: as pessoas, a temporalidade, o significado e a questão metodológica (cf. González Monteagudo, 2006b). Tratando-se da metodologia de investigação qualitativa, o enfoque de histórias de vida aparece como uma alternativa ao positivismo e a investigação social baseada no experimento e na pesquisa estatística. No sentido estrito de técnica de investigação social, as histórias de vida surgem no século XX, com a sociologia da Escola de Chicago e com os estudos antropológicos de P. Radin e outros. O enfoque biográfico foi muito utilizado no âmbito da Antropologia para estudar a cultura dos aborígenes e das tribos nativas da América do Norte (Pujadas, 1992; Langness, 1965, 3-18). Alguns antropólogos começaram a coletar as histórias de vida de alguns chefes de tribos indígenas, ante a perspectiva iminente da paulatina desaparição desses grupos humanos. As duas grandes questões tratadas inicialmente na Antropologia, desde a perspectiva biográfica, foram a modificação cultural e a relação entre cultura e traços de personalidade. Posteriormente foram estudados os processos de desvio e marginalização social, a análise dos papéis, os valores, o processo de socialização e a descrição cultural. Depois da Segunda Guerra Mundial decaiu o interesse dos antropólogos aos estudos biográficos, em meio a um ambiente cientificista dominado pelos métodos positivistas. No entanto, nos anos setenta, o trabalho pioneiro de O. Lewis supôs a reaparição do interesse aos enfoques biográficos. Rejeitando a metodologia quantitativa, Lewis opta pela investigação participante e pelas entrevistas aprofundadas para recolher os relatos de vida de famílias pobres, rurais e urbanas, do México e Porto Rico. Trata-se de relatos de vida cruzados e com uma estrutura polifônica, posto que os diferentes membros de uma família narram sua vida em comum, situando suas peripécias vitais em um contexto social e histórico. Los Hijos de Sanchéz, o livro mais popular de Lewis (1961), contribuiu para legitimar uma maneira de fazer Antropologia ! 4! mais holística, subjetiva e aberta, centrada no estudo intensivo de um grupo familiar. Lewis deu voz aos pobres do campo e das zonas marginalizadas das cidades e divulgou essas vidas apartir do discurso oral dos sujeitos, sem mediações conceituais ou disciplinares. No campo da sociologia (Miguel, 1996; Ferrarotti, 1983; Peneff, 1990, 35-68; Plummer, 2001, 103-117), as histórias de vida nascem vinculadas a Escola de Chicago, e, de fato, a El Campesino Polaco em Europa y América, obra de Thomas e Znaniecki, publicada em 5 volumes entre 1918 e 1921. Estes autores consideraram os documentos pessoais como os materiais sociológicos mais idôneos para a investigação. Usando as autobiografias, as cartas e outros documentos pessoais, ofereceram um exemplo canônico de como fazer investigação sociológica. Thomas e Znaniecki (2004) sugerem a relação entre o que chamam de valores sociais (isto é, os elementos culturais objetivos da vida social) e de atitudes (as características subjetivas dos atores sociais). Entre os valores sociais e as atitudes produz-se um processo de influência bidirecional. Os sociólogos de Chicago estudaram entre 1920 e 1945 a vida urbana, a alteração social, a interculturalidade, as gangues, a pobreza, a prostituição, a delinqüência, a violência e outros temas desde os enfoques biográficos, em particular mediante o uso da autobiografia, escrita a pedido do investigador. Para a Escola de Chicago, o objeto da investigação era a experiência concreta, entendida como fluxo social permanente e caracterizada pela ambigüidade e pela subjetividade. Nos estudos de Chicago encontramos um triplo foco de interesse: a explicação histórica e evolutiva da vida de pessoas, grupos ou unidades sociais; o desenvolvimento da teoria; e os problemas metodológicos. Assim como ocorreu na Antropologia, a Sociologia recuperou os métodos de histórias de vida apartir da década de setenta. A publicação em 1959 de La Imaginación Sociológica, de C. W Mills, foi um elemento importante para revigorar as histórias de vida. Neste inovador testamento metodológico, Mills realizou um ajuste de contas com a sociologia acadêmica norte-americana da época – o empirismo abstrato – e denunciou seus jargões técnicos e a fascinação pelos números. Mills reivindicou a necessidade de situar a investigação social no ponto de interseção entre a história, as estruturas sociais e a biografia. A partir dos anos setenta, as histórias de vida começaram a viver um forte auge. Neste ressurgimento foram importantes as contribuições de sociólogos como D. Bertaux (1997; veja também Bertaux e Kholi, 1984), que introduziu na sociologia européia a investigação mediante relatos de vida, e F. Ferrarotti (1983). Junto aos enfoques realistas e interacionistas clássicos foram aparecendo propostas questionadoras, nos anos 80, como o interacionismo pós-modernista de Denzin (1989) que considera insuficiente o interacionismo de Mead e Blumer, devido ao realismo empírico ingênuo, à concepção romântica do outro e à uma filosofia social conservadora. Para desenvolver uma versão mais pós-modernistas do interacionismo, Denzin recorre às contribuições da filosofia pós-estrutural, do feminismo e dos estudos culturais. A crise do funcionalismo, do estruturalismo, do condutismo e, em geral, dos enfoques experimentais e quantitativos, favoreceu o desenvolvimento de paradigmas qualitativos de variadas terminologias: investigação-ação, etnografia, análise do discurso, interacionismo, fenomenologia, hermenêutica, estudos feministas e histórias de vida. Uma nova sensibilidade mais subjetiva, narrativa, dialógica e inclusiva, começou a permear a investigação social (cf. Denzin e Lincoln, 2000; Carr, 2006; Reinharz, 1992; Schwandt, 2001; Bolívar, Domingo e Fernández, 2001). Na base desses paradigmas alternativos temos de situar o chamado giro interpretativo, lingüístico e narrativo. Com J. Bruner (1991), a psicologia mostrou um vivo interesse pela cultura e pela construção narrativa da realidade. Com C. Geertz (1989), a antropologia começou a fazer-se mais pós-moderna, ao entender a cultura desde a perspectiva do significado e ao interpretar as teorias antropológicas em relação com seus autores. Com P. Ricoeur (1985, 1990, 2000), a filosofia desembocou em uma reflexão sobre a temporalidade humana, a memória e a identidade narrativa. Com M. Foucault (1990), a suspeita sobre as funções sociais e discursivas da hermenêutica do sujeito constituiu-se em um argumento crítico que tem favorecido a discussão sobre os usos ! 5! ideológicos e normativos do trabalho biográfico. A partir dos anos oitenta (e no caso espanhol com algum atraso, como conseqüência do atraso derivado do franquismo) a comunidade universitária começou a integrar na Academia os novos estilos de investigação. A visão qualitativa desenvolve-se na Antropologia, na Sociologia, na Pedagogia, na Psicologia e na História oral. Entramos em um momento altamente pluralista da investigação social. As perspectivas pós-modernistas, pós-fundacionalistas e pós-estruturalistas obtêm uma progressiva legitimidade. A investigação feminista começa a ser valorizada. Também mostram-se importantes as contribuições da hermenêutica alemã, do neopragmatismo norte-americano, do pósestruturalismo francês e da teoria crítica neomarxista. Começamos a admitir, desde uma ótica claramente pós-fundacionalista, que “não pode haver uma posição epistemológica privilegiada que nos permita transcender as particularidades de nossa cultura e tradições” (Carr, 2006, 146). Neste contexto convém repetir que não existem feitos imediatos nem observações neutras, que as tarefas do conhecimento e da investigação são tarefas éticas e políticas, que não existe fundamento último da teoria que possa evocar-se como algo alheio à história, à tradição, à cultura e ao poder no meio de uma dada sociedade (Peñalver e González Monteagudo, 1994). Tem que recordar uma vez mais a importância da compreensão através da linguagem. Não podemos escaparmos, nem sequer quando tentamos fazer ciência, do “círculo mágico de nossa educação lingüística, de nossos hábitos lingüísticos e de nosso modo de pensar mediado linguisticamente” (Gadamer, 1994, 195). O conhecimento tem, inevitavelmente, um caráter relativista e situacional. O observador forma parte do sistema de observação. A situação atual das histórias de vida, e isto reflete o panorama geral da investigação social, é de uma complexidade desconcertante. Junto ao estilo pós-positivista de trabalhar as histórias de vida muito próprio de alguns historiadores orais e sociólogos (cf. Bertaux, 1997), as aproximações pós-estruturais em suas versões literárias, feministas, críticas e foucaultianas estão dando lugar a trabalhos muito inovadores (remeto aos trabalhos que são desenvolvidos no Centre for Narrative Research, Universidade do Leste de Londres, por parte das co-diretoras deste centro: Maria Tamboukou, Corinne Squire e Molly Andrews). O que estamos presenciando nos últimos vinte anos é o questionamento do conceito clássico e restritivo da investigação social, assim como a aproximação entre a investigação social e a ficção literária. 2. AS HISTÓRIAS DE VIDA COMO INSTRUMENTO DE FORMAÇÃO, PARTICIPAÇAO E TESTEMUNHO Esta parte é composta por cinco seções (educadores; educação de adultos; memória histórica e testemunho; genealogia e família; e formação mediante autobiografia educativa) no qual ofereço uma amostra de como trabalha-se com histórias de vida em diferentes contextos sociais e educativos. Ainda que nesta parte não deixe de lado por completo a dimensão investigadora, a preocupação central que anima esta apresentação tem a ver com a dimensão formadora e transformadora das metodologias biográfico-narrativas. a) Educadores Os métodos biográficos têm penetrado no mundo educativo apartir do início da década de oitenta do século XX, através de duas correntes principais: a formação dos educadores e a educação de adultos. Nesta seção comento a primeira destas correntes e deixo a outra para a seção seguinte. Com o enfoque biográfico têm-se estudado importantes aspectos da educação formal: os estudantes, os educadores, o currículo, a aprendizagem adulta, a mudança e inovação educativa, a liderança, o tempo e o espaço escolar, etc. Uma ênfase particular tem tido os estudos sobre os docentes: vida cotidiana, aprendizagem da profissão, ciclos da carreira docente, pensamento dos professores, atitude ante às mudanças e às reformas, desenvolvimento do currículo, formação permanente e ! 6! desenvolvimento profissional (cf. Bolívar, Domingo e Fernandéz, 2001; Clandinin e Connelly, 2000; González Monteagudo, 1996a e 1996c; Goodson, 1992; Goodson e Sikes, 2001; Zabalza, 1988). Depois dos estudos dos anos 70 do século passado sobre o chamado paradigma do pensamento do professor, as investigações dos anos 80 sobre o conhecimento prático e as teorias implícitas dos professores constituem o precedente imediato do emprego das narrativas pessoais, em relação com a formação e o desenvolvimento profissional dos educadores. Entre os principais enfoques biográficos empregados neste âmbito, na primeira metade dos anos 90, figuram os seguintes: os estudos de M. Huberman e outros, relativos ao ciclo vital e as fases da carreira docente; os estudos de I. Goodson sobre a vida e o trabalho dos professores; os trabalhos R. Butt e colaboradores em torno da autobiografia colaborativa e o desenvolvimento profissional; as investigações de J. G. Knowles relativas às influências biográficas sobre o rol docente; e as investigações de L. M. Smith sobre as carreiras e crenças dos docentes em contexto de inovação (para um comentário destes enfoques, veja González Monteagudo, 1996c). Entre esses enfoques vou desenvolver um comentário específico sobre os trabalhos de R. Butt e colaboradores (Butt et al. 1992). Estes autores consideram que o conhecimento dos professores não é algo fixo, mas sim que está formado por histórias pessoais e profissionais e por circunstâncias ecológicas em que tem lugar as ações docentes. No espaço da formação inicial e permanente é importante incorporar os pontos de vista dos professores, assim como considerá-los como adultos que aprendem. Desde um ponto de vista político, tem que incentivar-se as oportunidades dos professores para manifestar e desenvolver sua sabedoria prática, superando o enfoque dos docentes como semi-profissionais carentes de controle sobre seu próprio trabalho e como pessoas que limitam-se a aplicar o conhecimento elaborado por outras pessoas. O grupo de Butt centrou-se na autobiografia porque esta parece ser uma das melhores maneiras de incluir a própria perspectiva dos professores. As autobiografias realizam-se de modo individual, mas evoluem através de um processo coletivo e colaborativo, organizado em quatro fases: uma descrição do contexto e do trabalho atual; uma descrição da pedagogia que desenvolvem os docentes; uma reflexão sobre sua vida pessoal e profissional passada, na medida em que possa relacionar com o momento presente; e uma projeção das preferências profissionais futuras. Entre os resultados desse enfoque destacam-se os seguintes: o conhecimento e o desenvolvimento docente estão influenciados por três categorias principais de experiências (a história da vida privada, as experiências de ensino e as experiências como aprendiz na escola); o conhecimento de cada professor é único; para um ótimo desenvolvimento profissional, o professor necessita conhecer a si mesmo e captar em profundidade seu estilo pessoal e profissional. Em síntese, trabalhos como os de Butt e colaboradores tem sugerido uma mudança de rumo na maneira em que os investigadores e os formadores dos docentes esboçam e desenvolvem seus projetos, posto que estes tem tido progressivamente um caráter mais colaborativo. b) Educação de adultos. A principal corrente que tem impulsionado o emprego dos enfoques biográficos na formação tem sido um grupo de autores franceses, a cabeça dos quais tem que situar Gaston Pineau (sem esquecer a P. Dominicé, G. de Villers e Ch. Josso), com um forte interesse nas histórias de vida como instrumento de formação experiencial dos adultos. Estes autores agrupam-se em torno da Association Internacionale dês Histoires de Vie em Formation (ASIHVIF), com sede em Paris (França). Em 1983 G. Pineau publicou, em colaboração com Marie-Michèle, Produire sa vie. Autoformation et autobiographie (Pineau e Marie-Michèle, 1983 ; em especial, pp. 179-190 e 383- 391), um livro sugestivo e inovador que marcou o inicio das histórias de vida na educação de adultos. Nesta obra, Pineau trabalha os conceitos de autoformação e de histórias de vida, até então concebidos como não relacionados, e propõe a necessidade de desenvolver a educação de adultos apartir do uso das histórias de vida como instrumento de investigação e de formação, e isto afetaria ! 7! por igual o investigador, o educador e os adultos em formação. Criticando o subjetivismo, o individualismo e o liberalismo, concebe a autoformação como assimilação da própria formação por parte do adulto, em uma perspectiva emancipatória e crítica. Inicia-se, desta forma, uma proposta formativa experiencial e existencial desenvolvida perseverantemente no decorrer dos últimos 25 anos, e da qual temos feito um balance coletivo em um grupo de mais de 400 investigadores e formadores durante um recente congresso, celebrado na Universidade de Tours (França), em junho de 2007. Pineau repassa em seu livro de 1983 os usos literários, sociológicos, psicológicos e antropológicos das histórias de vida. Em relação com os estudos literários e o gênero autobiográfico, ressalta a importância de escrever e de falar sobre a própria vida, assim como o valor unificador e simbólico deste empreendimento. A autobiografia, privilégio das elites cultas, deve democratizar-se, tornando-se acessível a todo mundo. Valorizando os usos sociológicos das histórias de vida, Pineau destaca que os sociólogos de Chicago contemplaram as histórias de vida, por sua vez, como método de conhecimento e de ação social, na linha de uma sociologia militante e comprometida socialmente. Este último aspecto ele considera muito pertinente na formação dos adultos. A revisão do emprego da auto-análise em psicanálise (se remete à auto-análise de Freud e Jung) o leva a reivindicá-la como uma atividade complementar à análise por parte dos outros. Em definitivo, Pineau considera que o emprego das histórias de vida na educação de adultos possibilita um enfoque experiencial e democrático, unificador da investigação com a formação, que concebe o investigador e o ator como colaboradores em uma relação horizontal e não-hierárquica. A ASIHVIF concebe a formação como emancipação. “As histórias de vida – lemos em um documento da Associação – pretendem reforçar o poder de ação do sujeito sobre si mesmo e sobre o ambiente, associando-o à construção dos saberes produzidos” (ASIHVIF, 2005 p. 2). Os modelos de investigação propostos são qualitativos, pluridisciplinares e colaborativos. Rejeita-se explicitamente a separação das disciplinas e advoga-se por uma colaboração, em todas as fases e conteúdos do processo, entre formadores, investigadores e adultos em formação. Como exemplo de trabalho formativo realizado com histórias de vida, menciono os trabalhos de Dominicé (2000; 2002) sobre biografia educativa com estudantes universitários e com educadores de adultos. O objetivo consiste em trabalhar a própria biografia educativa apartir da oralidade e da escrita, combinando o trabalho individual, em grupo pequeno e em grupo de classe. Os estudantes preparam uma narrativa oral de suas biografias educativas, em meio aos grupos de trabalho. As narrativas orais são apresentadas no grupo de trabalho, dedicando uma hora para apresentação e uma hora para discussão. Posteriormente, durante as férias do meio do ano, os estudantes preparam a redação de sua biografia educativa, apoiando-se na narrativa oral e nas discussões e notas que tomaram na aula. Para favorecer a participação, a identificação e a construção de sentido por parte de todo o grupo, a cada estudante pede-se que leia, interprete e comente oralmente a biografia de algum dos companheiros de seu grupo de trabalho. A este comentário segue a discussão do grupo. Finalmente é conduzida a avaliação, que inclui a redação de um informe individual no qual deve-se explicitar o conhecimento produzido no decorrer do processo, desde a tripla perspectiva pessoal, procedimental e cognitiva. No transcorrer de toda formação, os sujeitos narradores detém o controle sobre o processo e o produto da atividade. A teoria e a prática se alimentam reciprocamente. Investigadores, formadores e narradores se relacionam em meio a uma dinâmica horizontal, democrática e existencial, apartir da experiência vivida. As histórias de vida favorecem a exploração do mundo pessoal desde uma perspectiva livre e subjetiva, em um ambiente interpessoal (Lainé, 1998; Cornejo, 2006). O sujeito enfrenta seus conflitos e contribui para uma resolução positiva dos mesmos, na perspectiva do que Ricoeur chama de uma memória feliz. É’ uma via de acesso ao trabalho pedagógico experiencial, subjetivo, afetivo e rememorativo. Propicia uma dinâmica de abertura, comunicação profunda e colaboração; possibilita a expressão dos sentimentos dos demais, aumentando a empatia e tolerância. Existe uma grande variedade de técnicas usadas na formação autobiográfica (Formenti, 1996, 92; 1998, 159- ! 8! 160): a) Instrumentos de trabalho individual: diário pessoal, produção de um texto temático ou criativo/expressivo, busca de testemunhos materiais (fotografias de família, cartas, objetos, canções, poesias), criação de “objetos complexos” com uso simultâneo de várias linguagens (“esculturas vivas”, pôster sobre a história com imagens e textos), instrumentos de papel e lápis (perfis cronológicos, questionários); b) Instrumentos de trabalho cara a cara: entrevista aberta, não-diretiva ou semi-estruturada, questionários, métodos projetivos (uso de imagens, sons, símbolos, etc); c) Instrumentos de trabalho coletivo: discussão oral apartir de documentos ou de temas biográficos, auto-apresentação ante o grupo (oral, escrita, apresentações cruzadas), uso coletivo de materiais projetivos e de métodos evocadores. c) Memória histórica e testemunho social A recuperação do passado e o trabalho em torno das experiências vividas, individuais e coletivas, constituem temas de gritante atualidade. Proliferam os arquivos e centros para resgatar, organizar e documentar, o patrimônio oral e escrito que não é objeto de preocupação por parte dos arquivos tradicionais. Os lugares da memória (antigos centros de tortura, prisões e campos de detenção, obras realizadas com o suor e sangue das vítimas, etc) são traços importantes de nossa época. A recuperação da memória histórica está dando lugar à criação de centros de investigação e documentação. Na Espanha trabalha-se para recuperar a história dos vencidos na Guerra Civil e das vítimas do franquismo, inclusive o Governo da nação tem elaborado uma lei sobre memória histórica que declara a ilegitimidade dos julgamentos penais de caráter político conduzidos durante a ditadura. Em Marrocos, as vítimas e os presos do chamado anos de chumbo aparecem na imprensa e na televisão narrando as torturas sofridas e identificando, com nome e sobrenome, seus algozes, que passeiam livremente pelas ruas. Na África do Sul e em diferentes países latino-americanos, as comissões da verdade têm publicado informes estremecedores, que incluem a enumeração minuciosa de crimes, torturas, violações e outros atos repugnantes, cometidos ou ao menos inspirados pelos governos e, em ocasiões, por grupos opositores. Estes informes procuram recuperar a verdade do sucedido para construir as bases da conciliação e, em alguns casos, do difícil perdão ou do esquecimento impossível. Este clima social saturado de memória pessoal e coletiva – tantas vezes impedida, manipulada, exercida abusivamente – é um dos traços definitivos de nosso momento histórico (Ricoeur, 2000, 67-163). Nesta cultura da memória e da recordação – em que confluem a psicanálise, as ciências sociais, a literatura e os meios de comunicação –, as histórias de vida experimentam um extraordinário desenvolvimento como um recurso útil para trabalhar a memória histórica e o testemunho (cf. Beverley, 2000 e González Monteagudo, 2006b). A recuperação da memória histórica parte normalmente de um tecido associativo inquieto e rebelde, que promove o trabalho coletivo e a construção do conhecimento apartir de situações, problemas e vivências de grande significação social e pessoal. Estas iniciativas, vinculadas aos movimentos sociais e a educação popular, estruturam-se habitualmente segundo as histórias de vida coletiva. Entre as produções que realizam-se figuram os livros coletivos, os folhetos, as exposições artísticas, os debates, as obras teatrais, os vídeos, as montagens audiovisuais e as páginas da internet. Entre os temas trabalhados têm que mencionar a recuperação do passado, a situação das mulheres, as tradições, as festas, o mundo do trabalho, as situações traumáticas ligadas às guerras, às prisões e aos conflitos. Por sua poderosa força evocadora destaco a importância das histórias de vida de militantes políticos, sindicalistas, imigrantes, marginais sociais, trabalhadores e mulheres. Neste âmbito do testemunho social encontram-se os melhores exemplos de colaboração democrática e horizontal entre acadêmicos e atores sociais. Aqui também encontramos as melhores comprovações tanto da virtude democratizadora do gênero biográfico-narrativo como do iniludível caráter ético e político do mesmo (cf. Bárcena, 2004). Como exemplo de trabalho realizado nesta perspectiva participativa e democrática, me limito a citar o trabalho publicado por Correa e Correa (2003), desenvolvido na localidade de ! 9! Chucena (Huelva, Espanha), que contém 30 histórias de vida de pessoas deste povoado com uns 2000 habitantes. Os autores explicitam as causas que os motivaram para a tarefa: “Pretendemos – dizem os autores -, em um presente contínuo de avassalamento de um poder e de umas linhas sociais conservadoras e elitistas, recuperar nossa memória histórica, resgatar em um ato de afirmação a identidade das pessoas e coletivos submetidos por normas e tradição. Nós, os camponeses, temos algo a dizer, a parte do que digam por nós” (Correa e Correa, 2004, 91-92). O livro encontra-se agora nos 500 lares da localidade e sua apresentação pública reuniu um bom número de vizinhos, identificados com as 30 histórias que compendiam a vida das classes populares camponesas andaluzas da segunda metade do século XX, e que contribuem para criação de uma memória e identidade coletivas. d) Genealogia e família A família constitui uma rede de apoio social e um contexto de encontro intergeracional. Desde uma perspectiva sistêmica, “a memória familiar pode ser compreendida como um modo específico de conhecimento, quase impresso em nossos corpos e consciências, usado para dar significado assim como para explicar e às vezes inclusive legitimar nosso self e nossa identidade social” (Formenti, 2002, 38). As funções da memória familiar tem a ver com a transmissão, a revivência e a reflexão (A. Muxel, cit. Em Formenti, 2002, 56-59; Gaulejac, 1999, 151-153). Entre os enfoques biográficos de tendência genealógica, tem que destacar as contribuições de Gaulejac (1987 e 1999), psicosociológo francês criador de uma corrente chamada Novela familiar e trajetória social. Gaulejac explora em seminários de formação, apartir de ferramentas verbais e não-verbais, a trajetória pessoal e a história familiar dos participantes combinando o envolvimento pessoal com a análise teórica. Ele emprega quatro técnicas: a árvore genealógica, o desenho sobre o projeto parental, a análise das trajetórias sociais e as representações dramáticas (Gaulejac, 1987, 266-267 e 277-283; Lainé, 1998, 275-276). O trabalho autobiográfico sobre a família começa com a exploração das raízes familiares. A análise da genealogia familiar deixa possível situar a história pessoal em um contexto mais amplo. A análise tem duas grandes dimensões. Uma está relacionada com o contexto social e cultural das diferentes gerações. A comparação diacrônica e sincrônica, incluindo a busca de diferenças de todo tipo (geracionais, sociais, econômicas, culturais, axiológicas e educativas), é um elemento básico desta atividade biográfica. A segunda dimensão analítica se refere ao marco narrativo subjetivo do adulto, mediante a evocação baseada em histórias orais e escritas da experiência vivida (Formenti, 2002; Demetrio, 2002). O trabalho genealógico é uma boa maneira de saber mais sobre a cultura, educação e identidade, entendidas como processo e produto da transmissão e do diálogo intergeracionais. e) Autobiografia educativa Nesta seção comento a experiência da autobiografia educativa que tem sido conduzida no últimos anos, e na qual tem-se encontrado uma forma muito razoável de registrar a docência, a inovação educativa e a investigação (esta seção esta baseada em: González Monteagudo, 2006a e 2006b; veja também: Dominicé, 2000 e 2002). Concibo a autobiografia educativa como um instrumento potencializador da sensibilidade experiencial e da reflexividade crítica e, também, como um elemento inovador da docência universitária. Entre os objetivos que proponho para a autobiografia figuram os seguintes: desenvolver o auto-conhecimento pessoal; favorecer a capacidade de análise e crítica de nossos diferentes cenários cotidianos (família, escola, meios de comunicação e informação, parceiros e amigos, igrejas, ócio e tempo livre, trabalho); relacionar a biografia pessoal, o contexto local e familiar, e o âmbito social e cultural global; e favorecer o envolvimento experiencial do estudante no processo de ensino-aprendizagem. A atividade principal tem consistido na redação da autobiografia educativa guiada por orientações escritas e por sessões ! 16! DENZIN,!N.K.!(1989):!Interpretive$Biography.!London:!Sage.! DENZIN.!N.!K.!y!LINCOLN,!Y.!S.!(Eds.)!(2000,!2nd!ed.):!Handbook$of$Qualitative$Research.!Thousand! Oaks,!CA:!Sage.! DESMARAIS,!D.!y!PILON,!J.jM.!(1996):!Pratiques$des$histoires$de$vie.$Au$carrefour$de$la$formation,$ de$la$recherche$et$de$l´intervention.!Paris:!L´Harmattan.!! DEWEY,!J.!(1989)!:!Cómo$pensamos.$Nueva$exposicón$de$la$relación$entre$pensamiento$reflexivo$y$ proceso$educativo.!Madrid!:!Paidós.!! DÍAZ!GONZÁLEZ,!T.!(2004)!:!«!Historias!de!vida!en!el!marco!de!evaluación!de!competencias!»,!en! Diálogos.$Educación$y$formación$de$personas$adultas,!38,!43j52.! DOMINICÉ,! P.! (2000)!:! Learning$ from$ our$ lives.$ Using$ Educational$ Biographies$ with$ Adults.! San! Francisco!:!JosseyjBass.!! DOMINICÉ,!P.!(2002):!L´histoire$de$vie$comme$processus$de$formation.!Paris:!L´Harmattan.! DOMINICÉ,!P.;!JOSSO,!M.jC.;!MONBARON,!J.;!MÜLLER,!R.!(2001):!“Faire!de!la!place!au!sensible!en! éducation”,!en!Éducation$Permanente,!142,!95j104.!! ELLIS,!C.!;!BOCHNER,!A.P.!(2000)!:!Autoethnography,!Personal!Narrative,!Reflexivity!:!Researcher!as! Subject,!en!N.K.!Denzin!;!Y.S.!Lincoln!(Eds.)!(2000)!:!Handbook$of$Qualitative$Research.!Thousand! Oaks!(CA)!:!Sage,!733j768.! ESTEFANÍA,!J.!(1998)!:!La$nueva$economía.$La$globalización.!Barcelona!:!Círculo!de!Lectores.! FERNÁNDEZ!CRUZ,!M.!(1995)!:!Una$aproximación$biográfica$al$desarrollo$profesional$de$maestros$ de$ educación$ infantil$:$ Ciclo$ vital,$ identidad,$ conocimiento$ y$ cultura.! Universidad! de! Granada.! Facultad!de!Ciencias!de!la!Educación.!Tesis!Doctoral!inédita.! FERRAROTTI,! F.! (1983):! Histoire$ et$ histoire$ de$ vie.$ La$ méthode$ biographique$ dans$ les$ Sciences$ Sociales.!Paris:!Librairie!des!Méridiens.! FORMENTI,! L.! (1996)!:! «!La! storia! che! educa!:! contesti,! metodi,! procedure! dell´autobiografia! educativa!»,!en!Adultità,!4,!83j100.! FORMENTI,!L.!(1998)!:!La$formazione$autobiografica.!Milano!:!Guerini!Studio.! FORMENTI,! L.! (2002)!:! La$ famiglia$ si$ racconta.$ La$ trasmissione$ dell´identità$ di$ genere$ tra$ le$ generazioni.!Cinisello!Balsamo!(MI)!:!San!Paolo.! FORMENTI,!L.!(Ed.)!(2004)!:!The$Dianoia$Project.$Handbook$(Projetto!Pilota!Europeo!:!Didattiche! Autobiografiche! e! narrative! per! operatori! sociali,! insegnanti,! animatori).! Anghiari! (AR)!:! Libera! Università!dell´Autobiografia.! ! 17! FORMENTI,! L.;! GAMELLI,! I.! (1998):! Quella$ volta$ che$ ho$ imparato.$ La$ conscenza$ di$ sé$ nei$ luoghi$ dell´educazione.!Milán:!Raffaello!Cortina!Editore.! FOUCAULT,!M.!(1990):!Tecnologías$del$yo$y$otros$textos$afines.!Barcelona:!Paidós.! FREIRE,!P.!(1990):!La$naturaleza$política$de$la$educación.!Barcelona:!Paidós.!! FREIRE,!P.!(1993):!Pedagogía$de$la$esperanza.!Madrid:!Siglo!XXI.! FREIRE,!P.!(1996):!Pedagogia$da$autonomia.$Saberes$necessários$à$prática$educativa.!Sao!Paulo:! Paz!e!Terra.! GADAMER,! H.G.! (1994):! Verdad$ y$ método.$ I.$ Fundamentos$ de$ una$ hermenéutica$ filosófica.! Salamanca:!Sígueme.! GALVANI,!P.!(1997):!Quête$de$sens$et$formation.$Anthropologie$bu$blasson$et$de$l´autoformation.! París:!L´Harmattan.! GAMELLI,!I.!(a!cura!di)!(2003):!Il$prisma$autobiografico.$Riflessi$interdisciplinari$del$racconto$di$sé.! Milán:!Unicopli.! GARCÍA! CARRASCO,! J.! (1984):! Introducción,! en! J.! García! Carrasco! (Coord.)! (1984):! Teoría$ de$ la$ educación.!Madrid:!Anaya,!XIjLXXVII.! GAULEJAC,!V.!de!(1987):!La$névrose$de$classe.$Trajectoires$sociales$et$conflicts$d’identité.!París:! Hommes!et!Groupes!Éditeurs.! GAULEJAC,V.!de!(1999):!L’histoire$en$héritage.$Roman$familial$et$trajectoire$sociale.!París:!Desclée! de!Brouwer.! GEERTZ,!C.!(1989)!:!El$antropólogo$como$autor.!Barcelona!:!Paidós.! GIMENO,!J.!(2001):!Educar$y$convivir$en$la$cultura$global.!Madrid:!Morata.! GIROUX,!H.A.!(1990):!Los$profesores$como$intelectuales.!Barcelona:!Paidós.!! GOLEMAN,!D.!(1995):!La$inteligencia$emocional.!Barcelona:!Kairós.! GONZÁLEZ! MONTEAGUDO,! J.! (1996a):! Vida$ cotidiana$ y$ profesión$ docente:$ Teoría$ y$ práctica$ educativas$centradas$en$historias$de$vida.$Un$enfoque$etnográfico.!Dpto.!de!Teoría!e!Historia!de!la! Educación!y!Pedagogía!Social.!Universidad!de!Sevilla.!Tesis!Doctoral.! GONZÁLEZ! MONTEAGUDO,! J.! (1996b):! "Las! historias! de! vida.! Aspectos! históricos,! teóricos! y! metodológicos",!en!Revista$Cuestiones$Pedagógicas!(Universidad!de!Sevilla),!12,!223j242.! GONZÁLEZ!MONTEAGUDO,!J.!(1996c):!"El!enfoque!biográfico!sobre!los!profesores.!Una!revisión!de! las!líneas!de!trabajo!más!relevantes",!en!Revista$Aula$Abierta!(Universidad!de!Oviedo),!68,!63j85.! ! 18! GONZÁLEZ! MONTEAGUDO,! J.! (2000):! Teachers´! Research! Using! the! Biographical! Method.! Contributions! and! Reflections! on! Two! Case! Studies,! in! K.! Weber! (Ed.):! Lifelong$ Learning$ and$ Experience.!Roskilde!(Denmark):!University!of!Roskilde!&!The!Danish!Research!Academy,!vol.!1,! 367j392.! GONZÁLEZ!MONTEAGUDO,!J.!(2001):!John!Dewey!y!la!pedagogía!progresista,!en!J.!Trilla!(coord.)! (2001)!:!El$legado$pedagógico$del$siglo$XX$para$la$escuela$del$siglo$XXI.!Barcelona!:!Graó,!15j39.! GONZÁLEZ!MONTEAGUDO,!J.!(2002):!"Les!pédagogies!critiques!chez!Paulo!Freire!et!leur!audience! actuelle",!in!Pratiques$de$Formation$/$Analyses,!Université!Paris!VIIIjSaint!Denis,!43,!49j65.! GONZÁLEZ!MONTEAGUDO,!J.!(2003)!:!Ser!educador!en!un!mundo!globalizado,!in!NÚÑEZ!CUBERO,! L.!(2003)!(Coord.)!:!La$educación$en$el$siglo$XXI.!Sevilla!:!Ayuntamiento!de!Sevilla,!23j36.! GONZÁLEZ!MONTEAGUDO,!J.!(coord.)!(2004a)!:!Historias$de$vida$y$educación$de$adultos.$Número! monográfico!de!la!Revista!Diálogos.$Educación$y$formación$de$personas$adultas!(Barcelona),!año!X,! nº!38,!101!pp.! GONZÁLEZ! MONTEAGUDO,! J.! (2004b)!:! Sobre! el! amplio! paisaje! de! las! historias! de! vida,! en! Diálogos.$Educación$y$formación$de$personas$adultas,!año!X,!nº!38,!97j101.! GONZALEZ! MONTEAGUDO,! J.! (2006a):! Autobiografía! educativa! all’Università.! Tra! pensiero! ed! emozioni,!in!L.!Formenti!(a!cura!di),$Dare$voce$al$cambiamento.$La$ricerca$interroga$la$vita$adulta.! Milano,!Unicopli,!201j214.! ! GONZALEZ!MONTEAGUDO,!J.!(2006b)!:!Los!métodos!autobiográficos!como!propuesta!para!educar! las!emociones!y!los!sentimientos,!in!J.!M!Asensio!et!al.!(Coords.),!La$vida$emocional.$Las$emociones$ y$la$formación$de$la$identidad$humana.!Barcelona,!Ariel,!197j220!(con!la!colaboración!de!L.!Núñez! y!R.!Bisquerra).! ! GONZÁLEZ!MONTEAGUDO,!J.!(2007):!Approche!biographique!en!formation!à!travers!des!objets,!in! Le$biographique,$la$réflexivité$et$les$temporalités$:$Articuler$langues,$cultures$et$formation.!Actes! du!Colloque!International!(Tours,!25!au!27!Juin!2007),!189j192.! GOODLEY,!D.!;!LAWTHOM,!R.!;!CLOUGH,!P.!;!MOORE,!M.!(2004)!:!Researching$Life$Stories.$Method,$ Theory$and$Analyses$in$a$Biographical$Age.!London!:!RoutledgeFalmer.! GOODSON,! I.F.! (Ed.)! (1992):! Studying$ Teachers$ Lives.! New! York:! Teachers! College,! Columbia! University.! GOODSON,!I.;!SIKES,!P.!(2001):!Life$History$Research$in$Educational$Settings.!Buckingham:!Open! University!Press.! GRAMSCI,!A.!(1978):!Introducción$a$la$filosofía$de$la$praxis.!Barcelona:!Península.! HIDALGO,! A.! (1976):! Teoría,! en! M.! A.! Quintanilla! (Dir.)! (1976):! Diccionario$ de$ filosofíacontemporánea.!Salamanca:!Sígueme,!469j471.! ! 19! HOUDE,!R.!(2001):!Les$temps$de$la$vie.!Boucherville!(Québec):!Gaëtan!Morin!Editeur.! JOSSO,!M.jC.!(1991):!Cheminer$vers$soi.!Lausana!(Suiza):!L´Age!d´Homme.! JOSSO,!M.jC.!(2000):!La$formation$au$coeur$des$récits$de$vie.$Expériences$et$savoirs$universitaires.! Paris:!L´Harmattan.! KINCHELOE,!J.L.!(1991)!:!Teachers$as$Researchers$:$Qualitative$Inquiry$as$a$Path$to$Empowerment.! London!:!Falmer.! LAINÉ,!A.!(1998)!:!Faire$de$sa$vie$una$histoire.!París!:!Desclée!de!Brouwer.! LAVAL,!Ch.!(2003)!:!L´école$n’est$pas$une$enterprise.!Paris!:!Éditions!La!Découverte.! LANGNESS,!L.L.!(1965)!:!The$Life$History$in$Anthropological$Science.!New!York!:!Holt,!Rineg¡hart!&! Winston.! LANIjBAYLE,!M.!(1997)!:!L´histoire$de$vie$généalogique.$D´Edipe$à$Hermès.!París!:!L´Harmattan.! LARROSA,!J.!(1996)!:!La$experiencia$de$la$lectura.$Estudios$sobre$literatura$y$formación.!Barcelona!:! Laertes.$$ LARROSA,!J.!et!al.!(1995)!:!Déjame$que$te$cuente.$Ensayos$sobre$narrativa$y$educación.!Barcelona!:! Laertes.! LE!GRAND,!J.jL.!(2004)!:!«!Puntos!de!referencia!teóricos!y!éticos!en!historias!de!vida!colectivas!»,!in! Diálogos.$Educación$y$formación$de$personas$adultas,!38,!7j13.! LE!GRAND,!J.jL.!y!COULON,!J.jM.!(2000):!Histoire$de$vie$collective$et$éducation$populaire.!París:! L´Harmattan.! LESOURD,!F.!(2006a):!«Historia!de!vida!de!formación!de!personas!adultas!y!ecología!temporal!»,!in! Diálogos.$Educación$y$formación$de$personas$adultas,!45,!43j49.! LESOURD,! F.! (2006b):! «!Des! temporalités! éducatives.! Note! de! synthèse!»,! in! Pratiques$ de$ formation$/$Analyses,!nº!51j52,!9j72.! LEWIS,!O.!(1961):!Los$hijos$de$Sánchez.!México:!Joaquín!Mortiz,!1968.! MARÍAS,!J.!(1954):!El$método$histórico$de$las$generaciones.!Madrid:!Revista!de!Occidente.! MARINAS, J.M.; SANTAMARINA, C. (Eds.) (1993): La historia oral. Métodos y experiencias. Madrid: Debate. McEWAN,! H.;! EGAN,! K.! (Comps.)! (1998):! La$ narrativa$ en$ la$ enseñanza,$ el$ aprendizaje$ y$ la$ investigación.!Buenos!Aires:!Amorrortu.!! MERRILL,! B.! (1999)!:! Gender,$ Change,$ and$ Identity$:$ Mature$ Women$ Students$ in$ Universities.! Aldershot!:!Ashgate.! ! 20! MIGUEL,!J.!M.!de!(1996):!Auto/bio/grafías.!Madrid:!Centro!de!Investigaciones!Sociológicas.! MILLER,!N.;!HENWOOD,!F;!KENNEDY,!H.!(Eds.)!(2001):!Cyborg$Lives:$Women´s$Technobiographies.! York:!Raw!Nerve.! MILLS,!C.W.!(1959):!La$imaginación$sociológica.!México:!F.C.E.! MITCHELL,!C.;!WEBER,!S.!(1999):!Reinventing$ourselves$as$Teachers.$Beyond$Nostalgia.!Londres:! Routledge!Falmer.! MITCHELL,!C.!;!WEBER,!S.!;!O´REILLYjSCANLON,!K.!!(Eds.)!(2005)!:!Just$who$do$we$Think$we$are$?$ Methodologies$for$Autobiography$and$SelfSstudy$in$Teaching.!London!:!Routhledge!Falmer.! MORIN,!E.!(1991):!La$méthode.$4.$Les$idées.$Leur$habitat,$leur$vie,$leurs$mouers,$leur$organisation.! Paris:!Éditions!du!Seuil.! MORIN,!E.!(1995):!Introducción$al$pensamiento$complejo.!Barcelona:!Gedisa.! NARANJO,!C.!(2004):!Cambiar$la$educación$para$cambiar$el$mundo.!Vitoria:!La!Llave.! PENEFF,!J.!(1990):!La$méthode$biographique.$De$l´École$de$Chicago$à$l´histoire$orale.!Paris:!Armand! Colin.! PEÑALVER,! C.!;! GONZÁLEZ! MONTEAGUDO,! J.! (1994)!:! «!La! educación! como! práctica! ética! y! democrática!»,!in!Kikirikí.$Cooperación$Educativa,!nº!31j32,!13j21.! PINEAU,!G.!(1996)!:!«!Les!histoires!de!vie!comme!art!formateur!de!l´existence!»,!en!Pratiques$de$ Formation$/$Analyses,!31,!65j80.! PINEAU,!G.!(Ed.)!(1998):!Accompagnements$et$histoire$de$vie.!Paris:!L´Harmattan.! PINEAU,!G.!(2000):!Temporalités$et$formation.$Vers$de$nouveaux$synchroniseurs.!Paris.!Anthropos.! PINEAU,!G.!;!MARIEjMICHÈLE!(1983):!Produire$sa$vie:$Autoformation$et$autobiographie.!Montreal:! Éditions!SaintjMartin.! PINEAU,!G.!;!!LE!GRAND,!J.jL.!(1996):!Les$histoires$de$vie.!París:!PUF.! PLUMMER,!K.!(1983):!Los$documentos$personales.!Madrid:!Siglo!XXI,!1989.! PLUMMER,!K.!(2001):!Documents$of$Life$2.!London:!George!Allen!&!Unwin.! POPKEWITZ,!T.S.!(1988):!Paradigma$e$ideología$en$la$investigación$educativa.!Madrid:!Mondadori.! PUIG,!J.M.!(1993):!“Notas!para!el!estudio!de!los!usos!de!la!escritura!autográfica!en!educación”,!in! PAD’E!(Universidad!de!Valencia),!vol.!3,!1,!153j162.! ! 21! PUJADAS,!J.J.!(1992):!El$método$biográfico:$el$uso$de$las$historias$de$vida$en$las$ciencias$sociales.! Madrid:!Centro!de!Investigaciones!Sociológicas.! REINHARZ,!S.!(1992):!Feminist$Methods$in$Social$Research.!Oxford:!Oxford!University!Press.! RICHARDSON,!L.!(1990):!Writing$Strategies.!London:!Sage.! RICOEUR,!P.!(1985):!Temps$et$récit.$III.$Le$temps$raconté.París:!Seuil.! RICOEUR,!P.!(1990):!SoiSmême$comme$un$autre.!París:!Seuil.! RICOEUR,!P.!(2000):!La$memoire,$l´histoire,$l´oubli.!París:!Seuil.! ROBERTS,!B.!(2002):!Biographical$Research.!Buckingham!(UK):!Open!University!Press.! ROMERO!PÉREZ,!C.!(2000):!El$conocimiento$del$tiempo$educativo.!Barcelona:!Laertes.! SCHWANDT,!T.!A.!(2001,!2nd!ed.):!Dictionary$of$Qualitative$Research.!Thousand!Oaks!(CA):!Sage.! STANLEY,!L.!(1994):!The$Auto/biographical$I.!Manchester:!University!Press.! TAMBOUKOU,!M.!(2003).!Dangerous$Encounters:$Genealogy$and$Ethnography.!London.! THOMAS,!W.I.;!ZNANIECKI,!F.!(2004):!El$campesino$polaco$en$Europa$y$en$América.!Madrid:!CIS!/! BOE!(ed.!orig.!de!1918;!ed.!española!reducida!a!cargo!de!J.!Zarco).! THOMPSON,!P.!(2000,!3rd!ed.):!The$Voice$of$the$Past.$Oral$History.!Oxford:!Oxford!University!Press.! USHER,!R.!;!BRYANT,!I.!;!JHONSTON,!R.! (2001)!:!Adult$Education$and$the$Postmodern$Challenge.! London!:!Routledge!Falmer.! VAN!MANEN,!M.!(2003)!:!Investigación$educativa$y$experiencia$vivida.!Barcelona!:!Idea!Books.! VANSINA,!J.!(1967):!La$tradición$oral.!Barcelona:!Labor.! WEST,!L.!(1996)!:!Beyond$Fragments$:$Adults,$Motivation$and$Learning$:$A$Biographical$Analysis.! London!:!Taylor!&!Francis.! WEST,!L.!(2001)!:!Doctors$on$the$Edge$:$General$Practitioners,$Health$and$Learning$in$InnerScity.! London!:!Free!Association.! WEST,L.;!ALHEIT,!P.;!ANDERSEN,!A.S.;!MERRILL,!B.(eds.)!(2007):!Using$Biographical$and$Life$History$ Approaches$in$the$Study$of$Adult$and$Lifelong$Learning:$European$Perspectives.!Frankfurt!am!Main:! Peter!Lang.! ZABALZA,!M.A.!(1988):!Los$diarios$de$clase$como$documentos$para$estudiar$cualitativamente$los$ dilemas$prácticos$de$los$profesores.!Santiago:!Universidad!de!Santiago.!