Exame critico do parecer que deu a commissäo especial das Cortes sobre os negocios do Brazil ..
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EXAME CRITICO DO PARECER QUE DEU ACOMMISSÃO ESPECIAL DAS CORTES SOBRE OS NEGOCIOS DO BRAZIL. Tv Aliberte est un aliment de bon suc ,mais de forte âifjestion ;il faut des estomacs bien sains pour le supporlér, Je ris de ces peupleç avilis qai ,se laissant ameuter par des ligueurs osent parler de liberte sans méme en avoir Videe ,et ,lc coeur plein de tom les vices des estiaves ,s' imaqincnt que, pour étre libres ,il suffil diítre des mutins. Fière et sainie liberte! si ces pauères qens pouvoient te comioílre ;s'ils savoient àquel prix on facquiert et te conserve ;s]ils sentoient combien tes loix sont plus austères que riest dur lejoug des tyrans ;leurs faibles ames ,esclaves cies passions quil faudroit etoujfer ,te craindroienl plus cent fois que la servitude ;ils te fuiroient avec effroi comme un fardeau prét àles ècraser. —Rousseau., ”Liberdade he um alimento são ;porém de tão difficil diges- ”tão, que bem robusto ha de ser oestomago para delle fazer chy- y> jG]Vlovem-me ariso esses Povos abastardeados ,que deixando-se tt amatilhar por alguns conspiradores, ousão fallar de liberdade, sem »> c|eliberdade ter idéa ;etendo ocoração arrazado.de todos osvicios »dos escravos ,cuidão que são livres só porque se declararam alevan* ”lados. Altiva, esanta liberdade! Oh, se essa pobre gente podesse ”conhecer-te, esaber oquanto custa oadquirir-te, econservar-te, ”se esses coitados sentissem oquanto he leve ojugo dos tyrannos, ”comparado ás tuas austeras leis, certo que aseus espíritos humil- ”des, escravos de paixões, que melhor fòra suftbcar ,serias cem ve- ?} zes mais temerosa que aescravidão; de ti fugiriam aterrados, co- ”mode carga ,que ameaçava esmagados. ==? Rousseaiu Cuidava eu recem-chegado áPatria; que nella descançaria por a]o Umtempo, para folga de trabalhos litterarios, elongo desterro nue soffri em terra estranha; aquietandò-me nessfes pensamentos de iim ocio decoroso over que estava abons engenhos encommendado oescrever dos acontecimentos ordinários, onde não faria mingoa ade minha pobre contribuição; porém, mal ocuidei assi ;porque os tempos rnuóáram com as alterações políticas ,que sobrevieram ,ecá vim achar. Tocou al’arma adiscórdia ,que ameaça perturbar no goz0 da liberdade aPovos irmãos, quando haviam sido tão concordes lio conquista-la (como se essa liberdade admiltisse partilhas, enão a houvessem todos gozar em commurn )por isso; arreceando-me eu com razão das guerras ateadas entre irmãos, que de ordinário sao as mais bravas ecruas, não me julgo dispensado de outra vez acodir ao meu posto, ainda que me sinta estropiado invalido; pois quando ha tanta necessidade, eaperto de serviço, nem os que já passaram "or elle são reformados, nem os achaques escusam. Ja não ha duvida nas más novas, que se arreceavam ,de haver unia «rande parte do território ao Sul do Brazil mostrado indicies quab
si 'certos cie querer separar-se de Portugal ,bem que ainda eánãoJbâ' ja certeza do quão longe -se- estende ocontagio d’esse scisma político, equanto seja onumero do Povo contagiado: bem he que seja as- si ,enão venham todos os males de tropel; que não temos *iós a paciência dò santo Job, sobre quem cahiram todos de enfiada. 0cer- to he que oPríncipe Real ,que fora deixado no Rio de Janeiro >..informa d’alii que tem por impossível oembarcar-se pura Portugal re cumprir com essa -e outras ordens das Cortes ;que aCapital está em grande reboliço,eque Úlalli se mandam Correios para as mais Provim cias ,se bem que tudo se fará com ordem ,como lhe dizem —Além d’is- 8° jl] ns arôes de S. Paulo (12 em numero ,mas não de tanta fé como oApostolo das Gentes) enviáram .ao mesmo Príncipe por uin Dorreio um instrumento de homenage absoluta, eobediência céga, u° qual orequerem ,einstam para senhor de vidas ,efazendas ,ao mesmo tempo que dam manifesto de queixas eaggravos contra as desorgamzadoras Gortes de Lisboa. Eis-aqui os motivos sobejos, porque se as Cortes determináram anomear d’entre seus membros uma Commis‘ são de outros i2 (ahi temos Horacios contra Curiacios )compos ^a igualmente de Deputados d’aquem ed-alem ,para ella informar com oseu Iarecer acerca düs remedios, que ao 'mal se podiam applR^P Ja essa Commissão deu mui pontual seu Parecer; ,e acerca d’elle ra daria eu omeu (valha-me asanta lei da liberdade da imprensa J se não fora onão opoder eu bem assentar ,antes de avaliar., p°raíí razões de meu fraco juízo, oque formo da natureza d’esse mal ,edos remedios que lhe convém. Assi poderei (com todo odevido respeito ) lazer exame no Parecer da Commissão; eapontar nelie oque tenho por inferior ao merecimento da boa gente que nella entrou. Razões principaes (ou antes pretextos puériz) do reboliço edesavenças ,que vam por ,o JiÍQc eS. Paulo ,sambas ,que allegou’ aJunta «desta Capitania em seu Manifesto, que já for lido em Cortes ,ebre- ve teremos publicado ;asaber —tyrarinia das Cortes de Portugal para com oJBrazil, porque retalhárara èste Reino com as Juntas Proviftciaes, que lhe deram; porque nomearam Geheraes para as Províncias? sem ás mesmas Juntas ficarem sujeitos por obediência; porque extinguiram oDesembargo d© Paço ,Mesa da Consciência eoutros Tribunaes do Rrazil ,quando d*elles muitos proveitos se esperavam; porque lhe queriam agora roubar oseu adorado Príncipe ;havendo-lhe já roubado seu adorado Pai, não fallando nos adorados Netos, que por nicrcê da Providencia ,ou boa fortuna ,atinham de haverem nasci d0 Brazileiros; em fim, porque se queria assi privar oBrazil de um centro de unidade ede um Poder Executivo. Nao me cançarei agora com destruir castellos de cartas de j°£a! ; ou metter luz no dia, que isso fôra opelejar apeito contra essas senl razões, que não passam d’empolas de sabão: já alguns Escriptores a desfizeram ,ja oParecer da Commissão respondeu auma parte delia amplamenté (que não me parece have-lo feito atodas, talvez p01 ( receio generoso de contra grande fraqueza usar de grande força/ un im ,mais adiante, quando couber ,alguma cousa mais ái feI p-uõ/nrlnc £oríLs^apontarei aunica ,everdadeira razão desses hs"tfrazl ’e7“ »“'.o&eo Meu, com injusta e%çÇ tivoV-' eahi b (, e’de ^c . os 0s outros pronomes primitivos, ou Ç'\ gadorea do Rio <|Ue °Ponta Víram os Meritissimos Desel»bar Hm ,com toda ,a infinita caterva de zangüos empregadoS
(3 ) Pm comer e'destruir, que lhes havia sido escripta nas paredes do Paço das Necessidades asentença de Balthasar —conta, pezo, emedida— a^si oviu essa chusma de Fidalgos decahidos ,Cortezaos desenganados, Militares expectantes, com tantos outros embriões do poder ,ecia fortuna :dahi nasceu oremoinho da desordem ,que em suas mal equilibradas cabeças primeiro começou, equeira Deus quô pare ahi ,sem revolver no turbilhão opobre Povo. Não se me quer sahir da memória onome de um dos principaes comparses nessa burleia de S. Paulo. He hum homem ... (chama-lo-hei homem?) he um monstro do Brazil ,coberto de benefícios, honras eriquezas ,por a nossa ultima Rainha de saudosa memória, epor EIRei, nosso magnifico Soberano !Assi descobriu ocaminho mais atalhado para pagar benefícios que mal mereceu !He de crer ,que ainda os julgassõ minouados’, epor arebellião quizesse fazer degraus para chegar a proprietário explorador de todas as minas preciosas do Brazd. jQue bem conhecia Franklin agente desta laia! Eis-aqui acerca delles aOpinião desse illuslre Philosopho — Tinha (diz Condorcet no Elogio de Franklin) por desfavoráveis áliberdade e ao bem publico as opiniões exaggeradas ,com que os espiritos vfios ou superficiaes encobrem seu nenhum saber ou seus preversos intentos ;detestava sobre tudo ocriminoso machiavclismo dos que se não correm de vergonha por ouso de meios injustos, ainda afavor da liberdade ,nem se arreceiam de aCatisa d’ella envilecer emal servir confiando-a de talentos que são deslustrados pof os vicios. Aquelle (dizia) que ’ er Jivre commette umcrinje, sem remorsos ocommettêrn para se fazer mandão; equalquer homem, que por vilezas ou perfídias tiver deshonrado sua vida, como se- ja incapaz de a-mar aliberdade, quando lhe faz serviços, bepara melhor aatraiçoar. Entre omuito, que ha para lastimar em todas essas desordens, lie over ,que essa matilha tráz oseu Principe enganado ,mettendo-o em perigo de faltar ápiedade filial, que he virtude ínnata na Augusta Casa de Bragança, <; Como não vê S. A. R. por oque já lhe fizeram no Rio, aonde íhe quebráram aauthoridade, quanto deva arrecearse das novas ternuras dos Crocodillos? Bom seria nesse caso oaprender esta doutrina de uma Dama illustre — ”Quand 1’autorité du Prince est en défaveur auprès de 1’opinion , ”le principe de la monarchie, qui place 1’honneur dans Pobéissan- ”ce ,est attaqué par sa base —”Stael. Todavia .boa esperança fica ainda atodos os Portuguezes de que S. A. R. não abandonará ohereditário patrimonío de suas virtudes; ese aellas alguma apparencia se mostra desfavorável, ainda lhe íica’ adesculpa, que aos defeitos de Carlos 2.° deu oHistoriador Hu- Achou-se em tal situação ,que não podia ser sem faltas ;eessa situação mal apodia superar afraca natureza humana. De tudo oque deixo ponderado outra melhor confiança me fica ? que he ,ade se colher dahi, que não são esses alevantamentos nem obras das tyrannias, que oGoverno de Portugal fizesse aos Povos do Brazil ,nem effeitos de acordo nelles ,para ofim de alcançarem carta cie emancipação ,eindependencia ,aqual carta lhes fosse manda^ da passar por anatureza, com ojusto fundamento da boa, einteira confiança nas próprias forças delles. Por quanto, depois que no Portugal restaurado começou aluzir aliberdade, epor ellet se ajuntou onosso illustre Congresso;, eeste começou aentender nos negócios
(4) I do Brazil ,gcomo poderá este ,com a. mais levo soml)ra ele razão, acusar aquelle de tyrannia ?Foi este convidado, com termos d’iguaí-, dade ,eentrou explicitamente para aRepresentação de 'Portugal; deu-se-lhe uma administração popular ,etoda de sua e«co'ha ;fizerão-se reformas nos seus daninhos estabelecimentos, eiodas niuito de agradecer; estavamos promptos alhe acudir aquantas mais necessidades apparecesseiiij que se podessem remediar; forão os Deputados, quando .chegados do Brazil, levados nos braços, erecebidos nos codowhrí seuflr 1 ,1 ; a0S |^l,r°Pe°s.; alli os tenho visto usar largamente iios , fa1 ) eulaíleconstitucional ,com aplauso ,ou generosa moderação de seus Collegas Europeos :então, e *que falta ao Brazil , quÇ Il]ais Pertfnde ,se não he aindependência? Talvez, talvez o Congresso, tenha dado occasião aperder por sobeja liberalidade oque *tpoçlm ganhar xom discreta parcimônia ;que mal posso eu agora °$i dSG na°f°I extrava.?ancia de prodigalidade ono Brazil conceder Representação Nacional por abase da" de Portugal ,(*) eodarie untas populares de administração ,em que nenhum Membro he vor^lr^"! H°GoVerno-NSo he extnordinario, q„e o sobejo fado Brazil m„feSSe aZ°3exaSSerarem suas perlenções os Demagogos contractos rn Tossem arremedar ainsolência de Breno era seus henaíura1oT °- RotPan°s5P01s da injustiça, edesmandada cobiça zem •eSGr in . SaClave ’em ProPorÇão das vontades que se lhe fafivnún t pre fül COst“me >euso da fraqueza oconfundir os mono arK'/ e . mo J* coni os da generosidade, edahi carregar mais amão no arbitrano das pertenções. ò Impossível me parece, como disse, que por oPovo Brazileiro , nossos irmãos ,lavre ateado ofogo da discórdia, eque entre elles íaja concerto para se de Portugal separarem. Vaidosos são elles por natureza (boa qualidade, se for bem aproveitada) epor isso, nunca Üeixarao seus louvores em mãos alheias; porém, mui estúpidos seriam ,se renunciando áintima convicção de seu atrazo presente, esuas muitas necessidades ,assi como aos benefícios que já lhes fizeram as Cortes, eaos mais que tem de lhes fazer cortassem de um golpe os vínculos de parentesco ,origem, patria, religião, língua ,interesse, eeducação :etudo isso para que ?^para 0famoso Sarmento ser Secretario dos Negocios do Reino, eda Guerra oimbelle Marquez d’Angeja? Impossível :que só quando as verdadeiras necessidades apertão rijas ,he que uma Nação recusa obediência ao seu Governo (e sempre nisso tem razão); mas quando são <e pura phantasia as razões de queixa, ou essas prendem ern cobiça, eambição ,só podem tocar apoucos ,enunca esles podern causa do Povo adelles ;d’onde he facil adivinhar omá° oPnvn p®rao 5a, nda quando alcancem por algum tempo oilludir ha rq, - eseJaoorgulho dos Brazileiros (que nelles meamor aPatna, ou estimação de si ,que odio dos Europeos) ioi s iO te em Portuffa?<fenda< ?°t seils lt,vos Brazileiros ao toque de verdades tão nuas; P° se acha cren te 6h?malS cornn™nicaçao de letras, enão ha escravatura, n;l ” Sua noW.U Um il? u^P nra "° Conere88<S icomo não haverá delia ta ’nue lú ha ;po£^por Pernambuco'‘bem d.cu aconhecer TT" °estabelecimento lu „T d T 1Caçao Patriótica ,(alhada em ponto graí,c1^âo lhe er*r. jGoe uma tJ iiivcrsiclíulp nir*i ru* i/* íniic ^ c°uvede33e mais unia Escola -l? ara Olinda ;emagoa íoi >1 ia •*-SC01a üe primeiras letras.
CO impossível he que sejão cegos ao estado de fraqueza, em que estão postos. Com pequenos cabedaes de industria ,ecom pouco corrimercio .mal doutrinados j>or educação ,separados, ecom pouco tra- to entre si, como se vivessem de polo apolo, eainda tão desunidos por ciúmes provinciaes ,como se fossem inimigos :em fim ,escarmentados por oexemplo funesto das guerras civis de Buenos Ayres, dcomo poderiam sonhar com Republicas, Monarquias, Independências? Vão os amigos da discórdia com seus cocos espantar crianças; mas não venbão cá ágente de senso com mum metter medo com essas vãas carrancas. {Que direi da mui sobeja povoação Africana, que ameaçam, quando boa occasião se ofiereça por algum rompimento de guerra civil ,de no Brazil representar atragédia dós Spartacos de São Domingos ?4Que remedio haverá ,que esse cancro mortal possa extirpar, quando até nos Estados Unidos, ao sentir de um insigne Geographo, he de mui difficil cura ?Warden odiz. Vesclavage est la grande plaie des E'tàts Unis ,et malheuresemenl il est dlfificile d'y trouver un remede. Podem dizer-me, que no mesmo continente existem Americanos Unidos: eeu lhe tornarei, que ahi mesmo vivem otigre Real, e vermes infusorios ,que nadam (segundo aphrase do Philosopho Poeta) sobre uma gola d’agua ,epara quem uma gota d’agua he um vasto oceano. Não quero agora notar todas as variedades, que ha nos dois paizes; com uma só me contentarei, eserá, para aos Americanos fazer justiça igual, até ácusta da terra em que nasci. Americanos do norte são vindos dos primeiros colonos Jnglezes, que para lá passaram bem doutrinados na liberdade civil ereligiosa, que já se havia estabelecido 11a Inglaterra, quando d’ahi sahiram :Brazileiros são oriundos de povoadores Portuguezes, que para oBrazil se passáram ,desde otempo de João 3.° para cá, já quando? aliberdade, eos costumes iam entre nós cahindo em degeneração. Só por ahi bem se póde fazer aconta, evér oquanto cabe acada um. ”Porém (dirá oPovo) se perdemos oriquíssimo Brazil, perdidas ficam para nós as minas cToiro eriquíssima pedraria; ficamos mesíe canto do mundo uma coitada, pequena epobríssima Nação, que mal póde sustentar independência. Ai de nós! Osul do Brazil está perdido, ebreve onorte lhe seguirá orumo.” Deixe-o perder ,profano vulgo ,com tanto que possamos dizer, como brancisco 1°depois da rota de Pavia: perdeu-se tudo ,menos a honra. Em verdade, são de fazer inveja os nobres espíritos de um mui jilustre Deputado, que hoje mesmo no Congresso proferiu estas palavras, dignas de se esculpirem em letras d’oiro: Percam-se dez Brazis ; masfique salva ahonra nacional, enão se perca ado Congresso. Quero agora, por um pouco, conceder de barato que atéqui passavam para as nossas mãos as riquezas do Brazil, eque perdido elle, perdidas eram ellas para nós: embora: acaso seguia-se dahi^, que ficava Portugal arruinado, eacabada ficava nossa consideração nacional? Ainda assi, ficavam-nos mui valiosas Ilhas adjacentes ,eoutras possessões no continente d’Africa ,que melhoradas por nossa industria nos fizessem ricos. He nossa agrande Ilha da Madeira ,flor do campo undoso, edonde noutro lempo oConde Henrique recebia, por os quintos para oMestrado de Christo, tão grande quantidade de assucar, que hoje he de maravilhar ,ainda que nisso não deixe duvida 0seu verídico Chronista :temos as fertilíssimas Ilhas de Cabo
Verde, para onde podemos passar todas as drogas, eespeciarias, qufc se dam nas mais favorecidas partes do globo :temos oTéjo ,que se está abrindo, ealargando ao mar, para receber ocommercio do mundo: temos Portugal, que he hoje melhorado, eengrandecido por anova liberdade, epóde tornar aser ode algum dia: então, £que mais ha* vemos mester, ou que mais possuíram os Hollandezes, que sendo habitadores de pobres charcos, deram leis ao mundo? Ficaríamos sern oBrazil ,etambém sem os cuidados de odefender econservar ,Ç por isso mesmo ,sem um principio de grande fraqueza ,que dahi nos vem :ficavamos sem aobrigação de aos nossos Conselhos Nacio' naes admittir Representantes, que poderiam tornar-se díscolos, eservindo amal merecidas antipathias ,eainteresses encontrados, embaraçassem aacção do Governo ,econfundissem as deliberações do Congresso com apalra de ninherias atrapalhadas. Ganhavamos o ser restituídos ánossa inteira confiança ,eánecessidade de só em nós apor, que ja por si só he mais de meia certeza anosso remédio: ed’ahi viria oexaltar-se aenergia do character nacional, ocultivarmos todos os campos da industria, aonde podessemos entrar, & reformar ,eaperfeiçoar nosso systema de governo, emais que tudo> ocuidar com amor ezelo na conservação de nossa preciosa liberdade, em qpe nos ia tudo. Não sei se applique para aqui asentença do Sn Aa*ier Monteiro Oh que isso vale mais que dez Brazis! Alem disso *no caso de se todo oBrazil separar de Portugal t? por ven tuja ficaria cerrado para sempre anossa industria ecommercio ?Não consentem as paixões que haja no mundo paz pcrp&~ lua (salvo se for nos cemeterios) epor isso também não póde haver perpetua guerra :acabada que esta seja, as nações tornam ao mutuo trato de commercio, ecada uma ofaz segundo seus cabedaes ,e facilidades que para issoCem ;que não sei eu cPoutro segredo para otrafico do negocio. Os Hollandezes apuráram na praíica esta iheoria ;pois andando em güerfa aberta com os Hespanhóes ,iam-lhes vender apolvora por contrabando. Ora pois, se dos cabedaes depende omutuo trato de commercio, ^quem tolherá aos nossos capitalistas fazer odo Brazil, ainda quando se este aparte de Portugal? Quando se entre nós introduza um bom systema de leis mercantiz, com as facilidades ,que nós temos para ocommercio, impossível he que não venhamos sempre ater boa parte no do Brazil. Custa-me acrer como não possa isto entrar em todas equaesquer cabeças, antes hajam algumas (até de negociantes) persuadidas de estar aruina ao commercio portuguez (como se elle estivera bem aproveitado) pen' dente da separação do Brazil! ”Venha cá, Senhor (pergunto a«m delles) V. m. faz alguma cousa com oBrazil? Náo senhor. ”Pois cntão ,çj que lhe importa aV. m. que se perca ou se ganhe ocoinrncr cio do Brazil? —£V. m. (pergunto aoutro) tem algum biscato coíti oBrazil ?Tenho ,sim Senhor ;recebo de lá muito boas commissúes. 1ois então esteja descançado; que sempre lhe hão de vir , elT1 quanto isso fizer conta ao seu conrespondente ,que não se imp°ra com uniões ou desuniões, enunca lhe mandou commissões por V. 1* ler os olhos azues, ou por outro qualquer respeito ,senão ode co crer “a ePleito deile. ”£assi he ;mas opovo não opà 1»® Ornais tu P°;,emos cr?r>eojuráramos ,sendo necessário .^ mais de l4 annos nao veio do Brazil dinheiro para Portug ’
antes (1’aqui lhe foi para lá omuito, ou pouco que tínhamos; eassi estamos agora com as mãos abanando, ou levadas á cabeça: as decantadas riquezas do JBrazil escoáram-se por os agueiros •ecanaes de Inglaterra ;e o padre Tejo ficou com as naturaes arêas d’oiro que tit nha. Epara mais ajuda de custo, está agora onosso thesou.ro ,ainda em cima de sua muila pobreza, pagando ordinárias aDeputados que vieram do Brazil !Enão pára ahi ;que se oRio de Janeiro não se -declarar império áparte, estamos obrigados alá pagar adivida publica, enacional, aqual se diz que he passante de 15 milhões; eahi temos as riquezas, que hão de sahir dos cofres do Rio de Janeiro para ;as nossas mãos vazias !Adeus (disse em Cortes oSr. Fernandes Thomás )adeus ;passe por lá muito bem ,senhor BraziL A’ vista do que levo dito, poucas saudades nos devem ficar de oRio de Janeiro se declarar independente ;pois alem de ser um Estado pobre ,he agora sobremodo endividado ;porém, como temos o Povo por innocente óas desordens, que por lá vão, que he tobra só de uns poucos Áulicos eMandões, não he justo ,segundo me parece^ que oPovo se deixe de todo ao desamparo. Póde lembrar olançar na ilha de Santa Catharina até 1500 soldados, que sirvam de soccorrer oPovo fiel ,quando se d’isso offerecer-occasião. Não he que me venham pensamentos de se perturbar com hostilidades esse engoiado reyno, império, ou não sei que (antes se deverá deixar em paz, eaté votaria, se< eu tivesse voto, para que não se fechassem ao seu commercio nossos portos, antps nelles se adrnittisse como de neutraes) mas he que esse império prometíe. ser tão curto como odo Espirito Santo, eentão poderiam nossas poucas forças tomar seguramente conta da Província. Lá não ha dinheiro para se acodir ácat terva infinita dos empregados; porque oPríncipe, se não me erra amemória.^ escreveu para aqui, que lhe £4 -vam ,adespeito de todas sni as economias, seis milhões para as dt^ezas annuaes: dinheiro não lhe vem das Províncias do norte, que nunca oPrincipe reconhecêrarn :jque virá aser ?Soltam-se Já os h^bos famintos, edevoram quanto poderem achar; acabarn-se uns aos ojitros os Magnates cobiçosos do mando; inundá-se aProvinda de ipda ácasta de crimes e maldades ;eacaba ofamoso império, coiho todos os entremezes Plespanhóes ,que hei visto, com desordens epancadaria: então, o nosso soccorro, que fòr chamado, assistirá ,como lá dizem, ao atar das feridas. ONorte do Brazil, que he aparte mais rica, parece que não tem espíritos tão elevados como oSul, para se desejar nas grimpas de uma calhegoria Imperial: esse sirn ,por alguns annos poderemos nós conservar na união >em quanto não obeliscar asaudade da republica do Martins. Depois d’estas minhas observações geraes ou particulares sobre os negocios do Brazil, já agora póde ter logar meu humilde parecer sobre oda Commissão Especial de Cortes aesse respeito, que foi o titulo com que mais prometti occupar-me, eem que menos posso agora cumprir, como estava obrigado ,eodéfcejava ;porque, já agora* depois de haver consumido longo espaço de tempo no facilitar os estorvos da jornada ,não otenho mui folgado para alevar ao fim. To* davia, ainda direi aopinião que tenho d’esse Parecer, em verdade , inferior áminha expectação, por omuito que os illuslres Deputados* que assignáram oParecer, me mereciam. Conteça esse Parecer por justificar cabalmente oque havia oCoii-
/ 4 / r.*> ^* 4 {8) gresso determinado para regimento do Brazil ,esahe-se no fim reformando isso, que era cabalmente justificado, eainda agora parece que não deixa de oser! OPríncipe Real fòra mandado vir do Brazil ,co- *mb elle mesmo orequerera, por se não poder ahi sustentar com sua Corte; que não ha dinheiro para essa despeza :depois disso, aconse- Jhã-se que oPríncipe não se mova por ora do Brazil, eao mesmo tempo não se aponta donde ha de vir odinheiro, ou como ha de ser, para se oPríncipe alli manter com apompa edignidade de sua Casa Real ! Justifica-se com as melhores razoes cio mundo ohaver oCongresso íeito aforça armada independente das Juntas de administração no Brazil; porque destas, segundo sua natureza, nunca poderia haver responsabilidade nesse caso ,mórmenle não sendo sua attribuição onomear essa força armada para oBrazil :depois disso põe aCommissao que fique aforça militar áobediência das Juntas! Entrega-se aFazenda Nacional ás Juntas do Brazil ,depois de já se lhes ter dado authoridade sobre atropa ;eagora até se lhes prorrvettem um ou dois centros geraes de Governo no Brazil! £Que vai dahi ao declara-lo independente ?Isso hem que desejam alguns Brazileiros, què bem conhecem não poderem chegar por si áindependência, e só apoderão alcançar ,quando de cá os ajudem nisso; porem, embora sejam elles, ou se declarem independentes; mas nunca venha essa obra por nossas mãos, enunca esperavamos ve-la ajudada innocentemente por as de tão atilados Varões, como são os que entrarão na Commrssão desse Parecer. Estamos maravilhados como eila podesse concordar união eunidade da Monarchia Portugueza, e ao mesmo tempo um centro gerai de Governo no Brazil !Já agora talvez esteja eu guardadp para ver dois centros no mesmo circulo. E também não po3-jo ou -- '.•nr aparte da Constituição ,que favoreça os Brazileiros no evy T -nho de lerem no Brazil um centro de Governo, que só lhes podi. negar oCongresso ,se fosse barbeiro !Quando vejo aVarões de tanto juizo concordar no conceder, impossíveis, talvez só porque anatu j*za dispensa que se ponham por obra, digo comigo mesmo: não sei worno tal fizeram homens de tanto juizo ,que se quizereth escapar ánc'a de menos sinceros ,nunca será sem injuria de, seus entendimentos ! Impossível he que passe no Corigressô oParecer da Commissão* por omal concorde que está com os seus mesmos princípios ,ecom clusões ,por seu acanhado estilo, que todo oPortuguez terá por menos proprio da dignidade da Assembíéa, eporque váe d’enconir° 11 todos os princípios da sãa Política eda Justiça, não menos que aos verdadeiros interesses de nossos irmãos Brazileiros. Não sei em d116 Author li éste pensamento sublime - —que só Deus podia governar o mundo :eem atrevo-me adizer —que um Anjo não podia hoje g°~ vernar aBrazileiros independentes. Poderão as Cortes rege-los com trabalho, mas será, quando constantes em seus propositos eresolu" ções, adoptem para si e^e mote: DEUS EAMINHA JUSTIÇA* Lisboa 23 de Marçcde 1822. —J. B. da R.