Sermam de N. Senhora da Quietaçaõ, que prégou em huma missa nova (estando o Santissimo Sacramento exposto) na Parrochia de S. Nicolao da cidade de Lisboa, na segunda outava da Paschoa a 3 de abril de 1714
Full text
SERMAM N- SENHORA DA QUIETAÇAÕ; Que pregou em buma Mifa mva{eflando 0 Santifmo Sacramento expojlo) na Parrocha de S. Nicotao da Cidade de Lisboa, na fegunda outava da Pafchoa a 3. de Abril de 1714, O M. R- P.M. Fr. AGOSTINHO DE S.M ARI A da Ordem da Santiffima Trindade ’ Redempçaõ de Cativos: OFFERECIDO AO SENHOR LU IS DA COSTA FREYRE Conego na Sé deftaCidade de Lisboa, E dado à a/lampa p or Miguel Pereyra Bizete. Lisboa NaOfficinade ANTÔNIO PE DROZO GALRAM. Comtodas as licenças necejfarias. Anno de 1714-
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DEDICATÓRIA. SENHOR, íTg pmegjrmftjta com em. dição , ourido com e/panto es* acejto com applaufo , tinha fi hua falta ^que era a da repeti - çaS (pois quanto tem de afombrojo, tanto deye ter de communicado)-, & ■ a ffrn me refobi dalo H e/lampa ,para que a L ma com ofom dofeu clarim o ley e aonde íenao logrou a yo^ do douto Tanegyri/la E como para as obras grandesfe bufdrao fernpre as majores pmecqoes; para que efia obra ganhe os créditos de maxima , bajla-lhe ter hudMe. cenas taogrande, qual a illufire Tejjoa de V. cn jona > cujo e jdlãreeido rtomepu^em oJ~eu A 2 fron-
fròntifiício para que af fim crefcefiemaisnos lw£Ímentosiinterpretando nijlo (fegundo meu parecer) a "vontade dofeu <iÃ\uthor, que julgo anao dedicaria a outrem , fendo a V.S. cuja prenda , &• prendas efiima tanto: o que fuppofto "venho pagar ( por força de jujliça ) ao Li - moeyro ofurto } qu e fi^defie Sermão , tendo por acredor a V. Senhoria, a quem T>eos guarde muytos, úrfelices annos } como lhe defeja Seu menor criado <£Mdiguel fereyra < Bi‘get e -
ÜllSIPIIillP "fír Cenfura do M.R.P.D. Rafael B lutem Clérigo Reíular da Divina Providencia, Doutor na Sagrada Theologia , Pregador da Rainha de Inglater¬ ra , Henriqnetta Maria de França , Qualificadordo Santo Oficio, nefle Reyno de Portugal SENHOR, N E f te Sermão de noíla Senhora com o titulo da Quietação, pregado pelo Padre M. Frey Agoftinho de Santa Maria, eftà tudo tão quieto, que não fó não tem coufa que encontre oReal ferviçodeV. Mageftade ,mas em tudo parece mar pacifico de (agradas elegâncias. Tudo nelle faõ artíficiofos focegos de aótiva Rhetorica; para du¬ plicar armoniasbatàlhão os Antithefis j em agaíalhar vocábulos fe efmerão as metaphoras; jog ão fem confufaõ figuras innumeraveis; levantafefem tumor o eftylo, brilha fem orgulho a eloquencia. Para dar a eíta nobre Quietação mayor realce, colligou-fe com a Fabula a verdade, com a piedade fe confederou a erudição, & com a difcrição o zelo. Pelo augufto beneplácito de V . A 3 Mâ "
Mageftade eípera o prelo. Sahíndo a luz a obra, íocegaráacurioíidade dos Leytores, & femprejuifo da Quietação, correrá o Sermão o Orbe Euangelico, porque não fe commoveràò os ânimos, fenão para admirar os acertos. Lisboa, na Cafa deS. Caietano. io.de Novembro de 1714. D . Rafael Bluteau. <>í ó h fj a a -'fi • ' r uj £jí 3 t £i*t£M £3f!£c ah oriniflosA .~ â íSOhoiSfíil sviftí; sb i ertarhbnA 20 oBrllí :o'iobiííioD ‘jí obiiboip r; oLi % o bx o oí91*10 Oftetfdit
f OJlendit eis tnanus, & pedes, Luc. A verdade me parece fer a quietaçaõ a que anima, dàluítre, &: permanência tam to ás fiiblunares , como celeítiaes creatiutas [ Omnipotente Senhor. ] Na verdade me parece fer a quietaçaõ a que anima, dà luítre, & permanência tanto às fublur nares J como celeítiaes creaturas porque aílim o moítrao,&; eníinaõ todas ellas, como cantou o Carmelitano Virgilio: J°an. Sidera pace vigent , confifiunt. t erna pace. Mâtuàn. Senaõ difcorrey pelas mefmas creaturas. A tenra com qiué r depace taçáo pende de tres dedos do Altiílimo. O mar com quiá iyamh.°‘ taçáo fe conferva dentro dos dilatados limites que lhe af {inalou a Providencia. Aquelles dous Monarchas do Ceo o Sol, & a Lua com quietaçaõ diftribuem feus refplendores. As arvores com quietação fe ornão dc viftofasjòlhas, & enchem de dehcofos frutos. Os campos com quietação fe cobrem defrefea, & alegre relva. Osjardins com quiedldeoutTaS* íaprimaverâ tantas flores. EnXm em nJ H 9 a f ° U <*e hum dia, que fo.y o " 0S f can Ç 0U depois dacreaçao doUniverjfo, . C ? m P tu do qua nto recebera o fer nos feis Gcnef.z. ias an ece entes : Complevítque Dem die feptimo opus fm, quodjecerat : & requievit diéfeptimo a4 mverfo opere fqiiod 2 a "
$ Sertnaõ fatrarat. Finalmente a mayor coufa que vio o mundo, Sc admiràraõ os íeculos foy a Encarnação do Verbo Divino, Sap. 18, tambenl efta fe obrou na quietação do íilencio : Cum C,I 4 * qúictumjtienimm côntineret omma...ommj)otens fermotnmde Cedo profilivit. Eíla hê à quietaçaõ, porém a inquietação não he affim, porque he taõ pçrniciofa, Sc de tão nociva qualidade, que chega a afugentar os domeílicos , a amedrontar os viíinhos, Sc a feparar os amigos > fervindo de tormento às confcienciasde defconcerto às republicas , de ruina aos tronos, Sc deítruiçaõ ás Monarchias. He finalmente a in¬ quietação huma como mortal ferida do grande corpo de- Fr a oft Ferido pois fe lamentava o mundo na melhor <k s.Ma- Aparte do feu corpo,quãdo o noílb Portugal padecia graves "--^•inquietações no.anno do 15 80. pela morte do Cardeal Rey Matiano 'D. Henrique , que por não declarar fucceílbr da coroa a expoz a grandes trabalhos. Naufragava então eíle Rey no l ‘ t K * em hum profundo mar demiferias, combatido dos furiofos ventos de muytas adverfidades. O que experimentan¬ do hüa virtuofa matrona clamava ao Ceo, rogando a Deos fe compadeceífe defta Corte, Sc déífe quietação a eíle Rey^ no, metendo-lhe por valia a Virgem Senhora noíTa;& com eíle motivo mandou fabricar, Sc collocou naquelle altar a perfeyta Imagem fua, que alli vedes, com o illuílre titulo da Quietação , para que por meyo delle a concedeífe. Obrigada pois a Sacratiílima Virgem das devotas pe¬ tições daquella pia matrona, Sc zelo com que os morado¬ res d’eíta populofa Parrochia fe empregáraõ no feu cui f o, foy fervida alcançar-lhes de Deos a quietaçaõ, que deíejavaõ. Eílahea Rainha dos Anjos com o titulo da Quietaçaõ, a quem hoje a Confraria do SantiíTimo Sacramento feíleja com tanta magnificência * emendando fua xeligi*? a
de N. S enhora dá Quietaçao. p piedade o que os Gregos faziaõ com errada, fuperfiíçaríí. Celebra vaõ ellesí nefte dia terceyro de Abril, como refere Maíctilo, aPeoía Minerva, que fingem os Poetas procej oan . dera da cabeça de Júpiter , A: que achara a oliveyra : Mi- Jjjgk- nerva mventnx oka : Porem eita nobre Confraria: íolerntom I# niza aquel l a melhor Minerva, que íahio, não da cabeça do foi.x 4 4 - fabuloio Júpiter , mas fim da boca do Altifiimo: Ego ex ore EcdeU 4 AItíjjimiprodivii & achou, fenão a oliveyra, a paz, ou quié- ^õ, que ella.iignifica : Maria mventrix pacü , diz hum Cdadain Efte hade fer hoje o alvo do meu difcurfo , efte o aí- §^ nd * iumpto do Sermaõi mas parece que iè oppoem a ifto o Eu¬ angelho, porque moftra naõ concordar com a Feita, aílim como também a f eíta naõ ter com o. Euangelho coheren- 4ia. 'Deforte que a Feita hededicada à Senhora; Sco Euan¬ gelho trata de feu amado Filho. A Feita inculca-nos a pro¬ tecção de Maria 5 & o Euangelho nos infinua a appariçam de Chriíto. Na Feita fe offerece Maria Santiílima dando quietaçao aos Portuguezesj no Euangelho vemos a Cliri- •íto dando quietaçao aos Apoítolos: 6c dar Chriíto qiiietaçaõ aos Apoítolos, naõ hco meímo que dar a Senhora -quietaçao aos Portuguezes. Aílim he, porque aílim confia do Euangeího, Sc da Feita -, mas para mayor gloria de Ma¬ na Santiílima , heyde moftrala hoje dando quietacaõ/am- .bem no Euangelho. Peço-vos miiyta attencaõ ; fctr<t..oJiê„de mihi facim Om.». sfe* b rf d 7 ed d 3 neribusChnJÜ. E°hemunfo mVuU j;n A r J mu y t0 para notar, que pouco antes > iz no meímocapitulo fegundo dos Cantarei, que appaiecerao imas flores: Flores apparuermt interranoílra. B Por
Bérchor. tom. 3. Redu&orij. raor. verbo Lunfl' Píal.103 16 Sermaõ parada ao Sol, & à Lua [ porque em fogeyto de tam eleva¬ da esfera he muy própria afemelhançade afiro] mas lim no modo com que fe faz a dita comparaçam. Duvido pois aílim : fe as filhas de Siaó querem engru ndecer a Senhora, porque não a aífemelháo n 1 férmoiura ao Sol, mas fim à Lua ? Aílim como fe diz efcolhida como o Sol, & fermofa como a Lua, porque fe náo diz efcolhida como a Lua, & fermofa como o Sol 3 Não he o Sol o planeta mais luzido, o afiro mais refplandecente, de quem a Lua recebe a própria claridade: Luna a Sole íllnjíratvr i Sim: pois fe o Sol faz oftentação de tanta luz, fe na fermofura he hu Sol, porque razaõ naõ he a Senhora, quando applaudida de fermofa, comparada ao Sol, mas fim à Lua: Pulchra iit Lu¬ na ? Com muyta razão, por hüã grande differença, que ha entre o Sol, & a Lua* fenaõ vede. Levanta-fe o Sol na madrugada do chriílalino leyto das aguas, trajando purpura, coroando-fe de eftrellas, em¬ punhando rayos por cétros j & começando a pizar mageííofo as liquidas pérolas,que a Aurora prodigamente difpendéra por alviçaras da fua vinda, fahe a illuífrar os mon¬ tes, dar alegria aos valles, alento aos viventes , & os bons dias ao mundo: o qual logo começa a inquietaríb com a chegada de hum tam illuftre Principe; porque as aves en¬ tre alegres cânticos fe auzentão dos feus ninhos, os brutos defempàraõas íiias covas,& os racionaes fahem dos feus domicilios, cada hum para a fua occupação , & trabalho: Ortus ejl Sol...exibit homo aà opusfunm , & a d operat tonem fitam 3 o lavrador para o campo, o negociante para a praça, o miniífrò para o tribunal, & o valido para o palacio. Paffao as horas, corre o tempo, chega a farde , & auzentandofe o Sol na declinaçaõ do dia, fe moílra nefles fuperiores orbes entre cortinas de nuvês aquelle cândido afiro, q ue com as vibrantes armas da fua luz corta pelo obfcuro cor- ^ P°
de N. Senhora da QuietaçaÕ, i y po da.noj.ite , fervindo x d e farol aos navegantes, de luminᬠria a eíTe ethereo palacio , 6c de lampiaò à grande íalado P niverfo.: a efpofa digo do Sol, mãy do orvalho , & emperatnz do mar, a Lua: com cuja appariçaõ ceíía o ruído do dia, & começa o filencio da noute. Jà as aves fe entregaõaofomnonaeminenciadas fuas habitações ,jà os bru¬ tos repouíaõ na profundidade das fuas grutas, & jà os raçionaes deícançaó na brandura dos feus leytos ; porque fe lhes açabou o trabalho com o dia: Aà operatwnemfitam uf¬ ane aà ve/f eram. J à finalmente he deliciofo defcanço, o quç Píal toy inquieta fadiga dos mortaes, & he fuave quietaçam,o que foy penolo dezaflbcego: Jamqueper emeriti furgens confwia Thoebi Titams mundo late fubjettafdenti Rot ifera gelidum tenuaverat aurea biga : Jampecudesy volucresque tacent :jam fomnus avarü Irrepjit curü - Cantou là o Poeta Statio. Viftes como o Sol inquietao mundo, & a Lua lhe da quietação ? Ide agora comido.Ma- Th< ria Santiílima como Sol, he quando exaltada com alguma das fuas advocações. He Sol pela advocaçao dachandade, porque também o Sol foccorre : he Sol pela advocaçaó da Lude, porque também o Sol diverte as doenças : he finalmente Sol por outras mais advocações. Eis-aqui o que nos da a Senhora como Sol: 8c como Lua,que nos dà ? Da-nos ° d ar he, como viftes,pro- ? ^ d dcda ^ ua r A1 \[ lm ? pois chame-fe a Senhora fermofemelhanteao Sol > mas fim quando femelhante a Lua j porque parece que fò por advogada da quietação, he fermofa: Rulchra ut Lma. Tam annexa como ifto, anda a fermofura da Senhora a quietaçam, que communica :.tao grande uniaõ ha entre hüa outra coufa, tam admiravel identidade, que o mef- C mo
Cant. 6 . Ghisler. in Canc. Tcrf. 11. Expof. Ifai.H- num. 19. D.Juftin, contra Tryph. deS.Eucharifti í 8 Serrnaõ íno he louvar a fagrada Virgem de quieta, que engrandè* cel# de fermofa. Naõ nos apartemos das Filhas de Siaõ,que ainda nos haõ de provar o penfamento. Quatro vezes pedem as Filhas de Siaõ à Senhora, que volte atraz opaíío :Revértere,reverterefunamitis: revertere> revertere. Ghamaõ-lh ^futiamtiSy q na verfaõ de Aquila vai o mefmo que, pacifica: Sunamitisjd eft , facifica.lVio fuppof- to,pergunto agora aillm: para que chamaõ eílas Virgens à Senhora com tam repetida inílancia ? Elias mefmas eílam dizendo, que para a verem: Ut intueamurte : Em lugar do que,lè o Efeolio Grego:i ntuebimur ut fpeffaculum-, veremos a voíía face, como elpe&aculo: iílo he, como efpe&aculo deexcellentifiima fermofura : PrafiannJJimumpukhntudimsjpectacuhm , expõem Ghislerio. Bem : poisfe eílas amantes Virges tam anciofamente defejaõ gozar a viíla da Senhora * fe por meyo de tantas fupplicas pretendem ale¬ grar os olhos no jardim da fua belleza, porque lhe naõ cha¬ maõ fermofa , mas fim pacifica ? Defejaõ-na ver como fer¬ mofa , St intitulaõ-na quieta ? Que tem a fingularidade da fermofura com a excellencia da quietaçaõ ? Tem muyto> porque ha taõ grande uniaõ entre huma , St outra coufa, taõ admiravel identidade, que o mefmo he louvar a Sagra¬ da Virgem de quieta, que engrandecela de fermofa:#^^- terefunamittf : intuebimur ut praftantijjimum pulchritudtms Jpeãaculum. Eílà viílo o muyto que Maria Santifiima fe decòra com quietaçaõ que dà: reíta agora provar o mefmo daquelle Senhor Sacramentado ; para que elle confirme o difcurfo, Sc juntarnente nos authcrize o Serrnaõ todo. Fallando o Profeta Ifaias de Chriílo naquelle Sacramento C no fentir do Martyr Saõ Juílino]diz,que alli o veràõ os olhos çom fermofura : Regem in decore fuo videbtmt oculi. E como aífim? Se naquella fagrada Hoília naõ vem os olhos mais
de N.Senhora da Quietaçaõ . 19 que hum vèo de cândidos accidentes : le alli fe efccnde Chrifto às noíTas viftas, como faz alli oftentaçaõ da íua fermofura : In decorefuol Direy: Chrifto naquelle Sacramento dà-nos quietaçaójporque he Cea aquelle Sacramento Santiílimo, como lhe chama S. Paulo: C>onvenientibus vobü in mum jam non eft Dominicam cocnam manducare: 6c Cea, q he vocábulo Grego,vai o mefmo,que coufa,q dà quietação de trabaUiPSãC^fdiz Plutarcho;^ eJi,quod a Uboribw fu, P i„« rch . perfedere faciat. Aflim o diz o Sylveira: Geena laõ palavras s y m P h - luas) reíiediaturfacraEuchanftia,tant,m e nim d ifiat «tad ÍV 6 laboresmtUat^quodfuper federe faciat i labonbus , & dat om- Sybcír. nm quietem. Da-nos Chrifto quietaçaõ no Sacramento: & he tal a qualidade defta dadiva, tal a excellencia defte benenciOj que^o mefmo he dar-nos naquelle augufto Mvfte í ncar am 4- U— Aflim fe junta na fagrada Euchariftia a oftentaçaõ da fermofura com a data da quietaçaõ; do mefmo modo que em Maria Santallima fe admiraõ os realces da ferraofura quando da quietaçam dadivofic concedendo-a a efte Revfrfe° I S ^ T dl ‘ loaos A p oftol 0 s 1 nas chagas das mãos, & pes de Chrifto refufcitado: OJiendit eis mamts, & pedes-. como quieta pomba : frueta columba^ mos buracos da pe¬ dra: Columbamea mforammibuspetrar. mvidnertbus Chrth Tenho acabado o Sermió, mas naõ tenho ainda aca¬ bado de pregar ; porque fe me offerece aflumpto para os óptima refoluçao efeolhido para acçaõ taó heroica, P o rque dia, em que fededicao cultos àquella Senhora foberana Là V n è 10 ,ir S 6 r f os Js pombas, em final de fumma felicida- e. c c a arazao porque os mais ricos ,&poderofos del- C j les
Píal. 18. Sermaõ * les coíliimavão pintar azas de pombas nos te&os das fuas imhim. ca ^ as > como refere Euthimio. lítomefmo, queos Hebreos apud Pipraticavão com as Pombas materiaes, uzou o novo Sacei- VaíeT. ^ ote com a m y f tica , & íingular Pomba 3 a Senhora da Qiiie- 3 ib. íi. tação; tendo a protecção das íuas azas, por íinal de félicifoi. ui. dade g ran ^ e Debayxo das azas deíla Pomba tem hoje a fe¬ licidade de ofFerecera Deos o primeyro facrificio, aífim como logrou a dita, de ler creado Sacerdote, debayxo das mefmas azas* porque em hum fabbado, dia dedicado à Senhora/ecebeo o grào Sacerdotal. Sem duvida, que fallou aquelle dia dezalète de Março,com eíle tres de Abril, co¬ mo de outros dous dias diíle o Profeta Rey: Dies diei eru - Eíat verbum : porque fe aquelle dia era dedicado à Senho¬ ra, neíle dia também he a mefma Senhora feílejada* fe aquelle dia vai o mefmo,que quietaçaõ, que iflb quer dizer, ■ Sabbado \SabbaUimjd ejl,reqtties : também temos quietaçam neíle dia. Oh ditofo Sacerdote, de quem a Senhora da Quieta¬ ção he Protèélora! por certo, que baila a protecção, que tendes, por indice da felicidade, que gozais. Baila aífiílirvos naquelle Altar a Senhora da Quietaçaõ,para fe entéder, que fois eleyto por Deos em Sacerdote * porque he prcprio da Senhora da Quietação, confirmar hum Sacerdócio. Pez Deos a Araõfeu Sacerdote:& porque muytos dosHebreos imputavam eíla eleyçao a Moyfés, & naõ a Deos, de que ella era: mandou eíle Senhor a Moyfés,q recebeííe de todos os Príncipes das Tribus doze varas, efcrito o nome de cada hum na fua vara- &: que juntando a eflas doze ou¬ tra,em que eílivefle o nome de Aram, também efcrito: pczeífe todas treze noTabernaculo*dizendo-lhe:que aquelle, cuja vara íloreceífe, era o eleyto em Sacerdote. Cumprio Moyfés o mandado de Deos • & entrando no feguinte dia em o Tabernaçulo,achou a vara de Araõ^ naõ fó veílida de J folhas,
de N.Senhora da Quietaçaô. 21 folhas, & ornada de flores , mas também carregada de fru¬ tos : defta forte ficou confirmado o Sacerdócio de Araõ; Solavirga Aaronüflor et » & germinat.xoque mirabili effetfu f f ^ bat Aaroms Sacerdotium confirmatur , diz o Efcobar. Eíle o ca P . í ™ ‘ fucceífo, entra agora o meu reparo: Se Deos queria moftrar, que Aram fora por elle eleyto em Sacerdote : fe que¬ ria confirmar efta eleyçao com hum milagre, porque mais ha de fer com eíle, que com outro ? Que myílerio tem a vara florida, que myílerio, confirmar o Sacerdócio de A- ram ?Eu o direy. Era efta vara,Maria Santiflima,como diz Hiigo Cardeal: Virga eft beata Virgo : & não de outra for- ^2° te, fenão como advogada da quietação : porque por meyo Nuin. 7 ’ deíla vara,quiz Deos dar quietaçaõ às queyxas dos filhos de Ifrael: Quem ex hü eleger 0 \gernnnabit virga ejus , & cohibebo ameqiwámonias filwrum Ifrael : qniefcerefaciamque - rimonias , lem o Hebreo, & Chaldaico: como defa&o foceé.T 1? * gàrão,tanto que floreceo aquella vara, como dizem Cae* tae>an tano, & Lorino. Ah fim ? pois ella vara,era a foberana VirlSÍ gem,como Senhora da Quietaçaõ? pois por ifib Deos quiz £P- confirmara Aram o Sacerdócio com efta vara$ porque he ■ um ’ proprio da Senhora da Quietaçaõ, confirmar hü Sacerdó¬ cio: Eoque mirabili ejfeff u Aaronü Sacerdotmm confirmatur. Confideray agora o Tabernáculo de Deos, & ponde os olhos no Templo de Nicolao: & comparando a figura com o figurado, achareis hua grande proporção entre o fi¬ gurado,& a figura: entre a vara de Aram, & aquella Senho- > ra foberana. Là a vara de Aram confirmando a Aram o Sa¬ cerdócio^ cà a Senhora da Quietação confirmando tam¬ bém o Sacerdócio a outro fegundo Aram. E nao repareis em eu comparar eíle novo Sacerdote da Ley da Graca àquelle antigo Sacerdote daLey efcrita,quanto à confirma¬ ção do Sacerdócio; pois naõ fò nefta circunftacia fe parece; hum com outro, mas também faõ femelhantes notempo, C 3 & . v
ii Sermão & lugar do priméyro facrificio. E porque a voíTa curiofa attençaõ mudamente me eítà pedindo a razão deita femelhança, eu vola quero dar com brevidade. Comecemos pe¬ lo tempo. Levantado por Moyíes o Tabernáculo de Deos,nd Exod 4 0 pcimeyro dia do priméyro mez : Igitur menfe primo prima t>. 15. dte menfts collocatum eft tabernacidum : erexitque Mo yfes illiid: fez Aram a Deos o priméyro facrificio no outavo dia feguinte: Fa£fo autemotfavo die...Aaron accedens ad altare imrnolavit vitidum. Enão he também o mefmo, o que vemos agora praticado? Senaõ vede. Aquelle mez priméyro [por¬ que delle fe começou a contar o anno depois da liberdade Lcvit. 9 . dos Hebreos ] chamava-fe Nifan , que vai o mefmo que Hugoin Abril: Nifaneft Aprdü , diz Hugo. Pelo Tabernáculo, quç. Ezççhici. Moyfés levantou no priméyro dia do dito mez, entende o Barradas ao corpo SantiíTimo de Chriito, gloriofamente hhiacclevantado da fepultura : Nonnetibi videtur ereãum taberncr.c.14. naculum>cum cor pus illud fanãijftmum^ quod jacebat mfepulchro , magno corufcansftlendorefurrexit ? E fe Aram celebrou o priméyro facrificio em Abril, no outavo dia da erecçam do Tabernáculo: também o novo Sacerdote faz a Deos o primeiro facrificio em Abril,no Outavarioda Refurreyçaõ de Chriito, que cahio no priméyro dia deite mez,ailiin como no outro Abril foy a erecçaõ do Tabernáculo, figura fua. Seguefe a circunítancia do lugar. Sacrificou Aram em hum Altar junto ao Tabernácu¬ lo * no qual Tabernáculo eítavaõ, huma Menza com os Pães da propofiçaõ , huma Urna de Mannà , a. Arca do Teítamento ,as Taboas da Ley, &c hum Candieyro de. cu¬ ro. E por ventura naò he o mefmo, que vemos também naquelle admiravel Tabernáculo ? Porque alli tendes por Menza dos Pães da propofiçaõ , a Sagrada Euchariítia expoíta naquella Menzaj por Urna de Mannà , o Sacramen¬ to
de N. Senhora da Quietaçaõ\ zj to em hum cofre, dentro naquelle Sacrário - y por Arca do Teftamento , aquella Sagrada Virgem, como lhe chamaõ D.Bcm. algüs; por Taboas da Ley, aquelle MiíTal, em que fe lem &ali ipreceytos, aílim de hü, como de outro Teftamento f fínalmentepor Candieyrode ouro , ao grande Nicolao : ouro pela fua ^rdente charidade, de que o ouro he fymbolo: Ati¬ ro { diz Be da ) charitasinjimatur : fervindolhe de oleo o Ecdatom * qurmilagrofamente dimana do feu fcpulchro: De tubaejm rtbVrn? etnanatfons olei : & de luzes, tanto feus admiráveis prodica P - ?agios;, como o refplendor do feu nome, pois Nicolao, fe mterpetra^elplendordo povo: N icolaus-fdeJi,mtorpopuli. E “cjoswfela o Candieyro eftava ao lado do Tabernáculo :Pones... A ndrad canddabrum m latere tabernaculi: também Nicolao eftà naquelle Tabernaculo, a hum lado. Exod ^ Gloriofa Emperatriz do Univerfo, pouca feria a vofnUnM4 ‘ fa grandeza, fe a pequenhez do meu talento a poderá comprehender: menos admiravel feria avofía foberanía, fe a minha lingoa a foubera explicar. Fiz, Senhora, o que pu- Salazá de, mas naó fiz, o que devia: fazey vòs agora o que deveis, „ Pr ° T ' naõ a nòs, mas fim à voíTa grande piedade.E fe a Pomba he 4. n.Vs.‘ muy facil de prender: Cohtmba captu valdefacilú : vòs,que fois Pomba,entre todas a mais manfa: Inter omnes mitwA&ym. vírg. xay-vos prender dos noflbs rogos, com que incefiantemen- a Plin . ias te vos pedimos > que affim como outra Pomba guiou aos Aidror. Argonautas para Colchos, nos encaminheis para a quieta- TVrb çaõdo Empyreo: Ad quam nos perdticat SanBijJima Trinitas , &c. F I M.
u-i.lwX v I . • • ;Ü'IA 9ÍbffJ>?, - • . . ) . rh r -| •' 'ü -:‘ - ; 7£ . à\> 4v oL £CnA ■ -•••.', • íá;:;.;. :n?:r .nv.;i '« oíira^io onl i >rsfà t mal ál ano ma c !íJ 1 i -A : ; •• ■ ; •... ' . i •;••.; - .• •-• òiUo: aiióafrl a&m/ig ©*'« vihól ■ xímvt idc•/•: • oLsbiA - : i ur/iu tiii r &q ,, • i \ ... ■ r-ç • : , . ../.<\ ■ •> • ’ • í! ' • • • ■■■ AvA ' l -í . > * j ;• • :n r j . ■ . ■ .. ' . , - ■ ■ • • . - Auafá ; .fcwbni-- ... . - >fií In .* . • : : \'S.-. w .1 ' ■ -í 7 c :.i ‘Vt-L-arToq e *t>n • Aa : J ob‘sn^r.Tjqrriií :.VA :a O -mojiiiabòq tohiAu uam c l xodíiajrjppq :. i. v v t ü i r r tòdol xíftoVfi• fiií dVIo y râotbc tom..: tiobntrlaiq lS ■ í inim ■ . .. . • '' ;. v . >v A r a ; :: iva j c \ ã.:: t A> - tdmAi r. . í.vAAAq abftfiig á>07 hmii ;xfn ç A>n sòifi ' ■ ■ ■ _ . . ' . ... I • :-!7 A:;AÍ í;;c ;• ;-:A. r ;• ;• >:> :/:*. ■ > '] £ov aí . *.í.']smi , *: ^vrAxA-.v./Pj 7 /jA.yr v.v\ sAv; c^v/qm.Y o-, o;:? /rbc^-' V; M À '